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DIDÁTICA MAGNA DE COMENIUS COM COMENTÁRIOS
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 2 ]
FINALIDADE DESTA OBRA
Este livro como os demais por mim publicados
tem o intuito de levar os homens a se tornarem melhores,
a amar a Deus acima de tudo e ao próximo com a si
mesmo. Minhas obras não têm a finalidade de
entretenimento, mas de provocar a reflexão sobre a nossa
existência. Em Deus há resposta para tudo, mas a
caminhada para o conhecimento é gradual e não
alcançaremos respostas para tudo, porque nossa mente
não tem espaço livre suficiente para suportar. Mas neste
livro você encontrará algumas respostas para alguns dos
dilemas de nossa existência.
AUTOR: CEB é licenciado em Ciências Biológicas
e História pela Universidade Metropolitana de Santos;
possui curso superior em Gestão de Empresas pela
UNIMONTE de Santos; é Bacharel em Teologia pela
Faculdade das Assembléias de Deus de Santos; tem
formação Técnica em Polícia Judiciária pela USP e dois
diplomas de Harvard University dos EUA sobre Epístolas
Paulinas e Manuscritos da Idade Média. Radialista
profissional pelo SENAC de Santos, reconhecido pelo
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 3 ]
Ministério do Trabalho. Nasceu em Itabaiana/SE, em
1969. Em 1990 fundou o Centro de Evangelismo
Universal; hoje se dedica a escrever livros e ao ministério
de intercessão. Não tendo interesse em dar palestras ou
participar de eventos, evitando convívio social.
CONTATO:
Whatsapp Central de Ensinos Bíblicos com
áudios, palestras e textos do Escriba de Cristo
Grupo de estudo no whatsapp
55 13 996220766
https://youtube.com/@escribadecristo
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 4 ]
CONTRIBUIÇÃO PARA ESTA MISSÃO
Esta versão do meu livro está disponível gratuitamente na
internet. Se você a leu, gostou e lhe edificou, peço que faça uma
doação ao meu ministério fazendo um pix, nem que seja de
um dólar [ou cinco reais BR],
assim continuaremos produzindo livros que edifiquem:
PIX
Valdemir Mota de Menezes,
Banco do Brasil
CPF 069 925 388 88
Este material literário do autor não tem fins lucrativos,
nem lhe gera quaisquer tipos de receita. Sua satisfação consiste
em contribuir para o bem da educação uma melhor qualidade de
vida para todos os homens e seres vivos, e para glorificar o
único Deus Todo-Poderoso.
OBRIGADO PELA COLABORAÇÃO!
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[ 5 ]
Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP)
CENTRO DE EVANGELISMO UNIVERSAL
-CNPJ 66.504.093/0001-08
M543 Central de Ensinos Bíblicos, 1969 –
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Manaus/AM, Amazon, livrorama, Uiclap,
Bibliomundi ,Clubedesautores, 2023, 486 p. ; 21
cm
ISBN: 9798856220338 Edição 1°
1. Didática 2. Pedagogia 3 Comênius
4. Didática Magna.
CDD 261 / 240
CDU 23
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 6 ]
Sumário
INTRODUÇÃO......................................................................8
CAPÍTULO 1...........................................................................9
CAPÍTULO II ....................................................................... 11
CAPÍTULO III...................................................................... 18
CAPÍTULO IV......................................................................23
CAPÍTULO V........................................................................28
CAPÍTULO VI......................................................................46
CAPÍTULO VIII...................................................................60
CAPÍTULO IX......................................................................66
CAPÍTULO X .......................................................................72
CAPÍTULO XI......................................................................80
CAPÍTULO XII ....................................................................87
CAPÍTULO XIII................................................................. 106
CAPÍTULO XIV ..................................................................113
CAPÍTULO XVI ................................................................. 133
CAPÍTULO XVII................................................................ 162
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 7 ]
CAPÍTULO XVIII .............................................................. 187
CAPÍTULO XIX ................................................................. 218
CAPÍTULO XX...................................................................256
CAPÍTULO XXI .................................................................274
CAPÍTULO XXII................................................................289
CAPÍTULO XXIII ..............................................................303
CAPÍTULO XXIV............................................................... 315
CAPÍTULO XXV ................................................................337
CAPÍTULO XXVI...............................................................367
CAPÍTULO XXVII .............................................................376
CAPÍTULO XXVIII............................................................383
CAPÍTULO XXIX...............................................................395
CAPÍTULO XXX ................................................................408
CAPÍTULO XXXI...............................................................420
CAPÍTULO XXXII .............................................................429
CAPÍTULO XXXIII............................................................ 441
OBRAS DE COMENIUS ...................................................455
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 8 ]
NOTAS DO TRADUTOR..................................................457
INTRODUÇÃO
Eu tomei conhecimento do livro DIDÁTICA
MAGNA quando estava fazendo licenciatura em História e
tínhamos que adquirir conhecimentos sobre métodos de
ensinos. Não adianta conhecer história e não ter métodos
didáticos para transmitir estes conhecimentos aos alunos.
Neste contexto conheci Comenius e fiquei encantado com
este livro. Estamos falando de um livro de séculos atrás e
que revolucionou a metodologia escolar. Imagine que a
educação era algo somente destinada a poucas pessoas,
em geral homens, ricos, e os privilegiados. Comenius
ficaria famoso e lembrado para sempre como aquele
educador que tinha como lema: “ensinar tudo, para
todos.” Sua missão neste mundo foi fantástica: Ele entrou
em contato com vários príncipes protestantes da Europa e
passou a criar um novo modelo de escola que depois se
alastrou para o mundo inteiro. Comenius é um orgulho do
cristianismo, porque ele era um fervoroso pastor
protestante da Morávia e sua missão principal era
anunciar Jesus ao mundo e ele sabia que patrocinar a
educação a todas as pessoas iria levar a humanidade a
outro patamar. Quem estuda a história da educação, vai
se defrontar com as ideias de Comenius e como nós
chegamos no século XXI em que boa parte da
humanidade sabe ler e escrever graças em parte a um
trabalho feito por Comenius há vários séculos atrás. Até
hoje sua influencia pedagógica é grande e eu tenho a
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 9 ]
honra de republicar seu livro DIDÁTICA MAGNA com
comentários. Comenius ainda foi um dos líderes do
movimento enciclopédico que tentava sintetizar todo o
conhecimento humano em Enciclopédias. Hoje as
enciclopédias é uma realidade.
CAPÍTULO 1
O HOMEM É A MAIS ALTA, A MAIS ABSOLUTA
E A MAIS EXCELENTE DAS CRIATURAS
Supunha-se que o conhece-te a ti mesmo tivesse
vindo do céu.
1. Quando Pítaco pronunciou o seu «conhece-te
a ti mesmo» os sábios acolheram esta máxima com tão
grandes aplausos que, para a recomendarem ao povo,
afirmaram que ela viera do céu, e tiveram o cuidado de a
fazer inscrever, em letras de ouro, no templo de Apolo,
em Delfos, onde o povo afluia em grande número. Este foi
um ato de sabedoria e de piedade; aquela foi, de fato,
uma ficção, mas absolutamente conforme à verdade,
como para nós é evidente mais que para eles.
Veio verdadeiramente do céu.
2. Efetivamente, a voz que, vindo do céu, ressoa
nas Sagradas Escrituras, que outra coisa quer dizer
senão: «ó homem, que tu me conheças, que tu te
conheças?» Eu, fonte de eternidade, de sabedoria e de
beatitude; tu, criatura, imagem e delícia minha.
Sublimidade da natureza humana.
3. Com efeito, destinei-te a compartilhar comigo
da eternidade; para teu uso, preparei o céu, a terra e tudo
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 10 ]
o que neles está contido; só em ti juntei, ao mesmo
tempo, todas as prerrogativas, das quais as outras
criaturas apenas têm uma: o ser, a vida, os sentidos e a
razão. Fiz-te soberano das obras das minhas mãos, e
coloquei tudo a teus pés, as ovelhas, os bois e os outros
animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar, e
desta maneira coroei-te de glória e de honra (Salmo 8, 6-
9). A ti, finalmente, para que nada te faltasse, dei-me eu
próprio, mediante a união hipostática, ligando para
sempre a minha natureza com a tua, sorte que não coube
a nenhuma das outras criaturas visíveis e invisíveis. Com
efeito, qual das outras criaturas, no céu ou na terra, se
pode gloriar de que Deus se revelasse na sua própria
carne e apresentado pelos anjos? (Timóteo, I, 3, i6), ou
seja, não apenas para que vejam e se admirem a ver
quem desejavam ver (Pedro, I, 1, 12), mas ainda para que
adorem a Deus que se revelou vestido de carne, ou seja,
Filho de Deus e do homem (Hebreus, I, 6; João, I, 51;
Mateus, 4, 11). Deves, portanto, compreender que és o
protótipo, o admirável compêndio das minhas obras, o
representante de Deus no meio delas, a coroa da minha
glória.
É necessário colocar esta verdade debaixo dos
olhos de todos os homens.
(Comenius cita a célebre frase: "conhece-te a ti
mesmo" para dizer que o homem pode encontrar Deus
após conhecer profundamente o ser humano, porque o
homem tem a glória de ser a única criatura feita a imagem
e semelhança de Deus)
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 11 ]
4. Oxalá todas estas verdades sejam esculpidas,
não nas portas dos templos, não nos frontispícios dos
livros, não, enfim, nas línguas, nos ouvidos e nos olhos de
todos os homens, mas nos seus corações. Deve procurar-
se, na verdade, que todos aqueles a quem cabe a missão
de formar homens façam com que todos vivam
conscientes desta dignidade e excelência, e empreguem
todos os meios para atingir o objetivo desta sublimidade.
(O educador é um formador de homem, uma boa
educação no princípio da vida é fundamental para que
cresçam adultos que aprendam a respeitar as regras e
sejam justos)
CAPÍTULO II
O FIM
ÚLTIMO DO HOMEM
ESTÁ
FORA DESTA VIDA
A mais excelente das criaturas deve
necessariamente ter a finalidade mais excelente.
1. A própria razão nos diz que uma criatura tão
excelente é destinada a um fim mais excelente que o de
todas as outras criaturas, isto é, sem dúvida, a gozar,
juntamente com Deus, que é o cume da perfeição, da
glória e da beatitude, para sempre, a mais absoluta glória
e beatitude.
O que é evidente.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 12 ]
(A Bíblia dá uma ênfase no ser humano como a
criatura diferente de todas as outras, porque nele Deus
colocou o espírito o que lhe confere um status superior
aos demais seres criados. a doutrina humanista coloca o
homem em igualdade com os "bichos". mas é evidente
que os homens são infinitamente superiores aos animais,
e isso não foi por obra da evolução, mas da criação.)
2. Mas embora isto se infira claramente da
Sagrada Escritura e nós acreditemos firmemente que é de
fato assim, todavia, não será tempo perdido ver de
quantos modos, nesta vida, Deus nos tenha figurado o
Além («Plus ultra») ou de quantos modos a ele possamos
chegar.
1. Da história da criação.
3. Em primeiro lugar, no próprio momento da
criação. Com efeito, não ordenou ao homem
simplesmente, como aos outros seres, que viesse ao
mundo; mas, após uma solene deliberação, formou-lhe o
corpo como que com os seus próprios dedos e insuflou-
lhe por alma uma parte de si mesmo.
2. Da constituição do nosso ser.
4. A constituição do nosso ser mostra que não
nos bastam as coisas que possuimos nesta vida. Com
efeito, temos aqui três espécies de vida: vegetativa,
animal, e intelectual ou espiritual — a primeira das quais
nunca se manifesta fora do corpo; a segunda, mediante
as operações dos sentidos e do movimento, põe-nos em
relação com os objetos exteriores; a terceira pode existir
também separadamente, como se verifica nos anjos. Ora,
uma vez que é evidente que este grau supremo da vida é
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 13 ]
fortemente obscurecido e perturbado em nós pelos outros
dois, segue-se necessariamente que o será também no
lugar onde ela for conduzida ao mais elevado grau de
perfeição .
(O ser humano é distinto dos outros seres vivos
porque possui vida intelectual e espiritual. os vegetais
vivem limitados pelo corpo que possui, ficando imóveis.
os animais, pelos sentidos que possuem podem ter
conhecimento do mundo fazendo descobertas pelo tato,
olfato, paladar, audição e visão. O homem pelo
pensamento, razão, sentimento e espiritualidade pode ir
muito além, por isso só ele tem o senso de religiosidade.)
3. De tudo o que fazemos e sofremos nesta vida.
5. Tudo o que fazemos e sofremos nesta vida
mostra que não atingimos aqui o nosso fim último, mas
que tudo o que é nosso, e bem assim nós próprios, tende
para outro lugar. Com efeito, tudo o que somos, fazemos,
pensamos, falamos, imaginamos, adquirimos e
possuímos não é senão uma espécie de escada, na qual,
subindo cada vez mais acima, é certo que subimos
sempre degraus mais altos, mas nunca chegamos ao
último. A princípio, com efeito, o homem nada é, como
nada era ab aeterno; começa a desenvolver-se somente
no útero materno, a partir de uma gota de sangue
paterno. Que é, portanto, o homem no princípio? Matéria
informe e bruta. A seguir, assume os traços de um
pequeno corpo, mas ainda sem sentidos nem
movimentos. Depois, começa a mover-se e, por força da
natureza, vem à luz; e, pouco a pouco, começam a abrir-
se os olhos, os ouvidos e os restantes sentidos. Após um
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 14 ]
certo lapso de tempo, revela-se o sentido interno, quando
sente que vê, que ouve e que sente. Depois, notando as
diferenças entre as coisas, manifesta-se o intelecto;
finalmente, a vontade, aplicando-se a certos objetos e
fugindo de outros, assume o papel de diretora.
Em todas estas coisas há uma gradação, mas
sem termo.
("O homem começa a se desenvolver a partir de
uma gota de sangue paterno", isto vale dizer que o ser
humano nasce graças a transmissão genética pelo
"sémen", não propriamente pelo "sangue", mas os antigos
sempre usaram o sangue como sinônimo de elemento
transmissor da vida. tanto é que em todo o antigo
testamento, na bíblia há um destaque e reverência ao
sangue como a substância que representa a sede da
alma)
6. Mas em cada uma daquelas coisas há uma
mera gradação. De fato, pouco a pouco, aparece a
inteligência, como a luz radiante da aurora, e começa a
emergir da profunda escuridão da noite; e, durante todo o
tempo que dura a vida, cresce sempre mais a luz
intelectual (a não ser que se trate de um débil), até ao
momento da morte. De igual modo, as nossas ações são,
a princípio, tênues, débeis, rudes e muito confusas;
depois, a pouco e pouco, juntamente com as forças do
corpo, também as potencialidades da alma se
desenvolvem, de tal maneira que, durante todo o tempo
da vida (exceto quem é tomado de um extremo torpor,
sendo como que um morto vivo), há sempre qualquer
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 15 ]
coisa a fazer, a propor e a tentar; todas aquelas
faculdades, numa alma generosa, tendem sempre mais
para cima, sem um termo. Com efeito, nesta vida, nunca
se consegue encontrar o fim, nem dos nossos desejos
nem das nossas tentativas.
Tudo isto é demonstrado pela experiência.
7. Para qualquer parte que alguém se volte,
conhecerá esta verdade por experiência. Se alguém ama
o poder e as riquezas, não encontrará onde saciar a sua
fome, ainda que chegue a possuir todo o mundo, o que é
evidente pelo exemplo de Alexandre. Se alguém arde
com sede de honras, não poderá ter paz ainda que seja
adorado por todo o mundo. Se alguém se entrega aos
prazeres, embora todos os seus sentidos nadem num mar
de delícias, todas as coisas lhe parecem gastas e o seu
apetite corre de um objeto para outro. Se alguém aplica a
mente ao estudo da sabedoria, nunca encontra o fim,
pois, quanto mais coisas uma pessoa sabe, tanto melhor
compreende que lhe restam mais para saber.
Efetivamente, com toda a razão, Salomão disse: «Os
olhos não se saciam de ver e os ouvidos têm sempre
desejo de escutar» (Eclesiastes, 1, 8).
Nem mesmo a morte põe fim às nossas
aspirações.
8. Os exemplos dos moribundos provam que nem
a morte marca o último termo das nossas aspirações.
Com efeito, à hora da morte aqueles que passaram
honestamente a vida exultam ao pensar que é para entrar
numa vida melhor; ao contrário, aqueles que
mergulharam no amor da vida presente, apercebendo-se
de que a vão abandonar e de que deverão emigrar para
outro sítio, começam a tremer, e se, de um modo ou de
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 16 ]
outro, ainda o podem fazer, reconciliam-se com Deus e
com os homens. E embora o corpo, enfraquecido pelas
dores, se debilite, os sentidos se ofusquem e a própria
vida expire, todavia, a mente, com mais vivacidade que
nunca, realiza as suas funções, tomando com devoção,
gravidade e circunspecção as necessárias disposições
acerca de si mesmo, da família, da herança, do Estado,
etc.; de tal maneira que, quem vê morrer um homem
piedoso e sábio parece ver um pedaço de terra que se
esboroa, e quem o ouve falar, parece ouvir um anjo; e
tem necessariamente que confessar que não se trata
senão de um hóspede que se prepara para abandonar um
pequeno tugúrio prestes a cair em ruínas. Os próprios
pagãos compreenderam esta verdade; e por isso os
romanos, como se lê em Festo [1], chamaram à morte
partida, («ecabitio»), e os gregos usam, muitas vezes, a
palavra que significa ir-se embora, em vez de perecer ou
de morrer. Porquê, senão porque se compreende que,
pela morte, se passa para um outro lugar?
O exemplo do Cristo-Homem ensina que os
homens são destinados à eternidade.
9. Mas, a nós cristãos, esta verdade parece mais
clara depois que Cristo, Filho de Deus vivo, enviado do
céu a reproduzir a imagem de Deus desaparecida de nós,
mostrou a mesma coisa com o seu exemplo.
Efetivamente, concebido e dado à luz mediante o
nascimento, andou entre os homens; depois de morto,
ressuscitou e subiu aos céus, e a morte já O não tem sob
o seu domínio. Ora Ele é chamado, e é de fato, o nosso
precursor (Hebreus, 6, 20), o primogênito dos irmãos
(Romanos, 8,29), a cabeça dos seus membros (Efésios,
1, 22 e 23), o arquétipo de todos aqueles que devem ser
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 17 ]
reformados à imagem de Deus (Romanos, 8, 29).
Portanto, assim como Ele não veio para continuar a viver
neste mundo, mas para passar, terminado o curso da
vida, às habitações eternas, assim também nós, uma vez
que nos cabe a mesma sorte que a Ele, não devemos
permanecer aqui, mas emigrar para outro lugar.
O Homem tem três espécies de morada.
10. Para cada um de nós, portanto, estão
estabelecidas três espécies de vida e três espécies de
morada: o útero materno, a terra e o céu. Da primeira,
entra-se para a segunda, mediante o nascimento; da
segunda, para a terceira, mediante a morte e a
ressurreição; da terceira, nunca mais se sai, eternamente.
Na primeira, recebemos apenas a vida, juntamente com
um movimento e sentidos incipientes; na segunda, a vida,
o movimento e os sentidos com os primórdios da
inteligência; na terceira, a plenitude perfeita de todas as
coisas.
E três espécies de vida.
11. A primeira vida de que falei é uma preparação
para a segunda; a segunda para a terceira; a terceira, de
sua própria natureza, nunca termina. A passagem da
primeira para a segunda e da segunda para a terceira é
estreita e acompanhada de dores, e num e noutro caso se
devem depor os despojos ou invólucros (ou seja, no
primeiro caso, a placenta, e, no segundo, o próprio
organismo do corpo), como faz o pintainho, quando,
quebrada a casca, sai para fora. A primeira e a segunda
morada, portanto, são como duas oficinas: naquela forma-
se o corpo para uso da vida seguinte; nesta, forma-se a
alma racional para uso da vida eterna; a terceira morada
produz a verdadeira perfeição e prazer de ambos.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 18 ]
Os israelitas são símbolo disto.
12. Assim, os israelitas (seja-nos lícito adaptar
este símbolo ao nosso caso) foram gerados no Egito e de
lá, pelos estreitos caminhos dos montes e do Mar
Vermelho, transferidos para o deserto, aí acamparam em
tendas, aprenderam a lei, lutaram com vários inimigos;
finalmente, atravessado pela força o Jordão, foram
constituídos herdeiros da terra de Canaan, onde corriam
rios de leite e de mel.
CAPÍTULO 03 AO 05
CAPÍTULO III
ESTA VIDA
NÃO É
SENÃO UMA PREPARAÇÃO
PARA A VIDA ETERNA
Testemunhos desta verdade
1. Que esta vida, uma vez que tende para outra,
não é vida (falando com rigor), mas um proêmio da vida
verdadeira e que durará para sempre, tornar-se-á
evidente, primeiro, pelo testemunho de nós mesmos;
segundo, pelo testemunho do mundo; e, finalmente, pelo
testemunho da Sagrada Escritura.
1. Pelo testemunho de nós mesmos.
2. Se lançarmos um olhar introspectivo sobre nós
mesmos, veremos que todas as coisas da nossa vida
procedem de tal modo gradualmente, que a antecedente
prepara o caminho para a seguinte. Por exemplo: a nossa
primeira vida desenvolve-se nas vísceras maternas. Mas
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 19 ]
em proveito de quem? Acaso em proveito de si mesma?
De modo algum. Trata-se apenas de formar
convenientemente um pequenino corpo para servir de
habitação e de instrumento à alma, para comodidade e
uso da vida seguinte, a qual vivemos à luz do sol. E
apenas aquele pequenino corpo está perfeito, somos
dados à luz, pois já não há nenhuma razão para que
continue naquelas trevas. Do mesmo modo, portanto,
esta vida que vivemos à luz do sol não é senão uma
preparação para a vida eterna, de tal maneira que não é
de admirar que a alma se sirva do corpo para conseguir
aquelas coisas que lhe serão úteis para a vida futura.
Apenas feitos estes preparativos, emigramos daqui,
porque nada mais temos aqui a fazer. É verdade que
alguns, antes que tenham feito esses preparativos, são
arrebatados, ou antes, lançados no seio da morte, do
mesmo modo que, nos casos de aborto, o feto é lançado
fora do útero, não para o seio da vida, mas para o seio da
morte; em ambos os casos, porém, isso acontece, é certo
que com a permissão de Deus, mas contudo, por culpa
dos homens.
2. O mundo visível foi criado somente para servir
de sementeira, de alimentador e de escola aos homens.
3. Também o mundo visível, de qualquer parte
que se olhe, atesta que não foi criado para outro fim
senão para servir para a multiplicação, para a
alimentação e para a educação do gênero humano.
Com efeito, uma vez que a Deus não aprouve
criar os homens todos juntos, no mesmo momento, como
fez com os anjos, mas produziu apenas um macho e uma
fêmea, dando-lhes, a fim de que, por via de geração, se
multiplicassem, as forças necessárias e a sua benção, foi
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 20 ]
preciso conceder um espaço de tempo necessário para
esta sucessiva multiplicação, pelo que foram concedidos
alguns milhares de anos. E para que esse tempo não
fosse um tempo de confusão, de surdez e de cegueira,
fez a extensão dos céus, guarnecidos com o sol, a lua e
as estrelas, e ordenou que estes astros, com as suas
revoluções, servissem para medir as horas, os dias, os
meses e os anos. A seguir, uma vez que o homem seria
uma criatura corpórea, com necessidade de um lugar
para habitar, de um espaço para respirar e para se mover,
de alimento para crescer e de vestidos para se adornar,
fez (na parte mais baixa do mundo) um pavimento sólido,
a terra: e circundou-a de ar e banhou-a com as águas, e
ordenou-lhe que produzisse plantas e animais
multiformes, não apenas para satisfazer as necessidades
do homem, mas também para seu deleite. E, uma vez
que formara o homem à sua imagem, dotado de
inteligência, para que também não faltasse à inteligência
o seu alimento, derivou de cada uma das criaturas muitas
e várias espécies, para que este mundo visível
aparecesse como um lucidíssimo espelho da infinita
potência, sabedoria e bondade de Deus, na contemplação
do qual o homem fosse arrebatado por um sentimento de
admiração pelo Criador e impelido a conhecê-lo e movido
a amá-lo. Efetivamente, a solidez, a beleza e a doçura do
Criador permanece invisível e escondida no abismo da
eternidade, mas por toda a parte brilha por meio das
coisas visíveis e presta-se a ser apalpada, observada e
saboreada. Portanto, este mundo nada mais é que a
nossa sementeira, o nosso alimentador e a nossa escola.
Deve, por isso, existir um mais além («Plus ultra»), onde,
uma vez saídos das aulas desta escola, nos
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 21 ]
matricularemos na Academia Eterna. Pela razão,
portanto, consta que as coisas se passam assim; mas é
ainda mais evidente pelas Sagradas Escrituras.
