SlideShare uma empresa Scribd logo
Nós
matamos o
Cão
Tinhoso!
Luís Bernardo Honwana
Introdução
“Nós matamos o Cão Tinhoso!” é um livro do autor moçambicano
Luís Bernardo Honwana. Lançado em sua primeira edição em
1964, a obra traz 7 contos que contam histórias de personagens
em situações de opressões, dado a posição do país como colônia
de Portugal. A maior parte dos contos é narrada pela visão de
crianças e traz um olhar sensível e ingênuo sobre as situações de
opressão do cotidiano do povo moçambicano, cabendo ao leitor
criar significado para os assuntos tratados.
A edição brasileira lançada em 2017 traz, além dos 7 contos, o
conto “Rosita, até morrer”, nunca antes lançada em livro.
Moçambique
Localizada no litoral sudeste do continente
africano, Moçambique é uma nação que fica
voltada para o Oceano Índico e que, até o ano
de 1975, foi colônia portuguesa e tem o
português como idioma oficial. O território faz
fronteira com os países Tanzânia, Maláui,
Zâmbia, Zimbábue, Essuatíni e África do Sul.
Sua capital, Maputo, antes da independência
do país, chamava-se Lourenço Marques e era
conhecida como "joia da colônia".
Conferência de Berlim
Cerca de 400 anos de
Colonização
Influência inglesa
O Apartheid
Desigualdade social
Fatos importantes:
Em 1884/1885 acontece a Conferência de Berlim, marco importante da
divisão arbitrária e artificial dos territórios do continente africano entre
as potências da época, principalmente França, Inglaterra e Portugal.
Por conta do grande domínio inglês no território africano, mesmo
Moçambique sendo colônia portuguesa, o país foi fortemente
influênciado pelos britânicos.
Os portugueses chegaram à Moçambique em cerca de 1498 e o país
obteve sua independência apenas em 1975.
O regime de segregação racial imposto na África do Sul faz com que
sua elite (branca) vá até Moçambique em busca dos prostíbulos,
consequentemente, a exploração sexual vira modo de sustento para
parte da população moçambicana.
O país sempre teve sua mão de obra amplamente explorada,
principalmente no trabalho compulsório em minas e no campo. As
desigualdades trabalhistas ainda não foram superadas pelo país.
O autor
Nasceu em 12 de novembro de 1942, em Chamanculo,
subúrbio da cidade de Maputo (Lourenço Marques, no
período colonial), e cresceu em Moamba, cidade do
interior, onde seu pai trabalhava como intérprete.
Em 1964, mesmo ano do lançamento de Nós matamos
o Cão Tinhoso!, Honwana, militante da FRELIMO
(Frente de Libertação de Moçambique), foi preso por
atividades anticolonialismo, e permaneceu
encarcerado por quatro anos.
Em 1970 vai para Portugal estudar Direto. Após a
independência do país, em 1975, o autor assume
cargos políticos e importantes posições na luta pelo
direito de livre expressão.
https://www.planocritico.com/critica-nos-matamos-o-cao-tinhoso-de-luis-bernardo-honwana/
“Honwana irá imprimir em sua obra um tom de dominação,
opressão, relação de forças desiguais e tudo isso marcado por
uma imensa capacidade de evocação de imagens fortes e
sentimentais numa narrativa objetiva e exposta em pequenos
ciclos, muitas vezes denotando uma perturbação do narrador
ao retornar a determinados termos, situação que muitas vezes
também é a do leitor.”
Os Contos
Nós matamos o Cão Tinhoso!
Inventário de imóveis e jacentes
Dina
A velhota
Papá, cobra e eu
As mãos dos pretos
Nhinguitimo
Rosita, até morrer
Nós matamos o Cão Tinhoso!
“O Cão Tinhoso tinha uns olhos azuis que não tinham brilho nenhum, mas eram
enormes e estavam sempre cheios de lágrimas, que lhe escorriam pelo focinho.
Metiam medo aqueles olhos, assim tão grandes, a olhar como uma pessoa a pedir
qualquer coisa sem querer dizer.“
O Cão Tinhoso era um cachorro que andava nas proximidades da escola e que era
desprezado por todos pelo seu aspecto físico, com exceção de Isaura, que o alimenta
e cuida dele.
Em certo ponto, o Senhor Administrador, ao estar nervoso por perder uma partida de
cartas, pede ao Doutor da Veterinária que acaba com o Cão. O Veterinário por sua
vez, pede à malta* que dê uns tirinhos e mate o cachorro. Ginho, o menino-narrador do
conto, acaba por se compadecer pelo cachorro e pede ao Quim, ~líder do grupo~, que
não o mate e deixe que o menino cuide dele. O cão acaba morto numa cena em que
Isaura tenta o proteger, mas que os meninos da malta atiram inúmeras vezes.
*malta: turma
“O cão tinhoso serve de figura para o regime colonial apodrecido,
nojento; mas também traz a imagem do negro africano visto da
mesma forma, e que por incomodar demais (lembremos do período
em que o conto foi escrito), precisa ser morto. Aqui, a ação descrita no
título serve como um choque de amadurecimento para os meninos e
para a Isaura, que tanto zelou pelo bicho. Um rito de passagem
armado, contra uma vida e a mando de terceiros. Certamente o
produto de um tempo de guerra e que esclarece a forma como aquele
período moldava mentalidades, expunha verdades sociais e criava a
figura de um cão tinhoso histórico, que em breve entraria para os
livros como vítimas da guerra, sendo seus algozes perdoados porque
só estavam ali, de armas em punho, a mando de uma autoridade
maior. No fim das contas, as ordens para o massacre se perdem,
viram ecos. Os mortos, viram história. E seus descendentes, seguem
convidados a trocar resolução de problemas por desenhos…”
https://www.planocritico.com/critica-nos-matamos-o-cao-tinhoso-de-luis-bernardo-honwana/
Os olhos do Cão
Antropoformização
Estrutura social
Moleques do Costa
Assimetrias raciais
Pontos importantes a se refletir:
Os olhos azuis do Cão podem fazer referência aos brancos
colonizadores, também o desprezo de todos e a união para se acabar
com ele servem de apoio para essa teoria.
Marcada pelos nomes de algumas personagens como a Senhora
Professora, Senhor Administrador, Doutor Veterinário e outros, pode-se
entender o esquema dessa sociedade e as formas de opressão dada
algumas funções.
O Cão é descrito com características humanas e até tem atos um
pouco humanos. (Em contraste com Ginho, que ligado ao Cão pela
corda, acaba confundindo seus sentimentos com os do animal.
Se trata de negros não assimilados que não falam o português
corrente, como demonstrado em suas falas.
Demonstrada pelas personagens de outras etnias e pelo seu modo de
lidar com o menino Ginho, com Isaura e com os molesques do Costa.
Inventário de imóveis e jacentes
Nesse segundo conto, Ginho descreve a casa em que mora com os pais e seis
irmãos. Além de descrever cada cômodo, com seus objetos e móveis, Ginho
também conta um pouco da dinâmica e da história de sua família.
Dina
Dina conta a história de Madala*, um homem idoso que trabalha colhendo milho em
uma machamba*. Na hora do almoço (Dina), os trabalhadores se juntam para almoçar,
conversar e descansar do trabalho árduo que efetuam. Enquanto estão aproveitando o
dina, Maria, filha de Madala, vem visitar o pai e os dois conversam sobre a situação da
família. Madala pensa sobre a reputação da sua filha e se envergonha e se entristece,
pois ela se deita com muitos homens e, assim, nenhum iria querer casar-se com ela. O
capataz, sem perceber de quem Maria é filha, a puxa para dentro do matagal em
