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ERA
VARGAS
(1930 – 1945)
ERA VARGAS
• Governo Provisório (1930-1934)
• Governo Constitucional (1934-1937)
• Estado Novo (1937-1945)
• Segundo Governo Vargas (1951-1954)
Processo de construção pública de sua
pessoa como um líder paternalista,
pacificador das relações sociais, “pai dos
pobres”, defensor intransigente dos interesses
nacionais.
GOVERNO
PROVISÓRIO
(1930-1934)
• Revolução de 1930: movimento político-militar que colocou fim
à República Oligárquica, surgido de uma aglutinação de forças
sociais (oligarquias dissidentes, classes médias, setores da
burguesia urbana) e instituições (exército) que reivindicavam
participação política.
• Getúlio Vargas se transforma no árbitro das forças em disputa.
Nomeia lideranças tenentistas como interventores, substitutos
temporários dos governadores estaduais.
• Tenentismo: divisão entre as tendências de esquerda
(comunismo) e de direita (fascismo), que levou ao esvaziamento
do tenentismo e ao fortalecimento de Getúlio.
• Apelo de Getúlio às classes trabalhadoras urbanas, com a
possibilidade de criação de leis favoráveis aos trabalhadores.
• Getúlio também atraiu as antigas forças agroexportadoras
paulistas (cafeicultores).
Miguel Costa, Góes Monteiro (de pé),
Getúlio Vargas e Francisco Morato.
DEFESA DO SETOR CAFEEIRO E ESTÍMULO À
INDÚSTRIA
• Com o objetivo de apoiar os cafeicultores, abalados
pela Grande Depressão, o Conselho Nacional do Café
(CNC) comprava e estocava o produto em busca de sua
valorização. Os estoques se avolumaram demais e
foram queimados a partir de 1931.
• Importações caíram, reduziu-se a entrada de moeda
estrangeira e de produtos industrializados.
Oportunidade para essa produção ser realizada
dentro do Brasil.
• Crescimento da indústria brasileira entre 1933 e
1939 (indústria leve – têxteis e alimentos).
Industrialização por substituição de importações
consolidado nos anos 1930, com a participação do
Estado.
Queima de café em Santos, no Litoral de São Paulo,
patrocinada pelo governo Vargas, no início dos anos 30.
A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932
• Vargas desagradou as elites paulistas ao nomear João
Alberto (tenentista pernambucano) como interventor do
estado de São Paulo. A tensão continuou após a
nomeação do paulista Pedro de Toledo.
• O Partido Democrático rompeu com Vargas, juntamente
com o Partido Republicano Paulista, formando a Frente
Única Paulista e exigindo a imediata
reconstitucionalização do país. Exigia-se também a
elaboração de uma nova Constituição, atraindo apoio
popular.
• Maio de 1932, conflitos de rua que terminaram com a
morte de estudantes paulistas, organizou-se um
movimento que pregava a luta armada, o MMDC. Em 9 de
julho os líderes paulistas romperam com Vargas. Iniciou-
se a revolução.
Cartaz convocando paulistas a participar da
Revolução Constitucionalista de 1932
• Organização de um exército constitucionalista,
com o alistamento voluntário de jovens. Após
três meses de combate e 900 mortos, as tropas
do governo federal forçaram os paulistas à
rendição.
• Encerrado o movimento de 1932, Vargas
buscou uma composição de governo com os
paulistas derrotados.
• Assembleia Constituinte formada em maio de
1933 e Constituição aprovada em julho de
1934.
• Nova Constituição: Código Eleitoral (voto
secreto, feminino e justiça eleitoral); Tribunal
do Trabalho e legislação trabalhista (direito à
liberdade de organização sindical);
possibilidade de nacionalização de empresas
estrangeiras e monopólio estatal sobre
determinadas indústrias; eleição indireta do
próximo presidente.
Meninos paulistas durante a Revolução Constitucionalista de 1932
 Novembro de 1930: criação do Ministério do
Trabalho, Indústria e Comércio.
 Dezembro: lei de garantia às empresas
estrangeiras de dois terços de trabalhadores
brasileiros em seus quadros.
