SORAIA CALDERONI STATONATO




A FORMAÇÃO DOS FORMADORES: UMA ANÁLISE DO PROCESSO
                    FORMATIVO




         UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO




                    SÃO PAULO

                       2010
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            SORAIA CALDERONI STATONATO




A FORMAÇÃO DOS FORMADORES: UMA ANÁLISE DO PROCESSO
                    FORMATIVO




                         Dissertação     apresentada    à   banca
                         examinadora da Universidade Cidade de
                         São Paulo, como exigência parcial para
                         obtenção do Título de Mestre em Educação,
                         sob a orientação da Profª. Dr.ª Ecleide
                         Cunico Furlanetto.




         UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO


                    SÃO PAULO


                       2010
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_________________________




COMISSÃO JULGADORA
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Agradecimentos

       À Professora Doutora Ecleide Furlanetto, minha orientadora, por confiar em
mim e me conceder o prazer da autoria. Agradeço pelo carinho, apoio e confiança,
tão imprescindíveis.

       Aos Professores Doutores Julio e Bauer, por aceitarem o convite para
participar da banca examinadora.

       Aos professores do curso de Mestrado, cujas aulas representaram muito em
meu processo de formação.

       A meus pais Arnaldo e Dalva, que muito me ensinaram e ajudaram,
contribuindo para que eu concluísse este estudo.

       A minha querida avó Dulce, por seu carinho e orações.

       A Gustavo e Giovanni, meus filhos, a quem amo tanto, pela compreensão e
carinho. A meu marido Rubens, que me entendeu em tempos difíceis.

       Aos meus irmãos, cunhados sobrinhos pela força.

       A todos os parentes e amigos, com quem estive muito menos do que gostaria,
nesses últimos tempos.

       A Márcia Feitosa, profissional competente, amiga e mestra, cuja ajuda foi
fundamental para a realização desta pesquisa. Às amigas Maria José, Vasti, Marisa,
Bortolotto e Joana, que muito contribuíram e que passaram a fazer parte de minha
história.

       Às parceiras de trabalho Sonia Jorge, Elenita, Flavinha e Noemi pelo apoio e
compreensão demonstrados.

        A Suzy, amiga querida, que me deu a oportunidade de crescer como pessoa
e como profissional.

       A Regiane, que ajudou na pesquisa, e aos professores e coordenadores que
dela participaram.
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      À querida Ivoninha, que sempre acreditou em mim.

      A Gema, que com muita dedicação e carinho revisou o meu trabalho.

      A Andréa e Dirce, que me avisaram em tempo de fazer a inscrição no
mestrado, e pelos momentos que passamos juntas nessa empreitada.

      Às gestoras do Programa Ler e Escrever, em especial à professora Telma
Weisz, Iara Prado e Neide Nogueira, pela oportunidade de participar, e às
formadoras, que contribuíram muito, ainda que indiretamente, com este trabalho.

      A Walkiria e Fabrícia, pelo incentivo e colaboração nos estudos.

      À CENP, por ter oferecido esta oportunidade, em especial à coordenadora
Valéria, e à Secretaria de Educação, pela bolsa de estudos.

      A Deus, meu guia.
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      RESUMO

Cada vez mais profissionais da educação são absorvidos pelas demandas de
formação continuada de professores. Progressivamente, técnicos das secretarias de
educação, diretores de escola, coordenadores das oficinas pedagógicas e
professores passaram a assumir a formação de professores como uma de suas
tarefas principais. O presente estudo tem como objetivo analisar o processo de
formação profissional de professores coordenadores de oficinas pedagógicas
(PCOP), que desenvolvem práticas de formação continuada no contexto de um
programa do governo estadual de São Paulo – o Programa Ler e Escrever. A
pesquisa fundamentou-se teoricamente nas contribuições dos seguintes autores:
Furlanetto (2007), Tardif (2004, 2002, 1999), Pimenta (1999), Nóvoa (1992) e Ferry
(2004), dentre outros. Foram sujeitos da pesquisa cinco formadores atuantes em
diferentes diretorias de ensino, que exercem a função de professores coordenadores
de oficinas pedagógicas. A abordagem da pesquisa foi qualitativa. A coleta de dados
se deu por meio de um questionário. Os dados foram analisados com base na
análise de conteúdo. Os resultados obtidos indicam que o principal motivo que
conduziu os PCOPs ao exercício de sua função está vinculado ao reconhecimento
profissional. No que se refere à formação propiciada pelo Programa Ler e Escrever,
observa-se que por uma série de contingências sua formação consistiu em prepará-
los para fazer chegar aos professores os conteúdos que receberam o que os torna
multiplicadores de princípios e métodos do Programa. Ainda que os professores
coordenadores das oficinas pedagógicas considerem que a formação que a SEE
promove dê subsídio prático e teórico, foi possível constatar que a formação dos
PCOPs    é insuficiente para que eles interajam com a realidades da escolas e
desenvolvam, junto aos PCs, um trabalho efetivo capaz de interferir na qualidade do
trabalho pedagógico nelas desenvolvido.


Palavras-chave: formação continuada: processo de formação; escola como lócus
de formação; formação de formadores: Programa Ler e Escrever; Professor
Coordenador de Oficina Pedagógica.
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ABSTRACT
Each time more professional of the education is absorbed by the demands of
continued formation of professors. Gradually, technician of the education
secretariats, directors of school, coordinators of the pedagogical workshops
and professors had started to assume the formation of professors as one of its
main tasks. The present study he has as objective to analyze the process of
professional formation of coordinating professors of pedagogical workshops
(PCOP), that they develop practical of formation continued in the context of a
program of the state government of São Paulo - the Program To read and To
write. The research was based theoretically on the contributions of the
following authors: Furlanetto (2007), Tardif (2004, 2002, 1999), Pepper (1999),
Nóvoa (1992) and Ferry (2004), amongst others. Five operating formadores in
different directions of education had been citizens of the research, that exert
the function of coordinating professors of pedagogical workshops. The
boarding of the research was qualitative. The collection of data if gave by
means of a questionnaire. The data had been analyzed on the basis of the
content analysis. The gotten results indicate that the main reason that lead the
PCOPs to the exercise of its function is tied with the professional recognition.
As for the formation propitiated for the Program To read and To write, are
observed that for a series of contingencies its formation consisted of preparing
them to make to arrive at the professors the contents that had received what it
becomes them multipliers of principles and methods of the Program. Despite
the coordinating professors of the pedagogical workshops consider that the
formation that the SEE promotes gives practical and theoretical subsidy, was
possible to evidence that the formation of the PCOPs is insufficient so that
they interact with the realities of the schools and develop, next to the PCs, an
effective work capable to intervene with the quality of the pedagogical work in
them developed.


Key-words: in-service education, teacher education process; school as the locus
for in-service education; Ler e Escrever Program; Professor Coordenador de
Oficina Pedagógica.
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SUMÁRIO

Apresentação ....................................................................................................... 18

Introdução ........................................................................................................... 25



Capítulo 1 – Contexto da pesquisa: em foco o PROGRAMA LER E ESCREVER .... 30




1.1 Histórico do Programa.................................................................................... 30

1.2 Objetivos e ações do Programa ler e escrever.............................................. 32

1.3 Perfil dos diferentes atores envolvidos no Programa ler e escrever .............. 36

   1.3.1 Professores do PIC ................................................................................. 36

   1.3.2 Professores Coordenadores de unidades escolares (PCs)..................... 37

   1.3.3 Professores Coordenadores de Oficinas Pedagógicas (PCOPs)............ 38

1.4 Abrangência do Programa Ler e Escrever em 2010 ...................................... 40



Capítulo 2 – Os caminhos da formação continuada ....................................... 42



2.1 A história da formação.................................................................................... 42

2.2 O conceito de formação ................................................................................. 43

2.3 A Formação Continuada................................................................................. 46

   2.3.1 A escola como lócus da formação .......................................................... 48

   2.3.2 Saberes docentes ................................................................................... 49

   2.3.3 Os processos de desenvolvimento e aprendizagens dos adultos........... 54

2.4 A formação dos formadores ........................................................................... 55
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Capítulo 3 – Os caminhos da pesquisa ............................................................ 57



3.1 O contexto da pesquisa.................................................................................. 57

    3.1.1 Caracterização das oficinas pedagógicas das Diretorias de Ensino ....... 57

    3.1.2 Caracterização do Programa Ler e Escrever .......................................... 58

3.2 A abordagem da pesquisa.............................................................................. 61

3.3 Os sujeitos da pesquisa ................................................................................. 62

    3.3.1 Escolha dos participantes ....................................................................... 63

3.4 Os procedimentos de coleta de dados ........................................................... 65

    3.4.1 A elaboração dos questionários .............................................................. 65

    3.4.2 Aplicação dos questionários.................................................................... 66

    3.4.3 A organização e a análise dos dados ..................................................... 66



Capítulo 4 – Análise dos dados: da voz dos formadores a um esboço teórico
............................................................................................................................. 68

4.1 Perspectiva para se tornar professor coordenador de oficina pedagógica..... 68

4.2 Papel do professor coordenador de oficina pedagógica ................................ 71

4.3 Formação recebida ........................................................................................ 73

4.4 Experiência com coordenação ....................................................................... 75



Considerações finais ......................................................................................... 80

Referências Bibliográficas .................................................................................... 85

Anexo 1 – Materiais do programa ler e escrever.................................................. 90

Anexo 2 – modelo do questionário ....................................................................... 92

Anexo 3 – Protocolo de análise 1......................................................................... 93

Anexo 4 – Protocolo de análise 2......................................................................... 95
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LISTA DE SIGLAS


CEI - Coordenadoria de Ensino do Interior
CENP - Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas
CEPPPE - Centro de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas de Educação
COGSP - Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo
DE - Diretoria de Ensino
EF - Ensino Fundamental
FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação
HTPC - Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo
IDESP - Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo
IE - Instituição de Ensino Superior
IPE - Isto se Aprende com o Ciclo Básico
MEC - Ministério da Educação
MEC/SEF - Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Fundamental
NEE - Necessidades Educacionais Especiais
OP - Oficina Pedagógica
PC - Professor Coordenador de Escola
PCOP - Professor Coordenador da Oficina Pedagógica
PEC - Programa de Educação Continuada
PIC - Programa Intensivo no Ciclo
PROFA - Programa de Formação de Professores Alfabetizadores
PROFIC - Programa de Formação Integral da Criança
PUC - SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
SAEB - Sistema de Avaliação da Educação Básica
SARESP - Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo
SEE - Secretaria de Estado de Educação
SEF - Secretaria de Educação Fundamental
SEESP - Secretaria de Estado de Educação de São Paulo
UE - Unidade Escolar
USP - Universidade São Paulo
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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – SARESP 2005 (alunos em estado de atenção).
Figura 2 – Site do Programa Ler e escrever SEESP.
Figura 3 – Abrangência do Programa Ler e escrever em 2010.
Figura 4 – Formação Acadêmica, trajetória profissional e tempo de trabalho
profissional dos Professores Coordenadores de Oficinas Pedagógicas (PCOPs).
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                                APRESENTAÇÃO

      A história que antecede a elaboração desta pesquisa mostra que ela foi sendo
construída no decorrer da minha trajetória pessoal e profissional. Refletir sobre os
diferentes aspectos envolvidos nesta produção tem sido, às vezes, um exercício
difícil e solitário, porém possível e envolvente. A produção de conhecimento é
mesmo assim: envolvente.
      Desde criança, nutri o desejo de ser professora. Minhas brincadeiras
prediletas eram escrever na lousa, dar aula para as bonecas, escrever cartas para a
família e poesias, ler livros que emprestava dos amigos e da biblioteca, escrever no
caderno de receitas da minha mãe e ouvir histórias e “causos”. Desde os cinco anos
de idade, quando minha avó foi morar em nossa casa, nos reuníamos para ouvir os
tais “causos”, principalmente quando uma das tias vinha do interior. Era fantástico.
Aos sete anos, fui pela primeira vez à escola, e acredito que foi uma das maiores
alegrias da minha vida. Durante o período de escolarização me identifiquei com
muitos professores. Amava os bravos e os bonzinhos, e queria mesmo era estar na
escola. Entre todos os meus mestres, uma professora marcou-me especialmente:
Dona Ana, mulher brava e autoritária que, certa vez, deu-me uma "reguada" na mão,
pois me julgava muito falante. Porém, ela me ensinou muitas coisas e parecia nutrir
por mim alguma admiração já que, no final do ano, presenteou-me com um livro e
uma dedicatória que guardo até hoje.
      No final do ensino fundamental, uma professora de matemática me ajudou
muito, pois convenceu minha mãe de que eu deveria continuar estudando. Na
época, mulher não precisava estudar muito, porque ia se casar. Mas com a ajuda
dessa professora, que se chamava Rita, e de minha mãe, que fez minha matrícula,
pude fazer o magistério que tanto queria. Em função disso, recém-formada no
magistério, passei a contribuir com a alfabetização de crianças que não tinham
podido ingressar na pré-escola. Em 1987, entrei na equipe do projeto Antecipação
de Escolaridade, que tinha como objetivo atender a essas crianças. A fim de
trabalhar com esses alunos, fiz um curso de extensão de 30 horas, promovido no
final do ano de 1986, na cidade de São Paulo, sob a responsabilidade da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP) e da Secretaria de Estado de
Educação de São Paulo.
19



      Essa formação foi significativa para o início de minha carreira como docente.
A metodologia adotada, baseada em novas concepções de ensino e aprendizagem,
diferenciava-se de tudo o que havia aprendido no curso de magistério. O principal
objetivo era desenvolver uma proposta de alfabetização voltada para os usos,
funções e valores sociais da língua, propiciando às crianças compreender que a
escrita se constituía na e pela interação entre os indivíduos, por meio do
desenvolvimento de situações didáticas, em que as crianças produziam seus
próprios textos.
      Duas situações marcaram muito essa época. A primeira ocorreu numa escola
em que uma de minhas atribuições era possibilitar às crianças oportunidades para
escrever. Em função disso, propus uma tarefa para ser desenvolvida em casa. No
dia seguinte, uma das alunas trouxe a atividade pronta numa folha engordurada e
amassada. Pedi a ela que me entregasse o texto no outro dia, em ordem. A aluna foi
sentar-se e acompanhei-a com os olhos. Naquele momento, aprendi minha primeira
lição como professora: a menina virou-se para trás e pediu a uma colega que
emprestasse o ferro de passar roupas, porque iria passar a folha da atividade para
me entregar. Aquela atitude me fez repensar muita coisa, não só como professora,
mas também como pessoa.
      A segunda situação ocorreu com um aluno cujo apelido era Francisquinho.
Ele tinha muita dificuldade para escrever em cima das linhas. Por diversas vezes,
tentei explicar-lhe que não era correto escrever de outra forma, mas não obtive
resultado. Estávamos escrevendo um texto sobre as formigas, quando uma aluna foi
à sua carteira e falou-lhe que ele deveria escrever “em riba da linha”. Foi a última
vez que o Francisquinho escreveu daquele jeito.
      Os conteúdos atitudinais foram imprescindíveis para auxiliar o trabalho
naquela sala de aula. Trabalhei nesse projeto durante um mês, e acredito que
aprendi muito mais do que ensinei. Devo a essa experiência boa parte do meu ser
profissional e pessoal. Foi um momento muito importante na minha constituição
como professora. De acordo com Josso (2002, p.42), à escala de uma vida, o
processo de formação dá-se a conhecer por meio dos desafios e apostas nascidos
da dialética entre a condição individual e a condição coletiva.
      Em fevereiro de 1987, o diretor da escola em que trabalhei durante o mês de
janeiro convidou-me para dar aulas de Matemática no Programa de Formação
Integral da Criança – PROFIC. Os alunos ficavam na escola em período integral e
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tinham oficinas de Arte, Educação Física, Língua Portuguesa e Matemática. Foi a
primeira vez que trabalhei com a disciplina de Matemática e achei muito difícil, pois
não tínhamos nenhuma orientação específica. Tentava usar todos os meus
conhecimentos para ensiná-los, mas acreditava que os alunos precisavam de
materiais concretos para aprender. Hoje, sei que os materiais não são os
responsáveis pela aprendizagem dos alunos. Foi neste período que a escola
ofereceu um curso aos sábados, chamado Projeto Ipê – Isto se aprende com o Ciclo
Básico. Era o início das formações com a concepção construtivista de ensino.
Identifiquei-me com a nova proposta, com o empenho da equipe em fazer dar certo
e, principalmente, com o compromisso em ajudar as crianças a aprender melhor. Foi
um período muito rico em aprendizagem.
       No ano de 1988, com a inauguração de uma nova escola estadual, assumi
uma classe de alfabetização. Apesar de já ter vivenciado mais de um ano em sala
de aula, aquela experiência foi a mais difícil. A responsabilidade em alfabetizá-los
seria minha, e não dividida com outro professor. Minha primeira reação foi achar que
“não tinha nascido para ser professora”. Pensei em desistir, mas lembrava-me da
dificuldade que tinha tido inicialmente no PROFIC, e de sua posterior superação.
Tinha claro que venceria os obstáculos se investisse na minha formação, e foi o que
fiz.
       Em 1992 e 1993, participei de encontros de Formação do Programa
Alfabetização: Teoria e Prática. Esse curso me estimulou a ler. Concordava com
muitas das informações recebidas, outras me conduziam a importantes reflexões
sobre a prática pedagógica e me estimulavam a conhecer de forma mais
aprofundada as questões relativas à teoria e à prática no processo de alfabetização.
       Em função disso, estudava com afinco os textos indicados pela formadora.
Quanto mais lia, maiores eram os conflitos. Comecei a perceber a necessidade de
compartilhar o que tinha entendido com outras pessoas, mas este espaço não
existia, não encontrava respaldo nem na escola e nem na própria formação. Para
mim, esse era o maior problema. Procurava aplicar os conhecimentos adquiridos e a
única forma de avaliar o processo era acompanhando, de forma reflexiva, os
resultados obtidos com as crianças. Comentava com as colegas, no recreio, o que
tinha feito, e a única coisa que ouvia eram pedidos para que lhes repassasse as
atividades. Mesmo assim, jamais voltei a pensar em desistir.
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      Em 1996, a diretora da escola em que trabalhava convidou-me para dar aula
nas Classes de Aceleração. O objetivo desse Projeto era recuperar a trajetória dos
alunos em situação de defasagem série/idade. Creio que fui escolhida porque, no
ano anterior, havia ministrado aulas em uma classe de segunda série com alunos de
8 a 11 anos, em que a diferença de idade não tinha sido empecilho para desenvolver
meu trabalho. Apesar dos desafios, aceitei o convite e passei a participar das
formações oferecidas pela Diretoria de Ensino. Os encontros eram quinzenais e, no
último dia, no mês de dezembro, comentei com uma amiga que, se estivesse no
lugar da formadora, faria muitas coisas diferentes. A formadora não propiciava
momentos de relatos do que fazíamos, e isso era do que mais sentia falta. Contudo,
os resultados alcançados com os alunos foram positivos.
      No ano seguinte, assumi novamente uma sala de alunos do projeto Classes
de Aceleração. Antes do início das aulas, recebi um telefonema da Delegacia de
Ensino, interrogando-me a respeito dos avanços dos alunos e solicitando que fosse
à Delegacia para conversar. Depois de longa “sabatina”, convidaram-me para dar
formação aos professores das classes de aceleração. Aceitei sem ter a menor ideia
do que viria pela frente e, ao longo de dez anos, permaneci na função de Assistente
Técnico Pedagógico, que tinha como uma de suas principais atribuições a formação
de professores. Dessa forma, passei a acompanhar inúmeros projetos e programas
voltados a capacitar professores do Ensino Fundamental do ciclo I, a saber: Projeto
Classes de Aceleração, Conhecimento Físico no Nível Fundamental, Programa Letra
e Vida, entre outros.
      Assim, de 2000 a 2002, participei do Projeto Conhecimento Físico no Nível
Fundamental. O projeto era uma parceria da Secretaria Estadual de Educação com
a Universidade de São Paulo (USP) e tinha como interesse melhorar tanto a
formação dos professores, como o próprio ensino de ciências nas séries iniciais, por
meio da capacitação dos Assistentes Técnicos Pedagógicos, que atuavam nas
Diretorias Regionais de Ensino em ações de formação dos professores do ensino
fundamental do ciclo I (1ª a 4ª série). Foi o primeiro momento de reflexão abordando
principalmente a problemática da formação continuada dos(as) professores(as).
      Em 2004, atuei como coordenadora geral e formadora do Programa Letra e
Vida (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores). Comecei, dessa
forma, a perceber que a coordenação trazia grandes desafios. Um deles era
convidar professores coordenadores das escolas para participarem gratuitamente
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como formadores dos professores alfabetizadores das escolas estaduais da região -
para desenvolverem esta função recebiam formação baseada nos guias de
formação organizados pelo MEC, composto por pautas prontas com passo a passo
das aulas que teriam que aplicar com os professores cursistas. O segundo desafio
era coordenar o estudo das formadoras que aceitaram participar deste Programa.
      Outro era apresentar o Programa para os professores alfabetizadores
interessados, de forma que o compreendessem e aderissem a ele. Uma das
atividades propostas, no primeiro encontro, era a produção de um texto em forma de
memórias, constituindo um pano de fundo incentivador para o início das atividades.
      A continuidade destes participantes, no Programa, dependia muito da forma
como o curso era encaminhado pelas formadoras. Alguns participantes desistiam,
pois não viam relação entre o Programa e suas experiências. Esse foi um momento
"divisor de águas na minha vida". Percebi, como coordenadora, que precisava criar
condições para que as formadoras compreendessem a proposta do Programa e
revissem algumas questões formativas. Para isso, analisávamos, revíamos e
reformulávamos as pautas do guia de orientações metodológicas do formador.
Desse modo, acreditávamos que a proposta atendia à demanda dos cursistas.
      Ser formadora também era desafiador, pois implicava colocar em prática tudo
o que combinávamos no momento dos estudos. O empenho e a dedicação de
alguns professores que estavam na rede há muito tempo chamaram-me
especialmente a atenção. Minha turma era constituída de professores efetivos, com
muitos anos de magistério. Inicialmente, alguns participavam das formações porque
receberiam certificado que auxiliava no aumento do salário. Posteriormente,
começaram a gostar. Duas professoras se aposentaram naquele ano, mas
continuaram fazendo o curso. Diziam-se felizes por voltar ao banco escolar. Ao
término de cada encontro, avaliávamos o dia e muitos professores agradeciam pela
oportunidade de repensarem o papel deles como professores.
      A meu ver, os encontros de formação tinham um saldo positivo, visto que
eram elaborados e organizados com as melhores intenções por parte dos
formadores do curso. Com o evidente interesse e dedicação dos cursistas durante o
período de formação, o curso parecia atender às necessidades dos profissionais que
dele participavam. Entretanto, quando visitávamos as escolas, percebíamos
professores descontentes devido às dificuldades de colocar em prática o que tinham
estudado. Apesar de todo o empenho e dedicação dos formadores e dos cursistas,
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pensando em termos gerais, não percebíamos mudanças significativas nas práticas
escolares, salvo raras exceções. De acordo com Azanha,


                    [...] a questão da qualidade do ensino é, pois, uma questão institucional.
                    São as escolas que precisam ser melhoradas. Sem este esforço
                    institucional, o aperfeiçoamento isolado docente não garante que essa
                    eventual melhoria do professor encontre na prática as condições propícias
                    para uma melhoria do ensino (1990, p. 52).


      No ano de 2007, passei a exercer a função de Técnico de Ensino – Ciclo I, na
Coordenadoria do Centro de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), da Secretaria
de Estado da Educação de São Paulo.
      Ao integrar o quadro da CENP, aproximei-me dos responsáveis pela
implementação e avaliação dos programas de formação destinados a professores
em serviço, com envolvimento direto nas ações formativas, agora em larga escala.
      Fui convidada a participar do grupo de estudos de alfabetização coordenado
pela professora Dra. Telma Weisz, doutora em Psicologia da Aprendizagem e do
Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo e coordenadora do curso de
especialização em alfabetização (pós-graduação Lato Sensu) do Instituto Superior
de Educação Vera Cruz. Assim, motivada pela perspectiva de crescimento
profissional, iniciei minha participação nesse grupo. Participávamos semanalmente
de discussões relativas aos conteúdos e às orientações didáticas que fariam parte
de um documento intitulado “Expectativas de aprendizagem”.
      Após a elaboração do documento, as formadoras da equipe da Profa. Dra.
Telma Weisz, que também compunham esse grupo, iniciaram o planejamento dos
encontros, cujo principal objetivo era subsidiar a formação dos coordenadores das
escolas do Ensino Fundamental I e do denominado trio gestor: Assistentes Técnicos
Pedagógicos, Diretores e Supervisores da rede estadual de ensino do Estado de
São Paulo. Começaram, então, a surgir questões em torno da condução do
planejamento dos encontros de formação de coordenadores e gestores. Dentre as
diversas perguntas levantadas, as que suscitaram mais inquietação, no capacitar
formadores, foram: Como contribuir para a formação de formadores? O que
precisamos garantir nos encontros de formação? Que conteúdos priorizar e como
articular os conhecimentos pedagógicos e metodológicos à concepção de ensino e
de aprendizagem que se pretendia assumir?
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      Essas questões, que norteavam os encontros, indicavam a necessidade de
estudos que buscassem avaliar os conhecimentos indispensáveis ao processo de
formação continuada de formadores. Nesse sentido, estimulada pela possibilidade
de melhor entender as questões concernentes aos aspectos formativos, ingressei no
curso de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, já que o
tema referente à formação de professores tem sido objeto de estudo em diversas
pesquisas.
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                                     INTRODUÇÃO


      Para Platão, a "luz" seria, no mundo dos sentidos, a verdade, o bem e o belo,
já que ela transcende os limites do físico. Segundo ele, se vemos a luz, também a
pensamos. Uma expressão utilizada por René Huyghe (1986) sobre a definição de
Platão é que “a luz pode permitir aos olhos do espírito ver aquilo que escapa aos
olhos do corpo.” Essa simbologia me veio à mente enquanto pensava sobre a
complexidade do cotidiano e sobre a tendência de buscar sempre a iluminação, que
nos impinge a construir e delimitar objetos de estudo na pesquisa acadêmica.
      Azanha (1990, p. 24) teceu algumas considerações, em sua tese de livre
docência, intitulada “Uma ideia de pesquisa educacional”. O autor censura um estilo
de pesquisa educacional que caracteriza como

                     [...] uma variedade do que se poderia chamar de “abstracionismo
                     pedagógico”, entendendo-se a expressão como indicativa da veleidade de
                     descrever, explicar ou compreender situações educacionais reais,
                     desconsiderando as determinações específicas de sua concretude¸ para
                     ater-se apenas a “princípios” ou “leis” gerais que na sua abrangência
                     abstrata seriam, aparentemente, suficientes para dar conta das situações
                     focalizadas.


      O autor sugere, então, que “princípios” ou “leis” gerais não dão conta de
explicar o que, de fato, ocorre em situações concretas de ensino e de aprendizagem,
cabendo ao pesquisador focalizar o seu olhar, apresentando "o belo que transcende
os limites do físico" ou que faça "ver aos olhos do espírito aquilo que escapa aos
olhos do corpo”.
      Conforme discutimos na apresentação deste trabalho, o contexto gerador da
pesquisa foi minha trajetória educacional ao longo da vida profissional, nos
programas de formação continuada e nas contingências do trabalho pedagógico
cotidiano vivenciadas, inicialmente, em uma escola estadual, onde atuei como
professora de uma turma de crianças de sete anos que nunca tinham frequentado os
bancos escolares. O período de atuação, nessa escola, compreende o ano de 1987.
De 1988 a 1987, lecionei em classes regulares do ensino fundamental do ciclo I (1ª a
4ª séries), na mesma rede de ensino. De março de 1997 a fevereiro de 2007,
trabalhei na Oficina Pedagógica da Diretoria de Ensino Leste 3, desta vez como
Assistente Técnico Pedagógico. Desde março de 2007, atuo na Secretaria Estadual
de Educação como formadora de professores coordenadores de oficinas
26



pedagógicas (PCOP) e supervisores de ensino, no âmbito do programa formativo
LER E ESCREVER, direcionado às questões da alfabetização. Diversos fragmentos de
relatórios reflexivos elaborados por formadores de professores que trabalharam nos
programas Parâmetros em Ação e PROFA ( Programa de Formação de Professores
Alfabetizadores) foram publicados em um documento que nos dá mostras dos
desafios por eles enfrentados nesse processo de formação de formadores:


                        [...] que os alunos têm saberes diferentes já é bem sabido por nós
                        formadores. A novidade parece, então, residir no deslocamento do sujeito-
                        professor para o sujeito-formador de formadores: como é formar na
                        diversidade? Como é conceber a diversidade de saberes dos futuros
                        formadores como uma das principais variáveis da organização e condução
                        da pauta? Quais saberes precisamos desenvolver para desvelar as teorias
                        que guiam a prática dos educadores e, assim, criarmos referenciais que
                        desencadeiem as discussões necessárias e formativas? (MEC/SEF 2001, p.
                        94)

                        [...] não consigo ainda adentrar o campo das respostas para essas
                        questões. Provavelmente construir-se-ão ao longo do meu percurso como
                        formadora. Hoje consigo apenas acreditar que, se pretendemos formar
                        formadores a partir de uma proposta coerente com os princípios que
                        queremos que eles utilizem com seus professores e esses últimos, com
                        seus alunos, precisamos explicitar, de alguma forma, como considerar a
                        variável diversidade de conhecimentos prévios no trabalho de formação”1
                        (MEC/SEF, 2001, p. 95).




       Desde então, tenho dedicado boa parte de meu tempo profissional, meu
empenho e minhas reflexões aos aspectos que envolvem a formação de
formadores.
       Tornar-me formadora de formadores exigiu de mim muita reflexão, muito
estudo e, principalmente, certa vigilância dessas duas dimensões: ser formadora de
professores e ser formadora de formadores. No início do trabalho com os
professores coordenadores de escola, devido à mudança de função, mudava
também o sujeito da aprendizagem e pensar nele, no seu papel de formador, não
era muito simples. Meu sujeito passava a ser o professor coordenador de oficina
pedagógica, um profissional experiente, repleto de representações sobre ensino,
aprendizagem, formação continuada etc. Tomar consciência disso representou um
primeiro avanço em relação à construção de minha identidade como formadora. Se

1
  O documento citado reúne diversos fragmentos de relatórios reflexivos elaborados por formadores de
professores que trabalharam nos programas Parâmetros em Ação e Programa de Formação de Professores
Alfabetizadores -PROFA - MEC/SEF.
27



antes eu centrava minhas preocupações em como o professor aprende, quais as
melhores propostas para a formação do professor? No novo papel precisava me
preocupar em encontrar respostas para outras questões, as quais guardavam
especificidades que eu precisava desvelar: qual o papel do formador? Como o
formador aprende? Que saberes são necessários para ser formador? Há saberes
específicos? Qual o papel da didática, em seu saber cotidiano?


PROBLEMA DE PESQUISA: PROCESSOS FORMATIVOS DOS PCOPS


      O processo formativo dos PCOPs fornece subsídios para a sua prática
pedagógica?


OBJETO DE INVESTIGAÇÃO: FORMADORES DO PROGRAMA LER E ESCREVER

      O foco de interesse deste trabalho são os processos formativos de
professores coordenadores de oficinas pedagógicas, que atuam como formadores
de professores coordenadores de escola no Programa Ler e Escrever da rede
Estadual de Ensino de São Paulo.

OBJETIVO GERAL DE PESQUISA: INVESTIGAÇÃO DO PROCESSO FORMATIVO DOS PCOPS

      Investigar o processo de formação de professores coordenadores de oficinas
pedagógicas que atuam como formadores em projetos de formação continuada, no
Programa Ler e Escrever na Rede Pública Estadual de Ensino de São Paulo.

COMO OBJETIVOS ESPECÍFICOS, O TRABALHO SE PROPÕE A:

      compreender como os professores coordenadores de oficinas pedagógicas se
      tornaram formadores;
      verificar na percepção desses professores qual é o papel do professor
      coordenador de oficina pedagógica;
      identificar qual a formação que os professores coordenadores de oficinas
      pedagógicas receberam da Secretaria Estadual de Educação para se
      tornarem formadores;
28



       averiguar, como os professores coordenadores pedagógicos de oficinas
       pedagógicas vêem a formação que recebem da SEE-SP para atuarem como
       formadores.

O TRAÇADO DA PESQUISA


       O primeiro capítulo discorre sobre o   PROGRAMA   LER   E   ESCREVER, de acordo
com a perspectiva oficial da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Ele
apresenta o contexto em que se deu a constituição dos sujeitos de pesquisa e
também algumas considerações a respeito dos objetivos do programa. Para isso,
refletiremos sobre o momento histórico no qual ocorreu sua implementação e, em
seguida, abordaremos as ações de implementação, os objetivos do programa e o
perfil dos formadores exigido, considerando alguns aspectos concernentes à
formação continuada oferecida pela SEESP aos profissionais envolvidos no LER        E

ESCREVER.
       O segundo capítulo estabelece os caminhos teóricos que serão utilizados
para a construção do presente estudo. Tais teceturas são importantes uma vez que
subsidiarão nossa análise dos dados e conclusões. Iniciamos com o conceito de
formação já que, como outros, em nossa área de conhecimento, é suscetível de
múltiplos aspectos. Partimos para o conceito de formação continuada, que conduzirá
toda visão de formação dessa investigação. Procedem apreciações a respeito dos
saberes docentes, da escola como "lócus" de formação e dos processos de
desenvolvimento e aprendizagem dos adultos. Também a algumas considerações
sobre a formação de formadores de profissionais da educação, neste cenário de
políticas públicas.

       O terceiro capítulo apresenta o contexto da pesquisa, a caracterização das
Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino, caracterização do Programa Ler e
Escrever, a abordagem da pesquisa, os sujeitos da pesquisa, a escolha dos
participantes, os procedimentos de coleta de dados, a elaboração dos questionários,
a aplicação dos questionários, a organização e análise dos, nas quais foram
aplicados questionários aos sujeitos da pesquisa, no ano de 2009.

       O quarto capítulo apresenta as discussões sobre as categorias de análise.
Primeiramente, discorrerá sobre os resultados da pesquisa a partir dos dados
29



obtidos quanto a cada categoria de análise, agrupados em quatro categorias:
perspectiva para se tornar professor coordenador de Oficina Pedagógica, qual o
papel do Professor Coordenador de Oficina Pedagógica, formação que receberá e
experiência com coordenação. A partir dessas categorias, tecerá considerações
referentes a aspectos formativos dos formadores e sobre a viabilidade de construir e
reorganizar o conhecimento profissional.
      Encerram este esboço da dissertação as referências bibliográficas e os
anexos.
30



Capítulo 1 – Contexto da pesquisa: em foco o PROGRAMA LER E ESCREVER


       Este capítulo tem como objetivo apresentar o             PROGRAMA     LER   E   ESCREVER, de
acordo com a perspectiva oficial da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.
Visamos não somente apresentar o contexto em que se deu a constituição dos
sujeitos de pesquisa, mas também tecer algumas considerações com respeito aos
objetivos do programa. Assim surge, inicialmente, a necessidade de mencionarmos,
ainda que brevemente, o momento histórico no qual ocorreu sua implementação
para, em seguida, abordar as ações de implementação, os objetivos do programa e
o perfil exigido dos formadores, considerando alguns aspectos concernentes à
formação continuada oferecida pela SEESP aos profissionais envolvidos no LER                        E

ESCREVER. Da mesma forma, para que tenhamos a dimensão do programa,
apresentamos, no final do capítulo, uma tabela com a abrangência do                           LER E

ESCREVER    no ano de 2010.


Histórico do Programa


       Considerando a urgência em solucionar as dificuldades apresentadas pelos
alunos do Ciclo I com relação às competências de ler e escrever, expressas nos
resultados do SARESP2 2005, a necessidade de promover a recuperação da
aprendizagem de leitura e escrita dos alunos de todas as séries do Ciclo I e a
imprescindível necessidade de se investir na efetiva melhoria da qualidade de
ensino nos anos iniciais da escolaridade, a SEESP inicia, no ano de 2007, a
implementação de um conjunto de linhas de ação que visam alfabetizar plenamente,
até 2010: o PROGRAMA LER           E   ESCREVER (Resolução SE 86, de 19/12/2007). Essa
política pública voltada para o Ciclo I envolveu, neste período, alguns setores da
SEESP, a saber: a CENP (COORDENADORIA DE ESTUDOS E NORMAS PEDAGÓGICAS), 13
Diretorias de Ensino da capital de São Paulo e a COGSP (Coordenadoria de Ensino
da Região Metropolitana da Grande São Paulo), articulando diferentes frentes:




2
 O SARESP é o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. Desde sua criação, em
meados da década de 90, vem avaliando, sistematicamente, o sistema de ensino paulista.
31



formação de Professores Coordenadores de Diretorias de Ensino3, de Professores
Coordenadores           de     escolas,        de   Supervisores     de    Ensino       e   Diretores,
acompanhamento, elaboração e distribuição de materiais pedagógicos e outros
subsídios voltados para a melhoria do ensino.
        Na época, os idealizadores do programa, entre eles a Coordenadora Geral,
Iara Prado, suscitaram, como justificativa para a idealização e implementação do
programa, os índices do SARESP 2005, os quais indicavam que mais de 30% das
crianças do estado de São Paulo terminavam a 1ª série sem condições de
prosseguirem seus estudos (Figura 1), já que não escreviam convencionalmente.
Acreditavam que, com o programa, seria possível transformar esse círculo vicioso.


                                                    Alunos em
    Instância                 Alunos      de        Situação de Atenção
                              1ª     e    2ª
                                               1ª EF         2ª EF             Total
                              séries



                                               31,8%         15,5%
                                                                               113.560
    Rede Estadual             483.017          75.482        38.078

                                               23,4%         11,1%
    Interior    de     São 180.313                                             30.834
                                               20.584        10.250
    Paulo

                                               36,8%         18,1%
    Grande São Paulo 302.704                                                   82.726
                                               54.978        27.748



                                               36,6%         18,1%
                              180.887                                          49.528
    Capital                                    33.212        16.316
    FONTE: CEPPPE, 2006.


FIGURA 1 – SARESP 2005 (ALUNOS EM ESTADO DE ATENÇÃO).




3
 Na época, os Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas (PCOPs) eram denominados Assistentes
Técnico-pedagógicos.
32



        A primeira fase do programa teve como principal destaque a adoção da BOLSA
ALFABETIZAÇÃO4 (no segundo semestre de 2007) e a formação de docentes para
implantar o LER       E   ESCREVER em todas as salas de aula, em 2008. Nesse ano, o
governo estadual ampliou o programa para a Região Metropolitana de São Paulo e,
em 2009, para o interior e o litoral (Resolução SE 96, de 23/12/2008 / Resolução SE
90, de 08/12/2008). Assim, no ano de 2010, ele já era uma realidade em todas as
escolas estaduais de São Paulo, das 91 diretorias de Ensino.


1.2 Objetivos e ações do PROGRAMA LER E ESCREVER


        O Programa         LER E ESCREVER,        de acordo com as diretrizes publicadas pela
Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) no site5 da Secretaria de
Educação de Estado de São Paulo (SEESP), tem como principais objetivos:


        • apoiar o Professor Coordenador (PC) em seu papel de formador de
professores dentro da escola;
        • apoiar os professores regentes na complexa ação pedagógica de garantir
aprendizagem de leitura e escrita a todos os alunos, até o final da 2ª série do Ciclo I/
EF;
        • criar condições institucionais adequadas para mudanças em sala de aula,
recuperando a dimensão pedagógica da gestão;
        • comprometer as Universidades com o ensino público;
        • possibilitar a futuros profissionais da Educação (estudantes de cursos de
Pedagogia e Letras), experiências e conhecimentos necessários sobre a natureza
da função docente, no processo de alfabetização dos alunos do Ciclo I / EF.
        Visando atingir esses objetivos, os idealizadores do programa desenvolveram
algumas ações específicas:
        • encontros de formação sistemáticos para o denominado trio gestor (PCOPs,
Diretores de Escola e Supervisores de Ensino), ao longo de todo o ano letivo. Esses


4
  Um programa para os futuros professores da Rede, fruto da parceria entre Secretaria da Educação do Estado –
SEE e Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE, com as instituições de ensino superior (IES), de
âmbito estadual. Alunos de Pedagogia e Letras apoiam professores-regentes nas classes de 1ª série do Ciclo I/EF,
em atividades de alfabetização. Denominados alunos-pesquisadores, desenvolvem uma pesquisa de investigação
didática, sob a orientação dos seus professores nas instituições em que estudam.
5
  http://cenp.edunet.sp.gov.br/index.htm
33



encontros mensais com as formadoras do programa CENP/FDE6 tinham como
principais objetivos propiciar a esses formadores um espaço de reflexão para
analisar, discutir e aprender sobre os processos pedagógicos envolvidos na
alfabetização e, principalmente, sobre sua participação no avanço da aprendizagem
dos alunos. Nesse sentido, o envolvimento efetivo destes profissionais era essencial
para garantir as condições necessárias ao trabalho dos docentes e professores
coordenadores das oficinas pedagógicas e, consequentemente, a aprendizagem dos
alunos. Entre outras ações, o trio gestor tem por função acompanhar a avaliação
processual a ser realizada bimestralmente, em todas as classes envolvidas no
programa.
• formação dos professores coordenadores – a formação contínua desse grupo de
profissionais é promovida pela equipe de formadoras da FDE e pelos professores
Coordenadores das Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino. Os Professores
Coordenadores são preparados para atuar na formação dos professores de 1ª a 4ª
séries para a complexa tarefa de fazer com que os alunos se tornem capazes de ler
e escrever com competência e autonomia. Esse trabalho envolve momentos de
formação, planejamento, acompanhamento e avaliação, durante todo o ano letivo.
• formação do Professor Regente – de acordo com a visão dos idealizadores do
programa, nenhum projeto ou material que possa ser elaborado seria eficaz sem
uma formação continuada articulada à prática dos professores. Em função disso,
para efetivá-la, a escola precisa ser tomada como o lócus dessa formação.
Considera-se que é no próprio contexto de trabalho, na relação direta com seus
colegas, que os professores podem, da melhor forma, colocar suas questões, refletir
sobre as práticas que desenvolvem, detectar problemas, estudar e buscar soluções
e avanços. Por isso, o Programa estabeleceu que a formação dos Professores seria
conduzida pelo PC (professor coordenador), no acompanhamento das salas de aula
e no HTPC (horário de trabalho pedagógico coletivo), possibilitando o atendimento
às especificidades das séries. Para tanto, os professores envolvidos nos projetos
tiveram, em 2007, sua carga horária ampliada em 4 horas semanais e,
posteriormente, em 2010, em 6 horas semanais.
• Projeto Intensivo no Ciclo (PIC) – o PIC é um projeto temporário, que tem como
objetivo impedir que as crianças das 3ª e 4ª séries prossigam em seus estudos sem

6
  As formadoras da CENP são professoras da rede pública estadual de ensino, designadas para a função de
“técnico de ensino”. As formadoras da FDE são consultoras de Educação contratadas pela FDE.
34



ter desenvolvido as competências de escrita e leitura necessárias. É um projeto
emergencial, cuja duração deve ser temporária, uma vez que a meta das duas
séries anteriores é justamente torná-lo desnecessário.
      A fim de alcançar suas metas, o projeto prevê uma série de medidas:
adequação do currículo destas séries às necessidades de aprendizagem daqueles
que não tiverem alcançado o nível necessário; formação dos professores
responsáveis pelas salas de PIC; organização administrativa e curricular
diferenciada para as classes de PIC, com a utilização de materiais específicos e a
formação de turmas com no máximo 25 alunos, entre outras medidas e, a partir de
2010, a inclusão de um aluno-pesquisador nas salas de PIC, para auxiliar o
professor regente.
      O critério para encaminhamento de alunos às salas do PIC é que estes
tenham terminado a 2ª ou a 4ª série sem ter atingido a escrita alfabética. Eles
podem ser selecionados a partir dos resultados do SARESP ou de sondagens das
hipóteses de escrita que revelem que ainda não escrevem alfabeticamente. De
acordo com o projeto, os alunos que sabem ler e escrever não devem fazer parte
das turmas do PIC, pois certamente as atividades não serão desafiadoras para eles.
      Contudo, na prática, observa-se que muitos alunos com outras dificuldades de
leitura e escrita, não relacionadas à aquisição do sistema, são encaminhados a
essas salas. Além disso, crianças consideradas indisciplinadas e com necessidades
educacionais especiais (NEE) também acabam sendo incluídas nessas turmas.
• Projeto “Escola Pública e Universidade na alfabetização” – este projeto, conhecido
como Bolsa Alfabetização, foi instituído pelo Decreto n. 51.627, de 01/03/2007 e
prevê que os alunos de curso de graduação em Letras (com habilitação para
Magistério de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental) e Pedagogia de Instituições de
Ensino Superior (IES), sob supervisão de professores universitários, atuem nas
classes de 1ª série e no horário de aula ou de projetos. Em 2010, este programa
tornou-se parte integrante do PIC, com a inclusão de um aluno pesquisador também
nas salas de PIC. O projeto Bolsa representa uma importante ponte, de acordo com
os idealizadores do Ler e Escrever, entre o ambiente acadêmico e as salas de aula,
já que possibilita um diálogo permanente entre os alunos pesquisadores e os
profissionais que participam de forma efetiva na formação de futuros educadores.
• Publicação e distribuição de materiais de apoio (ANEXO 1) – considerando a
necessidade de apoiar os Professores Regentes na criação de situações didáticas
35



que atendam à diversidade dos alunos e às suas diferentes necessidades de
aprendizagem, o programa disponibilizou um conjunto de materiais, específicos para
cada projeto. São materiais que apoiam o planejamento de cada professor e servem
como objetos de análise, problematização e discussão nos horários de trabalho
pedagógico coletivo. Além dos cadernos específicos para os alunos das 1ª e 2ª
séries, fazem parte desses materiais um acervo literário e paradidático para a
biblioteca de sala de aula, como enciclopédias, globos, letras móveis, calculadoras e
revistas infantis. A análise de uma parte do material pedagógico impresso do
programa (guias de orientação e materiais do professor) permite perceber que sua
função é auxiliar o professor em seu trabalho cotidiano na sala de aula, pois o
orienta na realização das atividades de alfabetização, descrevendo as condições
didáticas que precisam ser propiciadas, na organização do espaço e nas
intervenções necessárias para que os alunos aprendam. Além disso, aponta as
expectativas de aprendizagem para cada série e oferece parâmetros para que o
docente avalie a evolução de seus alunos.
• Acompanhamento institucional sistemático às Diretorias de Ensino (DEs), para
apoiar o desenvolvimento do trabalho. Mensalmente a SEESP, por meio da CENP,
realiza encontros centralizados na capital com os supervisores e PCOPs
responsáveis pelo Ciclo I de cada Diretoria de Ensino e reuniões nas DES. Nessas
oportunidades, são analisados os instrumentos de acompanhamento do programa
(ex.: os mapas de sondagem das hipóteses de escrita), assim como os
encaminhamentos e as ações que estão sendo tomados para auxiliar os PCs e os
alunos em suas dificuldades. Além disso, é importante destacar que a CEI e a
COGSP, enquanto órgãos centrais da SEE-SP, fazem um acompanhamento
sistemático às escolas com baixo IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação
do Estado de São Paulo).
• Site – como parte da estrutura do programa, um site (Figura 2) foi criado para que
não somente o cidadão comum, mas também os participantes do programa possam
conhecer melhor as ações empreendidas pelo Ler e Escrever e interagir com essa
iniciativa da SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO. Por meio deste site,
professores, coordenadores das oficinas pedagógicas e das unidades escolares e
outros gestores envolvidos no programa podem ter acesso a materiais de apoio
pedagógico, biblioteca, vídeos, aos mapas de classe (instrumento criado para o
36



acompanhamento da evolução das hipóteses de escrita dos alunos em processo de
alfabetização) e a um ambiente de gestão do programa bolsa alfabetização.




