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Refletir EdInf, nº 01, janeiro – fevereiro - março 2017
“A Escola pode contribuir de um modo fundamental para a garantia do princípio de
democraticidade no acesso às tecnologias da informação e comunicação e pode
tirar partido da revolução profunda no mundo da comunicação operada pela
digitalização da informação, pelo aparecimento do multimédia e pela difusão das
redes telemáticas”
Atas do Encontro sobre A Sociedade da Informação na Escola, do Conselho Nacional
de Educação (CNE, 1999, p.13).
Vivemos uma era em que o “ter” se sobrepõe ao “ser” e muitas
vezes o substitui… A forma como lidamos hoje com a tecnologia
espelha bem esta premissa. As crianças com as quais trabalhamos
têm vários brinquedos tecnológicos. Computadores, Tablet,
telemóveis fazem parte do seu “ter”. Farão parte do seu “ser”?
Saberão as crianças ser utilizadores (cons)cientes? Qual pode ser o
nosso papel enquanto educadores daqueles que estão ainda a
descobrir que têm uma identidade digital?
Não é de agora que sabemos que a tecnologia (nomeadamente o seu
espaço comunicacional) oferece potencialidades imprescindíveis à
educação e à formação, permitindo um enriquecimento contínuo dos
saberes.
Atualmente, qualquer criança que chegue à escola transporta
consigo a imagem de um mundo – real ou fictício – que ultrapassa em
muito os limites da família e da sua comunidade.
A este propósito, “a verdade maior, e global, é que a criança cuja
primeira escola (a escola divertida, que precede a escola
aborrecida) é a televisão, é um animal simbólico que recebe o seu
imprint, o seu cunho formativo através das imagens de um mundo
todo ele centrado no ver” (Sartori, 2000, p.29).
Mas as mensagens mais variadas – lúdicas, informativas ou
publicitárias – que são transmitidas pelos meios de comunicação
social e pelos dispositivos eletrónicos móveis entram, muitas vezes,
em concorrência ou contradição com o que as crianças aprendem na
escola, porque “a criança é uma esponja que regista e absorve
indiscriminadamente (visto ainda não ter a capacidade de
discriminação) tudo aquilo que vê” (idem).
Posto isto, se sabemos que a tecnologia é, hoje em dia, central na
construção de saber e de relacionamento entre as pessoas, torna-
se fundamental que a escola, com base na utilização de
metodologias ativas e participativas e com recurso a
instrumentos e estratégias tecnológicas no processo de ensino e
aprendizagem, utilize e ensine a utilizar criticamente a
tecnologia como ferramenta transversal ao currículo e às
aprendizagens.
Para tal, partilhar experiências/recursos/saberes no seio da
comunidade educativa, estimular estratégias e práticas que
levem ao envolvimento dos alunos e das famílias em
trabalho prático com tecnologias, produzir, utilizar e
avaliar recursos educativos potenciadores da construção
do conhecimento e interação pessoal e social são
objetivos pedagógicos e educativos essenciais.
A “aprendizagem profunda ocorre quando a
aprendizagem é social, ativa, promove a
colaboração e as parcerias, inclui retroação e é
reflexiva” (Carmean, C & Haefner, J. 2002;
Brandsford, J. D. 2000), torna-se imperioso a
integração de ferramentas de comunicação e
interação à distância no processo de ensino e
aprendizagem, prolongando momentos de
aprendizagem no tempo e no espaço e
fomentando momentos de reflexão
decorrentes da prática letiva.
Plataformas tecnológicas: Mind the gap!!
Porque cooperação pedagógica com alta tecnologia requer alto cuidado
Henrique Santos (henriquehsantos@gmail.com) e Vera Terreiro Ribeiro (verarib78@hotmail.com)
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Refletir EdInf, nº 01, janeiro – fevereiro - março 2017
O espaço do meio envolvente ou do contexto educativo, que se
caracteriza também por ser um espaço constante de colaboração e
partilha, potencia a criação de efetivas redes de parceria que
objetivam um desenvolvimento sustentado do espaço de
implantação da escola na comunidade local.
Aqui, destacam-se as necessidades de intensa colaboração a vários
níveis, designadamente com as famílias, parceiros educativos,
instituições e empresas de zona, na disponibilização de serviços e
produtos por parte de algumas delas para atividades escolares e
letivas ou mesmo na construção de estratégias conjuntas.
Ao referir explicitamente que “ao dar conhecimento aos
pais/famílias e a outros membros da comunidade,
presencialmente ou à distância (blogues, plataforma da
escola, etc.) (…) o profissional de educação de infância
favorece um clima de comunicação, de troca…” (p.
30), as Orientações Curriculares para a Educação
Pré-Escolar (OCEPE) vêm, de forma clara e
explícita, sustentar a importância de uma
utilização consciente e continuada dos
instrumentos tecnológicos e digitais capazes de
aproximar os vários contextos onde a criança se insere,
nomeadamente a escola e a família.