 1931: Lei de Sindicalização, para regulamento das
relações entre patrões e empregados.
 Apresentação do anteprojeto da Lei do Salário
Mínimo (que só em 1943 seria aprovada).
 Regulamentação das férias, do trabalho de menores
e das mulheres, e estabelecimento de convenções
coletivas de trabalho.
 Política econômica protecionista: alicerce para o
posterior desenvolvimento das indústrias de base.
NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA
Getúlio Vargas e
políticos, 1933
GOVERNO
CONSTITUCIONAL
(1934-1937)
A RADICALIZAÇÃO IDEOLÓGICA
• Radicalização como fenômeno mundial. No
Brasil, marcada pelos integralistas e aliancistas.
• Ação Integralista Brasileira (AIB): criada em
1932, de inspiração fascista, repudiava a
democracia liberal, era contrária ao
comunismo, defendia um governo autoritário,
chefiado por um líder que pudesse levar o país
ao progresso.
• Plínio Salgado, líder da AIB, foi participante da
Semana de 1922, criador do movimento
cultural “verde-amarelismo”, de cunho
nacionalista extremado e racista assumido.
• Em 1933, a AIB realizou grande passeata em
São Paulo, expandindo-se para o Centro-Sul do
Brasil.
Cartaz da AIB e Plínio Salgado em comício
• Aliança Nacional Libertadora (ANL): criada em março
de 1935, era uma frente ampla de oposição ao fascismo
e ao autoritarismo. Participavam indivíduos de diversas
categorias sociais e convicções políticas e filosóficas,
tendo comunistas à frente.
• Programa da ANL baseado na suspensão do pagamento
da dívida externa e seu cancelamento unilateral; na
nacionalização das empresas estrangeiras; na defesa
das liberdades individuais ; no combate ao fascismo,
com a criação de um governo popular; na reforma
agrária, com a manutenção de pequenas e médias
propriedades.
• A ANL foi ativa nas Forças Armadas, especialmente por
conta da participação de parte do tenentismo.
• Vargas decretou a ilegalidade da ANL, que passou a
funcionar na clandestinidade com o controle do PCB
(Partido Comunista Brasileiro).
Panfleto da ANL convidando para comício.
• “Intentona Comunista”: em novembro de 1935
eclodiu um levante planejado pela ANL para ser
iniciado dentro dos quartéis. A falta de coordenação
entre os diversos núcleos comunistas fez com que
começasse em dias diferentes em Natal, Recife e Rio
de Janeiro. Após combates e sem participação
popular, os rebeldes acabaram se rendendo.
• Violenta repressão do governo após o episódio,
especialmente aos comunistas. Decretou-se estado de
guerra, foram criados o Tribunal de Segurança
Nacional (julgamento do que fosse considerado crime
contra a segurança e as instituições) e a Comissão
Nacional de Repressão ao Comunismo.
• O Legislativo perdeu autonomia e as forças policiais
ganharam poder. Fortaleceu-se o poder do
presidente.
Panfleto da ANL sobre o Levante de 1935, com
destaque para Luís Carlos Prestes.
• Sucessão presidencial deveria ocorrer em 1937. Disputa entre
Armando de Salles Oliveira (paulista, oposição liberal ao
centralismo varguista) e José Américo de Almeida (paraibano, que
parecia ser considerado o candidato oficial).
• Às pretensões continuístas de Vargas somaram-se os interesses do
exército. A alta cúpula militar foi atraída por uma solução
autoritária para a crise política, além da implantação da indústria
pesada.
• Setembro de 1937: divulgação do Plano Cohen, suposto plano
comunista para assumir o poder no Brasil. Mais tarde descobriu-se
que o plano era falso, redigido por um oficial integralista do
exército.
• Pretexto para o golpe em 10 de novembro. Fechamento do
Congresso, extinção dos partidos políticos, suspensão da campanha
presidencial e da Constituição. Estava instaurada a ditadura do
Estado Novo.