[Há um senso comum dos religiosos que esta vida
é uma campo de provas e de testes, aqui existimos para
tomar uma decisão que vai repercutir por toda eternidade.
Jan Amos Komensky defendia uma educação
para a vida cotidiana, com sistematização de todos os
conhecimentos e o estabelecimento de um sistema
universal de educação, com oportunidades para as
mulheres. Ele sustentou a ciência ao mesmo tempo que
exaltava a majestade divina.]
3. O próprio Deus o atesta com as suas palavras.
4. O próprio Deus afirma, pela boca de Oséias,
que os céus existem por causa da terra, a terra por causa
do trigo, do vinho e do azeite, e tudo isto por causa dos
homens (Oseias, 2,22). Tudo, portanto, existe por causa
do homem, até o próprio tempo. Com efeito, não será
concedida ao mundo uma duração mais longa que a
necessária para completar o número dos eleitos
(Apocalipse, 6, 11). Apenas este número esteja completo,
os céus e a terra desaparecerão e não se encontrará
mais lugar para eles (Apocalipse, 20,7), pois surgirá um
novo céu e uma nova terra, onde habitará a justiça
(Apocalipse, 21,1 e 2; Pedro, II, 3, 18). Finalmente, até os
nomes que as Sagradas Escrituras dão a esta vida dão a
entender que esta não é senão uma preparação para
outra. Com efeito, dão-lhe o nome de via, viagem, porta,
espera; e a nós, o nome de peregrinos, forasteiros,
inquilinos, aspirantes a uma outra cidadania, a qual será
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 22 ]
verdadeiramente permanente (Gênesis, 47,9; Salmo 29,
13; Job, 7, 12; Lucas, 12, 36).
A experiência.
5. Todas estas coisas são demonstradas pelos
próprios fatos e pela condição de todos os homens, o que
é colocado sob os olhos de todos nós. Com efeito, quem
de todos os que nasceram, depois que apareceu no
mundo, não desapareceu de novo? Precisamente porque
somos destinados à eternidade. Porque, portanto,
pertencemos à eternidade, é necessário que esta vida
seja apenas uma passagem. Por isso Cristo disse: «Estai
preparados, porque não sabeis em que hora virá o Filho
do homem» (Mateus, 24, 44). E é esta a razão (sabemo-
lo também pela Escritura) por que Deus chama deste
mundo alguns ainda na primeira idade da vida: chama-os
certamente quando os vê preparados como Enoc
(Gênesis, 4, 24; Sabedoria, 4, 14). Porque é que, ao
contrário, usa de longanimidade para com os maus? Sem
dúvida, porque não quer surpreender ninguém não
preparado, mas que todos se convertam (Pedro II, 3, 9).
Se, todavia, algum continua a abusar da paciência de
Deus, este ordena que seja arrebatado pela morte.
Conclusão.
6. Portanto, assim como é certo que a estadia no
útero materno é uma preparação para viver no corpo,
assim também é certo que a estadia no corpo é uma
preparação para aquela vida que será uma continuação
da vida presente e durará eternamente. Feliz aquele que
sai do útero materno com os membros bem formados! Mil
vezes mais feliz aquele que sair desta vida com a alma
bem limpa!
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 23 ]
CAPÍTULO IV
OS GRAUS
DA PREPARAÇÃO
PARA A ETERNIDADE
SÃO TRÊS:
CONHECER-SE A SI MESMO
(E CONSIGO TODAS AS COISAS),
GOVERNAR-SE
E DIRIGIR-SE PARA DEUS
De onde se adquire o conhecimento dos fins
secundários do homem, subordinados ao fim supremo (a
eternidade)?
1. É evidente, portanto, que o fim último do
homem é a beatitude eterna com Deus. Quais sejam os
fim subordinados àquele e conformes a esta vida
transitória, torna-se evidente pelas palavras com que
Deus manifestou a resolução de criar o homem:
«Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e
presida aos peixes do mar, e às aves do céu, e aos
animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis
que se movem sobre a terra» (Gênesis, 1, 26).
São três:
1. que conheça todas as coisas;
2. que seja rei de si mesmo;
3. que seja delícia de Deus.
2. Ora, desta passagem, torna-se evidente que foi
colocado entre as criaturas visíveis para que seja:
I. Criatura racional.
II. Criatura senhora das outras criaturas
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 24 ]
III. Criatura imagem e delícia do seu Criador
Estas três coisas estão de tal modo ligadas que
não pode admitir-se nenhum divórcio entre elas, porque
sobre elas se funda a base da vida presente e da futura.
Que significa que é criatura racional?
3. Que é criatura racional quer dizer que observa,
dá o nome e se apercebe de todas as coisas, isto é, que
pode conhecer e dar um nome a todas as coisas deste
mundo e entendê-las, como é evidente (Gênesis, 2, 19).
Ou então, segundo a enumeração de Salomão
(Sabedoria, 7, 17 e ss.): conhecer a constituição do
mundo e a força dos elementos, o princípio e o fim e o
meio das estações, as mudanças dos solstícios e a
variabilidade do tempo, a duração do ano e a posição das
estrelas, a natureza dos animais e a alma dos brutos, as
forças dos espíritos e os pensamentos dos homens, as
diferenças das plantas e a potência das suas raízes:
numa palavra, todas as coisas ocultas ou manifestas, etc.
Nisto está compreendido também a ciência dos artífices e
a arte da palavra; de tal maneira que (como diz o
Eclesiástico) em nenhuma coisa, pequena ou grande,
haja algo de desconhecido (Eclesiástico, 5, 18). Somente
assim, com efeito, poderá de fato conservar o título de
animal racional, isto é, se conhecer os fundamentos de
todas as coisas.
Que significa que é senhor das outras criaturas?
4. Que é o senhor das outras criaturas quer dizer
que, ordenando tudo para fins legítimos, faz reverter tudo
utilmente em seu proveito; quer dizer que, portando-se
por toda a parte, no meio das criaturas, como um rei, isto
é, grave e santamente (ou seja, adorando apenas o
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 25 ]
Criador acima de si mesmo; os anjos de Deus, seus
companheiros, como a si mesmo, e todas as outras
coisas menos que a si mesmo) defende a dignidade que
lhe é concedida; que não está sujeito a nenhuma criatura,
nem mesmo à própria carne e que aproveita de tudo e de
tudo se serve livremente; que não ignora onde, quando,
como e até que ponto deve obedecer ao corpo, e onde,
quando, como e até que ponto deve servir o próximo.
Numa palavra, que pode regular prudentemente os
movimentos e as ações, externas e internas, de si mesmo
e dos outros.
Que significa que é imagem de Deus?
5. Finalmente, que é imagem de Deus, quer dizer
que representa ao vivo a perfeição do seu arquétipo,
como diz o próprio Arquétipo: «Sede santos, porque Eu, o
vosso Deus, sou santo» (Levítico, 19, 2).
Os referidos três atributos reduzem-se:
1. à instrução;
2. à virtude;
3. à piedade.
6. Daqui se segue que os autênticos requisitos do
homem são: 1. que tenha conhecimento de todas as
coisas; 2. que seja capaz de dominar as coisas e a si
mesmo; 3. que se dirija a si e todas as coisas para Deus,
fonte de tudo. Estas três coisas, se as quisermos exprimir
por três palavras vulgarmente conhecidas, serão:
I. Instrução,
II. Virtude, ou seja, honestidade de costumes,
III. Religião, ou seja, piedade;
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 26 ]
entendendo-se por instrução, o conhecimento
pleno das coisas, das artes e das línguas; por costumes,
não apenas a urbanidade exterior, mas a plena formação
interior e exterior dos movimentos da alma; e por religião,
a veneração interior, pela qual a alma humana se liga e
se prende ao Ser supremo.
Estas três coisas são o essencial do homem
nesta vida; todas as outras são acessórias.
7. Nestas três coisas reside toda a excelência do
homem, porque só estas são o fundamento da vida
presente e da futura; as outras (a saúde, a força, a
beleza, o poder, a dignidade, a amizade, o sucesso, a
longevidade) não são senão acréscimos e ornamentos
externos da vida, se acaso Deus os junta a ela, ou
vaidades supérfluas, pesos inúteis e estorvos nocivos, se
alguém, desejando-os apaixonadamente, os vai procurar,
e, descuradas as coisas mais importantes, deles se ocupa
e neles se mergulha.
Ilustra-se isto com o exemplo:
1. do relógio.
8. Ilustro a minha afirmação com exemplos. O
relógio (solar ou mecânico) é um instrumento elegante e
muito necessário para medir o tempo, cuja substância ou
essência é constituída por uma correspondência perfeita
de todas as suas partes. Os estojos em que se coloca, as
esculturas, as pinturas e os dourados são coisas
acessórias que acrescentam qualquer coisa à sua beleza,
mas nada à sua bondade. Se alguém quiser um
instrumento destes de preferência belo a bom, será
escarnecida a sua puerilidade, pois não repara onde está
sobretudo a utilidade.
2. do cavalo.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 27 ]
Do mesmo modo, o valor de um cavalo está na
sua força junta com a magnanimidade ou agilidade e a
prontidão do voltear; a cauda solta ou atada, a crina
penteada e ereta, os freios dourados, a gualdrapa com
bordados de ouro, e os colares, sejam de que espécie
forem, é verdade que acrescentam ornamento, mas, se
víssemos alguém medir por estas coisas a excelência do
cavalo, chamar-lhe-íamos estúpido.
3. da saúde
Finalmente, o bom estado da nossa saúde
depende de uma digestão regular e de uma boa
disposição interior. Deitar-se em leitos moles, trazer
vestidos luxuosos e comer alimentos saborosos, não só
não favorece a saúde, mas até a prejudica; por isso,
quem procura coisas deleitáveis de preferência a coisas
sãs, é um insensato. E é um insensato infinitamente mais
prejudicial aquele que, desejando ser homem, se
preocupa mais com os ornamentos que com a essência
do homem. Por isso, o Sábio chama ímpio e estulto «a
quem julga que a nossa vida é coisa de burla e um
mercado lucrativo» e diz e repete que «a aprovação e a
benção de Deus está muito longe de semelhante homem»
(Sabedoria, 15, 12 e 19).
[Nem tudo é perfeito no pensamento de
Comenius. De onde tirou esta ideia que alimentos
saborosos prejudicam a saúde? Ainda que é verdade que
açúcar, sal e gordura hidrogenada torna os alimentos
mais saborosos, mas prejudica a saúde. Mas as frutas
sãos saborosos e não podemos dizer que é prejudicial a
saúde.]
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 28 ]
Conclusão.
9. Fique, portanto, assente isto: quanto maior é a
atividade que, nesta vida se despende por amor da
instrução, da virtude e da piedade, tanto mais nos
aproximamos do fim último. Por isso, sejam estas três
coisas a obra essencial da nossa vida; tudo o resto é
acessório, empecilho, aparência enganosa.
CAPÍTULO V
AS SEMENTES
DAQUELAS TRÊS COISAS
(DA INSTRUÇÃO, DA MORAL E DA RELIGIÃO)
SÃO POSTAS
DENTRO DE NÓS
PELA NATUREZA
A primitiva natureza do homem era boa: a ela
(libertando-nos da corrupção) devemos regressar.
1. Neste lugar, por natureza, entendemos, não a
corrupção que, depois da queda, a todos atingiu (e por
causa da qual somos chamados, por natureza, filhos da
ira [1], incapazes, por nós próprios, de pensar seja o que
for de bom), mas o nosso estado primitivo e fundamental,
ao qual devemos regressar como nosso princípio. Neste
sentido, Luís de Vives disse: «Que outra coisa é o cristão
senão o homem regressado à sua natureza e restituído,
por assim dizer, à sua origem, de onde o demônio o havia
afastado?» (Da Concórdia e da Discórdia, livro I) [2].
Neste sentido também pode tomar-se aquilo que Sêneca
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 29 ]
escreveu: «A sabedoria está em regressar à natureza e
em voltar àquele lugar de onde o erro público (ou seja, o
erro cometido pelo gênero humano através dos primeiros
pais) [3] nos expulsou». E diz ainda: «O homem não é
bom, mas, lembrando-se da sua origem, transforma-se
em bom, para que tenda a igualar Deus.
Desonestamente, ninguém consegue subir ao lugar de
onde descera» (Carta 93) [4].
A força proveniente da providência eterna impele
para o estado primitivo.
2. Entendemos também pela palavra natureza a
providência universal de Deus, ou seja, o influxo
incessante da bondade divina para operar tudo em todos,
ou seja, em cada criatura aquilo para que a destinou. Na
verdade, o objetivo da sabedoria divina foi nada fazer em
vão, isto é, nem sem qualquer finalidade, nem sem os
meios adequados para conseguir esse fim. Por
conseqüência, tudo o que existe, existe para qualquer fim,
e para que o possa atingir foi dotado dos necessários
orgãos e auxílios; mais ainda, foi dotado também de uma
verdadeira tendência, a fim de que nunca seja impelido
para o seu fim contra a sua vontade e com relutância,
mas antes com prontidão e com prazer pelo instinto da
própria natureza, de modo que, se disso é mantido
afastado, advenha o sofrimento e a morte. É certo, por
isso, que também o homem foi feito, por natureza, apto
para a inteligência das coisas, para a harmonia dos
costumes e para o amor a Deus sobre todas as coisas
(vimos já, com efeito, que foi destinado para estas
coisas), e é tão certo que as raízes daquelas três coisas
se encontram nele, quanto é certo que a cada planta
foram dadas as raízes sob a terra.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 30 ]
A sabedoria colocou no homem raízes eternas.
3. Para que se torne mais evidente o que
pretende dizer o Eclesiástico quando proclama que a
sabedoria colocou fundamentos eternos nos homens
(Eclesiástico, 1, 14), vejamos que fundamentos de
Sabedoria, de Virtude e de Religião foram postos em nós,
para que nos apercebamos quão maravilhoso organismo
de sabedoria é o homem.
I. Tornando-o apto para adquirir conhecimento
das coisas. O que é evidente, porque o fez:
1. sua imagem
4. É evidente que todo o homem nasce apto para
adquirir conhecimento das coisas: primeiro, porque é
imagem de Deus. Com efeito, a imagem, se é perfeita,
apresenta necessariamente os traços do seu arquétipo,
ou então não será uma imagem. Ora, uma vez que, entre
os atributos de Deus, se destaca a omnisciência,
necessariamente brilhará no homem algo de semelhante
a ela. E porque não? Sem dúvida que o homem está no
meio das obras de Deus, tendo uma mente lúcida, como
um espelho esférico, suspenso na parede de uma sala, o
qual recebe a imagem de todas as coisas, digo, de todas
as coisas que o rodeiam. Efetivamente, a nossa mente
não apreende somente as coisas vizinhas, mas também
aproxima de si as que estão afastadas (quer quanto ao
lugar, quer quanto ao tempo), ergue-se às que estão
elevadas, investiga as ocultas, desvela as veladas e
esforça-se por perscrutar até as imperscrutáveis, de tal
maneira é algo de infinito e de indeterminável. Se fossem
concedidos ao homem mil anos de vida, durante os quais
aprendesse constantemente qualquer coisa, deduzindo
uma coisa de outra, todavia, teria sempre onde receber
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 31 ]
outras coisas que se lhe apresentassem, a tal ponto a
mente do homem é de capacidade inesgotável que, no
conhecimento, se apresenta como um abismo.
O nosso pequeno corpo está encerrado num
círculo estreito; a nossa voz vai um pouco mais além; a
vista apenas chega à cúpula celeste; mas à nossa mente
não pode fixar-se um limite, nem no céu nem fora do céu:
tanto se eleva acima dos céus dos céus, como desce
abaixo do abismo do abismo; e mesmo que estes
espaços fossem milhões de vezes mais vastos do que
são, ela aí penetraria, todavia, com incrível rapidez. E
havemos então de negar que todas as coisas lhe são
acessíveis, que ela é capaz de tudo?
2. Resumo do universo.
5. O homem é chamado pelos filósofos, resumo
do universo, compreendendo, de modo obscuro, todas as
coisas que se vêem por toda a parte amplamente
espalhadas pelo universo (macro-cosmos). Que assim é,
demonstrar-se-á noutro lugar [5]. Em conseqüência disso,
a mente do homem que entra no mundo compara-se com
muita razão a uma semente ou a um caroço, no qual,
embora não exista ainda em ato a figura da erva ou da
árvore, todavia, nele existe já de fato a erva ou a planta,
como se torna evidente quando a semente, metida
debaixo da terra, lança para baixo as raízes e para cima
os rebentos, os quais, pouco depois, por uma força
ingênita, se alongam em ramos e em ramagens, se
cobrem de folhas e se adornam de flores e de frutos.
N.B.
Não é necessário, portanto, introduzir nada no
homem a partir do exterior, mas apenas fazer germinar e
desenvolver as coisas das quais ele contém o gérmen em
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 32 ]
si mesmo e fazer-lhe ver qual a sua natureza. Por isso,
aceitamos que Pitágoras costumava dizer que era tão
natural ao homem saber tudo que, se um menino de sete
anos fosse prudentemente interrogado acerca de todas as
questões de toda a filosofia, com certeza que poderia
responder a todas, precisamente porque a luz da razão é
a forma e a norma suficiente de todas as coisas.
Simplesmente agora, após a queda, que o obscurece e
confunde, é incapaz de se libertar pelos seus próprios
meios; e aqueles que deveriam ajudá-lo não contribuem
senão para aumentar o embaraço em que se encontra.
3. Dotado de sentidos
6. Além disso, à alma racional que habita em nós,
foram acrescentados órgãos e como que emissários e
observadores, com a ajuda dos quais, ou seja, da vista,
do ouvido, do olfato, do gosto e do tato, ela procura
chegar a tudo aquilo que se encontra fora dela, de tal
maneira que, de todas as coisas criadas, nada pode
permanecer-lhe escondido. Uma vez que, portanto, no
mundo visível, nada há que se não possa ver, ou ouvir, ou
apalpar, e, por isso, que se não possa saber o que é e de
que natureza é, daí se segue que nada existe no mundo
que o homem, dotado de sentidos e de razão, não
consiga apreender.
4. Estimulado pelo desejo de saber.
7. Está implantado também no homem o desejo
de saber; e não apenas a aceitação resignada, mas até o
apetite do trabalho [6]. Surge logo na primeira idade
infantil e acompanha-nos durante toda a vida. Com efeito,
quem não experimenta a impaciência de ouvir, de ver ou
de apalpar sempre algo de novo? Quem não sente prazer
em comparecer todos os dias em qualquer lugar, ou em
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 33 ]
conversar com alguém, em perguntar qualquer coisa? Em
resumo, eis o que se passa: os olhos, os ouvidos, o tato e
também a mente, procurando sempre o seu alimento,
lançam-se sempre para fora de si mesmos, nada
havendo, para uma natureza viva, tão intolerável como o
ócio e o torpor. E uma vez que até os idiotas admiram os
homens doutos, que significa isto senão que também os
idiotas experimentam pelo saber os atrativos de um
desejo natural, nos quais eles próprios gostariam de
participar, se achassem que isso era possível?; mas
porque vêem que isso não é possível, suspiram e olham
com reverência aqueles que vêem de inteligência mais
elevada.
De onde resulta que muitos, tomando-se a si
mesmos por guia, conseguem penetrar no conhecimento
das coisas.
8. Os exemplos dos autodidatas mostram, de
maneira evidente, que o homem, conduzido pela
natureza, pode aprender todas as coisas. Com efeito,
alguns foram mais adiante que os seus próprios mestres,
ou (como diz S. Bernardo) [7], ensinados pelos carvalhos
e pelas faias (ou seja, passeando e meditando nas
florestas) fizeram mais progressos que outros, instruídos
na escola de diligentes professores. Acaso não nos
mostra isto que, dentro do homem, estão, de fato, todas
as coisas, isto é, o facho e o candieiro, o azeite e a
torcida, e tudo o necessário? Basta-lhe saber riscar o
fósforo, fazer tomar fogo à acendalha, e acender as luzes
para que veja, tanto em si mesmo como no vasto mundo
(observando como todas as coisas foram ordenadas com
número, medida e peso [8]), os maravilhosos tesouros da
sabedoria de Deus, num espetáculo cheio de beleza. Se,
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 34 ]
porém, a sua luz interior não está acesa, mas apenas se
faz girar do exterior, à volta dele, as lâmpadas das
opiniões alheias, não pode acontecer diversamente do
que acontece; é como se se fizesse girar archotes à volta
de uma prisão obscura e fechada, dos quais entrariam
pelos respiradouros somente alguns raios, mas não a
plena luz. É precisamente como disse Sêneca: «As
sementes de todas as artes estão colocadas dentro de
nós, e Deus, nosso mestre, de uma maneira oculta,
produz os gênios» [9].
[Os gênios realmente veem de Deus, não é a
escola que formam os gênios, eles são natos. Eu já entro
na categoria do autodidata. Sempre gostei de estudar o
que quero e do meu jeito. Muitos dos bons profissionais
se formaram na vida pela sua vontade de aprender mais e
mais os segredos da sua profissão.]
A nossa mente é comparada:
1. à terra;
2. a um jardim;
3. a uma tábua rasa.
9. O mesmo nos ensinam as coisas a que se
compara a nossa mente. Com efeito, a terra (à qual,
muitas vezes, a Sagrada Escritura compara o nosso
coração) [10] não recebe acaso sementes de toda a
espécie? E acaso um só e o mesmo jardim não permite
que nele se plantem ervas, flores e plantas aromáticas de
toda a espécie? Com certeza, se ao jardineiro não falta
prudência e zelo. E quanto maior for a variedade, tanto
mais belo será o espetáculo para os olhos, tanto mais
suave é o prazer para o nariz e tanto mais forte é o
conforto para o coração.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 35 ]
Aristóteles comparou a alma humana a uma
tábua rasa, onde nada está escrito e onde se pode
escrever tudo [11]. Portanto, da mesma maneira que,
numa tábua, onde não há nada, o escritor pode escrever,
e o pintor pintar aquilo que quer, desde que saiba da sua
arte, assim também na mente humana, com a mesma
facilidade, quem não ignora a arte de ensinar pode gravar
a efígie de todas as coisas. E se isto não acontece, com
toda a certeza que não é por culpa da tábua (exceto, uma
ou outra vez, quando ela é demasiado rugosa), mas por
ignorância do escrivão ou do pintor. Há, porém, uma
diferença: na tábua, não é possível traçar linhas senão
até ao limite em que as margens o permitem, ao passo
que, na mente, por mais que se escreva ou esculpa,
nunca se encontra um sinal que indique o termo, pois
(como atrás se observou), ela não tem termo.
4. à cera, onde podem imprimir-se infinitos selos.
10. Compara-se também, com razão, o nosso
cérebro, oficina dos pensamentos, à cera, onde, ou se
imprime um selo, ou de que se fazem estatuetas. Com
efeito, da mesma maneira que a cera, adaptando-se a
receber qualquer forma, se submete como se quer a
tomar e a mudar de figura, assim também o cérebro,
prestando-se a receber as imagens de todas as coisas,
recebe em si tudo o que o universo contém. Com este
exemplo, mostra-se, ao mesmo tempo, de uma maneira
elegante, o que é o nosso pensamento e o que é a nossa
ciência. Tudo o que me impressiona a vista, o ouvido, o
olfato, o gosto e o tato é para mim como um selo, pelo
qual a imagem de uma coisa se imprime no cérebro; e
nele o imprime de tal maneira que, mesmo que a coisa se
afaste dos olhos, dos ouvidos, do nariz e das mãos,
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 36 ]
permanece sempre a sua imagem; e não é possível que
ela não permaneça, a não ser quando uma atenção
negligente formou uma impressão débil. Por exemplo: se
fixo um homem ou lhe falo; se, viajando, contemplo uma
montanha, um rio, um campo, uma floresta, uma cidade,
etc.; se, por vezes, ouço trovões, música e discursos; se
leio atentamente algumas linhas num livro, etc.; todas
estas coisas se imprimem no meu cérebro, de tal maneira
que, todas as vezes que a sua recordação se me renova,
é o mesmo que se me estivessem diante dos olhos, me
ressoassem aos ouvidos e as saboreasse ou apalpasse
neste momento. E embora um cérebro, ou receba estas
impressões de modo mais distinto, ou as represente com
maior clareza, ou as retenha com maior fidelidade que
outro, no entanto, cada um deles as recebe, representa e
retém, de qualquer maneira.
A capacidade da nossa mente é um milagre de
Deus.
