Trevisan; fernando pissuto eco - instalação multimídia

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Trevisan; fernando pissuto eco - instalação multimídia

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO MATO GROSSO DO SUL DEPARTAMENTO DE ARTE E COMUNICAÇÃO CURSO DE ARTES VISUAIS ECO – INSTALAÇÃO MULTIMIDIA FERNANDO PISSUTO TREVISAN CAMPO GRANDE 2007
  2. 2. FERNANDO PISSUTO TREVISAN ECO – INSTALAÇÃO MULTIMIDIA CAMPO GRANDE 2007 Relatório apresentado como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Artes Visuais à Banca Examinadora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, sob a orientação do Prof. Douglas Colombelli.
  3. 3. DEDICATÓRIA Dedico este presente trabalho a Deus, por todas oportunidades oferecidas ao longo da minha vida. Aos meus pais , Luiza Rosali Pissuto Trevisan e Valentim Deganutti Trevisan (in memorian) por todo esforço dedicado a minha educação. Aos meus amigos Henrique Coutinho e Alair Baccioti e família, dos quais agradeço infinitamente, pois sem a presença e ajuda deles seria impossível a realização deste trabalho. À Família Pissuto e Trevisan, por todo carinho dedicado e incentivo.
  4. 4. AGRADECIMENTOS A Deus, pela graça que me foi concedida de estar concluindo mais uma etapa da minha vida; Ao Profº DOUGLAS COLOMBELLI, por ter confiado na minha pessoa ao me dar a oportunidade de realizar este projeto e pela atenção e compreensão na sua orientação; Aos professores do curso de Graduação em Artes Visuais pelos valiosos ensinamentos; E um agradecimento todo especial a minha família, pais e irmãos, Orlando e Luciana por toda a compreensão e carinho dedicados em toda essa jornada.
  5. 5. “A palavra ou língua, escrita ou falada, parece não ter nenhuma importância no mecanismo do meu raciocínio. Os elementos psíquicos básicos do pensamento são sinais determinados e figuras mais ou menos claras, que podem ser reproduzidos ou combinados à vontade”. Albert Einstein
  6. 6. RESUMO A proposta desta pesquisa foi a de realizar uma investigação teórica e uma produção artística seguindo duas características comuns às obras dos artistas que utilizam tecnologia atualmente, a apropriação de técnicas utilizando o computador como interface de interação fazendo a ponte obra – espectador – obra, criando canais de expressão e dando novos usos a aparatos tecnológicos (utilizando possibilidades multimídia como matéria plástica). A parte teórica foi desenvolvida por meios de estudos teóricos no que existe a respeito de interatividade e “abertura da obra” ao público, conforme Plaza, e sobre a aproximação do design gráfico em relação à arte, bem como sobre os fatores importantes e influentes para esse processo de ruptura de fronteiras entre a comunicação e arte, além de dados sobre os principais designers pós-modernos da década de 80. Dos estudos, associados à pesquisa artística, resultou uma obra em forma de instalação multimídia interativa, que com recursos tecnológicos interage com o espectador através de sons emitidos dentro da instalação.
  7. 7. SUMÁRIO DEDICATÓRIA .......................................................................................................................ii AGRADECIMENTOS............................................................................................................iii SUMÁRIO................................................................................................................................vi INTRODUÇÃO..........................................................................................................................7 1. CAPÍTULO - O QUE É INTERATIVIDADE?.....................................................................8 1.1 - COM RELAÇÃO À ABERTURA DA OBRA ..............................................................8 1.2 - INTERAÇÃO E INTERATIVIDADE ...........................................................................9 1.3 - ARTE E TECNOLOGIA ..............................................................................................10 2. CAPÍTULO - O PÓS-MODERNO & DESIGN GRÁFICO................................................13 3. CAPÍTULO III – ANÁLISE DO TRABALHO REALIZADO...........................................18 3.1 A INSTALAÇÃO............................................................................................................19 3.2 A ANIMAÇÃO ...............................................................................................................20 3.3 A INTERAÇÃO ..............................................................................................................20 3.4 IMAGENS ...................................................................................................................20 3.5 TEXTOS ...................................................................................................................21 3.5 A ALEATORIEDADE...................................................................................................21 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................................22 REFERÊNCIAS .......................................................................................................................23
  8. 8. 7 INTRODUÇÃO Esta pesquisa aborda as relações entre abertura da obra e interatividade em seus diferentes graus. Abordando mais detidamente o terceiro grau de abertura, sob o ponto de vista deste trabalho, é a abertura que melhor classifica a obra, pois trabalha com recursos tecnológicos e interfaces que justificam a interação chamada por Plaza de “participação perceptiva e interatividade”, e no que diz respeito a interatividade classificado por Menezes como “interatividade implausível”. Os dois primeiros capítulos diferenciam-se por tratar de assuntos distintos: o primeiro trata sobre a arte e interatividade, e o segundo trata da aproximação entre design gráfico e obra de arte, mais detidamente com referência a artistas pós modernos, como é o caso de David Carson e Neville Brody. O titulo da obra “ECO” faz referência ao fenômeno sonoro que ao encontrar um obstáculo muda de direção, também conhecida como reverberação. Mas aqui neste trabalho o titulo possui mais de um sentido; não só físico do som, mas, o de retorno de informações que foram promovidas pelo espectador. Seja ela áudio ou visual. No 3º capítulo relata-se o processo de construção e elaboração da instalação multimídia “ECO”, tendo como o principal foco a interatividade do espectador com a obra, posicionando-o de forma investigativa. Este relatório e a obra experimental têm como proposta trazer a discussões sobre a relação entre arte e tecnologia, assim como a aproximações de linguagens que hoje possuem o status de arte aplicada, abrindo espaços para pesquisas teóricas ou práticas.
