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Fernando Pessoa Ortónimo

    Vertente Modernista – abrange vários “-ismos” de vanguarda, em
poemas de grande liberdade formal e desarticulação sintáctica;
vocabulário raro.

     Vertente Tradicional – poemas breves, rimados, de verso curto
(2 a 7 sílabas; predomínio da métrica tradicional) e estrutura formal
fixa (quadras ou quintilhas), com linguagem e sintaxe simples.



                  Sinceridade/ Fingimento Poético

     Para Pessoa ortónimo, a poesia é um acto de fingimento. O poeta
parte da realidade, mas distancia-se dela graças à dialéctica entre a
razão (pensar) e sensibilidade (sentir), para elaborar intelectualmente
a obra de arte. Assim, o poema apenas pode comunicar um sentimento
fingido, pois a dor real (sentida) continua no sujeito que, por meio da
escrita, tenta uma representação mental.
     Deste modo, “Fingir é conhecer-se”




     E a emoção do leitor? “Sinta quem lê.” O leitor não é capaz de
sentir as emoções do poeta (nem a vivida nem a imaginada); a emoção
que o poeta exprime artisticamente é um estímulo que provoca no
leitor novos estados de alma.

     O mundo real é apenas um reflexo de um mundo ideal. Só o poeta
pode contemplar essa coisa encoberta pelo “terraço” da vida, porque é
capaz de libertar-se de um mundo que o prende e escrever usando só
a imaginação em busca daquilo que é (saber existir) e seguro do que
não é. A tarefa do poeta é essa viagem imaginária (logo, no
pensamento), esse pressentir da essência das coisas. Só a arte
permite aprender a sentir melhor, sabendo o que se sente e sentindo
de forma mais intensa. O poeta é, afinal, um simulador que pretende,
através da criação poética.



                       Ruptura e Continuidade

     O Pessoa ortónimo escreveu poemas da lírica simples e
tradicional, muitas vezes marcada pelo desencanto e melancolia; fez
um aproveitamento cuidado de impressionismo e do simbolismo,
abrindo caminho ao modernismo, onde põe em destaque o vago, a
subtileza e a complexidade.



                          A Dor de Pensar

      Fernando Pessoa sente-se condenado a ser lúcido, a ter de
pensar. Gostava, muitas vezes, de ter a inconsciência das coisas ou de
seres comuns que agem como uma pobre ceifeira. (“O que em mim
sente „stá pensando.”).
     O ortónimo é obcecado pelo pensamento. Contudo, o pensamento
está na origem de ser incapaz de sentir intuitivamente, como quem
descobre o mundo sem preconceitos. Impedido de ser feliz, devido à
lucidez, procura a realização do paradoxo de ter uma consciência
inconsciente. Mas ao pensar sobre o pensamento, percebe o vazio que
não permite conciliar a consciência e a inconsciência.



                        Nostalgia da Infância

    Em Fernando Pessoa ortónimo, a infância é entendida como um
tempo mítico do bem, da felicidade e da inconsciência. Nela
permanecem sempre vivos a família e os lugares, a segurança e o
aconchego, entretanto perdidos pelo sujeito poético. A inconsciência
de que todo esse bem é irrecuperável, fá-lo sentir-se obsessivamente
nostálgico da infância, um tempo perdido que serve sobretudo para
acentuar a negatividade do presente. O profundo desencanto e a
angústia acompanham o sentido da brevidade da vida e da passagem
dos dias. Ao mesmo tempo que gostava de ter a infância das crianças
que brincam, sente a saudade de uma ternura que lhe passou ao lado.
     Frequentemente, para Pessoa, o passado é um sonho inútil, pois
nada se concretizou, antes se traduziu numa desilusão.



                                   Fragmentação do “eu”

    O sujeito poético assume-se como uma espécie de palco por onde
desfilam diversas personagens, distintas e contraditórias. Incapaz de
se manter dentro dos limites de si próprio, o sujeito poético procura
observar o seu “eu”, ou seja, conhecer-se a si próprio, o que leva à
fragmentação e à consciência de que é capaz de viver apenas o
presente.
    Questiona a sinceridade das emoções escritas nos seus textos,
porque não sente hoje da mesma forma que sentiu no passado, pois as
emoções, ao serem escritas e lidas, são intelectualizadas (“não sei
quantas almas tenho”).


                                           Fernando Pessoa




                          Ortónimo                           Heterónimos:
                       (“ele próprio”)                       - Alberto Caeiro;
                                                             - Ricardo Reis;
                                                             - Álvaro de Campos


          Poesia do                 Mensagem (1934)
         cancioneiro



                          Fernando Pessoa e Heterónimos
Alberto Caeiro

     Natureza (Bucolismo);
     Dambulismo (anda pelo espaço da Natureza);
     Poeta da simplicidade;
     Escrita simples; privilegia o uso da comparação, a metáfora e do
      polissíndeto (repetição do “e”);
     Poeta anti-metafísico (recusa o pensamento);
     Interpreta o mundo a partir dos sentidos;
     Interessa-lhe a realidade imediata e o real objectivo que as
      sensações lhe oferecem;
     Uso do verso branco (sem rima), do versilibrismo (estrutura
      métrica irregular) e da estrutura estrófica livre.

     Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “Guardador de
Rebanhos”, que só se importa em ver de forma objectiva e natural a
realidade com a qual contacta a todo o momento.
     Poeta do olhar, procura ver as coisas como elas são, sem lhes
atribuir significados ou sentimentos humanos. Considera que “pensar é
estar doente dos olhos”, pois as coisas sãol como são. Recusa po
pensamento metafísico, afirmando que “pensar é não compreender”.
     Caeiro constrói uma poesia das sensações, apreciando-as como
boas por serem naturais. Para este heterónimo, o penasamento apenas
falsifica o que os sentidos captam. É um sensacionista, que vive
aderindo espontaneamente às coisas, tais como são, e procura gozá-las
com despreocupada e alegre sensualidade.




                              Ricardo Reis

   Contemplativo (observa);
   Racional (conclui resignando-se);
 Clássico:
       equilibrio
       linguagem
       forma
   Horaciano
        “aurea mediocritas”
        “carpe diem”
        ode
   Pagão
        Crença nos deuses/Fado (destino)
        crença na presença divina das coisas
   Estoico-epicurista
        Estoicismo
            o supremacia nos Deuses e no Fado
            o aceitação voluntária das leis do universo (ilusão de
               liberdade)
            o ideal de apatia (indeferença)
        Epicurismo
           o procura a felicidade moderada (= ausência de
              sofrimento)
           o ideal de ataraxia (indiferença)
           o “carpe diem”



     Ricardo Reis é o poeta da serenidade epicurista, que aceita, com
calma lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas.
     A filosofia de vida de Ricardo Reis é a de um epicurismo triste,
pois defende o prazer do momento, o carpe diem, como caminho da
felicidade, mas sem ceder aos impulsos dos instintos.
     Apesar deste prazer que procura e da felicidade que deseja
alcançar, considera que nunca se consegue a verdadeira calma e
tranquilidade, ou seja, a ataraxia. Sente que tem de viver em
conformidade com as leis do destino, indiferente à dor e ao
desprazer, numa verdadeira ilusão da felicidade.
Ricardo Reis recorre à ode e a uma ordenação estética
marcadamente clássica.
     Em Ricardo Reis há a apatia face ao mistério da vida mas também
se encontra o mundo das angústias que afecta Pessoa.



