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INTRODUÇÃO A FILOSOFIA OS DIVERSOS TIPOS DE CONHECIMENTO
                               2º ANO ENSINO MÉDIO

extraído do site http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=4488

Os diversos tipos de conhecimento

1. O que é conhecer?

De modo simples, pode-se dizer que "conhecer é elaborar um modelo de realidade" e "projetar ordem onde
havia caos" (CYRINO & PENHA, 1992, p. 13). Nesse sentido, três elementos são necessários para que haja
conhecimento: a) O sujeito, que é o ser que conhece; b) O objeto, aquilo que o sujeito investiga para conhecer;
c) A imagem mental em forma de opinião, idéia ou conceito que resultam da relação sujeito-objeto e que
passa a habitar a subjetividade daquele que conhece. Nesse processo, dado que o humano é pensante-sentinte-
comunicante, ele articula sentimentos e pensamentos e os transmite por meio da linguagem simbólica, a qual o
diferencia dos demais seres existentes. Essa linguagem pode ser oral ou escrita, verbal ou não-verbal. Falar,
escrever e gesticular seriam maneiras elementares de o sujeito humano produzir e veicular informações,
conhecimentos e saberes. As informações ele as registra em suportes materiais palpáveis. O conhecimento ele
o apreende em sua subjetividade, de maneira dinâmica para sempre ser reelaborado. O saber são aquelas
informações e aqueles conhecimentos que ele, humano, mobiliza para relacionar-se com o mundo, interagir
com os semelhantes, com a sociedade, com o universo e com a vida (CHARLOT, 2000). Por meio da relação
sujeito-objeto, da qual resultam informações, conhecimentos e saberes, o humano cognoscente busca
compreender, representar e explicar os objetos com os quais convive em sua vida prática e até aqueles que ele
imagina possam existir como idéia formal apenas. A isso chamamos conhecimento, esse produto da
inteligência simbólica humana por meio da qual o múltiplo ganha uma unicidade, a diversidade recebe certa
harmonia e o vazio é preenchido por um sentido, sendo o principal deles o sentido existencial, a razão de ser
da vida, o motivo pelo qual o homem e a mulher são, pensam, sentem, julgam, valoram, decidem e agem no
aqui-agora de seu ser-estar no mundo.

2 Conhecer e pensar

Decididamente, pode-se dizer que os humanos se diferenciam do animal que não possui inteligência simbólica
pela capacidade que o homem e a mulher têm de pensar e, ao fazê-lo, problematizar o seu entorno físico e
cultural. Entorno físico identifica-se com a natureza natural. O entorno cultural refere-se a tudo o que o
humano produz ao ser, estar e agir no mundo. Enquanto o humano interfere naquela realidade natural e a
modifica, os outros animais apenas são predominantemente adaptativos ao ambiente em que se encontram.
Um exemplo que ilustra com simplicidade essa constatação é o caso do João-de-barro, o passarinho que,
desde que existe na face da Terra, constrói a mesma moradia. Você já viu a casa do joão-de-barro. Se viu,
notou que, aquilo que, nele, aparentemente, resulta de uma inteligência simbólica, é, na verdade, produto de
uma programação instintiva, da qual o João-de-barro não foge e à qual ele obedece às cegas. O humano
começou morando em cavernas. Mas, ao contrário do João-de-barro, fez choças e cabanas. Passos à frente o
levaram a fazer casas de madeira, tijolos e cimento. Atualmente, ele utiliza estruturas sofisticadíssimas para
construir todo tipo de moradia: edifícios altíssimos e casas que tentam ser à prova de terremotos e furacões.
Por que o humano progrediu e o João-de-barro, não? Uma pista para respondermos a essa pergunta é o fato de
que o homem e a mulher, à medida que iam explorando seu objeto, a casa, eles também iam pensando sobre
ele, objeto, e problematizando a arte de fazer casa, coisa que o João-de-barro, até onde sabemos, não dá conta
de realizar. Conclusão: pensar, sentir, problematizar e agir são ações importantíssimas no processo de produzir
informações, conhecimentos e saberes.

