DESAFIOS DA BIOÉTICA NO 
SÉCULO XXI 
Serviço de Neurologia e Neurocirurgia 
Dr. Frederico Rodrigues 
¹Prof. Carlos Frederi...
• Surtos de novas epidemias; 
• Campos de concentração para esses pacientes; 
• Aquecimento global; 
• Desafio do gelo x m...
• “as vezes nos parece que tudo que 
COMO PROCEDER? 
fazemos não é mais do que uma gota 
de água no oceano, mas o oceano 
...
I - INTRODUÇÃO 
Bernard Lown – Cardiologista – inventor 
do desfibralador. 
“ os médicos desaprenderam 
a arte de cuidar.”...
I - INTRODUÇÃO 
Livro: a perdida arte de cuidar. 
“os médicos transformaram-se 
em oficiais-maiores da ciência 
e gerentes...
I - INTRODUÇÃO 
Todo mal que aflige o paciente 
pode ser identificado pela 
tecnologia? 
Os jovens estudantes são 
educado...
I - INTRODUÇÃO 
“ Não se trata de acelerar o trem 
do progresso, mas de encontrar o 
freio de emergência.”
MEDICINA BASEADA 
EM EVIDÊNCIAS 
• a uma medicina baseada em evidência, uma 
prática antiga, mas que foi estabelecida como...
MEDICINA BASEADA 
EM EVIDÊNCIAS 
• O setor da saúde é um dos que mais tem 
crescido na economia mundial. Números 
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II - AS REGRAS DO 
CHICOTE 
Aplicação de regras cartesianas 
como norteadoras da formação 
médica. – Séc XX. 
Privilegia-s...
• No dizer de Morin, passaram a ser "como 
lobos que urinam para marcar seu 
território e mordem os que nele 
penetram". 
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II - AS REGRAS DO 
CHICOTE 
Grade, Disciplina...falamos de 
educação ou de prisão? 
A escola como ´disciplinadora´ e 
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II - AS REGRAS DO 
CHICOTE 
• “um meio de flagelar aquele que se 
aventura no domínio das idéias que o 
especialista consi...
II – AS REGRAS DO CHICOTE 
Cartesiano 
• Objeto; 
• Corpo; 
• Quantidade; 
• Causalidade; 
• Razão; 
Alteridade 
• Sujeito...
ESTADO DE EXCEÇÃO COMO 
REGRA: trotes universitários 
• E as regras do chicote estão presentes 
desde a admissão dos estud...
ESTADO DE EXCEÇÃO COMO 
REGRA: trotes universitários 
• estado de exceção como regra 
• porque isso está sendo feito? Qual...
• “ Domine todas as técnicas, conheça 
todas as teorias, mas ao tocar uma alma 
humana, seja apenas outra alma 
humana.” J...
“Aquele que só sabe medicina 
(técnica), nem medicina sabe.” 
Abel de Lima Salazar
• Como apreender o global, o 
multidimensional, o complexo e organizar 
o conhecimento para melhor cuidar do ser 
humano, ...
III - Ética 
"Sendo todas as coisas causadas e 
causadoras, ajudadas ou ajudantes, 
mediatas e imediatas e 
sustentando-se...
III - Ética 
A comunidade acadêmica da 
atualidade é formada por um 
conjunto de especialistas. As 
linguagens dos diferen...
• Muller, citado por Troncon, avalia 
que "as escolas médicas estão 
submergindo os estudantes em 
pormenores opressores s...
QUEM SERÃO OS MÉDICOS EGRESSORES 
DESSE MODELO? 
Cartesiano 
Flexineriano 
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baseado em problemas (PB...
METODOLOGIA ATUAL O QUE PRECISAMOS 
Eu isolado Eu integrado 
Realização pessoal Alteridade 
Técnico (coorporação) Cidadão ...
IV - Como livrar-se ao 
jugo do chicote? 
