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ARIANNE DE LIMA
REDES LÍQUIDAS
CAMPO GRANDE - MS
2016
ARIANNE DE LIMA
REDES LÍQUIDAS
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Artes Visuais da
Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul, como requisito parcial à obtenção do
grau de Bacharel em Artes Visuais.
Orientadora: Prof.ª Mª Priscilla de Paula
Pessoa
CAMPO GRANDE - MS
2016
ARIANNE DE LIMA
REDES LÍQUIDAS
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Curso de Artes Visuais da
Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul, como requisito parcial à obtenção do
grau de Bacharel em Artes Visuais.
Orientadora: Prof.ª Mª Priscilla de Paula
Pessoa
Campo Grande ____ de ________________ de 2016
BANCA EXAMINADORA
__________________________________
Profª. Mª. Priscilla de Paula Pessoa
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
__________________________________
Profª. Drª. Eluiza Bortolotto Ghizzi
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
__________________________________
Prof. Esp. Adalberto Miranda
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Agradecimentos
Primeiramente agradeço a Deus pelos sonhos que me deu e que
constantemente me dá. Agradeço por ter me dado o dom da vida.
Agradeço aos meus pais por sempre me apoiarem diante das decisões que
tomei durante o percurso de minha vida. Agradeço-os por, mesmo quando parecia
impossível, sempre proporcionarem condições para que eu pudesse estudar,
fazendo nascer em mim uma vontade incessante de querer orgulhá-los dia após dia.
Agradeço à minha irmã Ayanne que, mesmo com a pouca idade que possui,
propicia boas conversas que sempre acrescentam em nossa vivência, em nosso
crescimento intelectual e em nosso afeto.
Agradeço às amizades que tenho há anos que, mesmo de longe, sei que
torcem por mim.
Agradeço às amizades que construí ao longo do curso, especialmente à
Cássia Hayashi e Poliana Santana, pela sinceridade e falta de egoísmo, são
pessoas com as quais pretendo compartilhar sonhos, planos e momentos de
companheirismo.
Agradeço aos mestres que passaram por minha formação, sem dúvidas
aprendi muito com eles e são exemplos que farei questão de seguir.
Agradeço à minha professora e orientadora Priscilla Pessoa que, com seu
vasto conhecimento, me ajudou a fazer, estruturar e tornar possível o trabalho
apresentado aqui.
Agradeço à professora Eluiza e ao professor Adalberto por terem aceitado
fazer parte da banca examinadora, pelos momentos em que passaram parte de seus
conhecimentos, seja em aula ou nos momentos mais oportunos.
Meu sincero agradecimento a todos.
“Que o teu orgulho e objetivo consistam em por no teu trabalho algo que se
assemelhe a um milagre”.
Leonardo da Vinci
RESUMO
O presente trabalho discorre sobre o processo criativo que levou à produção de dois
polípticos: um constitui-se de vários desenhos feitos a lápis de cor, enquanto o outro
de pinturas com tinta a óleo. Ambas as obras tratam da relação que o ser humano
possui com as redes sociais, recebendo um olhar particular da artista através de
obras que fazem uma sutil crítica social. Para o melhor entendimento da proposta, é
apresentado um breve histórico sobre o desenho e a pintura, como também a base
teórica utilizada que deu origem ao nome da proposta.
Palavras-chave: Desenho. Pintura. Redes Sociais. Crítica Social.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO............................................................................................................8
1 DESENHO E PINTURA: LINGUAGENS QUE CONVERGEM.............................9
1.1 A concepção renascentista do desenho e da pintura e a ruptura da
modernidade ........................................................................................................10
1.2 O desenho e a pintura como linguagens contemporâneas....................15
1.3 Relacionamentos líquidos: uma realidade apenas virtual......................22
2 REDES LÍQUIDAS .............................................................................................28
2.1 Obra 1: Redes Líquidas I ...........................................................................28
2.1.1 O processo criativo de Redes Líquidas I...........................................29
2.1.2 O políptico: Redes Líquidas I .............................................................32
2.2 Obra 2: Redes Líquidas II ..........................................................................33
2.2.1 O processo criativo de Redes Líquidas II..........................................33
2.2.2 O Políptico: Redes Líquidas II ............................................................36
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................38
REFERÊNCIAS.........................................................................................................39
8
INTRODUÇÃO
O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem como objetivo apresentar
como foram utilizadas as linguagens tradicionais (a pintura e o desenho) para a
concepção de cenas que, sob um ponto de vista artístico, analisam o
comportamento humano diante das redes sociais. A proposta consistiu tanto nesse
comentário crítico como também em valorizar e trazer um vislumbre atual às
técnicas empregadas.
Para isso, o trabalho divide-se em dois capítulos: o primeiro faz um breve
panorama histórico interligando a pintura ao desenho, apontando algumas
contribuições que ambas as linguagens proporcionam uma à outra, como para o
estudo da artista que repassa esses conceitos. Utilizam-se como referências teóricas
palavras de autores como E. H. Gombrich e Graça Proença, bem como referências
visuais a partir dos trabalhos de artistas que se apropriaram (em alguns casos que
ainda se apropriam) com excelência de ambas as linguagens para materializar sua
visão, como também trabalhos de artistas que exercem influência direta sobre a
produção das obras.
Ainda no primeiro capítulo é tratado sobre o conceito no qual as obras
Redes Líquidas I e II se baseiam, utilizando a teoria da modernidade líquida
expressa pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro Amor Líquido –
Sobre a fragilidade dos laços humanos (2004), as palavras do especialista em
Hamlet e historiador Leandro Karnal e as experiências obtidas pela própria artista
devido ao seu contato constante com as redes sociais.
Já no segundo capítulo é apresentado o processo criativo das obras, desde
sua idealização à sua realização, havendo imagens que serão a afirmação da teoria
tratada ao longo do trabalho, visando ajudar o leitor a ficar a par de todo o percurso
que levou à concretização das obras.
9
1 DESENHO E PINTURA: LINGUAGENS QUE CONVERGEM
O desenho, segundo Mayer (2002, p. 3-4), é a aplicação de um pigmento
que deixará uma marca em determinada superfície, seja por meio de um “lápis de
grafita, um pedaço de carvão ou um creiom”, conceito que acaba se ligando à
pintura. É tido, também como uma das linguagens artísticas mais tradicionais, ora
servindo como base para outras, ora exercendo sua autonomia. Pode representar
elementos reais e imaginários, sendo acessível para boa parte de nós, em algum
momento de nossas vidas. Entramos em contato com essa linguagem na infância e,
com o passar do tempo, depende de cada indivíduo poder e querer desenvolvê-la ou
não.
Quanto à pintura, também é uma linguagem tradicional com a qual se tem
um contato maior durante a infância. Sobre ela, Mayer (2002) escreve:
Uma pintura é uma estrutura laminada; seu suporte, seu fundo e
suas camadas de cor, em graus variados de complexidade, devem
ser elaborados de acordo com as simples leis da física e da química
que determinam sua estabilidade. (MAYER, 2002, p. 219).
Ainda sobre a pintura, especificamente sobre a tinta, Mayer (2002, p.11)
escreve: “a tinta não é um produto acabado. Ela nos chega com belos rótulos dentro
de latas ou pequenos tubos, mas trata-se apenas de uma matéria-prima; o ‘produto’
acabado é a pintura [...].”.
Partindo desses conceitos, podemos situar o início da atividade do desenho
(como da pintura) ainda na Pré-História, aproximadamente há 30 000 a.C. (fig. 1).
Figura 1. Bisonte: Pintura rupestre encontrada numa das grutas de Altamira, Espanha.
Fonte: Proença, 1996, p. 12.
10
De acordo com Janson e Janson (1992, p. 14) “é nos últimos estágios do
Paleolítico, que teve início há cerca de trinta e cinco mil anos, que encontramos as
primeiras obras de arte conhecidas”.
Segundo os autores, essas obras significativas consistem em
representações de animais nas paredes das cavernas notadas em várias partes do
mundo, tanto em desenhos feitos com materiais como o carvão, como também em
pinturas feitas com pigmentos naturais misturados à gordura animal. Muitas vezes,
pinturas e desenhos coexistem, sendo impossível definir uma única linguagem.
O desenho exerceu e continua exercendo o papel de auxiliar de outras
linguagens na arte, função perceptível nos esboços e estudos feitos por artistas para
a realização de pinturas, esculturas, gravuras ou, ainda, projetos para intervenções,
instalações, entre outros. Todavia, em meu trabalho, o desenho não apenas auxilia a
linguagem da pintura, mas converge para ela. Acontecendo o mesmo com a pintura,
que converge para o desenho. Dentre as diversas manifestações desenvolvidas
pelas duas linguagens, escolhi aquela na qual me sinto confortável e segura para
executar: o Naturalismo1
. No caso das obras que desenvolvo (os dois polípticos), o
naturalismo pode ser observado por meio da representação da figura humana.
Quanto ao tema dos polípticos, baseio-me na relação que o ser humano
atualmente possui com a tecnologia, especificamente com as redes sociais. A
seguir, apresento alguns tópicos históricos e conceituais sobre o desenho e a pintura
que julgo importantes para a concepção do meu trabalho, situando-os dentro do
cenário artístico. Logo em seguida, faço uma análise sobre o tema proposto.
1.1 A concepção renascentista do desenho e da pintura e a ruptura da
modernidade
Tanto o ato do desenho quanto o da pintura, acompanham o homem desde
tempos imemoriais; as duas linguagens se intercalam e, muitas vezes, são
indissociáveis; mas, é a partir do Renascimento Italiano2
que o desenho como
1
Segundo Osborne (1998, p. 73), o naturalismo é descrito como uma tentativa de fazer com que uma
obra, sendo ela uma pintura ou uma escultura, se assemelhe ao ato de observar uma janela
transparente, onde o objeto representado não precise necessariamente fazer parte do mundo real,
ainda que seja imaginário, o seu poder de convicção estará presente. Foi desenvolvido na Grécia
Antiga entre os séculos V e VI a.C, sendo retomado no período do Renascimento. Principais artistas:
Charles Daubigny, Theódore Rousseau e Jean-Baptiste-Camille Corot.
2
De acordo com Gombrich (1979, p. 217) é um período artístico que se passou na Itália, entre os
séculos XIV e XVI, tendo neste último o seu ápice. Destacam-se artistas como: Leonardo da Vinci,
Miguel Ângelo, Rafael e Ticiano.
11
estruturante da arte recebe importância maior e a pintura alcança seu esplendor,
como se pode ver nos estudos e obras feitos por artistas como Michelangelo (1476-
1564), Leonardo da Vinci (1452-1519) e Rafael (1484-1520) (fig. 2 e 3).
Figura 2. Rafael: Esboços de A Virgem do Prado, 1505.
Lápis s/ papel, 36,2cm x 24,5cm. Viena, Albertina.
Fonte: Gombrich, 2000, p.16.
Figura 3. Rafael: A Virgem do Prado, 1505.
Óleo s/ tela, 113cm x 88cm. Kunslhistorisches Museum, Viena.
Fonte: http://valkirio.blogspot.com.br/2012/12/a-virgem-do-prado.html
Sobre esse período, Proença (1996) diz que é caracterizado pela retomada
dos ideais clássicos3
, usando como referência modelos da Antiguidade, cujos ideais
eram o humanismo e o naturalismo, mas havendo uma transcendência destes. O
humanismo é o ideal que norteia todo o movimento, retratando nas artes qualidades
3
De acordo com Gombrich (1979, p. 175-179) são ideais referentes à arte produzida pelos gregos
que, por sua vez, tinham o desejo de superar a realidade através de suas criações.
12
que dignificam o homem e o valor da razão, como se pode ver em suas pinturas e
esculturas. Também é nesse período que o artista possui grande independência; e
uma característica herdada pelos artistas atuais, é seu reconhecimento como o
indivíduo que assina suas obras e que possui liberdade de criação.
Das contribuições da pintura renascentista para o desenho, de acordo com
Proença (1996), destacam-se o uso da perspectiva segundo as regras da
Matemática e da Geometria e o claro-escuro, fatores que contribuíram para que as
obras alcançassem o naturalismo. Estas estratégias na pintura só funcionavam, em
grande parte, devido ao fato de que os pintores eram antes exímios desenhistas e
estudiosos de elementos reais que ajudavam a enriquecer suas obras.
Dentre os artistas renascentistas, podemos citar Leonardo da Vinci, artista
que, segundo Gombrich (1979), realizou grandes estudos anatômicos e observou
com atenção a natureza que o cercava. Dentre seus estudos destaca-se o desenho
que representa os ideais renascentistas, onde o homem torna-se a medida de todas
as coisas: O Homem Vitruviano (fig. 4).
Figura 4. Leonardo da Vinci: O homem Vitruviano, 1485/1490.
Tinta marrom s/ metal, 34,4cm x 24,5cm. Galeria da Acedemia, Veneza.
Fonte: The Metropolitan Museum of Art Publications, 2003, p. 70.
Em se tratando de pintura, além dos artistas que partilhavam da acepção de
que o desenho era parte crucial de uma obra, havia aqueles que reivindicavam a
autonomia da cor em relação ao desenho. Tal fator, segundo Rodrigues (2011),
gerou rivalidade entre duas cidades italianas: Florença, onde viviam os artistas
adeptos do desenho como parte importante da obra, e Veneza, onde artistas eram
13
defensores da autonomia da cor. Dentre os artistas florentinos, Federico Zuccari e
Giorgio Vasari, apesar de serem adeptos de uma mesma corrente de pensamento,
diferem de forma determinante sobre a finalidade do desenho: enquanto Zuccari
entende o desenho como a ideia final, Vasari aponta o desenho como um meio de
expressão das ideias.
Tanto sobre a dicotomia entre desenho e cor, quanto sobre as diferenças de
ideais entre Zuccari e Vasari, Rodrigues (2011) afirma que se tratava de uma
discussão relacionada à técnica que seria aplicada na obra, ou seja, à sua definição,
e não ao desenho como obra final ou como uma linguagem que fosse independente
da pintura.
Diante do apresentado, pode-se dizer que o Renascimento, assim como
afirma Baumgart (1999), influenciou as manifestações artísticas que surgiriam entre
o século XVI e até depois da metade do século XVIII. O mesmo autor defende que
expressões como “maneirismo”, “barroco” e “rococó” eram subdivisões que não
representavam algo novo, mas apenas reformulações. Adotando esse ponto de
vista, o Renascimento perduraria como base da concepção de arte (também do
desenho e da pintura) até o século XIX, quando transformações profundas
acontecem.
O surgimento da fotografia4
no início do século XIX e a sequência de
rupturas com a tradição renascentista na pintura levam ao fortalecimento do
movimento impressionista5
na década de 1870, fazendo com que a arte tomasse um
novo rumo (consequentemente afetando a produção de pinturas e desenhos). Os
primeiros impressionistas, de acordo com Argan (2002), dão prioridade aos efeitos
que a luz causava sobre o objeto retratado em suas pinturas, porém, ainda há a
presença de esboços e cópias como estudo. Tal pode ser observado nos trabalhos
do artista Edgar Degas (1834-1917), sobre o qual Argan (2002, p. 104) escreve:
“continua-se a afirmar que ele era mais desenhista do que colorista [...]”. Este artista
apresentou ao público muitos desenhos feitos com giz pastel como obra final, que se
assemelhavam à pintura (fig. 5).
4
Conforme Argan (2002, p. 78) é uma técnica de captação da realidade que surgiu em 1839, na
França. Caracterizada por um rápido progresso, foi aplicada em tentativas de fotos artísticas e na
captação de movimentos, além de ter transformado a psicologia da visão. Tais fatores geraram uma
profunda mudança sobre o desenvolvimento de correntes artísticas ligadas ao Impressionismo.
5
Segundo Argan (2002, p. 75) é aquele que pertence ao movimento do Impressionismo, que surgiu
em Paris entre 1860 e 1870. Caracteriza-se pela representação imediata da realidade, por meio de
impressões luminosas.
14
No Pós-Impressionismo6
, observa-se o surgimento de uma pintura
expressiva, o que não era diferente com o desenho; dentre os artistas da época que
trabalhavam com ambas as técnicas, está Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901)
(fig. 6). Argan (2002, p. 127) afirma que, “ao invés da pintura, ele prefere o meio
mais rápido do desenho; utiliza de bom grado a litografia e o pastel, [...] e mesmo
pintando transforma a pincelada impressionista em penetrante traço colorido”.
Figura 5. Edgar Degas: Depois do banho
- mulher se enxugando, 1888-1892.
Pastel sobre papelão, 67cm x 56cm.
National Gallery, Inglaterra.
Fonte:http://www.nationalgallery.org.u
k/paintings/hilaire-germain-edgar-
degas-after-the-bath-woman-drying-
herself
Nas primeiras décadas do século XX, o desenho é valorizado como forma
expressiva e uma técnica imediatista, assim ganhando autonomia plena, tal como se
pode ver nas aquarelas feitas pelo artista expressionista Egon Schiele (1890-1918),
nas quais ele representa o erotismo por meio de linhas agressivas e figuras
grotescas, principalmente de prostitutas e mulheres de classe baixa (fig. 7).
6
De acordo com Argan (2002, p. 82) o termo designa a pintura que se desenvolveu de 1886, a partir
da última exposição expressionista, até o surgimento do Cubismo, entre 1907 e 1908. É caracterizado
por um grupo de artistas que não possuíam um objetivo comum, dentre alguns deles destacam-se:
Paul Cézanne, Georges Seurat, Van Gogh e Paul Gauguin.
Figura 6. Henri de Toulouse-Lautrec:
Femme que tire son bas, 1894.
Óleo sobre papel cartão, 61,5cm x
44,5cm. Museu Toulose-Lautrec, Albi.
Fonte: http://www.mairie-albi.fr
15
Figura 7. Egon Schiele: Mulher deitada, 1914.
Lápis e aquarela, 48cm x 31 cm. Galleria Galatea de Turim.
Fonte: Argan, 2002, p. 241.
Convém citar também o Fauvismo7
francês; sobre os artistas fauvistas Argan
(2002, p. 229) escreve que, “embora concebessem a arte como impulso vital, os
fauves começam pela abordagem crítica de uma série de problemas pictóricos”,
para isso utilizando-se de cores vibrantes. Sobre Raoul Dufy (1877-1953), um dos
integrantes do movimento, lemos que ele era um:
[...] encantador, criador de uma arte colorida e viva, alegre e
sonhadora. Simples e ao mesmo tempo grande mestre da cor,
atrevido e dinâmico. Seus desenhos têm um estilo pessoal forte, de
traços dominantes e de estruturas bem encaixadas. [...] o uso do
branco e os traços que reforçam os desenhos trazem ar à obra, o
que lhe dá leveza e suavidade.”. (ALEJOS, 2013, p. 01).
1.2 O desenho e a pintura como linguagens contemporâneas
Segundo Kunzler (2005), na arte contemporânea as obras de arte são
criadas a partir da relação que o artista possui com o contexto social, político,
econômico e filosófico no qual está inserido. Assim, as características presentes no
mundo atual acabam refletindo na arte (no caso, na pintura e no desenho), seja na
postura do artista, no conceito ou na maneira com que uma linguagem é usada.
Ainda sobre o desenho contemporâneo, Rodrigues (2011) escreve que este
herda a visão das vanguardas no momento em que se valoriza o prazer do processo
em detrimento do resultado final. Não basta apenas reproduzir a realidade, seja ela
7
Conforme Argan (2002, p. 229) e Janson e Janson (1992, p. 357), é uma corrente artítica que se
passou na França entre 1905 e 1907. Seu nome provém da palavra francesa fauves, o mesmo que
“selvagens”, termo que se liga diretamente às suas características: pinceladas violentas e cores
puras. Dentre seus principais artistas estão Georges Braque, Andre Derain e Raoul Dufy.
16
real ou imaginária; assim como Garcia (2011, p. 13) afirma que “é necessário pensá-
la e conseguir transmitir para o suporte através da matéria todo esse processo”.
Ainda de acordo com Garcia (2011, p. 14), para que um artista crie um
desenho (ou mesmo uma pintura) de alta qualidade artística é necessário que ele
possua “o conhecimento dos sistemas básicos de representação, referências
artísticas de qualidade, uma capacidade crítica em relação ao desenho e uma
visualização da realidade distinta”.
Depois de adquiridos esses fundamentos, o artista poderá buscar sua
própria identidade, assim como fez Pablo Picasso (1881-1973). Segundo Carvalho
(2008), ele era extremamente habilidoso com o desenho, realizando trabalhos
naturalistas de alta qualidade (fig. 8), embora hoje seja consagrado por um estilo
muito diferente, o cubismo (fig. 9).
Figura 8. Pablo Picasso: Matador
Luis Miguel Dominguin, 1897.
Lápis sobre papel. Dimensão não
encontrada. Olga’s Gallery.
Fonte: www.ideafixa.com/abuscadoestilo/ Fonte: http://www.moma.org/collection/
Kunzler (2005) menciona as palavras de Agnaldo Farias dadas em uma
entrevista à Albuquerque, para exemplificar o que torna uma obra contemporânea:
Eu cobro da arte que ela me inquiete. Isso poderia ser uma definição:
contemporâneos são os trabalhos que não são acomodados. Dentro
dessa lógica, Goya é profundamente contemporâneo. Continua difícil
olhar uma obra dele. Ficar diante de um Velázquez é mole. [...] Há
obras que perduram, não perdem o vigor. [...] Por isso eu diria que
Figura 9. Pablo Picasso: Les
Demoiselles d’Avignon, 1907.
Óleo s/ tela, 249,3cm x 233,7cm,
Museum of Modern Art, Nova York.
17
nem tudo que é feito agora é arte contemporânea, mas nem tudo que
foi feito anteriormente é arte do passado. (FARIAS, 2005 apud
KUNSLER, 2005, p. 3).
Seguindo tal linha de raciocínio, são listados a seguir artistas
contemporâneos e seus respectivos trabalhos. Identifico-me com eles, seja por meio
da poética, tema (fig. 10) ou mesmo forma (estilo) ou técnica que utilizam.
Figura 10. Pawel Kuczynski: Duelo, 2013.
Fonte: http://www.pawelkuczynski.com
O primeiro citado é o artista polonês Pawel Kucsynski (1976), que através de
suas ilustrações faz duras críticas à sociedade na qual vivemos . Dentre os assuntos
tratados de maneira extremamente inteligente estão: a fome, a pobreza, a
desigualdade social, a corrupção, a poluição e a relação que o homem possui com a
tecnologia. Segundo Mans (2013), em uma entrevista para o canal da TV Cultura, o
ilustrador relata:
Sou um observador de tudo o que passa ao meu redor e creio que os
artistas podem transformar tudo. Encontrar uma boa ideia é um
ponto-chave. Há semanas que tenho inspiração e em outras não. Eu
trato de converter em imagens minhas observações sobre a condição
humana. (KUCZYSNKI apud MANS, 2013, p. 01).
Ainda no âmbito da crítica social, encontro familiaridade com os temas
tratados nos trabalhos do inglês Banksy (1974). Caracterizam-se pelo uso de
técnicas mistas e poucas cores, fazendo com que alguns deles pareçam silhuetas.
De acordo com Belanciano (2013), há mais de 15 anos que o artista atua nas ruas
ao redor do mundo, realizando seus stencils efêmeros e sempre mantendo o
anonimato. Em uma de suas viagens, o artista deixou sua marca na Faixa de Gaza,
em uma época em que o conflito entre israelenses e palestinos ocorria (fig.11).
18
Segundo Schneedorf (2010, p. 3) “questiona-se se sob o perfil se esconde um único
artista, ou se reveza uma equipe deles [...]”, devido à presença dos trabalhos de
Banksy em várias partes do mundo.
Figura 11. Banksy: Bomb darmage, 2015.
Stencil sobre porta, tamanho natural. Cidade de Gaza.
Fonte: http://www.banksy.co.uk
Ainda de acordo com Schneedorf (2010), as obras de Banksy tornam-se
mais acessíveis pelo fato de serem feitas em muros, possibilitando que qualquer
cidadão as possa ver, fazendo de suas obras um instrumento de desmistificação da
arte vigente. Sobre sua própria produção Banksy diz:
Você pode dizer que o grafite é feio, egocêntrico e que é tão somente
um gesto de pessoas que desejam algum tipo patético de fama. Mas
se isso é verdade, é apenas porque os grafiteiros são exatamente
como todo mundo nesta porcaria de país. Alguém me perguntou
recentemente se eu considero que a maioria dos grafiteiros na
verdade são artistas frustrados como eu. Bem, eu sou frustrado por
muitas coisas, mas tentar ser aceito pelo mundo da arte não é uma
delas. Isto parece difícil para algumas pessoas entenderem – você
não grafita na vã esperança de que um dia algum conservador obeso
o descobrirá e porá suas obras na parede dele. (BANKSY, 2002
apud SCHNEEDORF, 2008, p.08).
Dentre os trabalhos de Banksy com os quais me identifico, aquele cujo tema
está próximo do que trato em minhas obras é Mobile lovers (fig.12). Trata-se de um
stencil no qual há um casal abraçado, chamando a atenção para o fato de ambos
19
manterem seus olhos fixos em seus respectivos celulares, dando a entender que,
enquanto o tempo está passando, em vez de o aproveitarmos com as pessoas
próximas de nós, preferimos prestar atenção em uma pequena tela, que
consequentemente torna-se uma extensão de nossa vida.
Figura 12. Banksy: Mobile lovers, 2014.
Stencil sobre porta, tamanho natural. Bristol City Museum and Art Gallery, Inglaterra.
Fonte: http://www.banksy.co.uk
No mesmo caminho de Banksy, há o artista canadense conhecido como “I
Heart”. Ele também provoca a reflexão através de seus grafites caracterizados por
poucas cores e que, em alguns casos, são constituídos apenas por frases. Em uma
série, ele usa como tema a relação das crianças com a tecnologia. Como se pode
ver na fig. 13, uma criança aparece chorando pelo fato de possuir nenhum like,
conversa ou pedido de amizade; uma criança que deveria estar brincando com os
amigos ou se distraindo com brinquedos. Conforme Oliboni (2015, p. 01), em uma
entrevista ao site inglês The Huffington Post, o artista diz “eu vejo as pessoas
andando pelas ruas e mal olham por cima de seus dispositivos. Estamos hiper-
conectados digitalmente, mas tão desconectados uns dos outros”.
20
Figura 13. I Heart, 2014. Stencil sobre muro. Vancouver, Canadá.
Fonte: http://www.iheartthestreetart.com/
Também em uma linha de pensamento parecida (cujo conceito também
uso), há o artista francês Dran (?); além de se utilizar da ironia e da crítica social,
como acontece nos trabalhos de Kuczinsky e Banksy, suas obras apresentam um
humor negro. Conhecido como “Banksy francês”, sua obra difere nos traços e no
fato de haver mais detalhes em seus desenhos que, por sua vez, não são realizados
com a técnica do stencil, mas sim através de técnicas múltiplas (desenho, pintura,
serigrafia, grafite etc.). Em uma de suas obras, sobre o que parece ser um pedaço
de papelão no qual se pode ler “frágil”, há um casal de noivos aparentemente felizes
e recém casados, representando assim a fragilidade das uniões na atualidade (fig.
14).
Figura 14. Dran: Sem título, 2012.
Grafite sobre caixa de papelão, dimensão não encontrada.
Fonte: https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/a-arte-critica-a-vida-na-obra-do-
frances-dran/
21
Por fim, tomo como referência também o austríaco Egon Schiele (1890-
1918). Sobre seus desenhos Ribeiro (2011) afirma que expressam o erotismo
através de figuras grotescas e linhas agressivas, características percebidas em seus
modelos preferidos: prostitutas e trabalhadoras de classe baixa, fator que causou
polêmica na sociedade vienense no início do século XX. Nos anos seguintes,
conforme diz Ribeiro (2011), Schiele começou a utilizar temas menos convencionais,
e sua técnica passou a ligar-se à aquarela. Desenvolvido o seu estilo, a pobreza e a
piedade tornam-se assuntos presentes em seus desenhos caracterizados pelas
linhas rudes e formas intensas, acentuando a eroticidade presente nos personagens.
Suas mulheres são dispostas em espaços destituídos de elementos decorativos e
com a ausência do fundo (fig. 15), fatores estes que se ligam à minha obra intitulada
Redes Líquidas II.