Fonte:www.lereescrever.fde.sp.gov.br


Figura 2- Site do PROGRAMA LER E ESCREVER SEESP.



1.3 Perfil dos diferentes atores envolvidos no Programa LER E ESCREVER


         Para que o programa alcançasse os objetivos definidos, a estrutura do Ler e
Escrever prevê perfil diferenciado para os diferentes atores envolvidos neste projeto
de formação:


         1.3.1 Professores do PIC – professores com disponibilidade para participar
de todos os momentos de formação, planejamento e avaliação do Projeto e,
preferencialmente, que tenham participado dos cursos do Programa Letra e Vida. A
legislação prevê que esses professores tenham pontuação diferenciada para fins de
evolução funcional, desde que permaneçam em regência dessas classes durante
todo o ano letivo e alcancem os objetivos propostos no Projeto. É importante
37



destacar, contudo, que até o momento da finalização desta pesquisa não soubemos
de nenhum professor que tenha alcançado o benefício de uma evolução funcional
devido às metas atingidas em alguma sala de PIC.


1.3.2 Professores Coordenadores das unidades escolares (PCs) – apoiar os
professores regentes na complexa ação pedagógica de garantir a aprendizagem da
leitura e da escrita a todos os alunos, até o final da 2ª série do Ciclo I / EF e de criar
condições institucionais adequadas para mudanças em sala de aula, recuperando a
dimensão pedagógica da gestão. A figura do professor coordenador surge como
uma necessidade imperativa. A ele, de acordo com a Resolução 88, de 19/12/2007,
cabem as seguintes atribuições:


• ampliação do domínio dos conhecimentos e saberes dos alunos, elevando o nível
de desempenho escolar evidenciado pelos instrumentos de avaliação externa e
interna;
•   intervenção na prática docente, incentivando os docentes a diversificarem as
oportunidades de aprendizagem, visando à superação das dificuldades detectadas
junto aos alunos;
• promoção do aperfeiçoamento e do desenvolvimento profissional dos professores
designados, com vistas à eficácia e melhoria de seu trabalho.
       Além das atribuições fixadas na Res.SE 88/2007, também é função do PC do
Ciclo I, de acordo com a Res.SE 89/2007:
I – auxiliar o professor na organização de sua rotina de trabalho, subsidiando-o no
planejamento das atividades semanais e mensais;
II – observar a atuação do professor em sala de aula com a finalidade de recolher
subsídios para aprimorar o trabalho docente, com vistas ao avanço da
aprendizagem dos alunos;
III – orientar os professores com fundamento nos atuais referenciais teóricos,
relativos aos processos iniciais de ensino e aprendizagem da leitura e escrita, da
Matemática e outras áreas do conhecimento, bem como à didática da alfabetização;
IV – conhecer as Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa, de Matemática e das
demais áreas de conhecimento e outros materiais orientadores da prática
pedagógica;
38



V – estimular os docentes na busca e na utilização de recursos tecnológicos
específicos ao processo de ensino da leitura e da escrita, da Matemática e de outras
áreas do conhecimento.


1.3.3 Professores Coordenadores de Oficinas Pedagógicas (PCOPs) – a SEE-
SP (Resolução SE – 91, de 19/12/2007) instituiu que as Oficinas Pedagógicas
seriam constituídas por Professores Coordenadores, tendo em vista: a) a
necessidade de se assegurar um fluxo coerente de diretrizes pedagógicas entre
todos os órgãos que atuam na assessoria, gerenciamento e sustentação das
medidas necessárias à melhoria da qualidade do ensino da rede estadual; b) a
importância da Diretoria de Ensino como a principal instância gestora responsável
pela articulação pedagógica entre a unidade escolar e os diferentes órgãos da
administração centralizada; e c) a complexidade, amplitude e diversidade dessa área
de atuação, que demanda, para sua efetiva operacionalização, a disponibilidade de
professores de diferentes áreas curriculares que possam atuar nas oficinas
curriculares, particularmente, subsidiando os Supervisores de Ensino das Diretorias
de Ensino na área da assistência técnico-pedagógica.
      Em face às necessidades apontadas pela Resolução 91 de 19/12/2007,
observa-se que, para a SEESP, o Professor Coordenador da Oficina Pedagógica é
uma figura imprescindível na implementação de ações de apoio pedagógico e
educacional que orientem as equipes escolares na condução de procedimentos que
dizem respeito à organização e funcionamento dos diferentes níveis e modalidades
de ensino, dentre eles o ensino fundamental do Ciclo I, que abrange os cinco
primeiros anos da escolaridade básica, de acordo com as leis vigentes em 2010.
      Para exercer essa função, a legislação aponta que são requisitos para ocupar
o posto de trabalho de Professor Coordenador:
      a) ser portador de diploma de licenciatura plena;
      b) contar, no mínimo, com 3 (três) anos de experiência (1095 dias) como
docente da rede estadual de ensino;
      c) ser docente efetivo classificado, preferencialmente, na unidade escolar em
que pretende ser Professor Coordenador ou ser docente com vínculo garantido em
lei (Estável ou Categoria F) com no mínimo de 10 (dez) horas-aula atribuídas;
39



          d) estar inscrito no Processo de Atribuição de Aulas/2010 e ter sido aprovado
em Concurso Público de Professor ou Processo Seletivo Docente ou em Promoção
por Mérito;
          e) a experiência como docente deverá ser, preferencialmente, a trabalhada
nas séries do segmento/nível relativo à função de Professor Coordenador a que se
candidatou.
          Nesse contexto de exigências legais, a coordenação do                       PROGRAMA   LER   E

ESCREVER, conforme explicitado em vídeos gravados durante seminários oferecidos
aos gestores7, oferece formação específica aos PCOPs para que assumam a tarefa
da gestão pedagógica das escolas nas Diretorias de Ensino, no sentido de que
usem todos os recursos de que as diretorias disponham, sejam eles humanos,
físicos ou materiais, a fim de que a meta de aprendizagem de todos os alunos seja
alcançada.
          Espera-se que os PCOPs planejem ações junto aos PCs para que esses, por
sua vez, assumam a tarefa de auxiliar os professores em seu trabalho pedagógico
cotidiano. Forma-se, assim, uma intrincada rede de formação, em que os papéis dos
diferentes atores envolvidos parecem bem delineados, pelo menos teoricamente. Na
prática, contudo, perguntamo-nos: como o trabalho do PCOP repercute na formação
dos professores coordenadores das escolas?
          A SEESP, por meio dos encontros de formação oferecidos aos PCOPs, tem a
expectativa de que eles se tornem cada vez mais capazes de desenvolver
competências profissionais que favoreçam o desempenho do papel de formador
exercido pelos professores coordenadores das escolas; de utilizar estratégias
metodológicas de formação apoiadas na discussão da prática pedagógica no
trabalho coletivo, no aprendizado em parceria, na resolução de situações-problema
reais ou simuladas; e de ampliar seus conhecimentos sobre o processo de
aprendizagem da leitura e escrita nos seus diferentes usos e formas. Ou seja,
espera-se que os PCOPs desenvolvam estratégias metodológicas de formação,
baseadas em uma concepção de ensino e de aprendizagem construtivista,
privilegiando, em especial, a problematização e a reflexão sobre o dia a dia da sala
de aula (tematização da prática). De acordo com o que Telma Weisz postula em
encontros formativos dos quais temos participado na SEE, tematizar significa retirar


7
    http://www.fde.sp.gov.br/PagesPublic/ResultadoBusca.aspx?contextmenu=ultimasvid
40



algo do cotidiano, fazer um recorte da realidade, para, então, transformá-lo em
objeto de reflexão.


1.4 Abrangência do PROGRAMA LER E ESCREVER em 2010


      Para que tenhamos uma ideia da estrutura do programa      LER E ESCREVER,

apresentamos, a seguir, alguns dados fornecidos pela SEESP, em documento
disponibilizado no site do LER E ESCREVER.
      Esses dados nos mostram a dimensão alcançada pelo programa, desde
2007, data de sua implementação. Ainda que haja muitos entraves, como já vimos
apontando neste trabalho, não se pode negar a magnitude deste programa.
Contudo, a educação é um setor diferenciado de outros, pois somente poderemos
perceber os resultados efetivos do LER E ESCREVER após um período mais longo, com
a melhoria não só do ensino, mas também da aprendizagem na rede estadual de
São Paulo.
41




       Fonte:www.lereescrever.fde.sp.gov.br



FIGURA 3 – ABRANGÊNCIA DO PROGRAMA LER E ESCREVER EM 2010
42



CAPÍTULO 2 – Os caminhos da formação continuada

                     (...) gostaria muito de mostrar, neste discurso, quais são os caminhos que
                     segui, e de nele representar minha vida como num quadro, para que todos
                     possam julgá-la e para que, tomando conhecimento, pelo rumor comum,
                     das opiniões que se terão sobre ele, seja isso um novo meio de instruir-me,
                     que acrescentarei àqueles de que me costumo servir (René Descartes).


      Neste capítulo, apresentamos os caminhos teóricos adotados para a
construção de nossa problemática, bem como para a análise dos dados coletados e
encaminhamento das conclusões. Apresentando os caminhos que seguimos, quiçá
possamos representar, como num quadro, à maneira do filósofo citado na epígrafe,
uma nova porta que será acrescentada àqueles que me serviram.
      Procuramos, também, discutir alguns conceitos que permeiam o presente
estudo. Iniciamos com a história da formação continuada e partimos para os
conceitos de formação e formação continuada, os quais conduzirão a análise dos
dados coletados no decorrer desta investigação. Empreendemos apreciações a
respeito dos saberes docentes, da escola como lócus da formação e dos processos
de desenvolvimento e aprendizagem dos adultos. Também fazemos algumas
considerações sobre a formação de formadores de profissionais da educação,
dentro do atual cenário de políticas públicas.


2.1. A História da formação


      Urge, em relação à escola de hoje, a preocupação em contemplar uma
questão que tomou grandes dimensões no cenário das discussões educacionais: a
redemocratização da escola. Houve importantes lutas da população e dos
educadores pela educação laica, gratuita e de qualidade para todos, elementos
considerados fundamentais para a construção da cidadania da população (FUSARI,
1998). Com a garantia de acesso e permanência da quase totalidade das crianças
em idade escolar, discussões em torno de como lidar com este novo panorama
passam a ser objeto de muitos pesquisadores.


      A literatura educacional tem ressaltado como uma das causas para a
degradação da qualidade de ensino (MELLO, 1982) a precária formação docente.
De acordo com António Nóvoa (1999, pp. 13-14),
43




                      O excesso dos discursos esconde a pobreza das práticas políticas. [...] não
                      se vêem surgir propostas coerentes sobre a profissão docente. Bem pelo
                      contrário. As ambigüidades são permanentes.Por um lado, os professores
                      são olhados com desconfiança, acusados de serem profissionais medíocres
                      e de terem uma formação deficiente; por outro lado, são bombardeados
                      com uma retórica cada vez mais abundante que os considera elementos
                      essenciais para a melhoria da qualidade do ensino e para o progresso
                      social e cultural.


      Nessa perspectiva, surge uma grande quantidade de propostas de formação
para professores, equipes gestoras e técnicas por parte de diferentes instituições:
secretarias de educação, centros de formação, universidades, dentre outros. No
entanto, apesar de todas as iniciativas dos órgãos centrais e instituições formadoras,
é muito comum encontrar questionamentos em torno da maneira de encaminhar
este trabalho, seja por parte de pesquisadores como também dos participantes.
      Ainda que se ressalte a formação em serviço como uma temática de particular
interesse para discussão, devemos partir de questões preliminares como: O que é
formação? Como formar adultos? Que tipo de estudos, na formação, propicia o
desenvolvimento dos conhecimentos profissionais e quais conhecimentos são
necessários para ser formador?


2.2. O conceito de formação


      Para traçar o conceito de formação, especificamente no campo da formação
docente, é necessário dialogarmos com alguns autores que têm se destacado na
literatura sobre o assunto.
      Garcia (1999, p. 19) ressalta que as respostas para a pergunta “O que é
formação?” revelam diferentes pontos de vista:


                      [...] como uma função social de transmissão de saberes, de saber-fazer ou
                      do saber-ser que se exerce em benefício do sistema socioeconômico, ou da
                      cultura dominante. A formação pode também ser entendida como um
                      processo de desenvolvimento e de estruturação da pessoa que se realiza
                      com o duplo efeito de uma maturação interna de possibilidades de
                      aprendizagem, de experiências dos sujeitos. Por último, é possível falar-se
                      da formação como instituição quando nos referimos à estrutura
                      organizacional que planifica e desenvolve as atividades de formação
                      (FERRY, 1991 apud GARCIA, 1999:19). A formação pode adotar diferentes
                      aspectos conforme se considera o ponto de vista do objeto (a formação que
                      se oferece, organiza, exteriormente ao sujeito), ou o do sujeito (a formação
                      que se ativa como iniciativa pessoal).
44



      Para Bachelard (1949), formação é compreender um fenômeno novo é
reorganizar o próprio princípio do saber.
      Para Ferry (2004), formação significa um processo de desenvolvimento
individual, destinado a adquirir ou aperfeiçoar capacidades. Formação é adquirir
certa forma. Uma forma para atuar, para refletir e aprimorar essa forma. O que se
entende por aprendizagem pode ser um suporte para a formação, porém a
formação, pela sua dinâmica, consiste em encontrar formas para cumprir com certas
tarefas para exercer um ofício, uma profissão, um trabalho.
      Outra contribuição importante para compreendermos a formação como um
conjunto de experiências vem de Dominicé (1990, p. 149) apud Nóvoa (2002, p. 57)
afirma que:
                        Devolver à experiência o lugar que merece na aprendizagem dos
                        conhecimentos necessários à existência (pessoal, social e profissional)
                        passa pela constatação de que o sujeito constrói o seu saber ativamente ao
                        longo do seu percurso de vida.

      Nóvoa (1991) aponta que, na formação docente, deve-se privilegiar e
valorizar o desenvolvimento pessoal e profissional. A formação não é algo
cumulativo que se obtém somente através de técnicas, cursos, mas também na
interação com o outro, devolvendo às experiências e ao diálogo um lugar de
destaque para a construção da identidade, valorizando as dimensões pessoal e
profissional, sendo necessários [...] “espaços de integração entre as dimensões
pessoais e profissionais, permitindo aos professores apropriar-se dos seus
processos de formação e dar-lhes um sentido no quadro das suas histórias de vida”
(NÓVOA, 1997, p. 25).
      Nóvoa (1995, p.116) deixa evidente a impossibilidade de se pensar em
formação fora de uma perspectiva de [...] "reflexividade crítica". Ele assume que a
formação é inevitavelmente um trabalho de reflexão de vários saberes que o
constituem.
      Gaston Pineau (1994) concebe a formação como um processo tripolar, cujos
polos principais são:
      A autoformação, a ação do eu como sujeito individual e social, como uma
concepção segundo a qual o sujeito participa de forma autônoma, tendo sob seu
próprio controle os objetivos, os processos, os instrumentos e os resultados da
própria formação. Mas esse protagonista "está com outros, em múltiplas sociedades,
maiores ou menores e instituídas” (PINEAU, 1994, p.157). Foi explorando a
45



problemática   da   autoformação     que   Gaston    Pineau    criou   o   neologismo
“ecoformação”, nos anos 80, relacionado-o às histórias de vida das pessoas. A
“autoformação” é a formação pelo diálogo consigo mesmo. Designa o polo sujeito da
formação, personalizando, individualizando e subjetivando a formação.
      A heteroformação, ou ação de indivíduos uns sobre os outros, caracterizando
a formação social da formação, ou seja, a co-formação. Como um processo que se
organiza e se desenvolve "a partir de fora", inclui a formação da família, do meio, da
cultura, das ações de formação inicial e contínua, sem que seja comprometida a
personalidade do sujeito que participa. A heteroformação designa o polo social da
formação, os outros que se apropriam da ação educativa/formativa da pessoa.
      Como terceiro polo apresenta-se a ecoformação, ou ação do meio ambiente
sobre os indivíduos, indicando a dimensão ambiental e ecológica da formação,
definida como "a base da decoração, que permite as encenações pessoais e sociais,
assumindo importância com o movimento ainda restrito de educação pelo meio
ambiente" (PINEAU, 1994, p.158). A ecoformação é a formação pelo meio ambiente
e não para o meio ambiente, como a educação ecológica. É o polo ambiental da
formação.
      Gaston Pineau (2004) também aborda o tema temporalidades na formação
em suas diversas modalidades, com a formação permanente, denominada por ele
como cronosformação, que seria a explosão do tempo em múltiplas temporalidades,
centrada na formação como função de evolução humana. A cronosformação leva em
conta novos sincronizadores, como o cotidiano, a alternância e o retorno narrativo
sobre a vida. Nessa concepção, possibilita uma formação permanente, que é
categoricamente pessoal e intransferível, que não é nem uniforme nem
telecomandada, mas depende única e exclusivamente da própria pessoa e de sua
relação consigo mesma, com o outro e com o meio que a circunda.
      Ponte (1998) destaca que a formação é um movimento fundamentalmente de
fora para dentro, e que o termo “formação profissional” abrange outros aspectos
além dos relacionais, como o cognitivo e o afetivo. Contudo, de acordo com esse
autor, é aceitável combinar o conceito de formação de professor com o
desenvolvimento profissional, bastando que a formação seja idealizada de modo a
favorecer o seu desenvolvimento profissional.
      Todas as considerações apresentadas não chegam nem perto de esgotar a
infinidade de conceitos utilizados para descrever o que é formação. Se nos
46



arriscamos neste levantamento sucinto de ideias, é somente pela intenção de
evidenciar algumas das apreciações utilizadas por diferentes pesquisadores, no
sentido de tentarmos situar a formação no contexto da formação continuada.


2.3 A formação continuada


      As ações para formação continuada de professores, no Brasil, foram
incrementadas a partir da década de 1980 (SEF, 1999). No entanto, só na década
de 1990 a formação continuada passou a ser entendida como uma possibilidade
essencial para o processo de construção de um novo perfil profissional do professor
(NÓVOA, 1991). Placco e Silva (2000, p. 26-27) conceituam a formação continuada
de docentes:


                     [...] como um processo complexo e multideterminado, que ganha
                     materialidade em múltiplos espaços/atividades, não se restringindo a cursos
                     e/ou treinamentos, e que favorece a apropriação de conhecimentos,
                     estimula a busca de outros saberes e introduz uma fecunda inquietação
                     contínua com o já conhecido, motivando viver a docência em toda a sua
                     imponderabilidade, surpresa, criação e dialética com o novo.




      Para tanto, é preciso entender a formação contínua (como é também
chamada) como um processo de ensino e de aprendizagem, que exige uma
elaboração pessoal, num conjunto de elaborações que são marcadas pelas
experiências anteriores de quem aprende. Assim, não há outra alternativa a não ser
tratar o professor em formação como sujeito ativo e singular (SOLIGO, 2001).
      Em suas pesquisas, Canário (1998) também considera inadequada essa
atuação formativa, porque conduz à aplicação de receitas de caráter geral, que não
reconhecem as especificidades das escolas.
      Nessa perspectiva, não se pode mais dissociar o ensinar do aprender. A
formação continuada é o espaço privilegiado para que essa interdependência entre
o ato de ensinar e a oportunidade de aprender seja objeto de reflexão.
      Furlanetto (2003, p. 27) afirma:


                    A atividade docente está imbuída em uma densa e complexa “teia” que tem
                    início ainda quando o professor nem optou pelo ofício docente, ainda
                    enquanto aluno já experimenta a observação direta desse ofício. Poucas
                    profissões são tão diretamente acompanhadas e conhecidas como a de
47


                     professor, e desde os primeiros momentos, como aluno, já constrói as
                     representações sobre essa atividade, constituindo desde então suas
                     matrizes pedagógicas, que podem ser simbolicamente consideradas em
                     espaços, nos quais a prática dos professores é gestada.


      Furlanetto (2003) descreve os processos de construção das matrizes
pedagógicas dos docentes que podem ser compreendidas como nichos, nos quais
são gestados e guardados os registros sensoriais, emocionais, cognitivos e
simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos, em que
se constelam relações de aprendizagem. As experiências profissionais são,
portanto, o fundamento da construção dessas aprendizagens.
      Em relação à formação continuada, Nóvoa (1999) ressalta que, para
desenvolver esse conceito, é preciso pensar que a formação de professores é um
processo contínuo, sendo necessário integrar a formação de professores em
processos de mudança, inovação e desenvolvimento curricular. É também
necessário unir aos processos de formação o desenvolvimento organizacional da
escola, integrando a formação de professores aos conteúdos acadêmicos e
disciplinares e à formação pedagógica dos professores.
      Pimenta (2005) diz que a aparente ausência de unidade entre os saberes
docentes suscita uma prática pedagógica frágil, que não transforma, não edifica,
limitando-se a reproduzir as representações sociais de uma classe hegemônica da
sociedade. Diz ainda que, para o profissional da educação modificar suas
concepções, posturas, crenças e ações, os cursos de formação de professores têm
como desafio fazê-los conhecer, por um lado, as teorias implícitas na prática
educativa dos profissionais; por outro, mediar ou promover condições para que,
diante das teorias, as modifique.
      Diversas possibilidades de formação de professores têm sido decorrentes de
tendências, reflexões e pesquisas direcionadas à construção de uma concepção
diferenciada no que diz respeito à formação continuada. Candau (1996) diz que os
diferentes modelos de formação podem apresentar interconexões com outros
modelos, prevalecendo uma perspectiva – a que será significativa para o momento
histórico, incluindo o político e o social – a partir da qual outros elementos são
incorporados.
       A seguir, serão analisados: a escola como lócus de formação, saberes
docentes e os processos de desenvolvimento e aprendizagem dos adultos.
48



2.3.1 A escola como lócus da formação


      A escola, como lócus de formação, é um grande ganho, mas não abrange
tudo o que comporta o processo formativo. Constituir uma prática formativa abarca
uma prática reflexiva, capaz de identificar os problemas e resolvê-los coletivamente.
Essa prática deve ser construída pelo grupo de professores e gestores. Nóvoa (apud
CANDAU, 1996, p. 30) afirma que:


                     A formação continuada deve estar articulada com o desempenho
                     profissional dos professores, tomando as escolas como lugares de
                     referência. Trata-se de um objetivo que só adquire credibilidade se os
                     programas de formação se estruturarem em torno de problemas e de
                     projetos de ação e não em torno de conteúdos acadêmicos.


      De acordo com Candau (1996), o reconhecimento da escola como lócus
privilegiado da formação continuada implica:


   o estimular a articulação dos componentes formativos com o cotidiano escolar,
      sem deslocamento do professor para outros espaços;
   o trabalhar com o corpo docente, favorecendo processos coletivos de reflexão e
      intervenção na prática pedagógica concreta;
   o disponibilizar espaços e tempos institucionalizados, nessa perspectiva;
   o criar incentivo à sistematização das práticas pedagógicas dos professores e
      sua socialização e
   o ressituar o trabalho de supervisão e orientação pedagógica, nessa
      perspectiva.


      Portanto, os pontos de partida seriam as necessidades reais dos professores,
os problemas do seu cotidiano, favorecendo processos de planejamento,
observação, ação e reflexão, de maneira mais consciente, mais sistemática e mais
rigorosa.
      Consideramos importantes as considerações de Candau nos itens descritos,
uma vez que nos orientaram durante a pesquisa, fundamentando a análise e a
interpretação dos resultados.
49



2.3.2 Saberes docentes


         A expressão saber docente tomou conta rapidamente do panorama
educacional. Com a mesma rapidez, tem sido foco de debates e pesquisas no
âmbito pedagógico. Por essa razão, vale mencionar a abrangência do conceito de
"saberes" sobre a qual ancora-se a presente pesquisa.
         Buscamos fundamentação teórica em Paulo Freire (1996), Tardif (2004,
2002), Gauthier (1998), Pimenta (1999) e Furlanetto (2003), que pontuam os
saberes que os docentes necessitam mobilizar para desenvolver sua prática
educativa.


                       Como professor, devo saber que, sem a curiosidade que me move, que me
                       inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino. Exercer a
                       minha curiosidade de forma correta é um direito que tenho como gente e a
                       que corresponde o dever de lutar por ele, o direito à curiosidade. Com a
                       curiosidade domesticada posso alcançar a memorização mecânica do perfil
                       deste ou daquele objeto, mas não o aprendizado real ou o conhecimento
                       cabal do objeto. A construção ou a produção do conhecimento do objeto
                       implica o exercício da curiosidade, sua capacidade crítica de “tomar
                       distância” do objeto, de observá-lo, de limitá-lo, de cindi-lo, de “cercar” o
                       objeto ou fazer sua aproximação metódica, sua capacidade de comparar, de
                       perguntar (FREIRE, 1996, p. 95).


         Ao discutir os saberes necessários à prática docente, Freire (1996, p. 43-44)
ressalta a importância da reflexão crítica sobre a prática. Nas próprias palavras do
autor:


                       A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento
                       dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. O saber que a
                       prática docente espontânea ou quase espontânea, ‘desarmada’,
                       indiscutivelmente produz é um saber ingênuo, um saber de experiência
                       feito, a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade
                       epistemológica do sujeito (...) Por isso é que, na formação permanente dos
                       professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática.
                       É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode
                       melhorar a próxima prática.


         Trata-se, então, de saberes que não constituem uma maneira ingênua de
pensar a prática docente, mas de um pensar sistemático, ordenado, que ultrapassa
os níveis da reprodução e produz a autoria crítica, empenhada com a construção
política de uma sociedade verdadeiramente democrática, uma mudança de atitude.
50



Nesse sentido, Freire (1996, p. 25) diz que “ensinar não é só transferir
conhecimentos, é também nutrir-se pela teoria". Sob essa perspectiva, Pimenta
(2002, p. 24) afirma que:


                     (...) o saber docente não é formado apenas da prática, sendo também
                     nutrido pelas teorias da educação. Dessa forma, a teoria tem importância
                     fundamental na formação dos docentes, pois dota os sujeitos de variados
                     pontos de vista para uma ação contextualizada, oferecendo perspectivas de
                     análise para que os professores compreendam os contextos históricos,
                     sociais, culturais, organizacionais e de si próprios como profissionais.


      Pimenta (1999) distingue os saberes da docência em: a) saber da
experiência, que são as memórias significativas dos professores durante sua vida
escolar, produzindo na prática um processo de reflexão e troca com os colegas; b)
saber do conhecimento, que envolve a reestruturação da função da escola na
transmissão dos conhecimentos e as suas                  especialidades     num     contexto
contemporâneo e c) saber dos saberes pedagógicos, aquele que compreende a
questão do conhecimento ao lado do saber da experiência e dos conteúdos
específicos e que será arquitetado a partir das necessidades pedagógicas reais.
      Segundo Furlanetto (2003), trata-se, para o professor, de uma base interior da
qual decorrem suas ações pedagógicas, que não representam somente a síntese de
seus aprendizados teóricos, mas também de suas experiências culturais vividas a
partir do lugar de quem aprende.
      Pimenta (2002) resgata a necessidade de se respeitar a formação que o
professor tem, num procedimento de autoformação e de reelaboração dos saberes
iniciais, em confronto com sua prática vivenciada, já que é nessa ação que os
docentes constituem seus saberes como prática, pensando "na" e "sobre" essa
prática. Tardif (2002) define saberes docentes como um apontamento de
conhecimentos, habilidades e atitudes na ação profissional, que implica a
necessidade de o professor saber fazer algo e exercer funções, desencadeando
habilidades no ato de ensinar algo. Significa dominar com profundidade o campo de
conhecimento, com o intento de ensinar e ter atitudes que auxiliem na formação total
de seus alunos.
      Tardif (2002) propõe o conceito básico de que o saber docente é composto de
variados saberes específicos, que dão o contexto de ser professor, na medida em
que são procedentes de procedimentos de aprendizagem e formação. O saber
51



docente é obra das interlocuções e peculiaridades próprias do saber da profissão,
saber das disciplinas, saber curricular e o saber das experiências.
       É por meio da organização da profissionalização do ensino, pela qual as
habilidades e atitudes compõem o ser professor, que se constitui a identidade,
mediante a ação histórica, social, organizacional, pessoal e pré-profissional dos seus
sujeitos.
       Nesse sentido, os saberes profissionais do professor são compostos daqueles
oriundos da própria história de vida individual (pré-profissional), da sociedade da
qual faz parte, da história de vida desse professor enquanto aluno, das diferentes
instituições formais e não formais com as quais esse professor teve contato e dos
distintos contextos e espaços de formação.
       A trajetória pessoal e profissional contribui enormemente para a construção
da identidade docente. Dois grandes processos, na vida de cada professor,
asseguram a composição dessa identidade: seu percurso pré-profissional e o
profissional.
       Ao focalizar as histórias e práticas docentes, Furlanetto (2003) descobre um
professor interno, composto por dimensões inconscientes que se revelam em seu
fazer pedagógico. Essa ideia é reforçada por Tardif (2000, p. 219):


                     Ao longo de sua história de vida pessoal e escolar, supõe-se que o futuro
                     professor interioriza um certo número de conhecimentos, competências, de
                     crenças, de valores (...), os quais estruturaram a sua personalidade e as
                     relações com os outros (...) Os saberes experienciais do professor de
                     profissão, longe de serem baseados unicamente no trabalho em sala de
                     aula, discorreriam, em grande parte, de preconcepções do ensino e da
                     aprendizagem herdadas da história escolar.


       Os saberes compreendidos pelos professores são fruto de sua história de
vida, decorrendo, em alguma medida, das suas vivências enquanto alunos. São
saberes que sofrem influências externas, sendo produzidos por grupos sociais e
carregando, ao mesmo tempo, o próprio ofício da profissão. São saberes práticos,
procedimentais e processuais, fruto do ato de exercer uma profissão, uma carreira.
Clemont Gauthier organiza um repertório de conhecimentos de ensino sobre os
saberes profissionais do professor com o objetivo de conhecer e refletir sobre a
natureza dos saberes subjacentes ao ato de ensinar.
       Nessa perspectiva, Gauthier (1998, p. 349) diz que “(...) ensinar é
necessariamente entrar em relação com o outro para transformá-lo, é julgar em
52



contexto, é confrontar-se como caráter contingente da interação social”. Os saberes
docentes estão ligados ao universo de trabalho do professor, e o ensino é uma
atividade voltada diretamente ao aluno, este adquirido para e/ou no trabalho. Os
saberes nos quais os professores se apoiam dependem das condições sociais e
históricas nas quais eles exercem sua profissão.
      Para Gauthier (1998), o desafio da profissionalização docente é impedir esses
dois erros: ofício sem saberes e saberes sem ofício. O primeiro define atividades
docentes exercidas sem os saberes pedagógicos específicos, aqueles que lhes são
próprios. E os saberes sem ofício são aqueles saberes da educação, pertinentes em
si mesmos, mas não são reanalisados à luz da situação real da sala de aula. O
admitir que as pesquisas já revelam a presença de um repertório de conhecimentos
próprios ao ensino, indica um ofício feito de saberes.
      Em seu livro Por uma teoria da pedagogia, Gauthier (1998, p. 27) nos diz que
o ensino é


                     (...) a mobilização de vários saberes que formam uma espécie de
                     reservatório no qual o professor se abastece para responder a exigências
                     específicas de sua situação concreta de ensino.


      O ofício docente, por meio de vários saberes, foi sintetizado por Gauthier
(1998) nas formas que seguem:


a. Disciplinar: conhecimentos necessários que abarcam dois tipos de conteúdos a
serem ensinados: o substantivo e o sintático. O primeiro refere-se ao domínio de
conceitos, ideias e acontecimentos de uma determinada área de conhecimento. O
segundo diz respeito aos métodos através dos quais novos elementos são
produzidos   nas   investigações    de    campo,     no   desígnio    de    validar   novos
conhecimentos.
b. Curricular: envolve as diferentes áreas de conhecimento, que devem ser vistas e
adaptadas dentro de um programa de ensino; dos materiais didáticos, do currículo
como política em relação ao conhecimento oficial.
c. Ciências da educação: conhecimentos que não estão inteiramente ligados à
ação pedagógica, mas que colaboram para a organização de se pensar e agir na e
com a educação; referem-se às teorias de ensino e de aprendizagem, gestão e
53



organização de sala de aula. Esse conhecimento extrapola o domínio do conteúdo
de ensino.
d. Tradição pedagógica: conhecimentos estabelecidos no decorrer da própria
história escolar e de vida de cada um. É a analogia que o professor faz entre o
conhecimento da ciência da educação e o da tradição pedagógica. A tradição
pedagógica é levantada pelo professor ao ensinar, pode ser analisada como um
novo tipo de conhecimento. É o único conhecimento em que o professor é ator
principal, pois é sua construção pessoal, aprendida durante sua atuação profissional.
e. Experiência: conhecimentos obtidos ao longo do percurso profissional do
professor, corroborando para legitimar determinadas formas de ser e agir. Incluem o
conhecimento sobre o trabalho em grupo, sobre administração escolar, políticas de
financiamento, características das comunidades e das culturas.
f. Ação pedagógica: conhecimentos que abarcam os conhecimentos da experiência
junto aos outros saberes, elencados acima.
       Para o autor, esses saberes, mobilizados, estabelecem um todo de
conhecimentos, habilidades e atitudes, que constituem a identidade do professor.
Essa mobilização de saberes influencia e, ao mesmo tempo, sofre influências
culturais, históricas, sociais e pessoais de todos os atores que vivenciam o espaço
escolar.
       Partindo desses princípios, podemos dizer que a formação depende tanto das
teorias, quanto das práticas desenvolvidas no cotidiano escolar. Daí a importância
de se entender tal interação como condição para se construir os saberes docentes,
fortalecendo a valorização da pluralidade e a heterogeneidade do saber docente.
Tardif (2002) destaca a importância do saber experiencial, considerando com igual
importância os saberes profissionais.
       Segundo a epistemologia da prática profissional dos professores, tal saber é
compreendido como o estudo do conjunto dos saberes utilizados realmente pelos
profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas
tarefas.
       Ao investigar os saberes docentes, Tardif (2002) descreve o saber
experiencial como aberto, poroso, sincrético, permeável, pois integra experiências
novas, conhecimentos adquiridos ao longo do caminho e um saber-fazer que se
reclassifica em função das mudanças na prática, não só nas situações de trabalho
como também da história de vida do professor.
54



       Também segundo Tardif (2002), a relação dos docentes com os saberes não
é limitada a um papel de transmissão de conhecimentos já formados. Ele diz que a
prática docente associa diferentes saberes e que nutre diferentes relações com eles.
Define o saber docente "[...] como um saber plural, formado pelo amálgama, mais ou
menos coerente, de saberes oriundos da formação profissional e de saberes
disciplinares, curriculares e experienciais" (p. 36).
       São citados por Nóvoa (1991, p. 25) outros três aspectos: pessoal,
profissional e organizacional, como primordiais no processo de viabilização de uma
formação contínua de qualidade:


                      [...] a formação deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva, que forneça
                      aos professores os meios de um pensamento autônomo e que facilite as
                      dinâmicas de autoformação participada. Estar em formação implica um
                      investimento pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os percursos e os
                      projectos próprios, com vistas à construção de uma identidade, que é
                      também uma identidade profissional.


2.3.3 Os processos de desenvolvimento e aprendizagem dos adultos


       Um dos maiores colaboradores para a pesquisa sobre educação de adultos
foi Eduard Lindeman (USA), através do trabalho "The meaning of adult education",
publicado em 1926. De acordo com esse autor,


                      [...] a fonte de maior valor na educação de adultos é a experiência do
                      aprendiz. Se educação é vida, vida é educação [...]. A psicologia nos ensina
                      que, ainda que aprendamos o que fazemos, a genuína educação manterá o
                      fazer e o pensar juntos [...]. A experiência é o livro vivo do aprendiz adulto
                      (Lindeman, pp. 9-10).


       Lindeman (apud SCREMIN, 2002, p. 33) identificou alguns pressupostos-
chave para a educação de adultos e vale a pena citá-los:
       1. Os adultos são convidados a aprender a partir do momento em que
experimentam que suas necessidades e interesses são satisfeitos.
       2. A aprendizagem do adulto está centrada na vida. Por isso, a formação deve
garantir as histórias de vida.
       3. A experiência é a mais rica fonte para o adulto aprender. Por isso, na
educação do adulto, o centro da metodologia é a análise das experiências.
       4. Os adultos têm a necessidade de serem autodirigidos. Dessa forma, o
papel do professor é engajar-se no processo de mútua investigação com os alunos.
55



      5. A educação de adultos deve considerar as diferenças de estilo, tempo,
lugar e ritmo de aprendizagem. As diferenças individuais aumentam com a idade.
      Na atualidade, a idade adulta é uma idade de inacabamento, autonomia,
liberdade, incerteza, risco e individualização (BOUTINET, 2000). Por outro lado, o
adulto inacabado da modernidade avançada convive com o adulto padrão da
modernidade e estabelece-se uma contradição particular entre a perfil tradicional e o
perfil moderno do que é ser adulto.
      Os valores enraizados na nossa sociedade põem em discussão as ênfases,
levando os adultos a situarem sua essência num cenário de dúvidas, de
contradições e de dialética, em que as pessoas e as instituições precisam recriar-se
continuamente. Conta-se com a necessidade de trabalhar uma fase de vida, a qual
não pode ser ignorada e que, nos cursos de formação, não é considerada,
preconizando-se apenas as competências. Nessa perspectiva, as trajetórias e as
experiências dos professores precisam ser levadas em conta nos cenários
formativos.


2.4 A formação dos formadores


      Os programas, projetos e publicações voltados à formação têm ganhando
espaço nas diversas esferas formativas. É dentro desse panorama que vimos
despontar um novo tipo de profissional, denominado pelos documentos oficiais como
formador. A opção por colocar a expressão "formador de formadores" no foco da
investigação surge em função desse novo integrante que atua nos cursos de
formação continuada da rede estadual de ensino, o professor coordenador das
oficinas pedagógicas, mais especificamente no Programa Ler e Escrever.
       A escola como local de formação tem sido questionada em relação ao papel
que vem desempenhando no cotidiano escolar. Da mesma forma, os responsáveis
pelas políticas públicas, em nosso país, têm sido interrogados a respeito das
necessidades de formação presentes nas esferas escolares. Na procura de
possíveis soluções, os governos federal, estadual e municipal vêm ampliando
projetos e produzindo documentos voltados à formação contínua.
      Josso (2002, p. 22) afirma que a participação na formação profissional, por
meio da reflexão sobre a experiência, contribui para uma formação transformadora.
Acrescenta, ainda, que “formar-se é integrar numa prática do saber fazer". Para
56



Freire (1991, p.32), “A gente se faz educador, a gente se forma, como educador,
permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”.
      Essas discussões levam-nos a perceber fundamentais reflexões frente à
formação do formador e à construção do conhecimento, mediante a prática por eles
vivenciada. É adequado expressar a consideração de Josso (2002, p. 9), quando
afirma que “formar é sempre formar-se”. Ou, ainda, a colocação de Oscar Wilde
(apud JOSSO, 2002, p.11), que destaca a questão de “não apenas fazer, mas ser;
não apenas ser, mas tornar-se” formadores e aprendentes. Isso implica o saber da
experiência, na certeza de que devemos refletir sobre nossas práticas que advêm
dos resultados expressivos que se originaram no nosso fazer educativo.
      Nóvoa (2004, p.16), ao perguntar quem forma o formador, responde que:


                    O formador forma-se a si próprio, através de uma reflexão sobre os seus
                    percursos pessoais e profissionais (autoformação); o formador forma-se na
                    relação com os outros, numa aprendizagem conjunta, que faz apelo à
                    consciência, aos sentimentos e às emoções (heteroformação); o formador
                    forma-se através das coisas, dos saberes, das técnicas, das culturas, das
                    artes, das tecnologias e da sua compreensão crítica (eco-formação).


      É na sinergia de diferentes aspectos que o formador forma-se a si próprio.
Configura-se por meio de suas experiências, na relação com os outros e,
principalmente, conjugando saberes, técnicas, culturas, artes, tecnologias. Além
disso, precisamos considerar que também é da compreensão crítica do formador
que a formação contínua se processa, valorizando o educador como um profissional
em formação que, em consequência, promove um atuar transformado. Nessa
perspectiva, nota-se que, para que seja construído um novo modelo de atuar, é
preciso, a nosso ver, que o profissional educador adquira um olhar refletido sobre
sua própria prática como formador. Isso demanda tomar a ação formativa, e todas
as suas implicações, como objeto de estudo e reflexão crítica. Para finalizar, é
imprescindível recorrer ao pensamento de Lerner (2002, p. 116), quando afirma que:


                    [...] para que um processo de capacitação seja fecundo, duas condições
                    parecem necessárias: por um lado, que o formador se esforce por entender
                    os problemas que os docentes apresentam, por compreender por que
                    pensam o que pensam, ou por que decidem adotar uma proposta e rejeitar
                    outra; por outro lado, que os professores se sintam autorizados a atuar de
                    forma autônoma, que tenham razões próprias para tomar e assumir suas
                    decisões.
57



Capítulo 3 – Os caminhos da pesquisa

                                                              De que serve o eterno criar,
                                                  Se a criação em nada acabar? (Goethe)


      A fim de delimitar, de forma clara e objetiva, a construção do objeto de
análise, visto ser esta uma pesquisa inspirada em princípios de uma abordagem
qualitativa e que, portanto, não pode prescindir da descrição do caminho percorrido,
apresentamos, neste capítulo, os passos dados para o desenvolvimento da
pesquisa.


3.1. O Contexto da pesquisa


      A pesquisa foi realizada no contexto das Oficinas Pedagógicas das Diretorias
de Ensino, mais especificamente com formadores que atuam no Programa Ler e
Escrever.


3.1.1 Caracterização das Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino


      As Oficinas Pedagógicas têm como atribuição principal prestar assistência e
apoio técnico-pedagógico aos integrantes das unidades escolares no processo de
elaboração e implementação de seu projeto educacional. Esse deverá ser
proclamado a partir do diagnóstico e da realidade de cada escola e estar de acordo
com as diretrizes pedagógicas da Secretaria da Educação e em consonância com o
plano da Diretoria de Ensino.
      Para tanto, são atribuições da Oficina Pedagógica: realizar reuniões de
estudos que promovam o intercâmbio de experiências regionais e/ou locais;
acompanhar e assistir os programas de integração escola-comunidade; selecionar e
divulgar materiais de apoio pedagógico aos docentes e auxiliar no diagnóstico das
necessidades de aperfeiçoamento dos professores e especialistas, sugerindo
medidas para atendê-las.
      A Oficina Pedagógica é composta de professores coordenadores que atuam
nas diferentes áreas. Os profissionais da área de alfabetização estão intimamente
ligados ao Programa Ler e Escrever.
58



3.1.2 Caracterização do Programa Ler e Escrever


          O Programa Ler e Escrever (Resolução SE Nº 86/2007), conforme vimos
apontando no decorrer dessa pesquisa, inclui-se entre as ações destinadas ao
cumprimento, até 2010, das 10 metas do plano para a Educação instituído pelo
governo paulista em agosto de 2007. Esse é um programa, segundo a SECRETARIA
DE     ESTADO      DA   EDUCAÇÃO, de formação continuada, conforme expresso pela
Secretária de educação8, MARIA HELENA GUIMARÃES                        DE   CASTRO, no site oficial do
programa:


                             O Ler e Escrever é um programa de formação continuada, com intervenção
                             direta na sala de aula. [...] A avaliação da qualidade de ensino, no Brasil, é
                             muito recente, tendo começado efetivamente a partir de 1995, com a
                             implantação do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica). A partir
                             dali, foi possível formular as políticas públicas da Educação de forma mais
                             embasada. Agora, nós temos a capacidade de contar com um conjunto de
                             instrumentos que não tínhamos antes (www.fde.sp.gov.br).