Reconhecer o perverso legado do 
séc. XX, caracterizado pela 
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IV - Como livrar-se ao 
jugo do chicote? 
Há que libertar-se, sobretudo, da 
escravidão da máquina, fazendo-a 
complementa...
IV - Como livrar-se ao 
jugo do chicote? 
O modelo vigente das 
subespecialidades, no qual 
profissionais sabem quase tudo...
IV - Como livrar-se ao 
jugo do chicote? 
A busca da "Grande Saúde" 
apontada por Sfez na utopia 
globalizada do séc. XXI ...
• “ Meu pai não paga ...mil 
reais por mês para eu 
atender pacientes do SUS.” 
• “ Vou fazer radiologia para 
não ter que...
IV - Como livrar-se ao 
jugo do chicote? 
• A 2ª Conferência Mundial de Educação 
Médica realizada em Edimburgo, em 1993, ...
QUEM TEM O CHICOTE EM 
MÃOS? 
• Universidade de Toronto: 47% dos 108 estudantes de 
medicina no último ano da faculdade de...
V –FORMAÇÃO ÉTICA 
“...com quem nos sentimos à 
vontade quando descrevemos 
nossas queixas (...) o médico 
para quem o pac...
V – FORMAÇÃO ÉTICA 
• O profissional sabe que toda 
doença é orgânica e psíquica, 
social e familiar. Todos os 
sintomas f...
V - FORMAÇÃO ÉTICA 
• "Onde há amor ao 
enfermo (philanthrôpíê) 
há também amor à arte 
(philotekhniê).” 
Nosso objetivo é...
V - FORMAÇÃO ÉTICA 
• Considero que os problemas 
emergentes na relação 
profissional-paciente devido ao 
uso acrítico das...
A FORMAÇÃO MÉDICA ALÉM 
DOS LIVROS 
• Depois de todos os anos de estudos, 
quando aprendemos a dar uma má 
notícia? Quando...
ÉTICA
ÉTICA 
• “o ético é o humano” 
• “a Ética deve ser 
construída no face-a-face, 
por todo tempo que 
nos resta.” 
E. Levina...
A ÉTICA NA RELAÇÃO COM 
TODAS AS FORMAS DE VIDA 
• “São só animais” “os animais morrem para 
podermos salvar as pessoas, é...
DEVEMOS ABRIR MÃO DA 
TÉCNICA? 
“Conheça todas as teorias, domine todas as 
técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja 
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NÚCLEO DE BIOÉTICA DO 
SUDOESTE - PR 
www.cefasfrederico.ning.com
OBRIGADO 
“ Nós somos responsáveis por tudo e por 
todos e eu mais do que os outros.” 
Dostoiévski
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  • NA DEFINIÇÃO DE POTTER, UMA PONTE DAS CIÊNCIAS MÉDICAS PARA AS CIÊNCIAS HUMANAS, ORA TUDO QUE É HUMANO ME IMPORTA.
    Sendo assim, os desafios que a bioética enfrenta no século XXI são inúmeros, mas vamos nos ater aquele, que para nossa profissão talvez seja o mais intenso: como mudar o paradigma da formaçao médica e privilegiar a formação de médicos mais humanos?
  • Sendo assim, essa reflexão sobre a bioética no século xxi, ao meu ver, precisa passar pela reflexão sobre o que estamos fazendo conosco, com a classe médica, com nossa formação humana. Por isso, poderíamos ter outro tema aqui: a arte perdida do cuidar.
    Sendo Aristotélico e pensando que virtude se aprende no colo da mãe, podemos ensinar essa arte aos profissionais adultos que chegam até a universidade? Isso é possível? Acredito que sim, mas não com o modelo vigente.
  • Um grande cientista, pesquisador nato e que no fim da vida se questiona se esse é o caminho que a medicina deveria seguir.