O GOLPE DO ESTADO NOVO
Anúncio da implantação do Estado Novo, 1937
O ESTADO NOVO
(1937-1945)
• Constituição de 1934 substituída por uma nova,
para dar aparência de legalidade ao novo governo.
Inspirada nas Constituições fascistas da Itália e da
Polônia, apelidada de Polaca.
• Características da Constituição de 1937:
centralização política, com fortalecimento do
poder do presidente; extinção do Legislativo;
subordinação do Judiciário ao Executivo; indicação
dos interventores dos estados pelo presidente;
legislação trabalhista.
• Diferentemente do nazifascismo, o Estado Novo
não tinha o respaldo de um partido político.
• Oposição mínima da população ao golpe, muito em
virtude do apelo anticomunista. Principais líderes
políticos comprometidos com o novo regime.
O ESTADO NOVO (1937-1945)
Operários desfilam com
o retrato de Vargas, 1941.
• Crescente operariado urbano, que apesar de aceitar o
novo regime, passou ter grande importância para a
política brasileira. Os trabalhadores aceitaram Vargas
porque havia também ganhos com sua manutenção no
poder.
• A mais séria tentativa de derrubar o Estado Novo veio
dos integralistas. Apoiaram o golpe de 1937, mas
mantidos à margem do governo, tentaram assaltar o
Palácio da Guanabara e derrubar Vargas (Intentona
Integralista). Com o fracasso, Plínio Salgado foi exilado
e o movimento perdeu força.
• Criação do Departamento de Imprensa e Propaganda
(DIP), responsável por enaltecer os atos do governo e a
figura do presidente (aproximação das camadas
populares).
Capa do folheto Getúlio Vargas,
o amigo das
crianças, 1940
O FORTALECIMENTO DO PODER DO ESTADO
• O DIP tentava controlar os meios de comunicação de
massa, além de realizar violenta censura e promover
eventos culturais que valorizassem a figura de Vargas
(representante dos interesses nacionais).
• Principal meio de fortalecimento do poder do Estado:
aproximação de Vargas dos trabalhadores urbanos, prática
apelidada de populismo. Satisfação das reivindicações
populares por meio das leis trabalhistas. Ao mesmo tempo,
desmobilização dessas camadas populares devido aos
sindicatos atrelados ao Estado (“peleguismo”).
• Foram introduzidos o salário mínimo, a semana de trabalho
de 44 horas, a Justiça do Trabalho, a Consolidação das Leis
Trabalhistas (CLT), a carteira profissional, as férias
remuneradas.
• Proibição de greves e instituição da pena de morte em
casos de crime contra a ordem pública.
Cartaz de propaganda
produzido pelo DIP.
• Com a criação do DIP, em 1939, intensificou-se a propaganda
oficial e a censura aos meios de comunicação (radio, cinema,
teatro e imprensa). Produção do programa de rádio “A Hora
do Brasil”, que divulgava realizações do governo.
• Produção de cartazes que apresentavam Getúlio como
“salvador da Pátria”.
• Ministério da Educação: disciplina de moral e civismo; aulas
de canto com repertório nacionalista; desfiles e paradas nas
datas cívicas; livros didáticos que promoviam o culto à
personalidade de Getúlio e exaltação de seu governo.
• Música popular: encomendas de letras favoráveis à sua
política, como o samba “Salve 19 de abril”.
A PROPAGANDA GETULISTA
Recepção a Getúlio Vargas em um dos
comícios em São Januário.
• Ênfase no prosseguimento da industrialização por substituição de importações.
• O princípio da propriedade privada jamais foi questionado pelo regime. As empresas estatais
passaram a representar um complemento do setor privado. O governo passava a realizar ações
para dirigir o desenvolvimento da economia.
A INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA
Indústria pesada (ou de base) necessitava de grandes
investimento com retorno de longo prazo. As maiores
estatais se dedicavam aos setores de: siderurgia
(Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda –
RJ); mineração (Companhia Vale do Rio Doce, em Minas
Gerais); mecânica pesada (Fábrica Nacional de Motores,
RJ); química (Fábrica Nacional de Álcalis, Cabo Frio –
RJ); hidroeletricidade (Companhia Hidrelétrica do Vale
do São Francisco).
