Desobsessão

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Desobsessão

  1. 1. Francisco Cândido Xavier e Waldo VieiraDesobsessão Ditado pelo Espírito André LuizFEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA DEPARTAMENTO EDITORIAL Rua Souza Valente, 17 20941-040 - Rio - RJ - Brasil http://www.febnet.org.br/
  2. 2. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 2 (Contra-capa) Desobsessão Pelo Espírito André Luiz Como nos assinala Emmanuel, destaca-se, da coleção de André Luiz, este “livro diferente”. Objetiva prestar valioso auxílio àqueles que se pro- põem a tratar, com a devida seriedade, em reuniões espe- cíficas da Casa Espírita, o grave problema da obsessão, que, como as mais diferentes e temíveis doenças do corpo físico, se constitui em flagelo da humanidade. Através de 73 capítulos, devidamente ilustrados, es- critos de maneira objetiva, aborda temas que orientam os trabalhadores das reuniões de desobsessão, desde o des- pertar no dia da reunião, superação de impedimentos, conversação anterior à reunião, pontualidade, equipe, e- ducação mediúnica, passes, até o seu encerramento. Trata, ainda, de importantes procedimentos posteriores ao traba- lho de desobsessão. Alerta sobre a gravidade do assunto, salientando que cada templo espírita deve possuir a sua equipe de servido- res da desobsessão, não somente para sua defesa e con- servação, como também para socorrer as vítimas da deso- rientação espiritual.
  3. 3. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 3 ÍndiceUm livro diferente ........................................................................ 6Desobsessão ................................................................................. 91 Preparo para a reunião: Despertar .......................................... 122 Preparo para a reunião: Alimentação...................................... 143 Preparo para a reunião: Repouso físico e mental .................... 154 Preparo para a reunião: Prece e meditação ............................. 165 Superação de impedimentos: Chuva....................................... 176 Superação de impedimentos: Visitas ...................................... 187 Superação de impedimentos: Contratempos ........................... 198 Impedimento natural .............................................................. 209 Templo espírita ...................................................................... 2110 Recinto das reuniões............................................................. 2211 Chegada dos companheiros .................................................. 2312 Conversação anterior à reunião ............................................ 2413 Dirigente .............................................................................. 2514 Pontualidade......................................................................... 2715 Mobiliário para os trabalhos ................................................. 2916 Cadeiras................................................................................ 3017 Iluminação............................................................................ 3118 Isolamento hospitalar ........................................................... 3219 Aparelhos elétricos............................................................... 3420 Componentes da reunião ...................................................... 3521 Visitantes.............................................................................. 3722 Ausência justificada ............................................................. 3923 Chegada inesperada de doente.............................................. 4024 Médiuns esclarecedores........................................................ 41
  4. 4. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 425 Equipe mediúnica: Psicofônicos........................................... 4326 Equipe mediúnica: Passistas................................................. 4527 Livros para leitura ................................................................ 4628 Leitura preparatória .............................................................. 4729 Prece inicial.......................................................................... 4830 Manifestação inicial do mentor ............................................ 4931 Consultas ao mentor ............................................................. 5032 Manifestação de enfermo espiritual (1) ................................ 5133 Manifestação de enfermo espiritual (2) ................................ 5234 Manifestação de enfermo espiritual (3) ................................ 5435 Manifestação de enfermo espiritual (4) ................................ 5636 Manifestação de enfermo espiritual (5) ................................ 5737 Esclarecimento ..................................................................... 5838 Cooperação mental ............................................................... 6039 Manifestações simultâneas (1).............................................. 6140 Manifestações simultâneas (2).............................................. 6241 Interferência do benfeitor ..................................................... 6342 Atitude dos médiuns (1) ....................................................... 6443 Atitude dos médiuns (2) ....................................................... 6544 Mal-estar imprevisto do médium.......................................... 6645 Educação mediúnica (1) ....................................................... 6746 Educação mediúnica (2) ....................................................... 6847 Educação mediúnica (3) ....................................................... 6948 Educação mediúnica (4) ....................................................... 7049 Educação mediúnica (5) ....................................................... 7150 Interferência de enfermo espiritual....................................... 7251 Radiações ............................................................................. 7352 Passes ................................................................................... 7453 Imprevistos........................................................................... 75
  5. 5. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 554 Manifestação final do mentor ............................................... 7655 Gravação da mensagem ........................................................ 7756 Prece final ............................................................................ 7957 Encerramento ....................................................................... 8058 Conversação posterior à reunião........................................... 8159 Reouvindo a mensagem........................................................ 8360 Estudo construtivo das passividades..................................... 8461 Saída dos companheiros ....................................................... 8562 Comentários domésticos....................................................... 8663 Assiduidade .......................................................................... 8864 Benefícios da desobsessão.................................................... 8965 Reuniões de médiuns esclarecedores .................................... 9166 Reuniões de estudos mediúnicos .......................................... 9267 Reuniões mediúnicas especiais............................................. 9368 Visita a enfermo ................................................................... 9469 Visita a hospital.................................................................... 9570 Culto do evangelho no lar .................................................... 9771 Culto da assistência .............................................................. 9872 Estudos extras ...................................................................... 9973 Formação de outras equipes ............................................... 100
  6. 6. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 6 Um livro diferente “E perguntou-lhe Jesus, dizendo: “Qual é o teu no- me?” E ele disse: “Legião”, porque tinham entrado nele muitos demônios.” LUCAS, versículo 8, capítulo 30. Atendendo ao trabalho da desobsessão nos arredores de Gá-dara, vemos Jesus a conversar fraternalmente com o obsesso quelhe era apresentado, ao mesmo tempo que se fazia ouvido pelosdesencarnados infelizes. Importante verificar que ante a interrogativa do Mestre, aperguntar-lhe o nome, o médium, consciente da pressão que sofriapor parte das Inteligências conturbadas e errantes, informa cha-mar-se “Legião”, e o evangelista acrescenta que o obsidiado assimprocedia “porque tinham entrado nele muitos demônios”. Sabemos hoje com Allan Kardec, conforme palavras textuaisdo Codificador da Doutrina Espírita, no item 6 do capítulo 12º,“Amai os vossos inimigos”, de “O Evangelho segundo o Espiri-tismo”, que “esses demônios mais não são do que as almas doshomens perversos, que ainda se não despojaram dos instintos ma-teriais”. No episódio, observamos o Cristo entendendo-se, de maneirasimultânea, com o médium e com as entidades comunicantes, nabenemérita empresa do esclarecimento coletivo, ensinando-nosque a desobsessão não é caça a fenômeno e sim trabalho pacientedo amor conjugado ao conhecimento e do raciocínio associado àfé.
  7. 7. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 7 Seja no caso de mera influenciação ou nas ocorrências dapossessão profunda, a mente medianímica permanece juguladapor pensamentos estranhos a ela mesma, em processos de hipnosede que apenas gradativamente se livrará. Daí ressalta o imperativode se vulgarizar a assistência sistemática aos desencarnados prisi-oneiros da insatisfação ou da angústia, por intermédio das equipesde companheiros consagrados aos serviços dessa ordem que, aliás,demandam paciência e compreensão análogas às que caracterizamos enfermeiros dedicados ao socorro dos irmãos segregados nosmeandros da psicose, portas a dentro dos estabelecimentos de curamental. Sentindo de perto semelhante necessidade, o nosso amigoAndré Luiz organizou este livro diferente de quantos lhe constitu-em a coleção de estudioso dos temas da alma, no intuito de arre-gimentar novos grupos de seareiros do bem que se proponhamreajustar os que se vêem arredados da realidade fora do campofísico. Nada mais oportuno e mais justo, de vez que, se a ignorân-cia reclama o devotamento de professores na escola e a psicopato-logia espera pela abnegação dos médicos que usam a palavra e-quilibrante nos gabinetes de análise psicológica, a alienação men-tal dos Espíritos desencarnados exige o concurso fraterno de cora-ções amigos, com bastante entendimento e bastante amor paraauxiliar nos templos espíritas, atualmente dedicados à recuperaçãodo Cristianismo, em sua feição clara e simples. Salientando, pois, neste volume, precioso esforço de sínteseno alívio aos obsessos, através dos colaboradores de todas as con-dições, rogamos ao Senhor nos sustente a todos – tarefeiros en-carnados e desencarnados – na obra a realizar, porquanto obsidia-dos e obsessores, consciente ou inconscientemente arrojados àdesorientação, no mundo ou além do mundo, são irmãos que nospedem arrimo, companheiros que nos integram a família terrestre,e o amparo à família não é ministério que devamos relegar para a
  8. 8. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 8esfera dos anjos e sim obrigação intransferível que nos competeabraçar por serviço nosso. EMMANUEL Uberaba, 2 de janeiro de 1964 (Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier.)
