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AULA 2 Gravar:  o quê e para quê?
Nesta Aula:
O que é um documentário? REGISTRO + CONSTRUÇÃO NARRATIVA = DOCUMENTÁRIO isto é: O REGISTRO , que é o conjunto de imagens, editadas ou não, que uma câmera capta durante um tempo determinado;  mais A CONSTRUÇÃO NARRATIVA , que é a maneira como o autor da produção organiza as cenas gravadas numa ordem lógica em função da mensagem que ele quer transmitir  resulta no FORMATO DOCUMENTÁRIO
Quais são as principais funções de um documentário?  O uso documental do vídeo pode se prestar a diversas  funções  ou  finalidades .  Aqui destacamos quatro delas: DIDÁTICA INSTITUCIONAL IDEOLÓGICA POÉTICA
FUNÇÃO DIDÁTICA O documentário didático tem a função de ensinar e instruir em situações de complementação ou substituição do professor. Ele pode ser concebido “informalmente” a partir de um tema instigante e atual, ou sob demanda para um curso ou programa de ensino presencial ou a distância. Em quaisquer dos casos, a preocupação do documentarista recai sobre  a carga de informação transmitida,  a clareza dos conceitos expostos e  a abordagem pedagógica com que os fatos são apresentados. Busca-se, antes de tudo, a compreensão do espectador dentro de uma dinâmica de ensino-aprendizagem.
FUNÇÃO INSTITUCIONAL O documentário institucional busca promover empresas ou instituições, que podem ser públicas, privadas ou do Terceiro Setor. Promover, no caso, é apresentar a instituição a partir (evidentemente) de seus pontos mais marcantemente positivos. Neste ponto, a linguagem do documentário institucional se aproxima da Propaganda.  Independentemente do tipo de instituição, a preocupação do documentarista recai sobre  o histórico da instituição, sua trajetória de desenvolvimento;  seus êxitos e conquistas mais significativos;  os aspectos humanos nas relações internas — entre funcionários e dirigentes — e externas — entre a instituição e a comunidade (ou o mercado). Busca-se assim, não apenas informar, mas construir uma imagem midiática favorável da instituição.
FUNÇÃO IDEOLÓGICA O documentário ideológico parte de uma visão bem definida da realidade para conscientizar, convencer ou mesmo doutrinar os espectadores. Não por acaso, o audiovisual tornou-se uma “arma” a serviço de numerosas causas, e as técnicas desenvolvidas pela narrativa do documentário ideológico também fazem parte do repertório da Propaganda. Neste caso, o documentarista se preocupa com: incutir o sentido de “missão a ser cumprida” que inclui o espectador na questão abordada e exigindo, em maior ou menor grau, que ele se posicione; demonstrar pela argumentação as razões pelas quais o lado defendido é o melhor, o mais justo; afetar emocionalmente o espectador, minimizando seu ceticismo crítico e propiciando que ele se identifique em nível pessoal com a causa defendida.  Busca-se aqui criar simpatizantes ou mesmo defensores engajados numa proposta de ação social, principalmente de natureza política ou religiosa.
FUNÇÃO POÉTICA O documentário poético pode ser considerado o exercício máximo da expressão individual do documentarista. Ainda que ao autor possa desfrutar de grande liberdade na interpretação e representação dos fatos, ele não pode cruzar a linha que define o gênero não-ficcional: não se inventam pessoas ou situações, mostram-se as que realmente existem. A preocupação do “documentarista-poeta” recai sobre  a concepção artística da obra, enfatizando o acabamento cuidadoso na fotografia, luz e som; o viés emotivo e sensorial que se quer despertar no espectador, ao invés da argumentação lógica que normalmente caracteriza a mensagem nos demais tipos; o caráter único e diferenciado eu ser quer atribuir á obra, evitando os clichês e a padronização inerentes ao modelo seriado. Busca-se impressionar, comover, marcar por meio da imagem e do áudio a consciência do espectador, oferecendo muitas vezes a “experiência” de assistir um audiovisual que não se prende à mensagem do texto escrito.
