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Relacionamentos amorosos para homens e mulheres Idosos do Terceiro Milênio: novas configurações para antigas questões por Thiago de Almeida (Psicólogo e pesquisador do IPUSP – Departamento de Psicologia Clínica) Home page: www.thiagodealmeida.com.br
Amor é privilégio de maduros estendidos na mais estreita cama, que se torna a mais larga e mais relvosa, roçando, em cada poro, o céu do corpo. É isto, amor: o ganho não previsto, o prêmio subterrâneo e coruscante, leitura de relâmpago cifrado, que, decifrado, nada mais existe valendo a pena e o preço terrestre, salvo o minuto de ouro no relógio minúsculo, vibrando no crepúsculo. Amor é o que se aprende no limite,  depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida. Amor começa tarde. (Carlos Drummond de Andrade - Amor e seu tempo, p. 52)
Introdução Desde o nascimento, homens e mulheres participam de diferentes grupos; O primeiro grupo em que o homem participa é a família.  É por meio de suas primeiras interações com o mundo a sua volta que as pessoas desde bebês constroem sua identidade individual.
Quando o ser humano vai crescendo ele vai para creches, escolas, e demais tipos de grupos, formando a identidade social; Já quando adulto o ser humano forma novos grupos sociais, no trabalho, em clubes etc até constituir uma nova família; Enfim, as pessoas sempre estão vivendo em grupos.
O que é um grupo? Podem ser chamados de grupos a união de pessoas diferentes em busca de um mesmo objetivo. No entanto, como somos diferentes, temos hábitos e costumes diferentes. Assim, as vezes, é preciso estabelecer regras para que todos possamos viver bem.
O que é então “se relacionar”? “Relacionar-se” pressupõe formas tanto de conhecer a si mesmo, bem como para poder conhecer o outro e daí surgir o relacionamento entre duas pessoas ou mais.
	Atualmente, as pessoas querem estabelecer relacionamentos que lhes sejam considerados como fatores de satisfação. Contudo, alegam a falta de tempo e as inúmeras atividades para se desculparem por freqüentemente estabelecerem relacionamentos superficiais. Vivemos em um mundo onde a sociedade constantemente vive sobre os princípios de uma relação custo-benefício implícita aos contatos que desenvolvem: querem sempre mais do outro-- conhecer mais, saber “de mais”, ser mais — mas, o tempo tem que ser “de menos”.
O auto-conhecimento é fator primordial para que possamos viver bem em sociedade, relacionarmos com o outro, mas, parece que isso deixou de ser algo importante, para se tornar algo em desuso, antiquado. O avanço da tecnologia e da ciência, a cultura de massa, produz seres superficiais.
QUESTIONAMENTOS Por que devemos refletir acerca de nossas formas de nos relacionar? Será que temos que viver isolados num mundo de produção esquecendo o nosso conhecer? Quem não dialoga consigo mesmo terá algo para conversar com os outros ao seu entorno?
Devemos, pois, refletir, discutir o papel do conhecer, do conviver, do relacionar em nossas vidas e em sociedade.  Discutir os modelos teóricos e práticos, que podem tornar a convivência, o relacionamento mais que um mero acontecimento na vida de um ser humano.  Podemos tirar proveito de nossa existência humana, das paixões, do auto-conhecimento, do amor, do ódio, do saber, da moral e buscarmos um possível aprendizado com erros e acertos, para atingirmos um estado de auto-conhecimento, que seja essencial aos relacionamentos.
Os homens e as mulheres do Terceiro Milênio, vivendo em aglomerados urbanos não podem perder o seu tempo em tais abstrações. Muitas vezes, considera-se que a auto-reflexão é para gente de feitio ocioso, não é coisa de gente produtiva. Esse pensamento produz gente que faz mal para si mesmo e para a sociedade no qual está situada. As ocupações, as atividades diárias visa à aquisição de bens utilitários, não deixam o homem interiorizar-se, o travesseiro não é mais usado, não há mais diálogo com o seu mundo interior. Quem não dialoga consigo mesmo terá algo para conversar com os outros ao seu entorno?
