Vargas, andréia terrazas

513 visualizações

Publicada em

  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Vargas, andréia terrazas

  1. 1. 1ANDRÉIA TERRAZAS VARGASO PRODUTO? UM CULTO AO CONSUMO.UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SULDEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E ARTECURSO DE ARTES VISUAIS - BACHARELADOCAMPO GRANDE - MS2013
  2. 2. 2ANDRÉIA TERRAZAS VARGASO PRODUTO? UM CULTO AO CONSUMO.Relatório apresentado como exigência parcial paraa obtenção do grau de Bacharel em Artes Visuaisà Banca Examinadora, da Universidade Federalde Mato Grosso do Sul, sob a orientação do Prof.Elomar Bakonyi.UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SULDEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO E ARTECURSO DE ARTES VISUAIS - BACHARELADOCAMPO GRANDE - MS2013
  3. 3. 3ANDRÉIA TERRAZAS VARGASO PRODUTO? UM CULTO AO CONSUMO.Campo Grande, MS _____de _______________________ de 2013.COMISSÃO EXAMINADORA____________________________________________Profº. Elomar BakonyiUniversidade Federal de Mato Grosso do Sul____________________________________________Profª Sirlene Covre LemeUniversidade Federal de Mato Grosso do Sul____________________________________________Profª Zilá SoaresArtista Plástica Convidada
  4. 4. 4"...Se uma pessoa perguntar durante meiahora "eu", essa pessoa se esquece quemé. Outras podem enlouquecer. É maisseguro não fazer jamais perguntas -porque nunca se atinge o âmago de umaresposta. E porque a resposta traz em sioutra pergunta."Clarice Lispector
  5. 5. 5AGRADECIMENTOSAcima de tudo agradeço a Deus. “Sonho parece verdade quando a genteesquece de acordar.”Hoje, vivo uma realidade que parece um sonho, mais foi preciso muitoesforço, determinação, paciência, perseverança, ousadia e maleabilidade parafinalmente chegar até aqui, e nada disso eu conseguiria sozinha.É difícil agradecer todas as pessoas que de algum modo, fizeram ou fazemparte da minha vida, sendo assim primeiramente agradeço a todos.Agradeço a todos aqueles que colaboraram para que este sonho pudesse serconcretizado.Agradeço os meus pais, Silvio e Carmen pela determinação e luta pelaformação tanto acadêmica quanto moral.Agradeço aos meus irmãos que por mais difícil que fossem as circunstanciasestiveram sempre ao meu lado me amparando e me ajudando.Aos meus amigos, que mesmo quando distantes estiveram sempre presentesem minha vida.E é claro, não podia faltar, agradeço ao meu orientador – Elomar Bakonyi.
  6. 6. 6RESUMOA moda como conceito fruto de uma sociedade impensante, onde um grupo seletoutiliza-se da arte como meio para fazer a massa indiferente ser forçada a pensar. Ouso de uma instalação, um modo de arte contemporânea como forma de demonstraro corpo como um objeto de desejo e de consumo, algo que acontece cada vez maisno mundo capitalista. Para meio de demonstração utiliza-se a moda da década de80, visto que esta foi a grande revolução quando em meio a uma crise econômicahouve um aumento de consumo de roupas e acessórios, como forma de demonstrarum status e valorizar a pessoa mesmo que ilusoriamente.PALAVRAS CHAVE: instalação, consumo, objeto e desejo.
