Copyright © dos autores, 2008

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Editora Garamond Ltda.
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E-mail: editora@garamond.com.br




Coordenação
Maria Alzira Brum Lemos

CONSELHO EDITORIAL
Bertha K. Becker
Candido Mendes
Cristovam Buarque
Ignacy Sachs
Jurandir Freire Costa
Ladislau Dowbor
Pierre Salama




Todos os direitos reservados. A reprodução não-autorizada desta publicação, por
qualquer meio, seja total ou parcial, constitui violação da Lei nº 9.610/98.
Expediente

Organização Geral
Marcelo Paixão – Coordenador Geral LAESER
Luiz Marcelo Carvano – Coordenador Técnico LAESER

Texto Final & Idealização da Capa
Marcelo Paixão

Programação de Dados e Cruzamento de Indicadores e Estatística
Luiz Marcelo Carvano

Assistente de Pesquisa e de Organização
Sandra Ribeiro

Colaboradores com contribuições escritas
Cléber Julião – Cap. 7, “Os Marcos Jurídicos de Ação Contra o Racismo e à Promoção da Igualdade Racial”
Irene Rossetto – Cap. 6, “Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça”. Boxes 6.1 (Furacão Katrina: a cor
de um desastre) 6.2 (Distintas metodologias para a construção das Linhas de Indigência Pobreza: como variam as
assimetrias de cor ou raça desse indicador?), 6.3 (Arranjos familiares e a intensidade da incidência da indigência e
da pobreza), 6.4 (Guerra civil na França: protesto de jovens afro-descendente residentes nas banlieues, 2005), 6.6
(Chegando mais tarde ao Século XXI: assimetrias de cor ou raça nos indicadores de inclusão digital). Cap. 7, Boxes
7.3 (Terras Negras na Colômbia) e 7.4 (A Stolen Generations da Austrália: aspectos de uma política pública racista)
Leila Ervatti – Cap 2, “Evolução Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou a Raça; cálculo dos indicadores
demográficos de estimativa indireta”
Raquel Souzas – Cap. 3, Box 3.4, “A Perspectiva Teórica de Estudo dos Padrões de Mortalidade da População
Desagregada Pela Variável Cor ou Raça”
Renato Ferreira – Cap. 4, Box 4.5, “O Acesso Recente de Estudantes Afro-descendentes nas Universidades
Brasileiras: qual o estado da arte?”
Sandra Ribeiro – Cap. 7, Subseção 7.1.5, “Considerações Gerais Sobre o Perfil de Sexo e Cor ou Raça do Poder
Político no Brasil”

Bolsistas de Graduação
Bruna Cássia do Nascimento – IFCS / UFRJ
Moacir Carlos da Silva – FCE / UERJ
Raquel Cabral – IFCS / UFRJ
Rodrigo Martins (Bolsista PIBICT/CNPq) – IE / UFRJ
Talia Tumelero – Faculdade de Direito / CESUSC

Editoração eletrônica
Maraca Design

Copy-Desk e Revisão de Texto
Daniele Carvalho
João Borges
Luiz Paulo Correa e Castro

Revisão Final
Anna Paula Meirelles de Azevedo

Capa
Victor Marques

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www.laeser.ieufrj.br




4            Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
Agradecimentos

Ana Toni – Fundação Ford; Alma Jenkins – UNICEF; Aloísio Teixeira – Reitor da UFRJ;
Ancelmo Góis – Colunista, Jornal O Globo; Antônio Góis – Jornal Folha de São Paulo;
Amaury Mendes – UEZO; à Assessoria de Imprensa da UFRJ; Ary Barradas – Diretor
Adjunto Administrativo do IE/UFRJ; Ari Roitman – Editora Garamond; Cássia Almeida –
Jornal O Globo; Cida Bento – CEERT; Daniela Dariano - Jornal O Dia; Débora Silva Santos
– UNIAFRO/SESU/MEC; Deise Benedito – Fala Preta!; Denise Dora – Fundação Ford;
Diogo Arada – Message Informática; Edna Roland – Relatora da Conferência Mundial
Contra o Racismo, Durban, 2001; Eliane Faerstein – OXFAM-NOVIB; Élio Gaspari –
Colunista, O Globo / Folha de São Paulo; Elizete Menegat, UFJF; Fabiana Cimieri – Jornal
O Estado de São Paulo; Fabiana del Popolo – CELADE-CEPAL; Fernanda Carvalho –
IBASE; Fernanda da Escóssia – Jornalista, O Globo; Flávia Oliveira, Colunista, Jornal
O Globo; Flávio Gomes, Professor do IFCS/UFRJ; Fernando Urrea Giraldo – Professor
Universidad del Valle, Cali / Colômbia; Frei David – EDUCAFRO; à Fundação Ford; à
Fundação José Bonifácio; Guilherme Almeida – NEV-USP; ao Instituto de Economia
/ UFRJ; João Feres – Professor IUPERJ; Jô Soares – Apresentador de Programa de
Televisão, Rede Globo; João Bosco Machado – Ex-Diretor Adjunto Administrativo IE/
UFRJ; João Sabóia – Diretor Geral IE/UFRJ; Jhon Anthón – Coordenador do Sistema de
Indicadores Sociais do Povo Afro-Equatoriano (SISPAE); Judith Morrison – Inter-American
Foundation; Juliana Lima, Advogada PRR Consultoria; Jurema Werneck – CRIOLA;
Leandro Vallareli – Consultor; Leonarda Musumeci – Professora IE/UFRJ; Liana Melo,
Jornal O Globo; Luciano Cerqueira – IBASE; Luís Silveira – TSE; Luiz Cláudio Dantas –
FUJB; Luiz Fernando Guedes Pinto – IMAFLORA; Luiza Fernanda Figueiredo Martins
– FUJB; Luli Garcia – Assessoria de Comunicação IE/UFRJ; Luz Marilda - INCRA;
Marcelo Erthal – Message Informática; Marcelo Gaba Mesquita – Jornalista; Marcelo
Figueiredo – Professor UFF; Marildo Menegat – ESS/UFRJ; Mario Sérgio Pinheiro,
Advogado PRR Consultoria; Mario Magalhães - Ombudsman – Folha de São Paulo;
Mauricio Reis - Fundação Cultural Palmares; Miriam Leitão – Colunista, Jornal O Globo;
à Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e Cultura (MEC/SESu) /
UNIAFRO; Nilce Costa de Lira – Pró-Reitoria de Finanças e Administração (PR-3) UFRJ;
Paulo Lins – Escritor; Patrícia Mello – Fundação Ford; Renata Là Roverè – Professora
IE/UFRJ; Renato Emerson – Professor UERJ, Campus de São Gonçalo; Ricardo Mello –
Economista; Romero Rodríguez – Rede de Organizações Afro Latino e Caribenhas, Aliança
Estratégica; Valéria Pero – Professora IE/UFRJ; Wallison Araújo – UNIAFRO/SESU/MEC;
Sandra Aragon – Alto Comissariado das Nações Unidas Para os Direitos Humanos; Sueli
Carneiro – GELEDÉS; Tatiana Vieira –TSE.




                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008      5
Apoio principal




                                                        Apoio




6   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
Sumário

Expediente
	
Agradecimentos . ................................................................................................................................................................................................ 5

1. Apresentação: no que consiste o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil?.......................................... 11

2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça........................................................ 21
	    2.1	 Evolução Demográfica da População Brasileira; 1995 - 2006.................................................................................................................... 23
	 2.2. Distribuição Regional da População Brasileira................................................................................................................................................                                27
	 2.3. Pirâmides Etárias.........................................................................................................................................................................................................   27
	 2.4. Idade Mediana da População Brasileira.............................................................................................................................................................                           31
	 2.5. Razão de Sexos............................................................................................................................................................................................................   32
	 2.6. Indicadores Demográficos de Mensuração Através de Estimativas Indiretas.....................................................................................                                                                 32
		     2.6.1. Fecundidade.....................................................................................................................................................................................................      35
		     2.6.2. Mortalidade Infantil e na Infância............................................................................................................................................................                        38
		     2.6.3. Esperança de Vida ao Nascer.....................................................................................................................................................................                      39

3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça.................................................... 41
	    3.1. Informações Metodológicas Preliminares......................................................................................................................................................... 43
	 3.2. Razão de Mortalidade Por 100 Mil Habitantes Por Causas Específicas de Óbito...............................................................................                                                                   44
	 3.3. Idade Mediana dos Óbitos......................................................................................................................................................................................               46
	 3.4. Composição das Causas de Mortalidade da População Brasileira...........................................................................................................                                                      46
	 3.5. Análise de Causas de Mortalidade Selecionadas ..........................................................................................................................................                                     48
		     3.5.1. Doenças do Aparelho Circulatório...........................................................................................................................................................                           48
		     3.5.2. Composição das Causas Externas de Mortalidade . .........................................................................................................................                                             49
		     3.5.3. Homicídios........................................................................................................................................................................................................    50
		     3.5.4. Acidentes de Transporte..............................................................................................................................................................................                 53
		     3.5.5. Mortes Por Suicídio e Por Overdose de Drogas..................................................................................................................................                                        53
		     3.5.6. Mortalidade Por Tuberculose ...................................................................................................................................................................                       55
		     3.5.7. Mortalidade Por AIDS....................................................................................................................................................................................              56
		     3.5.8. Mortalidade Por Algumas Doenças Infecciosas e Parasitárias Típicas da Pobreza................................................................                                                                         56
		     3.5.9. Mortalidade Por Gravidez, Parto e Puerpério......................................................................................................................................                                     58
		     3.5.10. Causas Mal Definidas de Mortalidade..................................................................................................................................................                                59
		     3.5.11. Mortalidade Por Anemia Falciforme......................................................................................................................................................                              59
		     3.5.12. Mortalidade Por Doenças Alcoólicas do Fígado...............................................................................................................................                                          61

4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino.......................................................................................... 65
                                                                                                            .
	    4.1. Alfabetização da População Brasileira................................................................................................................................................................ 67
	 4.2. Evolução do Número Médio de Anos de Estudos da População Brasileira..........................................................................................                                                                69
	 4.3. Indicadores Quantitativos de Cobertura da Rede Escolar..........................................................................................................................                                             71
		     4.3.1. Taxa de Cobertura do Sistema Escolar....................................................................................................................................................                              71
		      4.3.2. Taxa Bruta de Escolaridade........................................................................................................................................................................                   73
	 4.4. Indicadores da Qualidade do Sistema de Ensino e do Aproveitamento Escolar................................................................................                                                                    75
		     4.4.1. Taxa Líquida de Escolaridade.....................................................................................................................................................................                     75
		     4.4.2. Taxa de Adequação de Crianças e Jovens ao Sistema de Ensino.................................................................................................                                                          77
		     4.4.3. Taxa de Eficiência do Sistema de Ensino...............................................................................................................................................                                78
		     4.4.4. Indicadores de Rendimento Escolar........................................................................................................................................................                             80
	 4.5. Acesso ao Ensino Superior......................................................................................................................................................................................              81

5. Desigualdades de Cor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho.............................................................................. 87
	    5.1. Evolução da Participação no Mercado de Trabalho....................................................................................................................................... 89
	         5.2. Taxa de Participação no Mercado de Trabalho .............................................................................................................................................. 90



                                                                                                            Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                               7
5.3. PEA Ocupada no Mercado de Trabalho.............................................................................................................................................................                           90
		          5.3.1. Evolução da PEA Ocupada no Mercado de Trabalho.......................................................................................................................                                              91
		          5.3.2. Instrução da PEA Ocupada........................................................................................................................................................................                   91
		          5.3.3. Posição na Ocupação....................................................................................................................................................................................            93
		          5.3.4. Incidência das Formas de Trabalho Sem Proteção Legal................................................................................................................                                               95
		          5.3.5. Ocupação Segundo Ramo de Atividade...............................................................................................................................................
                                                                             .                                                                                                                                                        99
		          5.3.6. Jornada de Trabalho......................................................................................................................................................................................          100
	      5.4. Evolução da Desocupação Aberta......................................................................................................................................................................                      100
	      5.5. Padrões de Rendimento da Atividade Principal.............................................................................................................................................                                 103
		          5.5.1. Rendimento do Trabalho Principal...........................................................................................................................................................                        103
		          5.5.2. Decomposição dos Níveis de Rendimento Por Decis.......................................................................................................................                                             106
	      5.6. Presença no Mercado de Trabalho de Crianças e Jovens ..........................................................................................................................                                           108
		          5.6.1. Trabalho de Crianças de cinco a nove Anos de Idade.......................................................................................................................                                          108
5.6.2. Trabalho de Crianças de 10 a 14 Anos de Idade.......................................................................................................................................................                           108
		          5.6.3. Trabalho de Adolescentes de 15 a 17 Anos de Idade........................................................................................................................                                          109
	      5.7. Contribuintes e Beneficiários da Previdência Social......................................................................................................................................                                 111

6. Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça.......................................................................................................... 113
	    6.1. Decomposição dos Níveis de Rendimentos Médio Domiciliar Per Capita Por Decis........................................................................ 115
	 6.2. Decomposição dos Decis de Rendimento Médio Domiciliar Per Capita da População Brasileira...............................................                                                                                        116
	 6.3. Medidas de Concentração de Renda..................................................................................................................................................................                             117
	 6.4. Indicadores de Carência Material: Pobreza e Indigência.............................................................................................................................                                            119
	 6.5. Participação dos Grupos de Cor ou Raça na População Abaixo da Linha de Indigência e de Pobreza.....................................                                                                                            123
	 6.6. Programas Governamentais de Transferência de Rendimentos..............................................................................................................                                                         126
		      6.6.1. Comentários Metodológicos Preliminares............................................................................................................................................                                     126
		      6.6.2. Quantidade Relativa de Domicílios Beneficiários das Políticas Governamentais de Transferências de Rendimentos.......                                                                                                   127
		      6.6.3. Efeitos das Políticas Governamentais de Transferências de Rendimentos Sobre as Assimetrias de Cor ou Raça...........                                                                                                   129
	 6.7. Índice de Desenvolvimento Humano ................................................................................................................................................................                              131
	 6.8. Acesso a Serviços de Uso Coletivo e Condições Habitacionais . ..............................................................................................................                                                   134
		      6.8.1. Acesso ao Abastecimento de Água Canalizada..................................................................................................................................                                           134
		      6.8.2. Acesso ao Descarte do Esgotamento Sanitário Através da Rede Geral.....................................................................................                                                                 136
	 6.9. Bens de Consumo Duráveis....................................................................................................................................................................................                   136
	 6.10. Acesso à Terra.............................................................................................................................................................................................................   138

7. Acesso ao Poder Institucional, Políticas Públicas e Marcos Legais........................................................................................ 143
	     7.1. A Cor do Poder Político e Institucional no Brasil.............................................................................................................................................. 145
		     7.1.1. Explicações Metodológicas Preliminares...............................................................................................................................................
                                                                        .                                                                                                                                                             145
		     7.1.2. Instância do Poder Executivo: Órgãos do Governo Federal Dedicados às Políticas de Equidade Racial.......................                                                                                                146
		     7.1.3. Instâncias do Poder Legislativo..................................................................................................................................................................                       148
			            7.1.3.1. Câmara dos Deputados ................................................................................................................................................................                         148
			            7.1.3.2. Senado Federal . ..............................................................................................................................................................................               151
		     7.1.4. Cor da Alta Magistratura Brasileira...........................................................................................................................................................
                                                            .                                                                                                                                                                         151
		     7.1.5. Considerações Gerais Sobre o Perfil de Cor ou Raça e Sexo do Poder Político no Brasil....................................................                                                                               151
	 7.2. Comunidades Remanescentes de Quilombos . ..............................................................................................................................................                                        152
		     7.2.1. Marcos Legais das Comunidades Quilombolas...................................................................................................................................                                            152
		     7.2.2. Titulação de Terras de Remanescentes de Quilombos.....................................................................................................................                                                  154
	 7.3. Orçamento da União em Políticas de Ação Afirmativa e Equidade Racial (1995-2007)....................................................................                                                                           160
	 7.4. Dimensões Simbólicas das Desigualdades: feriados e bens tombados pelo Iphan..........................................................................                                                                          166
	 7.5. Os Marcos Jurídicos de Ação Contra o Racismo e de Promoção da Igualdade Racial......................................................................                                                                           168
		     7.5.1. Legislação Contra a Discriminação Racial..............................................................................................................................................                                  168
		     7.5.2. Os Julgamentos dos Casos de Racismo em Segunda Instância: aspectos metodológicos................................................                                                                                        169
		     7.5.3. Os Julgamentos dos Casos de Racismo em Segunda Instância: resultados do banco de dados Júris / LAESER........                                                                                                           172
			            7.5.3.1. Perfil de Vítimas e Réus . ...............................................................................................................................................................                    172
			            7.5.3.2. Natureza das Ações Intentadas..................................................................................................................................................                               172
			            7.5.3.3. Julgamento de Ações Procedentes..........................................................................................................................................                                     173
			            7.5.3.4. Resultado dos Julgamentos em Segunda Instância...........................................................................................................                                                     174


8                       Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
8. Conclusão Geral do Relatório................................................................................................................................................................... 177
	    8.1. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça............................................................................. 179
	         8.2. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça........................................................................                                                                    180
	         8.3. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino............................................................................................................                                                   183
	         8.4. Desigualdades de Cor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho................................................................................................                                                           185
	         8.5. Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça...........................................................................................................................                                          189
	         8.6. Acesso ao Poder Institucional, Políticas Públicas e Marcos Legais..........................................................................................................                                               191

Bibliografia	 ......................................................................................................................................................................................................... 195

Glossário	                 ......................................................................................................................................................................................................... 203

Siglas		                   .................................................................................................................................................................................................................. 209




                                                                                                              Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                  9
10   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
1. Apresentação




Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008   11
12   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
1- Apresentação




1.1. No que consiste o Relatório Anual das                                     de dados do Sistema Único de Saúde / Ministério da Saúde (Datasus /
Desigualdades Raciais no Brasil?                                               MS): Sistema de informação de Mortalidade (SIM). Instituto Nacio-
                                                                               nal de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira / Ministério
     Esta é a primeira edição do Relatório Anual das Desigualdades Ra-         da Educação (Inep / MEC): Sistema de Avaliação da Educação Básica
ciais no Brasil. A cada ano, o Relatório analisará a evolução dos indica-      (Saeb).
dores sociais dos distintos grupos de cor ou raça e sexo em todo o territó-
rio nacional, incluindo suas correspondentes unidades constitutivas.               Finalmente, os indicadores de terceira geração estão relaciona-
                                                                               dos às bases de informações oficiais, atualmente dispersas ou não
    O Relatório tem por missão:                                                sistematizadas, mas que contêm informações importantes sobre
                                                                               os grupos de cor ou raça no Brasil, exigindo um esforço próprio
I) sistematizar e refletir sobre os avanços e recuos da eqüidade ra-           de sistematização. Tal como será visto neste mesmo Relatório,
cial e de gênero no país, em seus diversos aspectos;                           incluem-se nesta categoria os dados sobre: Orçamento Geral da
II) constituir uma referência para estudiosos e militantes do tema;            União, Comunidades de Remanescentes de Quilombos, bens tom-
III) contribuir para a formulação, aplicação e avaliação de políti-            bados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
cas públicas, sejam as sociais em geral, sejam as de promoção da               (Iphan), perfil de cor ou raça dos ocupantes dos três poderes no
eqüidade dos grupos de cor ou raça;                                            Brasil, resultados dos casos de julgamento das denúncias formais
IV) servir como meio de divulgação das condições de vida da popu-              por discriminação racial, entre outras fontes.
lação brasileira, desagregada pelos grupos de cor ou raça e sexo;
V) formular denúncias e alertas, visando reverter situações de sofri-
mento e privação enfrentadas pelos afro-descendentes brasileiros.              1.3. Quais são os alertas metodológicos
                                                                               preliminares importantes?

1.2. Quais são as fontes de informações?                                           Tendo em vista estar fundamentado em pesquisas sócio-de-
                                                                               mográficas oficiais, o Relatório incorporará todas as potenciali-
    As bases de dados utilizadas são e serão, fundamentalmente,                dades e limites destes levantamentos. Assim, a qualidade dos in-
as oficiais, produzidas por órgãos do governo, preferencialmente               dicadores que estarão sendo analisados dependerá da qualidade
em seu formato de microdados, permitindo cruzamentos e recor-                  das fontes primárias de cada base de informações. Por exemplo,
tes apropriados à missão do Relatório. Em alguns casos, quando                 as bases de dados produzidas pelo Datasus, ainda hoje, padecem
não existirem bases oficiais organizadas, serão utilizadas fontes              do problema da perda de registros decorrente da não notificação
alternativas de informações organizadas por pesquisadores do                   dos casos relevantes às autoridades competentes. Tal problema,
próprio Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais                portanto, diz respeito não somente ao quesito cor ou raça, mas ao
e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER).                                  conjunto da fonte de informações estatísticas.

    No estudo das assimetrias raciais no Brasil, podem ser identi-                  No que tange ao quesito cor ou raça, as principais pesquisas e re-
ficadas três gerações de indicadores sociais. De algum modo, to-               gistros oficiais existentes no Brasil procuram obedecer ao sistema de
das as três gerações foram utilizadas na presente edição.                      auto-classificação, no qual o próprio entrevistado se identifica dentro de
                                                                               um grupo fechado de opções. São estas, por ordem de apresentação nos
    Os indicadores de primeira geração são os que já contam com                questionários: branca, preta, amarela, parda e indígena. Assim, deve ser
um desenvolvimento analítico satisfatório sobre suas bases, avanço             considerada a dimensão subjetiva da resposta, que é determinada pelo
este apresentado em monografias, dissertações, teses e artigos que             modo como cada um percebe sua cor ou raça. Dessa forma, essa per-
as utilizaram como ferramentas de análises. Estão incluídas nessa              gunta difere de muitas outras nos questionários, as quais possibilitam
categoria a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e               respostas mais objetivas, como, por exemplo, idade, rendimento e sexo.
as amostras do Censo Demográfico de 1980 a 2000, ambas organiza-
das pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).                   Outra questão é que, na verdade, a coleta de informações não
                                                                               é totalmente baseada na auto-classificação. Em geral, quando da
    Os indicadores de segunda geração são bases que, apesar de                 aplicação das pesquisas, quem responde ao conjunto do questio-
conterem a variável cor ou raça, têm recebido pouca ou nenhuma                 nário é um único morador presente, que, quando questionado so-
atenção dos estudiosos das relações raciais. Das fontes utilizadas na          bre a cor ou raça, pode acabar respondendo não apenas pela sua
presente edição, podem ser consideradas dentro dessa categoria as              própria, como também pela dos demais residentes no domicílio.
bases produzidas pelos respectivos órgãos de governo apresentados              Inevitavelmente, isso também ocorre com pessoas muito jovens e
a seguir: IBGE: Pesquisa Economia Informal Urbana (Ecinf). Base                com os incapacitados, por quaisquer motivos, para dar a respos-


                                                                        Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008               13
1- Apresentação


ta aos entrevistadores. Em outros casos, não há como a definição          cílio fixo como, por exemplo, a população de rua ou acampada de
de cor ou raça ser outra que não a hetero-classificatória. Exemplo:       modo não estável em sítios urbanos ou rurais.
coleta no SIM de dados de pessoas falecidas. Já em alguns indica-
dores de terceira geração, a atribuição da cor ou raça só é possível a        Por outro lado, quando se aponta que a Pnad capta informações
partir de esforços dos pesquisadores neste sentido.                       sobre a população residente, isso implica que se deve tomar cuidado
                                                                          com a menção à nacionalidade dessa população. Assim, quando no
    Deve-se ressaltar, também, que a cor ou raça parda, que em 2006       texto, balizado nas pesquisas oficiais, se fizer menção à população
correspondia a 42,6% da população do país, é uma categoria mais           brasileira é necessário observar que se trata, na verdade, da popula-
oficial do que culturalmente definida, apresentando, assim, dife-         ção residente no Brasil, o que, naturalmente, engloba os brasileiros
rentes possibilidades interpretativas sobre quem e por que se define      natos e naturalizados aqui residentes e, também, os estrangeiros que
como tal. Outro limite: no caso dos indígenas, estes não formam, so-      vivam no país. Do mesmo modo, quando do emprego do termo, de-
ciologicamente nem propriamente um grupo de cor, muito embora,            ve-se levar em consideração que não se está incluindo os naturais do
conhecendo-se as ideologias a este respeito atualmente existentes,        país que, no momento da pesquisa, vivessem de forma permanente
não seja incompreensível por que podem ser chamados de grupo de           em outras nações. Ou seja, tais expressões (população brasileira,
raça. Mas, talvez, fosse mais apropriado defini-los como grupos ét-       brasileiros e termos assemelhados) poderão ser usadas para fins de
nicos: são cerca de 180 em todo o país. Mesmo o grupo branco pode,        fluência do texto, mas guardando-se essas ressalvas.
em alguns casos, ser acrescido de pessoas de peles mais escuras,
mas de maior poder aquisitivo, assim auto-percebidas pelo efeito              Um aspecto metodológico adicional a ser feito tange ao período de
“branqueador” das melhores condições socioeconômicas.                     tempo coberto pela análise. Em geral, o IBGE faz questão de apontar,
                                                                          em seus estudos, que os levantamentos cobrem a realidade presente na
    Não há como o presente Relatório preencher essas lacunas.             semana de referência da pesquisa dentro de um determinado ano. Mais
Eventuais discrepâncias verificadas entre os dados gerados pelos          uma vez, devido à necessidade de fluência do texto, tal aspecto não será
indicadores sociais e a realidade efetivamente observada terão de         mencionado ao longo do presente Relatório, que, simplesmente, tomará
ser superadas com avanços metodológicos adicionais, neste senti-          como período de referência temporal o ano em que a pesquisa foi feita.
do, no interior das próprias bases primárias de informações, o que
foge à alçada desta publicação.                                                Dependendo do nível de desagregação que se pretenda tabular,
                                                                          as informações tornam-se não representativas, por possuírem coefi-
    Por outro lado, depondo a favor da objetividade dos indicado-         ciente de variação acima do aceitável. Os coeficientes de variação dos
res sociais que contêm a variável cor ou raça no Brasil, já há muito      indicadores apresentados neste Relatório, salvo expressa informação
tempo que os mesmos vêm apresentando razoável consistência,               em contrário, foram limitados a 15% para toda e qualquer categoria
seja em termos do comportamento das séries dos dados, seja com            descrita. Isso foi necessário para preservar a confiabilidade desses in-
a percepção pública sobre o modo de inserção dos distintos grupos         dicadores e a consistência das informações passíveis de serem geradas
no interior da sociedade brasileira. Isso autoriza o reconhecimento       pelos mesmos. Aliás, este é o exato motivo para a exclusão de indicado-
da boa qualidade das informações geradas pelos órgãos oficiais.           res sociais para as populações de cores ou raças amarela e indígena.

                                                                               Cabe, ainda, um esclarecimento quanto ao tratamento dado aos
1.4. O tratamento da Pnad do IBGE.                                        residentes nos setores rurais da região Norte. A Pnad, que devido à
                                                                          baixa densidade demográfica não realizava entrevistas nessas áreas,
    Apesar da multiplicidade de fontes, cabe apontar que a principal      incorporou-as desde 2004. Embora tenha sido um significativo pro-
base de informações usada para a confecção do presente estudo foi         gresso, o fato é que ficaram parcialmente comprometidas as compa-
a Pnad, produzida pelo IBGE. Por isso, cabem algumas observações          rações de mais longo prazo feitas com as séries históricas da Pnad.
metodológicas preliminares sobre essa fonte de indicadores sociais.       Buscou-se contornar este problema do seguinte modo: quando se
                                                                          estiver comentando algo a respeito da população nacional balizada
    A Pnad é uma pesquisa domiciliar que levanta, anualmente, da-         em números absolutos em intervalos anteriores a 2004, procedeu-se o
dos demográficos, sociais e econômicos da população brasileira. Em        expurgo da população rural da região Norte. O mesmo procedimento
1995, por exemplo, foram visitados cerca de 100 mil domicílios e, em      foi adotado em comparações intertemporais sobre números relativos,
2006, cerca de 145,5 mil unidades domiciliares em todo o país. Por-       exclusivamente, à região Norte (onde a população rural, em 2006, cor-
tanto, por ser uma pesquisa por amostra, os resultados são limitados      respondia a 24,4% do total). Contudo, não foi feito o mesmo expurgo
ao recorte geográfico mínimo dos estados e suas correspondentes           quando o indicador cobria todo o Brasil através de dados percentu-
áreas urbanas e rurais, sendo que, em algumas dessas unidades,            ais. O fato é que a população daquelas áreas, em 2006, correspondia a
ainda é factível uma desagregação pelas regiões metropolitanas.           apenas 1,9% da população brasileira. Essa proporção não pareceu tão
                                                                          grande a ponto de comprometer a comparabilidade intertemporal dos
    Outra informação relevante é que como se constitui em uma             indicadores dos respectivos grupos de cor ou raça.
pesquisa domiciliar, a Pnad capta apenas a população residente
em imóveis permanentes ou improvisados, individuais ou coleti-               A série histórica da Pnad utilizada na presente edição compre-
vos; porém não abrangendo contingentes que não possuem domi-              enderá o período do ano de 1995 ao ano de 2006. Em alguns mo-


14             Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
1- Apresentação


mentos, serão descritos os dados do intervalo da série e, em outros,    os do contingente de peles claras e ascendência européia. Portan-
apenas as duas pontas. Devido à realização do Censo Demográfico,        to, na sociedade nacional, os brasileiros portadores de diferentes
no ano 2000, a Pnad não foi a campo. Como existem limites para          aparências físicas e origens étnicas, infelizmente, são submetidos
a constituição de uma única série histórica balizado em ambos os        a diferentes modos de inserção. Assim, seria razoável esperar que
tipos de fontes, quando da apresentação dos indicadores da série        tais diferenças, um dia, perdessem influência no processo de rea-
da Pnad, simplesmente, não se fará menção aos indicadores do            lização pessoal de cada um, prevalecendo tão-somente a sua con-
Censo deste ano. Para evitar uma desnecessária citação desse fato       dição primeira de brasileiro ou brasileira.
ao longo de todo o Relatório, vale frisar que essa questão de na-
tureza metodológica somente será mencionada neste momento da
Apresentação.                                                           1.6. Este trabalho desconhece que as raças
                                                                        formam realidades inexistentes?
    Em outras situações, serão encontradas comparações da evo-
lução de determinados indicadores entre os períodos de governo               Os organizadores do Relatório não desconhecem os avanços
dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Ignácio Lula           científicos na área da genética desde o final da Segunda Guerra
da Silva (doravante somente FHC e Lula). Neste caso, vale salien-       Mundial que, progressiva e coerentemente, apontam para a inexis-
tar que o comportamento dos correspondentes indicadores não             tência das raças como uma realidade biológica. Tais verdades cien-
será lido como equivalente a eventuais sucessos ou fracassos de         tíficas são importantes, pois, no plano normativo, contribuem,
políticas desses governantes, antes refletindo o modo pelo qual o       fundamentalmente, para os que lutam contra o racismo. Todavia,
ambiente social, político e econômico geral vivenciado pelo país        tais avanços precisam ser bem compreendidos, para que, de uma
naqueles dois períodos institucionais acabou se refletindo sobre as     compreensão progressista, não se transformem em instrumento
assimetrias de cor ou raça.                                             de preservação de antigas assimetrias entre seres humanos de di-
                                                                        ferentes aparências físicas.

1.5. O Relatório desconsidera a questão da                                  Pode-se considerar que a realidade das raças biológicas é ine-
identidade do povo brasileiro?                                          xistente. Mas não as formas mentais e comportamentais dos in-
                                                                        divíduos e grupos sociais que buscam preservar as tradicionais
    Apesar da extrema diversidade étnica ancestral e regional, o        assimetrias socioeconômicas e políticas fundadas em critérios de
Brasil é um país cuja esmagadora maioria de seus habitantes for-        aparência e origem. Esse é o elemento principal que leva à perpe-
jou um sentimento comum de pertencimento à mesma nação. Tal             tuação da idéia de raça.
realidade, produto de um longo desenvolvimento social, cultural
e político, gestado durante os últimos cinco séculos, foi facilitada         Dito de outro modo, paradoxalmente, a inexistência biológica
pela existência de uma mesma língua, além de traços comporta-           das raças não implica na igual inexistência do racismo. Enquan-
mentais, culturais e, em alguma medida, religiosos comuns. Isso         to tais mentalizações e práticas sociais continuarem a ocorrer, é
permitiu a formação de um forte senso de afinidade coletiva, ado-       impossível não se continuar adotando a palavra raça, nesse caso,
tada em todo o país pelos nascidos nas suas regiões e portadores de     utilizada como um índice das diferenças físicas entre os humanos
distintas aparências físicas, sotaques e outros traços específicos.     e causa eficiente de diferentes modos de inserção social – mais ou
                                                                        menos favoráveis ou valorizados. Semelhante compreensão pode
    A despeito do modo pelo qual o Brasil se constituiu – com           ser dada ao termo cor, que, dentro deste parâmetro teórico, pode
toda sua carga de violência física e cultural contra os povos que       ser enquadrado como um descritivo aproximado de raça (C.f. GUI-
foram integrados de modo forçado, tal como descreve a histo-            MARÃES, 1999). Na prática, a posse de determinadas caracterís-
riografia contemporânea –, este sentimento nacional é avaliado          ticas físicas mais ou menos desejáveis corresponde a um tipo de
como positivo pelos organizadores do Relatório. A brasilidade,          passaporte para diferentes formas de inserção de cada pessoa no
para além de seus aspectos simbólicos e afetivos, remete a um           interior de uma determinada sociedade, incluindo a brasileira.
conjunto cultural compartilhado e extremamente rico em suas
múltiplas formas de manifestação, produto de sua origem diver-              Certamente, essas formas de pensamento e atitudes foram e
sa e das sínteses geradas, ao longo do tempo, entre elas. É um          continuam sendo originadas e processadas pelo agente discrimi-
sentimento que também inspira valores democráticos, fraternos           nador, o que, em princípio, poderia tornar o termo raça imper-
e solidários em termos socioeconômicos e políticos, embora ain-         tinente. Contudo, vale frisar que os discriminados igualmente
da existam muitos a serem realizados.                                   passaram a fazer uso dele para defender seus direitos de modo
                                                                        coletivo diante da inegável realidade da discriminação, funda-
    Por outro lado, o fato de os brasileiros dos diversos grupos de     mentada sobre suas formas físicas. Não faz sentido exigir que
cor ou raça e étnicos assumirem, de forma efetiva e inquestionável,     esse último ator social deixe de utilizar o termo raça em suas lu-
a identidade brasileira, não impediu a incessante discriminação         tas e processo de formação de identidade, tendo em vista que a
contra negros, indígenas e mestiços de nítida tez africana e ame-       palavra somente perderá o sentido quando o preconceito racial, a
ríndia. Suas aparências físicas e aportes culturais ancestrais foram    discriminação racial e o racismo, e os motivos que levam a estes
e ainda são considerados menos desejáveis e mais primitivos que         sentimentos e práticas, acabarem.


                                                                 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008         15
1- Apresentação


1.7. Por que o Relatório analisará os                                    ciais, tipo de cabelo e pigmentação da pele;
indicadores das pessoas de cor ou raça preta em                          II) os mestiços de traços faciais parcialmente característicos de
conjunto com as pessoas de cor ou raça parda?                            negros e, ou, de peles mais escuras, de ascendência africana ou
                                                                         não (ou seja, tanto pessoas com parte de seus antepassados nas-
    Os termos negro (ou população negra) e afro-descendente,             cida na África, como descendentes de indígenas, árabes, hindus e
comuns no Relatório, designam igualmente os que nas pesquisas            andinos), mas que possam ser assim identificados pelo conjunto
demográficas oficiais declaram ter a cor ou raça preta e a cor ou        da sociedade, independentemente da consciência de tal realidade
raça parda. Isso ocorre pelos seguintes motivos:                         sobre suas vidas;
                                                                         III) em ambos os casos acima deve-se levar em consideração as
I) a usual proximidade dos indicadores sociais dessas duas popu-         distintas formas de percepção acerca do que caracterizaria um
lações, tal como já descrito por uma vasta literatura que trata do       indivíduo como branco, negro, mestiço etc., mutáveis conforme a
tema das relações raciais;                                               região do país, ou o país, em que cada um se encontre;
II) esta aproximação só se torna compreensível pelo fato de que          IV) indivíduos de peles mais claras e traços faciais mais próximos
os pardos, apesar de não apresentarem uma identidade negra, são          aos caucasianos (brancos), que, independentemente de sua ori-
assim identificados e discriminados pelos demais contingentes,           gem, se identifiquem cultural, familiar ou ideologicamente com o
sendo, portanto, sujeitos às mesmas barreiras de realização socio-       legado ancestral, cultural ou político afro-descendente.
econômica que os de cor ou raça preta;
III) existência de uma perspectiva política no movimento negro               A condição afro-descendente, portanto, remete antes a uma
de entendimento de que os diversos matizes comportam uma uni-            questão de identidade social (mesmo que em alguns casos isso se dê
dade comum;                                                              de forma hetero-atribuída) que biológica. Isso não retira em nada
IV) mesmo o reconhecimento de que, em alguns indicadores so-             o rigor do termo, pois, conceitualmente, esse debate faz parte das
ciais, a proximidade dos indicadores de pretos e de pardos seja          ciências humanas e não das ciências da natureza. Enfim, não seria
menor, tais como padrões de nupcialidade, adesão à religião, viti-       nada equivocado utilizar como sinônimo de afro-descendente os
mização policial (C.f. PAIXÃO, 2005); cabe salientar que a maioria       neologismos: escravo-descendente ou escravizado-descendente.
dos indicadores que serão debatidos no presente Relatório não es-        Mas tais termos, em sendo aplicáveis mesmo para quem não é des-
tarão se debruçando sobre aqueles temas. No caso dos padrões de          cendente exatamente de africanos, somente se tornam compreen-
mortalidade, onde não é incomum a presença de discrepâncias dos          síveis levando-se em consideração que se vive em uma sociedade
dados de pretos & pardos, a junção dos dois grupos foi mantida por       na qual as peles escuras, por conta de uma ideologia racista, são
razões de coerência com o conjunto do Relatório.                         alvo de constante preterição e ojeriza.

     Os indicadores de ambos os contingentes serão analisados                Ainda a esse respeito, não há absolutamente nada que depo-
conjuntamente adotando-se a designação pretos & pardos. Isso             nha contra uma pessoa socialmente classificada como branca ou
porque nas bases de dados essas categorias classificatórias estão        de qualquer outra cor e que, pelo motivo que for, não se reconheça
descritas dessa forma. Os termos negro e afro-descendente serão          como afro-descendente. Tampouco o orgulho que cada qual possa
utilizados quando a análise se debruçar sobre questões que estão         vir a sentir de suas origens específicas, sejam essas quais forem,
para além das bases de dados, tal como é o caso das políticas públi-     por si só, torna alguém um racista. O preconceito e a discriminação
cas e do debate conceitual mais geral sobre a sociedade brasileira.      racial são predisposições e atitudes que só ganham vida quando se
                                                                         voltam contra o outro, tido como inferior, posto ser diferente.

1.8. Será ignorado que nem todos os afro-                                    Felizmente, nos dias atuais, para além dos afro-descendentes,
descendentes têm exatamente peles e traços                               já existe uma legião de pessoas, de todos os tipos físicos e origens,
faciais negros?                                                          engajadas na luta contra o racismo e em prol da eqüidade étnico-
                                                                         racial. Esta causa pertence a toda humanidade.
     O debate sobre a condição afro-descendente tem duas opções
de diretriz: ou os aspectos biológicos ou os critérios sociais. No       1.9. Como reconhecer as diferenças entre
plano biológico, parece evidente que a maioria da população bra-         discriminação racial e racismo cultural?
sileira, tem origens genéticas africanas. Este parâmetro implicaria
que o uso do termo afro-descendente para designar somente os                 Na longa trajetória do ser humano, diferentes povos forjaram
que têm a pele negra incorreria num equívoco fundamental.                diferentes modos de convivência coletiva. Ou seja, cada qual de-
                                                                         senvolveu distintos traços étnicos ou culturais mais ou menos
    Contudo, sendo a questão remetida ao plano social, o termo           distintos uns em relação aos outros. Porém, o senso comum ten-
pode receber outra leitura. Assim, poderiam ser considerados             de a associar certas práticas sociais e culturais a determinados
afro-descendentes:                                                       povos como se isso fosse produto de sua natureza inata, ao invés
                                                                         de características determinadas por fatores histórico-sociais. Por
I) os indivíduos de origem africana mais notória, devido a marcas        isso, não raramente, o racismo contra pessoas de determinadas
raciais específicas desse grupo humano em termos dos traços fa-          aparências físicas se mescla com um outro tipo de intolerância de


16            Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
1- Apresentação


fundamentação étnica. Assim, seria como se, pelo mero fato de um         do mundo desde então. Somente isso explica o uso da terminolo-
determinado grupo de pessoas ter peles e traços específicos - ou         gia branco, negro, amarelo e indígena, não apenas pelo seu critério
brancos, ou negros, ou amarelos ou indígenas -, tais peculiarida-        descritivo de formas humanas em seu sentido geral, mas também
des determinassem o seu modo de ser individual e coletivo, classi-       caracterizador do que seriam, supostamente, qualidades derivadas
ficáveis em múltiplos planos dentro de uma escala do pior para o         em termos de aptidões físicas, psicológicas, mentais, morais etc.
melhor. Ou seja, ocorre a associação dos diferentes atributos físicos
de nascença dos seres humanos, e sua correspondente capacidade                Se os africanos da diáspora americana passaram a forjar um
de transmissão intergeracional de fenótipos, a uma hierarquia de         sentimento comum de identidade, isso foi produto das novas con-
características sociais, culturais, comportamentais e morais.            dições de vida. Os portadores de peles claras, em um processo que
                                                                         combinou a identidade étnica de cada nação em formação com uma
     Todavia, vale frisar que nem sempre tais associações estão pre-     identidade racial comum aos povos agora dominantes, assumiram
sentes. É possível que ocorram situações nas quais um indivíduo          para si o direito de colonizar todos os rincões do planeta e submeter
seja discriminado sem que viva de um modo distinto do conjunto           os demais povos ao seu domínio. Sob a ótica dos escravizados afri-
da sociedade, antes sofrendo as seqüelas derivadas de sua deter-         canos e de seus descendentes, a unificação das condições sociais de
minada aparência física (cor de pele, traços faciais, tipo de cabe-      existência começaria nos porões dos tumbeiros e se cristalizaria nas
lo), tida como menos desejável ou odiosa que das demais pessoas.         fazendas, minas e vilas, desde a condição social de subjugados. As
Nesse caso, não é apropriado se falar de intolerância étnica, mas de     tantas formas de resistência e acordos, individuais e coletivos, bem
discriminação racial. Por outro lado, existem formas de intolerân-       como as múltiplas formas de ingresso dos negros e dos mestiços no
cia nas quais as pessoas que convivem na sociedade portam rigo-          interior de cada sociedade (colonial e moderna), não mudam o sen-
rosamente os mesmos traços físicos (cor de pele, traços faciais, tipo    tido geral do que pode ser entendido como cultura negra gerada no
de cabelos), porém apresentam distinções em termos de religião,          contexto do Novo Mundo. Em todos os cenários locais, o que esteve
sotaque ou modo de trajar. Ou seja, tal modalidade de discrimi-          em jogo foi a luta pela liberdade (C.f. REIS & GOMES, 1998). Liber-
nação atua contra os adeptos de tais crenças ou hábitos, indepen-        dade aqui lida em seu sentido amplo, incorporando não apenas o di-
dentemente do seu fenótipo. Por isso, as discriminações raciais e        reito de ir e vir e de trabalhar como e onde quiser, ou seja, liberdade
étnicas, em muitas vezes se mesclando, são conceitualmente dife-         como sinônimo do direito à própria vida em condições dignas. Em
rentes. Isso não torna ambos os termos excludentes, nem, tampou-         seu nome foram forjadas novas formas de manifestações coletivas
co, um ou outro modo de discriminação melhor, mais atenuado ou           no plano religioso, artístico e político pela população escravizada.
justificável. Pelo contrário, na história da humanidade, é possível      Assim, talvez mais do que qualquer outra forma de expressão, a ca-
comprovar como ambas as modalidades já estiveram presentes na            poeira, uma arte marcial originada nos quilombos e senzalas, possa
origem dos mais cruéis massacres de um grupo contra outro. De            ser considerada o próprio símbolo do que foi a luta dos escravizados
todo modo, o reconhecimento analítico daquelas distintas formas          contra a opressão colonialista e racista.
de afronta à dignidade humana é relevante, até mesmo no sentido
da constituição de boas ferramentas de combate à chaga social re-             Em nada prejudica a análise o reconhecimento de que a cultura
presentada pela discriminação racial e cultural.                         negra, tendo se mesclado sincreticamente com elementos amerín-
                                                                         dios e europeus, se amalgamou com a própria cultura brasileira.
    Por outro lado, é importante refletir sobre o significado de         O fato paradoxal é que a cultura negra, quase sempre, é entendida
cultura negra. Em sua origem africana, os posteriormente escra-          pelos círculos culturais dominantes por seus aspectos folclóricos,
vizados eram integrantes de diferentes etnias, cada uma passando         carnavalescos, místicos ou primitivos, assim precisando passar
por um estágio cultural específico. No período anterior às Grandes       pelo filtro civilizador, ou branqueador, da cultura ocidental para
Navegações, o conjunto de povos que viviam no continente africano        ser compreendida como válida. Isso sinaliza o quanto o modelo de
não compartilhava um traço étnico comum. Do mesmo modo como              relações raciais no Brasil segue combinando de forma esdrúxula
também não havia um único povo europeu ou asiático portador dos          a discriminação racial com a étnica, tornando permanentemente
mesmos traços culturais (mesmo levando em conta o cristianismo,          atual a antiga formulação de Guerreiro Ramos (1995 [1957]) acerca
um importante fator de unificação cultural, tal como no caso eu-         da patologia do branco brasileiro, que identificaria os negros como
ropeu). Tal como os nascidos na Europa podiam ser distinguidos           um grupo à parte da sociedade brasileira. Tampouco a análise fi-
entre, por exemplo, latinos ou germânicos; os africanos podiam ser       cará prejudicada pelo reconhecimento do fato de que nem todos
diferenciados, por exemplo, nas etnias yorubá ou banto. Portanto,        os negros atuais se identificam com sua origem ancestral de lutas
do ponto de vista histórico, a constituição de uma identidade cul-       contra a escravidão, o racismo e pela liberdade. Isso tão-somente
tural negra comum somente pode ser pensada concomitantemente             expressa o quanto de perniciosa é a ideologia racista à brasileira,
ao momento em que se constituiu uma identidade branca. Assim,            fazendo com que os oprimidos, se sentindo incapazes da reflexão
se por um lado é factível a identificação de posturas etnocêntricas      crítica sobre suas trajetórias presente e passada, acabem operando
em diversos povos ao longo da história humana, incluindo sua de-         como espécies de cúmplices de sua própria condição.
rivação escravocrata, o traço especificamente racializado, ou racis-
ta, assumido pelo etnocentrismo e pela escravidão modernos foi               A identidade cultural negra dos dias presentes, em seus distintos
produto do colonialismo e, posteriormente, do imperialismo. Estes        modos de manifestação, é gerada por uma condição ancestral comum
foram forjado pelos povos europeus que se lançaram à conquista           de resistência às tentativas de desumanização perpetradas pelo agente


                                                                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008            17
1- Apresentação


opressor. Esta resistência, acompanhando o próprio processo de mo-         os motivos de sua existência não são exatamente os mesmos. No
dernização do país que também tornou os mecanismos de discrimi-            caso dos negros, a principal causa da pobreza vem a ser a persis-
nação mais sofisticados, veio se atualizando até chegar aos dias atuais.   tência do preconceito, da discriminação racial e do racismo. Tais
Portanto, o que torna a cultura negra viva é o fato de que os elementos    mazelas, certamente, se associam à discriminação social, que,
motivadores de sua existência, a superação do preconceito, da discri-      entretanto, não as esgota e nem as resume.
minação e do racismo, bem como pelo direito à vida digna - sinônimo
da própria liberdade -, ainda é uma utopia por ser realizada.                  Quanto aos pobres dos demais grupos, apesar de sofrerem o pre-
                                                                           conceito social, definitivamente não são obrigados a enfrentar o de
                                                                           cor ou racial. Por outro lado, o reconhecimento de que os brancos
1.10. É correto acreditar no conflito para a                               pobres não são tão pobres quanto os negros pobres – e tampouco o
resolução das assimetrias raciais?                                         são pelos mesmos motivos – não deve suprimir a atenção à sua rea-
                                                                           lidade. Ao contrário, os organizadores do Relatório dedicam a tais
    Evidentemente, seria péssimo se a luta pela igualdade racial           contingentes a mais absoluta empatia e solidariedade, acreditando
no Brasil viesse a acarretar confrontos físicos ou a constituição de       que, na maioria das vezes, tenderão a se unir no encaminhamento
grupos fechados e irredutíveis. Portanto, tais desdobramentos de-          de suas demandas sociais. O motivo é simples: a luta pela melhoria
vem ser vigorosamente evitados.                                            das condições de vida dos pobres em geral é coerente com a causa do
                                                                           combate ao racismo e à promoção da justiça social.
    De qualquer maneira, cabe frisar que o questionamento sobre
os eventuais desdobramentos das divergências políticas e concei-               Finalmente, o Relatório estará tratando a pobreza como uma
tuais deve ser respondido por todos os atores sociais envolvidos           questão mais ampla do que o simples acesso a bens materiais. A
nas disputas e não apenas pelos que defendem a causa da eqüida-            pobreza também deve ser lida pelo ângulo da posse de ativos ima-
de racial. Ou seja, o comportamento dos atores sociais contrários          teriais, como os educacionais, de proteção à vida, bem como o de
às ações afirmativas deve se pautar por princípios democráticos e          reconhecimento da validade das reivindicações coletivas no plano
tolerantes, não sendo razoável cobrar tais definições somente dos          político. Assim, em sendo mais intensa para negros do que para
que lutam contra as assimetrias.                                           brancos e amarelos, a pobreza material é apenas um dos aspectos
                                                                           do problema, pois a pobreza que atinge os negros é também políti-
     O tom severo presente nas denúncias do racismo e assimetrias          ca e de visibilidade de suas carências e demandas.
raciais, assim como nas propostas para superação das históricas
desigualdades, faz parte do jogo democrático. Enfim, como diriam
autores clássicos da ciência política como Maquiavel, Rousseau e           1.12. Como será tratada a questão do embate
Tocqueville, a democracia é comumente barulhenta e ruidosa, cer-           entre as classes sociais?
tamente, sendo preferível as confusões típicas desse sistema do que
a falsa paz do silêncio produzido pela resignação e o desalento.               Pode-se afirmar que a sociedade capitalista brasileira, tal como
                                                                           qualquer outra dessa natureza, é dividida em grupos de interesses
    Portanto, a exposição dos distintos pontos de vista não é ruim.        econômicos e projetos políticos. Certamente, os negros participam
Os fatores que podem tornar as divergências positivas ou pernicio-         do jogo de interesses no interior das diferentes classes. Mas, é ní-
sas dependem da forma como são processadas, do modo pelo qual              tido que tal presença é muito mais intensa nos segmentos da clas-
as instituições as absorvem e as resolvem, além dos novos consen-          se trabalhadora e entre os pobres do que nas classes média-alta
sos gerados. Desde que mantido no campo do embate de idéias,               (segmentos que formam os 9º e 10º decis de rendimento da Pnad,
operando por dentro dos marcos institucionais e se situando no             por exemplo) ou na dos donos dos meios de produção (dificilmen-
entorno da disputa por compreensões normativas sobre o signifi-            te captáveis pelas pesquisas demográficas mais conhecidas), que,
cado de justiça social, o confronto dos pontos de vista pode contri-       efetivamente, detêm o poder econômico e político.
buir para o fortalecimento do tecido social e o aperfeiçoamento do
sistema democrático.                                                           No seio das lutas sindicais e trabalhistas são notórios os vínculos
                                                                           solidários entre os trabalhadores de todos os grupos de cor ou raça
                                                                           em busca da realização de interesses materiais ou mesmo de trans-
1.11. O Relatório ignora que a pobreza não afeta                           formação mais profunda da sociedade com a implantação da opção
apenas os negros?                                                          socialista. Entretanto, a validade de tal pauta, definitivamente, não
                                                                           encerra a pauta de demandas representada pela luta em prol da su-
    É um fato que a pobreza no Brasil tem cor: negra. Tal afir-            peração das iniqüidades de cor ou raça e do racismo. Em resumo,
mação não pode ocultar a existência de um amplo contingente                essas são mazelas das quais mesmo os negros integrados ao contin-
de pessoas pobres e extremamente pobres que não são negras.                gente proletário (ou à esquerda) são vítimas. Eles só se livrarão desta
Todavia, a maioria dos negros não é negra porque é pobre, mas,             condição, quando tais chagas sociais forem banidas da sociedade,
sim, é pobre (ou mais pobre), justamente por ser negra. Assim,             seja a capitalista, seja a de qualquer outro sistema sócio-político.
sem deixar de reconhecer os pobres de diferentes cores ou ra-
ças e as pessoas negras de maior poder aquisitivo, o fato é que                 Por outro lado, mesmo os afro-descendentes com maior poder


18             Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
1- Apresentação


aquisitivo ou acesso a mecanismos de poder político ou prestígio            na definição das políticas sociais não foi produzida espontaneamen-
social são habitualmente vítimas de discriminação, por desem-               te, mas, sim, motivada por um entranhado racismo institucional que
penharem papéis sociais não previstos para eles conforme os pa-             considerava indesejável a presença afro-descendente na sociedade;
râmetros do racismo à brasileira. Por esse motivo, mais uma vez             III) a aplicação momentânea de recursos relativamente mais
evidencia-se que a vocação da luta anti-racista é, primordialmente,         concentrada em um determinado contingente da população his-
progressista e de esquerda.                                                 toricamente discriminado não necessariamente se contrapõe à
                                                                            perspectiva de universalização dos serviços sociais e a progressiva
    A experiência internacional mostra que o sistema capitalista e o        melhoria dos indicadores sociais em geral.
mercado, livres de um processo de regulação e controle público dos
seus parâmetros de funcionamento, inevitavelmente, aprofundam                    Por outro lado, quando se propõe a adoção de políticas de ação
desigualdades sociais, crises econômicas e desastres ambientais.            afirmativa, o eixo central do debate se situa na superação da discri-
Por outro lado, é exigível que os movimentos sociais que lutam pela         minação racial, geradora das assimetrias entre brancos e negros.
distribuição de renda, da terra e pela democratização do poder polí-        Assim, a universalização dos serviços públicos, embora fundamen-
tico também reconheçam o caráter estruturante do racismo na for-            tal, não seria capaz de lidar com o motor dinâmico que gera as assi-
matação das relações sociais no mundo contemporâneo, no interior            metrias raciais que é o racismo. Desse modo, na ausência de ações
do mundo capitalista e as seqüelas sobre suas vítimas.                      efetivas para o enfrentamento dessa última questão e seus efeitos
                                                                            deletérios, as disparidades nas condições de vida entre os distintos
     Infelizmente, nos dias atuais, a agenda anti-racista vem ficando       contingentes de cor ou raça se prorrogarão indefinidamente.
notoriamente ausente da pauta de uma grande quantidade de entida-
des, intelectuais e ONGs tidas como de esquerda. Para além da cons-
trução teórica marxista ortodoxa, que entende os problemas sociais          1.14. São desconsideradas as lutas dos demais
exclusivamente desde a ótica da luta de classes, atualmente, vem sendo      contingentes discriminados como os indígenas,
possível localizar atores sociais de esquerda que vêm pura e simples-       os portadores de necessidades especiais e os
mente se opondo aos movimentos que atuam em prol da eqüidade                homossexuais?
racial. Essa postura acaba sinalizando que, para diversos setores do
campo progressista, a luta do movimento negro não seria apenas pe-              Seria incorreto afirmar que os únicos a sofrerem discrimi-
riférica. Evidencia mesmo que para estes agentes tal frente sequer de-      nações no Brasil são os negros. Na verdade, um amplo conjunto
veria existir. Tendo em vista o momento presente, quando o problema         de atores sociais enfrenta dramas de diversos tipos, derivados de
da discriminação étnico-racial se faz tão notoriamente atual em todo        múltiplas formas de incompreensão e intolerância. Isto ocorre
o mundo, esta sorte de posicionamento guarda o caráter de uma omis-         com as mulheres, principalmente as pobres, os trabalhadores ru-
são lastimável. Mantendo-se no futuro, será difícil não definir tal pos-    rais sem terra, nordestinos, indígenas, portadores de necessidades
tura como um lapso histórico de quase impossível condescendência.           especiais, jovens das periferias, pessoas da terceira idade, judeus,
                                                                            africanos, sul-americanos política ou economicamente exilados
                                                                            e homossexuais de ambos os sexos. Nessa lista, os negros estão
1.13. Deveriam existir políticas sociais apenas                             presentes em números consideráveis. Mesmo assim, não se deve
para os negros?                                                             ignorar as naturezas específicas dessas demandas.

    Ainda hoje, a maioria das políticas sociais no Brasil, em diversos          O Relatório se solidariza com todas essas frentes de lutas. Ao
campos, não teve capacidade de universalização. O indicador social          contrário de outras vozes, que acreditam que a multiplicidade de
que mais sofre esta incapacidade é a educação. No ano de 2006, por          atores sociais prejudica a força dos movimentos socialmente organi-
exemplo, a taxa de analfabetismo totalizava mais de 10% da popula-          zados, a perspectiva adotada nesta publicação aponta para a riqueza
ção. Por outro lado, mesmo a recente universalização de determina-          gerada pela sua diversidade. Mas, tais aspectos, dificilmente, serão
dos serviços públicos no Brasil caracteriza-se pela baixa qualidade         tratados nos Relatórios, a não ser nos casos de ocorrência simultâ-
dos serviços prestados. Neste sentido, mais uma vez, o sistema edu-         nea daquelas outras formas de discriminação com a racial.
cacional brasileiro serve de exemplo. Assim, a efetiva universaliza-
ção dos serviços públicos essenciais (educação, saúde, previdência,
segurança e saneamento, entre outros) ainda é um sonho.                     1.15. Este trabalho apresenta risco de contribuir
                                                                            para o acirramento do racismo no país?
   Contudo, tal bandeira não é contraditória com a causa dos que
anseiam pela promoção da eqüidade racial no Brasil. Isso pelas                  Seja por motivos racionais ou por motivações psicológicas (ou
seguintes razões:                                                           psiquiátricas) não diretamente instrumentais, a verdade é que o
                                                                            motor do racismo e do preconceito racial são as vantagens obtidas
I) foram os negros de ambos os sexos os mais prejudicados pelo              por um determinado grupo da população comprometido com ide-
caráter restrito e insuficiente das políticas sociais ao longo da his-      ologias que legitimam as desigualdades. De todo modo, cabe reco-
tória brasileira;                                                           nhecer que, felizmente, muitos de seus integrantes não adotam e
II) a exclusão de um contingente proporcionalmente maior de negros          não concordam com essas práticas e até se engajam contra elas.


                                                                     Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008          19
1- Apresentação


    Assim, além da constante realização de campanhas de esclare-         da natureza da missão do LAESER a independência em relação
cimento sobre o tema, visando desencorajar tais práticas e ampliar o     àquelas estruturas. Portanto, a análise dos indicadores sociais
número de pessoas que se engajem na luta contra as discriminações        terá prioridade e as ações de um governo somente serão avaliadas
raciais, um meio adequado de superação do racismo é, justamente, a       a partir da evolução dessas variáveis. Ou seja, os resultados terão
promoção da igualdade das condições de vida e acesso às oportunida-      precedência sobre discursos ou intenções.
des e direitos sociais para todos os brasileiros, independentemente de
cor ou raça e sexo. Dessa forma, se estará combatendo uma das mais
significativas causas que podem levar às atitudes discriminatórias.      1.17. A quem se dedica o Relatório?

    Portanto, na medida em que consiga contribuir para a realiza-             Ao tratar de um tema nacional de absoluta relevância coletiva,
ção dos esclarecimentos sobre o tema e auxiliar conceitualmente          o Relatório é para todos os brasileiros, de todos os grupos de cor
na superação das assimetrias de cor ou raça, o Relatório contri-         ou raça e sexo. Ao tentar contribuir para a causa da eqüidade ra-
buirá para a superação do racismo na sociedade brasileira.               cial, o Relatório é dedicado, especialmente, a todos que acreditam
                                                                         que o preconceito racial, a discriminação racial e o racismo são
                                                                         práticas sociais hediondas e inaceitáveis em todas as suas varia-
1.16. O Relatório é a favor ou contra o governo?                         ções e que acarretam múltiplos prejuízos para todo o Brasil.

    O Relatório reconhece a presença de diversas ideologias na
sociedade brasileira, parte das quais se manifesta no atual siste-       1.18. Quem escreve o Relatório Anual das
ma partidário. Os partidos apresentam nuances ideológicas que            Desigualdades Raciais no Brasil?
devem ser reconhecidas. Quando os mesmos ascendem ao poder,
atendem, com maior ou menor vontade política, determinados in-                O Relatório é escrito pela equipe de pesquisadores do LAE-
teresses de diversos atores sociais momentaneamente vitoriosos.          SER, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio
                                                                         de Janeiro (UFRJ). A equipe é formada por estudiosos de diferen-
    Porém, mesmo com essas diferenças, a eqüidade racial ainda           tes cores e dos dois sexos. Assim, a mesma diversidade que os orga-
é um tema pouco ou nada debatido pelas agremiações partidárias.          nizadores acreditam que deveria reger as estratégias das políticas
Além disso, em nenhum partido político, seja qual for o matiz ide-       sociais em todo país são praticadas no LAESER.
ológico, os negros encontram maior apoio às suas lutas em prol da
eqüidade racial e, tampouco, conseguem formar um grupo numeri-
camente mais significativo de lideranças partidárias reconhecidas.       1.19. O Relatório tem prazo para deixar de ser
Assim, por mais que a sociedade brasileira ao longo do século XX         editado?
tenha se dividido ideologicamente entre esquerda e direita, o fato é
que ambos os segmentos se acomodaram com o mito da democracia                O ideal é que as edições acompanhem a redução das iniqüi-
racial. Portanto, o ideal seria que se formasse um novo consenso em      dades raciais e de gênero no Brasil até o seu fim. O propósito dos
favor de políticas de promoção da igualdade racial capazes de ga-        organizadores é contribuir para tal processo, ainda que de forma
nhar adeptos em todos os setores e partidos políticos.                   conceitual. Assim, os esforços serão no sentido de fazer a publi-
                                                                         cação durar até que ocorram as transformações necessárias na
    Todavia, mesmo que tal quadro venha a se constituir, difi-           sociedade brasileira.
cilmente, o Relatório cumpriria plenamente sua missão caso se
aliasse a um partido ou governo, mesmo que assumissem defini-                Que tal tarefa esteja ainda longe de ser concluída tão-somente
tivamente a agenda que seus organizadores julgam ser correta. É          indica que ainda há um longo trabalho pela frente.




20            Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2.	Evolução Demográfica
                   Recente da População
                      Brasileira Segundo
                           a Cor ou Raça




Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008   21
22   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




2.1. Evolução Demográfica da                                                     Mesmo sem a população das áreas rurais da região Norte, de
População Brasileira; 1995 - 2006                                            1995 a 2006, o peso relativo da população branca veio declinan-
                                                                             do. O percentual de pessoas da cor ou raça branca, que em 1995
    Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio                     era de 54,4% da população total, caiu quase cinco pontos per-
(Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),            centuais em 11 anos, o que é relevante para um indicador desta
no ano de 1995, a população brasileira somava, aproximada- - População residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda),
                                                           Gráfico 2.1       natureza (gráfico 2.2 e tabela 2.1).
mente, 152,4 milhões de pessoas, enquanto                                               Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas)

que, em 2006, o total de residentes no país        225.000.000
                                                            Gráfico 2.12.1População residentesegundo os grupos de cor oucor ou raçae preta & parda), & parda),
                                                                Gráfico - - População residente segundo os grupos de raça (branca (branca e preta
havia crescido para 187,2 milhões. Porém,                                               Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas)
                                                                                       Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas)
                                                                                                                                                    183.550.526
essa comparação é imperfeita, pois, a partir       180.000.000
                                                    225.000.000
                                                                 152.374.603
de 2004, a Pnad passou a coletar informa-
                                                                                                                                                 183.550.526
ções referentes à população das áreas rurais       135.000.000
                                                    180.000.000
                                                                 152.374.603
da região Norte. Em 2006, este contingente                                                                                                           92.406.621
                                                                  82.826.798
somava 3,7 milhões de habitantes, pouco             90.000.000
                                                    135.000.000
                                                                                                                                                      89.726.595
menos de 2% da população de todo o país.                          68.635.438
                                                                  82.826.798
                                                                                                                                                   92.406.621
                                                    45.000.000
                                                     90.000.000
Assim, excluindo-se essa região para uma
                                                                                                                                                    89.726.595
comparabilidade mais correta, entre 1995                      0
                                                                   68.635.438
                                                     45.000.000
e 2006, a população aumentou 20,5%, com                           1995      1996    1997       1998    1999       2001     2002  2003     2004    2005      2006

taxa média de crescimento geométrico de                       0
1,33% ao ano (gráfico 2.1).                                        1995     1996    1997 Brancos
                                                                                              1998     1999Pretos & Pardos
                                                                                                                 2001    2002   População Total 2005
                                                                                                                                2003    2004              2006


                                                                                                           Brancos             Pretos & Pardos               População Total
    No ano de 2006, a população residen-          Fonte: IBGE, microdados Pnad.
te no Brasil era composta por 93,1 milhões        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                  Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
de pessoas que se declararam brancas e por         Fonte: IBGE, microdados Pnad.

92,7 milhões de pessoas que se declararam          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                   Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
pretas & pardas. Portanto, naquele ano, ha-                         TabelaTabelaParticipação relativa dos grupos de cor ou raça na população residente
                                                                             2.1 - 2.1 - Participação relativa dos grupos de cor ou raça na população residente no
via uma pessoa de cor ou raça preta & parda para cada              Tabela 2.1 - Participação relativa dos grupos 2006 (em %) na população residente no
                                                                                                           Brasil, 1995 e de cor ou raça
                                                                                                          no Brasil, 1995e 2006 (em %)
                                                                                                         Brasil, 1995 e 2006 (em %)
1,004 pessoa de cor ou raça branca. Em outros termos,                 Grupos de Cor ou Raça
                                                                     Grupos de Cor ou Raça
                                                                                                                        1995
                                                                                                                       1995
                                                                                                                                                               2006
                                                                                                                                                              2006
                                                                  Brancos                                                54,4                                   49,7
a população branca residente, naquele ano, confor-               Brancos
                                                                  Pretos
                                                                                                                       54,4
                                                                                                                          4,9
                                                                                                                                                              49,7
                                                                                                                                                                 6,9
mava 49,7%, enquanto os residentes pretos & pardos               Pretos
                                                                  Pardos
                                                                                                                        4,9
                                                                                                                         40,1
                                                                                                                                                               6,9
                                                                                                                                                                42,6
                                                                 Pardos                                                40,1                                   42,6
totalizavam 49,5% da população brasileira residente               Amarelos                                                0,5                                    0,5
                                                                 Amarelos                                               0,5                                    0,5
total. Os demais habitantes eram de cor ou raça indí-             Indígenas                                               0,1                                    0,3
                                                                 Indígenas                                              0,1                                    0,3
gena (0,3%) e amarela (0,5%). Assim, atualmente, não              Fonte: IBGE, microdados Pnad
se pode mais dizer que o Brasil é um país de maioria            Fonte: IBGE, microdados Pnad
                                                                  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
branca (tabela 2.1).                                              Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                                                Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).



    Na verdade, desde o ano de 2005, as pessoas de cor
                                                                                  Gráfico 2.2 - Evolução Evoluçãoda participaçãopopulação residente de cor ou raça de
                                                                                        Gráfico 2.2 - Evolução                      relativa da população residente de
                                                                                          Gráfico 2.2 - da participação relativa da relativa da população residente branca
                                                                                                                   da participação
ou raça branca já tinham deixado de responder por                                      cor ou raça branca sobre o total da população residente, Brasil, 1995-2006
                                                                                         cor ou raça o total da população residente, Brasil, 1995 e 2006 (em %)
                                                                                                 sobre branca sobre o total da população residente, Brasil, 1995-2006
                                                                                                                                       (em %)
mais da metade da população. Essa mudança, em parte,                      60%
                                                                            60%
                                                                                                                                       (em %)

foi causada pela incorporação dos domicílios das áre-
as rurais da região Norte pela Pnad. No ano de 2006,
os brancos dessas áreas constituíam somente 18,8%                         55%
                                                                            55%

da população regional. Já os pretos & pardos, 80,6%.
Assim, apesar de seu baixo peso relativo na população
nacional, esse contingente contribuiu para aumentar a                       50%
                                                                          50%

proporção de pretos & pardos. Mas, se excluída a área
rural da região Norte, a população de cor ou raça branca
volta a responder, em 2006, por uma pequena maioria                         45%
                                                                          45%
                                                                                     1995      1996       1997       1998      1999        2001       2002       2003        2004    2005    2006
de 50,3%. De qualquer maneira, esse fato não pode ser                              1995      1996        1997
                                                                               Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                                                                    1998       1999        2001       2002        2003        2004    2005     2006

                                                                             Fonte: IBGE, microdados Pnad.
considerado para explicar a tendência que vem se con-                          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
                                                                             Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
                                                                               Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                                                             Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
firmando no país no último período.


                                                                             Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                         23
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça


    O ritmo de crescimento da população no Brasil, entre 1995              preta & parda teve maior taxa de crescimento do que a branca. Isto
e 2006, se deu em proporções diferentes com o recorte pela ca-             só não ocorreu no Nordeste, onde a taxa geométrica de crescimen-
racterística de cor ou raça. O gráfico 2.3 mostra que, enquanto a          to do contingente branco foi, em média, de 1,31% ao ano, enquanto
população branca cresceu a uma taxa anual de 1,26%, a popula-              que a de pretos & pardos ficou em 1,25% (gráfico 2.3).
ção preta & parda aumentou em
1,38% ao ano.                                    Gráfico 2.3. - Taxa média geométrica de crescimento da população residente segundo os grupos
                                                                         Gráficocor2.3Taxa média geométrica & parda), Brasil população residente segundo os grupos(em %)
                                                                             Gráfico - - Taxa média geométrica crescimento da da população residente segundo os grupos
                                                                             de 2.3.ou raça (branca e preta
                                                                                                               de de crescimento
                                                                                                                                  e regiões geográficas, 1995/2006
                                                                                                                                                                    de
                                                                              de cor ou raça(branca e preta & parda), BrasilBrasil e regiões geográficas, 1995/2006 (em %)
                                                                                    cor ou raça (branca e preta & parda), e regiões geográficas, 1995 e 2006 (em %)
    As maiores taxas compara-                                                                                                                                                       1,33
tivas de crescimento da popula-                                Brasil
                                                                Brasil                                                                                                       1,26
                                                                                                                                                                                     1,331,38
                                                                                                                                                                                          1,38
ção preta & parda em relação à                                                                                                                                                1,26
                                                                                                                                                                                                1,44
branca também voltam a apa-                           Norte Urbano
                                                       Norte Urbano
                                                                                                                                                                                                 1,46
                                                                                                                                                                                                 1,44
                                                                                                                                                                                             1,40 1,46
recer quando são desagregados                                                                                                                                                                 1,40
                                                                                                                                                                               1,28
os indicadores destes dois con-                            Nordeste                                                                                                         1,251,28
                                                            Nordeste                                                                                                         1,251,31
tingentes. Assim, entre 1995 e                                                                                                                                                    1,31
                                                                                                                                                                                    1,31
2006, a presença da população                               Sudeste                                                                                                                  1,31    1,41
                                                             Sudeste                                                                                                     1,20                 1,41
de cor ou raça preta subiu de                                                                                                                                             1,20

4,9% para 6,9%, e a de cor ou                                    Sul
                                                                                                                                                                                  1,30
                                                                                                                                                                                   1,30        1,44
                                                                                                                                                                            1,25
raça parda aumentou de 40,1%                                      Sul
                                                                                                                                                                             1,25
                                                                                                                                                                                                1,44


para 42,6%. No mesmo interva-                         Centro Oeste
                                                                                                                                                                                            1,36
                                                                                                                                                                                             1,40
                                                                                                                                                                                             1,36
lo, o contingente de raça indí-                        Centro Oeste                                                                                                              1,28
                                                                                                                                                                                  1,28
                                                                                                                                                                                              1,40


gena passou de 0,1% para 0,3%                                            0                            0,4                         0,8                      1,2                                           1,6
                                                                          0                            0,4                         0,8
                                                                                                                  Brancos Pretos & Pardos População Total   1,2                                           1,6
da população (tabela 2.1).                                                                                         Brancos Pretos & Pardos População Total
                                                        Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                         Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                         Tabulações: LAESER Fichário das Desigualdades Raciais.
    No mesmo período e em qua-                          Nota: entre 1995 e 2003- não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                                         Nota: entre 1995 e 2003 não inclui de cor ou raça amarela e áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                                        Nota: população total incluí pessoasa população residente nasindígena
se todas as regiões, a população                         Nota: população total incluí pessoas de cor ou raça amarela e indígena




     Box 2.1. Razão de Urbanização da população brasileira segundo a cor ou raça

          Razão de urbanização corres-
     ponde ao percentual de residentes                                    Gráfico 2.4 - Razão de urbanização da população residente segundo os grupos de
                                                                    cor ou raça (branca e2.4 - Razão urbanização da eda população residente segundo %)
                                                                             Gráfico 2.4 - Razão de de urbanização população residente segundo
                                                                                 Gráfico preta & parda) e sexo, Brasil regiões geográficas, 1995 e 2006 (em
     de um determinado país ou unida-                                os grupos de corcor raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) %)
                                                                         os grupos de ou ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em
     de subnacional que vive nas zonas         90,0 90,0
                                                                                                                                                                                  87,9
     urbanas. Ao longo das últimas dé-                                                                                                                                            87,1
                                                                                                                                                                                      87,9

                                                                                                                                                                                       87,1
     cadas, devido ao êxodo rural e à                      84,084,0                                                                                                               86,286,2
                                               85,0 85,0
     progressiva transferência, por parte                    83,183,1
     do IBGE, de setores censitários ru-                82,282,2                                                                                                                  80,680,6
     rais para urbanos, o Brasil assistiu a    80,0 80,0                                                                                                                          79,4 79,4
     um progressivo aumento desse in-                                                                                                                                             78,178,1
     dicador. Quando decomposto pe-            75,0
                                                           75,475,4
                                                    75,0
     los grupos de cor ou raça vê-se que               74,074,0

     a razão de urbanização de pretos &                   72,572,5

     pardos era inferior ao das pessoas        70,0 70,0
                                                          19951995 1996   1996 1997   1997 1998  1998 1999 1999 2001    2001 2002     2002 2003   2003 2004
                                                                                                                                                          2004 2005   2005 2006   2006
     de cor ou raça branca. Desse modo,                                                                                                                       Homens Brancos
                                                                                                                                                                  Homens Brancos
     entre 1995 e 2006, a razão de ur-                                                                                                                        Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                  Mulheres Brancas
                                                                                                                                                              Total Brancos
                                                                                                                                                                  Total Brancos
     banização dos brancos como um Fonte: IBGE, LAESER - Fichário das das Desigualdades Raciais.
                                            Tabulações:
                                                         microdados Pnad.
                                               Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                               Tabulações: LAESER - Fichário   Desigualdades Raciais.                                                         Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                  Homens Pretos & Pardos
     todo passou de 83,1% para 87,1%, Nota: entreentreanosanos19951995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas ruraisregião Norte (exceto
                                               Nota: os os de de e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da da região Norte (exceto
                                            Tocantins)
                                               Tocantins)
                                                                                                                                                              Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                  Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                              Pretos & Pardos Total
                                                                                                                                                                  Pretos & Pardos Total
     ao passo que o mesmo indicador
     dos pretos & pardos aumentou de 74,0% para 79,4%. Lido por outro ângulo, em 2006, 12,9% da população branca vivia nas zonas
     rurais, ao passo que esse percentual, entre os pretos & pardos, era de 21,6%, ou seja, quase o dobro em termos proporcionais (grá-
     fico 2.4). Por outro lado, esses dados remetem para assuntos correlatos como o desenvolvimento socioeconômico das populações
     residentes no meio rural brasileiro e o reconhecimento de que, em sendo na sua maioria pretas & pardas, tal aspecto deveria ser
     levado em consideração quando da promoção das políticas públicas para o setor agropecuário de todo o país. Essa questão voltará
     a ser abordada no capítulo 6 deste Relatório.



24                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça



 Quadro 2.1. - Países que2.1 - Países que incorporam a variávelétnico-racialseus questionários censitários de forma direta
                    Quadro incorporaram a variável étnico-racial em em seus questionários censitários de forma direta
                                                Como era feita a pergunta sobre a variável étnico-
          País              Ano censitário                                                                 Opções de resposta nas línguas locais
                                                                    racial? (*)
                                                                                                          African, Negro, Black / Amerindian, Carib / East
                                                                                                          Indian / Caucasian, White / Chinese, Oriental /
        Anguila                 2001                   Qual grupo étnico racial pertence?
                                                                                                          Syrian, Lebanese / Mixed / Others – specify /
                                                                                                          NS
                                                                                                          Black / Black and White / Black and Other /
       Bermudas                 2000                    Qual grupo racial você pertence?                  White / White and Other / Asian / Other Race /
                                                                                                          NS

         Brasil                 2000                          A sua cor ou raça é?                        Branca / Preta / Amarela / Parda / Indígena

                                                                                                          Indígena? (¿A cuál pueblo pertenece?) / Rom
                                                                                                          (Li)? / Raizal del Archipiélago de San Andrés y
                                             De acordo com sua cultura, povo ou traços físicos você
       Colômbia                 2005                                                                      Providencia? / Negro (a), mulato (a) o
                                                               se considera?
                                                                                                          afrodescendiente? / 5. Ninguno de los
                                                                                                          anteriores
         Cuba                   2000                         Qual a cor da sua pele?                      Blanco / Negro / Mestizo o Mulato

                                                                                                          Indígena (A qué nacionalidad indígena o
        Equador                 2001                          Como se considera?                          pueblo indígena pertenece?), / Negro (Afro-
                                                                                                          ecuatoriano) /. Mestizo / Mulato / Blanco,/ Otro


                                                                                                          If Yes (Mexican, Mexican-American, Chicano /
                                                                                                          Puerto Rican / Cuban / Other Spanish,
                                                                                                          Hispanic / Latino (print group) / / White / Black,
                                               Essa pessoa é espanhola ou latina? / Qual sua raça         Afro-American or Negro / American Indian or
          EUA                   2000         pessoal? (uma ou mais raças de acordo com o modo da          Alaska Native [print name of enrolled or
                                             pessoa se considerar) (perguntas 5 e 6 do questionário)      principal tribe] / Asian Indian/ Chinese / Filipino
                                                                                                          / Samoan / Other Pacific Island [print race] /
                                                                                                          Vietnamese / Other Asian [print race] / Some
                                                                                                          other race [print race]


                                                                                                          Campo aberto de respostas contendo
Ilhas Guam (Terr. EUA)          2000                    Qual sua origem étnica ou raça?
                                                                                                          exemplos de origem nacional, raça/cor e étnica

                                                                                                          White / Black, Afro-American or Negro /
                                             Qual sua raça pessoal? (uma ou mais raças de acordo
Ilhas Virgens (Terr. EUA)       2000                                                                      American Indian or Alaska Native (print name
                                                    com o modo da pessoa se considerar)
                                                                                                          of enrolled or the principal tribe)
                                                                                                          Black / Chinese / Mixed / East Indian / White /
        Jamaica                 2001          A qual raça ou grupo étnico você diria que pertence?
                                                                                                          Other / NS

Ilhas Marianas do Norte                                                                                   Campo aberto de respostas contendo
                                2000                    Qual sua origem étnica ou raça?
      (Terr. EUA)                                                                                         exemplos de origem nacional, raça/cor e étnica

                                                                                                          Melanesian / Polynesian / Micronesian /
     Ilhas Salomão              1999                        Qual raça você pertence?
                                                                                                          Chinese / European / Mixed / Other
                                                                                                          Negra / Mista / Branca / Indiana / Paquistanesa
      Moçambique                1997                         Qual sua raça, origem?
                                                                                                          / Outra
         Palau                  2000                    Qual sua origem étnica ou raça?                   Campo aberto de respostas

                                                                                                          White / Black, Afro-American or Negro /
                                                                                                          American Indian or Alaska Native (print name
                                                                                                          of enrolled or the principal tribe) / Asian Indian /
                                             Qual sua raça (marque uma ou mais raças para indicar         Chinese / Filipino / Japanese / Korean /
 Porto Rico (Terr. EUA)         2000
                                                           o que você considera ser)                      Vietnamese / Other Asian (print race) / Native
                                                                                                          Hawaiian / Guamanian or Chamororro /
                                                                                                          Samoan / Other Pacific Island (print race) /
                                                                                                          Other Race (print race)


                                                                                                          Campo aberto de respostas contendo
   Samoa (Terr. EUA)            2000                    Qual sua origem étnica ou raça?
                                                                                                          exemplos de origem nacional, raça/cor e étnica

                                                                                                          Afro descendant, Negro, Black / Indigenous
                                                                                                          People (Amerindian, Carib) / East Indian /
                                              A qual grupo étnico, racial ou nacional você acha que
      Santa Lúcia               2001                                                                      Chinese / Portuguese / Syrian, Lebanese /
                                                                    pertence?
                                                                                                          White, Caucasian / Mixed / Other – specify /
                                                                                                          NS
                                                                                                          Afro o negra / Amarilla / Blanca / Indígena /
        Uruguai               2006 (**)                       Crê ter ascendência?
                                                                                                          Otro / No Sabe

                                               Etnicidade. Se zâmbio assinale o grupo étnico (em          For Zambian opened options / Racial group
        Zâmbia                  2000
                                                aberto), se não marque o grupo racial principal.          (African/ American / Asian / European / Other)

Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/sconcerns/popchar/popcharMeta.aspx (questionários censitários dos respectivos países). Para os EUA,
fonte do questionário Petrucelli (2007). Para o Equador, ver as publicações: “Racismo y discriminación racial en Equador” (2006); e “Los afroecuatorianos
en cifras” (s/d), ambos editados pela Secretaría Técnica del Frente Social daquele país. Para a Colômbia ver a publicação “Colômbia una nación
multicultural: su diversidade étnica”, editado pelo Departamento Administrativo Nacional de Estadísticas (DANE) (2006). Para Cuba ver Antón & Del
Popolo (2008). Para Uruguai, ver Bucheli & Cabela (2006)
Nota: (*) Tradução livre dos questionários censitários oficiais nas respectivas línguas locais.
      (**) Pesquisa amostral




                                                                Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                   25
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça

          Quadro 2.2. - Países que incorporaram a variável étnico-racial em seus questionários censitários de forma
          Quadro 2.2. - Países que incorporaram a variável étnico-racial em seus questionários censitários de forma
                                                                            indireta
                           Quadro 2.2 - Países que incorporam a variável étnico-racial em seus questionários censitários de forma indireta
                                                                           indireta
                                        Ano
                                         Ano     Como eraera feita apergunta sobre a
                                                      Como feita a pergunta sobre
                    País
                    País                                                                        Opções de de resposta nas línguas locais locais
                                                                                                     Opções resposta nas línguas
                   País              censitário Como era feita a pergunta(*) (*) a
                                       Ano
                                      censitário        a variável étnico-racial? sobre
                                                     variável étnico-racial?                    Opções de resposta nas línguas locais
                                    censitário      variável étnico-racial? (*)
                                                  Como (a pessoa) se definiria em termos            Black African / Coloured / Indian or Asian / White/
                África do Sul           2001       Como (ados grupos populacionais
                                                           pessoa) se definiria em termos          Black African / Coloured / Indian or Asian / White/
               África do Sul           2001                                                         Others – specify
                                                         dos grupos populacionais
                                                    A pessoa é de origem Aborígene ou da           Others – specify
                  Austrália             2001       A pessoa é dede Torres Strait? ou da             No – Yes Aboriginal / Torres Strait Island
                 Austrália             2001                  Ilha origem Aborígene                 No – Yes Aboriginal / Torres Strait Island
                                                           Ilha de Torres Strait?
                                                                                                    Black, African / Caucasian, White / Chinese /
                                                                                                   Black, African /Indian / Garifuna / Maya Ketchi /
                                                                                                    Creole / East Caucasian, White / Chinese /
                   Belize               2000           Qual grupo étnico você pertence?            Creole MopanIndian / Garifuna // Mennonite / /
                  Belize               2000           Qual grupo étnico você pertence?              Maya / East / Maya Yucatec Maya Ketchi
                                                                                                   Maya Mopan / Maya Other – specify / NS /
                                                                                                    Mestizo / Spanish / Yucatec / Mennonite
                                                                                                   Mestizo / Spanish / Other – specify / NS

                                                       Essa pessoa é aborígine, ou seja,            North American Indian / Métis / Inuit (Eskimo) / /
                                                      Essa pessoa é aborígine, ou seja,
                                                    indígena norte-americana, métis ou inuit       North American Indian / Métis / / Black / Filipino//
                                                                                                    White / Chinese / South Asian Inuit (Eskimo) /
                  Canadá                2001       indígena norte-americana, métis ou inuit        White / Chinese / South Asian / Black / Filipino /
                 Canadá                2001         (esquimó)?/ Essa pessoa é? (perguntas           Latin American / Southeast Asian / Arab / West
                                                   (esquimó)?/e 19 do questionário)
                                                            18 Essa pessoa é? (perguntas           Latin American / Southeast Asian / Arab / West
                                                                                                    Asian / Japanese / Korean / Other – specify
                                                           18 e 19 do questionário)                Asian / Japanese / Korean / Other – specify
                                                                                                    Indigena / Afrocostarricensse o negra / China /
                 Costa Rica             2000                  Pertence a cultura?                  Indigena / de las anteriores o negra / China /
                Costa Rica             2000                  Pertence a cultura?                    Ninguna Afrocostarricensse
                                                                                                   Ninguna de las anteriores
                                                                                                    a) Blanco; Mestizo (mezcla de blanco con
                                                                                                   a) Blanco; Mestizo (mezcla de blanco con (de raza);
                                                                                                    indígena); Indígena (responde b); Negro
                 El Salvador                                       Você é?                         indígena); Indígena (responde b); Negro Nahua
                El Salvador                                       Você é?                           Otro. b) Lenca; Kakawira (Cacaopera); (de raza);
                                                                                                   Otro. b) Lenca; Kakawira (Cacaopera); Nahua
                                                                                                    Pipil;Otro (especifique)
                                                                                                   Pipil;Otro (especifique)
                                                                                                    Maya (22 opciones) / Xincas / Garífunas / Ladino /
                 Guatemala              2002         A qual grupo étnico (povo) pertence?          Maya (22 / Otros
                Guatemala              2002         A qual grupo étnico (povo) pertence?            Ninguno opciones) / Xincas / Garífunas / Ladino /
                                                                                                   Ninguno / Otros
                                                                                                    African, Negro, Black / Amerindian / East Indian /
                   Guiana               2002           Qual grupo étnico você pertence?            African, Negro, Black / Amerindian / East Indian / /
                                                                                                    Chinese / Mixed / Portuguese / Syrian, Lebanese
                  Guiana               2002           Qual grupo étnico você pertence?             Chinese NS – No/ stated/ Others – specify
                                                                                                    White / / Mixed Portuguese / Syrian, Lebanese /
                                                                                                   White / NS – No stated/ Others – specify
                                                                                                    Garífuna / Negro Inglés / Tolupan / Pech (Paya) /
                  Honduras              2000         A qual grupo populacional pertence?           Garífuna //Negro Inglés / Tolupan / Pech (Paya) /
                 Honduras              2000         A qual grupo populacional pertence?             Misquita Lenca / Tawohka (Sumo) / Chorti / Otro
                                                                                                   Misquita / Lenca / Tawohka (Sumo) / Chorti / Otro
                                                                                                    Rama / Garífuna / Mayangna-Sumu / Miskitu /
                                                                                                   Rama / Creole (Kriol) / Mestizo de la/Costa Caribe /
                                                                                                    Ulwa / Garífuna / Mayangna-Sumu Miskitu /
                                                   A qual dos seguintes povos indígenas ou         Ulwa / Creole/ (Kriol) / Mestizo de/ la Costa Caribe /
                 Nicaragua              2005      A qual dos seguintes povos indígenas ou           Xiu-Sutiava Nahoa-Nicaracao Chorotega-
                Nicaragua              2005                    etnias pertence?                    Xiu-Sutiava / Nahoa-Nicaracao / Chorotega- / No
                                                              etnias pertence?                      Nahua-Mange / Cacaopera-Matagalpa / Otro
                                                                                                   Nahua-Mange / Cacaopera-Matagalpa / Otro / No
                                                                                                    Sabe
                                                                                                   Sabe
                                                                                                    De origen mestizo / De origen quechua / De
                                                   Por seus antepassados e de acordo com           De origen mestizo / De origen la Amazônia / De
                    Peru              2000 (**)   Por seus costumes vocêe de acordo com
                                                      seus antepassados se considera?               origen Aymara / Indígena de quechua / De
                   Peru              2000 (**)                                                     origen Aymara mulato o zambo Amazônia / De
                                                                                                    origen negro, / Indígena de la / Otros
                                                    seus costumes você se considera?
                                                                                                   origen negro, mulato o zambo / Otros
                                                                                                    Indigenous, Amerindian / Maroon, Bushnegro /
                                                    A qual grupo populacional essa pessoa          Indigenous, Amerindian / Maroon, Bushnegro /
                                                                                                    Creole / Hindostani / Javanese/ Chinese /
                  Suriname              2003       A pertence de acordo com essa pessoa
                                                     qual grupo populacional ela mesma?            Creole / Hindostani // Mixed / Other / Don’t/ know, no
                 Suriname              2003                                                         Caucasian, White Javanese/ Chinese
                                                    pertence de acordo com ela mesma?              Caucasian, White / Mixed / Other / Don’t know, no
                                                                                                    answer
                                                                                                   answer
                                                                                                    African / Indian / Chinese / Syrian, Lebanese /
             Trinidad & Tobago          2000             A qual grupo étnico pertence?             African / Indian / Chinese / Syrian, Group / NS
            Trinidad & Tobago          2000             A qual grupo étnico pertence?               Caucasian / Mixed / Other Ethnic Lebanese /
                                                                                                   Caucasian / Mixed / Other Ethnic Group / NS

                                                                                                    A) White (British / Irish / Any Other White
                                                                                                   A) White (British / Irishoptions]) / B) Mixed (White
                                                                                                    Background [opened / Any Other White
                                                                                                   Background [opened options]) and Black African /
                                                                                                    and Black Caribbean / White / B) Mixed (White
                                                                                                   and Black Caribbean / White and Black African /
                                                                                                    White and Asian / Any Other Mixed Background
                                                                                                   White andoptions])Any Other Mixed Background
                                                                                                    [opened Asian / / C) Asian or Asian British
                Grã-Bretanha            2001               Qual o seu grupo étnico?                [opened /options]) / C) Asian or Asian British Asian
                                                                                                    (Indian Bangladeshi / Pakistan / Any Other
               Grã-Bretanha            2001               Qual o seu grupo étnico?                 (Indian / Bangladeshi /options]) / /D) Black or Asian
                                                                                                    Background [opened Pakistan Any Other Black
                                                                                                   Background [opened African / Any Other Black
                                                                                                    British (Caribbean / options]) / D) Black or Black
                                                                                                   British (Caribbean / African / Any Chinese or other
                                                                                                    Background [opened options]) / Other Black
                                                                                                   Background [opened options]) / Chinese or other
                                                                                                    ethnic group (Chinese / Any Other [opened
                                                                                                   ethnic group (Chinese / Any Other [opened
                                                                                                    options])
                                                                                                   options])

                 Zimbabwe               2002           Qual (o nome) da origem étnica?              African / European / Asiatic / Mixed Race / Other
                Zimbabwe               2002           Qual (o nome) da origem étnica?              African / European / Asiatic / Mixed Race / Other
          Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/sconcerns/popchar/popcharMeta.aspx (questionários censitários dos respectivos países). Para
         Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/sconcerns/popchar/popcharMeta.aspx (questionáriosNicarágua, ver Antón & Del Popolo (2008)
          a Grã-Bretanha, fonte do questionário Petrucelli (2007). Para El Salvador, Guatemala, Honduras e censitários dos respectivos países). Para
         a Nota:(*) Tradução livre dos questionários censitários oficiaisEl Salvador, Guatemala, locais.
           Grã-Bretanha, fonte do questionário Petrucelli (2007). Para nas respectivas línguas Honduras e Nicarágua, ver Antón & Del Popolo (2008)
          Nota:(*) Tradução livre dos questionários censitários oficiais nas respectivas línguas locais.
                (**) Pesquisa amostral.
               (**) Pesquisa amostral.




26           Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça


2.2. Distribuição Regional
da População Brasileira                                                              Gráfico 2.5 - Distribuição relativa da população residente de cor ou raça branca entre as
                                                                                    Gráfico 2.5 - Distribuição relativa da população residente de cor ou raça ou raça
                                                                                          Gráfico 2.5 - Distribuição relativa da população residente de cor
                                                                                                         regiões geográficas, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                         branca entre as regiões geográficas, Brasil, 1995-2006 (em %) (em %)
                                                                                               branca entre as regiões geográficas, Brasil, 1995-2006
                                                                                           3,9%                                                                                      23,4%           6,1%
    A divisão da população residente no Brasil, pelos grupos                    3,9%                    16,2%                                50,4%                       23,4%           6,1%
                                                                                              16,2%                             50,4%
                                                                                    2006
                                                                        2006

de cor ou raça, revela que os principais contingentes apresen-          2005        2005

tavam distribuições relativas pelo território razoavelmente             2004        2004


discrepantes. Ao longo do período 1995-2006, a população                2003        2003                                                                                                             Norte      Norte
                                                                                                                                                                                                     Nordeste Nordeste
branca concentrava-se, principalmente, nas regiões Sudeste              2002        2002
                                                                                                                                                                                                     Sudeste    Sudeste
                                                                                    2001                                                                                                             Sul        Sul
e Sul, que, juntas, durante todo este período, não abrigaram
                                                                        2001
                                                                                                                                                                                                                Centro Oeste
                                                                                                                                                                                                     Centro Oeste
                                                                        1999        1999
menos do que 73% do total de habitantes deste contingente.              1998        1998

Por outro lado, no mesmo período, observou-se, também,                  1997        1997

um aumento do peso relativo da população branca nas re-                 1996
                                                                                2,5%
                                                                                    1996
                                                                                              15,2%                            52,8%                                        23,6%         6,0%
                                                                                           2,5%        15,2%                             52,8%                                          23,6%         6,0%
giões Norte (de 2,5% para 3,9%), Nordeste (de 15,2% para                1995        1995


16,2%) e Centro-Oeste (de 6,0% para 6,1%) (gráfico 2.5).
                                                                             0,0%                 20,0%                 40,0%                    60,0%                  80,0%               100,0%
                                                                                       0,0%                 20,0%                    40,0%                      60,0%               80,0%              100,0%

                                                                 Fonte: Fonte:microdados Pnad. Pnad.
                                                                        IBGE, IBGE, microdados
                                                                 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                 Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                                        Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
     Quanto aos pretos & pardos, verificou-se que, entre os
anos de 1995 e 2006, sua principal região de residência era
o Nordeste. De todo modo, no período, o peso relativo dessa
                                                                               Gráfico 2.6 - Distribuição relativa da populaçãopopulação residente preta & parda entre as
                                                                                  Gráfico 2.6 - Distribuição relativa da residente de cor ou raça de cor ou raça
região declinou de 47,3% para 39,3%. A segunda região em                           Gráfico 2.6 - Distribuiçãogeográficas, população residente de cor ou(em %)
                                                                                    preta & parda entre as regiões da Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                                         regiões relativa geográficas, Brasil, 1995-2006 raça
presença de pretos & pardos era o Sudeste, registrando um             2006
                                                                                        preta
                                                                                    12,3%       & parda entre as regiões geográficas, Brasil, 1995-2006 (em %) 8,1%
                                                                                                           39,3%                        34,6%             5,8%
                                                                                                                                                                34,6%               5,8%    8,1%
                                                                                     12,3%                          39,3%
aumento de 32,3%, para 34,6%. O Norte era a terceira mais               2006
                                                                      2005

importante região de residência de pretos & pardos, tendo               2005
                                                                      2004

aumentado sua participação de 7,5%, em 1995, para 12,3%,                2004
                                                                      2003
                                                                                                                                                                                                             Norte
                                                                                                                                                                                                     Norte Nordeste
                                                                        2003
em 2006. Para a compreensão dos motivos dessa evolução                2002
                                                                        2002
                                                                                                                                                                                                     Nordeste
                                                                                                                                                                                                           Sudeste
                                                                                                                                                                                                     Sudeste
                                                                                                                                                                                                           Sul
podem ser feitas duas observações. Em primeiro lugar, a in-           2001
                                                                        2001
                                                                                                                                                                                                     Sul
                                                                                                                                                                                                           Centro Oeste
                                                                                                                                                                                                     Centro Oeste
clusão, na Pnad, de suas áreas rurais, território de especial         1999
                                                                        1999

                                                                      1998
concentração de pretos & pardos. Em segundo lugar, mesmo                1998

                                                                      1997
                                                                        1997
em 2003, um ano antes da inclusão das áreas rurais, a região          1996
                                                                        1996

já vinha se apresentando como a terceira mais importante              1995
                                                                        1995
                                                                               7,5%
                                                                                 7,5%                               47,3%
                                                                                                                    47,3%                                      32,3%
                                                                                                                                                            32,3%                    5,1%5,1% 7,7%
                                                                                                                                                                                           7,7%


área de residência de pretos & pardos. Entre 1995 e 2006,                   0,0%
                                                                         0,0%                      20,0%
                                                                                                  20,0%                     40,0%
                                                                                                                             40,0%                   60,0%
                                                                                                                                                        60,0%            80,0%
                                                                                                                                                                             80,0%           100,0%100,0%

as regiões Centro-Oeste (de 7,7% para 8,1%) e Sul (de 5,1%              Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                      Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                        Tabulações: LAESER Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                      Tabulações: LAESER --Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                        Nota: entre
                                                                      Nota: Mapa os anosde 1995 e 2003 não inclui aa população residente nas áreas ruraisregião NorteNorte (exceto Tocantins)
                                                                            entre os2.1. Presença relativa de pessoas de cor ou raça preta & parda no Tocantins) da
                                                                                    anos de 1995 e 2003 não inclui população residente nas áreas rurais da da região (exceto interior
para 5,8%), também ampliaram sua importância relativa                                         população residente, unidades da federação, Brasil, 2006 (em %).
em residência da população preta & parda (gráfico 2.6).

    Em 2006, a população preta & parda era majoritária em três                                        Mapa 2.1 - Presença relativa de pessoas de cor ou raça preta & parda no interior
                                                                                                      Mapa 2.1. Presença relativa de pessoas de cor ou raça preta & parda (em %)
                                                                                                         da população residente, unidades da federação, no Brasil, 2006 no interior da
das cinco regiões do país: Norte, Nordeste e Centro-Oeste. De 1995                                              população residente, unidades da federação, Brasil, 2006 (em %).

a 2006, em duas delas houve aumento de percentual desse contin-
gente: Norte, de 71,3% para 75,4%, e Centro-Oeste, de 51,3% para
56,2%. Já no Nordeste, a proporção de pretos & pardos diminuiu de
71,9% para 70,4%. Nas regiões Sudeste e Sul, o contingente bran-
co continuou majoritário em todo o período. Contudo, a presença
preta & parda aumentou relativamente. No Sudeste, de 33,4% para
40,2%, e no Sul, de 15,2% para 19,7% (mapa 2.1).


2.3. Pirâmides Etárias

    Entre os anos de 1995 e 2006, seguindo as transformações ocorri-
das no padrão etário da população brasileira, no sentido de seu enve-
lhecimento, o formato das pirâmides, tanto dos brancos quanto dos
pretos & pardos, apresentou um estreitamento da base e um alarga-                              Fonte: IBGE, microdados PNAD.
                                                                                                                Fonte: IBGE, microdados PNAD.
                                                                                               Tabulações: LAESER - Fichário das - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                Tabulações: LAESER Desigualdades Raciais.

mento do topo. Contudo, esses movimentos não se deram da mesma
forma e com igual intensidade em ambos os grupos de cor ou raça.
                                                                                           pessoas com mais de 65 anos de idade correspondiam a 6,3%,
   Em 1995, 29,9% dos brancos e 35% dos pretos & pardos ti-                                entre os brancos, e 4,9%, entre os pretos & pardos. Em 2006,
nham até 14 anos de idade. No outro extremo da pirâmide, as                                percebe-se que ocorreram mudanças nas composições etárias de


                                                                         Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                              27
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




     Box 2.2. Aumento do peso relativo da população de cor ou raça preta nas regiões geográficas

         O aumento do peso relativo da população de cor ou raça preta também se reflete nas regiões geográficas. Assim, de 1995 a 2006,
     em todas elas, houve ampliação da presença desse contingente nas respectivas populações. No Sudeste, de 6,5%, para 7,7%; no Sul, de
     2,7% para 3,6%; e no Centro-Oeste, de 2,6% para 5,7%, nesse caso, mais que o dobro. Os casos das regiões Norte e Nordeste chamam
     a atenção. No Norte, em 1995, houve um acréscimo do peso relativo das pessoas de cor ou raça preta de 1,9% e, em 2006, de 6,2%.
     Possivelmente, a extensão da Pnad às áreas rurais da região pôs em evidência a importante presença deste contingente, embora esse
     aumento relativo de presença já viesse ocorrendo em anos anteriores (em 2003, por exemplo, os pretos já constituíam 3,9% da po-
     pulação da região). Já no Nordeste, onde a presença das pessoas de cor ou raça preta passou de 4,8%, em 1995, para 7,8%, em 2006,
     o interessante é que esse acréscimo se deu na contramão do que ocorreu com os pardos, que tiveram queda nesses onze anos em
     termos de sua presença relativa na população residente nesta região.


ambos os grupos sem que, todavia, se tenha chegado a uma igual-                                nascer, menores, tal como será mostrado adiante;
dade de formatos das respectivas pirâmides. Assim, neste último                                ✓ Tanto entre os brancos como entre os pretos & pardos, embora
ano, 23,8% dos brancos tinham até 14 anos de idade, enquanto                                   em ritmos diferentes, houve um progressivo estreitamento da pi-
que os pretos & pardos na mesma faixa etária correspondiam a                                   râmide etária nas faixas de zero a quatro anos e de cinco a nove,
28,2%. Ou seja, uma proporção semelhante ao do outro grupo 11                                  indicando redução das taxas de fecundidade no período, tal como
anos antes. Já no outro extremo, na população acima de 65 anos                                 também será visto mais a frente.
de idade, tal contingente correspondia a 8,4%, entre os brancos,
e a 5,7%, entre os pretos & pardos (gráficos 2.7 a 2.10).                                          Com o auxílio das tabelas 2.2 e 2.3, é possível uma análise
                                                                                               sintética da distribuição relativa das faixas de idade das respecti-
    Sobre o formato das respectivas pirâmides etárias dos dois grupos                          vas populações de cor ou raça branca e preta & parda nas regiões
de cor ou raça, entre 1995 e 2006, ainda se pode frisar o seguinte:                            do país, no ano de 2006. Pelas fontes, em todas as regiões, o peso
                                                                                               relativo dos pretos & pardos de até 14 anos de idade na compo-
✓ Em 1995, em ambos os grupos, a faixa etária selecionada modal                                sição etária do mesmo grupo era maior do que o dos brancos da
era dos 10 aos 14 anos. Já em 2006, entre os pretos & pardos, a faixa                          mesma faixa etária dentro do respectivo grupo (salientando-se
continuava a mesma, mas, entre os brancos, passou a ser a dos 20                               que no Nordeste as diferenças não eram acentuadas: apenas 0,3
aos 24 anos de idade;                                                                          ponto percentual). Já o peso relativo dos que tinham mais de 65
✓ O peso relativo das faixas de idade até nove anos dos pretos                                 anos de idade na população branca era razoavelmente maior do
& pardos era superior ao dos brancos, denotando que, naquele                                   que o na preta & parda, sendo tal realidade igualmente presente
grupo, as taxas de natalidade e de mortalidade (principalmen-                                  em todas as regiões, muito embora, no Norte, a diferença fosse de
te a infantil) eram maiores e as taxas de esperança de vida ao                                 apenas meio ponto percentual.


                          Tabela 2.2 - Distribuição relativa da população residente de cor ou residente de segundo grupos de idade
                                                          Tabela 2.2 - Distribuição relativa da população raça branca
                                      cor ou raça branca segundo grupos de idaderegiões geográficas, 2006geográficas, 2006 (em %)
                                                      selecionados, Brasil e
                                                                                    selecionados, Brasil e regiões (em %)
                            Faixa etária                 Brasil              Norte           Nordeste           Sudeste   Sul     Centro-Oeste
                    Até 14 anos de idade                  23,9               31,3               29,0              21,9    23,4        25,2
                    Entre 15 e 29 anos de idade              25,7              29,1              27,2              25,1     25,1             26,5
                    Entre 30 e 64 anos de idade              42,1              34,9              35,8              44,0     43,7             42,0
                    Acima de 65 anos de idade                 8,3              4,7                8,0               9,0      7,9              6,4
                    Total                                   100,0             100,0             100,0             100,0     100,0           100,0

                    Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                    Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais




                                                             Tabela 2.3 - Distribuição relativa da população residente de
                       Tabela 2.3 - Distribuição relativa da população residente de cor ou raça preta & parda segundo grupos de idade
                                   cor ou raça preta & parda segundo grupos de e regiões geográficas,e2006 (em %)
                                                       selecionados, Brasil
                                                                               idade selecionados, Brasil regiões geográficas, 2006 (em %)
                                                          Brasil          Norte           Nordeste          Sudeste             Sul        Centro-Oeste
                    Até 14 anos de idade                     28,2              33,6              29,3              25,3     26,9             27,7
                    Entre 15 e 29 anos de idade              28,3              29,3              29,0              27,3     26,7             29,2
                    Entre 30 e 64 anos de idade              37,7              32,9              35,5              41,2     40,4             38,6
                    Acima de 65 anos de idade                 5,8              4,2               6,3                6,2      6,0             4,5
                    Total                                   100,0             100,0             100,0             100,0     100,0           100,0

                    Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                    Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais




28             Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
Gráfico 2.7 - Pirâmide etária da população residente de cor ou raça branca, Brasil, 1995 (em %)   Gráfico 2.8 - Pirâmide etária da população residente de cor ou raça preta & parta , Brasil, 1995 (em %)




                                                                 Gráfico 2.9 - Pirâmide etária da população residente de cor ou raça branca, Brasil, 2006 (em %)   Gráfico 2.10 - Pirâmide etária da população residente de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2006 (em %)




Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
                                                                                                                                                                                                                                                                             2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




29
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




     Box 2.3. Serão os pretos & pardos realmente uma minoria no Brasil?

          No Brasil, há, no senso comum, uma identificação                                            Gráfico 2.11 - População residente segundo os grupos de cor ou raça
                                                                                           Gráfico 2.11 -ePopulação residente segundo os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda)
                                                                                               (branca preta & parda) e decomposição por faixas etárias selecionadas,
     dos direitos da população de cor ou raça preta & par-                                             Gráfico 2.11 - População residente segundo - População residente segundo os grupos de cor ou raça
                                                                                                                                        Gráfico 2.11 os grupos de cor ou raça
                                                                                                  e decomposiçãoBrasil, 2006,e(em númeroBrasil, 2006parda) e decomposição por faixas etárias selecionadas,
                                                                                                     (branca e preta & faixas selecionadas, e preta & (em número de pessoas)
                                                                                                                   por parda) decomposição pessoas) etárias selecionadas,
                                                                                                                                             de
                                                                                                                                      (branca por faixas
     da como um tema de minorias. De fato, na medida em                            40.000.000                                         Brasil, 2006, (em número de pessoas) 2006, (em número de pessoas)
                                                                                                                                                                     Brasil,
                                                                                                                                                                     35.992.253
                                                                                                                                           40.000.000
     que a população declarada preta & parda não passava                                  40.000.000
                                                                                                                                                                                     32.403.405
                                                                                                                                                                              35.992.253                                        35.992.253
                                                                                   30.000.000
     de 50%, tal idéia não deixava de ter um fundo de verda-                                                  26.102.762                        26.248.154
                                                                                                                                                                                           32.403.405                                        32.403.405

                                                                                          30.000.000                                   30.000.000
                                                                                                                                23.893.215
     de. Porém, da análise da composição de cor ou raça da                                       22.290.518            26.102.762
                                                                                                                                        23.893.215
                                                                                                                                                  26.248.154           26.102.762
                                                                                                                                                                                         23.893.215
                                                                                                                                                                                                        26.248.154

                                                                                   20.000.000            22.290.518                                       22.290.518
     população desagregada por grupos etários, conclui-se                                 20.000.000                                       20.000.000
                                                                                                                                                                                                   10.920.302
     que, no intervalo de zero a 29 anos, os pretos & pardos                       10.000.000
                                                                                                                                                                                                                 7.935.651
                                                                                                                                                                                                                                                          10.920.302
                                                                                                                                                                                                            10.920.302
     formavam uma maioria expressiva em 2006 (gráfico                                     10.000.000                                       10.000.000
                                                                                                                                                                                                                        7.935.651                                      7.935.651


     2.11). Por outro ângulo, eles somente podem ser con-                                     0

     siderados minoria por apresentarem piores condições                                          Até 14 anos de idade
                                                                                                  0
                                                                                                                           Entre 15 e 29 anos de idade Entre 30 e 59 anos de idade Acima de 60 anos de idade
                                                                                                                                             0
                                                                                                         Até 14 anos de idade     Entre 15 e 29 anosAté 14 anos de idade 59 anos de idade anos dede 60 anos de idade anos de idade Acima de 60 anos de idade
                                                                                                                                                     de idade Entre 30 e     Entre 15 e 29 Acima idade Entre 30 e 59
     socioeconômicas e, por esse motivo, viverem menos                             Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                                                                                          Brancos Pretos & Pardos

                                                                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                Brancos Pretos & Pardos
     anos de vida do que os brancos.                                                     Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                                                                                                 Brancos Pretos & Pardos
                                                                                                                                    Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                                                                                    Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                         Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




     Box 2.4. O aumento do percentual de pretos & pardos é produto de fatores demográficos ou sociopolíticos?

           Até que ponto as recentes alterações na composição de cor ou raça da população brasileira poderiam ser creditadas a movimentos
     demográficos específicos, como alterações diferenciadas nas respectivas taxas de fecundidade ou mortalidade? Ou até que ponto essas
     mudanças seriam derivadas de fatores antropológicos e políticos, reportando-se a mudanças de formas de autopercepção? Na verdade,
     uma análise das alterações das composições de cor ou raça ocorridas nos distintos grupos etários revela que ambos os aspectos podem
     ser levados em consideração, tal como pode ser visto pelo gráfico 2.12.
           De 1995 a 2006, com exceção da faixa
     dos 75 aos 79 anos de idade, em todas as de-            Gráfico 2.12 - Participação relativa da população residente de cor ou raça preta & parda sobre o
                                                         Gráfico 2.12 - Participação relativa decomposição por faixas etáriasraça preta & parda sobre o total da população
                                                            total da população residente, da população residente de cor ou selecionadas, Brasil, 1995 e 2006
     mais ocorreu um razoável aumento do peso                        residente, decomposição por faixas etárias%)   (em selecionadas, Brasil, 1995 e 2006 (em número %)

     relativo de pretos & pardos. Nas faixas de 60%
     zero a quatro, cinco a nove, 10 a 14 e de 15 a
                                                     50%
     19 anos verificaram-se elevações relativas na
     presença de pretos & pardos de, respectiva- 40%
     mente: 3,6; 4,7; 5,2 e 4,1 pontos percentuais.
     Nesse caso, parece que o fator demográfico 30%
     – diferenças de cor ou raça na evolução das 20%
     taxas de natalidade associadas a diferentes
     níveis de reduções nas taxas de mortalidade 10%
     infantil – apresenta-se como o principal para 0%
     a compreensão daquelas alterações.
                                                                                    10


                                                                                              15


                                                                                                        20


                                                                                                                  25


                                                                                                                            30


                                                                                                                                      35


                                                                                                                                                40


                                                                                                                                                          45


                                                                                                                                                                    50


                                                                                                                                                                              55


                                                                                                                                                                                        60


                                                                                                                                                                                                  65


                                                                                                                                                                                                            70


                                                                                                                                                                                                                      75
                                                                   0


                                                                           5




                                                                                                                                                                                                                                 80
                                                                    a


                                                                           a



                                                                                      a


                                                                                                  a


                                                                                                         a


                                                                                                                   a


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                                                                                                                                                                     a


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                                                                                                                                                                                         a


                                                                                                                                                                                                   a


                                                                                                                                                                                                             a


                                                                                                                                                                                                                       a
                                                                       4


                                                                               9




                                                                                                                                                                                                                                    ou




           Raciocínio semelhante poderia ser utili-
                                                                                         14


                                                                                                   19


                                                                                                             24


                                                                                                                       29


                                                                                                                                 34


                                                                                                                                           39


                                                                                                                                                     44


                                                                                                                                                               49


                                                                                                                                                                         54


                                                                                                                                                                                   59


                                                                                                                                                                                             64


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                                                                                                                                                                                                                 74


                                                                                                                                                                                                                           79



                                                                                                                                                                                                                                      m
                                                                                                                                                                                                                                       ai
                                                                                                                                                                                                                                         s




     zado no entendimento do ocorrido nas faixas                                                                        1995 2006
                                                         Fonte: IBGE, microdados Pnad.
     etárias mais avançadas, acima dos 60 anos.          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                         Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
     Assim, nos intervalos de 60 a 64 anos, 65 a 69,
     70 a 74 e 80 anos ou mais, o peso relativo de
     pretos & pardos na população, de 1995 a 2006, aumentou, em pontos percentuais, respectivamente: 4,7; 5,8; 2,9 e 0,9. A principal explicação poderia
     ser, também, de ordem demográfica, com redução das diferenças de cor ou raça nas esperanças de vida, como será comentando adiante.
           Entretanto, as alterações verificadas em termos da composição de cor ou raça nos grupos etários acima dos 20 e abaixo dos 49 anos,
     só podem ser entendidas como mudanças nas formas de autopercepção. Afinal, no mesmo período, houve aumentos significativos de
     presença de pretos & pardos de 5,5 pontos percentuais na faixa etária entre os 20 e 24 anos, de 6,4 na entre 25 e 29 anos, de 7,4 na entre 30
     a 34 anos e de 6,8 na entre 35 a 39 anos. De que outro modo as mudanças poderiam ser entendidas?
           Assim, probabilidades de sobrevida em 1995 à parte, o fato é que naquele ano o contingente de pretos & pardos de 10 a 29 anos
     correspondia a 47,8% de todo este grupo etário. Em 2006, naquele mesmo contingente (desta vez com 20 a 39 anos de idade), o peso de
     pretos & pardos subiu para 50,4%. Portanto, é razoável supor que a alteração esteve associada às mudanças de forma de percepção de sua
     própria cor ou raça por parte de alguns contingentes que, desse modo, passaram a se reconhecer como não brancos.



