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John Pemberton (criador da bebida)
A
invenção de um líquido em
uma tarde de verão no ano de
1886 viria a se tornar parte da
história do mundo e das civilizações. Im-
agine uma marca que esteja em todos os
lugares do planeta. Uma marca que 99,9%
da população mundial conheça. Que
dificilmente alguém nunca comprou. A
Coca-Cola tem consumidores do
Tocantins ao Timor Leste. No mais
remoto local do planeta, você será capaz
de encontrar uma. Além disso, pode ser
encontrada desde o mais requintado
ambiente até o mais simples
estabelecimento comercial. Esta é a marca
Coca-Cola.
Em 1886, um farmacêutico da
cidade de Atlanta, John Pemberton,
inventou um líquido para curar dores
de cabeça. A mistura de extrato de noz-
de-cola e extrato de folhas de coca foi
levada para a farmácia Jacob’s Phar-
macy, onde, misturada à água
gaseificada, foi servida aos clientes por
US$0,05 o copo.
O “tônico para o cérebro”, criado
pela curiosidade de John Pemberton
naquele dia, se tornaria um grande
símbolo norte americano e uma
poderosa marca. A data oficial do
lançamento da Coca-Cola é 8 de março
de 1886, quando foi lançada na Jacob’s
Pharmacy.
Em 1891, sem imaginar que seu
invento seria um produto de sucesso
mundial, Pemberton vende a marca à Asa
Griggs Candler por aproximadamente
US$2.300,00. Candler foi então o
primeiro presidente da empresa, dando
real visibilidade à marca. Encontrou
formas criativas de divulgá-la: distribuiu
cupons para incentivar as pessoas a
experimentar o produto, forneceu
balanças a farmácias, relógios e
calendários com a marca Coca-Cola. A
promoção agressiva funcionou e a bebida
se espalhou rapidamente por todos os
lugares.
Em 1894, Joseph Biedenharn,
comerciante do Mississipi, engarrafou a
bebida e ofereceu a Candler, que não gostou
da idéia inicialmente, sem saber que esse seria
um dos segredos de sucesso da bebida: a
portabilidade oferecida pela garrafa. Assim,
cinco anos depois, em 1899, vendeu o direito
de engarrafá-la a dois advogados por
apenas US$1.
Com o aumento de vendas da bebida,
que já era comercializada em todo o território
Norte Americano, começaram a surgir
imitações. A Coca-Cola Company usou o
marketing como arma contra essas imitações:
passou a estimular seus consumidores a
exigir a legítima e que não aceitassem cópias.
Uma garrafa própria também foi criada para
dar aos consumidores maior garantia de
estarem tomando Coca-Cola.
A Coca-Cola Company cresceu
rapidamente. Na década de 1890 seus
produtos já tinham se espalhado pelo
mundo. Em 1918, o pai de Robert Wood-
ruff comprou a empresa, e este assumiu a
presidência 5 anos depois. Embora Candler
tenha consolidado a marca nos Estados
Unidos, foi Woodruff que consolidou a
marca em todo o mundo nos 60 anos em
que esteve no comando da empresa.Foi dele
Logotipo da Coca-Cola
Ao lado:
Capa do livro “Wren’s City
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a idéia de que deveria haver uma Coca-Cola
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fosse vendido à US$0,05 para qualquer
combatente Norte Americano, em qualquer
lugar do mundo, independente do custo
disso para a empresa.
Os anos 1980 trouxeram mudanças
para empresa. Em 1981, o cubano Robert
Goizueta deixou seu país e tornou-se CEO
da companhia. Ele revisou a estratégia da
empresa e assumiu alguns riscos: lançou a
Diet Coke; e faz a primeira alteração na
fórmula original em 99 anos (mas depois
voltou a produzir a fórmula antiga).
Os anos 1990 foram uma década de
crescimento contínuo para a Coca-Cola
Company. A longa associação da Empresa
com os esportes se fortalece ainda mais com
o apoio a alguns dos principais eventos
esportivos mundiais, como os Jogos
Olímpicos e a Copa do Mundo de Futebol.