Do ponto de vista dar realização, há inúmeros formatos de documentários possíveis, inclusive os “híbridos” (misturando elementos de um tipo e de outro) e “inclassificáveis”, como os experimentais e aqueles que inserem elementos de ficção.  Por razões didáticas simplificaremos aqui as opções propondo os seguintes gêneros:  PROPAGANDA INSTITUCIONAL/IDEOLÓGICA DIDÁTICO-CIENTÍFICO  SOCIOLÓGICO ETNOGRÁFICO  JORNALÍSTICO POÉTICO  Em quais diferentes sub-gêneros os documentários podem ser classificados?
PROPAGANDA INSTITUCIONAL E/OU IDEOLÓGICA Na prática, os documentários institucionais e ideológicos, confundem-se técnica e esteticamente com os filmes publicitários. Diferentemente do que acontece na Publicidade & Propaganda, nem sempre é fácil de identificar o “patrocinador” da produção. Exemplos:   O TRIUNFO DA VONTADE  de Leni Riefenstahl (Alemanha, 1935, P&B, 114 min.) e  FAHRENHEIT 9/11  de Michael Moore (EUA, 2004, Cor, 116 min.).
DIDÁTICO-CIENTÍFICO Os documentários didático-científicos cumprem o mesmo papel das revistas de divulgação científica: traduzem as descobertas da ciência para o nível de entendimento do espectador mediano. Existem canais especializados neste tipo de produção que pode, ou não, ser exibida em séries ou temporadas. Exemplos:   COSMOS  de Carl Sagan e Anne Druyan (EUA, 1980, Cor, 13 episódios) e  JAMES CAMERON’S EXPEDITION: BISMARCK  de James Cameron (EUA, 2000, Cor, 90 min.).
SOCIOLÓGICO Um bom documentário sociológico apresenta informações objetivas na mesma medida em que instiga à reflexões mais profundas quem o assiste.  De forma diversa do que ocorre geralmente no gênero didático-científico, as informações não são oferecidas sem questionamentos e apontando para uma conclusão mais ou menos fechada. Exemplos:  O CÁRCERE E A RUA  de Liliana Sulzbach (Brasil, 2005, Cor, 85 min.) e  NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS  de Marcelo Masagão (Brasil, 1998, Cor, 73 min.).
ETNOGRÁFICO Muito próximo da proposta do documentário Sociológico, o subgênero Etnográfico distingue-se por ser mais denotativo, buscando apresentar a realidade de forma mais direta e objetiva (mais documento, menos comentário). Exemplos:  TORNALLOM   de Enric Penris e Videohackers (Espanha, 2003, Cor, 48 min.)  HIP HOP COM DENDÊ  de Fabíola Aquino e Lílian Machado (Brasil, 2009, Cor, 17 min.).
JORNALÍSTICO O jornalismo se define, em todas as linguagens, pelo seu objeto-gerador: a notícia.  Esta, por sua vez, envolve novidade/atualidade dos fatos,veracidade comprovada e importância — medida pelo interesse que desperta na maioria das pessoas. Exemplos:  Cine-jornal  CANAL 100  de Primo Carbonari, exibido nos cinemas (e mais tarde, na TV) de 1957 a 2000 e o programa GLOBO REPÓRTER, no ar desde 1971 talvez o exemplo mais duradouro e imitado de teledocumentário jornalístico no Brasil.
POÉTICO o documentário poético define-se por sua função: um produto artístico. Talvez por este motivo ele possa ser considerado o subgênero de menor interesse comercial (ao lado do Etnográfico).  De um modo geral, ele pode dar a impressão de que “as imagens falam por si” escamoteando a sofisticação da linguagem. Exemplos:  KOYAANISQATSI de Godfrey Reggio (EUA, 1983, Cor, 87 min.) e BARAKA de Ron Fricke (EUA, 1992, Cor, 100 min.) .
