10 mandamentos da 
Relação entreFÉ e 
POLÍTICA 
Frei Betto (textos) 
Ir. Eunice Wolff (ilustrações) 
Pe. Dutra (diagramação final)
1. Sem respirar ninguém vive, 
pois necessitamos 
do oxigênio contido no ar. 
Também não se pode viver 
sem beber água. 
A maior parte de nosso corpo 
é formada por água, 
como no planeta Terra no qual habitamos. 
Como o ar, a água contém oxigênio. 
Ela é uma mistura de dois gases: 
o oxigênio e o hidrogênio. 
Por isso é líquida e não gasosa como o ar.
Assim são 
a Fé e 
a Política. 
As duas contém 
o mesmo “oxigênio”: o Espírito de Deus 
que tudo anima na direção do Reino. 
E, assim, como as duas visam libertar, 
também podem servir para dominar, 
como a fé dos fariseus 
ou a política dos opressores.
Fé e política não são a mesma coisa. 
• A fé é o oxigênio que o Senhor nos dá. 
• Como diz o apóstolo Paulo, 
por ela captamos a presença de Deus 
no qual somos, existimos e nos movemos. 
• Assim como o ar nos dá vida, 
a fé nos faz participantes da vida de Deus. 
• Por ela somo integrados 
à comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 
• A política é uma ferramenta de construção do Reino 
diferente da fé. 
• Ela tem algo que não é próprio da fé: 
o “hidrogênio” das análises da realidade 
e das estratégias de luta.
Portanto, este é o 1º mandamento: 
A fé e a política 
destinam-se ao mesmo objetivo 
de realizar o projeto de Deus na história. 
Mas não são a mesma coisa, 
são diferentes. 
Para reflexão 
em Grupo: 
1. Qual o projeto de Deus na 
história? 
2. Como a fé e a política 
podem ajudar esse projeto?
2. Não há água sem oxigênio. 
Se alguém tirar o oxigênio da água 
ela deixa de ser matéria líquida, 
vira gás de oxigênio e gás de hidrogênio. 
Assim, 
não há fé 
sem 
política.
A fé é um dom encarnado 
• No céu não teremos fé, pois veremos o Pai face a face. 
• Toda vivência de fé 
é vivência de uma comunidade politicamente situada. 
• Quando a comunidade cristã afirma que só faz religião 
e que não se mistura fé com política 
é porque ela não sabe o que diz, 
ou está mentindo para encobrir com a fé 
os seus reais interesses políticos. 
• Toda comunidade cristã aparentemente apolítica 
só favorece a política dominante: 
Passa cheque em branco 
aos políticos que se encontram no poder.
•Jesus, em razão da sua fé, 
morreu assassinado 
como prisioneiro político. 
•Como Jesus, o cristão deve viver sua fé 
no compromisso libertador 
com os oprimidos. 
•Seja qual for o modo de o cristão 
viver este compromisso evangélico, 
ele sempre terá consequências políticas.
Portanto, este é o 2º mandamento: 
A vivência da fé 
é necessariamente política. 
Ela pode sacralizar a opressão 
ou iluminar a libertação 
Você conhece algum fato 
que sirva de exemplo 
para as duas realidades? 
Para reflexão 
em Grupo:
3. O ar que respiramos não custa nada. 
É de graça. Assim é a fé: 
– é dom de Deus. 
Para respirar, basta ter 
as narinas abertas. 
Para acolher a fé, basta ter 
ouvidos e coração abertos 
a Deus, ao próximo, ao amor. 
Pela fé participamos 
do projeto de Deus 
na história humana. 
A água não é de graça. 
Custa dinheiro, exigem-se técnicos e ciência para obtê-la. 
Assim é a política, não é dom de Deus, é um aprendizado. 
Exige conhecimento 
de suas regras, de sua história, de seu programa, de seus objetivos. 
Pela política, participamos do projeto humano 
de construção de uma sociedade melhor.
Portanto, este é o 3º Mandamento 
A Fé é um dom 
que nos vem de Deus, 
através da Igreja, 
da comunidade dos que creem. 
A Política é uma ferramenta 
que exige aprendizado. 
É arriscado improvisar a política. 
Para reflexão 
em Grupo: Como aprender política?
4. O ar que respiramos 
e a água que bebemos 
podem ficar poluídos. 
Perdem a pureza 
e ficam contaminados 
por micróbios 
e bactérias 
quando não são 
bem tratados. 
