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Fernando Pessoa – Ortónimo
No ortónimo, coexistem 2 vertentes: a tradicional, na continuidade do lirismo português, e a
modernista, q se manifesta cm processo de ruptura. Na 1ª, observa-se a influência lírica de Garrett
ou do sebastianismo ou saudosismo, apresentando suavidade rítmica e musical, em versos geralm/
curtos, na 2ª, encontramos experimentações modernistas c a procura da intelectualização das
sensações e dos sentimentos.
- Sinceridade/ Fingimento: A unidade destes opostos n é mais do q 1 concretização do processo
criativo, q é vital p/ ser humano e q só é possível ao afastar-se da realidade, da qual parte, p/
percepcionar e produzir 1 nova realidade. Ligam-se à dialéctica do sentir/ pensar e consciência/
inconsciência, que leva Pessoa a afirmar que “fingir é conhecer-se”.
É através destas dicotomias que o ortónimo procura
responder às inquietações da vida e produzir a emoção
estética através do poema, q “simula a vida”, como afirma.
A consciência da efemeridade, pq o tempo é 1 fator de
desagregação, cria o desejo de ser criança de novo, a
nostalgia da infância cm bem perdido e, 1 vez mais, leva-o à
desilusão perante a vida real e o sonho.
 Cancioneiro: poema marcado pelo desencanto e melancolia;
 Impressões do Crepúsculo: Põe em destaque o vago, a subtileza e a complexidade;
 Mensagem: que é marcada pelo ocultismo.
“Autopsicografia”
- Uma temática da sinceridade poética, ou seja, do fingimento poético é introduzida qd, na 1ª
quadra, o poeta explicita a afirmação inicial (“o poeta é um fingidor”), privilegiando a razão no acto
da criação poética e subalternizando o “coração”.
- Neste poema, a dor surge em 3 níveis: - a dor real (“q deveras sente”), a dor fingida e a “dor lida”.
A produção poética parte da realidade da dor sentida, mas distancia-se criando uma dor fingida,
graças à interacção entre a razão e a sensibilidade, q permite a elaboração mental da obra de arte. A
elaboração estética acaba por se construir pela conciliação da oposição razão/ sentimento.
“Isto”
- Completa esta teoria do fingimento poético, afirmando o sujeito poético q, apesar de sentir c a
imaginação, a sua poesia n é 1 mentira, visto q a intelectualização das emoções a reveste de
sinceridade intelectual.
- A dialéctica sinceridade/ fingimento, consciência/ inconsciência, sentir/ pensar percebe-se tb c
nitidez ao recorrer ao interseccionismo cm tentativa p/ encontrar a unidade entre a experiência
sensível e a inteligência. A “Chuva oblíqua” é um dos poemas onde é nítido o interseccionismo
impressionista.
- A dor de Pensar: Fernando Pessoa gostava de ter a inconsciência das coisas ou seres comuns q
agem cm uma “Pobre Ceifeira” (o poeta inveja a ingenuidade da ceifeira q, sendo infeliz, n tem
disso consciência e, paradoxalm/é feliz) ou que cumprem apenas as leis do instinto cm o “ Gato q
brinca na rua”. O “eu” lírico tanto aceita a consciência cm sente 1 verdadeira dor de pensar, q
traduz insatisfação e dúvida sobre a utilidade do pensamento. Impedido de ser feliz, devido à
lucidez, procura a realização do paradoxo de ter uma consciência inconsciente.
- A nostalgia da infância: Face à incapacidade de viver a vida, o sujeito poético refugia-se numa
infância mítica, 1 idade de inocência, 1 idade onde ainda n se pensa e, p isso, onde ainda tudo é
possível. Pessoa sente a nostalgia da criança q passou ao lado das alegrias e da ternura. Chora, p
isso, 1 felicidade passada, p/ lá da infância.
- Consciência/ inconsciência
- Sentir/ Pensar
Ex.: “ Quando as crianças brincam” ou “ Não sei, ama, onde era” – contos infantis, reis e princesas,
o azul do céu ou “ O menino da sua mãe” – pelo lenço branco e a cigarreira
A Fragmentação do eu: A constante fragmentação e divisão do “eu”, a angústia do auto
desconhecimento e a consequente racionalização do sentir levam o ortónimo a ser incapaz de viver
a vida e a mergulhar no tédio e na angústia existenciais, no desalento e no cepticismo mais
profundos. Perante a vida, ao sujeito poético nada mais lhe resta q abdicar e pedir à noite eterna q o
tome nos braços – “Abdicação”.
Fernando Pessoa – Heterónimos
Os poemas de cada heterónimo são só do autor Pessoa por 1 duplo processo de criação p/
conseguir representar a diversidade q virtualm/ possui. Os sentimentos dos heterónimos nada
podem ter a ver com os sentimentos de Fernando Pessoa, até pq a maioria deles exprimem ideias
que n aceita, sentimentos q n teve.
Alberto Caeiro
- É um sensacionista, q vive aderindo espontaneam/ às coisas, tais cm são, e procura gozá-las c/
despreocupada e alegre sensualidade. Ele vive de impressões, fundamentalm/ visuais.
- Caeiro, mestre de todos os outros, dá especial importância ao acto de ver, ele vê c os olhos, n c a
mente, m é sobretudo inteligência q decorre sobre as sensações, num discurso em verso livre, em
estilo coloquial e espontâneo.
 “ Pensar é estar doente dos olhos”: Poeta do olhar, procura ver as coisas tal cm elas são, s/
lhes atribuir significados ou sentimentos humanos. As pessoas são cm são. Prefere a
objectividade (aceitação gostosa do mundo tal cm ele é) – Anti-metafísico
- Recorre ao verso livre e à métrica irregular. Os seus poemas revelam 1 pontuação lógica,
predomínio de coordenação e do presente do indicativo ou frases simples, marcadas pela pobreza
lexical e poucos recursos estilísticos.
- A poesia das sensações: Só lhe interessam as sensações; recusa o pensamento metafísico “ pensar
é n compreender”. P/ Caeiro ver é conhecer e compreender o mundo. (Poema da pág. 25)
 “ Guardador dos Rebanhos”: Apenas se importa em ver de forma objectiva e natural a
realidade com a qual contacta a todo o momento. Mostra cm recusar o pensamento se
reduz a 1 “sentir” c os sentidos: “ Penso c os olhos e c os ouvidos”. O pensamento passa a
identificar-se c 1 complexidade de sensações: “Pensar 1 flor é vê-la e cheirá-la. A felicidade
do “guardador” reduz-se ao saber a verdade do pensamento feito em sensações. E alguma
tristeza q aparece resulta do excesso de sensações, por gozar “tanto” “ 1 dia de calor”.
 “ Eu nunca guardei rebanhos”, “Sou um guardador de rebanhos” ou “ O meu olhar é
nítido como um girassol”: Poemas q advogam (patrocinam) uma síntese de calma e de
movimento num presente q se actualiza e objectiva o desacordo entre o q pensa e a vida q
acontece.
- A poesia da natureza: Viver, para Caeiro, implica a adesão espontânea às coisas e ao mundo. N se
importa em saber o q é a natureza, m em amá-la p ela mesma. Identifica-se c a natureza e vive de
acordo c as suas leis. Interessa-lhe o presente, o concreto, o imediato, 1 vez q é ai q as coisas se
apresentam cm são.
- Pela crença na natureza, o Mestre revela-se um poeta pagão, q sabe ver o mundo dos sentidos, ou
melhor, sabe ver o mundo sensível onde se revela o divino, q n precisa de pensar.
 “ Argonauta das sensações Verdadeiras”: A poesia das sensações é 1 poesia da natureza.
- Mestre dos outros: Recusa a metafísica, o misticismo e o sentimentalismo social e individual.
Caeiro representa 1 regresso às origens, ao paganismo primitivo, à sinceridade plena. Caeiro
ensinou a ortónimo e aos restantes heterónimos, a filosofia de n filosofar. Caeiro vê o mundo s/
necessidade de explicações, s/ princípio nem fim, e confessa q existir é 1 facto maravilhoso.
Ricardo Reis
- Aceita c calma e lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas.
 “ Vem sentar-te Lídia, à beira do Rio”: Demonstra: a fugacidade e precariedade a vida; a
infância cm idade ideal, a dos puros de espírito; a recusa de 1 amor sensual; ausência das
ideias dogmáticas, filosóficas, especulativas cm meio de se manter puro e sossegado – “n
cremos em nada”; a necessidade do predomínio da razão sobre a emoção cm defesa contra
o sofrimento, procura 1 estado de ataraxia (tranquilidade); aceitação calma da morte,
consequência da demissão do eu perante a vida; a filosofia de vida enfermada pelo
epicurismo e estoicismo.
 “Prefiro rosas, meu amor à pátria: Demonstra o egoísmo epicurista: o tom de desabafo
poético – “meu amor”; defesa da ataraxia cm ideal de vida a seguir da aceitação serena da
fugacidade da vida “ (…) confiança mole/ Na hora fugitiva”; da sintaxe alatinada –
presença de hipérbato.
Estes poemas demonstram q Ricardo Reis aceita a antiga crença nos deuses, mas defende a
busca de 1 felicidade relativa alcançada pela indiferença à perturbação.
O epicurismo e o estoicismo:
- A filosofia de vida de Ricardo Reis é a de 1 epicurismo triste, pois defende o prazer do momento,
o carpe diem (aproveitai o dia), cm caminho da felicidade, m s/ ceder aos impulsos do instinto
(estoicismo).
- Considera q nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade, ou seja, a ataraxia (a
tranquilidade s/ qq perturbação). Sente q tem de viver em conformidade c as leis do destino,
indiferente à dor e ao desprazer, numa verdadeira ilusão à felicidade, conseguida pelo esforço
estóico lúcido e disciplinado.
- Ricardo Reis recorre à ode e a 1 ordenação estética marcadam/ clássica. Nos seus poemas há a
apatia face ao mistério da vida m também se encontra o mundo de angústias q afecta Pessoa.
Ricardo Reis procura a serenidade livre de afectos e de tudo o q possa perturbar seu espírito. P/ ele
é necessário saber apreciar, conscientem/ e tranquilam/, o prazer das coisas, s/ qq esforço ou
preocupação. É preciso viver a vida em conformidade c as leis do destino.
- Existe na sua poesia, a áurea mediocritas, o sossego do campo, o fascínio pela natureza onde busca a
felicidade relativa.
- Usando a ode, as estrofes apresentam-se regulares, c predominância dos versos decassílabos e
hexassílabos. Uso frequente do hipérbato, recorre, frequentem/ ao gerúndio, imperativo e à
subordinação. A nível estilístico, sobressaem as metáforas, os eufemismos e as comparações.
- A sabedoria epicurista consiste no aceitar o destino inelutável (q n se pode evitar), desfrutando os
prazeres e sofrendo a inevitável dor, pois nada é duradouro. Apesar de todo o sentido trágico do
fatum (fado), cabe ao homem viver a vida c lucidez os “grandes indiferentes”
- Aceita o destino c naturalidade (“ Segue o teu destino”), considerando q os deuses estão acima do
homem p 1 questão de grau, m q acima dos deuses, no sistema pagão, se encontra o Fado, q tudo
submete.
- Segue o ideal ético da apatia q permite a ausência da paixão e a liberdade (sobre esta apenas pesa o
fado).
Neopaganismo: - Crença nos deuses – Crença na civilização da Grécia – Sente-se um “estrangeiro”
fora da sua pátria, a Grécia – Aceita o destino c naturalidade, considerando q os deuses estão acima
do homem, m q acima dos deuses, no sistema pagão, se encontra o Fado, q tudo submete.
Epicurismo: Defense o prazer cm caminho da felicidade. P/ q a satisfação dos desejos seja estável,
s/ desprazer ou dor, é necessário 1 estado de ataraxia, ou seja, de tranquilidade e s/ qq perturbação.
Considera o carpe diem como necessário à felicidade.
- Busca da felicidade relativa – Moderação nos prazeres devido à crença de q o homem só vive o
presente – Fuga á dor – Ataraxia (tranquilidade capaz de evitar a perturbação)
Estoicismo: Considera ser possível encontrar a felicidade desde q se viva em conformidade c as leis
do destino q regem o mundo, permanecendo indiferente aos males e às paixões, q são perturbações
da razão. O ideal ético é a apatia, q se define cm ausência de paixão e permite a liberdade, mm se
sendo escravo.
- Aceitação das leis do destino (Fado) – Indiferença face às paixões e à dor – Abdicação de lutar –
Autodisciplina
Horacionismo: - Carpe Diem Vive o momento – Áurea mediocritas: a felicidade possível no
sossego do campo (proximidade de Caeiro)
Classicismo (intelectual e erudito): *
- Ricardo Reis faz dos gregos o modelo da sabedoria, pois souberam aceitar o destino e fruir o bem
da vida.
Álvaro de Campos
- É quem melhor procura a totalização das sensações, m sobretudo das percepções conforme as
sente, ou cm ele próprio afirma “sentir tudo de todas as maneiras”. Considera a sensação captada
pelos sentidos como a única realidade, m rejeita o pensamento.
- Numa atitude unanimista, procura unir em si toda a complexidade das sensações. Passada a fase
eufórica, o desassossego de Campos leva-o a revelar 1 fase disfórica, a ponto de desejar a sua
própria destruição. Há aí a abulia e a experiência do tédio, a decepção, o caminho do absurdo. A
poesia de Campos revela um pessimismo agónico, a dissolução do “eu”. A angústia existencial e a
nostalgia da infância irremediavelm/ perdida.
- A obra de Campos passa por 3 fases: - A Decadentista: q exprime o tédio, o cansaço e a
necessidade de novas sensações, q está presente no Poema “ Opiário”, q exibe 1 alma doente,
inadaptada: o desencanto face à inutilidade da vida; o “ realismo satírico” de alguns versos,
denunciador de 1 fatalismo tipicam/ português; sede das novas sensações; - A Futurista e a
Sensacionalista: q se caracteriza pela exaltação da energia, de “todas as dinâmicas” e da velocidade e
da força até situações de paroxismo, q está presente na “Ode Triunfal” e no “Manifesto Anti
Dantas” e – Intimista ou da abulia: q, perante a incapacidade das realizações, traz de volta o
abatimento, presente no “ Aniversário” (A nostalgia da infância, daquele tempo mítico q se perdeu).
- Exclamações, interjeições e pontuação emotiva. S versos livres, longos, surgem cheios de
assonâncias, onomatopeias, aliterações, enumerações excessivas e recursos variados cm metáforas
ousadas, oximoros, personificações e hipérboles.
A vanguarda e o sensacionismo: Campos é o poeta vanguardista, celebra o triunfo da máquina e da
civilização moderna, da força mecânica e da velocidade. A “ Ode Triunfal” ou a “ Ode Marítima”
são bem o ex. desta intensidade e totalização das sensações. São 1 epopeia do mundo mecânico, do
mundo futuro q caminha p/ o absurdo. É através da máquina, irracional e exterior, q se projectam
os sonhos e desejos do poeta.
- Campos aproxima-se muito de Pessoa ao recusar as verdades definitivas. Procura um corte ou
mesmo o aniquilam/ do passado p/ exaltar a necessidade de 1 nova vida futura, onde se tenha a
consciência da sensação do poder e do triunfo. Álvaro de Campos adere ao futurismo ao negar a
arte aristotélica ou ao procurar de forma vigorosa a inovação estética e ideológica da arte.
- Campos busca na linguagem poética, exprimir a energia ou a força q se manifesta na vida, Daí o
surgimento de versos livres, vigorosos, submetidos à expressão da sensibilidade, dos impulsos, das
emoções.
- É um sensacionista p/ quem a sensação é tudo, m ao mesmo tempo, 1 unanimista ao afastar a sua
individualidade p/ encontra 1 coincidência c todo o ser humano. É também unanimista qd exprime
a angústia do homem moderno, q n encontra 1 solução p as suas inquietações, aproximando-se d
pessoa ortónimo p/ quem o pensar é doloroso, p impedir o homem de ser feliz.
A abulia e o tédio: Na fase decadentista, a nostalgia e a expressão do tédio, do cansaço e da
saturação da civilização provocam a necessidade de novas sensações, muitas vezes tentadas na
embriaguez do ópio. Os estupefacientes são 1 escape à monotonia e a 1 certo horror à vida.
A nostalgia da infância (as saudades do tempo de menino) aparece n apenas no ortónimo, m,
frequentem/, em Campos, apesar de este se voltar p/ o presente e p/ o futuro.