          A fim de atingir seu objetivo primeiro, a formação continuada, com a
intervenção direta em sala de aula, o programa abrange várias esferas de formação:
o trio gestor (professores coordenadores das oficinas pedagógicas, diretores e
supervisores), os professores coordenadores das unidades escolares e os
professores de ensino fundamental de ciclo I (do 1º ao 5º ano), na hora de trabalho
pedagógico coletivo (HTPC), momento destinado a auxiliar o professor de sala de
aula no planejamento de sua ação pedagógica. De acordo com a resolução SEE 86,
de 19 de dezembro de 2007, que normatiza a implementação do Programa Ler e
Escrever, na rede estadual paulista, o trio gestor deverá ter ação efetiva sobre a
aprendizagem dos alunos, ao garantir o trabalho dos docentes e dos professores
coordenadores, conforme expresso na resolução que orienta a organização dos
encontros de formação


                             O chamado trio gestor terá, mensalmente, um encontro com formadoras do
                             programa para analisar, discutir e aprender sobre os processos
                             pedagógicos envolvidos na alfabetização e, principalmente, sobre sua
                             participação no avanço da aprendizagem dos alunos. A efetiva participação
                             de cada um é essencial para garantir as condições necessárias ao trabalho
                             dos docentes e professores coordenadores e a aprendizagem dos alunos.
                             Entre outras ações, acompanharão a avaliação processual a ser realizada


8
    Atuou como Secretária da Educação no período de janeiro de 2007 a março de 2009.
59


                      bimestralmente, em todas as classes envolvidas no programa (Resolução
                      SE 86, de 19-12-2007).


         O Programa Ler e Escrever promove a capacitação do trio gestor em
encontros mensais, articulados às diretrizes, conceitos e materiais de apoio
especialmente desenvolvidos para o trabalho pedagógico nas 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries
do EF.
         Outra ação do Programa é a formação pedagógica, em encontros semanais
dos professores coordenadores das escolas, articulada à didática de alfabetização e
formação dos professores de suas escolas. A maior parte destes encontros fica sob
a responsabilidade dos professores coordenadores das oficinas pedagógicas.
         Devido à complexidade das ações de integração das Diretorias de Ensino
com os órgãos centrais da Secretaria da Educação, cada Diretoria conta com o
professor coordenador da oficina pedagógica, especialista em alfabetização, que
surge como elemento-chave para articular o acompanhamento e avaliação de todas
as ações desencadeadas pelas unidades escolares.
         Ao examinarmos as ações para implementação do programa e seus objetivos
centrais, percebemos a relevância dada, pelos idealizadores do        LER E ESCREVER,    a
alguns pontos considerados básicos para a constituição de uma política pública
voltada para a melhoria da educação no âmbito da instituição escolar: a importância
de que houvesse um investimento na formação dos profissionais envolvidos, a
necessidade de viabilizar materiais pedagógicos de qualidade a fim de que os
educadores pudessem desenvolver práticas de alfabetização de acordo com as
atuais concepções de ensino e de aprendizagem, a relevância de um
acompanhamento mais sistemático às DEs, de modo que os órgãos centrais
tivessem um mapeamento de todas as ocorrências e da necessidade de possíveis
intervenções e a urgência em propiciar um atendimento diferenciado às crianças
com maiores problemas no processo de alfabetização.
         Contudo, a nosso ver, não houve uma preocupação com o tempo da
formação, já que criar uma escala de formação, em que um especialista forma um
PCOP, que forma um PC para que esse forme o professor, principal elemento do
processo, não se constitui uma tarefa fácil e tampouco producente. Pelo contrário,
parece-nos uma maneira que desconsidera os fatores intraescolares que produzem
o fracasso escolar, conforme nos apontam Azanha (2004) e Patto (1999, 2004).
60



      Assim como o PCOP, o PC possui diversas atribuições que, aparentemente,
são estritamente voltadas para o âmbito pedagógico; porém, cumpre destacar que
sua atuação abrange diferentes frentes, fruto dos diversos desdobramentos trazidos
pela própria legislação, já que, devido às ações do programa, são obrigações do PC:
acompanhar a distribuição e o uso dos materiais pedagógicos; organizar a
aplicação, a análise e o encaminhamento dos mapas de sondagem de escrita,
instrumento utilizado pelas Diretorias de Ensino e pelos órgãos centrais da SEE –
SP (CENP, COGSP, CEI, FDE), para avaliar o nível de aprendizagem dos alunos;
participar das 8 horas de formação nas Diretorias de Ensino e/ou em polos de
formação, oferecidas pelos PCOPs das Oficinas Pedagógicas e/ou pelas formadoras
da FDE; preparar as pautas de HTPCs realizadas semanalmente nas escolas;
orientar a realização dos projetos de recuperação paralela e contínua efetuados na
escola, entre outras funções.
      Na trajetória de formação de muitos coordenadores pedagógicos da Rede
Estadual, há uma grande defasagem entre o que deve ser feito e o que há para ser
feito, enquanto formadores junto aos professores. Sob nossa ótica, este fator, aliado
às inúmeras tarefas presentes em seu cotidiano, conforme apontamos, pode levá-los
à adoção de um modelo de formação transmissivo, por meio do qual se diz aos
professores o que deve ser feito, atendendo às situações pontuais, deixando de lado
seu verdadeiro papel de formador.
      Esse modelo transmissivo é bastante enfatizado na literatura sobre formação.
A formação dos professores perde, simultaneamente, sua característica de formação
geral para se transformar em formação profissional especializada. (TARDIF et.al.
1991, p. 224). Nesse processo, o que e como pensam os professores são questões
deixadas de lado, postura que, nas práticas formativas, demonstra que o docente
tem sido desvalorizado e desconsiderado.
      Surgem, então, situações de desconforto, traduzidas em uma resistência que
se manifesta nos interlocutores dos processos de formação. Analisar, pesquisar e
refletir sobre os próprios saberes e práticas parece ser visto como um desafio
negativo para a identidade profissional, tanto para o coordenador pedagógico como
para os professores.
      As ações de formação continuada de professores não devem se limitar a
contribuir para que estes dominem bem o conteúdo ou sejam tecnicamente bons
executores das propostas educacionais. É importante que as práticas formativas
61



possibilitem ao professor ressignificar sua atuação, sua trajetória profissional e que
lhe abram espaços de atuação crítica e reflexiva.
      Assim, dentre os vários aspectos levantados, que serão ao longo deste
trabalho discutidos, cumpre destacar, neste momento, a consciência de que a
formação dos professores seria uma peça-chave para o sucesso do Programa Ler e
Escrever. A Secretaria Estadual de Educação, junto aos idealizadores consideram,
contudo, que orientá-los por meio de um intrincado processo de formação seria um
dos pontos fundamentais para que essa lacuna fosse preenchida, possibilitando,
assim, que os alunos alcancem os níveis de proficiência leitora e escritora
esperados para o Ciclo I. Parece-nos que o longo caminho de formação proposto
pelo programa corre o risco de transformar-se em um círculo de transmissão de
informação e não de construção de conhecimento, já que “informação transmite-se,
mas o conhecimento adquire-se através da reflexão crítica" (GUEDIN, 2002, p. 146-
7).
      Para Guedin (2002), no mundo em que vivemos, interconectado e
globalizado, a reflexão como uma das alternativas à educação é uma possibilidade
que nos permite ir além da simples reprodução dos conhecimentos construídos por
outros e das informações, para que sejamos sujeitos produtores de um
conhecimento que nos faça como práxis comprometida politicamente. Dessa forma,
o conhecimento torna-se algo significativo, não situado no âmbito da informação,
mas como uma construção reflexiva, sistematizada a partir das informações que a
realidade nos apresenta.


3.2. A abordagem da pesquisa


      Para atingir os objetivos propostos, optamos pela abordagem qualitativa de
pesquisa, que permite uma aproximação maior com o universo dos sujeitos da
pesquisa. Por meio de suas falas, busca-se explicitar concepções, conceitos,
crenças e expectativas que permeiam suas práticas. Segundo Bogdan e Biklen
(1994), a investigação qualitativa surgiu no final do século XIX e início do século XX,
atingindo o seu apogeu, nas décadas de 60 e 70, através do surgimento de novos
estudos e sua divulgação. Segundo Bogdan e Biklen (1994), tal abordagem tem, na
sua essência, cinco características: (1) a fonte direta dos dados é o ambiente
natural, enquanto que o investigador é o principal agente na recolha desses mesmos
62



dados; (2) os dados que o investigador recolhe são principalmente de caráter
descritivo; (3) os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo em si,
do que propriamente pelos resultados e (4) a análise dos dados é feita de forma
indutiva e (5) o investigador interessa-se, acima de tudo, em tentar compreender o
significado que os participantes dão às suas experiências.


3.3 Os sujeitos da pesquisa


      Os sujeitos da pesquisa são cinco professores coordenadores das oficinas
pedagógicas, de três Diretorias da Zona Leste de São Paulo. Esses professores
atuam em oficinas pedagógicas nas Diretorias de Ensino vinculadas à Secretaria de
Estado da Educação de São Paulo e têm como principais atribuições, de acordo
com a Resolução SE – 91, de 19/12/2007, em seu Art. 1°: definir procedimentos
organizacionais e de funcionamento dos diferentes níveis e modalidades de ensino
da educação básica; implementar as propostas curriculares dos                 ensinos
fundamental e médio; avaliar o desenvolvimento de ações de apoio educacional e
implementar as ações de apoio pedagógico e educacional que orientarão as equipes
escolares na condução de procedimentos que dizem respeito à organização e
funcionamento dos diferentes níveis e modalidades de ensino. Para que as ações
educativas sejam realizadas, a oficina pedagógica, reconhecida neste estudo como
um espaço da atual política de melhoria da qualidade de ensino, conta em seu
interior com vários profissionais que exercem diferentes funções, de acordo com as
áreas do conhecimento em que se especializaram. Dessa forma, os professores
coordenadores das oficinas pedagógicas atuam como gestores implementadores do
Programa Ler e Escrever.
      Esse profissional recebe formação da Secretaria de Estado da Educação –
CENP (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas) e faz encontros
semanais com os professores coordenadores das escolas, que, por sua vez, fazem
encontros com os professores. Daí a relevância de sua função de formador,
sobretudo junto aos professores coordenadores das escolas. Nota-se que, no
Programa Ler e Escrever, os professores coordenadores das oficinas pedagógicas
são formadores dos formadores de professores.
63



3.3.1 Escolha dos participantes


      A escolha dos sujeitos da pesquisa foi norteada por dois critérios: a
disponibilidade dos PCOPs em responder ao questionário e sua atuação como
formadores no Programa Ler e Escrever.
      Para a escolha dos professores a serem questionados, optamos por fazer
essa seleção a partir de um circuito de identificações, ou seja, a partir das
indicações dos próprios entrevistados. Assim, iniciamos o trabalho de campo,
selecionando um professor – Professor 1 – com quem tivemos uma breve
experiência de trabalho e que tinha conhecimento sobre os critérios da pesquisa.
Dando início ao circuito, pedimos ao Professor 1 que indicasse um ou mais
professores que atendessem aos critérios de seleção da pesquisa, fazendo o
mesmo com todos os demais participantes. Assim, o Professor 1 indicou o Professor
2, que indicou o Professor 3.
      O Professor 1 também indicou o Professor 4, que indicou o Professor 5,
dando origem ao que estamos chamando de circuito de identificação. Após o
levantamento dos participantes, encaminhamos o questionário via endereço
eletrônico. Em todos os casos, o questionário seguiu juntamente com uma carta
explicando o objetivo do mesmo e sua importância para a pesquisa. Foi estipulado
um prazo de 15 dias, em média, para a devolução.
      Fazem parte do grupo pesquisado cinco professores que desempenham a
função de professor coordenador da oficina pedagógica em diretorias de ensino da
Região Leste do estado de São Paulo, no período de 2009. São eles:


Sujeitos da   Formação            Trajetória Profissional   Tempo       Tempo como
pesquisa      Acadêmica                                     na rede     Coordenador
                                                            estadual    da Oficina
                                                            de ensino   Pedagógica

Professor 1   Pedagogia /pós      Professor / professor     20 anos     4 anos
              graduação em        coordenador de
              gestão              escola/ Formador do
              escolar(lato        Programa Letra e Vida/
              sensu).             professor coordenador
64



                                           da oficina pedagógica

Professor 2      Letras/                   Professor / professor        15 anos       10 meses
                 Pedagogia / pós-          coordenador de escola
                 graduação em              / vice-diretor/ diretor de
                 Educação (lato            escola/ Formador do
                 sensu).                   Programa Letra e Vida/
                                           professor coordenador
                                           da oficina pedagógica

Professor 3      Geografia/pós-            Professor/professor          24 anos       5 anos
                 graduação em              coordenador de
                 Educação (lato            escola/ Formadora do
                 sensu).                   Programa Letra e Vida/
                                           professora
                                           coordenadora da
                                           Oficina Pedagógica

Professor 4      Letras/ pós-              Professor / vice-            25 anos       15 meses
                 graduação -               diretor/, professor
                 Sociopsicologia e         coordenador de
                 gestão escolar            escola/ Formador do
                 (lato sensu).             Programa Letra e Vida
                                           /professor coordenador
                                           da oficina pedagógica

Professor 5      Letras/Mestrado           Formador do Programa 5 anos                3 anos
                 em Educação               de Educação
                 (stricto sensu)           Continuada
                                           (PEC)/Professora/
                                           professora
                                           coordenadora da
                                           oficina pedagógica


FIGURA 4: FORMAÇÃO ACADÊMICA, TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E TEMPO DE TRABALHO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES
COORDENADORES DAS OFICINAS PEDAGÓGICAS (PCOPS).
65



        Como podemos observar no Quadro 1, os entrevistados possuem formação
superior: um, em Pedagogia, três, em Letras, e um, em Geografia. Todos fizeram
pós-graduação.
        Notamos que quatro dos sujeitos pesquisados, antes de assumirem a função
de professor coordenador da oficina pedagógica, exerceram outra função na
educação como professor, professor coordenador e vice diretor. Essas pessoas
estão em contato com a educação, na rede estadual de ensino, há cinco anos ou
mais.
        Em relação ao tempo acumulado na função de professor coordenador da
oficina pedagógica, a pesquisa aponta: três pessoas do grupo estão nesta atividade
entre 10 meses e três anos; uma há quatro anos; outra há cinco anos. Todos os
professores coordenadores ocupam a função de professor coordenador em oficina
pedagógica.


3.4 Os procedimentos de coleta de dados


        O questionário foi o instrumento escolhido para a coleta de dados. Os
questionários dão "pistas" que identificam pontos significativos na trajetória de vida
dos entrevistados, as quais podem ser mais ou menos valiosas. Considera-se que
as respostas decorrentes deles são potencialmente relevantes para a compreensão
das diversas fontes de constituição dos sujeitos, bem como dos modos de
significação e sentidos construídos nas experiências em cursos de formação
continuada, isso porque o questionário é uma forma de os entrevistados
manifestarem suas opiniões. Concordamos com Luna (1999, p. 60), quando afirma:


                     Ao insistir na explicação de cada uma das perguntas que nos interessa
                     responder e no detalhamento, para cada uma delas, da melhor fonte para
                     cada conjunto de informações necessárias, estamos tentando explorar ao
                     máximo as condições de pesquisa [...].


3.4.1 A elaboração dos questionários


        Os questionários são compostos de um roteiro contendo 16 perguntas (Anexo
2), cuja elaboração teve como princípio nortear o processo de investigação,
seguindo uma sequência lógica entre os assuntos de interesse. Para registro dos
66



dados, foram realizados questionários, a primeira parte com questões pessoais e a
segunda com questões sobre o processo formativo.


3.4.2 Aplicação dos questionários


      A necessidade de aplicar questionários a alguns professores coordenadores
das Oficinas Pedagógicas foi verificada à medida que discorríamos sobre o tema
desta pesquisa e acompanhávamos, enquanto integrante da equipe técnica da
CENP, o processo de formação de formadores, a fim de levantar alguns aspectos
pertinentes relacionados às demandas de um formador de formadores.


3.4.3 A organização e a análise dos dados


      O objetivo deste trabalho, conforme vimos apontando, é investigar o processo
de formação de Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas que atuam
como formadores em projetos de formação continuada, desenvolvidos no Programa
Ler e Escrever da Rede Estadual de Ensino.
      Para isso, selecionamos, como sujeitos da pesquisa, cinco professores
coordenadores de oficinas pedagógicas, pertencentes a três diretorias de ensino, da
SEESP, localizadas na região leste de São Paulo. Buscamos compreender como se
tornaram formadores; verificar, em sua percepção, qual é o papel do professor
coordenador; identificar a formação que receberam para se tornarem formadores; e
averiguar como avaliam a formação que recebem para atuarem como formadores.
      Para realizar a análise dos dados, primeiramente foi construído o Protocolo de
Análise 1 (Anexo 3). Esse protocolo foi organizado em três colunas. Na coluna
central, foram registradas as respostas dadas pelos professores pesquisados. Na
coluna da direita, foram levantadas categorias de análise e, na da esquerda, foram
estabelecidas relações com as referências teóricas. Essa organização inicial
possibilitou a montagem do Protocolo de Análise 2 (Anexo 4), que permitiu uma
maior clareza das categorias emergentes.
      Tendo em vista as inúmeras responsabilidades e demandas advindas da
função de professor coordenador da oficina pedagógica, conforme expresso na
resolução SE - 91de 19/12/2007, acredita-se que sua principal atribuição seja, a
67



saber, formar professores coordenadores das unidades escolares, em um processo
de contínua formação.
68



Capítulo 4 – A análise dos dados: da voz dos formadores a um
esboço teórico


      A fim de alcançarmos nosso objetivo, coletamos dados que foram agrupados
em quatro grandes categorias de análise: perspectiva para se tornar professor
coordenador da oficina pedagógica, o papel do PCOP, formação recebida e
experiência com a coordenação. A partir dessas categorias, elaboramos
considerações referentes aos aspectos formativos desses formadores e sobre a
viabilidade de construir e reorganizar o conhecimento profissional.


4.1 Perspectiva para se tornar Professor Coordenador da Oficina Pedagógica


      No que concerne à primeira categoria, perspectiva para se tornar Professor
Coordenador da Oficina Pedagógica, questionamos os PCOPs com respeito ao que
os levou a ser professores, ao que os motivou a ser professores coordenadores da
Oficina Pedagógica e de que forma sua atuação como professores influenciou sua
atuação como formadores.
      Nosso objetivo, ao aplicarmos essas questões, era investigar os caminhos
percorridos para se tornar professor coordenador. Observou-se, no que diz respeito
à primeira questão, que os motivos que os conduziram à profissão docente estão
estritamente vinculados a questões pessoais, sociais e familiares, tais como
identificação com um professor da infância, a possibilidade de ascender
socialmente, de contribuir para a formação de outros, a intervenção familiar e a
vocação. A admiração por um antigo professor e a vontade de "vencer na vida" ficam
especialmente evidentes em seus depoimentos:


                     Acredito que meu desejo de ser professora tenha nascido naqueles
                     momentos de admiração por aquela professora que, em uma época, na qual
                     professores pouco consideravam ou falavam com alunos, agiu diferente,
                     conversou, questionou e quis saber sobre a minha vida, que na época era
                     bem miserável, devido às condições sociais e econômicas. Nasceu ali o
                     meu desejo de ser diferente, de querer estudar cada vez mais, para sair da
                     condição de vida em que eu vivia, e fazer algo que fizesse a diferença na
                     vida de outras pessoas (Professor 1).

                     Foi a partir do modelo de uma professora da 4ª série, pois a admirava muito,
                     nos fazia ter prazer em estudar. Suas aulas eram fantásticas.
                     Participávamos de situações de leitura e escrita dentro de um contexto real.
69


                          Tive o prazer de reencontrá-la nos três últimos anos do Magistério, ela foi
                          nossa professora de Língua Portuguesa e continuou maravilhosa, como
                          sempre (Professor 3).


        Notamos que, ao relatar os motivos que os conduziram à profissão docente,
os professores expressam identificação com professores da infância. Descobrem,
como relata Furlanetto (2003), um professor interno, composto por dimensões
conscientes e inconscientes que se revelam no seu fazer pedagógico, às quais
chama de matrizes pedagógicas. Ainda, de acordo com esta autora, "as matrizes se
apresentam como arquivos existenciais que contêm registros sensoriais, emocionais
e cognitivos que são acessados quando o professor se exerce nos espaços
pedagógicos" Furlanetto (2003, p.32).
        Podemos incluir na trajetória docente toda a bagagem educativa que o
mesmo recebe desde a infância, em diferentes espaços formativos, incluindo a
escola. E, como salienta Arroyo (2000, p.30), “as imagens de nossos primeiros
mestres nos acompanham como as primeiras aprendizagens”.
        Outro fator que os conduziu à profissão docente, relatado ainda na primeira
questão, é a busca por ascensão social, como expresso por Almeida (1998, p. 191):


                          A escolha profissional passava necessariamente por essa ideia de
                          frequentar um curso de qualidade, que dava uma excelente cultura geral e
                          preparo adequado para exercer uma profissão que era reputada como digna
                          e prestigiada, fosse ela exercida por homens ou por mulheres. A figura da
                          mulher que lecionava era bem aceita e apontada às moças como exemplo
                          de honestidade e ideal a ser seguido. O mesmo acontecia com o professor.
                          A família tinha a figura da professora e do professor em grande
                          consideração e estes detinham um prestígio social que estava em claro
                          desacordo com a remuneração salarial percebida [...], desfrutava um
                          prestígio advindo do saber, e não do poder aquisitivo.


        De acordo com Gatti (2010, p.309900), em uma entrevista no portal conexão
professor9:


                          A maioria das pessoas que procuram a Pedagogia provém de famílias de
                          baixa renda, e cujos pais têm pouca formação e muitas dessas pessoas não
                          têm uma bagagem cultural fortificada. Por outro lado, são pessoas com
                          grande potencial. Elas procuram ascensão social e econômica via carreira
                          de professor. Se lhes fosse oferecido um curso decente, com instrumental
                          para trabalhar tanto a cultura geral quanto a especializada, esse potencial
                          seria aprimorado.


9
 GATTI, Bernadete. Pesquisa da UNESCO revela os desafios do professor. In: Educação 360º. [citado em 22 de
out. de 2010] disponível em http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/educacao-entrevista00.asp? Edite Codigo Da
Pagina =309900
70



      Com a intenção de saber como esses participantes se tornaram professores
coordenadores, perguntou-se o que os motivou a trabalhar nas Oficinas
Pedagógicas. Os participantes mencionaram: convite, reconhecimento profissional,
possibilidade   de   participar    de     cursos     de    formação,       contribuição      ao
crescimento/transformação de outros, insatisfação profissional.
Nesta questão, percebemos uma busca por realização e reconhecimento
profissional. Isso pode ter sido propiciado pelo contato com a profissão, com o fazer
docente, conforme vemos em um dos depoimentos:


                     (...) fazer com que esse ideal de crescimento profissional se expandisse. A
                     escola pública é muito rica, há verdadeiras pérolas que precisam se
                     reconhecer como pérolas (Professor 2).


      Em relação ao convite, vale a pena salientar que, embora a função de PCOP
seja atribuída por meio da realização de prova e credenciamento, não existem
muitos profissionais interessados em ocupar esta função. Muitos fazem a prova,
mas não se credenciam, a nosso ver: pelas exigências decorrentes das atribuições
deste profissional, pela carga horária (40 horas semanais), que dificulta exercer
outras funções, e pelos baixos salários. Em função disso, quando um profissional
apresenta um trabalho de destaque, ele é convidado a trabalhar como PCOP. Se
este professor não tiver prestado a prova, aguarda na função de origem, até que
possa assumir a nova função.


                     O convite da minha amiga que acreditou no meu trabalho como professora
                     coordenadora, pois participava das formações que ela realizava para
                     professores de Recuperação de Ciclo I. Primeiramente me convidou para
                     ser formadora de um programa de formação para professores
                     alfabetizadores e em seguida para compor o quadro da Oficina Pedagógica
                     Leste 3, na equipe de Ciclo I, pois uma das PCOP's estava cessando sua
                     designação por motivo de licença gestante (Professor 3).


      No que diz respeito ao terceiro questionamento, se a atuação como professor
influenciou a atuação como formador e de que forma, os sujeitos da pesquisa
apontaram a reflexão sobre a teoria e prática, a didática, a formação profissional e a
autonomia como pontos da docência que influenciam na sua atuação. Porém,
evidenciam a influência direta de suas práticas, conforme relatos:


                     Sim, sempre fui uma professora, inquieta com as concepções nas quais fui
                     ensinada, então estudava, procurava realizar trabalhos e projetos
71


                      diversificados e diferentes com os alunos com o intuito de desenvolver uma
                      aprendizagem mais significativa, que fosse além do trivial no qual as
                      escolas estavam acostumadas. Este espírito de inquietude e não
                      conformidade com o que está posto me levou a procurar através da
                      formação despertar nos PCs inquietações e busca de autonomia
                      profissional para tomar decisões que julguem necessárias para formar os
                      seus professores e consequentemente promover o avanço da
                      aprendizagem dos alunos (Professora 1).

                      Sim. Parti do pressuposto que o trabalho realizado como professora estava
                      de acordo com as ideias de alfabetização que realmente favoreciam a
                      aprendizagem significativa dos alunos. Nesta ocasião me candidatei à
                      função de Professora Coordenadora para poder contribuir na formação dos
                      alunos, junto aos professores (Professor 3).

                      Ter atuado em sala de aula me deu condições para discutir, refletir sobre
                      práticas e situações didáticas com mais propriedade, já que foram
                      vivenciadas por mim no cotidiano da sala de aula. A experiência enquanto
                      docente, nesta busca constante por diferentes formas de trabalhar,
                      considerando trabalhos e projetos diferenciados para atender a
                      heterogeneidade. Olhando seus alunos e trabalhando a partir de seus
                      conhecimentos (Professor 4).


      Não podemos negar a importância de trazermos para a prática do professor
coordenador sua experiência enquanto docente, já que lhe permite falar de
situações vividas. Por outro lado, a inquietação, citada pelo Professor 1, refere-se ao
entendimento reducionista do termo epistemologia da prática, levando ao
“desenvolvimento de um possível praticismo, para o qual bastaria a prática para a
construção do saber docente” (PIMENTA 2002, p. 22).
      Sobre essas inquietações, Pimenta (2002, p. 24) assinala, ainda, que


                      O saber docente não é formado apenas da prática, sendo também nutrido
                      pelas teorias da educação. Dessa forma, a teoria tem importância
                      fundamental na formação dos docentes, pois dota os sujeitos de variados
                      pontos de vista para uma ação contextualizada, oferecendo perspectivas de
                      análise para que os professores compreendam os contextos históricos,
                      sociais, culturais, organizacionais e de si próprios como profissionais.


Pimenta (2005), em outros estudos realizados, acrescenta ainda que o professor
pode produzir conhecimento a partir da prática. Para tanto, é imprescindível a
reflexão sistemática e intencional sobre a prática.


4.2 Papel do Professor Coordenador de Oficina Pedagógica


      A partir do pressuposto segundo o qual toda prática pedagógica está baseada
numa série de concepções sobre o que é escola, aluno, aprendizagem, ensino,
72



professor, que a orientam e que são construídas a partir de vivências e
conhecimentos acumulados durante a formação inicial e contínua, adotamos esta
categoria de análise, a fim de levantar as representações/concepções dos PCOPs
sobre suas atribuições e seu papel enquanto formadores.
      Assim, no que diz respeito à categoria 2, (qual o papel do professor
coordenador), os PCOPs responderam às seguintes questões: Quais são as
principais atribuições de um PCOP? Você se considera um formador de formador? O
que define a identidade de um formador de formador? O que você considera
prioritário para um bom formador?
      Quanto às principais atribuições de um PCOP, a maioria dos coordenadores
afirmou que sua função está vinculada a programar e realizar a formação semanal;
acompanhar a formação dos professores nos HTPCs (horário de trabalho coletivo
pedagógico), que é realizada pelos Professores Coordenadores; e acompanhar a
distribuição e o uso do material do Programa Ler e Escrever, do governo do Estado.


                    Podemos destacar as atribuições de um PCOP no campo pedagógico,
                    auxiliando os PCs em seus trabalhos com os professores, por meio de
                    orientações técnicas, acompanhamento às escolas (...) e, no campo
                    institucional, acompanhando distribuição de materiais pedagógicos,
                    pagamento de transporte (...) (Professor 5).

                    Acompanhar e avaliar o ensino e o processo de aprendizagem, bem como
                    os resultados do desempenho dos alunos; atuar no sentido de tornar as
                    ações de coordenação pedagógica um espaço coletivo de construção
                    permanente da prática docente; assumir o trabalho de formação continuada,
                    a partir do diagnóstico dos saberes dos professores para garantir situações
                    de estudo e de reflexão sobre a prática pedagógica, estimulando os
                    professores a investirem em seu desenvolvimento profissional; assegurar a
                    participação ativa de todos os professores do segmento/nível objeto da
                    coordenação, garantindo a realização de um trabalho produtivo e integrador;
                    organizar e selecionar materiais adequados às diferentes situações de
                    ensino e de aprendizagem; conhecer os recentes referenciais teóricos
                    relativos aos processos de ensino e aprendizagem, para orientar os
                    professores; divulgar práticas inovadoras, incentivando o uso dos recursos
                    tecnológicos disponíveis (Professor 3).


      No que diz respeito à definição da identidade do formador, é recorrente nas
respostas dos PCOPs, a preocupação com a articulação entre teoria e prática:


                    Além de uma prática que explicite as teorias e as concepções que ensina;
                    saber e aceitar a idéia de que seu trabalho nunca estará acabado
                    (Professor 1).
73


                     Aquele que promove a formação de modo que estabeleça relação entre
                     teoria e prática e que realiza o trabalho com convicção das concepções que
                     favoreçam a aprendizagem significativa de seu grupo (Professor 3).


      As questões trazidas pelos PCOPs parecem-nos declarar que a identidade do
formador está vinculada a contribuir para a formação de outros docentes. Cabe,
portanto, ao formador, promover a sistematização dos saberes e estimular uma
atitude crítica e reflexiva por parte do educador em relação às suas próprias
experiências, suas leituras de mundo e de teorias pedagógicas, de modo a favorecer
a proposição de atividades relevantes.
      Na trajetória de formação de muitos PCOPs, existe uma grande defasagem
entre o que conseguem fazer e o que poderiam fazer, enquanto formadores junto
aos professores coordenadores das escolas. Sob nossa ótica, este fator, aliado às
inúmeras tarefas presentes em seu cotidiano, conforme apontamos, pode levá-los à
adoção de um modelo de formação transmissivo, deixando de lado seu verdadeiro
papel de formador.
      Embora a reflexão seja sobre a formação dos PCOPs, talvez o mesmo
modelo aconteça em relação as formação que os PCOPs participam como
formandos. Acreditamos que este aspecto mereça uma análise mais aprofundada
em outras pesquisas.


4.3 Formação recebida


      No que tange à categoria 3, (da formação recebida), os PCOPs foram
inquiridos quanto a suas expectativas enquanto formadores de formadores e ainda
quanto aos impactos da formação realizada, sistematicamente, pela SEE-SP. Para
isso, responderam às seguintes questões: Quando você assumiu a função de
Professor Coordenador da Oficina Pedagógica, sabia que seria formador de
professores coordenadores? Você está recebendo formação para ser Professor
Coordenador da Oficina Pedagógica? Que benefícios esses cursos trouxeram para
você? Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são
bons? Que saberes considera importantes para ser formador de professores
coordenadores?
      No que diz respeito aos questionamentos desta categoria, os PCOPs foram
unânimes em considerar como de suma importância os saberes adquiridos na
74



formação, já que, segundo afirmam, trazem enriquecimento profissional e pessoal,
propiciam a apropriação de subsídios teóricos e práticos, melhoram o desempenho
da função e possibilitam direcionamento e foco para exercer a função de formador.


                     Enriqueceram e qualificaram o meu trabalho como PCOP, dando-me um
                     bom embasamento, consequentemente, estou colhendo frutos pessoais e
                     enquanto formador. Até o momento, todos os encontros têm sido muito
                     proveitosos (Professor 2).


      Ao indagarmos os sujeitos de pesquisa em relação aos benefícios dos cursos,
buscávamos compreender de que forma esses profissionais refletiam sobre sua
formação continuada e a importância que atribuíam aos saberes construídos a partir
dessa experiência, atrelando-os ao seu fazer cotidiano enquanto formadores e
formandos. Consideramos, nesta perspectiva, que é pertinente que todo educador
pese, considere e reflita sobre sua prática o tempo todo: durante as situações
cotidianas de trabalho, lidando com os problemas mais imprevistos e buscando
soluções que comunguem com suas crenças, concepções e valores. E não somente
isso, mas também é necessário que, fora de seu contexto de trabalho, o profissional
docente transforme sua prática em objeto de reflexão e análise, tendo como base
tanto os conhecimentos adquiridos em sua formação inicial como em sua formação
contínua.
      De    acordo   com   Donald    Schon     (2000),   esses   são    conhecimentos
imprescindíveis ao educador, são parte integrante de um profissional reflexivo, já
que tal papel pressupõe mobilizar conhecimento na ação pedagógica, refletir na
ação, durante a prática, e pensar criticamente sobre sua ação, o que pode levá-lo a
criar novas estratégias, refletindo sobre a reflexão na ação e possibilitando a
construção de um conhecimento sistematizado.
      Observou-se, no que diz respeito aos saberes considerados importantes para
um formador de professores coordenadores, que os PCOPs foram unânimes em
responder: conhecimento do conteúdo da formação, estratégias de formação,
saberes do grupo, conteúdos procedimentais, atitudinais, estratégias formativas e
didáticas da formação, articular conhecimentos que seu grupo possui com novos
conteúdos a serem ensinados:


                     Conhecimento dos conteúdos da formação; conhecimento e domínio das
                     estratégias de formação; conhecimento dos saberes de seu grupo;
75


                          conhecimentos didáticos de formação; saber articular o conhecimento que
                          seu grupo possui com os novos conteúdos a ser ensinado (Professor 1).

                          Acredito que seja importante o domínio das questões referentes à teoria e
                          prática, da didática de formação e estratégias formativas para que os
                          professores coordenadores se coloquem e assuma o papel de formador
                          (Professor 3).


        Para Tardif (2002), os saberes provenientes da experiência de trabalho
cotidiano parecem constituir a base da prática e da competência profissional, pois
essa experiência é, para o formador, a condição para aquisição e produção de seus
próprios saberes profissionais. Ensinar é acionar um grande número de saberes,
reutilizando-os no trabalho para adaptá-los e transformá-los pelo e para o trabalho.


4.4 Experiência com coordenação


        Com referência à categoria 4 (relativa à experiência com coordenação), os
PCOPs refletiram sobre o impacto da formação contínua em suas práticas
cotidianas. Dessa forma, foram questionados sobre diferentes aspectos: Como
foram suas primeiras experiências como formador(a)? Em que se apoiou para
organizar os primeiros encontros de formador que conduziu? As pautas10 que
desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as
pauta de seus formadores? Por quê? Qual sua satisfação enquanto formador e
quais as principais dificuldades?
        As respostas às questões com referência à formação que promovem junto
aos professores coordenadores das escolas foram muito similares. Todos têm, como
referência direta, as pautas desenvolvidas pela SEE-SP:


                          Após a SEE/CENP iniciar o trabalho com a formação dos Professores
                          Coordenadores das Oficinas Pedagógicas, para estes formarem os
                          Professores Coordenadores das escolas, essas pautas passaram a servir
                          como referencial para a formação, desde que estivesse de acordo com as
                          necessidades de formação dos PCs (Professor 1).

                          Sim. Segue o mesmo formato – leitura pelo formador, objetivos do
                          encontroetc., por conta de uma rotina de trabalho e gestão de tempo e
                          conteúdos (Professor 2).




10
    Compreende a organização de atividades problematizadoras que os formadores elaboram, tendo por objetivo
o processo formativo de seus docentes e deles próprios.
76



      A partir de uma posição centrada nas pautas, concebe-se a profissão docente
como um “ofício sem saberes” (GAUTHIER, 1998), que inclui perspectivas que
valorizam a cultura ou o conhecimento dos conteúdos a ensinar.
      Para exemplificar a situação das pautas como referência, torna-se importante
relatar uma experiência que tivemos ao acompanhar uma reunião de HTPC, em uma
escola coordenada por um dos PCs cuja formação era atribuição de um dos sujeitos
desta pesquisa, ainda que a observação sistemática das HTPCs não fizesse parte
da metodologia deste trabalho. Nessa oportunidade, examinamos os materiais que
estavam     sendo   trabalhados    na     HTPC,   ou   seja,   pautas    e   recursos
pedagógicos.Observamos que as mesmas atividades que haviam sido utilizadas
pelos formadores da CENP, no curso do PIC, junto aos PCOPs, estavam sendo
utilizadas na escola para as professoras. Esse fato levou-nos a suspeitar que o
desenho da formação, dada na SEE-SP, estava sendo reproduzido ipsis literis. A
partir dessa observação, julgamos necessário e pertinente requisitar o envio das
pautas regularmente, trabalhadas nas reuniões com os PCs. Nossas suspeitas se
confirmaram: as pautas eram repetidas, sem a preocupação com as adequações
que seriam necessárias ao público-alvo.
      Observamos que a grande dificuldade dos coordenadores é pensar em
atividades formativas problematizadoras, ou seja, atividades que exijam que os
professores acionem seus conhecimentos e, na tentativa de refletir sobre o problema
colocado, construam novos conhecimentos. Situações formativas em que a reflexão
sobre a prática seja inevitável. Realmente, contemplar isso em uma pauta não é
tarefa das mais fáceis no terreno da formação continuada. Por essa razão, o mais
comum é nos depararmos com pautas ancoradas, muitas vezes, apenas na leitura e
discussão de textos ou ainda na socialização de experiências imediatas e sem
reflexão.
      Verificamos que o curso de formação transmitido num efeito multiplicador dos
PCs para os docentes, dos PCOPs para os PCs, e da Secretaria Estadual de
Educação para os PCOPs, produz poucos efeitos no que se refere à reflexão sobre
a prática. Nossa percepção sobre a funcionalidade dos temas do programa oficial,
para a reflexão sobre a prática, vai ao encontro das considerações apontadas por
Freire (1996, p. 43), para quem a prática docente crítica, implicante do pensar certo,
envolve o movimento dinâmico, dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer.
77



      Na maioria das vezes, as necessidades formativas dos professores
encontram-se, também para eles, ocultas. Então, como é identificar um problema do
qual ainda não se tem consciência?
      A experiência com a formação de professores tem-nos mostrado que a
própria formação é (e deve ser, a nosso ver) um veículo desencadeador de novas
necessidades. Em outras palavras: o objetivo maior da formação – pautada em uma
perspectiva reflexiva – deveria ser a possibilidade de provocar nos professores a
“construção” de suas necessidades ou, ainda, de novas necessidades. Tornar o que
era inconsciente um objeto de reflexão.
      Sabíamos que as escolas onde atuavam os PCs que participavam destas
formações tinham necessidades específicas. Havia, nesse sentido, um impedimento
para que a escola se tornasse um lócus privilegiado de formação continuada.
      A escola, como lócus de formação, supera o modelo clássico de formação.
Mas é importante pontuar que este não é um processo simples. Garantir o espaço é
um grande ganho, mas não avaliza o processo formativo. Constituir uma prática
formativa abarca uma prática reflexiva, capaz de identificar os problemas e resolvê-
los coletivamente. Essa prática deve ser construída pelo grupo de professores e
gestores. Nóvoa (apud CANDAU, 1996, p. 30) afirma que:


                     A formação continuada deve estar articulada com o desempenho
                     profissional dos professores, tomando as escolas como lugares de
                     referência. Trata-se de um objetivo que só adquire credibilidade se os
                     programas de formação se estruturarem em torno de problemas e de
                     projetos de ação e não em torno de conteúdos acadêmicos.


      Essa constatação permite-nos considerar que a intrincada rede de formação
dos profissionais da educação, que atuam no ciclo I do Ensino Fundamental da
SEE-SP, pode ser comparada, metaforicamente, a um efeito cascata, que permite
um compartilhamento de saberes e de conhecimentos de forma exponencial. Em
primeira instância, a Secretaria Estadual da Educação, por meio de seus técnicos do
Ciclo I, oferece orientações técnicas aos Professores Coordenadores das Oficinas
Pedagógicas e aos supervisores responsáveis pelo Ciclo I. Estes, por sua vez, tendo
como princípio uma homologia de processos, atuam junto aos professores
coordenadores de todas as escolas estaduais em que há este segmento de ensino.
Finalmente, na base desta cascata, estão os professores que recebem formação
78



continuada nas Horas de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), em suas unidades
de trabalho.
       Pimenta (2005) considera que a aparente ausência de unidade entre os
saberes docentes suscita uma prática pedagógica frágil, que não transforma, não
edifica, mas que se limita a reproduzir as representações sociais de uma classe
hegemônica da sociedade. Diz ainda que, para o profissional da educação modificar
suas concepções, posturas, crenças e ações, os cursos de formação de professores
têm como desafio conhecer, por um lado, as teorias implícitas na prática educativa
dos profissionais e, por outro, mediar ou promover condições para que, diante das
teorias, se modifique.
       Torna-se necessário pensar em formação continuada numa perspectiva mais
ampla, de percurso formativo, definido não só pela formação institucional, mas por
todo o processo formativo vivenciado em múltiplos espaços, ao longo da vida deste
profissional.
       Giovanni (1998, p. 47) afirma que:


                     (...) a formação profissional não pode mais se reduzir aos espaços formais e
                     escolarizados, organizados com esse fim. Ela precisa ser concebida como
                     algo que pode se dar antes, durante e depois do processo formal, como
                     espaços de reflexão sobre o próprio trabalho.


       Nesse sentido, a escola passa a ser um lócus importante para a formação
continuada. Candau (1996) destaca, porém, que essa formação só se consolida
quando as práticas se tornam reflexivas, diferenciando-se de práticas mecânicas.
Portanto, devem favorecer a investigação de problemas e identificar caminhos para
solucioná-los de maneira coletiva, isto é, uma prática construída conjuntamente pelo
grupo de professores.
       Trata-se de trabalhar com o corpo docente de uma determinada instituição,
favorecendo processos coletivos de reflexão e intervenção na prática pedagógica
concreta, de oferecer espaços e tempos institucionalizados nesta esperança, de
criar sistemas de apoio à sistematização das práticas pedagógicas dos professores
e a sua socialização, de situar o trabalho da supervisão e orientação pedagógica
nessa perspectiva (CANDAU, 1996).
       Compreender o processo educativo como constante reprodução de cenas
iguais, sem levar em consideração suas extensões distintas e complexas, aproxima-
79



se mais de uma prática mecânica. Para que uma prática se torne reflexiva, é
necessária uma atitude, por parte do professor, de envolvimento legítimo com a
situação vivida a partir da análise dos problemas concretos.


                     (...) com o intuito de compreendê-los, investigá-los, agir sobre eles e sobre
                     as novas condições que sua investigação e ação dela resultante, podem
                     gerar. O professor se transforma, assim, em investigador de sua própria
                     prática, em produtor legítimo de conhecimentos sobre ela (GIOVANNI,
                     1994, p.22).


      Outro ponto fundamental a ser considerado, com relação ao processo de
formação continuada, é ter como menção o saber docente; portanto, é preciso
reconhecer e valorizar este saber. Segundo Candau (1996), esses saberes, com
ênfase na experiência, abalizam-se nas experiências dos professores e são
legitimadas por elas. Portanto, seria


                     (...) por meio desses saberes que os professores julgam a formação que
                     adquiram a pertinência ou realismo dos planos e das reformas que lhes são
                     propostas e concebem os modelos de excelência profissional (Candau,
                     1996, p. 146).