  9. 9. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 9 Desobsessão Terapêuticas diversas merecem estudos para a supressão dosmales que flagelam a Humanidade. Antibióticos atacam processosde infecção, institutos especializados examinam a patologia docâncer, a cirurgia atinge o coração para sanar o defeito cardíaco ea vacina constitui defesa para milhões. Ao lado, porém, das en-fermidades que supliciam o corpo, encontramos, aqui e além, ascalamidades da obsessão que desequilibram a mente. Para lá das teias fisiológicas que entretecem o carro orgânicode que se vale o Espírito para o estágio educativo no mundo, épossível identificar os quadros obscuros de semelhantes desastres,nos quais as forças magnéticas desajustadas pelo pensamento emdesgoverno assimilam forças magnéticas do mesmo teor, estabe-lecendo a alienação mental, que vai do tique à loucura, escalandopor fobias e moléstias-fantasmas. Vemo-los instalados em todasas classes, desde aquelas em que se situam as pessoas providas deelevados recursos da inteligência àquelas outras onde respiramcompanheiros carecentes das primeiras noções do alfabeto, des-bordando, muita vez, na tragédia passional que ocupa a atenção daimprensa ou na insânia conduzida ao hospício. Isso tudo, semrelacionarmos os problemas da depressão, os desvarios sexuais, assíndromes de angústias e as desarmonias domésticas. Espíritos desencarnados e encarnados de condição enfermiçasintonizam-se uns com os outros, criando prejuízos e perturbaçõesnaqueles que lhes sofrem a influência vampirizadora, lembrandovegetais nobres que parasitos arrasam, depois de solapar-lhes to-das as resistências. Refletindo nisso e diligenciando cooperar na medicação a es-ses males de sintomatologia imprecisa, imaginamos a organização
  10. 10. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 10deste livro1, dedicado a todos os companheiros que se interessampelo socorro aos obsidiados – livro que se caracteriza por absolutasimplicidade na exposição dos assuntos indispensáveis à constitu-ição e sustentação dos grupos espíritas devotados à obra libertado-ra e curativa da desobsessão. Livro que possa servir aos recintosconsagrados a esse mister, estejam eles nos derradeiros recantosdas zonas rurais ou nos edifícios das grandes cidades, cartilha detrabalho em que as imagens2 auxiliem o entendimento da explica-ção escrita, a fim de que os obreiros da Doutrina Espírita atendamà desobsessão, consoante os princípios concatenados por AllanKardec. Nenhuma instituição de Espiritismo pode, a rigor, desinteres-sar-se desse trabalho imprescindível à higiene, harmonia, amparoou restauração da mente humana, traçando esclarecimento justo,seja aos desencarnados sofredores, seja aos encarnados desprovi-dos de educação íntima que lhes sofram a atuação deprimente,conquanto, às vezes, involuntária. Cada templo espírita deve e precisa possuir a sua equipe deservidores da desobsessão, quando não seja destinada a socorreras vítimas da desorientação espiritual que lhes rondam as portas,para defesa e conservação de si mesma. Oferecemos, desse modo, estas páginas despretensiosas aosque sintam suficiente amor pelos que jazem transviados nas trevasdas ilusões e paixões em que se consomem, circunscritos aos mar-cos estreitos da ignorância, na Terra e além da Terra, nos tormen-1 O Espírito André Luiz convidou os médiuns Waldo Vieira e FranciscoCândido Xavier a psicografarem com ele o presente volume, responsa-bilizando-se ambos pelos capítulos de números ímpares e pares, respec-tivamente.2 As fotografias que ilustram este volume representam gentileza doscompanheiros de ideal e pertencem aos arquivos da Exposição EspíritaPermanente da CENTRO ESPÍRITA C., de Uberaba, Minas.
  11. 11. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 11tos e desvarios do “eu”. E entregando-as aos amigos que nos pos-sam acolher o desejo de acertar e avaliar conosco a extensão e agravidade do problema, recordemos, reconhecidamente, junto detodos eles, que o Espiritismo é o Cristianismo Restaurado e que opioneiro número um da desobsessão, esclarecendo Espíritos infe-lizes e curando obsidiados de todas as condições, foi exatamenteJesus. ANDRÉ LUIZ Uberaba, 2 de janeiro de 1964 (Página recebida pelo médium Waldo Vieira.)
  12. 12. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 12 1 Preparo para a reunião: Despertar No dia marcado para as tarefas de desobsessão, os integrantes da equipe precisam, a rigor, cultivar atitude mental digna, desde cedo. Ao despertar pela manhã, o di- rigente, os assessores da orientação, os médiuns incorporadores, os companheiros da sustentação ou mesmo aqueles que serão visitas ocasionais no grupo, devem elevar o nível do pensamento, seja orando ou acolhendo idéias de natureza superior. Intenções e palavras puras, ati-tudes e ações limpas. Evitar deliberadamente rusgas e discussões, sustentando paci-ência e serenidade, acima de quaisquer transtornos que sobreve-nham durante o dia. Trata-se de preparação adequada a assunto grave: a assistên-cia a desencarnados menos felizes, com a supervisão de instruto-res da Vida Espiritual. Imaginem-se os companheiros no lugar dos Espíritos necessi-tados de socorro e compreenderão a responsabilidade que assu-mem.
  13. 13. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 13 Cada componente do conjunto é peça importante no meca-nismo do serviço. Todo o grupo é instrumentação.
  14. 14. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 14 2 Preparo para a reunião: Alimentação A alimentação, durante as ho- ras que precedem o serviço de in- tercâmbio espiritual, será leve. Nada de empanturrar-se o companheiro com viandas desne- cessárias. Estômago cheio, cérebro iná- bil. A digestão laboriosa consome grande parcela de energia, impe- dindo a função mais clara e mais ampla do pensamento, que exige segurança e leveza para exprimir-se nas atividades da desobsessão. Aconselháveis os pratos ligeiros e as quantidades mínimas,crendo-nos dispensados de qualquer anotação em torno da impro-priedade do álcool, acrescendo observar que os amigos ainda ne-cessitados do uso do fumo e da carne, do café e dos temperosexcitantes, estão convidados a lhes reduzirem o uso, durante o diadeterminado para a reunião, quando não lhes seja possível a abs-tenção total, compreendendo-se que a posição ideal será sempre ado participante dos trabalhos que transpõe a porta do templo semquaisquer problemas alusivos à digestão.
  15. 15. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 15 3 Preparo para a reunião: Repouso físico e mental Após o trabalho, seja ele pro- fissional ou doméstico, braçal ou mental, faça o seareiro da desob- sessão o horário possível de refa- zimento do corpo e da alma. Repouso externo e interno. Relaxe, com ideações edifican- tes. Abstenção de pensamentos im- próprios. Aspirações para cima. Distância de preocupações in- feriores. Preparação íntima, podendo incluir leitura moralizadora e sa-lutar. Formação de ambiente particular respeitável, de cujos agentesespirituais, enobrecidos e puros, se valham os instrutores para acomposição dos recursos de alívio e esclarecimento aos irmãosque, desenfaixados da veste física, ainda sofrem. Os responsáveis pelas tarefas da desobsessão devem compre-ender que as comunicações reclamam espontaneidade e que opreparo a que nos referimos é de ordem geral, sem a fixação damente em exigências ou gratificações de sentimento pessoal.