A importância dos relacionamentos amorosos para o processo do “se relacionar”com o outro. O tema “relacionamentos amorosos” é uma das áreas mais importantes (e geralmente problemáticas) da vida das pessoas. Infelizmente, tal importância é mais bem percebida quando as coisas não vão bem. Quando isso acontece, tanto o nosso humor, como a nossa capacidade de concentração, a nossa energia, o nosso trabalho e a nossa saúde, dentre outras dimensões das nossas vidas, podem ser profundamente afetados. A reflexão sobre o cotidiano das relações nos proporciona o conhecimento mais aprofundado sobre nós mesmos, logo, conhecendo-nos melhor, tornarmo-nos mais aptos a compreender o outro. Este é o início de uma convivência mais harmoniosa.
A vida amorosa contemporânea é notadamente diferente da vivida pelas gerações antecessoras, posto que atualmente existe uma extensa gama de relacionamentos dentre os quais se podem citar: o ficar, o morar juntos, dentre muitas outras formas de interação amorosa. Descobrimos o amor, que desde cedo vivenciamos como modelo nas nossas relações, e com auxílio do auto-conhecimento, passamos a perceber o outro e as possibilidade do convívio. As facilidades e as dificuldades, os prazeres e os desprazeres, os ganhos e as perdas - são experiências inerentes à arte de conviver.
A exemplo do “se relacionar” Sêneca, um dos mais expoentes filósofos romanos, dizia que a velhice é boa como tudo o que é natural. Ele não reconhecia a velhice como sendo uma decadência, e dizia que era necessário que se aceitasse o processo de envelhecimento para que se pudesse ter tranqüilidade e aproveitar essa fase da vida.
A convivência com o idoso no Brasil De maneira especial, a realidade brasileira marginaliza as pessoas idosas. Isto não costuma ocorrer em outras culturas, como por exemplo, a cultura oriental que integra intensamente os idosos à vida social. Para estes, o velho não é sinônimo de senilidade e sim um sábio. São tratados com respeito que ele merece. Infelizmente, em muitos centros urbanos ocidentais e contemporâneos, acontece o contrário, transcendendo a conotação pejorativa dos brasileiros que, muitas vezes, não vêem a hora de internar seus idosos ou quando não os segregam dentro de suas próprias famílias.
Idosos sendo tratados como pessoas inferiores, pessoas que atrapalham a vida da família e muitos são deixados de lado, como se precisassem padecer pelo fato de serem idosos, de terem acumulado anos a sua vivência. Levando-se em consideração que a sociedade muitas vezes mina as expectativas de alguns segmentos sociais, como por exemplo, os idosos que querem firmar um relacionamento amoroso, tais atitudes podem causar uma paralisia nas motivações, ao menos momentânea, além de conflitos desnecessários para seus acometidos.
Deve-se repensar também que, em algumas situações, os idosos se excluem das atividades sociais alegando a idade como pretexto para se vitimizarem e se sentirem inúteis perante a sociedade. Isso gera uma exclusão na qual eles mesmos são os responsáveis diretos. É necessário, pois, ao idoso saber que à medida que a idade avança não se deve proceder e/ou ceder aos mecanismos de afastamento do convívio com os semelhantes. Logo, a marginalização do idoso é realmente um problema cultural.
	“Embora o aumento da longevidade represente uma conquista para a população e para a ciência, ainda prevalece socialmente a idéia de que envelhecer é algo a ser evitado. Em um contexto no qual o culto da juventude é cada vez mais reforçado, a velhice é permeada por estereótipos e preconceitos que a reduzem a uma fase de declínio e perdas” (COUTO, 2006, p. 321).
Com o decorrer dos anos é normal o surgimento de doenças, o distanciamento dos filhos, aposentadoria, morte de cônjuges e de amigos; a proximidade da morte também é outra ameaça que paira sobre as cabeças dos idosos, mas é necessário que se supere essas crises e com ajuda se necessário.  O apoio da família e dos amigos se torna fundamental para que esse processo se torne menos penoso e traumático. No entanto, a velhice não é o reduto de doenças relacionadas aos aspectos degenerativos do ser humano e muito menos a parada final da trajetória da vida.
