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Trabalho 1 : faça uma pesquisa que contenha a relação dos principais escritores da
1 º geração do Romantismo (nacionalista e indianista) e as suas principais obras.
No seu texto procure responder qual a importância da poesia de Gonçalves Dias, e
da Prosa de José de Alencar, porque eles foram tão importantes para a identidade
nacional?Quais as características desta época histórica e do sentimento do povo?
Levante todos os aspectos e informações que conseguir sobre a primeira geração
do Romantismo.
Apresentação: valor 40 pontos
Trabalho escrito: valor 60 pontos
O texto abaixo serve de texto de apoio para o seu trabalho.Poderá ser utilizado
também o livro didático para se aprender um pouco mais sobre o Romantismo- 1 °
geração
Cite as fontes e a referência Bibliográfica, plágios terão nota zero.
Romantismo no Brasil (3): As três gerações de poetas
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O romantismo no Brasil, no que se refere à poesia, teve três gerações de
grandes poetas. O crítico literário Valentim Facioli, professor da Universidade
de São Paulo (USP), explica o que foi e como se desenvolveu a poesia
romântica na literatura brasileira.
Diz-se que a literatura romântica procurou exaltar as características
nacionais. Como isso aconteceu?
A poesia, o romance e o teatro procuraram "revelar" os vários e diferentes
aspectos do país e do homem brasileiro: os sentimentos de amor à pátria, de
grandeza do território brasileiro, de beleza e majestade da natureza, de
igualdade de todos os habitantes do país, da benevolência e hospitalidade do
povo, das grandes virtudes dos nossos costumes patriarcais, das incomuns
qualidades afetivas e morais da mulher brasileira, do alto padrão da nossa
civilização e da nossa privilegiada paz social.
Essa imagem romântica do país correspondia à realidade?
Não. Por volta de 1850, a população do país era de pouco mais de 8 milhões
de habitantes: 5,5 milhões dos quais eram homens livres, e 2,5 milhões,
escravos. Do total de habitantes, os alfabetizados eram apenas 15 a 20%. A
economia do país era quase exclusivamente rural, agrícola, à custa do trabalho
escravo. Os homens livres, não-proprietários, viviam em estreita dependência
econômica, pessoal e moral dos grandes proprietários rurais através de
relações de favor e proteção.
A literatura, então, tinha um público restrito?
Sim, era feita especialmente no Rio de Janeiro, que era a Corte, sede do
Império. Ali floresceu um comércio mais intenso de mercadorias e de ideias;
surgiram os teatros, os bailes; as ruas movimentaram-se; a burocracia civil e
militar conseguiu certa autonomia em relação aos proprietários e políticos
conservadores. E o surgimento de algumas escolas médias e superiores, não
só no Rio, mas também em Pernambuco, Bahia e São Paulo, favoreceu o
crescimento de um bom número de jovens mais liberados dos rígidos controles
patriarcais. As próprias mulheres puderam sair da reclusão em que eram
mantidas. Na verdade, os jovens estudantes, a burocracia e as mulheres mais
liberadas constituíram o pequeno público que lia e consumia a literatura
romântica, tanto aquela produzida aqui, quanto a importada da Europa,
especialmente da França.
Existe um caráter único, uma semelhança de estilo nos poetas
românticos brasileiros como um todo?
Não. Como o Romantismo durou quase meio século, foram muitos os autores
que escreveram sob sua influência. Por isso, com base principalmente nas
diferenças, podemos agrupá-los em gerações, isto é, em grupos de autores
que se assemelham e viveram mais ou menos no mesmo período, mas, ao
mesmo tempo, se diferenciam de outros. Podemos dizer que há três gerações
de românticos brasileiros.
O que caracteriza a primeira geração romântica?
Predominam o nacionalismo e patriotismo, através da "descoberta" de
aspectos característicos da paisagem local, nacional tropical, em que se realça
o típico, o exótico e a beleza natural, exuberante, em oposição à paisagem e
natureza europeias. O índio é encarado como elemento formador do povo
brasileiro, como nas obras de Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães. Há
também forte religiosidade (oficialmente católica) que identifica as
possibilidades da poesia romântica com o sentimento cristão, em oposição ao
"paganismo" da poesia neoclássica ligada à tradição greco-latina. Poesia
amorosa, idealizante e fortemente sentimental, marcada por certa influência da
lírica portuguesa, a medieval, a camoniana, e a dos românticos, Garrett,
principalmente.
