Radioterapia Da física à medicina: teoria e prática da especialidade Rui P Rodrigues Unidade de Radioterapia Hospital CUF Descobertas http://rt.no.sapo.pt
Resumo Teoria Radiações ionizantes Absorção e mecanismos de acção Radiobiologia Modalidades de tratamento com radiações Prática Dosimetria básica e calibração Planeamento e dosimetria clínica Administração dos tratamentos Novas técnicas
Radiações ionizantes Directamente partículas electrões rápidos Indirectamente radiação electromagnética fotões X e gama Moléculas do hospedeiro
Absorção e mecanismos de acção Interacção física absorção de energia, ionização, excitação Fase físico-química efeito directo (macromoléculas vitais); efeito indirecto (radicais livres de oxigénio) Alterações moleculares quebra de ligações, polimerização, despolimerização Lesão bioquímica síntese de DNA e RNA, inibições enzimáticas núcleo celular: DNA - alterações cromossómicas RNA - alterações funcionais Efeitos biológicos lesão do material genético, alterações metabólicas 10 -18  - 10 -3  segundos minutos - horas segundos - minutos
Lesão do material genético fracção reprodutiva paragem ou atraso de maturação efeitos precoces horas / dias / semanas Efeito biológico das radiações Alterações metabólicas mutação celular efeitos tardios meses / anos morte celular
Sensibilidade tumoral Hemolinfáticos  (leucemias, linfomas, mielomas) Seminomas e germinomas Carcinomas indiferenciados  (vias aerodigestivas superiores) Sarcoma de Ewing Basalioma cutâneo Carcinoma espinocelular  (pele e mucosas) Adenocarcinomas Sarcomas de partes moles Condrossarcomas Osteossarcomas Melanoma
Radiossensibilidade Factores de variação: ciclo celular  (M; G2; G1-S) tipo de radiação  (eletrões, fotões, partículas pesadas ...) oxigenação dos tecidos drogas: radiossensibilizantes  (imidazóis) radioprotectoras  (amifostina) (selectividade) hipertermia  (41-43ºC) fraccionamento
Fraccionamento R ecuperação de dano subletal ou potencialmente letal  (predominante em células normais) R epopulação por células normais, que sobrevivem à irradiação  ou que migram da periferia da zona irradiada R ecrutamento para o ciclo celular de células em repouso (tecidos sãos) R edistribuição   para fases mais sensíveis do ciclo celular (tumor) R eoxigenação do componente hipóxico do tumor (- sensível)
Radiocurabilidade Factores de variação: radiossensibilidade intrínseca do tumor volume do tumor extensão local  (osso, cartilagem ...) disseminação a distância tolerância dos tecidos sãos estado geral do hospedeiro
Índice terapêutico Razão entre a dose de tolerância  dos tecidos sãos  e a dose tumoricida Todos os tumores são  radiossensíveis  ... ... mas ... ... só são  radiocuráveis  se a dose necessária para o seu controlo não for demasiado nociva para o hospedeiro. 90% 10% Dose Tumor (+) radiossensível Tumor (-) radiossensível Tecido normal  Morte celular  (controlo tumoral vs. complicações)
Modalidades de radioterapia Braquiterapia   - fontes radioactivas seladas  intersticial  - introduzidas nos tecidos;  192 Ir,  198 Au,  125 I,  103 Pa endocavitária  - em cavidades naturais;  137 Cs,  60 Co endoluminal  – no lumen das vias aereas/digestivas; endovascular  – no interior de vasos sanguíneos;  plesioterapia  - em contacto com as lesões;  192 Ir Teleterapia  - radioterapia externa convencional  - aceleradores lineares, bombas de Cobalto intraoperatória  - isolada ou em complemento estereotáxica / radiocirurgia  - SNC, MAV conformacional  (3D-CRT) intensidade modulada  (IMRT)
Radioterapia isolada Taxas de sobrevida aos 5 anos (%) Pele (não melanoma) ................................................... 90 - 95 Lábio ............................................................................ 80 - 90 Cavidade oral ............................................................... 60 - 90 Laringe  (T 1-2  N-)   .......................................................... 70 - 90   (T 3-4  N+)  .......................................................... 20 - 30 Mama  (T 1-2  N-)   ............................................................. 80 - 90   (T 3-4   N+)   ............................................................ 60 - 65 Colo do útero  (Est.I e II)  ................................................ 70 - 90 Corpo do útero  (Est.I e II)  .............................................. 60 - 80 Próstata  (T 1-2  N-)   ........................................................... 75 - 80 Canal anal ..................................................................... 50 - 70 Doença de Hodgkin ...................................................... 80 - 90 Linfoma folicular ......................................................... 70 - 80
Radioterapia combinada Com cirurgia RT pós-operatória por necessidade  (após cirurgia incompleta) * por princípio  (taxa elevada de recaídas locais) *   RT pré-operatória por princípio  (possibilitar uma cirurgia ‘limpa’) por necessidade  (preservação de órgão) RT intra-operatória * Com quimioterapia Sequencial Concomitante
Terapêutica combinada - I A ordem pela qual é efectuada a combinação Cirurgia/Radioterapia pode ter um impacto profundo no risco de desenvolver efeitos secundários precoces ou tardios.
