Sueli Fernandes, 2005
Sueli Fernandes
AQUISIÇÃO DA ESCRITA
OUVINTES
ambiente familiar
língua natural(oral)
ambiente de leitura
LÍNGUA
PORTUGUESA
(L 1)
ambiente escolar
escrita - L1
Aprendizado de
segunda língua (L2)
opcional
(oral/escrita)
SURDOS (pais ouvintes)
ambiente familiar
rudimentos da oralidade/
comunicação gestual restrita
L1 ?
ambiente escolar
escrita da Língua
Portuguesa
Aprendizado de
segunda língua (L2)
obrigatória
(escrita)
Sueli Fernandes
Práticas de letramento
Princípio I
Só aprendemos uma segunda língua
se tivermos uma base lingüística
consolidada pelo acesso a uma
primeira língua (natural).
LÍNGUA MATERNA E LÍNGUA NATURAL
A língua materna é a que se fala
no ambiente da criança, desde o
seu nascimento. Para as crianças
surdas, a língua materna será
aquela falada por seus pais.
A língua natural é a língua que se
fala na comunidade a que pertence
a criança e com a qual identifica-se
culturalmente.
Língua materna é o português. Língua materna é a língua de
sinais (Libras).
Em geral, a língua materna e a língua natural coincidem.
CRIANÇAS SURDAS FILHAS
DE PAIS OUVINTES
90% dos casos
CRIANÇAS SURDAS FILHAS
DE PAIS SURDOS
10% dos casos
PROBLEMA...
O trabalho com o português escrito é encaminhado
com as mesmas estratégias desenvolvidas para o
ensino de língua materna para falantes nativos, isto é,
pressupondo uma experiência lingüística anterior
baseada na modalidade oral da língua. Ignora-se que a
natureza e a função do ensino de primeira língua e de
segunda língua não são idênticas e que o ponto de
partida para o processo de aprendizagem é
extremamente desigual, considerando-se o grupo de
surdos em relação aos demais alunos.
De que estamos falando quando discutimos a aquisição da escrita
pelos surdos?
ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO
ALFABETIZAÇÃO
 o domínio do código - alfabetização -
pressupõe o processo de treinamento ou
reconhecimento das relações entre a
oralidade e escrita, entre fonemas e
grafemas, envolve um conjunto de
habilidades de codificação e
decodificação de letras, sons, sílabas,
palavras.
LETRAMENTO
 Envolve aspectos sócio-históricos da aquisição de um
sistema escrito por uma sociedade.
 O letramento pressupõe estado ou condição de quem, não
apenas, sabe ler ou escrever, mas utiliza, pratica socialmente
a leitura e escrita, respondendo adequadamente às suas
demandas sociais.
 Na sociedade industrial moderna, o desenvolvimento
científico e tecnológico, decorrente do letramento, conduz a
um desenvolvimento individual de imersão em práticas
sociais de uso da escrita, independente da alfabetização e
escolarização dos sujeitos.
ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO
 habilidade individual;
 aquisição do código da leitura e
escrita;
 associar fonemas (sons) a
grafemas (letras);
 habilidade de codificar (escrita) e
decodificar (leitura) em língua
escrita.
 estado ou condição de um
grupo social ou de um indivíduo
como conseqüência da
apropriação da língua escrita;
 uso da leitura e da escrita em
práticas sociais;
 imersão no mundo da escrita;
 uso significativo de diferentes
tipos de material escrito.
TEXTOS
LETRAS
SÍLABAS
PALAVRAS
FRASES
OUVINTES
oralidade
SURDOS
LÍNGUA DE SINAIS
SURDOS E OUVINTES
LEÃO
LEÃO
LEÃO
RECURSOS VISUAIS NO
PROCESSO DE APRENDIZAGEM
 LÍNGUA DE SINAIS
 ALFABETO MANUAL
 MÍMICA/DRAMATIZAÇÃO
 DESENHOS/ILUSTRAÇÕES/FOTOGRAFIAS
 RECURSOS TECNOLÓGICOS (vídeo/TV,
retroprojetor, computador, slides...)
 LÍNGUA ESCRITA
Práticas de letramento
Princípio II
 A opção por um trabalho
educacional apenas com a
modalidade escrita da língua
portuguesa.
De que língua estamos falando quando ensinamos
o português?
Nos preocupamos com os tipos de registros da
língua?