E quanto à Segunda geração? Em que ela se diferencia da anterior?
A maioria das características da geração anterior, em geral, permanece. Mas
os poetas assumem agora um extremo subjetivismo, passando à imitação de
outros poetas europeus (Lord Byron, inglês; Alfred Musset, francês,
especialmente), centrando-se numa temática de amor e morte, dúvida e ironia,
entusiasmo e tédio. A evasão e o sonho caracterizam o egotismo dessa
geração, isto é, o culto do eu, da subjetividade, através da tendência para o
devaneio, o erotismo difuso ou obsessivo, a melancolia, o tédio, o namoro com
a imagem da morte, a depressão, a auto-ironia masoquista.
Essa geração não traduz também uma certa rebeldia juvenil, um pendor à
transgressão, segundo o modelo criado pelo inglês Lord Byron?
O byronismo aparece através da figura do homem fatal, de faces pálidas, olhar
sem piedade, marcado pela melancolia incurável, desespero e revolta,
conjuntamente com a imagem do poeta genial, mas desgraçado e perseguido
pela sociedade, condenado à solidão, incompreendido por todos, desafiando o
horror do próprio destino. O mal do século, uma doença indefinível, entedia e
faz desejar a morte como a única via de libertação. Na verdade, a imagem de
uma contradição insolúvel entre o excesso de energia interior, do eu, a procura
do absoluto, e os limites das condições reais dos homens e da sociedade. São
dessa geração: Casimiro de Abreu, Laurindo Rabelo, Álvares de Azevedo,
Junqueira Freire, Fagundes Varela e Bernardo Guimarães.
E o que se pode dizer sobre a Terceira Geração?
Os poetas desta geração guardam enormes diferenças entre si,
especialmenteCastro Alves e Sousândrade. Esta é a geração mais
heterogênea do Romantismo no Brasil. Castro Alves, escrevendo em fins da
década de 60, já expressa a crise do Brasil puramente rural e o lento, mas
firme crescimento da cultura urbana, dos ideais democráticos e, portanto, o
despontar de uma repulsa pela moral do senhor-servo, que poluía as fontes da
vida familiar e social no Brasil Império.
Que ideias ou ideais estão por trás da poesia de Castro Alves?
Os ideais abolicionistas e o culto do progresso são o fundo ideológico de sua
poesia, que se faz eloquente, grandiloquente, oratória, repassada de imagens e
metáforas de grandeza. Marcada de forte indignação, a poesia de Castro Alves
faz-se liberal, renovando o tema amoroso, liberando-o das noções de pecado e
culpa, cultivando um erotismo sensual, de prazer, e denunciando a escravidão;
abrindo, portanto, "baterias poéticas" contra o conservadorismo e o atraso
mental, moral do Império e as injustiças da ordem social.
É isso que se convencionou chamar de condoreirismo. Sousândrade
também se enquadra nesse padrão?
Sousândrade, que começa como poeta próximo da Segunda geração, torna-se
uma voz destoante do nosso Romantismo, entrando na Terceira geração
apenas por cronologia. Esquecida durante meio século, sua poesia, embora
marcada também pelo abolicionismo e republicanismo, realiza-se
diferentemente dos românticos, porque repassada de grandes novidades
temáticas e formais.
Como assim?
O processo de composição poética volta-se para inesperados arranjos sonoros,
pelo uso de diversas línguas integrativamente, com ousados "conjuntos
verbais" que quebram mesmo a estrutura sintática da língua portuguesa. A par
com isso, por ter vivido anos nos Estados Unidos, foi capaz de captar os novos
modos de vida do capitalismo industrial e urbano, em o "inferno de Wall Street",
trecho do poema "O Guesa", fundindo-os com certas tradições míticas e
culturais dos índios, especialmente os da América espanhola, os quíchuas.
Qual a diferença entre o romantismo e os movimentos anteriores?
O Romantismo questionou, desmoralizou e destruiu o velho princípio clássico
da imitação dos modelos antigos. Para os românticos, a expressão artística
única, irrepetível correspondia à expressão do indivíduo e suas inumeráveis
emoções, iluminação súbita e inspirada. Daí o surgimento de uma poética da
"invenção" e da "novidade" como busca permanente da expressão de cada
indivíduo, de cada momento, de cada sentimento, de cada paixão, como algo
único e irrepetível.
Como isso se traduz na linguagem dos poemas?
