TCC Julcimery

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TCC Julcimery

  1. 1. JULCIMERY SCHREIBER CANONIZAÇÃO DE SANTA PAULINA:Análise da abordagem do jornal de Santa Catarina no período de janeiro de 2002 a 19 de maio de 2002. BLUMENAU 2011
  2. 2. JULCIMERY SCHREIBER CANONIZAÇÃO DE SANTA PAULINA:Análise da abordagem do jornal de Santa Catarina no período de janeiro de 2002 a 19 de maio de 2002. Disciplina: Monografia Coordenadora: Prof. Dra. Rosimeri Laurindo. Professor Orientador: Esp. Rodrigo Rogério Ramos Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo. SOCIESC / IBES – Instituto Blumenauense de Ensino Superior. BLUMENAU 2011
  3. 3. JULCIMERY SCHREIBER CANONIZAÇÃO DE SANTA PAULINA: Análise da abordagem do jornal de Santa Catarina no período de janeiro de 2002 a 19 de maio de 2002.Monografia apresentada como requisito para conclusão do Curso de ComunicaçãoSocial com Habilitação em Jornalismo – IBES/SOCIESC, aprovada pela BancaExaminadora formada por: ______________________________________ Prof. Orientador Rodrigo Rogério Ramos ______________________________________ Prof. ______________________________________ Prof. Blumenau, 21 de novembro de 2011.
  4. 4. Dedico este trabalho a minha família,amigos e, a todos que confiam eacreditam em Santa Paulina.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pelo dom da vida, a toda a minha família,especialmente meus pais, minha irmã Merci, meu tio Valdecir, minha tia Carmela, eminha avó Maria, que sempre me apoiaram. Também agradeço a todas as pessoasque conheci ao longo dos anos, por contribuírem de forma valorosa para meuconhecimento e evolução nesta jornada. Em especial agradeço ao meu querido amigo e professor Rodrigo RogérioRamos, pela confiança, e pela ajuda, em todos os sentidos, para que estamonografia se tornasse realidade. Agradeço ao querido professor e coordenador do curso de Jornalismo EumarFrancisco da Silva, por todo apoio e conhecimento despendido para comigo.Agradeço também, à professora e orientadora Dra. Rosimeri Laurindo, por orientar,acreditar, apoiar e vibrar com o tema escolhido. Sou grata a todos os colegas os quais estudei no período da graduação,especialmente as amigas Beth e Theury, dois anjos que me acompanharam duranteesta jornada. Agradeço também ao meu eterno amigo Roberto Issamu Morita Junior, portoda a força e incentivo recebidos durante todo esse processo de importantecrescimento intelectual. Com carinho lembro e agradeço o grande amigo MarceloSaldanha, por mesmo distante torcer e acreditar no meu sucesso. Obrigado aos amigos que convivo diariamente no ambiente de trabalho,especialmente a amiga Richeli Lilian Duarte, ao amigo Gerson Hélio da Cruz etambém ao amigo, Secretário da Fazenda Fábio Francisco Flôr, por me liberar nosdias em que precisei sair para estudar, além da oportunidade de começar a trabalharna área de comunicação no meu local de trabalho. Finalmente, agradeço aos administradores do meu país por criarem oprograma PROUNI, ao qual fui beneficiada, permitindo-me concluir com êxito minhaformação.
  6. 6. “Nunca, jamais, desanimeis,embora venham ventoscontrários.” (Santa Paulina)
  7. 7. RESUMOEsta pesquisa tem o intuito de analisar a cobertura e a abordagem das matériasveiculadas no jornal impresso de Santa Catarina no período de janeiro de 2002 a 19de maio de 2002. Período que antecedeu a canonização da primeira santa do Brasil,santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Foram coletadas e quantificadas asmatérias veiculadas nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, até dia 19 demaio, data da canonização de Santa Paulina. Através desta pesquisa foi possívelconstatar quantas matérias foram publicadas, quantas foram manchetes de capa,quais os principais assuntos abordados e quais os critérios de noticiabilidadesencontrados com maior frequência. Ao realizar a análise do conteúdo, foi necessárioaveriguar todo material veiculado, um a um. Primeiramente obteve-se uma análisemensal dos assuntos abordados. Em seguida, foram selecionadas as matérias maissignificativas conforme a importância e relevância da abordagem. E por último, foirealizada a análise das matérias de capas. Os métodos utilizados foram a pesquisaquantitativa, qualitativa e também a análise de conteúdo através dos critérios denoticiabilidades. Utilizou-se gráficos para sintetizar e demonstrar com clareza osdados da presente pesquisa. Em quase uma década da canonização, por meiodesta pesquisa evidencia-se que a canonização de Santa Paulina, além de ser umfato inédito que marcou pra sempre a história do Brasil, foi sem dúvidas o fatordeterminante para o crescimento e desenvolvimento da cidade de Nova Trento,Santa Catarina, Brasil.PALAVRAS CHAVE: Santa Paulina, Canonização, Jornal de Santa Catarina.
  8. 8. ABSTRACTThese research aim to analyze the media coverage, and the approach of thesubjects under study by newspaper`s articles from Santa Catarina during the periodof January 2002 to May 19, 2002. The period preceded the canonization of the firstBrazilian Saint, Pauline of the Agonizing Heart of Jesus. The articles were collectedand selected during the months of January, February, March, April, and May.Throughout the research, it was possible to list how many articles were published,how many of them were front page; and also identify what were the main subjectsapproached, and the frequency that the media criteria were approached. To betteranalyze the contents, one by one, all the articles approaching the subject werecollected monthly; then they were classified by their relevance and meaning. After all,the front pages were also observed. The research`s methods were quantitative andqualitative. Inasmuch, the contents were analyzed according to the media criteria,and graphics were used to better represent the research`s data. In conclusion, itcould be observed that ten years of Saint Pauline canonization has affectedimmediately the development of the city of Nova Trento, Santa Catarina, Brazil;moreover, her canonization was a historic fact that enriched Brazil`s history.KEY WORDS: Saint Pauline, Canonization, Santa Catarina`s News Paper
  9. 9. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 102 apresentação do tema ............................................................................................................. 122.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA ................................................ 142.2 PRESSUPOSTOS ............................................................................................... 142.3 Justificativa e adequação à linha de pesquisa do curso DE JORNALISMO DO IBES .............. 152.4 Objetivos ............................................................................................................................... 17 2.4.1 Objetivo Geral ....................................................................................................................... 17 2.4.2 Objetivos Específicos ............................................................................................................. 173 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................. 193.1 O catolicismo e a Santidade .................................................................................................. 19 3.1.1 O catolicismo no mundo e no Brasil ...................................................................................... 19 3.1.2 Os Santos ............................................................................................................................... 223.2 A imigração italiana no sul do país ........................................................................................ 24 3.2.1. Nova Trento e sua história ................................................................................................... 263.3 Santa Paulina ......................................................................................................................... 28 3.3.1 A Beatificação e a Canonização ............................................................................................. 313.4 O Jornal de Santa Catarina .................................................................................................... 343.5 Jornalismo Especializado ....................................................................................................... 363.6 Critérios de Noticiabilidade ................................................................................................... 384 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................... 444.1 Modalidade de Pesquisa ....................................................................................................... 444.2 Campo de Observação .......................................................................................................... 464.3 Coleta de Dados .................................................................................................................... 464.4 Critérios para Análise de Dados ............................................................................................ 484.5 descrição das etapas da investigação ................................................................................... 485 APRESENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ......................................... 515.1 Análise geral das matérias selecionadas ............................................................................... 515.2 Análise das matérias “DESTAQUE”:....................................................................................... 745.3 Análise das Capas .................................................................................................................. 836 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 91REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 95
  10. 10. 101 INTRODUÇÃO Em 19 de maio de 2002, os brasileiros presenciaram um fato inédito, quemarcou para sempre a história do País, a canonização da primeira santa Brasileira,Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Milhares de pessoasacompanharam o anúncio da canonização, feito pelo Papa João Paulo II no Vaticanona Itália. Fiéis de diferentes partes do mundo festejaram o feito. Principalmente noestado de Santa Catarina, na cidade de Nova Trento, localidade de Vígolo, ondeMadre Paulina iniciou sua vida religiosa e atualmente está localizado o seuSantuário. Este fato além de ser esperado por milhares de fiéis do Brasil e do mundo foium dos assuntos religiosos que mais teve repercussão e cobertura na mídia do país,perdendo apenas para a cobertura da morte do Papa João Paulo II, em 2005responsável pela canonização de Madre Paulina. Esta cobertura mereceu destaque nas páginas do Jornal de Santa Catarina,popularmente conhecido como “Santa”, pela importância, exclusividade e relevânciado fato para a sociedade brasileira, principalmente para a comunidade católica. Verificou-se que no ano de 2002, ano da canonização, segundo dados tiradosdas reportagens do Jornal de Santa Catarina, o Brasil tinha cerca de 120 milhões deadeptos do catolicismo. E mesmo possuindo o título de maior país católico domundo, foi somente depois de quinhentos anos de história que o Brasil conheceusua primeira santa. Diante deste cenário, esta pesquisa tem o objetivo de verificar como o jornalde Santa Catarina fez a cobertura do período que antecedeu a canonização deSanta Paulina. O principal motivo que levou a pesquisadora a estudar este tema foi que aorealizar uma pesquisa sobre a imigração italiana em Blumenau e região, através do(PEC) Projeto Experimental em Comunicação, descobriu que uma das imigrantesitalianas que chegou ao Brasil junto com as primeiras levas de imigrantes, tornou-sea primeira Santa do país. Fato que aguçou o desejo de conhecer melhor sobre avida desta imigrante e a partir de leituras sobre Santa Paulina a pesquisadora
  11. 11. 11buscou compreender o que a canonização da primeira santa do Brasil acrescentoupara a comunidade católica, especialmente na região de Nova Trento. Para obter uma melhor compreensão a pesquisadora escolheu analisar ométodo que o Jornal de Santa Catarina utilizou para fazer a cobertura da primeiraSanta do Brasil. E assim, entender como o “SANTA”, um jornal regional, abordou enoticiou um fato religioso único e histórico no país, tornando esta cobertura inéditapara jornalismo nacional. Através desta análise será possível observar quais os critérios denoticiabilidade utilizados para selecionar as notícias referentes ao processo desantificação de Madre Paulina. Assunto há muito tempo esperado e que acabara dese tornar um fato inédito e histórico para o Brasil. Outro motivo importante para a realização desta pesquisa é que em maio de2012 completará dez anos da data da canonização. Durante este período ocorrerammuitas mudanças na cidade de Nova Trento e a canonização da primeira santa dopaís foi o fator determinante para o crescimento e desenvolvimento econômico daregião. Acontecimento este, que contribuiu de forma significativa para o turismoreligioso no cenário nacional e internacional. A cobertura da canonização da primeira santa do país, além de representarum acontecimento histórico no Brasil é também pioneiro para o jornalismo nacional.O Jornal de Santa Catarina foi um dos principais veículos regional e nacional a fazeruma cobertura especial deste fato. E também, um dos veículos que mais publicoumatérias no período que antecedeu a santificação da religiosa de Nova Trento. A presente pesquisa irá analisar como esta cobertura foi feita nos cincoprimeiro meses que antecederam a canonização, descobrirá quais foram osassuntos e como foram abordados. Apesar do Jornal de Santa Catarina não possuir uma editoria específica queaborda o jornalismo religioso, o “Santa” veiculou a maioria das matérias sobre acanonização na editoria geral e criou um espaço específico denominado “Vale”,onde publicou grande parte das matérias. Pode-se afirmar, portanto, que apesar do jornalismo religioso não fazer partedas principais editorias dos jornais nacionais, este é um ramo do jornalismoespecializado que se encontra em ascendência, principalmente nesta última década.