PADRÃO
oral
NÃO-PADRÃO
escrito
real ideal
real ideal
oral
90%população
Quadro 1- Variantes de graus de formalismo
Variedades de modo
Língua falada Língua escrita
Pronunciamentos de
advogados, oradores
religiosos, políticos.
F
O
R
M
A
L
Oratório Hiperformal Poemas épicos, romances
(Machado de Assis, José de
Alencar)
Conferências científicas,
defesas de tese.
Formal
(deliberativo)
Formal Correspondências oficiais,
textos jornalísticos de boa
qualidade, artigos
científicos.
Diálogo cotidiano. I
N
F
O
R
M
A
L
Coloquial Semiformal Cartas comerciais,
recomendações,
declarações, reportagens
para locução em rádio e TV.
Diálogos em grupos
fechados de amigos.
Casual
(coloquial
distenso)
Informal Correspondência entre
familiares ou amigos
íntimos.
Língua da intimidade,
inteiramente particular
(função emotiva).
Familiar Pessoal Notas para uso próprio,
recado ao telefone, lista de
compras, bilhete.
(Adaptado de BOWEN apud TRAVAGLIA, 2000, P. 54)
Sueli Fernandes
Práticas de letramento
Princípio III
Acesso aos diferentes níveis de
registro do português, inclusive
aqueles que correspondem aos usos
cotidianos em situações informais.
Quais são as maiores dificuldades no
ensino/aprendizagem da língua portuguesa pelos
alunos surdos?
1º - Estrutura gramatical.
2º - Produção de textos.
3º - Leitura e interpretação de textos/compreensão.
1º - Ampliação de vocabulário.
2º - Produção de textos.
3º - Leitura labial.
4º - Estrutura gramatical.
5º Interpretação e compreensão de textos. -
De que forma estamos ensinando a língua
portuguesa para os surdos?
O LETRAMENTO NO CONTEXTO DA SURDEZ
a leitura psicolingüística e social
gramatical
(estrutura)
funcional
(práticas sociais)
língua de sinais
(base lingüística)
língua
escrita
lexical
(vocabulário)
Sueli Fernandes
Práticas de letramento
Princípio IV
O trabalho não deve se reduzir ao
nível lexical, sob pena de negarmos
aos alunos a possibilidade da
apreensão da estrutura da língua.
O LÉXICO (vocabulário)
 A freqüência do uso da palavra é uma das propriedades que
possibilitam a sua recuperação no acervo da memória.
 80% de qualquer texto é constituído pelas 500 palavras mais
freqüentes da língua.
Há altíssima freqüência de:
 palavras de significação muito geral (polissêmicas) - banco, cabeça,
dia, espírito, estado, forma, luz, mão, pai, povo, etc.);
 palavras instrumentais (artigos, preposições, pronomes, conjunções,
advérbios etc..);
 verbos auxiliares e modalizadores (ser, estar, ter, ir, fazer, dar, poder,
querer, etc.)
 formas verbais de 3ª pessoa do singular - ELE (presente, imperfeito e
perfeito do indicativo) 3ª pessoa do plural - NÓS (presente do indicativo)
a 1ª pessoa do singular EU (presente do indicativo) e as forma nominais
do verbo (gerúndio e infinitivo).
BIDERMAN (1998)
CÓDIGO E SIGNIFICADO
CABEÇA
A cabeça é a parte superior do corpo.
POLISSEMIA(vários significados)
 Todo mundo o admira: é uma grande cabeça.
 Sabia de cabeça todos os versos do poema.
 Essa vila é a cabeça da comarca.
 Pagaram R$ 1.000,00 por cabeça.
 Isso não tem pé nem cabeça.
 Deu-lhe agora na cabeça fazer versos.
 Perdeu a cabeça por aquela mulher.
 Nós dois levamos um papo-cabeça.
 Sempre foi um cabeça-de-vento.
 Montei um quebra-cabeça com 500 peças.
Como organizar as turmas para o trabalho com
a língua portuguesa?
 A seriação estabelece uma camisa de força que inflexibiliza
a formação de grupos conforme seu conhecimento prévio
em língua portuguesa.
 A formação de grupos por níveis de conhecimento é o
critério mais utilizado nas escolas de línguas para a
composição de novas turmas; os aprendizes são submetidos
a um exame de proficiência que fornece indicadores para o
nivelamento entre os diferentes grupos
LEITURA COMO ATIVIDADE
x
ATIVIDADES DE LEITURA
A leitura como decodificação...