Figura 15. Egon Schiele: Mulher sentada com o joelho dobrado, 1917.
Lápis e têmpera, 46cm x 30,5cm. Galeria Narodni, Praga.
Fonte: http://www.girafamania.com.br/historia_arte/historia_arteexpressionista.html
Sobre as temáticas da arte contemporânea (o que consequentemente se
reflete no desenho e na pintura), através das referências citadas, percebe-se que o
conceito e o cunho social ganham destaque, assim como temas que envolvam a
alienação e a crítica a uma ideologia. (KUNZLER apud SANTOS, 2004, p. 73-74)
22
escreve sobre a visibilidade de temas considerados sem importância como “desejo,
loucura, sexualidade, linguagem, poesia, sociedades primitivas, jogo, o cotidiano”.
A partir desses pontos, trago a seguir os conceitos que norteiam a realização
do meu trabalho prático: as redes sociais e a modernidade líquida.
1.3 Relacionamentos líquidos: uma realidade apenas virtual
Baseando-me nas palavras de Kunzler (2005), que afirmam que o artista
produz suas obras a partir do contexto social no qual se encontra, inicio minha busca
no que se refere ao “ser humano”, um ser social, dotado de sentimentos, imperfeito
e que necessita de companhia. Esse ser humano poderá almejar a autossuficiência
e a independência, mas, sentirá, como uma possível consequência, o isolamento
causado por suas escolhas. Para isso, como uma das maneiras para se evitar esse
retraimento, o ser humano procura interagir com outras pessoas através das redes
sociais. Alguns chegam a receber mais atenção na sua vida virtual do que em sua
vida real, transformando-os em seres que precisam a todo instante compartilhar,
dizer algo para que, assim, a atenção seja direcionada a eles novamente. Segundo
o professor de psicologia Nelson Pedro Silva da Universidade Estadual Paulista –
Unesp (2015, p. 4) “[...] a intenção dessa pessoa não é buscar a problematização de
sua vida, o autoconhecimento, mas a confirmação de suas convicções e ser objeto
do olhar alheio”.
Junto dos avanços tecnológicos, especialmente com o surgimento de
celulares que realizam múltiplas funções que se assemelham a um computador de
mão, diversas redes sociais se tornaram acessíveis (WhatsApp8
, Facebook9
,
Instagram10
, Twitter11
são apenas algumas delas) e, por sua vez, compõem um
espaço virtual para se fazer “amigos”, sendo eles próximos ou não. Espaço virtual
8
Segundo Dâmaso (2016, p. 1), é um aplicativo grátis para o envio de mensagens. Criado pelo
ucraniano Jan Koum e lançado em 2009, com este aplicativo é possível enviar textos, imagens,
vídeos, áudios, realizar ligações gratuitas. Para que funcione bem é preciso ter conexão com a
internet.
9
Segundo TechTudo (2016, p. 1), é uma rede social de uso gratuito. Criado pelo norte-americano
Mark Zuckerberg e lançado em 2004, essa rede possibilita o compartilhamento de fotos e vídeos,
conversar com outras pessoas, trocar curtidas, comentar e compartilhar postagens de outros
usuários, jogar, criar eventos e grupos.
10
Segundo TechTudo (2016, p. 1), é uma rede social gratuita de compartilhamento de fotos e vídeos
com seguidores. Fundado pelo norte-americano Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger em outubro
de 2010.
11
Segundo Brito (2016, p. 1), é uma rede social gratuita onde se postam mensagens com até 140
caracteres, sendo visualizadas por pessoas de todo o mundo. Fundada por Jack Dorsey, Evan
Williams e Biz Stone em 2006, o usuário poderá postar mensagens (tuitar e retuitar), seguir pessoas e
também ser seguido por outros usuários.
23
esse em que os indivíduos compartilham aquilo que lhes convém, principalmente
gostos em comum. Em situações extremas, a rede social utilizada transforma-se em
um livro aberto, colocando em risco a própria segurança do usuário ou mesmo
tornando-se uma ferramenta de disseminação de ideais sem fundamentos que, em
algumas vezes, são assimiladas sem contestação.
Durante essa minha procura, encontrei embasamento sobre a forma como a
ironia se manifesta na arte. No Grande Dicionário Enciclopédico Brasileiro Ilustrado
(1978, p. 852), encontra-se a seguinte definição para ironia: “expressão que significa
o contrário do que se está pensando ou sentindo, usada para diminuir e depreciar, e
às vezes para louvar e engrandecer”. Na arte, tal expressão exercerá a função
descrita com o sentido da depreciação, sinônimo de sarcasmo.
Levando em consideração tal definição e tendo como referência o que
Connor (1993) explica sobre Alan Wilde, identificam-se duas formas de ironia: a
disjuntiva e a suspensiva.
Wilde, segundo Connor (1993), define a ironia disjuntiva como pertencente
ao modernismo, sendo uma resposta diante da apresentação de um mundo
fragmentado, visando facilitar a compreensão do mesmo. Essa fragmentação gera a
incoerência, que pode ser observada em conflitos binários como: fé e razão, tradição
e inovação, carne e espírito, entre outros. Já a ironia suspensiva, caracteriza-se pelo
declínio da necessidade de ordem, tornando-a pertencente ao pós-modernismo.
Conscientes das incoerências presentes no mundo, os artistas não querem
simplificar a compreensão para essas incongruências, mas sim intensificá-las.
Um exemplo de ironia disjuntiva está nos ready made de Marcel Duchamp
(1887-1968), dentre os quais o artista põe bigodes na Gioconda de Leonardo da
Vinci (Fig.16). A esse respeito Argan escreve que:
[...] ele não pretendia desfigurar uma obra-prima, e sim contestar a
veneração que lhe tributa passivamente a opinião comum. E
também, provavelmente, ferir o orgulho de um público, que, agora, já
não sabe distinguir entre original e reprodução. [...]. (ARGAN, 2002,
p. 356).
24
Figura 16. Marcel Duchamp: L. H. O. O. Q. 1919.
Ready made retificado, 20cm x 13cm. Coleção particular ADAGP, Paris.
Fonte: http://www.marcelduchamp.net/duchamp-artworks/page/2/
Observando o contexto no qual se encontram e as maneiras como a ironia
pode ser aplicada, tanto a pintura como o desenho adquirem uma responsabilidade
social, tornando-se instrumentos de denúncias, expressando aquilo que acontece
em torno do artista, retomando o que já fora dito por Kunzler (2005). A ironia ora
aparece de forma explícita, com o objetivo de impactar, ora de maneira implícita,
onde o artista pretende fazer com que seu público reflita. No caso da minha arte uso
de ironia e tomo como objeto de reflexão as indagações despertadas pelas redes
sociais.
O sociólogo Zygmunt Bauman (1946), para definir esse campo de interação
virtual usa a palavra “rede”. Conhecendo sua teoria, entende-se que a “rede” (assim
que ele denomina o mundo virtual) está cada vez mais se tornando um lugar no qual
parte dos seres humanos procuram preencher um vazio existencial e amenizar a sua
crescente pobreza de espírito. Compreende-se que uma parcela dos seres humanos
sente medo de se envolver plenamente em uma relação, tornado-a volátil. A “rede”
transforma-se em um espaço propício ao ego e ao narcisismo.
Sobre esse ambiente de imersão proporcionado pelas redes sociais, cito o
livro de Ricky Riordan, Percy Jackson e os Olímpianos 1: O ladrão de raios (2008).
No livro há uma passagem em que os personagens Percy, Annabeth e Grover são
convidados a se hospedar em um hotel na cidade de Las Vegas. Lá são oferecidas
25
todas as regalias que se pode imaginar: comida, lugar para dormir e jogos variados,
desde clássicos até aqueles em que se necessita da realidade virtual. Houve um
momento em que Percy percebeu que havia algo de errado:
Provavelmente, foi quando reparei no cara que estava em
pé ao meu lado no jogo dos atiradores de elite virtuais.
Tinha cerca de treze anos, eu acho, mas suas roupas
eram esquisitas. Achei que fosse filho de algum dublê do
Elvis Presley. Usava jeans boca de sino e uma camiseta
vermelha com enfeites pretos, e o cabelo era cacheado e
cheio de gel, como o de uma garota de New Jersey em
noite de reunião de ex-alunos. [...] Em que anos
estamos? Ele franziu a testa para mim. No jogo? Não. Na
vida real. Ele precisou pensar. Mil novecentos e setenta e
sete. [...]. (RIORDAN, 2008, p. 150).
Percy logo deduzira que os jogos que eram disponibilizados nesse hotel (as
distrações) causavam um estranho frenesi, fazendo com que as crianças perdessem
a noção da passagem do tempo, e pior, começassem a esquecer de sua própria
realidade.
Diante dessa passagem e tendo como referências as minhas experiências,
senão as experiências de boa parte de nós, percebo que as facilidades tecnológicas
nos aproximam de pessoas que moram longe, ao mesmo tempo em que nos
afastam daquelas que estão próximas a nós, uma situação bastante irônica. Um fato
preocupante que constatei é que uma parcela das pessoas considera como fatos
verdadeiros posts12
que são compartilhados nas redes sociais. Fiz uma experiência
em que compartilhei um texto (fig. 17), no qual eu assumia o lugar de meu pai,
comunicando o meu falecimento devido a uma parada cardíaca. Determinadas
pessoas ficaram extremamente bravas, enquanto outras escreveram declarações de
amor, como aquelas que não falavam há tempos comigo resolveram “reaparecer”.
Percebi também que uma pequena porcentagem de meus amigos virtuais sequer leu
todo o post, um fator que abre caminho a uma nova discussão: as redes sociais
criam uma espécie de ansiedade, um reflexo da velocidade de informações que
recebemos, tornando-as pessoas preguiçosas quando têm que realizar uma leitura
relativamente extensa. E quero deixar claro aqui que as redes sociais possuem sim
seus pontos positivos, como seus pontos negativos, mas neste trabalho trato de
12
Palavra que vem do inglês post. Traduzida do inglês para o português que significa postar, liga-se
às redes sociais quando um indivíduo faz uma publicação, seja ela em forma de texto ou imagem.
26
certos aspectos que se refletem em uma pequena parcela da sociedade, não se
trata da uma generalização.
Figura 17. Post do Facebook, 2015.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
Como meu trabalho visa analisar o aspecto da relação do ser humano com a
tecnologia, mais precisamente com as redes sociais (que comprovei com a pequena
experiência que relatei aqui), trarei as palavras do historiador e palestrante Leandro
Karnal (1963), ditas por ele em um programa da TV Cultura chamado Café
Filosófico. Karnal, especialista em Hamlet, conduz-nos a pensar que tipo de cidadão
esse personagem de Shakespeare seria se vivesse em uma sociedade similar à
nossa.
Segundo Karnal (2015), somos seres solitários, tão solitários a ponto de
criarmos uma vida interessante no mundo virtual, já que a vida real não parece
empolgante. Um exemplo citado por ele é a quantidade de amigos, já que não temos
nenhum ou poucos amigos na vida real, em uma rede virtual possuímos mais de três
mil, o que nos leva diretamente ao questionamento sobre a necessidade que o ser
humano possui de receber atenção e de falar muito, sobre isso o historiador diz:
[...] como nós falamos muito, é provável que nós falemos muito em
todo instante, no celular ou no WhatsApp, porque nós não temos
mais nada a dizer. E não tendo nada a dizer, então eu preencho esse
vazio insuportável com falas constantes [...]. (KARNAL, 2015).
27
Respondendo a uma pergunta feita por um telespectador, Karnal reafirma o
fato de sermos seres solitários, do desejo de querermos ser observados a todo
instante, o dever desenfreado de ter uma opinião sobre tudo, e principalmente, a
crise de identidade que o ser humano enfrenta atualmente. Assim ele questiona:
[...] minha pergunta é se alguém está ouvindo a opinião alheia, se
alguém está lendo a dos outros. Se eu tiver 35 grupos de WhatsApp
– família, amigos, emprego, festa e etc., se eu tiver três contas no
Instagram, se eu tiver quatro perfis no Face (inclusive um fake para
sacanagem), se eu tiver tudo isso, quem que eu estou lendo de fato,
se todo o meu tempo é consumido pela atualização dessas
questões? [...]. (KARNAL, 2015).
Tais constatações se ligam às ideias expressas no livro do sociólogo
Zygmunt Bauman nomeado Amor Líquido – Sobre a fragilidade dos laços humanos.
Nesta obra ele escreve sobre o mundo líquido no qual estamos inseridos, onde tanta
volatilidade acaba refletindo sobre nossa capacidade de se relacionar, seja consigo
mesmo ou com a sociedade. Bauman (2004) aponta a insegurança que o ser
humano tem de se ligar ao outro, o fato de querer assumir um compromisso ao
mesmo tempo em que tem medo do futuro.
A respeito da conectividade (2004, p. 8), o autor questiona: “quais são os
méritos da linguagem da ‘conectividade’ que estariam ausentes da linguagem dos
‘relacionamentos’?”. Sobre os relacionamentos virtuais, Bauman (2004) escreve que
é aparentemente fácil entrar e sair deles, pois em comparação com o
relacionamento autêntico (o real), demonstra-se inteligente e limpo, no sentido de
não haver circunstâncias que dificultem a sua relativa continuidade.
Expostos esses conceitos, a seguir trago o processo criativo de minhas
obras, fazendo uma ligação direta com o que fora apresentado neste presente
capítulo.
28
2 REDES LÍQUIDAS
Este capítulo trata sobre o processo criativo envolvido na concepção das
obras que compõem a proposta Redes Líquidas. Baseando-me no capítulo anterior,
no qual escrevo a respeito das questões teóricas que norteiam meu trabalho, aqui
apresentarei o percurso que envolve desde a concepção até a finalização dos
desenhos e pinturas. Logo depois, apresento uma breve análise de cada políptico.
1.4 Obra 1 - Redes Líquidas I
Foi durante as pesquisas realizadas para a produção de uma série de
pinturas na Oficina de Pintura II, ministrada pela professora Priscilla Pessoa, que a
ideia para o políptico surgiu (tanto para o políptico de pintura, como para o de
desenho). Eu não tinha o conhecimento necessário para saber se algum artista já
havia feito o que eu pretendia, foi então que encontrei nas obras do artista Pawel
Kuczynski a inspiração para materializar a minha ideia e, assim, representar como
as redes sociais podem atuar em nossas vidas. Foi uma ideia que surgiu devido ao
meu contato com as redes sociais, que por sinal é constante, e às observações que
eu fazia diariamente (e que ainda faço) das diversas manifestações do
comportamento humano diante das facilidades de comunicação.
Navegando pela Internet, precisamente utilizando a minha conta no
Facebook, encontrei um artigo publicado na revista Isto é, cujo conteúdo tratava
sobre as redes sociais e seu impacto sobre nós. O título do artigo havia chamado
minha atenção: Vivemos tempos líquidos. Nada é feito para durar. Neste artigo,
Adriana Prado (2016), transcreve a entrevista concedida à revista pelo sociólogo
polonês Zygmunt Bauman. A partir da leitura dessa entrevista, passei a pesquisar
sobre os livros de autoria do sociólogo, foi então que encontrei no livro Amor Líquido
– Sobre a fragilidade dos laços humanos, a base teórica que acrescentaria em meu
trabalho, tanto na prática como na teoria. Nele encontro definições para as palavras
“rede” e “relacionamentos líquidos”, palavras que compõem também o nome de
minhas obras. Tal conceito presente em seu livro é mais perceptível na obra Redes
Líquidas II.
Quanto às telas que compõem “Redes Líquidas I”, inicialmente foram
avaliadas para a disciplina Oficina de Pintura II e comporiam um portfólio visando
exposições; a professora da citada disciplina (que também é minha orientadora)
29
sugeriu que eu as utilizasse como parte integrante do meu Trabalho de Conclusão
de Curso. Foi nesse momento que, a partir das quatro telas produzidas, a ideia para
o políptico começou a ser discutida e aprimorada.
Ao longo da oficina fui desenvolvendo as pinturas, levando em consideração
os ensinamentos proporcionados pelo curso e os conhecimentos que eu adquiria,
seja devido à curiosidade e à observação, seja por conta própria ou aprendendo
com os mestres. A técnica foi escolhida de acordo com minha preferência, com a
qual já havia tido um contato considerável desde o início do curso: a pintura a óleo.
Assim, com as ideias já apresentadas e com o projeto direcionado, para a
concepção da obra Redes Líquidas I, composta por sete pinturas, recorri ao
questionamento que surge quando nos vemos envoltos por tanta informatização:
nesse mundo virtual ninguém está sozinho, será que não? Como uma tentativa de
responder a essa questão e despertar o intelecto do observador, em quatro das sete
pinturas há a presença do nome Beyound, que se constitui como o nome de um
usuário fictício do Instagram, criado por mim apenas para compor as telas. A criação
desse nome visa discutir a crise de identidade diante da qual o ser humano pode
estar exposto quando utiliza em demasiado uma rede social, como desmistificar às
vezes em que um indivíduo demonstra-se feliz, quando sua vivência é oposta àquilo
que ele demonstra aos outros.
1.4.1 O processo criativo de Redes Líquidas I
Para a produção de cada pintura em que represento uma tela do Instagram,
utilizei o projetor como recurso para que eu pudesse riscar as montagens feitas
previamente no Photoshop13
. Para as montagens, pesquisei imagens que
representassem pessoas solitárias, precisamente homens em diferentes fases de
suas vidas: infância, puberdade, adolescência e a fase adulta. Procurei também
prints14
das telas do Instagram para compor a cena imaginada (fig. 18 e 19).
13
Programa em que é possível se editar fotos, manipular imagens (desde montagens a retoques),
desenhar e colorir.
14
Print ou print screen, que da tradução do inglês para o português significa “impressão” ou “captura
de tela”.
30
Figura 18. Montagens feitas no Photoshop, 2015.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
Figura 19. Montagens feitas no Photoshop, 2015.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
Nos ícones (fig. 20), fiz outra montagem que representa a quantidade de
decepções que uma pessoa pode vir a sofrer durante a sua vida (no caso este
31
usuário do Instagram). Como também demonstra a necessidade de atenção que as
redes sociais despertam.
Figura 20. Montagem do ícone no Photoshop.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
Como se pode observar, aqui é mostrado apenas o método necessário para
a produção de uma tela, método que se aplica às demais que compõem o políptico
em questão. A tela aqui apresentada possui a dimensão de 18 cm x 24 cm (fig. 21 a
24). Ao todo são sete telas que compõem a obra Redes Líquidas I, sendo duas do
tamanho 18 cm x 24 cm, quatro telas de 27 cm x 35 cm e uma de 60 cm x 40 cm.
Figura 21. Tela riscada com o auxílio do projetor. Figura 22. Início da pintura
Fonte: Acervo pessoal da artista. Fonte: Acervo pessoal da artista.
32
Figura 23. Fase intermediária da pintura. Figura 24. Pintura finalizada.
Fonte: Acervo pessoal da artista. Fonte: Acervo pessoal da artista.
1.4.2 O políptico - Redes Líquidas I
Em quatro das sete pinturas feitas (as outras três consistem dos detalhes
retirados dessas quatro telas), como já citado, há a presença de figuras masculinas,
cada uma representando uma fase da vida humana: infância, puberdade,
adolescência e fase adulta (fig. 25).
Figura 25. Imagem meramente ilustrativa da disposição das telas.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
33
Com isso quero dizer que com as facilidades que as redes sociais nos
proporcionam, percebe-se o aumento do número de pessoas cada vez mais
solitárias, que buscam no mundo virtual um meio de receber a atenção que lhe é
negada em sua “vida real” ou que simplesmente escolhem se isolar em seu próprio
mundo, às vezes não necessitando de uma rede social para isso. O que nos remete
a uma frase do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), que pode ser encontrada
em livro Humano, Demasiado Humano II (2008, p. 107) “na solidão, o solitário
devora a si mesmo, na multidão o devoram muitos. Agora escolha”. Ou escolhemos
uma dessas opções esboçadas por Nietzsche, ou procuramos por um caminho
diferente que nos leve ao reencontro de nossa humanidade, construindo assim laços
duradouros.
1.5 Obra 2 - Redes Líquidas II
Aqui se encontra a técnica com a qual eu queria trabalhar desde o início: o
desenho feito com o lápis de cor. Antes de chegar às ideias que expressei nesses
desenhos, eu não sabia ao certo o que desenhar. Queria fazer desenhos que
tivessem uma ligação com a ironia, representassem o assunto de maneira
inteligente e que trouxessem reflexão às pessoas. Foi quando, devido a Oficina de
Pintura II, resolvi aplicar as ideias que tive nesta disciplina no desenho também.
Sobre a técnica do lápis de cor, eu não me aprofundava muito, achava até
uma atividade exclusiva para o público infantil (mentalidade essa adquirida antes de
cursar Artes Visuais). Entrando para o curso, pude aprender noções sobre o
desenho, como o uso da proporção e a observação dos elementos que nos rodeiam.
Comecei a praticá-las não só no curso, mas fora dele. Por conta própria comecei a
desenvolver o interesse pelo lápis de cor, buscando tutoriais, até mesmo nomes de
artistas que trabalhavam muito bem o material. Busquei também conhecimento em
grupos presentes no Facebook, o que acaba contribuindo tanto para o processo da
pintura, como para o enriquecimento do trabalho.
1.5.1 O processo criativo de Redes Líquidas II
O método de criação dos desenhos se baseia em uma imagem previamente
imaginada e na crítica que desejo passar através dela. Logo em seguida, procuro
em um banco de imagens poses que se assemelhem àquilo que imaginei. O banco
34
de imagens em questão é a rede social chamada Pinterest - rede que já fora citada
no capítulo anterior - (fig. 26).
Figura 26. Tela inicial Pinterest.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
Escolhida a imagem mostrada na figura 27, eu a esbocei no papel (fig. 28),
fazendo modificações como a inserção de objetos, que no caso são os ícones das
redes sociais (WhatsApp, Facebook e Twitter principalmente) e nas cores.
Figura 27. Fruit Fashion Photography, 2016, Domino A
Fonte: http://br.pinterest.com/pin/293085888227679690/
35
Figura 28. Esboço que ainda preserva os acessórios presentes na imagem original.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
Para iniciar a pintura, eu apago o esboço até que não fique quase nenhuma
marca do grafite. Começo a acrescentar as cores camada por camada que,
dependendo do meu gosto, vão mudando e se adequando ao meu propósito, que é
o de deixar o mínimo de marca possível do lápis de cor e chamar a atenção para a
pintura, o volume e o acabamento do desenho (fig. 29 a 31).
Figura 29. Início da pintura com o lápis de cor Figura 30. Fase intermediária da pintura
com as modificações feitas na imagem. 2ª camada de cor.
Fonte: Acervo pessoal da artista. Fonte: Acervo pessoal da artista.
36
Figura 31. Pintura finalizada.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
1.5.2 O Políptico - Redes Líquidas II
Além do assunto tratado em cada desenho que, como citado anteriormente,
visam criticar de forma sutil determinados comportamentos que observo diariamente
daqueles que possuem contato com as redes sociais, quero através da disposição
dos desenhos remeter às abas que abrimos quando estamos em um navegador, e
mencionar o fato de termos contato com assuntos que são repetidos
constantemente nas redes sociais, por exemplo, os famosos vídeos virais ou os
memes15
.
O nome dado ao políptico também contribui para a sua significação,
referindo-se às ligações voláteis que se tornam passíveis de acontecer graças à
Internet. Com ligações quero dizer “ligações humanas”, aquela ligação que é criada
por meio do relacionamento, sendo ele amoroso ou não.
Em cada desenho que o compõe, estará presente um ícone que faz uma
alusão às redes sociais, sempre havendo também a representação da figura
humana. Em cada cena é retratada, segundo a minha visão, uma maneira como o
15
Termo que designa uma imagem, vídeo ou frase que possui um teor cômico e que rapidamente se
espalha pela Internet.
37
ser humano pode se comportar diante de uma rede social e quais os
“acontecimentos” aos quais ele estará sujeito quando imerso (fig. 32).
Figura 32. Imagem meramente ilustrativa da disposição dos desenhos.
Fonte: Acervo pessoal da artista.
38
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estamos inseridos em um mundo no qual a comunicação, seja ela verbal ou
não, é um fator importante para se viver em sociedade (senão não haveria
relacionamentos humanos!), relações estas que podem ser construídas pessoal e/ou
virtualmente. Não há gravidade nisso, apenas no momento em que tais facilidades
começam a atrapalhar nosso convívio com os outros. Como já vivenciei algumas
dessas consequências - às quais todos nós estamos expostos direta ou
indiretamente - por meio do que foi desenvolvido através dos textos abordados e da
concretização das duas obras, minha intenção não foi impor minha visão, mas sim
materializá-la e, por que não, fazê-la ser sentida por aqueles que tiverem o contato
com ela.
No começo tive dificuldade para a produção das cenas, no sentido de
escolher uma maneira através da qual eu pudesse materializá-las de tal forma que
se mostrassem convincentes. No decorrer da pesquisa, enquanto procurava por
textos que embasassem tanto o trabalho, quanto o meu conhecimento, aos poucos
fui encontrando maneiras que me levassem a criar imagens que se encaixassem
com o que eu queria retratar. Foi então que cheguei a cenas que passam
mensagens literais, ao mesmo tempo em que requerem uma interpretação por parte
daquele que observa. Para entender as cenas é preciso parar, observar e pensar na
possível mensagem que ali está subentendida. Entender que se trata de uma visão
crítica ao mesmo tempo em que pretende destacar a técnica e a poética.
Quero, através desse trabalho, fazer com que o leitor (aquele que ler esta
pesquisa) e o observador (aquele que vir as obras), tanto um quanto o outro, criem
sua própria visão de mundo a partir da minha. Quero trazer à tona, sob o ponto de
vista artístico, como as redes sociais podem nos afetar quando as tornamos uma
extensão de nossas vidas, quando na realidade devem ser apenas uma ferramenta
de comunicação e interação. Por fim, quero mostrar que é possível alcançar
resultados satisfatórios utilizando ferramentas até então negligenciadas e comuns (o
lápis de cor) ou tidas como técnicas complicadas de lidar (a tinta a óleo).
39
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REDAÇÃO HYPENESS. Conheça as novas artes e críticas à sociedade do
artista Banksy. São Paulo, 2014. Disponível em:
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RIORDAN, Rick. Percy Jackson e Os olimpianos 1: O ladrão de raios. Rio de
Janeiro: Editora Intrínseca, 2008.
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critica-a-vida-na-obra-do-frances-dran/>. Acesso em: 18 mai. 2015.
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<http://aartedaperformance.weebly.com/dadaiacutesmo.html>. Acesso em 10 jun.
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na arte contemporânea. 2011. Dissertação (Graduação em bacharelado com linha
de pesquisa em Processos e Poéticas) – Curso de Artes Visuais, Universidade do
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SANTOS, Fabiane Cristina Silva dos. A poética do desenho: o fio como matéria.
2012. In: Ambiência um convite para entrar... Investigação poética da
42
feminilidade no processo de criação. Dissertação (Mestrado em Processos
Criativos) – Escola de Belas Artes, Universidade da Bahia, Salvador, p. 1-11.
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muros expositivos. Revista Palíndromo. v. 2. p. 1-27. 2009.
TECHTUDO. Faça download do Facebook e participe da rede social. Disponível
em: <http://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/facebook.html>. Acesso em: 27 fev.
2016.
TECHTUDO. Faça o download do Instagram, a famosa rede para compartilhar
fotos e vídeos. Disponível em: <http://www.techtudo.com.br/tudo-
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WITTKOWER, Rudolf. O Renascimento, Alberti, Gairicus e Leonardo. In: Escultura.
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Moreira; daniel augusto nunes   linhas delicadasMoreira; daniel augusto nunes   linhas delicadas
Moreira; daniel augusto nunes linhas delicadas
 

Tcc 2015 arianne de lima

  • 1. ARIANNE DE LIMA REDES LÍQUIDAS CAMPO GRANDE - MS 2016
  • 2. ARIANNE DE LIMA REDES LÍQUIDAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Artes Visuais. Orientadora: Prof.ª Mª Priscilla de Paula Pessoa CAMPO GRANDE - MS 2016
  • 3. ARIANNE DE LIMA REDES LÍQUIDAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Artes Visuais. Orientadora: Prof.ª Mª Priscilla de Paula Pessoa Campo Grande ____ de ________________ de 2016 BANCA EXAMINADORA __________________________________ Profª. Mª. Priscilla de Paula Pessoa Universidade Federal de Mato Grosso do Sul __________________________________ Profª. Drª. Eluiza Bortolotto Ghizzi Universidade Federal de Mato Grosso do Sul __________________________________ Prof. Esp. Adalberto Miranda Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • 4. Agradecimentos Primeiramente agradeço a Deus pelos sonhos que me deu e que constantemente me dá. Agradeço por ter me dado o dom da vida. Agradeço aos meus pais por sempre me apoiarem diante das decisões que tomei durante o percurso de minha vida. Agradeço-os por, mesmo quando parecia impossível, sempre proporcionarem condições para que eu pudesse estudar, fazendo nascer em mim uma vontade incessante de querer orgulhá-los dia após dia. Agradeço à minha irmã Ayanne que, mesmo com a pouca idade que possui, propicia boas conversas que sempre acrescentam em nossa vivência, em nosso crescimento intelectual e em nosso afeto. Agradeço às amizades que tenho há anos que, mesmo de longe, sei que torcem por mim. Agradeço às amizades que construí ao longo do curso, especialmente à Cássia Hayashi e Poliana Santana, pela sinceridade e falta de egoísmo, são pessoas com as quais pretendo compartilhar sonhos, planos e momentos de companheirismo. Agradeço aos mestres que passaram por minha formação, sem dúvidas aprendi muito com eles e são exemplos que farei questão de seguir. Agradeço à minha professora e orientadora Priscilla Pessoa que, com seu vasto conhecimento, me ajudou a fazer, estruturar e tornar possível o trabalho apresentado aqui. Agradeço à professora Eluiza e ao professor Adalberto por terem aceitado fazer parte da banca examinadora, pelos momentos em que passaram parte de seus conhecimentos, seja em aula ou nos momentos mais oportunos. Meu sincero agradecimento a todos.
  • 5. “Que o teu orgulho e objetivo consistam em por no teu trabalho algo que se assemelhe a um milagre”. Leonardo da Vinci
  • 6. RESUMO O presente trabalho discorre sobre o processo criativo que levou à produção de dois polípticos: um constitui-se de vários desenhos feitos a lápis de cor, enquanto o outro de pinturas com tinta a óleo. Ambas as obras tratam da relação que o ser humano possui com as redes sociais, recebendo um olhar particular da artista através de obras que fazem uma sutil crítica social. Para o melhor entendimento da proposta, é apresentado um breve histórico sobre o desenho e a pintura, como também a base teórica utilizada que deu origem ao nome da proposta. Palavras-chave: Desenho. Pintura. Redes Sociais. Crítica Social.
  • 7. SUMÁRIO INTRODUÇÃO............................................................................................................8 1 DESENHO E PINTURA: LINGUAGENS QUE CONVERGEM.............................9 1.1 A concepção renascentista do desenho e da pintura e a ruptura da modernidade ........................................................................................................10 1.2 O desenho e a pintura como linguagens contemporâneas....................15 1.3 Relacionamentos líquidos: uma realidade apenas virtual......................22 2 REDES LÍQUIDAS .............................................................................................28 2.1 Obra 1: Redes Líquidas I ...........................................................................28 2.1.1 O processo criativo de Redes Líquidas I...........................................29 2.1.2 O políptico: Redes Líquidas I .............................................................32 2.2 Obra 2: Redes Líquidas II ..........................................................................33 2.2.1 O processo criativo de Redes Líquidas II..........................................33 2.2.2 O Políptico: Redes Líquidas II ............................................................36 CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................38 REFERÊNCIAS.........................................................................................................39
  • 8. 8 INTRODUÇÃO O presente Trabalho de Conclusão de Curso tem como objetivo apresentar como foram utilizadas as linguagens tradicionais (a pintura e o desenho) para a concepção de cenas que, sob um ponto de vista artístico, analisam o comportamento humano diante das redes sociais. A proposta consistiu tanto nesse comentário crítico como também em valorizar e trazer um vislumbre atual às técnicas empregadas. Para isso, o trabalho divide-se em dois capítulos: o primeiro faz um breve panorama histórico interligando a pintura ao desenho, apontando algumas contribuições que ambas as linguagens proporcionam uma à outra, como para o estudo da artista que repassa esses conceitos. Utilizam-se como referências teóricas palavras de autores como E. H. Gombrich e Graça Proença, bem como referências visuais a partir dos trabalhos de artistas que se apropriaram (em alguns casos que ainda se apropriam) com excelência de ambas as linguagens para materializar sua visão, como também trabalhos de artistas que exercem influência direta sobre a produção das obras. Ainda no primeiro capítulo é tratado sobre o conceito no qual as obras Redes Líquidas I e II se baseiam, utilizando a teoria da modernidade líquida expressa pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro Amor Líquido – Sobre a fragilidade dos laços humanos (2004), as palavras do especialista em Hamlet e historiador Leandro Karnal e as experiências obtidas pela própria artista devido ao seu contato constante com as redes sociais. Já no segundo capítulo é apresentado o processo criativo das obras, desde sua idealização à sua realização, havendo imagens que serão a afirmação da teoria tratada ao longo do trabalho, visando ajudar o leitor a ficar a par de todo o percurso que levou à concretização das obras.
  • 9. 9 1 DESENHO E PINTURA: LINGUAGENS QUE CONVERGEM O desenho, segundo Mayer (2002, p. 3-4), é a aplicação de um pigmento que deixará uma marca em determinada superfície, seja por meio de um “lápis de grafita, um pedaço de carvão ou um creiom”, conceito que acaba se ligando à pintura. É tido, também como uma das linguagens artísticas mais tradicionais, ora servindo como base para outras, ora exercendo sua autonomia. Pode representar elementos reais e imaginários, sendo acessível para boa parte de nós, em algum momento de nossas vidas. Entramos em contato com essa linguagem na infância e, com o passar do tempo, depende de cada indivíduo poder e querer desenvolvê-la ou não. Quanto à pintura, também é uma linguagem tradicional com a qual se tem um contato maior durante a infância. Sobre ela, Mayer (2002) escreve: Uma pintura é uma estrutura laminada; seu suporte, seu fundo e suas camadas de cor, em graus variados de complexidade, devem ser elaborados de acordo com as simples leis da física e da química que determinam sua estabilidade. (MAYER, 2002, p. 219). Ainda sobre a pintura, especificamente sobre a tinta, Mayer (2002, p.11) escreve: “a tinta não é um produto acabado. Ela nos chega com belos rótulos dentro de latas ou pequenos tubos, mas trata-se apenas de uma matéria-prima; o ‘produto’ acabado é a pintura [...].”. Partindo desses conceitos, podemos situar o início da atividade do desenho (como da pintura) ainda na Pré-História, aproximadamente há 30 000 a.C. (fig. 1). Figura 1. Bisonte: Pintura rupestre encontrada numa das grutas de Altamira, Espanha. Fonte: Proença, 1996, p. 12.
  • 10. 10 De acordo com Janson e Janson (1992, p. 14) “é nos últimos estágios do Paleolítico, que teve início há cerca de trinta e cinco mil anos, que encontramos as primeiras obras de arte conhecidas”. Segundo os autores, essas obras significativas consistem em representações de animais nas paredes das cavernas notadas em várias partes do mundo, tanto em desenhos feitos com materiais como o carvão, como também em pinturas feitas com pigmentos naturais misturados à gordura animal. Muitas vezes, pinturas e desenhos coexistem, sendo impossível definir uma única linguagem. O desenho exerceu e continua exercendo o papel de auxiliar de outras linguagens na arte, função perceptível nos esboços e estudos feitos por artistas para a realização de pinturas, esculturas, gravuras ou, ainda, projetos para intervenções, instalações, entre outros. Todavia, em meu trabalho, o desenho não apenas auxilia a linguagem da pintura, mas converge para ela. Acontecendo o mesmo com a pintura, que converge para o desenho. Dentre as diversas manifestações desenvolvidas pelas duas linguagens, escolhi aquela na qual me sinto confortável e segura para executar: o Naturalismo1 . No caso das obras que desenvolvo (os dois polípticos), o naturalismo pode ser observado por meio da representação da figura humana. Quanto ao tema dos polípticos, baseio-me na relação que o ser humano atualmente possui com a tecnologia, especificamente com as redes sociais. A seguir, apresento alguns tópicos históricos e conceituais sobre o desenho e a pintura que julgo importantes para a concepção do meu trabalho, situando-os dentro do cenário artístico. Logo em seguida, faço uma análise sobre o tema proposto. 1.1 A concepção renascentista do desenho e da pintura e a ruptura da modernidade Tanto o ato do desenho quanto o da pintura, acompanham o homem desde tempos imemoriais; as duas linguagens se intercalam e, muitas vezes, são indissociáveis; mas, é a partir do Renascimento Italiano2 que o desenho como 1 Segundo Osborne (1998, p. 73), o naturalismo é descrito como uma tentativa de fazer com que uma obra, sendo ela uma pintura ou uma escultura, se assemelhe ao ato de observar uma janela transparente, onde o objeto representado não precise necessariamente fazer parte do mundo real, ainda que seja imaginário, o seu poder de convicção estará presente. Foi desenvolvido na Grécia Antiga entre os séculos V e VI a.C, sendo retomado no período do Renascimento. Principais artistas: Charles Daubigny, Theódore Rousseau e Jean-Baptiste-Camille Corot. 2 De acordo com Gombrich (1979, p. 217) é um período artístico que se passou na Itália, entre os séculos XIV e XVI, tendo neste último o seu ápice. Destacam-se artistas como: Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, Rafael e Ticiano.
  • 11. 11 estruturante da arte recebe importância maior e a pintura alcança seu esplendor, como se pode ver nos estudos e obras feitos por artistas como Michelangelo (1476- 1564), Leonardo da Vinci (1452-1519) e Rafael (1484-1520) (fig. 2 e 3). Figura 2. Rafael: Esboços de A Virgem do Prado, 1505. Lápis s/ papel, 36,2cm x 24,5cm. Viena, Albertina. Fonte: Gombrich, 2000, p.16. Figura 3. Rafael: A Virgem do Prado, 1505. Óleo s/ tela, 113cm x 88cm. Kunslhistorisches Museum, Viena. Fonte: http://valkirio.blogspot.com.br/2012/12/a-virgem-do-prado.html Sobre esse período, Proença (1996) diz que é caracterizado pela retomada dos ideais clássicos3 , usando como referência modelos da Antiguidade, cujos ideais eram o humanismo e o naturalismo, mas havendo uma transcendência destes. O humanismo é o ideal que norteia todo o movimento, retratando nas artes qualidades 3 De acordo com Gombrich (1979, p. 175-179) são ideais referentes à arte produzida pelos gregos que, por sua vez, tinham o desejo de superar a realidade através de suas criações.
  • 12. 12 que dignificam o homem e o valor da razão, como se pode ver em suas pinturas e esculturas. Também é nesse período que o artista possui grande independência; e uma característica herdada pelos artistas atuais, é seu reconhecimento como o indivíduo que assina suas obras e que possui liberdade de criação. Das contribuições da pintura renascentista para o desenho, de acordo com Proença (1996), destacam-se o uso da perspectiva segundo as regras da Matemática e da Geometria e o claro-escuro, fatores que contribuíram para que as obras alcançassem o naturalismo. Estas estratégias na pintura só funcionavam, em grande parte, devido ao fato de que os pintores eram antes exímios desenhistas e estudiosos de elementos reais que ajudavam a enriquecer suas obras. Dentre os artistas renascentistas, podemos citar Leonardo da Vinci, artista que, segundo Gombrich (1979), realizou grandes estudos anatômicos e observou com atenção a natureza que o cercava. Dentre seus estudos destaca-se o desenho que representa os ideais renascentistas, onde o homem torna-se a medida de todas as coisas: O Homem Vitruviano (fig. 4). Figura 4. Leonardo da Vinci: O homem Vitruviano, 1485/1490. Tinta marrom s/ metal, 34,4cm x 24,5cm. Galeria da Acedemia, Veneza. Fonte: The Metropolitan Museum of Art Publications, 2003, p. 70. Em se tratando de pintura, além dos artistas que partilhavam da acepção de que o desenho era parte crucial de uma obra, havia aqueles que reivindicavam a autonomia da cor em relação ao desenho. Tal fator, segundo Rodrigues (2011), gerou rivalidade entre duas cidades italianas: Florença, onde viviam os artistas adeptos do desenho como parte importante da obra, e Veneza, onde artistas eram
  • 13. 13 defensores da autonomia da cor. Dentre os artistas florentinos, Federico Zuccari e Giorgio Vasari, apesar de serem adeptos de uma mesma corrente de pensamento, diferem de forma determinante sobre a finalidade do desenho: enquanto Zuccari entende o desenho como a ideia final, Vasari aponta o desenho como um meio de expressão das ideias. Tanto sobre a dicotomia entre desenho e cor, quanto sobre as diferenças de ideais entre Zuccari e Vasari, Rodrigues (2011) afirma que se tratava de uma discussão relacionada à técnica que seria aplicada na obra, ou seja, à sua definição, e não ao desenho como obra final ou como uma linguagem que fosse independente da pintura. Diante do apresentado, pode-se dizer que o Renascimento, assim como afirma Baumgart (1999), influenciou as manifestações artísticas que surgiriam entre o século XVI e até depois da metade do século XVIII. O mesmo autor defende que expressões como “maneirismo”, “barroco” e “rococó” eram subdivisões que não representavam algo novo, mas apenas reformulações. Adotando esse ponto de vista, o Renascimento perduraria como base da concepção de arte (também do desenho e da pintura) até o século XIX, quando transformações profundas acontecem. O surgimento da fotografia4 no início do século XIX e a sequência de rupturas com a tradição renascentista na pintura levam ao fortalecimento do movimento impressionista5 na década de 1870, fazendo com que a arte tomasse um novo rumo (consequentemente afetando a produção de pinturas e desenhos). Os primeiros impressionistas, de acordo com Argan (2002), dão prioridade aos efeitos que a luz causava sobre o objeto retratado em suas pinturas, porém, ainda há a presença de esboços e cópias como estudo. Tal pode ser observado nos trabalhos do artista Edgar Degas (1834-1917), sobre o qual Argan (2002, p. 104) escreve: “continua-se a afirmar que ele era mais desenhista do que colorista [...]”. Este artista apresentou ao público muitos desenhos feitos com giz pastel como obra final, que se assemelhavam à pintura (fig. 5). 4 Conforme Argan (2002, p. 78) é uma técnica de captação da realidade que surgiu em 1839, na França. Caracterizada por um rápido progresso, foi aplicada em tentativas de fotos artísticas e na captação de movimentos, além de ter transformado a psicologia da visão. Tais fatores geraram uma profunda mudança sobre o desenvolvimento de correntes artísticas ligadas ao Impressionismo. 5 Segundo Argan (2002, p. 75) é aquele que pertence ao movimento do Impressionismo, que surgiu em Paris entre 1860 e 1870. Caracteriza-se pela representação imediata da realidade, por meio de impressões luminosas.
