Análise ambiental

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Trabalho avaliativo da disciplina de Análise Geoambiental, por ocasião do Curso de Especialização em Metodologia do Ensino de Geografia, na Universidade Estadual do Ceará

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Análise ambiental

  1. 1. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 1 PRIMEIRAS PALAVRAS O profissional de Geografia independentemente de sua área de atuação, seja ela, no ambiente da pesquisa acadêmica de cunho científico, ou em trabalhos técnicos direcionados ou ainda na prática do ensino, deve desenvolver a capacidade e a sensibilidade para elaborar relatórios técnicos que sejam simples, concisos e bem fundamentados. Dentre esses trabalhos os relatórios que procuram caracterizar as análises geoambientais com a intenção de promover avaliações integradas do meio físico natural, são por demais importantes, uma vez que, qualquer intervenção que as sociedades almejem fazer sobre a superfície terrestre necessitam de conhecimentos prévios dos componentes geoambientais e dos processos desenvolvidos nesse meio, que se não forem levados em conta, essas intervenções estarão legadas ao fracasso absoluto e junto com elas também, a destruição dos ecossistemas. É buscando o aprimoramento dessas ações, que se apresenta este relatório. Fruto de aulas de campo, no Curso de Especialização em Metodologia do Ensino de Geografia, junto à disciplina Análise Ambiental, ministrada pelo Profº Dr. Marcos José Nogueira de Souza. Durante o percurso realizado, o qual deu-se a partir do município de Fortaleza em direção ao noroeste do Estado e terminando no município de Tianguá, fez-se de maneira macro, o reconhecimento das unidades geoambientais compreendidas nesse percurso. E sob a orientação do professor, fomos convidados a entender como se relacionam os diferentes condicionantes da ecodinâmica dos ambientes. O resultado a seguir mostra como afirmamos no início, um relatório que sumariza de maneira simples e inteligível, os diferentes aspectos de uma análise geoambiental em nível macroscópico.
  2. 2. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 2 METODOLOGIA (...) “Ao se apresentar um estudo integral do relevo deve-se levar em consideração três níveis de abordagens, sistematizados pelo Prof. Ab´Sáber (1969), e que individualizam o campo de estudo da ciência geomorfológica: a compartimentação morfológica o levantamento da estrutura superficial e o estudo da fisiologia da paisagem” (CASSETI, 1994). No caso do estudo das unidades morfo-estruturais do Estado do Ceará além dessa abordagem utiliza-se ainda os princípios da Ecodinâmica desenvolvidos por Jean Tricart e adaptados pelo Prof. Marcos José Nogueira de Souza. Assim sendo, busca-se o estudo de fenômenos para que se possa atingir a essência dos mecanismos que explicam as várias correlações. Utiliza-se ainda conceitos de T.C. SILVA, onde afirma que as funções de um diagnóstico integrado demandam dois enfoques principais: o holístico que defende a integração de todos os fatores e processos que compõem o sistema e o sistêmico onde destaca-se as relações de interdependência entre os componentes do meio viabilizando as análises de inter-relações de causa e afeito para definir a sensibilidade e a resistência do ambiente às ações antrópicas. MAPA GERAL DO LITORAL DO CEARÁ
