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RODOLFO DE OLIVEIRA PARANGABA
CONTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS
Instalação com pintura fluorescente
Campo Grande - MS
2014
RODOLFO DE OLIVEIRA PARANGABA
CONTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS
Instalação com pintura fluorescente
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao curso de Artes Visuais da Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul como requisito
parcial à obtenção do grau de Bacharel em
Artes Visuais.
Orientadora: Profª Mª Priscilla Paula Pessoa
Campo Grande - MS
2014
RESUMO
O presente trabalho trata do processo de criação da obra Contemporaneidades
Pantaneiras, uma instalação autobiográfica que explora, principalmente, o uso de
pigmentos fluorescentes em pintura e desenho, e como eles reagem sob o brilho da
luz negra. O trabalho é constituído da mescla de vários elementos: fotografia,
pintura, desenho, frases e trilha sonora, que combinados criam o ambiente
planejado, simulando uma parte da mente do artista.
Palavras chave: Desenho; Autobiografia; Cor; Luz negra; Mente.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.........................................................................................................................5
CAPÍTULO I - AUTOBIOGRAFIA E ARTE ........................................................................7
1.1. Pantanal Contemporâneo...............................................................................................7
1.2. Produção Autobiográfica em Artes Visuais .................................................................8
1.2.1. Leonilson......................................................................................................................10
1.2.2. Frida Kahlo...................................................................................................................11
1.2.3. Sophie Calle ................................................................................................................13
1.3. Sobre Instalações ..........................................................................................................14
1.4. Sobre Cores....................................................................................................................16
1.4.1. Cor, Luz e Fluorescência...........................................................................................17
CAPÍTULO II - COMTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS.......................................19
2.1. Concepção ......................................................................................................................19
2.2. Pinturas............................................................................................................................20
2.3.Desenhos .........................................................................................................................23
2.4. Estrutura ..........................................................................................................................24
2.5.Trilha .................................................................................................................................26
2.6. Montagem .......................................................................................................................27
CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................29
REFERÊNCIAS .....................................................................................................................31
5
INTRODUÇÃO
A obra Contemporaneidades Pantaneiras é uma instalação
autobiográfica que explora o uso da luz negra e os efeitos que ela gera sobre
pinturas realizadas com tintas que contêm pigmentos fluorescentes.
A ideia para este trabalho surgiu já há algum tempo, quando eu ainda
experimentava minhas poéticas pessoais na Oficina de Pintura e criei uma série de
pinturas feitas com tintas fluorescentes. O tema da série é autobiográfico e surgiu da
vontade de representar uma visão mais pessoal da cidade em que vivo - Campo
Grande, Mato Grosso do Sul.
Conforme a pesquisa foi se aprofundando, percebi que para obter o
resultado esperado precisaria produzir mais que uma série de pinturas, pois minha
intenção é fazer com que as pessoas percebam as imagens das minhas memórias a
partir do efeito óptico gerado pela pigmentação fluorescente utilizada. Além disso,
seria necessário um ambiente específico para que as pinturas pudessem ser
iluminadas por luz negra. A partir destes dois pontos, a instalação obteve uma nova
significação, funcionando como uma forma de representação da minha mente, onde
todos os elementos ali contidos são formas de expressar pensamentos, memórias e
sentimentos pessoais.
A instalação é constituída da mescla de vários elementos: fotografia,
pintura, desenho, frases e trilha sonora, que combinados criaram o ambiente
planejado, simulando uma parte da minha mente.
O trabalho está dividido em dois capítulos. No primeiro encontram-se
todos os referenciais teóricos que serviram de base para a concepção, produção e
fundamentação teórica da instalação. Pesquisei artistas que utilizam suas próprias
histórias como fonte de inspiração das suas poéticas autobiográficas, e citei aqui os
trabalhos de Leonilson, Frida Kahlo e Sophie Calle. Esses artistas criaram, cada um
a seu modo, poéticas consistentes que refletem seus mundos interiores, e isso me
ajudou muito a encontrar o rumo do meu trabalho, já que existem tantas formas de
trabalhar nosso íntimo por meio das artes.
6
Ainda no primeiro capítulo, trato de um dos pontos mais importantes do
meu trabalho que é a presença da cor, um fenômeno que sempre me chamou a
atenção e me estimulou a querer pintar. Mas não é apenas a cor o ponto chave, e
sim o comportamento das cores em relação à iluminação do ambiente.
No segundo, estão as informações referentes ao desenvolvimento do
processo prático da mesma, com todos os detalhes dos procedimentos e técnicas
utilizados na produção das pinturas, dos desenhos, da montagem da estrutura e
todos os outros elementos pertencentes à instalação Contemporaneidades
Pantaneiras.
7
CAPÍTULO I - AUTOBIOGRAFIA E ARTE
1.1. Pantanal Contemporâneo
A obra Contemporaneidades Pantaneiras é uma instalação
composta por desenhos e pinturas fluorescentes. Nasceu do meu desejo de realizar
um trabalho que explorasse novas possibilidades de se trabalhar com cor em
pintura. O segundo passo para a concepção do projeto foi a escolha da temática
autobiográfica e da poética a ser trabalhada. O resultado disso foi um trabalho em
que as cores utilizadas representam as sensações de minhas memórias e vivências.
O nome da obra - Contemporaneidades Pantaneiras - foi escolhido
para representar o grupo de pessoas que vive no estado do Mato Grosso do Sul em
que eu estou inserido. O termo "contemporâneo" abrange vários significados dentro
e fora das Artes Visuais. Na arte contemporânea,
[...]há uma diferença radical nos meios de expressão empregados pelos
artistas que, desde o nascimento do movimento modernista, mostraram um
fascínio pela nova tecnologia. Aos poucos, essa tecnologia passou a
dominar as definições atuais de atividade de vanguarda, a ponto de muitos
curadores chegarem a menosprezar formas tradicionais como a pintura e a
escultura, julgando-as inerentemente não contemporâneas". Agora, quase
toda a atenção se volta para a fotografia - fotografia direta, imagens
digitalizadas, vídeo e filme, que, por sua vez, apresentam-se
frequentemente vinculados a várias formas de arte ambiental e de
instalação. Hoje, os teóricos falam sobre o que Rosalind Krauss denominou
condição "pós meio de expressão" das artes visuais. O que isso quer dizer é
que, além de não haver meios de expressão artística especialmente
privilegiados, a escolha deste ou daquele meio específico não tem a menor
importância (LUCIE-SMITH, 2006, p.3).
Nesse sentido, o trabalho Contemporaneidades Pantaneiras busca
fazer uma ponte entre as formas mais tradicionais de arte e as novas possibilidades
oferecidas pelo momento contemporâneo e as tecnologias. Vários elementos como
a fotografia, a pintura e a luz negra são utilizados para compor a instalação, que
busca levar o espectador a um ambiente lúdico e onírico, onde podem "esbarrar em
pensamentos"
O dicionário online Michaelis (2008) dá para o termo
contemporâneo, entre outros significados, "o que é do tempo atual". O termo foi
escolhido mais a partir dessa definição geral até do que pelo seu uso habitual no
universo da arte, para falar sobre o segmento da arte e das inspirações do Mato
8
Grosso do Sul em que o projeto se encaixa – no qual alguns artistas (incluindo eu)
buscam trabalhar suas poéticas de forma a mostrar que o estado do Mato Grosso do
Sul é formado sim pelo Pantanal, mas não apenas disso. O nome
Contemporaneidades Pantaneiras é uma forma irônica de mostrar a existência do
lado mais urbano e boêmio do estado.
1.2. Produção Autobiográfica em Artes Visuais
A autobiografia é um assunto recorrente no campo das Artes
Visuais, inclusive no momento contemporâneo. Conforme Lucie-Smith (2006, p.159)
coloca,
[...]foi Beuys quem abriu as portas para uma nova percepção do
funcionamento da arte, ou de como ela poderia funcionar, na sociedade
contemporânea. No futuro, a arte seria definida de duas formas: por meio de
sua relação com a personalidade do artista, da qual era simplesmente uma
manifestação visível, e por meio do conteúdo. Ou seja, a arte passaria a
proporcionar uma definição da relação do artista com o mundo, relação
essa que mudaria continuamente com a evolução do próprio artista;
mostraria as alterações ocorridas quando o subjetivo encontrasse o objetivo
e vice-versa.
O dicionário online Michaelis (2008) define autobiografia como a
"narração da vida de uma pessoa, escrita por ela própria". Logo, quando a pesquisa
pessoal do artista rebusca a história do mesmo para basear sua produção, sua obra
se torna autobiográfica.
Naturalmente, nos dias de hoje os artistas - em meio a tantas
influências e referências - buscam suas poéticas próprias para terem seu trabalho
reconhecido. Neste contexto o "eu" começa a ganhar espaço, pois, segundo Rovina
(2008, p.11) o artista deseja uma unidade de si com seu objeto criado. Logo, o foco
está no sujeito e no desenvolvimento de seus processos de individuação.
Inúmeros artistas, em sua pesquisa pessoal e desenvolvimento de
seus trabalhos, buscam inspiração em si mesmos, em suas vidas e histórias, mas
isso não resulta necessariamente em uma obra autobiográfica. É importante deixar
clara a distinção entre obras autobiográficas e obras que trazem material da vida do
artista, mas não necessariamente narram suas histórias pessoais.
9
Um exemplo que deixa clara essa distinção é o trabalho Polvos, da
artista brasileira Adriana Varejão. A obra consiste na criação de uma caixa de tintas
especiais e uma série de pinturas onde a artista pinta sua própria imagem em vários
retratos de si mesma, mas em cada um deles utiliza uma cor de pele diferente criada
por ela e contida na caixa de tintas, baseada nas respostas que as pessoas davam
ao serem questionadas sobre sua cor em um questionário do senso do IBGE de
1976. Polvo é uma obra que utiliza o autorretrato da artista e não faz menção a sua
vida pessoal, pois a poética busca abordar questões raciais.
