SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 19
CECÍLIA MEIRELES, em "Retrato
Natural" (1949)
E minha alma, sem luz nem
tenda,
passa errante, na noite má,
à procura de quem me entenda
e de quem me consolará...
Nome:
Cecília Meireles
Nascimento:
07/11/1901
Natural:
Rio de Janeiro - RJ
Morte:
09/11/1964
"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro,
três
meses depois da morte de meu pai, e
perdi
minha mãe antes dos três anos. Essas
e outras
mortes ocorridas na família acarretaram
muitos contratempos materiais, mas, ao
mesmo tempo, me deram, desde
pequenina,
uma tal intimidade com a Morte que
docemente aprendi essas relações
entre o
Efêmero e o Eterno.
(...) Em toda a vida, nunca me esforcei
por
ganhar nem me espantei por perder. A
noção
ou o sentimento da transitoriedade de
tudo é o
LUA ADVERSA
Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia, o outro
desapareceu...
(...) Minha infância de menina sozinha
deu-me
duas coisas que parecem negativas, e
foram
sempre positivas para mim: silêncio e
solidão.
Área mágica, onde os caleidoscópios
inventaram fabulosos mundos
geométricos,
onde os relógios revelaram o segredo
do seu
mecanismo, e as bonecas o jogo do
seu olhar.
Despedida
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.
Mais tarde foi nessa área que os livros se
abriram, e deixaram sair suas realidades
e seus
sonhos, em combinação tão harmoniosa
que
até hoje não compreendo como se possa
estabelecer uma separação entre esses
dois
tempos de vida, unidos como os fios de
um
pano."
Serenata
Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de
origem
[divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu
[maior que este
mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as
CANÇÃO DE OUTONO
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
SONETO ANTIGO
Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo.
Toda a minha experiência, o meu estudo,
sou eu mesma que, em solidão paciente,
recolho do que em mim observo e escuto
muda lição, que ninguém mais entende.
O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
caminhos invisíveis por onde ando.
Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento.
Canção do Sonho
Acabado
Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.
Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram fantasia...
Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.
Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu
pude:
Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso
pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.
PANORAMA ALÉM
Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de
nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
A bailarina
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras
crianças.
BIOGRAFIA DA POETISA CECILIA MEIRELES.pptx
BIOGRAFIA DA POETISA CECILIA MEIRELES.pptx

Mais conteúdo relacionado

Semelhante a BIOGRAFIA DA POETISA CECILIA MEIRELES.pptx

Pinturas E Poesias
Pinturas E  PoesiasPinturas E  Poesias
Pinturas E Poesiasguestbe4900
 
Calendário junho 2010_rosely
Calendário junho 2010_roselyCalendário junho 2010_rosely
Calendário junho 2010_roselyGisele Santos
 
Figuras De Linguagem
Figuras De LinguagemFiguras De Linguagem
Figuras De LinguagemAngela Santos
 
Calendário julho 2010_rosely
Calendário julho 2010_roselyCalendário julho 2010_rosely
Calendário julho 2010_roselyGisele Santos
 
Pinturase Poesias
Pinturase PoesiasPinturase Poesias
Pinturase Poesiastaigua
 
FIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEMFIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEMAngela Santos
 
Jornal íntimo mariajoaofranco poemas
Jornal íntimo mariajoaofranco poemasJornal íntimo mariajoaofranco poemas
Jornal íntimo mariajoaofranco poemasMaria Franco
 
Poucas palavras
Poucas palavrasPoucas palavras
Poucas palavrasovelhaleal
 
OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)
OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)
OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)Mirian Souza
 
Calendário Mensal: Outubro 2010
Calendário Mensal: Outubro 2010Calendário Mensal: Outubro 2010
Calendário Mensal: Outubro 2010Gisele Santos
 
Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem 144porhora
 
Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)
Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)
Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)Maria Sobral Mendonça
 
Poemas Ilustrados
Poemas IlustradosPoemas Ilustrados
Poemas Ilustradosvales
 

Semelhante a BIOGRAFIA DA POETISA CECILIA MEIRELES.pptx (20)