30                Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça


2.4. Idade Mediana da População Brasileira                                                                                                                        Em 1995, a idade mediana da população branca era de 26 anos,
                                                                                                                                                              ao passo que a da população preta & parda, de 21. Passados 11 anos, a
    As idades medianas das populações branca e preta & par-                                                                                                   dos brancos subiu para 30 anos, enquanto que a dos pretos & pardos,
da confirmam o constatado nas pirâmides etárias. Ou seja, as                                                                                                  para 26 anos de idade. Logo, a diferença entre as idades medianas
pessoas de cor ou raça preta & parda possuem perfil mais jovem                                                                                                dos dois contingentes foi reduzida em um ano (gráficos 2.13 e 2.14).
do que as de cor ou raça branca. De qualquer maneira, de 1995
a 2006, seguindo a tendência de envelhecimento da população,                                                                                                      A idade mediana dos homens brancos brasileiros em 1995 era de
apesar de variações conforme o sexo e a região de residência, as                                                                                              25 anos e a dos pretos & pardos, 21. Esta diferença, 11 anos depois,
idades medianas dos dois contingentes aumentaram progressi-                                                                                                   também diminuiu em um ano: 28 anos para os brancos e 25 para os
vamente dentro de um contexto de diminuição das distâncias                                                                                                    pretos & pardos. Em 2005, entre as mulheres, a idade mediana das
relativas entre os dois grupos de cor ou raça.                                                                                                                brancas era de 27 e a das pretas & pardas, de 22 anos. Em 2006, essa



                                              Gráfico 2.13 Gráfico 2.13 - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou raça raça (branca e
                                                           - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou
                                                              preta & e preta & parda), Brasil e regiões geográficas, 1995 (em anos de idade)
                                                               (branca parda), Brasil e regiões geográficas, 1995 (em anos de idade)
                40




                30                                                                                                               28
                                                                                                                   26                             27                     27            26                                                                      27           26
                                                                                                                                       25                      25
                                                                                                                                                                                                                                               25
                                                                                  23                 22                   23                           24                                        23             23               23
                                                       20                                                                                                           23           23         23             22               23                                        22
                                                                 21                                                                                                                                                                       22                                     21
                     20                                                                       21                                                                                                                                                         21
                                      20 20                 19                                               20
                20                                                         19
                                 19




                10




                 0
                        Homens




                                                                    Homens




                                                                                                                      Homens




                                                                                                                                                                Homens




                                                                                                                                                                                                   Homens




                                                                                                                                                                                                                                                 Homens
                                                         Total




                                                                                                      Total




                                                                                                                                                   Total




                                                                                                                                                                                         Total




                                                                                                                                                                                                                                   Total




                                                                                                                                                                                                                                                                              Total
                                           Mulheres




                                                                                     Mulheres




                                                                                                                                   Mulheres




                                                                                                                                                                            Mulheres




                                                                                                                                                                                                                   Mulheres




                                                                                                                                                                                                                                                                 Mulheres
                                      Norte                                      Nordeste                                      Sudeste                                    Sul                                Centro-oeste                                     Brasil


                                                                                                                                              Brancos        Pretos & Pardos
                     Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                     Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).




                                                                    Gráfico 2.14 - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou raça
                                            Gráfico 2.14 - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e
                                                              (branca e preta & parda), Brasil e regiões geográficas, 2006 (em anos de idade)
                                                            preta & parda), Brasil e regiões geográficas, 2006 (em anos de idade)

               40


                                                                                                                                33
                                                                                                                                                 32                      32
                                                                                                                                                                                       31                                                                     31
                                                                                                                   30                                                           28                              30                                                          30
               30                                                                                                                      29              28     29
                                                                                                                                                                                                                                 28            28
                                                       24                        26 26                                   27                                         27                      27   27                                                                 27
                                                                 25                                                                                                                                                                                                              26
                     24
                                      24
                                                                       24                          25 25                                                                                              25               26             26            25
                                                  23
                                 22                         22
               20




               10




                0
                                                        Total




                                                                                                     Total




                                                                                                                                                  Total




                                                                                                                                                                                        Total




                                                                                                                                                                                                                                  Total




                                                                                                                                                                                                                                                                             Total
                                       Mulheres




                                                                                   Mulheres




                                                                                                                                 Mulheres




                                                                                                                                                                          Mulheres




                                                                                                                                                                                                                 Mulheres




                                                                                                                                                                                                                                                               Mulheres
                      Homens




                                                                  Homens




                                                                                                                    Homens




                                                                                                                                                               Homens




                                                                                                                                                                                                  Homens




                                                                                                                                                                                                                                                Homens




                                      Norte                                     Nordeste                                       Sudeste                                   Sul                                Centro-oeste                                      Brasil
                                                                                                                                 Brancos                   Pretos & Pardos
                     Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




                                                                                                                                               Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                         31
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça


diferença havia se reduzido igualmente em um ano: as brancas com                                              mais equilibrada do que da população branca, na qual o contin-
31 e as pretas & pardas com 27 anos (gráficos 2.13 e 2.14).                                                   gente feminino sempre se apresentava maior. Em 2006, a menor
                                                                                                              proporção entre homens e mulheres brancos se dava no Nordeste
     Independentemente do grupo de sexo, em todas as regiões bra-                                             (88,6%). Já entre os pretos & pardos, o mesmo fenômeno ocorria
sileiras a população preta & parda revelou-se proporcionalmente                                               no Sudeste (97%). A maior proporção entre homens e mulheres
mais jovem do que a branca. Porém, a diferença entre as idades                                                brancos se dava no Centro-Oeste (93,6%), enquanto que entre os
medianas variava conforme a região.                                                                           pretos & pardos a maior proporção de homens por número de
                                                                                                              mulheres estava no Norte (104,6%) (tabela 2.4).
    A maior idade mediana foi observada na população branca
do Sudeste, tanto em 1995 (27 anos) como em 2006 (32 anos). Em
seguida, considerando-se apenas 2006, vinha o Sul (31 anos), o                                                2.6. Indicadores Demográficos de
Centro-Oeste (28), o Nordeste (25) e o Norte (24). Em relação aos                                             Mensuração Através de Estimativas Indiretas
pretos & pardos, sua maior idade mediana também era no Sudes-
te: 24 anos, em 1995, e 28, em 2006. Neste último ano, a região                                                   Se as estatísticas vitais no Brasil fossem confiáveis, inegavel-
Sul era onde esse último grupo apresentava a sua segunda maior                                                mente, seriam as fontes mais apropriadas para a obtenção das
idade mediana: 27 anos. Em seguida vinham: Centro-Oeste (26),                                                 estimativas de fecundidade e de mortalidade, já que permitem
Nordeste (25) e Norte (22) (gráficos 2.13 e 2.14).                                                            realizar sua medição de forma direta. No entanto, à exceção de
                                                                                                              alguns estados, as estatísticas de nascimentos e óbitos ainda
    Em 2006, as regiões que apresentaram as maiores diferenças                                                apresentam deficiências. Isso impede de se conhecer, de forma
de idades medianas entre brancos e pretos & pardos foram a Su-                                                apropriada, o nível destas componentes da dinâmica demográfi-
deste e a Sul, ambas com quatro anos. No Centro-Oeste e no Norte                                              ca e, ainda mais, de estudar o comportamento diferencial destas
a diferença era de dois anos. No Nordeste, as das duas populações                                             variáveis para distintos segmentos da população, como é o caso
coincidiu, apesar de a idade mediana dos homens brancos ser um                                                deste estudo (C.f. SIMÕES, 1999).
ano superior à dos pretos & pardos (gráficos 2.13 e 2.14).
                                                                                                                   Para suprir, em parte, esta carência, a partir de perguntas
    As mulheres, independentemente da cor ou raça, apresentavam                                               retrospectivas incluídas nos censos demográficos e pesquisas
idades medianas sempre maiores do que a dos homens, devido à maior                                            domiciliares, foram desenvolvidos métodos de estimação destes
mortalidade masculina em todas as idades e grupos de cor ou raça. De                                          indicadores. Dentre estes estão a técnica proposta por Brass et
qualquer maneira, é obrigatória a menção ao fato de que, com exceção                                          alii (1968, 1973, 1974), utilizada nas estimativas de fecundidade
do Nordeste, as idades medianas das mulheres pretas & pardas eram                                             – particularmente no cálculo dos nascimentos – e de mortalida-
inferiores às dos homens brancos (gráficos 2.13 e 2.14).                                                      de, e, também, suas variantes propostas por Trussell (1975) e Co-
                                                                                                              ale-Trussell (1974), as quais exploram as perguntas retrospecti-
                                                                                                              vas de filhos tidos nascidos vivos, filhos nascidos nos últimos 12
2.5. Razão de Sexos                                                                                           meses e filhos sobreviventes. A partir dos quesitos total de filhos
                                                                                                              nascidos vivos e filhos sobreviventes, torna-se possível calcular
    De acordo com a Pnad, em 1995, a Razão de Sexos era de 96 ho-                                             as probabilidades de morte em idades específicas e alocadas num
mens para cada 100 mulheres, sendo de 92,8% na população branca                                               tempo determinado, em particular, a infantil (SIMÕES, idem).
e de 100,1% na preta & parda. Em 2006, houve uma pequena redução
deste indicador para os brancos (90,8%). Quanto aos pretos & pardos,                                              Desse modo, nas próximas subseções será debatida a evo-
muito embora aquela relação tenha se invertido, basicamente, mante-                                           lução dos indicadores demográficos que são obtidos por meio
ve-se o equilíbrio entre homens e mulheres (99,4%) (tabela 2.4).                                              de estimativas indiretas. Na introdução de cada uma delas se-
                                                                                                              rão feitos comentários preliminares sobre suas metodologias,
   Dentro do conjunto das regiões do país, tanto em 1995 como                                                 os quais seguirão os resultados obtidos em termos da evolução
em 2006, a razão de sexos da população preta & parda tendia a ser                                             das assimetrias de cor ou raça.

                          Tabela 2.4 - Razão de Sexos daRazão de sexos da população residente segundo osou raça de cor oueraça & parda), Brasil e
                                              Tabela 2.4 - população residente segundo os grupos de cor grupos (branca preta
                          Tabela 2.4 - Razão de Sexos da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil e
                                        (branca e preta & parda), Brasil e regiões1995 e 2006 (nº homens // (n0 mulheres) / n0 de mulheres)
                                                           regiões geográficas, geográficas, 1995 e 2006 nº mulheres)
                                                          regiões geográficas, 1995
                                                                                       e 2006 (nº homens
                                                                                                            nº de homens
                            Brasil e                                        1995                                                             2006
                           Brasil e                                        1995                                                              2006
                           Regiões                 Brancos            Pretos & Pardos                Total                    Brancos   Pretos & Pardos   Total
                           Regiões                 Brancos            Pretos & Pardos                Total                    Brancos   Pretos & Pardos   Total
                       Brasil                        0,928                 1,001                     0,960                     0,908         0,994        0,950
                       Brasil                       0,928                  1,001                     0,960                     0,908         0,994        0,950
                       Norte                         0,871                 1,017                     0,975                     0,908         1,046        1,010
                       Norte                        0,871                  1,017                     0,975                     0,908         1,046        1,010
                       Nordeste                      0,863                 0,993                     0,956                     0,886         0,992        0,959
                       Nordeste                     0,863                  0,993                     0,956                     0,886         0,992        0,959
                       Sudeste                       0,936                 0,991                     0,953                     0,905         0,970        0,930
                       Sudeste                      0,936                  0,991                     0,953                     0,905         0,970        0,930
                       Sul                           0,960                 1,068                     0,973                     0,923         1,024        0,945
                       Sul                          0,960                  1,068                     0,973                     0,923         1,024        0,945
                       Centro-Oeste                  0,931                 1,043                     0,987                     0,936         1,008        0,976
                       Centro-Oeste                 0,931                  1,043                     0,987                     0,936         1,008        0,976

                        Fonte: IBGE. Microdados Pnad.
                       Fonte: IBGE. Microdados Pnad.
                        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                        Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                       Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).




32            Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




Box 2.5. Realidades da diáspora: presença afro-descendente no hemisfério americano

     Estimativas baseadas nos respectivos tamanhos das populações dos países do hemisfério americano e nos pesos relativos que os afro-
descendentes possuem dentro daqueles contingentes – que são decerto ainda um tanto grosseiras – indicam que nas três Américas e Ca-
ribe residem mais de 150 milhões de afro-descendentes, o que corresponderia a quase um quinto da população residente no hemisfério.
     As populações afro-descendentes na América do Sul residem com mais intensidade nas zonas litorâneas do Atlântico (como é o caso
do Brasil), do Pacífico e dos países banhados pelo Mar do Caribe e Golfo do México.
     Dentre os países banhados pelo Oceano Pacífico, Peru, Equador e Colômbia abrigam as maiores concentrações afro-descendentes,
em todos os casos esse contingente residindo com mais intensidade em regiões mais próximas ao litoral.
     Na Colômbia, segundo o Departamento Nacional de Estatística (Dane), em 2005, os afro-colombianos correspondiam a cerca de 10,6%
da população local. Esse grupo se encontrava por todo país, porém, sendo especialmente relevante sua concentração nos departamentos
(unidades políticas semelhantes aos estados no Brasil) de Valle del Cauca (com especial menção à cidade de Cali), Antioquia (com especial
menção à cidade de Medelin) e Bolivar, que juntos, abrigavam mais da metade (51,2%) do contingente negro da Colômbia. Somando esse
percentual ao contingente afro-colombiano residente em Chocó, Nariño e Cauca, chega-se a 64,3% desse grupo étnico-racial residente na-
quele país. Por outro lado, os afro-colombianos correspondem à maioria da população no departamento de Chocó (82%) e no arquipélago
caribenho de Santo Andrés (57%, a maior parte pertencente ao grupo étnico afro-colombiano raizal, auto-identificado pelo uso da língua
creole). Nos departamentos de Valle del Cauca (27%) e Bolívar (28%) a presença afro-colombiana superava um quarto da população local
(ver também box 7.3 sobre as terras negras na Colômbia).
     Levantamentos oficiais realizados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo do Equador (Inec), em 2001, apontaram que naquele
país os afro-descendentes respondiam por cerca de 5% da população. Em termos da concentração populacional, as principais províncias
(unidades políticas semelhantes aos estados no Brasil) eram as de Guayas (216,9 mil afro-descendentes, aqui merecendo especial menção
à capital provincial, Guayaquil, 6,6% da população do departamento) e Esmeraldas (153,7 mil afro-descendentes, 39,9% da população do
departamento, sendo a cidade mais importante, a capital provincial do mesmo nome). Essas duas províncias, juntas, abrigavam, em 2001,
61,4% da população afro-equatoriana. O conjunto de províncias costeiras respondia por 75,4% desse contingente.
     No Peru, a Encuesta Nacional de Hogares (Pesquisa Nacional de Domicílios), realizada pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE),
no ano de 2004, informou que os afro-descendentes formavam apenas 1% da população nacional, o que parece estar subestimado.
Balizando-se na amostra não expandida de domicílios referenciados por pessoas afro-descendentes (os que declararam: negro, mulato
ou zambo) fica sugerido que os principais departamentos (unidades políticas semelhantes aos estados no Brasil) que abrigam populações
negras, por ordem de importância são: Ica (se destacando as cidades de Ica, Chincha Alta, Pisco e Nazca), Morropon e Lima (onde fica a
capital daquele país) e que, juntas, abrigavam 84,8% dos domicílios da amostra.
     Quanto aos países sul-americanos banhados exclusivamente pelo Caribe, na Venezuela, até o ano de 2007, jamais havia sido realizado
um levantamento censitário ou amostral que coletasse, de forma desagregada, os indicadores sociais dos grupos afro-venezuelanos. Naquele
ano, a Oficina de Enlace con la Comunidade Afrodescendiente, em parceria com o Instituto Nacional de Estatística, promoveu um levanta-
mento populacional junto às localidades de maior presença afro-venezuelana, porém os dados ainda não foram divulgados. Estimativas do
Banco Mundial apontaram que este grupo correspondia a 10% da população local. De acordo com a avaliação da Rede de Organizações
Afro-venezuelanas, as principais concentrações demográficas da população negra naquele país se encontravam na capital, Caracas, além dos
estados de Miranda, Vargas, Arágua, Zulia, Yaracuy, Bolívar, Sucre e Falcó. Nas Guianas, de acordo com o Bureau de Estatísticas daquele país, em
2002, os 221,7 mil afro-descendentes perfaziam 29,9% da população. A maior concentração negra se dava na região quatro (57%), onde fica
localizada a capital Georgetown. No Suriname, em 2000, a população afro-descendente, chegava a cerca de 133,7 mil pessoas, 31% do total.
Esse contingente, tal como o conjunto da população do país, se concentrava, especialmente, na capital Paramaribo e seu entorno.
     Existem, também, concentrações afro-descendentes em zonas interioranas da América do Sul, nesse caso, originadas pelo uso da
mão-de-obra africana escravizada no período colonial e arregimentadas na pecuária, mineração e extrativismo, além de deslocamentos
populacionais posteriores, motivados pela migração forçada por motivos econômicos ou políticos.
     No Uruguai, em 2006, segundo a Encuesta Nacional de Hogares Ampliada (Pesquisa Nacional de Domicílios Ampliada), promovida
pelo Instituto Nacional de Estatística do país, a presença afro-uruguaia correspondia a 274,9 mil pessoas, o equivalente a 9,1% da população
local. Na capital Montevideo, o peso relativo dos afro-uruguaios chegava a 9,3%, ao passo que no interior era de 9%. Por outro lado, 41,7%
dos afro-uruguaios residiam na capital. Outros 33,2% de afro-uruguaios viviam em quatro províncias: Artigas, Canalones, Rovera e Salto. O
peso da população afro-descendente no Uruguai chegava a Artigas (25,7%), Rivera (19,6%), Salto (15%). Vale observar que esses departa-
mentos ficam localizados na fronteira com o Brasil.
     Mesmo em nações sul-americanas cuja presença afro-descendente é desconhecida de um público maior, como são os casos do Paraguai,
Bolívia, Argentina e Chile, pôde-se localizar, através de pesquisas recentes, contingentes populacionais com essa origem. No Paraguai, de 2006 a
2007, uma pesquisa realizada pela Associação Afro-Paraguaia Kamba Cua, em parceria com a Direção de Estatísticas de Amostras e Censos deste
país, realizou um censo em três comunidades afro-paraguaias de Emboscada (departamento de Cordillera), Kamba Cuá (departamento Central)
e Kamba Kokue (departamento de Paraguari), que denotou a presença de cerca de 7,64 mil pessoas identificadas como negras. Na Argentina,



                                                                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                   33
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




     em 2005, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) realizou um estudo piloto em dois bairros localizados nas cidades de Buenos Aires
     (Montserrat) e de Santa Fé (Santa Rosa de Lima) procurando identificar os modos de autopercepção étnico-racial de contingentes localizados em
     dois bairros de reconhecida influência cultural negra. No estudo, os afro-argentinos somaram 196 pessoas, vivendo em 83 domicílios, o que cor-
     respondia a 3,8% do contingente total residente e a 6,2% do total de domicílios destes dois bairros, longe, portanto, da marca de 0% que se cos-
     tuma estimar da população negra naquele país vizinho. Na Bolívia, a concentração demográfica afro-boliviana, estimada em 2% do contingente
     total, se dá no vale de uma região andina conhecida por Yungas, no Departamento de La Paz (municípios de Coroico, Coripata e Chicaloma). No
     Chile, se destaca o contingente afro-chileno localizado na cidade de Arica (estado do mesmo nome) que fica na fronteira com o Peru.
          No istmo da América Central, as maiores concentrações afro-descendentes residem no litoral caribenho, nesse caso, merecendo espe-
     cial menção os povos da etnia Garífuna, que habitam várias nações (Belize, Guatemala, Honduras e Nicarágua) desta parte das Américas.
          Em Honduras, no ano de 2003, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que 58,8 mil afro-hondurenhos residiam naquela nação
     (1% da população total), sendo cerca de 46,4 mil, Garífunas (0,8%), e 12,4 mil (0,2%), chamados de negros ingleses (tal como os raizales
     também definidos pelo uso da língua creole). Os departamentos onde os Garífunas se concentravam em especial eram: Atlântida (34,1%),
     Colón (31,3%) e Cortez (18,6%), todos no litoral caribenho. Já os negros ingleses habitavam com maior freqüência as Ilhas da Bahia (localiza-
     da no Caribe) (55,5%), Atlântida (21,3%) e Cortez (10,3%). Em Belize, o portal World Factbook, balizado no censo deste mesmo país, apontou
     que o peso relativo da população negra era de 31% (24,9% creole e 6,1% Garífuna). Na Nicarágua, os afro-descendentes eram identificados
     no questionário do censo como Garífunas e Creoles, correspondendo oficialmente a 0,5% da população. Já na Guatemala, onde os afro-
     descendentes eram exclusivamente identificados através da etnia Garífuna, de acordo com os respectivos dados censitários, correspondiam
     a 0,04%, da população (C.f. ANTÓN & POPOLO, 2008). Esse contingente se nucleava mais intensivamente na província de Izabal. As principais
     cidades localizadas em áreas de residência dos Garífunas eram Stann Creek e Punta Gorda, em Belize; Livingstone, Puerto Barrios e San Feli-
     pe, na Guatemala e; Orinoco, Bluefields e La fé, na Nicarágua.
          Na costa do Pacífico centro-americano, com a exceção do Panamá onde a população negra é aparentemente majoritária (valendo
     frisar que jamais foi realizado recenseamento desagregado com dados por etnia-raça neste país), a presença afro-descendente é mais
     esparsa. Na Costa Rica, segundo informações do
     Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Inec)               Mapa 2.2. Presença relativaPresença relativa de pessoas de cor ou raça
                                                                                               Mapa 2.2 - de pessoas de cor ou raça preta & parda no interior da
                                                                                preta & população residente, municípios, Brasil, 2000 (em %). (em %)
                                                                                          parda no interior população residente, municípios, Brasil, 2000
     os afro-costarricenses respondiam, em 2000, por
     2% da população. Neste país, a província de maior
     concentração de afro-descendentes era Limón
     (74,4%), e mais secundariamente a capital San
     José (14,3%).
          Nos países do Caribe, incluindo as atuais colô-
     nias inglesas, francesas e holandesas, a presença
     afro-descendente é absolutamente predominan-
     te em quase todos os pontos, sendo especial-
     mente relevante, por seu tamanho numérico, as
     populações afro-descendentes das Grandes Anti-
     lhas, tal como é o caso do Haiti (95%), República
     Dominicana (84%) e Jamaica (96,7%) (C.f. BELLO
     & RANGEL, 2002). Em Trinidad & Tobago, o insti-
     tuto local de estatística (Central Statistical Office)
     estimava que 43% dos domicílios fossem chefia-
     dos por pessoas afro-descendentes. Em termos
     do número de pessoas isso equivaleria a cerca de
     430 mil afro-descendentes (39,5% da população
     do país). Em Cuba, o último censo, realizado em                      Fonte: IBGE, microdados Censo Demográfico.
                                                                          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
     2000, revelou que os negros e mulatos ou mes-
     tiços, categorias classificatórias locais, correspon-
     diam a 34,9% da população (ANTÓN & POPOLO, op cit). Nas Pequenas Antilhas, os dados são mais difíceis de serem encontrados, muito
     embora a presença afro-descendente seja visivelmente majoritária. Em Anguila, por exemplo, o instituto local de estatísticas (Statistics
     Department) apontou que, em 2001, a população negra, que totalizava 10,3 mil pessoas, correspondia a 90% da população local. Em sen-
     do esse dado oficial, talvez o mesmo espelhe realidades próximas de outras ilhas menores como: Aruba, Bahamas, Bermudas, Barbados,
     Cayman, Dominica, Granadas, Santa Lucia, São Cristóvão & Névis, São Vicente & Granadinas e Turcos & Caicós.
          Na América do Norte, no ano de 2006, segundo a Agência Nacional de Estatísticas do Canadá (Canada’s National Statistical Agency)
     aquele país abrigava cerca de 783,8 mil afro-descendentes, 2,5% da população total. Destes, 60,4% viviam na província de Ontário (especial-
     mente nas cidades de Toronto e Ottawa) e 24% na província de Quebec (especialmente a cidade do mesmo nome e Montreal). No México,



34               Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




            Mapa 2.3. Presença relativa de afro-americanos no interiorno interior
                           Mapa 2.3 - Presença relativa de afro-americanos da população residente, os sistemas estatísticos locais não desagregam
                             da população residente, municípios, EUA, 2000 (em %)
                                      municípios, EUA, 2000 (em %).                                os dados da população por cor ou raça, muito
                                                                                                   embora existam estimativas que apontem ser
                                                                                                   o peso relativo dos afro-mexicanos entre 0,5%
                                                                                                   a 5% da população daquele país. São conside-
                                                                                                   radas regiões de maior concentração de po-
                                                                                                   pulação afro-mexicana os estados de Jalisco,
                                                                                                   Guerrero (destaque para a cidade de Acapulco)
                                                                                                   e Oaxaca, no litoral do Pacífico e; de Veracruz
                                                                                                   (destaque para cidade do mesmo nome) e de
                                                                                                   Tabasco, banhados pelo Golfo do México (C.f.
                                                                                                   ADDERLEY, 1999).
                                                                                                        Os EUA, em 2000, segundo o Escritório do
                                                                                                   Censo (U.S. Census Bureau), abrigavam cerca
                                                                                                   de 36,2 milhões de afro-descendentes (inclu-
                                                                                                   sive com origem multirracial), 12,9% da popu-
                                                                                                   lação total. Os estados de maior concentração
                                                                                                   de população afro-americana, em número to-
       Fonte: U.S. Census Bureau, 2000.                                                            tal de pessoas, era o de Nova York (cerca de 3,5
       Tabulações: LAESER
                                                                                                   milhões), Flórida e Texas (cerca de três milhões
                                                                                                   de pessoas cada). Em termos relativos as maio-
   res participações dos afro-descendentes nas populações locais se davam em Washington DC (56%), Mississipi (38%) e Lousiana (32%).
       No Brasil, as principais concentrações de populações afro-descendentes se localizam nos estados das regiões Nordeste e Sudeste, que
   concentram cerca de 74% dos pretos & pardos. Em 2000, as quatro principais cidades de residência de pretos & pardos, por ordem de im-
   portância eram: São Paulo (1,55 milhões), Rio de Janeiro (1,13 milhões), Salvador (877,4 mil) e Fortaleza (595,0 mil). A população preta & parda
   é hegemônica em três das cinco grandes regiões geográficas. Além disso, em 2000, essa população era majoritária em 49,2% das 5.506
   municipalidades brasileiras. No contexto regional do hemisfério americano, o país abriga a maior população afro-descendente. Pode-se
   estimar que este contingente chegue a pouco mais da metade da população residente nas Américas. No mesmo ano, a população preta &
   parda do Brasil era superior à população afro-descendente dos EUA – segundo contingente negro do Hemisfério - em cerca de 41,9 milhões
   de pessoas. Considerando-se apenas a população da América do Sul e a do Caribe, pode-se estimar que o contingente afro-descendente,
   no Brasil, alcance cerca de 65% do total de pessoas de ascendência africana.

   Bibliografia: Adderley (1999); Antón & Popolo (2008); Bello & Rangel (2002); Benavides et alii (2006); Benítez et alii (s/d); Bucheli & Cabela (2006); Colmenares (2004); Fer-
   ranti et alii (2004); González (2006); Lpiski (s/d); Mkinnon & Bennett (2005); Rangel (2001); Sanchez & Garcia (2006); Stubb & Reyes (2006). Ver também publicação assinada
   pelo: Banco Mundial (2006) – Bolívia: toward a new social contract; DANE – Colômbia (2006) – Colómbia una nación multicultural; CEPAL (2005) – Población indígena y
   afroecuatoriana en Ecuador: diagnóstico sociodemográfico a partir del censo 2001. Dados para Brasil LAESER Fichário das Desigualdades Raciais baseado nos microdados
   da amostra do Censo Demográfico de 2000. Dados para Anguila, Canadá, Costa Rica, EUA, Nicarágua, Trinidad & Tobago, indicadores levantados nos portais das respectivas
   instituições nacionais geradoras de dados demográficos. Para o Suriname e Trinidad & Tobago e Belize baseado em fontes oficiais, ver abaixo.
   http://www.nationsencyclopedia.com/economies/Americas/Suriname.html
   http://www.umsl.edu/services/govdocs/wofact2005/geos/td.html



2.6.1. Fecundidade                                                                                        Ai
                                                                                             5   fi =   5
                                                                                                                     onde        i = 15 ,20 ,25 ,30 ,35 ,40 ,45 .
                                                                                                        5 Ci
     Algumas perguntas utilizadas nas pesquisas domiciliares e nos
censos demográficos servem de insumo para as estimativas de fecun-                                Sendo:
didade. Tais perguntas investigam o número de mulheres em idade
fértil (15 a 49 anos), o número de filhos nascidos vivos nos últimos 12                           A : é o número de filhos tidos nascidos vivos nos 12 meses
                                                                                                 5 i
meses anteriores à pesquisa e o número total de filhos nascidos vivos,                       anteriores à data da pesquisa por grupo etário qüinqüenal das
por grupos qüinqüenais de idade das mulheres. Para este estudo, as                           mulheres em idade fértil, onde i é o limite inferior de cada grupo
informações foram extraídas da Pnad, entre os anos de 1995 e 2005,                           etário e 5 é a amplitude do intervalo da classe.
sendo desagregadas por cor ou raça das mulheres em idade fértil.
                                                                                                 C : é o número de mulheres em idade fértil por grupo etário
                                                                                                5 i
    As Taxas Específicas de Fecundidade (5 f i ) por idade são obti-                         qüinqüenal, onde i é o limite inferior de cada grupo etário e 5 é a
das através da seguinte fórmula:                                                             amplitude do intervalo da classe.


                                                                                   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                   35
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




     Box 2.6. Uniões endogâmicas e exogâmicas: o que foi observado nos últimos anos?

          Em todo o país,
                                    Tabela 2.5 -Tabelaou raçaou raça da pessoareferência do domicílio respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras), e outras),
                                                    Cor 2.5 - Cor da pessoa de de referência do domicílio e e respectivo cônjuge (branca, preta & parda
     a grande maioria de                                              população residente, Brasil, 1995 (em %% sobre o total de casais)
                                                                              população residente, Brasil, 1995 (em sobre o total de casais)
                                    Tabela 2.5 - Cor ou raça da pessoa de referência do domicílio e respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras),
     arranjos conjugais, se-                                          população residente, Brasil, 1995 (em % sobre o total de casais)
                                      Cor ou Raça da Pessoa de                                                        Cor ou Raça do Cônjuge
     gundo a cor ou raça da                     Referência
                                      Cor ou Raça da Pessoa de                     Branca                   Preta Cor ou Raça do Cônjuge Outros
                                                                                                                                  Parda                                        Total
     pessoa de referência do       Branca       Referência                           85,1                     1,1                   13,6                   0,2                 100,0
                                                                                   Branca                   Preta                 Parda                 Outros                 Total
     domicílio (nem todas          Preta
                                   Branca
                                                                                     15,8
                                                                                     85,1
                                                                                                             57,3
                                                                                                              1,1
                                                                                                                                    26,8
                                                                                                                                    13,6
                                                                                                                                                           0,1
                                                                                                                                                           0,2
                                                                                                                                                                               100,0
                                                                                                                                                                               100,0
                                   Parda                                             24,6                     2,4                   72,8                   0,1                 100,0
     são do sexo masculino)        Preta
                                   Outros
                                                                                     15,8
                                                                                     25,0
                                                                                                             57,3
                                                                                                              1,8
                                                                                                                                    26,8
                                                                                                                                     8,9
                                                                                                                                                           0,1
                                                                                                                                                          64,2
                                                                                                                                                                               100,0
                                                                                                                                                                               100,0
                                   Parda                                             24,6                     2,4                   72,8                   0,1                 100,0
     e seu respectivo parcei-      Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                   Outros                                            25,0                     1,8                    8,9                  64,2                 100,0
                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
     ro, é formada por uniões      Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                   Nota: Não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena
                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
     endogâmicas, isto é, de       Nota: Não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena
     pessoas do mesmo gru-
     po de cor ou raça. As-         Tabela 2.6 - Cor ou raça da pessoa de referência do domicílio e respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras),
                                                                      população residente, Brasil, 2006 (em % sobre o total de casais)
     sim, em 2006, 77% dos          Tabela 2.6 -Tabelaou raçaou raça da pessoareferência do domicílio respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras), e outras),
                                                    Cor 2.6 - Cor da pessoa de de referência do domicílio e e respectivo cônjuge (branca, preta & parda
                                                                      população residente, Brasil, 2006 (em %% sobre o total de casais)
                                                                              população residente, Brasil, 2006 (em sobreRaça do casais)
     parceiros de pessoas             Cor ou Raça da Pessoa de                                                        Cor ou o total de Cônjuge
                                                Referência
     brancas também eram              Cor ou Raça da Pessoa de                     Branca                   Preta Cor ou Raça do Cônjuge Outros
                                                                                                                                  Parda                                        Total
                                   Branca                                            77,0                     2,8                   19,8                   0,3                 100,0
     brancos, sendo este o         Preta
                                                Referência                         Branca
                                                                                     23,7                   Preta
                                                                                                             45,1                 Parda
                                                                                                                                    30,6                Outros
                                                                                                                                                           0,6                 Total
                                                                                                                                                                               100,0
                                   Branca                                            77,0                     2,8                   19,8                   0,3                 100,0
     grupo mais endogâmico         Parda
                                   Preta
                                                                                     26,7
                                                                                     23,7
                                                                                                              3,9
                                                                                                             45,1
                                                                                                                                    69,0
                                                                                                                                    30,6
                                                                                                                                                           0,4
                                                                                                                                                           0,6
                                                                                                                                                                               100,0
                                                                                                                                                                               100,0
                                   Outros                                            36,0                     3,7                   18,6                  41,7                 100,0
     (sem incluir os amarelos      Parda                                             26,7                     3,9                   69,0                   0,4                 100,0
                                   Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                   Outros                                            36,0                     3,7                   18,6                  41,7                 100,0
     e indígenas, agrupados        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                   Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                   Nota: Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena.
     na categoria outros). No      Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                   Nota: Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena.
     mesmo ano, a taxa de
     endogamia das pessoas
     de referência pardas era
     de 69%, enquanto a das pretas 45,1%, sendo este o grupo comparativamente mais exogâmico. De qualquer maneira, de 1995 a 2006,
     aumentou o percentual de uniões exogâmicas em todo o país. Assim, o percentual de uniões endogâmicas declinou relativamente
     8,1 pontos percentuais entre as pessoas brancas, 3,8 entre as pardas e 12,2 entre as pretas (tabelas 2.5 e 2.6).




    As Taxas de Fecundidade Total (TFT) foram calculadas atra-                                     As estimativas foram calculadas através da aplicação do mé-
vés da fórmula:                                                                                todo da razão P/F – relação entre as parturições médias (fecun-
                                                                                               didade acumulada) e a fecundidade atual –(BRASS et alii, 1968 e
                     45
                                                                                               BRASS, 1975), que corrige erros de omissão e/ou declaração das
     TFT = 5* ∑ 5 f i onde i = 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45.                                     informações censitárias.
                    i =15

                                                                                                    Para analisar a evolução dos níveis de fecundidade por cor
     E as parturições médias (5 P i) foram obtidas através da seguin-                          ou raça foi primeiramente utilizado o indicador denominado de
te fórmula:                                                                                    Taxa de Fecundidade Total (TFT), que representa o número mé-
                                                                                               dio de filhos por mulher. Em 1995, no Brasil, as TFT’s já haviam
                  Bi                                                                           tido reduções drásticas em relação ao decênio anterior. Entretan-
     5   Pi =   5
                            onde i = 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45.                               to, podiam ser observadas fortes discrepâncias, tanto nas regiões
                5 Ci                                                                           do país como nos grupos de cor ou raça. Dez anos depois, em
                                                                                               2005, essas diferenças diminuíram, principalmente, devido às
     Sendo:                                                                                    reduções da fecundidade no Nordeste e no Norte.

     B : igual ao número de filhos tidos nascidos vivos por grupo
    5 i
                                                                                                   A queda nos níveis de fecundidade das mulheres brasileiras
etário qüinqüenal das mulheres em idade fértil, onde i é o limite                              pode ser constatada analisando-se a tabela 2.9. Ela mostra que,
inferior de cada grupo etário e 5 é a amplitude do intervalo da                                se as mulheres brasileiras, em seu conjunto, apresentavam uma
classe e;                                                                                      TFT de 2,5 filhos por mulher, em 2005 essa taxa havia declina-
                                                                                               do para 2,1 filhos por mulher, nível considerado como o limite
      C : igual ao número de mulheres em idade fértil por grupo
     5 i
                                                                                               mínimo para a reposição populacional. Isso porque, demogra-
etário qüinqüenal, onde i é o limite inferior de cada grupo etário e                           ficamente, uma população que tenha uma taxa de fecundidade
5 é a amplitude do intervalo da classe.                                                        total de 2,1 filhos por mulher terá atingido o número de repo-


36                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça


sição, ou seja, aquele valor que
                                                       Tabela 2.7 - 2.7 - TaxaFecundidade Total da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos de idade segundo os
                                                            Tabela Taxa de de fecundidade total da da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos de idade segundo
garante a reposição futura da                                  os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda), Brasil regiões geográficas , 1995 e 2005 (n0 de filhos / mulheres)
                                                           grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); Brasil ee regiões geográficas - 1995 e 2005 (nº filhos / mulheres)
geração presente. Quando esse                        Brasil                                                                 Taxas de Fecundidade Total (TFT)
valor é inferior a 2,1, a depen-                       e
                                                    Regiões                   Total
                                                                                                       1995
                                                                                                      Brancas              Pretas & Pardas                    Total
                                                                                                                                                                                       2005
                                                                                                                                                                                      Brancas           Pretas & Pardas
der somente do crescimento ve-                  Brasil                        2,52                       2,20                       3,01                       2,06                       1,88                2,25

getativo, a população começa a                  Norte                         2,95                       2,40                       3,24                       2,53                       2,23                2,60

diminuir (C.f. SIMÕES, 2006).                   Nordeste                      3,24                       2,82                       3,41                       2,28                       2,28                2,30
                                                Sudeste                       2,18                       1,97                       2,56                       1,87                       1,70                2,09
                                                Sul                           2,33                       2,18                       3,09                       2,00                       1,88                2,21
    Em 1995, as mulheres pretas         Centro-Oeste                2,43                    2,31                      2,48                  2,01 1,89   2,10
& pardas tinham, em média, 0,81
                                        Fonte: IBGE, microdados Pnad.
filho a mais do que as brancas,         Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Cálculos finais procedidos por L. Ervatti.
                                        Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
com uma TFT de 3,01 para as
pretas & pardas e 2,20 para as
brancas. Os resultados da Pnad, em 2005, mostraram que essa di-                               grupos permaneceram, porém, em menor escala, acompanhando a
ferença se reduziu significativamente para 0,37 filho por mulher.                             tendência geral da TFT no Brasil. Também se observa que, entre as
Neste mesmo ano, enquanto as mulheres brancas registraram ní-                                 pretas & pardas, a fecundidade permaneceu concentrada no grupo de
vel de fecundidade muito abaixo daquele considerado de reposi-                                20 a 24 anos. Já entre as brancas, ao longo do período de 10 anos, as
ção, 1,88 filho por mulher, as pretas & pardas tiveram, em média,                             TEF’s dos grupos de 20 a 24 anos de idade e de 25 a 29 anos de idade,
2,25 filhos (tabela 2.7).                                                                     tornaram-se mais próximas (gráfico 2.15).

    Em 1995, a maior TFT foi observada entre as mulheres de cor ou                                              Foram observadas reduções na TEF em todas as faixas etárias
raça preta & parda no Nordeste (3,41). Já a menor foi verificada entre                                      das mulheres pretas & pardas, com exceção das com idade entre 15
as brancas do Sudeste (1,97). Em 2005, as pretas & pardas no Norte                                          e 19 anos. Isto reflete mudanças no comportamento reprodutivo
apresentaram a maior taxa (2,60) de todo o país. Em contraparti-                                            de um grupo que ainda mantinha níveis mais elevados de fecun-
da, a menor foi observada entre as brancas do Sudeste (1,70). Isto                                          didade. As mulheres brancas tiveram reduções nas taxas relativas
sinaliza, além das trocas entre as regiões, uma redução de 37,5% na                                         aos grupos de 20 a 34 anos, idades de fecundidade mais intensa
diferença entre o maior e o menor nível de fecundidade, levando-se                                          (gráfico 2.15).
em conta as variáveis regionais e de cor ou raça (tabela 2.7).
                                                                                          A análise do padrão etário da fecundidade se faz através do cálculo
     O diferencial regional, quando combinado com o racial, eviden-                 da distribuição percentual das TEFs de cada grupo etário qüinqüenal
cia que uma só variável não determina grandes diferenças nos níveis                 (15-19, 20-24, ..., 45-49 anos) no total da fecundidade. Assim, é possível
de fecundidade. Um exemplo disso é a constatação de que, tanto em                   definir padrões de fecundidade: jovem, quando se concentra no grupo
1995 quanto em 2005, as mulheres brancas do Nordeste possuíam                       de 20 a 24 anos; tardio, quando concentrado no grupo 25 a 29 anos; e
uma TFT maior do que as pretas & pardas do Sudeste. Todavia, vale                   dilatado, quando o peso desses dois grupos se equipara.
salientar que a TFT das pretas &
pardas era superior à das brancas,                 Gráfico 2.15 - Taxa Específica de Fecundidade da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos
                                             Gráfico 2.15 - Taxa específica de fecundidade da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos de idade segundo
nas duas pontas, em todas as cin-                      Gráficode idade segundo os grupos de cor ou raça (branca eresidente do sexo feminino entre 15 e 49 anos
                                                                 2.15 - Taxa Específica de Fecundidade da população preta & parda), Brasil, 1995 e 2005
                                            os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 (n0 de filhos por mulheres de respectivos grupos etários)
                                                                  de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005
                                                                                  (nº de filhos por mulheres de respectivos grupos etários)
co regiões brasileiras.                                                             (nº de filhos por mulheres de respectivos grupos etários)
                                                            0,180
                                                               0,180
     Um outro importante indicador                          0,160

demográfico é a Taxa Específica de                             0,160
                                                            0,140
Fecundidade (TEF). A TEF repre-                                0,140

senta o número médio de filhos por                          0,120
                                                               0,120
grupo qüinqüenal das mulheres em                            0,100
                                                               0,100
idade fértil (15 a 49 anos). Com a sua           TEF        0,080
aplicação pode-se acompanhar os                      TEF       0,080

níveis de fecundidade dos distintos                         0,060
                                                               0,060
grupos etários.                                             0,040
                                                               0,040
                                                            0,020
    Constata-se que, em 1995, o                                0,020

nível de fecundidade das mulheres                           0,000
                                                               0,000 15 a 19 anos              20 a 24 anos           25 a 29 anos           30 a 34 anos          35 a 39 anos           40 a 44 anos      45 a 49 anos
pretas & pardas era maior do que                                        15 a 19 anos             20 a 24 anos           25 a 29 anos           30 a 34 anos          35 a 39 anos           40 a 44 anos      45 a 49 anos

a das brancas em todas as faixas                                                                Brancos 1995
                                                                                                   Brancos 1995
                                                                                                                         Brancos 2005
                                                                                                                            Brancos 2005
                                                                                                                                                  Pretos & Pardos 1995
                                                                                                                                                     Pretos & Pardos 1995
                                                                                                                                                                                   Pretos & Pardos 2005
                                                                                                                                                                                     Pretos & Pardos 2005

etárias, sendo mais elevada na                  Fonte: IBGE, Microdados Pnad.
                                                Tabulações: LAESER.
                                                   Fonte: IBGE, Microdados Pnad.

faixa de 20 a 24 anos. Em 2005, as              Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Cálculos finais L Ervatti
                                                   Tabulações: LAESER.
                                                   Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Cálculos finais L Ervatti

diferenças de níveis entre os dois


                                                                                              Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                            37
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça


                                                                                                                                                                                   ✓ filhos sobreviventes, por
                     Gráfico 2.16 - Distribuição das Taxas Específicas de Fecundidade da população residente do sexo
          Gráfico 2.16 - Distribuiçãoedas taxas específicassegundo os grupos de cor ou raça (branca e preta &entre 15 e 49 anos de idade
               feminino entre 15 49 anos de idade de fecundidade da população residente do sexo feminino parda), Brasil -                                                          sexo, na data da pesquisa,
                                    segundo os grupos de cor ou 1995(branca, preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 (em %)
                                                                raça e 2005 (em %)
                                                                                                                                                                                   segundo os grupos etários
     35
                                                                                                                                                                                   qüinqüenais das mulheres
     30
                                                                                                                                                                                   em idade fértil.

     25                                                                                                                                                                                 Todas as informações
 %
                                                                                                                                                                                   foram desagregadas por cor
     20
                                                                                                                                                                                   ou raça declarada da mãe.
     15
                                                                                                                                                                                   Os procedimentos aplicados
                                                                                                                                                                                   para a estimativa da morta-
     10                                                                                                                                                                            lidade infantil e na infância
                                                                                                                                                                                   utilizam tábuas modelo de
      5
                                                                                                                                                                                   mortalidade. Neste caso, fo-
      0
                                                                                                                                                                                   ram utilizadas as tábuas de
              15 a 19 anos               20 a 24 anos               25 a 29 anos                 30 a 34 anos              35 a 39 anos              40 a 44 anos   45 a 49 anos   mortalidade modelo Oeste,
                                                        Brancos; 1995            Brancos; 2005           Pretos & Pardos; 1995            Pretos & Pardos; 2005
                                                                                                                                                                                   de Coale e Demeny (1966), e a
  Fonte: IBGE. Microdados Pnad.                                                                                                                                                    Tábua Modelo Brasil (1981).
  Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da reigão Norte (exceto Tocantins). Cálculos finais L. Ervatti



                                                                                                                                                                                       As taxas de mortalidade
     Entre 1995 e 2005, as mulheres brancas passaram de um padrão                                                                         infantil e na infância obtidas diretamente do método de Brass (1974) e
de fecundidade jovem para dilatado. Assim, naquele último ano passou                                                                      da variante proposta por Trussel (1975) foram, então, ajustadas através
a ocorrer uma melhor distribuição no grupo de 20 a 29 anos: dos 20 a                                                                      de um ajuste logístico, incorporando as Taxas de Mortalidade Infantil
24, 25,3%; dos 25 aos 29, 25,9%. Nas pretas & pardas, porém, persistiu,                                                                   (TMI´s) e as taxas de mortalidade na infância, calculadas para 1991
em 2005, o mesmo padrão jovem de 1995, com 28% da fecundidade no                                                                          e 2000 com base nos dados dos censos demográficos dos respectivos
grupo de 20 a 24 anos. Também vale frisar que a participação relativa do                                                                  anos. Isto foi feito com o objetivo de suavizar as estimativas prove-
grupo de pretas & pardas de 15 a 19 anos aumentou de 14% para 18,6%,                                                                      nientes da Pnad com as calculadas com base nas informações censi-
principalmente, por conta da redução registrada no grupo de 25 a 29                                                                       tárias, consideradas mais robustas para o cálculo deste indicador. É
anos e no acima de 35 anos. Tal indicador sugere que para esse último                                                                     importante ressaltar o cuidado que se teve para que os valores obtidos
grupo, comparativamente ao das mulheres brancas (onde o peso relati-                                                                      no ajuste não diferissem significativamente dos valores observados,
vo do grupo de 15 a 19 anos na fecundidade total passou de 12,1%, para                                                                    especialmente em 1991 e 2000.
13,1%), o menor peso relativo das TEFs de idades mais avançadas no
total da fecundidade pode estar combinado com práticas definitivas de                                                                          Entre 1995 e 2005, a taxa de mortalidade infantil, no Brasil, re-
controle da natalidade tal como é o caso da esterilização (gráfico 2.16).                                                                 duziu em 36,8%, tendo passado de 37,6 óbitos de menores de um ano
                                                                                                                                          para cada mil nascidos vivos para 23,7. Este cenário teve um efei-
2.6.2. Mortalidade Infantil e na Infância                                                                                                 to positivo sobre as desigualdades de cor ou raça, que igualmente
                                                                                                                                          se reduziam no período. Assim, a taxa de mortalidade infantil no
    Neste estudo, as estimativas de mortalidade infantil foram                                                                            país, em 1995, era de 27,1 entre as crianças filhas de mãe de cor ou
calculadas através da aplicação do método de Brass (1974) e da va-                                                                        raça branca e de 47,3, entre as de mães de cor ou raça preta & parda;
riante proposta por Trussel (1975). O modelo utiliza as seguintes                                                                         diferença, portanto, 74% superior. No ano de 2005, entretanto, essa
informações provenientes da Pnad:                                                                                                         diferença se reduziu para 25,7%, tendo as respectivas taxas de mor-
                                                                                                                                          talidade infantil caído para 19,4 e 24,4 (tabela 2.8).
✓ mulheres em idade fértil por grupos qüinqüenais de idade;
✓ total de filhos nascidos vivos, por sexo, segundo os grupos etá-                                        A evolução deste indicador parece vinculada a políticas de com-
rios qüinqüenais das mulheres em idade fértil;                                                        bate à mortalidade infantil do final da década de 1990 até os dias
                                                                                                                              atuais, com especial destaque para o Norte
                                                                                                                              e o Nordeste, onde os índices costumam
  Tabela 2.8 -Tabela 2.8 - Taxa de mortalidade infantil da população residente segundo a cor oua cor ou raça da mãe
                Taxa de Mortalidade Infantil da população residente segundo raçada mãe
                              (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 20052005 (em ‰)
                                     (branca, preta & parda), Brasil, 1995 e (em %)                                           ser bem maiores do que as médias nacio-
                                                       Taxas de mortalidade infantil (em ‰)                                   nais. Assim, estimativas preliminares dão
    Cor ou raça da mãe
                                                    1995                                            2005                      conta de uma redução das taxas nas duas
  Total                                             37,6                                             23,7                     regiões, de 1995 a 2005, da ordem de 39,8%
  Brancas                                           27,1                                             19,4                     no contingente branco e de 48,6% no preto
  Pretas & Pardas                                   47,3                                             24,4                     & pardo. Já no somatório das regiões Cen-
                                                                                                                              tro-Oeste, Sudeste e Sul, as estimativas de
  Fonte: IBGE, microdados Pnad. Cálculos finais L Ervatti.
  Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                                                                                                              queda são de 28,6% no branco e de 33,4%
                                                                                                                              no preto & pardo (gráfico 2.17).


38                        Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça




   Box 2.7. Taxa de Mortalidade Infantil em países latino-americanos decompostos pelos grupos étnico-raciais:
   resultados balizados na rodada de censos do ano 2000.

       O problema da mortalidade infantil, nos países latino americanos, não foi eficazmente enfrentado pelos sucessivos governos des-
   tas nações. Especialmente no período posterior à Segunda Guerra Mundial, quando diversos avanços foram verificados no campo das
   tecnologias de prevenção e cura das doenças que mais afetavam recém-nascidos e bebês. Tal lacuna guarda um nítido componente
   étnico-racial, posto que as maiores taxas de mortalidade infantil são verificadas, justamente, entre os contingentes de afro-descendentes
   e de indígenas. No casos da Colômbia e do Equador, as taxas de mortalidade infantil dos afro-descendentes eram superiores às médias
   nacionais em 99,6% e em 26,4%, respectivamente. Nos países da América Central, onde estes dados existem e estão disponíveis, como
   na Costa Rica, Guatemala e Honduras, as taxas de mortalidade infantil dos afro-descendentes são inferiores às médias nacionais em, res-
   pectivamente, 1,8%; 27,5% e 7,2%. Isto acontece, todavia, por conta das mais elevadas taxas de mortalidade infantil que incidem entre os
   povos indígenas naqueles países e ao peso relativo que aqueles contingentes guardam na população total (tabela 2.9).
                          Tabela 2.9 - Taxa de Mortalidade Infantil (menores de um ano de idade) da população
                            residente totalTabela 2.9 - Taxa de mortalidade na infância da população residente segundo Guatemala e
                                            e afrodescendente: Colômbia, Costa Rica, Equador,
                                              a cor ou raça da mãe, Honduras & parda, Brasil, 1995-2005 (em %)
                                                                    branca e preta (em ‰)

                             País             Ano            Afro-descendentes                        Indígenas                           Total País
                         Colômbia             2005                  46,7                                 39,5                                23,4
                         Costa Rica           2000                  16,2                                 29,0                                16,5
                         Equador              2001                  32,6                                 59,3                                25,8
                         Guatemala            2002                  29,2                                 50,3                                40,3
                         Honduras             2000                  27,2                                 36,9                                29,3
                         Fonte: Rangel (2006) e Urrea (2007)
                         Nota: Afro-descendente = Colômbia (negro, mulato ou afro-descendente e raizal da Ilha de Santo André); Costa
                         Rica (afro-costarricense ou negra); Equador (negro ou afro-equatoriano e mulato); Guatemala (garífuna); Honduras
                         (garífuna e negro inglês).




                                                                          Gráfico 2.17 - Taxa de Mortalidade Infantil da população residente segundo os
    No mesmo período, a taxa de mortalidade                               Gráfico 2.17 Taxa de Mortalidade Infantil da regiões geográficas segundo os residente segundo os
                                                                                                              Gráfico 2.17 - Taxa de Mortalidade Infantil da população
                                                                         grupos de cor -ou raça (branca e preta & parda),população residente agrupadas,
                                                                         Gráfico 2.17 - Taxa de mortalidade infantil da de cor ou raça (brancaos grupos de cor ou raça regiões geográficas agrupadas
                                                                                                                        população residente segundo preta & parda), (branca
na infância, que mede a proporção de óbitos de                                            Brasil, 1995 e grupos preta & parda), regiõesegeográficas
                                                                         grupos de cor ou raça (branca(proporção por 1000 nascidos vivos) agrupadas,
                                                                                                             2005 e
                                                                           e preta & parda), regiões geográficas agrupadas,Brasil, 1995 e 2005 (proporção por 1000 nascidos vivos)
                                                                                                                             Brasil, 1995 e 2005 (proporção pr 1.000 nascidos vivos)
                                                                                           Brasil, 1995 e 2005 (proporção por 1000 nascidos vivos)
crianças de até cinco anos sobre o contingente to-                      75
                                                                                                              75
                                                                                                                                                 70,3
                                                                         75
tal da faixa etária, também indica uma redução                                                                                                     70,3                                          70,3


nas disparidades de cor ou raça. Este indicador                         60
                                                                                                              60
teve quedas de 29,8% entre as brancas e de 51,5%                         60
                                                                                    48,2

entre as pretas & pardas (tabela 2.10).                                 45           48,2
                                                                                                                           48,2

                                                                                                              45
                                                                         45                                                                               36,2                       36,1
                                                                                                                                                                                                          36,2         36,1
     Apesar do movimento das taxas de mortalidade                       30
                                                                                                               29,0                                         36,2                        36,1

                                                                                            24,1                                                             29,0
infantil e de mortalidade na infância ter sido positivo,                 30
                                                                                                              30 29,0
                                                                                                                                       24,1
                                                                                                                                                                                               24,1
                                                                                                                                                                                                                               24,1
                                                                                             24,1                        17,2                                                                    24,1
tendo em vista sinalizar para uma significativa redu-                   15                                                17,2
                                                                                                                                                                       17,2

ção das desigualdades de cor ou raça, vale salientar,                    15
                                                                                                              15


entretanto, que as diferenças desta natureza ainda per-                   0
sistem: em 2005, as crianças com menos de um ano e                        0
                                                                                      Brancos                  0 Brancos                   Pretos & Pardos                          Pretos & Pardos
                                                                                        1995                       2005      Brancos              1995     Brancos                        2005Pretos & Pardos         Pretos & Pardos
com menos de cinco anos, filhos de mulheres pretas &                                   Brancos
                                                                                         1995
                                                                                                                  Brancos 1995
                                                                                                                    2005
                                                                                                                                             Pretos & Pardos
                                                                                                                                                    1995
                                                                                                                                                             2005                     Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                            2005
                                                                                                                                                                                                    1995                    2005
                                                                                                                   Norte/Nordeste Centro-Oeste/Sudeste/Sul
pardas, tinham cerca de 25,8% a mais de probabilidade                                                                                                              Norte/Nordeste     Centro-Oeste/Sudeste/Sul
                                                                                                                      Norte/Nordeste    Centro-Oeste/Sudeste/Sul
de morrer antes de completar um ano do que os filhos                      Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas preliminares, L. Ervatti.
                                                                          Nota: no ano de 1995 não inclui a populaçãoIBGE, microdados Pnad. Estimativas Norte (exceto L. Ervatti.
                                                                                                              Fonte: residente nas áreas rurais da região preliminares, Tocantins)
de mulheres brancas (tabelas 2.8 e 2.10).                                 Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas preliminares, não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                                                                              Nota: no ano de 1995 L. Ervatti.
                                                                          Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)


2.6.3. Esperança
                                                   Tabela 2.10Tabela 2.10 - Mortalidade na Infância (menores de um ano de idade)segundo a cor ou raça da mãe, branca
                                                               - Taxa de Taxa de mortalidade infantil da população residente da população residente total
de Vida ao Nascer                                                       e afrodescendente: Colômbia, Costa Brasil, 1995 Guatemala e Honduras (em %)
                                                                                      e preta & parda, Rica, Equador, e 2005 (em ‰)
                                                                                                      Taxas de mortalidade na infância (até cinco anos de idade) (em ‰)
                                                             Cor ou raça da mãe
    As esperanças de vida ao nascer                                                                              1995                                 2005

foram calculadas associando-se o                   Total                                                                47,2                                                         28,6
                                                   Branca                                                               32,9                                                         23,1
nível da mortalidade, obtido atra-
                                                   Preta & Parda                                                        60,6                                                         29,4
vés da mortalidade infantil, a um
conjunto de tábuas de mortalidade                  Fonte: IBGE, microdados Pnad. Cálculos finais L Ervatti.
                                                   Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
implícitas na projeção da população
para o Brasil da seguinte forma:


                                                                                Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                   39
2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça


    ✓ obtenção, para cada taxa de mortalidade infantil calcu-                mentou 4,3 anos, passando de 68,2 anos, em 1995, para 72,5
lada, de uma função de sobrevivência l1;                                     anos, em 2005. Entre brancos (de 71,5 para 74,9 anos) e pretos
    ✓ as l1 foram localizadas no conjunto de tábuas implíci-                 & pardos (de 65,9 para 71,7), a diferença, entre estes contin-
tas na projeção Brasil; assim, pôde-se obter uma esperança de                gentes, que era de 5,6 anos, em 1995, caiu para 3,2 anos, em
vida associada ao nível estimado da mortalidade infantil;                    2005 (gráfico 2.18).
    ✓ as esperanças de vida por sexo, para os anos                                Gráfico 2.18 - Esperança de vida ao nascer da população brasileira segundo os
de 1995 e 2005, segundo brancos e pretos & pardos,                                      grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005
                                                                            Gráfico 2.18 - Esperança de vidade vida ao (em anos de vida) segundo os grupos
                                                                              Gráfico 2.18 - Esperança
                                                                                                             ao nascer da população brasileira brasileira segundo os
                                                                                                                         nascer da população
foram suavizadas através de uma função logística,                                     grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005
                                                                                de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 (em anos de vida)
                                                                                                                  (em anos de vida)
que utilizou como parâmetros as esperanças de                 76,0
                                                                                                                                                                              74,9

vida estimadas para o ano de 1991 (calculada atra-         76,0
                                                              74,0
                                                                                                                                                                  72,5
                                                                                                                                                                       74,9

vés da mesma metodologia descrita acima) e para            74,0
                                                              72,0                                         71,5                                         72,5
                                                                                                                                                                                       71,7
                                                                                                                                                                                71,7
o ano de 2000 (PAIXAO et alii., 2005). Procurou-           72,0
                                                              70,0
                                                                                                    71,5

se, nos ajustes, valores que não diferissem signi-         70,0
                                                              68,0
                                                                                             68,2
                                                                                      68,2
ficativamente dos observados, especialmente, nos           68,0                                                          65,9
                                                              66,0
censos de 1991 e 2000.                                     66,0
                                                                                                                  65,9

                                                                     64,0
                                                                  64,0

    As reduções na mortalidade infantil tiveram um                   62,0
                                                                  62,0

forte impacto no aumento da esperança de vida ao                     60,0
                                                                  60,0
                                                                                                           1995                                                               2005
nascer da população brasileira. Essa mudança apre-                                                  1995
                                                                                                                            Total      Brancos       Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                       2005


sentou benéficos efeitos em termos da diminuição                                                                    Total    Brancos       Pretos & Pardos



das desigualdades de cor ou raça. Para o total da po-             Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas, L.
                                                               Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas, L. Ervatti.Ervatti.
                                                                  Nota: no de 1995 não não a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                               Nota: no ano ano de 1995inclui inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
pulação brasileira, a esperança de vida ao nascer au-




40           Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade
                  da População Brasileira
                       Segundo os Grupos
                            de Cor ou Raça




Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008   41
42   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça




3.1. Informações Metodológicas Preliminares                             o país. Assim, segundo estimativas de demógrafos do IBGE, em
                                                                        2000, na população acima de cinco anos de idade, o percentual
    A principal fonte de informação sobre o perfil das formas de        de cobertura da apuração oficial dos óbitos seria de 80% para os
mortalidade da população brasileira é o Sistema de Informação de        homens e de 75%, para as mulheres (OLIVEIRA E ALBUQUER-
Mortalidade (SIM), organizado pelo Banco de Dados do Sistema            QUE, op cit). Já na população menor de um ano de idade, Paixão
Único de Saúde (Datasus), órgão vinculado ao Ministério da Saú-         et alii (op cit), no mesmo ano, as diferenças entre os indicadores
de. A principal diferença desta base de dados para outras como,         obtidos no SIM correspondiam a apenas 43% da razão de morta-
por exemplo, as provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia       lidade, calculada por estimativas indiretas através do método de
e Estatística (IBGE), é que se trata de um cadastro administrativo      Brass (1974) e Trussel (1975).
e não de uma pesquisa censitária ou por amostra (C.f. JANUZZI,
2003). Enquanto em uma pesquisa os investigadores vão aos do-                Outro fator, que compromete parcialmente a qualidade dos
micílios ou locais relevantes para obter informações, no cadastro       indicadores do SIM, é o proporcionalmente elevado número de
administrativo, as pessoas têm os dados coletados em formulários,       óbitos cujas causas não foram identificadas pelos médicos. Des-
ao serem atendidas por determinados serviços.                           sa maneira, no triênio 1998-2000, do total de mortos, 13,8% dos
                                                                        homens e 15,5% das mulheres tiveram essa causa apontada no
    Assim, os cuidados metodológicos exigíveis para esse tipo de        atestado de óbito. Como não existe morte sem causa, a ausência de
base de informações não dizem respeito ao coeficiente da varia-         tal informação apenas reflete os limites do SIM. Para comparação,
ção, mas, sim, à qualidade da cobertura do serviço público corres-      nos anos 80, o percentual de atestados de óbito cuja causa não foi
pondente no qual o cadastro é gerado. E, de fato, é consenso que,       identificada chegava a, apenas, 2% na Argentina, 4% no México e
apesar dos recentes progressos na ampliação da cobertura do SIM,        8% no Chile (C.f. VASCONCELOS, op cit).
infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu expandir a coleta de in-
formações para todos os casos de óbitos.                                   Vasconcelos (2000), analisando a qualidade do SIM entre as
                                                                        unidades da Federação, identificou quatro grupos:
     A subnotificação de óbitos ocorre pelos seguintes motivos: I)
distribuição desigual dos cartórios pelos municípios (onde, entre       ✓ Grupo I: boa cobertura de óbitos, estimada em mais de 95%, e
outros serviços, são emitidos os atestados de óbito), dificultando      baixa discrepância entre os dados do SIM e os gerados pelas Esta-
o acesso, especialmente nos de menor população, em localida-            tísticas do Registro Civil do IBGE – Espírito Santo, Rio de Janeiro,
des das regiões Norte e Nordeste e para os residentes nas áreas         São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso
rurais; II) práticas comuns, principalmente no meio rural e em          do Sul e Distrito Federal;
mortes de crianças com menos de cinco anos de idade, de sepul-          ✓ Grupo II: cobertura regular, com deficiências, estimada entre
tamento nos fundos das residências, sem registro em cartório;           55% e 93% do total de óbitos, porém, com baixas discrepâncias
III) existência de cemitérios não oficializados (em áreas rurais,       com os dados do Registro Civil do IBGE – Acre, Amapá, Roraima,
chamados de cruzeiros), onde os sepultamentos são freqüente-            Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Mi-
mente feitos sem os atestados de óbito (nos cemitérios oficiais         nas Gerais e Goiás;
somente ocorrem após a emissão dos atestados); IV) desconhe-            ✓ Grupo III: qualidade razoável nas capitais e cidades maiores e baixa
cimento dos procedimentos para a obtenção do atestado e, desde          nas cidades médias e pequenas, bem como no meio rural – Rondônia,
1996, sua gratuidade; V) desconhecimento da obrigatoriedade da          Amazonas, Pará, Tocantins, Ceará, Bahia e Mato Grosso; e
notificação de óbitos; VI) desinteresse pela obtenção do atesta-        ✓ Grupo IV: baixo grau de cobertura em todo o território, estimada
do de óbito de um familiar ou parente por falta de direitos, tais       pela autora como inferior a 30% – Piauí (de 19%) e Maranhão (29%).
como herança, pensão ou seguro de vida; VII) crescimento da
violência em todo o país (no meio urbano e rural) nos últimos 30            Esse conjunto de informações é relevante para que se possa
anos, com elevação do número de homicídios e, em muitos casos,          ter uma idéia da qualidade dos dados do SIM. Por outro lado,
o desaparecimento dos corpos em cemitérios clandestinos e em            no estudo das desigualdades de cor ou raça, percebe-se três
pontos de desova de difícil acesso (valas, rios e mar, entre outros)    problemas adicionais: I) atestados de óbito emitidos sem infor-
ou, ainda, de forma a impossibilitar a localização e identificação,     mação sobre a cor ou raça – em 2000, essa omissão chegava a
especialmente com cremação clandestina de corpos (C.f. VAS-             15,7%;II) conforme será visto adiante com mais detalhes, a ele-
CONCELOS, 1998; HAKKERT, 1996; SIMÕES, 2002; PAIXÃO et                  vada proporção de atestados sem identificação das causas das
alii; 2005, OLIVEIRA & ALBUQUERQUE, s/d).                               mortes varia conforme o grupo de cor ou raça, o que, mais uma
                                                                        vez, compromete a qualidade das informações; III) ao contrário
    Todos esses fatores contribuem para manter, em nível rela-          de pesquisas por amostra e censitárias, como a Pesquisa Nacio-
tivamente elevado, o número de óbitos não registrados em todo           nal por Amostra de Domicílio (Pnad) ou Censo Demográfico,


                                                                 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008           43
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


no qual a cor ou raça dos indivíduos é autodeclarada, no SIM,                                                                     3.2. Razão de Mortalidade Por 100 Mil
evidentemente, é informada por outra pessoa.                                                                                      Habitantes Por Causas Específicas de Óbito

    É importante salientar que, no SIM, existe uma maior pro-                                                                         As tabelas 3.1 e 3.2. mostram, respectivamente, as razões
babilidade de que os indicadores referentes aos óbitos de pre-                                                                    de mortalidade para 100 mil habitantes de homens brancos
tos & pardos e, certamente, de indígenas tendam a apresentar                                                                      e pretos & pardos e mulheres brancas e pretas & pardas, em
maior perda de dados do que os dos grupos branco e amarelo.                                                                       faixas etárias selecionadas acima de cinco anos de idade, em
Isso ocorre porque: I) os pretos & pardos apresentam um peso                                                                      todo o Brasil, em 2005. Evidentemente, em todos os grupos,
relativo maior nos estados onde a qualidade das informações                                                                       essas taxas crescem quanto mais alta é a faixa etária. No caso
do SIM é pior e menor onde é melhor; II) as taxas de mortali-                                                                     da população do sexo masculino, os brancos apresentavam
dade infantil e na infância de crianças filhas de mães pretas &                                                                   maiores taxas que os pretos & pardos nas faixas de cinco a
pardas são maiores do que as de mães brancas; assim, na me-                                                                       nove, de 40 a 59, 60 ou mais e na soma de todas as idades. Já os
dida em que a subnotificação nestas faixas de idade tendem                                                                        homens pretos & pardos apresentavam razões de mortalidade
a ser maiores, há possibilidade de uma incidência despropor-                                                                      superiores aos brancos nas faixas de 10 a 14, 15 a 17, 18 a 24
cional entre os grupos de cor ou raça; III) comparativamente,                                                                     e de 25 a 40 anos. No contingente feminino, a única faixa na
as maiores taxas de subnotificação ocorrem no meio rural, o                                                                       qual as pretas & pardas apresentavam taxa maior do que a das
que também causa diferenças para os grupos de cor ou raça,                                                                        brancas era a entre 25 e 40 anos de idade.
tendo mais pretos & pardos habitando aquelas áreas do que
brancos; IV) a população mais pobre tem maior probabilida-                                                                            A decomposição da taxa de mortalidade dos homens dos dis-
de de não obter um atestado de óbito de um parente ou fami-                                                                       tintos grupos pelas faixas etárias selecionadas revela as seguintes
liar (tal como já mencionado, por desconhecimento, dificul-                                                                       características (tabela 3.1):
dades de deslocamento ou por falta de interesse em enfrentar
a burocracia), do que os mais ricos. Assim, como os pretos &                                                                      ✓ Doenças do aparelho circulatório: os pretos & pardos
pardos formam a maioria da população mais pobre, tal situa-                                                                       morriam proporcionalmente mais que os brancos nas se-
ção gera diferentes probabilidades de registros de óbitos entre                                                                   guintes faixas etárias: 10 a 14, 15 a 17, 18 a 24 e 25 a 40 anos.
os distintos grupos de cor ou raça.                                                                                               Por outro lado, os brancos apresentavam maior razão de
                                                                                                                                  mortalidade de cinco a nove, 41 a 59, 60 anos ou mais e na
    Como informação final sobre os indicadores que serão es-                                                                      soma das idades.
tudados, devido à elevada estimativa de subnotificação de mor-                                                                    ✓ Doenças do aparelho respiratório: os pretos & pardos eram
talidade de crianças de zero a cinco anos de idade, o perfil da                                                                   proporcionalmente mais vitimados do que os brancos nas se-
mortalidade deste grupo etário não será analisado.                                                                                guintes faixas etárias: 10 a 14, 18 a 24 e de 25 a 40 anos de idade.

               Tabela 3.1 - Razão de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo masculino, segundo os grupos de cor ou raça
  Tabela 3.1 - Razão de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo masculino, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda)
                          (branca e pretade parda) e de acordo com grupos selecionadosInternacional de Doenças (CID10); Brasil, 2005 Brasil, 2005 habitantes). habitantes)
                                        e
                                          & acordo com grupos selecionados do Código do Código Internacional de Doenças (CID10), (por 100 mil (por 100 mil

                                                                                                                                                                10 a 14      15 a 17       18 a 24      25 a 40       41 a 59      60 anos
             Cor ou Raça                                                       Causa de Mortalidade                                             5 a 9 anos                                                                                        Total
                                                                                                                                                                 anos         anos          anos         anos          anos        ou mais
                                         Doenças do Aparelho Circulatório.                                                                           1,1          1,4          2,9           4,6          22,2         198,5       1.506,3        209,9
                                         Neoplasias.                                                                                                 5,0          4,8          6,8           7,4          17,1         144,1        819,8         126,0
                                         Doenças do Aparelho Respiratório.                                                                           1,9          1,9          4,2           3,9           9,3          44,6        617,0          78,0
                                         Doenças do Aparelho Digestivo.                                                                              0,5          0,7          0,9           1,8          15,8          69,8        202,7          42,1
                                         Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                                              0,8          0,7          0,8           1,1           4,0          29,9        220,0          31,3
                Brancos                  Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                                            1,7          0,9          1,1           0,8           0,7           0,8         1,6            1,0
                                         Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                                         1,9          1,3          1,9           4,3          24,2          43,5        115,0          29,6
                                         Causas Mal Definidas.                                                                                       1,5          1,6          3,8           5,3          14,7          56,2        337,2          53,4
                                         Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                                                10,7         19,0         79,4          150,8        134,2         113,6        154,0         107,3
                                         Outras Causas de Mortalidade.                                                                               3,9          4,1          5,0           6,5          13,2          37,6        235,6          38,8
                                         Total                                                                                                      29,1         36,7         106,7         186,4        255,2         738,6       4.209,2        717,4
                                         Doenças do Aparelho Circulatório.                                                                           0,9          1,6          3,8           6,5          26,0         176,3       1.039,2        123,1
                                         Neoplasias.                                                                                                 3,0          3,0          4,6           5,1          11,3          84,3        425,1          54,2
                                         Doenças do Aparelho Respiratório.                                                                           1,8          1,9          2,7           4,3          10,3          38,4        308,0          35,2
                                         Doenças do Aparelho Digestivo.                                                                              0,6          0,7          1,2           3,0          17,7          62,2        136,6          28,4
                                         Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                                              0,6          0,4          0,4           1,1           4,7          27,4        180,7          20,9
           Pretos & Pardos               Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                                            1,1          0,5          0,9           0,6           0,4           0,5         1,3            0,6
                                         Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                                         2,5          1,9          3,5           5,9          23,6          44,2        106,7          25,0
                                         Causas Mal Definidas.                                                                                       2,2          3,1          6,2          10,3          26,4          82,0        491,4          63,6
                                         Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                                                12,5         21,9         112,0         207,4        179,0         122,0        111,8         124,7
                                         Outras Causas de Mortalidade.                                                                               2,3          2,6          5,0           5,7          16,1          40,2        129,2          24,0
                                         Total                                                                                                      27,3         37,6         140,3         249,9        315,5         677,3       2.930,0        499,5


 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
 Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do Sangue e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do Tecido
 Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções originadas no período perinatal.




  Tabela 3.2 - Razão de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo feminino, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e
                                        de acordo com grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10); Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes).

                                                                                                                                                                10 a 14      15 a 17       18 a 24      25 a 40       41 a 59      60 anos
             Cor ou Raça                 Causa de Mortalidade                                                                                   5 a 9 anos                                                                                        Total
44                     Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
                                 Doenças do Aparelho Circulatório.                                                                                   0,7
                                                                                                                                                                 anos
                                                                                                                                                                  1,5
                                                                                                                                                                              anos
                                                                                                                                                                               1,6
                                                                                                                                                                                            anos
                                                                                                                                                                                             3,3
                                                                                                                                                                                                         anos
                                                                                                                                                                                                         13,7
                                                                                                                                                                                                                       anos
                                                                                                                                                                                                                       101,8
                                                                                                                                                                                                                                   ou mais
                                                                                                                                                                                                                                   1.168,4        178,9
                                         Neoplasias.                                                                                                 4,2          4,1          5,4           6,4         21,1          113,2        477,4         96,6
                                         Doenças do Aparelho Respiratório.                                                                           2,0          2,0          2,6           3,3          4,8          23,8         420,0         61,7
                                         Doenças do Aparelho Digestivo.                                                                              0,6          0,6          1,1           1,4          4,0          17,5         140,1         23,6
                                         Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                                              0,4          0,7          1,2           1,4          2,9          21,7         232,8         36,3
                Brancas                  Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                                            1,3          1,2          1,0           0,8          0,5           0,9           1,3          0,9
                                         Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                                         2,0          1,5          1,8           3,0         11,1          17,3          92,5         19,8
                                         Causas Mal Definidas.                                                                                       1,3          1,6          1,8           2,8          5,7          22,0         252,5         39,9
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


Já os brancos, nas faixas de cinco a nove, de 15 a 17, de 41 a 59,                                              ✓ Doenças do aparelho circulatório: as pretas & pardas eram
60 ou mais e no total.                                                                                          proporcionalmente mais vitimadas do que as brancas em todas
✓ Doenças do aparelho digestivo: vitimavam proporcionalmente                                                    as faixas etárias, com exceção da de 60 anos ou mais e, devido
mais os pretos & pardos do que os brancos de cinco a nove, 15 a                                                 ao peso específico dessa causa entre as idosas brancas, no so-
17; 18 a 24 e de 25 a 40 anos de idade. Os brancos morriam propor-                                              matório das idades.
cionalmente mais nas faixas de 10 a 14, de 41 a 59, 60 ou mais e na                                             ✓ Doenças do aparelho respiratório: com exceção da faixa de 25
soma das faixas etárias.                                                                                        a 40 anos, as brancas morriam proporcionalmente mais do que as
✓ Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas: os pretos &                                                   pretas & pardas.
pardos eram proporcionalmente mais vitimados que os brancos                                                     ✓ Doenças do aparelho digestivo: as pretas & pardas eram propor-
de Tabela 24 -eRazão25 mortalidade dade idade. Os brancos, nas demais por faixas etárias selecionadas, do sexo masculino, segundo os gruposas cor ou raça (brancafaixas&de 15 a
   18 a 3.1 de de a 40 anos população residente acima cinco anos de idade, faixas                               cionalmente mais vitimadas do que de brancas nas e preta parda)
                                                    e de acordo com grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10); Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes).
e na soma das idades.                                                                                           17, de 18 a 24, de 25 a 40 e de 41 a 60 anos de idade. Já as brancas, de
✓ Doençasou Raça
              Cor infecciosas e parasitárias: proporcionalmente, os pre-      Causa de Mortalidade              cinco a 5 a 9 anosde10 a 14 14,anos 60 18 a 24 ouanos e anos total.mais Total
                                                                                                                          nove, anosa 15de anos 25mais 41no 60 anos
                                                                                                                                        10           a 17
                                                                                                                                                              anos
                                                                                                                                                                            a 40        a 59
                                                                                                                                                                                                  ou
tos & pardos eram maisDoenças do Aparelho Circulatório.
                                             vitimados que os brancos de cinco a nove,                          ✓ Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas: as pretas209,9par-
                                                                                                                              1,1         1,4       2,9         4,6       22,2       198,5        1.506,3          &
                                            Neoplasias.                                                                       5,0         4,8       6,8         7,4       17,1       144,1         819,8         126,0
de 10 a 14 e de 18 a 24 anos dedoidade. Já os brancos, de 15 a 17, nas
                                            Doenças       Aparelho Respiratório.                                das eram 1,9  proporcionalmente mais vitimadas 44,6 que617,0brancas de
                                                                                                                                          1,9       4,2         3,9        9,3        do            as            78,0
faixas superiores aos 25Doenças e no total.  anos do Aparelho Digestivo.                                        cinco a nove, de 25 a 40 e0,9 41 a 1,8 anos de idade. Nas202,7 42,1
                                                                                                                              0,5         0,7        de         59 15,8               69,8          demais faixas
                                            Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                    0,8         0,7       0,8         1,1        4,0        29,9         220,0          31,3
✓ CausasBrancos definidas: em todas as faixas etárias, os pretos &
                   mal                      Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.    e no total, 1,7 brancas eram proporcionalmente 0,8 vitimadas.
                                                                                                                              as          0,9       1,1         0,8        0,7         mais 1,6                    1,0
pardos eram proporcionalmente mais Parasitárias. do que os brancos.
                                            Doenças Infecciosas e
                                            Causas Mal Definidas.
                                                                      afetados                                  ✓ Malformações congênitas: as brancas morriam 115,0 29,6
                                                                                                                              1,9
                                                                                                                              1,5
                                                                                                                                          1,3
                                                                                                                                          1,6
                                                                                                                                                    1,9
                                                                                                                                                    3,8
                                                                                                                                                                4,3
                                                                                                                                                                5,3
                                                                                                                                                                          24,2
                                                                                                                                                                          14,7
                                                                                                                                                                                      43,5
                                                                                                                                                                                      56,2
                                                                                                                                                                                                    proporcional-
                                                                                                                                                                                                   337,2          53,4
✓ Causas externas: com exceção daMorbidade dos 60 anos ou mais e
                                            Causas Externas de faixa e Mortalidade.                             mente mais que 19,0 pretas & pardas em todas as faixas, menos na
                                                                                                                             10,7        as        79,4       150,8      134,2       113,6         154,0         107,3
                                            Outras Causas de Mortalidade.                                                     3,9         4,1       5,0         6,5       13,2        37,6         235,6          38,8
na soma das faixas etárias, os pretos & pardos morriam propor-
                                            Total
                                                                                                                de 60 anos ou mais. 106,7 186,4 255,2 738,6 4.209,2 717,4
                                                                                                                             29,1        36,7
cionalmente mais por causas do Aparelho Circulatório. mortalidade do que
                                            Doenças não naturais de                                             ✓ Doenças infecciosas3,8 parasitárias: as pretas & pardas eram
                                                                                                                              0,9         1,6        e          6,5       26,0       176,3        1.039,2        123,1
                                            Neoplasias.                                                                       3,0         3,0       4,6         5,1       11,3        84,3         425,1          54,2
os brancos. O comportamento desse indicador entre 10 e 40 anos
                                            Doenças do Aparelho Respiratório.                                   proporcionalmente mais vitimadas que as brancas de 15 a 17, de 18
                                                                                                                              1,8         1,9       2,7         4,3       10,3        38,4         308,0          35,2
foi um dos principais responsáveis pelo fato de a corresponden-
                                            Doenças do Aparelho Digestivo.                                      a 24, de 25 a 40 e0,7 41 a1,2 Já as brancas, de62,2 a nove, de 10 a
                                                                                                                              0,6          de         59. 3,0             17,7         cinco 136,6 28,4
                                            Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                    0,6         0,4       0,4         1,1        4,7        27,4         180,7          20,9
            de mortalidade Malformações Congênitas, Deformidadestodas asCromossômicas. 14, mais de 60 anos de idade e no total.0,4
te taxa Pretos & Pardos                      dos pretos & pardos por e Anomalias causas,                                      1,1         0,5       0,9         0,6                    0,5          1,3            0,6
dentro deste intervalo etário,Infecciosas e Parasitárias. a dos brancos.
                                            Doenças ter sido maior que                                          ✓ Causas mal definidas: tal como ocorreu 44,2 os homens, as
                                                                                                                              2,5         1,9       3,5         5,9       23,6         entre 106,7 25,0
                                            Causas Mal Definidas.                                                             2,2         3,1       6,2        10,3       26,4        82,0         491,4          63,6
✓ Neoplasias e malformação congênita: emMortalidade.as faixas etá-
                                            Causas Externas de Morbidade e todas                                mulheres12,5   pretas21,9 pardas morriam 179,0 122,0 111,8 mais do
                                                                                                                                           & 112,0 207,4 proporcionalmente 124,7
rias, as razões de mortalidade dos Mortalidade. eram maiores que as
                                            Outras Causas de
                                            Total
                                                                  brancos                                       que as brancas em todas5,0 faixas e no16,1 677,3 2.930,0 499,5
                                                                                                                              2,3
                                                                                                                             27,3
                                                                                                                                          2,6
                                                                                                                                         37,6
                                                                                                                                                      as 249,9 315,5 40,2 129,2 24,0
                                                                                                                                                   140,3
                                                                                                                                                                5,7
                                                                                                                                                                            total.
dos pretos & pardos.                                                                                            ✓ Causas externas: as pretas & pardas eram proporcionalmente
  Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                                                                                mais vitimadas de cinco a nove e de 10 a 14 anos de idade. Nas de-
  Nota: Outrasmulheres, as= comparações entre taxasMentaismortalidade das Sistema Nervoso; faixas e no Anexos; Doenças do Ouvidorazões Mastóide; Doenças da Pele e dodas brancas
     Nas Causas de Mortalidade Doenças do Sangue e Associados; Transtornos de e Comportamentais; Doenças do mais Doenças dos Olhos e somatório, as e da Apófise de mortalidade Tecido
  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.


brancas eDoenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças perfil (vide tabela 3.2). etárias compreendidassuperiores.computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções originadas no período perinatal.
  Subcutâneo,
               pretas & pardas revelam o seguinte do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas                   eram na tabela não foram


   Tabela 3.2 -Tabela 3.2 - Razão de mortalidade da população residenteanos de idade, porde idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo feminino, segundo osou raça (branca e preta & parda) e
                Razão de mortalidade da população residente acima cinco acima cinco anos faixas etárias selecionadas, do sexo feminino, segundo os grupos de cor grupos de cor ou raça
                             (branca e preta &acordo com grupos selecionados do Código InternacionalInternacional de Doenças (CID10),(por 1002005 (por 100 mil habitantes)
                                           de parda) e de acordo com grupos selecionados do Código de Doenças (CID10); Brasil, 2005 Brasil, mil habitantes).

                                                                                                                                                                10 a 14      15 a 17      18 a 24       25 a 40      41 a 59      60 anos
               Cor ou Raça                 Causa de Mortalidade                                                                                  5 a 9 anos                                                                                      Total
                                                                                                                                                                 anos         anos         anos          anos         anos        ou mais
                                           Doenças do Aparelho Circulatório.                                                                         0,7          1,5          1,6          3,3          13,7         101,8       1.168,4        178,9
                                           Neoplasias.                                                                                               4,2          4,1          5,4          6,4          21,1         113,2        477,4         96,6
                                           Doenças do Aparelho Respiratório.                                                                         2,0          2,0          2,6          3,3           4,8         23,8         420,0         61,7
                                           Doenças do Aparelho Digestivo.                                                                            0,6          0,6          1,1          1,4           4,0         17,5         140,1         23,6
                                           Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                                            0,4          0,7          1,2          1,4           2,9         21,7         232,8         36,3
                 Brancas                   Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                                          1,3          1,2          1,0          0,8           0,5          0,9           1,3          0,9
                                           Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                                       2,0          1,5          1,8          3,0          11,1         17,3          92,5         19,8
                                           Causas Mal Definidas.                                                                                     1,3          1,6          1,8          2,8           5,7         22,0         252,5         39,9
                                           Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                                               6,8          8,8         20,0         21,1          18,8         19,4          70,1         24,0
                                           Outras Causas de Mortalidade.                                                                             4,0          3,8          5,6          7,6           9,8         18,1         203,7         35,1
                                           Total                                                                                                    23,4         25,8         42,0         51,1          92,4         355,5       3.058,9        516,9
                                           Doenças do Aparelho Circulatório.                                                                         1,0          1,6          2,2          4,3          16,3         113,0        831,6         103,5
                                           Neoplasias.                                                                                               2,6          2,5          3,2          3,8          15,1         80,5         264,4         46,0
                                           Doenças do Aparelho Respiratório.                                                                         1,7          1,4          1,7          2,9           5,7         21,6         220,6         26,7
                                           Doenças do Aparelho Digestivo.                                                                            0,6          0,5          1,2          1,4           4,9         18,6          82,0         13,0
                                           Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                                            0,6          0,4          0,6          1,0           3,0         24,5         193,9         23,6
             Pretas & Pardas               Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                                          0,7          0,5          0,7          0,5           0,3          0,4           1,4          0,5
                                           Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                                       1,9          1,5          1,8          3,9          12,9         20,3          74,7         15,5
                                           Causas Mal Definidas.                                                                                     2,2          1,9          2,8          4,4          10,2         38,8         375,2         45,7
                                           Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                                               7,0          9,0         14,7         18,4          18,4         17,4          38,7         17,5
                                           Outras Causas de Mortalidade                                                                              2,4          3,0          5,7          9,2          12,2         18,7          90,2         17,6
                                           Total                                                                                                    20,7         22,2         34,6         49,7          99,0         353,8       2.172,6        309,6


   Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
   Nota: Outras Causas de Mortalidade = Gravidez, Parto e Puerpério; Transtornos Doenças do Sangue e Associados; Doenças Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide;
   Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções
   originadas no período perinatal.




                                                                                                                     Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                        45
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


3.3. Idade Mediana dos Óbitos                                                                                                                                nas de mortes de pretos & pardos e brancos por causas externas: de
                                                                                                                                                             29 e 35 anos de idade, respectivamente. Já nas doenças do aparelho
    No gráfico 3.1, estão dispostas as idades medianas dos óbitos de                                                                                         circulatório, as idades de falecimentos eram mais avançadas, con-
homens brancos e pretos & pardos, em todo o país, em 2005. Verifica-                                                                                         tudo, preservando a desigualdade de cor ou raça: 71 anos de idade,
se que os pretos & pardos morriam mais cedo do que os brancos em                                                                                             entre os brancos, e 67, entre os pretos & pardos (gráfico 3.1).
todas as causas de mortalidade. A mais precoce era a malformação
congênita, respectivamente, aos 23 anos, entre os pretos & pardos, e                                                                                             O gráfico 3.2 mostra as idades medianas de morte das mu-
aos 30, entre os brancos. Também era nessa causa a maior diferença                                                                                           lheres brancas e pretas & pardas, em todo o país, no mesmo ano.
proporcional entre as idades medianas de falecimento (30,4%) dos                                                                                             Tal como entre os homens, em todas as causas de morte, a idade
dois grupos. Por outro lado, a causa da qual morriam mais tarde era                                                                                          mediana das brancas era superior à das pretas & pardas. A cau-
por doenças do aparelho respiratório: respectivamente, aos 70 e 75                                                                                           sa que vitimava mais cedo as pretas & pardas era a malformação
anos. A menor diferença relativa entre brancos e pretos & pardos nas                                                                                         congênita (mediana de 28 anos de idade) e mais tarde, as causas
idades medianas de falecimento era nas doenças endócrinas, nutri-                                                                                            mal definidas e as doenças do aparelho respiratório (mediana de
cionais e metabólicas, de 2,9% (gráfico 3.1).                                                                                                                74 anos de idade). As brancas também morriam mais cedo de mal-
                                                                                                                                                             formação congênita (mediana de 34 anos de idade) e mais tarde, de
      Também chamam a atenção pela precocidade as idades media-                                                                                              doenças do aparelho respiratório (mediana de 79 anos de idade).

                                                                                                                                                                                                                   As menores assimetrias relativas nas
           Gráfico 3.1 - Idade segundomediana dosda população(branca e preta & parda),deanos 2005 (em anos de masculino
                    Gráfico 3.1 - Idade
                               medianaos grupos deóbitos da população residente acima Brasil, de idade do sexo idade).masculino
                                        dos óbitos cor ou raça residente acima de cinco cinco anos de idade do sexo
                      segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade)                                                                                               idades medianas de falecimento das mu-
                                                                                                                                                                                                               lheres brancas e pretas & pardas eram nas
            Causas Externas de Morbidade e
                     Mortalidade
                                                                                               29
                                                                                                          35                                                                                                   causas mal definidas (5,4%) e nas doenças
                       Causas Mal Definidas
                                                                                                                                                                                  66                           endócrinas, nutricionais e metabólicas
                                                                                                                                                                                        69

              Doenças do Aaparelh Digestivo
                                                                                                                                                   54
                                                                                                                                                                                                               (5,6%). As maiores, nas causas externas
                                                                                                                                                                                                               (38,2%). Nas mortes por doenças do apare-
                                                                                                                                                                  60

                                                                                                                                                                                   67
            Doenças do Aparelho Circulatório

                                                                                                                                                                                        70
                                                                                                                                                                                             71
                                                                                                                                                                                                               lho circulatório, a idade mediana das bran-
           Doenças do Aparelho Respiratório
                                                                                                                                                                                                    75         cas era de 77 e a das pretas & pardas, de 71
           Doenças Endócrinas Nutricionais e
                    Metabólicas
                                                                                                                                                                                       68
                                                                                                                                                                                            70
                                                                                                                                                                                                               anos de idade (gráfico 3.2).
                                                                                                                                     50
           Doenças Infecciosas e Parasitárias
                                                                                                                                                   54



                                                                                                                                                                                                               3.4. Composição das Causas
     Malformações Congênitas e Deformações                                           23
           e Anomalias Cromossomiais                                                            30


                                  Neoplasias
                                                                                                                                                                              65
                                                                                                                                                                                   67
                                                                                                                                                                                                               de Mortalidade da População
               Outras Causas de Mortalidade
                                                                                                                                                   54                                                          Brasileira
                                                                                                                                                                                        69

                                                0                              20                                40                                          60                                           80

                                                                                    Brancos    Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                   Na população branca masculina, em
 Fonte: Datasus / Min. Saúde.
                                                                                                                                                                                                               2005, a maior causa de morte era por doen-
 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                                                                                               ças do aparelho circulatório, responsáveis
                                                                                                                                                                                                               por 29,3% do total de óbitos. A segunda e
               Gráfico 3.2 - Idade mediana dos óbitos da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo
                                                                                                                                                                                                               terceira eram as neoplasias, com 17,6%, e
     Gráfico 3.2 - Idade mediana dos óbitos da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino, segundo
                                os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade).                                                                                            as causas externas, com 15%. Decompon-
                Gráfico 3.2 -grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade)do sexo feminino segundo
                         os Idade mediana dos óbitos da população residente acima de cinco anos de idade
                                           os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade).
                         Causas Externas de Morbidade e Mortalidade
                                                                                        34                                                                                                                     do o indicador por faixas etárias, vê-se que
                                                                                                                          47

                                                                                                                 34
                                                                                                                                                                                                               as causas externas eram as principais res-
                            Causas Externas deCausas Male Mortalidade
                                              Morbidade Definidas                                                                                                 74
                                                                                                                               47
                                                                                                                                                                         78                                    ponsáveis por mortes de brancos de cinco a
                                                                                                                                                                                                               40 anos de idade. Especificamente na faixa
                                                                                                                                                   64                  74
                                       Doenças do AaparelhMal Definidas
                                                  Causas Digestivo
                                                                                                                                                                              78
                                                                                                                                                                  74

                                         Doenças do Aaparelh Digestivo
                                     Doenças do Aparelho Circulatório
                                                                                                                                                        64 71
                                                                                                                                                                        74
                                                                                                                                                                       77
                                                                                                                                                                                                               dos 18 aos 24 anos, as causas externas fo-
                                       Doenças do Aparelho Circulatório
                                                                                                                                                                  71
                                                                                                                                                                             74                                ram responsáveis por 80,9% dos óbitos. A
                                    Doenças do Aparelho Respiratório                                                                                                     77
                                                                                                                                                                        79
                                                                                                                                                                                  74                           partir de 40 anos, as doenças do aparelho
                                                                                                                                                             71
                                                                                                                                                                                                               circulatório e as neoplasias apareceram
                                     Doenças do Aparelho Respiratório
                       Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas
                                                                                                                                                                  75          79


                           Doenças Doenças Infecciosas e Parasitárias
                                   Endócrinas Nutricionais e Metabólicas                                                            55
                                                                                                                                                        68
                                                                                                                                                                  71
                                                                                                                                                                        75                                     como as maiores causas (tabela 3.3).
                                                                                                     28                                  55
                                    Doenças Infecciosas e Parasitárias
 Malformações Congênitas e Deformações e Anomalias Cromossomiais
                                                                                                            34                                               68


     Malformações Congênitas e Deformações e Anomalias Cromossomiais
                                                                                                          28                                  61
                                                                                                                                                                                                                   Entre os homens pretos & pardos, a
                                                        Neoplasias
                                                                                                                                                                                                               maior mortalidade era por causas exter-
                                                                                                                 34
                                                                                                                                                                  67
                                                                                                                                                   61
                                                            Neoplasias
                                        Outras Causas de Mortalidade
                                                                                                                                     57
                                                                                                                                                                       77
                                                                                                                                                                        67                                     nas, que vitimaram um em cada quatro
                                                                     0
                                           Outras Causas de Mortalidade                   20                     40                      60
                                                                                                                                              57
                                                                                                                                                                       80
                                                                                                                                                                             77
                                                                                                                                                                                                  100          dos que faleceram deste grupo de cor ou
                                                                           0                   20
                                                                                                          Brancas
                                                                                                                      40
                                                                                                                         Pretas & Pardas
                                                                                                                                       60                                    80                     100        raça, em 2005. As doenças do aparelho
  Fonte: Datasus / Min. Saúde. Microdados SIM                                                                  Brancas     Pretas & Pardas                                                                     circulatório e as causas mal definidas fo-
  Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.

      Fonte: Datasus / Min. Saúde. Microdados SIM                                                                                                                                                              ram, respectivamente, a segunda e tercei-
      Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.




46                       Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça



  Tabela 3.3 - Composição das causas de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade do sexodo sexo masculino, por faixas etárias selecionadas e segundo os grupos de
    Tabela 3.3 - Composição das causas de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade masculino, por faixas etárias selecionadas, segundo os grupos de cor ou raça
  Tabela 3.3 - Composição dasraça brancamortalidade dae de acordocom grupos selecionados do Código idade Internacional de Doenças (CID10),2005selecionadas %).
                          cor ou causas de preta & parda) população com os grupos selecionados dode Internacional de Doenças (CID10), Brasil, Brasil, 2005 (em e segundo os grupos de
                                    (branca e e preta & parda e acordo residente acima de cinco anos Código do sexo masculino, por faixas etárias (em %)
                          cor ou raça branca e preta & parda e acordo com os grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10), Brasil, 2005 (em %).
                                                                                                                10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos
   Cor ou Raça Causa de Mortalidade                                                                  5 a 9 anos 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos                  Total
   Cor ou Raça Causa de Mortalidade                                                                  5 a 9 anos anos        anos      anos       anos       anos    ou mais      Total
                   Doenças do Aparelho Circulatório.                                                     3,7     anos
                                                                                                                  3,8       anos
                                                                                                                             2,7      anos
                                                                                                                                       2,5       anos
                                                                                                                                                  8,7       anos
                                                                                                                                                             26,9   ou mais
                                                                                                                                                                      35,8       29,3
                   Doenças do Aparelho Circulatório.
                   Neoplasias.                                                                           3,7
                                                                                                        17,2      3,8
                                                                                                                 13,1        2,7
                                                                                                                             6,4       2,5
                                                                                                                                        4,0       8,7
                                                                                                                                                   6,7       26,9
                                                                                                                                                             19,5     35,8
                                                                                                                                                                      19,5       29,3
                                                                                                                                                                                 17,6
                   Neoplasias. Aparelho Respiratório.
                   Doenças do                                                                           17,2
                                                                                                         6,5     13,1
                                                                                                                  5,1        6,4
                                                                                                                             4,0        4,0
                                                                                                                                       2,1         6,7
                                                                                                                                                  3,6        19,5
                                                                                                                                                             6,0      19,5
                                                                                                                                                                      14,7       17,6
                                                                                                                                                                                 10,9
                   Doenças do Aparelho Respiratório.
                   Doenças do Aparelho Digestivo.                                                        6,5
                                                                                                         1,8      5,1
                                                                                                                  2,0        4,0
                                                                                                                             0,8       2,1
                                                                                                                                       1,0        3,6
                                                                                                                                                  6,2        6,0
                                                                                                                                                             9,5      14,7
                                                                                                                                                                      4,8        10,9
                                                                                                                                                                                  5,9
                   Doenças do AparelhoNutricionais e Metabólicas.
                   Doenças Endócrinas Digestivo.                                                         1,8
                                                                                                         2,8      2,0
                                                                                                                  2,0        0,8
                                                                                                                             0,7       1,0
                                                                                                                                       0,6        6,2
                                                                                                                                                  1,6        9,5
                                                                                                                                                             4,1      4,8
                                                                                                                                                                      5,2         5,9
                                                                                                                                                                                  4,4
     Brancos       Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.
                   Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                      2,8
                                                                                                         5,7      2,0
                                                                                                                  2,5        0,7
                                                                                                                             1,0       0,6
                                                                                                                                       0,4        1,6
                                                                                                                                                  0,3        4,1
                                                                                                                                                             0,1      5,2
                                                                                                                                                                      0,0         4,4
                                                                                                                                                                                  0,1
     Brancos       Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.
                   Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                   5,7
                                                                                                         6,7      2,5
                                                                                                                  3,5        1,0
                                                                                                                             1,8       0,4
                                                                                                                                       2,3        0,3
                                                                                                                                                  9,5        0,1
                                                                                                                                                             5,9      0,0
                                                                                                                                                                      2,7         0,1
                                                                                                                                                                                  4,1
                   Doenças Infecciosas e Parasitárias.
                   Causas Mal Definidas.                                                                 6,7
                                                                                                         5,0      3,5
                                                                                                                  4,3        1,8
                                                                                                                             3,5       2,3
                                                                                                                                       2,8        9,5
                                                                                                                                                  5,8        5,9
                                                                                                                                                             7,6      2,7
                                                                                                                                                                      8,0         4,1
                                                                                                                                                                                  7,4
                   Causas Mal Definidas.
                   Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                           5,0
                                                                                                        36,7      4,3
                                                                                                                 51,9        3,5
                                                                                                                            74,4       2,8
                                                                                                                                       80,9       5,8
                                                                                                                                                  52,6       7,6
                                                                                                                                                             15,4     8,0
                                                                                                                                                                       3,7        7,4
                                                                                                                                                                                 15,0
                   Causas Externas Mortalidade.
                   Outras Causas dede Morbidade e Mortalidade.                                          36,7
                                                                                                        13,4     51,9
                                                                                                                 11,3       74,4
                                                                                                                             4,7       80,9
                                                                                                                                        3,5       52,6
                                                                                                                                                   5,2       15,4
                                                                                                                                                              5,1      3,7
                                                                                                                                                                       5,6       15,0
                                                                                                                                                                                  5,4
                   Outras
                   Total Causas de Mortalidade.                                                         13,4
                                                                                                       100,0     11,3
                                                                                                                 100,0       4,7
                                                                                                                           100,0        3,5
                                                                                                                                      100,0        5,2
                                                                                                                                                 100,0        5,1
                                                                                                                                                            100,0      5,6
                                                                                                                                                                     100,0        5,4
                                                                                                                                                                                100,0
                   Total
                   Doenças do Aparelho Circulatório.                                                   100,0
                                                                                                         3,2     100,0
                                                                                                                  4,3      100,0
                                                                                                                             2,7      100,0
                                                                                                                                       2,6       100,0
                                                                                                                                                  8,2       100,0
                                                                                                                                                             26,0    100,0
                                                                                                                                                                      35,5      100,0
                                                                                                                                                                                 24,6
                   Doenças do
                   Neoplasias. Aparelho Circulatório.                                                    3,2
                                                                                                        10,8      4,3
                                                                                                                  8,0        2,7
                                                                                                                             3,3       2,6
                                                                                                                                        2,1       8,2
                                                                                                                                                   3,6       26,0
                                                                                                                                                             12,4     35,5
                                                                                                                                                                      14,5       24,6
                                                                                                                                                                                 10,8
                   Neoplasias.
                   Doenças do Aparelho Respiratório.                                                    10,8
                                                                                                         6,5      8,0
                                                                                                                  5,0        3,3
                                                                                                                             2,0        2,1
                                                                                                                                       1,7         3,6
                                                                                                                                                  3,3        12,4
                                                                                                                                                             5,7      14,5
                                                                                                                                                                      10,5       10,8
                                                                                                                                                                                  7,0
                   Doenças do Aparelho Respiratório.
                   Doenças do Aparelho Digestivo.                                                        6,5
                                                                                                         2,2      5,0
                                                                                                                  1,8        2,0
                                                                                                                             0,8       1,7
                                                                                                                                       1,2        3,3
                                                                                                                                                  5,6        5,7
                                                                                                                                                             9,2      10,5
                                                                                                                                                                      4,7         7,0
                                                                                                                                                                                  5,7
                   Doenças do Aparelho Digestivo.
                   Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                        2,2
                                                                                                         2,3      1,8
                                                                                                                  1,0        0,8
                                                                                                                             0,3       1,2
                                                                                                                                       0,4        5,6
                                                                                                                                                  1,5        9,2
                                                                                                                                                             4,1      4,7
                                                                                                                                                                      6,2         5,7
                                                                                                                                                                                  4,2
     Pretos &      Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                        2,3      1,0        0,3       0,4        1,5        4,1      6,2         4,2
     Pretos &      Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                      4,0      1,4        0,6       0,2        0,1        0,1      0,0         0,1
      Pardos       Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                      4,0      1,4        0,6       0,2        0,1        0,1      0,0         0,1
      Pardos       Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                   9,0      5,1        2,5       2,4        7,5        6,5      3,6         5,0
                   Doenças Infecciosas e
                   Causas Mal Definidas. Parasitárias.                                                   9,0
                                                                                                         7,9      5,1
                                                                                                                  8,1        2,5
                                                                                                                             4,4       2,4
                                                                                                                                       4,1        7,5
                                                                                                                                                  8,4        6,5
                                                                                                                                                             12,1     3,6
                                                                                                                                                                      16,8        5,0
                                                                                                                                                                                 12,7
                   Causas Mal Definidas.
                   Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                           7,9
                                                                                                        45,6      8,1
                                                                                                                 58,3        4,4
                                                                                                                            79,9       4,1
                                                                                                                                       83,0       8,4
                                                                                                                                                  56,7       12,1
                                                                                                                                                             18,0     16,8
                                                                                                                                                                       3,8       12,7
                                                                                                                                                                                 25,0
                   Causas Externas Mortalidade.
                   Outras Causas dede Morbidade e Mortalidade.                                          45,6
                                                                                                         8,4     58,3
                                                                                                                  7,0       79,9
                                                                                                                             3,6       83,0
                                                                                                                                       2,3        56,7
                                                                                                                                                  5,1        18,0
                                                                                                                                                             5,9       3,8
                                                                                                                                                                      4,4        25,0
                                                                                                                                                                                  4,8
                   Outras
                   Total Causas de Mortalidade.                                                          8,4
                                                                                                       100,0      7,0
                                                                                                                 100,0       3,6
                                                                                                                           100,0       2,3
                                                                                                                                      100,0       5,1
                                                                                                                                                 100,0       5,9
                                                                                                                                                            100,0     4,4
                                                                                                                                                                     100,0        4,8
                                                                                                                                                                                100,0
                   Total                                                                               100,0     100,0     100,0      100,0      100,0      100,0    100,0      100,0
 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM.
 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. Raciais.
 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades
 Tabulações: Causas de Mortalidade = Desigualdades Raciais.
 Nota: Outras LAESER - Fichário das Doenças do Sangue e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do
 Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do SangueTecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido àsdo Sistema Nervoso; Doenças na tabela nãoAnexos; Doenças doas causas da Apófisecapítulo algumas Afecções e do
 Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças faixas etárias compreendidas dos Olhos e foram computadas Ouvido e mortes do Mastóide; Doenças da Pele
 Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções
 originadas no período perinatal.
 originadas no período perinatal.