Sendo a internet o espaço mobilizador por
excelência, a elaboração de um espaço em linha
que sirva para comunicar a atividade (do
processo, dos produtos, das conquistas, da
evolução…) é também um espaço de trabalho
cooperativo à distância, nomeadamente através
da colaboração/partilha com outros alunos,
com outras escolas, com outros
profissionais e com as famílias. e, acima
de tudo, que a comunidade compreenda
Porque fazer
Sou educadora há já onze anos, neste entretanto, as novas tecnologias e,
sobretudo, o acesso à internet generalizaram-se. Percebi cedo que teria de as
integrar na minha prática. Não foi fácil. Eu não gostava nada de computadores e a
tecnologia sempre me meteu medo. Tive acesso aos computadores muito tarde,
não parecia essencial… E as outras máquinas?? Ai!! Como arranjar se estragasse?
Por onde começar?…
O que é certo é que comecei! Hoje, utilizo as redes sociais diariamente e vou
divulgando um pouco do que sei e do que sinto acerca da Educação de Infância.
Uma espécie de montra de mim com outros… Troco também, com muita
frequência, correio eletrónico com as famílias e têm-se estabelecido pontes muito
importantes. Considero que uma boa comunicação entre pais e escola é
fundamental. E para que isso aconteça, a relação tem de ser baseada na confiança
e transparência entre a família e o JI, tudo o que estreite este GAP é potenciador
do desenvolvimento das crianças.
“Even good quality childcare will not alone militate against the effects of
deprivation and disadvantage; early intervention working with parents, as well
as children, will have the best long-term outcomes” (Davis, 2015)
Cresci muito como profissional com este apoio das tecnologias: quer com as
pontes de comunicação com as famílias, que me ajudaram muito a mostrar
positivamente cada criança e a conhecer cada família um pouco melhor; quer com
as redes sociais que muito me têm levado, também, a refletir com outros
profissionais. De facto, levo muito tempo a construir esta montra, exige muito
cuidado ético e estético, muita reflexão. Mas ganho qualidade na intervenção
pedagógica, porque é mais contextualizada e há maior fluidez na comunicação,
que é mais constante e cuidada. Penso cada detalhe, e tento aproximar as
famílias mostrando o que há de melhor em cada criança. Porque acredito como
Davis (idem) que para ajudar as crianças temos de ajudar as famílias. Promover
uma boa imagem daquilo que cada criança é capaz é muito potenciador, bem
como contribui significativamente para o bem-estar e auto estima de cada
criança. Ignorar estes recursos seria, para mim, empobrecer muito a minha
prática.
Não promover na sala o acesso a tecnologia seria muito incoerente… e tão
empobrecedor da vida das crianças, quanto foi da minha até tarde. Por isso,
jogamos juntos, brincamos juntos, pesquisamos juntos, tento passar-lhes com o
meu exemplo muitas das funcionalidades dos computadores que já domino e
tento pôr à sua disposição muitos suportes tecnológicos diferentes, com a
expectativa de que tenham também nesta área consciência de si como
aprendentes.
Na atitude crítica que se exige em relação às redes sociais, aos média, à
informação em geral, tento também ser modelo e ser coerente. Não poderia
sequer exigi-lo a nenhuma criança se a não praticasse e se não a promovesse de
forma transversal na sala. Há coisas que só se aprendem de forma global…
Há muitos momentos na rotina onde se prevê que os conflitos aconteçam e que
mobilizem discussão, assim como potenciem o crescimento. O ser digital de cada
um é, assim, só mais uma dimensão do seu ser que a criança reconhece com
naturalidade, uma identidade com que age, sobre a qual pode e deve refletir.
Terá de filtrar informação para o resto da vida, nesta como noutras áreas e não
poderá fazê-lo sem o filtro que se constrói a cada interação com o outro e com os
recursos todos, nas relações, com escuta, em diálogo e passo a passo.
Vera Terreiro Ribeiro
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a finalidade, os objetivos, a função e os benefícios da Escola.
Neste particular, a participação em projetos específicos (redes
sociais, web, plataformas digitais internas – moodle, joomla, etc. -
ou externas – e-twinning, laboratórios de aprendizagem, etc.)
consubstanciam, também, a modelação de estruturas de apoio
pedagógico, didático e educativo que, potenciam as dinâmicas de
apoio, reflexão e ação, que permitindo um crescimento e
aprendizagem “em rede”.
E se a utilização dos meios e tecnologias de
comunicação e informação pode ser
desencadeadora de variadas situações de
efetiva aprendizagem e desenvolvimento de
competências, nomeadamente de
competências de utilização, compreensão e
gestão do conhecimento e dos instrumentos
tecnológicos e de comunicação, o espaço de
relação/cooperação interdisciplinar e com
outros parceiros educativos assume-se como
estratégia fundamental ao partir da sala de
jardim-de-infância para regressar a ela. As plataformas que
proporcionarmos serão o acesso de embarque ou desembarque,
rumo ao mundo da tecnologia, por favor MIND THE GAP…
As “dificuldades” e os “perigos”
“A comunicação respeita princípios éticos e deontológicos que deverão
orientar a sua prática tendo em conta o superior interesse da criança,
não se centrando nos seus insucessos, mas sim nas suas conquistas e
descobertas, não divulgando informação confidencial e respeitando a
privacidade das crianças e suas e famílias.” (OCEPE, 2016, p. 22)
É notória a vantagem de se utilizarem as redes e os espaços digitais
para desenvolver e criar dinâmicas e práticas pedagógicas e
educativas, São plataformas de acesso, pontes elevatórias… Em
todas as plataformas há espaços “vãos” a considerar e cabe-nos
enquanto educadores o papel de estreitar esses espaços no que
concerne ao acesso à tecnologia, tornando-o seguro, intencional e
rico, dos pontos vista estético, ético e lúdico! Torna-se, também,
fundamental refletir sobre alguns perigos que possam advir dessa
“utilização”. Porque nestes meios, a um vazio(vão) de informação
corresponde muitas vezes uma queda em acessos escuros…pouco
seguros ou despropositados.
Cabe-nos, por isso,
desenvolver um conjunto de
práticas que fomentem, nas
crianças, hábitos de gestão
de segurança e, acima de
tudo, que possam motivar
comportamentos de auto-
segurança e reflexão crítica
sobre os instrumentos
postos ao dispor, assim
como promover um uso de
suportes tecnológicos diferenciados, possibilitando, a cada um, a
consciencialização progressiva de uma identidade digital.
A identidade digital é a representação digital dos dados relacionados
com uma pessoa (dados pessoais), empresa, sistema ou máquina,
acessível através de meios técnicos. Pode incluir dados como nome,
morada, etc. e pode abranger um conjunto de informações
atualizadas, organizadas e codificadas em meios informáticos,
relativamente a pessoas físicas e jurídicas.
«Dados pessoais»: qualquer informação, de qualquer natureza e
independentemente do respetivo suporte, incluindo som e imagem,
relativa a uma pessoa singular identificada ou identificável («titular dos
dados»); é considerada identificável a pessoa que possa ser identificada
direta ou indiretamente, designadamente por referência a um número
…é também um espaço que
permite a visibilidade ao
trabalho desenvolvido pela
escola e pelos seus
profissionais…
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de identificação ou a um ou mais elementos específicos da sua
identidade física, fisiológica, psíquica, económica, cultural ou social”
Lei n.º 67/98 de 26 de Outubro - Lei da Proteção de Dados Pessoais
A gestão dos dados individuais dos alunos (cidadãos) que, muitas das
vezes pedimos sem analisar seriamente, quer nas suas implicações
sociais, quer na sua necessidade, podem constituir-se como
elementos facilitadores da restrição do direito à reserva da
intimidade da vida privada, dependendo da forma como forem
usados, exigem-nos um respeito profundo.
Daqui se depreende que, se a informação pessoal (e entenda-se aqui
informação como os dados pessoais, mas também audiovisuais,
sociométricos, etc.) estiver disponível para um leque alargado de
pessoas e entidades, ainda que de forma involuntária, pode vir a ser
erradamente usada, ou mesmo de forma criminosa. Para o
evitarmos, enquanto cidadãos e utilizadores de “informação
sensível”, devemos refletir também acerca do modo e dos usos que
daremos à informação pessoal recolhida.
De uma forma simples, podemos referir que a “ética de utilização”
deve garantir um padrão de como os registos são tratados: não
serem facultados a outras entidades para as quais não foram
fornecidos, poderem ser verificados, mas não alterados por terceiros
e terem garantia de sigilo profissional por parte das pessoas que têm
contacto direto com essa informação (possibilidade de rastreio
transparente e de responsabilização).
Acresce que, aos pais deve ser dada a escolha de consentir a recolha
e utilização dos dados pessoais da criança para utilização interna,
dando-lhes também a possibilidade de não consentir que esses dados
sejam partilhados com terceiros.
Mas, numa perspetiva formativa, e independentemente dos
“cuidados” atrás descritos, parece-nos mais fundamental ainda que
os nossos alunos sejam envolvidos e alertados para essa mesma
“utilização de imagens e dados”. É fundamental que as crianças
O que faço
Com uma prática de mais de dez anos de utilização da internet como “fornecedor
de conteúdos” e “divulgação de processos e produtos” de atividades
desenvolvidas em Jardim de Infância, considero existir um conjunto de premissas
que devem ser sempre respeitadas. Nomeadamente, no que se refere ao uso de
dados sensíveis.
Nas publicações na internet (sobretudo), mas também em outros locais de
divulgação (revistas, e jornais escolares, CD com “imagens do ano”, participação
em congressos ou conferências, etc.), há algumas “regras” a ter em conta.