  • Essa submissão a ciência, perversa por si só, já que a ciência é um braço da humanidade e o fim último da humanidade é ela mesma e não o lucro, ciência, mercado etc. Tem sua perversão maior na submissão aos interesses de indústrias farmacêuticas, nas pesquisas pelo bem da ciência e nao do homem. Lembram do incêndio da base brasileira na antardida? Houve uma morte e no mesmo instante uma cientista dizia que a perda para aciência era irreparável…a vida humana nao o era.
  • Odeio o house, é o tipo de médico que nao quero ser. Preocupado em usar todas as teconologias, burlando todos os comportamentos éticos para conseguir apenas o seu próprio interesse. Precisamos de mais teconologia? Precisamos de médicos narcisistas que acreditam que sao o centro da relação médicoxpaciente? Que zombam dos pacientes com queixas psíquicas, sem identificar que isso é um sintomas de uma patologia maior, uma patologia da alma? Que aparelhos, que tecnologias nos afastaram do humano?
  • A grande pergunta não está em podemos fazer? Mas em: devemos fazer? Um avanço acrítico é o caminho correto?
    Walter Benjamin já se questionava isso antes da segunda guerra mundial que culminou na energia atômica e na bomba atômica, jogada sobre civis em uma cidade (com crianças, idosos, mulheres grávidas, enfermos), quem é o Estado Terrorista aqui?
  • Uma característica da ciência, incluindo a médica, é de que tudo o que você replica, tem qualidade. Uma vez que se encontra a mesma resposta a um tratamento em 1 milhão de pessoas, o mesmo sintoma em uma doença ou a mesma expectativa de vida após um evento, isso se torna cientifico, inquestionável, uma medicina baseada em evidencias e certezas. Já na arte, a replicação é a desvalorização e perda da essência, sendo o primordial a preservação da singularidade.
    No cuidado de seres humanos únicos entre si, mas em sua totalidade de ser, que outra forma temos de o receber e abriga-los sob nossas mãe e olhares que não na arte de cuidar? Sempre considerando sim todo o conhecimento baseado em evidencias para a possibilidade terapêutica como se fossem as mais diversas tonalidade de cores que compõe uma paleta, mas olhar para aquela obra de arte na sua frente, o paciente em sua individualidade, que precisa ser restaurada com a cor e quantidade certa para ela, escolha essa que para mais nenhuma outra obra serviria.
    O setor da saúde é um dos que mais tem crescido na economia mundial. Números apontam “evoluções”, “desenvolvimento” e inovações. Mas o que está por trás de números frios que nos são apresentados? A arte de cuidar de outra pessoa realmente cabe em dados e estatísticas sem desumanizar-se? A assistência médica tem uma singularidade que não permite ser comparada com uma categoria econômica. A medicina é algo que não possui preço, pois não pode ser substituída por um equivalente, logo, possui dignidade.

    O atendimento médico se diferencia de qualquer serviço prestado em indústrias, pois não se baseia em padronizações. O médico “não é o médico dos seres vivos em geral, nem mesmo o médico do gênero humano, mas o médico do indivíduo humano". Logo, nenhuma ação médica pode ser baseada no bem de uma maioria, ou pensando em um suposto progresso científico, mas sim no ser humano individual que procura o serviço do profissional.

  • Após um período de abertura indiscriminada e sem escrúpulos de faculdades de medicina, esse senhor organizou o sistema educcional médico, talvez fosse necessário naquele momento, mas ainda o é?
  • Essa necessidade de mudança de paradigma, náo é uma necessidade só da medicina, é uma necessidade da sociedade como umtodo. O caminho que escolhemos está nos matando e ao planeta. Nível de consumo insustentável, seca da cantareira, desastres climáticos etc. Embora vivamos, como indivíduos, cada vez mais – 70, 80, 90 anos…..de uma vida sempre voltada ao útil e náo ao que faz sentido.
  • O que pensamos não é em um novo código de ética e sim em uma nova ética, onde possamos entender a importância da alteridade, nossa responsabilidade para com o outro e com as futuras gerações.