  16. 16. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 16 4 Preparo para a reunião: Prece e meditação Pelo menos durante alguns mi- nutos, horas antes dos trabalhos, seja qual for a posição que ocupe no conjunto, dedique-se o compa- nheiro de serviço à prece e à medi- tação em seu próprio lar. Ligue as tomadas do pensa- mento para o Alto. Retire-se, em espírito, das vul- garidades do terra-a-terra, e ore, buscando a inspiração da Vida Maior. Reflita que, em breve tempo, estará em contacto, embora ligeiro,com os irmãos domiciliados no Mundo Espiritual, para onde iráigualmente, um dia, e antecipe o cultivo da simpatia e do respeito,da compaixão produtiva e da bondade operosa para com todosaqueles que perderam o corpo físico sem a desejada maturaçãoespiritual. Dessa forma, estará caminhando para a colaboração dignacom os benfeitores desencarnados que são os legítimos ministra-dores do bem.
  17. 17. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 17 5 Superação de impedimentos: Chuva Hora de sair para a reunião. Necessário vencer os percalços que o tempo é capaz de oferecer. Não raro, é a promessa de a- guaceiro iminente ou a ventania forte, comparecendo por empeci- lhos habituais. Chuva ou frio... O integrante da equipe não se prenderá em casa por semelhantes obstáculos. Conservará, sempre à mão, o agasalho preciso e enfrentaráquaisquer desafios naturais, consciente das obrigações que lhecompetem.
  18. 18. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 18 6 Superação de impedimentos: Visitas Na lista dos impedimentos na- turais, um existe dos mais freqüen- tes: a visita inesperada. Compreende-se o constrangi- mento dos companheiros já prestes a sair de casa para o serviço espiri- tual. Em alguns casos, é um parente necessitando de palavras amigas; de outros, um companheiro recla- mando atenção. Que isso não seja tomado à conta de óbice insuperável. O tarefeiro da desobsessão es-clarecerá o assunto delicadamente, empregando franqueza e hu-mildade, sem esconder o móvel da ausência a que se vê compeli-do, cumprindo, assim, não apenas o dever que lhe assiste, comotambém despertando simpatia nos circunstantes e assegurando a simesmo o necessário apoio vibratório.
  19. 19. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 19 7 Superação de impedimentos: Contratempos Na série de obstáculos que, em muitas ocasiões, parecem inteligen- temente determinados a lhe entra- varem o passo, repontam os mais imprevistos contratempos à frente do servidor da desobsessão. Uma criança cai, explodindo em choro... Desaparece a chave de uma porta... Um recado chega, de improvi- so, suscitando preocupações... Alguém chama para solicitarum favor... Certo familiar se queixa de dores súbitas... Colapso do sistema de condução... Dificuldades de trânsito... O colaborador do serviço de socorro aos desencarnados so-fredores não pode hesitar. Providencie, de imediato, as soluçõesrazoáveis para esses pequeninos problemas e siga ao encontro dasobrigações espirituais que o aguardam, lembrando-se de quemesmo as festas de natureza familiar, quais sejam as comemora-ções de aniversário ou os júbilos por determinados eventos do-mésticos, não devem ser categorizados à conta de obstrução.
  20. 20. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 20 8 Impedimento natural Circunstâncias existem que pe- sam na balança do trabalho por obstáculos naturais. Uma viagem inesperada, por exemplo. Pode acontecer que a obrigação profissional assim o exija. Noutros casos, a moléstia gra- ve comparece em casa ou na pessoa do próprio cooperador, obstando- lhe o comparecimento à reunião. Temos ainda a considerar o impedimento por enfermidadesepidêmicas, qual a gripe, e, em nossas irmãs, é razoável aceitarcomo motivos justos de ausência os cuidados decorrentes da gra-videz e os embaraços periódicos característicos da organizaçãofeminil. Surgindo o impasse, é importante que o companheiro ou acompanheira se comunique, rápido, com os responsáveis pelasessão, atentos a que se deve assegurar a harmonia do esforço deequipe tanto quanto possível.
  21. 21. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 21 9 Templo espírita À medida que se nos aclara o entendimento, nas realizações de caráter mediúnico, percebemos que as lides da desobsessão pedem o ambiente do templo espírita para se efetivarem com segurança. Para compreender isso, recor- demos que, se muitos doentes con- seguem recuperar a saúde no clima doméstico, muitos outros reclamam o hospital. Se no lar dispomos de agentes empíricos a benefício dos enfer- mos, numa casa de saúde encon-tramos toda uma coleção de instrumentos selecionados para aassistência pronta. No templo espírita, os instrutores desencarnados conseguemlocalizar recursos avançados do plano espiritual para o socorro aobsidiados e obsessores, razão por que, tanto quanto nos seja pos-sível, é aí, entre as paredes respeitáveis da nossa escola de fé viva,que nos cabe situar o ministério da desobsessão. Razoável, ainda,observar que os servidores de semelhante realização não podemassumir, sem prejuízo, compromissos para outras atividades me-dianímicas, antes ou depois do trabalho em que se comprometema benefício dos sofredores desencarnados.
  22. 22. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 22 10 Recinto das reuniões O recinto das reuniões pede limpeza e simplicidade. A mesa, com alguns dos livros básicos da Doutrina Espírita, de preferência “O Livro dos Espíri- tos”, “O Evangelho segundo o Es- piritismo” e um volume que desen- volva o pensamento kardequiano, conjugado aos ensinamentos do Cristo, estará cercada pelas cadei- ras devidas ao número exato dos componentes da reunião, apresen- tando-se despida de toalhas, orna- mentos, recipientes de água e obje-tos outros. Em seguida à fila dos assentos, colocar-se-á pequena acomo-dação, seja um simples banco ou algumas cadeiras para visitaseventuais. Um relógio será colocado à vista ou à mão, seja numa parede,no bolso ou no pulso do dirigente, para que o horário e a discipli-na estabelecida não sofram distorções, e o aparelho para a grava-ção de vozes, na hipótese de existir no aposento, não deverá per-turbar o bom andamento das tarefas e será colocado em lugar de-signado pelo orientador dos trabalhos.
  23. 23. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 23 11 Chegada dos companheiros Os benfeitores espirituais de plantão, na obra assistencial aos irmãos desencarnados sofredores, esperam sempre que os integrantes da equipe alcancem o recinto de serviço em posição respeitosa. Nada de vozerio, tumulto, gri- tos, gargalhadas. Lembrem-se os companheiros encarnados de que se aproximam de enfermos reunidos, como num hospital, credores de atenção e ca- rinho. A obra de socorro está prestesa começar. Necessário inclinar o sentimento ao silêncio e à compaixão, àbondade e à elevação de vistas, a fim de que o conjunto possafuncionar em harmonia na construção do bem.
  24. 24. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 24 12 Conversação anterior à reunião Há sempre margem a conver- sações no recinto para os que che- gam mais cedo, cabendo aos searei- ros do conjunto evitar a dispersão de forças em visitas, mesmo rápi- das, mas impróprias, a locais vizi- nhos, sejam casas particulares ou restaurantes públicos. Compreensível rogar aos cola- boradores da tarefa a total absten- ção de temas contrários à dignidade do trabalho que vão desempenhar. Evitem-se os anedotários joco- sos, as considerações injuriosas aquem quer que seja. Esqueçam-se críticas, comentários escandalosos, queixas, a-zedumes, apontamentos irônicos. Toda referência verbal é fator de indução. Se somos impelidos a conversar, durante os momentos queprecedem a atividade assistencial, seja a nossa palestra algo debom e edificante que auxilie e pacifique o clima do recinto, aoinvés de conturbá-lo.