                          Álvaro de Campos

     O mais moderno e multifacetado dos heterónimos. O filho
indisciplinado da sensação.
Três fases poéticas:
         Decandentismo: o tédio, o cansaço e a necessidade de novas
           sensações.
         Futurismo e Sensacionismo: exaltação da força, da violência,
           do excesso, da civilização moderna e da máquina e de sentir
           tudo de todas as maneiras: “ode triunfal”.
         Fase de Abulia: cansaço e tédio existencial em que o “eu” se
           fragmenta, desenquadrado, incapaz de viver e sentir a vida e
           dominado pelo vício de pensar, vê na infância o paraíso
           perdido: “Aniversário” e “Lisbon Revisited”.

     Álvaro de Campos surge quando “sente um impulso para escrever”.
     Para Campos, a sensação é tudo, O sensacionismo torna a
sensação, a realidade da vida e da base da arte. Álvaro de Campos é
quem melhor procura o totalização das sensações, mas sobretudo das
percepções conforme as sente.
     Em Campos, há a vontade de ultrapassar os limites das próprias
sensações, numa vertigem insaciável, que o leva a querer “ser toda a
gente em toda a parte”.
     Mas, passada a fase eufórica, o desassossego de Campos leva-o a
revelar uma fase disfórica, a ponto de desejar a própria destruição.
     Depois de exaltar a beleza e da força da máquina por oposição à
beleza tradicionalmente concebida, a poesia de Campos revela um
pessimismo agónico, a dissolução do “eu”, a angústia existencial e uma
nostalgia da infância irremediavelmente perdida.



                         Versos Ilustrativos

                         “E ando pela mão         deuses: subtermo-
                         das estações”            nos”
                            Panteísmo                “Carpe Diem”
  Alberto Caeiro         “E ando pela mão         “Colhe/o dia porque
                         das estações”            és ele”
    Antimetafísica                               “a confiança
     (recusa do                                   mole/na hora
     pensamento)                                  fugitiva”
“Eu não tenho                                         Ideal de
filosofia: tenho             Ricardo Reis               ataraxia/apati
sentidos”                                               a
    Valorização da          Paganismo           “Mais vale saber
     Natureza                 (crença nos         passar
“Sou o Descobridor            deuses da           silenciosamente”
da Natureza”                  mitologia e no      “O desejo de
    Sensacionismo            Fado)               indiferença”
     - visualismo        “Pagãos inocentes            Passagem do
“ O meu olhar é          da decadência”                 tempo/a
nítido como um               Estoicismo                morte
girassol”                     (aceitar            “Passamos como um
    Poeta da                 voluntariament      rio”
     realidade                e as leis do        “a vida/passa e não
     imediata                 Fado)               fica”
     (presente)          “Nós, imitando os
“Não quero incluir o     Deuses/Tão pouco
tempo no meu             livres”                   Álvaro de Campos
esquema”                 “Só esta liberdade
    Deambulismo         nos concedem os
 Futurismo/mod                     Nostalgia da                     “(...) nada sois que
     ernismo-                           Infância                         eu me sinta”
     apologia da                   “No tempo em que                          Frustração/ne
     civilização                   festejavam o dia                             gatividade/can
     moderna                       dos meus anos”                               sanço
“Ser completo como                     Dor de Pensar                           existencial
uma máquina”                       “Tirem-me daqui a                     “Somam-se-me os
    Sensacionismo                 metafísica”                           dias/serei velho
“Ah,não ser eu toda                “Não penses! Deixa                    quando for”
a gente em toda a                  o pensar na cabeça”                   “A única conclusão é
parte!”                                Inutilidade                      morrer”
                                        das sensações

                                Os Lusíadas e Mensagem

     Camões, n‟ Os Lusíadas e Fernando Pessoa, na Mensagem, cantam,
em perspectivas diferentes, Portugal e a sua história, realçando a
expansão marítima e o alargamento da fé. Enquanto o primeiro celebra
o apogeu e pressente a decadência do Império, o segundo retorna às
origens e às descobertas marítimas, mas situa-se na fase terminal do
processo de dissolução do mesmo império.
     Enquanto Camões nos dá conta do heroísmo que permitiu a
construção do império português, Fernando Pessoa procura libertar a
pátria de um passado que se desmoronou e encontrar um novo
heroísmo que exige grandeza de alma e capacidade de sonhar.

                                 Classificação Literária

                              Obra épico – Lírica e simbólica

  - parte de um núcleo de
 acontecimentos históricos;
   - usa,por vezes, o tom                 Transfigura matéria histórica em símbolos que
  sublime ou comovido da               fecundam o presente, inventando o futuro (mitos que
          epopeia.                      são ideais a seguir): o assunto não são os eventos
                                           históricos, mas a essência de ser português.
Estrutura da Obra

Mensagem
       Portugal -» Mensagem (poemas produzidos de 1913 a 1914)

       Estrutura: 44 poemas – organizados em três partes que
        obedecem a uma estrutura simbólica:
           I parte: Brasão: os fundadores do país -» nascimento da
            pátria (de Ulisses ao início das Descobertas)
                   o Os Campos
                   o Os Castelos
                   o As Quinas
                   o A coroa
                   o O Timbre
           II parte: Mar Português: época aurea das Descobertas
            (o império material) -» vida/realização do país
           III parte: O Encoberto: aponta para o presente de
            desistência (o império desfez-se); prevê o Desejado que
            instaurará o Quinto Império (o império
            civilizacional/cultural)-» morte/renascimento da nação

                  o Os Símbolos
                  o Os Avisos
                  o Os Tempos

                           Os Lusíadas

                        Estrutura Interna

   Proposiç        Invocaçã         Dedicató         Narraçã
    ão;              o;                ria;              o.

                       Estrutura Externa
 Forma Narrativa;
   Versos decessilábicos;
   Rimas com esquema abababcc (rima cruzada nos seis primeiros
    versos e emparelhada nos dois últimos);
   Estâncias- oitavas;
   Poema dividido em 10 cantos.

                                Planos

Plano da Viagem
      A narração dos acontecimentos ocorridos durante a viagem
realizada entre Lisboa e Calecut
Plano da História de Portugal
      Relato dos factos marcantes da História de Portugal
Plano da Mitologia
      A mitologia permite e favorece a evolução da acção (os deuses
assumem-se, uns como adjuvantes, outros como aponentes dos
Portugueses) e constitui, por isso, a intriga da obra.
Plano do Poeta
      Considerações e opiniões do autor expressos, nomeadamente, no
início e no fim dos cantos.