  9. 9. 8 1. CAPÍTULO - O QUE É INTERATIVIDADE? 1.1 - COM RELAÇÃO À ABERTURA DA OBRA Pensar a arte contemporânea, no que diz respeito à relação espectador - obra de arte, requer um mergulho na história recente. Conforme Melo (2003:10) é possível observar, neste século, algumas mudanças fundamentais na linguagem artística provida pela ruptura desenvolvida na arte moderna. Uma das principais características da arte contemporânea é a abertura da obra de arte à plena percepção e interação com o espectador. Segundo Eco, "toda obra de arte é aberta" por que não comporta apenas uma interpretação. Dentro dessa perspectiva, a "obra aberta" se mostra como conseqüência inevitável da própria evolução social no plano da arte. Eco ainda afirma que a abertura seria condição de toda obra e, em algumas formas contemporâneas, “uma de suas finalidades explícitas, (...) um valor a se realizar de preferência a outros”. O autor enfatiza a participação ativa do fruidor da obra artística, observando que toda obra exige uma leitura livre e inventiva, o que equivaleria a dizer que a leitura reinventa a obra. (ECO, apud Loureiro e Silva, 1976:22) Philadelpho Menezes (COSTA:2007), poeta cibernético, definiu três diferentes graus de interatividade: a decidibilidade – na qual o usuário controla apenas o processo de leitura da obra; interatividade possível – quando o autor limita-se a fazer sugestões a um usuário que as organiza como desejar; e interatividade implausível – quando o usuário pode alterar a leitura da obra de forma definitiva para os próximos usuários.
  10. 10. 9 Segundo Melo, para uma melhor compreensão sobre a inclusão do espectador na obra de arte, Plaza (2000) determina o seguinte percurso: a participação passiva – primeiro grau (contemplação, percepção, imaginação e interpretação – fundamentada por Humberto Eco); participação ativa – segundo grau (exploração, manipulação do objeto artístico, intervenção, modificação da obra pelo espectador – grau mínimo de interação – fundamentada por Diana Domingues); participação perceptiva e interatividade – terceiro grau (relação entre o usuário e um sistema inteligente com uso de interfaces tecnológicas – grau elevado de interação – fundamentada por Diana Domingues). Este relatório aborda mais nitidamente, o terceiro grau de participação segundo Plaza, o que equivale ao que é classificado por Philadelpho Menezes como interatividade implausível, já que o trabalho produzido paralelamente a este relatório, a instalação, trabalha com recursos de interfaces tecnológicas que permitem esse tipo interação. A obra "se abre", o público tem vários níveis e possibilidades de fruição e compreensão: pode gozar simplesmente com a dimensão interativa, detendo-se, quem sabe, ludicamente, no nível sensório motor. Se quiser pode ir além, alcançando os significados escondidos por detrás das facilidades da dimensão interativa, que é sempre pessoal e, portanto, não é generalizável e não é, também, exclusiva(CAPUCCI, in Domingues, apud Melo, 2003:21). 1.2 - INTERAÇÃO E INTERATIVIDADE A interação é uma ação de um objeto físico sobre o outro, o objeto físico pode ser considerado desde partículas pontuais até campos quânticos, além da interação puramente física, o termo designa a ação conjunto humano-humano e humano-máquina; em termos simples, ocorre interação quando uma pessoa desencadeia uma reação em outro, humano ou não. (WIKIPEDIA: Interatividade) O conceito de interação não é novo, entretanto, o conceito de interatividade é recente. Pode ter surgido no final dos anos 70 e início da década de 80, relacionado às novas tecnologias de informação. Um dado que permite esta afirmação é a ausência do termo nos dicionários de informática até meados dos anos 80. (SILVA, 2000).