Industrialização se consolida em meio a um regime
autoritário – modernização conservadora.
Crescimento anual da agricultura e
indústria no Brasil
PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NA SEGUNDA GUERRA
MUNDIAL
Na política externa, Vargas opta por linha de neutralidade
e pragmatismo, negociando com quem oferecesse maiores
vantagens ao governo.
Em junho de 1940, Vargas chegou a saudar o sucesso
nazista.
Aproximação dos Estados Unidos e empréstimo de 20
milhões de dólares para a construção da usina siderúrgica
de Volta Redonda. Governo brasileiro agora favorável aos
aliados.
Ataque a navios brasileiros, supostamente realizado
pelos alemães, em fevereiro de 1942, possibilita a entrada
do país no conflito mundial.
Soldados brasileiros do Segundo Escalão
da Força Expedicionária Brasileira chegando de
navio à Itália para combater ao lado dos
Aliados, 1944.
• Participação na Segunda Guerra Mundial: combatia-se
uma ditadura fascista enquanto no Brasil se mantinha
um regime ditatorial.
• Manifesto dos Mineiros, em 1943, pedia o fim da
ditadura e a redemocratização do país. Defesa da
realização de eleições feita também pelo general Góis
Monteiro.
• Vargas decretou a regulamentação dos partidos em
fevereiro de 1945, marcando eleições gerais para o final
do mesmo ano. Redemocratização inevitável.
• Organização de partidos para o apoiarem: o Partido
Trabalhista (PTB), criado dos sindicatos controlados por
Vargas e o Partido Social Democrata (PSD), formado com
o apoio dos interventores estatais nos estados.
A CRISE DO ESTADO NOVO E A REDEMOCRATIZAÇÃO
• A oposição organizava a União Democrática
Nacional (UDN), de cunho liberal. O Partido
Comunista Brasileiro (PCB) também voltava à
legalidade.
• Movimento queremista: organizado pelos aliados
de Getúlio, com comícios nos quais repetia-se o
lema “Queremos Getúlio!”. Adesão bastante
grande, até mesmo dos comunistas,
comprometidos com o combate ao fascismo.
• Temendo uma guinada à esquerda por parte do
presidente, o exército desencadeou um golpe e
derrubou Getúlio em outubro de 1945, garantindo
a realização de eleições sem sua participação.
Encerrava-se o Estado Novo.
• A eleição foi vencida pelo general Eurico Gaspar
Dutra (PSD + PTB), em dezembro de 1945.
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Era Vargas

  • 2. ERA VARGAS • Governo Provisório (1930-1934) • Governo Constitucional (1934-1937) • Estado Novo (1937-1945) • Segundo Governo Vargas (1951-1954) Processo de construção pública de sua pessoa como um líder paternalista, pacificador das relações sociais, “pai dos pobres”, defensor intransigente dos interesses nacionais.
  • 4. • Revolução de 1930: movimento político-militar que colocou fim à República Oligárquica, surgido de uma aglutinação de forças sociais (oligarquias dissidentes, classes médias, setores da burguesia urbana) e instituições (exército) que reivindicavam participação política. • Getúlio Vargas se transforma no árbitro das forças em disputa. Nomeia lideranças tenentistas como interventores, substitutos temporários dos governadores estaduais. • Tenentismo: divisão entre as tendências de esquerda (comunismo) e de direita (fascismo), que levou ao esvaziamento do tenentismo e ao fortalecimento de Getúlio. • Apelo de Getúlio às classes trabalhadoras urbanas, com a possibilidade de criação de leis favoráveis aos trabalhadores. • Getúlio também atraiu as antigas forças agroexportadoras paulistas (cafeicultores). Miguel Costa, Góes Monteiro (de pé), Getúlio Vargas e Francisco Morato.