Em 1993, é lançada a campanha “Always
Coca-Cola” e, em seguida, surge pela
primeira vez a propaganda com o urso
polar.
A marca tem sua liderança consolidada
em todo o mundo até os dias de hoje. Em
mais de um século de existência, a Coca-Cola
tornou-se parte de vida de bilhões de pessoas
em todo o planeta.
F
rank M. Robinson é apontado
como o criador não apenas do
nome do refrigerante, mas
também do seu logotipo. Acredita-se que
Robinson tenha escrito o nome do
produto com sua própria caligrafia e que
essa posteriormente se tornou o símbolo
da marca, que, no decorrer de mais de
100 anos, sofreu poucas modificações. A
princípio, o logotipo não apresentava
cores, mas depois foi apresentado nas
cores branca e vermelha que pretendiam
dar um pequeno destaque ao produto. O
logotipo foi registrado em 1887 e
permanece como uma das imagens mais
conhecidas do mundo.
Embora o logotipo tenha sido
criado de forma “relâmpago”, as
influências do Art Nouveau - estilo
artístico em voga no fim do século XIX -
são bastante claras.
O aspecto mais gritante que parte
das imagens é, sem dúvida, a presença de
curvas desregradas. É possível perceber
que o tipo de curva que
salta aos nossos olhos
não é o de qualquer uma,
mas sim uma muito pe-
culiar. Essas curvas que
parecem surgir de todos
os lados, de maneira que
uma dá origem a outras
e que irrompem e saltam
de todos os cantos, criam
uma composição desalinhada e o
desenho, tomado em seu conjunto,
abandona qualquer tipo de simetria. Essa
ausência de simetria se faz observar no
Vase en verre camée
Altura: 85 cm
Por Emile Gallé
logotipo da Coca-Cola, sobretudo nos
dois Cs que iniciam as palavras, é possível
perceber que estes não conformam
paridade, como também pode ser
observado na capa exibida na página
anterior.
Outro aspecto que merece
destaque é a inspiração fitomórfica da
caligrafia, também presente em obras da
arquitetura do período. Isso reforça a idéia
de movimento: ao observar o logotipo
da Coca-Cola ele não nos parece estático,
parece ganhar um dinamismo que
convoca de maneira ainda mais forte a
atenção do observador.
Porém, mais importante do que
comparar o logotipo da Coca-Cola com
a arte de seu período, é
fazê-lo com outros
logotipos. A Pepsi Cola,
até hoje sua principal
c o n c o r r e n t e ,
aparentemente se inspirou
no símbolo da Coca-
Cola ao criar o seu. Na
sociedade do final do
século XIX, caracterizada
pela invasão de produtos
industrializados e
funcionais, a caligrafia que
valorizava a minúcia e
aquilo que é artesanal sem
dúvida criou a idéia de
um produto requintado,
aspecto ainda mais
evidenciado nos cartazes
de propaganda da Coca-
Cola.
Essa caligrafia assi-
métrica é a principal
semelhança entre os
logotipos das duas
concorrentes. No entan-
to, mesmo usando
técnicas semelhantes,
como posicionar um
traço na parte inferior do
nome, o logotipo da Pepsi
não obteve o mesmo efeito que o da
Coca-Cola. As letras no logotipo da Pepsi
não tinham a mesma harmonia das
curvas da Coca-Cola e os adornos
exagerados impediam a fluidez na leitura.
Talvez por esse
motivo a Pepsi tenha
sido obrigada a
m o d i f i c a r
radicalmente seu
símbolo mais de uma
vez desde sua criação,
enquanto a Coca-Cola
manteve o seu
p r a t i c a m e n t e
inalterado.
A
garrafa da
Coca-Cola
teve uma
i m p o r t a n t e
participação na
consolidação da
marca. A silhueta da
“contour bottle” é um ícone da cultura pop,
sendo reconhecida em qualquer lugar do
mundo. E é esse reconhecimento imediato
que a Coca-Cola Company esperava quando
encomendou a sua criação.