- O poeta recusa as normas, os princípios, os valores, tudo o q dava sentido à existência. Tem a
consciência de q tudo e toda a ordem social se tornaram s/ sentido e q é necessário 1 mundo novo.
(Ver Glossário)
“Os Lusíadas”, de Camões
- Esta obra conta p fragmentos a história grandiosa de Portugal e os seus acontecimentos futuros,
cuja visão são os deuses, são capazes de antecipar. Constitui 1 epopeia (narrativa em verso c
características clássicas a nível da estrutura e do estilo), q traduz as façanhas e o espírito português.
Os Lusíadas revelam a inspiração humanista ao afirmar as capacidades humanas:
- A vitória sobre a natureza adversa;
- O alargamento indefinido dos limites do saber;
- O direito a aspirar p 1 amor plenam/ feliz – sensual, espiritual e s/ pecado;
- A afirmação de q o homem pode construir o seu destino e libertar-se do jugo (opressão) da
fortuna.
Mitologia: N se deve censurar a Camões a mistura de maravilhoso pagão e cristão. Camões n
acreditava na existência das ninfas nem dos Deuses de Gregos e de Romanos. Fê-los figurar nos
Lusíadas.
1.º: Pq lhe serviam de personagens sobre as quais poderia inventar muito belas coisas;
2.º: Pq imitava os escritores da Antiguidade, o q estava de acordo c as modas literárias da época (O
Renascimento).
Estrutura Interna:
- Proposição (apresentação do assunto), q contém indícios dos 4 planos estruturais da narração:
Camões propõe-se a cantar:
- Os navegadores ergueiros lusitanos q fundaram 1 vasto império no além-mar;
- Os reis q alargaram o território e espalharam a fé cristã;
- Todos aqueles q pelo seu valor mereceram a imortalidade.
- Invocação (Súplica da inspiração p/ escrever o Poema): Existem várias invocações:
- 1ª (Canto I) – súplica às ninfas do Tejo (às tágides) p/ q o ajudem na organização do poema,
q reforça o carácter nacionalista do poema;
- 2ª (Canto III) – súplicas a Calíope, pk estão em causa os mais importantes feitos lusíadas;
- 3ª (Canto VII) – Súplica às ninfas do Tejo e do Mondego, queixando-se dos seus infortúnios;
- 4ª (Canto X) – Nova invocação a Calíope.
- Dedicatória (oferecimento da obra a S. Sebastião): Na dedicatória:
- Oferecimento do poema a S. Sebastião, q reflecte a esperança do povo português no novo
monarca e, sobretudo, na possibilidade de retomar a expansão no Norte de África.
- Narração (Desenvolvimento do assunto, já a meio da acção – in media res): Na narração:
- Começa in media res, ou seja, qd a frota se encontra no Canal de Moçambique em rota p/
Melinde (Canto I e II). Os acontecimentos anteriores surgem em analepse no discurso do
Gama ao rei de Melinde (Canto III e IV).
Estrutura externa: (Narrativa épica)
- Forma narrativa; - Versos decassílabos (geralm/ heróicos, c o acento rítmico na 6ª e 10ª sílabas);
- Rimas c esquema abababcc (rima cruzada nos 1os 6 versos e emparelhada nos 2 últimos);
- Estâncias - oitavas; - Poema dividido em 10 cantos (1102 estâncias, sendo o canto mais longo o X
c 156 estrofes e o mais pequeno o VII c 87 estrofes).
Seus planos:
- Plano de Viagem: Acontecimentos ocorridos entre Lisboa e Calecut (Índia); partida, peripécias da
viagem, paragem em Melinde, chegada a Calecut; Regresso e chegada a Lisboa.
- Plano da História de Portugal: Factos marcantes de Portugal
- Plano da Mitologia: q permite e favorece a evolução da acção (os deuses assumem-se, uns cm
adjuvantes, outros cm oponentes dos Portugueses), p isso se constitui a intriga da obra. Os deuses
apoiam os portugueses – Consílio dos deuses no Olimpo…
- Plano do Poeta: Considerações e opiniões do autor expressas no início e no fim dos cantos.
- Narrador principal: Cabe o relato da viagem de Vasco da Gama desde Moçambique até à Índia e
toda a viagem de regresso.
- Vasco da gama (herói individual) representa o povo português (o herói colectivo). Este herói
individual é quem narra a história de Portugal.
- Os Lusíadas n cantam apenas a viagem marítima e a História Portuguesa, mas revela, tb, o espírito
do homem da renascença q acredita na experiência e na razão. A “ Ilha dos amores”, no fim da
obra, é bem o símbolo da capacidade dos portugueses na exploração dos mares, graças às
experiências marítimas e ao seu espírito de aventura. A “ Ilha dos Amores” cm prémio simbólico da
heroicidade conquistada.
- Mitificação do Herói: A intenção em exaltar os heróis q construíram e alargaram o Império levou
Camões a torná-los verdadeiros símbolos da capacidade de ultrapassar “a força humana” e de
merecerem 1 lugar entre os seres imortais.
Os navegantes são símbolo do heroísmo lusíada, do seu espírito de aventura e da capacidade de
vivência cosmopolita. A viagem, mais do q a exploração aos mares, exprime a passagem do
desconhecido p o conhecimento, da realidade do velho Continente e dos seus mitos indefinidos ou
s/ explicação p novas realidades de 1 planeta a descobrir. Os navegantes, q chegaram à Índia, e
todos os heróis lusíadas merecem realmente a mitificação.
- Reflexões do poeta: Críticas e conselhos aos Portugueses: Manifesta o seu patriotismo e exorta D.
Sebastião a dar continuidade à obra grandiosa do povo português. Lamenta, p ex. q os portugueses
nem sp saibam aliar a força e a coragem ao saber e à eloquência. N deixa de queixar-se de todos
aqueles q pretendem atingir a imortalidade, dizendo-lhes q a cobiça, a ambição e a tirania são
honras vãs (inúteis) q n dão verdadeiro valor ao homem. Daí, tb, lamentar a importância atribuída
ao dinheiro, fonte de corrupções e dinheiro.
“A mensagem”, de Fernando Pessoa
Estrutura tripartida:
- Nascimento: trata-se de os construtores do império português, são os heróis lendários os
histéricos (invocados pelo poeta ou definindo-se a si próprios);
- Vida: é dedicada à expansão marítima, trata-se de poemas inspirados na ânsia do desconhecido e
no espaço heróico da luta c o amor;
- Morte/ Renascimento: o império material está moribundo, o império espiritual (Quinto império)
está emergente.
Os 44 poemas encontram-se agrupados em 3 partes:
1ª Parte: Brasão: Corresponde ao nascimento, com referência aos mitos e figuras históricas, até S.
Sebastião, identificadas nos elementos dos brasões. Dá-nos conta do Portugal erguido pelo esforço
dos heróis e destinado a grandes feitos.
2ª Parte: Mar Português: Surge a realização da vida; refere personalidades e acontecimentos dos
Descobrimentos q exigiram 1 luta contra o desconhecido e os elementos naturais. M, porque “tudo
vale a pena”, a missão foi cumprida.
3ª Parte: O Encoberto (a imagem do Império moribundo, a fé de q a morte contenha em si o
gérmen da ressurreição, capaz de provocar o nascimento do império espiritual, moral e
civilizacional na diáspora lusíada. A esperança do quinto Império) – Aparece a desintegração,
havendo, p isso, 1 presente de sofrimento e de mágoa, pois “falta cumprir-se Portugal”. É preciso
acontecer a regeneração q será anunciada p avisos e símbolos.
- A “Mensagem” recorre ao ocultismo p/ criar o herói, O Encoberto, q se apresenta cm D.
Sebastião. O ocultismo remete p/ 1 sentimento de mistério, indecifrável p/ a maioria dos mortais.
Daí q só o detentor do privilégio esotérico (= oculto/ secreto) se encontra legitimado p/ realizar o
sonho do Quinto Império.
O Ocultismo:
- Três espaços: o histórico, o mítico e o místico;
- “ A ordem espiritual no homem, no Universo e em Deus”;
- Poder, inteligência e amor na figura de S. Sebastião.
O Sebastianismo e o Mito do Quinto Império
- Exprime o drama de 1 país moribundo “à beira mágoa”, a necessitar de acreditar de novo nas suas
capacidades e nos valores q antigam/ lhe permitira a conquista dos mares e a sua afirmação no
mundo.
- O Sebastianismo é o mito gerado à volta da figura do rei D. Sebastião. O povo acreditava no seu
regresso, após a derrota de Alcácer Quibir, cm salvador da Pátria. Este mito tem inspirado poetas e
prosadores cm Fernando Pessoa, os quais, entregando-se a 1 intuição “profética”, afirmam q
Portugal tem 1 elevado desígnio a cumprir e visionavam a hegemonia portuguesa no mundo.
Outros Mitos:
- As Ilhas afortunadas: q fazem parte da tradição clássica. Já em autores gregos aparecem cm
paraísos, local de repouso dos deuses e dos heróis míticos. É aí, nesse lugar, cuja presença só se
capta no sono através de sinais auditivos e pelo som das ondas, q se encontra O Desejado.
Reavivando o Mito Sebastianista, anunciando o Quinto Império, Pessoa procurou, tal cm Camões,
ser voz da consciência de identidade de q Portugal necessitava e necessita.
Mensagem: relação intertextual c Os Lusíadas
- Os Lusíadas são 1 alegoria, c a intriga dos deuses mitológicos a darem unidade à acção e a
favorecerem o seu desenvolvimento. Eles exprimem as forças e dificuldades q se apresentavam ao
espírito humano na aventura marítima, m n são mais do q seres efabulados p/ o poeta mostrar q
são os nautas e todos os heróis dos Lusíadas q merecem a mitificação. Camões procura mostrar a
capacidade dos Portugueses q, ao construírem e alargarem o Império, permitiram o encontro entre
o Ocidente e o Oriente.
- A Mensagem é mítica e é simbólica. Surge tripartida, dividida acima.
- Fernando Pessoa recolheu em Camões alguns mitos, símbolos e factos, m percebeu q era
necessária 1 outra +proposta p reinventar a Pátria:
- Camões vê Portugal cm cabeça da Europa; Fernando Pessoa, valoriza o seu papel na
civilização ocidental, ao colocá-lo cm o rosto “c q fita” o mundo (“O dos castelos”);
- O épico fala dos heróis q construíram e alargaram o Império Português, p q a sua
memória n seja esquecida, enquanto Pessoa escolhe aquelas figuras históricas predestinadas
a essa construção imperial, procura simbolizar a essência do ser português q acredita no
sonho e se mostra capaz da utopia p a realização de grandes feitos;
- Nos Lusíadas há a viagem à Índia; na Mensagem temos a avaliação do esforço,
considerando q a glória advém da grandeza da alma humana, apesar das vidas perdidas e
toda a espécie de sacrifícios dos nautas m tb das mães, filhos e noivas;
- A fantasmagoria de Adamastor mostra q o homem tem de superar-se p ultrapassar os
problemas c q depara, enquanto o Mostrengo permite contrapor o medo c a coragem q
permite q o homem ultrapasse os limites;
- Camões fala de Ulisses e de outros mitos, m Pessoa mostra a importância do mito cm 1
nada capaz de gerar impulsos necessários à construção da realidade (“Ulisses”); os mitos
permitem a Pessoa fazer a apologia da sua missão profética (Mitos do sebastianismo, do
Quinto Império). Pessoa considera-se investido no cargo de anunciador do Quinto
Império.
O Discurso na Mensagem
- Lírica, expressa a visão e as emoções do “eu” face o acontecer histórico, muitas vezes num tom
profético. Os poemas, em geral breves, apresentam 1 linguagem metafórica e musical.
- Frases curtas, apelativas e aforísticas, od abundam a pontuação expressiva e as perguntas retóricas.
- No Brasão, “Os campos”, “Os castelos”, “As Quinas”, “A coroa” e “O Timbre”, são marcas de
afirmação do passado, de mágoa do presente e de antevisão do q há-de vir. Em Mar Português, há
1 presente de glórias, q já n existe, m q faz parte da memória-alma portuguesa, capaz de fazer
renascer 1 nova luz, de permitir o advento do Quinto Império. E Em O Encoberto, dp de
manifestar a crença num regresso messiânico, considera q, após a tempestade actual, a chama há-de
voltar e a luz permitirá o caminho certo. P/ isso, acredita q “É a hora” de traçar novos rumos e
caminhar na construção de 1 Portugal novo.
Simbologia dos números
N.º 1: Simboliza o ser, a revelação. Ele concentra igualm/ a ideia harmónica entre o consciente e o
inconsciente, realizando a união dos contrários, pelo q se liga à perfeição.
N.º 2: Símbolo da divisão, pressupõe a dualidade. Assume o paradoxo da existência: a vida e a
morte.
N.º 3: Remete p a união entre Deus, Universo e o Homem. Representa a totalidade.
N.º 5: N.º da ordem, do equilíbrio e harmonia. Significa tb a perfeição.
N.º 7: Representa a semana q tem 7 dias. Representa a totalidade das energias, após a completude
de 1 ciclo. É 1 n.º mágico, associado ao poder e ao acto de criação.
N.º 12: Reme para a unidade – 1 ano tem 12 meses. Marca o final de 1 ciclo involutivo, ao qual se
sucede a morte, q dá lugar ao renascimento.
Símbolos Unificantes
O Mar: O vaivém do mar conduz à imagem da vida e da morte (pela visualização da partida e
chegada das ondas). O mar contém, p outro lado, o reflexo do céu – e, p Pessoa, espelha-se nele a
vontade divina.
As Ondas: Representam a inércia, visto q são movimentadas p 1 força q está p além delas.
A Terra: Funciona cm receptáculo da vontade de Deus. É tb 1 espaço de recompensa – é o porto q
espera os portugueses, após 1 longo período de viagem marítima.
A Ilha: A ilha está associada à terra. Significa a promessa da felicidade da terra. É necessário
sabedoria e passar p algumas provações p a alcançar.
O Campo: Está associado à fecundidade e ao alimento.
As Quinas: Símbolo das chagas de Cristo. Cristo é a imagem de sofrimento p marcar redenção dos
pecados humanos.
O Castelo: Refúgio onde se realizam os desejos humanos. São 1 espaço de intimidade e de
espiritualidade.
O Timbre: Símbolo de poder e da posse legítima. É 1 sinal dado p Deus q assegura ao ser humano
a ascensão a mundos superiores, através do conhecimento.
O Grifo: Simboliza a união das naturezas: a humana e a divina. É 1 animal c/ forma de leão,
símbolo da condição de herói.
A Nau: Simboliza a viagem interior, as provações, o caminho a percorrer em direcção ao heroísmo.
A Noite: Símbolo da morte, da ausência de manifestações.
Manhã: Harmonia entre os seres humanos. Tempo de luz, de vida, de promessa e de felicidade.
Nevoeiro (O Encoberto): Associado à esperança e a regeneração.
Graal: Simboliza o dom da vida e a espiritualidade.
Mensagem – 1 percurso possível (Livro Exames)
(Ver Glossário)
Felizmente há Luar, de Sttau Monteiro, composto p 2 actos
- A história é passada no ano de 1817.
- É 1 obra intemporal q nos remete p a luta do ser humano contra a tirania, a injustiça e todas as
formas de perseguição.
- O título significa: p os opressores (nas palavras de D. Miguel), o efeito dissuasor das execuções; p
os oprimidos (na fala de Matilde), a coragem e o estímulo p a revolta popular contra a tirania.
- As personagens psicologicam/ densas e vivas, os comentários irónicos e mordazes, a denúncia da
hipocrisia da sociedade e a defesa intransigente da justiça social são características marcantes da sua
obra.
Carácter épico da peça:
Exprime a revolta contra o poder e a convicção de q é necessário mostrar o mundo e o homem em
constante devir. Defende as capacidades do ser humano q tem o direito e o dever de transformar o
mundo em q vive. P isso, oferece-nos 1 análise crítica da sociedade, procurando mostrar a realidade
em vez de a representar, p levar o espectador a reagir criticam/ e a tomar posição.
A sua intemporalidade remete-nos p a luta do ser humano contra a tirania, a opressão, a traição, a
injustiça e todas as formas de perseguição.
Felizmente há Luar! Destaca a preocupação c o homem e o seu destino; realça a luta contra a
miséria e alienação; denuncia a ausência de moral; alerta p a necessidade de 1 superação c o
surgimento de 1 sociedade solitária q permita a verdadeira realização do Homem.