Fim da Aula II ATENÇÃO: Não deixe de baixar o caderno EXERCÍCIOS e responder as questões! Tenha um excelente curso! A Coordenação
Fonte Os conteúdos desta aula foram produzidos pelos Profs. Drs.Marciel Consani e Paulo Teles, colaboradores do NCE-ECA/USP. Para eventual reprodução, solicitar permissão via e-mail para  [email_address]  e  [email_address]   

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    O que éum documentário? REGISTRO + CONSTRUÇÃO NARRATIVA = DOCUMENTÁRIO isto é: O REGISTRO , que é o conjunto de imagens, editadas ou não, que uma câmera capta durante um tempo determinado; mais A CONSTRUÇÃO NARRATIVA , que é a maneira como o autor da produção organiza as cenas gravadas numa ordem lógica em função da mensagem que ele quer transmitir resulta no FORMATO DOCUMENTÁRIO
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    Quais são asprincipais funções de um documentário? O uso documental do vídeo pode se prestar a diversas funções ou finalidades . Aqui destacamos quatro delas: DIDÁTICA INSTITUCIONAL IDEOLÓGICA POÉTICA
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    FUNÇÃO DIDÁTICA Odocumentário didático tem a função de ensinar e instruir em situações de complementação ou substituição do professor. Ele pode ser concebido “informalmente” a partir de um tema instigante e atual, ou sob demanda para um curso ou programa de ensino presencial ou a distância. Em quaisquer dos casos, a preocupação do documentarista recai sobre a carga de informação transmitida, a clareza dos conceitos expostos e a abordagem pedagógica com que os fatos são apresentados. Busca-se, antes de tudo, a compreensão do espectador dentro de uma dinâmica de ensino-aprendizagem.
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    FUNÇÃO INSTITUCIONAL Odocumentário institucional busca promover empresas ou instituições, que podem ser públicas, privadas ou do Terceiro Setor. Promover, no caso, é apresentar a instituição a partir (evidentemente) de seus pontos mais marcantemente positivos. Neste ponto, a linguagem do documentário institucional se aproxima da Propaganda. Independentemente do tipo de instituição, a preocupação do documentarista recai sobre o histórico da instituição, sua trajetória de desenvolvimento; seus êxitos e conquistas mais significativos; os aspectos humanos nas relações internas — entre funcionários e dirigentes — e externas — entre a instituição e a comunidade (ou o mercado). Busca-se assim, não apenas informar, mas construir uma imagem midiática favorável da instituição.
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    FUNÇÃO IDEOLÓGICA Odocumentário ideológico parte de uma visão bem definida da realidade para conscientizar, convencer ou mesmo doutrinar os espectadores. Não por acaso, o audiovisual tornou-se uma “arma” a serviço de numerosas causas, e as técnicas desenvolvidas pela narrativa do documentário ideológico também fazem parte do repertório da Propaganda. Neste caso, o documentarista se preocupa com: incutir o sentido de “missão a ser cumprida” que inclui o espectador na questão abordada e exigindo, em maior ou menor grau, que ele se posicione; demonstrar pela argumentação as razões pelas quais o lado defendido é o melhor, o mais justo; afetar emocionalmente o espectador, minimizando seu ceticismo crítico e propiciando que ele se identifique em nível pessoal com a causa defendida. Busca-se aqui criar simpatizantes ou mesmo defensores engajados numa proposta de ação social, principalmente de natureza política ou religiosa.
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    FUNÇÃO POÉTICA Odocumentário poético pode ser considerado o exercício máximo da expressão individual do documentarista. Ainda que ao autor possa desfrutar de grande liberdade na interpretação e representação dos fatos, ele não pode cruzar a linha que define o gênero não-ficcional: não se inventam pessoas ou situações, mostram-se as que realmente existem. A preocupação do “documentarista-poeta” recai sobre a concepção artística da obra, enfatizando o acabamento cuidadoso na fotografia, luz e som; o viés emotivo e sensorial que se quer despertar no espectador, ao invés da argumentação lógica que normalmente caracteriza a mensagem nos demais tipos; o caráter único e diferenciado eu ser quer atribuir á obra, evitando os clichês e a padronização inerentes ao modelo seriado. Busca-se impressionar, comover, marcar por meio da imagem e do áudio a consciência do espectador, oferecendo muitas vezes a “experiência” de assistir um audiovisual que não se prende à mensagem do texto escrito.
