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Baixar para ler offline
ESCRITOS
Escritos” é uma coletânea de diversos textos aleatórios paridos
pelo meu cérebro nos últimos dez anos
E que agora resolvi publicar em forma de livro para quem
quiser ler esta primeira edição.
Primeira edição por que eu posso encontrar mais textos
perdidos em cadernos velhos, e cuspi-los no computador,
pessoal ou impessoal.
Espero que sirva pra alguém fazer alguma coisa, nem que seja
pra colocar na fogueira na noite de São João.

Bruno Rafahell
Estou bem próximo do mais distante ponto de fusão
entre o ser e o deixar de existir. Onde estou?
Metais se fundem
Formando uma massa homogênea
Seus olhos me confundem
Cria um caleidoscópio em minha mente
Me faz sonhar
Me faz viajar
Voltar a ver
Não enlouquecer
Meus olhos vão se abrindo
Se abrindo
Se... Ah!
Sinto frio
Sinto calor
Medo!
Ouço choro, gritos de dor
Dá vontade de chorar também
Mas lembro que não tenho pena de ninguém.
Arrasto os cacos no chão até ficar elástico
Pasto na imensidão desse universo de mel
Corro antes que corroa toda a minha mente
De repente, sem eu perceber,
Que estou caindo do céu.
Mostro pra você a minha vida
Que está indo devagar
Tento disfarçar, que não tiro os olhos de você
Mas dá pra perceber.
Sob o olhar da lua e das estrelas
Espero uma resposta,
Uma luz,
Que me diga o caminho melhor a seguir.
Cansado, eu penso, mas não consigo
Gerar ideias, criar fundamentações
Para onde devo ir, ou voltar.
Aos montes os pensamentos se misturam em minha
cabeça
Fazendo-me apagar.
Pontes caem no meu pensamento
Deixando isolados os raciocínios rápidos
E destruindo os neurônios ainda vivos
Será que vou acordar amanhã de manhã?
Mas que dia lindo que eu não vou ver
Que sonhos maravilhosos que não vou realizar
Que lembranças boas que não vou guardar
Que filhos lindos que nunca vou ter.
Uma plateia cheia sem ninguém pra se apresentar
Um avião que voa sem um destino pra chegar
Um jardim florido sem ninguém para cuidar
Um amor tão lindo, mas que não vai durar
Um bebê sorrindo, pouco antes de morrer
Uma semente plantada, que nunca vai se desenvolver
Mas que noite eterna esta que agora estou
Dentro de uma caverna meu mundo se enfiou
Sobrou apenas nada! E no nada estou
Não sei se vivo ou morto
Rastejo na lama da vida
Melhor seria o aborto
Que carregar esta ferida.
As cores ficaram resumidas ao monocromático,
Ou preto e branco.
Estando em trevas, estando com medo.
Vivendo ao redor de corpos, apodrecendo num lago de
sangue
Necrófobo, sofrendo em angústias e enlouquecendo.
Necrólatras que riem.
Neste local sombrio, pessoas necrofágicas.
Embebidas em sangue e pus,
Saboreiam o néctar da morte em seus bancos
Acima de mortalhas.
Mazelas da humanidade imunda
Que apesar de agora diferentes,
Serão todos vermes
Depois pó.
Avistada uma luz que vinha não se sabe de onde,
Os olhos se ofuscaram, e a mente ficou confusa.
Parecia que havia acontecido uma explosão nuclear,
Pois após a luz, veio um vento muito forte,
Que arrastou tudo em cima da minha mesa.
Mas não era nada disso,
Eu havia cochilado sobre a mesa com a janela aberta,
E durante a noite faltou energia.
Ao amanhecer, o sol entrou com tudo nos meus olhos,
E a energia voltou ligando o ventilador, que estava no
máximo de força.
Apenas um sono pela metade,
O que eu achava que era não era nada daquilo,
Eu deitado sobre um monte de papel amassado,
Com algumas palavras ou até frases incompletas
De tentativas inúteis de escrever algum texto significativo,
E que alguém alem de mim pudesse ler.
Mas nada saía a noite toda,
A única coisa que saiu foi: hoje eu acho que não vou dormir
direito,
E vou acordar com dor de cabeça.
Isso com certeza alguém pode ler.
Mas eu não sei o que aconteceu comigo nesses últimos
tempos,
Parece que foi feita uma lavagem na minha imaginação,
Ou melhor, nessa era da informatização,
Formataram minha imaginação,
Deve ter algum tipo de badblock no meu córtex,
Ou algum dispositivo de armazenamento foi removido sem
segurança,
Sei lá, eu estou sem nenhum tipo de criatividade,
Um mero punk em três acordes não consigo fazer mais.
Estou regredindo? O que haverá de errado comigo?
Quando agente tenta mover o que não existe.
Quando agente pensa em fazer o que não dá.
A reação normal é ficar triste,
Vendo seu sonho acabar.
A madrugada esconde um mistério secular
A juventude se esconde ao envelhecer
Nossa vida se banha de não ser pior
A escuridão sempre começa ao entardecer.
Perdi minhas fichas, tudo que apostei,
Todas as minhas esperanças soterradas por uma frieza
Por uma avalanche de neve.
Vi todo um feixe de luz ser apagado por um vento
Frio e sombrio, que dói os ossos, trava a circulação
Arrasa qualquer um dos mais otimistas humanos
Eu não sou de me entregar, mesmo que minha vida
Esteja em jogo.
Nesta guerra perdi todas as batalhas
Perdi todos os meus soldados, todo um exército
E só sobrou a mim.
Eu tive que me entregar sem levantar a bandeira branca.
Partirei para outra guerra
Preparar-me-ei com mais perfeição
Darei a volta por baixo, por que
Quem dá a volta por cima, tem uma chance de cair
E de quedas eu já cansei
Procurarei uma área menos complexa de se arar,
De conquistar ou até mesmo lutar
E ganhar sem precisar de muita batalha
Talvez a minha imagem esteja manchada
No território onde pretendo fincar bandeira
E também pode haver risco de levar um ataque
Do meu antigo inimigo
Mas será mais fácil de me sair.
Por um momento eu me sinto bem por estar só
E outras vezes me sinto só por estar tão bem
O que me leva a crer que,
Me sinto bem melhor quando estou só.(?)
Mas a solidão causa egoísmo (e já basta),
E... Ficar só depende do bem estar
E do espírito de quem se sente só.
Às vezes eu me vejo cercado de gente
Falo com muita gente
E me sinto sozinho
Hoje estou sozinho comigo mesmo
E a solidão interna, a solidão do subconsciente,
É a pior de todas as solidões.
27/07/2002
Meus papéis de parede escondem
A verdadeira face da minha vida
Meu HD está cheio, minha memória está
sobrecarregada.
Não há mais espaço para nenhum KB,
E meus dispositivos de entrada não captam mais nada.
Meu scanner não digitaliza nenhuma imagem
Só existem duas cores na interface dos meus olhos.
O preto e o branco.
Papeis inversos
Lados desiguais
Terapia de choque
Loucura, insensatez, fatos ocultos de uma vida sem
sentido.
Muitos papéis rasgados, muitos papéis interpretados
E nunca reciclados.
Deveria existir uma máquina de reciclar gente.
Ao invés de presídios.
É lógico que não quero acabar com o trabalho
Dos grandes empresários do sistema penitenciário.
Talvez a vida esteja se fingindo de morta
Talvez a porta possa estar se abrindo para o nada.
Ou o nada se finja de tudo, só para ter um pouco de
tudo
Eu ultimamente descobri várias coisas minhas
Que não sabia que tinha, ou que estavam comigo.
Descobri que não me sinto completamente feliz.
Sinto um vazio enorme dentro de mim.
Talvez meus atos sejam responsáveis por isso
Talvez isso seja ilusão, ou até verdade
Ora que já ocorreu outras vezes
Nesse momento minha mente está se esvaziando
Não estou conseguindo me concentrar no raciocínio
Estou confuso, sem noção... Acho que vou parar.
Desculpe.
21/06/2002
As coisas ficaram tão estranhas comigo.
Parece que as horas se inverteram.
As ideias sumiram, perderam-se as vontades
Ficou tudo tão estranho
Não há produção nem instigação
Está tudo morno, opaco, sem brilho, estranho.
Descobre-se que o que foi esperado, recebeu errado.
E depois de tanto ter sido dito, e nada se correspondeu.
É muito estranho.
Com tantos anos procurando um motivo
Pra ter dito muitas palavras em função
De uma figura de imagem enigmática
Que causou em mim uma imanização fortíssima
De repente quem era extremamente restrito
A citar qualquer sentimento
Passou a exagerar no modo de exibir
E demonstrar o mesmo.
Foi trágico.
25/06/2002(editado em 08/01/13)
Ainda
Meus trapos jogados no chão
Suas mãos seguram minha mão
O mundo já não me faz bem
Se não você, não quero ninguém.
Tudo perdeu o valor, para mim.
Estou num poço, bem perto do fim.
Sem você meu amanhã morreu.
E a noite se estabeleceu.
Eu perdi você pra mim mesmo
Eu perdi o sentido da vida
Eu perdi o tesão pra viver
Eu perdi você.
Só vejo sombras.
A luz morreu.
Apenas brilhos indicam o caminho que devo seguir pra
não me perder.
Ouço vozes que vem do nada, ouço passos, mas não
tem ninguém.
Apenas eu, em minha trilha da escuridão;
Não estou preocupado com a escuridão,
Nem com passos e vozes ocultos,
Eu me preocupo com vozes e passos reais,
Que podem me agredir e me perseguir,
E eu sei onde achar os passos e as vozes
Quando virar pra trás e olhar.
Quando meus olhos se abrirem verei a quantidade
De idiotices que venho aplicando a mim mesmo
E aos que me cercam de um modo bom
Talvez demore um pouco para a minha visão se abrir
Mas porem ela pode não se abrir
Mas aí eu já devo ter morrido
E acho que não vai ser tarde,
Porque a morte é o começo da vida.
01.08.2002
(editado em 08/01/13)
Me mostre a verdadeira face da sua história.
Lembre-se, use um pouco mais a sua memória.
Não sou nenhum hipócrita nem quero ironizar.
Dizendo suas mentiras não vai me enganar.
Andando feito louco de um lado pro outro.
Procura um caminho que parece não existir.
Não, não tente se esconder
Quando se olhar no espelho
Seu rosto é o que vai ver
Sua memória ta voltando ou vou ter que forçar
Abrir sua cabeça e enfiar
O que de fato é certo pra você não afundar
Nas suas próprias palavras
Se ligue na minha dica
Não seja mais burro do você já é.
Nosso corpo na terra fica, e infinito só
O espírito seu Mané.
Arrasto-me pelo chão e não consigo me levantar
Sinto minha carne aos poucos rasgando
Sinto meu coração lentamente querer parar
Puxo o ar com força, mas sinto que estou definhando.
Vejo moscas rondando minha cabeça sem parar
Seus zumbidos torturantes me perturbam
Acho que esperam, calmamente, minha morte chegar
Para que seus ovos em minha carne podre, em vermes
se difundam
Rastros de sujeira da entrada até a saída de minha
casa
Meus pés sujos de nunca pisar no chão
Minutos de febre queimando meu corpo como brasa
Infecções e feridas abertas no dorso da minha mão.
Madrugada adentro é a escuridão que predomina
Silencio pelas ruas, movimento na esquina.
É mais um que chega pra comprar sua falsa paz
Na forma de pó ou pedra, da massa tanto faz.
Pega vai embora, sem se preocupar,
Amanhã vem de novo sua falsa paz buscar.
Queime seu maldito, queime.
Queime seu dinheiro, queime sua mente.
Na noite adentro muita coisa pode acontecer
Alguém pra comprar, outro pra vender
Alguém sem dinheiro, que quer convencer
A levar fiado pra sua lombra fazer.
Tem gente de grana, filho de barão.
Que enche o carro de drogas só pra curtição
Cheio de meninas, todas de menor
Viciadas em pedra, na massa e no pó.
Não importa a idade, ou a classe social
Se tem boa família ou se é um marginal
Nesse momento tem alguém se matando
Dando um tiro na lata, ou um bright cheirando.
A madrugada é longa pra quem nunca dorme
Pra quem ultimamente foi largado pela sorte
Caminho sem volta pra destruição.
Sua nova casa será dentro de um caixão
Famílias destruídas, crianças bandidas
Sangue derramando, incurável ferida.
De quem será a culpa?
De quem será a culpa?
Chega de ficar parado olhando 'pros' lados
Pensando em nada, ficando pirado
Sentindo vontades depois desistindo
Tentar levantar e logo ir caindo.
Morrendo aos poucos, de forma sofrida
Sentindo-se lixo, autoestima caída
Parece um zumbi, não dorme há tempos
Que pena de ti, solto aos quatro ventos
Pare de tanta incerteza, de tanta pureza
O mundo é ruim.
Ligue sua antena, a vida é pequena
Num piscar de olhos chegou o fim.
Mostre para você mesmo que ainda tem força
E pode lutar,
Faça uma coisa notável que eterno você será
Que bom que te encontrei, voltar a sentir seu cheiro.
Que bom!
Ouvir a tua voz, sentir sua pele tocar a minha.
Que bom!
Falar com você, novamente ver, que ainda estamos
afim.
Que bom!
Eu pensei que não iria ter mais
Essa paz que você me traz.
EU realmente pensei.
Pensei tanto em você que você apareceu.
Meu mundo renasceu.
Que bom!
Que bom!
Queria ver tudo isso acontecer mais uma vez.
Que bom, aconteceu!
Eu estou muito feliz
Vermes de Nervos
No meio do meu mundo existe um buraco feito por
vermes,
Vermes de raiva e rancor, de tristeza e mágoas.
Que de me deixaram seco, e insensível,
Que tiraram as cores do mundo onde vivo.
Olho pra alguém que sofre, e ignoro.
Vejo tristeza nos olhos de quem me ama.
Desprezo até mesmo quando eu choro.
E quando a voz da razão me chama.
Menosprezo a emoção seja ela qual for.
Olho com nojo para as mazelas mundiais.
Sinto vontade de vomitar quando falam em amor.
Queria ser diferente, mas não acontecerá jamais.
Sou frio e calculista, meço minhas palavras sempre.
Não crio vínculos, nem ciclos de amizade com ninguém.
Quando alguém vem me ver, e digo que entre.
Mas logo peço para irem embora, que assim ficarei bem.
Solidão já não me incomoda, nem consegue.
Sozinho eu comecei a andar e a falar.
E não haverá ninguém no mundo a quem me apegue.
Pois agora confesso, tenho medo que possa me
abandonar.
Prefiro o vazio do meu apartamento,
A viver feliz por algum tempo
E depois estar sozinho num infinito sofrimento.
Lamento por tudo isso.
15/12/2010
- Oi onde você estava?
- Não sei! Quem é você mesmo?
- Não se lembra de mim cara?!
- Não! E por que deveria lembrar?
- Por que passamos esses últimos 27 anos juntos.
- Eu! Junto com você?! Não me lembro mesmo!
- Rapaz! Faz uma força! Não faz pouco tempo eu dormi
e quando acordei você não estava mais aqui.
- Olha você deve estar me confundindo com alguém.
Nunca lhe vi na vida.
- Poxa olha pra mim! Tenta lembrar-se de alguma coisa.
Qualquer coisa.
- Olha, eu vou te falar a verdade! Já tô de saco cheio
desse papo. Eu não sei quem você é e pronto.
- Caramba! Eu nunca deixei você na mão cara, sempre
te defendi de tantos perigos, e você não se lembra de
mais nada?
- Não! E vai saindo porque tá parecendo que você é
louco! Ou melhor, eu sou louco! O que deu em mim pra
ficar conversando com um espelho?
Em alguns momentos nós esquecemos quem somos,
seja pra não lembrar que fizemos algo ruim, ou errado,
seja pra não lembrar algo que nos feriu e ainda está
aberta a ferida, ou até mesmo pra esquecer um dia
ruim. O certo é que muitas vezes esquecemos quem
somos e acabamos por maltratar alguém que gosta da
gente, e que só quer o nosso bem.
Pasto, passagem, viagem, paisagem, ferragem,
No mato, na toca, no rastro, no mastro,
No barco, no saco, no lixo, no bicho;
Chorando, cantando, vivendo, morrendo, sofrendo,
sorrindo, caindo;
Pedindo, dinheiro; banheiro, molhado, suado, marcado,
com medo,
Sem dedo, amarrado, parado, pensando, olhando, pro
nada, pro tudo,
Falando, mas mudo, ouvindo, mas surdo, sentindo,
dormindo, fingindo,
Partindo, vivendo, crescendo, morrendo, deixando,
mudando, o rumo,
O prumo, a rota, sem frota; sozinho, morre, corre, sente,
mente, quente,
Frio, mil, zero, quero, espero, vejo, rastejo, no pasto, no
mato, no rastro,
Na toca, no mastro, no barco, no saco, sem fundo, sem
mundo, sem nada,
Sem peito, sem leito, sem colo, embolo, pra baixo, num
poço, esforço,
Em vão, no chão, doente, presente, carente, em final,
de vida, sofrida,
Bandida, perdida, deixando, esborrando, o sangue, da
gangue,
Partida, ao meio, penteio, o cabelo, na frente, do
espelho, na ultima ida,
Sofrida, ao cemitério, mistério, a morte, com sorte, um
dia chegará.
Há um lugar que eu nunca fui,
Mas parece que eu vivo lá desde que nasci.
Há um som que nunca ouvi, mas é como se eu tivesse
feito ele.
Há um gosto que nunca senti,
Mas é como se sempre estivesse na minha boca.
Há um tempo passando por mim,
Mas é como se nunca tivesse passado.
Há uma cor que eu nunca vi, mas sei até seu nome.
Há uma estrada que eu nunca passei, mas sei seus
atalhos.