      Em face das múltiplas atribuições, muitas vezes não há tempo para o PCOP
se formar, manter-se atualizado, implementando modos de articular o seu saber-
fazer a teorias ou conceitos que são aprendidos, discutidos nas reuniões de
formação das quais participam. Para Gilles Ferry (2004), isso é formar de fora para
dentro, e não consiste em formação.
80



Considerações finais


      Vivemos hoje em uma sociedade grafocêntrica marcada por intensas
transformações econômicas, sociais e culturais, que têm gerado mudanças de
paradigmas e novas demandas sociais. Em função disso, saber ler e escrever de
forma competente tornou-se uma necessidade imprescindível. Nessa perspectiva, os
sistemas educacionais de ensino buscam ampliar as capacidades leitora e escritora
dos educandos, para que estes transitem pela sociedade como cidadãos críticos e
conscientes de seus direitos e deveres.
      Frente a essa realidade, a SEESP, ao constatar que 35% das crianças
terminavam a 1ª série sem as competências leitora e escritora míninas para
prosseguirem seus estudos, iniciou, em 2007, a implementação do PROGRAMA LER E
ESCREVER no Ciclo I de todas as escolas paulistas, tendo como base três eixos
principais de sustentação: a formação do denominado trio gestor (Professores
Coordenadores das Oficinas Pedagógicas, supervisores e diretores) e dos
professores coordenadores das unidades escolares; a distribuição de materiais
pedagógicos aos professores e alunos; e o acompanhamento sistemático das ações
do programa nas Diretorias de Ensino, principal lócus articulador do LER E ESCREVER.
      Essas ações visam a garantir a recuperação das aprendizagens, de modo
que todas as crianças de até 8 anos terminem a 2ª série/3º ano, em 2010,
plenamente alfabetizadas. Nessa perspectiva, o presente estudo teve como principal
objetivo empreender algumas reflexões concernentes aos processos formativos de
Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas que atuam como formadores
de professores coordenadores em projetos de formação continuada, no Programa
Ler e Escrever, na Rede Pública Estadual de São Paulo.
      O objetivo, por meio de uma pesquisa de abordagem qualitativa, era obter
uma aproximação maior com o universo dos sujeitos da pesquisa, cinco PCOPs
pertencentes a três diretorias de ensino da SEESP, localizadas na região leste da
cidade, a fim de:
   o compreender como os professores coordenadores das oficinas pedagógicas
      se tornaram formadores;
   o verificar na percepção desses professores qual é o papel do professor
      coordenador da oficina pedagógica;
81



   o identificar qual a formação que os professores coordenadores das oficinas
      pedagógicas receberam da Secretaria Estadual de Educação para se
      tornarem formadores e
   o averiguar, como os professores coordenadores pedagógicos das oficinas
      pedagógicas vêem a formação que recebem da SEESP para atuarem como
      formadores.
      A fim de averiguar o fundamento de nossos pressupostos, essa pesquisa foi
delineada e apresentada em quatro capítulos.
      No capítulo 1, apresentamos o   PROGRAMA   LER   E   ESCREVER, de acordo com a
perspectiva oficial da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, levantando
não somente o contexto em que se deu a constituição dos sujeitos de pesquisa, mas
também tecendo algumas considerações com respeito aos objetivos do programa.
Para isso, refletimos sobre o momento histórico no qual ocorreu sua implementação,
e, em seguida, abordamos as ações de implementação, os objetivos do programa e
o perfil exigido dos formadores, considerando alguns aspectos concernentes à
formação continuada oferecida pela SEESP aos profissionais envolvidos no LER       E

ESCREVER. No final do capítulo, apresentamos uma tabela com a abrangência do LER
E ESCREVER,   no ano de 2010.
      No que se refere à formação de professores, buscou-se compreendê-la sob o
ponto de vista de Pimenta (2005, 1999), que postula sua abordagem sobre os
diferentes saberes necessários à docência – da experiência, do conhecimento e
pedagógicos; Nóvoa (2004, 2002, 1991), que privilegia o desenvolvimento pessoal,
profissional e organizacional do docente; Tardif ( 2002, 2000, 1991) que valoriza o
saber plural do formador; Gauthier (1998) que nos fala do desafio da
profissionalização docente e dos vários saberes envolvidos neste processo –
disciplinar, curricular, ciência da educação, tradição pedagógica, experiência e ação
pedagógica – que são constituintes da identidade do professor; Candau (1996) que
aponta a escola como lócus de formação e Furlanetto (2003), que nos adverte sobre
a importância das experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende
para a formação do professor. Essa é a abordagem do capítulo 2. No capítulo 3,
apresentamos os passos percorridos para o desenvolvimento da pesquisa, visto ser
esta uma pesquisa inspirada em princípios de abordagem qualitativa, e que,
portanto, não pode prescindir da descrição do caminho percorrido. No capítulo 4,
82



procedemos à análise dos dados coletados. A partir dessa análise refletimos com
respeito aos processos formativos dos PCOPs.
      O principal motivo que conduziu os sujeitos da pesquisa à profissão docente
está vinculado ao saber da experiência, que se presta como memórias vividas que
contém marcas sensoriais, emocionais e cognitivas que emergem quando o
professor atua nos espaços pedagógicos.
      Quando buscamos compreender como os mesmos participantes se tornaram
professores coordenadores das oficinas pedagógicas o principal motivo que os
conduziu à função está vinculado ao reconhecimento profissional. Observamos que
o convite é um dos meios utilizados para que os sujeitos da pesquisa se tornem
PCOPs e, ainda que sejam avaliados por meio da realização de uma prova de
credenciamento e análise de projetos, não são aspectos estritamente profissionais
que possibilitam a esses professores exercerem a função de formadores, visto que
questões políticas, tais como baixos salários e desvio de funções, inviabilizam um
número maior de inscritos para essa colocação. Em função disso, esses
profissionais são escolhidos quase que exclusivamente em decorrência de sua
prática pedagógica. A prática pedagógica, embora importante, porque permite falar
de situações vividas, precisa ser nutrida pelas teorias da educação.
      Ao levantarmos as representações dos PCOPs sobre suas atribuições e seu
papel enquanto formador, a maioria afirmou que sua função está vinculado a
"fazeres e saberes" . Ora com o papel de formar, ora com o de organizador
planilhas, ora com o de ouvinte, ora com o de comunicador, aparentemente como
um artista com duplo papel. Para ilustrar essa idéia de fazeres e saberes com
caminhos paralelos nos processos de formação de professores, apresentamos um
fragmento do registro de um dos sujeitos desta pesquisa, sistematizando um desses
momentos:


                     Podemos destacar as atribuições de um PCOP no campo pedagógico,
                     auxiliando os PCs em seus trabalhos com os professores, por meio de
                     orientações técnicas, acompanhamento às escolas... e no campo
                     institucional, acompanhando distribuição de materiais pedagógicos,
                     pagamento de transporte (...) (Professor 5).


      É recorrente nas respostas dos PCOPs, a preocupação com a formação, e
com a articulação entre a teoria e da prática de modo a contribuir com a formação
dos professores coordenadores das escolas, mas sob nosso olhar, devido a
83



quantidade de tarefas e sua trajetória formativa, deixam de adquirir um olhar refletido
sobre sua própria prática como formador, apenas com o papel de reprodutor da
estrutura social vigente.
      A formação propiciada pela SEE-SP, no âmbito do Programa Ler e Escrever,
viabiliza uma formação pautada em princípios transmissivos, visto que o Técnico da
SEE-SP restringe-se, por uma série de contingências – falta de tempo, demandas
formativas – a transmitir conteúdos, que são reproduzidos em diferentes esferas: os
PCOPs transmitem para os coordenadores, em forma de orientações técnicas,
aquilo que receberam dos técnicos da SEE, e os coordenadores, por sua vez,
transmitem o que receberam dos PCOPs para os professores nas HTPCs, na qual
são desconsiderados a articulação entre os diferentes saberes docentes e a escola
enquanto lócus de formação.
      Ainda que os PCOPs considerem que a formação da SEE lhes dê subsídios
prático e teórico, acreditamos que a formação dos PCOPs pouco contribui para que
eles consigam desenvolver, junto aos PCs das escolas, um trabalho efetivo para
melhorar a qualidade do trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. Isso porque
a formação não toma a escola como lócus de reflexão e tomada de decisões
coletivas para solucionar as demandas cotidianas de seus alunos (NÓVOA, 2004,
2002, 1991 e PIMENTA, 2005, 1999).
      A nosso ver, para que a formação não seja reprodutivista, mas propicie
reflexão e trocas de experiências, levando em conta os saberes pessoais,
profissionais e organizacionais do docente, faz-se necessário que os encontros de
formação desses profissionais, a constituição de espaços de integração dessas
diferentes dimensões ocorram na “escola como um ambiente educativo, onde
trabalhar e formar não sejam atividades distintas” (NÓVOA, 1991, p.27).
      Acreditamos que a temática aqui tratada tornou-se relevante para os estudos
educacionais, na medida em que nos ajudou a refletir sobre os complexos caminhos
percorridos entre a idealização dos projetos criados pelas políticas públicas e sua
efetivação em sala de aula.
      Assim, esperando que tenhamos contribuído para os estudos no campo de
formação de formadores na área educacional e incentivado outras pesquisas na
área, terminamos esse trabalho propondo uma reflexão sobre as palavras de Rubem
Alves(1994 ) p.18:
84


Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com
partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e
lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com
a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério
daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas
pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza
musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
85



Referências Bibliográficas


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TARDIF, Maurice. Saberes Docentes e formação profissional. Trad. Francisco
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90


(ANEXO 1)- MATERIAIS DO PROGRAMA LER E ESCREVER


 SÉRIES                                  MATERIAIS PEDAGÓGICOS



1ª série
               1. Guia de Planejamento e Orientações Didáticas para o Professor
                     Alfabetizador – 1ª série.
               2. Caderno do professor alfabetizador – 1ª série.
               3. Coletânea de atividades do aluno – 1ª série.
               4. Livro de textos do aluno do aluno – 1ª série.
               5. Acervo de 43 livros de literatura infantil por classe.
               6. Conjunto de letras móveis.
               7. Assinatura de revistas para o público infantil (Saiba mais, Recreio, Galileu,
                     Picolé, Almanaques Mônica e Cascão, Mônica Jovem, Ciência hoje para
                     crianças...).
               8. Caixa plástica para o armazenamento do Kit de literatura infantil.



2ª série       1.    Guia de Planejamento e Orientações Didáticas para o Professor
                     Alfabetizador – 2ª série.

               2.    Livro de textos para o aluno.



3ª série        1. Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 3ª série - volumes 1 e 2.
                2. Livro de textos para o aluno.




4ª série        1.    Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 4ª série – volume único.
                2.    Livro de textos para o aluno.
                3.    Calculadoras.
                4.    Globo terrestre.




3ª    série
PIC            1. Material do Professor que é composto de orientações didáticas para o
                     trabalho a ser realizado com os alunos (volumes 1 e 2).
               2.    Material do Aluno que faz interface das áreas de Ciências Sociais e
                     Naturais e tem conteúdos específicos de Matemática.
               3. Acervo de 40 livros de literatura infantil para cada classe.
91




4ª    série
PIC           1. Material do Professor que é composto de orientações didáticas para o
                 trabalho a ser realizado com os alunos (volumes 1, 2 e 3).
              2. PIC – Projeto Intensivo no Ciclo - 4ª série — Material do Aluno que faz
                 interface das áreas de Ciências Sociais e Naturais e tem conteúdos
                 específicos de Matemática.
              3. Acervo de 40 livros de literatura infanto-juvenil para cada classe.
              4. Globo terrestre.
              5. Calculadoras.
92


(ANEXO 2) MODELO DO QUESTIONÁRIO

                                       Questionário Pessoal
Nome completo:
Formação Acadêmica:
Funções que ocupou durante o percurso profissional na educação:
Função que ocupa atualmente:.
Quanto tempo está na atual função?
                                     Questionário Profissional
   1) O que o levou ser professor?
   2) O que o motivou ser professor coordenador da Oficina Pedagógica?
   3) Sua atuação como professor influenciou sua atuação como formador? De que forma?
   4) Quais são as principais atribuições de um PCOP?
   5) Você se considera um formador de formador?
   6) O que define a identidade de um formador de formador?
   7) O que considera prioritário a um bom formador?
   8) Quando assumiu a função de professor coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia que
       seria formador de professores coordenadores?
   9) Você está recebendo formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica?
   10) Que benefícios esses cursos trouxeram para você?
   11) Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são bons? Falta algum
       conteúdo que auxiliaria em sua formação?
   12) Que saberes considera importantes para ser formador de professores coordenadores?
   13) Como foram suas primeiras experiências como formador (a)?
   14) Em que se apoiou para organizar os primeiros encontros de formador que conduziu?
   15) As pautas que desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as
       de seus formadores? Justifique.
   16) Qual sua satisfação enquanto formador e quais as principais dificuldades?
93


(ANEXO 3) PROTOCOLO DE ANÁLISE 1
                            Professor 1           Professor 2         Professor 3        Professor4         Professor 5

O1- Motivo de ser     Identificação com um     Contribuir na       Modelo/              Intervenção       Intervenção
    professor         professor da infância/   formação de         Identificação com    familiar/         familiar
                      Ascensão financeira      outros/             professora           Paixão            /Paixão
                                               Identificação com
                                               professora

  02- Motivou ser     Reconhecimento do        Propiciar           Reconhecimento       Reconhecime       Possibilitar
      professor       trabalho / convite       crescimento/        profissional         nto/              conhecimentos
 coordenador da                                transformação                            convite
oficina pedagógica                             de outros/convite

03- Atuação como      Prática profissional     Prática             Concepção de         Refletir sobre    Formação
      professor       Autonomia profissional   pedagógica          ensino/              a prática         Profissional e
          X                                                        formação de                            pessoal
   Atuação como                                                    outros
      professor
 coordenador da
oficina pedagógica
04- Atribuição Pcop   Fazeres /saberes         Parceiro            Fazeres /saberes     Contribuir na     Formação /
                                               experiente/                              formação do       Acompanhamen
                                               articulador                              PC                to/ Fazeres

  05- Considera       Sim                      Sim                 Sim                  Sim               Sim
   formador de
     formador

 06- Identidade do    Prática e as             Compromisso e       Articulação da       Aprender e        Avaliador
      formador        concepções que           crença naquilo      teoria e prática e   ensinar           consciente
                      defende e ensina         que realiza         concepção em
                                                                   que acredita
07-Prioridade bom     Prática e as             Postura,            Autonomia,           Conhecimento      Saber
    formador          concepções que           conhecimento,       valorização e        / visão           avaliar/eleger
                      defende e ensina         motivação           intervenção que      prospectiva/      prioridade/definir
                                                                   proporciona          profissionalism   objetivos
                                                                                        o
   08- Professor      Sim                      Sim                 Sim                  Sim               Sim
 coordenador da
oficina pedagógica
         x
    Formador de
    professores
  coordenadores
    09- Recebe        Sim                      Sim                 Sim                  Sim               Sim
formação para ser
     professor
  coordenador da
Oficina Pedagógica
10-Benefícios dos     Crescimento              Enriquecimento      Apropriação dos      Melhoria no       Direcionamento,
       cursos         profissional e pessoal   profissional e      subsídios teóricos   desempenho        foco e
                                               pessoal             e práticos           da função         segurança para
                                                                                                          exercer a função
   11-Formação        Bons /necessidade de     Proveitosos         Sim Necessidade      Bons/sempre       Sim/
    continuada        acompanhamento                               de aprimoramento     aparece algo      Superficialidade
         x                                                         das questões         novo para         no tratamento
   bons cursos                                                     metodológicas        pensar            dos conteúdos

                      Conhecimento             Trabalho em         Domínio das          Humildade/        Conteúdos
 12-Saberes para      conteúdos, das           grupo, bom          questões práticas    construção        atitudinais/
 ser formador de      estratégias de           conhecimento        e teóricas/          conjunta          procedimentais/
   professores        formação,saberes dos     teórico dos         didática da                            conceituais
  coordenadores       cursistas, didático.     conteúdos,          formação/
                      Articular os saberes.    clareza da sua      estratégias
                                               função              formativas

   13-Primeiras       Gratificante             Prazerosa e         Gratificante         Medo,             Gratificante/
experiências como                              significativa                            insegurança/      Insegurança
     formador                                                                           apropriação
  14-Apoio para       Materiais de apoio do    Recursos            Referenciais         Estudo de         Estudos
   organizar os       projeto vigente          materiais           teóricos variados    diferentes        diversos
94


    primeiros                             oferecidos pela                         referentes
   encontros?                             Secretaria de                           teóricos
                                          Educação entre
                                          outros
   15-Pautas        Pautas como           Mesmo formato      Referencia/adapta    Replicação/       Similares/
   recebidas        referência                               ção à realidade do   Adequação         Adequação
        X           /adaptação à                             grupo
Pautas oferecidas   realidade do grupo

 16-Satisfações     Possibilitar          Crescimento        Aprendizagem de      Propiciar         Mudança na
 como formador      Aprendizagem          profissional dos   todos/Sabedoria      conhecimento      postura.
         x                                PCs
   dificuldade
                    Falta de tempo para   Rotativide dos     Tempo para           Indisponibilida   Indisponibilidade
                    estuda                PCs/               estudo               de para           para aprender
                                          Falta de tempo                          aprender
                                          para estudar
95


(ANEXO 4) PROTOCOLO DE ANÁLISE 2


                                          Professor 1

Teoria         Respostas dos Professores Coordenadores das
               Oficinas Pedagógicas

                 Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor
                      coordenador da oficina Pedagógica

               Questão 1
               O que o levou ser professor?

Ecleide        Para responder esta questão é preciso contar         Identificação com um
Furlanetto     um pouco sobre minha infância, no inicio do          professor da infância
               período escolar. Estudei o primeiro ano escolar
               em 1970, numa classe multisseriada. As
               lembranças que tenho desse período são as de
               ver meus colegas, geralmente de outras séries,
               serem castigados por indisciplina. Eram colocados
               de joelhos em milho, de joelho com as mãos
               abertas segurando pesados livros, apanhando,
               levando puxões de orelha, apanhando de
               palmatória e outros castigos.
               O medo desses castigos fazia com que eu mal
Ecleide        me mexesse na carteira e que às vezes até
Furlanetto     fizesse xixi na roupa, com medo de pedir para        Medo
               ir ao banheiro e ser castigada. Ou então perder
               a merenda. Muitas vezes, meus colegas eram
               privados da merenda em nome da “disciplina”. A
               merenda era muito cheirosa e gostosa. Sei bem
               porque me lembro, em meio a uma infância
               miserável. Quando se tinha o alimento, fosse qual
               fosse, era um fato memorável.
               No ano seguinte, a Escola Adventista foi fechada
               por conta dos seus desmandos e abusos, com
               castigos destinados a "manter a disciplina".
               Mandaram-me para uma escola que ficava longe
               do centro da cidade. Era destinada aos que, de
Julio G.       certa forma, eram excluídos porque eram              Exclusão
Almeida        "fracos" nos estudos, e aos que não tinham
               conseguido um bom desempenho na prova de
               admissão da escola mais centralizada.
               Para eu não ir sozinha, minha mãe pediu a uma
               professora que morava perto de nossa casa, e
               que dava aulas nessa escola, que fizesse a
               gentileza de me levar e trazer. Não tenho
               lembrança de como ela se chamava, mas me
               lembro de que era uma pessoa calma, de fala
               mansa, que conversava comigo, me fazia
               perguntas na nossa caminhada até a escola.
               Perguntas que eu respondia timidamente, com
               monossílabos. Eu a admirava, pois parecia se
Ecleide        importar comigo.
Furlanetto     Acredito que meu desejo de ser professora tenha      Admiração pela profesora
Miguel         nascido naqueles momentos de admiração por
Arroyo         aquela professora que, numa época em que os
               professores pouco consideravam ou falavam com
               alunos,     agiu    diferentemente,     conversou,
96



            questionou e quis saber sobre a minha vida, que     Necessidade Financeira
            na época era bem miserável, devido às
Bernadete   condições sociais e econômicas. Nasceu ali o
Gatti       meu desejo de ser diferente de querer estudar
            cada vez mais para sair da condição em que
            vivia e fazer algo que fizesse a diferença na
            vida de outros.

            Questão 2
            O que o motivou ser professor coordenador da
            Oficina Pedagógica?
Rosaura                                                         Cursos de formação
Soligo      Atuava como professora de ciclo I, quando surgiu
            a oportunidade de participar do curso de
            Formação de Professores Alfabetizadores Letra
            e Vida, promovido pela Secretaria de Estado da
            Educação. A princípio me inscrevi para participar
            como professora. Depois, surgiu a oportunidade
            de fazer o curso para ser formadora de
            professores, e aceitei o desafio.
            O trabalho com a formação de professores me
            motivou a trabalhar como coordenadora
            pedagógica da escola. A implementação do
            programa Letra e Vida, como ficou conhecido o
            curso, no Estado de São Paulo, trouxe muita
            estranheza aos professores que estavam
            acostumados a um trabalho tradicional. E não foi
            diferente com a diretora da escola em que atuava.
            Além de ser nova na escola, na época, ela não
            conhecia meu trabalho como professora, e
            também não aceitou de bom grado as “novas
            concepções” de aprendizagem. Para ela
            deveríamos utilizar a cartilha Caminho Suave, e
            tudo bem. Não demorou para que nossas
Selma G.    concepções se chocarem.                             Reconhecimento
Pimenta     Meu trabalho como professora e formadora era        profissional/ convite
            muito conhecido e aceito na Diretoria Regional
            de Ensino. Então recebi o convite para trabalhar
            na oficina Pedagógica, e aceitei o desafio, sem
            pestanejar. Era a oportunidade de trabalhar com
            os professores e professores coordenadores
            dentro da concepção em que acreditava e acredito
            ser a melhor para desenvolvimento da
            aprendizagem.

            Questão 3
            Sua atuação como professor influenciou sua
            atuação como formador? De que forma?

Selma G.    Sim, sempre fui uma professora inquieta com as
Pimenta     concepções nas quais fui ensinada. Então            Concepção de ensino e
            estudava, procurava realizar trabalhos e projetos   aprendizagem
            diversificados com os alunos, com o intuito de
            desenvolver uma aprendizagem mais significativa,
            que fosse além do trivial no qual as escolas
            estavam acostumadas.
            Esse espírito de inquietude e não conformidade
Antonio     com o que está posto me levou a procurar
Nóvoa       despertar nos PCs, através da formação, a
            inquietação e a busca de autonomia profissional     Autonomia profissional
97



           para tomar decisões necessárias para formar seus
           professores e, consequentemente, promover o
           avanço da aprendizagem dos alunos



                 Bloco 2 – Qual é o papel do Professor
                             Coordenador

           Questão 4
Selma G.   Quais são as principais atribuições de um PCOP?
                                                                  Fazeres/Saberes
Pimenta
                       •   Programar e realizar a formação
Maurice                    semanal de 8 horas dos
Tardif                     Professores Coordenadores das
                           Escolas do Ensino Fundamental
Antonio                    Ciclo I, na área de Língua,
Nóvoa                      Matemática, nas demais áreas do
                           conhecimento,        o      trabalho
                           geralmente é realizado em
                           parceria com os PCOPs de
                           outras;
                       •   Acompanhar a formação dos
                           professores nas HTPC (Horário
                           de        Trabalho          Coletivo
                           Pedagógico), que é realizada
                           pelos                   Professores
                           Coordenadores;
                       •   Acompanhar o desenvolvimento
                           dos projetos e ações pedagógicas
                           das escolas de sua Diretoria de
                           Ensino;
                       •    Realizar a análise dos dados das
                           avaliações      externas       como
                           SARESP, IDESP e Prova Brasil
                           de sua Diretoria de Ensino e           Sim
                           promover a análise destes dados
                           com         seus        professores
                           Coordenadores;
                       •   Fazer o mapeamento e análise da
                           sondagem das hipóteses de
                           escrita dos alunos da Diretoria de
                           Ensino, do Ensino Fundamental
                           Ciclo I;
                       •   Propor ações e projetos que vise o
                           desenvolvimento e a melhoria da
                           aprendizagem dos alunos através
                           da formação e orientação dos
                           Professores Coordenadores de
                           sua Diretoria de Ensino;
                       •   Cuidar     da     distribuição     e
                           acompanhar o uso adequado do
                           material do Programa Ler e
                           escrever;
                       •   Realizar a compra de materiais,
                           lanches e a prestação de contas
                           dos processos referentes a estas
                           compras;

           Questão 5
98



               Você se considera um formador de formador?

               Sim.

               Questão 6
               O que define a identidade de um formador de
Maurice        formador?
Tardif                                                             Articulação prática e teórica
               O que define a identidade de um formador é sua
               prática explicitando as teorias e as
               concepções que ele defende e ensina.

Paulo Freire   Questão 7
               O que considera prioritário a um bom formador?      Ensinar e aprender

               Além de uma prática que explicite as teorias e as
               concepções que ensina, é necessário que ele
               saiba aceitar que seu trabalho nunca estará
               acabado, pois o ser é inacabado (Paulo Freire). É
               necessário o respeito aos saberes individuais de
               cada um, articulação com o grupo que está
               formando, organização, clareza na condução da
               formação, domínio das estratégias de formação e
               outros.


                          Bloco 3 – Formação que receberá

               Questão 8
               Quando assumiu a função de professor
               coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia
               que    seria   formador     de     professores      Sim
               coordenadores?

               Sim mas, na verdade, quando assumi a função já
               trabalhava com a formação de professores devido
               ao Programa Letra e Vida.

               Questão 9
               Você está recebendo formação para ser professor
               coordenador da Oficina Pedagógica?

               Sim. A Secretaria de Estado da Educação, através
               da CENP (centro de Estudos e Normas
               Pedagógicas), nos oferece formação para             Formação/Acompanhamento
Gaston         desenvolver a implementação do Programa Ler         para desenvolver a
Pineau-        e Escrever em toda a Rede Estadual com as           implementação do Programa
               escolas do Ensino Fundamental Ciclo I. Temos        Ler e Escrever
               o acompanhamento das nossas ações e
               formações com os professores e professores
               coordenadores da escola, além da formação com
               as formadoras do Programa Ler e Escrever.
               Também são oferecidos cursos para trabalhar
               com a formação do professor do PIC (Projeto
               Intensivo No Ciclo), curso de formação em
               Didática da Matemática: Ensino Fundamental
               Ciclo I.
               Questão 10
99



               Que benefícios esses cursos lhe trouxeram?
Antonio                                                           Novos conhecimentos,
Nóvoa          Financeiramente, nenhum. Os benefícios foram       formação profissional e
               em termos de aprendizagem de novos                 enriquecimento do currículo
               conhecimentos,      formação   profissional,
               crescimento pessoal e enriquecimento do
               currículo;



               Questão11
               Você acredita que os cursos de formação
               continuada para formadores são bons?
Evandro L.
Ghedin,        Acredito que são cursos bons. O que falta é a      Bons /necessidade de
               possibilidade de se acompanhar melhor e bem de     acompanhamento da ação
               perto a aprendizagem e o desenvolvimento
               desses formadores.

               Questão 12
               Que saberes considera importantes para ser
               formador de professores coordenadores?

Maurice        Conhecimento dos conteúdos da formação;            Saber docente
Tardif         conhecimento e domínio das estratégias de
               formação; conhecimento dos saberes de seu
               grupo; conhecimentos didáticos de formação;
               saber articular o conhecimento que seu grupo
               possui com os novos conteúdos a ser ensinado.


                     Bloco 4 – Experiência como formador

               Questão13
               Como foram suas primeiras experiências como
               formador (a)?

Paulo Freire   As       experiências   foram     gratificantes,
               principalmente pela motivação de ver como          Gratificante/dinâmico
               resultado o desenvolvimento de um trabalho
               pedagógico dinâmico, mais eficaz, de chegar à
               sala de aula melhorando os trabalhos
               pedagógicos e proporcionando o avanço da
               aprendizagem das crianças.


               Questão 14
               Em que se apoiou para organizar os primeiros
               encontros de formador que conduziu?

               Os primeiros encontros de formação foram           Realizados de acordo com
Clermont       orientados e realizados de acordo com o            Programa da Secretaria
Gauthier       Programa     de    Formação    de Professores      Estadual de Educação.
               Alfabetizadores Letra e Vida .

               Questão 15
               As pautas que desenvolveu com os professores
               coordenadores têm muita semelhança com as
               pautas de seus formadores? Justifique.
100



                 De início não, pois quando comecei o trabalho
                 com a formação dos Professores Coordenadores
                 na Oficina Pedagógica ainda não se propunha a
                 formação dos mesmos na Rede Estadual de
                 Ensino.     Nessa     época,    os   Professores
                 Coordenadores tinham apenas orientações
                 técnicas. Uma colega de trabalho e eu
                 propusemos um projeto de formação para os
                 Professores Coordenadores, que tinha como
                 objetivo formá-los para atuar em sua função e na
                 formação de seus professores.
                 Após a SEE/CENP iniciar o trabalho com a
                 formação dos Professores Coordenadores das
                 Oficinas Pedagógicas para que estes formassem
                 os Professores Coordenadores das escolas, essas
Antonio          pautas passaram a servir como referencial para a    Pautas como referência
Nóvoa            formação, desde que estivessem de acordo com
                 as necessidades de formação dos PCs.


                 Questão 16
                 Qual sua satisfação enquanto formador e quais as
                 principais dificuldades?
Selma G.
Pimenta          Acredito que minha satisfação seja a de ver o       Possibilitar o avanço da
                 desenvolvimento de um trabalho pedagógico que       aprendizagem dos professores
                 proporciona o avanço da aprendizagem dos            coordenadores, professores e
Christine        professores coordenadores, dos professores que,     alunos
Josso            consequentemente, chega ao aluno, que é a
                 razão maior do nosso trabalho. A principal          Falta de tempo para estudar
Gilles Ferry     dificuldade é a falta de tempo para estudar mais.   mais



                                            Professor 2

Teoria            Respostas dos Professores Coordenadores das
                             Oficinas Pedagógicas

                   Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor
                                   coordenador
                 Questão 1
Selma G.         O que o levou ser professor?
Pimenta          O ideal de educador de fazer com que outros         Transformação
                 cresçam, se transformem e, conseqüentemente,
                 transformem o meio (inovando, oportunizando).
                 Somente, através da educação é que se pode
                 sonhar com o novo. Desde criança queria ser
Ecleide          professor. Amava a professora da primeira série.    Identificação com a professora
Furlanetto       Questão 2
                 O que o motivou ser professor coordenador da
                 Oficina Pedagógica?
Miguel
Arroyo- Ofício   De fazer com que esse ideal de crescimento          Ideal de crescimento
de Mestre        profissional se expandisse, a escola pública é      profissional
                 muito rica, há verdadeiras pérolas que precisam
                 se reconhecer como pérolas.

                 Questão 3
Maurice          Sua atuação como professora influenciou sua
101



Tardif     atuação como formador? De que forma?
           Indubitavelmente. Muito estudo e vivência no       Teoria e Prática Pedagógica
           ensino


           Bloco 2- Qual o papel do Professor Coordenador


          Questão 4
           Quais são as principais atribuições de um PCOP?
Maurice
Tardif     Ser parceiro, formador e articulador – fazendo     Parceiro experiente/articulador
           com que as escolas avançem, os alunos
           avançem, respeitando-se as realidades – muitas
           vezes , muito dura.
           Questão 5                                          Sim
           Você se considera um formador de formador?

           Sim. Procuro ser um bom formador, através do
           exemplo de estudos constantes, das inovações.

           Questão 6
           O que define a identidade de um formador de
           formador?

Antonio    Seu real compromisso e crença naquilo que          Compromisso e crença naquilo
Nóvoa      realiza. Se ele não acredita, não vivencia o que   que realiza
           crê, certamente não será um bom formador.

           Questão 7
           O que considera prioritário a um bom formador?

Antonio    Postura, conhecimento e ser o agente               Postura, conhecimento,
Nóvoa      motivador, fazendo com que cada um busque          motivação
           fazer o seu melhor.


                   Bloco 3 – Formação que receberá

           Questão 8
           Quando assumiu a função de professor
           coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia      Sim
           que    seria   formador     de     professores
           coordenadores?

           Sim, pois, que sentido tem o Pcop se ele não for
           um formador que procura dar o melhor de si, para
           que todos cheguemos, passo a passo, ao ponto       Sim
           desejado?

           Questão 9
           Você está recebendo formação para ser professor
           coordenador da Oficina Pedagógica?

           Sim, através dos órgãos centrais (SEE / CENP –
           FDE).


           Questão 10
           Quais os benefícios esses cursos lhe trouxeram?
102



Selma G.        Enriqueceram e qualificaram o meu trabalho            Enriquecimento profissional e
Pimenta         como Pcop, dando-me um bom embasamento.               pessoal
                Consequentemente, estou colhendo frutos
                pessoalmente e enquanto formador.

                Questão11
                Você acredita que os cursos de formação               Proveitoso
                continuada para formadores são bons?

                Sim. Até o momento, todos têm sido muito
                proveitosos.


                Questão 12
                Que saberes considera importantes para ser
Maurice         formador de professores coordenadores?
Tardif                                                                Saberes e fazeres
                É importante para o formador saber trabalhar em
                grupo e ter um bom conhecimento, ter claro o seu      Trabalho em grupo, bom
                papel.                                                conhecimento teórico dos
                É importante que ele tenha a sua base teórica         conteúdos,
Selma Garrido   bem formulada: construtivismo em sala de aula,
                estratégias de leitura, a psicogênese da escrita, a
                proposta curricular do ciclo I, a escola de nove
                anos, necessidades educacionais, boas situações
                de aprendizagem, boas intervenções, rotina de
                trabalho, material do ler e escrever, sondagem –
                o que é, qual a sua importância, como se faz,
                hipóteses de escrita...


                     Bloco 4 – Experiência com coordenação

                Questão13
                Como foram suas primeiras experiências como
                formador?

                Prazerosa, pois gosto do que faço, me dedico e
 Ecleide        demonstro paixão pelo que faço. Apesar do             Prazerosa , significativa
Furlanetto      friozinho na barriga, para mim a experiência foi
                particularmente significativa e continua sendo, na
                formação do Pic.

                Questão 14
                Em que se apoiou para organizar os primeiros
                encontros de formador que conduziu?
                                                                      Recursos materiais oferecidos
Clermont        Material da Cenp, material do ler e escrever,         pela Secretaria de Educação
Gauthier        expectativas de aprendizagem, vídeos diversos         entre outros
                etc.


                Questão 15
                As pautas que desenvolveu com os professores          Mesmo formato/organização do
                coordenadores têm muita semelhança com as de          tempo
                seus formadores? Justifique.
                Sim. Seguem o mesmo formato (leitura pelo
Gilles Ferry    formador, objetivos do encontro etc.) – por conta
                de uma rotina de trabalho e gestão de
                tempo/conteúdos.
103



                 Questão 16
                 Qual sua satisfação enquanto formador, e quais
                 as principais dificuldades?

Maurice          A satisfação enquanto formador é que os              Crescimento profissional dos
Tardif           resultados, o crescimento do grupo, os esforços      formadores
                 coletivos, colher bons resultados – é saborearmos
Selma Garrido    os frutos dos resultados obtidos e saber que há      Esforço coletivo
                 mais trabalho, pois como diz a Professora Telma
Antonio          Weisz: “alcançou a fama (os resultados), não
Nóvoa            deita na cama”.
                 Principais dificuldades: a mudança constante de      Rotativide dos formadores
                 pcs. Dificulta o trabalho.




                                            Professor 3

Teoria          Respostas dos Professores Coordenadores das
                Oficinas Pedagógicas

                     Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor
                                     coordenador


                Questão 1
                O que o levou ser professor?
                                                                            Identificação com
Ecleide         Foi a partir do modelo de professora da 4ª série, Leda      professora da infância
Furlanetto      Maria Braga. Eu a admirava muito, ela nos fazia ter
                prazer em estudar. Suas aulas eram fantásticas.
                Participávamos de situações de leitura e escrita dentro
                de um contexto real. Tive o prazer de reencontrá-la nos
                três últimos anos do Magistério, ela foi nossa professora
                de Língua Portuguesa e continuou maravilhosa, como
                sempre.

                Questão 2
                O que o motivou ser professor coordenador da Oficina
                Pedagógica?
                                                                            Reconhecimento
Selma G.        Foi O convite de uma minha amiga que acreditou em           profissional/convite
Pimenta         meu            trabalho          como            PR
                (professora coordenadora). Eu participava das
                formações que ela realizava para professores de
                Recuperação de Ciclo I. Primeiramente me convidou
                para ser formadora de um programa de FO formação
                para professores alfabetizadores e em seguida para
                compor o quadro da Oficina pE Pedagógica Leste 3, na
                equipe de Ciclo I, pois uma das PCPCOPs estava
                cessando sua DEdesignação por motivo de licença
                gestante.


                Questão 3
                Sua atuação como professor influenciou sua atuação
104



Christine   como formador? De que forma?                                Contribuindo na
Josso                                                                   formação de outros
            Sim. Parti do pressuposto que o trabalho realizado          Concepção de Ensino
            como professora estava de acordo com as ideias de           (teoria e prática)
            alfabetização    que      realmente    favoreciam     a
            aprendizagem significativa dos alunos. Nesta ocasião
            me candidatei à função de Professora Coordenadora
            para poder contribuir na formação dos alunos, junto aos
            professores.



               Bloco 2 – Qual o papel do Professor Coordenador


            Questão 4
Clermont    Quais são as principais atribuições de um PCOP?             Saberes do Ofício
Gauthier
            Acompanhar e avaliar o ensino e o processo de
            aprendizagem, bem como os resultados do
            desempenho dos alunos;

            Atuar no sentido de tornar as ações de coordenação
            pedagógica espaço coletivo de construção permanente
            da prática docente;

            Assumir o trabalho de formação continuada, a partir do
            diagnóstico dos saberes dos professores para garantir
            situações de estudo e de reflexão sobre a prática
            pedagógica, estimulando os professores a investirem
            em seu desenvolvimento profissional;

            Assegurar a participação ativa de todos os professores
            do segmento/nível objeto da coordenação, garantindo a
            realização de um trabalho produtivo e integrador;           Sim

            Organizar e selecionar materiais adequados            às
            diferentes situações de ensino e de aprendizagem;

            Conhecer os recentes referenciais teóricos relativos aos
            processos de ensino e aprendizagem, para orientar os
            professores;

            Divulgar práticas inovadoras, incentivando o uso dos
            recursos tecnológicos disponíveis.

            Questão 5
            Você se considera um formador de formador?

            Sim.

            Questão 6
            O que define a identidade de um formador de formador?



            Aquele que promove a formação de modo que                   Articulação da teoria e
            estabeleça relação entre teoria e prática e que realiza o   prática e concepção do
Selma G.    trabalho com convicção das concepções que favoreçam         que acredita
Pimenta     a aprendizagem significativa de seu grupo.
105



               Questão 7
               O que considera prioritário a um bom formador?
                                                                           Autonomia,valorização e
               Saber dar autonomia ao grupo, valorizar as                 intervenção que
Paulo Freire   aprendizagens, intervir quando necessário.                 proporciona

                          Bloco 3 – Formação que receberá

               Questão 8
               Quando você assumiu a função de professor                  Sim
               coordenador da Oficina Pedagógica você sabia que
               seria formador de professores coordenadores?

               Sim. Foi deixado bem claro na entrevista que seria
               formadora de professores coordenadores, como
               também de professores de Ciclo I, que atuavam na
               Recuperação Paralela e os que atuavam com Educação
               Especial.
                                                                          Sim


               Questão 9
               Você está recebendo formação para ser professor
               coordenador da Oficina Pedagógica?

               Sim. Temos a formação quinzenal com a equipe central
               da SEE/FDE, que vem à Diretoria de Ensino discutir
               sobre as práticas de leitura e escrita, questões
               metodológicas...
               Mensalmente temos um encontro com a equipe
               SEE/CENP que discute assuntos referentes à produção
               de texto e didática da Matemática.

               Questão 10
               Que os benefícios esses cursos trouxeram para você?
                                                                          Apropriação das
               Pude me apropriar dos subsídios teóricos e práticos,       estratégias e dos
Clermont       bem como referente às estratégias                          subsídios teóricos e
Gauthier                                                                  práticos
               de formação.

               Questão11
               Você acredita que os cursos de formação continuada
               para formadores são bons?

               Sim, são bons. Porém, falta aprimorar um pouco mais        Necessidade de
Délia Lerner   as questões metodológicas.                                 aprimoramento das
                                                                          questões metodológicas
               Questão 12
               Que saberes considera importantes para ser formador
               de professores coordenadores?
                                                                          Domínio das questões
Selma          Acredito que seja importante o domínio das questões        práticas e
Garrido        referentes à teoria e prática, da didática de formação e   teóricas/didática da
               estratégias formativas para que os professores             formação/estratégias
               coordenadores se coloquem e assuma o papel de              formativas
               formador.

                       Bloco 4 – Experiência com coordenação
106



                Questão13
                Como foram      suas    primeiras   experiências   como
                formador?
Antonio                                                                      Contribuição no ensino
Nóvoa           Foram gratificantes, pois pude contribuir para a melhoria
                da qualidade de ensino.

                Questão 14
                Em que se apoiou para organizar os primeiros
Selma           encontros de formador que conduziu?                          Referenciais teóricos
Garrido                                                                      variados
                Apoiei-me em referenciais teóricos como PCNs,
                material de formação para professores alfabetizadores
                (MEC), teóricos como: Emilia Ferreiro, Délia Lerner,
                Constance Kamii, Isabel Solé, entre outros.

                Questão 15
                As pautas que desenvolveu com os professores
                coordenadores têm muita semelhança com as de seus
                formadores? Justifique.

                Utilizo-as como referencial, porém adapto à realidade
                do grupo.                                                    Referencia/adequação à
                                                                             realidade do grupo
                Questão 16
                Qual sua satisfação enquanto formador e quais as
                principais dificuldades?

Selma           Saliento que é gratificante saber que o trabalho está
Garrido         sendo desenvolvido de forma que favoreça a                   Favorecer a
                aprendizagem de todos. O acúmulo de sabedoria nos            aprendizagem de
                engrandece.                                                  todos/Conhecimento

Gilles Ferry    Uma dificuldade é o pouco tempo para o estudo próprio.       Pouco tempo para estudo



                                            Professor 4

Teoria              Respostas dos Professores Coordenadores das
                    Oficinas Pedagógicas

                      Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor
                           coordenador da oficina pedagógica

                    Questão 1
                    O que o levou ser professor?
Almeida S. F. C.
Selma G.Pimenta     O desejo de meus pais e depois a paixão.                Intervenção familiar/paixão

                    Questão 2
                    O que o motivou ser professor coordenador da
                    Oficina Pedagógica?

Antonio Nóvoa       O convite de uma amiga e a insatisfação com a           Reconhecimento
                    função que estava exercendo – não gosto de              profissional/ convite/
                    cuidar de papéis e ter que ser durona com as            insatisfação em função
                    crianças, é isso que os professores pedem a um          administrativa/
                    vice-diretor de escola.
107



                 Questão 3
                 Sua atuação como professor influenciou sua
                 atuação como formador? De que forma?

                 Sim. Ter atuado em sala de aula me deu
                 condições para discutir, refletir sobre práticas e
Antonio Nóvoa    situações didáticas com mais propriedade, já que     Refletir sobre a prática
                 foram vivenciadas por mim no cotidiano da sala de
                 aula. A experiência enquanto docente, nessa
                 busca constante por diferentes formas de
                 trabalhar, considerando trabalhos e projetos
                 diferenciados para atender à heterogeneidade,
                 olhando seus alunos e trabalhando a partir de
                 seus conhecimentos prévios.

                 Bloco 2 – Qual o papel do Professor Coordenador


                 Questão 4
                 Quais são as principais atribuições de um PCOP?      Conscientizar coordenador
Maurice Tardif                                                        sobre a importância de
                 Convencer p PC a revisitar sua prática e             estudar e
                 estudando para que ele convença os professores.      consequentemente o
                                                                      professor
                 Questão 5
                 Você se considera um formador de formador?

Maurice Tardif   Sim. Se não por completo na função pública, a
                 privada me permite ser.                              sim


                 Questão 6
                 O que define a identidade de um formador de
                 formador?                                            Aprender e ensinar
Selma Garrido
                 Suscitar o desejo de aprender sempre mais com o
                 objetivo de consolidar a profissão. Não ser o dono
                 da verdade, olhar para quem está sendo formado
                 como alguém que tem com o que contribuir.

                 Questão 7
                 O que considera prioritário a um bom formador?

Maurice Tardif   Estar bem formado, capacitado, saber enfrentar        Ter Conhecimento / visão
                 desafios, ter visão prospectiva continuar            prospectiva/
                 acreditando no que faz. Olhar para o outro como      reconhecimento
                 um profissional que está em busca de mais            profissional
                 conhecimento e não como alguém que não tem
                 conhecimento.


                          Bloco 3 – Formação que recebe

                 Questão 8
                 Quando assumiu a função de professor
                 coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia
                 que    seria   formador     de     professores       Sim
                 coordenadores?
108



                  Sim. Fui informada de minhas atribuições e fiquei
                  muito         empolgada        com          isso.

                  Questão 9
                  Você está recebendo formação para ser professor
                  coordenador da Oficina Pedagógica?

Selma Garrido     Sim, recebo informações e as busco por conta.        Recebimento de
                                                                       informações e busca de
                  Questão 10                                           formação
                  Que benefícios esses cursos trouxeram para
                  você?
Nóvoa
                  Mais segurança para desempenhar minha função.        Melhoria no desempenho
                                                                       da função
                  Questão11
                  Você acredita que os cursos de formação
                  continuada para formadores são bons?

                  Todos os cursos são bons. Devemos sempre
Selma G.Pimenta   aprender, por mais que já tenhamos lido ou           Novos aprendizados
                  estudado um texto, sempre aparece algo novo
                  para se pensar. A vida é dinâmica.

                  Questão 12
                  Que saberes considera importantes para ser
                  formador de professores coordenadores?
Christine Josso
                  Ser humilde e mostrar aos coordenadores que          Humildade/planejamento
                  estamos construindo juntos a capacitação dos         compartilhado
                  professores. Eles também sabem muito e podem
                  compartilhar.

                       Bloco 4 – Experiência com coordenação
                  Questão13
                  Como foram suas primeiras experiências como
                  formador?

Selma Garrido     No início houve insegurança, normal em qualquer
                  nova atribuição. Depois fui me apropriando de meu    Insegurança/apropriação
                  espaço, e tudo bem.

                  Questão 14
                  Em que se apoiou para organizar os primeiros
                  encontros de formador que conduziu?

Selma Garrido     Em muita leitura, após os encontros com              Estudo
                  formadores.

