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                                      04/10/2010



               A contribuição das TICs no processo de Educação Ambiental 


   The contribution of Information Technology and Communication in the process 
                              environmental education

                                    WEIPPERT, Silvane de Fátima
                                      Graduada em Filosofia, UFSM.


Resumo
Na perspectiva de aproximar as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) à Educação 
Ambiental (EA) é que se propõe o presente artigo a refletir sobre a associação daqueles recursos 
a esta prática educativa, em seu propósito inicial. A hipótese é a de que as TICs podem favorecer 
o processo de ensino­aprendizagem, considerando a sua presença em nosso cotidiano através de 
diversas ferramentas como o rádio, a tv, video, telefone celular, câmeras digitais e o computador. 
Avaliando suas potenciais contribuições ao processo de transformação e consciência ecológica, 
através   de   uma   revisão   bibliográfica   sobre   o   assunto,   acredita­se   que   essa   aliança   possa 
contribuir para a expansão e abertura de novos espaços de comunicação sobre o tema, além de 
acrescer   em   qualidade   e   eficácia   o   processo   de   ensino­aprendizagem   nessa   área   do 
conhecimento.

Palavras­chave: Educação Ambiental; Tecnologias da Informação e da Comunicação; Ensino 
aprendizagem

Abstract 
On the prospect of approach information technologies and communication technologies (TICs) to  
the   Environmental   Education   (EE)   is   that   this   article   intends   to   reflect   on   the   association   of  
educational resources to this practice in its essential purpose. The hypothesis is that TICs can 
facilitate the teaching­learning process, considering its presence in our daily life through many  
tools such as radio, television, video, mobile phone, digital camera and computer. Assessing their  
potential contributions to the process of transformation and ecological awareness, we believe that this  
alliance can contribute to the expansion and opening new spaces for communication on the subject,  
besides adding in quality and effectiveness of teaching­learning process in this knowledge area.

Key­words: Environmental Education, Information Technology and Communication, Teaching  
Learning.




1. Introdução

         Segundo a lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999, a Educação Ambiental (EA)1 é um 
componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente em 
todos   os   níveis   e   modalidades   do   processo   educativo,   formal   e   não­formal.   Por   seu 
caráter holístico, interdisciplinar e participativo, pode contribuir para renovar o processo 
educativo,   trazendo   a   permanente   avaliação   crítica;   a   adequação   dos   conteúdos   à 
realidade local e o envolvimento dos indivíduos em ações concretas de transformação da 
realidade. 

         Em seu viés democrático, propõe­se a atingir a todos os cidadãos, através de um 
processo   pedagógico   de   cunho   interativo,   que   procura   incutir   no   indivíduo   uma 
consciência   crítica   sobre   o   assunto.   Exercitando   a   capacidade   de   analisar   a   origem, 
evolução   e   possíveis   soluções   dos   problemas   ambientais,   envolve   a   flexibilidade   de 
métodos   e   de   conteúdos   que   visam   a   atender   um   público   alvo   muito   amplo   e 
diversificado.

         Para que atinja efetivamente tais objetivos, mostra­se necessária a adoção de um 
amplo   conjunto   de   métodos   e   técnicas   pedagógicas   bastante   específicas.   Por   esse 
motivo é que as tecnologias da informação e da comunicação (TICs)2  vem adquirindo 
cada vez mais relevância e inserção no cenário educativo ambiental, uma vez que a sua 
utilização potencializa  o  processo  de  aprendizagem e  de  ação no  meio  social,  em  se 
associando aos interesses e objetivos de que se constitui a temática envolvida.
Percebe­se,   nos   últimos   anos,   uma   intensificação   de   esforços   na   produção   de 
material   pedagógico,   audiovisual   e/ou   impresso,   sobretudo   no   campo   do   ensino   a 
distância (EAD). Contudo, o desenvolvimento dos recursos metodológicos no campo da 
educação ambiental pouco reflete, ainda, as potencialidades educativas expressas por 
meio das TICs ­ e, consequentemente, o alcance dos objetivos da Política Nacional de 
Educação Ambiental (PNEA)3. 

          Através da análise de alguns estudos já publicados sobre o tema, nesse artigo, 
utilizou­se   de   uma   revisão   bibliográfica   para   examinar   a   forma   como   o   assunto   foi 
abordado,   identificando   eventuais   variáveis          sobre   o   enfrentamento   do   problema   em 
questão.   Assim,   é  traçada,   inicialmente,   uma   introdução   sobre   o   desenvolvimento   e 
aplicação das TICs no âmbito da educação, seguido de uma descrição das principais 
características e peculiaridades da EA. Por fim, precedendo às considerações finais, são 
avaliadas as possíveis contribuições do uso das TICs nas práticas de EA.

2. Sobre o desenvolvimento e aplicação das TICs na Educação 


       A   utilização   dos   recursos   tecnológicos   no   modelo   de   ensino   tradicional   parece 
restringir­se,   no   limite,   ao   uso   da   internet   como   ferramenta   de   pesquisa   e   coleta   de 
informações.   Entretanto,   sabemos   que   as   TICs   oferecem   inúmeras   possibilidades   de 
comunicação, interação e disseminação de conhecimentos. 
       Mais   do   que   o   simples   acesso   de   dados,   as   TICs   possibilitam   a   interação   de 
agentes em projetos, eventos e ações colaborativas no qual são debatidas e trocadas 
experiências e idéias. Como exemplo desse tipo de tecnologia, com forte potencial de 
intermediação política e social, podem­se citar as redes sociais, grupos de discussão, 
web­conferências, correio eletrônico, chats, entre outros recursos de multimídia. 
       A   rede   mundial   de   computadores   é,   no   entanto,   o   exemplo   mais   claro   da 
potencialidade de compartilhamento das chamadas  capacidades cognitivas expandidas 
(Piaget,   1979)   que   as   TICs   têm   a   oferecer.   Aliada   a   um   poder   de   difusão   sem 
precedentes,  a   internet  possibilita   o  encontro   de  um  número   enorme   de   pessoas   que 
antes só se articulavam como receptores ante o rádio, o jornal e a televisão.
As TICs, com efeito, servem de suporte para os saberes elaborados, no transcorrer 
da história humana, que se modificaram sucessivamente desde a forma oral, passando 
pelo meio impresso ­ surgimento da imprensa e difusão do conhecimento em massa por 
volta do séc. XV ­ e atingindo a informatização. Assim, a partir da década de 1990, com a 
popularização   dos   recursos   tecnológicos,   dão­se   inúmeras   transformações   sociais   e 
políticas   quanto   à   circulação   do   conhecimento   e   aos   meios   de   acesso   à   informação, 
criando o conceito de “aldeia global”4.
       Essas modificações refletem­se na forma de compreensão do mundo ­ no modo de 
vê­lo   e   interpretá­lo   ­   sendo   acompanhada   por   uma   série   de   mudanças   culturais   e 
habituais, seja no âmbito de trabalho, seja no âmbito do lazer e do ensino. A evolução dos 
recursos   informatizados   na   área   da   educação,   por   exemplo,   implicou   o   aumento   e 
qualidade das ferramentas pedagógicas em relação ao tradicional processo de ensino­
aprendizagem.5
       Dispõem­se, assim, sobre as primeiras evidências da contribuição do uso das TICs 
na   construção   e   interpretação   do   mundo,   de   maneira   a   colaborar   na   conscientização 
ambiental,   tanto   na   modalidade   de   ensino   presencial   como   na   modalidade   EAD.   De 
qualquer sorte, mostra­se também evidente que a queda dos custos dos equipamentos de 
informática,   aliada   ao   acentuado   grau   de   desenvolvimento   dos   produtos   multi   e 
hipermídia, colaborou para expansão de modalidade de ensino a distância (EAD) que, 
cada vez mais, alcança um número maior de educandos e educadores. 

       O advento e difusão dessa modalidade de ensino determina acentuadas mudanças 
no  ensino  convencional, mostrando­se  evidente  a  necessidade de  realizar adaptações 
nas práticas de ensino­aprendizagem, bem com no(s) modelo(s) pedagógico(s) a ser(em) 
adotado(s). Trata­se de uma transformação paradigmática, em que a escolha de um ou 
outro modelo pedagógico já não dá conta das relações, necessidades e desafios a serem 
enfrentados. 

