CAMPUS DE MARÍLIA


                   CURSO DE FILOSOFIA




              Discente: Franciele Vaz de Souza
          Docente: Ramon Souza Capelle de Andrade




REFLEXÕES ACERCA DA FILOSOFIA DE EMPÉDOCLES
                    PRÉ-SOCRÁTICOS.




                 Marília, junho de 2012.
Nos primórdios da civilização grega, explicava-se a origem das coisas pelo
resultado da junção/separação dos deuses, e tudo que envolvia esses seres
mitológicos. Tais seres eram caracterizados por sua imortalidade, destreza, valentia
e habilidade; inclusive a noção do antropomorfismo destes deuses pode ser
caracterizada e mostrada perfeitamente através das esculturas - mesmo debilitadas -
que chegaram até os dias de hoje.
        Analisando mais a fundo, a sociedade grega era constituída por aqueus
(micênicos) e posteriormente pelos dórios. Sendo os primeiros uma sociedade com
muita pluralidade, devido à característica do relevo ser montanhosa, fazendo com
que separasse a comunidade micênica em clãs (cultura marcada pela acessibilidade
ao mar, o que facilitava o intercâmbio de mercadorias, pessoas, conseqüentemente
tinham uma base agrária bem fundamentada). Já os dórios, vindos do norte, eram
marcados por serem menos civilizados, e detentores de fácil manuseio de armas.
        Foi a partir do século XII a.C que a comunidade dórica começou a invadir as
terras dos micênicos, tais quais tiveram que se refugiar para a Ásia Menor, onde
fundaram algumas cidades (como Mileto, Éfeso). Com o passar do tempo, já no
século VII a.C, foi-se elevando a cultura devido ao constante contato com culturas e
mercadorias exteriores, já com uma mentalidade e desejo de pressupostos com
bases firmes, impessoais, tendo propósito de desapego daquelas figuras míticas
superiores e inacessíveis, e desejo de algo baseado na realidade e cotidiano;
explicações racionais. Diante de inúmeras mudanças sociais, econômicas, era de se
esperar que a cultura também se elevasse, e que fosse exigido algo diferente:
filosofia foi ocupando lugar da mitologia, até que efetivamente conseguiu este posto.
        Os primeiros filósofos trataram basicamente do mundo físico (ou physis), ou
seja, cada filósofo atribuía a origem das coisas a um elemento físico básico. Tales
de Mileto – reconhecido como primeiro filósofo – atribuía o princípio primordial à
água, assim como Anaxímenes ao ar; Pitágoras ao número; Heráclito ao devir das
coisas; Parmênides ao „ser é, o não-ser não é‟; entre outros não menos importantes.
        Trataremos com mais pormenores o filósofo Empédocles de Agrigento, Sicília.
Empédocles (495/490 - 435/430 a.C.), em sua teoria, explana opostas opiniões (que
transita entre as teorias de Heráclito de Éfeso, e Pitágoras de Samos), afirmando
que as raízes são tidas como imóveis e imutáveis, porém quando leva em conta os
sentidos, reconhece a mutabilidade e movimento das coisas. Na tentativa de
conciliar ambas teorias divergentes, ele cria mais dois princípios de cosmogonia:
Amor e Ódio, onde o Amor aproxima as raízes, e o Ódio separa. Para melhor
compreensão de sua cosmologia, cito aqui um fragmento explicativo:

 “Da alternância da supremacia ora do Amor, ora do Ódio, surgem as quatro fases que Empédocles
  descreve em Sobre a Natureza: a primeira, pleno domínio do Amor, determina a existência de um
  todo homogêneo e contínuo, à semelhança do ser de Parmênides, e formado pela completa fusão
    das raízes; na segunda, devido à atuação crescente do Ódio, as raízes, já em parte distanciadas,
     constituem um todo onde se defrontam forças antagônicas e equivalente; a terceira fase é a do
domínio pleno do Ódio, que estabelece quatro províncias perfeitamente distintas – a da água, a do
                                                                      ar, a da terra e a do fogo; na
quarta fase o Amor vai reconquistando a supremacia que perdera e o conjunto volta a ser uma
                                          unidade em tensão (como a concebida por Heráclito)”.

