A produção de maquetes como forma de compreensão do
                                  relevo: uma experiência com os sextos anos
                           Wagner Batella(Coord.), Éderson Nascimento (Coord.), Cleciomara Sanzovo(Super.),
                                  Angélica Rotava, Bruno de Matos Casaca (ID) e Cristiane Santin (ID)
                              wagner.batella@uffs.edu.br, ederson.nascimento@uffs.edu.br, cleciomarasanzovo@yahoo.com.br,
                                      angel_@unochapeco.edu.br, bksaca@hotmail.com, cris_santinm@hotmail.com.
                                      Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Chapecó – Geografia/PIBID

                           INTRODUÇÃO                                                                RESULTADOS E DISCUSSÃO
A geografia no ensino tem um papel fundamental no que se refere à formação de         Com base na observação feita no trabalho pelos alunos na construção das
cidadãos críticos, pensantes. Por muitas vezes, as metodologias de ensino             maquetes, notou-se que alguns alunos tinham dificuldades tanto no envolvimento
enfrentam diversos entraves, dentre eles a falta de motivação, tanto de professores   da elaboração, quanto no entendimento da proposta da atividade.
e como de estudantes, desta maneira faz-se necessário renovar e criar novas
metodologias para alcançar os objetivos propostos e motivar os alunos.                 As maquetes, quando analisadas em pares de tema, apresentaram poucas
                                                                                      diferenças: o tema planície foi bem representado; nos planaltos encontraram-se as
O uso de maquetes, é uma maneira alternativa de proposta, um instrumento 3D           maiores dificuldades, principalmente no como representar/diferenciar da planície,
chamativo, onde desperta o interesse dos educandos. Com a sua utilização o aluno      bem como nas características desta forma; as montanhas foram bem
tem a possibilidade de interpretar o espaço, além de fazer uma leitura mais           caracterizadas, sem grandes dificuldades, neste caso, os estudantes foram fieis ao
dinâmica do mundo, enfatiza a relevância da construção dos assuntos cartográficos     planejamento; nas depressões, os estudantes somente se prenderam na
e didáticos em conciliação ligada ao professor e aluno, sobretudo para que            representação da depressão relativa, pois não tinham consciência do formato do
predomine a concepção técnica do educador que cria e adere seus conhecimentos         fundo oceânico, bem em como representá-lo; nos Morros/Serras/Chapadas a maior
e vivências ligadas ao seu trabalho na sala de aula (CASTROGIOVANNI; CALLAI;          dificuldade foi na disposição das formações ao longo da maquete, sem que se
KAERCHER, 2003).                                                                      prejudicasse a maquete como um todo.

O presente trabalho refere-se a uma experiência de atividade realizada sob a          No que diz respeito à representação da vegetação, que varia de acordo com a
supervisão da professora que ministrava as aulas de geografia em conjunto com         altitude, os estudantes tiveram dificuldades em representá-la, no sentido de ser fieis
dois dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência        à proporcionalidade do relevo, além disso, embora solicitado aos estudantes para
(PIBID) do Subprojeto Geografia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS),      se aterem aos elementos constituintes em uma paisagem, muitos deles fizeram a
Campus Chapecó, na Escola de Educação Básica Marechal Bormann.                        maquete no intuito de deixa-la bonita, fugindo assim, um pouco da realidade. No
                                                                                      entanto, essa é uma característica já era esperada devido à idade dos estudantes,
                              OBJETIVO                                                que tentam ver o mundo embelezado.

Avaliar a representação feita pelos estudantes de duas turmas do sexto ano, das        Além da proporcionalidade observada na vegetação, muitos estudantes
formas básicas do relevo (Planície, Planalto, Depressão e Montanha) em                dispuseram sobre a maquete, animais (domésticos), esses bem maiores do que os
maquetes como ferramenta diferenciada nas aulas de geografia.                         que seriam recomendados, nessas maquetes, o relevo tornou-se menos
                                                                                      evidenciado, contundindo o objetivo da atividade. Uma característica bastante
                                                                                      marcante na maioria das maquetes foi à inserção de cercas, representando
                             Metodologia                                              fronteiras, tanto para isolar os animais, como para isolar paisagens distintas. Essa
                                                                                      característica demonstra um apontamento para a influência antrópica sobre o meio.
O tema foi escolhido com base no plano de ensino desenvolvido pela professora,
conforme a Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina. Anteriormente à
atividade, os estudantes tiveram contato com as principais características e                                          CONCLUSÕES
definições sobre o relevo. A partir deste primeiro contato com o conteúdo, foi
apresentada a proposta de representação do relevo em maquetes.                        Embora com críticas as produções foram boas, e alcançaram um resultado
                                                                                      esperado. As maquetes foram expostas em uma Feira de Ciências desenvolvida
Embora sejam quatro formas básicas de relevo (Planície, Planalto, Depressão e         pela Escola de Educação Básica Tancredo Almeida Neves, onde alguns
Montanha), para essa atividade foram acrescidas as formas de Serras, Morros e         estudantes explicaram ao público cada forma básica do relevo, diferenciando-as
Chapadas (todas como um único tema), devido ao fato de que, diferente de              umas das outras.
montanhas, essas são formações que estão presentes na realidade dos
                                                                                       A realização de atividades diferenciadas potencializa o aprendizado, e
estudantes. No caso, em Santa Catarina, não há formação de Montanha, mas uma
                                                                                      principalmente o interesse dos estudantes pela disciplina, embora não seja uma
grande presença de Serras, Morros e Chapadas.
                                                                                      proposta a ser realizada sempre, devido o tempo gasto e aos materiais utilizados,
                                                                                      a experiência serve como base para a realização de outros experimentos práticos
Em uma aula realizou-se um planejamento em conjunto, visto que esse processo é
                                                                                      (FRANCISCHETT, 2002).
importante para concretização de qualquer ação. A primeira parte foram
apresentadas possíveis maneiras para representar cada formação, bem como
cada representação deve ser constituída, levando sempre em conta a
proporcionalidade dos atributos a serem representados, fazendo uma referência,
principalmente, para a vegetação, aspecto bastante marcante no relevo. A segunda
parte deu-se pelo planejamento individual de cada grupo, neste momento, os
estudantes deveriam discutir entre eles o que cada um ficaria responsável, por
parte dos materiais, e como seria disposto no isopor, material escolhido para base
da maquete, as formações.

