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CONTEMPORANEIDADE
NA IGREJA
PROF.: JESSÉ LOPES
OS DESAFIOS DA
CONTEMPO
RANEIDADE
SECULARIZAÇÃO,
PLURALISMO RELIGIOSO e
RELATIVISMO ÉTICO.
Contemporaneidade na Igreja
“Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que
se não veem; porque as que se veem são temporais, e as
que se não veem são eternas.” 2Co 4:18
Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas
que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de
Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que
são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está
escondida com Cristo em Deus. Cl 3:1-3
"Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a
traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões
arrombam e furtam.
Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça
e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não
arrombam nem furtam. 21 Pois onde estiver o seu
tesouro, aí também estará o seu coração.” Mt 6:19-21
A SECULARIZAÇÃO DA IGREJA
Jesus, orando pelos discípulos disse:
“Eles não são do mundo” (Jo 17:16) Apesar
da igreja ter sido colocada no mundo, ela
não faz parte dele, sua natureza é espiritual.
Pedro, em sua primeira carta, insiste com os
irmãos quanto ao fato de que eles eram
estrangeiros e peregrinos neste mundo (1Pe
2:11). Paulo, na carta aos Filipenses, diz: Mas
a nossa pátria está nos céus, de onde
também esperamos o Salvador, o Senhor
Jesus Cristo. (Fl 3:20) Quando falamos em
secularização da igreja, estamos nos
referindo ao processo gradual de apego e
amor às coisas terrenas, ao mesmo tempo
em que ela desvaloriza as coisas espirituais.
As estatísticas revelam que tanto em Portugal
como na Europa a percentagem dos cidadãos que se
consideram religiosos é largamente maioritária. No
entanto constata-se que a vivência do quotidiano é feita
muitas das vezes sem uma referência articulada,
conjugada, integrada e harmonizada com a fé.
A fé cristã só faz sentido nas implicações que
encerra para com a realidade qualquer que ela seja. Um
cristianismo não praticante é em si mesmo contraditório.
Uma prática cristã limitada às celebrações litúrgicas
também não corresponde à sua essência. Só é possível
viver o cristianismo no todo da vida humana, tanto no
privado como no público, na família como na profissão,
nos relacionamentos pessoais como na política. Nancey
Pearcey, no livro Verdade Absoluta, citando dois
pensadores cristãos evangélicos, um do século XIX e
outro do século XX, refere a este respeito:
“O evangelho é como um leão enjaulado”,
disse o grande pregador batista Charles
Spurgeon. “Não precisamos defendê-lo, só
precisamos deixar que saia da jaula.” Hoje, a
jaula é nossa acomodação à divisão
secular/sagrado que reduz o cristianismo a
questão de crença pessoal e particular. Para
destrancarmos a jaula, precisamos nos
convencer de que, como disse Francis
Schaeffer, o cristianismo não é mera verdade
religiosa, mas a verdade total – a verdade
sobre a totalidade da realidade.
(Verdade Absoluta, Nancy Pearcey, Editora CPAD, Rio de
Janeiro, 2006, pp. 20)
É verdade que a
experiência cristã é
pessoal e individual. Cada
indivíduo é chamado a
relacionar-se
pessoalmente com o seu
Criador, mas essa vivência
traduz-se em todo e
qualquer aspecto da sua
existência.
Há uma onda de secularização atingindo
perigosamente a Igreja. Em vez da igreja
transtornar o mundo, é o mundo que tem entrado
na Igreja para transtorná-la e domesticá-la. Em vez
da igreja ser um agente de transformação no
mundo, ela tem sido um lugar de conformação
com o mundo. Longe da Igreja inconformar-se
com o conformismo do mundo, ela tem se
adaptado ao mundo e sido amiga do mundo, com
medo da rejeição do mundo. É imperativo, porém,
compreender que a amizade do mundo é pior do
que a espada do mundo. Ser amigo do mundo é
constituir-se em inimigo de Deus. Amar o mundo
é andar na contramão do amor de Deus.
Conformar-se com o mundo é ser condenado com
ele.
A secularização é um processo de
acomodação ao modo de pensar e agir do
mundo. É deixar de se opor ao mundo para
pensar como ele. É capitular-se à sua
cosmovisão desprovida da verdade. É cair na
armadilha de copiar o mundo para tentar
atraí-lo. Muitas igrejas já perderam o vigor
espiritual porque enfiaram o pé na forma do
mundo. Pensam e agem como ele. Preferem
relativizar a verdade de Deus a
confrontarem o mundo. Copiam suas festas,
imitam sua moda, adotam suas músicas,
aderem ao seu lazer e adotam sua filosofia
de levar vantagem em tudo. Esquecem-se da
palavra de Deus, amam as coisas e usam as
pessoas para alcançar seu alvo supremo, a
busca do prazer.
Secularização significa viver apenas sob o prisma
deste século, reduzindo nossos valores, convicções e
esperança ao nível estipulado pela sociedade. As igrejas
tornam-se instituições religiosas onde se ouve sobre
princípios e valores éticos, honestidade, fidelidade, amor
e um Deus que faz tudo para você. Seus membros
acreditam que são cristãos por participarem destas
entidades religiosas, não importando sua conduta, desde
que seja notório a todos que ele cumpre com suas
obrigações espirituais. Os ritos são sempre previsíveis,
sendo ela pentecostal, carismática, ortodoxa ou católica,
e superficiais. Os insatisfeitos, por não terem raízes,
migram entre uma e outra instituição em busca de
consolo. Termos como “pecado”, “arrependimento” e
“santificação”, quando tratados, são sempre de forma
superficial e terrena. A leitura bíblica e a oração são
feitas com formalidade e restrita aos cultos religiosos,
usados para firmar seus conceitos de orgulho, cobiça e
poder.
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é
ganho. 22 Mas, se o viver na carne me der fruto da
minha obra, não sei então o que deva escolher. 23
Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo
desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é
ainda muito melhor. Cl 1:21-23
Até mesmo os hinos cantados pela igreja
foram influenciados pela secularização. As letras
de boa parte das músicas cantadas falam da
importância de lutarmos pela “vitória” e pela
“benção”. Quando investigamos a origem de tais
expressões nos damos conta que se referem a
conquistas neste mundo. Que diferença, quando
comparamos com os antigos hinos, que eram
cantados pela igreja no passado.
Contemporaneidade na Igreja
A afirmação a seguir é quase uma
unanimidade em círculos sociais:
“Política, futebol e religião
não se discute”. Vamos nos ater
apenas a questão da religião. Baseado
nesta falsa premissa não devemos
debater sobre assuntos religiosos.
Aqueles que levantam essa bandeira
bradam, na mesma voz, que todos os
caminhos levam a Deus (ou ao paraíso,
ou à salvação). Será?
O que a Bíblia ensina sobre o pluralismo
religioso? Primeiro, a Bíblia reconhece apenas um
Deus (Deuteronômio 6:5). Portanto, o pluralismo
religioso é incompatível com o ensino bíblico, já
que o pluralismo aceita múltiplas visões de Deus
ou até múltiplos deuses.
Em segundo lugar, a Bíblia ensina o
exclusivismo na medida em que existe apenas
uma maneira de conhecer a Deus - através de
Jesus Cristo. João 14:6 observa que Jesus é o
caminho, a verdade e a vida e que ninguém vem
ao Pai a não ser através d’Ele. Os apóstolos
ensinaram a mesma mensagem em Atos 4:12: “E
não há salvação em nenhum outro; porque abaixo
do céu não existe nenhum outro nome, dado
entre os homens, pelo qual importa que sejamos
salvos.”
Terceiro, a Bíblia frequentemente condena
outras religiões como seguidores de deuses que
não são realmente deuses. Por exemplo, Josué
23:16 diz: “Quando violardes a aliança que o
SENHOR, vosso Deus, vos ordenou, e fordes, e
servirdes a outros deuses, e os adorardes, então, a
ira do SENHOR se acenderá sobre vós…”
A liberdade religiosa garante que várias
religiões possam adorar pacificamente, e os
cristãos apreciam essa liberdade, pois permite a
adoração aberta a Deus. Em contraste, o
pluralismo religioso ensina que as várias religiões
são verdadeiras ou igualmente válidas, algo que a
Bíblia claramente refuta. Encorajamos a liberdade
religiosa, mas ao mesmo tempo comunicamos o
ensino da Bíblia de que há “um só Deus e um só
Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus,
homem” (1 Timóteo 2:5).
Ao analisar as crenças de alguns
grupos religiosos, principalmente
quando observamos o que estes grupos
afirmam sobre questões básicas da fé
cristã, no que diz respeito a quem é
Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, o
homem, a Bíblia, a igreja, a salvação e o
pecado, podemos constatar que não
existe concordância, que não se fala a
mesma língua. Vejamos, de modo bem
resumido, três exemplos de credos
muito distintos:
Mormonismo (Igreja de Jesus Cristo
dos Santos dos Últimos Dias): Deus é
um homem evoluído; Jesus é irmão
de Lúcifer; o homem poderá evoluir
até se tornar um deus; o Livro de
Mórmon, Pérola de Grande Valor e
Doutrinas e Convênios compõem um
complemento da Bíblia e são a base
doutrinária do Mormonismo; a
salvação só poder ser encontrada no
Mormonismo.
Budismo: Nega que Deus (ou deuses – já que
não enxerga Deus como o Cristianismo
bíblico) possa interagir com o homem, ou
seja, é uma divindade impessoal, chegando
ao ponto de negar a existência de um ser
divino; a realidade não passa de uma grande
ilusão; a vida do homem é apenas
sofrimento, ou seja, viver é sofrer;
“salvação” é tão somente se libertar dos
ciclos de reencarnação (ao atingir o
Nirvana).
Kardecismo (Espiritismo de Mesa Branca /
Espiritismo Científico): Jesus foi um espírito
puro, um médium. O Espírito Santo (o
Consolador prometido por Jesus em João
16.7) é a própria doutrina codificada por
Allan Kardec, ou seja, o Espiritismo é o
Consolador; fora da caridade não há
salvação (evolução, fim das reencarnações,
estágio de pureza de espírito); a Bíblia não é
a Palavra de Deus e a reencarnação é o meio
pelo qual Deus aplica Sua justiça.
Contemporaneidade na Igreja
Vivemos um tempo em que os valores
éticos deixaram de ser considerados
universais, imutáveis e eternos. Do aborto à
eutanásia, da pedofilia à homossexualidade,
lidamos hoje em dia com profundas
alterações aos valores milenares em que
assentou a nossa cultura.
Uma vez mais o evangelho exige de nós
uma postura de compreensão e aceitação
das pessoas quaisquer que sejam as suas
opções e orientações, sem contudo deixar
de afirmar, acima de tudo pelas atitudes e
comportamentos, os valores e princípios em
que acreditamos porque consideramos que
estão sediados e emanam do carácter de
Deus.
Esse relativismo contemporâneo se aplica aos três
elementos apresentados no parágrafo anterior: história,
conhecimento e ética.
A igreja, enquanto comunidade plantada e imersa
em seu tempo histórico sofre as consequências deste
relativismo. Uma das maiores evidências da influência do
relativismo na igreja contemporânea é sua tendência ao
ecumenismo. A defesa da aceitação indiscriminada de
toda e qualquer crença revela o quanto o caráter
exclusivista do evangelho soa mal aos ouvidos
contemporâneos. Outra característica que tem se tornado
cada vez mais comum no meio da igreja é o
questionamento da necessidade e a ausência da
disciplina eclesiástica. Esta prática revela que não apenas
o relativismo quanto ao conhecimento tem adentrado a
igreja, mas também o relativismo ético-moral.
Escrevo-lhe estas coisas embora
espere ir vê-lo em breve;
mas, se eu demorar, saiba como as
pessoas devem comportar-se na
casa de Deus, que é a igreja do Deus
vivo, coluna e fundamento da
verdade.
1 Timóteo 3:14,15
Salmos 19 - O valor da verdade de
Deus
Em síntese: O relativismo é uma
corrente que nega toda verdade
absoluta e perene assim como toda
ética absoluta, ficando a critério de cada
indivíduo definir a sua verdade e o seu
bem. Opõe-se-lhe ao fundamentalismo,
que afirma peremptoriamente a
existência de algumas verdades e
algumas normas fundamentais. O
indivíduo se torna o padrão ou a
medida de todas as coisas.
Os marxistas afirmam que, no final das
contas, o comportamento humano é
moldado pelas circunstâncias econômicas;
os freudianos atribuem tudo a instintos
sexuais reprimidos; e os psicólogos
comportamentais encaram os seres
humanos pela óptica de mecanismos de
estímulo-resposta. Todavia, a Bíblia ensina
que o fator dominante nas escolhas que
fazemos é nossa crença suprema ou
compromisso religioso. Nossa vida é talhada
pelo “deus” que adoramos – quer o Deus da
Bíblia quer outra deidade substituta.
(Verdade Absoluta, Nancy Pearcey, Editora
CPAD, Rio de Janeiro, 2006, pp. 26)
O ceticismo ensina que não há verdades
objetivas e normas morais sempre válidas e que,
mesmo que as houvesse, o homem não seria
capaz de as apreender. Na época moderna, o
ceticismo desponta com René Descartes (+ 1650),
que propõe a “dúvida metódica” e vai dominando
o pensamento posterior sob formas diversas:
agnosticismo, empirismo, positivismo de Augusto
Comte, fideísmo, “o pensamento fraco” (como
dizem).
O relativismo é marcado também pelo
ceticismo. A verdade é pragmática, prática: são
verdadeiras e válidas as teorias que levam a
resultados concretos satisfatórios; se determinada
concepção resolve (ao menos aparentemente) um
problema concreto, é tida como verídica e ponto
de referência para o comportamento humano.
O ceticismo ensina que não há verdades
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de referência para o comportamento humano.
Contemporaneidade na Igreja
Lembre-se de seu papel enquanto
membro da igreja do Senhor. Você é uma
pedra desta coluna que deve sustentar a
verdade de Deus. Para cumprir este
ministério: conheça a verdade; estude a
Escritura com afinco até que você domine a
verdade de Deus e seja dominado por ela;
viva a verdade; seja uma referência nesses
tempos onde os valores éticos e morais
estão se tornando cada vez mais vulneráveis.
Proclame a verdade com coragem e
ousadia. Não tenha medo. Ainda que isto
custe a você um alto preço, lembre-se de
que Deus não tem nos dado espírito de
covardia, mas de moderação.
Contemporaneidade na Igreja

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Contemporaneidade na Igreja

  • 4. “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.” 2Co 4:18 Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Cl 3:1-3 "Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21 Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” Mt 6:19-21
  • 5. A SECULARIZAÇÃO DA IGREJA Jesus, orando pelos discípulos disse: “Eles não são do mundo” (Jo 17:16) Apesar da igreja ter sido colocada no mundo, ela não faz parte dele, sua natureza é espiritual. Pedro, em sua primeira carta, insiste com os irmãos quanto ao fato de que eles eram estrangeiros e peregrinos neste mundo (1Pe 2:11). Paulo, na carta aos Filipenses, diz: Mas a nossa pátria está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. (Fl 3:20) Quando falamos em secularização da igreja, estamos nos referindo ao processo gradual de apego e amor às coisas terrenas, ao mesmo tempo em que ela desvaloriza as coisas espirituais.
  • 6. As estatísticas revelam que tanto em Portugal como na Europa a percentagem dos cidadãos que se consideram religiosos é largamente maioritária. No entanto constata-se que a vivência do quotidiano é feita muitas das vezes sem uma referência articulada, conjugada, integrada e harmonizada com a fé. A fé cristã só faz sentido nas implicações que encerra para com a realidade qualquer que ela seja. Um cristianismo não praticante é em si mesmo contraditório. Uma prática cristã limitada às celebrações litúrgicas também não corresponde à sua essência. Só é possível viver o cristianismo no todo da vida humana, tanto no privado como no público, na família como na profissão, nos relacionamentos pessoais como na política. Nancey Pearcey, no livro Verdade Absoluta, citando dois pensadores cristãos evangélicos, um do século XIX e outro do século XX, refere a este respeito:
  • 7. “O evangelho é como um leão enjaulado”, disse o grande pregador batista Charles Spurgeon. “Não precisamos defendê-lo, só precisamos deixar que saia da jaula.” Hoje, a jaula é nossa acomodação à divisão secular/sagrado que reduz o cristianismo a questão de crença pessoal e particular. Para destrancarmos a jaula, precisamos nos convencer de que, como disse Francis Schaeffer, o cristianismo não é mera verdade religiosa, mas a verdade total – a verdade sobre a totalidade da realidade. (Verdade Absoluta, Nancy Pearcey, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2006, pp. 20)
  • 8. É verdade que a experiência cristã é pessoal e individual. Cada indivíduo é chamado a relacionar-se pessoalmente com o seu Criador, mas essa vivência traduz-se em todo e qualquer aspecto da sua existência.
  • 9. Há uma onda de secularização atingindo perigosamente a Igreja. Em vez da igreja transtornar o mundo, é o mundo que tem entrado na Igreja para transtorná-la e domesticá-la. Em vez da igreja ser um agente de transformação no mundo, ela tem sido um lugar de conformação com o mundo. Longe da Igreja inconformar-se com o conformismo do mundo, ela tem se adaptado ao mundo e sido amiga do mundo, com medo da rejeição do mundo. É imperativo, porém, compreender que a amizade do mundo é pior do que a espada do mundo. Ser amigo do mundo é constituir-se em inimigo de Deus. Amar o mundo é andar na contramão do amor de Deus. Conformar-se com o mundo é ser condenado com ele.
  • 10. A secularização é um processo de acomodação ao modo de pensar e agir do mundo. É deixar de se opor ao mundo para pensar como ele. É capitular-se à sua cosmovisão desprovida da verdade. É cair na armadilha de copiar o mundo para tentar atraí-lo. Muitas igrejas já perderam o vigor espiritual porque enfiaram o pé na forma do mundo. Pensam e agem como ele. Preferem relativizar a verdade de Deus a confrontarem o mundo. Copiam suas festas, imitam sua moda, adotam suas músicas, aderem ao seu lazer e adotam sua filosofia de levar vantagem em tudo. Esquecem-se da palavra de Deus, amam as coisas e usam as pessoas para alcançar seu alvo supremo, a busca do prazer.
  • 11. Secularização significa viver apenas sob o prisma deste século, reduzindo nossos valores, convicções e esperança ao nível estipulado pela sociedade. As igrejas tornam-se instituições religiosas onde se ouve sobre princípios e valores éticos, honestidade, fidelidade, amor e um Deus que faz tudo para você. Seus membros acreditam que são cristãos por participarem destas entidades religiosas, não importando sua conduta, desde que seja notório a todos que ele cumpre com suas obrigações espirituais. Os ritos são sempre previsíveis, sendo ela pentecostal, carismática, ortodoxa ou católica, e superficiais. Os insatisfeitos, por não terem raízes, migram entre uma e outra instituição em busca de consolo. Termos como “pecado”, “arrependimento” e “santificação”, quando tratados, são sempre de forma superficial e terrena. A leitura bíblica e a oração são feitas com formalidade e restrita aos cultos religiosos, usados para firmar seus conceitos de orgulho, cobiça e poder.
  • 12. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. 22 Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. 23 Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Cl 1:21-23 Até mesmo os hinos cantados pela igreja foram influenciados pela secularização. As letras de boa parte das músicas cantadas falam da importância de lutarmos pela “vitória” e pela “benção”. Quando investigamos a origem de tais expressões nos damos conta que se referem a conquistas neste mundo. Que diferença, quando comparamos com os antigos hinos, que eram cantados pela igreja no passado.
  • 14. A afirmação a seguir é quase uma unanimidade em círculos sociais: “Política, futebol e religião não se discute”. Vamos nos ater apenas a questão da religião. Baseado nesta falsa premissa não devemos debater sobre assuntos religiosos. Aqueles que levantam essa bandeira bradam, na mesma voz, que todos os caminhos levam a Deus (ou ao paraíso, ou à salvação). Será?
  • 15. O que a Bíblia ensina sobre o pluralismo religioso? Primeiro, a Bíblia reconhece apenas um Deus (Deuteronômio 6:5). Portanto, o pluralismo religioso é incompatível com o ensino bíblico, já que o pluralismo aceita múltiplas visões de Deus ou até múltiplos deuses. Em segundo lugar, a Bíblia ensina o exclusivismo na medida em que existe apenas uma maneira de conhecer a Deus - através de Jesus Cristo. João 14:6 observa que Jesus é o caminho, a verdade e a vida e que ninguém vem ao Pai a não ser através d’Ele. Os apóstolos ensinaram a mesma mensagem em Atos 4:12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.”
  • 16. Terceiro, a Bíblia frequentemente condena outras religiões como seguidores de deuses que não são realmente deuses. Por exemplo, Josué 23:16 diz: “Quando violardes a aliança que o SENHOR, vosso Deus, vos ordenou, e fordes, e servirdes a outros deuses, e os adorardes, então, a ira do SENHOR se acenderá sobre vós…” A liberdade religiosa garante que várias religiões possam adorar pacificamente, e os cristãos apreciam essa liberdade, pois permite a adoração aberta a Deus. Em contraste, o pluralismo religioso ensina que as várias religiões são verdadeiras ou igualmente válidas, algo que a Bíblia claramente refuta. Encorajamos a liberdade religiosa, mas ao mesmo tempo comunicamos o ensino da Bíblia de que há “um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2:5).
  • 17. Ao analisar as crenças de alguns grupos religiosos, principalmente quando observamos o que estes grupos afirmam sobre questões básicas da fé cristã, no que diz respeito a quem é Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, o homem, a Bíblia, a igreja, a salvação e o pecado, podemos constatar que não existe concordância, que não se fala a mesma língua. Vejamos, de modo bem resumido, três exemplos de credos muito distintos:
  • 18. Mormonismo (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias): Deus é um homem evoluído; Jesus é irmão de Lúcifer; o homem poderá evoluir até se tornar um deus; o Livro de Mórmon, Pérola de Grande Valor e Doutrinas e Convênios compõem um complemento da Bíblia e são a base doutrinária do Mormonismo; a salvação só poder ser encontrada no Mormonismo.
  • 19. Budismo: Nega que Deus (ou deuses – já que não enxerga Deus como o Cristianismo bíblico) possa interagir com o homem, ou seja, é uma divindade impessoal, chegando ao ponto de negar a existência de um ser divino; a realidade não passa de uma grande ilusão; a vida do homem é apenas sofrimento, ou seja, viver é sofrer; “salvação” é tão somente se libertar dos ciclos de reencarnação (ao atingir o Nirvana).
  • 20. Kardecismo (Espiritismo de Mesa Branca / Espiritismo Científico): Jesus foi um espírito puro, um médium. O Espírito Santo (o Consolador prometido por Jesus em João 16.7) é a própria doutrina codificada por Allan Kardec, ou seja, o Espiritismo é o Consolador; fora da caridade não há salvação (evolução, fim das reencarnações, estágio de pureza de espírito); a Bíblia não é a Palavra de Deus e a reencarnação é o meio pelo qual Deus aplica Sua justiça.
  • 22. Vivemos um tempo em que os valores éticos deixaram de ser considerados universais, imutáveis e eternos. Do aborto à eutanásia, da pedofilia à homossexualidade, lidamos hoje em dia com profundas alterações aos valores milenares em que assentou a nossa cultura. Uma vez mais o evangelho exige de nós uma postura de compreensão e aceitação das pessoas quaisquer que sejam as suas opções e orientações, sem contudo deixar de afirmar, acima de tudo pelas atitudes e comportamentos, os valores e princípios em que acreditamos porque consideramos que estão sediados e emanam do carácter de Deus.
  • 23. Esse relativismo contemporâneo se aplica aos três elementos apresentados no parágrafo anterior: história, conhecimento e ética. A igreja, enquanto comunidade plantada e imersa em seu tempo histórico sofre as consequências deste relativismo. Uma das maiores evidências da influência do relativismo na igreja contemporânea é sua tendência ao ecumenismo. A defesa da aceitação indiscriminada de toda e qualquer crença revela o quanto o caráter exclusivista do evangelho soa mal aos ouvidos contemporâneos. Outra característica que tem se tornado cada vez mais comum no meio da igreja é o questionamento da necessidade e a ausência da disciplina eclesiástica. Esta prática revela que não apenas o relativismo quanto ao conhecimento tem adentrado a igreja, mas também o relativismo ético-moral.
  • 24. Escrevo-lhe estas coisas embora espere ir vê-lo em breve; mas, se eu demorar, saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. 1 Timóteo 3:14,15 Salmos 19 - O valor da verdade de Deus
  • 25. Em síntese: O relativismo é uma corrente que nega toda verdade absoluta e perene assim como toda ética absoluta, ficando a critério de cada indivíduo definir a sua verdade e o seu bem. Opõe-se-lhe ao fundamentalismo, que afirma peremptoriamente a existência de algumas verdades e algumas normas fundamentais. O indivíduo se torna o padrão ou a medida de todas as coisas.
  • 26. Os marxistas afirmam que, no final das contas, o comportamento humano é moldado pelas circunstâncias econômicas; os freudianos atribuem tudo a instintos sexuais reprimidos; e os psicólogos comportamentais encaram os seres humanos pela óptica de mecanismos de estímulo-resposta. Todavia, a Bíblia ensina que o fator dominante nas escolhas que fazemos é nossa crença suprema ou compromisso religioso. Nossa vida é talhada pelo “deus” que adoramos – quer o Deus da Bíblia quer outra deidade substituta. (Verdade Absoluta, Nancy Pearcey, Editora CPAD, Rio de Janeiro, 2006, pp. 26)
  • 27. O ceticismo ensina que não há verdades objetivas e normas morais sempre válidas e que, mesmo que as houvesse, o homem não seria capaz de as apreender. Na época moderna, o ceticismo desponta com René Descartes (+ 1650), que propõe a “dúvida metódica” e vai dominando o pensamento posterior sob formas diversas: agnosticismo, empirismo, positivismo de Augusto Comte, fideísmo, “o pensamento fraco” (como dizem). O relativismo é marcado também pelo ceticismo. A verdade é pragmática, prática: são verdadeiras e válidas as teorias que levam a resultados concretos satisfatórios; se determinada concepção resolve (ao menos aparentemente) um problema concreto, é tida como verídica e ponto de referência para o comportamento humano.
  • 28. O ceticismo ensina que não há verdades objetivas e normas morais sempre válidas e que, mesmo que as houvesse, o homem não seria capaz de as apreender. Na época moderna, o ceticismo desponta com René Descartes (+ 1650), que propõe a “dúvida metódica” e vai dominando o pensamento posterior sob formas diversas: agnosticismo, empirismo, positivismo de Augusto Comte, fideísmo, “o pensamento fraco” (como dizem). O relativismo é marcado também pelo ceticismo. A verdade é pragmática, prática: são verdadeiras e válidas as teorias que levam a resultados concretos satisfatórios; se determinada concepção resolve (ao menos aparentemente) um problema concreto, é tida como verídica e ponto de referência para o comportamento humano.
  • 30. Lembre-se de seu papel enquanto membro da igreja do Senhor. Você é uma pedra desta coluna que deve sustentar a verdade de Deus. Para cumprir este ministério: conheça a verdade; estude a Escritura com afinco até que você domine a verdade de Deus e seja dominado por ela; viva a verdade; seja uma referência nesses tempos onde os valores éticos e morais estão se tornando cada vez mais vulneráveis. Proclame a verdade com coragem e ousadia. Não tenha medo. Ainda que isto custe a você um alto preço, lembre-se de que Deus não tem nos dado espírito de covardia, mas de moderação.