Pinturas E Poesias
Pinturas E  PoesiasPinturas E  Poesias
Pinturas E Poesias
 
Calendário junho 2010_rosely
Calendário junho 2010_roselyCalendário junho 2010_rosely
Calendário junho 2010_rosely
 
Filipa Duarte
Filipa Duarte Filipa Duarte
Filipa Duarte
 
Figuras De Linguagem
Figuras De LinguagemFiguras De Linguagem
Figuras De Linguagem
 
ESCRITOS
ESCRITOSESCRITOS
ESCRITOS
 
Calendário julho 2010_rosely
Calendário julho 2010_roselyCalendário julho 2010_rosely
Calendário julho 2010_rosely
 
Pinturase Poesias
Pinturase PoesiasPinturase Poesias
Pinturase Poesias
 
Claro enigma
Claro enigmaClaro enigma
Claro enigma
 
FIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEMFIGURAS DE LINGUAGEM
FIGURAS DE LINGUAGEM
 
Pinturas poesias
Pinturas poesiasPinturas poesias
Pinturas poesias
 
Jornal íntimo mariajoaofranco poemas
Jornal íntimo mariajoaofranco poemasJornal íntimo mariajoaofranco poemas
Jornal íntimo mariajoaofranco poemas
 
Pinturas poesias
Pinturas poesiasPinturas poesias
Pinturas poesias
 
Poucas palavras
Poucas palavrasPoucas palavras
Poucas palavras
 
OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)
OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)
OFICINA DE POEMAS (POWER POINT, WORD E INTERNET)
 
Calendário Mensal: Outubro 2010
Calendário Mensal: Outubro 2010Calendário Mensal: Outubro 2010
Calendário Mensal: Outubro 2010
 
Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem Figuras de Linguagem
Figuras de Linguagem
 
Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)
Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)
Exposição: "O Branco No Branco" (Exhibition: White on White)
 
11
1111
11
 
Poemas de Josef
Poemas de JosefPoemas de Josef
Poemas de Josef
 
Poemas Ilustrados
Poemas IlustradosPoemas Ilustrados
Poemas Ilustrados
 

Mais de Marlene Cunhada

Variação linguística - edição 2021.pptx
Variação linguística  - edição 2021.pptxVariação linguística  - edição 2021.pptx
Variação linguística - edição 2021.pptxMarlene Cunhada
 
3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptx
3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptx3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptx
3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptxMarlene Cunhada
 
Oracoes subordinadas substantivas.pptx
Oracoes  subordinadas  substantivas.pptxOracoes  subordinadas  substantivas.pptx
Oracoes subordinadas substantivas.pptxMarlene Cunhada
 
VARIEDADES LINGUÍSTICAS - 1. pptx
VARIEDADES        LINGUÍSTICAS - 1. pptxVARIEDADES        LINGUÍSTICAS - 1. pptx
VARIEDADES LINGUÍSTICAS - 1. pptxMarlene Cunhada
 
reading Comprehension TOM AND HELEN.docx
reading Comprehension TOM AND HELEN.docxreading Comprehension TOM AND HELEN.docx
reading Comprehension TOM AND HELEN.docxMarlene Cunhada
 
Luiz Vaz de Camoes - Vida-e-Obra .ppt
Luiz  Vaz  de  Camoes - Vida-e-Obra .pptLuiz  Vaz  de  Camoes - Vida-e-Obra .ppt
Luiz Vaz de Camoes - Vida-e-Obra .pptMarlene Cunhada
 
1º ANO - VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptx
1º ANO -       VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptx1º ANO -       VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptx
1º ANO - VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptxMarlene Cunhada
 
Luis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.ppt
Luis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.pptLuis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.ppt
Luis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.pptMarlene Cunhada
 
LINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.ppt
LINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.pptLINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.ppt
LINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.pptMarlene Cunhada
 
SLIDES SOBRE Figuras de linguagem.pptx
SLIDES SOBRE   Figuras de linguagem.pptxSLIDES SOBRE   Figuras de linguagem.pptx
SLIDES SOBRE Figuras de linguagem.pptxMarlene Cunhada
 
GENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptx
GENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptxGENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptx
GENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptxMarlene Cunhada
 