Há uma dor que nunca senti, mas que me aflige só de
pensar.
Houve uma casa que morei,
Mas é como se nunca houvesse passado por lá.
Houve um show que eu fui,
Mas é como se nunca tivesse ouvido falar.
Houve uma cidade que passei,
Mas parece que nunca fiz esse caminho.
Houve uma frase que eu disse,
Mas parece que foi outra pessoa que falou.
Tiveram momentos que passei triste,
Mas por um momento, houve um amor que eu tive,
Mas esse sim ainda existe,
E eu espero que esse seja pra sempre.
EU VEJO, EU SINTO, EU PENSO, EU PASSO, EU FAÇO, EU CAÇO,
EU ANDO, EU DANÇO, EU CHORO, EU MORO,
EU FALO, EU CALO, EU SONHO, EU GANHO, EU PERCO,
EU LEVO, EU TRAGO, EU COMPRO, EU VENDO,
EU PINTO, EU MOSTRO, EU SOLTO, EU PRENDO,
EU SUBO, EU DESÇO, EU CAIO, EU LEVANTO,
EU ENCANTO, EU ILUDO, EU AMO, EU QUERO,
EU ESPERO, EU CANSO, EU RASGO, EU MACHUCO, EU PEÇO
EU MANDO, EU, EU, EU...
EU IMAGINO, EU VEJO, EU PEGO, EU ENTREGO
EU MARCO, EU PASSO, EU ESQUEÇO, EU LEMBRO
EU TIRO, EU PONHO, EU TRISTE, EU RISONHO
EU SÓ, EU SEM, EU QUEM, EU NINGUEM
EU MAL, EU BEM, EU AQUI, EU ALI
EU MESMO, EU OUTRO
EU ONDE
EU...
EU VEJO, ONDE. EU SINTO, OUTRO
EU PENSO, MESMO. EU PASSO, ALI
EU FAÇO, AQUI. EU CAÇO, BEM
EU ANDO, MAL. EU DANÇO COM NINGUEM
EU CHORO POR QUEM. EU MORO SEM
EU FALO SÓ. EU CALO, MAS RISONHO
EU SONHO TRISTE. EU GANHO E PONHO
EU PERCO O TIRO. EU LEVO NÃO LEMBRO
EU TRAGO E ESQUEÇO. EU COMPRO E PASSO
EU VENDO E MARCO. EU PINTO E ENTREGO
EU MOSTRO E PEGO. EU SOLTO E VEJO
EU PRENDO E IMAGINO
EU
EU
EU
EU
SOMENTE EU
MAIS NINGUEM.
EU
EU
EU
Na escuridão de uma fria madrugada
Meus ossos parecem rachar
Meus olhos tentam ver
Minhas mãos querem tocar
Mas não há nada além do frio
Das trevas em minha visão
Da dor dentro do meu corpo
Perdido em solidão
Restos de comida exalam mau cheiro
Um quarto imundo, o vazamento do chuveiro
Pingos torturantes da torneira num prato
Um ninho em meu fogão, onde habitam ratos
O frio não cessa, e congela um pulmão
Eu respiro com pressa, palpita meu coração
Raios rasgam o céu, que energia!
A chuva vem feroz, surge em mim alegria
Na escuridão da madrugada, um pesadelo eu vivi.
Mas a vida é uma estrada longa
Que eu devo sempre seguir.
E tentar não desistir.
Meus passos não estão mais marcados
Minha respiração está descompassada
Meus Reflexos atrasados
Meus atrasos refletem na minha vida privada
Marcada, por nada, assim.
Procuro um caminho mais difícil pra ir
Pra nele encontrar mais tempo pra sentir
Que o que fácil vem, fácil vai,
O mal ou o bem, sempre se atrai.
Assim.
O que era escuro pra mim
Agora ficou claro demais
O que era estranho agora
É muito comum
Numa noite de insônia eu vi uns seres estranhos
Não sei se eram da terra ou de outro planeta
Mas andavam em grupo como rebanhos
Guiados por um imenso cometa.
Tinham uma luz intensa ofuscante
Que me deixou com os olhos ardentes
Faziam um som estranho a todo instante
Que deixou meus ouvidos dormentes.
Eu não sabia o que eram aqueles seres
Nem acreditava no que acabava de ver
Saia uma fumaça de dentro de um deles
E meu corpo começou a tremer.
Oh seu filho da puta da nave
Me diga o que porra você quer.
Com um universo tão grande e bate na trave
E escolhe um planeta que ninguém quer.
Aqui ninguém se preocupa.
Se o planeta morrer
Os de hoje estarão mortos
Quando isso acontecer.
O que vale é o dinheiro
E foda-se quem vai viver pra ver.
Resto de Nada
Um mar de nada em frente a um céu vazio
Matas de arvores secas, de um verde invisível.
Cadê resto, o cadê o tudo que havia?
Onde foi parar o quase tinha, e o quase consegui?
Uma cidade de sangue e lágrimas
Onde as crianças não brincam mais.
Um lugar que não deixa sair o cheiro
O sabor de saudade, de outras épocas.
Onde foi parar o meu sonho?
Queria que fosse um sonho.
Mas é real.
Uma estrada que não leva a nenhum destino
Uma rua que não mais abriga os fofoqueiros
Um mar de nada em frente a um céu vazio.
O resto é o nada, e o nada é o que resta.
Mostrem-me se puderem o que haverá de ser feito.
Um pedaço de resto, com um pouco de nada.
Resulta num pedaço de pouco.
Ou um resto de nada.
Martelo o prego na tábua. Martelo de aço, martelo de
borracha. Prego de ferro, prego na praça, palavras,
soltas, diretas, confusas, discretas, felizes, pequenas,
de paz, de ira, de revolta, de medo, de alerta,
amarradas, indiretas, concisas, sem pudor, tristes,
grandes, de guerra, de calma, de paciência, de
coragem, despreocupadas.
Martelo a ideia na minha cabeça. Martelo de fumaça,
martelo de borracha. Fumaça de fumo, de cano de
revolver, de incêndio, de chaleira, de chaminé, de
padaria, de pão assado queimando, de neurônios
desintegrando, de couro frio esquentando, de motor
velho, de fábricas trabalhando, de fogueira, do último
fósforo da caixa, da minha mente já cansada.
Martelo a ideia com um prego na borracha de ferro,na
praça, no meio da fumaça, dentro da chaminé
amarrada, queimando o pão assado, agora tostado.
Tô cansando. Acho que é melhor parar de martelar
tanto. Senão vou acabar machucando meu dedo.
Sabe as vezes que agente acorda com uma vontade de
comer justamente o que não tem no armário? Pão com
gergelim com charque de ontem dentro, mais um ovo
frito com queijo coalho, suco de cupuaçu sem açúcar.
Ou então biscoito maria com doce de goiaba. Assim: um
biscoito maria, uma lasca de goiabada em cima, e outro
biscoito maria em cima. Pronto! Sanduíche de biscoito
maria. E outra, também leva biscoito, mas dessa vez
maisena molhando no café com leite até a xícara
esvaziar.
Muito bom! Mas o pior é que, como disse antes, isso
acontece quando não tem nada do que foi citado. A
única coisa que tem é o pão dormido de ontem(se tiver)
ou um cuscuz já esverdeando em cima do fogão. Ou o
café pra requentar também de ontem.
Assistindo o programa Rural, vendo aquelas mesas
cheias de comida do interior que ninguém vai comer
tudo. Que aqui em casa daria pra amanhã, depois de
amanhã e depois e depois e depois e depois...
Ontem tinha muita comida, e o que sobrou foi de ontem,
então deveria ter muita comida hoje né? Acho melhor
eu voltar a dormir e esquecer esse papo de comida.
Pelo menos até o almoço.
Senhores, senhoras, meninas, meninos, cachorros,
cachorras, gatos, gatas, kombis, marrecos, marrecas,
presidentes, presidentas, pastores, pastoras, doutores,
doutoras, kombis, galos, galinhas, ministros, ministras,
paquitos, paquitas, bailarinos, bailarinas, kombis, pais,
mães, filhos, filhas, avôs, avós, tios, tias, kombis,
senhores, cachorros, senhoras, cachorras, meninas,
gatos, meninos, gatas, kombis, marrecos, pastores,
marrecas, pastoras, presidentes, doutores, presidentas,
doutoras, kombis, galos, paquitas, galinhas, paquitos,
ministros, bailarinos, ministras, bailarinas, kombis.
Jarro de planta, corda de caranguejo, caçuá de peixe,
rede de esperanças, sandália de couro, chapéu de
palha, suor no rosto, descobre-se quem é, Senhores,
senhoras, meninas, meninos, cachorros, cachorras,
gatos, gatas, marrecos, marrecas, presidentes,
presidentas, pastores, pastoras, doutores, doutoras,
galos, galinhas, ministros, ministras, paquitos, paquitas,
bailarinos, bailarinas, pais, mães, filhos, filhas, avôs,
avós, tios, tias, senhores, cachorros, senhoras,
cachorras, meninas, gatos, meninos, gatas, marrecos,
pastores, marrecas, pastoras, presidentes, doutores,
presidentas, doutoras, galos, paquitas, galinhas,
paquitos, ministros, bailarinos, ministras, bailarinas,
kombis, kombis kombis, kombis, kombis, kombis,
kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis,
kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, sem
bis...acabou!
Abre teus braços para meu peso cair sobre tuas forças.
Cruza os dedos para não eu te machucar.
Segure firme, pois na minha bolsa está sua boneca de
louça.
É uma replica sua, cuidado pra não quebrar.
Pode parecer idolatria, mas é só saudade sua.
Há muito não tenho bons dias, há muito vago pelas
ruas.
Tenho cede de você, e preciso me hidratar.
Por isso estou aqui quase a desmaiar.
Sem forças, exausto, beirando o chão.
Por isso não me deixe cair de suas mãos.
Pode parecer saudades, e realmente é isso.
Saudade, palavra tão própria da nossa língua, que já
me sinto dono. Por usucapião. Mas não resistirei a uma
reintegração de posse se você resolver tirá-la de mim.
Vala, suja, lixo, bosta, ratos, doenças, políticos,
transfusão, menstruação, choro, carro, luz, fome, água,
banheiro, luxo, empregos, vícios, criança, elos, gangue,
braco, roda, papeis, notícias, família, remédio,
constituição, livro, beijo, cama, silêncio,
fim.
Guitarras, baixos, baterias, vozes, gritos, críticas,
idolatria, repulsa, egocentrismo, inocência, shows,
viagens, sonhos, voos, discos, sucesso, dinheiro, fama,
lama, fracasso, crise, disputa, ingressos, palcos, rádio,
solidão, caráter, opinião, ditadura, revolta, golpe,
loucura.
Baixos, sentimentos, fúria, sombras, mente, oposição,
rejeição, nojo, velocidade, peso, vontades, destruição,
sacrifício, marcas, dores, sangue, saltos, palanques,
indignação, posição, firmeza, valores, marcas, madeira,
metal, novo, antigo.
Baterias, nada, sopro, deixo, certo, errado, tanto,
molhado, seco, dono, gari, feito, sem, orelhas, olhos,
bocas, dedos, pés, braços, falta, mãe, brilho, cabelos,
cheiro, sujeira, banheiro, extremo.
Vozes, cantigas, livros, outdoors, poeira, postes, laringe,
gol, alho, água, vinho, uísque, maçã, romã, falha, mudo,
surdo, cego, individual, alta, desafinada, carregada,
fanha, forjada, limitada, banda.
Não nego, não entrego, nem minto, nem finjo, nem
sofro, nem gozo.
Me livro, me privo, me deixo, me apego, me entrego,
me solto, me mostro.
Sou livre, sou escravo, sou criado, sou patrão,
sou pai, sou filho, sou sogro, sou genro, sou avô, sou
neto.
Tenho fome, tenho comida, tenho cede, tenho
água, tenho carência, tenho amor, tenho ira, tenho
paciência, tenho medo, tenho não, tenho segredos,
tenho não, tenho sono, tenho não, tenho do que
reclamar, tenho não.
Sinto frio, sinto, calor, sinto raiva, sinto dor, sinto
a música, sinto bem, sinto o sol, sinto a lua, sinto
também a sua, a sua mão na minha pele, de repente
gelada como neve, de repente ferve, me aquece, me
acende, me levanta inteiro.
Mar, céu, luz, amarelo, azul, verde, cinza, brilha,
acende, molha, cria, cuida, vive, sonha, dorme, acorda,
viva, realidade, terra, pés, vaidades, segredos, amor,
contos, gosto, água, guerra, apego, sentimento, muito,
janeiro, setembro, fevereiro, agosto, choro, alívio, susto,
saudade, janela, cuidado, briga, grita, reclama.
Os olhos queimam de tanto estarem abertos
Os ouvidos doem de nada escutar.
Portas abertas e os caminhos não estão certos.
Espera em vão por quem não vai chegar.
Músculos contraídos, sofrimento e dor.
Reação raivosa, expelindo o amor.
Desespero longo, alívio muito curto.
Poucos minutos separam minha sanidade do surto.
Tremulosas mãos que se esforçam pra escrever
Mesmo até sabendo que não vai mais haver
Nenhuma alternativa para isso mudar.
Pois sinto, está bem próximo o dia em que vou pirar.
29/11/2012
Vida, Vida, Vida...
“O que fazer dela quando as coisas já não são como deveriam ser? O que
fazer quando tudo vai perdendo um sentido obvio e passamos a viver
como bichos? Como lixo? O que fazer quando a esperança está quase
toda perdida? O que fazer quando se tem uma vontade de chorar imensa?
O que fazer quando se tem que ser forte, mesmo estando ensanguentado
por dentro? O que fazer? Por quê? Como? De que modo? São tantas
perguntas e tão poucas respostas. Vida. Será que esta palavra significa
algo pra você? Você vive com medo da vida? Ou é melhor viver a vida
sem medo? Mas medo de que? Medo da morte? Da dor? Do desespero?
Medo dos fantasmas que existem dentro de nós mesmos. Eu vivo uma
vida sem medos reais, eu não tenho medo de nada, a não ser o medo que
a minha mente insiste em criar, esses medos, essas fobias, paranoia, sei
lá, mas seja o que for eu não quero mais uma vida de medos. Não quero
mais ser prisioneira de mim mesma. Droga de vida, droga da casa, droga
de medo, droga, droga, droga. Mais no meio de tanta coisa ruim sobrou
algo de bom, aqui dentro de mim tem um desejo de triunfo maior que meu
medo, aqui dentro tem um amor imenso por pessoas maravilhosas, maior
que o universo, aqui dentro existe uma ideia de que o mundo ainda poderá
mudar um dia. Aqui dentro existe a sede da justiça, um corpo e uma alma
que clama pela liberdade. Por mais que eu saiba que a Liberdade é algo
inalcançável eu ainda acredito que algum dia eu possa chegar perto de
pelo menos um terço disso. Eu não acredito em quase nada, não acredito
nesse deus que as religiões pregam por aí, um cara que condena que
julga, que salva uns e mata outros milhares, que ama tanto os seus filhos
mais que os deixa passar fome. Porra! Pra cima de mim essa conversinha
de que ele ama todo mundo ah! Pra mim não, já to cansada disso. Eu
mesma crio minhas leis, eu sei da minha verdade e eu digo no que
acreditar. Tenho metas, um objetivo. E eu seguirei até chegar ao topo. Sei
que isso custará muito de mim, mas não importa, é o preço que se paga.
Só quero morrer com a sensação de que eu vivi cada segundo
intensamente e que não deixei escapar nada pelo ralo da pia. Eu vou até o
fim. E quando eu chegar lá se não tiver plateia para me aplaudir, não tem
problema por que eu tenho duas mãos. Mas com a quantidade de pessoas
que dizem gostar de mim tenho certeza que elas todas estarão lá e eu
dividirei com elas, com cada uma delas o gosto de minha vitória, a
felicidade.”
(São Sebastião - DF - Jun-2009)
Quis matar, quis morrer.
Quis chorar, quis viver.
Quis dormir, quis sonhar.
Quis sentir, quis amar.
Pude ter, pude ver.
Pude ir, pude voltar.
Pude estar, pude sumir.
Pude gritar, pude sorrir.
Queria uma fórmula, queria uma solução.
Uma resposta, não uma indagação.
Queria um sentido, ou uma segurança.
Desaparecer. Viver só.
Entre quatro paredes, só mofo e teias de aranha.
Ratos covardes. São os malditos seres humanos.
Vivem de sugar uns aos outros. Vivem da desgraça
alheia. Carniceiros, aproveitadores, vampiros de
energia. Não merecem viver nem habitar no planeta
terra. Odeio a humanidade. Odeio o amor.
Odeio a todos.
Abro os braços e espero seu abraço.
Fecho os olhos e espero seu beijo.
Acalma meu corpo perco o compasso.
Como um rato vidrado num queijo.
Sonho contigo, e nele todo dia posso te tocar.
Acordo pela manhã frustrado, pois ao abrir os olhos não
vou te encontrar.
Quero seu cheiro, seu gosto, seu calor.
Quero cultivar nosso amor.
Quero te levar pra onde moram as estrelas.
Quero escrever seu nome na lua...
Corte as cordas que te amarram.
Amarre seus medos.
E fuja com a coragem pra bem longe.
Separe-se das coisas que te separam.
Olha pro céu! Tá azul claro ou escuro?
Vai se jogar no mato ou ficar em cima do muro?
Sorrir contente ou se contentar com a tristeza?
Sei que não sou seu sonho de beleza.
Mas compenso te afastando da fraqueza.
Pura fineza de valor inestimável que o grande universo
me deu .
Levanta dessa cama que o mundo lá fora pode ser todo
seu.
Olha pro chão! Tá molhado ou seco?
Não resuma seu mundo imenso a um beco.
Viva mais e sofra menos.
Essa é a vida que temos.
Vamos gastar amor que a vida é curta.
Tu comigo e eu 'cum' tu.