A primeira e mais fundamental, é a autorização de uso. Que deve ser clara e
explicada, e fazer referência explícita à recolha de imagens do aluno para
divulgação e partilha de atividades de interesse pedagógico e educativo, sempre
que o docente titular de grupo entender necessário e útil. Deve ainda referir que
as imagens poderão ser alvo de edição e publicação (CD, jornal escolar,
exposições, conferências), salvaguardando as questões de identificação e
identidade pessoal em vigor na lei. Também deve esclarecer que as imagens a
utilizar não permitirão a identificação dos envolvidos, nem será associada outra
informação pessoal ou sensível aos dados divulgados no âmbito da promoção da
informação educativa.
As imagens devem ser sempre de situação e evitar ao máximo a possibilidade de
identificação da criança/ator. Se considerarmos que o registo imagético se refere
ao “processo” e ao “resultado”, é possível fotografar sem identificar o ator (ou
fotografando apenas a ação e/ou o contexto ou reduzindo a qualidade da imagem
por forma a tornar ilegíveis os traço fenotípicos1
). Neste particular, cabe ao
docente compreender, antes de mais, que o que se pretende divulgar é o
resultado de um trabalho de um grupo/turma, ou uma atividade específica, sem
que se dê especial importância “a quem” o tenha realizado. Também é possível
“ensinar” um conjunto de técnicas fotográficas às crianças/alunos para que, na
recolha de imagens, seja, desde logo, feita uma triagem.
É muito recorrente, e especialmente quando se publicam imagens nas redes
sociais, proceder à identificação e localização dos atores e das imagens. Tendo em
conta que este processo de georreferenciação também divulga dados sensíveis,
compete ao profissional evitar usar as ferramentas preexistentes nas redes sociais
e também desmotivar o seu uso (por pais, familiares, ou os próprios alunos),
promovendo uma clara informação e reflexão sobre os perigos que advêm desse
tipo de identificação. No que concerne à utilização das publicações como
“portfólio”, e assim permitir o seu uso recorrente, há também alguns cuidados a
observar, nomeadamente aqueles que dizem respeito à identificação (para
pesquisa e utilização futura), mas também à organização e indexação da
informação.
As redes sociais (facebook, youtube, twiter, linkdin, instragram, etc.) dispõem de
um conjunto de ferramentas próprias que permitem uma “arrumação” (por
tópicos, datas, conteúdos, assuntos, etc.) bem como um conjunto de ferramentas
de edição e proteção de dados que não só surgem como muito intuitivas como
relevam aqueles que consideramos os “principais problemas” em termos de
identificação e localização. Torna-se, portanto, fundamental usar todos os
instrumentos e recursos existentes, mas com uma consciência plena das
vantagens, perigos e de que forma é que se transformam em mais-valias
educativas.
O que significa dizer que a internet e as tecnologias só se constituem uma ameaça
se não lhes dedicarmos o tempo, a reflexão e a análise profunda, como de resto
fazemos com qualquer análise de necessidades que façamos para apoiar a nossa
prática pedagógica.
Henrique Santos
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Refletir EdInf, nº 01, janeiro – fevereiro - março 2017
sejam “tidas em consideração” sobre a utilização da sua imagem,
filmes sobre si (e consigo), dados pessoais e outros referentes
identitários.
Não obstante, compete ao profissional de educação dotar-se de um
conjunto de práticas capazes de minimizar os riscos decorrentes do
uso indevido de informação pessoal desnecessária e,
simultaneamente, planear e avaliar os efeitos de tal uso.
Na educação de infância existe, por vezes, a ideia de que “ainda é
cedo” para promover a privacidade, como um dos direitos
fundamentais. Contudo, é desde tenra idade que o cidadão/criança
é confrontado com um largo conjunto de experiências
condicionadoras da sua liberdade individual. Mesmo que não tenha
essa consciência ao ser utilizador dos instrumentos tecnológicos, a
criança está a entrar numa “realidade” dependente de controlo e
pode, ela própria ser controlada.

Referências bibliográficas
Abrantes, J. C. (1998) Educação para os Media, Cadernos de Educação de Infância, 44, P
28-29, Lisboa: APEI.
CNE (1999). A Sociedade de Informação na Escola. Lisboa, Ministério da Educação.
Bransford, J. D et all (2000) How people Learn: Brain, Mind, Experience and School,
Washignton D.C: NRC, National Academy Press.
Carmean C. e Haefner, J (2002) Mind over Matter: Transforming course Management
systems into Effective Learning Environments, Educause Review, Vol. 37, nº
6 (Nov./Dez.). Disponível em: http:www.educause.edu.
Silva, I. L. (Coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar.
Lisboa: Ministério da Educação/Direção Geral da Educação. Disponível em:
http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/ocepe_abril2
016.pdf e publicadas pelo Despacho n.º 9180/2016 - Diário da República n.º
137/2016, Série II de 2016-07-19
Papert, S. (1998) A Família em Rede. Lisboa, Relógio D’água.
Santos, H. (2001) Os Computadores e Nós – Algumas informações úteis sobre o processo
de aprendizagem. Cadernos de Educação de Infância, n.º 60. Lisboa, APEI.
Sartori G. (2000) Homo Videns - Televisão e Pós Pensamento. Lisboa, Terramar
Davis, Angela (2015) "Family support more important than pre-school care in securing
children's wellbeing." ScienceDaily. ScienceDaily, 14 July 2015. University of
Warwick.
Foto: Cristina Pinto

Mind the gap

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    12 Refletir EdInf, nº01, janeiro – fevereiro - março 2017 “A Escola pode contribuir de um modo fundamental para a garantia do princípio de democraticidade no acesso às tecnologias da informação e comunicação e pode tirar partido da revolução profunda no mundo da comunicação operada pela digitalização da informação, pelo aparecimento do multimédia e pela difusão das redes telemáticas” Atas do Encontro sobre A Sociedade da Informação na Escola, do Conselho Nacional de Educação (CNE, 1999, p.13). Vivemos uma era em que o “ter” se sobrepõe ao “ser” e muitas vezes o substitui… A forma como lidamos hoje com a tecnologia espelha bem esta premissa. As crianças com as quais trabalhamos têm vários brinquedos tecnológicos. Computadores, Tablet, telemóveis fazem parte do seu “ter”. Farão parte do seu “ser”? Saberão as crianças ser utilizadores (cons)cientes? Qual pode ser o nosso papel enquanto educadores daqueles que estão ainda a descobrir que têm uma identidade digital? Não é de agora que sabemos que a tecnologia (nomeadamente o seu espaço comunicacional) oferece potencialidades imprescindíveis à educação e à formação, permitindo um enriquecimento contínuo dos saberes. Atualmente, qualquer criança que chegue à escola transporta consigo a imagem de um mundo – real ou fictício – que ultrapassa em muito os limites da família e da sua comunidade. A este propósito, “a verdade maior, e global, é que a criança cuja primeira escola (a escola divertida, que precede a escola aborrecida) é a televisão, é um animal simbólico que recebe o seu imprint, o seu cunho formativo através das imagens de um mundo todo ele centrado no ver” (Sartori, 2000, p.29). Mas as mensagens mais variadas – lúdicas, informativas ou publicitárias – que são transmitidas pelos meios de comunicação social e pelos dispositivos eletrónicos móveis entram, muitas vezes, em concorrência ou contradição com o que as crianças aprendem na escola, porque “a criança é uma esponja que regista e absorve indiscriminadamente (visto ainda não ter a capacidade de discriminação) tudo aquilo que vê” (idem). Posto isto, se sabemos que a tecnologia é, hoje em dia, central na construção de saber e de relacionamento entre as pessoas, torna- se fundamental que a escola, com base na utilização de metodologias ativas e participativas e com recurso a instrumentos e estratégias tecnológicas no processo de ensino e aprendizagem, utilize e ensine a utilizar criticamente a tecnologia como ferramenta transversal ao currículo e às aprendizagens. Para tal, partilhar experiências/recursos/saberes no seio da comunidade educativa, estimular estratégias e práticas que levem ao envolvimento dos alunos e das famílias em trabalho prático com tecnologias, produzir, utilizar e avaliar recursos educativos potenciadores da construção do conhecimento e interação pessoal e social são objetivos pedagógicos e educativos essenciais. A “aprendizagem profunda ocorre quando a aprendizagem é social, ativa, promove a colaboração e as parcerias, inclui retroação e é reflexiva” (Carmean, C & Haefner, J. 2002; Brandsford, J. D. 2000), torna-se imperioso a integração de ferramentas de comunicação e interação à distância no processo de ensino e aprendizagem, prolongando momentos de aprendizagem no tempo e no espaço e fomentando momentos de reflexão decorrentes da prática letiva. Plataformas tecnológicas: Mind the gap!! Porque cooperação pedagógica com alta tecnologia requer alto cuidado Henrique Santos (henriquehsantos@gmail.com) e Vera Terreiro Ribeiro (verarib78@hotmail.com)
  • 2.