Slide JOSE - POETA CARLOS DRUMMOND.pptx
Slide JOSE - POETA  CARLOS DRUMMOND.pptxSlide JOSE - POETA  CARLOS DRUMMOND.pptx
Slide JOSE - POETA CARLOS DRUMMOND.pptxMarlene Cunhada
 
2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASIL
2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASIL2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASIL
2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASILMarlene Cunhada
 
2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptx
2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptx2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptx
2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptxMarlene Cunhada
 
1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdf
1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdf1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdf
1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdfMarlene Cunhada
 
mothers-day-activity_69385.doc
mothers-day-activity_69385.docmothers-day-activity_69385.doc
mothers-day-activity_69385.docMarlene Cunhada
 
family-fun-activities-games_37955.doc
family-fun-activities-games_37955.docfamily-fun-activities-games_37955.doc
family-fun-activities-games_37955.docMarlene Cunhada
 
colors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docx
colors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docxcolors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docx
colors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docxMarlene Cunhada
 
9º ANO - reading-comprehension.doc
9º ANO - reading-comprehension.doc9º ANO - reading-comprehension.doc
9º ANO - reading-comprehension.docMarlene Cunhada
 

Mais de Marlene Cunhada (20)

Variação linguística - edição 2021.pptx
Variação linguística  - edição 2021.pptxVariação linguística  - edição 2021.pptx
Variação linguística - edição 2021.pptx
 
3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptx
3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptx3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptx
3 2 - termos-integrantes-da-oracao-.pptx
 
Oracoes subordinadas substantivas.pptx
Oracoes  subordinadas  substantivas.pptxOracoes  subordinadas  substantivas.pptx
Oracoes subordinadas substantivas.pptx
 
VARIEDADES LINGUÍSTICAS - 1. pptx
VARIEDADES        LINGUÍSTICAS - 1. pptxVARIEDADES        LINGUÍSTICAS - 1. pptx
VARIEDADES LINGUÍSTICAS - 1. pptx
 
reading Comprehension TOM AND HELEN.docx
reading Comprehension TOM AND HELEN.docxreading Comprehension TOM AND HELEN.docx
reading Comprehension TOM AND HELEN.docx
 
Luiz Vaz de Camoes - Vida-e-Obra .ppt
Luiz  Vaz  de  Camoes - Vida-e-Obra .pptLuiz  Vaz  de  Camoes - Vida-e-Obra .ppt
Luiz Vaz de Camoes - Vida-e-Obra .ppt
 
1º ANO - VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptx
1º ANO -       VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptx1º ANO -       VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptx
1º ANO - VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.pptx
 
Luis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.ppt
Luis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.pptLuis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.ppt
Luis - Vaz - de - Camoes-Vida-e-Obra.ppt
 
LINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.ppt
LINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.pptLINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.ppt
LINGUA PORTUGUESA - Analise-Sintatica.ppt
 
SLIDES SOBRE Figuras de linguagem.pptx
SLIDES SOBRE   Figuras de linguagem.pptxSLIDES SOBRE   Figuras de linguagem.pptx
SLIDES SOBRE Figuras de linguagem.pptx
 
GENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptx
GENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptxGENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptx
GENEROS_LITERARIOS_ANGELICA_SOARES_1.pptx
 
Slide JOSE - POETA CARLOS DRUMMOND.pptx
Slide JOSE - POETA  CARLOS DRUMMOND.pptxSlide JOSE - POETA  CARLOS DRUMMOND.pptx
Slide JOSE - POETA CARLOS DRUMMOND.pptx
 
2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASIL
2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASIL2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASIL
2º ANO MATUTINO - PARNASIANISMO NO BRASIL
 
2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptx
2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptx2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptx
2ª FASE MODERNISTA [Salvo automaticamente].pptx
 
1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdf
1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdf1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdf
1-¦-ano-M-PORTUGUèS-ativ.-08-Conto-de-humor.pdf
 