  • 14. 14 No Pós-Impressionismo6 , observa-se o surgimento de uma pintura expressiva, o que não era diferente com o desenho; dentre os artistas da época que trabalhavam com ambas as técnicas, está Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) (fig. 6). Argan (2002, p. 127) afirma que, “ao invés da pintura, ele prefere o meio mais rápido do desenho; utiliza de bom grado a litografia e o pastel, [...] e mesmo pintando transforma a pincelada impressionista em penetrante traço colorido”. Figura 5. Edgar Degas: Depois do banho - mulher se enxugando, 1888-1892. Pastel sobre papelão, 67cm x 56cm. National Gallery, Inglaterra. Fonte:http://www.nationalgallery.org.u k/paintings/hilaire-germain-edgar- degas-after-the-bath-woman-drying- herself Nas primeiras décadas do século XX, o desenho é valorizado como forma expressiva e uma técnica imediatista, assim ganhando autonomia plena, tal como se pode ver nas aquarelas feitas pelo artista expressionista Egon Schiele (1890-1918), nas quais ele representa o erotismo por meio de linhas agressivas e figuras grotescas, principalmente de prostitutas e mulheres de classe baixa (fig. 7). 6 De acordo com Argan (2002, p. 82) o termo designa a pintura que se desenvolveu de 1886, a partir da última exposição expressionista, até o surgimento do Cubismo, entre 1907 e 1908. É caracterizado por um grupo de artistas que não possuíam um objetivo comum, dentre alguns deles destacam-se: Paul Cézanne, Georges Seurat, Van Gogh e Paul Gauguin. Figura 6. Henri de Toulouse-Lautrec: Femme que tire son bas, 1894. Óleo sobre papel cartão, 61,5cm x 44,5cm. Museu Toulose-Lautrec, Albi. Fonte: http://www.mairie-albi.fr
  • 15. 15 Figura 7. Egon Schiele: Mulher deitada, 1914. Lápis e aquarela, 48cm x 31 cm. Galleria Galatea de Turim. Fonte: Argan, 2002, p. 241. Convém citar também o Fauvismo7 francês; sobre os artistas fauvistas Argan (2002, p. 229) escreve que, “embora concebessem a arte como impulso vital, os fauves começam pela abordagem crítica de uma série de problemas pictóricos”, para isso utilizando-se de cores vibrantes. Sobre Raoul Dufy (1877-1953), um dos integrantes do movimento, lemos que ele era um: [...] encantador, criador de uma arte colorida e viva, alegre e sonhadora. Simples e ao mesmo tempo grande mestre da cor, atrevido e dinâmico. Seus desenhos têm um estilo pessoal forte, de traços dominantes e de estruturas bem encaixadas. [...] o uso do branco e os traços que reforçam os desenhos trazem ar à obra, o que lhe dá leveza e suavidade.”. (ALEJOS, 2013, p. 01). 1.2 O desenho e a pintura como linguagens contemporâneas Segundo Kunzler (2005), na arte contemporânea as obras de arte são criadas a partir da relação que o artista possui com o contexto social, político, econômico e filosófico no qual está inserido. Assim, as características presentes no mundo atual acabam refletindo na arte (no caso, na pintura e no desenho), seja na postura do artista, no conceito ou na maneira com que uma linguagem é usada. Ainda sobre o desenho contemporâneo, Rodrigues (2011) escreve que este herda a visão das vanguardas no momento em que se valoriza o prazer do processo em detrimento do resultado final. Não basta apenas reproduzir a realidade, seja ela 7 Conforme Argan (2002, p. 229) e Janson e Janson (1992, p. 357), é uma corrente artítica que se passou na França entre 1905 e 1907. Seu nome provém da palavra francesa fauves, o mesmo que “selvagens”, termo que se liga diretamente às suas características: pinceladas violentas e cores puras. Dentre seus principais artistas estão Georges Braque, Andre Derain e Raoul Dufy.
  • 16. 16 real ou imaginária; assim como Garcia (2011, p. 13) afirma que “é necessário pensá- la e conseguir transmitir para o suporte através da matéria todo esse processo”. Ainda de acordo com Garcia (2011, p. 14), para que um artista crie um desenho (ou mesmo uma pintura) de alta qualidade artística é necessário que ele possua “o conhecimento dos sistemas básicos de representação, referências artísticas de qualidade, uma capacidade crítica em relação ao desenho e uma visualização da realidade distinta”. Depois de adquiridos esses fundamentos, o artista poderá buscar sua própria identidade, assim como fez Pablo Picasso (1881-1973). Segundo Carvalho (2008), ele era extremamente habilidoso com o desenho, realizando trabalhos naturalistas de alta qualidade (fig. 8), embora hoje seja consagrado por um estilo muito diferente, o cubismo (fig. 9). Figura 8. Pablo Picasso: Matador Luis Miguel Dominguin, 1897. Lápis sobre papel. Dimensão não encontrada. Olga’s Gallery. Fonte: www.ideafixa.com/abuscadoestilo/ Fonte: http://www.moma.org/collection/ Kunzler (2005) menciona as palavras de Agnaldo Farias dadas em uma entrevista à Albuquerque, para exemplificar o que torna uma obra contemporânea: Eu cobro da arte que ela me inquiete. Isso poderia ser uma definição: contemporâneos são os trabalhos que não são acomodados. Dentro dessa lógica, Goya é profundamente contemporâneo. Continua difícil olhar uma obra dele. Ficar diante de um Velázquez é mole. [...] Há obras que perduram, não perdem o vigor. [...] Por isso eu diria que Figura 9. Pablo Picasso: Les Demoiselles d’Avignon, 1907. Óleo s/ tela, 249,3cm x 233,7cm, Museum of Modern Art, Nova York.
  • 17. 17 nem tudo que é feito agora é arte contemporânea, mas nem tudo que foi feito anteriormente é arte do passado. (FARIAS, 2005 apud KUNSLER, 2005, p. 3). Seguindo tal linha de raciocínio, são listados a seguir artistas contemporâneos e seus respectivos trabalhos. Identifico-me com eles, seja por meio da poética, tema (fig. 10) ou mesmo forma (estilo) ou técnica que utilizam. Figura 10. Pawel Kuczynski: Duelo, 2013. Fonte: http://www.pawelkuczynski.com O primeiro citado é o artista polonês Pawel Kucsynski (1976), que através de suas ilustrações faz duras críticas à sociedade na qual vivemos . Dentre os assuntos tratados de maneira extremamente inteligente estão: a fome, a pobreza, a desigualdade social, a corrupção, a poluição e a relação que o homem possui com a tecnologia. Segundo Mans (2013), em uma entrevista para o canal da TV Cultura, o ilustrador relata: Sou um observador de tudo o que passa ao meu redor e creio que os artistas podem transformar tudo. Encontrar uma boa ideia é um ponto-chave. Há semanas que tenho inspiração e em outras não. Eu trato de converter em imagens minhas observações sobre a condição humana. (KUCZYSNKI apud MANS, 2013, p. 01). Ainda no âmbito da crítica social, encontro familiaridade com os temas tratados nos trabalhos do inglês Banksy (1974). Caracterizam-se pelo uso de técnicas mistas e poucas cores, fazendo com que alguns deles pareçam silhuetas. De acordo com Belanciano (2013), há mais de 15 anos que o artista atua nas ruas ao redor do mundo, realizando seus stencils efêmeros e sempre mantendo o anonimato. Em uma de suas viagens, o artista deixou sua marca na Faixa de Gaza, em uma época em que o conflito entre israelenses e palestinos ocorria (fig.11).
  • 18. 18 Segundo Schneedorf (2010, p. 3) “questiona-se se sob o perfil se esconde um único artista, ou se reveza uma equipe deles [...]”, devido à presença dos trabalhos de Banksy em várias partes do mundo. Figura 11. Banksy: Bomb darmage, 2015. Stencil sobre porta, tamanho natural. Cidade de Gaza. Fonte: http://www.banksy.co.uk Ainda de acordo com Schneedorf (2010), as obras de Banksy tornam-se mais acessíveis pelo fato de serem feitas em muros, possibilitando que qualquer cidadão as possa ver, fazendo de suas obras um instrumento de desmistificação da arte vigente. Sobre sua própria produção Banksy diz: Você pode dizer que o grafite é feio, egocêntrico e que é tão somente um gesto de pessoas que desejam algum tipo patético de fama. Mas se isso é verdade, é apenas porque os grafiteiros são exatamente como todo mundo nesta porcaria de país. Alguém me perguntou recentemente se eu considero que a maioria dos grafiteiros na verdade são artistas frustrados como eu. Bem, eu sou frustrado por muitas coisas, mas tentar ser aceito pelo mundo da arte não é uma delas. Isto parece difícil para algumas pessoas entenderem – você não grafita na vã esperança de que um dia algum conservador obeso o descobrirá e porá suas obras na parede dele. (BANKSY, 2002 apud SCHNEEDORF, 2008, p.08). Dentre os trabalhos de Banksy com os quais me identifico, aquele cujo tema está próximo do que trato em minhas obras é Mobile lovers (fig.12). Trata-se de um stencil no qual há um casal abraçado, chamando a atenção para o fato de ambos
  • 19. 19 manterem seus olhos fixos em seus respectivos celulares, dando a entender que, enquanto o tempo está passando, em vez de o aproveitarmos com as pessoas próximas de nós, preferimos prestar atenção em uma pequena tela, que consequentemente torna-se uma extensão de nossa vida. Figura 12. Banksy: Mobile lovers, 2014. Stencil sobre porta, tamanho natural. Bristol City Museum and Art Gallery, Inglaterra. Fonte: http://www.banksy.co.uk No mesmo caminho de Banksy, há o artista canadense conhecido como “I Heart”. Ele também provoca a reflexão através de seus grafites caracterizados por poucas cores e que, em alguns casos, são constituídos apenas por frases. Em uma série, ele usa como tema a relação das crianças com a tecnologia. Como se pode ver na fig. 13, uma criança aparece chorando pelo fato de possuir nenhum like, conversa ou pedido de amizade; uma criança que deveria estar brincando com os amigos ou se distraindo com brinquedos. Conforme Oliboni (2015, p. 01), em uma entrevista ao site inglês The Huffington Post, o artista diz “eu vejo as pessoas andando pelas ruas e mal olham por cima de seus dispositivos. Estamos hiper- conectados digitalmente, mas tão desconectados uns dos outros”.
  • 20. 20 Figura 13. I Heart, 2014. Stencil sobre muro. Vancouver, Canadá. Fonte: http://www.iheartthestreetart.com/ Também em uma linha de pensamento parecida (cujo conceito também uso), há o artista francês Dran (?); além de se utilizar da ironia e da crítica social, como acontece nos trabalhos de Kuczinsky e Banksy, suas obras apresentam um humor negro. Conhecido como “Banksy francês”, sua obra difere nos traços e no fato de haver mais detalhes em seus desenhos que, por sua vez, não são realizados com a técnica do stencil, mas sim através de técnicas múltiplas (desenho, pintura, serigrafia, grafite etc.). Em uma de suas obras, sobre o que parece ser um pedaço de papelão no qual se pode ler “frágil”, há um casal de noivos aparentemente felizes e recém casados, representando assim a fragilidade das uniões na atualidade (fig. 14). Figura 14. Dran: Sem título, 2012. Grafite sobre caixa de papelão, dimensão não encontrada. Fonte: https://catracalivre.com.br/geral/design-urbanidade/indicacao/a-arte-critica-a-vida-na-obra-do- frances-dran/
  • 21. 21 Por fim, tomo como referência também o austríaco Egon Schiele (1890- 1918). Sobre seus desenhos Ribeiro (2011) afirma que expressam o erotismo através de figuras grotescas e linhas agressivas, características percebidas em seus modelos preferidos: prostitutas e trabalhadoras de classe baixa, fator que causou polêmica na sociedade vienense no início do século XX. Nos anos seguintes, conforme diz Ribeiro (2011), Schiele começou a utilizar temas menos convencionais, e sua técnica passou a ligar-se à aquarela. Desenvolvido o seu estilo, a pobreza e a piedade tornam-se assuntos presentes em seus desenhos caracterizados pelas linhas rudes e formas intensas, acentuando a eroticidade presente nos personagens. Suas mulheres são dispostas em espaços destituídos de elementos decorativos e com a ausência do fundo (fig. 15), fatores estes que se ligam à minha obra intitulada Redes Líquidas II. Figura 15. Egon Schiele: Mulher sentada com o joelho dobrado, 1917. Lápis e têmpera, 46cm x 30,5cm. Galeria Narodni, Praga. Fonte: http://www.girafamania.com.br/historia_arte/historia_arteexpressionista.html Sobre as temáticas da arte contemporânea (o que consequentemente se reflete no desenho e na pintura), através das referências citadas, percebe-se que o conceito e o cunho social ganham destaque, assim como temas que envolvam a alienação e a crítica a uma ideologia. (KUNZLER apud SANTOS, 2004, p. 73-74)
  • 22. 22 escreve sobre a visibilidade de temas considerados sem importância como “desejo, loucura, sexualidade, linguagem, poesia, sociedades primitivas, jogo, o cotidiano”. A partir desses pontos, trago a seguir os conceitos que norteiam a realização do meu trabalho prático: as redes sociais e a modernidade líquida. 1.3 Relacionamentos líquidos: uma realidade apenas virtual Baseando-me nas palavras de Kunzler (2005), que afirmam que o artista produz suas obras a partir do contexto social no qual se encontra, inicio minha busca no que se refere ao “ser humano”, um ser social, dotado de sentimentos, imperfeito e que necessita de companhia. Esse ser humano poderá almejar a autossuficiência e a independência, mas, sentirá, como uma possível consequência, o isolamento causado por suas escolhas. Para isso, como uma das maneiras para se evitar esse retraimento, o ser humano procura interagir com outras pessoas através das redes sociais. Alguns chegam a receber mais atenção na sua vida virtual do que em sua vida real, transformando-os em seres que precisam a todo instante compartilhar, dizer algo para que, assim, a atenção seja direcionada a eles novamente. Segundo o professor de psicologia Nelson Pedro Silva da Universidade Estadual Paulista – Unesp (2015, p. 4) “[...] a intenção dessa pessoa não é buscar a problematização de sua vida, o autoconhecimento, mas a confirmação de suas convicções e ser objeto do olhar alheio”. Junto dos avanços tecnológicos, especialmente com o surgimento de celulares que realizam múltiplas funções que se assemelham a um computador de mão, diversas redes sociais se tornaram acessíveis (WhatsApp8 , Facebook9 , Instagram10 , Twitter11 são apenas algumas delas) e, por sua vez, compõem um espaço virtual para se fazer “amigos”, sendo eles próximos ou não. Espaço virtual 8 Segundo Dâmaso (2016, p. 1), é um aplicativo grátis para o envio de mensagens. Criado pelo ucraniano Jan Koum e lançado em 2009, com este aplicativo é possível enviar textos, imagens, vídeos, áudios, realizar ligações gratuitas. Para que funcione bem é preciso ter conexão com a internet. 9 Segundo TechTudo (2016, p. 1), é uma rede social de uso gratuito. Criado pelo norte-americano Mark Zuckerberg e lançado em 2004, essa rede possibilita o compartilhamento de fotos e vídeos, conversar com outras pessoas, trocar curtidas, comentar e compartilhar postagens de outros usuários, jogar, criar eventos e grupos. 10 Segundo TechTudo (2016, p. 1), é uma rede social gratuita de compartilhamento de fotos e vídeos com seguidores. Fundado pelo norte-americano Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger em outubro de 2010. 11 Segundo Brito (2016, p. 1), é uma rede social gratuita onde se postam mensagens com até 140 caracteres, sendo visualizadas por pessoas de todo o mundo. Fundada por Jack Dorsey, Evan Williams e Biz Stone em 2006, o usuário poderá postar mensagens (tuitar e retuitar), seguir pessoas e também ser seguido por outros usuários.
  • 23. 23 esse em que os indivíduos compartilham aquilo que lhes convém, principalmente gostos em comum. Em situações extremas, a rede social utilizada transforma-se em um livro aberto, colocando em risco a própria segurança do usuário ou mesmo tornando-se uma ferramenta de disseminação de ideais sem fundamentos que, em algumas vezes, são assimiladas sem contestação. Durante essa minha procura, encontrei embasamento sobre a forma como a ironia se manifesta na arte. No Grande Dicionário Enciclopédico Brasileiro Ilustrado (1978, p. 852), encontra-se a seguinte definição para ironia: “expressão que significa o contrário do que se está pensando ou sentindo, usada para diminuir e depreciar, e às vezes para louvar e engrandecer”. Na arte, tal expressão exercerá a função descrita com o sentido da depreciação, sinônimo de sarcasmo. Levando em consideração tal definição e tendo como referência o que Connor (1993) explica sobre Alan Wilde, identificam-se duas formas de ironia: a disjuntiva e a suspensiva. Wilde, segundo Connor (1993), define a ironia disjuntiva como pertencente ao modernismo, sendo uma resposta diante da apresentação de um mundo fragmentado, visando facilitar a compreensão do mesmo. Essa fragmentação gera a incoerência, que pode ser observada em conflitos binários como: fé e razão, tradição e inovação, carne e espírito, entre outros. Já a ironia suspensiva, caracteriza-se pelo declínio da necessidade de ordem, tornando-a pertencente ao pós-modernismo. Conscientes das incoerências presentes no mundo, os artistas não querem simplificar a compreensão para essas incongruências, mas sim intensificá-las. Um exemplo de ironia disjuntiva está nos ready made de Marcel Duchamp (1887-1968), dentre os quais o artista põe bigodes na Gioconda de Leonardo da Vinci (Fig.16). A esse respeito Argan escreve que: [...] ele não pretendia desfigurar uma obra-prima, e sim contestar a veneração que lhe tributa passivamente a opinião comum. E também, provavelmente, ferir o orgulho de um público, que, agora, já não sabe distinguir entre original e reprodução. [...]. (ARGAN, 2002, p. 356).
  • 24. 24 Figura 16. Marcel Duchamp: L. H. O. O. Q. 1919. Ready made retificado, 20cm x 13cm. Coleção particular ADAGP, Paris. Fonte: http://www.marcelduchamp.net/duchamp-artworks/page/2/ Observando o contexto no qual se encontram e as maneiras como a ironia pode ser aplicada, tanto a pintura como o desenho adquirem uma responsabilidade social, tornando-se instrumentos de denúncias, expressando aquilo que acontece em torno do artista, retomando o que já fora dito por Kunzler (2005). A ironia ora aparece de forma explícita, com o objetivo de impactar, ora de maneira implícita, onde o artista pretende fazer com que seu público reflita. No caso da minha arte uso de ironia e tomo como objeto de reflexão as indagações despertadas pelas redes sociais. O sociólogo Zygmunt Bauman (1946), para definir esse campo de interação virtual usa a palavra “rede”. Conhecendo sua teoria, entende-se que a “rede” (assim que ele denomina o mundo virtual) está cada vez mais se tornando um lugar no qual parte dos seres humanos procuram preencher um vazio existencial e amenizar a sua crescente pobreza de espírito. Compreende-se que uma parcela dos seres humanos sente medo de se envolver plenamente em uma relação, tornado-a volátil. A “rede” transforma-se em um espaço propício ao ego e ao narcisismo. Sobre esse ambiente de imersão proporcionado pelas redes sociais, cito o livro de Ricky Riordan, Percy Jackson e os Olímpianos 1: O ladrão de raios (2008). No livro há uma passagem em que os personagens Percy, Annabeth e Grover são convidados a se hospedar em um hotel na cidade de Las Vegas. Lá são oferecidas
  • 25. 25 todas as regalias que se pode imaginar: comida, lugar para dormir e jogos variados, desde clássicos até aqueles em que se necessita da realidade virtual. Houve um momento em que Percy percebeu que havia algo de errado: Provavelmente, foi quando reparei no cara que estava em pé ao meu lado no jogo dos atiradores de elite virtuais. Tinha cerca de treze anos, eu acho, mas suas roupas eram esquisitas. Achei que fosse filho de algum dublê do Elvis Presley. Usava jeans boca de sino e uma camiseta vermelha com enfeites pretos, e o cabelo era cacheado e cheio de gel, como o de uma garota de New Jersey em noite de reunião de ex-alunos. [...] Em que anos estamos? Ele franziu a testa para mim. No jogo? Não. Na vida real. Ele precisou pensar. Mil novecentos e setenta e sete. [...]. (RIORDAN, 2008, p. 150). Percy logo deduzira que os jogos que eram disponibilizados nesse hotel (as distrações) causavam um estranho frenesi, fazendo com que as crianças perdessem a noção da passagem do tempo, e pior, começassem a esquecer de sua própria realidade. Diante dessa passagem e tendo como referências as minhas experiências, senão as experiências de boa parte de nós, percebo que as facilidades tecnológicas nos aproximam de pessoas que moram longe, ao mesmo tempo em que nos afastam daquelas que estão próximas a nós, uma situação bastante irônica. Um fato preocupante que constatei é que uma parcela das pessoas considera como fatos verdadeiros posts12 que são compartilhados nas redes sociais. Fiz uma experiência em que compartilhei um texto (fig. 17), no qual eu assumia o lugar de meu pai, comunicando o meu falecimento devido a uma parada cardíaca. Determinadas pessoas ficaram extremamente bravas, enquanto outras escreveram declarações de amor, como aquelas que não falavam há tempos comigo resolveram “reaparecer”. Percebi também que uma pequena porcentagem de meus amigos virtuais sequer leu todo o post, um fator que abre caminho a uma nova discussão: as redes sociais criam uma espécie de ansiedade, um reflexo da velocidade de informações que recebemos, tornando-as pessoas preguiçosas quando têm que realizar uma leitura relativamente extensa. E quero deixar claro aqui que as redes sociais possuem sim seus pontos positivos, como seus pontos negativos, mas neste trabalho trato de 12 Palavra que vem do inglês post. Traduzida do inglês para o português que significa postar, liga-se às redes sociais quando um indivíduo faz uma publicação, seja ela em forma de texto ou imagem.
  • 26. 26 certos aspectos que se refletem em uma pequena parcela da sociedade, não se trata da uma generalização. Figura 17. Post do Facebook, 2015. Fonte: Acervo pessoal da artista. Como meu trabalho visa analisar o aspecto da relação do ser humano com a tecnologia, mais precisamente com as redes sociais (que comprovei com a pequena experiência que relatei aqui), trarei as palavras do historiador e palestrante Leandro Karnal (1963), ditas por ele em um programa da TV Cultura chamado Café Filosófico. Karnal, especialista em Hamlet, conduz-nos a pensar que tipo de cidadão esse personagem de Shakespeare seria se vivesse em uma sociedade similar à nossa. Segundo Karnal (2015), somos seres solitários, tão solitários a ponto de criarmos uma vida interessante no mundo virtual, já que a vida real não parece empolgante. Um exemplo citado por ele é a quantidade de amigos, já que não temos nenhum ou poucos amigos na vida real, em uma rede virtual possuímos mais de três mil, o que nos leva diretamente ao questionamento sobre a necessidade que o ser humano possui de receber atenção e de falar muito, sobre isso o historiador diz: [...] como nós falamos muito, é provável que nós falemos muito em todo instante, no celular ou no WhatsApp, porque nós não temos mais nada a dizer. E não tendo nada a dizer, então eu preencho esse vazio insuportável com falas constantes [...]. (KARNAL, 2015).
  • 27. 27 Respondendo a uma pergunta feita por um telespectador, Karnal reafirma o fato de sermos seres solitários, do desejo de querermos ser observados a todo instante, o dever desenfreado de ter uma opinião sobre tudo, e principalmente, a crise de identidade que o ser humano enfrenta atualmente. Assim ele questiona: [...] minha pergunta é se alguém está ouvindo a opinião alheia, se alguém está lendo a dos outros. Se eu tiver 35 grupos de WhatsApp – família, amigos, emprego, festa e etc., se eu tiver três contas no Instagram, se eu tiver quatro perfis no Face (inclusive um fake para sacanagem), se eu tiver tudo isso, quem que eu estou lendo de fato, se todo o meu tempo é consumido pela atualização dessas questões? [...]. (KARNAL, 2015). Tais constatações se ligam às ideias expressas no livro do sociólogo Zygmunt Bauman nomeado Amor Líquido – Sobre a fragilidade dos laços humanos. Nesta obra ele escreve sobre o mundo líquido no qual estamos inseridos, onde tanta volatilidade acaba refletindo sobre nossa capacidade de se relacionar, seja consigo mesmo ou com a sociedade. Bauman (2004) aponta a insegurança que o ser humano tem de se ligar ao outro, o fato de querer assumir um compromisso ao mesmo tempo em que tem medo do futuro. A respeito da conectividade (2004, p. 8), o autor questiona: “quais são os méritos da linguagem da ‘conectividade’ que estariam ausentes da linguagem dos ‘relacionamentos’?”. Sobre os relacionamentos virtuais, Bauman (2004) escreve que é aparentemente fácil entrar e sair deles, pois em comparação com o relacionamento autêntico (o real), demonstra-se inteligente e limpo, no sentido de não haver circunstâncias que dificultem a sua relativa continuidade. Expostos esses conceitos, a seguir trago o processo criativo de minhas obras, fazendo uma ligação direta com o que fora apresentado neste presente capítulo.
  • 28. 28 2 REDES LÍQUIDAS Este capítulo trata sobre o processo criativo envolvido na concepção das obras que compõem a proposta Redes Líquidas. Baseando-me no capítulo anterior, no qual escrevo a respeito das questões teóricas que norteiam meu trabalho, aqui apresentarei o percurso que envolve desde a concepção até a finalização dos desenhos e pinturas. Logo depois, apresento uma breve análise de cada políptico. 1.4 Obra 1 - Redes Líquidas I Foi durante as pesquisas realizadas para a produção de uma série de pinturas na Oficina de Pintura II, ministrada pela professora Priscilla Pessoa, que a ideia para o políptico surgiu (tanto para o políptico de pintura, como para o de desenho). Eu não tinha o conhecimento necessário para saber se algum artista já havia feito o que eu pretendia, foi então que encontrei nas obras do artista Pawel Kuczynski a inspiração para materializar a minha ideia e, assim, representar como as redes sociais podem atuar em nossas vidas. Foi uma ideia que surgiu devido ao meu contato com as redes sociais, que por sinal é constante, e às observações que eu fazia diariamente (e que ainda faço) das diversas manifestações do comportamento humano diante das facilidades de comunicação. Navegando pela Internet, precisamente utilizando a minha conta no Facebook, encontrei um artigo publicado na revista Isto é, cujo conteúdo tratava sobre as redes sociais e seu impacto sobre nós. O título do artigo havia chamado minha atenção: Vivemos tempos líquidos. Nada é feito para durar. Neste artigo, Adriana Prado (2016), transcreve a entrevista concedida à revista pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman. A partir da leitura dessa entrevista, passei a pesquisar sobre os livros de autoria do sociólogo, foi então que encontrei no livro Amor Líquido – Sobre a fragilidade dos laços humanos, a base teórica que acrescentaria em meu trabalho, tanto na prática como na teoria. Nele encontro definições para as palavras “rede” e “relacionamentos líquidos”, palavras que compõem também o nome de minhas obras. Tal conceito presente em seu livro é mais perceptível na obra Redes Líquidas II. Quanto às telas que compõem “Redes Líquidas I”, inicialmente foram avaliadas para a disciplina Oficina de Pintura II e comporiam um portfólio visando exposições; a professora da citada disciplina (que também é minha orientadora)
  • 29. 29 sugeriu que eu as utilizasse como parte integrante do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Foi nesse momento que, a partir das quatro telas produzidas, a ideia para o políptico começou a ser discutida e aprimorada. Ao longo da oficina fui desenvolvendo as pinturas, levando em consideração os ensinamentos proporcionados pelo curso e os conhecimentos que eu adquiria, seja devido à curiosidade e à observação, seja por conta própria ou aprendendo com os mestres. A técnica foi escolhida de acordo com minha preferência, com a qual já havia tido um contato considerável desde o início do curso: a pintura a óleo. Assim, com as ideias já apresentadas e com o projeto direcionado, para a concepção da obra Redes Líquidas I, composta por sete pinturas, recorri ao questionamento que surge quando nos vemos envoltos por tanta informatização: nesse mundo virtual ninguém está sozinho, será que não? Como uma tentativa de responder a essa questão e despertar o intelecto do observador, em quatro das sete pinturas há a presença do nome Beyound, que se constitui como o nome de um usuário fictício do Instagram, criado por mim apenas para compor as telas. A criação desse nome visa discutir a crise de identidade diante da qual o ser humano pode estar exposto quando utiliza em demasiado uma rede social, como desmistificar às vezes em que um indivíduo demonstra-se feliz, quando sua vivência é oposta àquilo que ele demonstra aos outros. 1.4.1 O processo criativo de Redes Líquidas I Para a produção de cada pintura em que represento uma tela do Instagram, utilizei o projetor como recurso para que eu pudesse riscar as montagens feitas previamente no Photoshop13 . Para as montagens, pesquisei imagens que representassem pessoas solitárias, precisamente homens em diferentes fases de suas vidas: infância, puberdade, adolescência e a fase adulta. Procurei também prints14 das telas do Instagram para compor a cena imaginada (fig. 18 e 19). 13 Programa em que é possível se editar fotos, manipular imagens (desde montagens a retoques), desenhar e colorir. 14 Print ou print screen, que da tradução do inglês para o português significa “impressão” ou “captura de tela”.