    13 Refletir EdInf, nº01, janeiro – fevereiro - março 2017 O espaço do meio envolvente ou do contexto educativo, que se caracteriza também por ser um espaço constante de colaboração e partilha, potencia a criação de efetivas redes de parceria que objetivam um desenvolvimento sustentado do espaço de implantação da escola na comunidade local. Aqui, destacam-se as necessidades de intensa colaboração a vários níveis, designadamente com as famílias, parceiros educativos, instituições e empresas de zona, na disponibilização de serviços e produtos por parte de algumas delas para atividades escolares e letivas ou mesmo na construção de estratégias conjuntas. Ao referir explicitamente que “ao dar conhecimento aos pais/famílias e a outros membros da comunidade, presencialmente ou à distância (blogues, plataforma da escola, etc.) (…) o profissional de educação de infância favorece um clima de comunicação, de troca…” (p. 30), as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OCEPE) vêm, de forma clara e explícita, sustentar a importância de uma utilização consciente e continuada dos instrumentos tecnológicos e digitais capazes de aproximar os vários contextos onde a criança se insere, nomeadamente a escola e a família. Sendo a internet o espaço mobilizador por excelência, a elaboração de um espaço em linha que sirva para comunicar a atividade (do processo, dos produtos, das conquistas, da evolução…) é também um espaço de trabalho cooperativo à distância, nomeadamente através da colaboração/partilha com outros alunos, com outras escolas, com outros profissionais e com as famílias. e, acima de tudo, que a comunidade compreenda Porque fazer Sou educadora há já onze anos, neste entretanto, as novas tecnologias e, sobretudo, o acesso à internet generalizaram-se. Percebi cedo que teria de as integrar na minha prática. Não foi fácil. Eu não gostava nada de computadores e a tecnologia sempre me meteu medo. Tive acesso aos computadores muito tarde, não parecia essencial… E as outras máquinas?? Ai!! Como arranjar se estragasse? Por onde começar?… O que é certo é que comecei! Hoje, utilizo as redes sociais diariamente e vou divulgando um pouco do que sei e do que sinto acerca da Educação de Infância. Uma espécie de montra de mim com outros… Troco também, com muita frequência, correio eletrónico com as famílias e têm-se estabelecido pontes muito importantes. Considero que uma boa comunicação entre pais e escola é fundamental. E para que isso aconteça, a relação tem de ser baseada na confiança e transparência entre a família e o JI, tudo o que estreite este GAP é potenciador do desenvolvimento das crianças. “Even good quality childcare will not alone militate against the effects of deprivation and disadvantage; early intervention working with parents, as well as children, will have the best long-term outcomes” (Davis, 2015) Cresci muito como profissional com este apoio das tecnologias: quer com as pontes de comunicação com as famílias, que me ajudaram muito a mostrar positivamente cada criança e a conhecer cada família um pouco melhor; quer com as redes sociais que muito me têm levado, também, a refletir com outros profissionais. De facto, levo muito tempo a construir esta montra, exige muito cuidado ético e estético, muita reflexão. Mas ganho qualidade na intervenção pedagógica, porque é mais contextualizada e há maior fluidez na comunicação, que é mais constante e cuidada. Penso cada detalhe, e tento aproximar as famílias mostrando o que há de melhor em cada criança. Porque acredito como Davis (idem) que para ajudar as crianças temos de ajudar as famílias. Promover uma boa imagem daquilo que cada criança é capaz é muito potenciador, bem como contribui significativamente para o bem-estar e auto estima de cada criança. Ignorar estes recursos seria, para mim, empobrecer muito a minha prática. Não promover na sala o acesso a tecnologia seria muito incoerente… e tão empobrecedor da vida das crianças, quanto foi da minha até tarde. Por isso, jogamos juntos, brincamos juntos, pesquisamos juntos, tento passar-lhes com o meu exemplo muitas das funcionalidades dos computadores que já domino e tento pôr à sua disposição muitos suportes tecnológicos diferentes, com a expectativa de que tenham também nesta área consciência de si como aprendentes. Na atitude crítica que se exige em relação às redes sociais, aos média, à informação em geral, tento também ser modelo e ser coerente. Não poderia sequer exigi-lo a nenhuma criança se a não praticasse e se não a promovesse de forma transversal na sala. Há coisas que só se aprendem de forma global… Há muitos momentos na rotina onde se prevê que os conflitos aconteçam e que mobilizem discussão, assim como potenciem o crescimento. O ser digital de cada um é, assim, só mais uma dimensão do seu ser que a criança reconhece com naturalidade, uma identidade com que age, sobre a qual pode e deve refletir. Terá de filtrar informação para o resto da vida, nesta como noutras áreas e não poderá fazê-lo sem o filtro que se constrói a cada interação com o outro e com os recursos todos, nas relações, com escuta, em diálogo e passo a passo. Vera Terreiro Ribeiro
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    14 Refletir EdInf, nº01, janeiro – fevereiro - março 2017 a finalidade, os objetivos, a função e os benefícios da Escola. Neste particular, a participação em projetos específicos (redes sociais, web, plataformas digitais internas – moodle, joomla, etc. - ou externas – e-twinning, laboratórios de aprendizagem, etc.) consubstanciam, também, a modelação de estruturas de apoio pedagógico, didático e educativo que, potenciam as dinâmicas de apoio, reflexão e ação, que permitindo um crescimento e aprendizagem “em rede”. E se a utilização dos meios e tecnologias de comunicação e informação pode ser desencadeadora de variadas situações de efetiva aprendizagem e desenvolvimento de competências, nomeadamente de competências de utilização, compreensão e gestão do conhecimento e dos instrumentos tecnológicos e de comunicação, o espaço de relação/cooperação interdisciplinar e com outros parceiros educativos assume-se como estratégia fundamental ao partir da sala de jardim-de-infância para regressar a ela. As plataformas que proporcionarmos serão o acesso de embarque ou desembarque, rumo ao mundo da tecnologia, por favor MIND THE GAP… As “dificuldades” e os “perigos” “A comunicação respeita princípios éticos e deontológicos que deverão orientar a sua prática tendo em conta o superior interesse da criança, não se centrando nos seus insucessos, mas sim nas suas conquistas e descobertas, não divulgando informação confidencial e respeitando a privacidade das crianças e suas e famílias.” (OCEPE, 2016, p. 22) É notória a vantagem de se utilizarem as redes e os espaços digitais para desenvolver e criar dinâmicas e práticas pedagógicas e educativas, São plataformas de acesso, pontes elevatórias… Em todas as plataformas há espaços “vãos” a considerar e cabe-nos enquanto educadores o papel de estreitar esses espaços no que concerne ao acesso à tecnologia, tornando-o seguro, intencional e rico, dos pontos vista estético, ético e lúdico! Torna-se, também, fundamental refletir sobre alguns perigos que possam advir dessa “utilização”. Porque nestes meios, a um vazio(vão) de informação corresponde muitas vezes uma queda em acessos escuros…pouco seguros ou despropositados. Cabe-nos, por isso, desenvolver um conjunto de práticas que fomentem, nas crianças, hábitos de gestão de segurança e, acima de tudo, que possam motivar comportamentos de auto- segurança e reflexão crítica sobre os instrumentos postos ao dispor, assim como promover um uso de suportes tecnológicos diferenciados, possibilitando, a cada um, a consciencialização progressiva de uma identidade digital. A identidade digital é a representação digital dos dados relacionados com uma pessoa (dados pessoais), empresa, sistema ou máquina, acessível através de meios técnicos. Pode incluir dados como nome, morada, etc. e pode abranger um conjunto de informações atualizadas, organizadas e codificadas em meios informáticos, relativamente a pessoas físicas e jurídicas. «Dados pessoais»: qualquer informação, de qualquer natureza e independentemente do respetivo suporte, incluindo som e imagem, relativa a uma pessoa singular identificada ou identificável («titular dos dados»); é considerada identificável a pessoa que possa ser identificada direta ou indiretamente, designadamente por referência a um número …é também um espaço que permite a visibilidade ao trabalho desenvolvido pela escola e pelos seus profissionais…
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    15 Refletir EdInf, nº01, janeiro – fevereiro - março 2017 de identificação ou a um ou mais elementos específicos da sua identidade física, fisiológica, psíquica, económica, cultural ou social” Lei n.º 67/98 de 26 de Outubro - Lei da Proteção de Dados Pessoais A gestão dos dados individuais dos alunos (cidadãos) que, muitas das vezes pedimos sem analisar seriamente, quer nas suas implicações sociais, quer na sua necessidade, podem constituir-se como elementos facilitadores da restrição do direito à reserva da intimidade da vida privada, dependendo da forma como forem usados, exigem-nos um respeito profundo. Daqui se depreende que, se a informação pessoal (e entenda-se aqui informação como os dados pessoais, mas também audiovisuais, sociométricos, etc.) estiver disponível para um leque alargado de pessoas e entidades, ainda que de forma involuntária, pode vir a ser erradamente usada, ou mesmo de forma criminosa. Para o evitarmos, enquanto cidadãos e utilizadores de “informação sensível”, devemos refletir também acerca do modo e dos usos que daremos à informação pessoal recolhida. De uma forma simples, podemos referir que a “ética de utilização” deve garantir um padrão de como os registos são tratados: não serem facultados a outras entidades para as quais não foram fornecidos, poderem ser verificados, mas não alterados por terceiros e terem garantia de sigilo profissional por parte das pessoas que têm contacto direto com essa informação (possibilidade de rastreio transparente e de responsabilização). Acresce que, aos pais deve ser dada a escolha de consentir a recolha e utilização dos dados pessoais da criança para utilização interna, dando-lhes também a possibilidade de não consentir que esses dados sejam partilhados com terceiros. Mas, numa perspetiva formativa, e independentemente dos “cuidados” atrás descritos, parece-nos mais fundamental ainda que os nossos alunos sejam envolvidos e alertados para essa mesma “utilização de imagens e dados”. É fundamental que as crianças O que faço Com uma prática de mais de dez anos de utilização da internet como “fornecedor de conteúdos” e “divulgação de processos e produtos” de atividades desenvolvidas em Jardim de Infância, considero existir um conjunto de premissas que devem ser sempre respeitadas. Nomeadamente, no que se refere ao uso de dados sensíveis. Nas publicações na internet (sobretudo), mas também em outros locais de divulgação (revistas, e jornais escolares, CD com “imagens do ano”, participação em congressos ou conferências, etc.), há algumas “regras” a ter em conta. A primeira e mais fundamental, é a autorização de uso. Que deve ser clara e explicada, e fazer referência explícita à recolha de imagens do aluno para divulgação e partilha de atividades de interesse pedagógico e educativo, sempre que o docente titular de grupo entender necessário e útil. Deve ainda referir que as imagens poderão ser alvo de edição e publicação (CD, jornal escolar, exposições, conferências), salvaguardando as questões de identificação e identidade pessoal em vigor na lei. Também deve esclarecer que as imagens a utilizar não permitirão a identificação dos envolvidos, nem será associada outra informação pessoal ou sensível aos dados divulgados no âmbito da promoção da informação educativa. As imagens devem ser sempre de situação e evitar ao máximo a possibilidade de identificação da criança/ator. Se considerarmos que o registo imagético se refere ao “processo” e ao “resultado”, é possível fotografar sem identificar o ator (ou fotografando apenas a ação e/ou o contexto ou reduzindo a qualidade da imagem por forma a tornar ilegíveis os traço fenotípicos1 ). Neste particular, cabe ao docente compreender, antes de mais, que o que se pretende divulgar é o resultado de um trabalho de um grupo/turma, ou uma atividade específica, sem que se dê especial importância “a quem” o tenha realizado. Também é possível “ensinar” um conjunto de técnicas fotográficas às crianças/alunos para que, na recolha de imagens, seja, desde logo, feita uma triagem. É muito recorrente, e especialmente quando se publicam imagens nas redes sociais, proceder à identificação e localização dos atores e das imagens. Tendo em conta que este processo de georreferenciação também divulga dados sensíveis, compete ao profissional evitar usar as ferramentas preexistentes nas redes sociais e também desmotivar o seu uso (por pais, familiares, ou os próprios alunos), promovendo uma clara informação e reflexão sobre os perigos que advêm desse tipo de identificação. No que concerne à utilização das publicações como “portfólio”, e assim permitir o seu uso recorrente, há também alguns cuidados a observar, nomeadamente aqueles que dizem respeito à identificação (para pesquisa e utilização futura), mas também à organização e indexação da informação. As redes sociais (facebook, youtube, twiter, linkdin, instragram, etc.) dispõem de um conjunto de ferramentas próprias que permitem uma “arrumação” (por tópicos, datas, conteúdos, assuntos, etc.) bem como um conjunto de ferramentas de edição e proteção de dados que não só surgem como muito intuitivas como relevam aqueles que consideramos os “principais problemas” em termos de identificação e localização. Torna-se, portanto, fundamental usar todos os instrumentos e recursos existentes, mas com uma consciência plena das vantagens, perigos e de que forma é que se transformam em mais-valias educativas. O que significa dizer que a internet e as tecnologias só se constituem uma ameaça se não lhes dedicarmos o tempo, a reflexão e a análise profunda, como de resto fazemos com qualquer análise de necessidades que façamos para apoiar a nossa prática pedagógica. Henrique Santos
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    16 Refletir EdInf, nº01, janeiro – fevereiro - março 2017 sejam “tidas em consideração” sobre a utilização da sua imagem, filmes sobre si (e consigo), dados pessoais e outros referentes identitários. Não obstante, compete ao profissional de educação dotar-se de um conjunto de práticas capazes de minimizar os riscos decorrentes do uso indevido de informação pessoal desnecessária e, simultaneamente, planear e avaliar os efeitos de tal uso. Na educação de infância existe, por vezes, a ideia de que “ainda é cedo” para promover a privacidade, como um dos direitos fundamentais. Contudo, é desde tenra idade que o cidadão/criança é confrontado com um largo conjunto de experiências condicionadoras da sua liberdade individual. Mesmo que não tenha essa consciência ao ser utilizador dos instrumentos tecnológicos, a criança está a entrar numa “realidade” dependente de controlo e pode, ela própria ser controlada.  Referências bibliográficas Abrantes, J. C. (1998) Educação para os Media, Cadernos de Educação de Infância, 44, P 28-29, Lisboa: APEI. CNE (1999). A Sociedade de Informação na Escola. Lisboa, Ministério da Educação. Bransford, J. D et all (2000) How people Learn: Brain, Mind, Experience and School, Washignton D.C: NRC, National Academy Press. Carmean C. e Haefner, J (2002) Mind over Matter: Transforming course Management systems into Effective Learning Environments, Educause Review, Vol. 37, nº 6 (Nov./Dez.). Disponível em: http:www.educause.edu. Silva, I. L. (Coord.) (2016). Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar. Lisboa: Ministério da Educação/Direção Geral da Educação. Disponível em: http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/ocepe_abril2 016.pdf e publicadas pelo Despacho n.º 9180/2016 - Diário da República n.º 137/2016, Série II de 2016-07-19 Papert, S. (1998) A Família em Rede. Lisboa, Relógio D’água. Santos, H. (2001) Os Computadores e Nós – Algumas informações úteis sobre o processo de aprendizagem. Cadernos de Educação de Infância, n.º 60. Lisboa, APEI. Sartori G. (2000) Homo Videns - Televisão e Pós Pensamento. Lisboa, Terramar Davis, Angela (2015) "Family support more important than pre-school care in securing children's wellbeing." ScienceDaily. ScienceDaily, 14 July 2015. University of Warwick. Foto: Cristina Pinto