   Tabela 3.4 - - Composiçãodas causas dede mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade feminino, por faixas etárias selecionadas, segundo e segundode cor ou raça
    Tabela 3.4 Composição das causas mortalidade da população residente acima cinco anos de idade do sexo do sexo feminino por faixas etárias selecionadas os grupos os grupos de
   Tabela 3.4 - Composição das causas depreta & parda) e de acordocom grupos selecionados do anos Código Internacional de Doenças (CID10),2005 (em %) (em e segundo os grupos de
                             cor ou raça branca e preta & parda e acordo com os grupos selecionados do de idade do sexo feminino (CID10), Brasil, Brasil, 2005
                                         (branca e mortalidade da população residente acima de cinco Código Internacional de Doenças por faixas etárias selecionadas %).
                             cor ou raça branca e preta & parda e acordo com os grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10), Brasil, 2005 (em %).
                                                                                                                      10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos
   Cor ou Raça Causa de Mortalidade                                                                       5 a 9 anos 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos             Total
   Cor ou Raça Causa de Mortalidade                                                                       5 a 9 anos anos         anos       anos       anos      anos   ou mais Total
                     Doenças do Aparelho Circulatório.                                                        3,0      anos
                                                                                                                        5,7       anos
                                                                                                                                   3,9       anos
                                                                                                                                              6,5       anos
                                                                                                                                                         14,8     anos
                                                                                                                                                                  28,6   ou mais
                                                                                                                                                                          38,2    34,6
                     Doenças do Aparelho Circulatório.
                     Neoplasias.                                                                              3,0
                                                                                                             18,0       5,7
                                                                                                                       15,9        3,9
                                                                                                                                  13,0        6,5
                                                                                                                                             12,4        14,8
                                                                                                                                                         22,8     28,6
                                                                                                                                                                  31,9    38,2
                                                                                                                                                                          15,6    34,6
                                                                                                                                                                                  18,7
                     Neoplasias. Aparelho Respiratório.
                     Doenças do                                                                              18,0
                                                                                                              8,5      15,9
                                                                                                                        7,7       13,0
                                                                                                                                   6,1       12,4
                                                                                                                                              6,4        22,8
                                                                                                                                                         5,2      31,9
                                                                                                                                                                   6,7    15,6
                                                                                                                                                                          13,7    18,7
                                                                                                                                                                                  11,9
                     Doenças do Aparelho Respiratório.
                     Doenças do Aparelho Digestivo.                                                           8,5
                                                                                                              2,6       7,7
                                                                                                                        2,1        6,1
                                                                                                                                   2,6        6,4
                                                                                                                                              2,8        5,2
                                                                                                                                                         4,3       6,7
                                                                                                                                                                   4,9    13,7
                                                                                                                                                                           4,6    11,9
                                                                                                                                                                                   4,6
                     Doenças do AparelhoNutricionais e Metabólicas.
                     Doenças Endócrinas       Digestivo.                                                      2,6
                                                                                                              1,9       2,1
                                                                                                                        2,8        2,6
                                                                                                                                   2,8        2,8
                                                                                                                                              2,7        4,3
                                                                                                                                                         3,2       4,9
                                                                                                                                                                   6,1     4,6
                                                                                                                                                                           7,6     4,6
                                                                                                                                                                                   7,0
     Brancas         Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.
                     Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                         1,9
                                                                                                              5,5       2,8
                                                                                                                        4,8        2,8
                                                                                                                                   2,4        2,7
                                                                                                                                              1,6        3,2
                                                                                                                                                         0,5       6,1
                                                                                                                                                                   0,3     7,6
                                                                                                                                                                           0,0     7,0
                                                                                                                                                                                   0,2
     Brancas         Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.
                     Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                      5,5
                                                                                                              8,5       4,8
                                                                                                                        5,9        2,4
                                                                                                                                   4,2        1,6
                                                                                                                                              5,8        0,5
                                                                                                                                                         12,0      0,3
                                                                                                                                                                   4,9     0,0
                                                                                                                                                                           3,0     0,2
                                                                                                                                                                                   3,8
                     Doenças Infecciosas e Parasitárias.
                     Causas Mal Definidas.                                                                    8,5
                                                                                                              5,4       5,9
                                                                                                                        6,1        4,2
                                                                                                                                   4,2        5,8
                                                                                                                                              5,5        12,0
                                                                                                                                                         6,1       4,9
                                                                                                                                                                   6,2     3,0
                                                                                                                                                                           8,3     3,8
                                                                                                                                                                                   7,7
                     Causas Mal Definidas.
                     Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                              5,4
                                                                                                             29,2       6,1
                                                                                                                       34,0        4,2
                                                                                                                                  47,6        5,5
                                                                                                                                             41,3        6,1
                                                                                                                                                         20,4      6,2
                                                                                                                                                                   5,4     8,3
                                                                                                                                                                           2,3     7,7
                                                                                                                                                                                   4,6
                     CausasCausas dede Morbidade e Mortalidade.
                     Outras Externas Mortalidade.                                                            29,2
                                                                                                             17,1      34,0
                                                                                                                       14,6       47,6
                                                                                                                                  13,3       41,3
                                                                                                                                             14,9        20,4
                                                                                                                                                         10,6      5,4
                                                                                                                                                                   5,1     2,3
                                                                                                                                                                           6,7     4,6
                                                                                                                                                                                   6,8
                     Outras Causas de Mortalidade.
                     Total                                                                                   17,1
                                                                                                             100,0     14,6
                                                                                                                       100,0      13,3
                                                                                                                                 100,0       14,9
                                                                                                                                             100,0       10,6
                                                                                                                                                        100,0      5,1
                                                                                                                                                                  100,0    6,7
                                                                                                                                                                          100,0    6,8
                                                                                                                                                                                 100,0
                     Total
                     Doenças do Aparelho Circulatório.                                                       100,0     100,0     100,0       100,0      100,0     100,0   100,0  100,0
                                                                                                              5,0       7,3        6,4        8,6        16,5     31,9    38,3    33,4
                     Doenças do Aparelho Circulatório.
                     Neoplasias.                                                                              5,0
                                                                                                             12,5       7,3
                                                                                                                       11,1        6,4
                                                                                                                                   9,3        8,6
                                                                                                                                              7,7        16,5
                                                                                                                                                         15,3     31,9
                                                                                                                                                                  22,8    38,3
                                                                                                                                                                          12,2    33,4
                                                                                                                                                                                  14,9
                     Neoplasias. Aparelho Respiratório.
                     Doenças do                                                                              12,5
                                                                                                              8,2      11,1
                                                                                                                        6,3        9,3
                                                                                                                                   5,0        7,7
                                                                                                                                              5,9        15,3
                                                                                                                                                         5,7      22,8
                                                                                                                                                                   6,1    12,2
                                                                                                                                                                          10,2    14,9
                                                                                                                                                                                   8,6
                     Doenças do Aparelho Respiratório.
                     Doenças do Aparelho Digestivo.                                                           8,2
                                                                                                              2,8       6,3
                                                                                                                        2,3        5,0
                                                                                                                                   3,4        5,9
                                                                                                                                              2,7        5,7
                                                                                                                                                         4,9       6,1
                                                                                                                                                                   5,3    10,2
                                                                                                                                                                           3,8     8,6
                                                                                                                                                                                   4,2
                     Doenças do AparelhoNutricionais e Metabólicas.
                     Doenças Endócrinas Digestivo.                                                            2,8
                                                                                                              3,0       2,3
                                                                                                                        1,6        3,4
                                                                                                                                   1,9        2,7
                                                                                                                                              2,0        4,9
                                                                                                                                                         3,0       5,3
                                                                                                                                                                   6,9     3,8
                                                                                                                                                                           8,9     4,2
                                                                                                                                                                                   7,6
     Pretas &        Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas.                                           3,0       1,6        1,9        2,0        3,0       6,9     8,9     7,6
     Pretas &        Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                         3,4       2,4        2,0        0,9        0,3       0,1     0,1     0,2
      Pardas         Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas.                         3,4       2,4        2,0        0,9        0,3       0,1     0,1     0,2
      Pardas         Doenças Infecciosas e Parasitárias.                                                      9,1       6,7        5,1        7,9        13,0      5,8     3,4     5,0
                     Doenças Infecciosas e Parasitárias.
                     Causas Mal Definidas.                                                                    9,1
                                                                                                             10,6       6,7
                                                                                                                        8,3        5,1
                                                                                                                                   8,0        7,9
                                                                                                                                              8,8        13,0
                                                                                                                                                         10,3      5,8
                                                                                                                                                                  11,0     3,4
                                                                                                                                                                          17,3     5,0
                                                                                                                                                                                  14,8
                     Causas Mal Definidas.
                     Causas Externas de Morbidade e Mortalidade.                                             10,6
                                                                                                             33,8       8,3
                                                                                                                       40,5        8,0
                                                                                                                                  42,5        8,8
                                                                                                                                             37,0        10,3
                                                                                                                                                         18,6     11,0
                                                                                                                                                                   4,9    17,3
                                                                                                                                                                           1,8    14,8
                                                                                                                                                                                   5,7
                     CausasCausas dede Morbidade e Mortalidade.
                     Outras Externas Mortalidade.                                                            33,8
                                                                                                             11,5      40,5
                                                                                                                       13,4       42,5
                                                                                                                                  16,5       37,0
                                                                                                                                             18,5        18,6
                                                                                                                                                         12,4      4,9
                                                                                                                                                                   5,3     1,8
                                                                                                                                                                           4,2     5,7
                                                                                                                                                                                   5,7
                     Outras Causas de Mortalidade.
                     Total                                                                                   11,5
                                                                                                             100,0     13,4
                                                                                                                       100,0      16,5
                                                                                                                                 100,0       18,5
                                                                                                                                             100,0       12,4
                                                                                                                                                        100,0      5,3
                                                                                                                                                                  100,0    4,2
                                                                                                                                                                          100,0    5,7
                                                                                                                                                                                 100,0
                     Total da Saúde, microdados SIM.
 Fonte: Datasus / Ministério                                                                                 100,0     100,0     100,0       100,0      100,0     100,0   100,0  100,0
 Fonte: Datasus / Ministério da das Desigualdades Raciais
 Tabulações LAESER: FichárioSaúde, microdados SIM.
 Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais
 Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do Sangue e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do
 Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do SangueTecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido àsdo Sistema Nervoso; Doenças na Tabela não foram computadas as causasda Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do
 Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças faixas etárias compreendidas dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e mortes do capítulo Algumas Afecções
 Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na Tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo Algumas Afecções
 Originadas no Período Perinatal
 Originadas no Período Perinatal




ra maiores causas. A decomposição desses indicadores por faixas                                                             Entre as mulheres brancas, a principal causa de morte foi
etárias revela que, dos cinco aos 40 anos de idade, também foram                                                        por doenças do aparelho circulatório, com 34,6% do total de
as causas externas as que mais mataram. Só na faixa de 18 a 24                                                          óbitos. As segunda e terceira causas mais importantes foram,
anos, concentraram 83% dos óbitos. A partir de 41 anos, as do-                                                          respectivamente, as neoplasias e as doenças do aparelho res-
enças do aparelho circulatório tornavam-se a principal causa, as                                                        piratório. Decompondo esses indicadores por faixas de idade,
causas externas caíam para segundo lugar e as neoplasias apare-                                                         de cinco a 24 anos, a principal razão das mortes eram as cau-
ciam em terceiro, mantendo esta colocação na faixa superior aos                                                         sas externas, embora com menor intensidade do que entre os
60 anos de idade. Nesta última, as causas mal definidas reapare-                                                        homens brancos. De 25 a 59 anos, a maior mortalidade era por
ciam em segundo (tabela 3.3).                                                                                           neoplasias. As doenças do aparelho circulatório apareciam


                                                                                                           Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                              47
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


como a causa mais importante a partir dos 60 anos de idade                            3.5. Análise de Causas
(tabela 3.4).                                                                         de Mortalidade Selecionadas

    A maior causa de mortalidade entre mulheres pretas &                                  Nesta seção, serão analisadas de forma mais aprofundada algu-
pardas, em 2005, foi por doenças do aparelho circulatório. As                         mas causas específicas de mortalidade presentes na base de dados do
segunda e terceira causas mais importantes eram as neopla-                            SIM e incluídas nos grandes grupos do Código Internacional de Doen-
sias e as causas mal definidas. Por faixas etárias, de cinco                          ças (CID), de 1999 a 2005. Em alguns casos, quando o percentual de
a 40 anos foram as causas externas. A partir dos 41 anos de                           óbitos sem notificação de cor ou raça foi considerado elevado, os co-
idade, passaram a ser as doenças do aparelho circulatório. De                         mentários vão se iniciar no ano 2000. As causas de mortalidade foram
qualquer maneira, em todas as faixas, as causas mal defini-                           escolhidas pela sua relevância social e cultural na sociedade brasileira
das também se destacavam (tabela 3.4).                                                atual, não sendo, portanto, aquelas que, necessariamente, mais afli-
                                                                                      gem a população e seus respectivos grupos de cor ou raça e sexo.
    Na comparação, constata-se que, em 2005, em todo o país, a
maior causa de morte de homens e mulheres brancas e de mu-                            3.5.1. Doenças do Aparelho Circulatório
lheres pretas & pardas foi por doenças do aparelho circulatório.
Já entre os homens pretos & pardos, foram as causas externas.                             Conforme já observado, a taxa de mortalidade por 100 mil ha-
Proporcionalmente, as mortes por causas mal definidas tive-                           bitantes por doenças do aparelho circulatório das pessoas brancas
ram muito mais presença entre homens e mulheres pretos &                              era superior à das pessoas pretas & pardas. A decomposição dessa
pardos do que entre brancos dos respectivos grupos de sexo. Na                        causa por subgrupos – hipertensão, doenças do coração e doenças
verdade, como é uma falsa causa, pelos motivos já apontados,                          cerebrovasculares –, revela a manutenção de diferenças, com os
essa desigualdade dificulta ainda mais a análise dos verdadei-                        brancos de ambos os sexos apresentando mortalidade mais eleva-
ros fatores de mortalidade no contingente preto & pardo.                              da que os pretos & pardos.
              Tabela 3.5 - Razão de mortalidade por doenças selecionadas do aparelho circulatório da população residente
             acima de cinco- Razão de mortalidade por doenças selecionadas do aparelho circulatório da população residente acima de cincosexo, Brasil, 2005
                   Tabela 3.5 anos de idade segundo os grupos de de cor ou raça (branca e preta & parda) e anos de idade
                                   segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & habitantes) . 2005 (por 100 mil habitantes)
                                                                    (por 100 mil parda) e sexo, Brasil,
                                                                               Homens
             Tabela 3.5 - Razão de mortalidade por doenças selecionadas do aparelho circulatório da população residente
            acima de cinco anos de idade segundo os grupos de de cor ou raça (branca e preta & Pretos & Pardos
                                             Brancos                                           parda) e sexo, Brasil, 2005
                                                      (por 100 mil habitantes) .
               Ano                              Doenças do              Doenças                                  Doenças do             Doenças
                          Hipertensão                                    Homens              Hipertensão
                                                 Coração            Cerebrovasculares                             Coração           Cerebrovasculares
                                                  Brancos                                                   Pretos & Pardos
              1999             11,2                103,8                    60,2                    9,2               47,0                  32,3
               Ano                           Doenças do             Doenças                                Doenças do       Doenças
              2000       Hipertensão
                              13,7               114,9                   66,5            Hipertensão
                                                                                                 11,3              54,7 Cerebrovasculares
                                                                                                                                    39,0
                                              Coração           Cerebrovasculares                           Coração
              2001
              1999             14,4
                              11,2                 117,8
                                                 103,8                     70,4
                                                                        60,2                 9,2 12,4          47,0 57,4             32,3   40,9
              2002
              2000             15,0
                              13,7                 116,6
                                                 114,9                     69,4
                                                                        66,5                 11,3 12,7         54,7 60,2             39,0   42,4
              2001
              2003            14,4
                               16,6              117,8
                                                   121,3                70,4
                                                                           71,7              12,4 14,0         57,4 61,5             40,9   43,7
              2002
              2004            15,0
                               17,7              116,6
                                                   120,3                69,4
                                                                           70,4              12,7 15,2         60,2 64,0             42,4   42,8
              2003            16,6               121,3                  71,7                 14,0              61,5                  43,7
              2005             18,7                118,2                    67,9                    16,7              61,4                  42,6
              2004            17,7               120,3                  70,4                 15,2              64,0                  42,8
              2005            18,7               118,2                  67,9 Mulheres        16,7              61,4                  42,6

                                                     Brancas              Mulheres
                                                                                                                  Pretas & Pardas
               Ano                              Doenças do              Doenças                              Doenças do                 Doenças
                          Hipertensão            Brancas                                     Hipertensão Pretas & Pardas
               Ano                               Coração            Cerebrovasculares                          Coração              Cerebrovasculares
                                             Doenças do             Doenças                                Doenças do       Doenças
                         Hipertensão                                                     Hipertensão
              1999             12,8               80,9
                                              Coração                    51,4
                                                                Cerebrovasculares                   10,0    Coração35,4 Cerebrovasculares
                                                                                                                                    30,0
              1999
              2000            12,8
                               14,9               80,9
                                                    89,2                51,4
                                                                           58,2              10,0 12,6         35,4 41,4             30,0   36,7
              2000
              2001            14,9
                               15,6               89,2
                                                    90,5                58,2
                                                                           59,4              12,6 12,8         41,4 42,0             36,7   36,6
              2001            15,6                90,5                  59,4                 12,8              42,0                  36,6
              2002             16,0                 92,4                    60,0                    14,1              44,7                  38,7
              2002            16,0                92,4                  60,0                 14,1              44,7                  38,7
              2003             17,5                 93,4                    61,2                    15,0              45,3                  39,6
              2003            17,5                93,4                  61,2                 15,0              45,3                  39,6
              2004             18,9                 93,5                    61,4                    15,7              46,0                  38,6
              2004            18,9                93,5                  61,4                 15,7              46,0                  38,6
              2005
              2005
                               20,2
                              20,2
                                                    91,7
                                                  91,7                  61,4
                                                                            61,4             17,1
                                                                                                    17,1       45,1
                                                                                                                      45,1           39,0
                                                                                                                                            39,0


           Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
           Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
           Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
           Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




48           Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


    Em 2005, as razões de mortalidade dos homens brancos, nos                                                ram em acidentes de transporte, 22,2% por outras causas, 5,4%
três subgrupos, eram superiores às dos pretos & pardos em, res-                                              se suicidaram e 1,8% perderam a vida em acidentes de trabalho
pectivamente: 12,5%, 92,6% e 59,3%. Por outro lado, quando se                                                (gráficos 3.3 e 3.4).
analisa a evolução dessa forma de mortalidade, percebe-se que, de
2000 a 2005, ela cresceu mais entre os pretos & pardos do que entre                        Entre as mulheres brancas mortas por causas externas, no mes-
os brancos (tabela 3.5).                                                             mo ano, 41% foram vitimadas por outras causas não naturais, 34,6%
                                                                                     em acidentes de transporte, 14,4% assassinadas, 9,3% se suicidaram
    Assim, nesse período, a mortalidade dos pretos & pardos                          e 0,7% em acidentes de trabalho. Entre as pretas & pardas, 33,4%
por hipertensão cresceu 81,6%, ao passo que, entre os brancos,                       morreram por outras causas não naturais, 31,8% em acidentes de
67,8%. No caso das doenças do coração, a mortalidade de pretos                       transportes, 25,3% assassinadas, 9% se suicidaram e 0,5% em aci-
& pardos aumentou 30,5% e a dos brancos, 13,9%. Finalmente, de idadedentesmasculino de cor ou raça branca, Brasil, 20053.6).
                                                                                                de trabalho (gráficos 3.5 e (em %).
                                               Gráfico 3.3 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco
                                                                       anos           do sexo
nas doenças cerebrovasculares, a dos pre-          Gráfico 3.3 - -Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco
                                                    Gráfico 3.3 Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco
tos & pardos subiu 32,1% e a dos brancos,                                  anos de idade do sexo masculino de cor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %).
                                                                            anos de idade do sexo masculino de cor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %).
                                                         Gráfico 3.3 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente
12,9% (tabela 3.5).                                    Gráfico 3.3 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco
                                                                   acima de anos de idade do sexo masculino de cor ou raçacor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %)
                                                                              cinco anos de idade do sexo masculino de branca, Brasil, 2005 (em %).
                                                                                                                                             0,0%             8,6%
                                                                                                      27,6%


                                                                                                                                                                                                        Overdose de drogas

   Entre as mulheres, em 2005, a mortali-
                                                                                                                                                    0,0%
                                                                                                                                                     0,0%            8,6%
                                                                                                                                                                      8,6%            28,1%
                                                                                                             27,6%
                                                                                                              27,6%                                                                                     Suicídios
                                                                                                                                                                                                        Homicídios

dade por hipertensão, doenças do coração e                                                                      27,6%
                                                                                                                                                       0,0%                8,6%              28,1%
                                                                                                                                                                                              28,1%
                                                                                                                                                                                                        Acidente de Transporte
                                                                                                                                                                                                             Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                              Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                        Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                             Suicídios
                                                                                                                                                                                                              Suicídios

doenças cerebrovasculares das brancas era                                                                                                                                                       28,1%
                                                                                                                                                                                                        OutraHomicídios
                                                                                                                                                                                                              Homicídios
                                                                                                                                                                                                                 Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                             Acidente de Transporte
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Transporte

superior à das pretas & pardas em, respecti-                                          2,9%                                                                                                                        Suicídios
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                               Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                                  Homicídios
                                                                                                                                                                                                              Outra
                                                                                                                                                                                                               Outra

vamente, 18,4%, 103,3% e 57,4%.                                                              2,9%
                                                                                              2,9%                                   32,7%
                                                                                                                                                                                                                     Acidente de Transporte
                                                                                                                                                                                                                     Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                                     Outra


                                                                                                    2,9%
    De 2000 a 2005, a mortalidade por                         Gráfico 3.4 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por32,7%
                                                                Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                                                                             32,7%
                                                                                                                               causas externas da população residente acima de cinco
                                                                                   anos de idade do sexo masculino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %).
hipertensão das pretas & pardas cres-                           Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                               32,7%
                                                                      Gráfico 3.4 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco
ceu mais (70,1%) do que a das brancas                                Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. causas de mortalidade por raça preta & parda, Brasil, 2005 residente
                                                                      Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados de
                                                                     Gráfico 3.4 - Distribuiçãode idadeSIM. sexo masculino de cor ou causas externas da população (em %).
                                                                                            anos relativa do                                                                 acima de cinco
                                                                     Tabulações: LAESER -anos de das Desigualdades masculino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %).
                                                                      Tabulações: LAESER - Fichário idade do sexoRaciais.
                                                                                            Fichário das Desigualdades Raciais.

(58,1%). Nas demais causas por doenças                                    Gráfico 3.4 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente
                                                                             acima de cinco anos de idade do sexo masculino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %)
                                                                         Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM.           5,4%
                                                                                                                      0,1%
                                                                         Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
do aparelho circulatório, as das pretas &                                                               22,2%

                                                                                                                                                                                                      Overdose de drogas

pardas igualmente aumentaram em pro-                                              1,8%                                 22,2%
                                                                                                                                                     0,1%
                                                                                                                                                    0,1%
                                                                                                                                                                    5,4%
                                                                                                                                                                   5,4%
                                                                                                                                                                                                      Suicídios
                                                                                                                                                                                                      Homicídios

porção maior. No período, entre as pretas                                                                             22,2%
                                                                                                                                                                                     46,3%
                                                                                                                                                                                                      Acidente de Transporte drogas
                                                                                                                                                                                                                Overdose de
                                                                                                                                                                                                      AcidenteOverdose de drogas
                                                                                                                                                                                                              de Trabalho
                                                                                                                                                                                                               Suicídios

& pardas, a mortalidade por doenças do                                                       1,8%
                                                                                           1,8%
                                                                                                                                                                                                      Outra Suicídios
                                                                                                                                                                                                               Homicídios
                                                                                                                                                                                                              Homicídiosde Transporte
                                                                                                                                                                                                               Acidente
                                                                                                                                                                                               46,3%
coração se elevou em 27,3%, enquanto en-                                                                                                                        46,3%
                                                             Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de de Trabalho
                                                                                                                                                                        Acidente cinco
                                                                                                                                                                         Outra
                                                                                                                                                                                                               Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Transporte

                                                                                  anos de idade do sexo feminino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %).
tre as brancas, em 13,4%. Já por doenças                                                     24,2%
                                                                                                                                                                        Outra



cerebrovasculares, aumentou 30%, entre                                                                 24,2%

as pretas & pardas e em 19,4% , entre as                                                              24,2%
                                                                Gráfico 3.6 3.6 -Saúde, microdados SIM. de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cincode cinco
                                                                Fonte: Datasus - Min. Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima
                                                                   Gráfico / Distribuição relativa
brancas (tabela 3.5).                                           Tabulações: LAESER - Fichário anos de idade do sexo feminino de cor ou raça & parda, parda, Brasil, 2005 (em %).
                                                                                        anos de idade do Raciais. feminino de cor ou raça preta preta & Brasil, 2005 (em %).
                                                                                              das Desigualdades sexo
                                                                                                                                        0,1%                8,9%
                                                                        Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.

                                                                          Gráfico 3.5 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente
                                                                        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                       Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                                          33,4%
   3.5.2. Composição das Causas
                                                                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                          25,3%
                                                                                  acima de cinco anos de idade do sexo feminino de cor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %) Overdose de drogas
Externas de Mortalidade                                                                                                                  0,1%
                                                                                                                                                    0,1% 8,9%
                                                                                                                                                                                                                    Suicídios
                                                                                                                                                                                                                    Homicídios
                                                                                                                                                                    8,9%
                                                                                                                                                                                                                    Acidente de Transporte
                                                                                                33,4%                                                                                                               Acidente de Trabalho
                                                                                                    33,4%                                                                         25,3%
    No Brasil, em 2005, 121.509 pessoas                                                   0,5%
                                                                                                                                                                                            25,3%                Outra
                                                                                                                                                                                                              Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                                        Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                              Suicídios
morreram por causas não naturais. Destas,                                                                                               31,8%
                                                                                                                                                                                                              Homicídios
                                                                                                                                                                                                                        Suicídios
                                                                                                                                                                                                                        Homicídios
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Transporte
48,8% eram pretas & pardas e 44,4% eram                                                                                                                                                                       Acidente de Trabalho Transporte
                                                                                                                                                                                                                        Acidente de
                                                                                                                                                                                                                             Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                              Outra
brancas. A decomposição desses mesmos                                                        0,5%                                                                                                                            Outra
                                                                                                    0,5%
dados por sexo e subgrupos de causas de                       Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidade 31,8%
                                                                                                                           por causas externas da população residente acima de cinco
                                                                                   anos de idade do sexo feminino de cor ou raça31,8% & parda, Brasil, 2005 (em %).
                                                                                                                                 preta
mortalidade externas revelam importan-                          Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                Tabulações: LAESER - Ficháriorelativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco
                                                                  Gráfico 3.6 - Distribuição das Desigualdades Raciais.
tes diferenças entre os grupos.                                        Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidaderaça causas externas da população residente acima de cinco
                                                                                       anos de idade do sexo feminino de cor ou por preta & parda, Brasil, 2005 (em %).
                                                                                            anos de idade do sexo feminino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %).


                                                                          Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente
    Dos homens brancos que morreram                                Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                              acima de cinco anos de idade do sexo feminino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %)
                                                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                      Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                                                                              0,1%
                                                                                                                                8,9%


por causas externas, em 2005, 32,7% fo-                               Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                         33,4%
                                                                                                                                               0,1%                                 25,3%
                                                                                                                                                                8,9%
ram em acidentes de transporte, 28,1%                                                                                                             0,1%             8,9%                                 Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                        Suicídios
                                                                                                                                                                                                        Homicídios
assassinados, 27,6% vitimados por outras
                                                                                                 33,4%
                                                                                                     33,4%                                                                                25,3%
                                                                                                                                                                                           25,3%        Acidente de Transporte
                                                                                                                                                                                                              Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                              Overdose de drogas
                                                                                                                                                                                                        Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                              Suicídios
causas não naturais (afogamentos, enve-                                                                                                                                                                       Suicídios
                                                                                                                                                                                                        Outra Homicídios
                                                                                                                                                                                                              Homicídios
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Transporte
nenamentos, quedas, queimaduras etc.),
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Transporte
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Trabalho
                                                                                                                                                                                                              Acidente de Trabalho
                                                                                         0,5%
                                                                                                                                                                                                              Outra
                                                                                                                                                                                                              Outra
8,6% se suicidaram e 2,9% morreram em                                                                                                  31,8%

acidentes de trabalho. No caso do contin-                                                       0,5%0,5%



gente do sexo masculino preto & pardo:                          Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                                                                                                 31,8%
                                                                                                                                              31,8%



46,3% foram assassinados, 24,2% morre-
                                                                Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.


                                                                          Fonte: Datasus Saúde, microdados SIM.
                                                                     Fonte: Datasus /Min. /Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




                                                                                           Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                                   49
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


 3.5.3. Homicídios                                                                                                                     ano, 1.646 por mês, 55 por dia e 2,29 por hora. Entre os pretos & pardos,
                                                                                                                                       28.771 por ano, 2.398 por mês, 80 por dia e 3,33 por hora (gráfico 3.7).
     O gráfico 3.7 mostra a evolução do número de homicídios em
 todo o país, de 1999 a 2005. Nesse intervalo, o total de assassinatos                                                                     As diferenças na mortalidade por homicídios se expressam nas ta-
 passou de 40.849 para 45.682, aumentando 11,8%. Quando decom-                                                                         xas dos diferentes grupos. Assim, de 1999 a 2005, a razão de mortalidade
 posto por grupos de cor ou raça, o total de vítimas pretas & pardas                                                                   por 100 mil habitantes entre os homens pretos & pardos passou de 51,93,
 cresceu de 18.783 para 27.483, um salto de 46,3%. Já no contingen-                                                                    para 61,48, aumentando 18,4%. Entre os brancos, de 35,83, em 1999,
 te de cor ou raça branca, o número total de pessoas vitimadas por                                                                     para 33,82, em 2005, diminuindo 5,6%. Nas mulheres, a mortalidade
 homicídios passou de 15.175, em 1999, para 15.183, em 2005, assim                                                                     era nitidamente menor nos dois grupos de cor ou raça. Entre as pretas
 tendo crescido de forma mais modesta: 0,1%. Por outro ângulo, o                                                                       & pardas, porém, a taxa aumentou mais, de 3,96, em 1999, para 4,43,
 peso relativo dos pretos & pardos no total de homicídios no país                                                                      2005, tendo crescido, portanto, 11,9%, No caso das mulheres brancas a
 passou de 46%, em 1999, para 60,2%, em 2005.                                                                                          razão de mortalidade por 100 mil habitantes passou de 3,29, em 1999,
                                                                                                                                       para 3,45, em 2005, tendo, deste modo, crescido em 4,9%.
     No período, foram registrados 317.587 homicídios em todo o Brasil.
 Desagregando por grupos de cor ou raça, verifica-se que 118.536 vítimas                                          Por outro lado, de 2003 a 2005, as razões de mortalidade por 100
 eram brancas (37,3%) e 172.626 pretas & pardas (54,3%). Em média, fo-                                        mil habitantes declinaram em todos os grupos de cor ou raça e sexo.
 ram cometidos 52.931 assassinatos por ano, 4.411 por mês, 147 por dia e                                      Porém, mais uma vez, essa queda foi maior entre os homens brancos
 6,13 pessoas por hora. No contingente branco, foram 19.756 vítimas por                                       do que entre os pretos & pardos (de, respectivamente, 19,2% e 9,6%)
             Gráfico 3.7 - População residente acima de cinco anos de idade vítimas de homicídios segundo os grupos de cor ou
                                    raça (branca e preto & parda), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)                                 e foi maior, também, entre as mulheres
                                                                                                                                            brancas do que entre as pretas & par-
60.000        Gráfico 3.7 - 3.7 - População residente acima de cinco anos de idade vítimas de homicídios segundo os grupos de cor ou
                   Gráfico População residente acima de cinco anos de idade vítimas de homicídios segundo os grupos de cor ou raça
                                          (branca e pretapreto & parda), Brasil, 1999-2005 número de pessoas)
                                           raça (branca e & parda), Brasil, 1999-2005 (em (em número de pessoas)                            das (de 8,7% e 4,5%) (gráfico 3.8).
                                                                                                               48.764                                     45.682

         60.000
                         40.849
                                                                                                                                                                                       Na evolução das desigualdades en-
                                                                                                                          48.764                                   45.682
40.000
                                                                                                                                                                                  tre os grupos de cor ou raça, de 1999 a
                                  40.849                                                                       27.242                                     27.483
                                                                                                                                                                                  2005, as diferenças entre as taxas de
         40.000
                    18.783                                                                                                                                                        mortalidade por homicídio de pretos &
20.000                                                                                                                    27.242                                   27.483         pardos e de brancos ficaram maiores.
                    15.175 18.783                                                                              18.163
                                                                                                                                                                15.183
                                                                                                                                                                                  Passaram de 44,9% para 81,8%, entre
         20.000                                                                                                                                                                   os homens, e de 20,4% para 28,4%, en-
    0                            15.175                                                                                   18.163
                                                                                                                                                                         15.183
                                                                                                                                                                                  tre as mulheres (gráfico 3.8).
                  1999                     2000                 2001              2002                      2003                    2004                   2005



              0                                                                                                                                                                       Da análise da tabela 3.6, que apre-
                            1999                    2000        Brancos
                                                                      2001        Pretos & 2002
                                                                                           Pardos                  Total
                                                                                                                     2003                   2004                    2005
                                                                                                                                                                                  senta as taxas de mortalidade segun-
                                                                                                                                                                                  do as formas de homicídio, constata-
                                                                        Brancos           Pretos & Pardos                   Total
                                                                                                                                                                                  se que as maiores diferenças entre
    Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.
    Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                                                                     pretos & pardos e brancos ocorreram
                                                                                                                                                                                  nos assassinatos com armas brancas,
              Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.
              Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                                                           como facas, peixeiras e canivetes,
                                                                                                                                                                                  entre outras. Mas, a maior parte dos
                   Gráfico 3.8 - Razão - Razão de mortalidade da população residente acimacinco anos de idade por homicídio segundo os
                            Gráfico 3.8 de mortalidade da população residente acima de de cinco anos de idade por homicídio segundo
                             os grupos de cor ou raçaraça (branca e pretaparda), Brasil, 1999-2005 (por 100 mil100 mil habitantes)
                                      grupos de cor ou (branca e preta & & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por habitantes)                                                      assassinatos foi cometida com armas
     80
                                                                                                                                                                                  de fogo. Assim, em 2005, a respectiva
                                                                                                                                                                                  taxa de mortalidade de homens pretos
     70                                                                                    67,64

                                                                                                                                                                     61,48
                                                                                                                                                                                  & pardos por homicídios por armas de
     60
                                                                                                                                                                                  fogo foi de 45 por 100 mil habitantes o
                   51,93
     50                                                                                                                                                                           que correspondeu a 73,2% do total de
                                                                                            41,88
     40                                                                                                                                                                           pessoas assassinadas deste grupo de
     30
                         35,83
                                                                                                                                                                         33,82
                                                                                                                                                                                  cor ou raça e sexo naquele ano. Já en-
                                                                                                                                                                                  tre os brancos, a razão de homicídios
     20
                                                                                                                                                                                  por armas de fogo foi de 24,21 (71,6%
     10
                  3,96                                                                 4,57                                                                       4,43            do total de homicídios). No caso das
         0
                  3,29
                    1999                     2000                  2001
                                                                                         3,71

                                                                                       2002                        2003                    2004
                                                                                                                                                                    3,45

                                                                                                                                                                    2005
                                                                                                                                                                                  mulheres, as taxas de mortalidade
                                                                                                                                                                                  por homicídios por armas de fogo
                                                                                                                                             Homens Brancos
                                                                                                                                                                                  foi de 2,45, entre as pretas & pardas
             Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD                                                              Homens Pretos & Pardos               (55,3% do total de homicídios), e de
                                                                                                                                                                                  1,77, entre as brancas (51,4% do total
             Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                       Mulheres Brancas

                                                                                                                                             Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                  de homicídios).


 50                               Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça
           Tabela 3.6 - Razão de mortalidade por formas especificadas de homicídio da população residente acima de cinco anos de
                idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) .
           Tabela 3.6 - Razão de mortalidade por formas especificadas de homicídio da população residente acima de cinco anos de
                     Tabela 3.6 - Razão de mortalidade por formas especificadas deHomens da população residente acima de cinco anos de idade segundo
                                                                                     homicídio
                idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) .
                                           os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes)
                                                      Brancos                                                                   Pretos & Pardos
                                                                                     Homens
             Ano        Homicídios por           Homicídios por          Outras Formas de             Homicídios por           Homicídios por
                                                      Brancos                                                                   Pretos & Pardos Outras Formas de
                        Arma de Fogo              Arma Branca                 Homicídios              Arma de Fogo              Arma Branca        Homicídios
             Ano        Homicídios por           Homicídios por          Outras Formas de             Homicídios por           Homicídios por   Outras Formas de
            1999              22,0Fogo
                        Arma de                         3,5
                                                  Arma Branca                     10,4
                                                                              Homicídios              Arma de 33,3Fogo                6,0
                                                                                                                                Arma Branca           12,6
                                                                                                                                                   Homicídios
            2000
            1999              27,2
                              22,0                      3,9
                                                        3,5                        8,4
                                                                                  10,4                        42,6
                                                                                                              33,3                    7,5
                                                                                                                                      6,0              9,9
                                                                                                                                                      12,6
             2001
             2000               29,7
                                27,2                   4,8
                                                       3,9                                7,5
                                                                                          8,4                               46,6
                                                                                                                            42,6                                   8,8
                                                                                                                                                                   7,5                                8,9
                                                                                                                                                                                                      9,9
             2002
             2001               29,0
                                29,7                   4,7
                                                       4,8                                8,1
                                                                                          7,5                               48,4
                                                                                                                            46,6                                   9,4
                                                                                                                                                                   8,8                                9,9
                                                                                                                                                                                                      8,9
             2003
             2002               30,4
                                29,0                   4,6
                                                       4,7                                6,9
                                                                                          8,1                               49,9
                                                                                                                            48,4                                   9,2
                                                                                                                                                                   9,4                                9,0
                                                                                                                                                                                                      9,9
             2004
             2003               26,4
                                30,4                   4,5
                                                       4,6                                5,8
                                                                                          6,9                               46,1
                                                                                                                            49,9                                   8,7
                                                                                                                                                                   9,2                                7,9
                                                                                                                                                                                                      9,0
             2005
             2004               24,2
                                26,4                   4,6
                                                       4,5                                5,0
                                                                                          5,8                               45,0
                                                                                                                            46,1                                   9,4
                                                                                                                                                                   8,7                                7,1
                                                                                                                                                                                                      7,9
             2005               24,2                   4,6                                5,0                               45,0                                   9,4                                7,1
                                                                                           Mulheres
                                                      Brancas                                  Mulheres                                                 Pretas & Pardas
              Ano         Homicídios por            Brancas
                                                Homicídios por               Outras Formas de                      Homicídios por                      Pretas & Pardas Outras Formas de
                                                                                                                                                      Homicídios por
              Ano         Arma de Fogo
                          Homicídios por         Arma Branca
                                                Homicídios por                  Homicídios
                                                                             Outras Formas de                      Arma de Fogo
                                                                                                                   Homicídios por                      Arma Branca
                                                                                                                                                      Homicídios por      Homicídios
                                                                                                                                                                       Outras Formas de
                          Arma de Fogo           Arma Branca                    Homicídios                         Arma de Fogo                        Arma Branca        Homicídios
             1999              1,7                   0,5                            1,1                                 2,0                                0,8                1,2
             1999
             2000              1,7
                               2,1                   0,5
                                                     0,7                            1,1
                                                                                    1,0                                 2,0
                                                                                                                        2,6                                0,8
                                                                                                                                                           0,9                1,2
                                                                                                                                                                              1,1
             2000
             2001                2,1
                                 2,0                   0,7
                                                       0,7                                1,0
                                                                                          1,0                                2,6
                                                                                                                             2,6                           0,9
                                                                                                                                                           1,1                1,1
                                                                                                                                                                              1,0
             2001                2,0                   0,7                                1,0                                2,6                                   1,1                                1,0
             2002                2,0                   0,7                                1,0                                2,5                                   1,0                                1,1
             2002                2,0                   0,7                                1,0                                2,5                                   1,0                                1,1
             2003                2,1                   0,8                                0,9                                2,6                                   1,0                                1,1
             2003                2,1                   0,8                                0,9                                2,6                                   1,0                                1,1
             2004                2,0                   0,7                                0,9                                2,3                                   1,0                                1,0
             2004                2,0                   0,7                                0,9                                2,3                                   1,0                                1,0
             2005                1,8                   0,8                                0,9                                2,5                                   1,1                                0,9
             2005                1,8                   0,8                                0,9                                2,5                                   1,1                                0,9

          Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. microdados PNAD
          Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE,
          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




     De 1999 a 2003, as respectivas taxas de mortalidade por armas                                      declínio da mortalidade, em 2005, a mesma taxa dos pretos & pardos
de fogo cresceram em, praticamente, todos os grupos de cor ou raça                                      (134,22) foi 101% maior que a dos brancos (66,78) (tabela 3.7).
e sexo e, a partir de 2004, diminuiram. É plausível que essa queda re-
lativa esteja associada às campanhas de desarmamento no período.                                             No gráfico 3.9, podem ser vistas as taxas de mortalidade por
Porém, de 2003 a 2005, essa redução foi maior entre os brancos de                                       homicídio na população masculina branca, preta & parda, total e
ambos os sexos (20,3%, entre os homens, e 14,9%, entre as mulhe-                                        da faixa de idade de 18 a 24 anos, nas regiões geográficas, em 2005.
res) do que entre os pretos & pardos (9,8%, entre os homens, e 5,4%,                                    Tanto no total como nos jovens, entre os pretos & pardos as maio-
entre as mulheres) (tabela 3.6).
                                                         Gráfico 3.9 - Razão de mortalidade da população masculina residente acima de cinco acimacinco anos e dee18 aidade por homicídio
                                                                         Gráfico 3.9 Razão de de mortalidade da população masculina residente anos ede cinco anos de 18 a 24 anos de idade
                                                                           Gráfico 3.9 Razão mortalidade da população masculina residente acima de de 18 a 24 anos de 24 anos de idade
     A tabela 3.7 mostra a evolução, de                         segundo os grupos de cor ou segundo os grupos de parda),raça (branca e preta &Brasil, 2005 geográficas, habitantes)
                                                                              por homicídio segundo os grupos de corcor raça (brancageográficas, parda), regiões geográficas, Brasil, 2005
                                                                                por homicídio raça (branca e preta & ou ou regiões e preta & parda), regiões (por 100 mil Brasil, 2005
                                                                                                                                          (por 100100 mil habitantes ).
                                                                                                                                             (por mil habitantes ).
1999 a 2005, das taxas de mortalidade
por 100 mil habitantes dos homens                        100
                                                       100


brancos e pretos & pardos, por faixas                                                                                                            90,190,1


etárias. Observa-se que a faixa etária                  8080                                                                                                                                                                77,3 77,3

com maior intensidade de homicídios
foi a de 18 a 24 anos, em todos os anos e               6060
                                                                           60,7
                                                                         60,7
                                                                                                            60,6
                                                                                                         60,6                                                                        60,4 60,4


nos dois grupos de cor ou raça.
                                                                                                                                                                              46,3 46,3

                                                                                                                                         39,039,0             38,2 38,2                                               35,2 35,2         36,3 36,3
    Em todo o período e em pratica-                     4040

                                                                                                                        29,1
mente todas as faixas etárias, as taxas
                                                                                     30,4
                                                                                        30,4                                29,1
                                                                23,8
                                                                  23,8                                                                                                                              23,8 23,8
                                                                                                                                                       19,5 19,5                             21,0 21,0
de mortalidade por homicídio dos                        2020                  15,4
                                                                                 15,4
                                                                                                   16,2
                                                                                                      16,2                                                                                                                        18,3 18,3


pretos & pardos foram superiores às                                                                               8,6 8,6


dos brancos. Assim, mais uma vez, fo-                    0 0

calizando o contingente jovem, de 18                                       Norte
                                                                             Norte                           Nordeste
                                                                                                                Nordeste                            Sudeste
                                                                                                                                                       Sudeste                            Sul Sul                          Centro Oeste Oeste
                                                                                                                                                                                                                                Centro


a 24 anos, em 2003, entre os pretos &                                                                18 a 24 anos Brancos
                                                                                                         18 a 24 anos Brancos      18 a 24 anos Pretos & Pardos
                                                                                                                                       18 a 24 anos Pretos & Pardos Total Total Brancos Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                          Brancos
                                                                                                                                                                                              Total Pretos & Pardos


pardos a mortalidade chegou a 151,55
por 100 mil habitantes, 75% maior que                 Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                        Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                      Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.

a dos brancos, de 86,63. Mesmo com o


                                                                                               Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                                   51
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça



                      Tabela 3.7 - Razão de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade do sexo masculino
                                    Tabela 3.7 - Razão de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade do sexo masculino segundo
                                   segundo os grupos de corcor ou raça (branca e preta & parda), parda), Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) .
                                                          os grupos de ou raça (branca e preta & Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes)

                                                                                                          Brancos
                                  Anos                            1999             2000                 2001             2002        2003            2004          2005
                     5 a 9 anos                                    0,5              0,7                  0,4              0,6         0,7             0,6           0,4
                     10 a 14 anos                                  3,1              3,3                  3,4              3,4         2,9             2,7           2,4
                     15 a 17 anos                                 31,7             38,3                 39,6             43,6        44,2             37,3         37,9
                     18 a 24 anos                                 73,9             79,2                 84,8             87,8        86,6             78,1         66,8
                     25 a 40 anos                                 57,5             61,4                 65,7             63,9        65,4             56,6         52,3
                     41 a 59 anos                                 29,0             31,7                 33,7             33,4        31,0             28,6         27,2
                     60 anos ou mais                              13,1             15,6                 16,2             15,9        17,1             15,2         15,1


                                                                                                       Pretos & Pardos
                                  Anos                            1999             2000                 2001             2002        2003            2004          2005
                     5 a 9 anos                                    0,7              0,6                  0,9              0,8         0,5             0,8           0,7
                     10 a 14 anos                                  3,6              5,1                  5,2              6,0         5,8             5,2           5,6
                     15 a 17 anos                                 49,4             62,4                 66,4             72,5        70,7             70,0         73,5
                     18 a 24 anos                                 113,6           133,2                 142,8            149,1       151,6           140,3         134,2
                     25 a 40 anos                                 87,0             90,4                 99,8             106,2       105,8            97,9         95,5
                     41 a 59 anos                                 35,8             41,4                 44,3             42,5        44,8             39,7         39,9
                     60 anos ou mais                              14,6             16,5                 16,4             18,2        18,4             17,7         17,5


                     Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




     res taxas de mortalidade ocorreram no Sudeste e as menores, no                                             pos de cor ou raça aconteceu no Nordeste, onde a dos pretos & pardos
     Sul. Já entre os brancos, as menores e maiores taxas de homicídios                                         foi 273,8% superior à dos brancos. A menor foi no Sul, de 30,3%. Consi-
     por 100 mil habitantes ocorreram, respectivamente, no Nordeste e                                           derando-se todas as faixas, a maior diferença ocorreu mais uma vez no
     no Sul (gráfico 3.9).                                                                                      Nordeste, onde a razão de mortalidade por 100 mil habitantes por ho-
                                                                                                                micídios de pretos & pardos era 237,4% superior à de brancos. Também
          Na faixa de 18 a 24 anos, a maior diferença entre as taxas dos gru-                                   no Sul foi verificada a menor diferença relativa: 13,2% (gráfico 3.9).
                       Mapa 3.1. Razão de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos
                                  de cor ou raça (branca e preta & parda), unidades da federação, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes)
Mapa 3.1. Razão de mortalidade por homicídio de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos
                           Mapa 3.1. Razão da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos
         de cor ou raça (branca e preta & Razão de unidades da federação, parda), unidades damil habitantes)de cinco anos de idade segundo os grupos
                                Mapade cor ou raça (branca e homicídio Brasil, 2005 masculina residente acima
                                      3.1 - parda), mortalidade por preta & da população (por 100 federação, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes)
                                                de cor ou raça (branca e preta & parda), unidades da federação, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes)
                                            Brancos                                                                                       Pretos & Pardos
                  Brancos                                                                                  Pretos & Pardos
                                                          Brancos                                                                           Pretos & Pardos




       Fonte: DATASUS, microdados do SIM.
       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.

                                         Fonte: DATASUS, microdados do SIM.
                                         Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                            Fonte: DATASUS, microdados do SIM.
                                            Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.

     52                    Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


3.5.4. Acidentes
                                                             Gráfico 3.10 - Razão-de mortalidade da população população residente acima de cinco segundo idade segundo ou
                                                                   Gráfico 3.10 Razão de mortalidade da residente acima de cinco anos de idade anos de os grupos de cor
de Transporte                                           os grupos de cor ou(branca e preta e preta & parda) porde transporte, transporte, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes)
                                                                        raça raça (branca & parda) por acidente acidente de Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes).


                                            18
    Esses acidentes constituem
uma das principais causas de mor-                                                                                                                                                                                      15,29                           15,76
                                            16
                                                                                                                                                      14,7
                                                                                                                                                                                 14,86                                                                               14,5
te da população brasileira. Em              14                                         13,14
                                                                                                                     13,91                                   13,86                                    13,76
                                                                                                                                                                                                                                 14,16

                                                                                                                              12,87
2005, por exemplo, 34.212 pessoas           12           11,66
                                                                     12,55                         12,63


morreram nesse tipo de ocorrência.
O gráfico 3.10 revela que, em todo          10



o período, com exceção de 1999, as              8


razões de mortalidade por 100 mil               6

habitantes das pessoas brancas
                                                4
por acidentes de transporte foram
superiores às das pretas & pardas,              2


sendo tal diferença, naquele últi-              0

mo ano, de 8,7%. Todavia, quando
                                                                 1999                        2000                          2001                          2002                             2003                               2004                             2005



os dados se referem à morte por                                                                                                                  Brancos             Pretos & Pardos

                                                        Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
atropelamento, a taxa dos pretos                        Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.


& pardos foi maior do que a dos
brancos, em todos os anos. Assim,                         Gráfico 3.11 - Razão de-mortalidade da populaçãoda população residente acima de cinco anos de idade segundo
                                                                   Gráfico 3.11 Razão de mortalidade residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou
                                                           os grupos de-cor(branca mortalidade da população residente Brasil, 1999-2005 (por de1999-2005 (poros grupos de cor ou
                                                             Gráfico 3.11 Razão raça (brancaparda) por atropelamento, acima de cinco Brasil, idadehabitantes).
                                                                         raça ou de e preta & e preta & parda) por atropelamento, anos 100 mil segundo 100 mil habitantes)
especificamente em 2005, a dife-           18
                                                                            raça (branca e preta & parda) por atropelamento, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes).

rença era de 9,3% (gráfico 3.11).               18

                                           16
                                                16

    A decomposição da razão de             14


mortalidade por 100 mil habitantes         12
                                                14



por atropelamento, pelos grupos de              12


cor ou raça e faixas etárias, revela       10
                                                10

que em todas, menos na de mais de          8


60 anos, os indicadores de pretos
                                                    8
                                                                                                                                                        6,02
                                                                  5,14                                                     5,56                                                         5,54                              5,35
                                           6                                                                                                                                                                                                             5,5
                                                                                               5,2
& pardos eram superiores aos dos
                                                                                                                                                               6,02
                                                         4,83           5,14                                                      5,56                                                         5,54            5,01              5,35           5,03
                                                    6                                4,37                       5,06                           4,86                           5,06                                                                               5,5
                                                                                                     5,2
                                                              4,83                                                                                                                                                    5,01                             5,03
brancos. Assim, em 2005, conside-
                                           4                                                4,37                       5,06                           4,86                           5,06

                                                    4

rando-se as respectivas taxas, ocor-       2


reram as seguintes diferenças: 5,3%
                                                    2
                                           0

na faixa de cinco a nove anos; 3,1%                 0
                                                              1999

                                                                  1999
                                                                                        2000

                                                                                               2000
                                                                                                                     2001

                                                                                                                            2001
                                                                                                                                                  2002

                                                                                                                                                       2002
                                                                                                                                                                                  2003

                                                                                                                                                                                          2003
                                                                                                                                                                                                                      2004

                                                                                                                                                                                                                             2004
                                                                                                                                                                                                                                                   2005

                                                                                                                                                                                                                                                           2005
na faixa de 10 a 14 anos; 16,4% na de                                                                                                           Brancos

                                                                                                                                                       Brancos
                                                                                                                                                                     Pretos & Pardos

                                                                                                                                                                            Pretos & Pardos
15 a 17 anos; 32% na de 18 a 24 anos;                   Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                        Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
49% na de 25 a 40 anos; e 35,7% na                         Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                           Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.

faixa etária de 41 a 59 anos. Somen-
                                                        Gráfico 3.12 - Razão -de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo faixas etárias
                                                                  Gráfico 3.12 Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo faixas
te na faixa de 60 anos ou mais é que        etárias selecionadas e3.12grupos de cor de cor ou(branca pretae&preta & parda) deatropelamento,Brasil, 2005 (por 100 mil mil habitantes)
                                                            Gráfico
                                                                    os - Razão de cor ou raça (branca e e pretaparda) por atropelamento, Brasil, 2005 (por2005mil habitantes).
                                                                                  mortalidade da população residente acima por atropelamento,
                                                               selecionadas e grupos
                                                         selecionadas e grupos de
                                                                                      ou raça raça (branca & parda) por cinco anos de idade segundo faixas etárias
                                                                                                                                                  Brasil, 100 (por 100 habitantes).
se inverteram as diferenças, com a                       16
                                                16
taxa dos brancos sendo 14,1% supe-                                                                                                                                                                                                                               13,79          13,73
rior (gráfico 3.12).                                                                                                                                                                                                                               13,79          13,73


                                                                                                                                                                                                                                                                        11,85
                                                         12                                                                                                                                                                                                11,85
                                                12

3.5.5. Mortes por Suicídio e
por Overdose de Drogas
                                                                                                                                                                                                                                         8,13
                                                          8                                                                                                                                                                  8,13               7,44
                                                8                                                                                                                                                                                   7,44

    De 1999 a 2005, houve mais sui-                                                                                                                                                                     5,78                     5,99

cídios de pessoas brancas do que de                                                                                                                                  3,96
                                                                                                                                                                                            5,78
                                                                                                                                                                                                      5,2
                                                                                                                                                                                                                5,25,99



pretas & pardas e mais de homens do             4
                                                          4

                                                                                                             2,43
                                                                                                                                                        3,96
                                                                                                                                                                 3,78
                                                                                                                                                                             3,78
                                                                                                                                                                                 3,88
                                                                                                                                                                                               3,88

                                                                               2,5                                                 2,49 2,45
que de mulheres. Assim, naquele úl-                                    2,38                           2,31
                                                                                                   2,43                                                        3,0
                                                                 2,38 2,5
                                                                  2,26                        2,31
                                                                                                2,24                       2,49 2,45
                                                                                                                              2,14           3,0
                                                          2,26                       2,24                           2,14

timo ano, a taxa de mortalidade por
100 mil habitantes por suicídio era de          0
                                                          0
                                                                      5 a 9 anos
                                                              5 a 9 anos
                                                                                                10 a 14 anos
                                                                                        10 a 14 anos
                                                                                                                                14 a 17 anos
                                                                                                                       14 a 17 anos
                                                                                                                                                               18 a 24 anos
                                                                                                                                                      18 a 24 anos
                                                                                                                                                                                              25 a 40 anos
                                                                                                                                                                                     25 a 40 anos
                                                                                                                                                                                                                                 41 a 60 anos
                                                                                                                                                                                                                       41 a 60 anos
                                                                                                                                                                                                                                                       60 anos ou mais
                                                                                                                                                                                                                                              60 anos ou mais

9,03, entre os homens brancos, de 6,13,
                                                                                                                                                      Brancos     Pretos & Pardos              Total
entre os pretos & pardos, de 2,22, entre                                                                                                 Brancos         Pretos & Pardos     Total



as mulheres brancas, e de 1,57, entre as           Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                            Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                            Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
pretas & pardas (gráfico 3.13).


                                                                                             Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                                                                      53
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


    Entretanto, no mesmo pe-
                                                              Gráfico 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça
ríodo, o número de suicídios                                      Gráfico 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor
                                                                Gráfico 3.13 - Razão dee preta & parda) populaçãosuicídio, Brasil, 1995-2000 (por 100 mil habitantes) os grupos de cor
                                                                                 (branca mortalidade da e sexo por residente acima de cinco anos de idade segundo
                                                                                       ou raça (branca e preta & parda) e sexo por suicídio, Brasil, 1995-2000 (por 100 mil habitantes).
cometidos por pessoas pretas                                                         ou raça (branca e preta & parda) e sexo por suicídio, Brasil, 1995-2000 (por 100 mil habitantes).

& pardas cresceu mais. Nas              10
                                             10
                                                                                                                  9,27
respectivas taxas, houve uma                                                                                   9,27                             8,79
                                                                                                                                             8,79
                                                                                                                                                                                  8,95
                                                                                                                                                                               8,95
                                                                                                                                                                                                                8,62
                                                                                                                                                                                                             8,62
                                                                                                                                                                                                                                                9,03
                                                                                                                                                                                                                                             9,03


elevação de 11,5%, entre os ho-               8
                                                                                    8,10
                                                                                 8,10
mens brancos; de 27,4%, entre            8
                                                      7,29
                                                   7,29
os pretos & pardos; de 15,6%,
                                                                                                                                                                                                                                                      6,13
entre as mulheres brancas;               6
                                              6                                                                             5,76
                                                                                                                         5,76                       5,55
                                                                                                                                                 5,55
                                                                                                                                                                                      5,92
                                                                                                                                                                                   5,92                                   5,68
                                                                                                                                                                                                                       5,68
                                                                                                                                                                                                                                                   6,13


e de 33,1%, entre as pretas &                                                                 4,81
                                                                                           4,81
pardas. Em números de ocor-                                     4,28
                                                             4,28
                                              4
rências, os aumentos foram               4


de: 29,8%, entre os homens
brancos; 51,1%, entre as mu-             2
                                              2                     1,56
                                                                 1,56
                                                                                                  1,92
                                                                                               1,92
                                                                                                                                2,11
                                                                                                                             2,11
                                                                                                                                                              2,17
                                                                                                                                                           2,17                                 2,03
                                                                                                                                                                                             2,03
                                                                                                                                                                                                                              2,17
                                                                                                                                                                                                                           2,17
                                                                                                                                                                                                                                                            2,22
                                                                                                                                                                                                                                                         2,22
                                                                                                                                                                                                                                                                 1,57
lheres brancas; 77,6%, entre                                                  0,89
                                                                                                        1,18
                                                                                                     1,18
                                                                                                                                      1,40
                                                                                                                                   1,40                                 1,61
                                                                                                                                                                     1,61                             1,47
                                                                                                                                                                                                   1,47
                                                                                                                                                                                                                                     1,45
                                                                                                                                                                                                                                  1,45                        1,57

                                                                           0,89
os homens pretos & pardos;
e 118,9%, entre as mulheres              0
                                              0
                                                            1999                           2000                        2001                          2002                              2003                          2004                            2005
                                                          1999                           2000                        2001                          2002                              2003                          2004                            2005
pretas & pardas (gráfico 3.14).
                                                                                                Homens Brancos Homens Pretos & Pardos Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                              Homens Brancos Homens Pretos & Pardos Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas


     Outro indicador interes-                         Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                    Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                      Tabluações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
sante de ser analisado com                          Tabluações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.


maiores detalhes diz respeito
às idades em que os suicí-
dios ocorrem. Entre 1999 e                                             Gráfico 3.14 - População residente acima de cinco anos de idade vítima de mortes por suicídio segundo os grupos de
                                                       Gráfico 3.14 - População residente acima de cinco anos de idade vítima de mortes por suicídio segundo os grupos de cor ou raça
                                                                                              cor ou raça (branco e preto & pardo) e sexo, Brasil, 1999-2005
2000, 70,4% das mulheres                                                          (branca e preta & parda) e sexo,(em número de pessoas)
                                                                                                                   Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)
pretas & pardas que come-             10.000

teram suicídio tinham até
40 anos de idade. A mes-                                                                                                                                    7.665
                                                                                                                                                                                                                                                         8.488

                                       8.000
ma faixa etária concentrou
65,3% dos suicídios de                                         6.483


homens pretos & pardos,                6.000


50,3% dos de homens bran-
cos e 53,2%, dos de mulhe-             4.000                                                                                                                3.491                                                                                         3.644


res brancas (tabela 3.8).                                2.807                                                                                                                                                                                           2.555


                                       2.000                  1.439                                                                                         1.989

    O gráfico 3.15 mostra os                           656
                                                                                                                                                            957
                                                                                                                                                                                                                                                        991


totais de registros no SIM,                  0
                                                       302                                                                                                  581                                                                                           661


em todo o país, de pesso-                                     1999                          2000                         2001                          2002                              2003                           2004                           2005


as mortas por overdose de
drogas, de 1999 a 2005. Na                                                                                                                                                                                                           Homens Brancos
                                                                                                                                                                                                                                     Mulheres Brancas
                                                  Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.
verdade, tendo em vista a                         Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                                                                          Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                                     Mulheres Pretas & Pardas
gravidade, inclusive no pla-                                                                                                                                                                                                         Total

no legal, é de se esperar um
                Tabela 3.8 - Distribuição do número total de suicídios por faixas etárias selecionadas da população residente
               acima de cinco anos de idade segundo osde suicídios por faixas etárias selecionadas da população residente
                Tabela 3.8 - Distribuição do número total grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, média
               acima de cinco anos de idade1999-2005os grupos de cor ou raça (branca epor faixas etárias).
                                         do período segundo (em %, por freqüência acumulada preta & parda) e sexo, Brasil, média
                  Tabela 3.8 - Distribuição do número total de suicídios por faixas etárias selecionadas da população residente acima de cindo anos de idade segundo
                   os grupos de cor ou raça período 1999-2005 (em %, por freqüência acumulada por faixas etárias).
                                         do (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, média do período 1999-2005 (em %,porfreqüência acumulada por faixas etárias)
                                                                                                   10 a 14               15 a 17                18 a 24                  25 a 40                   41 a 59               60 anos ou
                       Cor ou Raça / Sexo                              5 a 9 anos
                                                                                                    anos
                                                                                                   10 a 14                anos
                                                                                                                         15 a 17                 anos
                                                                                                                                                18 a 24                   anos
                                                                                                                                                                         25 a 40                    anos
                                                                                                                                                                                                   41 a 59                  mais
                                                                                                                                                                                                                         60 anos ou
                       Cor ou Raça / Sexo                              5 a 9 anos
                                                                                                    anos                  anos                   anos                     anos                      anos                    mais
              Homens Brancos                                                  0,0                    0,7                   3,2                   17,7                     50,3                      83,4                    100,0
              MulheresBrancos
              Homens Brancas                                                  0,0
                                                                              0,0                    0,7
                                                                                                     2,1                   3,2
                                                                                                                           8,2                   17,7
                                                                                                                                                 21,9                     50,3
                                                                                                                                                                          53,2                      83,4
                                                                                                                                                                                                    86,0                   100,0
                                                                                                                                                                                                                            100,0
              Mulheres Brancas
              Homens Pretos & Pardos                                          0,0
                                                                              0,1                    2,1
                                                                                                     1,1                    8,2
                                                                                                                            4,4                   21,9
                                                                                                                                                  25,2                         53,2
                                                                                                                                                                               65,3                    86,0
                                                                                                                                                                                                       91,0                      100,0
                                                                                                                                                                                                                                 100,0
              MulheresPretos & Pardos
              Homens Pretas & Pardas                                          0,1
                                                                              0,0                    1,1
                                                                                                     4,0                    4,4
                                                                                                                            13,1                  25,2
                                                                                                                                                  34,9                         65,3
                                                                                                                                                                               70,4                    91,0
                                                                                                                                                                                                       93,4                      100,0
                                                                                                                                                                                                                                 100,0
              Mulheres Pretas & Pardas                                        0,0                    4,0                    13,1                  34,9                         70,4                    93,4                      100,0
              Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM.
              Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
              Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM.
              Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.



54             Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça




   Box 3.1. O drama do suicídio na população indígena.

        De 1999 a 2005, foram cometidos 509 assassinatos contra indígenas de ambos os sexos acima de cinco anos de idade, em todo o
   país. Destes, 38,5% foram com armas de fogo e 36,5% com armas brancas. No mesmo período, 400 indígenas de ambos os sexos se sui-
   cidaram, sendo esta causa de mortalidade especialmente impactante nestes grupos étnico-raciais. No período, na população branca, a
   razão entre o total de pessoas assassinadas e as que se suicídaram foi de 3,95, e, na população preta & parda, de 9,74. Entre os indígenas,
   para cada 1,25 pessoa assassinada, uma cometeu suicídio.
        A maior intensidade propor-           Tabela 3.9 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade
   cional de suicídios entre os indíge-    segundo os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda e indígena) por homicídio e suicídio,
                                                      Tabela 3.9 - Razão de mortalidade da população residente acima de cindo anos de idade segundo os grupos
   nas também pode ser comprovada                 de cor ou raça (branca, pretaBrasil,e2001-2005 homicídio e suicídio, Brasil, 2001-2005 (por 100 mil habitantes)
                                                                               & parda indígena) por (por 100 mil habitantes).

   quando analisadas as suas taxas de                                              Homicídios                                             Suicídios
                                                 ANO
   mortalidade por essa causa em                                  Brancos Pretos & Pardos Indígenas Brancos                           Pretos & Pardos Indígenas
   comparação às dos demais con-                 2001               21,9              34,3                32,8           5,5                  3,6                22,5
   tingentes de cor ou raça. Assim,              2002               21,8              36,0                23,1           5,3                  3,6                22,1
   de 2001 a 2005, as taxas dos indí-            2003               21,9              36,2                23,0           5,3                  3,7                21,4
   genas de ambos os sexos acima de
                                                 2004               19,3              33,3                20,7           5,2                  3,6                23,8
   cinco anos de idade permaneceu
                                                 2005               17,9              32,8                25,9           5,5                  3,8                24,4
   superior a 20 por 100 mil. Naque-
   le último ano, essa taxa foi 346,7%
                                          Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
   superior à dos brancos e 536,8% à Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
   dos pretos & pardos.
        Além disso, a taxa de mortalidade por homicídios dos indígenas era 44,9% superior à dos brancos, porém 20,9% inferior à dos
   pretos & pardos (tabela 3.9). Tal perfil sugere a existência de severas formas de desalento afetando as comunidades indígenas nas
   áreas rurais e urbanas, tornando-os bem mais suscetíveis à atitude extrema de pôr fim à própria vida.



                                                      Gráfico 3.15 - População residente acima de cinco anos de idade morta de overdose segundo os grupos de cor ou raça
razoável nível de subnotificação. De                                            (branco e preto & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)
                                                            Gráfico 3.15 - População residente acima de cinco anos de idade morta de overdose segundo os grupos de cor ou raça
                                                                Gráfico 3.15 - População residente acima de cinco anos de idade morta de overdose segundo os grupos de cor ou raça
qualquer maneira, oficialmente,         100
                                                                                          (branco e preto & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)
                                                                                                 (branca e preta & parda), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)
os registros totalizaram quase 500              100                                                                         80                                                           80

óbitos. Evidentemente, a razão de        80                                                                                                80                                                        80

mortalidade por 100 mil habitantes               80
                                                                          51
por essa causa também era bastan-        60

te reduzida. Em 2005: 0,07, entre os             60
                                                                                       51
                                                                                                                            41
                                                                                                                                                                                          50



homens, e 0,02, entre as mulheres.       40                                                                                                41
                                                                                                                                                                                                      50


                                                                                                                                                                                          26
                                                                        21
                                                 40
    Entretanto, de 2000 a 2005,          20                                         21
                                                                                                                            33
                                                                                                                                                                                                      26

houve um crescimento de 156,9%                                          19
                                                                                                                                           33
                                                 20
no total de óbitos por overdose,                                                     19
                                          0
em todo o Brasil. Decomposto                      1999                       2000                     2001                       2002                      2003            2004               2005


pelos grupos de cor ou raça, ve-
                                                  0
                                                               1999                       2000                    2001                          2002                2003          2004                    2005

rifica-se que, entre os brancos, o                                                                                Brancos         Pretos & Pardos         Total


aumento foi de 136,8% e, entre                                                                                                   Brancos         Pretos & Pardos   Total


os pretos & pardos, de 238,1%.
                                                      Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.
Ou, em 2000, o peso relativo de                       Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.


pretos & pardos no total de óbi-
                                                                  Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.
                                                                  Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.


tos por overdose era de 41,2% e,
em 2005, passou a ser de 62,5% (gráfico 3.15).                                                               1,69 entre as mulheres. Já na população branca, de 3,06, entre os
                                                                                                             homens (29,6% inferior do que a dos pretos & pardos), e de 1,00
3.5.6. Mortalidade por Tuberculose                                                                           entre as mulheres (40,8% menor do que a das pretas & pardas).
                                                                                                             Em 2005, o peso relativo da tuberculose nas causas de mortalida-
    De 1999 a 2005, a tuberculose vitimou com maior freqüên-                                                 de por doenças infecciosas e parasitárias também era desigual:
cia a população preta & parda do que a branca. Assim, naquele                                                10,3%, entre os homens brancos; 5%, entre as mulheres brancas;
último ano, em todo o país, a razão de mortalidade por 100 mil                                               17,4%, entre os homens pretos & pardos; e 10,9%, entre as mu-
habitantes dos pretos & pardos era de 4,35 entre os homens e de                                              lheres pretas & pardas (tabela 3.10).


                                                                                             Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                      55
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


    De 1999 a 2005, em todos os grupos de cor ou raça e sexo, hou-                         3.5.8. Mortalidade por Algumas Doenças
ve reduções nas respectivas razões de mortalidade por 100 mil                              Infecciosas e Parasitárias Típicas da Pobreza
habitantes por tuberculose. Na população branca foi proporcional-
mente mais significativa: 22,7%, entre os homens, e 16%, entre as                              Esta subseção focaliza o modo de distribuição por cor ou
mulheres. Na preta & parda foi de 6%, entre os homens, e de 6,1%,                          raça e sexo de algumas causas de morte por doenças infecciosas
entre as mulheres (tabela 3.10).                                                           e parasitárias, as quais sempre assolam a população mais pobre
                                                                                           no Brasil. O período é 2005, cobrindo toda população acima de
3.5.7. Mortalidade por AIDS                                                                cinco anos de idade. O motivo de ser ter coletado somente infor-
                                                                                           mações referentes a este ano é por que nos anteriores (1999-2004)
    Em 2005, na comparação entre os grupos de cor ou raça e                                o percentual de casos de óbitos por esse conjunto de causas com
sexo, a razão de mortalidade por 100 mil habitantes por Síndro-                            a cor ou raça ignorada pareceu um tanto elevado. As enfermida-
me de Imunodeficiência Adquirida (Aids) era proporcionalmen-                               des desagregadas são as seguintes: doenças e infecções intesti-
te maior entre os homens brancos, com 9,7. Já entre os homens                              nais (total de 3.063 casos), leptospirose (335), hanseníase (230),
pretos & pardos, foi de 7,02. Nas mulheres, era de 4,01, entre as                          tétano (128), difteria (quatro), dengue (46), febres virais (45),
brancas, e de 3,92, entre as pretas & pardas. A AIDS é uma das                             hepatite viral (2.368), malária (94), leishmaniose (179), doença
mais importantes causas de mortalidade no grupo das doenças                                de Chagas (4.914) e esquistossomose (512). O total de óbitos foi
infecciosas e parasitárias. Em 2005, em todo o país, das pessoas                           de 11.924. Destes, 49,9% foram de pessoas brancas, 41% pessoas
mortas por doenças desta natureza, a AIDS respondeu por 32,7%                              pretas & pardas e 9,1% de pessoas amarelas, indígenas e de cor
dos casos entre os homens brancos, 20,2%, entre as mulheres                                ou raça ignorada.
brancas, 28,1% entre os homens pretos & pardos, e 25,3%, entre
as mulheres pretas & pardas (tabela 3.10).                                                     No gráfico 3.16, verifica-se que os pretos & pardos correspon-
                                                                                           deram à maioria absoluta dos casos de morte por malária (60,7%),
    De 1999 a 2005, as taxas evoluíram desigualmente nos distin-                           hanseníase (58,3%), leishmaniose (58,1%), esquistossomose
tos grupos de cor ou raça e sexo. Assim, entre os homens brancos,                          (55,5%) e difteria (50%). Embora os pretos & pardos, de ambos
caiu 0,7% e, entre os pretos & pardos, aumentou 20,4 %. Entre as                           os sexos, não acumulassem a maioria dos casos, os homens desse
mulheres, a mortalidade cresceu: 27,7%, entre as brancas, e 44,1%,                         grupo de cor ou raça formaram, naquele ano, os grupos modais
entre as pretas & pardas (tabela 3.10)                                                     de óbitos por tétano (35,9%), doença de Chagas (26,4%) e dengue
                       Tabela 3.10 - Razão de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias, tuberculose e AIDS da população
                        residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo,
                            Tabela 3.10 - Razão de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias, tuberculose e Aids da população residente acima
                                                               Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes).
                         de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes)
                                                               Homens Brancos                                       Homens Pretos & Pardos

                              ANO            Todas as Doenças                                           Todas as Doenças
                                               Infecciosas e            Tuberculose          AIDS         Infecciosas e          Tuberculose         AIDS
                                                Parasitárias                                               Parasitárias

                             1999                     26,5                    4,0             9,8                20,2                  4,6            5,8
                             2000                     28,5                    4,0             10,2               23,3                  4,9            6,7
                             2001                     29,7                    3,9             10,4               24,6                  5,0            7,0
                             2002                     29,7                    3,7             10,3               25,7                  5,0            7,4
                             2003                     30,6                    3,4             10,5               25,7                  4,8            7,4
                             2004                     29,8                    3,4             9,8                24,9                  4,6            7,1
                             2005                     29,6                    3,1             9,7                25,0                  4,4            7,0

                                                               Mulheres Brancas                                    Mulheres Pretas & Pardas

                              ANO            Todas as Doenças                                           Todas as Doenças
                                               Infecciosas e            Tuberculose          AIDS         Infecciosas e          Tuberculose         AIDS
                                                Parasitárias                                               Parasitárias

                             1999                     14,5                    1,2             3,1                11,7                  1,8            2,7
                             2000                     16,2                    1,2             3,6                13,8                  2,1            3,2
                              2001                    17,5                    1,2             3,9                14,6                  1,9            3,6
                              2002                    17,9                    1,1             3,8                15,0                  1,8            3,8
                              2003                    19,5                    1,1             4,2                15,5                  1,8            3,7
                              2004                    18,9                    1,1             3,8                15,2                  1,6            3,8
                              2005                    19,8                    1,0             4,0                15,5                  1,7            3,9


                      Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD.
                      Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




56            Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça




                               Box 3.2. Epidemia do vírus HIV pelo mundo e seus efeitos trágicos sobre a África e a população negra

                            O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), em 2007, assolava 33,2 milhões de pessoas, sendo 30,8 milhões de adultos; 15,4 milhões de
                        mulheres e 2,5 milhões de crianças de até 15 anos. Só naquele ano, a agência da ONU dedicada ao tema (Unaids) estimava que 2,5 milhões
                        de pessoas haviam se contaminado. Já o número estimado de mortos por Aids, em 2007, é de 2,1 milhões. Os efeitos desta epidemia sobre
                        a África vêm sendo devastadores. Países como, por exemplo, a África do Sul, Botsuana, Namíbia e Zimbábue apresentavam um quadro no
                        qual, pelo menos, uma em cada cinco pessoas de 15 e 49 anos estavam contaminadas. Em resumo, atualmente, estima-se que 67,8% das
                        pessoas contaminadas pelo HIV, em todo o mundo, vivam na África Subsaariana (tabela 3.11).
                                          Tabela 3.11 - Estimativa da população mundial contaminada pelo vírus HIV segundo grandes regiões do planeta, 2007 (em
                                                         número de pessoas e percentual por regiões do planeta sobre o total de casos identificados).
                                          Tabela 3.11 - Estimativa da população mundial contaminada pelo vírus HIV segundo grandes regiões do planeta, 2007 (em
                                                         número de pessoas e percentual por regiões dopelo vírus HIV segundototal de casos identificados).
                                                            Tabela 3.11 - Estimativa da população mundial contaminada planeta sobre o grandes regiões do planeta, 2007
                                                                       (em número de pessoas e percentual por regiões do planeta sobre o total de casos identificados)
                                                                                                   Valor Médio          Valor Mínimo              Valor Máximo           Peso Relativo (sobre as
                                                        Região do Mundo                            Estimado de Valor Mínimo
                                                                                                  Valor Médio           Estimado de            Valor Máximode
                                                                                                                                                   Estimado            Peso Relativo (sobre as de
                                                                                                                                                                          Médias Estimadas
                                                        Região do Mundo                              Pessoas
                                                                                                  Estimado de              Pessoas
                                                                                                                      Estimado de                    Pessoas
                                                                                                                                                Estimado de                     Pessoas)
                                                                                                                                                                        Médias Estimadas de
                                         América do Norte                                                                      Pessoas
                                                                                                                                  1.300.000                  Pessoas
                                                                                                                                                                   480.000                     Pessoas
                                                                                                                                                                                                     1.900.000                           Pessoas)
                                                                                                                                                                                                                                              3,9
                                         Caribe do Norte
                                         América                                                                                     1.300.000
                                                                                                                                        230.000                      480.000
                                                                                                                                                                       210.000                         1.900.000
                                                                                                                                                                                                           270.000                            3,9 0,7
                                         Caribe
                                         América Latina                                                                                230.000
                                                                                                                                      1.600.000                       210.000
                                                                                                                                                                      1.400.000                          270.000
                                                                                                                                                                                                          1.900.000                           0,7 4,8
                                         América Latina
                                         Oeste Europeu e Europa Central                                                              1.600.000
                                                                                                                                        760.000                     1.400.000
                                                                                                                                                                        600.000                        1.900.000
                                                                                                                                                                                                          1.110.000                           4,8 2,3
                                         Oeste Europeu e Europa Central
                                         Leste Europeu e Ásia Central                                                                  760.000
                                                                                                                                      1.600.000                       600.000
                                                                                                                                                                      1.200.000                        1.110.000
                                                                                                                                                                                                          2.100.000                           2,3 4,8

                                         Oeste Europeu e Ásia Central
                                         Leste Asiático                                                                              1.600.000
                                                                                                                                        800.000                     1.200.000
                                                                                                                                                                        620.000                        2.100.000
                                                                                                                                                                                                            960.000                           4,8 2,4
                                         Oeste Asiático
                                         Sul e Sudoeste Asiático                                                                    800.000
                                                                                                                                   4.000.000                      620.000
                                                                                                                                                                  3.300.000                            960.000
                                                                                                                                                                                                        5.100.000                            2,412,1

                                         Oriente Médio eAsiático África
                                         Sul e Sudoeste
                                                         Norte da                                                                 4.000.000
                                                                                                                                     380.000                    3.300.000
                                                                                                                                                                    270.000                          5.100.000
                                                                                                                                                                                                          500.000                           12,1
                                                                                                                                                                                                                                                1,1
                                         Oriente Médio e Norte da África                                                            380.000                       270.000                              500.000                              1,1
                                         África Subsahariana                                                                      22.500.000                     20.900.000                           24.300.000                                67,8
                                         África Subsahariana                                                                     22.500.000                    20.900.000                           24.300.000                              67,8
                                         Oceania                                                                                      75.000                         53.000                               120.000                               0,2
                                         Oceania                                                                                     75.000                        53.000                              120.000                              0,2
                                         Total                                                                                    33.170.000                     28.980.000                           38.140.000                               100,0
                                         Total                                                                                   33.170.000                    28.980.000                           38.140.000                             100,0

                                         Fonte: Organização Mundial de Saúde / UNAIDS (2007)
                                         Fonte: Organização Mundial de Saúde / UNAIDS (2007)


                            Porém, não é apenas na África que os negros se vêem ,em grande número, vitimados pelo problema. No final dos anos 90, nos EUA,
                        estimava-se que os afro-descendentes, cerca de 12% da população, respondiam por 40% do total de contaminados pelo HIV, além de
                        totalizarem 60% dos novos casos notificados naquele período (C.f. FAY, 1999). No Brasil, dados oficiais indicam o crescimento recente da
                        contaminação pelo vírus HIV na população preta & parda. Assim, em 2000, os pretos & pardos representavam 34,4% do total de homens
                        infectados e 37,2%, em 2004. Já as pretas & pardas aumentaram seu peso na população feminina infectada pelo HIV de 36%, em 2000, para
                        42,4%, em 2004 (C.f. RELATÓRIO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO BRASIL, 2005).
                               Gráfico 3.16 - Distribuição de causas mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população
                                                           Gráfico 3.16 - Distribuição de causas mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população
                             residente acima de cinco anos de idade entrecinco anos de idadeou raça (branca e pretaou raça (branca e preta & parda)(em
                                                         residente acima de os grupos de cor entre os grupos de cor & parda) e sexo, Brasil, 2005 e sexo, Brasil, 2005 (em
                                                                                            %)                     %)
                     Gráfico 3.16 - Distribuição de causas mortalidade por doençascausas mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população
                                                          Gráfico 3.16 - Distribuição de infecciosas e parasitárias selecionadas da população
                   residente acima de cinco anos de idade entre os grupos de cor ou idade entre os grupos de cor ou raça Brasil, 2005 (em& parda) e sexo, Brasil, 2005 (em
                                                        residente acima de cinco anos de raça (branca e preta & parda) e sexo, (branca e preta
                                      Gráfico 3.16 - Distribuição de causas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população residente acima de cinco anos de idade
                                                                                    %)                                  %)
                          Esquitossomose                         19,7%
                                                                         Esquitossomose              entre os grupos de cor ou raça29,9% e preta & parda) e 29,9% Brasil, 2005 (em %)
                                                                                                  16,0%
                                                                                                         19,7%                      (branca
                                                                                                                                 16,0%                      sexo,     25,6%
                                                                                                                                                                                                                           25,6%

                                                                    Doença de Chagas                           26,3%                                  21,4%                                    26,4%                              16,5%
                       Doença de Chagas                                26,3%                                     21,4%                                       26,4%                               16,5%
                Esquitossomose                     19,7%                       16,0%
                                                                  Esquistossomose                                       29,9% 16,0%                                   25,6%
                                                                                                                                                                       29,9%                                           25,6%
                                                                           Lishmaniose               19,7%
                                                                                                       16,2%                11,2%                                      40,2%                                             17,9%
                              Lishmaniose                      16,2%                  11,2%                                          40,2%                                              17,9%
             Doença de Chagas                             26,3%Doença de Chagas                   21,4% 26,3%                            26,4% 21,4%                        16,5%        26,4%                              16,5%
                                                                             Malária                      22,3%                      6,4%                                39,4%                                              21,3%
                                     Malária                       22,3%                      6,4%                                    39,4%                                                 21,3%
                    Lishmaniose               16,2%                     11,2%
                                                                       Leishmaniose viral                         40,2%
                                                                                                                      11,2%                                         17,9%
                                                                                                                                                                    40,2%                                          17,9%
                                                                            Hepatite              16,2%                39,0%                                                    26,8%                               17,0%                    10,3%
                             Hepatite viral                                       39,0%                                                      26,8%                                  17,0%                     10,3%
                         Malária                       22,3%                   6,4%
                                                                             Malária                               39,4%      6,4%                                     21,3%
                                                                                                                                                                     39,4%                                              21,3%
                                                                             Febres virais             22,3%       33,3%                                            22,2%                                 26,7%                            11,1%
                             Febres virais
                   Hepatite viral                                  39,0% 33,3%                                             22,2%                               17,0%   26,7%           10,3%              11,1%
                                                                     Hepatite viral
                                                                               Dengue                  15,2%       39,0%26,8%
                                                                                                                            17,4%                                      26,8%
                                                                                                                                                                   26,1%                                        17,0%
                                                                                                                                                                                                              21,7%                     10,3%
                   Febres virais     Dengue                  15,2%
                                                               33,3%                      17,4%                22,2%            26,1%                 26,7% 22,2%           21,7%    11,1%
                                                                       Febres virais
                                                                                 Difteria                       33,3%
                                                                                                               25,0%             0,0%                  25,0%                                         26,7%
                                                                                                                                                                                                 25,0%                                11,1%
                        Dengue       Difteria
                                            15,2%                      25,0%
                                                                           17,4%              0,0%                25,0%
                                                                                                                26,1%                                  21,7% 25,0%
                                                                             Dengue
                                                                                 Tétano           15,2%            31,3% 17,4%                         13,3% 26,1%                               35,9%21,7%                           7,0%
                         Difteria        Tétano          25,0%                 0,0%                25,0%                                   25,0%               35,9%                                   7,0%
                                                                             31,3%
                                                                              Difteria
                                                                              Hanseníase                25,0% 13,3%
                                                                                                           23,5%              0,0%      9,6% 25,0%                                  43,5% 25,0%                                       14,8%
                         Tétano
                             Hanseníase                        31,3%23,5% Tétano                   13,3%
                                                                                                   9,6%                                      35,9%13,3%
                                                                                                                                                 43,5%                          7,0%        35,9% 14,8%                          7,0%
                                                                         Leptospirose                          31,3%     39,7%                                    6,6%                             39,1%                                         9,3%
                    Hanseníase
                            Leptospirose                23,5%         Hanseníase9,6%
                                                                                39,7%                                        43,5%
                                                                                                                           6,6% 9,6%                                       14,8%
                                                                                                                                                                     39,1% 43,5%                                9,3%            14,8%
                                                       Doenças e infeccções intestinais                 23,5%
                                                                                                         19,4%                                  28,2%                                       23,3%                               19,2%
                   Leptospirose                                     39,7%
                                                                     Leptospirose                           6,6%                                   39,1%     6,6%                        9,3% 39,1%                                       9,3%90%
        Doenças e infeccções intestinais                         19,4%                       0%            28,2% 39,7%20%
                                                                                                           10%                               30%           23,3%
                                                                                                                                                              40%            50%             19,2%
                                                                                                                                                                                            60%                70%              80%                        100%
Doenças e infeccções intestinais                19,4%
                                              Doenças e infeccções intestinais               28,2% 19,4%                              23,3%
                                                                                                                                          28,2%                           19,2%        23,3%                              19,2%
                                                  0%              10%               20%                30%              40%              50%                60%              70%               80%               90%              100%
                                                                                                                                                                                                                      Homens Brancos
                                    0%                 10%             20%            30%
                                                                                     0%                40%
                                                                                                      10%               50%
                                                                                                                       20%             60%
                                                                                                                                      30%               70%
                                                                                                                                                       40%                80%
                                                                                                                                                                         50%             90%
                                                                                                                                                                                        60%               100%
                                                                                                                                                                                                         70%              80%              90%          100%
                                                                                                                                                                                                                      Mulheres Brancas
                                                                        Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.                                                                Homens Brancos
                                                                        Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais                               Homens Brancos                                      Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                    Mulheres Brancas            Homens Brancos
                         Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.                                                                                          Mulheres Brancas                                    Mulheres Pretas & Pardas
               Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. DesigualdadesSaúde, microdados SIM.
                       Tabulações : LAESER - Fichário das Datasus / Min. Raciais                                                                                                    Homens Pretos & PardosMulheres Brancas
                                                        Fonte:                                                                                                 Homens Pretos & Pardos                                 Cor ou Raça Ignorada de Ambos os casos
               Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
                                                        Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais                                                                                           Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                              Sexos
                                                                                                                                                                                    Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                               Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                                                Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                    Cor ou Raça Ignorada de Ambos os
                                                                                                                                                               Cor ou Raça Ignorada de Ambos os
                                                                                                                                                                                                                Cor ou Raça Ignorada de Ambos os
                                                                                                                                                               Sexos
                                                                                                                                                                                                                Sexos



                                                                                                                                               Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                     57
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça
                                                                Gráfico 3.17 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo
                                                                   grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) por gravidez, parto ou puerpério, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil
                                                                     Gráfico 3.17 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo
(26,1%). Já a população branca                                                                                      habitantes)
                                                                         grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) por gravidez, parto ou puerpério, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil
                                                             Gráfico 3.17 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo grupos de
concentrou a maioria dos casos                  3
                                                                                                                          habitantes)
                                                                          cor ou raça (branca e preta & parda) por gravidez, parto ou puerpério, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes)
por hepatite viral (65,8%) e fe-                      3

bres virais (55,5%). Nas doenças                                                                                                                           2,29
e infecções intestinais, o grupo                                     2,04
                                                                                               2,09                          2,11
                                                                                                                                                                                       2,16                           2,19                        2,19
                                                                                                                                                                     2,29
modal de incidência foi compos-                 2
                                                                             2,04
                                                                                                       2,09                           2,11
                                                                                                                                                                                                 2,16                           2,19                          2,19


to por mulheres brancas (28,2%)                       2
                                                           1,46                      1,46
e, na leptospirose, por homens                                                                                     1,35                          1,37                        1,31
                                                                                                                                                                                                            1,37
                                                                                                                                                                                                                                       1,27

brancos (39,7%).                                                   1,46                      1,46
                                                                                                                            1,35                          1,37                         1,31
                                                                                                                                                                                                                      1,37
                                                                                                                                                                                                                                                  1,27
                                                1


3.5.9. Mortalidade                                    1


por Gravidez, Parto
e Puerpério
                                                0
                                                                  1999                      2000                          2001                          2002                        2003                           2004                       2005

    De 1999 a 2005, a razão                           0
                                                                          1999                      2000                           2001      Brancas               Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                  2002                        2003                           2004                        2005

de mortalidade por 100 mil                                                                                                      Brancas    Pretas & Pardas
                                                    Gráfico 3.18 Razão de mortalidade por gravidez, parto ou puerpério da população residente acima de dez anos de idade
habitantes de mulheres pre-                          Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                    do sexo feminino por faixas etárias selecionadas, grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (por cem
                                                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
tas & pardas decorrentes de                                                                                         mil habitantes) 3.18 Razão de mortalidade por gravidez, parto ou puerpério da população residente acima de dez ano
                                                                                                                             Gráfico
                                                                  Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                                      Gráfico 3.18 Razão de mortalidade por gravidez, parto sexo feminino por faixas etárias selecionadas, grupos dede idade
                                                                                                                                    do ou puerpério da população residente acima de dez anos cor ou raça                                                             (branca e preta & parda), Brasil, 200
complicações do parto, gravi-5,0
                                                                  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
                                                                                                                                                                            mil habitantes)
                                                             Gráfico 3.18 - Razão de mortalidade por gravidez, partogrupos de corda população residente acima de dez anos de idadecem
                                                                  do sexo feminino por faixas etárias selecionadas, ou puerpério ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (por do sexo
                                                                                                                      mil habitantes)
dez ou puerpério não somente 4,5
                                                              feminino por faixas etárias selecionadas, grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) , Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes)
                                                                                                                      4,50
                                                                                                                                    5,0
                                                                                                                                                 4,41


manteve-se maior do que a das4,0                     5,0                                                                                                                                                                                              4,50                             4,41
                                                                                                                                    4,5
brancas, como aumentou pro-  3,5                     4,5
                                                                                                                                                                      4,50                                     4,41
                                                                                                                                    4,0
porcionalmente mais. Assim, a3,0                     4,0
                                                                                                                                    3,5                                             2,81
taxa das pretas & pardas, que,
                             2,5                     3,5                                                   2,46
                                                                                                                                          2,62


em 2000, já era 43,2% supe-
                                                                                                                                    3,0
                                                                                                                                                                                                                                                                              2,81
                                                                                                                                                                                                                                         2,62
                             2,0                     3,0                                                                                                                                                     2,46
                                                                                                                                                                                                     2,81
rior, passou a ser 72,4% maior                       2,5                                      1,50                          2,46
                                                                                                                                    2,5                   2,62
                             1,5
do que a das brancas, em 2005.                       2,0
                                                                                                                                    2,0

                             1,0                                                                                                                                                               1,50
Neste ano, a taxa das mulheres                       1,5
                                                                                                              1,50
                                                                                                                                    1,5
                                                                                                                                                                                                                                        0,71
                             0,5
brancas chegou a 1,27, caindo                         0,10
                                                                     0,18
                                                                                                                                    1,0                                                                                       0,35
                                                     1,0
13%, enquanto a das pretas & 0,0
                                                       10 a 14 anos                            15 a 17 anos
                                                                                                                                    0,5
                                                                                                                                          18 a 24 anos              0,18            25 a 40 anos                              41 a 60 anos
                                                                                                                                                                                                                                                         0,71
                                                     0,5                                                                                            0,10
pardas alcançou 2,19, crescen-                                            0,10
                                                                                    0,18                                            0,0
                                                                                                                                                        10 a 14 anos                            15 a 17 anos
                                                                                                                                                                                                                                              0,35
                                                                                                                                                                                                                                          18 a 24 anos                         25 a 40 anos
                                                     0,0
do 4,8% (gráfico 3.17).                                                   10 a 14 anos                            15 a 17 anos       Brancas       Pretas18 Pardas
                                                                                                                                                          & a 24 anos                                25 a 40 anos                              41 a 60 anos


                                                                                                                                                                                                                                       Brancas       Pretas & Pardas

    Quando decompostas pelos           Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
                                                                                                                   Brancas Pretas & Pardas


grupos de idade, em 2005, veri-                                                                                   Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD

fica-se que, em todas as faixas,                                                                                  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
                                                   Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais

as taxas das pretas & pardas eram superiores às das brancas. As-                                Aborto por Razões Médicas e Legais (Código O 04); Outros Tipos
sim, em 2005, foram registradas as seguintes diferenças: de 10 a                                de Aborto (Código O 05); Aborto Não Especificado (Código O 06);
14 anos, 80%; de 15 a 17 anos, 64%; de 18 a 24 anos, 71,8%; de 25                               e Falha de Tentativa de Aborto (Código O 07).
a 40 anos, 56,9%; e de 41 a 60 anos, 102,9% (gráfico 3.18).
                                                                                                      Deste modo, foram entendidos como provavelmente legais os
    Segundo o Sistema de Informação Hospitalar do Sistema                                       óbitos por causas incluídas nos códigos O 03, O 04 e alguns subtó-
Único de Saúde (SUS), são internadas, em média, 1.054.243                                       picos do O 071. Alternativamente, foram considerados com alguma
mulheres por ano no Brasil, por complicações decorrentes de                                     probabilidade de terem sido realizados de modo paralelo aos atu-
abortos induzidos. Sabe-se, porém, que essa informação não                                      ais marcos legais os óbitos em situações tipificadas nos códigos O
expressa o total de abortos, mas, apenas, os casos com compli-                                  05, O 06 e alguns subtópicos do O 072. Em suma, essas foram as
cações que exigiram internação, mesmo os ilegais.                                               causas selecionadas como aparecem na tabela 3.12.

     A tabela 3.12 mostra os totais de óbitos causados tanto por gra-                                                           Seguindo esta metodologia, na base de dados do SIM foi possível
videz, parto ou puerpério, como os por complicações de abortos,                                                            apurar, entre 1999 e 2005, 482 casos de óbitos de mulheres por abor-
decompostos por cor ou raça. Todavia, não foram incluídos todos                                                            to induzido e complicações. A desagregação por cor ou raça revela
os óbitos por abortos espontâneos ou induzidos legalmente, mas,                                                            que, naquele período, 196 mulheres brancas (40,6%) e 286 pretas &
somente, aqueles que sugerem ter sido causados por algum tipo de                                                           pardas (59,3%) morreram por seqüelas de abortos induzidos. Tais
intervenção às margens dos marcos legais vigentes. Isso ocorreu                                                            proporções, em relação ao total de mortes por complicações do par-
porque na base de dados do SIM, nas causas de mortes por abor-                                                             to, gravidez ou puerpério, corresponderam a 4,7%, entre as mulhe-
to, existem cinco subgrupos: Aborto Espontâneo (Código O 03);                                                              res brancas, e a 5,1%, entre as pretas & pardas. (tabela 3.12)


58                Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


              Tabela 3.12 - Número total de óbitos por gravidez, parto ou puerpério e causas selecionadas de mortalidade por aborto
            induzido e complicações da população residente acima de dez anos de idade do sexo feminino segundo os grupos cor ou
                Tabela 3.12 - Número total de óbitos por gravidez, parto ou puerpério e causas selecionadas de mortalidade por aborto induzido e complicações da população
                    residente acima de dez anos de idade do sexoe preta & parda), Brasil, ou raça (em número&de pessoas). (em número de pessoas)
                                                raça (branca feminino segundo os grupos cor 2005 (branca e preta parda), Brasil, 2005

                                                     Mulheres Brancas                                                   Mulheres Pretas & Pardas

                 Ano            Todas as Causas de                Causas Selecionadas de                Todas as Causas de                Causas Selecionadas de
                              Mortalidade por Gravidez,            Mortalidade Por Aborto             Mortalidade por Gravidez,            Mortalidade Por Aborto
                                 Parto ou Puerpério               Induzido e Complicações                Parto ou Puerpério               Induzido e Complicações

                 1999                       615                                 32                                 689                                  31
                 2000                       630                                 35                                 710                                  31
                 2001                       581                                 28                                 752                                  43
                 2002                       603                                 18                                 828                                  43
                 2003                       571                                 26                                 815                                  48
                 2004                       622                                 28                                 881                                  48
                 2005                       565                                 29                                 924                                  42


            Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM.
            Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




3.5.10. Causas Mal Definidas de Mortalidade                                                   na mortalidade por causas mal definidas por falta de assistência
                                                                                              médica. Entre os homens, a diferença nos respectivos indicado-
    Nas tabelas 3.1 e 3.2 verificou-se que a razão de mortalida-                              res dos pretos & pardos e dos brancos passou de 43,2%, em 1999,
de, por 100 mil habitantes, por causas mal definidas entre os                                 para 66,6%, em 2005. Já entre as mulheres, de 42,6%, em 1999,
pretos & pardos era superior à dos brancos em ambos os sexos.                                 para 69%, em 2005.
Nesta subseção, pretende-se aprofundar aquelas informações,
analisando-se de forma diferenciada alguns dos motivos de não                                     Por outro lado, ainda nesse grupo de causas de mortalidade
identificação de causas de morte.                                                             mal definidas, mas, especificamente, descontando-se as causas
                                                                                              mal definidas sem assistência médica, ou seja, nas outras cau-
    De 1999 a 2005, as taxas de mortalidade por causas mal                                    sas mal definidas, verificou-se que, durante todo o intervalo de
definidas por falta de assistência médica dos pretos & pardos,                                1999 a 2005, os brancos, de ambos os sexos, comparativamente
em ambos os sexos, também foram superiores às dos brancos                                     aos pretos & pardos, apresentavam maior razão de mortalidade
(tabela 3.13). Assim, em 2005, a taxa de mortalidade por 100                                  por 100 mil habitantes (tabela 3.13).
mil habitantes de pretos & pardos sem que se soubesse o motivo
devido a ausência de um profissional de saúde que prestasse                                   3.5.11. Mortalidade por
assistência foi de 32,45, entre os homens, e de 24,01, entre as                               Anemia Falciforme
mulheres. Já entre os homens e mulheres brancos as taxas por
essa falsa causa foram de, respectivamente, 19,48 e 14,21.                                        Segundo dados do SIM, entre 1999 e 2005, 1.406 pessoas
                                                                                              acima de cinco anos de idade morreram por complicações da
    Analisando-se a mesma tabela, percebe-se que, no mesmo                                    anemia falciforme. Dessas, 62,3% eram pretas & pardas (gráfi-
período, houve uma elevação das desigualdades de cor ou raça                                  co 3.19). Além disso, ocorreu um crescimento significativo no
  Tabela 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por causas mal definidas sem assistência médica e
  Tabela 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por causas mal definidas sem assistência médica e
   causas mal definidas por outros motivos, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil
   causas mal definidas por outros motivos, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil
     Tabela 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por causas mal definidas sem assistência médica e causas mal definidas por outros motivos,
                                                                                       habitantes).
                                                                                       habitantes).
                                           segundo os grupos cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes)
                          Homens Brancos                            Mulheres Brancas                         Homens Pretos & Pardos                    Mulheres Pretas & Pardas
                          Homens Brancos                            Mulheres Brancas                         Homens Pretos & Pardos                    Mulheres Pretas & Pardas
    Ano           Causas Mal                                Causas Mal                                     Causas Mal                                 Causas Mal
    Ano           Causas Mal         Outras Causas          Causas Mal            Outras Causas            Causas Mal          Outras Causas          Causas Mal        Outras Causas
                Definidas Sem Outras Causas Definidas Sem Outras Causas Definidas Sem Outras Causas Definidas Sem Outras Causas
                Definidas Sem Mal Definidas. Definidas Sem Mal Definidas. Definidas Sem Mal Definidas. Definidas Sem Mal Definidas.
                Assis. Médica. Mal Definidas. Assis. Médica. Mal Definidas. Assis. Médica. Mal Definidas. Assis. Médica. Mal Definidas.
                Assis. Médica.                             Assis. Médica.                                Assis. Médica.                              Assis. Médica.
    1999               26,2                 27,5                  20,2                  20,1                    37,5                  26,9                28,8                 19,0
    1999               26,2                 27,5                  20,2                  20,1                    37,5                  26,9                28,8                 19,0
    2000               30,2                 33,1                  23,5                  24,3                    45,9                  31,6                36,0                 22,9
    2000               30,2                 33,1                  23,5                  24,3                    45,9                  31,6                36,0                 22,9
    2001               29,8                 37,9                  22,7                  27,6                    47,3                  36,5                36,1                 25,5
    2001               29,8                 37,9                  22,7                  27,6                    47,3                  36,5                36,1                 25,5
    2002               29,5                 36,5                  22,5                  27,0                    50,5                  36,7                38,6                 25,8
    2002               29,5                 36,5                  22,5                  27,0                    50,5                  36,7                38,6                 25,8
    2003               28,4                 38,5                  22,0                  28,9                    49,0                  36,6                37,5                 25,6
    2003               28,4                 38,5                  22,0                  28,9                    49,0                  36,6                37,5                 25,6
    2004               25,6                 37,0                  19,3                  27,9                    43,9                  35,3                33,5                 24,3
    2004               25,6                 37,0                  19,3                  27,9                    43,9                  35,3                33,5                 24,3
    2005               19,5                 33,9                  14,2                  25,7                    32,5                  31,1                24,0                 21,7
    2005               19,5                 33,9                  14,2                  25,7                    32,5                  31,1                24,0                 21,7

  Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
  Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




                                                                                     Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                 59
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça




        Box 3.3. Diferenças nas razões de mortalidade dos pretos comparativamente aos pardos: constatações empíricas

         As informações sobre o perfil da mortalidade da população brasileira, desagregada por grupos de cor ou raça somente foi
     possível a partir de 1996, quando, por recomendação do Grupo de Trabalho Interministerial no governo do presidente Fernando
     Henrique Cardoso, a variável passou a constar em alguns dos principais registros de saúde no Brasil, o SIM, o Sistema de Informa-
     ções de Nascidos Vivos (Sinasc) e o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan). Apesar de todos os limites, estas
     bases vieram sendo cada vez mais estudadas, embora seja evidente a carência de teses e estudos relacionados.
         Existem algumas evidências empíricas reveladas pelos novos dados que ainda carecem de uma explicação sócioantropoló-
     gica mais consistente, tal como ocorre com os indicadores da população preta & parda, separadamente, como presentes no SIM.
     Assim, Batista et alii (2005) mostraram que as taxas de mortalidade por 100 mil habitantes de ambos os contingentes apresentam
     uma curiosa diferença: os pretos, de ambos os sexos, têm índices bem maiores, não somente em relação aos pardos, como tam-
     bém aos brancos. Por outro lado, com exceção das causas externas e das por gravidez, parto ou puerpério, os pardos, de ambos
     os sexos, tiveram taxas inferiores aos brancos, de ambos os sexos.
         A partir das constatações desses autores, a tabela 3.14 mostra o comportamento das taxas de mortalidade de brancos, pretos
     e pardos, de ambos os sexos, de algumas causas selecionadas. De fato, são confirmadas as constatações empíricas pioneiras de
     Batista et alii. Assim, não deixa de ser interessante a observação de que, nas causas de mortalidade não naturais e nas relacionadas
     à saúde reprodutiva, os indicadores de pretos e pardos, ao contrário dos demais, são mais convergentes.

            Tabela 3.14 - Razão de mortalidade da população acima de 5 anos de idade segundo os grupos de cor ou raça
                       Tabela 3.14 - Razão de mortalidade da população acima de cinco anos de idade, segundo os grupos cor ou raça (branca e preta & parda)
            (branca, preta e parda) e sexo segundo grupos de causas Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) (por 100 mil habitantes).
                                                e sexo segundo grupos de causas selecionadas,
                                                                                              selecionadas, Brasil, 2005

                                                                                             Homens                                   Mulheres
                            Causas Selecionadas
                                                                               Brancos        Pretos       Pardos        Brancas       Pretas        Pardas
       Todas as Doenças do Aparelho Circulatório                               209,91        216,03        109,04        178,88        192,54         90,29
                  Hipertensão                                                    18,73        32,62         14,23         20,19         34,90         14,39
                  Doenças do Coração                                            118,23        104,54        54,83         91,73         81,85         39,64
                  Doenças Cerebrovasculares                                      67,93        75,09         37,72         61,43         71,75         34,15
       Todas as Doenças Infecciosas e Parasitárias                               29,63        45,21         21,90         19,83         28,31         13,61
                  Tuberculose                                                    3,06          8,37          3,75          1,00          3,00          1,50
                  AIDS                                                           9,70         15,64          5,71          4,01          9,07          3,15
       Gravidez, Parto ou Puerpério                                                --            --            --          1,27          2,84          2,09
       Todas as Causas Externas de Mortalidade                                  107,28        129,46        123,95        23,97         18,58         17,35
                  Homicídios                                                     33,82        61,50         61,48          3,45          4,52          4,41


       Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




          Essa maior proximidade das taxas nas causas externas pode se dever à notificação obrigatória, não apenas aos cartórios,
      como também à polícia (que emite boletins de ocorrências), o que ajudaria a reduzir a subnotificação. Nessa hipótese, os óbitos
      de pardos por causas não naturais podem estar sendo melhor coletados do que os demais.
          Já no caso da gravidez, parto ou puerpério se sabe que ainda há uma significativa subnotificação, que, porém, foi reduzida
      nos últimos anos com a ampliação dos comitês de Mortalidade Materna que, segundo fontes oficiais, passaram de 495, em
      1998, para 951, em 2005, em todo o país (C.f. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2007). Portanto, na medida em que se reduziriam as
      subnotificações de óbitos por gravidez, parto ou puerpério, ficaria mais evidente a incidência desta mortalidade na população,
      em especial nas mulheres pardas.
          De todo modo, mesmo considerando-se essas questões, qual o motivo da constante maior subnotificação dos óbitos de
      pardos, em comparação aos pretos? Mesmo com explicações de ordem geográfica, sobre as diferentes formas de distribuição
      dos dois contingentes pelas regiões do país, ainda assim restaria um fato: o problema se repete basicamente do mesmo modo
      em todo o território brasileiro, com as taxas de mortalidade dos pretos sendo superiores na maioria das causas.
          Enfim, além das constatações empíricas possíveis a partir das bases do SIM, existem muitas dúvidas, exigindo, portanto, o recurso
      de análises epidemiológicas, estatísticas, sociológicas e antropológicas para que se possa chegar a respostas mais satisfatórias sobre o
      comportamento dos respectivos indicadores de mortalidade dos grupos de cor ou raça da população brasileira.




60              Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


                                                         Gráfico 3.19 - População residente acima de cinco anos de idade morta por anemia falciforme segundo os grupos de
número de registros de óbitos por                                          cor ou raça (branco e preto & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)
                                                           Gráfico 3.19 - População residenteresidente acimaanos de idade morta por morta por anemia falciformeos grupos de cor ou raça
                                                                    Gráfico 3.19 - População acima de cinco de cinco anos de idade anemia falciforme segundo segundo os grupos de
essa doença: 46,1%. Desagregado    250                                                 cor ou raça (branco parda), & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)
                                                                                          (branca e preta & e preto Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas)
por cor ou raça, a elevação no to-                                                                                                                    233
                                                                                                                                                                  225


tal de óbitos foi de 119,4% entre os                      250
                                                                                                                   206
                                                                                                                                    216
                                                                                                                                                                  233
                                                                                                                                                                                225
                                   200
pretos & pardos e de 46,4% entre os                                            182
                                                                                                  190
                                                                                                                                                216
                                                                                                                                                                  158
                                                                                                                              206
brancos (gráfico 3.19).                                   200
                                                                154
                                                                                                            190
                                                150                                        182                                                                                  158
                                                                                                                   146              139               150

    Essa sensível elevação, espe-        150                154 95
                                                                                           116
                                                                                                                                                 139         150
                                                                                                                               146
cialmente entre os pretos & pardos, 100
                                                                                 95                      116
sugere a existência de dois motivos,     100
                                             72
                                                                                                                                                               41

talvez, complementares. O primeiro    50
                                                            72
                                                                                           45
                                                                                                                                      39
                                                                                                                                                       47


seria o efetivo aumento da incidên-       50
                                             28                 40

                                                                                                         45
                                                                                                               27
                                                                                                                                                             47
                                                                                                                                                                    41


cia dessa doença na população bra- 0     1999
                                                            28
                                                                 2000
                                                                              40
                                                                                        2001                2002               27 2003
                                                                                                                                                 39
                                                                                                                                                    2004       2005

sileira, principalmente, entre pretos      0

& pardos. O segundo motivo estaria                     1999                    2000            Brancos2001                 2002 Total
                                                                                                             Pretos & Pardos                 2003         2004      2005


relacionado às recentes campanhas                                                                             Brancos        Pretos & Pardos  Total
educativas promovidas por pro-
                                           Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.
fissionais de saúde sensibilizados         Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais

com o problema e pelo Movimento                          Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM.

Negro. Assim, além da maior cons-                        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais


cientização da população, os próprios profissionais de saúde                              pelo uso de bebidas alcoólicas, enquanto que, entre os pretos &
teriam passado a identificar com mais rigor a anemia falcifor-                            pardos, o total foi de 14.782 óbitos. Esses números absolutos se
me enquanto causa de mortalidade, assim levando à queda da                                expressam nas respectivas razões de mortalidade por 100 mil
subnotificação dos casos existentes.                                                      habitantes. Deste modo, em 2005, esse indicador entre os bran-
                                                                                          cos era de 8,77 e, entre os pretos & pardos, de 7,02.
3.5.12. Mortalidade por Doenças Alcoólicas do Fígado
                                                                                                     No contingente feminino, ocorreu uma inversão no sentido destes
    A tabela 3.15 apresenta o total de óbitos e a razão de mor-                                  indicadores. Assim, entre 1999 e 2005, 2.649 mulheres pretas & pardas
talidade por 100 mil habitantes por doenças alcoólicas do                                        morreram por doenças alcoólicas do fígado e, entre as brancas, o total
fígado, decomposta por cor ou raça e sexo, de 1999 a 2005.                                       ficou em 2.277 óbitos. As respectivas taxas de mortalidade por 100 mil
Verifica-se que, invariavelmente, os homens sofrem mais des-                                     habitantes foram as seguintes: 1,15 e 0,84 (tabela 3.15).
te problema, tanto os pretos & pardos como os brancos.
                                                                                                     Na evolução da mortalidade por doenças alcoólicas do fí-
    Quando o foco passa a ser nos dois sexos, verifica-se outras                                 gado, no mesmo período, verifica-se que cresceu mais entre os
desigualdades entre os grupos de cor ou raça. Na população                                       pretos & pardos do que entre os brancos, em ambos os sexos.
masculina, os brancos sofreram mais. Naquele período, 22.376                                     O aumento do total de óbitos por essa causa, entre os homens
homens brancos morreram por doenças hepáticas causadas                                           pretos & pardos foi de 124,2%, e, entre as mulheres pretas &
                   Tabela 3.15 - Número total de óbitos e razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos
                   de idade por doenças alcoólicas do fígado, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e
                     Tabela 3.15 -Número total de óbitos e razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por doenças alcoólicas do fígado,
                                                           sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes).
                                         segundo os grupos cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes)
                                                          Número Total de Óbitos                                    Razão de Mortalidade Por 100 Mil
                                                                  Homens                Mulheres                            Homens                          Mulheres
                          Ano                 Homens                           Mulheres                      Homens                        Mulheres
                                                                  Pretos &              Pretas &                            Pretos &                        Pretas &
                                              Brancos                          Brancas                       Brancos                       Brancas
                                                                   Pardos                Pardas                              Pardos                          Pardas
                          1999                  2.412                 1.304          272           251            6,27         3,88           0,65            0,74
                          2000                  3.018                 1.744          325           314            7,66         5,03           0,75            0,93
                          2001                  3.121                 1.859          316           366            8,00         5,30           0,73            1,03
                          2002                  3.378                 2.165          351           384            8,51         6,04           0,80            1,06
                          2003                  3.346                 2.279          321           399            8,48         6,08           0,73            1,06
                          2004                  3.561                 2.508          319           448            8,73         6,30           0,70            1,11
                          2005                  3.540                 2.923          373           487            8,77         7,02           0,84            1,15


                  Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD
                  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.




                                                                                      Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                      61
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça


pardas, de 94%. Já na população branca, foi de 46,7%, entre os               de por 100 mil habitantes por essas doenças entre os homens
homens, e 37,1%, entre as mulheres.                                          e mulheres pretos & pardos: de, respectivamente, 80,9% e
                                                                             55,4%. Já na população branca a mortalidade aumentou rela-
   As diferenças entre as taxas do final e do início do perío-               tivamente menos, em 39,9%, entre os homens, e 29,2%, entre
do apontam os maiores crescimentos da razão de mortalida-                    as mulheres (tabela 3.15).



         Box 3.4. A perspectiva teórica do estudo dos padrões de mortalidade da população desagregada pela variável cor ou raça.

          Até o surgimento do microscópio na Revolução Industrial e a descoberta da bactéria, havia a teoria dos miasmas, que reconhecia o sur-
     gimento das doenças em virtude de situações ambientais. Considerava-se que a doença entrava e saía do corpo incontrolavelmente. Com a
     descoberta da bactéria, surgiu a teoria unicausal e, a partir daí, passou-se a procurar uma causa única da doença. O modelo de Leavel-Clark
     ou tríade ecológica, que se tornou hegemônica a partir de 1960, incorporou a teoria multicausal. Ou seja, o processo de adoecimento de-
     pende das “características dos agentes patológicos (animados e inanimados), das características do individuo e de sua resposta a estímulos
     provocadores de doenças, advindos do meio ambiente e do próprio individuo” (ROUQUAYROL & ALMEIDA, 1999:1). Assim, o conceito de
     causalidade múltipla mudou a prática de prevenção e de cura, com amplitude maior, atingindo tanto as causas diretas, como os fatores
     predisponentes e mantenedores da doença.
          Desse modo, atualmente a epidemiologia apóia-se na sociologia e incluiu questões sócio-históricas na interpretação do processo
     saúde-doença. O estudo clássico de Engels (1986 [1845]) sobre a situação da classe trabalhadora na Inglaterra é um exemplo de como
     condições sócio-históricas devem ser consideradas nesse processo. Rouquaryol & Almeida (op cit), por sua vez, indica uma combinação de
     fatores que levam à saúde ou à doença. Mais recentemente, os estudos sobre a vulnerabilidade frente ao HIV/AIDS, modificaram a com-
     preensão sobre a epidemia. A tese de Lopes (2003), por exemplo, revela como o racismo incrementa a maior vulnerabilidade de mulheres
     negras portadoras desta doença.
          A identificação da prevalência (freqüência relativa de uma doença em um contingente) e da incidência (número de casos novos
     que surgem periodicamente no grupo) de determinada doença em uma ou outra população não se encerra nela mesma. É necessária
     a busca do significado subjacente a este resultado, evitando-se o reducionismo. O tema Saúde da População Negra é um convite ao
     pensamento, levando em conta as relações raciais no país, e requer máxima atenção para que se evite análises que redundem na idéia
     de biologia como destino.
          As doenças prevalentes na população negra, no Brasil, foram mapeadas por Oliveira (1999), que cunhou a expressão recorte de doenças
     raciais étnicas. A afirmação de que há ou não a predisposição biológica no processo não significa que a doença será inevitável. O resultado
     pode depender de outros fatores a ela associados e da história de cada indivíduo. Assim, o conceito de predisposição coletiva (seja bioló-
     gica, social ou a mescla de ambas) implica reconhecer “diferentes agrupamentos humanos como fenômenos complexos associados aos
     hábitos alimentares, estilo de vida, meio físico e cultural em que vivem” (OLIVEIRA, 1994:21).
          Um caso emblemático para a discussão sobre o “recorte das doenças raciais/étnicas” é a anemia falciforme, uma doença hereditária.
     Entre as doenças da hemoglobina, esta é a que tem origem na África. Existem outras, como a talassemia, originária da região mediterrânea,
     na Itália. A origem da anemia falciforme é associada a uma mutação dos glóbulos vermelhos, que passaram a ter formato de foice, daí o
     nome falciforme. Tornou-se um traço genético, de proteção contra a malária, mas, que provoca anemia se a pessoa recebeu o respectivo
     gene da mãe e do pai (ZAGO, 1994; 2001).
          O conteúdo genético que define as diferenças físicas entre grupos humanos se resume a 7%, ou seja, 93% do conteúdo genético é
     comum a todos os seres humanos (ZAGO, op cit). A espécie humana é única do ponto de vista biológico, não havendo a separação em
     raças distintas, como acontece com os cães e outros animais. Geneticistas anti-racistas afirmam que a distância entre dois homens de
     pele clara é maior do que entre um de pele clara e um de pele escura (C.f. JACQUARD, 1991). Então, como surgiu a anemia falciforme, uma
     doença genética?
          Zago (1994, 2001) apresenta uma explicação na qual a associação de diferentes fatores – a interação do homem com o meio ambiente,
     região geográfica e etnia num dado momento da história da humanidade – dá coerência à explicação do processo de mutação gênica.
     O mapa de origem da mutação genética que produziu a anemia falciforme coincide com a região da África com altos índices de malária.
     Existem três tipos de anemia falciforme: a banto, muito grave; a benin grave; e a senegal, mais leve.
          O trânsito de populações no globo, com o tráfico de escravos e a emigração européia para as Américas, fez com que as doenças
     da hemoglobina não se restringissem aos povos de origem. No Brasil, a anemia falciforme do tipo banto é prevalente em relação aos
     outros tipos (ZAGO, 2000). Entretanto, a anemia falciforme não se limita às pessoas classificadas como negras, no Brasil, embora seja mais
     freqüênte neste grupo. Pessoas autoclassificadas como brancas podem ter herdado os genes e ter a anemia.
          Não são, portanto, as características físicas, como a cor da pele, de um indivíduo que vão transmitir a doença e sim a herança do gene.
     Esta pode estar presente em pessoas, aparentemente, sem nenhum traço físico de uma pessoa negra. A anemia falciforme não tem cura.
     Porém, é o forte estigma e a invisibilidade social que se apresentam como fatores decisivos para uma baixa qualidade de vida do portador.



62              Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça




      Ou seja, se a anemia falciforme é gerada por fatores hereditários, a forma pela qual a doença é interpretada na sociedade tem fundamenta-
      ção sociocultural. Assim, uma predisposição meramente biológica acaba ganhando contornos mais complexos.
           Portanto, é de uma perspectiva socioantropológica que se deve pensar sobre a questão racial na saúde. Aqui não se desconsidera, à
      priori, a possibilidade de haver algum tipo de predisposição biológica a alguma doença que se associa a situações provocadas por carac-
      terísticas complexas, dos seres humanos, muitas vezes imponderáveis. Contudo, na literatura sobre a questão racial na saúde, prevalece a
      idéia de que raça tem um significado sócio-histórico.
           É desse ponto de vista que a desigualdade social, a discriminação e o racismo passam a ter importância na análise do quadro de saúde da
      população negra. O racismo pode ganhar corpo a partir da vivência da opressão racial, com a incorporação de valores racistas, inclusive pelos
      oprimidos. Assim como repercute no corpo físico, na psiquê e na vida dos indivíduos e, por conseguinte, na coletividade, em seus diferentes
      aspectos, refletindo-se, finalmente, nos indicadores sociais de morbi-mortalidade apresentados por cada grupo de cor ou raça e sexo.