VERB TO BE.docx
VERB TO BE.docxVERB TO BE.docx
VERB TO BE.docx
 
mothers-day-activity_69385.doc
mothers-day-activity_69385.docmothers-day-activity_69385.doc
mothers-day-activity_69385.doc
 
family-fun-activities-games_37955.doc
family-fun-activities-games_37955.docfamily-fun-activities-games_37955.doc
family-fun-activities-games_37955.doc
 
colors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docx
colors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docxcolors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docx
colors-crossword-crosswords-fun-activities-games_78612.docx
 
9º ANO - reading-comprehension.doc
9º ANO - reading-comprehension.doc9º ANO - reading-comprehension.doc
9º ANO - reading-comprehension.doc
 

Último

Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEEdital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEblogdoelvis
 
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdfHistória concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdfGisellySobral
 
5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptx
5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptx5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptx
5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptxnelsontobontrujillo
 
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º anoNós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º anoIlda Bicacro
 
O que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaO que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaHenrique Santos
 
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autoresModelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autoresAna Isabel Correia
 
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptxSlides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...Eró Cunha
 
Apresentação sobre Robots e processos educativos
Apresentação sobre Robots e processos educativosApresentação sobre Robots e processos educativos
Apresentação sobre Robots e processos educativosFernanda Ledesma
 
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdfSQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdfAndersonW5
 
Acróstico - Maio Laranja
Acróstico  - Maio Laranja Acróstico  - Maio Laranja
Acróstico - Maio Laranja Mary Alvarenga
 
Tema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdf
Tema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdfTema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdf
Tema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdfAnaAugustaLagesZuqui
 
Power Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantil
Power Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantilPower Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantil
Power Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantilMariaHelena293800
 
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoO Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoVALMIRARIBEIRO1
 
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptxAspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptxprofbrunogeo95
 
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdfLindinhaSilva1
 
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - materialFUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - materialDouglasVasconcelosMa
 
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisNós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisIlda Bicacro
 
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024azulassessoria9
 

Último (20)

Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PEEdital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
Edital do processo seletivo para contratação de agentes de saúde em Floresta, PE
 
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdfHistória concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
História concisa da literatura brasileira- Alfredo Bosi..pdf
 
5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptx
5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptx5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptx
5. EJEMPLOS DE ESTRUCTURASQUINTO GRADO.pptx
 
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º anoNós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
 
O que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de InfânciaO que é, de facto, a Educação de Infância
O que é, de facto, a Educação de Infância
 
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autoresModelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
Modelos de Inteligencia Emocional segundo diversos autores
 
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptxSlides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
Slides Lição 07, Central Gospel, As Duas Testemunhas Do Final Dos Tempos.pptx
 
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...Regulamento do Festival de Teatro Negro -  FESTIAFRO 2024 - 10ª edição -  CEI...
Regulamento do Festival de Teatro Negro - FESTIAFRO 2024 - 10ª edição - CEI...
 
Poema - Aedes Aegypt.
Poema - Aedes Aegypt.Poema - Aedes Aegypt.
Poema - Aedes Aegypt.
 
Apresentação sobre Robots e processos educativos
Apresentação sobre Robots e processos educativosApresentação sobre Robots e processos educativos
Apresentação sobre Robots e processos educativos
 
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdfSQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
SQL Parte 1 - Criação de Banco de Dados.pdf
 
Acróstico - Maio Laranja
Acróstico  - Maio Laranja Acróstico  - Maio Laranja
Acróstico - Maio Laranja
 
Tema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdf
Tema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdfTema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdf
Tema de redação - A prática do catfish e seus perigos.pdf
 
Power Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantil
Power Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantilPower Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantil
Power Point sobre as etapas do Desenvolvimento infantil
 
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhosoO Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
O Reizinho Autista.pdf - livro maravilhoso
 
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptxAspectos históricos da educação dos surdos.pptx
Aspectos históricos da educação dos surdos.pptx
 
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
4 ano atividade fonema e letra 08.03-1.pdf
 
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - materialFUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
FUNDAMENTOS DA PSICOPEDAGOGIA - material
 
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos AnimaisNós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
Nós Propomos! Canil/Gatil na Sertã - Amigos dos Animais
 
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
ATIVIDADE 1 - ENF - ENFERMAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS - 52_2024
 

