Epistemologia
Teoria do Conhecimento
O problema da epistemologia é: “como
conhecemos e como poderemos justificar
nossos conhecimentos, saber o que
conhecemos”. “O saber do conhecimento”.
Saber, ter conhecimento de ...
Conhecer, ter noção de ...
O problema do conhecimento remonta
à Platão
A Alegoria da Caverna
Análise e vocabulário do pensamento
platônico
A caverna representa o mundo sensível, lugar
dos corpos nos quais se encarnaram as almas
depois da queda do mundo inteligível, mundo
das ideias. A penumbra na qual eles estão
mergulhados é a penumbra do conhecimento
obscuro.
Episteme e Doxa
Episteme, saber adquirido pelo
estudo; ciência.
Doxa, crença, opinião (contrário de
episteme).
Episteme, ciência. A ciência, conhecimento
do universal. Em Platão, a ciência tem como
objeto o Mundo inteligível, as Essências,
eidos: são as Realidades verdadeiras.
Em Aristóteles, "a ciência é o conceito do
universal e do necessário". "Ela tem por
objeto aquilo que existe necessariamente e
é por isso eterno".
A imprecisão do conhecimento vulgar
decorre do fato de que se destina
exclusivamente à sobrevivência bioló-
gica do homem no seu meio físico. O
que não diz respeito a isto não entra em
linha de conta para o mesmo. O conhe-
cimento filosófico, Este difere do vulgar
por algumas propriedades. É um conhe-
cimento critico - epistémico - ao
Supõe critérios e métodos precisos na
sua elaboração. Acha-se sempre sob
mira de revisão e de aumentos cons-
tantes e planejados. É, ao contrário da
desordem do anterior, arquitetural. E
reflexivo. O saber crítico é coerente,
não admite contradições em suas par-
tes por ser consciente de si e não admi-
tir nada sem exame prévio.
O conhecimento filosófico é altamente
reflexivo. O científico é rigorosamente
experimental e lógico. O técnico é
extremamente comprovado pela prá-tica
diária. Um conhecimento é critico quando
nasce daquela disposição metódica segundo
a qual nada se pode aceitar sem provas
sólidas ou sem exame prévio ou reflexivo do
assunto.
Assim o conhecimento filosófico é:
1. Crítico;
2. Metódico;
3. Reflexivo;
4. Arquitetural ou sistemático, isto é,
apresenta-se em geral em forma de
um sistema.
Para Platão o Ser era perfeito e esférico.
Antes das almas encanarem nos nossos
corpos tinha contemplado as ideias, as
formas eternas, o Ser. O mundo das ideias é
perfeito. Mas este mundo não, pois é uma
cópia dos paradigmas. Quem fez este mundo
não foi Deus e sim o Demiurgo.
Demiourgós, Demiurgo, Latim: faber; creator.
O operário divino que modela o mundo a
partir da matéria primitiva. Essa palavra é
composta de démios: plebeu, popular, e de
érgon: obra, trabalho. O primeiro sentido de
demiourgós é: operário, artífice, fabricante.
Foi Platão que lhe deu um sentido filosófico.
Com os olhos fixos nos Paradigmas eternos,
ele modela o mundo à sua imagem.
Psykhé, alma. Latim: anima. Platão mostra o
Demiurgo formando duas almas para o
homem: uma dotada de um princípio imortal
e fadada a separar-se do corpo, e outra
mortal, para animar o corpo. No entanto, ele
divide a alma em três partes; mas também
tomou como ponto de partida uma divisão
bipartite: princípio racional logos, e princípio
irracional (álogon).
Demiurgo
Mas este último se desdobra em coração
(thymós), que tem sede no peito e preside à
vida afetiva, e sensibilidade, que tem sede no
ventre e preside à vida vegetativa. Platão
depois estabelecerá uma corres-pondência
dessas três partes da alma com as classes
sociais: o povo, governado pela sensibilidade;
os guerreiros, governados pela força; os
dirigentes, governados pela razão.
Aristóteles adota o esquema bipartite
a alma humana compreende, por um
lado, uma alma dotada de razão e, por
outro, uma alma desprovida de razão.
Parádeigma, modelo. Latim: exemplar.
Em Platão, os paradigmata são as
Essências eternas, modelos a partir
dos quais as realidades sensíveis
vieram á ser.
Nous, espírito. Latim: spiritus, intellectus.
Esse termo tem dois sentidos:
1. Substância: espírito;
2. Faculdade mental: inteligência.
Essa forma, usual nos filósofos clássicos, é a
contração de nó-os, que se encontra no
dialeto jônio; o radical no designa
pensamento.
A linguagem filosófica emprega vários
derivados:
nóesis: Razão contemplativa
noein: Ato de pensar.
