A débil cv..

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A Débil de Cesário Verde com recursos de estilo e interpretação do poema

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A débil cv..

  1. 1. Trabalho realizado por:Maria Pires Nº.:5390Mariana Mira Nº.:53Mariana Cruz Nº.:5389Patrícia Freitas Nº.:5441ESAG – Torres NovasPortuguês 11ºA
  2. 2. Eu, que sou feio, sólido, leal,A ti, que és bela, frágil, assustada,Quero estimar-te, sempre, recatadaNuma existência honesta, de cristal.Sentado à mesa dum café devasso,Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,Nesta Babel tão velha e corruptora,Tive tenções de oferecer-te o braço.E, quando socorreste um miserável,Eu, que bebia cálices de absinto,Mandei ir a garrafa, porque sintoQue me tornas prestante, bom, saudável.
  3. 3. « Ela aí vem!» disse eu para os demais;e pus-me a olhar, vexado e suspirando,o teu corpo que pulsa, alegre e brando,na frescura dos linhos matinais.Via-te pela porta envidraçada;E invejava, - talvez que o não suspeites! -Esse vestido simples, sem enfeites,Nessa cintura tenra, imaculada.Ia passando, a quatro, o patriarca.Triste eu saí. Doía-me a cabeça;Uma turba ruidosa, negra, espessa,Voltava das exéquias dum monarca.
  4. 4. Adorável! Tu, muito natural,Seguias a pensar no teu bordado;Avultava, num largo arborizado,Uma estátua de rei num pedestal.Sorriam, nos seus trens, os titulares;E ao claro sol, guardava-te, no entanto,A tua boa mãe, que te ama tanto,Que não te morrerá sem te casares!Soberbo dia! Impunha limpidez do teu semblante grego;E uma família, um ninho de sossego,Desejava beijar sobre o teu peito.
  5. 5. Com elegância e sem ostentação,Atravessavas branca, esbelta e fina,Uma chusma de padres de batina,E de altos funcionários da nação.«Mas se a atropela o povo turbulento!Se fosse, por acaso, ali pisada!»De repente, paraste, embaraçadaAo pé dum numeroso ajuntamento.
  6. 6. E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,Julguei ver, com a vista de poeta,Uma pombinha tímida e quietaNum bando ameaçador de corvos pretos.E foi, então, que eu, homem varonil,Quis dedicar-te a minha pobre vida,A ti, que és ténue, dócil, recolhida,Eu, que sou hábil, prático, viril.
  7. 7. Este poema, redigido em 1875, aborda um dos elementos mais comuns nasobras de Cesário Verde, a figura feminina.Porém, neste poema em particular, a figura feminina retratada contrastacom a típica mulher provocante e deslumbrante que este poeta tãofrequentemente enquadra nas suas descrições citadinas.Assim, “A Débil”, retrata uma mulher que sobressai no meio citadino nãopela sua excentricidade, mas pela sua pureza e simplicidade.
  8. 8. O sujeito lírico considera-se "feio, sólido, leal; sente-se prestável, bome saudável quando a vê, ao ponto de desejar beijá-la. Afirma ainda ser"hábil, prático e viril", ou seja, com força suficiente para a socorrerquando ela precisar.
  9. 9. Este poema põe em relevo uma figura feminina que escapa à típica mulhercitadina, à mulher que surge no espaço rural.O sujeito serve-se de um conjunto de termos para caracterizar esta típicamulher:"bela, frágil, assustada, recatada, honesta, fraca, natural, dócil, recolhida", remetendo para o seu retracto moral.Já os vocábulos "loura, de corpo alegre e brando, cinturaestreita, adorável, com elegância e sem ostentação, esbelta e fina, ténue"remetem para o seu aspecto físico.
  10. 10. Apesar da oposição que Cesário Verde costuma estabelecer entre a mulherdo campo e a mulher da cidade, a figura feminina aqui retratada é umaespécie de mistura entre ambas.Neste poema, o retrato da figura feminina está associado à mulher docampo que se movimenta num espaço que lhe é estranho. Assim, esta sente-seperdida, necessitando de protecção masculina pois sente-se desnorteada numespaço que não está adequado à sua fragilidade.Vs