                       A   incorporação   das   TIC   no   espaço   escolar   é   demandada   pela   cibercultura, 
                       traduzida   como   um   movimento   sócio­cultural,   que   nasce   da   relação   entre   uma 
                       comunidade ou grupo social, a cultura e as tecnologias digitais com a interconexão 
                       mundial   de   computadores   em   intensa   disseminação   a   partir   do   século   XXI. 
                       Considerados   ambientes   virtuais,   esses   espaços   de   interação   social,   de 
organização,   de   informação,   de   conhecimento,   resultam   em   aprendizagem 
                      colaborativa (MESQUITA & LIRA apud MORAIS, 2010, p. 14).




       Se   na   pedagogia   tradicional   o   professor   era   considerado   o   detentor   do 
conhecimento,   responsável   por   todo   o   processo   de   aprendizagem,   no   âmbito   dessas 
novas tendências o processo de aprendizagem é mais interativo e flexível. Isso ocorre 
porque o professor e o aluno passam a atuar em posições similares, como parceiros, 
formando uma cadeia de conhecimentos heterogêneos.

                        Num mundo globalizado, que derruba barreira de tempo e espaço, o acesso à 
                        tecnologia exige atitude crítica e inovadora, possibilitando o relacionamento com a 
                        sociedade como um todo. O desafio passa por criar e permitir uma nova ação 
                        docente   na   qual   professor   e   alunos   participam   de   um   processo   conjunto   para 
                        aprender, de forma criativa, dinâmica e encorajadora, e que tenha como essência 
                        o diálogo e a descoberta (LOBATO apud BEHRENS, 2000, p. 78).




       Essa   nova   relação   entre   professor­aluno   e   aluno­aluno   parece   ser   o   marco   da 
tecnologia instrucional voltada ao ensino­aprendizagem, que procura superar os limites do 
modelo   presencial.   Busca­se,   com   isso,   relativizar   a   exigência   da   presença   dos 
participantes num mesmo local físico como condição de sociabilidade e  democratização 
do acesso ao conhecimento. 
       Os  princípios da   modalidade   tradicional  requerem,  com  isso,  adaptação   a  essa 
nova ordem, que exige mudanças nas formas de praticar o ensino­aprendizagem. Um dos 
desafios inerentes a essas mudanças em prol de um ensino mediado por computador é a 
modificação/adaptação nos processos pedagógicos envolvidos.
       Todavia,   em   se   tratando   de   uma   modalidade  sui   generis,  que   emerge   num 
processo   em   construção,   não   se   pode   ainda   especificar   quais   são   os   modelos 
pedagógicos aplicáveis ou não ao ensino a distância. Isso se dá na medida em que novos 
processos   estão   sendo   cotidianamente   gestados,   baseados   no   desenvolvimento   das 
competências   e   habilidades;   no   respeito   ao   ritmo   individual   e   na   formação   de 
comunidades de aprendizagem e redes de convivência (BASSANI, 2006). 
Dessa   forma,   conceitos   como   construção   do   conhecimento,   autonomia,  autoria, 
interação, cooperação, respeito mútuo e solidariedade passam a ser os alicerces de um 
novo   modelo   pedagógico   (BASSANI,   2006).   Centrado   na   atividade   do   aprendiz   e   na 
identificação/solução   de   problemas,   esse   modelo   nem   mesmo   ignora   os   preceitos   já 
conquistados no âmbito da história da educação6. 
        Ademais,   as   novas   correntes   pedagógicas   estão   sendo   constantemente 
influenciadas pela inserção da tecnologia nos meios de ensino­aprendizagem. Pode­se 
considerar,   nesse   sentido,   que   a   EAD,   como   uma   representante   dessa   mais   recente 
corrente   pedagógica,   surge   para   complementar   os   outros   modos   de   estudos 
desenvolvidos   nas   escolas   presenciais,   procurando   constituir   os   alicerces   de   uma 
aprendizagem mais cooperativa e democrática, especialmente no campo da EA7.
        Nas   últimas   décadas   temos   testemunhado   o   aparecimento   de   inúmeros 
movimentos em prol do meio ambiente.8  Em diversos países, programas e estratégias 
vêm sendo empreendidas com o intuito de frear a degradação ambiental; de encontrar 
novas   alternativas   para   processos   de   produção   e   consumo   menos   impactantes   e, 
principalmente,   de   conscientizar   a   população   quanto   aos   danos   ao   meio   ambiente 
causados pelo ser humano.      


3. Sobre as características e peculiaridades da Educação Ambiental



        A EA como prática educativa começou a ser introduzida recentemente, de modo 
organizado   e   oficial   no   sistema   escolar   brasileiro.   A   abrangência   dessa   questão   que, 
desde   o   início,   teve   vocação   transnacional,   manifestou­se   e   manifesta­se   em   várias 
articulações (conferências, fóruns, convenções, etc.) de caráter internacional, que vêm 
sedimentando   diretrizes   e   acordos   que   passaram   a   orientar   as   políticas   ambientais 
nacionais (OLIVA, 2001, p. 02).
          Em   1994,   foi   aprovado   pelos   Ministérios   do   Meio   Ambiente,   da   Ciência   e 
Tecnologia, da Educação e Desporto, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, o 
Programa   Nacional   de   Educação   Ambiental  (PRONEA),  em   cumprimento   às 
recomendações   da   “Agenda   21”.   Esse   programa   estabelece   as   linhas   de   ação 
orientadoras da prática da Educação Ambiental para atingir os diversos segmentos da 
sociedade   civil,   envolvendo­a   num   processo   permanente   de   aprendizagem   e   de 
integração do homem com seu ambiente. 

       Já  em  1999,   a   Lei   nº.   9795,   aprovada  em   27  de   abril,   dispõe   sobre   a  EA,   ao 
instituir   uma   Política   Nacional   de   Educação   Ambiental   (PNEA).   Esse   documento 
legislativo a reconhece como um componente urgente, essencial e permanente em todo 
processo educativo, independentemente de sua natureza. 

       Trata­se de um programa de promoção da EA em todos os setores da sociedade. 
Diferente de outros estatutos, a Lei nº. 9795 não estabelece regras ou sanções senão 
responsabilidades e obrigações. 
       Ao   definir   responsabilidades   e   inserir   a   temática   ecológica   na   pauta   dos   mais 
diferentes   segmentos   sociais,   a   PNEA   institucionaliza   os   princípios   básicos   da   EA, 
transformando­os em objeto de políticas públicas, como instrumentos de promoção dos 
valores ambientais:


                        Art. 3, Lei 9,795/99: Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm 
                        direito à educação ambiental, incumbindo: I ­ ao Poder Público, nos termos dos 
                        arts. 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a 
                        dimensão   ambiental,   promover   a   educação   ambiental   em   todos   os   níveis   de 
                        ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do 
                        meio ambiente; II ­ às instituições educativas, promover a educação ambiental de 
                        maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; III ­ aos órgãos 
                        integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente ­ Sisnama, promover ações de 
                        educação   ambiental  integradas  aos  programas  de  conservação,   recuperação  e 
                        melhoria do meio ambiente; IV ­ aos meios de comunicação de massa, colaborar 
                        de   maneira   ativa   e   permanente   na   disseminação   de   informações   e   práticas 
                        educativas   sobre   meio   ambiente   e   incorporar   a   dimensão   ambiental   em   sua 
                        programação;   V   ­   às   empresas,   entidades   de   classe,   instituições   públicas   e 
                        privadas,   promover   programas   destinados   à   capacitação   dos   trabalhadores, 
                        visando à melhoria e ao controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como 
                        sobre as repercussões do processo produtivo no meio ambiente; VI ­ à sociedade 
                        como   um todo,   manter  atenção   permanente   à  formação   de   valores,   atitudes  e 
                        habilidades   que   propiciem   a   atuação   individual   e   coletiva   voltada   para   a 
                        prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais.

                        Art. 4, Lei 9,795/99: São princípios básicos da educação ambiental: I ­ o enfoque 
                        humanista,   holístico,   democrático   e   participativo;   II   ­   a   concepção   do   meio 
                        ambiente   em   sua   totalidade,   considerando   a   interdependência   entre   o   meio 
                        natural, o sócio­econômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III ­ o 
pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e 
                        transdisciplinaridade; IV ­ a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as 
                        práticas   sociais;   V   ­   a   garantia   de   continuidade   e   permanência   do   processo 
                        educativo;   VI   ­   a   permanente   avaliação   crítica   do   processo   educativo;   VII   ­   a 
                        abordagem   articulada   das   questões   ambientais   locais,   regionais,   nacionais   e 
                        globais;   VIII   ­   o   reconhecimento   e   o   respeito   à   pluralidade   e   à   diversidade 
                        individual e cultural ( BRASIL, Lei 9,795/99).



       Por  outros meios,  a PNEA  dispõe  sobre  a  própria transversalidade  da  temática 
ambiental, em consonância com o proposto pelos Parâmetros e Diretrizes Curriculares 
Nacionais (PCN)9. Daí se constituir a EA de um caráter holístico e transdisciplinar, como 
forma de inserir seus conhecimentos no meio social, seja através do ensino formal, seja 
através do ensino não­formal. 
       Nesse contexto em que os sistemas educacionais atuam na promoção de valores é 
que a EA assume uma posição de destaque, ensejando a construção dos fundamentos 
de uma sociedade sustentável. E ao apresentar uma decisiva função nessa edificação 
axiológica, ela fomenta processos de mudança cultural que vão ao encontro de um dos 
mais importantes desafios da contemporaneidade.
       Considerando essa objetivada visão integradora do mundo, no tempo e no espaço, 
sobressaem­se as escolas como espaços privilegiados na implementação de atividades 
que propiciem esse tipo de reflexão. Não se limitando, porém, à moldura do quadro negro, 
as   TICs   oferecem   aos   alunos   a   possibilidade   de   reavaliar   as   atitudes   individuais, 
aparentemente sem conexão imediata, com seus efeitos e repercussões a níveis globais.
       Por  esse motivo é que  a EA procura  sensibilizar o  aluno  a buscar valores  que 
conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente, bem como com as demais 
espécies que habitam o planeta, auxiliando­o a analisar criticamente as ações que tem 
levado à destruição inconsequente dos recursos naturais. Com o auxílio desse tipo de 
ferramenta, acredita­se na possibilidade de difundir o senso crítico de responsabilidade e 
de   solidariedade   capaz   de   conduzir   a   atitudes   positivas   de   comprometimento   pessoal 
para com a proteção do meio ambiente.        
                
4. Sobre as contribuições do uso das TICs nas práticas de Educação Ambiental 
A   mediação   pedagógica   oferecida   pelas   TICs   às   práticas   de   EA   parece   ser 
decisiva   para   o   aprendizado   ao   possibilitar   a   integração   de   diferentes   saberes 
disciplinares através de uma versatilidade das linguagens que lhe é conferida.
       Em   se   valendo   de   diferentes   tipos  de   representações   gráficas   e   de   multimídia, 
trabalhadas   em   diferentes   contextos   e   estilos   de   aprendizagem,   privilegia­se   os 
processos   educativos   com   diferentes   movimentos,   cores,   sons,   além   de   emoções   e 
relacionamentos   com   pessoas   e   dados   concretos,   possibilitando   que   se   revista   a 
aprendizagem de diferentes formas de abordagem10. 
       A utilização da internet, por exemplo, permite diversificar as formas de ensinar e 
aprender, ampliando o alcance do trabalho de divulgação de ideias e propostas11. Mais do 
que   uma   simples   referência   contextual,   a   rede   mundial   de   computadores   pode   servir 
como ponto de encontro, produção e debate de ideias.
       A partir daí, de informador a orientador de aprendizagem, o papel do professor 
amplia­se   significativamente,   como   um   gerenciador   de   pesquisa,   comunicação   e 
interação   com   os   alunos.   Já   como   administrador   do   processo   de   aprendizagem,   é   o 
coordenador de seu ritmo e andamento, equacionando diferenças e convergências. 

       Traça­se,   assim,   um   novo   campo   de   sociabilização   e   aprendizado   que   se 
caracteriza pela apresentação de cenários, sínteses e coordenadas de um problema ou 
questionamento.   Aulas­pesquisa   em   que   professores   e   alunos   procuram   novas 
informações, delimitam as (in)certezas, desenvolvem experiências e avançam no campo 
do conhecimento. 

          Esse processo de sensibilização fomenta iniciativas que transcendam o muro da 
escola, atingindo tanto  o  bairro no  qual  se  insere  como  as  realidades mais  afastadas 
geograficamente   no   planeta.   Para   isso,   necessita   da   colaboração   e   envolvimento   do 
aluno em todas as fases do processo de ensino­aprendizagem, envolvendo os conceitos, 
os   contextos,   os   problemas   e   o   diagnóstico   da   questão   ambiental,   com   objetivo   de 
perseguir possíveis soluções para o enfretamento dessa realidade.  

       Justifica­se, também assim, a busca da EA pelo auxílio de técnicas e ferramentas 
de ensino capazes de facilitar o processo de tomada de consciência sobre a gravidade 
dos problemas ambientais. Nesse contexto é que surge a oportunidade ímpar de se unir à 
EA   as   ferramentas   das   TICs,   ensejando   aproximar   a   questão   ambiental,   não   raro 
associada a termos técnicos e estatísticas, como se fosse algo distante da vida cotidiana 
dos alunos.
       Contudo, segundo Soulé (apud PICHELL, 2006), a construção da nossa percepção 
da natureza passa por perspectivas diferenciadas, em que a dimensão de valor contrapõe 
valores utilitários e intrínsecos (espirituais /éticos), enquanto que o viés analítico percebe 
a biodiversidade como um fenômeno a ser organizado e explicado. Por fim, a dimensão 
experiencial forneceria a matéria­prima a partir da qual se formulam as dimensões mais 
conceituais sobre o fenômeno.
       A justaposição dessas três dimensões (valorativa, analítica e experimental) é que 
indicaria o caminho por onde a temática ecológica deve passar, na perspectiva de gerar a 
motivação necessária para que a educação saia do discurso em direção a uma efetiva 
práxis ambiental. E, ao que tudo indica os recursos tecnológicos informacionais, como os 
Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e de hipermídia, têm uma ampla contribuição a 
oferecer no percorrer desses objetivos.
       Para Santos (apud RODRIGUES, 2008, p. 53), além de o conhecimento geográfico 
propiciar   a   conservação   do   ambiente,   suas   técnicas   possibilitam   a   construção   de 
mecanismos   interpretativos   pelos   indivíduos.   A   noção   de   território,   por   exemplo,   no 
contexto   histórico   atual,   inclui   obrigatoriamente   ciência,   tecnologia   e   informação, 
favorecendo   o   seu   auto­(re)   conhecimento   como   sujeitos   sociais   atuantes,   real   ou 
potencialmente, nos diversos espaços sociais intercalados e superpostos, em direção a 
uma melhoria da qualidade ambiental.
       Daí   a   necessidade   das   práticas   educativas   serem   mediadas   por   recursos   de 
ensino alternativos que assegurem o interesse pela formação de atitudes ecológicas e 
cidadãs, influindo no desenvolvimento de capacidades e sensibilidades compreensivas 
dos problemas ambientais. Isto se dá na medida em que, invariavelmente, a mobilização 
e comprometimento na tomada de decisões estejam voltadas à melhoria da qualidade de 
vida, em se confundindo com os objetivos diretos da EA.           
        