3. Os diversos tipos de conhecimento e saberes

É a inteligência simbólica, diferente de uma programação instintiva, que possibilita ao ser humano pensar,
sentir, problematizar e agir, dando-lhe a possibilidade de produzir uma gama variada de conhecimento.
a) O saber da vida

Esse tipo de saber baseia-se na vivência espontânea da vida e começa a ser construído tão logo o homem seja
lançado no mundo. Ele vive esse processo até o dia de sua morte. Por isso, tudo o que diz respeito à condução
da vida na terra pode se tornar objeto a ser "explorado" e representado nesse nível de conhecimento da
realidade. As características desse tipo de saber compreendem a não-sistematicidade, razão pela qual ele não é
produzido com base em procedimentos metodológicos, feitos para conduzir a relação sujeito-objeto. O que
resulta dessa relação com o mundo é um saber que muitos chamam saber empírico, vulgar ou, ainda, senso
comum.

b) O conhecimento mítico

Trata-se de uma modalidade de conhecimento baseado na intuição e que deriva do entendimento de que
existem modelos naturais e sobrenaturais dos quais brota o sentido de tudo o que existe. É um tipo de
conhecimento que ajuda o ser humano a "explicar" o mundo por meio de representações que não são
logicamente raciocinadas, nem resultantes de experimentações científicas. O conhecimento mítico é "expresso
por meio de linguagem simbólica e imaginária" (CYRINO & PENHA, 1992, p. 14). Assim, ainda que o
conhecimento mítico crie representações para atribuir um sentido às coisas, ele ainda se baseia na crença de
que seres fantásticos e suas histórias sobrenaturais é que são os responsáveis pela razão de ser do existente.

C) Conhecimento teológico

Se o saber da vida se baseia na experiência de vida e é espontâneo, e se o conhecimento mítico fundamenta-se
na crença em seres fantásticos, e é elaborado fora da lógica racional, o saber teológico fundamenta-se na fé. É
dedutivo por partir de uma realidade universal para representar e atribuir sentido a realidades particulares.
Desse modo, o conhecimento teológico parte da compreensão e da aceitação da existência de um Deus, ou de
deuses, os quais constituem a razão de ser de todas as coisas. Esses seres "revelam-se" aos humanos. Dão ao
homem e à mulher as suas verdades, as quais se caracterizam por ser indiscutíveis, inquestionáveis. Se assim
são, a razão não precisa compreender esses dogmas, mas aceitá-los. É esse processo que o conhecimento
teológico investiga e tenta explicar.

d) Conhecimento filosófico

O conhecimento filosófico é racional. Baseia-se na especulação em torno do real, tendo como objeto a busca
da verdade. Por isso, diz-se que é uma atitude. Ele é sistemático, mas não experimental. Vai à raiz das coisas e
é produzido segundo o rigor lógico que a razão exige de um conhecimento que se quer buscando a verdade do
existente. Nessa investigação, o conhecimento filosófico visa aos "porquês" de tudo o que existe. É ativo, pois
coloca o humano à procura de respostas para as inúmeras perguntas que ele próprio pode formular. Exemplos:
Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Qual é o valor da vida humana? O que é o tempo? O
que é o sentido da vida?

e) Conhecimento científico

Semelhantemente ao conhecimento filosófico, o saber científico também é racional e é produzido mediante a
investigação da realidade, seja por meio de experimentos seja por meio da busca do entendimento lógico de
fatos, fenômenos, relações, coisas, seres e acontecimentos que ocorrem na realidade cósmica, humana e
natural. Trata-se de um conhecimento que é sistemático, metódico e que não é realizado de maneira
espontânea, intuitiva, baseada na fé ou simplesmente na lógica racional. Ele prevê, ainda, experimentação,
validação e comprovação daquilo a que chega a título de representação do real. Mediante as leis que formula,
o conhecimento científico possibilita ao ser humano elaborar instrumentos os quais são utilizados para intervir
na realidade e transformá-la para melhor ou para pior.
f) Conhecimento técnico

O fundamento básico desse tipo de conhecimento é o saber fazer, a operacionalização. Tem como objeto o
domínio do mundo e da natureza. É especializado e específico e se esmera na aplicação de todos os outros
saberes que lhe podem ser úteis. Trata-se de um tipo de saber que auxilia o homem e a mulher a agirem no
mundo, levando-os às mais diversas atividades visando à produção técnica da vida. A supervalorização da
técnica pode levar a um ativismo que coloca em segundo plano as atividades de pensar e de compreender os
"porquês" das coisas, razão pela qual o emprego da tecnologia requer prudência e bom senso.