  7. 7. 7SUMÁRIOLISTA DE FIGURA....................................................................................................08INTRODUÇÃO...........................................................................................................12CAP. I DESENVOLVIMENTO TEORICO1.1 A MODA NA ARTE CONTEMPORANEA.............................................................141.2 ARTE CONTEMPORANEA..................................................................................171.2.1 INSTALAÇAO..................................................................................................171.3 TENDENCIA CONCEITUAL ...............................................................................191.3.1 HISTORIA DA MODA......................................................................................221.3.2 ANOS 80 - OS CRIADORES DO PRÊT-À-PORTER......................................23CAP.II METODOLOGIA2.1DA MODA A INSTALAÇÃO..................................................................................272.2PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS.............................................................282.2.1 MONTAGEM DA OBRA....................................................................................29CAP.III SOBRE A OBRA3.1 ANÁLISE DA OBRA.............................................................................................33CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................35BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................36
  8. 8. 8LISTA DE FIGURASFigura 01 – Vik Muniz: Monalisa feita de pasta de amendo-im................................................................................................................................14Figura 02 – Vik Muniz: e foto do vídeo clipe da abertura da nove-la “Passione”...............................................................................................................14Figura 03 - Guerra de La Paz.....................................................15Figura 04 – Soundsuits...............................................................16Figura 05 – Marcelo Sommer: Vestido Vermelho.......................16Figura 06– Duchamp: Roda de Bicicleta (1913)........................18Figura 07– Duchamp: A fonte.....................................................20
  9. 9. 9Figura 08 – Joseph Kosuth: Um e três cadeiras (1965).............21Figura 09 - Joseph Kosuth: Um e três cadeiras (165)..............21Figura 10 – Coco Chanel...........................................................22Figura 11 – Princesa Diana.....................................................23Figura 12 – Xuxa........................................................................24Figura 13 – Exemplo de cores....................................................25Figura 14 - Foto tirada em 1987 para um editorial da revista Desfi-le.................................................................................................................................27
  10. 10. 10Figura 15 – Modelo de oratório..................................................29Figura 16 – Guarda Roupas.......................................................29Figura 17– Guarda roupa revestido com cobertores.................30Figura 18– Acumulo de peças...................................................30Figura 19- Guarda roupa revestido com as peças.....................31Figura 20 – Espelho...................................................................31
  11. 11. 11Figura 21 – Primeiro teste espelho............................................32Figura 22 – Ultimo teste/ Obra concluída........................32
  12. 12. 12INTRODUÇÃOAtravés de pesquisas realizadas acerca da história da moda e sua toda trans-formação, avalia-se a revolução da moda durante todo o século XX, assim ela setorna intensamente apropriada para transmitir a sensibilidade da busca de ideais debeleza feminina e assim transpor para a instalação.Com o conhecimento da história da moda num período em que ela tornava-secada vez mais importante, alcançando seu auge na década de 80, tanto de maneiracultural quanto economicamente, e começou a ser vista como fator fundamental paraa compreensão da sociedade contemporânea. Assim as roupas tornam-se reflexosde cada época. Esse tema é sensível e muito fascinante e está longe de ser fútil,constituindo um espelho fiel das mudanças sociais e culturais que ocorreram nesteséculo. Sem contar que a cada mais a intervenção da arte por estilistas vem virandomoda, então porque não fazer o contrario e fazer uso da moda para inserção dequestionamentos e compreensão da arte. A opção pela instalação veio de uma bus-ca por uma maneira de interação do espectador com a obra de forma plena, estabe-lecendo assim uma maior compreensão do conceito nela inserido, o qual no momen-to em que o espectador de depara diante ao culto ao consumo, ele se encontra noquestionamento de quem realmente é o produto ali cultuado. Ele passa de especta-dor a parte essencial a obra.Este relatório esta dividido em três capítulos subdivididos.No primeiro capitulo, apresentam-se as bases teóricas que fundamentam otrabalho, sobre a arte contemporânea, e a tendência conceitual, citando algunsartistas que serviram de referência para estruturação da obra. Relata tambémestudos feitos sobre a temática evolutiva da história da moda feminina na década de80, período descrito como época de experimentações, inovações e transformações,fator de extrema importância para composição final da obra.Em seguida, no segundo capitulo, fala-se sobre a metodologia. Como será atransposição da moda para a instalação fazendo uso de objetos orgânicos para acomposição e compreensão da mesma, o passo a passo para montagem da obra,técnicas e materiais.Já no terceiro capitulo se encontra uma analise da obra. Explicando assimformas, contrastes e conceitos nela inseridos.
  13. 13. 13E por último, se encontram as considerações finais e referencias bibliográficasque foram utilizadas ao longo do processo de pesquisa.
  14. 14. 14CAP. I DESENVOLVIMENTO TEORICOModa e costume existem desde o tempo das cavernas, quando osgrupamentos humanos eram diferenciados não só pela aparência física, mastambém pelo que recobria seus corpos. Desta forma, neste capítulo abordaremossobre uma breve história da moda (sec.XX), anos 80, arte contemporânea e atendência conceitual. Também neste capitulo são citados alguns artistaspesquisados, os quais foram necessários para execução do processo de criação.1.1 A MODA NA ARTE CONTEMPORÂNEANos últimos tempos tem-se visto muito a utilização de materiais descartadosna produção de arte contemporânea, materiais diversos que em muitos casos iriamparar em aterros sanitários. No Brasil, o artista mais conhecido no trato com materi-ais descartados é o artista Vik Muniz, sua contemporaneidade está na utilização demateriais e objetos inusitados na formação de imagens que normalmente são releitu-ras de grandes mestres da pintura: Leonardo da Vinci, Claude Monet, Albert Dürrer,Gerhard Richter, Andy Warhol, entre outros.Figura 01 – Vik Muniz: Monalisa feita Figura 02- Vik Muniz: Foto do vídeo clipede pasta de amendoim. da abertura da novela “Passione”.