5. Considerações Finais


       A partir desse estudo, torna­se possível compreender a EA como um conjunto de 
ações   e   práticas   educativas   voltadas   à   sensibilização   da   coletividade   acerca   das 
questões ecológicas. Também assim, denota­se que o estudo em defesa da qualidade do 
meio ambiente deve ocorrer de modo sistemático, transversal e interdisciplinar.
       Ao   abordar   o   tema   das   TICs,   como   suporte   pedagógico   nas   práticas   de   EA, 
objetivou­se destacar a importância do assunto no contexto escolar, com foco no papel 
que   cada   indivíduo   detém   para   a   preservação   do   meio   ambiente.   E   por   acreditar   na 
potencialidade   dessa   aliança   como   um   instrumento   mais   eficaz   de   mudança   de 
pensamento e atitudes é que se propôs a associação de ambos esses elementos aqui 
retratados.
       Auxiliando   no   planejamento   e   nas   práticas   educativas,   através   da   mediação 
pedagógica   construtivista,  democrática  e  interativa,   as  TICs   fornecem   à   EA  um   modo 
diferente de pensar o mundo em que se vive, reunindo as condições necessárias para a 
efetivação de um ato genuinamente educativo. E ao transformar os métodos de ensino e 
a   organização   escolar   do   tipo   tradicional,   elas   também   sublinham   as   transformações 
ocorridas   no   perfil   do   professor   centralizador   rumo   a   um   gerenciador   de   pesquisa, 
comunicação e interação social. 
       De   fato,   as   TICs   trazem   elementos   inovadores   aos   sistemas   educativos, 
encontrando maior acolhimento na modalidade EAD. Admitindo­se, como pressuposto, 
que esses elementos são capazes de aproximar a dimensão ecológica da vida cotidiana 
de   alunos   e   professores,   possibilitando   uma   maior   sensibilização   aos   problemas 
ambientais que assolam a humanidade, é possível afirmar que a associação das TICs à 
EA resulte em melhores estratégias educativas que visem a difundir as noções de ética e 
responsabilidade sócio­ambiental.
1 Entendem­se por educação ambiental  os  processos  por meio dos quais o indivíduo  e a coletividade 
   constroem   valores   sociais,   conhecimentos,   habilidades,   atitudes   e   competências   voltadas   para   a 
   conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua 
   sustentabilidade (Lei 9795, Art. 1º).
2  Para que não se confunda TICs, como  apenas as tecnologias da informática, vale destacar que além 
   destas, as TICs referem­se também a muitos outros meios tecnológicos de informação e comunicação, 
   como por exemplo, rádio, televisão, telefone, aparelhos de DVD, CD, câmera digital, data show entre 
   outros.
3 São objetivos fundamentais da educação ambiental:
    I ­ o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas 
   relações,   envolvendo   aspectos   ecológicos,   psicológicos,   legais,   políticos,   sociais,   econômicos, 
   científicos, culturais e éticos;
   II ­ a garantia de democratização das informações ambientais (grifo pela autora);
   III ­ o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social;
   IV   ­   o   incentivo   à   participação   individual   e   coletiva,   permanente   e   responsável,   na   preservação   do 
   equilíbrio do meio ambiente, entendendo­se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável 
   do exercício da cidadania;
   V ­ o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e  macrorregionais, com 
   vistas à construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, 
   igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade;
   VI ­ o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia(grifo pela autora);
   VII ­ o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como   fundamentos 
   para o futuro da humanidade (art. 5º, Lei 9597/99).
4 O princípio que preside esse conceito é o de um mundo interligado, com estreitas relações econômicas, 
   políticas e sociais, como fruto da evolução das TICs e, particularmente, da World Wide Web (WWW), 
   diminuidora das distâncias e das incompreensões entre as pessoas e promotora da emergência de uma 
   consciência global interplanetária. Fonte: Wikipédia.
5 No RS, por exemplo, a Secretaria de Educação possui uma  Central de Apoio Tecnológico à Educação ­ 
   CATE,   que     é  responsável  pelo  gerenciamento  do  uso  pedagógico  da  Tecnologia  da  Informação  e 
   Comunicação,   tendo   como   premissas   básicas   de   sua   atuação   a   qualificação,   o   enriquecimento, 
   ampliação   e   aprofundamento   das   possibilidades  de   construção   do   conhecimento   para   educadores   e 
   educandos na Educação Básica.
6 Muito embora um modelo pedagógico possa ser embasado numa ou mais teorias de aprendizagem, os 
   modelos   de   forma   em   geral   são   reinterpretações   de   teorias   a   partir   de   concepções   individuais   dos 
   professores, que se apropriam parcial ou totalmente de tais construtos teóricos imbuídos num paradigma 
   vigente. Parte­se de um paradigma dominante (BEHAR, 2007) que, em geral influencia as teorias de 
   aprendizagem vigentes, assim como outras teorias cientificas em geral.
7 Esse tipo de ambiente tende a produzir uma verdadeira revolução nos modelos tradicionais de ensino, 
   uma vez que os alunos podem se valer de recursos tecnológicos para trabalhar conteúdos e produzir 
   conhecimento   de   forma   interativa   ou   integrada,   em   que   novas   competências   e   qualificações   são 
   requeridas   para   o   profissional   de   ensino.   Similarmente,   demanda­se   por   posturas   mais   críticas   e 
   proativas para os alunos, com estratégias de avaliação da aprendizagem que possam constituir­se em 
   instrumentos mais eficazes para a avaliação do desempenho discente (CONSENTINO, 2000). 
8 Com a ampliação do “movimento ambientalista” na metade do século XX, ocorreram eventos importantes 
   (CARVALHO, 2010), como a Conferência de Estocolmo, em 1972; a Conferência de Belgrado, em 1975; 
   a   Conferência   Intergovernamental   sobre   Educação   Ambiental,   Tbilisi,   em   1977;   o   Congresso 
   Internacional   sobre   a   Educação   e   Formação   relativas   ao   meio   ambiente,   Moscou,   em   1987;   a 
   Conferência RIO/1992­ Agenda 21 e Protocolo de Kioto, no Japão, em 1997.
9 O Ministério da Educação e do Desporto aprovou, em 1996, os novos Parâmetros Curriculares Nacionais 
   ­ PCNs, que incluem a Temática Ambiental como tema a ser inserido transversalmente em todas as 
   áreas   do   conhecimento.   Exigindo   planejamento   e   realização   coletivo   e   interdisciplinar   no   processo 
   ensino­aprendizagem,   projetou­se,   desta   forma,   a   educação   ambiental   em   todas   as   disciplinas   e 
   atividades da escola.
10 Nas escolas é possível fazer o uso do vídeo e da televisão, em que diversos documentários e programas 
   são oferecidos e transmitidos com a temática ambiental.   Outras ferramentas como rádio, data show, 
   câmera fotográfica e celulares podem ter seu uso incluído nas práticas educativas, dependendo muito da 
   capacidade criativa de cada educador.
11 Ferramentas como sites de hospedagem (orkut, msn e you tube), por exemplo.
6. Referências bibliográficas



BRASIL.  Programa Nacional de Educação Ambiental­ PRONEA. 3a edição. Brasília, 
2005. 

  _____.   Congresso   Federal.  Lei   n°   9.795,   de   27   de   abril   de   1999.   Dispõe   sobre   a 
Educação  Ambiental.  Institui   a  Política   Nacional   de   Educação   Ambiental.  Ministério   do 
Meio Ambiente, Brasília, 1999b.

BASSANI, Patrícia. B. Scherer. BEHAR, Patrícia A. Análise das interações em ambientes 
virtuais de aprendizagem: uma possibilidade para avaliação da aprendizagem em EAD. 
RENOTE. Revista Novas Tecnologias na Educação, v. 4, p. 1­10, 2006.  Disponível 
em:<www.cinted.ufrgs.br/renote/jul2006/artigos renote/a35_21201.pdf> Acesso em: 15 
junho 2010.

CARVALHO, Cleonice de.  Apostila de Educação Ambiental.  Curso Técnico em Meio 
Ambiente. IFRS. Porto Alegre, 2010.

COSENTINO,   Aldo.   MONTEIRO,   Angelise   Valladares.   MERLIN,   Luciana.   Tendências 
pedagógicas   e   ensino   à   distância:  conjeturas   em   direção   de   uma   universidade 
colaborativa.  In:   BROTTI,   Maria   Gorete   et.   ali.  A   Gestão   Universitária   em   Debate. 
Florianópolis:            Editora              Insular,               2000.               Disponível 
em:<www.aldo.floripa.com.br/cap_livro.doc>.Acesso em: 02 outubro 2010.

LOBATO,   Iolene   Mesquita.   O   processo   interativo   na   educação   a   distância:   professor, 
aluno e material didático. Paideia­ Revista Científica de Educação a Distância. Vol 2 – 
N°1   –   JUN   2009   |   ISSN   1982­6109.   Disponível 
em:<http://revistapaideia.unimesvirtual.com.br/index.php?journal=paideia>. Acesso em 08 
dezembro 2010.

MESQUITA,   Anderson.   LIRA,  Elisandra   Moreira  de.  As   tecnologias   da   informação  e 
comunicação   (TICs),   no   âmbito   escolar.   Disponível   em: 
<http://www.webartigos.com/articles/51899/1/as­tecnologias­da­informacao­e­
comunicacao­tics­no­ambitoescolar/pagina1.html>. Acesso em 08 dezembro 2010.

OLIVA,  J.   T.;  MUHRINGER,   S.  M.  A   introdução   da   dimensão  ambiental   no  ensino 
formal. In: BRASIL, Ministério do Meio Ambiente. Educação ambiental: curso básico à 
distância; educação e educação ambiental II. 2. ed. Brasília: MMA, 2001.

PIAGET, J. Aprendizagem e Conhecimento. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1979.

PICHELLI, Kátia Regina. RODRIGUES, Regina L. S. RACHWAL. Marcos F. G. Educação 
Ambiental:  a   utilização   da   comunicação   como   ferramenta   de   sensibilização. 
Sociedade   Brasileira   de   estudos   interdisciplinares   da   comunicação.   XXIX   Congresso 
Brasileiro de ciências da comunicação, UNB, 6 a 9 de setembro de 2006.
RODRIGUES,   Gelze   Serrat   de   Souza   Campos.   COLESANTI,  Marlene   T.   de   Muno. 
Educação Ambiental e as novas tecnologias de informação e comunicação. Sociedade & 
Natureza, Uberlândia, 20 (1): 51­66, jun. 2008.