                  Questão 15
                  As pautas que desenvolveu com os professores
                  coordenadores têm muita semelhança com as de
                  seus formadores? Justifique.
                  Sim. Estamos desenvolvendo um programa dentro
                  de uma rede de ensino. Portanto, devemos
Clermont          partilhar o que foi nos solicitado embora, algumas   Replicação/Adequação
Gauthier          vezes, minha experiência anterior faça com que
                  modifique algumas atividades que nos
                  apresentam.
109



                  Questão 16
                  Qual sua satisfação enquanto formador e quais as
                  principais dificuldades?
                  Saber que estou tentando auxiliar quem está           Propiciar conhecimento/
Selma Garrido     buscando conhecimento. Porém, quando ouço o           indisposição à
                  discurso do “sou formado, sei tudo” fico frustrada.   aprendizagem



                                          Professor 5

Teoria           Respostas dos Professores
                 Coordenadores das Oficinas
                 Pedagógicas

                   Bloco 1 – Perspectiva para se tornar
                         professor coordenador


                 Questão 1
                 O que o levou ser professor?

Paulo Freire     Vocação. Desde pequena gostava de ler,      Vocação
                 estudar e explicar diversos assuntos aos
                 colegas, amigos...

                 Questão 2
                 O que o motivou ser professor
                 coordenador da Oficina Pedagógica?

Selma G.         A possibilidade de auxiliar outros
Pimenta          profissionais da educação que não           Possibilitar conhecimentos
                 tinham muitos conhecimentos
                 construídos sobre a Língua Portuguesa.

                 Questão 3
                 Sua atuação como professora influenciou
                 sua atuação como formador? De que
                 forma?

                 Sem dúvida, nossa atuação é a soma de
Maurice Tardif   nossas vivências enquanto aluno e da        Soma de conhecimentos adquiridos
                 formação inicial e contínua.


                   Bloco 2 – Qual o papel do Professor
                              Coordenador


                 Questão 4
                 Quais são as principais atribuições de
                 um PCOP?

                 Podemos destacar as atribuições de um
                 PCOP no campo pedagógico, auxiliando
                 os PCs em seus trabalhos com os
Clermont         professores, por meio de orientações        Formação /
Gauthier         técnicas, acompanhamento às escolas.        Acompanhamento/Fazeres
                 No campo institucional, acompanhando
                 distribuição de materiais pedagógicos,
110



                 pagamento de transporte...

                 Questão 5
                 Você se considera um formador de
                 formador?                                 Sim
                 Sim.

                 Questão 6
                 O que define a identidade de um
                 formador de formador?

                 A capacidade de perceber, de captar as
                 necessidades e carências comentadas
                 acima, colocando-as como objetivos
                 primeiro de sua formação. É uma
Selma Garrido    avaliador consciente.                     Avaliador consciente

                 Questão 7
                 O que considera prioritário a um bom
                 formador?

Selma Garrido    Saber avaliar, eleger prioridades e ter   Saber avaliar/eleger prioridade/definir
                 objetivos bem definidos.                  objetivos


                    Bloco 3 – Formação que receberá

                 Questão 8
                 Quando assumiu a função de professor
                 coordenador da Oficina Pedagógica,
                 você sabia que seria formador de          Sim
                 professores coordenadores?

                 Sim, estava perfeitamente ciente disto.

                 Questão 9                                 Sim
                 Você está recebendo formação para ser
                 professor coordenador da Oficina
                 Pedagógica?

                 Desde que assumi como PCOP tive
                 formação e acompanhamento constante.

                 Questão 10
                 Que benefícios esses cursos trouxeram
                 para você?

                 Direcionavam as orientações técnicas,
                 ajudavam a eleger o foco da formação.     Direcionamento , foco e segurança
Nóvoa            Contribuíam para que nos sentíssemos      para exercer a função
                 mais seguros e menos afastados de um
                 contexto maior.

                 Questão11
                 Você acredita que os cursos de
                 formação continuada para formadores
                 são bons?

Maurice Tardif   Muitas vezes sinto uma certa
                 superficialidade no tratamento de         Muitas vezes superficialidade no
111



                 conteúdos, que às vezes são                 tratamento dos conteúdos
                 considerados como não prioritários.

                 Questão 12
                 Que saberes considera importantes para
                 ser formador de professores
                 coordenadores?

                 Não temos como excluir nenhum tipo de
                 saber, na sociedade em que vivemos.
Maurice Tardif   Conhecer minimamente os conteúdos           Conteúdos
                 atitudinais, conceituais e procedimentais   atitudinais/procedimentais/conceituais


                 Bloco 4 – Experiência com coordenação

                 Questão13
                 Como foram suas primeiras experiências
                 como formador (a)?
Selma Pimenta
Garrido          Muito gratificantes, ainda que me
                 sentisse um tanto quanto insegura, pois     Gratificante/Insegurança
                 não tinha ideia da receptividade dos
                 PCs.

                 Questão 14
                 Em que se apoiou para organizar os
                 primeiros encontros de formador que
                 conduziu?

Selma Pimenta    Nos livros e textos que vinha estudando
Garrido          na Faculdade para a realização do           Estudos diversos
                 Mestrado e em outros cursos dos quais
                 havia participado como formadora (PEC,
                 Teia do Saber...).

                 Questão 15
                 As pautas que desenvolveu com os
                 professores coordenadores têm muita
                 semelhança    com       as de seus
                 formadores? Justifique.

Nóvoa            Com certeza são bem similares. Via          Similares
                 naquelas pautas uma forma para
                 organizar meu trabalho.


                 Questão 16
                 Qual sua satisfação enquanto formador e
                 quais as principais dificuldades?

Selma Garrido    Satisfações: perceber que houve uma         Mudança na postura
                 mudança na postura daquele formador         Contribuição
                 mais resistente; auxiliar um formador em    Indisponibilidade para o aprender
                 uma necessidade patente e que era
                 considerada intransponível, entre outras.
                 Dificuldades: lidar com formadores que
                 acham que sabem tudo; levar os
                 formadores a perceber que a formação é
                 um ato contínuo que não se encerra com
112



uma orientação técnica (formar
pesquisadores autônomos, capazes de
continuar aprendendo).