Figura 1: Polvos (série de pinturas). Adriana Varejão. 2004. Exposição na Galeria Fortes Vilaça.
Fonte: http://www.fortesvilaca.com.br/exposicoes/2014/402-polvo
A autobiografia começa a crescentemente ganhar espaço na
produção artística nos anos 1970 e, para Rovina:
Essa expansão da narrativa em primeira pessoa segue paralelamente à
crise que gerou modificações profundas no gênero autobiográfico literário.
Para além de uma autobiografia tradicional que se documenta numa
fechada e determinada classe social e política, a crítica literária dos anos
cinqüenta do século XX amplia seu foco para os grupos minoritários cujos
trabalhos apontavam necessidades de mudanças sociais onde o
protagonista está inserido nas questões identitárias de seu tempo.
(ROVINA, 2008, p.26).
A partir daí, o artista contemporâneo, que se permite ser o
"protagonista" e o seu próprio "juíz", se abre para muitos métodos diferentes de se
representar e, segundo Rovina (2008), "não há a reprodução de uma vida, mas um
constante estado de recriação desta, tornando o limite entre autobiografia e ficção
quase indistinto."
10
Com o poder de se definir e de se narrar, o artista passa a dar
espaço para a sua própria vida e história. Toda a sua carga de vivência, experiência,
emoções e sentimentos agora se transformam na pauta da sua produção artística
com uma poética muito mais íntima.
Cada artista tem sua própria forma de contar sua história, tanto em
questões de linguagens e técnicas quanto no relato dos fatos em si. Destaquei três
artistas cujas obras refletem suas próprias histórias e que serviram de referência
para meu trabalho: Leonilson, com sua poética completamente voltada para sua
vida; Frida Kahlo, que utiliza muito a pintura para contar suas experiências e Sophie
Calle, que criou uma instalação a partir de uma situação que vivenciou.
1.2.1. Leonilson
José Leonilson Bezerra Dias, nascido em Fortaleza, no Ceará em
1957, era pintor, desenhista, escultor e fazia instalações. Mudou-se para São Paulo
e estudou Educação Artística na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).
De acordo com a crítica Lisette Lagnado (1995), "cada peça
realizada pelo artista é construída como uma carta para um diário íntimo", que vem
"da necessidade de registrar sua subjetividade". Leonilson elaborou seu trabalho de
forma a criar símbolos próprios que sempre rebuscou, até o fim da vida, como o livro
aberto, a torre, o radar, o átomo, o coração, a espiral, o relógio, a bússola e a
ampulheta, entre outros.
Segundo a biografia do artista na Enciclopédia Virtual Itaú Cultural
(2013), em 1989 introduz o bordado em suas obras, elemento este que remete ao
fato de ser filho de um comerciante de tecidos e do gosto de sua mãe por bordar. De
1984 em diante começa a produzir desenhos e pinturas com formas orgânicas que
remetem ao corpo. Através das palavras que começa a utilizar em suas obras,
manifesta sua intimidade: "alegre", "tímido", "solitário", "hipócrita", "deslocado",
"cheio e vazio", "cético", "ansioso" ou "confuso". Descobre-se portador do vírus HIV
em 1991, fato este que domina sua obra a partir de então. Produz uma série de
desenhos que ironizam sua condição, utilizando-se de elementos como o seu
próprio sangue contaminado e signos da simbologia cristã.
11
A obra de Leonilson (como podemos verificar nas Figs. 2 e 3) é
impregnada de intimidade e vai relacionando cada vez mais os símbolos e objetos
que utiliza em suas pinturas, instalações, bordados, gravuras e esculturas com seu
mundo interior.
Figura 2: Os pensamentos do coração. Leonilson. Acrílica sobre lona. 48x58cm. 1988. Coleção
Família Bezerra Dias (São Paulo, SP)
Fonte: http://www.itaucultural.org.br/bcodeimagens/imagens_publico/013302175289.jpg
Figura 3: São tantas as verdades. Leonilson. Acrílica. pedras semi preciosas bordadas e fio de cobre
sobre lona. 213x106 cm. 1988. Coleção Particular.
Fonte: http://www.itaucultural.org.br/bcodeimagens/imagens_publico/013302175659.jpg
1.2.2. Frida Kahlo
Frida Kahlo é uma artista mexicana que utilizava assuntos de sua
vida pessoal como principais temas para suas pinturas. Nasceu em Coyoacán, no
México, e defendia o resgate cultural do passado pré-colombiano mexicano e das
tradições locais.
12
Aos 18 anos sofreu um grave acidente rodoviário, que quase a
matou. Durante sua recuperação, como estava imobilizada por gesso, começou a
pintar como forma de passatempo. Conforme Farthing (2009, p.417), Frida Khalo
produziu quase 150 pinturas em vida, descrevendo através delas sua visão da vida
entre embates pessoais e políticos.
Foi casada com Diego Rivera, mas os dois viviam relações
extraconjugais. Rivera relacionou-se inclusive com a irmã de Frida. A obra As duas
Fridas (Fig.4) retrata duas versões da artista. Uma delas veste roupas tradicionais
mexicanas e tem o coração inteiro, representando a mulher que Rivera amava. A
outra veste roupas de casamento e possui o coração dilacerado e sangrando,
representando sua dor.
Figura 4: As duas Fridas. Frida Kahlo. Óleo sobre tela. 173,5 cm x173 cm. 1939. Museu de Arte
Moderna da Cidade do México.
Fonte: http://surrealismodoacaso.files.wordpress.com/2009/05/frida-kahlo-as-duas-fridas.jpg
Segundo Farthing,
Entre 1926 e 1954, Frida buscou inspiração nas experiências de vida mais
íntimas, muitas vezes dolorosas. Os inúmeros autorretratos desse período
evidenciam seu fascínio pela identidade e pelas máscaras, e as paisagens
mortas podem ser interpretadas como manifestações visuais do orgulho
nacional.(FARTHING, 2009, p.417)
Frida abordou os temas que mais a afligiam em suas obras. Entre
eles, retratou a solidão e a dor que sentiu após seu acidente na obra O hospital
Henry Ford (1932 - Fig.5) o trauma de ter sofrido muitos abortos e não poder ter
filhos na obra O meu nascimento (1932); e a dor da descoberta do caso extra
conjugal que seu marido Diego Rivera mantinha com a irmã de Frida na obra O
coração (1937).
13
Figura 5: O Hospital Henry Ford, ou Cama Voadora . Frida Kahlo. Óleo sobre metal. 77,5 x 96,5.
1932. Coleção Fundaçao Dolores Olmedo (México)
Fonte: http://0.tqn.com/d/arthistory/1/0/Q/1/1/Frida-Kahlo-Henry-Ford-Hospital-1932.jpg
1.2.3. Sophie Calle
Sophie Calle é uma artista francesa nascida em Paris em 1953. Calle
não tem formação artística e escolheu a arte para agradar ao pai. A própria artista
define seu trabalho como autobiográfico. Nas palavras de Calle: "O que diferencia
muitos de meus trabalhos é o fato de que eles são, também, minha vida. Eles
aconteceram."
De acordo com a biografia da artista,
Sophie Calle é conhecida no mundo da arte e para além dele por uma obra
que despreza as fronteiras regulares entre ficção e realidade, público e
privado, arte e vida. Literários na essência, ainda que usem meios diversos
e tomem distintas formas, seus trabalhos nascem ora do exercício
destemido de uma curiosidade sobre o outro que beira o voyeuristico (e, por
vezes, o abusivo), ora da vontade de transformar dores reais em uma
sofisticada modalidade de catarse. De forma recorrente, expõem a
vulnerabilidade humana sob o signo do desejo. (SOPHIE CALLE. In:
VIDEOBRASIL)
Cuide de você é uma instalação, montada pela primeira vez na
Bienal de Veneza, em 2007. Surgiu de uma situação pessoal da artista, que recebeu
um e-mail de término de relacionamento de seu até então namorado. O e-mail
terminava com as palavras "Cuide de você". Calle transformou essas palavras em
um trabalho único, que de acordo com Miranda (2009), "é um exemplo expandido e
grandioso de como se sobrepõem, no trabalho de Sophie Calle, a experiência
comum da vulnerabilidade humana [...]".
14
Nas palavras da própria artista:
Recebi uma carta de rompimento. E não soube respondê-la. Era como se
ela não me fosse destinada. Ela terminava com as seguintes palavras:
"Cuide de você". Levei essa recomendação ao pé da letra. Convidei 107
mulheres, escolhidas de acordo com a profissão, para interpretar a carta.
Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la. Entendê-la em meu
lugar. Responder por mim. Era uma maneira de ganhar tempo antes de
romper. Uma maneira de cuidar de mim.
A artista coletou as reações de 107 mulheres sobre a carta recebida
e montou então a instalação Cuide de Você.
Figura 6: Projeção da carta que deu origem a Cuide de Você sobre Sophie Calle
Fonte: http://www.dobrasvisuais.com.br/wp-content/uploads/2009/08/post09_sophie_calle01.jpg
Figura 7: Instalação Cuide de Você
Fonte: http://fergolina.files.wordpress.com/2010/02/sophie.jpg
1.3. Sobre Instalações
15
Inicialmente meu trabalho se constituía de uma série de pinturas. Ao
decorrer do desenvolvimento do mesmo, percebi que para alcançar o resultado
esperado foi necessário pensar na construção de um ambiente específico que
garantisse que as obras fossem expostas de forma a revelar o efeito fluorescente
presente nas pinturas. O que era uma série de pinturas se transformou então em
uma instalação.