Mas bem pertinho tá?
Não eu no norte e você no sul.
'Tiramo' 'mô' bem!
Ela é nova, é velha, é sonho, é medo, é algo em
segredo.
É pilha, provocação, incerteza, ingenuidade, pureza.
Ela atiça, se espalha, corta que nem navalha as
paredes do meu pulmão.
É fogo, é gozo, amável e intocável, ardente sensação.
Ela passa, nem olha, ignora, por dentro outra hora, quis
depressa ceder.
Ela finge, mente, sente e ri, sabe que estou por aí, a
esperar.
Ela é segredo, pureza, sensação, incerteza e solidão.
Ela é água, aquário, relicário de lembranças, que nunca
tive.
Vai lá, aprende o caminho depois volta para me contar.
Sente o gosto de voar, depois volta para me contar.
Bebe nas fontes mais puras, depois volta para me
contar.
Cheira as flores mais belas, depois volta para me
contar.
Ama os amores mais bonitos, depois volta para me
contar.
Lembra de quando eu te disse que não teria volta,
depois volta para me contar.
Aprende o caminho, o gosto de voar, o sabor das
fontes, o cheiro das flores, o amor dos amores.
Lembra que eu pedi para voltar. Lembra que eu tentei te
avisar.
Antes mesmo de você me deixar.
Vazio no peito, pensamento longe,
aspas em todas as palavras que vêm à mente.
Nenhuma é minha, todas tem dono,
e eu não tenho ninguém.
Um oco nas ideias, tentativas desesperadas de vomitar
no papel alguma frase inteira.
Contorcionismo desenfreado
para compor um verso.
Nada.
Nada.
Nada.
Vejo os pássaros cantando na janela, todo dia eles
cantam, tem um repertorio repetido, mas todo dia
cantam, cantam, cantam, fazem seus fraseados, em
diversos tons, e eu num tom de dar dó.
Nada.
Nada.
Nada.
Gosto da cor da minha cor preferida
Gosto do som da minha música querida
Gosto do cheiro de um perfume cheiroso
Gosto de um beijo molhado, gostoso.
Gosto, do gosto da mulher que eu gosto
Do gosto da mulher que eu gosto
Do gosto da mulher que eu gosto
Gosto da chuva chuviscando meu rosto
Gosto do sol ensolarando meu dia.
Gosto de ser a tua companhia.
Gosto de fazer parte da tua alegria
Gosto, do gosto da mulher que eu gosto
Do gosto da mulher que eu gosto
Do gosto da mulher que eu gosto
Gosto do som que sai da sua boca.
Gosto do brilho no teu olhar.
Gosto quando diz que eu te deixo louca.
Gosto mais ainda quando me pede pra te amar.
Gosto, do gosto da mulher que eu gosto
Do gosto da mulher que eu gosto
Do gosto da mulher que eu gosto
Movo um punhado de areia
E um pouco bate nos meus olhos
Queima, coça, incomoda
Parece que vai estourar.
Movo as mãos com água ao rosto.
Sinto levemente aliviar.
Mas ainda a um pequeno caroço.
Um micro grão de areia la dentro
A me incomodar.
Quanto mais eu lavo mais ele se esconde
Quanto mais eu esfrego menos ele sai.
Era melhor que tivesse sido um prego.
O que é grande em nada se esconde atrás.
Imagem embaçada, imagem desautorizada
Imagem de discórdia, imagem de ingratidão
Os olhos voltam pouco a pouco a ver
Esperando a partir dali nunca mais isso acontecer.
Tenho tentado ter toda teoria temporal tomando tais
tratados, terminando territórios, tecendo tentações,
tomando tempo, traçando tolos, tirando tapas, topando
tanques, torcendo, trabalhando, tricotando,
teologizando, teimando, travando tipos, tentativas,
tempestades tórridas.
Movendo montes mortos, marcados, mas
momentaneamente, molhados, mascarados, martirizam
moradias mucamas, mexendo moinhos maliciosos,
mais marionetes mergulhadas, maciçamente
machucando músculos, minerais mesozoicos,
malandros.
Seja sóbrio sempre, senão sentirá seu sangue saindo
sem sentir, solitário, selvagem sábio só, suando
sombras simétricas sob sol serpenteante, silencio,
semblante.
Gosto pouco de poucas coisas que me cercam, de
gente falsa que só aparece nas melhores horas.
Gosto tão pouco ainda das pessoas, sejam elas quem
forem.
Gasto tempo escrevendo textos, teclando frases que
ninguém irá ler.
Ganho um grito no ouvido dizendo que não tenho
serventia nenhuma.
Ganho honrosos xingamentos sobre minha arte, e que
ela nunca vingará.
Gosto cada dia mais da pessoas, do mundo, do resto.
Ganho cada dia mais nada para acrescentar ao meu
currículo aleijado de passagem pelo planeta terra.
Não sei se eu quero pessoas perto de mim quando eu
for demitido da vida.
E não sei se quero arrumar outro emprego desse.
Tropas, sangue, balas, fumaça, grito, dor, mortos,
corpos, água, terra, fogo, falta, cheiro, medo, solidão,
desespero, insonia, drogas, vermes, lixo, inimigo,
armadilha, barril, cigarro, vodka, remédio, fotos, praia,
sol, vento, comida, ilusão, poeira, pernas, braços, pés,
tronco, cérebro, cegos, surdos, mudos, loucos,
amputados, desfigurados, desarmados, entregues,
presos, inferno, fantasmas, rezam, imploram, defecam,
vomitam, enterram, paz, guerra.
Te amo, te chamo, te chingo, te solto, te pinto,
te mordo, te beijo, te entrego, te desejo.
Te laço, te lasco, te sinto, te faço, te cuspo,
te sirvo, te jogo, de pego, te lambo.
Te falo, te canto, te escrevo, te levo, te peço,
te messo, te uso, te cheiro, te acho.
Te beiro, te rondo, te escondo, te agarro, te rodo
te tempero, te venero, te espero, te suplico.
Te componho, te calo, te ralo, te valho, te vi,
te pesco, te caço, te peso, te molho.
Te adoro, te lavo, te bebo,
Te tenho.
Te.
Aos teus dezesseis te vi pela primeira vez
Foi encantamento, violento, direto,
sem chance para raciocinar.
Assistindo vidrado, calado, apaixonado, quem sabe,
sentindo-me assim, por ti amado.
Criança, mente viajante, mas com olhar de amante, que
vai esperar no portão
Sua musa chegar, lhe abraçar, ficar calado sem saber o
que falar, não tem muito
usado a imaginação.
Dia após dia, sente parecido hoje o que naquele dia
sentiu, um gelo na espinha ao sentir o sex appeal.
Derivado da lua é seu nome.
Guarda mistérios tal qual.
Um lado escuro que pouquíssimos conhecem, mas que
não tem nenhuma escuridão.
Hoje tem um dono seu coração, e nem pretendo ser
dele ocupante, apenas no meu, guardado está, um
platônico amor infante.
Tantos sonhos, tantos sorrisos, tantas estradas,
tentos delitos.
Tantas vidas, tantas mortes, tanto caos,
tanta sorte.
Tanto dinheiro, tanto poder, tanta sisma,
tanto medo.
Tantos filhos, tantos beijos, tantos amores,
tantos desejos.
Tanto tempo, tanto grito, tanta dor, tanta cor,
tanta arte.
Tanta cólera, tanta revolta, tanto tudo,
tanto mundo.
Tantas mães, tantos pais, tantos carros,
tantas casas.
Tantos tantos, tantos nadas, tantos quase,
tantos fins.
Suor que escorre pelo corpo feminino, de uma deusa de
carne e sangue quente.
Infiltra doses cavalares de pensamentos, desejos e
sensações na minha mente.
Fazendo-me imaginar, sonhar, e até materializar sua
imagem bem a minha frente.
Sonho? Não sei! Realidade? Muito menos.
Apenas vejo.
Desejo.
Suspiro.
Intocável, silencio torturante sai da sua boca.
Olhar cortante que mira meu rosto.
Travando meus músculos.
Ferindo meus ossos.
Desligando meus nervos.
Apenas suor escorre do meu rosto.
Apenas suor escorre do seu corpo.
Calor.
O quê esperar quando não se tem mais esperanças?
O quê querer quando não se sabe mais o sentido de
nada?
O quê provar quando não se sente mais o gosto?
O quê pedir quando não se tem mais a quem recorrer?
O quê escrever quando se foram todas as palavras?
O quê pensar quando não há mais nenhuma ideia?
O quê amar quando não existe mais nenhuma razão?
O quê fazer quando já se fez tudo e nada mais sobrou?
O quê?
Quem vê um sorriso nesse rosto ao dia
Não imagina a tristeza e a agonia
Que preenche meu ser
Sempre que em decúbito estou.
Pensamentos a duras léguas não param
Sono averso à minha pessoa
Nenhuma ideia de como posso isso parar
Apenas observo,
Cada hora do relógio passar.
Sonho sozinho, e nele eu não me encontro.
Acordo a todo instante,
Nos olhos, lágrimas de um choro infante.
De quem não sabe mais onde se apoiar.
Linhas tortas, escritas sem caneta ou papel
Desenho letras em palavras num restinho
De poeira no chão, onde a lua cheia ilumina
Pela brecha da janela, lá no alto do céu.
Fica sempre à sombra da dúvida.
Se está ali apenas a olhar
Ou se simplesmente quer algo dizer.
Mesmo que sem palavras,
Ou com cem palavras.
Mistério que sempre irá pairar no meu ar.
Mistério que talvez nunca eu havera de saber.
Nem sei se é bom mais perto estar.
Ou se estava melhor o antes de hoje ser.
É difícil tentar achar.
Muito mais ainda tentar ver.
O que eu nem sei o que procurar,
Ou o que eu procuro entender.
Apenas ando.
Apenas penso.
Apenas observo o movimento dessa maré.
De uma forma ou de outra,
Deixa apenas um até...breve.
Quando você se lembrar, apague a memória
Vá recomeçar.
Quando você se esquecer, faça um backup
Tente recuperar.
Quando a saudade bater, formate o coração
Crie outra partição
Separe o que for amor do que for paixão.
Tente lembrar do que não fez
Faça isso mais uma vez
Se funcionar, é melhor parar
É melhor voltar
Restaurar o sistema
Reiniciar.
Se você me encontrar
Me perca.
Se você me perder
Não ligue.
Se a saudade chamar
Ignore.
Quando lembrar de mim
Não chore.
Se eu pedir pra ficar
Não fique.
Se eu me arrepender
Vá embora...
Agora!
Quando for dormir
Não pense.
Quando acordar seja...
Você.
Só você.
Sem mim,
Em fim.
Ideias, sempre vem e vão num piscar de olhos.
Surgem do nada, e pro nada seguem.
Aparecem em várias cabeças em vários pontos do mundo.
Idênticas, em linhas e pontos.
Em notas e acordes, em dores e vinganças.
Ideias, quantas vezes recorri a elas e nada veio.
Tantas vezes vieram tão rápido que nem tive tempo de entender.
Outras vezes me deu raiva
Ver as minhas ideias surgindo em outras cabeças.
Sendo executadas por outros olhos.
Mas sempre estão por aí,
Espalhadas pelo espectro eletromagnético
Onipresentes e oníssonas nos quatro cantos do mundo
Ou do universo, por quê não?
Tenho certeza que nesse momento tem alguém escrevendo
E o tema é Ideias.
Ideias, venham a todo instante e impregnem meu cérebro falante.
Encharquem minha mente com fertilizante e nunca me deixe parar.
Traga toda matéria já feita na terra. Sei que você não erra,
Apenas as vezes deixa escapar.
Use minha atmosfera, transforme em quimera,
Mas sem nunca me abandonar.
Venham, seja em qualquer hora, pode ser agora,
Se quiser arriscar.
Mas venham, venham todos os dias, não transforme em agonia
O dom de criar.
Sou um carro de mão maneta.
Uma tesoura de uma perna só.
Uma garrafa de vinho sem rolha.
Uma costura acabada sem um nó.
Um buraco no fundo piscina.
Uma prancha sem onda pra surfar.
Um pé faltando da botina.
Uma enxada sem cabo pra arar.
Sou um taco sem bola na sinuca.
Uma canteiro de obra sem peão.
Um carimbó sem lembrar de Pinduca
Um forró sem lembrar do Gonzagão.
Sou um sonho bom cortado ao meio
Uma carta escrita sem a mão
Um amor desejado que não veio
Uma turbina ligada sem avião.
Um corte bem fundo no cabelo
Uma dose de cana com limão
Uma saudade que queima feito gelo
Uma fenda que rasga o coração.
Um copo de vinho derramado
Umas pontas de cigarro pirata
Um filme lado B croata
Umas cartas rasgadas no chão.
Duas e trinta marca o relógio
Sem nenhum rastro de sono
Olho pra rua
Cachorros, ratos, gatos, bêbados
Maré enchendo, vento forte, lixo
O filme B no meio
Não entendo nada mas continuo
Lampada fraca, olhos ardendo e pesados
Nenhuma palavra sai da caneta
Nenhuma cena que valha uma punheta
Só tédio, silencio,
Total falta de imaginação
Nem uma palavra sai da minha boca.
Ando de um lado para o outro
Outro o para
Lado um
Lado B
O filme acabou, continuei sem entender.
Que pena.
Parecia ser legal, mas nem o nome eu sei.
Queria um gole desse vinho que derramei
Queria um trago no goia do cigarro pirata
Queria uma palavra pra iniciar meu texto
Uma palavra e mais nada.
Nada!
Exatamente!
Nada
Nad...
Na...
N...
Hoje eu quero sair sem hora pra chegar
Beber, me embriagar, conversar
Rever que nunca vi
Sonhar sem me deitar.
Regar os pés na lama
Levar você pra cama
Mover a geladeira
Trocar o gás
Conversando besteira
Depois ficar na paz.
Na hora do adeus
Nem olho pra você
Meus olhos não são seus
Não quero mais te ver
Se movo minhas pernas
É pra fugir de ti
Paixões que são eternas
Busco sempre o fim.
Dor. Apenas dor.
De baixo para cima, uniformemente atinge nervos,
músculos, ossos, pele, pelos...
Intermitentemente torturando um corpo já torturado
pelas unidades de medida, pela gravidade e pelo
cansaço.
Nada afasta a angina cruel dos meus membros, nem a
mais forte substancia química analgésica, nem a mais
forte substancia natural alucinógena.
Os olhos de Lúcifer estão brilhando.
E ele sorri.
Sua fé não vai salvá-lo.
Seu poder está acabando.
Milagres não são reais.
Não tente chamá-lo
Ele está morto
E a ira da Babilônia
Agora está chegando
De baixo
para cima
Sem regras, sem perdão,
Apenas a dor e o sofrimento serão eternas.
O sacrifício de um homem santo
Não os salvará
Muitas línguas, nenhuma explicação
ou tradução a dizer sobre o seu fim.
A ira da Babilônia
está chegando
A ira de baylon
A ira da Babilônia
Vai levá-lo à morte
para pagar seus dias de espírito podre
na terra.
Sem notar pensamos juntos e
Juntos juntamos os cacos
Sem pensar notamos algo e
Juntos fomos ver
Eram duas da manhã e você
Queria gritar.
Eu estava aqui sozinho
sem ninguém pra conversar.
Quando você voltar, traga um vinho.
Deixe a geladeira aberta
Pra refrigerar
O ar.
Hoje minha madrugada pode ser última.
Hoje, que já é amanhã, pode ser meu ultimo ontem.
Esses acordes na guitarra podem ser os últimos.
Esses olhos que agora olham as letras se formarem
palavras, e elas em frases podem se fechar.
Hoje minha voz pode ser o último som
que sai da minha boca.
Hoje, que já é amanhã, pode ser meu ultimo ontem.
Esses dedos que agora escrevem, podem estar escrevendo seus
últimos versos improvisados, nesse emaranhado de fios e
informações
que se tornou a internet.
Ah a maldita internet, ligando o mundo
Invadindo o mundo
Acabando com a paz, anunciando o fim da guerra.
Todo o ser humano nessa terra ha de ser tocado pelos tentáculos
da famigerada rede mundial de computadores e smartphones, e
tablets,
e os que vierem depois de mim.
Podem ser minhas últimas palavras, mudas
Pois minha voz não vai atingir ninguém com esse som
de teclas, nem vai avisar ninguém que posso ter partido
Um clique, um estampido, seco, barulhento, alarmante
Contando...1...2...3...ja´sdfksalncokw efIFASPF~J
SNDPQJElckqd~KSAL
M]caçmdsssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
ssssssssssssssssssssss....................................................................
................................................................................
Uma saudade crua.
Uma saudade minha.
Uma saudade sua.
Só.
Uma dor minha
Uma dor nua
Uma noite sem sono,
Madrugadas de abandono.
só.
Uma noite minha.
Uma noite sua.
Uma noite nua.
Sem estrelas
Sem lua.
Sinto seu gosto em minha boca
Ilusão.
Qualquer canção é pouca.
Pra tamanha escuridão.
Pequenos olhos de vazio imenso.
Perdido no tempo,
Desse frio intenso
Que pairou sobre mim.
Pescador de Estrelas
Olhando pro céu numa madrugada
Um espectador numa arquibancada
Ouvindo o silencio que a noite me trás
Do meu sofrimento não me lembro mais
Assim...colado no chão...
Observando a imensidão
Do céu
Conto as estrelas que eu vi passar
Lembro o sorriso que não virá
No fim.
Penso nas noites que não dormi.
Penso em você que está aí.
Sem mim.
Lanço minha rede ao ar
Nela tento pescar
Estrelas
Nela tento pegar
Sonhos
Na brisa de uma fumaça branca
Quem vem não sei de onde
Um cheiro suave que encanta
As tribos de todos os montes
Será que vem de você
Todo esse feitiço
No ar?
Em fim acordei!
Cada um tem seu modo de sofrer
E aliviar o sofrimento,
Meu sofrer é muito introspectivo,
Às vezes imperceptivel,
Às vezes questionado.
Cada um tem seu modo de amar
E aconchegar seu coração
Meu amar, hoje é contido
Às vezes incompreendido
Às vezes questionado.
Cada um tem seu modo de viver
E se adaptar ao mundo.
Meu viver é confuso e ferido.
Às vezes imperceptível
Às vezes incompreendido
Às vezes questionado
Nunca repeitado.
Nunca acostumado.
Não me importo se minhas palavras serão roubadas
Não me importo se alguém usar pra si
Ou para outrem.
Desde que sai de dentro de mim.
Não me pertence mais.
Pertence ao mundo.
Será que existe alguém?
Será que o existe existe?
O que será o ser?
O quê será o será?
Lixo!Fome!Mortes!
Será que isso existe?
O que será o isso?
O que será o será?
A lama que cobre todo o seu corpo.
Já tomado por chagas várias.
Contamina feridas abertas.
Alimenta os vermes.
Que já o come vivo.
O gosto de sangue
Que encharca sua boca
Em pouco tempo se tornará pus.
Em pouco tempo se decomporá.
Não mais poderá falar.
As vozes que agora invadem seus ouvidos.
Se intensarão e perturbarão sua mente.
Sua loucura se estabelecerá por completo.
O sentido da realidade deixará de existir.
E você passará a se ver como um verme.
Como sempre foi.
Quero um copo de vinho envenenado.
Quero ele quebrado.
Sangrando na boca.
Pingando ódio.
Quero um copo de vinho envenenado.
Quero uma faca cega.
Para cortar meus sonhos.
Rasgando dos olhos.
Quero um copo de vinho envenenado.
Quero uma corda amarrada.
Prendendo meu ímpeto.
Enforcando meu desejo.
Quero um copo de vinho envenenado.
Para matar a cede.
Para matar ânsia.
Para matar a dor.
Para matar o amor.
Para matar.
Agente chora por quê?
Agente sente raiva por quê?
Agente sofre por quê?
Agente ama por quê?
Sonhos.
Pesadelos.
Alucinações.
Vertigens.
Beiramos todo dia o mais profundo abismo da loucura
Passamos perto da razão e da insanidade.
Bebemos nas duas fontes.
Só assim para equilibrar
E finalmente sobreviver
Neste mar de loucuras.
Apenas sabemos que não devemos,
Nunca confiar num ser humano.
Seja ele qual for.
Seja ele quem for.
Minha menina 'ocê' nunca será deixada,
Será sempre amada e ainda digo mais
Amanso onça, meto bala em 'pistolêro'
Puxo a faca, abro um 'berrêro'
Se alguem vier lhe 'apurrinhá'
Cavo buraco em 'terrêro' de concreto,
'Cuma culé',de uns vinte metro
Pra perto de tu ficar.
Só num duvide do 'amô' vindo 'de eu'
Que Julieta mais Romeu,nunca havera de 'juntá'
Por isso peço fique cum eu pra sempre
E 'vamo mostrá' pra essa gente
Que o amor da gente nunca vai se acabar
E de repente um repente sai da mente
E eu, daqui começo a rimar.
Querendo dizer em liguagem poética
Que hoje eu te amo, amanhã vou te amar,
E pra sempre assim será
Mantendo a métrica
Num compasso dançante
Ou quem sabe eu... encante,
Sem nem saber... dançar
Mas o certo é que te amando
A minha rima aumenta,
E tem gente que num aguenta
'Vê' agente 'Chamegá'.
Escalo uma serra
Passo por cima do Forró
Numa Jibóia dou um nó,
Quem era mudo agora berra
Duvidando do meu feito
E vão procurar um jeito
De tentar me impedir,
Mas daqui 'num võ' sair
Sem 'tu' comigo eu 'levá'
Nem que eu pule 'num' pé só
De Cabrobó até o Pará.
Corredor de ônibus
Paradas de ônibus
Passageiros sentados
Passageiros em pé
Fale com o motorista apenas o indispensável.
Corredor de passageiros
Paradas de passageiros
Passageiros sentados
Passageiros irritados
Fale com o passageiro apenas o indispensável.
Guerra de poluição
Sonora, visual, sonora visual
Dentro e fora do coletivo
Alguém sem fones pra por no ouvido
Alguém sem ouvidos
Alguém sem olhos
Alguém sem nenhuma percepção.
Passageiros com raiva
Vidros quebrados
Ônibus incendiado
Caos.
Passageiros sentados
Passageiros em pé
Passageiros à pé.
Eu quero te sentir esquentando minha pele.
Teu cheiro invadindo minhas narinas
Entorpecer.
Molhar o chão de suor.
Manchar as paredes com as mãos.
Conter teu gemido com minha boca.
Fazer você se tremer na ponta dos pés.
Meus olhos vidrados
Enquanto você implode e explode
Calor, lágrimas.
Intensa paixão.
Ofegante.
Amantes.
Três.
Só.
Seduzem por natureza com qualquer beleza
Seu cheiro inodoro invade o espaço
Arrebenta o laço que prende a libido
Provoca um estampido, como um tiro,
Atinge os pontos vitais, deixamos de ser humanos
Viramos animais, no cio, vadios,
Sedentos por elas, domados, preparados
Para sermos devorados, por suas bocas
Loucas, úmidas, carnívoras,
Como uma orquídea, insinuante, brilhosa, cheirosa,
Calor, sexo, desejo, quem sabe amor.
O que resta é apenas lembrar
O que resta é apenas olhar para as fotos
O que resta é apenas teclar
Palavras desconexas no teclado sujo
Pensamentos sem caminho seguro
Desejo de não sei o quê!
Grito!
Sussurro!
Gemendo baixinho!
Sofrendo!
Querendo!
Outra vez!
Mas o quê?!
Não sei nem mais o que estava pensando!
Nem de quem estava falando.
O que é isso em baixo dos meus dedos?
Essas letras marcadas em pequenos quadrados
Umas ao lado das outras
O que são?
Onde vou parar com essa neo-esquizofrenia?
Rosto suado, mãos geladas, respiração ofegante
Pernas trêmulas, boca seca
Rigidez, desejo, sede, ânsia
Roupas, poucas, jogadas, rasgadas
Dois rostos suados, duas mãos entrelaçadas,
Transpiração contínua e prolongada, molhada
Deitada, em pé, sentada, me olhando,
Me intimidando, me provocando, me comendo
Com os olhos, com a boca, com as coxas
Mulher decidida, direta, sem muitas palavras
Esperta, ingenua, ora grande, ora pequena
Me faz flutuar, me faz eclodir, gozar
A vida, a noite, o momento como o último.
Lábios grandes e carnudos, cheios de sabor.
Grandes lábios sedutores, beijando minha cabeça,
Meu rosto, minha boca;
Ar rarefeito dentro desta atmosfera própria,
Bactérias mortas, suor, calor.
Lábios Grandes Lábios.
Olhos aflitos, com dor, com surpresa.
Olhos abertos, sempre atento, cansado.
Olhos de fome, de desejo, de ira.
Olhos de medo, de angústia, de dúvidas.
Olhos de sede, de lombras, de sono.
Olhos brilhantes, felizes, distantes.
Olhos diversos.
Olhos passivos.
Olhos amantes.
Olhos matadores.
Olhos sem caráter.
Olhos de fé perdida.
Olhos d'água.
Olhos, pra te olhar, mesmo que não te veja.
Simplesmente, olhos.
Vala, suja, lixo, bosta, ratos, doenças, políticos,
transfusão, menstruação, choro, carro, luz, fome, água,
banheiro, luxo, empregos, vícios, criança, elos, gangue,
braco, roda, papeis, notícias, família, remédio,
constituição, livro, beijo, cama, silêncio,
fim.
Entre sonhos e sonhos
Entre noites e noites
Entre olhos
Entre bocas
Entre pernas
Entre palavras desconexas.
Entre e fique a vontade
Não se acanhe
Aqui tudo pode
Aqui sempre há possibilidades
Entre e não meça suas palavras
Apenas seja
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Agente não se conhece
Agente nunca se viu
Mas aqui, exatamente aqui
Sempre haverá espaço
Pois no seu inconsciente
Você já sabia que eu existia
E nele sempre eu existirei.
Multiplicado pela decapitação
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Pedaço a pedaço, separados pelas mãos do carrasco
Sem poder pedir desculpas, mesmo não tendo feito nada.
Ordens do papa, ordens de deus
"Nunca discordes das palavras sagradas
Pagarás com a tua vida, e sofrerás eternamente,
Em nome do pai do filho e do espírito santo amém."
Pensou demais, falou demais
Agora cada parte do seu corpo
Como exemplo aos afoitos
Ficará exposta à praça publica
Até apodrecer, virar comida de corvos
E esperar os próximos condenados
Condenados à furia de deus.
Condenados por não ser mais um gado.
Condenados por pensar.
E não se deixar dominar
Por dogmas e palavras
Escritas sabe-se lá quando
Por sabe-se lá quem.
Mate-os!
E quem mais não aceitar os escritos
Matemos também, pois morte em nome de deus
É morte sacra. Eu sou o papa, o procurador de deus na terra.
Eu assino(e assassino) em nome dele, amém.
Anjos e demônios transando numa sepultura
Sofrimento e choro banhado a sangue
Alucinações, desespespero mental.
O fogo se movendo e queimando sua alma.
Esquizofrenia!
Cerebro destruído!
Gritos nos meus ouvidos!
Apenas ódio e tortura.
Não me deixe morrer desse jeito.
Nessa loucura infernal.
Se você quer me salvar.
Corra!Corra e não me deixe sair.
O tempo está acabando.
E ela está bem ali
Apontando para mim e sorrindo.
Dizendo que que minha hora chegou.
Anjos e demônios transando numa sepultura
Sofrimento e choro banhado a sangue
Alucinações, desespespero mental.
O fogo se movendo e queimando sua alma.
Esquizofrenia!
Cerebro destruído!
Gritos nos meus ouvidos!
Apenas ódio e tortura.
Não me deixe morrer desse jeito.
Nessa loucura infernal.
Se você quer me salvar.
Corra!Corra e não me deixe sair.
Esquizofrenia!
Cerebro destruído!
Gritos nos meus ouvidos!
Apenas ódio e tortura.
O virtual que aproxima os distantes
E distancia os tão próximos.
Desvirtua mentes vazias
E agrega mentes fortes.
Encontro ao acaso no meio do nada
Muito tempo passado e nenhuma palavra
Conversa convexa, as vezes complexa
Como quem já viveu aquele momento
Sorriso largo, gargalhada solta.
Primeiro numa praça, agora em outra.
Sentado olhando pra cima e pensando
Por quê é que ela está voando.
Sorrindo e ascenando com uma das mãos.
E meus pés firmados bem forte no chão.
E os olhos se abrem...
Sinto que já está chegando a hora
Que não haverá mais tempo para realizar
Não sei o dia, mas sei que vou embora
É questão de tempo, é se acostumar
Não haverá plateia
Nem choros nem blues
Nem mesmo tenho ideia
Se verei denovo seus olhos azuis
Só sei que sinto a partida
Tão perto quanto longe
Nem sei se haverá despedida
Ou se estarei sozinho, como um monge
Não haverá registros
Não haverá memória
Fotos velhas sem filtro
Para lembrar minha breve história
Se for hoje, ou após estas linhas
Eu desejo pelo menos saber
Se alguém vai continuar
O que tentei fazer.
Só sei que sinto
Só sei que penso
Só sei que só.
Adeus.
Numa sombra clara no chão
Escuro como leite,
Claro como carvão.
Meus pés tocam o ar
Que é duro como cimento
Minhas mãos caminham tortas
Seguindo as linhas do tempo.
Cada cavalo no seu galho
Procure sua ração.
Seu rosto num sabão eu entalho
Pra lavar meus panos de chão.
Vesti uma panela suja
Sem saber se dava em mim
Mas levei sem saber de lambuja
Um dominó de marfim
Cada cavalo no seu galho
Procure sua ração.
Seu rosto num sabão eu entalho
Pra lavar meus panos de chão.
Vesti uma panela suja
Sem saber se dava em mim
Mas levei sem saber de lambuja
Um dominó de marfim.
Tá lá um corpo estendido no chão
Esperando o outro corpo por cima cair
E assim, dar continuidade a já impestada
Humanidade.
Andando sozinho pela madrugada do pensamento
Olhando para o nada, ouvindo os vários sons do vento.
Sem repouso, há dias luto contra as minhas forças.
Há dias tento ao menos cochilar.
Mas os olhos insistem em ver
O que minha imaginação teima em não mostrar.
Mais uma dose de ácido, mas não os alucinógenos
E sim o AAs com gosto de confeito.
Tomo água, tomo banho, tomo um tombo.
Mergulho de cara no chão e ainda assim não apago.
Fico putaqueparívelmente ainda mais acordado.
Pois depois de cair de cabeça, a última coisa
A fazer é dormir
Pois corre o risco de não mais acordar.
Minha idéia ainda não é essa.
E seguem-se dois,três,quatro,cinco...
Uma semana de olhos abertos, atentos.
Esperando a imagem que a imaginação
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Acordada
Para me ajudar.
Em fila no pente ou em círculo no tambor
Balas de chumbo ou de borracha
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Elas precisam de um lugar confortável para
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Ou não! Pois ele pode resolver deixa-la descançar.
E assim, finalmente encontrar um lar.
Caiba no meu abraço
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Deite sobre meu ombro
Que eu amparo as lágrimas do seu choro
Sinta que eu estou indo
Fundo ao seu sofrimento
Agora sei o que estais sentindo
Estou provando esse sentimento
Tremes e travas os ossos
Grita calada sua dor
Nem meu nem seu, nossos
Os pedaços colados do amor
E vem um suspiro valioso
Recompensa, retribuição?
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E ardente e duradoura sensação.
Caiba na minha voz
Pois ao falar seu nome
Quero me fazer presente
Sempre que estivermos a sós.
Atras das portas e das grades
Atras das mentiras e das verdades
Diante das palavras e sussurros
Diante dos medos e coragens
Seguindo sozinho no escuro
Fugindo de fantasmogorica carruagem
Atravessando as horas
Revirando os olhos
Debatendo-se
Tentando livrar-se
Fogo
Gelo
Queimando a pele
Trincando os ossos
Gritos
Dor
Só.
As asas foram
Cortadas e fim
Sobraram grades
Nada de mim
Atrás dos muros
Dessa prisão
Em minha mente
Só confusão
Confuso!
Sem rumo!
Agonizo!
Morto!
Pregos furam
Minhas mãos
Dor intensa
Sem salvação!
Confuso!
Sem rumo!
Agonizo!
Morto!
Armadilha escondida
Ferida!
Sangue banhando o chão
E não!
Então querer voar sem saida!
Dessa eterna prisão!
Confuso!
Sem rumo!
Agonizo!
Morto!
As imagens vêm via satélite
Para nossas TVs,
Param nossas mentes
Tornam-se hipnotizantes
Paralisando por instantes
Todo o nosso pensamento racional
E são através das antenas
Que as imagens chegam ao seu destino
Mas através das mesmas antenas
As ondas sonoras do rádio
Chegam aos nossos ouvidos,
As vezes com coisas boas,
As vezes com coisas péssimas
Uma das grandes invenções do mundo moderno foi a antena
Ligando o mundo através dos seus pedaços
Espalhados pelos telhados.
28/11/2009
Eles não tem pena se você não tem comida
Eles ignoram se você não tem um lar
Pra eles não importa o vazio na sua barriga
Porque você só presta na hora que for votar.
Ratos miseráveis que só pensam em dinheiro
Ladrões engravatados que não param de roubar
Escondem na cueca, na peruca ou no banheiro
Toda a propina que acabaram de ganhar.
Aumentam seus salários em 62%
Pra viajar o mundo com a família e tudo mais
Enquanto agente fica todo mês num sofrimento
Quando acaba o dinheiro e a comida não há mais.
Olhe para a frente
Toda vez que for votar
Não venda o seu voto!
Pra depois não reclamar.
marcas da revolta
as marcas da revolta se apresentam no meu rosto
o sangue derramado de pessoas inocentes
por uma maldita droga agora no primeiro posto
da paranoia insana dessas miseráveis mentes.
corpo transformado em caveiras ambulantes
os filhos deformados, viciados sem saber
parecem zumbis, mortos-vivos, mutantes
com uma fissura eterna não têm medo de morrer.
é uma epidemia bem pior que o HIV
quem entra não sai mais, faça o que fizer
o tiro é certeiro, na cabeça, sem volta
humanos destruídos, sem pergunta nem resposta.
crack! mata!
crack! destrói!
Crack! devasta!
crack! corrói!
corpos transformados em caveiras ambulantes
os filhos deformados, viciados sem saber
parecem zumbis, mortos-vivos, mutantes
com uma fissura eterna não têm medo de morrer.
é uma epidemia bem pior que o HIV
quem entra não sai mais, faça o que fizer
o tiro é certeiro, na cabeça, sem volta
humanos destruídos, sem pergunta nem resposta.
ENTRE OLHOS E MÃOS
ÚLTIMA SINFONIA
SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
DISTORT
SALVE-SE QUEM PUDER
DUO
RUPTURA
IDEIAS FECHADAS, MENTE INERTE
RAIO-X AP MÃOS DIREITA E
ESQUERDA
IN FOCO
MENTE EM CONFLITO
METAZOASTRO
LOUD
Eu poderia agradecer a um monte de gente aqui, mas não vou
fazer isso com nomes, pois posso esquecer-me de alguém, e esse
alguém ficar chateado.
Então no geral do geral, dedico esta publicação a todos (e todos
podem parecer ser muitos, mas são pouquíssimos) os que
apreciam minha pessoa de algum modo.