11. A este propósito, devemos admirar o espelho
da sabedoria de Deus, a qual providenciou de modo que
a massa do cérebro, que não é grande sob aspecto
nenhum, fosse capaz de receber milhares e milhões de
imagens. Com efeito, tudo aquilo que cada um de nós
(principalmente as pessoas instruídas), durante tantos
anos, viu, ouviu, saboreou, leu e adquiriu com a
experiência e com o raciocínio, e de que, segundo as
suas forças, se pode recordar, é evidente que tudo isso
se conserva ordenado no cérebro, ou seja, as imagens
das coisas uma vez vistas, ouvidas, lidas, etc., embora
existam por milhões e se multipliquem até ao infinito, com
o fato de ver, de ouvir e de ler, quase cada dia, qualquer
coisa de novo, todavia, estão contidas no cérebro. Que
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 37 ]
coisa é esta imperscrutável sabedoria da omnipotência de
Deus? Salomão maravilha-se que todos os rios
desaguem no oceano e, todavia, não encham o mar
(Eclesiastes, 1, 7); e quem não há-de admirar-se com
este abismo da nossa memória que tudo recebe e tudo
restitui, sem jamais se encher e sem jamais se esvasiar?
Assim, a nossa mente é verdadeiramente maior que o
mundo, do mesmo modo que o continente é
necessariamente maior que o conteúdo.
A nossa mente é um espelho.
12. Finalmente, o olho ou o espelho simboliza
muito bem a nossa mente, pois de tudo o que se lhe
apresenta, de qualquer forma ou cor que seja,
imediatamente mostrará em si uma imagem
parecidíssima, a não ser que se lhe apresente um objeto
às escuras, ou da parte detrás, ou demasiado longe, por
causa da distância maior que o devido, ou que se impeça
de receber a impressão, ou esta seja baralhada por um
movimento contínuo; nestes casos, temos de confessá-lo,
não se obtém êxito. Falo, porém, daquilo que costuma
acontecer naturalmente, quando há luz e o objeto é
apresentado como convém. Da mesma maneira que,
portanto, não é necessário forçar os olhos a abrirem-se e
a fixarem os objetos, porque (tal como aquele que
naturalmente tem sede de luz) eles experimentam prazer
em olhar espontaneamente, e são capazes de olhar todas
as coisas (desde que os não perturbem, apresentando-
lhes ao mesmo tempo demasiados objetos) e nunca
podem saciar-se de olhar; assim também a nossa mente
é sequiosa das coisas, está sempre atenta, toma, ou
melhor, agarra todas as coisas, sem nunca se cansar,
desde que não seja ofuscada com uma multidão de
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 38 ]
objetos e que, com a devida ordem, se lhe dê a observar
uma coisa após outra.
II. No homem, a raiz da honestidade é a
harmonia.
13. Os próprios pagãos viram que é natural ao
homem a harmonia dos costumes, embora, ignorando
outra luz divinamente acrescentada e o guia mais seguro
que nos foi dado para chegar à vida eterna, temham
considerado (tentativa vã) aquelas centelhas, verdadeiros
faróis. Com efeito, assim fala Cícero: «Nas nossas
faculdades espirituais estão inatos os gérmens da virtude,
os quais, se pudessem desenvolver-se e crescer, seriam
suficientes, por natureza, para nos conduzirem à
beatitude (isto é exagerado!). Porém, apenas somos
dados à luz e começamos a ser educados, rebolamo-nos
continuamente em toda a espécie de imundícies, de tal
maneira que parece que, juntamente com o leite da ama,
bebemos os erros» (Tusculanae, III) [12]. Que é
verdadeiro que certos gérmens de virtude nascem
juntamente com o homem, infere-se destes dois
argumentos: primeiro, todo o homem sente prazer com a
harmonia; segundo, ele próprio não é senão harmonia,
interior e exteriormente.
1. Com a qual se deleita em toda a parte: em
todas as coisas visíveis,
14. Que o homem se deleita com a harmonia e
procura ardentemente chegar a ela, é evidente.
Efetivamente, a quem se não deleitaria ao ver um homem
formoso, um cavalo elegante, uma estátua bela e uma
pintura linda? De onde nasce esse prazer senão do fato
de que a perfeita proporção das partes e das cores
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 39 ]
produz o agrado? Essa proporção é o prazer mais natural
para os olhos.
nas coisas audíveis,
Pergunto igualmente: a quem não agrada a
música? E porquê? Sem dúvida porque a harmonia das
vozes produz um som agradável.
nas coisas que se saboreiam,
A quem não agradam os alimentos bem
temperados? Sem dúvida porque a temperatura dos
sabores deleita agradavelmente o paladar.
nas coisas palpáveis,
Cada um goza com um calor bem proporcionado,
com uma frescura bem repartida, com uma posição justa
e um movimento equilibrado dos membros. Porquê?
Precisamente porque todas as coisas temperadas são
amigas e salutares para a natureza e todas as coisas
desmesuradas são suas inimigas e prejudiciais.
e até nas próprias virtudes.
Se nós amamos até as virtudes uns nos outros
(de fato, mesmo quem é privado de virtude admira as
virtudes dos outros, mesmo que os não imite, uma vez
que considera impossível vencer os seus maus hábitos),
porque é que, portanto, cada um não há-de amar a
virtude em si mesmo? Cegos de nós, se não
reconhecemos que estão em nós as raízes de toda a
harmonia!
2. A qual se encontra também no homem: tanto
relativamente ao corpo
15. Mas também o próprio homem não é senão
harmonia, tanto relativamente ao corpo, como
relativamente à alma. Com efeito, assim como o grande
mundo é parecido com um enorme relógio, de tal modo
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 40 ]
fabricado segundo as regras da arte, com muitíssimas
rodas e maquinismos, que para produzir movimentos
contínuos e perfeitamente ordenados, uma parte os
comunica à outra, através de todo o relógio, assim
também o homem.
Com efeito, quanto ao corpo, construído com arte
admirável, em primeiro lugar está o coração, que é móvel,
fonte de vida e de atividade; dele os outros membros
recebem o movimento e a medida do movimento. Mas o
peso, ou seja, a verdadeira força motriz, é o cérebro, o
qual, servindo-se dos nervos, como de cordas, faz andar
as outras rodas (os membros) para diante e para trás. Na
verdade, a variedade das operações interiores e
exteriores corresponde à exata e perfeita correspondência
dos movimentos do relógio.
como no que diz respeito à alma
16. Assim, nos movimentos da alma, a principal
roda é a vontade; os pesos que a fazem mover são os
desejos e as paixões que inclinam a vontade para esta ou
para aquela parte. A válvula, que abre e fecha o
movimento, é a razão, a qual mede e determina que
coisa, onde e até que ponto se deve abraçar ou afastar.
Os outros movimentos da alma são como que as rodas
menores, que seguem a principal. Por isso, se aos
desejos e às paixões se não atribui um peso demasiado
grande, e a válvula, ou seja, a razão, abre e fecha
convenientemente, é impossível não se seguir uma ordem
e um acordo perfeito de virtudes, isto é, um perfeito
equilíbrio das ações e das paixões.
A harmonia perturbada pode remediar-se.
17. Eis, portanto, que realmente o homem em si
mesmo não é senão harmonia. Por isso, assim como
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 41 ]
acerca de um relógio ou de um instrumento musical, feito
pelas mãos de um artífice perito, se acaso se estraga ou
se torna desafinado, não dizemos imediatamente que já
não serve para nada (pode, com efeito, consertar-se e
tornar a afinar-se), assim também acerca do homem,
embora corrompido pelo pecado, deve afirmar-se que,
com determinados meios, é possível saná-lo, por graça
da virtude de Deus.
III. Que no homem estão as raízes da religião
argumenta-se:
1. pela natureza da sua imagem,
18. Que as raízes da religião estão no homem,
por natureza, demonstra-se pelo fato de que ele é a
imagem de Deus. Com efeito, a imagem implica
semelhança: e que todo o semelhante se congratula com
o seu semelhante é lei imutável de todas as coisas
(Eclesiástico, 13, 19). O homem, portanto, uma vez que
nada tem de igual a si, a não ser Aquele à imagem do
qual foi feito, é natural que não seja conduzido pelos seus
desejos senão para a fonte de onde derivou, contanto que
a conheça com suficiente clareza.
2. pela reverência inata em todos para com a
divindade,
19. Isto é evidente também pelo exemplo dos
pagãos, os quais, não sendo ajudados por nenhuma
palavra de Deus, apenas pelo oculto instinto da natureza
chegaram, não só a conhecer Deus, mas também a
venerá-lo e a desejá-lo, embora errassem quanto ao
número dos deuses e à forma do culto. «Todos os
homens têm a noção dos deuses e todos atribuem o lugar
supremo a qualquer potência divina», escreve Aristóteles
no livro I Do Céu, cap. 3 [13]. E Sêneca: «Em primeiro
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 42 ]
lugar, o culto divino consiste em acreditar nos deuses;
depois, em atribuir-lhes a majestade devida e em atribuir-
lhes a bondade, sem a qual não há qualquer majestade;
em saber que são eles que governam o mundo, que
regulam todas as suas coisas e que providenciam pela
conservação do gênero humano» (Carta 96) [14]. Acaso
esta opinião difere muito da do Apóstolo? «Porquanto é
necessário que o que se aproxima de Deus acredite que
Ele existe e que é remunerador dos que O buscam»
(Hebreus, II, 6).
[Uma observação pertinente de Comenius. O
homem tem um espírito dentro dele que testifica que
existe um Deus acima de nós, e por isto até hoje não se
encontrou nenhum cultura dentro do estudo da
antropologia que fosse naturalmente ateísta. O homem
crê em Deus porque nós trazemos no DNA e nosso
software a certeza que existe um ser superior que nos
criou.]
3. pelo desejo natural do Sumo Bem (que é
Deus),
20. Platão diz: «Deus é o sumo bem, superior a
toda a substância e a toda a natureza, o qual é
naturalmente desejado por todas as criaturas» (Timeu)
[15]. E isto (que Deus é o sumo bem, naturalmente
desejado por todas as criaturas) é de tal modo verdadeiro
que Cícero diz: «A primeira mestra da piedade é a
natureza» (Da natureza dos deuses, I) [16]. E isto “porque
(como escreve Lactâncio, no livro 4, cap. 28) fomos
gerados com a condição de prestarmos a Deus, que nos
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 43 ]
criou, as justas e devidas homenagens e de apenas
reconhecermos a Ele como Deus e de O seguirmos. Com
este vínculo da piedade somos atados e ligados a Deus;
de onde a própria religião recebe o seu nome» [17].
[Os filósofos e oradores gregos e romanos tinham
uma concepção da existência do Deus Todo-Poderoso e
que existimos para sua glória. Todo homem nasce com
esta virtude de crer em Deus e que pode se perder
durante a vida.]
que nem sequer pela queda do gênero humano
foi extinto.
21. Deve, todavia, confessar-se que este desejo
natural de Deus, como sumo bem, foi corrompido com a
queda do pecado e degenerou numa espécie de vertigem,
que não é capaz de regressar à retidão com as suas
próprias forças; naqueles, porém, que Deus de novo
ilumina com o seu Verbo e com o seu Espírito, ele volta a
aguçar-se de tal modo que David, voltado para Deus,
clama: «Quem tenho eu, lá no céu, exceto tu? E, fora de
ti, nada me deleita sobre a terra. Desfalece a minha carne
e o meu coração, e o rochedo do meu coração e a minha
herança é Deus para sempre» (Salmo 72, 24 e 25).
É, portanto, impiamente que se procuram
pretextos contra o exercício da piedade.
22. Que ninguém, portanto, enquanto se
procuram remédios para corrupção, nos oponha a
corrupção, porque Deus, por obra do seu Espírito e com a
intervenção de meios adequados, prepara-se para a fazer
desaparecer. De fato, assim como a Nabucodonosor,
quando foi privado do sentido humano e provido de um
coração bestial, lhe foi deixada, todavia, a esperança de
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 44 ]
poder readquirir a mente humana, e até mesmo também a
dignidade real, logo que reconhecesse que o poder vem
do céu (Daniel, 4, 23); assim também, a nós, plantas
excluídas do paraíso de Deus, foram deixadas as raízes,
as quais, sobrevindo a chuva e o sol da graça de Deus,
podem de novo germinar.
Porventura o nosso Deus, logo a seguir à queda e
à proclamação da nossa ruína (a pena de morte) não
plantou imediatamente (com a promessa da semente
bendita), de novo, nos nossos corações, rebentos de
nova graça? Acaso não nos enviou o seu Filho, pelo qual
nos seriam restituídos os bens perdidos?
E não deve sublevar-se o velho Adão contra o
novo.
23. É coisa torpe e nefanda e sinal evidente de
ingratidão estar sempre a apelar para a corrupção e
dissimular a redenção. Correr atrás daquilo que o velho
Adão em nós deixou e não procurar aquilo que Cristo,
novo Adão, nos proporcionou! Muito acertadamente, o
Apóstolo, em seu nome e no de todos os regenerados,
diz: «Tudo posso naquele que me conforta, Cristo»
(Filipenses, 4, 13). Se é possível que um garfo de árvore
doméstica, enxertado num salgueiro, num espinheiro ou
em qualquer árvore brava, germine e frutifique, porque
não há-de acontecer o mesmo se for enxertado bem
sobre a própria raiz? Veja-se a argumentação do Apóstolo
(Romanos, 11, 24). Além disso, se Deus, de pedras, pode
fazer nascer filhos de Abraão (Mateus, 3, 9), porque não
há-de despertar os homens, feitos já filhos de Deus desde
a criação, adotados de novo por Cristo e regenerados
pelo Espírito da graça, para toda a espécie de boas
obras?
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 45 ]
A graça de Deus não se deve coarctar, mas
reconhecer com gratidão.
24. Abstinhamo-nos de coarctar a graça de Deus,
pois Ele está pronto a infundi-la em nós
liberalíssimamente. Com efeito, se nós, enxertados em
Cristo por meio da fé e dados a Ele por meio do Espírito
de adoção, se nós, digo, com a nossa geração, não
somos aptos para as coisas do Reino de Deus, como é
que então Cristo, falando das criancinhas, afirmou que «é
delas o reino de Deus»? [18] Ou como é que no-las
apresenta como modelo, ordenando a todos que «se
convertam e se façam como crianças, se querem entrar
no reino dos céus?» (Mateus, 18, 3). Como é que o
Apóstolo proclama santos e nega que sejam impuros os
filhos dos cristãos (mesmo quando só um deles pertence
ao número dos fiéis)? (Coríntios, I, 7, 14). Pelo contrário,
até daqueles que já mergulharam na prática de vícios
gravíssimos, o Apóstolo ousa afirmar: «E tais éreis alguns
de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas
fostes justificados em nome de Nosso Senhor Jesus
Cristo, pelo Espírito do nosso Deus» (Coríntios, I, 6, 11).
Precisamente por isto, quando dizemos que os filhos dos
cristãos (não a geração do velho Adão, mas a geração
regenerada pelo novo Adão, isto é, os filhos de Deus, os
irmãos e as irmãs de Cristo) pedem para serem formados
e estão aptos a receber as sementes da eternidade, a
quem pode parecer que isto seja impossível? A ninguém,
pois não procuramos obter frutos de uma oliveira brava,
mas ajudamos os rebentos da árvore da vida, novamente
plantados, para que produzam frutos.
Conclusão.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 46 ]
25. Fique, portanto, assente que é mais natural e,
pela graça do Espírito Santo, mas fácil, que o homem se
torne sábio, honesto e santo, do que a perversidade
adventícia poder impedir o progresso. Com efeito,
qualquer coisa regressa facilmente à sua natureza. E é
esta a advertência que nos faz a Escritura: «A sabedoria
facilmente se deixa ver por aqueles que a amam; ela
corre mesmo atrás de quem a pede, antes de ser
conhecida, e por aqueles que a esperam faz-se encontrar,
sem fadiga, sentada à sua porta» (Sabedoria, 6, 13 e ss.).
E é conhecida a sentença do poeta venusino: Ninguém é
tão selvagem que, prestando paciente ouvido à cultura,
não possa ser domesticado [19].
CAPÍTULO 06 AO 08
CAPÍTULO VI
O HOMEM
TEM NECESSIDADE
DE SER FORMADO,
PARA QUE SE TORNE
HOMEM
As sementes não são ainda frutos.
1. Como vimos, a natureza dá as sementes do
saber da honestidade e da religião, mas náo dá
propriamene o saber, a virtude e a religião; estas
adquirem-se orando, aprendendo, agindo. Por isso, e não
sem razão, alguém definiu o homem um «animal
educável», pois não pode tornar-se homem a não ser que
se eduque.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 47 ]
É inata no homem a aptidão para saber, mas não
o próprio saber.
2. Efetivamente, se consideramos a ciência das
coisas, é próprio de Deus saber tudo, sem princípio, sem
progresso, sem fim, mediante um só e simples ato de
intuição; mas nem ao homem nem ao anjo pode dar este
saber, pois não lhe podia dar a infinitude e a eternidade,
isto é, a divindade. Aos homens e aos anjos basta aquele
grau de excelência de haverem recebido a agudeza de
inteligência, com a qual podem indagar as obras de Deus
e assim acumular para si um tesouro intelectual.
Precisamente por isso, consta, acerca dos anjos, que
eles, contemplando, aprendem (Pedro, I, 1, 12; Efésios, 3,
10; Reis, I, 22, 20; Job, 1, 6); e, por isso, o conhecimento
deles, de igual modo que o nosso, é experimental.
Que o homem deve ser formado «ad
humanitatem», mostra-se:
1. com o exemplo das outras criaturas.
3. Ninguém acredite, portanto, que o homem pode
verdadeiramente ser homem, a não ser aquele que
aprendeu a agir como homem, isto é, aquele que foi
formado naquelas virtudes que fazem o homem. Isto é
evidente pelos exemplos de todas as criaturas, as quais
se não tornam úteis ao homem, embora a isso
destinadas, a não ser depois de adaptadas pela nossa
mão. Por exemplo: as pedras foram-nos dadas para
servirem para construir casas, torres, muros, colunas,
etc.; mas, de fato, não servem para isso, a não ser depois
de talhadas, desbastadas e esquadriadas pelas nossas
mãos. Do mesmo modo, as pérolas e as gemas,
destinadas a servirem de ornamentos humanos, devem
ser cortadas, raspadas e polidas pelos homens; os
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 48 ]
metais, produzidos para usos notáveis da nossa vida,
devem ser cavados, liquefeitos, depurados, fundidos e
trabalhados a martelo de vários modos; sem tudo isso,
são para nós menos úteis que a lama. Das plantas,
extraímos alimentos, bebidas e remédios, com a
condição, porém, de que é necessário semear, sachar,
ceifar, debulhar, moer e pisar os cereais e as ervas; as
árvores é necessário plantá-las, podá-las e estrumá-las;
os frutos colhê-los, secá-los, etc.; e, muito mais, se
qualquer destas coisas deve servir para remédio ou para
construir, pois nesse caso é necessário prepará-las de
muitíssimos outros modos. Os animais, uma vez que
dotados de vida e de movimento, parece que se bastem a
si mesmos; todavia, se alguém se quer servir deles para o
uso para que foram concedidos, é necessário que
primeiro os submeta a exercícios. Eis, com efeito, um
cavalo de batalha, um boi para carretos, um burro de
carga, um cão de guarda ou de caça, um falcão e um
gavião de caça, etc., cada um tem inata a aptidão para
esse serviço determinado; todavia, valem bem pouco, se
não são treinados para o exercício da sua função.
[4 pilares de Comenius:
Aquilo que o aluno deve construir como um saber.
O que nós, professores, temos que ensinar.
O conhecimento tem que ter aplicação prática e
sólida.
O processo de ensinar deve ser claro e objetivo, e
se pautar pelas necessidades do indivíduo.]
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 49 ]
2. Com o exemplo do próprio homem, quanto às
ações corpóreas.
4. O homem, enquanto tem um corpo, é feito para
trabalhar; vemos, todavia, que de inato ele não tem senão
a simples aptidão; pouco a pouco, é necessário ensinar-
lhe a estar sentado e a estar de pé, a caminhar e a mover
as mãos, a fim de que aprenda a fazer qualquer coisa.
Como pode, portanto, a nossa mente, sem uma
preparação prévia, ter a prerrogativa de se mostrar
perfeita em si e por si? Não é possível, porque é lei de
todas as coisas criadas o começar do nada e elevar-se
gradualmente, tanto no que diz respeito à essência como
no que diz respeito às ações. Com efeito, até acerca dos
anjos, muito vizinhos de Deus em perfeição, consta que
não sabem tudo, mas progridem gradualmente no
conhecimento da admirável sabedoria de Deus, como
notámos pouco atrás.
3. E porque já antes da queda, era necessário
exercitar o homem, muito mais é necessário agora,
depois da corrupção.
5. É evidente também que, já antes da queda,
havia sido aberta, para o homem, no paraíso terrestre,
uma escola, na qual ele ia, pouco a pouco, fazendo
progressos. Com efeito, embora às duas primeiras
criaturas, apenas criadas, não faltasse nem o movimento,
nem a palavra, nem o raciocínio, todavia, do colóquio de
Eva com a serpente, torna-se evidente que não tinham
conhecimento das coisas, o qual vem da experiência; pois
se aquela desventurada fosse dotada de uma experiência
mais rica, não teria admitido com tanta simplicidade
quanto a serpente lhe disse, pois teria então a certeza de
que aquela criatura não podia ser dotada da capacidade
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 50 ]
de discorrer, e que, por isso, devia estar a ser vítima de
um engano. Com maior razão, portanto, se poderá
sustentar que agora, no estado de corrupção, se se quer
saber alguma coisa, é necessário aprendê-la, porque
realmente vimos ao mundo com a mente nua como uma
tábua rasa, sem saber fazer nada, sem saber falar, nem
entender; mas é necessário edificar tudo a partir dos
fundamentos. E, na verdade, isto consegue-se mais
dificilmente do que se conseguiria no estado de perfeição,
porque as coisas são para nós obscuras e as línguas
confusas (de tal modo que, em vez de uma só, se devem
agora aprender várias, se alguém, para se instruir, quer
falar em várias línguas, vivas e mortas); além disso,
porque as línguas vernáculas se tornaram mais
complicadas, e, quando nascemos, nada conhecemos
delas.
E porque os exemplos mostram que o homem
sem instrução não se torna mais que um bruto.
6. Temos exemplos de alguns que, raptados na
infância pelas feras e crescidos no meio delas [1], nada
mais sabiam que os brutos; mais ainda, com a língua,
com as mãos e com os pés, não eram capazes de fazer
nada de diverso daquilo que fazem os animais, a não ser
que, de novo, tenham sido conservados, durante algum
tempo, entre os homens. Aduzirei dois exemplos: por
1540, numa aldeia de Hessen, situada no meio de
florestas, aconteceu que um menino de três anos, por
incúria dos pais, se perdeu. Alguns anos depois, os
camponeses viram correr, juntamente com os lobos, um
animal de forma diferente, quadrúpede, mas com face
semelhante à do homem; como, à força de se falar no
caso, a novidade se espalhou, o chefe daquela aldeia
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 51 ]
ordenou-lhes que vissem se havia maneira de o prender
vivo. Em conformidade com esta ordem, foi apanhado e
conduzido ao chefe da aldeia, e finalmente enviado ao
príncipe de Kassel. Introduzido na sala do príncipe, pôs-
se a correr, fugiu, e foi esconder-se debaixo de um banco,
olhando com ar ameaçador e lançando terríveis uivos. O
príncipe fê-lo alimentar entre homens, e assim a fera
começou, a pouco e pouco, a tornar-se mansa, depois a
manter-se direita sobre os pés e a caminhar como os
bípedes, finalmente a falar com inteligência e a agir como
homem. E então, quanto podia recordar-se, contou que
tinha sido raptado e alimentado pelos lobos, tendo-se
depois habituado a andar à caça com eles. M. Dresser
escreve esta história no livro De nova et antiqua disciplina
[2] e recorda-a também Camerário nas suas Horas (t. I,
Cap. 7) [3], acrescentando outra história parecida.
Goularte, nas Maravilhas do nosso século, escreve que
em França, em 1563, aconteceu que alguns nobres,
andando à caça, e depois de haverem matado doze
lobos, acabaram por apanhar, com um laço, um rapaz, de
cerca de sete anos, nu, de pele amarelada e de cabeleira
encrespada. Tinha as unhas aduncas como uma águia;
não falava nenhuma língua, mas emitia uma espécie de
mugido grosseiro. Conduzido a uma fortaleza, conseguiu-
se com grande dificuldade metê-lo a ferros, de tal modo
se tornara feroz; mas, submetido, durante alguns dias, às
austeridades da fome, começou a amansar, e, dentro de
sete meses, a falar. Levaram-no de cidade em cidade,
para o apresentar como espetáculo, o que era fonte de
grandes receitas para os seus proprietários. Finalmente,
uma pobre mulher reconheceu-o como sendo seu filho [4].
Deste modo, vemos que é verdadeiro aquilo que Platão
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 52 ]
deixou escrito (Leis, livro 6): o homem é um animal cheio
de mansidão e de essência divina, se é tornado manso
por meio de uma verdadeira, educação; se, pelo contrário,
não recebe nenhuma ou a recebe falsa, torna-se o mais
feroz de todos os animais que a terra produz [5].