  Segundo Néri (1993):  “Vários elementos são apontados como determinantes ou indicadores de bem-estar na velhice: longevidade; saúde biológica; saúde mental; satisfação; controle cognitivo; competência social; produtividade; atividade; eficácia cognitiva; status social; renda; continuidade de papéis familiares e ocupacionais, e continuidade de relações informais em grupos primários (principalmente rede de amigos)” (p. 10).
	Se além desses elementos acima, ainda a maturidade trouxer o afeto, a paixão, o namoro, o amor, o sexo, a cumplicidade, o companheirismo, dentre outros, o idoso pode estar certo que, poderá ter uma satisfatória vida afetiva onde as possibilidades de relacionamento amoroso nesta etapa da vida, apesar de algumas vezes serem difíceis, são mais viáveis do que muitas pessoas imaginam (Almeida & Lourenço, 2007).
Dessa forma, se o idoso permitir-se tais vivências pode-se supor que ele terá um envelhecimento positivo, ao contrário, daqueles que somente darão vazão a um saudosismo passivo, ou ainda, a quaisquer outras posicionamentos imobilizadores e negativos. Assim, existem várias possibilidades de envelhecer afetivo-sexualmente, desde as possibilidades mais negativas, que se distanciaram de qualquer tipo de investimento desta natureza, às mais positivas, que se mantiveram articuladas ao processo de desenvolvimento biopsicossocial no qual o afetivo-sexual comporta uma de suas principais dimensões. Contudo, infelizmente o que tem predominado é o aspecto negativo, velho como algo inútil, deteriorado, obsoleto, assexuado.
O sexo na Terceira Idade ainda está envolto em preconceitos, delírios de grandeza, complexos e frustrações, contudo a Terceira Idade não é necessariamente uma barreira para uma vida sexual ativa, onde a assexualidade marca presença, dado o ostracismo social pelo qual muitas vezes os idosos são influenciados. Homens e mulheres devem estar conscientes das mudanças que estão ocorrendo em seu corpo, e os parceiros devem investir mais em carícias, toques, beijos e carinhos durante todo o dia e não só na hora do ato sexual (CARDOSO, 2008).
Se a questão da afetividade e da sexualidade está presente em todos os momentos da vida, não será no processo do envelhecimento que estaria ausente. Contudo, percebe-se que ao investigarmos o processo de envelhecimento, que o conhecimento atual adquirido a respeito do mesmo, em relação a alguns temas como o estudo do amor e da sexualidade, carece de identidade, e é constituído por elementos de discursos teóricos e ideológicos fundamentados em legados herdados ultrapassados, muitas vezes, provenientes das ciências sociais e da medicina (Neri, 1993).
Mas, do que estamos nos referindo quando falamos sobre sexualidade? 	Quando nos referimos à sexualidade, não estamos nos remetendo a sexo, mas ao produto final de um longo e natural processo de desenvolvimento que começa no nascimento e envolve tudo o que somos, as nossas atitudes, como lidamos com as questões que nos circundam e como isso nos abala em uma relação afetiva interpessoal.
. 	O que a psicologia concebe por sexualidade não é, em absoluto, idêntica à união sexual entre um homem e uma mulher ou mesmo, teria o sentido exclusivo de sensações prazerosas produzidas/comunicadas pelos nossos órgãos genitais. Sexualidade é muito mais do que o intercurso do pênis à vagina culminando com o orgasmo masculino ou feminino.
Então, pode-se conceber o amor e a sexualidade, simultaneamente, como alguns dos principais elementos da interação humana e, também, como uma das principais diretrizes na estruturação das relações íntimas (Alferes, 1996; Denari, 1996; Almeida, 2003) ainda que para diferentes populações. Dessa forma, o amor e os relacionamentos afetivos sexuais estão se tornando cada vez mais uma condição indispensável para uma vida satisfatória e plenamente realizada, ao menos na concepção dos que o buscam (Almeida, 2008).
	A velhice assexuada é um mito.O amor e a sexualidade são vivências que não precisam se sujeitar à corrosão física do envelhecimento humanos. Para isso os idosos podem adotar algumas estratégias de enfrentamento para otimizarem este período da vida no qual estão inseridos.