Como bem se vê, Empédocles tem como princípios fundamentais seis elementos:
água, ar, terra e fogo; além de ser o primeiro a classificar Amor e Ódio como
princípios absolutos. Onde o bem é o princípio de todos os bens, e o mal, princípio
de todos os males. O bem é entendido como algo absolutamente firme em si
mesmo, o fim em si e para si. Porém, Aristóteles encontra uma incoerência,
enquanto a idéia de unir e separar, ele aponta que Empédocles separa através da
amizade e une através do ódio. Georg W. F. Hegel (1770-1831) salienta em sua
crítica:

       “É uma consideração profunda que, de maneira alguma, possa haver união sem separação,
    separação sem união; identidade e não-identidade são tais determinações do pensamento, mas
                                                                      não podem ser separadas”.

Segundo Aristóteles, Empédocles distribuiu os elementos de forma que ficassem
organizados, e que considerasse a reciprocidade entre os mesmos, sendo fogo em
si, e os outros elementos (água, terra e ar) como uma só natureza.
        Empédocles faz de seu pessimismo um protesto, uma forma ativa –de acordo
com Friedrich Nietzsche (1844-1900)-, principalmente seu lado político, que era à
favor da democracia. Além de sua posição política ser controversa aos demais,
Empédocles era odiado pelos crentes devido seu racionalismo, em que acreditava
em demônios e deuses, assim como acreditava nos homens. Seu jeito prepotente
também desagradava, segue um trecho que demonstra tal arrogância:

      “ Adeus! Não é mais como mortal, mas é como deus imortal que passo entre vós, venerado por
          todos, como é justo, ornado de bandeirolas e de verdes guirlandas. E, mal chego às cidades
florescentes, sou venerado por todos, homens e mulheres; aos milhares, me seguem, para aprender o
       caminho da salvação, alguns pedindo oráculos, outros fórmulas que curem tantas doenças das
         quais sofreram os cruéis tormentos. Mas por que demorar-me nessas coisas, como se tivessem
                                      importância, quando estou tão acima dos miseráveis mortais!”.