Têm necessidade de ensino:
1. os estúpidos e os inteligentes,
7. Estes fatos demonstram em geral, que a
cultura é necessária a todos. Se agora lançarmos um
olhar às diversas condições dos homens, verificamos o
mesmo. Com efeito, quem poderá pôr em dúvida que os
estúpidos tenham necessidade de instrução, para se
libertarem da sua estupidez natural? Mas, na realidade,
os inteligentes têm muito mais necessidade de instrução,
porque a mente sutil, se não for ocupada em coisas úteis,
ocupar-se-á ela mesma em coisas inúteis, frívolas e
perniciosas. Com efeito, assim como um campo, quanto
mais fértil é, tanto mais produz espinhos e cardos, assim
também o engenho perspicaz está sempre cheio de
pensamentos frívolos, a não ser que nele se semeiem as
sementes da sabedoria e da virtude. E assim como, se à
mó que gira não é fornecido o grão, de que é feita a
farinha, ela se gasta a si mesma e inutilmente se enche
de poeira, produzindo pó, com estrépito e fragor e ainda
com o esfarelamento e a ruptura das partes, assim
também o espírito ágil, se permanece privado de
trabalhos sérios, mergulha inteiramente em coisas vãs,
frívolas e nocivas, e será a causa da sua própria ruína.
2. os ricos e os pobres,
8. Que são os ricos sem sabedoria senão porcos
engordados com farelo? Que são os pobres sem
compreensão das coisas senão burros condenados a
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 53 ]
transportar a carga? Um homem formoso privado de
cultura, que é senão um papagaio de plumagem brilhante
ou, como disse alguém, uma baínha de ouro com uma
espada de chumbo? [6]
3. aqueles que deverão ser postos à cabeça dos
outros e aqueles que deverão ser súditos.
9. Aqueles que, alguma vez, deverão ser postos à
cabeça dos outros, como os reis, os príncipes, os
magistrados, os párocos e os doutores da Igreja devem
embeber-se de sabedoria tão necessariamente como o
guia dos viajantes deve ter olhos, o intérprete deve ter
língua, a trombeta, som e a espada, gume. De modo
semelhante, também os súditos devem ser esclarecidos,
para que saibam obedecer prudentemente àqueles que
governam sabiamente: não coagidamente, com uma
sujeição asinina, mas voluntariamente, por amor da
ordem. Com efeito, a criatura racional não deve ser
conduzida por meio de gritos, de prisões e de
bastonadas, mas pela razão. Se se procede de modo
diverso, a ofensa redunda contra Deus que também neles
depôs a sua imagem; e as coisas humanas estarão
cheias, como de fato estão, de violências e de
inquietação.
Todos, portanto, sem nenhuma exceção.
10. Fique, portanto, assente que a todos aqueles
que nasceram homens é necessária a educação, porque
é necessário que sejam homens, não animais ferozes,
nem animais brutos, nem troncos inertes. Daí se segue
também que, quanto mais alguém é educado, mais se
eleva acima dos outros. Seja, portanto, o Sábio a concluir
este capítulo: «Aquele que não faz caso nenhum da
sabedoria e do ensino é um infeliz, as suas esperanças
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 54 ]
são vãs (ou seja, espera em vão conseguir o seu fim),
infrutuosas as suas fadigas e inúteis as suas obras»
(Sabedoria, 3, 11).
Capítulo VII
A FORMAÇÃO DO HOMEM
FAZ-SE COM MUITA FACILIDADE
NA PRIMEIRA IDADE,
E NÃO PODE FAZER-SE
SENÃO NESSA IDADE
O modo de desenvolver-se do homem é
semelhante ao da planta.
1. Do que foi dito, é evidente que é semelhante a
condição do homem e a da árvore. Efetivamente, da
mesma maneira que uma árvore de fruto (uma macieira,
uma pereira, uma figueira, uma videira) pode crescer por
si e por sua própria virtude, mas, sendo brava, produz
frutos bravos, e para dar frutos bons e doces tem
necessariamente que ser plantada, regada e podada por
um agricultor perito, assim também o homem, por virtude
própria, cresce com feições humanas (como também
qualquer animal bruto cresce com as suas feições
próprias), mas não pode crescer animal racional, sábio,
honesto e piedoso, se primeiramente nele se não plantam
os gérmens da sabedoria, da honestidade e da piedade.
Agora importa demonstrar que esta plantação deve ser
feita enquanto as plantas são novas.
A formação do homem deve começar com a
primeira idade:
1. por causa da incerteza da vida presente.
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 55 ]
2. Quanto aos homens, as razões fundamentais
desta necessidade são seis. Em primeiro lugar, a
incerteza da vida presente, da qual é certo que se tem de
sair, mas é incerto onde e quando. O perigo de alguém
ser surpreendido impreparado é tão grave que não se
pode afastar. Com efeito, o tempo presente foi concedido
para que, durante ele, o homem ganhe ou perca para
sempre a graça de Deus. Efetivamente, assim como no
útero da mãe o corpo do homem se forma, de tal maneira
que, se algum de lá sai com qualquer membro a menos,
necessariamente ficará sem ele durante toda a vida,
assim também a alma, enquanto vivemos no corpo, de tal
maneira se forma para o conhecimento e para a
participação de Deus, que, se algum não consegue
adquiri-la neste mundo, uma vez saído do corpo, já lhe
não resta nem lugar nem tempo para fazer tal aquisição.
Uma vez que, portanto, se trata aqui de um negócio de
tão grande importância, convém fazê-lo o mais depressa
possível, para que se não seja surpreendido pela morte,
antes de o haver conduzido ao fim.
2. para que seja instruído naquilo que deve fazer
nesta vida, antes de começar a fazê-lo.
3. Mas, mesmo que a morte não esteja iminente e
se esteja seguro de uma vida muito longa, deve, todavia,
começar-se a formação muito cedo, pois não deve
passar-se a vida a aprender, mas a fazer. Convém,
portanto, instruir-se, o mais cedo possível, naquilo que
deve fazer-se nesta vida, a fim de não sermos obrigados
a partir, antes de termos aprendido o que devemos fazer.
Mesmo que fosse do agrado de alguém passar toda a
vida a aprender, é infinita a multidão das coisas que o
Criador das mesmas coisas fez objeto de especulação
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 56 ]
agradável, de tal maneira que se a alguém fosse
concedida uma vida tão longa como a Nestor, teria
sempre em que a empregar de modo muito útil,
investigando os tesouros da sabedoria divina espalhados
por toda a parte, e adquirindo com eles apoios para a vida
eterna. Deve, portanto, desde cedo, abrir-se os sentidos
do homem para a observação das coisas, pois, durante
toda a sua vida, ele deve conhecer, experimentar e
executar muitas coisas.
3. todas as coisas formam-se muito mais
facilmente, enquanto são tenras.
4. É uma propriedade de todas as coisas que
nascem o fato de, enquanto são tenras, se poderem
facilmente dobrar e formar, mas, uma vez endurecidas, já
não obedecem. A cera mole deixa-se amassar e modelar,
mas, endurecida, quebra mais facilmente. Uma
arvorezinha deixa-se plantar, transplantar, podar, dobrar
para aqui ou para ali, mas uma árvore já crescida de
modo algum. Assim, quem quer fazer um vencelho, deve
tomar um ramo verde e novo, pois não pode ser torcido
um que seja velho, seco e nodoso. De ovos frescos,
chocados, nascem no devido tempo os pintainhos, os
quais, em vão se esperariam, de ovos ressessos. O
carroceiro ensina o cavalo, o lavrador o boi, o caçador o
cão e o falcão a trabalhar (assim como o homem de circo
ensina o urso a bailar, e a bruxa ensina a pega, o corvo, e
o papagaio a falar), mas escolhem aqueles que são muito
novos, pois, se tomam os que são já velhos, perdem o
tempo.
Também o homem.
5. Evidentemente, estes resultados obtêm-se, da
mesma maneira, no homem cujo cerebro (que, como
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 57 ]
atras dissemos, é semelhante à cera, recebendo as
imagens das coisas que lhe são transmitidas pelos
sentidos), na idade infantil, é inteiramente húmido e mole
e apto a receber todas as figuras que se lhe apresentam;
mas depois, pouco a pouco, seca e endurece, de tal
modo que nele mais dificilmente se imprimem ou
esculpem as coisas, como a experiência demonstra.
Daqui, a seguinte afirmação de Cícero: «as crianças
apreendem rapidamente inúmeras coisas» [1]. Assim
também as nossas mãos e os nossos outros membros
não podem exercitar-se nas artes e nos ofícios senão nos
anos da infância, em que os nervos estão tenros. Se
alguém quer vir a ser bom escrivão, pintor, alfaiate,
ferreiro, músico, etc., deve aplicar-se ao seu ofício desde
os primeiros anos, enquanto a imaginação é ágil e os
dedos flexíveis; de outro modo, nunca fará nada de bom.
De modo semelhante, portanto, se se quer que a piedade
lance raízes no coração de alguém, importa plantá-la nos
primeiros anos; se se deseja que alguém se torne um
modelo de apurada moralidade, é necessário habituá-lo
aos bons costumes desde tenra idade; a quem deve fazer
grandes progressos no estudo da sabedoria, importa
abrir-lhe os sentidos para todas as coisas, nos primeiros
anos, enquanto o seu ardor é vivo, o engenho rápido e a
memória tenaz. «É coisa torpe e ridícula um velho
sentado nos bancos da escola primária: ao jovem
compete preparar-se; ao velho realizar-se», escreve
Sêneca, na Carta, 36 [2].
4. Ao homem foi dado um longo espaço de tempo
para se formar, o qual não deve ser gasto noutras coisas.
6. Para que o homem pudesse formar-se «ad
humanitatem», Deus concedeu-lhe os anos da juventude,
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 58 ]
durante os quais, sendo inábil para outras coisas, fosse
apto apenas para a sua formação. É certo, com efeito,
que o cavalo, o boi, o elefante e todos os outros animais,
de qualquer tamanho, em um ano ou dois, atingem uma
estatura perfeita; o homem, porém, só o consegue em
vinte ou trinta anos. Se algum, porém, julgar ter chegado
a essa estatura perfeita por um mero acaso ou devido a
quaisquer causas segundas, certamente despertará
admiração. A todas as outras coisas, Deus fixou uma
medida; só ao homem, senhor das coisas, permitiu passar
o seu tempo ao acaso? Ou pensaremos que,
relativamente ao homem, Deus tenha concedido à
natureza a graça de proceder a passo lento, a fim de que
mais facilmente possa realizar a sua formação? Ora, sem
nenhuma fadiga, em alguns meses, ela forma corpos
maiores. Não resta, portanto, nenhuma outra hipótese
senão que o nosso Criador, com ânimo deliberado, se
dignou conceder-nos a graça de retardar o nosso
desenvolvimento, para que fosse mais longo o espaço de
tempo para nos dedicarmos ao estudo; e tornar-nos,
durante tanto tempo, inábeis para os negócios
econômicos e políticos, para que, durante o restante
tempo da vida (e também na eternidade), nos
tornássemos mais hábeis nesses assuntos.
5. Permanece firme somente aquilo de que se
embebe a primeira idade.
7. No homem, só é firme e estável aquilo de que
se embebe a primeira idade; o que é evidente pelos
mesmos exemplos. Um vaso de barro conserva, até que
se quebre, o odor daquilo com que foi enchido quando era
novo [3]. Uma árvore, da maneira como, ainda tenrinha,
estendeu os ramos para cima ou para baixo, para este ou
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 59 ]
para aquele lado, assim os mantém durante cem anos,
enquanto a não cortarem. A lã conserva tão tenazmente a
primeira cor de que se embebeu que não há perigo de
que desbote. Os arcos de uma roda, depois de
endurecidos, fazem-se mais facilmente em mil pedaços
do que voltam a ficar direitos. Do mesmo modo, no
homem, as primeiras impressões estampam-se de tal
maneira que é um autêntico milagre fazê-las tomar nova
forma; por isso, é de aconselhar que elas sejam
modeladas logo nos primeiros anos da vida, segundo as
verdadeiras normas da sabedoria.
[Didática Magna, livro publicado em 1649, o autor
protestante assevera com clareza que a metodologia de
ensino deve assumir a condução das ações do professor
nas instituições escolares.]
6. Não educar bem é uma coisa sumamente
perigosa.
8. Finalmente, é uma coisa sumamente perigosa
não embeber o homem, logo desde os primeiros anos,
dos preceitos salutares à vida. Com efeito, porque a alma
humana, apenas os sentidos externos começam a
desempenhar o seu papel, de modo algum pode estar
quieta, também já não pode abster-se, se não está já
ocupada em coisas úteis, de se ocupar em coisas vãs de
toda a espécie, e até (dados os maus exemplos do nosso
século corrupto) também em coisas prejudiciais, que
depois é impossível ou muito difícil desaprender, como
advertimos já. Por isso, o mundo está cheio de
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 60 ]
enormidades, para fazer cessar as quais não bastam nem
os magistrados políticos nem os ministros da Igreja,
enquanto se não trabalhar seriamente para estancar as
primeiras fontes do mal.
Conclusão.
9. Portanto, na medida em que a cada um
interessa a salvação dos seus próprios filhos, e àqueles
que presidem às coisas humanas, no governo político e
eclesiástico, interessa a salvação do gênero humano,
apressem-se a providenciar para que, desde cedo, as
plantazinhas do céu comecem a ser plantadas, podadas e
regadas, e a ser prudentemente formadas, para
alcançarem eficazes progressos nos estudos, nos
costumes e na piedade.
CAPÍTULO VIII
É NECESSÁRIO,
AO MESMO TEMPO,
FORMAR A JUVENTUDE
E ABRIR ESCOLAS
O cuidado dos filhos diz respeito propriamente
aos pais.
1. Demonstrado que as plantazinhas do paraíso,
ou seja, a juventude cristã, não podem crescer à maneira
de uma selva, mas precisam de cuidados, vejamos agora
a quem incumbe esses cuidados. Naturalíssimamente,
isso compete aos pais, de tal maneira que, assim como
foram os autores da vida, sejam também os autores de
uma vida racional, honesta e santa. Que para Abraão isso
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 61 ]
fosse uma obrigação solene, atesta-o Deus: «Porque eu
sei que há-de ordenar a seus filhos e à sua casa, depois
dele, que guardem os caminhos do Senhor, e que
pratiquem a equidade e a justiça» (Gênesis, 18, 19). A
mesma coisa exige Deus dos pais, em geral, ao ordenar:
«Esforçar-te-ás por ensinar aos teus filhos as minhas
palavras e falar-lhes-ás delas quando estiveres sentado
em tua casa e quando andares pelos caminhos, quando
fores para a cama e quando te levantares»
(Deuteronômio, 6, 7). E pela boca do Apóstolo: «Vós,
pais, não provoqueis à ira os vossos filhos, mas educai-os
na disciplina e nas instruções do Senhor» (Efésios, 6, 4).
São-lhes dados, todavia, como auxiliares, os
professores das escolas.
2. Todavia, porque, tendo-se multiplicado tanto os
homens como os afazeres humanos, são raros os pais
que, ou saibam, ou possam, ou pelas muitas ocupações,
tenham tempo suficiente para se dedicarem a educação
de seus filhos, desde há muito, por salutar conselho [1],
se introduziu o costume de muitos, em conjunto,
conconfiarem a educação de seus filhos a pessoas
escolhidas, notáveis pela sua inteligência e pela pureza
dos seus costumes. A esses formadores da juventude, é
costume dar o nome de preceptores, mestres, mestres-
escola e professores; os locais destinados a esses
exercícios comuns recebem o nome de escolas, institutos,
auditórios, colégios, ginásios, academias, etc.
Origem e desenvolvimento das escolas.
3. José atesta [2] que o primeiro a abrir escola,
imediatamente a seguir ao Dilúvio, foi o patriarca Sem, a
qual depois foi chamada escola judaica. E quem não sabe
que na Caldéia, principalmente na Babilônia, havia
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 62 ]
numerosas escolas, onde se cultivavam tanto outras
ciências e artes como a astronomia? É sabido, com efeito,
que, depois (no tempo de Nabucodonosor), nessa
sabedoria dos Caldeus foram instruídos Daniel e os seus
companheiros (Daniel, 1, 20). Havia-as também no Egito,
onde foi educado Moisés (Atos dos Apóstolos, 7, 22). No
povo de Israel, por ordem de Deus, em todas as cidades
foram construídas escolas, chamadas sinagogas, onde os
levitas ensinavam a Lei, as quais duraram até ao tempo
de Cristo, tornando-se célebres pela pregação d’Ele e dos
Apóstolos. Dos egípcios, os gregos, e destes, os romanos
receberam o costume de fundar escolas; a partir dos
romanos, espalhou-se o louvável costume de abrir
escolas por todo o Império, principalmente, após a
propagação da religião de Cristo, pela solicitude fiel de
príncipes e bispos piedosos. Acerca de Carlos Magno,
atesta a história que, à medida que ia submetendo cada
povo pagão, logo lhe enviava bispos e professores, e
erigia templos e escolas. Seguiram o seu exemplo outros
imperadores cristãos, reis, príncipes e governadores de
cidades; e de tal modo aumentaram o número das
escolas que estas se tornaram inumeráveis.
Explica-se que, finalmente, devem ser abertas
escolas por toda a parte.
4. Que este santo costume se deve, não apenas
manter, mas até aumentar, interessa a toda a
Cristandade, a fim de que em toda e qualquer
comunidade de homens bem ordenada (quer seja cidade,
ou vila ou aldeia), se construa uma escola para a
educação comum da juventude. Exige-o, com efeito:
1. o decoro da ordem que deve ser observada por
toda a parte,
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 63 ]
5. A ordem louvável das coisas. Com efeito, se
um pai de família não tem disponibilidade para fazer tudo
o que a administração dos negócios domésticos exige,
mas se serve de vários empregados, porque não há-de
fazer o mesmo no nosso caso? Na verdade, quando ele
tem necessidade de farinha, dirige-se ao moleiro; quando
tem necessidade de carne, ao carniceiro; quando tem
necessidade de bebidas, ao taberneiro; quando tem
necessidade de um fato, ao alfaiate; quando tem
necessidade de calçado, ao sapateiro; quando tem
necessidade de uma casa, de uma relha do arado, de um
prego, etc., dirige-se ao marceneiro, ao pedreiro, ao
ferreiro, etc. Uma vez que, para instruir os adultos na
religião, temos os templos; para discutir as causas em
litígio, e para convocar o povo e para o informar acerca
das coisas necessárias, temos os tribunais e os
parlamentos, porque não havemos de ter escolas para a
juventude? Além disso, nem sequer os camponeses
apascentam, cada um por si, os seus porcos e as suas
vacas, mas contratam pastores assalariados que servem
ao mesmo tempo a todos, dedicando-se eles, entretanto,
com menos distrações, aos seus outros negócios. Na
verdade, há uma grande economia de fadiga e de tempo,
quando uma só pessoa faz uma só coisa, sem ser
distraída por outras coisas; deste modo, com efeito, uma
só pessoa pode servir utilmente a muitas, e muitas podem
servir a uma só.
2. a necessidade,
6. Em segundo lugar, a necessidade. Porque,
com efeito, raramente os pais estão preparados para
educar bem os filhos, ou raramente dispõem de tempo
para isso, daí se segue como conseqüência que deve
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 64 ]
haver pessoas que façam apenas isso como profissão e
desse modo sirvam a toda a comunidade.
Ioannes Amos Comenius; 28 de março de 1592 –
15 de novembro de 1670) foi um filósofo morávio ,
pedagogo e teólogo considerado o pai da educação
moderna. Ele serviu como o último bispo da Unidade dos
Irmãos antes de se tornar um refugiado religioso e um dos
primeiros defensores da educação universal, um conceito
eventualmente apresentado em seu livro Didática Magna.
Como educador e teólogo, dirigiu escolas e aconselhou
governos em toda a Europa protestante em meados do
século XVII. [b]
3. a utilidade,
7. E mesmo que não faltassem pais a quem fosse
possível dedicar-se inteiramente à educação dos seus
filhos, seria, todavia, muito melhor educar a juventude em
conjunto, num grupo maior, porque, sem dúvida, o fruto e
o prazer do trabalho é maior, quando uns recebem
exemplo e incitamento de outros. Com efeito, é
naturalíssimo fazer o que fazem os outros, ir onde vemos
ir os outros, seguir os que vão à frente e ir à frente dos
que vêm atrás.
Aberto o curral, tanto melhor corre o forte cavalo,
quanto tem a quem passar à frente e a quem seguir [3].
Além disso, a idade infantil conduz-se e governa-
se muito melhor com exemplos que com regras. Se se lhe
ordena alguma coisa, pouco se interessará; se se lhe
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 65 ]
mostra os outros a fazer alguma coisa, imitá-los-á,
mesmo que lho não ordenem.
4. os exemplos constantes da natureza
8. Finalmente, a natureza dá-nos, por toda a
parte, o exemplo de que aquelas coisas que devem
crescer abundantemente devem ser criadas em um só
lugar. Assim, as árvores nas florestas, as ervas nos
campos, os peixes nas águas, os metais nas
profundidades da terra, etc., nascem em grupos. E isso
de tal maneira que, em geral, a floresta que produz
pinheiros ou cedros ou carvalhos, produ-los
abundantemente, enquanto que as outras espécies de
árvores nela se não desenvolvem igualmente bem; a terra
que produz ouro, não produz, com a mesma abundância,
os outros metais. Todavia, aquilo que queremos dizer
encontra-se ainda mais bem expresso no nosso corpo,
onde é necessário que cada membro receba uma parte
do alimento que se toma, e todavia não se dá a cada um
a sua porção ainda crua para que a prepare e adapte a si,
mas há determinados membros, que são como que
oficinas destinadas a esse trabalho, os quais, para
utilidade de todo o corpo, recebem os alimentos, fazem-
nos fermentar, digerem-nos e, finalmente, distribuem o
alimento assim preparado pelos outros membros. Assim,
o estômago forma o quilo, o fígado o sangue, o coração o
espírito vital, e o cérebro o espírito animal, os quais, já
preparados, difundem-se facilmente por todos os
membros e conservam agradavelmente a vida em todo o
corpo. Porque é que, portanto, não se há-de crer que, do
mesmo modo que as oficinas reforçam e regulam os
trabalhos, os templos a piedade, os tribunais a justiça,
assim também as escolas produzem, depuram e
Didática Magna de Comenius com comentários
[ 66 ]
multiplicam a luz da sabedoria e a distribuem a todo o
corpo da comunidade humana?
5. e da arte
9. Finalmente, nas coisas artificiais, todas as
vezes que se procede racionalmente, observamos o
mesmo. É certo que o sivicultor, girando pelas florestas e
pelos pinhais, não planta os mergulhões por toda a parte
onde os encontra próprios para a plantação, mas arranca-
os e transporta-os para um viveiro e trata-os juntamente
com centenas de outros. Do mesmo modo, quem se
ocupa em multiplicar os peixes para uso da cozinha,
constrói um viveiro, onde os faz multiplicar, todos juntos,
aos milhares. E quanto maior é a plantação, tanto melhor
costumam crescer as plantas; e quanto maior é o viveiro,
tanto maiores se tornam os peixes. Ora, assim como se
devem fazer viveiros para os peixes e plantações para as
plantas, assim se devem construir escolas para a
juventude.
CAPÍTULO 09 AO 11
CAPÍTULO IX
TODA
A JUVENTUDE
DE AMBOS OS SEXOS
DEVE SER ENVIADA
ÀS ESCOLAS
As escolas devem ser asilos comuns da
juventude.
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[ 67 ]
1. Que devem ser enviados às escolas não
apenas os filhos dos ricos ou dos cidadãos principais,
mas todos por igual, nobres e plebeus, ricos e pobres,
rapazes e raparigas, em todas as cidades, aldeias e
casais isolados, demonstram-no as razões seguintes:
[Veja que estamos no século XVI e Comenius já
defendia que meninos e meninas deviam ir para a escola
estudarem. O protestantismo ao contrario do catolicismo e
do islamismo coloca a mulher em uma condição social
mais honrosa e procura dar-lhe melhor qualidade de vida.]
1. Por que todos devem ser reformados à imagem
de Deus.
2. Em primeiro lugar, todos aqueles que
nasceram homens, nasceram para o mesmo fim principal,
para serem homens, ou seja, criatura racional, senhora
das outras criaturas, imagem verdadeira do seu Criador.
