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MINISTÉRIO DA CULTURA
       Fundação BIBLIOTECA NACIONAL
       Programa Nacional de Incentivo à Leitura




          MINISTÉRIO DA CULTURA

     FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL

PROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA

                      - PROLER -




          BIBLIOTECA DA ESCOLA

             - DIREITO DE LER -




                                     Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil

                                            Seção brasileira do International Board

                                                  On Books for Young People - IBBY
Presidência da República
Fernando Henrique Cardoso
Ministério da Cultura – MinC
Francisco Weffort
Fundação Biblioteca Nacional - FBN
Eduardo Portella
Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER
Comissão Coordenadora do PROLER
Elizabeth D’Angelo Serra – FNLIJ
Emir José Suaiden – UNB
Jane Paiva – NUEC?UFF
Kátia de Carvalho – UFBA
Mônica Messenberg – FNDE/MEC

Coordenação e supervisão
Elizabeth D’Angelo Serra

Textos e Produção
Elizabeth D’Angelo Serra
Pedagoga
Secretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ
Coordenadora da Comissão Nacional do Proler
Maraney Freire Costa
Bibliotecária
Chefe do CEDOP/FNLIJ

Revisão
Elda Nogueira
M.F.J.Diniz

Apoio
Cynthia Rodrigues
Maria Amélia Barboza

Esta obra foi realizada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o Programa Nacional de Incentivo à Leitura, da Fundação
Biblioteca Nacional – PROLER/FBN.




     Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (Brasil)
F977 Biblioteca da escola: direito de ler. Rio de Janeiro:
     Fundação Biblioteca Nacional: Programa Nacional de
     Incentivo à Leitura – PROLER, 2002.


                           70 p. 21 cm.


                  1.Biblioteca escolares. 2.Leitura. I.Título

                                                         CDD 027.8

  Rio de Janeiro, 2002
SUMÁRIO

Apresentação

1. Introdução ............................................................................................................... ..................................... 5

2. A leitura e a Escrita na Escola ......................................................................................................................7

3. Por que a Biblioteca da Escola? ..................................................................................................................10

4. O lugar para a Biblioteca da Escola ............................................................................................................13

5. Planejamento o espaço da Biblioteca da Escola .........................................................................................14

5.1 Mobiliário .............................................................................................................. ...................................15
5.2 Fichário, arquivo e outros suportes ..........................................................................................................16
5.3 Acessórios diversos ..................................................................................................................................17
5.4 Equipamentos eletrônicos ................................................................................................ .........................18

6. Seleção de livros / Títulos ............................................................................................................ ..............20

7. Aquisição do acervo .............................................................................................................................. ....25

8. O Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE .................................................................................26

9. Processamento Técnico – a importância ....................................................................................................34

9.1 O registro do livro ..................................................................................................... ..................... .. ......36
9.2 Organização do catálogo ou fichário ..................................................................................................... ..38
9.3 Classificação do acervo ................................................................................................. ...........................42
9.3.1 De livros de literatura ou juvenil ...........................................................................................................43
9.3.2 De outros livros .....................................................................................................................................45
9.4 Organização dos livros nas estantes .........................................................................................................47

10. Preparando o acervo para o empréstimo ..................................................................................................48

10.1 Ficha do leitor – usuário ou Ficha de empréstimo ................................................................................48
10.2 Ficha de devolução .............................................................................................................. ..................49
10.3 Diário do Leitor .....................................................................................................................................52

11. Biblioteca em uso ....................................................................................................... .............................53

12. Como se prepara uma bibliografia ..........................................................................................................56

13. Bibliografia recomendada pela FNLIJ sobre Leitura; Literatura; Biblioteca .........................................57

14. Bibliografia consultada ...........................................................................................................................62

15.Anexo............................................................................................................................64
APRESENTAÇÃO



   Esta publicação foi elaborada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ
para o Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, da Fundação Biblioteca
Nacional – FBN.
A FNLIJ foi criada em 1968, no Rio de Janeiro. É a seção brasileira do International Board
on Books for Young People – IBBY. Seus objetivos, institucionais são os de promover a
leitura e divulgar o livro de qualidade para crianças e jovens, visando a orientar e apoiar
educadores e bibliotecários, bem como todos aqueles adultos comprometidos com a tarefa
de contribuir para formar leitores críticos como direito do cidadão. Nesse contexto, o uso
da biblioteca da escola é instrumento básico da cultura contemporânea para uma
educação democrática e de qualidade.
   Os textos aqui apresentados foram criados a partir de publicações anteriores
produzidas por especialistas da FNLIJ para outros projetos dos quais a Fundação
participou, tais como Ciranda de Livros, Viagem da Leitura e Projeto Recriança, cujos
objetivos eram também promover a importância e a necessidade de bibliotecas que
possibilitem desenvolver o contato com livros, variados e de qualidade, para o exercício da
prática da leitura e da escrita e, como conseqüência, contribuir para orientar o caminho do
encontro permanente com o conhecimento artístico e científico.
   A FNLIJ se sente honrada em dispor a sua experiência e conhecimento para mais uma
parceria com a FBN, por meio do PROLER, a fim de ampliar e fortalecer a rede brasileira
de leitura.
Esperamos que essa publicação possa contribuir para a valorização da biblioteca na
escola, modificando o eixo do projeto pedagógico da escola brasileira.




                                                                  Elizabeth D’Angelo Serra
1. INTRODUÇÃO


  A participação crítica do cidadão, o desenvolvimento e o fortalecimento da democracia
dependem de uma educação de qualidade para todos, assim como do livre e ilimitado
acesso ao conhecimento, aos bens culturais e à informação.
Entretanto, isto não corresponde à nossa realidade, em que somente poucos têm acesso à
variedade dos saberes e experiências acumulados pela humanidade.


  Para que a maioria da população exerça, efetivamente, uma atuação crítica em relação
à realidade e tenha condições de nela interferir, buscando melhorar as condições de vida
de todos, é absolutamente necessário garantir a cada cidadão o contato constante com a
variedade de conhecimentos existentes, por meio das publicações disponíveis e de outros
suportes modernos para notícias e informações.
Ao mesmo tempo, é necessário promover a conscientização desta necessidade, junto à
população , como reivindicação importante de ordem social, como um bem cultural
poderoso.


  Conhecimento e informação são instrumentos básicos para novas e melhores
perspectivas de vida. Uma das mais graves conseqüências da ação conservadora e
individualista das elites brasileiras é a histórica ausência de políticas que, de fato, criem
condições para que se democratizem as oportunidades de acesso ao saber acumulado e
organizado pela humanidade. Essa ausência pode ser constatada pelo reduzidíssimo
número de bibliotecas escolares e públicas, em nosso país, apesar de serem elas básicas
para a formação educacional e cultural e o exercício da cidadania.
Outro fato denunciador dessa situação é não haver obrigatoriedade legal da biblioteca
para o Ensino Fundamental, excluindo-se assim a maioria dos alunos do Brasil (já que, por
enquanto, só um grupo menor consegue ingressar no Ensino Médio) do aprendizado e da
convivência com a instituição Biblioteca, morada democrática dos livros.
Nesse sentido, a biblioteca da escola deve atuar não só como pólo de dinamização da
informação e como um centro de incentivo à busca de conhecimento que lhe é próprio,
mas principalmente para formar leitores e futuros usuários de bibliotecas públicas. A
biblioteca pública deve garantir a qualquer pessoa o direito a uma educação permanente
bem como as condições para o seu desenvolvimento cultural. E isto deve ser transmitido,
ensinado e valorizado durante o período escolar.


   Portanto, urge a necessidade de se instalar uma política integrada de criação de
bibliotecas nas escolas, a fim de se ampliar o número de pólos dinamizadores do
conhecimento e da informação, desde cedo, na escola básica. A democracia necessita de
uma forte rede articulada de bibliotecas escolares e públicas. Apesar de o número de
bibliotecas públicas ter aumentado nos últimos sete anos e também a consciência sobre a
importância de criar-se bibliotecas nas escolas, é necessário um planejamento estratégico
para realizar essa ação. Pois, bibliotecas enquanto espaço físico, por si mesmas, sem uma
missão institucional clara, não resolvem o problema. É necessário que os envolvidos nos
cursos de formação de professores se conscientizem da importância e da função social da
biblioteca, que diretores de escola, supervisores, professores e pais compreendam a sua
função educativa, que a biblioteconomia valorize esse setor e que os governos criem uma
política de valorização do bibliotecário na escola e na biblioteca pública, por meio de uma
integração no campo da educação e da cultura, buscando fortalecer seus pontos de
interseção.


   A equipe docente da escola e também os pais devem, pois, travar juntos essa discussão
na perspectiva de que a biblioteca seja considerada o lugar mais importante da escola e o
centro físico para o desenvolvimento do projeto pedagógico. Promover a leitura e a
escrita, unir livro-biblioteca-leitor-escritor, são ações básicas para a formação de cidadãos
participativos.


   Anexamos a este texto quatro documentos importantes sobre a biblioteca da escola e a
pública, para estudo e discussão quanto à sua importância no contexto histórico atual.
O primeiro é o “Manifesto da Biblioteca Pública”, da Unesco, publicado, no Brasil, pela
primeira vez, no informativo mensal Notícias, da FNLIJ, em março de 1995. O segundo
documento é o “Manifesto da Biblioteca Escolar”, também da Unesco, divulgado pela
FNLIJ, no Notícias de janeiro de 2001. O terceiro e o quarto documentos são as duas
Portarias do Ministério da Educação sobre o Programa Nacional Biblioteca da Escola –
PNBE.


  A primeira Portaria, de 28 de abril de 1997, institui o PNBE e a segunda reconhece a
necessidade de proporcionar material escrito didático-pedagógico voltado para a
capacitação permanente do docente; institui ainda que o programa responsável por esta
tarefa é o PNBE, tendo a Secretaria do Ensino Fundamental como responsável pela
definição do acervo.


  A Portaria de 1997, que cria o PNBE, restringe-se à função de compra de acervos que o
MEC fazia até então, sob diversas nomenclaturas. Ao assumir o nome Biblioteca da
Escola, o MEC, pela primeira vez, reconhece a sua importância na escola. Este é o ponto
que queremos enfatizar e valorizar, para ser usado como instrumento legal na criação da
biblioteca da escola ou, caso ela já exista, buscar junto à diretoria da escola e à Secretaria
de Educação apoio para torná-la o espaço mais importante da escola.


  Além desses anexos, estamos apresentando uma bibliografia para o aprofundamento
do tema e aperfeiçoamento da equipe da escola quanto aos argumentos para reivindicar a
existência de uma biblioteca que possa atender, também, à comunidade. Esperamos que
esta publicação venha contribuir para aumentarmos a corrente que vem se formando, no
Brasil, há mais de 30 anos, para a construção de uma sociedade brasileira que domine,
com fluência, a língua portuguesa.




                        2. A LEITURA E A ESCRITA NA ESCOLA


  O acesso à escola básica brasileira, até o final dos anos 1950, era restrito a uma
minoria de crianças. Com o processo de democratização da sociedade, a partir dos anos
1960, o número de escolas aumentou, abrindo as portas do ensino formal àquelas
crianças que estavam alijadas das oportunidades da socialização e do contato diário com o
conhecimento.


  A presença de um novo contingente de crianças na escola explicitou, muito tempo
depois, o caráter elitista do projeto educacional brasileiro. As escolas e seus professores
não estavam preparados para orientar e ensinar a grupos sociais diferentes daqueles a
que pertenciam.


  A escola brasileira até então era freqüentada, em sua imensa maioria, por crianças
cujas famílias tinham poder aquisitivo mínimo para comprar livros, revistas, jornais, além
de um entorno cultural que valorizava a arte. Ler e escrever, para essas famílias, era um
bem cultural que fazia parte de seu cotidiano, era valorizado em suas casas.


  Surgiram então, várias teorias e práticas novas, a partir da preocupação e do estudo
sobre os inúmeros fracassos constatados na escola. Entre acertos e erros, muitas
descobertas e conquistas foram trazidas para essa nova clientela, embora ainda persistam
alguns vícios discriminatórios e preconceituosos que dificultam o processo democrático de
socialização do conhecimento humano.


  Ensinar a ler, escrever e contar, como meta pedagógica, sempre sintetizou o trabalho
dos professores da escola básica, porém esta tarefa envolve uma diversidade de objetivos
e metas que variam de acordo com as condições sócio-econômicas e o universo cultural
da família e da escola.


  Até os anos 50, os métodos para ensinar a ler e escrever eram relativamente eficientes.
O motivo, em nossa opinião, é que as crianças que freqüentavam a escola viviam, em sua
maioria, entre famílias que tinham acesso ao livro e convivência com o texto escrito e os
professores vinham da mesma camada social que as crianças.


  Depois dos anos 60, a necessidade de mão-de-obra para o trabalho exigia operários
que soubessem escrever e ler, sem maiores competências. Isto fez do complexo e rico
processo de alfabetização uma redução empobrecida de apropriação do texto escrito, do
aprender a ler e escrever.


   Nesse processo, a leitura, principalmente de textos literários, foi mutilada e sua
utilização serviu somente para explicar fatos gramaticais, isolando-se o contexto artístico
da narrativa.


   A essência do ato de ler foi, então, abandonada, desprezada pela escola e seus
professores, premidos pelas exigências de administradores insensíveis e elitistas e das
famílias pouco esclarecidas sobre o assunto.


  Entre inúmeras justificativas para o mau desempenho da maioria dos alunos e a busca
de diversas soluções, felizmente começaram a surgir novas práticas pedagógicas que
passaram a trabalhar com a devida atenção e preparo o núcleo da leitura e da escrita,
visando a atingir a qualidade na educação formal.


   Sem oferta de leituras variadas, sem contato com bons livros e sem oportunidades para
praticar a escrita, não há como oferecer uma educação de qualidade.


  Esta conclusão diz respeito não só ao aprendizado dos alunos mas, também, à
formação dos professores.


  Há que se enfatizar, nas Escolas de Formação de Professores, que a formação leitora e
escritora dos novos profissionais, por meio da leitura literária e da prática da escrita livre e
criadora, é a base sólida da sua prática profissional.


  É importante lembrar que Monteiro Lobato já nos deixou as diretrizes básicas para uma
educação de qualidade, que não é devidamente apreendida na Formação de Professores.
Sua obra, com livros de ficção, didáticos, informativos, mitologia e clássicos internacionais,
sintetiza as leituras básicas e necessárias para formar leitores.
Além disto, ao ler Lobato, o professor aprende a melhor didática a ser trabalhada com as
crianças.
Se você ainda não leu Lobato, comece agora e descubra o grande educador que ele foi,
além de grande escritor.


  Se você já leu Lobato, promova um grupo de estudos sobre ele em sua escola, abrindo
o debate sobre a importância da leitura literária na escola.


  Que este seja o início de uma boa convivência com nossos maravilhosos escritores
nacionais e com os clássicos da literatura internacional.


  Nesse contexto de valorização da leitura e da escrita é que se insere a necessidade e a
importância da biblioteca da escola.


  Descubra a função social da biblioteca e lute para torná-la realidade em sua escola.




                          3. POR QUE A BIBLIOTECA DA ESCOLA?


  Segundo Wilson Martins, no livro A palavra escrita: a história do livro, da escrita e da
biblioteca, “as escolas foram bibliotecas cercadas de salas de aula”. Este retrato da
biblioteca escolar é o ideal, mas, infelizmente, não retrata a nossa realidade, em que as
bibliotecas escolares existentes são fechadas e seus espaços ocupados para outras
finalidades. Algumas escolas públicas, argumentando que necessitam de mais salas para
outras atividades, foram capazes de encerrar as atividades da biblioteca, em uma
demonstração do total desconhecimento sobre seu valor e importância para a educação.
“É impossível imaginar que a formação do aluno, a construção dos seus conhecimentos,
aconteça apenas com o que é visto em sala de aula. Não podemos conceber, de outra
parte, que o professor possa planejar as suas aulas sem uma fonte de consultas
representada, no caso, pela biblioteca escolar”.


  O    educador    deve    ter   a   preocupação   permanente   de   associar   informação,
conhecimento, leitura e escrita com a biblioteca da escola, para a formação de uma
cidadania plena. A constituição de um cidadão livre, no seu sentido mais estrito, ou seja,
com autonomia de decisões, compreende um processo complexo, cultural e educacional
permanente. Uma biblioteca da escola atuante é aquela que tem como objetivo contribuir
com varias ações que venham a fortalecer esse processo como, Por exemplo, contribuir
para desenvolver o interesse das crianças pela leitura desde bem pequenas; criar
oportunidades para o desenvolvimento critico pessoal e coletivo; estimular a criação e a
capacidade criadora de crianças e jovens; promover a conscientização da herança cultural,
a apreciação das artes, das realizações cientificas e inovações tecnológicas; fornecer
acesso a expressões culturais em todas suas manifestações artísticas; servir de espaço de
consulta e estudo para os professores. E para que isto ocorra é necessário que a biblioteca
da escola faça parte do projeto pedagógico dessa escola, integrando-se a ele.


  O projeto pedagógico da escola deve valorizar e revelar para seus alunos a função
social da leitura e da escrita, contemplando tanto seus aspectos pragmáticos quanto
lúdicos, pois a leitura é a principal porta de entrada para as abordagens crítica e criadora
do conhecimento e da informação.


  Em nossa sociedade, conhecimento e informação significam poder, por estarem
expressos, principalmente e cada vez mais, através do registro escrito. A escola tem,
portanto a responsabilidade de apresentar essa evidencia e proporcionar aos seus alunos
e professores as condições para que eles possam se apropriar do texto escrito, com
competência. O caminho é a leitura permanente dos textos que estão nos livros e
atualmente nos computadores.


  A biblioteca da escola, ou a pública, é o espaço onde esses suportes de textos, que
trazem conhecimento, arte e informação, são organizados para que possam ser
socializados e conhecidos por muitas pessoas.


  Se as bibliotecas cumprissem suas papeis de difusoras do saber acumulado pela
humanidade, se pudessem ser locais de encontros e discussões de idéias, espaço onde
fosse possível aproximar-se, ao mesmo tempo, do conhecimento registrado e do mundo
da fantasia e se a população fosse educada conhecendo o papel social das bibliotecas, não
seria necessário substituir a nomenclatura biblioteca da escola por sala de leitura, como
ocorreu e ainda ocorre entre nós.


  A fim de enfrentar os entraves, corporativos e burocráticos, para se criar bibliotecas nas
escolas, introduziu-se, na década de 80, o termo sala de leitura.
Se, por um lado, ele representou a forma de enfrentar os problemas para se valorizar o
espaço dos livros e da leitura dentro das escolas, por outro lado, ao difundir-se o nome
sala de leitura perdeu-se a oportunidade de valorizar, no momento da educação formal da
criança, o conceito da biblioteca. Em alguns casos, o resultado foi o enfraquecimento da
sua dimensão criada na escola. Passou a ser um lugar triste e pouco atraente, onde o
aluno vai buscar respostas imediatas para questões curriculares ou executar uma pesquisa
escolar. Há escolas que mantem os dois espaços separados, onde a “biblioteca” é o
espaço da pesquisa e do castigo e a “sala da leitura” é o espaço do livro de literatura,
logo, da leitura, do lúdico. Isto fortalece uma posição antagônica entre dois espaços. O
“novo” é a sala de leitura, enfraquecendo e desvalorizando o conceito da biblioteca no
imaginário de crianças e jovens, quando, ao contrario, seu uso deveria ser introduzido e
valorizado como pratica diária para a formação da cidadania.


  O que ocorre, porem, é que, ao terminarem sua formação escolar básica, crianças e
jovens não encontram “salas de leitura” para dar continuidade ao convívio com os livros e,
tampouco, foram educados para freqüentarem as bibliotecas. Não estamos nos referindo a
uma minoria de crianças e jovens privilegiados que possuem livros em suas casas, mas a
quase totalidade de crianças e jovens brasileiros que, alem de não terem livros, jornais e
revistas em casa, não podem adquiri-los por falta de recursos, ficando sem opção para
desenvolverem a prática de leitura necessária para suas vidas, tanto no que diz respeito
aos aspectos profissionais quanto pessoais.


  Portanto, urge que nas escolas brasileiras, desde a educação infantil, a biblioteca da
escola seja uma realidade: urge também fortalecer o conceito que a biblioteca é
instituição básica necessária para alimentar o exercício democrático.
Anísio Teixeira sintetizou essa importante união entre e educação e cultura ao afirmar que
“as bibliotecas são instituições básicas da educação, que antecedem, em verdade, à
escola”.




                      4. LUGAR PARA BIBLIOTECA DA ESCOLA


   Se a escola não possui, ainda, uma biblioteca, o primeiro passo é organizar uma
reunião com a equipe docente para apresentar o problema. Não se espante.
Comece assim mesmo, reunindo todos para discutir por que na escola não há uma
biblioteca.


   Quase sempre a dificuldade que se apresenta primeiro é o espaço. Onde criar uma
biblioteca se não há espaço sobrando? Mas, se há clareza, por parte da equipe, quanto a
sua importância e necessidade, o espaço e as pessoas nela trabalharem surgirão, por meio
de um replanejamento dos demais espaços da escola.
Por exemplo, liberando uma das salas para a biblioteca e as turmas usarem, em sistema
de rodízio, o mesmo espaço. Esta foi uma experiência que tivemos em uma pequena
escola particular de ensino fundamental, no Rio de Janeiro e que deu muito certo. A
necessidade gera soluções inimagináveis. Se o grupo efetivamente quiser, certamente
encontrará o espaço para a biblioteca.


   E se houver condições, por que não planejar a construção da biblioteca ampliando o
prédio ou mesmo construindo-a como anexo da escola?


   O importante é ter consciência de sua necessidade e lutar por ela, transformado-a em
um projeto de todos para todos.


   Sugerimos, também, que a discussão seja ampliada, incluindo os pais; assim, a idéia
ganhará mais força.
Procure a secretaria da educação em sua cidade, ou as delegacias de educação, para
se inteirar das novidades que já existem sobre o assunto, em nosso país.




