Globalização, Meio Ambiente e Saúde
Christopher Côrtes, Cristiane Leal, Fernanda Nunes, Ingredy Piton,
João Pedro Assunção, Juliana Matos, Michelle Vilas Boas e Walber Reis
Universidade Federal da Bahia
Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos
HACA40 – Campo da Saúde: Saberes e Práticas
Salvador/BA
2017
Apresentação
• O presente trabalho aborda o tema Globalização, Meio
Ambiente e Saúde, tendo como eixo central as doenças
negligenciadas, com enfoque na tuberculose (TB);
• Abordaremos os aspectos biológicos, sociais, econômicos e
culturais que envolvem a saúde e o meio ambiente,
tangenciando-os às interferências do processo de globalização.
Globalização e Saúde
• O processo de globalização trouxe consigo um conjunto de
transformações;
• Mundo interligado;
• Globalização nem sempre é sinônimo de desenvolvimento;
• Nem todos tem acesso aos benefícios da globalização.
Globalização e Saúde
• A globalização não atinge todos de igual maneira;
• Está longe de ser global;
• Saúde, um fator importante para o crescimento econômico e o
desenvolvimento social;
• Impactos sociais, culturais e econômicos resultantes da
globalização podem redundar em riscos à saúde
• Não há uma definição única para o termo Saúde Global;
• Princípios da Saúde Global: disponibilidade de um acesso digno,
solidário, equitativo e justo para todos;
• Intervenções e acordos em saúde devem assumir diversos
caracteres.
Saúde Global
Saúde Global
“A Saúde Global envolve o conhecimento, o ensino, a prática e a
pesquisa de questões e problemas de saúde supraterritoriais que
extrapolam as fronteiras geográficas nacionais; seus
determinantes sociais e ambientais podem ter origem em
quaisquer lugares. ”
(FORTES E RIBEIRO, 2014)
• A baixa qualidade da política e da governance de muitos governos
de países em desenvolvimento geralmente acarretam em:
 Desperdício de recursos;
 Ineficácia e ineficiência das iniciativas de proteção ao ambiente e;
 Promoção, prevenção e assistência à saúde.
• Grupo social que mais sofre com isso: pessoas de baixa renda.
Saúde Global
Saúde Global
Meio Ambiente e Saúde
• Problemas ambientais são, consequentemente, problemas de saúde;
• Os problemas ambientais afetam o homem em diversas dimensões;
• Conexão meio ambiente e saúde:
 Promove: redução das suas influências sobre a saúde da população.
 Permite: maiores intervenções para preservação da vida no planeta.
Meio Ambiente e Saúde
• Lei 6.938/81, artigo 3º, inciso I:
“Meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e
interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga
e rege a vida em todas as suas formas”.
• De forma ampla, não se reduz apenas à natureza propriamente dita;
• Forma complexa, decorrente de uma série de fatores e as suas
interações com os diversos sistemas existentes;
Meio Ambiente e Saúde
• Lei nº 8.080/90, artigo 3º:
“Saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre
outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio
ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e
o acesso aos bens e serviços essenciais“;
• A saúde não se restringe apenas a um fator.
Meio Ambiente e Saúde
• Século XVIII e século XIX:
 Intenso processo de industrialização e urbanização.
 Desenvolvimento das práticas sanitárias.
• Oswaldo Cruz no início do século XX:
 Epidemias de tuberculose, malária, etc.
 Viveiros de vetores.
 Precariedade do saneamento.
Morro de Santo Antonio,
Rio de Janeiro, século XX.
Meio Ambiente e Saúde
• Causas ambientais → saúde dos
indivíduos;
• Complexidade das interações e a
dimensão das ações necessárias para
melhoria dos problemas ambientais
determinadores de condições de
saúde;
• As políticas públicas e os programas
de intervenção para melhorias no
ambiente são altamente paliativos;
Moradores do bairro de Cajazeiras,
Salvador vivem sem saneamento básico
Meio Ambiente e Saúde
• É perceptível o
resultado da interação
entre meio-ambiente
e saúde;
• Falta de
conscientização
acerca dos danos
causados à saúde
decorrentes de
problemas ambientais.
