Principios de Gestão: Uma Explicação Inovadora

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A falta de foco tem limitado o desenvolvimento dos conceitos dos fundamentos de gestão; por conseguinte, isto dificulta que a literatura moderna contribua para que as pessoas em geral consigam distinguir entre o trabalho gerencial e o não-gerencial. Este conciso documento discursa sobre essa dificuldade, apresenta uma explicação inovadora da profissão e oferece uma sugestão de como melhorar a preparação dos gestores.

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Principios de Gestão: Uma Explicação Inovadora

  1. 1. PRINCÍPIOS DE GESTÃO Uma Explicação Inovadora André Faizi Alves May 2014 www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com
  2. 2. Conteúdo Introdução.................................................................. 3 1. Evolução da Teoria de Gestão .......................................... 3 2. Visão Contemporânea de Gestão ......................................... 4 3. Concisa Revisão dos Princípios Centrais de Gestão ..................... 5 4. Esclarecimento Adicional .............................................. 7 5. Sugestão .............................................................. 8 Referências................................................................. 9 André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com
  3. 3. Introdução A falta de foco tem limitado o desenvolvimento dos conceitos dos fundamentos de gestão; por conseguinte, isto dificulta que a literatura moderna contribua para que as pessoas em geral consigam distinguir entre o trabalho gerencial e o não-gerencial. Este conciso documento discursa sobre essa dificuldade, apresenta uma explicação inovadora da profissão e oferece uma sugestão de como melhorar a preparação dos gestores. 1. Evolução da Teoria de Gestão Ao contrário do que muitos imaginam, as perguntas “O que é gestão?” e “O que os gestores devem fazer?” têm sido difíceis de responder, apesar do tema gestão vir sendo objeto de consideração formal ao longo dos séculos. Para entender melhor a razão dessa dificuldade, convém, inicialmente, darmos uma rápida olhada em como o conhecimento atual de gestão foi adquirido. Em primeiro lugar, devemos lembrar que gestão existe há muito tempo. Ao longo da história, gestão pode ser facilmente perceptível nos grandes empreendimentos, como as pirâmides, os aquedutos, o Coliseu e as guerras. Contudo, somente por volta da virada do século XIX, foi Henry Fayol (1841–1925) capaz de apresentar uma explicação sólida da disciplina. Por este feito, ele é hoje considerado o pai da gestão moderna. Embora seu trabalho tenha sido excelente, muito provavelmente ficou restringido pelo nível de conhecimento gerencial coletivo disponível na época. Fayol identificou as seguintes cinco funções de gestão (ou "elementos", como ele os denominou): Resumidamente, Fayol considerou Previsão como sendo uma causa e Plano, como o efeito; Organização, uma causa e Coordenação, o efeito; e Comando, uma causa e Controle, o efeito. Depois de Fayol e seus contemporâneos—os teóricos da Escola Clássica de gestão—, as gerações seguintes não fizeram um esforço concentrado para levar avante o trabalho de seus precursores. Ao invés disso, entre outras coisas, a busca por maior praticidade e especialização André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com Page 3
  4. 4. impulsionou, e tem mantido, o desenvolvimento da disciplina longe de uma preocupação com seus princípios e em direção a um foco no trabalho não-gerencial. 2. Visão Contemporânea de Gestão Consequentemente, hoje, temos diversas adaptações das funções de gestão, como descritas por Fayol, contudo sem nenhum avanço significativo. Como resultado, ao repetir um ponto fraco do trabalho de Fayol, essas adaptações também não logram apresentar uma explição do ciclo de gestão que seja coerente com o processo de criação e manutenção da existência de organizações como sistemas orgânicos. A mais popular adaptação das funções de gestão é a seguinte: Notas: · Previsão foi fundida com Planejamento · Coordenação e Comando foram substituídos por Liderança (ou Direção) · Pessoal (Staffing) é, por vezes, apresentado como uma quinta função Concomitantemente, a falta de clareza e/ou precisão também pode ser observada nas definições de gestão, como visto em alguns dos seguintes exemplos mais populares: · "Gerir (gestão) é prever e planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar." (Henri Fayol) · "Gestão é a arte de realizar coisas através dos outros." (Atribuída a Mary Parker Follet) Nota: “Através dos outros” parece desviar do trabalho de Mary. “Com outros” soa mais próximo do espírito dela. · "Gestão é um órgão de múltiplos fins que gere o negócio e gere os gestores e gere trabalhadores e trabalho." (Peter Drucker) Tais tentativas de definir e explicar a gestão parecem ter levado pessoas como Elliot Jaques a declarar que "apesar dos esforços maciços feitos por instituições e especialistas em ciências sociais, apenas os simples primórdios de uma organização e ciência da gestão têm sido demonstrados”. E, Elliot continua salientando que "a pilha de termos mal definidos que entulham o campo" "é um grande obstáculo que se coloca no caminho do desenvolvimento da Gestão, Liderança e Desenvolvimento Organizacional" (Elliott Jaques, Requisite Organization: a André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com Page 4