  12. 12. 12 Nota-se que a partir do anúncio que Madre Paulina seria Santificada, a cidadede Nova Trento mudou completamente, seja nos aspectos religiosos, econômicos erelacionados à infraestrutura.2 APRESENTAÇÃO DO TEMA Nesta pesquisa o tema abordado demonstrará como foi realizada a coberturado Jornal de Santa Catarina, no período que antecedeu a canonização da primeiraSanta Brasileira: Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A pesquisadora após relatar a importância da canonização da primeira santado país, apresentará um breve histórico da vida e das obras de Santa Paulina. Eevidenciará porque a cobertura do jornal de Santa Catarina tornou-se uma coberturaregional, única, sem precedentes, transformando-se em pioneira para o jornalismonacional. Santa Paulina, a primeira santa do Brasil, fundadora da Congregação dasIrmãzinhas da Imaculada Conceição1, foi canonizada no dia 19 de maio de 2002, nacidade de Nova Trento, situada no Vale do Rio Tijucas, próxima 84 km deFlorianópolis, Brusque, 21 km ao Norte e, a Nordeste, Balneário Camboriú, a 60 kme Tijucas a 31 km. A canonização representa um fato inédito no Brasil, uma vez que, nuncaantes na história do país, houve a canonização de um santo ou uma santa. Foram502 anos à espera de um santo brasileiro. Isto pode ser considerado muito tempopara um país, que na época da canonização, em 2002, já detinha aproximadamente25% da população adepta ao catolicismo do mundo. Considerando que a região de Nova Trento e seus arredores, foi colonizadaprincipalmente por descendentes italianos, os quais tinham na religião católicagrande devoção, fato que contribui para que a região da cidade de Nova Trento1 Aos 12 de julho de 1890 juntamente com sua amiga, Virginia Rosa Nicolodi, Amábile deu início à ordem religiosa, cuidando de Lúcia Angela Viviani, portadora de câncer, em fase terminal. Após algum tempo, juntou-se a ela a segunda irmã Teresa Anna Maule. Em 1894 o trio fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição recebendo, então, os nomes de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Irmã Matilde da Imaculada Conceição e Irmã Inês de São José.
  13. 13. 13tenha muitos adeptos ao catolicismo, a canonização de Santa Paulina foi um marcohistórico na Igreja Católica do país, além de mudar a rotina da cidade de NovaTrento. A organização religiosa inicial da região de Nova Trento teve uma dinâmicaprópria. Como estavam isolados no meio da floresta, estes imigrantes reconstruíramsua sociedade nos moldes da anterior, com capelas para reuniões semanais,tomando como princípios a religiosidade adquirida na terra natal, porém, adaptada aesse novo contexto. A religiosidade era algo do cotidiano e base da estrutura dacomunidade dos italianos. No entender de Silva (2001, p. 74) [...] a religião, portanto, seria um fator fundamental no processo de identificação cultural do imigrante italiano, sendo este um fenômeno extensivo a outras populações de origem européia que emigraram para a região sul do Brasil, a fim de constituir núcleos de pequenos proprietários. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro Geografia e Estatística), o Brasilé um país de grande diversidade religiosa. No censo de 2000, a maioria dapopulação se declarou católica, cerca de 73% (setenta e três por cento).2 Para o estado de Santa Catarina, a canonização da Santa Paulina trouxecontribuições significativas para o turismo religioso e para o crescimento econômicoda cidade, transformando a cidade de Nova Trento em centro de peregrinação doturismo religioso seja ele nacional ou internacional. Assim, apesar de ser um evento regional, devido a sua importância, teve umagrande repercussão nacional e internacional. O jornal de Santa Catarina, um dospioneiros na região, não poderia deixar um fato considerado inédito no Brasil “passarem branco”. Ainda mais se tratando da canonização da primeira santa do país,considerando que ela iniciou sua vida religiosa no Estado de Santa Catarina. No ano de 2012, a canonização de Santa Paulina estará completando 10anos. Como Santa Paulina viveu e iniciou sua obra de benemerência no Vale do RioTijucas, mais precisamente, na cidade de Nova Trento, é nesta região que elaexerce uma maior influência religiosa. Diante de tal informação, é importante realizar uma análise de todo o material2 Disponível em: http://www.ibge.gov.br/7a12/conhecer_brasil/default.php?id_tema_menu=2&id_tema _submenu=5
  14. 14. 14publicado no Jornal de Santa Catarina sobre a canonização de Santa Paulina, noperíodo de 01 de janeiro à 19 de maio de 2002, procurando identificar através daanalise de conteúdo como a cobertura do evento repercutiu perante os fiéis.2.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA Compreender de que maneira foi realizada a cobertura do Jornal de SantaCatarina no período que antecedeu a canonização da primeira Santa Brasileira eidentificar quais as respectivas abordagens.2.1.1 Questão Problema A principal questão problema da pesquisa é saber como o jornal de SantaCatarina fez a cobertura da canonização da primeira Santa do Brasil, no período dejaneiro a 19 maio 2002? As perguntas a seguir, são questões específicas, que ajudaram a responder aquestão problema mais detalhadamente: Qual o espaço destinado às informações relativas à canonização de Madre Paulina no Jornal de Santa Catarina? Como foi realizada a cobertura mensal das matérias referentes ao tema Canonização? Qual o foco e quais matérias deram origem a capas? Quais os principais critérios de noticiabilidade utilizados nas matérias?2.2 PRESSUPOSTOS
  15. 15. 15 É importante reunir as matérias publicadas pelo Jornal de Santa Catarinasobre Santa Paulina no período que antecedeu a sua canonização, justamente pelovalor que Santa Paulina tem na vida religiosa de muitos fiéis católicos no Brasil e nomundo. Através desta cobertura observa-se que a cidade de Nova Trento, antesuma cidade pequena sem nenhuma expressão significativa no cenário nacionalpassa a ser a região do milagre econômico. A cidade de Nova Trento, localizada naárea de abrangência do Jornal de Santa Catarina, foi cenário de parte da vida e obrada Santa, contribuindo para o fortalecimento do turismo religioso catarinense. Apartir destas informações podemos observar os pressupostos a seguir: Em relação à análise das matérias, percebe-se que a cobertura do Jornal deSanta Catarina, nos meses antecedentes à canonização foi direcionada aos leitoresda religião católica, portanto, o tema pode ter se tornado repetitivo e pouco atraentepara pessoas que não se identificam com a religião católica. As publicações foram relacionadas às mudanças ocorridas na cidade de NovaTrento, principalmente na área econômica em função do turismo religioso. Umaspecto da cobertura que ficou em evidência foi a valorização do crescimentoeconômico através do turismo religioso. A canonização interferiu definitivamente na estrutura econômica e cultural deNova Trento. Mesmo as autoridades sabendo que o feito traria um grandecontingente de pessoas à cidade, não houve planejamento e organização nainfraestrutura da cidade para receber os fiéis. Nos meses de abril e maio o Jornal de Santa Catarina deu prioridade aosassuntos econômicos e aos relacionados a histórias de vida de Santa Paulina e depessoas próximas a ela. Também no mês de abril foi publicada uma quantidadeexcessiva de matérias de capa. Pois foram publicadas oito capas em todo o períodopesquisado, entre abril e maio foram seis manchetes de capa, sendo que quatrodelas foram em abril. Na semana que antecede a canonização, todos os dias foram veiculadosmatérias sobre a canonização, dando ênfase a história de vida da primeira Santa dopaís utilizando um espaço significativo nas paginas do jornal.