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    Do ponto devista dar realização, há inúmeros formatos de documentários possíveis, inclusive os “híbridos” (misturando elementos de um tipo e de outro) e “inclassificáveis”, como os experimentais e aqueles que inserem elementos de ficção. Por razões didáticas simplificaremos aqui as opções propondo os seguintes gêneros: PROPAGANDA INSTITUCIONAL/IDEOLÓGICA DIDÁTICO-CIENTÍFICO SOCIOLÓGICO ETNOGRÁFICO JORNALÍSTICO POÉTICO Em quais diferentes sub-gêneros os documentários podem ser classificados?
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    PROPAGANDA INSTITUCIONAL E/OUIDEOLÓGICA Na prática, os documentários institucionais e ideológicos, confundem-se técnica e esteticamente com os filmes publicitários. Diferentemente do que acontece na Publicidade & Propaganda, nem sempre é fácil de identificar o “patrocinador” da produção. Exemplos: O TRIUNFO DA VONTADE de Leni Riefenstahl (Alemanha, 1935, P&B, 114 min.) e FAHRENHEIT 9/11 de Michael Moore (EUA, 2004, Cor, 116 min.).
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    DIDÁTICO-CIENTÍFICO Os documentáriosdidático-científicos cumprem o mesmo papel das revistas de divulgação científica: traduzem as descobertas da ciência para o nível de entendimento do espectador mediano. Existem canais especializados neste tipo de produção que pode, ou não, ser exibida em séries ou temporadas. Exemplos: COSMOS de Carl Sagan e Anne Druyan (EUA, 1980, Cor, 13 episódios) e JAMES CAMERON’S EXPEDITION: BISMARCK de James Cameron (EUA, 2000, Cor, 90 min.).
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    SOCIOLÓGICO Um bomdocumentário sociológico apresenta informações objetivas na mesma medida em que instiga à reflexões mais profundas quem o assiste. De forma diversa do que ocorre geralmente no gênero didático-científico, as informações não são oferecidas sem questionamentos e apontando para uma conclusão mais ou menos fechada. Exemplos: O CÁRCERE E A RUA de Liliana Sulzbach (Brasil, 2005, Cor, 85 min.) e NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS de Marcelo Masagão (Brasil, 1998, Cor, 73 min.).
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    ETNOGRÁFICO Muito próximoda proposta do documentário Sociológico, o subgênero Etnográfico distingue-se por ser mais denotativo, buscando apresentar a realidade de forma mais direta e objetiva (mais documento, menos comentário). Exemplos: TORNALLOM de Enric Penris e Videohackers (Espanha, 2003, Cor, 48 min.) HIP HOP COM DENDÊ de Fabíola Aquino e Lílian Machado (Brasil, 2009, Cor, 17 min.).
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    JORNALÍSTICO O jornalismose define, em todas as linguagens, pelo seu objeto-gerador: a notícia. Esta, por sua vez, envolve novidade/atualidade dos fatos,veracidade comprovada e importância — medida pelo interesse que desperta na maioria das pessoas. Exemplos: Cine-jornal CANAL 100 de Primo Carbonari, exibido nos cinemas (e mais tarde, na TV) de 1957 a 2000 e o programa GLOBO REPÓRTER, no ar desde 1971 talvez o exemplo mais duradouro e imitado de teledocumentário jornalístico no Brasil.
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    POÉTICO o documentáriopoético define-se por sua função: um produto artístico. Talvez por este motivo ele possa ser considerado o subgênero de menor interesse comercial (ao lado do Etnográfico). De um modo geral, ele pode dar a impressão de que “as imagens falam por si” escamoteando a sofisticação da linguagem. Exemplos: KOYAANISQATSI de Godfrey Reggio (EUA, 1983, Cor, 87 min.) e BARAKA de Ron Fricke (EUA, 1992, Cor, 100 min.) .
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    Fim da AulaII ATENÇÃO: Não deixe de baixar o caderno EXERCÍCIOS e responder as questões! Tenha um excelente curso! A Coordenação
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    Fonte Os conteúdosdesta aula foram produzidos pelos Profs. Drs.Marciel Consani e Paulo Teles, colaboradores do NCE-ECA/USP. Para eventual reprodução, solicitar permissão via e-mail para [email_address] e [email_address]