Dissertacao soraia statonato_mestrado_educacao

  • 1.
    SORAIA CALDERONI STATONATO AFORMAÇÃO DOS FORMADORES: UMA ANÁLISE DO PROCESSO FORMATIVO UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO SÃO PAULO 2010
  • 2.
    2 SORAIA CALDERONI STATONATO A FORMAÇÃO DOS FORMADORES: UMA ANÁLISE DO PROCESSO FORMATIVO Dissertação apresentada à banca examinadora da Universidade Cidade de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do Título de Mestre em Educação, sob a orientação da Profª. Dr.ª Ecleide Cunico Furlanetto. UNIVERSIDADE CIDADE DE SÃO PAULO SÃO PAULO 2010
  • 3.
  • 4.
    4 Agradecimentos À Professora Doutora Ecleide Furlanetto, minha orientadora, por confiar em mim e me conceder o prazer da autoria. Agradeço pelo carinho, apoio e confiança, tão imprescindíveis. Aos Professores Doutores Julio e Bauer, por aceitarem o convite para participar da banca examinadora. Aos professores do curso de Mestrado, cujas aulas representaram muito em meu processo de formação. A meus pais Arnaldo e Dalva, que muito me ensinaram e ajudaram, contribuindo para que eu concluísse este estudo. A minha querida avó Dulce, por seu carinho e orações. A Gustavo e Giovanni, meus filhos, a quem amo tanto, pela compreensão e carinho. A meu marido Rubens, que me entendeu em tempos difíceis. Aos meus irmãos, cunhados sobrinhos pela força. A todos os parentes e amigos, com quem estive muito menos do que gostaria, nesses últimos tempos. A Márcia Feitosa, profissional competente, amiga e mestra, cuja ajuda foi fundamental para a realização desta pesquisa. Às amigas Maria José, Vasti, Marisa, Bortolotto e Joana, que muito contribuíram e que passaram a fazer parte de minha história. Às parceiras de trabalho Sonia Jorge, Elenita, Flavinha e Noemi pelo apoio e compreensão demonstrados. A Suzy, amiga querida, que me deu a oportunidade de crescer como pessoa e como profissional. A Regiane, que ajudou na pesquisa, e aos professores e coordenadores que dela participaram.
  • 5.
    5 À querida Ivoninha, que sempre acreditou em mim. A Gema, que com muita dedicação e carinho revisou o meu trabalho. A Andréa e Dirce, que me avisaram em tempo de fazer a inscrição no mestrado, e pelos momentos que passamos juntas nessa empreitada. Às gestoras do Programa Ler e Escrever, em especial à professora Telma Weisz, Iara Prado e Neide Nogueira, pela oportunidade de participar, e às formadoras, que contribuíram muito, ainda que indiretamente, com este trabalho. A Walkiria e Fabrícia, pelo incentivo e colaboração nos estudos. À CENP, por ter oferecido esta oportunidade, em especial à coordenadora Valéria, e à Secretaria de Educação, pela bolsa de estudos. A Deus, meu guia.
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    6 RESUMO Cada vez mais profissionais da educação são absorvidos pelas demandas de formação continuada de professores. Progressivamente, técnicos das secretarias de educação, diretores de escola, coordenadores das oficinas pedagógicas e professores passaram a assumir a formação de professores como uma de suas tarefas principais. O presente estudo tem como objetivo analisar o processo de formação profissional de professores coordenadores de oficinas pedagógicas (PCOP), que desenvolvem práticas de formação continuada no contexto de um programa do governo estadual de São Paulo – o Programa Ler e Escrever. A pesquisa fundamentou-se teoricamente nas contribuições dos seguintes autores: Furlanetto (2007), Tardif (2004, 2002, 1999), Pimenta (1999), Nóvoa (1992) e Ferry (2004), dentre outros. Foram sujeitos da pesquisa cinco formadores atuantes em diferentes diretorias de ensino, que exercem a função de professores coordenadores de oficinas pedagógicas. A abordagem da pesquisa foi qualitativa. A coleta de dados se deu por meio de um questionário. Os dados foram analisados com base na análise de conteúdo. Os resultados obtidos indicam que o principal motivo que conduziu os PCOPs ao exercício de sua função está vinculado ao reconhecimento profissional. No que se refere à formação propiciada pelo Programa Ler e Escrever, observa-se que por uma série de contingências sua formação consistiu em prepará- los para fazer chegar aos professores os conteúdos que receberam o que os torna multiplicadores de princípios e métodos do Programa. Ainda que os professores coordenadores das oficinas pedagógicas considerem que a formação que a SEE promove dê subsídio prático e teórico, foi possível constatar que a formação dos PCOPs é insuficiente para que eles interajam com a realidades da escolas e desenvolvam, junto aos PCs, um trabalho efetivo capaz de interferir na qualidade do trabalho pedagógico nelas desenvolvido. Palavras-chave: formação continuada: processo de formação; escola como lócus de formação; formação de formadores: Programa Ler e Escrever; Professor Coordenador de Oficina Pedagógica.
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    7 ABSTRACT Each time moreprofessional of the education is absorbed by the demands of continued formation of professors. Gradually, technician of the education secretariats, directors of school, coordinators of the pedagogical workshops and professors had started to assume the formation of professors as one of its main tasks. The present study he has as objective to analyze the process of professional formation of coordinating professors of pedagogical workshops (PCOP), that they develop practical of formation continued in the context of a program of the state government of São Paulo - the Program To read and To write. The research was based theoretically on the contributions of the following authors: Furlanetto (2007), Tardif (2004, 2002, 1999), Pepper (1999), Nóvoa (1992) and Ferry (2004), amongst others. Five operating formadores in different directions of education had been citizens of the research, that exert the function of coordinating professors of pedagogical workshops. The boarding of the research was qualitative. The collection of data if gave by means of a questionnaire. The data had been analyzed on the basis of the content analysis. The gotten results indicate that the main reason that lead the PCOPs to the exercise of its function is tied with the professional recognition. As for the formation propitiated for the Program To read and To write, are observed that for a series of contingencies its formation consisted of preparing them to make to arrive at the professors the contents that had received what it becomes them multipliers of principles and methods of the Program. Despite the coordinating professors of the pedagogical workshops consider that the formation that the SEE promotes gives practical and theoretical subsidy, was possible to evidence that the formation of the PCOPs is insufficient so that they interact with the realities of the schools and develop, next to the PCs, an effective work capable to intervene with the quality of the pedagogical work in them developed. Key-words: in-service education, teacher education process; school as the locus for in-service education; Ler e Escrever Program; Professor Coordenador de Oficina Pedagógica.
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    8 SUMÁRIO Apresentação ....................................................................................................... 18 Introdução........................................................................................................... 25 Capítulo 1 – Contexto da pesquisa: em foco o PROGRAMA LER E ESCREVER .... 30 1.1 Histórico do Programa.................................................................................... 30 1.2 Objetivos e ações do Programa ler e escrever.............................................. 32 1.3 Perfil dos diferentes atores envolvidos no Programa ler e escrever .............. 36 1.3.1 Professores do PIC ................................................................................. 36 1.3.2 Professores Coordenadores de unidades escolares (PCs)..................... 37 1.3.3 Professores Coordenadores de Oficinas Pedagógicas (PCOPs)............ 38 1.4 Abrangência do Programa Ler e Escrever em 2010 ...................................... 40 Capítulo 2 – Os caminhos da formação continuada ....................................... 42 2.1 A história da formação.................................................................................... 42 2.2 O conceito de formação ................................................................................. 43 2.3 A Formação Continuada................................................................................. 46 2.3.1 A escola como lócus da formação .......................................................... 48 2.3.2 Saberes docentes ................................................................................... 49 2.3.3 Os processos de desenvolvimento e aprendizagens dos adultos........... 54 2.4 A formação dos formadores ........................................................................... 55
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    9 Capítulo 3 –Os caminhos da pesquisa ............................................................ 57 3.1 O contexto da pesquisa.................................................................................. 57 3.1.1 Caracterização das oficinas pedagógicas das Diretorias de Ensino ....... 57 3.1.2 Caracterização do Programa Ler e Escrever .......................................... 58 3.2 A abordagem da pesquisa.............................................................................. 61 3.3 Os sujeitos da pesquisa ................................................................................. 62 3.3.1 Escolha dos participantes ....................................................................... 63 3.4 Os procedimentos de coleta de dados ........................................................... 65 3.4.1 A elaboração dos questionários .............................................................. 65 3.4.2 Aplicação dos questionários.................................................................... 66 3.4.3 A organização e a análise dos dados ..................................................... 66 Capítulo 4 – Análise dos dados: da voz dos formadores a um esboço teórico ............................................................................................................................. 68 4.1 Perspectiva para se tornar professor coordenador de oficina pedagógica..... 68 4.2 Papel do professor coordenador de oficina pedagógica ................................ 71 4.3 Formação recebida ........................................................................................ 73 4.4 Experiência com coordenação ....................................................................... 75 Considerações finais ......................................................................................... 80 Referências Bibliográficas .................................................................................... 85 Anexo 1 – Materiais do programa ler e escrever.................................................. 90 Anexo 2 – modelo do questionário ....................................................................... 92 Anexo 3 – Protocolo de análise 1......................................................................... 93 Anexo 4 – Protocolo de análise 2......................................................................... 95
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    10 LISTA DE SIGLAS CEI- Coordenadoria de Ensino do Interior CENP - Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas CEPPPE - Centro de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas de Educação COGSP - Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo DE - Diretoria de Ensino EF - Ensino Fundamental FDE - Fundação para o Desenvolvimento da Educação HTPC - Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo IDESP - Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo IE - Instituição de Ensino Superior IPE - Isto se Aprende com o Ciclo Básico MEC - Ministério da Educação MEC/SEF - Ministério da Educação/ Secretaria de Educação Fundamental NEE - Necessidades Educacionais Especiais OP - Oficina Pedagógica PC - Professor Coordenador de Escola PCOP - Professor Coordenador da Oficina Pedagógica PEC - Programa de Educação Continuada PIC - Programa Intensivo no Ciclo PROFA - Programa de Formação de Professores Alfabetizadores PROFIC - Programa de Formação Integral da Criança PUC - SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo SAEB - Sistema de Avaliação da Educação Básica SARESP - Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo SEE - Secretaria de Estado de Educação SEF - Secretaria de Educação Fundamental SEESP - Secretaria de Estado de Educação de São Paulo UE - Unidade Escolar USP - Universidade São Paulo
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    11 LISTA DE FIGURAS Figura1 – SARESP 2005 (alunos em estado de atenção). Figura 2 – Site do Programa Ler e escrever SEESP. Figura 3 – Abrangência do Programa Ler e escrever em 2010. Figura 4 – Formação Acadêmica, trajetória profissional e tempo de trabalho profissional dos Professores Coordenadores de Oficinas Pedagógicas (PCOPs).
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    18 APRESENTAÇÃO A história que antecede a elaboração desta pesquisa mostra que ela foi sendo construída no decorrer da minha trajetória pessoal e profissional. Refletir sobre os diferentes aspectos envolvidos nesta produção tem sido, às vezes, um exercício difícil e solitário, porém possível e envolvente. A produção de conhecimento é mesmo assim: envolvente. Desde criança, nutri o desejo de ser professora. Minhas brincadeiras prediletas eram escrever na lousa, dar aula para as bonecas, escrever cartas para a família e poesias, ler livros que emprestava dos amigos e da biblioteca, escrever no caderno de receitas da minha mãe e ouvir histórias e “causos”. Desde os cinco anos de idade, quando minha avó foi morar em nossa casa, nos reuníamos para ouvir os tais “causos”, principalmente quando uma das tias vinha do interior. Era fantástico. Aos sete anos, fui pela primeira vez à escola, e acredito que foi uma das maiores alegrias da minha vida. Durante o período de escolarização me identifiquei com muitos professores. Amava os bravos e os bonzinhos, e queria mesmo era estar na escola. Entre todos os meus mestres, uma professora marcou-me especialmente: Dona Ana, mulher brava e autoritária que, certa vez, deu-me uma "reguada" na mão, pois me julgava muito falante. Porém, ela me ensinou muitas coisas e parecia nutrir por mim alguma admiração já que, no final do ano, presenteou-me com um livro e uma dedicatória que guardo até hoje. No final do ensino fundamental, uma professora de matemática me ajudou muito, pois convenceu minha mãe de que eu deveria continuar estudando. Na época, mulher não precisava estudar muito, porque ia se casar. Mas com a ajuda dessa professora, que se chamava Rita, e de minha mãe, que fez minha matrícula, pude fazer o magistério que tanto queria. Em função disso, recém-formada no magistério, passei a contribuir com a alfabetização de crianças que não tinham podido ingressar na pré-escola. Em 1987, entrei na equipe do projeto Antecipação de Escolaridade, que tinha como objetivo atender a essas crianças. A fim de trabalhar com esses alunos, fiz um curso de extensão de 30 horas, promovido no final do ano de 1986, na cidade de São Paulo, sob a responsabilidade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP) e da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo.
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    19 Essa formação foi significativa para o início de minha carreira como docente. A metodologia adotada, baseada em novas concepções de ensino e aprendizagem, diferenciava-se de tudo o que havia aprendido no curso de magistério. O principal objetivo era desenvolver uma proposta de alfabetização voltada para os usos, funções e valores sociais da língua, propiciando às crianças compreender que a escrita se constituía na e pela interação entre os indivíduos, por meio do desenvolvimento de situações didáticas, em que as crianças produziam seus próprios textos. Duas situações marcaram muito essa época. A primeira ocorreu numa escola em que uma de minhas atribuições era possibilitar às crianças oportunidades para escrever. Em função disso, propus uma tarefa para ser desenvolvida em casa. No dia seguinte, uma das alunas trouxe a atividade pronta numa folha engordurada e amassada. Pedi a ela que me entregasse o texto no outro dia, em ordem. A aluna foi sentar-se e acompanhei-a com os olhos. Naquele momento, aprendi minha primeira lição como professora: a menina virou-se para trás e pediu a uma colega que emprestasse o ferro de passar roupas, porque iria passar a folha da atividade para me entregar. Aquela atitude me fez repensar muita coisa, não só como professora, mas também como pessoa. A segunda situação ocorreu com um aluno cujo apelido era Francisquinho. Ele tinha muita dificuldade para escrever em cima das linhas. Por diversas vezes, tentei explicar-lhe que não era correto escrever de outra forma, mas não obtive resultado. Estávamos escrevendo um texto sobre as formigas, quando uma aluna foi à sua carteira e falou-lhe que ele deveria escrever “em riba da linha”. Foi a última vez que o Francisquinho escreveu daquele jeito. Os conteúdos atitudinais foram imprescindíveis para auxiliar o trabalho naquela sala de aula. Trabalhei nesse projeto durante um mês, e acredito que aprendi muito mais do que ensinei. Devo a essa experiência boa parte do meu ser profissional e pessoal. Foi um momento muito importante na minha constituição como professora. De acordo com Josso (2002, p.42), à escala de uma vida, o processo de formação dá-se a conhecer por meio dos desafios e apostas nascidos da dialética entre a condição individual e a condição coletiva. Em fevereiro de 1987, o diretor da escola em que trabalhei durante o mês de janeiro convidou-me para dar aulas de Matemática no Programa de Formação Integral da Criança – PROFIC. Os alunos ficavam na escola em período integral e
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    20 tinham oficinas deArte, Educação Física, Língua Portuguesa e Matemática. Foi a primeira vez que trabalhei com a disciplina de Matemática e achei muito difícil, pois não tínhamos nenhuma orientação específica. Tentava usar todos os meus conhecimentos para ensiná-los, mas acreditava que os alunos precisavam de materiais concretos para aprender. Hoje, sei que os materiais não são os responsáveis pela aprendizagem dos alunos. Foi neste período que a escola ofereceu um curso aos sábados, chamado Projeto Ipê – Isto se aprende com o Ciclo Básico. Era o início das formações com a concepção construtivista de ensino. Identifiquei-me com a nova proposta, com o empenho da equipe em fazer dar certo e, principalmente, com o compromisso em ajudar as crianças a aprender melhor. Foi um período muito rico em aprendizagem. No ano de 1988, com a inauguração de uma nova escola estadual, assumi uma classe de alfabetização. Apesar de já ter vivenciado mais de um ano em sala de aula, aquela experiência foi a mais difícil. A responsabilidade em alfabetizá-los seria minha, e não dividida com outro professor. Minha primeira reação foi achar que “não tinha nascido para ser professora”. Pensei em desistir, mas lembrava-me da dificuldade que tinha tido inicialmente no PROFIC, e de sua posterior superação. Tinha claro que venceria os obstáculos se investisse na minha formação, e foi o que fiz. Em 1992 e 1993, participei de encontros de Formação do Programa Alfabetização: Teoria e Prática. Esse curso me estimulou a ler. Concordava com muitas das informações recebidas, outras me conduziam a importantes reflexões sobre a prática pedagógica e me estimulavam a conhecer de forma mais aprofundada as questões relativas à teoria e à prática no processo de alfabetização. Em função disso, estudava com afinco os textos indicados pela formadora. Quanto mais lia, maiores eram os conflitos. Comecei a perceber a necessidade de compartilhar o que tinha entendido com outras pessoas, mas este espaço não existia, não encontrava respaldo nem na escola e nem na própria formação. Para mim, esse era o maior problema. Procurava aplicar os conhecimentos adquiridos e a única forma de avaliar o processo era acompanhando, de forma reflexiva, os resultados obtidos com as crianças. Comentava com as colegas, no recreio, o que tinha feito, e a única coisa que ouvia eram pedidos para que lhes repassasse as atividades. Mesmo assim, jamais voltei a pensar em desistir.
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    21 Em 1996, a diretora da escola em que trabalhava convidou-me para dar aula nas Classes de Aceleração. O objetivo desse Projeto era recuperar a trajetória dos alunos em situação de defasagem série/idade. Creio que fui escolhida porque, no ano anterior, havia ministrado aulas em uma classe de segunda série com alunos de 8 a 11 anos, em que a diferença de idade não tinha sido empecilho para desenvolver meu trabalho. Apesar dos desafios, aceitei o convite e passei a participar das formações oferecidas pela Diretoria de Ensino. Os encontros eram quinzenais e, no último dia, no mês de dezembro, comentei com uma amiga que, se estivesse no lugar da formadora, faria muitas coisas diferentes. A formadora não propiciava momentos de relatos do que fazíamos, e isso era do que mais sentia falta. Contudo, os resultados alcançados com os alunos foram positivos. No ano seguinte, assumi novamente uma sala de alunos do projeto Classes de Aceleração. Antes do início das aulas, recebi um telefonema da Delegacia de Ensino, interrogando-me a respeito dos avanços dos alunos e solicitando que fosse à Delegacia para conversar. Depois de longa “sabatina”, convidaram-me para dar formação aos professores das classes de aceleração. Aceitei sem ter a menor ideia do que viria pela frente e, ao longo de dez anos, permaneci na função de Assistente Técnico Pedagógico, que tinha como uma de suas principais atribuições a formação de professores. Dessa forma, passei a acompanhar inúmeros projetos e programas voltados a capacitar professores do Ensino Fundamental do ciclo I, a saber: Projeto Classes de Aceleração, Conhecimento Físico no Nível Fundamental, Programa Letra e Vida, entre outros. Assim, de 2000 a 2002, participei do Projeto Conhecimento Físico no Nível Fundamental. O projeto era uma parceria da Secretaria Estadual de Educação com a Universidade de São Paulo (USP) e tinha como interesse melhorar tanto a formação dos professores, como o próprio ensino de ciências nas séries iniciais, por meio da capacitação dos Assistentes Técnicos Pedagógicos, que atuavam nas Diretorias Regionais de Ensino em ações de formação dos professores do ensino fundamental do ciclo I (1ª a 4ª série). Foi o primeiro momento de reflexão abordando principalmente a problemática da formação continuada dos(as) professores(as). Em 2004, atuei como coordenadora geral e formadora do Programa Letra e Vida (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores). Comecei, dessa forma, a perceber que a coordenação trazia grandes desafios. Um deles era convidar professores coordenadores das escolas para participarem gratuitamente
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    22 como formadores dosprofessores alfabetizadores das escolas estaduais da região - para desenvolverem esta função recebiam formação baseada nos guias de formação organizados pelo MEC, composto por pautas prontas com passo a passo das aulas que teriam que aplicar com os professores cursistas. O segundo desafio era coordenar o estudo das formadoras que aceitaram participar deste Programa. Outro era apresentar o Programa para os professores alfabetizadores interessados, de forma que o compreendessem e aderissem a ele. Uma das atividades propostas, no primeiro encontro, era a produção de um texto em forma de memórias, constituindo um pano de fundo incentivador para o início das atividades. A continuidade destes participantes, no Programa, dependia muito da forma como o curso era encaminhado pelas formadoras. Alguns participantes desistiam, pois não viam relação entre o Programa e suas experiências. Esse foi um momento "divisor de águas na minha vida". Percebi, como coordenadora, que precisava criar condições para que as formadoras compreendessem a proposta do Programa e revissem algumas questões formativas. Para isso, analisávamos, revíamos e reformulávamos as pautas do guia de orientações metodológicas do formador. Desse modo, acreditávamos que a proposta atendia à demanda dos cursistas. Ser formadora também era desafiador, pois implicava colocar em prática tudo o que combinávamos no momento dos estudos. O empenho e a dedicação de alguns professores que estavam na rede há muito tempo chamaram-me especialmente a atenção. Minha turma era constituída de professores efetivos, com muitos anos de magistério. Inicialmente, alguns participavam das formações porque receberiam certificado que auxiliava no aumento do salário. Posteriormente, começaram a gostar. Duas professoras se aposentaram naquele ano, mas continuaram fazendo o curso. Diziam-se felizes por voltar ao banco escolar. Ao término de cada encontro, avaliávamos o dia e muitos professores agradeciam pela oportunidade de repensarem o papel deles como professores. A meu ver, os encontros de formação tinham um saldo positivo, visto que eram elaborados e organizados com as melhores intenções por parte dos formadores do curso. Com o evidente interesse e dedicação dos cursistas durante o período de formação, o curso parecia atender às necessidades dos profissionais que dele participavam. Entretanto, quando visitávamos as escolas, percebíamos professores descontentes devido às dificuldades de colocar em prática o que tinham estudado. Apesar de todo o empenho e dedicação dos formadores e dos cursistas,
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    23 pensando em termosgerais, não percebíamos mudanças significativas nas práticas escolares, salvo raras exceções. De acordo com Azanha, [...] a questão da qualidade do ensino é, pois, uma questão institucional. São as escolas que precisam ser melhoradas. Sem este esforço institucional, o aperfeiçoamento isolado docente não garante que essa eventual melhoria do professor encontre na prática as condições propícias para uma melhoria do ensino (1990, p. 52). No ano de 2007, passei a exercer a função de Técnico de Ensino – Ciclo I, na Coordenadoria do Centro de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. Ao integrar o quadro da CENP, aproximei-me dos responsáveis pela implementação e avaliação dos programas de formação destinados a professores em serviço, com envolvimento direto nas ações formativas, agora em larga escala. Fui convidada a participar do grupo de estudos de alfabetização coordenado pela professora Dra. Telma Weisz, doutora em Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo e coordenadora do curso de especialização em alfabetização (pós-graduação Lato Sensu) do Instituto Superior de Educação Vera Cruz. Assim, motivada pela perspectiva de crescimento profissional, iniciei minha participação nesse grupo. Participávamos semanalmente de discussões relativas aos conteúdos e às orientações didáticas que fariam parte de um documento intitulado “Expectativas de aprendizagem”. Após a elaboração do documento, as formadoras da equipe da Profa. Dra. Telma Weisz, que também compunham esse grupo, iniciaram o planejamento dos encontros, cujo principal objetivo era subsidiar a formação dos coordenadores das escolas do Ensino Fundamental I e do denominado trio gestor: Assistentes Técnicos Pedagógicos, Diretores e Supervisores da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo. Começaram, então, a surgir questões em torno da condução do planejamento dos encontros de formação de coordenadores e gestores. Dentre as diversas perguntas levantadas, as que suscitaram mais inquietação, no capacitar formadores, foram: Como contribuir para a formação de formadores? O que precisamos garantir nos encontros de formação? Que conteúdos priorizar e como articular os conhecimentos pedagógicos e metodológicos à concepção de ensino e de aprendizagem que se pretendia assumir?
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    24 Essas questões, que norteavam os encontros, indicavam a necessidade de estudos que buscassem avaliar os conhecimentos indispensáveis ao processo de formação continuada de formadores. Nesse sentido, estimulada pela possibilidade de melhor entender as questões concernentes aos aspectos formativos, ingressei no curso de Mestrado em Educação da Universidade Cidade de São Paulo, já que o tema referente à formação de professores tem sido objeto de estudo em diversas pesquisas.
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    25 INTRODUÇÃO Para Platão, a "luz" seria, no mundo dos sentidos, a verdade, o bem e o belo, já que ela transcende os limites do físico. Segundo ele, se vemos a luz, também a pensamos. Uma expressão utilizada por René Huyghe (1986) sobre a definição de Platão é que “a luz pode permitir aos olhos do espírito ver aquilo que escapa aos olhos do corpo.” Essa simbologia me veio à mente enquanto pensava sobre a complexidade do cotidiano e sobre a tendência de buscar sempre a iluminação, que nos impinge a construir e delimitar objetos de estudo na pesquisa acadêmica. Azanha (1990, p. 24) teceu algumas considerações, em sua tese de livre docência, intitulada “Uma ideia de pesquisa educacional”. O autor censura um estilo de pesquisa educacional que caracteriza como [...] uma variedade do que se poderia chamar de “abstracionismo pedagógico”, entendendo-se a expressão como indicativa da veleidade de descrever, explicar ou compreender situações educacionais reais, desconsiderando as determinações específicas de sua concretude¸ para ater-se apenas a “princípios” ou “leis” gerais que na sua abrangência abstrata seriam, aparentemente, suficientes para dar conta das situações focalizadas. O autor sugere, então, que “princípios” ou “leis” gerais não dão conta de explicar o que, de fato, ocorre em situações concretas de ensino e de aprendizagem, cabendo ao pesquisador focalizar o seu olhar, apresentando "o belo que transcende os limites do físico" ou que faça "ver aos olhos do espírito aquilo que escapa aos olhos do corpo”. Conforme discutimos na apresentação deste trabalho, o contexto gerador da pesquisa foi minha trajetória educacional ao longo da vida profissional, nos programas de formação continuada e nas contingências do trabalho pedagógico cotidiano vivenciadas, inicialmente, em uma escola estadual, onde atuei como professora de uma turma de crianças de sete anos que nunca tinham frequentado os bancos escolares. O período de atuação, nessa escola, compreende o ano de 1987. De 1988 a 1987, lecionei em classes regulares do ensino fundamental do ciclo I (1ª a 4ª séries), na mesma rede de ensino. De março de 1997 a fevereiro de 2007, trabalhei na Oficina Pedagógica da Diretoria de Ensino Leste 3, desta vez como Assistente Técnico Pedagógico. Desde março de 2007, atuo na Secretaria Estadual de Educação como formadora de professores coordenadores de oficinas
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    26 pedagógicas (PCOP) esupervisores de ensino, no âmbito do programa formativo LER E ESCREVER, direcionado às questões da alfabetização. Diversos fragmentos de relatórios reflexivos elaborados por formadores de professores que trabalharam nos programas Parâmetros em Ação e PROFA ( Programa de Formação de Professores Alfabetizadores) foram publicados em um documento que nos dá mostras dos desafios por eles enfrentados nesse processo de formação de formadores: [...] que os alunos têm saberes diferentes já é bem sabido por nós formadores. A novidade parece, então, residir no deslocamento do sujeito- professor para o sujeito-formador de formadores: como é formar na diversidade? Como é conceber a diversidade de saberes dos futuros formadores como uma das principais variáveis da organização e condução da pauta? Quais saberes precisamos desenvolver para desvelar as teorias que guiam a prática dos educadores e, assim, criarmos referenciais que desencadeiem as discussões necessárias e formativas? (MEC/SEF 2001, p. 94) [...] não consigo ainda adentrar o campo das respostas para essas questões. Provavelmente construir-se-ão ao longo do meu percurso como formadora. Hoje consigo apenas acreditar que, se pretendemos formar formadores a partir de uma proposta coerente com os princípios que queremos que eles utilizem com seus professores e esses últimos, com seus alunos, precisamos explicitar, de alguma forma, como considerar a variável diversidade de conhecimentos prévios no trabalho de formação”1 (MEC/SEF, 2001, p. 95). Desde então, tenho dedicado boa parte de meu tempo profissional, meu empenho e minhas reflexões aos aspectos que envolvem a formação de formadores. Tornar-me formadora de formadores exigiu de mim muita reflexão, muito estudo e, principalmente, certa vigilância dessas duas dimensões: ser formadora de professores e ser formadora de formadores. No início do trabalho com os professores coordenadores de escola, devido à mudança de função, mudava também o sujeito da aprendizagem e pensar nele, no seu papel de formador, não era muito simples. Meu sujeito passava a ser o professor coordenador de oficina pedagógica, um profissional experiente, repleto de representações sobre ensino, aprendizagem, formação continuada etc. Tomar consciência disso representou um primeiro avanço em relação à construção de minha identidade como formadora. Se 1 O documento citado reúne diversos fragmentos de relatórios reflexivos elaborados por formadores de professores que trabalharam nos programas Parâmetros em Ação e Programa de Formação de Professores Alfabetizadores -PROFA - MEC/SEF.
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    27 antes eu centravaminhas preocupações em como o professor aprende, quais as melhores propostas para a formação do professor? No novo papel precisava me preocupar em encontrar respostas para outras questões, as quais guardavam especificidades que eu precisava desvelar: qual o papel do formador? Como o formador aprende? Que saberes são necessários para ser formador? Há saberes específicos? Qual o papel da didática, em seu saber cotidiano? PROBLEMA DE PESQUISA: PROCESSOS FORMATIVOS DOS PCOPS O processo formativo dos PCOPs fornece subsídios para a sua prática pedagógica? OBJETO DE INVESTIGAÇÃO: FORMADORES DO PROGRAMA LER E ESCREVER O foco de interesse deste trabalho são os processos formativos de professores coordenadores de oficinas pedagógicas, que atuam como formadores de professores coordenadores de escola no Programa Ler e Escrever da rede Estadual de Ensino de São Paulo. OBJETIVO GERAL DE PESQUISA: INVESTIGAÇÃO DO PROCESSO FORMATIVO DOS PCOPS Investigar o processo de formação de professores coordenadores de oficinas pedagógicas que atuam como formadores em projetos de formação continuada, no Programa Ler e Escrever na Rede Pública Estadual de Ensino de São Paulo. COMO OBJETIVOS ESPECÍFICOS, O TRABALHO SE PROPÕE A: compreender como os professores coordenadores de oficinas pedagógicas se tornaram formadores; verificar na percepção desses professores qual é o papel do professor coordenador de oficina pedagógica; identificar qual a formação que os professores coordenadores de oficinas pedagógicas receberam da Secretaria Estadual de Educação para se tornarem formadores;
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    28 averiguar, como os professores coordenadores pedagógicos de oficinas pedagógicas vêem a formação que recebem da SEE-SP para atuarem como formadores. O TRAÇADO DA PESQUISA O primeiro capítulo discorre sobre o PROGRAMA LER E ESCREVER, de acordo com a perspectiva oficial da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Ele apresenta o contexto em que se deu a constituição dos sujeitos de pesquisa e também algumas considerações a respeito dos objetivos do programa. Para isso, refletiremos sobre o momento histórico no qual ocorreu sua implementação e, em seguida, abordaremos as ações de implementação, os objetivos do programa e o perfil dos formadores exigido, considerando alguns aspectos concernentes à formação continuada oferecida pela SEESP aos profissionais envolvidos no LER E ESCREVER. O segundo capítulo estabelece os caminhos teóricos que serão utilizados para a construção do presente estudo. Tais teceturas são importantes uma vez que subsidiarão nossa análise dos dados e conclusões. Iniciamos com o conceito de formação já que, como outros, em nossa área de conhecimento, é suscetível de múltiplos aspectos. Partimos para o conceito de formação continuada, que conduzirá toda visão de formação dessa investigação. Procedem apreciações a respeito dos saberes docentes, da escola como "lócus" de formação e dos processos de desenvolvimento e aprendizagem dos adultos. Também a algumas considerações sobre a formação de formadores de profissionais da educação, neste cenário de políticas públicas. O terceiro capítulo apresenta o contexto da pesquisa, a caracterização das Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino, caracterização do Programa Ler e Escrever, a abordagem da pesquisa, os sujeitos da pesquisa, a escolha dos participantes, os procedimentos de coleta de dados, a elaboração dos questionários, a aplicação dos questionários, a organização e análise dos, nas quais foram aplicados questionários aos sujeitos da pesquisa, no ano de 2009. O quarto capítulo apresenta as discussões sobre as categorias de análise. Primeiramente, discorrerá sobre os resultados da pesquisa a partir dos dados
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    29 obtidos quanto acada categoria de análise, agrupados em quatro categorias: perspectiva para se tornar professor coordenador de Oficina Pedagógica, qual o papel do Professor Coordenador de Oficina Pedagógica, formação que receberá e experiência com coordenação. A partir dessas categorias, tecerá considerações referentes a aspectos formativos dos formadores e sobre a viabilidade de construir e reorganizar o conhecimento profissional. Encerram este esboço da dissertação as referências bibliográficas e os anexos.
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    30 Capítulo 1 –Contexto da pesquisa: em foco o PROGRAMA LER E ESCREVER Este capítulo tem como objetivo apresentar o PROGRAMA LER E ESCREVER, de acordo com a perspectiva oficial da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Visamos não somente apresentar o contexto em que se deu a constituição dos sujeitos de pesquisa, mas também tecer algumas considerações com respeito aos objetivos do programa. Assim surge, inicialmente, a necessidade de mencionarmos, ainda que brevemente, o momento histórico no qual ocorreu sua implementação para, em seguida, abordar as ações de implementação, os objetivos do programa e o perfil exigido dos formadores, considerando alguns aspectos concernentes à formação continuada oferecida pela SEESP aos profissionais envolvidos no LER E ESCREVER. Da mesma forma, para que tenhamos a dimensão do programa, apresentamos, no final do capítulo, uma tabela com a abrangência do LER E ESCREVER no ano de 2010. Histórico do Programa Considerando a urgência em solucionar as dificuldades apresentadas pelos alunos do Ciclo I com relação às competências de ler e escrever, expressas nos resultados do SARESP2 2005, a necessidade de promover a recuperação da aprendizagem de leitura e escrita dos alunos de todas as séries do Ciclo I e a imprescindível necessidade de se investir na efetiva melhoria da qualidade de ensino nos anos iniciais da escolaridade, a SEESP inicia, no ano de 2007, a implementação de um conjunto de linhas de ação que visam alfabetizar plenamente, até 2010: o PROGRAMA LER E ESCREVER (Resolução SE 86, de 19/12/2007). Essa política pública voltada para o Ciclo I envolveu, neste período, alguns setores da SEESP, a saber: a CENP (COORDENADORIA DE ESTUDOS E NORMAS PEDAGÓGICAS), 13 Diretorias de Ensino da capital de São Paulo e a COGSP (Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo), articulando diferentes frentes: 2 O SARESP é o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. Desde sua criação, em meados da década de 90, vem avaliando, sistematicamente, o sistema de ensino paulista.
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    31 formação de ProfessoresCoordenadores de Diretorias de Ensino3, de Professores Coordenadores de escolas, de Supervisores de Ensino e Diretores, acompanhamento, elaboração e distribuição de materiais pedagógicos e outros subsídios voltados para a melhoria do ensino. Na época, os idealizadores do programa, entre eles a Coordenadora Geral, Iara Prado, suscitaram, como justificativa para a idealização e implementação do programa, os índices do SARESP 2005, os quais indicavam que mais de 30% das crianças do estado de São Paulo terminavam a 1ª série sem condições de prosseguirem seus estudos (Figura 1), já que não escreviam convencionalmente. Acreditavam que, com o programa, seria possível transformar esse círculo vicioso. Alunos em Instância Alunos de Situação de Atenção 1ª e 2ª 1ª EF 2ª EF Total séries 31,8% 15,5% 113.560 Rede Estadual 483.017 75.482 38.078 23,4% 11,1% Interior de São 180.313 30.834 20.584 10.250 Paulo 36,8% 18,1% Grande São Paulo 302.704 82.726 54.978 27.748 36,6% 18,1% 180.887 49.528 Capital 33.212 16.316 FONTE: CEPPPE, 2006. FIGURA 1 – SARESP 2005 (ALUNOS EM ESTADO DE ATENÇÃO). 3 Na época, os Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas (PCOPs) eram denominados Assistentes Técnico-pedagógicos.
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    32 A primeira fase do programa teve como principal destaque a adoção da BOLSA ALFABETIZAÇÃO4 (no segundo semestre de 2007) e a formação de docentes para implantar o LER E ESCREVER em todas as salas de aula, em 2008. Nesse ano, o governo estadual ampliou o programa para a Região Metropolitana de São Paulo e, em 2009, para o interior e o litoral (Resolução SE 96, de 23/12/2008 / Resolução SE 90, de 08/12/2008). Assim, no ano de 2010, ele já era uma realidade em todas as escolas estaduais de São Paulo, das 91 diretorias de Ensino. 1.2 Objetivos e ações do PROGRAMA LER E ESCREVER O Programa LER E ESCREVER, de acordo com as diretrizes publicadas pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) no site5 da Secretaria de Educação de Estado de São Paulo (SEESP), tem como principais objetivos: • apoiar o Professor Coordenador (PC) em seu papel de formador de professores dentro da escola; • apoiar os professores regentes na complexa ação pedagógica de garantir aprendizagem de leitura e escrita a todos os alunos, até o final da 2ª série do Ciclo I/ EF; • criar condições institucionais adequadas para mudanças em sala de aula, recuperando a dimensão pedagógica da gestão; • comprometer as Universidades com o ensino público; • possibilitar a futuros profissionais da Educação (estudantes de cursos de Pedagogia e Letras), experiências e conhecimentos necessários sobre a natureza da função docente, no processo de alfabetização dos alunos do Ciclo I / EF. Visando atingir esses objetivos, os idealizadores do programa desenvolveram algumas ações específicas: • encontros de formação sistemáticos para o denominado trio gestor (PCOPs, Diretores de Escola e Supervisores de Ensino), ao longo de todo o ano letivo. Esses 4 Um programa para os futuros professores da Rede, fruto da parceria entre Secretaria da Educação do Estado – SEE e Fundação para o Desenvolvimento da Educação – FDE, com as instituições de ensino superior (IES), de âmbito estadual. Alunos de Pedagogia e Letras apoiam professores-regentes nas classes de 1ª série do Ciclo I/EF, em atividades de alfabetização. Denominados alunos-pesquisadores, desenvolvem uma pesquisa de investigação didática, sob a orientação dos seus professores nas instituições em que estudam. 5 http://cenp.edunet.sp.gov.br/index.htm
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    33 encontros mensais comas formadoras do programa CENP/FDE6 tinham como principais objetivos propiciar a esses formadores um espaço de reflexão para analisar, discutir e aprender sobre os processos pedagógicos envolvidos na alfabetização e, principalmente, sobre sua participação no avanço da aprendizagem dos alunos. Nesse sentido, o envolvimento efetivo destes profissionais era essencial para garantir as condições necessárias ao trabalho dos docentes e professores coordenadores das oficinas pedagógicas e, consequentemente, a aprendizagem dos alunos. Entre outras ações, o trio gestor tem por função acompanhar a avaliação processual a ser realizada bimestralmente, em todas as classes envolvidas no programa. • formação dos professores coordenadores – a formação contínua desse grupo de profissionais é promovida pela equipe de formadoras da FDE e pelos professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino. Os Professores Coordenadores são preparados para atuar na formação dos professores de 1ª a 4ª séries para a complexa tarefa de fazer com que os alunos se tornem capazes de ler e escrever com competência e autonomia. Esse trabalho envolve momentos de formação, planejamento, acompanhamento e avaliação, durante todo o ano letivo. • formação do Professor Regente – de acordo com a visão dos idealizadores do programa, nenhum projeto ou material que possa ser elaborado seria eficaz sem uma formação continuada articulada à prática dos professores. Em função disso, para efetivá-la, a escola precisa ser tomada como o lócus dessa formação. Considera-se que é no próprio contexto de trabalho, na relação direta com seus colegas, que os professores podem, da melhor forma, colocar suas questões, refletir sobre as práticas que desenvolvem, detectar problemas, estudar e buscar soluções e avanços. Por isso, o Programa estabeleceu que a formação dos Professores seria conduzida pelo PC (professor coordenador), no acompanhamento das salas de aula e no HTPC (horário de trabalho pedagógico coletivo), possibilitando o atendimento às especificidades das séries. Para tanto, os professores envolvidos nos projetos tiveram, em 2007, sua carga horária ampliada em 4 horas semanais e, posteriormente, em 2010, em 6 horas semanais. • Projeto Intensivo no Ciclo (PIC) – o PIC é um projeto temporário, que tem como objetivo impedir que as crianças das 3ª e 4ª séries prossigam em seus estudos sem 6 As formadoras da CENP são professoras da rede pública estadual de ensino, designadas para a função de “técnico de ensino”. As formadoras da FDE são consultoras de Educação contratadas pela FDE.
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    34 ter desenvolvido ascompetências de escrita e leitura necessárias. É um projeto emergencial, cuja duração deve ser temporária, uma vez que a meta das duas séries anteriores é justamente torná-lo desnecessário. A fim de alcançar suas metas, o projeto prevê uma série de medidas: adequação do currículo destas séries às necessidades de aprendizagem daqueles que não tiverem alcançado o nível necessário; formação dos professores responsáveis pelas salas de PIC; organização administrativa e curricular diferenciada para as classes de PIC, com a utilização de materiais específicos e a formação de turmas com no máximo 25 alunos, entre outras medidas e, a partir de 2010, a inclusão de um aluno-pesquisador nas salas de PIC, para auxiliar o professor regente. O critério para encaminhamento de alunos às salas do PIC é que estes tenham terminado a 2ª ou a 4ª série sem ter atingido a escrita alfabética. Eles podem ser selecionados a partir dos resultados do SARESP ou de sondagens das hipóteses de escrita que revelem que ainda não escrevem alfabeticamente. De acordo com o projeto, os alunos que sabem ler e escrever não devem fazer parte das turmas do PIC, pois certamente as atividades não serão desafiadoras para eles. Contudo, na prática, observa-se que muitos alunos com outras dificuldades de leitura e escrita, não relacionadas à aquisição do sistema, são encaminhados a essas salas. Além disso, crianças consideradas indisciplinadas e com necessidades educacionais especiais (NEE) também acabam sendo incluídas nessas turmas. • Projeto “Escola Pública e Universidade na alfabetização” – este projeto, conhecido como Bolsa Alfabetização, foi instituído pelo Decreto n. 51.627, de 01/03/2007 e prevê que os alunos de curso de graduação em Letras (com habilitação para Magistério de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental) e Pedagogia de Instituições de Ensino Superior (IES), sob supervisão de professores universitários, atuem nas classes de 1ª série e no horário de aula ou de projetos. Em 2010, este programa tornou-se parte integrante do PIC, com a inclusão de um aluno pesquisador também nas salas de PIC. O projeto Bolsa representa uma importante ponte, de acordo com os idealizadores do Ler e Escrever, entre o ambiente acadêmico e as salas de aula, já que possibilita um diálogo permanente entre os alunos pesquisadores e os profissionais que participam de forma efetiva na formação de futuros educadores. • Publicação e distribuição de materiais de apoio (ANEXO 1) – considerando a necessidade de apoiar os Professores Regentes na criação de situações didáticas
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    35 que atendam àdiversidade dos alunos e às suas diferentes necessidades de aprendizagem, o programa disponibilizou um conjunto de materiais, específicos para cada projeto. São materiais que apoiam o planejamento de cada professor e servem como objetos de análise, problematização e discussão nos horários de trabalho pedagógico coletivo. Além dos cadernos específicos para os alunos das 1ª e 2ª séries, fazem parte desses materiais um acervo literário e paradidático para a biblioteca de sala de aula, como enciclopédias, globos, letras móveis, calculadoras e revistas infantis. A análise de uma parte do material pedagógico impresso do programa (guias de orientação e materiais do professor) permite perceber que sua função é auxiliar o professor em seu trabalho cotidiano na sala de aula, pois o orienta na realização das atividades de alfabetização, descrevendo as condições didáticas que precisam ser propiciadas, na organização do espaço e nas intervenções necessárias para que os alunos aprendam. Além disso, aponta as expectativas de aprendizagem para cada série e oferece parâmetros para que o docente avalie a evolução de seus alunos. • Acompanhamento institucional sistemático às Diretorias de Ensino (DEs), para apoiar o desenvolvimento do trabalho. Mensalmente a SEESP, por meio da CENP, realiza encontros centralizados na capital com os supervisores e PCOPs responsáveis pelo Ciclo I de cada Diretoria de Ensino e reuniões nas DES. Nessas oportunidades, são analisados os instrumentos de acompanhamento do programa (ex.: os mapas de sondagem das hipóteses de escrita), assim como os encaminhamentos e as ações que estão sendo tomados para auxiliar os PCs e os alunos em suas dificuldades. Além disso, é importante destacar que a CEI e a COGSP, enquanto órgãos centrais da SEE-SP, fazem um acompanhamento sistemático às escolas com baixo IDESP (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). • Site – como parte da estrutura do programa, um site (Figura 2) foi criado para que não somente o cidadão comum, mas também os participantes do programa possam conhecer melhor as ações empreendidas pelo Ler e Escrever e interagir com essa iniciativa da SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO. Por meio deste site, professores, coordenadores das oficinas pedagógicas e das unidades escolares e outros gestores envolvidos no programa podem ter acesso a materiais de apoio pedagógico, biblioteca, vídeos, aos mapas de classe (instrumento criado para o
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    36 acompanhamento da evoluçãodas hipóteses de escrita dos alunos em processo de alfabetização) e a um ambiente de gestão do programa bolsa alfabetização. Fonte:www.lereescrever.fde.sp.gov.br Figura 2- Site do PROGRAMA LER E ESCREVER SEESP. 1.3 Perfil dos diferentes atores envolvidos no Programa LER E ESCREVER Para que o programa alcançasse os objetivos definidos, a estrutura do Ler e Escrever prevê perfil diferenciado para os diferentes atores envolvidos neste projeto de formação: 1.3.1 Professores do PIC – professores com disponibilidade para participar de todos os momentos de formação, planejamento e avaliação do Projeto e, preferencialmente, que tenham participado dos cursos do Programa Letra e Vida. A legislação prevê que esses professores tenham pontuação diferenciada para fins de evolução funcional, desde que permaneçam em regência dessas classes durante todo o ano letivo e alcancem os objetivos propostos no Projeto. É importante
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    37 destacar, contudo, queaté o momento da finalização desta pesquisa não soubemos de nenhum professor que tenha alcançado o benefício de uma evolução funcional devido às metas atingidas em alguma sala de PIC. 1.3.2 Professores Coordenadores das unidades escolares (PCs) – apoiar os professores regentes na complexa ação pedagógica de garantir a aprendizagem da leitura e da escrita a todos os alunos, até o final da 2ª série do Ciclo I / EF e de criar condições institucionais adequadas para mudanças em sala de aula, recuperando a dimensão pedagógica da gestão. A figura do professor coordenador surge como uma necessidade imperativa. A ele, de acordo com a Resolução 88, de 19/12/2007, cabem as seguintes atribuições: • ampliação do domínio dos conhecimentos e saberes dos alunos, elevando o nível de desempenho escolar evidenciado pelos instrumentos de avaliação externa e interna; • intervenção na prática docente, incentivando os docentes a diversificarem as oportunidades de aprendizagem, visando à superação das dificuldades detectadas junto aos alunos; • promoção do aperfeiçoamento e do desenvolvimento profissional dos professores designados, com vistas à eficácia e melhoria de seu trabalho. Além das atribuições fixadas na Res.SE 88/2007, também é função do PC do Ciclo I, de acordo com a Res.SE 89/2007: I – auxiliar o professor na organização de sua rotina de trabalho, subsidiando-o no planejamento das atividades semanais e mensais; II – observar a atuação do professor em sala de aula com a finalidade de recolher subsídios para aprimorar o trabalho docente, com vistas ao avanço da aprendizagem dos alunos; III – orientar os professores com fundamento nos atuais referenciais teóricos, relativos aos processos iniciais de ensino e aprendizagem da leitura e escrita, da Matemática e outras áreas do conhecimento, bem como à didática da alfabetização; IV – conhecer as Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa, de Matemática e das demais áreas de conhecimento e outros materiais orientadores da prática pedagógica;
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    38 V – estimularos docentes na busca e na utilização de recursos tecnológicos específicos ao processo de ensino da leitura e da escrita, da Matemática e de outras áreas do conhecimento. 1.3.3 Professores Coordenadores de Oficinas Pedagógicas (PCOPs) – a SEE- SP (Resolução SE – 91, de 19/12/2007) instituiu que as Oficinas Pedagógicas seriam constituídas por Professores Coordenadores, tendo em vista: a) a necessidade de se assegurar um fluxo coerente de diretrizes pedagógicas entre todos os órgãos que atuam na assessoria, gerenciamento e sustentação das medidas necessárias à melhoria da qualidade do ensino da rede estadual; b) a importância da Diretoria de Ensino como a principal instância gestora responsável pela articulação pedagógica entre a unidade escolar e os diferentes órgãos da administração centralizada; e c) a complexidade, amplitude e diversidade dessa área de atuação, que demanda, para sua efetiva operacionalização, a disponibilidade de professores de diferentes áreas curriculares que possam atuar nas oficinas curriculares, particularmente, subsidiando os Supervisores de Ensino das Diretorias de Ensino na área da assistência técnico-pedagógica. Em face às necessidades apontadas pela Resolução 91 de 19/12/2007, observa-se que, para a SEESP, o Professor Coordenador da Oficina Pedagógica é uma figura imprescindível na implementação de ações de apoio pedagógico e educacional que orientem as equipes escolares na condução de procedimentos que dizem respeito à organização e funcionamento dos diferentes níveis e modalidades de ensino, dentre eles o ensino fundamental do Ciclo I, que abrange os cinco primeiros anos da escolaridade básica, de acordo com as leis vigentes em 2010. Para exercer essa função, a legislação aponta que são requisitos para ocupar o posto de trabalho de Professor Coordenador: a) ser portador de diploma de licenciatura plena; b) contar, no mínimo, com 3 (três) anos de experiência (1095 dias) como docente da rede estadual de ensino; c) ser docente efetivo classificado, preferencialmente, na unidade escolar em que pretende ser Professor Coordenador ou ser docente com vínculo garantido em lei (Estável ou Categoria F) com no mínimo de 10 (dez) horas-aula atribuídas;
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    39 d) estar inscrito no Processo de Atribuição de Aulas/2010 e ter sido aprovado em Concurso Público de Professor ou Processo Seletivo Docente ou em Promoção por Mérito; e) a experiência como docente deverá ser, preferencialmente, a trabalhada nas séries do segmento/nível relativo à função de Professor Coordenador a que se candidatou. Nesse contexto de exigências legais, a coordenação do PROGRAMA LER E ESCREVER, conforme explicitado em vídeos gravados durante seminários oferecidos aos gestores7, oferece formação específica aos PCOPs para que assumam a tarefa da gestão pedagógica das escolas nas Diretorias de Ensino, no sentido de que usem todos os recursos de que as diretorias disponham, sejam eles humanos, físicos ou materiais, a fim de que a meta de aprendizagem de todos os alunos seja alcançada. Espera-se que os PCOPs planejem ações junto aos PCs para que esses, por sua vez, assumam a tarefa de auxiliar os professores em seu trabalho pedagógico cotidiano. Forma-se, assim, uma intrincada rede de formação, em que os papéis dos diferentes atores envolvidos parecem bem delineados, pelo menos teoricamente. Na prática, contudo, perguntamo-nos: como o trabalho do PCOP repercute na formação dos professores coordenadores das escolas? A SEESP, por meio dos encontros de formação oferecidos aos PCOPs, tem a expectativa de que eles se tornem cada vez mais capazes de desenvolver competências profissionais que favoreçam o desempenho do papel de formador exercido pelos professores coordenadores das escolas; de utilizar estratégias metodológicas de formação apoiadas na discussão da prática pedagógica no trabalho coletivo, no aprendizado em parceria, na resolução de situações-problema reais ou simuladas; e de ampliar seus conhecimentos sobre o processo de aprendizagem da leitura e escrita nos seus diferentes usos e formas. Ou seja, espera-se que os PCOPs desenvolvam estratégias metodológicas de formação, baseadas em uma concepção de ensino e de aprendizagem construtivista, privilegiando, em especial, a problematização e a reflexão sobre o dia a dia da sala de aula (tematização da prática). De acordo com o que Telma Weisz postula em encontros formativos dos quais temos participado na SEE, tematizar significa retirar 7 http://www.fde.sp.gov.br/PagesPublic/ResultadoBusca.aspx?contextmenu=ultimasvid
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    40 algo do cotidiano,fazer um recorte da realidade, para, então, transformá-lo em objeto de reflexão. 1.4 Abrangência do PROGRAMA LER E ESCREVER em 2010 Para que tenhamos uma ideia da estrutura do programa LER E ESCREVER, apresentamos, a seguir, alguns dados fornecidos pela SEESP, em documento disponibilizado no site do LER E ESCREVER. Esses dados nos mostram a dimensão alcançada pelo programa, desde 2007, data de sua implementação. Ainda que haja muitos entraves, como já vimos apontando neste trabalho, não se pode negar a magnitude deste programa. Contudo, a educação é um setor diferenciado de outros, pois somente poderemos perceber os resultados efetivos do LER E ESCREVER após um período mais longo, com a melhoria não só do ensino, mas também da aprendizagem na rede estadual de São Paulo.
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    41 Fonte:www.lereescrever.fde.sp.gov.br FIGURA 3 – ABRANGÊNCIA DO PROGRAMA LER E ESCREVER EM 2010
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    42 CAPÍTULO 2 –Os caminhos da formação continuada (...) gostaria muito de mostrar, neste discurso, quais são os caminhos que segui, e de nele representar minha vida como num quadro, para que todos possam julgá-la e para que, tomando conhecimento, pelo rumor comum, das opiniões que se terão sobre ele, seja isso um novo meio de instruir-me, que acrescentarei àqueles de que me costumo servir (René Descartes). Neste capítulo, apresentamos os caminhos teóricos adotados para a construção de nossa problemática, bem como para a análise dos dados coletados e encaminhamento das conclusões. Apresentando os caminhos que seguimos, quiçá possamos representar, como num quadro, à maneira do filósofo citado na epígrafe, uma nova porta que será acrescentada àqueles que me serviram. Procuramos, também, discutir alguns conceitos que permeiam o presente estudo. Iniciamos com a história da formação continuada e partimos para os conceitos de formação e formação continuada, os quais conduzirão a análise dos dados coletados no decorrer desta investigação. Empreendemos apreciações a respeito dos saberes docentes, da escola como lócus da formação e dos processos de desenvolvimento e aprendizagem dos adultos. Também fazemos algumas considerações sobre a formação de formadores de profissionais da educação, dentro do atual cenário de políticas públicas. 2.1. A História da formação Urge, em relação à escola de hoje, a preocupação em contemplar uma questão que tomou grandes dimensões no cenário das discussões educacionais: a redemocratização da escola. Houve importantes lutas da população e dos educadores pela educação laica, gratuita e de qualidade para todos, elementos considerados fundamentais para a construção da cidadania da população (FUSARI, 1998). Com a garantia de acesso e permanência da quase totalidade das crianças em idade escolar, discussões em torno de como lidar com este novo panorama passam a ser objeto de muitos pesquisadores. A literatura educacional tem ressaltado como uma das causas para a degradação da qualidade de ensino (MELLO, 1982) a precária formação docente. De acordo com António Nóvoa (1999, pp. 13-14),
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    43 O excesso dos discursos esconde a pobreza das práticas políticas. [...] não se vêem surgir propostas coerentes sobre a profissão docente. Bem pelo contrário. As ambigüidades são permanentes.Por um lado, os professores são olhados com desconfiança, acusados de serem profissionais medíocres e de terem uma formação deficiente; por outro lado, são bombardeados com uma retórica cada vez mais abundante que os considera elementos essenciais para a melhoria da qualidade do ensino e para o progresso social e cultural. Nessa perspectiva, surge uma grande quantidade de propostas de formação para professores, equipes gestoras e técnicas por parte de diferentes instituições: secretarias de educação, centros de formação, universidades, dentre outros. No entanto, apesar de todas as iniciativas dos órgãos centrais e instituições formadoras, é muito comum encontrar questionamentos em torno da maneira de encaminhar este trabalho, seja por parte de pesquisadores como também dos participantes. Ainda que se ressalte a formação em serviço como uma temática de particular interesse para discussão, devemos partir de questões preliminares como: O que é formação? Como formar adultos? Que tipo de estudos, na formação, propicia o desenvolvimento dos conhecimentos profissionais e quais conhecimentos são necessários para ser formador? 2.2. O conceito de formação Para traçar o conceito de formação, especificamente no campo da formação docente, é necessário dialogarmos com alguns autores que têm se destacado na literatura sobre o assunto. Garcia (1999, p. 19) ressalta que as respostas para a pergunta “O que é formação?” revelam diferentes pontos de vista: [...] como uma função social de transmissão de saberes, de saber-fazer ou do saber-ser que se exerce em benefício do sistema socioeconômico, ou da cultura dominante. A formação pode também ser entendida como um processo de desenvolvimento e de estruturação da pessoa que se realiza com o duplo efeito de uma maturação interna de possibilidades de aprendizagem, de experiências dos sujeitos. Por último, é possível falar-se da formação como instituição quando nos referimos à estrutura organizacional que planifica e desenvolve as atividades de formação (FERRY, 1991 apud GARCIA, 1999:19). A formação pode adotar diferentes aspectos conforme se considera o ponto de vista do objeto (a formação que se oferece, organiza, exteriormente ao sujeito), ou o do sujeito (a formação que se ativa como iniciativa pessoal).
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    44 Para Bachelard (1949), formação é compreender um fenômeno novo é reorganizar o próprio princípio do saber. Para Ferry (2004), formação significa um processo de desenvolvimento individual, destinado a adquirir ou aperfeiçoar capacidades. Formação é adquirir certa forma. Uma forma para atuar, para refletir e aprimorar essa forma. O que se entende por aprendizagem pode ser um suporte para a formação, porém a formação, pela sua dinâmica, consiste em encontrar formas para cumprir com certas tarefas para exercer um ofício, uma profissão, um trabalho. Outra contribuição importante para compreendermos a formação como um conjunto de experiências vem de Dominicé (1990, p. 149) apud Nóvoa (2002, p. 57) afirma que: Devolver à experiência o lugar que merece na aprendizagem dos conhecimentos necessários à existência (pessoal, social e profissional) passa pela constatação de que o sujeito constrói o seu saber ativamente ao longo do seu percurso de vida. Nóvoa (1991) aponta que, na formação docente, deve-se privilegiar e valorizar o desenvolvimento pessoal e profissional. A formação não é algo cumulativo que se obtém somente através de técnicas, cursos, mas também na interação com o outro, devolvendo às experiências e ao diálogo um lugar de destaque para a construção da identidade, valorizando as dimensões pessoal e profissional, sendo necessários [...] “espaços de integração entre as dimensões pessoais e profissionais, permitindo aos professores apropriar-se dos seus processos de formação e dar-lhes um sentido no quadro das suas histórias de vida” (NÓVOA, 1997, p. 25). Nóvoa (1995, p.116) deixa evidente a impossibilidade de se pensar em formação fora de uma perspectiva de [...] "reflexividade crítica". Ele assume que a formação é inevitavelmente um trabalho de reflexão de vários saberes que o constituem. Gaston Pineau (1994) concebe a formação como um processo tripolar, cujos polos principais são: A autoformação, a ação do eu como sujeito individual e social, como uma concepção segundo a qual o sujeito participa de forma autônoma, tendo sob seu próprio controle os objetivos, os processos, os instrumentos e os resultados da própria formação. Mas esse protagonista "está com outros, em múltiplas sociedades, maiores ou menores e instituídas” (PINEAU, 1994, p.157). Foi explorando a
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    45 problemática da autoformação que Gaston Pineau criou o neologismo “ecoformação”, nos anos 80, relacionado-o às histórias de vida das pessoas. A “autoformação” é a formação pelo diálogo consigo mesmo. Designa o polo sujeito da formação, personalizando, individualizando e subjetivando a formação. A heteroformação, ou ação de indivíduos uns sobre os outros, caracterizando a formação social da formação, ou seja, a co-formação. Como um processo que se organiza e se desenvolve "a partir de fora", inclui a formação da família, do meio, da cultura, das ações de formação inicial e contínua, sem que seja comprometida a personalidade do sujeito que participa. A heteroformação designa o polo social da formação, os outros que se apropriam da ação educativa/formativa da pessoa. Como terceiro polo apresenta-se a ecoformação, ou ação do meio ambiente sobre os indivíduos, indicando a dimensão ambiental e ecológica da formação, definida como "a base da decoração, que permite as encenações pessoais e sociais, assumindo importância com o movimento ainda restrito de educação pelo meio ambiente" (PINEAU, 1994, p.158). A ecoformação é a formação pelo meio ambiente e não para o meio ambiente, como a educação ecológica. É o polo ambiental da formação. Gaston Pineau (2004) também aborda o tema temporalidades na formação em suas diversas modalidades, com a formação permanente, denominada por ele como cronosformação, que seria a explosão do tempo em múltiplas temporalidades, centrada na formação como função de evolução humana. A cronosformação leva em conta novos sincronizadores, como o cotidiano, a alternância e o retorno narrativo sobre a vida. Nessa concepção, possibilita uma formação permanente, que é categoricamente pessoal e intransferível, que não é nem uniforme nem telecomandada, mas depende única e exclusivamente da própria pessoa e de sua relação consigo mesma, com o outro e com o meio que a circunda. Ponte (1998) destaca que a formação é um movimento fundamentalmente de fora para dentro, e que o termo “formação profissional” abrange outros aspectos além dos relacionais, como o cognitivo e o afetivo. Contudo, de acordo com esse autor, é aceitável combinar o conceito de formação de professor com o desenvolvimento profissional, bastando que a formação seja idealizada de modo a favorecer o seu desenvolvimento profissional. Todas as considerações apresentadas não chegam nem perto de esgotar a infinidade de conceitos utilizados para descrever o que é formação. Se nos
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    46 arriscamos neste levantamentosucinto de ideias, é somente pela intenção de evidenciar algumas das apreciações utilizadas por diferentes pesquisadores, no sentido de tentarmos situar a formação no contexto da formação continuada. 2.3 A formação continuada As ações para formação continuada de professores, no Brasil, foram incrementadas a partir da década de 1980 (SEF, 1999). No entanto, só na década de 1990 a formação continuada passou a ser entendida como uma possibilidade essencial para o processo de construção de um novo perfil profissional do professor (NÓVOA, 1991). Placco e Silva (2000, p. 26-27) conceituam a formação continuada de docentes: [...] como um processo complexo e multideterminado, que ganha materialidade em múltiplos espaços/atividades, não se restringindo a cursos e/ou treinamentos, e que favorece a apropriação de conhecimentos, estimula a busca de outros saberes e introduz uma fecunda inquietação contínua com o já conhecido, motivando viver a docência em toda a sua imponderabilidade, surpresa, criação e dialética com o novo. Para tanto, é preciso entender a formação contínua (como é também chamada) como um processo de ensino e de aprendizagem, que exige uma elaboração pessoal, num conjunto de elaborações que são marcadas pelas experiências anteriores de quem aprende. Assim, não há outra alternativa a não ser tratar o professor em formação como sujeito ativo e singular (SOLIGO, 2001). Em suas pesquisas, Canário (1998) também considera inadequada essa atuação formativa, porque conduz à aplicação de receitas de caráter geral, que não reconhecem as especificidades das escolas. Nessa perspectiva, não se pode mais dissociar o ensinar do aprender. A formação continuada é o espaço privilegiado para que essa interdependência entre o ato de ensinar e a oportunidade de aprender seja objeto de reflexão. Furlanetto (2003, p. 27) afirma: A atividade docente está imbuída em uma densa e complexa “teia” que tem início ainda quando o professor nem optou pelo ofício docente, ainda enquanto aluno já experimenta a observação direta desse ofício. Poucas profissões são tão diretamente acompanhadas e conhecidas como a de
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    47 professor, e desde os primeiros momentos, como aluno, já constrói as representações sobre essa atividade, constituindo desde então suas matrizes pedagógicas, que podem ser simbolicamente consideradas em espaços, nos quais a prática dos professores é gestada. Furlanetto (2003) descreve os processos de construção das matrizes pedagógicas dos docentes que podem ser compreendidas como nichos, nos quais são gestados e guardados os registros sensoriais, emocionais, cognitivos e simbólicos vividos pelos sujeitos ao transitarem nos espaços intersubjetivos, em que se constelam relações de aprendizagem. As experiências profissionais são, portanto, o fundamento da construção dessas aprendizagens. Em relação à formação continuada, Nóvoa (1999) ressalta que, para desenvolver esse conceito, é preciso pensar que a formação de professores é um processo contínuo, sendo necessário integrar a formação de professores em processos de mudança, inovação e desenvolvimento curricular. É também necessário unir aos processos de formação o desenvolvimento organizacional da escola, integrando a formação de professores aos conteúdos acadêmicos e disciplinares e à formação pedagógica dos professores. Pimenta (2005) diz que a aparente ausência de unidade entre os saberes docentes suscita uma prática pedagógica frágil, que não transforma, não edifica, limitando-se a reproduzir as representações sociais de uma classe hegemônica da sociedade. Diz ainda que, para o profissional da educação modificar suas concepções, posturas, crenças e ações, os cursos de formação de professores têm como desafio fazê-los conhecer, por um lado, as teorias implícitas na prática educativa dos profissionais; por outro, mediar ou promover condições para que, diante das teorias, as modifique. Diversas possibilidades de formação de professores têm sido decorrentes de tendências, reflexões e pesquisas direcionadas à construção de uma concepção diferenciada no que diz respeito à formação continuada. Candau (1996) diz que os diferentes modelos de formação podem apresentar interconexões com outros modelos, prevalecendo uma perspectiva – a que será significativa para o momento histórico, incluindo o político e o social – a partir da qual outros elementos são incorporados. A seguir, serão analisados: a escola como lócus de formação, saberes docentes e os processos de desenvolvimento e aprendizagem dos adultos.
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    48 2.3.1 A escolacomo lócus da formação A escola, como lócus de formação, é um grande ganho, mas não abrange tudo o que comporta o processo formativo. Constituir uma prática formativa abarca uma prática reflexiva, capaz de identificar os problemas e resolvê-los coletivamente. Essa prática deve ser construída pelo grupo de professores e gestores. Nóvoa (apud CANDAU, 1996, p. 30) afirma que: A formação continuada deve estar articulada com o desempenho profissional dos professores, tomando as escolas como lugares de referência. Trata-se de um objetivo que só adquire credibilidade se os programas de formação se estruturarem em torno de problemas e de projetos de ação e não em torno de conteúdos acadêmicos. De acordo com Candau (1996), o reconhecimento da escola como lócus privilegiado da formação continuada implica: o estimular a articulação dos componentes formativos com o cotidiano escolar, sem deslocamento do professor para outros espaços; o trabalhar com o corpo docente, favorecendo processos coletivos de reflexão e intervenção na prática pedagógica concreta; o disponibilizar espaços e tempos institucionalizados, nessa perspectiva; o criar incentivo à sistematização das práticas pedagógicas dos professores e sua socialização e o ressituar o trabalho de supervisão e orientação pedagógica, nessa perspectiva. Portanto, os pontos de partida seriam as necessidades reais dos professores, os problemas do seu cotidiano, favorecendo processos de planejamento, observação, ação e reflexão, de maneira mais consciente, mais sistemática e mais rigorosa. Consideramos importantes as considerações de Candau nos itens descritos, uma vez que nos orientaram durante a pesquisa, fundamentando a análise e a interpretação dos resultados.
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    49 2.3.2 Saberes docentes A expressão saber docente tomou conta rapidamente do panorama educacional. Com a mesma rapidez, tem sido foco de debates e pesquisas no âmbito pedagógico. Por essa razão, vale mencionar a abrangência do conceito de "saberes" sobre a qual ancora-se a presente pesquisa. Buscamos fundamentação teórica em Paulo Freire (1996), Tardif (2004, 2002), Gauthier (1998), Pimenta (1999) e Furlanetto (2003), que pontuam os saberes que os docentes necessitam mobilizar para desenvolver sua prática educativa. Como professor, devo saber que, sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino. Exercer a minha curiosidade de forma correta é um direito que tenho como gente e a que corresponde o dever de lutar por ele, o direito à curiosidade. Com a curiosidade domesticada posso alcançar a memorização mecânica do perfil deste ou daquele objeto, mas não o aprendizado real ou o conhecimento cabal do objeto. A construção ou a produção do conhecimento do objeto implica o exercício da curiosidade, sua capacidade crítica de “tomar distância” do objeto, de observá-lo, de limitá-lo, de cindi-lo, de “cercar” o objeto ou fazer sua aproximação metódica, sua capacidade de comparar, de perguntar (FREIRE, 1996, p. 95). Ao discutir os saberes necessários à prática docente, Freire (1996, p. 43-44) ressalta a importância da reflexão crítica sobre a prática. Nas próprias palavras do autor: A prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. O saber que a prática docente espontânea ou quase espontânea, ‘desarmada’, indiscutivelmente produz é um saber ingênuo, um saber de experiência feito, a que falta a rigorosidade metódica que caracteriza a curiosidade epistemológica do sujeito (...) Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. Trata-se, então, de saberes que não constituem uma maneira ingênua de pensar a prática docente, mas de um pensar sistemático, ordenado, que ultrapassa os níveis da reprodução e produz a autoria crítica, empenhada com a construção política de uma sociedade verdadeiramente democrática, uma mudança de atitude.
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    50 Nesse sentido, Freire(1996, p. 25) diz que “ensinar não é só transferir conhecimentos, é também nutrir-se pela teoria". Sob essa perspectiva, Pimenta (2002, p. 24) afirma que: (...) o saber docente não é formado apenas da prática, sendo também nutrido pelas teorias da educação. Dessa forma, a teoria tem importância fundamental na formação dos docentes, pois dota os sujeitos de variados pontos de vista para uma ação contextualizada, oferecendo perspectivas de análise para que os professores compreendam os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais e de si próprios como profissionais. Pimenta (1999) distingue os saberes da docência em: a) saber da experiência, que são as memórias significativas dos professores durante sua vida escolar, produzindo na prática um processo de reflexão e troca com os colegas; b) saber do conhecimento, que envolve a reestruturação da função da escola na transmissão dos conhecimentos e as suas especialidades num contexto contemporâneo e c) saber dos saberes pedagógicos, aquele que compreende a questão do conhecimento ao lado do saber da experiência e dos conteúdos específicos e que será arquitetado a partir das necessidades pedagógicas reais. Segundo Furlanetto (2003), trata-se, para o professor, de uma base interior da qual decorrem suas ações pedagógicas, que não representam somente a síntese de seus aprendizados teóricos, mas também de suas experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende. Pimenta (2002) resgata a necessidade de se respeitar a formação que o professor tem, num procedimento de autoformação e de reelaboração dos saberes iniciais, em confronto com sua prática vivenciada, já que é nessa ação que os docentes constituem seus saberes como prática, pensando "na" e "sobre" essa prática. Tardif (2002) define saberes docentes como um apontamento de conhecimentos, habilidades e atitudes na ação profissional, que implica a necessidade de o professor saber fazer algo e exercer funções, desencadeando habilidades no ato de ensinar algo. Significa dominar com profundidade o campo de conhecimento, com o intento de ensinar e ter atitudes que auxiliem na formação total de seus alunos. Tardif (2002) propõe o conceito básico de que o saber docente é composto de variados saberes específicos, que dão o contexto de ser professor, na medida em que são procedentes de procedimentos de aprendizagem e formação. O saber
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    51 docente é obradas interlocuções e peculiaridades próprias do saber da profissão, saber das disciplinas, saber curricular e o saber das experiências. É por meio da organização da profissionalização do ensino, pela qual as habilidades e atitudes compõem o ser professor, que se constitui a identidade, mediante a ação histórica, social, organizacional, pessoal e pré-profissional dos seus sujeitos. Nesse sentido, os saberes profissionais do professor são compostos daqueles oriundos da própria história de vida individual (pré-profissional), da sociedade da qual faz parte, da história de vida desse professor enquanto aluno, das diferentes instituições formais e não formais com as quais esse professor teve contato e dos distintos contextos e espaços de formação. A trajetória pessoal e profissional contribui enormemente para a construção da identidade docente. Dois grandes processos, na vida de cada professor, asseguram a composição dessa identidade: seu percurso pré-profissional e o profissional. Ao focalizar as histórias e práticas docentes, Furlanetto (2003) descobre um professor interno, composto por dimensões inconscientes que se revelam em seu fazer pedagógico. Essa ideia é reforçada por Tardif (2000, p. 219): Ao longo de sua história de vida pessoal e escolar, supõe-se que o futuro professor interioriza um certo número de conhecimentos, competências, de crenças, de valores (...), os quais estruturaram a sua personalidade e as relações com os outros (...) Os saberes experienciais do professor de profissão, longe de serem baseados unicamente no trabalho em sala de aula, discorreriam, em grande parte, de preconcepções do ensino e da aprendizagem herdadas da história escolar. Os saberes compreendidos pelos professores são fruto de sua história de vida, decorrendo, em alguma medida, das suas vivências enquanto alunos. São saberes que sofrem influências externas, sendo produzidos por grupos sociais e carregando, ao mesmo tempo, o próprio ofício da profissão. São saberes práticos, procedimentais e processuais, fruto do ato de exercer uma profissão, uma carreira. Clemont Gauthier organiza um repertório de conhecimentos de ensino sobre os saberes profissionais do professor com o objetivo de conhecer e refletir sobre a natureza dos saberes subjacentes ao ato de ensinar. Nessa perspectiva, Gauthier (1998, p. 349) diz que “(...) ensinar é necessariamente entrar em relação com o outro para transformá-lo, é julgar em
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    52 contexto, é confrontar-secomo caráter contingente da interação social”. Os saberes docentes estão ligados ao universo de trabalho do professor, e o ensino é uma atividade voltada diretamente ao aluno, este adquirido para e/ou no trabalho. Os saberes nos quais os professores se apoiam dependem das condições sociais e históricas nas quais eles exercem sua profissão. Para Gauthier (1998), o desafio da profissionalização docente é impedir esses dois erros: ofício sem saberes e saberes sem ofício. O primeiro define atividades docentes exercidas sem os saberes pedagógicos específicos, aqueles que lhes são próprios. E os saberes sem ofício são aqueles saberes da educação, pertinentes em si mesmos, mas não são reanalisados à luz da situação real da sala de aula. O admitir que as pesquisas já revelam a presença de um repertório de conhecimentos próprios ao ensino, indica um ofício feito de saberes. Em seu livro Por uma teoria da pedagogia, Gauthier (1998, p. 27) nos diz que o ensino é (...) a mobilização de vários saberes que formam uma espécie de reservatório no qual o professor se abastece para responder a exigências específicas de sua situação concreta de ensino. O ofício docente, por meio de vários saberes, foi sintetizado por Gauthier (1998) nas formas que seguem: a. Disciplinar: conhecimentos necessários que abarcam dois tipos de conteúdos a serem ensinados: o substantivo e o sintático. O primeiro refere-se ao domínio de conceitos, ideias e acontecimentos de uma determinada área de conhecimento. O segundo diz respeito aos métodos através dos quais novos elementos são produzidos nas investigações de campo, no desígnio de validar novos conhecimentos. b. Curricular: envolve as diferentes áreas de conhecimento, que devem ser vistas e adaptadas dentro de um programa de ensino; dos materiais didáticos, do currículo como política em relação ao conhecimento oficial. c. Ciências da educação: conhecimentos que não estão inteiramente ligados à ação pedagógica, mas que colaboram para a organização de se pensar e agir na e com a educação; referem-se às teorias de ensino e de aprendizagem, gestão e
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    53 organização de salade aula. Esse conhecimento extrapola o domínio do conteúdo de ensino. d. Tradição pedagógica: conhecimentos estabelecidos no decorrer da própria história escolar e de vida de cada um. É a analogia que o professor faz entre o conhecimento da ciência da educação e o da tradição pedagógica. A tradição pedagógica é levantada pelo professor ao ensinar, pode ser analisada como um novo tipo de conhecimento. É o único conhecimento em que o professor é ator principal, pois é sua construção pessoal, aprendida durante sua atuação profissional. e. Experiência: conhecimentos obtidos ao longo do percurso profissional do professor, corroborando para legitimar determinadas formas de ser e agir. Incluem o conhecimento sobre o trabalho em grupo, sobre administração escolar, políticas de financiamento, características das comunidades e das culturas. f. Ação pedagógica: conhecimentos que abarcam os conhecimentos da experiência junto aos outros saberes, elencados acima. Para o autor, esses saberes, mobilizados, estabelecem um todo de conhecimentos, habilidades e atitudes, que constituem a identidade do professor. Essa mobilização de saberes influencia e, ao mesmo tempo, sofre influências culturais, históricas, sociais e pessoais de todos os atores que vivenciam o espaço escolar. Partindo desses princípios, podemos dizer que a formação depende tanto das teorias, quanto das práticas desenvolvidas no cotidiano escolar. Daí a importância de se entender tal interação como condição para se construir os saberes docentes, fortalecendo a valorização da pluralidade e a heterogeneidade do saber docente. Tardif (2002) destaca a importância do saber experiencial, considerando com igual importância os saberes profissionais. Segundo a epistemologia da prática profissional dos professores, tal saber é compreendido como o estudo do conjunto dos saberes utilizados realmente pelos profissionais em seu espaço de trabalho cotidiano para desempenhar todas as suas tarefas. Ao investigar os saberes docentes, Tardif (2002) descreve o saber experiencial como aberto, poroso, sincrético, permeável, pois integra experiências novas, conhecimentos adquiridos ao longo do caminho e um saber-fazer que se reclassifica em função das mudanças na prática, não só nas situações de trabalho como também da história de vida do professor.
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    54 Também segundo Tardif (2002), a relação dos docentes com os saberes não é limitada a um papel de transmissão de conhecimentos já formados. Ele diz que a prática docente associa diferentes saberes e que nutre diferentes relações com eles. Define o saber docente "[...] como um saber plural, formado pelo amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e experienciais" (p. 36). São citados por Nóvoa (1991, p. 25) outros três aspectos: pessoal, profissional e organizacional, como primordiais no processo de viabilização de uma formação contínua de qualidade: [...] a formação deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva, que forneça aos professores os meios de um pensamento autônomo e que facilite as dinâmicas de autoformação participada. Estar em formação implica um investimento pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os percursos e os projectos próprios, com vistas à construção de uma identidade, que é também uma identidade profissional. 2.3.3 Os processos de desenvolvimento e aprendizagem dos adultos Um dos maiores colaboradores para a pesquisa sobre educação de adultos foi Eduard Lindeman (USA), através do trabalho "The meaning of adult education", publicado em 1926. De acordo com esse autor, [...] a fonte de maior valor na educação de adultos é a experiência do aprendiz. Se educação é vida, vida é educação [...]. A psicologia nos ensina que, ainda que aprendamos o que fazemos, a genuína educação manterá o fazer e o pensar juntos [...]. A experiência é o livro vivo do aprendiz adulto (Lindeman, pp. 9-10). Lindeman (apud SCREMIN, 2002, p. 33) identificou alguns pressupostos- chave para a educação de adultos e vale a pena citá-los: 1. Os adultos são convidados a aprender a partir do momento em que experimentam que suas necessidades e interesses são satisfeitos. 2. A aprendizagem do adulto está centrada na vida. Por isso, a formação deve garantir as histórias de vida. 3. A experiência é a mais rica fonte para o adulto aprender. Por isso, na educação do adulto, o centro da metodologia é a análise das experiências. 4. Os adultos têm a necessidade de serem autodirigidos. Dessa forma, o papel do professor é engajar-se no processo de mútua investigação com os alunos.
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    55 5. A educação de adultos deve considerar as diferenças de estilo, tempo, lugar e ritmo de aprendizagem. As diferenças individuais aumentam com a idade. Na atualidade, a idade adulta é uma idade de inacabamento, autonomia, liberdade, incerteza, risco e individualização (BOUTINET, 2000). Por outro lado, o adulto inacabado da modernidade avançada convive com o adulto padrão da modernidade e estabelece-se uma contradição particular entre a perfil tradicional e o perfil moderno do que é ser adulto. Os valores enraizados na nossa sociedade põem em discussão as ênfases, levando os adultos a situarem sua essência num cenário de dúvidas, de contradições e de dialética, em que as pessoas e as instituições precisam recriar-se continuamente. Conta-se com a necessidade de trabalhar uma fase de vida, a qual não pode ser ignorada e que, nos cursos de formação, não é considerada, preconizando-se apenas as competências. Nessa perspectiva, as trajetórias e as experiências dos professores precisam ser levadas em conta nos cenários formativos. 2.4 A formação dos formadores Os programas, projetos e publicações voltados à formação têm ganhando espaço nas diversas esferas formativas. É dentro desse panorama que vimos despontar um novo tipo de profissional, denominado pelos documentos oficiais como formador. A opção por colocar a expressão "formador de formadores" no foco da investigação surge em função desse novo integrante que atua nos cursos de formação continuada da rede estadual de ensino, o professor coordenador das oficinas pedagógicas, mais especificamente no Programa Ler e Escrever. A escola como local de formação tem sido questionada em relação ao papel que vem desempenhando no cotidiano escolar. Da mesma forma, os responsáveis pelas políticas públicas, em nosso país, têm sido interrogados a respeito das necessidades de formação presentes nas esferas escolares. Na procura de possíveis soluções, os governos federal, estadual e municipal vêm ampliando projetos e produzindo documentos voltados à formação contínua. Josso (2002, p. 22) afirma que a participação na formação profissional, por meio da reflexão sobre a experiência, contribui para uma formação transformadora. Acrescenta, ainda, que “formar-se é integrar numa prática do saber fazer". Para
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    56 Freire (1991, p.32),“A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática”. Essas discussões levam-nos a perceber fundamentais reflexões frente à formação do formador e à construção do conhecimento, mediante a prática por eles vivenciada. É adequado expressar a consideração de Josso (2002, p. 9), quando afirma que “formar é sempre formar-se”. Ou, ainda, a colocação de Oscar Wilde (apud JOSSO, 2002, p.11), que destaca a questão de “não apenas fazer, mas ser; não apenas ser, mas tornar-se” formadores e aprendentes. Isso implica o saber da experiência, na certeza de que devemos refletir sobre nossas práticas que advêm dos resultados expressivos que se originaram no nosso fazer educativo. Nóvoa (2004, p.16), ao perguntar quem forma o formador, responde que: O formador forma-se a si próprio, através de uma reflexão sobre os seus percursos pessoais e profissionais (autoformação); o formador forma-se na relação com os outros, numa aprendizagem conjunta, que faz apelo à consciência, aos sentimentos e às emoções (heteroformação); o formador forma-se através das coisas, dos saberes, das técnicas, das culturas, das artes, das tecnologias e da sua compreensão crítica (eco-formação). É na sinergia de diferentes aspectos que o formador forma-se a si próprio. Configura-se por meio de suas experiências, na relação com os outros e, principalmente, conjugando saberes, técnicas, culturas, artes, tecnologias. Além disso, precisamos considerar que também é da compreensão crítica do formador que a formação contínua se processa, valorizando o educador como um profissional em formação que, em consequência, promove um atuar transformado. Nessa perspectiva, nota-se que, para que seja construído um novo modelo de atuar, é preciso, a nosso ver, que o profissional educador adquira um olhar refletido sobre sua própria prática como formador. Isso demanda tomar a ação formativa, e todas as suas implicações, como objeto de estudo e reflexão crítica. Para finalizar, é imprescindível recorrer ao pensamento de Lerner (2002, p. 116), quando afirma que: [...] para que um processo de capacitação seja fecundo, duas condições parecem necessárias: por um lado, que o formador se esforce por entender os problemas que os docentes apresentam, por compreender por que pensam o que pensam, ou por que decidem adotar uma proposta e rejeitar outra; por outro lado, que os professores se sintam autorizados a atuar de forma autônoma, que tenham razões próprias para tomar e assumir suas decisões.
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    57 Capítulo 3 –Os caminhos da pesquisa De que serve o eterno criar, Se a criação em nada acabar? (Goethe) A fim de delimitar, de forma clara e objetiva, a construção do objeto de análise, visto ser esta uma pesquisa inspirada em princípios de uma abordagem qualitativa e que, portanto, não pode prescindir da descrição do caminho percorrido, apresentamos, neste capítulo, os passos dados para o desenvolvimento da pesquisa. 3.1. O Contexto da pesquisa A pesquisa foi realizada no contexto das Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino, mais especificamente com formadores que atuam no Programa Ler e Escrever. 3.1.1 Caracterização das Oficinas Pedagógicas das Diretorias de Ensino As Oficinas Pedagógicas têm como atribuição principal prestar assistência e apoio técnico-pedagógico aos integrantes das unidades escolares no processo de elaboração e implementação de seu projeto educacional. Esse deverá ser proclamado a partir do diagnóstico e da realidade de cada escola e estar de acordo com as diretrizes pedagógicas da Secretaria da Educação e em consonância com o plano da Diretoria de Ensino. Para tanto, são atribuições da Oficina Pedagógica: realizar reuniões de estudos que promovam o intercâmbio de experiências regionais e/ou locais; acompanhar e assistir os programas de integração escola-comunidade; selecionar e divulgar materiais de apoio pedagógico aos docentes e auxiliar no diagnóstico das necessidades de aperfeiçoamento dos professores e especialistas, sugerindo medidas para atendê-las. A Oficina Pedagógica é composta de professores coordenadores que atuam nas diferentes áreas. Os profissionais da área de alfabetização estão intimamente ligados ao Programa Ler e Escrever.
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    58 3.1.2 Caracterização doPrograma Ler e Escrever O Programa Ler e Escrever (Resolução SE Nº 86/2007), conforme vimos apontando no decorrer dessa pesquisa, inclui-se entre as ações destinadas ao cumprimento, até 2010, das 10 metas do plano para a Educação instituído pelo governo paulista em agosto de 2007. Esse é um programa, segundo a SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, de formação continuada, conforme expresso pela Secretária de educação8, MARIA HELENA GUIMARÃES DE CASTRO, no site oficial do programa: O Ler e Escrever é um programa de formação continuada, com intervenção direta na sala de aula. [...] A avaliação da qualidade de ensino, no Brasil, é muito recente, tendo começado efetivamente a partir de 1995, com a implantação do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica). A partir dali, foi possível formular as políticas públicas da Educação de forma mais embasada. Agora, nós temos a capacidade de contar com um conjunto de instrumentos que não tínhamos antes (www.fde.sp.gov.br). A fim de atingir seu objetivo primeiro, a formação continuada, com a intervenção direta em sala de aula, o programa abrange várias esferas de formação: o trio gestor (professores coordenadores das oficinas pedagógicas, diretores e supervisores), os professores coordenadores das unidades escolares e os professores de ensino fundamental de ciclo I (do 1º ao 5º ano), na hora de trabalho pedagógico coletivo (HTPC), momento destinado a auxiliar o professor de sala de aula no planejamento de sua ação pedagógica. De acordo com a resolução SEE 86, de 19 de dezembro de 2007, que normatiza a implementação do Programa Ler e Escrever, na rede estadual paulista, o trio gestor deverá ter ação efetiva sobre a aprendizagem dos alunos, ao garantir o trabalho dos docentes e dos professores coordenadores, conforme expresso na resolução que orienta a organização dos encontros de formação O chamado trio gestor terá, mensalmente, um encontro com formadoras do programa para analisar, discutir e aprender sobre os processos pedagógicos envolvidos na alfabetização e, principalmente, sobre sua participação no avanço da aprendizagem dos alunos. A efetiva participação de cada um é essencial para garantir as condições necessárias ao trabalho dos docentes e professores coordenadores e a aprendizagem dos alunos. Entre outras ações, acompanharão a avaliação processual a ser realizada 8 Atuou como Secretária da Educação no período de janeiro de 2007 a março de 2009.
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    59 bimestralmente, em todas as classes envolvidas no programa (Resolução SE 86, de 19-12-2007). O Programa Ler e Escrever promove a capacitação do trio gestor em encontros mensais, articulados às diretrizes, conceitos e materiais de apoio especialmente desenvolvidos para o trabalho pedagógico nas 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries do EF. Outra ação do Programa é a formação pedagógica, em encontros semanais dos professores coordenadores das escolas, articulada à didática de alfabetização e formação dos professores de suas escolas. A maior parte destes encontros fica sob a responsabilidade dos professores coordenadores das oficinas pedagógicas. Devido à complexidade das ações de integração das Diretorias de Ensino com os órgãos centrais da Secretaria da Educação, cada Diretoria conta com o professor coordenador da oficina pedagógica, especialista em alfabetização, que surge como elemento-chave para articular o acompanhamento e avaliação de todas as ações desencadeadas pelas unidades escolares. Ao examinarmos as ações para implementação do programa e seus objetivos centrais, percebemos a relevância dada, pelos idealizadores do LER E ESCREVER, a alguns pontos considerados básicos para a constituição de uma política pública voltada para a melhoria da educação no âmbito da instituição escolar: a importância de que houvesse um investimento na formação dos profissionais envolvidos, a necessidade de viabilizar materiais pedagógicos de qualidade a fim de que os educadores pudessem desenvolver práticas de alfabetização de acordo com as atuais concepções de ensino e de aprendizagem, a relevância de um acompanhamento mais sistemático às DEs, de modo que os órgãos centrais tivessem um mapeamento de todas as ocorrências e da necessidade de possíveis intervenções e a urgência em propiciar um atendimento diferenciado às crianças com maiores problemas no processo de alfabetização. Contudo, a nosso ver, não houve uma preocupação com o tempo da formação, já que criar uma escala de formação, em que um especialista forma um PCOP, que forma um PC para que esse forme o professor, principal elemento do processo, não se constitui uma tarefa fácil e tampouco producente. Pelo contrário, parece-nos uma maneira que desconsidera os fatores intraescolares que produzem o fracasso escolar, conforme nos apontam Azanha (2004) e Patto (1999, 2004).
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    60 Assim como o PCOP, o PC possui diversas atribuições que, aparentemente, são estritamente voltadas para o âmbito pedagógico; porém, cumpre destacar que sua atuação abrange diferentes frentes, fruto dos diversos desdobramentos trazidos pela própria legislação, já que, devido às ações do programa, são obrigações do PC: acompanhar a distribuição e o uso dos materiais pedagógicos; organizar a aplicação, a análise e o encaminhamento dos mapas de sondagem de escrita, instrumento utilizado pelas Diretorias de Ensino e pelos órgãos centrais da SEE – SP (CENP, COGSP, CEI, FDE), para avaliar o nível de aprendizagem dos alunos; participar das 8 horas de formação nas Diretorias de Ensino e/ou em polos de formação, oferecidas pelos PCOPs das Oficinas Pedagógicas e/ou pelas formadoras da FDE; preparar as pautas de HTPCs realizadas semanalmente nas escolas; orientar a realização dos projetos de recuperação paralela e contínua efetuados na escola, entre outras funções. Na trajetória de formação de muitos coordenadores pedagógicos da Rede Estadual, há uma grande defasagem entre o que deve ser feito e o que há para ser feito, enquanto formadores junto aos professores. Sob nossa ótica, este fator, aliado às inúmeras tarefas presentes em seu cotidiano, conforme apontamos, pode levá-los à adoção de um modelo de formação transmissivo, por meio do qual se diz aos professores o que deve ser feito, atendendo às situações pontuais, deixando de lado seu verdadeiro papel de formador. Esse modelo transmissivo é bastante enfatizado na literatura sobre formação. A formação dos professores perde, simultaneamente, sua característica de formação geral para se transformar em formação profissional especializada. (TARDIF et.al. 1991, p. 224). Nesse processo, o que e como pensam os professores são questões deixadas de lado, postura que, nas práticas formativas, demonstra que o docente tem sido desvalorizado e desconsiderado. Surgem, então, situações de desconforto, traduzidas em uma resistência que se manifesta nos interlocutores dos processos de formação. Analisar, pesquisar e refletir sobre os próprios saberes e práticas parece ser visto como um desafio negativo para a identidade profissional, tanto para o coordenador pedagógico como para os professores. As ações de formação continuada de professores não devem se limitar a contribuir para que estes dominem bem o conteúdo ou sejam tecnicamente bons executores das propostas educacionais. É importante que as práticas formativas
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    61 possibilitem ao professorressignificar sua atuação, sua trajetória profissional e que lhe abram espaços de atuação crítica e reflexiva. Assim, dentre os vários aspectos levantados, que serão ao longo deste trabalho discutidos, cumpre destacar, neste momento, a consciência de que a formação dos professores seria uma peça-chave para o sucesso do Programa Ler e Escrever. A Secretaria Estadual de Educação, junto aos idealizadores consideram, contudo, que orientá-los por meio de um intrincado processo de formação seria um dos pontos fundamentais para que essa lacuna fosse preenchida, possibilitando, assim, que os alunos alcancem os níveis de proficiência leitora e escritora esperados para o Ciclo I. Parece-nos que o longo caminho de formação proposto pelo programa corre o risco de transformar-se em um círculo de transmissão de informação e não de construção de conhecimento, já que “informação transmite-se, mas o conhecimento adquire-se através da reflexão crítica" (GUEDIN, 2002, p. 146- 7). Para Guedin (2002), no mundo em que vivemos, interconectado e globalizado, a reflexão como uma das alternativas à educação é uma possibilidade que nos permite ir além da simples reprodução dos conhecimentos construídos por outros e das informações, para que sejamos sujeitos produtores de um conhecimento que nos faça como práxis comprometida politicamente. Dessa forma, o conhecimento torna-se algo significativo, não situado no âmbito da informação, mas como uma construção reflexiva, sistematizada a partir das informações que a realidade nos apresenta. 3.2. A abordagem da pesquisa Para atingir os objetivos propostos, optamos pela abordagem qualitativa de pesquisa, que permite uma aproximação maior com o universo dos sujeitos da pesquisa. Por meio de suas falas, busca-se explicitar concepções, conceitos, crenças e expectativas que permeiam suas práticas. Segundo Bogdan e Biklen (1994), a investigação qualitativa surgiu no final do século XIX e início do século XX, atingindo o seu apogeu, nas décadas de 60 e 70, através do surgimento de novos estudos e sua divulgação. Segundo Bogdan e Biklen (1994), tal abordagem tem, na sua essência, cinco características: (1) a fonte direta dos dados é o ambiente natural, enquanto que o investigador é o principal agente na recolha desses mesmos
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    62 dados; (2) osdados que o investigador recolhe são principalmente de caráter descritivo; (3) os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo em si, do que propriamente pelos resultados e (4) a análise dos dados é feita de forma indutiva e (5) o investigador interessa-se, acima de tudo, em tentar compreender o significado que os participantes dão às suas experiências. 3.3 Os sujeitos da pesquisa Os sujeitos da pesquisa são cinco professores coordenadores das oficinas pedagógicas, de três Diretorias da Zona Leste de São Paulo. Esses professores atuam em oficinas pedagógicas nas Diretorias de Ensino vinculadas à Secretaria de Estado da Educação de São Paulo e têm como principais atribuições, de acordo com a Resolução SE – 91, de 19/12/2007, em seu Art. 1°: definir procedimentos organizacionais e de funcionamento dos diferentes níveis e modalidades de ensino da educação básica; implementar as propostas curriculares dos ensinos fundamental e médio; avaliar o desenvolvimento de ações de apoio educacional e implementar as ações de apoio pedagógico e educacional que orientarão as equipes escolares na condução de procedimentos que dizem respeito à organização e funcionamento dos diferentes níveis e modalidades de ensino. Para que as ações educativas sejam realizadas, a oficina pedagógica, reconhecida neste estudo como um espaço da atual política de melhoria da qualidade de ensino, conta em seu interior com vários profissionais que exercem diferentes funções, de acordo com as áreas do conhecimento em que se especializaram. Dessa forma, os professores coordenadores das oficinas pedagógicas atuam como gestores implementadores do Programa Ler e Escrever. Esse profissional recebe formação da Secretaria de Estado da Educação – CENP (Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas) e faz encontros semanais com os professores coordenadores das escolas, que, por sua vez, fazem encontros com os professores. Daí a relevância de sua função de formador, sobretudo junto aos professores coordenadores das escolas. Nota-se que, no Programa Ler e Escrever, os professores coordenadores das oficinas pedagógicas são formadores dos formadores de professores.
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    63 3.3.1 Escolha dosparticipantes A escolha dos sujeitos da pesquisa foi norteada por dois critérios: a disponibilidade dos PCOPs em responder ao questionário e sua atuação como formadores no Programa Ler e Escrever. Para a escolha dos professores a serem questionados, optamos por fazer essa seleção a partir de um circuito de identificações, ou seja, a partir das indicações dos próprios entrevistados. Assim, iniciamos o trabalho de campo, selecionando um professor – Professor 1 – com quem tivemos uma breve experiência de trabalho e que tinha conhecimento sobre os critérios da pesquisa. Dando início ao circuito, pedimos ao Professor 1 que indicasse um ou mais professores que atendessem aos critérios de seleção da pesquisa, fazendo o mesmo com todos os demais participantes. Assim, o Professor 1 indicou o Professor 2, que indicou o Professor 3. O Professor 1 também indicou o Professor 4, que indicou o Professor 5, dando origem ao que estamos chamando de circuito de identificação. Após o levantamento dos participantes, encaminhamos o questionário via endereço eletrônico. Em todos os casos, o questionário seguiu juntamente com uma carta explicando o objetivo do mesmo e sua importância para a pesquisa. Foi estipulado um prazo de 15 dias, em média, para a devolução. Fazem parte do grupo pesquisado cinco professores que desempenham a função de professor coordenador da oficina pedagógica em diretorias de ensino da Região Leste do estado de São Paulo, no período de 2009. São eles: Sujeitos da Formação Trajetória Profissional Tempo Tempo como pesquisa Acadêmica na rede Coordenador estadual da Oficina de ensino Pedagógica Professor 1 Pedagogia /pós Professor / professor 20 anos 4 anos graduação em coordenador de gestão escola/ Formador do escolar(lato Programa Letra e Vida/ sensu). professor coordenador
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    64 da oficina pedagógica Professor 2 Letras/ Professor / professor 15 anos 10 meses Pedagogia / pós- coordenador de escola graduação em / vice-diretor/ diretor de Educação (lato escola/ Formador do sensu). Programa Letra e Vida/ professor coordenador da oficina pedagógica Professor 3 Geografia/pós- Professor/professor 24 anos 5 anos graduação em coordenador de Educação (lato escola/ Formadora do sensu). Programa Letra e Vida/ professora coordenadora da Oficina Pedagógica Professor 4 Letras/ pós- Professor / vice- 25 anos 15 meses graduação - diretor/, professor Sociopsicologia e coordenador de gestão escolar escola/ Formador do (lato sensu). Programa Letra e Vida /professor coordenador da oficina pedagógica Professor 5 Letras/Mestrado Formador do Programa 5 anos 3 anos em Educação de Educação (stricto sensu) Continuada (PEC)/Professora/ professora coordenadora da oficina pedagógica FIGURA 4: FORMAÇÃO ACADÊMICA, TRAJETÓRIA PROFISSIONAL E TEMPO DE TRABALHO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES COORDENADORES DAS OFICINAS PEDAGÓGICAS (PCOPS).
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    65 Como podemos observar no Quadro 1, os entrevistados possuem formação superior: um, em Pedagogia, três, em Letras, e um, em Geografia. Todos fizeram pós-graduação. Notamos que quatro dos sujeitos pesquisados, antes de assumirem a função de professor coordenador da oficina pedagógica, exerceram outra função na educação como professor, professor coordenador e vice diretor. Essas pessoas estão em contato com a educação, na rede estadual de ensino, há cinco anos ou mais. Em relação ao tempo acumulado na função de professor coordenador da oficina pedagógica, a pesquisa aponta: três pessoas do grupo estão nesta atividade entre 10 meses e três anos; uma há quatro anos; outra há cinco anos. Todos os professores coordenadores ocupam a função de professor coordenador em oficina pedagógica. 3.4 Os procedimentos de coleta de dados O questionário foi o instrumento escolhido para a coleta de dados. Os questionários dão "pistas" que identificam pontos significativos na trajetória de vida dos entrevistados, as quais podem ser mais ou menos valiosas. Considera-se que as respostas decorrentes deles são potencialmente relevantes para a compreensão das diversas fontes de constituição dos sujeitos, bem como dos modos de significação e sentidos construídos nas experiências em cursos de formação continuada, isso porque o questionário é uma forma de os entrevistados manifestarem suas opiniões. Concordamos com Luna (1999, p. 60), quando afirma: Ao insistir na explicação de cada uma das perguntas que nos interessa responder e no detalhamento, para cada uma delas, da melhor fonte para cada conjunto de informações necessárias, estamos tentando explorar ao máximo as condições de pesquisa [...]. 3.4.1 A elaboração dos questionários Os questionários são compostos de um roteiro contendo 16 perguntas (Anexo 2), cuja elaboração teve como princípio nortear o processo de investigação, seguindo uma sequência lógica entre os assuntos de interesse. Para registro dos
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    66 dados, foram realizadosquestionários, a primeira parte com questões pessoais e a segunda com questões sobre o processo formativo. 3.4.2 Aplicação dos questionários A necessidade de aplicar questionários a alguns professores coordenadores das Oficinas Pedagógicas foi verificada à medida que discorríamos sobre o tema desta pesquisa e acompanhávamos, enquanto integrante da equipe técnica da CENP, o processo de formação de formadores, a fim de levantar alguns aspectos pertinentes relacionados às demandas de um formador de formadores. 3.4.3 A organização e a análise dos dados O objetivo deste trabalho, conforme vimos apontando, é investigar o processo de formação de Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas que atuam como formadores em projetos de formação continuada, desenvolvidos no Programa Ler e Escrever da Rede Estadual de Ensino. Para isso, selecionamos, como sujeitos da pesquisa, cinco professores coordenadores de oficinas pedagógicas, pertencentes a três diretorias de ensino, da SEESP, localizadas na região leste de São Paulo. Buscamos compreender como se tornaram formadores; verificar, em sua percepção, qual é o papel do professor coordenador; identificar a formação que receberam para se tornarem formadores; e averiguar como avaliam a formação que recebem para atuarem como formadores. Para realizar a análise dos dados, primeiramente foi construído o Protocolo de Análise 1 (Anexo 3). Esse protocolo foi organizado em três colunas. Na coluna central, foram registradas as respostas dadas pelos professores pesquisados. Na coluna da direita, foram levantadas categorias de análise e, na da esquerda, foram estabelecidas relações com as referências teóricas. Essa organização inicial possibilitou a montagem do Protocolo de Análise 2 (Anexo 4), que permitiu uma maior clareza das categorias emergentes. Tendo em vista as inúmeras responsabilidades e demandas advindas da função de professor coordenador da oficina pedagógica, conforme expresso na resolução SE - 91de 19/12/2007, acredita-se que sua principal atribuição seja, a
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    67 saber, formar professorescoordenadores das unidades escolares, em um processo de contínua formação.
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    68 Capítulo 4 –A análise dos dados: da voz dos formadores a um esboço teórico A fim de alcançarmos nosso objetivo, coletamos dados que foram agrupados em quatro grandes categorias de análise: perspectiva para se tornar professor coordenador da oficina pedagógica, o papel do PCOP, formação recebida e experiência com a coordenação. A partir dessas categorias, elaboramos considerações referentes aos aspectos formativos desses formadores e sobre a viabilidade de construir e reorganizar o conhecimento profissional. 4.1 Perspectiva para se tornar Professor Coordenador da Oficina Pedagógica No que concerne à primeira categoria, perspectiva para se tornar Professor Coordenador da Oficina Pedagógica, questionamos os PCOPs com respeito ao que os levou a ser professores, ao que os motivou a ser professores coordenadores da Oficina Pedagógica e de que forma sua atuação como professores influenciou sua atuação como formadores. Nosso objetivo, ao aplicarmos essas questões, era investigar os caminhos percorridos para se tornar professor coordenador. Observou-se, no que diz respeito à primeira questão, que os motivos que os conduziram à profissão docente estão estritamente vinculados a questões pessoais, sociais e familiares, tais como identificação com um professor da infância, a possibilidade de ascender socialmente, de contribuir para a formação de outros, a intervenção familiar e a vocação. A admiração por um antigo professor e a vontade de "vencer na vida" ficam especialmente evidentes em seus depoimentos: Acredito que meu desejo de ser professora tenha nascido naqueles momentos de admiração por aquela professora que, em uma época, na qual professores pouco consideravam ou falavam com alunos, agiu diferente, conversou, questionou e quis saber sobre a minha vida, que na época era bem miserável, devido às condições sociais e econômicas. Nasceu ali o meu desejo de ser diferente, de querer estudar cada vez mais, para sair da condição de vida em que eu vivia, e fazer algo que fizesse a diferença na vida de outras pessoas (Professor 1). Foi a partir do modelo de uma professora da 4ª série, pois a admirava muito, nos fazia ter prazer em estudar. Suas aulas eram fantásticas. Participávamos de situações de leitura e escrita dentro de um contexto real.
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    69 Tive o prazer de reencontrá-la nos três últimos anos do Magistério, ela foi nossa professora de Língua Portuguesa e continuou maravilhosa, como sempre (Professor 3). Notamos que, ao relatar os motivos que os conduziram à profissão docente, os professores expressam identificação com professores da infância. Descobrem, como relata Furlanetto (2003), um professor interno, composto por dimensões conscientes e inconscientes que se revelam no seu fazer pedagógico, às quais chama de matrizes pedagógicas. Ainda, de acordo com esta autora, "as matrizes se apresentam como arquivos existenciais que contêm registros sensoriais, emocionais e cognitivos que são acessados quando o professor se exerce nos espaços pedagógicos" Furlanetto (2003, p.32). Podemos incluir na trajetória docente toda a bagagem educativa que o mesmo recebe desde a infância, em diferentes espaços formativos, incluindo a escola. E, como salienta Arroyo (2000, p.30), “as imagens de nossos primeiros mestres nos acompanham como as primeiras aprendizagens”. Outro fator que os conduziu à profissão docente, relatado ainda na primeira questão, é a busca por ascensão social, como expresso por Almeida (1998, p. 191): A escolha profissional passava necessariamente por essa ideia de frequentar um curso de qualidade, que dava uma excelente cultura geral e preparo adequado para exercer uma profissão que era reputada como digna e prestigiada, fosse ela exercida por homens ou por mulheres. A figura da mulher que lecionava era bem aceita e apontada às moças como exemplo de honestidade e ideal a ser seguido. O mesmo acontecia com o professor. A família tinha a figura da professora e do professor em grande consideração e estes detinham um prestígio social que estava em claro desacordo com a remuneração salarial percebida [...], desfrutava um prestígio advindo do saber, e não do poder aquisitivo. De acordo com Gatti (2010, p.309900), em uma entrevista no portal conexão professor9: A maioria das pessoas que procuram a Pedagogia provém de famílias de baixa renda, e cujos pais têm pouca formação e muitas dessas pessoas não têm uma bagagem cultural fortificada. Por outro lado, são pessoas com grande potencial. Elas procuram ascensão social e econômica via carreira de professor. Se lhes fosse oferecido um curso decente, com instrumental para trabalhar tanto a cultura geral quanto a especializada, esse potencial seria aprimorado. 9 GATTI, Bernadete. Pesquisa da UNESCO revela os desafios do professor. In: Educação 360º. [citado em 22 de out. de 2010] disponível em http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/educacao-entrevista00.asp? Edite Codigo Da Pagina =309900
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    70 Com a intenção de saber como esses participantes se tornaram professores coordenadores, perguntou-se o que os motivou a trabalhar nas Oficinas Pedagógicas. Os participantes mencionaram: convite, reconhecimento profissional, possibilidade de participar de cursos de formação, contribuição ao crescimento/transformação de outros, insatisfação profissional. Nesta questão, percebemos uma busca por realização e reconhecimento profissional. Isso pode ter sido propiciado pelo contato com a profissão, com o fazer docente, conforme vemos em um dos depoimentos: (...) fazer com que esse ideal de crescimento profissional se expandisse. A escola pública é muito rica, há verdadeiras pérolas que precisam se reconhecer como pérolas (Professor 2). Em relação ao convite, vale a pena salientar que, embora a função de PCOP seja atribuída por meio da realização de prova e credenciamento, não existem muitos profissionais interessados em ocupar esta função. Muitos fazem a prova, mas não se credenciam, a nosso ver: pelas exigências decorrentes das atribuições deste profissional, pela carga horária (40 horas semanais), que dificulta exercer outras funções, e pelos baixos salários. Em função disso, quando um profissional apresenta um trabalho de destaque, ele é convidado a trabalhar como PCOP. Se este professor não tiver prestado a prova, aguarda na função de origem, até que possa assumir a nova função. O convite da minha amiga que acreditou no meu trabalho como professora coordenadora, pois participava das formações que ela realizava para professores de Recuperação de Ciclo I. Primeiramente me convidou para ser formadora de um programa de formação para professores alfabetizadores e em seguida para compor o quadro da Oficina Pedagógica Leste 3, na equipe de Ciclo I, pois uma das PCOP's estava cessando sua designação por motivo de licença gestante (Professor 3). No que diz respeito ao terceiro questionamento, se a atuação como professor influenciou a atuação como formador e de que forma, os sujeitos da pesquisa apontaram a reflexão sobre a teoria e prática, a didática, a formação profissional e a autonomia como pontos da docência que influenciam na sua atuação. Porém, evidenciam a influência direta de suas práticas, conforme relatos: Sim, sempre fui uma professora, inquieta com as concepções nas quais fui ensinada, então estudava, procurava realizar trabalhos e projetos
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    71 diversificados e diferentes com os alunos com o intuito de desenvolver uma aprendizagem mais significativa, que fosse além do trivial no qual as escolas estavam acostumadas. Este espírito de inquietude e não conformidade com o que está posto me levou a procurar através da formação despertar nos PCs inquietações e busca de autonomia profissional para tomar decisões que julguem necessárias para formar os seus professores e consequentemente promover o avanço da aprendizagem dos alunos (Professora 1). Sim. Parti do pressuposto que o trabalho realizado como professora estava de acordo com as ideias de alfabetização que realmente favoreciam a aprendizagem significativa dos alunos. Nesta ocasião me candidatei à função de Professora Coordenadora para poder contribuir na formação dos alunos, junto aos professores (Professor 3). Ter atuado em sala de aula me deu condições para discutir, refletir sobre práticas e situações didáticas com mais propriedade, já que foram vivenciadas por mim no cotidiano da sala de aula. A experiência enquanto docente, nesta busca constante por diferentes formas de trabalhar, considerando trabalhos e projetos diferenciados para atender a heterogeneidade. Olhando seus alunos e trabalhando a partir de seus conhecimentos (Professor 4). Não podemos negar a importância de trazermos para a prática do professor coordenador sua experiência enquanto docente, já que lhe permite falar de situações vividas. Por outro lado, a inquietação, citada pelo Professor 1, refere-se ao entendimento reducionista do termo epistemologia da prática, levando ao “desenvolvimento de um possível praticismo, para o qual bastaria a prática para a construção do saber docente” (PIMENTA 2002, p. 22). Sobre essas inquietações, Pimenta (2002, p. 24) assinala, ainda, que O saber docente não é formado apenas da prática, sendo também nutrido pelas teorias da educação. Dessa forma, a teoria tem importância fundamental na formação dos docentes, pois dota os sujeitos de variados pontos de vista para uma ação contextualizada, oferecendo perspectivas de análise para que os professores compreendam os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais e de si próprios como profissionais. Pimenta (2005), em outros estudos realizados, acrescenta ainda que o professor pode produzir conhecimento a partir da prática. Para tanto, é imprescindível a reflexão sistemática e intencional sobre a prática. 4.2 Papel do Professor Coordenador de Oficina Pedagógica A partir do pressuposto segundo o qual toda prática pedagógica está baseada numa série de concepções sobre o que é escola, aluno, aprendizagem, ensino,
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    72 professor, que aorientam e que são construídas a partir de vivências e conhecimentos acumulados durante a formação inicial e contínua, adotamos esta categoria de análise, a fim de levantar as representações/concepções dos PCOPs sobre suas atribuições e seu papel enquanto formadores. Assim, no que diz respeito à categoria 2, (qual o papel do professor coordenador), os PCOPs responderam às seguintes questões: Quais são as principais atribuições de um PCOP? Você se considera um formador de formador? O que define a identidade de um formador de formador? O que você considera prioritário para um bom formador? Quanto às principais atribuições de um PCOP, a maioria dos coordenadores afirmou que sua função está vinculada a programar e realizar a formação semanal; acompanhar a formação dos professores nos HTPCs (horário de trabalho coletivo pedagógico), que é realizada pelos Professores Coordenadores; e acompanhar a distribuição e o uso do material do Programa Ler e Escrever, do governo do Estado. Podemos destacar as atribuições de um PCOP no campo pedagógico, auxiliando os PCs em seus trabalhos com os professores, por meio de orientações técnicas, acompanhamento às escolas (...) e, no campo institucional, acompanhando distribuição de materiais pedagógicos, pagamento de transporte (...) (Professor 5). Acompanhar e avaliar o ensino e o processo de aprendizagem, bem como os resultados do desempenho dos alunos; atuar no sentido de tornar as ações de coordenação pedagógica um espaço coletivo de construção permanente da prática docente; assumir o trabalho de formação continuada, a partir do diagnóstico dos saberes dos professores para garantir situações de estudo e de reflexão sobre a prática pedagógica, estimulando os professores a investirem em seu desenvolvimento profissional; assegurar a participação ativa de todos os professores do segmento/nível objeto da coordenação, garantindo a realização de um trabalho produtivo e integrador; organizar e selecionar materiais adequados às diferentes situações de ensino e de aprendizagem; conhecer os recentes referenciais teóricos relativos aos processos de ensino e aprendizagem, para orientar os professores; divulgar práticas inovadoras, incentivando o uso dos recursos tecnológicos disponíveis (Professor 3). No que diz respeito à definição da identidade do formador, é recorrente nas respostas dos PCOPs, a preocupação com a articulação entre teoria e prática: Além de uma prática que explicite as teorias e as concepções que ensina; saber e aceitar a idéia de que seu trabalho nunca estará acabado (Professor 1).
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    73 Aquele que promove a formação de modo que estabeleça relação entre teoria e prática e que realiza o trabalho com convicção das concepções que favoreçam a aprendizagem significativa de seu grupo (Professor 3). As questões trazidas pelos PCOPs parecem-nos declarar que a identidade do formador está vinculada a contribuir para a formação de outros docentes. Cabe, portanto, ao formador, promover a sistematização dos saberes e estimular uma atitude crítica e reflexiva por parte do educador em relação às suas próprias experiências, suas leituras de mundo e de teorias pedagógicas, de modo a favorecer a proposição de atividades relevantes. Na trajetória de formação de muitos PCOPs, existe uma grande defasagem entre o que conseguem fazer e o que poderiam fazer, enquanto formadores junto aos professores coordenadores das escolas. Sob nossa ótica, este fator, aliado às inúmeras tarefas presentes em seu cotidiano, conforme apontamos, pode levá-los à adoção de um modelo de formação transmissivo, deixando de lado seu verdadeiro papel de formador. Embora a reflexão seja sobre a formação dos PCOPs, talvez o mesmo modelo aconteça em relação as formação que os PCOPs participam como formandos. Acreditamos que este aspecto mereça uma análise mais aprofundada em outras pesquisas. 4.3 Formação recebida No que tange à categoria 3, (da formação recebida), os PCOPs foram inquiridos quanto a suas expectativas enquanto formadores de formadores e ainda quanto aos impactos da formação realizada, sistematicamente, pela SEE-SP. Para isso, responderam às seguintes questões: Quando você assumiu a função de Professor Coordenador da Oficina Pedagógica, sabia que seria formador de professores coordenadores? Você está recebendo formação para ser Professor Coordenador da Oficina Pedagógica? Que benefícios esses cursos trouxeram para você? Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são bons? Que saberes considera importantes para ser formador de professores coordenadores? No que diz respeito aos questionamentos desta categoria, os PCOPs foram unânimes em considerar como de suma importância os saberes adquiridos na
