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Lágrima de Preta Encontrei uma preta   Que estava a chorar,   Pedi-lhe uma lágrima   Para a analisar.   Recolhi a lágrima   Com todo o cuidado   Num tubo de ensaio   Bem esterilizado.   Olhei-a de um lado,   Do outro e de frente:   Tinha um ar de gota   Muito transparente.   Mandei vir os ácidos,   As bases e os sais,   As drogas usadas   Em casos que tais.   Ensaiei a frio,   Experimentei ao lume,   De todas as vezes   Deu-me o que é costume:   Nem sinais de negro,   Nem vestígios de ódio.   Água (quase tudo)   E cloreto de sódio.     António Gedeão
    Ser Poeta     Ser poeta é ser mais alto, é ser maior   Do que os homens! Morder como quem beija!    É ser mendigo e dar como quem seja   Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!    É ter de mil desejos o esplendor   E não saber sequer que se deseja!   É ter cá dentro um astro que flameja,   É ter garras e asas de condor!    É ter fome, é ter sede de Infinito!   Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...   É condensar o mundo num só grito!    E é amar-te, assim, perdidamente...   É seres alma, e sangue, e vida em mim   E dizê-lo cantando a toda  Florbela Espanca
Requiem por mim Aproxima-se o fim.  E tenho pena de acabar assim,  Em vez de natureza consumada,  Ruína humana.  Inválido do corpo  E tolhido da alma.  Morto em todos os órgãos e sentidos.  Longo foi o caminho e desmedidos  Os sonhos que nele tive.  Mas ninguém vive  Contra as leis do destino.  E o destino não quis  Que eu me cumprisse como porfiei,  E caísse de pé, num desafio.  Rio feliz a ir de encontro ao mar  Desaguar,  E, em largo oceano, eternizar  O seu esplendor torrencial de rio.     Miguel Torga
Não posso adiar o amor Não posso adiar o amor  para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sol montanhas cinzentas e montanhas cinzentas Não, não posso adiar este abraço Que é uma arma de dois gumes Amor e ódio Não posso adiar Ainda que a noite pese  Séculos sobre as costas E a aurora indecisa demore, Não posso adiar para Outro século minha Vida Nem o meu amor Nem o meu grito de  Libertação Não posso adiar o coração António Ramos Rosa
Liberdade  Ai que prazer  Não cumprir um dever,  Ter um livro para ler  E não o fazer!  Ler é maçada,  Estudar é nada.  O sol doira sem literatura.  O rio corre, bem ou mal,  Sem edição original.  E a brisa, essa,  De tão naturalmente matinal,  Como tem tempo não tem pressa...  Livros são papéis pintados com tinta.  Estudar é uma coisa em que está indistinta  A distinção entre nada e coisa nenhuma.  Quanto é melhor, quando há bruma,  Esperar por D. Sebastião,  Quer venha ou não!  Grande é a poesia, a bondade e as danças...  Mas o melhor do mundo são as crianças,  Flores, música, o luar, e o sol, que peca,  Só quando, em vez de criar, seca.  O mais do que isto  É Jesus Cristo,  Quer não sabia nada de finanças  Nem consta que tivesse biblioteca...  Fernando Pessoa
Chamei  Chamei por mim quando cantava o mar  Chamei por mim quando corriam fontes  Chamei por mim quando os heróis morriam  E cada ser deu sinal de mim.  As minhas mãos mantêm as estrelas,  Seguro a minha alma para que se não quebre  A melodia que vai de flor em flor,  Arranco o mar do mar e ponho-o em mim  E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas.  Sophia de Mello Breyner Andersen
O Sonho Pelo Sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo Sonho é que vamos. Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? - Partimos. Vamos. Somos. Sebastião da Gama
O Palácio da Ventura Sonho que sou um cavaleiro andante. Por desertos, por sóis, por noite escura, Paladino do amor, busca anelante O palácio encantado da Ventura! Mas já desmaio, exausto e vacilante, Quebrada a espada já, rota a armadura... E eis que súbito o avisto, fulgurante Na sua pompa e aérea formosura! Com grandes golpes bato à porta e brado: Eu sou o Vagabundo, o Deserdado... Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais! Abrem-se as portas d'ouro, com fragor... Mas dentro encontro só, cheio de dor, Silêncio e escuridão - e nada mais!  Antero de Quental
Poema à mãe No mais fundo de ti Eu sei que te traí, mãe. Tudo porque já não sou O menino adormecido No fundo dos teus olhos. Tudo porque ignoras Que há leitos onde o frio não se demora E noites rumorosas de águas matinais. Por isso, às vezes, as palavras que te digo São duras, mãe, E o nosso amor é infeliz. Tudo porque perdi as rosas brancas Que apertava junto ao coração No retrato da moldura. Se soubesses como ainda amo as rosas, Talvez não enchesses as horas de pesadelos. Mas tu esqueceste muita coisa; Esqueceste que as minhas pernas cresceram, Que todo o meu corpo cresceu, E até o meu coração Ficou enorme, mãe! Olha - queres ouvir-me? - Às vezes ainda sou o menino Que adormeceu nos teus olhos; Ainda aperto contra o coração Rosas tão brancas Como as que tens na moldura; Ainda oiço a tua voz: Era uma vez uma princesa No meio do laranjal... Mas - tu sabes - a noite é enorme, E todo o meu corpo cresceu. Eu saí da moldura, Dei às aves os meus olhos a beber. Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo as rosas. Boa noite. Eu vou com as aves.  Eugénio de Andrade
O Amor Mote Amor é chama que mata, Sorriso que desfalece, Madeixa que desata, Perfume que esvaece.  (popular) Glosas Amor é chama que mata, Dizem todos com razão, É mal do coração E com ele se endoidece. O amor é um sorriso Sorriso que desfalece. Madeixa que se desata Denominam-no também. O amor não é um bem: Quem ama sempre padece. O amor é um perfume Perfume que se esvaece. Mário de Sá-Carneiro
Urgentemente É urgente o amor É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas  espadas. É  urgente inventar a alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o  amor,  é urgente permanecer. Eugénio de Andrade
Pode ser que um dia deixemos de nos falar...  Mas, enquanto houver amizade,  Faremos as pazes de novo.  Pode ser que um dia o tempo passe...  Mas, se a amizade permanecer,  Um de outro se há-de lembrar.  Pode ser que um dia nos afastemos...  Mas, se formos amigos de verdade,  A amizade nos reaproximará.  Pode ser que um dia não mais existamos...  Mas, se ainda sobrar amizade,  Nasceremos de novo, um para o outro.  Pode ser que um dia tudo acabe...  Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,  Cada vez de forma diferente.  Sendo único e inesquecível cada momento  Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.  Há duas formas para viver a sua vida:  Uma é acreditar que não existe milagre.  A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre. Albert Einstein   Jéssica, 10º B
A força da nossa amizade vence todas as diferenças... Aliás... para que diferenças se somos amigos? Quando erramos... nos perdoamos e esquecemos Se temos defeitos... não nos importamos... Trocamos segredos...  e respeitamos as divergências... Nas horas incertas, sempre chegamos no momento certo... Nos amparamos...nos defendemos... sem pedir... fazemos porque nos sentimos felizes em fazer... Nos reverenciamos... adoramos... idolatramos... apreciamos... admiramos. Nos mostramos amigos de verdade, quando dizemos o que temos a dizer... Nos aceitamos , sem querer mudanças... Estamos sempre presente, não só nos momentos de alegria, compartilhando prazeres, mas principalmente nos momentos mais difíceis ... Anónimo Jéssica, 10ºB
Amizade   Muitas pessoas irão entrar e sair da sua vida  mas somente verdadeiros amigos deixarão pegadas no seu  cora ç ão.  Para lidar consigo mesmo, use a cabe ç a,  para lidar como os outros, use o cora ç ão,  raiva  é  a  ú nica palavra de perigo.  Se algu é m te traiu uma vez, a culpa  é  dele;  Se algu é m te trai duas vezes, a culpa  é  sua.  Quem perde dinheiro, perde muito,  Quem perde um amigo, perde mais.  Quem perde a f é , perde tudo.  Jovens bonitos são acidentes da natureza:  Velhos bonitos são obras de arte.  Aprenda tamb é m com o erro dos outros,  você não vive tempo suficiente para cometer  todos os erros.  Amigos você e eu...  Você trouxe outro amigo...  Agora somos três...  N ó s come ç amos um grupo...  Nosso c í rculo de amigos...  E como um c í rculo,  não tem come ç o nem fim...  Ontem  é  hist ó ria:  Amanhã  é  mist é rio,  Hoje uma d á diva,  É  por isso que  é  chamado presente...   Fabiano Lustosa   Jéssica,10º B
PEDRA FILOSOFAL Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso, em serenos sobressaltos como estes pinheiros altos que em verde e ouro se agitam como estas aves que gritam em bebedeiras de azul. Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma. é fermento, bichinho alacre e sedento. de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento. Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel. arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa dos ventos, Infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança., Colombina e Arlequim, passarola voadora, para-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra som televisão desembarque em foguetão na superfície lunar. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre a mãos de uma criança. António Gedeão Hugo, 10º B
Instrução primária Não sabias: imagina… Deixa falar o mestre , e devaneia… A velhice é que sabe , e apenas sabe  Que o mar não cabe  Na poça que a inocência abre na areia. Sonha! Inventa um alfabeto De ilusões… Um á-bê-cê secreto Que soletres à margem das lições… Voa pela janela De encontro a qualquer sol que te sorria! Asas ? Não são precisas: Vais ao colo das brisas , Miguel Torga  Imagina  ilusão, inocência  mestre Velhice  Voa Alfabeto  sol Asas  Sonha lição  brisas  fantasia Elodie, 10º A
Entrei no Café com um rio na algibeira e pu-lo no chão, a vê-lo correr da imaginação… A seguir tirei do bolso do colete nuvens e estrelas e estendi um tapete de flores a concebê-las Depois, encostado à mesa, tirei da boca um pássaro a cantar e enfeitei com ele a Natureza das árvores em torno a cheirarem ao luar que eu imagino  E agora aqui estou a ouvir A melodia sem contorno Deste acaso de existir Onde só procuro a Beleza para me iludir dum destino J. G. Ferreira Carla Vaz, 12º A
Brinquedo Foi um sonho que eu tive: Era uma grande estrela de papel, Um cordel  E um menino de bibe. O menino tinha lançado a estrela Com ar de quem semeia uma ilusão;  E a estrela ia subindo, azul amarela,   presa pelo cordel a sua mão.  Mas tão alta subiu Que deixou de ser estrela de papel.  E o menino, ao vê-la assim, sorriu E cortou-lhe o cordel.  Miguel Torga Rufino e Jorge G., 10º B
Regresso Regresso às fragas de onde me roubaram. Ah! minha serra, minha dura infância! Como os rijos carvalhos me acenaram, Mal eu surgi, cansado, na distância! Cantava cada fonte à sua porta: O poeta voltou! Atrás ia ficando a terra morta Dos versos que o desterro esfarelou. Depois o céu abriu-se num sorriso, E eu deitei-me no colo dos penedos A contar aventuras e segredos Aos deuses do meu velho paraíso. Miguel Torga
Há palavras que nos beijam Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O´Neill
O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra  ela ,  Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há-de dizer. Fala: parece que mente Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse P'ra saber que a estão a amar! Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar...                            Fernando Pessoa
Ser Poeta     Ser poeta é ser mais alto, é ser maior    Do que os homens! Morder como quem beija!  É ser mendigo e dar como quem seja    Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!  É ter de mil desejos o esplendor    E não saber sequer que se deseja!    É ter cá dentro um astro que flameja,    É ter garras e asas de condor!  É ter fome, é ter sede de Infinito!    Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...    É condensar o mundo num só grito!  E é amar-te, assim, perdidamente...    É seres alma, e sangue, e vida em mim    E dizê-lo cantando a toda  Florbela Espanca
A minha vida é o mar de Abril a rua  O meu interior é uma atenção voltada para fora  O meu viver escuta A frase que de coisa em coisa silabada Grava no espaço e no tempo a sua escrita  Não trago Deus em mim mas no mundo O procuro  Sabendo que o real o mostrará Não tenho explicações  Olho e confronto E por método é nu meu pensamento  A terra o sol o vento e o mar  São a minha biografia e são o meu rosto  Por isso não me peçam cartão de identidade  Pois nenhum outro senão o mundo tenho  Não me peçam opiniões nem entrevistas  Não me perguntem datas nem moradas  De tudo quanto me vejo me acrescento  E a hora da minha morte aflora lentamente  Cada dia preparada  Sophia de Mello Breyner Andressen
Súplica  Agora que o silêncio é um mar sem ondas E que nele posso navegar sem rumo  Não respondas as urgentes perguntas que te fiz,   Deixa-me ser feliz  Assim, já tão longe de mim como eu de ti. Perde-se a vida a desejá-la tanto, Só soubemos sofrer enquanto o nosso amor durou  Mas o tempo passou, há calmaria  Não perturbes a paz que me foi dada  Ouvir de novo a tua voz  Seria matar a sede em água salgada Miguel Torga Solange, 10º B

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Poemas Ilustrados