Em 1915 o presidente da empresa
enviou uma carta às fábricas de vidro dos
Estados Unidos com uma mensagem clara:
queria uma embalagem única para o seu
produto. A tarefa não era fácil, mas,
felizmente, dentre as fábricas que receberam
o pedido havia uma que empregava o
vidraceiro Earl R. Dean.
O primeiro modelo idealizado por
Dean tinha um centro bastante abaulado e
as extremidades afuniladas. O formato
visivelmente pouco prático acabou sofrendo
algumas modificações, mas o design origi-
nal lembrava bastante os objetos de
decoração feitos até meados dos anos 1900.
O protótipo apresentado à Coca-Cola não
ficaria deslocado entre alguns dos vasos de
Louis C. Tiffany e Emile Gallé. Mesmo o
seu centro - com uma grande curvatura
inesperada - remete à sacada da Casa Tessel
de Victor Horta. Esse viés artístico do
projeto foi mantido até a versão final.
A garrafa que passou a ser produzida
Ao lado: protótipo da
Contour Bottle
Earl R. Dean (1915)
Ao lado: Evolução da
embalagem da Coca-Cola
e comercializada em 1916 conservou o
aspecto curvilíneo, porém menos acentuado,
do design original. A semelhança com o
corpo feminino foi notada de tal modo que
ela foi posteriormente apelidada de “hob-
ble skirt” em referência ao corte do vestido
que esteve na moda na década de 1910. Nos
anos 30 ela chegou até mesmo a ser
comparada às curvas da atriz Mae West.
É ainda importante ressaltar que,
passados mais de 90 anos de sua criação, a
garrafa da Coca-Cola é uma das poucas
embalagens a receber uma trademark do
U.S. Patente and Trademark Office. Essa
honra demonstra que Dean alcançou o seu
propósito e criou algo verdadeiramente
único.
Q
uando se trata de ilustração
entre o final do século XIX
e o início do XX, é imprudente
ignorar uma séria controvérsia que afligia a
credibilidade dos artistas: a questão do uso
da arte como mercadoria. Continuaria ela a
ser considerada arte mesmo quando
comercializada? Os produtores das supostas
mercadorias poderiam realmente ser
considerados artistas? A arte presente nos
cartazes e nas ilustrações em periódicos
deveria ser considerada “de segunda classe”,
inferior às “belas artes”?
Tais problemáticas influíram
diretamente na produção de anúncios da
Coca-Cola nas três primeiras décadas do
século XX. É possível encontrar uma
produção totalmente voltada à questão
estética – como na ilustração do mês de Abril
de um calendário da
empresa em 1901 que
traz Hilda Clark como
modelo, com forte
influência da estética
Nouveau. Nele, vestes,
adornos e mobília
parecem assumir
importância maior do
que a do próprio
produto. É também
possível ver a arte mais
abertamente atrelada ao
consumo – como em
grande parte dos
anúncios do início da
década de 1910. Essa
variação aparece ainda de
forma mais matizada, que
parece finalmente impor
a ilustração comercial
como uma forma de arte
digna de reconhecimento,
sobretudo nas ilustrações de publicações
como o The Ladies’ Home Journal e o The
Saturday Evening Post, com artistas como
Norman Rockwell e Fred Mizen, a partir
da segunda metade da década de 1910.
Na verdade, o espírito do design de
ilustrações do século XX tem sua síntese
em Rockwell. As mudanças e conflitos
artísticos relativos às questões
mercadológicas e estéticas acabam serem
discutidas todas a partir de uma obra sua,
o Triple Self-Portrait.
Temos Rockwell, em face da tela
onde produzirá seu auto-retrato. À
esquerda, o espelho. Na tela, outros auto-
retratos, já consagrados e um estudo.
Entretanto, o Rockwell que nos
observa não é o homem de
óculos, de costas para o
observador real, mas o da tela,
de olhar confiante, cachimbo em
riste, lado a lado dos grandes
artistas. Rockwell, um símbolo da
nação norte-americana,
representada pela águia dourada
no topo do espelho, é um grande.