Vista da região do desastre. Subdistrito de Bento Rodrigues.
Doenças Negligenciadas
Leishmaniose
• Agente etiológico: protozoário
Leishmania chagasi;
• Transmissão: inseto
denominado flebotomíneo
(mosquito palha);
• Aspectos sociais: crescente
processo de urbanização e
precarização;
• Regiões mais afetadas:
Nordeste e Norte.
Leishmaniose
Leishmaniose
Doença de Chagas
Trypanosoma Cruzi.
Transfusão, oral, vertical e vetorial.
“A doença de Chagas é um exemplo típico de uma injúria orgânica
resultante das alterações produzidas pelo ser humano ao meio ambiente, das
distorções econômicas e das injunções sociais” (VINHAES E DIAS, 2000).
Doença de Chagas
Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal,
Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato
Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba,
Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande
do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe,
São Paulo e Tocantins;
II. Amazônia Legal:
Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia,
Roraima, Parte do Tocantins,
Maranhão e Mato Grosso.
I. Regiões originalmente de risco para a transmissão vetorial:
Malária
• Agente etiológico: protozoário
do gênero Plasmodium;
• Transmissão: inseto Anopheles;
• Aspectos sociais: condições
socioambientais, econômicas e
desmatamento;
• Região mais afetada: Norte.
Dengue
Aedes aegypti
Proliferação
do mosquito
Urbanização
Arbovírus da
família Flaviviridae
gênero Flavivirus
Dengue
Agente etiológico: Bacilo
Mycobacterium Leprae;
Transmissão: Vias aéreas superiores;
Aspectos sociais: Condições de vida,
impacto psicológico e físico;
Regiões mais afetadas: Norte,
Centro-Oeste e Nordeste.
Hanseníase
Febre Amarela
Vírus do gênero
Flavivirus, da família
Flaviviridae
Insetos
hematófagos
Ribeirinhos,
caçadores,
seringueiros,
vaqueiros...
Vacina
antiamarílica
Febre amarela
• Períodos endêmicos:
 Casos isolados em indivíduos
não vacinados;
 Geralmente na região
amazônica.
• Períodos epizoóticos e/ou
epidêmicos:
 Casos nas áreas com baixas
coberturas vacinais;
 Regiões Centro-Oeste, Sudeste
e Sul do país.
Tuberculose: Perfil Histórico
Período
Colonial
Período
Romantista
Período
Escravocrata
Revolução
Industrial
Tuberculose: Perfil Histórico
Brasil Colônia
Tuberculose: Perfil Histórico
Tuberculose como Excepcionalidade
Sensibilidade romântica
Contraposição á moral vigente
Aspecto aristocrático da doença
Instrumento de desilusão e negação do mundo
Romantismo
Tuberculose: Perfil Histórico
“Eu desejo uma doença grave, perigosa,
longa mesma (sic), pois já me cansa essa
monotonia da boa saúde. Mas queria a tísica
com todas as suas peripécias, queria ir
definhando liricamente, soltando sempre os
últimos cantos da vida e depois expirar no
meio de perfumes debaixo do céu azulado da
Itália, ou no meio dessa natureza sublime
que rodeia o Queimado.”