      (Texto adaptado, extraído de Paixão, Carvano & Souzas (2004))




1
  Foram estes: I) O07.1 falha de aborto provocado por razões médicas, complicado por hemorragia tardia ou excessiva; O07.2 falha de aborto provocado por razões médicas, complicado por embolia; O07.3 falha de aborto provocado por razões
médicas com outras complicações ou com complicações não especificadas; O07.4 falha de aborto provocado por razões médicas, sem complicações.
2
  Os seguintes: I) O07.5 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, complicadas por infecção do trato genital e por infecção dos órgãos pélvicos; II) O07.6 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação
de aborto, complicadas por hemorragia tardia ou excessiva; III) O07.7 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, complicadas por embolia; IV) O07.8 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de
aborto, com outras complicações ou com complicações não especificadas; e V) O07.9 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, sem complicação.



                                                                                                                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                                 63
64   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor
                       ou Raça no Acesso
                    ao Sistema de Ensino




Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008   65
66   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino




4.1. Alfabetização da População Brasileira

     Em todo o Brasil, no ano de                               Gráfico 4.1 - População residente de 15 anos de idade ou mais analfabeta segundo grupo de corcor ou raça
                                                               Gráfico 4.1 - População residente de 15 anos de idade ou mais analfabeta segundo grupo de ou raça (branca e preta
2006, havia 14,4 milhões de pesso-                  Gráfico 2.1 - População residente segundoBrasil, 1995 e de cor (em raça (branca e preta & parda),
                                                                                       (branca e preta & parda), Brasil, 19952006 (em número de de pessoas)
                                                                                                         & parda),
                                                                                                                      os grupos e 2006 ou número pessoas).
as, com 15 anos de idade ou mais,                                                            Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas)

que eram analfabetas. Desse total,       20.000.000
                                         225.000.000

4,6 milhões eram brancas (32%) e                                                                                                                                    183.550.526
9,7 milhões eram pretas & pardas         180.000.000
                                         16.000.000
                                                             152.374.603
                                                                                                                                                                    16.098.255


(67,4%). Para fins de comparação
                                         135.000.000
intertemporal, excluindo-se as           12.000.000
                                                                                                                                                                                       12.116.623

                                                                                                                                                                       92.406.621
áreas rurais da região Norte, na-         90.000.000          82.826.798
                                                                                                                           10.475.121


quele ano, o total era de 12,1 mi-                                                                                                                                     89.726.595
                                                                                                                                                7.876.747
lhões de pessoas. Em 1995, o total        8.000.000
                                          45.000.000
                                                              68.635.438

de analfabetos no Brasil, com 15                                    5.545.618

anos ou mais, era de 16,1 milhões,        4.000.000    0
                                                                                          4.283.826


sendo que 5,5 milhões (34,4%)                                 1995          1996        1997         1998       1999         2001         2002        2003   2004  2005        2006

eram brancas e 10,5 milhões                     -                                               Brancos             Pretos & Pardos                População Total
(65,1%) eram pretas & pardas.                                                 Brancos                                             Pretos & Pardos                                Total


Portanto, no período, descontan-                                                                                                   1995    2006

do-se o contingente que residia           Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                    Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                          Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
nas áreas rurais da região Norte,                   Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                          Nota: não inclui a população residente nas áreasrurais dada região Norte (exceto Tocantins).
                                                    Nota: não inclui a população residentes nas áreas rurais região Norte (exceto Tocantins).

ocorreu uma queda de 24,7% no
número de analfabetos em todo o
país. A redução proporcional entre os brancos foi de 22,8% e, entre                                  entre as pessoas pretas & pardas cresceu mais (8,9 pontos per-
os pretos & pardos, de 24,8% (gráfico 4.1).                                                          centuais) do que a das pessoas brancas (três pontos percentuais).
                                                                                                     Porém, em 2006, a diferença ainda era bem acentuada: o analfa-
     Comparando-se os índices de analfabetismo das pessoas com                                       betismo de pretos & pardos era, proporcionalmente, superior em
15 anos de idade ou mais, nos anos de 1995 e 2006, houve, também,                                    124,6% ao dos brancos (tabela 4.1).
uma redução na diferença entre as taxas de analfabetismo entre o
grupo de pretos & pardos e o grupo de brancos. No primeiro grupo,                                          A análise da tabela 4.1 revela, ainda, que o problema das baixas
o índice passou de 23,5% para 14,6% e, no segundo, de 9,6% para                                      taxas de alfabetização do conjunto da população, que se prolonga por
6,5%. Isto ocorreu porque, nesse intervalo, a taxa de alfabetização                                  décadas, preserva nítidas desvantagens do contingente preto & pardo,


                   Tabela 4.1 - Taxa de alfabetização da população residente por faixas etárias selecionadas ee segundo os grupos de de ou raça raça (branca e
                                  Tabela 4.1 - Taxa de alfabetização da população residente por faixas etárias selecionadas segundo os grupos cor cor ou
                                                                        (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                          preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                      Brancos                                            Pretos & Pardos                                       Total
                      Ano        15 anos       25 anos       40 anos       65 anos       15 anos       25 anos       40 anos       65 anos   15 anos   25 anos     40 anos    65 anos
                                 ou mais       ou mais       ou mais       ou mais       ou mais       ou mais       ou mais       ou mais   ou mais   ou mais     ou mais    ou mais

                     1995          90,5          88,4          83,1          70,6          76,5          70,9          59,8          37,9     84,4      81,2           73,9    58,1
                     1996          90,7          88,5          83,6          70,8          78,3          73,0          62,2          39,6     85,4      82,2           75,2    59,6
                     1997          91,0          89,0          84,1          71,0          77,8          72,3          61,9          40,4     85,3      82,1           75,2    59,5
                     1998          91,6          89,6          85,1          72,2          79,2          73,7          64,0          41,2     86,2      83,0           76,7    60,8
                     1999          91,7          89,7          85,5          72,8          80,2          74,7          64,9          42,2     86,7      83,4           77,2    61,3
                     2001          92,3          90,4          86,5          73,8          81,8          76,7          67,5          45,7     87,6      84,5           78,8    63,4
                     2002          92,5          90,7          87,0          75,1          82,8          77,7          68,7          46,9     88,2      85,1           79,6    64,7
                     2003          92,9          91,1          87,7          75,2          83,2          78,3          69,6          48,0     88,4      85,5           80,1    64,8
                     2004          92,8          91,1          87,7          76,2          83,8          79,1          70,6          49,5     88,6      85,7           80,4    65,8
                     2005          93,0          91,3          88,1          76,2          84,6          80,1          72,0          51,6     88,9      86,1           81,0    66,4
                     2006          93,5          92,0          89,0          78,7          85,4          81,2          73,3          52,6     89,6      87,0           82,1    68,1

                  Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                  Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                  Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).




                                                                                                   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                           67
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino


               Tabela 4.2 - Taxa de alfabetização funcional (menos de quatro anos de estudos completos) da população residente por faixas etárias
               Tabela 4.2 - Taxaselecionadas e segundo(menores de quatro anos de estudosestudos completos) da Brasil, por faixas etáriaspor faixas etárias
                   Tabela 4.2 - Taxa de alfabetização funcional os(menos de quatro anos de completos) da população residente 1995-2006 (emselecionadas
                                   de alfabetização funcional grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), população residente %)
                                 selecionadas eesegundoos grupos de cor ou raça (branca (branca PardosBrasil, 1995-2006 (em 1995-2006 (em %)
                                             Brancos
                                                     segundo os grupos de cor ou raçaPretos & parda), & parda), Brasil, %)
                                                                                        e preta & e preta                                 Total
                Ano        15 anos           Brancos anos
                                        25 anos    40                     65 anos  15 anos Pretos & Pardos
                                                                                            25 anos   40 anos  65 anos   15 anos        Total 40 anos
                                                                                                                                    25 anos              65 anos
                Ano        ou mais
                           15 anos       ou mais 40 anos
                                        25 anos    ou mais                ou mais 15 anos 25 anos 40ou mais 65ou mais 15 ou mais 25 ou mais 40 anos 65 anos
                                                                         65 anos   ou mais  ou mais    anos     anos     anos       anos       ou mais   ou mais
               1995        ou74,2
                              mais      ou70,0
                                           mais   ou 59,5
                                                     mais                ou 40,8
                                                                            mais  ou mais
                                                                                     54,3  ou mais
                                                                                              47,8 ou mais
                                                                                                        33,8 ou mais
                                                                                                                 14,5 ou mais
                                                                                                                          65,6 ou mais
                                                                                                                                     60,8 ou mais49,4 ou mais
                                                                                                                                                          30,8
               1995
               1996          74,2
                             75,0             70,0
                                               70,8            59,5
                                                                60,8       40,8
                                                                            42,3   54,3
                                                                                     56,6   47,8
                                                                                              50,2    33,8
                                                                                                        36,6  14,5
                                                                                                                 16,8  65,6
                                                                                                                          67,3    60,8
                                                                                                                                     62,5    49,451,5  30,8
                                                                                                                                                          33,2
               1996
               1997          75,0
                             76,1             70,8
                                               71,9            60,8
                                                                62,1       42,3
                                                                            43,8   56,6
                                                                                     56,9   50,2
                                                                                              50,2    36,6
                                                                                                        36,9  16,8
                                                                                                                 17,0  67,3
                                                                                                                          67,7    62,5
                                                                                                                                     62,9    51,552,0  33,2
                                                                                                                                                          33,8
               1997          76,1             71,9             62,1        43,8    56,9     50,2      36,9    17,0     67,7       62,9       52,0      33,8
               1998          76,9              72,8             63,7        44,3     58,7     51,6      38,9     16,9     69,0       64,1        53,9     34,2
               1998          76,9             72,8             63,7        44,3    58,7     51,6      38,9    16,9     69,0       64,1       53,9      34,2
               1999          77,8              73,4             64,8        45,4     60,2     53,0      40,0     18,5     70,1       64,9        54,8     35,3
               1999          77,8             73,4             64,8        45,4    60,2     53,0      40,0    18,5     70,1       64,9       54,8      35,3
               2001          79,0              74,8             66,8        46,4     63,0     56,0      43,8     20,6     71,9       66,8        57,5     36,8
               2001          79,0             74,8             66,8        46,4    63,0     56,0      43,8    20,6     71,9       66,8       57,5      36,8
               2002          79,9              75,8             68,2        47,9     65,2     58,0      45,9     22,2     73,3       68,1        59,2     38,4
               2002          79,9             75,8             68,2       47,9     65,2     58,0      45,9    22,2     73,3       68,1       59,2      38,4
               2003          81,1              76,9             69,6        48,5     66,9     59,4      47,3     23,6     74,6       69,2        60,3     39,1
               2003          81,1             76,9             69,6       48,5     66,9     59,4      47,3    23,6     74,6       69,2       60,3      39,1
               2004          81,3              77,4             70,3        50,1     68,1     60,6      48,8     24,1     75,2       69,9        61,2     40,0
               2004          81,3             77,4             70,3       50,1     68,1     60,6      48,8    24,1     75,2       69,9       61,2      40,0
               2005          81,9              78,0             71,0        50,0     69,7     62,4      50,8     25,8     76,0       70,8        62,1     40,3
               2005          81,9             78,0             71,0       50,0     69,7     62,4      50,8    25,8     76,0       70,8       62,1      40,3
               2006          83,2              79,6             73,0        52,7     71,1     64,2      52,6     27,5     77,4       72,4        64,0     42,5
               2006          83,2             79,6             73,0       52,7     71,1     64,2      52,6    27,5     77,4       72,4       64,0      42,5

            Fonte: IBGE, microdados Pnad.
            Fonte: IBGE, microdados Pnad.
            Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
            Tabulações: LAESER: 1995 e das não inclui a população
            Nota: entre os anos de Fichário2003Desigualdades Raciais. residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
            Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).




verificadas em todas as faixas etárias. Exemplo: em 1995, a taxa de al-                                              A desagregação dos indicadores de alfabetização da po-
fabetização da população branca maior de 65 anos era de 70,6% e a da                                             pulação, por grupos de cor ou raça, pelas regiões geográficas,
preta & parda, de 37,9%. Em 2006, ainda havia diferença entre as taxas                                           mostra, em todas as cinco, nítidas diferenças. Assim, em 2006,
de alfabetização, embora menor – respectivamente, de 78,7% da branca                                             no contingente branco acima de 15 anos de idade, a maior taxa
e de 52,6% da preta & parda. Ou seja, o analfabetismo afetava quase me-                                          de alfabetização foi observada no Sudeste (95,6%) e a menor,
tade da população preta & parda do país nesta respectiva faixa etária.                                           no Nordeste (83,4%). No caso do grupo de pretos & pardos, a
                                                                                                                 maior e a menor taxa de alfabetização foram, mais uma vez, no
    Em relação às taxas de alfabetização funcional – definidas pelo                                              Sudeste (91,6%) e no Nordeste (77,5%), respectivamente. Outra
número de pessoas com mais de quatro anos de estudos completos                                                   observação importante é a que mostra que, em 2006, a taxa de
– das pessoas acima de 15 anos de idade, de 1995 a 2006, em todo o                                               alfabetização dos brancos (83,4%) do Nordeste era menor que
país, houve um avanço de nove pontos percentuais entre as pessoas                                                as das demais regiões, tanto entre os brancos, como entre os
brancas (de 74,2% para 83,2%) e de 16,8 pontos percentuais entre as                                              pretos & pardos. Contudo, os pretos & pardos residentes nes-
pretas & pardas (de 54,3% para 71,1%). Porém, no grupo de cor ou                                                 ta última região eram ainda mais afetados pelo problema do
raça preta & parda acima de 40 anos de idade, o analfabetismo fun-                                               analfabetismo que atingia quase um quarto deste contingente
cional atingia mais da metade do total deste contingente (tabela 4.2).                                           (gráfico 4.3 e mapa 4.1).

     O gráfico 4.2 ilustra             Gráfico 4.2 - Taxa de alfabetização da população residente de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de de cor
                                                    Gráfico 4.2 4.2 - Taxa raça (branca e da populaçãoresidente 1995-2006de idade ou maismais segundo os grupos de de cor
                                                        Gráfico - Taxaou de alfabetizaçãopreta & parda)residente de 15 anos de%). ou segundo grupo de cor ou raça
                                                                        de alfabetização da população e sexo, de 15 anos (em idade
a evolução das taxas de                                                             ou raça (branca e preta & parda) e1995 e 2006 (em %) (em %).
                                                                                         (branca e preta & parda) e sexo, sexo, 1995-2006
alfabetização da popu- 95,0
                                            95,0                                                                                 92,8                                                  93,7
lação acima de 15 anos                                                                                                                         92,8                                                     93,7

de idade, desagregada                 91,2
                                                        91,2
                                                                                                                                                                                       93,3
                                                                                                                                                                                                        93,3
                                                                                                                                 92,3
por cor ou raça e sexo,90,0
                                                                                                                                                92,3

de 1995 a 2006. Nes-                         90,0
                                            89,8
                                                              89,8
te período, os homens                                                                                                                                                           85,9
brancos apresentaram   85,0
                                                                                                                                                                                                 85,9


taxas de alfabetização                      85,0                                                                                   83,2
                                                                                                                                                 83,2                           84,9
ligeiramente maiores                                                                                                                                                                             84,9

do que as das mulheres                                                                                                                 82,3
                                                                                                                                                     82,3
                       80,0
brancas, embora com                         80,0

uma convergência nos                 76,9
                                                       76,9

últimos pontos da série.                    76,1
                                                              76,1
                       75,0
Entre os pretos & par-               199575,0         1996             1997           1998            1999           2001       2002          2003          2004         2005             2006

dos, as mulheres alcan-                               1995             1996           1997            1998           1999       2001          2002          2003         2004             2005             2006


çaram taxas maiores                                                                                                                                                Homens Brancos
                                                                                                                                                                                  Homens Brancos
                                                                                                                                                                   Mulheres Brancas
(em um ponto percen-                         Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                              Fonte: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                             Tabulações: LAESER -IBGE, microdados Pnad.                                                                            Homens Pretos & Pardos Brancas
                                                                                                                                                                                   Mulheres
                                                                                                                                                                   Mulheres Pretas Homens Pretos & Pardos
tual), porém, bem infe-                                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                             Nota: nos anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente
                                             nas áreas rurais Nota: nos Norte.de 1995 a 2003 não inclui a população residente
                                                              da região anos
                                                                                                                                                                                   & Pardas
                                                                                                                                                                                  Mulheres Pretas & Pardas

riores às das brancas.                                        nas áreas rurais da região Norte.




68              Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino



                 Gráfico 4.3 - Taxa de alfabetização da população residente de 15 anos de                                                 gualdades nos anos de escolaridade dos dois grupos não
      Gráfico 4.3 - Taxamais segundo os grupos daresidenteraça (brancaidade ouanos de
            Gráfico 4.3 - alfabetização da população população15 anos de e preta mais,
            idade ou de Taxa de alfabetização de cor ou de residente de 15 & parda),
  segundo idade de cor ou raça regiõesegeográficas, Brasil; 2006 (em %). preta2006 (em %)
           grupo ou mais segundo os preta & parda), regiões geográficas,e
                               (branca grupos de cor ou raça (branca Brasil, & parda),                                                    cessariam em menos de 17 anos (gráfico 4.5).
                                     regiões geográficas, Brasil; 2006 (em %).

         Norte
        Norte
                                                                                                  87,5
                                                                                                 87,5 92,3                                    A tabela 4.3 mostra os números dos anos médios de es-
                                                                                                     92,3

     Nordeste
                                                                                        77,5                                              tudo da população brasileira, de 1995 a 2006, referentes à
    Nordeste
                                                                                       77,5 83,4
                                                                                           83,4                                           população decomposta pelos grupos de idade, cor ou raça
      Sudeste
     Sudeste
                                                                                                      91,6
                                                                                                     91,6 95,6                            e sexo (entre os brancos e pretos & pardos). Verifica-se a
                                                                                                        95,6
                                                                                                    89,6
                                                                                                                                          tendência da maior escolarização das mulheres em relação
           Sul
          Sul
                                                                                                   89,6 95,4
                                                                                                       95,4                               aos homens com idade superior a 15 anos, sendo esse mo-
  Centro-Oeste
 Centro-Oeste
                                                                                                    89,7
                                                                                                   89,7 94,3                              vimento presente em ambos os grupos de cor ou raça que
                                                                                                       94,3
               0,0    10,0    20,0     30,0    40,0     50,0       60,0      70,0       80,0     90,0  100,0
                                                                                                                                          vêm sendo analisados.
             0,0     10,0    20,0     30,0    40,0     50,0       60,0      70,0       80,0     90,0  100,0

                                                        Brancos
                                                      Brancos
                                                                     Pretos & Pardos
                                                                   Pretos & Pardos                                                            Na mesma faixa etária, observa-se que as respectivas
 Fonte: IBGE, microdados Pnad.
Fonte: IBGE, microdadosFichário das Desigualdades Raciais
 Tabulações: LAESER: Pnad.
                                                                                                                                          médias de escolaridade, em 1995, eram: homens brancos,
Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais
                                                                                                                                          6,4 anos de estudo; mulheres brancas, 6,4 anos de estu-
                                                                                 Mapa 4.1. Taxa de analfabetismo da população residente acima de 15 anos de idade segundo os grupos de
    Em pontos percentuais, as                                                     Mapa 4.1. Taxa de analfabetismo da preta & parda), unidades de 15 anos de idade segundo(em %). de
                                                                                              cor ou raça (branca e população residente acima da federação, Brasil, 2006 os grupos
                                                                                                   cor ou raça -(branca e preta & parda), população residente acima de 2006 (em %).
                                                                                                    Mapa 4.1 Taxa de alfabetismo da unidades da federação, Brasil, 15 anos de idade ou mais,
maiores diferenças entre as taxas                                                                segundo grupo de cor ou raça (branca e preta & parda), unidades da federação, Brasil, 2006 (em %)
de alfabetização dos brancos e                                                                              Brancos                                                          Pretos & Pardos
                                                                                                            Brancos                                                    Pretos & Pardos
dos pretos & pardos se davam no
Sul (5,9) e no Nordeste (5,8). Já as
menores diferenças foram verifi-
cadas no Sudeste (quatro pontos
percentuais) (gráfico 4.3).


4.2. Evolução do
Número Médio de
Anos de Estudos da
População Brasileira

    Por número médio de anos
                                                                          Fonte: IBGE, microdados PNAD.
de estudos compreende-se a ra-                                            Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                     Fonte: IBGE, microdados PNAD.
zão do somatório do número de                                        Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.


anos em que a população de um
determinado grupo etário, em seu
conjunto, estudou, dividido pelo número total de membros deste                                                                        do; homens pretos & pardos, 4,1 anos de estudo; e mulheres
mesmo grupo de idade. No caso, considera-se como anos de estudo                                                                       pretas & pardas, 4,4 anos de estudo. Em 2006, os mesmos in-
o número correspondente à última série com aprovação.                                                                                 dicadores haviam avançado, respectivamente, para 7,9; 8,1;
                                                                                                                                      6,0 e 6,4 anos de estudo.
    De 1995 a 2006, na população maior de 15 anos, ocorreu, en-
tre os brancos, um aumento de 1,6 anos de estudo (passou de 6,4                                                                           Recentemente, portanto, verificou-se um movimento de
para 8,0) e, entre os pretos & pardos, um aumento de 1,9 anos de                                                                      aumento, mais do que proporcional, das médias das escolari-
estudo (passou de 4,3 para 6,2). Assim, no ano de 2006, a média                                                                       dades das pessoas do sexo feminino acima de 15 anos de idade
de escolaridade dos pretos & pardos ainda não chegava ao nível                                                                        comparadas às do sexo masculino do mesmo intervalo etário.
fundamental completo (gráfico 4.5).                                                                                                   Esta mudança foi visível no interior de ambos os grupos de
                                                                                                                                      cor ou raça. A única diferença, nesse último caso, é que, no
    De todo modo, ocorreu uma pequena redução na diferen-                                                                             contingente preto & pardo, as mulheres, comparativamente
ça entre os números médios das pessoas brancas acima de 15                                                                            aos homens, já vinham apresentando maiores médias de anos
anos em relação às pretas & pardas da mesma faixa etária: de                                                                          de estudo desde antes de 1995, ao passo que, no contingente
2,1 para 1,8 ano de estudo. Assim, a taxa média de crescimen-                                                                         branco, as mulheres somente ultrapassaram os homens no
to anual do número de anos de escolaridade foi de 1,03 entre                                                                          ano de 1999 (tabela 4.3).
os brancos e de 1,06 entre os pretos & pardos.
                                                                                                                                         O grau de importância dessas alterações pode ser melhor
   Porém, a queda nas diferenças entre os dois grupos vem                                                                             avaliado com a análise do indicador de escolaridade nas fai-
ocorrendo a passos muito lentos. Mantido esse ritmo, as desi-                                                                         xas etárias mais avançadas. Até 2001, na população branca


                                                                                                                      Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                 69
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino




      Box 4.1. Taxa de analfabetismo da população em países latino-americanos: o caso do Equador

          Atualmente, o Equador é um               Gráfico 4.4 - Taxa de alfabetismo da população residente de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos étnico-raciais
                                                                              (brancos, mestiços, afro-equatorianos e indígenas), Equador, 2001 (em %)        %)
                                                              Gráfico 4.4 - Taxa de analfabetismo da população residente de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos étnico-

     dos países sul-americanos que vem                                          raciais (brancos, mestiços, afro-equatorianos e indígenas), Equador, 2001 (em

                                                             30
     realizando pesquisas demográficas
     com informações para a popula-
     ção afro-descendente que, em seu
     sistema censitário, engloba os que                      20

     se declaram, aos recenseadores,
     dentro das seguintes categorias fe-                                                                                                             28,1

     chadas: negro (afro-equatoriano)
     e mulato. O estudo das taxas de                         10

     analfabetismo da população acima
     de 15 anos de idade, gerado pelo                                                                                  10,3
                                                                                                                                                                             9,0
                                                                                            8,0
     recenseamento equatoriano de
                                                             4,7
     2001, mostra que os maiores índi-                        0
                                                                          Brancos                             Mestiços                         Afro-Equatorianos                 Indígenas   Equador
     ces eram verificados entre os indí-
     genas (28,1%), seguido pelos afro-                                     Fonte: Secrataria Técnica da Frente Social, República do Equador (Los afroecuatorianos en cifras).
                                                                            Nota: Afro-equatorianos = negro ou afro-equatoriano e mulato

     equatorianos (10,3%). Os brancos
     deste país, no ano de 2001, apresentavam uma taxa de analfabetismo de 4,7%. Portanto, 1,8 ponto percentual inferior à das pessoas de cor
     ou raça branca residentes no Brasil. Por outro lado, no começo do século XXI, a taxa de analfabetismo dos afro-equatorianos era inferior à dos
     afro-descendentes brasileiros que, em 2006, apresentavam um peso relativo de analfabetos dentro da população preta & parda na ordem de
     14,6%.




acima dos 25 anos, os homens Gráfico 4.5 - Anos médios raça (brancada preta & parda), Brasil,de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de cor
                                                        de estudos     população residente
                                            Gráfico 4.5 - Anos médiose de estudos da população residente anos de estudo) mais segundo os grupos de cor ou raça
                                             GráficoGráfico 4.5 médiosmédios de estudos da 1995-2006 (em de 15 de idade ou de idade ou mais segundo os grupos de cor
                                                    4.5 - Anos - Anosde estudos da populaçãopopulação de 15 anos de 15 de idade ou mais segundo os grupos de cor
                                                    ou                                         residente residente anos anos
apresentavam uma média de                                                (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em anos de(em anos de estudo)
                                                                           ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 estudo)
                                                                    ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em anos de estudo)
                           9
escolaridade ligeiramente su-         9
                                                                                                                                               8,0
                                              9
perior à das mulheres. Entre                                                                          7,4
                                                                                                                                                            8,0
                                                                                                                                                                 8,0

2001 e 2005, esses números se 6,4                                  6,8
                                                                                                                        7,4  7,4
                                                                                   6,8
igualaram e, em 2006, a média                   6,4    6,4
                                                                                          6,8                                                   6,2


das mulheres tornou-se ligei-
                           6
                                                                                                      5,4                                                    6,2 6,2


ramente superior. Em todos            6       6                    4,7
                                                                                                                        5,4   5,4


os demais grupos de idade (40
                               4,3
                                                                                   4,7    4,7
                                               4,3
anos de idade ou mais; 60 anos                        4,3


de idade ou mais), os homens
                           3
brancos tinham escolaridade
                                      3       3
média superior à das mulheres
(tabela 4.3).

   Entre os pretos & pardos, as
                            0
                                1995     1996           1997          1998            1999          2001           2002            2003           2004          2005          2006
mulheres acima de 25 anos já          0         0

apresentavam números maiores                 1995       1995 1996     1996 1997      1997 1998      1998 1999      1999 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004                      2005 2005 2006 2006
                                                                                              Brancos            Pretos & Pardos

que os dos homens, pelo me-             Fonte: IBGE, microdados Pnad.                                             Brancos
                                                                                                                           Brancos             Pretos & Pardos
                                                                                                                                        Pretos & Pardos
nos desde 1995. No contingente          Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                        Nota: entre os anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                                    Fonte: IBGE, microdados Pnad.
maior de 40 anos de idade, a                               Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                    Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                           Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                    Nota: entre os anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
partir de 2003, os números médios de anos de estudo de homens                                raça nas regiões geográficas, de 1995 a 2006. Em todas as re-
                                                           Nota: entre os anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)


e mulheres se igualaram e, em 2005, deram vantagem a elas.                                   giões e nos dois grupos houve aumentos, porém, com maior
Assim, foi apenas na faixa superior aos 60 anos de idade que os                              intensidade entre pretos & pardos. A região onde a média de
homens pretos & pardos apresentaram médias superiores às das                                 escolaridade de pretos & pardos mais cresceu relativamente
mulheres em todos os pontos da série histórica (tabela 4.3).                                 foi o Nordeste, com 50%. A mesma região registrou o maior
                                                                                             aumento da média de escolaridade entre os brancos: 31,4%.
   No gráfico 4.6, observa-se o comportamento do indicador                                   Nos dois grupos a menor elevação proporcional no indicador
entre os maiores de 15 anos dos distintos grupos de cor ou                                   ocorreu nas áreas urbanas da região Norte.


70                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino



    Tabela 4.3 - Números médios de anos de estudos- da população residente de estudos da população residente por faixas etárias selecionadas raça (branca e preta & parda) e sexo,
                                         Tabela 4.3 Números médios de anos por faixas etárias selecionadas e segundo os grupos de co r ou
                                       e segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1996-2006 (em anos de estudos)
                                                                       Brasil, 1995-2006 (em anos de estudos)
                              Homens Brancos                                        Mulheres Brancas                                    Homens Pretos & Pardos                     Mulheres Pretas & Pardas
     Ano       15 anos      25 anos       40 anos       65 anos         15 anos    25 anos       40 anos       65 anos        15 anos     25 anos   40 anos      65 anos   15 anos    25 anos   40 anos       65 anos
               ou mais      ou mais       ou mais       ou mais         ou mais    ou mais       ou mais       ou mais        ou mais     ou mais   ou mais      ou mais   ou mais    ou mais   ou mais       ou mais
    1995          6,4          6,3           5,3           3,6            6,4         6,1           4,9           3,1           4,1         3,9       2,9          1,3       4,4        4,0       2,6           1,1
    1996          6,5          6,4           5,4           3,6            6,5         6,2           5,0           3,2           4,3         4,1       3,1          1,5       4,7        4,2       2,9           1,2
    1997          6,6          6,5           5,6           3,7            6,7         6,4           5,2           3,3           4,4         4,1       3,1          1,6       4,7        4,2       2,9           1,2
    1998          6,8          6,6           5,8           3,8            6,8         6,5           5,3           3,4           4,5         4,2       3,3          1,6       4,9        4,3       3,1           1,3
    1999          6,9          6,7           5,9           4,0            7,0         6,6           5,5           3,4           4,7         4,3       3,4          1,5       5,0        4,5       3,2           1,4
    2001          7,2          6,9           6,1           4,0            7,3         6,8           5,8           3,6           5,0         4,6       3,7          1,8       5,3        4,8       3,6           1,6
    2002          7,3          7,0           6,3           4,2            7,4         7,0           5,9           3,7           5,2         4,8       3,8          1,9       5,6        5,0       3,7           1,6
    2003          7,5          7,2           6,5           4,3            7,6         7,2           6,1           3,8           5,4         4,9       3,9          2,0       5,8        5,2       3,9           1,8
    2004          7,6          7,3           6,5           4,5            7,7         7,3           6,2           3,9           5,6         5,1       4,1          2,0       6,0        5,4       4,1           1,8
    2005          7,7          7,4           6,7           4,5            7,8         7,4           6,4           3,9           5,8         5,2       4,2          2,1       6,2        5,5       4,3           2,0
    2006          7,9          7,6           6,8           4,6            8,1         7,7           6,6           4,2           6,0         5,5       4,4          2,3       6,4        5,7       4,5           2,1


   Fonte: IBGE, microdados Pnad.
   Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
   Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).



                                                                   Gráfico 4.6 - Anos médios de estudos da população residente acima de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de

4.3. Indicadores                                                              cor ou raça (branca e preta & parda), regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em anos de estudos).
                                                                         Gráfico 4.6 - Anos médios de estudos da população residente acima de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de
                                                                               Gráfico 4.6 - raça (branca depreta & parda), regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em anos segundo os grupos
                                                                                    cor ou Anos médios e estudos da população residente acima de 15 anos de idade ou mais de estudos).
Quantitativos de                                           12                            de cor ou raça (branca e preta & parda), regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em anos de estudos)
Cobertura da                                                       12

Rede Escolar
                                                                                                                                           8,5
    Na presente seção, são fei- 8         8,1                                                                          8,5                            7,8
                                                                                                                                                                                     8,2
                                                                                                                                                                                      8,2
tas análises sobre os indicado-        8
                                                 8,1
                                                           6,9
                                                                               6,7
                                                                                                              6,8
                                                                                                                                     6,8
                                                                                                                                                         7,8

                                                                                                                                                                                6,4                   6,7
res que medem o acesso à rede        6,6
                                            6,6
                                                                    6,9
                                                                                     6,7
                                                                                                                   6,8
                                                                                                                                         6,8    6,2
                                                                                                                                                   6,2
                                                                                                                                                                        6,1
                                                                                                                                                                          6,1
                                                                                                                                                                                 6,4                   6,7
                                                                                                 5,4
de ensino por parte de crian-                        5,1
                                                             5,1
                                                                          5,1
                                                                                5,1
                                                                                                      5,4
                                                                                                                               4,9                                                              4,9
ças e adolescentes brasileiros, 4                                                         3,6
                                                                                                                                   4,9                           4,3
                                                                                                                                                                   4,3
                                                                                                                                                                                                 4,9


desagregados pelos grupos de           4                                                        3,6


cor ou raça e sexo, no intervalo
entre os anos de 1995 e 2006.
Como tais indicadores medem 0
                                       0
antes o grau de cobertura do          BrancosBrancos
                                                  Pretos & PardosPardos
                                                         Pretos &
                                                                          Brancos
                                                                                Brancos
                                                                                       Pretos & Pardos
                                                                                             Pretos & Pardos
                                                                                                              Brancos
                                                                                                                   Brancos
                                                                                                                            Pretos & Pardos
                                                                                                                                Pretos & Pardos
                                                                                                                                                Brancos
                                                                                                                                                    Brancos
                                                                                                                                                              Pretos & & Pardos
                                                                                                                                                                 Pretos
                                                                                                                                                                        Pardos  Brancos
                                                                                                                                                                                 Brancos
                                                                                                                                                                                             Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                              Pretos & Pardos

sistema escolar do que sua                 Norte UrbanoUrbano
                                                  Norte                            Nordeste
                                                                                         Nordeste                      Sudeste
                                                                                                                            Sudeste                          Sul
                                                                                                                                                               Sul                    Centro-Oeste
                                                                                                                                                                                       Centro-Oeste


qualidade, serão entendidos                                                                                        19951995     20062006
como quantitativos. Nem por
                                          Fonte: IBGE, microdados Pnad. Pnad.
                                                 Fonte: IBGE, microdados
isso, tal dimensão deve ser               Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                 Nota: não população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                          Nota: não inclui a inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
desprezada, pois aponta para
aspectos importantes acerca
do atendimento do sistema es-
colar. Sinteticamente, em qualquer contexto, é mais positivo                                          De 1995 a 2006, houve ampliação da cobertura do sistema
que uma criança ou adolescente freqüente a escola, seja em                                     educacional brasileiro em todos os grupos de cor ou raça em ida-
que série for, do que fique fora dela. Assim, nesta seção, se-                                 de para freqüentar a creche, pré-escola, o ensino fundamental
rão debatidas as taxas de cobertura do sistema de ensino para                                  e o ensino médio. Na verdade, os números mostram que, para
crianças e adolescentes de quatro a 17 anos de idade e as taxas                                alguns grupos etários, ocorreu, praticamente, uma universaliza-
brutas de escolaridade da população.                                                           ção do atendimento do sistema de ensino.

4.3.1. Taxa de Cobertura do Sistema Escolar                                                                                  Assim, naquele período e em todo o país, entre as crianças de
                                                                                                                         quatro a seis anos, a taxa de cobertura do sistema escolar (creche,
    Por taxa de cobertura do sistema escolar entende-se o percen-                                                        pré-escola e escola seriada) saltou de 56,3% para 78,4%, no grupo
tual de pessoas de uma determinada faixa de idade que estão fre-                                                         das brancas, e de 50,5% para 74%, no grupo das pretas & pardas.
qüentando a escola seriada, independentemente da série que este-                                                         Para as crianças de sete a 14 anos de idade, com a quase universali-
jam, efetivamente, cursando. Por razões mais ou menos evidentes,                                                         zação do sistema de ensino para esta faixa etária, as desigualdades
esse indicador é capaz de mensurar antes o raio de atendimento do                                                        raciais praticamente terminaram no período em questão. Nesta
sistema de ensino à população, especialmente a infanto-juvenil, do                                                       faixa de idade, a cobertura do sistema de ensino, passou, no caso
que, propriamente, a sua qualidade.                                                                                      das crianças brancas, de 94,6% para 98,8%, e no caso das crianças


                                                                                                            Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                            71
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino




     Box 4.2. Taxa de analfabetismo e anos médios de estudo nas áreas urbanas e rurais brasileiras:
     qual o formato das assimetrias de cor ou raça?

          Em geral, os estudos e análises sobre as assimetrias de cor ou raça, na educação, vêm dando pouca atenção aos indicadores desagre-
     gados para as populações urbanas e rurais. De fato, essa lacuna acaba representando a perda de uma importante dimensão assumida pelas
     desigualdades desta natureza. Assim, no ano de 2006, entre a população com idade superior a 25 anos, a taxa de alfabetização entre brancos
     residentes em áreas urbanas e rurais era de, respectivamente, 93,7% e 79,5%, correspondendo a uma diferença de 14,2 pontos percentuais.
     Entre as pessoas de cor ou raça preta & parda residentes nas áreas urbanas e rurais, as respectivas taxas de alfabetização, da população acima
     de 25 anos de idade, eram de 85,7% e 62,2%. Essa diferença perfazia uma assimetria de 23,5 pontos percentuais, além de indicar que, no meio
     rural, quase 40% das pessoas pretas & pardas não sabiam ler nem escrever. Desse modo, a diferença entre as taxas de alfabetização da popu-
     lação branca, que vivia na cidade, e preta & parda, que vivia no meio rural, em 2006, era de expressivos 31,5 pontos percentuais (tabela 4.4).
          A análise dos anos médios de estudos, decompostos pelos grupos de cor ou raça e pela área de residência urbana ou rural, revela
     que, em 2006, uma pessoa branca com mais de 25 anos de idade e que vivia no meio rural, apresentava uma escolaridade média - medida
     em anos de estudos - pouco superior à metade daquela apresentada por uma pessoa da mesma cor ou raça que vivia na área urbana.
     Comparativamente com os pretos & pardos do mesmo grupo etário, que também viviam nas cidades, a média de anos de estudos dos
     brancos das áreas rurais era 30,6% inferior. Todavia, os pretos & pardos que viviam nas áreas rurais apresentavam médias de anos de
     estudo ainda mais modestas. Desse modo, para as
                                                                        Tabela 4.4 - Taxa de alfabetização e anos médios de escolaridade da população
     pessoas daquele mesmo grupo etário, a diferença                  Tabela 4.44.4Taxa de alfabetização e anosanos médios de escolaridade da população os
                                                                       residente - - Taxa de alfabetizaçãoárea de residência (urbana ou rural) segundo
                                                                            Tabela acima de 25 anos por e médios de escolaridade da população residente
     da média de escolaridade de uma pessoa preta &                   residenteacima dedecor anos por(branca e (urbana& parda), Brasil, 2006 (em %) os
                                                                               grupos de anosou raçadeárea de residênciarural) segundo rural) segundo
                                                                                  acima 25 25 por área residência preta ou (urbana ou os grupos
                                                                              grupos dede corou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em %)
                                                                                           cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em %)
     parda residente na área urbana em relação às pre-
                                                                                                         Taxa de Alfabetização                Anos Médios de Estudos
     tas & pardas que viviam na área rural era de 113,8%                   Cor ou Raça                 Taxa de Alfabetização              Anos Médios de Estudos
                                                                          Cor ou Raça                  Urbanos               Rurais           Urbanos         Rurais
     (ou de 3,3 anos de estudos). Em 2006, as médias de                                              Urbanos              Rurais          Urbanos         Rurais
                                                                   Brancos                               93,7                 79,5               8,1            4,3
     anos de estudos, que separavam uma pessoa bran-              Brancos                              93,7                79,5               8,1           4,3
                                                                   Pretos & Pardos                       85,7                 62,2               6,2            2,9
     ca que vivia nas áreas urbanas de uma pessoa preta           Pretos & Pardos                      85,7                62,2               6,2           2,9
                                                                   Assimetrias Relativas                 9,4%                27,8%             30,4%          47,3%
     & parda que vivia nas áreas rurais, atingiam 5,2 anos        Assimetrias Relativas                9,4%               27,8%             30,4%         47,3%
     de estudos, total superior a um dos ciclos do ensino          Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                  Fonte: IBGE, microdadosFichário das Desigualdades Raciais.
                                                                   Tabulações: LAESER: Pnad.
     fundamental (tabela 4.4).                                    Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.




pretas & pardas, de 88,2% para 97,7%. Portanto, a diferença relati-                                          das pessoas do segundo grupo fossem iguais ou superiores aos do
va entre os dois grupos foi de 1,1 ponto percentual no ano de 2006.                                          primeiro (tabela 4.5).

    Entre os jovens de 15 a 17 anos de idade, as distâncias relativas de                       Em 2006, entre as crianças de quatro a seis anos, as maiores
cor ou raça também diminuíram, passando de 14%, em 1995, para                            taxas de cobertura de creches, pré-escolas ou escolas seriadas
6,8%, em 2006. As taxas
evoluíram da seguinte                        Gráfico 4.7 - Taxa de cobertura da rede escolar à população residente segundo faixas etárias selecionadas (6 a 4 anos, 7
                                             Gráfico 4.7 - 14 anos cobertura anos) e escolar à população residente segundo faixas etárias selecionadas (6(em anos, 7
                                                        a Taxa de e 15 a 17 da rede grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); Brasil, 1995-2006 a 4 %)
forma: entre os bran-                                   a 14 anos e 15 a 17 anos) e grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); Brasil, 1995-2006 (em %)
cos, passou de 71%, em                                                              97,1
                                                                                                                            98,2                                      98,8

1995, para 85,1%, em             100
                                        94,6

2006, e, entre os pretos                                                            93,8
                                                                                                                             96,8                                     97,7

                                  90
& pardos, de 62%, em                                                                                                       84,4                                        85,1
                                       88,2                                        79,9
1995, para 79,6%, em              80                                                                                        78,6
                                                                                                                                                                        79,6

                                                                                                                                                                        78,4
2006 (gráfico 4.7).                   71,0
                                                                                   72,9
                                                                                                                                                                       74,0
                                                                                                                                    69,6
                                       70


     Entre as grandes
                                             62,0
                                                                                                    60,0
                                                                                                                                   64,3

regiões, no ano de
                                       60
                                                    56,3

2006, os indicadores de                50
                                                                                                    55,9


brancos, de um lado, e                              50,5


de pretos & pardos, de                 40
                                              1995             1996             1997             1998             1999   2001    2002      2003   2004             2005               2006
outro, eram, invaria-
velmente, próximos.                                                                                                                                      Brancos 4 a 6 anos
                                                                                                                                                         Brancos 7 a 14 anos
                                                     Fonte: IBGE, microdados Pnad.
Entretanto, não foi ve-                              Tabluações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                            Brancos 15 a 17 anos
                                                                                                                                                         Pretos & Pardos 4 a 6 anos
                                                     Nota: Entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
rificado nenhum caso                                 residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).                                      Pretos & Pardos 7 a 14 anos
                                                                                                                                                         Pretos & Pardos 15 a 17 anos
no qual os indicadores


72                Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino


eram as do Sudeste, entre as
brancas (84,1%) e, curiosamen-                             Tabela 4.5 - Taxa de cobertura da rede escolar da população residente por faixas etárias selecionadas
                                             Tabela 4.5 - Taxa de cobertura da rede escolar da população residente por faixas etárias selecionadas (6 a 4
                                             Tabela 4.5 - Taxa de cobertura da rede escolar da população residente por faixas etárias selecionadas (6 a 4
te, do Nordeste, entre as pretas                 anos; 7 a 14 (6 a 4 anos; 7 a 14 anos, e segundosegundo os grupos de cor ou raça (branca preta & parda);
                                                              anos, 15-17 anos) 15-17 anos) e os grupos de cor ou raça (branca e e preta & parda); regiões
                                                 anos; 7 a 14 anos, 15-17 anos) e segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); regiões
                                                                                           regiões geográficas, Brasil, 2006 (em %)
                                                                                           geográficas, Brasil, 2006 (em %)
& pardas (79,5%). Já as meno-                                                              geográficas, Brasil, 2006 (em %)
                                                                                        Brancos                                             Pretos & Pardos
res ocorreram entre as brancas               Grande Região
                                             Grande Região
                                                                                        Brancos                                             Pretos & Pardos
                                                                 4 a 6 anos          7 a 14 anos       15 a 17 anos           4 a 6 anos       7 a 14 anos       15 a 17 anos
do Norte (66,8%) e as pretas &                                   4 a 6 anos          7 a 14 anos       15 a 17 anos           4 a 6 anos       7 a 14 anos       15 a 17 anos
                                             Norte                   66,8                 97,0              81,0                 63,4              96,5              78,5
pardas do Sul e do Centro-Oeste              Norte                   66,8                 97,0              81,0                 63,4              96,5              78,5
                                             Nordeste                82,9                 98,2              81,4                 79,5              97,3              79,0
(69,2%). A maior distância re-               Nordeste
                                             Sudeste
                                                                     82,9
                                                                     84,1
                                                                                          98,2
                                                                                          99,2
                                                                                                            81,4
                                                                                                            87,9
                                                                                                                                 79,5
                                                                                                                                 76,7
                                                                                                                                                   97,3
                                                                                                                                                   98,4
                                                                                                                                                                     79,0
                                                                                                                                                                     81,7
lativa entre os grupos de cor ou             Sudeste
                                             Sul
                                                                     84,1
                                                                     67,4
                                                                                          99,2
                                                                                          98,9
                                                                                                            87,9
                                                                                                            82,7
                                                                                                                                 76,7
                                                                                                                                 62,9
                                                                                                                                                   98,4
                                                                                                                                                   98,4
                                                                                                                                                                     81,7
                                                                                                                                                                     73,1
                                             Sul                     67,4                 98,9              82,7                 62,9              98,4              73,1
raça foi registrada no Centro-               Centro-Oeste            72,9                 99,1              86,3                 62,9              98,4              81,0
                                             Centro-Oeste            72,9                 99,1              86,3                 62,9              98,4              81,0
Oeste (15,9%) e a menor, no Nor-
deste (4,3%) (tabela 4.5).                  Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                            Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                            Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                            Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.

    No mesmo ano, a quase uni-
versalização da cobertura da rede de ensino, para as crianças                                  dos (uma em cada cinco). Em números absolutos, aquelas porcen-
entre sete e 14 anos, também tornou ínfimas as desigualdades                                   tagens representavam a situação de vida de 1,85 milhão de jovens
entre os dois grupos de cor ou raça, nesta faixa etária, em todas                              - 61,8% pretos & pardos (gráfico 4.8).
as regiões. A maior diferença, de 0,9 ponto percentual, ocorreu
no Nordeste. Entre as brancas, a maior taxa foi encontrada no                                      Mesmo entre as crianças de sete a 14 anos, apesar de a porcen-
Sudeste (99,2%) e a menor, no Norte (97%). Já entre as pretas &                                tagem das que não freqüentavam a escola ser proporcionalmente re-
pardas a maior foi no Sudeste, Sul e Centro-Oeste (as três com                                 duzida (1,2% das brancas e 2,3% das pretas & pardas), ainda assim,
98,4%) e a menor, no Norte (96,5%) (tabela 4.5).                                               o total pode ser considerado alarmante – 442,2 mil, sendo sete em
                                                                                               cada 10 pretas & pardas (gráfico 4.8).
    As taxas entre adolescentes de 15 a 17 anos das regiões reve-
lam, em comparação à faixa etária anterior, uma sensível queda                                 4.3.2. Taxa Bruta de Escolaridade
na freqüência escolar. Assim, em 2006, as maiores coberturas se
davam na região Sudeste, tanto para brancos (87,9%) como para                                      Por taxa bruta de escolaridade compreende-se a razão entre
pretos & pardos (81,7%). As menores estavam no Norte, tanto                                    o total de estudantes que está freqüentando um determinado
para os brancos (81%), como para os pretos & pardos (78,5%).                                   nível de ensino, independentemente de sua idade, dividido pela
Em pontos percentuais, a maior diferença relativa entre as taxas                               população total com idade correspondente ao mesmo nível de
de jovens de 15 a 17 anos destes dois grupos de cor ou raça foi re-                            ensino. Assim, define-se como população em idade de freqü-
gistrada no Sul (9,6 pontos percentuais), enquanto que a menor,                                ência ao ensino fundamental a que tem entre sete e 14 anos de
no Nordeste (2,4) (tabela 4.5).                                                                idade e população em idade de freqüência ao ensino médio a
                                                                                               que tem entre 15 e 17 anos de idade.
     Apesar da expansão
da rede de ensino, de                             Gráfico 4.8 - População residente de crianças e adolescentes de faixas etárias selecionadas que não freqüentavam
                                             Gráfico 4.8 - pré-escolaresidente de crianças e adolescentes deou raçaetárias selecionadas que não freqüentavam creche, de
                                                           População e escola segundo os grupos de cor faixas (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em número
1995 a 2006, benefician-                        creche,
                                                pré-escola e escola segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em número de pessoas)
                                                                                                          pessoas)
do milhões de crianças        1.600.000

e jovens, não se pode
afirmar que houve a                                                  1.302.124
efetiva universalização                                                                                                                                     1.144.214
                              1.200.000
até 2006. Afinal, neste
último ano, 21% das                                    936.176
crianças brancas e 26%
das crianças pretas &          800.000                                                                                                        708.292


pardas entre quatro e
seis anos estavam fora
da creche, pré-escola          400.000                                                                              313.506
ou escola seriada. Em
números: 2,24 milhões,                                                                                128.703
das quais 58,2% pre-
tas & pardas. Entre os               0
                                                              4 a 6 anos                                   7 a 14 anos                             15 a 17 anos
jovens de 15 a 17 anos,
essa situação afetava                                                                                   Brancos   Pretos & Pardos


14,9% dos brancos e                Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.

20,4% dos pretos & par-


                                                                                   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                           73
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino


    A taxa bruta de escolaridade
                                                                   Gráfico 4.9Gráfico 4.9 - Taxa escolaridade no ensino fundamental da população residente segundo os grupos de cor ou
                                                                               - Taxa bruta de bruta de escolaridade no ensino fundamental da população residente segundo os grupos
permite a análise da freqüência                                                                   de cor ou raça e preta & preta &e sexo,e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                                  raça (branca (branca e parda) parda) Brasil, 1995-2006 (em %)

escolar de toda a população e não                           135,0
apenas daqueles que possuem a
idade padrão para freqüentar a                              130,0

escola. Por este mesmo motivo,
                                                            125,0
o indicador também expressa
parcialmente o nível de defasa-                             120,0

gem escolar dos alunos. Por ou-
                                                            115,0
tro lado, pela forma como é cal-
culado, não é incomum que, em                               110,0

alguns casos, o indicador supere
                                                            105,0
100%, pois o numerador e o de-
nominador nem sempre corres-                                100,0

pondem ao mesmo grupo.                                                  1995         1996          1997           1998           1999           2001            2002              2003          2004           2005        2006




     De 1995 a 2006, a taxa bruta                                                                                                                        Homens Brancos
                                                                                                                                                         Mulheres Brancas

de escolaridade no ensino funda-                       Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                                         Total Brancos
                                                                                                                                                         Homens Pretos & Pardos
mental, em todo o país, passou de                      Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas
                                                       áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                                                                                                                                         Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                         Total Pretos & Pardos
117,7% para 114,3% no contingen-
te de cor ou raça branca e de 109%
para 121,9%, no de cor ou raça preta & parda. Assim, esse indicador                                a tendência geral, as taxas, tanto de homens como de mulheres,
foi um dos poucos a aparentar melhoria das condições de vida dos                                   declinaram, a partir de 2003, entre pretos & pardos, e a partir de
pretos & pardos, quando comparado com o dos brancos. Na verdade,                                   2004, entre brancos (gráfico 4.9).
desde 1997 a taxa dos pretos & pardos já era maior (gráfico 4.9).
                                                                                                         A taxa bruta de escolaridade no ensino médio de todo o país
     Esse indicador revela o inédito ingresso em massa de pretos &                                 passou de 66,7% para 103%, na população branca, e de 36,1% para
pardos no sistema de ensino. Mas, reflete a presença de uma parcela                                87,7%, na preta & parda. Nota-se uma significativa aproximação
razoável, dessa população, em idades acima da adequada aos respec-                                 em pontos percentuais, de 30,6, em 1995 e, 15,3, em 2006, em am-
tivos níveis de ensino e em proporção maior do que entre as pessoas                                bos os casos favoráveis aos de cor ou raça branca. Por outro lado,
brancas que também freqüentavam a escola. De todo modo, desde                                      ao contrário do ocorrido no ensino fundamental, a taxa de pretos &
1998, entre o contingente branco, e 2001, entre o preto & pardo, as                                pardos não ultrapassou a dos brancos. Ou seja, esse último grupo
taxas vêm caindo, indicando declínio das defasagens entre idade e                                  ainda não conseguiu alcançar de forma massiva o ensino médio,
série estudada (gráfico 4.9). Mais adiante, quando forem vistos os                                 mesmo em situação de defasagem escolar (gráfico 4.10).
indicadores que aferem
a qualidade do sistema Gráfico 4.10 - Taxa bruta de escolaridade no ensino médio da população residente segundo os grupos de cor ou raça
                                                 Gráfico 4.10 - Taxa bruta de escolaridadeBrasil, 1995-2006da população residente segundo grupos de cor ou raça
                                                       (branca e preta & parda) e sexo, no ensino médio (em %)
                                        Gráfico 4.10 - Taxa bruta de escolaridade no ensino médio da população residente segundo osos gruposde cor ou raça
de ensino, tal realidade                                                     (branca e pretapreta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                     (branca e & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
ficará evidente.
                    120,0
                                                                                                                                                      108,5
                                 120,0
                        110,0                                                                                                           108,6                                                                            108,5
                                        110,0                                                                                                                                                            103,0
    No mesmo perío-     100,0
                                                                                                                                        103,1
                                                                                                                                        97,4
                                                                                                                                                            108,6
                                                                                                                                                            103,1                                         99,6                 103,0

do, ao desagregar os
                   90,0
                                        100,0
                                                                                     91,7                                                                   97,4                                         97,1                   99,6
                                                                                                                                                                                                          87,7
índices por sexo, veri-
                   80,0
                                           90,0                                      83,6
                                                                                                           91,7                         85,5                                                                                   97,1
                                                                                                                                                                                                                                87,7
                                                                                                                                                            85,5
fica-se que os homens               74,6 80,0                                        75,3
                                                                                                           83,6
                                                                                                                                        74,8
                                                                                                                                                                                                          76,6

                   70,0                                                                                                                                                                                                         76,6
brancos tiveram taxas               66,7
                                           70,0
                                                            74,6                                           75,3
                                                                                                                                        64,8
                                                                                                                                                            74,8


superiores às das 60,0
                   mu-              59,0                    66,7                     61,4

                                                                                                           61,4
                                                                                                                                                            64,8
                                           60,0
lheres brancas no 50,0
                    en-                                     59,0                     51,6

                                                                                                           51,6
sino fundamental, 40,0
                   em-              43,8
                                           50,0                                      42,4

bora, a partir de 2004,
                   30,0
                                    36,1 40,0
                                                            43,8                                           42,4


tenha ocorrido uma                  28,8
                                           30,0
                                                            36,1

                   20,0
aproximação. Já entre            1995
                                           20,0
                                                  1996
                                                            28,8
                                                                    1997          1998           1999             2001            2002            2003              2004                 2005          2006

os pretos & pardos, em                                   1995              1996          1997           1998             1999            2001            2002              2003           2004                2005        2006
                                                                                                                                                                                   Homens Brancos
1997, ocorreu uma al-                                                                                                                                                              Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                       Homens Brancos

teração de posições: a                                                                                                                                                             Total Brancos
                                                                                                                                                                                                        Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                   Homens Pretos & Pardos
                                           Fonte: IBGE, microdados Pnad.                                                                                                                                Total Brancos
taxa dos homens ultra-                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                 Fonte: e 2003 não inclui população residente nas
                                                                                                                                                                                   Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                                        Homens Pretos & Pardos
                                           Nota: entre os anos de 1995 IBGE, microdadosaPnad.                                                                                      Total Pretos & Pardos
passou a das mulheres.                     áreas rurais da regiãoTabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                  Norte (exceto Tocantins).
                                                                 Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas
                                                                                                                                                                                                        Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                                       Total Pretos & Pardos

Porém, acompanhando                                              áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).




74                Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino


    As taxas brutas de escolari-
                                               Tabela 4.6Tabela 4.6 - Taxade escolaridade da população residenteensino fundamental da população população
                                                            - Taxa bruta bruta de escolaridade da população residente no no ensino fundamental da
dade no ensino médio, no perío-              segundo os grupos de cor de cor ou raça (branca epreta & parda) e sexo, grandes regiões,regiões, Brasil, 2006 (em %)
                                                           segundo os grupos ou raça (branca e preta & parda) e sexo, grandes Brasil, 2006 (em %)
do entre 1995 e 2006, decompos-                                                     Brancos                                        Pretos & Pardos
tas pelos grupos de cor ou raça e          Grande Região
                                                                 Homens            Mulheres           Total             Homens          Mulheres          Total
sexo, caminharam positivamen-             Norte                    120,2             115,2            117,6              121,7           122,3            121,9
te para todos os grupos que vêm           Nordeste                 123,6             123,7            123,6              128,4           126,1            127,3
sendo analisados. Contudo, com             Sudeste                 111,7             112,3            112,0              116,6           116,3            116,5
especial incremento para o grupo           Sul                     111,1             109,9            110,5              119,5           111,8            115,6
preto & pardo. Assim, medida em            Centro-Oeste            116,4             114,5            115,4              122,7           119,4            121,1
pontos percentuais, a taxa bruta
                                          Fonte: IBGE, microdados Pnad.
de escolaridade no ensino médio           Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.

entre homens e mulheres bran-
cos aumentou, respectivamente,
38,1 e 33,9 e a dos pretos & pardos, 47,8 e 55,8 (gráfico 4.10).                         As menores taxas dos homens se davam no Nordeste, entre os
                                                                                    brancos, de 82,8%, e, no Sul, entre os pretos & pardos, de 68,4%.
    A tabela 4.6 mostra as taxas brutas de escolaridade no en-                      Já entre as mulheres, as menores foram de 105,5% das brancas e de
sino fundamental desagregadas por grupos de cor ou raça e                           95,3% das pretas & pardas, ambas no Nordeste (tabela 4.7 ).
sexo, nas regiões geográficas, em 2006. Em todas, as taxas
brutas de pretos & pardos eram superiores às dos brancos, em
ambos os sexos.                                                                     4.4. Indicadores da Qualidade do Sistema de
                                                                                    Ensino e do Aproveitamento Escolar
    Os maiores indicadores no contingente branco foram regis-
trados no Nordeste, tanto para os homens (123,6%), como para as                          Nesta seção são analisados alguns indicadores de medida
mulheres (123,7%). O mesmo aconteceu com os homens (128,4%)                         do grau de proficiência do sistema de ensino. Esses são função
e mulheres (126,1%) do contingente preto & pardo. As menores ta-                    da intensidade das reprovações e do abandono da sala de aula
xas da população branca ocorreram no Sul, nos homens (111,1%)                       – que acarretam distorção entre a idade e a respectiva série e ní-
e nas mulheres (109,9%). Na população preta & parda as menores                      vel de ensino – bem como da efetiva capacidade de aprendiza-
taxas foram registradas no Sudeste, entre os homens (116,6%), e                     do demonstrada pelos estudantes ao final dos níveis escolares.
no Sul, entre as mulheres (115,6%).                                                 Assim, são abordados os seguintes indicadores: taxa líquida de
                                                                                    escolaridade; taxa de adequação de crianças e jovens ao sistema
    De todo modo, o comportamento desses indicadores, no qual                       de ensino; taxa de eficiência do sistema escolar; e proficiência
os dados apresentados pela região mais pobre do país aparecem                       nas provas de Português e Matemática do Sistema Nacional de
como mais avançados comparativamente às demais, reforça aná-                        Avaliação da Educação Básica (Saeb).
lises anteriores que apontavam a taxa bruta de escolaridade como
reflexo da defasagem escolar (tabela 4.6).                                          4.4.1. Taxa Líquida de Escolaridade

    Em 2006, ao contrário do ensino fundamental, no ensino                              Trata-se da razão entre a população que freqüenta a escola em
médio verifica-se que, em todas as regiões, os indicadores dos                      um determinado nível de ensino, na idade adequada, e a população
brancos superavam os dos pretos & pardos. As maiores taxas dos                      total com essa idade, sendo: sete a 14 anos, no ensino fundamental,
homens ocorreram no Sudeste: 106,5% entre os brancos e 86,4%                        e 15 a 17 anos, no médio. Assim, não leva em conta o contingente
entre os pretos & pardos. Entre as mulheres, foram registradas                      que, embora freqüente a escola, está fora da idade esperada.
no Sudeste, de 110,4% entre as brancas e no Centro-Oeste, de
106,1% entre as pretas & pardas.                                                                     O gráfico 4.11 aponta a evolução, de 1995 a 2006, da taxa lí-
                                                                                                                                 quida de escolaridade nos níveis
                                                                                                                                 de ensino fundamental e médio,
   Tabela 4.7 - Tabela 4.7 - Taxa bruta de escolaridade no ensinomédioda população residente segundo os grupos de cor
                  Taxa bruta de escolaridade no ensino médio da população residente segundo os grupos de cor
                    ou raça (branca e preta & parda) e e sexo, regiões geográficas, Brasil,Brasil, 2006 (em %)
                              ou raça (branca e preta & parda) sexo, regiões geográficas, 2006 (em %)                            decomposta pelos grupos de cor
                                             Brancos                                           Pretos & Pardos
                                                                                                                                 ou raça. No ensino fundamental
  Grande Região
                         Homens              Mulheres             Total         Homens            Mulheres            Total
                                                                                                                                 houve um movimento de conver-
                                                                                                                                 gência entre ambos os grupos.
  Norte                    87,4                108,9              99,0            74,5              100,3             86,6
  Nordeste                 82,8                105,5              94,9            71,0               95,3             82,6
                                                                                                                                 Assim, em 1995, a taxa era de
  Sudeste                  106,5               110,4             108,5            86,4              103,4             94,8
                                                                                                                                 90,2% entre as crianças brancas
  Sul                       90,9               105,8              98,4            68,4               97,5             81,4
                                                                                                                                 e de 80,8% entre as pretas & par-
  Centro-Oeste              96,3               113,2             104,7            76,5              106,1             90,6       das. Onze anos depois, o mesmo
                                                                                                                                 indicador, entre as brancas, subiu
  Fonte: IBGE, microdados Pnad.                                                                                                  para 95,8% e, entre as crianças
  Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                 pretas & pardas, para 94,3%.


                                                                           Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                      75
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino



                  Gráfico 4.11 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente segundo os grupos
                                  Gráfico 4.11 - Taxa líquida líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente segundo os grupos
                                            Gráficocor e- raça (branca e preta &no ensino fundamental e médio da população residente segundo
                                               de 4.11 Taxa
                                                                de escolaridade
                                                                                  parda), Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                              os grupos deraçae(branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                 de cor e cor raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %)

                                                                   93,4                                          94,9                                           95,8
      100,0                                                                            93,4                                        94,9                                              95,8
                90,2100,0
                                     90,2
                                                                                                                                                                    94,3
                                                                                                                                                                                       94,3
                                                                                                                  92,8
                                                                     88,6                                                          92,8
       80,0                                                                               88,6
                       80,0
                80,8
                                    80,8
                                                                                                                                                                       59,1
                                                                                                                                                                                            59,1
                                                                                                                 53,1
       60,0                                                                                                                        53,1
                       60,0
                                                                  41,3
                                                                                      41,3
                                                                                                                                                                       37,8
               32,6                                                                                                                                                                         37,8
       40,0                        32,6                                                                           28,6
                       40,0                                                                                                         28,6

                                                                   18,8
                                                                                       18,8

       20,0    12,1
                       20,0        12,1




        0,0
                        0,0
              1995             1996            1997             1998            1999             2001         2002          2003           2004           2005             2006
                                  1995            1996             1997            1998             1999         2001          2002           2003           2004             2005             2006



                                                                                                                                            Ensino Fundamental Brancos
                                                                                                                                                              Ensino Fundamental Brancos
                                                                                                                                            Ensino Fundamental Pretos &
                       Fonte: IBGE, microdados Pnad.                                                                                                          Ensino Fundamental Pretos &
                                           Fonte: IBGE, microdados Pnad.                                                                    Pardos
                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                               Pardos
                                                                                                                                            Ensino Médio Brancos
                       Nota: entre os anos Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                           de 1995 e 2003 não inclui a população                                                                              Ensino Médio Brancos
                       residente nas áreasNota: entre os anos de(exceto Tocantins).
                                            rurais da região Norte 1995 e 2003 não inclui a população                                       Ensino Médio Pretos & Pardos
                                           residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).                                                     Ensino Médio Pretos & Pardos




    A mesma taxa no ensino médio também apresentou aumen-                                                       tas & pardas conseguiram números melhores que os dos homens
tos no período, com redução de desigualdades entre ambos os                                                     brancos (tabela 4.8).
contingentes. Assim, a taxa líquida de escolaridade dos jovens
brancos passou de 32,6% para 59,1% (aumento de 81,3% da co-                                                         As diferenças de cor ou raça, dentro de cada grupo de sexo,
bertura de ensino), e a dos pretos & pardos, mais que triplicou,                                                também se reduziram expressivamente. Assim, a diferença entre
passou de 12,1% para 37,8% (gráfico 4.11).                                                                      as taxas líquidas de escolaridade de homens brancos e pretos &
                                                                                                                pardos, que, em 1995, era de 204,3% favoravelmente aos primei-
     Entretanto, apesar dessas informações positivas, no final do pe-                                           ros, em 2006, caiu para 68,2%. Entre as mulheres, a mesma van-
ríodo, a taxa líquida de escolaridade dos jovens pretos & pardos não                                            tagem caiu de 146% para 45,2% (tabela 4.8).
era muito melhor do que a dos brancos onze anos antes. Em 2006,
enquanto mais de quatro em cada 10 jovens brancos nem estudavam                                                      A análise da taxa líquida de escolaridade no ensino fundamen-
ou não estavam em algumas das três séries do ensino médio, entre                                                tal, desagregada por cor ou raça nas regiões geográficas, em 2006,
os jovens pretos & pardos esse número era superior a seis.                                                      revela uma quase convergência entre os brancos e os pretos & par-
                                                                                                                dos. No Norte chegava a haver uma ligeira vantagem para os pretos
    A desagregação das taxas líquidas de escolaridade no ensi-                                                  & pardos e, no Sul, as respectivas taxas estavam igualadas.
no fundamental por grupos de cor ou raça e sexo mostra que,
tanto em 1995 como em 2006, havia uma aproximação dos in-                      Contudo, no ensino médio, verifica-se que, naquele mesmo
dicadores de homens e mulheres dos respectivos grupos. Entre              ano, em todas as regiões, havia nítidas desigualdades. A menor
os brancos, os indicadores de ambos os sexos eram bem seme-               diferença ocorreu no Nordeste (de 11,8 pontos percentuais a favor
lhantes nos dois anos, embora tenha ocorrido uma inversão,                do grupo branco) e a maior, no Sul (de 21,2, também favorável ao
com ligeira vantagem para os homens, em 2006. No contingente              grupo branco) (gráfico 4.12)
preto & pardo, a vantagem foi feminina nos
dois anos. De qualquer maneira, apesar da               Tabela 4.8 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população
                                                     residente segundoslíquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente1995 e
                                                           Tabela 4.8 - Taxa os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil,
proximidade ao final do período, as taxas                     segundos os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995 e 2006 (em %)
                                                                                                    2006 (em %)
líquidas de escolaridade dos homens e mu-                                                                      Brancos                         Pretos & Pardos
lheres pretos & pardos no ensino fundamen-             Níveis de Ensino             Ano
                                                                                                     Homens             Mulheres             Homens         Mulheres
tal ainda eram ligeiramente inferiores às dos                                      1995                89,6                90,7                 79,1         82,5
                                                   Ensino Fundamental
brancos em ambos os sexos (tabela 4.8).                                            2006                95,9                95,7                 94,0         94,5
                                                                                                                            1995                 28,3                  36,9                        9,3   15,0
                                                                                       Ensino Médio
    No que diz respeito às mesmas taxas no                                                                                  2006                 55,0                  63,0                    32,7      43,4
ensino médio, em 1995 e 2006, em ambos os
grupos de cor ou raça, as mulheres apresen-                                            Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                                                       Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
tavam indicadores mais expressivos que os                                              Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)

homens. Porém, nem assim as mulheres pre-


76               Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino

   Gráfico 4.12 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente
   Gráfico 4.12 - grupos de cor ou raça (branca e ensino fundamental e médio da população residente
    segundo os Taxa líquida de escolaridade no preta & parda), grandes regiões, Brasil, 2006 (em %)
    segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), grandes regiões, Brasil, 2006 (em %)                      Em 2006, subiram, respectivamente, para
             Gráfico 4.12 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente
              segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), grandes regiões, Brasil, 2006 (em %)            49,8% e 33,1%, com redução da distância
   100,0
  100,0
                                                                                                                         relativa entre os dois grupos.

    80,0
   80,0
                                                                                                                             Por outro lado, os mesmos dados reve-
                                                                                                                         lam que, em 2006, nem metade das crian-
    60,0
   60,0
                                                                                                                         ças brasileiras, de 11 a 14 anos, freqüentava
                                                                                                                         a escola na série esperada, mesmo entre as
    40,0
   40,0                                                                                                                  brancas. Todavia, ainda pior era a situação
                                                                                                                         das pretas & pardas, das quais somente
    20,0
   20,0                                                                                                                  um terço freqüentava a escola na série cor-
                                                                                                                         reta (gráfico 4.14).
     0,0
    0,0          Brancos                Pretos & Pardos                   Brancos                  Pretos & Pardos
                 Brancos                Pretos & Pardos
                          Ensino Fundamental
                                                                          Brancos
                                                                                      Ensino Médio
                                                                                                  Pretos & Pardos            No segundo ciclo do ensino funda-
                          Ensino Fundamental                                          Ensino Médio
                                                                                                                         mental, a mesma desagregação da taxa
                                          Norte
                                          Norte
                                                  Nordeste
                                                  Nordeste
                                                              Sudeste
                                                              Sudeste
                                                                         Sul
                                                                         Sul
                                                                               Centro Oeste
                                                                               Centro Oeste
                                                                                                                         de adequação mostra, no mesmo período,
  Fonte: IBGE, microdados Pnad.                                                                                          que as meninas brancas e pretas & pardas
 Fonte: IBGE, microdados Pnad. das Desigualdades Raciais
  Tabulações: LAESER - Fichário
 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais
                                                                                                                         apresentavam indicadores mais favoráveis
                                                                                                                         do que seus colegas. Mesmo assim, as ta-
                                                                                                                         xas das meninas pretas & pardas não eram
4.4.2. Taxa de Adequação de Crianças                                                             mais favoráveis que as dos meninos e meninas brancos.
e Jovens ao Sistema de Ensino
                                                                                                     Considerando-se apenas 2006, a maior taxa de adequação no
    Essa taxa reflete o percentual de crianças e jovens que fre-                                 segundo ciclo ocorreu entre as meninas brancas (52,7%) e a me-
qüentam a escola dentro da série esperada, conforme suas idades.                                 nor, entre os meninos pretos & pardos (27,9%) (gráfico 4.14).
Assim, pelo menos até 2010, enquanto se espera que o ingresso no
sistema seriado de todo o país passe a ser aos seis anos de idade,                                    No ensino médio, de 1995 a 2006, as taxas de adequação por
uma criança de sete anos deveria estar no primeiro ano do funda-                                 parte da população entre 15 e 17 anos também cresceram, mas per-
mental, assim sucessivamente até os 17 anos, onde deveria estar                                  maneciam baixas em comparação aos dois ciclos do fundamental.
freqüentando o terceiro ano do médio. Ou seja, para aferição da                                  Assim, entre os jovens brancos, passou de 17,7% para 37,4%. No
qualidade do atendimento da rede escolar, este indicador é mais                                  caso dos jovens pretos & pardos, esse indicador saltou de irrisórios
refinado que a taxa líquida de escolaridade, pois reflete a relação                              4,9% para 19,3% (gráfico 4.15). Mais uma vez, observou-se a po-
entre idade e série e não só com o nível (fundamental ou médio).                                 sitiva aproximação das respectivas taxas. Entretanto, a dos jovens
                                                                                                 de cor ou raça preta & parda, em 2006, era pouco maior que a me-
     No primeiro ciclo do nível fundamental (sete a 10 anos de ida-                              tade da registrada entre os brancos em 1995. Por outro ângulo: se a
de), essas taxas, em 1995, eram de 52,5% entre os brancos e 30,7%                                taxa de adequação dos jovens brancos, inferior a 40%, estava longe
entre os pretos & pardos e, em 2006, passaram para, respectivamen-                               do ideal, como classificar a situação dos pretos & pardos, dos quais
te, 62,2% e 52,3%. Ou seja, ocorreu uma redução significativa das                                mais de 80% estavam fora da escola ou apresentavam alguma de-
diferenças, mas a situação das crianças pretas & pardas era pratica-                             fasagem? (gráfico 4.15)
mente a mesma das brancas, onze anos antes. Assim, pouco mais da
metade das crianças preta & pardas, de sete a 10 anos, estudava na                                   Ainda no ensino médio, a decomposição da taxa de adequação
série correta (gráfico 4.13).                                                                    também por sexo, revela, novamente, que os indicadores das jo-
                                                                                                 vens estudantes eram mais favoráveis, em ambos os grupos de cor
    Quando decompostas pelos grupos de cor ou raça e sexo, as                                    ou raça. Tal como ocorreu com as taxas de adequação ao primeiro
taxas de adequação ao sistema de ensino fundamental do primeiro                                  e segundo ciclo do ensino fundamental, de 1995 a 2006, houve uma
ciclo, de 1995 a 2006, configuravam ligeira vantagem das alunas                                  redução nas distâncias relativas entre os respectivos indicadores,
no contingente branco. O mesmo seu deu no contingente preto &                                    tanto entre os grupos de cor ou raça, como entre os de sexo. De
pardo, no qual a taxa das meninas permaneceu superior à dos me-                                  todo modo, as desigualdades de cor ou raciais e de sexo eram ní-
ninos durante todo o período (gráfico 4.13).                                                     tidas. Em 2006, a taxa das jovens brancas era de 42,2%, ao passo
                                                                                                 que a dos jovens brancos, de 32,3%. No contingente preto & pardo,
    Uma leitura comparativa dos gráficos 4.13, 4.14 e 4.15 eviden-                               a taxa era de 23,4%, entre as moças, e de 15,5% entre os rapazes.
cia que as taxas de crianças e adolescentes de todo o país caíam                                 Portanto, a taxa de adequação ao sistema de ensino médio das mo-
quanto maior a idade. Dessa forma, no segundo ciclo do ensino                                    ças pretas & pardas era 8,9 pontos percentuais abaixo da registra-
fundamental, as taxas das crianças brancas e pretas & pardas (de                                 da entre os rapazes brancos. A dos pretos & pardos era inferior, em
11 a 14 anos), em 1995, eram de, respectivamente, 31% e 12,1%.                                   26,7 pontos percentuais, à das moças brancas (gráfico 4.15).



                                                                                       Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008             77
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino

                                                                                               Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
4.4.3. Taxa de Eficiência                                                                                de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                              Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
                                                                            70,0
do Sistema de Ensino                                                             Gráfico 4.13 - Taxa de adequação aode cor ou de ensino (1o e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) a 10 anos
                                                                                  Gráfico idadeTaxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
                                                                                        de 4.13 - segundo os grupos sistema raça (branca ciclo do fundamental)62,4 população residente de 7
                                                                                                                                                                  da                                                                                      61,5
                                                                                         de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                              Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo ou raça (branca eda população residenteBrasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                          de idade segundo os grupos de cor do fundamental) preta & parda) e sexo, de 7 a 10 anos
                                                                                                                          58,6
                                                                           60,0
                                                                   70,0 de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)

    É a razão entre o total de                     70,0                                     54,1
                            70,0                                                                                                                     62,4                                                         61,5
                                                                                                                                                       62,4                                                         61,5
                                                           50,0
pessoas que freqüentam uma                      60,0
                                                   60,0        54,1                    58,6
                                                                                                           58,6
                                                                                                             58,6
                                                                                                                                 62,4
                                                                                                                                                                47,3
                                                                                                                                                                                            61,5
                                                                                                                                                                                                                           50,0
                            60,0
determinada série com a idade 54,1 50,0 40,0 54,1
desejada e o total de pessoas
                            50,0
                                                   50,0
                                                                                                                    36,2                             47,3
                                                                                                                                                       47,3
                                                                                                                                                                                                                  50,0
                                                                                                                                                                                                                    50,0
                                                           30,0
da mesma série. Aqui, tal como
                                                                                                                                                                                            50,0
                                                40,0                                                                             47,3
                                                   40,0
                                                                          27,8
                            40,0
ocorreu no estudo das taxas                     30,0
                                                           20,0
                                                                                                           36,2
                                                                                                             36,2
                                                                                       36,2
brutas de escolaridade, não se
                            30,0
                                                   30,0
                                                                 27,8
                                                           10,0    27,8
considera somente os indicado- 27,8 20,0           20,0
                            20,0
res de escolarização de crian-                  10,0
                                                            0,0

ças e adolescentes, mas de toda                    10,0               1995          1996        1997            1998          1999          2001           2002           2003             2004           2005           2006
                            10,0

a população. Porém, ao contrá-
                                                                                                                                                                                          Homens Brancos
                                                  0,0
                                                    0,0      1995           1996         1997          1998           1999         2001          2002             2003          2004             2005           2006
                             0,0                                                                                                                                                          Mulheres Brancas
rio da taxa de adequação, que 1995                       Fonte: IBGE, microdados Pnad 1997
                                                      1996
                                                               1995
                                                                      1997
                                                                              1996
                                                                                   1998         1999
                                                                                                         1998
                                                                                                                2001
                                                         Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                         1999
                                                                                                                              2002
                                                                                                                                      2001
                                                                                                                                           2003
                                                                                                                                                   2002
                                                                                                                                                          2004
                                                                                                                                                                    2003
                                                                                                                                                                          2005
                                                                                                                                                                                  2004
                                                                                                                                                                                          2006
                                                                                                                                                                                                   2005
                                                                                                                                                                                          Total Brancos
                                                                                                                                                                                Homens Brancos
                                                                                                                                                                                                                  2006


mede a distribuição das res-                             Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                         residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)                                    Homens Brancos
                                                                                                                                                                                  Homens Brancos
                                                                                                                                                                                Mulheres Brancas Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                          Homens
                                               Fonte: IBGE, microdados Pnad                                                                                                       Mulheres Brancas
pectivas populações em idadeIBGE, microdados Pnad LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                           Fonte:
                                                 Fonte: IBGE,
                                               Tabulações: microdados Pnad
                                                 Tabulações: anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                                 LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                                          Mulheres Brancas                Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                Total Brancos
                                                                                                                                                                                  Total Brancos
                                               Nota: entre os
escolar pela freqüência e série os anos de 1995 e 2003áreasinclui a da região Norte (exceto Tocantins)
                           Tabulações: LAESER - Fichário das anos de 1995 e Raciais. inclui a população
                           Nota: entre
                                                                    Desigualdades 2003 não
                                                 Nota: entre áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                               residente nas os
                                                 residente nas não rurais população
                                                                                                                                                          Total Brancos         Homens Pretos Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                          Total & Pardos
                                                                                                                                                                                  Homens Pretos & Pardos

esperada, a taxa de eficiência
                           residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)                                                                  Homens Pretos & PardosMulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                  Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                          Mulheres Pretas & Pardas Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                Total
                                                                           Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
do sistema de ensino permite a                                                                                                                                                    Total Pretos & Pardos
                                                                                     de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta Total Pretos e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                                                                                          & parda) & Pardos

análise do total de freqüências                            70,0
                                                                Gráfico 4.14 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (2o ciclo do fundamental) da população residente de 11 a 14                                          61,5
ou matrículas em uma deter- Gráfico 4.14 -60,0Gráficoadequaçãoaodesistemade ensino (2o ciclo ensino(branca e preta & parda)residente de 7 a1995-2006 de 11 a 14
                                                                                                                                                                62,4
                                          Gráfico 4.13 -Taxa de anos de Taxa segundo de grupos (1o cor ou raça (2o ciclo do fundamental) da população a 14
                                                                         4.14 -
                                                                                idade adequação ao sistema de do fundamental) da população e sexo, Brasil, residente
                                                             Taxa deadequação aosistema os ensino de ciclo do fundamental) da população residente de 11 10 anos (em %)
                                                                                                                     58,6
                                                       de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                           idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e preta & parda) e sexo, (em %)
                                                                     anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca
minada série.               70,0
                                              anos de
                                                                        54,1
                                                                                                                                        e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                   70,0
                                                 70,0                       50,0                                                                              62,4                                                     61,5
                                                                                                                                                                                                                                                          50,0
    De 1995 a 2006, no primei-                  60,0
                                                60,0
                                                         40,0
                                                                   60,0                 58,6                                                                          47,3

                                        54,1                                                                                                              50,4                                                            52,7
ro ciclo do nível fundamental,
                            50,0
                                               50,0                                                                      36,2
                                                                                                                                        50,4                                                         52,7

                             50,0
em todo o país, a taxa de efici-                         30,0
                                                                                      41,0
                                                                                                            41,0
                                                                                                                                         47,3
                                                                                                                                                                                                  50,0


ência do sistema de ensino pas- 35,3
                             40,0
                            40,0
                                               40,0

                                                         20,0
                                                             35,3
                                                                        27,8


sou de 50,2% para 70,2%,30,0    na
                             30,0
                                               30,0                                     36,2
                                                                                                                                                                                                                             27,9

população branca, e de 26,5% 27,8 20,0
                                                                                                                                                                                                        27,9
                                                         10,0                                                                                                23,6
                                                                                                                                           23,6

para 57,9%, na preta & parda.20,0
                            20,0
                                                          0,0                                                  13,2

Portanto, no período, ocorreu10,0
                            10,0
                                               10,0
                                                              9,3
                                                                    1995            1996
                                                                                         13,2
                                                                                                     1997            1998            1999         2001            2002          2003            2004             2005           2006
                                          9,3
uma sensível redução das dife-                  0,0
                                                                                                                                                                                                Homens Brancos
                              0,0
renças. Contudo, ainda assim, 1995
                              0,0                    1996
                                                          1995
                                                                     1997
                                                                          1996
                                                       Fonte: IBGE, microdados Pnad  1998
                                                                                           1997
                                                                                                      1999
                                                                                                           1998
                                                                                                                      2001
                                                                                                                            1999
                                                                                                                                       2002
                                                                                                                                             2001
                                                                                                                                                    2003
                                                                                                                                                         2002
                                                                                                                                                                    2004
                                                                                                                                                                         2003
                                                                                                                                                                                   2005
                                                                                                                                                                                        2004 Mulheres2005
                                                                                                                                                                                                   2006 Brancas
                                                                                                                                                                                                                         2006

                                      1995          1996            1997            1998            1999
                                                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.     2001             2002         2003           2004           2005            2006
persistiram fortes desigualda-                         Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                                                                                                                                                                Total Brancos

                                                                                                                                                                                                         Homens Brancos
                                                                                                                                                                                                Homens Pretos & Pardos
                                                       residente nas áreasIBGE, microdados Pnad. (exceto Tocantins)                                             Homens Brancos Homens Brancos
                                                                      Fonte: rurais da região Norte
des entre os dois grupos. As-                    Fonte: IBGE, microdados Pnad. LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                      Tabulações:                                                                               Mulheres Brancas Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                         Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                MulheresTotal Brancos
                                                                                                                                                                                                          Pretas & Pardas
                                                 Tabulações:
                           Fonte: IBGE, microdados Pnad LAESER - Fichário das anos de 1995 e Raciais. inclui a população
                                                                      Nota: entre os Desigualdades 2003 não
sim, no fim do período, 47,1% LAESER residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                           Tabulações:
                                                 Nota: entre os anos de 1995 e 2003áreasinclui a da região Norte (exceto Tocantins).
                                                                      residente nas  não rurais população
                                                 - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                          Total Brancos
                                                                                                                                                                                   Total Brancos
                                                                                                                                                                                                         Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                   Homens Pretos & Pardos& Pardos
                                                                                                                                                                                                Total Pretos
                           Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população-                                                                                              população residente de Pretas & anos
                                                                                                                                                                                                         Mulheres
                                                                                                                                                                                                                   7 10 Pardas
da população preta & parda no nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)Taxasegundo os grupos de cor de ensino (1o ciclopretafundamental)&da Mulheres Pretas & Pardas(em %)a Pardos
                           residente
                                                                         Gráfico 4.13
                                                                                     de idade
                                                                                                  de adequação ao sistema
                                                                                                                                     ou raça (branca e
                                                                                                                                                           do
                                                                                                                                                                Homens Pretos Pardos
                                                                                                                                                                & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 Pretos &
                                                                                                                                                                                   Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                         Total

primeiro ciclo apresentava de-                           70,0
                                                                                                                                                                Mulheres Pretas & Pardas


fasagem escolar, enquanto en- Gráfico 4.13 idade segundo os grupos de cor de ensino (1o ciclopreta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em 7 a 10 anos
                                                                                                                                                                Total 62,4 & Pardos
                                                                                                                                                                      Pretos                                                      61,5
                                         Gráfico 4.14 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (2o ciclo do fundamental) da população residente de 11 a 14
                                                         - Taxa de adequação ao sistema                                       do fundamental) da população residente de
                                              anos de 60,0 Gráfico 4.15 - Taxa de adequação aoao sistema de ensino médioda população residente de %) a a 17 anos de idade
                                                                      Gráfico 4.15 - Taxa de adequação sistema de ensino médio da população residente de 15 17 anos de idade
                                                                                                    ou raça (branca 58,6  e
tre os brancos esse percentual                       de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                      54,1 segundo os os grupos de cor ou raça (branca preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                  segundo grupos de cor ou raça (branca e e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                                                                                                                   15

                             70,0
                            70,0
era de 29,8% (gráfico 4.16).                             50,0
                                                                   70,0                                                                  62,4                                                     61,5
                                                                                                                                                                                                                                                          50,0
                                                60,0                                                           58,6                                                                         47,3
                                                60,0
                                                            54,1            40,0                                                                             50,4                                                         52,7
    Quando os índices são 50,0  de-
                                                                   60,0

                              50,0                                                                                 36,2
sagregados por sexo, verifica-se                            30,0   50,0               41,0
                                                                                                                                                              47,3
                                                                                                                                                                                                                       50,0
                                                                                                                                                                                                                                              42,2
que as mulheres se beneficiam 35,3
                               40,0
                              40,0                                 40,0
                                                                          27,8

                                                            20,0                                                                                                                  35,5
com mais eficácia do ensino    30,0                                                     36,2
                                                                                                                                      27,2                                                                                    27,9
                              30,0                                 30,0
no primeiro ciclo do ensino 27,8
                               20,0
                                                            10,0            20,3                                                                                  23,6


fundamental e, mais uma 20,0  vez,                                 20,0
                                                                                         13,2
                                                             0,0
em ambos os grupos de cor10,0    ou         9,3
                                                                      1995
                                                                   10,0             1996          1997          1998                                       1999          2001     10,6 2002            2003           2004            2005
                                                                                                                                                                                                                                                  15,5
                                                                                                                                                                                                                                                         2006
                              10,0
raça. Em 2006, enquanto a taxa  0,0
                                                                    0,0
                                                                                   3,5
                                                                                                                                      5,5
                                                                                                                                                                                                                     Homens Brancos

dos homens brancos era 0,0de 1995                      1996            1997
                                                                             1995
                                                                                     1998
                                                          Fonte: IBGE, microdados Pnad
                                                                                                   1999
                                                                                                1996
                                                                                                                 2001
                                                                                                                 1997             1998              1999
                                                                                                                                                            2002
                                                                                                                                                                2001
                                                                                                                                                                           2003
                                                                                                                                                                               2002
                                                                                                                                                                                           2004
                                                                                                                                                                                               2003
                                                                                                                                                                                                         2005
                                                                                                                                                                                                             2004
                                                                                                                                                                                                                        2006
                                                                                                                                                                                                                            2005
                                                                                                                                                                                                                     Mulheres Brancas         2006

                                        1995          1996            1997          1998          1999         2001                                        2002          2003            2004         2005             2006
68,5%, a das mulheres brancas                             Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                          Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                                                                                                                                                                                       Total Brancos
                                                                                                                                                                                                          Homens Brancos
                                                                                                                                                                                                         Homens Brancos
                                                                                    Fonte: IBGE, microdados Pnad.                                                                     Homens Brancos      Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                                       Homens Pretos & Pardos
chegava a 72,1%. No contingen-                     Fonte: residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                           IBGE, microdados Pnad.
                                                                                    Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                    Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população                                         Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                         Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                          Total Brancos
                                                                                                                                                                                                                       Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                                         Total Brancos & Pardos
                                                                                                                                                                                                          Homens Pretos

te preto & pardo, a taxa de efici- LAESER residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                                   Nota: entre
                             Fonte: IBGE, microdados Pnad os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                                                    residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                                                                                                                                                                         Homens Pretos && Pardas
                                                                                                                                                                                                          Mulheres Pretas Pardos
                             Tabulações:           - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                                              Total Brancos       Total Pretos Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                       & Pardos
                                                                                                                                                                                                         Mulheres Pretas & Pardas
ência era de 46,9% entre os ho- nas áreas rurais da eregião Norteinclui a população
                             Nota: entre os anos de 1995 2003 não
                             residente                                   (exceto Tocantins)                                                                                           Homens Pretos & Pardos Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                        Total

mens (21,6 pontos percentuais                                                                                                                                                         Mulheres Pretas & Pardas

                                                                                                                                                                                      Total Pretos & Pardos


78                     Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino

                                                        Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
                                                                  de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                    Gráfico 4.16 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental                                                                                      a menos do que a das mulheres
                               Gráfico 4.164.16 - Taxa de eficiênciasistema de ensinopreta & parda) e sexo, Brasil; 1995-2006 (em %) ensino fundamental
                              70,0
                                   Gráfico - Taxa de eficiência do do sistema de e para população residente que freqüentava o
                             (1o ciclo) segundo os grupos de cor ou raça (branca ensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental
                                          (1o(1o ciclo) sistema grupos de cor corraçaraça (branca e preta & parda) e62,4Brasil; 1995-2006 (em %)
                                              ciclo) segundo os os grupos de ou ou (branca e preta & parda) e sexo,
                 Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao segundode ensino (1o ciclo do fundamental) da população residenteBrasil; 1995-2006 (em %)
                                                                                                                     sexo, de 7 a 10 anos
                                                                                                                                                                                                                       61,5
                                                                                                                                                                                                                              brancas) e de 54,9% entre as
                                                                                                    58,6
    80,0                         de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                    idade
                                                      54,1
                                                                                                                                                                                                                              mulheres (17,2 pontos abaixo
                         80,0
 70,0
                                     50,0                                                                      62,4
                                                                                                                      69,1
                                                                                                                                                                                    61,5
                                                                                                                                                                                             72,1
                                                                                                                                                                                                             72,1
                                                                                                                                                                                                                              da verificada entre as brancas)
    70,0                                                                                                                                 69,1

 60,0
                         70,0                                      58,6
                                                                     58,4
                                                                                                                                                    47,3
                                                                                                                                                                                                                       50,0
                                                                                                                                                                                                                              (gráfico 4.16).
              54,1                   40,0                                                58,4
    60,0
                   53,5 60,0
 50,0                                  53,5
                                     30,0
                                                                                                    36,2
                                                                                                                                                                                     50,0
                                                                                                                                                                                                                                  A taxa de eficiência no se-
    50,0                                                                                                       47,3

 40,0
                         50,0                           27,8                                                                                                                                  48,5                            gundo ciclo do fundamental
                                                                                                                                                                                                               48,5
    40,0
                         40,0
                                     20,0
                                                                   36,2
                                                                                                                      41,5
                                                                                                                                         41,5
                                                                                                                                                                                                                              aparece no gráfico 4.17. Em
 30,0
                                     10,0
                                                                                                                                                                                                                              uma rápida comparação com
    30,0        27,8

 20,0
                         30,0                                            28,3                                                                                                                                                 os gráficos 4.16 e 4.18, pode-
                                                                                          28,3
    20,0
                      23,5
                         20,0
                                        0,0
                                              23,5   1995       1996            1997             1998       1999             2001               2002               2003            2004              2005             2006
                                                                                                                                                                                                                              se perceber como o sistema de
 10,0
    10,0                                                                                                                                                                           Homens Brancos
                                                                                                                                                                                                                              ensino brasileiro perde eficácia
  0,0
               1995 10,0            1996         1997         1998
                                    Fonte: IBGE, microdados Pnad
                                      1995         1996         1997
                                                                           1999
                                                                             1998
                                                                                        2001
                                                                                          1999
                                                                                                                   2002
                                                                                                                     2001
                                                                                                                                    2003
                                                                                                                                      2002
                                                                                                                                                        2004
                                                                                                                                                          2003
                                                                                                                                                                          2005
                                                                                                                                                                            2004
                                                                                                                                                                                          2006
                                                                                                                                                                                   Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                            2005            2006
                                                                                                                                                                                                                              na medida em que avança de
            1995                 1996         1997        1998         1999         2001
                                    Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                  Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                                                                            2002             2003               2004               2005            2006
                                                                                                                                                                                   Total Brancos                              nível. De 1995 a 2006, a taxa de
                                                                                                                                                            Homens Brancos
                          Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                  residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                          Tabulações: LAESER - Fichário microdados Pnad. Raciais.
                                            Fonte: IBGE, das Desigualdades
                                                                                                                                               Homens Brancos                Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                            Mulheres Brancas Homens Brancos                                   eficiência no segundo ciclo pas-
                                                                                                                                               Mulheres Brancas Brancos
                                                                                                                                                            Total            Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                                              sou de 38,2% para 56,9%, entre
                          Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                              Mulheres Pretas & Pardas
Fonte: IBGE, microdados Pnad                                                                                                                                                       Total Brancos
                                                                                                                                                                 Homens Pretos & Pardos
                     residente nas áreas rurais da região Norte 1995 e 2003 não inclui a população
                                       Nota: entre os anos de (exceto Tocantins).
Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                                       Total Brancos                      Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                 Mulheres Pretas & Homens Pretos & Pardos
                                       residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                                                                                                                           Total Pretos
                                                                                                                                                                                   Pardas
                                                                                                                                                                           Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                               Homens Pretos & Pardos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                              as crianças brancas e, de 19,2%
                                            Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
                                                                                                                 Mulheres Pretas & Pardas
                                                       de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                                                                                                           Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                              para 38,5%, entre as pretas &
                  Gráfico 4.17 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental
                              70,0
                                                                                                                 Total Pretos & Pardos
                           (2o ciclo) segundo os grupos de cor ou raça (brancaensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental
                                                                                                                                                                                                                              pardas (gráfico 4.17).
                               Gráfico 4.17 - Taxa de de eficiência do sistema deeensino&para população Brasil; 1995-2006 (em %) o ensino fundamental
                                   Gráfico 4.17 - Taxa
                                                        eficiência do sistema de preta parda) e sexo, residente que freqüentava                                   61,5
                                                                                                                       62,4
                 Gráfico 4.13 - Taxa de adequaçãosegundo os de ensino (1o ciclo raça (branca e preta& parda) e sexo, Brasil; 1995-2006(em %)
                                           (2 ciclo) ao sistema grupos de cor ou raça (branca e preta população sexo, Brasil; 1995-2006 (em %)
                                             o
   80,0
                                            (2o ciclo) segundo os grupos de cor ou do fundamental) da & parda) e residente de 7 a 10 anos
                                                                                58,6
                           de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                         80,0
                              idade
                                                      54,1
                                                                                                                                                                                                                                   Novamente, observa-se re-
 70,0
  70,0
                                     50,0                                                                      62,4                                                                 61,5
                                                                                                                                                                                                                              duções das distâncias relativas
 60,0
                         70,0                                      58,6                                                                             47,3
                                                                                                                                                                                          59,9
                                                                                                                                                                                                                       50,0
                                                                                                                                                                                                                              entre os grupos de cor ou raça,
  60,0
              54,1
                         60,0
                                     40,0                                                                           53,6                                                                                     59,9             que, porém, ainda permane-
 50,0
  50,0
                                     30,0                              44,3
                                                                                                    36,2

                                                                                                               47,3
                                                                                                                                        53,6
                                                                                                                                                                                     50,0
                                                                                                                                                                                                                              cem. Assim, em 2006, do total
 40,0
                     42,1 50,0                          27,8
                                                                                         44,3                                                                                                                                 de estudantes da quinta à oita-
  40,0

                         40,0
                                     20,0 42,1
                                                                   36,2                                                                                                                                                       va série do ensino fundamen-
 30,0
  30,0
                                     10,0
                                                                                                                                                                                            33,5
                                                                                                                                                                                                                              tal, 43,1% dos alunos e alunas
                27,8
                                                                                                                                                                                                                              brancos tinham idade superior
                                                                                                                                                                                                              33,5
                         30,0
 20,0                                                                                                                 25,6
  20,0
                                        0,0
                                                     1995       1996
                                                                       19,1
                                                                                1997             1998       1999             2001
                                                                                                                                             25,6
                                                                                                                                                 2002              2003            2004              2005             2006
                                                                                                                                                                                                                              à esperada e isso ocorria com
                   16,5 20,0
 10,0
  10,0
                                          16,5
                                                                                          19,1
                                                                                                                                                                                   Homens Brancos
                                                                                                                                                                                                                              mais de 60% dos pretos & par-
              1995                1996                1997        1998            1999             2001       2002              2003               2004                2005           2006

  0,0
                         10,0
                                    Fonte: IBGE, microdados Pnad
                                      1995           1996          1997           1998         1999                 2001             2002                2003            2004
                                                                                                                                                                                Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                        2005                2006
                                                                                                                                                                                                                              dos (gráfico 4.17).
            1995                1996            1997         1998          1999          2001
                                    Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                2002             2003               2004               2005         2006
                                                                                                                                                                     Homens Brancos Brancos
                                                                                                                                                                                Total
                                    Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população                                                                   Mulheres Brancas
                                    residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                             Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                             Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                               Homens Brancos Total BrancosHomens Pretos Brancos
                                                                                                                                                                                    Homens & Pardos
                                                                                                                                                                                    Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                                  Quando os mesmos indi-
                                                                                                                                               Mulheres Brancas              Mulheres Pretas & Pardas
Fonte: IBGE, microdados Pnad
                             Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                 Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                       residente nas áreas Tabulações: LAESER(exceto Tocantins).
                                           rurais da região Norte - Fichário das Desigualdades Raciais.
Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.1995 e 2003 não inclui a população                                                     Total Brancos
                                                                                                                                                                                    Total Brancos
                                                                                                                                                                Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                             Total Pretos & Pardos & Pardos
                                                                                                                                                                                    Homens Pretos
                                                                                                                                                                Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                              cadores são desagregados por
                                           Nota: entre os anos de
Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não residente população
                                            inclui a nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).
residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)                                                                                  Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                    Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                    Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                                              sexo, confirma-se o melhor
                                                        Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
                                                                                                                            Mulheres Pretas & Pardas
                                                                  de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                                                                                                                                                                              aproveitamento do conjunto
                       Gráfico70,0 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino médio
                               4.18
                                                                                                                                               Total Pretos & Pardos                                                          das alunas, mais uma vez, nos
                                  segundo os grupos de cor ou raça do sistema de ensino para população residente (em %)
                                   Gráfico 4.18 - Taxa de eficiência (branca e preta & parda) e sexo, Brasil; 1995-2006 que freqüentava o ensino médio
                                        Gráfico 4.18 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino médio
                                              segundo os grupos ensino ou raça (branca e preta & parda) e sexo,residente 1995-2006 (em%)
                                                                    de cor (1o ciclo (branca e preta & população Brasil; 1995-2006 (em
                                                                                                                      62,4
                 Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistemagrupos de cor ou 58,6do fundamental) da parda) e sexo, Brasil; de 7 a 10 anos %)
                                                   segundo os de                  raça
                                                                                                                                                                                                                       61,5
                                                                                                                                                                                                                              dois grupos de cor ou raça. Em
 80,0
                           de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                         80,0
                              idade
                                                      54,1
                                                                                                                                                                                                                              2006, a taxa dos alunos e alunas
 70,0
 70,0
                                     50,0                                                                      62,4                                                                 61,5
                                                                                                                                                                                                                              brancos, era, respectivamente,
 60,0
                         70,0
                                                                   58,6                                                                             47,3
                                                                                                                                                                                                                       50,0
                                                                                                                                                                                                                              de 54,0% e 59,9%. Já no contin-
 60,0         54,1
                         60,0
                                     40,0
                                                                                                                                                                                                                              gente preto & pardo, de 33,5%
 50,0
 50,0                                30,0
                                                                                                    36,2

                                                                                                                44,8                                                                 50,0
                                                                                                                                                                                            52,1
                                                                                                                                                                                                                              para os homens (inferior em
                                                                                                               47,3

 40,0          37,1
                         50,0                           27,8      40,0                                                                  44,8
                                                                                                                                                                                                               52,1
                                                                                                                                                                                                                              26,4 pontos percentuais à das
 40,0                                20,0
                                        37,1                       36,2
                                                                                         40,0                                                                                                                                 mulheres brancas) e de 43,5%
                         40,0
 30,0
 30,0                                10,0
                                                                                                                                                                                                                              para as mulheres (16,4 pontos
                27,8

 20,0                    30,0
                                                                                                                                                                                            26,3                              percentuais a menos que a das
 20,0                                   0,0
                                                     1995       1996            1997             1998       1999 21,3        2001               2002               2003            2004              2005
                                                                                                                                                                                                               26,3
                                                                                                                                                                                                                      2006
                                                                                                                                                                                                                              brancas) (gráfico 4.17).
 10,0                    20,0                                      17,3
              15,9
                                                                                                                                         21,3                                      Homens Brancos
 10,0                                                                                     17,3

  0,0
            1995
                         10,0
                                 1996
                                        15,9
                                                     1997       1998
                                     Fonte: IBGE, microdados Pnad
                                                                                1999             2001        2002             2003               2004                2005            2006
                                                                                                                                                                                   Mulheres Brancas                               No ensino médio, a taxa de
            1995                 1996 1995      1997 1996      1998 1997     1999 1998     2001 1999
                                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                     Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                                                                            2002 2001        2003 2002          2004     2003  2005 2004
                                                                                                                                                           Homens Brancos
                                                                                                                                                                                   2006 2005
                                                                                                                                                                                   Total Brancos
                                                                                                                                                                                                            2006
                                                                                                                                                                                                                              eficiência, de 1995 a 2006, au-
                             Fonte: IBGE, microdados Pnad.rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                     residente nas áreas
                     Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                                          Mulheres Brancas
                                                                                                                                               Homens Brancos
                                                                                                                                                          Total Brancos
                                                                                                                                                                                Homens Brancos Pardos
                                                                                                                                                                                Homens Pretos &
                                                                                                                                                                                Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                                              mentou de 35% para 48,2%, en-
                                          Fonte: IBGE, não inclui a população
                     Nota: entre os anos de 1995 e 2003 microdados Pnad.
                                                                                                                                                                                                                              tre os brancos e, de 17,3% para
                                                                                                                                               Mulheres Brancas Pretos & Pardos
                                                                                                                                                          Homens                Mulheres Pretas & Pardas
Fonte: IBGE, microdados Pnad áreas rurais da regiãoLAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                     residente nas        Tabulações: Norte (exceto Tocantins).                                                                                                 Total Brancos
                                                                                                                                                          Mulheres Pretas & Pardas
                                          Nota: entre os anos de
Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 1995 e 2003 não inclui a população                                                    Total Brancos                    Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                Homens Pretos & Pardos
Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a populaçãorurais da região Norte (exceto Tocantins).
                                           residente nas áreas
residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                                                                                                                          Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                               Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                Mulheres Pretas & Pardas                      29%, entre os pretos & pardos.
                                                                                                                                                                                Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                               Mulheres Pretas & Pardas

                                                                                                                                               Total Pretos & Pardos

                                                                                                                                                  Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                           79
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino


Assim, em termos relativos, as desigualdades de cor ou raça dimi-                                             bases de microdados. Isso impediu a apuração de informa-
nuíram no período. Entretanto, em 2006, o número de estudantes                                                ções da Prova Brasil de 2005 e de 2006.
em idade superior à esperada superava 70% do total entre os pre-
tos & pardos, enquanto que a mesma defasagem afetava 51,8% dos                                                    Na análise comparativa das notas dos exames do Saeb, ob-
brancos (gráfico 4.18).                                                                                       serva-se que, em todas as séries, em ambos os sexos e em todos
                                                                                                              os anos de aplicação das provas, os estudantes brancos obti-
    Quando desagregada por sexo, a taxa de eficiência do sistema                                              veram resultados superiores aos dos pretos & pardos. Assim,
do ensino médio também era mais favorável às mulheres, brancas                                                em 2003, no exame de matemática, as notas dos alunos brancos
e pretas & pardas. Em 2006, a taxa era de 43,5% para os estudantes                                            foram 7,5%, 7,4% e 8% mais altas que as dos pretos & pardos,
brancos e de 51,1% para as brancas. Para os estudantes pretos &                                               respectivamente, na quarta série do ensino fundamental, na
pardos, era de 26,3% no sexo masculino e de 31,2% no feminino.                                                oitava e no terceiro ano do ensino médio. Já entre as alunas, no
Respectivamente, 24,8 e 19,9 pontos percentuais inferiores ao mes-                                            mesmo ano, as brancas obtiveram notas superiores às pretas &
mo indicador dos estudantes brancos dos correspondentes grupos                                                pardas no exame de matemática em 7%, 9,3% e 23%, respecti-
de sexo (gráfico 4.18).                                                                                       vamente, na quarta série do ensino fundamental, nas mesmas
                                                                                                              séries (tabela 4.9).
4.4.4. Indicadores de Rendimento Escolar
                                                                                                                   No mesmo ano, as diferenças se mantinham no exame de por-
    Apesar de os indicadores analisados até aqui mostrarem im-                                                tuguês. Assim, as notas médias dos estudantes brancos eram su-
portantes aspectos das lacunas ainda presentes no sistema de                                                  periores às dos pretos & pardos em 7,5%, 7,4% e 5,5%, respectiva-
ensino brasileiro, mesmo com sua forte expansão ao longo dos                                                  mente nas mesmas séries. Já entre as alunas, no mesmo exame, as
últimos anos, nenhum deles foi capaz de revelar outro ponto no                                                brancas também obtiveram notas médias maiores em 5,4%, 7,2%
que diz respeito ao efetivo grau de aproveitamento dos conteúdos                                              e 7,3% (tabela 4.9).
educacionais. Uma das poucas bases de dados que permitem esse
tipo de abordagem é o resultado das provas do Saeb, atualmen-                                                      A análise da evolução do nível de proficiência de crianças e jo-
te Prova Brasil, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e                                              vens brancas e pretas & pardas, em ambos os sexos, nas provas de
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira do Ministério da Educa-                                                matemática e de português do Saeb, de 1995 a 2003, também revela
ção e Cultura (Inep/MEC).                                                                                     um dado preocupante. Com a única exceção do resultado obtido pe-
                                                                                                              las brancas do terceiro ano do ensino médio na prova de matemática
    São exames de matemática e português para estudantes                                                      (cuja nota média aumentou 1,1%), em todos os casos ocorreram re-
em conclusão de etapas do ensino – quarta e oitava séries do                                                  duções das notas médias em 2003, em comparação com 1995.
ensino fundamental e terceira do ensino médio. Estas são as
fontes nesta subseção, de 1995 a 2003. Infelizmente, o Inep/                                                      Na comparação mais imediata, entre 2003 e 2001, nos exames
MEC, ao contrário do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-                                                de matemática, houve ligeiras melhorias nas notas de todos os gru-
tística (IBGE) e do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde                                                  pos de cor ou raça e sexo, menos entre as meninas brancas e os me-
(Datasus), ainda não definiu uma política de difusão de suas                                                  ninos pretos & pardos da quarta série do nível fundamental. Nos
estatísticas educacionais, principalmente sobre o acesso às                                                   exames de português, no mesmo período, a melhoria das notas dos


      Tabela 4.9 - NotasTabela 4.9nos exames de proficiência de matemática e português no Sistema Nacional de Avaliaçãoda Educação básica (Saeb)
                         médias - Notas médias nos exames de proficiência de matemática e português no Sistema Nacional de Avaliação da Educação básica (Saeb) segundo os
                          grupos de cor ou raça (branca e preta &e preta &e sexo, Brasil, 1995-2003 (em número de pontos obtidos nosnos exames)
                               segundo os grupos de cor ou raça (branca parda) parda) e sexo, Brasil, 1995-2003 (em número de pontos obtidos exames)

                                                       4ª Série do Ensino Fundamental                         8ª Série do Ensino Fundamental                              3ª Série do Ensino Médio
            Exames                   Ano                Brancos               Pretos & Pardos                  Brancos                Pretos & Pardos                 Brancos                Pretos & Pardos
                                                 Homens       Mulheres      Homens       Mulheres       Homens       Mulheres      Homens        Mulheres      Homens       Mulheres       Homens       Mulheres
                                     1995         197,5         195,6         188,9         183,2         270,5        257,2         252,0         235,7         305,9         280,7        287,1         235,7
                                     1997         197,4         195,3         188,3         183,9         265,6        252,4         245,0         233,1         310,4         289,3        285,7         233,1
  Exame de Matemática                1999         187,7         187,1         175,7         176,1         259,8        249,6         244,9         229,3         297,0         285,3        276,7         229,3
                                     2001         186,5         186,0         174,8         170,8         258,5        248,0         240,1         227,3         296,3         279,4        275,1         227,3
                                     2003         186,9         183,1         173,9         171,2         259,7        252,1         241,8         230,7         298,2         283,6        276,1         230,7
                                     1995         190,2         196,6         181,8         187,2         262,7        267,7         244,9         246,4         298,4         298,0        279,7         278,0
                                     1997         187,7         195,5         177,6         187,0         252,6        260,2         241,4         242,3         289,0         292,8        267,9         274,1
  Exame de Português                 1999         173,6         181,5         161,0         169,3         232,9        244,5         219,3         228,3         267,9         279,9        251,5         257,7
                                     2001         168,0         181,8         157,1         167,8         238,2        248,7         220,2         232,7         266,8         273,3        250,2         253,6
                                     2003         170,9         181,8         159,0         172,4         233,6        247,9         217,5         231,3         268,9         280,0        254,8         260,8

  Fonte: Inep / MEC, microdados do Saeb.
  Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
  Nota: médias baseadas em procedimentos estatísticos menos rigorosos pela definição do Inep/MEC. Segundo a metodologia do SAEB 2003, as notas de matemática variavam de 0 a 425 pontos, tendo sido
  considerados satisfatórios 200 pontos, para a 4ª série do ensino fundamental; 300 pontos para a 8ª série do ensino fundamental e 375 pontos para o 3º ano do ensino médio. No exame de português do SAEB/2003, as
  notas variavam de 0 a 375 pontos, tendo considerados satisfatórios 200 pontos, para a 4ª série do ensino fundamental; 300 pontos para a 8ª série do ensino fundamental e 350 pontos para o 3º ano do ensino médio.




80                   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino




    Box 4.3. Desigualdades no rendimento escolar de alunos e alunas nos exames de português
    e matemática do Saeb. Uma curiosa diferença.

         As sucessivas edições do Saeb revelaram uma curiosa desigualdade entre os grupos de sexo existentes no sistema educacional brasileiro.
    Assim, tendo por eixo o plano nacional, com poucas exceções, os estudantes do sexo masculino tiram notas maiores em matemática, en-
    quanto as estudantes tiram notas maiores em português. De qualquer maneira, vale salientar que estas diferenças de gênero, geralmente, se
    davam apenas dentro do mesmo grupo de cor ou raça. Ou seja, em todas aquelas edições do Saeb, com uma única exceção pontual (quarta
    série do ensino fundamental, prova de português, ano de 2003), as notas das estudantes pretas & pardas, em todos os pontos da série, foram
    inferiores às notas dos meninos brancos, inclusive no exame de português (tabela 4.9).




diferentes grupos teve menor alcance, ocorrendo apenas entre os                                 Entre os anos de 1995 e de 2006, aumentou, em todo o país,
meninos brancos, meninos e meninas pretos & pardos da quarta                                o número de estudantes que freqüentavam o ensino superior: de
série do ensino fundamental e de todos os estudantes no terceiro                            1.993.418, em 1995, para 5.872.940, em 2006. Esse saldo líquido de
ano do ensino médio. De qualquer maneira, mesmo considerando                                crescimento, em termos médios geométricos, foi de 1,61% ao ano.
essas melhorias, a tendência pode ser incipiente, não sendo possí-                          E, como será visto, beneficiou as pessoas de todos os grupos de cor
vel maiores conclusões devido à indisponibilidade dos indicadores                           ou raça e sexo (tabela 4.10).
do Saeb dos anos mais recentes.
                                                                                                No período compreendido entre 1995 e 2006, o número total
     Por outro lado, quando analisados de forma combinada, ve-                              de estudantes universitários de cor ou raça branca passou de 1,50
rifica-se que a evolução dos indicadores de proficiência e o rumo                           milhões para 4,03 milhões em todo o país. O resultado foi um sal-
tomado pelas desigualdades de cor ou raça, de 1995 a 2003, mes-                             do líquido de ingresso às universidades de cerca de 2,53 milhões de
mo de forma não expressiva, quase sempre, têm resultado nega-                               pessoas (crescimento de 168,3%). Destas, 41,6% eram do sexo mas-
tivo. Assim, com exceção dos resultados obtidos pelas mulheres,                             culino e 58,4% do sexo feminino. Entre o contingente de cor ou raça
brancas e pretas & pardas, no exame de português da oitava série                            preta & parda, o número de estudantes no ensino superior passou de
do ensino fundamental e pelos homens, brancos e pretos & par-                               341,24 mil, em 1995, para 1,76 milhões, em 2006, resultando em um
dos, no de matemática do terceiro ano do ensino médio, em todas                             saldo líquido de ingresso no ensino superior de cerca de 1,42 milhões
as demais situações, o rendimento escolar dos estudantes pretos                             de pessoas (crescimento de 415,0%). Destas, 41,7%, eram do sexo
& pardos caiu proporcionalmente mais do que o dos brancos.                                  masculino e 58,3% do sexo feminino (tabela 4.10).