Essa necessidade se impõe à estrutura do poema, ao ritmo, à rima, à dicção, à
métrica, à alternância de versos longos e curtos, às metáforas ousadas, às
hipérboles, ao aproveitamento da linguagem poética em todas as suas
potencialidades musicais e expressivas. Por isso, a simples observação ligeira
mostra-nos diferenças notáveis entre os poetas românticos, enquanto os
neoclássicos, por exemplo, mais se assemelham por seguirem com certo rigor
os modelos tradicionais.
Nesse sentido, também em termos formais o Romantismo manifesta
rebeldia e tem um quê de moderno?
Ao equilíbrio neoclássico, ele contrapõe o desequilíbrio inovador e
experimental. A linguagem é vista como impotente, incapaz de expressar toda
a emoção e o sentimento. Diante da carga nova da sensibilidade e da intuição
é necessário que as regras do código (isto é, a gramática da língua) sejam
questionadas, que as categorias da razão sejam descartadas e sobressaia a
palavra carregada de sentimentos do coração do poeta para o coração do
leitor. Isso faz com que o poeta romântico privilegie o emissor (o eu, a função
emotiva da linguagem, isto é, aquele que fala), comportando-se, diante da
palavra com a desconfiança que, por assim dizer, ele inaugura na literatura
ocidental moderna.
Para finalizar, qual é a importância do Romantismo no Brasil?
O romantismo significa a diferenciação da nossa com a literatura portuguesa,
mediante a diferenciação temática e de linguagem. O romantismo quebrou a
estreita de pendência linguística que nos prendia à tradição literária
portuguesa, pela incorporação de peculiaridades vocabulares e sintáticas e por
procurar um ponto de vista nacional brasileiro. Ao mesmo tempo, pelas
contradições inerentes ao nosso país e pelas profundas diferenças entre o
império brasileiro e a Europa burguesa, o romantismo impregnou-se de
contradições que bem expressam a situação global de adaptação de uma
profunda corrente cultural e artística, nascida no exterior, às condições do
Brasil, país atrasado, dependente e preso à órbita da Europa.
O Romantismo apresentou momentos-limites em relação à sociedade, por
vezes estabeleceu uma dimensão mais aberta para o social e, em outras,
retrocedeu para o instinto de pura subjetividade. Tanto no modo mais social,
como no voltado para o indivíduo, o Romantismo brasileiro divulgou belas
obras e teve consagrado os nomes de diversos autores. Dentre os principais,
como Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu e Castro Alves, surge um jovem
poeta da Faculdade de Direito de São Paulo chamado de Manuel Antônio
Álvares de Azevedo. Cada um desses foi responsável pela propagação e o
crescimento da literatura no Brasil, porém até que a poesia desses autores
conquistasse o público, um processo gradual se iniciou na Europa e se
propagou pelo mundo: o Romantismo.
Enquanto estilo de época ou movimento cultural, o Romantismo pode ser
associado à Revolução Francesa, em 1789, e também à ascensão da
burguesia e do liberalismo. Após a Revolução, nota-se o crescimento
econômico burguês, que vagarosamente assume o lugar da antiga classe
dominante, a aristocracia, que dominava a economia e as artes de modo geral.
Tudo seguia de acordo com o que fora estipulado
pela nobreza. Portanto, com essa mudança, afirma-se que o Romantismo foi
um movimento tipicamente burguês, já que este, aos poucos, tomou o poder.
Outra revolução que podemos atrelar a este período é a Revolução Industrial,
iniciada na Inglaterra por volta de 1760, por meio da aplicação de maquinaria
mecânica às indústrias. Diante deste quadro de mudanças que abalariam a
estrutura políticocultural da Europa, há um progressivo desenvolvimento do
homem europeu embalado pela crescente burguesia, que teria forte papel nas
transformações do antigo sistema. A burguesia iniciou uma nova etapa
tornando o comércio de livre acesso, não se intrometendo no mercado
econômico.
O período do Romantismo é fruto de dois grandes acontecimentos na história
da humanidade, ou seja, a Revolução Francesa e suas derivações, e a
Revolução industrial. As duas revoluções provocaram e geraram novos
processos, desencadeando forças que resultaram na formação da sociedade
moderna, moldando em grande parte os seus ideais (sociais).
