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TECNOLOGIA DE GRUPO
COMO ESTRATÉGIA DE
CUIDADOS EM
ENFERMAGEM
Profa. Dra. Aliny Lima
CONDUÇÃO DE GRUPOS:
experiências pessoais
• Grupo de gestantes  dificuldades + imaturidade =
fracasso;
• Grupo de pessoas obesas  atividades realizadas,
discussões, motivação, grupo multiprofissional,
disposição, dinâmica = sucesso;
• Grupo de pessoas com DM2  Abordagem baseada
no Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire  Círculos de
Cultura, dificuldades, aprendizado pessoal, construção
de novos conhecimentos = sucesso mútuo.
De onde surgiram os grupos?
• Natureza gregária do homem;
• Surgiram na Grécia antiga  serviam para que
os comandantes e grandes lideres discutissem
táticas de guerra;
• Reduzida consciência conceitual e reduzida
utilização como um recurso e saúde.
O que é um grupo?
• Zimerman (1993) indica algumas condições básicas
para caracterizarmos um grupo, quer sejam de
natureza operativa ou terapêutica:
“Um grupo não é meramente um somatório de pessoas;
pelo contrário, ele se constitui como uma nova
entidade, com leis, mecanismos próprios, específicos e
pactuados, onde todos os integrantes estão reunidos
em nome de uma tarefa ou motivo em comum. Seu
tamanho não pode exceder o limite que ponha em risco
seu funcionamento e sua comunicação, seja ela visual,
auditiva ou conceitual.”
Quando começaram a ser
considerados recurso
terapêutico?
• Pratt no Hospital Geral de Massachusserts, nos EUA
em 1950  primeiras experiências de grupo enquanto
tecnologia terapêutica;
• Iniciaram com pacientes tuberculosos  reuniões para
explicar sobre a doença, cuidados e medidas de
higiene necessárias para contenção dela ;
• Mais tarde, foi utilizada junto a pessoas com diabetes
e cardíacos;
Quando começaram a ser
considerados recurso
terapêutico?
• Partia do pressuposto de que os resultados do
tratamento dependiam, entre outros fatores, da
influencia benéfica de uma pessoa sobre a outra;
• A solidão, o pessimismo, a depressão e demais efeitos
psicológicos advindos da doença poderiam ser aliviados
pelo suporte emocional oferecido por pessoas que
vivenciam situações semelhantes.
• Psicoterapia de grupo  segunda guerra  soldados
feridos em combate;
• Década de 30  Kurt e Lewin  instituem o termo
“dinâmica de grupo” e o torna também um campo de
estudos.
Quando começaram a ser
considerados recurso
terapêutico?
• Mediante diversos estudos desenvolvidos, o grupo foi e é
considerada uma ferramenta de grande valia para auxílio
às pessoas que convivem com patologias de longo curso,
sendo uma tecnologia leve, barata, de fácil aplicação e
que é geralmente, muito bem aceita pelos participantes;
• A partir da década de 60 técnicas grupais tem sido
amplamente divulgadas e utilizadas, indicadas para o
desenvolvimento da sensibilidade, experiência, empatia,
crescimento pessoal, expansão mental e encontro de
pessoas  estar junto!
Enfermagem como
coordenadora de grupos
• Necessita de algumas especificidades do
coordenador/moderador, de modo a favorecer o
desenvolvimento do grupo.
• Nota-se que os trabalhos publicados pela enfermagem
brasileira, versando sobre grupos, evidenciam a reduzida
capacitação que o enfermeiro possui para o
desenvolvimento desta tarefa;
• O profissional enfermeiro tem poucas oportunidades e
formação de conhecer e aplicar os aspectos teóricos-
vivenciais do trabalho grupal, seus tipos, abordagens e
métodos.
Caracterizando aspectos
estruturais do grupo
• Quanto aos seus objetivos:
 Oferecer suporte  ajustamento às mudanças,
enfrentamento de crises, superação e adaptação;
 Realizar tarefas  capacitação em altas, uso de
terapias ocupacionais, adoção de novas práticas;
 Socializar  pessoas com episódio de perda ou sem
vínculos sociais;
 Aprender mudanças de comportamentos  alteração
de rotinas, adoção de novos hábitos;
 Treinar relações humanas  grupos de trabalho;
 Oferecer psicoterapia  mais específico do terapeuta,
com foco na mudança de comportamento e pensamento
Caracterizando aspectos
estruturais do grupo
• Quanto a sua estrutura:
 Tipo de participantes  grupo participativo, passivo,
homogêneo e heterogêneo;
 Nível de prevenção ligada ao tipo de participantes e
as causas/doenças que suscitaram a busca;
 Grau de estrutura  agenda fechada ou aberta,
entrada ou saída de participantes;
 Variáveis físicas  adequação das condições físicas e
funcionais: local, recursos, tempo, duração, número de
pessoas, coordenadores, atividades realizadas;
 Atividades realizadas  palestras, discussões, grupos
focais, recursos manuais, oficinas, discussões,
reflexões, depoimentos, orações, entre outros.