(citado por Montenegro, 12 p.27)
Sandro Botticelli: La Primavera
Tuberculose: Perfil Histórico
Eugenia Racial
“Foi só em 1917 que apareceram artigos nos jornais médicos
brasileiros caracterizando raça como uma variante definida na
suscetibilidade à tuberculose. (SHEPPARD, D. de S., 2001)
Darwinismo Social
Faculdade de Medicina do
Rio de Janeiro
Escola Baiana de Medicina
Tropical
Tuberculose: Perfil Histórico
Período Industrial
“Herança Social”
Perfil de Vulnerabilidade
DATASUS: Notificações por região
2034
5715
10276
2877
1056
21958
0 5000 10000 15000 20000 25000
Região Norte
Região Nordeste
Região Sudeste
Região Sul
Região Centro-Oeste
Total
TUBERCULOSE - Casos confirmados notificados no Sistema de Informação de
Agravos de Notificação - Brasil Casos confirmados por Região de residência Período:
2016
Prevalência dos casos de TB por Estado
1,434
249
259
1,313
382
277
964
194
643
0 200 400 600 800 1,000 1,200 1,400 1,600
Bahia
Sergipe
Alagoas
Pernambuco
Paraíba
Rio Grande do Norte
Ceará
Piauí
Maranhão
Bahia Sergipe Alagoas Pernambuco Paraíba
Rio Grande do
Norte
Ceará Piauí Maranhão
Colunas1 1,434 249 259 1,313 382 277 964 194 643
TUBERCULOSE - Casos confirmados notificados no Sistema de
Informação de Agravos de Notificação - Brasil Casos confirmados
na Região Nordeste por residência. Período: 2016
Colunas1
Fisiopatologia da TB
Fisiopatologia da TB
Diagnóstico e tratamento
A TB é diagnosticada
através de exames
clínicos e laboratoriais;
Acompanhamento e
diagnóstico preciso por
uma equipe
especializada;
Acompanhamento do
tratamento por uma
equipe de saúde,
geralmente saúde da
família – grande desafio;
Abandono ao tratamento.
Impactos sociais
Impactos sociais
Afastamento do
mercado de trabalho
Processo de
tratamento
Contágio
Medo, vergonha, reclusão, desemprego,
aumento da vulnerabilidade e inferiorização.
Medidas de Intervenção do Estado
Para a Tuberculose
• Década de 1990;
• Plano Nacional de Controle da Tuberculose – 1999- MS;
• Outras políticas públicas específicas;
• PNCT – Visava reduzir as taxas de TB.
• Atingir as metas mundiais estabelecidas pela Organização
Mundial de Saúde – Objetivo do Milênio;
• 191 países membros da Declaração do Milênio das Nações
Unidas, em 08 de abril de 2000;
• Estratégia Global e Metas para a Prevenção, Atenção e
Controle da Tuberculose Pós-2015, 19 de maio de 2014.
Medidas de Intervenção do Estado
Para a Tuberculose
• Reduzir o número de casos para menos de 10 por 100 mil
habitantes e a redução da mortalidade da doença em 95% até o ano
de 2035;
• Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/MS),
dados colhidos em 2014:
 Bahia:
Incidência: 30,7/100 mil habit. Mortlidade: 2,7/100mil habit.
 Salvador:
Incidência: 62,7/100mil habit. Mortalidade: 3,6/100mil habit.
Medidas de Intervenção do Estado
Para a Tuberculose
 Três pilares da Agenda Pós-2015:
• Integração dos cuidados e prevenção centrada no paciente;
• Políticas ousadas e sistemas de informações integrados,
incluindo ações de proteção social aos pacientes e
recomendação de acesso universal à saúde;
• Intensificação das pesquisas e ações de inovação, e a
incorporação de novas tecnologias.
Medidas de Intervenção do Estado
Para a Tuberculose
No Brasil, contemplando o terceiro pilar da Agenda Pós-2015;
 Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB):
Organização não governamental e sem fins lucrativos, criada em
2001, com o objetivo de desenvolver novos medicamentos,
vacinas e tecnologias para o controle da TB;
Auxiliar e complementar o Programa Nacional de Controle da
Tuberculose (PNCT).
Medidas de Intervenção do Estado
Para a Tuberculose
Resultados:
Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT):
Principal política de controle da doença no país.
 Frente Parlamentar de Luta Contra a Tuberculose, 2012 -
objetivo ampliar o controle da doença por meio do
aperfeiçoamento da legislação referente à saúde, assistência
social e outras políticas vinculadas.