Às poucas pessoas que amo. Aos que me odeiam e aos que não
me suportam um foda-se, não dependo de vocês pra nada. Aos
seres de energia superior ao redor da terra, ao seres de energia
inferior também. Às mazelas e bondades da humanidade, às
mulheres e os homens de todo o planeta, à música de qualidade,
ao inventor da caneta, ao inventor do papel, da impressora e do
computador, aos meus progenitores por (mesmo que
erroneamente) terem me feito.
Ao Rock n’ Roll, que me fez ser menos imbecil, e foda-se quem
não concordar. Às pessoas de muito longe e muito perto. Às
pessoas mortas e vivas, e às mortas vivas que vagam pelo mundo.
E a mim mesmo por não ter morrido até agora. Se após esses
escritos eu morrer, quero ser queimado numa rede como um peixe
na telha.
Bruno Rafael
BRUNO RAFAEL PEREIRA RODRIGUES SILVA
Nasceu no Recife no ano de 1983,
E seus textos têm uma acidez mórbida em alguns momentos, e doces
palavras de amor montadas em tristes versos, flertando com a psicodelia
em outros instantes.
Sem preocupação com rótulos e escolas literárias. Sem preocupação com
rótulos e escolas literárias. Marginalmente fraseando só para lançar ao
mundo suas palavras.

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ESCRITOS

  • 1.
  • 3. Escritos” é uma coletânea de diversos textos aleatórios paridos pelo meu cérebro nos últimos dez anos E que agora resolvi publicar em forma de livro para quem quiser ler esta primeira edição. Primeira edição por que eu posso encontrar mais textos perdidos em cadernos velhos, e cuspi-los no computador, pessoal ou impessoal. Espero que sirva pra alguém fazer alguma coisa, nem que seja pra colocar na fogueira na noite de São João. Bruno Rafahell
  • 4. Estou bem próximo do mais distante ponto de fusão entre o ser e o deixar de existir. Onde estou?
  • 5.
  • 6. Metais se fundem Formando uma massa homogênea Seus olhos me confundem Cria um caleidoscópio em minha mente Me faz sonhar Me faz viajar Voltar a ver Não enlouquecer Meus olhos vão se abrindo Se abrindo Se... Ah! Sinto frio Sinto calor Medo! Ouço choro, gritos de dor Dá vontade de chorar também Mas lembro que não tenho pena de ninguém.
  • 7. Arrasto os cacos no chão até ficar elástico Pasto na imensidão desse universo de mel Corro antes que corroa toda a minha mente De repente, sem eu perceber, Que estou caindo do céu. Mostro pra você a minha vida Que está indo devagar Tento disfarçar, que não tiro os olhos de você Mas dá pra perceber.
  • 8. Sob o olhar da lua e das estrelas Espero uma resposta, Uma luz, Que me diga o caminho melhor a seguir. Cansado, eu penso, mas não consigo Gerar ideias, criar fundamentações Para onde devo ir, ou voltar. Aos montes os pensamentos se misturam em minha cabeça Fazendo-me apagar. Pontes caem no meu pensamento Deixando isolados os raciocínios rápidos E destruindo os neurônios ainda vivos Será que vou acordar amanhã de manhã?
  • 9. Mas que dia lindo que eu não vou ver Que sonhos maravilhosos que não vou realizar Que lembranças boas que não vou guardar Que filhos lindos que nunca vou ter. Uma plateia cheia sem ninguém pra se apresentar Um avião que voa sem um destino pra chegar Um jardim florido sem ninguém para cuidar Um amor tão lindo, mas que não vai durar Um bebê sorrindo, pouco antes de morrer Uma semente plantada, que nunca vai se desenvolver Mas que noite eterna esta que agora estou Dentro de uma caverna meu mundo se enfiou Sobrou apenas nada! E no nada estou Não sei se vivo ou morto Rastejo na lama da vida Melhor seria o aborto Que carregar esta ferida.
  • 10. As cores ficaram resumidas ao monocromático, Ou preto e branco. Estando em trevas, estando com medo. Vivendo ao redor de corpos, apodrecendo num lago de sangue Necrófobo, sofrendo em angústias e enlouquecendo. Necrólatras que riem. Neste local sombrio, pessoas necrofágicas. Embebidas em sangue e pus, Saboreiam o néctar da morte em seus bancos Acima de mortalhas. Mazelas da humanidade imunda Que apesar de agora diferentes, Serão todos vermes Depois pó.
  • 11. Avistada uma luz que vinha não se sabe de onde, Os olhos se ofuscaram, e a mente ficou confusa. Parecia que havia acontecido uma explosão nuclear, Pois após a luz, veio um vento muito forte, Que arrastou tudo em cima da minha mesa. Mas não era nada disso, Eu havia cochilado sobre a mesa com a janela aberta, E durante a noite faltou energia. Ao amanhecer, o sol entrou com tudo nos meus olhos, E a energia voltou ligando o ventilador, que estava no máximo de força. Apenas um sono pela metade, O que eu achava que era não era nada daquilo, Eu deitado sobre um monte de papel amassado, Com algumas palavras ou até frases incompletas De tentativas inúteis de escrever algum texto significativo, E que alguém alem de mim pudesse ler. Mas nada saía a noite toda, A única coisa que saiu foi: hoje eu acho que não vou dormir direito, E vou acordar com dor de cabeça. Isso com certeza alguém pode ler.
  • 12. Mas eu não sei o que aconteceu comigo nesses últimos tempos, Parece que foi feita uma lavagem na minha imaginação, Ou melhor, nessa era da informatização, Formataram minha imaginação, Deve ter algum tipo de badblock no meu córtex, Ou algum dispositivo de armazenamento foi removido sem segurança, Sei lá, eu estou sem nenhum tipo de criatividade, Um mero punk em três acordes não consigo fazer mais. Estou regredindo? O que haverá de errado comigo?
  • 13. Quando agente tenta mover o que não existe. Quando agente pensa em fazer o que não dá. A reação normal é ficar triste, Vendo seu sonho acabar. A madrugada esconde um mistério secular A juventude se esconde ao envelhecer Nossa vida se banha de não ser pior A escuridão sempre começa ao entardecer.
  • 14. Perdi minhas fichas, tudo que apostei, Todas as minhas esperanças soterradas por uma frieza Por uma avalanche de neve. Vi todo um feixe de luz ser apagado por um vento Frio e sombrio, que dói os ossos, trava a circulação Arrasa qualquer um dos mais otimistas humanos Eu não sou de me entregar, mesmo que minha vida Esteja em jogo. Nesta guerra perdi todas as batalhas Perdi todos os meus soldados, todo um exército E só sobrou a mim. Eu tive que me entregar sem levantar a bandeira branca. Partirei para outra guerra Preparar-me-ei com mais perfeição Darei a volta por baixo, por que Quem dá a volta por cima, tem uma chance de cair E de quedas eu já cansei Procurarei uma área menos complexa de se arar, De conquistar ou até mesmo lutar E ganhar sem precisar de muita batalha Talvez a minha imagem esteja manchada No território onde pretendo fincar bandeira E também pode haver risco de levar um ataque Do meu antigo inimigo Mas será mais fácil de me sair.
  • 15. Por um momento eu me sinto bem por estar só E outras vezes me sinto só por estar tão bem O que me leva a crer que, Me sinto bem melhor quando estou só.(?) Mas a solidão causa egoísmo (e já basta), E... Ficar só depende do bem estar E do espírito de quem se sente só. Às vezes eu me vejo cercado de gente Falo com muita gente E me sinto sozinho Hoje estou sozinho comigo mesmo E a solidão interna, a solidão do subconsciente, É a pior de todas as solidões. 27/07/2002
  • 16. Meus papéis de parede escondem A verdadeira face da minha vida Meu HD está cheio, minha memória está sobrecarregada. Não há mais espaço para nenhum KB, E meus dispositivos de entrada não captam mais nada. Meu scanner não digitaliza nenhuma imagem Só existem duas cores na interface dos meus olhos. O preto e o branco.
  • 17. Papeis inversos Lados desiguais Terapia de choque Loucura, insensatez, fatos ocultos de uma vida sem sentido. Muitos papéis rasgados, muitos papéis interpretados E nunca reciclados. Deveria existir uma máquina de reciclar gente. Ao invés de presídios. É lógico que não quero acabar com o trabalho Dos grandes empresários do sistema penitenciário.
  • 18. Talvez a vida esteja se fingindo de morta Talvez a porta possa estar se abrindo para o nada. Ou o nada se finja de tudo, só para ter um pouco de tudo Eu ultimamente descobri várias coisas minhas Que não sabia que tinha, ou que estavam comigo. Descobri que não me sinto completamente feliz. Sinto um vazio enorme dentro de mim. Talvez meus atos sejam responsáveis por isso Talvez isso seja ilusão, ou até verdade Ora que já ocorreu outras vezes Nesse momento minha mente está se esvaziando Não estou conseguindo me concentrar no raciocínio Estou confuso, sem noção... Acho que vou parar. Desculpe. 21/06/2002
  • 19. As coisas ficaram tão estranhas comigo. Parece que as horas se inverteram. As ideias sumiram, perderam-se as vontades Ficou tudo tão estranho Não há produção nem instigação Está tudo morno, opaco, sem brilho, estranho. Descobre-se que o que foi esperado, recebeu errado. E depois de tanto ter sido dito, e nada se correspondeu. É muito estranho. Com tantos anos procurando um motivo Pra ter dito muitas palavras em função De uma figura de imagem enigmática Que causou em mim uma imanização fortíssima De repente quem era extremamente restrito A citar qualquer sentimento Passou a exagerar no modo de exibir E demonstrar o mesmo. Foi trágico. 25/06/2002(editado em 08/01/13)
  • 20. Ainda Meus trapos jogados no chão Suas mãos seguram minha mão O mundo já não me faz bem Se não você, não quero ninguém. Tudo perdeu o valor, para mim. Estou num poço, bem perto do fim. Sem você meu amanhã morreu. E a noite se estabeleceu. Eu perdi você pra mim mesmo Eu perdi o sentido da vida Eu perdi o tesão pra viver Eu perdi você.
  • 21. Só vejo sombras. A luz morreu. Apenas brilhos indicam o caminho que devo seguir pra não me perder. Ouço vozes que vem do nada, ouço passos, mas não tem ninguém. Apenas eu, em minha trilha da escuridão; Não estou preocupado com a escuridão, Nem com passos e vozes ocultos, Eu me preocupo com vozes e passos reais, Que podem me agredir e me perseguir, E eu sei onde achar os passos e as vozes Quando virar pra trás e olhar. Quando meus olhos se abrirem verei a quantidade De idiotices que venho aplicando a mim mesmo E aos que me cercam de um modo bom Talvez demore um pouco para a minha visão se abrir Mas porem ela pode não se abrir Mas aí eu já devo ter morrido E acho que não vai ser tarde, Porque a morte é o começo da vida. 01.08.2002 (editado em 08/01/13)
  • 22. Me mostre a verdadeira face da sua história. Lembre-se, use um pouco mais a sua memória. Não sou nenhum hipócrita nem quero ironizar. Dizendo suas mentiras não vai me enganar. Andando feito louco de um lado pro outro. Procura um caminho que parece não existir. Não, não tente se esconder Quando se olhar no espelho Seu rosto é o que vai ver Sua memória ta voltando ou vou ter que forçar Abrir sua cabeça e enfiar O que de fato é certo pra você não afundar Nas suas próprias palavras Se ligue na minha dica Não seja mais burro do você já é. Nosso corpo na terra fica, e infinito só O espírito seu Mané.
  • 23. Arrasto-me pelo chão e não consigo me levantar Sinto minha carne aos poucos rasgando Sinto meu coração lentamente querer parar Puxo o ar com força, mas sinto que estou definhando. Vejo moscas rondando minha cabeça sem parar Seus zumbidos torturantes me perturbam Acho que esperam, calmamente, minha morte chegar Para que seus ovos em minha carne podre, em vermes se difundam Rastros de sujeira da entrada até a saída de minha casa Meus pés sujos de nunca pisar no chão Minutos de febre queimando meu corpo como brasa Infecções e feridas abertas no dorso da minha mão.
  • 24. Madrugada adentro é a escuridão que predomina Silencio pelas ruas, movimento na esquina. É mais um que chega pra comprar sua falsa paz Na forma de pó ou pedra, da massa tanto faz. Pega vai embora, sem se preocupar, Amanhã vem de novo sua falsa paz buscar. Queime seu maldito, queime. Queime seu dinheiro, queime sua mente. Na noite adentro muita coisa pode acontecer Alguém pra comprar, outro pra vender Alguém sem dinheiro, que quer convencer A levar fiado pra sua lombra fazer. Tem gente de grana, filho de barão. Que enche o carro de drogas só pra curtição Cheio de meninas, todas de menor Viciadas em pedra, na massa e no pó. Não importa a idade, ou a classe social Se tem boa família ou se é um marginal Nesse momento tem alguém se matando Dando um tiro na lata, ou um bright cheirando. A madrugada é longa pra quem nunca dorme Pra quem ultimamente foi largado pela sorte Caminho sem volta pra destruição. Sua nova casa será dentro de um caixão Famílias destruídas, crianças bandidas Sangue derramando, incurável ferida. De quem será a culpa? De quem será a culpa?
  • 25. Chega de ficar parado olhando 'pros' lados Pensando em nada, ficando pirado Sentindo vontades depois desistindo Tentar levantar e logo ir caindo. Morrendo aos poucos, de forma sofrida Sentindo-se lixo, autoestima caída Parece um zumbi, não dorme há tempos Que pena de ti, solto aos quatro ventos Pare de tanta incerteza, de tanta pureza O mundo é ruim. Ligue sua antena, a vida é pequena Num piscar de olhos chegou o fim. Mostre para você mesmo que ainda tem força E pode lutar, Faça uma coisa notável que eterno você será
  • 26. Que bom que te encontrei, voltar a sentir seu cheiro. Que bom! Ouvir a tua voz, sentir sua pele tocar a minha. Que bom! Falar com você, novamente ver, que ainda estamos afim. Que bom! Eu pensei que não iria ter mais Essa paz que você me traz. EU realmente pensei. Pensei tanto em você que você apareceu. Meu mundo renasceu. Que bom! Que bom! Queria ver tudo isso acontecer mais uma vez. Que bom, aconteceu! Eu estou muito feliz
  • 27. Vermes de Nervos No meio do meu mundo existe um buraco feito por vermes, Vermes de raiva e rancor, de tristeza e mágoas. Que de me deixaram seco, e insensível, Que tiraram as cores do mundo onde vivo. Olho pra alguém que sofre, e ignoro. Vejo tristeza nos olhos de quem me ama. Desprezo até mesmo quando eu choro. E quando a voz da razão me chama. Menosprezo a emoção seja ela qual for. Olho com nojo para as mazelas mundiais. Sinto vontade de vomitar quando falam em amor. Queria ser diferente, mas não acontecerá jamais. Sou frio e calculista, meço minhas palavras sempre. Não crio vínculos, nem ciclos de amizade com ninguém. Quando alguém vem me ver, e digo que entre. Mas logo peço para irem embora, que assim ficarei bem. Solidão já não me incomoda, nem consegue. Sozinho eu comecei a andar e a falar. E não haverá ninguém no mundo a quem me apegue. Pois agora confesso, tenho medo que possa me abandonar. Prefiro o vazio do meu apartamento, A viver feliz por algum tempo E depois estar sozinho num infinito sofrimento. Lamento por tudo isso. 15/12/2010
  • 28. - Oi onde você estava? - Não sei! Quem é você mesmo? - Não se lembra de mim cara?! - Não! E por que deveria lembrar? - Por que passamos esses últimos 27 anos juntos. - Eu! Junto com você?! Não me lembro mesmo! - Rapaz! Faz uma força! Não faz pouco tempo eu dormi e quando acordei você não estava mais aqui. - Olha você deve estar me confundindo com alguém. Nunca lhe vi na vida. - Poxa olha pra mim! Tenta lembrar-se de alguma coisa. Qualquer coisa. - Olha, eu vou te falar a verdade! Já tô de saco cheio desse papo. Eu não sei quem você é e pronto. - Caramba! Eu nunca deixei você na mão cara, sempre te defendi de tantos perigos, e você não se lembra de mais nada? - Não! E vai saindo porque tá parecendo que você é louco! Ou melhor, eu sou louco! O que deu em mim pra ficar conversando com um espelho? Em alguns momentos nós esquecemos quem somos, seja pra não lembrar que fizemos algo ruim, ou errado, seja pra não lembrar algo que nos feriu e ainda está aberta a ferida, ou até mesmo pra esquecer um dia ruim. O certo é que muitas vezes esquecemos quem somos e acabamos por maltratar alguém que gosta da gente, e que só quer o nosso bem.
  • 29. Pasto, passagem, viagem, paisagem, ferragem, No mato, na toca, no rastro, no mastro, No barco, no saco, no lixo, no bicho; Chorando, cantando, vivendo, morrendo, sofrendo, sorrindo, caindo; Pedindo, dinheiro; banheiro, molhado, suado, marcado, com medo, Sem dedo, amarrado, parado, pensando, olhando, pro nada, pro tudo, Falando, mas mudo, ouvindo, mas surdo, sentindo, dormindo, fingindo, Partindo, vivendo, crescendo, morrendo, deixando, mudando, o rumo, O prumo, a rota, sem frota; sozinho, morre, corre, sente, mente, quente, Frio, mil, zero, quero, espero, vejo, rastejo, no pasto, no mato, no rastro, Na toca, no mastro, no barco, no saco, sem fundo, sem mundo, sem nada, Sem peito, sem leito, sem colo, embolo, pra baixo, num poço, esforço, Em vão, no chão, doente, presente, carente, em final, de vida, sofrida, Bandida, perdida, deixando, esborrando, o sangue, da gangue, Partida, ao meio, penteio, o cabelo, na frente, do espelho, na ultima ida, Sofrida, ao cemitério, mistério, a morte, com sorte, um dia chegará.