g) O saber das artes

As artes e os saberes que elas possibilitam valorizam os sentimentos, a emoção e a intuição racio-sentimental
humana. Se o saber da vida busca ordem para preencher o vazio de sentido advindo do caos; se o
conhecimento mítico busca na crença a razão de ser de todas as coisas; se a teologia fundamenta-se na idéia de
deuses para buscar as verdades acabadas a serem observadas pelo ser humano; se a filosofia busca as
representações racionais da realidade; se a ciência almeja conhecer de maneira comprovada e segura; se a
técnica busca aplicar conhecimentos... o saber das artes busca o belo. Nesse sentido, o saber das artes valoriza
as experiências estéticas do humano, proporcionando-lhe o refinamento do espírito ao oferecer-lhe a relação
com senso do gosto, do bonito e do grotesco. Experimentar a beleza e extrair dela a matéria fundamental para
o refinamento de si mesmo é a finalidade maior de tudo aquilo que se produz em termos de artes e sem as
quais o ser humano se vê empobrecido e pequenificado.

4. Conclusão

Como se vê, o ser humano produz diversos tipos de informações, conhecimentos e saberes. E disso ele é capaz
porque pensa, problematiza, raciocina, julga, avalia, decide e age no mundo. O humano é interacional. É
relacional, e é em meio às múltiplas relações que vivencia no mundo que ele pode construir representações
aproximativas deste mundo.

Nesse sentido, um tipo de conhecimento não é melhor que o outro. Eles devem ser vistos numa perspectiva de
complementaridade, interdisciplinaridade e até de transdisciplinaridade. Ou os seres humanos não precisam
deles para se compreender e viver?

Referências bibliográficas

CHARLOT, B. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Trad. B. Magne. Porto Alegre: Artmed,
2000. CHAUÍ, M. Primeira filosofia: aspectos da história da filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1987.
CYRINO, H. & PENHA, C. Filosofia hoje. 2. ed. Campinas: Papirus, 1992.

Avaliação

1. Responda: "o que é conhecer?"

2. Associe os atos de conhecer e pensar.

3. Descreva e caracterize os diversos tipos de conhecimento humano (senso comum, mito, teologia, filosofia,
ciência, tecnologia, artes).

4. Conceitue com mais especificidade o que é filosofia.

5. Por que a filosofia pode ser compreendida como experiência de pensamento?

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Introdução a filosofia os diversos tipos de conhecimento