Medidas de Intervenção do Estado
Para a Tuberculose
 Frente Parlamentar de Tuberculose das Américas, 2016-
iniciativa do deputado baiano Antônio Brito, em parceria
com outros países como México, Honduras, Uruguai,
Nicarágua, Bolívia e Peru, com o objetivo de facilitar a troca
de informações sobre a TB;
 Cabe ressaltar o notório conhecimento do Brasil na
identificação e intervenção da TB, entre populações
vulneráveis, bem como na sua recente experiência com
programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, que
contribui para diminuição da pobreza e consequente
diminuição da população vulnerável da doença.
Medidas de Intervenção do Estado
Para a Tuberculose
Considerações Finais
• Concluímos que a produção de conhecimento e discussões
sobre as doenças negligenciadas, são de grande importância
para o estabelecimento de intervenções e mudança de
paradigmas;
• A magnitude do impacto é devastador;
• Maior prevalência nas populações em vulnerabilidade;
Considerações Finais
• A implementação de medidas para mudança de paradigma são
de caráter intersetorial;
• As Fragilidades do sistema;
• A importância do olhar diferenciado.
“O Óbvio”
OBRIGADO!!
Referências
• ALBUQUERQUE, M.P.M. Urbanização, favelas e endemias: a produção da filariose no
Recife, Brasil.Rio de Janeiro: Cad. Saúde Públ., 1993. <
https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/0902.pdf>. Acesso em 10 mar.
2017.
• ARAÚJO, M.G. Hanseníase no Brasil. Revista da sociedade brasileira de medicina
tropical. Minas Gerais: Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 2003. <
http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v36n3/16339.pdf>. Acesso em 10 de mar. 2017.
• BARBOSA, I. R. et al . Análise da distribuição espacial da tuberculose na região
Nordeste do Brasil, 2005-2010. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília , v. 22, n. 4, p. 687-695,
dez. 2013
• BERTOLLI FILHO, CLAUDIO. História social da tuberculose e do tuberculoso: 1900-
1950 / Social History of Tuberculosis and the Tuberculous - 1900 - 1950. Rio de Janeiro;
FIOCRUZ; 2001. 245 p. (ColeçAo Antropologia & Saúde).
• PORTO, Ângela. Representações sociais da tuberculose: estigma e
preconceito. Rev. Saúde Pública, São Paulo , v. 41, supl. 1, p. 43-49,
Sept. 2007.

Globalização, meio ambiente e saúde

  • 1.
    Globalização, Meio Ambientee Saúde Christopher Côrtes, Cristiane Leal, Fernanda Nunes, Ingredy Piton, João Pedro Assunção, Juliana Matos, Michelle Vilas Boas e Walber Reis Universidade Federal da Bahia Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos HACA40 – Campo da Saúde: Saberes e Práticas Salvador/BA 2017
  • 2.
    Apresentação • O presentetrabalho aborda o tema Globalização, Meio Ambiente e Saúde, tendo como eixo central as doenças negligenciadas, com enfoque na tuberculose (TB); • Abordaremos os aspectos biológicos, sociais, econômicos e culturais que envolvem a saúde e o meio ambiente, tangenciando-os às interferências do processo de globalização.
  • 3.
    Globalização e Saúde •O processo de globalização trouxe consigo um conjunto de transformações; • Mundo interligado; • Globalização nem sempre é sinônimo de desenvolvimento; • Nem todos tem acesso aos benefícios da globalização.
  • 4.
    Globalização e Saúde •A globalização não atinge todos de igual maneira; • Está longe de ser global; • Saúde, um fator importante para o crescimento econômico e o desenvolvimento social; • Impactos sociais, culturais e econômicos resultantes da globalização podem redundar em riscos à saúde
  • 5.
    • Não háuma definição única para o termo Saúde Global; • Princípios da Saúde Global: disponibilidade de um acesso digno, solidário, equitativo e justo para todos; • Intervenções e acordos em saúde devem assumir diversos caracteres. Saúde Global
  • 6.