  • 30. Há um lugar que eu nunca fui, Mas parece que eu vivo lá desde que nasci. Há um som que nunca ouvi, mas é como se eu tivesse feito ele. Há um gosto que nunca senti, Mas é como se sempre estivesse na minha boca. Há um tempo passando por mim, Mas é como se nunca tivesse passado. Há uma cor que eu nunca vi, mas sei até seu nome. Há uma estrada que eu nunca passei, mas sei seus atalhos. Há uma dor que nunca senti, mas que me aflige só de pensar. Houve uma casa que morei, Mas é como se nunca houvesse passado por lá. Houve um show que eu fui, Mas é como se nunca tivesse ouvido falar. Houve uma cidade que passei, Mas parece que nunca fiz esse caminho. Houve uma frase que eu disse, Mas parece que foi outra pessoa que falou. Tiveram momentos que passei triste, Mas por um momento, houve um amor que eu tive, Mas esse sim ainda existe, E eu espero que esse seja pra sempre.
  • 31. EU VEJO, EU SINTO, EU PENSO, EU PASSO, EU FAÇO, EU CAÇO, EU ANDO, EU DANÇO, EU CHORO, EU MORO, EU FALO, EU CALO, EU SONHO, EU GANHO, EU PERCO, EU LEVO, EU TRAGO, EU COMPRO, EU VENDO, EU PINTO, EU MOSTRO, EU SOLTO, EU PRENDO, EU SUBO, EU DESÇO, EU CAIO, EU LEVANTO, EU ENCANTO, EU ILUDO, EU AMO, EU QUERO, EU ESPERO, EU CANSO, EU RASGO, EU MACHUCO, EU PEÇO EU MANDO, EU, EU, EU... EU IMAGINO, EU VEJO, EU PEGO, EU ENTREGO EU MARCO, EU PASSO, EU ESQUEÇO, EU LEMBRO EU TIRO, EU PONHO, EU TRISTE, EU RISONHO EU SÓ, EU SEM, EU QUEM, EU NINGUEM EU MAL, EU BEM, EU AQUI, EU ALI EU MESMO, EU OUTRO EU ONDE EU... EU VEJO, ONDE. EU SINTO, OUTRO EU PENSO, MESMO. EU PASSO, ALI EU FAÇO, AQUI. EU CAÇO, BEM EU ANDO, MAL. EU DANÇO COM NINGUEM EU CHORO POR QUEM. EU MORO SEM EU FALO SÓ. EU CALO, MAS RISONHO EU SONHO TRISTE. EU GANHO E PONHO EU PERCO O TIRO. EU LEVO NÃO LEMBRO EU TRAGO E ESQUEÇO. EU COMPRO E PASSO EU VENDO E MARCO. EU PINTO E ENTREGO EU MOSTRO E PEGO. EU SOLTO E VEJO EU PRENDO E IMAGINO EU EU EU EU SOMENTE EU MAIS NINGUEM. EU EU EU
  • 32. Na escuridão de uma fria madrugada Meus ossos parecem rachar Meus olhos tentam ver Minhas mãos querem tocar Mas não há nada além do frio Das trevas em minha visão Da dor dentro do meu corpo Perdido em solidão Restos de comida exalam mau cheiro Um quarto imundo, o vazamento do chuveiro Pingos torturantes da torneira num prato Um ninho em meu fogão, onde habitam ratos O frio não cessa, e congela um pulmão Eu respiro com pressa, palpita meu coração Raios rasgam o céu, que energia! A chuva vem feroz, surge em mim alegria Na escuridão da madrugada, um pesadelo eu vivi. Mas a vida é uma estrada longa Que eu devo sempre seguir. E tentar não desistir.
  • 33. Meus passos não estão mais marcados Minha respiração está descompassada Meus Reflexos atrasados Meus atrasos refletem na minha vida privada Marcada, por nada, assim. Procuro um caminho mais difícil pra ir Pra nele encontrar mais tempo pra sentir Que o que fácil vem, fácil vai, O mal ou o bem, sempre se atrai. Assim. O que era escuro pra mim Agora ficou claro demais O que era estranho agora É muito comum
  • 34. Numa noite de insônia eu vi uns seres estranhos Não sei se eram da terra ou de outro planeta Mas andavam em grupo como rebanhos Guiados por um imenso cometa. Tinham uma luz intensa ofuscante Que me deixou com os olhos ardentes Faziam um som estranho a todo instante Que deixou meus ouvidos dormentes. Eu não sabia o que eram aqueles seres Nem acreditava no que acabava de ver Saia uma fumaça de dentro de um deles E meu corpo começou a tremer. Oh seu filho da puta da nave Me diga o que porra você quer. Com um universo tão grande e bate na trave E escolhe um planeta que ninguém quer. Aqui ninguém se preocupa. Se o planeta morrer Os de hoje estarão mortos Quando isso acontecer. O que vale é o dinheiro E foda-se quem vai viver pra ver.
  • 35. Resto de Nada Um mar de nada em frente a um céu vazio Matas de arvores secas, de um verde invisível. Cadê resto, o cadê o tudo que havia? Onde foi parar o quase tinha, e o quase consegui? Uma cidade de sangue e lágrimas Onde as crianças não brincam mais. Um lugar que não deixa sair o cheiro O sabor de saudade, de outras épocas. Onde foi parar o meu sonho? Queria que fosse um sonho. Mas é real. Uma estrada que não leva a nenhum destino Uma rua que não mais abriga os fofoqueiros Um mar de nada em frente a um céu vazio. O resto é o nada, e o nada é o que resta. Mostrem-me se puderem o que haverá de ser feito. Um pedaço de resto, com um pouco de nada. Resulta num pedaço de pouco. Ou um resto de nada.
  • 36. Martelo o prego na tábua. Martelo de aço, martelo de borracha. Prego de ferro, prego na praça, palavras, soltas, diretas, confusas, discretas, felizes, pequenas, de paz, de ira, de revolta, de medo, de alerta, amarradas, indiretas, concisas, sem pudor, tristes, grandes, de guerra, de calma, de paciência, de coragem, despreocupadas. Martelo a ideia na minha cabeça. Martelo de fumaça, martelo de borracha. Fumaça de fumo, de cano de revolver, de incêndio, de chaleira, de chaminé, de padaria, de pão assado queimando, de neurônios desintegrando, de couro frio esquentando, de motor velho, de fábricas trabalhando, de fogueira, do último fósforo da caixa, da minha mente já cansada. Martelo a ideia com um prego na borracha de ferro,na praça, no meio da fumaça, dentro da chaminé amarrada, queimando o pão assado, agora tostado. Tô cansando. Acho que é melhor parar de martelar tanto. Senão vou acabar machucando meu dedo.
  • 37. Sabe as vezes que agente acorda com uma vontade de comer justamente o que não tem no armário? Pão com gergelim com charque de ontem dentro, mais um ovo frito com queijo coalho, suco de cupuaçu sem açúcar. Ou então biscoito maria com doce de goiaba. Assim: um biscoito maria, uma lasca de goiabada em cima, e outro biscoito maria em cima. Pronto! Sanduíche de biscoito maria. E outra, também leva biscoito, mas dessa vez maisena molhando no café com leite até a xícara esvaziar. Muito bom! Mas o pior é que, como disse antes, isso acontece quando não tem nada do que foi citado. A única coisa que tem é o pão dormido de ontem(se tiver) ou um cuscuz já esverdeando em cima do fogão. Ou o café pra requentar também de ontem. Assistindo o programa Rural, vendo aquelas mesas cheias de comida do interior que ninguém vai comer tudo. Que aqui em casa daria pra amanhã, depois de amanhã e depois e depois e depois e depois... Ontem tinha muita comida, e o que sobrou foi de ontem, então deveria ter muita comida hoje né? Acho melhor eu voltar a dormir e esquecer esse papo de comida. Pelo menos até o almoço.
  • 38. Senhores, senhoras, meninas, meninos, cachorros, cachorras, gatos, gatas, kombis, marrecos, marrecas, presidentes, presidentas, pastores, pastoras, doutores, doutoras, kombis, galos, galinhas, ministros, ministras, paquitos, paquitas, bailarinos, bailarinas, kombis, pais, mães, filhos, filhas, avôs, avós, tios, tias, kombis, senhores, cachorros, senhoras, cachorras, meninas, gatos, meninos, gatas, kombis, marrecos, pastores, marrecas, pastoras, presidentes, doutores, presidentas, doutoras, kombis, galos, paquitas, galinhas, paquitos, ministros, bailarinos, ministras, bailarinas, kombis. Jarro de planta, corda de caranguejo, caçuá de peixe, rede de esperanças, sandália de couro, chapéu de palha, suor no rosto, descobre-se quem é, Senhores, senhoras, meninas, meninos, cachorros, cachorras, gatos, gatas, marrecos, marrecas, presidentes, presidentas, pastores, pastoras, doutores, doutoras, galos, galinhas, ministros, ministras, paquitos, paquitas, bailarinos, bailarinas, pais, mães, filhos, filhas, avôs, avós, tios, tias, senhores, cachorros, senhoras, cachorras, meninas, gatos, meninos, gatas, marrecos, pastores, marrecas, pastoras, presidentes, doutores, presidentas, doutoras, galos, paquitas, galinhas, paquitos, ministros, bailarinos, ministras, bailarinas, kombis, kombis kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, kombis, sem bis...acabou!
  • 39. Abre teus braços para meu peso cair sobre tuas forças. Cruza os dedos para não eu te machucar. Segure firme, pois na minha bolsa está sua boneca de louça. É uma replica sua, cuidado pra não quebrar. Pode parecer idolatria, mas é só saudade sua. Há muito não tenho bons dias, há muito vago pelas ruas. Tenho cede de você, e preciso me hidratar. Por isso estou aqui quase a desmaiar. Sem forças, exausto, beirando o chão. Por isso não me deixe cair de suas mãos. Pode parecer saudades, e realmente é isso. Saudade, palavra tão própria da nossa língua, que já me sinto dono. Por usucapião. Mas não resistirei a uma reintegração de posse se você resolver tirá-la de mim.
  • 40. Vala, suja, lixo, bosta, ratos, doenças, políticos, transfusão, menstruação, choro, carro, luz, fome, água, banheiro, luxo, empregos, vícios, criança, elos, gangue, braco, roda, papeis, notícias, família, remédio, constituição, livro, beijo, cama, silêncio, fim.
  • 41. Guitarras, baixos, baterias, vozes, gritos, críticas, idolatria, repulsa, egocentrismo, inocência, shows, viagens, sonhos, voos, discos, sucesso, dinheiro, fama, lama, fracasso, crise, disputa, ingressos, palcos, rádio, solidão, caráter, opinião, ditadura, revolta, golpe, loucura. Baixos, sentimentos, fúria, sombras, mente, oposição, rejeição, nojo, velocidade, peso, vontades, destruição, sacrifício, marcas, dores, sangue, saltos, palanques, indignação, posição, firmeza, valores, marcas, madeira, metal, novo, antigo. Baterias, nada, sopro, deixo, certo, errado, tanto, molhado, seco, dono, gari, feito, sem, orelhas, olhos, bocas, dedos, pés, braços, falta, mãe, brilho, cabelos, cheiro, sujeira, banheiro, extremo. Vozes, cantigas, livros, outdoors, poeira, postes, laringe, gol, alho, água, vinho, uísque, maçã, romã, falha, mudo, surdo, cego, individual, alta, desafinada, carregada, fanha, forjada, limitada, banda.
  • 42. Não nego, não entrego, nem minto, nem finjo, nem sofro, nem gozo. Me livro, me privo, me deixo, me apego, me entrego, me solto, me mostro. Sou livre, sou escravo, sou criado, sou patrão, sou pai, sou filho, sou sogro, sou genro, sou avô, sou neto. Tenho fome, tenho comida, tenho cede, tenho água, tenho carência, tenho amor, tenho ira, tenho paciência, tenho medo, tenho não, tenho segredos, tenho não, tenho sono, tenho não, tenho do que reclamar, tenho não. Sinto frio, sinto, calor, sinto raiva, sinto dor, sinto a música, sinto bem, sinto o sol, sinto a lua, sinto também a sua, a sua mão na minha pele, de repente gelada como neve, de repente ferve, me aquece, me acende, me levanta inteiro.
  • 43. Mar, céu, luz, amarelo, azul, verde, cinza, brilha, acende, molha, cria, cuida, vive, sonha, dorme, acorda, viva, realidade, terra, pés, vaidades, segredos, amor, contos, gosto, água, guerra, apego, sentimento, muito, janeiro, setembro, fevereiro, agosto, choro, alívio, susto, saudade, janela, cuidado, briga, grita, reclama.
  • 44. Os olhos queimam de tanto estarem abertos Os ouvidos doem de nada escutar. Portas abertas e os caminhos não estão certos. Espera em vão por quem não vai chegar. Músculos contraídos, sofrimento e dor. Reação raivosa, expelindo o amor. Desespero longo, alívio muito curto. Poucos minutos separam minha sanidade do surto. Tremulosas mãos que se esforçam pra escrever Mesmo até sabendo que não vai mais haver Nenhuma alternativa para isso mudar. Pois sinto, está bem próximo o dia em que vou pirar. 29/11/2012
  • 45. Vida, Vida, Vida... “O que fazer dela quando as coisas já não são como deveriam ser? O que fazer quando tudo vai perdendo um sentido obvio e passamos a viver como bichos? Como lixo? O que fazer quando a esperança está quase toda perdida? O que fazer quando se tem uma vontade de chorar imensa? O que fazer quando se tem que ser forte, mesmo estando ensanguentado por dentro? O que fazer? Por quê? Como? De que modo? São tantas perguntas e tão poucas respostas. Vida. Será que esta palavra significa algo pra você? Você vive com medo da vida? Ou é melhor viver a vida sem medo? Mas medo de que? Medo da morte? Da dor? Do desespero? Medo dos fantasmas que existem dentro de nós mesmos. Eu vivo uma vida sem medos reais, eu não tenho medo de nada, a não ser o medo que a minha mente insiste em criar, esses medos, essas fobias, paranoia, sei lá, mas seja o que for eu não quero mais uma vida de medos. Não quero mais ser prisioneira de mim mesma. Droga de vida, droga da casa, droga de medo, droga, droga, droga. Mais no meio de tanta coisa ruim sobrou algo de bom, aqui dentro de mim tem um desejo de triunfo maior que meu medo, aqui dentro tem um amor imenso por pessoas maravilhosas, maior que o universo, aqui dentro existe uma ideia de que o mundo ainda poderá mudar um dia. Aqui dentro existe a sede da justiça, um corpo e uma alma que clama pela liberdade. Por mais que eu saiba que a Liberdade é algo inalcançável eu ainda acredito que algum dia eu possa chegar perto de pelo menos um terço disso. Eu não acredito em quase nada, não acredito nesse deus que as religiões pregam por aí, um cara que condena que julga, que salva uns e mata outros milhares, que ama tanto os seus filhos mais que os deixa passar fome. Porra! Pra cima de mim essa conversinha de que ele ama todo mundo ah! Pra mim não, já to cansada disso. Eu mesma crio minhas leis, eu sei da minha verdade e eu digo no que acreditar. Tenho metas, um objetivo. E eu seguirei até chegar ao topo. Sei que isso custará muito de mim, mas não importa, é o preço que se paga. Só quero morrer com a sensação de que eu vivi cada segundo intensamente e que não deixei escapar nada pelo ralo da pia. Eu vou até o fim. E quando eu chegar lá se não tiver plateia para me aplaudir, não tem problema por que eu tenho duas mãos. Mas com a quantidade de pessoas que dizem gostar de mim tenho certeza que elas todas estarão lá e eu dividirei com elas, com cada uma delas o gosto de minha vitória, a felicidade.” (São Sebastião - DF - Jun-2009)
  • 46. Quis matar, quis morrer. Quis chorar, quis viver. Quis dormir, quis sonhar. Quis sentir, quis amar. Pude ter, pude ver. Pude ir, pude voltar. Pude estar, pude sumir. Pude gritar, pude sorrir. Queria uma fórmula, queria uma solução. Uma resposta, não uma indagação. Queria um sentido, ou uma segurança. Desaparecer. Viver só. Entre quatro paredes, só mofo e teias de aranha.
  • 47. Ratos covardes. São os malditos seres humanos. Vivem de sugar uns aos outros. Vivem da desgraça alheia. Carniceiros, aproveitadores, vampiros de energia. Não merecem viver nem habitar no planeta terra. Odeio a humanidade. Odeio o amor. Odeio a todos.
  • 48. Abro os braços e espero seu abraço. Fecho os olhos e espero seu beijo. Acalma meu corpo perco o compasso. Como um rato vidrado num queijo. Sonho contigo, e nele todo dia posso te tocar. Acordo pela manhã frustrado, pois ao abrir os olhos não vou te encontrar. Quero seu cheiro, seu gosto, seu calor. Quero cultivar nosso amor. Quero te levar pra onde moram as estrelas. Quero escrever seu nome na lua...
  • 49. Corte as cordas que te amarram. Amarre seus medos. E fuja com a coragem pra bem longe. Separe-se das coisas que te separam. Olha pro céu! Tá azul claro ou escuro? Vai se jogar no mato ou ficar em cima do muro? Sorrir contente ou se contentar com a tristeza? Sei que não sou seu sonho de beleza. Mas compenso te afastando da fraqueza. Pura fineza de valor inestimável que o grande universo me deu . Levanta dessa cama que o mundo lá fora pode ser todo seu. Olha pro chão! Tá molhado ou seco? Não resuma seu mundo imenso a um beco. Viva mais e sofra menos. Essa é a vida que temos. Vamos gastar amor que a vida é curta. Tu comigo e eu 'cum' tu. Mas bem pertinho tá? Não eu no norte e você no sul. 'Tiramo' 'mô' bem!