Assim acontece com a fé e a política. 
Uma política voltada contra o povo pode poluir a fé. 
E uma fé desencarnada, 
legalista, contrária aos direitos dos necessitados, 
contamina a política.
Portanto, este é o 4º mandamento: 
Uma política 
contrária aos direitos do povo 
faz da fé expressão 
de uma religião “ópio do povo”. 
Esta “religião” só ajuda aos interesses dos opressores. 
Para reflexão 
em Grupo: 
1. Como a Religião tem ajudado os 
opressores? 
2. Como tem ajudado os oprimidos, 
excluídos?
5. A água não pode existir 
sem união do oxigênio 
com o hidrogênio. 
Mas, o ar que respiramos 
não necessita 
e não contém quase 
nenhum hidrogênio. 
Porém, o que seria da nossa vida 
se não houvesse o sol? 
O sol é um imenso 
balão de hidrogênio em combustão, 
isto é, uma bola de fogo, 
um milhão de vezes maior do que a terra.
• Assim, a política pode ser bem feita 
por quem não tem fé. 
• E nem sempre os que têm fé 
fazem política bem feita. 
• O Concílio Vaticano II 
reconhece a autonomia da política. 
• Autônomo é o que tem movimento próprio. 
• Um ateu pode fazer uma política justa, 
favorável aos oprimidos. 
Porém...
Porém, a fé é o sol 
que desponta no horizonte da política. 
Isso não significa que deve haver “política cristã”. 
Deve haver uma política justa, 
democrática, voltada para a maioria. 
Uma política assim, inevitavelmente 
deverá se encontrar com as verdades da fé. 
Aliás, isso já acontece 
a cada vez que a política realiza na sociedade 
os valores evangélicos: libertação dos pobres 
e construção da sociedade fraterna.
Portanto, este é o 5º mandamento: 
A Política é autônoma, 
não depende da fé. 
Mas, uma política popular caminha necessariamente 
na direção do horizonte apontado pela fé. 
1. Você participa de algum movimento 
que não seja da Igreja? Qual? 
2. Como a fé o(a) ajuda nesta 
participação? 
Para reflexão 
em Grupo:
6. O ar enche os pulmões 
e envia oxigênio 
para alimentar o nosso organismo. 
Mas, o ar não serve para lavar as mãos. 
A água limpa o corpo mas, não serve para respirar. 
Sem balão de oxigênio, o mergulhador morre 
afogado no fundo do mar. 
Assim, a fé não tem receitas 
para resolver administrativamente problemas 
como a dívida externa, a reforma agrária, 
a moradia ou a saúde pública... 
Isto é tarefa da política.
A fé mostra o sentido da política: dar vida a todos. 
Mas, o jeito de dar vida 
depende da linha da política. 
Se for uma política injusta, poucos terão vida 
às custas da morte de muitos, 
como ocorre no capitalismo. 
A política é a estrada 
e a fé o mapa da estrada. 
Sem mapa, fica difícil 
construir uma estrada 
que conduza ao Reino. 
Sem estrada, 
o mapa fica só no papel.
Portanto, este é o 6º mandamento: 
Fé e política 
são coisas diferentes 
que se completam 
na prática da vida. 
Para 
reflexão 
em grupo: 
Contar fatos que ilustrem 
esse mandamento.
7. Para ser puros e saudáveis, o ar e a água precisam ser 
tratados. 
Por isso, os hospitais oferecem oxigênio puro aos pacientes. 
E, nas casas, a água deve ser fervida ou filtrada, 
antes de ser tomada. 
Do mesmo jeito, a fé exige 
participação na comunidade, para ser evangélica. 
E a política exige participação nas lutas populares 
e o estudo dos problemas sociais, para ser consequente.
Portanto, este é o 7º mandamento: 
A fé é “tratada” na Igreja, 
onde é celebrada, anunciada e refletida. 
A política é melhor “tratada” 
nos movimentos populares, sindicais e nos partidos 
que assumem os direitos dos oprimidos e excluídos. 
Para refletir 
em grupo: 
1. Qual a importância da participação 
na Igreja e na política? 
2. Por que há conflitos, quando uma pessoa 
quer participar de ambos?
8. Todo mundo respira o ar, 
mas nem todos tomam banho diariamente 
e do mesmo jeito. 
Assim, na Igreja os cristãos têm na fé 
o ar comum que todos respiram. 