  • 1. Lágrima de Preta Encontrei uma preta Que estava a chorar, Pedi-lhe uma lágrima Para a analisar. Recolhi a lágrima Com todo o cuidado Num tubo de ensaio Bem esterilizado. Olhei-a de um lado, Do outro e de frente: Tinha um ar de gota Muito transparente. Mandei vir os ácidos, As bases e os sais, As drogas usadas Em casos que tais. Ensaiei a frio, Experimentei ao lume, De todas as vezes Deu-me o que é costume: Nem sinais de negro, Nem vestígios de ódio. Água (quase tudo) E cloreto de sódio. António Gedeão
  • 2.    Ser Poeta   Ser poeta é ser mais alto, é ser maior  Do que os homens! Morder como quem beija!   É ser mendigo e dar como quem seja  Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor  E não saber sequer que se deseja!  É ter cá dentro um astro que flameja,  É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito!  Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...  É condensar o mundo num só grito!   E é amar-te, assim, perdidamente...  É seres alma, e sangue, e vida em mim  E dizê-lo cantando a toda Florbela Espanca
  • 3. Requiem por mim Aproxima-se o fim. E tenho pena de acabar assim, Em vez de natureza consumada, Ruína humana. Inválido do corpo E tolhido da alma. Morto em todos os órgãos e sentidos. Longo foi o caminho e desmedidos Os sonhos que nele tive. Mas ninguém vive Contra as leis do destino. E o destino não quis Que eu me cumprisse como porfiei, E caísse de pé, num desafio. Rio feliz a ir de encontro ao mar Desaguar, E, em largo oceano, eternizar O seu esplendor torrencial de rio. Miguel Torga
  • 4. Não posso adiar o amor Não posso adiar o amor para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sol montanhas cinzentas e montanhas cinzentas Não, não posso adiar este abraço Que é uma arma de dois gumes Amor e ódio Não posso adiar Ainda que a noite pese Séculos sobre as costas E a aurora indecisa demore, Não posso adiar para Outro século minha Vida Nem o meu amor Nem o meu grito de Libertação Não posso adiar o coração António Ramos Rosa
  • 5. Liberdade Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não o fazer! Ler é maçada, Estudar é nada. O sol doira sem literatura. O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como tem tempo não tem pressa... Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma. Quanto é melhor, quando há bruma, Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol, que peca, Só quando, em vez de criar, seca. O mais do que isto É Jesus Cristo, Quer não sabia nada de finanças Nem consta que tivesse biblioteca... Fernando Pessoa
  • 6. Chamei Chamei por mim quando cantava o mar Chamei por mim quando corriam fontes Chamei por mim quando os heróis morriam E cada ser deu sinal de mim. As minhas mãos mantêm as estrelas, Seguro a minha alma para que se não quebre A melodia que vai de flor em flor, Arranco o mar do mar e ponho-o em mim E o bater do meu coração sustenta o ritmo das coisas. Sophia de Mello Breyner Andersen
  • 7. O Sonho Pelo Sonho é que vamos, comovidos e mudos. Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos, pelo Sonho é que vamos. Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia-a-dia. Chegamos? Não chegamos? - Partimos. Vamos. Somos. Sebastião da Gama
  • 8. O Palácio da Ventura Sonho que sou um cavaleiro andante. Por desertos, por sóis, por noite escura, Paladino do amor, busca anelante O palácio encantado da Ventura! Mas já desmaio, exausto e vacilante, Quebrada a espada já, rota a armadura... E eis que súbito o avisto, fulgurante Na sua pompa e aérea formosura! Com grandes golpes bato à porta e brado: Eu sou o Vagabundo, o Deserdado... Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais! Abrem-se as portas d'ouro, com fragor... Mas dentro encontro só, cheio de dor, Silêncio e escuridão - e nada mais! Antero de Quental
  • 9. Poema à mãe No mais fundo de ti Eu sei que te traí, mãe. Tudo porque já não sou O menino adormecido No fundo dos teus olhos. Tudo porque ignoras Que há leitos onde o frio não se demora E noites rumorosas de águas matinais. Por isso, às vezes, as palavras que te digo São duras, mãe, E o nosso amor é infeliz. Tudo porque perdi as rosas brancas Que apertava junto ao coração No retrato da moldura. Se soubesses como ainda amo as rosas, Talvez não enchesses as horas de pesadelos. Mas tu esqueceste muita coisa; Esqueceste que as minhas pernas cresceram, Que todo o meu corpo cresceu, E até o meu coração Ficou enorme, mãe! Olha - queres ouvir-me? - Às vezes ainda sou o menino Que adormeceu nos teus olhos; Ainda aperto contra o coração Rosas tão brancas Como as que tens na moldura; Ainda oiço a tua voz: Era uma vez uma princesa No meio do laranjal... Mas - tu sabes - a noite é enorme, E todo o meu corpo cresceu. Eu saí da moldura, Dei às aves os meus olhos a beber. Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo as rosas. Boa noite. Eu vou com as aves. Eugénio de Andrade