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    74 formação, já que,segundo afirmam, trazem enriquecimento profissional e pessoal, propiciam a apropriação de subsídios teóricos e práticos, melhoram o desempenho da função e possibilitam direcionamento e foco para exercer a função de formador. Enriqueceram e qualificaram o meu trabalho como PCOP, dando-me um bom embasamento, consequentemente, estou colhendo frutos pessoais e enquanto formador. Até o momento, todos os encontros têm sido muito proveitosos (Professor 2). Ao indagarmos os sujeitos de pesquisa em relação aos benefícios dos cursos, buscávamos compreender de que forma esses profissionais refletiam sobre sua formação continuada e a importância que atribuíam aos saberes construídos a partir dessa experiência, atrelando-os ao seu fazer cotidiano enquanto formadores e formandos. Consideramos, nesta perspectiva, que é pertinente que todo educador pese, considere e reflita sobre sua prática o tempo todo: durante as situações cotidianas de trabalho, lidando com os problemas mais imprevistos e buscando soluções que comunguem com suas crenças, concepções e valores. E não somente isso, mas também é necessário que, fora de seu contexto de trabalho, o profissional docente transforme sua prática em objeto de reflexão e análise, tendo como base tanto os conhecimentos adquiridos em sua formação inicial como em sua formação contínua. De acordo com Donald Schon (2000), esses são conhecimentos imprescindíveis ao educador, são parte integrante de um profissional reflexivo, já que tal papel pressupõe mobilizar conhecimento na ação pedagógica, refletir na ação, durante a prática, e pensar criticamente sobre sua ação, o que pode levá-lo a criar novas estratégias, refletindo sobre a reflexão na ação e possibilitando a construção de um conhecimento sistematizado. Observou-se, no que diz respeito aos saberes considerados importantes para um formador de professores coordenadores, que os PCOPs foram unânimes em responder: conhecimento do conteúdo da formação, estratégias de formação, saberes do grupo, conteúdos procedimentais, atitudinais, estratégias formativas e didáticas da formação, articular conhecimentos que seu grupo possui com novos conteúdos a serem ensinados: Conhecimento dos conteúdos da formação; conhecimento e domínio das estratégias de formação; conhecimento dos saberes de seu grupo;
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    75 conhecimentos didáticos de formação; saber articular o conhecimento que seu grupo possui com os novos conteúdos a ser ensinado (Professor 1). Acredito que seja importante o domínio das questões referentes à teoria e prática, da didática de formação e estratégias formativas para que os professores coordenadores se coloquem e assuma o papel de formador (Professor 3). Para Tardif (2002), os saberes provenientes da experiência de trabalho cotidiano parecem constituir a base da prática e da competência profissional, pois essa experiência é, para o formador, a condição para aquisição e produção de seus próprios saberes profissionais. Ensinar é acionar um grande número de saberes, reutilizando-os no trabalho para adaptá-los e transformá-los pelo e para o trabalho. 4.4 Experiência com coordenação Com referência à categoria 4 (relativa à experiência com coordenação), os PCOPs refletiram sobre o impacto da formação contínua em suas práticas cotidianas. Dessa forma, foram questionados sobre diferentes aspectos: Como foram suas primeiras experiências como formador(a)? Em que se apoiou para organizar os primeiros encontros de formador que conduziu? As pautas10 que desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as pauta de seus formadores? Por quê? Qual sua satisfação enquanto formador e quais as principais dificuldades? As respostas às questões com referência à formação que promovem junto aos professores coordenadores das escolas foram muito similares. Todos têm, como referência direta, as pautas desenvolvidas pela SEE-SP: Após a SEE/CENP iniciar o trabalho com a formação dos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas, para estes formarem os Professores Coordenadores das escolas, essas pautas passaram a servir como referencial para a formação, desde que estivesse de acordo com as necessidades de formação dos PCs (Professor 1). Sim. Segue o mesmo formato – leitura pelo formador, objetivos do encontroetc., por conta de uma rotina de trabalho e gestão de tempo e conteúdos (Professor 2). 10 Compreende a organização de atividades problematizadoras que os formadores elaboram, tendo por objetivo o processo formativo de seus docentes e deles próprios.
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    76 A partir de uma posição centrada nas pautas, concebe-se a profissão docente como um “ofício sem saberes” (GAUTHIER, 1998), que inclui perspectivas que valorizam a cultura ou o conhecimento dos conteúdos a ensinar. Para exemplificar a situação das pautas como referência, torna-se importante relatar uma experiência que tivemos ao acompanhar uma reunião de HTPC, em uma escola coordenada por um dos PCs cuja formação era atribuição de um dos sujeitos desta pesquisa, ainda que a observação sistemática das HTPCs não fizesse parte da metodologia deste trabalho. Nessa oportunidade, examinamos os materiais que estavam sendo trabalhados na HTPC, ou seja, pautas e recursos pedagógicos.Observamos que as mesmas atividades que haviam sido utilizadas pelos formadores da CENP, no curso do PIC, junto aos PCOPs, estavam sendo utilizadas na escola para as professoras. Esse fato levou-nos a suspeitar que o desenho da formação, dada na SEE-SP, estava sendo reproduzido ipsis literis. A partir dessa observação, julgamos necessário e pertinente requisitar o envio das pautas regularmente, trabalhadas nas reuniões com os PCs. Nossas suspeitas se confirmaram: as pautas eram repetidas, sem a preocupação com as adequações que seriam necessárias ao público-alvo. Observamos que a grande dificuldade dos coordenadores é pensar em atividades formativas problematizadoras, ou seja, atividades que exijam que os professores acionem seus conhecimentos e, na tentativa de refletir sobre o problema colocado, construam novos conhecimentos. Situações formativas em que a reflexão sobre a prática seja inevitável. Realmente, contemplar isso em uma pauta não é tarefa das mais fáceis no terreno da formação continuada. Por essa razão, o mais comum é nos depararmos com pautas ancoradas, muitas vezes, apenas na leitura e discussão de textos ou ainda na socialização de experiências imediatas e sem reflexão. Verificamos que o curso de formação transmitido num efeito multiplicador dos PCs para os docentes, dos PCOPs para os PCs, e da Secretaria Estadual de Educação para os PCOPs, produz poucos efeitos no que se refere à reflexão sobre a prática. Nossa percepção sobre a funcionalidade dos temas do programa oficial, para a reflexão sobre a prática, vai ao encontro das considerações apontadas por Freire (1996, p. 43), para quem a prática docente crítica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer.
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    77 Na maioria das vezes, as necessidades formativas dos professores encontram-se, também para eles, ocultas. Então, como é identificar um problema do qual ainda não se tem consciência? A experiência com a formação de professores tem-nos mostrado que a própria formação é (e deve ser, a nosso ver) um veículo desencadeador de novas necessidades. Em outras palavras: o objetivo maior da formação – pautada em uma perspectiva reflexiva – deveria ser a possibilidade de provocar nos professores a “construção” de suas necessidades ou, ainda, de novas necessidades. Tornar o que era inconsciente um objeto de reflexão. Sabíamos que as escolas onde atuavam os PCs que participavam destas formações tinham necessidades específicas. Havia, nesse sentido, um impedimento para que a escola se tornasse um lócus privilegiado de formação continuada. A escola, como lócus de formação, supera o modelo clássico de formação. Mas é importante pontuar que este não é um processo simples. Garantir o espaço é um grande ganho, mas não avaliza o processo formativo. Constituir uma prática formativa abarca uma prática reflexiva, capaz de identificar os problemas e resolvê- los coletivamente. Essa prática deve ser construída pelo grupo de professores e gestores. Nóvoa (apud CANDAU, 1996, p. 30) afirma que: A formação continuada deve estar articulada com o desempenho profissional dos professores, tomando as escolas como lugares de referência. Trata-se de um objetivo que só adquire credibilidade se os programas de formação se estruturarem em torno de problemas e de projetos de ação e não em torno de conteúdos acadêmicos. Essa constatação permite-nos considerar que a intrincada rede de formação dos profissionais da educação, que atuam no ciclo I do Ensino Fundamental da SEE-SP, pode ser comparada, metaforicamente, a um efeito cascata, que permite um compartilhamento de saberes e de conhecimentos de forma exponencial. Em primeira instância, a Secretaria Estadual da Educação, por meio de seus técnicos do Ciclo I, oferece orientações técnicas aos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas e aos supervisores responsáveis pelo Ciclo I. Estes, por sua vez, tendo como princípio uma homologia de processos, atuam junto aos professores coordenadores de todas as escolas estaduais em que há este segmento de ensino. Finalmente, na base desta cascata, estão os professores que recebem formação
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    78 continuada nas Horasde Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), em suas unidades de trabalho. Pimenta (2005) considera que a aparente ausência de unidade entre os saberes docentes suscita uma prática pedagógica frágil, que não transforma, não edifica, mas que se limita a reproduzir as representações sociais de uma classe hegemônica da sociedade. Diz ainda que, para o profissional da educação modificar suas concepções, posturas, crenças e ações, os cursos de formação de professores têm como desafio conhecer, por um lado, as teorias implícitas na prática educativa dos profissionais e, por outro, mediar ou promover condições para que, diante das teorias, se modifique. Torna-se necessário pensar em formação continuada numa perspectiva mais ampla, de percurso formativo, definido não só pela formação institucional, mas por todo o processo formativo vivenciado em múltiplos espaços, ao longo da vida deste profissional. Giovanni (1998, p. 47) afirma que: (...) a formação profissional não pode mais se reduzir aos espaços formais e escolarizados, organizados com esse fim. Ela precisa ser concebida como algo que pode se dar antes, durante e depois do processo formal, como espaços de reflexão sobre o próprio trabalho. Nesse sentido, a escola passa a ser um lócus importante para a formação continuada. Candau (1996) destaca, porém, que essa formação só se consolida quando as práticas se tornam reflexivas, diferenciando-se de práticas mecânicas. Portanto, devem favorecer a investigação de problemas e identificar caminhos para solucioná-los de maneira coletiva, isto é, uma prática construída conjuntamente pelo grupo de professores. Trata-se de trabalhar com o corpo docente de uma determinada instituição, favorecendo processos coletivos de reflexão e intervenção na prática pedagógica concreta, de oferecer espaços e tempos institucionalizados nesta esperança, de criar sistemas de apoio à sistematização das práticas pedagógicas dos professores e a sua socialização, de situar o trabalho da supervisão e orientação pedagógica nessa perspectiva (CANDAU, 1996). Compreender o processo educativo como constante reprodução de cenas iguais, sem levar em consideração suas extensões distintas e complexas, aproxima-
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    79 se mais deuma prática mecânica. Para que uma prática se torne reflexiva, é necessária uma atitude, por parte do professor, de envolvimento legítimo com a situação vivida a partir da análise dos problemas concretos. (...) com o intuito de compreendê-los, investigá-los, agir sobre eles e sobre as novas condições que sua investigação e ação dela resultante, podem gerar. O professor se transforma, assim, em investigador de sua própria prática, em produtor legítimo de conhecimentos sobre ela (GIOVANNI, 1994, p.22). Outro ponto fundamental a ser considerado, com relação ao processo de formação continuada, é ter como menção o saber docente; portanto, é preciso reconhecer e valorizar este saber. Segundo Candau (1996), esses saberes, com ênfase na experiência, abalizam-se nas experiências dos professores e são legitimadas por elas. Portanto, seria (...) por meio desses saberes que os professores julgam a formação que adquiram a pertinência ou realismo dos planos e das reformas que lhes são propostas e concebem os modelos de excelência profissional (Candau, 1996, p. 146). Em face das múltiplas atribuições, muitas vezes não há tempo para o PCOP se formar, manter-se atualizado, implementando modos de articular o seu saber- fazer a teorias ou conceitos que são aprendidos, discutidos nas reuniões de formação das quais participam. Para Gilles Ferry (2004), isso é formar de fora para dentro, e não consiste em formação.
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    80 Considerações finais Vivemos hoje em uma sociedade grafocêntrica marcada por intensas transformações econômicas, sociais e culturais, que têm gerado mudanças de paradigmas e novas demandas sociais. Em função disso, saber ler e escrever de forma competente tornou-se uma necessidade imprescindível. Nessa perspectiva, os sistemas educacionais de ensino buscam ampliar as capacidades leitora e escritora dos educandos, para que estes transitem pela sociedade como cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres. Frente a essa realidade, a SEESP, ao constatar que 35% das crianças terminavam a 1ª série sem as competências leitora e escritora míninas para prosseguirem seus estudos, iniciou, em 2007, a implementação do PROGRAMA LER E ESCREVER no Ciclo I de todas as escolas paulistas, tendo como base três eixos principais de sustentação: a formação do denominado trio gestor (Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas, supervisores e diretores) e dos professores coordenadores das unidades escolares; a distribuição de materiais pedagógicos aos professores e alunos; e o acompanhamento sistemático das ações do programa nas Diretorias de Ensino, principal lócus articulador do LER E ESCREVER. Essas ações visam a garantir a recuperação das aprendizagens, de modo que todas as crianças de até 8 anos terminem a 2ª série/3º ano, em 2010, plenamente alfabetizadas. Nessa perspectiva, o presente estudo teve como principal objetivo empreender algumas reflexões concernentes aos processos formativos de Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas que atuam como formadores de professores coordenadores em projetos de formação continuada, no Programa Ler e Escrever, na Rede Pública Estadual de São Paulo. O objetivo, por meio de uma pesquisa de abordagem qualitativa, era obter uma aproximação maior com o universo dos sujeitos da pesquisa, cinco PCOPs pertencentes a três diretorias de ensino da SEESP, localizadas na região leste da cidade, a fim de: o compreender como os professores coordenadores das oficinas pedagógicas se tornaram formadores; o verificar na percepção desses professores qual é o papel do professor coordenador da oficina pedagógica;
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    81 o identificar qual a formação que os professores coordenadores das oficinas pedagógicas receberam da Secretaria Estadual de Educação para se tornarem formadores e o averiguar, como os professores coordenadores pedagógicos das oficinas pedagógicas vêem a formação que recebem da SEESP para atuarem como formadores. A fim de averiguar o fundamento de nossos pressupostos, essa pesquisa foi delineada e apresentada em quatro capítulos. No capítulo 1, apresentamos o PROGRAMA LER E ESCREVER, de acordo com a perspectiva oficial da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, levantando não somente o contexto em que se deu a constituição dos sujeitos de pesquisa, mas também tecendo algumas considerações com respeito aos objetivos do programa. Para isso, refletimos sobre o momento histórico no qual ocorreu sua implementação, e, em seguida, abordamos as ações de implementação, os objetivos do programa e o perfil exigido dos formadores, considerando alguns aspectos concernentes à formação continuada oferecida pela SEESP aos profissionais envolvidos no LER E ESCREVER. No final do capítulo, apresentamos uma tabela com a abrangência do LER E ESCREVER, no ano de 2010. No que se refere à formação de professores, buscou-se compreendê-la sob o ponto de vista de Pimenta (2005, 1999), que postula sua abordagem sobre os diferentes saberes necessários à docência – da experiência, do conhecimento e pedagógicos; Nóvoa (2004, 2002, 1991), que privilegia o desenvolvimento pessoal, profissional e organizacional do docente; Tardif ( 2002, 2000, 1991) que valoriza o saber plural do formador; Gauthier (1998) que nos fala do desafio da profissionalização docente e dos vários saberes envolvidos neste processo – disciplinar, curricular, ciência da educação, tradição pedagógica, experiência e ação pedagógica – que são constituintes da identidade do professor; Candau (1996) que aponta a escola como lócus de formação e Furlanetto (2003), que nos adverte sobre a importância das experiências culturais vividas a partir do lugar de quem aprende para a formação do professor. Essa é a abordagem do capítulo 2. No capítulo 3, apresentamos os passos percorridos para o desenvolvimento da pesquisa, visto ser esta uma pesquisa inspirada em princípios de abordagem qualitativa, e que, portanto, não pode prescindir da descrição do caminho percorrido. No capítulo 4,
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    82 procedemos à análisedos dados coletados. A partir dessa análise refletimos com respeito aos processos formativos dos PCOPs. O principal motivo que conduziu os sujeitos da pesquisa à profissão docente está vinculado ao saber da experiência, que se presta como memórias vividas que contém marcas sensoriais, emocionais e cognitivas que emergem quando o professor atua nos espaços pedagógicos. Quando buscamos compreender como os mesmos participantes se tornaram professores coordenadores das oficinas pedagógicas o principal motivo que os conduziu à função está vinculado ao reconhecimento profissional. Observamos que o convite é um dos meios utilizados para que os sujeitos da pesquisa se tornem PCOPs e, ainda que sejam avaliados por meio da realização de uma prova de credenciamento e análise de projetos, não são aspectos estritamente profissionais que possibilitam a esses professores exercerem a função de formadores, visto que questões políticas, tais como baixos salários e desvio de funções, inviabilizam um número maior de inscritos para essa colocação. Em função disso, esses profissionais são escolhidos quase que exclusivamente em decorrência de sua prática pedagógica. A prática pedagógica, embora importante, porque permite falar de situações vividas, precisa ser nutrida pelas teorias da educação. Ao levantarmos as representações dos PCOPs sobre suas atribuições e seu papel enquanto formador, a maioria afirmou que sua função está vinculado a "fazeres e saberes" . Ora com o papel de formar, ora com o de organizador planilhas, ora com o de ouvinte, ora com o de comunicador, aparentemente como um artista com duplo papel. Para ilustrar essa idéia de fazeres e saberes com caminhos paralelos nos processos de formação de professores, apresentamos um fragmento do registro de um dos sujeitos desta pesquisa, sistematizando um desses momentos: Podemos destacar as atribuições de um PCOP no campo pedagógico, auxiliando os PCs em seus trabalhos com os professores, por meio de orientações técnicas, acompanhamento às escolas... e no campo institucional, acompanhando distribuição de materiais pedagógicos, pagamento de transporte (...) (Professor 5). É recorrente nas respostas dos PCOPs, a preocupação com a formação, e com a articulação entre a teoria e da prática de modo a contribuir com a formação dos professores coordenadores das escolas, mas sob nosso olhar, devido a
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    83 quantidade de tarefase sua trajetória formativa, deixam de adquirir um olhar refletido sobre sua própria prática como formador, apenas com o papel de reprodutor da estrutura social vigente. A formação propiciada pela SEE-SP, no âmbito do Programa Ler e Escrever, viabiliza uma formação pautada em princípios transmissivos, visto que o Técnico da SEE-SP restringe-se, por uma série de contingências – falta de tempo, demandas formativas – a transmitir conteúdos, que são reproduzidos em diferentes esferas: os PCOPs transmitem para os coordenadores, em forma de orientações técnicas, aquilo que receberam dos técnicos da SEE, e os coordenadores, por sua vez, transmitem o que receberam dos PCOPs para os professores nas HTPCs, na qual são desconsiderados a articulação entre os diferentes saberes docentes e a escola enquanto lócus de formação. Ainda que os PCOPs considerem que a formação da SEE lhes dê subsídios prático e teórico, acreditamos que a formação dos PCOPs pouco contribui para que eles consigam desenvolver, junto aos PCs das escolas, um trabalho efetivo para melhorar a qualidade do trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. Isso porque a formação não toma a escola como lócus de reflexão e tomada de decisões coletivas para solucionar as demandas cotidianas de seus alunos (NÓVOA, 2004, 2002, 1991 e PIMENTA, 2005, 1999). A nosso ver, para que a formação não seja reprodutivista, mas propicie reflexão e trocas de experiências, levando em conta os saberes pessoais, profissionais e organizacionais do docente, faz-se necessário que os encontros de formação desses profissionais, a constituição de espaços de integração dessas diferentes dimensões ocorram na “escola como um ambiente educativo, onde trabalhar e formar não sejam atividades distintas” (NÓVOA, 1991, p.27). Acreditamos que a temática aqui tratada tornou-se relevante para os estudos educacionais, na medida em que nos ajudou a refletir sobre os complexos caminhos percorridos entre a idealização dos projetos criados pelas políticas públicas e sua efetivação em sala de aula. Assim, esperando que tenhamos contribuído para os estudos no campo de formação de formadores na área educacional e incentivado outras pesquisas na área, terminamos esse trabalho propondo uma reflexão sobre as palavras de Rubem Alves(1994 ) p.18:
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    84 Se fosse ensinara uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
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    85 Referências Bibliográficas ALARCÃO, Isabel.Reflexão crítica sobre o pensamento de Donald Schon e os programas de formação de professores. Revista da Faculdade de Educação/Universidade de São Paulo, 1996. ALMEIDA, J. S. D. Mulher e educação: a paixão pelo possível. São Paulo: Unesp, 1998. ALVES, Rubem. A alegria de ensinar. 3 ed. São Paulo: Ars Poetica, 1994. ARROYO, Miguel G. Oficio de Mestre: Imagens e autoimagens. Petrópolis: Vozes, 2000. AZANHA, José Mario Pires. Uma idéia de pesquisa educacional. São Paulo: Faculdade de Educação da USP, 1990. Tese de Livre-docência. BACHELARD, Gaston. Le rationalisme appliqué. Paris: PUF, 1949. BOGDAN, R. e BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora, 1994. BOUTINET, Jean-Pierre. A imaturidade da vida adulta. Porto:Rés,2000. Canário, R. Educação de Adultos. Um campo e uma problemática. Lisboa: Educa, 1998. CANDAU, V. Formação continuada de professores: tendências atuais. IN; REALI, A. e MIZUKAMI,M. Formação de professores. São Carlos: EDUFSCar, 1996. DESCARTES, René. Discurso do método. 2ª. Edição. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
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    88 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.Guia de Orientações Metodológicas Gerais – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (Rosaura Soligo org.). Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, 2001. NÓVOA, Antônio. Concepções e práticas da formação contínua de professores: In: Nóvoa A. (org.). Formação contínua de professores: realidade e perspectivas. Portugal: Universidade de Aveiro, 1991. _____________. Profissão professor. Porto, Porto Editora, 1995. _____________. Formação de professores e profissão docente. In: NÓVOA, A. (Coord.). Os professores e sua formação. 3. ed. Lisboa: Dom Quixote, 1997. _____________. Profissão professor. Lisboa: Porto Celebra, 1999. _____________. Formação de professores e trabalho pedagógico. São Paulo: Educa, 2002. _____________. In: JOSSO, Marie Christine. Experiências de Vida e Formação. São Paulo: Cortez Editora, 2004. Patto, M. H. S. Formação de professores: o lugar das humanidades. Raquel Lazzari Leite Barbosa (org.). Trajetórias e perspectivas da formação de educadores. São Paulo: Editora UNESP, 2004. PINEAU, Gaston et al. De láir. Esai sobre l´écoformation. Paris, Montreal: Sciences et Culture, Païdéia, 1994. PINEAU, Gaston. Temporalidades em formação. Sao Paulo: Triom, 2004 PIMENTA, S. G. (org.). Saberes pedagógicos e atividades docentes. In: PIMENTA, S.G. Formacão de professores: identidade e saberes da docencia. 2. ed. Sao Paulo: Cortez, 1999.
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    89 PIMENTA, S. G.& ANASTASIOU, L.G.C. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002. PIMENTA, Selma Garrido, GHEDIN, Evandro (Orgs.). Professor reflexivo no Brasil: gênese e crítica de um conceito. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2005. PLACCO, V. M. N. S. & SILVA, S. H. S. A formação do professor: reflexões, desafios, perspectivas. In BRUNO, E., ALMEIDA, L. CHRISTOV, L. (Orgs.) O coordenador pedagógico e a formação docente. São Paulo: Edições Loyola, 2000. PONTE, J.P. Didácticas específicas e construção do conhecimento profissional. Conferência plenária realizada no IV Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Aveiro: Universidade de Aveiro, 1998. RANGHETTI, Diva S. Afetividade. In: FAZENDA, Ivani (Org.). Dicionário em construção: interdisciplinaridade. 2.ª ed. São Paulo: Cortez, 2002. SCHON, Donald A. Educando o profissional reflexivo: um novo design para o ensino e a aprendizagem. Tradução de Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed Editora, 2000. SCREMIN, S. B. Educação à distância: uma possibilidade na educação profissional básica. Florianópolis: Visual Books, 2002. TARDIF, M.; RAYMOND. Os professores face ao saber: esboço de uma problemática do saber docente. In: Teoria e Educação, n 4, Porto Alergre: Pannonica, 1991. TARDIF, M.; RAYMOND, D. Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no magistério. Educação e Sociedade, ano XXI, n. 73, dez. 2000. TARDIF, Maurice. Saberes Docentes e formação profissional. Trad. Francisco Pereira. Petrópolis: Vozes, 2002.
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    90 (ANEXO 1)- MATERIAISDO PROGRAMA LER E ESCREVER SÉRIES MATERIAIS PEDAGÓGICOS 1ª série 1. Guia de Planejamento e Orientações Didáticas para o Professor Alfabetizador – 1ª série. 2. Caderno do professor alfabetizador – 1ª série. 3. Coletânea de atividades do aluno – 1ª série. 4. Livro de textos do aluno do aluno – 1ª série. 5. Acervo de 43 livros de literatura infantil por classe. 6. Conjunto de letras móveis. 7. Assinatura de revistas para o público infantil (Saiba mais, Recreio, Galileu, Picolé, Almanaques Mônica e Cascão, Mônica Jovem, Ciência hoje para crianças...). 8. Caixa plástica para o armazenamento do Kit de literatura infantil. 2ª série 1. Guia de Planejamento e Orientações Didáticas para o Professor Alfabetizador – 2ª série. 2. Livro de textos para o aluno. 3ª série 1. Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 3ª série - volumes 1 e 2. 2. Livro de textos para o aluno. 4ª série 1. Guia de Planejamento e Orientações Didáticas – 4ª série – volume único. 2. Livro de textos para o aluno. 3. Calculadoras. 4. Globo terrestre. 3ª série PIC 1. Material do Professor que é composto de orientações didáticas para o trabalho a ser realizado com os alunos (volumes 1 e 2). 2. Material do Aluno que faz interface das áreas de Ciências Sociais e Naturais e tem conteúdos específicos de Matemática. 3. Acervo de 40 livros de literatura infantil para cada classe.
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    91 4ª série PIC 1. Material do Professor que é composto de orientações didáticas para o trabalho a ser realizado com os alunos (volumes 1, 2 e 3). 2. PIC – Projeto Intensivo no Ciclo - 4ª série — Material do Aluno que faz interface das áreas de Ciências Sociais e Naturais e tem conteúdos específicos de Matemática. 3. Acervo de 40 livros de literatura infanto-juvenil para cada classe. 4. Globo terrestre. 5. Calculadoras.
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    92 (ANEXO 2) MODELODO QUESTIONÁRIO Questionário Pessoal Nome completo: Formação Acadêmica: Funções que ocupou durante o percurso profissional na educação: Função que ocupa atualmente:. Quanto tempo está na atual função? Questionário Profissional 1) O que o levou ser professor? 2) O que o motivou ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? 3) Sua atuação como professor influenciou sua atuação como formador? De que forma? 4) Quais são as principais atribuições de um PCOP? 5) Você se considera um formador de formador? 6) O que define a identidade de um formador de formador? 7) O que considera prioritário a um bom formador? 8) Quando assumiu a função de professor coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia que seria formador de professores coordenadores? 9) Você está recebendo formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? 10) Que benefícios esses cursos trouxeram para você? 11) Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são bons? Falta algum conteúdo que auxiliaria em sua formação? 12) Que saberes considera importantes para ser formador de professores coordenadores? 13) Como foram suas primeiras experiências como formador (a)? 14) Em que se apoiou para organizar os primeiros encontros de formador que conduziu? 15) As pautas que desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as de seus formadores? Justifique. 16) Qual sua satisfação enquanto formador e quais as principais dificuldades?
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    93 (ANEXO 3) PROTOCOLODE ANÁLISE 1 Professor 1 Professor 2 Professor 3 Professor4 Professor 5 O1- Motivo de ser Identificação com um Contribuir na Modelo/ Intervenção Intervenção professor professor da infância/ formação de Identificação com familiar/ familiar Ascensão financeira outros/ professora Paixão /Paixão Identificação com professora 02- Motivou ser Reconhecimento do Propiciar Reconhecimento Reconhecime Possibilitar professor trabalho / convite crescimento/ profissional nto/ conhecimentos coordenador da transformação convite oficina pedagógica de outros/convite 03- Atuação como Prática profissional Prática Concepção de Refletir sobre Formação professor Autonomia profissional pedagógica ensino/ a prática Profissional e X formação de pessoal Atuação como outros professor coordenador da oficina pedagógica 04- Atribuição Pcop Fazeres /saberes Parceiro Fazeres /saberes Contribuir na Formação / experiente/ formação do Acompanhamen articulador PC to/ Fazeres 05- Considera Sim Sim Sim Sim Sim formador de formador 06- Identidade do Prática e as Compromisso e Articulação da Aprender e Avaliador formador concepções que crença naquilo teoria e prática e ensinar consciente defende e ensina que realiza concepção em que acredita 07-Prioridade bom Prática e as Postura, Autonomia, Conhecimento Saber formador concepções que conhecimento, valorização e / visão avaliar/eleger defende e ensina motivação intervenção que prospectiva/ prioridade/definir proporciona profissionalism objetivos o 08- Professor Sim Sim Sim Sim Sim coordenador da oficina pedagógica x Formador de professores coordenadores 09- Recebe Sim Sim Sim Sim Sim formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica 10-Benefícios dos Crescimento Enriquecimento Apropriação dos Melhoria no Direcionamento, cursos profissional e pessoal profissional e subsídios teóricos desempenho foco e pessoal e práticos da função segurança para exercer a função 11-Formação Bons /necessidade de Proveitosos Sim Necessidade Bons/sempre Sim/ continuada acompanhamento de aprimoramento aparece algo Superficialidade x das questões novo para no tratamento bons cursos metodológicas pensar dos conteúdos Conhecimento Trabalho em Domínio das Humildade/ Conteúdos 12-Saberes para conteúdos, das grupo, bom questões práticas construção atitudinais/ ser formador de estratégias de conhecimento e teóricas/ conjunta procedimentais/ professores formação,saberes dos teórico dos didática da conceituais coordenadores cursistas, didático. conteúdos, formação/ Articular os saberes. clareza da sua estratégias função formativas 13-Primeiras Gratificante Prazerosa e Gratificante Medo, Gratificante/ experiências como significativa insegurança/ Insegurança formador apropriação 14-Apoio para Materiais de apoio do Recursos Referenciais Estudo de Estudos organizar os projeto vigente materiais teóricos variados diferentes diversos
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    94 primeiros oferecidos pela referentes encontros? Secretaria de teóricos Educação entre outros 15-Pautas Pautas como Mesmo formato Referencia/adapta Replicação/ Similares/ recebidas referência ção à realidade do Adequação Adequação X /adaptação à grupo Pautas oferecidas realidade do grupo 16-Satisfações Possibilitar Crescimento Aprendizagem de Propiciar Mudança na como formador Aprendizagem profissional dos todos/Sabedoria conhecimento postura. x PCs dificuldade Falta de tempo para Rotativide dos Tempo para Indisponibilida Indisponibilidade estuda PCs/ estudo de para para aprender Falta de tempo aprender para estudar
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    95 (ANEXO 4) PROTOCOLODE ANÁLISE 2 Professor 1 Teoria Respostas dos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor coordenador da oficina Pedagógica Questão 1 O que o levou ser professor? Ecleide Para responder esta questão é preciso contar Identificação com um Furlanetto um pouco sobre minha infância, no inicio do professor da infância período escolar. Estudei o primeiro ano escolar em 1970, numa classe multisseriada. As lembranças que tenho desse período são as de ver meus colegas, geralmente de outras séries, serem castigados por indisciplina. Eram colocados de joelhos em milho, de joelho com as mãos abertas segurando pesados livros, apanhando, levando puxões de orelha, apanhando de palmatória e outros castigos. O medo desses castigos fazia com que eu mal Ecleide me mexesse na carteira e que às vezes até Furlanetto fizesse xixi na roupa, com medo de pedir para Medo ir ao banheiro e ser castigada. Ou então perder a merenda. Muitas vezes, meus colegas eram privados da merenda em nome da “disciplina”. A merenda era muito cheirosa e gostosa. Sei bem porque me lembro, em meio a uma infância miserável. Quando se tinha o alimento, fosse qual fosse, era um fato memorável. No ano seguinte, a Escola Adventista foi fechada por conta dos seus desmandos e abusos, com castigos destinados a "manter a disciplina". Mandaram-me para uma escola que ficava longe do centro da cidade. Era destinada aos que, de Julio G. certa forma, eram excluídos porque eram Exclusão Almeida "fracos" nos estudos, e aos que não tinham conseguido um bom desempenho na prova de admissão da escola mais centralizada. Para eu não ir sozinha, minha mãe pediu a uma professora que morava perto de nossa casa, e que dava aulas nessa escola, que fizesse a gentileza de me levar e trazer. Não tenho lembrança de como ela se chamava, mas me lembro de que era uma pessoa calma, de fala mansa, que conversava comigo, me fazia perguntas na nossa caminhada até a escola. Perguntas que eu respondia timidamente, com monossílabos. Eu a admirava, pois parecia se Ecleide importar comigo. Furlanetto Acredito que meu desejo de ser professora tenha Admiração pela profesora Miguel nascido naqueles momentos de admiração por Arroyo aquela professora que, numa época em que os professores pouco consideravam ou falavam com alunos, agiu diferentemente, conversou,
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    96 questionou e quis saber sobre a minha vida, que Necessidade Financeira na época era bem miserável, devido às Bernadete condições sociais e econômicas. Nasceu ali o Gatti meu desejo de ser diferente de querer estudar cada vez mais para sair da condição em que vivia e fazer algo que fizesse a diferença na vida de outros. Questão 2 O que o motivou ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Rosaura Cursos de formação Soligo Atuava como professora de ciclo I, quando surgiu a oportunidade de participar do curso de Formação de Professores Alfabetizadores Letra e Vida, promovido pela Secretaria de Estado da Educação. A princípio me inscrevi para participar como professora. Depois, surgiu a oportunidade de fazer o curso para ser formadora de professores, e aceitei o desafio. O trabalho com a formação de professores me motivou a trabalhar como coordenadora pedagógica da escola. A implementação do programa Letra e Vida, como ficou conhecido o curso, no Estado de São Paulo, trouxe muita estranheza aos professores que estavam acostumados a um trabalho tradicional. E não foi diferente com a diretora da escola em que atuava. Além de ser nova na escola, na época, ela não conhecia meu trabalho como professora, e também não aceitou de bom grado as “novas concepções” de aprendizagem. Para ela deveríamos utilizar a cartilha Caminho Suave, e tudo bem. Não demorou para que nossas Selma G. concepções se chocarem. Reconhecimento Pimenta Meu trabalho como professora e formadora era profissional/ convite muito conhecido e aceito na Diretoria Regional de Ensino. Então recebi o convite para trabalhar na oficina Pedagógica, e aceitei o desafio, sem pestanejar. Era a oportunidade de trabalhar com os professores e professores coordenadores dentro da concepção em que acreditava e acredito ser a melhor para desenvolvimento da aprendizagem. Questão 3 Sua atuação como professor influenciou sua atuação como formador? De que forma? Selma G. Sim, sempre fui uma professora inquieta com as Pimenta concepções nas quais fui ensinada. Então Concepção de ensino e estudava, procurava realizar trabalhos e projetos aprendizagem diversificados com os alunos, com o intuito de desenvolver uma aprendizagem mais significativa, que fosse além do trivial no qual as escolas estavam acostumadas. Esse espírito de inquietude e não conformidade Antonio com o que está posto me levou a procurar Nóvoa despertar nos PCs, através da formação, a inquietação e a busca de autonomia profissional Autonomia profissional
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    97 para tomar decisões necessárias para formar seus professores e, consequentemente, promover o avanço da aprendizagem dos alunos Bloco 2 – Qual é o papel do Professor Coordenador Questão 4 Selma G. Quais são as principais atribuições de um PCOP? Fazeres/Saberes Pimenta • Programar e realizar a formação Maurice semanal de 8 horas dos Tardif Professores Coordenadores das Escolas do Ensino Fundamental Antonio Ciclo I, na área de Língua, Nóvoa Matemática, nas demais áreas do conhecimento, o trabalho geralmente é realizado em parceria com os PCOPs de outras; • Acompanhar a formação dos professores nas HTPC (Horário de Trabalho Coletivo Pedagógico), que é realizada pelos Professores Coordenadores; • Acompanhar o desenvolvimento dos projetos e ações pedagógicas das escolas de sua Diretoria de Ensino; • Realizar a análise dos dados das avaliações externas como SARESP, IDESP e Prova Brasil de sua Diretoria de Ensino e Sim promover a análise destes dados com seus professores Coordenadores; • Fazer o mapeamento e análise da sondagem das hipóteses de escrita dos alunos da Diretoria de Ensino, do Ensino Fundamental Ciclo I; • Propor ações e projetos que vise o desenvolvimento e a melhoria da aprendizagem dos alunos através da formação e orientação dos Professores Coordenadores de sua Diretoria de Ensino; • Cuidar da distribuição e acompanhar o uso adequado do material do Programa Ler e escrever; • Realizar a compra de materiais, lanches e a prestação de contas dos processos referentes a estas compras; Questão 5
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    98 Você se considera um formador de formador? Sim. Questão 6 O que define a identidade de um formador de Maurice formador? Tardif Articulação prática e teórica O que define a identidade de um formador é sua prática explicitando as teorias e as concepções que ele defende e ensina. Paulo Freire Questão 7 O que considera prioritário a um bom formador? Ensinar e aprender Além de uma prática que explicite as teorias e as concepções que ensina, é necessário que ele saiba aceitar que seu trabalho nunca estará acabado, pois o ser é inacabado (Paulo Freire). É necessário o respeito aos saberes individuais de cada um, articulação com o grupo que está formando, organização, clareza na condução da formação, domínio das estratégias de formação e outros. Bloco 3 – Formação que receberá Questão 8 Quando assumiu a função de professor coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia que seria formador de professores Sim coordenadores? Sim mas, na verdade, quando assumi a função já trabalhava com a formação de professores devido ao Programa Letra e Vida. Questão 9 Você está recebendo formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Sim. A Secretaria de Estado da Educação, através da CENP (centro de Estudos e Normas Pedagógicas), nos oferece formação para Formação/Acompanhamento Gaston desenvolver a implementação do Programa Ler para desenvolver a Pineau- e Escrever em toda a Rede Estadual com as implementação do Programa escolas do Ensino Fundamental Ciclo I. Temos Ler e Escrever o acompanhamento das nossas ações e formações com os professores e professores coordenadores da escola, além da formação com as formadoras do Programa Ler e Escrever. Também são oferecidos cursos para trabalhar com a formação do professor do PIC (Projeto Intensivo No Ciclo), curso de formação em Didática da Matemática: Ensino Fundamental Ciclo I. Questão 10
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    99 Que benefícios esses cursos lhe trouxeram? Antonio Novos conhecimentos, Nóvoa Financeiramente, nenhum. Os benefícios foram formação profissional e em termos de aprendizagem de novos enriquecimento do currículo conhecimentos, formação profissional, crescimento pessoal e enriquecimento do currículo; Questão11 Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são bons? Evandro L. Ghedin, Acredito que são cursos bons. O que falta é a Bons /necessidade de possibilidade de se acompanhar melhor e bem de acompanhamento da ação perto a aprendizagem e o desenvolvimento desses formadores. Questão 12 Que saberes considera importantes para ser formador de professores coordenadores? Maurice Conhecimento dos conteúdos da formação; Saber docente Tardif conhecimento e domínio das estratégias de formação; conhecimento dos saberes de seu grupo; conhecimentos didáticos de formação; saber articular o conhecimento que seu grupo possui com os novos conteúdos a ser ensinado. Bloco 4 – Experiência como formador Questão13 Como foram suas primeiras experiências como formador (a)? Paulo Freire As experiências foram gratificantes, principalmente pela motivação de ver como Gratificante/dinâmico resultado o desenvolvimento de um trabalho pedagógico dinâmico, mais eficaz, de chegar à sala de aula melhorando os trabalhos pedagógicos e proporcionando o avanço da aprendizagem das crianças. Questão 14 Em que se apoiou para organizar os primeiros encontros de formador que conduziu? Os primeiros encontros de formação foram Realizados de acordo com Clermont orientados e realizados de acordo com o Programa da Secretaria Gauthier Programa de Formação de Professores Estadual de Educação. Alfabetizadores Letra e Vida . Questão 15 As pautas que desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as pautas de seus formadores? Justifique.
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    100 De início não, pois quando comecei o trabalho com a formação dos Professores Coordenadores na Oficina Pedagógica ainda não se propunha a formação dos mesmos na Rede Estadual de Ensino. Nessa época, os Professores Coordenadores tinham apenas orientações técnicas. Uma colega de trabalho e eu propusemos um projeto de formação para os Professores Coordenadores, que tinha como objetivo formá-los para atuar em sua função e na formação de seus professores. Após a SEE/CENP iniciar o trabalho com a formação dos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas para que estes formassem os Professores Coordenadores das escolas, essas Antonio pautas passaram a servir como referencial para a Pautas como referência Nóvoa formação, desde que estivessem de acordo com as necessidades de formação dos PCs. Questão 16 Qual sua satisfação enquanto formador e quais as principais dificuldades? Selma G. Pimenta Acredito que minha satisfação seja a de ver o Possibilitar o avanço da desenvolvimento de um trabalho pedagógico que aprendizagem dos professores proporciona o avanço da aprendizagem dos coordenadores, professores e Christine professores coordenadores, dos professores que, alunos Josso consequentemente, chega ao aluno, que é a razão maior do nosso trabalho. A principal Falta de tempo para estudar Gilles Ferry dificuldade é a falta de tempo para estudar mais. mais Professor 2 Teoria Respostas dos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor coordenador Questão 1 Selma G. O que o levou ser professor? Pimenta O ideal de educador de fazer com que outros Transformação cresçam, se transformem e, conseqüentemente, transformem o meio (inovando, oportunizando). Somente, através da educação é que se pode sonhar com o novo. Desde criança queria ser Ecleide professor. Amava a professora da primeira série. Identificação com a professora Furlanetto Questão 2 O que o motivou ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Miguel Arroyo- Ofício De fazer com que esse ideal de crescimento Ideal de crescimento de Mestre profissional se expandisse, a escola pública é profissional muito rica, há verdadeiras pérolas que precisam se reconhecer como pérolas. Questão 3 Maurice Sua atuação como professora influenciou sua
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    101 Tardif atuação como formador? De que forma? Indubitavelmente. Muito estudo e vivência no Teoria e Prática Pedagógica ensino Bloco 2- Qual o papel do Professor Coordenador Questão 4 Quais são as principais atribuições de um PCOP? Maurice Tardif Ser parceiro, formador e articulador – fazendo Parceiro experiente/articulador com que as escolas avançem, os alunos avançem, respeitando-se as realidades – muitas vezes , muito dura. Questão 5 Sim Você se considera um formador de formador? Sim. Procuro ser um bom formador, através do exemplo de estudos constantes, das inovações. Questão 6 O que define a identidade de um formador de formador? Antonio Seu real compromisso e crença naquilo que Compromisso e crença naquilo Nóvoa realiza. Se ele não acredita, não vivencia o que que realiza crê, certamente não será um bom formador. Questão 7 O que considera prioritário a um bom formador? Antonio Postura, conhecimento e ser o agente Postura, conhecimento, Nóvoa motivador, fazendo com que cada um busque motivação fazer o seu melhor. Bloco 3 – Formação que receberá Questão 8 Quando assumiu a função de professor coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia Sim que seria formador de professores coordenadores? Sim, pois, que sentido tem o Pcop se ele não for um formador que procura dar o melhor de si, para que todos cheguemos, passo a passo, ao ponto Sim desejado? Questão 9 Você está recebendo formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Sim, através dos órgãos centrais (SEE / CENP – FDE). Questão 10 Quais os benefícios esses cursos lhe trouxeram?
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    102 Selma G. Enriqueceram e qualificaram o meu trabalho Enriquecimento profissional e Pimenta como Pcop, dando-me um bom embasamento. pessoal Consequentemente, estou colhendo frutos pessoalmente e enquanto formador. Questão11 Você acredita que os cursos de formação Proveitoso continuada para formadores são bons? Sim. Até o momento, todos têm sido muito proveitosos. Questão 12 Que saberes considera importantes para ser Maurice formador de professores coordenadores? Tardif Saberes e fazeres É importante para o formador saber trabalhar em grupo e ter um bom conhecimento, ter claro o seu Trabalho em grupo, bom papel. conhecimento teórico dos É importante que ele tenha a sua base teórica conteúdos, Selma Garrido bem formulada: construtivismo em sala de aula, estratégias de leitura, a psicogênese da escrita, a proposta curricular do ciclo I, a escola de nove anos, necessidades educacionais, boas situações de aprendizagem, boas intervenções, rotina de trabalho, material do ler e escrever, sondagem – o que é, qual a sua importância, como se faz, hipóteses de escrita... Bloco 4 – Experiência com coordenação Questão13 Como foram suas primeiras experiências como formador? Prazerosa, pois gosto do que faço, me dedico e Ecleide demonstro paixão pelo que faço. Apesar do Prazerosa , significativa Furlanetto friozinho na barriga, para mim a experiência foi particularmente significativa e continua sendo, na formação do Pic. Questão 14 Em que se apoiou para organizar os primeiros encontros de formador que conduziu? Recursos materiais oferecidos Clermont Material da Cenp, material do ler e escrever, pela Secretaria de Educação Gauthier expectativas de aprendizagem, vídeos diversos entre outros etc. Questão 15 As pautas que desenvolveu com os professores Mesmo formato/organização do coordenadores têm muita semelhança com as de tempo seus formadores? Justifique. Sim. Seguem o mesmo formato (leitura pelo Gilles Ferry formador, objetivos do encontro etc.) – por conta de uma rotina de trabalho e gestão de tempo/conteúdos.
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    103 Questão 16 Qual sua satisfação enquanto formador, e quais as principais dificuldades? Maurice A satisfação enquanto formador é que os Crescimento profissional dos Tardif resultados, o crescimento do grupo, os esforços formadores coletivos, colher bons resultados – é saborearmos Selma Garrido os frutos dos resultados obtidos e saber que há Esforço coletivo mais trabalho, pois como diz a Professora Telma Antonio Weisz: “alcançou a fama (os resultados), não Nóvoa deita na cama”. Principais dificuldades: a mudança constante de Rotativide dos formadores pcs. Dificulta o trabalho. Professor 3 Teoria Respostas dos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor coordenador Questão 1 O que o levou ser professor? Identificação com Ecleide Foi a partir do modelo de professora da 4ª série, Leda professora da infância Furlanetto Maria Braga. Eu a admirava muito, ela nos fazia ter prazer em estudar. Suas aulas eram fantásticas. Participávamos de situações de leitura e escrita dentro de um contexto real. Tive o prazer de reencontrá-la nos três últimos anos do Magistério, ela foi nossa professora de Língua Portuguesa e continuou maravilhosa, como sempre. Questão 2 O que o motivou ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Reconhecimento Selma G. Foi O convite de uma minha amiga que acreditou em profissional/convite Pimenta meu trabalho como PR (professora coordenadora). Eu participava das formações que ela realizava para professores de Recuperação de Ciclo I. Primeiramente me convidou para ser formadora de um programa de FO formação para professores alfabetizadores e em seguida para compor o quadro da Oficina pE Pedagógica Leste 3, na equipe de Ciclo I, pois uma das PCPCOPs estava cessando sua DEdesignação por motivo de licença gestante. Questão 3 Sua atuação como professor influenciou sua atuação
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    104 Christine como formador? De que forma? Contribuindo na Josso formação de outros Sim. Parti do pressuposto que o trabalho realizado Concepção de Ensino como professora estava de acordo com as ideias de (teoria e prática) alfabetização que realmente favoreciam a aprendizagem significativa dos alunos. Nesta ocasião me candidatei à função de Professora Coordenadora para poder contribuir na formação dos alunos, junto aos professores. Bloco 2 – Qual o papel do Professor Coordenador Questão 4 Clermont Quais são as principais atribuições de um PCOP? Saberes do Ofício Gauthier Acompanhar e avaliar o ensino e o processo de aprendizagem, bem como os resultados do desempenho dos alunos; Atuar no sentido de tornar as ações de coordenação pedagógica espaço coletivo de construção permanente da prática docente; Assumir o trabalho de formação continuada, a partir do diagnóstico dos saberes dos professores para garantir situações de estudo e de reflexão sobre a prática pedagógica, estimulando os professores a investirem em seu desenvolvimento profissional; Assegurar a participação ativa de todos os professores do segmento/nível objeto da coordenação, garantindo a realização de um trabalho produtivo e integrador; Sim Organizar e selecionar materiais adequados às diferentes situações de ensino e de aprendizagem; Conhecer os recentes referenciais teóricos relativos aos processos de ensino e aprendizagem, para orientar os professores; Divulgar práticas inovadoras, incentivando o uso dos recursos tecnológicos disponíveis. Questão 5 Você se considera um formador de formador? Sim. Questão 6 O que define a identidade de um formador de formador? Aquele que promove a formação de modo que Articulação da teoria e estabeleça relação entre teoria e prática e que realiza o prática e concepção do Selma G. trabalho com convicção das concepções que favoreçam que acredita Pimenta a aprendizagem significativa de seu grupo.
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    105 Questão 7 O que considera prioritário a um bom formador? Autonomia,valorização e Saber dar autonomia ao grupo, valorizar as intervenção que Paulo Freire aprendizagens, intervir quando necessário. proporciona Bloco 3 – Formação que receberá Questão 8 Quando você assumiu a função de professor Sim coordenador da Oficina Pedagógica você sabia que seria formador de professores coordenadores? Sim. Foi deixado bem claro na entrevista que seria formadora de professores coordenadores, como também de professores de Ciclo I, que atuavam na Recuperação Paralela e os que atuavam com Educação Especial. Sim Questão 9 Você está recebendo formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Sim. Temos a formação quinzenal com a equipe central da SEE/FDE, que vem à Diretoria de Ensino discutir sobre as práticas de leitura e escrita, questões metodológicas... Mensalmente temos um encontro com a equipe SEE/CENP que discute assuntos referentes à produção de texto e didática da Matemática. Questão 10 Que os benefícios esses cursos trouxeram para você? Apropriação das Pude me apropriar dos subsídios teóricos e práticos, estratégias e dos Clermont bem como referente às estratégias subsídios teóricos e Gauthier práticos de formação. Questão11 Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são bons? Sim, são bons. Porém, falta aprimorar um pouco mais Necessidade de Délia Lerner as questões metodológicas. aprimoramento das questões metodológicas Questão 12 Que saberes considera importantes para ser formador de professores coordenadores? Domínio das questões Selma Acredito que seja importante o domínio das questões práticas e Garrido referentes à teoria e prática, da didática de formação e teóricas/didática da estratégias formativas para que os professores formação/estratégias coordenadores se coloquem e assuma o papel de formativas formador. Bloco 4 – Experiência com coordenação
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    106 Questão13 Como foram suas primeiras experiências como formador? Antonio Contribuição no ensino Nóvoa Foram gratificantes, pois pude contribuir para a melhoria da qualidade de ensino. Questão 14 Em que se apoiou para organizar os primeiros Selma encontros de formador que conduziu? Referenciais teóricos Garrido variados Apoiei-me em referenciais teóricos como PCNs, material de formação para professores alfabetizadores (MEC), teóricos como: Emilia Ferreiro, Délia Lerner, Constance Kamii, Isabel Solé, entre outros. Questão 15 As pautas que desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as de seus formadores? Justifique. Utilizo-as como referencial, porém adapto à realidade do grupo. Referencia/adequação à realidade do grupo Questão 16 Qual sua satisfação enquanto formador e quais as principais dificuldades? Selma Saliento que é gratificante saber que o trabalho está Garrido sendo desenvolvido de forma que favoreça a Favorecer a aprendizagem de todos. O acúmulo de sabedoria nos aprendizagem de engrandece. todos/Conhecimento Gilles Ferry Uma dificuldade é o pouco tempo para o estudo próprio. Pouco tempo para estudo Professor 4 Teoria Respostas dos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor coordenador da oficina pedagógica Questão 1 O que o levou ser professor? Almeida S. F. C. Selma G.Pimenta O desejo de meus pais e depois a paixão. Intervenção familiar/paixão Questão 2 O que o motivou ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Antonio Nóvoa O convite de uma amiga e a insatisfação com a Reconhecimento função que estava exercendo – não gosto de profissional/ convite/ cuidar de papéis e ter que ser durona com as insatisfação em função crianças, é isso que os professores pedem a um administrativa/ vice-diretor de escola.
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    107 Questão 3 Sua atuação como professor influenciou sua atuação como formador? De que forma? Sim. Ter atuado em sala de aula me deu condições para discutir, refletir sobre práticas e Antonio Nóvoa situações didáticas com mais propriedade, já que Refletir sobre a prática foram vivenciadas por mim no cotidiano da sala de aula. A experiência enquanto docente, nessa busca constante por diferentes formas de trabalhar, considerando trabalhos e projetos diferenciados para atender à heterogeneidade, olhando seus alunos e trabalhando a partir de seus conhecimentos prévios. Bloco 2 – Qual o papel do Professor Coordenador Questão 4 Quais são as principais atribuições de um PCOP? Conscientizar coordenador Maurice Tardif sobre a importância de Convencer p PC a revisitar sua prática e estudar e estudando para que ele convença os professores. consequentemente o professor Questão 5 Você se considera um formador de formador? Maurice Tardif Sim. Se não por completo na função pública, a privada me permite ser. sim Questão 6 O que define a identidade de um formador de formador? Aprender e ensinar Selma Garrido Suscitar o desejo de aprender sempre mais com o objetivo de consolidar a profissão. Não ser o dono da verdade, olhar para quem está sendo formado como alguém que tem com o que contribuir. Questão 7 O que considera prioritário a um bom formador? Maurice Tardif Estar bem formado, capacitado, saber enfrentar Ter Conhecimento / visão desafios, ter visão prospectiva continuar prospectiva/ acreditando no que faz. Olhar para o outro como reconhecimento um profissional que está em busca de mais profissional conhecimento e não como alguém que não tem conhecimento. Bloco 3 – Formação que recebe Questão 8 Quando assumiu a função de professor coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia que seria formador de professores Sim coordenadores?
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    108 Sim. Fui informada de minhas atribuições e fiquei muito empolgada com isso. Questão 9 Você está recebendo formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Selma Garrido Sim, recebo informações e as busco por conta. Recebimento de informações e busca de Questão 10 formação Que benefícios esses cursos trouxeram para você? Nóvoa Mais segurança para desempenhar minha função. Melhoria no desempenho da função Questão11 Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são bons? Todos os cursos são bons. Devemos sempre Selma G.Pimenta aprender, por mais que já tenhamos lido ou Novos aprendizados estudado um texto, sempre aparece algo novo para se pensar. A vida é dinâmica. Questão 12 Que saberes considera importantes para ser formador de professores coordenadores? Christine Josso Ser humilde e mostrar aos coordenadores que Humildade/planejamento estamos construindo juntos a capacitação dos compartilhado professores. Eles também sabem muito e podem compartilhar. Bloco 4 – Experiência com coordenação Questão13 Como foram suas primeiras experiências como formador? Selma Garrido No início houve insegurança, normal em qualquer nova atribuição. Depois fui me apropriando de meu Insegurança/apropriação espaço, e tudo bem. Questão 14 Em que se apoiou para organizar os primeiros encontros de formador que conduziu? Selma Garrido Em muita leitura, após os encontros com Estudo formadores. Questão 15 As pautas que desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as de seus formadores? Justifique. Sim. Estamos desenvolvendo um programa dentro de uma rede de ensino. Portanto, devemos Clermont partilhar o que foi nos solicitado embora, algumas Replicação/Adequação Gauthier vezes, minha experiência anterior faça com que modifique algumas atividades que nos apresentam.
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    109 Questão 16 Qual sua satisfação enquanto formador e quais as principais dificuldades? Saber que estou tentando auxiliar quem está Propiciar conhecimento/ Selma Garrido buscando conhecimento. Porém, quando ouço o indisposição à discurso do “sou formado, sei tudo” fico frustrada. aprendizagem Professor 5 Teoria Respostas dos Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas Bloco 1 – Perspectiva para se tornar professor coordenador Questão 1 O que o levou ser professor? Paulo Freire Vocação. Desde pequena gostava de ler, Vocação estudar e explicar diversos assuntos aos colegas, amigos... Questão 2 O que o motivou ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Selma G. A possibilidade de auxiliar outros Pimenta profissionais da educação que não Possibilitar conhecimentos tinham muitos conhecimentos construídos sobre a Língua Portuguesa. Questão 3 Sua atuação como professora influenciou sua atuação como formador? De que forma? Sem dúvida, nossa atuação é a soma de Maurice Tardif nossas vivências enquanto aluno e da Soma de conhecimentos adquiridos formação inicial e contínua. Bloco 2 – Qual o papel do Professor Coordenador Questão 4 Quais são as principais atribuições de um PCOP? Podemos destacar as atribuições de um PCOP no campo pedagógico, auxiliando os PCs em seus trabalhos com os Clermont professores, por meio de orientações Formação / Gauthier técnicas, acompanhamento às escolas. Acompanhamento/Fazeres No campo institucional, acompanhando distribuição de materiais pedagógicos,
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    110 pagamento de transporte... Questão 5 Você se considera um formador de formador? Sim Sim. Questão 6 O que define a identidade de um formador de formador? A capacidade de perceber, de captar as necessidades e carências comentadas acima, colocando-as como objetivos primeiro de sua formação. É uma Selma Garrido avaliador consciente. Avaliador consciente Questão 7 O que considera prioritário a um bom formador? Selma Garrido Saber avaliar, eleger prioridades e ter Saber avaliar/eleger prioridade/definir objetivos bem definidos. objetivos Bloco 3 – Formação que receberá Questão 8 Quando assumiu a função de professor coordenador da Oficina Pedagógica, você sabia que seria formador de Sim professores coordenadores? Sim, estava perfeitamente ciente disto. Questão 9 Sim Você está recebendo formação para ser professor coordenador da Oficina Pedagógica? Desde que assumi como PCOP tive formação e acompanhamento constante. Questão 10 Que benefícios esses cursos trouxeram para você? Direcionavam as orientações técnicas, ajudavam a eleger o foco da formação. Direcionamento , foco e segurança Nóvoa Contribuíam para que nos sentíssemos para exercer a função mais seguros e menos afastados de um contexto maior. Questão11 Você acredita que os cursos de formação continuada para formadores são bons? Maurice Tardif Muitas vezes sinto uma certa superficialidade no tratamento de Muitas vezes superficialidade no
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    111 conteúdos, que às vezes são tratamento dos conteúdos considerados como não prioritários. Questão 12 Que saberes considera importantes para ser formador de professores coordenadores? Não temos como excluir nenhum tipo de saber, na sociedade em que vivemos. Maurice Tardif Conhecer minimamente os conteúdos Conteúdos atitudinais, conceituais e procedimentais atitudinais/procedimentais/conceituais Bloco 4 – Experiência com coordenação Questão13 Como foram suas primeiras experiências como formador (a)? Selma Pimenta Garrido Muito gratificantes, ainda que me sentisse um tanto quanto insegura, pois Gratificante/Insegurança não tinha ideia da receptividade dos PCs. Questão 14 Em que se apoiou para organizar os primeiros encontros de formador que conduziu? Selma Pimenta Nos livros e textos que vinha estudando Garrido na Faculdade para a realização do Estudos diversos Mestrado e em outros cursos dos quais havia participado como formadora (PEC, Teia do Saber...). Questão 15 As pautas que desenvolveu com os professores coordenadores têm muita semelhança com as de seus formadores? Justifique. Nóvoa Com certeza são bem similares. Via Similares naquelas pautas uma forma para organizar meu trabalho. Questão 16 Qual sua satisfação enquanto formador e quais as principais dificuldades? Selma Garrido Satisfações: perceber que houve uma Mudança na postura mudança na postura daquele formador Contribuição mais resistente; auxiliar um formador em Indisponibilidade para o aprender uma necessidade patente e que era considerada intransponível, entre outras. Dificuldades: lidar com formadores que acham que sabem tudo; levar os formadores a perceber que a formação é um ato contínuo que não se encerra com
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    112 uma orientação técnica(formar pesquisadores autônomos, capazes de continuar aprendendo).