  25. 25. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 25 13 Dirigente O dirigente das tarefas de de- sobsessão não pode esquecer que a Espiritualidade Superior espera nele o apoio fundamental da obra. Direção e discernimento. Bon- dade e energia. Certo, não se lhe exigirão qua- lidades superiores à do homem comum; no entanto, o orientador da assistência aos desencarnados so- fredores precisa compreender que as suas funções, diante dos médiuns e freqüentadores do grupo, são semelhantes às de um pai de famí-lia, no instituto doméstico. Autoridade fundamentada no exemplo. Hábito de estudo e oração. Dignidade e respeito para com todos. Afeição sem privilé-gios. Brandura e firmeza. Sinceridade e entendimento. Conversação construtiva. Para manter-se na altura moral necessária, o diretor dispensa-rá a todos os componentes de conjunto a atenção e o carinho idên-ticos àqueles que um professor reto e nobre cultiva perante osalunos e, como se erguerá, perante os instrutores Espirituais, na
  26. 26. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 26posição de médium esclarecedor mais responsável, designará doisa três companheiros, sob a orientação dele próprio, a fim de quese lhe façam assessores em serviço e o substituam nos impedi-mentos justificados.
  27. 27. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 27 14 Pontualidade Pontualidade – tema essencial no quotidiano, disciplina da vida. Administrações não respeitam funcionários relapsos. Em casa, estimamos nos fami- liares os compromissos em dia, os deveres executados com exatidão. Habitualmente não falhamos no horário marcado pelas persona- lidades importantes do mundo, a fim de corresponder-lhes ao apreço. A entrevista com um industri- al... A fala com um Ministro de Estado... Nas lides da desobsessão, é forçoso entender que benfeitoresespirituais e amigos outros desencarnados se deslocam de obriga-ções graves da Vida Superior, a fim de assistir-nos e socorrer-nos. Pontualidade é sempre dever, mas na desobsessão assume ca-ráter solene. Não haja falha de serviço por nossa causa. Não se pode es-quecer que o fracasso, na maioria das vezes, é o produto infelizdos retardatários e dos ausentes. A hora de início das tarefas precisa mostrar-se austera, enten-dendo-se que o instante do encerramento é variável na pauta dascircunstâncias.
  28. 28. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 28 Aconselhável se feche disciplinarmente a porta de entrada, 15minutos antes do horário marcado para a abertura da reunião,tempo esse que será empregado na leitura preparatória.
  29. 29. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 29 15 Mobiliário para os trabalhos O mobiliário no recinto dedi- cado à desobsessão não apenas necessita estar escoimado de obje- tos e apetrechos que recordem ritu- ais e amuletos, símbolos e ídolos de qualquer espécie, mas também deve ser integrado por peças simples e resistentes. A mesa deve ser sólida e as ca- deiras talhadas em madeira, lem- brando, sem adornos desnecessá- rios, a austeridade de uma família respeitável. Se tivermos de acrescentar al-go, aditemos dois bancos, igualmente de madeira, para visitascasuais ou para o socorro magnético a esse ou àquele companhei-ro do grupo quando necessite de passe, a distância do círculo for-mado em comunhão de pensamento. Evitarmos tapetes, jarros, telas e enfeites outros, porquanto orecinto é consagrado, além de tudo, ao alívio de Espíritos sofredo-res ou alienados mentais autênticos, necessitados de ambientelimpo e simples, capaz de auxiliá-los a esquecer ilusões ou expe-riências menos felizes vividas na Terra.
  30. 30. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 30 16 Cadeiras As cadeiras para a reunião me- recem apontamentos particulares. Evite-se o uso de poltronas que sugiram a sesta, como também o emprego de móveis desprovidos de qualquer anteparo, à feição de tam- boretes que imponham desconforto. Utilizemo-nos de cadeiras, pe- sadas na constituição, para frustrar os impulsos de queda ou de agita- ção excessiva, habituais nos mé- diuns em transe, mas construídas em estilo singelo, com o espaldar amplo e alto que suporte com fir-meza os seareiros empenhados no socorro espiritual aos irmãosperturbados, além do plano físico. Evitem-se as cadeiras desconjuntadas ou rangedoras que sóruídos desnecessários e perturbações outras provocam no ambien-te.
  31. 31. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 31 17 Iluminação A iluminação no recinto será, sem dúvida, aquela de potenciali- dade normal, na fase preparatória das tarefas, favorecendo vistorias e leituras. Contudo, antes da prece inicial, o dirigente da reunião graduará a luz no recinto, fixando-a em uma ou duas lâmpadas, preferivelmente vermelhas, de capacidade fraca, 15 watts, por exemplo, de vez que a projeção de raios demasiado inten- sos sobre o conjunto prejudica a formação de medidas socorristas,mentalizadas e dirigidas pelos instrutores espirituais, diretamenteresponsáveis pelo serviço assistencial em andamento, com apoionos recursos medianímicos da equipe. As lâmpadas devem ser situadas a distância da mesa dos tra-balhos para se evitarem acidentes. Nas localidades não favorecidas pela energia elétrica, o orien-tador da reunião diminuirá no recinto o teor da luz empregada.
  32. 32. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 32 18 Isolamento hospitalar A desobsessão abrange em si obra hospitalar das mais sérias. Compreenda-se que o espaço a ela destinado, entre quatro paredes, guarda a importância de uma en- fermaria, com recursos adjacentes da Espiritualidade Maior para tra- tamento e socorro das mentes de- sencarnadas, ainda conturbadas ou infelizes. Arrede-se da desobsessão qualquer sentido de curiosidade intempestiva ou de formação espe- taculosa. Coloquemo-nos no lugar dos desencarnados em desequilíbrioe entenderemos, de pronto, a inoportunidade da presença de qual-quer pessoa estranha a obra assistencial dessa natureza. O amparo e o esclarecimento aos Espíritos dementados ou so-fredores é serviço para quem possa compreendê-los e amá-los,respeitando-lhes a dor. Daí nasce o impositivo de absoluto isolamento hospitalar parao recinto dedicado a semelhantes serviços de socorro e esclareci-mento, entendendo-se, desse modo, que a desobsessão, tantoquanto possível, deve ser praticada de preferência no templo espí-rita, ao invés de ambientes outros, de caráter particular. Nesse sentido, é importante que os obreiros da desobsessão,notadamente os médiuns psicofônicos e os médiuns esclarecedo-
  33. 33. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 33res, visitem os hospitais e casas destinadas à segregação de de-terminados enfermos, para compreenderem com segurança o im-perativo de respeitosa cautela no trato com os Espíritos revoltadose desditosos.
  34. 34. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 34 19 Aparelhos elétricos Os aparelhos elétricos, no re- cinto, quando a desobsessão seja efetuada em lugar capaz de utilizá- los, devem ser restritos a uma lan- terna elétrica, destinada a serventia eventual, e, quando seja possível, a um aparelho para gravação de vo- zes das entidades, notadamente aquelas que se caracterizam por manifestações construtivas, para que se lhes fixem os ensinos ou experiências com objetivo de estu- do. Repitamos que o grupo apenasusará o aparelho para gravação de vozes, quando semelhante me-dida esteja em suas possibilidades, sem que isso seja fator essen-cial e inadiável à realização do programa em pauta. O dirigente da reunião ou o companheiro indicado para o ma-nejo desses engenhos precisa, porém, estar atento, verificando-lhes o estado e o funcionamento, antes das atividades da equipe,prevenindo quaisquer necessidades, de maneira a evitar aborreci-mentos e atropelos de última hora.
  35. 35. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 35 20 Componentes da reunião Os componentes da reunião, que nunca excederão o número de quatorze, conservem, acima de tudo, elevação de pensamentos e correção de atitudes, antes, durante e depois de cada tarefa. Nenhuma preocupação com pa- ramentos ou vestes especiais. Compenetrem-se de que se a- cham no recinto exercendo frater- nalmente um mandato de confian- ça. Na Doutrina Espírita não há lugar para fé cega. Evitem-se, noentanto, no ambiente da desobsessão, pesquisas ociosas e vãs in-dagações, críticas e expectações insensatas. Todos os componentes da equipe assumirão funções específi-cas. Num grupo de 14 integrantes, por exemplo, trabalharão 2 a 4médiuns esclarecedores; 2 a 4 médiuns passistas e 4 a 6 médiunspsicofônicos. Os médiuns esclarecedores e passistas, além dos deveres es-pecíficos que se lhes assinala, servirão, ainda, na condição deelementos positivos de proteção e segurança para os médiuns psi-cofônicos, sempre que estes forem mobilizados em serviço. Im-prescindível reconhecer que todos os participantes do conjuntosão equiparáveis a pilhas fluídicas ou lâmpadas, que estarão sen-sibilizadas ou não para os efeitos da energia ou da luz que se lhes
  36. 36. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 36pede em auxílio dos que jazem na sombra de espírito. Daí o impe-rativo do teor vibratório elevado nos componentes da reunião, afim de que os doentes da alma se reaqueçam para o retorno aoequilíbrio e ao discernimento. Os componentes encarnados da reunião não se rendam ao so-no nas tarefas dedicadas à desobsessão, para se evitarem desdo-bramentos desnecessários da personalidade, cabendo-nos salientarigualmente que nas realizações dessa natureza não devem compa-recer quaisquer outras demonstrações ou experiências de mediu-nidade.
  37. 37. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 37 21 Visitantes O serviço de desobsessão não é um departamento de trabalho para cortesias sociais que, embora res- peitáveis, não se compadecem com a enfermagem espiritual a ser de- senvolvida, a benefício de irmãos desencarnados que amargas difi- culdades atormentam. Ainda assim, há casos em que companheiros da construção espíri- ta-cristã, quando solicitem permis- são para isso, podem ter acesso ao serviço, em caráter de observação construtiva; entretanto, é forçosopreservar o cuidado de não acolhê-los em grande número para queo clima vibratório da reunião não venha a sofrer mudanças ino-portunas. Essas visitas, no entanto, devem ser recebidas apenas de raroem raro e em circunstâncias realmente aceitáveis no plano dostrabalhos de desobsessão, principalmente quando objetivem afundação de atividades congêneres. E antes da admissão necessá-ria é imperioso que os mentores espirituais do grupo sejam previ-amente consultados, por respeito justo às responsabilidades queabraçam, em favor da equipe, muito embora saibamos que a ori-entação das atividades espíritas vigora na própria Doutrina Espíri-ta e não no arbítrio dos amigos desencarnados, mesmo aquelesque testemunhem elevada condição.
  38. 38. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 38 Compreende-se que os visitantes não necessitem de compare-cimento que exceda de 3 a 4 reuniões.
  39. 39. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 39 22 Ausência justificada Freqüentemente, surge o caso da impossibilidade absoluta de comparecimento desse ou daquele companheiro às atividades prede- terminadas. Uma viagem rigorosamente i- nadiável... Um problema caseiro de grave expressão... Exigência profissional inopi- nada... Enfermidade súbita... Que o amigo numa situação as-sim não olvide o compromisso em que se acha incurso na obra dedesobsessão e expeça um aviso direto, sempre que possível comantecedência mesmo de horas ou minutos, ao dirigente da reunião,justificando a ausência, para evitar indisciplinas que ocorrerãofatalmente, no campo mental do grupo, através de apreensões econsiderações descabidas. De qualquer modo, ainda mesmo com número reduzido departicipantes, a reunião pode ser efetuada.
  40. 40. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 40 23 Chegada inesperada de doente Em algumas ocasiões aparece um problema súbito: a chegada de enfermos ou de obsidiados sem aviso prévio, sejam adultos ou cri- anças. Necessário que o discernimen- to do conjunto funcione, ativo. Na maioria dos acontecimentos dessa ordem, o doente e os acom- panhantes podem ser admitidos por momentos rápidos, na fase prepara- tória dos serviços programados, recebendo passes e orientação para que se dirijam a órgãos de assistên-cia ou doutrinação competentes, trabalho esse que será executadopelos componentes que o diretor da reunião designará. Findo o socorro breve, retirar-se-ão do recinto. Nesses casos se enquadram igualmente os obsessos apenas in-fluenciados ou fixados em fase inicial de perturbação, para osquais o contacto com os comunicantes, menos felizes ou franca-mente conturbados, sem a devida preparação, é sempre inconve-niente ou prejudicial, pela suscetibilidade e pelas sugestões nega-tivas que apresentam na semilucidez em que se encontram. Diante, porém, dos processos da obsessão indiscutivelmenteinstalada, o grupo deve e pode acolher o obsidiado e seus acom-panhantes, acomodando-os no banco ou nas cadeiras, colocados àretaguarda, onde receberão a assistência precisa.
  41. 41. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 41 24 Médiuns esclarecedores Na equipe em serviço, os mé- diuns esclarecedores, mantidos sob a condução e inspiração dos Ben- feitores Espirituais, são os orienta- dores da enfermagem ou da assis- tência aos sofredores desencarna- dos. Constituídos pelo dirigente do grupo e seus assessores, são eles que os instrutores da Vida Maior utilizam em sentido direto para o ensinamento ou o socorro necessá- rios. Naturalmente que a esses com- panheiros compete um dos setoresmais importantes da reunião. Vejamos alguns dos itens do trabalho fundamental que se lhesassinala: 1. guardarem atenção no campo intuitivo, a fim de registra- rem, com segurança, as sugestões e os pensamentos dos benfeitores espirituais que comandam as reuniões; 2. tocar no corpo do médium em transe somente quando ne- cessário; 3. estudar os casos de obsessão, surgidos na equipe de mé- diuns psicofônicos, que devam ser tratados na órbita da psi- quiatria, a fim de que a assistência médica seja tomada na medida aconselhável;
  42. 42. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 42 4. cultivar o tato psicológico, evitando atitudes ou palavras violentas, mas fugindo da doçura sistemática que anestesia a mente sem renová-la, na convicção de que é preciso aliar raciocínio e sentimento, compaixão e lógica, a fim de que a aplicação do socorro verbalista alcance o máximo rendi- mento; 5. impedir a presença de crianças nas tarefas da desobsessão. Outros aspectos de suas funções são lembrados nos capítulos13 e 32 a 37.
  43. 43. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 43 25 Equipe mediúnica: Psicofônicos Na obra da desobsessão, os médiuns psicofônicos são aqueles chamados a emprestar recursos fisiológicos aos sofredores desen- carnados para que estes sejam so- corridos. Deles se pede atitude de fé positiva, baseada na certeza de que a Espiritualidade Superior lhes acompanha o trabalho em moldes de zelo e supervisão. Compreen- dendo que ninguém é chamado por acaso a tarefa de tamanha enverga- dura moral, verificarão facilmente que, da passividade construtiva que demonstrem, depende o êxito daempreitada de luz e libertação em que foram admitidos. Atentos à função especial de colaboradores e medianeiros emque se acham situados, é justo se lhes rogue o cuidado para algunspontos julgados essenciais ao êxito e à segurança da atividade quese lhes atribui: 1. desenvolvimento da autocrítica; 2. aceitação dos próprios erros, em trabalho medianímico, pa- ra que se lhes apure a capacidade de transmissão; 3. reconhecimento de que o médium é o responsável pela co- municação que transmite;
  44. 44. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 44 4. abstenção de melindres ante apontamentos dos esclarecedo- res ou dos companheiros, aproveitando observações e avi- sos para melhorar-se em serviço; 5. fixação num só grupo, evitando as inconveniências do com- promisso de desobsessão em várias equipes ao mesmo tem- po; 6. domínio completo sobre si próprio, para aceitar ou não a in- fluência dos Espíritos desencarnados, inclusive reprimir to- das as expressões e palavras obscenas ou injuriosas, que es- sa ou aquela entidade queira pronunciar por seu intermédio; 7. interesse real na melhoria das próprias condições de senti- mento e cultura; 8. defesa permanente contra bajulações e elogios, conquanto saiba agradecer o estímulo e a amizade de quantos lhes in- centivem o coração ao cumprimento do dever; 9. discernimento natural da qualidade dos Espíritos que lhes procurem as faculdades, seja pelas impressões de presença, linguagem, eflúvios magnéticos, seja pela conduta geral; 10. uso do vestuário que lhes seja mais cômodo para a tarefa, alijando, porém, os objetos que costumem trazer jungidos ao corpo, como sejam relógios, canetas, óculos e jóias.
  45. 45. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 45 26 Equipe mediúnica: Passistas Entre os seareiros do bem que integram o conjunto, destaca-se, como sendo de particular valimen- to, a colaboração dos médiuns pas- sistas, que permanecerão atentos ao concurso eventual que se lhes peça, no transcurso da reunião. Diligência e devotamento. Vigilância e espontaneidade. Agora é um problema que ir- rompe entre os próprios colegas de atividade; em seguida, um que ou- tro médium psicofônico possivel- mente caído em exaustão; depois, opedido de auxílio para esse ou aquele dos assistentes a lhes solici-tarem concurso, e, por fim, a assistência de rotina, na fase termi-nal do trabalho. Os medianeiros do passe traçarão a si mesmos as disciplinasaconselháveis em matéria de alimentação e adestramento, a fim decorresponderem plenamente ao trabalho organizado para o grupoem sua edificação assistencial, entendendo-se que os médiunsesclarecedores, se necessário, acumularão também as funções demédiuns passistas, mas não a de psicofônicos, de modo a não sedeixarem influenciar por Espíritos enfermos.
  46. 46. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 46 27 Livros para leitura Os livros para leitura prepara- tória no grupo serão, de preferên- cia: 1. “O Evangelho segundo o Es- piritismo”; 2. “O Livro dos Espíritos”; 3. Uma obra subsidiária que comente os princípios karde- quianos à luz dos ensinamen- tos do Cristo. Bastarão esses recursos, por- quanto neles sintonizar-se-ão os assistentes no mesmo padrão de pensamento, em torno dos temasvitais do Espiritismo Cristão, compondo clima vibratório adequa-do ao trabalho em mira. “O Livro dos Médiuns” e obras técnicas correlatas não devemser lidos nas reuniões de desobsessão, mas sim em oportunidadesadequadas, referidas nos capítulos 66 e 72.
  47. 47. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 47 28 Leitura preparatória A leitura preparatória, que não ultrapassará o tempo-limite de 15 minutos, constituir-se-á, preferen- temente, de um dos itens de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, seguindo-se-lhe uma das questões de “O Livro dos Espíritos”, com um trecho de um dos livros de co- mentários evangélicos, em torno da obra de Allan Kardec. Efetuada a leitura, o dirigente retirará os livros de sobre a mesa, situando-os em lugar próprio. O contacto com o ensino espí-rita, antes do intercâmbio com os irmãos desencarnados, aindasofredores, dispõe o ambiente à edificação moral, favorecendo aintegração vibratória do grupo para o socorro fraterno a ser de-senvolvido. O conjunto evitará entretecer comentários ao redor dos temasexpostos, atento que precisa estar em uníssono, à recepção dasentidades enfermas em expectativa, quase sempre aguardandoalívio com angustiosa ansiedade. Repitamos, assim: o dirigente providenciará a leitura, apro-ximadamente quinze minutos antes do momento marcado para oinício do intercâmbio, pronunciando a prece de abertura, depoisde lida a página última, com o que se iniciarão, para logo, as tare-fas programadas.
  48. 48. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 48 29 Prece inicial Sobrevindo o momento exato em que a reunião terá começo, o orientador diminuirá o teor da ilu- minação e tomará a palavra, formu- lando a prece inicial. Cogitará, porém, de ser preci- so, não se alongando além de dois minutos. Há quem prefira a oração deco- rada; todavia, é aconselhável que o dirigente ore com suas próprias palavras, envolvendo a equipe nos sentimentos que lhe fluem da alma. A prece, nessas circunstâncias,pede o mínimo de tempo, de vez que há entidades em agoniadaespera de socorro, à feição do doente desesperado, reclamandomedicação substancial. Em diversas circunstâncias, acham-seligadas desde muitas horas antes à mente do médium psicofônico,alterando-lhe o psiquismo e até mesmo a vida orgânica, motivopelo qual o socorro direto não deve sofrer dilação.
  49. 49. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 49 30 Manifestação inicial do mentor Feita a oração inicial, o diri- gente e a equipe mediúnica espera- rão que o mentor espiritual do gru- po se manifeste pelo médium psico- fônico indicado. Essa medida é necessária, por- quanto existem situações e proble- mas, estritamente relacionados com a ordem doutrinária do serviço, apenas visíveis a ele; sendo assim, o amigo espiritual, na condição de condutor do agrupamento, perante a Vida Maior, precisará dirigir-se ao conjunto, lembrando minudências erespondendo a alguma consulta ocasional que o dirigente lhequeira fazer, transmitindo algum aviso ou propondo determinadasmedidas. Esse entendimento, no limiar do programa de trabalho a exe-cutar-se, é indispensável à harmonização dos agentes e fatores deserviço, ainda mesmo que o mentor se utilize do medianeiro tão-só para uma simples oração que, evidentemente, significará tran-qüilidade em todos os setores da instrumentação.
  50. 50. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 50 31 Consultas ao mentor Começada a reunião, o dirigen- te, por vezes, tem necessidade de ouvir o mentor espiritual para o exame de assuntos determinados. Freqüentemente, é um amigo que deseja acesso à reunião e que não pode ser acolhido sem a con- sulta necessária; de outras, é a loca- lização mais aconselhável para as visitas que venham a ocorrer, é a ministração de socorro medicamen- toso ou magnético a esse ou aquele companheiro que se mostre subita- mente necessitado de assistência, éa pergunta inevitável e justa em derredor de problemas que sobre-venham no mecanismo da equipe, ou o pedido de cooperação emcasos imprevisíveis. Nessas circunstâncias, o dirigente esperará que o mentor fina-lize a pequena instrução de início, através do médium responsá-vel, e formulará as indagações que considere inevitáveis e oportu-nas.
  51. 51. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 51 32 Manifestação de enfermo espiritual (1) As manifestações de enfermos espirituais irão até o limite de uma hora a uma hora e meia, na totali- dade delas, para que a reunião per- dure no máximo por duas horas, excluída a leitura inicial. O Espírito desencarnado em condição de desequilíbrio e sofri- mento utiliza o médium psicofôni- co (ou mais propriamente, o mé- dium de incorporação), com as deficiências e angústias de que é portador, exigindo a conjugação de bondade e segurança, humildade evigilância no companheiro que lhe dirige a palavra. Natural venhamos a compreender no visitante dessa qualida-de um doente, para quem cada frase precisa ser medicamento ebálsamo. Claro que não será possível concordar com todas as exi-gências que formule; no entanto, não é justo reclamar-lhe enten-dimento normal de que se acha ainda talvez longe de possuir. Entendamos cada Espírito sofredor qual se nos fosse um fa-miliar extremamente querido, e acertaremos com a porta íntima,através da qual lhe falaremos ao coração. Neste e nos próximos capítulos são indicadas algumas atitu-des naturais dos médiuns psicofônicos em transe.
  52. 52. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 52 33 Manifestação de enfermo espiritual (2) Os médiuns esclarecedores, pe- lo que ouçam do manifestante ne- cessitado, deduzam qual o sexo a que ele tenha pertencido, para que a conversação elucidativa se efetue na linha psicológica ideal; anali- sem, sem espírito de censura ou de escândalo, os problemas de ani- mismo ou mistificação inconsciente que porventura venham a surgir, realizando o possível para esclare- cer, com paciência e caridade, os médiuns e os desencarnados envol- vidos nesses processos de manifes- tações obscuras, agindo na equipecom o senso de quem retira criteriosamente um desajuste do corposem comprometer as demais peças orgânicas; anulem qualquerintento de discussão ou desafio com entidades comunicantes, dan-do mesmo razão, algumas vezes, aos Espíritos infelizes e obsesso-res, reconhecendo que nem sempre a desobsessão real consiste emdesfazer o processo obsessivo, de imediato, de vez que, em casosdiversos, a separação de obsidiado e obsessor deve ser praticadalentamente; e pratiquem a hipnose construtiva, quando necessário,no ânimo dos Espíritos sofredores comunicantes, quer usando asonoterapia para entregá-los à direção e ao tratamento dos instru-tores espirituais presentes, efetuando a projeção de quadros men-tais proveitosos ao esclarecimento, improvisando idéias providen-ciais do ponto de vista de reeducação, quer sugerindo a produção
  53. 53. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 53e ministração de medicamentos ou recursos de contenção em fa-vor dos desencarnados que se mostrem menos acessíveis à enfer-magem do grupo.
  54. 54. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 54 34 Manifestação de enfermo espiritual (3) No curso do trabalho mediúni- co, os esclarecedores não devem constranger os médiuns psicofôni- cos a receberem os desencarnados presentes, repetindo ordens e su- gestões nesse sentido, atentos ao preceito de espontaneidade, fator essencial ao êxito do intercâmbio. Os esclarecedores permitirão aos Espíritos sofredores que se exprimam pelos médiuns psicofô- nicos tanto quanto possível, em matéria de desinibição ou desabafo, desde que a integridade dos mé-diuns e a dignidade do recinto sejam respeitadas, considerando,porém, que as manifestações devem obedecer às disciplinas detempo. Os médiuns, sejam eles esclarecedores ou psicofônicos, sus-tentarão o máximo cuidado para não prejudicarem as atividadesespirituais que lhes competem. Alimentando dúvidas e atitudessuspeitosas, inconciliáveis com a obra de caridade que se dispõema prestar, muitas vezes põem a perder excelentes serviços de de-sobsessão, por favorecerem a intromissão de Inteligências perver-sas. Os médiuns de qualquer grupo de desobsessão, como aliásacontece a todo espírita, são chamados a honrar sempre e cada vezmais as obrigações de família e profissão, abstendo-se de todas as
  55. 55. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 55manifestações e atitudes suscetíveis de induzi-los a cair em pro-fissionalismo religioso. Compreendam os dirigentes e seus assessores que o esclare-cimento aos desencarnados sofredores é semelhante à psicoterapiae que a reunião é tratamento em grupo, cabendo-lhes, quando equanto possível, a aplicação dos métodos evangélicos. Observan-do, ainda, que a parte essencial no entendimento é atingir o centrode interesse do Espírito preso a idéias fixas, para que se lhes des-congestione o campo mental, devem abster-se, desse modo, dequalquer discurso ou divagação desnecessária.
  56. 56. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 56 35 Manifestação de enfermo espiritual (4) Convém observar que há mé- diuns psicofônicos para quem os Amigos Espirituais designam de- terminados tipos de manifestantes que lhes correspondam às tendên- cias, caracteres, formação moral e cultural, especializando-lhes as possibilidades mediúnicas. Urge não confundir esse impe- rativo do trabalho de intercâmbio com o chamado animismo ou su- postas mistificações inconscientes.
  57. 57. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 57 36 Manifestação de enfermo espiritual (5) Os médiuns esclarecedores permanecerão atentos aos caracte- rísticos dos manifestantes em dese- quilíbrio, de vez que entre estes se encontram, freqüentemente, sofre- dores que comparecem pela primei- ra vez, bem como os reincidentes sistemáticos, os companheiros infe- lizes do pretérito alusivo aos inte- grantes da reunião e recém- desencarnados em desorientação franca, os suicidas e homicidas, os casos de zoantropia e de loucura, os malfeitores trazidos à desobsessão para corrigendas e os irmãos toca-dos de exotismos por terem desencarnado recentemente em terrasestrangeiras, as inteligências detidas no sarcasmo e na galhofa, osvampirizadores conscientes e inconscientes interessados na ocul-tação da verdade, e toda uma extensa família de Espíritos necessi-tados, nos vários graus de sombra e sofrimento que assinalam aescala da ignorância e da crueldade. Imperioso observar que todos são carecedores de compreen-são e tratamento adequados, cada qual na dor ou no problema emque se exprimem, exigindo paciência, entendimento, socorro edevotamento fraternais. Desobsessão não se realiza sem a luz do raciocínio, mas nãoatinge os fins a que se propõe sem as fontes profundas do senti-mento.
  58. 58. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 58 37 Esclarecimento O dirigente do grupo, que con- tará habitualmente com dois ou três assessores em exercício para o tra- balho do esclarecimento e do ampa- ro reeducativo aos sofredores de- sencarnados, assumirá o comando da palavra, seja falando diretamen- te com os irmãos menos felizes, através dos médiuns psicofônicos, seja indicando para isso um dos auxiliares. A conversação será vazada em termos claros e lógicos, mas na base da edificação, sem qualquertoque de impaciência ou desapreço ao comunicante, mesmo quehaja motivos de indução ao azedume ou à hilaridade. O esclare-cimento não será, todavia, longo em demasia, compreendendo-seque há determinações de horário e que outros casos requisitamatendimento. A palestra reeducativa, ressalvadas as situações ex-cepcionais, não perdurará, assim, além de dez minutos. Se o comunicante perturbado procura fixar-se no braseiro darevolta ou na sombra da queixa, indiferente ou recalcitrante, odiretor ou o auxiliar em serviço solicitará a cooperação dos ben-feitores espirituais presentes para que o necessitado rebelde sejaconfiado à assistência de organizações espirituais adequadas aisso. Nesse caso, a hipnose benéfica será utilizada a fim de que omagnetismo balsamizante asserene o companheiro perturbado,amparando-se-lhe o afastamento da cela mediúnica, à maneira do
  59. 59. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 59enfermo desesperado da Terra a quem se administra a dose cal-mante para que se ponha mais facilmente sob o tratamento preci-so.
  60. 60. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 60 38 Cooperação mental Enquanto persista o esclareci- mento endereçado ao sofredor de- sencarnado, é imperioso que os assistentes se mantenham em har- moniosa união de pensamentos, oferecendo base às afirmativas do dirigente ou do assessor que rete- nha eventualmente a palavra. Não lhes perpasse qualquer i- déia de censura ou de crueldade, ironia ou escândalo. Tanto o amigo que orienta o irmão infortunado quanto os com- panheiros que o escutam abrigarãona alma a simpatia e a solidariedade, como se estivessem socor-rendo um parente dos mais queridos, para que o necessitado en-contre apoio real no socorro que lhe seja ministrado. Forçoso compreender que, de outro modo, o serviço assisten-cial enfrentaria perturbações inevitáveis, pela ausência do concur-so mental imprescindível. O dirigente assumirá a iniciativa de qualquer apelo à coope-ração mental, no momento em que a providência se mostre preci-sa, e ativará o ânimo dos companheiros que, porventura, se reve-lem desatentos ou entorpecidos, desde que o conjunto em ação écomparável a um dínamo em cujas engrenagens a corrente mentaldo amparo fraterno necessita circular equilibradamente na presta-ção de serviço.
  61. 61. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 61 39 Manifestações simultâneas (1) Os médiuns psicofônicos, mui- to embora por vezes se vejam pres- sionados por entidades em aflição, cujas dores ignoradas lhes percu- tem nas fibras mais íntimas, edu- car-se-ão, devidamente, para só oferecer passividade ou campo de manifestação aos desencarnados inquietos quando o clima da reuni- ão lhes permita o concurso na equi- pe em atividade. Isso, porque, na reunião, é desaconselhável se veri- fique o esclarecimento simultâneo a mais de duas entidades carecentes de auxílio, para que a ordem sejanaturalmente assegurada. Ainda quando o sensitivo tenha as suas faculdades assinala-das por avançado sonambulismo, deve e pode exercitar o autodo-mínio, afeiçoando-se à observação e ao estudo, a fim de colaborarna vigilância precisa, desincumbindo-se, com segurança, do en-cargo da enfermagem espiritual que lhe é atribuído.
  62. 62. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 62 40 Manifestações simultâneas (2) Só se devem permitir, a cada médium, duas passividades por reunião, eliminando com isso maio- res dispêndios de energia e mani- festações sucessivas ou encadeadas, inconvenientes sob vários aspectos. Em todas as circunstâncias, o médium a serviço da desobsessão não se pode alhear da equipe em que funciona, conservando a con- vicção de que dentro dela asseme- lha-se a um órgão no corpo, e que precisa estar no lugar que lhe é próprio para que haja equilíbrio eprodução no conjunto.
  63. 63. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 63 41 Interferência do benfeitor Em algumas ocasiões, tarefa em meio, aparece um ou outro de- sencarnado em condições de quase absoluto empedernimento. Tal desequilíbrio da entidade pode coincidir com algum momen- to infeliz da mente mediúnica, es- tabelecendo desarmonia maior. O fenômeno é suscetível de raiar na inconveniência. Assim sendo, o mentor espiritual, se con- siderar oportuno, ocupará esponta- neamente o médium responsável e partilhará o serviço do esclareci-mento, dirigindo-se ao comunicante ou ao médium que o expõe,ficando, por outro lado, o dirigente com a possibilidade de recor-rer à intervenção do orientador referido, se julgar necessário, ro-gando-lhe a manifestação pelo psicofônico indicado, a fim desanar o contratempo.
  64. 64. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 64 42 Atitude dos médiuns (1) O médium de incorporação, como também o médium esclarece- dor, não podem esquecer, em cir- cunstância alguma, que a entidade perturbada se encontra, para eles, na situação de um doente ante o enfermeiro. No socorro espiritual, os ben- feitores e amigos das Esferas Supe- riores, tanto quanto os companhei- ros encarnados, quais o diretor da reunião e seus assessores que ma- nejam o verbo educativo, funcio- nam lembrando autoridades compe-tentes no trabalho curativo, mas o médium é o enfermeiro convo-cado a controlar o doente, quanto lhe seja possível, impedindo aeste último manifestações tumultuárias e palavras obscenas. O médium psicofônico deve preparar-se dignamente para afunção que exerce, reconhecendo que não se acha dentro dela àmaneira de fantoche, manobrado integralmente ao sabor das Inte-ligências desencarnadas, mas sim na posição de intérprete e en-fermeiro, capaz de auxiliar, até certo ponto, na contenção e nareeducação dos Espíritos rebeldes que recalcitram no mal, a fimde que o dirigente se sinta fortalecido em sua ação edificante epara que a equipe demonstre o máximo de rendimento no trabalhoassistencial.
  65. 65. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 65 43 Atitude dos médiuns (2) Ainda mesmo quando o mé- dium é absolutamente sonâmbulo, incapaz de guardar lembranças posteriores ao socorro efetuado, semidesligado de seus implementos físicos dispõe de recursos para go- vernar os sentidos corpóreos de que o Espírito comunicante se utiliza, capacitando-se, por isso, com o auxílio dos instrutores espirituais, a controlar devidamente as manifes- tações. Não se diga que isso é impos- sível. Desobsessão é obra de ree-quilíbrio, refazimento, nunca de agitação e teatralidade. Nesse sentido, vale recordar que há médium de incorporaçãonormal e médium de incorporação ainda obsidiado. E sempre queo médium, dessa ou daquela espécie, se mostre obsidiado, neces-sita de socorro espiritual, através de esclarecimento, emparelhan-do-se com as entidades perturbadas carecentes de auxílio. Realmente, em casos determinados, o medianeiro da psicofo-nia não pode governar todos os impulsos destrambelhados da Inte-ligência desencarnada que se comunica na reunião, como nemsempre o enfermeiro logra impedir todas as extravagâncias dapessoa acamada; contudo, mesmo nessas ocasiões especiais, omédium integrado em suas responsabilidades dispõe de recursospara cooperar no socorro espiritual em andamento, reduzindo asinconveniências ao mínimo.
  66. 66. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 66 44 Mal-estar imprevisto do médium Todo serviço na Terra prevê a possibilidade de falhas compreen- síveis. O automóvel, comumente, so- fre perturbações em determinados implementos, a meio da viagem. Um tear interrompe a tecela- gem pela exaustão de uma peça. Na desobsessão, o mal-estar é suscetível de sobrevir num médium ou num dos colaboradores em ação, principalmente no que tange a uma crise orgânica francamente impre- vista. Verificado o incidente, o companheiro ou a irmã necessitadade assistência permanecerá fora do círculo em atividade, reco-lhendo o amparo espiritual do ambiente, quando o mal-estar nãoseja de molde a se lhe aconselhar o recolhimento imediato emcasa.
  67. 67. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 67 45 Educação mediúnica (1) Evite o médium as posições de desmazelo na acomodação entre os companheiros, quando se ache sob a influência ou presença dos desen- carnados em desequilíbrio, e con- trole as expressões verbais, empe- nhando-se em cooperar na adminis- tração do benefício aos Espíritos sofredores, frustrando a produção de gritos e a enunciação de palavras torpes. Não olvidem os medianeiros que o recinto empregado nos servi- ços da desobsessão é comparável àintimidade respeitável de um hospital.
  68. 68. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 68 46 Educação mediúnica (2) Os medianeiros psicofônicos nunca admitam tanto descontrole que cheguem ao ponto de derribar móveis ou quaisquer objetos, tu- multuando o ambiente. Lembrem-se de que não se en- contram à revelia das manifesta- ções menos felizes que venham a ocorrer. Benfeitores desencarnados es- tão a postos, na reunião, sustentan- do a harmonia da casa, e resguarda- rão as forças de todos os médiuns em serviço para que se desincum-bam com limpeza e dignidade das obrigações que lhes assistem.
  69. 69. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 69 47 Educação mediúnica (3) Atitude positivamente desa- conselhável é a de permitir que comunicantes enfermos ensaiem qualquer impulso de agressão.
  70. 70. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 70 48 Educação mediúnica (4) Dever inadiável impedir que os manifestantes doentes subvertam a ordem com pancadas e ruídos que os médiuns psicofônicos conse- guem facilmente frustrar.
  71. 71. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 71 49 Educação mediúnica (5) Os médiuns psicofônicos evi- tem a todo custo, em qualquer perí- odo da reunião, vergar a cabeça sobre os braços. Essa atitude favorece o sono, desarticula a cooperação mental e propicia ensejo a fácil hipnose por parte de enfermos desencarnados.
  72. 72. Francisco Cândido Xavier - Desobsessão - pelo Espírito André Luiz 72 50 Interferência de enfermo espiritual No curso da manifestação de determinado Espírito menos feliz, é possível a interferência de outra entidade desditosa ou perturbada que compareça, arrebatadamente, por intermédio desse ou daquele médium psicofônico ainda fraca- mente habilitado ao controle de si próprio. Em alguns lances da desobses- são, o Espírito que interfere chega mesmo a provocar elementos ou- tros do conjunto, citando-os de forma nominal para que se estabe-leçam conversações marginais sem nenhum interesse para o escla-recimento. O dirigente tomará providências imediatas para que se evitedesarmonia ou tumulto, designando sem delonga o assessor que seincumbirá da necessária solução ao problema, a fim de que a in-terferência não degenere em perturbação, comprometendo a or-dem e a segurança do esforço geral.

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