  • 5. DEFESA DO SETOR CAFEEIRO E ESTÍMULO À INDÚSTRIA • Com o objetivo de apoiar os cafeicultores, abalados pela Grande Depressão, o Conselho Nacional do Café (CNC) comprava e estocava o produto em busca de sua valorização. Os estoques se avolumaram demais e foram queimados a partir de 1931. • Importações caíram, reduziu-se a entrada de moeda estrangeira e de produtos industrializados. Oportunidade para essa produção ser realizada dentro do Brasil. • Crescimento da indústria brasileira entre 1933 e 1939 (indústria leve – têxteis e alimentos). Industrialização por substituição de importações consolidado nos anos 1930, com a participação do Estado. Queima de café em Santos, no Litoral de São Paulo, patrocinada pelo governo Vargas, no início dos anos 30.
  • 6. A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932 • Vargas desagradou as elites paulistas ao nomear João Alberto (tenentista pernambucano) como interventor do estado de São Paulo. A tensão continuou após a nomeação do paulista Pedro de Toledo. • O Partido Democrático rompeu com Vargas, juntamente com o Partido Republicano Paulista, formando a Frente Única Paulista e exigindo a imediata reconstitucionalização do país. Exigia-se também a elaboração de uma nova Constituição, atraindo apoio popular. • Maio de 1932, conflitos de rua que terminaram com a morte de estudantes paulistas, organizou-se um movimento que pregava a luta armada, o MMDC. Em 9 de julho os líderes paulistas romperam com Vargas. Iniciou- se a revolução. Cartaz convocando paulistas a participar da Revolução Constitucionalista de 1932
  • 7. • Organização de um exército constitucionalista, com o alistamento voluntário de jovens. Após três meses de combate e 900 mortos, as tropas do governo federal forçaram os paulistas à rendição. • Encerrado o movimento de 1932, Vargas buscou uma composição de governo com os paulistas derrotados. • Assembleia Constituinte formada em maio de 1933 e Constituição aprovada em julho de 1934. • Nova Constituição: Código Eleitoral (voto secreto, feminino e justiça eleitoral); Tribunal do Trabalho e legislação trabalhista (direito à liberdade de organização sindical); possibilidade de nacionalização de empresas estrangeiras e monopólio estatal sobre determinadas indústrias; eleição indireta do próximo presidente. Meninos paulistas durante a Revolução Constitucionalista de 1932
  • 8.  Novembro de 1930: criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.  Dezembro: lei de garantia às empresas estrangeiras de dois terços de trabalhadores brasileiros em seus quadros.  1931: Lei de Sindicalização, para regulamento das relações entre patrões e empregados.  Apresentação do anteprojeto da Lei do Salário Mínimo (que só em 1943 seria aprovada).  Regulamentação das férias, do trabalho de menores e das mulheres, e estabelecimento de convenções coletivas de trabalho.  Política econômica protecionista: alicerce para o posterior desenvolvimento das indústrias de base. NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA Getúlio Vargas e políticos, 1933
  • 10. A RADICALIZAÇÃO IDEOLÓGICA • Radicalização como fenômeno mundial. No Brasil, marcada pelos integralistas e aliancistas. • Ação Integralista Brasileira (AIB): criada em 1932, de inspiração fascista, repudiava a democracia liberal, era contrária ao comunismo, defendia um governo autoritário, chefiado por um líder que pudesse levar o país ao progresso. • Plínio Salgado, líder da AIB, foi participante da Semana de 1922, criador do movimento cultural “verde-amarelismo”, de cunho nacionalista extremado e racista assumido. • Em 1933, a AIB realizou grande passeata em São Paulo, expandindo-se para o Centro-Sul do Brasil. Cartaz da AIB e Plínio Salgado em comício
  • 11. • Aliança Nacional Libertadora (ANL): criada em março de 1935, era uma frente ampla de oposição ao fascismo e ao autoritarismo. Participavam indivíduos de diversas categorias sociais e convicções políticas e filosóficas, tendo comunistas à frente. • Programa da ANL baseado na suspensão do pagamento da dívida externa e seu cancelamento unilateral; na nacionalização das empresas estrangeiras; na defesa das liberdades individuais ; no combate ao fascismo, com a criação de um governo popular; na reforma agrária, com a manutenção de pequenas e médias propriedades. • A ANL foi ativa nas Forças Armadas, especialmente por conta da participação de parte do tenentismo. • Vargas decretou a ilegalidade da ANL, que passou a funcionar na clandestinidade com o controle do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Panfleto da ANL convidando para comício.