  16. 16. 162.3 JUSTIFICATIVA E ADEQUAÇÃO À LINHA DE PESQUISA DO CURSO DE JORNALISMO DO IBES No presente trabalho a linha de pesquisa enquadra-se na modalidade de“Mídia Regional” relacionada ao Curso de Comunicação Social com habilitação emJornalismo do IBES/SOCIESC. O Jornal de Santa Catarina foi o escolhido para a realização desta pesquisapor tratar-se de um jornal de circulação regional, com tradição e reconhecimento naimprensa catarinense, por abranger várias regiões do estado de Santa Catarina eatingir milhares de leitores. E, principalmente por ser um dos principais veículosregional que fez a cobertura da canonização no período pesquisado. A canonização da primeira Santa do Brasil é um marco para a comunidadecatólica do país e de outras partes do mundo. Pois além da Itália país de origem deSanta Paulina, outros países localizados em diferentes continentes aguardavam oanúncio da santificação. Conforme dados publicados nas matérias do Jornal deSanta Catarina, além do Brasil, os países de Camarões, Moçambique, Chade, Itália,Guatemala, Nicarágua, Colômbia, Chile, Argentina, e Bolívia seguem e difundem adoutrina da congregação fundada por Santa Paulina em Nova Trento, SC. Como o catolicismo ainda representa a maioria dos brasileiros, atualmente écomum aos meios jornalísticos explorar e enfatizar temas relacionados ao turismoreligioso. Nos diferentes tipos de mídias, notícias relacionadas a fatos religiososganham cada vez mais destaque. E no jornalismo impresso não é diferente, porém,vale destacar que o Jornal de Santa Catarina foi pioneiro em relação à cobertura deassuntos religiosos, noticiando e realizando de forma ampla a cobertura dacanonização de Santa Paulina. O fato de termos no Estado de Santa Catarina, na cidade de Nova Trento, oSantuário da primeira Santa Brasileira faz com que muitos turistas venham conhecero local em busca de graças, milagres e também para pagar promessas. Não háduvidas de que a canonização da Santa Paulina trouxe contribuições significativaspara a cidade de Nova Trento, pois em menos de uma década a cidade sentiu oefeito visível do que podemos chamar de milagre do turismo religioso. Com o aumento do turismo religioso houve um grande crescimento
  17. 17. 17econômico na cidade, transformando a pequena e pacata Nova Trento em um centrode peregrinação. Segundo informações da SANTUR3, a cidade, atualmente, é considerada acapital catarinense do turismo religioso, e o segundo maior pólo de turismo religiosodo país, ganhando visibilidade e destaque em âmbito nacional e internacional,perdendo apenas para Aparecida do Norte, no estado de São Paulo, onde estálocalizado o Santuário de Nossa Senhora de Aparecida. Pela grande relevância deste feito e devido à quantidade de católicos noBrasil, principalmente em Santa Catarina, é importante analisar como a mídia local,neste caso, o Jornal de Santa Catarina abordou este assunto religioso, fatoconsiderado inédito em nosso país. Além, disto a presente pesquisa abre caminhos para demais estudiosos epesquisadores, que objetivam estudar assuntos relacionados à santificação deMadre Paulina, oportunizando a partir dos resultados obtidos terem uma nova visãosobre a canonização de Madre Paulina.2.4 OBJETIVOS2.4.1 Objetivo Geral O objetivo geral é analisar, as matérias publicadas no Jornal de SantaCatarina, no período de cinco meses que antecederam a canonização da SantaPaulina, buscando delimitar qual o papel do SANTA, na divulgação de tal fato.2.4.2 Objetivos Específicos3 Santa Catarina Turismo S/A
  18. 18. 18 Determinar a quantidade de matérias sobre o tema, publicadas no período estabelecido. Verificar qual o posicionamento do jornal e o principal foco das matérias jornalísticas, diante do processo de canonização da Santa Paulina. Constatar quantas matérias foram capas e quais os tipos de abordagens. Verificar quais os principais critérios de noticiabilidade utilizados nas notícias sobre Santa Paulina veiculadas no período determinado Averiguar quais as principais mudanças culturais e econômicas ocorridas na cidade de Nova Trento após a canonização.
  19. 19. 193 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA3.1 O CATOLICISMO E A SANTIDADE3.1.1 O catolicismo no mundo e no Brasil A palavra Catolicismo tem origem no grego katholikos, com o significado de“geral” ou ”universal“. O Catolicismo é a vertente do cristianismo mais disseminadano mundo todo e também o mais antigo, conhecido como igreja organizada, sendo aque possui maior número de adeptos no Brasil (ARSEGO, 2008) A Igreja Católica Apostólica Romana, como oficialmente é conhecida, foifundada4 pelo apóstolo Pedro pouco depois da morte de Jesus Cristo, segundo aBíblia, com o intuito de disseminar a filosofia cristã. Peres (1995) relata que o Império Romano perseguiu os judeus, porém,adotou o cristianismo como religião oficial em 380 d.C5. Mas, foi na Idade Média, apartir do século V d.C., que a Igreja expandiu seus territórios, com a alegação deque a salvação aconteceria na simplicidade. Por conta disto, os fiéis doavam terras,animais, pedras preciosas e outras riquezas para a Igreja, tornando-a cada vez maispotente. Sobre o início do cristianismo, Arsego (2008, p. 10) relata: No início, o cristianismo era uma seita de judeus para judeus, e não tinha uma hierarquia rígida. Existiam bispos independentes, com opiniões diferentes sobre a fé. Porém essa fase tão democrática teve fim no ano 312 quando o então imperador romano Constantino, que era judeu, mas havia aderido ao cristianismo, convocou o primeiro Concílio das Igrejas, que teve a participação de 318 bispos cristãos, (cristãos e não católicos, pois o catolicismo ainda não havia sido fundado).4 Apesar da alegação da Igreja Romana de sua fundação no ano 33 d.C e de ter sido Pedro o primeiro papa, a história eclesiástica registra que Gregório I (509-604), foi o verdadeiro primeiro papa. O termo “papa” vem de um decreto de Gregório VII, de 1073, que quer dizer “pai” (PERES, 1997, p. 05).5 Depois de Cristo
  20. 20. 20 Outro fator importante para a expansão cristã foram as Cruzadas 6.Financiados pela Igreja, exércitos se lançavam mundo afora com o intuito deconversão e catequização dos não católicos. Na maioria das vezes, fazendo uso deviolência. Conforme afirma Peres (1995), entre os séculos XVIII e XIX, o poder deintervenção da Igreja Católica nas questões políticas sofreu uma grande perda coma eclosão do ideário iluminista e o advento das revoluções liberais. A necessidadede instalação de um Estado Laico7 favoreceu uma restrição das atividades da Igrejaao campo essencialmente religioso. É o que descreve Arsego (2008, p. 12): Para os católicos, a Igreja é santa e única, e segundo ela mesma, o Estado não tem competência nos assuntos religiosos, sendo assim, a Igreja não pode recorrer ao Estado, mesmo quanto este é o único representante de uma sociedade somente católica, e que faça uso dos poderes políticos em benefício da Igreja. Ainda na visão de Peres (1995), no século XX, a Igreja católica sofreu umaprofunda renovação de suas práticas quando promoveu o Concílio de Vaticano II,acontecido durante a década de 1960. Nesse episódio, uma nova postura dainstituição foi orientada em direção às questões sociais e injustiças que afligiam osmenos beneficiados. Sobre o assunto Beozzo (2001, p. 27) afirma: Em sua primeira sessão pública, o Concílio Vaticano II contou com a participação de 2.540 padres conciliares. Ao longo dos quatro anos foi contabilizada a participação média de 230 bispos brasileiros nas aulas conciliares. Nestas, a participação do episcopado brasileiro foi composta por cerca de 262 intervenções escritas e 64 orais no decorrer das celebrações, intervenções e votações dos documentos conciliares, enfim, daquilo que se passava no interior da Basílica de São Pedro, onde o Concílio fora realizado.6 As Cruzadas foram expedições organizadas pela nobreza sob a inspiração do Papado para libertar a Terra Santa, isto é, a Palestina, onde Jesus Cristo nascera, pregara e morrera, do domínio dos turcos. Para "salvar" a Europa Oriental e a Terra Santa o Papa Urbano II convocou a nobreza européia dando origem em 1095 a 1a. Cruzada transformava assim guerra tão comum no Ocidente, em "guerra contra os infiéis".7 É uma nação ou país que é oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Um estado laico trata todos seus cidadãos igualmente, independente de sua escolha religiosa e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião, além de proteger a liberdade religiosa de cada cidadão (Disponível em: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/estado_laico.htm. Acesso em 29 set 2001)
  21. 21. 21 Em 1929, após a assinatura do Tratado de Latrão8, foi fundado o Estado doVaticano, uma cidade-estado de 44 hectares habitada por pouco mais de 800pessoas. O Vaticano, centro da Igreja Católica, é considerado o menor Estado domundo. Em 2000, o Vaticano, representado pelo papa João Paulo II, pediuoficialmente perdão pelos erros cometidos pela Igreja, no passado. O catolicismo, segundo Beozzo (2001), é uma ramificação do cristianismo e,de acordo com algumas estatísticas recentes, cerca de um bilhão de pessoasprofessam ser adeptas do catolicismo, que tem o Brasil e o México como osprincipais redutos de convertidos. De fato, as origens do catolicismo estão ligadasaos primeiros passos dados na história do cristianismo. Sobre o tema Arsego (2008,p.20) destaca: Os católicos ocupavam uma posição contra as atitudes dos homens que buscavam constantemente o lucro, condenava pessoas que se preocupassem mais com o dinheiro do que com sua família e com a religião. A usura era vista como um grande pecado, porém o simples ato da confissão poderia levar o cidadão ao céu. A igreja objetivava convencer a todos, que a riqueza e hábitos como a usura os afastava de Deus. Não só membros da igreja, mas também os reis passaram a condenar a usura. Era um grave pecado enriquecer mediante a necessidade do próximo. Sobre o catolicismo no Brasil, Souza Lima (1979) afirma que ele chegou juntocom o descobrimento e lançou profundas raízes na sociedade. Em 1549, seisjesuítas da Companhia de Jesus acompanharam o Governador-Geral Tomé deSouza, chefiados pelo Padre Manoel de Nóbrega, em 1580 os carmelitas descalçoschegaram ao Brasil e em 1581 as missões dos beneditinos tiveram início. Durante o século XVI e XVII, o governo português, representado pelosgovernadores-gerais, buscou o equilíbrio entre o governo central e a Igreja Católica,controlando a atividade eclesiástica da colônia por meio do padroado, pois arcavacom o sustento da igreja e nomeava os bispos e párocos e concedia licenças para aconstrução de novas igrejas, ajudando financeiramente todo este processo (SouzaLima 1979).8 Tratado assinado em Roma, no palácio de Latrão, em 11 de fevereiro de 1929, entre a Santa Sé e a Itália e ratificado em 7 de junho de 1929. Este tratado tinha como principais aspectos: definir que a religião católica é a única religião do estado italiano; reconhecer a personalidade jurídica internacional da Santa Sé e a soberania plena sobre o estado da cidade do Vaticano, sem nenhuma ingerência da Itália; reconhecer que os representantes da Santa Sé gozavam das mesmas imunidades e regalias que os representantes diplomáticos acreditados em Itália; garantia da liberdade de comunicações da Santa Sé com todo o mundo, etc (In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2011. Disponível em: http://www.infopedia.pt/$tratado-de-latrao>. Acesso em: 29 set 2011).