Conclusão O ser humano somente sobrevive em função de sua inter-relação com o outro. A própria existência humana depende da inter-relação entre dois seres humanos. O “relacionar-se” é condição natural do homem. Nossos sentimentos, comportamentos e pensamentos norteiam todas as formas de interação. No entanto, freqüentemente, não nos apercebemos a enorme gama de variáveis aos quais estamos sujeitos. Sobretudo, no que diz respeito ao elemento pensamentos dessa tríade que direciona nossas vidas, pouco refletimos e identificamos, quanto as nossas crenças são determinantes na configuração de nossa personalidade.
Acredita-se que uma má compreensão da primeiramente do conceito de velhice para diferentes segmentos da população, das manifestações da sexualidade na Terceira Idade e dos seus processos subjetivos, leve a dificuldades desnecessárias de superação para os problemas, de forma que um esclarecimento acerca das informações distorcidas que se difundem em relação aos mitos existentes possa contribuir para a diminuição das crenças e tabus que se traduzem em preconceitos voltados para os idosos.
Ao contrário do que se pode pensar, a velhice é uma idade tão frutífera como qualquer outra no que se refere à vivência do amor e em relação ao exercício positivo da sexualidade. Infelizmente, existem muitos mitos que dificultam a compreensão de como a vivência do amor e da sexualidade que estão relacionadas com pessoas de idade avançada.
Às vezes, é necessário que se busque ajuda de caráter psicoterápico (psicoterapia individual, de casais, etc), ou ainda, a prescrição de uma intervenção medicamentosa para que esses consigam realizar seus desejos latentes, para perderem o medo, a insegurança, e assim, assumirem perante a sociedade o direito que têm de exercer uma vida plena de seus direitos e de qualidade de vida.
A todos vocês meu muito obrigado e... Ao amor... Sempre!!

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Relacionamentos Amorosos Para Homens E Mulheres De Terceiro

  • 1. Relacionamentos amorosos para homens e mulheres Idosos do Terceiro Milênio: novas configurações para antigas questões por Thiago de Almeida (Psicólogo e pesquisador do IPUSP – Departamento de Psicologia Clínica) Home page: www.thiagodealmeida.com.br
  • 2. Amor é privilégio de maduros estendidos na mais estreita cama, que se torna a mais larga e mais relvosa, roçando, em cada poro, o céu do corpo. É isto, amor: o ganho não previsto, o prêmio subterrâneo e coruscante, leitura de relâmpago cifrado, que, decifrado, nada mais existe valendo a pena e o preço terrestre, salvo o minuto de ouro no relógio minúsculo, vibrando no crepúsculo. Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida. Amor começa tarde. (Carlos Drummond de Andrade - Amor e seu tempo, p. 52)
  • 3. Introdução Desde o nascimento, homens e mulheres participam de diferentes grupos; O primeiro grupo em que o homem participa é a família. É por meio de suas primeiras interações com o mundo a sua volta que as pessoas desde bebês constroem sua identidade individual.
  • 4. Quando o ser humano vai crescendo ele vai para creches, escolas, e demais tipos de grupos, formando a identidade social; Já quando adulto o ser humano forma novos grupos sociais, no trabalho, em clubes etc até constituir uma nova família; Enfim, as pessoas sempre estão vivendo em grupos.
  • 5. O que é um grupo? Podem ser chamados de grupos a união de pessoas diferentes em busca de um mesmo objetivo. No entanto, como somos diferentes, temos hábitos e costumes diferentes. Assim, as vezes, é preciso estabelecer regras para que todos possamos viver bem.
  • 6. O que é então “se relacionar”? “Relacionar-se” pressupõe formas tanto de conhecer a si mesmo, bem como para poder conhecer o outro e daí surgir o relacionamento entre duas pessoas ou mais.
  • 7.
  • 8. Atualmente, as pessoas querem estabelecer relacionamentos que lhes sejam considerados como fatores de satisfação. Contudo, alegam a falta de tempo e as inúmeras atividades para se desculparem por freqüentemente estabelecerem relacionamentos superficiais. Vivemos em um mundo onde a sociedade constantemente vive sobre os princípios de uma relação custo-benefício implícita aos contatos que desenvolvem: querem sempre mais do outro-- conhecer mais, saber “de mais”, ser mais — mas, o tempo tem que ser “de menos”.
  • 9. O auto-conhecimento é fator primordial para que possamos viver bem em sociedade, relacionarmos com o outro, mas, parece que isso deixou de ser algo importante, para se tornar algo em desuso, antiquado. O avanço da tecnologia e da ciência, a cultura de massa, produz seres superficiais.
  • 10. QUESTIONAMENTOS Por que devemos refletir acerca de nossas formas de nos relacionar? Será que temos que viver isolados num mundo de produção esquecendo o nosso conhecer? Quem não dialoga consigo mesmo terá algo para conversar com os outros ao seu entorno?
  • 11. Devemos, pois, refletir, discutir o papel do conhecer, do conviver, do relacionar em nossas vidas e em sociedade. Discutir os modelos teóricos e práticos, que podem tornar a convivência, o relacionamento mais que um mero acontecimento na vida de um ser humano. Podemos tirar proveito de nossa existência humana, das paixões, do auto-conhecimento, do amor, do ódio, do saber, da moral e buscarmos um possível aprendizado com erros e acertos, para atingirmos um estado de auto-conhecimento, que seja essencial aos relacionamentos.
  • 12. Os homens e as mulheres do Terceiro Milênio, vivendo em aglomerados urbanos não podem perder o seu tempo em tais abstrações. Muitas vezes, considera-se que a auto-reflexão é para gente de feitio ocioso, não é coisa de gente produtiva. Esse pensamento produz gente que faz mal para si mesmo e para a sociedade no qual está situada. As ocupações, as atividades diárias visa à aquisição de bens utilitários, não deixam o homem interiorizar-se, o travesseiro não é mais usado, não há mais diálogo com o seu mundo interior. Quem não dialoga consigo mesmo terá algo para conversar com os outros ao seu entorno?
  • 13. A importância dos relacionamentos amorosos para o processo do “se relacionar”com o outro. O tema “relacionamentos amorosos” é uma das áreas mais importantes (e geralmente problemáticas) da vida das pessoas. Infelizmente, tal importância é mais bem percebida quando as coisas não vão bem. Quando isso acontece, tanto o nosso humor, como a nossa capacidade de concentração, a nossa energia, o nosso trabalho e a nossa saúde, dentre outras dimensões das nossas vidas, podem ser profundamente afetados. A reflexão sobre o cotidiano das relações nos proporciona o conhecimento mais aprofundado sobre nós mesmos, logo, conhecendo-nos melhor, tornarmo-nos mais aptos a compreender o outro. Este é o início de uma convivência mais harmoniosa.
  • 14. A vida amorosa contemporânea é notadamente diferente da vivida pelas gerações antecessoras, posto que atualmente existe uma extensa gama de relacionamentos dentre os quais se podem citar: o ficar, o morar juntos, dentre muitas outras formas de interação amorosa. Descobrimos o amor, que desde cedo vivenciamos como modelo nas nossas relações, e com auxílio do auto-conhecimento, passamos a perceber o outro e as possibilidade do convívio. As facilidades e as dificuldades, os prazeres e os desprazeres, os ganhos e as perdas - são experiências inerentes à arte de conviver.
  • 15. A exemplo do “se relacionar” Sêneca, um dos mais expoentes filósofos romanos, dizia que a velhice é boa como tudo o que é natural. Ele não reconhecia a velhice como sendo uma decadência, e dizia que era necessário que se aceitasse o processo de envelhecimento para que se pudesse ter tranqüilidade e aproveitar essa fase da vida.
  • 16.
  • 17. A convivência com o idoso no Brasil De maneira especial, a realidade brasileira marginaliza as pessoas idosas. Isto não costuma ocorrer em outras culturas, como por exemplo, a cultura oriental que integra intensamente os idosos à vida social. Para estes, o velho não é sinônimo de senilidade e sim um sábio. São tratados com respeito que ele merece. Infelizmente, em muitos centros urbanos ocidentais e contemporâneos, acontece o contrário, transcendendo a conotação pejorativa dos brasileiros que, muitas vezes, não vêem a hora de internar seus idosos ou quando não os segregam dentro de suas próprias famílias.
  • 18. Idosos sendo tratados como pessoas inferiores, pessoas que atrapalham a vida da família e muitos são deixados de lado, como se precisassem padecer pelo fato de serem idosos, de terem acumulado anos a sua vivência. Levando-se em consideração que a sociedade muitas vezes mina as expectativas de alguns segmentos sociais, como por exemplo, os idosos que querem firmar um relacionamento amoroso, tais atitudes podem causar uma paralisia nas motivações, ao menos momentânea, além de conflitos desnecessários para seus acometidos.
  • 19. Deve-se repensar também que, em algumas situações, os idosos se excluem das atividades sociais alegando a idade como pretexto para se vitimizarem e se sentirem inúteis perante a sociedade. Isso gera uma exclusão na qual eles mesmos são os responsáveis diretos. É necessário, pois, ao idoso saber que à medida que a idade avança não se deve proceder e/ou ceder aos mecanismos de afastamento do convívio com os semelhantes. Logo, a marginalização do idoso é realmente um problema cultural.
  • 20. “Embora o aumento da longevidade represente uma conquista para a população e para a ciência, ainda prevalece socialmente a idéia de que envelhecer é algo a ser evitado. Em um contexto no qual o culto da juventude é cada vez mais reforçado, a velhice é permeada por estereótipos e preconceitos que a reduzem a uma fase de declínio e perdas” (COUTO, 2006, p. 321).
  • 21. Com o decorrer dos anos é normal o surgimento de doenças, o distanciamento dos filhos, aposentadoria, morte de cônjuges e de amigos; a proximidade da morte também é outra ameaça que paira sobre as cabeças dos idosos, mas é necessário que se supere essas crises e com ajuda se necessário. O apoio da família e dos amigos se torna fundamental para que esse processo se torne menos penoso e traumático. No entanto, a velhice não é o reduto de doenças relacionadas aos aspectos degenerativos do ser humano e muito menos a parada final da trajetória da vida.
  • 22. Segundo Néri (1993): “Vários elementos são apontados como determinantes ou indicadores de bem-estar na velhice: longevidade; saúde biológica; saúde mental; satisfação; controle cognitivo; competência social; produtividade; atividade; eficácia cognitiva; status social; renda; continuidade de papéis familiares e ocupacionais, e continuidade de relações informais em grupos primários (principalmente rede de amigos)” (p. 10).
  • 23. Se além desses elementos acima, ainda a maturidade trouxer o afeto, a paixão, o namoro, o amor, o sexo, a cumplicidade, o companheirismo, dentre outros, o idoso pode estar certo que, poderá ter uma satisfatória vida afetiva onde as possibilidades de relacionamento amoroso nesta etapa da vida, apesar de algumas vezes serem difíceis, são mais viáveis do que muitas pessoas imaginam (Almeida & Lourenço, 2007).
  • 24. Dessa forma, se o idoso permitir-se tais vivências pode-se supor que ele terá um envelhecimento positivo, ao contrário, daqueles que somente darão vazão a um saudosismo passivo, ou ainda, a quaisquer outras posicionamentos imobilizadores e negativos. Assim, existem várias possibilidades de envelhecer afetivo-sexualmente, desde as possibilidades mais negativas, que se distanciaram de qualquer tipo de investimento desta natureza, às mais positivas, que se mantiveram articuladas ao processo de desenvolvimento biopsicossocial no qual o afetivo-sexual comporta uma de suas principais dimensões. Contudo, infelizmente o que tem predominado é o aspecto negativo, velho como algo inútil, deteriorado, obsoleto, assexuado.
  • 25.
  • 26. O sexo na Terceira Idade ainda está envolto em preconceitos, delírios de grandeza, complexos e frustrações, contudo a Terceira Idade não é necessariamente uma barreira para uma vida sexual ativa, onde a assexualidade marca presença, dado o ostracismo social pelo qual muitas vezes os idosos são influenciados. Homens e mulheres devem estar conscientes das mudanças que estão ocorrendo em seu corpo, e os parceiros devem investir mais em carícias, toques, beijos e carinhos durante todo o dia e não só na hora do ato sexual (CARDOSO, 2008).
  • 27. Se a questão da afetividade e da sexualidade está presente em todos os momentos da vida, não será no processo do envelhecimento que estaria ausente. Contudo, percebe-se que ao investigarmos o processo de envelhecimento, que o conhecimento atual adquirido a respeito do mesmo, em relação a alguns temas como o estudo do amor e da sexualidade, carece de identidade, e é constituído por elementos de discursos teóricos e ideológicos fundamentados em legados herdados ultrapassados, muitas vezes, provenientes das ciências sociais e da medicina (Neri, 1993).
  • 28. Mas, do que estamos nos referindo quando falamos sobre sexualidade? Quando nos referimos à sexualidade, não estamos nos remetendo a sexo, mas ao produto final de um longo e natural processo de desenvolvimento que começa no nascimento e envolve tudo o que somos, as nossas atitudes, como lidamos com as questões que nos circundam e como isso nos abala em uma relação afetiva interpessoal.
  • 29. . O que a psicologia concebe por sexualidade não é, em absoluto, idêntica à união sexual entre um homem e uma mulher ou mesmo, teria o sentido exclusivo de sensações prazerosas produzidas/comunicadas pelos nossos órgãos genitais. Sexualidade é muito mais do que o intercurso do pênis à vagina culminando com o orgasmo masculino ou feminino.
  • 30. Então, pode-se conceber o amor e a sexualidade, simultaneamente, como alguns dos principais elementos da interação humana e, também, como uma das principais diretrizes na estruturação das relações íntimas (Alferes, 1996; Denari, 1996; Almeida, 2003) ainda que para diferentes populações. Dessa forma, o amor e os relacionamentos afetivos sexuais estão se tornando cada vez mais uma condição indispensável para uma vida satisfatória e plenamente realizada, ao menos na concepção dos que o buscam (Almeida, 2008).
  • 31. A velhice assexuada é um mito.O amor e a sexualidade são vivências que não precisam se sujeitar à corrosão física do envelhecimento humanos. Para isso os idosos podem adotar algumas estratégias de enfrentamento para otimizarem este período da vida no qual estão inseridos.
  • 32. Conclusão O ser humano somente sobrevive em função de sua inter-relação com o outro. A própria existência humana depende da inter-relação entre dois seres humanos. O “relacionar-se” é condição natural do homem. Nossos sentimentos, comportamentos e pensamentos norteiam todas as formas de interação. No entanto, freqüentemente, não nos apercebemos a enorme gama de variáveis aos quais estamos sujeitos. Sobretudo, no que diz respeito ao elemento pensamentos dessa tríade que direciona nossas vidas, pouco refletimos e identificamos, quanto as nossas crenças são determinantes na configuração de nossa personalidade.
  • 33. Acredita-se que uma má compreensão da primeiramente do conceito de velhice para diferentes segmentos da população, das manifestações da sexualidade na Terceira Idade e dos seus processos subjetivos, leve a dificuldades desnecessárias de superação para os problemas, de forma que um esclarecimento acerca das informações distorcidas que se difundem em relação aos mitos existentes possa contribuir para a diminuição das crenças e tabus que se traduzem em preconceitos voltados para os idosos.
  • 34. Ao contrário do que se pode pensar, a velhice é uma idade tão frutífera como qualquer outra no que se refere à vivência do amor e em relação ao exercício positivo da sexualidade. Infelizmente, existem muitos mitos que dificultam a compreensão de como a vivência do amor e da sexualidade que estão relacionadas com pessoas de idade avançada.
  • 35. Às vezes, é necessário que se busque ajuda de caráter psicoterápico (psicoterapia individual, de casais, etc), ou ainda, a prescrição de uma intervenção medicamentosa para que esses consigam realizar seus desejos latentes, para perderem o medo, a insegurança, e assim, assumirem perante a sociedade o direito que têm de exercer uma vida plena de seus direitos e de qualidade de vida.
  • 36. A todos vocês meu muito obrigado e... Ao amor... Sempre!!