    Ainda que se argumente que as respectivas evoluções pode-                                    Entre 2002 e 2006, observa-se que entre as pessoas brancas houve
riam estar dentro das margens de erro da amostra, o máximo que                              um aumento de 17,4% no número de estudantes das universidades pú-
se poderia concluir é que as desigualdades permaneceram pratica-                            blicas e de 31,1% nas universidades particulares. Neste mesmo contin-
mente inalteradas no período (tabela 4.9).                                                  gente, entre os homens, o crescimento da freqüência no ensino supe-
                                                                                            rior público cresceu 20,8%, e, no particular, 29,7%. Entre as mulheres
                                                                                            brancas esse crescimento foi de, respectivamente, 14,6% e 32,3%.
4.5. Acesso ao Ensino Superior
                                                                                               No mesmo período, entre o contingente preto & pardo ocorreu
    O tema das desigualdades de cor ou raça no acesso ao ensi-                          um aumento de freqüência de 31,4% no sistema de ensino público
no superior foi, proposital-
mente, deixado para uma
                                  Tabela 4.10 - População residente que freqüentava instituições de ensino de de nível superior segundo os grupos de cor
                                                Tabela 4.10 - População residente que freqüentava instituições de ensino nível superior segundo os grupos de cor
seção à parte. Essa opção é                           ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil,1995-2002-2006 (em (em número de pessoas)
                                                                ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2002-2006 número de pessoas)
fruto do momento político                 Sexo                  1995                                  2002                                                 2006
no qual esse debate é fei-                                     Total            Público             Privado           Total            Público           Privado             Total
                                Brancos
to, posto que há uma for-       Homens                        678.965           342.780           1.014.465         1.357.245          414.174          1.315.438         1.729.612
te pressão do Movimento         Mulheres                      822.116           434.262           1.361.349         1.795.611          497.689          1.800.409         2.298.098
Negro pela democratiza-         Total                        1.501.081          777.042           2.375.814         3.152.856          911.863          3.115.847         4.027.710
ção do acesso às universi-      Pretos & Pardos                Total            Público             Privado           Total            Público           Privado             Total
dades, especialmente, as        Homens                        148.033           151.662            224.923           376.585           216.956           521.540           738.496

públicas, para garantir a       Mulheres                      193.214           224.236            337.819           562.055           277.147           741.693          1.018.840

diversidade étnico-racial       Total                         341.247           375.898            562.742           938.640           494.103          1.263.233         1.757.336

do corpo discente nestes        Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
espaços (e, certamente, do-     Nota: nos anos de 1995 e de 2002, não inclui a população residente nas áreas rurais da Região Norte. No ano de 1995, a PNAD não identificava se a
                                instituição de ensino de freqüência dos estudantes era pública ou privada.
cente, no futuro).


                                                                                   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                              81
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino


e de 124,5% no privado. Para os homens, esses números foram,                     universidades particulares o seu principal acesso para a formação
respectivamente, de 23,6% e de 119,6%. Já para as mulheres o res-                acadêmica. De fato, se em 2002, do total de estudantes universitários
pectivo crescimento foi de 31,4% e 124,5% (tabela 4.10).                         pretos & pardos 40% estavam em instituições públicas, em 2006,
                                                                                 esse número caiu para 28,1%. Já no caso dos brancos, no mesmo pe-
    Verifica-se que o forte processo de expansão do ensino de nível              ríodo, o peso relativo do sistema de ensino público sobre o total de
superior, no Brasil, teve como maior responsável o sistema privado.              universitários caiu de forma mais suave – dois pontos percentuais –,
Este perfil teve especial efeito sobre os pretos & pardos, que têm nas           de 24,6% para 22,6% (tabela 4.10, ver box 4.4 e 4.5).



     Box 4.4. O acesso recente de estudantes afro-descendentes nas universidades brasileiras. Qual o estado da arte?

          Segundo pesquisa realizada por Renato              Mapa 4.2. Instituições públicas de ensino superior que adotam algum critério diferenciado de ingresso
                                                           no quadro discente por motivações sociais, tipo de escola de origem, étnico-racial e outros e tipo de medida
     Ferreira, vinculado ao Laboratório de Políticas                       adotada, unidade da federação, Brasil, 2008 (mês de referência, Fevereiro)
     Públicas da Uerj, no ano de 2007, 51 instituições
     públicas de ensino superior, em todo o país, já
     adotavam algum tipo de mecanismo alternati-
     vo ao vestibular para o ingresso nestas universi-
     dades. Estes mecanismos eram implementados
     através das denominadas ações afirmativas e
     foram aplicados por 18 das 35 universidades
     estaduais, 51,4% delas, e por 22 das 53 universi-
     dades federais, 42% das existentes. Além dessas,
     existem outras 11 faculdades, centros universi-
     tários e Centros Federais de Educação Tecno-
     lógica (Cefet) que, igualmente, adotam algum
     tipo de critério diferenciado de ingresso para
     o preenchimento das suas vagas discentes (ver
     mapa 4.2).
          De acordo com a pesquisa, as principais
     políticas de ação afirmativa, para o ingresso nas
     universidades, são as cotas e a bonificação, no
     vestibular, para os grupos considerados em po-
     sição de desvantagem em relação aos demais
     candidatos. Entre os beneficiários das medidas
     encontram-se: negros (às vezes identificados
     como pretos e pardos ou como negros e par-
     dos), indígenas, pobres, estudantes provenien-        UF       SIGLA      Cotas    Bônus   Cotas para Negros      UF        SIGLA          Cotas      Bônus     Cotas para Negros
     tes de escola pública e portadores de necessi-        AM        UEA        ü         û            û              SP          USP             û          ü               û
                                                           PA        UFPA       ü         û            ü              SP         UFABC            ü          û               ü
     dades especiais.                                      PA
                                                           TO
                                                                    UFRA
                                                                     UFT
                                                                                ü
                                                                                ü
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                                                                                                                      SP
                                                                                                                                 FATEC
                                                                                                                                 FACEF
                                                                                                                                                  û
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                                                                                                                                                             ü
                                                                                                                                                             û
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                                                                                                                                                                             ü
          Dos mecanismos existentes, a reserva de          MA
                                                            PI
                                                                    UFMA
                                                                     UFPI
                                                                                ü
                                                                                ü
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                                                                                                                      ES
                                                                                                                                UFSCAR
                                                                                                                                  UFES
                                                                                                                                                  ü
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                                                                                                                                                             û
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                                                                                                                                                                             û
     vagas, através de cotas, constitui-se na mais         RN
                                                           RN
                                                                    UFRN
                                                                  CEFET-RN
                                                                                û
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                                                                                                                      PR
                                                                                                                                  UFPR
                                                                                                                                  UEPG
                                                                                                                                                  ü
                                                                                                                                                  ü
                                                                                                                                                             û
                                                                                                                                                             û
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                                                                                                                                                                             ü
                                                           PB       UEPB                                              PR           UEL
     usual. Em sete instituições públicas existe a         PE        UPE
                                                                                ü
                                                                                ü
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                                                                                                       û              PR         UTFPR
                                                                                                                                                  ü
                                                                                                                                                  ü
                                                                                                                                                             û
                                                                                                                                                             û
                                                                                                                                                                             ü
                                                                                                                                                                             û
                                                           PE       UFRPE       û         ü            û              SC          UFSC            ü          û               ü
     adoção do sistema de bonificação. Das 51 ins-         PE     CEFET-PE      ü         û            û              SC           USJ            ü          û               û
                                                           AL        UFAL       ü         û            ü              RS         UFRGS            ü          û               ü
     tituições que adotam políticas de ação afirma-        SE     CEFET-SE      ü         û            û              RS         UERGS            ü          û               û
                                                           BA       UEFS        ü         û            ü              RS         UFSM             ü          û               ü
     tiva para o ingresso de estudantes na gradua-         BA       UFBA        ü         û            ü              MS         UEMS             ü          û               ü
                                                           BA       UFRB        ü         û            ü              MT        UNEMAT            ü          û               ü
     ção, 33 delas possuem cotas para negros, seja         BA       UESC        ü         û            ü              GO          UEG             ü          û               ü
                                                           BA       UNEB        ü         û            ü              DF          UNB             ü          û               ü
     este um critério único ou mesclado a outras di-       BA     CEFET-BA      ü         û            ü              DF        ESCS-DF           ü          û               û
                                                           MG       UEMG        ü         û            ü
     mensões de natureza social. A pesquisa mostra         MG
                                                           MG
                                                                 UNIMONTES
                                                                     UFJF
                                                                                ü
                                                                                ü
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                                                                                                       ü
                                                                                                       ü
                                                                                                                    Cotas: Sistema onde há a reserva de um percentual de vagas na
                                                                                                                    universidade para um determinado grupo;
     que, para definir se uma pessoa pode ou não           RJ
                                                           RJ
                                                                    UERJ
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                                                                                                                    Bônus: Política que oferece a um grupo específico pontos a
                                                                                                                    mais no vestibular, mas sem reservar um percentual de vagas
     ser considerada negra, o critério mais utilizado      RJ
                                                           RJ
                                                                    UEZO
                                                                   FAETEC
                                                                                ü
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                                                                                                       ü            (Na UNICAMP, FATEC-SP e FAMERP o sistema de bônus inclui
                                                           RJ        UFF        û         ü            û            pontuação diferenciada para negros);
     pelas universidades é o da autodeclaração, no         SP      UNIFESP      ü         û            ü            Cotas para Negros: Universidades que, em sua ação afirmativa,
                                                           SP     UNICAMP       û         ü            û            optarem por fazer um corte racial em favor dos estudantes
     qual o próprio estudante se classifica.               SP      FAMERP       û         ü            û            pretos ou pardos.
          Vale salientar que esse conjunto de medi-




82              Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino




das corresponde, antes, a ações políticas dos conselhos colegiados das próprias universidades do que, propriamente, a uma iniciativa gover-
namental. A principal iniciativa do atual governo, para a ampliação do ingresso de estudantes nas Instituições Federais de Ensino Superior, foi
o Projeto de Lei 3.627/04, apensando ao Projeto de Lei nº 73/99, que propôs a instituição, nas universidades e instituições públicas de ensino
superior, de todo o país, do sistema de reserva de 50% das vagas para alunos provenientes de escolas públicas, adotando um percentual para
negros e indígenas, conforme os dados do IBGE para cada Unidade da Federação.
     Contudo, por pressão dos segmentos que se opõem às ações afirmativas nas universidades, este projeto encontra-se parado no Con-
gresso Nacional à espera de votação. Mais recentemente, o governo federal apresentou o Projeto de Lei nº 7.200/2006, que trata da reforma
universitária. Apesar deste projeto fazer uma menção inicial às cotas (que teriam prazo de dez anos para serem implementadas nas Institui-
ções Federais de Ensino Superior – com regras semelhantes ao Projeto de Lei 3.627/04), esta foi retirada em sua versão posterior e, apenas,
mencionada dentro dos princípios e diretrizes do projeto (POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 302).
     Infelizmente, as universidades e demais instituições públicas de ensino superior, que adotam tais políticas, não possuem mecanismos
que favoreçam a permanência dos beneficiados na instituição. Segundo documento publicado pelo próprio Instituto de Pesquisas Eco-
nômicas e Aplicadas (Ipea), em 2006, “são poucas as universidades que têm bolsas para ofertar, e as bolsas são, em geral, em pequeno
número. Apenas a Universidade Federal de São Paulo oferece, no curso de medicina, bolsas a todos os alunos cotistas” POLÍTICAS SOCIAIS:
ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 303). Na mesma publicação, também é mencionado que os alunos cotistas tendem a se inscrever
em cursos menos concorridos e prestigiados.
     Até os dias atuais, as principais ações desenvolvidas pelo governo federal, para os estudantes universitários negros, cotistas ou não cotistas,
de instituições públicas de ensino superior, acontecem por meio de ações localizadas, como, por exemplo, o Programa Integrado de Ações
Afirmativas Para Negros, resultante de uma parceria entre o Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis / Síndrome de Imuno-
deficiência Adquirida (DST/Aids), do Ministério da Saúde, e dez universidades públicas (com apoio do MEC e da Secretaria Especial de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial; Seppir). O programa oferece 500 bolsas de estudo para alunos cotistas de todo o país.
     Outra política, que atuou no mesmo sentido, foi a criação do Programa Diversidade na Universidade, em 2002, e o seu desdobramento
institucional, em 2003, com a criação da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização Diversidade (Secad), vinculada à Secretaria de
Educação Superior (Sesu), do MEC. Entre as principais iniciativas do Secad está o Programa de Ações Afirmativas Para População Negra
nas Instituições Públicas de Ensino Superior (Uniafro) – realizado em parceria com a Sesu, visando o apoio aos Núcleos de Estudos Afro-
Brasileiros (Neab) localizados dentro das universidades, o que incluiu o LAESER-UFRJ. Até o começo de 2008, o Uniafro havia tido somente
duas versões: uma no ano de 2005 e outra no ano de 2006.
     Na verdade, as medidas mais efetivas do governo federal, na promoção das políticas de ação afirmativa, para o acesso dos estudantes
negros, de todo o Brasil, ao ensino superior, vêm se dando no âmbito das instituições privadas. As principais são:
✓ Programa Universidade Para Todos – Prouni. Criado em 2004 e, efetivamente, institucionalizado em 2005, fornece bolsas parciais
(para alunos com renda familiar per capita de até três salários mínimos) e integrais (para alunos com renda familiar per capita de até
um salário mínimo e meio) aos estudantes de renda baixa provenientes das escolas públicas. Necessariamente, parte das mesmas
deverá ser concedida a alunos negros e indígenas, de forma proporcional à participação destes contingentes nos respectivos Estados.
Segundo o Ipea, entre os anos de 2005 e 2006, cerca de 204 mil estudantes foram beneficiados por este programa, sendo que, destes,
63,2 mil (31% do total) eram negros. Como contrapartida às instituições privadas de ensino superior, o Prouni prevê um conjunto de
mecanismos de isenção de pagamento de impostos e contribuições por parte daquelas instituições (POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPA-
NHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 300);
✓ Fundo de Financiamento ao Estudante de Nível Superior (Fies). Instituído em 1999, estabelece uma linha de financiamento para es-
tudantes de nível superior que sejam pobres (mensurado por diversos indicadores pessoais e familiares), financiando, atualmente, até 50%
do valor das mensalidades. Ao contrário das bolsas do Prouni, esta modalidade exige, após a formatura, a restituição financeira aos cofres
público, além das salvaguardas, ao tomador do empréstimo, como fiador e renda mínima. A partir de 2004, os candidatos negros aos Fies
passaram a receber um bônus de 20% no índice de classificação. Com isso, entre 2004 e 2006, cerca de 36 mil estudantes afro-descendentes
obtiveram acesso ao Fundo (POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 300).
     Assim, pode-se observar que, as ações recentes do governo federal, na adoção de políticas de ação afirmativa para os estudantes negros
interessados em cursar o ensino superior, se deu de forma mais impetuosa e eficaz no interior das instituições privadas de ensino. Entre 2003 e
2006, pelo menos, quase 100 mil universitários afro-descendentes foram atendidos, ou pelo Prouni, ou pelo Fies.
     Por outro lado, parece evidente o caráter ainda tímido destas ações. Posto que, viabilizam, na maioria dos casos, o acesso dos jovens
afro-descendentes a instituições de ensino de menor prestígio acadêmico, o que, certamente, dará a este contingente uma menor capa-
cidade de alocação futura no mercado de trabalho. Isso sem mencionar o próprio caráter questionável das isenções fiscais dadas àquelas
instituições, que, na verdade, já vinham operando com razoável capacidade ociosa (C.f. POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE.
nº 13, p. 298). Finalmente, não deixa de ser curiosa a constatação de que, ao contrário do que ocorre nas universidades públicas, praticamen-
te não se registraram controvérsias a respeito da adoção das ações afirmativas para afro-descendentes nas universidades privadas, ficando
a dúvida se isso não estaria ocorrendo pelo fato destas serem menos concorridas.




                                                                   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                  83
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino


              De 1995 a 2006, o peso de pretos & pardos no ensino superior bra-                                                   Em termos da desagregação dos índices pelos grupos de cor
         sileiro também aumentou em termos relativos. Em 1995, 18,1% do total                                                 ou raça e sexo, observa-se que, em todos, ocorreram significativos
         de universitários eram deste contingente, tendo esse índice aumentado                                                aumentos das taxas brutas de escolaridade no ensino superior. As-
         para 29,9%, em 2006. O peso relativo de pretos & pardos no total de                                                  sim, entre 1995 e 2006, entre a população branca, a taxa bruta de
         estudantes, universitários e das demais instituições públicas de ensino,                                             escolaridade passou de 12,1% para 27,2%, entre os homens, e de
         era de 32,3%, em 2002, e de 34,3%, em 2006. Já no ensino superior pri-                                               14% para 34,1%, entre as mulheres. Já no caso da população preta
         vado, o peso relativo de pretos & pardos entre os universitários, foi de                                             & parda, em 1995, estas foram modestas: 2,8%, entre os homens
         19% em 2002, e de 28,5% em 2006 (tabela 4.10, ver box 4.6).                                                          e 3,9%, entre as mulheres. Onze anos mais tarde, em 2006, a taxa
                                                                                                                              bruta de escolaridade dos homens e mulheres pretos & pardos ha-
             Apesar do crescimento relativo das universidades particu-                                                        via alcançado 7,6% e 14,3%, respectivamente, representando me-
         lares, e mesmo das públicas, ainda que em menor grau, para o                                                         nos do que a metade em termos proporcionais ao ocorrido entre o
         contingente preto & pardo, a composição de cor ou raça que elas                                                      contingente branco (gráfico 4.19).
         apresentam ainda está muito distante do peso relativo da popula-
         ção preta & parda no Brasil como um todo. De qualquer maneira,                                                           A taxa líquida de escolaridade no ensino superior, entre 1995 e
         especialmente o crescimento do peso relativo do ensino superior                                                      2006, passou de 9,2% para 19,5% entre a população branca e, de 2%
         privado, para os pretos & pardos, não pode ser desprezado. Ao                                                        para 6,3% entre a população preta & parda. No período, a taxa líqui-
         menos parcialmente é reflexo dos incentivos dados, pelo governo                                                      da de escolaridade no ensino superior duplicou entre os brancos e
         federal, para os estudantes deste contingente. Como o Programa                                                       triplicou entre os pretos & pardos. Contudo, em 2006, do total de jo-
         Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento ao                                                       vens brancos com idade esperada para ingressar no ensino superior,
         Estudante de Nível Superior (Fies) (ver boxes 4.4 e 4.5).                                                            um em cada cinco estava na universidade. Já entre os jovens pretos &
             Outro indicador igualmente importante no estudo das assi-                                                        pardos desta mesma faixa etária, mais do que 93,7% estavam fora da
         metrias de cor ou raça no acesso ao ensino superior são as taxas                                                     universidade, fosse ela pública ou privada. Assim, a taxa líquida de
         brutas e líquidas. No caso dos universitários, elas são analisadas                                                   escolaridade deles, em 2006, ainda era inferior à mesma taxa obser-
         tomando por referência a faixa etária dos 18 aos 24 anos.                                                            vada, em 1995, entre os jovens brancos (gráfico 4.22).

             Ao longo de 1995 e 2006, a taxa bruta de escolaridade no ensino                                                      Entre 1995 e 2006, quando os indicadores das taxas líquidas de
         superior da população branca passou de 13,1% para 30,7%. Já na                                                       escolaridade são desagregados pelos grupos de cor ou raça e sexo,
         população preta & parda passou de irrisórios 3,3%, em 1995, para                                                     verifica-se que as jovens brancas entre 18 e 24 anos de idade são as
         não menos irrisórios 12,1%, em 2006. De todo modo, pode-se afir-                                                     que mais apresentam probabilidades de cursarem o nível superior (a
         mar que as distâncias relativas entre os dois grupos se reduziram                                                    taxa passou de 10,0%, para 21,7%). No caso dos homens brancos, a
         no período (gráfico 4.19; ver boxes 4.4 e 4.5).                                                                      taxa líquida de escolaridade no período cresceu 8,3% para 17,1%.
       Gráfico 4.19 - Taxa bruta de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos de cor ou raça
                                       (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                     Gráfico 4.19 - Taxa Gráfico 4.19 -escolaridade no ensino superior da população residente segundo de cor ou raça de cor ou raça
                                         bruta de Taxa bruta de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos os grupos
70,0                                                      (branca e (branca e preta & parda) e sexo,Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                     preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
              70,0

60,0

              60,0                                                                      Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
                                                                                                  de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
50,0                                                                      70,0
                                                                                                                                                                           62,4                                              61,5
              50,0                                       Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos
                                                                                                                     58,6
                                                                   de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %)
                                                                      idade
40,0                                                                                  54,1
                                            70,0
                                                                          50,0                                                               62,4                                                   61,5
              40,0                                                                                                                                                                                          34,1             50,0
                                                                                                      58,6                                                                 47,3
                                            60,0
30,0                                                   54,1               40,0
                                                                                                                             26,1                                                                                            34,1
                                            50,0                                                                                   36,2
              30,0
                                                                                                                                             47,326,1
                                                                          30,0                                                                                                                      50,0
20,0                                                                                    27,8
                                            40,0               17,1
                                                                          20,0
          14,0
             20,0                                                                                    36,2
                                            30,0                                     17,1
10,0                        14,0                                          10,0
                                                        27,8
                                                                                                                                                                                                       10,0
                                            20,0
             10,0                                                                                                            5,6
                                                                           0,0
           2,8                                                  2,9                 1995          1996          1997           1998       1999          2001           2002            2003        2004            2005   10,0
                                                                                                                                                                                                                           2006
 0,0
                                            10,0                                                                                                 5,6
       1995             1996            1997                1998                 1999               2001                2002              2003                 2004                   2005            2006
                                                                                                                                                                                                   Homens Brancos
                               2,8                                                      2,9
               0,0
                                             0,0                                                                                                                                                   Mulheres Brancas
                         1995             1996                1997                1998
                                                                         Fonte: IBGE, microdados Pnad  1999                2001            2002                 2003                   2004           2005                2006
                                                     1995             1996          1997          1998          1999          2001
                                                                         Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.         2002          2003           2004            2005     2006
                                                                                                                                                                                                Total Brancos
                                                                                                                                                                                        Homens Brancos
                                                                         Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                Fonte: IBGE, microdados Pnad.                            residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)                                Homens Brancos     Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                   Homens Pretos & Pardos
                Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                                               Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                            Homens Brancos
                                                                                                                                                                                         Total Brancos Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                                   Mulheres
                                           Fonte: IBGE, microdados população
                Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a Pnad
                                 Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                           Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                   Total Brancos      Homens Pretos & Mulheres Brancas
                                                                                                                                                                                                            Pardos
                                                                                                                                                                                                 Total Pretos & Pardos
                residente nas áreas rurais da Região Norte (exceto Tocantins).
                                 Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                           Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população                                                                                  Mulheres              Total Brancos
                                                                                                                                                                                                 Pretas & Pardas
                                 Nota: entre os anos de 1995 e da região Norte (exceto Tocantins)
                                           residente nas áreas rurais 2003 não inclui a população                                                                     Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                          Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                         Total Pretos & Pardos
                                 residente nas áreas rurais da Região Norte (exceto Tocantins).                                                                       Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                                          Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                      Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                                            Total Pretos & Pardos
         84                    Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino




Box 4.5. O peso do sistema de ensino público e do privado para os estudantes brancos
e pretos & pardos dos três níveis de ensino.
                                                                                Gráfico 4.21 - Composição de cor ou raça (branca e preta & parda) da população residente que
     No debate sobre o futuro do siste-                           Gráfico 4.21 - População residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) que
                                                             freqüentava os sistemas de ensino fundamental, médio e superior segundo tipo de instituição
                                                                freqüentava instituições de ensino porou privada), Brasil 2006 (em %)
                                                                                                             (pública tipo de instituição (pública ou privada), Brasil, 2006 (em %)
ma educacional brasileiro, um dos temas
mais polêmicos é o do papel exercido                  100,0%

pelo ensino privado no país. As opções
                                                       80,0%
de governos passados se pautaram pela                                                                                                                            70,3%
                                                                                          63,4%                                              64,9% 67,1%
massificação do sistema de ensino fun-                 60,0%
                                                                                                                59,8%

damental, do ensino médio e, mais re-                                            45,6%
                                                                                                                            53,7%

centemente, do superior, enquanto era                  40,0%
                                                                        39,7%
                                                                                                                                 34,3%                                        34,1%
deixada de lado a questão da qualidade                                                                                                                                                31,5%
                                                                                                                                                                                                 28,5%

dos mesmos. Isto fez com que, nos níveis               20,0%

fundamental e médio, as boas escolas -
com exceção dos colégios de aplicação                   0,0%
                                                                                Brancos                           Pretos & Pardos                    Brancos                     Pretos & Pardos
ligados às universidades públicas ou ins-                                            Instituição de Ensino Pública                                        Instituição de Ensino Privada
tituições específicas como, por exemplo,
a rede de colégios Pedro II, na cidade do                                                               Ensino Fundamental            Ensino Médio           Ensino Superior


Rio de Janeiro -, se tornassem um sinôni-
mo de escola privada.                              Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
     Já no ensino superior a situação
curiosamente se inverte: as universidades
públicas são consideradas de boa quali-                     Gráfico 4.22 - Taxa líquidade escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos de cor grupos
                                                                 Gráfico 4.22 - Taxa líquida de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os ou raça
                                                                                      de cor ou raça (brancapreta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) (em %)
                                                                                                          (branca e e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006
dade e as particulares - com exceção das
confessionais e algumas outras de maior           30,0



tradição - são tidas como de qualidade
                                                  25,0
inferior e menos prestigiadas. Conside-                                                                                                                                                                  21,7

rando, também, o pouco investimento               20,0

público nas universidades públicas, as                                                                                                                17,4



universidades particulares, de fato, am-          15,0
                                                                                                                 12,3
pliaram sua importância relativa no con-                      10,0

texto educacional, dada a quantidade de           10,0


vagas que oferecem anualmente. Contu-
do, estas instituições ainda não equacio-          5,0
                                                                                                                                                                                                            5,1

naram a questão do binômio quantidade                    1,6                                                     1,7
                                                                                                                                                      3,0
                                                   0,0
X qualidade. Questão esta que, no Brasil,                   1995            1996             1997            1998           1999      2001         2002          2003        2004         2005           2006


parece sempre piorar quando o ensino                                                                                                                                                 Homens Brancos
                                                                                                                                                                                     Mulheres Brancas
                                                                 Fonte: IBGE, microdados Pnad.
se massifica. De todo modo, a questão                            Tabulações: LAESER: - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                 Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população
                                                                                                                                                                                     Total Brancos
                                                                                                                                                                                     Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                     Mulheres Pretas & Pardas
é: qual o efeito deste perfil desajustado                         residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins).                                                     Total Pretos & Pardos


do sistema de ensino brasileiro sobre as
desigualdades de cor ou raça?
     No gráfico 4.20, pode-se observar que, em 2006, nos ensinos fundamental e médio, respectivamente, 17,6% e 24,1% dos estudantes
brancos estudavam em escolas privadas. No caso dos pretos & pardos, o percentual de matriculados em escolas privadas era de, respecti-
vamente, 7,0% e 11,2%, em ambos os estágios do sistema educacional. Correspondiam, assim, a menos da metade do indicador do outro
contingente. Finalmente, no ensino superior, o percentual de pessoas brancas estudando na rede privada era de 77,4%. No caso dos pretos
& pardos, o ensino privado de nível superior correspondia a 71,9% do total de estudantes universitários.
     No gráfico 4.21, observa-se, por outro lado, que a composição de cor ou raça dos alunos das escolas de nível fundamental de todo o
país, no caso dos pretos & pardos, em 2006, era a seguinte: de 59,8% nas escolas públicas e de 34,1% nas escolas privadas.
No ensino médio, a presença relativa de pretos & pardos em seu interior era de 53,7%, no ensino público e 31,5%, no ensino
privado. No ensino superior, o peso deste contingente era de 34,3%, no ensino público e 28,5%, no ensino privado. Ou seja,
a diferença do peso relativo de pretos & pardos entre instituições de ensino público do nível fundamental e do superior,
em 2006, era de 25,5 pontos percentuais. Quando a comparação é feita entre ensino público, nos níveis médio e superior, a
diferença, no mesmo período, é de 19,4 pontos percentuais.




                                                                                               Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                                     85
4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino



             Gráfico 4.20 - População residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) que
                            Gráfico 4.20 - Taxa líquida de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos de cor ou raça
             freqüentava instituições de ensino poretipo & parda) e sexo, Brasil,(pública ou privada), Brasil, 2006 (em %)
                                                             (branca preta de instituição 1995-2006 (em %)

                   100,0%
                                                                                                    93,0%
                                                                                                             88,8%
                                  82,4%
                                           75,9%                                  77,4%
                    80,0%
                                                                                                                                                       71,9%


                    60,0%



                    40,0%
                                                                                                                     28,1%
                                                22,6%                   24,1%
                    20,0%                                          17,6%
                                                                                                                                              11,2%
                                                                                                                                   7,0%

                      0,0%
                                         Público                        Privado                             Público                          Privado
                                                        Brancos                                                        Pretos & Pardos

                                                             Ensino Fundamental              Ensino Médio               Ensino Superior




                  Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                  Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.



    As taxas líquidas de escolaridade entre os homens e mulhe-           & pardos as maiores e menores taxas brutas de escolarida-
res pretos & pardos, em 1995, eram demasiadamente modestas               de também estavam no Centro-Oeste (16,8%) e no Nordeste
em termos relativos. Assim, por maior que tenha sido o avanço            (9,7%). Quanto às taxas líquidas de escolaridade, no ano de
daqueles indicadores até 2006, as proporções são, francamente,           2006, os indicadores mais e menos expressivos entre os bran-
muito reduzidas. Dessa forma, a taxa líquida de escolaridade             cos e os pretos & pardos eram verificados, mais uma vez, no
dos jovens pretos & pardos do sexo masculino era de 1,6%, em             Centro-Oeste (23,1% e 9,5%) e no Nordeste (12,9% e 4,8%),
1995, passando para 5,1%, em 2006. No caso das mulheres pre-             respectivamente.
tas & pardas, esse indicador aumentou
de 2,4%, em 1995, para 7,6%, em 2006,            Tabela 4.11 - Taxas bruta e líquida de escolaridade no ensino superior da população residente
                                                segundo osTabela 4.11de cor bruta e líquida de escolaridade no ensino superior da população residente 2006 (em
                                                           grupos - Taxas ou raça (branca e preta & parda); regiões geográficas, Brasil,
sendo de qualquer maneira igualmente                    segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); regiões geográficas, Brasil, 2006 (em %)
                                                                                                       %)
modesto (gráfico 4.22).                                                                Brancos                                       Pretos & Pardos
                                                              Grande Região
                                                                                        Taxa Bruta             Taxa Líquida               Taxa Bruta           Taxa Líquida
    Verifica-se pela tabela 4.11 que, nas
                                                           Norte                            25,0                      13,8                   12,2                  5,8
grandes regiões do Brasil, as taxas bru-                   Nordeste                         21,8                      12,9                   9,7                   4,8
tas e líquidas de escolaridade dos bran-                   Sudeste                          33,3                      21,6                   14,0                  7,6
cos eram superiores às dos pretos &                        Sul                              31,3                      20,0                   11,3                  6,4
pardos. As maiores e menores taxas das                     Centro-Oeste                     37,8                      23,1                   16,8                  9,5
pessoas brancas eram respectivamente
encontradas no Centro-Oeste (37,8%)                        Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                           Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
e no Nordeste (21,8%). Entre os pretos




86              Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
5. Desigualdades
                          de Cor ou Raça na
                       Dinâmica do Mercado
                                de Trabalho




Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008   87
88   Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
5. Desigualdades de Cor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho




5.1. Evolução da Participação                                                                      & pardos totalizava 25,7 milhões, ao passo que os brancos, 25,6 mi-
no Mercado de Trabalho                                                                             lhões de pessoas. No caso das mulheres, a PEA branca superava a PEA
                                                                                                   preta & parda em 2,59 milhões de trabalhadoras (gráfico 5.1).
      De 1995 a 2006, a População Economicamente Ativa (PEA) do Bra-
sil, que corresponde ao total de pessoas entre 10 e 64 anos de idade que                               A tabela 5.1 mostra as respectivas evoluções das PEA`s regionais,
estavam ocupadas ou procurando ocupação, descontando a popula-                                     de 1995 e de 2006. Para fins de comparabilidade, vale salientar que, na
ção residente nas áreas rurais da região Norte, apresentou um saldo lí-                            região Norte, só está incluída a população residente nas áreas urbanas.
quido de ingresso no mercado de trabalho de 20,6 milhões de pessoas.                               Em todas as regiões e grupos de cor ou raça houve um incremento da
Quando se considera os grupos de cor ou raça, observa-se que, entre os                             PEA feminina, a taxas maiores do que na PEA masculina (tabela 5.1).
brancos, este saldo líquido foi de 7,7 milhões de pessoas, ao passo que,
entre os pretos & pardos, 12,6 milhões de pessoas. Portanto, ao longo                                  Com a análise comparativa entre os grupos de cor ou raça e
do período analisado, a presença das pessoas de cor ou raça preta &                                sexo, na tabela 5.1, constata-se que, em números absolutos, com
parda no mercado de trabalho apresentou maior dinamismo em face                                    exceção do Nordeste, ocorreu um incremento relativo da PEA mas-
do que ocorreu entre os de cor ou raça branca (gráfico 5.1).                                       culina, feminina e total preta & parda em relação às respectivas
                                                                   Gráfico 5.1 -- Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça
                                                                   Gráfico 5.1 Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça
     Observando aquela evo-                              Gráfico 5.1preta & parda) ePEA residente segundo (em número de pessoas).
                                                         (branca e preta & parda) e sexo, Brasil 1995-2006 os grupos dede pessoas).
                                                          (branca e - Tamanho da sexo, Brasil 1995-2006 (em número cor ou raça
                                                                         Gráfico 5.1 - Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça
lução em números absolutos,                              (branca e preta &e parda) e sexo, Brasil1995-2006 (em número de pessoas) pessoas).
                                                                        (branca preta & parda) e sexo, Brasil 1995-2006 (em número de
                                      50.000.000
                                       50.000.000
desagregada por sexo, vê-se           50.000.000
                                                                                                                                                                       47.085.192
                                                                                                                                                                        47.085.192
                                                                                                                                                                       47.085.192
                                                                                                                                                                        44.610.730
                                                                                                                                                                         44.610.730
que as maiores responsáveis                           39.359.005
                                                       39.359.005                                                                                                       44.610.730
por aquele saldo foram as             40.000.000 39.359.005
                                       40.000.000
                                      40.000.000
mulheres, que contribuíram
                                                     31.997.023
                                                      31.997.023
com 56,4% do crescimento              30.000.000 31.997.023
                                       30.000.000
da PEA ocupada. As mulhe-             30.000.000
res pretas & pardas, sozi-
                                      20.000.000
                                       20.000.000
nhas, levaram cerca de 6,4            20.000.000
milhões de pessoas a mais
para o mercado de trabalho.           10.000.000
                                       10.000.000
Os homens pretos & pardos             10.000.000         1995
                                                          1995      1996
                                                                     1996       1997
                                                                                 1997      1998
                                                                                            1998        1999
                                                                                                         1999      2001
                                                                                                                    2001      2002
                                                                                                                               2002      2003
                                                                                                                                          2003    2004
                                                                                                                                                   2004        2005
                                                                                                                                                                2005         2006
                                                                                                                                                                              2006
                                                         1995       1996        1997       1998         1999       2001       2002       2003     2004         2005          2006
responderam pelo incremen-                                                                                                                             Homens Brancos
                                                                                                                                                        Homens Brancos
to líquido de 6,3 milhões de                                                                                                                           Homens Brancos& Pardos
                                                                                                                                                        Homens Pretos
                                                                                                                                                       Homens Pretos & Pardos

                                       Fonte: IBGE, microdados PNAD.
                                        Fonte: IBGE, microdados PNAD.                                                                                   Mulheres Brancas
                                                                                                                                                       Mulheres Brancas
pessoas. Entre os homens e             Tabulações: microdadosFichário das Desigualdades Raciais.
                                        Tabulações: LAESER PNAD.
                                       Fonte: IBGE, LAESER --Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                                       Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                       Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                       Mulheres Brancas&Pardas
                                                                                                                                                        Mulheres Pretas

mulheres brancos, respecti-            Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                        Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                       Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                         Total Brancos
                                                                                                                                                       Total Brancos
                                                                                                                                                       Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                       Total Brancos& Pardos
                                                                                                                                                        Total Pretos
                                                                                                                                                       Total Pretos & Pardos
                                       Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
vamente, o acréscimo líqui-                                                                                                                            Total Pretos & Pardos

do de ingresso no
mercado de traba-            Tabela 5.1 - Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, regiões
                            Tabela 5.1 - TamanhoTabela 5.1 - geográficas, Brasil, 1995 e 2006de cor cor ou raça (brancapreta & parda)
                                                       da PEA Tamanho da PEA residenteos grupos (emde ou raça (branca e e preta & parda) e sexo, regiões
                                                                  residente segundo segundo os grupos número de pessoas)
lho, entre 1995 e                                                geográficas, geográficas, Brasil, 1995 e 2006número de pessoas)
                                                                  e sexo, regiões Brasil, 1995 e 2006 (em (em número de pessoas)
2006, foi de, respec-          Raça ou Cor                Região
                                                                                       Homem                               Mulher                             Total
                              Raça ou Cor                Região                1995 Homem 2006                     1995 Mulher 2006                 1995 Total 2006
tivamente, 2,6 e 5,1                               Norte
                                                                              1995
                                                                             508.498
                                                                                                 2006
                                                                                               742.344
                                                                                                                    1995
                                                                                                                  374.080
                                                                                                                                      2006
                                                                                                                                    599.926
                                                                                                                                                     1995
                                                                                                                                                  882.578
                                                                                                                                                                           2006
                                                                                                                                                                      1.342.270
milhões de pessoas                               Norte
                                                   Nordeste
                                                                            508.498
                                                                            3.050.002
                                                                                               742.344
                                                                                              3.787.312
                                                                                                                  374.080
                                                                                                                2.406.041
                                                                                                                                    599.926
                                                                                                                                   3.117.900
                                                                                                                                                   882.578
                                                                                                                                                 5.456.043
                                                                                                                                                                       1.342.270
                                                                                                                                                                      6.905.212
(gráfico 5.1).             Brancos
                                                 Nordeste
                                                   Sudeste
                                                                           3.050.002
                                                                           12.167.727
                                                                                             3.787.312
                                                                                             13.021.413
                                                                                                                 2.406.041
                                                                                                                8.240.985
                                                                                                                                   3.117.900
                                                                                                                                  11.016.272
                                                                                                                                                  5.456.043
                                                                                                                                                 20.408.712
                                                                                                                                                                       6.905.212
                                                                                                                                                                     24.037.685
                                  Brancos                    Sudeste                12.167.727         13.021.413         8.240.985   11.016.272     20.408.712       24.037.685
                                                              Sul                    5.859.560          6.371.130         4.394.829   5.493.293     10.254.389       11.864.423
    No mesmo pe-                                             Sul
                                                              Centro Oeste
                                                                                     5.859.560
                                                                                     1.392.502
                                                                                                        6.371.130
                                                                                                        1.630.075
                                                                                                                          4.394.829
                                                                                                                           964.781
                                                                                                                                       5.493.293
                                                                                                                                      1.305.527
                                                                                                                                                     10.254.389
                                                                                                                                                    2.357.283
                                                                                                                                                                      11.864.423
                                                                                                                                                                      2.935.602
ríodo, entre os ho-                                          Centro Oeste
                                                              Norte
                                                                                     1.392.502
                                                                                     1.365.196
                                                                                                        1.630.075
                                                                                                        2.213.002
                                                                                                                           964.781
                                                                                                                           872.342
                                                                                                                                       1.305.527
                                                                                                                                      1.547.520
                                                                                                                                                      2.357.283
                                                                                                                                                     2.237.538
                                                                                                                                                                       2.935.602
                                                                                                                                                                      3.760.522
mens, a PEA preta &                                          Norte
                                                              Nordeste
                                                                                     1.365.196
                                                                                     8.872.041
                                                                                                        2.213.002
                                                                                                       10.220.294
                                                                                                                           872.342
                                                                                                                          5.815.590
                                                                                                                                       1.547.520
                                                                                                                                      7.310.940
                                                                                                                                                      2.237.538
                                                                                                                                                    14.687.631
                                                                                                                                                                       3.760.522
                                                                                                                                                                     17.531.234
parda, em números                  Pretos & Pardos           Nordeste
                                                              Sudeste
                                                                                     8.872.041
                                                                                     6.408.568
                                                                                                       10.220.294
                                                                                                        9.345.044
                                                                                                                          5.815.590
                                                                                                                          4.220.236
                                                                                                                                       7.310.940
                                                                                                                                      7.296.123
                                                                                                                                                     14.687.631
                                                                                                                                                    10.628.804
                                                                                                                                                                      17.531.234
                                                                                                                                                                     16.641.167
absolutos de traba-               Pretos & Pardos            Sudeste
                                                              Sul
                                                                                     6.408.568
                                                                                     1.098.488
                                                                                                        9.345.044
                                                                                                        1.661.588
                                                                                                                          4.220.236
                                                                                                                           703.760
                                                                                                                                       7.296.123
                                                                                                                                      1.184.259
                                                                                                                                                     10.628.804
                                                                                                                                                     1.802.248
                                                                                                                                                                      16.641.167
                                                                                                                                                                      2.845.847
lhadores, superou                                            Sul
                                                              Centro Oeste
                                                                                     1.098.488
                                                                                     1.658.828
                                                                                                        1.661.588
                                                                                                        2.229.491
                                                                                                                           703.760
                                                                                                                           981.974
                                                                                                                                       1.184.259
                                                                                                                                      1.602.469
                                                                                                                                                      1.802.248
                                                                                                                                                    2.640.802
                                                                                                                                                                       2.845.847
                                                                                                                                                                      3.831.960
a branca. Assim,                                             Centro Oeste            1.658.828          2.229.491          981.974     1.602.469      2.640.802        3.831.960
em 2006, o número                  Fonte: IBGE, microdados Pnad.
total de ocupados e                Tabulações LAESER: Fichário
                                  Fonte: IBGE, microdados Pnad. das Desigualdades Raciais.
                                   Nota: não LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais.
                                  Tabulaçõesinclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
desocupados pretos                Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)




                                                                                        Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008                                89
5. Desigualdades de Cor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho


masculina e feminina branca e                                                   Gráfico 5.25.2 deTaxa de participação no mercado de trabalho da população
                                                                                  Gráfico 5.2 - Taxa - participação no mercadono trabalho da população residente população
                                                                                    Gráfico - Taxa de participação de mercado de trabalho da segundo os grupos
total em todas as demais regiões.                                             residente segundo ou raça (branca e preta & parda)raça (brancapreta &(em %) e sexo,
                                                                                 residente segundo os grupos de cor ou e sexo, Brasil,e e pretaparda)
                                                                                                  de cor os grupos de cor ou raça (branca 1995-2006 & parda) e sexo,
                                                                                                                 Brasil, 1995-2006 (em %) %)
                                                                                                                     Brasil, 1995-2006 (em
                                                          85,0
                                                             85,0
    Os maiores crescimentos pro-
                                                                                                            76,5                                  76,3                                               76,4
porcionais da PEA, para todos os                                         77,9
                                                                            77,9
                                                                                                               76,5                                  76,3                                               76,4

contingentes de cor ou raça e sexo,                       70,0
                                                                          77,6
                                                                             77,6                          75,8
                                                                                                              75,8
                                                                                                                                                  75,6
                                                                                                                                                     75,6
                                                                                                                                                                                                     75,4
                                                                                                                                                                                                        75,4
                                                             70,0                                                                                                                                    66,9
ocorreram no Norte-Urbano. Isso                                        64,1
                                                                          64,1                               63,1                                 64,9
                                                                                                                                                     64,9
                                                                                                                                                                                                         66,9
                                                                                                                63,1                                                                                  65,0
tanto pode ser reflexo do intenso                                       63,9                                62,8                                  64,0
                                                                                                                                                     64,0
                                                                                                                                                                                                         65,0
                                                                           63,9                                62,8
crescimento das cidades da região,                                                                                                                 54,5
                                                                                                                                                      54,5
                                                                                                                                                                                                        58,3
                                                                                                                                                                                                           58,3
                                                          55,0                                            50,8                                                                                          54,7
como eventuais reclassificações                              55,0
                                                                         51,3
                                                                                                             50,8
                                                                                                                                                   52,5
                                                                                                                                                      52,5
                                                                                                                                                                                                           54,7
                                                                            51,3
das respectivas malhas urbanas,                                         50,2                                49,9
                                                                           50,2                                49,9
passando-se a se considerar assim
                                                          40,0
áreas antes tidas como rurais.                               40,0
                                                                     1995
                                                                        1995       1996
                                                                                      1996     1997
                                                                                                  1997    1998
                                                                                                             1998      1999
                                                                                                                          1999        2001
                                                                                                                                         2001   2002
                                                                                                                                                   2002      2003
                                                                                                                                                                2003   2004
                                                                                                                                                                          2004     2005
                                                                                                                                                                                      2005         2006
                                                                                                                                                                                                      2006

                                                                                                                                                                                 Homens Brancos

     Mas, com esta exceção, no                 Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                                   Fonte: IBGE, microdados Pnad.
                                               Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.
                                                                                                                                                                                      Homens Brancos
                                                                                                                                                                                 Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                      Homens Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                 Mulheres Brancas
                                                   Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.                                                                           Mulheres Brancas
caso da PEA do sexo masculino                  Nota: nos anos de 1995 a 2003 não inclui a população
                                                   Nota: nos anos de 1995 a 2003 não inclui a população
                                               residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
                                                                                                                                                                                 Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                      Mulheres Pretas & Pardas
                                                                                                                                                                                 Total Brancos
                                                                                                                                                                                      Total Brancos
                                                   residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)
preto & pardo, o maior incre-                                                                                                                                                    Total Pretos & Pardos
                                                                                                                                                                                      Total Pretos & Pardos