Mas, na hora de levar para a prática os valores da fé, 
nem todos agem do mesmo jeito e na mesma direção.
• A água é sempre a mesma, 
o jeito de usá-la é que varia. 
• Assim, é preciso não exigir na política, 
o mesmo consenso que há na Igreja em torno da fé. 
• Quando o cristão ingressa na esfera da política, 
não deve esperar que todos 
estejam mais ou menos de acordo, 
como parece acontecer na comunidade eclesial. 
• Assim como a água pode conter 
vermes, sal ou cloro, 
a política tem ideologias, tendências, 
grupos de pressão 
e ambições pessoais ou de grupos.
• Na política, cada uma de suas esferas 
– a dos movimentos populares, 
a sindical 
ou a partidária – 
têm seu jeito próprio, 
sua especificidade, 
seus critérios, 
sua linguagem própria. 
• Quem passa 
de uma esfera a outra, 
sem estar atento 
a essas diferenças, 
acaba “quebrando a cara”! 
Movimentos 
Populares 
Área 
sindical 
Área 
partidária
Portanto, este é o 8º Mandamento 
Não devemos confundir a esfera 
da explicitação religiosa da fé, a Igreja, 
com as esferas políticas. 
Mas, embora diferentes, 
são complementares. 
Para reflexão 
em grupo: 
Como, na sua participação, 
fé e política 
se complementam?
9. Se o rio fica sujo, poluído, 
o oxigênio da água diminui e os peixes morrem asfixiados. 
A água do rio necessita da pureza do oxigênio 
para preservar a vida. 
Assim acontece com a política: 
ela precisa dos valores evangélicos para não ficar poluída.
• Valores como direitos dos necessitados, vida 
para todos, partilha de bens, 
poder como serviço... e outros. 
• Sem esses valores, a política vira politicagem 
e a corrupção mata o projeto da vida. 
• Isso não significa que a política 
deva ser feita em nome da fé. 
• Ela deve ser feita em nome 
do amor, da verdade e da justiça 
aos oprimidos e excluídos.
Portanto, este é o 9º mandamento: 
A fé cristã contém valores 
que criticam e norteiam 
a atividade política. 
Para reflexão 
em grupo: 
1. Quais são esses valores? 
2. Eles conseguem, de fato, 
atingir e nortear a atividade política?
10. Para ser pura, 
a água exige 
cuidados 
ou tratamento. 
Assim, 
para ser popular 
a política exige 
mediações (meios): 
• vinculação com a luta popular, 
• reflexão e análise dos problemas, 
• teoria política, 
• conhecimento da história das forças políticas, etc...
● O ar é à vontade. 
● Mas, se a pessoa não faz exercícios, não anda, 
o pulmão começa a diminuir e fica atrofiado. 
● A pessoa fica sem resistência. 
● O mesmo acontece com a vida de fé: 
se não participamos 
▪ da comunidade, 
▪ dos sacramentos, 
▪ da leitura da Bíblia, 
▪ das celebrações e orações..., 
a nossa fé vai ficando fraca, atrofiada.
Portanto, este é o 10º mandamento: 
A política é tanto mais popular 
quanto mais a gente se encontra 
ligado à luta do povo. 
A fé é tanto mais evangélica 
quanto mais a gente se liga ao Deus da vida, 
através da comunidade cristã. 
Para reflexão 
em grupo: 
Vamos dizer como cada um 
se sente ligado à luta do povo 
e à construção do projeto 
do Deus da vida.
Sem essas amarras 
ao grande navio da libertação, 
o nosso bote fica à deriva, 
solto entre as ondas do 
imprevisto 
e acaba perdendo o rumo.
Texto: Frei Betto 
Imagens e 
formatação: Ir.Eunice Wolff
«Envolver-se na política é uma 
obrigação para um cristão!» 
...disse o Papa Francisco, ao responder perguntas, 
colocadas por algumas das nove mil crianças e jovens 
de escolas e movimentos Jesuítas 
com quem se encontrou no Vaticano (1º de agosto/2014).
• Os cristãos não podem «se fazer de 
Pilatos, lavar as mãos»: 
•«Devemos nos envolver na política, 
porque a política é uma das formas 
mais elevadas da caridade, 
visto que procura o bem comum», 
frisou Francisco.
«Os leigos cristãos 
devem trabalhar na política. 
Dir-me-ão: não é fácil. 
Mas também não o é tornar-se padre. 