  11. 11. 10 Segundo Silva, Interatividade é uma condição revolucionária, inovadora da informática, da televisão, do cinema, do teatro, dos brinquedos eletrônicos, do sistema bancário on-line, da publicidade, etc. Há uma crescente "indústria da interatividade", usando o adjetivo "interativo", para qualificar qualquer coisa cujo funcionamento permite ao seu usuário algum nível de participação ou troca de ações. Na experiência artística desenvolvida em conjunto com este relatório, propostas de interatividade serão relacionadas com obras que atingem o terceiro grau de abertura, partindo da utilização de mídias computadorizadas e interfaces na constituição de uma obra. 1.3 - ARTE E TECNOLOGIA Nos períodos da história da arte, os artistas produziram suas obras com os meios e as técnicas disponíveis no seu tempo. Assim ocorreu com a cerâmica e com as esculturas em mármore e bronze - esculpidas por avançadas técnicas de produção - na Grécia Antiga, com a utilização da tinta a óleo no Renascimento, com a fotografia e suas possibilidades de captação de imagens no final do século XIX etc. Os meios e as técnicas provocam mudanças na percepção humana, afetando nossa maneira de conhecer o mundo, nossas formas de representar esse conhecimento e nossas maneiras de transmitir essas representações (LÉVY apud LIESEN, 2005:74). Por exemplo, a migração da pintura das paredes das igrejas para as telas no período do Renascimento permitiu o desenvolvimento de um sistema de preservação das obras de arte através dos museus e da documentação artística ... a história da arte está intimamente ligada com a história da técnica, não podendo ser desprezados os seus aspectos materiais. (MACHADO apud LIESEN, 2005: 74). Outro exemplo é a influência do registro fotográfico sobre a pintura. Até o século XIX, a pintura em tela assumia a função de registro bidimensional do mundo natural. Porém, juntamente com a revolução industrial, surge um instrumento que possibilitava uma nova forma de registro, traçando uma mudança significativa na história da pintura: a câmera fotográfica - um sintetizador de conhecimentos químicos, matemáticos, ópticos e mecânicos. Ela foi o estopim para a degradação dos valores artísticos herdados da Renascença e para a
  12. 12. 11 reformulação do conceito de Belas-Artes, herdado do final do século XVII. O aparecimento da fotografia marca o fim da exclusividade das artes artesanais e o nascimento das artes tecnológicas. Com o advento e desenvolvimento da fotografia, associado a aspectos sociológicos e políticos as artes visuais entraram em crise, crise esta que deu origem ao modernismo, movimento constituído por uma série de rupturas e inovações que procuraram libertar as artes da retórica do ilusionismo realista. A partir dos impressionistas, os artistas visuais começam a procurar novas possibilidades de representação que não sejam fundadas no naturalismo acadêmico. A arte em geral rebela-se contra os cânones clássicos, torna-se radicalmente moderna, inventiva, estranha às tradições e ao senso comum. Começa a trilhar um novo caminho, que basicamente rejeita a história e as convenções, procurando romper com as normas consolidadas para reinventar constantemente novas regras, tentando tornar-se uma prática autônoma, individualista e redentora, que valoriza antes de tudo a singularidade do gênio artístico. O artista acredita no progresso, torna-se um incansável pesquisador de possibilidades sempre inéditas de representação, cultivando uma constante insatisfação com o presente e o status quo estético de sua época. (CAUDURO:2000) Alguns de seus artistas embriagam-se com a potência e velocidade das novas tecnologias mecânicas e elétricas, fruindo prazerosamente a caótica mistura de seus ruídos, seus odores, seus movimentos (futurismo). As representações visuais tornam-se ilógicas e caóticas, fazendo do deboche ao racionalismo e à ordem acadêmica com sua estratégia criativa máxima, chegando a contestar a própria noção de arte como criação excepcional única, quando promovem objetos seriados do cotidiano à condição de obras artísticas dignas de exibição e admiração em museus (dadaísmo). Com o cubismo, o racionalismo geometrizante finaliza a desconstrução da figuração realista, fragmentando-a para depois remontá-la através de uma lógica espaço- temporal relativista. Temas simples e banais do cotidiano são valorizados, para fácil identificação dos vestígios que restam das formas. As instituições de arte,museus e galerias tornam-se obsoletos para alguns artistas, para estes grupos a função destes “templos da arte” limitam-se à propagação do registro de eventos e atividades considerados como artísticos e que acontecem geralmente fora de suas sedes (happenings, performances). As questões que a arte pós-moderna atual propõe estão focalizadas nos modos e meios de representação que constituem as nossas experiências de realidade e formam as nossas identidades. As teorias pós-estruturalistas e desconstrucionistas desestabilizam toda e
  13. 13. 12 qualquer definição que ainda pretenda caracterizar a essência do sujeito ou da arte, enquanto que as práticas de representação apoiadas nas novas tecnologias videocinefotográfica e de simulação digital vão ganhando cada vez mais espaço. Apartir dos anos 50 surge a utilização das tecnologias digitais como forma de comunicação. Os artistas passam a se apropriar dessas técnicas e utilizar em suas obras de arte. Nessa mistura entre tecnologia e interatividade (relação homem - máquina) postula-se a possibilidade de abertura de terceiro grau (pg 9). Os processos promovidos pela interatividade tecnológica, inerentes a esta relação homem - máquina mediada por interfaces tecnológicas, colocando a intervenção da maquina como novo e decisivo agente de instalação estética, agora passam a ser um instrumento na concepção da obra. Ou seja, os artistas se interessam pela realização de obras inovadoras e abertas, onde a percepção e as dimensões temporais e espaciais representam um papel decisivo, encurtando a distância entre criador e espectador. Julio Plaza (2000:10) denomina como "Participação Ativa" quando o espectador se vê induzido à manipulação e exploração do objeto artístico ou seu espaço. Nos ambientes, é o corpo do espectador e não somente seu olhar que se inscreve na obra, Na instalação, não é importante o objeto artístico clássico, mas a confrontação dramática do ambiente com o espectador. A obra que é objeto deste relatório assume esta postura, incluindo o espectador na sua existência através de interfaces de interação. As experiências estéticas que são submetidas a um controle relativo do espectador, serão baseadas em referências apresentadas no capítulo a seguir.
  14. 14. 13 2. CAPÍTULO - O PÓS-MODERNO & DESIGN GRÁFICO O termo “pós-moderno”, ou “pós-modernismo” é o nome aplicado às mudanças ocorridas nas ciências, nas artes e nas sociedades desde 1960 (SANTOS, 1986:7), Embora muitos considerem que o pós-moderno começaria por volta da metade do século XX, quando o cotidiano é invadido pela tecnologia eletrônica, visando saturações de informações, diversões e serviços que produzem um mundo de simulação, em um progresso tecnológico nunca antes visto na história da humanidade, tem como decorrência uma transformação de valores na sociedade, propiciando novos dilemas e embates culturais. Os artistas pós-modernos propuseram um novo modo de ver o mundo, ligando linguagens artísticas a um tipo de realidade multifacetada, fragmentada e híbrida. Os meios de comunicação não informam sobre o mundo, mas o transformam num espetáculo de simulacros para satisfazer a ávida sociedade de consumo. (LEITE, 2007) Pode se dizer que a Art Pop foi a pioneira expressão artística do pós-moderno. A Pop, que nasce na Inglaterra mas ganha força em Nova Iorque, ironiza os ícones do consumismo que a sociedade idolatra, ao mesmo tempo, o artista mostra que, assim como os objetos são produzidos em série, os mitos contemporâneos também são manipulados para o consumo do grande público. Ela emerge com a explosão das comunicações de massa com linguagem assimilável pelo público, repleta de signos e de objetos de massa, utilizando o hiper-realismo ao copiar em tinta acrílica na pintura e com resinas e cera na escultura, serigrafia, ready made e assemblage a vida diretamente em seus objetos do cotidiano. Finalmente, a Pop esgota os “ismos” e os códigos estéticos do modernismo, pondo fim à beleza como valor supremo da arte. (LEITE, 2007)
  15. 15. 14 A arte Conceitual, na década de 70, dá um passo a mais em direção ao vazio pós- moderno. Ela desmaterializa a arte ao dar um sumiço em seu objeto. As obras estão além de sua aparência, requerendo para si também uma significação. Para tanto, recorrem e recriam as significações no campo cultural; Pinturas e esculturas são supérfluas. Essas significações propõem idéias que passam a ser recorrentes na arte, a criação mental do artista, registrada num esboço, esquema ou frase. O momento pós-moderno não apresenta propostas definidas, nem coerências, tampouco linhas evolutivas. Deste modo, diferentes estilos convivem sem choques formando meios-termos culturais. Não há a exigência do artista participar de grupos ou movimentos unificados. Além disso, ele não se desfaz do passado que é agregado ao pós-moderno, apenas o tradicional foi modificado. O indivíduo pós-moderno passa fazer um papel decisivo na arte contemporânea, encurtando a distância entre criador e espectador, desconstrói o mundo para revelar o que está por trás do sistema. Para tanto, o público passa ser a chave central da realização da arte. O espectador entra fisicamente na obra e faz intervenções. Em uma manobra onde o artista é um propositor de uma experiência, o observador pode recompor a obra em qualquer ordem que faça sentido para si próprio. A desordem é fértil no campo artístico. Ela propicia multiplicidade nas expressões artísticas através de infinitas técnicas sobre os mais variados materiais e suportes como pintura, escultura, desenho, cinema, artes gráficas, arte corporal, vídeo e música, isto é, infinidades de possibilidades construtivas na materialização de um sentido que procura impactar o público. É um movimento que não finda e que vive em constante reorganização e experimentação. Ao fazerem o uso dessas novas tecnologias, em busca do experimentalismo nas artes, os artistas expandiram o campo das artes para outras áreas. É o que acontece no caso da arte multimídia, onde os artistas se apropriaram da tecnologia digital, do computador pessoal e de suas interfaces tecnológicas. A arte eletrônica foi ampliada pela tecnologia digital dos computadores que, além de armazenar, transformar e editar imagens e sons captados no ambiente exterior, também, permitem ao artista a criação de imagens e sons sintéticos e, ainda, possibilitam uma intensa
  16. 16. 15 difusão e interatividade, seja por contato direto, presencial, ou em rede planetária por meio da Internet, que estabeleceu a Rede Mundial de Computadores. (PERASSI, 2006) O pós-modernismo no design é uma reação intuitiva da nova geração de designers aos excessos racionalistas e positivistas dos programadores visuais dos pós-guerra. Influenciados pelas novas e espontâneas formas de viver pregadas pelos existencialistas e beatniks dos anos 50, e pelos hippies dos anos 60, pelo movimento underground com a tecnologia grafica do “faça você mesmo”, off-set com litografia, impressões de má qualidade em papel barato e o movimento psicodélico com o uso de drogas alucinógenas (legais na califórnia ate 1966), cujos os designers criavam a partir de experiências visuais com LSD. (MELO, 2006:27) Nos anos 70 e 80 uma nova geração de designers e novas escolas exploram o computador, algumas características dessa tendência gráfica são o uso de tipografia, ruídos gráficos e hibridização de imagens. O resultado é um projeto gráfico construído aparentemente de soluções irracionais, inseridos e uma miscelânea de elementos compositivos, de misturas de estilos, (constituídos pelas variantes tecno, grunge, punk e pop) em busca de ecletismos de fontes históricas de inspiração pessoal do designer, valorizando seus elementos afetivos, introduzindo impertinências visuais e produzidas pela hibridização de novas tecnologias da computação com mídias e técnicas tradicionais, tendendo a uma liberdade criativa artística dos designers, cuja a razão não era a mais de ser do projeto. (MELO, 2006:36) O pós-modernismo no design não é resultado de decisões tão arbitrárias ou anárquicas como possa parecer, pois também apresenta algumas características estéticas recorrentes, que podem eventualmente nos ajudar a mais facilmente reconhecer e melhor entender suas manifestações. O movimento Modernista encontrou recentes expoentes na imprensa, notadamente em Neville Brody e David Carson. Sem dúvida, Herbert Bayer e o Bauhaus ficariam atordoados por esse estilo “Arte Culinária” dos anos 80, reunindo elementos do Dadaísmo, Futurismo e Cubismo – com uma pontinha de puro espaço de design. (BLACK 1997:70)
  17. 17. 16 A influência do Cubismo, para o design, está nas colagens e montagens produzidas agora de maneira digital. O Futurismo é mais importante por sua contribuição à arte do que para o design gráfico. Apesar de suas concepções visuais encontrarem expressão gráfica em fotografias de exposição múltipla e fotogramas, que trouxeram recursos vigorosos ao design nos anos 20. O Futurismo trouxe para o design gráfico esse sentido de movimento. A influência do Dadaísmo para o design gráfico está em todo o seu caráter de contestação contra os modelos tradicionais das formas de expressão e em prol de qualquer coisa que utilize a linguagem visual como meio para transmitir uma significação de protesto. No design digital, a influência do Dadaísmo é semelhante à influência no pós modernismo: o rompimento e desconstrução da legibilidade e as sobreposições de imagens e textos. (SANTAELLA, 2004:85). A resposta a esta tensão foi o estilo que marcou o período da década de 70 e 80, onde a tipografia foi totalmente deslocada da sua função de condutor do código verbal e da boa leitura, fatores associados à legibilidade, para ganhar o aspecto iniciado no cubismo, de uso da letra em si mesma, como um aspecto visual. Importantes representantes deste período são sempre lembrados quando se fala em design gráfico pós moderno: nos Estados Unidos, David Carson e seu trabalho para a revista Ray Gun e a dupla Zuzana Lickos e Rudy VanderLans no design do estúdio Emigre Graphics, na Inglatera Neville Brody e, na Suíça, Wolfgan Weingart. Ainda que alguns desses, principalmente os norte-americanos, não estivessem diretamente criticando o capitalismo, este foi o precursor do rumo que o design gráfico moderno tomou, indiretamente ocasionando a resposta pós moderna, daí ocorrer a relação com o Dadaísmo e os movimentos anteriores, Cubismo e Futurismo. Em alguns aspectos Brody e Carson viram-se rejeitando o ecletismo desordenado dos anos 70 nos designs impressos. O trabalho deles era mais impetuoso, forte, bruto e mais interessante. Em uma última análise, este trabalho inspirou uma enorme multidão de imitadores comerciais que, no momento, os sufocaram sem piedade.(...) Ao tentar romper severamente com o comum, não temos um verdadeiro destino; tornamo-nos provavelmente mais
  18. 18. 17 revolucionários que reacionários. Pode ser um intervalo divertido, mas é historicamente sem sentido.(...) Há uma razão por que um livro tem a forma de um livro. Podíamos faze-lo diferente toda vez, mas estas formas tornam-se agradáveis às pessoas ou até mesmo à grandes massas culturais de pessoas, então por que ignorá-las? (SANTAELLA apud BLACK, 1997: 70) Ao contrapor essa idéia, com o texto de Ana Claudia Gruzinsky sobre o design gráfico pós moderno, encontramos o envio da mensagem como a principal razão de existir do projeto gráfico, isto é, a função do design pós moderno, também é transmitir uma mensagem. No entanto, em seu pensamento, o designer acredita que a falta de legibilidade é uma característica condutora da mensagem.
  19. 19. 18 3. CAPÍTULO III – ANÁLISE DO TRABALHO REALIZADO Os estudos teóricos dos capítulos anteriores servem de base para uma melhor compreensão das diversas direções por onde a arte contemporânea caminha e sobre como elas se fazem no presente trabalho desenvolvido. Portanto, com base nessas referências artísticas e bibliográficas citados anteriomente. Classificamos este projeto dentro da tendência denominada “Arte e Tecnologia”. A idéia da produção deste trabalho determinou a composição de uma instalação multimídia hibridizando três características: Interatividade – exigindo do espectador um participacionismo, linguagem do design gráfico – trazendo para arte o movimento das obra pós modernas em design gráfico, e Instalação – ambiente no qual o espectador interage e completa a obra. A instalação tem como tema “ECO”, As relações dentro da obra foram pensadas a partir do tema apreende a questão de comunicação entre homem/Obra, ou seja, essa comunicação entre humano e máquina, através de interações promovidas pela interatividade/tecnologia. Ao utilizar o “eco” como tema faço um paralelo entre o “retorno” do som e o retorno de informação que foi enviada. como um eco propriamente dito. Na obra o espectador tem um retorno da informação captada através do som e de outras interfaces de interação; o retorno é áudio-visual, promovendo mudanças no vídeo e alterando sua composição gráfica.
  20. 20. 19 A união destes serve de construção para espaços virtuais multiusuários onde a interação homem/obra é predominante. A instalação apresenta um espaço virtual que remonta aos trabalhos de designers gráficos pós-modernos, mas com diferenças, pois essa simulação é em movimento e não gráfica (impressa) como é o caso dos designers pós-modernistas. Como um jogo o espectador vira autor ao se posicionar de forma investigativa com relação à causa / efeito das suas ações na obra, criando através da interatividade novas possibilidades de visual, participando e sendo a obra ao mesmo tempo. 3.1 A INSTALAÇÃO A contemporaneidade traz para o artista novas possibilidades de expressão, através de recursos tecnológicos oferecidos pelos meios digitais interativos, não aceitando mais o modo contemplativo, negando a primazia da obra de arte acabada, trata-se de uma arte aberta, virtual, em constante mutação, não requerendo espaços tradicionais de exposição. A partir desses novos paradigmas e questões de fruição entre homem/obra, a instalação se coloca como uma forma contemporânea do uso da arte que se encaixa perfeitamente no trabalho, tendo como função (essencial) a participação física do espectador dentro e/ou fora da obra. Portanto, foram produzidas duas cabines que fazem parte da instalação multimídia, duas delas são equipadas com um monitor de vídeo do tipo crt, um fone de ouvido com microfone acoplado, botões para interação com o vídeo, e um computador interligado entre as duas cabines; essas terão a função de acomodar o espectador para interagir com a obra. Um terceiro modulo acomodará os equipamentos de projeção. Dentro da cabine o visitante fará parte de uma experiência estética visual, Na qual ele fica imerso em um ambiente digital onde seus estímulos são responsáveis pela sua transformação (criação) de momentos únicos e experiências audiovisuais individuais.
  21. 21. 20 3.2 A ANIMAÇÃO As idéias para essa instalação surgiram na oficina de Design Gráfico II, do curso de artes visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Após algumas experiências em criar animações com tipografia reproduzindo as composições que os designers pós-modernos utilizavam em seus trabalhos, como é o caso de David Carson e Neville Brody duas grandes referências. Portanto, foi escolhido programa Macromedia Flash para desenvolver esse tipo de animação, pois ele oferece a possibilidade de programar de maneira aleatória e dinâmica a exibição dos tipos/palavras ao fazer o uso da linguagem de programação chamada Actionscripts. Com resultados obtidos utilizando essa ferramenta, foi desenvolvido um destes protótipos feito para a oficina de design e, a partir deste, surgiram novas idéias/possibilidades estéticas utilizando a tipografia como no movimento pós modernista. Em uma segunda fase foram utilizados recursos de grafismos de forma aleatória que percorrem a tela do vídeo de maneira randômica, ou seja, a cada segundo ela trilha um caminho diferente, criando diversos grafismos na animação. 3.3 A INTERAÇÃO Junto a essas experiências estéticas, foram pesquisados formas de interação a partir de interfaces; a mais importante foi a partir da captação do som convertendo a informação em movimento, onde a cada som recebido um novo segundo é acionado, criando ambientes novos a cada segundo. O som é fator principal da obra, como é possível observar no próprio tema da obra. Outra possibilidade de interação é através de botões que ficam dentro da cabine, ao alcance do espectador, para movimentar o vídeo e criar sempre um momento diferente. 3.4 IMAGENS As imagens utilizadas para composição foram feitas através da captação de imagens geradas por um monitor de tv e uma câmera digital de fotografia de baixa resolução.
  22. 22. 21 3.5 TEXTOS São apresentadas na obra características inspiradas na com a “lei da atração”, (conceito que prega que tudo que você possa desejar ou a você ou a outra pessoa se transformam em um retorno a quem cultiva, pode ser tanto positivo quanto negativo). Portanto, foi selecionado, entre vários adjetivos, (pois são eles em nossa língua que atribuem qualidade, estado ou modo de ser de algo a uma pessoa ou objeto) como o retorno dessa vibração emanada dentro da obra. 3.5 A ALEATORIEDADE Outro fator presente na composição da obra diz respeito à aleatoriedade composição; na obra foram criados alguns grafismos gerados aleatoriamente pelo computador, tanto pelo seu formato como pelo seu “caminho”, pois ela não é alterada pelo espectador, seu funcionamento é totalmente gerado pelo computador. A aleatoriedade é formada através de códigos que geram coordenadas matemáticas; estas coordenadas são responsáveis pela configuração dos grafismos, sendo esta a tarefa do Actionscripts1 . Ao utilizar esses grafismos na obra, cria-se uma relação com os trabalhos de Jackson Pollock, enquanto esse deixa cair os pingos sobre a tela elaborando uma obra de arte, da mesma forma que o programa deixa seus “pingos” cairem de forma aleatória. 1 ActionScript é uma línguagem de programação baseada em ECMAScript, usada para controlar filmes e aplicações do Macromedia Flash. Visto que o Javascript e ActionScript são baseados na mesma sintaxe do ECMAScript, ambos são traduzidos de um para outro facilmente. Contudo, o modelo de cliente é diferente: enquanto o Javascript trabalha com janelas, documentos e formulários, o ActionScript trabalha com movie-clips, campos de texto e som. Essa linguagem é facil de se aprender e tornou o ambiente do Flash muito mais interessante de se trabalhar, pois faz com que se possa desenvolver programas bem elaborados com ambientação gráfica.
  23. 23. 22 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa surgiu a partir de observações sobre arte contemporânea, em duas vertentes. Uma, das artes que envolvem tecnologia como matéria prima, trazendo ao espectador novas possibilidades de expressão e interpretação audiovisual utilizando; Outra, das vertente que são as aproximações do design gráfico com a arte. A partir dos estudos através de referencias bibliográficas, foi possível observar as principais influências que as artes contemporâneas tiveram em relação às artes consideradas tradicionais. São tantas as mudanças promovidas pela tecnologia no cotidiano das pessoas, que é impossível pensar que não haja reflexo no campo das artes, como é possível observar ao longo da história da arte. Portanto, essa pesquisa teve como principal discussão a hibridização de linguagens aparentemente distintas, mas com raízes que iniciam a partir do desenvolvimento das tecnologias digitais, como é o caso da interatividade e o do design gráfico pós moderno. O resultado da produção artística, desenvolvida paralelamente à teórica, é a construção de um ambiente onde o espectador tem função primordial para composição da obra, que além da interação humano - máquina visa à interação humano-humano por se tratar de uma instalação multimídia multi-usuários, trazendo ao espectador novas práticas receptivas e de interpretação. A pesquisa aqui desenvolvida atingiu seus objetivos apresentando uma obra multimídia como resultado. Esta prática atinge e supera as expectativas iniciais do pré-projeto e aponta novas possibilidades de expressão no campo plástico; estas novas possibilidades têm o potencial de se tornarem objetos de pesquisas futuras deste ou de outros pesquisadores.
  24. 24. 23 REFERÊNCIAS BORGES, Gilberto André. Interface e interação: novos caminhos para a comunicação e a arte. Florianópolis: 2006. Disponível em rede: < http://www.musicaeeducacao.mus.br/ artigos/gilbertoborgesinterfaceeinteracao.pdf> acesso em 4 de Setembro de 2007. BLACK, Roger. Web sites que funcionam, 1987. Editora Quark, São Paulo. CAUDURO, Flávio Vinicius. Design gráfico & pós-modernidade. In Revista FAMECOS: mídia, cultura e tecnologia, Porto Alegre, EDIPUCRS, No. 13, dezembro 2000, pp.127-139. COSTA, Maria Cristina Castilho. A apoteose da interação. Disponível em rede: < http://www.cibercultura.org.br/tikiwiki/tiki-read_article.php?articleId=19> acesso em 13 de novembro de 2007. DOMINGUES, Diana - Disponível em rede: < http://www.heterogenesis.com/Heterogenesis- 2/Textos/hcas/h24/diana.html> acesso em 4 de Setembro de 2007. LOUREIRO, Maria Lucia de Niemeyer Matheus. ; SILVA, Douglas Falcão. . A exposição como 'obra aberta': breves reflexões sobre interatividade. 2007 Disponível em rede: < http://www.cientec.or.cr/pop/2007/BR-MariaLuciaLoureiro.pdf> acesso em Setembro de 2007. LIESEN, Maurício. Revista Eletrônica de Ciências Sociais – CAOS. 2005 Disponível em rede: < http://www.cchla.ufpb.br/caos/mauricioliesen.pdf> acesso em 4 de Setembro de 2007. LEITE, Luciana. A problemática do pós moderno no campo das artes. Disponivel em rede: < http://www.mac.usp.br/projetos/seculoxx/modulo6/posmoderno.html> acesso em 4 de Setembro de 2007.
  25. 25. 24 MONTARDO, Sandra Portella. Interatividade como acesso à obra de arte na época da imagem do mundo. Trabalho apresentado no VI Seminário Internacional de Comunicação - Porto Alegre-RS. Disponível em rede: < http://www.bocc.ubi.pt/pag/montardo-sandra- interactividade.pdf> acesso em Junho de 2007. MELO, Desirée Paschoal. Obra aberta - uma instalação. 2003. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Artes Visuais Bacharelado) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. MELO, Desiree. Rupturas e aproximações entre o design. gráfico e a arte na contemporaneidade. 2006. Trabalho de monografia para obtenção do titulo de especialista em Imagem e Som. PROENÇA, Graça. História da Arte, 1989. Editora Ática, São Paulo. PLAZA, Julio. A arte interativa: autor-obra-recepção. 2000 Disponível em rede: < http://www2.uerj.br/~revarte/artigos/pdf/plaza.pdf> acesso em Junho de 2007. PERASSI, Richard. Roteiro didático da arte na produção do conhecimento. 2006. Editora UFMS. SANTOS, Jair Ferreira dos. O Que É Pós-Modernismo, 1986. Coleção Primeiros Passos, Brasília: Brasiliense. SILVA, Marcos. O que é interatividade? Rio de Janeiro: 2000 Disponível em rede: <http://www.senac.br/informativo/BTS/242/boltec242d.htm> acesso em Agosto de 2007. SANTAELLA, Alexandre. Design de interface: as origens do design e sua influência na produção da hipermídia. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade (2004). KERMAN, Phillip, Programando Actinscripts em Flash. 2001. Editora Ciencia Moderna. Rio de Janeiro.

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