  • 1. INTRODUÇÃO A FILOSOFIA OS DIVERSOS TIPOS DE CONHECIMENTO 2º ANO ENSINO MÉDIO extraído do site http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=4488 Os diversos tipos de conhecimento 1. O que é conhecer? De modo simples, pode-se dizer que "conhecer é elaborar um modelo de realidade" e "projetar ordem onde havia caos" (CYRINO & PENHA, 1992, p. 13). Nesse sentido, três elementos são necessários para que haja conhecimento: a) O sujeito, que é o ser que conhece; b) O objeto, aquilo que o sujeito investiga para conhecer; c) A imagem mental em forma de opinião, idéia ou conceito que resultam da relação sujeito-objeto e que passa a habitar a subjetividade daquele que conhece. Nesse processo, dado que o humano é pensante-sentinte- comunicante, ele articula sentimentos e pensamentos e os transmite por meio da linguagem simbólica, a qual o diferencia dos demais seres existentes. Essa linguagem pode ser oral ou escrita, verbal ou não-verbal. Falar, escrever e gesticular seriam maneiras elementares de o sujeito humano produzir e veicular informações, conhecimentos e saberes. As informações ele as registra em suportes materiais palpáveis. O conhecimento ele o apreende em sua subjetividade, de maneira dinâmica para sempre ser reelaborado. O saber são aquelas informações e aqueles conhecimentos que ele, humano, mobiliza para relacionar-se com o mundo, interagir com os semelhantes, com a sociedade, com o universo e com a vida (CHARLOT, 2000). Por meio da relação sujeito-objeto, da qual resultam informações, conhecimentos e saberes, o humano cognoscente busca compreender, representar e explicar os objetos com os quais convive em sua vida prática e até aqueles que ele imagina possam existir como idéia formal apenas. A isso chamamos conhecimento, esse produto da inteligência simbólica humana por meio da qual o múltiplo ganha uma unicidade, a diversidade recebe certa harmonia e o vazio é preenchido por um sentido, sendo o principal deles o sentido existencial, a razão de ser da vida, o motivo pelo qual o homem e a mulher são, pensam, sentem, julgam, valoram, decidem e agem no aqui-agora de seu ser-estar no mundo. 2 Conhecer e pensar Decididamente, pode-se dizer que os humanos se diferenciam do animal que não possui inteligência simbólica pela capacidade que o homem e a mulher têm de pensar e, ao fazê-lo, problematizar o seu entorno físico e cultural. Entorno físico identifica-se com a natureza natural. O entorno cultural refere-se a tudo o que o humano produz ao ser, estar e agir no mundo. Enquanto o humano interfere naquela realidade natural e a modifica, os outros animais apenas são predominantemente adaptativos ao ambiente em que se encontram. Um exemplo que ilustra com simplicidade essa constatação é o caso do João-de-barro, o passarinho que, desde que existe na face da Terra, constrói a mesma moradia. Você já viu a casa do joão-de-barro. Se viu, notou que, aquilo que, nele, aparentemente, resulta de uma inteligência simbólica, é, na verdade, produto de uma programação instintiva, da qual o João-de-barro não foge e à qual ele obedece às cegas. O humano começou morando em cavernas. Mas, ao contrário do João-de-barro, fez choças e cabanas. Passos à frente o levaram a fazer casas de madeira, tijolos e cimento. Atualmente, ele utiliza estruturas sofisticadíssimas para construir todo tipo de moradia: edifícios altíssimos e casas que tentam ser à prova de terremotos e furacões. Por que o humano progrediu e o João-de-barro, não? Uma pista para respondermos a essa pergunta é o fato de que o homem e a mulher, à medida que iam explorando seu objeto, a casa, eles também iam pensando sobre ele, objeto, e problematizando a arte de fazer casa, coisa que o João-de-barro, até onde sabemos, não dá conta de realizar. Conclusão: pensar, sentir, problematizar e agir são ações importantíssimas no processo de produzir informações, conhecimentos e saberes. 3. Os diversos tipos de conhecimento e saberes É a inteligência simbólica, diferente de uma programação instintiva, que possibilita ao ser humano pensar, sentir, problematizar e agir, dando-lhe a possibilidade de produzir uma gama variada de conhecimento.
  • 2. a) O saber da vida Esse tipo de saber baseia-se na vivência espontânea da vida e começa a ser construído tão logo o homem seja lançado no mundo. Ele vive esse processo até o dia de sua morte. Por isso, tudo o que diz respeito à condução da vida na terra pode se tornar objeto a ser "explorado" e representado nesse nível de conhecimento da realidade. As características desse tipo de saber compreendem a não-sistematicidade, razão pela qual ele não é produzido com base em procedimentos metodológicos, feitos para conduzir a relação sujeito-objeto. O que resulta dessa relação com o mundo é um saber que muitos chamam saber empírico, vulgar ou, ainda, senso comum. b) O conhecimento mítico Trata-se de uma modalidade de conhecimento baseado na intuição e que deriva do entendimento de que existem modelos naturais e sobrenaturais dos quais brota o sentido de tudo o que existe. É um tipo de conhecimento que ajuda o ser humano a "explicar" o mundo por meio de representações que não são logicamente raciocinadas, nem resultantes de experimentações científicas. O conhecimento mítico é "expresso por meio de linguagem simbólica e imaginária" (CYRINO & PENHA, 1992, p. 14). Assim, ainda que o conhecimento mítico crie representações para atribuir um sentido às coisas, ele