frente a todos e os dois ficam juntos. Indignados, os outros trabalhadores dizem ao
velho que se ele quisesse, eles se rebelariam contra o capataz em solidariedade. Porém
o velho, cansado, triste e resignado não tem forças para se indignar com os
companheiros mais jovens. Após ficarem juntos, Maria explica de quem é filha e então
o capataz dá uma garrafa de álcool como pedido de desculpas ao velho, que bebe
tudo. Um dos trabalhadores jovens se nega a voltar ao trabalho, e o capataz quebra
uma garrafa em sua cabeça, depois disso, os trabalhadores todos voltam a trabalhar e
esperar pelo próximo dina.
*Madala: velho, ancião
*machamba: campo, terra de cultivo
A velhota
Um rapaz retorna para sua casa depois de apanhar na rua. Ao chegar, encontra a
velhota, sua mãe, dando de comer aos irmãos mais novos. A mãe insiste que coma
e ele insiste que não tem fome, e mesmo que quisesse, só havia arroz queimado
para ele e sua mãe comerem. Percebendo a estranhesa e irritação do filho, a
velhota pergunta a ele se lhe bateram. Os irmãos aproximam-se querendou ouvir
o relato, mas o rapaz, querendo proteger a inocência das crianças, não quer
contar lhes sobre como o mundo é injusto, destruindo e arracando tudo de
pessoas como eles. Deitado no colo da mãe, o rapaz encontra consolo, amor e
alguma esperança de que no futuro tudo seria diferente.
Papá, cobra e eu
Ginho conta a história de um dia em que o pai encontra uma cobra na copoeira. A mãe
quer que o pai mate o animal, já que este estava comendo as galinhas da família, e
pela possibilidade das crianças serem atacadas. O pai diz que resolveria o problema
no dia seguinte e vai para o trabalho. Ginho resolve entrar na capoeira para observar a
cobra, e, talvez, matá-la sozinho. Seu irmão Nandito o segue e fica muito assustando
quando vê a cobra, não conseguindo sair do lugar. O cachorro da família Totó e Lobo,
cachorro do vizinho branco, também seguem os meninos, ao adentrar o local os cães se
assustam com a cobra e começam a latir, eventualmente, Lobo é picado e acaba
morrendo. Ginho e Madunana, empregado da família, matam a cobra, porém, mais
tarde, com a chegada do pai em casa, o Senhor Castro vem cobrar a morte de seu
cão, ameaçando a família se uma quantia em dinheiro não fosse paga. Ginho fica
triste ao ver seu pai sendo humilhado e não reage. O Pai explica ao filho que as vezes
é preciso baixar a cabeça mas que lutar também é necessário.
As mãos dos pretos
Ginho conta sobre suas investigações acerca do fato das palmas das mãos
dos pretos serem mais claras que o restante de seus corpos. Entre concepções
religiosas, histórias preconceituosas, piadas e causos, é a mãe do menino que
lhe dá a explicação mais verdadeira sobre a questão.
“A minha mãe é a única que deve ter razão sobre essa questão das mãos dos pretos serem mais claras do
que o resto do corpo. No outro dia em que falámos nisso, eu e ela, estava-lhe eu ainda a contar o que já
sabia dessa questão e ela já estava farta de rir. O que achei esquisito foi que ela não me dissesse logo o
que pensava disso tudo, quando eu quis saber, e só tivesse respondido depois de se fartar de ver que eu
não me cansava de insistir sobre a coisa, e esmo até chorar, agarrada à barriga como quem não pode mais
de tanto rir. O que ela disse foi mais sou menos isto:
- Deus fez os pretos porque tinha de os haver. Tinha de os haver, meu filho, Ele pensou que realmente tinha
de os haver…. Depois arrependeu-se de os ter feito porque os outros homens se riam deles e levavam-nos
para casa deles para os pôr a servir de escravos ou pouco mais. Mas como Ele já não os pudesse fazer
ficar todos brancos, porque os que já se tinham habituados a vê-los pretos reclamariam, fez com que as
palmas das mãos deles ficassem exactamente como as palmas das mãos dos outros homens. E sabes
porque é que foi? Claro que não sabes e não admira porque muitos e muitos não sabem. Pois olha: foi para
mostrar que o que os homens fazem é apenas obra dos homens…Que o que os homens fazem é efeito por
mãos iguais, mãos de pessoas que se tivessem juízo sabem que antes de serem qualquer outra coisa são
homens. Deve ter sido a pensar assim que Ele fez com que as mãos dos pretos fossem iguais às mãos dos
homens que dão graças a Deus por não serem pretos.
Depois de dizer isso tudo, a minha mãe beijou-me as mãos.
Quando fui para o quintal, para jogar à bola, ia a pensar que nunca tinha visto uma pessoa a chorar tanto
sem que ninguém lhe tivesse batido.”
HONWANA, Luís Bernando. Nós matamos o cão Tinhoso. São Paulo: Editora Kapulana, 2017.
Nhinguitimo
Conhecemos a história de Virgula Oito, trabalhador da machambra do
Rodrigues, também possui terras de família que são muito férteis. Ele
pretende lucrar muito com essas após a vinda do nhinguitimo, um vento
forte que destruirá as grandes plantações dos patrões ricos. Incomodado
com a possibilidade de um trabalhador negro prosperar, Rodrigues escuta
sobre as terras de Virgula Oito, e fala aos administradores da província,
que acabam retirando-as do trabalhador. Com a chegada do vento forte,
Virgula Oito perde o controle e mata vários companheiros de trabalho da
machambra e também o capataz.
Rosita, até morrer
(Conto epistolar)* Rosita pede a um amigo que escreva uma carta a Manuel
ditada por ela. Usando um português típico das camadas mais pobre de
Moçambique, Rosita diz sentir saudades de Manuel, que a deixou para ficar
com outra moça mas que acabou sendo abandonado. Na carta rosita pede que
ele retorne e diz que o perdoa por ter a tratado mal.
*Epistolar se refere ao gênero textual carta, a uma escrita dirigida
Narração
Oralidade
Tempo das estórias
Intersecções de temas
Principais assuntos
Observe:
Os contos são narrados em primeira pessoa, com exceção do conto
“Dina”, que é o único em terceira (narrador onisciente). Quatro, dos
oito contos, são narrados por crianças, mostrando sua ingenuidade
sobre alguns assuntos.
Todas as narrativas se passam no período em que Moçambique ainda
era colônia de Portugal.
Inúmeras falas orais aparecem pelo livro, chamando atenção para a
originalidade e marcas autorais de Luís Bernardo H.
Observar a loucura de Isaura (loucura em Quincas Borba), a truculência
dos portugueses (em A velhota e também em Romanceiro da
Inconfidência), a figura do cachorro (Nós matamos o Cão T., Quincas
Borba, Tubarão em Angústia, os cachorros de Campo Geral).
A opressão dos trabalhadores, a desigualdade social, os preconceitos
raciais, a violência contra as mulheres, a pobreza e a exploração das
populações aparecem como temas a serem observados em toda a
obra.
Referências:
Biografia de Honwana: https://www.kapulana.com.br/luis-bernardo-honwana/
HONWANA, Luís Bernando. Nós matamos o cão Tinhoso. São Paulo: Editora Kapulana,
2017.
Resumo dos contos. Locução de Gustavo Bacci: https://www.youtube.com/watch?
v=h5h5isW4s-U&t=7s
Informações sobre Moçambique:
https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/mocambique.htm
Comentários sobre Nós matamos o Cão Tinhoso!: https://www.planocritico.com/critica-
nos-matamos-o-cao-tinhoso-de-luis-bernardo-honwana/

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

A velha e os lobos
A velha e os lobosA velha e os lobos
A velha e os lobos
Adélia José
 
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás  Cubas Memórias Póstumas de Brás  Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Cláudia Heloísa
 
Dia Mundial da Árvore e da Floresta
Dia Mundial da Árvore e da FlorestaDia Mundial da Árvore e da Floresta
Dia Mundial da Árvore e da Floresta
ana paula dias
 
Texto o homem trocado
Texto o homem trocadoTexto o homem trocado
Texto o homem trocado
Marilza Fuentes
 
O caso da vara
O caso da varaO caso da vara
O caso da vara
lucas_12
 
O triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismo
O triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismoO triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismo
O triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismo
Mirelle Ferreira
 
O cortiço
O cortiçoO cortiço
O cortiço
Aniela Condak
 
O pequeno príncipe
O pequeno príncipeO pequeno príncipe
O pequeno príncipe
João Lopes
 
ENGENHARIA GENÉTICA
ENGENHARIA GENÉTICAENGENHARIA GENÉTICA
ENGENHARIA GENÉTICA
Vitor Manuel de Carvalho
 
Apresentação soi
Apresentação   soiApresentação   soi
Apresentação soi
Janeide de Gois
 
Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...
Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...
Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...
Vida Mental Consultoria de Saúde Mental e Nutricional
 
Machado de Assis - Trabalho
Machado de Assis - TrabalhoMachado de Assis - Trabalho
Machado de Assis - Trabalho
ClebersonRibeiro5
 
Os miseráveis
Os miseráveisOs miseráveis
Os miseráveis
acheiotexto
 
Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)
Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)
Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)
Isa ...
 
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANA
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANAORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANA
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANA
araujo94
 
GenéTica
GenéTicaGenéTica
GenéTica
Claudia Correia
 
Missa do galo
Missa do galoMissa do galo
Missa do galo
MarcelleQueiroz
 
Aula 6 replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteica
Aula 6   replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteicaAula 6   replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteica
Aula 6 replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteica
Nayara de Queiroz
 
Genetica importante
Genetica importanteGenetica importante
Genetica importante
Lima Gomes
 
Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado
Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado
Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado
Joyce de Oliveira
 

Mais procurados (20)

A velha e os lobos
A velha e os lobosA velha e os lobos
A velha e os lobos
 
Memórias Póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás  Cubas Memórias Póstumas de Brás  Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas
 
Dia Mundial da Árvore e da Floresta
Dia Mundial da Árvore e da FlorestaDia Mundial da Árvore e da Floresta
Dia Mundial da Árvore e da Floresta
 
Texto o homem trocado
Texto o homem trocadoTexto o homem trocado
Texto o homem trocado
 
O caso da vara
O caso da varaO caso da vara
O caso da vara
 
O triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismo
O triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismoO triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismo
O triste fim de Policarpo Quaresma- contextualização com o pré-modernismo
 
O cortiço
O cortiçoO cortiço
O cortiço
 
O pequeno príncipe
O pequeno príncipeO pequeno príncipe
O pequeno príncipe
 
ENGENHARIA GENÉTICA
ENGENHARIA GENÉTICAENGENHARIA GENÉTICA
ENGENHARIA GENÉTICA
 
Apresentação soi
Apresentação   soiApresentação   soi
Apresentação soi
 
Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...
Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...
Caso Clínico de Esquizofrenia: discussão multiprofissional no hospital psiqui...
 
Machado de Assis - Trabalho
Machado de Assis - TrabalhoMachado de Assis - Trabalho
Machado de Assis - Trabalho
 
Os miseráveis
Os miseráveisOs miseráveis
Os miseráveis
 
Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)
Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)
Quem soltou o Pum (Livro adaptado em fonte ampliada para alunos baixa visão)
 
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANA
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANAORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANA
ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS - BANANA
 
GenéTica
GenéTicaGenéTica
GenéTica
 
Missa do galo
Missa do galoMissa do galo
Missa do galo
 
Aula 6 replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteica
Aula 6   replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteicaAula 6   replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteica
Aula 6 replicação do dna, transcrição do rna e síntese proteica
 
Genetica importante
Genetica importanteGenetica importante
Genetica importante
 
Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado
Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado
Intertextualidade na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Adélia Prado
 

Semelhante a análise obra Nós matamos o cão Tinhoso.pdf

Negrinha 3ª B - 2011
Negrinha 3ª B  -  2011Negrinha 3ª B  -  2011
Revista literatas edição 9
Revista literatas   edição 9Revista literatas   edição 9
Revista literatas edição 9
Eng. Marcelo Soriano
 
Monteiro Lobato e Lima Barreto
Monteiro Lobato e Lima BarretoMonteiro Lobato e Lima Barreto
Monteiro Lobato e Lima Barreto
CristhianeGuimaraes
 
Atividade 02
Atividade 02Atividade 02
Atividade 02
Reberth Siqueira
 
Urupês
UrupêsUrupês
Segundo momento modernista prosa
Segundo momento modernista  prosaSegundo momento modernista  prosa
Segundo momento modernista prosa
Ana Batista
 
Sagarana
SagaranaSagarana
Sagarana
Bia Buganeme
 
1º resumo lp
1º resumo lp1º resumo lp
1º resumo lp
Ana Borges
 
18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]
18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]
18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]
Tatiane Pechiori
 
Livros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileiraLivros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileira
Gabriel Martins
 
Fogo Morto - Apresentação
Fogo Morto - ApresentaçãoFogo Morto - Apresentação
Fogo Morto - Apresentação
Antonio Minharro
 
Trabalho de literatura
Trabalho de literaturaTrabalho de literatura
Trabalho de literatura
Allan Gabriel
 
Trabalho de literatura
Trabalho de literaturaTrabalho de literatura
Trabalho de literatura
Allan Gabriel
 
Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...
Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...
Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...
Ana Carolina Ribeiro
 
Vidas secas graciliano ramos (1)
Vidas secas   graciliano ramos (1)Vidas secas   graciliano ramos (1)
Vidas secas graciliano ramos (1)
Maria Inês de Souza Vitorino Justino
 
Vidas secas - Graciliano Ramos
Vidas secas - Graciliano RamosVidas secas - Graciliano Ramos
Vidas secas - Graciliano Ramos
Gustavo de Melo
 
Sagarana - material de estudo
Sagarana - material de estudoSagarana - material de estudo
Sagarana - material de estudo
rafabebum
 
Lygia Fagundes Telles
Lygia Fagundes TellesLygia Fagundes Telles
Lygia Fagundes Telles
cvp
 
Til 3ª C 2013
Til 3ª C 2013Til 3ª C 2013
Til 3ª C - 2013
Til 3ª C -  2013Til 3ª C -  2013

Semelhante a análise obra Nós matamos o cão Tinhoso.pdf (20)

Negrinha 3ª B - 2011
Negrinha 3ª B  -  2011Negrinha 3ª B  -  2011
Negrinha 3ª B - 2011
 
Revista literatas edição 9
Revista literatas   edição 9Revista literatas   edição 9
Revista literatas edição 9
 
Monteiro Lobato e Lima Barreto
Monteiro Lobato e Lima BarretoMonteiro Lobato e Lima Barreto
Monteiro Lobato e Lima Barreto
 
Atividade 02
Atividade 02Atividade 02
Atividade 02
 
Urupês
UrupêsUrupês
Urupês
 
Segundo momento modernista prosa
Segundo momento modernista  prosaSegundo momento modernista  prosa
Segundo momento modernista prosa
 
Sagarana
SagaranaSagarana
Sagarana
 
1º resumo lp
1º resumo lp1º resumo lp
1º resumo lp
 
18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]
18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]
18012180 negrinha-resumo-dos-contos[1]
 
Livros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileiraLivros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileira
 
Fogo Morto - Apresentação
Fogo Morto - ApresentaçãoFogo Morto - Apresentação
Fogo Morto - Apresentação
 
Trabalho de literatura
Trabalho de literaturaTrabalho de literatura
Trabalho de literatura
 
Trabalho de literatura
Trabalho de literaturaTrabalho de literatura
Trabalho de literatura
 
Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...
Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...
Breve análise do conto "Alguma coisa urgentemente" do escritor João Gilberto ...
 
Vidas secas graciliano ramos (1)
Vidas secas   graciliano ramos (1)Vidas secas   graciliano ramos (1)
Vidas secas graciliano ramos (1)
 
Vidas secas - Graciliano Ramos
Vidas secas - Graciliano RamosVidas secas - Graciliano Ramos
Vidas secas - Graciliano Ramos
 
Sagarana - material de estudo
Sagarana - material de estudoSagarana - material de estudo
Sagarana - material de estudo
 
Lygia Fagundes Telles
Lygia Fagundes TellesLygia Fagundes Telles
Lygia Fagundes Telles
 
Til 3ª C 2013
Til 3ª C 2013Til 3ª C 2013
Til 3ª C 2013
 
Til 3ª C - 2013
Til 3ª C -  2013Til 3ª C -  2013
Til 3ª C - 2013
 

Mais de MaiteFerreira4

naturalismo - Literatura brasileira - Aula
naturalismo - Literatura brasileira - Aulanaturalismo - Literatura brasileira - Aula
naturalismo - Literatura brasileira - Aula
MaiteFerreira4
 
mapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestre
mapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestremapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestre
mapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestre
MaiteFerreira4
 
Título em textos dissertativos argumentativos
Título em textos dissertativos argumentativosTítulo em textos dissertativos argumentativos
Título em textos dissertativos argumentativos
MaiteFerreira4
 
Literatura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.pptLiteratura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.ppt
MaiteFerreira4
 
análise de redação completa - Dissertação
análise de redação completa - Dissertaçãoanálise de redação completa - Dissertação
análise de redação completa - Dissertação
MaiteFerreira4
 
Mapas mentais_Literatura_século XIX .pdf
Mapas mentais_Literatura_século XIX .pdfMapas mentais_Literatura_século XIX .pdf
Mapas mentais_Literatura_século XIX .pdf
MaiteFerreira4
 
Regras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdf
Regras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdfRegras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdf
Regras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdf
MaiteFerreira4
 
Coesão e Coerência textual - material
Coesão  e Coerência  textual  - materialCoesão  e Coerência  textual  - material
Coesão e Coerência textual - material
MaiteFerreira4
 
AULA DE RENASCIMENTO CULTURAL final.ppt
AULA DE  RENASCIMENTO CULTURAL final.pptAULA DE  RENASCIMENTO CULTURAL final.ppt
AULA DE RENASCIMENTO CULTURAL final.ppt
MaiteFerreira4
 
análise de redação completa- modelo Enem.pdf
análise de redação completa- modelo Enem.pdfanálise de redação completa- modelo Enem.pdf
análise de redação completa- modelo Enem.pdf
MaiteFerreira4
 
Prólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdf
Prólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdfPrólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdf
Prólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdf
MaiteFerreira4
 
Estudos para avaliação SAEGO Língua portuguesa
Estudos para avaliação SAEGO Língua portuguesaEstudos para avaliação SAEGO Língua portuguesa
Estudos para avaliação SAEGO Língua portuguesa
MaiteFerreira4
 
Gêneros Literários Completo com exercícios
Gêneros Literários Completo com exercíciosGêneros Literários Completo com exercícios
Gêneros Literários Completo com exercícios
MaiteFerreira4
 
parÁgrafo concursos.ppt
parÁgrafo concursos.pptparÁgrafo concursos.ppt
parÁgrafo concursos.ppt
MaiteFerreira4
 
revisc3a3o-literc3a1ria.ppt
revisc3a3o-literc3a1ria.pptrevisc3a3o-literc3a1ria.ppt
revisc3a3o-literc3a1ria.ppt
MaiteFerreira4
 
estilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.ppt
estilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.pptestilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.ppt
estilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.ppt
MaiteFerreira4
 
Livro - Capitães da areia.pdf
Livro - Capitães da areia.pdfLivro - Capitães da areia.pdf
Livro - Capitães da areia.pdf
MaiteFerreira4
 
Definição de Arte_Arte como linguagem.PDF
Definição de Arte_Arte como linguagem.PDFDefinição de Arte_Arte como linguagem.PDF
Definição de Arte_Arte como linguagem.PDF
MaiteFerreira4
 
11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf
11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf
11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf
MaiteFerreira4
 
1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt
1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt
1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt
MaiteFerreira4
 

Mais de MaiteFerreira4 (20)

naturalismo - Literatura brasileira - Aula
naturalismo - Literatura brasileira - Aulanaturalismo - Literatura brasileira - Aula
naturalismo - Literatura brasileira - Aula
 
mapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestre
mapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestremapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestre
mapas mentais_LITERATURA 1ª série - 2º bimestre
 
Título em textos dissertativos argumentativos
Título em textos dissertativos argumentativosTítulo em textos dissertativos argumentativos
Título em textos dissertativos argumentativos
 
Literatura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.pptLiteratura Brasileira - escolas literárias.ppt
Literatura Brasileira - escolas literárias.ppt
 
análise de redação completa - Dissertação
análise de redação completa - Dissertaçãoanálise de redação completa - Dissertação
análise de redação completa - Dissertação
 
Mapas mentais_Literatura_século XIX .pdf
Mapas mentais_Literatura_século XIX .pdfMapas mentais_Literatura_século XIX .pdf
Mapas mentais_Literatura_século XIX .pdf
 
Regras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdf
Regras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdfRegras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdf
Regras - escansão de versos _ METRIFICAÇÃO.pdf
 
Coesão e Coerência textual - material
Coesão  e Coerência  textual  - materialCoesão  e Coerência  textual  - material
Coesão e Coerência textual - material
 
AULA DE RENASCIMENTO CULTURAL final.ppt
AULA DE  RENASCIMENTO CULTURAL final.pptAULA DE  RENASCIMENTO CULTURAL final.ppt
AULA DE RENASCIMENTO CULTURAL final.ppt
 
análise de redação completa- modelo Enem.pdf
análise de redação completa- modelo Enem.pdfanálise de redação completa- modelo Enem.pdf
análise de redação completa- modelo Enem.pdf
 
Prólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdf
Prólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdfPrólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdf
Prólogo - Semente de sangue_ Gabriel Yared_Amapá.pdf
 
Estudos para avaliação SAEGO Língua portuguesa
Estudos para avaliação SAEGO Língua portuguesaEstudos para avaliação SAEGO Língua portuguesa
Estudos para avaliação SAEGO Língua portuguesa
 
Gêneros Literários Completo com exercícios
Gêneros Literários Completo com exercíciosGêneros Literários Completo com exercícios
Gêneros Literários Completo com exercícios
 
parÁgrafo concursos.ppt
parÁgrafo concursos.pptparÁgrafo concursos.ppt
parÁgrafo concursos.ppt
 
revisc3a3o-literc3a1ria.ppt
revisc3a3o-literc3a1ria.pptrevisc3a3o-literc3a1ria.ppt
revisc3a3o-literc3a1ria.ppt
 
estilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.ppt
estilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.pptestilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.ppt
estilos-de-c3a9poca-na-literatura-brasileira.ppt
 
Livro - Capitães da areia.pdf
Livro - Capitães da areia.pdfLivro - Capitães da areia.pdf
Livro - Capitães da areia.pdf
 
Definição de Arte_Arte como linguagem.PDF
Definição de Arte_Arte como linguagem.PDFDefinição de Arte_Arte como linguagem.PDF
Definição de Arte_Arte como linguagem.PDF
 
11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf
11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf
11527785-tipologias-e-os-generos-textuais.pdf
 
1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt
1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt
1ano_a-literatura-e-suas-func3a7c3b5es.ppt
 

Último

(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE
(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE
(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE
Pr Davi Passos - Estudos Bíblicos
 
MAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdf
MAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdfMAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdf
MAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdf
GracinhaSantos6
 
Vivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptx
Vivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptxVivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptx
Vivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptx
Mauricio Alexandre Silva
 
Dicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de curso
Dicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de cursoDicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de curso
Dicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de curso
Simone399395
 
CD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdf
CD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdfCD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdf
CD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdf
Manuais Formação
 
O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4
O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4
O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4
DouglasMoraes54
 
Copia de cartilla de portugués 1 2024.pdf
Copia de cartilla de portugués 1 2024.pdfCopia de cartilla de portugués 1 2024.pdf
Copia de cartilla de portugués 1 2024.pdf
davidreyes364666
 
O século XVII e o nascimento da pedagogia.pptx
O século XVII e o nascimento da pedagogia.pptxO século XVII e o nascimento da pedagogia.pptx
O século XVII e o nascimento da pedagogia.pptx
geiseortiz1
 
Atividade Bio evolução e especiação .docx
Atividade Bio evolução e especiação .docxAtividade Bio evolução e especiação .docx
Atividade Bio evolução e especiação .docx
MARCELARUBIAGAVA
 
Apostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdf
Apostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdfApostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdf
Apostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdf
bmgrama
 
3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf
3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf
3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf
AdrianoMontagna1
 
formação - 2º ano São José da Tapera ...
formação - 2º ano São José da Tapera ...formação - 2º ano São José da Tapera ...
formação - 2º ano São José da Tapera ...
JakiraCosta
 
Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...
Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...
Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...
fran0410
 
Razonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdf
Razonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdfRazonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdf
Razonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdf
Demetrio Ccesa Rayme
 
Slides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptxSlides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
Mary Alvarenga
 
UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...
UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...
UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...
Manuais Formação
 
Primeira fase do modernismo Mapa Mental.pdf
Primeira fase do modernismo Mapa Mental.pdfPrimeira fase do modernismo Mapa Mental.pdf
Primeira fase do modernismo Mapa Mental.pdf
Maurício Bratz
 
Aula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdf
Aula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdfAula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdf
Aula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdf
AntonioAngeloNeves
 
Tabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasn
Tabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasnTabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasn
Tabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasn
CarlosJean21
 

Último (20)

(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE
(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE
(44-ESTUDO - LUCAS) A ESPIRITUALIDADE EM CRISE NO VALE
 
MAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdf
MAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdfMAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdf
MAPAS MENTAIS Conhecimentos Pedagógicos - ATUALIZADO 2024 PROF. Fernanda.pdf
 
Vivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptx
Vivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptxVivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptx
Vivendo a Arquitetura Salesforce - 02.pptx
 
Dicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de curso
Dicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de cursoDicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de curso
Dicas de normas ABNT para trabalho de conclusão de curso
 
CD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdf
CD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdfCD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdf
CD_B2_C_Criar e Editar Conteúdos Digitais_índice.pdf
 
O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4
O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4
O Profeta Jeremias - A Biografia de Jeremias.pptx4
 
Copia de cartilla de portugués 1 2024.pdf
Copia de cartilla de portugués 1 2024.pdfCopia de cartilla de portugués 1 2024.pdf
Copia de cartilla de portugués 1 2024.pdf
 
O século XVII e o nascimento da pedagogia.pptx
O século XVII e o nascimento da pedagogia.pptxO século XVII e o nascimento da pedagogia.pptx
O século XVII e o nascimento da pedagogia.pptx
 
Atividade Bio evolução e especiação .docx
Atividade Bio evolução e especiação .docxAtividade Bio evolução e especiação .docx
Atividade Bio evolução e especiação .docx
 
Apostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdf
Apostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdfApostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdf
Apostila-Microbiologia-e-Parasitologia-doc.pdf
 
3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf
3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf
3ª série HIS - PROVA PAULISTA DIA 1 - 1º BIM-24.pdf
 
formação - 2º ano São José da Tapera ...
formação - 2º ano São José da Tapera ...formação - 2º ano São José da Tapera ...
formação - 2º ano São José da Tapera ...
 
Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...
Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...
Telepsiquismo Utilize seu poder extrassensorial para atrair prosperidade (Jos...
 
Razonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdf
Razonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdfRazonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdf
Razonamiento Matematico 6to Primaria MA6 Ccesa007.pdf
 
Slides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptxSlides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptx
Slides Lição 12, Betel, Ordenança para amar o próximo, 2Tr24.pptx
 
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.Caça-palavaras  e cruzadinha  - Dígrafos.
Caça-palavaras e cruzadinha - Dígrafos.
 
UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...
UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...
UFCD_7211_Os sistemas do corpo humano_ imunitário, circulatório, respiratório...
 
Primeira fase do modernismo Mapa Mental.pdf
Primeira fase do modernismo Mapa Mental.pdfPrimeira fase do modernismo Mapa Mental.pdf
Primeira fase do modernismo Mapa Mental.pdf
 
Aula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdf
Aula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdfAula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdf
Aula 02 - Introducao a Algoritmos.pptx.pdf
 
Tabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasn
Tabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasnTabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasn
Tabela Funções Orgânicas.pdfnsknsknksnksn nkasn
 

análise obra Nós matamos o cão Tinhoso.pdf

  • 2. Introdução “Nós matamos o Cão Tinhoso!” é um livro do autor moçambicano Luís Bernardo Honwana. Lançado em sua primeira edição em 1964, a obra traz 7 contos que contam histórias de personagens em situações de opressões, dado a posição do país como colônia de Portugal. A maior parte dos contos é narrada pela visão de crianças e traz um olhar sensível e ingênuo sobre as situações de opressão do cotidiano do povo moçambicano, cabendo ao leitor criar significado para os assuntos tratados. A edição brasileira lançada em 2017 traz, além dos 7 contos, o conto “Rosita, até morrer”, nunca antes lançada em livro.
  • 3. Moçambique Localizada no litoral sudeste do continente africano, Moçambique é uma nação que fica voltada para o Oceano Índico e que, até o ano de 1975, foi colônia portuguesa e tem o português como idioma oficial. O território faz fronteira com os países Tanzânia, Maláui, Zâmbia, Zimbábue, Essuatíni e África do Sul. Sua capital, Maputo, antes da independência do país, chamava-se Lourenço Marques e era conhecida como "joia da colônia".
  • 4. Conferência de Berlim Cerca de 400 anos de Colonização Influência inglesa O Apartheid Desigualdade social Fatos importantes: Em 1884/1885 acontece a Conferência de Berlim, marco importante da divisão arbitrária e artificial dos territórios do continente africano entre as potências da época, principalmente França, Inglaterra e Portugal. Por conta do grande domínio inglês no território africano, mesmo Moçambique sendo colônia portuguesa, o país foi fortemente influênciado pelos britânicos. Os portugueses chegaram à Moçambique em cerca de 1498 e o país obteve sua independência apenas em 1975. O regime de segregação racial imposto na África do Sul faz com que sua elite (branca) vá até Moçambique em busca dos prostíbulos, consequentemente, a exploração sexual vira modo de sustento para parte da população moçambicana. O país sempre teve sua mão de obra amplamente explorada, principalmente no trabalho compulsório em minas e no campo. As desigualdades trabalhistas ainda não foram superadas pelo país.
  • 5. O autor Nasceu em 12 de novembro de 1942, em Chamanculo, subúrbio da cidade de Maputo (Lourenço Marques, no período colonial), e cresceu em Moamba, cidade do interior, onde seu pai trabalhava como intérprete. Em 1964, mesmo ano do lançamento de Nós matamos o Cão Tinhoso!, Honwana, militante da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), foi preso por atividades anticolonialismo, e permaneceu encarcerado por quatro anos. Em 1970 vai para Portugal estudar Direto. Após a independência do país, em 1975, o autor assume cargos políticos e importantes posições na luta pelo direito de livre expressão.
  • 6. https://www.planocritico.com/critica-nos-matamos-o-cao-tinhoso-de-luis-bernardo-honwana/ “Honwana irá imprimir em sua obra um tom de dominação, opressão, relação de forças desiguais e tudo isso marcado por uma imensa capacidade de evocação de imagens fortes e sentimentais numa narrativa objetiva e exposta em pequenos ciclos, muitas vezes denotando uma perturbação do narrador ao retornar a determinados termos, situação que muitas vezes também é a do leitor.”
  • 7. Os Contos Nós matamos o Cão Tinhoso! Inventário de imóveis e jacentes Dina A velhota Papá, cobra e eu As mãos dos pretos Nhinguitimo Rosita, até morrer
  • 8. Nós matamos o Cão Tinhoso! “O Cão Tinhoso tinha uns olhos azuis que não tinham brilho nenhum, mas eram enormes e estavam sempre cheios de lágrimas, que lhe escorriam pelo focinho. Metiam medo aqueles olhos, assim tão grandes, a olhar como uma pessoa a pedir qualquer coisa sem querer dizer.“ O Cão Tinhoso era um cachorro que andava nas proximidades da escola e que era desprezado por todos pelo seu aspecto físico, com exceção de Isaura, que o alimenta e cuida dele. Em certo ponto, o Senhor Administrador, ao estar nervoso por perder uma partida de cartas, pede ao Doutor da Veterinária que acaba com o Cão. O Veterinário por sua vez, pede à malta* que dê uns tirinhos e mate o cachorro. Ginho, o menino-narrador do conto, acaba por se compadecer pelo cachorro e pede ao Quim, ~líder do grupo~, que não o mate e deixe que o menino cuide dele. O cão acaba morto numa cena em que Isaura tenta o proteger, mas que os meninos da malta atiram inúmeras vezes. *malta: turma
  • 9. “O cão tinhoso serve de figura para o regime colonial apodrecido, nojento; mas também traz a imagem do negro africano visto da mesma forma, e que por incomodar demais (lembremos do período em que o conto foi escrito), precisa ser morto. Aqui, a ação descrita no título serve como um choque de amadurecimento para os meninos e para a Isaura, que tanto zelou pelo bicho. Um rito de passagem armado, contra uma vida e a mando de terceiros. Certamente o produto de um tempo de guerra e que esclarece a forma como aquele período moldava mentalidades, expunha verdades sociais e criava a figura de um cão tinhoso histórico, que em breve entraria para os livros como vítimas da guerra, sendo seus algozes perdoados porque só estavam ali, de armas em punho, a mando de uma autoridade maior. No fim das contas, as ordens para o massacre se perdem, viram ecos. Os mortos, viram história. E seus descendentes, seguem convidados a trocar resolução de problemas por desenhos…” https://www.planocritico.com/critica-nos-matamos-o-cao-tinhoso-de-luis-bernardo-honwana/
  • 10. Os olhos do Cão Antropoformização Estrutura social Moleques do Costa Assimetrias raciais Pontos importantes a se refletir: Os olhos azuis do Cão podem fazer referência aos brancos colonizadores, também o desprezo de todos e a união para se acabar com ele servem de apoio para essa teoria. Marcada pelos nomes de algumas personagens como a Senhora Professora, Senhor Administrador, Doutor Veterinário e outros, pode-se entender o esquema dessa sociedade e as formas de opressão dada algumas funções. O Cão é descrito com características humanas e até tem atos um pouco humanos. (Em contraste com Ginho, que ligado ao Cão pela corda, acaba confundindo seus sentimentos com os do animal. Se trata de negros não assimilados que não falam o português corrente, como demonstrado em suas falas. Demonstrada pelas personagens de outras etnias e pelo seu modo de lidar com o menino Ginho, com Isaura e com os molesques do Costa.
  • 11. Inventário de imóveis e jacentes Nesse segundo conto, Ginho descreve a casa em que mora com os pais e seis irmãos. Além de descrever cada cômodo, com seus objetos e móveis, Ginho também conta um pouco da dinâmica e da história de sua família.
  • 12. Dina Dina conta a história de Madala*, um homem idoso que trabalha colhendo milho em uma machamba*. Na hora do almoço (Dina), os trabalhadores se juntam para almoçar, conversar e descansar do trabalho árduo que efetuam. Enquanto estão aproveitando o dina, Maria, filha de Madala, vem visitar o pai e os dois conversam sobre a situação da família. Madala pensa sobre a reputação da sua filha e se envergonha e se entristece, pois ela se deita com muitos homens e, assim, nenhum iria querer casar-se com ela. O capataz, sem perceber de quem Maria é filha, a puxa para dentro do matagal em frente a todos e os dois ficam juntos. Indignados, os outros trabalhadores dizem ao velho que se ele quisesse, eles se rebelariam contra o capataz em solidariedade. Porém o velho, cansado, triste e resignado não tem forças para se indignar com os companheiros mais jovens. Após ficarem juntos, Maria explica de quem é filha e então o capataz dá uma garrafa de álcool como pedido de desculpas ao velho, que bebe tudo. Um dos trabalhadores jovens se nega a voltar ao trabalho, e o capataz quebra uma garrafa em sua cabeça, depois disso, os trabalhadores todos voltam a trabalhar e esperar pelo próximo dina. *Madala: velho, ancião *machamba: campo, terra de cultivo
  • 13. A velhota Um rapaz retorna para sua casa depois de apanhar na rua. Ao chegar, encontra a velhota, sua mãe, dando de comer aos irmãos mais novos. A mãe insiste que coma e ele insiste que não tem fome, e mesmo que quisesse, só havia arroz queimado para ele e sua mãe comerem. Percebendo a estranhesa e irritação do filho, a velhota pergunta a ele se lhe bateram. Os irmãos aproximam-se querendou ouvir o relato, mas o rapaz, querendo proteger a inocência das crianças, não quer contar lhes sobre como o mundo é injusto, destruindo e arracando tudo de pessoas como eles. Deitado no colo da mãe, o rapaz encontra consolo, amor e alguma esperança de que no futuro tudo seria diferente.
  • 14. Papá, cobra e eu Ginho conta a história de um dia em que o pai encontra uma cobra na copoeira. A mãe quer que o pai mate o animal, já que este estava comendo as galinhas da família, e pela possibilidade das crianças serem atacadas. O pai diz que resolveria o problema no dia seguinte e vai para o trabalho. Ginho resolve entrar na capoeira para observar a cobra, e, talvez, matá-la sozinho. Seu irmão Nandito o segue e fica muito assustando quando vê a cobra, não conseguindo sair do lugar. O cachorro da família Totó e Lobo, cachorro do vizinho branco, também seguem os meninos, ao adentrar o local os cães se assustam com a cobra e começam a latir, eventualmente, Lobo é picado e acaba morrendo. Ginho e Madunana, empregado da família, matam a cobra, porém, mais tarde, com a chegada do pai em casa, o Senhor Castro vem cobrar a morte de seu cão, ameaçando a família se uma quantia em dinheiro não fosse paga. Ginho fica triste ao ver seu pai sendo humilhado e não reage. O Pai explica ao filho que as vezes é preciso baixar a cabeça mas que lutar também é necessário.
  • 15. As mãos dos pretos Ginho conta sobre suas investigações acerca do fato das palmas das mãos dos pretos serem mais claras que o restante de seus corpos. Entre concepções religiosas, histórias preconceituosas, piadas e causos, é a mãe do menino que lhe dá a explicação mais verdadeira sobre a questão.
  • 16. “A minha mãe é a única que deve ter razão sobre essa questão das mãos dos pretos serem mais claras do que o resto do corpo. No outro dia em que falámos nisso, eu e ela, estava-lhe eu ainda a contar o que já sabia dessa questão e ela já estava farta de rir. O que achei esquisito foi que ela não me dissesse logo o que pensava disso tudo, quando eu quis saber, e só tivesse respondido depois de se fartar de ver que eu não me cansava de insistir sobre a coisa, e esmo até chorar, agarrada à barriga como quem não pode mais de tanto rir. O que ela disse foi mais sou menos isto: - Deus fez os pretos porque tinha de os haver. Tinha de os haver, meu filho, Ele pensou que realmente tinha de os haver…. Depois arrependeu-se de os ter feito porque os outros homens se riam deles e levavam-nos para casa deles para os pôr a servir de escravos ou pouco mais. Mas como Ele já não os pudesse fazer ficar todos brancos, porque os que já se tinham habituados a vê-los pretos reclamariam, fez com que as palmas das mãos deles ficassem exactamente como as palmas das mãos dos outros homens. E sabes porque é que foi? Claro que não sabes e não admira porque muitos e muitos não sabem. Pois olha: foi para mostrar que o que os homens fazem é apenas obra dos homens…Que o que os homens fazem é efeito por mãos iguais, mãos de pessoas que se tivessem juízo sabem que antes de serem qualquer outra coisa são homens. Deve ter sido a pensar assim que Ele fez com que as mãos dos pretos fossem iguais às mãos dos homens que dão graças a Deus por não serem pretos. Depois de dizer isso tudo, a minha mãe beijou-me as mãos. Quando fui para o quintal, para jogar à bola, ia a pensar que nunca tinha visto uma pessoa a chorar tanto sem que ninguém lhe tivesse batido.” HONWANA, Luís Bernando. Nós matamos o cão Tinhoso. São Paulo: Editora Kapulana, 2017.
  • 17. Nhinguitimo Conhecemos a história de Virgula Oito, trabalhador da machambra do Rodrigues, também possui terras de família que são muito férteis. Ele pretende lucrar muito com essas após a vinda do nhinguitimo, um vento forte que destruirá as grandes plantações dos patrões ricos. Incomodado com a possibilidade de um trabalhador negro prosperar, Rodrigues escuta sobre as terras de Virgula Oito, e fala aos administradores da província, que acabam retirando-as do trabalhador. Com a chegada do vento forte, Virgula Oito perde o controle e mata vários companheiros de trabalho da machambra e também o capataz.
  • 18. Rosita, até morrer (Conto epistolar)* Rosita pede a um amigo que escreva uma carta a Manuel ditada por ela. Usando um português típico das camadas mais pobre de Moçambique, Rosita diz sentir saudades de Manuel, que a deixou para ficar com outra moça mas que acabou sendo abandonado. Na carta rosita pede que ele retorne e diz que o perdoa por ter a tratado mal. *Epistolar se refere ao gênero textual carta, a uma escrita dirigida
  • 19. Narração Oralidade Tempo das estórias Intersecções de temas Principais assuntos Observe: Os contos são narrados em primeira pessoa, com exceção do conto “Dina”, que é o único em terceira (narrador onisciente). Quatro, dos oito contos, são narrados por crianças, mostrando sua ingenuidade sobre alguns assuntos. Todas as narrativas se passam no período em que Moçambique ainda era colônia de Portugal. Inúmeras falas orais aparecem pelo livro, chamando atenção para a originalidade e marcas autorais de Luís Bernardo H. Observar a loucura de Isaura (loucura em Quincas Borba), a truculência dos portugueses (em A velhota e também em Romanceiro da Inconfidência), a figura do cachorro (Nós matamos o Cão T., Quincas Borba, Tubarão em Angústia, os cachorros de Campo Geral). A opressão dos trabalhadores, a desigualdade social, os preconceitos raciais, a violência contra as mulheres, a pobreza e a exploração das populações aparecem como temas a serem observados em toda a obra.
  • 20. Referências: Biografia de Honwana: https://www.kapulana.com.br/luis-bernardo-honwana/ HONWANA, Luís Bernando. Nós matamos o cão Tinhoso. São Paulo: Editora Kapulana, 2017. Resumo dos contos. Locução de Gustavo Bacci: https://www.youtube.com/watch? v=h5h5isW4s-U&t=7s Informações sobre Moçambique: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/mocambique.htm Comentários sobre Nós matamos o Cão Tinhoso!: https://www.planocritico.com/critica- nos-matamos-o-cao-tinhoso-de-luis-bernardo-honwana/