Silvane de Fátima Weippert ­ sfweippert@yahoo.com.br
Volnei Matté – volneim@terra.com.br 

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  • 1. Universidade Federal de Santa Maria ­ UFSM Educação a Distância da UFSM ­ EAD Projeto Universidade Aberta do Brasil ­ UAB Especialização em Tecnologias da Informação e da Comunicação Aplicadas à Educação  PÓLO: São João do Polêsine DISCIPLINA: Elaboração de Artigo Científico PROFESSOR ORIENTADOR: MATTE, VOLNEI 04/10/2010 A contribuição das TICs no processo de Educação Ambiental  The contribution of Information Technology and Communication in the process  environmental education WEIPPERT, Silvane de Fátima Graduada em Filosofia, UFSM. Resumo Na perspectiva de aproximar as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) à Educação  Ambiental (EA) é que se propõe o presente artigo a refletir sobre a associação daqueles recursos  a esta prática educativa, em seu propósito inicial. A hipótese é a de que as TICs podem favorecer  o processo de ensino­aprendizagem, considerando a sua presença em nosso cotidiano através de  diversas ferramentas como o rádio, a tv, video, telefone celular, câmeras digitais e o computador.  Avaliando suas potenciais contribuições ao processo de transformação e consciência ecológica,  através   de   uma   revisão   bibliográfica   sobre   o   assunto,   acredita­se   que   essa   aliança   possa  contribuir para a expansão e abertura de novos espaços de comunicação sobre o tema, além de  acrescer   em   qualidade   e   eficácia   o   processo   de   ensino­aprendizagem   nessa   área   do  conhecimento. Palavras­chave: Educação Ambiental; Tecnologias da Informação e da Comunicação; Ensino  aprendizagem Abstract 
  • 2. On the prospect of approach information technologies and communication technologies (TICs) to   the   Environmental   Education   (EE)   is   that   this   article   intends   to   reflect   on   the   association   of   educational resources to this practice in its essential purpose. The hypothesis is that TICs can  facilitate the teaching­learning process, considering its presence in our daily life through many   tools such as radio, television, video, mobile phone, digital camera and computer. Assessing their   potential contributions to the process of transformation and ecological awareness, we believe that this   alliance can contribute to the expansion and opening new spaces for communication on the subject,   besides adding in quality and effectiveness of teaching­learning process in this knowledge area. Key­words: Environmental Education, Information Technology and Communication, Teaching   Learning. 1. Introdução Segundo a lei n° 9.795, de 27 de abril de 1999, a Educação Ambiental (EA)1 é um  componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente em  todos   os   níveis   e   modalidades   do   processo   educativo,   formal   e   não­formal.   Por   seu  caráter holístico, interdisciplinar e participativo, pode contribuir para renovar o processo  educativo,   trazendo   a   permanente   avaliação   crítica;   a   adequação   dos   conteúdos   à  realidade local e o envolvimento dos indivíduos em ações concretas de transformação da  realidade.  Em seu viés democrático, propõe­se a atingir a todos os cidadãos, através de um  processo   pedagógico   de   cunho   interativo,   que   procura   incutir   no   indivíduo   uma  consciência   crítica   sobre   o   assunto.   Exercitando   a   capacidade   de   analisar   a   origem,  evolução   e   possíveis   soluções   dos   problemas   ambientais,   envolve   a   flexibilidade   de  métodos   e   de   conteúdos   que   visam   a   atender   um   público   alvo   muito   amplo   e  diversificado. Para que atinja efetivamente tais objetivos, mostra­se necessária a adoção de um  amplo   conjunto   de   métodos   e   técnicas   pedagógicas   bastante   específicas.   Por   esse  motivo é que as tecnologias da informação e da comunicação (TICs)2  vem adquirindo  cada vez mais relevância e inserção no cenário educativo ambiental, uma vez que a sua  utilização potencializa  o  processo  de  aprendizagem e  de  ação no  meio  social,  em  se  associando aos interesses e objetivos de que se constitui a temática envolvida.
  • 3. Percebe­se,   nos   últimos   anos,   uma   intensificação   de   esforços   na   produção   de  material   pedagógico,   audiovisual   e/ou   impresso,   sobretudo   no   campo   do   ensino   a  distância (EAD). Contudo, o desenvolvimento dos recursos metodológicos no campo da  educação ambiental pouco reflete, ainda, as potencialidades educativas expressas por  meio das TICs ­ e, consequentemente, o alcance dos objetivos da Política Nacional de  Educação Ambiental (PNEA)3.    Através da análise de alguns estudos já publicados sobre o tema, nesse artigo,  utilizou­se   de   uma   revisão   bibliográfica   para   examinar   a   forma   como   o   assunto   foi  abordado,   identificando   eventuais   variáveis   sobre   o   enfrentamento   do   problema   em  questão.   Assim,   é  traçada,   inicialmente,   uma   introdução   sobre   o   desenvolvimento   e  aplicação das TICs no âmbito da educação, seguido de uma descrição das principais  características e peculiaridades da EA. Por fim, precedendo às considerações finais, são  avaliadas as possíveis contribuições do uso das TICs nas práticas de EA. 2. Sobre o desenvolvimento e aplicação das TICs na Educação  A   utilização   dos   recursos   tecnológicos   no   modelo   de   ensino   tradicional   parece  restringir­se,   no   limite,   ao   uso   da   internet   como   ferramenta   de   pesquisa   e   coleta   de  informações.   Entretanto,   sabemos   que   as   TICs   oferecem   inúmeras   possibilidades   de  comunicação, interação e disseminação de conhecimentos.  Mais   do   que   o   simples   acesso   de   dados,   as   TICs   possibilitam   a   interação   de  agentes em projetos, eventos e ações colaborativas no qual são debatidas e trocadas  experiências e idéias. Como exemplo desse tipo de tecnologia, com forte potencial de  intermediação política e social, podem­se citar as redes sociais, grupos de discussão,  web­conferências, correio eletrônico, chats, entre outros recursos de multimídia.  A   rede   mundial   de   computadores   é,   no   entanto,   o   exemplo   mais   claro   da  potencialidade de compartilhamento das chamadas  capacidades cognitivas expandidas  (Piaget,   1979)   que   as   TICs   têm   a   oferecer.   Aliada   a   um   poder   de   difusão   sem  precedentes,  a   internet  possibilita   o  encontro   de  um  número   enorme   de   pessoas   que  antes só se articulavam como receptores ante o rádio, o jornal e a televisão.
  • 4. As TICs, com efeito, servem de suporte para os saberes elaborados, no transcorrer  da história humana, que se modificaram sucessivamente desde a forma oral, passando  pelo meio impresso ­ surgimento da imprensa e difusão do conhecimento em massa por  volta do séc. XV ­ e atingindo a informatização. Assim, a partir da década de 1990, com a  popularização   dos   recursos   tecnológicos,   dão­se   inúmeras   transformações   sociais   e  políticas   quanto   à   circulação   do   conhecimento   e   aos   meios   de   acesso   à   informação,  criando o conceito de “aldeia global”4. Essas modificações refletem­se na forma de compreensão do mundo ­ no modo de  vê­lo   e   interpretá­lo   ­   sendo   acompanhada   por   uma   série   de   mudanças   culturais   e  habituais, seja no âmbito de trabalho, seja no âmbito do lazer e do ensino. A evolução dos  recursos   informatizados   na   área   da   educação,   por   exemplo,   implicou   o   aumento   e  qualidade das ferramentas pedagógicas em relação ao tradicional processo de ensino­ aprendizagem.5 Dispõem­se, assim, sobre as primeiras evidências da contribuição do uso das TICs  na   construção   e   interpretação   do   mundo,   de   maneira   a   colaborar   na   conscientização  ambiental,   tanto   na   modalidade   de   ensino   presencial   como   na   modalidade   EAD.   De  qualquer sorte, mostra­se também evidente que a queda dos custos dos equipamentos de  informática,   aliada   ao   acentuado   grau   de   desenvolvimento   dos   produtos   multi   e  hipermídia, colaborou para expansão de modalidade de ensino a distância (EAD) que,  cada vez mais, alcança um número maior de educandos e educadores.  O advento e difusão dessa modalidade de ensino determina acentuadas mudanças  no  ensino  convencional, mostrando­se  evidente  a  necessidade de  realizar adaptações  nas práticas de ensino­aprendizagem, bem com no(s) modelo(s) pedagógico(s) a ser(em)  adotado(s). Trata­se de uma transformação paradigmática, em que a escolha de um ou  outro modelo pedagógico já não dá conta das relações, necessidades e desafios a serem  enfrentados.  A   incorporação   das   TIC   no   espaço   escolar   é   demandada   pela   cibercultura,  traduzida   como   um   movimento   sócio­cultural,   que   nasce   da   relação   entre   uma  comunidade ou grupo social, a cultura e as tecnologias digitais com a interconexão  mundial   de   computadores   em   intensa   disseminação   a   partir   do   século   XXI.  Considerados   ambientes   virtuais,   esses   espaços   de   interação   social,   de 
  • 5. organização,   de   informação,   de   conhecimento,   resultam   em   aprendizagem  colaborativa (MESQUITA & LIRA apud MORAIS, 2010, p. 14). Se   na   pedagogia   tradicional   o   professor   era   considerado   o   detentor   do  conhecimento,   responsável   por   todo   o   processo   de   aprendizagem,   no   âmbito   dessas  novas tendências o processo de aprendizagem é mais interativo e flexível. Isso ocorre  porque o professor e o aluno passam a atuar em posições similares, como parceiros,  formando uma cadeia de conhecimentos heterogêneos.   Num mundo globalizado, que derruba barreira de tempo e espaço, o acesso à  tecnologia exige atitude crítica e inovadora, possibilitando o relacionamento com a  sociedade como um todo. O desafio passa por criar e permitir uma nova ação  docente   na   qual   professor   e   alunos   participam   de   um   processo   conjunto   para  aprender, de forma criativa, dinâmica e encorajadora, e que tenha como essência  o diálogo e a descoberta (LOBATO apud BEHRENS, 2000, p. 78). Essa   nova   relação   entre   professor­aluno   e   aluno­aluno   parece   ser   o   marco   da  tecnologia instrucional voltada ao ensino­aprendizagem, que procura superar os limites do  modelo   presencial.   Busca­se,   com   isso,   relativizar   a   exigência   da   presença   dos  participantes num mesmo local físico como condição de sociabilidade e  democratização  do acesso ao conhecimento.  Os  princípios da   modalidade   tradicional  requerem,  com  isso,  adaptação   a  essa  nova ordem, que exige mudanças nas formas de praticar o ensino­aprendizagem. Um dos  desafios inerentes a essas mudanças em prol de um ensino mediado por computador é a  modificação/adaptação nos processos pedagógicos envolvidos. Todavia,   em   se   tratando   de   uma   modalidade  sui   generis,  que   emerge   num  processo   em   construção,   não   se   pode   ainda   especificar   quais   são   os   modelos  pedagógicos aplicáveis ou não ao ensino a distância. Isso se dá na medida em que novos  processos   estão   sendo   cotidianamente   gestados,   baseados   no   desenvolvimento   das  competências   e   habilidades;   no   respeito   ao   ritmo   individual   e   na   formação   de  comunidades de aprendizagem e redes de convivência (BASSANI, 2006). 
  • 6. Dessa   forma,   conceitos   como   construção   do   conhecimento,   autonomia,  autoria,  interação, cooperação, respeito mútuo e solidariedade passam a ser os alicerces de um  novo   modelo   pedagógico   (BASSANI,   2006).   Centrado   na   atividade   do   aprendiz   e   na  identificação/solução   de   problemas,   esse   modelo   nem   mesmo   ignora   os   preceitos   já  conquistados no âmbito da história da educação6.  Ademais,   as   novas   correntes   pedagógicas   estão   sendo   constantemente  influenciadas pela inserção da tecnologia nos meios de ensino­aprendizagem. Pode­se  considerar,   nesse   sentido,   que   a   EAD,   como   uma   representante   dessa   mais   recente  corrente   pedagógica,   surge   para   complementar   os   outros   modos   de   estudos  desenvolvidos   nas   escolas   presenciais,   procurando   constituir   os   alicerces   de   uma  aprendizagem mais cooperativa e democrática, especialmente no campo da EA7. Nas   últimas   décadas   temos   testemunhado   o   aparecimento   de   inúmeros  movimentos em prol do meio ambiente.8  Em diversos países, programas e estratégias  vêm sendo empreendidas com o intuito de frear a degradação ambiental; de encontrar  novas   alternativas   para   processos   de   produção   e   consumo   menos   impactantes   e,  principalmente,   de   conscientizar   a   população   quanto   aos   danos   ao   meio   ambiente  causados pelo ser humano.       3. Sobre as características e peculiaridades da Educação Ambiental A EA como prática educativa começou a ser introduzida recentemente, de modo  organizado   e   oficial   no   sistema   escolar   brasileiro.   A   abrangência   dessa   questão   que,  desde   o   início,   teve   vocação   transnacional,   manifestou­se   e   manifesta­se   em   várias  articulações (conferências, fóruns, convenções, etc.) de caráter internacional, que vêm  sedimentando   diretrizes   e   acordos   que   passaram   a   orientar   as   políticas   ambientais  nacionais (OLIVA, 2001, p. 02).   Em   1994,   foi   aprovado   pelos   Ministérios   do   Meio   Ambiente,   da   Ciência   e  Tecnologia, da Educação e Desporto, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, o  Programa   Nacional   de   Educação   Ambiental  (PRONEA),  em   cumprimento   às 
  • 7. recomendações   da   “Agenda   21”.   Esse   programa   estabelece   as   linhas   de   ação  orientadoras da prática da Educação Ambiental para atingir os diversos segmentos da  sociedade   civil,   envolvendo­a   num   processo   permanente   de   aprendizagem   e   de  integração do homem com seu ambiente.  Já  em  1999,   a   Lei   nº.   9795,   aprovada  em   27  de   abril,   dispõe   sobre   a  EA,   ao  instituir   uma   Política   Nacional   de   Educação   Ambiental   (PNEA).   Esse   documento  legislativo a reconhece como um componente urgente, essencial e permanente em todo  processo educativo, independentemente de sua natureza.  Trata­se de um programa de promoção da EA em todos os setores da sociedade.  Diferente de outros estatutos, a Lei nº. 9795 não estabelece regras ou sanções senão  responsabilidades e obrigações.  Ao   definir   responsabilidades   e   inserir   a   temática   ecológica   na   pauta   dos   mais  diferentes   segmentos   sociais,   a   PNEA   institucionaliza   os   princípios   básicos   da   EA,  transformando­os em objeto de políticas públicas, como instrumentos de promoção dos  valores ambientais: Art. 3, Lei 9,795/99: Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm  direito à educação ambiental, incumbindo: I ­ ao Poder Público, nos termos dos  arts. 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas públicas que incorporem a  dimensão   ambiental,   promover   a   educação   ambiental   em   todos   os   níveis   de  ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do  meio ambiente; II ­ às instituições educativas, promover a educação ambiental de  maneira integrada aos programas educacionais que desenvolvem; III ­ aos órgãos  integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente ­ Sisnama, promover ações de  educação   ambiental  integradas  aos  programas  de  conservação,   recuperação  e  melhoria do meio ambiente; IV ­ aos meios de comunicação de massa, colaborar  de   maneira   ativa   e   permanente   na   disseminação   de   informações   e   práticas  educativas   sobre   meio   ambiente   e   incorporar   a   dimensão   ambiental   em   sua  programação;   V   ­   às   empresas,   entidades   de   classe,   instituições   públicas   e  privadas,   promover   programas   destinados   à   capacitação   dos   trabalhadores,  visando à melhoria e ao controle efetivo sobre o ambiente de trabalho, bem como  sobre as repercussões do processo produtivo no meio ambiente; VI ­ à sociedade  como   um todo,   manter  atenção   permanente   à  formação   de   valores,   atitudes  e  habilidades   que   propiciem   a   atuação   individual   e   coletiva   voltada   para   a  prevenção, a identificação e a solução de problemas ambientais. Art. 4, Lei 9,795/99: São princípios básicos da educação ambiental: I ­ o enfoque  humanista,   holístico,   democrático   e   participativo;   II   ­   a   concepção   do   meio  ambiente   em   sua   totalidade,   considerando   a   interdependência   entre   o   meio  natural, o sócio­econômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III ­ o 
  • 8. pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e  transdisciplinaridade; IV ­ a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as  práticas   sociais;   V   ­   a   garantia   de   continuidade   e   permanência   do   processo  educativo;   VI   ­   a   permanente   avaliação   crítica   do   processo   educativo;   VII   ­   a  abordagem   articulada   das   questões   ambientais   locais,   regionais,   nacionais   e  globais;   VIII   ­   o   reconhecimento   e   o   respeito   à   pluralidade   e   à   diversidade  individual e cultural ( BRASIL, Lei 9,795/99). Por  outros meios,  a PNEA  dispõe  sobre  a  própria transversalidade  da  temática  ambiental, em consonância com o proposto pelos Parâmetros e Diretrizes Curriculares  Nacionais (PCN)9. Daí se constituir a EA de um caráter holístico e transdisciplinar, como  forma de inserir seus conhecimentos no meio social, seja através do ensino formal, seja  através do ensino não­formal.  Nesse contexto em que os sistemas educacionais atuam na promoção de valores é  que a EA assume uma posição de destaque, ensejando a construção dos fundamentos  de uma sociedade sustentável. E ao apresentar uma decisiva função nessa edificação  axiológica, ela fomenta processos de mudança cultural que vão ao encontro de um dos  mais importantes desafios da contemporaneidade. Considerando essa objetivada visão integradora do mundo, no tempo e no espaço,  sobressaem­se as escolas como espaços privilegiados na implementação de atividades  que propiciem esse tipo de reflexão. Não se limitando, porém, à moldura do quadro negro,  as   TICs   oferecem   aos   alunos   a   possibilidade   de   reavaliar   as   atitudes   individuais,  aparentemente sem conexão imediata, com seus efeitos e repercussões a níveis globais. Por  esse motivo é que  a EA procura  sensibilizar o  aluno  a buscar valores  que  conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente, bem como com as demais  espécies que habitam o planeta, auxiliando­o a analisar criticamente as ações que tem  levado à destruição inconsequente dos recursos naturais. Com o auxílio desse tipo de  ferramenta, acredita­se na possibilidade de difundir o senso crítico de responsabilidade e  de   solidariedade   capaz   de   conduzir   a   atitudes   positivas   de   comprometimento   pessoal  para com a proteção do meio ambiente.           4. Sobre as contribuições do uso das TICs nas práticas de Educação Ambiental 
  • 9. A   mediação   pedagógica   oferecida   pelas   TICs   às   práticas   de   EA   parece   ser  decisiva   para   o   aprendizado   ao   possibilitar   a   integração   de   diferentes   saberes  disciplinares através de uma versatilidade das linguagens que lhe é conferida. Em   se   valendo   de   diferentes   tipos  de   representações   gráficas   e   de   multimídia,  trabalhadas   em   diferentes   contextos   e   estilos   de   aprendizagem,   privilegia­se   os  processos   educativos   com   diferentes   movimentos,   cores,   sons,   além   de   emoções   e  relacionamentos   com   pessoas   e   dados   concretos,   possibilitando   que   se   revista   a  aprendizagem de diferentes formas de abordagem10.  A utilização da internet, por exemplo, permite diversificar as formas de ensinar e  aprender, ampliando o alcance do trabalho de divulgação de ideias e propostas11. Mais do  que   uma   simples   referência   contextual,   a   rede   mundial   de   computadores   pode   servir  como ponto de encontro, produção e debate de ideias. A partir daí, de informador a orientador de aprendizagem, o papel do professor  amplia­se   significativamente,   como   um   gerenciador   de   pesquisa,   comunicação   e  interação   com   os   alunos.   Já   como   administrador   do   processo   de   aprendizagem,   é   o  coordenador de seu ritmo e andamento, equacionando diferenças e convergências.  Traça­se,   assim,   um   novo   campo   de   sociabilização   e   aprendizado   que   se  caracteriza pela apresentação de cenários, sínteses e coordenadas de um problema ou  questionamento.   Aulas­pesquisa   em   que   professores   e   alunos   procuram   novas  informações, delimitam as (in)certezas, desenvolvem experiências e avançam no campo  do conhecimento.     Esse processo de sensibilização fomenta iniciativas que transcendam o muro da  escola, atingindo tanto  o  bairro no  qual  se  insere  como  as  realidades mais  afastadas  geograficamente   no   planeta.   Para   isso,   necessita   da   colaboração   e   envolvimento   do  aluno em todas as fases do processo de ensino­aprendizagem, envolvendo os conceitos,  os   contextos,   os   problemas   e   o   diagnóstico   da   questão   ambiental,   com   objetivo   de  perseguir possíveis soluções para o enfretamento dessa realidade.   Justifica­se, também assim, a busca da EA pelo auxílio de técnicas e ferramentas  de ensino capazes de facilitar o processo de tomada de consciência sobre a gravidade 
  • 10. dos problemas ambientais. Nesse contexto é que surge a oportunidade ímpar de se unir à  EA   as   ferramentas   das   TICs,   ensejando   aproximar   a   questão   ambiental,   não   raro  associada a termos técnicos e estatísticas, como se fosse algo distante da vida cotidiana  dos alunos. Contudo, segundo Soulé (apud PICHELL, 2006), a construção da nossa percepção  da natureza passa por perspectivas diferenciadas, em que a dimensão de valor contrapõe  valores utilitários e intrínsecos (espirituais /éticos), enquanto que o viés analítico percebe  a biodiversidade como um fenômeno a ser organizado e explicado. Por fim, a dimensão  experiencial forneceria a matéria­prima a partir da qual se formulam as dimensões mais  conceituais sobre o fenômeno. A justaposição dessas três dimensões (valorativa, analítica e experimental) é que  indicaria o caminho por onde a temática ecológica deve passar, na perspectiva de gerar a  motivação necessária para que a educação saia do discurso em direção a uma efetiva  práxis ambiental. E, ao que tudo indica os recursos tecnológicos informacionais, como os  Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e de hipermídia, têm uma ampla contribuição a  oferecer no percorrer desses objetivos. Para Santos (apud RODRIGUES, 2008, p. 53), além de o conhecimento geográfico  propiciar   a   conservação   do   ambiente,   suas   técnicas   possibilitam   a   construção   de  mecanismos   interpretativos   pelos   indivíduos.   A   noção   de   território,   por   exemplo,   no  contexto   histórico   atual,   inclui   obrigatoriamente   ciência,   tecnologia   e   informação,  favorecendo   o   seu   auto­(re)   conhecimento   como   sujeitos   sociais   atuantes,   real   ou  potencialmente, nos diversos espaços sociais intercalados e superpostos, em direção a  uma melhoria da qualidade ambiental. Daí   a   necessidade   das   práticas   educativas   serem   mediadas   por   recursos   de  ensino alternativos que assegurem o interesse pela formação de atitudes ecológicas e  cidadãs, influindo no desenvolvimento de capacidades e sensibilidades compreensivas  dos problemas ambientais. Isto se dá na medida em que, invariavelmente, a mobilização  e comprometimento na tomada de decisões estejam voltadas à melhoria da qualidade de  vida, em se confundindo com os objetivos diretos da EA.             
  • 11. 5. Considerações Finais A partir desse estudo, torna­se possível compreender a EA como um conjunto de  ações   e   práticas   educativas   voltadas   à   sensibilização   da   coletividade   acerca   das  questões ecológicas. Também assim, denota­se que o estudo em defesa da qualidade do  meio ambiente deve ocorrer de modo sistemático, transversal e interdisciplinar. Ao   abordar   o   tema   das   TICs,   como   suporte   pedagógico   nas   práticas   de   EA,  objetivou­se destacar a importância do assunto no contexto escolar, com foco no papel  que   cada   indivíduo   detém   para   a   preservação   do   meio   ambiente.   E   por   acreditar   na  potencialidade   dessa   aliança   como   um   instrumento   mais   eficaz   de   mudança   de  pensamento e atitudes é que se propôs a associação de ambos esses elementos aqui  retratados. Auxiliando   no   planejamento   e   nas   práticas   educativas,   através   da   mediação  pedagógica   construtivista,  democrática  e  interativa,   as  TICs   fornecem   à   EA  um   modo  diferente de pensar o mundo em que se vive, reunindo as condições necessárias para a  efetivação de um ato genuinamente educativo. E ao transformar os métodos de ensino e  a   organização   escolar   do   tipo   tradicional,   elas   também   sublinham   as   transformações  ocorridas   no   perfil   do   professor   centralizador   rumo   a   um   gerenciador   de   pesquisa,  comunicação e interação social.  De   fato,   as   TICs   trazem   elementos   inovadores   aos   sistemas   educativos,  encontrando maior acolhimento na modalidade EAD. Admitindo­se, como pressuposto,  que esses elementos são capazes de aproximar a dimensão ecológica da vida cotidiana  de   alunos   e   professores,   possibilitando   uma   maior   sensibilização   aos   problemas  ambientais que assolam a humanidade, é possível afirmar que a associação das TICs à  EA resulte em melhores estratégias educativas que visem a difundir as noções de ética e  responsabilidade sócio­ambiental.
  • 12. 1 Entendem­se por educação ambiental  os  processos  por meio dos quais o indivíduo  e a coletividade  constroem   valores   sociais,   conhecimentos,   habilidades,   atitudes   e   competências   voltadas   para   a  conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua  sustentabilidade (Lei 9795, Art. 1º). 2  Para que não se confunda TICs, como  apenas as tecnologias da informática, vale destacar que além  destas, as TICs referem­se também a muitos outros meios tecnológicos de informação e comunicação,  como por exemplo, rádio, televisão, telefone, aparelhos de DVD, CD, câmera digital, data show entre  outros. 3 São objetivos fundamentais da educação ambiental:  I ­ o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas  relações,   envolvendo   aspectos   ecológicos,   psicológicos,   legais,   políticos,   sociais,   econômicos,  científicos, culturais e éticos; II ­ a garantia de democratização das informações ambientais (grifo pela autora); III ­ o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social; IV   ­   o   incentivo   à   participação   individual   e   coletiva,   permanente   e   responsável,   na   preservação   do  equilíbrio do meio ambiente, entendendo­se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável  do exercício da cidadania; V ­ o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e  macrorregionais, com  vistas à construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade,  igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; VI ­ o fomento e o fortalecimento da integração com a ciência e a tecnologia(grifo pela autora); VII ­ o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como   fundamentos  para o futuro da humanidade (art. 5º, Lei 9597/99). 4 O princípio que preside esse conceito é o de um mundo interligado, com estreitas relações econômicas,  políticas e sociais, como fruto da evolução das TICs e, particularmente, da World Wide Web (WWW),  diminuidora das distâncias e das incompreensões entre as pessoas e promotora da emergência de uma  consciência global interplanetária. Fonte: Wikipédia. 5 No RS, por exemplo, a Secretaria de Educação possui uma  Central de Apoio Tecnológico à Educação ­  CATE,   que     é  responsável  pelo  gerenciamento  do  uso  pedagógico  da  Tecnologia  da  Informação  e  Comunicação,   tendo   como   premissas   básicas   de   sua   atuação   a   qualificação,   o   enriquecimento,  ampliação   e   aprofundamento   das   possibilidades  de   construção   do   conhecimento   para   educadores   e  educandos na Educação Básica. 6 Muito embora um modelo pedagógico possa ser embasado numa ou mais teorias de aprendizagem, os  modelos   de   forma   em   geral   são   reinterpretações   de   teorias   a   partir   de   concepções   individuais   dos  professores, que se apropriam parcial ou totalmente de tais construtos teóricos imbuídos num paradigma  vigente. Parte­se de um paradigma dominante (BEHAR, 2007) que, em geral influencia as teorias de  aprendizagem vigentes, assim como outras teorias cientificas em geral. 7 Esse tipo de ambiente tende a produzir uma verdadeira revolução nos modelos tradicionais de ensino,  uma vez que os alunos podem se valer de recursos tecnológicos para trabalhar conteúdos e produzir  conhecimento   de   forma   interativa   ou   integrada,   em   que   novas   competências   e   qualificações   são  requeridas   para   o   profissional   de   ensino.   Similarmente,   demanda­se   por   posturas   mais   críticas   e  proativas para os alunos, com estratégias de avaliação da aprendizagem que possam constituir­se em  instrumentos mais eficazes para a avaliação do desempenho discente (CONSENTINO, 2000).  8 Com a ampliação do “movimento ambientalista” na metade do século XX, ocorreram eventos importantes  (CARVALHO, 2010), como a Conferência de Estocolmo, em 1972; a Conferência de Belgrado, em 1975;  a   Conferência   Intergovernamental   sobre   Educação   Ambiental,   Tbilisi,   em   1977;   o   Congresso  Internacional   sobre   a   Educação   e   Formação   relativas   ao   meio   ambiente,   Moscou,   em   1987;   a  Conferência RIO/1992­ Agenda 21 e Protocolo de Kioto, no Japão, em 1997. 9 O Ministério da Educação e do Desporto aprovou, em 1996, os novos Parâmetros Curriculares Nacionais  ­ PCNs, que incluem a Temática Ambiental como tema a ser inserido transversalmente em todas as  áreas   do   conhecimento.   Exigindo   planejamento   e   realização   coletivo   e   interdisciplinar   no   processo  ensino­aprendizagem,   projetou­se,   desta   forma,   a   educação   ambiental   em   todas   as   disciplinas   e  atividades da escola. 10 Nas escolas é possível fazer o uso do vídeo e da televisão, em que diversos documentários e programas  são oferecidos e transmitidos com a temática ambiental.   Outras ferramentas como rádio, data show,  câmera fotográfica e celulares podem ter seu uso incluído nas práticas educativas, dependendo muito da  capacidade criativa de cada educador. 11 Ferramentas como sites de hospedagem (orkut, msn e you tube), por exemplo.
  • 13. 6. Referências bibliográficas BRASIL.  Programa Nacional de Educação Ambiental­ PRONEA. 3a edição. Brasília,  2005.    _____.   Congresso   Federal.  Lei   n°   9.795,   de   27   de   abril   de   1999.   Dispõe   sobre   a  Educação  Ambiental.  Institui   a  Política   Nacional   de   Educação   Ambiental.  Ministério   do  Meio Ambiente, Brasília, 1999b. BASSANI, Patrícia. B. Scherer. BEHAR, Patrícia A. Análise das interações em ambientes  virtuais de aprendizagem: uma possibilidade para avaliação da aprendizagem em EAD.  RENOTE. Revista Novas Tecnologias na Educação, v. 4, p. 1­10, 2006.  Disponível  em:<www.cinted.ufrgs.br/renote/jul2006/artigos renote/a35_21201.pdf> Acesso em: 15  junho 2010. CARVALHO, Cleonice de.  Apostila de Educação Ambiental.  Curso Técnico em Meio  Ambiente. IFRS. Porto Alegre, 2010. COSENTINO,   Aldo.   MONTEIRO,   Angelise   Valladares.   MERLIN,   Luciana.   Tendências  pedagógicas   e   ensino   à   distância:  conjeturas   em   direção   de   uma   universidade  colaborativa.  In:   BROTTI,   Maria   Gorete   et.   ali.  A   Gestão   Universitária   em   Debate.  Florianópolis:   Editora   Insular,   2000.   Disponível  em:<www.aldo.floripa.com.br/cap_livro.doc>.Acesso em: 02 outubro 2010. LOBATO,   Iolene   Mesquita.   O   processo   interativo   na   educação   a   distância:   professor,  aluno e material didático. Paideia­ Revista Científica de Educação a Distância. Vol 2 –  N°1   –   JUN   2009   |   ISSN   1982­6109.   Disponível  em:<http://revistapaideia.unimesvirtual.com.br/index.php?journal=paideia>. Acesso em 08  dezembro 2010. MESQUITA,   Anderson.   LIRA,  Elisandra   Moreira  de.  As   tecnologias   da   informação  e  comunicação   (TICs),   no   âmbito   escolar.   Disponível   em:  <http://www.webartigos.com/articles/51899/1/as­tecnologias­da­informacao­e­ comunicacao­tics­no­ambitoescolar/pagina1.html>. Acesso em 08 dezembro 2010. OLIVA,  J.   T.;  MUHRINGER,   S.  M.  A   introdução   da   dimensão  ambiental   no  ensino  formal. In: BRASIL, Ministério do Meio Ambiente. Educação ambiental: curso básico à  distância; educação e educação ambiental II. 2. ed. Brasília: MMA, 2001. PIAGET, J. Aprendizagem e Conhecimento. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1979. PICHELLI, Kátia Regina. RODRIGUES, Regina L. S. RACHWAL. Marcos F. G. Educação  Ambiental:  a   utilização   da   comunicação   como   ferramenta   de   sensibilização.  Sociedade   Brasileira   de   estudos   interdisciplinares   da   comunicação.   XXIX   Congresso  Brasileiro de ciências da comunicação, UNB, 6 a 9 de setembro de 2006.
  • 14. RODRIGUES,   Gelze   Serrat   de   Souza   Campos.   COLESANTI,  Marlene   T.   de   Muno.  Educação Ambiental e as novas tecnologias de informação e comunicação. Sociedade &  Natureza, Uberlândia, 20 (1): 51­66, jun. 2008. Silvane de Fátima Weippert ­ sfweippert@yahoo.com.br Volnei Matté – volneim@terra.com.br