Todos, por isso, devem ser encaminhados de modo que,
embebidos seriamente do saber, da virtude e da religião,
passem utilmente a vida presente e se preparem
dignamente para a futura. Que, perante Deus, não há
pessoas privilegiadas, Ele próprio o afirma
constantemente [1]. Portanto, se nós admitimos à cultura
do espírito apenas alguns, excluíndo os outros, fazemos
injúria, não só aos que participam conosco da mesma
natureza, mas também ao próprio Deus, que quer ser
conhecido, amado e louvado por todos aqueles em quem
imprimiu a sua imagem. E isso será feito com tanto mais
fervor, quanto mais acesa estiver a luz do conhecimento:
ou seja, amamos tanto mais, quanto mais conhecemos
[2].
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DIDÁTICA MAGNA DE COMENIUS COM COMENTÁRIOS

  • 2. Didática Magna de Comenius com comentários [ 2 ] FINALIDADE DESTA OBRA Este livro como os demais por mim publicados tem o intuito de levar os homens a se tornarem melhores, a amar a Deus acima de tudo e ao próximo com a si mesmo. Minhas obras não têm a finalidade de entretenimento, mas de provocar a reflexão sobre a nossa existência. Em Deus há resposta para tudo, mas a caminhada para o conhecimento é gradual e não alcançaremos respostas para tudo, porque nossa mente não tem espaço livre suficiente para suportar. Mas neste livro você encontrará algumas respostas para alguns dos dilemas de nossa existência. AUTOR: CEB é licenciado em Ciências Biológicas e História pela Universidade Metropolitana de Santos; possui curso superior em Gestão de Empresas pela UNIMONTE de Santos; é Bacharel em Teologia pela Faculdade das Assembléias de Deus de Santos; tem formação Técnica em Polícia Judiciária pela USP e dois diplomas de Harvard University dos EUA sobre Epístolas Paulinas e Manuscritos da Idade Média. Radialista profissional pelo SENAC de Santos, reconhecido pelo
  • 3. Didática Magna de Comenius com comentários [ 3 ] Ministério do Trabalho. Nasceu em Itabaiana/SE, em 1969. Em 1990 fundou o Centro de Evangelismo Universal; hoje se dedica a escrever livros e ao ministério de intercessão. Não tendo interesse em dar palestras ou participar de eventos, evitando convívio social. CONTATO: Whatsapp Central de Ensinos Bíblicos com áudios, palestras e textos do Escriba de Cristo Grupo de estudo no whatsapp 55 13 996220766 https://youtube.com/@escribadecristo
  • 4. Didática Magna de Comenius com comentários [ 4 ] CONTRIBUIÇÃO PARA ESTA MISSÃO Esta versão do meu livro está disponível gratuitamente na internet. Se você a leu, gostou e lhe edificou, peço que faça uma doação ao meu ministério fazendo um pix, nem que seja de um dólar [ou cinco reais BR], assim continuaremos produzindo livros que edifiquem: PIX Valdemir Mota de Menezes, Banco do Brasil CPF 069 925 388 88 Este material literário do autor não tem fins lucrativos, nem lhe gera quaisquer tipos de receita. Sua satisfação consiste em contribuir para o bem da educação uma melhor qualidade de vida para todos os homens e seres vivos, e para glorificar o único Deus Todo-Poderoso. OBRIGADO PELA COLABORAÇÃO!
  • 5. Didática Magna de Comenius com comentários [ 5 ] Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP) CENTRO DE EVANGELISMO UNIVERSAL -CNPJ 66.504.093/0001-08 M543 Central de Ensinos Bíblicos, 1969 – Didática Magna de Comenius com comentários Manaus/AM, Amazon, livrorama, Uiclap, Bibliomundi ,Clubedesautores, 2023, 486 p. ; 21 cm ISBN: 9798856220338 Edição 1° 1. Didática 2. Pedagogia 3 Comênius 4. Didática Magna. CDD 261 / 240 CDU 23
  • 6. Didática Magna de Comenius com comentários [ 6 ] Sumário INTRODUÇÃO......................................................................8 CAPÍTULO 1...........................................................................9 CAPÍTULO II ....................................................................... 11 CAPÍTULO III...................................................................... 18 CAPÍTULO IV......................................................................23 CAPÍTULO V........................................................................28 CAPÍTULO VI......................................................................46 CAPÍTULO VIII...................................................................60 CAPÍTULO IX......................................................................66 CAPÍTULO X .......................................................................72 CAPÍTULO XI......................................................................80 CAPÍTULO XII ....................................................................87 CAPÍTULO XIII................................................................. 106 CAPÍTULO XIV ..................................................................113 CAPÍTULO XVI ................................................................. 133 CAPÍTULO XVII................................................................ 162
  • 7. Didática Magna de Comenius com comentários [ 7 ] CAPÍTULO XVIII .............................................................. 187 CAPÍTULO XIX ................................................................. 218 CAPÍTULO XX...................................................................256 CAPÍTULO XXI .................................................................274 CAPÍTULO XXII................................................................289 CAPÍTULO XXIII ..............................................................303 CAPÍTULO XXIV............................................................... 315 CAPÍTULO XXV ................................................................337 CAPÍTULO XXVI...............................................................367 CAPÍTULO XXVII .............................................................376 CAPÍTULO XXVIII............................................................383 CAPÍTULO XXIX...............................................................395 CAPÍTULO XXX ................................................................408 CAPÍTULO XXXI...............................................................420 CAPÍTULO XXXII .............................................................429 CAPÍTULO XXXIII............................................................ 441 OBRAS DE COMENIUS ...................................................455
  • 8. Didática Magna de Comenius com comentários [ 8 ] NOTAS DO TRADUTOR..................................................457 INTRODUÇÃO Eu tomei conhecimento do livro DIDÁTICA MAGNA quando estava fazendo licenciatura em História e tínhamos que adquirir conhecimentos sobre métodos de ensinos. Não adianta conhecer história e não ter métodos didáticos para transmitir estes conhecimentos aos alunos. Neste contexto conheci Comenius e fiquei encantado com este livro. Estamos falando de um livro de séculos atrás e que revolucionou a metodologia escolar. Imagine que a educação era algo somente destinada a poucas pessoas, em geral homens, ricos, e os privilegiados. Comenius ficaria famoso e lembrado para sempre como aquele educador que tinha como lema: “ensinar tudo, para todos.” Sua missão neste mundo foi fantástica: Ele entrou em contato com vários príncipes protestantes da Europa e passou a criar um novo modelo de escola que depois se alastrou para o mundo inteiro. Comenius é um orgulho do cristianismo, porque ele era um fervoroso pastor protestante da Morávia e sua missão principal era anunciar Jesus ao mundo e ele sabia que patrocinar a educação a todas as pessoas iria levar a humanidade a outro patamar. Quem estuda a história da educação, vai se defrontar com as ideias de Comenius e como nós chegamos no século XXI em que boa parte da humanidade sabe ler e escrever graças em parte a um trabalho feito por Comenius há vários séculos atrás. Até hoje sua influencia pedagógica é grande e eu tenho a
  • 9. Didática Magna de Comenius com comentários [ 9 ] honra de republicar seu livro DIDÁTICA MAGNA com comentários. Comenius ainda foi um dos líderes do movimento enciclopédico que tentava sintetizar todo o conhecimento humano em Enciclopédias. Hoje as enciclopédias é uma realidade. CAPÍTULO 1 O HOMEM É A MAIS ALTA, A MAIS ABSOLUTA E A MAIS EXCELENTE DAS CRIATURAS Supunha-se que o conhece-te a ti mesmo tivesse vindo do céu. 1. Quando Pítaco pronunciou o seu «conhece-te a ti mesmo» os sábios acolheram esta máxima com tão grandes aplausos que, para a recomendarem ao povo, afirmaram que ela viera do céu, e tiveram o cuidado de a fazer inscrever, em letras de ouro, no templo de Apolo, em Delfos, onde o povo afluia em grande número. Este foi um ato de sabedoria e de piedade; aquela foi, de fato, uma ficção, mas absolutamente conforme à verdade, como para nós é evidente mais que para eles. Veio verdadeiramente do céu. 2. Efetivamente, a voz que, vindo do céu, ressoa nas Sagradas Escrituras, que outra coisa quer dizer senão: «ó homem, que tu me conheças, que tu te conheças?» Eu, fonte de eternidade, de sabedoria e de beatitude; tu, criatura, imagem e delícia minha. Sublimidade da natureza humana. 3. Com efeito, destinei-te a compartilhar comigo da eternidade; para teu uso, preparei o céu, a terra e tudo
  • 10. Didática Magna de Comenius com comentários [ 10 ] o que neles está contido; só em ti juntei, ao mesmo tempo, todas as prerrogativas, das quais as outras criaturas apenas têm uma: o ser, a vida, os sentidos e a razão. Fiz-te soberano das obras das minhas mãos, e coloquei tudo a teus pés, as ovelhas, os bois e os outros animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar, e desta maneira coroei-te de glória e de honra (Salmo 8, 6- 9). A ti, finalmente, para que nada te faltasse, dei-me eu próprio, mediante a união hipostática, ligando para sempre a minha natureza com a tua, sorte que não coube a nenhuma das outras criaturas visíveis e invisíveis. Com efeito, qual das outras criaturas, no céu ou na terra, se pode gloriar de que Deus se revelasse na sua própria carne e apresentado pelos anjos? (Timóteo, I, 3, i6), ou seja, não apenas para que vejam e se admirem a ver quem desejavam ver (Pedro, I, 1, 12), mas ainda para que adorem a Deus que se revelou vestido de carne, ou seja, Filho de Deus e do homem (Hebreus, I, 6; João, I, 51; Mateus, 4, 11). Deves, portanto, compreender que és o protótipo, o admirável compêndio das minhas obras, o representante de Deus no meio delas, a coroa da minha glória. É necessário colocar esta verdade debaixo dos olhos de todos os homens. (Comenius cita a célebre frase: "conhece-te a ti mesmo" para dizer que o homem pode encontrar Deus após conhecer profundamente o ser humano, porque o homem tem a glória de ser a única criatura feita a imagem e semelhança de Deus)
  • 11. Didática Magna de Comenius com comentários [ 11 ] 4. Oxalá todas estas verdades sejam esculpidas, não nas portas dos templos, não nos frontispícios dos livros, não, enfim, nas línguas, nos ouvidos e nos olhos de todos os homens, mas nos seus corações. Deve procurar- se, na verdade, que todos aqueles a quem cabe a missão de formar homens façam com que todos vivam conscientes desta dignidade e excelência, e empreguem todos os meios para atingir o objetivo desta sublimidade. (O educador é um formador de homem, uma boa educação no princípio da vida é fundamental para que cresçam adultos que aprendam a respeitar as regras e sejam justos) CAPÍTULO II O FIM ÚLTIMO DO HOMEM ESTÁ FORA DESTA VIDA A mais excelente das criaturas deve necessariamente ter a finalidade mais excelente. 1. A própria razão nos diz que uma criatura tão excelente é destinada a um fim mais excelente que o de todas as outras criaturas, isto é, sem dúvida, a gozar, juntamente com Deus, que é o cume da perfeição, da glória e da beatitude, para sempre, a mais absoluta glória e beatitude. O que é evidente.
  • 12. Didática Magna de Comenius com comentários [ 12 ] (A Bíblia dá uma ênfase no ser humano como a criatura diferente de todas as outras, porque nele Deus colocou o espírito o que lhe confere um status superior aos demais seres criados. a doutrina humanista coloca o homem em igualdade com os "bichos". mas é evidente que os homens são infinitamente superiores aos animais, e isso não foi por obra da evolução, mas da criação.) 2. Mas embora isto se infira claramente da Sagrada Escritura e nós acreditemos firmemente que é de fato assim, todavia, não será tempo perdido ver de quantos modos, nesta vida, Deus nos tenha figurado o Além («Plus ultra») ou de quantos modos a ele possamos chegar. 1. Da história da criação. 3. Em primeiro lugar, no próprio momento da criação. Com efeito, não ordenou ao homem simplesmente, como aos outros seres, que viesse ao mundo; mas, após uma solene deliberação, formou-lhe o corpo como que com os seus próprios dedos e insuflou- lhe por alma uma parte de si mesmo. 2. Da constituição do nosso ser. 4. A constituição do nosso ser mostra que não nos bastam as coisas que possuimos nesta vida. Com efeito, temos aqui três espécies de vida: vegetativa, animal, e intelectual ou espiritual — a primeira das quais nunca se manifesta fora do corpo; a segunda, mediante as operações dos sentidos e do movimento, põe-nos em relação com os objetos exteriores; a terceira pode existir também separadamente, como se verifica nos anjos. Ora, uma vez que é evidente que este grau supremo da vida é
  • 13. Didática Magna de Comenius com comentários [ 13 ] fortemente obscurecido e perturbado em nós pelos outros dois, segue-se necessariamente que o será também no lugar onde ela for conduzida ao mais elevado grau de perfeição . (O ser humano é distinto dos outros seres vivos porque possui vida intelectual e espiritual. os vegetais vivem limitados pelo corpo que possui, ficando imóveis. os animais, pelos sentidos que possuem podem ter conhecimento do mundo fazendo descobertas pelo tato, olfato, paladar, audição e visão. O homem pelo pensamento, razão, sentimento e espiritualidade pode ir muito além, por isso só ele tem o senso de religiosidade.) 3. De tudo o que fazemos e sofremos nesta vida. 5. Tudo o que fazemos e sofremos nesta vida mostra que não atingimos aqui o nosso fim último, mas que tudo o que é nosso, e bem assim nós próprios, tende para outro lugar. Com efeito, tudo o que somos, fazemos, pensamos, falamos, imaginamos, adquirimos e possuímos não é senão uma espécie de escada, na qual, subindo cada vez mais acima, é certo que subimos sempre degraus mais altos, mas nunca chegamos ao último. A princípio, com efeito, o homem nada é, como nada era ab aeterno; começa a desenvolver-se somente no útero materno, a partir de uma gota de sangue paterno. Que é, portanto, o homem no princípio? Matéria informe e bruta. A seguir, assume os traços de um pequeno corpo, mas ainda sem sentidos nem movimentos. Depois, começa a mover-se e, por força da natureza, vem à luz; e, pouco a pouco, começam a abrir- se os olhos, os ouvidos e os restantes sentidos. Após um
  • 14. Didática Magna de Comenius com comentários [ 14 ] certo lapso de tempo, revela-se o sentido interno, quando sente que vê, que ouve e que sente. Depois, notando as diferenças entre as coisas, manifesta-se o intelecto; finalmente, a vontade, aplicando-se a certos objetos e fugindo de outros, assume o papel de diretora. Em todas estas coisas há uma gradação, mas sem termo. ("O homem começa a se desenvolver a partir de uma gota de sangue paterno", isto vale dizer que o ser humano nasce graças a transmissão genética pelo "sémen", não propriamente pelo "sangue", mas os antigos sempre usaram o sangue como sinônimo de elemento transmissor da vida. tanto é que em todo o antigo testamento, na bíblia há um destaque e reverência ao sangue como a substância que representa a sede da alma) 6. Mas em cada uma daquelas coisas há uma mera gradação. De fato, pouco a pouco, aparece a inteligência, como a luz radiante da aurora, e começa a emergir da profunda escuridão da noite; e, durante todo o tempo que dura a vida, cresce sempre mais a luz intelectual (a não ser que se trate de um débil), até ao momento da morte. De igual modo, as nossas ações são, a princípio, tênues, débeis, rudes e muito confusas; depois, a pouco e pouco, juntamente com as forças do corpo, também as potencialidades da alma se desenvolvem, de tal maneira que, durante todo o tempo da vida (exceto quem é tomado de um extremo torpor, sendo como que um morto vivo), há sempre qualquer
  • 15. Didática Magna de Comenius com comentários [ 15 ] coisa a fazer, a propor e a tentar; todas aquelas faculdades, numa alma generosa, tendem sempre mais para cima, sem um termo. Com efeito, nesta vida, nunca se consegue encontrar o fim, nem dos nossos desejos nem das nossas tentativas. Tudo isto é demonstrado pela experiência. 7. Para qualquer parte que alguém se volte, conhecerá esta verdade por experiência. Se alguém ama o poder e as riquezas, não encontrará onde saciar a sua fome, ainda que chegue a possuir todo o mundo, o que é evidente pelo exemplo de Alexandre. Se alguém arde com sede de honras, não poderá ter paz ainda que seja adorado por todo o mundo. Se alguém se entrega aos prazeres, embora todos os seus sentidos nadem num mar de delícias, todas as coisas lhe parecem gastas e o seu apetite corre de um objeto para outro. Se alguém aplica a mente ao estudo da sabedoria, nunca encontra o fim, pois, quanto mais coisas uma pessoa sabe, tanto melhor compreende que lhe restam mais para saber. Efetivamente, com toda a razão, Salomão disse: «Os olhos não se saciam de ver e os ouvidos têm sempre desejo de escutar» (Eclesiastes, 1, 8). Nem mesmo a morte põe fim às nossas aspirações. 8. Os exemplos dos moribundos provam que nem a morte marca o último termo das nossas aspirações. Com efeito, à hora da morte aqueles que passaram honestamente a vida exultam ao pensar que é para entrar numa vida melhor; ao contrário, aqueles que mergulharam no amor da vida presente, apercebendo-se de que a vão abandonar e de que deverão emigrar para outro sítio, começam a tremer, e se, de um modo ou de
  • 16. Didática Magna de Comenius com comentários [ 16 ] outro, ainda o podem fazer, reconciliam-se com Deus e com os homens. E embora o corpo, enfraquecido pelas dores, se debilite, os sentidos se ofusquem e a própria vida expire, todavia, a mente, com mais vivacidade que nunca, realiza as suas funções, tomando com devoção, gravidade e circunspecção as necessárias disposições acerca de si mesmo, da família, da herança, do Estado, etc.; de tal maneira que, quem vê morrer um homem piedoso e sábio parece ver um pedaço de terra que se esboroa, e quem o ouve falar, parece ouvir um anjo; e tem necessariamente que confessar que não se trata senão de um hóspede que se prepara para abandonar um pequeno tugúrio prestes a cair em ruínas. Os próprios pagãos compreenderam esta verdade; e por isso os romanos, como se lê em Festo [1], chamaram à morte partida, («ecabitio»), e os gregos usam, muitas vezes, a palavra que significa ir-se embora, em vez de perecer ou de morrer. Porquê, senão porque se compreende que, pela morte, se passa para um outro lugar? O exemplo do Cristo-Homem ensina que os homens são destinados à eternidade. 9. Mas, a nós cristãos, esta verdade parece mais clara depois que Cristo, Filho de Deus vivo, enviado do céu a reproduzir a imagem de Deus desaparecida de nós, mostrou a mesma coisa com o seu exemplo. Efetivamente, concebido e dado à luz mediante o nascimento, andou entre os homens; depois de morto, ressuscitou e subiu aos céus, e a morte já O não tem sob o seu domínio. Ora Ele é chamado, e é de fato, o nosso precursor (Hebreus, 6, 20), o primogênito dos irmãos (Romanos, 8,29), a cabeça dos seus membros (Efésios, 1, 22 e 23), o arquétipo de todos aqueles que devem ser
  • 17. Didática Magna de Comenius com comentários [ 17 ] reformados à imagem de Deus (Romanos, 8, 29). Portanto, assim como Ele não veio para continuar a viver neste mundo, mas para passar, terminado o curso da vida, às habitações eternas, assim também nós, uma vez que nos cabe a mesma sorte que a Ele, não devemos permanecer aqui, mas emigrar para outro lugar. O Homem tem três espécies de morada. 10. Para cada um de nós, portanto, estão estabelecidas três espécies de vida e três espécies de morada: o útero materno, a terra e o céu. Da primeira, entra-se para a segunda, mediante o nascimento; da segunda, para a terceira, mediante a morte e a ressurreição; da terceira, nunca mais se sai, eternamente. Na primeira, recebemos apenas a vida, juntamente com um movimento e sentidos incipientes; na segunda, a vida, o movimento e os sentidos com os primórdios da inteligência; na terceira, a plenitude perfeita de todas as coisas. E três espécies de vida. 11. A primeira vida de que falei é uma preparação para a segunda; a segunda para a terceira; a terceira, de sua própria natureza, nunca termina. A passagem da primeira para a segunda e da segunda para a terceira é estreita e acompanhada de dores, e num e noutro caso se devem depor os despojos ou invólucros (ou seja, no primeiro caso, a placenta, e, no segundo, o próprio organismo do corpo), como faz o pintainho, quando, quebrada a casca, sai para fora. A primeira e a segunda morada, portanto, são como duas oficinas: naquela forma- se o corpo para uso da vida seguinte; nesta, forma-se a alma racional para uso da vida eterna; a terceira morada produz a verdadeira perfeição e prazer de ambos.
  • 18. Didática Magna de Comenius com comentários [ 18 ] Os israelitas são símbolo disto. 12. Assim, os israelitas (seja-nos lícito adaptar este símbolo ao nosso caso) foram gerados no Egito e de lá, pelos estreitos caminhos dos montes e do Mar Vermelho, transferidos para o deserto, aí acamparam em tendas, aprenderam a lei, lutaram com vários inimigos; finalmente, atravessado pela força o Jordão, foram constituídos herdeiros da terra de Canaan, onde corriam rios de leite e de mel. CAPÍTULO 03 AO 05 CAPÍTULO III ESTA VIDA NÃO É SENÃO UMA PREPARAÇÃO PARA A VIDA ETERNA Testemunhos desta verdade 1. Que esta vida, uma vez que tende para outra, não é vida (falando com rigor), mas um proêmio da vida verdadeira e que durará para sempre, tornar-se-á evidente, primeiro, pelo testemunho de nós mesmos; segundo, pelo testemunho do mundo; e, finalmente, pelo testemunho da Sagrada Escritura. 1. Pelo testemunho de nós mesmos. 2. Se lançarmos um olhar introspectivo sobre nós mesmos, veremos que todas as coisas da nossa vida procedem de tal modo gradualmente, que a antecedente prepara o caminho para a seguinte. Por exemplo: a nossa primeira vida desenvolve-se nas vísceras maternas. Mas
  • 19. Didática Magna de Comenius com comentários [ 19 ] em proveito de quem? Acaso em proveito de si mesma? De modo algum. Trata-se apenas de formar convenientemente um pequenino corpo para servir de habitação e de instrumento à alma, para comodidade e uso da vida seguinte, a qual vivemos à luz do sol. E apenas aquele pequenino corpo está perfeito, somos dados à luz, pois já não há nenhuma razão para que continue naquelas trevas. Do mesmo modo, portanto, esta vida que vivemos à luz do sol não é senão uma preparação para a vida eterna, de tal maneira que não é de admirar que a alma se sirva do corpo para conseguir aquelas coisas que lhe serão úteis para a vida futura. Apenas feitos estes preparativos, emigramos daqui, porque nada mais temos aqui a fazer. É verdade que alguns, antes que tenham feito esses preparativos, são arrebatados, ou antes, lançados no seio da morte, do mesmo modo que, nos casos de aborto, o feto é lançado fora do útero, não para o seio da vida, mas para o seio da morte; em ambos os casos, porém, isso acontece, é certo que com a permissão de Deus, mas contudo, por culpa dos homens. 2. O mundo visível foi criado somente para servir de sementeira, de alimentador e de escola aos homens. 3. Também o mundo visível, de qualquer parte que se olhe, atesta que não foi criado para outro fim senão para servir para a multiplicação, para a alimentação e para a educação do gênero humano. Com efeito, uma vez que a Deus não aprouve criar os homens todos juntos, no mesmo momento, como fez com os anjos, mas produziu apenas um macho e uma fêmea, dando-lhes, a fim de que, por via de geração, se multiplicassem, as forças necessárias e a sua benção, foi
  • 20. Didática Magna de Comenius com comentários [ 20 ] preciso conceder um espaço de tempo necessário para esta sucessiva multiplicação, pelo que foram concedidos alguns milhares de anos. E para que esse tempo não fosse um tempo de confusão, de surdez e de cegueira, fez a extensão dos céus, guarnecidos com o sol, a lua e as estrelas, e ordenou que estes astros, com as suas revoluções, servissem para medir as horas, os dias, os meses e os anos. A seguir, uma vez que o homem seria uma criatura corpórea, com necessidade de um lugar para habitar, de um espaço para respirar e para se mover, de alimento para crescer e de vestidos para se adornar, fez (na parte mais baixa do mundo) um pavimento sólido, a terra: e circundou-a de ar e banhou-a com as águas, e ordenou-lhe que produzisse plantas e animais multiformes, não apenas para satisfazer as necessidades do homem, mas também para seu deleite. E, uma vez que formara o homem à sua imagem, dotado de inteligência, para que também não faltasse à inteligência o seu alimento, derivou de cada uma das criaturas muitas e várias espécies, para que este mundo visível aparecesse como um lucidíssimo espelho da infinita potência, sabedoria e bondade de Deus, na contemplação do qual o homem fosse arrebatado por um sentimento de admiração pelo Criador e impelido a conhecê-lo e movido a amá-lo. Efetivamente, a solidez, a beleza e a doçura do Criador permanece invisível e escondida no abismo da eternidade, mas por toda a parte brilha por meio das coisas visíveis e presta-se a ser apalpada, observada e saboreada. Portanto, este mundo nada mais é que a nossa sementeira, o nosso alimentador e a nossa escola. Deve, por isso, existir um mais além («Plus ultra»), onde, uma vez saídos das aulas desta escola, nos
  • 21. Didática Magna de Comenius com comentários [ 21 ] matricularemos na Academia Eterna. Pela razão, portanto, consta que as coisas se passam assim; mas é ainda mais evidente pelas Sagradas Escrituras. [Há um senso comum dos religiosos que esta vida é uma campo de provas e de testes, aqui existimos para tomar uma decisão que vai repercutir por toda eternidade. Jan Amos Komensky defendia uma educação para a vida cotidiana, com sistematização de todos os conhecimentos e o estabelecimento de um sistema universal de educação, com oportunidades para as mulheres. Ele sustentou a ciência ao mesmo tempo que exaltava a majestade divina.] 3. O próprio Deus o atesta com as suas palavras. 4. O próprio Deus afirma, pela boca de Oséias, que os céus existem por causa da terra, a terra por causa do trigo, do vinho e do azeite, e tudo isto por causa dos homens (Oseias, 2,22). Tudo, portanto, existe por causa do homem, até o próprio tempo. Com efeito, não será concedida ao mundo uma duração mais longa que a necessária para completar o número dos eleitos (Apocalipse, 6, 11). Apenas este número esteja completo, os céus e a terra desaparecerão e não se encontrará mais lugar para eles (Apocalipse, 20,7), pois surgirá um novo céu e uma nova terra, onde habitará a justiça (Apocalipse, 21,1 e 2; Pedro, II, 3, 18). Finalmente, até os nomes que as Sagradas Escrituras dão a esta vida dão a entender que esta não é senão uma preparação para outra. Com efeito, dão-lhe o nome de via, viagem, porta, espera; e a nós, o nome de peregrinos, forasteiros, inquilinos, aspirantes a uma outra cidadania, a qual será
  • 22. Didática Magna de Comenius com comentários [ 22 ] verdadeiramente permanente (Gênesis, 47,9; Salmo 29, 13; Job, 7, 12; Lucas, 12, 36). A experiência. 5. Todas estas coisas são demonstradas pelos próprios fatos e pela condição de todos os homens, o que é colocado sob os olhos de todos nós. Com efeito, quem de todos os que nasceram, depois que apareceu no mundo, não desapareceu de novo? Precisamente porque somos destinados à eternidade. Porque, portanto, pertencemos à eternidade, é necessário que esta vida seja apenas uma passagem. Por isso Cristo disse: «Estai preparados, porque não sabeis em que hora virá o Filho do homem» (Mateus, 24, 44). E é esta a razão (sabemo- lo também pela Escritura) por que Deus chama deste mundo alguns ainda na primeira idade da vida: chama-os certamente quando os vê preparados como Enoc (Gênesis, 4, 24; Sabedoria, 4, 14). Porque é que, ao contrário, usa de longanimidade para com os maus? Sem dúvida, porque não quer surpreender ninguém não preparado, mas que todos se convertam (Pedro II, 3, 9). Se, todavia, algum continua a abusar da paciência de Deus, este ordena que seja arrebatado pela morte. Conclusão. 6. Portanto, assim como é certo que a estadia no útero materno é uma preparação para viver no corpo, assim também é certo que a estadia no corpo é uma preparação para aquela vida que será uma continuação da vida presente e durará eternamente. Feliz aquele que sai do útero materno com os membros bem formados! Mil vezes mais feliz aquele que sair desta vida com a alma bem limpa!