    Saúde Global “A SaúdeGlobal envolve o conhecimento, o ensino, a prática e a pesquisa de questões e problemas de saúde supraterritoriais que extrapolam as fronteiras geográficas nacionais; seus determinantes sociais e ambientais podem ter origem em quaisquer lugares. ” (FORTES E RIBEIRO, 2014)
  • 7.
    • A baixaqualidade da política e da governance de muitos governos de países em desenvolvimento geralmente acarretam em:  Desperdício de recursos;  Ineficácia e ineficiência das iniciativas de proteção ao ambiente e;  Promoção, prevenção e assistência à saúde. • Grupo social que mais sofre com isso: pessoas de baixa renda. Saúde Global
  • 8.
  • 9.
    Meio Ambiente eSaúde • Problemas ambientais são, consequentemente, problemas de saúde; • Os problemas ambientais afetam o homem em diversas dimensões; • Conexão meio ambiente e saúde:  Promove: redução das suas influências sobre a saúde da população.  Permite: maiores intervenções para preservação da vida no planeta.
  • 10.
    Meio Ambiente eSaúde • Lei 6.938/81, artigo 3º, inciso I: “Meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. • De forma ampla, não se reduz apenas à natureza propriamente dita; • Forma complexa, decorrente de uma série de fatores e as suas interações com os diversos sistemas existentes;
  • 11.
    Meio Ambiente eSaúde • Lei nº 8.080/90, artigo 3º: “Saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais“; • A saúde não se restringe apenas a um fator.
  • 12.
    Meio Ambiente eSaúde • Século XVIII e século XIX:  Intenso processo de industrialização e urbanização.  Desenvolvimento das práticas sanitárias. • Oswaldo Cruz no início do século XX:  Epidemias de tuberculose, malária, etc.  Viveiros de vetores.  Precariedade do saneamento. Morro de Santo Antonio, Rio de Janeiro, século XX.
  • 13.
    Meio Ambiente eSaúde • Causas ambientais → saúde dos indivíduos; • Complexidade das interações e a dimensão das ações necessárias para melhoria dos problemas ambientais determinadores de condições de saúde; • As políticas públicas e os programas de intervenção para melhorias no ambiente são altamente paliativos; Moradores do bairro de Cajazeiras, Salvador vivem sem saneamento básico
  • 14.
    Meio Ambiente eSaúde • É perceptível o resultado da interação entre meio-ambiente e saúde; • Falta de conscientização acerca dos danos causados à saúde decorrentes de problemas ambientais. Vista da região do desastre. Subdistrito de Bento Rodrigues.
  • 15.
  • 16.
    Leishmaniose • Agente etiológico:protozoário Leishmania chagasi; • Transmissão: inseto denominado flebotomíneo (mosquito palha); • Aspectos sociais: crescente processo de urbanização e precarização; • Regiões mais afetadas: Nordeste e Norte.
  • 17.
  • 18.
  • 19.
    Doença de Chagas TrypanosomaCruzi. Transfusão, oral, vertical e vetorial. “A doença de Chagas é um exemplo típico de uma injúria orgânica resultante das alterações produzidas pelo ser humano ao meio ambiente, das distorções econômicas e das injunções sociais” (VINHAES E DIAS, 2000).
  • 20.
    Doença de Chagas Alagoas,Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo e Tocantins; II. Amazônia Legal: Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Parte do Tocantins, Maranhão e Mato Grosso. I. Regiões originalmente de risco para a transmissão vetorial:
  • 21.
    Malária • Agente etiológico:protozoário do gênero Plasmodium; • Transmissão: inseto Anopheles; • Aspectos sociais: condições socioambientais, econômicas e desmatamento; • Região mais afetada: Norte.
  • 23.
  • 24.
  • 25.
