Maria do Carmo S.Freitas 
Prof.: Pércio Davies Schmitz
O QUE FAZ O brasil, BRASIL? 
Roberto da Matta 
CÁPÍTULO 8 
OS CAMINHOS PARA DEUS
Nós, brasileiros, marcamos certos espaços como referências 
especiais de nossa sociedade. Assim como a casa em que 
moramo...
Existem formas individuais e coletivas de se falar com Deus. 
Coletivamente, o mais comum é através da cantoria, onde 
reú...
As formas individuais seriam normalmente as mais fracas, embora 
a fé, a esperança e a caridade de cada um sejam também 
e...
As respostas são muitas, mas um fator sociológico básico, é que 
existe a necessidade de construir esse grande espelho a q...
•A religião explica os infortúnios de nossas vidas (acidentes e 
doenças); o porquê de alguém ligado a nós ter sofrido um ...
Até 1890 o Catolicismo Romano foi a religião oficial no Brasil e se 
mantém até hoje dominante. Porém essa denominação rel...
Temos de um lado a África dos escravos, com seus terreiros, 
tambores, idiomas secretos, orixás e ritos de sacrifício 
(Um...
Limitada - em todas as formas de religiosidade brasileiras, há 
uma enorme e densa ênfase na relação entre este mundo e o ...
A COMUNICAÇÃO COM DEUS 
•Sempre através de um elo pessoal; 
Nós, brasileiros, temos intimidade com certos santos protetore...
Assim como temos pais, padrinhos e patrões, temos também 
entidades sobrenaturais que nos protegem. E elas podem ser de 
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O milagre nada mais é que uma resposta dos deuses a uma 
súplica desesperada dos homens, na forma de um atendimento 
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Mas o popular contém todas as formas que lidam com as 
emoções em estado vivo, atuando por dentro (atende aos 
sentimentos...
No mundo real não posso ter dois sexos, duas mulheres,dois 
partidos políticos ao mesmo tempo..., no caminho para Deus e 
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Somos um povo que acredita num outro mundo: onde não 
haveria sofrimento, miséria, poder e impessoalidades 
desumanas; 
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“ O OUTRO MUNDO TEM MUITAS FORMAS E SÃO 
VÁRIOS OS CAMINHOS DE SE CHEGAR ATÉ ELE 
NO BRASIL. MAS, POR DETRÁS DE TODAS AS D...
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Os caminhos para deus

  1. 1. Maria do Carmo S.Freitas Prof.: Pércio Davies Schmitz
  2. 2. O QUE FAZ O brasil, BRASIL? Roberto da Matta CÁPÍTULO 8 OS CAMINHOS PARA DEUS
  3. 3. Nós, brasileiros, marcamos certos espaços como referências especiais de nossa sociedade. Assim como a casa em que moramos, nossa rua, bairro e nosso trabalho, onde vivemos com parentes, amigos e colegas , temos outro referencial de espaço, um espaço do outro mundo demarcado por igrejas, capelas, centros espíritas, sinagogas, terreiros – é a nossa religião – um mundo habitado por mortos,fantasmas, almas, santos, anjos,orixás, deuses, Deus,Virgem Maria e Jesus Cristo, para onde todos vão e de onde ninguém retorna, ou pelos menos retorna com facilidade. Aqui nosso modo de relacionamento é diferente, a comunicação com o além e seus habitantes é formalizado e suplicante, feito de preces, rezas e súplicas: ao invés de discursar, rezamos; de ordenar, pedimos.
  4. 4. Existem formas individuais e coletivas de se falar com Deus. Coletivamente, o mais comum é através da cantoria, onde reúnem-se vários pedidos num só que deve “subir” aos céus, levado pelas harmonias das vozes que o entoam. Nosso modo de conceber o espaço religioso, a linha vertical e hierarquizada, que relaciona o céu com a terra e o alto com o baixo, é algo dominante e crítico : o “alto” tudo que é superior, mais nobre, mais forte, mais poder. É lá que moram os anjos, santos e todas as entidades que podem nos proteger. O “baixo” é a terra em que vivemos: vale de lágrimas onde sofremos, trabalhamos e finalmente morremos. A reza, a festividade religiosa e o canto coletivo, são meios de se chegar até essas regiões superiores, ligando o aqui e agora com o além e o infinito.
  5. 5. As formas individuais seriam normalmente as mais fracas, embora a fé, a esperança e a caridade de cada um sejam também elementos importantes no atendimento de suas súplicas ou preces. Promessas, oferendas e sacrifícios, são naturalmente mais fortes que um pedido verbal, muitas vezes incidindo gastos financeiros para tal. A promessa é um pacto que obriga os dois lados a uma ação positiva para solucionar o problema apresentado . ( Se eu peço uma graça e logo em seguida me sacrifico com a oferta de algo precioso para o santo(ou santa) de minha devoção, a lógica social faz com que ele (ou ela) também se obrigue a resolver meu problema, atendendo cortesmente meu pedido.
  6. 6. As respostas são muitas, mas um fator sociológico básico, é que existe a necessidade de construir esse grande espelho a que chamamos religião para dar a todos e a cada um de nós,um sentimento de comunhão com o universo como um todo, nos permitindo uma relação globalizada não só com os deuses, mas com todos os homens e seres vivos. RELIGIÃO – a palavra deriva do latim: laço, aliança, pacto, contrato e relação que deve nortear os elos entre deuses e homens entre si. Um modo de ordenar o mundo, facultando nossa compreensão para coisas complexas, como a ideia de tempo, de eterno, de perda e desaparecimento: o homem é o único ser que tem consciência de sua própria morte.
  7. 7. •A religião explica os infortúnios de nossas vidas (acidentes e doenças); o porquê de alguém ligado a nós ter sofrido um acidente ou ter ficado doente, por exemplo. •“Falamos também de religião quando estamos pensando no modo pelo qual a sociedade precisa legitimar ou justificar a sua organização, a sua maneira de ser e os seus estilos de fazer” – A religião pode explicar de modo mais satisfatório que a ciência ou a filosofia, por que existem ricos e pobres, fortes e fracos, doentes e sãos; por que temos neste mundo sofrimento, calamidade, doença injustiça e aflição. •A religião marca momentos importantes da vida: nascimentos, batizados, crismas, comunhões, casamentos, funerais, com rituais e cerimônias específicas para cada situação – legitima com o aval divino algo convencionado.
  8. 8. Até 1890 o Catolicismo Romano foi a religião oficial no Brasil e se mantém até hoje dominante. Porém essa denominação religiosa é acompanhada de outras que a ela estão referidas, que diferem pela forma de culto, teologia, tipo de sacerdócio e atitudes gerais. A variedade de experiências religiosas brasileiras é ampla e limitada ao mesmo tempo: Ampla – ao Catolicismo Romano somam-se várias denominações Protestantes, outras variações de religiões orientais e ocidentais, além das variedades brasileiras de cultos de possessão.
  9. 9. Temos de um lado a África dos escravos, com seus terreiros, tambores, idiomas secretos, orixás e ritos de sacrifício (Umbanda). De outro, há o Espiritismo Kardecista, em que o culto dos mortos é uma forma dominante e o ritual se faz sem cantos nem tambores.
  10. 10. Limitada - em todas as formas de religiosidade brasileiras, há uma enorme e densa ênfase na relação entre este mundo e o outro, de modo que a domesticação da morte e do tempo é elemento fundamental em todas essas variedades e jeitos de se chegar a Deus.
  11. 11. A COMUNICAÇÃO COM DEUS •Sempre através de um elo pessoal; Nós, brasileiros, temos intimidade com certos santos protetores e padroeiros; do mesmo modo,temos como guias certos orixás ou espíritos do além, que são nossos protetores. Uma relação fundada na simpatia e na lealdade dos representantes deste mundo e do outro. Somos fiéis devotos de santos do Catolicismo, por exemplo, e também cavalos de santo de orixás, e com cada um deles nos entendemos bem – por meio de preces, promessas, oferendas, despachos, súplicas e obrigações, que mesmo tendo diferenças aparentes, constituem um código de comunicação com o além que é obviamente comum e brasileira.
  12. 12. Assim como temos pais, padrinhos e patrões, temos também entidades sobrenaturais que nos protegem. E elas podem ser de tradições religiosas divergentes. O que pode parecer singular no caso brasileiro, é que cada uma dessas formas de religiosidade seja suplementar às outras, mantendo com elas uma relação de plena complementaridade. A Igreja Romana legitima eventos em nossa vida: nascimento, batizado, casamento, morte. Funciona como uma forma básica de religião. Por outro lado, suas regras fixas e ritos conduzem a uma certa impessoalidade nossa relação com Deus. Mas ao lado dessas formas impessoais e socialmente aceitas de comportamento religioso, existem formas e estilos pessoais de ligação com o outro mundo, tão populares como o milagre.
  13. 13. O milagre nada mais é que uma resposta dos deuses a uma súplica desesperada dos homens, na forma de um atendimento pessoal . Essa pessoalidade é única no catolicismo popular. Parece produzir , no plano religioso, enorme ênfase nas relações pessoais que dão um sentido profundo ao nosso mundo social. É clara essa forma de comunicação familiar e íntima, direta e pessoal entres homens e deuses, no caso brasileiro. Assim, em vez de opor a religião popular à religião oficial ou erudita, entende-se que suas relações complementam-se: como as faces de uma mesma moeda. O oficial contém tudo que pode legalizar, atuando a partir de fora. (atendendo às aparências).
  14. 14. Mas o popular contém todas as formas que lidam com as emoções em estado vivo, atuando por dentro (atende aos sentimentos propriamente ditos). Num caso, a relação com Deus ´”limpa”, educada. No outro, a comunicação é sensível, concreta e dramática. O milagre para nós, brasileiros, é a não exclusão de qualquer dessas formas como necessárias à vida religiosa. Mas a adoção de ambas como modos legítimos de se chegar a Deus.
  15. 15. No mundo real não posso ter dois sexos, duas mulheres,dois partidos políticos ao mesmo tempo..., no caminho para Deus e na relação com o outro mundo posso juntar muita coisa: posso ser católico e umbandista ou devoto de Ogum e São Jorge, por exemplo.Tudo se funde, revelando, talvez, que no sobrenatural nada seja impossível. A linguagem religiosa no nosso país permite a um povo destituído de tudo, que não consegue comunicar-se com seus representantes legais, FALAR, SER OUVIDO E RECEBER os deuses em seu próprio corpo.
  16. 16. Somos um povo que acredita num outro mundo: onde não haveria sofrimento, miséria, poder e impessoalidades desumanas; Leis universais como “quem dá recebe e quem faz algum mal recebe esse mal”, seriam válidas para todos, pois todos teriam valor na sua fé e sinceridade.
  17. 17. “ O OUTRO MUNDO TEM MUITAS FORMAS E SÃO VÁRIOS OS CAMINHOS DE SE CHEGAR ATÉ ELE NO BRASIL. MAS, POR DETRÁS DE TODAS AS DI-FERENÇAS, SABEMOS QUE LÁ, NESSE CEU À BRASILEIRA, É POSSÍVEL UMA RELAÇÃO PERFEITA DE TODOS OS ESPAÇOS. ESSA, PELO MENOS,É A ESPERANÇA QUE SE IMPRIME NAS FORMAS MAIS POPULARES DE RELIGIOSIDADE...”

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