Diánoia: Razão raciocinante.
Ágnoia: Ignorância.
Eíde, essência. A palavra eidos tem
múltiplos sentidos, que encerram, de
qualquer maneira, a noção de
generalidade, seja nos seres, seja na
inteligência.
Alegoria da Caverna, seu significado
Alegoria Significado
Os homens, desde o
nascimento, estão
acorrentados numa
morada subterrâ-nea.
Os homens, desde a
encarnação, estão
mergulhados na
penumbra do corpo.
Das realidades
exteriores, às quais dão
as costas, eles só
conhecem a projeção
das sombras na parede.
Eles só conhecem as
verdadeiras Realidades
eternas pelo mundo
sensível, que é sombra
do mundo real (dóxa).
Alegoria Significado
O prisioneiro liberto é
incapaz de se mover
no mundo real; fica
ofuscado e não pode
distinguir os
verdadeiros objetos.
A libertação da alma é
difícil e dolorosa: nos
primeiros graus da
kátharsis, não é
possível conhecer as
Essências.
Alegoria Significado
Os prisioneiros
arrastados para fora
revoltam-se e preferem
voltar para a caverna.
Devido a essa
dificuldade, a maioria
dos homens rejeita a
filosofia.
Alegoria Significado
Se eles quiserem realmente
ver o mundo superior,
precisarão proceder de
modo sistemático: ver
primeiramente as sombras
dos homens e suas
imagens na água, para
depois ver os objetos.
Se quiserem
realmente ver o
mundo superior,
precisarão passar
pela dialética:
primeiramente, a
conjectura (eikasía),
depois a percepção
(pístis),
Alegoria Significado
Em seguida, verão à
noite a lua e as
estrelas e,
finalmente, o próprio
sol.
em seguida o conhecimento
das Essências (eíde) e por
fim o conhecimento do
próprio Bem (Agathón).
Alegoria Significado
Então, eles ficam sabendo
que é o sol que governa o
mundo sensível, e que ele
também era a causa das
sombras na parede.
Então, o filósofo vê
que o Bem é a causa
das Essências, assim
como do mundo
sensível.
Alegoria Significado
Aquele que,
habituado à visão do
sol, volta à caverna,
fica com os olhos
feridos pela visão.
O filósofo só sente
indiferença pelo
mundo sensível e por
seus prazeres: nele só
encontra incômodo e
desagrado.
Alegoria Significado
Apesar disso, retorna, por
piedade pelos
companheiros de outrora.
No entanto, ele se mistura
aos homens para trazer-
lhes a verdade.
Mas estes zombam de
sua atitude des-
prendida e se recu-sam
a segui-lo para o alto.
Sentem até mesmo
ódio por ele e procuram
matá-lo.
Mas estes não reco-
nhecem sua santida-de e
se negam à con-versão.
Preferem li-vrar-se dele
definiti-vamente, como
ocor-reu com Sócrates.
Para atingir o conhecimento
precisamos da dialética, catarse,
crença, conjectura.
Dialektiké, dialética. Composto de légo, falar,
e diá, preposição que indica um movimento. A
dialética é, em seu primeito sentido, um
diálogo. Platão, que adota esse termo em
filosofia, lhe dá o sentido de ascensão
espiritual. Aristóteles mantém o seu sentido
lógico.
Kátharsis, purificação. Método progressivo de
desapego dos sentidos para viver segundo o
pensamento. Em Platão, a kátharsis é um
longo exercício de ascese para livrar- se do
corpo, exigência da filosofia.
Pístis, crença. Em Platão, conhecimento dos
objetos sensíveis, um dos estágios da
dialética.
Eikasía, conjectura. Em Platão, conhecimento
indireto dos objetos sensíveis, primeira etapa
da dialética.
Logos e doxa
Logos, razão. Em Heráclito, o logos é
essencialmente a razão universal, espécie de
alma do mundo. Faculdade mental superior,
sinônimo de inteligência conceitual e
raciocinante; raciocínio; conceito.
Gnosis, conhecimento.
Gnosiologia, estuda a formação dos
conceitos.
Episteme, saber adquirido pelo estudo;
ciência.
Para Platão só pelo conhecimento, episteme,
podemos atingir a felicidade e só o sábio pode
ser bom, bondade.
Agathón, o bem, latim: bonum. O Bem é o
objetivo que se oferece à vida de todo
homem. É ele a fonte da felicidade
(eudaimonía), busca incessante da alma.
Fontes:
Gobry, Ivan. Vocabulário grego de
filosofia
Teles, Antonio Xavier. Novo curso de
filosofia Epistemologia
Fim

Episteme 2016

  • 1.