  • 23. Didática Magna de Comenius com comentários [ 23 ] CAPÍTULO IV OS GRAUS DA PREPARAÇÃO PARA A ETERNIDADE SÃO TRÊS: CONHECER-SE A SI MESMO (E CONSIGO TODAS AS COISAS), GOVERNAR-SE E DIRIGIR-SE PARA DEUS De onde se adquire o conhecimento dos fins secundários do homem, subordinados ao fim supremo (a eternidade)? 1. É evidente, portanto, que o fim último do homem é a beatitude eterna com Deus. Quais sejam os fim subordinados àquele e conformes a esta vida transitória, torna-se evidente pelas palavras com que Deus manifestou a resolução de criar o homem: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, e presida aos peixes do mar, e às aves do céu, e aos animais selváticos, e a toda a terra, e a todos os répteis que se movem sobre a terra» (Gênesis, 1, 26). São três: 1. que conheça todas as coisas; 2. que seja rei de si mesmo; 3. que seja delícia de Deus. 2. Ora, desta passagem, torna-se evidente que foi colocado entre as criaturas visíveis para que seja: I. Criatura racional. II. Criatura senhora das outras criaturas
  • 24. Didática Magna de Comenius com comentários [ 24 ] III. Criatura imagem e delícia do seu Criador Estas três coisas estão de tal modo ligadas que não pode admitir-se nenhum divórcio entre elas, porque sobre elas se funda a base da vida presente e da futura. Que significa que é criatura racional? 3. Que é criatura racional quer dizer que observa, dá o nome e se apercebe de todas as coisas, isto é, que pode conhecer e dar um nome a todas as coisas deste mundo e entendê-las, como é evidente (Gênesis, 2, 19). Ou então, segundo a enumeração de Salomão (Sabedoria, 7, 17 e ss.): conhecer a constituição do mundo e a força dos elementos, o princípio e o fim e o meio das estações, as mudanças dos solstícios e a variabilidade do tempo, a duração do ano e a posição das estrelas, a natureza dos animais e a alma dos brutos, as forças dos espíritos e os pensamentos dos homens, as diferenças das plantas e a potência das suas raízes: numa palavra, todas as coisas ocultas ou manifestas, etc. Nisto está compreendido também a ciência dos artífices e a arte da palavra; de tal maneira que (como diz o Eclesiástico) em nenhuma coisa, pequena ou grande, haja algo de desconhecido (Eclesiástico, 5, 18). Somente assim, com efeito, poderá de fato conservar o título de animal racional, isto é, se conhecer os fundamentos de todas as coisas. Que significa que é senhor das outras criaturas? 4. Que é o senhor das outras criaturas quer dizer que, ordenando tudo para fins legítimos, faz reverter tudo utilmente em seu proveito; quer dizer que, portando-se por toda a parte, no meio das criaturas, como um rei, isto é, grave e santamente (ou seja, adorando apenas o
  • 25. Didática Magna de Comenius com comentários [ 25 ] Criador acima de si mesmo; os anjos de Deus, seus companheiros, como a si mesmo, e todas as outras coisas menos que a si mesmo) defende a dignidade que lhe é concedida; que não está sujeito a nenhuma criatura, nem mesmo à própria carne e que aproveita de tudo e de tudo se serve livremente; que não ignora onde, quando, como e até que ponto deve obedecer ao corpo, e onde, quando, como e até que ponto deve servir o próximo. Numa palavra, que pode regular prudentemente os movimentos e as ações, externas e internas, de si mesmo e dos outros. Que significa que é imagem de Deus? 5. Finalmente, que é imagem de Deus, quer dizer que representa ao vivo a perfeição do seu arquétipo, como diz o próprio Arquétipo: «Sede santos, porque Eu, o vosso Deus, sou santo» (Levítico, 19, 2). Os referidos três atributos reduzem-se: 1. à instrução; 2. à virtude; 3. à piedade. 6. Daqui se segue que os autênticos requisitos do homem são: 1. que tenha conhecimento de todas as coisas; 2. que seja capaz de dominar as coisas e a si mesmo; 3. que se dirija a si e todas as coisas para Deus, fonte de tudo. Estas três coisas, se as quisermos exprimir por três palavras vulgarmente conhecidas, serão: I. Instrução, II. Virtude, ou seja, honestidade de costumes, III. Religião, ou seja, piedade;
  • 26. Didática Magna de Comenius com comentários [ 26 ] entendendo-se por instrução, o conhecimento pleno das coisas, das artes e das línguas; por costumes, não apenas a urbanidade exterior, mas a plena formação interior e exterior dos movimentos da alma; e por religião, a veneração interior, pela qual a alma humana se liga e se prende ao Ser supremo. Estas três coisas são o essencial do homem nesta vida; todas as outras são acessórias. 7. Nestas três coisas reside toda a excelência do homem, porque só estas são o fundamento da vida presente e da futura; as outras (a saúde, a força, a beleza, o poder, a dignidade, a amizade, o sucesso, a longevidade) não são senão acréscimos e ornamentos externos da vida, se acaso Deus os junta a ela, ou vaidades supérfluas, pesos inúteis e estorvos nocivos, se alguém, desejando-os apaixonadamente, os vai procurar, e, descuradas as coisas mais importantes, deles se ocupa e neles se mergulha. Ilustra-se isto com o exemplo: 1. do relógio. 8. Ilustro a minha afirmação com exemplos. O relógio (solar ou mecânico) é um instrumento elegante e muito necessário para medir o tempo, cuja substância ou essência é constituída por uma correspondência perfeita de todas as suas partes. Os estojos em que se coloca, as esculturas, as pinturas e os dourados são coisas acessórias que acrescentam qualquer coisa à sua beleza, mas nada à sua bondade. Se alguém quiser um instrumento destes de preferência belo a bom, será escarnecida a sua puerilidade, pois não repara onde está sobretudo a utilidade. 2. do cavalo.
  • 27. Didática Magna de Comenius com comentários [ 27 ] Do mesmo modo, o valor de um cavalo está na sua força junta com a magnanimidade ou agilidade e a prontidão do voltear; a cauda solta ou atada, a crina penteada e ereta, os freios dourados, a gualdrapa com bordados de ouro, e os colares, sejam de que espécie forem, é verdade que acrescentam ornamento, mas, se víssemos alguém medir por estas coisas a excelência do cavalo, chamar-lhe-íamos estúpido. 3. da saúde Finalmente, o bom estado da nossa saúde depende de uma digestão regular e de uma boa disposição interior. Deitar-se em leitos moles, trazer vestidos luxuosos e comer alimentos saborosos, não só não favorece a saúde, mas até a prejudica; por isso, quem procura coisas deleitáveis de preferência a coisas sãs, é um insensato. E é um insensato infinitamente mais prejudicial aquele que, desejando ser homem, se preocupa mais com os ornamentos que com a essência do homem. Por isso, o Sábio chama ímpio e estulto «a quem julga que a nossa vida é coisa de burla e um mercado lucrativo» e diz e repete que «a aprovação e a benção de Deus está muito longe de semelhante homem» (Sabedoria, 15, 12 e 19). [Nem tudo é perfeito no pensamento de Comenius. De onde tirou esta ideia que alimentos saborosos prejudicam a saúde? Ainda que é verdade que açúcar, sal e gordura hidrogenada torna os alimentos mais saborosos, mas prejudica a saúde. Mas as frutas sãos saborosos e não podemos dizer que é prejudicial a saúde.]
  • 28. Didática Magna de Comenius com comentários [ 28 ] Conclusão. 9. Fique, portanto, assente isto: quanto maior é a atividade que, nesta vida se despende por amor da instrução, da virtude e da piedade, tanto mais nos aproximamos do fim último. Por isso, sejam estas três coisas a obra essencial da nossa vida; tudo o resto é acessório, empecilho, aparência enganosa. CAPÍTULO V AS SEMENTES DAQUELAS TRÊS COISAS (DA INSTRUÇÃO, DA MORAL E DA RELIGIÃO) SÃO POSTAS DENTRO DE NÓS PELA NATUREZA A primitiva natureza do homem era boa: a ela (libertando-nos da corrupção) devemos regressar. 1. Neste lugar, por natureza, entendemos, não a corrupção que, depois da queda, a todos atingiu (e por causa da qual somos chamados, por natureza, filhos da ira [1], incapazes, por nós próprios, de pensar seja o que for de bom), mas o nosso estado primitivo e fundamental, ao qual devemos regressar como nosso princípio. Neste sentido, Luís de Vives disse: «Que outra coisa é o cristão senão o homem regressado à sua natureza e restituído, por assim dizer, à sua origem, de onde o demônio o havia afastado?» (Da Concórdia e da Discórdia, livro I) [2]. Neste sentido também pode tomar-se aquilo que Sêneca
  • 29. Didática Magna de Comenius com comentários [ 29 ] escreveu: «A sabedoria está em regressar à natureza e em voltar àquele lugar de onde o erro público (ou seja, o erro cometido pelo gênero humano através dos primeiros pais) [3] nos expulsou». E diz ainda: «O homem não é bom, mas, lembrando-se da sua origem, transforma-se em bom, para que tenda a igualar Deus. Desonestamente, ninguém consegue subir ao lugar de onde descera» (Carta 93) [4]. A força proveniente da providência eterna impele para o estado primitivo. 2. Entendemos também pela palavra natureza a providência universal de Deus, ou seja, o influxo incessante da bondade divina para operar tudo em todos, ou seja, em cada criatura aquilo para que a destinou. Na verdade, o objetivo da sabedoria divina foi nada fazer em vão, isto é, nem sem qualquer finalidade, nem sem os meios adequados para conseguir esse fim. Por conseqüência, tudo o que existe, existe para qualquer fim, e para que o possa atingir foi dotado dos necessários orgãos e auxílios; mais ainda, foi dotado também de uma verdadeira tendência, a fim de que nunca seja impelido para o seu fim contra a sua vontade e com relutância, mas antes com prontidão e com prazer pelo instinto da própria natureza, de modo que, se disso é mantido afastado, advenha o sofrimento e a morte. É certo, por isso, que também o homem foi feito, por natureza, apto para a inteligência das coisas, para a harmonia dos costumes e para o amor a Deus sobre todas as coisas (vimos já, com efeito, que foi destinado para estas coisas), e é tão certo que as raízes daquelas três coisas se encontram nele, quanto é certo que a cada planta foram dadas as raízes sob a terra.
  • 30. Didática Magna de Comenius com comentários [ 30 ] A sabedoria colocou no homem raízes eternas. 3. Para que se torne mais evidente o que pretende dizer o Eclesiástico quando proclama que a sabedoria colocou fundamentos eternos nos homens (Eclesiástico, 1, 14), vejamos que fundamentos de Sabedoria, de Virtude e de Religião foram postos em nós, para que nos apercebamos quão maravilhoso organismo de sabedoria é o homem. I. Tornando-o apto para adquirir conhecimento das coisas. O que é evidente, porque o fez: 1. sua imagem 4. É evidente que todo o homem nasce apto para adquirir conhecimento das coisas: primeiro, porque é imagem de Deus. Com efeito, a imagem, se é perfeita, apresenta necessariamente os traços do seu arquétipo, ou então não será uma imagem. Ora, uma vez que, entre os atributos de Deus, se destaca a omnisciência, necessariamente brilhará no homem algo de semelhante a ela. E porque não? Sem dúvida que o homem está no meio das obras de Deus, tendo uma mente lúcida, como um espelho esférico, suspenso na parede de uma sala, o qual recebe a imagem de todas as coisas, digo, de todas as coisas que o rodeiam. Efetivamente, a nossa mente não apreende somente as coisas vizinhas, mas também aproxima de si as que estão afastadas (quer quanto ao lugar, quer quanto ao tempo), ergue-se às que estão elevadas, investiga as ocultas, desvela as veladas e esforça-se por perscrutar até as imperscrutáveis, de tal maneira é algo de infinito e de indeterminável. Se fossem concedidos ao homem mil anos de vida, durante os quais aprendesse constantemente qualquer coisa, deduzindo uma coisa de outra, todavia, teria sempre onde receber
  • 31. Didática Magna de Comenius com comentários [ 31 ] outras coisas que se lhe apresentassem, a tal ponto a mente do homem é de capacidade inesgotável que, no conhecimento, se apresenta como um abismo. O nosso pequeno corpo está encerrado num círculo estreito; a nossa voz vai um pouco mais além; a vista apenas chega à cúpula celeste; mas à nossa mente não pode fixar-se um limite, nem no céu nem fora do céu: tanto se eleva acima dos céus dos céus, como desce abaixo do abismo do abismo; e mesmo que estes espaços fossem milhões de vezes mais vastos do que são, ela aí penetraria, todavia, com incrível rapidez. E havemos então de negar que todas as coisas lhe são acessíveis, que ela é capaz de tudo? 2. Resumo do universo. 5. O homem é chamado pelos filósofos, resumo do universo, compreendendo, de modo obscuro, todas as coisas que se vêem por toda a parte amplamente espalhadas pelo universo (macro-cosmos). Que assim é, demonstrar-se-á noutro lugar [5]. Em conseqüência disso, a mente do homem que entra no mundo compara-se com muita razão a uma semente ou a um caroço, no qual, embora não exista ainda em ato a figura da erva ou da árvore, todavia, nele existe já de fato a erva ou a planta, como se torna evidente quando a semente, metida debaixo da terra, lança para baixo as raízes e para cima os rebentos, os quais, pouco depois, por uma força ingênita, se alongam em ramos e em ramagens, se cobrem de folhas e se adornam de flores e de frutos. N.B. Não é necessário, portanto, introduzir nada no homem a partir do exterior, mas apenas fazer germinar e desenvolver as coisas das quais ele contém o gérmen em
  • 32. Didática Magna de Comenius com comentários [ 32 ] si mesmo e fazer-lhe ver qual a sua natureza. Por isso, aceitamos que Pitágoras costumava dizer que era tão natural ao homem saber tudo que, se um menino de sete anos fosse prudentemente interrogado acerca de todas as questões de toda a filosofia, com certeza que poderia responder a todas, precisamente porque a luz da razão é a forma e a norma suficiente de todas as coisas. Simplesmente agora, após a queda, que o obscurece e confunde, é incapaz de se libertar pelos seus próprios meios; e aqueles que deveriam ajudá-lo não contribuem senão para aumentar o embaraço em que se encontra. 3. Dotado de sentidos 6. Além disso, à alma racional que habita em nós, foram acrescentados órgãos e como que emissários e observadores, com a ajuda dos quais, ou seja, da vista, do ouvido, do olfato, do gosto e do tato, ela procura chegar a tudo aquilo que se encontra fora dela, de tal maneira que, de todas as coisas criadas, nada pode permanecer-lhe escondido. Uma vez que, portanto, no mundo visível, nada há que se não possa ver, ou ouvir, ou apalpar, e, por isso, que se não possa saber o que é e de que natureza é, daí se segue que nada existe no mundo que o homem, dotado de sentidos e de razão, não consiga apreender. 4. Estimulado pelo desejo de saber. 7. Está implantado também no homem o desejo de saber; e não apenas a aceitação resignada, mas até o apetite do trabalho [6]. Surge logo na primeira idade infantil e acompanha-nos durante toda a vida. Com efeito, quem não experimenta a impaciência de ouvir, de ver ou de apalpar sempre algo de novo? Quem não sente prazer em comparecer todos os dias em qualquer lugar, ou em
  • 33. Didática Magna de Comenius com comentários [ 33 ] conversar com alguém, em perguntar qualquer coisa? Em resumo, eis o que se passa: os olhos, os ouvidos, o tato e também a mente, procurando sempre o seu alimento, lançam-se sempre para fora de si mesmos, nada havendo, para uma natureza viva, tão intolerável como o ócio e o torpor. E uma vez que até os idiotas admiram os homens doutos, que significa isto senão que também os idiotas experimentam pelo saber os atrativos de um desejo natural, nos quais eles próprios gostariam de participar, se achassem que isso era possível?; mas porque vêem que isso não é possível, suspiram e olham com reverência aqueles que vêem de inteligência mais elevada. De onde resulta que muitos, tomando-se a si mesmos por guia, conseguem penetrar no conhecimento das coisas. 8. Os exemplos dos autodidatas mostram, de maneira evidente, que o homem, conduzido pela natureza, pode aprender todas as coisas. Com efeito, alguns foram mais adiante que os seus próprios mestres, ou (como diz S. Bernardo) [7], ensinados pelos carvalhos e pelas faias (ou seja, passeando e meditando nas florestas) fizeram mais progressos que outros, instruídos na escola de diligentes professores. Acaso não nos mostra isto que, dentro do homem, estão, de fato, todas as coisas, isto é, o facho e o candieiro, o azeite e a torcida, e tudo o necessário? Basta-lhe saber riscar o fósforo, fazer tomar fogo à acendalha, e acender as luzes para que veja, tanto em si mesmo como no vasto mundo (observando como todas as coisas foram ordenadas com número, medida e peso [8]), os maravilhosos tesouros da sabedoria de Deus, num espetáculo cheio de beleza. Se,
  • 34. Didática Magna de Comenius com comentários [ 34 ] porém, a sua luz interior não está acesa, mas apenas se faz girar do exterior, à volta dele, as lâmpadas das opiniões alheias, não pode acontecer diversamente do que acontece; é como se se fizesse girar archotes à volta de uma prisão obscura e fechada, dos quais entrariam pelos respiradouros somente alguns raios, mas não a plena luz. É precisamente como disse Sêneca: «As sementes de todas as artes estão colocadas dentro de nós, e Deus, nosso mestre, de uma maneira oculta, produz os gênios» [9]. [Os gênios realmente veem de Deus, não é a escola que formam os gênios, eles são natos. Eu já entro na categoria do autodidata. Sempre gostei de estudar o que quero e do meu jeito. Muitos dos bons profissionais se formaram na vida pela sua vontade de aprender mais e mais os segredos da sua profissão.] A nossa mente é comparada: 1. à terra; 2. a um jardim; 3. a uma tábua rasa. 9. O mesmo nos ensinam as coisas a que se compara a nossa mente. Com efeito, a terra (à qual, muitas vezes, a Sagrada Escritura compara o nosso coração) [10] não recebe acaso sementes de toda a espécie? E acaso um só e o mesmo jardim não permite que nele se plantem ervas, flores e plantas aromáticas de toda a espécie? Com certeza, se ao jardineiro não falta prudência e zelo. E quanto maior for a variedade, tanto mais belo será o espetáculo para os olhos, tanto mais suave é o prazer para o nariz e tanto mais forte é o conforto para o coração.