A ênfase é dada às operações que envolvem o
reconhecimento, identificação e atribuição de significados
a símbolos gráficos, em detrimento da constituição de
sentidos sobre o texto.
Envolve atividades de decifração, memorização e cópia de
formas, a fim de se chegar à apreensão do conteúdo.
Opera-se com os aspectos superficiais da leitura.
LEITURA COMO ATIVIDADE
A leitura tem sido chamado de atividade cognitiva
pelo fato das complexas atividades mentais
envolvidas em sua constituição, que permitem a
compreensão da linguagem utilizada, suas
relações com o aspecto da realidade de que
derivam, além das associações com o
conhecimento prévio já internalizado sobre o fato.
PALAVRA (leitura)
decodificação
oral-auditiva visual-ortográfica
entrada lexical
(memória de trabalho)
léxico mental
(memória permanente)
NÍVEIS DE PROCESSAMENTO DA LEITURA
 código sensorial, que traduz os signos
lingüísticos em alguma forma de código
mental;
 entrada lexical - articula o código gerado ao
léxico mental para decidir se a palavra é
legítima ou não e, se for, que palavra é.
 compreensão da sentença - agrupa as
palavras em unidades significativas, através
do emprego de regras semânticas, sintáticas e
pragmáticas.
CÓDIGO SENSORIAL ENVOLVIDO
O código sensorial será materializado em duas
modalidades: estímulos orais-auditivos, no caso
da língua falada, e estímulos visuais, no caso da
língua escrita ou sinalizada.
ROTA FONOLÓGICA ROTA LEXICAL
memória ecóica (auditiva) memória icônica (visual)
Rota sublexical ou fonológica
 Pressupõe a mediação da própria linguagem
para obter o significado, ou seja, o leitor traduz os
símbolos gráficos em fonemas.
 Chegamos ao significado da palavra escrita
escutando-nos a nós mesmos pronunciá-la
Rota lexical ou visual
 As palavras seriam acessadas com base em
sua forma ortográfica, ou seja, a palavra impressa
é imediatamente relacionada a uma
representação interna, sem que seja necessário
recorrer à recodificação fonológica.
 A rota lexical é provavelmente mais rápida,
devido à natureza holística do código ortográfico.
Implicações para a leitura...
 Palavras mais curtas e mais
familiares (ex. sol, você).
 Tarefas mais rápidas e
holísticas, que exigiriam um
raciocínio mais globalizado.
 Leitores mais experientes
terão familiaridade com um
número maior de palavras.
Sistemas ideográficos de
escrita em que o princípio de
representação está baseado
em unidades de significado.
 Palavras mais incomuns e
difíceis (ex. cataclismo).
 Tarefas mais lentas e exatas,
exigindo maior reflexão do leitor.
 Leitores menos hábeis, como as
crianças nas séries iniciais do
Ensino Fundamental.
 Sistemas de escrita alfabéticos e
silábicos, nos quais há um alto
grau de correspondência entre
fonemas/grafemas.
LEXICAL FONOLÓGICA
EIS A QUESTÃO...
 É possível que o processamento mental
da leitura pelos surdos se realize apenas
por meio da rota lexical, mesmo sendo o
nosso sistema de escrita alfabético?
LEITURA
OUVINTES
ROTA FONOLÓGICA
ROTA LEXICAL
SURDOS
ROTA LEXICAL
Implicações para a prática pedagógica...
As atividades de leitura deverão ter como ponto
de partida diferentes sistemas simbólicos visuais,
a fim de ampliar as possibilidades de
compreensão e fixação pela memória. Aliar a
linguagem verbal e não-verbal estimula a
percepção e o processamento visual das
informações.
Trilhando caminhos para a
prática pedagógica
 Contextualização visual do texto.
 Leitura do texto em Libras (ativação de
conhecimento prévio de elementos intertextuais).
 Percepção de elementos lingüísticos significativos,
com funções importantes no texto (léxico, tipologia,
estilo/registro).
 Leitura individual / verificação de hipóteses de
leitura.
 (Re)elaboração escrita com vistas a sistematização
de aspectos estruturais.
Contextualização visual do texto.
Texto como uma estrutura composta de
linguagem verbal e não-verbal.
Associações entre ambas as linguagens para a
constituição de seu sentido.
Linguagens visuais:
 fotografia, desenho, artes plásticas e cênicas,
programas de TV (novelas, humorísticos,
propagandas...), filmes em vídeo legendados ,
propagandas de revistas e jornais, games, entre
outros.