mento relativo ocorreu no Sul, de
51,3% e o menor, no Nordeste, de 15,2%. Já no caso do sexo mascu-                           mindo na sociedade. Assim, esses indicadores são coerentes com
lino branco, o maior crescimento se deu, também, no Nordeste, de                            as informações debatidas no capítulo 4, referentes à presença das
24,2% e o menor, no Sudeste, de 7,0%. Na PEA feminina, dentro do                            pessoas do sexo feminino no sistema educacional.
mesmo intervalo, o maior acréscimo proporcional foi no Sudeste, de
72,9%, para as pretas & pardas, e no Centro-Oeste, para as brancas,                               Por outro lado, o paradoxo da maior presença dos pretos & par-
35,3%.                                                                                      dos no mercado de trabalho acompanhar-se da redução de sua taxa de
                                                                                            participação deve ser interpretado à luz do que foi debatido no capítu-
                                                                                            lo 2, sobre a evolução demográfica dos respectivos grupos. Ou seja, o
5.2. Taxa de Participação no Mercado de Trabalho                                            crescimento da PEA preta & parda foi proporcionalmente menor que o
                                                                                            crescimento da PIA deste grupo de cor ou raça (gráfico 5.2).
     Por taxa de participação no mercado de trabalho se compreen-
de a proporção da PEA sobre a População em Idade Ativa (PIA). De                                  A tabela 5.2 relaciona as taxas de participação no mercado de
1995 a 2006, as taxas de participação no mercado de trabalho das                            trabalho nas cinco regiões, de 1995 a 2006. No caso da PEA masculi-
mulheres brancas e pretas & pardas cresceram, respectivamente,                              na, percebe-se que, com exceção do Nordeste, as taxas da população
7,0 e 4,4 pontos percentuais. Já entre os homens brancos e pretos &                         masculina de cor ou raça preta & parda cresceram ligeiramente mais
pardos, os idênticos indicadores declinaram, respectivamente: 1,4                           que as da branca. Na PEA feminina, em 2006, as taxas das brancas
e 2,2 pontos percentuais (gráfico 5.2).                                                     confirmaram-se maiores que as das pretas & pardas em todas as
                                                                                            regiões geográficas, inclusive no Sudeste, onde, em 1995, eram um
     Esses dados implicam que, por um lado, o dinamismo da evo-                             pouco menores. Finalmente, quando lidos de forma agregada, bali-
lução do mercado de trabalho brasileiro dependeu muito da pre-                              zados nos respectivos indicadores apresentados, pode-se ver que as
sença das mulheres e dos novos papéis que as mesmas vêm assu-                               taxas de participação no mercado de trabalho da PEA branca cres-
                                                                                                                      ceram ligeiramente mais do que as mesmas
    Tabela 5.2 - Taxa de participação no mercado de trabalho da população residente segundo os grupos                 taxas entre os pretos & pardos.
     Tabela 5.2 - Taxa de participação no no mercadode trabalho da população residente segundo os grupos
             Tabela 5.2 - Taxa de participação mercado de trabalho da população residente segundo os grupos
        de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em %)
        de cor ou raça (branca e preta & parda) eesexo, regiões geográficas, Brasil, 1995 e1995 (em %) (em %)
                 de cor ou raça (branca e preta & parda) sexo, regiões geográficas, Brasil, 2006 e 2006
                                                               Homem
                                                               Homem                        Mulher
                                                                                            Mulher                     Total
                                                                                                                       Total
             Raça
             Raça                     Região
                                      Região               1995
                                                           1995     2006
                                                                    2006               1995
                                                                                       1995       2006
                                                                                                  2006        1995
                                                                                                              1995             2006
                                                                                                                               2006              5.3. PEA Ocupada no Mercado
                               Norte                       75,5     76,9               47,6        51,7       60,4             63,6
                               Norte
                               Nordeste
                                                           75,5
                                                           77,0
                                                                    76,9
                                                                         74,1
                                                                                       47,6
                                                                                       50,8
                                                                                                   51,7
                                                                                                   53,4
                                                                                                              60,4
                                                                                                               62,7
                                                                                                                               63,6
                                                                                                                               63,1
                                                                                                                                                 de Trabalho
                               Nordeste                    77,0          74,1          50,8        53,4        62,7            63,1
  Brancos
  Brancos                      Sudeste                     76,1          75,9          48,4        58,4        61,8            66,7
                               Sudeste                     76,1          75,9          48,4        58,4        61,8            66,7
                               Sul                         82,2          78,6          58,9        62,7        70,3            70,3                  Ao longo desta seção, serão focaliza-
                               Sul                         82,2          78,6          58,9        62,7        70,3            70,3
                               Centro Oeste
                               Centro Oeste                78,8
                                                           78,8          77,3
                                                                         77,3          50,1
                                                                                       50,1        56,6
                                                                                                   56,6        63,8
                                                                                                               63,8            66,5
                                                                                                                               66,5
                                                                                                                                                 dos, por cor ou raça e sexo, os seguintes
                               Norte
                               Norte                       73,6
                                                           73,6          74,3
                                                                         74,3          47,0
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  • 2.
    Copyright © dosautores, 2008 Direitos cedidos para esta edição: Editora Garamond Ltda. Caixa Postal 16.230 Cep 22.222-970 Rio de Janeiro, RJ Telefax: (21) 2504-9211 E-mail: editora@garamond.com.br Coordenação Maria Alzira Brum Lemos CONSELHO EDITORIAL Bertha K. Becker Candido Mendes Cristovam Buarque Ignacy Sachs Jurandir Freire Costa Ladislau Dowbor Pierre Salama Todos os direitos reservados. A reprodução não-autorizada desta publicação, por qualquer meio, seja total ou parcial, constitui violação da Lei nº 9.610/98.
  • 4.
    Expediente Organização Geral Marcelo Paixão– Coordenador Geral LAESER Luiz Marcelo Carvano – Coordenador Técnico LAESER Texto Final & Idealização da Capa Marcelo Paixão Programação de Dados e Cruzamento de Indicadores e Estatística Luiz Marcelo Carvano Assistente de Pesquisa e de Organização Sandra Ribeiro Colaboradores com contribuições escritas Cléber Julião – Cap. 7, “Os Marcos Jurídicos de Ação Contra o Racismo e à Promoção da Igualdade Racial” Irene Rossetto – Cap. 6, “Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça”. Boxes 6.1 (Furacão Katrina: a cor de um desastre) 6.2 (Distintas metodologias para a construção das Linhas de Indigência Pobreza: como variam as assimetrias de cor ou raça desse indicador?), 6.3 (Arranjos familiares e a intensidade da incidência da indigência e da pobreza), 6.4 (Guerra civil na França: protesto de jovens afro-descendente residentes nas banlieues, 2005), 6.6 (Chegando mais tarde ao Século XXI: assimetrias de cor ou raça nos indicadores de inclusão digital). Cap. 7, Boxes 7.3 (Terras Negras na Colômbia) e 7.4 (A Stolen Generations da Austrália: aspectos de uma política pública racista) Leila Ervatti – Cap 2, “Evolução Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou a Raça; cálculo dos indicadores demográficos de estimativa indireta” Raquel Souzas – Cap. 3, Box 3.4, “A Perspectiva Teórica de Estudo dos Padrões de Mortalidade da População Desagregada Pela Variável Cor ou Raça” Renato Ferreira – Cap. 4, Box 4.5, “O Acesso Recente de Estudantes Afro-descendentes nas Universidades Brasileiras: qual o estado da arte?” Sandra Ribeiro – Cap. 7, Subseção 7.1.5, “Considerações Gerais Sobre o Perfil de Sexo e Cor ou Raça do Poder Político no Brasil” Bolsistas de Graduação Bruna Cássia do Nascimento – IFCS / UFRJ Moacir Carlos da Silva – FCE / UERJ Raquel Cabral – IFCS / UFRJ Rodrigo Martins (Bolsista PIBICT/CNPq) – IE / UFRJ Talia Tumelero – Faculdade de Direito / CESUSC Editoração eletrônica Maraca Design Copy-Desk e Revisão de Texto Daniele Carvalho João Borges Luiz Paulo Correa e Castro Revisão Final Anna Paula Meirelles de Azevedo Capa Victor Marques Venha visitar nosso portal. Se cadastre no Fichário Eletrônico das Desigualdades Raciais: www.laeser.ieufrj.br 4 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
  • 5.
    Agradecimentos Ana Toni –Fundação Ford; Alma Jenkins – UNICEF; Aloísio Teixeira – Reitor da UFRJ; Ancelmo Góis – Colunista, Jornal O Globo; Antônio Góis – Jornal Folha de São Paulo; Amaury Mendes – UEZO; à Assessoria de Imprensa da UFRJ; Ary Barradas – Diretor Adjunto Administrativo do IE/UFRJ; Ari Roitman – Editora Garamond; Cássia Almeida – Jornal O Globo; Cida Bento – CEERT; Daniela Dariano - Jornal O Dia; Débora Silva Santos – UNIAFRO/SESU/MEC; Deise Benedito – Fala Preta!; Denise Dora – Fundação Ford; Diogo Arada – Message Informática; Edna Roland – Relatora da Conferência Mundial Contra o Racismo, Durban, 2001; Eliane Faerstein – OXFAM-NOVIB; Élio Gaspari – Colunista, O Globo / Folha de São Paulo; Elizete Menegat, UFJF; Fabiana Cimieri – Jornal O Estado de São Paulo; Fabiana del Popolo – CELADE-CEPAL; Fernanda Carvalho – IBASE; Fernanda da Escóssia – Jornalista, O Globo; Flávia Oliveira, Colunista, Jornal O Globo; Flávio Gomes, Professor do IFCS/UFRJ; Fernando Urrea Giraldo – Professor Universidad del Valle, Cali / Colômbia; Frei David – EDUCAFRO; à Fundação Ford; à Fundação José Bonifácio; Guilherme Almeida – NEV-USP; ao Instituto de Economia / UFRJ; João Feres – Professor IUPERJ; Jô Soares – Apresentador de Programa de Televisão, Rede Globo; João Bosco Machado – Ex-Diretor Adjunto Administrativo IE/ UFRJ; João Sabóia – Diretor Geral IE/UFRJ; Jhon Anthón – Coordenador do Sistema de Indicadores Sociais do Povo Afro-Equatoriano (SISPAE); Judith Morrison – Inter-American Foundation; Juliana Lima, Advogada PRR Consultoria; Jurema Werneck – CRIOLA; Leandro Vallareli – Consultor; Leonarda Musumeci – Professora IE/UFRJ; Liana Melo, Jornal O Globo; Luciano Cerqueira – IBASE; Luís Silveira – TSE; Luiz Cláudio Dantas – FUJB; Luiz Fernando Guedes Pinto – IMAFLORA; Luiza Fernanda Figueiredo Martins – FUJB; Luli Garcia – Assessoria de Comunicação IE/UFRJ; Luz Marilda - INCRA; Marcelo Erthal – Message Informática; Marcelo Gaba Mesquita – Jornalista; Marcelo Figueiredo – Professor UFF; Marildo Menegat – ESS/UFRJ; Mario Sérgio Pinheiro, Advogado PRR Consultoria; Mario Magalhães - Ombudsman – Folha de São Paulo; Mauricio Reis - Fundação Cultural Palmares; Miriam Leitão – Colunista, Jornal O Globo; à Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação e Cultura (MEC/SESu) / UNIAFRO; Nilce Costa de Lira – Pró-Reitoria de Finanças e Administração (PR-3) UFRJ; Paulo Lins – Escritor; Patrícia Mello – Fundação Ford; Renata Là Roverè – Professora IE/UFRJ; Renato Emerson – Professor UERJ, Campus de São Gonçalo; Ricardo Mello – Economista; Romero Rodríguez – Rede de Organizações Afro Latino e Caribenhas, Aliança Estratégica; Valéria Pero – Professora IE/UFRJ; Wallison Araújo – UNIAFRO/SESU/MEC; Sandra Aragon – Alto Comissariado das Nações Unidas Para os Direitos Humanos; Sueli Carneiro – GELEDÉS; Tatiana Vieira –TSE. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 5
  • 6.
    Apoio principal Apoio 6 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
  • 7.
    Sumário Expediente Agradecimentos . ................................................................................................................................................................................................5 1. Apresentação: no que consiste o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil?.......................................... 11 2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça........................................................ 21 2.1 Evolução Demográfica da População Brasileira; 1995 - 2006.................................................................................................................... 23 2.2. Distribuição Regional da População Brasileira................................................................................................................................................ 27 2.3. Pirâmides Etárias......................................................................................................................................................................................................... 27 2.4. Idade Mediana da População Brasileira............................................................................................................................................................. 31 2.5. Razão de Sexos............................................................................................................................................................................................................ 32 2.6. Indicadores Demográficos de Mensuração Através de Estimativas Indiretas..................................................................................... 32 2.6.1. Fecundidade..................................................................................................................................................................................................... 35 2.6.2. Mortalidade Infantil e na Infância............................................................................................................................................................ 38 2.6.3. Esperança de Vida ao Nascer..................................................................................................................................................................... 39 3. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça.................................................... 41 3.1. Informações Metodológicas Preliminares......................................................................................................................................................... 43 3.2. Razão de Mortalidade Por 100 Mil Habitantes Por Causas Específicas de Óbito............................................................................... 44 3.3. Idade Mediana dos Óbitos...................................................................................................................................................................................... 46 3.4. Composição das Causas de Mortalidade da População Brasileira........................................................................................................... 46 3.5. Análise de Causas de Mortalidade Selecionadas .......................................................................................................................................... 48 3.5.1. Doenças do Aparelho Circulatório........................................................................................................................................................... 48 3.5.2. Composição das Causas Externas de Mortalidade . ......................................................................................................................... 49 3.5.3. Homicídios........................................................................................................................................................................................................ 50 3.5.4. Acidentes de Transporte.............................................................................................................................................................................. 53 3.5.5. Mortes Por Suicídio e Por Overdose de Drogas.................................................................................................................................. 53 3.5.6. Mortalidade Por Tuberculose ................................................................................................................................................................... 55 3.5.7. Mortalidade Por AIDS.................................................................................................................................................................................... 56 3.5.8. Mortalidade Por Algumas Doenças Infecciosas e Parasitárias Típicas da Pobreza................................................................ 56 3.5.9. Mortalidade Por Gravidez, Parto e Puerpério...................................................................................................................................... 58 3.5.10. Causas Mal Definidas de Mortalidade.................................................................................................................................................. 59 3.5.11. Mortalidade Por Anemia Falciforme...................................................................................................................................................... 59 3.5.12. Mortalidade Por Doenças Alcoólicas do Fígado............................................................................................................................... 61 4. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino.......................................................................................... 65 . 4.1. Alfabetização da População Brasileira................................................................................................................................................................ 67 4.2. Evolução do Número Médio de Anos de Estudos da População Brasileira.......................................................................................... 69 4.3. Indicadores Quantitativos de Cobertura da Rede Escolar.......................................................................................................................... 71 4.3.1. Taxa de Cobertura do Sistema Escolar.................................................................................................................................................... 71 4.3.2. Taxa Bruta de Escolaridade........................................................................................................................................................................ 73 4.4. Indicadores da Qualidade do Sistema de Ensino e do Aproveitamento Escolar................................................................................ 75 4.4.1. Taxa Líquida de Escolaridade..................................................................................................................................................................... 75 4.4.2. Taxa de Adequação de Crianças e Jovens ao Sistema de Ensino................................................................................................. 77 4.4.3. Taxa de Eficiência do Sistema de Ensino............................................................................................................................................... 78 4.4.4. Indicadores de Rendimento Escolar........................................................................................................................................................ 80 4.5. Acesso ao Ensino Superior...................................................................................................................................................................................... 81 5. Desigualdades de Cor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho.............................................................................. 87 5.1. Evolução da Participação no Mercado de Trabalho....................................................................................................................................... 89 5.2. Taxa de Participação no Mercado de Trabalho .............................................................................................................................................. 90 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 7
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    5.3. PEA Ocupadano Mercado de Trabalho............................................................................................................................................................. 90 5.3.1. Evolução da PEA Ocupada no Mercado de Trabalho....................................................................................................................... 91 5.3.2. Instrução da PEA Ocupada........................................................................................................................................................................ 91 5.3.3. Posição na Ocupação.................................................................................................................................................................................... 93 5.3.4. Incidência das Formas de Trabalho Sem Proteção Legal................................................................................................................ 95 5.3.5. Ocupação Segundo Ramo de Atividade............................................................................................................................................... . 99 5.3.6. Jornada de Trabalho...................................................................................................................................................................................... 100 5.4. Evolução da Desocupação Aberta...................................................................................................................................................................... 100 5.5. Padrões de Rendimento da Atividade Principal............................................................................................................................................. 103 5.5.1. Rendimento do Trabalho Principal........................................................................................................................................................... 103 5.5.2. Decomposição dos Níveis de Rendimento Por Decis....................................................................................................................... 106 5.6. Presença no Mercado de Trabalho de Crianças e Jovens .......................................................................................................................... 108 5.6.1. Trabalho de Crianças de cinco a nove Anos de Idade....................................................................................................................... 108 5.6.2. Trabalho de Crianças de 10 a 14 Anos de Idade....................................................................................................................................................... 108 5.6.3. Trabalho de Adolescentes de 15 a 17 Anos de Idade........................................................................................................................ 109 5.7. Contribuintes e Beneficiários da Previdência Social...................................................................................................................................... 111 6. Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça.......................................................................................................... 113 6.1. Decomposição dos Níveis de Rendimentos Médio Domiciliar Per Capita Por Decis........................................................................ 115 6.2. Decomposição dos Decis de Rendimento Médio Domiciliar Per Capita da População Brasileira............................................... 116 6.3. Medidas de Concentração de Renda.................................................................................................................................................................. 117 6.4. Indicadores de Carência Material: Pobreza e Indigência............................................................................................................................. 119 6.5. Participação dos Grupos de Cor ou Raça na População Abaixo da Linha de Indigência e de Pobreza..................................... 123 6.6. Programas Governamentais de Transferência de Rendimentos.............................................................................................................. 126 6.6.1. Comentários Metodológicos Preliminares............................................................................................................................................ 126 6.6.2. Quantidade Relativa de Domicílios Beneficiários das Políticas Governamentais de Transferências de Rendimentos....... 127 6.6.3. Efeitos das Políticas Governamentais de Transferências de Rendimentos Sobre as Assimetrias de Cor ou Raça........... 129 6.7. Índice de Desenvolvimento Humano ................................................................................................................................................................ 131 6.8. Acesso a Serviços de Uso Coletivo e Condições Habitacionais . .............................................................................................................. 134 6.8.1. Acesso ao Abastecimento de Água Canalizada.................................................................................................................................. 134 6.8.2. Acesso ao Descarte do Esgotamento Sanitário Através da Rede Geral..................................................................................... 136 6.9. Bens de Consumo Duráveis.................................................................................................................................................................................... 136 6.10. Acesso à Terra............................................................................................................................................................................................................. 138 7. Acesso ao Poder Institucional, Políticas Públicas e Marcos Legais........................................................................................ 143 7.1. A Cor do Poder Político e Institucional no Brasil.............................................................................................................................................. 145 7.1.1. Explicações Metodológicas Preliminares............................................................................................................................................... . 145 7.1.2. Instância do Poder Executivo: Órgãos do Governo Federal Dedicados às Políticas de Equidade Racial....................... 146 7.1.3. Instâncias do Poder Legislativo.................................................................................................................................................................. 148 7.1.3.1. Câmara dos Deputados ................................................................................................................................................................ 148 7.1.3.2. Senado Federal . .............................................................................................................................................................................. 151 7.1.4. Cor da Alta Magistratura Brasileira........................................................................................................................................................... . 151 7.1.5. Considerações Gerais Sobre o Perfil de Cor ou Raça e Sexo do Poder Político no Brasil.................................................... 151 7.2. Comunidades Remanescentes de Quilombos . .............................................................................................................................................. 152 7.2.1. Marcos Legais das Comunidades Quilombolas................................................................................................................................... 152 7.2.2. Titulação de Terras de Remanescentes de Quilombos..................................................................................................................... 154 7.3. Orçamento da União em Políticas de Ação Afirmativa e Equidade Racial (1995-2007).................................................................... 160 7.4. Dimensões Simbólicas das Desigualdades: feriados e bens tombados pelo Iphan.......................................................................... 166 7.5. Os Marcos Jurídicos de Ação Contra o Racismo e de Promoção da Igualdade Racial...................................................................... 168 7.5.1. Legislação Contra a Discriminação Racial.............................................................................................................................................. 168 7.5.2. Os Julgamentos dos Casos de Racismo em Segunda Instância: aspectos metodológicos................................................ 169 7.5.3. Os Julgamentos dos Casos de Racismo em Segunda Instância: resultados do banco de dados Júris / LAESER........ 172 7.5.3.1. Perfil de Vítimas e Réus . ............................................................................................................................................................... 172 7.5.3.2. Natureza das Ações Intentadas.................................................................................................................................................. 172 7.5.3.3. Julgamento de Ações Procedentes.......................................................................................................................................... 173 7.5.3.4. Resultado dos Julgamentos em Segunda Instância........................................................................................................... 174 8 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    8. Conclusão Geraldo Relatório................................................................................................................................................................... 177 8.1. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça............................................................................. 179 8.2. Perfil da Mortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça........................................................................ 180 8.3. Desigualdades de Cor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino............................................................................................................ 183 8.4. Desigualdades de Cor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho................................................................................................ 185 8.5. Condições Materiais de Vida dos Grupos de Cor ou Raça........................................................................................................................... 189 8.6. Acesso ao Poder Institucional, Políticas Públicas e Marcos Legais.......................................................................................................... 191 Bibliografia ......................................................................................................................................................................................................... 195 Glossário ......................................................................................................................................................................................................... 203 Siglas .................................................................................................................................................................................................................. 209 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 9
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    10 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    1. Apresentação Relatório Anualdas Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 11
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    12 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    1- Apresentação 1.1. Noque consiste o Relatório Anual das de dados do Sistema Único de Saúde / Ministério da Saúde (Datasus / Desigualdades Raciais no Brasil? MS): Sistema de informação de Mortalidade (SIM). Instituto Nacio- nal de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira / Ministério Esta é a primeira edição do Relatório Anual das Desigualdades Ra- da Educação (Inep / MEC): Sistema de Avaliação da Educação Básica ciais no Brasil. A cada ano, o Relatório analisará a evolução dos indica- (Saeb). dores sociais dos distintos grupos de cor ou raça e sexo em todo o territó- rio nacional, incluindo suas correspondentes unidades constitutivas. Finalmente, os indicadores de terceira geração estão relaciona- dos às bases de informações oficiais, atualmente dispersas ou não O Relatório tem por missão: sistematizadas, mas que contêm informações importantes sobre os grupos de cor ou raça no Brasil, exigindo um esforço próprio I) sistematizar e refletir sobre os avanços e recuos da eqüidade ra- de sistematização. Tal como será visto neste mesmo Relatório, cial e de gênero no país, em seus diversos aspectos; incluem-se nesta categoria os dados sobre: Orçamento Geral da II) constituir uma referência para estudiosos e militantes do tema; União, Comunidades de Remanescentes de Quilombos, bens tom- III) contribuir para a formulação, aplicação e avaliação de políti- bados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional cas públicas, sejam as sociais em geral, sejam as de promoção da (Iphan), perfil de cor ou raça dos ocupantes dos três poderes no eqüidade dos grupos de cor ou raça; Brasil, resultados dos casos de julgamento das denúncias formais IV) servir como meio de divulgação das condições de vida da popu- por discriminação racial, entre outras fontes. lação brasileira, desagregada pelos grupos de cor ou raça e sexo; V) formular denúncias e alertas, visando reverter situações de sofri- mento e privação enfrentadas pelos afro-descendentes brasileiros. 1.3. Quais são os alertas metodológicos preliminares importantes? 1.2. Quais são as fontes de informações? Tendo em vista estar fundamentado em pesquisas sócio-de- mográficas oficiais, o Relatório incorporará todas as potenciali- As bases de dados utilizadas são e serão, fundamentalmente, dades e limites destes levantamentos. Assim, a qualidade dos in- as oficiais, produzidas por órgãos do governo, preferencialmente dicadores que estarão sendo analisados dependerá da qualidade em seu formato de microdados, permitindo cruzamentos e recor- das fontes primárias de cada base de informações. Por exemplo, tes apropriados à missão do Relatório. Em alguns casos, quando as bases de dados produzidas pelo Datasus, ainda hoje, padecem não existirem bases oficiais organizadas, serão utilizadas fontes do problema da perda de registros decorrente da não notificação alternativas de informações organizadas por pesquisadores do dos casos relevantes às autoridades competentes. Tal problema, próprio Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais portanto, diz respeito não somente ao quesito cor ou raça, mas ao e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER). conjunto da fonte de informações estatísticas. No estudo das assimetrias raciais no Brasil, podem ser identi- No que tange ao quesito cor ou raça, as principais pesquisas e re- ficadas três gerações de indicadores sociais. De algum modo, to- gistros oficiais existentes no Brasil procuram obedecer ao sistema de das as três gerações foram utilizadas na presente edição. auto-classificação, no qual o próprio entrevistado se identifica dentro de um grupo fechado de opções. São estas, por ordem de apresentação nos Os indicadores de primeira geração são os que já contam com questionários: branca, preta, amarela, parda e indígena. Assim, deve ser um desenvolvimento analítico satisfatório sobre suas bases, avanço considerada a dimensão subjetiva da resposta, que é determinada pelo este apresentado em monografias, dissertações, teses e artigos que modo como cada um percebe sua cor ou raça. Dessa forma, essa per- as utilizaram como ferramentas de análises. Estão incluídas nessa gunta difere de muitas outras nos questionários, as quais possibilitam categoria a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e respostas mais objetivas, como, por exemplo, idade, rendimento e sexo. as amostras do Censo Demográfico de 1980 a 2000, ambas organiza- das pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Outra questão é que, na verdade, a coleta de informações não é totalmente baseada na auto-classificação. Em geral, quando da Os indicadores de segunda geração são bases que, apesar de aplicação das pesquisas, quem responde ao conjunto do questio- conterem a variável cor ou raça, têm recebido pouca ou nenhuma nário é um único morador presente, que, quando questionado so- atenção dos estudiosos das relações raciais. Das fontes utilizadas na bre a cor ou raça, pode acabar respondendo não apenas pela sua presente edição, podem ser consideradas dentro dessa categoria as própria, como também pela dos demais residentes no domicílio. bases produzidas pelos respectivos órgãos de governo apresentados Inevitavelmente, isso também ocorre com pessoas muito jovens e a seguir: IBGE: Pesquisa Economia Informal Urbana (Ecinf). Base com os incapacitados, por quaisquer motivos, para dar a respos- Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 13
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    1- Apresentação ta aosentrevistadores. Em outros casos, não há como a definição cílio fixo como, por exemplo, a população de rua ou acampada de de cor ou raça ser outra que não a hetero-classificatória. Exemplo: modo não estável em sítios urbanos ou rurais. coleta no SIM de dados de pessoas falecidas. Já em alguns indica- dores de terceira geração, a atribuição da cor ou raça só é possível a Por outro lado, quando se aponta que a Pnad capta informações partir de esforços dos pesquisadores neste sentido. sobre a população residente, isso implica que se deve tomar cuidado com a menção à nacionalidade dessa população. Assim, quando no Deve-se ressaltar, também, que a cor ou raça parda, que em 2006 texto, balizado nas pesquisas oficiais, se fizer menção à população correspondia a 42,6% da população do país, é uma categoria mais brasileira é necessário observar que se trata, na verdade, da popula- oficial do que culturalmente definida, apresentando, assim, dife- ção residente no Brasil, o que, naturalmente, engloba os brasileiros rentes possibilidades interpretativas sobre quem e por que se define natos e naturalizados aqui residentes e, também, os estrangeiros que como tal. Outro limite: no caso dos indígenas, estes não formam, so- vivam no país. Do mesmo modo, quando do emprego do termo, de- ciologicamente nem propriamente um grupo de cor, muito embora, ve-se levar em consideração que não se está incluindo os naturais do conhecendo-se as ideologias a este respeito atualmente existentes, país que, no momento da pesquisa, vivessem de forma permanente não seja incompreensível por que podem ser chamados de grupo de em outras nações. Ou seja, tais expressões (população brasileira, raça. Mas, talvez, fosse mais apropriado defini-los como grupos ét- brasileiros e termos assemelhados) poderão ser usadas para fins de nicos: são cerca de 180 em todo o país. Mesmo o grupo branco pode, fluência do texto, mas guardando-se essas ressalvas. em alguns casos, ser acrescido de pessoas de peles mais escuras, mas de maior poder aquisitivo, assim auto-percebidas pelo efeito Um aspecto metodológico adicional a ser feito tange ao período de “branqueador” das melhores condições socioeconômicas. tempo coberto pela análise. Em geral, o IBGE faz questão de apontar, em seus estudos, que os levantamentos cobrem a realidade presente na Não há como o presente Relatório preencher essas lacunas. semana de referência da pesquisa dentro de um determinado ano. Mais Eventuais discrepâncias verificadas entre os dados gerados pelos uma vez, devido à necessidade de fluência do texto, tal aspecto não será indicadores sociais e a realidade efetivamente observada terão de mencionado ao longo do presente Relatório, que, simplesmente, tomará ser superadas com avanços metodológicos adicionais, neste senti- como período de referência temporal o ano em que a pesquisa foi feita. do, no interior das próprias bases primárias de informações, o que foge à alçada desta publicação. Dependendo do nível de desagregação que se pretenda tabular, as informações tornam-se não representativas, por possuírem coefi- Por outro lado, depondo a favor da objetividade dos indicado- ciente de variação acima do aceitável. Os coeficientes de variação dos res sociais que contêm a variável cor ou raça no Brasil, já há muito indicadores apresentados neste Relatório, salvo expressa informação tempo que os mesmos vêm apresentando razoável consistência, em contrário, foram limitados a 15% para toda e qualquer categoria seja em termos do comportamento das séries dos dados, seja com descrita. Isso foi necessário para preservar a confiabilidade desses in- a percepção pública sobre o modo de inserção dos distintos grupos dicadores e a consistência das informações passíveis de serem geradas no interior da sociedade brasileira. Isso autoriza o reconhecimento pelos mesmos. Aliás, este é o exato motivo para a exclusão de indicado- da boa qualidade das informações geradas pelos órgãos oficiais. res sociais para as populações de cores ou raças amarela e indígena. Cabe, ainda, um esclarecimento quanto ao tratamento dado aos 1.4. O tratamento da Pnad do IBGE. residentes nos setores rurais da região Norte. A Pnad, que devido à baixa densidade demográfica não realizava entrevistas nessas áreas, Apesar da multiplicidade de fontes, cabe apontar que a principal incorporou-as desde 2004. Embora tenha sido um significativo pro- base de informações usada para a confecção do presente estudo foi gresso, o fato é que ficaram parcialmente comprometidas as compa- a Pnad, produzida pelo IBGE. Por isso, cabem algumas observações rações de mais longo prazo feitas com as séries históricas da Pnad. metodológicas preliminares sobre essa fonte de indicadores sociais. Buscou-se contornar este problema do seguinte modo: quando se estiver comentando algo a respeito da população nacional balizada A Pnad é uma pesquisa domiciliar que levanta, anualmente, da- em números absolutos em intervalos anteriores a 2004, procedeu-se o dos demográficos, sociais e econômicos da população brasileira. Em expurgo da população rural da região Norte. O mesmo procedimento 1995, por exemplo, foram visitados cerca de 100 mil domicílios e, em foi adotado em comparações intertemporais sobre números relativos, 2006, cerca de 145,5 mil unidades domiciliares em todo o país. Por- exclusivamente, à região Norte (onde a população rural, em 2006, cor- tanto, por ser uma pesquisa por amostra, os resultados são limitados respondia a 24,4% do total). Contudo, não foi feito o mesmo expurgo ao recorte geográfico mínimo dos estados e suas correspondentes quando o indicador cobria todo o Brasil através de dados percentu- áreas urbanas e rurais, sendo que, em algumas dessas unidades, ais. O fato é que a população daquelas áreas, em 2006, correspondia a ainda é factível uma desagregação pelas regiões metropolitanas. apenas 1,9% da população brasileira. Essa proporção não pareceu tão grande a ponto de comprometer a comparabilidade intertemporal dos Outra informação relevante é que como se constitui em uma indicadores dos respectivos grupos de cor ou raça. pesquisa domiciliar, a Pnad capta apenas a população residente em imóveis permanentes ou improvisados, individuais ou coleti- A série histórica da Pnad utilizada na presente edição compre- vos; porém não abrangendo contingentes que não possuem domi- enderá o período do ano de 1995 ao ano de 2006. Em alguns mo- 14 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    1- Apresentação mentos, serãodescritos os dados do intervalo da série e, em outros, os do contingente de peles claras e ascendência européia. Portan- apenas as duas pontas. Devido à realização do Censo Demográfico, to, na sociedade nacional, os brasileiros portadores de diferentes no ano 2000, a Pnad não foi a campo. Como existem limites para aparências físicas e origens étnicas, infelizmente, são submetidos a constituição de uma única série histórica balizado em ambos os a diferentes modos de inserção. Assim, seria razoável esperar que tipos de fontes, quando da apresentação dos indicadores da série tais diferenças, um dia, perdessem influência no processo de rea- da Pnad, simplesmente, não se fará menção aos indicadores do lização pessoal de cada um, prevalecendo tão-somente a sua con- Censo deste ano. Para evitar uma desnecessária citação desse fato dição primeira de brasileiro ou brasileira. ao longo de todo o Relatório, vale frisar que essa questão de na- tureza metodológica somente será mencionada neste momento da Apresentação. 1.6. Este trabalho desconhece que as raças formam realidades inexistentes? Em outras situações, serão encontradas comparações da evo- lução de determinados indicadores entre os períodos de governo Os organizadores do Relatório não desconhecem os avanços dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Ignácio Lula científicos na área da genética desde o final da Segunda Guerra da Silva (doravante somente FHC e Lula). Neste caso, vale salien- Mundial que, progressiva e coerentemente, apontam para a inexis- tar que o comportamento dos correspondentes indicadores não tência das raças como uma realidade biológica. Tais verdades cien- será lido como equivalente a eventuais sucessos ou fracassos de tíficas são importantes, pois, no plano normativo, contribuem, políticas desses governantes, antes refletindo o modo pelo qual o fundamentalmente, para os que lutam contra o racismo. Todavia, ambiente social, político e econômico geral vivenciado pelo país tais avanços precisam ser bem compreendidos, para que, de uma naqueles dois períodos institucionais acabou se refletindo sobre as compreensão progressista, não se transformem em instrumento assimetrias de cor ou raça. de preservação de antigas assimetrias entre seres humanos de di- ferentes aparências físicas. 1.5. O Relatório desconsidera a questão da Pode-se considerar que a realidade das raças biológicas é ine- identidade do povo brasileiro? xistente. Mas não as formas mentais e comportamentais dos in- divíduos e grupos sociais que buscam preservar as tradicionais Apesar da extrema diversidade étnica ancestral e regional, o assimetrias socioeconômicas e políticas fundadas em critérios de Brasil é um país cuja esmagadora maioria de seus habitantes for- aparência e origem. Esse é o elemento principal que leva à perpe- jou um sentimento comum de pertencimento à mesma nação. Tal tuação da idéia de raça. realidade, produto de um longo desenvolvimento social, cultural e político, gestado durante os últimos cinco séculos, foi facilitada Dito de outro modo, paradoxalmente, a inexistência biológica pela existência de uma mesma língua, além de traços comporta- das raças não implica na igual inexistência do racismo. Enquan- mentais, culturais e, em alguma medida, religiosos comuns. Isso to tais mentalizações e práticas sociais continuarem a ocorrer, é permitiu a formação de um forte senso de afinidade coletiva, ado- impossível não se continuar adotando a palavra raça, nesse caso, tada em todo o país pelos nascidos nas suas regiões e portadores de utilizada como um índice das diferenças físicas entre os humanos distintas aparências físicas, sotaques e outros traços específicos. e causa eficiente de diferentes modos de inserção social – mais ou menos favoráveis ou valorizados. Semelhante compreensão pode A despeito do modo pelo qual o Brasil se constituiu – com ser dada ao termo cor, que, dentro deste parâmetro teórico, pode toda sua carga de violência física e cultural contra os povos que ser enquadrado como um descritivo aproximado de raça (C.f. GUI- foram integrados de modo forçado, tal como descreve a histo- MARÃES, 1999). Na prática, a posse de determinadas caracterís- riografia contemporânea –, este sentimento nacional é avaliado ticas físicas mais ou menos desejáveis corresponde a um tipo de como positivo pelos organizadores do Relatório. A brasilidade, passaporte para diferentes formas de inserção de cada pessoa no para além de seus aspectos simbólicos e afetivos, remete a um interior de uma determinada sociedade, incluindo a brasileira. conjunto cultural compartilhado e extremamente rico em suas múltiplas formas de manifestação, produto de sua origem diver- Certamente, essas formas de pensamento e atitudes foram e sa e das sínteses geradas, ao longo do tempo, entre elas. É um continuam sendo originadas e processadas pelo agente discrimi- sentimento que também inspira valores democráticos, fraternos nador, o que, em princípio, poderia tornar o termo raça imper- e solidários em termos socioeconômicos e políticos, embora ain- tinente. Contudo, vale frisar que os discriminados igualmente da existam muitos a serem realizados. passaram a fazer uso dele para defender seus direitos de modo coletivo diante da inegável realidade da discriminação, funda- Por outro lado, o fato de os brasileiros dos diversos grupos de mentada sobre suas formas físicas. Não faz sentido exigir que cor ou raça e étnicos assumirem, de forma efetiva e inquestionável, esse último ator social deixe de utilizar o termo raça em suas lu- a identidade brasileira, não impediu a incessante discriminação tas e processo de formação de identidade, tendo em vista que a contra negros, indígenas e mestiços de nítida tez africana e ame- palavra somente perderá o sentido quando o preconceito racial, a ríndia. Suas aparências físicas e aportes culturais ancestrais foram discriminação racial e o racismo, e os motivos que levam a estes e ainda são considerados menos desejáveis e mais primitivos que sentimentos e práticas, acabarem. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 15
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    1- Apresentação 1.7. Porque o Relatório analisará os ciais, tipo de cabelo e pigmentação da pele; indicadores das pessoas de cor ou raça preta em II) os mestiços de traços faciais parcialmente característicos de conjunto com as pessoas de cor ou raça parda? negros e, ou, de peles mais escuras, de ascendência africana ou não (ou seja, tanto pessoas com parte de seus antepassados nas- Os termos negro (ou população negra) e afro-descendente, cida na África, como descendentes de indígenas, árabes, hindus e comuns no Relatório, designam igualmente os que nas pesquisas andinos), mas que possam ser assim identificados pelo conjunto demográficas oficiais declaram ter a cor ou raça preta e a cor ou da sociedade, independentemente da consciência de tal realidade raça parda. Isso ocorre pelos seguintes motivos: sobre suas vidas; III) em ambos os casos acima deve-se levar em consideração as I) a usual proximidade dos indicadores sociais dessas duas popu- distintas formas de percepção acerca do que caracterizaria um lações, tal como já descrito por uma vasta literatura que trata do indivíduo como branco, negro, mestiço etc., mutáveis conforme a tema das relações raciais; região do país, ou o país, em que cada um se encontre; II) esta aproximação só se torna compreensível pelo fato de que IV) indivíduos de peles mais claras e traços faciais mais próximos os pardos, apesar de não apresentarem uma identidade negra, são aos caucasianos (brancos), que, independentemente de sua ori- assim identificados e discriminados pelos demais contingentes, gem, se identifiquem cultural, familiar ou ideologicamente com o sendo, portanto, sujeitos às mesmas barreiras de realização socio- legado ancestral, cultural ou político afro-descendente. econômica que os de cor ou raça preta; III) existência de uma perspectiva política no movimento negro A condição afro-descendente, portanto, remete antes a uma de entendimento de que os diversos matizes comportam uma uni- questão de identidade social (mesmo que em alguns casos isso se dê dade comum; de forma hetero-atribuída) que biológica. Isso não retira em nada IV) mesmo o reconhecimento de que, em alguns indicadores so- o rigor do termo, pois, conceitualmente, esse debate faz parte das ciais, a proximidade dos indicadores de pretos e de pardos seja ciências humanas e não das ciências da natureza. Enfim, não seria menor, tais como padrões de nupcialidade, adesão à religião, viti- nada equivocado utilizar como sinônimo de afro-descendente os mização policial (C.f. PAIXÃO, 2005); cabe salientar que a maioria neologismos: escravo-descendente ou escravizado-descendente. dos indicadores que serão debatidos no presente Relatório não es- Mas tais termos, em sendo aplicáveis mesmo para quem não é des- tarão se debruçando sobre aqueles temas. No caso dos padrões de cendente exatamente de africanos, somente se tornam compreen- mortalidade, onde não é incomum a presença de discrepâncias dos síveis levando-se em consideração que se vive em uma sociedade dados de pretos & pardos, a junção dos dois grupos foi mantida por na qual as peles escuras, por conta de uma ideologia racista, são razões de coerência com o conjunto do Relatório. alvo de constante preterição e ojeriza. Os indicadores de ambos os contingentes serão analisados Ainda a esse respeito, não há absolutamente nada que depo- conjuntamente adotando-se a designação pretos & pardos. Isso nha contra uma pessoa socialmente classificada como branca ou porque nas bases de dados essas categorias classificatórias estão de qualquer outra cor e que, pelo motivo que for, não se reconheça descritas dessa forma. Os termos negro e afro-descendente serão como afro-descendente. Tampouco o orgulho que cada qual possa utilizados quando a análise se debruçar sobre questões que estão vir a sentir de suas origens específicas, sejam essas quais forem, para além das bases de dados, tal como é o caso das políticas públi- por si só, torna alguém um racista. O preconceito e a discriminação cas e do debate conceitual mais geral sobre a sociedade brasileira. racial são predisposições e atitudes que só ganham vida quando se voltam contra o outro, tido como inferior, posto ser diferente. 1.8. Será ignorado que nem todos os afro- Felizmente, nos dias atuais, para além dos afro-descendentes, descendentes têm exatamente peles e traços já existe uma legião de pessoas, de todos os tipos físicos e origens, faciais negros? engajadas na luta contra o racismo e em prol da eqüidade étnico- racial. Esta causa pertence a toda humanidade. O debate sobre a condição afro-descendente tem duas opções de diretriz: ou os aspectos biológicos ou os critérios sociais. No 1.9. Como reconhecer as diferenças entre plano biológico, parece evidente que a maioria da população bra- discriminação racial e racismo cultural? sileira, tem origens genéticas africanas. Este parâmetro implicaria que o uso do termo afro-descendente para designar somente os Na longa trajetória do ser humano, diferentes povos forjaram que têm a pele negra incorreria num equívoco fundamental. diferentes modos de convivência coletiva. Ou seja, cada qual de- senvolveu distintos traços étnicos ou culturais mais ou menos Contudo, sendo a questão remetida ao plano social, o termo distintos uns em relação aos outros. Porém, o senso comum ten- pode receber outra leitura. Assim, poderiam ser considerados de a associar certas práticas sociais e culturais a determinados afro-descendentes: povos como se isso fosse produto de sua natureza inata, ao invés de características determinadas por fatores histórico-sociais. Por I) os indivíduos de origem africana mais notória, devido a marcas isso, não raramente, o racismo contra pessoas de determinadas raciais específicas desse grupo humano em termos dos traços fa- aparências físicas se mescla com um outro tipo de intolerância de 16 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    1- Apresentação fundamentação étnica.Assim, seria como se, pelo mero fato de um do mundo desde então. Somente isso explica o uso da terminolo- determinado grupo de pessoas ter peles e traços específicos - ou gia branco, negro, amarelo e indígena, não apenas pelo seu critério brancos, ou negros, ou amarelos ou indígenas -, tais peculiarida- descritivo de formas humanas em seu sentido geral, mas também des determinassem o seu modo de ser individual e coletivo, classi- caracterizador do que seriam, supostamente, qualidades derivadas ficáveis em múltiplos planos dentro de uma escala do pior para o em termos de aptidões físicas, psicológicas, mentais, morais etc. melhor. Ou seja, ocorre a associação dos diferentes atributos físicos de nascença dos seres humanos, e sua correspondente capacidade Se os africanos da diáspora americana passaram a forjar um de transmissão intergeracional de fenótipos, a uma hierarquia de sentimento comum de identidade, isso foi produto das novas con- características sociais, culturais, comportamentais e morais. dições de vida. Os portadores de peles claras, em um processo que combinou a identidade étnica de cada nação em formação com uma Todavia, vale frisar que nem sempre tais associações estão pre- identidade racial comum aos povos agora dominantes, assumiram sentes. É possível que ocorram situações nas quais um indivíduo para si o direito de colonizar todos os rincões do planeta e submeter seja discriminado sem que viva de um modo distinto do conjunto os demais povos ao seu domínio. Sob a ótica dos escravizados afri- da sociedade, antes sofrendo as seqüelas derivadas de sua deter- canos e de seus descendentes, a unificação das condições sociais de minada aparência física (cor de pele, traços faciais, tipo de cabe- existência começaria nos porões dos tumbeiros e se cristalizaria nas lo), tida como menos desejável ou odiosa que das demais pessoas. fazendas, minas e vilas, desde a condição social de subjugados. As Nesse caso, não é apropriado se falar de intolerância étnica, mas de tantas formas de resistência e acordos, individuais e coletivos, bem discriminação racial. Por outro lado, existem formas de intolerân- como as múltiplas formas de ingresso dos negros e dos mestiços no cia nas quais as pessoas que convivem na sociedade portam rigo- interior de cada sociedade (colonial e moderna), não mudam o sen- rosamente os mesmos traços físicos (cor de pele, traços faciais, tipo tido geral do que pode ser entendido como cultura negra gerada no de cabelos), porém apresentam distinções em termos de religião, contexto do Novo Mundo. Em todos os cenários locais, o que esteve sotaque ou modo de trajar. Ou seja, tal modalidade de discrimi- em jogo foi a luta pela liberdade (C.f. REIS & GOMES, 1998). Liber- nação atua contra os adeptos de tais crenças ou hábitos, indepen- dade aqui lida em seu sentido amplo, incorporando não apenas o di- dentemente do seu fenótipo. Por isso, as discriminações raciais e reito de ir e vir e de trabalhar como e onde quiser, ou seja, liberdade étnicas, em muitas vezes se mesclando, são conceitualmente dife- como sinônimo do direito à própria vida em condições dignas. Em rentes. Isso não torna ambos os termos excludentes, nem, tampou- seu nome foram forjadas novas formas de manifestações coletivas co, um ou outro modo de discriminação melhor, mais atenuado ou no plano religioso, artístico e político pela população escravizada. justificável. Pelo contrário, na história da humanidade, é possível Assim, talvez mais do que qualquer outra forma de expressão, a ca- comprovar como ambas as modalidades já estiveram presentes na poeira, uma arte marcial originada nos quilombos e senzalas, possa origem dos mais cruéis massacres de um grupo contra outro. De ser considerada o próprio símbolo do que foi a luta dos escravizados todo modo, o reconhecimento analítico daquelas distintas formas contra a opressão colonialista e racista. de afronta à dignidade humana é relevante, até mesmo no sentido da constituição de boas ferramentas de combate à chaga social re- Em nada prejudica a análise o reconhecimento de que a cultura presentada pela discriminação racial e cultural. negra, tendo se mesclado sincreticamente com elementos amerín- dios e europeus, se amalgamou com a própria cultura brasileira. Por outro lado, é importante refletir sobre o significado de O fato paradoxal é que a cultura negra, quase sempre, é entendida cultura negra. Em sua origem africana, os posteriormente escra- pelos círculos culturais dominantes por seus aspectos folclóricos, vizados eram integrantes de diferentes etnias, cada uma passando carnavalescos, místicos ou primitivos, assim precisando passar por um estágio cultural específico. No período anterior às Grandes pelo filtro civilizador, ou branqueador, da cultura ocidental para Navegações, o conjunto de povos que viviam no continente africano ser compreendida como válida. Isso sinaliza o quanto o modelo de não compartilhava um traço étnico comum. Do mesmo modo como relações raciais no Brasil segue combinando de forma esdrúxula também não havia um único povo europeu ou asiático portador dos a discriminação racial com a étnica, tornando permanentemente mesmos traços culturais (mesmo levando em conta o cristianismo, atual a antiga formulação de Guerreiro Ramos (1995 [1957]) acerca um importante fator de unificação cultural, tal como no caso eu- da patologia do branco brasileiro, que identificaria os negros como ropeu). Tal como os nascidos na Europa podiam ser distinguidos um grupo à parte da sociedade brasileira. Tampouco a análise fi- entre, por exemplo, latinos ou germânicos; os africanos podiam ser cará prejudicada pelo reconhecimento do fato de que nem todos diferenciados, por exemplo, nas etnias yorubá ou banto. Portanto, os negros atuais se identificam com sua origem ancestral de lutas do ponto de vista histórico, a constituição de uma identidade cul- contra a escravidão, o racismo e pela liberdade. Isso tão-somente tural negra comum somente pode ser pensada concomitantemente expressa o quanto de perniciosa é a ideologia racista à brasileira, ao momento em que se constituiu uma identidade branca. Assim, fazendo com que os oprimidos, se sentindo incapazes da reflexão se por um lado é factível a identificação de posturas etnocêntricas crítica sobre suas trajetórias presente e passada, acabem operando em diversos povos ao longo da história humana, incluindo sua de- como espécies de cúmplices de sua própria condição. rivação escravocrata, o traço especificamente racializado, ou racis- ta, assumido pelo etnocentrismo e pela escravidão modernos foi A identidade cultural negra dos dias presentes, em seus distintos produto do colonialismo e, posteriormente, do imperialismo. Estes modos de manifestação, é gerada por uma condição ancestral comum foram forjado pelos povos europeus que se lançaram à conquista de resistência às tentativas de desumanização perpetradas pelo agente Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 17
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    1- Apresentação opressor. Estaresistência, acompanhando o próprio processo de mo- os motivos de sua existência não são exatamente os mesmos. No dernização do país que também tornou os mecanismos de discrimi- caso dos negros, a principal causa da pobreza vem a ser a persis- nação mais sofisticados, veio se atualizando até chegar aos dias atuais. tência do preconceito, da discriminação racial e do racismo. Tais Portanto, o que torna a cultura negra viva é o fato de que os elementos mazelas, certamente, se associam à discriminação social, que, motivadores de sua existência, a superação do preconceito, da discri- entretanto, não as esgota e nem as resume. minação e do racismo, bem como pelo direito à vida digna - sinônimo da própria liberdade -, ainda é uma utopia por ser realizada. Quanto aos pobres dos demais grupos, apesar de sofrerem o pre- conceito social, definitivamente não são obrigados a enfrentar o de cor ou racial. Por outro lado, o reconhecimento de que os brancos 1.10. É correto acreditar no conflito para a pobres não são tão pobres quanto os negros pobres – e tampouco o resolução das assimetrias raciais? são pelos mesmos motivos – não deve suprimir a atenção à sua rea- lidade. Ao contrário, os organizadores do Relatório dedicam a tais Evidentemente, seria péssimo se a luta pela igualdade racial contingentes a mais absoluta empatia e solidariedade, acreditando no Brasil viesse a acarretar confrontos físicos ou a constituição de que, na maioria das vezes, tenderão a se unir no encaminhamento grupos fechados e irredutíveis. Portanto, tais desdobramentos de- de suas demandas sociais. O motivo é simples: a luta pela melhoria vem ser vigorosamente evitados. das condições de vida dos pobres em geral é coerente com a causa do combate ao racismo e à promoção da justiça social. De qualquer maneira, cabe frisar que o questionamento sobre os eventuais desdobramentos das divergências políticas e concei- Finalmente, o Relatório estará tratando a pobreza como uma tuais deve ser respondido por todos os atores sociais envolvidos questão mais ampla do que o simples acesso a bens materiais. A nas disputas e não apenas pelos que defendem a causa da eqüida- pobreza também deve ser lida pelo ângulo da posse de ativos ima- de racial. Ou seja, o comportamento dos atores sociais contrários teriais, como os educacionais, de proteção à vida, bem como o de às ações afirmativas deve se pautar por princípios democráticos e reconhecimento da validade das reivindicações coletivas no plano tolerantes, não sendo razoável cobrar tais definições somente dos político. Assim, em sendo mais intensa para negros do que para que lutam contra as assimetrias. brancos e amarelos, a pobreza material é apenas um dos aspectos do problema, pois a pobreza que atinge os negros é também políti- O tom severo presente nas denúncias do racismo e assimetrias ca e de visibilidade de suas carências e demandas. raciais, assim como nas propostas para superação das históricas desigualdades, faz parte do jogo democrático. Enfim, como diriam autores clássicos da ciência política como Maquiavel, Rousseau e 1.12. Como será tratada a questão do embate Tocqueville, a democracia é comumente barulhenta e ruidosa, cer- entre as classes sociais? tamente, sendo preferível as confusões típicas desse sistema do que a falsa paz do silêncio produzido pela resignação e o desalento. Pode-se afirmar que a sociedade capitalista brasileira, tal como qualquer outra dessa natureza, é dividida em grupos de interesses Portanto, a exposição dos distintos pontos de vista não é ruim. econômicos e projetos políticos. Certamente, os negros participam Os fatores que podem tornar as divergências positivas ou pernicio- do jogo de interesses no interior das diferentes classes. Mas, é ní- sas dependem da forma como são processadas, do modo pelo qual tido que tal presença é muito mais intensa nos segmentos da clas- as instituições as absorvem e as resolvem, além dos novos consen- se trabalhadora e entre os pobres do que nas classes média-alta sos gerados. Desde que mantido no campo do embate de idéias, (segmentos que formam os 9º e 10º decis de rendimento da Pnad, operando por dentro dos marcos institucionais e se situando no por exemplo) ou na dos donos dos meios de produção (dificilmen- entorno da disputa por compreensões normativas sobre o signifi- te captáveis pelas pesquisas demográficas mais conhecidas), que, cado de justiça social, o confronto dos pontos de vista pode contri- efetivamente, detêm o poder econômico e político. buir para o fortalecimento do tecido social e o aperfeiçoamento do sistema democrático. No seio das lutas sindicais e trabalhistas são notórios os vínculos solidários entre os trabalhadores de todos os grupos de cor ou raça em busca da realização de interesses materiais ou mesmo de trans- 1.11. O Relatório ignora que a pobreza não afeta formação mais profunda da sociedade com a implantação da opção apenas os negros? socialista. Entretanto, a validade de tal pauta, definitivamente, não encerra a pauta de demandas representada pela luta em prol da su- É um fato que a pobreza no Brasil tem cor: negra. Tal afir- peração das iniqüidades de cor ou raça e do racismo. Em resumo, mação não pode ocultar a existência de um amplo contingente essas são mazelas das quais mesmo os negros integrados ao contin- de pessoas pobres e extremamente pobres que não são negras. gente proletário (ou à esquerda) são vítimas. Eles só se livrarão desta Todavia, a maioria dos negros não é negra porque é pobre, mas, condição, quando tais chagas sociais forem banidas da sociedade, sim, é pobre (ou mais pobre), justamente por ser negra. Assim, seja a capitalista, seja a de qualquer outro sistema sócio-político. sem deixar de reconhecer os pobres de diferentes cores ou ra- ças e as pessoas negras de maior poder aquisitivo, o fato é que Por outro lado, mesmo os afro-descendentes com maior poder 18 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    1- Apresentação aquisitivo ouacesso a mecanismos de poder político ou prestígio na definição das políticas sociais não foi produzida espontaneamen- social são habitualmente vítimas de discriminação, por desem- te, mas, sim, motivada por um entranhado racismo institucional que penharem papéis sociais não previstos para eles conforme os pa- considerava indesejável a presença afro-descendente na sociedade; râmetros do racismo à brasileira. Por esse motivo, mais uma vez III) a aplicação momentânea de recursos relativamente mais evidencia-se que a vocação da luta anti-racista é, primordialmente, concentrada em um determinado contingente da população his- progressista e de esquerda. toricamente discriminado não necessariamente se contrapõe à perspectiva de universalização dos serviços sociais e a progressiva A experiência internacional mostra que o sistema capitalista e o melhoria dos indicadores sociais em geral. mercado, livres de um processo de regulação e controle público dos seus parâmetros de funcionamento, inevitavelmente, aprofundam Por outro lado, quando se propõe a adoção de políticas de ação desigualdades sociais, crises econômicas e desastres ambientais. afirmativa, o eixo central do debate se situa na superação da discri- Por outro lado, é exigível que os movimentos sociais que lutam pela minação racial, geradora das assimetrias entre brancos e negros. distribuição de renda, da terra e pela democratização do poder polí- Assim, a universalização dos serviços públicos, embora fundamen- tico também reconheçam o caráter estruturante do racismo na for- tal, não seria capaz de lidar com o motor dinâmico que gera as assi- matação das relações sociais no mundo contemporâneo, no interior metrias raciais que é o racismo. Desse modo, na ausência de ações do mundo capitalista e as seqüelas sobre suas vítimas. efetivas para o enfrentamento dessa última questão e seus efeitos deletérios, as disparidades nas condições de vida entre os distintos Infelizmente, nos dias atuais, a agenda anti-racista vem ficando contingentes de cor ou raça se prorrogarão indefinidamente. notoriamente ausente da pauta de uma grande quantidade de entida- des, intelectuais e ONGs tidas como de esquerda. Para além da cons- trução teórica marxista ortodoxa, que entende os problemas sociais 1.14. São desconsideradas as lutas dos demais exclusivamente desde a ótica da luta de classes, atualmente, vem sendo contingentes discriminados como os indígenas, possível localizar atores sociais de esquerda que vêm pura e simples- os portadores de necessidades especiais e os mente se opondo aos movimentos que atuam em prol da eqüidade homossexuais? racial. Essa postura acaba sinalizando que, para diversos setores do campo progressista, a luta do movimento negro não seria apenas pe- Seria incorreto afirmar que os únicos a sofrerem discrimi- riférica. Evidencia mesmo que para estes agentes tal frente sequer de- nações no Brasil são os negros. Na verdade, um amplo conjunto veria existir. Tendo em vista o momento presente, quando o problema de atores sociais enfrenta dramas de diversos tipos, derivados de da discriminação étnico-racial se faz tão notoriamente atual em todo múltiplas formas de incompreensão e intolerância. Isto ocorre o mundo, esta sorte de posicionamento guarda o caráter de uma omis- com as mulheres, principalmente as pobres, os trabalhadores ru- são lastimável. Mantendo-se no futuro, será difícil não definir tal pos- rais sem terra, nordestinos, indígenas, portadores de necessidades tura como um lapso histórico de quase impossível condescendência. especiais, jovens das periferias, pessoas da terceira idade, judeus, africanos, sul-americanos política ou economicamente exilados e homossexuais de ambos os sexos. Nessa lista, os negros estão 1.13. Deveriam existir políticas sociais apenas presentes em números consideráveis. Mesmo assim, não se deve para os negros? ignorar as naturezas específicas dessas demandas. Ainda hoje, a maioria das políticas sociais no Brasil, em diversos O Relatório se solidariza com todas essas frentes de lutas. Ao campos, não teve capacidade de universalização. O indicador social contrário de outras vozes, que acreditam que a multiplicidade de que mais sofre esta incapacidade é a educação. No ano de 2006, por atores sociais prejudica a força dos movimentos socialmente organi- exemplo, a taxa de analfabetismo totalizava mais de 10% da popula- zados, a perspectiva adotada nesta publicação aponta para a riqueza ção. Por outro lado, mesmo a recente universalização de determina- gerada pela sua diversidade. Mas, tais aspectos, dificilmente, serão dos serviços públicos no Brasil caracteriza-se pela baixa qualidade tratados nos Relatórios, a não ser nos casos de ocorrência simultâ- dos serviços prestados. Neste sentido, mais uma vez, o sistema edu- nea daquelas outras formas de discriminação com a racial. cacional brasileiro serve de exemplo. Assim, a efetiva universaliza- ção dos serviços públicos essenciais (educação, saúde, previdência, segurança e saneamento, entre outros) ainda é um sonho. 1.15. Este trabalho apresenta risco de contribuir para o acirramento do racismo no país? Contudo, tal bandeira não é contraditória com a causa dos que anseiam pela promoção da eqüidade racial no Brasil. Isso pelas Seja por motivos racionais ou por motivações psicológicas (ou seguintes razões: psiquiátricas) não diretamente instrumentais, a verdade é que o motor do racismo e do preconceito racial são as vantagens obtidas I) foram os negros de ambos os sexos os mais prejudicados pelo por um determinado grupo da população comprometido com ide- caráter restrito e insuficiente das políticas sociais ao longo da his- ologias que legitimam as desigualdades. De todo modo, cabe reco- tória brasileira; nhecer que, felizmente, muitos de seus integrantes não adotam e II) a exclusão de um contingente proporcionalmente maior de negros não concordam com essas práticas e até se engajam contra elas. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 19
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    1- Apresentação Assim, além da constante realização de campanhas de esclare- da natureza da missão do LAESER a independência em relação cimento sobre o tema, visando desencorajar tais práticas e ampliar o àquelas estruturas. Portanto, a análise dos indicadores sociais número de pessoas que se engajem na luta contra as discriminações terá prioridade e as ações de um governo somente serão avaliadas raciais, um meio adequado de superação do racismo é, justamente, a a partir da evolução dessas variáveis. Ou seja, os resultados terão promoção da igualdade das condições de vida e acesso às oportunida- precedência sobre discursos ou intenções. des e direitos sociais para todos os brasileiros, independentemente de cor ou raça e sexo. Dessa forma, se estará combatendo uma das mais significativas causas que podem levar às atitudes discriminatórias. 1.17. A quem se dedica o Relatório? Portanto, na medida em que consiga contribuir para a realiza- Ao tratar de um tema nacional de absoluta relevância coletiva, ção dos esclarecimentos sobre o tema e auxiliar conceitualmente o Relatório é para todos os brasileiros, de todos os grupos de cor na superação das assimetrias de cor ou raça, o Relatório contri- ou raça e sexo. Ao tentar contribuir para a causa da eqüidade ra- buirá para a superação do racismo na sociedade brasileira. cial, o Relatório é dedicado, especialmente, a todos que acreditam que o preconceito racial, a discriminação racial e o racismo são práticas sociais hediondas e inaceitáveis em todas as suas varia- 1.16. O Relatório é a favor ou contra o governo? ções e que acarretam múltiplos prejuízos para todo o Brasil. O Relatório reconhece a presença de diversas ideologias na sociedade brasileira, parte das quais se manifesta no atual siste- 1.18. Quem escreve o Relatório Anual das ma partidário. Os partidos apresentam nuances ideológicas que Desigualdades Raciais no Brasil? devem ser reconhecidas. Quando os mesmos ascendem ao poder, atendem, com maior ou menor vontade política, determinados in- O Relatório é escrito pela equipe de pesquisadores do LAE- teresses de diversos atores sociais momentaneamente vitoriosos. SER, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A equipe é formada por estudiosos de diferen- Porém, mesmo com essas diferenças, a eqüidade racial ainda tes cores e dos dois sexos. Assim, a mesma diversidade que os orga- é um tema pouco ou nada debatido pelas agremiações partidárias. nizadores acreditam que deveria reger as estratégias das políticas Além disso, em nenhum partido político, seja qual for o matiz ide- sociais em todo país são praticadas no LAESER. ológico, os negros encontram maior apoio às suas lutas em prol da eqüidade racial e, tampouco, conseguem formar um grupo numeri- camente mais significativo de lideranças partidárias reconhecidas. 1.19. O Relatório tem prazo para deixar de ser Assim, por mais que a sociedade brasileira ao longo do século XX editado? tenha se dividido ideologicamente entre esquerda e direita, o fato é que ambos os segmentos se acomodaram com o mito da democracia O ideal é que as edições acompanhem a redução das iniqüi- racial. Portanto, o ideal seria que se formasse um novo consenso em dades raciais e de gênero no Brasil até o seu fim. O propósito dos favor de políticas de promoção da igualdade racial capazes de ga- organizadores é contribuir para tal processo, ainda que de forma nhar adeptos em todos os setores e partidos políticos. conceitual. Assim, os esforços serão no sentido de fazer a publi- cação durar até que ocorram as transformações necessárias na Todavia, mesmo que tal quadro venha a se constituir, difi- sociedade brasileira. cilmente, o Relatório cumpriria plenamente sua missão caso se aliasse a um partido ou governo, mesmo que assumissem defini- Que tal tarefa esteja ainda longe de ser concluída tão-somente tivamente a agenda que seus organizadores julgam ser correta. É indica que ainda há um longo trabalho pela frente. 20 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    22 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça 2.1. Evolução Demográfica da Mesmo sem a população das áreas rurais da região Norte, de População Brasileira; 1995 - 2006 1995 a 2006, o peso relativo da população branca veio declinan- do. O percentual de pessoas da cor ou raça branca, que em 1995 Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio era de 54,4% da população total, caiu quase cinco pontos per- (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), centuais em 11 anos, o que é relevante para um indicador desta no ano de 1995, a população brasileira somava, aproximada- - População residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Gráfico 2.1 natureza (gráfico 2.2 e tabela 2.1). mente, 152,4 milhões de pessoas, enquanto Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas) que, em 2006, o total de residentes no país 225.000.000 Gráfico 2.12.1População residentesegundo os grupos de cor oucor ou raçae preta & parda), & parda), Gráfico - - População residente segundo os grupos de raça (branca (branca e preta havia crescido para 187,2 milhões. Porém, Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas) Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas) 183.550.526 essa comparação é imperfeita, pois, a partir 180.000.000 225.000.000 152.374.603 de 2004, a Pnad passou a coletar informa- 183.550.526 ções referentes à população das áreas rurais 135.000.000 180.000.000 152.374.603 da região Norte. Em 2006, este contingente 92.406.621 82.826.798 somava 3,7 milhões de habitantes, pouco 90.000.000 135.000.000 89.726.595 menos de 2% da população de todo o país. 68.635.438 82.826.798 92.406.621 45.000.000 90.000.000 Assim, excluindo-se essa região para uma 89.726.595 comparabilidade mais correta, entre 1995 0 68.635.438 45.000.000 e 2006, a população aumentou 20,5%, com 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 taxa média de crescimento geométrico de 0 1,33% ao ano (gráfico 2.1). 1995 1996 1997 Brancos 1998 1999Pretos & Pardos 2001 2002 População Total 2005 2003 2004 2006 Brancos Pretos & Pardos População Total No ano de 2006, a população residen- Fonte: IBGE, microdados Pnad. te no Brasil era composta por 93,1 milhões Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). de pessoas que se declararam brancas e por Fonte: IBGE, microdados Pnad. 92,7 milhões de pessoas que se declararam Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). pretas & pardas. Portanto, naquele ano, ha- TabelaTabelaParticipação relativa dos grupos de cor ou raça na população residente 2.1 - 2.1 - Participação relativa dos grupos de cor ou raça na população residente no via uma pessoa de cor ou raça preta & parda para cada Tabela 2.1 - Participação relativa dos grupos 2006 (em %) na população residente no Brasil, 1995 e de cor ou raça no Brasil, 1995e 2006 (em %) Brasil, 1995 e 2006 (em %) 1,004 pessoa de cor ou raça branca. Em outros termos, Grupos de Cor ou Raça Grupos de Cor ou Raça 1995 1995 2006 2006 Brancos 54,4 49,7 a população branca residente, naquele ano, confor- Brancos Pretos 54,4 4,9 49,7 6,9 mava 49,7%, enquanto os residentes pretos & pardos Pretos Pardos 4,9 40,1 6,9 42,6 Pardos 40,1 42,6 totalizavam 49,5% da população brasileira residente Amarelos 0,5 0,5 Amarelos 0,5 0,5 total. Os demais habitantes eram de cor ou raça indí- Indígenas 0,1 0,3 Indígenas 0,1 0,3 gena (0,3%) e amarela (0,5%). Assim, atualmente, não Fonte: IBGE, microdados Pnad se pode mais dizer que o Brasil é um país de maioria Fonte: IBGE, microdados Pnad Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. branca (tabela 2.1). Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Na verdade, desde o ano de 2005, as pessoas de cor Gráfico 2.2 - Evolução Evoluçãoda participaçãopopulação residente de cor ou raça de Gráfico 2.2 - Evolução relativa da população residente de Gráfico 2.2 - da participação relativa da relativa da população residente branca da participação ou raça branca já tinham deixado de responder por cor ou raça branca sobre o total da população residente, Brasil, 1995-2006 cor ou raça o total da população residente, Brasil, 1995 e 2006 (em %) sobre branca sobre o total da população residente, Brasil, 1995-2006 (em %) mais da metade da população. Essa mudança, em parte, 60% 60% (em %) foi causada pela incorporação dos domicílios das áre- as rurais da região Norte pela Pnad. No ano de 2006, os brancos dessas áreas constituíam somente 18,8% 55% 55% da população regional. Já os pretos & pardos, 80,6%. Assim, apesar de seu baixo peso relativo na população nacional, esse contingente contribuiu para aumentar a 50% 50% proporção de pretos & pardos. Mas, se excluída a área rural da região Norte, a população de cor ou raça branca volta a responder, em 2006, por uma pequena maioria 45% 45% 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 de 50,3%. De qualquer maneira, esse fato não pode ser 1995 1996 1997 Fonte: IBGE, microdados Pnad. 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Fonte: IBGE, microdados Pnad. considerado para explicar a tendência que vem se con- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). firmando no país no último período. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 23
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça O ritmo de crescimento da população no Brasil, entre 1995 preta & parda teve maior taxa de crescimento do que a branca. Isto e 2006, se deu em proporções diferentes com o recorte pela ca- só não ocorreu no Nordeste, onde a taxa geométrica de crescimen- racterística de cor ou raça. O gráfico 2.3 mostra que, enquanto a to do contingente branco foi, em média, de 1,31% ao ano, enquanto população branca cresceu a uma taxa anual de 1,26%, a popula- que a de pretos & pardos ficou em 1,25% (gráfico 2.3). ção preta & parda aumentou em 1,38% ao ano. Gráfico 2.3. - Taxa média geométrica de crescimento da população residente segundo os grupos Gráficocor2.3Taxa média geométrica & parda), Brasil população residente segundo os grupos(em %) Gráfico - - Taxa média geométrica crescimento da da população residente segundo os grupos de 2.3.ou raça (branca e preta de de crescimento e regiões geográficas, 1995/2006 de de cor ou raça(branca e preta & parda), BrasilBrasil e regiões geográficas, 1995/2006 (em %) cor ou raça (branca e preta & parda), e regiões geográficas, 1995 e 2006 (em %) As maiores taxas compara- 1,33 tivas de crescimento da popula- Brasil Brasil 1,26 1,331,38 1,38 ção preta & parda em relação à 1,26 1,44 branca também voltam a apa- Norte Urbano Norte Urbano 1,46 1,44 1,40 1,46 recer quando são desagregados 1,40 1,28 os indicadores destes dois con- Nordeste 1,251,28 Nordeste 1,251,31 tingentes. Assim, entre 1995 e 1,31 1,31 2006, a presença da população Sudeste 1,31 1,41 Sudeste 1,20 1,41 de cor ou raça preta subiu de 1,20 4,9% para 6,9%, e a de cor ou Sul 1,30 1,30 1,44 1,25 raça parda aumentou de 40,1% Sul 1,25 1,44 para 42,6%. No mesmo interva- Centro Oeste 1,36 1,40 1,36 lo, o contingente de raça indí- Centro Oeste 1,28 1,28 1,40 gena passou de 0,1% para 0,3% 0 0,4 0,8 1,2 1,6 0 0,4 0,8 Brancos Pretos & Pardos População Total 1,2 1,6 da população (tabela 2.1). Brancos Pretos & Pardos População Total Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER Fichário das Desigualdades Raciais. No mesmo período e em qua- Nota: entre 1995 e 2003- não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: entre 1995 e 2003 não inclui de cor ou raça amarela e áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: população total incluí pessoasa população residente nasindígena se todas as regiões, a população Nota: população total incluí pessoas de cor ou raça amarela e indígena Box 2.1. Razão de Urbanização da população brasileira segundo a cor ou raça Razão de urbanização corres- ponde ao percentual de residentes Gráfico 2.4 - Razão de urbanização da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e2.4 - Razão urbanização da eda população residente segundo %) Gráfico 2.4 - Razão de de urbanização população residente segundo Gráfico preta & parda) e sexo, Brasil regiões geográficas, 1995 e 2006 (em de um determinado país ou unida- os grupos de corcor raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) %) os grupos de ou ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em de subnacional que vive nas zonas 90,0 90,0 87,9 urbanas. Ao longo das últimas dé- 87,1 87,9 87,1 cadas, devido ao êxodo rural e à 84,084,0 86,286,2 85,0 85,0 progressiva transferência, por parte 83,183,1 do IBGE, de setores censitários ru- 82,282,2 80,680,6 rais para urbanos, o Brasil assistiu a 80,0 80,0 79,4 79,4 um progressivo aumento desse in- 78,178,1 dicador. Quando decomposto pe- 75,0 75,475,4 75,0 los grupos de cor ou raça vê-se que 74,074,0 a razão de urbanização de pretos & 72,572,5 pardos era inferior ao das pessoas 70,0 70,0 19951995 1996 1996 1997 1997 1998 1998 1999 1999 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004 2005 2005 2006 2006 de cor ou raça branca. Desse modo, Homens Brancos Homens Brancos entre 1995 e 2006, a razão de ur- Mulheres Brancas Mulheres Brancas Total Brancos Total Brancos banização dos brancos como um Fonte: IBGE, LAESER - Fichário das das Desigualdades Raciais. Tabulações: microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário Desigualdades Raciais. Homens Pretos & Pardos Homens Pretos & Pardos todo passou de 83,1% para 87,1%, Nota: entreentreanosanos19951995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas ruraisregião Norte (exceto Nota: os os de de e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da da região Norte (exceto Tocantins) Tocantins) Mulheres Pretas & Pardas Mulheres Pretas & Pardas Pretos & Pardos Total Pretos & Pardos Total ao passo que o mesmo indicador dos pretos & pardos aumentou de 74,0% para 79,4%. Lido por outro ângulo, em 2006, 12,9% da população branca vivia nas zonas rurais, ao passo que esse percentual, entre os pretos & pardos, era de 21,6%, ou seja, quase o dobro em termos proporcionais (grá- fico 2.4). Por outro lado, esses dados remetem para assuntos correlatos como o desenvolvimento socioeconômico das populações residentes no meio rural brasileiro e o reconhecimento de que, em sendo na sua maioria pretas & pardas, tal aspecto deveria ser levado em consideração quando da promoção das políticas públicas para o setor agropecuário de todo o país. Essa questão voltará a ser abordada no capítulo 6 deste Relatório. 24 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Quadro 2.1. - Países que2.1 - Países que incorporam a variávelétnico-racialseus questionários censitários de forma direta Quadro incorporaram a variável étnico-racial em em seus questionários censitários de forma direta Como era feita a pergunta sobre a variável étnico- País Ano censitário Opções de resposta nas línguas locais racial? (*) African, Negro, Black / Amerindian, Carib / East Indian / Caucasian, White / Chinese, Oriental / Anguila 2001 Qual grupo étnico racial pertence? Syrian, Lebanese / Mixed / Others – specify / NS Black / Black and White / Black and Other / Bermudas 2000 Qual grupo racial você pertence? White / White and Other / Asian / Other Race / NS Brasil 2000 A sua cor ou raça é? Branca / Preta / Amarela / Parda / Indígena Indígena? (¿A cuál pueblo pertenece?) / Rom (Li)? / Raizal del Archipiélago de San Andrés y De acordo com sua cultura, povo ou traços físicos você Colômbia 2005 Providencia? / Negro (a), mulato (a) o se considera? afrodescendiente? / 5. Ninguno de los anteriores Cuba 2000 Qual a cor da sua pele? Blanco / Negro / Mestizo o Mulato Indígena (A qué nacionalidad indígena o Equador 2001 Como se considera? pueblo indígena pertenece?), / Negro (Afro- ecuatoriano) /. Mestizo / Mulato / Blanco,/ Otro If Yes (Mexican, Mexican-American, Chicano / Puerto Rican / Cuban / Other Spanish, Hispanic / Latino (print group) / / White / Black, Essa pessoa é espanhola ou latina? / Qual sua raça Afro-American or Negro / American Indian or EUA 2000 pessoal? (uma ou mais raças de acordo com o modo da Alaska Native [print name of enrolled or pessoa se considerar) (perguntas 5 e 6 do questionário) principal tribe] / Asian Indian/ Chinese / Filipino / Samoan / Other Pacific Island [print race] / Vietnamese / Other Asian [print race] / Some other race [print race] Campo aberto de respostas contendo Ilhas Guam (Terr. EUA) 2000 Qual sua origem étnica ou raça? exemplos de origem nacional, raça/cor e étnica White / Black, Afro-American or Negro / Qual sua raça pessoal? (uma ou mais raças de acordo Ilhas Virgens (Terr. EUA) 2000 American Indian or Alaska Native (print name com o modo da pessoa se considerar) of enrolled or the principal tribe) Black / Chinese / Mixed / East Indian / White / Jamaica 2001 A qual raça ou grupo étnico você diria que pertence? Other / NS Ilhas Marianas do Norte Campo aberto de respostas contendo 2000 Qual sua origem étnica ou raça? (Terr. EUA) exemplos de origem nacional, raça/cor e étnica Melanesian / Polynesian / Micronesian / Ilhas Salomão 1999 Qual raça você pertence? Chinese / European / Mixed / Other Negra / Mista / Branca / Indiana / Paquistanesa Moçambique 1997 Qual sua raça, origem? / Outra Palau 2000 Qual sua origem étnica ou raça? Campo aberto de respostas White / Black, Afro-American or Negro / American Indian or Alaska Native (print name of enrolled or the principal tribe) / Asian Indian / Qual sua raça (marque uma ou mais raças para indicar Chinese / Filipino / Japanese / Korean / Porto Rico (Terr. EUA) 2000 o que você considera ser) Vietnamese / Other Asian (print race) / Native Hawaiian / Guamanian or Chamororro / Samoan / Other Pacific Island (print race) / Other Race (print race) Campo aberto de respostas contendo Samoa (Terr. EUA) 2000 Qual sua origem étnica ou raça? exemplos de origem nacional, raça/cor e étnica Afro descendant, Negro, Black / Indigenous People (Amerindian, Carib) / East Indian / A qual grupo étnico, racial ou nacional você acha que Santa Lúcia 2001 Chinese / Portuguese / Syrian, Lebanese / pertence? White, Caucasian / Mixed / Other – specify / NS Afro o negra / Amarilla / Blanca / Indígena / Uruguai 2006 (**) Crê ter ascendência? Otro / No Sabe Etnicidade. Se zâmbio assinale o grupo étnico (em For Zambian opened options / Racial group Zâmbia 2000 aberto), se não marque o grupo racial principal. (African/ American / Asian / European / Other) Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/sconcerns/popchar/popcharMeta.aspx (questionários censitários dos respectivos países). Para os EUA, fonte do questionário Petrucelli (2007). Para o Equador, ver as publicações: “Racismo y discriminación racial en Equador” (2006); e “Los afroecuatorianos en cifras” (s/d), ambos editados pela Secretaría Técnica del Frente Social daquele país. Para a Colômbia ver a publicação “Colômbia una nación multicultural: su diversidade étnica”, editado pelo Departamento Administrativo Nacional de Estadísticas (DANE) (2006). Para Cuba ver Antón & Del Popolo (2008). Para Uruguai, ver Bucheli & Cabela (2006) Nota: (*) Tradução livre dos questionários censitários oficiais nas respectivas línguas locais. (**) Pesquisa amostral Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 25
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Quadro 2.2. - Países que incorporaram a variável étnico-racial em seus questionários censitários de forma Quadro 2.2. - Países que incorporaram a variável étnico-racial em seus questionários censitários de forma indireta Quadro 2.2 - Países que incorporam a variável étnico-racial em seus questionários censitários de forma indireta indireta Ano Ano Como eraera feita apergunta sobre a Como feita a pergunta sobre País País Opções de de resposta nas línguas locais locais Opções resposta nas línguas País censitário Como era feita a pergunta(*) (*) a Ano censitário a variável étnico-racial? sobre variável étnico-racial? Opções de resposta nas línguas locais censitário variável étnico-racial? (*) Como (a pessoa) se definiria em termos Black African / Coloured / Indian or Asian / White/ África do Sul 2001 Como (ados grupos populacionais pessoa) se definiria em termos Black African / Coloured / Indian or Asian / White/ África do Sul 2001 Others – specify dos grupos populacionais A pessoa é de origem Aborígene ou da Others – specify Austrália 2001 A pessoa é dede Torres Strait? ou da No – Yes Aboriginal / Torres Strait Island Austrália 2001 Ilha origem Aborígene No – Yes Aboriginal / Torres Strait Island Ilha de Torres Strait? Black, African / Caucasian, White / Chinese / Black, African /Indian / Garifuna / Maya Ketchi / Creole / East Caucasian, White / Chinese / Belize 2000 Qual grupo étnico você pertence? Creole MopanIndian / Garifuna // Mennonite / / Belize 2000 Qual grupo étnico você pertence? Maya / East / Maya Yucatec Maya Ketchi Maya Mopan / Maya Other – specify / NS / Mestizo / Spanish / Yucatec / Mennonite Mestizo / Spanish / Other – specify / NS Essa pessoa é aborígine, ou seja, North American Indian / Métis / Inuit (Eskimo) / / Essa pessoa é aborígine, ou seja, indígena norte-americana, métis ou inuit North American Indian / Métis / / Black / Filipino// White / Chinese / South Asian Inuit (Eskimo) / Canadá 2001 indígena norte-americana, métis ou inuit White / Chinese / South Asian / Black / Filipino / Canadá 2001 (esquimó)?/ Essa pessoa é? (perguntas Latin American / Southeast Asian / Arab / West (esquimó)?/e 19 do questionário) 18 Essa pessoa é? (perguntas Latin American / Southeast Asian / Arab / West Asian / Japanese / Korean / Other – specify 18 e 19 do questionário) Asian / Japanese / Korean / Other – specify Indigena / Afrocostarricensse o negra / China / Costa Rica 2000 Pertence a cultura? Indigena / de las anteriores o negra / China / Costa Rica 2000 Pertence a cultura? Ninguna Afrocostarricensse Ninguna de las anteriores a) Blanco; Mestizo (mezcla de blanco con a) Blanco; Mestizo (mezcla de blanco con (de raza); indígena); Indígena (responde b); Negro El Salvador Você é? indígena); Indígena (responde b); Negro Nahua El Salvador Você é? Otro. b) Lenca; Kakawira (Cacaopera); (de raza); Otro. b) Lenca; Kakawira (Cacaopera); Nahua Pipil;Otro (especifique) Pipil;Otro (especifique) Maya (22 opciones) / Xincas / Garífunas / Ladino / Guatemala 2002 A qual grupo étnico (povo) pertence? Maya (22 / Otros Guatemala 2002 A qual grupo étnico (povo) pertence? Ninguno opciones) / Xincas / Garífunas / Ladino / Ninguno / Otros African, Negro, Black / Amerindian / East Indian / Guiana 2002 Qual grupo étnico você pertence? African, Negro, Black / Amerindian / East Indian / / Chinese / Mixed / Portuguese / Syrian, Lebanese Guiana 2002 Qual grupo étnico você pertence? Chinese NS – No/ stated/ Others – specify White / / Mixed Portuguese / Syrian, Lebanese / White / NS – No stated/ Others – specify Garífuna / Negro Inglés / Tolupan / Pech (Paya) / Honduras 2000 A qual grupo populacional pertence? Garífuna //Negro Inglés / Tolupan / Pech (Paya) / Honduras 2000 A qual grupo populacional pertence? Misquita Lenca / Tawohka (Sumo) / Chorti / Otro Misquita / Lenca / Tawohka (Sumo) / Chorti / Otro Rama / Garífuna / Mayangna-Sumu / Miskitu / Rama / Creole (Kriol) / Mestizo de la/Costa Caribe / Ulwa / Garífuna / Mayangna-Sumu Miskitu / A qual dos seguintes povos indígenas ou Ulwa / Creole/ (Kriol) / Mestizo de/ la Costa Caribe / Nicaragua 2005 A qual dos seguintes povos indígenas ou Xiu-Sutiava Nahoa-Nicaracao Chorotega- Nicaragua 2005 etnias pertence? Xiu-Sutiava / Nahoa-Nicaracao / Chorotega- / No etnias pertence? Nahua-Mange / Cacaopera-Matagalpa / Otro Nahua-Mange / Cacaopera-Matagalpa / Otro / No Sabe Sabe De origen mestizo / De origen quechua / De Por seus antepassados e de acordo com De origen mestizo / De origen la Amazônia / De Peru 2000 (**) Por seus costumes vocêe de acordo com seus antepassados se considera? origen Aymara / Indígena de quechua / De Peru 2000 (**) origen Aymara mulato o zambo Amazônia / De origen negro, / Indígena de la / Otros seus costumes você se considera? origen negro, mulato o zambo / Otros Indigenous, Amerindian / Maroon, Bushnegro / A qual grupo populacional essa pessoa Indigenous, Amerindian / Maroon, Bushnegro / Creole / Hindostani / Javanese/ Chinese / Suriname 2003 A pertence de acordo com essa pessoa qual grupo populacional ela mesma? Creole / Hindostani // Mixed / Other / Don’t/ know, no Suriname 2003 Caucasian, White Javanese/ Chinese pertence de acordo com ela mesma? Caucasian, White / Mixed / Other / Don’t know, no answer answer African / Indian / Chinese / Syrian, Lebanese / Trinidad & Tobago 2000 A qual grupo étnico pertence? African / Indian / Chinese / Syrian, Group / NS Trinidad & Tobago 2000 A qual grupo étnico pertence? Caucasian / Mixed / Other Ethnic Lebanese / Caucasian / Mixed / Other Ethnic Group / NS A) White (British / Irish / Any Other White A) White (British / Irishoptions]) / B) Mixed (White Background [opened / Any Other White Background [opened options]) and Black African / and Black Caribbean / White / B) Mixed (White and Black Caribbean / White and Black African / White and Asian / Any Other Mixed Background White andoptions])Any Other Mixed Background [opened Asian / / C) Asian or Asian British Grã-Bretanha 2001 Qual o seu grupo étnico? [opened /options]) / C) Asian or Asian British Asian (Indian Bangladeshi / Pakistan / Any Other Grã-Bretanha 2001 Qual o seu grupo étnico? (Indian / Bangladeshi /options]) / /D) Black or Asian Background [opened Pakistan Any Other Black Background [opened African / Any Other Black British (Caribbean / options]) / D) Black or Black British (Caribbean / African / Any Chinese or other Background [opened options]) / Other Black Background [opened options]) / Chinese or other ethnic group (Chinese / Any Other [opened ethnic group (Chinese / Any Other [opened options]) options]) Zimbabwe 2002 Qual (o nome) da origem étnica? African / European / Asiatic / Mixed Race / Other Zimbabwe 2002 Qual (o nome) da origem étnica? African / European / Asiatic / Mixed Race / Other Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/sconcerns/popchar/popcharMeta.aspx (questionários censitários dos respectivos países). Para Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/sconcerns/popchar/popcharMeta.aspx (questionáriosNicarágua, ver Antón & Del Popolo (2008) a Grã-Bretanha, fonte do questionário Petrucelli (2007). Para El Salvador, Guatemala, Honduras e censitários dos respectivos países). Para a Nota:(*) Tradução livre dos questionários censitários oficiaisEl Salvador, Guatemala, locais. Grã-Bretanha, fonte do questionário Petrucelli (2007). Para nas respectivas línguas Honduras e Nicarágua, ver Antón & Del Popolo (2008) Nota:(*) Tradução livre dos questionários censitários oficiais nas respectivas línguas locais. (**) Pesquisa amostral. (**) Pesquisa amostral. 26 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça 2.2. Distribuição Regional da População Brasileira Gráfico 2.5 - Distribuição relativa da população residente de cor ou raça branca entre as Gráfico 2.5 - Distribuição relativa da população residente de cor ou raça ou raça Gráfico 2.5 - Distribuição relativa da população residente de cor regiões geográficas, Brasil, 1995-2006 (em %) branca entre as regiões geográficas, Brasil, 1995-2006 (em %) (em %) branca entre as regiões geográficas, Brasil, 1995-2006 3,9% 23,4% 6,1% A divisão da população residente no Brasil, pelos grupos 3,9% 16,2% 50,4% 23,4% 6,1% 16,2% 50,4% 2006 2006 de cor ou raça, revela que os principais contingentes apresen- 2005 2005 tavam distribuições relativas pelo território razoavelmente 2004 2004 discrepantes. Ao longo do período 1995-2006, a população 2003 2003 Norte Norte Nordeste Nordeste branca concentrava-se, principalmente, nas regiões Sudeste 2002 2002 Sudeste Sudeste 2001 Sul Sul e Sul, que, juntas, durante todo este período, não abrigaram 2001 Centro Oeste Centro Oeste 1999 1999 menos do que 73% do total de habitantes deste contingente. 1998 1998 Por outro lado, no mesmo período, observou-se, também, 1997 1997 um aumento do peso relativo da população branca nas re- 1996 2,5% 1996 15,2% 52,8% 23,6% 6,0% 2,5% 15,2% 52,8% 23,6% 6,0% giões Norte (de 2,5% para 3,9%), Nordeste (de 15,2% para 1995 1995 16,2%) e Centro-Oeste (de 6,0% para 6,1%) (gráfico 2.5). 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0% 0,0% 20,0% 40,0% 60,0% 80,0% 100,0% Fonte: Fonte:microdados Pnad. Pnad. IBGE, IBGE, microdados Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Quanto aos pretos & pardos, verificou-se que, entre os anos de 1995 e 2006, sua principal região de residência era o Nordeste. De todo modo, no período, o peso relativo dessa Gráfico 2.6 - Distribuição relativa da populaçãopopulação residente preta & parda entre as Gráfico 2.6 - Distribuição relativa da residente de cor ou raça de cor ou raça região declinou de 47,3% para 39,3%. A segunda região em Gráfico 2.6 - Distribuiçãogeográficas, população residente de cor ou(em %) preta & parda entre as regiões da Brasil, 1995-2006 (em %) regiões relativa geográficas, Brasil, 1995-2006 raça presença de pretos & pardos era o Sudeste, registrando um 2006 preta 12,3% & parda entre as regiões geográficas, Brasil, 1995-2006 (em %) 8,1% 39,3% 34,6% 5,8% 34,6% 5,8% 8,1% 12,3% 39,3% aumento de 32,3%, para 34,6%. O Norte era a terceira mais 2006 2005 importante região de residência de pretos & pardos, tendo 2005 2004 aumentado sua participação de 7,5%, em 1995, para 12,3%, 2004 2003 Norte Norte Nordeste 2003 em 2006. Para a compreensão dos motivos dessa evolução 2002 2002 Nordeste Sudeste Sudeste Sul podem ser feitas duas observações. Em primeiro lugar, a in- 2001 2001 Sul Centro Oeste Centro Oeste clusão, na Pnad, de suas áreas rurais, território de especial 1999 1999 1998 concentração de pretos & pardos. Em segundo lugar, mesmo 1998 1997 1997 em 2003, um ano antes da inclusão das áreas rurais, a região 1996 1996 já vinha se apresentando como a terceira mais importante 1995 1995 7,5% 7,5% 47,3% 47,3% 32,3% 32,3% 5,1%5,1% 7,7% 7,7% área de residência de pretos & pardos. Entre 1995 e 2006, 0,0% 0,0% 20,0% 20,0% 40,0% 40,0% 60,0% 60,0% 80,0% 80,0% 100,0%100,0% as regiões Centro-Oeste (de 7,7% para 8,1%) e Sul (de 5,1% Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER --Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre Nota: Mapa os anosde 1995 e 2003 não inclui aa população residente nas áreas ruraisregião NorteNorte (exceto Tocantins) entre os2.1. Presença relativa de pessoas de cor ou raça preta & parda no Tocantins) da anos de 1995 e 2003 não inclui população residente nas áreas rurais da da região (exceto interior para 5,8%), também ampliaram sua importância relativa população residente, unidades da federação, Brasil, 2006 (em %). em residência da população preta & parda (gráfico 2.6). Em 2006, a população preta & parda era majoritária em três Mapa 2.1 - Presença relativa de pessoas de cor ou raça preta & parda no interior Mapa 2.1. Presença relativa de pessoas de cor ou raça preta & parda (em %) da população residente, unidades da federação, no Brasil, 2006 no interior da das cinco regiões do país: Norte, Nordeste e Centro-Oeste. De 1995 população residente, unidades da federação, Brasil, 2006 (em %). a 2006, em duas delas houve aumento de percentual desse contin- gente: Norte, de 71,3% para 75,4%, e Centro-Oeste, de 51,3% para 56,2%. Já no Nordeste, a proporção de pretos & pardos diminuiu de 71,9% para 70,4%. Nas regiões Sudeste e Sul, o contingente bran- co continuou majoritário em todo o período. Contudo, a presença preta & parda aumentou relativamente. No Sudeste, de 33,4% para 40,2%, e no Sul, de 15,2% para 19,7% (mapa 2.1). 2.3. Pirâmides Etárias Entre os anos de 1995 e 2006, seguindo as transformações ocorri- das no padrão etário da população brasileira, no sentido de seu enve- lhecimento, o formato das pirâmides, tanto dos brancos quanto dos pretos & pardos, apresentou um estreitamento da base e um alarga- Fonte: IBGE, microdados PNAD. Fonte: IBGE, microdados PNAD. Tabulações: LAESER - Fichário das - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER Desigualdades Raciais. mento do topo. Contudo, esses movimentos não se deram da mesma forma e com igual intensidade em ambos os grupos de cor ou raça. pessoas com mais de 65 anos de idade correspondiam a 6,3%, Em 1995, 29,9% dos brancos e 35% dos pretos & pardos ti- entre os brancos, e 4,9%, entre os pretos & pardos. Em 2006, nham até 14 anos de idade. No outro extremo da pirâmide, as percebe-se que ocorreram mudanças nas composições etárias de Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 27
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Box 2.2. Aumento do peso relativo da população de cor ou raça preta nas regiões geográficas O aumento do peso relativo da população de cor ou raça preta também se reflete nas regiões geográficas. Assim, de 1995 a 2006, em todas elas, houve ampliação da presença desse contingente nas respectivas populações. No Sudeste, de 6,5%, para 7,7%; no Sul, de 2,7% para 3,6%; e no Centro-Oeste, de 2,6% para 5,7%, nesse caso, mais que o dobro. Os casos das regiões Norte e Nordeste chamam a atenção. No Norte, em 1995, houve um acréscimo do peso relativo das pessoas de cor ou raça preta de 1,9% e, em 2006, de 6,2%. Possivelmente, a extensão da Pnad às áreas rurais da região pôs em evidência a importante presença deste contingente, embora esse aumento relativo de presença já viesse ocorrendo em anos anteriores (em 2003, por exemplo, os pretos já constituíam 3,9% da po- pulação da região). Já no Nordeste, onde a presença das pessoas de cor ou raça preta passou de 4,8%, em 1995, para 7,8%, em 2006, o interessante é que esse acréscimo se deu na contramão do que ocorreu com os pardos, que tiveram queda nesses onze anos em termos de sua presença relativa na população residente nesta região. ambos os grupos sem que, todavia, se tenha chegado a uma igual- nascer, menores, tal como será mostrado adiante; dade de formatos das respectivas pirâmides. Assim, neste último ✓ Tanto entre os brancos como entre os pretos & pardos, embora ano, 23,8% dos brancos tinham até 14 anos de idade, enquanto em ritmos diferentes, houve um progressivo estreitamento da pi- que os pretos & pardos na mesma faixa etária correspondiam a râmide etária nas faixas de zero a quatro anos e de cinco a nove, 28,2%. Ou seja, uma proporção semelhante ao do outro grupo 11 indicando redução das taxas de fecundidade no período, tal como anos antes. Já no outro extremo, na população acima de 65 anos também será visto mais a frente. de idade, tal contingente correspondia a 8,4%, entre os brancos, e a 5,7%, entre os pretos & pardos (gráficos 2.7 a 2.10). Com o auxílio das tabelas 2.2 e 2.3, é possível uma análise sintética da distribuição relativa das faixas de idade das respecti- Sobre o formato das respectivas pirâmides etárias dos dois grupos vas populações de cor ou raça branca e preta & parda nas regiões de cor ou raça, entre 1995 e 2006, ainda se pode frisar o seguinte: do país, no ano de 2006. Pelas fontes, em todas as regiões, o peso relativo dos pretos & pardos de até 14 anos de idade na compo- ✓ Em 1995, em ambos os grupos, a faixa etária selecionada modal sição etária do mesmo grupo era maior do que o dos brancos da era dos 10 aos 14 anos. Já em 2006, entre os pretos & pardos, a faixa mesma faixa etária dentro do respectivo grupo (salientando-se continuava a mesma, mas, entre os brancos, passou a ser a dos 20 que no Nordeste as diferenças não eram acentuadas: apenas 0,3 aos 24 anos de idade; ponto percentual). Já o peso relativo dos que tinham mais de 65 ✓ O peso relativo das faixas de idade até nove anos dos pretos anos de idade na população branca era razoavelmente maior do & pardos era superior ao dos brancos, denotando que, naquele que o na preta & parda, sendo tal realidade igualmente presente grupo, as taxas de natalidade e de mortalidade (principalmen- em todas as regiões, muito embora, no Norte, a diferença fosse de te a infantil) eram maiores e as taxas de esperança de vida ao apenas meio ponto percentual. Tabela 2.2 - Distribuição relativa da população residente de cor ou residente de segundo grupos de idade Tabela 2.2 - Distribuição relativa da população raça branca cor ou raça branca segundo grupos de idaderegiões geográficas, 2006geográficas, 2006 (em %) selecionados, Brasil e selecionados, Brasil e regiões (em %) Faixa etária Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Até 14 anos de idade 23,9 31,3 29,0 21,9 23,4 25,2 Entre 15 e 29 anos de idade 25,7 29,1 27,2 25,1 25,1 26,5 Entre 30 e 64 anos de idade 42,1 34,9 35,8 44,0 43,7 42,0 Acima de 65 anos de idade 8,3 4,7 8,0 9,0 7,9 6,4 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Tabela 2.3 - Distribuição relativa da população residente de Tabela 2.3 - Distribuição relativa da população residente de cor ou raça preta & parda segundo grupos de idade cor ou raça preta & parda segundo grupos de e regiões geográficas,e2006 (em %) selecionados, Brasil idade selecionados, Brasil regiões geográficas, 2006 (em %) Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Até 14 anos de idade 28,2 33,6 29,3 25,3 26,9 27,7 Entre 15 e 29 anos de idade 28,3 29,3 29,0 27,3 26,7 29,2 Entre 30 e 64 anos de idade 37,7 32,9 35,5 41,2 40,4 38,6 Acima de 65 anos de idade 5,8 4,2 6,3 6,2 6,0 4,5 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais 28 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    Gráfico 2.7 -Pirâmide etária da população residente de cor ou raça branca, Brasil, 1995 (em %) Gráfico 2.8 - Pirâmide etária da população residente de cor ou raça preta & parta , Brasil, 1995 (em %) Gráfico 2.9 - Pirâmide etária da população residente de cor ou raça branca, Brasil, 2006 (em %) Gráfico 2.10 - Pirâmide etária da população residente de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2006 (em %) Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 2. Evolução Demográfica Recente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça 29
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Box 2.3. Serão os pretos & pardos realmente uma minoria no Brasil? No Brasil, há, no senso comum, uma identificação Gráfico 2.11 - População residente segundo os grupos de cor ou raça Gráfico 2.11 -ePopulação residente segundo os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda) (branca preta & parda) e decomposição por faixas etárias selecionadas, dos direitos da população de cor ou raça preta & par- Gráfico 2.11 - População residente segundo - População residente segundo os grupos de cor ou raça Gráfico 2.11 os grupos de cor ou raça e decomposiçãoBrasil, 2006,e(em númeroBrasil, 2006parda) e decomposição por faixas etárias selecionadas, (branca e preta & faixas selecionadas, e preta & (em número de pessoas) por parda) decomposição pessoas) etárias selecionadas, de (branca por faixas da como um tema de minorias. De fato, na medida em 40.000.000 Brasil, 2006, (em número de pessoas) 2006, (em número de pessoas) Brasil, 35.992.253 40.000.000 que a população declarada preta & parda não passava 40.000.000 32.403.405 35.992.253 35.992.253 30.000.000 de 50%, tal idéia não deixava de ter um fundo de verda- 26.102.762 26.248.154 32.403.405 32.403.405 30.000.000 30.000.000 23.893.215 de. Porém, da análise da composição de cor ou raça da 22.290.518 26.102.762 23.893.215 26.248.154 26.102.762 23.893.215 26.248.154 20.000.000 22.290.518 22.290.518 população desagregada por grupos etários, conclui-se 20.000.000 20.000.000 10.920.302 que, no intervalo de zero a 29 anos, os pretos & pardos 10.000.000 7.935.651 10.920.302 10.920.302 formavam uma maioria expressiva em 2006 (gráfico 10.000.000 10.000.000 7.935.651 7.935.651 2.11). Por outro ângulo, eles somente podem ser con- 0 siderados minoria por apresentarem piores condições Até 14 anos de idade 0 Entre 15 e 29 anos de idade Entre 30 e 59 anos de idade Acima de 60 anos de idade 0 Até 14 anos de idade Entre 15 e 29 anosAté 14 anos de idade 59 anos de idade anos dede 60 anos de idade anos de idade Acima de 60 anos de idade de idade Entre 30 e Entre 15 e 29 Acima idade Entre 30 e 59 socioeconômicas e, por esse motivo, viverem menos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Brancos Pretos & Pardos Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Brancos Pretos & Pardos anos de vida do que os brancos. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Brancos Pretos & Pardos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Box 2.4. O aumento do percentual de pretos & pardos é produto de fatores demográficos ou sociopolíticos? Até que ponto as recentes alterações na composição de cor ou raça da população brasileira poderiam ser creditadas a movimentos demográficos específicos, como alterações diferenciadas nas respectivas taxas de fecundidade ou mortalidade? Ou até que ponto essas mudanças seriam derivadas de fatores antropológicos e políticos, reportando-se a mudanças de formas de autopercepção? Na verdade, uma análise das alterações das composições de cor ou raça ocorridas nos distintos grupos etários revela que ambos os aspectos podem ser levados em consideração, tal como pode ser visto pelo gráfico 2.12. De 1995 a 2006, com exceção da faixa dos 75 aos 79 anos de idade, em todas as de- Gráfico 2.12 - Participação relativa da população residente de cor ou raça preta & parda sobre o Gráfico 2.12 - Participação relativa decomposição por faixas etáriasraça preta & parda sobre o total da população total da população residente, da população residente de cor ou selecionadas, Brasil, 1995 e 2006 mais ocorreu um razoável aumento do peso residente, decomposição por faixas etárias%) (em selecionadas, Brasil, 1995 e 2006 (em número %) relativo de pretos & pardos. Nas faixas de 60% zero a quatro, cinco a nove, 10 a 14 e de 15 a 50% 19 anos verificaram-se elevações relativas na presença de pretos & pardos de, respectiva- 40% mente: 3,6; 4,7; 5,2 e 4,1 pontos percentuais. Nesse caso, parece que o fator demográfico 30% – diferenças de cor ou raça na evolução das 20% taxas de natalidade associadas a diferentes níveis de reduções nas taxas de mortalidade 10% infantil – apresenta-se como o principal para 0% a compreensão daquelas alterações. 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 0 5 80 a a a a a a a a a a a a a a a a 4 9 ou Raciocínio semelhante poderia ser utili- 14 19 24 29 34 39 44 49 54 59 64 69 74 79 m ai s zado no entendimento do ocorrido nas faixas 1995 2006 Fonte: IBGE, microdados Pnad. etárias mais avançadas, acima dos 60 anos. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Assim, nos intervalos de 60 a 64 anos, 65 a 69, 70 a 74 e 80 anos ou mais, o peso relativo de pretos & pardos na população, de 1995 a 2006, aumentou, em pontos percentuais, respectivamente: 4,7; 5,8; 2,9 e 0,9. A principal explicação poderia ser, também, de ordem demográfica, com redução das diferenças de cor ou raça nas esperanças de vida, como será comentando adiante. Entretanto, as alterações verificadas em termos da composição de cor ou raça nos grupos etários acima dos 20 e abaixo dos 49 anos, só podem ser entendidas como mudanças nas formas de autopercepção. Afinal, no mesmo período, houve aumentos significativos de presença de pretos & pardos de 5,5 pontos percentuais na faixa etária entre os 20 e 24 anos, de 6,4 na entre 25 e 29 anos, de 7,4 na entre 30 a 34 anos e de 6,8 na entre 35 a 39 anos. De que outro modo as mudanças poderiam ser entendidas? Assim, probabilidades de sobrevida em 1995 à parte, o fato é que naquele ano o contingente de pretos & pardos de 10 a 29 anos correspondia a 47,8% de todo este grupo etário. Em 2006, naquele mesmo contingente (desta vez com 20 a 39 anos de idade), o peso de pretos & pardos subiu para 50,4%. Portanto, é razoável supor que a alteração esteve associada às mudanças de forma de percepção de sua própria cor ou raça por parte de alguns contingentes que, desse modo, passaram a se reconhecer como não brancos. 30 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça 2.4. Idade Mediana da População Brasileira Em 1995, a idade mediana da população branca era de 26 anos, ao passo que a da população preta & parda, de 21. Passados 11 anos, a As idades medianas das populações branca e preta & par- dos brancos subiu para 30 anos, enquanto que a dos pretos & pardos, da confirmam o constatado nas pirâmides etárias. Ou seja, as para 26 anos de idade. Logo, a diferença entre as idades medianas pessoas de cor ou raça preta & parda possuem perfil mais jovem dos dois contingentes foi reduzida em um ano (gráficos 2.13 e 2.14). do que as de cor ou raça branca. De qualquer maneira, de 1995 a 2006, seguindo a tendência de envelhecimento da população, A idade mediana dos homens brancos brasileiros em 1995 era de apesar de variações conforme o sexo e a região de residência, as 25 anos e a dos pretos & pardos, 21. Esta diferença, 11 anos depois, idades medianas dos dois contingentes aumentaram progressi- também diminuiu em um ano: 28 anos para os brancos e 25 para os vamente dentro de um contexto de diminuição das distâncias pretos & pardos. Em 2005, entre as mulheres, a idade mediana das relativas entre os dois grupos de cor ou raça. brancas era de 27 e a das pretas & pardas, de 22 anos. Em 2006, essa Gráfico 2.13 Gráfico 2.13 - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou raça raça (branca e - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou preta & e preta & parda), Brasil e regiões geográficas, 1995 (em anos de idade) (branca parda), Brasil e regiões geográficas, 1995 (em anos de idade) 40 30 28 26 27 27 26 27 26 25 25 25 23 22 23 24 23 23 23 20 23 23 23 22 23 22 21 22 21 20 21 21 20 20 19 20 20 19 19 10 0 Homens Homens Homens Homens Homens Homens Total Total Total Total Total Total Mulheres Mulheres Mulheres Mulheres Mulheres Mulheres Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-oeste Brasil Brancos Pretos & Pardos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Gráfico 2.14 - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou raça Gráfico 2.14 - Idade mediana da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e (branca e preta & parda), Brasil e regiões geográficas, 2006 (em anos de idade) preta & parda), Brasil e regiões geográficas, 2006 (em anos de idade) 40 33 32 32 31 31 30 28 30 30 30 29 28 29 28 28 24 26 26 27 27 27 27 27 25 26 24 24 24 25 25 25 26 26 25 23 22 22 20 10 0 Total Total Total Total Total Total Mulheres Mulheres Mulheres Mulheres Mulheres Mulheres Homens Homens Homens Homens Homens Homens Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-oeste Brasil Brancos Pretos & Pardos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 31
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça diferença havia se reduzido igualmente em um ano: as brancas com mais equilibrada do que da população branca, na qual o contin- 31 e as pretas & pardas com 27 anos (gráficos 2.13 e 2.14). gente feminino sempre se apresentava maior. Em 2006, a menor proporção entre homens e mulheres brancos se dava no Nordeste Independentemente do grupo de sexo, em todas as regiões bra- (88,6%). Já entre os pretos & pardos, o mesmo fenômeno ocorria sileiras a população preta & parda revelou-se proporcionalmente no Sudeste (97%). A maior proporção entre homens e mulheres mais jovem do que a branca. Porém, a diferença entre as idades brancos se dava no Centro-Oeste (93,6%), enquanto que entre os medianas variava conforme a região. pretos & pardos a maior proporção de homens por número de mulheres estava no Norte (104,6%) (tabela 2.4). A maior idade mediana foi observada na população branca do Sudeste, tanto em 1995 (27 anos) como em 2006 (32 anos). Em seguida, considerando-se apenas 2006, vinha o Sul (31 anos), o 2.6. Indicadores Demográficos de Centro-Oeste (28), o Nordeste (25) e o Norte (24). Em relação aos Mensuração Através de Estimativas Indiretas pretos & pardos, sua maior idade mediana também era no Sudes- te: 24 anos, em 1995, e 28, em 2006. Neste último ano, a região Se as estatísticas vitais no Brasil fossem confiáveis, inegavel- Sul era onde esse último grupo apresentava a sua segunda maior mente, seriam as fontes mais apropriadas para a obtenção das idade mediana: 27 anos. Em seguida vinham: Centro-Oeste (26), estimativas de fecundidade e de mortalidade, já que permitem Nordeste (25) e Norte (22) (gráficos 2.13 e 2.14). realizar sua medição de forma direta. No entanto, à exceção de alguns estados, as estatísticas de nascimentos e óbitos ainda Em 2006, as regiões que apresentaram as maiores diferenças apresentam deficiências. Isso impede de se conhecer, de forma de idades medianas entre brancos e pretos & pardos foram a Su- apropriada, o nível destas componentes da dinâmica demográfi- deste e a Sul, ambas com quatro anos. No Centro-Oeste e no Norte ca e, ainda mais, de estudar o comportamento diferencial destas a diferença era de dois anos. No Nordeste, as das duas populações variáveis para distintos segmentos da população, como é o caso coincidiu, apesar de a idade mediana dos homens brancos ser um deste estudo (C.f. SIMÕES, 1999). ano superior à dos pretos & pardos (gráficos 2.13 e 2.14). Para suprir, em parte, esta carência, a partir de perguntas As mulheres, independentemente da cor ou raça, apresentavam retrospectivas incluídas nos censos demográficos e pesquisas idades medianas sempre maiores do que a dos homens, devido à maior domiciliares, foram desenvolvidos métodos de estimação destes mortalidade masculina em todas as idades e grupos de cor ou raça. De indicadores. Dentre estes estão a técnica proposta por Brass et qualquer maneira, é obrigatória a menção ao fato de que, com exceção alii (1968, 1973, 1974), utilizada nas estimativas de fecundidade do Nordeste, as idades medianas das mulheres pretas & pardas eram – particularmente no cálculo dos nascimentos – e de mortalida- inferiores às dos homens brancos (gráficos 2.13 e 2.14). de, e, também, suas variantes propostas por Trussell (1975) e Co- ale-Trussell (1974), as quais exploram as perguntas retrospecti- vas de filhos tidos nascidos vivos, filhos nascidos nos últimos 12 2.5. Razão de Sexos meses e filhos sobreviventes. A partir dos quesitos total de filhos nascidos vivos e filhos sobreviventes, torna-se possível calcular De acordo com a Pnad, em 1995, a Razão de Sexos era de 96 ho- as probabilidades de morte em idades específicas e alocadas num mens para cada 100 mulheres, sendo de 92,8% na população branca tempo determinado, em particular, a infantil (SIMÕES, idem). e de 100,1% na preta & parda. Em 2006, houve uma pequena redução deste indicador para os brancos (90,8%). Quanto aos pretos & pardos, Desse modo, nas próximas subseções será debatida a evo- muito embora aquela relação tenha se invertido, basicamente, mante- lução dos indicadores demográficos que são obtidos por meio ve-se o equilíbrio entre homens e mulheres (99,4%) (tabela 2.4). de estimativas indiretas. Na introdução de cada uma delas se- rão feitos comentários preliminares sobre suas metodologias, Dentro do conjunto das regiões do país, tanto em 1995 como os quais seguirão os resultados obtidos em termos da evolução em 2006, a razão de sexos da população preta & parda tendia a ser das assimetrias de cor ou raça. Tabela 2.4 - Razão de Sexos daRazão de sexos da população residente segundo osou raça de cor oueraça & parda), Brasil e Tabela 2.4 - população residente segundo os grupos de cor grupos (branca preta Tabela 2.4 - Razão de Sexos da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil e (branca e preta & parda), Brasil e regiões1995 e 2006 (nº homens // (n0 mulheres) / n0 de mulheres) regiões geográficas, geográficas, 1995 e 2006 nº mulheres) regiões geográficas, 1995 e 2006 (nº homens nº de homens Brasil e 1995 2006 Brasil e 1995 2006 Regiões Brancos Pretos & Pardos Total Brancos Pretos & Pardos Total Regiões Brancos Pretos & Pardos Total Brancos Pretos & Pardos Total Brasil 0,928 1,001 0,960 0,908 0,994 0,950 Brasil 0,928 1,001 0,960 0,908 0,994 0,950 Norte 0,871 1,017 0,975 0,908 1,046 1,010 Norte 0,871 1,017 0,975 0,908 1,046 1,010 Nordeste 0,863 0,993 0,956 0,886 0,992 0,959 Nordeste 0,863 0,993 0,956 0,886 0,992 0,959 Sudeste 0,936 0,991 0,953 0,905 0,970 0,930 Sudeste 0,936 0,991 0,953 0,905 0,970 0,930 Sul 0,960 1,068 0,973 0,923 1,024 0,945 Sul 0,960 1,068 0,973 0,923 1,024 0,945 Centro-Oeste 0,931 1,043 0,987 0,936 1,008 0,976 Centro-Oeste 0,931 1,043 0,987 0,936 1,008 0,976 Fonte: IBGE. Microdados Pnad. Fonte: IBGE. Microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). 32 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Box 2.5. Realidades da diáspora: presença afro-descendente no hemisfério americano Estimativas baseadas nos respectivos tamanhos das populações dos países do hemisfério americano e nos pesos relativos que os afro- descendentes possuem dentro daqueles contingentes – que são decerto ainda um tanto grosseiras – indicam que nas três Américas e Ca- ribe residem mais de 150 milhões de afro-descendentes, o que corresponderia a quase um quinto da população residente no hemisfério. As populações afro-descendentes na América do Sul residem com mais intensidade nas zonas litorâneas do Atlântico (como é o caso do Brasil), do Pacífico e dos países banhados pelo Mar do Caribe e Golfo do México. Dentre os países banhados pelo Oceano Pacífico, Peru, Equador e Colômbia abrigam as maiores concentrações afro-descendentes, em todos os casos esse contingente residindo com mais intensidade em regiões mais próximas ao litoral. Na Colômbia, segundo o Departamento Nacional de Estatística (Dane), em 2005, os afro-colombianos correspondiam a cerca de 10,6% da população local. Esse grupo se encontrava por todo país, porém, sendo especialmente relevante sua concentração nos departamentos (unidades políticas semelhantes aos estados no Brasil) de Valle del Cauca (com especial menção à cidade de Cali), Antioquia (com especial menção à cidade de Medelin) e Bolivar, que juntos, abrigavam mais da metade (51,2%) do contingente negro da Colômbia. Somando esse percentual ao contingente afro-colombiano residente em Chocó, Nariño e Cauca, chega-se a 64,3% desse grupo étnico-racial residente na- quele país. Por outro lado, os afro-colombianos correspondem à maioria da população no departamento de Chocó (82%) e no arquipélago caribenho de Santo Andrés (57%, a maior parte pertencente ao grupo étnico afro-colombiano raizal, auto-identificado pelo uso da língua creole). Nos departamentos de Valle del Cauca (27%) e Bolívar (28%) a presença afro-colombiana superava um quarto da população local (ver também box 7.3 sobre as terras negras na Colômbia). Levantamentos oficiais realizados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo do Equador (Inec), em 2001, apontaram que naquele país os afro-descendentes respondiam por cerca de 5% da população. Em termos da concentração populacional, as principais províncias (unidades políticas semelhantes aos estados no Brasil) eram as de Guayas (216,9 mil afro-descendentes, aqui merecendo especial menção à capital provincial, Guayaquil, 6,6% da população do departamento) e Esmeraldas (153,7 mil afro-descendentes, 39,9% da população do departamento, sendo a cidade mais importante, a capital provincial do mesmo nome). Essas duas províncias, juntas, abrigavam, em 2001, 61,4% da população afro-equatoriana. O conjunto de províncias costeiras respondia por 75,4% desse contingente. No Peru, a Encuesta Nacional de Hogares (Pesquisa Nacional de Domicílios), realizada pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE), no ano de 2004, informou que os afro-descendentes formavam apenas 1% da população nacional, o que parece estar subestimado. Balizando-se na amostra não expandida de domicílios referenciados por pessoas afro-descendentes (os que declararam: negro, mulato ou zambo) fica sugerido que os principais departamentos (unidades políticas semelhantes aos estados no Brasil) que abrigam populações negras, por ordem de importância são: Ica (se destacando as cidades de Ica, Chincha Alta, Pisco e Nazca), Morropon e Lima (onde fica a capital daquele país) e que, juntas, abrigavam 84,8% dos domicílios da amostra. Quanto aos países sul-americanos banhados exclusivamente pelo Caribe, na Venezuela, até o ano de 2007, jamais havia sido realizado um levantamento censitário ou amostral que coletasse, de forma desagregada, os indicadores sociais dos grupos afro-venezuelanos. Naquele ano, a Oficina de Enlace con la Comunidade Afrodescendiente, em parceria com o Instituto Nacional de Estatística, promoveu um levanta- mento populacional junto às localidades de maior presença afro-venezuelana, porém os dados ainda não foram divulgados. Estimativas do Banco Mundial apontaram que este grupo correspondia a 10% da população local. De acordo com a avaliação da Rede de Organizações Afro-venezuelanas, as principais concentrações demográficas da população negra naquele país se encontravam na capital, Caracas, além dos estados de Miranda, Vargas, Arágua, Zulia, Yaracuy, Bolívar, Sucre e Falcó. Nas Guianas, de acordo com o Bureau de Estatísticas daquele país, em 2002, os 221,7 mil afro-descendentes perfaziam 29,9% da população. A maior concentração negra se dava na região quatro (57%), onde fica localizada a capital Georgetown. No Suriname, em 2000, a população afro-descendente, chegava a cerca de 133,7 mil pessoas, 31% do total. Esse contingente, tal como o conjunto da população do país, se concentrava, especialmente, na capital Paramaribo e seu entorno. Existem, também, concentrações afro-descendentes em zonas interioranas da América do Sul, nesse caso, originadas pelo uso da mão-de-obra africana escravizada no período colonial e arregimentadas na pecuária, mineração e extrativismo, além de deslocamentos populacionais posteriores, motivados pela migração forçada por motivos econômicos ou políticos. No Uruguai, em 2006, segundo a Encuesta Nacional de Hogares Ampliada (Pesquisa Nacional de Domicílios Ampliada), promovida pelo Instituto Nacional de Estatística do país, a presença afro-uruguaia correspondia a 274,9 mil pessoas, o equivalente a 9,1% da população local. Na capital Montevideo, o peso relativo dos afro-uruguaios chegava a 9,3%, ao passo que no interior era de 9%. Por outro lado, 41,7% dos afro-uruguaios residiam na capital. Outros 33,2% de afro-uruguaios viviam em quatro províncias: Artigas, Canalones, Rovera e Salto. O peso da população afro-descendente no Uruguai chegava a Artigas (25,7%), Rivera (19,6%), Salto (15%). Vale observar que esses departa- mentos ficam localizados na fronteira com o Brasil. Mesmo em nações sul-americanas cuja presença afro-descendente é desconhecida de um público maior, como são os casos do Paraguai, Bolívia, Argentina e Chile, pôde-se localizar, através de pesquisas recentes, contingentes populacionais com essa origem. No Paraguai, de 2006 a 2007, uma pesquisa realizada pela Associação Afro-Paraguaia Kamba Cua, em parceria com a Direção de Estatísticas de Amostras e Censos deste país, realizou um censo em três comunidades afro-paraguaias de Emboscada (departamento de Cordillera), Kamba Cuá (departamento Central) e Kamba Kokue (departamento de Paraguari), que denotou a presença de cerca de 7,64 mil pessoas identificadas como negras. Na Argentina, Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 33