Terapêutica combinada - II Alterações na técnica cirúrgica ou na cronologia dos tratamentos pode modificar o risco de ocorrência de efeitos secundários
Dosimetria básica e calibração - I Verificação de: doses em  profundidade  e  homogeneidade  dos feixes   para todas as  dimensões  de campo possíveis  para todas as  energias  e para todos os  feixes de tratamento  disponíveis
Dosimetria básica e calibração - II Introdução dos valores medidos no sistema de planeamento e dosimetria
Integração de imagens Radiologia convencional TAC RMN PET Aquisição de imagens do doente nas localizações de interesse
Planeamento e Dosimetria clínica Introdução  das imagens obtidas no sistema de planeamento e dosimetria Elaboração  do plano de tratamento mais adequado Execução  da dosimetria Transferência  de dados para o aparelho de tratamento
Dosimetria clínica
Dosimetria clínica
Dosimetria clínica
Dosimetria clínica
Administração de tratamentos Posicionamento   do doente na sala de tratamento Configuração   do equipamento para administração do tratamento Administração  do tratamento:  modo estático modo dinâmico
Intensidade modulada - I Adaptação  das características dos equipamentos às necessidades do tratamento
Intensidade modulada - II Modulação  dos feixes de radiação de modo a obter uma configuração adaptada às heterogeneidades da zona a tratar

Introdução à Radioterapia

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    Radioterapia Da físicaà medicina: teoria e prática da especialidade Rui P Rodrigues Unidade de Radioterapia Hospital CUF Descobertas http://rt.no.sapo.pt
  • 2.
    Resumo Teoria Radiaçõesionizantes Absorção e mecanismos de acção Radiobiologia Modalidades de tratamento com radiações Prática Dosimetria básica e calibração Planeamento e dosimetria clínica Administração dos tratamentos Novas técnicas
  • 3.
    Radiações ionizantes Directamentepartículas electrões rápidos Indirectamente radiação electromagnética fotões X e gama Moléculas do hospedeiro
  • 4.
    Absorção e mecanismosde acção Interacção física absorção de energia, ionização, excitação Fase físico-química efeito directo (macromoléculas vitais); efeito indirecto (radicais livres de oxigénio) Alterações moleculares quebra de ligações, polimerização, despolimerização Lesão bioquímica síntese de DNA e RNA, inibições enzimáticas núcleo celular: DNA - alterações cromossómicas RNA - alterações funcionais Efeitos biológicos lesão do material genético, alterações metabólicas 10 -18 - 10 -3 segundos minutos - horas segundos - minutos
  • 5.
    Lesão do materialgenético fracção reprodutiva paragem ou atraso de maturação efeitos precoces horas / dias / semanas Efeito biológico das radiações Alterações metabólicas mutação celular efeitos tardios meses / anos morte celular
  • 6.
    Sensibilidade tumoral Hemolinfáticos (leucemias, linfomas, mielomas) Seminomas e germinomas Carcinomas indiferenciados (vias aerodigestivas superiores) Sarcoma de Ewing Basalioma cutâneo Carcinoma espinocelular (pele e mucosas) Adenocarcinomas Sarcomas de partes moles Condrossarcomas Osteossarcomas Melanoma
  • 7.
    Radiossensibilidade Factores devariação: ciclo celular (M; G2; G1-S) tipo de radiação (eletrões, fotões, partículas pesadas ...) oxigenação dos tecidos drogas: radiossensibilizantes (imidazóis) radioprotectoras (amifostina) (selectividade) hipertermia (41-43ºC) fraccionamento
  • 8.
