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INSERÇÃO NA CRECHE: A ENTRADA DAS CRIANÇAS E SUAS FAMÍLIAS

                                              Daniele V. de Azevedo (NEI:P&E/UERJ)
                                        Mônica R. B. Barcellos Melina(NEI:P&E/UERJ)
                                  Vera M.R. de Vasconcellos (NEI:P&E/PROPEd/UERJ)


O trabalho apresenta algumas atividades das alunas da disciplina Prática e Pesquisa
Pedagógica (4º período/Pedagogia - UERJ), que atuaram em dupla, numa modalidade
de observação participativa, por duas semanas e meia (fevereiro/março de 2011),
acompanhando o processo de inserção dos bebês/crianças e famílias, nas cinco creches
da pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca 1. O
objetivo da pesquisa era analisar, junto com os próprios educadores, suas concepções de
criança, infância, educação e creche. Nos demais meses do 1º semestre, as alunas do
PPP acompanharam o processo de desenvolvimento dos bebês e às relações creche-
famílias e educadores-famílias; privilegiando as interações criança-criança e criança-
educador. Os registro (Diário de Bordo) das alunas eram discutidos a cada semana, em
“sessões reflexivas”. Este trabalho apresenta as observações registradas e discute a
importância do processo de inserção/adaptação/acolhimento para crianças, famílias e
educadores num momento novo e delicado para todos, inclusive para as
alunas/pesquisadoras.

Palavras Chaves: Creche, Família, Inserção, Infância.

Introdução

    O trabalho aqui apresentado traz algumas considerações sobre o processo de inserção
(chamado também de adaptação/acolhimento) de bebês/crianças e suas famílias nas
cinco creches da pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância
Carioca, a partir das observações de alunas da disciplina Prática e Pesquisa Pedagógica
(PPP), do 4º período do Curso de Pedagogia/UERJ.

    O processo de inserção é importante, pois envolve um momento novo e repleto de
mudanças na vida de crianças, seus familiares e educadores. Por isso, não deve ser visto
somente como uma condição de adaptação da criança a um novo ambiente, mas
compreende todos os envolvidos (crianças, famílias, educadores) na tentativa de
proporcionar um espaço promotor de desenvolvimento (Vasconcellos, 2002). Todos os
1
    FAPERJ (E-26/102.961 /2008)
atores que compõem esse processo são singulares e portanto, constituídos de diferentes
valores, crenças e cultura. Por isso deve-se buscar formas colaborativas de convivência
de todos no espaço da creche.

  A entrada da criança na creche, na maioria das vezes, marca a primeira separação
regular do relacionamento exclusivo anterior com a família, primordialmente, com a
figura materna (Rapapport, & Piccinini, 2002). Essa pode ser uma experiência difícil
para todos os envolvidos, principalmente a criança. A creche passa a ser outro espaço,
no qual ela virá a construir uma nova rede de relações e afetos. Na prática, esse processo
não ocorre com rapidez ou facilidade e, por isso torna-se necessário um olhar mais
atento e de respeito às individualidades e um agir acolhedor por parte da equipe local,
para com as crianças e suas famílias (Vasconcellos et al, 2012).

A Secretaria Municipal de Educação (SME/RJ), denomina este período inicial de
acolhimento e, às creches é recomendado receber as novas famílias com respeito,
mesmo quando seus hábitos e histórias de vida são muito diferentes (SME/RJ, 2010).
No calendário anual é reservado um período de apenas uma semana para o acolhimento,
igual para todas as unidades e todos os agrupamentos que as compõe. As creches que
participam de nosso projeto receberam, antes no início das atividades, a visita da
coordenadora da pesquisa, que explicou a diferença em se proporcionar uma
adaptação/acolhimento e um processo de inserção às crianças e suas famílias. Dentre os
aspectos que caracterizam esse processo é sugerido que o período seja diferenciado e
planejado para de duas a três semanas; com o recebimento das crianças em pequenos
grupos, em horários reduzidos e com a permanência dos responsáveis na sala de
atividade.

   Neste trabalho discutiremos, a partir das observações das alunas da PPP, as
diferentes modalidades de inserção organizadas em cada creche, buscando compreender
como as sugestões da pesquisa foram recebidas e consideradas por cada unidade.