  • 12. • “Intentona Comunista”: em novembro de 1935 eclodiu um levante planejado pela ANL para ser iniciado dentro dos quartéis. A falta de coordenação entre os diversos núcleos comunistas fez com que começasse em dias diferentes em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Após combates e sem participação popular, os rebeldes acabaram se rendendo. • Violenta repressão do governo após o episódio, especialmente aos comunistas. Decretou-se estado de guerra, foram criados o Tribunal de Segurança Nacional (julgamento do que fosse considerado crime contra a segurança e as instituições) e a Comissão Nacional de Repressão ao Comunismo. • O Legislativo perdeu autonomia e as forças policiais ganharam poder. Fortaleceu-se o poder do presidente. Panfleto da ANL sobre o Levante de 1935, com destaque para Luís Carlos Prestes.
  • 13. • Sucessão presidencial deveria ocorrer em 1937. Disputa entre Armando de Salles Oliveira (paulista, oposição liberal ao centralismo varguista) e José Américo de Almeida (paraibano, que parecia ser considerado o candidato oficial). • Às pretensões continuístas de Vargas somaram-se os interesses do exército. A alta cúpula militar foi atraída por uma solução autoritária para a crise política, além da implantação da indústria pesada. • Setembro de 1937: divulgação do Plano Cohen, suposto plano comunista para assumir o poder no Brasil. Mais tarde descobriu-se que o plano era falso, redigido por um oficial integralista do exército. • Pretexto para o golpe em 10 de novembro. Fechamento do Congresso, extinção dos partidos políticos, suspensão da campanha presidencial e da Constituição. Estava instaurada a ditadura do Estado Novo. O GOLPE DO ESTADO NOVO Anúncio da implantação do Estado Novo, 1937
  • 15. • Constituição de 1934 substituída por uma nova, para dar aparência de legalidade ao novo governo. Inspirada nas Constituições fascistas da Itália e da Polônia, apelidada de Polaca. • Características da Constituição de 1937: centralização política, com fortalecimento do poder do presidente; extinção do Legislativo; subordinação do Judiciário ao Executivo; indicação dos interventores dos estados pelo presidente; legislação trabalhista. • Diferentemente do nazifascismo, o Estado Novo não tinha o respaldo de um partido político. • Oposição mínima da população ao golpe, muito em virtude do apelo anticomunista. Principais líderes políticos comprometidos com o novo regime. O ESTADO NOVO (1937-1945) Operários desfilam com o retrato de Vargas, 1941.
  • 16. • Crescente operariado urbano, que apesar de aceitar o novo regime, passou ter grande importância para a política brasileira. Os trabalhadores aceitaram Vargas porque havia também ganhos com sua manutenção no poder. • A mais séria tentativa de derrubar o Estado Novo veio dos integralistas. Apoiaram o golpe de 1937, mas mantidos à margem do governo, tentaram assaltar o Palácio da Guanabara e derrubar Vargas (Intentona Integralista). Com o fracasso, Plínio Salgado foi exilado e o movimento perdeu força. • Criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), responsável por enaltecer os atos do governo e a figura do presidente (aproximação das camadas populares). Capa do folheto Getúlio Vargas, o amigo das crianças, 1940 O FORTALECIMENTO DO PODER DO ESTADO
  • 17. • O DIP tentava controlar os meios de comunicação de massa, além de realizar violenta censura e promover eventos culturais que valorizassem a figura de Vargas (representante dos interesses nacionais). • Principal meio de fortalecimento do poder do Estado: aproximação de Vargas dos trabalhadores urbanos, prática apelidada de populismo. Satisfação das reivindicações populares por meio das leis trabalhistas. Ao mesmo tempo, desmobilização dessas camadas populares devido aos sindicatos atrelados ao Estado (“peleguismo”). • Foram introduzidos o salário mínimo, a semana de trabalho de 44 horas, a Justiça do Trabalho, a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), a carteira profissional, as férias remuneradas. • Proibição de greves e instituição da pena de morte em casos de crime contra a ordem pública. Cartaz de propaganda produzido pelo DIP.