A ilustração, representação da
sociedade norte-americana, torna-
Calendário promocional da Coca-
Cola de 1901
se grande por ela e a engrandece ainda
mais. O design e a sociedade mudaram.
A prosperidade econômica, o aumento
da liberdade feminina e consequente
crescimento eufórico na produção e no
consumo, bem como a influência dos
EUA após a I G.M., elevaram a
necessidade do design, seu status e a força
do produto. A ilustração foi definida pela
nação norte-americana e acabou por
defini-la. Dessa forma, Coca-Cola, a arte
e os artistas não representam mais apenas
produtos e produtores, mas grandes
representantes de uma nação. Delicious and
refreshing.
Ao lado: anúncio de 1922
Publicado no Saturday
Evening Post
“Nós nos perguntamos do que
era feita a Coca-Cola [...]. Eu
me interessei muito pelo
formato da noz-de-cola. Ela
tinha um ‘pescoço’ muito fino
e o corpo tinha quatro
diâmetros diferentes e riscas
verticais que eu incorporei no
primeiro desenho para mostrar
ao sr. Root na manhã seguinte.
O sr. Root ficou satisfeito e me
pediu para preparar algumas
garrafas de amostra [...].
A Coca-Cola Company aceitou
a novo garrafa de cara, mas nós
podíamos ver que seriam
necessárias algumas mudanças
nos diâmetros inferior e
intermediário para que a
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prática.(...)”
Earl R. Dean em carta de
1971 sobre a criação da
Contour Bottle.
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Murilo Cavinato Favaretto - 092443
Patrícia Vieira Mello - 092566
Roberta Marcelino Veloso - 092881
Thiago da Costa Amado - 094498
20s: All-American ads. Co-autoria
de Jim Heimann, Steven Heller.
Kèoln; Los Angeles: Taschen, c.
2004.
BOGART, Michele Helene. Artists,
advertising, and the borders of
art. Chicago ; London: Univ. of
Chicago, 1995.
http://jipemania.com/coke/
http://www.gono.com/
http://www.thecoca-
colacompany.com/presscenter/
presskit_contour_bottle_fun_facts.html
www.lemondedesarts.com/
DossierGalle.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/
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Circunferências, arcos e ângulos
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Aborto
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Mi coca cola

  • 2. John Pemberton (criador da bebida) A invenção de um líquido em uma tarde de verão no ano de 1886 viria a se tornar parte da história do mundo e das civilizações. Im- agine uma marca que esteja em todos os lugares do planeta. Uma marca que 99,9% da população mundial conheça. Que dificilmente alguém nunca comprou. A Coca-Cola tem consumidores do Tocantins ao Timor Leste. No mais remoto local do planeta, você será capaz de encontrar uma. Além disso, pode ser encontrada desde o mais requintado ambiente até o mais simples estabelecimento comercial. Esta é a marca Coca-Cola. Em 1886, um farmacêutico da cidade de Atlanta, John Pemberton, inventou um líquido para curar dores de cabeça. A mistura de extrato de noz- de-cola e extrato de folhas de coca foi levada para a farmácia Jacob’s Phar- macy, onde, misturada à água gaseificada, foi servida aos clientes por US$0,05 o copo. O “tônico para o cérebro”, criado pela curiosidade de John Pemberton naquele dia, se tornaria um grande símbolo norte americano e uma poderosa marca. A data oficial do lançamento da Coca-Cola é 8 de março de 1886, quando foi lançada na Jacob’s Pharmacy. Em 1891, sem imaginar que seu invento seria um produto de sucesso mundial, Pemberton vende a marca à Asa Griggs Candler por aproximadamente US$2.300,00. Candler foi então o primeiro presidente da empresa, dando real visibilidade à marca. Encontrou formas criativas de divulgá-la: distribuiu cupons para incentivar as pessoas a experimentar o produto, forneceu balanças a farmácias, relógios e calendários com a marca Coca-Cola. A promoção agressiva funcionou e a bebida se espalhou