    Fraccionamento R ecuperaçãode dano subletal ou potencialmente letal (predominante em células normais) R epopulação por células normais, que sobrevivem à irradiação ou que migram da periferia da zona irradiada R ecrutamento para o ciclo celular de células em repouso (tecidos sãos) R edistribuição para fases mais sensíveis do ciclo celular (tumor) R eoxigenação do componente hipóxico do tumor (- sensível)
  • 9.
    Radiocurabilidade Factores devariação: radiossensibilidade intrínseca do tumor volume do tumor extensão local (osso, cartilagem ...) disseminação a distância tolerância dos tecidos sãos estado geral do hospedeiro
  • 10.
    Índice terapêutico Razãoentre a dose de tolerância dos tecidos sãos e a dose tumoricida Todos os tumores são radiossensíveis ... ... mas ... ... só são radiocuráveis se a dose necessária para o seu controlo não for demasiado nociva para o hospedeiro. 90% 10% Dose Tumor (+) radiossensível Tumor (-) radiossensível Tecido normal Morte celular (controlo tumoral vs. complicações)
  • 11.
    Modalidades de radioterapiaBraquiterapia - fontes radioactivas seladas intersticial - introduzidas nos tecidos; 192 Ir, 198 Au, 125 I, 103 Pa endocavitária - em cavidades naturais; 137 Cs, 60 Co endoluminal – no lumen das vias aereas/digestivas; endovascular – no interior de vasos sanguíneos; plesioterapia - em contacto com as lesões; 192 Ir Teleterapia - radioterapia externa convencional - aceleradores lineares, bombas de Cobalto intraoperatória - isolada ou em complemento estereotáxica / radiocirurgia - SNC, MAV conformacional (3D-CRT) intensidade modulada (IMRT)
  • 12.
    Radioterapia isolada Taxasde sobrevida aos 5 anos (%) Pele (não melanoma) ................................................... 90 - 95 Lábio ............................................................................ 80 - 90 Cavidade oral ............................................................... 60 - 90 Laringe (T 1-2 N-) .......................................................... 70 - 90 (T 3-4 N+) .......................................................... 20 - 30 Mama (T 1-2 N-) ............................................................. 80 - 90 (T 3-4 N+) ............................................................ 60 - 65 Colo do útero (Est.I e II) ................................................ 70 - 90 Corpo do útero (Est.I e II) .............................................. 60 - 80 Próstata (T 1-2 N-) ........................................................... 75 - 80 Canal anal ..................................................................... 50 - 70 Doença de Hodgkin ...................................................... 80 - 90 Linfoma folicular ......................................................... 70 - 80
  • 13.
    Radioterapia combinada Comcirurgia RT pós-operatória por necessidade (após cirurgia incompleta) * por princípio (taxa elevada de recaídas locais) * RT pré-operatória por princípio (possibilitar uma cirurgia ‘limpa’) por necessidade (preservação de órgão) RT intra-operatória * Com quimioterapia Sequencial Concomitante
  • 14.
    Terapêutica combinada -I A ordem pela qual é efectuada a combinação Cirurgia/Radioterapia pode ter um impacto profundo no risco de desenvolver efeitos secundários precoces ou tardios.
  • 15.
    Terapêutica combinada -II Alterações na técnica cirúrgica ou na cronologia dos tratamentos pode modificar o risco de ocorrência de efeitos secundários
  • 16.
    Dosimetria básica ecalibração - I Verificação de: doses em profundidade e homogeneidade dos feixes para todas as dimensões de campo possíveis para todas as energias e para todos os feixes de tratamento disponíveis
  • 17.
    Dosimetria básica ecalibração - II Introdução dos valores medidos no sistema de planeamento e dosimetria
  • 18.
    Integração de imagensRadiologia convencional TAC RMN PET Aquisição de imagens do doente nas localizações de interesse
  • 19.
    Planeamento e Dosimetriaclínica Introdução das imagens obtidas no sistema de planeamento e dosimetria Elaboração do plano de tratamento mais adequado Execução da dosimetria Transferência de dados para o aparelho de tratamento
  • 20.
  • 21.
  • 22.
  • 23.
  • 24.
    Administração de tratamentosPosicionamento do doente na sala de tratamento Configuração do equipamento para administração do tratamento Administração do tratamento: modo estático modo dinâmico
  • 25.
    Intensidade modulada -I Adaptação das características dos equipamentos às necessidades do tratamento
  • 26.
    Intensidade modulada -II Modulação dos feixes de radiação de modo a obter uma configuração adaptada às heterogeneidades da zona a tratar