  11. 11. O sujeito poético caracteriza os espaços citadinos de forma negativa.Nestes espaços movimentam-se figuras sórdidas, que ele caracteriza por“turba ruidosa, negra" e por " uma chusma de padres de batina". Tal permitedestacar a fragilidade da jovem, que torna estes locais mais brilhantes eatrativos.Com o intuito de evidenciar o contraste entre o espaço e a jovem senhora, osujeito poético faz referência à agitação e a confusão que predominam nacidade, onde sobressaem as diferentes classes sociais.
  12. 12. Cesário Verde utiliza um vocabulário preciso e exacto, e as suas descriçõesdão-nos uma visão perfeita da realidade. Além disso, imprime objetividade aoconteúdo, afastando-se do lirismo romântico. Emprega adjectivação e as frasespreposicionais de valor adverbial para retratar fielmente a realidade.O uso das quadras e dos versos decassilábicos que permite uma maioraproximação à prosa.O poema está cheio de referências à realidade social, onde se percepciona acrítica e a ironia de que Cesário Verde se serve e que reflectem o seu caráctersubjectivo.
  13. 13. Eu, que sou feio ,sólido, leal,A ti, que és bela, frágil, assustada,Quero estimar-te, sempre, recatadaNuma existência honesta, de cristal.Sentado à mesa dum café devasso,Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,Nesta Babel tão velha e corruptora,Tive tenções de oferecer-te o braço.E, quando socorreste um miserável,Eu, que bebia cálices de absinto,Mandei ir a garrafa, porque sintoQue me tornas prestante, bom, saudável.IntroduçãoContraste:Ele é feio, ela é bela.Ele é sólido, ela é frágil.
  14. 14. Eu, que sou feio ,sólido, leal,A ti, que és bela, frágil, assustada,Quero estimar-te, sempre, recatadaNuma existência honesta, de cristal.Sentado à mesa dum café devasso,Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,Nesta Babel tão velha e corruptora,Tive tenções de oferecer-te o braço.E, quando socorreste um miserável,Eu, que bebia cálices de absinto,Mandei ir a garrafa, porque sintoQue me tornasprestante, bom, saudável.Adjetivação expressiva/enumeração;Metáfora;Dupla adjetivação;Hipálage;Adjetivaçãoexpressiva/enumeração;Hipérbole;
  15. 15. « Ela aí vem!» disse eu para os demais;e pus-me a olhar, vexado e suspirando,o teu corpo que pulsa, alegre e brando,na frescura dos linhos matinais.Via-te pela porta envidraçada;E invejava, - talvez que o não suspeites! -Esse vestido simples, sem enfeites,Nessa cintura tenra, imaculada.Ia passando, a quatro, o patriarca.Triste eu saí. Doía-me a cabeça;Uma turba ruidosa, negra, espessa,Voltava das exéquias dum monarca.Adjetivação duplaHipálageAdjetivação triplaSinestesia
  16. 16. Adorável! Tu, muito natural,Seguias a pensar no teu bordado;Avultava, num largo arborizado,Uma estátua de rei num pedestal.Sorriam, nos seus trens, os titulares;E ao claro sol, guardava-te, no entanto,A tua boa mãe, que te ama tanto,Que não te morrerá sem te casares!Soberbo dia! Impunha limpidez do teu semblante grego;E uma família, um ninho de sossego,Desejava beijar sobre o teu peito.
  17. 17. Com elegância e sem ostentação,Atravessavas branca, esbelta e fina,Uma chusma de padres de batina,E de altos funcionários da nação.«Mas se a atropela o povo turbulento!Se fosse, por acaso, ali pisada!»De repente, paraste, embaraçadaAo pé dum numeroso ajuntamento.
  18. 18. E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,Julguei ver, com a vista de poeta,Uma pombinha tímida e quietaNum bando ameaçador de corvos pretos.E foi, então, que eu, homem varonil,Quis dedicar-te a minha pobre vida,A ti, que és ténue, dócil, recolhida,Eu, que sou hábil, prático, viril.
  19. 19. • Métrica - versos decassílabos;• Rima - emparelhada e interpolada (ABBA);• Ritmo – ternário.• Sonoridades - aliterações, ecos rimáticos, etc.;• Tipos de frases - declarativas;
  20. 20. • GUERRA, João; VIEIRA, José.(2001) “Aula Viva”. Porto Editora, Porto.

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