    Agente etiológico: Bacilo MycobacteriumLeprae; Transmissão: Vias aéreas superiores; Aspectos sociais: Condições de vida, impacto psicológico e físico; Regiões mais afetadas: Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Hanseníase
  • 27.
    Febre Amarela Vírus dogênero Flavivirus, da família Flaviviridae Insetos hematófagos Ribeirinhos, caçadores, seringueiros, vaqueiros... Vacina antiamarílica
  • 28.
    Febre amarela • Períodosendêmicos:  Casos isolados em indivíduos não vacinados;  Geralmente na região amazônica. • Períodos epizoóticos e/ou epidêmicos:  Casos nas áreas com baixas coberturas vacinais;  Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.
  • 29.
  • 30.
  • 31.
    Tuberculose: Perfil Histórico Tuberculosecomo Excepcionalidade Sensibilidade romântica Contraposição á moral vigente Aspecto aristocrático da doença Instrumento de desilusão e negação do mundo Romantismo
  • 32.
    Tuberculose: Perfil Histórico “Eudesejo uma doença grave, perigosa, longa mesma (sic), pois já me cansa essa monotonia da boa saúde. Mas queria a tísica com todas as suas peripécias, queria ir definhando liricamente, soltando sempre os últimos cantos da vida e depois expirar no meio de perfumes debaixo do céu azulado da Itália, ou no meio dessa natureza sublime que rodeia o Queimado.” (citado por Montenegro, 12 p.27) Sandro Botticelli: La Primavera
  • 33.
    Tuberculose: Perfil Histórico EugeniaRacial “Foi só em 1917 que apareceram artigos nos jornais médicos brasileiros caracterizando raça como uma variante definida na suscetibilidade à tuberculose. (SHEPPARD, D. de S., 2001) Darwinismo Social Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro Escola Baiana de Medicina Tropical
  • 34.
  • 35.
  • 37.
  • 38.
    DATASUS: Notificações porregião 2034 5715 10276 2877 1056 21958 0 5000 10000 15000 20000 25000 Região Norte Região Nordeste Região Sudeste Região Sul Região Centro-Oeste Total TUBERCULOSE - Casos confirmados notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Brasil Casos confirmados por Região de residência Período: 2016
  • 39.
    Prevalência dos casosde TB por Estado 1,434 249 259 1,313 382 277 964 194 643 0 200 400 600 800 1,000 1,200 1,400 1,600 Bahia Sergipe Alagoas Pernambuco Paraíba Rio Grande do Norte Ceará Piauí Maranhão Bahia Sergipe Alagoas Pernambuco Paraíba Rio Grande do Norte Ceará Piauí Maranhão Colunas1 1,434 249 259 1,313 382 277 964 194 643 TUBERCULOSE - Casos confirmados notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Brasil Casos confirmados na Região Nordeste por residência. Período: 2016 Colunas1
  • 40.
  • 41.
  • 42.
    Diagnóstico e tratamento ATB é diagnosticada através de exames clínicos e laboratoriais; Acompanhamento e diagnóstico preciso por uma equipe especializada; Acompanhamento do tratamento por uma equipe de saúde, geralmente saúde da família – grande desafio; Abandono ao tratamento.
  • 44.
  • 45.
    Impactos sociais Afastamento do mercadode trabalho Processo de tratamento Contágio Medo, vergonha, reclusão, desemprego, aumento da vulnerabilidade e inferiorização.
  • 46.
    Medidas de Intervençãodo Estado Para a Tuberculose • Década de 1990; • Plano Nacional de Controle da Tuberculose – 1999- MS; • Outras políticas públicas específicas; • PNCT – Visava reduzir as taxas de TB.
  • 47.
    • Atingir asmetas mundiais estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde – Objetivo do Milênio; • 191 países membros da Declaração do Milênio das Nações Unidas, em 08 de abril de 2000; • Estratégia Global e Metas para a Prevenção, Atenção e Controle da Tuberculose Pós-2015, 19 de maio de 2014. Medidas de Intervenção do Estado Para a Tuberculose
  • 48.
    • Reduzir onúmero de casos para menos de 10 por 100 mil habitantes e a redução da mortalidade da doença em 95% até o ano de 2035; • Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN/MS), dados colhidos em 2014:  Bahia: Incidência: 30,7/100 mil habit. Mortlidade: 2,7/100mil habit.  Salvador: Incidência: 62,7/100mil habit. Mortalidade: 3,6/100mil habit. Medidas de Intervenção do Estado Para a Tuberculose
  • 49.
     Três pilaresda Agenda Pós-2015: • Integração dos cuidados e prevenção centrada no paciente; • Políticas ousadas e sistemas de informações integrados, incluindo ações de proteção social aos pacientes e recomendação de acesso universal à saúde; • Intensificação das pesquisas e ações de inovação, e a incorporação de novas tecnologias. Medidas de Intervenção do Estado Para a Tuberculose
  • 50.
    No Brasil, contemplandoo terceiro pilar da Agenda Pós-2015;  Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (REDE-TB): Organização não governamental e sem fins lucrativos, criada em 2001, com o objetivo de desenvolver novos medicamentos, vacinas e tecnologias para o controle da TB; Auxiliar e complementar o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT). Medidas de Intervenção do Estado Para a Tuberculose
  • 51.
    Resultados: Programa Nacional deControle da Tuberculose (PNCT): Principal política de controle da doença no país.  Frente Parlamentar de Luta Contra a Tuberculose, 2012 - objetivo ampliar o controle da doença por meio do aperfeiçoamento da legislação referente à saúde, assistência social e outras políticas vinculadas. Medidas de Intervenção do Estado Para a Tuberculose
  • 52.
     Frente Parlamentarde Tuberculose das Américas, 2016- iniciativa do deputado baiano Antônio Brito, em parceria com outros países como México, Honduras, Uruguai, Nicarágua, Bolívia e Peru, com o objetivo de facilitar a troca de informações sobre a TB;  Cabe ressaltar o notório conhecimento do Brasil na identificação e intervenção da TB, entre populações vulneráveis, bem como na sua recente experiência com programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, que contribui para diminuição da pobreza e consequente diminuição da população vulnerável da doença. Medidas de Intervenção do Estado Para a Tuberculose
  • 53.
    Considerações Finais • Concluímosque a produção de conhecimento e discussões sobre as doenças negligenciadas, são de grande importância para o estabelecimento de intervenções e mudança de paradigmas; • A magnitude do impacto é devastador; • Maior prevalência nas populações em vulnerabilidade;
  • 54.
    Considerações Finais • Aimplementação de medidas para mudança de paradigma são de caráter intersetorial; • As Fragilidades do sistema; • A importância do olhar diferenciado.
  • 55.
  • 56.
  • 57.
    Referências • ALBUQUERQUE, M.P.M.Urbanização, favelas e endemias: a produção da filariose no Recife, Brasil.Rio de Janeiro: Cad. Saúde Públ., 1993. < https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/0902.pdf>. Acesso em 10 mar. 2017. • ARAÚJO, M.G. Hanseníase no Brasil. Revista da sociedade brasileira de medicina tropical. Minas Gerais: Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 2003. < http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v36n3/16339.pdf>. Acesso em 10 de mar. 2017. • BARBOSA, I. R. et al . Análise da distribuição espacial da tuberculose na região Nordeste do Brasil, 2005-2010. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília , v. 22, n. 4, p. 687-695, dez. 2013 • BERTOLLI FILHO, CLAUDIO. História social da tuberculose e do tuberculoso: 1900- 1950 / Social History of Tuberculosis and the Tuberculous - 1900 - 1950. Rio de Janeiro; FIOCRUZ; 2001. 245 p. (ColeçAo Antropologia & Saúde). • PORTO, Ângela. Representações sociais da tuberculose: estigma e preconceito. Rev. Saúde Pública, São Paulo , v. 41, supl. 1, p. 43-49, Sept. 2007.