FATORES CURATIVOS DO
GRUPO
• 11 (Irving Yalom, 1975)
 1. Instilação de Esperança  Esperança de cura, de que
as coisas podem ser diferentes, compreender que não
está sozinho;
 2. Universalidade A exposição e troca das situações
vivenciadas alimentam a esperança;
 3. Oferta de informações  Informações oferecidas
no grupo, por quaisquer que seja o participantes;
Perguntas, dúvidas e anseios; cuidado com a
monopolização de perguntas;
 4. Altruísmo Experiência de compartilhar um pouco de
si com os outros  setting grupal  quanto mais existir,
mais os laços serão estreitados.
FATORES CURATIVOS DO
GRUPO
 5. Reedição corretiva do grupo primário familiar 
convivência e enfrentamento de condições associadas ao
seu ambiente familiar  figuras parentais;
 6. Desenvolvimento de técnicas de socialização 
mesmo não sendo o foco central do grupo, acaba
ocorrendo devido estreitamento de laços e sala de
espelhos;
 7. Imitação de comportamentos  os membros do
grupo tornam-se modelos ou passam a adotar práticas
semelhantes às dos demais participantes;
 8. Aprendizado pessoal  o participante vivencia novas
experiências dentro e fora do grupo. Quando ocorre o
feed-back aumenta o aprendizado.
FATORES CURATIVOS DO
GRUPO
 9. Coesão Grupal  Vínculo dos participantes com o
coordenador, com os demais membros entre si e do grupo
como um todo;
 10. Catarse  soma de espontaneidades, avanços e
superações, em que se multiplicam as manifestações,
criatividade e reciprocidades do grupo  está
intimamente ligada à coesão grupal;
 11. Fatores existenciais  elementos do processo
grupal que ajudam seus membros a lidarem com
sentimentos; ajudam as pessoas a pensarem como e se
conseguiram modificar-se a partir do grupo.
 Não se pode garantir que todos estes fatores estarão
presentes ao mesmo tempo na vida do grupo 
observáveis em diferentes estágios.
Planejando e desenvolvendo
atividades grupais
 Seleção dos participantes como etapa básica;
 Participantes com diagnósticos comuns ou mesma
finalidade;
 Estabelecimento de objetivos e metas conjuntas;
 Observação do poder cognitivo, disposição, interesse dos
participantes para trabalhar em grupos;
 Contrato de trabalho  pactuação de dia, duração,
horário de início e fim, tamanho do grupo (que possibilite
a efetividade, interação e participação de todos) e
horários para intervalo;
 Cuidar do ambiente e recursos a serem utilizados;
 Cautela no período de “aproximação”;
Planejando e desenvolvendo
atividades grupais
 Momentos de silencio são comuns; porém deve-se insistir
para que todos se manifestem e evitar a monopolização;
 Cuidar para não falar e ditar regras;
 Oferecer diferentes formas de se comunicar e se
expressar;
 Quando da coesão grupal, manter-se em silencio,
avaliando e observando as manifestações, expressões,
posicionamentos e repudias;
 Deixar sempre claro os objetivos do grupo, somados às
necessidades dos participantes;
 Delimitar se trata-se de grupo aberto ou fechado;
 Prevenir a formação de subgrupos;
 Contar com a colaboração de um auxiliar.
Finalizando o grupo
 A finalização do grupo é tão importante quanto seu início;
 Uma pessoa poderá sair do grupo porque já atingiu seu
objetivo, o que pode influenciar outros participantes 
grupo recebendo seu atestado de alta;
 Perdas excessivas também podem sinalizar o momento de
finalizar um grupo ou de promover grandes mudanças;
 É importante preparar o grupo para sua finalização, por
meio de discussões sobre o alcance de metas de cada
participante;
 A avaliação do progresso dos membros de modo individual
e no grupo como um todo, deve ser utilizada para que
eles possam visualizar os avanços obtidos mediante seus
próprios esforços.
Vá até as pessoas. Aprenda com elas. Viva com
elas. Ame-as... Comece com aquilo que elas
sabem, e de posse disso, construa com aquilo
que elas têm. Pois o melhor líder é aquele que,
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Enfermagem e grupos

  • 1. TECNOLOGIA DE GRUPO COMO ESTRATÉGIA DE CUIDADOS EM ENFERMAGEM Profa. Dra. Aliny Lima
  • 2. CONDUÇÃO DE GRUPOS: experiências pessoais • Grupo de gestantes  dificuldades + imaturidade = fracasso; • Grupo de pessoas obesas  atividades realizadas, discussões, motivação, grupo multiprofissional, disposição, dinâmica = sucesso; • Grupo de pessoas com DM2  Abordagem baseada no Itinerário de Pesquisa de Paulo Freire  Círculos de Cultura, dificuldades, aprendizado pessoal, construção de novos conhecimentos = sucesso mútuo.
  • 3. De onde surgiram os grupos? • Natureza gregária do homem; • Surgiram na Grécia antiga  serviam para que os comandantes e grandes lideres discutissem táticas de guerra; • Reduzida consciência conceitual e reduzida utilização como um recurso e saúde.
  • 4. O que é um grupo? • Zimerman (1993) indica algumas condições básicas para caracterizarmos um grupo, quer sejam de natureza operativa ou terapêutica: “Um grupo não é meramente um somatório de pessoas; pelo contrário, ele se constitui como uma nova entidade, com leis, mecanismos próprios, específicos e pactuados, onde todos os integrantes estão reunidos em nome de uma tarefa ou motivo em comum. Seu tamanho não pode exceder o limite que ponha em risco seu funcionamento e sua comunicação, seja ela visual, auditiva ou conceitual.”
  • 5. Quando começaram a ser considerados recurso terapêutico? • Pratt no Hospital Geral de Massachusserts, nos EUA em 1950  primeiras experiências de grupo enquanto tecnologia terapêutica; • Iniciaram com pacientes tuberculosos  reuniões para explicar sobre a doença, cuidados e medidas de higiene necessárias para contenção dela ; • Mais tarde, foi utilizada junto a pessoas com diabetes e cardíacos;
  • 6. Quando começaram a ser considerados recurso terapêutico? • Partia do pressuposto de que os resultados do tratamento dependiam, entre outros fatores, da influencia benéfica de uma pessoa sobre a outra; • A solidão, o pessimismo, a depressão e demais efeitos psicológicos advindos da doença poderiam ser aliviados pelo suporte emocional oferecido por pessoas que vivenciam situações semelhantes. • Psicoterapia de grupo  segunda guerra  soldados feridos em combate; • Década de 30  Kurt e Lewin  instituem o termo “dinâmica de grupo” e o torna também um campo de estudos.
  • 7. Quando começaram a ser considerados recurso terapêutico? • Mediante diversos estudos desenvolvidos, o grupo foi e é considerada uma ferramenta de grande valia para auxílio às pessoas que convivem com patologias de longo curso, sendo uma tecnologia leve, barata, de fácil aplicação e que é geralmente, muito bem aceita pelos participantes; • A partir da década de 60 técnicas grupais tem sido amplamente divulgadas e utilizadas, indicadas para o desenvolvimento da sensibilidade, experiência, empatia, crescimento pessoal, expansão mental e encontro de pessoas  estar junto!
  • 8. Enfermagem como coordenadora de grupos • Necessita de algumas especificidades do coordenador/moderador, de modo a favorecer o desenvolvimento do grupo. • Nota-se que os trabalhos publicados pela enfermagem brasileira, versando sobre grupos, evidenciam a reduzida capacitação que o enfermeiro possui para o desenvolvimento desta tarefa; • O profissional enfermeiro tem poucas oportunidades e formação de conhecer e aplicar os aspectos teóricos- vivenciais do trabalho grupal, seus tipos, abordagens e métodos.
  • 9. Caracterizando aspectos estruturais do grupo • Quanto aos seus objetivos:  Oferecer suporte  ajustamento às mudanças, enfrentamento de crises, superação e adaptação;  Realizar tarefas  capacitação em altas, uso de terapias ocupacionais, adoção de novas práticas;  Socializar  pessoas com episódio de perda ou sem vínculos sociais;  Aprender mudanças de comportamentos  alteração de rotinas, adoção de novos hábitos;  Treinar relações humanas  grupos de trabalho;  Oferecer psicoterapia  mais específico do terapeuta, com foco na mudança de comportamento e pensamento
  • 10. Caracterizando aspectos estruturais do grupo • Quanto a sua estrutura:  Tipo de participantes  grupo participativo, passivo, homogêneo e heterogêneo;  Nível de prevenção ligada ao tipo de participantes e as causas/doenças que suscitaram a busca;  Grau de estrutura  agenda fechada ou aberta, entrada ou saída de participantes;  Variáveis físicas  adequação das condições físicas e funcionais: local, recursos, tempo, duração, número de pessoas, coordenadores, atividades realizadas;  Atividades realizadas  palestras, discussões, grupos focais, recursos manuais, oficinas, discussões, reflexões, depoimentos, orações, entre outros.