“Leitura” do texto em Libras
(ativação de conhecimento prévio de
elementos intertextuais).
 Explorar todas as informações que fazem parte do
cotidiano dos alunos sobre o tema proposto, por
meio da mediação do professor com perguntas
pertinentes que conduzam a uma análise mais
aprofundada. (Adivinhações sobre o conteúdo)
 Exploração de palavras desconhecidas.
 Registro de um esquema de leitura.
Percepção de elementos lingüísticos significativos, com
funções importantes no texto
(léxico, tipologia e estilo/registro)
Conduzir o olhar do aluno para:
 tipologia (narração, descrição, diálogo, dissertação,
poesia);
 estilo/registro (níveis de formalidade e informalidade);
 sinais de pontuação e sua função;
 escrita em verso ou prosa;
 uso de maiúsculas/minúsculas como recurso estilístico;
 repetições ou redução de palavras que marcam a
oralidade;
 aspectos estruturais poderão ser eleitos para
sistematização (gênero, número, flexão verbal, ordem da
oração, elementos coesivos)
Leitura individual / verificação de
hipóteses de leitura
 Até aqui a leitura funcionou como um jogo de adivinhações dos
sentidos impressos no texto que serão ‘descobertos’ ou confirmados
pelo aluno na leitura individual.
 As atividades anteriores conduziram a perceber, reconhecer ou
identificar aspectos que poderiam se constituir em barreiras para a
compreensão do aluno.
 Ler individualmente é o primeiro passo para conquistar a autonomia
na leitura.
 Verificar se as hipóteses de leitura aproximam-se do conteúdo
veiculado pelo texto: perguntas diretas ou retomando o esquema
estabelecido inicialmente.
(Re)elaboração escrita com vistas a
sistematização de aspectos estruturais.
 Só poderemos propor atividades de produção escrita
sobre determinado tema, se ele recebeu um ‘tratamento’
anterior, se ele foi significado, debatido, inseriu-se em
determinado contexto social de uso.
Sistematização
 O verbo é o centro estruturador da frase verbal e amarra
todos os outros termos da oração
 Para haver oração é preciso haver verbo e todos os
termos integrantes se relacionam de alguma maneira a ele:
os complementos verbais, o sujeito (concordância),
número e pessoa, modo, tempo e aspecto, a voz
verbal.
Sueli Fernandes
Práticas de letramento
Princípio VI
Leitura e escrita como processos
indissociáveis.

Português escrito-L2.pptx

  • 1.
  • 2.
    Sueli Fernandes AQUISIÇÃO DAESCRITA OUVINTES ambiente familiar língua natural(oral) ambiente de leitura LÍNGUA PORTUGUESA (L 1) ambiente escolar escrita - L1 Aprendizado de segunda língua (L2) opcional (oral/escrita) SURDOS (pais ouvintes) ambiente familiar rudimentos da oralidade/ comunicação gestual restrita L1 ? ambiente escolar escrita da Língua Portuguesa Aprendizado de segunda língua (L2) obrigatória (escrita)
  • 3.
    Sueli Fernandes Práticas deletramento Princípio I Só aprendemos uma segunda língua se tivermos uma base lingüística consolidada pelo acesso a uma primeira língua (natural).
  • 4.
    LÍNGUA MATERNA ELÍNGUA NATURAL A língua materna é a que se fala no ambiente da criança, desde o seu nascimento. Para as crianças surdas, a língua materna será aquela falada por seus pais. A língua natural é a língua que se fala na comunidade a que pertence a criança e com a qual identifica-se culturalmente. Língua materna é o português. Língua materna é a língua de sinais (Libras). Em geral, a língua materna e a língua natural coincidem. CRIANÇAS SURDAS FILHAS DE PAIS OUVINTES 90% dos casos CRIANÇAS SURDAS FILHAS DE PAIS SURDOS 10% dos casos
  • 5.
    PROBLEMA... O trabalho como português escrito é encaminhado com as mesmas estratégias desenvolvidas para o ensino de língua materna para falantes nativos, isto é, pressupondo uma experiência lingüística anterior baseada na modalidade oral da língua. Ignora-se que a natureza e a função do ensino de primeira língua e de segunda língua não são idênticas e que o ponto de partida para o processo de aprendizagem é extremamente desigual, considerando-se o grupo de surdos em relação aos demais alunos.
  • 6.
    De que estamosfalando quando discutimos a aquisição da escrita pelos surdos? ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO
  • 7.
    ALFABETIZAÇÃO  o domíniodo código - alfabetização - pressupõe o processo de treinamento ou reconhecimento das relações entre a oralidade e escrita, entre fonemas e grafemas, envolve um conjunto de habilidades de codificação e decodificação de letras, sons, sílabas, palavras.
  • 8.
    LETRAMENTO  Envolve aspectossócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade.  O letramento pressupõe estado ou condição de quem, não apenas, sabe ler ou escrever, mas utiliza, pratica socialmente a leitura e escrita, respondendo adequadamente às suas demandas sociais.  Na sociedade industrial moderna, o desenvolvimento científico e tecnológico, decorrente do letramento, conduz a um desenvolvimento individual de imersão em práticas sociais de uso da escrita, independente da alfabetização e escolarização dos sujeitos.
  • 9.
    ALFABETIZAÇÃO LETRAMENTO  habilidadeindividual;  aquisição do código da leitura e escrita;  associar fonemas (sons) a grafemas (letras);  habilidade de codificar (escrita) e decodificar (leitura) em língua escrita.  estado ou condição de um grupo social ou de um indivíduo como conseqüência da apropriação da língua escrita;  uso da leitura e da escrita em práticas sociais;  imersão no mundo da escrita;  uso significativo de diferentes tipos de material escrito. TEXTOS LETRAS SÍLABAS PALAVRAS FRASES
  • 10.
  • 11.
    RECURSOS VISUAIS NO PROCESSODE APRENDIZAGEM  LÍNGUA DE SINAIS  ALFABETO MANUAL  MÍMICA/DRAMATIZAÇÃO  DESENHOS/ILUSTRAÇÕES/FOTOGRAFIAS  RECURSOS TECNOLÓGICOS (vídeo/TV, retroprojetor, computador, slides...)  LÍNGUA ESCRITA
  • 12.
    Práticas de letramento PrincípioII  A opção por um trabalho educacional apenas com a modalidade escrita da língua portuguesa.
  • 13.
    De que línguaestamos falando quando ensinamos o português? Nos preocupamos com os tipos de registros da língua? PADRÃO oral NÃO-PADRÃO escrito real ideal real ideal oral 90%população
  • 14.
    Quadro 1- Variantesde graus de formalismo Variedades de modo Língua falada Língua escrita Pronunciamentos de advogados, oradores religiosos, políticos. F O R M A L Oratório Hiperformal Poemas épicos, romances (Machado de Assis, José de Alencar) Conferências científicas, defesas de tese. Formal (deliberativo) Formal Correspondências oficiais, textos jornalísticos de boa qualidade, artigos científicos. Diálogo cotidiano. I N F O R M A L Coloquial Semiformal Cartas comerciais, recomendações, declarações, reportagens para locução em rádio e TV. Diálogos em grupos fechados de amigos. Casual (coloquial distenso) Informal Correspondência entre familiares ou amigos íntimos. Língua da intimidade, inteiramente particular (função emotiva). Familiar Pessoal Notas para uso próprio, recado ao telefone, lista de compras, bilhete. (Adaptado de BOWEN apud TRAVAGLIA, 2000, P. 54)
  • 15.
    Sueli Fernandes Práticas deletramento Princípio III Acesso aos diferentes níveis de registro do português, inclusive aqueles que correspondem aos usos cotidianos em situações informais.
  • 16.
    Quais são asmaiores dificuldades no ensino/aprendizagem da língua portuguesa pelos alunos surdos? 1º - Estrutura gramatical. 2º - Produção de textos. 3º - Leitura e interpretação de textos/compreensão.
  • 17.
    1º - Ampliaçãode vocabulário. 2º - Produção de textos. 3º - Leitura labial. 4º - Estrutura gramatical. 5º Interpretação e compreensão de textos. - De que forma estamos ensinando a língua portuguesa para os surdos?
  • 18.
    O LETRAMENTO NOCONTEXTO DA SURDEZ a leitura psicolingüística e social gramatical (estrutura) funcional (práticas sociais) língua de sinais (base lingüística) língua escrita lexical (vocabulário)
  • 19.
    Sueli Fernandes Práticas deletramento Princípio IV O trabalho não deve se reduzir ao nível lexical, sob pena de negarmos aos alunos a possibilidade da apreensão da estrutura da língua.
  • 20.
    O LÉXICO (vocabulário) A freqüência do uso da palavra é uma das propriedades que possibilitam a sua recuperação no acervo da memória.  80% de qualquer texto é constituído pelas 500 palavras mais freqüentes da língua. Há altíssima freqüência de:  palavras de significação muito geral (polissêmicas) - banco, cabeça, dia, espírito, estado, forma, luz, mão, pai, povo, etc.);  palavras instrumentais (artigos, preposições, pronomes, conjunções, advérbios etc..);  verbos auxiliares e modalizadores (ser, estar, ter, ir, fazer, dar, poder, querer, etc.)  formas verbais de 3ª pessoa do singular - ELE (presente, imperfeito e perfeito do indicativo) 3ª pessoa do plural - NÓS (presente do indicativo) a 1ª pessoa do singular EU (presente do indicativo) e as forma nominais do verbo (gerúndio e infinitivo). BIDERMAN (1998)
  • 21.
    CÓDIGO E SIGNIFICADO CABEÇA Acabeça é a parte superior do corpo.
  • 22.
    POLISSEMIA(vários significados)  Todomundo o admira: é uma grande cabeça.  Sabia de cabeça todos os versos do poema.  Essa vila é a cabeça da comarca.  Pagaram R$ 1.000,00 por cabeça.  Isso não tem pé nem cabeça.  Deu-lhe agora na cabeça fazer versos.  Perdeu a cabeça por aquela mulher.  Nós dois levamos um papo-cabeça.  Sempre foi um cabeça-de-vento.  Montei um quebra-cabeça com 500 peças.
  • 23.
    Como organizar asturmas para o trabalho com a língua portuguesa?  A seriação estabelece uma camisa de força que inflexibiliza a formação de grupos conforme seu conhecimento prévio em língua portuguesa.  A formação de grupos por níveis de conhecimento é o critério mais utilizado nas escolas de línguas para a composição de novas turmas; os aprendizes são submetidos a um exame de proficiência que fornece indicadores para o nivelamento entre os diferentes grupos
  • 24.
  • 25.
    A leitura comodecodificação... A ênfase é dada às operações que envolvem o reconhecimento, identificação e atribuição de significados a símbolos gráficos, em detrimento da constituição de sentidos sobre o texto. Envolve atividades de decifração, memorização e cópia de formas, a fim de se chegar à apreensão do conteúdo. Opera-se com os aspectos superficiais da leitura.
  • 26.
    LEITURA COMO ATIVIDADE Aleitura tem sido chamado de atividade cognitiva pelo fato das complexas atividades mentais envolvidas em sua constituição, que permitem a compreensão da linguagem utilizada, suas relações com o aspecto da realidade de que derivam, além das associações com o conhecimento prévio já internalizado sobre o fato.
  • 27.
    PALAVRA (leitura) decodificação oral-auditiva visual-ortográfica entradalexical (memória de trabalho) léxico mental (memória permanente)
  • 28.
    NÍVEIS DE PROCESSAMENTODA LEITURA  código sensorial, que traduz os signos lingüísticos em alguma forma de código mental;  entrada lexical - articula o código gerado ao léxico mental para decidir se a palavra é legítima ou não e, se for, que palavra é.  compreensão da sentença - agrupa as palavras em unidades significativas, através do emprego de regras semânticas, sintáticas e pragmáticas.
  • 29.
    CÓDIGO SENSORIAL ENVOLVIDO Ocódigo sensorial será materializado em duas modalidades: estímulos orais-auditivos, no caso da língua falada, e estímulos visuais, no caso da língua escrita ou sinalizada. ROTA FONOLÓGICA ROTA LEXICAL memória ecóica (auditiva) memória icônica (visual)
  • 30.
    Rota sublexical oufonológica  Pressupõe a mediação da própria linguagem para obter o significado, ou seja, o leitor traduz os símbolos gráficos em fonemas.  Chegamos ao significado da palavra escrita escutando-nos a nós mesmos pronunciá-la
  • 31.
    Rota lexical ouvisual  As palavras seriam acessadas com base em sua forma ortográfica, ou seja, a palavra impressa é imediatamente relacionada a uma representação interna, sem que seja necessário recorrer à recodificação fonológica.  A rota lexical é provavelmente mais rápida, devido à natureza holística do código ortográfico.
  • 32.
    Implicações para aleitura...  Palavras mais curtas e mais familiares (ex. sol, você).  Tarefas mais rápidas e holísticas, que exigiriam um raciocínio mais globalizado.  Leitores mais experientes terão familiaridade com um número maior de palavras. Sistemas ideográficos de escrita em que o princípio de representação está baseado em unidades de significado.  Palavras mais incomuns e difíceis (ex. cataclismo).  Tarefas mais lentas e exatas, exigindo maior reflexão do leitor.  Leitores menos hábeis, como as crianças nas séries iniciais do Ensino Fundamental.  Sistemas de escrita alfabéticos e silábicos, nos quais há um alto grau de correspondência entre fonemas/grafemas. LEXICAL FONOLÓGICA
  • 33.
    EIS A QUESTÃO... É possível que o processamento mental da leitura pelos surdos se realize apenas por meio da rota lexical, mesmo sendo o nosso sistema de escrita alfabético?
  • 34.
  • 35.
    Implicações para aprática pedagógica... As atividades de leitura deverão ter como ponto de partida diferentes sistemas simbólicos visuais, a fim de ampliar as possibilidades de compreensão e fixação pela memória. Aliar a linguagem verbal e não-verbal estimula a percepção e o processamento visual das informações.
  • 36.
    Trilhando caminhos paraa prática pedagógica  Contextualização visual do texto.  Leitura do texto em Libras (ativação de conhecimento prévio de elementos intertextuais).  Percepção de elementos lingüísticos significativos, com funções importantes no texto (léxico, tipologia, estilo/registro).  Leitura individual / verificação de hipóteses de leitura.  (Re)elaboração escrita com vistas a sistematização de aspectos estruturais.
  • 37.
    Contextualização visual dotexto. Texto como uma estrutura composta de linguagem verbal e não-verbal. Associações entre ambas as linguagens para a constituição de seu sentido. Linguagens visuais:  fotografia, desenho, artes plásticas e cênicas, programas de TV (novelas, humorísticos, propagandas...), filmes em vídeo legendados , propagandas de revistas e jornais, games, entre outros.
  • 38.
    “Leitura” do textoem Libras (ativação de conhecimento prévio de elementos intertextuais).  Explorar todas as informações que fazem parte do cotidiano dos alunos sobre o tema proposto, por meio da mediação do professor com perguntas pertinentes que conduzam a uma análise mais aprofundada. (Adivinhações sobre o conteúdo)  Exploração de palavras desconhecidas.  Registro de um esquema de leitura.
  • 39.
    Percepção de elementoslingüísticos significativos, com funções importantes no texto (léxico, tipologia e estilo/registro) Conduzir o olhar do aluno para:  tipologia (narração, descrição, diálogo, dissertação, poesia);  estilo/registro (níveis de formalidade e informalidade);  sinais de pontuação e sua função;  escrita em verso ou prosa;  uso de maiúsculas/minúsculas como recurso estilístico;  repetições ou redução de palavras que marcam a oralidade;  aspectos estruturais poderão ser eleitos para sistematização (gênero, número, flexão verbal, ordem da oração, elementos coesivos)
  • 40.
    Leitura individual /verificação de hipóteses de leitura  Até aqui a leitura funcionou como um jogo de adivinhações dos sentidos impressos no texto que serão ‘descobertos’ ou confirmados pelo aluno na leitura individual.  As atividades anteriores conduziram a perceber, reconhecer ou identificar aspectos que poderiam se constituir em barreiras para a compreensão do aluno.  Ler individualmente é o primeiro passo para conquistar a autonomia na leitura.  Verificar se as hipóteses de leitura aproximam-se do conteúdo veiculado pelo texto: perguntas diretas ou retomando o esquema estabelecido inicialmente.
  • 41.
    (Re)elaboração escrita comvistas a sistematização de aspectos estruturais.  Só poderemos propor atividades de produção escrita sobre determinado tema, se ele recebeu um ‘tratamento’ anterior, se ele foi significado, debatido, inseriu-se em determinado contexto social de uso. Sistematização  O verbo é o centro estruturador da frase verbal e amarra todos os outros termos da oração  Para haver oração é preciso haver verbo e todos os termos integrantes se relacionam de alguma maneira a ele: os complementos verbais, o sujeito (concordância), número e pessoa, modo, tempo e aspecto, a voz verbal.
  • 42.
    Sueli Fernandes Práticas deletramento Princípio VI Leitura e escrita como processos indissociáveis.