Depois de todos os encaminhamentos realizados, iniciou-se a produção das
maquetes pelos estudantes, tanto a professora como os bolsistas somente
realizaram um auxílio na construção, para que não influenciassem os trabalhos.
                                                                                      Figura 1: Conjunto de maquetes representando o relevo. Da esquerda                   para   a   direita:
                                                                                      Serras/Morros/Chapadas; Planalto; Depressão; Planície. Fotos: Bruno Casaca (2012).
De forma generalizada, os materiais utilizados pelos estudantes foram: folha de
isopor, base da maquete; argila, para o relevo; tinta guache, para colorir as
representações; gel de cabelo, para representar rios (quando presentes). A
vegetação, dita importante no planejamento, foi representada ora por plantas
sintéticas, muitas vezes desproporcionais para a maquete, ora por plantas colhidas                                    REFERÊNCIAS
nos pátios da escola.                                                                  CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos; CALLAI, Helena Copetti; KAERCHER, Nestor
                                                                                       André. Ensino de geografia: práticas e textualizações no cotidiano. 3. ed. Porto
Ambas as turmas ficaram com mesma divisão de temas, ou seja, ao todo foram             Alegre: Mediação, 2003. 172 p.
feitas duas maquetes de cada tema, no entanto, essa característica vale para fazer     FRANCISCHETT, Mafalda N. A cartografia no ensino da geografia:
uma análise comparando os resultados.                                                  construindo os caminhos do cotidiano. Rio de Janeiro: Kroart, 2002.

Poster i ec pibid bruno e cristiane

  • 1.
    A produção demaquetes como forma de compreensão do relevo: uma experiência com os sextos anos Wagner Batella(Coord.), Éderson Nascimento (Coord.), Cleciomara Sanzovo(Super.), Angélica Rotava, Bruno de Matos Casaca (ID) e Cristiane Santin (ID) wagner.batella@uffs.edu.br, ederson.nascimento@uffs.edu.br, cleciomarasanzovo@yahoo.com.br, angel_@unochapeco.edu.br, bksaca@hotmail.com, cris_santinm@hotmail.com. Universidade Federal da Fronteira Sul – Campus Chapecó – Geografia/PIBID INTRODUÇÃO RESULTADOS E DISCUSSÃO A geografia no ensino tem um papel fundamental no que se refere à formação de Com base na observação feita no trabalho pelos alunos na construção das cidadãos críticos, pensantes. Por muitas vezes, as metodologias de ensino maquetes, notou-se que alguns alunos tinham dificuldades tanto no envolvimento enfrentam diversos entraves, dentre eles a falta de motivação, tanto de professores da elaboração, quanto no entendimento da proposta da atividade. e como de estudantes, desta maneira faz-se necessário renovar e criar novas metodologias para alcançar os objetivos propostos e motivar os alunos. As maquetes, quando analisadas em pares de tema, apresentaram poucas diferenças: o tema planície foi bem representado; nos planaltos encontraram-se as O uso de maquetes, é uma maneira alternativa de proposta, um instrumento 3D maiores dificuldades, principalmente no como representar/diferenciar da planície, chamativo, onde desperta o interesse dos educandos. Com a sua utilização o aluno bem como nas características desta forma; as montanhas foram bem tem a possibilidade de interpretar o espaço, além de fazer uma leitura mais caracterizadas, sem grandes dificuldades, neste caso, os estudantes foram fieis ao dinâmica do mundo, enfatiza a relevância da construção dos assuntos cartográficos planejamento; nas depressões, os estudantes somente se prenderam na e didáticos em conciliação ligada ao professor e aluno, sobretudo para que representação da depressão relativa, pois não tinham consciência do formato do predomine a concepção técnica do educador que cria e adere seus conhecimentos fundo oceânico, bem em como representá-lo; nos Morros/Serras/Chapadas a maior e vivências ligadas ao seu trabalho na sala de aula (CASTROGIOVANNI; CALLAI; dificuldade foi na disposição das formações ao longo da maquete, sem que se KAERCHER, 2003). prejudicasse a maquete como um todo. O presente trabalho refere-se a uma experiência de atividade realizada sob a No que diz respeito à representação da vegetação, que varia de acordo com a supervisão da professora que ministrava as aulas de geografia em conjunto com altitude, os estudantes tiveram dificuldades em representá-la, no sentido de ser fieis dois dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência à proporcionalidade do relevo, além disso, embora solicitado aos estudantes para (PIBID) do Subprojeto Geografia da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), se aterem aos elementos constituintes em uma paisagem, muitos deles fizeram a Campus Chapecó, na Escola de Educação Básica Marechal Bormann. maquete no intuito de deixa-la bonita, fugindo assim, um pouco da realidade. No entanto, essa é uma característica já era esperada devido à idade dos estudantes, OBJETIVO que tentam ver o mundo embelezado. Avaliar a representação feita pelos estudantes de duas turmas do sexto ano, das Além da proporcionalidade observada na vegetação, muitos estudantes formas básicas do relevo (Planície, Planalto, Depressão e Montanha) em dispuseram sobre a maquete, animais (domésticos), esses bem maiores do que os maquetes como ferramenta diferenciada nas aulas de geografia. que seriam recomendados, nessas maquetes, o relevo tornou-se menos evidenciado, contundindo o objetivo da atividade. Uma característica bastante marcante na maioria das maquetes foi à inserção de cercas, representando Metodologia fronteiras, tanto para isolar os animais, como para isolar paisagens distintas. Essa característica demonstra um apontamento para a influência antrópica sobre o meio. O tema foi escolhido com base no plano de ensino desenvolvido pela professora, conforme a Proposta Curricular do Estado de Santa Catarina. Anteriormente à atividade, os estudantes tiveram contato com as principais características e CONCLUSÕES definições sobre o relevo. A partir deste primeiro contato com o conteúdo, foi apresentada a proposta de representação do relevo em maquetes. Embora com críticas as produções foram boas, e alcançaram um resultado esperado. As maquetes foram expostas em uma Feira de Ciências desenvolvida Embora sejam quatro formas básicas de relevo (Planície, Planalto, Depressão e pela Escola de Educação Básica Tancredo Almeida Neves, onde alguns Montanha), para essa atividade foram acrescidas as formas de Serras, Morros e estudantes explicaram ao público cada forma básica do relevo, diferenciando-as Chapadas (todas como um único tema), devido ao fato de que, diferente de umas das outras. montanhas, essas são formações que estão presentes na realidade dos A realização de atividades diferenciadas potencializa o aprendizado, e estudantes. No caso, em Santa Catarina, não há formação de Montanha, mas uma principalmente o interesse dos estudantes pela disciplina, embora não seja uma grande presença de Serras, Morros e Chapadas. proposta a ser realizada sempre, devido o tempo gasto e aos materiais utilizados, a experiência serve como base para a realização de outros experimentos práticos Em uma aula realizou-se um planejamento em conjunto, visto que esse processo é (FRANCISCHETT, 2002). importante para concretização de qualquer ação. A primeira parte foram apresentadas possíveis maneiras para representar cada formação, bem como cada representação deve ser constituída, levando sempre em conta a proporcionalidade dos atributos a serem representados, fazendo uma referência, principalmente, para a vegetação, aspecto bastante marcante no relevo. A segunda parte deu-se pelo planejamento individual de cada grupo, neste momento, os estudantes deveriam discutir entre eles o que cada um ficaria responsável, por parte dos materiais, e como seria disposto no isopor, material escolhido para base da maquete, as formações. Depois de todos os encaminhamentos realizados, iniciou-se a produção das maquetes pelos estudantes, tanto a professora como os bolsistas somente realizaram um auxílio na construção, para que não influenciassem os trabalhos. Figura 1: Conjunto de maquetes representando o relevo. Da esquerda para a direita: Serras/Morros/Chapadas; Planalto; Depressão; Planície. Fotos: Bruno Casaca (2012). De forma generalizada, os materiais utilizados pelos estudantes foram: folha de isopor, base da maquete; argila, para o relevo; tinta guache, para colorir as representações; gel de cabelo, para representar rios (quando presentes). A vegetação, dita importante no planejamento, foi representada ora por plantas sintéticas, muitas vezes desproporcionais para a maquete, ora por plantas colhidas REFERÊNCIAS nos pátios da escola. CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos; CALLAI, Helena Copetti; KAERCHER, Nestor André. Ensino de geografia: práticas e textualizações no cotidiano. 3. ed. Porto Ambas as turmas ficaram com mesma divisão de temas, ou seja, ao todo foram Alegre: Mediação, 2003. 172 p. feitas duas maquetes de cada tema, no entanto, essa característica vale para fazer FRANCISCHETT, Mafalda N. A cartografia no ensino da geografia: uma análise comparando os resultados. construindo os caminhos do cotidiano. Rio de Janeiro: Kroart, 2002.