“Trágica Apoteose” da história do movimento liberal oitocentista
Interpreta as condições da sociedade portuguesa no início do séc. XIX e a revolta dos mais
esclarecidos, muitas vezes organizados em sociedades secretas, contra o poder absolutista e tirânico
dos governadores e do generalíssimo Beresford. P q o movimento liberal se concretize 17 anos dp,
é necessária a morte de Gomes Freire de Andrade e dos seus companheiros, m tb de muitos outros
portugueses q em nome dos seus ideais são sacrificados pela pátria. Conspiradores e traidores p o
poder e p as classes dominantes, q sentem os seus privilégios ameaçados, são os grandes heróis de q
o povo necessita p reclamar justiça, dignidade e pão. P isso, as suas mortes, em vez de amedrontar,
tornam-se estímulo. A fogueira acesa na noite p queimar Gomes Freire de Andrade, q os
governadores querem q seja dissuasora, torna-se farol ou luz p q os outros lutem pela liberdade
Distanciação histórica (técnica realista – influência de Brecht)
- Graças à distanciação histórica, denuncia 1 ambiente político regressivo dos inícios do séc. XIX, p
provocar a reflexão sobre 1 tempo de opressão e de censura q se repete no séc. XX.
- Brecht propõe 1 afastamento entre o actor e a personagem e entre o espectador e a história
narrada, p q, de 1 forma mais real e autêntica, possam fazer juízos de valor sobre o q está a ser
representado. O actor deve, lucidam/, saber utilizar o “gesto social”, examinando as contradições
da personagem e as suas possíveis mudanças, q lhe permitem acentuar o desfasamento entre o seu
comportamento e o q representa. Isto permite ao público espectador 1 correspondente distanciação
à história narrada e, 1 possível tomada de consciência crítica, aprendendo o prazer da compreensão
do real, a sua situação na sociedade e as tarefas q pode realizar p ser ele próprio.
Paralelismo passado/ Condições históricas dos anos 60: denúncia da violência
Tempo da história – Séc. XIX Tempo da escrita – Séc. XX
- Agitação social q levou à revolta liberal de
1820 – conspirações internas, revolta contra a
presença da corte no Brasil e a influência do
exército britânico;
- Agitação social dos anos 60 – conspirações
internas; principal irrupção da guerra colonial;
- Regime absolutista e tirânico; - Regime ditatorial de Salazar;
- Classes sociais fortem/ hierarquizadas;
- Classes dominantes c medo de perder
privilégios;
- Maior desigualdade entre abastados e pobres;
-Classes exploradoras, c reforço do seu poder;
- Povo oprimido e resignado;
- A miséria, o medo e a ignorância;
- Obscurantismo, mas “Felizmente há Luar”;
- Povo reprimido e explorado;
- Miséria, medo e analfabetismo;
- Obscurantismo, mas crença nas mudanças;
- Luta contra a opressão do regime absolutista;
- Manuel, “o mais consciente dos populares”,
denuncia à opressão e a miséria;
- Luta contra o regime totalitário e ditatorial;
- Agitação social e política c militantes
antifascistas a protestarem;
- Perseguições dos agentes de Beresford;
- As denúncias de Vicente, Andrade Corvo e
Morais Sarmento q, hipócritas e s/ escrúpulos,
denunciam;
- Censura à imprensa;
- Perseguições da PIDE;
- Denúncias dos chamados “bufos”, q surgem
na sombra e se disfarçam, p/ colher
informações e denunciar;
- Censura;
- Severa repressão dos conspiradores;
- Processos sumários e pena de morte;
- Prisão e duras medidas de repressão e de
tortura;
- Condenação em processos s/ provas;
- Execução do general Gomes Freire, em 1817. - Posterior a “Felizmente há Luar” – Execução
do general Humberto Delgado, em 1965.
A acção
- Centra-se na figura do general Gomes Freire de Andrade e da sua execução: da prisão à fogueira, c
descrições da perseguição dos governadores do Reino, da revolta desesperada e impotente da sua
esposa e da resignação do povo q a “miséria, o medo e a ignorância” dominam. Gomes Freire de
Andrade “está sp presente embora nunca apareça” (didascália inicial) e, mm ausente, condiciona a
estrutura interna da peça e o comportamento de todas as outras personagens.
A defesa da liberdade e da justiça, atitude de rebeldia, constitui a hybris (desafio) desta tragédia. Cm
consequência, a prisão dos conspiradores provocará o sofrimento (páthos) das personagens e
despertará a compaixão do espectador.
O crescendo trágico, representado pelas várias tentativas desesperadas p/ obter o perdão, acabará
em clímax, c a execução publicado general Gomes Freire e dos restantes presos.
Este desfecho trágico conduz a 1 reflexão purificadora (cathársis) q os opressores pretendiam
dissuasora, m q despertou os oprimidos p/ os valores da liberdade e da justiça.
As personalidades (a ficção)
Gomes Freire: figura carismática, q preocupa os poderosos, acredita na justiça e luta pela liberdade
e arrasta os pequenos. Considerando 1 estrangeirado, revela-se simpatizante das novas ideias liberais
tornando-se p os governantes 1 elemento perigoso. O povo elege-o cm símbolo de luta pela
liberdade, o q é incómodo p os “reis do rossio”. Daí a decisão dos governantes pelo enforcamento,
seguido da queima, p servir de ex. a todos aqueles q tentem afrontar o poder político.
D. Miguel Forjaz: primo de Gomes Freire, prepotente, assustado c transformações q n deseja,
corrompido pelo poder, vingativo, frio, desumano, calculista.
Principal Sousa: Vive atormentado c a ideia de q é cada vez maior o n.º de pessoas q queriam
aprender a ler, apostando, portanto, na ignorância do poço p mais facilm/ o moldar. Preocupam-no
tb as ideias revolucionárias, oriundas de França, 1 vez q a sua divulgação poria em causa o poder
eclesiástico.
Beresford: Personagem q pretende acabar c a possível conspiração de Gomes Freire de Andrade, n
p razões nacionais ou militares m sim pessoais, nomeadam/ a manutenção do seu posto e a sua
renda anual.
Vicente: Movido pelo interesse da recompensa material, hipócrita, despreza a sua origem e o seu
passado, capaz de recorrer à traição p ser promovido socialm/.
Manuel: Dá início aos 2 actos, intensam/ iluminado. Denuncia a opressão a q o povo tem estado
sujeito e a incapacidade de conseguir a libertação e de sair da miséria em q se encontra.
Sousa Falcão: “ o inseparável amigo” sofre junto de Matilde perante a condenação do general;
assume as mm ideias de justiça e de liberdade, m n teve a coragem do general.
Matilde de Melo: Exprime romanticam/ o amor, reage violentam/ perante o ódio e as injustiças;
afirma o valor da sinceridade; desmascara o interesse, a hipocrisia; ora desanima, ora se enfurece,
ora se revolta, m luta sp.
Os Símbolos
1 – A saia verde
Em vida: - A felicidade – A esperança – A liberdade
Na morte: - A alegria do reencontro – A tranquilidade
2 – O título/ A luz/ A noite/ O luar
A luz: está associada à vida, à saúde, a felicidade, enquanto a noite e as trevas se associam ao mal, à
infelicidade, ao castigo, à perdição e à morte.
A lua: P estar privada de luz própria, na dependência do sol, e p atravessar fases, mudando de
forma, representa a dependência, a periodicidade e a renovação. A lua é, pois, símbolo de
transformação e de crescimento.
A expressão Felizmente há Luar, pode indiciar:
- As forças das trevas, do obscurantismo, do anti – humanismo utilizam, paradoxalm/, o lume
(fonte de luz e de calor) p/ “purificar a sociedade” (a Inquisição considerava a fogueira cm fonte e
forma de purificação);
- Se a luz é redentora, o luar poderá simbolizar a caminhada da sociedade em direcção à redenção,
em busca da luz e da liberdade…
Visto q o luar permite q as pessoas possam sair de suas casas (ajudando a vencer o medo e a
insegurança na noite na cidade), qt maior for a assistência, isso significará:
- P/ uns, q mais pessoas ficarão “avisadas” e o efeito dissuasor será maior…
- P/ outros, q mais pessoas poderão 1 dia seguir essa luz e lutar pela liberdade…
3 – A Fogueira/ O lume
Representa o máximo da repressão e do terror.
4 – A moeda de cinco réis
Símbolo de desrespeito (dos mais poderosos em relação aos mais desfavorecidos) apresenta-se cm
represália, quase vingança, qd Manuel manda Rita dar a moeda a Matilde.
5 – Os Tambores
Símbolo de repressão, provocam o medo e prenunciam a ambiência (espaço) trágica da acção.
Elementos cénicos q contribuem p aumento da tensão dramática:
- A iluminação (o jogo de luzes): evidencia personagens, situações, reacções…
- Os sons de tambores: prenunciam o ambiente de tragédia;
- Os gestos e movimentações: sublinham emoções, atitudes…
Linguagem:
- Natural, viva e maleável; - Uso de frases em latim, c conotação irónica, p aparecerem aquando da
condenação e da execução; - Frases incompletas p hesitação ou interrupção; - Marcas características
do discurso oral; - Recurso frequente à ironia ou ao sarcasmo.
A didascália:
Ou indicações cénicas, constituem, no seu conjunto, 1 texto secundário q serve de suporte do texto
dramático. Elas servem n apenas p definir a posição, movimentação ou gestos das personagens em
cena, m tb explicitar os sentimentos, as emoções ou as atitudes q devem transparecer no seu
comportamento e p marcar 1 alteração no tom de foz da personagem.
Canções de resistência:
As canções de resistência ou canções de protesto permitem a denúncia dos regimes opressores e da
falta de liberdade ou a reclamação contra práticas de violência. Surgem como luta por um mundo
melhor. A música e a literatura, em Portugal e no mundo, são, c frequência, artes interventoras e de
protesto, q provocam a consciência p/ aceitar a mudança.
Felizmente há Luar! Narra a luta pela liberdade no início do séc. XIX e serve de pretexto p 1
reflexão sobre a ditadura em Portugal no séc. XX. Todos os regimes opressivos, e concretam/ o
regime salazarista, entre o início dos anos trinta e 1974, foram denunciados e contestados pelos
artistas. A literatura, a música e outras artes foram o “veículo de protesto” contra a censura, contra
a miséria, contra “1 realidade iníqua q urgia denunciar e resgatar”.
Durante a ditadura do Estado Novo, ao longo do séc. XX até ao 25 de Abril de 1974:
- A informação e as formas de expressão culturais eram controladas;
- Existia a censura prévia à imprensa, ao cinema, às artes plásticas e ao teatro, à música e à escrita;
- A actividade política estava condicionada e as actividades associativas e sindicais eram quase nulas
e controladas pela polícia política (PIDE/ DGS);
- As manifestações eram proibidas;
- Os opositores do regime eram perseguidos e presos, acusados de pensarem e agirem contra a
ideologia e práticas do Estado, ou fugiam p o exílio;
- A pobreza e a falta de liberdade contribuíram p q 1 enorme surto de emigração acontecesse;
- A Constituição n garantia o direito à educação, à saúde, ao trabalho e à habitação. Nas escolas
havia salas e recreios p rapazes e raparigas; muitos livros e músicas eram proibidos.
(Ver Glossário)
Memorial do Convento, de José Saramago
- Memorial do Convento tem início por volta de 1711, cerca de 3 anos dp do casamento de D. João
V c D. Maria Ana Josefa de Áustria e termina 28 anos dp (1739), aquando da realização do auto-de-
fé q determina a morte de António José da Silva e de Baltasar Sete Sois.
- É na 1ª metade do séc. XVIII q a acção relatada se desenrola, período em q D. João V dirigia os
destinos da nação. O reinado de D. João V constitui 1 continuidade da política absolutista q era
alimentada pelas enormes remessas de ouro do Brasil, local q depositava toda a atenção do
monarca. É neste reinado q as condições da economia portuguesa melhoraram, embora ocorram
alguns problemas políticos em Espanha, c a Guerra da Sucessão. Vive-se em Portugal 1 clima de
iluminismo, movimento filosófico q visou difundir o racionalismo cartesiano e o experimentalismo
de Bacon, no romance pela construção da passarola.
P travar estas novas ideologias, a Inquisição reforça, nesta época, o seu poder q estende a todos os
sectores da sociedade. Ao Tribunal do Santo Ofício cabe o julgamento de vários tipos de crime, e
os autos-de-fé constituíam a melhor forma de exibir o poder inquisitorial.
- Memorial do Convento é 1 narrativa histórica. No reinado de D. João V, entrelaça personagens e
acontecimentos verídicos c seres conseguidos pela ficção. Saramago fundamenta-se na realidade
histórica da Inquisição, da família real, do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (inventor da
passarola voadora) e de muitas das figuras da intelectualidade e da política portuguesas, embora
ficcionasse a sua acção.
Tipo de romance:
- Romance histórico, que oferece uma minuciosa descrição da sociedade portuguesa do início do
séc. XVIII, marcada pela sumptuosidade da corte, associada à Inquisição, e pela exploração dos
operários, metaforicamente apreciados cm se de tijolos se tratasse p a obra do convento de Mafra.
A referência à guerra da sucessão, em q Baltasar se vê amputado da mão esquerda, a imponência
bárbara dos autos de fé a q n falta a “alegria devota”, a construção do convento, os esponsais da
infanta Maria Bárbara, a construção da passarola voadora pelo Padre Bartolomeu de Gusmão e
tantos outros acontecimentos confirmam a correspondência aproximada ao q nessa época ocorre e
conferem à obra a designação de romance histórico.
- Memorial do Convento á tb 1 romance social, ao ser crónica de costumes de 1 época,
reinterpretada p servir os objectivos do autor empírico.
- Em Memorial do Convento há 1 tentativa de encontrar 1 sentido p a história de 1 época q permita
compreender o tempo presente e recolher ensinamentos p o futuro.
- Memorial do Convento poderá tb ser considerado um romance de espaço ao representar 1 época,
interessando-se p traduzir n apenas o ambiente histórico, m tb p apresentar vários quadros sociais q
permitem 1 melhor conhecimento do ser humano.
Categorias do texto narrativo:
Acção:
O rei D. João V, Baltasar e Blimunda e Bartolomeu Lourenço protagonizam as diversas acções q se
entretecem em Memorial do Convento.
A acção principal é a construção do convento de Mafra.
Conhece-se a situação económica e social do país, os autos-de-fé praticados pela Inquisição, o
sonho e a construção da passarola voadora pelo padre Bartolomeu de Gusmão, as críticas ao
comportamento do clero, os casamentos de Infanta Maria Bárbara e do príncipe D. José.
Paralelam/ à acção principal sesta Baltasar Sete sóis e Blimunda Sete luas. São estas personagens q
estabelecem o fio condutor da intriga e q lhe conferem fragmentos de espiritualidade, de ternura, de
misticismo e de magia.
Espaço:
Lisboa e Mafra. São referidos c frequência Terreiro do Paço, Rossio, S. Sebastião da Pedreira,
Odivelas, Xabregas, Azeitão… Nas referências a Mafra encontramos a Vela, od se constrói o
convento, serra do Barragudo, no Monte Junto, Torres Vedras…
Espaços de menor relevo: Jerez de los Caballeros, od Baltasar perde a mão, Olivença, Montemor,
Aldegalega, Morelena, Pegões, Vendas Novas, Évora, Elvas, Caia, Coimbra, Holanda ou Áustria.
Sobre Mafra, encontramos constantes referências a q dava trabalho a muita gente, m socialm/
destruiu famílias e criou marginalização. Através do Alentejo conhecemos a miséria q então o povo
passava, “por ser a fome muita nesta província”.
Tempo:
As referências temporais são escassas ou apresentam-se por dedução. As analepses são pouco
significativas, apenas surgem a justificar projectos anteriores. O pendor (vertente/ tendência) oral
ou de monólogo mental e as digressões favorecem diversas prolepses q conferem ao narrador o
estatuto de omnisciência e transformam o discurso num todo compreensível, apesar de toda a
fragmentação.
1711: Início da acção
Estrutura:
Apresenta duas linhas de acção: - Construção do convento de Mafra e relações entre Baltasar e
Blimunda – q se entrelaçam c acontecimentos diversos recolhidos na história ou fantasiados.
Cap. 1
- Relação Rei/ Rainha e a Promessa da construção do convento franciscano em Mafra;
- Narração satírica das motivações desta intenção: promessa do rei D. João V de construir 1
convento, caso a esposa D. Maria Ana Josefa, lhe desse um herdeiro;
- Sonhos de D. Maria Ana e D. João V c futuro descendente.