ainda se baseia na crença de que seres fantásticos e suas histórias sobrenaturais é que são os responsáveis pela razão de ser do existente. C) Conhecimento teológico Se o saber da vida se baseia na experiência de vida e é espontâneo, e se o conhecimento mítico fundamenta-se na crença em seres fantásticos, e é elaborado fora da lógica racional, o saber teológico fundamenta-se na fé. É dedutivo por partir de uma realidade universal para representar e atribuir sentido a realidades particulares. Desse modo, o conhecimento teológico parte da compreensão e da aceitação da existência de um Deus, ou de deuses, os quais constituem a razão de ser de todas as coisas. Esses seres "revelam-se" aos humanos. Dão ao homem e à mulher as suas verdades, as quais se caracterizam por ser indiscutíveis, inquestionáveis. Se assim são, a razão não precisa compreender esses dogmas, mas aceitá-los. É esse processo que o conhecimento teológico investiga e tenta explicar. d) Conhecimento filosófico O conhecimento filosófico é racional. Baseia-se na especulação em torno do real, tendo como objeto a busca da verdade. Por isso, diz-se que é uma atitude. Ele é sistemático, mas não experimental. Vai à raiz das coisas e é produzido segundo o rigor lógico que a razão exige de um conhecimento que se quer buscando a verdade do existente. Nessa investigação, o conhecimento filosófico visa aos "porquês" de tudo o que existe. É ativo, pois coloca o humano à procura de respostas para as inúmeras perguntas que ele próprio pode formular. Exemplos: Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Qual é o valor da vida humana? O que é o tempo? O que é o sentido da vida? e) Conhecimento científico Semelhantemente ao conhecimento filosófico, o saber científico também é racional e é produzido mediante a investigação da realidade, seja por meio de experimentos seja por meio da busca do entendimento lógico de fatos, fenômenos, relações, coisas, seres e acontecimentos que ocorrem na realidade cósmica, humana e natural. Trata-se de um conhecimento que é sistemático, metódico e que não é realizado de maneira espontânea, intuitiva, baseada na fé ou simplesmente na lógica racional. Ele prevê, ainda, experimentação, validação e comprovação daquilo a que chega a título de representação do real. Mediante as leis que formula, o conhecimento científico possibilita ao ser humano elaborar instrumentos os quais são utilizados para intervir na realidade e transformá-la para melhor ou para pior.
  • 3. f) Conhecimento técnico O fundamento básico desse tipo de conhecimento é o saber fazer, a operacionalização. Tem como objeto o domínio do mundo e da natureza. É especializado e específico e se esmera na aplicação de todos os outros saberes que lhe podem ser úteis. Trata-se de um tipo de saber que auxilia o homem e a mulher a agirem no mundo, levando-os às mais diversas atividades visando à produção técnica da vida. A supervalorização da técnica pode levar a um ativismo que coloca em segundo plano as atividades de pensar e de compreender os "porquês" das coisas, razão pela qual o emprego da tecnologia requer prudência e bom senso. g) O saber das artes As artes e os saberes que elas possibilitam valorizam os sentimentos, a emoção e a intuição racio-sentimental humana. Se o saber da vida busca ordem para preencher o vazio de sentido advindo do caos; se o conhecimento mítico busca na crença a razão de ser de todas as coisas; se a teologia fundamenta-se na idéia de deuses para buscar as verdades acabadas a serem observadas pelo ser humano; se a filosofia busca as representações racionais da realidade; se a ciência almeja conhecer de maneira comprovada e segura; se a técnica busca aplicar conhecimentos... o saber das artes busca o belo. Nesse sentido, o saber das artes valoriza as experiências estéticas do humano, proporcionando-lhe o refinamento do espírito ao oferecer-lhe a relação com senso do gosto, do bonito e do grotesco. Experimentar a beleza e extrair dela a matéria fundamental para o refinamento de si mesmo é a finalidade maior de tudo aquilo que se produz em termos de artes e sem as quais o ser humano se vê empobrecido e pequenificado. 4. Conclusão Como se vê, o ser humano produz diversos tipos de informações, conhecimentos e saberes. E disso ele é capaz porque pensa, problematiza, raciocina, julga, avalia, decide e age no mundo. O humano é interacional. É relacional, e é em meio às múltiplas relações que vivencia no mundo que ele pode construir representações aproximativas deste mundo. Nesse sentido, um tipo de conhecimento não é melhor que o outro. Eles devem ser vistos numa perspectiva de complementaridade, interdisciplinaridade e até de transdisciplinaridade. Ou os seres humanos não precisam deles para se compreender e viver? Referências bibliográficas CHARLOT, B. Da relação com o saber: elementos para uma teoria. Trad. B. Magne. Porto Alegre: Artmed, 2000. CHAUÍ, M. Primeira filosofia: aspectos da história da filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1987. CYRINO, H. & PENHA, C. Filosofia hoje. 2. ed. Campinas: Papirus, 1992. Avaliação 1. Responda: "o que é conhecer?" 2. Associe os atos de conhecer e pensar. 3. Descreva e caracterize os diversos tipos de conhecimento humano (senso comum, mito, teologia, filosofia, ciência, tecnologia, artes). 4. Conceitue com mais especificidade o que é filosofia. 5. Por que a filosofia pode ser compreendida como experiência de pensamento?