  15. 15. 15Em meio a essa produção de arte a partir de objetos descartados, está a utili-zação de roupas e acessórios referente a moda. Nesse cenário alguns artistas sedestacam, como é o caso de Alain Guerra e Neraldo de La Paz e Nick Cave.Alain Guerra e Neraldo de La Paz são artistas cubanos residentes em Miami,desenvolveram esculturas a partir de roupas velhas coletadas em lixos e brechós.Guerra de La Paz é uma série onde os artistas buscam transformar bens dispensa-dos pela sociedade em obras com temas históricos e ícones clássicos através daexperimentação. Segundo os próprios artistas, suas obras levam o público a pensarno destino do lixo produzido em massa, mas também usa como referencia de traba-lho a política do conflito moderno e o consumismo ao redor dos símbolos de fé.Figura 03 - Guerra de La PazJá o trabalho de Nick Cave consiste na utilização de diversos materiais alia-dos à conhecimentos em tecidos para a produção de suas esculturas, o que o deixarelativamente com o pé na moda. Com base no corpo em movimento, o artista criouuma série de esculturas semelhantes a roupas conceituais intitulada Soundsuits(sound= som, suits=roupas), nome dado ao perceber que ao serem movimentas ge-ravam um som característico.
  16. 16. 16Figura 04 - SoundsuitsSeguindo a ideia de união entre a arte e moda, o estilista Marcelo Sommermontou a instalação Vestido Vermelho no Museu da Língua Portuguesa, num eventoque busca democratizar o acesso á cultura de moda.Figura 05 – Marcelo Sommer: Vestido Vermelho
  17. 17. 171.2 ARTE CONTEMPORÂNEAÉ um período artístico que surgiu na segunda metade do século XX e se es-tende até aos dias de hoje.Quando se fala em arte contemporânea, certamente não é para especificartudo que ocorreu em um determinado período da historia, mas sim fazer referênciaàquilo que nos propõe um pensamento sobre a própria arte, um questionamento queanalisa criticamente a pratica visual.Como dispositivo para tal pensamento, a arte usa novos significados ao seapropriar de imagens já usadas anteriormente, na história da arte, mas que tambémhabitam nosso cotidiano.Desta forma o belo contemporâneo não procura mais o novo, nem quer cau-sar espanto, como foi visto nas vanguardas modernistas, ela vem pra propor o es-tranhamento ou ate mesmo questionar a sua linguagem e sua leitura (ARGAN,2006).O artista agora possui uma nova mentalidade, seu trabalho passa exigir tam-bém do espectador uma atenção maior, até ousaria dizer: um olhar que pensa. Oque existe agora é uma pluralidade de estilos, de linguagens, contraditórios e inde-pendentes, convivendo em paralelo.Isso foi analisado como um momento de crise de valores tradicionais das ar-tes e de emergência de uma arte que se renova na relação com uma cultura trans-formada pelo pós-guerra. Essa transformação surge devido a relação que se esta-belece entre arte e ciência e que está na base do que Argan (2006) chamou de crisedas artes como “ciência européia. Em outras palavras, se observa uma crise da ra-cionalidade ao mesmo tempo em que se observa, Harvey (1993, p.45), “uma profun-da mudança na estrutura do sentimento”.1.2.1 INSTALAÇÃOComo já dizia BOSCO; PECCININI, a instalação “é um fazer artístico dos maisrelevantes no panorama das artes.(...) embora já bastante discutida, conta aindacom frágil definição e com muitos pontos a serem pesquisados de forma incisiva.”Deste modo coube a mim entender que as instalações não permitem rótulos únicos,
  18. 18. 18possuindo um caráter experimental. A intenção do artista, o conceito utilizado, tudojá faz parte da essência da obra. Na medida em que a instalação emerge no contex-to da Arte Conceitual. A obra deste modo é volátil, efêmera, absorve e constrói es-paços a sua volta e os destrói tudo ao mesmo tempo. E é essa desconstrução deideias, de conceitos já pré-estabelecidos que está dentro da práxis artística da qual ainstalação usa para se afirmar como obra.Essa presença efêmera, passageira se materializa por sua vez apenas namemória do espectador, cria-se assim uma verdade espacial em lugar e tempo de-terminado. O tempo passa a possuir um sentido de não-tempo, nos propiciando aomesmo tempo um gozo imediato ao apreciarmos a obra e um permanecendo plenonas nossas recordações. Essa questão de tempo a torna a um espelho do própriotempo, o que nos leva ao questionamento da interação com a obra. A esse fazerartístico temos exemplos de precursores com Duchamp e os ambientes surrealistas.A americana Elena Filipovic,define Duchamp como o primeiro "artista-pensador",segundo FILIPOVIC:"Ele considerava as ideias e a conceituação tão importantes quanto a obra dearte em si. Isso influenciou a arte das gerações posteriores a ele. Ele tambémcolocou às claras o poder das instituições que, ao criar o espaço para a arte,decidem que o que está dentro é arte, e o que está fora, não".Figura 06 – Duchamp: Roda de Bicicleta (1913)