Metodologia

No primeiro semestre de 2011 as nove (9) alunas da disciplina de PPP acompanharam o
processo de entrada da criança à creche, através de observação participativa, por duas
semanas e meia (fevereiro/março de 2011). A atuação foi realizada, prioritariamente, em
dupla. Cada aluna fazia o próprio registro em “Diários de Bordo” (Vasconcellos, 2002)

                                                                                        2
e o discutia, a cada semana, nas “sessões reflexivas” (Vasconcellos et al, 2008). Foi
solicitado a cada observadora que tivesse como foco o desenvolvimento dos
bebês/crianças, a relação creche-família e educadores-famílias, privilegiando as
interações criança-criança e criança-educador.

Proposta do Projeto de Inserção

 Pensar em inserção é refletir na transformação do ambiente para receber as crianças,
transformando-o num ambiente acolhedor e promotor de desenvolvimento. É pensá-la
triangular, na busca de uma convivência colaborativa entre educadores, crianças e suas
famílias no cotidiano da creche (Rossetti- Ferreira, et al, 1986).

 Desta maneira cabe a cada creche, elaborar uma dinâmica de inserção/acolhimento
específica para o seu grupo, criando situações que auxiliem na vivência de separação da
criança de sua família no período de permanência na creche. O respeito às
especificidades de cada criança, ao seu ritmo individual e a sua família é fator
fundamental para que ela se sinta segura no novo espaço social. O acolhimento das
diferentes famílias, deve ser fator perseguido pela equipe da creche.

 A pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca propôs às
creches um processo de inserção com as seguintes etapas: reunião prévia com os pais,
reunião prévia com os educadores, organização do espaço físico, entrevista com os pais,
organização de um acompanhamento diferenciado nas primeiras semanas (contando
com a presença de um familiar), atividades promotoras de integração, “roda de
conversa” e reunião posterior (aproximadamente 40 dias depois) com os familiares.

Breve relato do realizado em cada Creche

Creche Municipal A: a turma observada foi Maternal II com 24 crianças ( 2 e 3 anos) e
4 educadores. Tempo integral de permanência das crianças na creche (7h às 17h). Não
foi permitida a presença de familiares.




                                                                                      3
Creche Municipal E: a turma observada foi Berçário II com 23 crianças (10 meses a 1
ano e 6 meses) e 4 educadores. O tempo de permanência das crianças na creche foi de 2
horas com aumento gradativo 2, sendo permitido a presença de um familiar.

Creche Municipal O: a turma observada foi Berçário II com 25 crianças (1 ano e 6
meses a 2 anos) e 4 educadores. O tempo de permanência das crianças na creche foi de
2 horas com aumento gradativo, sendo permitido a presença de um familiar.

Creche Municipal F: a turma observada foi Berçário II com 25 crianças (8 meses a 1
ano e 8 meses) e 2 educadores. O tempo de permanência na creche foi de 2 horas
durante a primeira semana, permitindo a presença de familiares.

Creche Municipal L: a turma observada foi Berçário I com 22 crianças de idade entre
1 e 2 anos, contando com 4 educadores, o tempo de permanência na creche foi de 2
horas com aumento gradativo, não permitindo a presença de familiares.

    Um dos itens de observação destacado pelas alunas, foi a importância da presença do
familiar nas creches que assim permitiram. O familiar presente servia de elo nas
interações da criança com as pessoas e o novo ambiente, deixando-a mais tranquila e
confiando mais nos educadores. A regularidade nos horários das refeições proporcionou
segurança aos pais, pois muitos declararam insegurança, quanto ao tratamento que seria
dado a seus filhos.

    Outros itens como a relação educador-família, a proposta pedagógica da creche e as
modalidades de cuidado estiveram presentes nas “sessões reflexivas”. Pudemos
constatar que neste período de inserção as atividades de “cuidar” eram mais constantes
que as pedagógicas. Por ser este um momento delicado, na maioria das vezes a criança
necessitava de maior carinho e atenção dos educadores. Verificamos também que para
muitas crianças esse foi um processo “doloroso” de separação dos familiares e de
reconhecimento de um novo espaço como seu.