Conforme a Enciclopédia virtual do Itaú Cultural:
O termo instalação é incorporado ao vocabulário das Artes Visuais na
década de 1960, designando assemblage ou ambiente construído em
espaços de galerias e museus. As dificuldades de definir os contornos
específicos de uma instalação datam de seu início e talvez permaneçam até
hoje. [...] As ambigüidades que apresentam desde a origem não podem ser
esquecidas, tampouco devem afastar o esforço de pensar as
particularidades dessa modalidade de produção artística que lança a obra
no espaço, com o auxílio de materiais muito variados, na tentativa de
construir um certo ambiente ou cena, cujo movimento é dado pela relação
entre objetos, construções, o ponto de vista e o corpo do observador. Para a
apreensão da obra é preciso percorrê-la, passar entre suas dobras e
aberturas, ou simplesmente caminhar pelas veredas e trilhas que ela
constrói por meio da disposição das peças, cores e objetos. (INSTALAÇÃO.
In ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2010)
De acordo com Dempsey (2008, p.250), até a década de 1960 as
instalações eram feitas basicamente para dar tridimensionalidade às pinturas e
foram ganhando espaço até que, na virada do século, acabaram se tornando muito
populares entre os artistas.
Sobre as diversas possibilidades oferecidas pelas instalações:
A Instalação, enquanto poética artística permite uma grande possibilidade
de suportes, a gama variada de possibilidades, em sua realização pode
integrar recursos de multimeios, por exemplo, videoarte, caracterizando-se
em uma videoinstalação Esta abertura de formatos e meios faz com que
esta modalidade se situe de forma totalmente confortável na produção
artística contemporânea, já que a Arte Contemporânea tem como
característica o questionamento do próprio espaço e do
tempo. (INSTALAÇÃO. In: MACVIRTUAL)
Todas essas possibilidades fazem com que a obra se torne muito
mais ampla e completa, explorando novos sentidos e sensações, transformando o
espectador em participador:
[...] Esta participação ativa em relação à obra faz com que a fruição da
mesma se dê de forma plena e arrebatadora, o que em muitos casos pode
16
até mesmo tornar esta experiência incômoda e perturbadora. A necessidade
de mexer com os sentidos do público, de instigá-lo, quase obrigá-lo, a
experimentar sensações, sejam agradáveis ou incômodas, faz da Instalação
um espelho de nosso tempo. (INSTALAÇÃO. In: MACVIRTUAL)
A instalação - com sua possibilidade de mesclar vários suportes,
técnicas e materiais - se tornou a solução para o trabalho, que assim pode ser
vivenciado, e não apenas observado.
1.4. Sobre Cores
A cor é um ponto fundamental em meu trabalho, tanto pelo valor
estético quanto emocional. Segundo Dondis,
É possível pensar na cor como o glacê estético do bolo, saboroso e útil em
muitos aspectos, mas não absolutamente necessário para a criação de
mensagens visuais. Esta seria uma visão muito superficial da questão. A cor
está, de fato, impregnada de informação, e é uma das mais penetrantes
experiências visuais que temos todos em comum. Constitui, portanto, uma
fonte de valor inestimável para os comunicadores visuais. (DONDIS, 2007,
p.64).
Ainda de acordo com Dondis (2007, p.65), "a cor tem três dimensões
que podem ser definidas e medidas", sendo elas: Matiz, Saturação e o brilho
relativo. As pinturas presentes em meu trabalho foram trabalhadas através da
utilização de duas dessas dimensões: A matiz e a saturação.
A matiz é a própria cor em si. Dondis (2007, p.65) fala sobre a
existência das três matizes primarias (vermelho, azul e amarelo). De acordo com a
autora "o amarelo é a cor que se considera mais próxima da luz e do calor; o
vermelho é a mais ativa e emocional; o azul é passivo e suave. O amarelo e o
vermelho tendem a expandir-se; o azul, a contrair-se". Para a realização das
pinturas escolhi principalmente matizes variantes do azul e do vermelho, que foram
aplicadas de forma a criar um alto contraste entre os tons.
A segunda dimensão da cor é a saturação, que segundo Dondis
(2007, p.66):
[...] é a pureza relativa de uma cor, do matiz ao cinza. A cor saturada é
simples, quase primitiva, e foi sempre a preferida pelos artistas populares e
17
pelas crianças. Não apresenta complicações, e é explícita e inequívoca;
compõe-se dos matizes primários e secundários. As cores menos saturadas
levam a uma neutralidade cromática, e até mesmo à ausência de cor, sendo
sutis e repousantes.
Escolhi trabalhar com as cores fortes e bem saturadas, pois "quanto
mais intensa ou saturada for a coloração de um objeto ou acontecimento visual,
mais carregado estará de expressão e emoção."(idem).
1.4.1. Cor, Luz e Fluorescência
As cores que vemos na verdade são reflexos da luz. Rocha (2010,
p.02) considera o modo como vemos as cores a partir da própria formação do olho
humano. Segundo Rocha, enxergamos todas as cores através da percepção de
apenas três delas: vermelho, azul e verde. Isso acontece porque temos a chamada
visão tricrômica e, no olho humano, os cones (orgãos sensoriais presentes na retina
que percebem as cores) captam da natureza apenas essas três cores e as
misturam.
Este fenômeno é de fundamental importância para a compreensão
do meu trabalho, que explora a potência da cor em dois modos diferentes, através
da luz branca e da luz negra. As pinturas foram realizadas com tintas fluorescentes.
Esse material tem uma característica específica muito importante,
pois reage de modos diferentes dependendo da iluminação. Na luz branca reflete a
cor real da tinta utilizada. Sob a incidência de luz negra, reage de forma diferente,
produzindo novos tons, que ficam brilhantes. Isso acontece por causa da
propriedade chamada fluorescência.
De acordo com Harris (2002, p.1), a luz negra convencional tem seu
formato parecido com o de uma lâmpada fluorescente com algumas modificações
importantes. Harris explica que a lâmpada fluorescente fornece luz passando
eletricidade por um tubo de gás inerte com uma pequena quantidade de mercúrio.
Os átomos de mercúrio, quando energizados, emitem fótons de luz ultravioleta (cujo
comprimento de onda não podemos enxergar).
18
Para converter essa luz invisível em visível as lâmpadas
fluorescentes são revestidas de fósforo no exterior do tubo. De acordo com Harris
(2002, p.1), quando o fóton atinge um átomo de fósforo ocorre uma troca de energia
que gera a luz fluorescente, isso porque as substâncias fosforosas, quando expostas
à luz também emitem luz. São esses fosforosos os componentes presentes nas
tintas fluorescentes responsáveis pela variação da cor do material sob as diferentes
iluminações.
19
CAPÍTULO II - COMTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS
2.1. Concepção
A criação da instalação Contemporaneidades Pantaneiras se iniciou
no meio de uma prática pessoal. Durante o curso de Artes Visuais percebi que a
prática com que mais me identifico é a pintura. Participei da Oficina de Pintura e
pude experimentar várias propostas e técnicas, e foi na Oficina que pude iniciar
minhas experimentações com pintura utilizando pigmentos fluorescentes.
Desde antes de ingressar no curso de Artes Visuais já produzia
alguns trabalhos plásticos, sempre buscando uma forma de trabalhar, principalmente
com cores fortes e vibrantes, pois sempre percebi que o fator que mais me estimula
a querer produzir arte é poder trabalhar com cor.
Após ter tido contato com a pintura fluorescente, produzi uma série
de pinturas para o trabalho final da Oficina, e, gostando do resultado, decidi que
aquele resultado plástico era o ideal para o meu trabalho de conclusão de curso.
A partir daí comecei a pensar no projeto do trabalho e em formas de
explorar a utilização da fluorescência. A preocupação principal era a forma de expor
os trabalhos, que só revelam o efeito fluorescente quando expostos à luz negra e,
preferencialmente, em um ambiente escuro.
A ideia inicial era continuar a série de pinturas, pintando imagens de
fotografias pessoais que me relembrassem momentos especiais, e fechar a série
com essas memórias, expostas de forma a parecer uma parede cheia de fotografias
especiais e marcantes para mim.
Como já dito, havia a preocupação com a expografia da série, além
do ambiente específico para as pinturas. A partir daí, pensei na criação de um
espaço específico para abrigar os elementos, e então a instalação foi tomando
forma. Vários tipos de estruturas foram pensadas. A ideia era criar uma cabine
escura onde as pinturas poderiam receber a luz negra sem interferência de
nenhuma outra fonte de luz, revelando o efeito fluorescente.
20
Durante o processo de criação da instalação percebi que poderia,
com essa cabine, criar um ambiente que fosse além de paredes expositivas, que
ultrapassasse isso e fosse mais que uma caixa com memórias. Como o trabalho é
autobiográfico, pensei em formas de me colocar cada vez mais dentro dele, expondo
"meu mundo" para o mundo, e comecei a pensar na cabine como uma parte do meu
próprio cérebro, onde as memórias estão todas ali, vivas, brilhando e pulsando como
pensamentos.
Quando cheguei neste ponto da produção, a instalação adquiriu uma
significação além de somente expositiva, o trabalho começou a crescer, pois o
ambiente poderia conter mais que somente pinturas.
Diferente de sua concepção inicial, a instalação
Contemporaneidades Pantaneiras será composta na sua primeira montagem por -
além de pinturas - desenhos, esboços, frases, trechos de músicas, palavras soltas e
uma trilha sonora própria; tudo brilhante, vivo e fluorescente no meio da "escuridão
da mente".
2.2. Pinturas
O processo criativo do trabalho vem se desenvolvendo desde as
primeiras experimentações com pigmentos fluorescentes na Oficina de Pintura. Após
pesquisar e experimentar várias técnicas com materiais fluorescentes, comecei a
pintar com tinta acrílica sobre tela e madeira, e o resultado ficou exatamente o
esperado. O grande problema da tinta acrílica fluorescente é a cobertura fraca, o
que demanda várias camadas até chegar no resultado ideal.