  19. 19. 19Na arte contemporânea a sua permanência torna-se destacável, chegando aser considerada uma das mais importantes tendências atuais. Em meio a isso a ins-talação tornou-se mais complexa, utilizando-se de diversas mídias e passou a real-çar cada dia mais a interatividade e a curiosidade com o público. E é essa combina-ção com outras linguagens que faz o público se surpreender e até mesmo participarde maneira mais ativa com a obra, tendo em vista que ele é o ultimo objeto da pró-pria obra, ou seja, sem essa interação a obra não existiria em sua plenitude. E é estaparticipação que ocasiona o gozo pela mesma de maneira arrebatadora, o que emmuitos casos chega a tornar tal experiência incômoda ou mesmo perturbadora.1.1 TENDENCIA CONCEITUALEm meados da década de 60, teve inicio um vale-tudo em arte que durou cer-ca de uma década. Segundo Stangos, este vale-tudo, conhecido como Arte Concei-tual, ou de ideias, ou de informação, fazia parte de uma rejeição geral desse artigode luxo único, permanente e, no entanto, portátil se tornando desta maneira vendá-vel que é o tradicional objeto de arte.Arte Conceitual é uma forma de arte visual baseada na destruição das duasprincipais características da arte tal como ela chegou até nós na cultura oci-dental, ou seja, a produção de objetos que pudessem ser vistos e o olharcontemplativo, propriamente dito. (WOOD, 2004, p. 6)Essa tendência da arte, geralmente, desconstrói o objeto artístico como sendoo “algo”, o objeto físico e o remonta na ideia, no que o objeto, dito como obra, poderepresentar. Isso torna a ideia (o que ela significa), a obra real.Surgiu na história da arte com Marcel Duchamp (1887 - 1968), na primeirametade do século XX, quando o artista provocou debate entre os críticos e intelectu-ais de arte em apresentar sua obra “A Fonte” em uma exposição em Nova York. Du-champ expõe um mictório e o batiza como fonte, consagrando-o como obra de arte,no momento em que assina o objeto fabricado em série.
  20. 20. 20Figura 07 – Duchamp: A fonteEsse feito de Duchamp rompe definitivamente as limitações das artes visuais,não só em seu sentido físico (materiais, superfícies, técnicas, a obra em si), mastambém em seu significado.A arte conceitual, como passou a ser conhecida foi uma das muitas alternati-vas inter-relacionadas e parcialmente sobrepostas às formas tradicionais e práticasde exposição.Segundo STANGOS (2000, p.226) de todas as tendências que povoavam acena artística no final da década de 60 e começo da de 70, a Arte Conceitual foi aque adotou a postura mais radical e a que, de fato, permanece hoje mais vívida namemória e na influência.O conceito ressurge como objeto de arte na segunda metade dos anos 1960,onde o artista Joseph Kosuth interpreta que a análise linguística marcaria o fim dafilosofia tradicional, e a obra de arte conceitual, dispensando a feitura de objetos,seria uma proposição analítica, próxima de uma tautologia. Como, por exemplo, emUma e Três Cadeiras, ele apresenta o objeto cadeira, uma fotografia dela e uma de-finição do dicionário de cadeira impressa sobre papel.
  21. 21. 21Figura 08 – Joseph Kosuth: Figura 09 – Joseph Kosuth:Um e três cadeiras (1965) Um e três cadeirasDe todos os movimentos artísticos do século XX, a Arte conceitual foi, talvez,o mais genuinamente internacional e de mais rápido crescimento.O artista Sol LeWitt (1928 – 2007) foi um dos mais importantes artistas con-ceituais e definiu-a como:“Em arte conceptual, a ideia ou conceito é o aspecto mais importante da o-bra. Significa que todo o planejamento e decisões são tomadas antecipa-damente, sendo a execução um assunto secundário. A ideia torna-se namáquina que origina a arte.”O conceito tem prioridade em relação à aparência da obra. O mais importantesão as ideias, a execução da obra fica em segundo plano e tem pouca relevância.Além disso, não há exigência de que a obra seja construída pelas mãos do artista.Ele pode muitas vezes delegar o trabalho físico a uma pessoa que tenha habilidadetécnica específica. O que realmente importa é a invenção da obra, o conceito, que éelaborado antes de sua materialização.Arte Conceitual foi a primeira brecha na fachada da infalibilidade abstrata: omais recente movimento artístico que se proclamou vanguarda, o último so-bre o qual se podia argumentar sobre seu status como arte, assinalou nãoobstante o “moderno”, um período em que jovens artistas, em todos os mei-os de expressão, parecem preocupados com a imagem e seu significado.(STANGOS, 2000, p.234)Pode-se dizer que a arte conceitual é uma tentativa de revisão da noção deobra de arte arraigada na cultura ocidental. A arte deixa de ser primordialmente vi-sual feita para ser olhada, a ser considerada como ideia e pensamento.