  • 10. O Amor Mote Amor é chama que mata, Sorriso que desfalece, Madeixa que desata, Perfume que esvaece. (popular) Glosas Amor é chama que mata, Dizem todos com razão, É mal do coração E com ele se endoidece. O amor é um sorriso Sorriso que desfalece. Madeixa que se desata Denominam-no também. O amor não é um bem: Quem ama sempre padece. O amor é um perfume Perfume que se esvaece. Mário de Sá-Carneiro
  • 11. Urgentemente É urgente o amor É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar a alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Eugénio de Andrade
  • 12. Pode ser que um dia deixemos de nos falar... Mas, enquanto houver amizade, Faremos as pazes de novo. Pode ser que um dia o tempo passe... Mas, se a amizade permanecer, Um de outro se há-de lembrar. Pode ser que um dia nos afastemos... Mas, se formos amigos de verdade, A amizade nos reaproximará. Pode ser que um dia não mais existamos... Mas, se ainda sobrar amizade, Nasceremos de novo, um para o outro. Pode ser que um dia tudo acabe... Mas, com a amizade construiremos tudo novamente, Cada vez de forma diferente. Sendo único e inesquecível cada momento Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre. Há duas formas para viver a sua vida: Uma é acreditar que não existe milagre. A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre. Albert Einstein Jéssica, 10º B
  • 13. A força da nossa amizade vence todas as diferenças... Aliás... para que diferenças se somos amigos? Quando erramos... nos perdoamos e esquecemos Se temos defeitos... não nos importamos... Trocamos segredos... e respeitamos as divergências... Nas horas incertas, sempre chegamos no momento certo... Nos amparamos...nos defendemos... sem pedir... fazemos porque nos sentimos felizes em fazer... Nos reverenciamos... adoramos... idolatramos... apreciamos... admiramos. Nos mostramos amigos de verdade, quando dizemos o que temos a dizer... Nos aceitamos , sem querer mudanças... Estamos sempre presente, não só nos momentos de alegria, compartilhando prazeres, mas principalmente nos momentos mais difíceis ... Anónimo Jéssica, 10ºB
  • 14. Amizade Muitas pessoas irão entrar e sair da sua vida mas somente verdadeiros amigos deixarão pegadas no seu cora ç ão. Para lidar consigo mesmo, use a cabe ç a, para lidar como os outros, use o cora ç ão, raiva é a ú nica palavra de perigo. Se algu é m te traiu uma vez, a culpa é dele; Se algu é m te trai duas vezes, a culpa é sua. Quem perde dinheiro, perde muito, Quem perde um amigo, perde mais. Quem perde a f é , perde tudo. Jovens bonitos são acidentes da natureza: Velhos bonitos são obras de arte. Aprenda tamb é m com o erro dos outros, você não vive tempo suficiente para cometer todos os erros. Amigos você e eu... Você trouxe outro amigo... Agora somos três... N ó s come ç amos um grupo... Nosso c í rculo de amigos... E como um c í rculo, não tem come ç o nem fim... Ontem é hist ó ria: Amanhã é mist é rio, Hoje uma d á diva, É por isso que é chamado presente... Fabiano Lustosa Jéssica,10º B
  • 15. PEDRA FILOSOFAL Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso, em serenos sobressaltos como estes pinheiros altos que em verde e ouro se agitam como estas aves que gritam em bebedeiras de azul. Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma. é fermento, bichinho alacre e sedento. de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento. Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel. arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa dos ventos, Infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança., Colombina e Arlequim, passarola voadora, para-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra som televisão desembarque em foguetão na superfície lunar. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre a mãos de uma criança. António Gedeão Hugo, 10º B