A seguir, descrevo os procedimentos adotados na confecção das
pinturas, exemplificando a partir de uma delas, já que é o mesmo para todas. O
processo de produção das pinturas se inicia com a escolha da fotografia (Fig. 10).
Escolhi fotografias que me remetessem a memórias de experiências e pessoas que
me marcaram de alguma forma durante os últimos anos. A partir da escolha da
fotografia, o processo continua como pode ser visto nas figuras de 8 a 13.
21
Figura 8: fotografia escolhida
Fonte: Acervo pessoal do artista
Figura 9: Desenho da fotografia sobre o suporte (tela)
Fonte: Acervo pessoal do artista
Figura 10: Pintura com pigmento fluorescente
Fonte: Acervo pessoal do artista
22
Figura 11: Pintura do fundo com a cor Azul Ultramar
Fonte: Acervo Pessoal do artista
Figura 12: Pintura dos detalhes com tinta acrílica na cor Violeta Permanente Escuro
Fonte: Acervo Pessoal do artista
As dimensões das telas são variadas, como pode ser visto na figura
13:
23
Figura 13: Telas com dimensões variadas
Fonte: Acervo pessoal do artista
2.3.Desenhos
Os desenhos são painéis feitos sobre papel Paraná, que é um tipo
de papel mais grosso, semelhante ao papelão, porém com acabamento mais
refinado. Escolhi alguns símbolos que representassem gostos pessoais e que, na
minha opinião, podem expressar um lado mais lúdico e onírico da mente.
A confecção dos painéis é feita em três fases. A primeira é a
aplicação de um fundo preto com tinta PVA; a segunda é a criação do desenho com
caneta poska branca, criando o fundo branco necessário para a o pigmento
fluorescente; e a terceira é a cobertura das linhas brancas com caneta marcadora de
texto (que contém pigmentos fluorescentes). As dimensões são variadas, assim
como as pinturas
24
2.4. Estrutura
A criação da estrutura da cabine foi a questão mais complicada de
se resolver no trabalho. O plano inicial era se montar uma caixa retangular com base
quadrada, em que as paredes e teto seriam de MDF e que fosse desmontável, como
pode ser visto na imagem abaixo (Fig. 14):
Figura 14: Primeira maquete digital da instalação
.
Fonte: Acervo pessoal do artista
A dimensão da cabine é de 1,80m x 1,80m na base e 2,20 de altura,
e com essas dimensões o MDF se tornou inviável por conta do preço, do peso e por
não poder ser desmontável.
Após extensa pesquisa por materiais que fossem viáveis, cheguei à
conclusão de que o melhor a se fazer seria construir uma cabine onde as arestas do
retângulo fossem feitas com vigas de madeira, e que estas sejam parafusáveis,
tornando a estrutura desmontável, como pode ser visto nas imagens abaixo:
25
Figura 15: Projeto da Estrutura Desmontável
Fonte: Acervo pessoal do artista
Figura 16: Vigas de madeira montadas
Fonte: Acervo pessoal do artista
Quanto às "paredes" da cabine, o material escolhido foi uma trama
de alambrado (fig. 17), material leve que pode ser retirado e remontado. Para o
isolamento da luz, o lado de fora da cabine é revestido com tecido blackout preto
que cria o ambiente escuro necessário.
26
Figura 17: Trama de Alambrado para o apoio das telas
Fonte: Acervo pessoal do artista
A construção da cabine foi terceirizada, mas acompanhei o processo
para entender a montagem da mesma.
2.5.Trilha
A instalação conta com uma trilha de áudio reproduzida em looping,
sendo seu fim uma volta ao começo do áudio. Foi montada por mim utilizando o
programa de edição Soundforge1
, e contém uma mistura de conversas coletadas
com batidas e sons que foram trabalhados de forma a dificultar o reconhecimento do
que está sendo reproduzido.
A trilha será reproduzida por um pendrive inserido uma caixa de som
pequena presa à estrutura, e será necessário alguém para ligar e desligar
diariamente. Não é uma parte necessária para a realização da instalação, podendo
não estar presente em todas as montagens.
1
Software utilizado em edição de áudio da empresa Sony
27
2.6. Montagem
A montagem da estrutura é dividida em 5 partes: Encaixe das Vigas
de madeira (Fig.18); colocação da trama de alambrado (Fig.19); posicionamento das
luzes; cobertura com tecido(Fig.20); e o posicionamento dos elementos(Fig.21).
Figura 18: Vigas Encaixe das Vigas de Madeira, que devem ser parafusadas.
Fonte: Acervo pessoal do artista
Figura 19: Colocação da trama de alambrado
Fonte: Acervo pessoal do artista
28
Figura 20: Cobertura com tecido
Fonte: Acervo pessoal do artista
Figura 21: Posicionamento dos elementos
Fonte: Acervo Pessoal do artista
29
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A produção da instalação Contemporaneidades Pantaneiras foi um
processo que se iniciou em 2013. Minhas primeiras impressões ao trabalhar com
pintura fluorescente foram bem agradáveis ao meu gosto, e graças a isso, desde
então não parei de pintar utilizando esta técnica.
Desde o início do projeto, já em 2014, fui pesquisando e imaginando
meios de produzir um trabalho cujo resultado estético me satisfizesse, e durante a
produção da instalação percebi que a poética autobiográfica era um bom tema para
carregar essa estética, que vem do meu gosto pessoal pelo uso de cores fortes e
chamativas em meus trabalhos.
O processo foi longo e algumas vezes cansativo, pois além do
desenvolvimento teórico existiu a produção prática, que exigiu muito esforço, já que
a quantidade de pinturas a serem realizadas foi grande. Outras dificuldades também
surgiram durante o trabalho, como a estrutura, que foi o ponto mais difícil de se
resolver. A ideia inicial da estrutura se mostrou inviável e houve a necessidade de
uma grande pesquisa até se chegar a solução aplicada, que pode ser construída em
casa.
O fato de até a estrutura poder ter sido construída em casa é um ponto
importante a se levantar, pois durante toda a produção dos elementos da instalação,
eu sempre quis que tudo (ou o máximo de coisas possíveis) fosse realizado por mim,
pois queria estar o máximo possível dentro do trabalho. Mesmo não sendo eu o
construtor da estrutura, estava ali presente observando e auxiliando a construção.
A junção dessa experiência de produção de todas as partes, com a
pesquisa de artistas que trabalham com arte autobiográfica, fez com que eu
entendesse cada vez mais a instalação como uma parte de mim.
A instalação Contemporaneidades Pantaneiras, apesar de pronta, não
está concluída ainda. É um trabalho que pretendo continuar, e que deve crescer
cada vez mais. Minha intenção é continuar produzindo até poder ocupar uma sala
inteira, criando um grande universo particular com minhas pinturas fluorescentes,
pois essa era a intenção inicial, que acabou não se tornando possível ainda por
questões de tempo e financeiras.
Porém, quanto ao resultado final obtido, posso dizer que estou muito
satisfeito e que o trabalho acabou ficando bem próximo da proposta pensada para a
30
exposição dos trabalhos de conclusão da minha turma. Observei as produções de
meus colegas - alguns acompanho desde o ano passado - e pude ver que, assim
como eles, apesar de todas as dificuldades, meu trabalho saiu do papel e é real.
Ao mostrar as obras para alguns amigos, que ainda não viram o
resultado da instalação, obtive reações bem receptivas, tanto com a ideia quanto
com as pinturas. E esse é um fator estimulante pra mim, pois meu trabalho é isso, eu
sou constituído das minhas lembranças, e cada um que faz parte da minha vida tem
um significado, sua presença construiu algo em mim e me tornou uma nova pessoa,
e a instalação Contemporaneidades Pantaneiras é um meio de mostrar isso ao
mundo.
31
REFERÊNCIAS
AUTOBIOGRAFIA. In: MICHAELIS ONLINE. Disponível em:
<http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-
portugues&palavra=autobiografia>. Acesso em: 22/04/2014.
DEMPSEY, A. Estilos, escolas e movimentos. São Paulo: COSAC NAIFY, 2008
INSTALAÇÃO. In MACVIRTUAL. Disponível em:
<http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo5/instalacao.h
tml>. Acesso em:23/05/2014
DONDIS, D. A. Sintaxe da Linguagem Visual.3. ed. São Paulo: Martins Fontes,
2007.
FARTHING, Stephen. 501 GRANDES ARTISTAS. Tradução: Marcelo Mendes. Rio
de Janeiro: Sextante, 2009.
HARRIS, Tom. Como funciona a luz negra. Tradução: How Stuff Works Brasil. .
2002. Disponível em:
<http://www.aridesa.com.br/servicos/click_professor/italo_reann/3serie_ext_int/como
_funciona_a_luz_negra_aula1.pdf>. Acesso em: 18/set/2013.
INSTALAÇÃO. In: ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL. Disponível em:
<http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=te
rmos_texto&cd_verbete=3648&cd_item=8&cd_idioma=28555> Acesso em:
23/05/2014.
LAGNADO, Lisette. Leonilson: são tantas as verdades. Apresentação Carlos
Eduardo Moreira Ferreira; versão em inglês Adriano Pedrosa, Alberto Dwek, Ann
Puntch e Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1995.
LEONILSON. In ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL. Disponível em:
<http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=a
rtistas_biografia&cd_verbete=2447&cd_item=1&cd_idioma=28555>. Acesso em:
15/05/2014.
MIRANDA, Danilo Santos. Sophie Calle – Cuide de Você. 2009. Disponível em:
<http://www.videobrasil.org.br/sophiecalle/>. Acesso em 15/06/2014.
32
ROCHA, João Carlos. Cor luz, cor pigmento e os sistemas RGB E CMY. São Paulo,
Revista Belas Artes, ano 2, n.3, mai/ago. 2010. São Paulo: Belas Artes. Disponível
em: < http://www.belasartes.br/revistabelasartes/?pagina=player&slug=cor-luz-cor-
pigmento-e-os-sistemas-rgb-e-cmy> Acesso em: 03/09/2013.