(GUINSBURG, 2005, p.24)
Se antes o Classicismo era dominado pela força da aristocracia, o
Romantismo seria liderado pela classe burguesa, que apresentava valores
distintos da anterior. Com a vigência de uma nova ordem, o liberalismo ganhou
forças, à medida que apontava para a valorização do indivíduo e a capacidade
geradora de cada um. Logo, estaria neste ponto um dos fundamentos deste
período, anunciando que era livre a qualquer pessoa o poder e a habilidade de
criar, tanto na arte quanto na literatura, e que não estava mais reservados a
uma pequena elite a produção intelectual como era feito antes.
Com a ascensão da burguesia, a arte passou a ser vista com novos olhares, o
artista entendeu, a partir desta mudança, que o burguês era o detentor do
dinheiro para financiar suas obras. No entanto, essa mesma classe carecia de
cultura e de mais conhecimento no campo das artes. Foi então preciso que
houvesse uma transformação cultural que acompanhasse esse momento,
assim como estava acontecendo no âmbito político.
O século XIX havia sido marcado pela chegada de princípios liberais da
burguesia, que permitiram a livre concorrência entre os indivíduos, sem que o
Estado interviesse na produção e, também, permitiu oportunidades iguais para
as pessoas, sem que uma classe social prevalecesse em relação à outra.
Desta maneira, o Romantismo se constituiu no movimento que trazia liberdade
de expressão para os poetas e grandes pensadores, como também lhes
concedia o direito de criação. Assim modificam, vagarosamente, o padrão
clássico introduzindo novas formas guiadas por sua própria inspiração.
Diante disto, constatamos os motivos que permitiram a concepção de um novo
padrão estético, que revolucionou o século XIX. Esse novo estilo pretendia
mostrar à velha aristocracia que, apesar de não possuir “sangue azul” ou uma
linhagem de estirpe, poderia compensar essas faltas com um novo padrão de
beleza, no qual os próprios burgueses poderiam ser identificados. Segundo J.
Guinsburg, É como se tudo o que foi criado nos últimos duzentos anos, obra de
literatura, pintura, teatro, escultura, arquitetura, houvesse surgido do confronto
e da união com este “espírito” mágico, que, buscando as esferas mais
profundas do homem, reptou o consagrado, o estabelecido, o modelado
aparentemente desde e para todo o sempre, efetuando uma revolução
fundamental na conceituação e na realização de todas as artes, mesmo
daquelas que não sentiram ou expressaram de modo imediato ou feliz os
efeitos da fermentação romântica. (GUINSBURG, 2005, p.13)
Acompanhando as tendências mundiais, o Brasil sofreu grandes mudanças
políticas que marcaram a primeira metade do século XIX. Uma dessas
transformações mais significativas foi a vinda da corte portuguesa para o Rio
de Janeiro, em 1808, que desembocou na elevação do Brasil à categoria de
Reino, em 1816, e determinou, conseqüentemente, a abertura dos portos às
nações amigas. Por meio da transferência da família real para o Brasil, no
período de menos de cinqüenta anos tem-se a independência do país, em
1822, o primeiro reinado até 1831, o período de regência entre 1831 a 1840 e o
início do segundo reinado, que por fim se estendeu até 1889, quando foi
proclamada a república no Brasil.
Tais transformações favoreceram o país em alguns aspectos, como a criação
de escolas, museus, bibliotecas, juntamente com a circulação regular de jornais
e revistas, graças à criação da Imprensa Nacional. A vida cultural do Brasil se
alterou completamente neste aspecto, pois acabou gerando a capital intelectual
do país, de onde se desenvolvia a imprensa e se ampliava o público leitor.
Com a independência da nação, o Romantismo foi ganhando forças e, com
isso, podemos afirmar que o movimento romântico brasileiro coincidiu com o
momento decisivo de formação da nacionalidade. Para Antonio Candido, é
graças a dois fatores importantes, como a independência política e o
Romantismo, que alguns países vêm expressando na arte uma nova visão de
realidade, tanto individual, quanto social e natural.
Manteve-se durante todo o Romantismo este senso de dever patriótico, que
levava os escritores não apenas a cantar a sua terra, mas considerar as suas
próprias obras contribuição ao progresso. Construir uma “literatura nacional” é
afã, quase divisa, proclamada nos documentos do tempo até se tornar
enfadonha. (CANDIDO, 2007, p.10) Devido às condições específicas do país,
o Romantismo no Brasil apresenta, além de alguns pontos em comum com o
europeu, outros elementos próprios, que resultam da adaptação à realidade
brasileira. Esse movimento se adequou ao estilo cultural do Brasil, por isso
apresentou muitas características e gerações distintas uma das outras. “Já
disse alguém que houve tantos romantismos quanto românticos, o que seria,
por outro lado, a máxima concretização do Romantismo no seu caráter
individualista.

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Romantismo no brasil 1

  • 1. Trabalho 1 : faça uma pesquisa que contenha a relação dos principais escritores da 1 º geração do Romantismo (nacionalista e indianista) e as suas principais obras. No seu texto procure responder qual a importância da poesia de Gonçalves Dias, e da Prosa de José de Alencar, porque eles foram tão importantes para a identidade nacional?Quais as características desta época histórica e do sentimento do povo? Levante todos os aspectos e informações que conseguir sobre a primeira geração do Romantismo. Apresentação: valor 40 pontos Trabalho escrito: valor 60 pontos O texto abaixo serve de texto de apoio para o seu trabalho.Poderá ser utilizado também o livro didático para se aprender um pouco mais sobre o Romantismo- 1 ° geração Cite as fontes e a referência Bibliográfica, plágios terão nota zero. Romantismo no Brasil (3): As três gerações de poetas • O romantismo no Brasil, no que se refere à poesia, teve três gerações de grandes poetas. O crítico literário Valentim Facioli, professor da Universidade de São Paulo (USP), explica o que foi e como se desenvolveu a poesia romântica na literatura brasileira. Diz-se que a literatura romântica procurou exaltar as características nacionais. Como isso aconteceu? A poesia, o romance e o teatro procuraram "revelar" os vários e diferentes aspectos do país e do homem brasileiro: os sentimentos de amor à pátria, de grandeza do território brasileiro, de beleza e majestade da natureza, de igualdade de todos os habitantes do país, da benevolência e hospitalidade do povo, das grandes virtudes dos nossos costumes patriarcais, das incomuns qualidades afetivas e morais da mulher brasileira, do alto padrão da nossa civilização e da nossa privilegiada paz social. Essa imagem romântica do país correspondia à realidade? Não. Por volta de 1850, a população do país era de pouco mais de 8 milhões
  • 2. de habitantes: 5,5 milhões dos quais eram homens livres, e 2,5 milhões, escravos. Do total de habitantes, os alfabetizados eram apenas 15 a 20%. A economia do país era quase exclusivamente rural, agrícola, à custa do trabalho escravo. Os homens livres, não-proprietários, viviam em estreita dependência econômica, pessoal e moral dos grandes proprietários rurais através de relações de favor e proteção. A literatura, então, tinha um público restrito? Sim, era feita especialmente no Rio de Janeiro, que era a Corte, sede do Império. Ali floresceu um comércio mais intenso de mercadorias e de ideias; surgiram os teatros, os bailes; as ruas movimentaram-se; a burocracia civil e militar conseguiu certa autonomia em relação aos proprietários e políticos conservadores. E o surgimento de algumas escolas médias e superiores, não só no Rio, mas também em Pernambuco, Bahia e São Paulo, favoreceu o crescimento de um bom número de jovens mais liberados dos rígidos controles patriarcais. As próprias mulheres puderam sair da reclusão em que eram mantidas. Na verdade, os jovens estudantes, a burocracia e as mulheres mais liberadas constituíram o pequeno público que lia e consumia a literatura romântica, tanto aquela produzida aqui, quanto a importada da Europa, especialmente da França. Existe um caráter único, uma semelhança de estilo nos poetas românticos brasileiros como um todo? Não. Como o Romantismo durou quase meio século, foram muitos os autores que escreveram sob sua influência. Por isso, com base principalmente nas diferenças, podemos agrupá-los em gerações, isto é, em grupos de autores que se assemelham e viveram mais ou menos no mesmo período, mas, ao mesmo tempo, se diferenciam de outros. Podemos dizer que há três gerações de românticos brasileiros. O que caracteriza a primeira geração romântica? Predominam o nacionalismo e patriotismo, através da "descoberta" de aspectos característicos da paisagem local, nacional tropical, em que se realça o típico, o exótico e a beleza natural, exuberante, em oposição à paisagem e natureza europeias. O índio é encarado como elemento formador do povo brasileiro, como nas obras de Gonçalves Dias e Gonçalves de Magalhães. Há também forte religiosidade (oficialmente católica) que identifica as possibilidades da poesia romântica com o sentimento cristão, em oposição ao
  • 3. "paganismo" da poesia neoclássica ligada à tradição greco-latina. Poesia amorosa, idealizante e fortemente sentimental, marcada por certa influência da lírica portuguesa, a medieval, a camoniana, e a dos românticos, Garrett, principalmente. E quanto à Segunda geração? Em que ela se diferencia da anterior? A maioria das características da geração anterior, em geral, permanece. Mas os poetas assumem agora um extremo subjetivismo, passando à imitação de outros poetas europeus (Lord Byron, inglês; Alfred Musset, francês, especialmente), centrando-se numa temática de amor e morte, dúvida e ironia, entusiasmo e tédio. A evasão e o sonho caracterizam o egotismo dessa geração, isto é, o culto do eu, da subjetividade, através da tendência para o devaneio, o erotismo difuso ou obsessivo, a melancolia, o tédio, o namoro com a imagem da morte, a depressão, a auto-ironia masoquista. Essa geração não traduz também uma certa rebeldia juvenil, um pendor à transgressão, segundo o modelo criado pelo inglês Lord Byron? O byronismo aparece através da figura do homem fatal, de faces pálidas, olhar sem piedade, marcado pela melancolia incurável, desespero e revolta, conjuntamente com a imagem do poeta genial, mas desgraçado e perseguido pela sociedade, condenado à solidão, incompreendido por todos, desafiando o horror do próprio destino. O mal do século, uma doença indefinível, entedia e faz desejar a morte como a única via de libertação. Na verdade, a imagem de uma contradição insolúvel entre o excesso de energia interior, do eu, a procura do absoluto, e os limites das condições reais dos homens e da sociedade. São dessa geração: Casimiro de Abreu, Laurindo Rabelo, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Fagundes Varela e Bernardo Guimarães. E o que se pode dizer sobre a Terceira Geração? Os poetas desta geração guardam enormes diferenças entre si, especialmenteCastro Alves e Sousândrade. Esta é a geração mais heterogênea do Romantismo no Brasil. Castro Alves, escrevendo em fins da década de 60, já expressa a crise do Brasil puramente rural e o lento, mas firme crescimento da cultura urbana, dos ideais democráticos e, portanto, o despontar de uma repulsa pela moral do senhor-servo, que poluía as fontes da vida familiar e social no Brasil Império. Que ideias ou ideais estão por trás da poesia de Castro Alves?
  • 4. Os ideais abolicionistas e o culto do progresso são o fundo ideológico de sua poesia, que se faz eloquente, grandiloquente, oratória, repassada de imagens e metáforas de grandeza. Marcada de forte indignação, a poesia de Castro Alves faz-se liberal, renovando o tema amoroso, liberando-o das noções de pecado e culpa, cultivando um erotismo sensual, de prazer, e denunciando a escravidão; abrindo, portanto, "baterias poéticas" contra o conservadorismo e o atraso mental, moral do Império e as injustiças da ordem social. É isso que se convencionou chamar de condoreirismo. Sousândrade também se enquadra nesse padrão? Sousândrade, que começa como poeta próximo da Segunda geração, torna-se uma voz destoante do nosso Romantismo, entrando na Terceira geração apenas por cronologia. Esquecida durante meio século, sua poesia, embora marcada também pelo abolicionismo e republicanismo, realiza-se diferentemente dos românticos, porque repassada de grandes novidades temáticas e formais. Como assim? O processo de composição poética volta-se para inesperados arranjos sonoros, pelo uso de diversas línguas integrativamente, com ousados "conjuntos verbais" que quebram mesmo a estrutura sintática da língua portuguesa. A par com isso, por ter vivido anos nos Estados Unidos, foi capaz de captar os novos modos de vida do capitalismo industrial e urbano, em o "inferno de Wall Street", trecho do poema "O Guesa", fundindo-os com certas tradições míticas e culturais dos índios, especialmente os da América espanhola, os quíchuas. Qual a diferença entre o romantismo e os movimentos anteriores? O Romantismo questionou, desmoralizou e destruiu o velho princípio clássico da imitação dos modelos antigos. Para os românticos, a expressão artística única, irrepetível correspondia à expressão do indivíduo e suas inumeráveis emoções, iluminação súbita e inspirada. Daí o surgimento de uma poética da "invenção" e da "novidade" como busca permanente da expressão de cada indivíduo, de cada momento, de cada sentimento, de cada paixão, como algo único e irrepetível. Como isso se traduz na linguagem dos poemas? Essa necessidade se impõe à estrutura do poema, ao ritmo, à rima, à dicção, à métrica, à alternância de versos longos e curtos, às metáforas ousadas, às
  • 5. hipérboles, ao aproveitamento da linguagem poética em todas as suas potencialidades musicais e expressivas. Por isso, a simples observação ligeira mostra-nos diferenças notáveis entre os poetas românticos, enquanto os neoclássicos, por exemplo, mais se assemelham por seguirem com certo rigor os modelos tradicionais. Nesse sentido, também em termos formais o Romantismo manifesta rebeldia e tem um quê de moderno? Ao equilíbrio neoclássico, ele contrapõe o desequilíbrio inovador e experimental. A linguagem é vista como impotente, incapaz de expressar toda a emoção e o sentimento. Diante da carga nova da sensibilidade e da intuição é necessário que as regras do código (isto é, a gramática da língua) sejam questionadas, que as categorias da razão sejam descartadas e sobressaia a palavra carregada de sentimentos do coração do poeta para o coração do leitor. Isso faz com que o poeta romântico privilegie o emissor (o eu, a função emotiva da linguagem, isto é, aquele que fala), comportando-se, diante da palavra com a desconfiança que, por assim dizer, ele inaugura na literatura ocidental moderna. Para finalizar, qual é a importância do Romantismo no Brasil? O romantismo significa a diferenciação da nossa com a literatura portuguesa, mediante a diferenciação temática e de linguagem. O romantismo quebrou a estreita de pendência linguística que nos prendia à tradição literária portuguesa, pela incorporação de peculiaridades vocabulares e sintáticas e por procurar um ponto de vista nacional brasileiro. Ao mesmo tempo, pelas contradições inerentes ao nosso país e pelas profundas diferenças entre o império brasileiro e a Europa burguesa, o romantismo impregnou-se de contradições que bem expressam a situação global de adaptação de uma profunda corrente cultural e artística, nascida no exterior, às condições do Brasil, país atrasado, dependente e preso à órbita da Europa. O Romantismo apresentou momentos-limites em relação à sociedade, por vezes estabeleceu uma dimensão mais aberta para o social e, em outras, retrocedeu para o instinto de pura subjetividade. Tanto no modo mais social, como no voltado para o indivíduo, o Romantismo brasileiro divulgou belas obras e teve consagrado os nomes de diversos autores. Dentre os principais,
  • 6. como Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu e Castro Alves, surge um jovem poeta da Faculdade de Direito de São Paulo chamado de Manuel Antônio Álvares de Azevedo. Cada um desses foi responsável pela propagação e o crescimento da literatura no Brasil, porém até que a poesia desses autores conquistasse o público, um processo gradual se iniciou na Europa e se propagou pelo mundo: o Romantismo. Enquanto estilo de época ou movimento cultural, o Romantismo pode ser associado à Revolução Francesa, em 1789, e também à ascensão da burguesia e do liberalismo. Após a Revolução, nota-se o crescimento econômico burguês, que vagarosamente assume o lugar da antiga classe dominante, a aristocracia, que dominava a economia e as artes de modo geral. Tudo seguia de acordo com o que fora estipulado pela nobreza. Portanto, com essa mudança, afirma-se que o Romantismo foi um movimento tipicamente burguês, já que este, aos poucos, tomou o poder. Outra revolução que podemos atrelar a este período é a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra por volta de 1760, por meio da aplicação de maquinaria mecânica às indústrias. Diante deste quadro de mudanças que abalariam a estrutura políticocultural da Europa, há um progressivo desenvolvimento do homem europeu embalado pela crescente burguesia, que teria forte papel nas transformações do antigo sistema. A burguesia iniciou uma nova etapa tornando o comércio de livre acesso, não se intrometendo no mercado econômico. O período do Romantismo é fruto de dois grandes acontecimentos na história da humanidade, ou seja, a Revolução Francesa e suas derivações, e a Revolução industrial. As duas revoluções provocaram e geraram novos processos, desencadeando forças que resultaram na formação da sociedade moderna, moldando em grande parte os seus ideais (sociais). (GUINSBURG, 2005, p.24) Se antes o Classicismo era dominado pela força da aristocracia, o Romantismo seria liderado pela classe burguesa, que apresentava valores distintos da anterior. Com a vigência de uma nova ordem, o liberalismo ganhou forças, à medida que apontava para a valorização do indivíduo e a capacidade geradora de cada um. Logo, estaria neste ponto um dos fundamentos deste período, anunciando que era livre a qualquer pessoa o poder e a habilidade de
  • 7. criar, tanto na arte quanto na literatura, e que não estava mais reservados a uma pequena elite a produção intelectual como era feito antes. Com a ascensão da burguesia, a arte passou a ser vista com novos olhares, o artista entendeu, a partir desta mudança, que o burguês era o detentor do dinheiro para financiar suas obras. No entanto, essa mesma classe carecia de cultura e de mais conhecimento no campo das artes. Foi então preciso que houvesse uma transformação cultural que acompanhasse esse momento, assim como estava acontecendo no âmbito político. O século XIX havia sido marcado pela chegada de princípios liberais da burguesia, que permitiram a livre concorrência entre os indivíduos, sem que o Estado interviesse na produção e, também, permitiu oportunidades iguais para as pessoas, sem que uma classe social prevalecesse em relação à outra. Desta maneira, o Romantismo se constituiu no movimento que trazia liberdade de expressão para os poetas e grandes pensadores, como também lhes concedia o direito de criação. Assim modificam, vagarosamente, o padrão clássico introduzindo novas formas guiadas por sua própria inspiração. Diante disto, constatamos os motivos que permitiram a concepção de um novo padrão estético, que revolucionou o século XIX. Esse novo estilo pretendia mostrar à velha aristocracia que, apesar de não possuir “sangue azul” ou uma linhagem de estirpe, poderia compensar essas faltas com um novo padrão de beleza, no qual os próprios burgueses poderiam ser identificados. Segundo J. Guinsburg, É como se tudo o que foi criado nos últimos duzentos anos, obra de literatura, pintura, teatro, escultura, arquitetura, houvesse surgido do confronto e da união com este “espírito” mágico, que, buscando as esferas mais profundas do homem, reptou o consagrado, o estabelecido, o modelado aparentemente desde e para todo o sempre, efetuando uma revolução fundamental na conceituação e na realização de todas as artes, mesmo daquelas que não sentiram ou expressaram de modo imediato ou feliz os efeitos da fermentação romântica. (GUINSBURG, 2005, p.13) Acompanhando as tendências mundiais, o Brasil sofreu grandes mudanças políticas que marcaram a primeira metade do século XIX. Uma dessas transformações mais significativas foi a vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, que desembocou na elevação do Brasil à categoria de Reino, em 1816, e determinou, conseqüentemente, a abertura dos portos às
  • 8. nações amigas. Por meio da transferência da família real para o Brasil, no período de menos de cinqüenta anos tem-se a independência do país, em 1822, o primeiro reinado até 1831, o período de regência entre 1831 a 1840 e o início do segundo reinado, que por fim se estendeu até 1889, quando foi proclamada a república no Brasil. Tais transformações favoreceram o país em alguns aspectos, como a criação de escolas, museus, bibliotecas, juntamente com a circulação regular de jornais e revistas, graças à criação da Imprensa Nacional. A vida cultural do Brasil se alterou completamente neste aspecto, pois acabou gerando a capital intelectual do país, de onde se desenvolvia a imprensa e se ampliava o público leitor. Com a independência da nação, o Romantismo foi ganhando forças e, com isso, podemos afirmar que o movimento romântico brasileiro coincidiu com o momento decisivo de formação da nacionalidade. Para Antonio Candido, é graças a dois fatores importantes, como a independência política e o Romantismo, que alguns países vêm expressando na arte uma nova visão de realidade, tanto individual, quanto social e natural. Manteve-se durante todo o Romantismo este senso de dever patriótico, que levava os escritores não apenas a cantar a sua terra, mas considerar as suas próprias obras contribuição ao progresso. Construir uma “literatura nacional” é afã, quase divisa, proclamada nos documentos do tempo até se tornar enfadonha. (CANDIDO, 2007, p.10) Devido às condições específicas do país, o Romantismo no Brasil apresenta, além de alguns pontos em comum com o europeu, outros elementos próprios, que resultam da adaptação à realidade brasileira. Esse movimento se adequou ao estilo cultural do Brasil, por isso apresentou muitas características e gerações distintas uma das outras. “Já disse alguém que houve tantos romantismos quanto românticos, o que seria, por outro lado, a máxima concretização do Romantismo no seu caráter individualista.