Cap. 2
- Os milagres conseguidos pelos franciscanos e seu desejo, desde 1624 na construção do convento;
- “O célebre caso da morte de Frei Miguel da Anunciação”, q conservara o corpo intacto; a
locomoção da imagem de santo António, numa janela, q assustou os ladrões; a recuperação das
lâmpadas do convento de S. Francisco de Xabregas, q tinham sido roubadas…
- A gravidez da rainha;
Cap. 3
- A Situação socio-económica: excesso de riqueza/ extrema pobreza;
- Os excessos do Entrudo e a penitência da Quaresma;
- A impostura de alguns penitentes “q têm os seus amores à janela e vão na procissão menos p
causa da salvação da alma do q p passados os prometidos gostos do corpo”;
- A devoção das mulheres q, c a liberdade de percorrerem as igrejas sozinhas, aproveitavam, muitas
vezes, p encontros c amantes secretos;
- A situação da rainha, q grávida, só podia sonhar c o cunhado D. Francisco;
- A sátira a “mais uns tantos maridos cucos”…
Cap. 4
- O passado heróico de Baltasar Mateus, o Sete Sois, q perde a mão nas lutas de Olivença;
- A viagem até Lisboa, p Évora, Montemor, Pegões e Aldegalega, matando 1 ladrão q havia tentado
assaltá-lo;
- Em Lisboa, anda pela ribeira, pelo Terreiro do Paço, pelo Rossio, por bairros e praças, juntando-
se a outros mendigos;
- Com João Elvas vai passar a noite num “telheiro abandonado” onde “… falaram de crimes
acontecidos…”
Cap. 5
- O auto-de-fé no Rossio e o conhecimento travado entre Baltasar, Blimunda e o padre
Bartolomeu;
- A rainha D. Maria Ana, no 5.º mês de gravidez, n pode assistir ao auto-de-fé;
- Descrição de 1 auto-de-fé e os condenados pelo Santo ofício;
- A mãe de Blimunda, Sebastiana Maria de Jesus, acusada de ser feiticeira e cristã nova, “condenada
a ser açoitada em público e a 8 anos de degredo (exílio) no reino de Angola”;
- O encontro c padre Bartolomeu Lourenço e Baltasar Mateus, o Sete Sois;
- O convite de Blimunda para Baltasar permanecer em sua casa até voltar a Mafra;
- O ritual do casamento e a consumação do amor entre Baltasar e Blimunda.
Cap. 6
- O padre Bartolomeu Lourenço e a “máquina voadora”;
- O trigo holandês p saciar Lisboa;
- As experiências da “máquina de voar” em s. Sebastião da Pedreira, numa Quinta ao Duque de
Aveiro;
- A aceitação de Baltasar p ser ajudante do padre Bartolomeu.
Cap. 7
- Nascimento da filha de D. João V. Maria Bárbara
- Apesar de alguma decepção do rei, p n ser 1 menino, mantém a promessa de construir 1
convento.
Cap. 8
- O mistério de Blimunda q come o pão de olhos fechados e possui o poder de olhar p dentro das
pessoas;
- A prova do poder de Blimunda q, ainda em jejum, sai à rua c Baltasar;
- Nascimento do 2.º filho de D. João V, o Infante D. Pedro;
- Escolha do alto da Vela em Mafra para edificar o convento.
Cap. 9
- Mudança de Baltasar e Blimunda p a abegoaria na quinta do duque de Aveiro, em S. Sebastião da
Pedreira;
- Continuação da construção da passarola voadora pelo padre Bartolomeu Lourenço, p Blimunda e
Baltasar;
- O padre Bartolomeu Lourenço parte p a Holanda, enquanto Sete Sois regressa a Mafra, a casa dos
pais, acompanhado de Blimunda;
- Tourada no terreiro do Paço com Baltasar e Blimunda na assistência, antes de partirem p Mafra;
- Partida p Mafra de Blimunda e Baltasar.
Cap. 10
- Ao chegar a casa da família em Mafra, Baltasar, acompanhado de Blimunda, é recebido p sua mãe,
Marta Faria; o pai, João Francisco, encontrava-se a trabalhar no campo;
- Baltasar fica a saber q o pai vendeu a el-rei uma terra q tinha na Vela p a construção de 1
convento;
- A única irmã de Baltasar, Inês Antónia, e o marido, Álvaro Diogo, conhecem “a nova parenta”;
- Morte do Infante D. Pedro, q vai a enterrar em s. Vicente de Fora;
- Baltasar vai visitar as obras ao convento e passa a ajudar o pai no campo;
- Nascimento do infante D. José, 3.º filho da rainha;
- Doença do rei, enquanto o seu irmão D. Francisco tenta a cunhada, revelando à rainha o interesse
em tornar-se seu marido;
- Ida de D. João V p Azeitão “curar os seus achaques”;
- Apesar da recuperação da saúde do rei, D, Maria Ana continua os sonhos c o cunhado.
Cap. 11
- Bartolomeu é recebido em casa do pároco de Mafra, Francisco Gonçalves, perto da casa de Sete
Sois;
- Em conversa c Blimunda e Baltasar, fala-lhes da descoberta na Holanda, de q o éter se encontrava
na “vontade” de cada 1;
- O padre pede a Blimunda q olhe dentro das pessoas e encontre essa “vontade”, q é cm 1 nuvem
fechada.
Cap. 12
- Em Mafra, Blimunda comunga em jejum, pela 1ª vez; e vê na hóstia “1 nuvem fechada”;
- O padre Bartolomeu pede, p carta, a Baltasar e a Blimunda q regressem a Lisboa;
- 1 Tempestade, comparável ao “sopro de Adamastor”, destruiu a igreja de madeira, construída
especialm/ p a cerimónia da inauguração dos alicerces, m foi reerguida em 2dias, o q passou a ser
visto cm milagre;
- Inauguração da 1ª pedra do convento, a 17 de Novembro de 1717;
- Regresso de Baltasar e Blimunda a Lisboa, onde começam a trabalhar na passarola;
- Reflexão do narrador sobre o amor “das almas, dos corpos e das vontades”.
Cap. 13
- Baltasar e Blimunda constroem a forja;
- O padre Bartolomeu diz a Blimunda q são necessárias pelo menos 2 mil “vontades”;
- 8 de Junho de 1719: A procissão do Corpo de Deus;
- Enumeração dos participantes e descrição c comentários irónicos;
- Monólogos cheios de sarcasmo do patriarca e de el-rei.
Cap. 14
- O padre Bartolomeu, regressa de Coimbra, “doutor em cânones”;
- O músico Scarlatti, napolitano de 35 anos, q ensina a Infanta D. Maria Bárbara, toma
conhecimento do projecto da passarola;
- Diálogo entre Bartolomeu e Scarlatti sobre o poder extraordinário da música e a essência da
verdade;
- O padre revela o seu segredo ao músico e apresenta-lhe a “trindade terrestre”: ele, Sete Sois e
Sete-Luas;
- O padre Bartolomeu Lourenço prepara 1 sermão p/ a festa do Corpo de Deus questionando os
fundamentos da Trindade Divina.
Cap. 15
- A epidemia da cólera e da febre-amarela e a recolha das “vontades” p Blimunda;
- O padre Bartolomeu pede a Blimunda q aproveite a ocasião p recolher as vontades q se libertam
nos peitos dos moribundos;
- Depois de cumprida a tarefa, Blimunda fica doente;
- Ao toque do cravo de Scarlatti, Blimunda recupera a sua saúde;
- C as vontades recolhidas e a máquina de voar pronta, o padre Bartolomeu precisa de avisar el-rei.
Cap. 16
- O duque de Aveiro recupera a Quinta de S. Sebastião da Pedreira, pois ganha a demanda c a
coroa;
- A concretização da viagem d passarola voadora, c o padre Bartolomeu, Baltasar e Blimunda;
- O padre Bartolomeu descobre q o Santo ofício já estava à sua procura;
- Scarlatti, q chegara a tempo de ver máquina a subir, senta-se ao cravo e toca 1 música, antes de
atirar o instrumento p dentro do poço;
- Os três sobrevoam a vila de Mafra; m, c dificuldades de navegação p falta de vento, têm de aterra;
- O padre Bartolomeu, p emoção ou medo, tenta incendiar a máquina, sendo impedido p/ Baltasar
e Blimunda;
- O padre parte sozinho mais adentro;
- Blimunda e Baltasar escondem a máquina sob a ramagem e partem na mm direcção: “ Isto aqui é
a Serra do Barregudo, lhes disse 1 pastor, e aquele monte além… é Monte Junto.”
- Chega a Mafra dias dp, qd 1 procissão celebra o milagre q julgavam ser 1 aparição do Espírito
Santo, e q mais n fora do q a máquina voadora.
Cap. 17
- O regresso de Baltasar com Blimunda a Mafra, onde começa a trabalhar nas obras do convento
cm carreiro, e anúncio da morte do padre Bartolomeu em Toledo, “ dizem q louco”;
- Notícias do terramoto de Lisboa;
- 2 Meses dp de ter chegado a Mafra, regresso de Baltasar a Monte Junto, os haviam deixado a
máquina de voar; sua manutenção;
- Domenico Scarlatti em casa do Visconde;
- Conversa às escondidas de Scarlatti e Blimunda: “resolvi vir a Mafra ver se estavam vivos.”
Cap. 18
- Caracterização dos gastos reais e dos trabalhadores em Mafra;
- Visão irónica e depreciativa de Portugal;
- Esforços colossais e vítimas causadas pela construção do convento;
- Outros relatos de histórias pessoais: Francisco Marques, José Pequeno, Joaquim de Rocha,
Manuel Milho, João Anes e Julião Mau tempo.
Cap. 19
- Baltasar torna-se boieiro (ajudado por José Pequeno) e participa no carregamento da pedra do
altar (Benedictione), verificando-se, durante o transporte, o esmagamento de 1 trabalhador
(Francisco Marques – esmagado sob 1 roda de 1 carro de bois).
Cap. 20
- Blimunda acompanha Baltasar ao Monte Junto. Dp de lá passarem a noite, Blimunda, ainda em
jejum, procura certificar-se de q as vontades ainda estavam guardadas dentro de Ada 1 das 2 esferas;
- Renovação da máquina voadora em Monte Junto;
- Viagem de regresso;
- Morte de João Francisco, pai de Sete Sois.
Cap. 21
- Decisão de D. João V de q sagração do convento se fará em 22 de Outubro de 1730, data do seu
aniversário, pois tem medo de morrer;
- D. João V manifesta o desejo de construir em Portugal 1 basílica cm a de S. Pedro em Roma,
chama então o arquitecto João Frederico Ludovice, este diz-lhe q o rei n viveria o suficiente p/ ver
a obra concluída;
- Decisão de D. João V: ampliar a dimensão do projecto do convento de 80 p/ 300 frades;
- Recrutamento em todo o reino de operários p Mafra.
Cap. 22
- Casamentos de Infanta Maria Bárbara c o Príncipe Fernando VI de Espanha e do Príncipe D. José
c a Infanta espanhola Mariana Vitória com música de Scarlatti;
- A “troca das princesas”, em 1729, une as famílias reais de Portugal e Espanha;
- Viagem ao rio Caia p/ levar a Princesa Maria Bárbara e trazer Maria Vitória;
- João Elvas acompanha, c 1 grupo de pedintes, a comitiva à fronteira.
Cap. 23
- Baltasar vai ao Monte Junto p/ verificar o estado da passarola, e qd Baltasar entra na passarola p a
reparar, ela inesperdam/ levanta voo;
- Transporte de várias estátuas de santos p Mafra;
- A viagem de 30 noviços, do convento de S. José de Ribamar, em Algés, p Mafra.
Cap. 24
- Blimunda, inquieta e angustiada, procura Baltasar, enquanto em Mafra se faz a sagração do
convento, em 22 de Outubro de 1730;
- No cume do Monte Junto, usa o espigão de ferro de Baltasar p/ evitar ser violada p/ 1 frade.
Cap. 25
- Durante 9 anos Blimunda procura Baltasar;
- Em 1739, 11 supliciados, entre eles António José da Silva, encontram-se a caminho da fogueira
num auto-de-fé, na praça do Rossio; lá estava tb Baltasar e, quando está p/ morrer, a sua “vontade”
desprende-se e é recolhida dentro do peito de Blimunda.
A relação titulo/ conteúdo
- Apresenta 1 carga simbólica quer enquanto sugere as memórias – evocativas do passado – e
pressuposições existenciais, quer ao remeter p/ o mundo místico e misterioso.
O Convento de Mafra liga-se ao sonho dos frades q aproveitam a oportunidade de terem 1
convento, m reflecte, sobretudo, a magnificência da corte de D. João V e do poder absoluto, q se
contrapõe ao sacrifício e à opressão do povo q nele trabalhou, muitas vezes aniquilado p servir o
sonho de seu rei.
O nome das personagens
D. João V: Desempenha o papel de monarca de setecentos q quer deixar cm marca do seu reinado
1 obra grandiosa e magnificente – o Convento de Mafra. Este é construído sob o pretexto de q
cumpre 1 promessa feita ao clero, classe q justifica e “santifica” o seu poder. É símbolo de 1
monarca absoluto, vaidoso, egocêntrico e mantém c a rainha apenas 1 relação de “cumprimento de
dever”. A sua amante preferida era Madre Paula do Convento de Odivelas.
Maria Ana Josefa: Austríaca, a rainha surge cm 1 pobre mulher cuja única missão era dar herdeiros
p a glória do reino e alegria de todos. É símbolo da mulher da época: submissa, simples
procriadora, objecto da vontade masculina.
Baltasar, Sete Sois: No fim da obra, c a morte do padre Gusmão, acaba por ser a personagem
principal do romance, sendo quase “divinizado” pela construção da passarola. O simbolismo desta
personagem é evidente, o sete é 1 n.º mágico, aponta p 1 totalidade (7 dias de criação do mundo, 7
pecados mortais, 7 virtudes); o sol é o símbolo da vida, da força, do poder do conhecimento, daí q a
morte de Baltasar no fogo da Inquisição signifique, tb, o regresso às trevas, a negação do progresso.
Blimunda, Sete Luas: O nome da personagem acaba p funcionar cm 1 espécie de reverso do de
Baltasar. P além da presença do sete, Sol e Lua completam-se, são a luz e a sombra q compõem o
dia – Baltasar e Blimunda, são, pelo o amor q os une, um só.
Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão: Vive c a obsessão de construir 1 máquina do tempo – a
passarola. Ignora os fanatismos religiosos da época e questiona todos os princípios dogmáticos da
igreja.
Domenico Scarlatti: É ele q liberta Blimunda da sua estranha doença. É, tb cúmplice silencioso do
projecto da passarola. A música deste simboliza o ultrapassar, p parte do homem, de 1
materialidade excessiva, e o atingir da plenitude da vida.
Povo: Personagem importante. O povo trabalhador construiu o Convento de Mafra `custa de
sacrifícios e mm mortes. Conhecido pelo seu trabalho, miséria física e moral este povo humilde
surge cm verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. João V.
As personagens e os seus projectos
- A relação entre Baltasar e Blimunda é 1 símbolo de transgressão dos códigos socais, m, ao mm
tempo, é 1 símbolo d harmonia c o universo e as suas forças cósmicas.
- Saramago conseguir dotar esta personagem feminina de forças latentes e extraordinárias q
permitem ao povo a sua sobrevivência, mm qd a repressão atinge requintes de sadismo. E qq
época, há sp 1 Blimunda p contestar o poder e resistir.
O Destino Humano
Há sp 1 preocupação c o ser humano, a sua miséria e a sua luta, as injustiças e os seus anseios, a sua
grandeza e os seus limites.
A Critica
- Apresenta-se cm 1 crítica cheia de ironia e sarcasmo à opulência do Rei e de alguns nobres, p/
oposição à extrema pobreza do povo.
- O adultério e a corrupção dos costumes são factores de sátira ao longo da obra.
O processo relativo
- Ao misturar a história e a ficção, o real e o fantástico, consegue múltiplas formas de enunciação.
Narrador c 1 polifonia ou pluralidade de vozes q reinventa mundos e os multiplica e q reinventa a
própria linguagem.
- O narrador revela-se quase sp omnisciente e assume a posição heterodiegética.
A atitude do narrador principal p c o narrado aparentem/ contraditória: p 1 lado, temos 1 tentativa
de aproximação à época retratada, ao reconstruir a cor local e epocal, m, p outro, dá-se 1 enorme
distanciação, visível nas inúmeras prolepses e na ironia sarcástica utilizada p atacar alguns aspectos
da História, fundamentalm/ os q se ligam às personagens socialm/ favorecidas.