  • 16. Instrução primária Não sabias: imagina… Deixa falar o mestre , e devaneia… A velhice é que sabe , e apenas sabe Que o mar não cabe Na poça que a inocência abre na areia. Sonha! Inventa um alfabeto De ilusões… Um á-bê-cê secreto Que soletres à margem das lições… Voa pela janela De encontro a qualquer sol que te sorria! Asas ? Não são precisas: Vais ao colo das brisas , Miguel Torga Imagina ilusão, inocência mestre Velhice Voa Alfabeto sol Asas Sonha lição brisas fantasia Elodie, 10º A
  • 17. Entrei no Café com um rio na algibeira e pu-lo no chão, a vê-lo correr da imaginação… A seguir tirei do bolso do colete nuvens e estrelas e estendi um tapete de flores a concebê-las Depois, encostado à mesa, tirei da boca um pássaro a cantar e enfeitei com ele a Natureza das árvores em torno a cheirarem ao luar que eu imagino E agora aqui estou a ouvir A melodia sem contorno Deste acaso de existir Onde só procuro a Beleza para me iludir dum destino J. G. Ferreira Carla Vaz, 12º A
  • 18. Brinquedo Foi um sonho que eu tive: Era uma grande estrela de papel, Um cordel E um menino de bibe. O menino tinha lançado a estrela Com ar de quem semeia uma ilusão; E a estrela ia subindo, azul amarela, presa pelo cordel a sua mão. Mas tão alta subiu Que deixou de ser estrela de papel. E o menino, ao vê-la assim, sorriu E cortou-lhe o cordel. Miguel Torga Rufino e Jorge G., 10º B
  • 19. Regresso Regresso às fragas de onde me roubaram. Ah! minha serra, minha dura infância! Como os rijos carvalhos me acenaram, Mal eu surgi, cansado, na distância! Cantava cada fonte à sua porta: O poeta voltou! Atrás ia ficando a terra morta Dos versos que o desterro esfarelou. Depois o céu abriu-se num sorriso, E eu deitei-me no colo dos penedos A contar aventuras e segredos Aos deuses do meu velho paraíso. Miguel Torga
  • 20. Há palavras que nos beijam Há palavras que nos beijam Como se tivessem boca. Palavras de amor, de esperança, De imenso amor, de esperança louca. Palavras nuas que beijas Quando a noite perde o rosto; Palavras que se recusam Aos muros do teu desgosto. De repente coloridas Entre palavras sem cor, Esperadas inesperadas Como a poesia ou o amor. (O nome de quem se ama Letra a letra revelado No mármore distraído No papel abandonado) Palavras que nos transportam Aonde a noite é mais forte, Ao silêncio dos amantes Abraçados contra a morte. Alexandre O´Neill
  • 21. O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela , Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há-de dizer. Fala: parece que mente Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse P'ra saber que a estão a amar! Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar...                            Fernando Pessoa
  • 22. Ser Poeta   Ser poeta é ser mais alto, é ser maior   Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja   Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor   E não saber sequer que se deseja!   É ter cá dentro um astro que flameja,   É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito!   Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...   É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente...   É seres alma, e sangue, e vida em mim   E dizê-lo cantando a toda Florbela Espanca
  • 23. A minha vida é o mar de Abril a rua O meu interior é uma atenção voltada para fora O meu viver escuta A frase que de coisa em coisa silabada Grava no espaço e no tempo a sua escrita Não trago Deus em mim mas no mundo O procuro Sabendo que o real o mostrará Não tenho explicações Olho e confronto E por método é nu meu pensamento A terra o sol o vento e o mar São a minha biografia e são o meu rosto Por isso não me peçam cartão de identidade Pois nenhum outro senão o mundo tenho Não me peçam opiniões nem entrevistas Não me perguntem datas nem moradas De tudo quanto me vejo me acrescento E a hora da minha morte aflora lentamente Cada dia preparada Sophia de Mello Breyner Andressen
  • 24. Súplica Agora que o silêncio é um mar sem ondas E que nele posso navegar sem rumo Não respondas as urgentes perguntas que te fiz, Deixa-me ser feliz Assim, já tão longe de mim como eu de ti. Perde-se a vida a desejá-la tanto, Só soubemos sofrer enquanto o nosso amor durou Mas o tempo passou, há calmaria Não perturbes a paz que me foi dada Ouvir de novo a tua voz Seria matar a sede em água salgada Miguel Torga Solange, 10º B