rapidamente por todos os lugares. Em 1894, Joseph Biedenharn, comerciante do Mississipi, engarrafou a bebida e ofereceu a Candler, que não gostou da idéia inicialmente, sem saber que esse seria um dos segredos de sucesso da bebida: a portabilidade oferecida pela garrafa. Assim, cinco anos depois, em 1899, vendeu o direito de engarrafá-la a dois advogados por apenas US$1. Com o aumento de vendas da bebida, que já era comercializada em todo o território Norte Americano, começaram a surgir imitações. A Coca-Cola Company usou o marketing como arma contra essas imitações: passou a estimular seus consumidores a exigir a legítima e que não aceitassem cópias. Uma garrafa própria também foi criada para dar aos consumidores maior garantia de estarem tomando Coca-Cola. A Coca-Cola Company cresceu rapidamente. Na década de 1890 seus produtos já tinham se espalhado pelo mundo. Em 1918, o pai de Robert Wood- ruff comprou a empresa, e este assumiu a presidência 5 anos depois. Embora Candler tenha consolidado a marca nos Estados Unidos, foi Woodruff que consolidou a marca em todo o mundo nos 60 anos em que esteve no comando da empresa.Foi dele
  • 3. Logotipo da Coca-Cola Ao lado: Capa do livro “Wren’s City Churches” Por: Arthur Mackmurdo (1883) Logotipo da Pespi-Cola (1898) a idéia de que deveria haver uma Coca-Cola em qualquer lugar do mundo. Na II Guerra Mundial ele determinou que o produto fosse vendido à US$0,05 para qualquer combatente Norte Americano, em qualquer lugar do mundo, independente do custo disso para a empresa. Os anos 1980 trouxeram mudanças para empresa. Em 1981, o cubano Robert Goizueta deixou seu país e tornou-se CEO da companhia. Ele revisou a estratégia da empresa e assumiu alguns riscos: lançou a Diet Coke; e faz a primeira alteração na fórmula original em 99 anos (mas depois voltou a produzir a fórmula antiga). Os anos 1990 foram uma década de crescimento contínuo para a Coca-Cola Company. A longa associação da Empresa com os esportes se fortalece ainda mais com o apoio a alguns dos principais eventos esportivos mundiais, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de Futebol. Em 1993, é lançada a campanha “Always Coca-Cola” e, em seguida, surge pela primeira vez a propaganda com o urso polar. A marca tem sua liderança consolidada em todo o mundo até os dias de hoje. Em mais de um século de existência, a Coca-Cola tornou-se parte de vida de bilhões de pessoas em todo o planeta. F rank M. Robinson é apontado como o criador não apenas do nome do refrigerante, mas também do seu logotipo. Acredita-se que Robinson tenha escrito o nome do produto com sua própria caligrafia e que essa posteriormente se tornou o símbolo da marca, que, no decorrer de mais de 100 anos, sofreu poucas modificações. A princípio, o logotipo não apresentava cores, mas depois foi apresentado nas cores branca e vermelha que pretendiam dar um pequeno destaque ao produto. O logotipo foi registrado em 1887 e permanece como uma das imagens mais conhecidas do mundo. Embora o logotipo tenha sido criado de forma “relâmpago”, as influências do Art Nouveau - estilo artístico em voga no fim do século XIX - são bastante claras. O aspecto mais gritante que parte das imagens é, sem dúvida, a presença de curvas desregradas. É possível perceber que o tipo de curva que salta aos nossos olhos não é o de qualquer uma, mas sim uma muito pe- culiar. Essas curvas que parecem surgir de todos os lados, de maneira que uma dá origem a outras e que irrompem e saltam de todos os cantos, criam uma composição desalinhada e o desenho, tomado em seu conjunto, abandona qualquer tipo de simetria. Essa ausência de simetria se faz observar no