  • TCLE apresentado aos médicos foi considerado de linguagem difícil pelos mesmos
    História do berne
  • A partir do relatório flexner, 1910, até o século 21, tiemos diersas alterações nas universidades e conseguimos ver que iniciamos o século 21 com tantas lacunas na formação dos nossos médicos, que novas reformas precisavam acontecer, estavamos no século da ciência que crescia não só em inovações e descobertas, mas em novos desafios, mas os alunos que é quem a colocaria em prática não estavam acompanhando esse avanço em sua formação que ainda estava fragmentada, desatualizada e com currículos estáticos, além de falta de liderança e saber trabalhar em equipe.
    1 milhão de médicos, enfermeiras, parteiras, profissionais de saúde pública no mundo por ano. Quatro paises, china, brasil, índia e EUA tem mais de 150 escolas médicas em cada um deles, enquanto em 36 países não há nenhuma.
    A saúde é ter a superfície de todos os equipamentos modermos, mas nele o encontro de uma pessoa única que precisa de um atendimento, com outra a quem foi confiado oferecer esses cuidados, tanto por ser eficiênte em técnica, ética e responsabilidade social.
    Mas todas as melhoras que aconteceram ficaram pequenas dentro das grandes necessidades com as quais entramos no século 21, principalmente em termos de desigualdades, pois se a cura para o alzheimer ou a esclero lateral aminiotrófica está quase nas mãos de países europeus, os rostos da áfrica sub-saariana ainda sofrem e morram por diarréias, fome, sede ou complicações nos partos. Se o ebola tem cura para um norte americano, na áfrica ainda é controlado com as pessoas doentes sendo cercadas com arames e deixadas para morrer. Corpors encineirados ou enterrados apressadamente, morrendo com eles parte da cultura como a cerimônia e o beijo ao morto que é feito na região. Mas é unâne a desqualificação.
    Por isso em janeiro de 2010 foi lançada a comissão a educação dos profissionais de saúde para o século 21 com 20 representantes de todo o mundo

    A primeira geração, lançada no início de
    do século 20, incutiu um currículo baseado na ciência.
    Por volta de meados do século, a segunda geração introduziu
    inovações de instrução baseada em problemas. Uma terceira geração
    agora é necessário que deve ser baseada sistemas.
    A maioria dos países e instituições profissionais misturaram
    padrões destas reformas. Em alguns países, a maioria
    escolas estão totalmente confinados à primeira geração, com
    currículos e métodos de ensino tradicionais e estagnadas
    e com uma incapacidade, ou mesmo a resistência, a change.18,19
    Muitos países estão incorporando segunda geração
    reformas, e alguns estão se movendo para o terceiro generation.52-55
    Nenhum país parece ter todas as escolas do terceiro
    geração.

  • Quem sente a dor sou eu? É aqui que dói em mim? Quem diz o que é mais doloroso ? Perder a mãe ou perder o gato? Como medir a dor de alguém?
  • Livro de moliére.
  • A morte nunca é tranquila se a vida náo foi consumada. Nietzsche. Podemos viver 100 anos, se não fizerem sentido, a morte nunca será tranquila.
  • PIMBA: pé inchado, mulambo, bêbedo e atropelado.
  • Retorno do filho pródigo Rembrandt
  • Com quem é nossa responsabilidade? Com as empresas de material médico, com a indústria farmacêutica? Com o nosso salário? Ou com a alteridade e a humanidade?
  • Incluindo nossa responsabilidade para com os seres não humanos, temos o direito de utilizá-los em pesquisas e aulas?
  • Não há regra ou pré-conceitos, nos despimos (epoché) e nos sentamos frente ao outro para responder ao seu grito.
  • O médico deve cuidar de todas as suas faculdades, estudar muito, conhecer muito e ser muito humano. Nao se trata de endeusar ou demonizar a tecnologia, mas de colocá-la em seu devido lugar, um apêndice da humanidade.
  • A arte perdida de cuidar

    1. 1. DESAFIOS DA BIOÉTICA NO SÉCULO XXI Serviço de Neurologia e Neurocirurgia Dr. Frederico Rodrigues ¹Prof. Carlos Frederico Rodrigues ²Isadora Cavenago Fillus ¹Neurologia – HU Pedro Ernesto – UERJ Neurocirurgia – HM Souza Aguiar – RJ Neurocirurgia pediátrica – Inst. Fernandes Figueira – FioCruz – RJ Interne serivce de neurochirurgie pédiatric- Hôpital Latimone – Marseille- France. Mestre em Filosofia Política e Ética – PUCRS. Professor – Unochapecó – SC Professor Bioética – Unioeste – Francisco Beltrão. Coordenador do Núcleo de Bioética do Sudoeste – NuBioS ²Acadêmica da faculdade de medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE – Campus Francisco Beltrão.
    2. 2. • Surtos de novas epidemias; • Campos de concentração para esses pacientes; • Aquecimento global; • Desafio do gelo x morte por falta de água; • Violência; • Imigração; • Racismo. UMA BIOÉTICA?
    3. 3. • “as vezes nos parece que tudo que COMO PROCEDER? fazemos não é mais do que uma gota de água no oceano, mas o oceano seria menor se lhe faltasse essa gota.” Madre Teresa de Calcutá. • A arte perdida de cuidar.
    4. 4. I - INTRODUÇÃO Bernard Lown – Cardiologista – inventor do desfibralador. “ os médicos desaprenderam a arte de cuidar.” Nunca a medicina avançou tanto no diagnóstico e tratamento das mais variadas doenças como no passado século, e nunca o ser humano enfermo foi tão mal cuidado.
    5. 5. I - INTRODUÇÃO Livro: a perdida arte de cuidar. “os médicos transformaram-se em oficiais-maiores da ciência e gerentes de biotecnologias complexas“ Isso é a medicina? "sabedoria médica" é compreender um problema clínico não em um órgão, mas em um ser humano.
    6. 6. I - INTRODUÇÃO Todo mal que aflige o paciente pode ser identificado pela tecnologia? Os jovens estudantes são educados a operar equipamentos e proceder a leituras de variáveis biológicas, mas não são orientados a reconhecer o ser humano como unidade biopsicossocial e espiritual.
    7. 7. I - INTRODUÇÃO “ Não se trata de acelerar o trem do progresso, mas de encontrar o freio de emergência.”
    8. 8. MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS • a uma medicina baseada em evidência, uma prática antiga, mas que foi estabelecida como um movimento mesmo no século XX, e já no nosso século XXI começa a ser questionada se é uma prática inteiramente aceitável. • Uma característica da ciência, incluindo a médica, é de que tudo o que você replica, tem qualidade. Já na arte, a replicação é sinônimo de desvalorização e perda da essência, sendo o primordial a preservação da singularidade: medicina como arte. • E pensando nessa oposição de prioridade entre a ciência e a arte, quando falamos em cuidado de seres humanos que são únicos entre si, mas em sua totalidade de ser, que outra forma temos de o receber e abriga-los sob nossas mãos e olhares que não na arte de cuidar? "Eu tive uma namorada que via errado. O que ela via não era uma garça na beira do rio. O que ela via era um rio na beira de uma garça. Ela despraticava as normas. Dizia que seu avesso era mais visível do que um poste [...] .Chegou de ir no oculista. Não era um defeito físico falou o diagnóstico. Induziu que poderia ser uma disfunção da alma. Mas ela falou que a ciência não tem lógica. Porque viver não tem lógica – como diria nossa Lispector[...].” O olhar, MANUEL DE BARROS
    9. 9. MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS • O setor da saúde é um dos que mais tem crescido na economia mundial. Números apontam “evoluções”, “desenvolvimento” e inovações. Mas o que está por trás de números frios que nos são apresentados? A arte de cuidar de outra pessoa realmente cabe em dados e estatísticas sem desumanizar-se? • A medicina é algo que não possui preço, pois não pode ser substituída por um equivalente, logo, possui dignidade • O atendimento médico se diferencia de qualquer serviço prestado em indústrias, pois não se baseia em padronizações. O médico “não é o médico dos seres vivos em geral, nem mesmo o médico do gênero humano, mas o médico do indivíduo humano”. Claude Bernard.
    10. 10. II - AS REGRAS DO CHICOTE Aplicação de regras cartesianas como norteadoras da formação médica. – Séc XX. Privilegia-se o conhecimento fragmentado de acordo com percepções específicas de diferentes áreas do saber médico, desconsiderando a óbvia inseparabilidade entre as partes e a totalidade do ser humano. ABRAHAM FLEXNER
    11. 11. • No dizer de Morin, passaram a ser "como lobos que urinam para marcar seu território e mordem os que nele penetram". II - AS REGRAS DO CHICOTE Assim nasceram as disciplinas do curso de medicina que passaram a gozar de total autonomia para construir suas árvores temáticas. Quaisquer pequenas propostas de mudanças na grade curricular encontram enormes resistências por parte dos donos dos lotes.
    12. 12. II - AS REGRAS DO CHICOTE Grade, Disciplina...falamos de educação ou de prisão? A escola como ´disciplinadora´ e formadora de corpos humanos dóceis e incapazes de reflexão.
    13. 13. II - AS REGRAS DO CHICOTE • “um meio de flagelar aquele que se aventura no domínio das idéias que o especialista considera de sua propriedade“ Morin. Em conseqüência desse modelo pedagógico obsoleto, impõem-se aos estudantes cada vez mais conhecimentos técnicos oriundos das disciplinas acadêmicas, onde as informações são expostas sem qualquer preocupação de oferecer-lhes a necessária síntese que lhes permita melhor compreender o ser humano biográfico.
    14. 14. II – AS REGRAS DO CHICOTE Cartesiano • Objeto; • Corpo; • Quantidade; • Causalidade; • Razão; Alteridade • Sujeito; • Espírito; • Qualidade; • Finalidade; • Sentimento;
    15. 15. ESTADO DE EXCEÇÃO COMO REGRA: trotes universitários • E as regras do chicote estão presentes desde a admissão dos estudantes nas faculdades de medicina. Infelizmente ainda é uma realidade na maioria das faculdades a promoção dos trotes aos calouros recém chegados na universidade. • Despersonalização do indivíduo. • Judeus em campos de concentração nazista. • “ é só uma brincadeira”, “ não faz mal nenhum”, “ também passamos por isso”. Hannah Arendt
    16. 16. ESTADO DE EXCEÇÃO COMO REGRA: trotes universitários • estado de exceção como regra • porque isso está sendo feito? Qual a finalidade? Tirar o máximo de proveito do outro, mesmo que para isso precise ofender, machucar ou humilhar? Quem disse que temos esse direito? • ciclo que se repete todos os anos nas universidade • consequências irreversíveis • a resistência só pode existir enquanto propriedade imanente ao poder (Foucault). “A qualidade humana da sociedade deveria ser medida pela qualidade de vida de seus membros mais fracos”. Zigmunt Bauman
    17. 17. • “ Domine todas as técnicas, conheça todas as teorias, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” Jung. • “Nós, não é plural de eu”. E. Levinas. III - Ética
    18. 18. “Aquele que só sabe medicina (técnica), nem medicina sabe.” Abel de Lima Salazar
    19. 19. • Como apreender o global, o multidimensional, o complexo e organizar o conhecimento para melhor cuidar do ser humano, protagonista central de qualquer iniciativa da ciência? • “Ética, é o local onde cabem todos.” H.Jonas. III - Ética
    20. 20. III - Ética "Sendo todas as coisas causadas e causadoras, ajudadas ou ajudantes, mediatas e imediatas e sustentando-se todas por um elo natural que une as mais distantes e as mais diferentes, considero ser impossível conhecer as partes sem conhecer o todo, tampouco conhecer o todo sem conhecer as partes“ Blaise Pascal.
    21. 21. III - Ética A comunidade acadêmica da atualidade é formada por um conjunto de especialistas. As linguagens dos diferentes núcleos de saber são tão herméticas que sequer o exercício interdisciplinar é factível, pois perderam-se os elementos essenciais para o diálogo.
    22. 22. • Muller, citado por Troncon, avalia que "as escolas médicas estão submergindo os estudantes em pormenores opressores sobre conhecimentos especializados e aplicação sofisticada de tecnologias, restringindo a aprendizagem de habilidades médicas fundamentais, podendo isto levar a uma fascinação pela tecnologia, tornando o artefato mais importante que o paciente." III - Ética RODRIGUES CFA. O fetiche da tecnologia. Revista Bioética – CFM – vol 3. 2012.
    23. 23. QUEM SERÃO OS MÉDICOS EGRESSORES DESSE MODELO? Cartesiano Flexineriano Modelo de aprendizado baseado em problemas (PBL)
    24. 24. METODOLOGIA ATUAL O QUE PRECISAMOS Eu isolado Eu integrado Realização pessoal Alteridade Técnico (coorporação) Cidadão (comunidade) Fragmentado, para oferecer serviços e ter o homem como objeto de estudo Interdisciplinar para acolher o outro Conhecimento técnico Conhecimento humanista
    25. 25. IV - Como livrar-se ao jugo do chicote? Reconhecer o perverso legado do séc. XX, caracterizado pela extrema racionalização da ciência que apenas considera o quantitativo e ignora o qualitativo, menosprezando o ser humano em seus sentimentos, sofrimentos, alma. Sociedade do Inmetro.
    26. 26. IV - Como livrar-se ao jugo do chicote? Há que libertar-se, sobretudo, da escravidão da máquina, fazendo-a complementar ao raciocínio clínico e não instrumento soberano para determinar tomadas de decisões. “ Ciência e caridade” P. Picasso.
    27. 27. IV - Como livrar-se ao jugo do chicote? O modelo vigente das subespecialidades, no qual profissionais sabem quase tudo do quase nada. Se o conhecimento é armazenado nas máquinas, não bastarão simplesmente técnicos bem treinados para operá-las? Os médicos são dispensáveis?
    28. 28. IV - Como livrar-se ao jugo do chicote? A busca da "Grande Saúde" apontada por Sfez na utopia globalizada do séc. XXI parece apontar para uma sociedade imune às "questões do passado" e pautada em regras da mais extrema objetividade científica. Quais as consequências para uma sociedade que não aceita sua finitude? A culpabilidade da equipe médica?
    29. 29. • “ Meu pai não paga ...mil reais por mês para eu atender pacientes do SUS.” • “ Vou fazer radiologia para não ter que colocar minha mão no lixo.” • “Esse aí é só um PIMBA, não se preocupe.” IV - Como livrar-se ao jugo do chicote? Como indignar-se com o “interno” que ao apresentar um caso não mencione o nome ou sequer a história clínica do paciente, detendo-se em relatar exames subsidiários e a conduta proposta pelo oncohematologista?
    30. 30. IV - Como livrar-se ao jugo do chicote? • A 2ª Conferência Mundial de Educação Médica realizada em Edimburgo, em 1993, acolheu a proposta "Changing medical education and practice: an agenda for action", da Organização Mundial da Saúde, que aponta para novas práticas educativas que substituam as tradicionais centradas no modelo disciplinar através da incorporação de estratégias que alcancem fornecer conhecimentos mais adequados do processo saúde-doença, sempre privilegiando o enfoque interdisciplinar.
    31. 31. QUEM TEM O CHICOTE EM MÃOS? • Universidade de Toronto: 47% dos 108 estudantes de medicina no último ano da faculdade declararam ter presenciado ao menos um comportamento antiético por parte de seus professores. • "Eu fazia plantão na maternidade do X e via as pacientes que chegavam após tentativa de aborto serem tratadas com grosseria, ironias e deboche. E quando tinham que permanecer internadas, ficavam em macas no corredor, mesmo tendo vagas nas enfermarias". (feminino, 6º ano, 24 anos). • "Já foram várias situações difíceis. [Tive] muitos desapontamentos e vontade de largar o curso por isso."(feminino, 6º ano, 24 anos). “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. FERNANDO PESSOA
    32. 32. V –FORMAÇÃO ÉTICA “...com quem nos sentimos à vontade quando descrevemos nossas queixas (...) o médico para quem o paciente nunca é uma estatística (...)". Lown. Tudo isto parece tão simples e óbvio que, às vezes, nos espantamos por não conseguir atingir esse singelo objetivo.
    33. 33. V – FORMAÇÃO ÉTICA • O profissional sabe que toda doença é orgânica e psíquica, social e familiar. Todos os sintomas formam um complexo conjunto de diferentes instâncias, quer seja orgânica, psicológica, social ou familiar. • Invariavelmente está buscando por cuidados que não se limitam simplesmente a livrar-se de um mal-estar circunstancial.
    34. 34. V - FORMAÇÃO ÉTICA • "Onde há amor ao enfermo (philanthrôpíê) há também amor à arte (philotekhniê).” Nosso objetivo é o paciente. Nosso inimigo é o sofrimento, não a morte. Formação humana do acadêmico de medicina.
    35. 35. V - FORMAÇÃO ÉTICA • Considero que os problemas emergentes na relação profissional-paciente devido ao uso acrítico das conquistas da ciência e tecnologia podem ser sobrepujados mediante uma formação consistente, que privilegie os aspectos humanísticos da profissão sem, de nenhuma maneira, descurar do melhor modo de cuidar. RODRIGUES CFA. Considerações éticas sobre a medicina contemporânea. Vol. 18, No 2 (2010): Revista Bioética Responsabilidade sem escapatória. Alteridade.
    36. 36. A FORMAÇÃO MÉDICA ALÉM DOS LIVROS • Depois de todos os anos de estudos, quando aprendemos a dar uma má notícia? Quando aprendemos a lidar com a morte? Quando aprendemos a lidar com o outro? • Se soubermos ouvir, o paciente conta seu diagnóstico e como será seu tratamento. • “No rosto, apresenta-se o ente por excelência” E. Levinas. • “O rosto do Outro recorda as obrigações do ‘eu’” .Márcio Luiz Costa. Robert Pope, Self Portrait with Dr. Langley
    37. 37. ÉTICA
    38. 38. ÉTICA • “o ético é o humano” • “a Ética deve ser construída no face-a-face, por todo tempo que nos resta.” E. Levinas.
    39. 39. A ÉTICA NA RELAÇÃO COM TODAS AS FORMAS DE VIDA • “São só animais” “os animais morrem para podermos salvar as pessoas, é algo que compensa” • Se colocarmos em uma balança uma vida e outra, tem como dizer que algum dos lados pesa mais? • uma ideia fascinante de progresso que se constrói na dor e exterminação de uma vida, fica até difícil acreditar que isso seja tão melhor do que a dita "não evolução" da ciência. • Sempre tem como diminuir o sofrimento de uma vida. E não é nossa responsabilidade como médicos diminuir o sofrimento? Nossa responsabilidade é com pessoas ou com a vida como um todo? • Existem alternativas para o uso de animais em universidades? “O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons”. Martin Luther King
    40. 40. DEVEMOS ABRIR MÃO DA TÉCNICA? “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana.” Carl Jung
    41. 41. NÚCLEO DE BIOÉTICA DO SUDOESTE - PR www.cefasfrederico.ning.com
    42. 42. OBRIGADO “ Nós somos responsáveis por tudo e por todos e eu mais do que os outros.” Dostoiévski

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