  22. 22. 22 Sobre a influência da igreja na monarquia portuguesa Godoy (1998, p. 203)destaca: A Igreja desempenhou um papel eficiente de controle, colaborando para com a calibração da obediência em relação à Coroa Portuguesa. A Igreja era subordinada ao Estado pelo regime do chamado padroado real, que como ensina Boris Fausto, consistiu em uma ampla concessão da Igreja de Roma ao Estado Português, em troca da garantia de que a Coroa promoveria e asseguraria os direitos e a organização da Igreja em todas as terras descobertas. Souza Lima (1979) salienta que logo após a Proclamação da República, foidecretada a separação entre o Estado e a Igreja, assim a república acabou com opadroado e reconheceu o caráter laico do Estado, garantindo a liberdade religiosa. Sobre a liberdade religiosa, Silva (1997, p. 244) salientou o seguinte: A República principiou estabelecendo a liberdade religiosa com a separação da Igreja do Estado. Isso se deu antes da constitucionalização do novo regime, com o Decreto n. 119-A, de 1.890, da lavra de Ruy Barbosa, expedido pelo governo provisório. Ainda em relação ao papel da Igreja após a proclamação da república,Delgado & Passos (2003) descrevem que o governo de Getúlio Vargas foi marcadopela aprovação da Constituição de 1934, onde prevê uma colaboração entre a Igrejae o Estado e, neste momento foram atendidas várias reivindicações católicas, taiscomo aulas religiosas facultativas nas escolas públicas e a presença do nome deDeus na Constituição.3.1.2 Os Santos Conforme destaca Peres (1995), a palavra “santo”, entre os católicos,representa determinados indivíduos que desempenharam alguma obra admirável ouainda, que tiveram vida exemplar durante sua estadia na terra. Os santos sãogeralmente reconhecidos pelo martírio, virtude heróica, e milagres e, para setornarem santos passam por um processo chamado canonização.
  23. 23. 23 A Igreja Católica baseia sua crença no dogma da comunhão dos santos 9 e napassagem bíblica "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas,orações e intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens". (1 Tm. 2:1). Na visão de Teixeira (2005, p. 17): Os santos sempre ocuparam um lugar de destaque na vida do povo, manifestando a presença de um “poder” especial e sobre-humano, que penetra nos diversos espaços de vida e favorece, numa estreita aproximação e familiaridade com seus devotos, a proteção diante das incertezas da vida. Se a adoração das pessoas aumenta e continua durante cinco a dez anosdepois da morte da pessoa, então o bispo é autorizado a iniciar uma investigaçãooficial da vida e obra do candidato, de modo a ver se a reputação de santidade éfundada na verdade. Peres (1995) observa que o candidato a santo deve estar morto há pelomenos cinco anos antes que um processo de canonização possa ser oficialmenteiniciado. Quando uma pessoa religiosa muito respeitada morre, o bispo local temque deixar que a reputação de santidade dessa pessoa cresça por si só. Como explica Teixeira (2005, p. 17): Foi esse culto que marcou a peculiar dinâmica religiosa brasileira, de caráter predominantemente leigo, seja nas confrarias e irmandades, seja nos oratórios, capelas de beira de estrada e santuários. O catolicismo brasileiro foi durante muito tempo um catolicismo de “muita reza e pouca missa, muito santo e pouco padre”. Na Igreja Católica existem diferentes níveis de honra para os santos. Existemaqueles que são venerados localmente ou por ordens religiosas de padres ou freirassão beatificadas, chamadas de beato. Somente aqueles que são canonizados peloPapa são realmente santos (PERES, 1995). A Congregação pelas Causas dos Santos é o órgão da Igreja Católica quesupervisiona a canonização dos santos. O processo é extenso e minucioso e, umavez canonizado, os fiéis se asseguram de rezar com confiança ao santo para queinterceda com Deus em seu benefício. Com isso, o nome do santo é acrescentado a9 A Comunhão dos Santos (em latim, Communio Sanctorum) é a união espiritual de todos os cristãos vivos e mortos, aqueles na terra, no céu e, na doutrina católica, no purgatório (IGREJA CATÓLICA. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (em português). Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2000. p. 211).
  24. 24. 24uma lista, com a determinação de um dia no qual será celebrada uma Missa em suahomenagem.10 Falando sobre santidade, Besen (2002) afirma que ela é o caminho percorridopelos que procuram fazer a vontade de Deus nas situações concretas da vida,deixando-se conduzir pelo Espírito Santo vivendo em comunhão perfeita com Cristo. Para que uma pessoa possa ser considerada santa, são necessários doismilagres, devidamente certificados por meio de diagnósticos médicos, depoimentospessoais, além de uma análise minuciosa da pessoa curada. Em geral são quatro critérios utilizados na determinação do milagre da cura, ainstantaneidade (deve ser rápida e sem tratamentos), a perfeição (não deve haverseqüelas), a duração (não poderá ser passageira) e o reconhecimento de que amedicina não poderia ter realizado tal cura.113.2 A IMIGRAÇÃO ITALIANA NO SUL DO PAÍS Os imigrantes europeus, que não eram portugueses, chegaram ao Brasil,incentivados pelo governo brasileiro pela necessidade de mão de obra, que coincidiucom a abolição da escravatura em 1888. Fato destacado por Schreiber (2010, p. 22): O Brasil nesta época na segunda metade do século 19, estava necessitando de braços para ocupar o espaço, que em breve deixaria de ser ativo e que era o regime da escravidão, praticamente a escravidão já estava não mais funcionando porque lei do ventre livre, lei do sexagenário que forma leis anteriores e o Governo de Pedro II nesta época decide fazer o contrato Caetano Pinto, que foi feito com um representante de casas de agentes de imigrações. Este agente de imigração se encarregaria de trazer para o Brasil 100 mil imigrantes, não seria especificamente para os italianos (PETRY, 2010 apud SCHREIBER, 2010, p. 22). Milhares de italianos e alemães chegaram para trabalhar nas fazendas decafé no interior de São Paulo, nas indústrias e na zona rural no sul do país. A10 IGREJA CATÓLICA. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (em português). Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2000. p. 210.11 IGREJA CATÓLICA. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (em português). Coimbra: Gráfica de Coimbra, 2000. p. 210.
  25. 25. 25imigração italiana no Brasil foi intensa, tendo como seu ápice no período entre osanos de 1870 e 1926. Um aspecto peculiar à imigração em massa, italiana, é que ela começou aocorrer pouco após a unificação da Itália12, razão pela qual uma identidade nacionaldesses imigrantes se forjou, em grande medida, no Brasil. Como já supracitado, oinício da imigração coincidiu com o processo de abolição da escravatura e daexpansão das plantações de café, conforme descreve Marques (2001, p. 97): Com a diáspora européia, novos imigrantes passaram a povoar Santa Catarina, contribuindo de fora significativa para a sua formação multi- étnica. Esta fascinante experiência coletiva de migrar e recomeçar a vida num novo ambiente, está presente na memória de grande parte do povo catarinense e vem sendo relida de modo cada vez mais intensivo nos últimos anos. Nesta, a história tem um papel importante, pelo fato de iluminar o presente com luzes do passado. Os italianos eram católicos, falavam uma língua latina e tinham costumesparecidos com a raiz luso-brasileira. Isso contribuiria para europeizar a cultura doBrasil na visão do governo brasileiro. Dreher (1993) descreve que as colônias foram fundadas em áreas rurais dopaís, e famílias provindas da Europa, aí se estabeleceram. Seguindo o mesmoprojeto, colônias com imigrantes italianos também foram criadas no sul do Brasil. Em 1875, foram fundadas as primeiras colônias italianas de Santa Catarina,como Criciúma e Urussanga, assim como outras no Paraná. Nas colônias do Sul doBrasil, os imigrantes italianos puderam se agrupar no seu próprio grupo étnico, ondepodiam falar o italiano e manter sua cultura e tradições. A emigração foi, portanto, também desencadeada a partir do próprio sistema camponês. Ela foi, ao mesmo tempo, desencadeada por e organizada pelo sistema de parentesco: uma dimensão desse sistema, como o padrão de herança, expulsava pessoas; outra dimensão, o “espírito de parentesco”, fazia com que a migração se fizesse através de parentes (irmãos, primos etc., assim como afins) que iriam replicar o modelo em outro lugar, para em seguida, recomeçar tudo de novo (SILVA, 2001, p. 33).12 A campanha para a unificação da península itálica começou com esforços para expulsar os austríacos. [...] todo o movimento de unificação se havia caracterizado pela hostilidade à Igreja. Este entrave com a igreja só foi resolvido em 1929, quando uma série de acordos firmados entre o governo italiano e Pio XI (BURNS, 1999, p. 592/523).
  26. 26. 26 A imigração italiana para o sul foi muito importante para o desenvolvimentoeconômico desta região, assim como para a cultura e formação étnica da população. Ainda sobre imigração italiana Silva (2001, p. 46) destaca: [...] onde muitos imigrantes italianos foram instalados em núcleos coloniais em área ainda habitada por índios, os quais durante longo tempo, tornaram a vida dos colonos muito difícil; a contrapartida é verdadeira, já que a própria sobrevivência dos indígenas entrava em risco, pois seus territórios tornavam-se cada vez mais exíguos. Os primeiros imigrantes italianos chegaram ao estado de Santa Catarina porvolta de 1836, oriundos da Sardenha, fundando a colônia de Nova Itália (atual SãoJoão Batista). Esses imigrantes pioneiros chegaram em número reduzido e poucoinfluenciaram na demografia do estado. Foi mais tarde, a partir de 1875, que passoua ser assentado no estado número maior de imigrantes italianos, que se dedicaramprincipalmente à agricultura e à indústria de carvão. De acordo com Silva (2001), a partir de 1910, vários imigrantes gaúchosvieram para Santa Catarina, entre eles, milhares de descendentes italianos. Essesimigrantes ítalo-brasileiros colonizaram grande parte do Oeste catarinense.Atualmente vivem em Santa Catarina três milhões de italianos e descendentes,representando cerca de 50% da população catarinense.3.2.1. Nova Trento e sua história A cidade de Nova Trento localiza-se a uma latitude 27º1709" sul e a umalongitude 48º5547" oeste, estando a uma altitude de 30 metros. Sua populaçãoestimada em 2009 (dados IBGE) era de 12.025 habitantes. Está situada aaproximadamente 84 quilômetros de Florianópolis (capital do Estado), possuindouma área total de 431 Km2.13 A agricultura é uma de suas principais atividades econômicas com o cultivode fumo, milho, feijão e a uva, além da fabricação e comercialização de vinho13 Disponível em: http://www.novatrento.sc.gov.br/conteudo/?item=25362&fa=6589. Acesso em: 17 out 2010.
  27. 27. 27colonial, porém, o turismo religioso tem lugar de destaque na economia da cidade,sendo que, atualmente, a cidade representa o segundo maior pólo de turismoreligioso do país.14 A história do município de Nova Trento inicia muito tempo antes da chegadados primeiros imigrantes trentino-italianos15, provenientes da região norte da Itália, apartir de 1875. No período de 1834 e 1838, esta região havia sido ocupada pornorte-americanos, com a intenção de explorar a madeira abundante do local.16 Somente a partir de 1875, de acordo com Silva (2001) começam a chegar osprimeiros grupos de imigrantes trentino-italianos. Eles deixaram para trás um períodode crise, fome, miséria e desesperança, na qual a Europa passava. O momentocoincidiu com a vontade governamental brasileira de povoar as terras localizadas aosul, como conta Petry (2010 apud Schreiber 2010, p. 21): [...] o governo de Dom Pedro decide fazer o contrato Caetano Pinto. Este agente de imigração se encarregaria de trazer para o Brasil 100 mil imigrantes, porém, neste tempo, a Itália estava com sérios problemas internos, de excedentes de população, mas também devido as guerras que lá haviam ocorrido. Uma pobreza muito grande, principalmente no norte da Itália. E é justamente este contingente de italianos que vai atender aquele processo de divulgação que o Brasil fazia lá na Europa em relação ao país. Promessas eram muitas, oferecia-se casa, utensílios para trabalho agrícola, animais, uma certa provisão de acordo, com a família se tivesse filho, se fosse casado, se fosse solteiro, somente o casal recebia uma certa provisão e um soldo. Completa Silva (2001) relatando que do porto de Itajaí, os imigrantes foramencaminhados para regiões de mata virgem, sem boas condições de comunicação.O grupo dos primeiros imigrantes, cerca de 20 famílias originárias da Valsugana, noAlto Vale do Brenta, no Trentino, e de Monza, se estabeleceram a 16 quilômetros daatual Nova Trento.14 Disponível em: http://www.novatrento.sc.gov.br/conteudo/?item=25362&fa=6589. Acesso em: 17 out 2010.15 A região trentina caracteriza-se por ser única de montanha, praticamente privada de território plano além dos 100 metros acima do mar, o que significa que, quando se fala da utilização da sua superfície, se faz no sentido vertical sendo que 69,9% do território situa-se acima dos 1.000 metros, isto determina um forte limite à superfície agrária cultivável. (SILVA, 2001, p. 19-20).16 Disponível em: http://www.novatrento.sc.gov.br/conteudo/?item=25362&fa=6589. Acesso em: 17 out 2010.
  28. 28. 28 Ali se formou uma comunidade italiana agrícola e extremamente católica quefoi emancipada no dia 08 de agosto de 1892, através da Lei Provincial número 36,promulgada pelo presidente da província Tenente Joaquim Machado.17 Petry (2010 apud SCHREIBER, p. 26) acrescenta: Ninguém veio direto pensando: “olha, nós vamos para a região do Vale do Itajaí, nós vamos para Caxias no Rio Grande do Sul”. Eles somente sabiam para onde seriam distribuídos: no Rio de Janeiro. E o próprio Dr. Blumenau também não sabia que tipo de imigrantes viria para cá, ele só recebia um telegrama dizendo que deveria estar preparado para receber duzentos, oitocentos imigrantes que viriam [...] Conforme destaca Cadorin (2001), entre os imigrantes italianos vindos nessaleva de 1875, destaca-se uma em especial: Amabile Lucia Visintainer, que nasceuem Vígolo Vattaro, Trento, Itália e, junto com seus pais e irmãos, emigrou para oBrasil e veio instalar-se no bairro de Vígolo18, em Nova Trento, onde seu pai recebeuterras.3.3 SANTA PAULINA Amábile Lucia Visintainer nasceu em 16 de dezembro de 1865, em VígoloVattaro, Itália. Era a segunda de quatorze filhos e como nasceu durante o inverno eno final da tarde, só foi batizada no dia seguinte. Era comum entre as famíliastrentinas, o grande cuidado com e educação religiosa dos filhos, desde seunascimento (CADORIN, 2001). De acordo com Cadorin (2001) denota-se que desde criança Amábile já sededicava ao trabalho e à fé religiosa. Com oito anos de idade ela foi empregada emuma fábrica de tecidos, encarregada de separar casulos de bicho-da-seda. Elasempre teve uma aparência delicada, porém, aparentava estar cada vez mais frágil. Anna estava desconfiada de que sua filha Amábile não estivessealimentando-se corretamente e, ao questioná-la, descobriu que a menina dividia sua17 Disponível em: http://www.novatrento.sc.gov.br/conteudo/?item=25362&fa=6589. Acesso em: 17 out 2010.18 O Vale do Alto Alferes chamou-se Vígolo, porque as famílias que aí tomavam posse de terrenos, eram quase todas de Vigolo Vattaro, no Trentino (CADORIN, 2001, p. 26)
  29. 29. 29comida com as demais colegas pobres, as quais não tinham o que comer (BESEN,2002). Sobre a missão de Amábile, Gil & Gil Filho (2010, p. 117) analisam: [...] antes de vir ao Brasil, Amabile cuidara de sua avó doente como uma enfermeira, que em seu leito lhe deu uma bênção particular lhe dizendo: “Como foste generosa e doce comigo, tu o serás com tantos outros no mundo novo aonde irás; muitos te recordarão, como eu, com gratidão e amor. Então a família Visintainer decidiu, em razão da grave crise econômica queassolava a Europa, realizar a viagem a uma nova terra, tentar a vida em uma novapátria. Souza (2010) descreve que a família deixou a Itália em 1875, juntamente comtantas outras, que já não mais suportavam tal crise, sendo que a viagem durou trêsmeses e, ao chegarem, por sugestão do padre jesuíta de Itajaí, as famíliasescolheram a localidade de Alferes, no Vale do Rio Tijucas, para se instalarem. Amábile ajudava no sustento da família e cuidava dos irmãos menores,aproveitando os curtos intervalos do trabalho para realizar suas orações, e conformedestaca Cadorin (2001, p. 35), no ano seguinte à sua chegada aconteceu algoimportante: 1876. Chegou a Nova Trento e a Vígolo outro grupo de colonos tiroleses, entre os quais a família de Francesco Nicolodi com sua esposa, Ângela Dallago, e seus filhos. Para nós, merece uma atenção especial a filha Virginia, nascida em Aldeno (Trentino) a 3 de agosto de 1864, 16 meses mais velha que Amábile. Amábile conheceu Virginia Nicolodi, que morava próximo de sua casa, econforme destaca Besen (2002), nasceu entre elas, uma grande amizade, sendoque seus pais construíram um moinho para preparar fubá e encarregaram as duasfilhas de servir aos fregueses. As duas meninas passavam o dia no trabalho e ficavam tão entretidas emservir às pessoas e com o exercício da oração e da leitura espiritual que esqueciamas horas. Souza (2010) destaca que com o passar dos anos, após a construção de umapequena igreja, Amábile e Virginia foram designadas para ensinar o catecismo àscrianças da localidade. Era o início de suas vidas religiosas, pois, além de ajudar na
  30. 30. 30catequese, as duas ajudavam doentes e necessitados, tendo como propósitoprincipal, a caridade. Veja-se: Ambas gostaram tanto da experiência que optaram em ter uma casa para aquele fim. Quando conseguiram realizar este ideal, decidiram deixar a casa paterna e foram morar juntas, acolhendo os doentes onde moravam para dar-lhes melhor tratamento [...] surgiam tantos doentes para serem atendidos como se ali fosse um ambulatório, posto de saúde ou mesmo um hospital. Aliás, foi denominada de “hospitalzinho São Vigílio” (SOUZA, 2010, p. 49). Para Cadorin (2001) uma das maiores provações de Amábile e Virginia foi ainternação da Sra. Ângela Lucia Viviani, portadora de câncer. Esta internaçãorepercutiu na comunidade e virou polêmica, pois, uma mulher naquele estado nãopoderia ser tratada por duas jovens que nada entendiam de medicina. Tentaram atémesmo impedir que a mulher fosse transferida, pois havia medo de contaminação. Em 1891, uma nova companheira era recebida no hospitalzinho, era TeresaAnna Maule. Em 1895, as três iniciaram a Congregação das Irmãzinhas daImaculada Conceição, fazendo seus votos e escolhendo como hábito, uma túnicapreta com um cinto celeste, representando a Imaculada Conceição, segundo relatode Besen (2002). Após os votos, as três irmãs Amábile, Virginia e Teresa, deixaram seusnomes antigos passando a chamar-se: Irmã Paulina do Coração Agonizante deJesus, Irmã Matilde da Imaculada Conceição e Irmã Inês de São José. Para a sobrevivência da Congregação, Souza (2010) afirma que, as irmãscontavam com ajuda de toda a comunidade, mas foi com muito sacrifício que MadrePaulina conquistou o sucesso em sua empreitada religiosa. Em pouco tempo eramtantas as adesões ao convento que foi necessário ampliar a Casa de Nova Trento,além abrir outras casas para a congregação. Conforme afirma Besen (2002), em 1900, a congregação já possuía 20religiosas, organizando missões em Santa Catarina e no Paraná, sendo que em1903, Madre Paulina recebe e aceita um convite para ir a São Paulo. Paraacompanhá-la Madre Paulina convoca as Irmãs Luiza e Serafina, além da postulanteJosefina, a única que falava muito bem o português. Pouco letrada e com dificuldades de se comunicar em português, procurou assessorar-se de boas auxiliares. Seria inclusive uma forma de angariar
  31. 31. 31 maiores fundos para manter as casas de Vígolo e Nova Trento, já que havia muitas adesões ao Convento e muitos doentes e necessitados para cuidar (SOUZA, 2010, p. 67) Após muitas dificuldades iniciais, a congregação se firmou e fundou em SãoPaulo, o Asilo Sagrada Família, a Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista,a Casa de Saúde Dr. Homem de Mello e a Santa Casa de Misericórdia de SãoCarlos do Pinhal e, como seu trabalho aumentou muito, Madre Paulina se viuimpedida de objetivando dedicar-se ao acompanhamento das obras em Nova Trento(BESEN, 2002). A vida em São Paulo não foi fácil e, por conta de uma série de intrigas e porordem do Bispo, Madre Paulina deixa de ser a Superiora da Congregação e ésegregada para Bragança Paulista, para, segundo Souza (2010, p. 73/74), “viver emorrer como súdita”. Madre Paulina voltou à Casa Geral da Congregação, no bairro do Ipiranga, nacidade de São Paulo, e ali permaneceu até a sua morte no dia 09 de julho de 1942,aos 77 anos, decorrente do alto grau de diabetes, após a amputação do braço direitoe da cegueira, sendo que sua santidade não demorou a surgir.3.3.1 A Beatificação e a Canonização De maneira geral, beatificação significa que o reconhecimento por intermédioda igreja católica a aqueles que encontram-se no paraíso (beato) e que recorrem aorações em que são feitas pelos cristãos. O processo de beatificação refere-se ao reconhecimento institucional da Igreja de que a pessoa está em uma condição paradisíaca e, desse modo, pode interceder pelos outros. Na prática há uma autorização para que os fiéis solicitem por meio da prece esta intercessão (GIL & GIL FILHO, p 2010, p. 119). Ela ocorre após a realização de uma análise sobre a vida do candidato, ondea igreja ressalta pontos em que possam demonstrar a santidade dessa pessoa eencaminha à Congregação para as Causas dos Santos, onde inicia-se o processode analise de virtudes “heróicas” do candidato.
  32. 32. 32 Em seguida é realizada uma perícia com o intuito de certificar-se de que há aexistência de milagres para que assim o “candidato” seja beatificado e, seconfirmada a existência do milagre, ele será considerado beato pelo Papa. Já a canonização é uma sentença definitiva e oficial da santidade de MadrePaulina, heroína da vida cristã e se pode fazer culto público, em toda a Igreja. A canonização diz respeito à atribuição do grau de Santo a alguém que já era Beato. O processo de canonização, hodiernamente, é a reafirmação do poder da Igreja e parte da sua política em seu afã de evangelização através de referências carismáticas locais (GIL & GIL FILHO, 2010, p. 119). A peça principal em um processo de canonização é a do postulador, que éuma espécie de advogado de defesa do candidato à santificação, e, no caso deSanta Paulina foi indicada como postulante a teóloga Célia Cadorin, umacatarinense de Nova Trento, integrante da Congregação das Irmãzinhas daImaculada Conceição (BESEN, 2002). Em recorte extraído do encarte publicado pelo Jornal de Santa Catarina nasemana da canonização a própria Irmã Célia destaca: A canonização é um incentivo para sermos católicos de verdade. Acredito que essa busca vai aumentar com a canonização, porque todos nós podemos ser santos. Eu também imagino que Nova Trento se tronará um grande cento de evangelização, por ser o lugar onde a Madre viveu. Penso que a cidade deve se orgulhar disso, mas deve tomar cuidado para não se perder em vaidades. O povo deve saber que nada é maior que a santidade. Em 1982, Irmã Célia foi destacada pela ordem para trabalhar em tempointegral na causa da canonização e hoje é a maior especialista brasileira nessa área. O processo de canonização de Santa Paulina foi iniciado em 03 de setembrode 1965, sendo que a Canonização ocorreu somente no dia 19 de maio de 2002, noVaticano. O que garantiu a beatificação e a canonização de Santa Paulina foi oreconhecimento de dois milagres autênticos, ocorridos no Brasil. O primeiro foi acura da catarinense Eluiza Rosa de Souza, que desenganada após a perda do deum filho que ainda encontrava-se no útero, sobreviveu. O segundo foi a cura daacreana Iza Bruna Vieira de Souza, de uma doença rara e incurável no cérebro.
  33. 33. 33 Foi reconhecida como milagrosa a cura instantânea, perfeita e duradoura dasenhora Eluiza, de doença muito complexa: morte do feto, após a sétima gravidez esua retenção intra-uterina por alguns meses; extração com instrumento e revisão doútero, seguida de grande hemorragia por coagulopatia de consumo, chamadaafibrinogenemia. A cura fora atribuída a Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus. A Madre foi invocada com orações feitas publicamente pelos familiares e pelas Irmãs Enfermeiras, Irmãzinhas da Imaculada Conceição que trabalhavam no Hospital e Maternidade de São Camilo da cidade de Imbituba – SC (GIL & GIL FILHO, 2010, p. 119). Em 18 de fevereiro de 1989, o Papa João Paulo II promulgou o Decreto sobreo Milagre apresentado pela Postulação para obter a solene Beatificação de MadrePaulina do Coração Agonizante de Jesus. Um dos momentos mais emocionantes da visita do Papa João Paulo II aoBrasil, em 1991, aconteceu em Florianópolis, durante a beatificação de MadrePaulina.19 Para um público de 60 mil pessoas, entre familiares da beata, religiosos,políticos e fiéis, o papa afirmou durante a homilia20: Soube ela converter todas as suas palavras e ações num contínuo ato de louvor a Deus. Sua conformidade com a vontade de Deus levou-a a uma constante renúncia de si mesma, não recusando qualquer sacrifício para 21 cumprir os desígnios divinos. O segundo milagre foi a cura de Iza Bruna, que nasceu com má formação nocérebro e, após ser operada para corrigir o problema, teve o corpo necrosado,entrou em coma e teve várias paradas cardíacas. A criança, já sem possibilidade desobrevivência foi batizada e, o padre e avó pediram a intercessão de Madre Paulina,para a cura, o que acabou ocorrendo. Este fato aconteceu em 1992, tendo sidocomprovado o milagre somente no ano de 2000. Ainda de acordo com o encarte publicado pelo Jornal de Santa Catarina:19 Disponível em: http://www.abril.com.br/noticia/diversao/no_229808.shtml. Acesso em 17 out 2011.20 Homilia é uma preleção dada no decorrer da missa após a leitura do Antigo e do Novo Testamento, e antes da recitação do Credo. Tem a função de explicitar a fé, o significado dos vários elementos litúrgicos, também em relação à situação dos presentes, para que o encontro com Deus se torne consciente para todos.21 Disponível em: http://www.abril.com.br/noticia/diversao/no_229808.shtml. Acesso em 17 out 2011.
  34. 34. 34 [...] a intercessão de Madre Paulina na cura da menina foi comprovada pelo Vaticano no dia 14 de dezembro de 2000, depois de oito anos de investigação. Durante esse tempo a menina passou por vários testes e exames médicos. Hoje ela vive bem sem nenhuma sequela. No dia 7 de julho de 2001, o Papa João Paulo II promulgou o Decreto sobre omilagre apresentado pela Postulação para obter a Canonização da Beata Paulina doCoração Agonizante de Jesus. A culminância desse processo se dá com a Canonização, no dia 19 de maiode 2002, no Vaticano. Neste dia, em sua homilia na Praça de São Pedro, o PapaJoão Paulo II ressaltou a importância dos santos na vida dos cristãos pelo fato delesindicarem o caminho "da nossa esperança de santidade". Destacou também a luzque Santa Paulina tinha na "generosa correspondência às graças divinas" tornando-se, assim, "premiada por uma constante inclinação para Deus, desejado, conhecido,louvado e amado".3.4 O JORNAL DE SANTA CATARINA O Jornal de Santa Catarina (Santa) nasceu da iniciativa dos empresáriosblumenauenses Wilson de Freitas Melro e Caetano Deeke de Figueiredo, nasantigas dependências de uma fábrica de chapéus, em Blumenau. Com seu lançamento, em 22 de setembro de 1971, iniciou-se uma nova etapano jornalismo impresso de Santa Catarina, sendo o primeiro jornal do estado a serimpresso com equipamentos off-set, que permitia oferecer um produto mais limpo eilustrado para competir com os diários da capital e Joinville, usuários de antigasrotoplanas22. No primeiro editorial23, a promessa de integração através da informação natentativa de alcançar todos os municípios do Estado de Santa Catarina: Na jornada que hoje iniciamos, não mediremos esforços para promover a integração e a união deste Estado de Santa Catarina. [...] Santa Catarina22 Antigas prensas rotativas.23 JORNAL DE SANTA CATARINA. Blumenau: edição 1, 22 de setembro de 1971, p. 2.
  35. 35. 35 tem sido definido como um conglomerado de ilhas. A missão que nos impomos neste momento é a de estabelecer uma ponte que, unindo estas ilhas, forme uma opinião pública comum. O Jornal de Santa Catarina começa a circular, quase que simultaneamente àsprimeiras transmissões de televisão no Estado, a TV Coligadas24, ocasião em que ogovernador de Santa Catarina, Colombo Machado Salles acionou as máquinas,dando início à impressão da primeira edição em formato standard. Uma equipe de 40 jornalistas deu comando à redação do Jornal de SantaCatarina, num montante de 200 funcionários. Cerca de 20 profissionais foramtrazidos de Porto Alegre, “onde os cursos de Jornalismo da Universidade Federal eda Universidade Católica já tinham 20 anos de tradição”. Com eles, vieram técnicosem fotografia, fotógrafos, gráficos e operadores de rotativa. Era um projeto muitoousado para a época (FERNANDES, 2005, p. 9). Prosseguindo com seu pioneirismo, o Santa iniciou uma rede de sucursais ecorrespondentes em todo o Estado e, para acelerar o processo de produção danotícia, foi implantada uma fotocopiadora por computador e, também, a transmissãode informações via teletipo e telefax, além de serviços de agências internacionais. O Jornal de Santa Catarina viveu momentos áureos como a conquista de doisprêmios ESSO de Jornalismo25, no início da década de 1980, porém, apóssucessivas crises, o Jornal de Santa Catarina foi vendido, em 1992, para a RedeBrasil Sul de Comunicação (RBS), grupo multimídia gaúcho, sediado em PortoAlegre. A partir deste momento o Jornal Santa Catarina, que tinha uma proposta deabrangência estadual, volta-se editorial e comercialmente para a região dos Vales,formada por 65 municípios nos Alto e Médio Vales do Itajaí, Vale do Rio Tijucas,Vale do Itapocu e Litoral Centro-Norte Catarinense.24 A TV Coligadas, Canal 3, foi a primeira emissora de TV instalada em Santa Catarina. Fundada pelos empresários Wilson de Freitas Melro, Caetano Deeke de Figueiredo e Flávio Rosa, em 2 de setembro de 1969. As transmissões englobavam a cidade de Blumenau e arredores, além de e retransmitir a programação da Rede Globo. Porém, quando foi concretizada a instalação da TV Catarinense em Florianópolis, a TV Coligadas se filiou à Rede Tupi, até sua compra pelo Grupo RBS, em 1980.25 O Jornal de Santa Catarina conquistou dois prêmios ESSO de Jornalismo, nos quais se destacou o nome de Luiz Antonio Soares. Durante sua atuação no jornal, conquistou o prêmio na categoria individual, com reportagens relacionadas à defesa da Ponte do Salto, ameaçada de demolição, e o outro em equipe, pela cobertura da enchente do rio Itajaí-Açu em 1983 (SIEMMAN, 2004, p.95).
  36. 36. 36 Ele foi informatizado e, dois anos depois, passando a circular em cadernoscoloridos. Já, em 1996, ele passa a ser o primeiro jornal online do Estado, podendoser acompanhado, desde então, via internet. O serviço pioneiro, no entanto, não foiaproveitado com afinco para explorar as ferramentas do webjornalismo. Em 1997, modificações no projeto gráfico deram maior espaço para a regiãodos Vales e dois anos após, o Santa acompanha uma tendência mundial de jornaisstandard, ficando mais estreito. Em novembro de 2000, estréia a edição de fim desemana (sábado e domingo), a Revista do Santa, o Guia da Tevê e três novoscadernos temáticos sobre empregos e carreiras, imóveis e veículos. Em 2002, no mês de setembro, as estruturas comerciais do Santa e do DiárioCatarinense – jornal sediado em Florianópolis, pertencente ao Grupo RBS – sãounificadas. Com isto, as equipes comerciais dos dois jornais, incluindo as sucursais,passam a comercializá-los igualmente. Em maio de 2003, o Santa passa por umanova modernização do projeto gráfico e editorial, dando-lhe mais páginas coloridas,mais notícias por página e novos colunistas. Em setembro de 2004, o Santa passou pela mais significativa mudança desua história: deixou o formato standard e passou a circular em formato tablóide 26.Segundo o Departamento de Marketing do jornal, a mudança acompanha umatendência mundial, que está sendo chamada de tabloidização. Além do formato, a pesquisa também indicou outras mudanças importantes deconteúdo, que já foram adotadas pelo jornal, juntamente com a mudança de formato.3.5 JORNALISMO ESPECIALIZADO Quando o volume de informações trata de assuntos de interesse a umdeterminado grupo de pessoas, é possível criar um novo meio de informação. Énisso que se baseia o jornalismo especializado, que é a abordagem aprofundadasobre temas de interesse para públicos específicos.26 Formato de jornal que mede a metade do tamanho de uma jornal standard, cerca de 37,5 cm x 60 cm, o tablóide surgiu em meados do século XX, e suas notícias são mais resumidas e exclamativas do que nos jornais tradicionais. A palavra tablóide é proveniente do termo em inglês “tabloid”.
  37. 37. 37 O jornalismo especializado é a materialização das formações ideológicas,sendo, por isso, determinado por elas, o texto é unicamente um lugar demanipulação consciente, em que o homem organiza, da melhor maneira possível, oselementos de expressão que estão a sua disposição para veicular o seu discurso(FIORIN, 1997). O jornalismo especializado, além de representar a sociedade, a constitui.Esse tipo de leitura proporciona aos leitores a busca de resposta e da compreensãode dúvidas, que surgem através da própria teia de interesses existentes nasociedade. É por meio da especialização que se fortalecem os laços entre editor e leitor,dando a este a sensação de pertencer a um grupo que compartilha suas mesmasideias, que lhe ajuda a formar suas opiniões e seu senso crítico. Em se tratando de jornalismo especializado o gênero do jornalismo religioso,ganhou espaços principalmente na última década nas diversas formas de mídia, sejaimpressa, on-line, radiofônica ou televisiva. Um dos fatores que fez com que essegênero jornalístico crescesse foi justamente o crescimento significativo de novasreligiões. No âmbito do discurso religioso, especificamente, o sujeito do enunciado é o próprio Deus, situado como referente do enunciado, cabendo ao pregador a função de destinador da mensagem sagrada (CAMPOS, 1997, 81). Com este aumento da diversidade religiosa no país, cresceu também onumero de veículos de mídia que passaram a conduzir programas relacionados atemas religiosos. Também muitas destas novas religiões adquiriram espaçosmidiáticos, o que lhes deu força, descobrindo-se uma nova forma de evangelizar. Redes de televisão como a TV RECORD27 é um exemplo destesacontecimentos que, além da televisão, também possuem espaço em rádios ejornais impressos, para divulgar e difundir suas doutrinas. No que se refere à religião católica, não é de hoje que esta religião tem poderna mídia, principalmente em anúncios oficiais e também nas transmissões de cultose missas. No entanto, no jornalismo impresso, no Brasil um dos momentos que mais27 Rede Record de Televisão
  38. 38. 38se veiculou matérias ligadas a religião católica foi no ano que Santa Paulina foicanonizada. A pesquisadora verificou que o jornalismo religioso, uma das vertentes dojornalismo especializado, possui pouca literatura para embasamento cientifico, e,está, aos poucos, ganhando espaço através de trabalhos acadêmicos, a tendência,é que ele se desenvolva com o passar dos anos. Esta pesquisa busca contribuir para este crescimento, embora o veículoanalisado não seja de cunho religioso, o assunto abordado foi um dosacontecimentos mais importantes para a comunidade adepta a religião católica.3.6 CRITÉRIOS DE NOTICIABILIDADE Neste tópico serão esclarecidos alguns pontos importantes sobre os critériosde noticiabilidade, considerados pelos meios de comunicação, as diretrizes queatribuem aos fatos sua importância. Vários são os critérios de noticiabilidade existentes em uma redação de jornal.Isto é, existem diversos motivos para que seja dado enfoque de uma maneira aoinvés de outra, para que se utilize determinada fonte e não outra, para que sejapublicada esta notícia e não àquela. Pena (2006) analisa a questão descrevendo que a separação das tarefas éuma das rotinas que ajuda a organizar o trabalho e os valores-notícia são utilizadospara sistematizar o trabalho na redação. Wolf (1995, p. 196) adverte que: [...] os valores notícia são critérios de seleção dos elementos dignos de serem incluídos no produto final, desde o material disponível até a redação. São qualidades dos acontecimentos, ou da construção jornalística, cuja presença ou cuja ausência os recomenda para serem incluídos num produto informativo. Quanto mais um acontecimento exibe essas qualidades, maiores são suas possibilidades de ser incluído. Os chamados valores/notícia modificam ao longo de tempo, e em diferentessociedades e empresas jornalísticas. No processo de produção das notícias, se
  39. 39. 39estabelece rotinas profissionais que, em certo ponto, fazem com que o trabalho setorne condicionado ao dia-a-dia de jornalistas e repórteres (WOLF, 1995). Já, conforme Souza (2002, p. 13): A notícia só se esgota no momento do seu consumo, já que é nesse momento que ela produz efeitos e passa a fazer parte dos referentes da realidade. Esses referentes são à parte da realidade que formam a imagem que os sujeitos constroem da realidade. Por isso, a construção de sentido para uma notícia depende da interação perceptiva, cognoscitiva e até afetiva que os sujeitos com ela estabelecem. Neste sentido Lage (2001, p. 95) explana que para construir um texto épreciso escolher os dados e organizá-los, de acordo com a importância dasinformações ali descritas, definindo “critérios de avaliação formal, considerandoconstatações empíricas, pressupostos ideológicos e fragmentos de conhecimentocientífico”. É importante saber analisar as notícias e fazer uma avaliação correta dosacontecimentos para conseguir a qualidade da informação, visando atingir umpúblico ainda maior. No momento em que as redações são bombardeadas por informações, a imprensa tende a atribuir valores e critérios para selecionar o que é mais importante para o interesse público e social. A partir dessa associação, o valor/notícia passa a ser a tônica para escolher qual notícia causa a maior repercussão (TRAQUINA, 2005, p. 5) Os valores-notícia são divididos de diversas formas e não são fixos, secombinando sempre, no intuito de preparar a análise de modo a definir como umacontecimento acaba virando notícia. De acordo com Wolf (1995, p. 175), a noticiabilidade é [...] o conjunto de elementos, através do qual, o órgão informativo controla e gere a quantidade e o tipo de acontecimentos, entre os quais há que selecionar as notícias. Os acontecimentos transformam-se em notícias após serem analisados pelaequipe de uma redação, e depois de constatado o que realmente é relevante para sedivulgar. Sobre o tema Wolf (1995, p.191) ensina que notícia é:
  40. 40. 40 [...] o produto de um processo organizado que implica uma perspectiva prática dos acontecimentos, perspectiva essa que tem por objetivo reuni- los, fornecer avaliações, simples e diretas acerca de suas relações e fazê- lo de modo a entreter os espectadores. De acordo com Márcia Amaral, existem três importantes valores-notícia paraa produção da informação: entretenimento, proximidade e a utilidade pública(AMARAL, 2006). Esclarece Wolf (1995) que os valores-notícia de seleção estão ligados aomodo que jornalistas utilizam para escolher os fatos que serão consideradosnotícias. Estes critérios procedem de admissões implícitas ou de exposições relativas adois subgrupos de critérios: os substantivos, classificados de acordo com o grau deimportância do fato envolvido e o grau de interesse do público, e com a avaliaçãodos acontecimentos, de acordo com sua importância, exemplo: morte, notoriedade,proximidade, relevância, novidade, tempo, notabilidade, inesperado, conflito oucontrovérsia, infração, e escândalo; e os contextuais, relacionados com a produçãoda notícia, representados pela disponibilidade, equilíbrio, visualidade, concorrência,e dia noticioso. Os valores-notícias de construção, segundo Wolf (1995) relacionam-se com aqualidade de produção da notícia, como o fato será apresentado, ressaltando o quedeve ser revelado ou omitido. Não estão divididos em grupos e representam asimplificação, amplificação, relevância, personalização, dramatização, econsonância. Já Sousa (2002, p. 95) observa que [...] talvez devido a essa multiplicidade de forças conformativas, os critérios de noticiabilidade não são rígidos nem universais. Frequentemente são esquivos, opacos, contraditórios, mudam ao longo do tempo e têm diversas naturezas. Então, baseando-se em estudos feitos por Fernandes28, que buscava apraticidade para as redações, utilizou-se o seguinte quadro das principais categorias28 FERNANDES, Mario Luiz. A força da notícia local: a proximidade como critério de noticiabilidade. Disponível em: http://encipecom.metodista.br/mediawiki/images/4/40/GT1-16_- _A_forca_da_noticia_local-Mario.pdf. Acesso em: 29 set 2011.
  41. 41. 41de noticiabilidade, sendo que os destaques em negrito identificam a denominaçãodada pelos autores a estas categorias: Autor Categorias de noticiabilidade Carrol Warren Elementos básicos da notícia: atualidade, proximidade, proeminência, curiosidade, conflito, suspense, emoção, conseqüências. Fraser Bond (1962) Valor notícia: oportunidade, proximidade, tamanho, importância. Elementos de interesse da notícia: interesse próprio, dinheiro, sexo, conflito, o incomum, culto do herói e da fama, expectativa, interesse humano, acontecimentos que afetam grandes grupos organizados, disputa, descoberta e invenção, crime. Luiz Amaral (1969) Atributos fundamentais: atualidade, veracidade, interesse humano, amplo raio de influência, proximidade, raridade, curiosidade. J. Galtun e M. Ruge Critérios de noticiabilidade: momento do acontecimento, (1965) intensidade ou magnitude, inexistência de dúvidas sobre o seu significado, proeminência social dos envolvidos, proeminência das nações envolvidas, surpresa, composição tematicamente equilibrada do noticiário, proximidade, valores sócio-culturais, continuidade. Mar de Fontcuberta Interesse do público: atualidade, proximidade, proeminência, (1993) conflito, conseqüências. Mario Erbolato (1978) Critérios de notícia: proximidade, marco geográfico, impacto, proeminência (ou celebridade), aventura e conflito, conseqüências, humor, raridade, progresso, sexo e idade, interesse pessoal, interesse humano, importância, rivalidade, utilidade, política editorial do jornal, oportunidade, dinheiro, expectativa ou suspense, originalidade, culto de heróis, descoberta e invenções, repercussão, confidências. Natalício Norberto Valor notícia: interesse pessoal (dinheiro, sexo, solidariedade); (1969) interesse pelo próximo; proximidade; o incomum (conflito, crimes, expectativa, objetividade); tamanho; importância; oportunidade. Nilson Lage (2001) Critérios de avaliação: proximidade, atualidade, identificação social, intensidade, ineditismo, identificação humana. P. J. Shoemaker (1991) Critérios de noticiabilidade: oportunidade, proximidade, importância, impacto ou consequência, interesse, conflito ou controvérsia, negatividade, freqüência, dramatização, crise, desvio, sensacionalismo, proeminência das pessoas envolvidas, novidade, excentricidade, singularidade. Teun A. van Dijk (1990) Valores jornalísticos: novidade, atualidade, pressuposição, consonância, relevância, desvio e negatividade, proximidade. Analisando os dados acima, será realizada a conceituação de alguns doscritérios considerados mais importantes para a presente pesquisa, classificados emordem alfabética para facilitar a leitura. Amplificação: é um critério muito corriqueiro em fatos de grande repercussãonos quais se generalizam sentimentos. Conforme destaca Traquina (2005, p. 91)“quanto mais amplificado é o acontecimento, mais possibilidades tem a notícia de
  42. 42. 42ser notada, quer seja pela amplificação do ato, do interveniente ou das supostasconsequências do ato”; Consonância: um determinado fato torna-se mais visível, se estiverprecedido de outros fatos anteriores, de modo que possa ser destacado dos outros.Segundo Traquina (2005, p. 93) “quanto mais a notícia insere o acontecimento numanarrativa já estabelecida, mais possibilidade a notícia tem de ser notada”. Dia noticioso: Traquina (1995) afirma que existem determinados dias em quepoucos assuntos tornam-se realmente importantes, sendo necessário dar-lhesvisibilidade, ou seja, existem dias que fatos que teriam pouca importânciaconseguem adquirir status de primeira página; Disponibilidade: de acordo com Traquina (1995) este critério se verifica nomomento em que existe a facilidade de se realizar uma cobertura jornalística. Aindaconforme o autor, o acontecimento deve ser estudado para conferir se vale a pena acobrir tal fato, uma vez que não é possível mencionar todos os fatos; Dramatização e Emoção: estes critérios nos remetem a uma evidência paraos aspectos emocionais e conflitais do acontecimento. Conforme Sodré e Ferrari(1986), os expedientes discursivos típicos da narrativa sustentam-se na ação e nodetalhamento dos fatos, transformando o leitor em testemunha do ocorrido. Significância e Expectativa: para Souza (2005, p. 31) “quanto mais intensoou relevante for um acontecimento, quanto mais pessoas estiverem envolvidas ousofrerem consequências, quanto maior for a sua dimensão, mais probabilidade de setornar notícia”; Notabilidade: este é um critério que fala sobre a qualidade de um fato, nãobasta ser importante, deve ser visível. Traquina (2005, p. 79) define esse valor-notícia como a qualidade de ser visível, de ser tangível, nos dando a idéia de que otrabalho jornalístico atual está mais voltado à cobertura dos acontecimentos, do queà problemática; Notoriedade: critério relacionado com a importância do personagem principaldo fato. Para Traquina (2005, p.79), “a notoriedade do ator principal doacontecimento é fundamental para a comunidade jornalística”; Novidade e Fato inédito: a novidade é um tema muito admirado pelosjornalistas. É o novo e o inédito que mais atraem a atenção do leitor/telespectador;
  43. 43. 43 Número de pessoas envolvidas: quanto mais pessoas envolvidas em umacontecimento, maior a importância atribuídas a este acontecimento pelosjornalistas. Wolf (1995) esclarece que quando há um grande número de pessoasenvolvidas em um acontecimento, os jornalistas acabam atribuindo importâncias àsnoticias; Personalização: para Traquina (2005, p. 93) “personalizar, entendemos porvalorizar as pessoas envolvidas no acontecimento acentuar o fator a pessoa”; Proximidade: para Traquina (2005, p. 94), “Outro valor-notícia fundamentalda cultura jornalística é a proximidade, sobretudo em termos geográficos, mastambém em termos culturais”, e, segundo Sousa (2005, p. 31) “proximidade podeassumir várias formas: geográficas, afetiva e cultural”, explicando que a proximidadedo leitor com o local onde o fato ocorreu desperta o interesse do público e o atraipara o fato; Relevância: quanto mais o fato faz sentido e tem importância, mais chancede ser notado ao tornar-se notícia, De acordo com Traquina (2005, p. 93) “estevalor-notícia responde à preocupação de informar o público dos acontecimentos quesão importantes, porque têm impacto sobre a vida das pessoas”; Tempo: Traquina (2005, p. 80) destaca que o “tempo em si”, no qual seacompanha o desenrolar de um acontecimento e seu impacto, aparecendo nacobertura jornalística sob dois outros aspectos: atualidade e data específica; Visualidade: refere-se a parte visual da matéria. Traquina (1995) explica quequanto melhor visualmente o material, melhor a recepção da notícia.
  44. 44. 444 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS4.1 MODALIDADE DE PESQUISA A pesquisadora optou por fazer a análise de conteúdo através dacategorização, empregando os critérios de noticiabilidades. Primeiramente foi feito olevantamento bibliográfico sobre o tema, em seguida a pesquisa foi dividida em trêsetapas, procurando responder: Quantas matérias foram publicadas? Quantas forammanchetes de capa? Quais os principais assuntos abordados? E quais os critériosde noticiabilidades encontrados com maior frequência? Na primeira etapa foi feita análise mensal dos assuntos abordados. Nasegunda, foi selecionada de cada mês, uma matéria destaque, levando emconsideração a relevância e importância da informação contida. E por último, foirealizada a análise das matérias de capas. Os métodos utilizados foram: pesquisa quantitativa, qualitativa e também aanálise de conteúdo através dos critérios de noticiabilidades. Para sintetizar edemonstrar com clareza os dados da presente pesquisa utilizou-se gráficos. Conforme Fonseca Júnior (2005), a análise de conteúdo é uma técnica que serefere às ciências humanas e sociais, destinada à verificação de fenômenossimbólicos por meio de distintas técnicas de pesquisa. Herscovitz (2007, p. 126/127) define a análise de conteúdo como [...] método de pesquisa que recolhe e analisa textos, sons, símbolos e imagens impressas, gravadas ou veiculadas em forma eletrônica ou digital encontrados na mídia a partir de uma amostra aleatória ou não dos objetos estudados com o objetivo de fazer inferências sobre seus conteúdos e formatos, enquadrando-os em categorias previamente, mutuamente exclusivas e passíveis de replicação. Assim, pode-se definir a análise de conteúdo como um modelo de coleta dedados e preparo do conhecimento, através da dedução, elaborada através deanálise. Para Bardin (1977, p. 42) a análise de conteúdo é

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