    Outra questão presente nas sessões reflexivas era a deficiência na formação dos
profissionais, já que muitos não possuem nem a formação mínima - modalidade normal,
pois o concurso público para a função de Agente Auxiliar de Creche (Edital nº1 de

2
 O tempo de permanência das crianças aumentava gradativamente, de acordo com as interações
e as explorações realizadas por elas no novo espaço, além da percepção dos novos vínculos
afetivos que iam sendo estabelecidos com os educadores.

                                                                                         4
04/08/2007), desconsiderou a exigência da LDB- Lei nº 9394/96 artigo 62) de ensino
médio (modalidade normal), para o profissional da educação infantil. Apesar de
protestos, a partir de junho de 2008, o quadro de pessoal das creches públicas passou a
contar com os novos profissionais, nem todos com compreensão do que é ser educador
da infância carioca.

O que aprendemos no processo ...

 Constatamos que a inserção realizada no momento de entrada da criança à creche é de
suma importância para ela, sua família e educadores, já que este é um momento novo e
delicado para todos. Para muitas crianças era a primeira experiência de convívio social
fora da família. Para muitas famílias esse período foi provavelmente a primeira
separação da criança (mesmo que por pouco tempo) e por isso trouxe ansiedades que
precisou ser respeitada e compreendida pelas equipes das creches. E para os educadores
(e nós dentre eles) foi um aprendizado de convívio com outras formas de ver o mundo e
um exercício de respeitá-las, pois as crianças e suas famílias chegam à creche com
valores, crenças e culturas que podem diferir do que eles acreditam. Desta forma, o
momento da inserção à creche invoca novidades não só para crianças, mas também seus
pais e educadores. Por isso, deve ser realizado com respeito e valorização das
especificidades de cada criança e sua família. Trata-se, portanto, de um período muito
delicado, em que familiares e educadores precisam de auxilio mútuo para tudo
transcorrer da melhor maneira possível, respeitando o modo de cada criança se
apropriar do novo ambiente, novas pessoas e criar diferentes modalidades de interagir
com todos. O foco deve estar no conforto da criança e seu bem-estar no novo ambiente,
buscando facilitar a interação creche-criança-família.

 A entrada de uma criança à creche não é uma simples adaptação a um lugar
desconhecido. A criança é um sujeito ativo, que se relaciona com o meio e nele constitui
relações afetivas, apropria-se de novas linguagens, interage no espaço-tempo com
outros que com ela também interagem. Ela (criança) é atora e autora de seu próprio
desenvolvimento, por isso a construção de um posicionamento reflexivo de todos os
adultos envolvidos no processo de inserção ajuda a torná-lo mais apropriada à educação
da criança pequena.




                                                                                      5
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RAPOPORT, A.; PICCININI, C.A.. Adaptação de Bebês à Creche: A Importância da
Atenção de Pais e Educadores. Porto Alegre: Mediação, 2005.
ROSETTI-FERREIRA,M.C ; VITÓRIA,T. Processo de adaptação de bebes na creche.
Cadernos de pesquisa, São Paulo, p.55 - 64, 1986.
SANTOS, C. C. B.; NOGUEIRA, I. F.; OLIVEIRA, L. M. de; MIGUEL, M. L .;
LEITE, B. R. M. Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca. 2º
GRUPECI, Rio de Janeiro, 2010.
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO – Multirio. Abraço Completo à
Infância, Rio de Janeiro, p. 5 – 13, 2007.
VASCONCELLOS, V. M. R. Construção da subjetividade: processo de inserção de
crianças pequenas e suas famílias à creche. Tese de professor titular em Educação
Infantil, Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2002.
VASCONCELLOS, Vera M. R. de; OLIVEIRA, Rosangela A.; SILVA, Daniele, F.;
SOUZA, Sirlene O. Creche, Inserção e Berçário. 1ºGRUPECI, Juiz de Fora, 2008.
VASCONCELLOS, V. M. R.; SEABRA, K. C. ; EISENBERG, Z. W; MOREIRA, A.
R. C. P. O lugar da Creche nos Debates sobre Parentalidade e Coparentalidade. Em:
PICCININI, C. A. ; ALVARENGA, P. Maternidade e Paternidade: a parentalidade em
diferentes contextos. São Paulo, Casa do Psicólogo, p. 341 – 365, 2012.




                                                                                    6

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Inser o na_creche_a_entrada_das_crian_as_e_suas_fam_lias_(completo)

  • 1. INSERÇÃO NA CRECHE: A ENTRADA DAS CRIANÇAS E SUAS FAMÍLIAS Daniele V. de Azevedo (NEI:P&E/UERJ) Mônica R. B. Barcellos Melina(NEI:P&E/UERJ) Vera M.R. de Vasconcellos (NEI:P&E/PROPEd/UERJ) O trabalho apresenta algumas atividades das alunas da disciplina Prática e Pesquisa Pedagógica (4º período/Pedagogia - UERJ), que atuaram em dupla, numa modalidade de observação participativa, por duas semanas e meia (fevereiro/março de 2011), acompanhando o processo de inserção dos bebês/crianças e famílias, nas cinco creches da pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca 1. O objetivo da pesquisa era analisar, junto com os próprios educadores, suas concepções de criança, infância, educação e creche. Nos demais meses do 1º semestre, as alunas do PPP acompanharam o processo de desenvolvimento dos bebês e às relações creche- famílias e educadores-famílias; privilegiando as interações criança-criança e criança- educador. Os registro (Diário de Bordo) das alunas eram discutidos a cada semana, em “sessões reflexivas”. Este trabalho apresenta as observações registradas e discute a importância do processo de inserção/adaptação/acolhimento para crianças, famílias e educadores num momento novo e delicado para todos, inclusive para as alunas/pesquisadoras. Palavras Chaves: Creche, Família, Inserção, Infância. Introdução O trabalho aqui apresentado traz algumas considerações sobre o processo de inserção (chamado também de adaptação/acolhimento) de bebês/crianças e suas famílias nas cinco creches da pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca, a partir das observações de alunas da disciplina Prática e Pesquisa Pedagógica (PPP), do 4º período do Curso de Pedagogia/UERJ. O processo de inserção é importante, pois envolve um momento novo e repleto de mudanças na vida de crianças, seus familiares e educadores. Por isso, não deve ser visto somente como uma condição de adaptação da criança a um novo ambiente, mas compreende todos os envolvidos (crianças, famílias, educadores) na tentativa de proporcionar um espaço promotor de desenvolvimento (Vasconcellos, 2002). Todos os 1 FAPERJ (E-26/102.961 /2008)
  • 2. atores que compõem esse processo são singulares e portanto, constituídos de diferentes valores, crenças e cultura. Por isso deve-se buscar formas colaborativas de convivência de todos no espaço da creche. A entrada da criança na creche, na maioria das vezes, marca a primeira separação regular do relacionamento exclusivo anterior com a família, primordialmente, com a figura materna (Rapapport, & Piccinini, 2002). Essa pode ser uma experiência difícil para todos os envolvidos, principalmente a criança. A creche passa a ser outro espaço, no qual ela virá a construir uma nova rede de relações e afetos. Na prática, esse processo não ocorre com rapidez ou facilidade e, por isso torna-se necessário um olhar mais atento e de respeito às individualidades e um agir acolhedor por parte da equipe local, para com as crianças e suas famílias (Vasconcellos et al, 2012). A Secretaria Municipal de Educação (SME/RJ), denomina este período inicial de acolhimento e, às creches é recomendado receber as novas famílias com respeito, mesmo quando seus hábitos e histórias de vida são muito diferentes (SME/RJ, 2010). No calendário anual é reservado um período de apenas uma semana para o acolhimento, igual para todas as unidades e todos os agrupamentos que as compõe. As creches que participam de nosso projeto receberam, antes no início das atividades, a visita da coordenadora da pesquisa, que explicou a diferença em se proporcionar uma adaptação/acolhimento e um processo de inserção às crianças e suas famílias. Dentre os aspectos que caracterizam esse processo é sugerido que o período seja diferenciado e planejado para de duas a três semanas; com o recebimento das crianças em pequenos grupos, em horários reduzidos e com a permanência dos responsáveis na sala de atividade. Neste trabalho discutiremos, a partir das observações das alunas da PPP, as diferentes modalidades de inserção organizadas em cada creche, buscando compreender como as sugestões da pesquisa foram recebidas e consideradas por cada unidade. Metodologia No primeiro semestre de 2011 as nove (9) alunas da disciplina de PPP acompanharam o processo de entrada da criança à creche, através de observação participativa, por duas semanas e meia (fevereiro/março de 2011). A atuação foi realizada, prioritariamente, em dupla. Cada aluna fazia o próprio registro em “Diários de Bordo” (Vasconcellos, 2002) 2
  • 3. e o discutia, a cada semana, nas “sessões reflexivas” (Vasconcellos et al, 2008). Foi solicitado a cada observadora que tivesse como foco o desenvolvimento dos bebês/crianças, a relação creche-família e educadores-famílias, privilegiando as interações criança-criança e criança-educador. Proposta do Projeto de Inserção Pensar em inserção é refletir na transformação do ambiente para receber as crianças, transformando-o num ambiente acolhedor e promotor de desenvolvimento. É pensá-la triangular, na busca de uma convivência colaborativa entre educadores, crianças e suas famílias no cotidiano da creche (Rossetti- Ferreira, et al, 1986). Desta maneira cabe a cada creche, elaborar uma dinâmica de inserção/acolhimento específica para o seu grupo, criando situações que auxiliem na vivência de separação da criança de sua família no período de permanência na creche. O respeito às especificidades de cada criança, ao seu ritmo individual e a sua família é fator fundamental para que ela se sinta segura no novo espaço social. O acolhimento das diferentes famílias, deve ser fator perseguido pela equipe da creche. A pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca propôs às creches um processo de inserção com as seguintes etapas: reunião prévia com os pais, reunião prévia com os educadores, organização do espaço físico, entrevista com os pais, organização de um acompanhamento diferenciado nas primeiras semanas (contando com a presença de um familiar), atividades promotoras de integração, “roda de conversa” e reunião posterior (aproximadamente 40 dias depois) com os familiares. Breve relato do realizado em cada Creche Creche Municipal A: a turma observada foi Maternal II com 24 crianças ( 2 e 3 anos) e 4 educadores. Tempo integral de permanência das crianças na creche (7h às 17h). Não foi permitida a presença de familiares. 3
  • 4. Creche Municipal E: a turma observada foi Berçário II com 23 crianças (10 meses a 1 ano e 6 meses) e 4 educadores. O tempo de permanência das crianças na creche foi de 2 horas com aumento gradativo 2, sendo permitido a presença de um familiar. Creche Municipal O: a turma observada foi Berçário II com 25 crianças (1 ano e 6 meses a 2 anos) e 4 educadores. O tempo de permanência das crianças na creche foi de 2 horas com aumento gradativo, sendo permitido a presença de um familiar. Creche Municipal F: a turma observada foi Berçário II com 25 crianças (8 meses a 1 ano e 8 meses) e 2 educadores. O tempo de permanência na creche foi de 2 horas durante a primeira semana, permitindo a presença de familiares. Creche Municipal L: a turma observada foi Berçário I com 22 crianças de idade entre 1 e 2 anos, contando com 4 educadores, o tempo de permanência na creche foi de 2 horas com aumento gradativo, não permitindo a presença de familiares. Um dos itens de observação destacado pelas alunas, foi a importância da presença do familiar nas creches que assim permitiram. O familiar presente servia de elo nas interações da criança com as pessoas e o novo ambiente, deixando-a mais tranquila e confiando mais nos educadores. A regularidade nos horários das refeições proporcionou segurança aos pais, pois muitos declararam insegurança, quanto ao tratamento que seria dado a seus filhos. Outros itens como a relação educador-família, a proposta pedagógica da creche e as modalidades de cuidado estiveram presentes nas “sessões reflexivas”. Pudemos constatar que neste período de inserção as atividades de “cuidar” eram mais constantes que as pedagógicas. Por ser este um momento delicado, na maioria das vezes a criança necessitava de maior carinho e atenção dos educadores. Verificamos também que para muitas crianças esse foi um processo “doloroso” de separação dos familiares e de reconhecimento de um novo espaço como seu. Outra questão presente nas sessões reflexivas era a deficiência na formação dos profissionais, já que muitos não possuem nem a formação mínima - modalidade normal, pois o concurso público para a função de Agente Auxiliar de Creche (Edital nº1 de 2 O tempo de permanência das crianças aumentava gradativamente, de acordo com as interações e as explorações realizadas por elas no novo espaço, além da percepção dos novos vínculos afetivos que iam sendo estabelecidos com os educadores. 4
  • 5. 04/08/2007), desconsiderou a exigência da LDB- Lei nº 9394/96 artigo 62) de ensino médio (modalidade normal), para o profissional da educação infantil. Apesar de protestos, a partir de junho de 2008, o quadro de pessoal das creches públicas passou a contar com os novos profissionais, nem todos com compreensão do que é ser educador da infância carioca. O que aprendemos no processo ... Constatamos que a inserção realizada no momento de entrada da criança à creche é de suma importância para ela, sua família e educadores, já que este é um momento novo e delicado para todos. Para muitas crianças era a primeira experiência de convívio social fora da família. Para muitas famílias esse período foi provavelmente a primeira separação da criança (mesmo que por pouco tempo) e por isso trouxe ansiedades que precisou ser respeitada e compreendida pelas equipes das creches. E para os educadores (e nós dentre eles) foi um aprendizado de convívio com outras formas de ver o mundo e um exercício de respeitá-las, pois as crianças e suas famílias chegam à creche com valores, crenças e culturas que podem diferir do que eles acreditam. Desta forma, o momento da inserção à creche invoca novidades não só para crianças, mas também seus pais e educadores. Por isso, deve ser realizado com respeito e valorização das especificidades de cada criança e sua família. Trata-se, portanto, de um período muito delicado, em que familiares e educadores precisam de auxilio mútuo para tudo transcorrer da melhor maneira possível, respeitando o modo de cada criança se apropriar do novo ambiente, novas pessoas e criar diferentes modalidades de interagir com todos. O foco deve estar no conforto da criança e seu bem-estar no novo ambiente, buscando facilitar a interação creche-criança-família. A entrada de uma criança à creche não é uma simples adaptação a um lugar desconhecido. A criança é um sujeito ativo, que se relaciona com o meio e nele constitui relações afetivas, apropria-se de novas linguagens, interage no espaço-tempo com outros que com ela também interagem. Ela (criança) é atora e autora de seu próprio desenvolvimento, por isso a construção de um posicionamento reflexivo de todos os adultos envolvidos no processo de inserção ajuda a torná-lo mais apropriada à educação da criança pequena. 5
  • 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS RAPOPORT, A.; PICCININI, C.A.. Adaptação de Bebês à Creche: A Importância da Atenção de Pais e Educadores. Porto Alegre: Mediação, 2005. ROSETTI-FERREIRA,M.C ; VITÓRIA,T. Processo de adaptação de bebes na creche. Cadernos de pesquisa, São Paulo, p.55 - 64, 1986. SANTOS, C. C. B.; NOGUEIRA, I. F.; OLIVEIRA, L. M. de; MIGUEL, M. L .; LEITE, B. R. M. Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca. 2º GRUPECI, Rio de Janeiro, 2010. SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO – Multirio. Abraço Completo à Infância, Rio de Janeiro, p. 5 – 13, 2007. VASCONCELLOS, V. M. R. Construção da subjetividade: processo de inserção de crianças pequenas e suas famílias à creche. Tese de professor titular em Educação Infantil, Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2002. VASCONCELLOS, Vera M. R. de; OLIVEIRA, Rosangela A.; SILVA, Daniele, F.; SOUZA, Sirlene O. Creche, Inserção e Berçário. 1ºGRUPECI, Juiz de Fora, 2008. VASCONCELLOS, V. M. R.; SEABRA, K. C. ; EISENBERG, Z. W; MOREIRA, A. R. C. P. O lugar da Creche nos Debates sobre Parentalidade e Coparentalidade. Em: PICCININI, C. A. ; ALVARENGA, P. Maternidade e Paternidade: a parentalidade em diferentes contextos. São Paulo, Casa do Psicólogo, p. 341 – 365, 2012. 6