A política pode estar demasiado suja, 
mas está suja porque os cristãos 
não se implicaram 
com o espírito evangélico. 
É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? 
Trabalhar para o bem comum 
é dever de cristão!»
EVANGELII GAUDIUM: 
“A Alegria do Evangelho”, nº 205 
• Peço a Deus que cresça o número de políticos 
capazes de entrar num autêntico diálogo 
que vise efetivamente sanar as raízes profundas 
e não a aparência dos males do nosso mundo. 
A política, tão manchada, é uma sublime vocação, 
é uma das formas mais preciosas da caridade, 
porque busca o bem comum. 
• Rezo ao Senhor para que nos conceda 
mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito 
a sociedade, o povo, a vida dos pobres.

Fe e politica eunice e betto

  • 1.
    10 mandamentos da Relação entreFÉ e POLÍTICA Frei Betto (textos) Ir. Eunice Wolff (ilustrações) Pe. Dutra (diagramação final)
  • 3.
    1. Sem respirarninguém vive, pois necessitamos do oxigênio contido no ar. Também não se pode viver sem beber água. A maior parte de nosso corpo é formada por água, como no planeta Terra no qual habitamos. Como o ar, a água contém oxigênio. Ela é uma mistura de dois gases: o oxigênio e o hidrogênio. Por isso é líquida e não gasosa como o ar.
  • 4.
    Assim são aFé e a Política. As duas contém o mesmo “oxigênio”: o Espírito de Deus que tudo anima na direção do Reino. E, assim, como as duas visam libertar, também podem servir para dominar, como a fé dos fariseus ou a política dos opressores.
  • 5.
    Fé e políticanão são a mesma coisa. • A fé é o oxigênio que o Senhor nos dá. • Como diz o apóstolo Paulo, por ela captamos a presença de Deus no qual somos, existimos e nos movemos. • Assim como o ar nos dá vida, a fé nos faz participantes da vida de Deus. • Por ela somo integrados à comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. • A política é uma ferramenta de construção do Reino diferente da fé. • Ela tem algo que não é próprio da fé: o “hidrogênio” das análises da realidade e das estratégias de luta.
  • 6.
    Portanto, este éo 1º mandamento: A fé e a política destinam-se ao mesmo objetivo de realizar o projeto de Deus na história. Mas não são a mesma coisa, são diferentes. Para reflexão em Grupo: 1. Qual o projeto de Deus na história? 2. Como a fé e a política podem ajudar esse projeto?
  • 7.
    2. Não háágua sem oxigênio. Se alguém tirar o oxigênio da água ela deixa de ser matéria líquida, vira gás de oxigênio e gás de hidrogênio. Assim, não há fé sem política.
  • 8.
    A fé éum dom encarnado • No céu não teremos fé, pois veremos o Pai face a face. • Toda vivência de fé é vivência de uma comunidade politicamente situada. • Quando a comunidade cristã afirma que só faz religião e que não se mistura fé com política é porque ela não sabe o que diz, ou está mentindo para encobrir com a fé os seus reais interesses políticos. • Toda comunidade cristã aparentemente apolítica só favorece a política dominante: Passa cheque em branco aos políticos que se encontram no poder.
  • 9.
    •Jesus, em razãoda sua fé, morreu assassinado como prisioneiro político. •Como Jesus, o cristão deve viver sua fé no compromisso libertador com os oprimidos. •Seja qual for o modo de o cristão viver este compromisso evangélico, ele sempre terá consequências políticas.
  • 10.
    Portanto, este éo 2º mandamento: A vivência da fé é necessariamente política. Ela pode sacralizar a opressão ou iluminar a libertação Você conhece algum fato que sirva de exemplo para as duas realidades? Para reflexão em Grupo:
  • 11.
    3. O arque respiramos não custa nada. É de graça. Assim é a fé: – é dom de Deus. Para respirar, basta ter as narinas abertas. Para acolher a fé, basta ter ouvidos e coração abertos a Deus, ao próximo, ao amor. Pela fé participamos do projeto de Deus na história humana. A água não é de graça. Custa dinheiro, exigem-se técnicos e ciência para obtê-la. Assim é a política, não é dom de Deus, é um aprendizado. Exige conhecimento de suas regras, de sua história, de seu programa, de seus objetivos. Pela política, participamos do projeto humano de construção de uma sociedade melhor.
  • 12.