Baseando-se apenas nesta passagem, nota-se o desprezo de Empédocles para os
mortais, para ele, mortal não passa de deuses decaídos e punidos. Assim como o
mundo que eles vivem: é repleto de tristeza, ódio, podridão e afins... tudo sórdido e
inóspito.
        Diante de um mundo de conflitos, para Empédocles, a única coisa que salva é
Afrodite, a vida sexual como ápice da união; o amor. Onde haja espaço para a
harmonia dos semelhantes, sem que haja união de coisas divergentes, ou seja, só
se vê a água, por meio da água; a terra, por meio da terra; o amor através do amor.
Porém, Empédocles reconhece que numa só coisa há o instinto de união, e também
de separação, tais instintos vivem em conflito, e sempre há esse castigo de carregar
o ódio em potencial dentro de si.
        Para ele, os verdadeiros motores eram physis (amor) e neikos (ódio)-como já
dito-, em que os corpos necessitam ser misturados e sejam conformados um com o
outro. Nietzsche critica, dizendo que Empédocles não explica qual dessas forças
prevalece uma sobre a outra, e nem quando prevalece. Apesar não ter explicado
muitas coisas, Empédocles preparou a gênese do atomismo que, posteriormente, foi
trabalhada com mais afinco por Demócrito.¹
         Nosso filósofo em questão também dedicou-se no trabalho dos sentidos,
sendo estes dotados de poros, que é apenas através deles que apreendemos ou
não determinada coisa; partindo desse pressuposto, ninguém pode julgar o modo
que determinada pessoa apreende algo, pois uns tens poros mais largos, outros,
poros mais estreitos. Ocorre adaptação dos poros de sentido. Quando fala-se do
olho, explica que no seu interior já fogo; o exterior, de água, terra e ar, onde o fogo
atravessa sutilmente como a luz de uma lanterna. A noção do fogo para animais,
pode influenciar na sua capacidade visual. Se ele possui pouco fogo em seu interior,
é capaz de enxergar com mais qualidade durante o dia,pois a luminosidade exterior
compensa a luminosidade ínfima do interior. Por outro lado, se houver muito fogo,
este estará apto a enxergar de modo pleno durante a noite.
        Cada sentindo provém de algo: audição provém de sons exteriores; já a
origem do olfato é a respiração, quanto mais intensa a respiração, melhor sente o
odor; paladar e tato são semelhantes, surgimento não é determinado, apenas há
prazer se houver adaptação dos poros para com a sensação apreendida, e dor se
ocorrer o contrário.
        Se há dimensões iguais e convenientemente espaçadas, em extensão
adequada, estes são os mais sábios, e também seus sentidos são os mais
impecáveis; contrariamente, quando ocorre o espaçamento e desproporções dos
elementos, o homem é menos inteligente. Explica-se quando há distribuições
homogêneas, há um bom artista (em suas mãos), ou um bom orador (em sua
língua).
        Há problema em alguma de suas afirmações, quando Empédocles associa
sensação e pensamento. O problema se encontra quando se considera seres
inanimados em sua teoria; o que diferencia os seres animados dos inanimados?
Partindo do pressuposto dos poros, Empédocles refuta dizendo que os inanimados
possuem estes poros que se conecta e é sensível ao mundo exterior. Ainda neste
contexto, entra-se num impasse, os poros como cheios ou como vazios; sendo os
primeiros...o ser viveria em eterna sensação de tudo, se o segundo, aceita-se a idéia
do vácuo que é tão contestada por Empédocles.
        Para rechaçar as contestações da sensação recíproca, Empédocles
reconhece e diz que não há reciprocidade da sensação, nem similitude, o que há é a
proporção. É necessário sempre que o objeto do sentido, e o sentido sejam sempre
de mesma natureza.
        Há numerosos erros que Teofrasto (372 a.C. - 287 a.C) discorre, dentre eles o
olfato, apontando que animais sentem odor, e, contudo, não respiram. Para deixar
mais clara sua crítica dos sentidos de Empédocles, segue a citação:

          “Enfim, para os olhos cuja mistura é de partes iguais, os dois elementos devem aumentar
            alternadamente, de maneira que, se o excesso de um impede de ver, não poderia nisso



¹Fonte insuficiente para adentrar em pormenores do Atomismo de Empédocles.
haver grande diferença entre as vistas. Mas é difícil examinar todas as afecções da vista. Quanto às
       outras sensações, como perceberemos pelo semelhante? O semelhante é indeterminado. Não
            percebemos o ruído pelo ruído, nem o odor pelo odor, nem em geral o homogêneo pelo
 homogêneo, mas antes, para dizer a verdade, pelo contrário. É necessário, em suma, que o sentido
 não seja ainda afetado; se temos som nos ouvidos,sabor na boca, odor no nariz, todos esses sentidos
      se tornam mais obtusos e o são tanto mais quanto são mais enchidos pelos semelhantes; seria,
                                                 portanto, necessário uma distinção a este respeito.”

      Há quem discorra inúmeros contra-argumentos às teorias de Empédocles, há
quem desfie elogios. Há quem diga que ele foi morto no Peloponeso por suas
opiniões divergentes (especialmente por sua posição política), e também dizem que
ele pode ter se suicidado na cratera de Etna. Mas como Nietzsche disse:

  “ É a figura mais matizada da filosofia antiga; põe fim à idade do mito, da tragédia, do orgíaco,
           mas ao mesmo tempo surge nele a imagem do grego mais moderno, democrata, orador,
 racionalista,criador de alegorias, homem de ciência. Dois séculos se defrontam nele; ele é dos pés à
                                                                          cabeça, o homem agonal”




Referência bibliográfica:

