ESCOLA SECUNDÁRIA DE BOCAGE

                                Ficha Formativa de FILOSOFIA


                                                   I

      «A filosofia poderá ser perspectivada como uma reflexão radical sobre a realidade, sobre o
 homem e sobre o mundo.
      Como reflexão radical a filosofia situa-se no plano de uma racionalidade interpretativa e
 explicativa. Esta racionalidade interpretativa e explicativa implica que as posições assumidas não
 se alicercem em crenças ou meras opiniões mas se enraízem numa fundamentação que [...] lhes
 confira uma justificação consistente.
      Por consequência, no âmbito da filosofia não terão sentido atitudes dogmáticas, visto que a
 dogmatização [...] envolverá necessariamente a ausência de uma fundamentação aberta.»

                          Sousa, M. C. H. de, As Ilusões da Razão, Porto, Brasília Editora, pp. 17-18


1. Qual a especificidade da Filosofia presente no texto? Justifica a tua resposta.

2. No quadro abaixo, identifica as afirmações verdadeiras e falsas, assinalando respectivamente V
ou F

        Afirmações                   V F                         Justificação
A Filosofia procura a raiz ou o
fundamento de todas as
coisas.
É próprio da filosofia procurar
compreender o real na sua
totalidade e unidade
A filosofia é acima de tudo o
reino da subjectividade e da
arbitrariedade,      onde      se
admitem, sem critério ou
crítica, todas as ideias
A filosofia é um modo crítico
de reflectir sobre as nossas
convicções e ultrapassar as
limitações do senso comum.
A filosofia é a análise lógica da
linguagem e a clarificação do
significado das palavras e dos
conceitos.
Cada aprendiz de filósofo tem
pela frente uma árdua tarefa,
dado que tem que partir do
zero      na   sua     actividade
reflexiva.
A actividade filosófica é
inseparável da liberdade da
razão face a todas as
coerções e a todos os
constrangimentos exteriores,
sejam eles a religião, a
política, as ideologias, a
autoridade ou a tradição.
A filosofia é sempre uma
reflexão pessoal dirigida a
todos os homens



                                                                                                    1
II

1.Lê atentamente o texto de J.L. Aranguren onde se faz uma breve análise da noção de felicidade,
pondo-se em confronto duas visões distintas e acabando o próprio autor por propor também ele
uma tese.


Antigamente a felicidade era entendida                  todas as fortunas (?) espirituais, desde que
como um ideal só alcançável pelos filósofos             cresçam os aumentos materiais.
contemplativos (Aristóteles), pelos que                     Claro está que depressa as coisas se
sobre-humanamente renunciavam a tudo                    mostram mais complicadas porque, quando
(estóicos), pelos que, perante o carácter               já    se    alcançou    aquilo     em   que,
enganador do prazer, acabavam por fazer                 ilusoriamente, púnhamos a felicidade, esta
o mesmo (epicuristas) e por todos os que a              vai para mais longe; agora já não basta o
reservavam para os “eleitos” e, para                    carrito, porque faz falta um automóvel
cúmulo, não neste mundo mas noutro                      sumptuoso, a nossa vivenda precisa de ser
(Escolástica).                                          uma luxuosa vila e a felicidade parece não
      Agora as coisas mudaram. A actual                 ser já uma questão só de dinheiro, mas
trivialização da palavra “feliz” (“faz-me feliz”        também de status: se pudéssemos chegar
diz qualquer um após a consecução da                    a ser directores da empresa onde
coisa mais acessível) corresponde à                     trabalhamos, se pudéssemos chegar a ser
democratização,       á    aproximação,        à        ministros! (Este último exemplo não é bom:
vulgarização      das     expectativas       da         qualquer um pode chegar a ser ministro,
felicidade. A felicidade parece estar aí, no            como mostra a experiência.)
voltar do ano, quando, enfim, podemos                      A agridoce verdade é que, à medida que
adquirir o carrito, a casa própria ou o                 nos aproximamos da felicidade, ela se
aumento do salário; a felicidade parece                 afasta mais e mais.”
assim ter-se colocado já ao alcance de                           J.L. Aranguren, Propostas Morales.


2 . Após a leitura, proponho que identifiques as teses e a estrutura argumentativa do
texto

Tema:_____________________________________________________________
__________

Problema:__________________________________________________________
_________

__________________________________________________________________
__________

Respostas ao problema:

a) Tese
antiga_____________________________________________________________
___

__________________________________________________________________
__________

__________________________________________________________________
__________


b)Visão
actual_____________________________________________________________
_

__________________________________________________________________
__________

__________________________________________________________________
__________



                                                                                                       2
c)Tese do
           autor______________________________________________________________

           __________________________________________________________________
           __________

           __________________________________________________________________
           __________


           Argumentos a favor da tese:

           __________________________________________________________________
           __________

           __________________________________________________________________
           __________

           __________________________________________________________________
           __________

           __________________________________________________________________
           __________


                                                        III

                  1. Assinala como correcta (C) ou errada (E) as afirmações, abaixo indicadas, que
           completam a afirmação:

           A acção Humana é….

                                          Afirmações                                       C         E
           Uma forma de conduta autónoma, consciente e voluntária
           O que individualiza cada homem, definindo-o pela maneira como a exercita e
           a dirige. O homem faz-se e constrói-se na acção.
           Um acto inconsciente ou uma resposta instintiva a certos estímulos.
             A acção que é específica dos seres humanos e que só estes são capazes
             de realizar
           A acção que realizamos conscientemente, dando-nos conta de que a
           fazermos
           Um qualquer acto praticado por ser um humano
           Um acto realizado após decisão deliberada

                                                        IV

            Todos os termos da rede (conceptual) convergem aqui: acção, intenção, motivação e,
            por fim, agente (…), Importa (…) compreender a palavra agente em função de toda a
            rede.
                                                    P.Ricouer, O Discurso da Acção, edições 70


             1.Quais os termos da rede conceptual da acção humana presentes no texto? Explicita-os.
             2.Distingue fazer, agir e acontecimento.
             3.Constipar-se e manter-se quieto e sem respirar enquanto se tira uma radiografia são
           acções? Porquê?
             4. “ Uma acção não é um acontecimento como um tremor de terra ou a queda de uma folha
morta». Concordas com a afirmação? Fundamenta a tua resposta.



                                                                                                         3
V



      Estamos perante um enigma filosófico característico. Por um lado, um conjunto de
argumentos muito poderosos força-nos à conclusão de que a nossa vontade livre não existe
no Universo. Por outro lado, uma série de argumentos poderosos baseados em factos da
nossa própria experiência inclina-nos para a conclusão de que deve haver alguma liberdade
da vontade, porque aí todos a experimentamos em todo o tempo.
                                                           J. Searl, Mente, cérebro e Ciência




2- O determinismo radical e o determinismo moderado são duas das teorias que
respondem ao problema do livre-arbítrio. Em que é que se distinguem?




                                                                                                4

Ficha formativa fil 10

  • 1.
    ESCOLA SECUNDÁRIA DEBOCAGE Ficha Formativa de FILOSOFIA I «A filosofia poderá ser perspectivada como uma reflexão radical sobre a realidade, sobre o homem e sobre o mundo. Como reflexão radical a filosofia situa-se no plano de uma racionalidade interpretativa e explicativa. Esta racionalidade interpretativa e explicativa implica que as posições assumidas não se alicercem em crenças ou meras opiniões mas se enraízem numa fundamentação que [...] lhes confira uma justificação consistente. Por consequência, no âmbito da filosofia não terão sentido atitudes dogmáticas, visto que a dogmatização [...] envolverá necessariamente a ausência de uma fundamentação aberta.» Sousa, M. C. H. de, As Ilusões da Razão, Porto, Brasília Editora, pp. 17-18 1. Qual a especificidade da Filosofia presente no texto? Justifica a tua resposta. 2. No quadro abaixo, identifica as afirmações verdadeiras e falsas, assinalando respectivamente V ou F Afirmações V F Justificação A Filosofia procura a raiz ou o fundamento de todas as coisas. É próprio da filosofia procurar compreender o real na sua totalidade e unidade A filosofia é acima de tudo o reino da subjectividade e da arbitrariedade, onde se admitem, sem critério ou crítica, todas as ideias A filosofia é um modo crítico de reflectir sobre as nossas convicções e ultrapassar as limitações do senso comum. A filosofia é a análise lógica da linguagem e a clarificação do significado das palavras e dos conceitos. Cada aprendiz de filósofo tem pela frente uma árdua tarefa, dado que tem que partir do zero na sua actividade reflexiva. A actividade filosófica é inseparável da liberdade da razão face a todas as coerções e a todos os constrangimentos exteriores, sejam eles a religião, a política, as ideologias, a autoridade ou a tradição. A filosofia é sempre uma reflexão pessoal dirigida a todos os homens 1
  • 2.
    II 1.Lê atentamente otexto de J.L. Aranguren onde se faz uma breve análise da noção de felicidade, pondo-se em confronto duas visões distintas e acabando o próprio autor por propor também ele uma tese. Antigamente a felicidade era entendida todas as fortunas (?) espirituais, desde que como um ideal só alcançável pelos filósofos cresçam os aumentos materiais. contemplativos (Aristóteles), pelos que Claro está que depressa as coisas se sobre-humanamente renunciavam a tudo mostram mais complicadas porque, quando (estóicos), pelos que, perante o carácter já se alcançou aquilo em que, enganador do prazer, acabavam por fazer ilusoriamente, púnhamos a felicidade, esta o mesmo (epicuristas) e por todos os que a vai para mais longe; agora já não basta o reservavam para os “eleitos” e, para carrito, porque faz falta um automóvel cúmulo, não neste mundo mas noutro sumptuoso, a nossa vivenda precisa de ser (Escolástica). uma luxuosa vila e a felicidade parece não Agora as coisas mudaram. A actual ser já uma questão só de dinheiro, mas trivialização da palavra “feliz” (“faz-me feliz” também de status: se pudéssemos chegar diz qualquer um após a consecução da a ser directores da empresa onde coisa mais acessível) corresponde à trabalhamos, se pudéssemos chegar a ser democratização, á aproximação, à ministros! (Este último exemplo não é bom: vulgarização das expectativas da qualquer um pode chegar a ser ministro, felicidade. A felicidade parece estar aí, no como mostra a experiência.) voltar do ano, quando, enfim, podemos A agridoce verdade é que, à medida que adquirir o carrito, a casa própria ou o nos aproximamos da felicidade, ela se aumento do salário; a felicidade parece afasta mais e mais.” assim ter-se colocado já ao alcance de J.L. Aranguren, Propostas Morales. 2 . Após a leitura, proponho que identifiques as teses e a estrutura argumentativa do texto Tema:_____________________________________________________________ __________ Problema:__________________________________________________________ _________ __________________________________________________________________ __________ Respostas ao problema: a) Tese antiga_____________________________________________________________ ___ __________________________________________________________________ __________ __________________________________________________________________ __________ b)Visão actual_____________________________________________________________ _ __________________________________________________________________ __________ __________________________________________________________________ __________ 2
  • 3.
    c)Tese do autor______________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________ __________________________________________________________________ __________ Argumentos a favor da tese: __________________________________________________________________ __________ __________________________________________________________________ __________ __________________________________________________________________ __________ __________________________________________________________________ __________ III 1. Assinala como correcta (C) ou errada (E) as afirmações, abaixo indicadas, que completam a afirmação: A acção Humana é…. Afirmações C E Uma forma de conduta autónoma, consciente e voluntária O que individualiza cada homem, definindo-o pela maneira como a exercita e a dirige. O homem faz-se e constrói-se na acção. Um acto inconsciente ou uma resposta instintiva a certos estímulos. A acção que é específica dos seres humanos e que só estes são capazes de realizar A acção que realizamos conscientemente, dando-nos conta de que a fazermos Um qualquer acto praticado por ser um humano Um acto realizado após decisão deliberada IV Todos os termos da rede (conceptual) convergem aqui: acção, intenção, motivação e, por fim, agente (…), Importa (…) compreender a palavra agente em função de toda a rede. P.Ricouer, O Discurso da Acção, edições 70 1.Quais os termos da rede conceptual da acção humana presentes no texto? Explicita-os. 2.Distingue fazer, agir e acontecimento. 3.Constipar-se e manter-se quieto e sem respirar enquanto se tira uma radiografia são acções? Porquê? 4. “ Uma acção não é um acontecimento como um tremor de terra ou a queda de uma folha morta». Concordas com a afirmação? Fundamenta a tua resposta. 3
  • 4.
    V Estamos perante um enigma filosófico característico. Por um lado, um conjunto de argumentos muito poderosos força-nos à conclusão de que a nossa vontade livre não existe no Universo. Por outro lado, uma série de argumentos poderosos baseados em factos da nossa própria experiência inclina-nos para a conclusão de que deve haver alguma liberdade da vontade, porque aí todos a experimentamos em todo o tempo. J. Searl, Mente, cérebro e Ciência 2- O determinismo radical e o determinismo moderado são duas das teorias que respondem ao problema do livre-arbítrio. Em que é que se distinguem? 4