                Proposição d’ Os Lusíadas – O Herói

     Na “Proposição”, o poeta apresenta aqueles que serão os
protagonistas da sua epopeia, Assim, o herói inidividual d‟ Os Lusíadas
é Vasco da Gama, comandante da armada que realiza a viagem de
descoberta do caminho marítimo para a Índia. Contudo, Vasco da
Gama é paradigma de todo o povo português, já que Camões propõe
elogiar todos os navegadores, reis que dilataram a fé, conquistanto
territórios em África e na Ásia e todos os que imortalizaram, ficando
na memória dos homens pelos seus feitos grandiosos. Também o título
aponta para esta colectividade: canta-se um herói colectivo, que é o
povo português, o qual se destacou peçp esforço e pela coragem que
superaram todos os heróis da antiguidade.



                         Reflexões do Poeta

     Nos planos narrativos desta Epopeia, encontramos um plano que
se diz respeito às chamadas considerações pessoais do poeta. Estas
reflexões surgem ao longo da Narração, normalmente no final de cada
canto. Nestas estrofes, o poeta apresenta a sua perspectiva em
relação ao império português, que perdia o seu brilho e aos valores
dominantes do país.
     Por um lado, refere os “grandes e gravíssimos perigos”, a
tormenta e dano do mar, a guerra e o engano em terra; por outro lado,
faz a apologia da expansão territorial para divulgar a fé cristã,
manifesta o seu patriotismo e exorta D. Sebastião a dar continuidade
à obra grandiosa do povo português.



                        Felizmente Há Luar!

    Felizmente Há Luar! recria em dois actos a tentativa frustrada
de revolta liberal de Outubro de 1817, reprimida pelo poder
absolutista do regime de Beresford e Miguel Forjaz, com o apoio da
igreja. Ao mesmo tempo, chama a atenção para as injustiças, a
repressão e as persiguições políticas no tempo de Salazar.
     A acção de Felizmente Há Luar! centra-se na figura do General
Gomes Freire de Andrade e a sua execução, mostrando, ao mesmo
tempo, a resignação do povo, dominado pela miséria, pelo medo e pela
ignorância. O protagonista é construído através da esperança do povo,
das perseguições dos governantes e da revolta impotente da sua
mulher e dos seus amigos. Amado por uns, é odiado pelos que temem
perder o poder.
Dentro dos princípios do teatro épico, Felizmente Há Luar! é um
drama narrativo que analisa criticamente a sociedade, apresentando a
realidade com o objectivo de levar o espectador a tomar a posição.
Com a denúncia do amibente político repressivo daquela época, tenta
provocar a reflexão sobre a opressão e a censura que se repete no
século XX.



                Características do modo dramático

  1. Texto Principal: constituído pelas falas das personagens
             Diálogo
             Monólogo
             Aparte

  2. Texto Secundário: é constituído pelas didascálias.



                         Estrutura da Obra

    O texto organiza-se em dois actos (que não estão delimitados por
cenas):
           Acto I- inclui acontecimentos que decorrem entre a
             tentativa de evitar uma conspiração que se prepara e a
             identificação de seu líder e a sua prisão.

            Acto II- inclui acontecimentos que decorrem entre a
             prisão do General e a sua execução.

Texto Secundário
    A peça é rica em indicações cénicas. Estas didascálias assumem
duas funções essenciais:
   Indicações em itálico, normalmente entre parenteses oferecem
     marcações típicas das didascálias: tom de voz, movimentos
cénicos das personagens, vestuário, efeitos de som e luz, entre
    outros,

   Notas à margem do texto principal: estas didascálias constituem
    comentários do dramaturgo que interpretam/explicam as falas e
    os comportamentos das personagens.

   Paralelismo entre o Tempo da História (1817) e o Tempo da
                         Escrita (1961)

     O dramaturgo recupera acontecimentos históricos passados
(revolta de 1817 que deu início às lutas liberais em Portugal) para
denunciar a situação social e política do seu próprio tempo (a crise dos
anos 60, durante a ditadura Salazarista, que culminará com o 25 de
Abril e o triunfo da Democracia). Sttau Monteiro pretende alertar os
seus contemporâneos para a ignorância, a miséria e a opressão,
incentivando-os a lutarem por uma sociedade mais justa e solidária
que permita uma verdadeira realização do Homem. Felizmente Há
Luar! é, por isso, uma obra metafórica/alegórica.

                        Elementos Simbólicos

   Paralelismo de construção do início dos dois actos:
    Os dois actos deste texto dramático começam exactamente da
    mesma forma, para sugerir que, após a prisão do General, a
    situação do povo continua exactamente na mesma, se não mesmo
    pior, pois com a prisão de Gomes Freire, o povo perde até a
    esperança.
   O título: Felizmente Há Luar!
    A expressão é primeiro usada por D. Miguel que, devido às
    execuções prolongadas, se alegra por haver luar, de modo a
    concretizar o castigo que acredita que purificará a sociedade e
    irá dissuadir outros conspiradores. As mesmas palavras, são
    depois usadas por Matilde e servem de estímulo para que o povo
se revolte contra a tirania dos governantes; para Matilde os
     heróis amedrontam os poderosos mas tornam-se uma espécie de
     luz para que outros, seguindo-lhes o exemplo, lutem pela
     liberdade. É de notar que neste texto a escuridão nunca é total,
     porque pretende ensinar-se que há sempre esperança.



                   Caracterização de Personagens

General Gomes Freire de                  Quer condenar inocentes
Andrade                                   para evitar a revolução;
   Esperança do povo;                   Prepotente;
   Não aparece na peça, é só            Corrompido pelo poder;
    uma invocação;                       Vingativo;
   Soldado brilhante;                   Visão estratégica do país;
   Luta pela liberdade;                 Não é popular;
   Grão-mestre da Maçonaria             Representa a nobreza;
    Portuguesa;                          Primo do General Gomes
   Lider carismático.                    Freire.

William Beresford                    Principal Sousa
  Poderoso;                            Fanático;
  Interesseiro;                        Hipócrita;
  Calculista;                          Não tem valores épicos;
  Sarcástico e irracional;             Representante do alto
  Representante do poder                 clero;
     militar inglês em Portugal;        Odeia os franceses;
  Odiava Portugal;                     Não gosta de Beresford;
  Pragmático;                          Não gosta do povo devido à
  Protestante;                           sua posição social.
  Mau oficial.
                                     Matilde
D. Miguel Pereira Forjaz               Corajosa;
                                       Romântica:
 Inconstante (mudanças de           Papel de impotência do
    humor);                             povo;
   Contra a injustiça:                O mais consciente dos
   Lutadora;                           populares;
   Meia idade;                        Casado com Rita;
   Nasceu em Seia numa                É pobre e vive
    família pobre;                      miseravelmente;
   Casada com o General;              Crítico;
   Personalidade forte;               Irónico.
   Mulher solitária.
                                    Vicente
Sousa Falcão                           Elemento do povo;
   Não foi capaz de denfender         Falso;
    os seus ideais;                    Hipócrita;
   Amigo de Gomes Freire;             Interesseiro;
   Tem como ideais “justiça” e        Alpinista Social;
    “liberdade”;                       Cúmplice do conselho de
   Está de luto pela execução          regência;
    do General e por ele               Delactor:
    próprio;                           Pretende ser chefe de
   Crítico (autocritica-se);           polícia;
                                       Revoltado por pertencer ao
                                        povo;
Manuel                                 Ambicioso;
  Denuncia a opressão;                Traidor do povo.

                            Os Símbolos

Saia Verde
   A felicidade: a prenda compradas em Paris, com o dinheiro da
    venda de duas medalhas do General.
   Ao escolher aquela saia para esperar o General, destaca a
    “alegria” do reencontro.
O Título/a luz/a noite/o luar
  O título surge por duas vezes ao longo da peça:
   D. Miguel salienta o efeito dissuador que aquelas execuções
    poderão exercer sobre todos os que discutem as ordens dos
    governadores.
   Na altura da execução, as últimas palavras de Matilde, são de
    coragem e de estímulo para que o povo se revolte contra a tirania
    dos governantes.

     A Luz está associada à vida, à saúde, à felicidade, enquanto a
  noite e as trevas se associam ao mal, à infelicidade, ao castigo, à
  perdição e à morte.
     A Lua, por estar privada de luz própria, na dependência do sol. A
  lua, é símbolo de transformação e de crescimento.

A moeda de cinco réis
    Símbolo de desrespeito (dos mais poderosos em relação aos mais
desfavorecidos) apresenta-se como represália, quase vingança, quando
Manuel nada Rita dar a moeda a Matilde.

Os Tambores
    Símbolo da repressão, provocam o medo e prenunciam com
ambiência trágica da acção.



                        Memorial do Convento

     Saramago, em Memorial do Convento, recorrea um momento da
História e, em forma de narração alegórica, propõe uma reflexão
sobre esses acontecimentos, sobre o comportamento e o destino
humano e sobre um mundo onde há a magia do inexplicável.
     Romance histórico, mas também social e de espaço, este romance
articula o plano da História, com o plano da ficção e o plano fantástico.
As vozes do narrador e das personagens proporcionam,
constantemente, uma análise crítica aos tempos representados e da
enunciação, mas, sobretudo, um comentário e uma crítica ao presente,
por onde passa também a História, permitindo confrontar o ser e o
tempo.

                           Título da Obra

    Memorial do Convento aponta para o relato de acontecimentos
históricos relacionados com a construção de um convento (em Mafra),
recorrendo à memória do autor, com o objectivo de inscrever na
memória colectiva um período da nossa História e os heróis que
construiram um monumento que marcou essa época.
     A obra é classificada como um romance, onde se aliam os factos
históricos, que podem ser comprovados pela visão oficial da História, à
ficção.

                          Acção/Estrutura

    Memorial do Convento estrutura-se em 25 capítulos, não
numerados, que se organizam em vários planos narrativos: a promessa
do rei mandar construir um convento em Mafra, a construção desse
convento concretizada pelo povo, a construção de uma máquina
voadora que realizará o sonho de um padre de voar e a história de
amor entre um homem e uma mulher.
     Pode-se considerar que as duas acções principais são aquelas que
giram em torno da construção do convento de Mafra e da relação
entre Baltasar e Blimunda; acrescenta-se ainda a narrativa da
construção da passarola que funciona como uma linha de acção
secundária.



          Estrutura Circular da Obra/Dimensão Simbólica
Memorial do Convento tem uma estrutura claramente circular. É
num auto-de-fé, que se realiza no Rossio, em Lisboa, que Blimunda
encontra pela primeira vez Baltasar. No final da narrativa repete o
percurso que fizera 28 anos antes reencontrando Baltasar (quando
passa por Lisboa pela 7ª vez, após 9 anos de procura) de novo num
auto-de-fé, no Rossio, no qual Sete-Sóis morre queimado na fogueira
da Inquisição.
      Esta estrutura tem uma dimensão simbólica, ou seja, Blimunda
encontra o seu homem no momento em que perde a mãe e se torna
autónoma. No final da narrativa, ao separar-se de Blimunda, Baltasar
fragmenta a unidade representada por este par; Blimunda procura-o
durante 9anos, numa demanda que se assemelha a um período de
gestação, após a qual é restabelecida a unidade deste par, quando
Sete-Luas recolhe a vontade de Sete-Sóis, no momento em que este
morre porque a si e à terra pertence, parecendo iniciar outro ciclo de
vida.



                           O tema do amor

     Em Memorial do Convento opõem-se dois tipos de amor: o amor
contractual entre o rei e a rainha e o amor verdadeiro entre Baltasar
e Blimunda. A relação entre o casal real tem como único objectivo dar
um herdeiro à coroa, não existindo qualquer envolvimento afectivo
entre ambos o que acaba por gerar frustração (as infidelidades do rei
e os sonhos da rainha com o seu cunhado). Os encontros entre o casal
real são cheios de protocolo, excesso de roupa, de criados, num
artificialismo que contraria um acto que deveria ser natural e
espontâneo.
     Baltasar e Blimunda têm uma relação amorosa plena, cheia de
carícias, jogos eróticos, desinibições, transgredindo as regras sociais
da época. Vivem um amor natural e institivo, onde as palvras são
desnecessárias e o amor parece eterno.
Categorias do Texto Narrativo

Acção
     O rei D. João V, Baltasar e Blimunda e Bartolomeu Lourenço
protagonizam o romance.
     A acção principal é a construção do Convento de Mafra. Situando-
se no século XVIII, encontra-se um entrelaçamento de dados
históricos, como o da promessa de D. João V de construir um convento
em Mafra e o do sofrimento do povo que nele trabalhou. Conhece-se a
situação económica e social do país, os autos-de-fé praticados pela
Inquisição, o sonho e a construção da passarola, as críticas ao
comportamento do clero e os casamentos dos príncipes.

Espaço
    Os espaços físicos priveligiados pela acção são Lisboa e Mafra.
Entre vários lugares da capital ou dos arredores são referidos com
frequência o Terreiro do Paço, o Rossio, S.Sebastião da Pedreira,
Odivelas e Azeitão. Nas referências a Mafra, encontramos a Vela,
onde se constrói o Convento, Pêro Pinheiro, Serra Monte Junto e
outros locais.
    O Alentejo surge como um espaço social importante, na medida
em que permite conhecer-se a miséria que então o povo passava.




                              Personagens

D. João V
     É megalómano, infantil, devasso, libertino e ignorante, que não
hesita em utilizar o povo, o dinheiro e a posição social para satisfazer
os seus caprichos.
     Anda preocupado com a falta de descendente, apesar de possuir
bastardos. Promete levantar um Convento em Mafra se tiver filhos da
rainha, com quem tem relações para cumprimento do dever, em
encontros frios e programados.

Baltasar Sete-Sóis
     Baltasar Mateus é, com Blimunda, uma das personagens mais
interessantes da obra.
     Baltasar, depois de deixar o exército, por ficar maneta, chega a
Lisboa como pedinte. Conhece Blimunda, com quem partilhará a vida.
Vai ainda partilhar do sonho do padre Bartolomeu Lourenço, ajudando
a construir a passarola e participando no seu primeiro voo.

Blimunda Sete-Luas
     Filha de Sebastiana Maria de Jesus, que fora, pela Inquisição,
condenada e degredada, por ser cristã-nova. Com capacidades de
vidente e possuidora de uma saberdoria muito própria.
     Blimunda é uma estranha vidente que vê no interior dos corpos os
males que destroem a vida e consegue recolher as “vontades” que
permitirão o voo da passarola. Por amar Baltasar recusa usar a magia
para conhecer o sseu interior.
     O poder de Blimunda permite ver o que está no mundo, as
verdades mais profundas que o sustentam.

Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão
     O sonho da passarola e a sua realidade apresentam o padre
Bartolomeu Lourenço como um homem que só conseguirá evitar a
Inquisição pela amizade que lhe tem o rei.
     Ajudado por Baltasar e Blimunda, o padre Bartolomeu Lourenço
construiu a sua obra.
     Foi forçado a fugir à Inquisição por possível adesão ao judaísmo
ou por se ter envolvido num caso de bruxaria. Morreu em Toledo.

Povo
    O povo trabalhador construiu o convento de Mafra, à custa de
muitos sacrificios e mesmo de algumas mortes. Definido pelo seu
trabalho, pela sua miséria física e moral, pela sua devoção, este povo
humilde surge como verdadeiro obreiro da realização do sonho de D.
João V.

Clero
     A hipocrisia e a violência do clero revela-se em rituais que em vez
de elevarem o espírito acentuam a degradação moral e corrupção
religiosa (autos-de-fé, procissões da Páscoa e procissão do Corpo de
Deus).

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resumos

  • 1. Fernando Pessoa Ortónimo Vertente Modernista – abrange vários “-ismos” de vanguarda, em poemas de grande liberdade formal e desarticulação sintáctica; vocabulário raro. Vertente Tradicional – poemas breves, rimados, de verso curto (2 a 7 sílabas; predomínio da métrica tradicional) e estrutura formal fixa (quadras ou quintilhas), com linguagem e sintaxe simples. Sinceridade/ Fingimento Poético Para Pessoa ortónimo, a poesia é um acto de fingimento. O poeta parte da realidade, mas distancia-se dela graças à dialéctica entre a razão (pensar) e sensibilidade (sentir), para elaborar intelectualmente a obra de arte. Assim, o poema apenas pode comunicar um sentimento fingido, pois a dor real (sentida) continua no sujeito que, por meio da escrita, tenta uma representação mental. Deste modo, “Fingir é conhecer-se” E a emoção do leitor? “Sinta quem lê.” O leitor não é capaz de sentir as emoções do poeta (nem a vivida nem a imaginada); a emoção que o poeta exprime artisticamente é um estímulo que provoca no leitor novos estados de alma. O mundo real é apenas um reflexo de um mundo ideal. Só o poeta pode contemplar essa coisa encoberta pelo “terraço” da vida, porque é capaz de libertar-se de um mundo que o prende e escrever usando só a imaginação em busca daquilo que é (saber existir) e seguro do que não é. A tarefa do poeta é essa viagem imaginária (logo, no
  • 2. pensamento), esse pressentir da essência das coisas. Só a arte permite aprender a sentir melhor, sabendo o que se sente e sentindo de forma mais intensa. O poeta é, afinal, um simulador que pretende, através da criação poética. Ruptura e Continuidade O Pessoa ortónimo escreveu poemas da lírica simples e tradicional, muitas vezes marcada pelo desencanto e melancolia; fez um aproveitamento cuidado de impressionismo e do simbolismo, abrindo caminho ao modernismo, onde põe em destaque o vago, a subtileza e a complexidade. A Dor de Pensar Fernando Pessoa sente-se condenado a ser lúcido, a ter de pensar. Gostava, muitas vezes, de ter a inconsciência das coisas ou de seres comuns que agem como uma pobre ceifeira. (“O que em mim sente „stá pensando.”). O ortónimo é obcecado pelo pensamento. Contudo, o pensamento está na origem de ser incapaz de sentir intuitivamente, como quem descobre o mundo sem preconceitos. Impedido de ser feliz, devido à lucidez, procura a realização do paradoxo de ter uma consciência inconsciente. Mas ao pensar sobre o pensamento, percebe o vazio que não permite conciliar a consciência e a inconsciência. Nostalgia da Infância Em Fernando Pessoa ortónimo, a infância é entendida como um tempo mítico do bem, da felicidade e da inconsciência. Nela permanecem sempre vivos a família e os lugares, a segurança e o
  • 3. aconchego, entretanto perdidos pelo sujeito poético. A inconsciência de que todo esse bem é irrecuperável, fá-lo sentir-se obsessivamente nostálgico da infância, um tempo perdido que serve sobretudo para acentuar a negatividade do presente. O profundo desencanto e a angústia acompanham o sentido da brevidade da vida e da passagem dos dias. Ao mesmo tempo que gostava de ter a infância das crianças que brincam, sente a saudade de uma ternura que lhe passou ao lado. Frequentemente, para Pessoa, o passado é um sonho inútil, pois nada se concretizou, antes se traduziu numa desilusão. Fragmentação do “eu” O sujeito poético assume-se como uma espécie de palco por onde desfilam diversas personagens, distintas e contraditórias. Incapaz de se manter dentro dos limites de si próprio, o sujeito poético procura observar o seu “eu”, ou seja, conhecer-se a si próprio, o que leva à fragmentação e à consciência de que é capaz de viver apenas o presente. Questiona a sinceridade das emoções escritas nos seus textos, porque não sente hoje da mesma forma que sentiu no passado, pois as emoções, ao serem escritas e lidas, são intelectualizadas (“não sei quantas almas tenho”). Fernando Pessoa Ortónimo Heterónimos: (“ele próprio”) - Alberto Caeiro; - Ricardo Reis; - Álvaro de Campos Poesia do Mensagem (1934) cancioneiro Fernando Pessoa e Heterónimos
  • 4. Alberto Caeiro  Natureza (Bucolismo);  Dambulismo (anda pelo espaço da Natureza);  Poeta da simplicidade;  Escrita simples; privilegia o uso da comparação, a metáfora e do polissíndeto (repetição do “e”);  Poeta anti-metafísico (recusa o pensamento);  Interpreta o mundo a partir dos sentidos;  Interessa-lhe a realidade imediata e o real objectivo que as sensações lhe oferecem;  Uso do verso branco (sem rima), do versilibrismo (estrutura métrica irregular) e da estrutura estrófica livre. Alberto Caeiro apresenta-se como um simples “Guardador de Rebanhos”, que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade com a qual contacta a todo o momento. Poeta do olhar, procura ver as coisas como elas são, sem lhes atribuir significados ou sentimentos humanos. Considera que “pensar é estar doente dos olhos”, pois as coisas sãol como são. Recusa po pensamento metafísico, afirmando que “pensar é não compreender”. Caeiro constrói uma poesia das sensações, apreciando-as como boas por serem naturais. Para este heterónimo, o penasamento apenas falsifica o que os sentidos captam. É um sensacionista, que vive aderindo espontaneamente às coisas, tais como são, e procura gozá-las com despreocupada e alegre sensualidade. Ricardo Reis  Contemplativo (observa);  Racional (conclui resignando-se);
  • 5.  Clássico:  equilibrio  linguagem  forma  Horaciano  “aurea mediocritas”  “carpe diem”  ode  Pagão  Crença nos deuses/Fado (destino)  crença na presença divina das coisas  Estoico-epicurista  Estoicismo o supremacia nos Deuses e no Fado o aceitação voluntária das leis do universo (ilusão de liberdade) o ideal de apatia (indeferença)  Epicurismo o procura a felicidade moderada (= ausência de sofrimento) o ideal de ataraxia (indiferença) o “carpe diem” Ricardo Reis é o poeta da serenidade epicurista, que aceita, com calma lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas. A filosofia de vida de Ricardo Reis é a de um epicurismo triste, pois defende o prazer do momento, o carpe diem, como caminho da felicidade, mas sem ceder aos impulsos dos instintos. Apesar deste prazer que procura e da felicidade que deseja alcançar, considera que nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade, ou seja, a ataraxia. Sente que tem de viver em conformidade com as leis do destino, indiferente à dor e ao desprazer, numa verdadeira ilusão da felicidade.
  • 6. Ricardo Reis recorre à ode e a uma ordenação estética marcadamente clássica. Em Ricardo Reis há a apatia face ao mistério da vida mas também se encontra o mundo das angústias que afecta Pessoa. Álvaro de Campos O mais moderno e multifacetado dos heterónimos. O filho indisciplinado da sensação. Três fases poéticas:  Decandentismo: o tédio, o cansaço e a necessidade de novas sensações.  Futurismo e Sensacionismo: exaltação da força, da violência, do excesso, da civilização moderna e da máquina e de sentir tudo de todas as maneiras: “ode triunfal”.  Fase de Abulia: cansaço e tédio existencial em que o “eu” se fragmenta, desenquadrado, incapaz de viver e sentir a vida e dominado pelo vício de pensar, vê na infância o paraíso perdido: “Aniversário” e “Lisbon Revisited”. Álvaro de Campos surge quando “sente um impulso para escrever”. Para Campos, a sensação é tudo, O sensacionismo torna a sensação, a realidade da vida e da base da arte. Álvaro de Campos é quem melhor procura o totalização das sensações, mas sobretudo das percepções conforme as sente. Em Campos, há a vontade de ultrapassar os limites das próprias sensações, numa vertigem insaciável, que o leva a querer “ser toda a gente em toda a parte”. Mas, passada a fase eufórica, o desassossego de Campos leva-o a revelar uma fase disfórica, a ponto de desejar a própria destruição. Depois de exaltar a beleza e da força da máquina por oposição à beleza tradicionalmente concebida, a poesia de Campos revela um
  • 7. pessimismo agónico, a dissolução do “eu”, a angústia existencial e uma nostalgia da infância irremediavelmente perdida. Versos Ilustrativos “E ando pela mão deuses: subtermo- das estações” nos”  Panteísmo  “Carpe Diem” Alberto Caeiro “E ando pela mão “Colhe/o dia porque das estações” és ele”  Antimetafísica “a confiança (recusa do mole/na hora pensamento) fugitiva” “Eu não tenho  Ideal de filosofia: tenho Ricardo Reis ataraxia/apati sentidos” a  Valorização da  Paganismo “Mais vale saber Natureza (crença nos passar “Sou o Descobridor deuses da silenciosamente” da Natureza” mitologia e no “O desejo de  Sensacionismo Fado) indiferença” - visualismo “Pagãos inocentes  Passagem do “ O meu olhar é da decadência” tempo/a nítido como um  Estoicismo morte girassol” (aceitar “Passamos como um  Poeta da voluntariament rio” realidade e as leis do “a vida/passa e não imediata Fado) fica” (presente) “Nós, imitando os “Não quero incluir o Deuses/Tão pouco tempo no meu livres” Álvaro de Campos esquema” “Só esta liberdade  Deambulismo nos concedem os
  • 8.  Futurismo/mod  Nostalgia da “(...) nada sois que ernismo- Infância eu me sinta” apologia da “No tempo em que  Frustração/ne civilização festejavam o dia gatividade/can moderna dos meus anos” sanço “Ser completo como  Dor de Pensar existencial uma máquina” “Tirem-me daqui a “Somam-se-me os  Sensacionismo metafísica” dias/serei velho “Ah,não ser eu toda “Não penses! Deixa quando for” a gente em toda a o pensar na cabeça” “A única conclusão é parte!”  Inutilidade morrer” das sensações Os Lusíadas e Mensagem Camões, n‟ Os Lusíadas e Fernando Pessoa, na Mensagem, cantam, em perspectivas diferentes, Portugal e a sua história, realçando a expansão marítima e o alargamento da fé. Enquanto o primeiro celebra o apogeu e pressente a decadência do Império, o segundo retorna às origens e às descobertas marítimas, mas situa-se na fase terminal do processo de dissolução do mesmo império. Enquanto Camões nos dá conta do heroísmo que permitiu a construção do império português, Fernando Pessoa procura libertar a pátria de um passado que se desmoronou e encontrar um novo heroísmo que exige grandeza de alma e capacidade de sonhar. Classificação Literária Obra épico – Lírica e simbólica - parte de um núcleo de acontecimentos históricos; - usa,por vezes, o tom Transfigura matéria histórica em símbolos que sublime ou comovido da fecundam o presente, inventando o futuro (mitos que epopeia. são ideais a seguir): o assunto não são os eventos históricos, mas a essência de ser português.
  • 9. Estrutura da Obra Mensagem  Portugal -» Mensagem (poemas produzidos de 1913 a 1914)  Estrutura: 44 poemas – organizados em três partes que obedecem a uma estrutura simbólica:  I parte: Brasão: os fundadores do país -» nascimento da pátria (de Ulisses ao início das Descobertas) o Os Campos o Os Castelos o As Quinas o A coroa o O Timbre  II parte: Mar Português: época aurea das Descobertas (o império material) -» vida/realização do país  III parte: O Encoberto: aponta para o presente de desistência (o império desfez-se); prevê o Desejado que instaurará o Quinto Império (o império civilizacional/cultural)-» morte/renascimento da nação o Os Símbolos o Os Avisos o Os Tempos Os Lusíadas Estrutura Interna  Proposiç  Invocaçã  Dedicató  Narraçã ão; o; ria; o. Estrutura Externa
  • 10.  Forma Narrativa;  Versos decessilábicos;  Rimas com esquema abababcc (rima cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos);  Estâncias- oitavas;  Poema dividido em 10 cantos. Planos Plano da Viagem A narração dos acontecimentos ocorridos durante a viagem realizada entre Lisboa e Calecut Plano da História de Portugal Relato dos factos marcantes da História de Portugal Plano da Mitologia A mitologia permite e favorece a evolução da acção (os deuses assumem-se, uns como adjuvantes, outros como aponentes dos Portugueses) e constitui, por isso, a intriga da obra. Plano do Poeta Considerações e opiniões do autor expressos, nomeadamente, no início e no fim dos cantos. Proposição d’ Os Lusíadas – O Herói Na “Proposição”, o poeta apresenta aqueles que serão os protagonistas da sua epopeia, Assim, o herói inidividual d‟ Os Lusíadas é Vasco da Gama, comandante da armada que realiza a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia. Contudo, Vasco da Gama é paradigma de todo o povo português, já que Camões propõe elogiar todos os navegadores, reis que dilataram a fé, conquistanto territórios em África e na Ásia e todos os que imortalizaram, ficando na memória dos homens pelos seus feitos grandiosos. Também o título
  • 11. aponta para esta colectividade: canta-se um herói colectivo, que é o povo português, o qual se destacou peçp esforço e pela coragem que superaram todos os heróis da antiguidade. Reflexões do Poeta Nos planos narrativos desta Epopeia, encontramos um plano que se diz respeito às chamadas considerações pessoais do poeta. Estas reflexões surgem ao longo da Narração, normalmente no final de cada canto. Nestas estrofes, o poeta apresenta a sua perspectiva em relação ao império português, que perdia o seu brilho e aos valores dominantes do país. Por um lado, refere os “grandes e gravíssimos perigos”, a tormenta e dano do mar, a guerra e o engano em terra; por outro lado, faz a apologia da expansão territorial para divulgar a fé cristã, manifesta o seu patriotismo e exorta D. Sebastião a dar continuidade à obra grandiosa do povo português. Felizmente Há Luar! Felizmente Há Luar! recria em dois actos a tentativa frustrada de revolta liberal de Outubro de 1817, reprimida pelo poder absolutista do regime de Beresford e Miguel Forjaz, com o apoio da igreja. Ao mesmo tempo, chama a atenção para as injustiças, a repressão e as persiguições políticas no tempo de Salazar. A acção de Felizmente Há Luar! centra-se na figura do General Gomes Freire de Andrade e a sua execução, mostrando, ao mesmo tempo, a resignação do povo, dominado pela miséria, pelo medo e pela ignorância. O protagonista é construído através da esperança do povo, das perseguições dos governantes e da revolta impotente da sua mulher e dos seus amigos. Amado por uns, é odiado pelos que temem perder o poder.
  • 12. Dentro dos princípios do teatro épico, Felizmente Há Luar! é um drama narrativo que analisa criticamente a sociedade, apresentando a realidade com o objectivo de levar o espectador a tomar a posição. Com a denúncia do amibente político repressivo daquela época, tenta provocar a reflexão sobre a opressão e a censura que se repete no século XX. Características do modo dramático 1. Texto Principal: constituído pelas falas das personagens  Diálogo  Monólogo  Aparte 2. Texto Secundário: é constituído pelas didascálias. Estrutura da Obra O texto organiza-se em dois actos (que não estão delimitados por cenas):  Acto I- inclui acontecimentos que decorrem entre a tentativa de evitar uma conspiração que se prepara e a identificação de seu líder e a sua prisão.  Acto II- inclui acontecimentos que decorrem entre a prisão do General e a sua execução. Texto Secundário A peça é rica em indicações cénicas. Estas didascálias assumem duas funções essenciais:  Indicações em itálico, normalmente entre parenteses oferecem marcações típicas das didascálias: tom de voz, movimentos
  • 13. cénicos das personagens, vestuário, efeitos de som e luz, entre outros,  Notas à margem do texto principal: estas didascálias constituem comentários do dramaturgo que interpretam/explicam as falas e os comportamentos das personagens. Paralelismo entre o Tempo da História (1817) e o Tempo da Escrita (1961) O dramaturgo recupera acontecimentos históricos passados (revolta de 1817 que deu início às lutas liberais em Portugal) para denunciar a situação social e política do seu próprio tempo (a crise dos anos 60, durante a ditadura Salazarista, que culminará com o 25 de Abril e o triunfo da Democracia). Sttau Monteiro pretende alertar os seus contemporâneos para a ignorância, a miséria e a opressão, incentivando-os a lutarem por uma sociedade mais justa e solidária que permita uma verdadeira realização do Homem. Felizmente Há Luar! é, por isso, uma obra metafórica/alegórica. Elementos Simbólicos  Paralelismo de construção do início dos dois actos: Os dois actos deste texto dramático começam exactamente da mesma forma, para sugerir que, após a prisão do General, a situação do povo continua exactamente na mesma, se não mesmo pior, pois com a prisão de Gomes Freire, o povo perde até a esperança.  O título: Felizmente Há Luar! A expressão é primeiro usada por D. Miguel que, devido às execuções prolongadas, se alegra por haver luar, de modo a concretizar o castigo que acredita que purificará a sociedade e irá dissuadir outros conspiradores. As mesmas palavras, são depois usadas por Matilde e servem de estímulo para que o povo
  • 14. se revolte contra a tirania dos governantes; para Matilde os heróis amedrontam os poderosos mas tornam-se uma espécie de luz para que outros, seguindo-lhes o exemplo, lutem pela liberdade. É de notar que neste texto a escuridão nunca é total, porque pretende ensinar-se que há sempre esperança. Caracterização de Personagens General Gomes Freire de  Quer condenar inocentes Andrade para evitar a revolução;  Esperança do povo;  Prepotente;  Não aparece na peça, é só  Corrompido pelo poder; uma invocação;  Vingativo;  Soldado brilhante;  Visão estratégica do país;  Luta pela liberdade;  Não é popular;  Grão-mestre da Maçonaria  Representa a nobreza; Portuguesa;  Primo do General Gomes  Lider carismático. Freire. William Beresford Principal Sousa  Poderoso;  Fanático;  Interesseiro;  Hipócrita;  Calculista;  Não tem valores épicos;  Sarcástico e irracional;  Representante do alto  Representante do poder clero; militar inglês em Portugal;  Odeia os franceses;  Odiava Portugal;  Não gosta de Beresford;  Pragmático;  Não gosta do povo devido à  Protestante; sua posição social.  Mau oficial. Matilde D. Miguel Pereira Forjaz  Corajosa;  Romântica:
  • 15.  Inconstante (mudanças de  Papel de impotência do humor); povo;  Contra a injustiça:  O mais consciente dos  Lutadora; populares;  Meia idade;  Casado com Rita;  Nasceu em Seia numa  É pobre e vive família pobre; miseravelmente;  Casada com o General;  Crítico;  Personalidade forte;  Irónico.  Mulher solitária. Vicente Sousa Falcão  Elemento do povo;  Não foi capaz de denfender  Falso; os seus ideais;  Hipócrita;  Amigo de Gomes Freire;  Interesseiro;  Tem como ideais “justiça” e  Alpinista Social; “liberdade”;  Cúmplice do conselho de  Está de luto pela execução regência; do General e por ele  Delactor: próprio;  Pretende ser chefe de  Crítico (autocritica-se); polícia;  Revoltado por pertencer ao povo; Manuel  Ambicioso;  Denuncia a opressão;  Traidor do povo. Os Símbolos Saia Verde  A felicidade: a prenda compradas em Paris, com o dinheiro da venda de duas medalhas do General.  Ao escolher aquela saia para esperar o General, destaca a “alegria” do reencontro.
  • 16. O Título/a luz/a noite/o luar O título surge por duas vezes ao longo da peça:  D. Miguel salienta o efeito dissuador que aquelas execuções poderão exercer sobre todos os que discutem as ordens dos governadores.  Na altura da execução, as últimas palavras de Matilde, são de coragem e de estímulo para que o povo se revolte contra a tirania dos governantes. A Luz está associada à vida, à saúde, à felicidade, enquanto a noite e as trevas se associam ao mal, à infelicidade, ao castigo, à perdição e à morte. A Lua, por estar privada de luz própria, na dependência do sol. A lua, é símbolo de transformação e de crescimento. A moeda de cinco réis Símbolo de desrespeito (dos mais poderosos em relação aos mais desfavorecidos) apresenta-se como represália, quase vingança, quando Manuel nada Rita dar a moeda a Matilde. Os Tambores Símbolo da repressão, provocam o medo e prenunciam com ambiência trágica da acção. Memorial do Convento Saramago, em Memorial do Convento, recorrea um momento da História e, em forma de narração alegórica, propõe uma reflexão sobre esses acontecimentos, sobre o comportamento e o destino humano e sobre um mundo onde há a magia do inexplicável. Romance histórico, mas também social e de espaço, este romance articula o plano da História, com o plano da ficção e o plano fantástico.
  • 17. As vozes do narrador e das personagens proporcionam, constantemente, uma análise crítica aos tempos representados e da enunciação, mas, sobretudo, um comentário e uma crítica ao presente, por onde passa também a História, permitindo confrontar o ser e o tempo. Título da Obra Memorial do Convento aponta para o relato de acontecimentos históricos relacionados com a construção de um convento (em Mafra), recorrendo à memória do autor, com o objectivo de inscrever na memória colectiva um período da nossa História e os heróis que construiram um monumento que marcou essa época. A obra é classificada como um romance, onde se aliam os factos históricos, que podem ser comprovados pela visão oficial da História, à ficção. Acção/Estrutura Memorial do Convento estrutura-se em 25 capítulos, não numerados, que se organizam em vários planos narrativos: a promessa do rei mandar construir um convento em Mafra, a construção desse convento concretizada pelo povo, a construção de uma máquina voadora que realizará o sonho de um padre de voar e a história de amor entre um homem e uma mulher. Pode-se considerar que as duas acções principais são aquelas que giram em torno da construção do convento de Mafra e da relação entre Baltasar e Blimunda; acrescenta-se ainda a narrativa da construção da passarola que funciona como uma linha de acção secundária. Estrutura Circular da Obra/Dimensão Simbólica
  • 18. Memorial do Convento tem uma estrutura claramente circular. É num auto-de-fé, que se realiza no Rossio, em Lisboa, que Blimunda encontra pela primeira vez Baltasar. No final da narrativa repete o percurso que fizera 28 anos antes reencontrando Baltasar (quando passa por Lisboa pela 7ª vez, após 9 anos de procura) de novo num auto-de-fé, no Rossio, no qual Sete-Sóis morre queimado na fogueira da Inquisição. Esta estrutura tem uma dimensão simbólica, ou seja, Blimunda encontra o seu homem no momento em que perde a mãe e se torna autónoma. No final da narrativa, ao separar-se de Blimunda, Baltasar fragmenta a unidade representada por este par; Blimunda procura-o durante 9anos, numa demanda que se assemelha a um período de gestação, após a qual é restabelecida a unidade deste par, quando Sete-Luas recolhe a vontade de Sete-Sóis, no momento em que este morre porque a si e à terra pertence, parecendo iniciar outro ciclo de vida. O tema do amor Em Memorial do Convento opõem-se dois tipos de amor: o amor contractual entre o rei e a rainha e o amor verdadeiro entre Baltasar e Blimunda. A relação entre o casal real tem como único objectivo dar um herdeiro à coroa, não existindo qualquer envolvimento afectivo entre ambos o que acaba por gerar frustração (as infidelidades do rei e os sonhos da rainha com o seu cunhado). Os encontros entre o casal real são cheios de protocolo, excesso de roupa, de criados, num artificialismo que contraria um acto que deveria ser natural e espontâneo. Baltasar e Blimunda têm uma relação amorosa plena, cheia de carícias, jogos eróticos, desinibições, transgredindo as regras sociais da época. Vivem um amor natural e institivo, onde as palvras são desnecessárias e o amor parece eterno.
  • 19. Categorias do Texto Narrativo Acção O rei D. João V, Baltasar e Blimunda e Bartolomeu Lourenço protagonizam o romance. A acção principal é a construção do Convento de Mafra. Situando- se no século XVIII, encontra-se um entrelaçamento de dados históricos, como o da promessa de D. João V de construir um convento em Mafra e o do sofrimento do povo que nele trabalhou. Conhece-se a situação económica e social do país, os autos-de-fé praticados pela Inquisição, o sonho e a construção da passarola, as críticas ao comportamento do clero e os casamentos dos príncipes. Espaço Os espaços físicos priveligiados pela acção são Lisboa e Mafra. Entre vários lugares da capital ou dos arredores são referidos com frequência o Terreiro do Paço, o Rossio, S.Sebastião da Pedreira, Odivelas e Azeitão. Nas referências a Mafra, encontramos a Vela, onde se constrói o Convento, Pêro Pinheiro, Serra Monte Junto e outros locais. O Alentejo surge como um espaço social importante, na medida em que permite conhecer-se a miséria que então o povo passava. Personagens D. João V É megalómano, infantil, devasso, libertino e ignorante, que não hesita em utilizar o povo, o dinheiro e a posição social para satisfazer os seus caprichos. Anda preocupado com a falta de descendente, apesar de possuir bastardos. Promete levantar um Convento em Mafra se tiver filhos da
  • 20. rainha, com quem tem relações para cumprimento do dever, em encontros frios e programados. Baltasar Sete-Sóis Baltasar Mateus é, com Blimunda, uma das personagens mais interessantes da obra. Baltasar, depois de deixar o exército, por ficar maneta, chega a Lisboa como pedinte. Conhece Blimunda, com quem partilhará a vida. Vai ainda partilhar do sonho do padre Bartolomeu Lourenço, ajudando a construir a passarola e participando no seu primeiro voo. Blimunda Sete-Luas Filha de Sebastiana Maria de Jesus, que fora, pela Inquisição, condenada e degredada, por ser cristã-nova. Com capacidades de vidente e possuidora de uma saberdoria muito própria. Blimunda é uma estranha vidente que vê no interior dos corpos os males que destroem a vida e consegue recolher as “vontades” que permitirão o voo da passarola. Por amar Baltasar recusa usar a magia para conhecer o sseu interior. O poder de Blimunda permite ver o que está no mundo, as verdades mais profundas que o sustentam. Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão O sonho da passarola e a sua realidade apresentam o padre Bartolomeu Lourenço como um homem que só conseguirá evitar a Inquisição pela amizade que lhe tem o rei. Ajudado por Baltasar e Blimunda, o padre Bartolomeu Lourenço construiu a sua obra. Foi forçado a fugir à Inquisição por possível adesão ao judaísmo ou por se ter envolvido num caso de bruxaria. Morreu em Toledo. Povo O povo trabalhador construiu o convento de Mafra, à custa de muitos sacrificios e mesmo de algumas mortes. Definido pelo seu
  • 21. trabalho, pela sua miséria física e moral, pela sua devoção, este povo humilde surge como verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. João V. Clero A hipocrisia e a violência do clero revela-se em rituais que em vez de elevarem o espírito acentuam a degradação moral e corrupção religiosa (autos-de-fé, procissões da Páscoa e procissão do Corpo de Deus).