  3. 3. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 3 UNIDADES GEOAMBIENTAIS I. - PLANÍCIE LITORÂNEA Estando naturalmente inserida no litoral do nordeste brasileiro, a Planície Litorânea constitui um geossistema onde os campos de dunas e as planícies fluvio-marinhas caracterizam suas geofácies mais representativas. As informações que se seguem tiveram como referência pontos de análises localizados na praia da Barra do Ceará em Fortaleza e ainda em pontos do município de Caucaia. 1 – CARACTERISTICAS NATURAIS GERAIS Constitui-se de uma área geologicamente jovem composta por sedimentos quaternários oriundos da formação barreiras, onde os aspectos da geomorfologia costeira são subordinados aos processos de acumulação de acordo com a dinâmica temporal e espacial. 2 – GEOFÁCIES 2.1 – CAMPO DE DUNAS De maneira generalizada o que mais identifica a faixa litorânea do Estado Ceará é a ocorrência de um extenso cordão de dunas refletindo a ação predominante da dinâmica eólica, onde duas gerações são facilmente discerníveis. Têm-se portanto, as dunas recentes geralmente móveis com coloração amarelo- esbranquiçadas e sem indícios de ação pedogenética. A inexistência de cobertura vegetal é justificada pelo o trabalho contínuo da migração dos sedimentos. A geração mais antiga possui em sua constituição areias vermelho-amareladas; são menos elevadas onde alguns pontos já se encontram dissipados. Mostram-se revestidas por vegetação, o que ajuda a atenuar os efeitos eólicos. CAMPO DE DUNAS – LITORAL OESTE DE FORTALEZA 2.2 – PLANÍCIE FLÚVIO-MARINHA
  4. 4. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 4 Próximo aos estuários a ação fluvial se combina com a marinha contribuindo para a formação dessas planícies. Compõem portanto, o quadro morfológico do litoral e são dotadas de algumas características que as individualizam. Apresentam solos indiscriminados de mangues e as plantas deste mangue mostram-se adensadas com o porte arbóreo e se dispõe longitudinalmente em relação às calhas fluviais. 3 - ECODINÂMICA E VULNERABILIDADE Conforme características já citadas anteriormente, este geossistema pode ser classificado como uma área instável e de forte vulnerabilidade. 4 – PROBLEMAS AMBIENTAIS CONFIGURADOS Dentre os problemas ambientais comuns aos campos de dunas e planícies flúvio- marinhas, podem se citados um desconhecimento ou desrespeito quase total da legislação ambiental, o que ocasiona o surgimento de problemas subseqüentes como por exemplo, o turismo predatório, a ocupação desordenado do solo associada a uma coleta e disposição do lixo pouco adequadas. Fatos estes que culminam com o desequilíbrio ecológico, a poluição dos solos e dos recursos hídricos. Conclui-se portanto, a deficiência ou inexistência de práticas de educação ambiental. 5 - CAPACIDADE DE SUPORTE 5.1 – POTENCIALIDADES Mesmo sendo áreas muito vulneráveis às intervenções humanas, tanto os campos de dunas como as planícies flúvio-marinhas podem ter suas potencialidades exploradas, desde que de maneira ordeira, extremamente planejada e sustentável. Sendo consideradas patrimônio paisagístico as atividades como ecoturismo e laser, são comuns. Nos campos e dunas podem ser encontrados aqüíferos e o extrativismo mineral é mais freqüente; já nas planícies flúvio-marinhas o extrativismo animal através da pesca e apanha de caranguejo é mais representativo podendo ainda praticar-se a aqüicultura.
  5. 5. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 5 5.2 – LIMITAÇÕES Sendo áreas instáveis e vulneráveis com ecodinâmica desfavorável, as limitações são muitas. Começando pela alta suscetibilidade que esses ambientem têm em relação à erosão, o que culmina num grande descompasso entre a capacidade produtiva dos recursos naturais e sua recuperação ou restauração. Nos campos de dunas a instabilidade do terreno, caracterizada pela alta permeabilidade e mobilidade dos materias, inviabilizam várias ações, fato contrastante com as planícies flúvio-marinhas onde a variação do nível das águas é constante com insuficiências de drenagem dos solos. Todos esses condicionantes contribuem para que as intervenções nos campos de dunas e nas planícies flúvio-marinhas sejam legalmente restritas.
  6. 6. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 6 II. - TABULEIROS PRÉ-LITORÂNEOS Compondo também a morfologia do litoral do nordeste brasileiro, os tabuleiros pré- litorâneos apresentam-se geralmente caracterizados pela geofácies: tabuleiros arenosos e tabuleiros areno-argilosos. As informações aqui dispostas têm como referência pontos de observação localizados no município de Caucaia. “Figura demonstrando como a análise ambiental pode ser utilizada para ações de gerenciamento”. FONTE: ABORDAGEM GEOMORFOLÓGICA PARA A REALIZAÇÃO DE ESTUDOS INTEGRADOS PARA O PLANEJAMENTO E GESTÃO EM AMBIENTES FLÚVIO-MARINHOS (A. J. A. Meireles;E. Vicente da Silva)
  7. 7. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 7 1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS Dispostos à retaguarda do cordão de dunas são ligados sem diferenças topográficas com as depressões sertanejas. Formados geologicamente por sedimentos do quaternário e terciário oriundos do Grupo Barreiras, representa a mais típica superfície de agradação do território cearense. Os solos dominantes nos tabuleiros são de areias quartizosas, rigossolos e podzólicos vermelho- amarelos;são cobertos por vegetação secundária de porte arbustivo-arbóreo. A drenagem possui em geral um fluxo muito lento resultado da baixa altimetria. 2 – ECODINÂNICA E VULNERABILIDADE Em virtude da topografia a lixiviação é acentuada limitando o trabalho erosivo da ação pluvial que juntamente com outros fatores tornam os tabuleiros áreas estáveis com vulnerabilidade nula ou muita baixa. 3 - PROBLEMAS AMBIENTAIS CONFIGURADOS As condições geográficas tornam os tabuleiros áreas muito propícias à ocupação humana. Têm-se então loteamentos predatórios causando desmatamentos desordenados e culminando com a perda da biodiversidade e erosão dos solos que em virtude de um mal tratamento do lixo ocasiona ainda poluição dos recursos hídricos. Represamento e desvios inadequados dos cursos d’água também são comuns. Observa-se assim como na análise da Planície Litorânea, um sério problema de educação ambiental. 4. – CAPACIDADE DE SUPORTE 4.1 – POTENCIALIDADES Topografia favorável à expansão urbana e viabilidade agrícola (irrigada) para leguminosas nas porções areno-argilosas e plantio de coqueiros, cajueiros nas porções arenosas. A ocorrência de água subterrânea é bem significativa. 4.2. – LIMITAÇÕES As irregularidades pluviométricas associadas a uma deficiência hídrica superficial são fatores limitantes. Podendo citar-se ainda uma baixa fertilidade natural do solo e impedimentos à mecanização agrícola.
  8. 8. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 8 III. DEPRESSÃO SERTANEJA Tendo o sertão semi-árido do nordeste como região natural, a Depressão Sertaneja aqui no Estado do Ceará compõe um geossistema muito representativo, onde pedimentos conservados com inselbergs e pedimentos dissecados em colinas rasas representam suas principais geofácies. 1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS Representam quase 70% do território estadual. Dispõem-se na periferia dos grandes planaltos sedimentares ou embutidas entre estes e os maciços residuais. As litologias são remanescentes do Pré –Cambriano cujas rochas compõem complexos gnáissico-migmatítico-granítico. A morfologia das depressões sertanejas se expõe através dos pedimentos que se inclinam desde a base dos maciços residuais, dos planaltos sedimentares e dos inselbergs. Caracteriza-se como uma superfície de erosão já bastante desenvolvida, onde as deficiências hídricas são responsáveis pela dispersão das caatingas e padrões dentríticos de drenagem. Os solos apresentam-se rasos e litólicos com grande freqüência de afloramento de rochas. VISTA PANORÂMICA DA DEPRESSÃO SERTANEJA DETALHES DA PAISAGEM DETALHE DA DEPRESSÃO EM IRAUÇUBA ACENTUADO PROCESSO DE DESERTIFICAÇÃO
  9. 9. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 9 Os cursos d’água são sazonais e intermitentes tornando deficiente a capacidade de erosão linear; observa-se ainda a ocorrência dispersa de inselbergs e cristas residuais nos setores de maior resistência à erosão diferencial; há ainda áreas de acumulação inundáveis à jusante das rampas pedimentadas. DETALHE DA DEPRESSÃO SERTANEJA NO MUNICÍPIO DE ITAPAJÉ ONDE OBSERVA-SE OS PEDIMENTOS DISSECADOS 2 – ECODINÂMICA E VULNERABILIDADE Em virtude dos vários condicionantes que atuam na área ao longo do tempo as depressões sertanejas são áreas com tendência à estabilidade e vulnerabilidade baixa. 3 - PROBLEMAS AMBIENTAIS CONFIGURADOS Semelhante ao que ocorre nos tabuleiros litorâneos a depressão sertaneja também é alvo de toda espécie de agressão. Por questões históricas e na atualidade por desconhecimento e desrespeito da legislação ambiental, as queimadas são, por exemplo, uma realidade assustadora. Desmatamentos desordenados associados a uma tecnologia agrícola rudimentar dão como resultados solos erodidos. O descompasso entre a exploração dos recursos naturais e sua recuperação também contribuem para o estágio atual de degradação.
  10. 10. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 10 4 – CAPACIDADE DE SUPORTE 4.1 – POTENCIALIDADES As depressões sertanejas estão despontando como áreas muito propícias para o Ecoturismo em virtude da paisagem “exótica” que são os sertões. O extrativismo mineral também é praticado principalmente quanto às rochas ornamentais. Pode ser citada ainda a prática da pecuária de subsistência e comercial. A topografia mostra-se favorável para a expansão urbana. 4.2 – LIMITAÇÕES A irregularidade pluviométrica juntamente com as deficiências hídricas tanto superficiais quanto subterrâneas caracterizam a área. Associados a esses fatores limitantes têm-se ainda solos muito rasos que contribuem para o impedimento à mecanização agrícola. AFLORAMENTO DE ROCHAS DO EMBASAMENTO INSELBERGS COMPÕEM A PAISAGEM CRISTALINO
  11. 11. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 11 IV. MACIÇOS RESIDUAIS Os maciços residuais compõem um geossistema que estão inseridos das serras úmidas nordestinas (região natural). Suas variações se fazem notar nas geofácies: vertentes e platôs úmidos e vertentes secas. Os pontos de análise aqui retratados fazem referência às Serras de Uruburetama e Meruoca. 1 – CARACTERÍSTICAS NATURAIS GERAIS Tais maciços encontram-se como compartimentos isolados no seio das depressões sertanejas. De maneira geral são constituídos por rochas do embasamento cristalino, datadas do pré-cambriano que apresentam-se dissecadas e desenvolvendo solos podzólicos. A drenagem que abrande essas áreas possuem padrões dendríticos e subdendríticos. Nas encostas com declives mais acentuados há uma certa instabilidade. 2 - GEOFÁCIES 2.2 – VERTENTES E PLATÔS ÚMIDOS O relevo mostra-se fortemente dissecado em feições de colinas e cristas, essa dissecação configurou formas de topos convexos e aguçados. Nas maiores altitudes sob a influencia de barlaventos têm-se a formação de mata plúvio- nebular. SERRA DE MERUOCA: ASPECTOS DA PAISAGEM
  12. 12. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 12 2.3 – VERTENTES SECAS Também dissecado em cristas e lombas alongadas. A influência de sotaventos contribui para a formação de matas secas e caatingas. O índice pluviométrico é bem menor que nas vertentes úmidas. 3 – ECODINÂMICA E VULNERABILIDADE A composição florística desses ecossistemas associados a seus componentes geoambientais o caracterizam como áreas que tendem a instabilidade e vulnerabilidade moderada . 4 – PROBLEMAS AMBIENTAIS CONFIGURADOS Queimadas, desmatamentos desordenados e cultivo em vertentes íngremes, são muito comuns nessa área, onde a erosão dos solos é claramente visível. Como também são visíveis a degradação das nascentes fluviais e o turismo e caça predatórios. Mais uma vez a deficiência de práticas de educação ambiental é fato corriqueiro. 5 – CAPACIDADE DE SUPORTE 5.1 – POTENCIALIDADES Sendo uma paisagem de exceção no cenário do semi-árido o patrimônio paisagístico e a biodiversidade constituem elementos propícios para o ecoturismo/turismo e laser. Os recursos hídricos são favoráveis à prática da agricultura (respeitando as restrições topográficas) e por influência do intemperismo químico e biológico os solos são um pouco mais espessos e férteis. 5.2 – LIMITAÇÕES Área muito suscetível à erosão em virtude das topografias acidentadas, e, pelo o mesmo motivo a expansão urbana não é muito propícia. Atividades incompatíveis também não são bem vindas. Várias dessas restrições são previstas em leis.
  13. 13. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 13 V. PLANÍCIES FLUVIAIS As planícies fluviais também fazem parte do sertão semi-árido nordestino. São as formas mais características de acumulação decorrentes da ação fluvial. 1 – CARACTERÍSTICAS NATURAIS GERAIS Unidade localizada nos contornos dos rios, originadas do trabalho de sedimentação dos mesmos. Constituem em geral áreas de diferenciação regional nos sertões semi-áridos, por abrigarem melhores condições de solos e disponibilidades hídricas. Acompanham longitudinalmente os maiores coletores de drenagem do Estado. No caso desta análise, foram observadas áreas dos rios Acaraú, Coreaú e Aracatiassu. Tais planícies ganham maior expressividade nos médios e baixos cursos devido a maior capacidade de deposição justificada pela diminuição no grau de declividade. A várzea é a área mais típica da planície. Sua paisagem é de fácil reconhecimento em função de sua cobertura vegetal. São matas ciliares de carnaubais onde ocorre depósitos aluviais areno-argilosos, constituindo a chamada várzea baixa onde ocorre as inundações. Mesmo não tendo grande expressividade espacial, as planícies fluviais com suas potencialidades naturais representam geossistemas de grande importância. 2 - ECODINÂMICA E VULNERABILIDADE As planícies fluviais caracterizam-se como ambientes de transição com tendência e instabilidade, possuindo ainda uma alta vulnerabilidade. 3 – PROBLEMAS AMBIENTAIS CONFIGURADOS
  14. 14. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 14 Como é muito comum nos sertões do nordeste, o desmatamento desordenado e as queimadas também caracterizam as planícies fluviais. Essas áreas são muito procuradas para a prática da agricultura. O que vem sendo feito sem nenhum acompanhamento técnico. É nesse contexto que represamentos e desvios de água inadequados contribuem para desequilíbrios ecológicos. 4 – CAPACIDADE DE SUPORTE 4.1 – POTENCIALIDADES Condicionantes como a biodiversidade, recursos hídricos, solos mais férteis e espessos, as topografias favoráveis e possibilidades para desenvolver agricultura irrigável fazem das planícies fluviais um verdadeiro oásis. 4.2 – LIMITAÇÕES As potencialidades faladas anteriormente não devem ser vistas como “boca livre”, pois é muito fácil ocorrer o desenvolvimento de níveis de degradação irrecuperáveis. Locais como estes oferecem impedimentos para mecanização agrícola e mesmo relativamente úmidos a irregularidade pluviométrica é característica preponderante.