  • 50. Ela é nova, é velha, é sonho, é medo, é algo em segredo. É pilha, provocação, incerteza, ingenuidade, pureza. Ela atiça, se espalha, corta que nem navalha as paredes do meu pulmão. É fogo, é gozo, amável e intocável, ardente sensação. Ela passa, nem olha, ignora, por dentro outra hora, quis depressa ceder. Ela finge, mente, sente e ri, sabe que estou por aí, a esperar. Ela é segredo, pureza, sensação, incerteza e solidão. Ela é água, aquário, relicário de lembranças, que nunca tive.
  • 51. Vai lá, aprende o caminho depois volta para me contar. Sente o gosto de voar, depois volta para me contar. Bebe nas fontes mais puras, depois volta para me contar. Cheira as flores mais belas, depois volta para me contar. Ama os amores mais bonitos, depois volta para me contar. Lembra de quando eu te disse que não teria volta, depois volta para me contar. Aprende o caminho, o gosto de voar, o sabor das fontes, o cheiro das flores, o amor dos amores. Lembra que eu pedi para voltar. Lembra que eu tentei te avisar. Antes mesmo de você me deixar.
  • 52. Vazio no peito, pensamento longe, aspas em todas as palavras que vêm à mente. Nenhuma é minha, todas tem dono, e eu não tenho ninguém. Um oco nas ideias, tentativas desesperadas de vomitar no papel alguma frase inteira. Contorcionismo desenfreado para compor um verso. Nada. Nada. Nada. Vejo os pássaros cantando na janela, todo dia eles cantam, tem um repertorio repetido, mas todo dia cantam, cantam, cantam, fazem seus fraseados, em diversos tons, e eu num tom de dar dó. Nada. Nada. Nada.
  • 53. Gosto da cor da minha cor preferida Gosto do som da minha música querida Gosto do cheiro de um perfume cheiroso Gosto de um beijo molhado, gostoso. Gosto, do gosto da mulher que eu gosto Do gosto da mulher que eu gosto Do gosto da mulher que eu gosto Gosto da chuva chuviscando meu rosto Gosto do sol ensolarando meu dia. Gosto de ser a tua companhia. Gosto de fazer parte da tua alegria Gosto, do gosto da mulher que eu gosto Do gosto da mulher que eu gosto Do gosto da mulher que eu gosto Gosto do som que sai da sua boca. Gosto do brilho no teu olhar. Gosto quando diz que eu te deixo louca. Gosto mais ainda quando me pede pra te amar. Gosto, do gosto da mulher que eu gosto Do gosto da mulher que eu gosto Do gosto da mulher que eu gosto
  • 54. Movo um punhado de areia E um pouco bate nos meus olhos Queima, coça, incomoda Parece que vai estourar. Movo as mãos com água ao rosto. Sinto levemente aliviar. Mas ainda a um pequeno caroço. Um micro grão de areia la dentro A me incomodar. Quanto mais eu lavo mais ele se esconde Quanto mais eu esfrego menos ele sai. Era melhor que tivesse sido um prego. O que é grande em nada se esconde atrás. Imagem embaçada, imagem desautorizada Imagem de discórdia, imagem de ingratidão Os olhos voltam pouco a pouco a ver Esperando a partir dali nunca mais isso acontecer.
  • 55. Tenho tentado ter toda teoria temporal tomando tais tratados, terminando territórios, tecendo tentações, tomando tempo, traçando tolos, tirando tapas, topando tanques, torcendo, trabalhando, tricotando, teologizando, teimando, travando tipos, tentativas, tempestades tórridas. Movendo montes mortos, marcados, mas momentaneamente, molhados, mascarados, martirizam moradias mucamas, mexendo moinhos maliciosos, mais marionetes mergulhadas, maciçamente machucando músculos, minerais mesozoicos, malandros. Seja sóbrio sempre, senão sentirá seu sangue saindo sem sentir, solitário, selvagem sábio só, suando sombras simétricas sob sol serpenteante, silencio, semblante.
  • 56. Gosto pouco de poucas coisas que me cercam, de gente falsa que só aparece nas melhores horas. Gosto tão pouco ainda das pessoas, sejam elas quem forem. Gasto tempo escrevendo textos, teclando frases que ninguém irá ler. Ganho um grito no ouvido dizendo que não tenho serventia nenhuma. Ganho honrosos xingamentos sobre minha arte, e que ela nunca vingará. Gosto cada dia mais da pessoas, do mundo, do resto. Ganho cada dia mais nada para acrescentar ao meu currículo aleijado de passagem pelo planeta terra. Não sei se eu quero pessoas perto de mim quando eu for demitido da vida. E não sei se quero arrumar outro emprego desse.
  • 57. Tropas, sangue, balas, fumaça, grito, dor, mortos, corpos, água, terra, fogo, falta, cheiro, medo, solidão, desespero, insonia, drogas, vermes, lixo, inimigo, armadilha, barril, cigarro, vodka, remédio, fotos, praia, sol, vento, comida, ilusão, poeira, pernas, braços, pés, tronco, cérebro, cegos, surdos, mudos, loucos, amputados, desfigurados, desarmados, entregues, presos, inferno, fantasmas, rezam, imploram, defecam, vomitam, enterram, paz, guerra.
  • 58. Te amo, te chamo, te chingo, te solto, te pinto, te mordo, te beijo, te entrego, te desejo. Te laço, te lasco, te sinto, te faço, te cuspo, te sirvo, te jogo, de pego, te lambo. Te falo, te canto, te escrevo, te levo, te peço, te messo, te uso, te cheiro, te acho. Te beiro, te rondo, te escondo, te agarro, te rodo te tempero, te venero, te espero, te suplico. Te componho, te calo, te ralo, te valho, te vi, te pesco, te caço, te peso, te molho. Te adoro, te lavo, te bebo, Te tenho. Te.
  • 59. Aos teus dezesseis te vi pela primeira vez Foi encantamento, violento, direto, sem chance para raciocinar. Assistindo vidrado, calado, apaixonado, quem sabe, sentindo-me assim, por ti amado. Criança, mente viajante, mas com olhar de amante, que vai esperar no portão Sua musa chegar, lhe abraçar, ficar calado sem saber o que falar, não tem muito usado a imaginação. Dia após dia, sente parecido hoje o que naquele dia sentiu, um gelo na espinha ao sentir o sex appeal. Derivado da lua é seu nome. Guarda mistérios tal qual. Um lado escuro que pouquíssimos conhecem, mas que não tem nenhuma escuridão. Hoje tem um dono seu coração, e nem pretendo ser dele ocupante, apenas no meu, guardado está, um platônico amor infante.
  • 60. Tantos sonhos, tantos sorrisos, tantas estradas, tentos delitos. Tantas vidas, tantas mortes, tanto caos, tanta sorte. Tanto dinheiro, tanto poder, tanta sisma, tanto medo. Tantos filhos, tantos beijos, tantos amores, tantos desejos. Tanto tempo, tanto grito, tanta dor, tanta cor, tanta arte. Tanta cólera, tanta revolta, tanto tudo, tanto mundo. Tantas mães, tantos pais, tantos carros, tantas casas. Tantos tantos, tantos nadas, tantos quase, tantos fins.
  • 61. Suor que escorre pelo corpo feminino, de uma deusa de carne e sangue quente. Infiltra doses cavalares de pensamentos, desejos e sensações na minha mente. Fazendo-me imaginar, sonhar, e até materializar sua imagem bem a minha frente. Sonho? Não sei! Realidade? Muito menos. Apenas vejo. Desejo. Suspiro. Intocável, silencio torturante sai da sua boca. Olhar cortante que mira meu rosto. Travando meus músculos. Ferindo meus ossos. Desligando meus nervos. Apenas suor escorre do meu rosto. Apenas suor escorre do seu corpo. Calor.
  • 62. O quê esperar quando não se tem mais esperanças? O quê querer quando não se sabe mais o sentido de nada? O quê provar quando não se sente mais o gosto? O quê pedir quando não se tem mais a quem recorrer? O quê escrever quando se foram todas as palavras? O quê pensar quando não há mais nenhuma ideia? O quê amar quando não existe mais nenhuma razão? O quê fazer quando já se fez tudo e nada mais sobrou? O quê?
  • 63. Quem vê um sorriso nesse rosto ao dia Não imagina a tristeza e a agonia Que preenche meu ser Sempre que em decúbito estou. Pensamentos a duras léguas não param Sono averso à minha pessoa Nenhuma ideia de como posso isso parar Apenas observo, Cada hora do relógio passar. Sonho sozinho, e nele eu não me encontro. Acordo a todo instante, Nos olhos, lágrimas de um choro infante. De quem não sabe mais onde se apoiar. Linhas tortas, escritas sem caneta ou papel Desenho letras em palavras num restinho De poeira no chão, onde a lua cheia ilumina Pela brecha da janela, lá no alto do céu.
  • 64. Fica sempre à sombra da dúvida. Se está ali apenas a olhar Ou se simplesmente quer algo dizer. Mesmo que sem palavras, Ou com cem palavras. Mistério que sempre irá pairar no meu ar. Mistério que talvez nunca eu havera de saber. Nem sei se é bom mais perto estar. Ou se estava melhor o antes de hoje ser. É difícil tentar achar. Muito mais ainda tentar ver. O que eu nem sei o que procurar, Ou o que eu procuro entender. Apenas ando. Apenas penso. Apenas observo o movimento dessa maré. De uma forma ou de outra, Deixa apenas um até...breve.
  • 65. Quando você se lembrar, apague a memória Vá recomeçar. Quando você se esquecer, faça um backup Tente recuperar. Quando a saudade bater, formate o coração Crie outra partição Separe o que for amor do que for paixão. Tente lembrar do que não fez Faça isso mais uma vez Se funcionar, é melhor parar É melhor voltar Restaurar o sistema Reiniciar.
  • 66. Se você me encontrar Me perca. Se você me perder Não ligue. Se a saudade chamar Ignore. Quando lembrar de mim Não chore. Se eu pedir pra ficar Não fique. Se eu me arrepender Vá embora... Agora! Quando for dormir Não pense. Quando acordar seja... Você. Só você. Sem mim, Em fim.
  • 67. Ideias, sempre vem e vão num piscar de olhos. Surgem do nada, e pro nada seguem. Aparecem em várias cabeças em vários pontos do mundo. Idênticas, em linhas e pontos. Em notas e acordes, em dores e vinganças. Ideias, quantas vezes recorri a elas e nada veio. Tantas vezes vieram tão rápido que nem tive tempo de entender. Outras vezes me deu raiva Ver as minhas ideias surgindo em outras cabeças. Sendo executadas por outros olhos. Mas sempre estão por aí, Espalhadas pelo espectro eletromagnético Onipresentes e oníssonas nos quatro cantos do mundo Ou do universo, por quê não? Tenho certeza que nesse momento tem alguém escrevendo E o tema é Ideias. Ideias, venham a todo instante e impregnem meu cérebro falante. Encharquem minha mente com fertilizante e nunca me deixe parar. Traga toda matéria já feita na terra. Sei que você não erra, Apenas as vezes deixa escapar. Use minha atmosfera, transforme em quimera, Mas sem nunca me abandonar. Venham, seja em qualquer hora, pode ser agora, Se quiser arriscar. Mas venham, venham todos os dias, não transforme em agonia O dom de criar.
  • 68. Sou um carro de mão maneta. Uma tesoura de uma perna só. Uma garrafa de vinho sem rolha. Uma costura acabada sem um nó. Um buraco no fundo piscina. Uma prancha sem onda pra surfar. Um pé faltando da botina. Uma enxada sem cabo pra arar. Sou um taco sem bola na sinuca. Uma canteiro de obra sem peão. Um carimbó sem lembrar de Pinduca Um forró sem lembrar do Gonzagão. Sou um sonho bom cortado ao meio Uma carta escrita sem a mão Um amor desejado que não veio Uma turbina ligada sem avião. Um corte bem fundo no cabelo Uma dose de cana com limão Uma saudade que queima feito gelo Uma fenda que rasga o coração.
  • 69. Um copo de vinho derramado Umas pontas de cigarro pirata Um filme lado B croata Umas cartas rasgadas no chão. Duas e trinta marca o relógio Sem nenhum rastro de sono Olho pra rua Cachorros, ratos, gatos, bêbados Maré enchendo, vento forte, lixo O filme B no meio Não entendo nada mas continuo Lampada fraca, olhos ardendo e pesados Nenhuma palavra sai da caneta Nenhuma cena que valha uma punheta Só tédio, silencio, Total falta de imaginação Nem uma palavra sai da minha boca. Ando de um lado para o outro Outro o para Lado um Lado B O filme acabou, continuei sem entender. Que pena. Parecia ser legal, mas nem o nome eu sei. Queria um gole desse vinho que derramei Queria um trago no goia do cigarro pirata Queria uma palavra pra iniciar meu texto Uma palavra e mais nada. Nada! Exatamente! Nada Nad... Na... N...
  • 70. Hoje eu quero sair sem hora pra chegar Beber, me embriagar, conversar Rever que nunca vi Sonhar sem me deitar. Regar os pés na lama Levar você pra cama Mover a geladeira Trocar o gás Conversando besteira Depois ficar na paz. Na hora do adeus Nem olho pra você Meus olhos não são seus Não quero mais te ver Se movo minhas pernas É pra fugir de ti Paixões que são eternas Busco sempre o fim.
  • 71. Dor. Apenas dor. De baixo para cima, uniformemente atinge nervos, músculos, ossos, pele, pelos... Intermitentemente torturando um corpo já torturado pelas unidades de medida, pela gravidade e pelo cansaço. Nada afasta a angina cruel dos meus membros, nem a mais forte substancia química analgésica, nem a mais forte substancia natural alucinógena.
  • 72. Os olhos de Lúcifer estão brilhando. E ele sorri. Sua fé não vai salvá-lo. Seu poder está acabando. Milagres não são reais. Não tente chamá-lo Ele está morto E a ira da Babilônia Agora está chegando De baixo para cima Sem regras, sem perdão, Apenas a dor e o sofrimento serão eternas. O sacrifício de um homem santo Não os salvará Muitas línguas, nenhuma explicação ou tradução a dizer sobre o seu fim. A ira da Babilônia está chegando A ira de baylon A ira da Babilônia Vai levá-lo à morte para pagar seus dias de espírito podre na terra.
  • 73. Sem notar pensamos juntos e Juntos juntamos os cacos Sem pensar notamos algo e Juntos fomos ver Eram duas da manhã e você Queria gritar. Eu estava aqui sozinho sem ninguém pra conversar. Quando você voltar, traga um vinho. Deixe a geladeira aberta Pra refrigerar O ar.
  • 74. Hoje minha madrugada pode ser última. Hoje, que já é amanhã, pode ser meu ultimo ontem. Esses acordes na guitarra podem ser os últimos. Esses olhos que agora olham as letras se formarem palavras, e elas em frases podem se fechar. Hoje minha voz pode ser o último som que sai da minha boca. Hoje, que já é amanhã, pode ser meu ultimo ontem. Esses dedos que agora escrevem, podem estar escrevendo seus últimos versos improvisados, nesse emaranhado de fios e informações que se tornou a internet. Ah a maldita internet, ligando o mundo Invadindo o mundo Acabando com a paz, anunciando o fim da guerra. Todo o ser humano nessa terra ha de ser tocado pelos tentáculos da famigerada rede mundial de computadores e smartphones, e tablets, e os que vierem depois de mim. Podem ser minhas últimas palavras, mudas Pois minha voz não vai atingir ninguém com esse som de teclas, nem vai avisar ninguém que posso ter partido Um clique, um estampido, seco, barulhento, alarmante Contando...1...2...3...ja´sdfksalncokw efIFASPF~J SNDPQJElckqd~KSAL M]caçmdsssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss ssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss ssssssssssssssssssssss.................................................................... ................................................................................
  • 75. Uma saudade crua. Uma saudade minha. Uma saudade sua. Só. Uma dor minha Uma dor nua Uma noite sem sono, Madrugadas de abandono. só. Uma noite minha. Uma noite sua. Uma noite nua. Sem estrelas Sem lua. Sinto seu gosto em minha boca Ilusão. Qualquer canção é pouca. Pra tamanha escuridão. Pequenos olhos de vazio imenso. Perdido no tempo, Desse frio intenso Que pairou sobre mim.
  • 76. Pescador de Estrelas Olhando pro céu numa madrugada Um espectador numa arquibancada Ouvindo o silencio que a noite me trás Do meu sofrimento não me lembro mais Assim...colado no chão... Observando a imensidão Do céu Conto as estrelas que eu vi passar Lembro o sorriso que não virá No fim. Penso nas noites que não dormi. Penso em você que está aí. Sem mim. Lanço minha rede ao ar Nela tento pescar Estrelas Nela tento pegar Sonhos Na brisa de uma fumaça branca Quem vem não sei de onde Um cheiro suave que encanta As tribos de todos os montes Será que vem de você Todo esse feitiço No ar? Em fim acordei!
  • 77. Cada um tem seu modo de sofrer E aliviar o sofrimento, Meu sofrer é muito introspectivo, Às vezes imperceptivel, Às vezes questionado. Cada um tem seu modo de amar E aconchegar seu coração Meu amar, hoje é contido Às vezes incompreendido Às vezes questionado. Cada um tem seu modo de viver E se adaptar ao mundo. Meu viver é confuso e ferido. Às vezes imperceptível Às vezes incompreendido Às vezes questionado Nunca repeitado. Nunca acostumado.
  • 78. Não me importo se minhas palavras serão roubadas Não me importo se alguém usar pra si Ou para outrem. Desde que sai de dentro de mim. Não me pertence mais. Pertence ao mundo. Será que existe alguém? Será que o existe existe? O que será o ser? O quê será o será? Lixo!Fome!Mortes! Será que isso existe? O que será o isso? O que será o será?