  • 11. FATORES CURATIVOS DO GRUPO • 11 (Irving Yalom, 1975)  1. Instilação de Esperança  Esperança de cura, de que as coisas podem ser diferentes, compreender que não está sozinho;  2. Universalidade A exposição e troca das situações vivenciadas alimentam a esperança;  3. Oferta de informações  Informações oferecidas no grupo, por quaisquer que seja o participantes; Perguntas, dúvidas e anseios; cuidado com a monopolização de perguntas;  4. Altruísmo Experiência de compartilhar um pouco de si com os outros  setting grupal  quanto mais existir, mais os laços serão estreitados.
  • 12. FATORES CURATIVOS DO GRUPO  5. Reedição corretiva do grupo primário familiar  convivência e enfrentamento de condições associadas ao seu ambiente familiar  figuras parentais;  6. Desenvolvimento de técnicas de socialização  mesmo não sendo o foco central do grupo, acaba ocorrendo devido estreitamento de laços e sala de espelhos;  7. Imitação de comportamentos  os membros do grupo tornam-se modelos ou passam a adotar práticas semelhantes às dos demais participantes;  8. Aprendizado pessoal  o participante vivencia novas experiências dentro e fora do grupo. Quando ocorre o feed-back aumenta o aprendizado.
  • 13. FATORES CURATIVOS DO GRUPO  9. Coesão Grupal  Vínculo dos participantes com o coordenador, com os demais membros entre si e do grupo como um todo;  10. Catarse  soma de espontaneidades, avanços e superações, em que se multiplicam as manifestações, criatividade e reciprocidades do grupo  está intimamente ligada à coesão grupal;  11. Fatores existenciais  elementos do processo grupal que ajudam seus membros a lidarem com sentimentos; ajudam as pessoas a pensarem como e se conseguiram modificar-se a partir do grupo.  Não se pode garantir que todos estes fatores estarão presentes ao mesmo tempo na vida do grupo  observáveis em diferentes estágios.
  • 14. Planejando e desenvolvendo atividades grupais  Seleção dos participantes como etapa básica;  Participantes com diagnósticos comuns ou mesma finalidade;  Estabelecimento de objetivos e metas conjuntas;  Observação do poder cognitivo, disposição, interesse dos participantes para trabalhar em grupos;  Contrato de trabalho  pactuação de dia, duração, horário de início e fim, tamanho do grupo (que possibilite a efetividade, interação e participação de todos) e horários para intervalo;  Cuidar do ambiente e recursos a serem utilizados;  Cautela no período de “aproximação”;
  • 15. Planejando e desenvolvendo atividades grupais  Momentos de silencio são comuns; porém deve-se insistir para que todos se manifestem e evitar a monopolização;  Cuidar para não falar e ditar regras;  Oferecer diferentes formas de se comunicar e se expressar;  Quando da coesão grupal, manter-se em silencio, avaliando e observando as manifestações, expressões, posicionamentos e repudias;  Deixar sempre claro os objetivos do grupo, somados às necessidades dos participantes;  Delimitar se trata-se de grupo aberto ou fechado;  Prevenir a formação de subgrupos;  Contar com a colaboração de um auxiliar.
  • 16. Finalizando o grupo  A finalização do grupo é tão importante quanto seu início;  Uma pessoa poderá sair do grupo porque já atingiu seu objetivo, o que pode influenciar outros participantes  grupo recebendo seu atestado de alta;  Perdas excessivas também podem sinalizar o momento de finalizar um grupo ou de promover grandes mudanças;  É importante preparar o grupo para sua finalização, por meio de discussões sobre o alcance de metas de cada participante;  A avaliação do progresso dos membros de modo individual e no grupo como um todo, deve ser utilizada para que eles possam visualizar os avanços obtidos mediante seus próprios esforços.
  • 17. Vá até as pessoas. Aprenda com elas. Viva com elas. Ame-as... Comece com aquilo que elas sabem, e de posse disso, construa com aquilo que elas têm. Pois o melhor líder é aquele que, quando o trabalho estiver pronto, quando a tarefa estiver cumprida, as pessoas dirão: Não fizemos isto sozinhas. (Lao Tzu)