               5. PLANEJANDO O ESPAÇO DA BIBLIOTECA DA ESCOLA


  O importante é começar, nem que seja em uma sala pequena, pois quanto mais a
biblioteca for sendo utilizada e valorizada, mais a comunidade escolar perceberá a
necessidade de ampliá-la e buscará soluções necessárias.


  Para calcular as dimensões da biblioteca ideal, no caso da construção, deve-se levar em
consideração o numero aproximado de leitores que ia utilizá-la, o número de livros já
existentes na escola, o ideal e o possível de ser adquirido, prevendo sempre seu
crescimento. Por exemplo, a área ideal para uma biblioteca que atenderá a uma escola
com 1000 alunos é de 120 m². Isto não significa que ela não pode ser menor, no caso de
reaproveitarem o espaço já existente de acordo com a decisão da equipe sobre onde
instala-la. Já para uma escola pequena, com 100 alunos, o espaço será aquele que for
possível.


   A biblioteca deverá estar sempre em lugar acessível a todos. Ela deve ser clara e
arejada, explorando a incidência de iluminação natural. Mas, não sendo possível, deve-se
usar lâmpadas dispostas uniformemente para que a claridade, recomendada e necessária,
esteja garantida.


  Embora existam no comercio moveis próprios para biblioteca, eles podem ser
fabricados ou mesmo adaptados, conseguindo-se montar excelentes bibliotecas a partir de
recursos alternativos que podem dar um toque original e particular a cada biblioteca. A
falta de recursos financeiros para aquisição do mobiliário ideal não deve se tornar
impedimento.


  É importante ter como meta a atingir que a biblioteca disponha de acervo de gêneros e
assuntos variados e de qualidade e, quando possível, assinatura de jornais e revistas,
gibis, fitas cassetes e de vídeos, CD-ROMs e outros suportes de leitura que contribuam
para o processo ensino-aprendizagem e para a formação cultural de alunos e professores.


   A seguir, apresentamos o detalhamento do mobiliário básico e dos acessórios que a
biblioteca deve ter, para que sua escola possa fazer um planejamento para construir e/ou
adquirir o que é necessário. O importante é fazer um projeto do qual todos, ou pelo
menos a maioria, participem, para que a biblioteca se torne uma realidade.




                                       5.1 MOBILIÁRIO


   Além de ter bons livros, a biblioteca pode e deve ser como todos os lugares que
gostamos de estar: um local agradável, convidativo, com mobiliário adequado ou
adaptado para melhor atender os leitores-usuários, alunos, professores, funcionários e
familiares.


   Listamos aqui alguns moveis necessários para a instalação da biblioteca da escola, bem
como sugestões para torná-la atraente:


  Escrivaninha ou balcão de empréstimo – esse móvel é básico para a organização e
funcionamento da biblioteca. O balcão de empréstimos é para o atendimento ao leitor, a
inscrição, o registro do empréstimo domiciliar e é onde ficam localizados os fichários de
empréstimos. Uma escrivaninha ou mesa de escritório pode substituir o balcão, quando
não for possível adquiri-lo ou enquanto ele não estiver pronto.


  Estantes – Devem ter alturas variadas. As estantes baixas são para facilitar o acesso e
manuseio de livros pelos menores. A altura recomendável pe de pelo menos 1,50m.
Devem ter prateleiras moveis que possam ser ajustadas de acordo com a dimensão dos
livros e de preferência, que sejam coloridas. As estantes mais altas, com cerca de 1,80m a
2m, são recomendadas para os livros juvenis e livros de referencia que, normalmente são
utilizados por jovens e professores.
Expositores verticais – De fácil confecção. É importante ter expositores verticais
inclinados onde os livros possam ficar expostos de frente. A produção de livros para
crianças no Brasil é de excelente qualidade e suas capas atraem a garotada.
Por isso é muito importante ter pelo menos um desses moveis para colocar as novidades
ou, por exemplo, apresentar os livros separados por determinado tema.
Existem no mercado estante própria com prateleiras inclinadas, mas podem também ser
confeccionada por encomenda.


  Mesas redondas – As mesas redondas, de 1 m a 1,20 m de diâmetro são indicadas
para trabalho em grupo. As mesas escolares individuais também servem para leituras e,
colocadas juntas, podem formar mesa para grupos.




                 5.2 FICHÁRIOS, ARQUIVOS E OUTROS SUPORTES


  Arquivos – A biblioteca da escola necessita ter, pelo menos, um arquivo com pastas
suspensas para organizar os documentos administrativos, relatórios, planos e projetos.
Portanto se for possível um arquivo com quatro gavetas, para iniciar, é o ideal.


  Fichários ou catálogos – são pequenos moveis estruturados com diversas gavetas,
utilizados para guardar as fichas catalograficas que reúnem as notas bibliográficas de cada
obra, onde estão descritos os elementos para facilitar sua recuperação. As gavetas, que
medem aproxidamente 7,5 x 12,5 cm (tamanho da ficha padrão), São identificadas com a
indicação do tipo de ficha que guardam. Por exemplo, fichário de AUTOS, de TITULO, de
ASSUNTO, de SERIE ou COLEÇÃO e TOPOGRAFICO. É neste ultimo fichário que as fichas
são arquivadas pelo numero de classificação.


  Fichários de empréstimos – podem ser utilizados os fichários de mesa, de acrílico ou
aço, ou ainda, confeccionados por encomenda. São necessários dois fichários: o primeiro,
para guardar as fichas de inscrição, em ordem alfabética. No caso da escola pode-se
dividir por turmas. Desta forma fica mais fácil a busca das fichas dos alunos. O segundo,
que pode ser geral para todas as turmas, é onde são colocadas as fichas dos leitores que
estão com livros emprestados. Quando o leitor devolver o livro, a ficha retornará para o
primeiro fichário.


  Murais – A biblioteca necessita dispor de quadros murais, colocados em locais visíveis
por todos, de fácil acesso, onde se divulgue a programação da biblioteca, nova livros
recebidos, avisos de exposições. Pode-se expor também os trabalhos de alunos e noticias
de interesse da comunidade escolar, que também são um ótimo atrativo pra despertar o
interesse pela leitura dos murais. Toda a divulgação deve ser afixada em altura que facilite
sua leitura.


  Porta folhetos – uma das maneiras mais simples e atraente de incentivar o interesse
pelo acervo da biblioteca é criar folhetos feitos em papel colorido, com bibliografias
temáticas de interesse dos leitores.
Para conhecer o interesse dos leitores, sugerimos fazer uma caixa de sugestões, ou um
caderno onde os leitores possam expressar livremente suas opiniões e curiosidades.




                              5.3 ACESSÓRIOS DIVERSOS


  Caixotes coloridos - estes caixotes servem para separar determinados acervos mais
manuseados ou que não fiquem bem acondicionados nas estantes convencionais, como as
revistas em quadrinhos, os livros de pano e qualquer tipo de acervo que necessite ficar em
evidencia. Por exemplo, em geral, no mês de agosto, há muita procuro por livros de
folclore; então, separa-se este acervo para facilitar a busca. Facilmente encontrados no
mercado.


  Palco – o palco tem a finalidade de contribuir para dar asas à imaginação dos leitores.
Assim, as crianças podem teatralizar ou dramatizar historias lidas, ouvidas ou criadas por
elas. Uma cadeira, um cabide para chapéus, lenços pode motivar as crianças e jovens a
este tipo de atividade. Alem disto o, o palco pode ser usado para outras finalidades como
leitura em voz alta ou apresentações em festas, entrega de prêmios etc.
Plantas, enfeites e móbiles – Esses tipos de abjetos de decoração, assim como
outros que você imaginar e criar, contribuem para tornar o ambiente da biblioteca mais
acolhedor.


  Tapetes e almofadas – Se houver espaço, tapetes – de preferência de borracha, por
serem de fácil limpeza e antialérgicos – e almofadas podem formar um outro canto de
leitura, possibilitando a descontração bem ao gosto dos jovens leitores.


  Varal – O varal é utilizado para pendurar livros que queremos dar destaque por um
período de tempo. Pode-se, por exemplo, incentivar as crianças a colocarem no varal os
livros que elas gostaram, elas estarão indicando leituras para colegas.


Um lembrete importante: Este não é o local ideal permanente para livros, mas sim um
suporte, temporário, para livros sobre os quais se quer chamar atenção.




                          5.4 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS


  Computador – Somos a favor dos computadores na escola, por uma questão de
direito. Todas as pessoas devem ter acesso a bens materiais que facilitam o estudo e o
trabalho e que podem contribuir para melhorar sua vida e a da comunidade. Porem, de
nada adiantara uma biblioteca da escola, com computador, se nelas não estiverem
leitores. O computador é um instrumento importante e necessário, mas não é o principal.
A maquina não é mágica e depende de inteligência para ser bem utilizada.


  Atualmente, o computador e uma linha telefônica são equipamentos necessários em
uma biblioteca, pois agilizam os serviços administrativos, possibilitam o controle do acervo
de forma mais rápida e eficiente, além da internet ser um grande suporte que poderá
auxiliar os alunos e os professores, junto com os livros, a encontrarem informações
atualizadas sobre os mais diversos assuntos.
É importante ressaltar que, apesar da possibilidade de tratar os livros em fichas
computadorizadas na biblioteca da escola, facilitando o trabalho, recomendamos a
manutenção do uso do fichário manual afim de que o processo de tratamento do livro –
que possibilita o seu uso coletivo – possa ser melhor compreendido e, conseqüentemente,
valorizado pelas crianças.


  Equipamentos audiovisuais – Embora não sejam essenciais para criar uma
biblioteca, é importante ter como meta à aquisição de equipamentos audiovisuais, como:
projetor de slides, gravador/toca-fitas, retroprojetor, videocassete, televisor, aparelho de
DVD e máquina fotográfica e/ou filmadora para registrar os momentos de leitura e outras
atividades. Eles podem ser adquiridos aos poucos, a partir de um planejamento.


   Cabe destacar aqui a importância da televisão e do videocassete ou DVD pois, no
mercado, há filmes e desenhos de muita qualidade que estimulam o gosto pela leitura,
para compra e locação. Um exemplo é a serie premiada, Livros Animados, produzida pelo
Canal Futura, em parceria com a FNLIJ, a partir de livros selecionados, os Altamente
Recomendáveis e os Premiados da FNLIJ. O programa Livros Animados é veiculado pelo
Canal Futura aos sábados, às 14:00 horas e reprisado aos domingos às 09:00 horas. Há
também as séries específicas sobre Leitura e Literatura. Citamos as séries do Salto para o
Futuro, da TV Escola, a série Literatura Infantil, da MultiRio.
Do Canal Futura, há a série Literatura Infantil e o programa Tirando de Letra, veiculado às
terças-feiras (às 23h), às sextas-feiras (às 23h 30min), aos sábados (às 20h) e aos
domingos (0h 30min). Os horários das programações dos canais podem ser alterados,
portanto, sugerimos o contato com o Canal Futura através do telefone (21) 3232-8800;
com a TV Escola, (21) 3475-0012 e com a MultiRio, (21) 2537-0205, para maiores
informações sobre a programação.
6. SELEÇÃO DE LIVROS


  Como já abordamos anteriormente, a biblioteca da escola deve ser um espaço atraente,
com orientação e organização biblioteconômicas, mas é a qualidade do acervo que faz a
diferença, e a atuação dos seus responsáveis.


  Para uma seleção de livros de qualidade, é necessário que os professores que irão fazer
a seleção sejam leitores e conhecedores de um número considerável de livros (e não
limitem a poucos gêneros ou a poucas editoras). É na diversidade de leituras que se apura
a qualidade. Porém, estar atualizado quanto a autores, gêneros e editores não é fácil, pois
exige tempo para leitura e dinheiro para comprar livros, além de ser difícil acompanhar a
imensa produção editorial brasileira.


  Portanto, para fazer uma boa escolha, é necessário que os responsáveis pela biblioteca
busquem informações em jornais, revistas, conversando com professores, fazendo contato
com os cursos de Letras e Pedagogia, enfim, procurando conhecer várias opiniões.


  Hoje, felizmente, já existem inúmeras experiências em seleção de acervos de qualidade
no país, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, do MEC (a seleção foi
feita pela FNLIJ e pode ser acessada em http://www.fnlij.org.br), e mesmo nos estados,
como o programa Cantinho da Leitura – de Minas Gerais, que organizou uma Feira de
Livros para Biblioteca Escolar, para aquisição, com recursos do Estado e do Banco
Mundial, de livros de literatura, para organização dos Cantinhos de Leitura e das
bibliotecas da rede escolar. O Governo do Estado de São Paulo também elaborou um
Manual de Orientações para a Escolha de Livros, para o Programa Nacional do Livro
Didático – PNLD de São Paulo que, desde 1995, é descentralizado, com a compra de livros
feita pela Secretaria de Estado de Educação, o que permite a oferta de livros didáticos, de
ficção e de não-ficção. O Programa de Bibliotecas das Escolas Estaduais, de Goiás, é outro
projeto que se inspirou no projeto do “Cantinho”, de Minas Gerais e organizou feira de
livros e manual de instruções para as escolas adquirirem livros para as bibliotecas
escolares. Procure conhecer as experiências existentes e, se você faz parte de uma delas,
partilhe a sua experiência com outra escola.


  Para que a educação para todos, no Brasil, tenha qualidade, é urgente estabelecer um
forte movimento em torno do direito de ler para vencer a barreira da mesmice e da falta
de originalidade.


   Considerando a enorme extensão territorial do nosso país, o número de escolas
públicas (180.000), o número de alunos do Ensino Fundamental (15.506.442), as enormes
carências que vão determinar limitados recursos financeiros para compra de livros e,
levando em conta a enorme produção brasileira, a seleção de títulos para compre de livros
para a biblioteca da escola deve ser rigorosa quanto ao critério da qualidade.


   A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, pioneira no trabalho de
promoção da leitura e da divulgação do livro de qualidade, seleciona, desde 1974, a
produção anual brasileira e concede menções e prêmios para os melhores livros para
crianças e jovens, nas seguintes categorias: Crianças, Jovem, Imagem, Informativo,
Poesia, Tradução (criança, jovem e informativo), Teatro, Teórico e Reconto. Essa seleção
é feita por uma comissão de aproximadamente quarenta votantes – especialistas
espalhados por todo o Brasil. Por isto, é importante ter acesso à lista que a FNLIJ divulga
todos os anos, no seu boletim mensal para sócios, Notícias para subsidiar o trabalho de
seleção de livros para a biblioteca.


   A FNLIJ foi responsável pelo projeto “Ciranda de Livros” que, entre 1982 e 1985,
distribuiu, pela primeira vez, às escolas públicas de todo o país, literatura para crianças. O
projeto foi uma parceria com a Fundação Roberto Marinho, Financiado pela Hoescht. A
FNLIJ selecionou os livros, criou os quatro manuais que acompanharam as quatro coleções
com a orientação pedagógica para a utilização dos livros. Há escolas que ainda possuem
livros “Ciranda” e os manuais. Caso você saiba de alguma escola ou professora que
conheça ou tenha o material da “Ciranda”, tente recuperá-lo pois ele poderá ser um
excelente material de apoio para você conhecer a literatura para crianças e jovens.
A lista da FNLIJ visa atender, com prioridade, ao público infantil e juvenil, por
considerar que a formação do leitor e do escritor criativo e crítico está diretamente ligada
às oportunidades de contato com as expressões escritas de qualidade artística, presentes
na literatura e nos livros informativos.


   Isto não significa que a FNLIJ não valoriza outras formas de apresentação do texto
escrito, como enciclopédias, dicionários e revistas, necessários e igualmente importantes
para a aprendizagem de novos conhecimentos e que têm, também, a função de alimentar
a curiosidade infantil e juvenil. Portanto, uma biblioteca da escola, para crianças e jovens,
tem obrigação de oferecer a seus alunos e professores uma grande diversidade de
materiais escritos.


  Mas, “(...) é, sem dúvida, a literatura, o texto de ficção de autores renomados, que
alimenta o imaginário humano com prioridades únicas pois não tem limites para o pensar,
o imaginar, o criar. O contato com um vocabulário rico, variado, com estruturas originais,
rompendo, muitas vezes, com as regras gramaticais, enriquece a expressão oral e escrita
de alunos sem os enfadonhos exercícios que, na maioria das vezes, não apresentam
nenhum significado para a formação da leitura e da escrita em crianças e jovens e, por
conseqüência, não contribuem para sua autonomia de pensar, de dizer e fazer.”


  Portanto, o acervo da biblioteca da escola deve buscar contemplar, além dos livros de
Literatura Infantil e Juvenil, para o Ensino Fundamental (1ª a 8ª séries) e para o Ensino
Médio, os livros de consulta, teóricos e de literatura para o professor, de referência e
periódicos – jornais e revistas.


  Portanto, ao escolher os livros para a biblioteca da sua escola, procure referências em
publicações especializadas, como o Notícias e consulte a página da FNLIJ na internet.
Converse com seus colegas, freqüente as livrarias e vá às bibliotecas a que você pode ter
acesso para saber com a bibliotecária quais são as novidades do mercado editorial.


   Ao participar de feiras de livros, não se deixe seduzir pelas aparências e pelos atrativos
de grandes descontos e preços baixos. É claro que se deve procurar um preço menor mas,
quando se trata de educação e, em particular, da educação pública, a Qualidade e a
Variedade devem estar garantidas.


  Outras publicações que podem ser utilizadas para se conhecer a produção editorial são
os catálogos enviados pelas editoras às escolas. Crie o hábito de recolhê-los em feiras ou
solicitá-los às editoras, leia-os atentamente, com olhar questionador de consumidor que
não se deixa seduzir pelas propagandas enganosas. Lembre-se de que é necessário
prestigiar os diversos gêneros e temas que a literatura oferece para contemplar, ao
máximo o gosto dos leitores. Há os que preferem a poesia, outros gostam de histórias
policiais; há os leitores de aventura, humor, contos de fadas. Enfim, quanto maior
diversidade de temas a biblioteca possuir, mais leitores atingirá.


  Organize um fichário ou uma pasta de “aquisições”. Nela você deve inserir artigos de
revistas que citam títulos de livros de interesse da biblioteca. E também fichas ou páginas
com referências retiradas dos catálogos ou a partir dos pedidos dos alunos, pais e
professores.


  A leitura dos suplementos literários dos grandes jornais e de revistas de cultura como a
Cult, sobre literatura, da Editora 17, ou a Bravo, com panorama das várias expressões
artísticas, da editora Primeira Leitura e D’Avila Editora, também são muito importantes
para você ficar a par do que é publicado e dos novos lançamentos.


  Outra sugestão é consultar sites de instituições que tratam de leitura, literatura e
educação para saber das novidades da área no Brasil e no exterior. Além do site da FNLIJ,
citamos o da Associação de Leitura do Brasil – ALB, http://www.alb.com.br e o do
Instituto de Ensino da Linguagem – IEL, http://www.alb.com.br/iel. Um excelente site
estrangeiro é o da Fundação Germán Sánchez Ruiperez, http: //www.fundaciogsr.es - um
centro de referência internacional para o livro infantil e juvenil, na Espanha. Com certeza
lá você encontrará artigos e sugestões atualizadas para auxiliar o seu trabalho. Embora
seja em espanhol, é fácil de ser lido.
Para subsidiar a reunião de estudos de sua escola, você pode encontrar uma seleção de
livros e textos sobre o tema leitura, elaborados por excelentes escritores e especialistas,
no site do PROLER, http: //www.proler.bn.br.


  Com relação à aquisição de obras clássicas internacionais, procure comprar as melhores
traduções que, em geral, são aquelas feitas por escritores brasileiros de literatura. Os
clássicos nacionais também não podem faltar em uma boa biblioteca da escola. Monteiro
Lobato é o ponto de partida. O acervo do PNBE/98 é uma excelente referência.


  Para os pequenos, escolha livros de imagens de qualidade, com pouco texto e que não
tenham ilustrações estereotipadas, comuns, que já esteja, presentes na vida das crianças
através dos meios de comunicação, principalmente da televisão e dos gibis.


  Quanto aos textos, procure livros com narrativas provocadoras, instigantes, com
construções originais. Lembre-se de que a boa literatura para crianças e jovens também é
apreciada pelos adultos.


  Reiterando, os livros de consulta e referência são básicos para qualquer processo
educacional. São as enciclopédias, dicionários, Atlas e revistas que compõem um entorno
cultural imprescindível para uma boa biblioteca da escola.


  Os livros informativos são muito importantes também. Eles são diferentes dos didáticos,
pois, não se destinam ao uso formal em sala de aula ou a uma série específica. Sem o
compromisso didático-pedagógico, mas comprometido com a informação correta e o texto
bem construído e agradável, o livro informativo é mais atraente, uma vez que não traz a
proposta de medir conhecimentos adquiridos após a sua leitura. É claro que esta proposta
dependerá de um professor leitor que concorde com este conceito de partilhar
informações, não exigindo do aluno o que o autor do livro não propõe.


  Os jornais são, hoje, fonte de informação necessária para formular conceitos, opiniões,
saber da vida em sociedade. Assim, é importante garantir a assinatura de um jornal. Há
jornais que facilitam esse acesso para as escolas públicas. O jornal, que tem vida curta
mas informação atualizada, é também excelente fonte de material de pesquisa. Portanto,
a biblioteca da escola deve buscar oferecer um bom jornal a seus leitores professores, de
onde possam retirar matérias interessantes para os alunos.


  Ao lado do tratamento técnico eficiente e do atendimento feito por pessoas preparadas,
é a variedade e a qualidade do acervo o que caracteriza uma boa biblioteca.




                              7. AQUISIÇÃO DO ACERVO


  A seleção do acervo é a etapa mais importante da estruturação da biblioteca da escola
porque é ela que vai definir a sua qualidade. Portanto, a aquisição desse acervo é sempre
uma grande responsabilidade, pois sabemos como é difícil conseguir que as compras
sejam feitas com regularidade, o que permitirá que ele esteja sempre atualizado e pronto
para atender às necessidades e desejos dos leitores.


  A compra dependerá da disponibilidade de recursos financeiros, mas é necessário estar
atento para não optar por adquirir um número maior de livros sem qualidade gráfica ou
literária, em detrimento de melhores obras, apenas pelo preço baixo. Lembre-se de que a
qualidade da leitura a ser disponibilizada é muito mais importante do que a quantidade.


  As campanhas de doações podem ser uma maneira de ampliar o acervo. Mas é preciso
atenção, pois é comum as bibliotecas receberem livros desatualizados, livros didáticos,
revistas velhas, entre outros materiais sem qualidade que só ocupam espaço e não
contribuem para melhorar o acervo. Apesar disto, podem ocorrer doações de obras de
qualidade. No caso de doações, aconselha-se documenta-la por meio de um Termo de
Doação que possibilite fazer uma seleção daquilo que interessa à biblioteca da escola,
podendo desfazer-se do restante, doando a outras bibliotecas escolares ou públicas,
fazendo permutas, ou vendendo para usar o lucro no investimento em livros novos.


  Outra forma de “garimpo” de bons livros é a visita a “sebos” – que é um tipo de livraria
que só vende livros usados – onde é possível encontrar preciosidades com preços muito
abaixo dos do mercado, observando-se, evidentemente, o seu estado de conservação.
Mas em casos de obra muito importante, pode-se até relevar esse aspecto e investir na
recuperação ou restauração do livro.




              8. O PROGRAMA NACIONAL BIBLIOTECA DA ESCOLA - PNBE


   Jamais a escola pública brasileira colocou à disposição de seu público tantos livros de
literatura.


   O MEC, o maior comprador de livros do país, distribuiu dois excelentes acervos para
mais de 30.000 escolas públicas, um, em 1998, o outro, em 1999. A lista dos títulos pode
ser encontrada em http: //www.fnlij.org.br.


   Para apoiar o trabalho com esses títulos, também foram publicados dois livros: o
Histórias e Histórias e o Livronauta, distribuídos pelo MEC em 2001 e 2002,


   Dando continuidade à política de levar literatura às escolas públicas, os estados de
Minas Gerais, Goiás e São Paulo também desenvolveram programas promovendo a leitura
literária e a distribuição de bons livros, aumentando, assim, a oportunidade de ler
literatura nesses estados. Também o município do Rio de Janeiro tem realizado compras
expressivas de livros de literatura para suas escolas e bibliotecas públicas.


   Em 2001 o MEC, por meio do PNBE, instituiu o Literatura em Minha Casa, o primeiro
programa nacional destinado a levar literatura para a casa das crianças, criando a
oportunidade de envolver a família no processo de formação do leitor, pois é a família o
principal elo de fortalecimento e desenvolvimento do interesse e da prática de ler e
escrever. Foi visando integrar os espaços educacionais e culturais, escola e família, em
prol da qualidade da educação, que a professora Iara Prado, Secretária de Educação
Fundamental do MEC, criou o programa Literatura em Minha Casa.
O MEC assumiu formalmente a necessidade, na prática, do investimento na formação
do leitor por meio da literatura, desde cedo. Assim, depois da compra de livros de
literatura em 1999, o PNBE alarga suas fronteiras; se a escola pública no Brasil é o local
que tem garantido o acesso democrático ao livro, a família também deve partilhar dessa
conquista.


  Trata-se da maior compra de livros de literatura, para distribuição gratuita, já feita no
Brasil. São seis coleções, composta, cada uma, de cinco livros que compreendem os
gêneros de poesia, conto, novela, clássico universal, teatro e/ou folclore. Em 2002, cada
criança matriculada nas 4a. e 5a. Séries do Ensino Fundamental das escolas públicas de
todo o país recebeu uma coleção para levar para casa e partilhar com os outros membros
da família e com os amigos. Enfim, surge entre nós uma semente de biblioteca familiar e
de valorização da leitura literária. São oito milhões e meio de crianças e famílias a ganhar
cinco livros de qualidade de uma só vez!


  Além das crianças, as escolas receberam quatro exemplares de cada uma das seis
coleções completas, possibilitando uma ponte entre o trabalho da escola e a casa das
crianças, e também a leitura dos professores e o seu aprimoramento profissional.
Mais de quarenta milhões de livros de literatura chegaram às casas brasileiras através da
escola pública. Ao todo, e, 2001, o programa Literatura em Minha Casa adquiriu
60.000.000 de livros!


  Os editores, convocados por edital público, apresentaram coleções confeccionadas
especialmente para o projeto. O formato, a capa e o miolo em uma cor foram
predeterminados pelo MEC, considerando-se a disponibilidade orçamentária. Cada editora
podia apresentar somente uma coleção e cada coleção deveria conter uma obra de poesia
ou antologia de poesias; de contos ou antologia de contos; uma novela; um clássico
nacional ou internacional e um livro de teatro ou tradição popular.


  Depois de uma triagem, quando foram analisados os aspectos gráficos e técnicos
exigidos no edital, trinta e seis coleções foram selecionadas para serem avaliadas por uma
Comissão Técnica, instituída de acordo com a portaria do Ministro da Educação, Paulo
Renato Souza, em agosto de 2001, composta por representante do Conselho Nacional de
Secretários Estaduais de Educação – CONSED, da União Nacional de Dirigentes
Municipais de Educação – UNDIME, da Associação de Leitura do Brasil – ALB, da FNLIJ,
e mais quatro técnicos especialistas nas áreas de leitura.
A Comissão Técnica foi presidida pela Secretaria de Educação Fundamental e
Coordenadoria Geral do Ensino Fundamental do MEC.


  A Comissão Técnica participou do processo de formatação da proposta da professora
Iara Prado, com relação à importância do projeto, à definição dos critérios, à confecção
dos elementos básicos para o edital, á ficha de avaliação e á descrição dos itens de
avaliação que orientaram a seleção final.


  Superados todos os problemas, principalmente os de ordem burocrática, reuniu-se em
São Paulo, de 20 a 23 de dezembro de 2001, para a seleção final das coleções, um
Colegiado, instituído pelo Ministro da Educação, constituído da Comissão Técnica e mais
um representante do CONSED e um representante UNDIME de cada estado da
Federação. E esta foi à parte que julgamos mais importante de todo o processo e que,
como membro da Comissão Técnica e do Colegiado, fazemos questão de citar, pela lisura,
seriedade e profissionalismo com que o trabalho foi realizado, provando que a
honestidade existe na relação entre órgãos públicos e sociedade civil, mesmo em se
tratando de milhões de reais, que era o valor em dinheiro envolvido no projeto.


  Em meio a tantas denúncias de corrupção, que a mídia faz questão de generalizar, é
importante ressaltar que o Colegiado, em nenhum momento, sofreu qualquer tipo de
pressão para escolher este ou aquele autor, esta ou aquela editora.


  Queremos deixar, aqui, o testemunho de quem teve a honra de participar dessa
seleção histórica, realizada por meio de um processo transparente, competente e
democrático, que está proporcionando, por meio da escola brasileira, o acesso ao livro de
literatura para mais de 30 milhões de pessoas, se considerarmos que em cada casa há,
em média, quatro pessoas. As coleções selecionadas foram as seguintes:
Editora Ática

.   Palavra de Poeta – Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes, Mário Quintana e Vinícius de

Moraes

. De conto em conto – Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Ivan Ângelo, Luiz
Vilela, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Marcos Rey, Pedro Bandeira e Wander
Piroli

. A árvore que dava dinheiro – Domingos Pellegrini
. A ilha do tesouro – Robert Louis Stevenson
. Bazar do Folclore – Ricardo Azevedo (tradição popular)

          Editora FTD

. A bailarina e outros poemas – Roseana Murray
.   Quem conta um conto? – Ana Maria machado, Cristina Porto, Flávio de Souza, Ruth

Rocha, Sylvia Orthof

. Carta errante, avó atrapalhada, menina aniversariante – Mirna Pinsky
. Os miseráveis – Victor Hugo
. O fantástico mistério de Feiurinha – Pedro Bandeira

          Editora Moderna

.   Palavras de encantamento – Manoel de Barros, Elisa Lucinda, Elias José, Roseana

Murray, Pedro Bandeira, Mário Quintana, Luiz Gama, Olavo Bilac, José Paulo Paes, Ferreira
Gullar

.   Historinhas pescadas – Ângela Lago, Artur Azevedo, Bartolomeu Campos Queirós,

Christiane Gribel, Eva Furnari, Machado de Assis, Moacyr Scliar, Pedro Bandeira, Rosa
Amanda Strausz, Ruth Rocha

. Bisa Bia, Bisa Bel – Ana Maria Machado
. A formiguinha e a neve – João de Barro
. O macaco malandro – Tatiana Belinky

        Nova Fronteira

. Meus primeiros versos – Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Roseana Murray
. Meus primeiros contos – Leo Cunha,       Hebe Coimbra, Luiz Raul machado, Machado de

Assis e Sylvia Orthof

. Vida e paixão de Pandonar, o cruel – João Ubaldo Ribeiro
. Histórias de fadas – Oscar Wilde
. Hoje tem espetáculo: no país dos Prequetés – Ana Maria Machado

        Companhia das Letrinhas

. A Arca de Noé – Vinícius de Moraes
. Era uma vez um conto – Moacyr Scliar, José Paulo Paes, Milton Hatoum, Marcelo Coelho
e Drauzio Varella

. Minhas memórias de Lobato – Luciana Sandroni
. Odisséia – Ruth Rocha
. Pluft, o fantasminha – Maria Clara Machado

        Objetiva

.   Cinco Estrelas – Chico Buarque, Henriqueta Lisboa, Olavo Bilac, Carlos Drumond de

Andrade, Gonçalves Dias

. O Santinho – Luís Fernando Veríssimo
. Uma história de futebol – José Roberto Torero
. Um assassinato, um mistério e um casamento – Mark Twain
. Eu chovo, tu choves, ele chove – Sylvia Orthof

    Em 2003, o programa Literatura em Minha Casa, do PNBE, estará novamente levando
ás crianças das 4as. Séries oito novas coleções. O processo de seleção, compra e
distribuição para as escolas ocorreu ainda em 2002. São as seguintes as coleções:


        Companhia das Letrinhas

.   Conta que eu conto – Ana Maria Machado, Angela Lago, Daniel Munduruku, Heloísa

Prieto, Roger Mello

. O irmão que veio de longe – Moacyr Scliar
. Pinóquio – Carlo Collodi
. O rapto das cebolinhas – Maria Clara Machado

        Bertrand Brasil

. A poesia dos bichos – Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros, Thiago de Mello
. Histórias Fantásticas – José J.Veiga
. O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado
. O velho e o mar – Ernest Hemingway
. Folclore vivo – Herberto Sales

        Nova Fronteira

.   Poemas que contam a História – Gonçalves Dias, Olavo Bilac, Castro Alves, Manuel

Bandeira, Cecília Meirelles, João Cabral de Melo Neto

. Em família - Artur Azevedo, Marina Quintanilha Martinez, Ana Maria machado, Ziraldo,
João Guimarães Rosa, Clarice Lispector

. A Casa da madrinha – Lygia Bojunga Nunes
. Animais encantados – Irmãos Grimm
. Zé vagão da Roda Fina e sua mãe Leopoldina – Sylvia Orthof

         Editora Ática

. Varal de Poesia – Fernando Paixão, Cecília Meirelles, José Paulo Paes, Mário Quintana
.   Deixa que eu conto – Fernando Sabino, Dalton Trevisan, Ignácio de Loyola Brandão,

Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Domingos Pellegrini, Machado de Assis, Carlos
Drummond de Andrade.

. Do outro mundo – Ana Maria Machado
. Ali Babá e os quarenta ladrões – Luc Lefort
. Histórias que o povo conta – Ricardo Azevedo

         Objetiva

.   Toda criança do mundo – Ruth Rocha, Samir Meserani, Fagundes Varella, Sérgio

Capparelli

. Contos de Estimação – Sylvia Orthof, Silvio Romero, Érico Veríssimo, Adriana Falcão, Ruy
Castro

. A bolsa amarela – Lygia Bojunga Nunes
. O Máscara de Ferro – Alexandre Dumas
. Histórias de Aladim e a lâmpada maravilhosa – Patativa do Assaré

         Martins Fontes

.   Poesias – Sidónio Muralha, Cecília Meirelles, Fagundes Varella, Menotti Del Picchia,

Casimiro de Abreu, Olavo Bilac, Gonçalves Dias, Braguinha e Alberto Ribeiro, Cartola,
Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, Marino Pinto e Paulo Soledade
.   Conto – Sylvia Orthof, Marina Colasanti, Paulo Mendes Campos, Machado de Assis,

Afonso Arinos.

. Tem fantasma no porão – Elias José
. As aventuras de Alice no País das maravilhas – Lewis Carroll
. Um saci no meu quintal – Mônica Stahel

         Record

. Simplesmente Drummond – Carlos Drummond de Andrade
.   Meninos, eu conto – Rachel de Queiroz, Ruben Braga, Antonio Torres, Leo Cunha, Zélia

Gattai, Jorge Amado, Marco Túlio Costa, Fernando Sabino, Malba Tahan

. A terra dos meninos pelados – Graciliano Ramos
. O mágico de Oz – L.Frank Baum
. Histórias de lenços e ventos – Ilo Krugli

         Global

.   Pé de poesia – Cecília Meirelles, Ferreira Gullar, Mário Quintana, Cora Coralina, Olavo

Bilac, Henriqueta Lisboa, Manuel Bandeira, Sidónio Muralha

.   Faz de conto – Mário Quintana, Ignácio de Loyola Brandão, Sylvia Orthof, Luís da

Câmara Cascudo, Cora Coralina, Sidónio Muralha, Marina Colassanti

. A vaca voadora – Edy Lima
. O rouxinol e o imperador da China – Hans Christian Anderson
. Os saltimbancos – Chico Buarque

Esperamos que o próximo governo mantenha e amplie esta histórica de se ter valorizado e
democratizado a literatura para crianças e jovens, entendendo-a como um direito e como
fundamental para a formação de leitores.
9. PROCESSAMENTO TÉCNICO – A IMPORTÂNCIA


  É preciso que nossas crianças e jovens sejam convidados pelos professores a
freqüentarem tanto a biblioteca da escola quanto à pública – lugar do livro, da leitura.


  Lauro de Oliveira Lima definiu a escola como “uma biblioteca cercada de alunos e
professores por todos os lados”. Entretanto, a biblioteca da escola, entre nós, ainda não
foi entendida e valorizada como o principal local do projeto pedagógico. A ela devem
recorrer não só os alunos, mas também os professores, para alimentarem –se de idéias e
informações como subsídios para desenvolverem, com originalidade, seus planejamentos,
mensais, bimestrais, semanais e diários.
Outros profissionais que trabalham na escola devem buscar igualmente a biblioteca para
se informarem, esclarecerem dúvidas ou para leitura por interesse pessoal.


  Uma sala com estantes e livros não é necessariamente uma biblioteca. Para ser uma
biblioteca onde várias pessoas diferentes, com interesses variados e distintos encontrem
os livros que buscam, é necessário que eles estejam organizados, sob critérios técnicos,
nas estantes.


  É essa organização técnica que irá possibilitar a recuperação rápida do livro, da revista,
da informação que se quer. Em geral, este tipo de serviço não é valorizado por ser visto
somente como uma “arrumação dos livros”; muitas pessoas não percebem que essa
“arrumação” é a organização especializada, destinada a tornar possível o uso dos
materiais por muitas pessoas.


  Portanto, ao falarmos em contato permanente com a leitura, em acesso democrático ao
livro, estamos considerando que esse acesso deve estar garantido, desde a fase inicial da
escolarização, na biblioteca da escola, cuja organização deve ser compreendida e
valorizada pelo professor e, como tal, ser transmitida aos alunos.
É o processamento técnico do acervo que vai permitir que várias pessoas encontrem o
livro que buscam em um local onde há vários livros.
“O profissional que recebe a incumbência de organizar ou reorganizar uma biblioteca,
ou seja, um prédio com uma coleção bibliográfica e um conjunto de serviços, deve
empenhar-se, antes de tudo, no processo de planejamento, estabelecimento dos objetivos
a serem alcançados e das ações necessárias para atingi-los.”


    Por isso, o acervo deve ser processado tecnicamente com fichas de autor, título,
assunto e série (coleções), no mínimo com a descrição do livro feita, com referências
bibliográficas sinalizando nome do autor, título, assunto, ilustrador, local, editora, data,
paginação (quando houver) e nome da coleção.


    A organização da biblioteca confere independência ao leitor, permite que ele busque
sozinho um livro de determinado autor, título ou assunto. Sem uma organização técnica
do acervo, os livros ficarão dispersos e o leitor estará sempre dependendo da memória do
profissional responsável pela biblioteca para auxilia-lo em suas buscas.


    Quando a escola puder contar com o serviço de internet, o tratamento técnico do
acervo pode ser facilitado. A maioria dos livros publicados no Brasil já está tratada,
tecnicamente, pela Biblioteca Nacional e encontra-se disponível na Biblioteca Virtual. Basta
acessar http: //www.bn.br, selecionando no menu, que fica no quadro á esquerda da
página, o item “Biblioteca Digital”, clicar em “catálogos on line” (que vai apresentar vários
tipos de catálogo) e selecionar o de TÍTULOS. Depois, clicar em “livros” e procurar pelo
título, autor, ilustrador, assunto, entre outros dados, o livro desejado e tirar as dúvidas.
Entretanto, se isto não for possível, deve-se buscar a ficha catalográfica, no verso da
folha-de-rosto do livro, que traz as descrições que facilitam a busca das informações.


    A fim de tornar mais clara a importância do tratamento técnico de uma biblioteca,
citamos algumas situações de um acervo sem esse tratamento. Vejamos:

.   Como encontrar um livro de um determinado autor, se a biblioteca não possui um

fichário e os livros nas estantes estão organizados somente pelo título?

. Como auxiliar um grupo em uma pesquisa de um determinado assunto, se os livros da
biblioteca não estão classificados por assunto?
. E no momento do empréstimo? A maioria das bibliotecas das escolas ainda controla o
empréstimo domiciliar anotando em cadernos. Este processo é muito complicado pois,
como saber quem não devolveu determinado livro ou como conhecer o perfil dos leitores
para melhorar o atendimento, se o empréstimo é feito dessa maneira?


  Portanto, o tratamento técnico dos livros é a base principal para os serviços da
biblioteca que tenha como objetivo atender cada vez mais e melhor a seus alunos e
professores.


  É muito importante também que o professor conheça o tratamento técnico utilizado nos
livros para valoriza-los e explica-los aos seus alunos para que, no futuro, eles possam
fazer uso da biblioteca pública, com segurança e sem medo, pois conhecerão a sua forma
de organização. Para entender cada passo do tratamento técnico dos livros e para facilitar
a execução do serviço, é necessário que o processo seja dividido em etapas, como
veremos a seguir:


                              9.1 O REGISTRO DO LIVRO


  O registro do livro na biblioteca é como o registro de nascimento de uma criança.
Portanto, todo livro que entra na biblioteca deve ter um registro próprio, pois é por meio
dele que se controla o patrimônio bibliográfico. Pode-se saber, imediatamente, quantos
livros a biblioteca possui, saber qual foi o período em que mais se adquiriram livros e se
alguns livros foram eliminados do acervo.


  Por isso, selecionado o acervo da biblioteca da escola, ou quando são adquiridos novos
livros, o primeiro passo para o tratamento técnico é o registro do livro, que compreende
duas etapas: uma é o registro no livro de tombo e a outra, o carimbo de registro no
próprio livro. O número de registro é o número de ordem de entrada do livro na biblioteca,
anotado no livro de tombo, que vai do no. 1 ao infinito, seguido do ano em que a obra foi
integrada ao acervo. Quando uma obra for composta de vários volumes, como as
enciclopédias, cada volume recebe um número de registro diferente.
1ª etapa: REGISTRO NO LIVRO DE TOMBO OU CADERNO DE REGISTRO


     No livro de registro ou livro de tombo (que pode ser adquirido em papelarias
especializadas ou ser utilizado um caderno horizontal em tamanho A4), coloca-se o
número segundo a ordem crescente em que os livros vão sendo registrados, seguido de
outros dados essenciais para a identificação da obra, em colunas: autor, título, ilustrador,
editora, data de publicação do livro (é diferente da data de registro) e observações (este
espaço servirá para dar baixa no livro ou colocar qualquer tipo de observação que se faça
necessária).


Veja a seguir o modelo da página do livro de tombo e os seus diversos itens.


                   MODELO DE CADERNO DE REGISTRO OU LIVRO DE TOMBO
No. e data é os que vão figurar no
carimbo do livro



                                                                                         ANO
No.      DATA          AUTOR          TÍTULO        ILUSTRADOR     LOCAL      EDITORA    PUBL. OBSERVAÇÕES
01      2/9/01       Rocha, Ruth      O reizinho     Walter Ono   São Paulo   Quinteto   1978
                                       mandão
02      4/9/01           Tenê        O conjunto        Tenê       São Paulo    Ática     1978    Baixa por
                                                                                                 extravio
03      4/9/01       Aizen Naumim    Era uma vez      Patrícia     Rio de      EBAL      1986     6. ed.
                                     duas avós...     Gwinner      Janeiro




2a. Etapa: Registro por Meio de Carimbo no Livro


     O carimbo no livro tem a função de transportar o próprio livro o seu número de
registro.
O verso da folha-de-rosto do livro (que é a folha que se encontra logo no início do livro,
antes do texto propriamente dito, onde estão os dados essenciais à identificação e
descrição do livro: autor, título, editora, data etc.0, usa-se um carimbo, confeccionado
para o registro, e nele coloca-se o número de ordem que o livro recebeu.
O carimbo pode ser encomendado em papelarias ou loja de carimbos.


  Em alguns livros para crianças, o texto começa logo no verso da capa; portanto, essas
obras não possuem folha-de-rosto. Neste caso, você deve procurar um lugar para o
carimbo que não prejudique a leitura do texto.


  Os dados a serem informados/escritos no carimbo de registro no livro são: nome da
escola, nome da biblioteca, no. do registro e data do registro no livro de tombo. Observe o
modelo de carimbo.




                       Modelo de carimbo de registro no livro
                   (usado na parte inferior do verso da folha-de-rosto)




                                   Nome da Escola   ...........


                                  NOME DA BIBLIOTECA
                         No. REG.: ............. DATA: ____/____/____




                  9.2 ORGANIZAÇÃO DO CATÁLOGO OU FICHÁRIO


  O fichário tem a função de organizar as fichas dos livros, visando a facilitar o acesso ás
obras nas estantes, com maior rapidez. É através dos agrupamentos a que chamamos de
entradas – normalmente, por autor, título ou assunto – que se organizam as fichas no
fichário. O catálogo é uma espécie de lista, com fichas dos livros, que visa a facilitar a
recuperação das obras catalogadas na biblioteca. Com um catálogo atualizado e eficiente,
o leitor não necessitará procurar em todo o acervo para encontrar o livro ou documento
que lhe interessa ou, ainda não dependerá da boa memória do encarregado pela
biblioteca para localiza-lo. É o catálogo, ou fichário, que dá autonomia ao leitor.


  A ficha principal é a ficha do autor e é nela que se apresentam os dados de descrição
da obra. Os elementos essenciais que servem de descrição, do ponto de vista da
catalogação, são: o autor, o título, o ilustrador, a cidade onde o livro foi editado, o nome
da editora, o ano em que foi publicado, o número de páginas e, se for o caso, o título da
coleção ou série.


  Os dados de descrição do livro serão anotados em uma ficha, encontrada em
papelarias, que se chama ficha catalográfica e mede 7,5 x 12,5 cm. É importante manter a
medida padrão, mesmo que se tenha um acervo pequeno e o fichário seja feito de caixa
de sapatos forrada, ou de madeira, pois este deve ser o início de um registro que será
permanente. O que se pretende é que a biblioteca da escola cresça e, quando for possível
a aquisição de fichários de aço, próprios para bibliotecas, as fichas já prontas possam ser
colocadas neles, tendo obedecido esta medida.


  Junto da descrição bibliográfica, a ficha recebe, no canto á esquerda, um número
conhecido como número de chamada. Este número é formado pelo número de
classificação dado ao livro – como veremos no próximo capítulo – e pelas três primeiras
letras do último sobrenome do autor. Este número de chamada é o mesmo que o livro
recebe na etiqueta colocada em sua lombada.


  Lembre-se de que estas informações são técnicas simplificadas para orientar o
tratamento do acervo já que, na sua grande maioria, as escolas não possuem profissional
qualificado em biblioteconomia para executar essas tarefas (o bibliotecário). O professor
que assumirá os serviços técnicos da biblioteca deve, portanto, orientar-se pelas
informações seguintes, pois elas são importantes para a elaboração das fichas
catalográficas:

. Os dados devem, preferencialmente, ser retirados da folha-de-rosto do livro;
.   Pode-se fazer a descrição com uma referência bibliográfica simplificada, o que vai

facilitar o entendimento do aluno. Segundo a Norma Técnica de Elaboração de
Referências, NBR 6023, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), Referência
bibliográfica é o conjunto padronizado de elementos descritivos de documentos impressos
ou registrados em diversos tipos de suportes, permitindo sua identificação – no todo ou
em parte. Assim, um conjunto de indicações pertinentes á natureza, á forma de
apresentação e ao conteúdo de um documento é que constitui a essência de uma
referência;
o nome do autor deve ser escrito na ficha pelo último sobrenome, em caixa alta
(maiúscula) para destacá-lo, facilitando na alfabetização – separado do prenome por uma
vírgula;

. O título da obra deve ser colocado em seguida, em maiúscula e minúscula, sublinhado
ou em itálico;

. Quando a obra não tiver referência de autor, a referência bibliográfica deve iniciar pelo
título, por exemplo:


                            574   ESPÉCIES em extinção: guia ecológico. Trad. Maria
                            ESP    Esther Lins. São Paulo: Ed. Nóbrega, 1996. 25p.




        Obs.: Como se pode observar, a primeira palavra do título vem em maiúsculas.

. A ficha principal do autor deve conter todos os elementos de identificação do livro, como
já foi visto, enquanto nas fichas secundárias (de título, ilustrador e de assunto) basta
colocar o nome do autor e o título da obra, além do número de chamada;

. Como se pode observar nas fichas catalográficas que se encontram no verso da folha-
de-rosto do livro, as informações numeradas que são colocadas na parte inferior da ficha
(que se chamam pistas) auxiliam nos desdobramentos das fichas secundárias;
A partir da ficha catalográfica do livro Receitas de Olhar, de Roseana Murray, da editora
FTD, que reproduzimos abaixo, fizemos os modelos de ficha de autor, título e assunto.


                            FICHA DE AUTOR (PRINCIPAL)
                     81      MURRAY, Roseana. Receitas de olhar. Ilustrado

       Nº de         MUR       por... . São Paulo: FTD, 199... 34p.
       chamada
                                                                             7,5 cm


     Pista                    1. Poesia   Infantil. I. Título.


                                             12,5 cm



                                    FICHA DE TÍTULO
  Esta é uma das fichas secundárias, onde se destaca o título do livro; quando ordenadas
alfabeticamente, essas fichas formarão o catálogo de título.




                                          Receitas de olhar
                     81
                     MUR
                               MURRAY, Roseana. Receitas de olhar
                                                                             7,5 cm




                                             12,5 cm
FICHA DE ASSUNTO



  Esta também é uma das fichas secundárias, onde se destaca o assunto do livro;
quando ordenadas alfabeticamente, essas fichas formarão o catálogo de assunto.



                                       POESIA INFANTIL
                     81
                     MUR
                               MURRAY, Roseana. Receitas de olhar
                                                                             7,5 cm




                                           12,5 cm


                           9.3 CLASSIFICAÇÃO DO ACERVO


  Classificar é distribuir em classe e/ou em grupos, segundo sistema ou método de
classificação e, em bibliotecas, o sistema mais conhecido e utilizado internacionalmente é
o CDD – Código Decimal de Dewey. Melvil Dewey, criador do método que tem o seu
nome, foi bibliotecário, nasceu em 1851 e aos 21 anos foi trabalhar na Biblioteca do
Amherst College, nos Estados Unidos. Lá, interessou-se pelo assunto quando começou a
se dar o livre acesso do leitor às estantes, o que exigia uma melhor sistematização da
ordenação das obras. Dewey tomou como base para desenvolver o sistema que idealizou
as características de memória, imaginação e razão, formando assim as classes principais. Ele
dividiu o conhecimento humano em dez grandes classes, cada uma delas com subdivisões,
todas representadas por números, que servem para caracterizar assuntos específicos.
Desta forma, todos os livros que tratam de um mesmo assunto estarão reunidos num
mesmo lugar, já que este número indicará o lugar que o livro irá ocupar nas estantes,
através do agrupamento das classes numéricas.
9.3.1 DE LIVROS DE LITERATURA INFANTIL OU JUVENIL



   O número utilizado para Literatura é o 80; portanto, o número para literatura infantil e
juvenil deverá estar dentro da grande classe 800. Para o livro infantil e juvenil, a
classificação deve ser simplificada, pois o objetivo é de que as crianças possam se utilizar,
desde cedo, do sistema de organização da biblioteca, conforme ressaltamos na
introdução.


   O sistema de cores pode ser introduzido junto aos números, para melhor identificação
pelas crianças, como foi feito no sistema de classificação simplificado usado para a
organização das bibliotecas infantis orientadas pela FNLIJ, por exemplo, as da Casa da
Leitura, sede do PROLER, no Rio de Janeiro. Cabe ressaltar que este código foi adaptado
do CDD, por nós, da FNLIJ, e pode ser modificado de acordo com cada comunidade
leitora.


   Como este livro não foi impresso em cores, substituímos as cores por padrões gráficos
que as representem (tabela a seguir). As cores (como os padrões) são aleatórias, não
seguem nenhum modelo. Entretanto, para facilitar o trabalho, deve-se procurar cores que
existam em fita adesiva colorida (Durex) ou em papel tipo Contact, pois as cores da
classificação serão as mesmas que irão na lombada do livro, acima da etiqueta com o nº
de chamada. Por exemplo, todos os livros de poesia poderão ter etiquetas amarelas e o
número 81 na lombada. O que irá diferencia-los será o código do autor. As etiquetas
devem ser colocadas na mesma posição em todos os livros pois, esteticamente, no
conjunto de livros, fica mais bonito, além de facilitar a visualização.


   Mesmo que se adote a classificação de cores, deve-se usar junto o código numérico
que é utilizado em qualquer biblioteca. Repetimos que a nossa proposta é de que a
biblioteca da escola estará formando leitores que serão usuários, no futuro, da biblioteca
pública. Por isto, é importante que o aluno se habitue desde cedo, na fase escolar, às
convenções biblioteconômicas para que, mais tarde, ele possa se sentir à vontade em uma
biblioteca pública, encontrando ali um ambiente que lhe é familiar. Assim, quando
terminar a escola básica, ele poderá buscar e encontrar com muito mais segurança os
conhecimentos e informações de que necessitar, para sua vida pessoal e profissional, na
biblioteca pública.


                                MODELO DE CLASSIFICAÇÃO

                 PARA LIVROS DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL

BASEADO NA CATALOGAÇÃO DE DEWEY E CÓDIGO DE CORES
            ULTILIZAÇÃO PELA CASA DA LEITURA -RIO



81                     POESIA




                         TEATRO
82


                      CONTOS/JOVENS
83



84                     HISTÓRIAS INFANTIS




85                     CONTOS DE FADA




86                     LIVROS DE IMAGEM




87                     QUADRINHOS




88                     PRIMEIRAS LEITURAS


89
                       FICÇÃO CIENTÍFICA
9.3.2 DE OUTROS LIVROS

  Conforme já explicamos, a biblioteca da escola deve ter na literatura infantil e juvenil
de qualidade a sua principal riqueza, mas não será uma biblioteca da escola se não
contemplar a variedade de gêneros da produção editorial.


  Assim, outros livros que compõem o acervo da biblioteca deverão ser tratados,
utilizando-se a classificação bibliográfica geral de Dewey (CDD), que aqui apresentamos
muito resumidamente e que pode ser utilizada em pequenos acervos como o da biblioteca
da escola que se inicia. Se a biblioteca possuir um grande acervo, de mais de 2.000
títulos, recomenda-se a contratação de um bibliotecário para fazer e orientar o tratamento
técnico adequado.


  O ideal é que a biblioteca da escola possa comprar o livro que contém a Classificação
Decimal de Dewey, com as explicações e informações necessárias.


CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY CONDENSADA


000 – GENERALIDADES


010 – Bibliografias e Catálogos


020 – Biblioteconomia


030 – Dicionários e Enciclopédias


050 – Periódicos


060 – Museologia


070 – Jornalismo
080 – Coleções


090 – Manuscritos e Obras Raras


100 – FILOSOFIA E DISCIPLINAS RELACIONADAS


Classificar aqui: Teologia, Psicologia, Esoterismo, Auto-Ajuda, Filosofia, Ética, etc.


200 – RELIGIÃO


300 – CIÊNCIAS SOCIAIS


Classificar aqui: Ciências Políticas, Legislações, Economia, Folclore e disciplinas afins.


O livro didático é classificado em Educação sob o nº 371.32, podendo-se identificar as
disciplinas comas iniciais de cada uma, abaixo do número de classificação.



Ex: para um livro de MATEMÁTICA
                                            371.32
                                             MAT

400 – LINGUAGEM
Lingüístico Latim, Gramática, Língua Portuguesa e Língua Estrangeira.


500 – CIÊNCIAS PURAS
Classifique   aqui:   Matemática,    Astronomia,     Física,   Química,     Geologia,    Biologia,
Antropologia, Botânica e Zoologia.


600 – TECNOLOGIA – CIÊNCIAS APLICADAS
Medicina,     Engenharia,    Agricultura,   Economia      Doméstica       (culinária,   nutrição),
Comunicação, Processamento de Dados, etc.
700 – ARTES
Classifique também: Arquitetura, Escultura, Artes Plásticas, Decoração, Pintura, Fotografia,
Artes Gráficas, Recreação – Televisão, Shows, Rádios, Teatro, Balé, Jogos, etc.


800 – LITERATURA
Poesia, HQ (História em Quadrinhos), Drama, Novela, Contos, Literatura Infantil e Juvenil,
Humor, Cartas, etc.


900- GEOGRAFIA E HISTÓRIA
Biografias, Viagens e História e Geografia Geral e de específicos continentes, países,
estados, cidades, etc.




                   9.4 ORGANIZAÇÃO DOS LIVROS NAS ESTANTES


  Após todo o serviço técnico realizado, deve-se etiquetar os livros, com o mesmo
número de chamada atribuído, a cada um, na classificação, para ordena-los nas estantes.
A etiqueta utilizada normalmente é a nº Q1824, da marca Pimaco, que deve ser colocada
na lombada dos livros. Estes devem ser ordenados nas estantes seguindo a seqüência do
número de chamada. Se você optar por utilizar, para os livros de literatura infantil, as
cores, junto com o número de chamada, procure colocar a fita adesiva colorida acima da
etiqueta. Como já foi dito, para que os livros fiquem esteticamente arrumados nas
estantes e também para facilitar a visualização e o manuseio, deve-se colocar todas as
etiquetas na mesma altura da lombada dos livros (cerca de 2 cm acima da base da
lombada).


  O melhor suporte para a sustentação e apoio dos livros nas prateleiras é o bibliocanto,
em formato de L, que pode ser comprado em papelarias especializadas.
Deve ser adquirido pelo menos um para cada prateleira.
Os livros devem ser organizados nas prateleiras de cima para baixo, e da esquerda para
direita, descendo até o final de cada estante. Só depois de a estante estar completa, é
que se inicia a organização da seguinte, seguindo o mesmo sistema.
É recomendável deixar espaço livre de cerca de 20 cm em cada prateleira para que novos
livros possam ser introduzidos.




                 10. PREPARANDO A BIBLIOTECA DA ESCOLA PARA
                                      EMPRÉSTIMO


  Na biblioteca da escola, comprometida coma formação de leitores, todo material deve
estar preparado e organizado de modo que o leitor possa, ele mesmo, localizar facilmente
o livro que procura, ter acesso aos catálogos e às estantes. Com os livros tratados da
forma que orientamos aqui pode-se, também, efetivar o empréstimo domiciliar, pois não
podemos emprestar um livro que não está devidamente tratado e cadastrado porque não
há como controlar sua saída e entrada.
É preciso controlar o que é emprestado e, para isso, é necessário fazer algumas anotações
que permitam saber, a qualquer instante, o que está emprestado, com quem está e
quando deve ser devolvido. Para isto são necessários dois tipos de fichas: as de inscrição
do leitor ou de empréstimo e as fichas de devolução.




               10.1 FICHA DE INSCRIÇÃO DO LEITOR OU FICHA DE
                                      EMPRÉSTIMO


  Esta ficha é preenchida no momento da inscrição do leitor como usuário da biblioteca.
Ela deve conter os dados pessoais do leitor e nela será anotado cada livro que ela levar. A
ficha será o “retrato” do leitor, com seus dados e suas leituras (veja modelo a seguir).


  Esta ficha será guardada em um fichário em ordem alfabética. No caso da escola, pode-
se dividi-lo por turma e, depois, em ordem alfabética de nomes dos alunos. Quando o
leitor levar um livro emprestado, a ficha irá para outra coluna, que pode ser geral para
todas as turmas. Quando o leitor devolver o livro, a ficha retornará para as colunas das
turmas.
  Desta forma, serão necessários dois fichários de empréstimos (que podem ser
confeccionados com caixas de sapato forradas): um, com as fichas dos leitores inscritos na
biblioteca e o segundo, com as fichas dos leitores que estão com os livros emprestados.




                             10.2 FICHA DE DEVOLUÇÃO


  É uma papeleta que deve ser recortada de uma folha de papel almaço pautado, na
mesma medida da ficha cartográfica (7,5 X 12,5 cm), ou ser adquirida em papelaria.
Deverá ser colada levemente no final do livro. Ela é dividida em duas colunas
verticalmente em colunas e cada coluna servirá para anotar, a cada vez que o livro for
emprestado, a data que deverá ser devolvido a biblioteca.
FICHA DE EMPRÉSTIMO


BIBLIOTECA INFANTIL
                                              LIVRO       REG.    DEVOLUÇÃO
 FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E
               JUVENIL


TURMA:          DATA:


NOME:


END.:


  CONCORDO EM RESPEITAR AS NORMAS E
     REGULAMENTOS DA BIBLIOTECA.

ASSINATURA:




Livro            REG.    Devolução




         -      FRENTE       -                        -   VERSO     -
FICHA DE DEVOLUÇÃO




Este livro deverá ser devolvido na última data assinalada
10.3 DIÁRIO DO LEITOR


   Uma maneira atrativa e nova de conhecer o perfil do leitor, seus interesses e
preferências e, para os mais organizados e estudiosos, aproveitar esses conhecimentos
como material de análise e avaliação do atendimento da biblioteca, é confeccionar o diário
do leitor.


   Ele consiste em um caderno (que se pode fazer com folhas tamanho oficio dobradas ou
mandar imprimir) para cada aluno que retirar livros para ler. A primeira pagina deve
conter as informações sobre os alunos e todas as outras páginas serão reservadas para
que ele registre suas impressões sobre os livros lidos.


   Em cada pagina, a historia da leitura de um livro, por um leitor. Ao final, a história de
um leitor.


   Que tal tentar? Depois nos escreva contando o resultado das suas observações.



                        Modelo de Capa                         Modelo de página de conteúdo
                                                                     do diário do leitor

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                         Diário do Leitor
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             Idade ........................................
Importante: O diário do leitor não deve ser retirado da biblioteca e é lá que deve
ocorrer o seu preenchimento. Ele é um instrumento de pesquisa e avaliação da biblioteca.




                                11. BIBLIOTECA EM USO


  Várias atividades podem ser desenvolvidas a fim de otimizar o uso da biblioteca, torna-
la um espaço atraente e interessante, onde todos da escola queiram estar. Aqui vão
algumas sugestões:


      pesquisa escolar orientada;
      leitura de historias;
      desenhos, motivados por leituras;
      dramatização, teatro de sombras; de varas; fantoches;
      realização de cursos e oficinas;
      confecção de jornais;
      registro de memória local;
      concursos de contos, de poesia e exposições;
      exposições sobre o acervo;
      palestras;
      conversas sobre autores e livros.


       A biblioteca da escola deve ser um espaço onde o pequeno e os jovens leitores
   possam além de ter acesso a livros, participar, compreender o seu funcionamento para
   poderem desfrutar o Maximo de suas potencialidades. Mas também o professor deverá
   fazer dela o apoio mais importante para suas pesquisas, leituras e estudos para a
   criação e planejamento das suas aulas. Num país como o nosso, em que há uma
   enorme carência de bibliotecas, a biblioteca da escola deve servir toda a comunidade
   escolar: aos funcionários não docentes e também aos pais e demais familiares, que
   devem usar a biblioteca para suas leituras pessoais, para buscar informações e para
   seus estudos, temporários ou permanentes.
As escolhas individuais de leitura devem ser respeitadas e todos encorajados a
mostrar o que pensam, o que sentem, que se revela após cada leitura coletiva. Deve
prevalecer o sentimento de que todos têm os mesmos direitos. Uma profunda troca
entre a equipe da biblioteca e os leitores devem ser promovidos. Cada pessoa tem sua
vez e voz na biblioteca da escola e os que nela trabalham aprendem muito com os
usuários.


  Atividades como “É conversando que a gente se entende”, quando crianças e
adultos se sentam juntos para trocar idéias e experiências em torno do livro, são
sempre envolventes, fortalecendo a tolerância e o respeito. Ter sempre alguém lendo
historias, inclusive crianças, e dias reservados para a dramatização, artes plásticas e
musica é igualmente importante para conquistar leitores.


  Pode-se também somas as experiências de cada um. Uma idéia é colocar à vista
uma caixa de sugestões, da qual se aproveitem as idéias dos leitores, principalmente
indicações para novas aquisições para o acervo (de livros, gibis, fitas de vídeo, entre
outros).


  O atendimento a ser prestado aos usuários da pesquisa escolar tem que ser
assegurado, com amplas oportunidades de obter as informações necessárias.


  O   responsável    pela   biblioteca,   ou   o   bibliotecário,   deve   estabelecer   um
relacionamento estreito com os professores e a direção da escola, por meio de
participação em reuniões pedagógicas para conhecer o planejamento dos professores.
Sua ida às salas de aula também é importante, para convidar alunos e professores a
visitarem a biblioteca e para divulgar suas atividades. Assim, o professor poderá se
sentir mais motivado, não só a orientar seus alunos a freqüentarem a biblioteca, mas a
utilizá-la ele próprio. Inúmeras atividades poderão ser desenvolvidas em colaboração
entre a biblioteca e a sala de aula, por meio de uma relação produtiva e profissional
entre bibliotecários e professores, reconhecida e valorizada pelos alunos.
É extremamente importante que o professor seja o adulto a orientar a crianças a
freqüentar a biblioteca. Quando se inicia a escolarização, a criança é muito sensível às
orientações do professor. É, pois, indispensável que o professor de sala seja aliado no
desenvolvimento do gosto pela leitura e na formação do usuário da biblioteca.


  O responsável pela biblioteca poderá aproveitar as pesquisas escolares solicitadas
pela escola para incentivar seu uso e a prática da leitura. Portanto, ele deve estar
sempre em contato com as atividades pedagógicas da escola, para estar preparado
para receber e orientar os alunos para o que deve ser a pesquisa escolar.
Pesquisar, vocábulo que nos remete à busca, à procura, à investigação, na maioria dos
casos limita-se a copias de textos, sem nenhuma interferência do leitor. O trabalho na
biblioteca da escola deve contribuir para mudar este conceito equivocado de pesquisa,
orientado o aluno para a sua função, que é conhecer o objeto de estudo mais
profundamente.


  Pode-se e deve-se aproveitar os assuntos solicitados pelo professor para promover
atividades na biblioteca. Uma das atividades interessantes e ricas que a biblioteca deve
desenvolver - principalmente com a participação dos jovens – é levantar, na
comunidade as histórias de contadores tradicionais, pessoas que guardam a história
local na memória, contos de encantamento, adivinhações, brincadeiras, cantigas e
tradições populares. Esta atividade fortalece o registro escrito pois, para preservar a
memória dessas pessoas, é necessário registra-la por escrito para que ela possa ser
conhecida pela comunidade e, no futuro, pelos novos alunos. Ao escutar e escrever, os
jovens estarão praticando intensamente a função social da escrita e da leitura.


  Pode-se explorar também os fatos do cotidiano, trazendo recortes de revistas e
jornais para enriquecer o material da pesquisa da biblioteca. As revistas e jornais são
ótimas fontes para se constituir um arquivo de recortes, classificados por assunto.


  O noticiário de televisão, os programas educativos de canais abertos ou por
assinatura e, por que não, as telenovelas, a leitura dos jornais e revistas podem
provocar o aparecimento de novas historias. Criar e escrever histórias brincado com a
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Biblioteca da escola - Direito de Ler