  • 79. A lama que cobre todo o seu corpo. Já tomado por chagas várias. Contamina feridas abertas. Alimenta os vermes. Que já o come vivo. O gosto de sangue Que encharca sua boca Em pouco tempo se tornará pus. Em pouco tempo se decomporá. Não mais poderá falar. As vozes que agora invadem seus ouvidos. Se intensarão e perturbarão sua mente. Sua loucura se estabelecerá por completo. O sentido da realidade deixará de existir. E você passará a se ver como um verme. Como sempre foi.
  • 80. Quero um copo de vinho envenenado. Quero ele quebrado. Sangrando na boca. Pingando ódio. Quero um copo de vinho envenenado. Quero uma faca cega. Para cortar meus sonhos. Rasgando dos olhos. Quero um copo de vinho envenenado. Quero uma corda amarrada. Prendendo meu ímpeto. Enforcando meu desejo. Quero um copo de vinho envenenado. Para matar a cede. Para matar ânsia. Para matar a dor. Para matar o amor. Para matar.
  • 81. Agente chora por quê? Agente sente raiva por quê? Agente sofre por quê? Agente ama por quê? Sonhos. Pesadelos. Alucinações. Vertigens. Beiramos todo dia o mais profundo abismo da loucura Passamos perto da razão e da insanidade. Bebemos nas duas fontes. Só assim para equilibrar E finalmente sobreviver Neste mar de loucuras. Apenas sabemos que não devemos, Nunca confiar num ser humano. Seja ele qual for. Seja ele quem for.
  • 82. Minha menina 'ocê' nunca será deixada, Será sempre amada e ainda digo mais Amanso onça, meto bala em 'pistolêro' Puxo a faca, abro um 'berrêro' Se alguem vier lhe 'apurrinhá' Cavo buraco em 'terrêro' de concreto, 'Cuma culé',de uns vinte metro Pra perto de tu ficar. Só num duvide do 'amô' vindo 'de eu' Que Julieta mais Romeu,nunca havera de 'juntá' Por isso peço fique cum eu pra sempre E 'vamo mostrá' pra essa gente Que o amor da gente nunca vai se acabar E de repente um repente sai da mente E eu, daqui começo a rimar. Querendo dizer em liguagem poética Que hoje eu te amo, amanhã vou te amar, E pra sempre assim será Mantendo a métrica Num compasso dançante Ou quem sabe eu... encante, Sem nem saber... dançar Mas o certo é que te amando A minha rima aumenta, E tem gente que num aguenta 'Vê' agente 'Chamegá'. Escalo uma serra Passo por cima do Forró Numa Jibóia dou um nó, Quem era mudo agora berra Duvidando do meu feito E vão procurar um jeito De tentar me impedir, Mas daqui 'num võ' sair Sem 'tu' comigo eu 'levá' Nem que eu pule 'num' pé só De Cabrobó até o Pará.
  • 83. Corredor de ônibus Paradas de ônibus Passageiros sentados Passageiros em pé Fale com o motorista apenas o indispensável. Corredor de passageiros Paradas de passageiros Passageiros sentados Passageiros irritados Fale com o passageiro apenas o indispensável. Guerra de poluição Sonora, visual, sonora visual Dentro e fora do coletivo Alguém sem fones pra por no ouvido Alguém sem ouvidos Alguém sem olhos Alguém sem nenhuma percepção. Passageiros com raiva Vidros quebrados Ônibus incendiado Caos. Passageiros sentados Passageiros em pé Passageiros à pé.
  • 84. Eu quero te sentir esquentando minha pele. Teu cheiro invadindo minhas narinas Entorpecer. Molhar o chão de suor. Manchar as paredes com as mãos. Conter teu gemido com minha boca. Fazer você se tremer na ponta dos pés. Meus olhos vidrados Enquanto você implode e explode Calor, lágrimas. Intensa paixão. Ofegante. Amantes. Três. Só.
  • 85. Seduzem por natureza com qualquer beleza Seu cheiro inodoro invade o espaço Arrebenta o laço que prende a libido Provoca um estampido, como um tiro, Atinge os pontos vitais, deixamos de ser humanos Viramos animais, no cio, vadios, Sedentos por elas, domados, preparados Para sermos devorados, por suas bocas Loucas, úmidas, carnívoras, Como uma orquídea, insinuante, brilhosa, cheirosa, Calor, sexo, desejo, quem sabe amor.
  • 86. O que resta é apenas lembrar O que resta é apenas olhar para as fotos O que resta é apenas teclar Palavras desconexas no teclado sujo Pensamentos sem caminho seguro Desejo de não sei o quê! Grito! Sussurro! Gemendo baixinho! Sofrendo! Querendo! Outra vez! Mas o quê?! Não sei nem mais o que estava pensando! Nem de quem estava falando. O que é isso em baixo dos meus dedos? Essas letras marcadas em pequenos quadrados Umas ao lado das outras O que são? Onde vou parar com essa neo-esquizofrenia?
  • 87. Rosto suado, mãos geladas, respiração ofegante Pernas trêmulas, boca seca Rigidez, desejo, sede, ânsia Roupas, poucas, jogadas, rasgadas Dois rostos suados, duas mãos entrelaçadas, Transpiração contínua e prolongada, molhada Deitada, em pé, sentada, me olhando, Me intimidando, me provocando, me comendo Com os olhos, com a boca, com as coxas Mulher decidida, direta, sem muitas palavras Esperta, ingenua, ora grande, ora pequena Me faz flutuar, me faz eclodir, gozar A vida, a noite, o momento como o último.
  • 88. Lábios grandes e carnudos, cheios de sabor. Grandes lábios sedutores, beijando minha cabeça, Meu rosto, minha boca; Ar rarefeito dentro desta atmosfera própria, Bactérias mortas, suor, calor. Lábios Grandes Lábios.
  • 89. Olhos aflitos, com dor, com surpresa. Olhos abertos, sempre atento, cansado. Olhos de fome, de desejo, de ira. Olhos de medo, de angústia, de dúvidas. Olhos de sede, de lombras, de sono. Olhos brilhantes, felizes, distantes. Olhos diversos. Olhos passivos. Olhos amantes. Olhos matadores. Olhos sem caráter. Olhos de fé perdida. Olhos d'água. Olhos, pra te olhar, mesmo que não te veja. Simplesmente, olhos.
  • 90. Vala, suja, lixo, bosta, ratos, doenças, políticos, transfusão, menstruação, choro, carro, luz, fome, água, banheiro, luxo, empregos, vícios, criança, elos, gangue, braco, roda, papeis, notícias, família, remédio, constituição, livro, beijo, cama, silêncio, fim.
  • 91. Entre sonhos e sonhos Entre noites e noites Entre olhos Entre bocas Entre pernas Entre palavras desconexas. Entre e fique a vontade Não se acanhe Aqui tudo pode Aqui sempre há possibilidades Entre e não meça suas palavras Apenas seja Apenas deixe-se. Agente não se conhece Agente nunca se viu Mas aqui, exatamente aqui Sempre haverá espaço Pois no seu inconsciente Você já sabia que eu existia E nele sempre eu existirei.
  • 92. Multiplicado pela decapitação Antes era apenas um agora são vários. Pedaço a pedaço, separados pelas mãos do carrasco Sem poder pedir desculpas, mesmo não tendo feito nada. Ordens do papa, ordens de deus "Nunca discordes das palavras sagradas Pagarás com a tua vida, e sofrerás eternamente, Em nome do pai do filho e do espírito santo amém." Pensou demais, falou demais Agora cada parte do seu corpo Como exemplo aos afoitos Ficará exposta à praça publica Até apodrecer, virar comida de corvos E esperar os próximos condenados Condenados à furia de deus. Condenados por não ser mais um gado. Condenados por pensar. E não se deixar dominar Por dogmas e palavras Escritas sabe-se lá quando Por sabe-se lá quem. Mate-os! E quem mais não aceitar os escritos Matemos também, pois morte em nome de deus É morte sacra. Eu sou o papa, o procurador de deus na terra. Eu assino(e assassino) em nome dele, amém.
  • 93. Anjos e demônios transando numa sepultura Sofrimento e choro banhado a sangue Alucinações, desespespero mental. O fogo se movendo e queimando sua alma. Esquizofrenia! Cerebro destruído! Gritos nos meus ouvidos! Apenas ódio e tortura. Não me deixe morrer desse jeito. Nessa loucura infernal. Se você quer me salvar. Corra!Corra e não me deixe sair. O tempo está acabando. E ela está bem ali Apontando para mim e sorrindo. Dizendo que que minha hora chegou. Anjos e demônios transando numa sepultura Sofrimento e choro banhado a sangue Alucinações, desespespero mental. O fogo se movendo e queimando sua alma. Esquizofrenia! Cerebro destruído! Gritos nos meus ouvidos! Apenas ódio e tortura. Não me deixe morrer desse jeito. Nessa loucura infernal. Se você quer me salvar. Corra!Corra e não me deixe sair. Esquizofrenia! Cerebro destruído! Gritos nos meus ouvidos! Apenas ódio e tortura.
  • 94. O virtual que aproxima os distantes E distancia os tão próximos. Desvirtua mentes vazias E agrega mentes fortes.
  • 95. Encontro ao acaso no meio do nada Muito tempo passado e nenhuma palavra Conversa convexa, as vezes complexa Como quem já viveu aquele momento Sorriso largo, gargalhada solta. Primeiro numa praça, agora em outra. Sentado olhando pra cima e pensando Por quê é que ela está voando. Sorrindo e ascenando com uma das mãos. E meus pés firmados bem forte no chão. E os olhos se abrem...
  • 96. Sinto que já está chegando a hora Que não haverá mais tempo para realizar Não sei o dia, mas sei que vou embora É questão de tempo, é se acostumar Não haverá plateia Nem choros nem blues Nem mesmo tenho ideia Se verei denovo seus olhos azuis Só sei que sinto a partida Tão perto quanto longe Nem sei se haverá despedida Ou se estarei sozinho, como um monge Não haverá registros Não haverá memória Fotos velhas sem filtro Para lembrar minha breve história Se for hoje, ou após estas linhas Eu desejo pelo menos saber Se alguém vai continuar O que tentei fazer. Só sei que sinto Só sei que penso Só sei que só. Adeus.
  • 97. Numa sombra clara no chão Escuro como leite, Claro como carvão. Meus pés tocam o ar Que é duro como cimento Minhas mãos caminham tortas Seguindo as linhas do tempo. Cada cavalo no seu galho Procure sua ração. Seu rosto num sabão eu entalho Pra lavar meus panos de chão. Vesti uma panela suja Sem saber se dava em mim Mas levei sem saber de lambuja Um dominó de marfim Cada cavalo no seu galho Procure sua ração. Seu rosto num sabão eu entalho Pra lavar meus panos de chão. Vesti uma panela suja Sem saber se dava em mim Mas levei sem saber de lambuja Um dominó de marfim.
  • 98. Tá lá um corpo estendido no chão Esperando o outro corpo por cima cair E assim, dar continuidade a já impestada Humanidade.
  • 99. Andando sozinho pela madrugada do pensamento Olhando para o nada, ouvindo os vários sons do vento. Sem repouso, há dias luto contra as minhas forças. Há dias tento ao menos cochilar. Mas os olhos insistem em ver O que minha imaginação teima em não mostrar. Mais uma dose de ácido, mas não os alucinógenos E sim o AAs com gosto de confeito. Tomo água, tomo banho, tomo um tombo. Mergulho de cara no chão e ainda assim não apago. Fico putaqueparívelmente ainda mais acordado. Pois depois de cair de cabeça, a última coisa A fazer é dormir Pois corre o risco de não mais acordar. Minha idéia ainda não é essa. E seguem-se dois,três,quatro,cinco... Uma semana de olhos abertos, atentos. Esperando a imagem que a imaginação Não consegue enviar Pois nem a imaginação conseguiu ficar Acordada Para me ajudar.
  • 100. Em fila no pente ou em círculo no tambor Balas de chumbo ou de borracha Na cabeça ou no peito Perdidas ou achadas Sem força ou direção Com velocidade e precisão. Do alto de um prédio Quem sabe de um carro em movimento Ou talvez de uma igreja. Das mãos de um bandido Ou de um policial Até do papa Por que não? Atrevessam paredes Atravessam músculos Batem e rebatem Até achar um alvo Se for direcionada Acha. Senão, bate em quem tiver na frente mesmo. Elas não gostam de ficar só. Elas precisam de um lugar confortável para Se alojar Pelo menos até um médico tirá-la de lá Ou não! Pois ele pode resolver deixa-la descançar. E assim, finalmente encontrar um lar.
  • 101. Caiba no meu abraço Encaixe-se no meu consolo Deite sobre meu ombro Que eu amparo as lágrimas do seu choro Sinta que eu estou indo Fundo ao seu sofrimento Agora sei o que estais sentindo Estou provando esse sentimento Tremes e travas os ossos Grita calada sua dor Nem meu nem seu, nossos Os pedaços colados do amor E vem um suspiro valioso Recompensa, retribuição? Não importa, desde que seja gostoso. E ardente e duradoura sensação. Caiba na minha voz Pois ao falar seu nome Quero me fazer presente Sempre que estivermos a sós.
  • 102. Atras das portas e das grades Atras das mentiras e das verdades Diante das palavras e sussurros Diante dos medos e coragens Seguindo sozinho no escuro Fugindo de fantasmogorica carruagem Atravessando as horas Revirando os olhos Debatendo-se Tentando livrar-se Fogo Gelo Queimando a pele Trincando os ossos Gritos Dor Só.
  • 103. As asas foram Cortadas e fim Sobraram grades Nada de mim Atrás dos muros Dessa prisão Em minha mente Só confusão Confuso! Sem rumo! Agonizo! Morto! Pregos furam Minhas mãos Dor intensa Sem salvação! Confuso! Sem rumo! Agonizo! Morto! Armadilha escondida Ferida! Sangue banhando o chão E não! Então querer voar sem saida! Dessa eterna prisão! Confuso! Sem rumo! Agonizo! Morto!
  • 104. As imagens vêm via satélite Para nossas TVs, Param nossas mentes Tornam-se hipnotizantes Paralisando por instantes Todo o nosso pensamento racional E são através das antenas Que as imagens chegam ao seu destino Mas através das mesmas antenas As ondas sonoras do rádio Chegam aos nossos ouvidos, As vezes com coisas boas, As vezes com coisas péssimas Uma das grandes invenções do mundo moderno foi a antena Ligando o mundo através dos seus pedaços Espalhados pelos telhados. 28/11/2009
  • 105. Eles não tem pena se você não tem comida Eles ignoram se você não tem um lar Pra eles não importa o vazio na sua barriga Porque você só presta na hora que for votar. Ratos miseráveis que só pensam em dinheiro Ladrões engravatados que não param de roubar Escondem na cueca, na peruca ou no banheiro Toda a propina que acabaram de ganhar. Aumentam seus salários em 62% Pra viajar o mundo com a família e tudo mais Enquanto agente fica todo mês num sofrimento Quando acaba o dinheiro e a comida não há mais. Olhe para a frente Toda vez que for votar Não venda o seu voto! Pra depois não reclamar.
  • 106. marcas da revolta as marcas da revolta se apresentam no meu rosto o sangue derramado de pessoas inocentes por uma maldita droga agora no primeiro posto da paranoia insana dessas miseráveis mentes. corpo transformado em caveiras ambulantes os filhos deformados, viciados sem saber parecem zumbis, mortos-vivos, mutantes com uma fissura eterna não têm medo de morrer. é uma epidemia bem pior que o HIV quem entra não sai mais, faça o que fizer o tiro é certeiro, na cabeça, sem volta humanos destruídos, sem pergunta nem resposta. crack! mata! crack! destrói! Crack! devasta! crack! corrói! corpos transformados em caveiras ambulantes os filhos deformados, viciados sem saber parecem zumbis, mortos-vivos, mutantes com uma fissura eterna não têm medo de morrer. é uma epidemia bem pior que o HIV quem entra não sai mais, faça o que fizer o tiro é certeiro, na cabeça, sem volta humanos destruídos, sem pergunta nem resposta.
  • 107. ENTRE OLHOS E MÃOS
  • 109. SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
  • 112. DUO
  • 115. RAIO-X AP MÃOS DIREITA E ESQUERDA
  • 119. LOUD
  • 120. Eu poderia agradecer a um monte de gente aqui, mas não vou fazer isso com nomes, pois posso esquecer-me de alguém, e esse alguém ficar chateado. Então no geral do geral, dedico esta publicação a todos (e todos podem parecer ser muitos, mas são pouquíssimos) os que apreciam minha pessoa de algum modo. Às poucas pessoas que amo. Aos que me odeiam e aos que não me suportam um foda-se, não dependo de vocês pra nada. Aos seres de energia superior ao redor da terra, ao seres de energia inferior também. Às mazelas e bondades da humanidade, às mulheres e os homens de todo o planeta, à música de qualidade, ao inventor da caneta, ao inventor do papel, da impressora e do computador, aos meus progenitores por (mesmo que erroneamente) terem me feito. Ao Rock n’ Roll, que me fez ser menos imbecil, e foda-se quem não concordar. Às pessoas de muito longe e muito perto. Às pessoas mortas e vivas, e às mortas vivas que vagam pelo mundo. E a mim mesmo por não ter morrido até agora. Se após esses escritos eu morrer, quero ser queimado numa rede como um peixe na telha. Bruno Rafael
  • 121. BRUNO RAFAEL PEREIRA RODRIGUES SILVA Nasceu no Recife no ano de 1983, E seus textos têm uma acidez mórbida em alguns momentos, e doces palavras de amor montadas em tristes versos, flertando com a psicodelia em outros instantes. Sem preocupação com rótulos e escolas literárias. Sem preocupação com rótulos e escolas literárias. Marginalmente fraseando só para lançar ao mundo suas palavras.