  15. 15. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 15 VI. PLANALTOS SEDIMENTARES Dentre a região natural chamada de Planaltos e Chapadas Sedimentares do Nordeste o Planalto da Ibiapaba, aqui no Ceará apresenta-se como um geossistema dos mais significativos. As observações a seguir referem-se a uma de suas geofácies denominadas de reverso imediato úmido. 1 – CARACTERÍSTICAS GERAIS Classifica-se como um relevo dissimétrico onde é front escarpado e o reverso possui caimento tipográfico suave configurando a morfologia de cuesta. A cornija apresenta-se arenítica com espessuras variadas. Perpendiculares à escarpa as rochas têm feições morfológicas dissecadas com cristas perpendiculares. Os solos apresentam-se profundos e são comumente podzólicos. As chuvas são abundantes, se comparadas ao semi-árido, e são responsáveis pela espacialidade da mata de encosta onde desenvolvem-se espécies arbóreas (mata plúvio- nebular). Sob o ponto de vista morfoclimático preponderam os efeitos das chuvas orográficas que produzem reflexos na imposição dos processos morfodinâmicos, como por exemplo, a morfogênese química. 2 – ECODINÂMICA E VULNERABILIDADE Relacionando-se os vários componentes geoambientais, o ambiente pode ser classificado como de transição com tendência e estabilidade, porém com alta vulnerabilidade. 3 – PROBLEMAS AMBIENTAIS CONFIGURADOS O processo de ocupação do Planalto da Ibiapaba é antigo, remota à colonização. As práticas sociais e culturais ainda guardam muito dessa herança. Queimadas, desmatamentos desordenados e cultivo em vertentes íngremes, são muito comuns nessa área, onde a erosão dos solos é claramente visível. Já observa-se nos arredores da cidade de Tianguá, por exemplo, um enorme avanço da vegetação de carrasco, conseqüência da devastação que o ambiente sofreu e continua sofrendo. São também são visíveis a degradação das nascentes fluviais e o turismo e caça predatórios. Mais uma vez a deficiência de práticas de educação ambiental e o conseqüente desconhecimento e desrespeito da legislação ambiental são fatos corriqueiros. 4 – CAPACIDADE DE SUPORTE 4.1 – POTENCIALIDADES
  16. 16. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 16 O patrimônio paisagístico e a biodiversidade por si só, já refletem seu potencial. Esses elementos constituem razões mais que justificáveis para o ecoturismo e o turismo de laser. Os recursos hídricos superficiais são muito favoráveis à prática da silviculura e por influência do intemperismo químico e biológico os solos são um pouco mais espessos e férteis. 4.2 – LIMITAÇÕES As topografias acidentadas tornam essa área muito suscetível à erosão e a expansão urbana também não é muito propícia. Atividades incompatíveis também não são bem vindas assim como mecanização agrícola, até mesmo porque já é uma realidade processos erosivos ativos e degradação avançada dos recursos naturais. Várias dessas restrições são previstas em lei, mas, figura novamente o desrespeito e desconhecimento da legislação ambiental pertinente. VISTA PANORÂMICA DA CUESTA DA IBIAPABA O FIM DO COMEÇO
  17. 17. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 17 Citamos no início deste trabalho algumas das várias possibilidades que o profissional da Geografia está apto a desenvolver. Dentre essas atribuições o desenvolvimento de relatórios simples, concisos e bem fundamentados para serem usados em ações de planejamento e gerenciamento é fator de grande importância. Foi procurando desenvolver e adquirir essa competência que timidamente este relatório foi elaborado. Sendo um trabalho que de forma macroscópica analisou Unidades Geoambientais, algumas observações finais necessitam lamentavelmente de destaque. É lamentável, por exemplo, diagnosticar que em todas as unidades observadas a degradação ambiental é uma triste realidade nos ecossistemas cearenses. Lamenta-se também a falta de práticas de educação ambiental que fomenta o desconhecimento e o desrespeito da legislação pertinente. Lamentável ainda é ver ambientes com riqueza na biodiversidade, verdadeiros oásis e berço de vida, que como se já não bastasse ser paisagens de exceção, estão caminhando a passos largos para total desaparecimento. E diante desse quadro fatídico, não apenas os geógrafos são responsáveis pela procura de respostas e soluções, mas todo e qualquer cidadão. É claro que para esse grau de consciência ecológica atingir as massas, seu trabalho é de grande importância, bem como o de todos os demais educadores.
  18. 18. ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE GEOGRAFIA/ANÁLISE AMBIENTAL/RELATÓRIO DE AULA DE CAMPO 18 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS CASSETI, VALTER – Elementos de Geomorfologia. Ed. da UFG, 1994, Goiânia. SOUZA, M.J.N. – Contribuição ao Estudo das Unidades Morfo-estruturais do Estado do Ceará. In Revista de Geologia da UFC(1), pág. 73-91, jun/1988. _____________ - (2004) – Apostilas e notas de aula. TRICART. J. – Ecodinâmica. 1977, IBGE, Rio de Janeiro.

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