  5. 5. total system for effective managerial organization and managerial leadership for the 21st century; Cason Hall & Co Pub, 1998). Fayol levantou semelhante preocupação quando disse: "...o termo Gestão com atributos e fronteiras um tanto mal-definidos” (Fayol, Henri; General and Industrial Mangement; translated from French Edition (Dunod) by Constance Storrs; Martino Publishing, 2013. Print). Assim sendo, pouco é de surpreender que, hoje, a maioria dos gestores não seja capaz de articular uma definição de sua profissão ou explicar claramente do que se compõe o trabalho gerencial. 3. Concisa Revisão dos Princípios Centrais de Gestão Talvez, o primeiro passo no processo para compreender a gestão seja dar uma olhada em como esta surgiu. Gestão é uma função da divisão do trabalho. Com o advento do e consequente aumento da complexidade da divisão do trabalho, uma ocupação especial tornou-se necessária para auxiliar o trabalho dividido a funcionar como uma unidade. O segundo passo deve ser a consideração desse fato à luz da realidade humana, principalmente em vista dos conceitos de seres humanos como seres sociais e, consequentemente, o de organizações como sistemas sociais. Quanto ao segundo ponto, é importante lembrar que um sistema é um conjunto de elementos interligados que contribuem para e se beneficiam do todo. Isto significa que, para um sistema existir, é necessário a presença de elementos, estrutura e processos. Mais precisamente, os elementos devem estar dispostos em uma estrutura específica, a qual permite que processos ocorram. Além disso, a fim de que os sistemas sociais sejam saudáveis, estes devem permitir que o poder unificador da justiça se manifeste. Este paradigma permite uma melhor definição de gestão e uma explicação sobre o que a gerência deve fazer. Uma vez que gestão é uma função da divisão do trabalho, e uma organização é um sistema social orgânico que exige aplicação da justiça para ter uma existência saudável, a gestão pode ser definida como o trabalho de facilitar a produção coletiva de entregáveis (bens e serviços). Com este embasamento em mente, é mais fácil prosseguir com a exploração do que a gerência deve fazer. Um dos pontos centrais da explicação, então, deve estar baseado na conexão das funções centrais* de gestão a diferentes características de um sistema - isto é, a elementos, estrutura e processos. Uma vez feita esta conexão, é possível apresentar uma explicação coerente de como gestão facilita a criação e funcionamento de organizações como sistemas sociais orgânicos. (*Nota: Essas funções fazem parte de um modelo que possui três grupos de funções: Liderança, Centrais e Complementares.) André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com Page 5
  6. 6. As funções centrais de gestão relacionam-se às características acima mencionadas de um sistema da seguinte maneira: · Planejamento – tem como propósito criar o esboço de um sistema · Provisão – tem como propósito assegurar os elementos (Pessoal e Recursos - tangíveis/intangíveis) que devem compor o sistema · Organização – tem como propósito determinar a estrutura do sistema e as fases de "transformações" dos processos · Coordenação – tem como propósito fixar as fases de "transferências" dos processos Com relação a processo, podemos dizer que este é um fenômeno marcado por uma série de mudanças que se sucedem de forma relativamente fixa e que levam a um fim ou resultado específico. Em uma organização, um processo pode ser visto como um "todo" constituído por uma concatenação de pelo menos duas fases distintas que se alternam: transformação e transferência. Assim, temos: Em relação ao papel da justiça nos sistemas sociais, é preciso considerar que "a nível de grupo... a justiça é a expressão prática da percepção de que, na conquista do progresso humano, os interesses do indivíduo e os da sociedade estão inseparavelmente ligados". (Comunidade Internacional Bahá’í - A Prosperidade da Humanidade) Assim, o tema gestão deve ser abordado com a noção de que o gestor é um dos muitos componentes que devem trabalhar em harmonia para permitir a existência de organizações saudáveis. Isto significa que, embora seu trabalho deva ser realizado a partir de posições hierárquicas mais elevadas na estrutura organizacional, isto não exime os gestores de uma "ética de reciprocidade e equilíbrio" preconizada pelo princípio da "unidade na diversidade". André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com Page 6