  • 1. MINISTÉRIO DA CULTURA Fundação BIBLIOTECA NACIONAL Programa Nacional de Incentivo à Leitura MINISTÉRIO DA CULTURA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL PROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA - PROLER - BIBLIOTECA DA ESCOLA - DIREITO DE LER - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil Seção brasileira do International Board On Books for Young People - IBBY
  • 2. Presidência da República Fernando Henrique Cardoso Ministério da Cultura – MinC Francisco Weffort Fundação Biblioteca Nacional - FBN Eduardo Portella Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER Comissão Coordenadora do PROLER Elizabeth D’Angelo Serra – FNLIJ Emir José Suaiden – UNB Jane Paiva – NUEC?UFF Kátia de Carvalho – UFBA Mônica Messenberg – FNDE/MEC Coordenação e supervisão Elizabeth D’Angelo Serra Textos e Produção Elizabeth D’Angelo Serra Pedagoga Secretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ Coordenadora da Comissão Nacional do Proler Maraney Freire Costa Bibliotecária Chefe do CEDOP/FNLIJ Revisão Elda Nogueira M.F.J.Diniz Apoio Cynthia Rodrigues Maria Amélia Barboza Esta obra foi realizada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o Programa Nacional de Incentivo à Leitura, da Fundação Biblioteca Nacional – PROLER/FBN. Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (Brasil) F977 Biblioteca da escola: direito de ler. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional: Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, 2002. 70 p. 21 cm. 1.Biblioteca escolares. 2.Leitura. I.Título CDD 027.8 Rio de Janeiro, 2002
  • 3. SUMÁRIO Apresentação 1. Introdução ............................................................................................................... ..................................... 5 2. A leitura e a Escrita na Escola ......................................................................................................................7 3. Por que a Biblioteca da Escola? ..................................................................................................................10 4. O lugar para a Biblioteca da Escola ............................................................................................................13 5. Planejamento o espaço da Biblioteca da Escola .........................................................................................14 5.1 Mobiliário .............................................................................................................. ...................................15 5.2 Fichário, arquivo e outros suportes ..........................................................................................................16 5.3 Acessórios diversos ..................................................................................................................................17 5.4 Equipamentos eletrônicos ................................................................................................ .........................18 6. Seleção de livros / Títulos ............................................................................................................ ..............20 7. Aquisição do acervo .............................................................................................................................. ....25 8. O Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE .................................................................................26 9. Processamento Técnico – a importância ....................................................................................................34 9.1 O registro do livro ..................................................................................................... ..................... .. ......36 9.2 Organização do catálogo ou fichário ..................................................................................................... ..38 9.3 Classificação do acervo ................................................................................................. ...........................42 9.3.1 De livros de literatura ou juvenil ...........................................................................................................43 9.3.2 De outros livros .....................................................................................................................................45 9.4 Organização dos livros nas estantes .........................................................................................................47 10. Preparando o acervo para o empréstimo ..................................................................................................48 10.1 Ficha do leitor – usuário ou Ficha de empréstimo ................................................................................48 10.2 Ficha de devolução .............................................................................................................. ..................49 10.3 Diário do Leitor .....................................................................................................................................52 11. Biblioteca em uso ....................................................................................................... .............................53 12. Como se prepara uma bibliografia ..........................................................................................................56 13. Bibliografia recomendada pela FNLIJ sobre Leitura; Literatura; Biblioteca .........................................57 14. Bibliografia consultada ...........................................................................................................................62 15.Anexo............................................................................................................................64
  • 4. APRESENTAÇÃO Esta publicação foi elaborada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ para o Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, da Fundação Biblioteca Nacional – FBN. A FNLIJ foi criada em 1968, no Rio de Janeiro. É a seção brasileira do International Board on Books for Young People – IBBY. Seus objetivos, institucionais são os de promover a leitura e divulgar o livro de qualidade para crianças e jovens, visando a orientar e apoiar educadores e bibliotecários, bem como todos aqueles adultos comprometidos com a tarefa de contribuir para formar leitores críticos como direito do cidadão. Nesse contexto, o uso da biblioteca da escola é instrumento básico da cultura contemporânea para uma educação democrática e de qualidade. Os textos aqui apresentados foram criados a partir de publicações anteriores produzidas por especialistas da FNLIJ para outros projetos dos quais a Fundação participou, tais como Ciranda de Livros, Viagem da Leitura e Projeto Recriança, cujos objetivos eram também promover a importância e a necessidade de bibliotecas que possibilitem desenvolver o contato com livros, variados e de qualidade, para o exercício da prática da leitura e da escrita e, como conseqüência, contribuir para orientar o caminho do encontro permanente com o conhecimento artístico e científico. A FNLIJ se sente honrada em dispor a sua experiência e conhecimento para mais uma parceria com a FBN, por meio do PROLER, a fim de ampliar e fortalecer a rede brasileira de leitura. Esperamos que essa publicação possa contribuir para a valorização da biblioteca na escola, modificando o eixo do projeto pedagógico da escola brasileira. Elizabeth D’Angelo Serra
  • 5. 1. INTRODUÇÃO A participação crítica do cidadão, o desenvolvimento e o fortalecimento da democracia dependem de uma educação de qualidade para todos, assim como do livre e ilimitado acesso ao conhecimento, aos bens culturais e à informação. Entretanto, isto não corresponde à nossa realidade, em que somente poucos têm acesso à variedade dos saberes e experiências acumulados pela humanidade. Para que a maioria da população exerça, efetivamente, uma atuação crítica em relação à realidade e tenha condições de nela interferir, buscando melhorar as condições de vida de todos, é absolutamente necessário garantir a cada cidadão o contato constante com a variedade de conhecimentos existentes, por meio das publicações disponíveis e de outros suportes modernos para notícias e informações. Ao mesmo tempo, é necessário promover a conscientização desta necessidade, junto à população , como reivindicação importante de ordem social, como um bem cultural poderoso. Conhecimento e informação são instrumentos básicos para novas e melhores perspectivas de vida. Uma das mais graves conseqüências da ação conservadora e individualista das elites brasileiras é a histórica ausência de políticas que, de fato, criem condições para que se democratizem as oportunidades de acesso ao saber acumulado e organizado pela humanidade. Essa ausência pode ser constatada pelo reduzidíssimo número de bibliotecas escolares e públicas, em nosso país, apesar de serem elas básicas para a formação educacional e cultural e o exercício da cidadania. Outro fato denunciador dessa situação é não haver obrigatoriedade legal da biblioteca para o Ensino Fundamental, excluindo-se assim a maioria dos alunos do Brasil (já que, por enquanto, só um grupo menor consegue ingressar no Ensino Médio) do aprendizado e da convivência com a instituição Biblioteca, morada democrática dos livros.
  • 6. Nesse sentido, a biblioteca da escola deve atuar não só como pólo de dinamização da informação e como um centro de incentivo à busca de conhecimento que lhe é próprio, mas principalmente para formar leitores e futuros usuários de bibliotecas públicas. A biblioteca pública deve garantir a qualquer pessoa o direito a uma educação permanente bem como as condições para o seu desenvolvimento cultural. E isto deve ser transmitido, ensinado e valorizado durante o período escolar. Portanto, urge a necessidade de se instalar uma política integrada de criação de bibliotecas nas escolas, a fim de se ampliar o número de pólos dinamizadores do conhecimento e da informação, desde cedo, na escola básica. A democracia necessita de uma forte rede articulada de bibliotecas escolares e públicas. Apesar de o número de bibliotecas públicas ter aumentado nos últimos sete anos e também a consciência sobre a importância de criar-se bibliotecas nas escolas, é necessário um planejamento estratégico para realizar essa ação. Pois, bibliotecas enquanto espaço físico, por si mesmas, sem uma missão institucional clara, não resolvem o problema. É necessário que os envolvidos nos cursos de formação de professores se conscientizem da importância e da função social da biblioteca, que diretores de escola, supervisores, professores e pais compreendam a sua função educativa, que a biblioteconomia valorize esse setor e que os governos criem uma política de valorização do bibliotecário na escola e na biblioteca pública, por meio de uma integração no campo da educação e da cultura, buscando fortalecer seus pontos de interseção. A equipe docente da escola e também os pais devem, pois, travar juntos essa discussão na perspectiva de que a biblioteca seja considerada o lugar mais importante da escola e o centro físico para o desenvolvimento do projeto pedagógico. Promover a leitura e a escrita, unir livro-biblioteca-leitor-escritor, são ações básicas para a formação de cidadãos participativos. Anexamos a este texto quatro documentos importantes sobre a biblioteca da escola e a pública, para estudo e discussão quanto à sua importância no contexto histórico atual.
  • 7. O primeiro é o “Manifesto da Biblioteca Pública”, da Unesco, publicado, no Brasil, pela primeira vez, no informativo mensal Notícias, da FNLIJ, em março de 1995. O segundo documento é o “Manifesto da Biblioteca Escolar”, também da Unesco, divulgado pela FNLIJ, no Notícias de janeiro de 2001. O terceiro e o quarto documentos são as duas Portarias do Ministério da Educação sobre o Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE. A primeira Portaria, de 28 de abril de 1997, institui o PNBE e a segunda reconhece a necessidade de proporcionar material escrito didático-pedagógico voltado para a capacitação permanente do docente; institui ainda que o programa responsável por esta tarefa é o PNBE, tendo a Secretaria do Ensino Fundamental como responsável pela definição do acervo. A Portaria de 1997, que cria o PNBE, restringe-se à função de compra de acervos que o MEC fazia até então, sob diversas nomenclaturas. Ao assumir o nome Biblioteca da Escola, o MEC, pela primeira vez, reconhece a sua importância na escola. Este é o ponto que queremos enfatizar e valorizar, para ser usado como instrumento legal na criação da biblioteca da escola ou, caso ela já exista, buscar junto à diretoria da escola e à Secretaria de Educação apoio para torná-la o espaço mais importante da escola. Além desses anexos, estamos apresentando uma bibliografia para o aprofundamento do tema e aperfeiçoamento da equipe da escola quanto aos argumentos para reivindicar a existência de uma biblioteca que possa atender, também, à comunidade. Esperamos que esta publicação venha contribuir para aumentarmos a corrente que vem se formando, no Brasil, há mais de 30 anos, para a construção de uma sociedade brasileira que domine, com fluência, a língua portuguesa. 2. A LEITURA E A ESCRITA NA ESCOLA O acesso à escola básica brasileira, até o final dos anos 1950, era restrito a uma minoria de crianças. Com o processo de democratização da sociedade, a partir dos anos
  • 8. 1960, o número de escolas aumentou, abrindo as portas do ensino formal àquelas crianças que estavam alijadas das oportunidades da socialização e do contato diário com o conhecimento. A presença de um novo contingente de crianças na escola explicitou, muito tempo depois, o caráter elitista do projeto educacional brasileiro. As escolas e seus professores não estavam preparados para orientar e ensinar a grupos sociais diferentes daqueles a que pertenciam. A escola brasileira até então era freqüentada, em sua imensa maioria, por crianças cujas famílias tinham poder aquisitivo mínimo para comprar livros, revistas, jornais, além de um entorno cultural que valorizava a arte. Ler e escrever, para essas famílias, era um bem cultural que fazia parte de seu cotidiano, era valorizado em suas casas. Surgiram então, várias teorias e práticas novas, a partir da preocupação e do estudo sobre os inúmeros fracassos constatados na escola. Entre acertos e erros, muitas descobertas e conquistas foram trazidas para essa nova clientela, embora ainda persistam alguns vícios discriminatórios e preconceituosos que dificultam o processo democrático de socialização do conhecimento humano. Ensinar a ler, escrever e contar, como meta pedagógica, sempre sintetizou o trabalho dos professores da escola básica, porém esta tarefa envolve uma diversidade de objetivos e metas que variam de acordo com as condições sócio-econômicas e o universo cultural da família e da escola. Até os anos 50, os métodos para ensinar a ler e escrever eram relativamente eficientes. O motivo, em nossa opinião, é que as crianças que freqüentavam a escola viviam, em sua maioria, entre famílias que tinham acesso ao livro e convivência com o texto escrito e os professores vinham da mesma camada social que as crianças. Depois dos anos 60, a necessidade de mão-de-obra para o trabalho exigia operários que soubessem escrever e ler, sem maiores competências. Isto fez do complexo e rico
  • 9. processo de alfabetização uma redução empobrecida de apropriação do texto escrito, do aprender a ler e escrever. Nesse processo, a leitura, principalmente de textos literários, foi mutilada e sua utilização serviu somente para explicar fatos gramaticais, isolando-se o contexto artístico da narrativa. A essência do ato de ler foi, então, abandonada, desprezada pela escola e seus professores, premidos pelas exigências de administradores insensíveis e elitistas e das famílias pouco esclarecidas sobre o assunto. Entre inúmeras justificativas para o mau desempenho da maioria dos alunos e a busca de diversas soluções, felizmente começaram a surgir novas práticas pedagógicas que passaram a trabalhar com a devida atenção e preparo o núcleo da leitura e da escrita, visando a atingir a qualidade na educação formal. Sem oferta de leituras variadas, sem contato com bons livros e sem oportunidades para praticar a escrita, não há como oferecer uma educação de qualidade. Esta conclusão diz respeito não só ao aprendizado dos alunos mas, também, à formação dos professores. Há que se enfatizar, nas Escolas de Formação de Professores, que a formação leitora e escritora dos novos profissionais, por meio da leitura literária e da prática da escrita livre e criadora, é a base sólida da sua prática profissional. É importante lembrar que Monteiro Lobato já nos deixou as diretrizes básicas para uma educação de qualidade, que não é devidamente apreendida na Formação de Professores. Sua obra, com livros de ficção, didáticos, informativos, mitologia e clássicos internacionais, sintetiza as leituras básicas e necessárias para formar leitores. Além disto, ao ler Lobato, o professor aprende a melhor didática a ser trabalhada com as crianças.
  • 10. Se você ainda não leu Lobato, comece agora e descubra o grande educador que ele foi, além de grande escritor. Se você já leu Lobato, promova um grupo de estudos sobre ele em sua escola, abrindo o debate sobre a importância da leitura literária na escola. Que este seja o início de uma boa convivência com nossos maravilhosos escritores nacionais e com os clássicos da literatura internacional. Nesse contexto de valorização da leitura e da escrita é que se insere a necessidade e a importância da biblioteca da escola. Descubra a função social da biblioteca e lute para torná-la realidade em sua escola. 3. POR QUE A BIBLIOTECA DA ESCOLA? Segundo Wilson Martins, no livro A palavra escrita: a história do livro, da escrita e da biblioteca, “as escolas foram bibliotecas cercadas de salas de aula”. Este retrato da biblioteca escolar é o ideal, mas, infelizmente, não retrata a nossa realidade, em que as bibliotecas escolares existentes são fechadas e seus espaços ocupados para outras finalidades. Algumas escolas públicas, argumentando que necessitam de mais salas para outras atividades, foram capazes de encerrar as atividades da biblioteca, em uma demonstração do total desconhecimento sobre seu valor e importância para a educação. “É impossível imaginar que a formação do aluno, a construção dos seus conhecimentos, aconteça apenas com o que é visto em sala de aula. Não podemos conceber, de outra parte, que o professor possa planejar as suas aulas sem uma fonte de consultas representada, no caso, pela biblioteca escolar”. O educador deve ter a preocupação permanente de associar informação, conhecimento, leitura e escrita com a biblioteca da escola, para a formação de uma cidadania plena. A constituição de um cidadão livre, no seu sentido mais estrito, ou seja,
  • 11. com autonomia de decisões, compreende um processo complexo, cultural e educacional permanente. Uma biblioteca da escola atuante é aquela que tem como objetivo contribuir com varias ações que venham a fortalecer esse processo como, Por exemplo, contribuir para desenvolver o interesse das crianças pela leitura desde bem pequenas; criar oportunidades para o desenvolvimento critico pessoal e coletivo; estimular a criação e a capacidade criadora de crianças e jovens; promover a conscientização da herança cultural, a apreciação das artes, das realizações cientificas e inovações tecnológicas; fornecer acesso a expressões culturais em todas suas manifestações artísticas; servir de espaço de consulta e estudo para os professores. E para que isto ocorra é necessário que a biblioteca da escola faça parte do projeto pedagógico dessa escola, integrando-se a ele. O projeto pedagógico da escola deve valorizar e revelar para seus alunos a função social da leitura e da escrita, contemplando tanto seus aspectos pragmáticos quanto lúdicos, pois a leitura é a principal porta de entrada para as abordagens crítica e criadora do conhecimento e da informação. Em nossa sociedade, conhecimento e informação significam poder, por estarem expressos, principalmente e cada vez mais, através do registro escrito. A escola tem, portanto a responsabilidade de apresentar essa evidencia e proporcionar aos seus alunos e professores as condições para que eles possam se apropriar do texto escrito, com competência. O caminho é a leitura permanente dos textos que estão nos livros e atualmente nos computadores. A biblioteca da escola, ou a pública, é o espaço onde esses suportes de textos, que trazem conhecimento, arte e informação, são organizados para que possam ser socializados e conhecidos por muitas pessoas. Se as bibliotecas cumprissem suas papeis de difusoras do saber acumulado pela humanidade, se pudessem ser locais de encontros e discussões de idéias, espaço onde fosse possível aproximar-se, ao mesmo tempo, do conhecimento registrado e do mundo da fantasia e se a população fosse educada conhecendo o papel social das bibliotecas, não
  • 12. seria necessário substituir a nomenclatura biblioteca da escola por sala de leitura, como ocorreu e ainda ocorre entre nós. A fim de enfrentar os entraves, corporativos e burocráticos, para se criar bibliotecas nas escolas, introduziu-se, na década de 80, o termo sala de leitura. Se, por um lado, ele representou a forma de enfrentar os problemas para se valorizar o espaço dos livros e da leitura dentro das escolas, por outro lado, ao difundir-se o nome sala de leitura perdeu-se a oportunidade de valorizar, no momento da educação formal da criança, o conceito da biblioteca. Em alguns casos, o resultado foi o enfraquecimento da sua dimensão criada na escola. Passou a ser um lugar triste e pouco atraente, onde o aluno vai buscar respostas imediatas para questões curriculares ou executar uma pesquisa escolar. Há escolas que mantem os dois espaços separados, onde a “biblioteca” é o espaço da pesquisa e do castigo e a “sala da leitura” é o espaço do livro de literatura, logo, da leitura, do lúdico. Isto fortalece uma posição antagônica entre dois espaços. O “novo” é a sala de leitura, enfraquecendo e desvalorizando o conceito da biblioteca no imaginário de crianças e jovens, quando, ao contrario, seu uso deveria ser introduzido e valorizado como pratica diária para a formação da cidadania. O que ocorre, porem, é que, ao terminarem sua formação escolar básica, crianças e jovens não encontram “salas de leitura” para dar continuidade ao convívio com os livros e, tampouco, foram educados para freqüentarem as bibliotecas. Não estamos nos referindo a uma minoria de crianças e jovens privilegiados que possuem livros em suas casas, mas a quase totalidade de crianças e jovens brasileiros que, alem de não terem livros, jornais e revistas em casa, não podem adquiri-los por falta de recursos, ficando sem opção para desenvolverem a prática de leitura necessária para suas vidas, tanto no que diz respeito aos aspectos profissionais quanto pessoais. Portanto, urge que nas escolas brasileiras, desde a educação infantil, a biblioteca da escola seja uma realidade: urge também fortalecer o conceito que a biblioteca é instituição básica necessária para alimentar o exercício democrático.
  • 13. Anísio Teixeira sintetizou essa importante união entre e educação e cultura ao afirmar que “as bibliotecas são instituições básicas da educação, que antecedem, em verdade, à escola”. 4. LUGAR PARA BIBLIOTECA DA ESCOLA Se a escola não possui, ainda, uma biblioteca, o primeiro passo é organizar uma reunião com a equipe docente para apresentar o problema. Não se espante. Comece assim mesmo, reunindo todos para discutir por que na escola não há uma biblioteca. Quase sempre a dificuldade que se apresenta primeiro é o espaço. Onde criar uma biblioteca se não há espaço sobrando? Mas, se há clareza, por parte da equipe, quanto a sua importância e necessidade, o espaço e as pessoas nela trabalharem surgirão, por meio de um replanejamento dos demais espaços da escola. Por exemplo, liberando uma das salas para a biblioteca e as turmas usarem, em sistema de rodízio, o mesmo espaço. Esta foi uma experiência que tivemos em uma pequena escola particular de ensino fundamental, no Rio de Janeiro e que deu muito certo. A necessidade gera soluções inimagináveis. Se o grupo efetivamente quiser, certamente encontrará o espaço para a biblioteca. E se houver condições, por que não planejar a construção da biblioteca ampliando o prédio ou mesmo construindo-a como anexo da escola? O importante é ter consciência de sua necessidade e lutar por ela, transformado-a em um projeto de todos para todos. Sugerimos, também, que a discussão seja ampliada, incluindo os pais; assim, a idéia ganhará mais força.
  • 14. Procure a secretaria da educação em sua cidade, ou as delegacias de educação, para se inteirar das novidades que já existem sobre o assunto, em nosso país. 5. PLANEJANDO O ESPAÇO DA BIBLIOTECA DA ESCOLA O importante é começar, nem que seja em uma sala pequena, pois quanto mais a biblioteca for sendo utilizada e valorizada, mais a comunidade escolar perceberá a necessidade de ampliá-la e buscará soluções necessárias. Para calcular as dimensões da biblioteca ideal, no caso da construção, deve-se levar em consideração o numero aproximado de leitores que ia utilizá-la, o número de livros já existentes na escola, o ideal e o possível de ser adquirido, prevendo sempre seu crescimento. Por exemplo, a área ideal para uma biblioteca que atenderá a uma escola com 1000 alunos é de 120 m². Isto não significa que ela não pode ser menor, no caso de reaproveitarem o espaço já existente de acordo com a decisão da equipe sobre onde instala-la. Já para uma escola pequena, com 100 alunos, o espaço será aquele que for possível. A biblioteca deverá estar sempre em lugar acessível a todos. Ela deve ser clara e arejada, explorando a incidência de iluminação natural. Mas, não sendo possível, deve-se usar lâmpadas dispostas uniformemente para que a claridade, recomendada e necessária, esteja garantida. Embora existam no comercio moveis próprios para biblioteca, eles podem ser fabricados ou mesmo adaptados, conseguindo-se montar excelentes bibliotecas a partir de recursos alternativos que podem dar um toque original e particular a cada biblioteca. A falta de recursos financeiros para aquisição do mobiliário ideal não deve se tornar impedimento. É importante ter como meta a atingir que a biblioteca disponha de acervo de gêneros e assuntos variados e de qualidade e, quando possível, assinatura de jornais e revistas,
  • 15. gibis, fitas cassetes e de vídeos, CD-ROMs e outros suportes de leitura que contribuam para o processo ensino-aprendizagem e para a formação cultural de alunos e professores. A seguir, apresentamos o detalhamento do mobiliário básico e dos acessórios que a biblioteca deve ter, para que sua escola possa fazer um planejamento para construir e/ou adquirir o que é necessário. O importante é fazer um projeto do qual todos, ou pelo menos a maioria, participem, para que a biblioteca se torne uma realidade. 5.1 MOBILIÁRIO Além de ter bons livros, a biblioteca pode e deve ser como todos os lugares que gostamos de estar: um local agradável, convidativo, com mobiliário adequado ou adaptado para melhor atender os leitores-usuários, alunos, professores, funcionários e familiares. Listamos aqui alguns moveis necessários para a instalação da biblioteca da escola, bem como sugestões para torná-la atraente: Escrivaninha ou balcão de empréstimo – esse móvel é básico para a organização e funcionamento da biblioteca. O balcão de empréstimos é para o atendimento ao leitor, a inscrição, o registro do empréstimo domiciliar e é onde ficam localizados os fichários de empréstimos. Uma escrivaninha ou mesa de escritório pode substituir o balcão, quando não for possível adquiri-lo ou enquanto ele não estiver pronto. Estantes – Devem ter alturas variadas. As estantes baixas são para facilitar o acesso e manuseio de livros pelos menores. A altura recomendável pe de pelo menos 1,50m. Devem ter prateleiras moveis que possam ser ajustadas de acordo com a dimensão dos livros e de preferência, que sejam coloridas. As estantes mais altas, com cerca de 1,80m a 2m, são recomendadas para os livros juvenis e livros de referencia que, normalmente são utilizados por jovens e professores.
  • 16. Expositores verticais – De fácil confecção. É importante ter expositores verticais inclinados onde os livros possam ficar expostos de frente. A produção de livros para crianças no Brasil é de excelente qualidade e suas capas atraem a garotada. Por isso é muito importante ter pelo menos um desses moveis para colocar as novidades ou, por exemplo, apresentar os livros separados por determinado tema. Existem no mercado estante própria com prateleiras inclinadas, mas podem também ser confeccionada por encomenda. Mesas redondas – As mesas redondas, de 1 m a 1,20 m de diâmetro são indicadas para trabalho em grupo. As mesas escolares individuais também servem para leituras e, colocadas juntas, podem formar mesa para grupos. 5.2 FICHÁRIOS, ARQUIVOS E OUTROS SUPORTES Arquivos – A biblioteca da escola necessita ter, pelo menos, um arquivo com pastas suspensas para organizar os documentos administrativos, relatórios, planos e projetos. Portanto se for possível um arquivo com quatro gavetas, para iniciar, é o ideal. Fichários ou catálogos – são pequenos moveis estruturados com diversas gavetas, utilizados para guardar as fichas catalograficas que reúnem as notas bibliográficas de cada obra, onde estão descritos os elementos para facilitar sua recuperação. As gavetas, que medem aproxidamente 7,5 x 12,5 cm (tamanho da ficha padrão), São identificadas com a indicação do tipo de ficha que guardam. Por exemplo, fichário de AUTOS, de TITULO, de ASSUNTO, de SERIE ou COLEÇÃO e TOPOGRAFICO. É neste ultimo fichário que as fichas são arquivadas pelo numero de classificação. Fichários de empréstimos – podem ser utilizados os fichários de mesa, de acrílico ou aço, ou ainda, confeccionados por encomenda. São necessários dois fichários: o primeiro, para guardar as fichas de inscrição, em ordem alfabética. No caso da escola pode-se dividir por turmas. Desta forma fica mais fácil a busca das fichas dos alunos. O segundo, que pode ser geral para todas as turmas, é onde são colocadas as fichas dos leitores que
  • 17. estão com livros emprestados. Quando o leitor devolver o livro, a ficha retornará para o primeiro fichário. Murais – A biblioteca necessita dispor de quadros murais, colocados em locais visíveis por todos, de fácil acesso, onde se divulgue a programação da biblioteca, nova livros recebidos, avisos de exposições. Pode-se expor também os trabalhos de alunos e noticias de interesse da comunidade escolar, que também são um ótimo atrativo pra despertar o interesse pela leitura dos murais. Toda a divulgação deve ser afixada em altura que facilite sua leitura. Porta folhetos – uma das maneiras mais simples e atraente de incentivar o interesse pelo acervo da biblioteca é criar folhetos feitos em papel colorido, com bibliografias temáticas de interesse dos leitores. Para conhecer o interesse dos leitores, sugerimos fazer uma caixa de sugestões, ou um caderno onde os leitores possam expressar livremente suas opiniões e curiosidades. 5.3 ACESSÓRIOS DIVERSOS Caixotes coloridos - estes caixotes servem para separar determinados acervos mais manuseados ou que não fiquem bem acondicionados nas estantes convencionais, como as revistas em quadrinhos, os livros de pano e qualquer tipo de acervo que necessite ficar em evidencia. Por exemplo, em geral, no mês de agosto, há muita procuro por livros de folclore; então, separa-se este acervo para facilitar a busca. Facilmente encontrados no mercado. Palco – o palco tem a finalidade de contribuir para dar asas à imaginação dos leitores. Assim, as crianças podem teatralizar ou dramatizar historias lidas, ouvidas ou criadas por elas. Uma cadeira, um cabide para chapéus, lenços pode motivar as crianças e jovens a este tipo de atividade. Alem disto o, o palco pode ser usado para outras finalidades como leitura em voz alta ou apresentações em festas, entrega de prêmios etc.
  • 18. Plantas, enfeites e móbiles – Esses tipos de abjetos de decoração, assim como outros que você imaginar e criar, contribuem para tornar o ambiente da biblioteca mais acolhedor. Tapetes e almofadas – Se houver espaço, tapetes – de preferência de borracha, por serem de fácil limpeza e antialérgicos – e almofadas podem formar um outro canto de leitura, possibilitando a descontração bem ao gosto dos jovens leitores. Varal – O varal é utilizado para pendurar livros que queremos dar destaque por um período de tempo. Pode-se, por exemplo, incentivar as crianças a colocarem no varal os livros que elas gostaram, elas estarão indicando leituras para colegas. Um lembrete importante: Este não é o local ideal permanente para livros, mas sim um suporte, temporário, para livros sobre os quais se quer chamar atenção. 5.4 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS Computador – Somos a favor dos computadores na escola, por uma questão de direito. Todas as pessoas devem ter acesso a bens materiais que facilitam o estudo e o trabalho e que podem contribuir para melhorar sua vida e a da comunidade. Porem, de nada adiantara uma biblioteca da escola, com computador, se nelas não estiverem leitores. O computador é um instrumento importante e necessário, mas não é o principal. A maquina não é mágica e depende de inteligência para ser bem utilizada. Atualmente, o computador e uma linha telefônica são equipamentos necessários em uma biblioteca, pois agilizam os serviços administrativos, possibilitam o controle do acervo de forma mais rápida e eficiente, além da internet ser um grande suporte que poderá auxiliar os alunos e os professores, junto com os livros, a encontrarem informações atualizadas sobre os mais diversos assuntos.
  • 19. É importante ressaltar que, apesar da possibilidade de tratar os livros em fichas computadorizadas na biblioteca da escola, facilitando o trabalho, recomendamos a manutenção do uso do fichário manual afim de que o processo de tratamento do livro – que possibilita o seu uso coletivo – possa ser melhor compreendido e, conseqüentemente, valorizado pelas crianças. Equipamentos audiovisuais – Embora não sejam essenciais para criar uma biblioteca, é importante ter como meta à aquisição de equipamentos audiovisuais, como: projetor de slides, gravador/toca-fitas, retroprojetor, videocassete, televisor, aparelho de DVD e máquina fotográfica e/ou filmadora para registrar os momentos de leitura e outras atividades. Eles podem ser adquiridos aos poucos, a partir de um planejamento. Cabe destacar aqui a importância da televisão e do videocassete ou DVD pois, no mercado, há filmes e desenhos de muita qualidade que estimulam o gosto pela leitura, para compra e locação. Um exemplo é a serie premiada, Livros Animados, produzida pelo Canal Futura, em parceria com a FNLIJ, a partir de livros selecionados, os Altamente Recomendáveis e os Premiados da FNLIJ. O programa Livros Animados é veiculado pelo Canal Futura aos sábados, às 14:00 horas e reprisado aos domingos às 09:00 horas. Há também as séries específicas sobre Leitura e Literatura. Citamos as séries do Salto para o Futuro, da TV Escola, a série Literatura Infantil, da MultiRio. Do Canal Futura, há a série Literatura Infantil e o programa Tirando de Letra, veiculado às terças-feiras (às 23h), às sextas-feiras (às 23h 30min), aos sábados (às 20h) e aos domingos (0h 30min). Os horários das programações dos canais podem ser alterados, portanto, sugerimos o contato com o Canal Futura através do telefone (21) 3232-8800; com a TV Escola, (21) 3475-0012 e com a MultiRio, (21) 2537-0205, para maiores informações sobre a programação.
  • 20. 6. SELEÇÃO DE LIVROS Como já abordamos anteriormente, a biblioteca da escola deve ser um espaço atraente, com orientação e organização biblioteconômicas, mas é a qualidade do acervo que faz a diferença, e a atuação dos seus responsáveis. Para uma seleção de livros de qualidade, é necessário que os professores que irão fazer a seleção sejam leitores e conhecedores de um número considerável de livros (e não limitem a poucos gêneros ou a poucas editoras). É na diversidade de leituras que se apura a qualidade. Porém, estar atualizado quanto a autores, gêneros e editores não é fácil, pois exige tempo para leitura e dinheiro para comprar livros, além de ser difícil acompanhar a imensa produção editorial brasileira. Portanto, para fazer uma boa escolha, é necessário que os responsáveis pela biblioteca busquem informações em jornais, revistas, conversando com professores, fazendo contato com os cursos de Letras e Pedagogia, enfim, procurando conhecer várias opiniões. Hoje, felizmente, já existem inúmeras experiências em seleção de acervos de qualidade no país, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, do MEC (a seleção foi feita pela FNLIJ e pode ser acessada em http://www.fnlij.org.br), e mesmo nos estados, como o programa Cantinho da Leitura – de Minas Gerais, que organizou uma Feira de Livros para Biblioteca Escolar, para aquisição, com recursos do Estado e do Banco Mundial, de livros de literatura, para organização dos Cantinhos de Leitura e das bibliotecas da rede escolar. O Governo do Estado de São Paulo também elaborou um Manual de Orientações para a Escolha de Livros, para o Programa Nacional do Livro Didático – PNLD de São Paulo que, desde 1995, é descentralizado, com a compra de livros feita pela Secretaria de Estado de Educação, o que permite a oferta de livros didáticos, de ficção e de não-ficção. O Programa de Bibliotecas das Escolas Estaduais, de Goiás, é outro projeto que se inspirou no projeto do “Cantinho”, de Minas Gerais e organizou feira de livros e manual de instruções para as escolas adquirirem livros para as bibliotecas
  • 21. escolares. Procure conhecer as experiências existentes e, se você faz parte de uma delas, partilhe a sua experiência com outra escola. Para que a educação para todos, no Brasil, tenha qualidade, é urgente estabelecer um forte movimento em torno do direito de ler para vencer a barreira da mesmice e da falta de originalidade. Considerando a enorme extensão territorial do nosso país, o número de escolas públicas (180.000), o número de alunos do Ensino Fundamental (15.506.442), as enormes carências que vão determinar limitados recursos financeiros para compra de livros e, levando em conta a enorme produção brasileira, a seleção de títulos para compre de livros para a biblioteca da escola deve ser rigorosa quanto ao critério da qualidade. A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, pioneira no trabalho de promoção da leitura e da divulgação do livro de qualidade, seleciona, desde 1974, a produção anual brasileira e concede menções e prêmios para os melhores livros para crianças e jovens, nas seguintes categorias: Crianças, Jovem, Imagem, Informativo, Poesia, Tradução (criança, jovem e informativo), Teatro, Teórico e Reconto. Essa seleção é feita por uma comissão de aproximadamente quarenta votantes – especialistas espalhados por todo o Brasil. Por isto, é importante ter acesso à lista que a FNLIJ divulga todos os anos, no seu boletim mensal para sócios, Notícias para subsidiar o trabalho de seleção de livros para a biblioteca. A FNLIJ foi responsável pelo projeto “Ciranda de Livros” que, entre 1982 e 1985, distribuiu, pela primeira vez, às escolas públicas de todo o país, literatura para crianças. O projeto foi uma parceria com a Fundação Roberto Marinho, Financiado pela Hoescht. A FNLIJ selecionou os livros, criou os quatro manuais que acompanharam as quatro coleções com a orientação pedagógica para a utilização dos livros. Há escolas que ainda possuem livros “Ciranda” e os manuais. Caso você saiba de alguma escola ou professora que conheça ou tenha o material da “Ciranda”, tente recuperá-lo pois ele poderá ser um excelente material de apoio para você conhecer a literatura para crianças e jovens.
  • 22. A lista da FNLIJ visa atender, com prioridade, ao público infantil e juvenil, por considerar que a formação do leitor e do escritor criativo e crítico está diretamente ligada às oportunidades de contato com as expressões escritas de qualidade artística, presentes na literatura e nos livros informativos. Isto não significa que a FNLIJ não valoriza outras formas de apresentação do texto escrito, como enciclopédias, dicionários e revistas, necessários e igualmente importantes para a aprendizagem de novos conhecimentos e que têm, também, a função de alimentar a curiosidade infantil e juvenil. Portanto, uma biblioteca da escola, para crianças e jovens, tem obrigação de oferecer a seus alunos e professores uma grande diversidade de materiais escritos. Mas, “(...) é, sem dúvida, a literatura, o texto de ficção de autores renomados, que alimenta o imaginário humano com prioridades únicas pois não tem limites para o pensar, o imaginar, o criar. O contato com um vocabulário rico, variado, com estruturas originais, rompendo, muitas vezes, com as regras gramaticais, enriquece a expressão oral e escrita de alunos sem os enfadonhos exercícios que, na maioria das vezes, não apresentam nenhum significado para a formação da leitura e da escrita em crianças e jovens e, por conseqüência, não contribuem para sua autonomia de pensar, de dizer e fazer.” Portanto, o acervo da biblioteca da escola deve buscar contemplar, além dos livros de Literatura Infantil e Juvenil, para o Ensino Fundamental (1ª a 8ª séries) e para o Ensino Médio, os livros de consulta, teóricos e de literatura para o professor, de referência e periódicos – jornais e revistas. Portanto, ao escolher os livros para a biblioteca da sua escola, procure referências em publicações especializadas, como o Notícias e consulte a página da FNLIJ na internet. Converse com seus colegas, freqüente as livrarias e vá às bibliotecas a que você pode ter acesso para saber com a bibliotecária quais são as novidades do mercado editorial. Ao participar de feiras de livros, não se deixe seduzir pelas aparências e pelos atrativos de grandes descontos e preços baixos. É claro que se deve procurar um preço menor mas,
  • 23. quando se trata de educação e, em particular, da educação pública, a Qualidade e a Variedade devem estar garantidas. Outras publicações que podem ser utilizadas para se conhecer a produção editorial são os catálogos enviados pelas editoras às escolas. Crie o hábito de recolhê-los em feiras ou solicitá-los às editoras, leia-os atentamente, com olhar questionador de consumidor que não se deixa seduzir pelas propagandas enganosas. Lembre-se de que é necessário prestigiar os diversos gêneros e temas que a literatura oferece para contemplar, ao máximo o gosto dos leitores. Há os que preferem a poesia, outros gostam de histórias policiais; há os leitores de aventura, humor, contos de fadas. Enfim, quanto maior diversidade de temas a biblioteca possuir, mais leitores atingirá. Organize um fichário ou uma pasta de “aquisições”. Nela você deve inserir artigos de revistas que citam títulos de livros de interesse da biblioteca. E também fichas ou páginas com referências retiradas dos catálogos ou a partir dos pedidos dos alunos, pais e professores. A leitura dos suplementos literários dos grandes jornais e de revistas de cultura como a Cult, sobre literatura, da Editora 17, ou a Bravo, com panorama das várias expressões artísticas, da editora Primeira Leitura e D’Avila Editora, também são muito importantes para você ficar a par do que é publicado e dos novos lançamentos. Outra sugestão é consultar sites de instituições que tratam de leitura, literatura e educação para saber das novidades da área no Brasil e no exterior. Além do site da FNLIJ, citamos o da Associação de Leitura do Brasil – ALB, http://www.alb.com.br e o do Instituto de Ensino da Linguagem – IEL, http://www.alb.com.br/iel. Um excelente site estrangeiro é o da Fundação Germán Sánchez Ruiperez, http: //www.fundaciogsr.es - um centro de referência internacional para o livro infantil e juvenil, na Espanha. Com certeza lá você encontrará artigos e sugestões atualizadas para auxiliar o seu trabalho. Embora seja em espanhol, é fácil de ser lido.
  • 24. Para subsidiar a reunião de estudos de sua escola, você pode encontrar uma seleção de livros e textos sobre o tema leitura, elaborados por excelentes escritores e especialistas, no site do PROLER, http: //www.proler.bn.br. Com relação à aquisição de obras clássicas internacionais, procure comprar as melhores traduções que, em geral, são aquelas feitas por escritores brasileiros de literatura. Os clássicos nacionais também não podem faltar em uma boa biblioteca da escola. Monteiro Lobato é o ponto de partida. O acervo do PNBE/98 é uma excelente referência. Para os pequenos, escolha livros de imagens de qualidade, com pouco texto e que não tenham ilustrações estereotipadas, comuns, que já esteja, presentes na vida das crianças através dos meios de comunicação, principalmente da televisão e dos gibis. Quanto aos textos, procure livros com narrativas provocadoras, instigantes, com construções originais. Lembre-se de que a boa literatura para crianças e jovens também é apreciada pelos adultos. Reiterando, os livros de consulta e referência são básicos para qualquer processo educacional. São as enciclopédias, dicionários, Atlas e revistas que compõem um entorno cultural imprescindível para uma boa biblioteca da escola. Os livros informativos são muito importantes também. Eles são diferentes dos didáticos, pois, não se destinam ao uso formal em sala de aula ou a uma série específica. Sem o compromisso didático-pedagógico, mas comprometido com a informação correta e o texto bem construído e agradável, o livro informativo é mais atraente, uma vez que não traz a proposta de medir conhecimentos adquiridos após a sua leitura. É claro que esta proposta dependerá de um professor leitor que concorde com este conceito de partilhar informações, não exigindo do aluno o que o autor do livro não propõe. Os jornais são, hoje, fonte de informação necessária para formular conceitos, opiniões, saber da vida em sociedade. Assim, é importante garantir a assinatura de um jornal. Há jornais que facilitam esse acesso para as escolas públicas. O jornal, que tem vida curta
  • 25. mas informação atualizada, é também excelente fonte de material de pesquisa. Portanto, a biblioteca da escola deve buscar oferecer um bom jornal a seus leitores professores, de onde possam retirar matérias interessantes para os alunos. Ao lado do tratamento técnico eficiente e do atendimento feito por pessoas preparadas, é a variedade e a qualidade do acervo o que caracteriza uma boa biblioteca. 7. AQUISIÇÃO DO ACERVO A seleção do acervo é a etapa mais importante da estruturação da biblioteca da escola porque é ela que vai definir a sua qualidade. Portanto, a aquisição desse acervo é sempre uma grande responsabilidade, pois sabemos como é difícil conseguir que as compras sejam feitas com regularidade, o que permitirá que ele esteja sempre atualizado e pronto para atender às necessidades e desejos dos leitores. A compra dependerá da disponibilidade de recursos financeiros, mas é necessário estar atento para não optar por adquirir um número maior de livros sem qualidade gráfica ou literária, em detrimento de melhores obras, apenas pelo preço baixo. Lembre-se de que a qualidade da leitura a ser disponibilizada é muito mais importante do que a quantidade. As campanhas de doações podem ser uma maneira de ampliar o acervo. Mas é preciso atenção, pois é comum as bibliotecas receberem livros desatualizados, livros didáticos, revistas velhas, entre outros materiais sem qualidade que só ocupam espaço e não contribuem para melhorar o acervo. Apesar disto, podem ocorrer doações de obras de qualidade. No caso de doações, aconselha-se documenta-la por meio de um Termo de Doação que possibilite fazer uma seleção daquilo que interessa à biblioteca da escola, podendo desfazer-se do restante, doando a outras bibliotecas escolares ou públicas, fazendo permutas, ou vendendo para usar o lucro no investimento em livros novos. Outra forma de “garimpo” de bons livros é a visita a “sebos” – que é um tipo de livraria que só vende livros usados – onde é possível encontrar preciosidades com preços muito
  • 26. abaixo dos do mercado, observando-se, evidentemente, o seu estado de conservação. Mas em casos de obra muito importante, pode-se até relevar esse aspecto e investir na recuperação ou restauração do livro. 8. O PROGRAMA NACIONAL BIBLIOTECA DA ESCOLA - PNBE Jamais a escola pública brasileira colocou à disposição de seu público tantos livros de literatura. O MEC, o maior comprador de livros do país, distribuiu dois excelentes acervos para mais de 30.000 escolas públicas, um, em 1998, o outro, em 1999. A lista dos títulos pode ser encontrada em http: //www.fnlij.org.br. Para apoiar o trabalho com esses títulos, também foram publicados dois livros: o Histórias e Histórias e o Livronauta, distribuídos pelo MEC em 2001 e 2002, Dando continuidade à política de levar literatura às escolas públicas, os estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo também desenvolveram programas promovendo a leitura literária e a distribuição de bons livros, aumentando, assim, a oportunidade de ler literatura nesses estados. Também o município do Rio de Janeiro tem realizado compras expressivas de livros de literatura para suas escolas e bibliotecas públicas. Em 2001 o MEC, por meio do PNBE, instituiu o Literatura em Minha Casa, o primeiro programa nacional destinado a levar literatura para a casa das crianças, criando a oportunidade de envolver a família no processo de formação do leitor, pois é a família o principal elo de fortalecimento e desenvolvimento do interesse e da prática de ler e escrever. Foi visando integrar os espaços educacionais e culturais, escola e família, em prol da qualidade da educação, que a professora Iara Prado, Secretária de Educação Fundamental do MEC, criou o programa Literatura em Minha Casa.
  • 27. O MEC assumiu formalmente a necessidade, na prática, do investimento na formação do leitor por meio da literatura, desde cedo. Assim, depois da compra de livros de literatura em 1999, o PNBE alarga suas fronteiras; se a escola pública no Brasil é o local que tem garantido o acesso democrático ao livro, a família também deve partilhar dessa conquista. Trata-se da maior compra de livros de literatura, para distribuição gratuita, já feita no Brasil. São seis coleções, composta, cada uma, de cinco livros que compreendem os gêneros de poesia, conto, novela, clássico universal, teatro e/ou folclore. Em 2002, cada criança matriculada nas 4a. e 5a. Séries do Ensino Fundamental das escolas públicas de todo o país recebeu uma coleção para levar para casa e partilhar com os outros membros da família e com os amigos. Enfim, surge entre nós uma semente de biblioteca familiar e de valorização da leitura literária. São oito milhões e meio de crianças e famílias a ganhar cinco livros de qualidade de uma só vez! Além das crianças, as escolas receberam quatro exemplares de cada uma das seis coleções completas, possibilitando uma ponte entre o trabalho da escola e a casa das crianças, e também a leitura dos professores e o seu aprimoramento profissional. Mais de quarenta milhões de livros de literatura chegaram às casas brasileiras através da escola pública. Ao todo, e, 2001, o programa Literatura em Minha Casa adquiriu 60.000.000 de livros! Os editores, convocados por edital público, apresentaram coleções confeccionadas especialmente para o projeto. O formato, a capa e o miolo em uma cor foram predeterminados pelo MEC, considerando-se a disponibilidade orçamentária. Cada editora podia apresentar somente uma coleção e cada coleção deveria conter uma obra de poesia ou antologia de poesias; de contos ou antologia de contos; uma novela; um clássico nacional ou internacional e um livro de teatro ou tradição popular. Depois de uma triagem, quando foram analisados os aspectos gráficos e técnicos exigidos no edital, trinta e seis coleções foram selecionadas para serem avaliadas por uma Comissão Técnica, instituída de acordo com a portaria do Ministro da Educação, Paulo
  • 28. Renato Souza, em agosto de 2001, composta por representante do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação – CONSED, da União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME, da Associação de Leitura do Brasil – ALB, da FNLIJ, e mais quatro técnicos especialistas nas áreas de leitura. A Comissão Técnica foi presidida pela Secretaria de Educação Fundamental e Coordenadoria Geral do Ensino Fundamental do MEC. A Comissão Técnica participou do processo de formatação da proposta da professora Iara Prado, com relação à importância do projeto, à definição dos critérios, à confecção dos elementos básicos para o edital, á ficha de avaliação e á descrição dos itens de avaliação que orientaram a seleção final. Superados todos os problemas, principalmente os de ordem burocrática, reuniu-se em São Paulo, de 20 a 23 de dezembro de 2001, para a seleção final das coleções, um Colegiado, instituído pelo Ministro da Educação, constituído da Comissão Técnica e mais um representante do CONSED e um representante UNDIME de cada estado da Federação. E esta foi à parte que julgamos mais importante de todo o processo e que, como membro da Comissão Técnica e do Colegiado, fazemos questão de citar, pela lisura, seriedade e profissionalismo com que o trabalho foi realizado, provando que a honestidade existe na relação entre órgãos públicos e sociedade civil, mesmo em se tratando de milhões de reais, que era o valor em dinheiro envolvido no projeto. Em meio a tantas denúncias de corrupção, que a mídia faz questão de generalizar, é importante ressaltar que o Colegiado, em nenhum momento, sofreu qualquer tipo de pressão para escolher este ou aquele autor, esta ou aquela editora. Queremos deixar, aqui, o testemunho de quem teve a honra de participar dessa seleção histórica, realizada por meio de um processo transparente, competente e democrático, que está proporcionando, por meio da escola brasileira, o acesso ao livro de literatura para mais de 30 milhões de pessoas, se considerarmos que em cada casa há, em média, quatro pessoas. As coleções selecionadas foram as seguintes:
  • 29. Editora Ática . Palavra de Poeta – Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes, Mário Quintana e Vinícius de Moraes . De conto em conto – Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Ivan Ângelo, Luiz Vilela, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Marcos Rey, Pedro Bandeira e Wander Piroli . A árvore que dava dinheiro – Domingos Pellegrini . A ilha do tesouro – Robert Louis Stevenson . Bazar do Folclore – Ricardo Azevedo (tradição popular) Editora FTD . A bailarina e outros poemas – Roseana Murray . Quem conta um conto? – Ana Maria machado, Cristina Porto, Flávio de Souza, Ruth Rocha, Sylvia Orthof . Carta errante, avó atrapalhada, menina aniversariante – Mirna Pinsky . Os miseráveis – Victor Hugo . O fantástico mistério de Feiurinha – Pedro Bandeira Editora Moderna . Palavras de encantamento – Manoel de Barros, Elisa Lucinda, Elias José, Roseana Murray, Pedro Bandeira, Mário Quintana, Luiz Gama, Olavo Bilac, José Paulo Paes, Ferreira Gullar . Historinhas pescadas – Ângela Lago, Artur Azevedo, Bartolomeu Campos Queirós, Christiane Gribel, Eva Furnari, Machado de Assis, Moacyr Scliar, Pedro Bandeira, Rosa Amanda Strausz, Ruth Rocha . Bisa Bia, Bisa Bel – Ana Maria Machado
  • 30. . A formiguinha e a neve – João de Barro . O macaco malandro – Tatiana Belinky Nova Fronteira . Meus primeiros versos – Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Roseana Murray . Meus primeiros contos – Leo Cunha, Hebe Coimbra, Luiz Raul machado, Machado de Assis e Sylvia Orthof . Vida e paixão de Pandonar, o cruel – João Ubaldo Ribeiro . Histórias de fadas – Oscar Wilde . Hoje tem espetáculo: no país dos Prequetés – Ana Maria Machado Companhia das Letrinhas . A Arca de Noé – Vinícius de Moraes . Era uma vez um conto – Moacyr Scliar, José Paulo Paes, Milton Hatoum, Marcelo Coelho e Drauzio Varella . Minhas memórias de Lobato – Luciana Sandroni . Odisséia – Ruth Rocha . Pluft, o fantasminha – Maria Clara Machado Objetiva . Cinco Estrelas – Chico Buarque, Henriqueta Lisboa, Olavo Bilac, Carlos Drumond de Andrade, Gonçalves Dias . O Santinho – Luís Fernando Veríssimo . Uma história de futebol – José Roberto Torero . Um assassinato, um mistério e um casamento – Mark Twain
  • 31. . Eu chovo, tu choves, ele chove – Sylvia Orthof Em 2003, o programa Literatura em Minha Casa, do PNBE, estará novamente levando ás crianças das 4as. Séries oito novas coleções. O processo de seleção, compra e distribuição para as escolas ocorreu ainda em 2002. São as seguintes as coleções: Companhia das Letrinhas . Conta que eu conto – Ana Maria Machado, Angela Lago, Daniel Munduruku, Heloísa Prieto, Roger Mello . O irmão que veio de longe – Moacyr Scliar . Pinóquio – Carlo Collodi . O rapto das cebolinhas – Maria Clara Machado Bertrand Brasil . A poesia dos bichos – Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros, Thiago de Mello . Histórias Fantásticas – José J.Veiga . O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado . O velho e o mar – Ernest Hemingway . Folclore vivo – Herberto Sales Nova Fronteira . Poemas que contam a História – Gonçalves Dias, Olavo Bilac, Castro Alves, Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, João Cabral de Melo Neto . Em família - Artur Azevedo, Marina Quintanilha Martinez, Ana Maria machado, Ziraldo, João Guimarães Rosa, Clarice Lispector . A Casa da madrinha – Lygia Bojunga Nunes
  • 32. . Animais encantados – Irmãos Grimm . Zé vagão da Roda Fina e sua mãe Leopoldina – Sylvia Orthof Editora Ática . Varal de Poesia – Fernando Paixão, Cecília Meirelles, José Paulo Paes, Mário Quintana . Deixa que eu conto – Fernando Sabino, Dalton Trevisan, Ignácio de Loyola Brandão, Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Domingos Pellegrini, Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade. . Do outro mundo – Ana Maria Machado . Ali Babá e os quarenta ladrões – Luc Lefort . Histórias que o povo conta – Ricardo Azevedo Objetiva . Toda criança do mundo – Ruth Rocha, Samir Meserani, Fagundes Varella, Sérgio Capparelli . Contos de Estimação – Sylvia Orthof, Silvio Romero, Érico Veríssimo, Adriana Falcão, Ruy Castro . A bolsa amarela – Lygia Bojunga Nunes . O Máscara de Ferro – Alexandre Dumas . Histórias de Aladim e a lâmpada maravilhosa – Patativa do Assaré Martins Fontes . Poesias – Sidónio Muralha, Cecília Meirelles, Fagundes Varella, Menotti Del Picchia, Casimiro de Abreu, Olavo Bilac, Gonçalves Dias, Braguinha e Alberto Ribeiro, Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, Marino Pinto e Paulo Soledade
  • 33. . Conto – Sylvia Orthof, Marina Colasanti, Paulo Mendes Campos, Machado de Assis, Afonso Arinos. . Tem fantasma no porão – Elias José . As aventuras de Alice no País das maravilhas – Lewis Carroll . Um saci no meu quintal – Mônica Stahel Record . Simplesmente Drummond – Carlos Drummond de Andrade . Meninos, eu conto – Rachel de Queiroz, Ruben Braga, Antonio Torres, Leo Cunha, Zélia Gattai, Jorge Amado, Marco Túlio Costa, Fernando Sabino, Malba Tahan . A terra dos meninos pelados – Graciliano Ramos . O mágico de Oz – L.Frank Baum . Histórias de lenços e ventos – Ilo Krugli Global . Pé de poesia – Cecília Meirelles, Ferreira Gullar, Mário Quintana, Cora Coralina, Olavo Bilac, Henriqueta Lisboa, Manuel Bandeira, Sidónio Muralha . Faz de conto – Mário Quintana, Ignácio de Loyola Brandão, Sylvia Orthof, Luís da Câmara Cascudo, Cora Coralina, Sidónio Muralha, Marina Colassanti . A vaca voadora – Edy Lima . O rouxinol e o imperador da China – Hans Christian Anderson . Os saltimbancos – Chico Buarque Esperamos que o próximo governo mantenha e amplie esta histórica de se ter valorizado e democratizado a literatura para crianças e jovens, entendendo-a como um direito e como fundamental para a formação de leitores.
  • 34. 9. PROCESSAMENTO TÉCNICO – A IMPORTÂNCIA É preciso que nossas crianças e jovens sejam convidados pelos professores a freqüentarem tanto a biblioteca da escola quanto à pública – lugar do livro, da leitura. Lauro de Oliveira Lima definiu a escola como “uma biblioteca cercada de alunos e professores por todos os lados”. Entretanto, a biblioteca da escola, entre nós, ainda não foi entendida e valorizada como o principal local do projeto pedagógico. A ela devem recorrer não só os alunos, mas também os professores, para alimentarem –se de idéias e informações como subsídios para desenvolverem, com originalidade, seus planejamentos, mensais, bimestrais, semanais e diários. Outros profissionais que trabalham na escola devem buscar igualmente a biblioteca para se informarem, esclarecerem dúvidas ou para leitura por interesse pessoal. Uma sala com estantes e livros não é necessariamente uma biblioteca. Para ser uma biblioteca onde várias pessoas diferentes, com interesses variados e distintos encontrem os livros que buscam, é necessário que eles estejam organizados, sob critérios técnicos, nas estantes. É essa organização técnica que irá possibilitar a recuperação rápida do livro, da revista, da informação que se quer. Em geral, este tipo de serviço não é valorizado por ser visto somente como uma “arrumação dos livros”; muitas pessoas não percebem que essa “arrumação” é a organização especializada, destinada a tornar possível o uso dos materiais por muitas pessoas. Portanto, ao falarmos em contato permanente com a leitura, em acesso democrático ao livro, estamos considerando que esse acesso deve estar garantido, desde a fase inicial da escolarização, na biblioteca da escola, cuja organização deve ser compreendida e valorizada pelo professor e, como tal, ser transmitida aos alunos. É o processamento técnico do acervo que vai permitir que várias pessoas encontrem o livro que buscam em um local onde há vários livros.
  • 35. “O profissional que recebe a incumbência de organizar ou reorganizar uma biblioteca, ou seja, um prédio com uma coleção bibliográfica e um conjunto de serviços, deve empenhar-se, antes de tudo, no processo de planejamento, estabelecimento dos objetivos a serem alcançados e das ações necessárias para atingi-los.” Por isso, o acervo deve ser processado tecnicamente com fichas de autor, título, assunto e série (coleções), no mínimo com a descrição do livro feita, com referências bibliográficas sinalizando nome do autor, título, assunto, ilustrador, local, editora, data, paginação (quando houver) e nome da coleção. A organização da biblioteca confere independência ao leitor, permite que ele busque sozinho um livro de determinado autor, título ou assunto. Sem uma organização técnica do acervo, os livros ficarão dispersos e o leitor estará sempre dependendo da memória do profissional responsável pela biblioteca para auxilia-lo em suas buscas. Quando a escola puder contar com o serviço de internet, o tratamento técnico do acervo pode ser facilitado. A maioria dos livros publicados no Brasil já está tratada, tecnicamente, pela Biblioteca Nacional e encontra-se disponível na Biblioteca Virtual. Basta acessar http: //www.bn.br, selecionando no menu, que fica no quadro á esquerda da página, o item “Biblioteca Digital”, clicar em “catálogos on line” (que vai apresentar vários tipos de catálogo) e selecionar o de TÍTULOS. Depois, clicar em “livros” e procurar pelo título, autor, ilustrador, assunto, entre outros dados, o livro desejado e tirar as dúvidas. Entretanto, se isto não for possível, deve-se buscar a ficha catalográfica, no verso da folha-de-rosto do livro, que traz as descrições que facilitam a busca das informações. A fim de tornar mais clara a importância do tratamento técnico de uma biblioteca, citamos algumas situações de um acervo sem esse tratamento. Vejamos: . Como encontrar um livro de um determinado autor, se a biblioteca não possui um fichário e os livros nas estantes estão organizados somente pelo título? . Como auxiliar um grupo em uma pesquisa de um determinado assunto, se os livros da biblioteca não estão classificados por assunto?
  • 36. . E no momento do empréstimo? A maioria das bibliotecas das escolas ainda controla o empréstimo domiciliar anotando em cadernos. Este processo é muito complicado pois, como saber quem não devolveu determinado livro ou como conhecer o perfil dos leitores para melhorar o atendimento, se o empréstimo é feito dessa maneira? Portanto, o tratamento técnico dos livros é a base principal para os serviços da biblioteca que tenha como objetivo atender cada vez mais e melhor a seus alunos e professores. É muito importante também que o professor conheça o tratamento técnico utilizado nos livros para valoriza-los e explica-los aos seus alunos para que, no futuro, eles possam fazer uso da biblioteca pública, com segurança e sem medo, pois conhecerão a sua forma de organização. Para entender cada passo do tratamento técnico dos livros e para facilitar a execução do serviço, é necessário que o processo seja dividido em etapas, como veremos a seguir: 9.1 O REGISTRO DO LIVRO O registro do livro na biblioteca é como o registro de nascimento de uma criança. Portanto, todo livro que entra na biblioteca deve ter um registro próprio, pois é por meio dele que se controla o patrimônio bibliográfico. Pode-se saber, imediatamente, quantos livros a biblioteca possui, saber qual foi o período em que mais se adquiriram livros e se alguns livros foram eliminados do acervo. Por isso, selecionado o acervo da biblioteca da escola, ou quando são adquiridos novos livros, o primeiro passo para o tratamento técnico é o registro do livro, que compreende duas etapas: uma é o registro no livro de tombo e a outra, o carimbo de registro no próprio livro. O número de registro é o número de ordem de entrada do livro na biblioteca, anotado no livro de tombo, que vai do no. 1 ao infinito, seguido do ano em que a obra foi integrada ao acervo. Quando uma obra for composta de vários volumes, como as enciclopédias, cada volume recebe um número de registro diferente.
  • 37. 1ª etapa: REGISTRO NO LIVRO DE TOMBO OU CADERNO DE REGISTRO No livro de registro ou livro de tombo (que pode ser adquirido em papelarias especializadas ou ser utilizado um caderno horizontal em tamanho A4), coloca-se o número segundo a ordem crescente em que os livros vão sendo registrados, seguido de outros dados essenciais para a identificação da obra, em colunas: autor, título, ilustrador, editora, data de publicação do livro (é diferente da data de registro) e observações (este espaço servirá para dar baixa no livro ou colocar qualquer tipo de observação que se faça necessária). Veja a seguir o modelo da página do livro de tombo e os seus diversos itens. MODELO DE CADERNO DE REGISTRO OU LIVRO DE TOMBO No. e data é os que vão figurar no carimbo do livro ANO No. DATA AUTOR TÍTULO ILUSTRADOR LOCAL EDITORA PUBL. OBSERVAÇÕES 01 2/9/01 Rocha, Ruth O reizinho Walter Ono São Paulo Quinteto 1978 mandão 02 4/9/01 Tenê O conjunto Tenê São Paulo Ática 1978 Baixa por extravio 03 4/9/01 Aizen Naumim Era uma vez Patrícia Rio de EBAL 1986 6. ed. duas avós... Gwinner Janeiro 2a. Etapa: Registro por Meio de Carimbo no Livro O carimbo no livro tem a função de transportar o próprio livro o seu número de registro.
  • 38. O verso da folha-de-rosto do livro (que é a folha que se encontra logo no início do livro, antes do texto propriamente dito, onde estão os dados essenciais à identificação e descrição do livro: autor, título, editora, data etc.0, usa-se um carimbo, confeccionado para o registro, e nele coloca-se o número de ordem que o livro recebeu. O carimbo pode ser encomendado em papelarias ou loja de carimbos. Em alguns livros para crianças, o texto começa logo no verso da capa; portanto, essas obras não possuem folha-de-rosto. Neste caso, você deve procurar um lugar para o carimbo que não prejudique a leitura do texto. Os dados a serem informados/escritos no carimbo de registro no livro são: nome da escola, nome da biblioteca, no. do registro e data do registro no livro de tombo. Observe o modelo de carimbo. Modelo de carimbo de registro no livro (usado na parte inferior do verso da folha-de-rosto) Nome da Escola ........... NOME DA BIBLIOTECA No. REG.: ............. DATA: ____/____/____ 9.2 ORGANIZAÇÃO DO CATÁLOGO OU FICHÁRIO O fichário tem a função de organizar as fichas dos livros, visando a facilitar o acesso ás obras nas estantes, com maior rapidez. É através dos agrupamentos a que chamamos de
  • 39. entradas – normalmente, por autor, título ou assunto – que se organizam as fichas no fichário. O catálogo é uma espécie de lista, com fichas dos livros, que visa a facilitar a recuperação das obras catalogadas na biblioteca. Com um catálogo atualizado e eficiente, o leitor não necessitará procurar em todo o acervo para encontrar o livro ou documento que lhe interessa ou, ainda não dependerá da boa memória do encarregado pela biblioteca para localiza-lo. É o catálogo, ou fichário, que dá autonomia ao leitor. A ficha principal é a ficha do autor e é nela que se apresentam os dados de descrição da obra. Os elementos essenciais que servem de descrição, do ponto de vista da catalogação, são: o autor, o título, o ilustrador, a cidade onde o livro foi editado, o nome da editora, o ano em que foi publicado, o número de páginas e, se for o caso, o título da coleção ou série. Os dados de descrição do livro serão anotados em uma ficha, encontrada em papelarias, que se chama ficha catalográfica e mede 7,5 x 12,5 cm. É importante manter a medida padrão, mesmo que se tenha um acervo pequeno e o fichário seja feito de caixa de sapatos forrada, ou de madeira, pois este deve ser o início de um registro que será permanente. O que se pretende é que a biblioteca da escola cresça e, quando for possível a aquisição de fichários de aço, próprios para bibliotecas, as fichas já prontas possam ser colocadas neles, tendo obedecido esta medida. Junto da descrição bibliográfica, a ficha recebe, no canto á esquerda, um número conhecido como número de chamada. Este número é formado pelo número de classificação dado ao livro – como veremos no próximo capítulo – e pelas três primeiras letras do último sobrenome do autor. Este número de chamada é o mesmo que o livro recebe na etiqueta colocada em sua lombada. Lembre-se de que estas informações são técnicas simplificadas para orientar o tratamento do acervo já que, na sua grande maioria, as escolas não possuem profissional qualificado em biblioteconomia para executar essas tarefas (o bibliotecário). O professor que assumirá os serviços técnicos da biblioteca deve, portanto, orientar-se pelas
  • 40. informações seguintes, pois elas são importantes para a elaboração das fichas catalográficas: . Os dados devem, preferencialmente, ser retirados da folha-de-rosto do livro; . Pode-se fazer a descrição com uma referência bibliográfica simplificada, o que vai facilitar o entendimento do aluno. Segundo a Norma Técnica de Elaboração de Referências, NBR 6023, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), Referência bibliográfica é o conjunto padronizado de elementos descritivos de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de suportes, permitindo sua identificação – no todo ou em parte. Assim, um conjunto de indicações pertinentes á natureza, á forma de apresentação e ao conteúdo de um documento é que constitui a essência de uma referência; o nome do autor deve ser escrito na ficha pelo último sobrenome, em caixa alta (maiúscula) para destacá-lo, facilitando na alfabetização – separado do prenome por uma vírgula; . O título da obra deve ser colocado em seguida, em maiúscula e minúscula, sublinhado ou em itálico; . Quando a obra não tiver referência de autor, a referência bibliográfica deve iniciar pelo título, por exemplo: 574 ESPÉCIES em extinção: guia ecológico. Trad. Maria ESP Esther Lins. São Paulo: Ed. Nóbrega, 1996. 25p. Obs.: Como se pode observar, a primeira palavra do título vem em maiúsculas. . A ficha principal do autor deve conter todos os elementos de identificação do livro, como já foi visto, enquanto nas fichas secundárias (de título, ilustrador e de assunto) basta colocar o nome do autor e o título da obra, além do número de chamada; . Como se pode observar nas fichas catalográficas que se encontram no verso da folha- de-rosto do livro, as informações numeradas que são colocadas na parte inferior da ficha (que se chamam pistas) auxiliam nos desdobramentos das fichas secundárias;
  • 41. A partir da ficha catalográfica do livro Receitas de Olhar, de Roseana Murray, da editora FTD, que reproduzimos abaixo, fizemos os modelos de ficha de autor, título e assunto. FICHA DE AUTOR (PRINCIPAL) 81 MURRAY, Roseana. Receitas de olhar. Ilustrado Nº de MUR por... . São Paulo: FTD, 199... 34p. chamada 7,5 cm Pista 1. Poesia Infantil. I. Título. 12,5 cm FICHA DE TÍTULO Esta é uma das fichas secundárias, onde se destaca o título do livro; quando ordenadas alfabeticamente, essas fichas formarão o catálogo de título. Receitas de olhar 81 MUR MURRAY, Roseana. Receitas de olhar 7,5 cm 12,5 cm
  • 42. FICHA DE ASSUNTO Esta também é uma das fichas secundárias, onde se destaca o assunto do livro; quando ordenadas alfabeticamente, essas fichas formarão o catálogo de assunto. POESIA INFANTIL 81 MUR MURRAY, Roseana. Receitas de olhar 7,5 cm 12,5 cm 9.3 CLASSIFICAÇÃO DO ACERVO Classificar é distribuir em classe e/ou em grupos, segundo sistema ou método de classificação e, em bibliotecas, o sistema mais conhecido e utilizado internacionalmente é o CDD – Código Decimal de Dewey. Melvil Dewey, criador do método que tem o seu nome, foi bibliotecário, nasceu em 1851 e aos 21 anos foi trabalhar na Biblioteca do Amherst College, nos Estados Unidos. Lá, interessou-se pelo assunto quando começou a se dar o livre acesso do leitor às estantes, o que exigia uma melhor sistematização da ordenação das obras. Dewey tomou como base para desenvolver o sistema que idealizou as características de memória, imaginação e razão, formando assim as classes principais. Ele dividiu o conhecimento humano em dez grandes classes, cada uma delas com subdivisões, todas representadas por números, que servem para caracterizar assuntos específicos. Desta forma, todos os livros que tratam de um mesmo assunto estarão reunidos num mesmo lugar, já que este número indicará o lugar que o livro irá ocupar nas estantes, através do agrupamento das classes numéricas.
  • 43. 9.3.1 DE LIVROS DE LITERATURA INFANTIL OU JUVENIL O número utilizado para Literatura é o 80; portanto, o número para literatura infantil e juvenil deverá estar dentro da grande classe 800. Para o livro infantil e juvenil, a classificação deve ser simplificada, pois o objetivo é de que as crianças possam se utilizar, desde cedo, do sistema de organização da biblioteca, conforme ressaltamos na introdução. O sistema de cores pode ser introduzido junto aos números, para melhor identificação pelas crianças, como foi feito no sistema de classificação simplificado usado para a organização das bibliotecas infantis orientadas pela FNLIJ, por exemplo, as da Casa da Leitura, sede do PROLER, no Rio de Janeiro. Cabe ressaltar que este código foi adaptado do CDD, por nós, da FNLIJ, e pode ser modificado de acordo com cada comunidade leitora. Como este livro não foi impresso em cores, substituímos as cores por padrões gráficos que as representem (tabela a seguir). As cores (como os padrões) são aleatórias, não seguem nenhum modelo. Entretanto, para facilitar o trabalho, deve-se procurar cores que existam em fita adesiva colorida (Durex) ou em papel tipo Contact, pois as cores da classificação serão as mesmas que irão na lombada do livro, acima da etiqueta com o nº de chamada. Por exemplo, todos os livros de poesia poderão ter etiquetas amarelas e o número 81 na lombada. O que irá diferencia-los será o código do autor. As etiquetas devem ser colocadas na mesma posição em todos os livros pois, esteticamente, no conjunto de livros, fica mais bonito, além de facilitar a visualização. Mesmo que se adote a classificação de cores, deve-se usar junto o código numérico que é utilizado em qualquer biblioteca. Repetimos que a nossa proposta é de que a biblioteca da escola estará formando leitores que serão usuários, no futuro, da biblioteca pública. Por isto, é importante que o aluno se habitue desde cedo, na fase escolar, às convenções biblioteconômicas para que, mais tarde, ele possa se sentir à vontade em uma biblioteca pública, encontrando ali um ambiente que lhe é familiar. Assim, quando
  • 44. terminar a escola básica, ele poderá buscar e encontrar com muito mais segurança os conhecimentos e informações de que necessitar, para sua vida pessoal e profissional, na biblioteca pública. MODELO DE CLASSIFICAÇÃO PARA LIVROS DE LITERATURA INFANTIL E JUVENIL BASEADO NA CATALOGAÇÃO DE DEWEY E CÓDIGO DE CORES ULTILIZAÇÃO PELA CASA DA LEITURA -RIO 81 POESIA TEATRO 82 CONTOS/JOVENS 83 84 HISTÓRIAS INFANTIS 85 CONTOS DE FADA 86 LIVROS DE IMAGEM 87 QUADRINHOS 88 PRIMEIRAS LEITURAS 89 FICÇÃO CIENTÍFICA
  • 45. 9.3.2 DE OUTROS LIVROS Conforme já explicamos, a biblioteca da escola deve ter na literatura infantil e juvenil de qualidade a sua principal riqueza, mas não será uma biblioteca da escola se não contemplar a variedade de gêneros da produção editorial. Assim, outros livros que compõem o acervo da biblioteca deverão ser tratados, utilizando-se a classificação bibliográfica geral de Dewey (CDD), que aqui apresentamos muito resumidamente e que pode ser utilizada em pequenos acervos como o da biblioteca da escola que se inicia. Se a biblioteca possuir um grande acervo, de mais de 2.000 títulos, recomenda-se a contratação de um bibliotecário para fazer e orientar o tratamento técnico adequado. O ideal é que a biblioteca da escola possa comprar o livro que contém a Classificação Decimal de Dewey, com as explicações e informações necessárias. CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY CONDENSADA 000 – GENERALIDADES 010 – Bibliografias e Catálogos 020 – Biblioteconomia 030 – Dicionários e Enciclopédias 050 – Periódicos 060 – Museologia 070 – Jornalismo
  • 46. 080 – Coleções 090 – Manuscritos e Obras Raras 100 – FILOSOFIA E DISCIPLINAS RELACIONADAS Classificar aqui: Teologia, Psicologia, Esoterismo, Auto-Ajuda, Filosofia, Ética, etc. 200 – RELIGIÃO 300 – CIÊNCIAS SOCIAIS Classificar aqui: Ciências Políticas, Legislações, Economia, Folclore e disciplinas afins. O livro didático é classificado em Educação sob o nº 371.32, podendo-se identificar as disciplinas comas iniciais de cada uma, abaixo do número de classificação. Ex: para um livro de MATEMÁTICA 371.32 MAT 400 – LINGUAGEM Lingüístico Latim, Gramática, Língua Portuguesa e Língua Estrangeira. 500 – CIÊNCIAS PURAS Classifique aqui: Matemática, Astronomia, Física, Química, Geologia, Biologia, Antropologia, Botânica e Zoologia. 600 – TECNOLOGIA – CIÊNCIAS APLICADAS Medicina, Engenharia, Agricultura, Economia Doméstica (culinária, nutrição), Comunicação, Processamento de Dados, etc.
  • 47. 700 – ARTES Classifique também: Arquitetura, Escultura, Artes Plásticas, Decoração, Pintura, Fotografia, Artes Gráficas, Recreação – Televisão, Shows, Rádios, Teatro, Balé, Jogos, etc. 800 – LITERATURA Poesia, HQ (História em Quadrinhos), Drama, Novela, Contos, Literatura Infantil e Juvenil, Humor, Cartas, etc. 900- GEOGRAFIA E HISTÓRIA Biografias, Viagens e História e Geografia Geral e de específicos continentes, países, estados, cidades, etc. 9.4 ORGANIZAÇÃO DOS LIVROS NAS ESTANTES Após todo o serviço técnico realizado, deve-se etiquetar os livros, com o mesmo número de chamada atribuído, a cada um, na classificação, para ordena-los nas estantes. A etiqueta utilizada normalmente é a nº Q1824, da marca Pimaco, que deve ser colocada na lombada dos livros. Estes devem ser ordenados nas estantes seguindo a seqüência do número de chamada. Se você optar por utilizar, para os livros de literatura infantil, as cores, junto com o número de chamada, procure colocar a fita adesiva colorida acima da etiqueta. Como já foi dito, para que os livros fiquem esteticamente arrumados nas estantes e também para facilitar a visualização e o manuseio, deve-se colocar todas as etiquetas na mesma altura da lombada dos livros (cerca de 2 cm acima da base da lombada). O melhor suporte para a sustentação e apoio dos livros nas prateleiras é o bibliocanto, em formato de L, que pode ser comprado em papelarias especializadas. Deve ser adquirido pelo menos um para cada prateleira.
  • 48. Os livros devem ser organizados nas prateleiras de cima para baixo, e da esquerda para direita, descendo até o final de cada estante. Só depois de a estante estar completa, é que se inicia a organização da seguinte, seguindo o mesmo sistema. É recomendável deixar espaço livre de cerca de 20 cm em cada prateleira para que novos livros possam ser introduzidos. 10. PREPARANDO A BIBLIOTECA DA ESCOLA PARA EMPRÉSTIMO Na biblioteca da escola, comprometida coma formação de leitores, todo material deve estar preparado e organizado de modo que o leitor possa, ele mesmo, localizar facilmente o livro que procura, ter acesso aos catálogos e às estantes. Com os livros tratados da forma que orientamos aqui pode-se, também, efetivar o empréstimo domiciliar, pois não podemos emprestar um livro que não está devidamente tratado e cadastrado porque não há como controlar sua saída e entrada. É preciso controlar o que é emprestado e, para isso, é necessário fazer algumas anotações que permitam saber, a qualquer instante, o que está emprestado, com quem está e quando deve ser devolvido. Para isto são necessários dois tipos de fichas: as de inscrição do leitor ou de empréstimo e as fichas de devolução. 10.1 FICHA DE INSCRIÇÃO DO LEITOR OU FICHA DE EMPRÉSTIMO Esta ficha é preenchida no momento da inscrição do leitor como usuário da biblioteca. Ela deve conter os dados pessoais do leitor e nela será anotado cada livro que ela levar. A ficha será o “retrato” do leitor, com seus dados e suas leituras (veja modelo a seguir). Esta ficha será guardada em um fichário em ordem alfabética. No caso da escola, pode- se dividi-lo por turma e, depois, em ordem alfabética de nomes dos alunos. Quando o
  • 49. leitor levar um livro emprestado, a ficha irá para outra coluna, que pode ser geral para todas as turmas. Quando o leitor devolver o livro, a ficha retornará para as colunas das turmas. Desta forma, serão necessários dois fichários de empréstimos (que podem ser confeccionados com caixas de sapato forradas): um, com as fichas dos leitores inscritos na biblioteca e o segundo, com as fichas dos leitores que estão com os livros emprestados. 10.2 FICHA DE DEVOLUÇÃO É uma papeleta que deve ser recortada de uma folha de papel almaço pautado, na mesma medida da ficha cartográfica (7,5 X 12,5 cm), ou ser adquirida em papelaria. Deverá ser colada levemente no final do livro. Ela é dividida em duas colunas verticalmente em colunas e cada coluna servirá para anotar, a cada vez que o livro for emprestado, a data que deverá ser devolvido a biblioteca.
  • 50. FICHA DE EMPRÉSTIMO BIBLIOTECA INFANTIL LIVRO REG. DEVOLUÇÃO FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL TURMA: DATA: NOME: END.: CONCORDO EM RESPEITAR AS NORMAS E REGULAMENTOS DA BIBLIOTECA. ASSINATURA: Livro REG. Devolução - FRENTE - - VERSO -
  • 51. FICHA DE DEVOLUÇÃO Este livro deverá ser devolvido na última data assinalada
  • 52. 10.3 DIÁRIO DO LEITOR Uma maneira atrativa e nova de conhecer o perfil do leitor, seus interesses e preferências e, para os mais organizados e estudiosos, aproveitar esses conhecimentos como material de análise e avaliação do atendimento da biblioteca, é confeccionar o diário do leitor. Ele consiste em um caderno (que se pode fazer com folhas tamanho oficio dobradas ou mandar imprimir) para cada aluno que retirar livros para ler. A primeira pagina deve conter as informações sobre os alunos e todas as outras páginas serão reservadas para que ele registre suas impressões sobre os livros lidos. Em cada pagina, a historia da leitura de um livro, por um leitor. Ao final, a história de um leitor. Que tal tentar? Depois nos escreva contando o resultado das suas observações. Modelo de Capa Modelo de página de conteúdo do diário do leitor Título:........................................ Diário do Leitor Autor:........................................ Escola ..................................... Ilustrador:.................................. Biblioteca ................................ Editora:...................................... O que achei do livro: ................................................. ................................................. ................................................. ................................................. Leitor ........................................ ................................................. ................................................. Endereço .................................. ................................................. ................................................. Série ......................................... ................................................. ................................................. Idade ........................................
  • 53. Importante: O diário do leitor não deve ser retirado da biblioteca e é lá que deve ocorrer o seu preenchimento. Ele é um instrumento de pesquisa e avaliação da biblioteca. 11. BIBLIOTECA EM USO Várias atividades podem ser desenvolvidas a fim de otimizar o uso da biblioteca, torna- la um espaço atraente e interessante, onde todos da escola queiram estar. Aqui vão algumas sugestões:  pesquisa escolar orientada;  leitura de historias;  desenhos, motivados por leituras;  dramatização, teatro de sombras; de varas; fantoches;  realização de cursos e oficinas;  confecção de jornais;  registro de memória local;  concursos de contos, de poesia e exposições;  exposições sobre o acervo;  palestras;  conversas sobre autores e livros. A biblioteca da escola deve ser um espaço onde o pequeno e os jovens leitores possam além de ter acesso a livros, participar, compreender o seu funcionamento para poderem desfrutar o Maximo de suas potencialidades. Mas também o professor deverá fazer dela o apoio mais importante para suas pesquisas, leituras e estudos para a criação e planejamento das suas aulas. Num país como o nosso, em que há uma enorme carência de bibliotecas, a biblioteca da escola deve servir toda a comunidade escolar: aos funcionários não docentes e também aos pais e demais familiares, que devem usar a biblioteca para suas leituras pessoais, para buscar informações e para seus estudos, temporários ou permanentes.
  • 54. As escolhas individuais de leitura devem ser respeitadas e todos encorajados a mostrar o que pensam, o que sentem, que se revela após cada leitura coletiva. Deve prevalecer o sentimento de que todos têm os mesmos direitos. Uma profunda troca entre a equipe da biblioteca e os leitores devem ser promovidos. Cada pessoa tem sua vez e voz na biblioteca da escola e os que nela trabalham aprendem muito com os usuários. Atividades como “É conversando que a gente se entende”, quando crianças e adultos se sentam juntos para trocar idéias e experiências em torno do livro, são sempre envolventes, fortalecendo a tolerância e o respeito. Ter sempre alguém lendo historias, inclusive crianças, e dias reservados para a dramatização, artes plásticas e musica é igualmente importante para conquistar leitores. Pode-se também somas as experiências de cada um. Uma idéia é colocar à vista uma caixa de sugestões, da qual se aproveitem as idéias dos leitores, principalmente indicações para novas aquisições para o acervo (de livros, gibis, fitas de vídeo, entre outros). O atendimento a ser prestado aos usuários da pesquisa escolar tem que ser assegurado, com amplas oportunidades de obter as informações necessárias. O responsável pela biblioteca, ou o bibliotecário, deve estabelecer um relacionamento estreito com os professores e a direção da escola, por meio de participação em reuniões pedagógicas para conhecer o planejamento dos professores. Sua ida às salas de aula também é importante, para convidar alunos e professores a visitarem a biblioteca e para divulgar suas atividades. Assim, o professor poderá se sentir mais motivado, não só a orientar seus alunos a freqüentarem a biblioteca, mas a utilizá-la ele próprio. Inúmeras atividades poderão ser desenvolvidas em colaboração entre a biblioteca e a sala de aula, por meio de uma relação produtiva e profissional entre bibliotecários e professores, reconhecida e valorizada pelos alunos.
  • 55. É extremamente importante que o professor seja o adulto a orientar a crianças a freqüentar a biblioteca. Quando se inicia a escolarização, a criança é muito sensível às orientações do professor. É, pois, indispensável que o professor de sala seja aliado no desenvolvimento do gosto pela leitura e na formação do usuário da biblioteca. O responsável pela biblioteca poderá aproveitar as pesquisas escolares solicitadas pela escola para incentivar seu uso e a prática da leitura. Portanto, ele deve estar sempre em contato com as atividades pedagógicas da escola, para estar preparado para receber e orientar os alunos para o que deve ser a pesquisa escolar. Pesquisar, vocábulo que nos remete à busca, à procura, à investigação, na maioria dos casos limita-se a copias de textos, sem nenhuma interferência do leitor. O trabalho na biblioteca da escola deve contribuir para mudar este conceito equivocado de pesquisa, orientado o aluno para a sua função, que é conhecer o objeto de estudo mais profundamente. Pode-se e deve-se aproveitar os assuntos solicitados pelo professor para promover atividades na biblioteca. Uma das atividades interessantes e ricas que a biblioteca deve desenvolver - principalmente com a participação dos jovens – é levantar, na comunidade as histórias de contadores tradicionais, pessoas que guardam a história local na memória, contos de encantamento, adivinhações, brincadeiras, cantigas e tradições populares. Esta atividade fortalece o registro escrito pois, para preservar a memória dessas pessoas, é necessário registra-la por escrito para que ela possa ser conhecida pela comunidade e, no futuro, pelos novos alunos. Ao escutar e escrever, os jovens estarão praticando intensamente a função social da escrita e da leitura. Pode-se explorar também os fatos do cotidiano, trazendo recortes de revistas e jornais para enriquecer o material da pesquisa da biblioteca. As revistas e jornais são ótimas fontes para se constituir um arquivo de recortes, classificados por assunto. O noticiário de televisão, os programas educativos de canais abertos ou por assinatura e, por que não, as telenovelas, a leitura dos jornais e revistas podem provocar o aparecimento de novas historias. Criar e escrever histórias brincado com a