BIOGRAFIA DA POETISA CECILIA MEIRELES.pptx

  • 1. CECÍLIA MEIRELES, em "Retrato Natural" (1949) E minha alma, sem luz nem tenda, passa errante, na noite má, à procura de quem me entenda e de quem me consolará... Nome: Cecília Meireles Nascimento: 07/11/1901 Natural: Rio de Janeiro - RJ Morte: 09/11/1964
  • 2. "Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.
  • 3. (...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o
  • 4. LUA ADVERSA Tenho fases, como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha. Fases que vão e vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso. E roda a melancolia seu interminável fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...
  • 5. (...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão.
  • 6. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar.
  • 7. Despedida Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão, deixo o mar bravo e o céu tranquilo: quero solidão. Meu caminho é sem marcos nem paisagens. E como o conheces? - me perguntarão. - Por não ter palavras, por não ter imagens. Nenhum inimigo e nenhum irmão. Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada. Viajo sozinha com o meu coração. Não ando perdida, mas desencontrada. Levo o meu rumo na minha mão. A memória voou da minha fronte. Voou meu amor, minha imaginação... Talvez eu morra antes do horizonte. Memória, amor e o resto onde estarão? Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra. (Beijo-te, corpo meu, todo desilusão! Estandarte triste de uma estranha guerra...) Quero solidão.
  • 8. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
  • 9. Serenata Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde! Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te. Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinha. Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem [divina. Permita que eu volte o meu rosto para um céu [maior que este mundo, e aprenda a ser dócil no sonho como as
  • 10. CANÇÃO DE OUTONO Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti. Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi. De que serviu tecer flores pelas areias do chão, se havia gente dormindo sobre o próprio coração? E não pude levantá-la! Choro pelo que não fiz. E pela minha fraqueza é que sou triste e infeliz. Perdoa-me, folha seca! Meus olhos sem força estão velando e rogando àqueles que não se levantarão... Tu és a folha de outono voante pelo jardim. Deixo-te a minha saudade - a melhor parte de mim. Certa de que tudo é vão. Que tudo é menos que o vento, menos que as folhas do chão...
  • 11. SONETO ANTIGO Responder a perguntas não respondo. Perguntas impossíveis não pergunto. Só do que sei de mim aos outros conto: de mim, atravessada pelo mundo. Toda a minha experiência, o meu estudo, sou eu mesma que, em solidão paciente, recolho do que em mim observo e escuto muda lição, que ninguém mais entende. O que sou vale mais do que o meu canto. Apenas em linguagem vou dizendo caminhos invisíveis por onde ando. Tudo é secreto e de remoto exemplo. Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo. E todos somos pura flor de vento.
  • 12. Canção do Sonho Acabado Já tive a rosa do amor - rubra rosa, sem pudor. Cobicei, cheirei, colhi. Mas ela despetalou E outra igual, nunca mais vi. Já vivi mil aventuras, Me embriaguei de alegria! Mas os risos da ventura, No limiar da loucura, Se tornaram fantasia... Já almejei felicidade, Mãos dadas, fraternidade, Um ideal sem fronteiras - utopia! Voou ligeira, Nas asas da liberdade. Desejei viver. Demais! Segurar a juventude, Prender o tempo na mão, Plantar o lírio da paz! Mas nem mesmo isto eu pude: Tentei, porém nada fiz... Muito, da vida, eu já quis.
  • 13. Sou entre flor e nuvem, estrela e mar. Por que havemos de ser unicamente humanos, limitados em chorar? Não encontro caminhos fáceis de andar. Meu rosto vário desorienta as firmes pedras que não sabem de água e de ar.
  • 14. É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes nem a oração de cada instante. É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre. O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a idéia de recompensa e de glória. O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence.
  • 15. PANORAMA ALÉM Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia. Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada. Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia. -Existência parada. Existência acabada. Nem se pode saber do que outrora existia. A cegueira no olhar. Toda a noite calada no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria. A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada... Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo. Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo! Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui. Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto... Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto... Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
  • 16.
  • 17. A bailarina Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé. Não conhece nem mi nem fá Mas inclina o corpo para cá e para lá Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri. Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar. Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu. Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças.