desedificar desmoralizar, escandalizar açougue talho legatário herdeiro pleito questão judicial gentio pagão nassa cesto para apanhar peixe pique lança chuço pau com aguilhão
Nas pp. 67-68 de  Antologia , vamos rever o resto dos elogios aos peixes, os dois parágrafos finais da parte III do «Sermão de Santo António aos Peixes» — já víramos os louvores ao peixe de Tobias, à  rémora , à  raia eléctrica  (ou torpedo), ao  quatro-olhos .
No penúltimo parágrafo desse capítulo III (ll. 188-125),  elogia-se aos peixes o serem, ao contrário dos animais terrestres e das aves, o alimento dos dias de  penitência , bem como o alimento exclusivo de certas  ordens  religiosas .
O último parágrafo (ll. 206-218) volta a debruçar-se sobre uma espécie de peixes em particular, a das  pescadinhas de rabo na boca , que existem em grande  quantidade  (ao contrário dos escassos  salmões  e  solhos [esturjões / solhos-reis] ) e servem de sustento aos  pobres .
Continuaremos agora neste miolo do «Sermão», que abrange os capítulos II a V. (O capítulo I correspondia ao  exórdio ; e o capítulo VI, vê-lo-emos, à  peroração .)
Como o Padre António Vieira já anunciara (cap. II, p. 59, l. 26), o capítulo IV ( Antologia , 68-73) vai ser de  repreensão  dos peixes. São dois os motivos dessa crítica: 1. os peixes  comem-se uns aos outros . 2. os peixes  investem cegamente ao isco .
Depois de apresentar estas características dos peixes, o orador mostra que os homens incorrem nos mesmos erros:  1. Os homens são comidos por outros homens, quando  morrem   e quando  são julgados .
2. Os homens seguem cegamente os seus engodos, quando  combatem por galardões  e quando  se deixam explorar em troca de vestuário / por pura vaidade .
A parte final deste cap. IV (ll. 210-220) critica um desses engodos dos homens, a  moda , contrapondo-se à vaidade dos homens o exemplo de Santo António, que, como vestuário, se contentava com  burel e corda / as vestes franciscanas .
1. Traça-se uma analogia entre os peixes que se comem (os maiores comem os mais pequenos, o que aliás torna o caso mais grave) e os homens que também estão sempre a procurar «comer» o seu semelhante (entenda-se:  enganar ou dominar os outros ). Também se infere que são os mais  poderosos  a prejudicar os mais  frágeis .
2. Quando se diz «peixes [...] vos comeis uns aos outros» (l. 4), a acepção de «comer» que se pode considerar mais próxima é ‘ devorar ’; quando se pergunta «Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros?» (ll. 21-22), «comer» equivale a ‘ devorar ’; em «andarem buscando os homens [...] como se hão-de comer» (ll. 26-27), «comer» tem o sentido de ‘ enganar, trair, explorar ’.
3. No contexto do sermão — pregado no Maranhão, em 1654, a uma audiência de  colonos brancos  —, a referência ao sertão e aos índios (dizendo aos ouvintes que não julgassem serem os índios aqueles que o orador estava a  criticar ) visava culpabilizar os  colonos  e aludir à  exploração  que exerciam sobre os nativos.
1 / vades / vades /  vão  /Presente do Conjuntivo 1 / ouvistes  / ouvistes / ouviram /  Perfeito do Indicativo 2 / ouvi / ouvi /  ouçam / Imperativo / Presente do Conjuntivo
2 / servir-vos-ão / servir-vos-ão /  servir-lhes-ão  / Futuro do Indicativo 3 / [já que não] seja / [se não]  for  / [se não] for / Presente do Conjuntivo /  Futuro do Conjuntivo 3 / desedifica / desedifica / desedifica /  Presente do Indicativo 4 / vos comeis / vos comeis /  se comem  / Presente do Indicativo
6 / comem / comem / comem /  Presente do Indicativo 6 / fora /  fosse  /   fosse /  Mais-que-Perfeito  /Imperfeito do Conjuntivo 7 / era / era/seria /  era/seria  / Imperfeito do Indicativo / Condicional
7 / comeram /  comessem  / comessem / Mais-que-Perfeito /  Imperfeito do Conjuntivo 7 / bastara / bastava/bastaria / bastava/bastaria /  Mais-que-Perfeito  / Imperfeito do Ind. / Condicional 8 / comem / comem / comem /  Presente do Indicativo
9 / bastam /  bastam  / bastam / Presente do Indicativo 9 / olhai / olhai /  olhem  / Imperativo / Presente do Conjuntivo 10 / estranha / estranha / estranha /  Presente do Indicativo
12 / vêm a ser / vêm a ser / vêm a ser /  Presente do Indicativo Perifrástico 14 / sendo criados / sendo criados / sendo criados /  Gerúndio da Passiva
15 / vivais / vivais /  vivam  / Presente do Conjuntivo 16 / comer / comer / comer /  Infinitivo impessoal
 
 
Ler — para compreensão global — o capítulo V  do «Sermão de Santo António aos Peixes», do Padre António Vieira ( Antologia , 74-81).  Neste capítulo, o orador continua as repreensões aos peixes (mas foca-se agora em algumas espécies em particular: os roncadores, os pegadores, os voadores e o polvo).  Tenta perceber  qual é a característica que o autor mais critica a cada uma destas quatro espécies ; e  como essas caracterís-ticas, segundo o Padre António Vieira, também se manifestam nos homens .
Como já pedira também, convinha que revisses  verbos (e, em geral, matérias gramaticais ou mais «conteudísticas»  que tenhamos estudado nesta segunda parte do período).
Caso não tenhas entregado o trabalho de  publifilme  (que correspondeu aos tepecês de um mês), trata disso ainda.  (E, em última instância, se o problema tiver a ver com dificuldades técnicas, faz um anúncio apenas «radiofónico», assumindo que se destinaria a transmissão por canal de rádio.)

ApresentaçãO Para DéCimo Primeiro Ano, Aula 23

  • 1.
  • 2.
    desedificar desmoralizar, escandalizaraçougue talho legatário herdeiro pleito questão judicial gentio pagão nassa cesto para apanhar peixe pique lança chuço pau com aguilhão
  • 3.
    Nas pp. 67-68de Antologia , vamos rever o resto dos elogios aos peixes, os dois parágrafos finais da parte III do «Sermão de Santo António aos Peixes» — já víramos os louvores ao peixe de Tobias, à rémora , à raia eléctrica (ou torpedo), ao quatro-olhos .
  • 4.
    No penúltimo parágrafodesse capítulo III (ll. 188-125), elogia-se aos peixes o serem, ao contrário dos animais terrestres e das aves, o alimento dos dias de penitência , bem como o alimento exclusivo de certas ordens religiosas .
  • 5.
    O último parágrafo(ll. 206-218) volta a debruçar-se sobre uma espécie de peixes em particular, a das pescadinhas de rabo na boca , que existem em grande quantidade (ao contrário dos escassos salmões e solhos [esturjões / solhos-reis] ) e servem de sustento aos pobres .
  • 6.
    Continuaremos agora nestemiolo do «Sermão», que abrange os capítulos II a V. (O capítulo I correspondia ao exórdio ; e o capítulo VI, vê-lo-emos, à peroração .)
  • 7.
    Como o PadreAntónio Vieira já anunciara (cap. II, p. 59, l. 26), o capítulo IV ( Antologia , 68-73) vai ser de repreensão dos peixes. São dois os motivos dessa crítica: 1. os peixes comem-se uns aos outros . 2. os peixes investem cegamente ao isco .
  • 8.
    Depois de apresentarestas características dos peixes, o orador mostra que os homens incorrem nos mesmos erros: 1. Os homens são comidos por outros homens, quando morrem e quando são julgados .
  • 9.
    2. Os homensseguem cegamente os seus engodos, quando combatem por galardões e quando se deixam explorar em troca de vestuário / por pura vaidade .
  • 10.
    A parte finaldeste cap. IV (ll. 210-220) critica um desses engodos dos homens, a moda , contrapondo-se à vaidade dos homens o exemplo de Santo António, que, como vestuário, se contentava com burel e corda / as vestes franciscanas .
  • 11.
    1. Traça-se umaanalogia entre os peixes que se comem (os maiores comem os mais pequenos, o que aliás torna o caso mais grave) e os homens que também estão sempre a procurar «comer» o seu semelhante (entenda-se: enganar ou dominar os outros ). Também se infere que são os mais poderosos a prejudicar os mais frágeis .
  • 12.
    2. Quando sediz «peixes [...] vos comeis uns aos outros» (l. 4), a acepção de «comer» que se pode considerar mais próxima é ‘ devorar ’; quando se pergunta «Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros?» (ll. 21-22), «comer» equivale a ‘ devorar ’; em «andarem buscando os homens [...] como se hão-de comer» (ll. 26-27), «comer» tem o sentido de ‘ enganar, trair, explorar ’.
  • 13.
    3. No contextodo sermão — pregado no Maranhão, em 1654, a uma audiência de colonos brancos —, a referência ao sertão e aos índios (dizendo aos ouvintes que não julgassem serem os índios aqueles que o orador estava a criticar ) visava culpabilizar os colonos e aludir à exploração que exerciam sobre os nativos.
  • 14.
    1 / vades/ vades / vão /Presente do Conjuntivo 1 / ouvistes / ouvistes / ouviram / Perfeito do Indicativo 2 / ouvi / ouvi / ouçam / Imperativo / Presente do Conjuntivo
  • 15.
    2 / servir-vos-ão/ servir-vos-ão / servir-lhes-ão / Futuro do Indicativo 3 / [já que não] seja / [se não] for / [se não] for / Presente do Conjuntivo / Futuro do Conjuntivo 3 / desedifica / desedifica / desedifica / Presente do Indicativo 4 / vos comeis / vos comeis / se comem / Presente do Indicativo
  • 16.
    6 / comem/ comem / comem / Presente do Indicativo 6 / fora / fosse / fosse / Mais-que-Perfeito /Imperfeito do Conjuntivo 7 / era / era/seria / era/seria / Imperfeito do Indicativo / Condicional
  • 17.
    7 / comeram/ comessem / comessem / Mais-que-Perfeito / Imperfeito do Conjuntivo 7 / bastara / bastava/bastaria / bastava/bastaria / Mais-que-Perfeito / Imperfeito do Ind. / Condicional 8 / comem / comem / comem / Presente do Indicativo
  • 18.
    9 / bastam/ bastam / bastam / Presente do Indicativo 9 / olhai / olhai / olhem / Imperativo / Presente do Conjuntivo 10 / estranha / estranha / estranha / Presente do Indicativo
  • 19.
    12 / vêma ser / vêm a ser / vêm a ser / Presente do Indicativo Perifrástico 14 / sendo criados / sendo criados / sendo criados / Gerúndio da Passiva
  • 20.
    15 / vivais/ vivais / vivam / Presente do Conjuntivo 16 / comer / comer / comer / Infinitivo impessoal
  • 21.
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    Ler — paracompreensão global — o capítulo V do «Sermão de Santo António aos Peixes», do Padre António Vieira ( Antologia , 74-81). Neste capítulo, o orador continua as repreensões aos peixes (mas foca-se agora em algumas espécies em particular: os roncadores, os pegadores, os voadores e o polvo). Tenta perceber qual é a característica que o autor mais critica a cada uma destas quatro espécies ; e como essas caracterís-ticas, segundo o Padre António Vieira, também se manifestam nos homens .
  • 24.
    Como já pediratambém, convinha que revisses verbos (e, em geral, matérias gramaticais ou mais «conteudísticas» que tenhamos estudado nesta segunda parte do período).
  • 25.
    Caso não tenhasentregado o trabalho de publifilme (que correspondeu aos tepecês de um mês), trata disso ainda. (E, em última instância, se o problema tiver a ver com dificuldades técnicas, faz um anúncio apenas «radiofónico», assumindo que se destinaria a transmissão por canal de rádio.)