  • 18. • Com a criação do DIP, em 1939, intensificou-se a propaganda oficial e a censura aos meios de comunicação (radio, cinema, teatro e imprensa). Produção do programa de rádio “A Hora do Brasil”, que divulgava realizações do governo. • Produção de cartazes que apresentavam Getúlio como “salvador da Pátria”. • Ministério da Educação: disciplina de moral e civismo; aulas de canto com repertório nacionalista; desfiles e paradas nas datas cívicas; livros didáticos que promoviam o culto à personalidade de Getúlio e exaltação de seu governo. • Música popular: encomendas de letras favoráveis à sua política, como o samba “Salve 19 de abril”. A PROPAGANDA GETULISTA Recepção a Getúlio Vargas em um dos comícios em São Januário.
  • 19. • Ênfase no prosseguimento da industrialização por substituição de importações. • O princípio da propriedade privada jamais foi questionado pelo regime. As empresas estatais passaram a representar um complemento do setor privado. O governo passava a realizar ações para dirigir o desenvolvimento da economia. A INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA Indústria pesada (ou de base) necessitava de grandes investimento com retorno de longo prazo. As maiores estatais se dedicavam aos setores de: siderurgia (Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda – RJ); mineração (Companhia Vale do Rio Doce, em Minas Gerais); mecânica pesada (Fábrica Nacional de Motores, RJ); química (Fábrica Nacional de Álcalis, Cabo Frio – RJ); hidroeletricidade (Companhia Hidrelétrica do Vale do São Francisco). Industrialização se consolida em meio a um regime autoritário – modernização conservadora. Crescimento anual da agricultura e indústria no Brasil
  • 20. PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL Na política externa, Vargas opta por linha de neutralidade e pragmatismo, negociando com quem oferecesse maiores vantagens ao governo. Em junho de 1940, Vargas chegou a saudar o sucesso nazista. Aproximação dos Estados Unidos e empréstimo de 20 milhões de dólares para a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda. Governo brasileiro agora favorável aos aliados. Ataque a navios brasileiros, supostamente realizado pelos alemães, em fevereiro de 1942, possibilita a entrada do país no conflito mundial. Soldados brasileiros do Segundo Escalão da Força Expedicionária Brasileira chegando de navio à Itália para combater ao lado dos Aliados, 1944.
  • 21. • Participação na Segunda Guerra Mundial: combatia-se uma ditadura fascista enquanto no Brasil se mantinha um regime ditatorial. • Manifesto dos Mineiros, em 1943, pedia o fim da ditadura e a redemocratização do país. Defesa da realização de eleições feita também pelo general Góis Monteiro. • Vargas decretou a regulamentação dos partidos em fevereiro de 1945, marcando eleições gerais para o final do mesmo ano. Redemocratização inevitável. • Organização de partidos para o apoiarem: o Partido Trabalhista (PTB), criado dos sindicatos controlados por Vargas e o Partido Social Democrata (PSD), formado com o apoio dos interventores estatais nos estados. A CRISE DO ESTADO NOVO E A REDEMOCRATIZAÇÃO
  • 22. • A oposição organizava a União Democrática Nacional (UDN), de cunho liberal. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) também voltava à legalidade. • Movimento queremista: organizado pelos aliados de Getúlio, com comícios nos quais repetia-se o lema “Queremos Getúlio!”. Adesão bastante grande, até mesmo dos comunistas, comprometidos com o combate ao fascismo. • Temendo uma guinada à esquerda por parte do presidente, o exército desencadeou um golpe e derrubou Getúlio em outubro de 1945, garantindo a realização de eleições sem sua participação. Encerrava-se o Estado Novo. • A eleição foi vencida pelo general Eurico Gaspar Dutra (PSD + PTB), em dezembro de 1945. Movimento queremista.
  • 23. ERA VARGAS História do Brasil por Boris Fausto