    Portanto, este éo 3º Mandamento A Fé é um dom que nos vem de Deus, através da Igreja, da comunidade dos que creem. A Política é uma ferramenta que exige aprendizado. É arriscado improvisar a política. Para reflexão em Grupo: Como aprender política?
  • 13.
    4. O arque respiramos e a água que bebemos podem ficar poluídos. Perdem a pureza e ficam contaminados por micróbios e bactérias quando não são bem tratados. Assim acontece com a fé e a política. Uma política voltada contra o povo pode poluir a fé. E uma fé desencarnada, legalista, contrária aos direitos dos necessitados, contamina a política.
  • 14.
    Portanto, este éo 4º mandamento: Uma política contrária aos direitos do povo faz da fé expressão de uma religião “ópio do povo”. Esta “religião” só ajuda aos interesses dos opressores. Para reflexão em Grupo: 1. Como a Religião tem ajudado os opressores? 2. Como tem ajudado os oprimidos, excluídos?
  • 15.
    5. A águanão pode existir sem união do oxigênio com o hidrogênio. Mas, o ar que respiramos não necessita e não contém quase nenhum hidrogênio. Porém, o que seria da nossa vida se não houvesse o sol? O sol é um imenso balão de hidrogênio em combustão, isto é, uma bola de fogo, um milhão de vezes maior do que a terra.
  • 16.
    • Assim, apolítica pode ser bem feita por quem não tem fé. • E nem sempre os que têm fé fazem política bem feita. • O Concílio Vaticano II reconhece a autonomia da política. • Autônomo é o que tem movimento próprio. • Um ateu pode fazer uma política justa, favorável aos oprimidos. Porém...
  • 17.
    Porém, a féé o sol que desponta no horizonte da política. Isso não significa que deve haver “política cristã”. Deve haver uma política justa, democrática, voltada para a maioria. Uma política assim, inevitavelmente deverá se encontrar com as verdades da fé. Aliás, isso já acontece a cada vez que a política realiza na sociedade os valores evangélicos: libertação dos pobres e construção da sociedade fraterna.
  • 18.
    Portanto, este éo 5º mandamento: A Política é autônoma, não depende da fé. Mas, uma política popular caminha necessariamente na direção do horizonte apontado pela fé. 1. Você participa de algum movimento que não seja da Igreja? Qual? 2. Como a fé o(a) ajuda nesta participação? Para reflexão em Grupo:
  • 19.
    6. O arenche os pulmões e envia oxigênio para alimentar o nosso organismo. Mas, o ar não serve para lavar as mãos. A água limpa o corpo mas, não serve para respirar. Sem balão de oxigênio, o mergulhador morre afogado no fundo do mar. Assim, a fé não tem receitas para resolver administrativamente problemas como a dívida externa, a reforma agrária, a moradia ou a saúde pública... Isto é tarefa da política.
  • 20.
    A fé mostrao sentido da política: dar vida a todos. Mas, o jeito de dar vida depende da linha da política. Se for uma política injusta, poucos terão vida às custas da morte de muitos, como ocorre no capitalismo. A política é a estrada e a fé o mapa da estrada. Sem mapa, fica difícil construir uma estrada que conduza ao Reino. Sem estrada, o mapa fica só no papel.
  • 21.
    Portanto, este éo 6º mandamento: Fé e política são coisas diferentes que se completam na prática da vida. Para reflexão em grupo: Contar fatos que ilustrem esse mandamento.
  • 22.
    7. Para serpuros e saudáveis, o ar e a água precisam ser tratados. Por isso, os hospitais oferecem oxigênio puro aos pacientes. E, nas casas, a água deve ser fervida ou filtrada, antes de ser tomada. Do mesmo jeito, a fé exige participação na comunidade, para ser evangélica. E a política exige participação nas lutas populares e o estudo dos problemas sociais, para ser consequente.
  • 23.
    Portanto, este éo 7º mandamento: A fé é “tratada” na Igreja, onde é celebrada, anunciada e refletida. A política é melhor “tratada” nos movimentos populares, sindicais e nos partidos que assumem os direitos dos oprimidos e excluídos. Para refletir em grupo: 1. Qual a importância da participação na Igreja e na política? 2. Por que há conflitos, quando uma pessoa quer participar de ambos?
  • 24.
    8. Todo mundorespira o ar, mas nem todos tomam banho diariamente e do mesmo jeito. Assim, na Igreja os cristãos têm na fé o ar comum que todos respiram. Mas, na hora de levar para a prática os valores da fé, nem todos agem do mesmo jeito e na mesma direção.
  • 25.
    • A águaé sempre a mesma, o jeito de usá-la é que varia. • Assim, é preciso não exigir na política, o mesmo consenso que há na Igreja em torno da fé. • Quando o cristão ingressa na esfera da política, não deve esperar que todos estejam mais ou menos de acordo, como parece acontecer na comunidade eclesial. • Assim como a água pode conter vermes, sal ou cloro, a política tem ideologias, tendências, grupos de pressão e ambições pessoais ou de grupos.
  • 26.
    • Na política,cada uma de suas esferas – a dos movimentos populares, a sindical ou a partidária – têm seu jeito próprio, sua especificidade, seus critérios, sua linguagem própria. • Quem passa de uma esfera a outra, sem estar atento a essas diferenças, acaba “quebrando a cara”! Movimentos Populares Área sindical Área partidária
  • 27.
    Portanto, este éo 8º Mandamento Não devemos confundir a esfera da explicitação religiosa da fé, a Igreja, com as esferas políticas. Mas, embora diferentes, são complementares. Para reflexão em grupo: Como, na sua participação, fé e política se complementam?
  • 28.
    9. Se orio fica sujo, poluído, o oxigênio da água diminui e os peixes morrem asfixiados. A água do rio necessita da pureza do oxigênio para preservar a vida. Assim acontece com a política: ela precisa dos valores evangélicos para não ficar poluída.
  • 29.
    • Valores comodireitos dos necessitados, vida para todos, partilha de bens, poder como serviço... e outros. • Sem esses valores, a política vira politicagem e a corrupção mata o projeto da vida. • Isso não significa que a política deva ser feita em nome da fé. • Ela deve ser feita em nome do amor, da verdade e da justiça aos oprimidos e excluídos.
  • 30.
    Portanto, este éo 9º mandamento: A fé cristã contém valores que criticam e norteiam a atividade política. Para reflexão em grupo: 1. Quais são esses valores? 2. Eles conseguem, de fato, atingir e nortear a atividade política?
  • 31.
    10. Para serpura, a água exige cuidados ou tratamento. Assim, para ser popular a política exige mediações (meios): • vinculação com a luta popular, • reflexão e análise dos problemas, • teoria política, • conhecimento da história das forças políticas, etc...
  • 32.
    ● O aré à vontade. ● Mas, se a pessoa não faz exercícios, não anda, o pulmão começa a diminuir e fica atrofiado. ● A pessoa fica sem resistência. ● O mesmo acontece com a vida de fé: se não participamos ▪ da comunidade, ▪ dos sacramentos, ▪ da leitura da Bíblia, ▪ das celebrações e orações..., a nossa fé vai ficando fraca, atrofiada.
  • 33.
    Portanto, este éo 10º mandamento: A política é tanto mais popular quanto mais a gente se encontra ligado à luta do povo. A fé é tanto mais evangélica quanto mais a gente se liga ao Deus da vida, através da comunidade cristã. Para reflexão em grupo: Vamos dizer como cada um se sente ligado à luta do povo e à construção do projeto do Deus da vida.
  • 34.
    Sem essas amarras ao grande navio da libertação, o nosso bote fica à deriva, solto entre as ondas do imprevisto e acaba perdendo o rumo.
  • 35.
    Texto: Frei Betto Imagens e formatação: Ir.Eunice Wolff
  • 36.
    «Envolver-se na políticaé uma obrigação para um cristão!» ...disse o Papa Francisco, ao responder perguntas, colocadas por algumas das nove mil crianças e jovens de escolas e movimentos Jesuítas com quem se encontrou no Vaticano (1º de agosto/2014).
  • 37.
    • Os cristãosnão podem «se fazer de Pilatos, lavar as mãos»: •«Devemos nos envolver na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum», frisou Francisco.
  • 38.
    «Os leigos cristãos devem trabalhar na política. Dir-me-ão: não é fácil. Mas também não o é tornar-se padre. A política pode estar demasiado suja, mas está suja porque os cristãos não se implicaram com o espírito evangélico. É fácil atirar culpas... mas eu, que faço? Trabalhar para o bem comum é dever de cristão!»
  • 40.
    EVANGELII GAUDIUM: “AAlegria do Evangelho”, nº 205 • Peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo. A política, tão manchada, é uma sublime vocação, é uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem comum. • Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos, que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres.