O Realismo E O Simbolismo

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Trabalho acerca do realismo e do simbolismo: caracteristicas, autores, etc.

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O Realismo E O Simbolismo

  1. 1. O Realismo
  2. 2. Concepção literária e estética do século XIX segundo a qual o escritor e o artista devem representar o real tal como ele é, isto é, sem o idealizar. Thomas Eakins, The Gross Clinic
  3. 3. Os progressos técnico-científicos e a nova realidade social decorrentes da industrialização entravam, no final do século XIX, em contradições que se reflectiam nas novas correntes literárias e artísticas. REALIDADE SOCIAL: riqueza de um núcleo de capitalistas / miséria social da maioria • Denúncias: Marxismo e doutrina social da Igreja • Promessas liberais de igualdade e democracia não são postas em prática Crítica realista
  4. 4. O Realismo surge no século XIX em reacção ao Romantismo. Realismo Romantismo Distanciamento do narrador Narrador em primeira pessoa Valoriza o que se é Valoriza o que se idealiza e sente Crítica directa Crítica indirecta Objectividade Sentimentos à flor da pele Textos, às vezes, sem censura Textos geralmente respeitosos Imagens sem fantasias, reais Imagens fantasiadas, perfeitas Aversão ao Amor platónico Amores platónicos Mistura de épico e lírico nos textos Separação Jean-François Millet , “Angelus” Cosmopolita Nacionalista * Há uma reacção contra as excentricidades românticas e as suas falsas idealizações da paixão amorosa, crescendo o respeito pelo facto empiricamente averiguado, pelas ciências exactas e experimentais e pelo progresso técnico. * À passagem do Romantismo para o Realismo corresponde uma mudança do belo e ideal para o real e objectivo.
  5. 5. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO REALISMO Manet • Veracidade: Despreza a imaginação romântica • Contemporaneidade: descreve a realidade • Retrato fiel das personagens: carácter, aspectos negativos da natureza humana • Gosto pelos detalhes: Lentidão na narrativa • Materialismo do amor: Mulher objecto de prazer/adultério • Denúncia das injustiças sociais • Determinismo e relação entre causa e efeito • Linguagem próxima da realidade: simples, natural, por vezes retratando o calão das classes mais baixas.
  6. 6. IDEOLOGIA DO REALISMO • Anti-sentimentalista, interessando-se pelo contemporâneo, pela realidade circundante e pela análise social. • Apoia-se em novas teorias filosóficas, como o Idealismo de Hegel, o Socialismo Utópico de Proudhon, o Determinismo de Taine, o Positivismo de Comte e o Evolucionismo de Darwin. • Segue também o materialismo optimista, graças ao progresso técnico, que acusa a passividade do Homem e a sua crença nas forças sobrenaturais como causa de atraso. • Este pendor materialista explica duas preocupações fundamentais deste período literário: a observação dos factos e a sua análise rigorosa.
  7. 7. ASPECTO TEMÁTICO Daumier A principal preocupação do realismo é promover a denúncia e a análise crítica dos vícios da sociedade contemporânea. • A representação da vida burguesa, naquilo que ela possa ter de mais desagradável ou negativo (a usura, a ambição, a avareza, a cobiça, a corrupção...) • A representação da vida urbana, porque é nos grandes meios sociais, nas cidades, que as tensões sociais, políticas e económicas se agudizam. • A análise das relações e dos conflitos sociais, resultantes de grandes desníveis entre classes. • O sofrimento moral e social, a frustração, a corrupção, o vício (alcoolismo, jogo, adultério, prostituição, opressão social, a doença (loucura)). • Religião, escravatura, sexualidade, racismo...
  8. 8. Realismo nas Arte Plásticas • Temática: retratos, paisagens, grupos..., por vezes ofensiva, outras neutra. • Exactidão do desenho e perfeito acabamento do quadro. • A pintura do Realismo começou por se manifestar no tratamento da paisagem, que se despiu da exaltação romântica para ser uma reprodução do que se oferece à vista do pintor. • Passou, depois, aos temas do quotidiano, que tratou de forma simples e crua, muitas vezes com intento de crítica social. • Foi em França que a pintura adquiriu uma particular intensidade. • Destacam-se Édouard Manet, Gustave Courbet, Honoré Daumier, Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet e Théodore Rousseau. “Rapariga Cega”, Théodore Rousseau
  9. 9. •“O Bar nas Folies-Bergère”, Edouard Manet
  10. 10. •“Auto-retrato”, Gustave Courbet
  11. 11. •“Inspiring Creativty”, Jean-Baptiste Camille Corot
  12. 12. Realismo na Literatura • Visão da literatura como análise objectiva da realidade, em oposição à concepção romântica da arte como evasão, fuga ao real. • Busca da exactidão nas descrições, sendo estas minuciosas e exaustivas. • Tentativa de aproximação da figura do escritor à do cientista, que estuda o objecto com neutralidade, analisando-o de todos os ângulos. • Predilecção pelo tratamento de temas chocantes - os quot;podresquot; da sociedade. • Tentativa de encontrar explicações que originem os vícios sociais a fim de os poder combater. • Utilização de uma linguagem que espelhe o real. O romance é a forma literária privilegiada pelos realistas, na medida em que é a prosa narrativa de grande fôlego, profundidade, extensão e amplitude que lhes permite o estudo sistemático e exaustivo das problemáticas a abordar.
  13. 13. Principais Autores • Flaubert (“Madame Bovary”) adultério de uma burguesa infeliz, suicídio • Émile Zola (“Germinal”) vida sub-humana de uma comunidade mineira francesa • Charles Dickens (“Oliver Twist”) a vida de um órfão na Inglaterra industrial • Dostoievsky (“Crime e Castigo”) miséria, alcoolismo, assassínio, loucura, prostituição • Tolstoi (“Guerra e Paz”) história de famílias aristocratas; relato da guerra
  14. 14. Em Portugal • O realismo inicia-se com a Questão Coimbrã (oposição ultra-romântica / realista) afirma-se com as Conferências do Casino Lisbonense (1871) e materializa-se na Geração de 70 (movimento académico de Coimbra). • Eça de Queirós (“Crime do Padre Amaro”, “Primo Basílio”, “Os Maias”, “As Farpas”...) é o expoente máximo do realismo português. • Destacam-se também Ramalho Ortigão, Antero de Quental, Oliveira Martins... A consequência mais importante do Realismo em Portugal foi a introdução no país das influências estrangeiras nos vários domínios do saber, alargando as escolhas literárias e renovando um meio literário que estava muito fechado sobre si mesmo.
  15. 15. O Simbolismo
  16. 16. Escola literária e pictórica da 2ª metade do século XIX, originária de França, caracterizada por uma visão subjectiva, simbólica e espiritual do Mundo e que adoptou novas formas de expressão, traduzindo as impressões por meio de uma linguagem onde dominava a preocupação estética. “A Aranha Chorona”, Odilon Redon
  17. 17. A partir de 1881, na França, pintores e autores, influenciados pelo misticismo advindo do grande intercâmbio com as artes, pensamento e religiões orientais, procuram reflectir nas suas produções a harmonia destas diferentes formas de olhar o mundo e de demonstrar os sentimentos. Marcadamente individualista e místico, foi com desdém apelidado de quot;decadentismoquot; - clara alusão à decadência dos valores estéticos então vigentes. Em 1886, o Manifesto de Jean Moréas traz a denominação que virá marcar definitivamente os adeptos desta corrente: o simbolismo. Ruptura * Realismo * Impressionismo “Buda”, Odilon Redon
  18. 18. O Simbolismo reage contra o Cientismo, o Positivismo, o Racionalismo Fernand Khnopff, “A Esfinge” Os simbolistas negam o espírito científico e Os dados do mundo sensível são símbolos da materialista dos realistas/naturalistas, realidade invisível, aquela que o artista deve valorizando as manifestações místicas e mesmo revelar. sobrenaturais do ser humano. Na Inglaterra, o simbolismo foi ecoado pelo Esteticismo.
  19. 19. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO SIMBOLISMO • Ênfase em temas místicos, oníricos, espirituais e imaginários. • Carácter individualista. • Desconsideração das questões sociais abordadas pelo Realismo e Naturalismo. • Estética marcada pela musicalidade (a poesia aproxima-se da música). • Produção de obras de arte baseadas na intuição, descartando a lógica e a razão. • Utilização de recursos literários como, por exemplo, a aliteração. • Subjectivismo - a visão objectiva da realidade não desperta interesse, e sim a realidade focalizada sob o ponto de vista de um indivíduo. • Expressão da realidade de maneira vaga e imprecisa. • Ênfase na sugestão. James Whistler, “O Foguete a Cair”
  20. 20. Simbolismo nas Arte Plásticas  O simbolismo nas artes plásticas procurava diminuir o hiato entre o mundo material e o espiritual.  Os pintores deveriam expressar, através de imagens, os temas e a visão de mundo desenvolvidas pelos poetas simbolistas.  Para esse fim, utilizavam principalmente cores e linhas, entendidos como elementos extremamente expressivos que por si só poderiam representar ideias. Grande impacto das figuras japonesas.  A inspiração temática simbolista costumava vir de poesias do movimento, além de uma certa fixação em assuntos como a morte, a doença, o erotismo e até a perversidade.  Distinguem-se, por exemplo, Odilon Redon, Whistler, Gustave Moreau, Paul Gauguin, Maurice Denis, Paul Sérusier, Aristide Maillol… “Unicórnio”, Gustave Moreau
  21. 21. •“Mulheres do Taiti na Praia”, Paul Gauguin
  22. 22. •“As Musas”, Maurice Denis
  23. 23. •“Talismã”, Paul Sérusier
  24. 24. •“Musa do Rio”, Aristide Maillol
  25. 25. Simbolismo na Literatura • Os temas são místicos, espirituais: visão pessimista da existência. • Abusa-se da sinestesia, das aliterações e das assonâncias, tornando os textos poéticos simbolistas profundamente musicais. • Não se descreve um objecto; sugere-se a sua existência. • Emprego de letras maiúsculas no verso. • Uso de um vocabulário bíblico, litúrgico, esotérico e arcaico no sentido de o revitalizar. • Imprecisão no sentido de certos vocábulos para caracterizar o indefinível e o indizível. • Expressão de estados da alma profundos e complexos. • Presença do inconsciente e do subconsciente. • Teatro: alegorias sentimentais onde o cenário (som, “Salomé”, Gustave Moreau luz, ambiente, etc.) têm maior destaque.
  26. 26. Principais Autores • Charles Baudelaire • António Nobre • Camilo Pessanha • Stéphane Mallarmé • Paul-Marie Verlaine • Jean Moréas • Arthur Rimbaud “Ela foi encontrada! Quem? A eternidade. É o mar misturado Ao sol. Minha alma imortal, Cumpre a tua jura Seja o sol estival Ou a noite pura. Pois tu me liberas Das humanas quimeras, Dos anseios vãos! Tu voas então...”
  27. 27. Bibliografia / Sitografia • CUMMING, Robert, Guias Essenciais – Arte, Editora Civilização •PINTO, Ana Lídia et CARVALHO, Maria Manuela, Cadernos de História A6, Porto Editora • pt.wikipedia.org/wiki/Simbolismo • faroldasletras.no.sapo.pt/simbolismo.htm • cvc.instituto-camoes.pt/literatura/simbolismo.htm • www.pitoresco.com.br/art_data/simbolismo/index.htm • pt.wikipedia.org/wiki/Realismo • cvc.instituto-camoes.pt/literatura/realismo.htm • pms2004.no.sapo.pt/real.htm • www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/j_g_ferreira/realismo.html

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