  • 35. Didática Magna de Comenius com comentários [ 35 ] Aristóteles comparou a alma humana a uma tábua rasa, onde nada está escrito e onde se pode escrever tudo [11]. Portanto, da mesma maneira que, numa tábua, onde não há nada, o escritor pode escrever, e o pintor pintar aquilo que quer, desde que saiba da sua arte, assim também na mente humana, com a mesma facilidade, quem não ignora a arte de ensinar pode gravar a efígie de todas as coisas. E se isto não acontece, com toda a certeza que não é por culpa da tábua (exceto, uma ou outra vez, quando ela é demasiado rugosa), mas por ignorância do escrivão ou do pintor. Há, porém, uma diferença: na tábua, não é possível traçar linhas senão até ao limite em que as margens o permitem, ao passo que, na mente, por mais que se escreva ou esculpa, nunca se encontra um sinal que indique o termo, pois (como atrás se observou), ela não tem termo. 4. à cera, onde podem imprimir-se infinitos selos. 10. Compara-se também, com razão, o nosso cérebro, oficina dos pensamentos, à cera, onde, ou se imprime um selo, ou de que se fazem estatuetas. Com efeito, da mesma maneira que a cera, adaptando-se a receber qualquer forma, se submete como se quer a tomar e a mudar de figura, assim também o cérebro, prestando-se a receber as imagens de todas as coisas, recebe em si tudo o que o universo contém. Com este exemplo, mostra-se, ao mesmo tempo, de uma maneira elegante, o que é o nosso pensamento e o que é a nossa ciência. Tudo o que me impressiona a vista, o ouvido, o olfato, o gosto e o tato é para mim como um selo, pelo qual a imagem de uma coisa se imprime no cérebro; e nele o imprime de tal maneira que, mesmo que a coisa se afaste dos olhos, dos ouvidos, do nariz e das mãos,
  • 36. Didática Magna de Comenius com comentários [ 36 ] permanece sempre a sua imagem; e não é possível que ela não permaneça, a não ser quando uma atenção negligente formou uma impressão débil. Por exemplo: se fixo um homem ou lhe falo; se, viajando, contemplo uma montanha, um rio, um campo, uma floresta, uma cidade, etc.; se, por vezes, ouço trovões, música e discursos; se leio atentamente algumas linhas num livro, etc.; todas estas coisas se imprimem no meu cérebro, de tal maneira que, todas as vezes que a sua recordação se me renova, é o mesmo que se me estivessem diante dos olhos, me ressoassem aos ouvidos e as saboreasse ou apalpasse neste momento. E embora um cérebro, ou receba estas impressões de modo mais distinto, ou as represente com maior clareza, ou as retenha com maior fidelidade que outro, no entanto, cada um deles as recebe, representa e retém, de qualquer maneira. A capacidade da nossa mente é um milagre de Deus. 11. A este propósito, devemos admirar o espelho da sabedoria de Deus, a qual providenciou de modo que a massa do cérebro, que não é grande sob aspecto nenhum, fosse capaz de receber milhares e milhões de imagens. Com efeito, tudo aquilo que cada um de nós (principalmente as pessoas instruídas), durante tantos anos, viu, ouviu, saboreou, leu e adquiriu com a experiência e com o raciocínio, e de que, segundo as suas forças, se pode recordar, é evidente que tudo isso se conserva ordenado no cérebro, ou seja, as imagens das coisas uma vez vistas, ouvidas, lidas, etc., embora existam por milhões e se multipliquem até ao infinito, com o fato de ver, de ouvir e de ler, quase cada dia, qualquer coisa de novo, todavia, estão contidas no cérebro. Que
  • 37. Didática Magna de Comenius com comentários [ 37 ] coisa é esta imperscrutável sabedoria da omnipotência de Deus? Salomão maravilha-se que todos os rios desaguem no oceano e, todavia, não encham o mar (Eclesiastes, 1, 7); e quem não há-de admirar-se com este abismo da nossa memória que tudo recebe e tudo restitui, sem jamais se encher e sem jamais se esvasiar? Assim, a nossa mente é verdadeiramente maior que o mundo, do mesmo modo que o continente é necessariamente maior que o conteúdo. A nossa mente é um espelho. 12. Finalmente, o olho ou o espelho simboliza muito bem a nossa mente, pois de tudo o que se lhe apresenta, de qualquer forma ou cor que seja, imediatamente mostrará em si uma imagem parecidíssima, a não ser que se lhe apresente um objeto às escuras, ou da parte detrás, ou demasiado longe, por causa da distância maior que o devido, ou que se impeça de receber a impressão, ou esta seja baralhada por um movimento contínuo; nestes casos, temos de confessá-lo, não se obtém êxito. Falo, porém, daquilo que costuma acontecer naturalmente, quando há luz e o objeto é apresentado como convém. Da mesma maneira que, portanto, não é necessário forçar os olhos a abrirem-se e a fixarem os objetos, porque (tal como aquele que naturalmente tem sede de luz) eles experimentam prazer em olhar espontaneamente, e são capazes de olhar todas as coisas (desde que os não perturbem, apresentando- lhes ao mesmo tempo demasiados objetos) e nunca podem saciar-se de olhar; assim também a nossa mente é sequiosa das coisas, está sempre atenta, toma, ou melhor, agarra todas as coisas, sem nunca se cansar, desde que não seja ofuscada com uma multidão de
  • 38. Didática Magna de Comenius com comentários [ 38 ] objetos e que, com a devida ordem, se lhe dê a observar uma coisa após outra. II. No homem, a raiz da honestidade é a harmonia. 13. Os próprios pagãos viram que é natural ao homem a harmonia dos costumes, embora, ignorando outra luz divinamente acrescentada e o guia mais seguro que nos foi dado para chegar à vida eterna, temham considerado (tentativa vã) aquelas centelhas, verdadeiros faróis. Com efeito, assim fala Cícero: «Nas nossas faculdades espirituais estão inatos os gérmens da virtude, os quais, se pudessem desenvolver-se e crescer, seriam suficientes, por natureza, para nos conduzirem à beatitude (isto é exagerado!). Porém, apenas somos dados à luz e começamos a ser educados, rebolamo-nos continuamente em toda a espécie de imundícies, de tal maneira que parece que, juntamente com o leite da ama, bebemos os erros» (Tusculanae, III) [12]. Que é verdadeiro que certos gérmens de virtude nascem juntamente com o homem, infere-se destes dois argumentos: primeiro, todo o homem sente prazer com a harmonia; segundo, ele próprio não é senão harmonia, interior e exteriormente. 1. Com a qual se deleita em toda a parte: em todas as coisas visíveis, 14. Que o homem se deleita com a harmonia e procura ardentemente chegar a ela, é evidente. Efetivamente, a quem se não deleitaria ao ver um homem formoso, um cavalo elegante, uma estátua bela e uma pintura linda? De onde nasce esse prazer senão do fato de que a perfeita proporção das partes e das cores
  • 39. Didática Magna de Comenius com comentários [ 39 ] produz o agrado? Essa proporção é o prazer mais natural para os olhos. nas coisas audíveis, Pergunto igualmente: a quem não agrada a música? E porquê? Sem dúvida porque a harmonia das vozes produz um som agradável. nas coisas que se saboreiam, A quem não agradam os alimentos bem temperados? Sem dúvida porque a temperatura dos sabores deleita agradavelmente o paladar. nas coisas palpáveis, Cada um goza com um calor bem proporcionado, com uma frescura bem repartida, com uma posição justa e um movimento equilibrado dos membros. Porquê? Precisamente porque todas as coisas temperadas são amigas e salutares para a natureza e todas as coisas desmesuradas são suas inimigas e prejudiciais. e até nas próprias virtudes. Se nós amamos até as virtudes uns nos outros (de fato, mesmo quem é privado de virtude admira as virtudes dos outros, mesmo que os não imite, uma vez que considera impossível vencer os seus maus hábitos), porque é que, portanto, cada um não há-de amar a virtude em si mesmo? Cegos de nós, se não reconhecemos que estão em nós as raízes de toda a harmonia! 2. A qual se encontra também no homem: tanto relativamente ao corpo 15. Mas também o próprio homem não é senão harmonia, tanto relativamente ao corpo, como relativamente à alma. Com efeito, assim como o grande mundo é parecido com um enorme relógio, de tal modo
  • 40. Didática Magna de Comenius com comentários [ 40 ] fabricado segundo as regras da arte, com muitíssimas rodas e maquinismos, que para produzir movimentos contínuos e perfeitamente ordenados, uma parte os comunica à outra, através de todo o relógio, assim também o homem. Com efeito, quanto ao corpo, construído com arte admirável, em primeiro lugar está o coração, que é móvel, fonte de vida e de atividade; dele os outros membros recebem o movimento e a medida do movimento. Mas o peso, ou seja, a verdadeira força motriz, é o cérebro, o qual, servindo-se dos nervos, como de cordas, faz andar as outras rodas (os membros) para diante e para trás. Na verdade, a variedade das operações interiores e exteriores corresponde à exata e perfeita correspondência dos movimentos do relógio. como no que diz respeito à alma 16. Assim, nos movimentos da alma, a principal roda é a vontade; os pesos que a fazem mover são os desejos e as paixões que inclinam a vontade para esta ou para aquela parte. A válvula, que abre e fecha o movimento, é a razão, a qual mede e determina que coisa, onde e até que ponto se deve abraçar ou afastar. Os outros movimentos da alma são como que as rodas menores, que seguem a principal. Por isso, se aos desejos e às paixões se não atribui um peso demasiado grande, e a válvula, ou seja, a razão, abre e fecha convenientemente, é impossível não se seguir uma ordem e um acordo perfeito de virtudes, isto é, um perfeito equilíbrio das ações e das paixões. A harmonia perturbada pode remediar-se. 17. Eis, portanto, que realmente o homem em si mesmo não é senão harmonia. Por isso, assim como
  • 41. Didática Magna de Comenius com comentários [ 41 ] acerca de um relógio ou de um instrumento musical, feito pelas mãos de um artífice perito, se acaso se estraga ou se torna desafinado, não dizemos imediatamente que já não serve para nada (pode, com efeito, consertar-se e tornar a afinar-se), assim também acerca do homem, embora corrompido pelo pecado, deve afirmar-se que, com determinados meios, é possível saná-lo, por graça da virtude de Deus. III. Que no homem estão as raízes da religião argumenta-se: 1. pela natureza da sua imagem, 18. Que as raízes da religião estão no homem, por natureza, demonstra-se pelo fato de que ele é a imagem de Deus. Com efeito, a imagem implica semelhança: e que todo o semelhante se congratula com o seu semelhante é lei imutável de todas as coisas (Eclesiástico, 13, 19). O homem, portanto, uma vez que nada tem de igual a si, a não ser Aquele à imagem do qual foi feito, é natural que não seja conduzido pelos seus desejos senão para a fonte de onde derivou, contanto que a conheça com suficiente clareza. 2. pela reverência inata em todos para com a divindade, 19. Isto é evidente também pelo exemplo dos pagãos, os quais, não sendo ajudados por nenhuma palavra de Deus, apenas pelo oculto instinto da natureza chegaram, não só a conhecer Deus, mas também a venerá-lo e a desejá-lo, embora errassem quanto ao número dos deuses e à forma do culto. «Todos os homens têm a noção dos deuses e todos atribuem o lugar supremo a qualquer potência divina», escreve Aristóteles no livro I Do Céu, cap. 3 [13]. E Sêneca: «Em primeiro
  • 42. Didática Magna de Comenius com comentários [ 42 ] lugar, o culto divino consiste em acreditar nos deuses; depois, em atribuir-lhes a majestade devida e em atribuir- lhes a bondade, sem a qual não há qualquer majestade; em saber que são eles que governam o mundo, que regulam todas as suas coisas e que providenciam pela conservação do gênero humano» (Carta 96) [14]. Acaso esta opinião difere muito da do Apóstolo? «Porquanto é necessário que o que se aproxima de Deus acredite que Ele existe e que é remunerador dos que O buscam» (Hebreus, II, 6). [Uma observação pertinente de Comenius. O homem tem um espírito dentro dele que testifica que existe um Deus acima de nós, e por isto até hoje não se encontrou nenhum cultura dentro do estudo da antropologia que fosse naturalmente ateísta. O homem crê em Deus porque nós trazemos no DNA e nosso software a certeza que existe um ser superior que nos criou.] 3. pelo desejo natural do Sumo Bem (que é Deus), 20. Platão diz: «Deus é o sumo bem, superior a toda a substância e a toda a natureza, o qual é naturalmente desejado por todas as criaturas» (Timeu) [15]. E isto (que Deus é o sumo bem, naturalmente desejado por todas as criaturas) é de tal modo verdadeiro que Cícero diz: «A primeira mestra da piedade é a natureza» (Da natureza dos deuses, I) [16]. E isto “porque (como escreve Lactâncio, no livro 4, cap. 28) fomos gerados com a condição de prestarmos a Deus, que nos
  • 43. Didática Magna de Comenius com comentários [ 43 ] criou, as justas e devidas homenagens e de apenas reconhecermos a Ele como Deus e de O seguirmos. Com este vínculo da piedade somos atados e ligados a Deus; de onde a própria religião recebe o seu nome» [17]. [Os filósofos e oradores gregos e romanos tinham uma concepção da existência do Deus Todo-Poderoso e que existimos para sua glória. Todo homem nasce com esta virtude de crer em Deus e que pode se perder durante a vida.] que nem sequer pela queda do gênero humano foi extinto. 21. Deve, todavia, confessar-se que este desejo natural de Deus, como sumo bem, foi corrompido com a queda do pecado e degenerou numa espécie de vertigem, que não é capaz de regressar à retidão com as suas próprias forças; naqueles, porém, que Deus de novo ilumina com o seu Verbo e com o seu Espírito, ele volta a aguçar-se de tal modo que David, voltado para Deus, clama: «Quem tenho eu, lá no céu, exceto tu? E, fora de ti, nada me deleita sobre a terra. Desfalece a minha carne e o meu coração, e o rochedo do meu coração e a minha herança é Deus para sempre» (Salmo 72, 24 e 25). É, portanto, impiamente que se procuram pretextos contra o exercício da piedade. 22. Que ninguém, portanto, enquanto se procuram remédios para corrupção, nos oponha a corrupção, porque Deus, por obra do seu Espírito e com a intervenção de meios adequados, prepara-se para a fazer desaparecer. De fato, assim como a Nabucodonosor, quando foi privado do sentido humano e provido de um coração bestial, lhe foi deixada, todavia, a esperança de
  • 44. Didática Magna de Comenius com comentários [ 44 ] poder readquirir a mente humana, e até mesmo também a dignidade real, logo que reconhecesse que o poder vem do céu (Daniel, 4, 23); assim também, a nós, plantas excluídas do paraíso de Deus, foram deixadas as raízes, as quais, sobrevindo a chuva e o sol da graça de Deus, podem de novo germinar. Porventura o nosso Deus, logo a seguir à queda e à proclamação da nossa ruína (a pena de morte) não plantou imediatamente (com a promessa da semente bendita), de novo, nos nossos corações, rebentos de nova graça? Acaso não nos enviou o seu Filho, pelo qual nos seriam restituídos os bens perdidos? E não deve sublevar-se o velho Adão contra o novo. 23. É coisa torpe e nefanda e sinal evidente de ingratidão estar sempre a apelar para a corrupção e dissimular a redenção. Correr atrás daquilo que o velho Adão em nós deixou e não procurar aquilo que Cristo, novo Adão, nos proporcionou! Muito acertadamente, o Apóstolo, em seu nome e no de todos os regenerados, diz: «Tudo posso naquele que me conforta, Cristo» (Filipenses, 4, 13). Se é possível que um garfo de árvore doméstica, enxertado num salgueiro, num espinheiro ou em qualquer árvore brava, germine e frutifique, porque não há-de acontecer o mesmo se for enxertado bem sobre a própria raiz? Veja-se a argumentação do Apóstolo (Romanos, 11, 24). Além disso, se Deus, de pedras, pode fazer nascer filhos de Abraão (Mateus, 3, 9), porque não há-de despertar os homens, feitos já filhos de Deus desde a criação, adotados de novo por Cristo e regenerados pelo Espírito da graça, para toda a espécie de boas obras?
  • 45. Didática Magna de Comenius com comentários [ 45 ] A graça de Deus não se deve coarctar, mas reconhecer com gratidão. 24. Abstinhamo-nos de coarctar a graça de Deus, pois Ele está pronto a infundi-la em nós liberalíssimamente. Com efeito, se nós, enxertados em Cristo por meio da fé e dados a Ele por meio do Espírito de adoção, se nós, digo, com a nossa geração, não somos aptos para as coisas do Reino de Deus, como é que então Cristo, falando das criancinhas, afirmou que «é delas o reino de Deus»? [18] Ou como é que no-las apresenta como modelo, ordenando a todos que «se convertam e se façam como crianças, se querem entrar no reino dos céus?» (Mateus, 18, 3). Como é que o Apóstolo proclama santos e nega que sejam impuros os filhos dos cristãos (mesmo quando só um deles pertence ao número dos fiéis)? (Coríntios, I, 7, 14). Pelo contrário, até daqueles que já mergulharam na prática de vícios gravíssimos, o Apóstolo ousa afirmar: «E tais éreis alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Espírito do nosso Deus» (Coríntios, I, 6, 11). Precisamente por isto, quando dizemos que os filhos dos cristãos (não a geração do velho Adão, mas a geração regenerada pelo novo Adão, isto é, os filhos de Deus, os irmãos e as irmãs de Cristo) pedem para serem formados e estão aptos a receber as sementes da eternidade, a quem pode parecer que isto seja impossível? A ninguém, pois não procuramos obter frutos de uma oliveira brava, mas ajudamos os rebentos da árvore da vida, novamente plantados, para que produzam frutos. Conclusão.
  • 46. Didática Magna de Comenius com comentários [ 46 ] 25. Fique, portanto, assente que é mais natural e, pela graça do Espírito Santo, mas fácil, que o homem se torne sábio, honesto e santo, do que a perversidade adventícia poder impedir o progresso. Com efeito, qualquer coisa regressa facilmente à sua natureza. E é esta a advertência que nos faz a Escritura: «A sabedoria facilmente se deixa ver por aqueles que a amam; ela corre mesmo atrás de quem a pede, antes de ser conhecida, e por aqueles que a esperam faz-se encontrar, sem fadiga, sentada à sua porta» (Sabedoria, 6, 13 e ss.). E é conhecida a sentença do poeta venusino: Ninguém é tão selvagem que, prestando paciente ouvido à cultura, não possa ser domesticado [19]. CAPÍTULO 06 AO 08 CAPÍTULO VI O HOMEM TEM NECESSIDADE DE SER FORMADO, PARA QUE SE TORNE HOMEM As sementes não são ainda frutos. 1. Como vimos, a natureza dá as sementes do saber da honestidade e da religião, mas náo dá propriamene o saber, a virtude e a religião; estas adquirem-se orando, aprendendo, agindo. Por isso, e não sem razão, alguém definiu o homem um «animal educável», pois não pode tornar-se homem a não ser que se eduque.
  • 47. Didática Magna de Comenius com comentários [ 47 ] É inata no homem a aptidão para saber, mas não o próprio saber. 2. Efetivamente, se consideramos a ciência das coisas, é próprio de Deus saber tudo, sem princípio, sem progresso, sem fim, mediante um só e simples ato de intuição; mas nem ao homem nem ao anjo pode dar este saber, pois não lhe podia dar a infinitude e a eternidade, isto é, a divindade. Aos homens e aos anjos basta aquele grau de excelência de haverem recebido a agudeza de inteligência, com a qual podem indagar as obras de Deus e assim acumular para si um tesouro intelectual. Precisamente por isso, consta, acerca dos anjos, que eles, contemplando, aprendem (Pedro, I, 1, 12; Efésios, 3, 10; Reis, I, 22, 20; Job, 1, 6); e, por isso, o conhecimento deles, de igual modo que o nosso, é experimental. Que o homem deve ser formado «ad humanitatem», mostra-se: 1. com o exemplo das outras criaturas. 3. Ninguém acredite, portanto, que o homem pode verdadeiramente ser homem, a não ser aquele que aprendeu a agir como homem, isto é, aquele que foi formado naquelas virtudes que fazem o homem. Isto é evidente pelos exemplos de todas as criaturas, as quais se não tornam úteis ao homem, embora a isso destinadas, a não ser depois de adaptadas pela nossa mão. Por exemplo: as pedras foram-nos dadas para servirem para construir casas, torres, muros, colunas, etc.; mas, de fato, não servem para isso, a não ser depois de talhadas, desbastadas e esquadriadas pelas nossas mãos. Do mesmo modo, as pérolas e as gemas, destinadas a servirem de ornamentos humanos, devem ser cortadas, raspadas e polidas pelos homens; os
  • 48. Didática Magna de Comenius com comentários [ 48 ] metais, produzidos para usos notáveis da nossa vida, devem ser cavados, liquefeitos, depurados, fundidos e trabalhados a martelo de vários modos; sem tudo isso, são para nós menos úteis que a lama. Das plantas, extraímos alimentos, bebidas e remédios, com a condição, porém, de que é necessário semear, sachar, ceifar, debulhar, moer e pisar os cereais e as ervas; as árvores é necessário plantá-las, podá-las e estrumá-las; os frutos colhê-los, secá-los, etc.; e, muito mais, se qualquer destas coisas deve servir para remédio ou para construir, pois nesse caso é necessário prepará-las de muitíssimos outros modos. Os animais, uma vez que dotados de vida e de movimento, parece que se bastem a si mesmos; todavia, se alguém se quer servir deles para o uso para que foram concedidos, é necessário que primeiro os submeta a exercícios. Eis, com efeito, um cavalo de batalha, um boi para carretos, um burro de carga, um cão de guarda ou de caça, um falcão e um gavião de caça, etc., cada um tem inata a aptidão para esse serviço determinado; todavia, valem bem pouco, se não são treinados para o exercício da sua função. [4 pilares de Comenius: Aquilo que o aluno deve construir como um saber. O que nós, professores, temos que ensinar. O conhecimento tem que ter aplicação prática e sólida. O processo de ensinar deve ser claro e objetivo, e se pautar pelas necessidades do indivíduo.]
  • 49. Didática Magna de Comenius com comentários [ 49 ] 2. Com o exemplo do próprio homem, quanto às ações corpóreas. 4. O homem, enquanto tem um corpo, é feito para trabalhar; vemos, todavia, que de inato ele não tem senão a simples aptidão; pouco a pouco, é necessário ensinar- lhe a estar sentado e a estar de pé, a caminhar e a mover as mãos, a fim de que aprenda a fazer qualquer coisa. Como pode, portanto, a nossa mente, sem uma preparação prévia, ter a prerrogativa de se mostrar perfeita em si e por si? Não é possível, porque é lei de todas as coisas criadas o começar do nada e elevar-se gradualmente, tanto no que diz respeito à essência como no que diz respeito às ações. Com efeito, até acerca dos anjos, muito vizinhos de Deus em perfeição, consta que não sabem tudo, mas progridem gradualmente no conhecimento da admirável sabedoria de Deus, como notámos pouco atrás. 3. E porque já antes da queda, era necessário exercitar o homem, muito mais é necessário agora, depois da corrupção. 5. É evidente também que, já antes da queda, havia sido aberta, para o homem, no paraíso terrestre, uma escola, na qual ele ia, pouco a pouco, fazendo progressos. Com efeito, embora às duas primeiras criaturas, apenas criadas, não faltasse nem o movimento, nem a palavra, nem o raciocínio, todavia, do colóquio de Eva com a serpente, torna-se evidente que não tinham conhecimento das coisas, o qual vem da experiência; pois se aquela desventurada fosse dotada de uma experiência mais rica, não teria admitido com tanta simplicidade quanto a serpente lhe disse, pois teria então a certeza de que aquela criatura não podia ser dotada da capacidade
  • 50. Didática Magna de Comenius com comentários [ 50 ] de discorrer, e que, por isso, devia estar a ser vítima de um engano. Com maior razão, portanto, se poderá sustentar que agora, no estado de corrupção, se se quer saber alguma coisa, é necessário aprendê-la, porque realmente vimos ao mundo com a mente nua como uma tábua rasa, sem saber fazer nada, sem saber falar, nem entender; mas é necessário edificar tudo a partir dos fundamentos. E, na verdade, isto consegue-se mais dificilmente do que se conseguiria no estado de perfeição, porque as coisas são para nós obscuras e as línguas confusas (de tal modo que, em vez de uma só, se devem agora aprender várias, se alguém, para se instruir, quer falar em várias línguas, vivas e mortas); além disso, porque as línguas vernáculas se tornaram mais complicadas, e, quando nascemos, nada conhecemos delas. E porque os exemplos mostram que o homem sem instrução não se torna mais que um bruto. 6. Temos exemplos de alguns que, raptados na infância pelas feras e crescidos no meio delas [1], nada mais sabiam que os brutos; mais ainda, com a língua, com as mãos e com os pés, não eram capazes de fazer nada de diverso daquilo que fazem os animais, a não ser que, de novo, tenham sido conservados, durante algum tempo, entre os homens. Aduzirei dois exemplos: por 1540, numa aldeia de Hessen, situada no meio de florestas, aconteceu que um menino de três anos, por incúria dos pais, se perdeu. Alguns anos depois, os camponeses viram correr, juntamente com os lobos, um animal de forma diferente, quadrúpede, mas com face semelhante à do homem; como, à força de se falar no caso, a novidade se espalhou, o chefe daquela aldeia
  • 51. Didática Magna de Comenius com comentários [ 51 ] ordenou-lhes que vissem se havia maneira de o prender vivo. Em conformidade com esta ordem, foi apanhado e conduzido ao chefe da aldeia, e finalmente enviado ao príncipe de Kassel. Introduzido na sala do príncipe, pôs- se a correr, fugiu, e foi esconder-se debaixo de um banco, olhando com ar ameaçador e lançando terríveis uivos. O príncipe fê-lo alimentar entre homens, e assim a fera começou, a pouco e pouco, a tornar-se mansa, depois a manter-se direita sobre os pés e a caminhar como os bípedes, finalmente a falar com inteligência e a agir como homem. E então, quanto podia recordar-se, contou que tinha sido raptado e alimentado pelos lobos, tendo-se depois habituado a andar à caça com eles. M. Dresser escreve esta história no livro De nova et antiqua disciplina [2] e recorda-a também Camerário nas suas Horas (t. I, Cap. 7) [3], acrescentando outra história parecida. Goularte, nas Maravilhas do nosso século, escreve que em França, em 1563, aconteceu que alguns nobres, andando à caça, e depois de haverem matado doze lobos, acabaram por apanhar, com um laço, um rapaz, de cerca de sete anos, nu, de pele amarelada e de cabeleira encrespada. Tinha as unhas aduncas como uma águia; não falava nenhuma língua, mas emitia uma espécie de mugido grosseiro. Conduzido a uma fortaleza, conseguiu- se com grande dificuldade metê-lo a ferros, de tal modo se tornara feroz; mas, submetido, durante alguns dias, às austeridades da fome, começou a amansar, e, dentro de sete meses, a falar. Levaram-no de cidade em cidade, para o apresentar como espetáculo, o que era fonte de grandes receitas para os seus proprietários. Finalmente, uma pobre mulher reconheceu-o como sendo seu filho [4]. Deste modo, vemos que é verdadeiro aquilo que Platão
  • 52. Didática Magna de Comenius com comentários [ 52 ] deixou escrito (Leis, livro 6): o homem é um animal cheio de mansidão e de essência divina, se é tornado manso por meio de uma verdadeira, educação; se, pelo contrário, não recebe nenhuma ou a recebe falsa, torna-se o mais feroz de todos os animais que a terra produz [5]. Têm necessidade de ensino: 1. os estúpidos e os inteligentes, 7. Estes fatos demonstram em geral, que a cultura é necessária a todos. Se agora lançarmos um olhar às diversas condições dos homens, verificamos o mesmo. Com efeito, quem poderá pôr em dúvida que os estúpidos tenham necessidade de instrução, para se libertarem da sua estupidez natural? Mas, na realidade, os inteligentes têm muito mais necessidade de instrução, porque a mente sutil, se não for ocupada em coisas úteis, ocupar-se-á ela mesma em coisas inúteis, frívolas e perniciosas. Com efeito, assim como um campo, quanto mais fértil é, tanto mais produz espinhos e cardos, assim também o engenho perspicaz está sempre cheio de pensamentos frívolos, a não ser que nele se semeiem as sementes da sabedoria e da virtude. E assim como, se à mó que gira não é fornecido o grão, de que é feita a farinha, ela se gasta a si mesma e inutilmente se enche de poeira, produzindo pó, com estrépito e fragor e ainda com o esfarelamento e a ruptura das partes, assim também o espírito ágil, se permanece privado de trabalhos sérios, mergulha inteiramente em coisas vãs, frívolas e nocivas, e será a causa da sua própria ruína. 2. os ricos e os pobres, 8. Que são os ricos sem sabedoria senão porcos engordados com farelo? Que são os pobres sem compreensão das coisas senão burros condenados a
  • 53. Didática Magna de Comenius com comentários [ 53 ] transportar a carga? Um homem formoso privado de cultura, que é senão um papagaio de plumagem brilhante ou, como disse alguém, uma baínha de ouro com uma espada de chumbo? [6] 3. aqueles que deverão ser postos à cabeça dos outros e aqueles que deverão ser súditos. 9. Aqueles que, alguma vez, deverão ser postos à cabeça dos outros, como os reis, os príncipes, os magistrados, os párocos e os doutores da Igreja devem embeber-se de sabedoria tão necessariamente como o guia dos viajantes deve ter olhos, o intérprete deve ter língua, a trombeta, som e a espada, gume. De modo semelhante, também os súditos devem ser esclarecidos, para que saibam obedecer prudentemente àqueles que governam sabiamente: não coagidamente, com uma sujeição asinina, mas voluntariamente, por amor da ordem. Com efeito, a criatura racional não deve ser conduzida por meio de gritos, de prisões e de bastonadas, mas pela razão. Se se procede de modo diverso, a ofensa redunda contra Deus que também neles depôs a sua imagem; e as coisas humanas estarão cheias, como de fato estão, de violências e de inquietação. Todos, portanto, sem nenhuma exceção. 10. Fique, portanto, assente que a todos aqueles que nasceram homens é necessária a educação, porque é necessário que sejam homens, não animais ferozes, nem animais brutos, nem troncos inertes. Daí se segue também que, quanto mais alguém é educado, mais se eleva acima dos outros. Seja, portanto, o Sábio a concluir este capítulo: «Aquele que não faz caso nenhum da sabedoria e do ensino é um infeliz, as suas esperanças
  • 54. Didática Magna de Comenius com comentários [ 54 ] são vãs (ou seja, espera em vão conseguir o seu fim), infrutuosas as suas fadigas e inúteis as suas obras» (Sabedoria, 3, 11). Capítulo VII A FORMAÇÃO DO HOMEM FAZ-SE COM MUITA FACILIDADE NA PRIMEIRA IDADE, E NÃO PODE FAZER-SE SENÃO NESSA IDADE O modo de desenvolver-se do homem é semelhante ao da planta. 1. Do que foi dito, é evidente que é semelhante a condição do homem e a da árvore. Efetivamente, da mesma maneira que uma árvore de fruto (uma macieira, uma pereira, uma figueira, uma videira) pode crescer por si e por sua própria virtude, mas, sendo brava, produz frutos bravos, e para dar frutos bons e doces tem necessariamente que ser plantada, regada e podada por um agricultor perito, assim também o homem, por virtude própria, cresce com feições humanas (como também qualquer animal bruto cresce com as suas feições próprias), mas não pode crescer animal racional, sábio, honesto e piedoso, se primeiramente nele se não plantam os gérmens da sabedoria, da honestidade e da piedade. Agora importa demonstrar que esta plantação deve ser feita enquanto as plantas são novas. A formação do homem deve começar com a primeira idade: 1. por causa da incerteza da vida presente.
  • 55. Didática Magna de Comenius com comentários [ 55 ] 2. Quanto aos homens, as razões fundamentais desta necessidade são seis. Em primeiro lugar, a incerteza da vida presente, da qual é certo que se tem de sair, mas é incerto onde e quando. O perigo de alguém ser surpreendido impreparado é tão grave que não se pode afastar. Com efeito, o tempo presente foi concedido para que, durante ele, o homem ganhe ou perca para sempre a graça de Deus. Efetivamente, assim como no útero da mãe o corpo do homem se forma, de tal maneira que, se algum de lá sai com qualquer membro a menos, necessariamente ficará sem ele durante toda a vida, assim também a alma, enquanto vivemos no corpo, de tal maneira se forma para o conhecimento e para a participação de Deus, que, se algum não consegue adquiri-la neste mundo, uma vez saído do corpo, já lhe não resta nem lugar nem tempo para fazer tal aquisição. Uma vez que, portanto, se trata aqui de um negócio de tão grande importância, convém fazê-lo o mais depressa possível, para que se não seja surpreendido pela morte, antes de o haver conduzido ao fim. 2. para que seja instruído naquilo que deve fazer nesta vida, antes de começar a fazê-lo. 3. Mas, mesmo que a morte não esteja iminente e se esteja seguro de uma vida muito longa, deve, todavia, começar-se a formação muito cedo, pois não deve passar-se a vida a aprender, mas a fazer. Convém, portanto, instruir-se, o mais cedo possível, naquilo que deve fazer-se nesta vida, a fim de não sermos obrigados a partir, antes de termos aprendido o que devemos fazer. Mesmo que fosse do agrado de alguém passar toda a vida a aprender, é infinita a multidão das coisas que o Criador das mesmas coisas fez objeto de especulação
  • 56. Didática Magna de Comenius com comentários [ 56 ] agradável, de tal maneira que se a alguém fosse concedida uma vida tão longa como a Nestor, teria sempre em que a empregar de modo muito útil, investigando os tesouros da sabedoria divina espalhados por toda a parte, e adquirindo com eles apoios para a vida eterna. Deve, portanto, desde cedo, abrir-se os sentidos do homem para a observação das coisas, pois, durante toda a sua vida, ele deve conhecer, experimentar e executar muitas coisas. 3. todas as coisas formam-se muito mais facilmente, enquanto são tenras. 4. É uma propriedade de todas as coisas que nascem o fato de, enquanto são tenras, se poderem facilmente dobrar e formar, mas, uma vez endurecidas, já não obedecem. A cera mole deixa-se amassar e modelar, mas, endurecida, quebra mais facilmente. Uma arvorezinha deixa-se plantar, transplantar, podar, dobrar para aqui ou para ali, mas uma árvore já crescida de modo algum. Assim, quem quer fazer um vencelho, deve tomar um ramo verde e novo, pois não pode ser torcido um que seja velho, seco e nodoso. De ovos frescos, chocados, nascem no devido tempo os pintainhos, os quais, em vão se esperariam, de ovos ressessos. O carroceiro ensina o cavalo, o lavrador o boi, o caçador o cão e o falcão a trabalhar (assim como o homem de circo ensina o urso a bailar, e a bruxa ensina a pega, o corvo, e o papagaio a falar), mas escolhem aqueles que são muito novos, pois, se tomam os que são já velhos, perdem o tempo. Também o homem. 5. Evidentemente, estes resultados obtêm-se, da mesma maneira, no homem cujo cerebro (que, como
  • 57. Didática Magna de Comenius com comentários [ 57 ] atras dissemos, é semelhante à cera, recebendo as imagens das coisas que lhe são transmitidas pelos sentidos), na idade infantil, é inteiramente húmido e mole e apto a receber todas as figuras que se lhe apresentam; mas depois, pouco a pouco, seca e endurece, de tal modo que nele mais dificilmente se imprimem ou esculpem as coisas, como a experiência demonstra. Daqui, a seguinte afirmação de Cícero: «as crianças apreendem rapidamente inúmeras coisas» [1]. Assim também as nossas mãos e os nossos outros membros não podem exercitar-se nas artes e nos ofícios senão nos anos da infância, em que os nervos estão tenros. Se alguém quer vir a ser bom escrivão, pintor, alfaiate, ferreiro, músico, etc., deve aplicar-se ao seu ofício desde os primeiros anos, enquanto a imaginação é ágil e os dedos flexíveis; de outro modo, nunca fará nada de bom. De modo semelhante, portanto, se se quer que a piedade lance raízes no coração de alguém, importa plantá-la nos primeiros anos; se se deseja que alguém se torne um modelo de apurada moralidade, é necessário habituá-lo aos bons costumes desde tenra idade; a quem deve fazer grandes progressos no estudo da sabedoria, importa abrir-lhe os sentidos para todas as coisas, nos primeiros anos, enquanto o seu ardor é vivo, o engenho rápido e a memória tenaz. «É coisa torpe e ridícula um velho sentado nos bancos da escola primária: ao jovem compete preparar-se; ao velho realizar-se», escreve Sêneca, na Carta, 36 [2]. 4. Ao homem foi dado um longo espaço de tempo para se formar, o qual não deve ser gasto noutras coisas. 6. Para que o homem pudesse formar-se «ad humanitatem», Deus concedeu-lhe os anos da juventude,
  • 58. Didática Magna de Comenius com comentários [ 58 ] durante os quais, sendo inábil para outras coisas, fosse apto apenas para a sua formação. É certo, com efeito, que o cavalo, o boi, o elefante e todos os outros animais, de qualquer tamanho, em um ano ou dois, atingem uma estatura perfeita; o homem, porém, só o consegue em vinte ou trinta anos. Se algum, porém, julgar ter chegado a essa estatura perfeita por um mero acaso ou devido a quaisquer causas segundas, certamente despertará admiração. A todas as outras coisas, Deus fixou uma medida; só ao homem, senhor das coisas, permitiu passar o seu tempo ao acaso? Ou pensaremos que, relativamente ao homem, Deus tenha concedido à natureza a graça de proceder a passo lento, a fim de que mais facilmente possa realizar a sua formação? Ora, sem nenhuma fadiga, em alguns meses, ela forma corpos maiores. Não resta, portanto, nenhuma outra hipótese senão que o nosso Criador, com ânimo deliberado, se dignou conceder-nos a graça de retardar o nosso desenvolvimento, para que fosse mais longo o espaço de tempo para nos dedicarmos ao estudo; e tornar-nos, durante tanto tempo, inábeis para os negócios econômicos e políticos, para que, durante o restante tempo da vida (e também na eternidade), nos tornássemos mais hábeis nesses assuntos. 5. Permanece firme somente aquilo de que se embebe a primeira idade. 7. No homem, só é firme e estável aquilo de que se embebe a primeira idade; o que é evidente pelos mesmos exemplos. Um vaso de barro conserva, até que se quebre, o odor daquilo com que foi enchido quando era novo [3]. Uma árvore, da maneira como, ainda tenrinha, estendeu os ramos para cima ou para baixo, para este ou
  • 59. Didática Magna de Comenius com comentários [ 59 ] para aquele lado, assim os mantém durante cem anos, enquanto a não cortarem. A lã conserva tão tenazmente a primeira cor de que se embebeu que não há perigo de que desbote. Os arcos de uma roda, depois de endurecidos, fazem-se mais facilmente em mil pedaços do que voltam a ficar direitos. Do mesmo modo, no homem, as primeiras impressões estampam-se de tal maneira que é um autêntico milagre fazê-las tomar nova forma; por isso, é de aconselhar que elas sejam modeladas logo nos primeiros anos da vida, segundo as verdadeiras normas da sabedoria. [Didática Magna, livro publicado em 1649, o autor protestante assevera com clareza que a metodologia de ensino deve assumir a condução das ações do professor nas instituições escolares.] 6. Não educar bem é uma coisa sumamente perigosa. 8. Finalmente, é uma coisa sumamente perigosa não embeber o homem, logo desde os primeiros anos, dos preceitos salutares à vida. Com efeito, porque a alma humana, apenas os sentidos externos começam a desempenhar o seu papel, de modo algum pode estar quieta, também já não pode abster-se, se não está já ocupada em coisas úteis, de se ocupar em coisas vãs de toda a espécie, e até (dados os maus exemplos do nosso século corrupto) também em coisas prejudiciais, que depois é impossível ou muito difícil desaprender, como advertimos já. Por isso, o mundo está cheio de
  • 60. Didática Magna de Comenius com comentários [ 60 ] enormidades, para fazer cessar as quais não bastam nem os magistrados políticos nem os ministros da Igreja, enquanto se não trabalhar seriamente para estancar as primeiras fontes do mal. Conclusão. 9. Portanto, na medida em que a cada um interessa a salvação dos seus próprios filhos, e àqueles que presidem às coisas humanas, no governo político e eclesiástico, interessa a salvação do gênero humano, apressem-se a providenciar para que, desde cedo, as plantazinhas do céu comecem a ser plantadas, podadas e regadas, e a ser prudentemente formadas, para alcançarem eficazes progressos nos estudos, nos costumes e na piedade. CAPÍTULO VIII É NECESSÁRIO, AO MESMO TEMPO, FORMAR A JUVENTUDE E ABRIR ESCOLAS O cuidado dos filhos diz respeito propriamente aos pais. 1. Demonstrado que as plantazinhas do paraíso, ou seja, a juventude cristã, não podem crescer à maneira de uma selva, mas precisam de cuidados, vejamos agora a quem incumbe esses cuidados. Naturalíssimamente, isso compete aos pais, de tal maneira que, assim como foram os autores da vida, sejam também os autores de uma vida racional, honesta e santa. Que para Abraão isso
  • 61. Didática Magna de Comenius com comentários [ 61 ] fosse uma obrigação solene, atesta-o Deus: «Porque eu sei que há-de ordenar a seus filhos e à sua casa, depois dele, que guardem os caminhos do Senhor, e que pratiquem a equidade e a justiça» (Gênesis, 18, 19). A mesma coisa exige Deus dos pais, em geral, ao ordenar: «Esforçar-te-ás por ensinar aos teus filhos as minhas palavras e falar-lhes-ás delas quando estiveres sentado em tua casa e quando andares pelos caminhos, quando fores para a cama e quando te levantares» (Deuteronômio, 6, 7). E pela boca do Apóstolo: «Vós, pais, não provoqueis à ira os vossos filhos, mas educai-os na disciplina e nas instruções do Senhor» (Efésios, 6, 4). São-lhes dados, todavia, como auxiliares, os professores das escolas. 2. Todavia, porque, tendo-se multiplicado tanto os homens como os afazeres humanos, são raros os pais que, ou saibam, ou possam, ou pelas muitas ocupações, tenham tempo suficiente para se dedicarem a educação de seus filhos, desde há muito, por salutar conselho [1], se introduziu o costume de muitos, em conjunto, conconfiarem a educação de seus filhos a pessoas escolhidas, notáveis pela sua inteligência e pela pureza dos seus costumes. A esses formadores da juventude, é costume dar o nome de preceptores, mestres, mestres- escola e professores; os locais destinados a esses exercícios comuns recebem o nome de escolas, institutos, auditórios, colégios, ginásios, academias, etc. Origem e desenvolvimento das escolas. 3. José atesta [2] que o primeiro a abrir escola, imediatamente a seguir ao Dilúvio, foi o patriarca Sem, a qual depois foi chamada escola judaica. E quem não sabe que na Caldéia, principalmente na Babilônia, havia
  • 62. Didática Magna de Comenius com comentários [ 62 ] numerosas escolas, onde se cultivavam tanto outras ciências e artes como a astronomia? É sabido, com efeito, que, depois (no tempo de Nabucodonosor), nessa sabedoria dos Caldeus foram instruídos Daniel e os seus companheiros (Daniel, 1, 20). Havia-as também no Egito, onde foi educado Moisés (Atos dos Apóstolos, 7, 22). No povo de Israel, por ordem de Deus, em todas as cidades foram construídas escolas, chamadas sinagogas, onde os levitas ensinavam a Lei, as quais duraram até ao tempo de Cristo, tornando-se célebres pela pregação d’Ele e dos Apóstolos. Dos egípcios, os gregos, e destes, os romanos receberam o costume de fundar escolas; a partir dos romanos, espalhou-se o louvável costume de abrir escolas por todo o Império, principalmente, após a propagação da religião de Cristo, pela solicitude fiel de príncipes e bispos piedosos. Acerca de Carlos Magno, atesta a história que, à medida que ia submetendo cada povo pagão, logo lhe enviava bispos e professores, e erigia templos e escolas. Seguiram o seu exemplo outros imperadores cristãos, reis, príncipes e governadores de cidades; e de tal modo aumentaram o número das escolas que estas se tornaram inumeráveis. Explica-se que, finalmente, devem ser abertas escolas por toda a parte. 4. Que este santo costume se deve, não apenas manter, mas até aumentar, interessa a toda a Cristandade, a fim de que em toda e qualquer comunidade de homens bem ordenada (quer seja cidade, ou vila ou aldeia), se construa uma escola para a educação comum da juventude. Exige-o, com efeito: 1. o decoro da ordem que deve ser observada por toda a parte,
  • 63. Didática Magna de Comenius com comentários [ 63 ] 5. A ordem louvável das coisas. Com efeito, se um pai de família não tem disponibilidade para fazer tudo o que a administração dos negócios domésticos exige, mas se serve de vários empregados, porque não há-de fazer o mesmo no nosso caso? Na verdade, quando ele tem necessidade de farinha, dirige-se ao moleiro; quando tem necessidade de carne, ao carniceiro; quando tem necessidade de bebidas, ao taberneiro; quando tem necessidade de um fato, ao alfaiate; quando tem necessidade de calçado, ao sapateiro; quando tem necessidade de uma casa, de uma relha do arado, de um prego, etc., dirige-se ao marceneiro, ao pedreiro, ao ferreiro, etc. Uma vez que, para instruir os adultos na religião, temos os templos; para discutir as causas em litígio, e para convocar o povo e para o informar acerca das coisas necessárias, temos os tribunais e os parlamentos, porque não havemos de ter escolas para a juventude? Além disso, nem sequer os camponeses apascentam, cada um por si, os seus porcos e as suas vacas, mas contratam pastores assalariados que servem ao mesmo tempo a todos, dedicando-se eles, entretanto, com menos distrações, aos seus outros negócios. Na verdade, há uma grande economia de fadiga e de tempo, quando uma só pessoa faz uma só coisa, sem ser distraída por outras coisas; deste modo, com efeito, uma só pessoa pode servir utilmente a muitas, e muitas podem servir a uma só. 2. a necessidade, 6. Em segundo lugar, a necessidade. Porque, com efeito, raramente os pais estão preparados para educar bem os filhos, ou raramente dispõem de tempo para isso, daí se segue como conseqüência que deve
  • 64. Didática Magna de Comenius com comentários [ 64 ] haver pessoas que façam apenas isso como profissão e desse modo sirvam a toda a comunidade. Ioannes Amos Comenius; 28 de março de 1592 – 15 de novembro de 1670) foi um filósofo morávio , pedagogo e teólogo considerado o pai da educação moderna. Ele serviu como o último bispo da Unidade dos Irmãos antes de se tornar um refugiado religioso e um dos primeiros defensores da educação universal, um conceito eventualmente apresentado em seu livro Didática Magna. Como educador e teólogo, dirigiu escolas e aconselhou governos em toda a Europa protestante em meados do século XVII. [b] 3. a utilidade, 7. E mesmo que não faltassem pais a quem fosse possível dedicar-se inteiramente à educação dos seus filhos, seria, todavia, muito melhor educar a juventude em conjunto, num grupo maior, porque, sem dúvida, o fruto e o prazer do trabalho é maior, quando uns recebem exemplo e incitamento de outros. Com efeito, é naturalíssimo fazer o que fazem os outros, ir onde vemos ir os outros, seguir os que vão à frente e ir à frente dos que vêm atrás. Aberto o curral, tanto melhor corre o forte cavalo, quanto tem a quem passar à frente e a quem seguir [3]. Além disso, a idade infantil conduz-se e governa- se muito melhor com exemplos que com regras. Se se lhe ordena alguma coisa, pouco se interessará; se se lhe
  • 65. Didática Magna de Comenius com comentários [ 65 ] mostra os outros a fazer alguma coisa, imitá-los-á, mesmo que lho não ordenem. 4. os exemplos constantes da natureza 8. Finalmente, a natureza dá-nos, por toda a parte, o exemplo de que aquelas coisas que devem crescer abundantemente devem ser criadas em um só lugar. Assim, as árvores nas florestas, as ervas nos campos, os peixes nas águas, os metais nas profundidades da terra, etc., nascem em grupos. E isso de tal maneira que, em geral, a floresta que produz pinheiros ou cedros ou carvalhos, produ-los abundantemente, enquanto que as outras espécies de árvores nela se não desenvolvem igualmente bem; a terra que produz ouro, não produz, com a mesma abundância, os outros metais. Todavia, aquilo que queremos dizer encontra-se ainda mais bem expresso no nosso corpo, onde é necessário que cada membro receba uma parte do alimento que se toma, e todavia não se dá a cada um a sua porção ainda crua para que a prepare e adapte a si, mas há determinados membros, que são como que oficinas destinadas a esse trabalho, os quais, para utilidade de todo o corpo, recebem os alimentos, fazem- nos fermentar, digerem-nos e, finalmente, distribuem o alimento assim preparado pelos outros membros. Assim, o estômago forma o quilo, o fígado o sangue, o coração o espírito vital, e o cérebro o espírito animal, os quais, já preparados, difundem-se facilmente por todos os membros e conservam agradavelmente a vida em todo o corpo. Porque é que, portanto, não se há-de crer que, do mesmo modo que as oficinas reforçam e regulam os trabalhos, os templos a piedade, os tribunais a justiça, assim também as escolas produzem, depuram e
  • 66. Didática Magna de Comenius com comentários [ 66 ] multiplicam a luz da sabedoria e a distribuem a todo o corpo da comunidade humana? 5. e da arte 9. Finalmente, nas coisas artificiais, todas as vezes que se procede racionalmente, observamos o mesmo. É certo que o sivicultor, girando pelas florestas e pelos pinhais, não planta os mergulhões por toda a parte onde os encontra próprios para a plantação, mas arranca- os e transporta-os para um viveiro e trata-os juntamente com centenas de outros. Do mesmo modo, quem se ocupa em multiplicar os peixes para uso da cozinha, constrói um viveiro, onde os faz multiplicar, todos juntos, aos milhares. E quanto maior é a plantação, tanto melhor costumam crescer as plantas; e quanto maior é o viveiro, tanto maiores se tornam os peixes. Ora, assim como se devem fazer viveiros para os peixes e plantações para as plantas, assim se devem construir escolas para a juventude. CAPÍTULO 09 AO 11 CAPÍTULO IX TODA A JUVENTUDE DE AMBOS OS SEXOS DEVE SER ENVIADA ÀS ESCOLAS As escolas devem ser asilos comuns da juventude.
  • 67. Didática Magna de Comenius com comentários [ 67 ] 1. Que devem ser enviados às escolas não apenas os filhos dos ricos ou dos cidadãos principais, mas todos por igual, nobres e plebeus, ricos e pobres, rapazes e raparigas, em todas as cidades, aldeias e casais isolados, demonstram-no as razões seguintes: [Veja que estamos no século XVI e Comenius já defendia que meninos e meninas deviam ir para a escola estudarem. O protestantismo ao contrario do catolicismo e do islamismo coloca a mulher em uma condição social mais honrosa e procura dar-lhe melhor qualidade de vida.] 1. Por que todos devem ser reformados à imagem de Deus. 2. Em primeiro lugar, todos aqueles que nasceram homens, nasceram para o mesmo fim principal, para serem homens, ou seja, criatura racional, senhora das outras criaturas, imagem verdadeira do seu Criador. Todos, por isso, devem ser encaminhados de modo que, embebidos seriamente do saber, da virtude e da religião, passem utilmente a vida presente e se preparem dignamente para a futura. Que, perante Deus, não há pessoas privilegiadas, Ele próprio o afirma constantemente [1]. Portanto, se nós admitimos à cultura do espírito apenas alguns, excluíndo os outros, fazemos injúria, não só aos que participam conosco da mesma natureza, mas também ao próprio Deus, que quer ser conhecido, amado e louvado por todos aqueles em quem imprimiu a sua imagem. E isso será feito com tanto mais fervor, quanto mais acesa estiver a luz do conhecimento: ou seja, amamos tanto mais, quanto mais conhecemos [2].