  7. 7. Uma ordem social sustentável distingue-se, entre outras coisas, por uma ética de reciprocidade e equilíbrio em todos os níveis de organização humana. Uma analogia relevante é o corpo humano: aqui, milhões de células colaboram para tornar a vida humana possível. A impressionante diversidade de forma e função liga-as em um processo ao longo da vida de dar e receber. Representando a mais alta expressão de unidade na diversidade. Dentro de tal ordem, o conceito de justiça está incorporado no reconhecimento de que os interesses do indivíduo e da comunidade em geral são inextricavelmente ligados. A busca por justiça dentro do quadro de unidade (na diversidade) provê um guia para a deliberação coletiva e tomada de decisão e oferece um meio pelo qual a unidade de pensamento e ação pode ser alcançada. (Livre tradução) Comunidade Internacional Bahá’í, “Repensando a Prosperidade: Forjando Alternativas para uma Cultura de Consumo”. 4. Esclarecimento Adicional Visando facilitar a compreensão do que é gestão, é necessário tratar também da nebulosidade criada pelo grande número de ideias que compõem a disciplina e que não estão categorizadas de forma a deixar claro como estas se relacionam com as funções de gestão. Essas ideias podem ser classificados como segue: Categoria Relação com as Funções de Gestão Ferramentas de Gestão Instrumentos que contribuem para a execução das funções de gestão Exemplos: Agenda Pessoal, Manuais, Relatórios, Fluxo de Caixa Programas de Gestão Métodos personalizados de execução de parte, de uma ou de diversas funções de gestão Exemplos: Gestão Orçamentária, Gestão de Mudanças, Gestão de Projetos Áreas Funcionais de Especialização de Gestores Áreas especializadas de produção coletiva, frequentemente com um número de pessoal e complexidade de processos capaz de acomodar indivíduos ou equipes dedicados exclusivamente ao trabalho gerencial Exemplos: Operações, Finanças, Recursos Humanos, TI, Marketing Associado a dificuldade acima está a infinitude de cursos de gestão desenhados principalmente com foco em áreas funcionais. É verdade que além do conhecimento do trabalho não-gerencial que caracteriza cada área, esses cursos também compartem alguns programas de gestão, ferramentas e outros conceitos. Contudo, o foco é sempre o trabalho não-gerencial requerido pela área, e pouca ou nenhuma clareza é compartilhada de como estes André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com Page 7
  8. 8. conhecimentos se relacionam com as funções de gestão. Por exemplo, conhecimento de partida dobrada ou de desenho de web, ainda que devam ser levados em consideração, ou seja, ser conectados com conhecimento gerencial para a boa gestão das respectivas áreas de finança e TI, são conhecimentos primordialmente necessários à indivíduos (não-gestores) que estão diretamente envolvidos com a produção coletiva de entregáveis. Como resultado, é comum que os estudantes saíam desses cursos sem uma compreensão clara de onde termina o trabalho não-gerencial e onde começa o trabalho gerencial. 5. Sugestão Gestores podem ser melhor preparados se cursos de gestão forem redesenhados de modo que metade do ensino seja baseado no gestor e no trabalho que este deve executar e a outra metade, baseada em uma combinação de trabalho não-gerencial e trabalho gerencial personalizado para certas áreas, empreendimentos ou níveis administrativos. Por exemplo, um curso de graduação pode oferecer o ensino de gestão (pura) e, posteriormente, cursos de pós-graduação podem oferecer ensino de gestão aplicada às áreas funcionais específicas. André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com Page 8
  9. 9. Referências Henri Fayol. General and Industrial Management. Translated from the French Edition (Dunod) by Con-stance Storrs. Martino Publishing, 2013. Print. Peter Drucker. The Practice of Management. HaperBusiness, Reissue edition 2006. Print. Elliott Jaques. Requisite Organization: a total system for effective managerial organization and manage-rial leadership for the 21st century. Cason Hall & Co Pub, 1998. Print. Communidade Internacional Bahá’í. A Prosperidade da Humanidade. 1995. Statement Library. https://www.bic.org/statements/prosperidade-da-humanidade Bahá’í International Community. Rethinking Prosperity: Forging Alternatives to a Culture of Consumer-ism. Contribution to the 18th Session of the United Nations Commission on Sustainable Development. http://www.bic.org/statements/rethinking-prosperity-forging-alternatives-culture-consumerism André F. Alves. The Science and Spirit of Management. Verba Publications, 2014. Print. André Faizi Alves | www.TheScienceAndSpiritOfManagement.com Page 9

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