ROVINA, Marcia Regina Porto. A poética autobiografica na arte contemporânea.
2008. Dissertação (mestrado) - UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Artes,
Campinas, 2008. Disponível em:
<http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000436288>. Acesso em:
20/04/2014.
SMITH, Edward Lucie. Os Movimentos Artísticos a partir de 1945. 1. ed. São
Paulo: Martins Fontes, 2006.
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  • 1. RODOLFO DE OLIVEIRA PARANGABA CONTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS Instalação com pintura fluorescente Campo Grande - MS 2014
  • 2. RODOLFO DE OLIVEIRA PARANGABA CONTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS Instalação com pintura fluorescente Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Artes Visuais. Orientadora: Profª Mª Priscilla Paula Pessoa Campo Grande - MS 2014
  • 3. RESUMO O presente trabalho trata do processo de criação da obra Contemporaneidades Pantaneiras, uma instalação autobiográfica que explora, principalmente, o uso de pigmentos fluorescentes em pintura e desenho, e como eles reagem sob o brilho da luz negra. O trabalho é constituído da mescla de vários elementos: fotografia, pintura, desenho, frases e trilha sonora, que combinados criam o ambiente planejado, simulando uma parte da mente do artista. Palavras chave: Desenho; Autobiografia; Cor; Luz negra; Mente.
  • 4. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.........................................................................................................................5 CAPÍTULO I - AUTOBIOGRAFIA E ARTE ........................................................................7 1.1. Pantanal Contemporâneo...............................................................................................7 1.2. Produção Autobiográfica em Artes Visuais .................................................................8 1.2.1. Leonilson......................................................................................................................10 1.2.2. Frida Kahlo...................................................................................................................11 1.2.3. Sophie Calle ................................................................................................................13 1.3. Sobre Instalações ..........................................................................................................14 1.4. Sobre Cores....................................................................................................................16 1.4.1. Cor, Luz e Fluorescência...........................................................................................17 CAPÍTULO II - COMTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS.......................................19 2.1. Concepção ......................................................................................................................19 2.2. Pinturas............................................................................................................................20 2.3.Desenhos .........................................................................................................................23 2.4. Estrutura ..........................................................................................................................24 2.5.Trilha .................................................................................................................................26 2.6. Montagem .......................................................................................................................27 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................29 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................31
  • 5. 5 INTRODUÇÃO A obra Contemporaneidades Pantaneiras é uma instalação autobiográfica que explora o uso da luz negra e os efeitos que ela gera sobre pinturas realizadas com tintas que contêm pigmentos fluorescentes. A ideia para este trabalho surgiu já há algum tempo, quando eu ainda experimentava minhas poéticas pessoais na Oficina de Pintura e criei uma série de pinturas feitas com tintas fluorescentes. O tema da série é autobiográfico e surgiu da vontade de representar uma visão mais pessoal da cidade em que vivo - Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Conforme a pesquisa foi se aprofundando, percebi que para obter o resultado esperado precisaria produzir mais que uma série de pinturas, pois minha intenção é fazer com que as pessoas percebam as imagens das minhas memórias a partir do efeito óptico gerado pela pigmentação fluorescente utilizada. Além disso, seria necessário um ambiente específico para que as pinturas pudessem ser iluminadas por luz negra. A partir destes dois pontos, a instalação obteve uma nova significação, funcionando como uma forma de representação da minha mente, onde todos os elementos ali contidos são formas de expressar pensamentos, memórias e sentimentos pessoais. A instalação é constituída da mescla de vários elementos: fotografia, pintura, desenho, frases e trilha sonora, que combinados criaram o ambiente planejado, simulando uma parte da minha mente. O trabalho está dividido em dois capítulos. No primeiro encontram-se todos os referenciais teóricos que serviram de base para a concepção, produção e fundamentação teórica da instalação. Pesquisei artistas que utilizam suas próprias histórias como fonte de inspiração das suas poéticas autobiográficas, e citei aqui os trabalhos de Leonilson, Frida Kahlo e Sophie Calle. Esses artistas criaram, cada um a seu modo, poéticas consistentes que refletem seus mundos interiores, e isso me ajudou muito a encontrar o rumo do meu trabalho, já que existem tantas formas de trabalhar nosso íntimo por meio das artes.
  • 6. 6 Ainda no primeiro capítulo, trato de um dos pontos mais importantes do meu trabalho que é a presença da cor, um fenômeno que sempre me chamou a atenção e me estimulou a querer pintar. Mas não é apenas a cor o ponto chave, e sim o comportamento das cores em relação à iluminação do ambiente. No segundo, estão as informações referentes ao desenvolvimento do processo prático da mesma, com todos os detalhes dos procedimentos e técnicas utilizados na produção das pinturas, dos desenhos, da montagem da estrutura e todos os outros elementos pertencentes à instalação Contemporaneidades Pantaneiras.
  • 7. 7 CAPÍTULO I - AUTOBIOGRAFIA E ARTE 1.1. Pantanal Contemporâneo A obra Contemporaneidades Pantaneiras é uma instalação composta por desenhos e pinturas fluorescentes. Nasceu do meu desejo de realizar um trabalho que explorasse novas possibilidades de se trabalhar com cor em pintura. O segundo passo para a concepção do projeto foi a escolha da temática autobiográfica e da poética a ser trabalhada. O resultado disso foi um trabalho em que as cores utilizadas representam as sensações de minhas memórias e vivências. O nome da obra - Contemporaneidades Pantaneiras - foi escolhido para representar o grupo de pessoas que vive no estado do Mato Grosso do Sul em que eu estou inserido. O termo "contemporâneo" abrange vários significados dentro e fora das Artes Visuais. Na arte contemporânea, [...]há uma diferença radical nos meios de expressão empregados pelos artistas que, desde o nascimento do movimento modernista, mostraram um fascínio pela nova tecnologia. Aos poucos, essa tecnologia passou a dominar as definições atuais de atividade de vanguarda, a ponto de muitos curadores chegarem a menosprezar formas tradicionais como a pintura e a escultura, julgando-as inerentemente não contemporâneas". Agora, quase toda a atenção se volta para a fotografia - fotografia direta, imagens digitalizadas, vídeo e filme, que, por sua vez, apresentam-se frequentemente vinculados a várias formas de arte ambiental e de instalação. Hoje, os teóricos falam sobre o que Rosalind Krauss denominou condição "pós meio de expressão" das artes visuais. O que isso quer dizer é que, além de não haver meios de expressão artística especialmente privilegiados, a escolha deste ou daquele meio específico não tem a menor importância (LUCIE-SMITH, 2006, p.3). Nesse sentido, o trabalho Contemporaneidades Pantaneiras busca fazer uma ponte entre as formas mais tradicionais de arte e as novas possibilidades oferecidas pelo momento contemporâneo e as tecnologias. Vários elementos como a fotografia, a pintura e a luz negra são utilizados para compor a instalação, que busca levar o espectador a um ambiente lúdico e onírico, onde podem "esbarrar em pensamentos" O dicionário online Michaelis (2008) dá para o termo contemporâneo, entre outros significados, "o que é do tempo atual". O termo foi escolhido mais a partir dessa definição geral até do que pelo seu uso habitual no universo da arte, para falar sobre o segmento da arte e das inspirações do Mato
  • 8. 8 Grosso do Sul em que o projeto se encaixa – no qual alguns artistas (incluindo eu) buscam trabalhar suas poéticas de forma a mostrar que o estado do Mato Grosso do Sul é formado sim pelo Pantanal, mas não apenas disso. O nome Contemporaneidades Pantaneiras é uma forma irônica de mostrar a existência do lado mais urbano e boêmio do estado. 1.2. Produção Autobiográfica em Artes Visuais A autobiografia é um assunto recorrente no campo das Artes Visuais, inclusive no momento contemporâneo. Conforme Lucie-Smith (2006, p.159) coloca, [...]foi Beuys quem abriu as portas para uma nova percepção do funcionamento da arte, ou de como ela poderia funcionar, na sociedade contemporânea. No futuro, a arte seria definida de duas formas: por meio de sua relação com a personalidade do artista, da qual era simplesmente uma manifestação visível, e por meio do conteúdo. Ou seja, a arte passaria a proporcionar uma definição da relação do artista com o mundo, relação essa que mudaria continuamente com a evolução do próprio artista; mostraria as alterações ocorridas quando o subjetivo encontrasse o objetivo e vice-versa. O dicionário online Michaelis (2008) define autobiografia como a "narração da vida de uma pessoa, escrita por ela própria". Logo, quando a pesquisa pessoal do artista rebusca a história do mesmo para basear sua produção, sua obra se torna autobiográfica. Naturalmente, nos dias de hoje os artistas - em meio a tantas influências e referências - buscam suas poéticas próprias para terem seu trabalho reconhecido. Neste contexto o "eu" começa a ganhar espaço, pois, segundo Rovina (2008, p.11) o artista deseja uma unidade de si com seu objeto criado. Logo, o foco está no sujeito e no desenvolvimento de seus processos de individuação. Inúmeros artistas, em sua pesquisa pessoal e desenvolvimento de seus trabalhos, buscam inspiração em si mesmos, em suas vidas e histórias, mas isso não resulta necessariamente em uma obra autobiográfica. É importante deixar clara a distinção entre obras autobiográficas e obras que trazem material da vida do artista, mas não necessariamente narram suas histórias pessoais.
  • 9. 9 Um exemplo que deixa clara essa distinção é o trabalho Polvos, da artista brasileira Adriana Varejão. A obra consiste na criação de uma caixa de tintas especiais e uma série de pinturas onde a artista pinta sua própria imagem em vários retratos de si mesma, mas em cada um deles utiliza uma cor de pele diferente criada por ela e contida na caixa de tintas, baseada nas respostas que as pessoas davam ao serem questionadas sobre sua cor em um questionário do senso do IBGE de 1976. Polvo é uma obra que utiliza o autorretrato da artista e não faz menção a sua vida pessoal, pois a poética busca abordar questões raciais. Figura 1: Polvos (série de pinturas). Adriana Varejão. 2004. Exposição na Galeria Fortes Vilaça. Fonte: http://www.fortesvilaca.com.br/exposicoes/2014/402-polvo A autobiografia começa a crescentemente ganhar espaço na produção artística nos anos 1970 e, para Rovina: Essa expansão da narrativa em primeira pessoa segue paralelamente à crise que gerou modificações profundas no gênero autobiográfico literário. Para além de uma autobiografia tradicional que se documenta numa fechada e determinada classe social e política, a crítica literária dos anos cinqüenta do século XX amplia seu foco para os grupos minoritários cujos trabalhos apontavam necessidades de mudanças sociais onde o protagonista está inserido nas questões identitárias de seu tempo. (ROVINA, 2008, p.26). A partir daí, o artista contemporâneo, que se permite ser o "protagonista" e o seu próprio "juíz", se abre para muitos métodos diferentes de se representar e, segundo Rovina (2008), "não há a reprodução de uma vida, mas um constante estado de recriação desta, tornando o limite entre autobiografia e ficção quase indistinto."
  • 10. 10 Com o poder de se definir e de se narrar, o artista passa a dar espaço para a sua própria vida e história. Toda a sua carga de vivência, experiência, emoções e sentimentos agora se transformam na pauta da sua produção artística com uma poética muito mais íntima. Cada artista tem sua própria forma de contar sua história, tanto em questões de linguagens e técnicas quanto no relato dos fatos em si. Destaquei três artistas cujas obras refletem suas próprias histórias e que serviram de referência para meu trabalho: Leonilson, com sua poética completamente voltada para sua vida; Frida Kahlo, que utiliza muito a pintura para contar suas experiências e Sophie Calle, que criou uma instalação a partir de uma situação que vivenciou. 1.2.1. Leonilson José Leonilson Bezerra Dias, nascido em Fortaleza, no Ceará em 1957, era pintor, desenhista, escultor e fazia instalações. Mudou-se para São Paulo e estudou Educação Artística na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). De acordo com a crítica Lisette Lagnado (1995), "cada peça realizada pelo artista é construída como uma carta para um diário íntimo", que vem "da necessidade de registrar sua subjetividade". Leonilson elaborou seu trabalho de forma a criar símbolos próprios que sempre rebuscou, até o fim da vida, como o livro aberto, a torre, o radar, o átomo, o coração, a espiral, o relógio, a bússola e a ampulheta, entre outros. Segundo a biografia do artista na Enciclopédia Virtual Itaú Cultural (2013), em 1989 introduz o bordado em suas obras, elemento este que remete ao fato de ser filho de um comerciante de tecidos e do gosto de sua mãe por bordar. De 1984 em diante começa a produzir desenhos e pinturas com formas orgânicas que remetem ao corpo. Através das palavras que começa a utilizar em suas obras, manifesta sua intimidade: "alegre", "tímido", "solitário", "hipócrita", "deslocado", "cheio e vazio", "cético", "ansioso" ou "confuso". Descobre-se portador do vírus HIV em 1991, fato este que domina sua obra a partir de então. Produz uma série de desenhos que ironizam sua condição, utilizando-se de elementos como o seu próprio sangue contaminado e signos da simbologia cristã.
  • 11. 11 A obra de Leonilson (como podemos verificar nas Figs. 2 e 3) é impregnada de intimidade e vai relacionando cada vez mais os símbolos e objetos que utiliza em suas pinturas, instalações, bordados, gravuras e esculturas com seu mundo interior. Figura 2: Os pensamentos do coração. Leonilson. Acrílica sobre lona. 48x58cm. 1988. Coleção Família Bezerra Dias (São Paulo, SP) Fonte: http://www.itaucultural.org.br/bcodeimagens/imagens_publico/013302175289.jpg Figura 3: São tantas as verdades. Leonilson. Acrílica. pedras semi preciosas bordadas e fio de cobre sobre lona. 213x106 cm. 1988. Coleção Particular. Fonte: http://www.itaucultural.org.br/bcodeimagens/imagens_publico/013302175659.jpg 1.2.2. Frida Kahlo Frida Kahlo é uma artista mexicana que utilizava assuntos de sua vida pessoal como principais temas para suas pinturas. Nasceu em Coyoacán, no México, e defendia o resgate cultural do passado pré-colombiano mexicano e das tradições locais.
  • 12. 12 Aos 18 anos sofreu um grave acidente rodoviário, que quase a matou. Durante sua recuperação, como estava imobilizada por gesso, começou a pintar como forma de passatempo. Conforme Farthing (2009, p.417), Frida Khalo produziu quase 150 pinturas em vida, descrevendo através delas sua visão da vida entre embates pessoais e políticos. Foi casada com Diego Rivera, mas os dois viviam relações extraconjugais. Rivera relacionou-se inclusive com a irmã de Frida. A obra As duas Fridas (Fig.4) retrata duas versões da artista. Uma delas veste roupas tradicionais mexicanas e tem o coração inteiro, representando a mulher que Rivera amava. A outra veste roupas de casamento e possui o coração dilacerado e sangrando, representando sua dor. Figura 4: As duas Fridas. Frida Kahlo. Óleo sobre tela. 173,5 cm x173 cm. 1939. Museu de Arte Moderna da Cidade do México. Fonte: http://surrealismodoacaso.files.wordpress.com/2009/05/frida-kahlo-as-duas-fridas.jpg Segundo Farthing, Entre 1926 e 1954, Frida buscou inspiração nas experiências de vida mais íntimas, muitas vezes dolorosas. Os inúmeros autorretratos desse período evidenciam seu fascínio pela identidade e pelas máscaras, e as paisagens mortas podem ser interpretadas como manifestações visuais do orgulho nacional.(FARTHING, 2009, p.417) Frida abordou os temas que mais a afligiam em suas obras. Entre eles, retratou a solidão e a dor que sentiu após seu acidente na obra O hospital Henry Ford (1932 - Fig.5) o trauma de ter sofrido muitos abortos e não poder ter filhos na obra O meu nascimento (1932); e a dor da descoberta do caso extra conjugal que seu marido Diego Rivera mantinha com a irmã de Frida na obra O coração (1937).
  • 13. 13 Figura 5: O Hospital Henry Ford, ou Cama Voadora . Frida Kahlo. Óleo sobre metal. 77,5 x 96,5. 1932. Coleção Fundaçao Dolores Olmedo (México) Fonte: http://0.tqn.com/d/arthistory/1/0/Q/1/1/Frida-Kahlo-Henry-Ford-Hospital-1932.jpg 1.2.3. Sophie Calle Sophie Calle é uma artista francesa nascida em Paris em 1953. Calle não tem formação artística e escolheu a arte para agradar ao pai. A própria artista define seu trabalho como autobiográfico. Nas palavras de Calle: "O que diferencia muitos de meus trabalhos é o fato de que eles são, também, minha vida. Eles aconteceram." De acordo com a biografia da artista, Sophie Calle é conhecida no mundo da arte e para além dele por uma obra que despreza as fronteiras regulares entre ficção e realidade, público e privado, arte e vida. Literários na essência, ainda que usem meios diversos e tomem distintas formas, seus trabalhos nascem ora do exercício destemido de uma curiosidade sobre o outro que beira o voyeuristico (e, por vezes, o abusivo), ora da vontade de transformar dores reais em uma sofisticada modalidade de catarse. De forma recorrente, expõem a vulnerabilidade humana sob o signo do desejo. (SOPHIE CALLE. In: VIDEOBRASIL) Cuide de você é uma instalação, montada pela primeira vez na Bienal de Veneza, em 2007. Surgiu de uma situação pessoal da artista, que recebeu um e-mail de término de relacionamento de seu até então namorado. O e-mail terminava com as palavras "Cuide de você". Calle transformou essas palavras em um trabalho único, que de acordo com Miranda (2009), "é um exemplo expandido e grandioso de como se sobrepõem, no trabalho de Sophie Calle, a experiência comum da vulnerabilidade humana [...]".
  • 14. 14 Nas palavras da própria artista: Recebi uma carta de rompimento. E não soube respondê-la. Era como se ela não me fosse destinada. Ela terminava com as seguintes palavras: "Cuide de você". Levei essa recomendação ao pé da letra. Convidei 107 mulheres, escolhidas de acordo com a profissão, para interpretar a carta. Analisá-la, comentá-la, dançá-la, cantá-la. Esgotá-la. Entendê-la em meu lugar. Responder por mim. Era uma maneira de ganhar tempo antes de romper. Uma maneira de cuidar de mim. A artista coletou as reações de 107 mulheres sobre a carta recebida e montou então a instalação Cuide de Você. Figura 6: Projeção da carta que deu origem a Cuide de Você sobre Sophie Calle Fonte: http://www.dobrasvisuais.com.br/wp-content/uploads/2009/08/post09_sophie_calle01.jpg Figura 7: Instalação Cuide de Você Fonte: http://fergolina.files.wordpress.com/2010/02/sophie.jpg 1.3. Sobre Instalações
  • 15. 15 Inicialmente meu trabalho se constituía de uma série de pinturas. Ao decorrer do desenvolvimento do mesmo, percebi que para alcançar o resultado esperado foi necessário pensar na construção de um ambiente específico que garantisse que as obras fossem expostas de forma a revelar o efeito fluorescente presente nas pinturas. O que era uma série de pinturas se transformou então em uma instalação. Conforme a Enciclopédia virtual do Itaú Cultural: O termo instalação é incorporado ao vocabulário das Artes Visuais na década de 1960, designando assemblage ou ambiente construído em espaços de galerias e museus. As dificuldades de definir os contornos específicos de uma instalação datam de seu início e talvez permaneçam até hoje. [...] As ambigüidades que apresentam desde a origem não podem ser esquecidas, tampouco devem afastar o esforço de pensar as particularidades dessa modalidade de produção artística que lança a obra no espaço, com o auxílio de materiais muito variados, na tentativa de construir um certo ambiente ou cena, cujo movimento é dado pela relação entre objetos, construções, o ponto de vista e o corpo do observador. Para a apreensão da obra é preciso percorrê-la, passar entre suas dobras e aberturas, ou simplesmente caminhar pelas veredas e trilhas que ela constrói por meio da disposição das peças, cores e objetos. (INSTALAÇÃO. In ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL, 2010) De acordo com Dempsey (2008, p.250), até a década de 1960 as instalações eram feitas basicamente para dar tridimensionalidade às pinturas e foram ganhando espaço até que, na virada do século, acabaram se tornando muito populares entre os artistas. Sobre as diversas possibilidades oferecidas pelas instalações: A Instalação, enquanto poética artística permite uma grande possibilidade de suportes, a gama variada de possibilidades, em sua realização pode integrar recursos de multimeios, por exemplo, videoarte, caracterizando-se em uma videoinstalação Esta abertura de formatos e meios faz com que esta modalidade se situe de forma totalmente confortável na produção artística contemporânea, já que a Arte Contemporânea tem como característica o questionamento do próprio espaço e do tempo. (INSTALAÇÃO. In: MACVIRTUAL) Todas essas possibilidades fazem com que a obra se torne muito mais ampla e completa, explorando novos sentidos e sensações, transformando o espectador em participador: [...] Esta participação ativa em relação à obra faz com que a fruição da mesma se dê de forma plena e arrebatadora, o que em muitos casos pode
  • 16. 16 até mesmo tornar esta experiência incômoda e perturbadora. A necessidade de mexer com os sentidos do público, de instigá-lo, quase obrigá-lo, a experimentar sensações, sejam agradáveis ou incômodas, faz da Instalação um espelho de nosso tempo. (INSTALAÇÃO. In: MACVIRTUAL) A instalação - com sua possibilidade de mesclar vários suportes, técnicas e materiais - se tornou a solução para o trabalho, que assim pode ser vivenciado, e não apenas observado. 1.4. Sobre Cores A cor é um ponto fundamental em meu trabalho, tanto pelo valor estético quanto emocional. Segundo Dondis, É possível pensar na cor como o glacê estético do bolo, saboroso e útil em muitos aspectos, mas não absolutamente necessário para a criação de mensagens visuais. Esta seria uma visão muito superficial da questão. A cor está, de fato, impregnada de informação, e é uma das mais penetrantes experiências visuais que temos todos em comum. Constitui, portanto, uma fonte de valor inestimável para os comunicadores visuais. (DONDIS, 2007, p.64). Ainda de acordo com Dondis (2007, p.65), "a cor tem três dimensões que podem ser definidas e medidas", sendo elas: Matiz, Saturação e o brilho relativo. As pinturas presentes em meu trabalho foram trabalhadas através da utilização de duas dessas dimensões: A matiz e a saturação. A matiz é a própria cor em si. Dondis (2007, p.65) fala sobre a existência das três matizes primarias (vermelho, azul e amarelo). De acordo com a autora "o amarelo é a cor que se considera mais próxima da luz e do calor; o vermelho é a mais ativa e emocional; o azul é passivo e suave. O amarelo e o vermelho tendem a expandir-se; o azul, a contrair-se". Para a realização das pinturas escolhi principalmente matizes variantes do azul e do vermelho, que foram aplicadas de forma a criar um alto contraste entre os tons. A segunda dimensão da cor é a saturação, que segundo Dondis (2007, p.66): [...] é a pureza relativa de uma cor, do matiz ao cinza. A cor saturada é simples, quase primitiva, e foi sempre a preferida pelos artistas populares e
  • 17. 17 pelas crianças. Não apresenta complicações, e é explícita e inequívoca; compõe-se dos matizes primários e secundários. As cores menos saturadas levam a uma neutralidade cromática, e até mesmo à ausência de cor, sendo sutis e repousantes. Escolhi trabalhar com as cores fortes e bem saturadas, pois "quanto mais intensa ou saturada for a coloração de um objeto ou acontecimento visual, mais carregado estará de expressão e emoção."(idem). 1.4.1. Cor, Luz e Fluorescência As cores que vemos na verdade são reflexos da luz. Rocha (2010, p.02) considera o modo como vemos as cores a partir da própria formação do olho humano. Segundo Rocha, enxergamos todas as cores através da percepção de apenas três delas: vermelho, azul e verde. Isso acontece porque temos a chamada visão tricrômica e, no olho humano, os cones (orgãos sensoriais presentes na retina que percebem as cores) captam da natureza apenas essas três cores e as misturam. Este fenômeno é de fundamental importância para a compreensão do meu trabalho, que explora a potência da cor em dois modos diferentes, através da luz branca e da luz negra. As pinturas foram realizadas com tintas fluorescentes. Esse material tem uma característica específica muito importante, pois reage de modos diferentes dependendo da iluminação. Na luz branca reflete a cor real da tinta utilizada. Sob a incidência de luz negra, reage de forma diferente, produzindo novos tons, que ficam brilhantes. Isso acontece por causa da propriedade chamada fluorescência. De acordo com Harris (2002, p.1), a luz negra convencional tem seu formato parecido com o de uma lâmpada fluorescente com algumas modificações importantes. Harris explica que a lâmpada fluorescente fornece luz passando eletricidade por um tubo de gás inerte com uma pequena quantidade de mercúrio. Os átomos de mercúrio, quando energizados, emitem fótons de luz ultravioleta (cujo comprimento de onda não podemos enxergar).
  • 18. 18 Para converter essa luz invisível em visível as lâmpadas fluorescentes são revestidas de fósforo no exterior do tubo. De acordo com Harris (2002, p.1), quando o fóton atinge um átomo de fósforo ocorre uma troca de energia que gera a luz fluorescente, isso porque as substâncias fosforosas, quando expostas à luz também emitem luz. São esses fosforosos os componentes presentes nas tintas fluorescentes responsáveis pela variação da cor do material sob as diferentes iluminações.
  • 19. 19 CAPÍTULO II - COMTEMPORANEIDADES PANTANEIRAS 2.1. Concepção A criação da instalação Contemporaneidades Pantaneiras se iniciou no meio de uma prática pessoal. Durante o curso de Artes Visuais percebi que a prática com que mais me identifico é a pintura. Participei da Oficina de Pintura e pude experimentar várias propostas e técnicas, e foi na Oficina que pude iniciar minhas experimentações com pintura utilizando pigmentos fluorescentes. Desde antes de ingressar no curso de Artes Visuais já produzia alguns trabalhos plásticos, sempre buscando uma forma de trabalhar, principalmente com cores fortes e vibrantes, pois sempre percebi que o fator que mais me estimula a querer produzir arte é poder trabalhar com cor. Após ter tido contato com a pintura fluorescente, produzi uma série de pinturas para o trabalho final da Oficina, e, gostando do resultado, decidi que aquele resultado plástico era o ideal para o meu trabalho de conclusão de curso. A partir daí comecei a pensar no projeto do trabalho e em formas de explorar a utilização da fluorescência. A preocupação principal era a forma de expor os trabalhos, que só revelam o efeito fluorescente quando expostos à luz negra e, preferencialmente, em um ambiente escuro. A ideia inicial era continuar a série de pinturas, pintando imagens de fotografias pessoais que me relembrassem momentos especiais, e fechar a série com essas memórias, expostas de forma a parecer uma parede cheia de fotografias especiais e marcantes para mim. Como já dito, havia a preocupação com a expografia da série, além do ambiente específico para as pinturas. A partir daí, pensei na criação de um espaço específico para abrigar os elementos, e então a instalação foi tomando forma. Vários tipos de estruturas foram pensadas. A ideia era criar uma cabine escura onde as pinturas poderiam receber a luz negra sem interferência de nenhuma outra fonte de luz, revelando o efeito fluorescente.
  • 20. 20 Durante o processo de criação da instalação percebi que poderia, com essa cabine, criar um ambiente que fosse além de paredes expositivas, que ultrapassasse isso e fosse mais que uma caixa com memórias. Como o trabalho é autobiográfico, pensei em formas de me colocar cada vez mais dentro dele, expondo "meu mundo" para o mundo, e comecei a pensar na cabine como uma parte do meu próprio cérebro, onde as memórias estão todas ali, vivas, brilhando e pulsando como pensamentos. Quando cheguei neste ponto da produção, a instalação adquiriu uma significação além de somente expositiva, o trabalho começou a crescer, pois o ambiente poderia conter mais que somente pinturas. Diferente de sua concepção inicial, a instalação Contemporaneidades Pantaneiras será composta na sua primeira montagem por - além de pinturas - desenhos, esboços, frases, trechos de músicas, palavras soltas e uma trilha sonora própria; tudo brilhante, vivo e fluorescente no meio da "escuridão da mente". 2.2. Pinturas O processo criativo do trabalho vem se desenvolvendo desde as primeiras experimentações com pigmentos fluorescentes na Oficina de Pintura. Após pesquisar e experimentar várias técnicas com materiais fluorescentes, comecei a pintar com tinta acrílica sobre tela e madeira, e o resultado ficou exatamente o esperado. O grande problema da tinta acrílica fluorescente é a cobertura fraca, o que demanda várias camadas até chegar no resultado ideal. A seguir, descrevo os procedimentos adotados na confecção das pinturas, exemplificando a partir de uma delas, já que é o mesmo para todas. O processo de produção das pinturas se inicia com a escolha da fotografia (Fig. 10). Escolhi fotografias que me remetessem a memórias de experiências e pessoas que me marcaram de alguma forma durante os últimos anos. A partir da escolha da fotografia, o processo continua como pode ser visto nas figuras de 8 a 13.
  • 21. 21 Figura 8: fotografia escolhida Fonte: Acervo pessoal do artista Figura 9: Desenho da fotografia sobre o suporte (tela) Fonte: Acervo pessoal do artista Figura 10: Pintura com pigmento fluorescente Fonte: Acervo pessoal do artista
  • 22. 22 Figura 11: Pintura do fundo com a cor Azul Ultramar Fonte: Acervo Pessoal do artista Figura 12: Pintura dos detalhes com tinta acrílica na cor Violeta Permanente Escuro Fonte: Acervo Pessoal do artista As dimensões das telas são variadas, como pode ser visto na figura 13:
  • 23. 23 Figura 13: Telas com dimensões variadas Fonte: Acervo pessoal do artista 2.3.Desenhos Os desenhos são painéis feitos sobre papel Paraná, que é um tipo de papel mais grosso, semelhante ao papelão, porém com acabamento mais refinado. Escolhi alguns símbolos que representassem gostos pessoais e que, na minha opinião, podem expressar um lado mais lúdico e onírico da mente. A confecção dos painéis é feita em três fases. A primeira é a aplicação de um fundo preto com tinta PVA; a segunda é a criação do desenho com caneta poska branca, criando o fundo branco necessário para a o pigmento fluorescente; e a terceira é a cobertura das linhas brancas com caneta marcadora de texto (que contém pigmentos fluorescentes). As dimensões são variadas, assim como as pinturas
  • 24. 24 2.4. Estrutura A criação da estrutura da cabine foi a questão mais complicada de se resolver no trabalho. O plano inicial era se montar uma caixa retangular com base quadrada, em que as paredes e teto seriam de MDF e que fosse desmontável, como pode ser visto na imagem abaixo (Fig. 14): Figura 14: Primeira maquete digital da instalação . Fonte: Acervo pessoal do artista A dimensão da cabine é de 1,80m x 1,80m na base e 2,20 de altura, e com essas dimensões o MDF se tornou inviável por conta do preço, do peso e por não poder ser desmontável. Após extensa pesquisa por materiais que fossem viáveis, cheguei à conclusão de que o melhor a se fazer seria construir uma cabine onde as arestas do retângulo fossem feitas com vigas de madeira, e que estas sejam parafusáveis, tornando a estrutura desmontável, como pode ser visto nas imagens abaixo:
  • 25. 25 Figura 15: Projeto da Estrutura Desmontável Fonte: Acervo pessoal do artista Figura 16: Vigas de madeira montadas Fonte: Acervo pessoal do artista Quanto às "paredes" da cabine, o material escolhido foi uma trama de alambrado (fig. 17), material leve que pode ser retirado e remontado. Para o isolamento da luz, o lado de fora da cabine é revestido com tecido blackout preto que cria o ambiente escuro necessário.
  • 26. 26 Figura 17: Trama de Alambrado para o apoio das telas Fonte: Acervo pessoal do artista A construção da cabine foi terceirizada, mas acompanhei o processo para entender a montagem da mesma. 2.5.Trilha A instalação conta com uma trilha de áudio reproduzida em looping, sendo seu fim uma volta ao começo do áudio. Foi montada por mim utilizando o programa de edição Soundforge1 , e contém uma mistura de conversas coletadas com batidas e sons que foram trabalhados de forma a dificultar o reconhecimento do que está sendo reproduzido. A trilha será reproduzida por um pendrive inserido uma caixa de som pequena presa à estrutura, e será necessário alguém para ligar e desligar diariamente. Não é uma parte necessária para a realização da instalação, podendo não estar presente em todas as montagens. 1 Software utilizado em edição de áudio da empresa Sony
  • 27. 27 2.6. Montagem A montagem da estrutura é dividida em 5 partes: Encaixe das Vigas de madeira (Fig.18); colocação da trama de alambrado (Fig.19); posicionamento das luzes; cobertura com tecido(Fig.20); e o posicionamento dos elementos(Fig.21). Figura 18: Vigas Encaixe das Vigas de Madeira, que devem ser parafusadas. Fonte: Acervo pessoal do artista Figura 19: Colocação da trama de alambrado Fonte: Acervo pessoal do artista
  • 28. 28 Figura 20: Cobertura com tecido Fonte: Acervo pessoal do artista Figura 21: Posicionamento dos elementos Fonte: Acervo Pessoal do artista
  • 29. 29 CONSIDERAÇÕES FINAIS A produção da instalação Contemporaneidades Pantaneiras foi um processo que se iniciou em 2013. Minhas primeiras impressões ao trabalhar com pintura fluorescente foram bem agradáveis ao meu gosto, e graças a isso, desde então não parei de pintar utilizando esta técnica. Desde o início do projeto, já em 2014, fui pesquisando e imaginando meios de produzir um trabalho cujo resultado estético me satisfizesse, e durante a produção da instalação percebi que a poética autobiográfica era um bom tema para carregar essa estética, que vem do meu gosto pessoal pelo uso de cores fortes e chamativas em meus trabalhos. O processo foi longo e algumas vezes cansativo, pois além do desenvolvimento teórico existiu a produção prática, que exigiu muito esforço, já que a quantidade de pinturas a serem realizadas foi grande. Outras dificuldades também surgiram durante o trabalho, como a estrutura, que foi o ponto mais difícil de se resolver. A ideia inicial da estrutura se mostrou inviável e houve a necessidade de uma grande pesquisa até se chegar a solução aplicada, que pode ser construída em casa. O fato de até a estrutura poder ter sido construída em casa é um ponto importante a se levantar, pois durante toda a produção dos elementos da instalação, eu sempre quis que tudo (ou o máximo de coisas possíveis) fosse realizado por mim, pois queria estar o máximo possível dentro do trabalho. Mesmo não sendo eu o construtor da estrutura, estava ali presente observando e auxiliando a construção. A junção dessa experiência de produção de todas as partes, com a pesquisa de artistas que trabalham com arte autobiográfica, fez com que eu entendesse cada vez mais a instalação como uma parte de mim. A instalação Contemporaneidades Pantaneiras, apesar de pronta, não está concluída ainda. É um trabalho que pretendo continuar, e que deve crescer cada vez mais. Minha intenção é continuar produzindo até poder ocupar uma sala inteira, criando um grande universo particular com minhas pinturas fluorescentes, pois essa era a intenção inicial, que acabou não se tornando possível ainda por questões de tempo e financeiras. Porém, quanto ao resultado final obtido, posso dizer que estou muito satisfeito e que o trabalho acabou ficando bem próximo da proposta pensada para a
  • 30. 30 exposição dos trabalhos de conclusão da minha turma. Observei as produções de meus colegas - alguns acompanho desde o ano passado - e pude ver que, assim como eles, apesar de todas as dificuldades, meu trabalho saiu do papel e é real. Ao mostrar as obras para alguns amigos, que ainda não viram o resultado da instalação, obtive reações bem receptivas, tanto com a ideia quanto com as pinturas. E esse é um fator estimulante pra mim, pois meu trabalho é isso, eu sou constituído das minhas lembranças, e cada um que faz parte da minha vida tem um significado, sua presença construiu algo em mim e me tornou uma nova pessoa, e a instalação Contemporaneidades Pantaneiras é um meio de mostrar isso ao mundo.
  • 31. 31 REFERÊNCIAS AUTOBIOGRAFIA. In: MICHAELIS ONLINE. Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues- portugues&palavra=autobiografia>. Acesso em: 22/04/2014. DEMPSEY, A. Estilos, escolas e movimentos. São Paulo: COSAC NAIFY, 2008 INSTALAÇÃO. In MACVIRTUAL. Disponível em: <http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo5/instalacao.h tml>. Acesso em:23/05/2014 DONDIS, D. A. Sintaxe da Linguagem Visual.3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. FARTHING, Stephen. 501 GRANDES ARTISTAS. Tradução: Marcelo Mendes. Rio de Janeiro: Sextante, 2009. HARRIS, Tom. Como funciona a luz negra. Tradução: How Stuff Works Brasil. . 2002. Disponível em: <http://www.aridesa.com.br/servicos/click_professor/italo_reann/3serie_ext_int/como _funciona_a_luz_negra_aula1.pdf>. Acesso em: 18/set/2013. INSTALAÇÃO. In: ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=te rmos_texto&cd_verbete=3648&cd_item=8&cd_idioma=28555> Acesso em: 23/05/2014. LAGNADO, Lisette. Leonilson: são tantas as verdades. Apresentação Carlos Eduardo Moreira Ferreira; versão em inglês Adriano Pedrosa, Alberto Dwek, Ann Puntch e Kevin M. Benson Mundy. São Paulo: Galeria de Arte do Sesi, 1995. LEONILSON. In ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL. Disponível em: <http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=a rtistas_biografia&cd_verbete=2447&cd_item=1&cd_idioma=28555>. Acesso em: 15/05/2014. MIRANDA, Danilo Santos. Sophie Calle – Cuide de Você. 2009. Disponível em: <http://www.videobrasil.org.br/sophiecalle/>. Acesso em 15/06/2014.
  • 32. 32 ROCHA, João Carlos. Cor luz, cor pigmento e os sistemas RGB E CMY. São Paulo, Revista Belas Artes, ano 2, n.3, mai/ago. 2010. São Paulo: Belas Artes. Disponível em: < http://www.belasartes.br/revistabelasartes/?pagina=player&slug=cor-luz-cor- pigmento-e-os-sistemas-rgb-e-cmy> Acesso em: 03/09/2013. ROVINA, Marcia Regina Porto. A poética autobiografica na arte contemporânea. 2008. Dissertação (mestrado) - UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Artes, Campinas, 2008. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000436288>. Acesso em: 20/04/2014. SMITH, Edward Lucie. Os Movimentos Artísticos a partir de 1945. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
  • 33. 33
  • 34. 34
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