  22. 22. 221.4 HISTÓRIA DA MODA (séc. XX)O uso de roupas é considerado na maior parte do mundo parte do bom sensoe da ética humana, guiado por valores sociais, sendo considerada indispensável pe-la maioria das pessoas, especialmente, em lugares públicos.As vestimentas são usadas por questões sociais, culturais, ou por necessida-des. Outros objetos que são carregados ao invés de serem vestidos sobre certaspartes do corpo são chamados de acessórios, como por exemplo, sombrinhas, bol-sas, mochilas, etc. (RODRIGUES, 2007, p.37).No decorrer da história, diferentes civilizações vestiram roupas mais por moti-vos culturais, como decoração ou ornamentos, do que por necessidade.Muitas pessoas vestem certo estilo de roupas buscando serem aceitas por umgrupo social, outras usam como um modo de protesto.Ao longo do século XIX, a industrialização de roupas e tecidos espalhou-separa outros cantos do mundo. A indústria têxtil ficou firmemente estabelecida nosEstados Unidos, França, e, mais tarde, a Alemanha e o Japão. Porém, grande partedas pessoas ainda preferia ter suas roupas feitas por artesões, quando podiam pa-gar por elas. Já nos lugares mais isolados, pessoas fabricavam roupas e tecidos emsua própria residência.Segundo Laver (1989) a moda do século XX é a continuação do século ante-rior, tendo seu real inicio somente em 1914, com a eclosão da 1ªGrande Guerra.Figura 10 – Coco Chanel
  23. 23. 23A década de 20 foi marcada pela estilista Gabrielle Bonheur Chanel (Fig. 01),mais conhecida como Coco Chanel, com seus cortes retos, capas, blazers, cardigãs,colares compridos, boinas e cabelos curtos. A criação do vestido preto foi o seu mai-or sucesso, estando presente inclusive nos dias de hoje. Responsável pela criaçãodo Prêt-à-Porter. (JONES, 2005, p.19).Desde então a moda passa por uma serie de mudanças tornando-se cadamais importante, desta forma as roupas nos passam a ser o reflexos de cada época,tanto economicamente quanto culturalmente, obtendo seu ápice na década de 80.1.4.1 ANOS 80 - OS CRIADORES DO PRÊT-À-PORTEREm 1980 o look exagerado, poderoso, para as novas fortunas do mercado deações, onde os ombros são marcados por ombreiras enormes, cinturas e quadristambém são marcados nessa época. As mulheres se tornam adeptas dos básicosinspirados nos guarda-roupas masculinos. O blazer é a peça de resistência. Qual-quer coisa com a grife Chanel é projeto de desejo. A minissaia reina soberana e aprincesa Diana começa a ditar moda.Lady Diana saía da plebe para virar a princesa de Gales, mais conhecidacomo a Princesa do Povo. Mulheres de todas as idades sonhavam ser como ela, foisem duvida nenhuma o símbolo de elegância da moda dos anos 80. Hoje, mesmoapós sua morte seu estilo impecável ecoa como sinônimo de elegância e estilo to-talmente contemporâneos.Figura 11 – Princesa Diana
  24. 24. 24Todo mundo ao mesmo tempo, sem que ninguém fosse dono da palavra,Poe-se a partir de janeiro de 1985, a falar dos “anos 80”. [...] essa verdadei-ra introspecção de um decênio espelha a moda que vive um grande mo-mento. Jamais ela esteve tão em moda. Valor maior daquilo que já não sedenuncia como a sociedade de consumo, mas que se celebra como a “soci-edade do espetáculo”. (BAUDOT, 2008, p.276).Sem duvida nenhuma será eternamente lembrada como a década do exage-ro, onde a ostentação se torna uma marca registrada. Os seriados de televisão, co-mo Dallas, mostravam mulheres glamorosas, cobertas de jóias e por todo luxo que odinheiro podia pagar. E dessa forma a moda apressou-se por responder a todos es-ses desejos, criando um estilo único e nada simplório. Todas as roupas de grifesfamosas tinham estampados no maior tamanho possível seus logos. O jeans alcan-ça seu ápice, e ganha status. Os shoppings se tornam o paraíso dos consumistas.Como descreve Baudot não bastava ser bem sucedido e bem vestido, ter um corpobonito e saudável era essencial. Assim, numa continuidade pelo amor aos esportes,explodiram academias por todos os cantos, onde seus freqüentadores usavam po-lainas e collants para as aulas de aeróbica, com uma temática comum: ginástica,poder, sucesso.Em 1986, em seu primeiro LP, Xuxa adotou esse visual mais despojado, fa-zendo uso do tênis e da calça fuso. E como não falar da Xuxa ? Ela além de hipnoti-zar os baixinhos, cativou os adultos, e é claro, lançou sua própria moda. Todas asadolescentes da época queriam ser loiras e de franjinhas.Figura 12 – Xuxa / Capa primeiro LP
