Formação da consciência em
Bernhard Häring e suas
contribuições para a Vida Religiosa
-O primeiro capítulo mostra um pequeno recorte histórico da
consciência moral cristã.
-No capítulo segundo, são descritas as contribuições do
pensamento de Bernard Häring acerca do tema da consciência
moral cristã.
-Por fim, no terceiro capítulo é desenvolvida a questão sobre quais
os meios para a formação da consciência, acreditando ser um
meio valioso para despertar nos religiosos valores que foram
sufocados pelo mundo atual.
-Em um mundo pluralista, onde tudo é relativo, em que se pensa
que todos devem acompanhar a evolução tecnológica entre
outros aspectos, será que a formação da consciência está sendo
levada a sério ou não se pensa tanto neste assunto?
-O presente trabalho tem o objetivo de mostrar a importância da
formação da consciência como meio de se viver coerentemente
e ser feliz, particularmente na vida consagrada.
A CONSCIÊNCIA MORAL NO ANTIGO TESTAMENTO E
NO NOVO TESTAMENTO
É o coração o símbolo da interioridade do homem, em que a
Palavra de Deus vai chegar como juízo, pedindo um coração
contrito, convertido, novo, mostrando assim que o coração é a
fonte de toda decisão religiosa e, também, da avaliação moral. A
figura do coração no Antigo Testamento vai se revelar como o
testemunho dos atos humanos, sendo o lugar onde é
interiorizada a lei de Deus e aparece como a fonte da lei moral.
Evangelhos
Encontramos muitos exemplos, podemos citar,a passagem do
Sermão da Montanha, que exige do agir moral a decisão
interior que ultrapassa a fidelização a alguns preceitos. A
insistência de focalizar no coração o centro da vida moral
parte do Mestre Jesus, ele que se revela a todos como
“manso e humilde de coração”.
Mt 5,1-10; Mt 11,28-30.
A mensagem de Jesus, portanto, mostra claramente que o juízo
sobre o que é bom e não bom vem do interior, onde é organizado
na profundidade pessoal de que descende, o coração. Mas essa
fonte interior pode contaminar-se, deixar-se corromper, uma vez
que o coração também vive os opostos, “*...+ confere o valor ético
à ação e, ao mesmo tempo, pode tornar-se cúmplice da iniquidade
*...+” . Aqui já se pode notar o grande
empenho que o ser humano deve
fazer para converter o coração
segundo a vontade de Deus.
Escritos Paulinos
Antes de São Paulo, o termo consciência não era dito ou
utilizado. Foi com ele que essa palavra se torna normal no
vocábulo cristão. O apóstolo dos gentios, em suas cartas,
escreve de maneira original sobre o homem “novo” que é o
mesmo que dizer “ser um homem em Jesus”, no qual aprecia
a criatura de maneira dependente de Deus. Tudo isso se
revelará através da fé, e Paulo, para fundamentar tudo isso,
indica os tipos de consciência para tal vivência: boa
consciência, uma consciência pura etc.

2Cor 1,12; 1Tm1,5; 1Pd3,16; Hb13,18.
1Tm 3,9; 2Tm1,3.
O DESENVOLVIMENTO DA
CONSCIÊNCIA NA HISTÓRIA DA
COMUNIDADE CRISTÃ
Na escolástica
Nessa teologia, o enfoque é dado mais para o termo
consciência, como avaliação aos comportamentos individuais,
para uma tomada de consciência, como orientação do próprio
existir cristão.
Período Pós-tridentino
O ponto inicial foi dado pelo dominicano Bartolomeu de Medina, o
qual, em 1557, expôs o princípio do probabiliorismo e teve
relevante sucesso entre os teólogos, que aperfeiçoaram e
aplicaram em muitos casos discutidos.
O princípio do probabiliorismo era composto por regras que
permitiam tirar dúvidas de casos e davam soluções para os
mesmos. Esses casos eram apresentados por aquilo que era mais
provável, não sendo necessária certeza de dados.
Ainda nesse período, teve início uma moral excessivamente
rígida, que se fundamentava no que era mais seguro, tendo
por regra a obrigatoriedade, mas, no final, via-se que essa
também era legalista e fixada somente no exterior.
Percebia-se que a lei era o centro da moral, como algo que
não se podia violar, um valor supremo. A grande tragédia de
tudo isso foi essa concepção legalista que impregnou muito a
moral e se manteve por muito tempo em vigor.
Foi com Santo Afonso que a consciência ganhou uma
linha de pensamento. Isso não quer dizer que surgiu um
sistema novo, mas foi a reflexão moral cristã que ganhou
força tendo por base os valores. Ele se destacou no que
diz respeito à moral cristã,
pois viveu num período em que as
incoerências eram tamanhas
e as leis mais levavam a pecar
do que trilhar o caminho de Deus.
A CONSCIÊNCIA MORAL NA
ATUALIDADE
Várias são as encíclicas que enfocam o tema da consciência. Na
Constituição Gaudium et Spes, por exemplo, o Concílio
apresenta a consciência como o núcleo secreto, o sacrário do
ser humano, em que ele pode ficar sozinho com Deus, no qual
Ele fala no mais íntimo de seu coração.
2. BERNHARD HÄRING MODERNIDADE NA COMPREENSÃO
DA CONCIÊNCIA MORAL
Bernhard Häring nasceu no dia 10 de novembro de 1912, no
sudoeste da Alemanha.
Em 1933 ele entrou para o noviciado redentorista, tornando-se
sacerdote em 1939.
Quando terminou a guerra ele foi designado para concluir os
seus estudos (doutorado) na universidade de Tubinga e, a partir
daí, dedicou-se a dar aulas de teologia moral, particularmente
na universidade Alfonsiana de Roma.
Foi no ano de 1954 que ele publicou a sua primeira e grande obra
“A Lei de Cristo”, com grande repercussão na história dos manuais
de teologia moral. Nessa obra, oferece-se uma síntese daquilo que
foi sendo construído no período pós- concílio.
A função da “Lei de Cristo”, no momento de sua publicação, foi ser
ponte da Moral Casuística para a Moral Renovada.
A partir de então nasceu: “Livres e Fiéis em Cristo”, cujo objetivo é
recolher o que tem de mais valioso na reflexão moral e oferecer
aos cristãos.
Para ele é necessário ler os evangelhos segundo aquilo que a vida
apresenta, pois a vida cristã, com todas as suas facetas, deve ser
confrontada com a vida de Jesus Cristo.
Algo que se pode destacar no pensamento de Häring em comparação
com ode outros autores, é que para ele a moral não tem como
elemento principal o pecado, o erro etc., mas a virtude, pois como
bem se sabe o próprio Jesus pediu para a pessoa no seu caminho se
esforçar para: “Sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito”. Para um
desenvolvimento sadio da moral, então Häring indica um caminho,
pautado na vida e no exemplo de Cristo. (Mt 5,48.)
A CONSCIÊNCIA MORAL E
BERNHARD HÄRING: UM RESGATE
HISTÓRICO
Pode-se dizer também que a consciência seria o receptor da
graça do Criador na vida do ser humano.
Segundo Häring, “*...+ pela consciência, cada um (mesmo pagão)
é capaz de ouvir o apelo de Deus e é, por isso, responsável
perante Ele, pelo ‘não’, que constitui o pecado” .
A fé deve ser um grande
motor e iluminador da
consciência, pois para um
cristão agir segundo a fé ou
guiado pela consciência é
a mesma coisa, pois ambas
agem em íntima comunhão.
Nesse sentido: “*...+ a fé aclara
a consciência moral e a
‘boa consciência’ protege a fé”.
CONSCIÊNCIA MORAL E BUSCA
DE SENTIDO DA PESSOA
A pessoa, que nutre a cada dia a sua consciência baseada em
valores, desfrutará dos frutos dela recebidos com grande
alegria, pois sabe que dentro de si se encontra o sumo bem e
que merece, por parte dela, um amor incondicional. Mesmo a
consciência centrando-se no Eu, só terá sentido enquanto
enraizada em valores sólidos.
FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA: UMA
DIFICULDADE PARA A MORAL
Se a voz da consciência que clama no interior humano
não é atendida e por vezes é privada a sua ação, a
própria consciência se enfraquece e, aos poucos, atrofiase. Por isso, diante resposta, é de extrema importância o
papel e a ação da vontade, sendo que o intelecto
necessita ser estimulado pela vontade.
OS TIPOS DE CONSCIÊNCIA
A consciência perplexa - A consciência perplexa é aquela que não
consegue ver meio algum para que o pecado seja evitado. É uma
consciência errônea, pois não consegue discernir;
A consciência laxa-A consciência laxa é o tipo que vive na tibieza
no que se refere ao serviço a Deus. A mesma não dá a mínima
importância às exigências morais e minimiza as mesmas.
Consciência escrupulosa- A consciência
escrupulosa é aquela que vive atormentada por medo de pecar.
O JUÍZO PRATICADO PELA
CONSCIÊNCIA
Bernhard Häring se preocupa com o ser humano como um
todo e afirma que é necessário tornar a árvore boa para que a
mesma dê bons frutos e por isso, é importante fazer um juízo
maduro.
UMA CONSCIÊNCIA CRISTÃ
A consciência cristã é selada mediante o encontro com Cristo
e com a alegria de ser uma nova criatura em Jesus. Uma
consciência cristã tem duas marcas indeléveis que são a
liberdade e a fidelidade que só podem provir de Jesus Cristo.
O cristão já não vive aprisionado à lei, mas está na condição
da graça. Fazer uma inversão da lei para a graça seria
o mesmo que uma mudança das
leis que proíbem tudo para
orientações que Jesus dá nos
evangelhos e que é apresentada
também nas epístolas paulinas.
A MORAL E A FORMAÇÃO DA
CONSCIÊNCIA DOS RELIGIOSOS
ANTES DO CONCÍLIO VATICANO II
O rosto da Vida Religiosa
expressava muitas normas a
serem cumpridas, marcadas com
um espírito de minimalismo,
legalismo,... que, de certa
maneira, perdura até os dias
atuais.
O grande desafio enfrentado, na
vida consagrada naquele
período, não era a vivência
coerente dos votos, mas manterse fiel às práticas que eram
prescritas nas Constituições.
Percebe-se, então, que em uma determinada época sempre
houve muita força de vontade e disciplina na vida religiosa,
sendo consideradas, inclusive, os dois pilares que a sustentavam.
A vida dos membros era permeada pela oração, a vida de
sacrifício, os momentos de estudo das constituições e o
trabalho.
PÓS-CONCÍLIO VATICANO II
Com o Concílio Vaticano II, a Igreja quer mostrar à humanidade
inteira as grandes maravilhas que Deus, ao longo da história,
realizou e continua a realizar também através da vida consagrada
nas suas diversas formas de viver o Evangelho.
Perfecta Caritatis- A Igreja com essa renovação convidou os
religiosos a “*...+ tomarem parte ativa em sua vida e lhes pede que
se preparem com cuidado para o apostolado [...], pois toda vida
religiosa deve ser impregnada de um espírito religioso ardente,
inflamado pelo amor de Deus.
A Vida Religiosa, segundo o capítulo VI da Lumen Gentium, é um
Dom de Deus, sendo que seu fundamento está em Jesus Cristo.
Sua tarefa na Igreja é ser um canal de libertação para o povo, um
sinal de vida futura, que já se inicia neste mundo.
A renovação na Vida religiosa Pós-Concílio Vaticano II veio
desacomodar certas estruturas religiosas que estavam
envelhecendo através dos tempos e, também, lançou grandes
perspectivas de mudanças, acompanhando as transformações da
época.
A CONSCIÊNCIA BEM FORMADA
NA VIDA RELIGIOSA
[...] À Vida Consagrada está confiada a missão de indicar o Filho
de Deus feito homem como a meta escatológica para onde
tudo tende, o esplendor perante o qual qualquer outra luz
empalidece, a beleza infinita, a única que pode saciar
totalmente o coração do homem.
JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica pós-sinodal Vita Consecrata. São Paulo: Ed. Loyola, 1996.
p. 34.
Dessa maneira, não se pode negar o grande empenho e a
preocupação que as congregações religiosas fazem para ajudar
a formar seus membros, não somente para a missão, mas
principalmente para a formação pessoal, de seus objetivos,
convicções e conduta. É necessário, porém, lembrar que a
formação não é o mesmo que doutrinar, pois a doutrina coloca
limites na ação do individuo, cujo caminho a trilhar já se
encontra delimitado por normas.
O religioso deve ter uma formação adequada para bem discernir
e fazer opção de valores em sua vida, devendo estar atento às
suas intenções. Quando se diz “o religioso necessita uma séria
formação de consciência”, é o mesmo que levá-lo a questionarse sobre como se pode agradar a Deus por tudo aquilo que Ele
lhe concede diariamente, sendo que esses questionamentos
devem ajudá-lo a não cair no conformismo.
É através da lealdade e da fidelidade do consagrado à sua
consciência, portanto, que ele encontrará a verdade e as
soluções justas para os próprios problemas e os da sociedade. A
ignorância não pode desencaminhar a consciência, nem fazer
com que a mesma perca a sua dignidade.
A grande amiga da consciência cristã é a fé, pois tem poder de
“despertar e aprofundar
a nossa consciência”,
não como uma fé abstrata,
mas uma fé orante,
adoradora, uma fé que
confia plenamente em Deus.
Não se tem outra forma de entender a Lei de Cristo a não ser
por meio do amor pelo outro, como Ele mesmo fez. Não se
pode entender a lei como aquela gravada em pedra, mas uma
lei palpável, que se expressa através dos conselhos evangélicos,
das bem-aventuranças, normas essas que transbordam alegria,
transmitem o amor e a sabedoria de Deus, revelada por Jesus
Cristo.

Formação da consciência

  • 1.
    Formação da consciênciaem Bernhard Häring e suas contribuições para a Vida Religiosa
  • 2.
    -O primeiro capítulomostra um pequeno recorte histórico da consciência moral cristã. -No capítulo segundo, são descritas as contribuições do pensamento de Bernard Häring acerca do tema da consciência moral cristã. -Por fim, no terceiro capítulo é desenvolvida a questão sobre quais os meios para a formação da consciência, acreditando ser um meio valioso para despertar nos religiosos valores que foram sufocados pelo mundo atual.
  • 3.
    -Em um mundopluralista, onde tudo é relativo, em que se pensa que todos devem acompanhar a evolução tecnológica entre outros aspectos, será que a formação da consciência está sendo levada a sério ou não se pensa tanto neste assunto? -O presente trabalho tem o objetivo de mostrar a importância da formação da consciência como meio de se viver coerentemente e ser feliz, particularmente na vida consagrada.
  • 4.
    A CONSCIÊNCIA MORALNO ANTIGO TESTAMENTO E NO NOVO TESTAMENTO
  • 5.
    É o coraçãoo símbolo da interioridade do homem, em que a Palavra de Deus vai chegar como juízo, pedindo um coração contrito, convertido, novo, mostrando assim que o coração é a fonte de toda decisão religiosa e, também, da avaliação moral. A figura do coração no Antigo Testamento vai se revelar como o testemunho dos atos humanos, sendo o lugar onde é interiorizada a lei de Deus e aparece como a fonte da lei moral.
  • 6.
    Evangelhos Encontramos muitos exemplos,podemos citar,a passagem do Sermão da Montanha, que exige do agir moral a decisão interior que ultrapassa a fidelização a alguns preceitos. A insistência de focalizar no coração o centro da vida moral parte do Mestre Jesus, ele que se revela a todos como “manso e humilde de coração”. Mt 5,1-10; Mt 11,28-30.
  • 7.
    A mensagem deJesus, portanto, mostra claramente que o juízo sobre o que é bom e não bom vem do interior, onde é organizado na profundidade pessoal de que descende, o coração. Mas essa fonte interior pode contaminar-se, deixar-se corromper, uma vez que o coração também vive os opostos, “*...+ confere o valor ético à ação e, ao mesmo tempo, pode tornar-se cúmplice da iniquidade *...+” . Aqui já se pode notar o grande empenho que o ser humano deve fazer para converter o coração segundo a vontade de Deus.
  • 8.
    Escritos Paulinos Antes deSão Paulo, o termo consciência não era dito ou utilizado. Foi com ele que essa palavra se torna normal no vocábulo cristão. O apóstolo dos gentios, em suas cartas, escreve de maneira original sobre o homem “novo” que é o mesmo que dizer “ser um homem em Jesus”, no qual aprecia a criatura de maneira dependente de Deus. Tudo isso se revelará através da fé, e Paulo, para fundamentar tudo isso, indica os tipos de consciência para tal vivência: boa consciência, uma consciência pura etc. 2Cor 1,12; 1Tm1,5; 1Pd3,16; Hb13,18. 1Tm 3,9; 2Tm1,3.
  • 9.
    O DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIANA HISTÓRIA DA COMUNIDADE CRISTÃ
  • 10.
    Na escolástica Nessa teologia,o enfoque é dado mais para o termo consciência, como avaliação aos comportamentos individuais, para uma tomada de consciência, como orientação do próprio existir cristão.
  • 11.
    Período Pós-tridentino O pontoinicial foi dado pelo dominicano Bartolomeu de Medina, o qual, em 1557, expôs o princípio do probabiliorismo e teve relevante sucesso entre os teólogos, que aperfeiçoaram e aplicaram em muitos casos discutidos. O princípio do probabiliorismo era composto por regras que permitiam tirar dúvidas de casos e davam soluções para os mesmos. Esses casos eram apresentados por aquilo que era mais provável, não sendo necessária certeza de dados.
  • 12.
    Ainda nesse período,teve início uma moral excessivamente rígida, que se fundamentava no que era mais seguro, tendo por regra a obrigatoriedade, mas, no final, via-se que essa também era legalista e fixada somente no exterior. Percebia-se que a lei era o centro da moral, como algo que não se podia violar, um valor supremo. A grande tragédia de tudo isso foi essa concepção legalista que impregnou muito a moral e se manteve por muito tempo em vigor.
  • 13.
    Foi com SantoAfonso que a consciência ganhou uma linha de pensamento. Isso não quer dizer que surgiu um sistema novo, mas foi a reflexão moral cristã que ganhou força tendo por base os valores. Ele se destacou no que diz respeito à moral cristã, pois viveu num período em que as incoerências eram tamanhas e as leis mais levavam a pecar do que trilhar o caminho de Deus.
  • 14.
    A CONSCIÊNCIA MORALNA ATUALIDADE Várias são as encíclicas que enfocam o tema da consciência. Na Constituição Gaudium et Spes, por exemplo, o Concílio apresenta a consciência como o núcleo secreto, o sacrário do ser humano, em que ele pode ficar sozinho com Deus, no qual Ele fala no mais íntimo de seu coração.
  • 15.
    2. BERNHARD HÄRINGMODERNIDADE NA COMPREENSÃO DA CONCIÊNCIA MORAL
  • 16.
    Bernhard Häring nasceuno dia 10 de novembro de 1912, no sudoeste da Alemanha. Em 1933 ele entrou para o noviciado redentorista, tornando-se sacerdote em 1939. Quando terminou a guerra ele foi designado para concluir os seus estudos (doutorado) na universidade de Tubinga e, a partir daí, dedicou-se a dar aulas de teologia moral, particularmente na universidade Alfonsiana de Roma.
  • 17.
    Foi no anode 1954 que ele publicou a sua primeira e grande obra “A Lei de Cristo”, com grande repercussão na história dos manuais de teologia moral. Nessa obra, oferece-se uma síntese daquilo que foi sendo construído no período pós- concílio. A função da “Lei de Cristo”, no momento de sua publicação, foi ser ponte da Moral Casuística para a Moral Renovada. A partir de então nasceu: “Livres e Fiéis em Cristo”, cujo objetivo é recolher o que tem de mais valioso na reflexão moral e oferecer aos cristãos.
  • 18.
    Para ele énecessário ler os evangelhos segundo aquilo que a vida apresenta, pois a vida cristã, com todas as suas facetas, deve ser confrontada com a vida de Jesus Cristo. Algo que se pode destacar no pensamento de Häring em comparação com ode outros autores, é que para ele a moral não tem como elemento principal o pecado, o erro etc., mas a virtude, pois como bem se sabe o próprio Jesus pediu para a pessoa no seu caminho se esforçar para: “Sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito”. Para um desenvolvimento sadio da moral, então Häring indica um caminho, pautado na vida e no exemplo de Cristo. (Mt 5,48.)
  • 19.
    A CONSCIÊNCIA MORALE BERNHARD HÄRING: UM RESGATE HISTÓRICO
  • 20.
    Pode-se dizer tambémque a consciência seria o receptor da graça do Criador na vida do ser humano. Segundo Häring, “*...+ pela consciência, cada um (mesmo pagão) é capaz de ouvir o apelo de Deus e é, por isso, responsável perante Ele, pelo ‘não’, que constitui o pecado” . A fé deve ser um grande motor e iluminador da consciência, pois para um cristão agir segundo a fé ou guiado pela consciência é a mesma coisa, pois ambas agem em íntima comunhão. Nesse sentido: “*...+ a fé aclara a consciência moral e a ‘boa consciência’ protege a fé”.
  • 21.
    CONSCIÊNCIA MORAL EBUSCA DE SENTIDO DA PESSOA
  • 22.
    A pessoa, quenutre a cada dia a sua consciência baseada em valores, desfrutará dos frutos dela recebidos com grande alegria, pois sabe que dentro de si se encontra o sumo bem e que merece, por parte dela, um amor incondicional. Mesmo a consciência centrando-se no Eu, só terá sentido enquanto enraizada em valores sólidos.
  • 23.
    FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA:UMA DIFICULDADE PARA A MORAL
  • 24.
    Se a vozda consciência que clama no interior humano não é atendida e por vezes é privada a sua ação, a própria consciência se enfraquece e, aos poucos, atrofiase. Por isso, diante resposta, é de extrema importância o papel e a ação da vontade, sendo que o intelecto necessita ser estimulado pela vontade.
  • 25.
    OS TIPOS DECONSCIÊNCIA A consciência perplexa - A consciência perplexa é aquela que não consegue ver meio algum para que o pecado seja evitado. É uma consciência errônea, pois não consegue discernir; A consciência laxa-A consciência laxa é o tipo que vive na tibieza no que se refere ao serviço a Deus. A mesma não dá a mínima importância às exigências morais e minimiza as mesmas. Consciência escrupulosa- A consciência escrupulosa é aquela que vive atormentada por medo de pecar.
  • 26.
    O JUÍZO PRATICADOPELA CONSCIÊNCIA Bernhard Häring se preocupa com o ser humano como um todo e afirma que é necessário tornar a árvore boa para que a mesma dê bons frutos e por isso, é importante fazer um juízo maduro.
  • 27.
    UMA CONSCIÊNCIA CRISTÃ Aconsciência cristã é selada mediante o encontro com Cristo e com a alegria de ser uma nova criatura em Jesus. Uma consciência cristã tem duas marcas indeléveis que são a liberdade e a fidelidade que só podem provir de Jesus Cristo. O cristão já não vive aprisionado à lei, mas está na condição da graça. Fazer uma inversão da lei para a graça seria o mesmo que uma mudança das leis que proíbem tudo para orientações que Jesus dá nos evangelhos e que é apresentada também nas epístolas paulinas.
  • 28.
    A MORAL EA FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA DOS RELIGIOSOS
  • 29.
    ANTES DO CONCÍLIOVATICANO II O rosto da Vida Religiosa expressava muitas normas a serem cumpridas, marcadas com um espírito de minimalismo, legalismo,... que, de certa maneira, perdura até os dias atuais. O grande desafio enfrentado, na vida consagrada naquele período, não era a vivência coerente dos votos, mas manterse fiel às práticas que eram prescritas nas Constituições.
  • 30.
    Percebe-se, então, queem uma determinada época sempre houve muita força de vontade e disciplina na vida religiosa, sendo consideradas, inclusive, os dois pilares que a sustentavam. A vida dos membros era permeada pela oração, a vida de sacrifício, os momentos de estudo das constituições e o trabalho.
  • 31.
    PÓS-CONCÍLIO VATICANO II Como Concílio Vaticano II, a Igreja quer mostrar à humanidade inteira as grandes maravilhas que Deus, ao longo da história, realizou e continua a realizar também através da vida consagrada nas suas diversas formas de viver o Evangelho. Perfecta Caritatis- A Igreja com essa renovação convidou os religiosos a “*...+ tomarem parte ativa em sua vida e lhes pede que se preparem com cuidado para o apostolado [...], pois toda vida religiosa deve ser impregnada de um espírito religioso ardente, inflamado pelo amor de Deus.
  • 32.
    A Vida Religiosa,segundo o capítulo VI da Lumen Gentium, é um Dom de Deus, sendo que seu fundamento está em Jesus Cristo. Sua tarefa na Igreja é ser um canal de libertação para o povo, um sinal de vida futura, que já se inicia neste mundo.
  • 33.
    A renovação naVida religiosa Pós-Concílio Vaticano II veio desacomodar certas estruturas religiosas que estavam envelhecendo através dos tempos e, também, lançou grandes perspectivas de mudanças, acompanhando as transformações da época.
  • 34.
    A CONSCIÊNCIA BEMFORMADA NA VIDA RELIGIOSA
  • 35.
    [...] À VidaConsagrada está confiada a missão de indicar o Filho de Deus feito homem como a meta escatológica para onde tudo tende, o esplendor perante o qual qualquer outra luz empalidece, a beleza infinita, a única que pode saciar totalmente o coração do homem. JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica pós-sinodal Vita Consecrata. São Paulo: Ed. Loyola, 1996. p. 34.
  • 36.
    Dessa maneira, nãose pode negar o grande empenho e a preocupação que as congregações religiosas fazem para ajudar a formar seus membros, não somente para a missão, mas principalmente para a formação pessoal, de seus objetivos, convicções e conduta. É necessário, porém, lembrar que a formação não é o mesmo que doutrinar, pois a doutrina coloca limites na ação do individuo, cujo caminho a trilhar já se encontra delimitado por normas.
  • 37.
    O religioso deveter uma formação adequada para bem discernir e fazer opção de valores em sua vida, devendo estar atento às suas intenções. Quando se diz “o religioso necessita uma séria formação de consciência”, é o mesmo que levá-lo a questionarse sobre como se pode agradar a Deus por tudo aquilo que Ele lhe concede diariamente, sendo que esses questionamentos devem ajudá-lo a não cair no conformismo.
  • 38.
    É através dalealdade e da fidelidade do consagrado à sua consciência, portanto, que ele encontrará a verdade e as soluções justas para os próprios problemas e os da sociedade. A ignorância não pode desencaminhar a consciência, nem fazer com que a mesma perca a sua dignidade. A grande amiga da consciência cristã é a fé, pois tem poder de “despertar e aprofundar a nossa consciência”, não como uma fé abstrata, mas uma fé orante, adoradora, uma fé que confia plenamente em Deus.
  • 39.
    Não se temoutra forma de entender a Lei de Cristo a não ser por meio do amor pelo outro, como Ele mesmo fez. Não se pode entender a lei como aquela gravada em pedra, mas uma lei palpável, que se expressa através dos conselhos evangélicos, das bem-aventuranças, normas essas que transbordam alegria, transmitem o amor e a sabedoria de Deus, revelada por Jesus Cristo.