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça em 2005, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) realizou um estudo piloto em dois bairros localizados nas cidades de Buenos Aires (Montserrat) e de Santa Fé (Santa Rosa de Lima) procurando identificar os modos de autopercepção étnico-racial de contingentes localizados em dois bairros de reconhecida influência cultural negra. No estudo, os afro-argentinos somaram 196 pessoas, vivendo em 83 domicílios, o que cor- respondia a 3,8% do contingente total residente e a 6,2% do total de domicílios destes dois bairros, longe, portanto, da marca de 0% que se cos- tuma estimar da população negra naquele país vizinho. Na Bolívia, a concentração demográfica afro-boliviana, estimada em 2% do contingente total, se dá no vale de uma região andina conhecida por Yungas, no Departamento de La Paz (municípios de Coroico, Coripata e Chicaloma). No Chile, se destaca o contingente afro-chileno localizado na cidade de Arica (estado do mesmo nome) que fica na fronteira com o Peru. No istmo da América Central, as maiores concentrações afro-descendentes residem no litoral caribenho, nesse caso, merecendo espe- cial menção os povos da etnia Garífuna, que habitam várias nações (Belize, Guatemala, Honduras e Nicarágua) desta parte das Américas. Em Honduras, no ano de 2003, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que 58,8 mil afro-hondurenhos residiam naquela nação (1% da população total), sendo cerca de 46,4 mil, Garífunas (0,8%), e 12,4 mil (0,2%), chamados de negros ingleses (tal como os raizales também definidos pelo uso da língua creole). Os departamentos onde os Garífunas se concentravam em especial eram: Atlântida (34,1%), Colón (31,3%) e Cortez (18,6%), todos no litoral caribenho. Já os negros ingleses habitavam com maior freqüência as Ilhas da Bahia (localiza- da no Caribe) (55,5%), Atlântida (21,3%) e Cortez (10,3%). Em Belize, o portal World Factbook, balizado no censo deste mesmo país, apontou que o peso relativo da população negra era de 31% (24,9% creole e 6,1% Garífuna). Na Nicarágua, os afro-descendentes eram identificados no questionário do censo como Garífunas e Creoles, correspondendo oficialmente a 0,5% da população. Já na Guatemala, onde os afro- descendentes eram exclusivamente identificados através da etnia Garífuna, de acordo com os respectivos dados censitários, correspondiam a 0,04%, da população (C.f. ANTÓN & POPOLO, 2008). Esse contingente se nucleava mais intensivamente na província de Izabal. As principais cidades localizadas em áreas de residência dos Garífunas eram Stann Creek e Punta Gorda, em Belize; Livingstone, Puerto Barrios e San Feli- pe, na Guatemala e; Orinoco, Bluefields e La fé, na Nicarágua. Na costa do Pacífico centro-americano, com a exceção do Panamá onde a população negra é aparentemente majoritária (valendo frisar que jamais foi realizado recenseamento desagregado com dados por etnia-raça neste país), a presença afro-descendente é mais esparsa. Na Costa Rica, segundo informações do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Inec) Mapa 2.2. Presença relativaPresença relativa de pessoas de cor ou raça Mapa 2.2 - de pessoas de cor ou raça preta & parda no interior da preta & população residente, municípios, Brasil, 2000 (em %). (em %) parda no interior população residente, municípios, Brasil, 2000 os afro-costarricenses respondiam, em 2000, por 2% da população. Neste país, a província de maior concentração de afro-descendentes era Limón (74,4%), e mais secundariamente a capital San José (14,3%). Nos países do Caribe, incluindo as atuais colô- nias inglesas, francesas e holandesas, a presença afro-descendente é absolutamente predominan- te em quase todos os pontos, sendo especial- mente relevante, por seu tamanho numérico, as populações afro-descendentes das Grandes Anti- lhas, tal como é o caso do Haiti (95%), República Dominicana (84%) e Jamaica (96,7%) (C.f. BELLO & RANGEL, 2002). Em Trinidad & Tobago, o insti- tuto local de estatística (Central Statistical Office) estimava que 43% dos domicílios fossem chefia- dos por pessoas afro-descendentes. Em termos do número de pessoas isso equivaleria a cerca de 430 mil afro-descendentes (39,5% da população do país). Em Cuba, o último censo, realizado em Fonte: IBGE, microdados Censo Demográfico. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 2000, revelou que os negros e mulatos ou mes- tiços, categorias classificatórias locais, correspon- diam a 34,9% da população (ANTÓN & POPOLO, op cit). Nas Pequenas Antilhas, os dados são mais difíceis de serem encontrados, muito embora a presença afro-descendente seja visivelmente majoritária. Em Anguila, por exemplo, o instituto local de estatísticas (Statistics Department) apontou que, em 2001, a população negra, que totalizava 10,3 mil pessoas, correspondia a 90% da população local. Em sen- do esse dado oficial, talvez o mesmo espelhe realidades próximas de outras ilhas menores como: Aruba, Bahamas, Bermudas, Barbados, Cayman, Dominica, Granadas, Santa Lucia, São Cristóvão & Névis, São Vicente & Granadinas e Turcos & Caicós. Na América do Norte, no ano de 2006, segundo a Agência Nacional de Estatísticas do Canadá (Canada’s National Statistical Agency) aquele país abrigava cerca de 783,8 mil afro-descendentes, 2,5% da população total. Destes, 60,4% viviam na província de Ontário (especial- mente nas cidades de Toronto e Ottawa) e 24% na província de Quebec (especialmente a cidade do mesmo nome e Montreal). No México, 34 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Mapa 2.3. Presença relativa de afro-americanos no interiorno interior Mapa 2.3 - Presença relativa de afro-americanos da população residente, os sistemas estatísticos locais não desagregam da população residente, municípios, EUA, 2000 (em %) municípios, EUA, 2000 (em %). os dados da população por cor ou raça, muito embora existam estimativas que apontem ser o peso relativo dos afro-mexicanos entre 0,5% a 5% da população daquele país. São conside- radas regiões de maior concentração de po- pulação afro-mexicana os estados de Jalisco, Guerrero (destaque para a cidade de Acapulco) e Oaxaca, no litoral do Pacífico e; de Veracruz (destaque para cidade do mesmo nome) e de Tabasco, banhados pelo Golfo do México (C.f. ADDERLEY, 1999). Os EUA, em 2000, segundo o Escritório do Censo (U.S. Census Bureau), abrigavam cerca de 36,2 milhões de afro-descendentes (inclu- sive com origem multirracial), 12,9% da popu- lação total. Os estados de maior concentração de população afro-americana, em número to- Fonte: U.S. Census Bureau, 2000. tal de pessoas, era o de Nova York (cerca de 3,5 Tabulações: LAESER milhões), Flórida e Texas (cerca de três milhões de pessoas cada). Em termos relativos as maio- res participações dos afro-descendentes nas populações locais se davam em Washington DC (56%), Mississipi (38%) e Lousiana (32%). No Brasil, as principais concentrações de populações afro-descendentes se localizam nos estados das regiões Nordeste e Sudeste, que concentram cerca de 74% dos pretos & pardos. Em 2000, as quatro principais cidades de residência de pretos & pardos, por ordem de im- portância eram: São Paulo (1,55 milhões), Rio de Janeiro (1,13 milhões), Salvador (877,4 mil) e Fortaleza (595,0 mil). A população preta & parda é hegemônica em três das cinco grandes regiões geográficas. Além disso, em 2000, essa população era majoritária em 49,2% das 5.506 municipalidades brasileiras. No contexto regional do hemisfério americano, o país abriga a maior população afro-descendente. Pode-se estimar que este contingente chegue a pouco mais da metade da população residente nas Américas. No mesmo ano, a população preta & parda do Brasil era superior à população afro-descendente dos EUA – segundo contingente negro do Hemisfério - em cerca de 41,9 milhões de pessoas. Considerando-se apenas a população da América do Sul e a do Caribe, pode-se estimar que o contingente afro-descendente, no Brasil, alcance cerca de 65% do total de pessoas de ascendência africana. Bibliografia: Adderley (1999); Antón & Popolo (2008); Bello & Rangel (2002); Benavides et alii (2006); Benítez et alii (s/d); Bucheli & Cabela (2006); Colmenares (2004); Fer- ranti et alii (2004); González (2006); Lpiski (s/d); Mkinnon & Bennett (2005); Rangel (2001); Sanchez & Garcia (2006); Stubb & Reyes (2006). Ver também publicação assinada pelo: Banco Mundial (2006) – Bolívia: toward a new social contract; DANE – Colômbia (2006) – Colómbia una nación multicultural; CEPAL (2005) – Población indígena y afroecuatoriana en Ecuador: diagnóstico sociodemográfico a partir del censo 2001. Dados para Brasil LAESER Fichário das Desigualdades Raciais baseado nos microdados da amostra do Censo Demográfico de 2000. Dados para Anguila, Canadá, Costa Rica, EUA, Nicarágua, Trinidad & Tobago, indicadores levantados nos portais das respectivas instituições nacionais geradoras de dados demográficos. Para o Suriname e Trinidad & Tobago e Belize baseado em fontes oficiais, ver abaixo. http://www.nationsencyclopedia.com/economies/Americas/Suriname.html http://www.umsl.edu/services/govdocs/wofact2005/geos/td.html 2.6.1. Fecundidade Ai 5 fi = 5 onde i = 15 ,20 ,25 ,30 ,35 ,40 ,45 . 5 Ci Algumas perguntas utilizadas nas pesquisas domiciliares e nos censos demográficos servem de insumo para as estimativas de fecun- Sendo: didade. Tais perguntas investigam o número de mulheres em idade fértil (15 a 49 anos), o número de filhos nascidos vivos nos últimos 12 A : é o número de filhos tidos nascidos vivos nos 12 meses 5 i meses anteriores à pesquisa e o número total de filhos nascidos vivos, anteriores à data da pesquisa por grupo etário qüinqüenal das por grupos qüinqüenais de idade das mulheres. Para este estudo, as mulheres em idade fértil, onde i é o limite inferior de cada grupo informações foram extraídas da Pnad, entre os anos de 1995 e 2005, etário e 5 é a amplitude do intervalo da classe. sendo desagregadas por cor ou raça das mulheres em idade fértil. C : é o número de mulheres em idade fértil por grupo etário 5 i As Taxas Específicas de Fecundidade (5 f i ) por idade são obti- qüinqüenal, onde i é o limite inferior de cada grupo etário e 5 é a das através da seguinte fórmula: amplitude do intervalo da classe. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 35
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Box 2.6. Uniões endogâmicas e exogâmicas: o que foi observado nos últimos anos? Em todo o país, Tabela 2.5 -Tabelaou raçaou raça da pessoareferência do domicílio respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras), e outras), Cor 2.5 - Cor da pessoa de de referência do domicílio e e respectivo cônjuge (branca, preta & parda a grande maioria de população residente, Brasil, 1995 (em %% sobre o total de casais) população residente, Brasil, 1995 (em sobre o total de casais) Tabela 2.5 - Cor ou raça da pessoa de referência do domicílio e respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras), arranjos conjugais, se- população residente, Brasil, 1995 (em % sobre o total de casais) Cor ou Raça da Pessoa de Cor ou Raça do Cônjuge gundo a cor ou raça da Referência Cor ou Raça da Pessoa de Branca Preta Cor ou Raça do Cônjuge Outros Parda Total pessoa de referência do Branca Referência 85,1 1,1 13,6 0,2 100,0 Branca Preta Parda Outros Total domicílio (nem todas Preta Branca 15,8 85,1 57,3 1,1 26,8 13,6 0,1 0,2 100,0 100,0 Parda 24,6 2,4 72,8 0,1 100,0 são do sexo masculino) Preta Outros 15,8 25,0 57,3 1,8 26,8 8,9 0,1 64,2 100,0 100,0 Parda 24,6 2,4 72,8 0,1 100,0 e seu respectivo parcei- Fonte: IBGE, microdados Pnad. Outros 25,0 1,8 8,9 64,2 100,0 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. ro, é formada por uniões Fonte: IBGE, microdados Pnad. Nota: Não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. endogâmicas, isto é, de Nota: Não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena pessoas do mesmo gru- po de cor ou raça. As- Tabela 2.6 - Cor ou raça da pessoa de referência do domicílio e respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras), população residente, Brasil, 2006 (em % sobre o total de casais) sim, em 2006, 77% dos Tabela 2.6 -Tabelaou raçaou raça da pessoareferência do domicílio respectivo cônjuge (branca, preta & parda e outras), e outras), Cor 2.6 - Cor da pessoa de de referência do domicílio e e respectivo cônjuge (branca, preta & parda população residente, Brasil, 2006 (em %% sobre o total de casais) população residente, Brasil, 2006 (em sobreRaça do casais) parceiros de pessoas Cor ou Raça da Pessoa de Cor ou o total de Cônjuge Referência brancas também eram Cor ou Raça da Pessoa de Branca Preta Cor ou Raça do Cônjuge Outros Parda Total Branca 77,0 2,8 19,8 0,3 100,0 brancos, sendo este o Preta Referência Branca 23,7 Preta 45,1 Parda 30,6 Outros 0,6 Total 100,0 Branca 77,0 2,8 19,8 0,3 100,0 grupo mais endogâmico Parda Preta 26,7 23,7 3,9 45,1 69,0 30,6 0,4 0,6 100,0 100,0 Outros 36,0 3,7 18,6 41,7 100,0 (sem incluir os amarelos Parda 26,7 3,9 69,0 0,4 100,0 Fonte: IBGE, microdados Pnad. Outros 36,0 3,7 18,6 41,7 100,0 e indígenas, agrupados Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Nota: Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena. na categoria outros). No Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: Outros = pessoas de cor ou raça amarela e indígena. mesmo ano, a taxa de endogamia das pessoas de referência pardas era de 69%, enquanto a das pretas 45,1%, sendo este o grupo comparativamente mais exogâmico. De qualquer maneira, de 1995 a 2006, aumentou o percentual de uniões exogâmicas em todo o país. Assim, o percentual de uniões endogâmicas declinou relativamente 8,1 pontos percentuais entre as pessoas brancas, 3,8 entre as pardas e 12,2 entre as pretas (tabelas 2.5 e 2.6). As Taxas de Fecundidade Total (TFT) foram calculadas atra- As estimativas foram calculadas através da aplicação do mé- vés da fórmula: todo da razão P/F – relação entre as parturições médias (fecun- didade acumulada) e a fecundidade atual –(BRASS et alii, 1968 e 45 BRASS, 1975), que corrige erros de omissão e/ou declaração das TFT = 5* ∑ 5 f i onde i = 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45. informações censitárias. i =15 Para analisar a evolução dos níveis de fecundidade por cor E as parturições médias (5 P i) foram obtidas através da seguin- ou raça foi primeiramente utilizado o indicador denominado de te fórmula: Taxa de Fecundidade Total (TFT), que representa o número mé- dio de filhos por mulher. Em 1995, no Brasil, as TFT’s já haviam Bi tido reduções drásticas em relação ao decênio anterior. Entretan- 5 Pi = 5 onde i = 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45. to, podiam ser observadas fortes discrepâncias, tanto nas regiões 5 Ci do país como nos grupos de cor ou raça. Dez anos depois, em 2005, essas diferenças diminuíram, principalmente, devido às Sendo: reduções da fecundidade no Nordeste e no Norte. B : igual ao número de filhos tidos nascidos vivos por grupo 5 i A queda nos níveis de fecundidade das mulheres brasileiras etário qüinqüenal das mulheres em idade fértil, onde i é o limite pode ser constatada analisando-se a tabela 2.9. Ela mostra que, inferior de cada grupo etário e 5 é a amplitude do intervalo da se as mulheres brasileiras, em seu conjunto, apresentavam uma classe e; TFT de 2,5 filhos por mulher, em 2005 essa taxa havia declina- do para 2,1 filhos por mulher, nível considerado como o limite C : igual ao número de mulheres em idade fértil por grupo 5 i mínimo para a reposição populacional. Isso porque, demogra- etário qüinqüenal, onde i é o limite inferior de cada grupo etário e ficamente, uma população que tenha uma taxa de fecundidade 5 é a amplitude do intervalo da classe. total de 2,1 filhos por mulher terá atingido o número de repo- 36 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça sição, ou seja, aquele valor que Tabela 2.7 - 2.7 - TaxaFecundidade Total da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos de idade segundo os Tabela Taxa de de fecundidade total da da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos de idade segundo garante a reposição futura da os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda), Brasil regiões geográficas , 1995 e 2005 (n0 de filhos / mulheres) grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); Brasil ee regiões geográficas - 1995 e 2005 (nº filhos / mulheres) geração presente. Quando esse Brasil Taxas de Fecundidade Total (TFT) valor é inferior a 2,1, a depen- e Regiões Total 1995 Brancas Pretas & Pardas Total 2005 Brancas Pretas & Pardas der somente do crescimento ve- Brasil 2,52 2,20 3,01 2,06 1,88 2,25 getativo, a população começa a Norte 2,95 2,40 3,24 2,53 2,23 2,60 diminuir (C.f. SIMÕES, 2006). Nordeste 3,24 2,82 3,41 2,28 2,28 2,30 Sudeste 2,18 1,97 2,56 1,87 1,70 2,09 Sul 2,33 2,18 3,09 2,00 1,88 2,21 Em 1995, as mulheres pretas Centro-Oeste 2,43 2,31 2,48 2,01 1,89 2,10 & pardas tinham, em média, 0,81 Fonte: IBGE, microdados Pnad. filho a mais do que as brancas, Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Cálculos finais procedidos por L. Ervatti. Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). com uma TFT de 3,01 para as pretas & pardas e 2,20 para as brancas. Os resultados da Pnad, em 2005, mostraram que essa di- grupos permaneceram, porém, em menor escala, acompanhando a ferença se reduziu significativamente para 0,37 filho por mulher. tendência geral da TFT no Brasil. Também se observa que, entre as Neste mesmo ano, enquanto as mulheres brancas registraram ní- pretas & pardas, a fecundidade permaneceu concentrada no grupo de vel de fecundidade muito abaixo daquele considerado de reposi- 20 a 24 anos. Já entre as brancas, ao longo do período de 10 anos, as ção, 1,88 filho por mulher, as pretas & pardas tiveram, em média, TEF’s dos grupos de 20 a 24 anos de idade e de 25 a 29 anos de idade, 2,25 filhos (tabela 2.7). tornaram-se mais próximas (gráfico 2.15). Em 1995, a maior TFT foi observada entre as mulheres de cor ou Foram observadas reduções na TEF em todas as faixas etárias raça preta & parda no Nordeste (3,41). Já a menor foi verificada entre das mulheres pretas & pardas, com exceção das com idade entre 15 as brancas do Sudeste (1,97). Em 2005, as pretas & pardas no Norte e 19 anos. Isto reflete mudanças no comportamento reprodutivo apresentaram a maior taxa (2,60) de todo o país. Em contraparti- de um grupo que ainda mantinha níveis mais elevados de fecun- da, a menor foi observada entre as brancas do Sudeste (1,70). Isto didade. As mulheres brancas tiveram reduções nas taxas relativas sinaliza, além das trocas entre as regiões, uma redução de 37,5% na aos grupos de 20 a 34 anos, idades de fecundidade mais intensa diferença entre o maior e o menor nível de fecundidade, levando-se (gráfico 2.15). em conta as variáveis regionais e de cor ou raça (tabela 2.7). A análise do padrão etário da fecundidade se faz através do cálculo O diferencial regional, quando combinado com o racial, eviden- da distribuição percentual das TEFs de cada grupo etário qüinqüenal cia que uma só variável não determina grandes diferenças nos níveis (15-19, 20-24, ..., 45-49 anos) no total da fecundidade. Assim, é possível de fecundidade. Um exemplo disso é a constatação de que, tanto em definir padrões de fecundidade: jovem, quando se concentra no grupo 1995 quanto em 2005, as mulheres brancas do Nordeste possuíam de 20 a 24 anos; tardio, quando concentrado no grupo 25 a 29 anos; e uma TFT maior do que as pretas & pardas do Sudeste. Todavia, vale dilatado, quando o peso desses dois grupos se equipara. salientar que a TFT das pretas & pardas era superior à das brancas, Gráfico 2.15 - Taxa Específica de Fecundidade da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos Gráfico 2.15 - Taxa específica de fecundidade da população residente do sexo feminino entre 15 e 49 anos de idade segundo nas duas pontas, em todas as cin- Gráficode idade segundo os grupos de cor ou raça (branca eresidente do sexo feminino entre 15 e 49 anos 2.15 - Taxa Específica de Fecundidade da população preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 (n0 de filhos por mulheres de respectivos grupos etários) de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 (nº de filhos por mulheres de respectivos grupos etários) co regiões brasileiras. (nº de filhos por mulheres de respectivos grupos etários) 0,180 0,180 Um outro importante indicador 0,160 demográfico é a Taxa Específica de 0,160 0,140 Fecundidade (TEF). A TEF repre- 0,140 senta o número médio de filhos por 0,120 0,120 grupo qüinqüenal das mulheres em 0,100 0,100 idade fértil (15 a 49 anos). Com a sua TEF 0,080 aplicação pode-se acompanhar os TEF 0,080 níveis de fecundidade dos distintos 0,060 0,060 grupos etários. 0,040 0,040 0,020 Constata-se que, em 1995, o 0,020 nível de fecundidade das mulheres 0,000 0,000 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos pretas & pardas era maior do que 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos a das brancas em todas as faixas Brancos 1995 Brancos 1995 Brancos 2005 Brancos 2005 Pretos & Pardos 1995 Pretos & Pardos 1995 Pretos & Pardos 2005 Pretos & Pardos 2005 etárias, sendo mais elevada na Fonte: IBGE, Microdados Pnad. Tabulações: LAESER. Fonte: IBGE, Microdados Pnad. faixa de 20 a 24 anos. Em 2005, as Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Cálculos finais L Ervatti Tabulações: LAESER. Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Cálculos finais L Ervatti diferenças de níveis entre os dois Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 37
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça ✓ filhos sobreviventes, por Gráfico 2.16 - Distribuição das Taxas Específicas de Fecundidade da população residente do sexo Gráfico 2.16 - Distribuiçãoedas taxas específicassegundo os grupos de cor ou raça (branca e preta &entre 15 e 49 anos de idade feminino entre 15 49 anos de idade de fecundidade da população residente do sexo feminino parda), Brasil - sexo, na data da pesquisa, segundo os grupos de cor ou 1995(branca, preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 (em %) raça e 2005 (em %) segundo os grupos etários 35 qüinqüenais das mulheres 30 em idade fértil. 25 Todas as informações % foram desagregadas por cor 20 ou raça declarada da mãe. 15 Os procedimentos aplicados para a estimativa da morta- 10 lidade infantil e na infância utilizam tábuas modelo de 5 mortalidade. Neste caso, fo- 0 ram utilizadas as tábuas de 15 a 19 anos 20 a 24 anos 25 a 29 anos 30 a 34 anos 35 a 39 anos 40 a 44 anos 45 a 49 anos mortalidade modelo Oeste, Brancos; 1995 Brancos; 2005 Pretos & Pardos; 1995 Pretos & Pardos; 2005 de Coale e Demeny (1966), e a Fonte: IBGE. Microdados Pnad. Tábua Modelo Brasil (1981). Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da reigão Norte (exceto Tocantins). Cálculos finais L. Ervatti As taxas de mortalidade Entre 1995 e 2005, as mulheres brancas passaram de um padrão infantil e na infância obtidas diretamente do método de Brass (1974) e de fecundidade jovem para dilatado. Assim, naquele último ano passou da variante proposta por Trussel (1975) foram, então, ajustadas através a ocorrer uma melhor distribuição no grupo de 20 a 29 anos: dos 20 a de um ajuste logístico, incorporando as Taxas de Mortalidade Infantil 24, 25,3%; dos 25 aos 29, 25,9%. Nas pretas & pardas, porém, persistiu, (TMI´s) e as taxas de mortalidade na infância, calculadas para 1991 em 2005, o mesmo padrão jovem de 1995, com 28% da fecundidade no e 2000 com base nos dados dos censos demográficos dos respectivos grupo de 20 a 24 anos. Também vale frisar que a participação relativa do anos. Isto foi feito com o objetivo de suavizar as estimativas prove- grupo de pretas & pardas de 15 a 19 anos aumentou de 14% para 18,6%, nientes da Pnad com as calculadas com base nas informações censi- principalmente, por conta da redução registrada no grupo de 25 a 29 tárias, consideradas mais robustas para o cálculo deste indicador. É anos e no acima de 35 anos. Tal indicador sugere que para esse último importante ressaltar o cuidado que se teve para que os valores obtidos grupo, comparativamente ao das mulheres brancas (onde o peso relati- no ajuste não diferissem significativamente dos valores observados, vo do grupo de 15 a 19 anos na fecundidade total passou de 12,1%, para especialmente em 1991 e 2000. 13,1%), o menor peso relativo das TEFs de idades mais avançadas no total da fecundidade pode estar combinado com práticas definitivas de Entre 1995 e 2005, a taxa de mortalidade infantil, no Brasil, re- controle da natalidade tal como é o caso da esterilização (gráfico 2.16). duziu em 36,8%, tendo passado de 37,6 óbitos de menores de um ano para cada mil nascidos vivos para 23,7. Este cenário teve um efei- 2.6.2. Mortalidade Infantil e na Infância to positivo sobre as desigualdades de cor ou raça, que igualmente se reduziam no período. Assim, a taxa de mortalidade infantil no Neste estudo, as estimativas de mortalidade infantil foram país, em 1995, era de 27,1 entre as crianças filhas de mãe de cor ou calculadas através da aplicação do método de Brass (1974) e da va- raça branca e de 47,3, entre as de mães de cor ou raça preta & parda; riante proposta por Trussel (1975). O modelo utiliza as seguintes diferença, portanto, 74% superior. No ano de 2005, entretanto, essa informações provenientes da Pnad: diferença se reduziu para 25,7%, tendo as respectivas taxas de mor- talidade infantil caído para 19,4 e 24,4 (tabela 2.8). ✓ mulheres em idade fértil por grupos qüinqüenais de idade; ✓ total de filhos nascidos vivos, por sexo, segundo os grupos etá- A evolução deste indicador parece vinculada a políticas de com- rios qüinqüenais das mulheres em idade fértil; bate à mortalidade infantil do final da década de 1990 até os dias atuais, com especial destaque para o Norte e o Nordeste, onde os índices costumam Tabela 2.8 -Tabela 2.8 - Taxa de mortalidade infantil da população residente segundo a cor oua cor ou raça da mãe Taxa de Mortalidade Infantil da população residente segundo raçada mãe (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 20052005 (em ‰) (branca, preta & parda), Brasil, 1995 e (em %) ser bem maiores do que as médias nacio- Taxas de mortalidade infantil (em ‰) nais. Assim, estimativas preliminares dão Cor ou raça da mãe 1995 2005 conta de uma redução das taxas nas duas Total 37,6 23,7 regiões, de 1995 a 2005, da ordem de 39,8% Brancas 27,1 19,4 no contingente branco e de 48,6% no preto Pretas & Pardas 47,3 24,4 & pardo. Já no somatório das regiões Cen- tro-Oeste, Sudeste e Sul, as estimativas de Fonte: IBGE, microdados Pnad. Cálculos finais L Ervatti. Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). queda são de 28,6% no branco e de 33,4% no preto & pardo (gráfico 2.17). 38 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça Box 2.7. Taxa de Mortalidade Infantil em países latino-americanos decompostos pelos grupos étnico-raciais: resultados balizados na rodada de censos do ano 2000. O problema da mortalidade infantil, nos países latino americanos, não foi eficazmente enfrentado pelos sucessivos governos des- tas nações. Especialmente no período posterior à Segunda Guerra Mundial, quando diversos avanços foram verificados no campo das tecnologias de prevenção e cura das doenças que mais afetavam recém-nascidos e bebês. Tal lacuna guarda um nítido componente étnico-racial, posto que as maiores taxas de mortalidade infantil são verificadas, justamente, entre os contingentes de afro-descendentes e de indígenas. No casos da Colômbia e do Equador, as taxas de mortalidade infantil dos afro-descendentes eram superiores às médias nacionais em 99,6% e em 26,4%, respectivamente. Nos países da América Central, onde estes dados existem e estão disponíveis, como na Costa Rica, Guatemala e Honduras, as taxas de mortalidade infantil dos afro-descendentes são inferiores às médias nacionais em, res- pectivamente, 1,8%; 27,5% e 7,2%. Isto acontece, todavia, por conta das mais elevadas taxas de mortalidade infantil que incidem entre os povos indígenas naqueles países e ao peso relativo que aqueles contingentes guardam na população total (tabela 2.9). Tabela 2.9 - Taxa de Mortalidade Infantil (menores de um ano de idade) da população residente totalTabela 2.9 - Taxa de mortalidade na infância da população residente segundo Guatemala e e afrodescendente: Colômbia, Costa Rica, Equador, a cor ou raça da mãe, Honduras & parda, Brasil, 1995-2005 (em %) branca e preta (em ‰) País Ano Afro-descendentes Indígenas Total País Colômbia 2005 46,7 39,5 23,4 Costa Rica 2000 16,2 29,0 16,5 Equador 2001 32,6 59,3 25,8 Guatemala 2002 29,2 50,3 40,3 Honduras 2000 27,2 36,9 29,3 Fonte: Rangel (2006) e Urrea (2007) Nota: Afro-descendente = Colômbia (negro, mulato ou afro-descendente e raizal da Ilha de Santo André); Costa Rica (afro-costarricense ou negra); Equador (negro ou afro-equatoriano e mulato); Guatemala (garífuna); Honduras (garífuna e negro inglês). Gráfico 2.17 - Taxa de Mortalidade Infantil da população residente segundo os No mesmo período, a taxa de mortalidade Gráfico 2.17 Taxa de Mortalidade Infantil da regiões geográficas segundo os residente segundo os Gráfico 2.17 - Taxa de Mortalidade Infantil da população grupos de cor -ou raça (branca e preta & parda),população residente agrupadas, Gráfico 2.17 - Taxa de mortalidade infantil da de cor ou raça (brancaos grupos de cor ou raça regiões geográficas agrupadas população residente segundo preta & parda), (branca na infância, que mede a proporção de óbitos de Brasil, 1995 e grupos preta & parda), regiõesegeográficas grupos de cor ou raça (branca(proporção por 1000 nascidos vivos) agrupadas, 2005 e e preta & parda), regiões geográficas agrupadas,Brasil, 1995 e 2005 (proporção por 1000 nascidos vivos) Brasil, 1995 e 2005 (proporção pr 1.000 nascidos vivos) Brasil, 1995 e 2005 (proporção por 1000 nascidos vivos) crianças de até cinco anos sobre o contingente to- 75 75 70,3 75 tal da faixa etária, também indica uma redução 70,3 70,3 nas disparidades de cor ou raça. Este indicador 60 60 teve quedas de 29,8% entre as brancas e de 51,5% 60 48,2 entre as pretas & pardas (tabela 2.10). 45 48,2 48,2 45 45 36,2 36,1 36,2 36,1 Apesar do movimento das taxas de mortalidade 30 29,0 36,2 36,1 24,1 29,0 infantil e de mortalidade na infância ter sido positivo, 30 30 29,0 24,1 24,1 24,1 24,1 17,2 24,1 tendo em vista sinalizar para uma significativa redu- 15 17,2 17,2 ção das desigualdades de cor ou raça, vale salientar, 15 15 entretanto, que as diferenças desta natureza ainda per- 0 sistem: em 2005, as crianças com menos de um ano e 0 Brancos 0 Brancos Pretos & Pardos Pretos & Pardos 1995 2005 Brancos 1995 Brancos 2005Pretos & Pardos Pretos & Pardos com menos de cinco anos, filhos de mulheres pretas & Brancos 1995 Brancos 1995 2005 Pretos & Pardos 1995 2005 Pretos & Pardos 2005 1995 2005 Norte/Nordeste Centro-Oeste/Sudeste/Sul pardas, tinham cerca de 25,8% a mais de probabilidade Norte/Nordeste Centro-Oeste/Sudeste/Sul Norte/Nordeste Centro-Oeste/Sudeste/Sul de morrer antes de completar um ano do que os filhos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas preliminares, L. Ervatti. Nota: no ano de 1995 não inclui a populaçãoIBGE, microdados Pnad. Estimativas Norte (exceto L. Ervatti. Fonte: residente nas áreas rurais da região preliminares, Tocantins) de mulheres brancas (tabelas 2.8 e 2.10). Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas preliminares, não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Nota: no ano de 1995 L. Ervatti. Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) 2.6.3. Esperança Tabela 2.10Tabela 2.10 - Mortalidade na Infância (menores de um ano de idade)segundo a cor ou raça da mãe, branca - Taxa de Taxa de mortalidade infantil da população residente da população residente total de Vida ao Nascer e afrodescendente: Colômbia, Costa Brasil, 1995 Guatemala e Honduras (em %) e preta & parda, Rica, Equador, e 2005 (em ‰) Taxas de mortalidade na infância (até cinco anos de idade) (em ‰) Cor ou raça da mãe As esperanças de vida ao nascer 1995 2005 foram calculadas associando-se o Total 47,2 28,6 Branca 32,9 23,1 nível da mortalidade, obtido atra- Preta & Parda 60,6 29,4 vés da mortalidade infantil, a um conjunto de tábuas de mortalidade Fonte: IBGE, microdados Pnad. Cálculos finais L Ervatti. Nota: em 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). implícitas na projeção da população para o Brasil da seguinte forma: Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 39
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    2. Evolução DemográficaRecente da População Brasileira Segundo a Cor ou Raça ✓ obtenção, para cada taxa de mortalidade infantil calcu- mentou 4,3 anos, passando de 68,2 anos, em 1995, para 72,5 lada, de uma função de sobrevivência l1; anos, em 2005. Entre brancos (de 71,5 para 74,9 anos) e pretos ✓ as l1 foram localizadas no conjunto de tábuas implíci- & pardos (de 65,9 para 71,7), a diferença, entre estes contin- tas na projeção Brasil; assim, pôde-se obter uma esperança de gentes, que era de 5,6 anos, em 1995, caiu para 3,2 anos, em vida associada ao nível estimado da mortalidade infantil; 2005 (gráfico 2.18). ✓ as esperanças de vida por sexo, para os anos Gráfico 2.18 - Esperança de vida ao nascer da população brasileira segundo os de 1995 e 2005, segundo brancos e pretos & pardos, grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 Gráfico 2.18 - Esperança de vidade vida ao (em anos de vida) segundo os grupos Gráfico 2.18 - Esperança ao nascer da população brasileira brasileira segundo os nascer da população foram suavizadas através de uma função logística, grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995 e 2005 (em anos de vida) (em anos de vida) que utilizou como parâmetros as esperanças de 76,0 74,9 vida estimadas para o ano de 1991 (calculada atra- 76,0 74,0 72,5 74,9 vés da mesma metodologia descrita acima) e para 74,0 72,0 71,5 72,5 71,7 71,7 o ano de 2000 (PAIXAO et alii., 2005). Procurou- 72,0 70,0 71,5 se, nos ajustes, valores que não diferissem signi- 70,0 68,0 68,2 68,2 ficativamente dos observados, especialmente, nos 68,0 65,9 66,0 censos de 1991 e 2000. 66,0 65,9 64,0 64,0 As reduções na mortalidade infantil tiveram um 62,0 62,0 forte impacto no aumento da esperança de vida ao 60,0 60,0 1995 2005 nascer da população brasileira. Essa mudança apre- 1995 Total Brancos Pretos & Pardos 2005 sentou benéficos efeitos em termos da diminuição Total Brancos Pretos & Pardos das desigualdades de cor ou raça. Para o total da po- Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas, L. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Estimativas, L. Ervatti.Ervatti. Nota: no de 1995 não não a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Nota: no ano ano de 1995inclui inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) pulação brasileira, a esperança de vida ao nascer au- 40 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 41
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    42 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça 3.1. Informações Metodológicas Preliminares o país. Assim, segundo estimativas de demógrafos do IBGE, em 2000, na população acima de cinco anos de idade, o percentual A principal fonte de informação sobre o perfil das formas de de cobertura da apuração oficial dos óbitos seria de 80% para os mortalidade da população brasileira é o Sistema de Informação de homens e de 75%, para as mulheres (OLIVEIRA E ALBUQUER- Mortalidade (SIM), organizado pelo Banco de Dados do Sistema QUE, op cit). Já na população menor de um ano de idade, Paixão Único de Saúde (Datasus), órgão vinculado ao Ministério da Saú- et alii (op cit), no mesmo ano, as diferenças entre os indicadores de. A principal diferença desta base de dados para outras como, obtidos no SIM correspondiam a apenas 43% da razão de morta- por exemplo, as provenientes do Instituto Brasileiro de Geografia lidade, calculada por estimativas indiretas através do método de e Estatística (IBGE), é que se trata de um cadastro administrativo Brass (1974) e Trussel (1975). e não de uma pesquisa censitária ou por amostra (C.f. JANUZZI, 2003). Enquanto em uma pesquisa os investigadores vão aos do- Outro fator, que compromete parcialmente a qualidade dos micílios ou locais relevantes para obter informações, no cadastro indicadores do SIM, é o proporcionalmente elevado número de administrativo, as pessoas têm os dados coletados em formulários, óbitos cujas causas não foram identificadas pelos médicos. Des- ao serem atendidas por determinados serviços. sa maneira, no triênio 1998-2000, do total de mortos, 13,8% dos homens e 15,5% das mulheres tiveram essa causa apontada no Assim, os cuidados metodológicos exigíveis para esse tipo de atestado de óbito. Como não existe morte sem causa, a ausência de base de informações não dizem respeito ao coeficiente da varia- tal informação apenas reflete os limites do SIM. Para comparação, ção, mas, sim, à qualidade da cobertura do serviço público corres- nos anos 80, o percentual de atestados de óbito cuja causa não foi pondente no qual o cadastro é gerado. E, de fato, é consenso que, identificada chegava a, apenas, 2% na Argentina, 4% no México e apesar dos recentes progressos na ampliação da cobertura do SIM, 8% no Chile (C.f. VASCONCELOS, op cit). infelizmente, o Brasil ainda não conseguiu expandir a coleta de in- formações para todos os casos de óbitos. Vasconcelos (2000), analisando a qualidade do SIM entre as unidades da Federação, identificou quatro grupos: A subnotificação de óbitos ocorre pelos seguintes motivos: I) distribuição desigual dos cartórios pelos municípios (onde, entre ✓ Grupo I: boa cobertura de óbitos, estimada em mais de 95%, e outros serviços, são emitidos os atestados de óbito), dificultando baixa discrepância entre os dados do SIM e os gerados pelas Esta- o acesso, especialmente nos de menor população, em localida- tísticas do Registro Civil do IBGE – Espírito Santo, Rio de Janeiro, des das regiões Norte e Nordeste e para os residentes nas áreas São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso rurais; II) práticas comuns, principalmente no meio rural e em do Sul e Distrito Federal; mortes de crianças com menos de cinco anos de idade, de sepul- ✓ Grupo II: cobertura regular, com deficiências, estimada entre tamento nos fundos das residências, sem registro em cartório; 55% e 93% do total de óbitos, porém, com baixas discrepâncias III) existência de cemitérios não oficializados (em áreas rurais, com os dados do Registro Civil do IBGE – Acre, Amapá, Roraima, chamados de cruzeiros), onde os sepultamentos são freqüente- Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Mi- mente feitos sem os atestados de óbito (nos cemitérios oficiais nas Gerais e Goiás; somente ocorrem após a emissão dos atestados); IV) desconhe- ✓ Grupo III: qualidade razoável nas capitais e cidades maiores e baixa cimento dos procedimentos para a obtenção do atestado e, desde nas cidades médias e pequenas, bem como no meio rural – Rondônia, 1996, sua gratuidade; V) desconhecimento da obrigatoriedade da Amazonas, Pará, Tocantins, Ceará, Bahia e Mato Grosso; e notificação de óbitos; VI) desinteresse pela obtenção do atesta- ✓ Grupo IV: baixo grau de cobertura em todo o território, estimada do de óbito de um familiar ou parente por falta de direitos, tais pela autora como inferior a 30% – Piauí (de 19%) e Maranhão (29%). como herança, pensão ou seguro de vida; VII) crescimento da violência em todo o país (no meio urbano e rural) nos últimos 30 Esse conjunto de informações é relevante para que se possa anos, com elevação do número de homicídios e, em muitos casos, ter uma idéia da qualidade dos dados do SIM. Por outro lado, o desaparecimento dos corpos em cemitérios clandestinos e em no estudo das desigualdades de cor ou raça, percebe-se três pontos de desova de difícil acesso (valas, rios e mar, entre outros) problemas adicionais: I) atestados de óbito emitidos sem infor- ou, ainda, de forma a impossibilitar a localização e identificação, mação sobre a cor ou raça – em 2000, essa omissão chegava a especialmente com cremação clandestina de corpos (C.f. VAS- 15,7%;II) conforme será visto adiante com mais detalhes, a ele- CONCELOS, 1998; HAKKERT, 1996; SIMÕES, 2002; PAIXÃO et vada proporção de atestados sem identificação das causas das alii; 2005, OLIVEIRA & ALBUQUERQUE, s/d). mortes varia conforme o grupo de cor ou raça, o que, mais uma vez, compromete a qualidade das informações; III) ao contrário Todos esses fatores contribuem para manter, em nível rela- de pesquisas por amostra e censitárias, como a Pesquisa Nacio- tivamente elevado, o número de óbitos não registrados em todo nal por Amostra de Domicílio (Pnad) ou Censo Demográfico, Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 43
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça no qual a cor ou raça dos indivíduos é autodeclarada, no SIM, 3.2. Razão de Mortalidade Por 100 Mil evidentemente, é informada por outra pessoa. Habitantes Por Causas Específicas de Óbito É importante salientar que, no SIM, existe uma maior pro- As tabelas 3.1 e 3.2. mostram, respectivamente, as razões babilidade de que os indicadores referentes aos óbitos de pre- de mortalidade para 100 mil habitantes de homens brancos tos & pardos e, certamente, de indígenas tendam a apresentar e pretos & pardos e mulheres brancas e pretas & pardas, em maior perda de dados do que os dos grupos branco e amarelo. faixas etárias selecionadas acima de cinco anos de idade, em Isso ocorre porque: I) os pretos & pardos apresentam um peso todo o Brasil, em 2005. Evidentemente, em todos os grupos, relativo maior nos estados onde a qualidade das informações essas taxas crescem quanto mais alta é a faixa etária. No caso do SIM é pior e menor onde é melhor; II) as taxas de mortali- da população do sexo masculino, os brancos apresentavam dade infantil e na infância de crianças filhas de mães pretas & maiores taxas que os pretos & pardos nas faixas de cinco a pardas são maiores do que as de mães brancas; assim, na me- nove, de 40 a 59, 60 ou mais e na soma de todas as idades. Já os dida em que a subnotificação nestas faixas de idade tendem homens pretos & pardos apresentavam razões de mortalidade a ser maiores, há possibilidade de uma incidência despropor- superiores aos brancos nas faixas de 10 a 14, 15 a 17, 18 a 24 cional entre os grupos de cor ou raça; III) comparativamente, e de 25 a 40 anos. No contingente feminino, a única faixa na as maiores taxas de subnotificação ocorrem no meio rural, o qual as pretas & pardas apresentavam taxa maior do que a das que também causa diferenças para os grupos de cor ou raça, brancas era a entre 25 e 40 anos de idade. tendo mais pretos & pardos habitando aquelas áreas do que brancos; IV) a população mais pobre tem maior probabilida- A decomposição da taxa de mortalidade dos homens dos dis- de de não obter um atestado de óbito de um parente ou fami- tintos grupos pelas faixas etárias selecionadas revela as seguintes liar (tal como já mencionado, por desconhecimento, dificul- características (tabela 3.1): dades de deslocamento ou por falta de interesse em enfrentar a burocracia), do que os mais ricos. Assim, como os pretos & ✓ Doenças do aparelho circulatório: os pretos & pardos pardos formam a maioria da população mais pobre, tal situa- morriam proporcionalmente mais que os brancos nas se- ção gera diferentes probabilidades de registros de óbitos entre guintes faixas etárias: 10 a 14, 15 a 17, 18 a 24 e 25 a 40 anos. os distintos grupos de cor ou raça. Por outro lado, os brancos apresentavam maior razão de mortalidade de cinco a nove, 41 a 59, 60 anos ou mais e na Como informação final sobre os indicadores que serão es- soma das idades. tudados, devido à elevada estimativa de subnotificação de mor- ✓ Doenças do aparelho respiratório: os pretos & pardos eram talidade de crianças de zero a cinco anos de idade, o perfil da proporcionalmente mais vitimados do que os brancos nas se- mortalidade deste grupo etário não será analisado. guintes faixas etárias: 10 a 14, 18 a 24 e de 25 a 40 anos de idade. Tabela 3.1 - Razão de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo masculino, segundo os grupos de cor ou raça Tabela 3.1 - Razão de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo masculino, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) (branca e pretade parda) e de acordo com grupos selecionadosInternacional de Doenças (CID10); Brasil, 2005 Brasil, 2005 habitantes). habitantes) e & acordo com grupos selecionados do Código do Código Internacional de Doenças (CID10), (por 100 mil (por 100 mil 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos Cor ou Raça Causa de Mortalidade 5 a 9 anos Total anos anos anos anos anos ou mais Doenças do Aparelho Circulatório. 1,1 1,4 2,9 4,6 22,2 198,5 1.506,3 209,9 Neoplasias. 5,0 4,8 6,8 7,4 17,1 144,1 819,8 126,0 Doenças do Aparelho Respiratório. 1,9 1,9 4,2 3,9 9,3 44,6 617,0 78,0 Doenças do Aparelho Digestivo. 0,5 0,7 0,9 1,8 15,8 69,8 202,7 42,1 Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 0,8 0,7 0,8 1,1 4,0 29,9 220,0 31,3 Brancos Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 1,7 0,9 1,1 0,8 0,7 0,8 1,6 1,0 Doenças Infecciosas e Parasitárias. 1,9 1,3 1,9 4,3 24,2 43,5 115,0 29,6 Causas Mal Definidas. 1,5 1,6 3,8 5,3 14,7 56,2 337,2 53,4 Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 10,7 19,0 79,4 150,8 134,2 113,6 154,0 107,3 Outras Causas de Mortalidade. 3,9 4,1 5,0 6,5 13,2 37,6 235,6 38,8 Total 29,1 36,7 106,7 186,4 255,2 738,6 4.209,2 717,4 Doenças do Aparelho Circulatório. 0,9 1,6 3,8 6,5 26,0 176,3 1.039,2 123,1 Neoplasias. 3,0 3,0 4,6 5,1 11,3 84,3 425,1 54,2 Doenças do Aparelho Respiratório. 1,8 1,9 2,7 4,3 10,3 38,4 308,0 35,2 Doenças do Aparelho Digestivo. 0,6 0,7 1,2 3,0 17,7 62,2 136,6 28,4 Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 0,6 0,4 0,4 1,1 4,7 27,4 180,7 20,9 Pretos & Pardos Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 1,1 0,5 0,9 0,6 0,4 0,5 1,3 0,6 Doenças Infecciosas e Parasitárias. 2,5 1,9 3,5 5,9 23,6 44,2 106,7 25,0 Causas Mal Definidas. 2,2 3,1 6,2 10,3 26,4 82,0 491,4 63,6 Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 12,5 21,9 112,0 207,4 179,0 122,0 111,8 124,7 Outras Causas de Mortalidade. 2,3 2,6 5,0 5,7 16,1 40,2 129,2 24,0 Total 27,3 37,6 140,3 249,9 315,5 677,3 2.930,0 499,5 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do Sangue e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções originadas no período perinatal. Tabela 3.2 - Razão de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo feminino, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e de acordo com grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10); Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes). 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos Cor ou Raça Causa de Mortalidade 5 a 9 anos Total 44 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 Doenças do Aparelho Circulatório. 0,7 anos 1,5 anos 1,6 anos 3,3 anos 13,7 anos 101,8 ou mais 1.168,4 178,9 Neoplasias. 4,2 4,1 5,4 6,4 21,1 113,2 477,4 96,6 Doenças do Aparelho Respiratório. 2,0 2,0 2,6 3,3 4,8 23,8 420,0 61,7 Doenças do Aparelho Digestivo. 0,6 0,6 1,1 1,4 4,0 17,5 140,1 23,6 Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 0,4 0,7 1,2 1,4 2,9 21,7 232,8 36,3 Brancas Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 1,3 1,2 1,0 0,8 0,5 0,9 1,3 0,9 Doenças Infecciosas e Parasitárias. 2,0 1,5 1,8 3,0 11,1 17,3 92,5 19,8 Causas Mal Definidas. 1,3 1,6 1,8 2,8 5,7 22,0 252,5 39,9
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Já os brancos, nas faixas de cinco a nove, de 15 a 17, de 41 a 59, ✓ Doenças do aparelho circulatório: as pretas & pardas eram 60 ou mais e no total. proporcionalmente mais vitimadas do que as brancas em todas ✓ Doenças do aparelho digestivo: vitimavam proporcionalmente as faixas etárias, com exceção da de 60 anos ou mais e, devido mais os pretos & pardos do que os brancos de cinco a nove, 15 a ao peso específico dessa causa entre as idosas brancas, no so- 17; 18 a 24 e de 25 a 40 anos de idade. Os brancos morriam propor- matório das idades. cionalmente mais nas faixas de 10 a 14, de 41 a 59, 60 ou mais e na ✓ Doenças do aparelho respiratório: com exceção da faixa de 25 soma das faixas etárias. a 40 anos, as brancas morriam proporcionalmente mais do que as ✓ Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas: os pretos & pretas & pardas. pardos eram proporcionalmente mais vitimados que os brancos ✓ Doenças do aparelho digestivo: as pretas & pardas eram propor- de Tabela 24 -eRazão25 mortalidade dade idade. Os brancos, nas demais por faixas etárias selecionadas, do sexo masculino, segundo os gruposas cor ou raça (brancafaixas&de 15 a 18 a 3.1 de de a 40 anos população residente acima cinco anos de idade, faixas cionalmente mais vitimadas do que de brancas nas e preta parda) e de acordo com grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10); Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes). e na soma das idades. 17, de 18 a 24, de 25 a 40 e de 41 a 60 anos de idade. Já as brancas, de ✓ Doençasou Raça Cor infecciosas e parasitárias: proporcionalmente, os pre- Causa de Mortalidade cinco a 5 a 9 anosde10 a 14 14,anos 60 18 a 24 ouanos e anos total.mais Total nove, anosa 15de anos 25mais 41no 60 anos 10 a 17 anos a 40 a 59 ou tos & pardos eram maisDoenças do Aparelho Circulatório. vitimados que os brancos de cinco a nove, ✓ Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas: as pretas209,9par- 1,1 1,4 2,9 4,6 22,2 198,5 1.506,3 & Neoplasias. 5,0 4,8 6,8 7,4 17,1 144,1 819,8 126,0 de 10 a 14 e de 18 a 24 anos dedoidade. Já os brancos, de 15 a 17, nas Doenças Aparelho Respiratório. das eram 1,9 proporcionalmente mais vitimadas 44,6 que617,0brancas de 1,9 4,2 3,9 9,3 do as 78,0 faixas superiores aos 25Doenças e no total. anos do Aparelho Digestivo. cinco a nove, de 25 a 40 e0,9 41 a 1,8 anos de idade. Nas202,7 42,1 0,5 0,7 de 59 15,8 69,8 demais faixas Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 0,8 0,7 0,8 1,1 4,0 29,9 220,0 31,3 ✓ CausasBrancos definidas: em todas as faixas etárias, os pretos & mal Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. e no total, 1,7 brancas eram proporcionalmente 0,8 vitimadas. as 0,9 1,1 0,8 0,7 mais 1,6 1,0 pardos eram proporcionalmente mais Parasitárias. do que os brancos. Doenças Infecciosas e Causas Mal Definidas. afetados ✓ Malformações congênitas: as brancas morriam 115,0 29,6 1,9 1,5 1,3 1,6 1,9 3,8 4,3 5,3 24,2 14,7 43,5 56,2 proporcional- 337,2 53,4 ✓ Causas externas: com exceção daMorbidade dos 60 anos ou mais e Causas Externas de faixa e Mortalidade. mente mais que 19,0 pretas & pardas em todas as faixas, menos na 10,7 as 79,4 150,8 134,2 113,6 154,0 107,3 Outras Causas de Mortalidade. 3,9 4,1 5,0 6,5 13,2 37,6 235,6 38,8 na soma das faixas etárias, os pretos & pardos morriam propor- Total de 60 anos ou mais. 106,7 186,4 255,2 738,6 4.209,2 717,4 29,1 36,7 cionalmente mais por causas do Aparelho Circulatório. mortalidade do que Doenças não naturais de ✓ Doenças infecciosas3,8 parasitárias: as pretas & pardas eram 0,9 1,6 e 6,5 26,0 176,3 1.039,2 123,1 Neoplasias. 3,0 3,0 4,6 5,1 11,3 84,3 425,1 54,2 os brancos. O comportamento desse indicador entre 10 e 40 anos Doenças do Aparelho Respiratório. proporcionalmente mais vitimadas que as brancas de 15 a 17, de 18 1,8 1,9 2,7 4,3 10,3 38,4 308,0 35,2 foi um dos principais responsáveis pelo fato de a corresponden- Doenças do Aparelho Digestivo. a 24, de 25 a 40 e0,7 41 a1,2 Já as brancas, de62,2 a nove, de 10 a 0,6 de 59. 3,0 17,7 cinco 136,6 28,4 Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 0,6 0,4 0,4 1,1 4,7 27,4 180,7 20,9 de mortalidade Malformações Congênitas, Deformidadestodas asCromossômicas. 14, mais de 60 anos de idade e no total.0,4 te taxa Pretos & Pardos dos pretos & pardos por e Anomalias causas, 1,1 0,5 0,9 0,6 0,5 1,3 0,6 dentro deste intervalo etário,Infecciosas e Parasitárias. a dos brancos. Doenças ter sido maior que ✓ Causas mal definidas: tal como ocorreu 44,2 os homens, as 2,5 1,9 3,5 5,9 23,6 entre 106,7 25,0 Causas Mal Definidas. 2,2 3,1 6,2 10,3 26,4 82,0 491,4 63,6 ✓ Neoplasias e malformação congênita: emMortalidade.as faixas etá- Causas Externas de Morbidade e todas mulheres12,5 pretas21,9 pardas morriam 179,0 122,0 111,8 mais do & 112,0 207,4 proporcionalmente 124,7 rias, as razões de mortalidade dos Mortalidade. eram maiores que as Outras Causas de Total brancos que as brancas em todas5,0 faixas e no16,1 677,3 2.930,0 499,5 2,3 27,3 2,6 37,6 as 249,9 315,5 40,2 129,2 24,0 140,3 5,7 total. dos pretos & pardos. ✓ Causas externas: as pretas & pardas eram proporcionalmente Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD mais vitimadas de cinco a nove e de 10 a 14 anos de idade. Nas de- Nota: Outrasmulheres, as= comparações entre taxasMentaismortalidade das Sistema Nervoso; faixas e no Anexos; Doenças do Ouvidorazões Mastóide; Doenças da Pele e dodas brancas Nas Causas de Mortalidade Doenças do Sangue e Associados; Transtornos de e Comportamentais; Doenças do mais Doenças dos Olhos e somatório, as e da Apófise de mortalidade Tecido Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. brancas eDoenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças perfil (vide tabela 3.2). etárias compreendidassuperiores.computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções originadas no período perinatal. Subcutâneo, pretas & pardas revelam o seguinte do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas eram na tabela não foram Tabela 3.2 -Tabela 3.2 - Razão de mortalidade da população residenteanos de idade, porde idade, por faixas etárias selecionadas, do sexo feminino, segundo osou raça (branca e preta & parda) e Razão de mortalidade da população residente acima cinco acima cinco anos faixas etárias selecionadas, do sexo feminino, segundo os grupos de cor grupos de cor ou raça (branca e preta &acordo com grupos selecionados do Código InternacionalInternacional de Doenças (CID10),(por 1002005 (por 100 mil habitantes) de parda) e de acordo com grupos selecionados do Código de Doenças (CID10); Brasil, 2005 Brasil, mil habitantes). 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos Cor ou Raça Causa de Mortalidade 5 a 9 anos Total anos anos anos anos anos ou mais Doenças do Aparelho Circulatório. 0,7 1,5 1,6 3,3 13,7 101,8 1.168,4 178,9 Neoplasias. 4,2 4,1 5,4 6,4 21,1 113,2 477,4 96,6 Doenças do Aparelho Respiratório. 2,0 2,0 2,6 3,3 4,8 23,8 420,0 61,7 Doenças do Aparelho Digestivo. 0,6 0,6 1,1 1,4 4,0 17,5 140,1 23,6 Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 0,4 0,7 1,2 1,4 2,9 21,7 232,8 36,3 Brancas Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 1,3 1,2 1,0 0,8 0,5 0,9 1,3 0,9 Doenças Infecciosas e Parasitárias. 2,0 1,5 1,8 3,0 11,1 17,3 92,5 19,8 Causas Mal Definidas. 1,3 1,6 1,8 2,8 5,7 22,0 252,5 39,9 Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 6,8 8,8 20,0 21,1 18,8 19,4 70,1 24,0 Outras Causas de Mortalidade. 4,0 3,8 5,6 7,6 9,8 18,1 203,7 35,1 Total 23,4 25,8 42,0 51,1 92,4 355,5 3.058,9 516,9 Doenças do Aparelho Circulatório. 1,0 1,6 2,2 4,3 16,3 113,0 831,6 103,5 Neoplasias. 2,6 2,5 3,2 3,8 15,1 80,5 264,4 46,0 Doenças do Aparelho Respiratório. 1,7 1,4 1,7 2,9 5,7 21,6 220,6 26,7 Doenças do Aparelho Digestivo. 0,6 0,5 1,2 1,4 4,9 18,6 82,0 13,0 Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 0,6 0,4 0,6 1,0 3,0 24,5 193,9 23,6 Pretas & Pardas Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 0,7 0,5 0,7 0,5 0,3 0,4 1,4 0,5 Doenças Infecciosas e Parasitárias. 1,9 1,5 1,8 3,9 12,9 20,3 74,7 15,5 Causas Mal Definidas. 2,2 1,9 2,8 4,4 10,2 38,8 375,2 45,7 Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 7,0 9,0 14,7 18,4 18,4 17,4 38,7 17,5 Outras Causas de Mortalidade 2,4 3,0 5,7 9,2 12,2 18,7 90,2 17,6 Total 20,7 22,2 34,6 49,7 99,0 353,8 2.172,6 309,6 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: Outras Causas de Mortalidade = Gravidez, Parto e Puerpério; Transtornos Doenças do Sangue e Associados; Doenças Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções originadas no período perinatal. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 45
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça 3.3. Idade Mediana dos Óbitos nas de mortes de pretos & pardos e brancos por causas externas: de 29 e 35 anos de idade, respectivamente. Já nas doenças do aparelho No gráfico 3.1, estão dispostas as idades medianas dos óbitos de circulatório, as idades de falecimentos eram mais avançadas, con- homens brancos e pretos & pardos, em todo o país, em 2005. Verifica- tudo, preservando a desigualdade de cor ou raça: 71 anos de idade, se que os pretos & pardos morriam mais cedo do que os brancos em entre os brancos, e 67, entre os pretos & pardos (gráfico 3.1). todas as causas de mortalidade. A mais precoce era a malformação congênita, respectivamente, aos 23 anos, entre os pretos & pardos, e O gráfico 3.2 mostra as idades medianas de morte das mu- aos 30, entre os brancos. Também era nessa causa a maior diferença lheres brancas e pretas & pardas, em todo o país, no mesmo ano. proporcional entre as idades medianas de falecimento (30,4%) dos Tal como entre os homens, em todas as causas de morte, a idade dois grupos. Por outro lado, a causa da qual morriam mais tarde era mediana das brancas era superior à das pretas & pardas. A cau- por doenças do aparelho respiratório: respectivamente, aos 70 e 75 sa que vitimava mais cedo as pretas & pardas era a malformação anos. A menor diferença relativa entre brancos e pretos & pardos nas congênita (mediana de 28 anos de idade) e mais tarde, as causas idades medianas de falecimento era nas doenças endócrinas, nutri- mal definidas e as doenças do aparelho respiratório (mediana de cionais e metabólicas, de 2,9% (gráfico 3.1). 74 anos de idade). As brancas também morriam mais cedo de mal- formação congênita (mediana de 34 anos de idade) e mais tarde, de Também chamam a atenção pela precocidade as idades media- doenças do aparelho respiratório (mediana de 79 anos de idade). As menores assimetrias relativas nas Gráfico 3.1 - Idade segundomediana dosda população(branca e preta & parda),deanos 2005 (em anos de masculino Gráfico 3.1 - Idade medianaos grupos deóbitos da população residente acima Brasil, de idade do sexo idade).masculino dos óbitos cor ou raça residente acima de cinco cinco anos de idade do sexo segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade) idades medianas de falecimento das mu- lheres brancas e pretas & pardas eram nas Causas Externas de Morbidade e Mortalidade 29 35 causas mal definidas (5,4%) e nas doenças Causas Mal Definidas 66 endócrinas, nutricionais e metabólicas 69 Doenças do Aaparelh Digestivo 54 (5,6%). As maiores, nas causas externas (38,2%). Nas mortes por doenças do apare- 60 67 Doenças do Aparelho Circulatório 70 71 lho circulatório, a idade mediana das bran- Doenças do Aparelho Respiratório 75 cas era de 77 e a das pretas & pardas, de 71 Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas 68 70 anos de idade (gráfico 3.2). 50 Doenças Infecciosas e Parasitárias 54 3.4. Composição das Causas Malformações Congênitas e Deformações 23 e Anomalias Cromossomiais 30 Neoplasias 65 67 de Mortalidade da População Outras Causas de Mortalidade 54 Brasileira 69 0 20 40 60 80 Brancos Pretos & Pardos Na população branca masculina, em Fonte: Datasus / Min. Saúde. 2005, a maior causa de morte era por doen- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. ças do aparelho circulatório, responsáveis por 29,3% do total de óbitos. A segunda e Gráfico 3.2 - Idade mediana dos óbitos da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo terceira eram as neoplasias, com 17,6%, e Gráfico 3.2 - Idade mediana dos óbitos da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade). as causas externas, com 15%. Decompon- Gráfico 3.2 -grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade)do sexo feminino segundo os Idade mediana dos óbitos da população residente acima de cinco anos de idade os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (em anos de idade). Causas Externas de Morbidade e Mortalidade 34 do o indicador por faixas etárias, vê-se que 47 34 as causas externas eram as principais res- Causas Externas deCausas Male Mortalidade Morbidade Definidas 74 47 78 ponsáveis por mortes de brancos de cinco a 40 anos de idade. Especificamente na faixa 64 74 Doenças do AaparelhMal Definidas Causas Digestivo 78 74 Doenças do Aaparelh Digestivo Doenças do Aparelho Circulatório 64 71 74 77 dos 18 aos 24 anos, as causas externas fo- Doenças do Aparelho Circulatório 71 74 ram responsáveis por 80,9% dos óbitos. A Doenças do Aparelho Respiratório 77 79 74 partir de 40 anos, as doenças do aparelho 71 circulatório e as neoplasias apareceram Doenças do Aparelho Respiratório Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas 75 79 Doenças Doenças Infecciosas e Parasitárias Endócrinas Nutricionais e Metabólicas 55 68 71 75 como as maiores causas (tabela 3.3). 28 55 Doenças Infecciosas e Parasitárias Malformações Congênitas e Deformações e Anomalias Cromossomiais 34 68 Malformações Congênitas e Deformações e Anomalias Cromossomiais 28 61 Entre os homens pretos & pardos, a Neoplasias maior mortalidade era por causas exter- 34 67 61 Neoplasias Outras Causas de Mortalidade 57 77 67 nas, que vitimaram um em cada quatro 0 Outras Causas de Mortalidade 20 40 60 57 80 77 100 dos que faleceram deste grupo de cor ou 0 20 Brancas 40 Pretas & Pardas 60 80 100 raça, em 2005. As doenças do aparelho Fonte: Datasus / Min. Saúde. Microdados SIM Brancas Pretas & Pardas circulatório e as causas mal definidas fo- Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: Datasus / Min. Saúde. Microdados SIM ram, respectivamente, a segunda e tercei- Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. 46 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Tabela 3.3 - Composição das causas de mortalidade da população residente acima cinco anos de idade do sexodo sexo masculino, por faixas etárias selecionadas e segundo os grupos de Tabela 3.3 - Composição das causas de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade masculino, por faixas etárias selecionadas, segundo os grupos de cor ou raça Tabela 3.3 - Composição dasraça brancamortalidade dae de acordocom grupos selecionados do Código idade Internacional de Doenças (CID10),2005selecionadas %). cor ou causas de preta & parda) população com os grupos selecionados dode Internacional de Doenças (CID10), Brasil, Brasil, 2005 (em e segundo os grupos de (branca e e preta & parda e acordo residente acima de cinco anos Código do sexo masculino, por faixas etárias (em %) cor ou raça branca e preta & parda e acordo com os grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10), Brasil, 2005 (em %). 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos Cor ou Raça Causa de Mortalidade 5 a 9 anos 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos Total Cor ou Raça Causa de Mortalidade 5 a 9 anos anos anos anos anos anos ou mais Total Doenças do Aparelho Circulatório. 3,7 anos 3,8 anos 2,7 anos 2,5 anos 8,7 anos 26,9 ou mais 35,8 29,3 Doenças do Aparelho Circulatório. Neoplasias. 3,7 17,2 3,8 13,1 2,7 6,4 2,5 4,0 8,7 6,7 26,9 19,5 35,8 19,5 29,3 17,6 Neoplasias. Aparelho Respiratório. Doenças do 17,2 6,5 13,1 5,1 6,4 4,0 4,0 2,1 6,7 3,6 19,5 6,0 19,5 14,7 17,6 10,9 Doenças do Aparelho Respiratório. Doenças do Aparelho Digestivo. 6,5 1,8 5,1 2,0 4,0 0,8 2,1 1,0 3,6 6,2 6,0 9,5 14,7 4,8 10,9 5,9 Doenças do AparelhoNutricionais e Metabólicas. Doenças Endócrinas Digestivo. 1,8 2,8 2,0 2,0 0,8 0,7 1,0 0,6 6,2 1,6 9,5 4,1 4,8 5,2 5,9 4,4 Brancos Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 2,8 5,7 2,0 2,5 0,7 1,0 0,6 0,4 1,6 0,3 4,1 0,1 5,2 0,0 4,4 0,1 Brancos Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. Doenças Infecciosas e Parasitárias. 5,7 6,7 2,5 3,5 1,0 1,8 0,4 2,3 0,3 9,5 0,1 5,9 0,0 2,7 0,1 4,1 Doenças Infecciosas e Parasitárias. Causas Mal Definidas. 6,7 5,0 3,5 4,3 1,8 3,5 2,3 2,8 9,5 5,8 5,9 7,6 2,7 8,0 4,1 7,4 Causas Mal Definidas. Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 5,0 36,7 4,3 51,9 3,5 74,4 2,8 80,9 5,8 52,6 7,6 15,4 8,0 3,7 7,4 15,0 Causas Externas Mortalidade. Outras Causas dede Morbidade e Mortalidade. 36,7 13,4 51,9 11,3 74,4 4,7 80,9 3,5 52,6 5,2 15,4 5,1 3,7 5,6 15,0 5,4 Outras Total Causas de Mortalidade. 13,4 100,0 11,3 100,0 4,7 100,0 3,5 100,0 5,2 100,0 5,1 100,0 5,6 100,0 5,4 100,0 Total Doenças do Aparelho Circulatório. 100,0 3,2 100,0 4,3 100,0 2,7 100,0 2,6 100,0 8,2 100,0 26,0 100,0 35,5 100,0 24,6 Doenças do Neoplasias. Aparelho Circulatório. 3,2 10,8 4,3 8,0 2,7 3,3 2,6 2,1 8,2 3,6 26,0 12,4 35,5 14,5 24,6 10,8 Neoplasias. Doenças do Aparelho Respiratório. 10,8 6,5 8,0 5,0 3,3 2,0 2,1 1,7 3,6 3,3 12,4 5,7 14,5 10,5 10,8 7,0 Doenças do Aparelho Respiratório. Doenças do Aparelho Digestivo. 6,5 2,2 5,0 1,8 2,0 0,8 1,7 1,2 3,3 5,6 5,7 9,2 10,5 4,7 7,0 5,7 Doenças do Aparelho Digestivo. Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 2,2 2,3 1,8 1,0 0,8 0,3 1,2 0,4 5,6 1,5 9,2 4,1 4,7 6,2 5,7 4,2 Pretos & Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 2,3 1,0 0,3 0,4 1,5 4,1 6,2 4,2 Pretos & Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 4,0 1,4 0,6 0,2 0,1 0,1 0,0 0,1 Pardos Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 4,0 1,4 0,6 0,2 0,1 0,1 0,0 0,1 Pardos Doenças Infecciosas e Parasitárias. 9,0 5,1 2,5 2,4 7,5 6,5 3,6 5,0 Doenças Infecciosas e Causas Mal Definidas. Parasitárias. 9,0 7,9 5,1 8,1 2,5 4,4 2,4 4,1 7,5 8,4 6,5 12,1 3,6 16,8 5,0 12,7 Causas Mal Definidas. Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 7,9 45,6 8,1 58,3 4,4 79,9 4,1 83,0 8,4 56,7 12,1 18,0 16,8 3,8 12,7 25,0 Causas Externas Mortalidade. Outras Causas dede Morbidade e Mortalidade. 45,6 8,4 58,3 7,0 79,9 3,6 83,0 2,3 56,7 5,1 18,0 5,9 3,8 4,4 25,0 4,8 Outras Total Causas de Mortalidade. 8,4 100,0 7,0 100,0 3,6 100,0 2,3 100,0 5,1 100,0 5,9 100,0 4,4 100,0 4,8 100,0 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Tabulações: Causas de Mortalidade = Desigualdades Raciais. Nota: Outras LAESER - Fichário das Doenças do Sangue e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do SangueTecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido àsdo Sistema Nervoso; Doenças na tabela nãoAnexos; Doenças doas causas da Apófisecapítulo algumas Afecções e do Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças faixas etárias compreendidas dos Olhos e foram computadas Ouvido e mortes do Mastóide; Doenças da Pele Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo algumas Afecções originadas no período perinatal. originadas no período perinatal. Tabela 3.4 - - Composiçãodas causas dede mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade feminino, por faixas etárias selecionadas, segundo e segundode cor ou raça Tabela 3.4 Composição das causas mortalidade da população residente acima cinco anos de idade do sexo do sexo feminino por faixas etárias selecionadas os grupos os grupos de Tabela 3.4 - Composição das causas depreta & parda) e de acordocom grupos selecionados do anos Código Internacional de Doenças (CID10),2005 (em %) (em e segundo os grupos de cor ou raça branca e preta & parda e acordo com os grupos selecionados do de idade do sexo feminino (CID10), Brasil, Brasil, 2005 (branca e mortalidade da população residente acima de cinco Código Internacional de Doenças por faixas etárias selecionadas %). cor ou raça branca e preta & parda e acordo com os grupos selecionados do Código Internacional de Doenças (CID10), Brasil, 2005 (em %). 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos Cor ou Raça Causa de Mortalidade 5 a 9 anos 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos Total Cor ou Raça Causa de Mortalidade 5 a 9 anos anos anos anos anos anos ou mais Total Doenças do Aparelho Circulatório. 3,0 anos 5,7 anos 3,9 anos 6,5 anos 14,8 anos 28,6 ou mais 38,2 34,6 Doenças do Aparelho Circulatório. Neoplasias. 3,0 18,0 5,7 15,9 3,9 13,0 6,5 12,4 14,8 22,8 28,6 31,9 38,2 15,6 34,6 18,7 Neoplasias. Aparelho Respiratório. Doenças do 18,0 8,5 15,9 7,7 13,0 6,1 12,4 6,4 22,8 5,2 31,9 6,7 15,6 13,7 18,7 11,9 Doenças do Aparelho Respiratório. Doenças do Aparelho Digestivo. 8,5 2,6 7,7 2,1 6,1 2,6 6,4 2,8 5,2 4,3 6,7 4,9 13,7 4,6 11,9 4,6 Doenças do AparelhoNutricionais e Metabólicas. Doenças Endócrinas Digestivo. 2,6 1,9 2,1 2,8 2,6 2,8 2,8 2,7 4,3 3,2 4,9 6,1 4,6 7,6 4,6 7,0 Brancas Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 1,9 5,5 2,8 4,8 2,8 2,4 2,7 1,6 3,2 0,5 6,1 0,3 7,6 0,0 7,0 0,2 Brancas Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. Doenças Infecciosas e Parasitárias. 5,5 8,5 4,8 5,9 2,4 4,2 1,6 5,8 0,5 12,0 0,3 4,9 0,0 3,0 0,2 3,8 Doenças Infecciosas e Parasitárias. Causas Mal Definidas. 8,5 5,4 5,9 6,1 4,2 4,2 5,8 5,5 12,0 6,1 4,9 6,2 3,0 8,3 3,8 7,7 Causas Mal Definidas. Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 5,4 29,2 6,1 34,0 4,2 47,6 5,5 41,3 6,1 20,4 6,2 5,4 8,3 2,3 7,7 4,6 CausasCausas dede Morbidade e Mortalidade. Outras Externas Mortalidade. 29,2 17,1 34,0 14,6 47,6 13,3 41,3 14,9 20,4 10,6 5,4 5,1 2,3 6,7 4,6 6,8 Outras Causas de Mortalidade. Total 17,1 100,0 14,6 100,0 13,3 100,0 14,9 100,0 10,6 100,0 5,1 100,0 6,7 100,0 6,8 100,0 Total Doenças do Aparelho Circulatório. 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 5,0 7,3 6,4 8,6 16,5 31,9 38,3 33,4 Doenças do Aparelho Circulatório. Neoplasias. 5,0 12,5 7,3 11,1 6,4 9,3 8,6 7,7 16,5 15,3 31,9 22,8 38,3 12,2 33,4 14,9 Neoplasias. Aparelho Respiratório. Doenças do 12,5 8,2 11,1 6,3 9,3 5,0 7,7 5,9 15,3 5,7 22,8 6,1 12,2 10,2 14,9 8,6 Doenças do Aparelho Respiratório. Doenças do Aparelho Digestivo. 8,2 2,8 6,3 2,3 5,0 3,4 5,9 2,7 5,7 4,9 6,1 5,3 10,2 3,8 8,6 4,2 Doenças do AparelhoNutricionais e Metabólicas. Doenças Endócrinas Digestivo. 2,8 3,0 2,3 1,6 3,4 1,9 2,7 2,0 4,9 3,0 5,3 6,9 3,8 8,9 4,2 7,6 Pretas & Doenças Endócrinas Nutricionais e Metabólicas. 3,0 1,6 1,9 2,0 3,0 6,9 8,9 7,6 Pretas & Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 3,4 2,4 2,0 0,9 0,3 0,1 0,1 0,2 Pardas Malformações Congênitas, Deformidades e Anomalias Cromossômicas. 3,4 2,4 2,0 0,9 0,3 0,1 0,1 0,2 Pardas Doenças Infecciosas e Parasitárias. 9,1 6,7 5,1 7,9 13,0 5,8 3,4 5,0 Doenças Infecciosas e Parasitárias. Causas Mal Definidas. 9,1 10,6 6,7 8,3 5,1 8,0 7,9 8,8 13,0 10,3 5,8 11,0 3,4 17,3 5,0 14,8 Causas Mal Definidas. Causas Externas de Morbidade e Mortalidade. 10,6 33,8 8,3 40,5 8,0 42,5 8,8 37,0 10,3 18,6 11,0 4,9 17,3 1,8 14,8 5,7 CausasCausas dede Morbidade e Mortalidade. Outras Externas Mortalidade. 33,8 11,5 40,5 13,4 42,5 16,5 37,0 18,5 18,6 12,4 4,9 5,3 1,8 4,2 5,7 5,7 Outras Causas de Mortalidade. Total 11,5 100,0 13,4 100,0 16,5 100,0 18,5 100,0 12,4 100,0 5,3 100,0 4,2 100,0 5,7 100,0 Total da Saúde, microdados SIM. Fonte: Datasus / Ministério 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: Datasus / Ministério da das Desigualdades Raciais Tabulações LAESER: FichárioSaúde, microdados SIM. Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do Sangue e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças do Sistema Nervoso; Doenças dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e da Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do Nota: Outras Causas de Mortalidade = Doenças do SangueTecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido àsdo Sistema Nervoso; Doenças na Tabela não foram computadas as causasda Apófise Mastóide; Doenças da Pele e do Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e e Associados; Transtornos Mentais e Comportamentais; Doenças faixas etárias compreendidas dos Olhos e Anexos; Doenças do Ouvido e mortes do capítulo Algumas Afecções Tecido Subcutâneo, Doenças do Sistema Osteomuscular e Tecido Conjuntivo e Doenças do Aparelho Geniturinário. Devido às faixas etárias compreendidas na Tabela não foram computadas as causas mortes do capítulo Algumas Afecções Originadas no Período Perinatal Originadas no Período Perinatal ra maiores causas. A decomposição desses indicadores por faixas Entre as mulheres brancas, a principal causa de morte foi etárias revela que, dos cinco aos 40 anos de idade, também foram por doenças do aparelho circulatório, com 34,6% do total de as causas externas as que mais mataram. Só na faixa de 18 a 24 óbitos. As segunda e terceira causas mais importantes foram, anos, concentraram 83% dos óbitos. A partir de 41 anos, as do- respectivamente, as neoplasias e as doenças do aparelho res- enças do aparelho circulatório tornavam-se a principal causa, as piratório. Decompondo esses indicadores por faixas de idade, causas externas caíam para segundo lugar e as neoplasias apare- de cinco a 24 anos, a principal razão das mortes eram as cau- ciam em terceiro, mantendo esta colocação na faixa superior aos sas externas, embora com menor intensidade do que entre os 60 anos de idade. Nesta última, as causas mal definidas reapare- homens brancos. De 25 a 59 anos, a maior mortalidade era por ciam em segundo (tabela 3.3). neoplasias. As doenças do aparelho circulatório apareciam Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 47
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça como a causa mais importante a partir dos 60 anos de idade 3.5. Análise de Causas (tabela 3.4). de Mortalidade Selecionadas A maior causa de mortalidade entre mulheres pretas & Nesta seção, serão analisadas de forma mais aprofundada algu- pardas, em 2005, foi por doenças do aparelho circulatório. As mas causas específicas de mortalidade presentes na base de dados do segunda e terceira causas mais importantes eram as neopla- SIM e incluídas nos grandes grupos do Código Internacional de Doen- sias e as causas mal definidas. Por faixas etárias, de cinco ças (CID), de 1999 a 2005. Em alguns casos, quando o percentual de a 40 anos foram as causas externas. A partir dos 41 anos de óbitos sem notificação de cor ou raça foi considerado elevado, os co- idade, passaram a ser as doenças do aparelho circulatório. De mentários vão se iniciar no ano 2000. As causas de mortalidade foram qualquer maneira, em todas as faixas, as causas mal defini- escolhidas pela sua relevância social e cultural na sociedade brasileira das também se destacavam (tabela 3.4). atual, não sendo, portanto, aquelas que, necessariamente, mais afli- gem a população e seus respectivos grupos de cor ou raça e sexo. Na comparação, constata-se que, em 2005, em todo o país, a maior causa de morte de homens e mulheres brancas e de mu- 3.5.1. Doenças do Aparelho Circulatório lheres pretas & pardas foi por doenças do aparelho circulatório. Já entre os homens pretos & pardos, foram as causas externas. Conforme já observado, a taxa de mortalidade por 100 mil ha- Proporcionalmente, as mortes por causas mal definidas tive- bitantes por doenças do aparelho circulatório das pessoas brancas ram muito mais presença entre homens e mulheres pretos & era superior à das pessoas pretas & pardas. A decomposição dessa pardos do que entre brancos dos respectivos grupos de sexo. Na causa por subgrupos – hipertensão, doenças do coração e doenças verdade, como é uma falsa causa, pelos motivos já apontados, cerebrovasculares –, revela a manutenção de diferenças, com os essa desigualdade dificulta ainda mais a análise dos verdadei- brancos de ambos os sexos apresentando mortalidade mais eleva- ros fatores de mortalidade no contingente preto & pardo. da que os pretos & pardos. Tabela 3.5 - Razão de mortalidade por doenças selecionadas do aparelho circulatório da população residente acima de cinco- Razão de mortalidade por doenças selecionadas do aparelho circulatório da população residente acima de cincosexo, Brasil, 2005 Tabela 3.5 anos de idade segundo os grupos de de cor ou raça (branca e preta & parda) e anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & habitantes) . 2005 (por 100 mil habitantes) (por 100 mil parda) e sexo, Brasil, Homens Tabela 3.5 - Razão de mortalidade por doenças selecionadas do aparelho circulatório da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de de cor ou raça (branca e preta & Pretos & Pardos Brancos parda) e sexo, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) . Ano Doenças do Doenças Doenças do Doenças Hipertensão Homens Hipertensão Coração Cerebrovasculares Coração Cerebrovasculares Brancos Pretos & Pardos 1999 11,2 103,8 60,2 9,2 47,0 32,3 Ano Doenças do Doenças Doenças do Doenças 2000 Hipertensão 13,7 114,9 66,5 Hipertensão 11,3 54,7 Cerebrovasculares 39,0 Coração Cerebrovasculares Coração 2001 1999 14,4 11,2 117,8 103,8 70,4 60,2 9,2 12,4 47,0 57,4 32,3 40,9 2002 2000 15,0 13,7 116,6 114,9 69,4 66,5 11,3 12,7 54,7 60,2 39,0 42,4 2001 2003 14,4 16,6 117,8 121,3 70,4 71,7 12,4 14,0 57,4 61,5 40,9 43,7 2002 2004 15,0 17,7 116,6 120,3 69,4 70,4 12,7 15,2 60,2 64,0 42,4 42,8 2003 16,6 121,3 71,7 14,0 61,5 43,7 2005 18,7 118,2 67,9 16,7 61,4 42,6 2004 17,7 120,3 70,4 15,2 64,0 42,8 2005 18,7 118,2 67,9 Mulheres 16,7 61,4 42,6 Brancas Mulheres Pretas & Pardas Ano Doenças do Doenças Doenças do Doenças Hipertensão Brancas Hipertensão Pretas & Pardas Ano Coração Cerebrovasculares Coração Cerebrovasculares Doenças do Doenças Doenças do Doenças Hipertensão Hipertensão 1999 12,8 80,9 Coração 51,4 Cerebrovasculares 10,0 Coração35,4 Cerebrovasculares 30,0 1999 2000 12,8 14,9 80,9 89,2 51,4 58,2 10,0 12,6 35,4 41,4 30,0 36,7 2000 2001 14,9 15,6 89,2 90,5 58,2 59,4 12,6 12,8 41,4 42,0 36,7 36,6 2001 15,6 90,5 59,4 12,8 42,0 36,6 2002 16,0 92,4 60,0 14,1 44,7 38,7 2002 16,0 92,4 60,0 14,1 44,7 38,7 2003 17,5 93,4 61,2 15,0 45,3 39,6 2003 17,5 93,4 61,2 15,0 45,3 39,6 2004 18,9 93,5 61,4 15,7 46,0 38,6 2004 18,9 93,5 61,4 15,7 46,0 38,6 2005 2005 20,2 20,2 91,7 91,7 61,4 61,4 17,1 17,1 45,1 45,1 39,0 39,0 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 48 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Em 2005, as razões de mortalidade dos homens brancos, nos ram em acidentes de transporte, 22,2% por outras causas, 5,4% três subgrupos, eram superiores às dos pretos & pardos em, res- se suicidaram e 1,8% perderam a vida em acidentes de trabalho pectivamente: 12,5%, 92,6% e 59,3%. Por outro lado, quando se (gráficos 3.3 e 3.4). analisa a evolução dessa forma de mortalidade, percebe-se que, de 2000 a 2005, ela cresceu mais entre os pretos & pardos do que entre Entre as mulheres brancas mortas por causas externas, no mes- os brancos (tabela 3.5). mo ano, 41% foram vitimadas por outras causas não naturais, 34,6% em acidentes de transporte, 14,4% assassinadas, 9,3% se suicidaram Assim, nesse período, a mortalidade dos pretos & pardos e 0,7% em acidentes de trabalho. Entre as pretas & pardas, 33,4% por hipertensão cresceu 81,6%, ao passo que, entre os brancos, morreram por outras causas não naturais, 31,8% em acidentes de 67,8%. No caso das doenças do coração, a mortalidade de pretos transportes, 25,3% assassinadas, 9% se suicidaram e 0,5% em aci- & pardos aumentou 30,5% e a dos brancos, 13,9%. Finalmente, de idadedentesmasculino de cor ou raça branca, Brasil, 20053.6). de trabalho (gráficos 3.5 e (em %). Gráfico 3.3 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco anos do sexo nas doenças cerebrovasculares, a dos pre- Gráfico 3.3 - -Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco Gráfico 3.3 Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco tos & pardos subiu 32,1% e a dos brancos, anos de idade do sexo masculino de cor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %). anos de idade do sexo masculino de cor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %). Gráfico 3.3 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente 12,9% (tabela 3.5). Gráfico 3.3 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco acima de anos de idade do sexo masculino de cor ou raçacor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %) cinco anos de idade do sexo masculino de branca, Brasil, 2005 (em %). 0,0% 8,6% 27,6% Overdose de drogas Entre as mulheres, em 2005, a mortali- 0,0% 0,0% 8,6% 8,6% 28,1% 27,6% 27,6% Suicídios Homicídios dade por hipertensão, doenças do coração e 27,6% 0,0% 8,6% 28,1% 28,1% Acidente de Transporte Overdose de drogas Overdose de drogas Acidente de Trabalho Suicídios Suicídios doenças cerebrovasculares das brancas era 28,1% OutraHomicídios Homicídios Overdose de drogas Acidente de Transporte Acidente de Transporte superior à das pretas & pardas em, respecti- 2,9% Suicídios Acidente de Trabalho Acidente de Trabalho Homicídios Outra Outra vamente, 18,4%, 103,3% e 57,4%. 2,9% 2,9% 32,7% Acidente de Transporte Acidente de Trabalho Outra 2,9% De 2000 a 2005, a mortalidade por Gráfico 3.4 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por32,7% Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. 32,7% causas externas da população residente acima de cinco anos de idade do sexo masculino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %). hipertensão das pretas & pardas cres- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 32,7% Gráfico 3.4 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco ceu mais (70,1%) do que a das brancas Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. causas de mortalidade por raça preta & parda, Brasil, 2005 residente Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados de Gráfico 3.4 - Distribuiçãode idadeSIM. sexo masculino de cor ou causas externas da população (em %). anos relativa do acima de cinco Tabulações: LAESER -anos de das Desigualdades masculino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %). Tabulações: LAESER - Fichário idade do sexoRaciais. Fichário das Desigualdades Raciais. (58,1%). Nas demais causas por doenças Gráfico 3.4 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco anos de idade do sexo masculino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %) Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. 5,4% 0,1% Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. do aparelho circulatório, as das pretas & 22,2% Overdose de drogas pardas igualmente aumentaram em pro- 1,8% 22,2% 0,1% 0,1% 5,4% 5,4% Suicídios Homicídios porção maior. No período, entre as pretas 22,2% 46,3% Acidente de Transporte drogas Overdose de AcidenteOverdose de drogas de Trabalho Suicídios & pardas, a mortalidade por doenças do 1,8% 1,8% Outra Suicídios Homicídios Homicídiosde Transporte Acidente 46,3% coração se elevou em 27,3%, enquanto en- 46,3% Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de de Trabalho Acidente cinco Outra Acidente de Trabalho Acidente de Transporte anos de idade do sexo feminino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %). tre as brancas, em 13,4%. Já por doenças 24,2% Outra cerebrovasculares, aumentou 30%, entre 24,2% as pretas & pardas e em 19,4% , entre as 24,2% Gráfico 3.6 3.6 -Saúde, microdados SIM. de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cincode cinco Fonte: Datasus - Min. Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima Gráfico / Distribuição relativa brancas (tabela 3.5). Tabulações: LAESER - Fichário anos de idade do sexo feminino de cor ou raça & parda, parda, Brasil, 2005 (em %). anos de idade do Raciais. feminino de cor ou raça preta preta & Brasil, 2005 (em %). das Desigualdades sexo 0,1% 8,9% Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Gráfico 3.5 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. 33,4% 3.5.2. Composição das Causas Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 25,3% acima de cinco anos de idade do sexo feminino de cor ou raça branca, Brasil, 2005 (em %) Overdose de drogas Externas de Mortalidade 0,1% 0,1% 8,9% Suicídios Homicídios 8,9% Acidente de Transporte 33,4% Acidente de Trabalho 33,4% 25,3% No Brasil, em 2005, 121.509 pessoas 0,5% 25,3% Outra Overdose de drogas Overdose de drogas Suicídios morreram por causas não naturais. Destas, 31,8% Homicídios Suicídios Homicídios Acidente de Transporte 48,8% eram pretas & pardas e 44,4% eram Acidente de Trabalho Transporte Acidente de Acidente de Trabalho Outra brancas. A decomposição desses mesmos 0,5% Outra 0,5% dados por sexo e subgrupos de causas de Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidade 31,8% por causas externas da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino de cor ou raça31,8% & parda, Brasil, 2005 (em %). preta mortalidade externas revelam importan- Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. Tabulações: LAESER - Ficháriorelativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente acima de cinco Gráfico 3.6 - Distribuição das Desigualdades Raciais. tes diferenças entre os grupos. Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidaderaça causas externas da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino de cor ou por preta & parda, Brasil, 2005 (em %). anos de idade do sexo feminino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %). Gráfico 3.6 - Distribuição relativa de causas de mortalidade por causas externas da população residente Dos homens brancos que morreram Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. acima de cinco anos de idade do sexo feminino de cor ou raça preta & parda, Brasil, 2005 (em %) Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. 0,1% 8,9% por causas externas, em 2005, 32,7% fo- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 33,4% 0,1% 25,3% 8,9% ram em acidentes de transporte, 28,1% 0,1% 8,9% Overdose de drogas Suicídios Homicídios assassinados, 27,6% vitimados por outras 33,4% 33,4% 25,3% 25,3% Acidente de Transporte Overdose de drogas Overdose de drogas Acidente de Trabalho Suicídios causas não naturais (afogamentos, enve- Suicídios Outra Homicídios Homicídios Acidente de Transporte nenamentos, quedas, queimaduras etc.), Acidente de Transporte Acidente de Trabalho Acidente de Trabalho 0,5% Outra Outra 8,6% se suicidaram e 2,9% morreram em 31,8% acidentes de trabalho. No caso do contin- 0,5%0,5% gente do sexo masculino preto & pardo: Fonte: Datasus /Min. Saúde, microdados SIM. 31,8% 31,8% 46,3% foram assassinados, 24,2% morre- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: Datasus Saúde, microdados SIM. Fonte: Datasus /Min. /Min. Saúde, microdados SIM. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 49
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça 3.5.3. Homicídios ano, 1.646 por mês, 55 por dia e 2,29 por hora. Entre os pretos & pardos, 28.771 por ano, 2.398 por mês, 80 por dia e 3,33 por hora (gráfico 3.7). O gráfico 3.7 mostra a evolução do número de homicídios em todo o país, de 1999 a 2005. Nesse intervalo, o total de assassinatos As diferenças na mortalidade por homicídios se expressam nas ta- passou de 40.849 para 45.682, aumentando 11,8%. Quando decom- xas dos diferentes grupos. Assim, de 1999 a 2005, a razão de mortalidade posto por grupos de cor ou raça, o total de vítimas pretas & pardas por 100 mil habitantes entre os homens pretos & pardos passou de 51,93, cresceu de 18.783 para 27.483, um salto de 46,3%. Já no contingen- para 61,48, aumentando 18,4%. Entre os brancos, de 35,83, em 1999, te de cor ou raça branca, o número total de pessoas vitimadas por para 33,82, em 2005, diminuindo 5,6%. Nas mulheres, a mortalidade homicídios passou de 15.175, em 1999, para 15.183, em 2005, assim era nitidamente menor nos dois grupos de cor ou raça. Entre as pretas tendo crescido de forma mais modesta: 0,1%. Por outro ângulo, o & pardas, porém, a taxa aumentou mais, de 3,96, em 1999, para 4,43, peso relativo dos pretos & pardos no total de homicídios no país 2005, tendo crescido, portanto, 11,9%, No caso das mulheres brancas a passou de 46%, em 1999, para 60,2%, em 2005. razão de mortalidade por 100 mil habitantes passou de 3,29, em 1999, para 3,45, em 2005, tendo, deste modo, crescido em 4,9%. No período, foram registrados 317.587 homicídios em todo o Brasil. Desagregando por grupos de cor ou raça, verifica-se que 118.536 vítimas Por outro lado, de 2003 a 2005, as razões de mortalidade por 100 eram brancas (37,3%) e 172.626 pretas & pardas (54,3%). Em média, fo- mil habitantes declinaram em todos os grupos de cor ou raça e sexo. ram cometidos 52.931 assassinatos por ano, 4.411 por mês, 147 por dia e Porém, mais uma vez, essa queda foi maior entre os homens brancos 6,13 pessoas por hora. No contingente branco, foram 19.756 vítimas por do que entre os pretos & pardos (de, respectivamente, 19,2% e 9,6%) Gráfico 3.7 - População residente acima de cinco anos de idade vítimas de homicídios segundo os grupos de cor ou raça (branca e preto & parda), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) e foi maior, também, entre as mulheres brancas do que entre as pretas & par- 60.000 Gráfico 3.7 - 3.7 - População residente acima de cinco anos de idade vítimas de homicídios segundo os grupos de cor ou Gráfico População residente acima de cinco anos de idade vítimas de homicídios segundo os grupos de cor ou raça (branca e pretapreto & parda), Brasil, 1999-2005 número de pessoas) raça (branca e & parda), Brasil, 1999-2005 (em (em número de pessoas) das (de 8,7% e 4,5%) (gráfico 3.8). 48.764 45.682 60.000 40.849 Na evolução das desigualdades en- 48.764 45.682 40.000 tre os grupos de cor ou raça, de 1999 a 40.849 27.242 27.483 2005, as diferenças entre as taxas de 40.000 18.783 mortalidade por homicídio de pretos & 20.000 27.242 27.483 pardos e de brancos ficaram maiores. 15.175 18.783 18.163 15.183 Passaram de 44,9% para 81,8%, entre 20.000 os homens, e de 20,4% para 28,4%, en- 0 15.175 18.163 15.183 tre as mulheres (gráfico 3.8). 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 0 Da análise da tabela 3.6, que apre- 1999 2000 Brancos 2001 Pretos & 2002 Pardos Total 2003 2004 2005 senta as taxas de mortalidade segun- do as formas de homicídio, constata- Brancos Pretos & Pardos Total se que as maiores diferenças entre Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. pretos & pardos e brancos ocorreram nos assassinatos com armas brancas, Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. como facas, peixeiras e canivetes, entre outras. Mas, a maior parte dos Gráfico 3.8 - Razão - Razão de mortalidade da população residente acimacinco anos de idade por homicídio segundo os Gráfico 3.8 de mortalidade da população residente acima de de cinco anos de idade por homicídio segundo os grupos de cor ou raçaraça (branca e pretaparda), Brasil, 1999-2005 (por 100 mil100 mil habitantes) grupos de cor ou (branca e preta & & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por habitantes) assassinatos foi cometida com armas 80 de fogo. Assim, em 2005, a respectiva taxa de mortalidade de homens pretos 70 67,64 61,48 & pardos por homicídios por armas de 60 fogo foi de 45 por 100 mil habitantes o 51,93 50 que correspondeu a 73,2% do total de 41,88 40 pessoas assassinadas deste grupo de 30 35,83 33,82 cor ou raça e sexo naquele ano. Já en- tre os brancos, a razão de homicídios 20 por armas de fogo foi de 24,21 (71,6% 10 3,96 4,57 4,43 do total de homicídios). No caso das 0 3,29 1999 2000 2001 3,71 2002 2003 2004 3,45 2005 mulheres, as taxas de mortalidade por homicídios por armas de fogo Homens Brancos foi de 2,45, entre as pretas & pardas Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Homens Pretos & Pardos (55,3% do total de homicídios), e de 1,77, entre as brancas (51,4% do total Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas de homicídios). 50 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Tabela 3.6 - Razão de mortalidade por formas especificadas de homicídio da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) . Tabela 3.6 - Razão de mortalidade por formas especificadas de homicídio da população residente acima de cinco anos de Tabela 3.6 - Razão de mortalidade por formas especificadas deHomens da população residente acima de cinco anos de idade segundo homicídio idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) . os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) Brancos Pretos & Pardos Homens Ano Homicídios por Homicídios por Outras Formas de Homicídios por Homicídios por Brancos Pretos & Pardos Outras Formas de Arma de Fogo Arma Branca Homicídios Arma de Fogo Arma Branca Homicídios Ano Homicídios por Homicídios por Outras Formas de Homicídios por Homicídios por Outras Formas de 1999 22,0Fogo Arma de 3,5 Arma Branca 10,4 Homicídios Arma de 33,3Fogo 6,0 Arma Branca 12,6 Homicídios 2000 1999 27,2 22,0 3,9 3,5 8,4 10,4 42,6 33,3 7,5 6,0 9,9 12,6 2001 2000 29,7 27,2 4,8 3,9 7,5 8,4 46,6 42,6 8,8 7,5 8,9 9,9 2002 2001 29,0 29,7 4,7 4,8 8,1 7,5 48,4 46,6 9,4 8,8 9,9 8,9 2003 2002 30,4 29,0 4,6 4,7 6,9 8,1 49,9 48,4 9,2 9,4 9,0 9,9 2004 2003 26,4 30,4 4,5 4,6 5,8 6,9 46,1 49,9 8,7 9,2 7,9 9,0 2005 2004 24,2 26,4 4,6 4,5 5,0 5,8 45,0 46,1 9,4 8,7 7,1 7,9 2005 24,2 4,6 5,0 45,0 9,4 7,1 Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas Ano Homicídios por Brancas Homicídios por Outras Formas de Homicídios por Pretas & Pardas Outras Formas de Homicídios por Ano Arma de Fogo Homicídios por Arma Branca Homicídios por Homicídios Outras Formas de Arma de Fogo Homicídios por Arma Branca Homicídios por Homicídios Outras Formas de Arma de Fogo Arma Branca Homicídios Arma de Fogo Arma Branca Homicídios 1999 1,7 0,5 1,1 2,0 0,8 1,2 1999 2000 1,7 2,1 0,5 0,7 1,1 1,0 2,0 2,6 0,8 0,9 1,2 1,1 2000 2001 2,1 2,0 0,7 0,7 1,0 1,0 2,6 2,6 0,9 1,1 1,1 1,0 2001 2,0 0,7 1,0 2,6 1,1 1,0 2002 2,0 0,7 1,0 2,5 1,0 1,1 2002 2,0 0,7 1,0 2,5 1,0 1,1 2003 2,1 0,8 0,9 2,6 1,0 1,1 2003 2,1 0,8 0,9 2,6 1,0 1,1 2004 2,0 0,7 0,9 2,3 1,0 1,0 2004 2,0 0,7 0,9 2,3 1,0 1,0 2005 1,8 0,8 0,9 2,5 1,1 0,9 2005 1,8 0,8 0,9 2,5 1,1 0,9 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. microdados PNAD Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. De 1999 a 2003, as respectivas taxas de mortalidade por armas declínio da mortalidade, em 2005, a mesma taxa dos pretos & pardos de fogo cresceram em, praticamente, todos os grupos de cor ou raça (134,22) foi 101% maior que a dos brancos (66,78) (tabela 3.7). e sexo e, a partir de 2004, diminuiram. É plausível que essa queda re- lativa esteja associada às campanhas de desarmamento no período. No gráfico 3.9, podem ser vistas as taxas de mortalidade por Porém, de 2003 a 2005, essa redução foi maior entre os brancos de homicídio na população masculina branca, preta & parda, total e ambos os sexos (20,3%, entre os homens, e 14,9%, entre as mulhe- da faixa de idade de 18 a 24 anos, nas regiões geográficas, em 2005. res) do que entre os pretos & pardos (9,8%, entre os homens, e 5,4%, Tanto no total como nos jovens, entre os pretos & pardos as maio- entre as mulheres) (tabela 3.6). Gráfico 3.9 - Razão de mortalidade da população masculina residente acima de cinco acimacinco anos e dee18 aidade por homicídio Gráfico 3.9 Razão de de mortalidade da população masculina residente anos ede cinco anos de 18 a 24 anos de idade Gráfico 3.9 Razão mortalidade da população masculina residente acima de de 18 a 24 anos de 24 anos de idade A tabela 3.7 mostra a evolução, de segundo os grupos de cor ou segundo os grupos de parda),raça (branca e preta &Brasil, 2005 geográficas, habitantes) por homicídio segundo os grupos de corcor raça (brancageográficas, parda), regiões geográficas, Brasil, 2005 por homicídio raça (branca e preta & ou ou regiões e preta & parda), regiões (por 100 mil Brasil, 2005 (por 100100 mil habitantes ). (por mil habitantes ). 1999 a 2005, das taxas de mortalidade por 100 mil habitantes dos homens 100 100 brancos e pretos & pardos, por faixas 90,190,1 etárias. Observa-se que a faixa etária 8080 77,3 77,3 com maior intensidade de homicídios foi a de 18 a 24 anos, em todos os anos e 6060 60,7 60,7 60,6 60,6 60,4 60,4 nos dois grupos de cor ou raça. 46,3 46,3 39,039,0 38,2 38,2 35,2 35,2 36,3 36,3 Em todo o período e em pratica- 4040 29,1 mente todas as faixas etárias, as taxas 30,4 30,4 29,1 23,8 23,8 23,8 23,8 19,5 19,5 21,0 21,0 de mortalidade por homicídio dos 2020 15,4 15,4 16,2 16,2 18,3 18,3 pretos & pardos foram superiores às 8,6 8,6 dos brancos. Assim, mais uma vez, fo- 0 0 calizando o contingente jovem, de 18 Norte Norte Nordeste Nordeste Sudeste Sudeste Sul Sul Centro Oeste Oeste Centro a 24 anos, em 2003, entre os pretos & 18 a 24 anos Brancos 18 a 24 anos Brancos 18 a 24 anos Pretos & Pardos 18 a 24 anos Pretos & Pardos Total Total Brancos Total Pretos & Pardos Brancos Total Pretos & Pardos pardos a mortalidade chegou a 151,55 por 100 mil habitantes, 75% maior que Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. a dos brancos, de 86,63. Mesmo com o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 51
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Tabela 3.7 - Razão de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade do sexo masculino Tabela 3.7 - Razão de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade do sexo masculino segundo segundo os grupos de corcor ou raça (branca e preta & parda), parda), Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) . os grupos de ou raça (branca e preta & Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) Brancos Anos 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 5 a 9 anos 0,5 0,7 0,4 0,6 0,7 0,6 0,4 10 a 14 anos 3,1 3,3 3,4 3,4 2,9 2,7 2,4 15 a 17 anos 31,7 38,3 39,6 43,6 44,2 37,3 37,9 18 a 24 anos 73,9 79,2 84,8 87,8 86,6 78,1 66,8 25 a 40 anos 57,5 61,4 65,7 63,9 65,4 56,6 52,3 41 a 59 anos 29,0 31,7 33,7 33,4 31,0 28,6 27,2 60 anos ou mais 13,1 15,6 16,2 15,9 17,1 15,2 15,1 Pretos & Pardos Anos 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 5 a 9 anos 0,7 0,6 0,9 0,8 0,5 0,8 0,7 10 a 14 anos 3,6 5,1 5,2 6,0 5,8 5,2 5,6 15 a 17 anos 49,4 62,4 66,4 72,5 70,7 70,0 73,5 18 a 24 anos 113,6 133,2 142,8 149,1 151,6 140,3 134,2 25 a 40 anos 87,0 90,4 99,8 106,2 105,8 97,9 95,5 41 a 59 anos 35,8 41,4 44,3 42,5 44,8 39,7 39,9 60 anos ou mais 14,6 16,5 16,4 18,2 18,4 17,7 17,5 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. res taxas de mortalidade ocorreram no Sudeste e as menores, no pos de cor ou raça aconteceu no Nordeste, onde a dos pretos & pardos Sul. Já entre os brancos, as menores e maiores taxas de homicídios foi 273,8% superior à dos brancos. A menor foi no Sul, de 30,3%. Consi- por 100 mil habitantes ocorreram, respectivamente, no Nordeste e derando-se todas as faixas, a maior diferença ocorreu mais uma vez no no Sul (gráfico 3.9). Nordeste, onde a razão de mortalidade por 100 mil habitantes por ho- micídios de pretos & pardos era 237,4% superior à de brancos. Também Na faixa de 18 a 24 anos, a maior diferença entre as taxas dos gru- no Sul foi verificada a menor diferença relativa: 13,2% (gráfico 3.9). Mapa 3.1. Razão de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), unidades da federação, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) Mapa 3.1. Razão de mortalidade por homicídio de mortalidade por homicídio da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos Mapa 3.1. Razão da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & Razão de unidades da federação, parda), unidades damil habitantes)de cinco anos de idade segundo os grupos Mapade cor ou raça (branca e homicídio Brasil, 2005 masculina residente acima 3.1 - parda), mortalidade por preta & da população (por 100 federação, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) de cor ou raça (branca e preta & parda), unidades da federação, Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos Fonte: DATASUS, microdados do SIM. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: DATASUS, microdados do SIM. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: DATASUS, microdados do SIM. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 52 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça 3.5.4. Acidentes Gráfico 3.10 - Razão-de mortalidade da população população residente acima de cinco segundo idade segundo ou Gráfico 3.10 Razão de mortalidade da residente acima de cinco anos de idade anos de os grupos de cor de Transporte os grupos de cor ou(branca e preta e preta & parda) porde transporte, transporte, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes) raça raça (branca & parda) por acidente acidente de Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes). 18 Esses acidentes constituem uma das principais causas de mor- 15,29 15,76 16 14,7 14,86 14,5 te da população brasileira. Em 14 13,14 13,91 13,86 13,76 14,16 12,87 2005, por exemplo, 34.212 pessoas 12 11,66 12,55 12,63 morreram nesse tipo de ocorrência. O gráfico 3.10 revela que, em todo 10 o período, com exceção de 1999, as 8 razões de mortalidade por 100 mil 6 habitantes das pessoas brancas 4 por acidentes de transporte foram superiores às das pretas & pardas, 2 sendo tal diferença, naquele últi- 0 mo ano, de 8,7%. Todavia, quando 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 os dados se referem à morte por Brancos Pretos & Pardos Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD atropelamento, a taxa dos pretos Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. & pardos foi maior do que a dos brancos, em todos os anos. Assim, Gráfico 3.11 - Razão de-mortalidade da populaçãoda população residente acima de cinco anos de idade segundo Gráfico 3.11 Razão de mortalidade residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou os grupos de-cor(branca mortalidade da população residente Brasil, 1999-2005 (por de1999-2005 (poros grupos de cor ou Gráfico 3.11 Razão raça (brancaparda) por atropelamento, acima de cinco Brasil, idadehabitantes). raça ou de e preta & e preta & parda) por atropelamento, anos 100 mil segundo 100 mil habitantes) especificamente em 2005, a dife- 18 raça (branca e preta & parda) por atropelamento, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes). rença era de 9,3% (gráfico 3.11). 18 16 16 A decomposição da razão de 14 mortalidade por 100 mil habitantes 12 14 por atropelamento, pelos grupos de 12 cor ou raça e faixas etárias, revela 10 10 que em todas, menos na de mais de 8 60 anos, os indicadores de pretos 8 6,02 5,14 5,56 5,54 5,35 6 5,5 5,2 & pardos eram superiores aos dos 6,02 4,83 5,14 5,56 5,54 5,01 5,35 5,03 6 4,37 5,06 4,86 5,06 5,5 5,2 4,83 5,01 5,03 brancos. Assim, em 2005, conside- 4 4,37 5,06 4,86 5,06 4 rando-se as respectivas taxas, ocor- 2 reram as seguintes diferenças: 5,3% 2 0 na faixa de cinco a nove anos; 3,1% 0 1999 1999 2000 2000 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004 2005 2005 na faixa de 10 a 14 anos; 16,4% na de Brancos Brancos Pretos & Pardos Pretos & Pardos 15 a 17 anos; 32% na de 18 a 24 anos; Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 49% na de 25 a 40 anos; e 35,7% na Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. faixa etária de 41 a 59 anos. Somen- Gráfico 3.12 - Razão -de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo faixas etárias Gráfico 3.12 Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo faixas te na faixa de 60 anos ou mais é que etárias selecionadas e3.12grupos de cor de cor ou(branca pretae&preta & parda) deatropelamento,Brasil, 2005 (por 100 mil mil habitantes) Gráfico os - Razão de cor ou raça (branca e e pretaparda) por atropelamento, Brasil, 2005 (por2005mil habitantes). mortalidade da população residente acima por atropelamento, selecionadas e grupos selecionadas e grupos de ou raça raça (branca & parda) por cinco anos de idade segundo faixas etárias Brasil, 100 (por 100 habitantes). se inverteram as diferenças, com a 16 16 taxa dos brancos sendo 14,1% supe- 13,79 13,73 rior (gráfico 3.12). 13,79 13,73 11,85 12 11,85 12 3.5.5. Mortes por Suicídio e por Overdose de Drogas 8,13 8 8,13 7,44 8 7,44 De 1999 a 2005, houve mais sui- 5,78 5,99 cídios de pessoas brancas do que de 3,96 5,78 5,2 5,25,99 pretas & pardas e mais de homens do 4 4 2,43 3,96 3,78 3,78 3,88 3,88 2,5 2,49 2,45 que de mulheres. Assim, naquele úl- 2,38 2,31 2,43 3,0 2,38 2,5 2,26 2,31 2,24 2,49 2,45 2,14 3,0 2,26 2,24 2,14 timo ano, a taxa de mortalidade por 100 mil habitantes por suicídio era de 0 0 5 a 9 anos 5 a 9 anos 10 a 14 anos 10 a 14 anos 14 a 17 anos 14 a 17 anos 18 a 24 anos 18 a 24 anos 25 a 40 anos 25 a 40 anos 41 a 60 anos 41 a 60 anos 60 anos ou mais 60 anos ou mais 9,03, entre os homens brancos, de 6,13, Brancos Pretos & Pardos Total entre os pretos & pardos, de 2,22, entre Brancos Pretos & Pardos Total as mulheres brancas, e de 1,57, entre as Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. pretas & pardas (gráfico 3.13). Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 53
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Entretanto, no mesmo pe- Gráfico 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça ríodo, o número de suicídios Gráfico 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor Gráfico 3.13 - Razão dee preta & parda) populaçãosuicídio, Brasil, 1995-2000 (por 100 mil habitantes) os grupos de cor (branca mortalidade da e sexo por residente acima de cinco anos de idade segundo ou raça (branca e preta & parda) e sexo por suicídio, Brasil, 1995-2000 (por 100 mil habitantes). cometidos por pessoas pretas ou raça (branca e preta & parda) e sexo por suicídio, Brasil, 1995-2000 (por 100 mil habitantes). & pardas cresceu mais. Nas 10 10 9,27 respectivas taxas, houve uma 9,27 8,79 8,79 8,95 8,95 8,62 8,62 9,03 9,03 elevação de 11,5%, entre os ho- 8 8,10 8,10 mens brancos; de 27,4%, entre 8 7,29 7,29 os pretos & pardos; de 15,6%, 6,13 entre as mulheres brancas; 6 6 5,76 5,76 5,55 5,55 5,92 5,92 5,68 5,68 6,13 e de 33,1%, entre as pretas & 4,81 4,81 pardas. Em números de ocor- 4,28 4,28 4 rências, os aumentos foram 4 de: 29,8%, entre os homens brancos; 51,1%, entre as mu- 2 2 1,56 1,56 1,92 1,92 2,11 2,11 2,17 2,17 2,03 2,03 2,17 2,17 2,22 2,22 1,57 lheres brancas; 77,6%, entre 0,89 1,18 1,18 1,40 1,40 1,61 1,61 1,47 1,47 1,45 1,45 1,57 0,89 os homens pretos & pardos; e 118,9%, entre as mulheres 0 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 pretas & pardas (gráfico 3.14). Homens Brancos Homens Pretos & Pardos Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas Homens Brancos Homens Pretos & Pardos Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas Outro indicador interes- Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabluações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. sante de ser analisado com Tabluações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. maiores detalhes diz respeito às idades em que os suicí- dios ocorrem. Entre 1999 e Gráfico 3.14 - População residente acima de cinco anos de idade vítima de mortes por suicídio segundo os grupos de Gráfico 3.14 - População residente acima de cinco anos de idade vítima de mortes por suicídio segundo os grupos de cor ou raça cor ou raça (branco e preto & pardo) e sexo, Brasil, 1999-2005 2000, 70,4% das mulheres (branca e preta & parda) e sexo,(em número de pessoas) Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) pretas & pardas que come- 10.000 teram suicídio tinham até 40 anos de idade. A mes- 7.665 8.488 8.000 ma faixa etária concentrou 65,3% dos suicídios de 6.483 homens pretos & pardos, 6.000 50,3% dos de homens bran- cos e 53,2%, dos de mulhe- 4.000 3.491 3.644 res brancas (tabela 3.8). 2.807 2.555 2.000 1.439 1.989 O gráfico 3.15 mostra os 656 957 991 totais de registros no SIM, 0 302 581 661 em todo o país, de pesso- 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 as mortas por overdose de drogas, de 1999 a 2005. Na Homens Brancos Mulheres Brancas Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. verdade, tendo em vista a Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas gravidade, inclusive no pla- Total no legal, é de se esperar um Tabela 3.8 - Distribuição do número total de suicídios por faixas etárias selecionadas da população residente acima de cinco anos de idade segundo osde suicídios por faixas etárias selecionadas da população residente Tabela 3.8 - Distribuição do número total grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, média acima de cinco anos de idade1999-2005os grupos de cor ou raça (branca epor faixas etárias). do período segundo (em %, por freqüência acumulada preta & parda) e sexo, Brasil, média Tabela 3.8 - Distribuição do número total de suicídios por faixas etárias selecionadas da população residente acima de cindo anos de idade segundo os grupos de cor ou raça período 1999-2005 (em %, por freqüência acumulada por faixas etárias). do (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, média do período 1999-2005 (em %,porfreqüência acumulada por faixas etárias) 10 a 14 15 a 17 18 a 24 25 a 40 41 a 59 60 anos ou Cor ou Raça / Sexo 5 a 9 anos anos 10 a 14 anos 15 a 17 anos 18 a 24 anos 25 a 40 anos 41 a 59 mais 60 anos ou Cor ou Raça / Sexo 5 a 9 anos anos anos anos anos anos mais Homens Brancos 0,0 0,7 3,2 17,7 50,3 83,4 100,0 MulheresBrancos Homens Brancas 0,0 0,0 0,7 2,1 3,2 8,2 17,7 21,9 50,3 53,2 83,4 86,0 100,0 100,0 Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos 0,0 0,1 2,1 1,1 8,2 4,4 21,9 25,2 53,2 65,3 86,0 91,0 100,0 100,0 MulheresPretos & Pardos Homens Pretas & Pardas 0,1 0,0 1,1 4,0 4,4 13,1 25,2 34,9 65,3 70,4 91,0 93,4 100,0 100,0 Mulheres Pretas & Pardas 0,0 4,0 13,1 34,9 70,4 93,4 100,0 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 54 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Box 3.1. O drama do suicídio na população indígena. De 1999 a 2005, foram cometidos 509 assassinatos contra indígenas de ambos os sexos acima de cinco anos de idade, em todo o país. Destes, 38,5% foram com armas de fogo e 36,5% com armas brancas. No mesmo período, 400 indígenas de ambos os sexos se sui- cidaram, sendo esta causa de mortalidade especialmente impactante nestes grupos étnico-raciais. No período, na população branca, a razão entre o total de pessoas assassinadas e as que se suicídaram foi de 3,95, e, na população preta & parda, de 9,74. Entre os indígenas, para cada 1,25 pessoa assassinada, uma cometeu suicídio. A maior intensidade propor- Tabela 3.9 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade cional de suicídios entre os indíge- segundo os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda e indígena) por homicídio e suicídio, Tabela 3.9 - Razão de mortalidade da população residente acima de cindo anos de idade segundo os grupos nas também pode ser comprovada de cor ou raça (branca, pretaBrasil,e2001-2005 homicídio e suicídio, Brasil, 2001-2005 (por 100 mil habitantes) & parda indígena) por (por 100 mil habitantes). quando analisadas as suas taxas de Homicídios Suicídios ANO mortalidade por essa causa em Brancos Pretos & Pardos Indígenas Brancos Pretos & Pardos Indígenas comparação às dos demais con- 2001 21,9 34,3 32,8 5,5 3,6 22,5 tingentes de cor ou raça. Assim, 2002 21,8 36,0 23,1 5,3 3,6 22,1 de 2001 a 2005, as taxas dos indí- 2003 21,9 36,2 23,0 5,3 3,7 21,4 genas de ambos os sexos acima de 2004 19,3 33,3 20,7 5,2 3,6 23,8 cinco anos de idade permaneceu 2005 17,9 32,8 25,9 5,5 3,8 24,4 superior a 20 por 100 mil. Naque- le último ano, essa taxa foi 346,7% Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD superior à dos brancos e 536,8% à Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. dos pretos & pardos. Além disso, a taxa de mortalidade por homicídios dos indígenas era 44,9% superior à dos brancos, porém 20,9% inferior à dos pretos & pardos (tabela 3.9). Tal perfil sugere a existência de severas formas de desalento afetando as comunidades indígenas nas áreas rurais e urbanas, tornando-os bem mais suscetíveis à atitude extrema de pôr fim à própria vida. Gráfico 3.15 - População residente acima de cinco anos de idade morta de overdose segundo os grupos de cor ou raça razoável nível de subnotificação. De (branco e preto & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) Gráfico 3.15 - População residente acima de cinco anos de idade morta de overdose segundo os grupos de cor ou raça Gráfico 3.15 - População residente acima de cinco anos de idade morta de overdose segundo os grupos de cor ou raça qualquer maneira, oficialmente, 100 (branco e preto & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) (branca e preta & parda), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) os registros totalizaram quase 500 100 80 80 óbitos. Evidentemente, a razão de 80 80 80 mortalidade por 100 mil habitantes 80 51 por essa causa também era bastan- 60 te reduzida. Em 2005: 0,07, entre os 60 51 41 50 homens, e 0,02, entre as mulheres. 40 41 50 26 21 40 Entretanto, de 2000 a 2005, 20 21 33 26 houve um crescimento de 156,9% 19 33 20 no total de óbitos por overdose, 19 0 em todo o Brasil. Decomposto 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 pelos grupos de cor ou raça, ve- 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 rifica-se que, entre os brancos, o Brancos Pretos & Pardos Total aumento foi de 136,8% e, entre Brancos Pretos & Pardos Total os pretos & pardos, de 238,1%. Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Ou, em 2000, o peso relativo de Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. pretos & pardos no total de óbi- Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. tos por overdose era de 41,2% e, em 2005, passou a ser de 62,5% (gráfico 3.15). 1,69 entre as mulheres. Já na população branca, de 3,06, entre os homens (29,6% inferior do que a dos pretos & pardos), e de 1,00 3.5.6. Mortalidade por Tuberculose entre as mulheres (40,8% menor do que a das pretas & pardas). Em 2005, o peso relativo da tuberculose nas causas de mortalida- De 1999 a 2005, a tuberculose vitimou com maior freqüên- de por doenças infecciosas e parasitárias também era desigual: cia a população preta & parda do que a branca. Assim, naquele 10,3%, entre os homens brancos; 5%, entre as mulheres brancas; último ano, em todo o país, a razão de mortalidade por 100 mil 17,4%, entre os homens pretos & pardos; e 10,9%, entre as mu- habitantes dos pretos & pardos era de 4,35 entre os homens e de lheres pretas & pardas (tabela 3.10). Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 55
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça De 1999 a 2005, em todos os grupos de cor ou raça e sexo, hou- 3.5.8. Mortalidade por Algumas Doenças ve reduções nas respectivas razões de mortalidade por 100 mil Infecciosas e Parasitárias Típicas da Pobreza habitantes por tuberculose. Na população branca foi proporcional- mente mais significativa: 22,7%, entre os homens, e 16%, entre as Esta subseção focaliza o modo de distribuição por cor ou mulheres. Na preta & parda foi de 6%, entre os homens, e de 6,1%, raça e sexo de algumas causas de morte por doenças infecciosas entre as mulheres (tabela 3.10). e parasitárias, as quais sempre assolam a população mais pobre no Brasil. O período é 2005, cobrindo toda população acima de 3.5.7. Mortalidade por AIDS cinco anos de idade. O motivo de ser ter coletado somente infor- mações referentes a este ano é por que nos anteriores (1999-2004) Em 2005, na comparação entre os grupos de cor ou raça e o percentual de casos de óbitos por esse conjunto de causas com sexo, a razão de mortalidade por 100 mil habitantes por Síndro- a cor ou raça ignorada pareceu um tanto elevado. As enfermida- me de Imunodeficiência Adquirida (Aids) era proporcionalmen- des desagregadas são as seguintes: doenças e infecções intesti- te maior entre os homens brancos, com 9,7. Já entre os homens nais (total de 3.063 casos), leptospirose (335), hanseníase (230), pretos & pardos, foi de 7,02. Nas mulheres, era de 4,01, entre as tétano (128), difteria (quatro), dengue (46), febres virais (45), brancas, e de 3,92, entre as pretas & pardas. A AIDS é uma das hepatite viral (2.368), malária (94), leishmaniose (179), doença mais importantes causas de mortalidade no grupo das doenças de Chagas (4.914) e esquistossomose (512). O total de óbitos foi infecciosas e parasitárias. Em 2005, em todo o país, das pessoas de 11.924. Destes, 49,9% foram de pessoas brancas, 41% pessoas mortas por doenças desta natureza, a AIDS respondeu por 32,7% pretas & pardas e 9,1% de pessoas amarelas, indígenas e de cor dos casos entre os homens brancos, 20,2%, entre as mulheres ou raça ignorada. brancas, 28,1% entre os homens pretos & pardos, e 25,3%, entre as mulheres pretas & pardas (tabela 3.10). No gráfico 3.16, verifica-se que os pretos & pardos correspon- deram à maioria absoluta dos casos de morte por malária (60,7%), De 1999 a 2005, as taxas evoluíram desigualmente nos distin- hanseníase (58,3%), leishmaniose (58,1%), esquistossomose tos grupos de cor ou raça e sexo. Assim, entre os homens brancos, (55,5%) e difteria (50%). Embora os pretos & pardos, de ambos caiu 0,7% e, entre os pretos & pardos, aumentou 20,4 %. Entre as os sexos, não acumulassem a maioria dos casos, os homens desse mulheres, a mortalidade cresceu: 27,7%, entre as brancas, e 44,1%, grupo de cor ou raça formaram, naquele ano, os grupos modais entre as pretas & pardas (tabela 3.10) de óbitos por tétano (35,9%), doença de Chagas (26,4%) e dengue Tabela 3.10 - Razão de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias, tuberculose e AIDS da população residente acima de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Tabela 3.10 - Razão de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias, tuberculose e Aids da população residente acima Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes). de cinco anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca, preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes) Homens Brancos Homens Pretos & Pardos ANO Todas as Doenças Todas as Doenças Infecciosas e Tuberculose AIDS Infecciosas e Tuberculose AIDS Parasitárias Parasitárias 1999 26,5 4,0 9,8 20,2 4,6 5,8 2000 28,5 4,0 10,2 23,3 4,9 6,7 2001 29,7 3,9 10,4 24,6 5,0 7,0 2002 29,7 3,7 10,3 25,7 5,0 7,4 2003 30,6 3,4 10,5 25,7 4,8 7,4 2004 29,8 3,4 9,8 24,9 4,6 7,1 2005 29,6 3,1 9,7 25,0 4,4 7,0 Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas ANO Todas as Doenças Todas as Doenças Infecciosas e Tuberculose AIDS Infecciosas e Tuberculose AIDS Parasitárias Parasitárias 1999 14,5 1,2 3,1 11,7 1,8 2,7 2000 16,2 1,2 3,6 13,8 2,1 3,2 2001 17,5 1,2 3,9 14,6 1,9 3,6 2002 17,9 1,1 3,8 15,0 1,8 3,8 2003 19,5 1,1 4,2 15,5 1,8 3,7 2004 18,9 1,1 3,8 15,2 1,6 3,8 2005 19,8 1,0 4,0 15,5 1,7 3,9 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 56 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Box 3.2. Epidemia do vírus HIV pelo mundo e seus efeitos trágicos sobre a África e a população negra O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), em 2007, assolava 33,2 milhões de pessoas, sendo 30,8 milhões de adultos; 15,4 milhões de mulheres e 2,5 milhões de crianças de até 15 anos. Só naquele ano, a agência da ONU dedicada ao tema (Unaids) estimava que 2,5 milhões de pessoas haviam se contaminado. Já o número estimado de mortos por Aids, em 2007, é de 2,1 milhões. Os efeitos desta epidemia sobre a África vêm sendo devastadores. Países como, por exemplo, a África do Sul, Botsuana, Namíbia e Zimbábue apresentavam um quadro no qual, pelo menos, uma em cada cinco pessoas de 15 e 49 anos estavam contaminadas. Em resumo, atualmente, estima-se que 67,8% das pessoas contaminadas pelo HIV, em todo o mundo, vivam na África Subsaariana (tabela 3.11). Tabela 3.11 - Estimativa da população mundial contaminada pelo vírus HIV segundo grandes regiões do planeta, 2007 (em número de pessoas e percentual por regiões do planeta sobre o total de casos identificados). Tabela 3.11 - Estimativa da população mundial contaminada pelo vírus HIV segundo grandes regiões do planeta, 2007 (em número de pessoas e percentual por regiões dopelo vírus HIV segundototal de casos identificados). Tabela 3.11 - Estimativa da população mundial contaminada planeta sobre o grandes regiões do planeta, 2007 (em número de pessoas e percentual por regiões do planeta sobre o total de casos identificados) Valor Médio Valor Mínimo Valor Máximo Peso Relativo (sobre as Região do Mundo Estimado de Valor Mínimo Valor Médio Estimado de Valor Máximode Estimado Peso Relativo (sobre as de Médias Estimadas Região do Mundo Pessoas Estimado de Pessoas Estimado de Pessoas Estimado de Pessoas) Médias Estimadas de América do Norte Pessoas 1.300.000 Pessoas 480.000 Pessoas 1.900.000 Pessoas) 3,9 Caribe do Norte América 1.300.000 230.000 480.000 210.000 1.900.000 270.000 3,9 0,7 Caribe América Latina 230.000 1.600.000 210.000 1.400.000 270.000 1.900.000 0,7 4,8 América Latina Oeste Europeu e Europa Central 1.600.000 760.000 1.400.000 600.000 1.900.000 1.110.000 4,8 2,3 Oeste Europeu e Europa Central Leste Europeu e Ásia Central 760.000 1.600.000 600.000 1.200.000 1.110.000 2.100.000 2,3 4,8 Oeste Europeu e Ásia Central Leste Asiático 1.600.000 800.000 1.200.000 620.000 2.100.000 960.000 4,8 2,4 Oeste Asiático Sul e Sudoeste Asiático 800.000 4.000.000 620.000 3.300.000 960.000 5.100.000 2,412,1 Oriente Médio eAsiático África Sul e Sudoeste Norte da 4.000.000 380.000 3.300.000 270.000 5.100.000 500.000 12,1 1,1 Oriente Médio e Norte da África 380.000 270.000 500.000 1,1 África Subsahariana 22.500.000 20.900.000 24.300.000 67,8 África Subsahariana 22.500.000 20.900.000 24.300.000 67,8 Oceania 75.000 53.000 120.000 0,2 Oceania 75.000 53.000 120.000 0,2 Total 33.170.000 28.980.000 38.140.000 100,0 Total 33.170.000 28.980.000 38.140.000 100,0 Fonte: Organização Mundial de Saúde / UNAIDS (2007) Fonte: Organização Mundial de Saúde / UNAIDS (2007) Porém, não é apenas na África que os negros se vêem ,em grande número, vitimados pelo problema. No final dos anos 90, nos EUA, estimava-se que os afro-descendentes, cerca de 12% da população, respondiam por 40% do total de contaminados pelo HIV, além de totalizarem 60% dos novos casos notificados naquele período (C.f. FAY, 1999). No Brasil, dados oficiais indicam o crescimento recente da contaminação pelo vírus HIV na população preta & parda. Assim, em 2000, os pretos & pardos representavam 34,4% do total de homens infectados e 37,2%, em 2004. Já as pretas & pardas aumentaram seu peso na população feminina infectada pelo HIV de 36%, em 2000, para 42,4%, em 2004 (C.f. RELATÓRIO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO BRASIL, 2005). Gráfico 3.16 - Distribuição de causas mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população Gráfico 3.16 - Distribuição de causas mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população residente acima de cinco anos de idade entrecinco anos de idadeou raça (branca e pretaou raça (branca e preta & parda)(em residente acima de os grupos de cor entre os grupos de cor & parda) e sexo, Brasil, 2005 e sexo, Brasil, 2005 (em %) %) Gráfico 3.16 - Distribuição de causas mortalidade por doençascausas mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população Gráfico 3.16 - Distribuição de infecciosas e parasitárias selecionadas da população residente acima de cinco anos de idade entre os grupos de cor ou idade entre os grupos de cor ou raça Brasil, 2005 (em& parda) e sexo, Brasil, 2005 (em residente acima de cinco anos de raça (branca e preta & parda) e sexo, (branca e preta Gráfico 3.16 - Distribuição de causas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias selecionadas da população residente acima de cinco anos de idade %) %) Esquitossomose 19,7% Esquitossomose entre os grupos de cor ou raça29,9% e preta & parda) e 29,9% Brasil, 2005 (em %) 16,0% 19,7% (branca 16,0% sexo, 25,6% 25,6% Doença de Chagas 26,3% 21,4% 26,4% 16,5% Doença de Chagas 26,3% 21,4% 26,4% 16,5% Esquitossomose 19,7% 16,0% Esquistossomose 29,9% 16,0% 25,6% 29,9% 25,6% Lishmaniose 19,7% 16,2% 11,2% 40,2% 17,9% Lishmaniose 16,2% 11,2% 40,2% 17,9% Doença de Chagas 26,3%Doença de Chagas 21,4% 26,3% 26,4% 21,4% 16,5% 26,4% 16,5% Malária 22,3% 6,4% 39,4% 21,3% Malária 22,3% 6,4% 39,4% 21,3% Lishmaniose 16,2% 11,2% Leishmaniose viral 40,2% 11,2% 17,9% 40,2% 17,9% Hepatite 16,2% 39,0% 26,8% 17,0% 10,3% Hepatite viral 39,0% 26,8% 17,0% 10,3% Malária 22,3% 6,4% Malária 39,4% 6,4% 21,3% 39,4% 21,3% Febres virais 22,3% 33,3% 22,2% 26,7% 11,1% Febres virais Hepatite viral 39,0% 33,3% 22,2% 17,0% 26,7% 10,3% 11,1% Hepatite viral Dengue 15,2% 39,0%26,8% 17,4% 26,8% 26,1% 17,0% 21,7% 10,3% Febres virais Dengue 15,2% 33,3% 17,4% 22,2% 26,1% 26,7% 22,2% 21,7% 11,1% Febres virais Difteria 33,3% 25,0% 0,0% 25,0% 26,7% 25,0% 11,1% Dengue Difteria 15,2% 25,0% 17,4% 0,0% 25,0% 26,1% 21,7% 25,0% Dengue Tétano 15,2% 31,3% 17,4% 13,3% 26,1% 35,9%21,7% 7,0% Difteria Tétano 25,0% 0,0% 25,0% 25,0% 35,9% 7,0% 31,3% Difteria Hanseníase 25,0% 13,3% 23,5% 0,0% 9,6% 25,0% 43,5% 25,0% 14,8% Tétano Hanseníase 31,3%23,5% Tétano 13,3% 9,6% 35,9%13,3% 43,5% 7,0% 35,9% 14,8% 7,0% Leptospirose 31,3% 39,7% 6,6% 39,1% 9,3% Hanseníase Leptospirose 23,5% Hanseníase9,6% 39,7% 43,5% 6,6% 9,6% 14,8% 39,1% 43,5% 9,3% 14,8% Doenças e infeccções intestinais 23,5% 19,4% 28,2% 23,3% 19,2% Leptospirose 39,7% Leptospirose 6,6% 39,1% 6,6% 9,3% 39,1% 9,3%90% Doenças e infeccções intestinais 19,4% 0% 28,2% 39,7%20% 10% 30% 23,3% 40% 50% 19,2% 60% 70% 80% 100% Doenças e infeccções intestinais 19,4% Doenças e infeccções intestinais 28,2% 19,4% 23,3% 28,2% 19,2% 23,3% 19,2% 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Homens Brancos 0% 10% 20% 30% 0% 40% 10% 50% 20% 60% 30% 70% 40% 80% 50% 90% 60% 100% 70% 80% 90% 100% Mulheres Brancas Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Homens Brancos Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Homens Brancos Homens Pretos & Pardos Mulheres Brancas Homens Brancos Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. DesigualdadesSaúde, microdados SIM. Tabulações : LAESER - Fichário das Datasus / Min. Raciais Homens Pretos & PardosMulheres Brancas Fonte: Homens Pretos & Pardos Cor ou Raça Ignorada de Ambos os casos Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Homens Pretos & Pardos Sexos Mulheres Pretas & Pardas Mulheres Pretas & Pardas Mulheres Pretas & Pardas Cor ou Raça Ignorada de Ambos os Cor ou Raça Ignorada de Ambos os Cor ou Raça Ignorada de Ambos os Sexos Sexos Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 57
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Gráfico 3.17 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) por gravidez, parto ou puerpério, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil Gráfico 3.17 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo (26,1%). Já a população branca habitantes) grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) por gravidez, parto ou puerpério, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil Gráfico 3.17 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade do sexo feminino segundo grupos de concentrou a maioria dos casos 3 habitantes) cor ou raça (branca e preta & parda) por gravidez, parto ou puerpério, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes) por hepatite viral (65,8%) e fe- 3 bres virais (55,5%). Nas doenças 2,29 e infecções intestinais, o grupo 2,04 2,09 2,11 2,16 2,19 2,19 2,29 modal de incidência foi compos- 2 2,04 2,09 2,11 2,16 2,19 2,19 to por mulheres brancas (28,2%) 2 1,46 1,46 e, na leptospirose, por homens 1,35 1,37 1,31 1,37 1,27 brancos (39,7%). 1,46 1,46 1,35 1,37 1,31 1,37 1,27 1 3.5.9. Mortalidade 1 por Gravidez, Parto e Puerpério 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 De 1999 a 2005, a razão 0 1999 2000 2001 Brancas Pretas & Pardas 2002 2003 2004 2005 de mortalidade por 100 mil Brancas Pretas & Pardas Gráfico 3.18 Razão de mortalidade por gravidez, parto ou puerpério da população residente acima de dez anos de idade habitantes de mulheres pre- Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD do sexo feminino por faixas etárias selecionadas, grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (por cem Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais tas & pardas decorrentes de mil habitantes) 3.18 Razão de mortalidade por gravidez, parto ou puerpério da população residente acima de dez ano Gráfico Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Gráfico 3.18 Razão de mortalidade por gravidez, parto sexo feminino por faixas etárias selecionadas, grupos dede idade do ou puerpério da população residente acima de dez anos cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 200 complicações do parto, gravi-5,0 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais mil habitantes) Gráfico 3.18 - Razão de mortalidade por gravidez, partogrupos de corda população residente acima de dez anos de idadecem do sexo feminino por faixas etárias selecionadas, ou puerpério ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2005 (por do sexo mil habitantes) dez ou puerpério não somente 4,5 feminino por faixas etárias selecionadas, grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) , Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) 4,50 5,0 4,41 manteve-se maior do que a das4,0 5,0 4,50 4,41 4,5 brancas, como aumentou pro- 3,5 4,5 4,50 4,41 4,0 porcionalmente mais. Assim, a3,0 4,0 3,5 2,81 taxa das pretas & pardas, que, 2,5 3,5 2,46 2,62 em 2000, já era 43,2% supe- 3,0 2,81 2,62 2,0 3,0 2,46 2,81 rior, passou a ser 72,4% maior 2,5 1,50 2,46 2,5 2,62 1,5 do que a das brancas, em 2005. 2,0 2,0 1,0 1,50 Neste ano, a taxa das mulheres 1,5 1,50 1,5 0,71 0,5 brancas chegou a 1,27, caindo 0,10 0,18 1,0 0,35 1,0 13%, enquanto a das pretas & 0,0 10 a 14 anos 15 a 17 anos 0,5 18 a 24 anos 0,18 25 a 40 anos 41 a 60 anos 0,71 0,5 0,10 pardas alcançou 2,19, crescen- 0,10 0,18 0,0 10 a 14 anos 15 a 17 anos 0,35 18 a 24 anos 25 a 40 anos 0,0 do 4,8% (gráfico 3.17). 10 a 14 anos 15 a 17 anos Brancas Pretas18 Pardas & a 24 anos 25 a 40 anos 41 a 60 anos Brancas Pretas & Pardas Quando decompostas pelos Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Brancas Pretas & Pardas grupos de idade, em 2005, veri- Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD fica-se que, em todas as faixas, Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais as taxas das pretas & pardas eram superiores às das brancas. As- Aborto por Razões Médicas e Legais (Código O 04); Outros Tipos sim, em 2005, foram registradas as seguintes diferenças: de 10 a de Aborto (Código O 05); Aborto Não Especificado (Código O 06); 14 anos, 80%; de 15 a 17 anos, 64%; de 18 a 24 anos, 71,8%; de 25 e Falha de Tentativa de Aborto (Código O 07). a 40 anos, 56,9%; e de 41 a 60 anos, 102,9% (gráfico 3.18). Deste modo, foram entendidos como provavelmente legais os Segundo o Sistema de Informação Hospitalar do Sistema óbitos por causas incluídas nos códigos O 03, O 04 e alguns subtó- Único de Saúde (SUS), são internadas, em média, 1.054.243 picos do O 071. Alternativamente, foram considerados com alguma mulheres por ano no Brasil, por complicações decorrentes de probabilidade de terem sido realizados de modo paralelo aos atu- abortos induzidos. Sabe-se, porém, que essa informação não ais marcos legais os óbitos em situações tipificadas nos códigos O expressa o total de abortos, mas, apenas, os casos com compli- 05, O 06 e alguns subtópicos do O 072. Em suma, essas foram as cações que exigiram internação, mesmo os ilegais. causas selecionadas como aparecem na tabela 3.12. A tabela 3.12 mostra os totais de óbitos causados tanto por gra- Seguindo esta metodologia, na base de dados do SIM foi possível videz, parto ou puerpério, como os por complicações de abortos, apurar, entre 1999 e 2005, 482 casos de óbitos de mulheres por abor- decompostos por cor ou raça. Todavia, não foram incluídos todos to induzido e complicações. A desagregação por cor ou raça revela os óbitos por abortos espontâneos ou induzidos legalmente, mas, que, naquele período, 196 mulheres brancas (40,6%) e 286 pretas & somente, aqueles que sugerem ter sido causados por algum tipo de pardas (59,3%) morreram por seqüelas de abortos induzidos. Tais intervenção às margens dos marcos legais vigentes. Isso ocorreu proporções, em relação ao total de mortes por complicações do par- porque na base de dados do SIM, nas causas de mortes por abor- to, gravidez ou puerpério, corresponderam a 4,7%, entre as mulhe- to, existem cinco subgrupos: Aborto Espontâneo (Código O 03); res brancas, e a 5,1%, entre as pretas & pardas. (tabela 3.12) 58 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Tabela 3.12 - Número total de óbitos por gravidez, parto ou puerpério e causas selecionadas de mortalidade por aborto induzido e complicações da população residente acima de dez anos de idade do sexo feminino segundo os grupos cor ou Tabela 3.12 - Número total de óbitos por gravidez, parto ou puerpério e causas selecionadas de mortalidade por aborto induzido e complicações da população residente acima de dez anos de idade do sexoe preta & parda), Brasil, ou raça (em número&de pessoas). (em número de pessoas) raça (branca feminino segundo os grupos cor 2005 (branca e preta parda), Brasil, 2005 Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas Ano Todas as Causas de Causas Selecionadas de Todas as Causas de Causas Selecionadas de Mortalidade por Gravidez, Mortalidade Por Aborto Mortalidade por Gravidez, Mortalidade Por Aborto Parto ou Puerpério Induzido e Complicações Parto ou Puerpério Induzido e Complicações 1999 615 32 689 31 2000 630 35 710 31 2001 581 28 752 43 2002 603 18 828 43 2003 571 26 815 48 2004 622 28 881 48 2005 565 29 924 42 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 3.5.10. Causas Mal Definidas de Mortalidade na mortalidade por causas mal definidas por falta de assistência médica. Entre os homens, a diferença nos respectivos indicado- Nas tabelas 3.1 e 3.2 verificou-se que a razão de mortalida- res dos pretos & pardos e dos brancos passou de 43,2%, em 1999, de, por 100 mil habitantes, por causas mal definidas entre os para 66,6%, em 2005. Já entre as mulheres, de 42,6%, em 1999, pretos & pardos era superior à dos brancos em ambos os sexos. para 69%, em 2005. Nesta subseção, pretende-se aprofundar aquelas informações, analisando-se de forma diferenciada alguns dos motivos de não Por outro lado, ainda nesse grupo de causas de mortalidade identificação de causas de morte. mal definidas, mas, especificamente, descontando-se as causas mal definidas sem assistência médica, ou seja, nas outras cau- De 1999 a 2005, as taxas de mortalidade por causas mal sas mal definidas, verificou-se que, durante todo o intervalo de definidas por falta de assistência médica dos pretos & pardos, 1999 a 2005, os brancos, de ambos os sexos, comparativamente em ambos os sexos, também foram superiores às dos brancos aos pretos & pardos, apresentavam maior razão de mortalidade (tabela 3.13). Assim, em 2005, a taxa de mortalidade por 100 por 100 mil habitantes (tabela 3.13). mil habitantes de pretos & pardos sem que se soubesse o motivo devido a ausência de um profissional de saúde que prestasse 3.5.11. Mortalidade por assistência foi de 32,45, entre os homens, e de 24,01, entre as Anemia Falciforme mulheres. Já entre os homens e mulheres brancos as taxas por essa falsa causa foram de, respectivamente, 19,48 e 14,21. Segundo dados do SIM, entre 1999 e 2005, 1.406 pessoas acima de cinco anos de idade morreram por complicações da Analisando-se a mesma tabela, percebe-se que, no mesmo anemia falciforme. Dessas, 62,3% eram pretas & pardas (gráfi- período, houve uma elevação das desigualdades de cor ou raça co 3.19). Além disso, ocorreu um crescimento significativo no Tabela 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por causas mal definidas sem assistência médica e Tabela 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por causas mal definidas sem assistência médica e causas mal definidas por outros motivos, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil causas mal definidas por outros motivos, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil Tabela 3.13 - Razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por causas mal definidas sem assistência médica e causas mal definidas por outros motivos, habitantes). habitantes). segundo os grupos cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes) Homens Brancos Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas Homens Brancos Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas Ano Causas Mal Causas Mal Causas Mal Causas Mal Ano Causas Mal Outras Causas Causas Mal Outras Causas Causas Mal Outras Causas Causas Mal Outras Causas Definidas Sem Outras Causas Definidas Sem Outras Causas Definidas Sem Outras Causas Definidas Sem Outras Causas Definidas Sem Mal Definidas. Definidas Sem Mal Definidas. Definidas Sem Mal Definidas. Definidas Sem Mal Definidas. Assis. Médica. Mal Definidas. Assis. Médica. Mal Definidas. Assis. Médica. Mal Definidas. Assis. Médica. Mal Definidas. Assis. Médica. Assis. Médica. Assis. Médica. Assis. Médica. 1999 26,2 27,5 20,2 20,1 37,5 26,9 28,8 19,0 1999 26,2 27,5 20,2 20,1 37,5 26,9 28,8 19,0 2000 30,2 33,1 23,5 24,3 45,9 31,6 36,0 22,9 2000 30,2 33,1 23,5 24,3 45,9 31,6 36,0 22,9 2001 29,8 37,9 22,7 27,6 47,3 36,5 36,1 25,5 2001 29,8 37,9 22,7 27,6 47,3 36,5 36,1 25,5 2002 29,5 36,5 22,5 27,0 50,5 36,7 38,6 25,8 2002 29,5 36,5 22,5 27,0 50,5 36,7 38,6 25,8 2003 28,4 38,5 22,0 28,9 49,0 36,6 37,5 25,6 2003 28,4 38,5 22,0 28,9 49,0 36,6 37,5 25,6 2004 25,6 37,0 19,3 27,9 43,9 35,3 33,5 24,3 2004 25,6 37,0 19,3 27,9 43,9 35,3 33,5 24,3 2005 19,5 33,9 14,2 25,7 32,5 31,1 24,0 21,7 2005 19,5 33,9 14,2 25,7 32,5 31,1 24,0 21,7 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 59