  25. 25. 25Deste modo esse espírito esportivo influenciou as roupas, levando moletons ea calça fuseaux para fora das academias e consagrando o tênis como calçado paratoda hora. Ressurgindo também a moda dos calçados baixos, como mocassins, atémesmo multicoloridos ou mesmo clássicos.O look molhado, conquistado pelo uso de gels e mousses para cabelo, fez acabeça de homens e mulheres, juntamente com os permanentes fartos e topetesaltíssimos.A cartela de cores era vibrante, dotada de tons fortes e fluorescentes, comjogos de tons e contrastes. A modelagem ampla na maioria das vezes. As mulheres,que nesse momento já almejavam por cargos de chefia no mercado de trabalho, edesta forma adotavam um visual masculino. Cintura alta e ombros marcados porombreiras era a silhueta de toda década, ao lado de pregas e drapeados, tanto paranoite quanto para o dia.Figura 13 – Exemplo de coresA música se consagra como formadora de opinião e estilo. Em um universotecnológico, a moda também se inspirou no Japão, emergente com suas novidadese em tudo que fosse eletrônico; Neons, computadores, automáticos.O personagem do jovem criador surgido na década de 60 transforma-se numdemiurgo. O mesmo substitui a estrela do rock, enquanto as top models destrona-vam as atrizes, fazendo dos desfiles verdadeiros espetáculos. Tudo era experimen-
  26. 26. 26tação, inovação e transformação. Até na auto-costura tudo era meio barroco, exube-rante e dramático.A idéia de imagem como meio de comunicação foi cristalizada nessa época,onde o corpo nada mais era que uma vitrine de tudo que viesse à própria cabeça.Daí então quando alguém perguntava a respeito da moda, respondia-se claramente:“sou eu que faço minha moda”.Este conceito esta presente até hoje, na costumização-mania, na mistura de estilose até na própria negação da moda enquanto norma, presente em movimentos comoo “grunge”, no inicio dos anos 90.A releitura de antigos clichês, a exploração das ambiguidades, a reflexão so-bre conceitos como bom gosto e mau gosto, assim como a mistura de tendências apartir dos anos 80, provaram que todos os limites são relativos e que a moda não émais que a projeção de nossos sonhos, ideias e aspirações, e que, afinal, tudo émesmo possível no mundo da criação. (BAUDOT, 2008).
  27. 27. 27CAP.II METODOLOGIANeste capítulo são relatados os processos de pesquisa, relacionando-os atechegar ao conceito final, essência da obra. Também será abordada a pesquisa pormateriais/objetos que farão parte da obra, assim como todos os procedimentos me-todológicos usados para a elaboração e conclusão da produção artística.2.1 DA MODA A INSTALAÇÃOBaseado nas pesquisas feitas acerca da moda nos anos 80, onde a modaobteve sua expansão em plena a uma crise econômica. Ao mesmo tempo em que apopulação perdia o seu poder de consumo, a moda por sua vez desafiando a tudoobteve seu auge, expressando com suas peças justamente o contrario do momento,com um vestuário alegre, esportivo e versátil e ao mesmo tempo extremamente ou-sado como mostra a foto abaixo:Figura 14 – Foto tirada em 1987 para um editorial da revista Desfile
  28. 28. 28É com base neste período em que o exagero e a ostentação se tornaram ob-jeto de desejo, onde a imagem e o culto ao corpo se faz valer acima de tudo, sendoveiculada pelos meios de comunicação em massa, traz consigo um forte apelo visualtornando-se fatores essenciais para a pesquisa desenvolvida para a produção artís-ticas.2.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOSPara o desenvolvimento do projeto, na primeira etapa foi feito um levantamen-to bibliográfico de livros, revistas ou de outras publicações que se relacionavam coma moda no século XX, mas direcionada a década de 80 e a arte contemporânea.Servindo desta forma como material para fundamentação teórica e necessária paraa elaboração conceitual da obra.Após o estudo teórico sobre o tema das obras, e se valendo da linguagemadotada para expressá-la, a próxima etapa foi a pesquisa por materiais que se rela-cionassem conceitualmente á ideia, tendo como base os manifestos da moda nadécada de 80.Vale lembrar que a principio a ideia da obra seria a construção de uma caixacênica de modo que nela estariam dispostas esculturas vivas, ou seja, pessoastransformadas em esculturas de maneira a simbolizarem manequins vestidos, repre-sentando por sua vez um objeto de consumo. Devido a incerteza se alcançaria aquestão plástica esperada a ideia foi descartada, deixando apenas o conceito nelapresente.Seguindo essa linha de questionamento da pessoa objeto, cheguei ao esboçoda obra final, um altar/oratório em dimensões grandes fazendo referencia ao culto doconsumo ou do culto ao consumo.Pensando na ambiguidade possível de alguns objetos e na sua relação com aideia da obra, cheguei a conclusão dos seguintes objetos: um guarda roupa antigo(semelhante a um oratório), roupas e acessórios que fizessem alusão a década de80, e um espelho o qual foi feita adesivagem com códigos de barra.