“Os pré-socráticos : fragmentos, doxografia e comentários/
seleção de textos e supervisão do Prof. José Cavalcante de Souza;
dados bibliográficos de Remberto Francisco Kuhnen;
traduções de José Cavalcante de Souza... (et al.),
- 2.ed. – São Paulo: Abril Cultural, 1978.
(Os Pensadores)”

Empédocles

  • 1.
    CAMPUS DE MARÍLIA CURSO DE FILOSOFIA Discente: Franciele Vaz de Souza Docente: Ramon Souza Capelle de Andrade REFLEXÕES ACERCA DA FILOSOFIA DE EMPÉDOCLES PRÉ-SOCRÁTICOS. Marília, junho de 2012.
  • 2.
    Nos primórdios dacivilização grega, explicava-se a origem das coisas pelo resultado da junção/separação dos deuses, e tudo que envolvia esses seres mitológicos. Tais seres eram caracterizados por sua imortalidade, destreza, valentia e habilidade; inclusive a noção do antropomorfismo destes deuses pode ser caracterizada e mostrada perfeitamente através das esculturas - mesmo debilitadas - que chegaram até os dias de hoje. Analisando mais a fundo, a sociedade grega era constituída por aqueus (micênicos) e posteriormente pelos dórios. Sendo os primeiros uma sociedade com muita pluralidade, devido à característica do relevo ser montanhosa, fazendo com que separasse a comunidade micênica em clãs (cultura marcada pela acessibilidade ao mar, o que facilitava o intercâmbio de mercadorias, pessoas, conseqüentemente tinham uma base agrária bem fundamentada). Já os dórios, vindos do norte, eram marcados por serem menos civilizados, e detentores de fácil manuseio de armas. Foi a partir do século XII a.C que a comunidade dórica começou a invadir as terras dos micênicos, tais quais tiveram que se refugiar para a Ásia Menor, onde fundaram algumas cidades (como Mileto, Éfeso). Com o passar do tempo, já no século VII a.C, foi-se elevando a cultura devido ao constante contato com culturas e mercadorias exteriores, já com uma mentalidade e desejo de pressupostos com bases firmes, impessoais, tendo propósito de desapego daquelas figuras míticas superiores e inacessíveis, e desejo de algo baseado na realidade e cotidiano; explicações racionais. Diante de inúmeras mudanças sociais, econômicas, era de se esperar que a cultura também se elevasse, e que fosse exigido algo diferente: filosofia foi ocupando lugar da mitologia, até que efetivamente conseguiu este posto. Os primeiros filósofos trataram basicamente do mundo físico (ou physis), ou seja, cada filósofo atribuía a origem das coisas a um elemento físico básico. Tales de Mileto – reconhecido como primeiro filósofo – atribuía o princípio primordial à água, assim como Anaxímenes ao ar; Pitágoras ao número; Heráclito ao devir das coisas; Parmênides ao „ser é, o não-ser não é‟; entre outros não menos importantes. Trataremos com mais pormenores o filósofo Empédocles de Agrigento, Sicília. Empédocles (495/490 - 435/430 a.C.), em sua teoria, explana opostas opiniões (que transita entre as teorias de Heráclito de Éfeso, e Pitágoras de Samos), afirmando que as raízes são tidas como imóveis e imutáveis, porém quando leva em conta os sentidos, reconhece a mutabilidade e movimento das coisas. Na tentativa de conciliar ambas teorias divergentes, ele cria mais dois princípios de cosmogonia: Amor e Ódio, onde o Amor aproxima as raízes, e o Ódio separa. Para melhor compreensão de sua cosmologia, cito aqui um fragmento explicativo: “Da alternância da supremacia ora do Amor, ora do Ódio, surgem as quatro fases que Empédocles descreve em Sobre a Natureza: a primeira, pleno domínio do Amor, determina a existência de um todo homogêneo e contínuo, à semelhança do ser de Parmênides, e formado pela completa fusão das raízes; na segunda, devido à atuação crescente do Ódio, as raízes, já em parte distanciadas, constituem um todo onde se defrontam forças antagônicas e equivalente; a terceira fase é a do domínio pleno do Ódio, que estabelece quatro províncias perfeitamente distintas – a da água, a do ar, a da terra e a do fogo; na