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Box 3.3. Diferenças nas razões de mortalidade dos pretos comparativamente aos pardos: constatações empíricas As informações sobre o perfil da mortalidade da população brasileira, desagregada por grupos de cor ou raça somente foi possível a partir de 1996, quando, por recomendação do Grupo de Trabalho Interministerial no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, a variável passou a constar em alguns dos principais registros de saúde no Brasil, o SIM, o Sistema de Informa- ções de Nascidos Vivos (Sinasc) e o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan). Apesar de todos os limites, estas bases vieram sendo cada vez mais estudadas, embora seja evidente a carência de teses e estudos relacionados. Existem algumas evidências empíricas reveladas pelos novos dados que ainda carecem de uma explicação sócioantropoló- gica mais consistente, tal como ocorre com os indicadores da população preta & parda, separadamente, como presentes no SIM. Assim, Batista et alii (2005) mostraram que as taxas de mortalidade por 100 mil habitantes de ambos os contingentes apresentam uma curiosa diferença: os pretos, de ambos os sexos, têm índices bem maiores, não somente em relação aos pardos, como tam- bém aos brancos. Por outro lado, com exceção das causas externas e das por gravidez, parto ou puerpério, os pardos, de ambos os sexos, tiveram taxas inferiores aos brancos, de ambos os sexos. A partir das constatações desses autores, a tabela 3.14 mostra o comportamento das taxas de mortalidade de brancos, pretos e pardos, de ambos os sexos, de algumas causas selecionadas. De fato, são confirmadas as constatações empíricas pioneiras de Batista et alii. Assim, não deixa de ser interessante a observação de que, nas causas de mortalidade não naturais e nas relacionadas à saúde reprodutiva, os indicadores de pretos e pardos, ao contrário dos demais, são mais convergentes. Tabela 3.14 - Razão de mortalidade da população acima de 5 anos de idade segundo os grupos de cor ou raça Tabela 3.14 - Razão de mortalidade da população acima de cinco anos de idade, segundo os grupos cor ou raça (branca e preta & parda) (branca, preta e parda) e sexo segundo grupos de causas Brasil, 2005 (por 100 mil habitantes) (por 100 mil habitantes). e sexo segundo grupos de causas selecionadas, selecionadas, Brasil, 2005 Homens Mulheres Causas Selecionadas Brancos Pretos Pardos Brancas Pretas Pardas Todas as Doenças do Aparelho Circulatório 209,91 216,03 109,04 178,88 192,54 90,29 Hipertensão 18,73 32,62 14,23 20,19 34,90 14,39 Doenças do Coração 118,23 104,54 54,83 91,73 81,85 39,64 Doenças Cerebrovasculares 67,93 75,09 37,72 61,43 71,75 34,15 Todas as Doenças Infecciosas e Parasitárias 29,63 45,21 21,90 19,83 28,31 13,61 Tuberculose 3,06 8,37 3,75 1,00 3,00 1,50 AIDS 9,70 15,64 5,71 4,01 9,07 3,15 Gravidez, Parto ou Puerpério -- -- -- 1,27 2,84 2,09 Todas as Causas Externas de Mortalidade 107,28 129,46 123,95 23,97 18,58 17,35 Homicídios 33,82 61,50 61,48 3,45 4,52 4,41 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Essa maior proximidade das taxas nas causas externas pode se dever à notificação obrigatória, não apenas aos cartórios, como também à polícia (que emite boletins de ocorrências), o que ajudaria a reduzir a subnotificação. Nessa hipótese, os óbitos de pardos por causas não naturais podem estar sendo melhor coletados do que os demais. Já no caso da gravidez, parto ou puerpério se sabe que ainda há uma significativa subnotificação, que, porém, foi reduzida nos últimos anos com a ampliação dos comitês de Mortalidade Materna que, segundo fontes oficiais, passaram de 495, em 1998, para 951, em 2005, em todo o país (C.f. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 2007). Portanto, na medida em que se reduziriam as subnotificações de óbitos por gravidez, parto ou puerpério, ficaria mais evidente a incidência desta mortalidade na população, em especial nas mulheres pardas. De todo modo, mesmo considerando-se essas questões, qual o motivo da constante maior subnotificação dos óbitos de pardos, em comparação aos pretos? Mesmo com explicações de ordem geográfica, sobre as diferentes formas de distribuição dos dois contingentes pelas regiões do país, ainda assim restaria um fato: o problema se repete basicamente do mesmo modo em todo o território brasileiro, com as taxas de mortalidade dos pretos sendo superiores na maioria das causas. Enfim, além das constatações empíricas possíveis a partir das bases do SIM, existem muitas dúvidas, exigindo, portanto, o recurso de análises epidemiológicas, estatísticas, sociológicas e antropológicas para que se possa chegar a respostas mais satisfatórias sobre o comportamento dos respectivos indicadores de mortalidade dos grupos de cor ou raça da população brasileira. 60 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Gráfico 3.19 - População residente acima de cinco anos de idade morta por anemia falciforme segundo os grupos de número de registros de óbitos por cor ou raça (branco e preto & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) Gráfico 3.19 - População residenteresidente acimaanos de idade morta por morta por anemia falciformeos grupos de cor ou raça Gráfico 3.19 - População acima de cinco de cinco anos de idade anemia falciforme segundo segundo os grupos de essa doença: 46,1%. Desagregado 250 cor ou raça (branco parda), & pardo), Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) (branca e preta & e preto Brasil, 1999-2005 (em número de pessoas) por cor ou raça, a elevação no to- 233 225 tal de óbitos foi de 119,4% entre os 250 206 216 233 225 200 pretos & pardos e de 46,4% entre os 182 190 216 158 206 brancos (gráfico 3.19). 200 154 190 150 182 158 146 139 150 Essa sensível elevação, espe- 150 154 95 116 139 150 146 cialmente entre os pretos & pardos, 100 95 116 sugere a existência de dois motivos, 100 72 41 talvez, complementares. O primeiro 50 72 45 39 47 seria o efetivo aumento da incidên- 50 28 40 45 27 47 41 cia dessa doença na população bra- 0 1999 28 2000 40 2001 2002 27 2003 39 2004 2005 sileira, principalmente, entre pretos 0 & pardos. O segundo motivo estaria 1999 2000 Brancos2001 2002 Total Pretos & Pardos 2003 2004 2005 relacionado às recentes campanhas Brancos Pretos & Pardos Total educativas promovidas por pro- Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. fissionais de saúde sensibilizados Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais com o problema e pelo Movimento Fonte: Datasus / Min. Saúde, microdados SIM. Negro. Assim, além da maior cons- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais cientização da população, os próprios profissionais de saúde pelo uso de bebidas alcoólicas, enquanto que, entre os pretos & teriam passado a identificar com mais rigor a anemia falcifor- pardos, o total foi de 14.782 óbitos. Esses números absolutos se me enquanto causa de mortalidade, assim levando à queda da expressam nas respectivas razões de mortalidade por 100 mil subnotificação dos casos existentes. habitantes. Deste modo, em 2005, esse indicador entre os bran- cos era de 8,77 e, entre os pretos & pardos, de 7,02. 3.5.12. Mortalidade por Doenças Alcoólicas do Fígado No contingente feminino, ocorreu uma inversão no sentido destes A tabela 3.15 apresenta o total de óbitos e a razão de mor- indicadores. Assim, entre 1999 e 2005, 2.649 mulheres pretas & pardas talidade por 100 mil habitantes por doenças alcoólicas do morreram por doenças alcoólicas do fígado e, entre as brancas, o total fígado, decomposta por cor ou raça e sexo, de 1999 a 2005. ficou em 2.277 óbitos. As respectivas taxas de mortalidade por 100 mil Verifica-se que, invariavelmente, os homens sofrem mais des- habitantes foram as seguintes: 1,15 e 0,84 (tabela 3.15). te problema, tanto os pretos & pardos como os brancos. Na evolução da mortalidade por doenças alcoólicas do fí- Quando o foco passa a ser nos dois sexos, verifica-se outras gado, no mesmo período, verifica-se que cresceu mais entre os desigualdades entre os grupos de cor ou raça. Na população pretos & pardos do que entre os brancos, em ambos os sexos. masculina, os brancos sofreram mais. Naquele período, 22.376 O aumento do total de óbitos por essa causa, entre os homens homens brancos morreram por doenças hepáticas causadas pretos & pardos foi de 124,2%, e, entre as mulheres pretas & Tabela 3.15 - Número total de óbitos e razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por doenças alcoólicas do fígado, segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e Tabela 3.15 -Número total de óbitos e razão de mortalidade da população residente acima de cinco anos de idade por doenças alcoólicas do fígado, sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes). segundo os grupos cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1999-2005 (por 100 mil habitantes) Número Total de Óbitos Razão de Mortalidade Por 100 Mil Homens Mulheres Homens Mulheres Ano Homens Mulheres Homens Mulheres Pretos & Pretas & Pretos & Pretas & Brancos Brancas Brancos Brancas Pardos Pardas Pardos Pardas 1999 2.412 1.304 272 251 6,27 3,88 0,65 0,74 2000 3.018 1.744 325 314 7,66 5,03 0,75 0,93 2001 3.121 1.859 316 366 8,00 5,30 0,73 1,03 2002 3.378 2.165 351 384 8,51 6,04 0,80 1,06 2003 3.346 2.279 321 399 8,48 6,08 0,73 1,06 2004 3.561 2.508 319 448 8,73 6,30 0,70 1,11 2005 3.540 2.923 373 487 8,77 7,02 0,84 1,15 Fonte: Datasus / Ministério da Saúde, microdados SIM. IBGE, microdados PNAD Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 61
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça pardas, de 94%. Já na população branca, foi de 46,7%, entre os de por 100 mil habitantes por essas doenças entre os homens homens, e 37,1%, entre as mulheres. e mulheres pretos & pardos: de, respectivamente, 80,9% e 55,4%. Já na população branca a mortalidade aumentou rela- As diferenças entre as taxas do final e do início do perío- tivamente menos, em 39,9%, entre os homens, e 29,2%, entre do apontam os maiores crescimentos da razão de mortalida- as mulheres (tabela 3.15). Box 3.4. A perspectiva teórica do estudo dos padrões de mortalidade da população desagregada pela variável cor ou raça. Até o surgimento do microscópio na Revolução Industrial e a descoberta da bactéria, havia a teoria dos miasmas, que reconhecia o sur- gimento das doenças em virtude de situações ambientais. Considerava-se que a doença entrava e saía do corpo incontrolavelmente. Com a descoberta da bactéria, surgiu a teoria unicausal e, a partir daí, passou-se a procurar uma causa única da doença. O modelo de Leavel-Clark ou tríade ecológica, que se tornou hegemônica a partir de 1960, incorporou a teoria multicausal. Ou seja, o processo de adoecimento de- pende das “características dos agentes patológicos (animados e inanimados), das características do individuo e de sua resposta a estímulos provocadores de doenças, advindos do meio ambiente e do próprio individuo” (ROUQUAYROL & ALMEIDA, 1999:1). Assim, o conceito de causalidade múltipla mudou a prática de prevenção e de cura, com amplitude maior, atingindo tanto as causas diretas, como os fatores predisponentes e mantenedores da doença. Desse modo, atualmente a epidemiologia apóia-se na sociologia e incluiu questões sócio-históricas na interpretação do processo saúde-doença. O estudo clássico de Engels (1986 [1845]) sobre a situação da classe trabalhadora na Inglaterra é um exemplo de como condições sócio-históricas devem ser consideradas nesse processo. Rouquaryol & Almeida (op cit), por sua vez, indica uma combinação de fatores que levam à saúde ou à doença. Mais recentemente, os estudos sobre a vulnerabilidade frente ao HIV/AIDS, modificaram a com- preensão sobre a epidemia. A tese de Lopes (2003), por exemplo, revela como o racismo incrementa a maior vulnerabilidade de mulheres negras portadoras desta doença. A identificação da prevalência (freqüência relativa de uma doença em um contingente) e da incidência (número de casos novos que surgem periodicamente no grupo) de determinada doença em uma ou outra população não se encerra nela mesma. É necessária a busca do significado subjacente a este resultado, evitando-se o reducionismo. O tema Saúde da População Negra é um convite ao pensamento, levando em conta as relações raciais no país, e requer máxima atenção para que se evite análises que redundem na idéia de biologia como destino. As doenças prevalentes na população negra, no Brasil, foram mapeadas por Oliveira (1999), que cunhou a expressão recorte de doenças raciais étnicas. A afirmação de que há ou não a predisposição biológica no processo não significa que a doença será inevitável. O resultado pode depender de outros fatores a ela associados e da história de cada indivíduo. Assim, o conceito de predisposição coletiva (seja bioló- gica, social ou a mescla de ambas) implica reconhecer “diferentes agrupamentos humanos como fenômenos complexos associados aos hábitos alimentares, estilo de vida, meio físico e cultural em que vivem” (OLIVEIRA, 1994:21). Um caso emblemático para a discussão sobre o “recorte das doenças raciais/étnicas” é a anemia falciforme, uma doença hereditária. Entre as doenças da hemoglobina, esta é a que tem origem na África. Existem outras, como a talassemia, originária da região mediterrânea, na Itália. A origem da anemia falciforme é associada a uma mutação dos glóbulos vermelhos, que passaram a ter formato de foice, daí o nome falciforme. Tornou-se um traço genético, de proteção contra a malária, mas, que provoca anemia se a pessoa recebeu o respectivo gene da mãe e do pai (ZAGO, 1994; 2001). O conteúdo genético que define as diferenças físicas entre grupos humanos se resume a 7%, ou seja, 93% do conteúdo genético é comum a todos os seres humanos (ZAGO, op cit). A espécie humana é única do ponto de vista biológico, não havendo a separação em raças distintas, como acontece com os cães e outros animais. Geneticistas anti-racistas afirmam que a distância entre dois homens de pele clara é maior do que entre um de pele clara e um de pele escura (C.f. JACQUARD, 1991). Então, como surgiu a anemia falciforme, uma doença genética? Zago (1994, 2001) apresenta uma explicação na qual a associação de diferentes fatores – a interação do homem com o meio ambiente, região geográfica e etnia num dado momento da história da humanidade – dá coerência à explicação do processo de mutação gênica. O mapa de origem da mutação genética que produziu a anemia falciforme coincide com a região da África com altos índices de malária. Existem três tipos de anemia falciforme: a banto, muito grave; a benin grave; e a senegal, mais leve. O trânsito de populações no globo, com o tráfico de escravos e a emigração européia para as Américas, fez com que as doenças da hemoglobina não se restringissem aos povos de origem. No Brasil, a anemia falciforme do tipo banto é prevalente em relação aos outros tipos (ZAGO, 2000). Entretanto, a anemia falciforme não se limita às pessoas classificadas como negras, no Brasil, embora seja mais freqüênte neste grupo. Pessoas autoclassificadas como brancas podem ter herdado os genes e ter a anemia. Não são, portanto, as características físicas, como a cor da pele, de um indivíduo que vão transmitir a doença e sim a herança do gene. Esta pode estar presente em pessoas, aparentemente, sem nenhum traço físico de uma pessoa negra. A anemia falciforme não tem cura. Porém, é o forte estigma e a invisibilidade social que se apresentam como fatores decisivos para uma baixa qualidade de vida do portador. 62 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    3. Perfil daMortalidade da População Brasileira Segundo os Grupos de Cor ou Raça Ou seja, se a anemia falciforme é gerada por fatores hereditários, a forma pela qual a doença é interpretada na sociedade tem fundamenta- ção sociocultural. Assim, uma predisposição meramente biológica acaba ganhando contornos mais complexos. Portanto, é de uma perspectiva socioantropológica que se deve pensar sobre a questão racial na saúde. Aqui não se desconsidera, à priori, a possibilidade de haver algum tipo de predisposição biológica a alguma doença que se associa a situações provocadas por carac- terísticas complexas, dos seres humanos, muitas vezes imponderáveis. Contudo, na literatura sobre a questão racial na saúde, prevalece a idéia de que raça tem um significado sócio-histórico. É desse ponto de vista que a desigualdade social, a discriminação e o racismo passam a ter importância na análise do quadro de saúde da população negra. O racismo pode ganhar corpo a partir da vivência da opressão racial, com a incorporação de valores racistas, inclusive pelos oprimidos. Assim como repercute no corpo físico, na psiquê e na vida dos indivíduos e, por conseguinte, na coletividade, em seus diferentes aspectos, refletindo-se, finalmente, nos indicadores sociais de morbi-mortalidade apresentados por cada grupo de cor ou raça e sexo. (Texto adaptado, extraído de Paixão, Carvano & Souzas (2004)) 1 Foram estes: I) O07.1 falha de aborto provocado por razões médicas, complicado por hemorragia tardia ou excessiva; O07.2 falha de aborto provocado por razões médicas, complicado por embolia; O07.3 falha de aborto provocado por razões médicas com outras complicações ou com complicações não especificadas; O07.4 falha de aborto provocado por razões médicas, sem complicações. 2 Os seguintes: I) O07.5 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, complicadas por infecção do trato genital e por infecção dos órgãos pélvicos; II) O07.6 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, complicadas por hemorragia tardia ou excessiva; III) O07.7 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, complicadas por embolia; IV) O07.8 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, com outras complicações ou com complicações não especificadas; e V) O07.9 outras formas, e as não especificadas, de falha na provocação de aborto, sem complicação. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 63
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino 4.1. Alfabetização da População Brasileira Em todo o Brasil, no ano de Gráfico 4.1 - População residente de 15 anos de idade ou mais analfabeta segundo grupo de corcor ou raça Gráfico 4.1 - População residente de 15 anos de idade ou mais analfabeta segundo grupo de ou raça (branca e preta 2006, havia 14,4 milhões de pesso- Gráfico 2.1 - População residente segundoBrasil, 1995 e de cor (em raça (branca e preta & parda), (branca e preta & parda), Brasil, 19952006 (em número de de pessoas) & parda), os grupos e 2006 ou número pessoas). as, com 15 anos de idade ou mais, Brasil, 1995-2006 (em número de pessoas) que eram analfabetas. Desse total, 20.000.000 225.000.000 4,6 milhões eram brancas (32%) e 183.550.526 9,7 milhões eram pretas & pardas 180.000.000 16.000.000 152.374.603 16.098.255 (67,4%). Para fins de comparação 135.000.000 intertemporal, excluindo-se as 12.000.000 12.116.623 92.406.621 áreas rurais da região Norte, na- 90.000.000 82.826.798 10.475.121 quele ano, o total era de 12,1 mi- 89.726.595 7.876.747 lhões de pessoas. Em 1995, o total 8.000.000 45.000.000 68.635.438 de analfabetos no Brasil, com 15 5.545.618 anos ou mais, era de 16,1 milhões, 4.000.000 0 4.283.826 sendo que 5,5 milhões (34,4%) 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 eram brancas e 10,5 milhões - Brancos Pretos & Pardos População Total (65,1%) eram pretas & pardas. Brancos Pretos & Pardos Total Portanto, no período, descontan- 1995 2006 do-se o contingente que residia Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. nas áreas rurais da região Norte, Tabulações : LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: não inclui a população residente nas áreasrurais dada região Norte (exceto Tocantins). Nota: não inclui a população residentes nas áreas rurais região Norte (exceto Tocantins). ocorreu uma queda de 24,7% no número de analfabetos em todo o país. A redução proporcional entre os brancos foi de 22,8% e, entre entre as pessoas pretas & pardas cresceu mais (8,9 pontos per- os pretos & pardos, de 24,8% (gráfico 4.1). centuais) do que a das pessoas brancas (três pontos percentuais). Porém, em 2006, a diferença ainda era bem acentuada: o analfa- Comparando-se os índices de analfabetismo das pessoas com betismo de pretos & pardos era, proporcionalmente, superior em 15 anos de idade ou mais, nos anos de 1995 e 2006, houve, também, 124,6% ao dos brancos (tabela 4.1). uma redução na diferença entre as taxas de analfabetismo entre o grupo de pretos & pardos e o grupo de brancos. No primeiro grupo, A análise da tabela 4.1 revela, ainda, que o problema das baixas o índice passou de 23,5% para 14,6% e, no segundo, de 9,6% para taxas de alfabetização do conjunto da população, que se prolonga por 6,5%. Isto ocorreu porque, nesse intervalo, a taxa de alfabetização décadas, preserva nítidas desvantagens do contingente preto & pardo, Tabela 4.1 - Taxa de alfabetização da população residente por faixas etárias selecionadas ee segundo os grupos de de ou raça raça (branca e Tabela 4.1 - Taxa de alfabetização da população residente por faixas etárias selecionadas segundo os grupos cor cor ou (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %) preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %) Brancos Pretos & Pardos Total Ano 15 anos 25 anos 40 anos 65 anos 15 anos 25 anos 40 anos 65 anos 15 anos 25 anos 40 anos 65 anos ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais 1995 90,5 88,4 83,1 70,6 76,5 70,9 59,8 37,9 84,4 81,2 73,9 58,1 1996 90,7 88,5 83,6 70,8 78,3 73,0 62,2 39,6 85,4 82,2 75,2 59,6 1997 91,0 89,0 84,1 71,0 77,8 72,3 61,9 40,4 85,3 82,1 75,2 59,5 1998 91,6 89,6 85,1 72,2 79,2 73,7 64,0 41,2 86,2 83,0 76,7 60,8 1999 91,7 89,7 85,5 72,8 80,2 74,7 64,9 42,2 86,7 83,4 77,2 61,3 2001 92,3 90,4 86,5 73,8 81,8 76,7 67,5 45,7 87,6 84,5 78,8 63,4 2002 92,5 90,7 87,0 75,1 82,8 77,7 68,7 46,9 88,2 85,1 79,6 64,7 2003 92,9 91,1 87,7 75,2 83,2 78,3 69,6 48,0 88,4 85,5 80,1 64,8 2004 92,8 91,1 87,7 76,2 83,8 79,1 70,6 49,5 88,6 85,7 80,4 65,8 2005 93,0 91,3 88,1 76,2 84,6 80,1 72,0 51,6 88,9 86,1 81,0 66,4 2006 93,5 92,0 89,0 78,7 85,4 81,2 73,3 52,6 89,6 87,0 82,1 68,1 Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 67
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Tabela 4.2 - Taxa de alfabetização funcional (menos de quatro anos de estudos completos) da população residente por faixas etárias Tabela 4.2 - Taxaselecionadas e segundo(menores de quatro anos de estudosestudos completos) da Brasil, por faixas etáriaspor faixas etárias Tabela 4.2 - Taxa de alfabetização funcional os(menos de quatro anos de completos) da população residente 1995-2006 (emselecionadas de alfabetização funcional grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), população residente %) selecionadas eesegundoos grupos de cor ou raça (branca (branca PardosBrasil, 1995-2006 (em 1995-2006 (em %) Brancos segundo os grupos de cor ou raçaPretos & parda), & parda), Brasil, %) e preta & e preta Total Ano 15 anos Brancos anos 25 anos 40 65 anos 15 anos Pretos & Pardos 25 anos 40 anos 65 anos 15 anos Total 40 anos 25 anos 65 anos Ano ou mais 15 anos ou mais 40 anos 25 anos ou mais ou mais 15 anos 25 anos 40ou mais 65ou mais 15 ou mais 25 ou mais 40 anos 65 anos 65 anos ou mais ou mais anos anos anos anos ou mais ou mais 1995 ou74,2 mais ou70,0 mais ou 59,5 mais ou 40,8 mais ou mais 54,3 ou mais 47,8 ou mais 33,8 ou mais 14,5 ou mais 65,6 ou mais 60,8 ou mais49,4 ou mais 30,8 1995 1996 74,2 75,0 70,0 70,8 59,5 60,8 40,8 42,3 54,3 56,6 47,8 50,2 33,8 36,6 14,5 16,8 65,6 67,3 60,8 62,5 49,451,5 30,8 33,2 1996 1997 75,0 76,1 70,8 71,9 60,8 62,1 42,3 43,8 56,6 56,9 50,2 50,2 36,6 36,9 16,8 17,0 67,3 67,7 62,5 62,9 51,552,0 33,2 33,8 1997 76,1 71,9 62,1 43,8 56,9 50,2 36,9 17,0 67,7 62,9 52,0 33,8 1998 76,9 72,8 63,7 44,3 58,7 51,6 38,9 16,9 69,0 64,1 53,9 34,2 1998 76,9 72,8 63,7 44,3 58,7 51,6 38,9 16,9 69,0 64,1 53,9 34,2 1999 77,8 73,4 64,8 45,4 60,2 53,0 40,0 18,5 70,1 64,9 54,8 35,3 1999 77,8 73,4 64,8 45,4 60,2 53,0 40,0 18,5 70,1 64,9 54,8 35,3 2001 79,0 74,8 66,8 46,4 63,0 56,0 43,8 20,6 71,9 66,8 57,5 36,8 2001 79,0 74,8 66,8 46,4 63,0 56,0 43,8 20,6 71,9 66,8 57,5 36,8 2002 79,9 75,8 68,2 47,9 65,2 58,0 45,9 22,2 73,3 68,1 59,2 38,4 2002 79,9 75,8 68,2 47,9 65,2 58,0 45,9 22,2 73,3 68,1 59,2 38,4 2003 81,1 76,9 69,6 48,5 66,9 59,4 47,3 23,6 74,6 69,2 60,3 39,1 2003 81,1 76,9 69,6 48,5 66,9 59,4 47,3 23,6 74,6 69,2 60,3 39,1 2004 81,3 77,4 70,3 50,1 68,1 60,6 48,8 24,1 75,2 69,9 61,2 40,0 2004 81,3 77,4 70,3 50,1 68,1 60,6 48,8 24,1 75,2 69,9 61,2 40,0 2005 81,9 78,0 71,0 50,0 69,7 62,4 50,8 25,8 76,0 70,8 62,1 40,3 2005 81,9 78,0 71,0 50,0 69,7 62,4 50,8 25,8 76,0 70,8 62,1 40,3 2006 83,2 79,6 73,0 52,7 71,1 64,2 52,6 27,5 77,4 72,4 64,0 42,5 2006 83,2 79,6 73,0 52,7 71,1 64,2 52,6 27,5 77,4 72,4 64,0 42,5 Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER: 1995 e das não inclui a população Nota: entre os anos de Fichário2003Desigualdades Raciais. residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). verificadas em todas as faixas etárias. Exemplo: em 1995, a taxa de al- A desagregação dos indicadores de alfabetização da po- fabetização da população branca maior de 65 anos era de 70,6% e a da pulação, por grupos de cor ou raça, pelas regiões geográficas, preta & parda, de 37,9%. Em 2006, ainda havia diferença entre as taxas mostra, em todas as cinco, nítidas diferenças. Assim, em 2006, de alfabetização, embora menor – respectivamente, de 78,7% da branca no contingente branco acima de 15 anos de idade, a maior taxa e de 52,6% da preta & parda. Ou seja, o analfabetismo afetava quase me- de alfabetização foi observada no Sudeste (95,6%) e a menor, tade da população preta & parda do país nesta respectiva faixa etária. no Nordeste (83,4%). No caso do grupo de pretos & pardos, a maior e a menor taxa de alfabetização foram, mais uma vez, no Em relação às taxas de alfabetização funcional – definidas pelo Sudeste (91,6%) e no Nordeste (77,5%), respectivamente. Outra número de pessoas com mais de quatro anos de estudos completos observação importante é a que mostra que, em 2006, a taxa de – das pessoas acima de 15 anos de idade, de 1995 a 2006, em todo o alfabetização dos brancos (83,4%) do Nordeste era menor que país, houve um avanço de nove pontos percentuais entre as pessoas as das demais regiões, tanto entre os brancos, como entre os brancas (de 74,2% para 83,2%) e de 16,8 pontos percentuais entre as pretos & pardos. Contudo, os pretos & pardos residentes nes- pretas & pardas (de 54,3% para 71,1%). Porém, no grupo de cor ou ta última região eram ainda mais afetados pelo problema do raça preta & parda acima de 40 anos de idade, o analfabetismo fun- analfabetismo que atingia quase um quarto deste contingente cional atingia mais da metade do total deste contingente (tabela 4.2). (gráfico 4.3 e mapa 4.1). O gráfico 4.2 ilustra Gráfico 4.2 - Taxa de alfabetização da população residente de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de de cor Gráfico 4.2 4.2 - Taxa raça (branca e da populaçãoresidente 1995-2006de idade ou maismais segundo os grupos de de cor Gráfico - Taxaou de alfabetizaçãopreta & parda)residente de 15 anos de%). ou segundo grupo de cor ou raça de alfabetização da população e sexo, de 15 anos (em idade a evolução das taxas de ou raça (branca e preta & parda) e1995 e 2006 (em %) (em %). (branca e preta & parda) e sexo, sexo, 1995-2006 alfabetização da popu- 95,0 95,0 92,8 93,7 lação acima de 15 anos 92,8 93,7 de idade, desagregada 91,2 91,2 93,3 93,3 92,3 por cor ou raça e sexo,90,0 92,3 de 1995 a 2006. Nes- 90,0 89,8 89,8 te período, os homens 85,9 brancos apresentaram 85,0 85,9 taxas de alfabetização 85,0 83,2 83,2 84,9 ligeiramente maiores 84,9 do que as das mulheres 82,3 82,3 80,0 brancas, embora com 80,0 uma convergência nos 76,9 76,9 últimos pontos da série. 76,1 76,1 75,0 Entre os pretos & par- 199575,0 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 dos, as mulheres alcan- 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 çaram taxas maiores Homens Brancos Homens Brancos Mulheres Brancas (em um ponto percen- Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER -IBGE, microdados Pnad. Homens Pretos & Pardos Brancas Mulheres Mulheres Pretas Homens Pretos & Pardos tual), porém, bem infe- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: nos anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais Nota: nos Norte.de 1995 a 2003 não inclui a população residente da região anos & Pardas Mulheres Pretas & Pardas riores às das brancas. nas áreas rurais da região Norte. 68 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Gráfico 4.3 - Taxa de alfabetização da população residente de 15 anos de gualdades nos anos de escolaridade dos dois grupos não Gráfico 4.3 - Taxamais segundo os grupos daresidenteraça (brancaidade ouanos de Gráfico 4.3 - alfabetização da população população15 anos de e preta mais, idade ou de Taxa de alfabetização de cor ou de residente de 15 & parda), segundo idade de cor ou raça regiõesegeográficas, Brasil; 2006 (em %). preta2006 (em %) grupo ou mais segundo os preta & parda), regiões geográficas,e (branca grupos de cor ou raça (branca Brasil, & parda), cessariam em menos de 17 anos (gráfico 4.5). regiões geográficas, Brasil; 2006 (em %). Norte Norte 87,5 87,5 92,3 A tabela 4.3 mostra os números dos anos médios de es- 92,3 Nordeste 77,5 tudo da população brasileira, de 1995 a 2006, referentes à Nordeste 77,5 83,4 83,4 população decomposta pelos grupos de idade, cor ou raça Sudeste Sudeste 91,6 91,6 95,6 e sexo (entre os brancos e pretos & pardos). Verifica-se a 95,6 89,6 tendência da maior escolarização das mulheres em relação Sul Sul 89,6 95,4 95,4 aos homens com idade superior a 15 anos, sendo esse mo- Centro-Oeste Centro-Oeste 89,7 89,7 94,3 vimento presente em ambos os grupos de cor ou raça que 94,3 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 vêm sendo analisados. 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Brancos Brancos Pretos & Pardos Pretos & Pardos Na mesma faixa etária, observa-se que as respectivas Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdadosFichário das Desigualdades Raciais Tabulações: LAESER: Pnad. médias de escolaridade, em 1995, eram: homens brancos, Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais 6,4 anos de estudo; mulheres brancas, 6,4 anos de estu- Mapa 4.1. Taxa de analfabetismo da população residente acima de 15 anos de idade segundo os grupos de Em pontos percentuais, as Mapa 4.1. Taxa de analfabetismo da preta & parda), unidades de 15 anos de idade segundo(em %). de cor ou raça (branca e população residente acima da federação, Brasil, 2006 os grupos cor ou raça -(branca e preta & parda), população residente acima de 2006 (em %). Mapa 4.1 Taxa de alfabetismo da unidades da federação, Brasil, 15 anos de idade ou mais, maiores diferenças entre as taxas segundo grupo de cor ou raça (branca e preta & parda), unidades da federação, Brasil, 2006 (em %) de alfabetização dos brancos e Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos dos pretos & pardos se davam no Sul (5,9) e no Nordeste (5,8). Já as menores diferenças foram verifi- cadas no Sudeste (quatro pontos percentuais) (gráfico 4.3). 4.2. Evolução do Número Médio de Anos de Estudos da População Brasileira Por número médio de anos Fonte: IBGE, microdados PNAD. de estudos compreende-se a ra- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: IBGE, microdados PNAD. zão do somatório do número de Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. anos em que a população de um determinado grupo etário, em seu conjunto, estudou, dividido pelo número total de membros deste do; homens pretos & pardos, 4,1 anos de estudo; e mulheres mesmo grupo de idade. No caso, considera-se como anos de estudo pretas & pardas, 4,4 anos de estudo. Em 2006, os mesmos in- o número correspondente à última série com aprovação. dicadores haviam avançado, respectivamente, para 7,9; 8,1; 6,0 e 6,4 anos de estudo. De 1995 a 2006, na população maior de 15 anos, ocorreu, en- tre os brancos, um aumento de 1,6 anos de estudo (passou de 6,4 Recentemente, portanto, verificou-se um movimento de para 8,0) e, entre os pretos & pardos, um aumento de 1,9 anos de aumento, mais do que proporcional, das médias das escolari- estudo (passou de 4,3 para 6,2). Assim, no ano de 2006, a média dades das pessoas do sexo feminino acima de 15 anos de idade de escolaridade dos pretos & pardos ainda não chegava ao nível comparadas às do sexo masculino do mesmo intervalo etário. fundamental completo (gráfico 4.5). Esta mudança foi visível no interior de ambos os grupos de cor ou raça. A única diferença, nesse último caso, é que, no De todo modo, ocorreu uma pequena redução na diferen- contingente preto & pardo, as mulheres, comparativamente ça entre os números médios das pessoas brancas acima de 15 aos homens, já vinham apresentando maiores médias de anos anos em relação às pretas & pardas da mesma faixa etária: de de estudo desde antes de 1995, ao passo que, no contingente 2,1 para 1,8 ano de estudo. Assim, a taxa média de crescimen- branco, as mulheres somente ultrapassaram os homens no to anual do número de anos de escolaridade foi de 1,03 entre ano de 1999 (tabela 4.3). os brancos e de 1,06 entre os pretos & pardos. O grau de importância dessas alterações pode ser melhor Porém, a queda nas diferenças entre os dois grupos vem avaliado com a análise do indicador de escolaridade nas fai- ocorrendo a passos muito lentos. Mantido esse ritmo, as desi- xas etárias mais avançadas. Até 2001, na população branca Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 69
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Box 4.1. Taxa de analfabetismo da população em países latino-americanos: o caso do Equador Atualmente, o Equador é um Gráfico 4.4 - Taxa de alfabetismo da população residente de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos étnico-raciais (brancos, mestiços, afro-equatorianos e indígenas), Equador, 2001 (em %) %) Gráfico 4.4 - Taxa de analfabetismo da população residente de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos étnico- dos países sul-americanos que vem raciais (brancos, mestiços, afro-equatorianos e indígenas), Equador, 2001 (em 30 realizando pesquisas demográficas com informações para a popula- ção afro-descendente que, em seu sistema censitário, engloba os que 20 se declaram, aos recenseadores, dentro das seguintes categorias fe- 28,1 chadas: negro (afro-equatoriano) e mulato. O estudo das taxas de 10 analfabetismo da população acima de 15 anos de idade, gerado pelo 10,3 9,0 8,0 recenseamento equatoriano de 4,7 2001, mostra que os maiores índi- 0 Brancos Mestiços Afro-Equatorianos Indígenas Equador ces eram verificados entre os indí- genas (28,1%), seguido pelos afro- Fonte: Secrataria Técnica da Frente Social, República do Equador (Los afroecuatorianos en cifras). Nota: Afro-equatorianos = negro ou afro-equatoriano e mulato equatorianos (10,3%). Os brancos deste país, no ano de 2001, apresentavam uma taxa de analfabetismo de 4,7%. Portanto, 1,8 ponto percentual inferior à das pessoas de cor ou raça branca residentes no Brasil. Por outro lado, no começo do século XXI, a taxa de analfabetismo dos afro-equatorianos era inferior à dos afro-descendentes brasileiros que, em 2006, apresentavam um peso relativo de analfabetos dentro da população preta & parda na ordem de 14,6%. acima dos 25 anos, os homens Gráfico 4.5 - Anos médios raça (brancada preta & parda), Brasil,de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de cor de estudos população residente Gráfico 4.5 - Anos médiose de estudos da população residente anos de estudo) mais segundo os grupos de cor ou raça GráficoGráfico 4.5 médiosmédios de estudos da 1995-2006 (em de 15 de idade ou de idade ou mais segundo os grupos de cor 4.5 - Anos - Anosde estudos da populaçãopopulação de 15 anos de 15 de idade ou mais segundo os grupos de cor ou residente residente anos anos apresentavam uma média de (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em anos de(em anos de estudo) ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 estudo) ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em anos de estudo) 9 escolaridade ligeiramente su- 9 8,0 9 perior à das mulheres. Entre 7,4 8,0 8,0 2001 e 2005, esses números se 6,4 6,8 7,4 7,4 6,8 igualaram e, em 2006, a média 6,4 6,4 6,8 6,2 das mulheres tornou-se ligei- 6 5,4 6,2 6,2 ramente superior. Em todos 6 6 4,7 5,4 5,4 os demais grupos de idade (40 4,3 4,7 4,7 4,3 anos de idade ou mais; 60 anos 4,3 de idade ou mais), os homens 3 brancos tinham escolaridade 3 3 média superior à das mulheres (tabela 4.3). Entre os pretos & pardos, as 0 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 mulheres acima de 25 anos já 0 0 apresentavam números maiores 1995 1995 1996 1996 1997 1997 1998 1998 1999 1999 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004 2005 2005 2006 2006 Brancos Pretos & Pardos que os dos homens, pelo me- Fonte: IBGE, microdados Pnad. Brancos Brancos Pretos & Pardos Pretos & Pardos nos desde 1995. No contingente Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Fonte: IBGE, microdados Pnad. maior de 40 anos de idade, a Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) partir de 2003, os números médios de anos de estudo de homens raça nas regiões geográficas, de 1995 a 2006. Em todas as re- Nota: entre os anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) e mulheres se igualaram e, em 2005, deram vantagem a elas. giões e nos dois grupos houve aumentos, porém, com maior Assim, foi apenas na faixa superior aos 60 anos de idade que os intensidade entre pretos & pardos. A região onde a média de homens pretos & pardos apresentaram médias superiores às das escolaridade de pretos & pardos mais cresceu relativamente mulheres em todos os pontos da série histórica (tabela 4.3). foi o Nordeste, com 50%. A mesma região registrou o maior aumento da média de escolaridade entre os brancos: 31,4%. No gráfico 4.6, observa-se o comportamento do indicador Nos dois grupos a menor elevação proporcional no indicador entre os maiores de 15 anos dos distintos grupos de cor ou ocorreu nas áreas urbanas da região Norte. 70 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Tabela 4.3 - Números médios de anos de estudos- da população residente de estudos da população residente por faixas etárias selecionadas raça (branca e preta & parda) e sexo, Tabela 4.3 Números médios de anos por faixas etárias selecionadas e segundo os grupos de co r ou e segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1996-2006 (em anos de estudos) Brasil, 1995-2006 (em anos de estudos) Homens Brancos Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas Ano 15 anos 25 anos 40 anos 65 anos 15 anos 25 anos 40 anos 65 anos 15 anos 25 anos 40 anos 65 anos 15 anos 25 anos 40 anos 65 anos ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais ou mais 1995 6,4 6,3 5,3 3,6 6,4 6,1 4,9 3,1 4,1 3,9 2,9 1,3 4,4 4,0 2,6 1,1 1996 6,5 6,4 5,4 3,6 6,5 6,2 5,0 3,2 4,3 4,1 3,1 1,5 4,7 4,2 2,9 1,2 1997 6,6 6,5 5,6 3,7 6,7 6,4 5,2 3,3 4,4 4,1 3,1 1,6 4,7 4,2 2,9 1,2 1998 6,8 6,6 5,8 3,8 6,8 6,5 5,3 3,4 4,5 4,2 3,3 1,6 4,9 4,3 3,1 1,3 1999 6,9 6,7 5,9 4,0 7,0 6,6 5,5 3,4 4,7 4,3 3,4 1,5 5,0 4,5 3,2 1,4 2001 7,2 6,9 6,1 4,0 7,3 6,8 5,8 3,6 5,0 4,6 3,7 1,8 5,3 4,8 3,6 1,6 2002 7,3 7,0 6,3 4,2 7,4 7,0 5,9 3,7 5,2 4,8 3,8 1,9 5,6 5,0 3,7 1,6 2003 7,5 7,2 6,5 4,3 7,6 7,2 6,1 3,8 5,4 4,9 3,9 2,0 5,8 5,2 3,9 1,8 2004 7,6 7,3 6,5 4,5 7,7 7,3 6,2 3,9 5,6 5,1 4,1 2,0 6,0 5,4 4,1 1,8 2005 7,7 7,4 6,7 4,5 7,8 7,4 6,4 3,9 5,8 5,2 4,2 2,1 6,2 5,5 4,3 2,0 2006 7,9 7,6 6,8 4,6 8,1 7,7 6,6 4,2 6,0 5,5 4,4 2,3 6,4 5,7 4,5 2,1 Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Gráfico 4.6 - Anos médios de estudos da população residente acima de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de 4.3. Indicadores cor ou raça (branca e preta & parda), regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em anos de estudos). Gráfico 4.6 - Anos médios de estudos da população residente acima de 15 anos de idade ou mais segundo os grupos de Gráfico 4.6 - raça (branca depreta & parda), regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em anos segundo os grupos cor ou Anos médios e estudos da população residente acima de 15 anos de idade ou mais de estudos). Quantitativos de 12 de cor ou raça (branca e preta & parda), regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em anos de estudos) Cobertura da 12 Rede Escolar 8,5 Na presente seção, são fei- 8 8,1 8,5 7,8 8,2 8,2 tas análises sobre os indicado- 8 8,1 6,9 6,7 6,8 6,8 7,8 6,4 6,7 res que medem o acesso à rede 6,6 6,6 6,9 6,7 6,8 6,8 6,2 6,2 6,1 6,1 6,4 6,7 5,4 de ensino por parte de crian- 5,1 5,1 5,1 5,1 5,4 4,9 4,9 ças e adolescentes brasileiros, 4 3,6 4,9 4,3 4,3 4,9 desagregados pelos grupos de 4 3,6 cor ou raça e sexo, no intervalo entre os anos de 1995 e 2006. Como tais indicadores medem 0 0 antes o grau de cobertura do BrancosBrancos Pretos & PardosPardos Pretos & Brancos Brancos Pretos & Pardos Pretos & Pardos Brancos Brancos Pretos & Pardos Pretos & Pardos Brancos Brancos Pretos & & Pardos Pretos Pardos Brancos Brancos Pretos & Pardos Pretos & Pardos sistema escolar do que sua Norte UrbanoUrbano Norte Nordeste Nordeste Sudeste Sudeste Sul Sul Centro-Oeste Centro-Oeste qualidade, serão entendidos 19951995 20062006 como quantitativos. Nem por Fonte: IBGE, microdados Pnad. Pnad. Fonte: IBGE, microdados isso, tal dimensão deve ser Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: não população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: não inclui a inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). desprezada, pois aponta para aspectos importantes acerca do atendimento do sistema es- colar. Sinteticamente, em qualquer contexto, é mais positivo De 1995 a 2006, houve ampliação da cobertura do sistema que uma criança ou adolescente freqüente a escola, seja em educacional brasileiro em todos os grupos de cor ou raça em ida- que série for, do que fique fora dela. Assim, nesta seção, se- de para freqüentar a creche, pré-escola, o ensino fundamental rão debatidas as taxas de cobertura do sistema de ensino para e o ensino médio. Na verdade, os números mostram que, para crianças e adolescentes de quatro a 17 anos de idade e as taxas alguns grupos etários, ocorreu, praticamente, uma universaliza- brutas de escolaridade da população. ção do atendimento do sistema de ensino. 4.3.1. Taxa de Cobertura do Sistema Escolar Assim, naquele período e em todo o país, entre as crianças de quatro a seis anos, a taxa de cobertura do sistema escolar (creche, Por taxa de cobertura do sistema escolar entende-se o percen- pré-escola e escola seriada) saltou de 56,3% para 78,4%, no grupo tual de pessoas de uma determinada faixa de idade que estão fre- das brancas, e de 50,5% para 74%, no grupo das pretas & pardas. qüentando a escola seriada, independentemente da série que este- Para as crianças de sete a 14 anos de idade, com a quase universali- jam, efetivamente, cursando. Por razões mais ou menos evidentes, zação do sistema de ensino para esta faixa etária, as desigualdades esse indicador é capaz de mensurar antes o raio de atendimento do raciais praticamente terminaram no período em questão. Nesta sistema de ensino à população, especialmente a infanto-juvenil, do faixa de idade, a cobertura do sistema de ensino, passou, no caso que, propriamente, a sua qualidade. das crianças brancas, de 94,6% para 98,8%, e no caso das crianças Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 71
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Box 4.2. Taxa de analfabetismo e anos médios de estudo nas áreas urbanas e rurais brasileiras: qual o formato das assimetrias de cor ou raça? Em geral, os estudos e análises sobre as assimetrias de cor ou raça, na educação, vêm dando pouca atenção aos indicadores desagre- gados para as populações urbanas e rurais. De fato, essa lacuna acaba representando a perda de uma importante dimensão assumida pelas desigualdades desta natureza. Assim, no ano de 2006, entre a população com idade superior a 25 anos, a taxa de alfabetização entre brancos residentes em áreas urbanas e rurais era de, respectivamente, 93,7% e 79,5%, correspondendo a uma diferença de 14,2 pontos percentuais. Entre as pessoas de cor ou raça preta & parda residentes nas áreas urbanas e rurais, as respectivas taxas de alfabetização, da população acima de 25 anos de idade, eram de 85,7% e 62,2%. Essa diferença perfazia uma assimetria de 23,5 pontos percentuais, além de indicar que, no meio rural, quase 40% das pessoas pretas & pardas não sabiam ler nem escrever. Desse modo, a diferença entre as taxas de alfabetização da popu- lação branca, que vivia na cidade, e preta & parda, que vivia no meio rural, em 2006, era de expressivos 31,5 pontos percentuais (tabela 4.4). A análise dos anos médios de estudos, decompostos pelos grupos de cor ou raça e pela área de residência urbana ou rural, revela que, em 2006, uma pessoa branca com mais de 25 anos de idade e que vivia no meio rural, apresentava uma escolaridade média - medida em anos de estudos - pouco superior à metade daquela apresentada por uma pessoa da mesma cor ou raça que vivia na área urbana. Comparativamente com os pretos & pardos do mesmo grupo etário, que também viviam nas cidades, a média de anos de estudos dos brancos das áreas rurais era 30,6% inferior. Todavia, os pretos & pardos que viviam nas áreas rurais apresentavam médias de anos de estudo ainda mais modestas. Desse modo, para as Tabela 4.4 - Taxa de alfabetização e anos médios de escolaridade da população pessoas daquele mesmo grupo etário, a diferença Tabela 4.44.4Taxa de alfabetização e anosanos médios de escolaridade da população os residente - - Taxa de alfabetizaçãoárea de residência (urbana ou rural) segundo Tabela acima de 25 anos por e médios de escolaridade da população residente da média de escolaridade de uma pessoa preta & residenteacima dedecor anos por(branca e (urbana& parda), Brasil, 2006 (em %) os grupos de anosou raçadeárea de residênciarural) segundo rural) segundo acima 25 25 por área residência preta ou (urbana ou os grupos grupos dede corou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em %) cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em %) parda residente na área urbana em relação às pre- Taxa de Alfabetização Anos Médios de Estudos tas & pardas que viviam na área rural era de 113,8% Cor ou Raça Taxa de Alfabetização Anos Médios de Estudos Cor ou Raça Urbanos Rurais Urbanos Rurais (ou de 3,3 anos de estudos). Em 2006, as médias de Urbanos Rurais Urbanos Rurais Brancos 93,7 79,5 8,1 4,3 anos de estudos, que separavam uma pessoa bran- Brancos 93,7 79,5 8,1 4,3 Pretos & Pardos 85,7 62,2 6,2 2,9 ca que vivia nas áreas urbanas de uma pessoa preta Pretos & Pardos 85,7 62,2 6,2 2,9 Assimetrias Relativas 9,4% 27,8% 30,4% 47,3% & parda que vivia nas áreas rurais, atingiam 5,2 anos Assimetrias Relativas 9,4% 27,8% 30,4% 47,3% de estudos, total superior a um dos ciclos do ensino Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdadosFichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER: Pnad. fundamental (tabela 4.4). Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. pretas & pardas, de 88,2% para 97,7%. Portanto, a diferença relati- das pessoas do segundo grupo fossem iguais ou superiores aos do va entre os dois grupos foi de 1,1 ponto percentual no ano de 2006. primeiro (tabela 4.5). Entre os jovens de 15 a 17 anos de idade, as distâncias relativas de Em 2006, entre as crianças de quatro a seis anos, as maiores cor ou raça também diminuíram, passando de 14%, em 1995, para taxas de cobertura de creches, pré-escolas ou escolas seriadas 6,8%, em 2006. As taxas evoluíram da seguinte Gráfico 4.7 - Taxa de cobertura da rede escolar à população residente segundo faixas etárias selecionadas (6 a 4 anos, 7 Gráfico 4.7 - 14 anos cobertura anos) e escolar à população residente segundo faixas etárias selecionadas (6(em anos, 7 a Taxa de e 15 a 17 da rede grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); Brasil, 1995-2006 a 4 %) forma: entre os bran- a 14 anos e 15 a 17 anos) e grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); Brasil, 1995-2006 (em %) cos, passou de 71%, em 97,1 98,2 98,8 1995, para 85,1%, em 100 94,6 2006, e, entre os pretos 93,8 96,8 97,7 90 & pardos, de 62%, em 84,4 85,1 88,2 79,9 1995, para 79,6%, em 80 78,6 79,6 78,4 2006 (gráfico 4.7). 71,0 72,9 74,0 69,6 70 Entre as grandes 62,0 60,0 64,3 regiões, no ano de 60 56,3 2006, os indicadores de 50 55,9 brancos, de um lado, e 50,5 de pretos & pardos, de 40 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 outro, eram, invaria- velmente, próximos. Brancos 4 a 6 anos Brancos 7 a 14 anos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Entretanto, não foi ve- Tabluações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Brancos 15 a 17 anos Pretos & Pardos 4 a 6 anos Nota: Entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população rificado nenhum caso residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Pretos & Pardos 7 a 14 anos Pretos & Pardos 15 a 17 anos no qual os indicadores 72 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino eram as do Sudeste, entre as brancas (84,1%) e, curiosamen- Tabela 4.5 - Taxa de cobertura da rede escolar da população residente por faixas etárias selecionadas Tabela 4.5 - Taxa de cobertura da rede escolar da população residente por faixas etárias selecionadas (6 a 4 Tabela 4.5 - Taxa de cobertura da rede escolar da população residente por faixas etárias selecionadas (6 a 4 te, do Nordeste, entre as pretas anos; 7 a 14 (6 a 4 anos; 7 a 14 anos, e segundosegundo os grupos de cor ou raça (branca preta & parda); anos, 15-17 anos) 15-17 anos) e os grupos de cor ou raça (branca e e preta & parda); regiões anos; 7 a 14 anos, 15-17 anos) e segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); regiões regiões geográficas, Brasil, 2006 (em %) geográficas, Brasil, 2006 (em %) & pardas (79,5%). Já as meno- geográficas, Brasil, 2006 (em %) Brancos Pretos & Pardos res ocorreram entre as brancas Grande Região Grande Região Brancos Pretos & Pardos 4 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos 4 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos do Norte (66,8%) e as pretas & 4 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos 4 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos Norte 66,8 97,0 81,0 63,4 96,5 78,5 pardas do Sul e do Centro-Oeste Norte 66,8 97,0 81,0 63,4 96,5 78,5 Nordeste 82,9 98,2 81,4 79,5 97,3 79,0 (69,2%). A maior distância re- Nordeste Sudeste 82,9 84,1 98,2 99,2 81,4 87,9 79,5 76,7 97,3 98,4 79,0 81,7 lativa entre os grupos de cor ou Sudeste Sul 84,1 67,4 99,2 98,9 87,9 82,7 76,7 62,9 98,4 98,4 81,7 73,1 Sul 67,4 98,9 82,7 62,9 98,4 73,1 raça foi registrada no Centro- Centro-Oeste 72,9 99,1 86,3 62,9 98,4 81,0 Centro-Oeste 72,9 99,1 86,3 62,9 98,4 81,0 Oeste (15,9%) e a menor, no Nor- deste (4,3%) (tabela 4.5). Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. No mesmo ano, a quase uni- versalização da cobertura da rede de ensino, para as crianças dos (uma em cada cinco). Em números absolutos, aquelas porcen- entre sete e 14 anos, também tornou ínfimas as desigualdades tagens representavam a situação de vida de 1,85 milhão de jovens entre os dois grupos de cor ou raça, nesta faixa etária, em todas - 61,8% pretos & pardos (gráfico 4.8). as regiões. A maior diferença, de 0,9 ponto percentual, ocorreu no Nordeste. Entre as brancas, a maior taxa foi encontrada no Mesmo entre as crianças de sete a 14 anos, apesar de a porcen- Sudeste (99,2%) e a menor, no Norte (97%). Já entre as pretas & tagem das que não freqüentavam a escola ser proporcionalmente re- pardas a maior foi no Sudeste, Sul e Centro-Oeste (as três com duzida (1,2% das brancas e 2,3% das pretas & pardas), ainda assim, 98,4%) e a menor, no Norte (96,5%) (tabela 4.5). o total pode ser considerado alarmante – 442,2 mil, sendo sete em cada 10 pretas & pardas (gráfico 4.8). As taxas entre adolescentes de 15 a 17 anos das regiões reve- lam, em comparação à faixa etária anterior, uma sensível queda 4.3.2. Taxa Bruta de Escolaridade na freqüência escolar. Assim, em 2006, as maiores coberturas se davam na região Sudeste, tanto para brancos (87,9%) como para Por taxa bruta de escolaridade compreende-se a razão entre pretos & pardos (81,7%). As menores estavam no Norte, tanto o total de estudantes que está freqüentando um determinado para os brancos (81%), como para os pretos & pardos (78,5%). nível de ensino, independentemente de sua idade, dividido pela Em pontos percentuais, a maior diferença relativa entre as taxas população total com idade correspondente ao mesmo nível de de jovens de 15 a 17 anos destes dois grupos de cor ou raça foi re- ensino. Assim, define-se como população em idade de freqü- gistrada no Sul (9,6 pontos percentuais), enquanto que a menor, ência ao ensino fundamental a que tem entre sete e 14 anos de no Nordeste (2,4) (tabela 4.5). idade e população em idade de freqüência ao ensino médio a que tem entre 15 e 17 anos de idade. Apesar da expansão da rede de ensino, de Gráfico 4.8 - População residente de crianças e adolescentes de faixas etárias selecionadas que não freqüentavam Gráfico 4.8 - pré-escolaresidente de crianças e adolescentes deou raçaetárias selecionadas que não freqüentavam creche, de População e escola segundo os grupos de cor faixas (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em número 1995 a 2006, benefician- creche, pré-escola e escola segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), Brasil, 2006 (em número de pessoas) pessoas) do milhões de crianças 1.600.000 e jovens, não se pode afirmar que houve a 1.302.124 efetiva universalização 1.144.214 1.200.000 até 2006. Afinal, neste último ano, 21% das 936.176 crianças brancas e 26% das crianças pretas & 800.000 708.292 pardas entre quatro e seis anos estavam fora da creche, pré-escola 400.000 313.506 ou escola seriada. Em números: 2,24 milhões, 128.703 das quais 58,2% pre- tas & pardas. Entre os 0 4 a 6 anos 7 a 14 anos 15 a 17 anos jovens de 15 a 17 anos, essa situação afetava Brancos Pretos & Pardos 14,9% dos brancos e Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 20,4% dos pretos & par- Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 73
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino A taxa bruta de escolaridade Gráfico 4.9Gráfico 4.9 - Taxa escolaridade no ensino fundamental da população residente segundo os grupos de cor ou - Taxa bruta de bruta de escolaridade no ensino fundamental da população residente segundo os grupos permite a análise da freqüência de cor ou raça e preta & preta &e sexo,e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) raça (branca (branca e parda) parda) Brasil, 1995-2006 (em %) escolar de toda a população e não 135,0 apenas daqueles que possuem a idade padrão para freqüentar a 130,0 escola. Por este mesmo motivo, 125,0 o indicador também expressa parcialmente o nível de defasa- 120,0 gem escolar dos alunos. Por ou- 115,0 tro lado, pela forma como é cal- culado, não é incomum que, em 110,0 alguns casos, o indicador supere 105,0 100%, pois o numerador e o de- nominador nem sempre corres- 100,0 pondem ao mesmo grupo. 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 De 1995 a 2006, a taxa bruta Homens Brancos Mulheres Brancas de escolaridade no ensino funda- Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Total Brancos Homens Pretos & Pardos mental, em todo o país, passou de Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Mulheres Pretas & Pardas Total Pretos & Pardos 117,7% para 114,3% no contingen- te de cor ou raça branca e de 109% para 121,9%, no de cor ou raça preta & parda. Assim, esse indicador a tendência geral, as taxas, tanto de homens como de mulheres, foi um dos poucos a aparentar melhoria das condições de vida dos declinaram, a partir de 2003, entre pretos & pardos, e a partir de pretos & pardos, quando comparado com o dos brancos. Na verdade, 2004, entre brancos (gráfico 4.9). desde 1997 a taxa dos pretos & pardos já era maior (gráfico 4.9). A taxa bruta de escolaridade no ensino médio de todo o país Esse indicador revela o inédito ingresso em massa de pretos & passou de 66,7% para 103%, na população branca, e de 36,1% para pardos no sistema de ensino. Mas, reflete a presença de uma parcela 87,7%, na preta & parda. Nota-se uma significativa aproximação razoável, dessa população, em idades acima da adequada aos respec- em pontos percentuais, de 30,6, em 1995 e, 15,3, em 2006, em am- tivos níveis de ensino e em proporção maior do que entre as pessoas bos os casos favoráveis aos de cor ou raça branca. Por outro lado, brancas que também freqüentavam a escola. De todo modo, desde ao contrário do ocorrido no ensino fundamental, a taxa de pretos & 1998, entre o contingente branco, e 2001, entre o preto & pardo, as pardos não ultrapassou a dos brancos. Ou seja, esse último grupo taxas vêm caindo, indicando declínio das defasagens entre idade e ainda não conseguiu alcançar de forma massiva o ensino médio, série estudada (gráfico 4.9). Mais adiante, quando forem vistos os mesmo em situação de defasagem escolar (gráfico 4.10). indicadores que aferem a qualidade do sistema Gráfico 4.10 - Taxa bruta de escolaridade no ensino médio da população residente segundo os grupos de cor ou raça Gráfico 4.10 - Taxa bruta de escolaridadeBrasil, 1995-2006da população residente segundo grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, no ensino médio (em %) Gráfico 4.10 - Taxa bruta de escolaridade no ensino médio da população residente segundo osos gruposde cor ou raça de ensino, tal realidade (branca e pretapreta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) (branca e & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) ficará evidente. 120,0 108,5 120,0 110,0 108,6 108,5 110,0 103,0 No mesmo perío- 100,0 103,1 97,4 108,6 103,1 99,6 103,0 do, ao desagregar os 90,0 100,0 91,7 97,4 97,1 99,6 87,7 índices por sexo, veri- 80,0 90,0 83,6 91,7 85,5 97,1 87,7 85,5 fica-se que os homens 74,6 80,0 75,3 83,6 74,8 76,6 70,0 76,6 brancos tiveram taxas 66,7 70,0 74,6 75,3 64,8 74,8 superiores às das 60,0 mu- 59,0 66,7 61,4 61,4 64,8 60,0 lheres brancas no 50,0 en- 59,0 51,6 51,6 sino fundamental, 40,0 em- 43,8 50,0 42,4 bora, a partir de 2004, 30,0 36,1 40,0 43,8 42,4 tenha ocorrido uma 28,8 30,0 36,1 20,0 aproximação. Já entre 1995 20,0 1996 28,8 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 os pretos & pardos, em 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Homens Brancos 1997, ocorreu uma al- Mulheres Brancas Homens Brancos teração de posições: a Total Brancos Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Total Brancos taxa dos homens ultra- Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: e 2003 não inclui população residente nas Mulheres Pretas & Pardas Homens Pretos & Pardos Nota: entre os anos de 1995 IBGE, microdadosaPnad. Total Pretos & Pardos passou a das mulheres. áreas rurais da regiãoTabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Norte (exceto Tocantins). Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas Mulheres Pretas & Pardas Total Pretos & Pardos Porém, acompanhando áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). 74 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino As taxas brutas de escolari- Tabela 4.6Tabela 4.6 - Taxade escolaridade da população residenteensino fundamental da população população - Taxa bruta bruta de escolaridade da população residente no no ensino fundamental da dade no ensino médio, no perío- segundo os grupos de cor de cor ou raça (branca epreta & parda) e sexo, grandes regiões,regiões, Brasil, 2006 (em %) segundo os grupos ou raça (branca e preta & parda) e sexo, grandes Brasil, 2006 (em %) do entre 1995 e 2006, decompos- Brancos Pretos & Pardos tas pelos grupos de cor ou raça e Grande Região Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total sexo, caminharam positivamen- Norte 120,2 115,2 117,6 121,7 122,3 121,9 te para todos os grupos que vêm Nordeste 123,6 123,7 123,6 128,4 126,1 127,3 sendo analisados. Contudo, com Sudeste 111,7 112,3 112,0 116,6 116,3 116,5 especial incremento para o grupo Sul 111,1 109,9 110,5 119,5 111,8 115,6 preto & pardo. Assim, medida em Centro-Oeste 116,4 114,5 115,4 122,7 119,4 121,1 pontos percentuais, a taxa bruta Fonte: IBGE, microdados Pnad. de escolaridade no ensino médio Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. entre homens e mulheres bran- cos aumentou, respectivamente, 38,1 e 33,9 e a dos pretos & pardos, 47,8 e 55,8 (gráfico 4.10). As menores taxas dos homens se davam no Nordeste, entre os brancos, de 82,8%, e, no Sul, entre os pretos & pardos, de 68,4%. A tabela 4.6 mostra as taxas brutas de escolaridade no en- Já entre as mulheres, as menores foram de 105,5% das brancas e de sino fundamental desagregadas por grupos de cor ou raça e 95,3% das pretas & pardas, ambas no Nordeste (tabela 4.7 ). sexo, nas regiões geográficas, em 2006. Em todas, as taxas brutas de pretos & pardos eram superiores às dos brancos, em ambos os sexos. 4.4. Indicadores da Qualidade do Sistema de Ensino e do Aproveitamento Escolar Os maiores indicadores no contingente branco foram regis- trados no Nordeste, tanto para os homens (123,6%), como para as Nesta seção são analisados alguns indicadores de medida mulheres (123,7%). O mesmo aconteceu com os homens (128,4%) do grau de proficiência do sistema de ensino. Esses são função e mulheres (126,1%) do contingente preto & pardo. As menores ta- da intensidade das reprovações e do abandono da sala de aula xas da população branca ocorreram no Sul, nos homens (111,1%) – que acarretam distorção entre a idade e a respectiva série e ní- e nas mulheres (109,9%). Na população preta & parda as menores vel de ensino – bem como da efetiva capacidade de aprendiza- taxas foram registradas no Sudeste, entre os homens (116,6%), e do demonstrada pelos estudantes ao final dos níveis escolares. no Sul, entre as mulheres (115,6%). Assim, são abordados os seguintes indicadores: taxa líquida de escolaridade; taxa de adequação de crianças e jovens ao sistema De todo modo, o comportamento desses indicadores, no qual de ensino; taxa de eficiência do sistema escolar; e proficiência os dados apresentados pela região mais pobre do país aparecem nas provas de Português e Matemática do Sistema Nacional de como mais avançados comparativamente às demais, reforça aná- Avaliação da Educação Básica (Saeb). lises anteriores que apontavam a taxa bruta de escolaridade como reflexo da defasagem escolar (tabela 4.6). 4.4.1. Taxa Líquida de Escolaridade Em 2006, ao contrário do ensino fundamental, no ensino Trata-se da razão entre a população que freqüenta a escola em médio verifica-se que, em todas as regiões, os indicadores dos um determinado nível de ensino, na idade adequada, e a população brancos superavam os dos pretos & pardos. As maiores taxas dos total com essa idade, sendo: sete a 14 anos, no ensino fundamental, homens ocorreram no Sudeste: 106,5% entre os brancos e 86,4% e 15 a 17 anos, no médio. Assim, não leva em conta o contingente entre os pretos & pardos. Entre as mulheres, foram registradas que, embora freqüente a escola, está fora da idade esperada. no Sudeste, de 110,4% entre as brancas e no Centro-Oeste, de 106,1% entre as pretas & pardas. O gráfico 4.11 aponta a evolução, de 1995 a 2006, da taxa lí- quida de escolaridade nos níveis de ensino fundamental e médio, Tabela 4.7 - Tabela 4.7 - Taxa bruta de escolaridade no ensinomédioda população residente segundo os grupos de cor Taxa bruta de escolaridade no ensino médio da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e e sexo, regiões geográficas, Brasil,Brasil, 2006 (em %) ou raça (branca e preta & parda) sexo, regiões geográficas, 2006 (em %) decomposta pelos grupos de cor Brancos Pretos & Pardos ou raça. No ensino fundamental Grande Região Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total houve um movimento de conver- gência entre ambos os grupos. Norte 87,4 108,9 99,0 74,5 100,3 86,6 Nordeste 82,8 105,5 94,9 71,0 95,3 82,6 Assim, em 1995, a taxa era de Sudeste 106,5 110,4 108,5 86,4 103,4 94,8 90,2% entre as crianças brancas Sul 90,9 105,8 98,4 68,4 97,5 81,4 e de 80,8% entre as pretas & par- Centro-Oeste 96,3 113,2 104,7 76,5 106,1 90,6 das. Onze anos depois, o mesmo indicador, entre as brancas, subiu Fonte: IBGE, microdados Pnad. para 95,8% e, entre as crianças Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. pretas & pardas, para 94,3%. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 75
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Gráfico 4.11 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente segundo os grupos Gráfico 4.11 - Taxa líquida líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente segundo os grupos Gráficocor e- raça (branca e preta &no ensino fundamental e médio da população residente segundo de 4.11 Taxa de escolaridade parda), Brasil, 1995-2006 (em %) os grupos deraçae(branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %) de cor e cor raça (branca e preta & parda), Brasil, 1995-2006 (em %) 93,4 94,9 95,8 100,0 93,4 94,9 95,8 90,2100,0 90,2 94,3 94,3 92,8 88,6 92,8 80,0 88,6 80,0 80,8 80,8 59,1 59,1 53,1 60,0 53,1 60,0 41,3 41,3 37,8 32,6 37,8 40,0 32,6 28,6 40,0 28,6 18,8 18,8 20,0 12,1 20,0 12,1 0,0 0,0 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Ensino Fundamental Brancos Ensino Fundamental Brancos Ensino Fundamental Pretos & Fonte: IBGE, microdados Pnad. Ensino Fundamental Pretos & Fonte: IBGE, microdados Pnad. Pardos Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Pardos Ensino Médio Brancos Nota: entre os anos Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. de 1995 e 2003 não inclui a população Ensino Médio Brancos residente nas áreasNota: entre os anos de(exceto Tocantins). rurais da região Norte 1995 e 2003 não inclui a população Ensino Médio Pretos & Pardos residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Ensino Médio Pretos & Pardos A mesma taxa no ensino médio também apresentou aumen- tas & pardas conseguiram números melhores que os dos homens tos no período, com redução de desigualdades entre ambos os brancos (tabela 4.8). contingentes. Assim, a taxa líquida de escolaridade dos jovens brancos passou de 32,6% para 59,1% (aumento de 81,3% da co- As diferenças de cor ou raça, dentro de cada grupo de sexo, bertura de ensino), e a dos pretos & pardos, mais que triplicou, também se reduziram expressivamente. Assim, a diferença entre passou de 12,1% para 37,8% (gráfico 4.11). as taxas líquidas de escolaridade de homens brancos e pretos & pardos, que, em 1995, era de 204,3% favoravelmente aos primei- Entretanto, apesar dessas informações positivas, no final do pe- ros, em 2006, caiu para 68,2%. Entre as mulheres, a mesma van- ríodo, a taxa líquida de escolaridade dos jovens pretos & pardos não tagem caiu de 146% para 45,2% (tabela 4.8). era muito melhor do que a dos brancos onze anos antes. Em 2006, enquanto mais de quatro em cada 10 jovens brancos nem estudavam A análise da taxa líquida de escolaridade no ensino fundamen- ou não estavam em algumas das três séries do ensino médio, entre tal, desagregada por cor ou raça nas regiões geográficas, em 2006, os jovens pretos & pardos esse número era superior a seis. revela uma quase convergência entre os brancos e os pretos & par- dos. No Norte chegava a haver uma ligeira vantagem para os pretos A desagregação das taxas líquidas de escolaridade no ensi- & pardos e, no Sul, as respectivas taxas estavam igualadas. no fundamental por grupos de cor ou raça e sexo mostra que, tanto em 1995 como em 2006, havia uma aproximação dos in- Contudo, no ensino médio, verifica-se que, naquele mesmo dicadores de homens e mulheres dos respectivos grupos. Entre ano, em todas as regiões, havia nítidas desigualdades. A menor os brancos, os indicadores de ambos os sexos eram bem seme- diferença ocorreu no Nordeste (de 11,8 pontos percentuais a favor lhantes nos dois anos, embora tenha ocorrido uma inversão, do grupo branco) e a maior, no Sul (de 21,2, também favorável ao com ligeira vantagem para os homens, em 2006. No contingente grupo branco) (gráfico 4.12) preto & pardo, a vantagem foi feminina nos dois anos. De qualquer maneira, apesar da Tabela 4.8 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente segundoslíquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente1995 e Tabela 4.8 - Taxa os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, proximidade ao final do período, as taxas segundos os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995 e 2006 (em %) 2006 (em %) líquidas de escolaridade dos homens e mu- Brancos Pretos & Pardos lheres pretos & pardos no ensino fundamen- Níveis de Ensino Ano Homens Mulheres Homens Mulheres tal ainda eram ligeiramente inferiores às dos 1995 89,6 90,7 79,1 82,5 Ensino Fundamental brancos em ambos os sexos (tabela 4.8). 2006 95,9 95,7 94,0 94,5 1995 28,3 36,9 9,3 15,0 Ensino Médio No que diz respeito às mesmas taxas no 2006 55,0 63,0 32,7 43,4 ensino médio, em 1995 e 2006, em ambos os grupos de cor ou raça, as mulheres apresen- Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. tavam indicadores mais expressivos que os Nota: no ano de 1995 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) homens. Porém, nem assim as mulheres pre- 76 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Gráfico 4.12 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente Gráfico 4.12 - grupos de cor ou raça (branca e ensino fundamental e médio da população residente segundo os Taxa líquida de escolaridade no preta & parda), grandes regiões, Brasil, 2006 (em %) segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), grandes regiões, Brasil, 2006 (em %) Em 2006, subiram, respectivamente, para Gráfico 4.12 - Taxa líquida de escolaridade no ensino fundamental e médio da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda), grandes regiões, Brasil, 2006 (em %) 49,8% e 33,1%, com redução da distância 100,0 100,0 relativa entre os dois grupos. 80,0 80,0 Por outro lado, os mesmos dados reve- lam que, em 2006, nem metade das crian- 60,0 60,0 ças brasileiras, de 11 a 14 anos, freqüentava a escola na série esperada, mesmo entre as 40,0 40,0 brancas. Todavia, ainda pior era a situação das pretas & pardas, das quais somente 20,0 20,0 um terço freqüentava a escola na série cor- reta (gráfico 4.14). 0,0 0,0 Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos Ensino Fundamental Brancos Ensino Médio Pretos & Pardos No segundo ciclo do ensino funda- Ensino Fundamental Ensino Médio mental, a mesma desagregação da taxa Norte Norte Nordeste Nordeste Sudeste Sudeste Sul Sul Centro Oeste Centro Oeste de adequação mostra, no mesmo período, Fonte: IBGE, microdados Pnad. que as meninas brancas e pretas & pardas Fonte: IBGE, microdados Pnad. das Desigualdades Raciais Tabulações: LAESER - Fichário Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais apresentavam indicadores mais favoráveis do que seus colegas. Mesmo assim, as ta- xas das meninas pretas & pardas não eram 4.4.2. Taxa de Adequação de Crianças mais favoráveis que as dos meninos e meninas brancos. e Jovens ao Sistema de Ensino Considerando-se apenas 2006, a maior taxa de adequação no Essa taxa reflete o percentual de crianças e jovens que fre- segundo ciclo ocorreu entre as meninas brancas (52,7%) e a me- qüentam a escola dentro da série esperada, conforme suas idades. nor, entre os meninos pretos & pardos (27,9%) (gráfico 4.14). Assim, pelo menos até 2010, enquanto se espera que o ingresso no sistema seriado de todo o país passe a ser aos seis anos de idade, No ensino médio, de 1995 a 2006, as taxas de adequação por uma criança de sete anos deveria estar no primeiro ano do funda- parte da população entre 15 e 17 anos também cresceram, mas per- mental, assim sucessivamente até os 17 anos, onde deveria estar maneciam baixas em comparação aos dois ciclos do fundamental. freqüentando o terceiro ano do médio. Ou seja, para aferição da Assim, entre os jovens brancos, passou de 17,7% para 37,4%. No qualidade do atendimento da rede escolar, este indicador é mais caso dos jovens pretos & pardos, esse indicador saltou de irrisórios refinado que a taxa líquida de escolaridade, pois reflete a relação 4,9% para 19,3% (gráfico 4.15). Mais uma vez, observou-se a po- entre idade e série e não só com o nível (fundamental ou médio). sitiva aproximação das respectivas taxas. Entretanto, a dos jovens de cor ou raça preta & parda, em 2006, era pouco maior que a me- No primeiro ciclo do nível fundamental (sete a 10 anos de ida- tade da registrada entre os brancos em 1995. Por outro ângulo: se a de), essas taxas, em 1995, eram de 52,5% entre os brancos e 30,7% taxa de adequação dos jovens brancos, inferior a 40%, estava longe entre os pretos & pardos e, em 2006, passaram para, respectivamen- do ideal, como classificar a situação dos pretos & pardos, dos quais te, 62,2% e 52,3%. Ou seja, ocorreu uma redução significativa das mais de 80% estavam fora da escola ou apresentavam alguma de- diferenças, mas a situação das crianças pretas & pardas era pratica- fasagem? (gráfico 4.15) mente a mesma das brancas, onze anos antes. Assim, pouco mais da metade das crianças preta & pardas, de sete a 10 anos, estudava na Ainda no ensino médio, a decomposição da taxa de adequação série correta (gráfico 4.13). também por sexo, revela, novamente, que os indicadores das jo- vens estudantes eram mais favoráveis, em ambos os grupos de cor Quando decompostas pelos grupos de cor ou raça e sexo, as ou raça. Tal como ocorreu com as taxas de adequação ao primeiro taxas de adequação ao sistema de ensino fundamental do primeiro e segundo ciclo do ensino fundamental, de 1995 a 2006, houve uma ciclo, de 1995 a 2006, configuravam ligeira vantagem das alunas redução nas distâncias relativas entre os respectivos indicadores, no contingente branco. O mesmo seu deu no contingente preto & tanto entre os grupos de cor ou raça, como entre os de sexo. De pardo, no qual a taxa das meninas permaneceu superior à dos me- todo modo, as desigualdades de cor ou raciais e de sexo eram ní- ninos durante todo o período (gráfico 4.13). tidas. Em 2006, a taxa das jovens brancas era de 42,2%, ao passo que a dos jovens brancos, de 32,3%. No contingente preto & pardo, Uma leitura comparativa dos gráficos 4.13, 4.14 e 4.15 eviden- a taxa era de 23,4%, entre as moças, e de 15,5% entre os rapazes. cia que as taxas de crianças e adolescentes de todo o país caíam Portanto, a taxa de adequação ao sistema de ensino médio das mo- quanto maior a idade. Dessa forma, no segundo ciclo do ensino ças pretas & pardas era 8,9 pontos percentuais abaixo da registra- fundamental, as taxas das crianças brancas e pretas & pardas (de da entre os rapazes brancos. A dos pretos & pardos era inferior, em 11 a 14 anos), em 1995, eram de, respectivamente, 31% e 12,1%. 26,7 pontos percentuais, à das moças brancas (gráfico 4.15). Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 77
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos 4.4.3. Taxa de Eficiência de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos 70,0 do Sistema de Ensino Gráfico 4.13 - Taxa de adequação aode cor ou de ensino (1o e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) a 10 anos Gráfico idadeTaxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos de 4.13 - segundo os grupos sistema raça (branca ciclo do fundamental)62,4 população residente de 7 da 61,5 de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo ou raça (branca eda população residenteBrasil, 1995-2006 (em %) de idade segundo os grupos de cor do fundamental) preta & parda) e sexo, de 7 a 10 anos 58,6 60,0 70,0 de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) É a razão entre o total de 70,0 54,1 70,0 62,4 61,5 62,4 61,5 50,0 pessoas que freqüentam uma 60,0 60,0 54,1 58,6 58,6 58,6 62,4 47,3 61,5 50,0 60,0 determinada série com a idade 54,1 50,0 40,0 54,1 desejada e o total de pessoas 50,0 50,0 36,2 47,3 47,3 50,0 50,0 30,0 da mesma série. Aqui, tal como 50,0 40,0 47,3 40,0 27,8 40,0 ocorreu no estudo das taxas 30,0 20,0 36,2 36,2 36,2 brutas de escolaridade, não se 30,0 30,0 27,8 10,0 27,8 considera somente os indicado- 27,8 20,0 20,0 20,0 res de escolarização de crian- 10,0 0,0 ças e adolescentes, mas de toda 10,0 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 10,0 a população. Porém, ao contrá- Homens Brancos 0,0 0,0 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 0,0 Mulheres Brancas rio da taxa de adequação, que 1995 Fonte: IBGE, microdados Pnad 1997 1996 1995 1997 1996 1998 1999 1998 2001 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 1999 2002 2001 2003 2002 2004 2003 2005 2004 2006 2005 Total Brancos Homens Brancos 2006 mede a distribuição das res- Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Homens Brancos Homens Brancos Mulheres Brancas Pretos & Pardos Homens Fonte: IBGE, microdados Pnad Mulheres Brancas pectivas populações em idadeIBGE, microdados Pnad LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Fonte: Fonte: IBGE, Tabulações: microdados Pnad Tabulações: anos de 1995 e 2003 não inclui a população LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas Total Brancos Total Brancos Nota: entre os escolar pela freqüência e série os anos de 1995 e 2003áreasinclui a da região Norte (exceto Tocantins) Tabulações: LAESER - Fichário das anos de 1995 e Raciais. inclui a população Nota: entre Desigualdades 2003 não Nota: entre áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) residente nas os residente nas não rurais população Total Brancos Homens Pretos Pretos & Pardos Total & Pardos Homens Pretos & Pardos esperada, a taxa de eficiência residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Homens Pretos & PardosMulheres Pretas & Pardas Mulheres Pretas & Pardas Mulheres Pretas & Pardas Pretos & Pardos Total Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos do sistema de ensino permite a Total Pretos & Pardos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta Total Pretos e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) & parda) & Pardos análise do total de freqüências 70,0 Gráfico 4.14 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (2o ciclo do fundamental) da população residente de 11 a 14 61,5 ou matrículas em uma deter- Gráfico 4.14 -60,0Gráficoadequaçãoaodesistemade ensino (2o ciclo ensino(branca e preta & parda)residente de 7 a1995-2006 de 11 a 14 62,4 Gráfico 4.13 -Taxa de anos de Taxa segundo de grupos (1o cor ou raça (2o ciclo do fundamental) da população a 14 4.14 - idade adequação ao sistema de do fundamental) da população e sexo, Brasil, residente Taxa deadequação aosistema os ensino de ciclo do fundamental) da população residente de 11 10 anos (em %) 58,6 de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006Brasil, 1995-2006 (em %) idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e preta & parda) e sexo, (em %) anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca minada série. 70,0 anos de 54,1 e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) 70,0 70,0 50,0 62,4 61,5 50,0 De 1995 a 2006, no primei- 60,0 60,0 40,0 60,0 58,6 47,3 54,1 50,4 52,7 ro ciclo do nível fundamental, 50,0 50,0 36,2 50,4 52,7 50,0 em todo o país, a taxa de efici- 30,0 41,0 41,0 47,3 50,0 ência do sistema de ensino pas- 35,3 40,0 40,0 40,0 20,0 35,3 27,8 sou de 50,2% para 70,2%,30,0 na 30,0 30,0 36,2 27,9 população branca, e de 26,5% 27,8 20,0 27,9 10,0 23,6 23,6 para 57,9%, na preta & parda.20,0 20,0 0,0 13,2 Portanto, no período, ocorreu10,0 10,0 10,0 9,3 1995 1996 13,2 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 9,3 uma sensível redução das dife- 0,0 Homens Brancos 0,0 renças. Contudo, ainda assim, 1995 0,0 1996 1995 1997 1996 Fonte: IBGE, microdados Pnad 1998 1997 1999 1998 2001 1999 2002 2001 2003 2002 2004 2003 2005 2004 Mulheres2005 2006 Brancas 2006 1995 1996 1997 1998 1999 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 2001 2002 2003 2004 2005 2006 persistiram fortes desigualda- Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Total Brancos Homens Brancos Homens Pretos & Pardos residente nas áreasIBGE, microdados Pnad. (exceto Tocantins) Homens Brancos Homens Brancos Fonte: rurais da região Norte des entre os dois grupos. As- Fonte: IBGE, microdados Pnad. LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: Mulheres Brancas Mulheres Brancas Mulheres Brancas MulheresTotal Brancos Pretas & Pardas Tabulações: Fonte: IBGE, microdados Pnad LAESER - Fichário das anos de 1995 e Raciais. inclui a população Nota: entre os Desigualdades 2003 não sim, no fim do período, 47,1% LAESER residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Tabulações: Nota: entre os anos de 1995 e 2003áreasinclui a da região Norte (exceto Tocantins). residente nas não rurais população - Fichário das Desigualdades Raciais. Total Brancos Total Brancos Homens Pretos & Pardos Homens Pretos & Pardos& Pardos Total Pretos Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população- população residente de Pretas & anos Mulheres 7 10 Pardas da população preta & parda no nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins)Taxasegundo os grupos de cor de ensino (1o ciclopretafundamental)&da Mulheres Pretas & Pardas(em %)a Pardos residente Gráfico 4.13 de idade de adequação ao sistema ou raça (branca e do Homens Pretos Pardos & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 Pretos & Total Pretos & Pardos Total primeiro ciclo apresentava de- 70,0 Mulheres Pretas & Pardas fasagem escolar, enquanto en- Gráfico 4.13 idade segundo os grupos de cor de ensino (1o ciclopreta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em 7 a 10 anos Total 62,4 & Pardos Pretos 61,5 Gráfico 4.14 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (2o ciclo do fundamental) da população residente de 11 a 14 - Taxa de adequação ao sistema do fundamental) da população residente de anos de 60,0 Gráfico 4.15 - Taxa de adequação aoao sistema de ensino médioda população residente de %) a a 17 anos de idade Gráfico 4.15 - Taxa de adequação sistema de ensino médio da população residente de 15 17 anos de idade ou raça (branca 58,6 e tre os brancos esse percentual de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) 54,1 segundo os os grupos de cor ou raça (branca preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) segundo grupos de cor ou raça (branca e e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) 15 70,0 70,0 era de 29,8% (gráfico 4.16). 50,0 70,0 62,4 61,5 50,0 60,0 58,6 47,3 60,0 54,1 40,0 50,4 52,7 Quando os índices são 50,0 de- 60,0 50,0 36,2 sagregados por sexo, verifica-se 30,0 50,0 41,0 47,3 50,0 42,2 que as mulheres se beneficiam 35,3 40,0 40,0 40,0 27,8 20,0 35,5 com mais eficácia do ensino 30,0 36,2 27,2 27,9 30,0 30,0 no primeiro ciclo do ensino 27,8 20,0 10,0 20,3 23,6 fundamental e, mais uma 20,0 vez, 20,0 13,2 0,0 em ambos os grupos de cor10,0 ou 9,3 1995 10,0 1996 1997 1998 1999 2001 10,6 2002 2003 2004 2005 15,5 2006 10,0 raça. Em 2006, enquanto a taxa 0,0 0,0 3,5 5,5 Homens Brancos dos homens brancos era 0,0de 1995 1996 1997 1995 1998 Fonte: IBGE, microdados Pnad 1999 1996 2001 1997 1998 1999 2002 2001 2003 2002 2004 2003 2005 2004 2006 2005 Mulheres Brancas 2006 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 68,5%, a das mulheres brancas Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Total Brancos Homens Brancos Homens Brancos Fonte: IBGE, microdados Pnad. Homens Brancos Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos chegava a 72,1%. No contingen- Fonte: residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Mulheres Brancas Mulheres Brancas Total Brancos Mulheres Pretas & Pardas Total Brancos & Pardos Homens Pretos te preto & pardo, a taxa de efici- LAESER residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: entre Fonte: IBGE, microdados Pnad os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Homens Pretos && Pardas Mulheres Pretas Pardos Tabulações: - Fichário das Desigualdades Raciais. Total Brancos Total Pretos Total Pretos & Pardos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas ência era de 46,9% entre os ho- nas áreas rurais da eregião Norteinclui a população Nota: entre os anos de 1995 2003 não residente (exceto Tocantins) Homens Pretos & Pardos Pretos & Pardos Total mens (21,6 pontos percentuais Mulheres Pretas & Pardas Total Pretos & Pardos 78 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) Gráfico 4.16 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental a menos do que a das mulheres Gráfico 4.164.16 - Taxa de eficiênciasistema de ensinopreta & parda) e sexo, Brasil; 1995-2006 (em %) ensino fundamental 70,0 Gráfico - Taxa de eficiência do do sistema de e para população residente que freqüentava o (1o ciclo) segundo os grupos de cor ou raça (branca ensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental (1o(1o ciclo) sistema grupos de cor corraçaraça (branca e preta & parda) e62,4Brasil; 1995-2006 (em %) ciclo) segundo os os grupos de ou ou (branca e preta & parda) e sexo, Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao segundode ensino (1o ciclo do fundamental) da população residenteBrasil; 1995-2006 (em %) sexo, de 7 a 10 anos 61,5 brancas) e de 54,9% entre as 58,6 80,0 de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) idade 54,1 mulheres (17,2 pontos abaixo 80,0 70,0 50,0 62,4 69,1 61,5 72,1 72,1 da verificada entre as brancas) 70,0 69,1 60,0 70,0 58,6 58,4 47,3 50,0 (gráfico 4.16). 54,1 40,0 58,4 60,0 53,5 60,0 50,0 53,5 30,0 36,2 50,0 A taxa de eficiência no se- 50,0 47,3 40,0 50,0 27,8 48,5 gundo ciclo do fundamental 48,5 40,0 40,0 20,0 36,2 41,5 41,5 aparece no gráfico 4.17. Em 30,0 10,0 uma rápida comparação com 30,0 27,8 20,0 30,0 28,3 os gráficos 4.16 e 4.18, pode- 28,3 20,0 23,5 20,0 0,0 23,5 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 se perceber como o sistema de 10,0 10,0 Homens Brancos ensino brasileiro perde eficácia 0,0 1995 10,0 1996 1997 1998 Fonte: IBGE, microdados Pnad 1995 1996 1997 1999 1998 2001 1999 2002 2001 2003 2002 2004 2003 2005 2004 2006 Mulheres Brancas 2005 2006 na medida em que avança de 1995 1996 1997 1998 1999 2001 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população 2002 2003 2004 2005 2006 Total Brancos nível. De 1995 a 2006, a taxa de Homens Brancos Fonte: IBGE, microdados Pnad. residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Tabulações: LAESER - Fichário microdados Pnad. Raciais. Fonte: IBGE, das Desigualdades Homens Brancos Homens Pretos & Pardos Mulheres Brancas Homens Brancos eficiência no segundo ciclo pas- Mulheres Brancas Brancos Total Mulheres Brancas sou de 38,2% para 56,9%, entre Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Mulheres Pretas & Pardas Fonte: IBGE, microdados Pnad Total Brancos Homens Pretos & Pardos residente nas áreas rurais da região Norte 1995 e 2003 não inclui a população Nota: entre os anos de (exceto Tocantins). Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Total Brancos Total Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Homens Pretos & Pardos residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Total Pretos Pardas Mulheres Pretas & Pardas Homens Pretos & Pardos & Pardos as crianças brancas e, de 19,2% Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos Mulheres Pretas & Pardas de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) Total Pretos & Pardos para 38,5%, entre as pretas & Gráfico 4.17 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental 70,0 Total Pretos & Pardos (2o ciclo) segundo os grupos de cor ou raça (brancaensino para população residente que freqüentava o ensino fundamental pardas (gráfico 4.17). Gráfico 4.17 - Taxa de de eficiência do sistema deeensino&para população Brasil; 1995-2006 (em %) o ensino fundamental Gráfico 4.17 - Taxa eficiência do sistema de preta parda) e sexo, residente que freqüentava 61,5 62,4 Gráfico 4.13 - Taxa de adequaçãosegundo os de ensino (1o ciclo raça (branca e preta& parda) e sexo, Brasil; 1995-2006(em %) (2 ciclo) ao sistema grupos de cor ou raça (branca e preta população sexo, Brasil; 1995-2006 (em %) o 80,0 (2o ciclo) segundo os grupos de cor ou do fundamental) da & parda) e residente de 7 a 10 anos 58,6 de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) 80,0 idade 54,1 Novamente, observa-se re- 70,0 70,0 50,0 62,4 61,5 duções das distâncias relativas 60,0 70,0 58,6 47,3 59,9 50,0 entre os grupos de cor ou raça, 60,0 54,1 60,0 40,0 53,6 59,9 que, porém, ainda permane- 50,0 50,0 30,0 44,3 36,2 47,3 53,6 50,0 cem. Assim, em 2006, do total 40,0 42,1 50,0 27,8 44,3 de estudantes da quinta à oita- 40,0 40,0 20,0 42,1 36,2 va série do ensino fundamen- 30,0 30,0 10,0 33,5 tal, 43,1% dos alunos e alunas 27,8 brancos tinham idade superior 33,5 30,0 20,0 25,6 20,0 0,0 1995 1996 19,1 1997 1998 1999 2001 25,6 2002 2003 2004 2005 2006 à esperada e isso ocorria com 16,5 20,0 10,0 10,0 16,5 19,1 Homens Brancos mais de 60% dos pretos & par- 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 0,0 10,0 Fonte: IBGE, microdados Pnad 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 Mulheres Brancas 2005 2006 dos (gráfico 4.17). 1995 1996 1997 1998 1999 2001 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 2002 2003 2004 2005 2006 Homens Brancos Brancos Total Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Mulheres Brancas residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Homens Brancos Total BrancosHomens Pretos Brancos Homens & Pardos Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos Quando os mesmos indi- Mulheres Brancas Mulheres Pretas & Pardas Fonte: IBGE, microdados Pnad Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Fonte: IBGE, microdados Pnad. residente nas áreas Tabulações: LAESER(exceto Tocantins). rurais da região Norte - Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais.1995 e 2003 não inclui a população Total Brancos Total Brancos Mulheres Pretas & Pardas Total Pretos & Pardos & Pardos Homens Pretos Total Pretos & Pardos cadores são desagregados por Nota: entre os anos de Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não residente população inclui a nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas Total Pretos & Pardos sexo, confirma-se o melhor Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos Mulheres Pretas & Pardas de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) aproveitamento do conjunto Gráfico70,0 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino médio 4.18 Total Pretos & Pardos das alunas, mais uma vez, nos segundo os grupos de cor ou raça do sistema de ensino para população residente (em %) Gráfico 4.18 - Taxa de eficiência (branca e preta & parda) e sexo, Brasil; 1995-2006 que freqüentava o ensino médio Gráfico 4.18 - Taxa de eficiência do sistema de ensino para população residente que freqüentava o ensino médio segundo os grupos ensino ou raça (branca e preta & parda) e sexo,residente 1995-2006 (em%) de cor (1o ciclo (branca e preta & população Brasil; 1995-2006 (em 62,4 Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistemagrupos de cor ou 58,6do fundamental) da parda) e sexo, Brasil; de 7 a 10 anos %) segundo os de raça 61,5 dois grupos de cor ou raça. Em 80,0 de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) 80,0 idade 54,1 2006, a taxa dos alunos e alunas 70,0 70,0 50,0 62,4 61,5 brancos, era, respectivamente, 60,0 70,0 58,6 47,3 50,0 de 54,0% e 59,9%. Já no contin- 60,0 54,1 60,0 40,0 gente preto & pardo, de 33,5% 50,0 50,0 30,0 36,2 44,8 50,0 52,1 para os homens (inferior em 47,3 40,0 37,1 50,0 27,8 40,0 44,8 52,1 26,4 pontos percentuais à das 40,0 20,0 37,1 36,2 40,0 mulheres brancas) e de 43,5% 40,0 30,0 30,0 10,0 para as mulheres (16,4 pontos 27,8 20,0 30,0 26,3 percentuais a menos que a das 20,0 0,0 1995 1996 1997 1998 1999 21,3 2001 2002 2003 2004 2005 26,3 2006 brancas) (gráfico 4.17). 10,0 20,0 17,3 15,9 21,3 Homens Brancos 10,0 17,3 0,0 1995 10,0 1996 15,9 1997 1998 Fonte: IBGE, microdados Pnad 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Mulheres Brancas No ensino médio, a taxa de 1995 1996 1995 1997 1996 1998 1997 1999 1998 2001 1999 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população 2002 2001 2003 2002 2004 2003 2005 2004 Homens Brancos 2006 2005 Total Brancos 2006 eficiência, de 1995 a 2006, au- Fonte: IBGE, microdados Pnad.rurais da região Norte (exceto Tocantins) residente nas áreas Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Mulheres Brancas Homens Brancos Total Brancos Homens Brancos Pardos Homens Pretos & Mulheres Brancas mentou de 35% para 48,2%, en- Fonte: IBGE, não inclui a população Nota: entre os anos de 1995 e 2003 microdados Pnad. tre os brancos e, de 17,3% para Mulheres Brancas Pretos & Pardos Homens Mulheres Pretas & Pardas Fonte: IBGE, microdados Pnad áreas rurais da regiãoLAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. residente nas Tabulações: Norte (exceto Tocantins). Total Brancos Mulheres Pretas & Pardas Nota: entre os anos de Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 1995 e 2003 não inclui a população Total Brancos Total Pretos & Pardos Homens Pretos & Pardos Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a populaçãorurais da região Norte (exceto Tocantins). residente nas áreas residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Total Pretos & Pardos Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas 29%, entre os pretos & pardos. Total Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas Total Pretos & Pardos Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 79
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Assim, em termos relativos, as desigualdades de cor ou raça dimi- bases de microdados. Isso impediu a apuração de informa- nuíram no período. Entretanto, em 2006, o número de estudantes ções da Prova Brasil de 2005 e de 2006. em idade superior à esperada superava 70% do total entre os pre- tos & pardos, enquanto que a mesma defasagem afetava 51,8% dos Na análise comparativa das notas dos exames do Saeb, ob- brancos (gráfico 4.18). serva-se que, em todas as séries, em ambos os sexos e em todos os anos de aplicação das provas, os estudantes brancos obti- Quando desagregada por sexo, a taxa de eficiência do sistema veram resultados superiores aos dos pretos & pardos. Assim, do ensino médio também era mais favorável às mulheres, brancas em 2003, no exame de matemática, as notas dos alunos brancos e pretas & pardas. Em 2006, a taxa era de 43,5% para os estudantes foram 7,5%, 7,4% e 8% mais altas que as dos pretos & pardos, brancos e de 51,1% para as brancas. Para os estudantes pretos & respectivamente, na quarta série do ensino fundamental, na pardos, era de 26,3% no sexo masculino e de 31,2% no feminino. oitava e no terceiro ano do ensino médio. Já entre as alunas, no Respectivamente, 24,8 e 19,9 pontos percentuais inferiores ao mes- mesmo ano, as brancas obtiveram notas superiores às pretas & mo indicador dos estudantes brancos dos correspondentes grupos pardas no exame de matemática em 7%, 9,3% e 23%, respecti- de sexo (gráfico 4.18). vamente, na quarta série do ensino fundamental, nas mesmas séries (tabela 4.9). 4.4.4. Indicadores de Rendimento Escolar No mesmo ano, as diferenças se mantinham no exame de por- Apesar de os indicadores analisados até aqui mostrarem im- tuguês. Assim, as notas médias dos estudantes brancos eram su- portantes aspectos das lacunas ainda presentes no sistema de periores às dos pretos & pardos em 7,5%, 7,4% e 5,5%, respectiva- ensino brasileiro, mesmo com sua forte expansão ao longo dos mente nas mesmas séries. Já entre as alunas, no mesmo exame, as últimos anos, nenhum deles foi capaz de revelar outro ponto no brancas também obtiveram notas médias maiores em 5,4%, 7,2% que diz respeito ao efetivo grau de aproveitamento dos conteúdos e 7,3% (tabela 4.9). educacionais. Uma das poucas bases de dados que permitem esse tipo de abordagem é o resultado das provas do Saeb, atualmen- A análise da evolução do nível de proficiência de crianças e jo- te Prova Brasil, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e vens brancas e pretas & pardas, em ambos os sexos, nas provas de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira do Ministério da Educa- matemática e de português do Saeb, de 1995 a 2003, também revela ção e Cultura (Inep/MEC). um dado preocupante. Com a única exceção do resultado obtido pe- las brancas do terceiro ano do ensino médio na prova de matemática São exames de matemática e português para estudantes (cuja nota média aumentou 1,1%), em todos os casos ocorreram re- em conclusão de etapas do ensino – quarta e oitava séries do duções das notas médias em 2003, em comparação com 1995. ensino fundamental e terceira do ensino médio. Estas são as fontes nesta subseção, de 1995 a 2003. Infelizmente, o Inep/ Na comparação mais imediata, entre 2003 e 2001, nos exames MEC, ao contrário do Instituto Brasileiro de Geografia e Esta- de matemática, houve ligeiras melhorias nas notas de todos os gru- tística (IBGE) e do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde pos de cor ou raça e sexo, menos entre as meninas brancas e os me- (Datasus), ainda não definiu uma política de difusão de suas ninos pretos & pardos da quarta série do nível fundamental. Nos estatísticas educacionais, principalmente sobre o acesso às exames de português, no mesmo período, a melhoria das notas dos Tabela 4.9 - NotasTabela 4.9nos exames de proficiência de matemática e português no Sistema Nacional de Avaliaçãoda Educação básica (Saeb) médias - Notas médias nos exames de proficiência de matemática e português no Sistema Nacional de Avaliação da Educação básica (Saeb) segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta &e preta &e sexo, Brasil, 1995-2003 (em número de pontos obtidos nosnos exames) segundo os grupos de cor ou raça (branca parda) parda) e sexo, Brasil, 1995-2003 (em número de pontos obtidos exames) 4ª Série do Ensino Fundamental 8ª Série do Ensino Fundamental 3ª Série do Ensino Médio Exames Ano Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres 1995 197,5 195,6 188,9 183,2 270,5 257,2 252,0 235,7 305,9 280,7 287,1 235,7 1997 197,4 195,3 188,3 183,9 265,6 252,4 245,0 233,1 310,4 289,3 285,7 233,1 Exame de Matemática 1999 187,7 187,1 175,7 176,1 259,8 249,6 244,9 229,3 297,0 285,3 276,7 229,3 2001 186,5 186,0 174,8 170,8 258,5 248,0 240,1 227,3 296,3 279,4 275,1 227,3 2003 186,9 183,1 173,9 171,2 259,7 252,1 241,8 230,7 298,2 283,6 276,1 230,7 1995 190,2 196,6 181,8 187,2 262,7 267,7 244,9 246,4 298,4 298,0 279,7 278,0 1997 187,7 195,5 177,6 187,0 252,6 260,2 241,4 242,3 289,0 292,8 267,9 274,1 Exame de Português 1999 173,6 181,5 161,0 169,3 232,9 244,5 219,3 228,3 267,9 279,9 251,5 257,7 2001 168,0 181,8 157,1 167,8 238,2 248,7 220,2 232,7 266,8 273,3 250,2 253,6 2003 170,9 181,8 159,0 172,4 233,6 247,9 217,5 231,3 268,9 280,0 254,8 260,8 Fonte: Inep / MEC, microdados do Saeb. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: médias baseadas em procedimentos estatísticos menos rigorosos pela definição do Inep/MEC. Segundo a metodologia do SAEB 2003, as notas de matemática variavam de 0 a 425 pontos, tendo sido considerados satisfatórios 200 pontos, para a 4ª série do ensino fundamental; 300 pontos para a 8ª série do ensino fundamental e 375 pontos para o 3º ano do ensino médio. No exame de português do SAEB/2003, as notas variavam de 0 a 375 pontos, tendo considerados satisfatórios 200 pontos, para a 4ª série do ensino fundamental; 300 pontos para a 8ª série do ensino fundamental e 350 pontos para o 3º ano do ensino médio. 80 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Box 4.3. Desigualdades no rendimento escolar de alunos e alunas nos exames de português e matemática do Saeb. Uma curiosa diferença. As sucessivas edições do Saeb revelaram uma curiosa desigualdade entre os grupos de sexo existentes no sistema educacional brasileiro. Assim, tendo por eixo o plano nacional, com poucas exceções, os estudantes do sexo masculino tiram notas maiores em matemática, en- quanto as estudantes tiram notas maiores em português. De qualquer maneira, vale salientar que estas diferenças de gênero, geralmente, se davam apenas dentro do mesmo grupo de cor ou raça. Ou seja, em todas aquelas edições do Saeb, com uma única exceção pontual (quarta série do ensino fundamental, prova de português, ano de 2003), as notas das estudantes pretas & pardas, em todos os pontos da série, foram inferiores às notas dos meninos brancos, inclusive no exame de português (tabela 4.9). diferentes grupos teve menor alcance, ocorrendo apenas entre os Entre os anos de 1995 e de 2006, aumentou, em todo o país, meninos brancos, meninos e meninas pretos & pardos da quarta o número de estudantes que freqüentavam o ensino superior: de série do ensino fundamental e de todos os estudantes no terceiro 1.993.418, em 1995, para 5.872.940, em 2006. Esse saldo líquido de ano do ensino médio. De qualquer maneira, mesmo considerando crescimento, em termos médios geométricos, foi de 1,61% ao ano. essas melhorias, a tendência pode ser incipiente, não sendo possí- E, como será visto, beneficiou as pessoas de todos os grupos de cor vel maiores conclusões devido à indisponibilidade dos indicadores ou raça e sexo (tabela 4.10). do Saeb dos anos mais recentes. No período compreendido entre 1995 e 2006, o número total Por outro lado, quando analisados de forma combinada, ve- de estudantes universitários de cor ou raça branca passou de 1,50 rifica-se que a evolução dos indicadores de proficiência e o rumo milhões para 4,03 milhões em todo o país. O resultado foi um sal- tomado pelas desigualdades de cor ou raça, de 1995 a 2003, mes- do líquido de ingresso às universidades de cerca de 2,53 milhões de mo de forma não expressiva, quase sempre, têm resultado nega- pessoas (crescimento de 168,3%). Destas, 41,6% eram do sexo mas- tivo. Assim, com exceção dos resultados obtidos pelas mulheres, culino e 58,4% do sexo feminino. Entre o contingente de cor ou raça brancas e pretas & pardas, no exame de português da oitava série preta & parda, o número de estudantes no ensino superior passou de do ensino fundamental e pelos homens, brancos e pretos & par- 341,24 mil, em 1995, para 1,76 milhões, em 2006, resultando em um dos, no de matemática do terceiro ano do ensino médio, em todas saldo líquido de ingresso no ensino superior de cerca de 1,42 milhões as demais situações, o rendimento escolar dos estudantes pretos de pessoas (crescimento de 415,0%). Destas, 41,7%, eram do sexo & pardos caiu proporcionalmente mais do que o dos brancos. masculino e 58,3% do sexo feminino (tabela 4.10). Ainda que se argumente que as respectivas evoluções pode- Entre 2002 e 2006, observa-se que entre as pessoas brancas houve riam estar dentro das margens de erro da amostra, o máximo que um aumento de 17,4% no número de estudantes das universidades pú- se poderia concluir é que as desigualdades permaneceram pratica- blicas e de 31,1% nas universidades particulares. Neste mesmo contin- mente inalteradas no período (tabela 4.9). gente, entre os homens, o crescimento da freqüência no ensino supe- rior público cresceu 20,8%, e, no particular, 29,7%. Entre as mulheres brancas esse crescimento foi de, respectivamente, 14,6% e 32,3%. 4.5. Acesso ao Ensino Superior No mesmo período, entre o contingente preto & pardo ocorreu O tema das desigualdades de cor ou raça no acesso ao ensi- um aumento de freqüência de 31,4% no sistema de ensino público no superior foi, proposital- mente, deixado para uma Tabela 4.10 - População residente que freqüentava instituições de ensino de de nível superior segundo os grupos de cor Tabela 4.10 - População residente que freqüentava instituições de ensino nível superior segundo os grupos de cor seção à parte. Essa opção é ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil,1995-2002-2006 (em (em número de pessoas) ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2002-2006 número de pessoas) fruto do momento político Sexo 1995 2002 2006 no qual esse debate é fei- Total Público Privado Total Público Privado Total Brancos to, posto que há uma for- Homens 678.965 342.780 1.014.465 1.357.245 414.174 1.315.438 1.729.612 te pressão do Movimento Mulheres 822.116 434.262 1.361.349 1.795.611 497.689 1.800.409 2.298.098 Negro pela democratiza- Total 1.501.081 777.042 2.375.814 3.152.856 911.863 3.115.847 4.027.710 ção do acesso às universi- Pretos & Pardos Total Público Privado Total Público Privado Total dades, especialmente, as Homens 148.033 151.662 224.923 376.585 216.956 521.540 738.496 públicas, para garantir a Mulheres 193.214 224.236 337.819 562.055 277.147 741.693 1.018.840 diversidade étnico-racial Total 341.247 375.898 562.742 938.640 494.103 1.263.233 1.757.336 do corpo discente nestes Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. espaços (e, certamente, do- Nota: nos anos de 1995 e de 2002, não inclui a população residente nas áreas rurais da Região Norte. No ano de 1995, a PNAD não identificava se a instituição de ensino de freqüência dos estudantes era pública ou privada. cente, no futuro). Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 81
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino e de 124,5% no privado. Para os homens, esses números foram, universidades particulares o seu principal acesso para a formação respectivamente, de 23,6% e de 119,6%. Já para as mulheres o res- acadêmica. De fato, se em 2002, do total de estudantes universitários pectivo crescimento foi de 31,4% e 124,5% (tabela 4.10). pretos & pardos 40% estavam em instituições públicas, em 2006, esse número caiu para 28,1%. Já no caso dos brancos, no mesmo pe- Verifica-se que o forte processo de expansão do ensino de nível ríodo, o peso relativo do sistema de ensino público sobre o total de superior, no Brasil, teve como maior responsável o sistema privado. universitários caiu de forma mais suave – dois pontos percentuais –, Este perfil teve especial efeito sobre os pretos & pardos, que têm nas de 24,6% para 22,6% (tabela 4.10, ver box 4.4 e 4.5). Box 4.4. O acesso recente de estudantes afro-descendentes nas universidades brasileiras. Qual o estado da arte? Segundo pesquisa realizada por Renato Mapa 4.2. Instituições públicas de ensino superior que adotam algum critério diferenciado de ingresso no quadro discente por motivações sociais, tipo de escola de origem, étnico-racial e outros e tipo de medida Ferreira, vinculado ao Laboratório de Políticas adotada, unidade da federação, Brasil, 2008 (mês de referência, Fevereiro) Públicas da Uerj, no ano de 2007, 51 instituições públicas de ensino superior, em todo o país, já adotavam algum tipo de mecanismo alternati- vo ao vestibular para o ingresso nestas universi- dades. Estes mecanismos eram implementados através das denominadas ações afirmativas e foram aplicados por 18 das 35 universidades estaduais, 51,4% delas, e por 22 das 53 universi- dades federais, 42% das existentes. Além dessas, existem outras 11 faculdades, centros universi- tários e Centros Federais de Educação Tecno- lógica (Cefet) que, igualmente, adotam algum tipo de critério diferenciado de ingresso para o preenchimento das suas vagas discentes (ver mapa 4.2). De acordo com a pesquisa, as principais políticas de ação afirmativa, para o ingresso nas universidades, são as cotas e a bonificação, no vestibular, para os grupos considerados em po- sição de desvantagem em relação aos demais candidatos. Entre os beneficiários das medidas encontram-se: negros (às vezes identificados como pretos e pardos ou como negros e par- dos), indígenas, pobres, estudantes provenien- UF SIGLA Cotas Bônus Cotas para Negros UF SIGLA Cotas Bônus Cotas para Negros tes de escola pública e portadores de necessi- AM UEA ü û û SP USP û ü û PA UFPA ü û ü SP UFABC ü û ü dades especiais. PA TO UFRA UFT ü ü û û û û SP SP FATEC FACEF û ü ü û û ü Dos mecanismos existentes, a reserva de MA PI UFMA UFPI ü ü û û ü û SP ES UFSCAR UFES ü ü û û ü û vagas, através de cotas, constitui-se na mais RN RN UFRN CEFET-RN û ü ü û û û PR PR UFPR UEPG ü ü û û ü ü PB UEPB PR UEL usual. Em sete instituições públicas existe a PE UPE ü ü û û û û PR UTFPR ü ü û û ü û PE UFRPE û ü û SC UFSC ü û ü adoção do sistema de bonificação. Das 51 ins- PE CEFET-PE ü û û SC USJ ü û û AL UFAL ü û ü RS UFRGS ü û ü tituições que adotam políticas de ação afirma- SE CEFET-SE ü û û RS UERGS ü û û BA UEFS ü û ü RS UFSM ü û ü tiva para o ingresso de estudantes na gradua- BA UFBA ü û ü MS UEMS ü û ü BA UFRB ü û ü MT UNEMAT ü û ü ção, 33 delas possuem cotas para negros, seja BA UESC ü û ü GO UEG ü û ü BA UNEB ü û ü DF UNB ü û ü este um critério único ou mesclado a outras di- BA CEFET-BA ü û ü DF ESCS-DF ü û û MG UEMG ü û ü mensões de natureza social. A pesquisa mostra MG MG UNIMONTES UFJF ü ü û û ü ü Cotas: Sistema onde há a reserva de um percentual de vagas na universidade para um determinado grupo; que, para definir se uma pessoa pode ou não RJ RJ UERJ UENF ü ü û û ü ü Bônus: Política que oferece a um grupo específico pontos a mais no vestibular, mas sem reservar um percentual de vagas ser considerada negra, o critério mais utilizado RJ RJ UEZO FAETEC ü ü û û ü ü (Na UNICAMP, FATEC-SP e FAMERP o sistema de bônus inclui RJ UFF û ü û pontuação diferenciada para negros); pelas universidades é o da autodeclaração, no SP UNIFESP ü û ü Cotas para Negros: Universidades que, em sua ação afirmativa, SP UNICAMP û ü û optarem por fazer um corte racial em favor dos estudantes qual o próprio estudante se classifica. SP FAMERP û ü û pretos ou pardos. Vale salientar que esse conjunto de medi- 82 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino das corresponde, antes, a ações políticas dos conselhos colegiados das próprias universidades do que, propriamente, a uma iniciativa gover- namental. A principal iniciativa do atual governo, para a ampliação do ingresso de estudantes nas Instituições Federais de Ensino Superior, foi o Projeto de Lei 3.627/04, apensando ao Projeto de Lei nº 73/99, que propôs a instituição, nas universidades e instituições públicas de ensino superior, de todo o país, do sistema de reserva de 50% das vagas para alunos provenientes de escolas públicas, adotando um percentual para negros e indígenas, conforme os dados do IBGE para cada Unidade da Federação. Contudo, por pressão dos segmentos que se opõem às ações afirmativas nas universidades, este projeto encontra-se parado no Con- gresso Nacional à espera de votação. Mais recentemente, o governo federal apresentou o Projeto de Lei nº 7.200/2006, que trata da reforma universitária. Apesar deste projeto fazer uma menção inicial às cotas (que teriam prazo de dez anos para serem implementadas nas Institui- ções Federais de Ensino Superior – com regras semelhantes ao Projeto de Lei 3.627/04), esta foi retirada em sua versão posterior e, apenas, mencionada dentro dos princípios e diretrizes do projeto (POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 302). Infelizmente, as universidades e demais instituições públicas de ensino superior, que adotam tais políticas, não possuem mecanismos que favoreçam a permanência dos beneficiados na instituição. Segundo documento publicado pelo próprio Instituto de Pesquisas Eco- nômicas e Aplicadas (Ipea), em 2006, “são poucas as universidades que têm bolsas para ofertar, e as bolsas são, em geral, em pequeno número. Apenas a Universidade Federal de São Paulo oferece, no curso de medicina, bolsas a todos os alunos cotistas” POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 303). Na mesma publicação, também é mencionado que os alunos cotistas tendem a se inscrever em cursos menos concorridos e prestigiados. Até os dias atuais, as principais ações desenvolvidas pelo governo federal, para os estudantes universitários negros, cotistas ou não cotistas, de instituições públicas de ensino superior, acontecem por meio de ações localizadas, como, por exemplo, o Programa Integrado de Ações Afirmativas Para Negros, resultante de uma parceria entre o Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis / Síndrome de Imuno- deficiência Adquirida (DST/Aids), do Ministério da Saúde, e dez universidades públicas (com apoio do MEC e da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial; Seppir). O programa oferece 500 bolsas de estudo para alunos cotistas de todo o país. Outra política, que atuou no mesmo sentido, foi a criação do Programa Diversidade na Universidade, em 2002, e o seu desdobramento institucional, em 2003, com a criação da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização Diversidade (Secad), vinculada à Secretaria de Educação Superior (Sesu), do MEC. Entre as principais iniciativas do Secad está o Programa de Ações Afirmativas Para População Negra nas Instituições Públicas de Ensino Superior (Uniafro) – realizado em parceria com a Sesu, visando o apoio aos Núcleos de Estudos Afro- Brasileiros (Neab) localizados dentro das universidades, o que incluiu o LAESER-UFRJ. Até o começo de 2008, o Uniafro havia tido somente duas versões: uma no ano de 2005 e outra no ano de 2006. Na verdade, as medidas mais efetivas do governo federal, na promoção das políticas de ação afirmativa, para o acesso dos estudantes negros, de todo o Brasil, ao ensino superior, vêm se dando no âmbito das instituições privadas. As principais são: ✓ Programa Universidade Para Todos – Prouni. Criado em 2004 e, efetivamente, institucionalizado em 2005, fornece bolsas parciais (para alunos com renda familiar per capita de até três salários mínimos) e integrais (para alunos com renda familiar per capita de até um salário mínimo e meio) aos estudantes de renda baixa provenientes das escolas públicas. Necessariamente, parte das mesmas deverá ser concedida a alunos negros e indígenas, de forma proporcional à participação destes contingentes nos respectivos Estados. Segundo o Ipea, entre os anos de 2005 e 2006, cerca de 204 mil estudantes foram beneficiados por este programa, sendo que, destes, 63,2 mil (31% do total) eram negros. Como contrapartida às instituições privadas de ensino superior, o Prouni prevê um conjunto de mecanismos de isenção de pagamento de impostos e contribuições por parte daquelas instituições (POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPA- NHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 300); ✓ Fundo de Financiamento ao Estudante de Nível Superior (Fies). Instituído em 1999, estabelece uma linha de financiamento para es- tudantes de nível superior que sejam pobres (mensurado por diversos indicadores pessoais e familiares), financiando, atualmente, até 50% do valor das mensalidades. Ao contrário das bolsas do Prouni, esta modalidade exige, após a formatura, a restituição financeira aos cofres público, além das salvaguardas, ao tomador do empréstimo, como fiador e renda mínima. A partir de 2004, os candidatos negros aos Fies passaram a receber um bônus de 20% no índice de classificação. Com isso, entre 2004 e 2006, cerca de 36 mil estudantes afro-descendentes obtiveram acesso ao Fundo (POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 300). Assim, pode-se observar que, as ações recentes do governo federal, na adoção de políticas de ação afirmativa para os estudantes negros interessados em cursar o ensino superior, se deu de forma mais impetuosa e eficaz no interior das instituições privadas de ensino. Entre 2003 e 2006, pelo menos, quase 100 mil universitários afro-descendentes foram atendidos, ou pelo Prouni, ou pelo Fies. Por outro lado, parece evidente o caráter ainda tímido destas ações. Posto que, viabilizam, na maioria dos casos, o acesso dos jovens afro-descendentes a instituições de ensino de menor prestígio acadêmico, o que, certamente, dará a este contingente uma menor capa- cidade de alocação futura no mercado de trabalho. Isso sem mencionar o próprio caráter questionável das isenções fiscais dadas àquelas instituições, que, na verdade, já vinham operando com razoável capacidade ociosa (C.f. POLÍTICAS SOCIAIS: ACOMPANHAMENTO E ANÁLISE. nº 13, p. 298). Finalmente, não deixa de ser curiosa a constatação de que, ao contrário do que ocorre nas universidades públicas, praticamen- te não se registraram controvérsias a respeito da adoção das ações afirmativas para afro-descendentes nas universidades privadas, ficando a dúvida se isso não estaria ocorrendo pelo fato destas serem menos concorridas. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 83
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino De 1995 a 2006, o peso de pretos & pardos no ensino superior bra- Em termos da desagregação dos índices pelos grupos de cor sileiro também aumentou em termos relativos. Em 1995, 18,1% do total ou raça e sexo, observa-se que, em todos, ocorreram significativos de universitários eram deste contingente, tendo esse índice aumentado aumentos das taxas brutas de escolaridade no ensino superior. As- para 29,9%, em 2006. O peso relativo de pretos & pardos no total de sim, entre 1995 e 2006, entre a população branca, a taxa bruta de estudantes, universitários e das demais instituições públicas de ensino, escolaridade passou de 12,1% para 27,2%, entre os homens, e de era de 32,3%, em 2002, e de 34,3%, em 2006. Já no ensino superior pri- 14% para 34,1%, entre as mulheres. Já no caso da população preta vado, o peso relativo de pretos & pardos entre os universitários, foi de & parda, em 1995, estas foram modestas: 2,8%, entre os homens 19% em 2002, e de 28,5% em 2006 (tabela 4.10, ver box 4.6). e 3,9%, entre as mulheres. Onze anos mais tarde, em 2006, a taxa bruta de escolaridade dos homens e mulheres pretos & pardos ha- Apesar do crescimento relativo das universidades particu- via alcançado 7,6% e 14,3%, respectivamente, representando me- lares, e mesmo das públicas, ainda que em menor grau, para o nos do que a metade em termos proporcionais ao ocorrido entre o contingente preto & pardo, a composição de cor ou raça que elas contingente branco (gráfico 4.19). apresentam ainda está muito distante do peso relativo da popula- ção preta & parda no Brasil como um todo. De qualquer maneira, A taxa líquida de escolaridade no ensino superior, entre 1995 e especialmente o crescimento do peso relativo do ensino superior 2006, passou de 9,2% para 19,5% entre a população branca e, de 2% privado, para os pretos & pardos, não pode ser desprezado. Ao para 6,3% entre a população preta & parda. No período, a taxa líqui- menos parcialmente é reflexo dos incentivos dados, pelo governo da de escolaridade no ensino superior duplicou entre os brancos e federal, para os estudantes deste contingente. Como o Programa triplicou entre os pretos & pardos. Contudo, em 2006, do total de jo- Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento ao vens brancos com idade esperada para ingressar no ensino superior, Estudante de Nível Superior (Fies) (ver boxes 4.4 e 4.5). um em cada cinco estava na universidade. Já entre os jovens pretos & Outro indicador igualmente importante no estudo das assi- pardos desta mesma faixa etária, mais do que 93,7% estavam fora da metrias de cor ou raça no acesso ao ensino superior são as taxas universidade, fosse ela pública ou privada. Assim, a taxa líquida de brutas e líquidas. No caso dos universitários, elas são analisadas escolaridade deles, em 2006, ainda era inferior à mesma taxa obser- tomando por referência a faixa etária dos 18 aos 24 anos. vada, em 1995, entre os jovens brancos (gráfico 4.22). Ao longo de 1995 e 2006, a taxa bruta de escolaridade no ensino Entre 1995 e 2006, quando os indicadores das taxas líquidas de superior da população branca passou de 13,1% para 30,7%. Já na escolaridade são desagregados pelos grupos de cor ou raça e sexo, população preta & parda passou de irrisórios 3,3%, em 1995, para verifica-se que as jovens brancas entre 18 e 24 anos de idade são as não menos irrisórios 12,1%, em 2006. De todo modo, pode-se afir- que mais apresentam probabilidades de cursarem o nível superior (a mar que as distâncias relativas entre os dois grupos se reduziram taxa passou de 10,0%, para 21,7%). No caso dos homens brancos, a no período (gráfico 4.19; ver boxes 4.4 e 4.5). taxa líquida de escolaridade no período cresceu 8,3% para 17,1%. Gráfico 4.19 - Taxa bruta de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) Gráfico 4.19 - Taxa Gráfico 4.19 -escolaridade no ensino superior da população residente segundo de cor ou raça de cor ou raça bruta de Taxa bruta de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos os grupos 70,0 (branca e (branca e preta & parda) e sexo,Brasil, 1995-2006 (em %) preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) 70,0 60,0 60,0 Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos de idade segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) 50,0 70,0 62,4 61,5 50,0 Gráfico 4.13 - Taxa de adequação ao sistema de ensino (1o ciclo do fundamental) da população residente de 7 a 10 anos 58,6 de 60,0 segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) idade 40,0 54,1 70,0 50,0 62,4 61,5 40,0 34,1 50,0 58,6 47,3 60,0 30,0 54,1 40,0 26,1 34,1 50,0 36,2 30,0 47,326,1 30,0 50,0 20,0 27,8 40,0 17,1 20,0 14,0 20,0 36,2 30,0 17,1 10,0 14,0 10,0 27,8 10,0 20,0 10,0 5,6 0,0 2,8 2,9 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 10,0 2006 0,0 10,0 5,6 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Homens Brancos 2,8 2,9 0,0 0,0 Mulheres Brancas 1995 1996 1997 1998 Fonte: IBGE, microdados Pnad 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 1995 1996 1997 1998 1999 2001 Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. 2002 2003 2004 2005 2006 Total Brancos Homens Brancos Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Fonte: IBGE, microdados Pnad. residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Homens Brancos Mulheres Brancas Homens Pretos & Pardos Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Mulheres Brancas Homens Brancos Total Brancos Pretas & Pardas Mulheres Fonte: IBGE, microdados população Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a Pnad Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Total Brancos Homens Pretos & Mulheres Brancas Pardos Total Pretos & Pardos residente nas áreas rurais da Região Norte (exceto Tocantins). Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Mulheres Total Brancos Pretas & Pardas Nota: entre os anos de 1995 e da região Norte (exceto Tocantins) residente nas áreas rurais 2003 não inclui a população Homens Pretos & Pardos Homens Pretos & Pardos Total Pretos & Pardos residente nas áreas rurais da Região Norte (exceto Tocantins). Mulheres Pretas & Pardas Mulheres Pretas & Pardas Total Pretos & Pardos Total Pretos & Pardos 84 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Box 4.5. O peso do sistema de ensino público e do privado para os estudantes brancos e pretos & pardos dos três níveis de ensino. Gráfico 4.21 - Composição de cor ou raça (branca e preta & parda) da população residente que No debate sobre o futuro do siste- Gráfico 4.21 - População residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) que freqüentava os sistemas de ensino fundamental, médio e superior segundo tipo de instituição freqüentava instituições de ensino porou privada), Brasil 2006 (em %) (pública tipo de instituição (pública ou privada), Brasil, 2006 (em %) ma educacional brasileiro, um dos temas mais polêmicos é o do papel exercido 100,0% pelo ensino privado no país. As opções 80,0% de governos passados se pautaram pela 70,3% 63,4% 64,9% 67,1% massificação do sistema de ensino fun- 60,0% 59,8% damental, do ensino médio e, mais re- 45,6% 53,7% centemente, do superior, enquanto era 40,0% 39,7% 34,3% 34,1% deixada de lado a questão da qualidade 31,5% 28,5% dos mesmos. Isto fez com que, nos níveis 20,0% fundamental e médio, as boas escolas - com exceção dos colégios de aplicação 0,0% Brancos Pretos & Pardos Brancos Pretos & Pardos ligados às universidades públicas ou ins- Instituição de Ensino Pública Instituição de Ensino Privada tituições específicas como, por exemplo, a rede de colégios Pedro II, na cidade do Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior Rio de Janeiro -, se tornassem um sinôni- mo de escola privada. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Já no ensino superior a situação curiosamente se inverte: as universidades públicas são consideradas de boa quali- Gráfico 4.22 - Taxa líquidade escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos de cor grupos Gráfico 4.22 - Taxa líquida de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os ou raça de cor ou raça (brancapreta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) (em %) (branca e e preta & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 dade e as particulares - com exceção das confessionais e algumas outras de maior 30,0 tradição - são tidas como de qualidade 25,0 inferior e menos prestigiadas. Conside- 21,7 rando, também, o pouco investimento 20,0 público nas universidades públicas, as 17,4 universidades particulares, de fato, am- 15,0 12,3 pliaram sua importância relativa no con- 10,0 texto educacional, dada a quantidade de 10,0 vagas que oferecem anualmente. Contu- do, estas instituições ainda não equacio- 5,0 5,1 naram a questão do binômio quantidade 1,6 1,7 3,0 0,0 X qualidade. Questão esta que, no Brasil, 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 parece sempre piorar quando o ensino Homens Brancos Mulheres Brancas Fonte: IBGE, microdados Pnad. se massifica. De todo modo, a questão Tabulações: LAESER: - Fichário das Desigualdades Raciais. Nota: entre os anos de 1995 e 2003 não inclui a população Total Brancos Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas é: qual o efeito deste perfil desajustado residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins). Total Pretos & Pardos do sistema de ensino brasileiro sobre as desigualdades de cor ou raça? No gráfico 4.20, pode-se observar que, em 2006, nos ensinos fundamental e médio, respectivamente, 17,6% e 24,1% dos estudantes brancos estudavam em escolas privadas. No caso dos pretos & pardos, o percentual de matriculados em escolas privadas era de, respecti- vamente, 7,0% e 11,2%, em ambos os estágios do sistema educacional. Correspondiam, assim, a menos da metade do indicador do outro contingente. Finalmente, no ensino superior, o percentual de pessoas brancas estudando na rede privada era de 77,4%. No caso dos pretos & pardos, o ensino privado de nível superior correspondia a 71,9% do total de estudantes universitários. No gráfico 4.21, observa-se, por outro lado, que a composição de cor ou raça dos alunos das escolas de nível fundamental de todo o país, no caso dos pretos & pardos, em 2006, era a seguinte: de 59,8% nas escolas públicas e de 34,1% nas escolas privadas. No ensino médio, a presença relativa de pretos & pardos em seu interior era de 53,7%, no ensino público e 31,5%, no ensino privado. No ensino superior, o peso deste contingente era de 34,3%, no ensino público e 28,5%, no ensino privado. Ou seja, a diferença do peso relativo de pretos & pardos entre instituições de ensino público do nível fundamental e do superior, em 2006, era de 25,5 pontos percentuais. Quando a comparação é feita entre ensino público, nos níveis médio e superior, a diferença, no mesmo período, é de 19,4 pontos percentuais. Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 85
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    4. Desigualdades deCor ou Raça no Acesso ao Sistema de Ensino Gráfico 4.20 - População residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) que Gráfico 4.20 - Taxa líquida de escolaridade no ensino superior da população residente segundo os grupos de cor ou raça freqüentava instituições de ensino poretipo & parda) e sexo, Brasil,(pública ou privada), Brasil, 2006 (em %) (branca preta de instituição 1995-2006 (em %) 100,0% 93,0% 88,8% 82,4% 75,9% 77,4% 80,0% 71,9% 60,0% 40,0% 28,1% 22,6% 24,1% 20,0% 17,6% 11,2% 7,0% 0,0% Público Privado Público Privado Brancos Pretos & Pardos Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. As taxas líquidas de escolaridade entre os homens e mulhe- & pardos as maiores e menores taxas brutas de escolarida- res pretos & pardos, em 1995, eram demasiadamente modestas de também estavam no Centro-Oeste (16,8%) e no Nordeste em termos relativos. Assim, por maior que tenha sido o avanço (9,7%). Quanto às taxas líquidas de escolaridade, no ano de daqueles indicadores até 2006, as proporções são, francamente, 2006, os indicadores mais e menos expressivos entre os bran- muito reduzidas. Dessa forma, a taxa líquida de escolaridade cos e os pretos & pardos eram verificados, mais uma vez, no dos jovens pretos & pardos do sexo masculino era de 1,6%, em Centro-Oeste (23,1% e 9,5%) e no Nordeste (12,9% e 4,8%), 1995, passando para 5,1%, em 2006. No caso das mulheres pre- respectivamente. tas & pardas, esse indicador aumentou de 2,4%, em 1995, para 7,6%, em 2006, Tabela 4.11 - Taxas bruta e líquida de escolaridade no ensino superior da população residente segundo osTabela 4.11de cor bruta e líquida de escolaridade no ensino superior da população residente 2006 (em grupos - Taxas ou raça (branca e preta & parda); regiões geográficas, Brasil, sendo de qualquer maneira igualmente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda); regiões geográficas, Brasil, 2006 (em %) %) modesto (gráfico 4.22). Brancos Pretos & Pardos Grande Região Taxa Bruta Taxa Líquida Taxa Bruta Taxa Líquida Verifica-se pela tabela 4.11 que, nas Norte 25,0 13,8 12,2 5,8 grandes regiões do Brasil, as taxas bru- Nordeste 21,8 12,9 9,7 4,8 tas e líquidas de escolaridade dos bran- Sudeste 33,3 21,6 14,0 7,6 cos eram superiores às dos pretos & Sul 31,3 20,0 11,3 6,4 pardos. As maiores e menores taxas das Centro-Oeste 37,8 23,1 16,8 9,5 pessoas brancas eram respectivamente encontradas no Centro-Oeste (37,8%) Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. e no Nordeste (21,8%). Entre os pretos 86 Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008
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    5. Desigualdades de Cor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 87
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    5. Desigualdades deCor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho 5.1. Evolução da Participação & pardos totalizava 25,7 milhões, ao passo que os brancos, 25,6 mi- no Mercado de Trabalho lhões de pessoas. No caso das mulheres, a PEA branca superava a PEA preta & parda em 2,59 milhões de trabalhadoras (gráfico 5.1). De 1995 a 2006, a População Economicamente Ativa (PEA) do Bra- sil, que corresponde ao total de pessoas entre 10 e 64 anos de idade que A tabela 5.1 mostra as respectivas evoluções das PEA`s regionais, estavam ocupadas ou procurando ocupação, descontando a popula- de 1995 e de 2006. Para fins de comparabilidade, vale salientar que, na ção residente nas áreas rurais da região Norte, apresentou um saldo lí- região Norte, só está incluída a população residente nas áreas urbanas. quido de ingresso no mercado de trabalho de 20,6 milhões de pessoas. Em todas as regiões e grupos de cor ou raça houve um incremento da Quando se considera os grupos de cor ou raça, observa-se que, entre os PEA feminina, a taxas maiores do que na PEA masculina (tabela 5.1). brancos, este saldo líquido foi de 7,7 milhões de pessoas, ao passo que, entre os pretos & pardos, 12,6 milhões de pessoas. Portanto, ao longo Com a análise comparativa entre os grupos de cor ou raça e do período analisado, a presença das pessoas de cor ou raça preta & sexo, na tabela 5.1, constata-se que, em números absolutos, com parda no mercado de trabalho apresentou maior dinamismo em face exceção do Nordeste, ocorreu um incremento relativo da PEA mas- do que ocorreu entre os de cor ou raça branca (gráfico 5.1). culina, feminina e total preta & parda em relação às respectivas Gráfico 5.1 -- Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça Gráfico 5.1 Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça Observando aquela evo- Gráfico 5.1preta & parda) ePEA residente segundo (em número de pessoas). (branca e preta & parda) e sexo, Brasil 1995-2006 os grupos dede pessoas). (branca e - Tamanho da sexo, Brasil 1995-2006 (em número cor ou raça Gráfico 5.1 - Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça lução em números absolutos, (branca e preta &e parda) e sexo, Brasil1995-2006 (em número de pessoas) pessoas). (branca preta & parda) e sexo, Brasil 1995-2006 (em número de 50.000.000 50.000.000 desagregada por sexo, vê-se 50.000.000 47.085.192 47.085.192 47.085.192 44.610.730 44.610.730 que as maiores responsáveis 39.359.005 39.359.005 44.610.730 por aquele saldo foram as 40.000.000 39.359.005 40.000.000 40.000.000 mulheres, que contribuíram 31.997.023 31.997.023 com 56,4% do crescimento 30.000.000 31.997.023 30.000.000 da PEA ocupada. As mulhe- 30.000.000 res pretas & pardas, sozi- 20.000.000 20.000.000 nhas, levaram cerca de 6,4 20.000.000 milhões de pessoas a mais para o mercado de trabalho. 10.000.000 10.000.000 Os homens pretos & pardos 10.000.000 1995 1995 1996 1996 1997 1997 1998 1998 1999 1999 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004 2005 2005 2006 2006 1995 1996 1997 1998 1999 2001 2002 2003 2004 2005 2006 responderam pelo incremen- Homens Brancos Homens Brancos to líquido de 6,3 milhões de Homens Brancos& Pardos Homens Pretos Homens Pretos & Pardos Fonte: IBGE, microdados PNAD. Fonte: IBGE, microdados PNAD. Mulheres Brancas Mulheres Brancas pessoas. Entre os homens e Tabulações: microdadosFichário das Desigualdades Raciais. Tabulações: LAESER PNAD. Fonte: IBGE, LAESER --Fichário das Desigualdades Raciais. Homens Pretos & Pardos Mulheres Pretas & Pardas Mulheres Brancas&Pardas Mulheres Pretas mulheres brancos, respecti- Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Total Brancos Total Brancos Mulheres Pretas & Pardas Total Brancos& Pardos Total Pretos Total Pretos & Pardos Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) vamente, o acréscimo líqui- Total Pretos & Pardos do de ingresso no mercado de traba- Tabela 5.1 - Tamanho da PEA residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, regiões Tabela 5.1 - TamanhoTabela 5.1 - geográficas, Brasil, 1995 e 2006de cor cor ou raça (brancapreta & parda) da PEA Tamanho da PEA residenteos grupos (emde ou raça (branca e e preta & parda) e sexo, regiões residente segundo segundo os grupos número de pessoas) lho, entre 1995 e geográficas, geográficas, Brasil, 1995 e 2006número de pessoas) e sexo, regiões Brasil, 1995 e 2006 (em (em número de pessoas) 2006, foi de, respec- Raça ou Cor Região Homem Mulher Total Raça ou Cor Região 1995 Homem 2006 1995 Mulher 2006 1995 Total 2006 tivamente, 2,6 e 5,1 Norte 1995 508.498 2006 742.344 1995 374.080 2006 599.926 1995 882.578 2006 1.342.270 milhões de pessoas Norte Nordeste 508.498 3.050.002 742.344 3.787.312 374.080 2.406.041 599.926 3.117.900 882.578 5.456.043 1.342.270 6.905.212 (gráfico 5.1). Brancos Nordeste Sudeste 3.050.002 12.167.727 3.787.312 13.021.413 2.406.041 8.240.985 3.117.900 11.016.272 5.456.043 20.408.712 6.905.212 24.037.685 Brancos Sudeste 12.167.727 13.021.413 8.240.985 11.016.272 20.408.712 24.037.685 Sul 5.859.560 6.371.130 4.394.829 5.493.293 10.254.389 11.864.423 No mesmo pe- Sul Centro Oeste 5.859.560 1.392.502 6.371.130 1.630.075 4.394.829 964.781 5.493.293 1.305.527 10.254.389 2.357.283 11.864.423 2.935.602 ríodo, entre os ho- Centro Oeste Norte 1.392.502 1.365.196 1.630.075 2.213.002 964.781 872.342 1.305.527 1.547.520 2.357.283 2.237.538 2.935.602 3.760.522 mens, a PEA preta & Norte Nordeste 1.365.196 8.872.041 2.213.002 10.220.294 872.342 5.815.590 1.547.520 7.310.940 2.237.538 14.687.631 3.760.522 17.531.234 parda, em números Pretos & Pardos Nordeste Sudeste 8.872.041 6.408.568 10.220.294 9.345.044 5.815.590 4.220.236 7.310.940 7.296.123 14.687.631 10.628.804 17.531.234 16.641.167 absolutos de traba- Pretos & Pardos Sudeste Sul 6.408.568 1.098.488 9.345.044 1.661.588 4.220.236 703.760 7.296.123 1.184.259 10.628.804 1.802.248 16.641.167 2.845.847 lhadores, superou Sul Centro Oeste 1.098.488 1.658.828 1.661.588 2.229.491 703.760 981.974 1.184.259 1.602.469 1.802.248 2.640.802 2.845.847 3.831.960 a branca. Assim, Centro Oeste 1.658.828 2.229.491 981.974 1.602.469 2.640.802 3.831.960 em 2006, o número Fonte: IBGE, microdados Pnad. total de ocupados e Tabulações LAESER: Fichário Fonte: IBGE, microdados Pnad. das Desigualdades Raciais. Nota: não LAESER: Fichário das Desigualdades Raciais. Tabulaçõesinclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) desocupados pretos Nota: não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, 2007-2008 89
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    5. Desigualdades deCor ou Raça na Dinâmica do Mercado de Trabalho masculina e feminina branca e Gráfico 5.25.2 deTaxa de participação no mercado de trabalho da população Gráfico 5.2 - Taxa - participação no mercadono trabalho da população residente população Gráfico - Taxa de participação de mercado de trabalho da segundo os grupos total em todas as demais regiões. residente segundo ou raça (branca e preta & parda)raça (brancapreta &(em %) e sexo, residente segundo os grupos de cor ou e sexo, Brasil,e e pretaparda) de cor os grupos de cor ou raça (branca 1995-2006 & parda) e sexo, Brasil, 1995-2006 (em %) %) Brasil, 1995-2006 (em 85,0 85,0 Os maiores crescimentos pro- 76,5 76,3 76,4 porcionais da PEA, para todos os 77,9 77,9 76,5 76,3 76,4 contingentes de cor ou raça e sexo, 70,0 77,6 77,6 75,8 75,8 75,6 75,6 75,4 75,4 70,0 66,9 ocorreram no Norte-Urbano. Isso 64,1 64,1 63,1 64,9 64,9 66,9 63,1 65,0 tanto pode ser reflexo do intenso 63,9 62,8 64,0 64,0 65,0 63,9 62,8 crescimento das cidades da região, 54,5 54,5 58,3 58,3 55,0 50,8 54,7 como eventuais reclassificações 55,0 51,3 50,8 52,5 52,5 54,7 51,3 das respectivas malhas urbanas, 50,2 49,9 50,2 49,9 passando-se a se considerar assim 40,0 áreas antes tidas como rurais. 40,0 1995 1995 1996 1996 1997 1997 1998 1998 1999 1999 2001 2001 2002 2002 2003 2003 2004 2004 2005 2005 2006 2006 Homens Brancos Mas, com esta exceção, no Fonte: IBGE, microdados Pnad. Fonte: IBGE, microdados Pnad. Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Homens Brancos Homens Pretos & Pardos Homens Pretos & Pardos Mulheres Brancas Tabulações: LAESER - Fichário das Desigualdades Raciais. Mulheres Brancas caso da PEA do sexo masculino Nota: nos anos de 1995 a 2003 não inclui a população Nota: nos anos de 1995 a 2003 não inclui a população residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) Mulheres Pretas & Pardas Mulheres Pretas & Pardas Total Brancos Total Brancos residente nas áreas rurais da região Norte (exceto Tocantins) preto & pardo, o maior incre- Total Pretos & Pardos Total Pretos & Pardos mento relativo ocorreu no Sul, de 51,3% e o menor, no Nordeste, de 15,2%. Já no caso do sexo mascu- mindo na sociedade. Assim, esses indicadores são coerentes com lino branco, o maior crescimento se deu, também, no Nordeste, de as informações debatidas no capítulo 4, referentes à presença das 24,2% e o menor, no Sudeste, de 7,0%. Na PEA feminina, dentro do pessoas do sexo feminino no sistema educacional. mesmo intervalo, o maior acréscimo proporcional foi no Sudeste, de 72,9%, para as pretas & pardas, e no Centro-Oeste, para as brancas, Por outro lado, o paradoxo da maior presença dos pretos & par- 35,3%. dos no mercado de trabalho acompanhar-se da redução de sua taxa de participação deve ser interpretado à luz do que foi debatido no capítu- lo 2, sobre a evolução demográfica dos respectivos grupos. Ou seja, o 5.2. Taxa de Participação no Mercado de Trabalho crescimento da PEA preta & parda foi proporcionalmente menor que o crescimento da PIA deste grupo de cor ou raça (gráfico 5.2). Por taxa de participação no mercado de trabalho se compreen- de a proporção da PEA sobre a População em Idade Ativa (PIA). De A tabela 5.2 relaciona as taxas de participação no mercado de 1995 a 2006, as taxas de participação no mercado de trabalho das trabalho nas cinco regiões, de 1995 a 2006. No caso da PEA masculi- mulheres brancas e pretas & pardas cresceram, respectivamente, na, percebe-se que, com exceção do Nordeste, as taxas da população 7,0 e 4,4 pontos percentuais. Já entre os homens brancos e pretos & masculina de cor ou raça preta & parda cresceram ligeiramente mais pardos, os idênticos indicadores declinaram, respectivamente: 1,4 que as da branca. Na PEA feminina, em 2006, as taxas das brancas e 2,2 pontos percentuais (gráfico 5.2). confirmaram-se maiores que as das pretas & pardas em todas as regiões geográficas, inclusive no Sudeste, onde, em 1995, eram um Esses dados implicam que, por um lado, o dinamismo da evo- pouco menores. Finalmente, quando lidos de forma agregada, bali- lução do mercado de trabalho brasileiro dependeu muito da pre- zados nos respectivos indicadores apresentados, pode-se ver que as sença das mulheres e dos novos papéis que as mesmas vêm assu- taxas de participação no mercado de trabalho da PEA branca cres- ceram ligeiramente mais do que as mesmas Tabela 5.2 - Taxa de participação no mercado de trabalho da população residente segundo os grupos taxas entre os pretos & pardos. Tabela 5.2 - Taxa de participação no no mercadode trabalho da população residente segundo os grupos Tabela 5.2 - Taxa de participação mercado de trabalho da população residente segundo os grupos de cor ou raça (branca e preta & parda) e sexo, regiões geográficas, Brasil, 1995 e 2006 (em %) de cor ou raça (branca e preta & parda) eesexo, regiões geográficas, Brasil, 1995 e1995 (em %) (em %) de cor ou raça (branca e preta & parda) sexo, regiões geográficas, Brasil, 2006 e 2006 Homem Homem Mulher Mulher Total Total Raça Raça Região Região 1995 1995 2006 2006 1995 1995 2006 2006 1995 1995 2006 2006 5.3. PEA Ocupada no Mercado Norte 75,5 76,9 47,6 51,7 60,4 63,6 Norte Nordeste 75,5 77,0 76,9 74,1 47,6 50,8 51,7 53,4 60,4 62,7 63,6 63,1 de Trabalho Nordeste 77,0 74,1 50,8 53,4 62,7 63,1 Brancos Brancos Sudeste 76,1 75,9 48,4 58,4 61,8 66,7 Sudeste 76,1 75,9 48,4 58,4 61,8 66,7 Sul 82,2 78,6 58,9 62,7 70,3 70,3 Ao longo desta seção, serão focaliza- Sul 82,2 78,6 58,9 62,7 70,3 70,3 Centro Oeste Centro Oeste 78,8 78,8 77,3 77,3 50,1 50,1 56,6 56,6 63,8 63,8 66,5 66,5 dos, por cor ou raça e sexo, os seguintes Norte Norte 73,6 73,6 74,3 74,3 47,0