  29. 29. 29FIGURA 15 – Modelo de oratório2.2.1 MONTAGEM DA OBRAA partir dos objetos estabelecidos, iniciei a montagem da instalação. Come-çando com o guarda roupa. Primeiramente retirei as partes do seu interior que foramdispensáveis para a obra, no caso as prateleiras, gavetas e cabideiros, de modo queao final deste processo ele se tornou uma caixa.Figura 16 – Guarda Roupa
  30. 30. 30Em seguida, a caixa foi revestida com cobertores onde as peças foram ane-xadas criando uma sensação de estofamento em suas laterais, gerando uma sensa-ção visual de acumulo excessivo. O revestimento do interior foi feito com o auxilio degrampos para a primeira camada que ficou em contato com a madeira e posterior-mente algumas peças foram também costuradas a camada inicial, de modo quealcance o objetivo proposto.Figura 17 – Guarda roupa revestido com cobertoresFigura 18 – Acumulo de roupasDepois de pronto o estofamento, percebi que ficou num pouco carregado de-mais a maneira que coloquei as peças, simplesmente jogadas e sem nenhum plane-jamento, então refiz o processo, só que dessa vez colocando as peças dispostascomo se estivesse em uma vitrine, de maneira que o expectador conseguisse visua-liza-las de forma mais agradável.
  31. 31. 31Figura 19 - Guarda roupa revestido com as peças.O próximo passo foi a inserção de alguns acessórios junto as peças já dispos-tas, dando um acabamento mais refinado a obra.Finalmente com o corpo do oratório finalizado, o espelho já adesivado, peçafundamental para concretização do conceito foi inserido ao centro da obra.Figura 20 – espelhoSendo que na primeira tentativa eu fiz uso de um espelho menor ( 60x40cm ),no entanto não gostei do resultado, como ele era pequeno, para que o expectadorconseguisse se visualizar no mesmo ele teria que ficar em cima de uma banqueta, o
  32. 32. 32que gerou um desconforto meu ao contemplar a obra. Então finalizando o processofiz o uso de uma espelho maior, alcançando meus obejtos, tanto visuais quanto con-ceituais.Figura 21 – Primeiro teste espelhoFigura 22 – Ultimo teste/ Obra concluída.Desta forma a obra é na realidade todo esse conjunto, onde o espectador aomesmo tempo que de certa forma faz um culto ao consumo diante do altar, ele entrano questionamento perante ao espelho de quem realmente é o objeto.
  33. 33. 33CAP.III SOBRE A OBRANeste capitulo, apresente-se a obra, o que ela representa e qual o olhar a sefazer sobre a mesma, de maneira a deixar claro o meu objetivo, fazendo uma anali-se da poética e da construção elaborada da composição.3.1 ANÁLISE DA OBRAEm minha produção prática fiz uma união entre a moda da década de 80 coma instalação em si, intitulando-a “ O PRODUTO? UM CULTO AO CONSUMO“.Definindo primeiramente o conceito, no caso O culto ao consumo de modacontrapondo quem realmente é o objeto de consumo, eu compro um peça ou eu mevendo por ideal de beleza estabelecido por terceiros, sendo que o conceito é primor-dial e essencial a obra em si. Visto que o consumo é cada dia mais estimulado pelasociedade, crendo que junto ao objeto adquirimos também valores simbólicos.Assim o guarda roupa, símbolo máximo desse desejo de compra, um altarfeminino como muitos diriam, assume esse valor de culto e se torna um altar propri-amente dito.Contudo ao nos depararmos a ele, ao invés de imagens sacras encontramosum exagero de peças, por vezes até mesmo desagradável aos olhos de muitos. E-xagero esse que, por muitas vezes foi realçado na década de 80, onde tudo na mo-da teve grandes proporções, beirando o grotesco em alguns casos. Então porque osanos 80? Porque como foi visto em minhas pesquisas ao longo do processo quenesse período que a moda independente da crise que a cercava teve sua grandeascensão, onde mulheres claramente buscavam uma ostentação de valores não ne-cessariamente reais. Um culto exagerado ao corpo, e aos padrões de beleza moti-vadas por uma sociedade fútil e consumista. Consumismo esse que para alguns foidito como uma maneira de fuga a realidade, uma maneira de parar a inquietaçãomomentânea de uma forma alegre. Um consumo claramente simbólico, que enfati-zou uma relação exterior com os objetos, sendo diretamente vinculado ao desejo destatus.A Obra contudo em forma completa não só nos remete essa ideia de culto aoconsumismo mais busca sim o questionamento do que realmente é o objeto de con-sumo. Nos deparamos diariamente a essa questão ao vermos cada dia mais pesso-
  34. 34. 34as buscando conforto em objetos que a inserem de maneira mais segura numa soci-edade hipócrita e altamente consumista.O espelho ao centro da obra vem para nos levar justamente a essa questão,ao nos depararmos a ele a imagem nele refletida nos mostra nós mesmos, sobretu-do com um código de barra inserido no próprio corpo. Levando-nos diretamente apergunta, estou aqui cultuando o consumo ou sou apenas mais um objeto? O espec-tador passa então a não só contemplar a obra, adentrando em seu contexto tantofilosófico quanto físico, sendo que neste momento sua imagem refletida no espelhotorna-se parte crucial da obra.
  35. 35. 35CONSIDERAÇÕES FINAISO julgamento preconceituoso próprio do ser humano nos leva a adotar umapostura perante a sociedade, postura essa que não possuímos de fato.A possibilidade de uma linguagem artística expressar essa inquietação comesse pensamento me levou a escolher a instalação para execução do tema, dandounidade a obra apresentada como trabalho final do curso de Artes Visuais.Relacionando o consumo exacerbado em busca de um valor inalcançável ge-rando o questionamento da pessoa como nada mais que o próprio objeto de consu-mo me levou a unir duas grandes tendências, a moda e as instalações. Ambas aindamuito rotuladas ao meu ver de maneira um tanto incoerente e porque não preconcei-tuosa.Para executar o projeto, foi sem dúvida nenhuma preciso conciliar a ação como conhecimento teórico. Através desse exercício foi possível estabelecer alguns pa-radigmas que me ajudaram na compreensão da obra em si e do fazer artístico. Re-saltando também a compreensão de como uma produção estabelece de forma inti-ma uma relação aos acontecimentos culturais, sociais e econômicos de modo geral,e regem o cenário que a cerca, influenciando o pensamento e gerando por sua veznovas tendências.E foi nesse âmbito por respostas, num percurso de descobertas, que desen-volvi um objetivo a ser cumprido, e para colocá-lo em prática, utilizei como referênciaa tendência conceitual e a moda da década de 80.A obra em si é um conjunto de objetos orgânicos e interpretações por elesgerados, tornando o espectador parte da obra, sem o qual a mesma não estariacompleta.Desta forma esse conjunto de magia e realidade nos força a pensar no querealmente importa.Assim pude expressar na minha obra o meu fazer artístico e realmente con-quistar meus objetivos, numa instalação conceitual, que não apenas faz uma apolo-gia a moda, mas que contém minha intenção e meu empenho de tentar transmitiruma certa indignação a um universo fútil onde a beleza não está no que realmenteimporta e sim numa subjetividade inserida no contexto social.
  36. 36. 36BIBLIOGRAFIASARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contempo-râneos. Editora Companhia das Letras, 2006.BAUDOT, François. A Moda do Século. 4ªed. São Paulo: Cosac Naify, 2008.DESFILE. Rio de Janeiro: Bloch, 1987.FIELL, Charlotte & Peter. Design do Século XX. Lisboa: Taschen, 2001.HONNEF, Klaus. Pop Art. Editor Taschen, 2004JONES, Sue Jenkyn. Fashion Design: manual do estilista. São Paulo: CosacNaify, 2005.MOUTINHO, Maria Rita. A Moda no Século XX. São Paulo: Senac, 2000.POLLINI, Denise. Breve História da Moda. São Paulo: Ed. Claridade, 2007.RODRIGUES, Selma M. História da Moda: Curso sequencial de moda. 2007. 112f. (Apostila do curso de graduação de Moda). UNIDERP, 2007.STANGOS, Nikos. Conceitos da arte moderna. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed.2000.WOOD, Paul. Movimentos da Arte Moderna: Arte Conceitual. Editora CosacNaify, 2004.

×