  • 4. Vase en verre camée Altura: 85 cm Por Emile Gallé logotipo da Coca-Cola, sobretudo nos dois Cs que iniciam as palavras, é possível perceber que estes não conformam paridade, como também pode ser observado na capa exibida na página anterior. Outro aspecto que merece destaque é a inspiração fitomórfica da caligrafia, também presente em obras da arquitetura do período. Isso reforça a idéia de movimento: ao observar o logotipo da Coca-Cola ele não nos parece estático, parece ganhar um dinamismo que convoca de maneira ainda mais forte a atenção do observador. Porém, mais importante do que comparar o logotipo da Coca-Cola com a arte de seu período, é fazê-lo com outros logotipos. A Pepsi Cola, até hoje sua principal c o n c o r r e n t e , aparentemente se inspirou no símbolo da Coca- Cola ao criar o seu. Na sociedade do final do século XIX, caracterizada pela invasão de produtos industrializados e funcionais, a caligrafia que valorizava a minúcia e aquilo que é artesanal sem dúvida criou a idéia de um produto requintado, aspecto ainda mais evidenciado nos cartazes de propaganda da Coca- Cola. Essa caligrafia assi- métrica é a principal semelhança entre os logotipos das duas concorrentes. No entan- to, mesmo usando técnicas semelhantes, como posicionar um traço na parte inferior do nome, o logotipo da Pepsi não obteve o mesmo efeito que o da Coca-Cola. As letras no logotipo da Pepsi não tinham a mesma harmonia das curvas da Coca-Cola e os adornos exagerados impediam a fluidez na leitura. Talvez por esse motivo a Pepsi tenha sido obrigada a m o d i f i c a r radicalmente seu símbolo mais de uma vez desde sua criação, enquanto a Coca-Cola manteve o seu p r a t i c a m e n t e inalterado. A garrafa da Coca-Cola teve uma i m p o r t a n t e participação na consolidação da marca. A silhueta da “contour bottle” é um ícone da cultura pop, sendo reconhecida em qualquer lugar do mundo. E é esse reconhecimento imediato que a Coca-Cola Company esperava quando encomendou a sua criação. Em 1915 o presidente da empresa enviou uma carta às fábricas de vidro dos Estados Unidos com uma mensagem clara: queria uma embalagem única para o seu produto. A tarefa não era fácil, mas, felizmente, dentre as fábricas que receberam o pedido havia uma que empregava o vidraceiro Earl R. Dean. O primeiro modelo idealizado por Dean tinha um centro bastante abaulado e as extremidades afuniladas. O formato visivelmente pouco prático acabou sofrendo algumas modificações, mas o design origi- nal lembrava bastante os objetos de decoração feitos até meados dos anos 1900. O protótipo apresentado à Coca-Cola não ficaria deslocado entre alguns dos vasos de Louis C. Tiffany e Emile Gallé. Mesmo o seu centro - com uma grande curvatura inesperada - remete à sacada da Casa Tessel de Victor Horta. Esse viés artístico do projeto foi mantido até a versão final. A garrafa que passou a ser produzida Ao lado: protótipo da Contour Bottle Earl R. Dean (1915)
  • 5. Ao lado: Evolução da embalagem da Coca-Cola e comercializada em 1916 conservou o aspecto curvilíneo, porém menos acentuado, do design original. A semelhança com o corpo feminino foi notada de tal modo que ela foi posteriormente apelidada de “hob- ble skirt” em referência ao corte do vestido que esteve na moda na década de 1910. Nos anos 30 ela chegou até mesmo a ser comparada às curvas da atriz Mae West. É ainda importante ressaltar que, passados mais de 90 anos de sua criação, a garrafa da Coca-Cola é uma das poucas embalagens a receber uma trademark do U.S. Patente and Trademark Office. Essa honra demonstra que Dean alcançou o seu propósito e criou algo verdadeiramente único. Q uando se trata de ilustração entre o final do século XIX e o início do XX, é imprudente ignorar uma séria controvérsia que afligia a credibilidade dos artistas: a questão do uso da arte como mercadoria. Continuaria ela a ser considerada arte mesmo quando comercializada? Os produtores das supostas mercadorias poderiam realmente ser considerados artistas? A arte presente nos cartazes e nas ilustrações