  • 30. 30 Figura 18. Montagens feitas no Photoshop, 2015. Fonte: Acervo pessoal da artista. Figura 19. Montagens feitas no Photoshop, 2015. Fonte: Acervo pessoal da artista. Nos ícones (fig. 20), fiz outra montagem que representa a quantidade de decepções que uma pessoa pode vir a sofrer durante a sua vida (no caso este
  • 31. 31 usuário do Instagram). Como também demonstra a necessidade de atenção que as redes sociais despertam. Figura 20. Montagem do ícone no Photoshop. Fonte: Acervo pessoal da artista. Como se pode observar, aqui é mostrado apenas o método necessário para a produção de uma tela, método que se aplica às demais que compõem o políptico em questão. A tela aqui apresentada possui a dimensão de 18 cm x 24 cm (fig. 21 a 24). Ao todo são sete telas que compõem a obra Redes Líquidas I, sendo duas do tamanho 18 cm x 24 cm, quatro telas de 27 cm x 35 cm e uma de 60 cm x 40 cm. Figura 21. Tela riscada com o auxílio do projetor. Figura 22. Início da pintura Fonte: Acervo pessoal da artista. Fonte: Acervo pessoal da artista.
  • 32. 32 Figura 23. Fase intermediária da pintura. Figura 24. Pintura finalizada. Fonte: Acervo pessoal da artista. Fonte: Acervo pessoal da artista. 1.4.2 O políptico - Redes Líquidas I Em quatro das sete pinturas feitas (as outras três consistem dos detalhes retirados dessas quatro telas), como já citado, há a presença de figuras masculinas, cada uma representando uma fase da vida humana: infância, puberdade, adolescência e fase adulta (fig. 25). Figura 25. Imagem meramente ilustrativa da disposição das telas. Fonte: Acervo pessoal da artista.
  • 33. 33 Com isso quero dizer que com as facilidades que as redes sociais nos proporcionam, percebe-se o aumento do número de pessoas cada vez mais solitárias, que buscam no mundo virtual um meio de receber a atenção que lhe é negada em sua “vida real” ou que simplesmente escolhem se isolar em seu próprio mundo, às vezes não necessitando de uma rede social para isso. O que nos remete a uma frase do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), que pode ser encontrada em livro Humano, Demasiado Humano II (2008, p. 107) “na solidão, o solitário devora a si mesmo, na multidão o devoram muitos. Agora escolha”. Ou escolhemos uma dessas opções esboçadas por Nietzsche, ou procuramos por um caminho diferente que nos leve ao reencontro de nossa humanidade, construindo assim laços duradouros. 1.5 Obra 2 - Redes Líquidas II Aqui se encontra a técnica com a qual eu queria trabalhar desde o início: o desenho feito com o lápis de cor. Antes de chegar às ideias que expressei nesses desenhos, eu não sabia ao certo o que desenhar. Queria fazer desenhos que tivessem uma ligação com a ironia, representassem o assunto de maneira inteligente e que trouxessem reflexão às pessoas. Foi quando, devido a Oficina de Pintura II, resolvi aplicar as ideias que tive nesta disciplina no desenho também. Sobre a técnica do lápis de cor, eu não me aprofundava muito, achava até uma atividade exclusiva para o público infantil (mentalidade essa adquirida antes de cursar Artes Visuais). Entrando para o curso, pude aprender noções sobre o desenho, como o uso da proporção e a observação dos elementos que nos rodeiam. Comecei a praticá-las não só no curso, mas fora dele. Por conta própria comecei a desenvolver o interesse pelo lápis de cor, buscando tutoriais, até mesmo nomes de artistas que trabalhavam muito bem o material. Busquei também conhecimento em grupos presentes no Facebook, o que acaba contribuindo tanto para o processo da pintura, como para o enriquecimento do trabalho. 1.5.1 O processo criativo de Redes Líquidas II O método de criação dos desenhos se baseia em uma imagem previamente imaginada e na crítica que desejo passar através dela. Logo em seguida, procuro em um banco de imagens poses que se assemelhem àquilo que imaginei. O banco
  • 34. 34 de imagens em questão é a rede social chamada Pinterest - rede que já fora citada no capítulo anterior - (fig. 26). Figura 26. Tela inicial Pinterest. Fonte: Acervo pessoal da artista. Escolhida a imagem mostrada na figura 27, eu a esbocei no papel (fig. 28), fazendo modificações como a inserção de objetos, que no caso são os ícones das redes sociais (WhatsApp, Facebook e Twitter principalmente) e nas cores. Figura 27. Fruit Fashion Photography, 2016, Domino A Fonte: http://br.pinterest.com/pin/293085888227679690/
  • 35. 35 Figura 28. Esboço que ainda preserva os acessórios presentes na imagem original. Fonte: Acervo pessoal da artista. Para iniciar a pintura, eu apago o esboço até que não fique quase nenhuma marca do grafite. Começo a acrescentar as cores camada por camada que, dependendo do meu gosto, vão mudando e se adequando ao meu propósito, que é o de deixar o mínimo de marca possível do lápis de cor e chamar a atenção para a pintura, o volume e o acabamento do desenho (fig. 29 a 31). Figura 29. Início da pintura com o lápis de cor Figura 30. Fase intermediária da pintura com as modificações feitas na imagem. 2ª camada de cor. Fonte: Acervo pessoal da artista. Fonte: Acervo pessoal da artista.
  • 36. 36 Figura 31. Pintura finalizada. Fonte: Acervo pessoal da artista. 1.5.2 O Políptico - Redes Líquidas II Além do assunto tratado em cada desenho que, como citado anteriormente, visam criticar de forma sutil determinados comportamentos que observo diariamente daqueles que possuem contato com as redes sociais, quero através da disposição dos desenhos remeter às abas que abrimos quando estamos em um navegador, e mencionar o fato de termos contato com assuntos que são repetidos constantemente nas redes sociais, por exemplo, os famosos vídeos virais ou os memes15 . O nome dado ao políptico também contribui para a sua significação, referindo-se às ligações voláteis que se tornam passíveis de acontecer graças à Internet. Com ligações quero dizer “ligações humanas”, aquela ligação que é criada por meio do relacionamento, sendo ele amoroso ou não. Em cada desenho que o compõe, estará presente um ícone que faz uma alusão às redes sociais, sempre havendo também a representação da figura humana. Em cada cena é retratada, segundo a minha visão, uma maneira como o 15 Termo que designa uma imagem, vídeo ou frase que possui um teor cômico e que rapidamente se espalha pela Internet.
  • 37. 37 ser humano pode se comportar diante de uma rede social e quais os “acontecimentos” aos quais ele estará sujeito quando imerso (fig. 32). Figura 32. Imagem meramente ilustrativa da disposição dos desenhos. Fonte: Acervo pessoal da artista.
  • 38. 38 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estamos inseridos em um mundo no qual a comunicação, seja ela verbal ou não, é um fator importante para se viver em sociedade (senão não haveria relacionamentos humanos!), relações estas que podem ser construídas pessoal e/ou virtualmente. Não há gravidade nisso, apenas no momento em que tais facilidades começam a atrapalhar nosso convívio com os outros. Como já vivenciei algumas dessas consequências - às quais todos nós estamos expostos direta ou indiretamente - por meio do que foi desenvolvido através dos textos abordados e da concretização das duas obras, minha intenção não foi impor minha visão, mas sim materializá-la e, por que não, fazê-la ser sentida por aqueles que tiverem o contato com ela. No começo tive dificuldade para a produção das cenas, no sentido de escolher uma maneira através da qual eu pudesse materializá-las de tal forma que se mostrassem convincentes. No decorrer da pesquisa, enquanto procurava por textos que embasassem tanto o trabalho, quanto o meu conhecimento, aos poucos fui encontrando maneiras que me levassem a criar imagens que se encaixassem com o que eu queria retratar. Foi então que cheguei a cenas que passam mensagens literais, ao mesmo tempo em que requerem uma interpretação por parte daquele que observa. Para entender as cenas é preciso parar, observar e pensar na possível mensagem que ali está subentendida. Entender que se trata de uma visão crítica ao mesmo tempo em que pretende destacar a técnica e a poética. Quero, através desse trabalho, fazer com que o leitor (aquele que ler esta pesquisa) e o observador (aquele que vir as obras), tanto um quanto o outro, criem sua própria visão de mundo a partir da minha. Quero trazer à tona, sob o ponto de vista artístico, como as redes sociais podem nos afetar quando as tornamos uma extensão de nossas vidas, quando na realidade devem ser apenas uma ferramenta de comunicação e interação. Por fim, quero mostrar que é possível alcançar resultados satisfatórios utilizando ferramentas até então negligenciadas e comuns (o lápis de cor) ou tidas como técnicas complicadas de lidar (a tinta a óleo).
  • 39. 39 REFERÊNCIAS ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: do lIuminismo aos movimentos contemporâneos. 8. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. BAUMGART, Fritz. Breve história da arte. São Paulo: Martins Fontes, 1999. BELANCIANO, Vítor. Banksy invade as ruas de Nova Iorque. Lisboa, 2013. Disponível em: <http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/banksy-invade-com- ironia-as-ruas-de-nova-iorque-1607801>. Acesso em: 18 mai. 2015. BRITO, Edivaldo. Baixe o Twitter e comunique-se em 140 caracteres de qualquer lugar. Disponível em: <http://www.techtudo.com.br/tudo- sobre/twitter.html>. Acesso em: 27 fev. 2016. CARVALHO, Lavínia. A busca do estilo. São Paulo. 07 ago. 2008. Revista Eletrônica Ideafixa. CONNOR, Steven. Pós-modernismo e literatura. In: Cultura pós-moderna: Introdução às Teorias do Contemporâneo. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1993. DÂMASO, Lívia. WhatsApp permite enviar mensagens, músicas, áudios e vídeos de graça. Disponível em: <http://www.techtudo.com.br/tudo-sobre/whatsapp- messenger.html>. Acesso em: 27 fev. 2016. ELIAS, Helena; VASCONCELOS, Maria. Desmaterialização e campo expandido: dois conceitos para o desenho contemporâneo. In: 8º Congresso LUSOCOM, 2009, Lisboa. Conferências LUSOCOM, Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 2009. Disponível em: <http://conferencias.ulusofona.pt/index.php/lusocom/8lusocom09/paper/viewFile/200/ 177>. Acesso em: 08 abr. 2014. GARCIA, Catarina Mendes. Estudos sobre dois modos de criar: O desenho de representação como ponto de referência na arte do desenho e da gravura, antes e durante a criação artística. 2011. Dissertação (Mestrado em Desenho) – Faculdade de Belas Artes, Universidade de Lisboa, Lisboa.
  • 40. 40 GRANDE DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO BRASILEIRO, São Paulo: Novo Brasil, 1978. GOMBRICH, E. H. A história da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. GUERRA, Diana Caldeira. Egon Schiele: erotismo, agressividade e pobreza. Disponível em: <http://obviousmag.org/archives/2011/11/egon_schiele_erotismo_agressividade_e_p obreza.html>. Acesso em: 18 set. 2011. JANSON & JANSON. Introdução à História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1992. KARNAL, Leandro. Hamlet de Shakespeare e o mundo como palco. Campinas, TV Cultura, 28 abr. 2015. Palestra ministrada no Programa Café Filosófico CPFL. KUNZLER, Nelcí Andreatta. A arte visual no mundo contemporâneo. 2005. In: O ensino da arte visual contemporânea e a formação do(a) professor(a) de arte: análise de uma experiência desenvolvida nas escolas de Joia. 2005. Dissertação (Mestrado em educação) – Pontifícia Universidade Católica, Santa Catarina. MANS, Matheus. 38 criativas e críticas ilustrações de Pawel Kuczinsky. Disponível em: < http://literatortura.com/2013/11/38-criativas-e-criticas-ilustracoes- de-pawel-kuczynski/>. Acesso em: 23 mar. 2013. MAYER, Ralph. Manual do Artista: de técnicas e materiais. São Paulo: Martins Fontes, 2002. MORAES, Jorge Viana de. Metalinguagem: o que é saber uma língua? Disponível em: <http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/metalinguagem-o-que-e- saber-uma-lingua.htm>. Acesso em 23 abr. 2016. MEDEIROS, Janaina. Quando a exposição na internet passa do limite. Folha Universal, São Paulo, 12 jul. 2015. Capa, p. 4. NIETZSCHE, Friedrich. Humano, Demasiado Humano II. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
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