  • 3.
    quarta fase oAmor vai reconquistando a supremacia que perdera e o conjunto volta a ser uma unidade em tensão (como a concebida por Heráclito)”. Como bem se vê, Empédocles tem como princípios fundamentais seis elementos: água, ar, terra e fogo; além de ser o primeiro a classificar Amor e Ódio como princípios absolutos. Onde o bem é o princípio de todos os bens, e o mal, princípio de todos os males. O bem é entendido como algo absolutamente firme em si mesmo, o fim em si e para si. Porém, Aristóteles encontra uma incoerência, enquanto a idéia de unir e separar, ele aponta que Empédocles separa através da amizade e une através do ódio. Georg W. F. Hegel (1770-1831) salienta em sua crítica: “É uma consideração profunda que, de maneira alguma, possa haver união sem separação, separação sem união; identidade e não-identidade são tais determinações do pensamento, mas não podem ser separadas”. Segundo Aristóteles, Empédocles distribuiu os elementos de forma que ficassem organizados, e que considerasse a reciprocidade entre os mesmos, sendo fogo em si, e os outros elementos (água, terra e ar) como uma só natureza. Empédocles faz de seu pessimismo um protesto, uma forma ativa –de acordo com Friedrich Nietzsche (1844-1900)-, principalmente seu lado político, que era à favor da democracia. Além de sua posição política ser controversa aos demais, Empédocles era odiado pelos crentes devido seu racionalismo, em que acreditava em demônios e deuses, assim como acreditava nos homens. Seu jeito prepotente também desagradava, segue um trecho que demonstra tal arrogância: “ Adeus! Não é mais como mortal, mas é como deus imortal que passo entre vós, venerado por todos, como é justo, ornado de bandeirolas e de verdes guirlandas. E, mal chego às cidades florescentes, sou venerado por todos, homens e mulheres; aos milhares, me seguem, para aprender o caminho da salvação, alguns pedindo oráculos, outros fórmulas que curem tantas doenças das quais sofreram os cruéis tormentos. Mas por que demorar-me nessas coisas, como se tivessem importância, quando estou tão acima dos miseráveis mortais!”. Baseando-se apenas nesta passagem, nota-se o desprezo de Empédocles para os mortais, para ele, mortal não passa de deuses decaídos e punidos. Assim como o mundo que eles vivem: é repleto de tristeza, ódio, podridão e afins... tudo sórdido e inóspito. Diante de um mundo de conflitos, para Empédocles, a única coisa que salva é Afrodite, a vida sexual como ápice da união; o amor. Onde haja espaço para a harmonia dos semelhantes, sem que haja união de coisas divergentes, ou seja, só se vê a água, por meio da água; a terra, por meio da terra; o amor através do amor. Porém, Empédocles reconhece que numa só coisa há o instinto de união, e também de separação, tais instintos vivem em conflito, e sempre há esse castigo de carregar o ódio em potencial dentro de si. Para ele, os verdadeiros motores eram physis (amor) e neikos (ódio)-como já dito-, em que os corpos necessitam ser misturados e sejam conformados um com o outro. Nietzsche critica, dizendo que Empédocles não explica qual dessas forças
  • 4.
    prevalece uma sobrea outra, e nem quando prevalece. Apesar não ter explicado muitas coisas, Empédocles preparou a gênese do atomismo que, posteriormente, foi trabalhada com mais afinco por Demócrito.¹ Nosso filósofo em questão também dedicou-se no trabalho dos sentidos, sendo estes dotados de poros, que é apenas através deles que apreendemos ou não determinada coisa; partindo desse pressuposto, ninguém pode julgar o modo que determinada pessoa apreende algo, pois uns tens poros mais largos, outros, poros mais estreitos. Ocorre adaptação dos poros de sentido. Quando fala-se do olho, explica que no seu interior já fogo; o exterior, de água, terra e ar, onde o fogo atravessa sutilmente como a luz de uma lanterna. A noção do fogo para animais, pode influenciar na sua capacidade visual. Se ele possui pouco fogo em seu interior, é capaz de enxergar com mais qualidade durante o dia,pois a luminosidade exterior compensa a luminosidade ínfima do interior. Por outro lado, se houver muito fogo, este estará apto a enxergar de modo pleno durante a noite. Cada sentindo provém de algo: audição provém de sons exteriores; já a origem do olfato é a respiração, quanto mais intensa a respiração, melhor sente o odor; paladar e tato são semelhantes, surgimento não é determinado, apenas há prazer se houver adaptação dos poros para com a sensação apreendida, e dor se ocorrer o contrário. Se há dimensões iguais e convenientemente espaçadas, em extensão adequada, estes são os mais sábios, e também seus sentidos são os mais impecáveis; contrariamente, quando ocorre o espaçamento e desproporções dos elementos, o homem é menos inteligente. Explica-se quando há distribuições homogêneas, há um bom artista (em suas mãos), ou um bom orador (em sua língua). Há problema em alguma de suas afirmações, quando Empédocles associa sensação e pensamento. O problema se encontra quando se considera seres inanimados em sua teoria; o que diferencia os seres animados dos inanimados? Partindo do pressuposto dos poros, Empédocles refuta dizendo que os inanimados possuem estes poros que se conecta e é sensível ao mundo exterior. Ainda neste contexto, entra-se num impasse, os poros como cheios ou como vazios; sendo os primeiros...o ser viveria em eterna sensação de tudo, se o segundo, aceita-se a idéia do vácuo que é tão contestada por Empédocles. Para rechaçar as contestações da sensação recíproca, Empédocles reconhece e diz que não há reciprocidade da sensação, nem similitude, o que há é a proporção. É necessário sempre que o objeto do sentido, e o sentido sejam sempre de mesma natureza. Há numerosos erros que Teofrasto (372 a.C. - 287 a.C) discorre, dentre eles o olfato, apontando que animais sentem odor, e, contudo, não respiram. Para deixar mais clara sua crítica dos sentidos de Empédocles, segue a citação: “Enfim, para os olhos cuja mistura é de partes iguais, os dois elementos devem aumentar alternadamente, de maneira que, se o excesso de um impede de ver, não poderia nisso ¹Fonte insuficiente para adentrar em pormenores do Atomismo de Empédocles.
  • 5.
    haver grande diferençaentre as vistas. Mas é difícil examinar todas as afecções da vista. Quanto às outras sensações, como perceberemos pelo semelhante? O semelhante é indeterminado. Não percebemos o ruído pelo ruído, nem o odor pelo odor, nem em geral o homogêneo pelo homogêneo, mas antes, para dizer a verdade, pelo contrário. É necessário, em suma, que o sentido não seja ainda afetado; se temos som nos ouvidos,sabor na boca, odor no nariz, todos esses sentidos se tornam mais obtusos e o são tanto mais quanto são mais enchidos pelos semelhantes; seria, portanto, necessário uma distinção a este respeito.” Há quem discorra inúmeros contra-argumentos às teorias de Empédocles, há quem desfie elogios. Há quem diga que ele foi morto no Peloponeso por suas opiniões divergentes (especialmente por sua posição política), e também dizem que ele pode ter se suicidado na cratera de Etna. Mas como Nietzsche disse: “ É a figura mais matizada da filosofia antiga; põe fim à idade do mito, da tragédia, do orgíaco, mas ao mesmo tempo surge nele a imagem do grego mais moderno, democrata, orador, racionalista,criador de alegorias, homem de ciência. Dois séculos se defrontam nele; ele é dos pés à cabeça, o homem agonal” Referência bibliográfica: “Os pré-socráticos : fragmentos, doxografia e comentários/ seleção de textos e supervisão do Prof. José Cavalcante de Souza; dados bibliográficos de Remberto Francisco Kuhnen; traduções de José Cavalcante de Souza... (et al.), - 2.ed. – São Paulo: Abril Cultural, 1978. (Os Pensadores)”