em periódicos deveria ser considerada “de segunda classe”, inferior às “belas artes”? Tais problemáticas influíram diretamente na produção de anúncios da Coca-Cola nas três primeiras décadas do século XX. É possível encontrar uma produção totalmente voltada à questão estética – como na ilustração do mês de Abril de um calendário da empresa em 1901 que traz Hilda Clark como modelo, com forte influência da estética Nouveau. Nele, vestes, adornos e mobília parecem assumir importância maior do que a do próprio produto. É também possível ver a arte mais abertamente atrelada ao consumo – como em grande parte dos anúncios do início da década de 1910. Essa variação aparece ainda de forma mais matizada, que parece finalmente impor a ilustração comercial como uma forma de arte digna de reconhecimento, sobretudo nas ilustrações de publicações como o The Ladies’ Home Journal e o The Saturday Evening Post, com artistas como Norman Rockwell e Fred Mizen, a partir da segunda metade da década de 1910. Na verdade, o espírito do design de ilustrações do século XX tem sua síntese em Rockwell. As mudanças e conflitos artísticos relativos às questões mercadológicas e estéticas acabam serem discutidas todas a partir de uma obra sua, o Triple Self-Portrait. Temos Rockwell, em face da tela onde produzirá seu auto-retrato. À esquerda, o espelho. Na tela, outros auto- retratos, já consagrados e um estudo. Entretanto, o Rockwell que nos observa não é o homem de óculos, de costas para o observador real, mas o da tela, de olhar confiante, cachimbo em riste, lado a lado dos grandes artistas. Rockwell, um símbolo da nação norte-americana, representada pela águia dourada no topo do espelho, é um grande. A ilustração, representação da sociedade norte-americana, torna- Calendário promocional da Coca- Cola de 1901
  • 6. se grande por ela e a engrandece ainda mais. O design e a sociedade mudaram. A prosperidade econômica, o aumento da liberdade feminina e consequente crescimento eufórico na produção e no consumo, bem como a influência dos EUA após a I G.M., elevaram a necessidade do design, seu status e a força do produto. A ilustração foi definida pela nação norte-americana e acabou por defini-la. Dessa forma, Coca-Cola, a arte e os artistas não representam mais apenas produtos e produtores, mas grandes representantes de uma nação. Delicious and refreshing. Ao lado: anúncio de 1922 Publicado no Saturday Evening Post “Nós nos perguntamos do que era feita a Coca-Cola [...]. Eu me interessei muito pelo formato da noz-de-cola. Ela tinha um ‘pescoço’ muito fino e o corpo tinha quatro diâmetros diferentes e riscas verticais que eu incorporei no primeiro desenho para mostrar ao sr. Root na manhã seguinte. O sr. Root ficou satisfeito e me pediu para preparar algumas garrafas de amostra [...]. A Coca-Cola Company aceitou a novo garrafa de cara, mas nós podíamos ver que seriam necessárias algumas mudanças nos diâmetros inferior e intermediário para que a garrafa se tornasse prática.(...)” Earl R. Dean em carta de 1971 sobre a criação da Contour Bottle. Triple Self-Portrait, por Norman Rockwell (capa de edição do The Saturday Evening Post)(1960) Murilo Cavinato Favaretto - 092443 Patrícia Vieira Mello - 092566 Roberta Marcelino Veloso - 092881 Thiago da Costa Amado - 094498 20s: All-American ads. Co-autoria de Jim Heimann, Steven Heller. Kèoln; Los Angeles: Taschen, c. 2004. BOGART, Michele Helene. Artists, advertising, and the borders of art. Chicago ; London: Univ. of Chicago, 1995. http://jipemania.com/coke/ http://www.gono.com/ http://www.thecoca- colacompany.com/presscenter/ presskit_contour_bottle_fun_facts.html www.lemondedesarts.com/ DossierGalle.htm http://en.wikipedia.org/wiki/ File:MackmurdoWren1883.gif http://www.smilespedia.com/coca- cola-vs-pepsi-logo-wars-1885-2009- smilespedia/ http://www.cocacolabrasil.com.br/