  • 2.
    Teoria do Conhecimento Oproblema da epistemologia é: “como conhecemos e como poderemos justificar nossos conhecimentos, saber o que conhecemos”. “O saber do conhecimento”. Saber, ter conhecimento de ... Conhecer, ter noção de ...
  • 3.
    O problema doconhecimento remonta à Platão
  • 4.
    A Alegoria daCaverna Análise e vocabulário do pensamento platônico
  • 5.
    A caverna representao mundo sensível, lugar dos corpos nos quais se encarnaram as almas depois da queda do mundo inteligível, mundo das ideias. A penumbra na qual eles estão mergulhados é a penumbra do conhecimento obscuro.
  • 6.
    Episteme e Doxa Episteme,saber adquirido pelo estudo; ciência. Doxa, crença, opinião (contrário de episteme).
  • 7.
    Episteme, ciência. Aciência, conhecimento do universal. Em Platão, a ciência tem como objeto o Mundo inteligível, as Essências, eidos: são as Realidades verdadeiras. Em Aristóteles, "a ciência é o conceito do universal e do necessário". "Ela tem por objeto aquilo que existe necessariamente e é por isso eterno".
  • 8.
    A imprecisão doconhecimento vulgar decorre do fato de que se destina exclusivamente à sobrevivência bioló- gica do homem no seu meio físico. O que não diz respeito a isto não entra em linha de conta para o mesmo. O conhe- cimento filosófico, Este difere do vulgar por algumas propriedades. É um conhe- cimento critico - epistémico - ao
  • 9.
    Supõe critérios emétodos precisos na sua elaboração. Acha-se sempre sob mira de revisão e de aumentos cons- tantes e planejados. É, ao contrário da desordem do anterior, arquitetural. E reflexivo. O saber crítico é coerente, não admite contradições em suas par- tes por ser consciente de si e não admi- tir nada sem exame prévio.
  • 10.
    O conhecimento filosóficoé altamente reflexivo. O científico é rigorosamente experimental e lógico. O técnico é extremamente comprovado pela prá-tica diária. Um conhecimento é critico quando nasce daquela disposição metódica segundo a qual nada se pode aceitar sem provas sólidas ou sem exame prévio ou reflexivo do assunto.
  • 11.
    Assim o conhecimentofilosófico é: 1. Crítico; 2. Metódico; 3. Reflexivo; 4. Arquitetural ou sistemático, isto é, apresenta-se em geral em forma de um sistema.
  • 12.
    Para Platão oSer era perfeito e esférico. Antes das almas encanarem nos nossos corpos tinha contemplado as ideias, as formas eternas, o Ser. O mundo das ideias é perfeito. Mas este mundo não, pois é uma cópia dos paradigmas. Quem fez este mundo não foi Deus e sim o Demiurgo.
  • 13.
    Demiourgós, Demiurgo, Latim:faber; creator. O operário divino que modela o mundo a partir da matéria primitiva. Essa palavra é composta de démios: plebeu, popular, e de érgon: obra, trabalho. O primeiro sentido de demiourgós é: operário, artífice, fabricante. Foi Platão que lhe deu um sentido filosófico. Com os olhos fixos nos Paradigmas eternos, ele modela o mundo à sua imagem.
  • 14.
    Psykhé, alma. Latim:anima. Platão mostra o Demiurgo formando duas almas para o homem: uma dotada de um princípio imortal e fadada a separar-se do corpo, e outra mortal, para animar o corpo. No entanto, ele divide a alma em três partes; mas também tomou como ponto de partida uma divisão bipartite: princípio racional logos, e princípio irracional (álogon).
  • 15.
  • 16.
    Mas este últimose desdobra em coração (thymós), que tem sede no peito e preside à vida afetiva, e sensibilidade, que tem sede no ventre e preside à vida vegetativa. Platão depois estabelecerá uma corres-pondência dessas três partes da alma com as classes sociais: o povo, governado pela sensibilidade; os guerreiros, governados pela força; os dirigentes, governados pela razão.
  • 17.
    Aristóteles adota oesquema bipartite a alma humana compreende, por um lado, uma alma dotada de razão e, por outro, uma alma desprovida de razão.
  • 18.
    Parádeigma, modelo. Latim:exemplar. Em Platão, os paradigmata são as Essências eternas, modelos a partir dos quais as realidades sensíveis vieram á ser.
  • 19.
    Nous, espírito. Latim:spiritus, intellectus. Esse termo tem dois sentidos: 1. Substância: espírito; 2. Faculdade mental: inteligência. Essa forma, usual nos filósofos clássicos, é a contração de nó-os, que se encontra no dialeto jônio; o radical no designa pensamento.
  • 20.
    A linguagem filosóficaemprega vários derivados: nóesis: Razão contemplativa noein: Ato de pensar. Diánoia: Razão raciocinante. Ágnoia: Ignorância.
  • 21.
    Eíde, essência. Apalavra eidos tem múltiplos sentidos, que encerram, de qualquer maneira, a noção de generalidade, seja nos seres, seja na inteligência.
  • 22.
    Alegoria da Caverna,seu significado
  • 23.
    Alegoria Significado Os homens,desde o nascimento, estão acorrentados numa morada subterrâ-nea. Os homens, desde a encarnação, estão mergulhados na penumbra do corpo. Das realidades exteriores, às quais dão as costas, eles só conhecem a projeção das sombras na parede. Eles só conhecem as verdadeiras Realidades eternas pelo mundo sensível, que é sombra do mundo real (dóxa).
  • 24.
    Alegoria Significado O prisioneiroliberto é incapaz de se mover no mundo real; fica ofuscado e não pode distinguir os verdadeiros objetos. A libertação da alma é difícil e dolorosa: nos primeiros graus da kátharsis, não é possível conhecer as Essências.
  • 25.
    Alegoria Significado Os prisioneiros arrastadospara fora revoltam-se e preferem voltar para a caverna. Devido a essa dificuldade, a maioria dos homens rejeita a filosofia.
  • 26.
    Alegoria Significado Se elesquiserem realmente ver o mundo superior, precisarão proceder de modo sistemático: ver primeiramente as sombras dos homens e suas imagens na água, para depois ver os objetos. Se quiserem realmente ver o mundo superior, precisarão passar pela dialética: primeiramente, a conjectura (eikasía), depois a percepção (pístis),
  • 27.
    Alegoria Significado Em seguida,verão à noite a lua e as estrelas e, finalmente, o próprio sol. em seguida o conhecimento das Essências (eíde) e por fim o conhecimento do próprio Bem (Agathón).
  • 28.
    Alegoria Significado Então, elesficam sabendo que é o sol que governa o mundo sensível, e que ele também era a causa das sombras na parede. Então, o filósofo vê que o Bem é a causa das Essências, assim como do mundo sensível.
  • 29.
    Alegoria Significado Aquele que, habituadoà visão do sol, volta à caverna, fica com os olhos feridos pela visão. O filósofo só sente indiferença pelo mundo sensível e por seus prazeres: nele só encontra incômodo e desagrado.
  • 30.
    Alegoria Significado Apesar disso,retorna, por piedade pelos companheiros de outrora. No entanto, ele se mistura aos homens para trazer- lhes a verdade. Mas estes zombam de sua atitude des- prendida e se recu-sam a segui-lo para o alto. Sentem até mesmo ódio por ele e procuram matá-lo. Mas estes não reco- nhecem sua santida-de e se negam à con-versão. Preferem li-vrar-se dele definiti-vamente, como ocor-reu com Sócrates.
  • 31.
    Para atingir oconhecimento precisamos da dialética, catarse, crença, conjectura.
  • 32.
    Dialektiké, dialética. Compostode légo, falar, e diá, preposição que indica um movimento. A dialética é, em seu primeito sentido, um diálogo. Platão, que adota esse termo em filosofia, lhe dá o sentido de ascensão espiritual. Aristóteles mantém o seu sentido lógico.
  • 33.
    Kátharsis, purificação. Métodoprogressivo de desapego dos sentidos para viver segundo o pensamento. Em Platão, a kátharsis é um longo exercício de ascese para livrar- se do corpo, exigência da filosofia.
  • 34.
    Pístis, crença. EmPlatão, conhecimento dos objetos sensíveis, um dos estágios da dialética. Eikasía, conjectura. Em Platão, conhecimento indireto dos objetos sensíveis, primeira etapa da dialética.
  • 35.
    Logos e doxa Logos,razão. Em Heráclito, o logos é essencialmente a razão universal, espécie de alma do mundo. Faculdade mental superior, sinônimo de inteligência conceitual e raciocinante; raciocínio; conceito.
  • 36.
    Gnosis, conhecimento. Gnosiologia, estudaa formação dos conceitos. Episteme, saber adquirido pelo estudo; ciência.
  • 37.
    Para Platão sópelo conhecimento, episteme, podemos atingir a felicidade e só o sábio pode ser bom, bondade. Agathón, o bem, latim: bonum. O Bem é o objetivo que se oferece à vida de todo homem. É ele a fonte da felicidade (eudaimonía), busca incessante da alma.
  • 38.
    Fontes: Gobry, Ivan. Vocabuláriogrego de filosofia Teles, Antonio Xavier. Novo curso de filosofia Epistemologia Fim