O narrador distancia-se do narrado pelas referências irónicas, m tb p 1 processo de afastamento
temporal q o obriga a adaptar a linguagem e a distinguir entre vocabulário respeitante à época
histórica retratada e outro q se reporta à actual.
Linguagem e Estilo
- Ausência de pontuação;
- Uso de maiúscula no interior da frase;
- Exclamações e “apartes”;
- Utilização predominantem/ do presente – marca do fluir constante do narrador entre o passado e
o presente;
- Mistura de discursos – q aponta p 1 reminiscência da tradição oral, em q contador e ouvintes
interagem;
- Intervenção frequente do narrador através de comentários;
- O tom simultaneam/ cómico, trágico e épico;
- Emprego de aforismos, provérbios e ditados populares.

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Síntese programa12º

  • 1. Fernando Pessoa – Ortónimo No ortónimo, coexistem 2 vertentes: a tradicional, na continuidade do lirismo português, e a modernista, q se manifesta cm processo de ruptura. Na 1ª, observa-se a influência lírica de Garrett ou do sebastianismo ou saudosismo, apresentando suavidade rítmica e musical, em versos geralm/ curtos, na 2ª, encontramos experimentações modernistas c a procura da intelectualização das sensações e dos sentimentos. - Sinceridade/ Fingimento: A unidade destes opostos n é mais do q 1 concretização do processo criativo, q é vital p/ ser humano e q só é possível ao afastar-se da realidade, da qual parte, p/ percepcionar e produzir 1 nova realidade. Ligam-se à dialéctica do sentir/ pensar e consciência/ inconsciência, que leva Pessoa a afirmar que “fingir é conhecer-se”. É através destas dicotomias que o ortónimo procura responder às inquietações da vida e produzir a emoção estética através do poema, q “simula a vida”, como afirma. A consciência da efemeridade, pq o tempo é 1 fator de desagregação, cria o desejo de ser criança de novo, a nostalgia da infância cm bem perdido e, 1 vez mais, leva-o à desilusão perante a vida real e o sonho.  Cancioneiro: poema marcado pelo desencanto e melancolia;  Impressões do Crepúsculo: Põe em destaque o vago, a subtileza e a complexidade;  Mensagem: que é marcada pelo ocultismo. “Autopsicografia” - Uma temática da sinceridade poética, ou seja, do fingimento poético é introduzida qd, na 1ª quadra, o poeta explicita a afirmação inicial (“o poeta é um fingidor”), privilegiando a razão no acto da criação poética e subalternizando o “coração”. - Neste poema, a dor surge em 3 níveis: - a dor real (“q deveras sente”), a dor fingida e a “dor lida”. A produção poética parte da realidade da dor sentida, mas distancia-se criando uma dor fingida, graças à interacção entre a razão e a sensibilidade, q permite a elaboração mental da obra de arte. A elaboração estética acaba por se construir pela conciliação da oposição razão/ sentimento. “Isto” - Completa esta teoria do fingimento poético, afirmando o sujeito poético q, apesar de sentir c a imaginação, a sua poesia n é 1 mentira, visto q a intelectualização das emoções a reveste de sinceridade intelectual. - A dialéctica sinceridade/ fingimento, consciência/ inconsciência, sentir/ pensar percebe-se tb c nitidez ao recorrer ao interseccionismo cm tentativa p/ encontrar a unidade entre a experiência sensível e a inteligência. A “Chuva oblíqua” é um dos poemas onde é nítido o interseccionismo impressionista. - A dor de Pensar: Fernando Pessoa gostava de ter a inconsciência das coisas ou seres comuns q agem cm uma “Pobre Ceifeira” (o poeta inveja a ingenuidade da ceifeira q, sendo infeliz, n tem disso consciência e, paradoxalm/é feliz) ou que cumprem apenas as leis do instinto cm o “ Gato q brinca na rua”. O “eu” lírico tanto aceita a consciência cm sente 1 verdadeira dor de pensar, q traduz insatisfação e dúvida sobre a utilidade do pensamento. Impedido de ser feliz, devido à lucidez, procura a realização do paradoxo de ter uma consciência inconsciente. - A nostalgia da infância: Face à incapacidade de viver a vida, o sujeito poético refugia-se numa infância mítica, 1 idade de inocência, 1 idade onde ainda n se pensa e, p isso, onde ainda tudo é possível. Pessoa sente a nostalgia da criança q passou ao lado das alegrias e da ternura. Chora, p isso, 1 felicidade passada, p/ lá da infância. - Consciência/ inconsciência - Sentir/ Pensar
  • 2. Ex.: “ Quando as crianças brincam” ou “ Não sei, ama, onde era” – contos infantis, reis e princesas, o azul do céu ou “ O menino da sua mãe” – pelo lenço branco e a cigarreira A Fragmentação do eu: A constante fragmentação e divisão do “eu”, a angústia do auto desconhecimento e a consequente racionalização do sentir levam o ortónimo a ser incapaz de viver a vida e a mergulhar no tédio e na angústia existenciais, no desalento e no cepticismo mais profundos. Perante a vida, ao sujeito poético nada mais lhe resta q abdicar e pedir à noite eterna q o tome nos braços – “Abdicação”. Fernando Pessoa – Heterónimos Os poemas de cada heterónimo são só do autor Pessoa por 1 duplo processo de criação p/ conseguir representar a diversidade q virtualm/ possui. Os sentimentos dos heterónimos nada podem ter a ver com os sentimentos de Fernando Pessoa, até pq a maioria deles exprimem ideias que n aceita, sentimentos q n teve. Alberto Caeiro - É um sensacionista, q vive aderindo espontaneam/ às coisas, tais cm são, e procura gozá-las c/ despreocupada e alegre sensualidade. Ele vive de impressões, fundamentalm/ visuais. - Caeiro, mestre de todos os outros, dá especial importância ao acto de ver, ele vê c os olhos, n c a mente, m é sobretudo inteligência q decorre sobre as sensações, num discurso em verso livre, em estilo coloquial e espontâneo.  “ Pensar é estar doente dos olhos”: Poeta do olhar, procura ver as coisas tal cm elas são, s/ lhes atribuir significados ou sentimentos humanos. As pessoas são cm são. Prefere a objectividade (aceitação gostosa do mundo tal cm ele é) – Anti-metafísico - Recorre ao verso livre e à métrica irregular. Os seus poemas revelam 1 pontuação lógica, predomínio de coordenação e do presente do indicativo ou frases simples, marcadas pela pobreza lexical e poucos recursos estilísticos. - A poesia das sensações: Só lhe interessam as sensações; recusa o pensamento metafísico “ pensar é n compreender”. P/ Caeiro ver é conhecer e compreender o mundo. (Poema da pág. 25)  “ Guardador dos Rebanhos”: Apenas se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade com a qual contacta a todo o momento. Mostra cm recusar o pensamento se reduz a 1 “sentir” c os sentidos: “ Penso c os olhos e c os ouvidos”. O pensamento passa a identificar-se c 1 complexidade de sensações: “Pensar 1 flor é vê-la e cheirá-la. A felicidade do “guardador” reduz-se ao saber a verdade do pensamento feito em sensações. E alguma tristeza q aparece resulta do excesso de sensações, por gozar “tanto” “ 1 dia de calor”.  “ Eu nunca guardei rebanhos”, “Sou um guardador de rebanhos” ou “ O meu olhar é nítido como um girassol”: Poemas q advogam (patrocinam) uma síntese de calma e de movimento num presente q se actualiza e objectiva o desacordo entre o q pensa e a vida q acontece. - A poesia da natureza: Viver, para Caeiro, implica a adesão espontânea às coisas e ao mundo. N se importa em saber o q é a natureza, m em amá-la p ela mesma. Identifica-se c a natureza e vive de acordo c as suas leis. Interessa-lhe o presente, o concreto, o imediato, 1 vez q é ai q as coisas se apresentam cm são. - Pela crença na natureza, o Mestre revela-se um poeta pagão, q sabe ver o mundo dos sentidos, ou melhor, sabe ver o mundo sensível onde se revela o divino, q n precisa de pensar.  “ Argonauta das sensações Verdadeiras”: A poesia das sensações é 1 poesia da natureza.
  • 3. - Mestre dos outros: Recusa a metafísica, o misticismo e o sentimentalismo social e individual. Caeiro representa 1 regresso às origens, ao paganismo primitivo, à sinceridade plena. Caeiro ensinou a ortónimo e aos restantes heterónimos, a filosofia de n filosofar. Caeiro vê o mundo s/ necessidade de explicações, s/ princípio nem fim, e confessa q existir é 1 facto maravilhoso. Ricardo Reis - Aceita c calma e lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas.  “ Vem sentar-te Lídia, à beira do Rio”: Demonstra: a fugacidade e precariedade a vida; a infância cm idade ideal, a dos puros de espírito; a recusa de 1 amor sensual; ausência das ideias dogmáticas, filosóficas, especulativas cm meio de se manter puro e sossegado – “n cremos em nada”; a necessidade do predomínio da razão sobre a emoção cm defesa contra o sofrimento, procura 1 estado de ataraxia (tranquilidade); aceitação calma da morte, consequência da demissão do eu perante a vida; a filosofia de vida enfermada pelo epicurismo e estoicismo.  “Prefiro rosas, meu amor à pátria: Demonstra o egoísmo epicurista: o tom de desabafo poético – “meu amor”; defesa da ataraxia cm ideal de vida a seguir da aceitação serena da fugacidade da vida “ (…) confiança mole/ Na hora fugitiva”; da sintaxe alatinada – presença de hipérbato. Estes poemas demonstram q Ricardo Reis aceita a antiga crença nos deuses, mas defende a busca de 1 felicidade relativa alcançada pela indiferença à perturbação. O epicurismo e o estoicismo: - A filosofia de vida de Ricardo Reis é a de 1 epicurismo triste, pois defende o prazer do momento, o carpe diem (aproveitai o dia), cm caminho da felicidade, m s/ ceder aos impulsos do instinto (estoicismo). - Considera q nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade, ou seja, a ataraxia (a tranquilidade s/ qq perturbação). Sente q tem de viver em conformidade c as leis do destino, indiferente à dor e ao desprazer, numa verdadeira ilusão à felicidade, conseguida pelo esforço estóico lúcido e disciplinado. - Ricardo Reis recorre à ode e a 1 ordenação estética marcadam/ clássica. Nos seus poemas há a apatia face ao mistério da vida m também se encontra o mundo de angústias q afecta Pessoa. Ricardo Reis procura a serenidade livre de afectos e de tudo o q possa perturbar seu espírito. P/ ele é necessário saber apreciar, conscientem/ e tranquilam/, o prazer das coisas, s/ qq esforço ou preocupação. É preciso viver a vida em conformidade c as leis do destino. - Existe na sua poesia, a áurea mediocritas, o sossego do campo, o fascínio pela natureza onde busca a felicidade relativa. - Usando a ode, as estrofes apresentam-se regulares, c predominância dos versos decassílabos e hexassílabos. Uso frequente do hipérbato, recorre, frequentem/ ao gerúndio, imperativo e à subordinação. A nível estilístico, sobressaem as metáforas, os eufemismos e as comparações. - A sabedoria epicurista consiste no aceitar o destino inelutável (q n se pode evitar), desfrutando os prazeres e sofrendo a inevitável dor, pois nada é duradouro. Apesar de todo o sentido trágico do fatum (fado), cabe ao homem viver a vida c lucidez os “grandes indiferentes” - Aceita o destino c naturalidade (“ Segue o teu destino”), considerando q os deuses estão acima do homem p 1 questão de grau, m q acima dos deuses, no sistema pagão, se encontra o Fado, q tudo submete. - Segue o ideal ético da apatia q permite a ausência da paixão e a liberdade (sobre esta apenas pesa o fado).
  • 4. Neopaganismo: - Crença nos deuses – Crença na civilização da Grécia – Sente-se um “estrangeiro” fora da sua pátria, a Grécia – Aceita o destino c naturalidade, considerando q os deuses estão acima do homem, m q acima dos deuses, no sistema pagão, se encontra o Fado, q tudo submete. Epicurismo: Defense o prazer cm caminho da felicidade. P/ q a satisfação dos desejos seja estável, s/ desprazer ou dor, é necessário 1 estado de ataraxia, ou seja, de tranquilidade e s/ qq perturbação. Considera o carpe diem como necessário à felicidade. - Busca da felicidade relativa – Moderação nos prazeres devido à crença de q o homem só vive o presente – Fuga á dor – Ataraxia (tranquilidade capaz de evitar a perturbação) Estoicismo: Considera ser possível encontrar a felicidade desde q se viva em conformidade c as leis do destino q regem o mundo, permanecendo indiferente aos males e às paixões, q são perturbações da razão. O ideal ético é a apatia, q se define cm ausência de paixão e permite a liberdade, mm se sendo escravo. - Aceitação das leis do destino (Fado) – Indiferença face às paixões e à dor – Abdicação de lutar – Autodisciplina Horacionismo: - Carpe Diem Vive o momento – Áurea mediocritas: a felicidade possível no sossego do campo (proximidade de Caeiro) Classicismo (intelectual e erudito): * - Ricardo Reis faz dos gregos o modelo da sabedoria, pois souberam aceitar o destino e fruir o bem da vida. Álvaro de Campos - É quem melhor procura a totalização das sensações, m sobretudo das percepções conforme as sente, ou cm ele próprio afirma “sentir tudo de todas as maneiras”. Considera a sensação captada pelos sentidos como a única realidade, m rejeita o pensamento. - Numa atitude unanimista, procura unir em si toda a complexidade das sensações. Passada a fase eufórica, o desassossego de Campos leva-o a revelar 1 fase disfórica, a ponto de desejar a sua própria destruição. Há aí a abulia e a experiência do tédio, a decepção, o caminho do absurdo. A poesia de Campos revela um pessimismo agónico, a dissolução do “eu”. A angústia existencial e a nostalgia da infância irremediavelm/ perdida. - A obra de Campos passa por 3 fases: - A Decadentista: q exprime o tédio, o cansaço e a necessidade de novas sensações, q está presente no Poema “ Opiário”, q exibe 1 alma doente, inadaptada: o desencanto face à inutilidade da vida; o “ realismo satírico” de alguns versos, denunciador de 1 fatalismo tipicam/ português; sede das novas sensações; - A Futurista e a Sensacionalista: q se caracteriza pela exaltação da energia, de “todas as dinâmicas” e da velocidade e da força até situações de paroxismo, q está presente na “Ode Triunfal” e no “Manifesto Anti Dantas” e – Intimista ou da abulia: q, perante a incapacidade das realizações, traz de volta o abatimento, presente no “ Aniversário” (A nostalgia da infância, daquele tempo mítico q se perdeu). - Exclamações, interjeições e pontuação emotiva. S versos livres, longos, surgem cheios de assonâncias, onomatopeias, aliterações, enumerações excessivas e recursos variados cm metáforas ousadas, oximoros, personificações e hipérboles. A vanguarda e o sensacionismo: Campos é o poeta vanguardista, celebra o triunfo da máquina e da civilização moderna, da força mecânica e da velocidade. A “ Ode Triunfal” ou a “ Ode Marítima” são bem o ex. desta intensidade e totalização das sensações. São 1 epopeia do mundo mecânico, do mundo futuro q caminha p/ o absurdo. É através da máquina, irracional e exterior, q se projectam os sonhos e desejos do poeta.
  • 5. - Campos aproxima-se muito de Pessoa ao recusar as verdades definitivas. Procura um corte ou mesmo o aniquilam/ do passado p/ exaltar a necessidade de 1 nova vida futura, onde se tenha a consciência da sensação do poder e do triunfo. Álvaro de Campos adere ao futurismo ao negar a arte aristotélica ou ao procurar de forma vigorosa a inovação estética e ideológica da arte. - Campos busca na linguagem poética, exprimir a energia ou a força q se manifesta na vida, Daí o surgimento de versos livres, vigorosos, submetidos à expressão da sensibilidade, dos impulsos, das emoções. - É um sensacionista p/ quem a sensação é tudo, m ao mesmo tempo, 1 unanimista ao afastar a sua individualidade p/ encontra 1 coincidência c todo o ser humano. É também unanimista qd exprime a angústia do homem moderno, q n encontra 1 solução p as suas inquietações, aproximando-se d pessoa ortónimo p/ quem o pensar é doloroso, p impedir o homem de ser feliz. A abulia e o tédio: Na fase decadentista, a nostalgia e a expressão do tédio, do cansaço e da saturação da civilização provocam a necessidade de novas sensações, muitas vezes tentadas na embriaguez do ópio. Os estupefacientes são 1 escape à monotonia e a 1 certo horror à vida. A nostalgia da infância (as saudades do tempo de menino) aparece n apenas no ortónimo, m, frequentem/, em Campos, apesar de este se voltar p/ o presente e p/ o futuro. - O poeta recusa as normas, os princípios, os valores, tudo o q dava sentido à existência. Tem a consciência de q tudo e toda a ordem social se tornaram s/ sentido e q é necessário 1 mundo novo. (Ver Glossário) “Os Lusíadas”, de Camões - Esta obra conta p fragmentos a história grandiosa de Portugal e os seus acontecimentos futuros, cuja visão são os deuses, são capazes de antecipar. Constitui 1 epopeia (narrativa em verso c características clássicas a nível da estrutura e do estilo), q traduz as façanhas e o espírito português. Os Lusíadas revelam a inspiração humanista ao afirmar as capacidades humanas: - A vitória sobre a natureza adversa; - O alargamento indefinido dos limites do saber; - O direito a aspirar p 1 amor plenam/ feliz – sensual, espiritual e s/ pecado; - A afirmação de q o homem pode construir o seu destino e libertar-se do jugo (opressão) da fortuna. Mitologia: N se deve censurar a Camões a mistura de maravilhoso pagão e cristão. Camões n acreditava na existência das ninfas nem dos Deuses de Gregos e de Romanos. Fê-los figurar nos Lusíadas. 1.º: Pq lhe serviam de personagens sobre as quais poderia inventar muito belas coisas; 2.º: Pq imitava os escritores da Antiguidade, o q estava de acordo c as modas literárias da época (O Renascimento). Estrutura Interna: - Proposição (apresentação do assunto), q contém indícios dos 4 planos estruturais da narração: Camões propõe-se a cantar: - Os navegadores ergueiros lusitanos q fundaram 1 vasto império no além-mar; - Os reis q alargaram o território e espalharam a fé cristã; - Todos aqueles q pelo seu valor mereceram a imortalidade. - Invocação (Súplica da inspiração p/ escrever o Poema): Existem várias invocações: - 1ª (Canto I) – súplica às ninfas do Tejo (às tágides) p/ q o ajudem na organização do poema, q reforça o carácter nacionalista do poema; - 2ª (Canto III) – súplicas a Calíope, pk estão em causa os mais importantes feitos lusíadas; - 3ª (Canto VII) – Súplica às ninfas do Tejo e do Mondego, queixando-se dos seus infortúnios; - 4ª (Canto X) – Nova invocação a Calíope.
  • 6. - Dedicatória (oferecimento da obra a S. Sebastião): Na dedicatória: - Oferecimento do poema a S. Sebastião, q reflecte a esperança do povo português no novo monarca e, sobretudo, na possibilidade de retomar a expansão no Norte de África. - Narração (Desenvolvimento do assunto, já a meio da acção – in media res): Na narração: - Começa in media res, ou seja, qd a frota se encontra no Canal de Moçambique em rota p/ Melinde (Canto I e II). Os acontecimentos anteriores surgem em analepse no discurso do Gama ao rei de Melinde (Canto III e IV). Estrutura externa: (Narrativa épica) - Forma narrativa; - Versos decassílabos (geralm/ heróicos, c o acento rítmico na 6ª e 10ª sílabas); - Rimas c esquema abababcc (rima cruzada nos 1os 6 versos e emparelhada nos 2 últimos); - Estâncias - oitavas; - Poema dividido em 10 cantos (1102 estâncias, sendo o canto mais longo o X c 156 estrofes e o mais pequeno o VII c 87 estrofes). Seus planos: - Plano de Viagem: Acontecimentos ocorridos entre Lisboa e Calecut (Índia); partida, peripécias da viagem, paragem em Melinde, chegada a Calecut; Regresso e chegada a Lisboa. - Plano da História de Portugal: Factos marcantes de Portugal - Plano da Mitologia: q permite e favorece a evolução da acção (os deuses assumem-se, uns cm adjuvantes, outros cm oponentes dos Portugueses), p isso se constitui a intriga da obra. Os deuses apoiam os portugueses – Consílio dos deuses no Olimpo… - Plano do Poeta: Considerações e opiniões do autor expressas no início e no fim dos cantos. - Narrador principal: Cabe o relato da viagem de Vasco da Gama desde Moçambique até à Índia e toda a viagem de regresso. - Vasco da gama (herói individual) representa o povo português (o herói colectivo). Este herói individual é quem narra a história de Portugal. - Os Lusíadas n cantam apenas a viagem marítima e a História Portuguesa, mas revela, tb, o espírito do homem da renascença q acredita na experiência e na razão. A “ Ilha dos amores”, no fim da obra, é bem o símbolo da capacidade dos portugueses na exploração dos mares, graças às experiências marítimas e ao seu espírito de aventura. A “ Ilha dos Amores” cm prémio simbólico da heroicidade conquistada. - Mitificação do Herói: A intenção em exaltar os heróis q construíram e alargaram o Império levou Camões a torná-los verdadeiros símbolos da capacidade de ultrapassar “a força humana” e de merecerem 1 lugar entre os seres imortais. Os navegantes são símbolo do heroísmo lusíada, do seu espírito de aventura e da capacidade de vivência cosmopolita. A viagem, mais do q a exploração aos mares, exprime a passagem do desconhecido p o conhecimento, da realidade do velho Continente e dos seus mitos indefinidos ou s/ explicação p novas realidades de 1 planeta a descobrir. Os navegantes, q chegaram à Índia, e todos os heróis lusíadas merecem realmente a mitificação. - Reflexões do poeta: Críticas e conselhos aos Portugueses: Manifesta o seu patriotismo e exorta D. Sebastião a dar continuidade à obra grandiosa do povo português. Lamenta, p ex. q os portugueses nem sp saibam aliar a força e a coragem ao saber e à eloquência. N deixa de queixar-se de todos aqueles q pretendem atingir a imortalidade, dizendo-lhes q a cobiça, a ambição e a tirania são honras vãs (inúteis) q n dão verdadeiro valor ao homem. Daí, tb, lamentar a importância atribuída ao dinheiro, fonte de corrupções e dinheiro. “A mensagem”, de Fernando Pessoa Estrutura tripartida: - Nascimento: trata-se de os construtores do império português, são os heróis lendários os histéricos (invocados pelo poeta ou definindo-se a si próprios);
  • 7. - Vida: é dedicada à expansão marítima, trata-se de poemas inspirados na ânsia do desconhecido e no espaço heróico da luta c o amor; - Morte/ Renascimento: o império material está moribundo, o império espiritual (Quinto império) está emergente. Os 44 poemas encontram-se agrupados em 3 partes: 1ª Parte: Brasão: Corresponde ao nascimento, com referência aos mitos e figuras históricas, até S. Sebastião, identificadas nos elementos dos brasões. Dá-nos conta do Portugal erguido pelo esforço dos heróis e destinado a grandes feitos. 2ª Parte: Mar Português: Surge a realização da vida; refere personalidades e acontecimentos dos Descobrimentos q exigiram 1 luta contra o desconhecido e os elementos naturais. M, porque “tudo vale a pena”, a missão foi cumprida. 3ª Parte: O Encoberto (a imagem do Império moribundo, a fé de q a morte contenha em si o gérmen da ressurreição, capaz de provocar o nascimento do império espiritual, moral e civilizacional na diáspora lusíada. A esperança do quinto Império) – Aparece a desintegração, havendo, p isso, 1 presente de sofrimento e de mágoa, pois “falta cumprir-se Portugal”. É preciso acontecer a regeneração q será anunciada p avisos e símbolos. - A “Mensagem” recorre ao ocultismo p/ criar o herói, O Encoberto, q se apresenta cm D. Sebastião. O ocultismo remete p/ 1 sentimento de mistério, indecifrável p/ a maioria dos mortais. Daí q só o detentor do privilégio esotérico (= oculto/ secreto) se encontra legitimado p/ realizar o sonho do Quinto Império. O Ocultismo: - Três espaços: o histórico, o mítico e o místico; - “ A ordem espiritual no homem, no Universo e em Deus”; - Poder, inteligência e amor na figura de S. Sebastião. O Sebastianismo e o Mito do Quinto Império - Exprime o drama de 1 país moribundo “à beira mágoa”, a necessitar de acreditar de novo nas suas capacidades e nos valores q antigam/ lhe permitira a conquista dos mares e a sua afirmação no mundo. - O Sebastianismo é o mito gerado à volta da figura do rei D. Sebastião. O povo acreditava no seu regresso, após a derrota de Alcácer Quibir, cm salvador da Pátria. Este mito tem inspirado poetas e prosadores cm Fernando Pessoa, os quais, entregando-se a 1 intuição “profética”, afirmam q Portugal tem 1 elevado desígnio a cumprir e visionavam a hegemonia portuguesa no mundo. Outros Mitos: - As Ilhas afortunadas: q fazem parte da tradição clássica. Já em autores gregos aparecem cm paraísos, local de repouso dos deuses e dos heróis míticos. É aí, nesse lugar, cuja presença só se capta no sono através de sinais auditivos e pelo som das ondas, q se encontra O Desejado. Reavivando o Mito Sebastianista, anunciando o Quinto Império, Pessoa procurou, tal cm Camões, ser voz da consciência de identidade de q Portugal necessitava e necessita. Mensagem: relação intertextual c Os Lusíadas - Os Lusíadas são 1 alegoria, c a intriga dos deuses mitológicos a darem unidade à acção e a favorecerem o seu desenvolvimento. Eles exprimem as forças e dificuldades q se apresentavam ao espírito humano na aventura marítima, m n são mais do q seres efabulados p/ o poeta mostrar q são os nautas e todos os heróis dos Lusíadas q merecem a mitificação. Camões procura mostrar a capacidade dos Portugueses q, ao construírem e alargarem o Império, permitiram o encontro entre o Ocidente e o Oriente.
  • 8. - A Mensagem é mítica e é simbólica. Surge tripartida, dividida acima. - Fernando Pessoa recolheu em Camões alguns mitos, símbolos e factos, m percebeu q era necessária 1 outra +proposta p reinventar a Pátria: - Camões vê Portugal cm cabeça da Europa; Fernando Pessoa, valoriza o seu papel na civilização ocidental, ao colocá-lo cm o rosto “c q fita” o mundo (“O dos castelos”); - O épico fala dos heróis q construíram e alargaram o Império Português, p q a sua memória n seja esquecida, enquanto Pessoa escolhe aquelas figuras históricas predestinadas a essa construção imperial, procura simbolizar a essência do ser português q acredita no sonho e se mostra capaz da utopia p a realização de grandes feitos; - Nos Lusíadas há a viagem à Índia; na Mensagem temos a avaliação do esforço, considerando q a glória advém da grandeza da alma humana, apesar das vidas perdidas e toda a espécie de sacrifícios dos nautas m tb das mães, filhos e noivas; - A fantasmagoria de Adamastor mostra q o homem tem de superar-se p ultrapassar os problemas c q depara, enquanto o Mostrengo permite contrapor o medo c a coragem q permite q o homem ultrapasse os limites; - Camões fala de Ulisses e de outros mitos, m Pessoa mostra a importância do mito cm 1 nada capaz de gerar impulsos necessários à construção da realidade (“Ulisses”); os mitos permitem a Pessoa fazer a apologia da sua missão profética (Mitos do sebastianismo, do Quinto Império). Pessoa considera-se investido no cargo de anunciador do Quinto Império. O Discurso na Mensagem - Lírica, expressa a visão e as emoções do “eu” face o acontecer histórico, muitas vezes num tom profético. Os poemas, em geral breves, apresentam 1 linguagem metafórica e musical. - Frases curtas, apelativas e aforísticas, od abundam a pontuação expressiva e as perguntas retóricas. - No Brasão, “Os campos”, “Os castelos”, “As Quinas”, “A coroa” e “O Timbre”, são marcas de afirmação do passado, de mágoa do presente e de antevisão do q há-de vir. Em Mar Português, há 1 presente de glórias, q já n existe, m q faz parte da memória-alma portuguesa, capaz de fazer renascer 1 nova luz, de permitir o advento do Quinto Império. E Em O Encoberto, dp de manifestar a crença num regresso messiânico, considera q, após a tempestade actual, a chama há-de voltar e a luz permitirá o caminho certo. P/ isso, acredita q “É a hora” de traçar novos rumos e caminhar na construção de 1 Portugal novo. Simbologia dos números N.º 1: Simboliza o ser, a revelação. Ele concentra igualm/ a ideia harmónica entre o consciente e o inconsciente, realizando a união dos contrários, pelo q se liga à perfeição. N.º 2: Símbolo da divisão, pressupõe a dualidade. Assume o paradoxo da existência: a vida e a morte. N.º 3: Remete p a união entre Deus, Universo e o Homem. Representa a totalidade. N.º 5: N.º da ordem, do equilíbrio e harmonia. Significa tb a perfeição. N.º 7: Representa a semana q tem 7 dias. Representa a totalidade das energias, após a completude de 1 ciclo. É 1 n.º mágico, associado ao poder e ao acto de criação. N.º 12: Reme para a unidade – 1 ano tem 12 meses. Marca o final de 1 ciclo involutivo, ao qual se sucede a morte, q dá lugar ao renascimento. Símbolos Unificantes O Mar: O vaivém do mar conduz à imagem da vida e da morte (pela visualização da partida e chegada das ondas). O mar contém, p outro lado, o reflexo do céu – e, p Pessoa, espelha-se nele a vontade divina. As Ondas: Representam a inércia, visto q são movimentadas p 1 força q está p além delas. A Terra: Funciona cm receptáculo da vontade de Deus. É tb 1 espaço de recompensa – é o porto q espera os portugueses, após 1 longo período de viagem marítima.
  • 9. A Ilha: A ilha está associada à terra. Significa a promessa da felicidade da terra. É necessário sabedoria e passar p algumas provações p a alcançar. O Campo: Está associado à fecundidade e ao alimento. As Quinas: Símbolo das chagas de Cristo. Cristo é a imagem de sofrimento p marcar redenção dos pecados humanos. O Castelo: Refúgio onde se realizam os desejos humanos. São 1 espaço de intimidade e de espiritualidade. O Timbre: Símbolo de poder e da posse legítima. É 1 sinal dado p Deus q assegura ao ser humano a ascensão a mundos superiores, através do conhecimento. O Grifo: Simboliza a união das naturezas: a humana e a divina. É 1 animal c/ forma de leão, símbolo da condição de herói. A Nau: Simboliza a viagem interior, as provações, o caminho a percorrer em direcção ao heroísmo. A Noite: Símbolo da morte, da ausência de manifestações. Manhã: Harmonia entre os seres humanos. Tempo de luz, de vida, de promessa e de felicidade. Nevoeiro (O Encoberto): Associado à esperança e a regeneração. Graal: Simboliza o dom da vida e a espiritualidade. Mensagem – 1 percurso possível (Livro Exames) (Ver Glossário) Felizmente há Luar, de Sttau Monteiro, composto p 2 actos - A história é passada no ano de 1817. - É 1 obra intemporal q nos remete p a luta do ser humano contra a tirania, a injustiça e todas as formas de perseguição. - O título significa: p os opressores (nas palavras de D. Miguel), o efeito dissuasor das execuções; p os oprimidos (na fala de Matilde), a coragem e o estímulo p a revolta popular contra a tirania. - As personagens psicologicam/ densas e vivas, os comentários irónicos e mordazes, a denúncia da hipocrisia da sociedade e a defesa intransigente da justiça social são características marcantes da sua obra. Carácter épico da peça: Exprime a revolta contra o poder e a convicção de q é necessário mostrar o mundo e o homem em constante devir. Defende as capacidades do ser humano q tem o direito e o dever de transformar o mundo em q vive. P isso, oferece-nos 1 análise crítica da sociedade, procurando mostrar a realidade em vez de a representar, p levar o espectador a reagir criticam/ e a tomar posição. A sua intemporalidade remete-nos p a luta do ser humano contra a tirania, a opressão, a traição, a injustiça e todas as formas de perseguição. Felizmente há Luar! Destaca a preocupação c o homem e o seu destino; realça a luta contra a miséria e alienação; denuncia a ausência de moral; alerta p a necessidade de 1 superação c o surgimento de 1 sociedade solitária q permita a verdadeira realização do Homem. “Trágica Apoteose” da história do movimento liberal oitocentista Interpreta as condições da sociedade portuguesa no início do séc. XIX e a revolta dos mais esclarecidos, muitas vezes organizados em sociedades secretas, contra o poder absolutista e tirânico dos governadores e do generalíssimo Beresford. P q o movimento liberal se concretize 17 anos dp, é necessária a morte de Gomes Freire de Andrade e dos seus companheiros, m tb de muitos outros portugueses q em nome dos seus ideais são sacrificados pela pátria. Conspiradores e traidores p o poder e p as classes dominantes, q sentem os seus privilégios ameaçados, são os grandes heróis de q o povo necessita p reclamar justiça, dignidade e pão. P isso, as suas mortes, em vez de amedrontar, tornam-se estímulo. A fogueira acesa na noite p queimar Gomes Freire de Andrade, q os governadores querem q seja dissuasora, torna-se farol ou luz p q os outros lutem pela liberdade Distanciação histórica (técnica realista – influência de Brecht) - Graças à distanciação histórica, denuncia 1 ambiente político regressivo dos inícios do séc. XIX, p provocar a reflexão sobre 1 tempo de opressão e de censura q se repete no séc. XX.
  • 10. - Brecht propõe 1 afastamento entre o actor e a personagem e entre o espectador e a história narrada, p q, de 1 forma mais real e autêntica, possam fazer juízos de valor sobre o q está a ser representado. O actor deve, lucidam/, saber utilizar o “gesto social”, examinando as contradições da personagem e as suas possíveis mudanças, q lhe permitem acentuar o desfasamento entre o seu comportamento e o q representa. Isto permite ao público espectador 1 correspondente distanciação à história narrada e, 1 possível tomada de consciência crítica, aprendendo o prazer da compreensão do real, a sua situação na sociedade e as tarefas q pode realizar p ser ele próprio. Paralelismo passado/ Condições históricas dos anos 60: denúncia da violência Tempo da história – Séc. XIX Tempo da escrita – Séc. XX - Agitação social q levou à revolta liberal de 1820 – conspirações internas, revolta contra a presença da corte no Brasil e a influência do exército britânico; - Agitação social dos anos 60 – conspirações internas; principal irrupção da guerra colonial; - Regime absolutista e tirânico; - Regime ditatorial de Salazar; - Classes sociais fortem/ hierarquizadas; - Classes dominantes c medo de perder privilégios; - Maior desigualdade entre abastados e pobres; -Classes exploradoras, c reforço do seu poder; - Povo oprimido e resignado; - A miséria, o medo e a ignorância; - Obscurantismo, mas “Felizmente há Luar”; - Povo reprimido e explorado; - Miséria, medo e analfabetismo; - Obscurantismo, mas crença nas mudanças; - Luta contra a opressão do regime absolutista; - Manuel, “o mais consciente dos populares”, denuncia à opressão e a miséria; - Luta contra o regime totalitário e ditatorial; - Agitação social e política c militantes antifascistas a protestarem; - Perseguições dos agentes de Beresford; - As denúncias de Vicente, Andrade Corvo e Morais Sarmento q, hipócritas e s/ escrúpulos, denunciam; - Censura à imprensa; - Perseguições da PIDE; - Denúncias dos chamados “bufos”, q surgem na sombra e se disfarçam, p/ colher informações e denunciar; - Censura; - Severa repressão dos conspiradores; - Processos sumários e pena de morte; - Prisão e duras medidas de repressão e de tortura; - Condenação em processos s/ provas; - Execução do general Gomes Freire, em 1817. - Posterior a “Felizmente há Luar” – Execução do general Humberto Delgado, em 1965. A acção - Centra-se na figura do general Gomes Freire de Andrade e da sua execução: da prisão à fogueira, c descrições da perseguição dos governadores do Reino, da revolta desesperada e impotente da sua esposa e da resignação do povo q a “miséria, o medo e a ignorância” dominam. Gomes Freire de Andrade “está sp presente embora nunca apareça” (didascália inicial) e, mm ausente, condiciona a estrutura interna da peça e o comportamento de todas as outras personagens. A defesa da liberdade e da justiça, atitude de rebeldia, constitui a hybris (desafio) desta tragédia. Cm consequência, a prisão dos conspiradores provocará o sofrimento (páthos) das personagens e despertará a compaixão do espectador. O crescendo trágico, representado pelas várias tentativas desesperadas p/ obter o perdão, acabará em clímax, c a execução publicado general Gomes Freire e dos restantes presos. Este desfecho trágico conduz a 1 reflexão purificadora (cathársis) q os opressores pretendiam dissuasora, m q despertou os oprimidos p/ os valores da liberdade e da justiça. As personalidades (a ficção)
  • 11. Gomes Freire: figura carismática, q preocupa os poderosos, acredita na justiça e luta pela liberdade e arrasta os pequenos. Considerando 1 estrangeirado, revela-se simpatizante das novas ideias liberais tornando-se p os governantes 1 elemento perigoso. O povo elege-o cm símbolo de luta pela liberdade, o q é incómodo p os “reis do rossio”. Daí a decisão dos governantes pelo enforcamento, seguido da queima, p servir de ex. a todos aqueles q tentem afrontar o poder político. D. Miguel Forjaz: primo de Gomes Freire, prepotente, assustado c transformações q n deseja, corrompido pelo poder, vingativo, frio, desumano, calculista. Principal Sousa: Vive atormentado c a ideia de q é cada vez maior o n.º de pessoas q queriam aprender a ler, apostando, portanto, na ignorância do poço p mais facilm/ o moldar. Preocupam-no tb as ideias revolucionárias, oriundas de França, 1 vez q a sua divulgação poria em causa o poder eclesiástico. Beresford: Personagem q pretende acabar c a possível conspiração de Gomes Freire de Andrade, n p razões nacionais ou militares m sim pessoais, nomeadam/ a manutenção do seu posto e a sua renda anual. Vicente: Movido pelo interesse da recompensa material, hipócrita, despreza a sua origem e o seu passado, capaz de recorrer à traição p ser promovido socialm/. Manuel: Dá início aos 2 actos, intensam/ iluminado. Denuncia a opressão a q o povo tem estado sujeito e a incapacidade de conseguir a libertação e de sair da miséria em q se encontra. Sousa Falcão: “ o inseparável amigo” sofre junto de Matilde perante a condenação do general; assume as mm ideias de justiça e de liberdade, m n teve a coragem do general. Matilde de Melo: Exprime romanticam/ o amor, reage violentam/ perante o ódio e as injustiças; afirma o valor da sinceridade; desmascara o interesse, a hipocrisia; ora desanima, ora se enfurece, ora se revolta, m luta sp. Os Símbolos 1 – A saia verde Em vida: - A felicidade – A esperança – A liberdade Na morte: - A alegria do reencontro – A tranquilidade 2 – O título/ A luz/ A noite/ O luar A luz: está associada à vida, à saúde, a felicidade, enquanto a noite e as trevas se associam ao mal, à infelicidade, ao castigo, à perdição e à morte. A lua: P estar privada de luz própria, na dependência do sol, e p atravessar fases, mudando de forma, representa a dependência, a periodicidade e a renovação. A lua é, pois, símbolo de transformação e de crescimento. A expressão Felizmente há Luar, pode indiciar: - As forças das trevas, do obscurantismo, do anti – humanismo utilizam, paradoxalm/, o lume (fonte de luz e de calor) p/ “purificar a sociedade” (a Inquisição considerava a fogueira cm fonte e forma de purificação); - Se a luz é redentora, o luar poderá simbolizar a caminhada da sociedade em direcção à redenção, em busca da luz e da liberdade… Visto q o luar permite q as pessoas possam sair de suas casas (ajudando a vencer o medo e a insegurança na noite na cidade), qt maior for a assistência, isso significará: - P/ uns, q mais pessoas ficarão “avisadas” e o efeito dissuasor será maior… - P/ outros, q mais pessoas poderão 1 dia seguir essa luz e lutar pela liberdade… 3 – A Fogueira/ O lume
  • 12. Representa o máximo da repressão e do terror. 4 – A moeda de cinco réis Símbolo de desrespeito (dos mais poderosos em relação aos mais desfavorecidos) apresenta-se cm represália, quase vingança, qd Manuel manda Rita dar a moeda a Matilde. 5 – Os Tambores Símbolo de repressão, provocam o medo e prenunciam a ambiência (espaço) trágica da acção. Elementos cénicos q contribuem p aumento da tensão dramática: - A iluminação (o jogo de luzes): evidencia personagens, situações, reacções… - Os sons de tambores: prenunciam o ambiente de tragédia; - Os gestos e movimentações: sublinham emoções, atitudes… Linguagem: - Natural, viva e maleável; - Uso de frases em latim, c conotação irónica, p aparecerem aquando da condenação e da execução; - Frases incompletas p hesitação ou interrupção; - Marcas características do discurso oral; - Recurso frequente à ironia ou ao sarcasmo. A didascália: Ou indicações cénicas, constituem, no seu conjunto, 1 texto secundário q serve de suporte do texto dramático. Elas servem n apenas p definir a posição, movimentação ou gestos das personagens em cena, m tb explicitar os sentimentos, as emoções ou as atitudes q devem transparecer no seu comportamento e p marcar 1 alteração no tom de foz da personagem. Canções de resistência: As canções de resistência ou canções de protesto permitem a denúncia dos regimes opressores e da falta de liberdade ou a reclamação contra práticas de violência. Surgem como luta por um mundo melhor. A música e a literatura, em Portugal e no mundo, são, c frequência, artes interventoras e de protesto, q provocam a consciência p/ aceitar a mudança. Felizmente há Luar! Narra a luta pela liberdade no início do séc. XIX e serve de pretexto p 1 reflexão sobre a ditadura em Portugal no séc. XX. Todos os regimes opressivos, e concretam/ o regime salazarista, entre o início dos anos trinta e 1974, foram denunciados e contestados pelos artistas. A literatura, a música e outras artes foram o “veículo de protesto” contra a censura, contra a miséria, contra “1 realidade iníqua q urgia denunciar e resgatar”. Durante a ditadura do Estado Novo, ao longo do séc. XX até ao 25 de Abril de 1974: - A informação e as formas de expressão culturais eram controladas; - Existia a censura prévia à imprensa, ao cinema, às artes plásticas e ao teatro, à música e à escrita; - A actividade política estava condicionada e as actividades associativas e sindicais eram quase nulas e controladas pela polícia política (PIDE/ DGS); - As manifestações eram proibidas; - Os opositores do regime eram perseguidos e presos, acusados de pensarem e agirem contra a ideologia e práticas do Estado, ou fugiam p o exílio; - A pobreza e a falta de liberdade contribuíram p q 1 enorme surto de emigração acontecesse; - A Constituição n garantia o direito à educação, à saúde, ao trabalho e à habitação. Nas escolas havia salas e recreios p rapazes e raparigas; muitos livros e músicas eram proibidos. (Ver Glossário) Memorial do Convento, de José Saramago - Memorial do Convento tem início por volta de 1711, cerca de 3 anos dp do casamento de D. João V c D. Maria Ana Josefa de Áustria e termina 28 anos dp (1739), aquando da realização do auto-de- fé q determina a morte de António José da Silva e de Baltasar Sete Sois.
  • 13. - É na 1ª metade do séc. XVIII q a acção relatada se desenrola, período em q D. João V dirigia os destinos da nação. O reinado de D. João V constitui 1 continuidade da política absolutista q era alimentada pelas enormes remessas de ouro do Brasil, local q depositava toda a atenção do monarca. É neste reinado q as condições da economia portuguesa melhoraram, embora ocorram alguns problemas políticos em Espanha, c a Guerra da Sucessão. Vive-se em Portugal 1 clima de iluminismo, movimento filosófico q visou difundir o racionalismo cartesiano e o experimentalismo de Bacon, no romance pela construção da passarola. P travar estas novas ideologias, a Inquisição reforça, nesta época, o seu poder q estende a todos os sectores da sociedade. Ao Tribunal do Santo Ofício cabe o julgamento de vários tipos de crime, e os autos-de-fé constituíam a melhor forma de exibir o poder inquisitorial. - Memorial do Convento é 1 narrativa histórica. No reinado de D. João V, entrelaça personagens e acontecimentos verídicos c seres conseguidos pela ficção. Saramago fundamenta-se na realidade histórica da Inquisição, da família real, do Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (inventor da passarola voadora) e de muitas das figuras da intelectualidade e da política portuguesas, embora ficcionasse a sua acção. Tipo de romance: - Romance histórico, que oferece uma minuciosa descrição da sociedade portuguesa do início do séc. XVIII, marcada pela sumptuosidade da corte, associada à Inquisição, e pela exploração dos operários, metaforicamente apreciados cm se de tijolos se tratasse p a obra do convento de Mafra. A referência à guerra da sucessão, em q Baltasar se vê amputado da mão esquerda, a imponência bárbara dos autos de fé a q n falta a “alegria devota”, a construção do convento, os esponsais da infanta Maria Bárbara, a construção da passarola voadora pelo Padre Bartolomeu de Gusmão e tantos outros acontecimentos confirmam a correspondência aproximada ao q nessa época ocorre e conferem à obra a designação de romance histórico. - Memorial do Convento á tb 1 romance social, ao ser crónica de costumes de 1 época, reinterpretada p servir os objectivos do autor empírico. - Em Memorial do Convento há 1 tentativa de encontrar 1 sentido p a história de 1 época q permita compreender o tempo presente e recolher ensinamentos p o futuro. - Memorial do Convento poderá tb ser considerado um romance de espaço ao representar 1 época, interessando-se p traduzir n apenas o ambiente histórico, m tb p apresentar vários quadros sociais q permitem 1 melhor conhecimento do ser humano. Categorias do texto narrativo: Acção: O rei D. João V, Baltasar e Blimunda e Bartolomeu Lourenço protagonizam as diversas acções q se entretecem em Memorial do Convento. A acção principal é a construção do convento de Mafra. Conhece-se a situação económica e social do país, os autos-de-fé praticados pela Inquisição, o sonho e a construção da passarola voadora pelo padre Bartolomeu de Gusmão, as críticas ao comportamento do clero, os casamentos de Infanta Maria Bárbara e do príncipe D. José. Paralelam/ à acção principal sesta Baltasar Sete sóis e Blimunda Sete luas. São estas personagens q estabelecem o fio condutor da intriga e q lhe conferem fragmentos de espiritualidade, de ternura, de misticismo e de magia. Espaço: Lisboa e Mafra. São referidos c frequência Terreiro do Paço, Rossio, S. Sebastião da Pedreira, Odivelas, Xabregas, Azeitão… Nas referências a Mafra encontramos a Vela, od se constrói o convento, serra do Barragudo, no Monte Junto, Torres Vedras… Espaços de menor relevo: Jerez de los Caballeros, od Baltasar perde a mão, Olivença, Montemor, Aldegalega, Morelena, Pegões, Vendas Novas, Évora, Elvas, Caia, Coimbra, Holanda ou Áustria. Sobre Mafra, encontramos constantes referências a q dava trabalho a muita gente, m socialm/ destruiu famílias e criou marginalização. Através do Alentejo conhecemos a miséria q então o povo passava, “por ser a fome muita nesta província”.
  • 14. Tempo: As referências temporais são escassas ou apresentam-se por dedução. As analepses são pouco significativas, apenas surgem a justificar projectos anteriores. O pendor (vertente/ tendência) oral ou de monólogo mental e as digressões favorecem diversas prolepses q conferem ao narrador o estatuto de omnisciência e transformam o discurso num todo compreensível, apesar de toda a fragmentação. 1711: Início da acção Estrutura: Apresenta duas linhas de acção: - Construção do convento de Mafra e relações entre Baltasar e Blimunda – q se entrelaçam c acontecimentos diversos recolhidos na história ou fantasiados. Cap. 1 - Relação Rei/ Rainha e a Promessa da construção do convento franciscano em Mafra; - Narração satírica das motivações desta intenção: promessa do rei D. João V de construir 1 convento, caso a esposa D. Maria Ana Josefa, lhe desse um herdeiro; - Sonhos de D. Maria Ana e D. João V c futuro descendente. Cap. 2 - Os milagres conseguidos pelos franciscanos e seu desejo, desde 1624 na construção do convento; - “O célebre caso da morte de Frei Miguel da Anunciação”, q conservara o corpo intacto; a locomoção da imagem de santo António, numa janela, q assustou os ladrões; a recuperação das lâmpadas do convento de S. Francisco de Xabregas, q tinham sido roubadas… - A gravidez da rainha; Cap. 3 - A Situação socio-económica: excesso de riqueza/ extrema pobreza; - Os excessos do Entrudo e a penitência da Quaresma; - A impostura de alguns penitentes “q têm os seus amores à janela e vão na procissão menos p causa da salvação da alma do q p passados os prometidos gostos do corpo”; - A devoção das mulheres q, c a liberdade de percorrerem as igrejas sozinhas, aproveitavam, muitas vezes, p encontros c amantes secretos; - A situação da rainha, q grávida, só podia sonhar c o cunhado D. Francisco; - A sátira a “mais uns tantos maridos cucos”… Cap. 4 - O passado heróico de Baltasar Mateus, o Sete Sois, q perde a mão nas lutas de Olivença; - A viagem até Lisboa, p Évora, Montemor, Pegões e Aldegalega, matando 1 ladrão q havia tentado assaltá-lo; - Em Lisboa, anda pela ribeira, pelo Terreiro do Paço, pelo Rossio, por bairros e praças, juntando- se a outros mendigos; - Com João Elvas vai passar a noite num “telheiro abandonado” onde “… falaram de crimes acontecidos…” Cap. 5 - O auto-de-fé no Rossio e o conhecimento travado entre Baltasar, Blimunda e o padre Bartolomeu; - A rainha D. Maria Ana, no 5.º mês de gravidez, n pode assistir ao auto-de-fé; - Descrição de 1 auto-de-fé e os condenados pelo Santo ofício; - A mãe de Blimunda, Sebastiana Maria de Jesus, acusada de ser feiticeira e cristã nova, “condenada a ser açoitada em público e a 8 anos de degredo (exílio) no reino de Angola”; - O encontro c padre Bartolomeu Lourenço e Baltasar Mateus, o Sete Sois; - O convite de Blimunda para Baltasar permanecer em sua casa até voltar a Mafra; - O ritual do casamento e a consumação do amor entre Baltasar e Blimunda.
  • 15. Cap. 6 - O padre Bartolomeu Lourenço e a “máquina voadora”; - O trigo holandês p saciar Lisboa; - As experiências da “máquina de voar” em s. Sebastião da Pedreira, numa Quinta ao Duque de Aveiro; - A aceitação de Baltasar p ser ajudante do padre Bartolomeu. Cap. 7 - Nascimento da filha de D. João V. Maria Bárbara - Apesar de alguma decepção do rei, p n ser 1 menino, mantém a promessa de construir 1 convento. Cap. 8 - O mistério de Blimunda q come o pão de olhos fechados e possui o poder de olhar p dentro das pessoas; - A prova do poder de Blimunda q, ainda em jejum, sai à rua c Baltasar; - Nascimento do 2.º filho de D. João V, o Infante D. Pedro; - Escolha do alto da Vela em Mafra para edificar o convento. Cap. 9 - Mudança de Baltasar e Blimunda p a abegoaria na quinta do duque de Aveiro, em S. Sebastião da Pedreira; - Continuação da construção da passarola voadora pelo padre Bartolomeu Lourenço, p Blimunda e Baltasar; - O padre Bartolomeu Lourenço parte p a Holanda, enquanto Sete Sois regressa a Mafra, a casa dos pais, acompanhado de Blimunda; - Tourada no terreiro do Paço com Baltasar e Blimunda na assistência, antes de partirem p Mafra; - Partida p Mafra de Blimunda e Baltasar. Cap. 10 - Ao chegar a casa da família em Mafra, Baltasar, acompanhado de Blimunda, é recebido p sua mãe, Marta Faria; o pai, João Francisco, encontrava-se a trabalhar no campo; - Baltasar fica a saber q o pai vendeu a el-rei uma terra q tinha na Vela p a construção de 1 convento; - A única irmã de Baltasar, Inês Antónia, e o marido, Álvaro Diogo, conhecem “a nova parenta”; - Morte do Infante D. Pedro, q vai a enterrar em s. Vicente de Fora; - Baltasar vai visitar as obras ao convento e passa a ajudar o pai no campo; - Nascimento do infante D. José, 3.º filho da rainha; - Doença do rei, enquanto o seu irmão D. Francisco tenta a cunhada, revelando à rainha o interesse em tornar-se seu marido; - Ida de D. João V p Azeitão “curar os seus achaques”; - Apesar da recuperação da saúde do rei, D, Maria Ana continua os sonhos c o cunhado. Cap. 11 - Bartolomeu é recebido em casa do pároco de Mafra, Francisco Gonçalves, perto da casa de Sete Sois; - Em conversa c Blimunda e Baltasar, fala-lhes da descoberta na Holanda, de q o éter se encontrava na “vontade” de cada 1; - O padre pede a Blimunda q olhe dentro das pessoas e encontre essa “vontade”, q é cm 1 nuvem fechada. Cap. 12 - Em Mafra, Blimunda comunga em jejum, pela 1ª vez; e vê na hóstia “1 nuvem fechada”; - O padre Bartolomeu pede, p carta, a Baltasar e a Blimunda q regressem a Lisboa;
  • 16. - 1 Tempestade, comparável ao “sopro de Adamastor”, destruiu a igreja de madeira, construída especialm/ p a cerimónia da inauguração dos alicerces, m foi reerguida em 2dias, o q passou a ser visto cm milagre; - Inauguração da 1ª pedra do convento, a 17 de Novembro de 1717; - Regresso de Baltasar e Blimunda a Lisboa, onde começam a trabalhar na passarola; - Reflexão do narrador sobre o amor “das almas, dos corpos e das vontades”. Cap. 13 - Baltasar e Blimunda constroem a forja; - O padre Bartolomeu diz a Blimunda q são necessárias pelo menos 2 mil “vontades”; - 8 de Junho de 1719: A procissão do Corpo de Deus; - Enumeração dos participantes e descrição c comentários irónicos; - Monólogos cheios de sarcasmo do patriarca e de el-rei. Cap. 14 - O padre Bartolomeu, regressa de Coimbra, “doutor em cânones”; - O músico Scarlatti, napolitano de 35 anos, q ensina a Infanta D. Maria Bárbara, toma conhecimento do projecto da passarola; - Diálogo entre Bartolomeu e Scarlatti sobre o poder extraordinário da música e a essência da verdade; - O padre revela o seu segredo ao músico e apresenta-lhe a “trindade terrestre”: ele, Sete Sois e Sete-Luas; - O padre Bartolomeu Lourenço prepara 1 sermão p/ a festa do Corpo de Deus questionando os fundamentos da Trindade Divina. Cap. 15 - A epidemia da cólera e da febre-amarela e a recolha das “vontades” p Blimunda; - O padre Bartolomeu pede a Blimunda q aproveite a ocasião p recolher as vontades q se libertam nos peitos dos moribundos; - Depois de cumprida a tarefa, Blimunda fica doente; - Ao toque do cravo de Scarlatti, Blimunda recupera a sua saúde; - C as vontades recolhidas e a máquina de voar pronta, o padre Bartolomeu precisa de avisar el-rei. Cap. 16 - O duque de Aveiro recupera a Quinta de S. Sebastião da Pedreira, pois ganha a demanda c a coroa; - A concretização da viagem d passarola voadora, c o padre Bartolomeu, Baltasar e Blimunda; - O padre Bartolomeu descobre q o Santo ofício já estava à sua procura; - Scarlatti, q chegara a tempo de ver máquina a subir, senta-se ao cravo e toca 1 música, antes de atirar o instrumento p dentro do poço; - Os três sobrevoam a vila de Mafra; m, c dificuldades de navegação p falta de vento, têm de aterra; - O padre Bartolomeu, p emoção ou medo, tenta incendiar a máquina, sendo impedido p/ Baltasar e Blimunda; - O padre parte sozinho mais adentro; - Blimunda e Baltasar escondem a máquina sob a ramagem e partem na mm direcção: “ Isto aqui é a Serra do Barregudo, lhes disse 1 pastor, e aquele monte além… é Monte Junto.” - Chega a Mafra dias dp, qd 1 procissão celebra o milagre q julgavam ser 1 aparição do Espírito Santo, e q mais n fora do q a máquina voadora. Cap. 17 - O regresso de Baltasar com Blimunda a Mafra, onde começa a trabalhar nas obras do convento cm carreiro, e anúncio da morte do padre Bartolomeu em Toledo, “ dizem q louco”; - Notícias do terramoto de Lisboa; - 2 Meses dp de ter chegado a Mafra, regresso de Baltasar a Monte Junto, os haviam deixado a máquina de voar; sua manutenção; - Domenico Scarlatti em casa do Visconde;
  • 17. - Conversa às escondidas de Scarlatti e Blimunda: “resolvi vir a Mafra ver se estavam vivos.” Cap. 18 - Caracterização dos gastos reais e dos trabalhadores em Mafra; - Visão irónica e depreciativa de Portugal; - Esforços colossais e vítimas causadas pela construção do convento; - Outros relatos de histórias pessoais: Francisco Marques, José Pequeno, Joaquim de Rocha, Manuel Milho, João Anes e Julião Mau tempo. Cap. 19 - Baltasar torna-se boieiro (ajudado por José Pequeno) e participa no carregamento da pedra do altar (Benedictione), verificando-se, durante o transporte, o esmagamento de 1 trabalhador (Francisco Marques – esmagado sob 1 roda de 1 carro de bois). Cap. 20 - Blimunda acompanha Baltasar ao Monte Junto. Dp de lá passarem a noite, Blimunda, ainda em jejum, procura certificar-se de q as vontades ainda estavam guardadas dentro de Ada 1 das 2 esferas; - Renovação da máquina voadora em Monte Junto; - Viagem de regresso; - Morte de João Francisco, pai de Sete Sois. Cap. 21 - Decisão de D. João V de q sagração do convento se fará em 22 de Outubro de 1730, data do seu aniversário, pois tem medo de morrer; - D. João V manifesta o desejo de construir em Portugal 1 basílica cm a de S. Pedro em Roma, chama então o arquitecto João Frederico Ludovice, este diz-lhe q o rei n viveria o suficiente p/ ver a obra concluída; - Decisão de D. João V: ampliar a dimensão do projecto do convento de 80 p/ 300 frades; - Recrutamento em todo o reino de operários p Mafra. Cap. 22 - Casamentos de Infanta Maria Bárbara c o Príncipe Fernando VI de Espanha e do Príncipe D. José c a Infanta espanhola Mariana Vitória com música de Scarlatti; - A “troca das princesas”, em 1729, une as famílias reais de Portugal e Espanha; - Viagem ao rio Caia p/ levar a Princesa Maria Bárbara e trazer Maria Vitória; - João Elvas acompanha, c 1 grupo de pedintes, a comitiva à fronteira. Cap. 23 - Baltasar vai ao Monte Junto p/ verificar o estado da passarola, e qd Baltasar entra na passarola p a reparar, ela inesperdam/ levanta voo; - Transporte de várias estátuas de santos p Mafra; - A viagem de 30 noviços, do convento de S. José de Ribamar, em Algés, p Mafra. Cap. 24 - Blimunda, inquieta e angustiada, procura Baltasar, enquanto em Mafra se faz a sagração do convento, em 22 de Outubro de 1730; - No cume do Monte Junto, usa o espigão de ferro de Baltasar p/ evitar ser violada p/ 1 frade. Cap. 25 - Durante 9 anos Blimunda procura Baltasar; - Em 1739, 11 supliciados, entre eles António José da Silva, encontram-se a caminho da fogueira num auto-de-fé, na praça do Rossio; lá estava tb Baltasar e, quando está p/ morrer, a sua “vontade” desprende-se e é recolhida dentro do peito de Blimunda. A relação titulo/ conteúdo - Apresenta 1 carga simbólica quer enquanto sugere as memórias – evocativas do passado – e pressuposições existenciais, quer ao remeter p/ o mundo místico e misterioso.
  • 18. O Convento de Mafra liga-se ao sonho dos frades q aproveitam a oportunidade de terem 1 convento, m reflecte, sobretudo, a magnificência da corte de D. João V e do poder absoluto, q se contrapõe ao sacrifício e à opressão do povo q nele trabalhou, muitas vezes aniquilado p servir o sonho de seu rei. O nome das personagens D. João V: Desempenha o papel de monarca de setecentos q quer deixar cm marca do seu reinado 1 obra grandiosa e magnificente – o Convento de Mafra. Este é construído sob o pretexto de q cumpre 1 promessa feita ao clero, classe q justifica e “santifica” o seu poder. É símbolo de 1 monarca absoluto, vaidoso, egocêntrico e mantém c a rainha apenas 1 relação de “cumprimento de dever”. A sua amante preferida era Madre Paula do Convento de Odivelas. Maria Ana Josefa: Austríaca, a rainha surge cm 1 pobre mulher cuja única missão era dar herdeiros p a glória do reino e alegria de todos. É símbolo da mulher da época: submissa, simples procriadora, objecto da vontade masculina. Baltasar, Sete Sois: No fim da obra, c a morte do padre Gusmão, acaba por ser a personagem principal do romance, sendo quase “divinizado” pela construção da passarola. O simbolismo desta personagem é evidente, o sete é 1 n.º mágico, aponta p 1 totalidade (7 dias de criação do mundo, 7 pecados mortais, 7 virtudes); o sol é o símbolo da vida, da força, do poder do conhecimento, daí q a morte de Baltasar no fogo da Inquisição signifique, tb, o regresso às trevas, a negação do progresso. Blimunda, Sete Luas: O nome da personagem acaba p funcionar cm 1 espécie de reverso do de Baltasar. P além da presença do sete, Sol e Lua completam-se, são a luz e a sombra q compõem o dia – Baltasar e Blimunda, são, pelo o amor q os une, um só. Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão: Vive c a obsessão de construir 1 máquina do tempo – a passarola. Ignora os fanatismos religiosos da época e questiona todos os princípios dogmáticos da igreja. Domenico Scarlatti: É ele q liberta Blimunda da sua estranha doença. É, tb cúmplice silencioso do projecto da passarola. A música deste simboliza o ultrapassar, p parte do homem, de 1 materialidade excessiva, e o atingir da plenitude da vida. Povo: Personagem importante. O povo trabalhador construiu o Convento de Mafra `custa de sacrifícios e mm mortes. Conhecido pelo seu trabalho, miséria física e moral este povo humilde surge cm verdadeiro obreiro da realização do sonho de D. João V. As personagens e os seus projectos - A relação entre Baltasar e Blimunda é 1 símbolo de transgressão dos códigos socais, m, ao mm tempo, é 1 símbolo d harmonia c o universo e as suas forças cósmicas. - Saramago conseguir dotar esta personagem feminina de forças latentes e extraordinárias q permitem ao povo a sua sobrevivência, mm qd a repressão atinge requintes de sadismo. E qq época, há sp 1 Blimunda p contestar o poder e resistir. O Destino Humano Há sp 1 preocupação c o ser humano, a sua miséria e a sua luta, as injustiças e os seus anseios, a sua grandeza e os seus limites. A Critica - Apresenta-se cm 1 crítica cheia de ironia e sarcasmo à opulência do Rei e de alguns nobres, p/ oposição à extrema pobreza do povo. - O adultério e a corrupção dos costumes são factores de sátira ao longo da obra. O processo relativo
  • 19. - Ao misturar a história e a ficção, o real e o fantástico, consegue múltiplas formas de enunciação. Narrador c 1 polifonia ou pluralidade de vozes q reinventa mundos e os multiplica e q reinventa a própria linguagem. - O narrador revela-se quase sp omnisciente e assume a posição heterodiegética. A atitude do narrador principal p c o narrado aparentem/ contraditória: p 1 lado, temos 1 tentativa de aproximação à época retratada, ao reconstruir a cor local e epocal, m, p outro, dá-se 1 enorme distanciação, visível nas inúmeras prolepses e na ironia sarcástica utilizada p atacar alguns aspectos da História, fundamentalm/ os q se ligam às personagens socialm/ favorecidas. O narrador distancia-se do narrado pelas referências irónicas, m tb p 1 processo de afastamento temporal q o obriga a adaptar a linguagem e a distinguir entre vocabulário respeitante à época histórica retratada e outro q se reporta à actual. Linguagem e Estilo - Ausência de pontuação; - Uso de maiúscula no interior da frase; - Exclamações e “apartes”; - Utilização predominantem/ do presente – marca do fluir constante do narrador entre o passado e o presente; - Mistura de discursos – q aponta p 1 reminiscência da tradição oral, em q contador e ouvintes interagem; - Intervenção frequente do narrador através de comentários; - O tom simultaneam/ cómico, trágico e épico; - Emprego de aforismos, provérbios e ditados populares.