A Real(idade) De Saúde
Mental No SUS / Brasil
Psiquiatria Fora De Portas
Outubro Fora de Portas – Portalegre/ Portugal/2016
Dra. Ofélia de Castro Maia Fernandes
O Processo De Reforma Psiquiátrica
• É contemporâneo do “movimento
sanitário”- anos 70
• Mudança dos modelos de
atenção e gestão nas práticas de
saúde, defesa da saúde coletiva,
• Equidade na oferta dos serviços,
• E protagonismo dos
trabalhadores e usuários dos
serviços de saúde nos processos
de gestão e produção de
tecnologias de cuidado.
• Contudo, tem história própria,
inscrita num contexto
internacional de mudanças
pela superação da violência
asilar.
• Compreendida como um
conjunto de transformações de
práticas, saberes, valores
culturais e sociais, no cotidiano
da vida das instituições, dos
serviços e das relações
interpessoais.
Histórico da Reforma Psiquiátrica
(1978-2000)
Propõe a construção de uma
rede de serviços e estratégias
territoriais e comunitárias,
profundamente solidárias,
inclusivas e libertárias.
• O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental
(MTSM) a construir coletivamente uma crítica ao
chamado saber psiquiátrico e ao modelo
hospitalocêntrico;
• A experiência italiana/Serviço Hospitalar de Trieste é
inspiradora - Franco Basaglia
1978:
• II Congresso Nacional do MTSM (Bauru, SP) - “Por
uma sociedade sem manicômios”. Neste mesmo ano,
é realizada a I Conferência Nacional de Saúde Mental
(Rio de Janeiro). Surge o primeiro CAPS no Brasil
1987:
• É criado o SUS – Sistema Único de Saúde1988:
• Intervenção da Secretaria Municipal de Saúde de
Santos (SP) em um hospital psiquiátrico, a Casa de
Saúde Anchieta.
• Implantados os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS)
que funcionam 24 horas, são criadas cooperativas,
residências para os egressos do hospital e associações.
• Dá entrada no Congresso Nacional o Projeto de Lei do
deputado Paulo Delgado (PT/MG), que propõe a
regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos
mentais e a extinção progressiva dos manicômios no
país.
1989
Declaração de Caracas (1990)
Organização Pan-Americana de Saúde e a Organização Mundial da
Saúde
"A atenção psiquiátrica convencional não permite alcançar os objetivos
compatíveis com uma atenção comunitária, descentralizada,
participativa, integral, contínua e preventiva (WHO, 1990)".
"A reestruturação da atenção psiquiátrica na região implica a revisão
crítica do papel hegemônico e centralizador do hospital psiquiátrico na
prestação dos serviços (OMS, 1990)."
• Substituição progressiva dos leitos
psiquiátricos por uma rede integrada
de atenção à saúde mental.
• Ao final deste período, o país tem em
funcionamento 208 CAPS, mas cerca
de 93% dos recursos do Ministério da
Saúde para a Saúde Mental ainda são
destinados aos hospitais psiquiátricos.
1992:
• Os Serviços Residenciais Terapêuticos -
Residências Terapêuticas, são casas, locais de
moradia, destinadas a pessoas com transtornos
mentais que permaneceram em longas internações
psiquiátricas e impossibilitadas de retornar às suas
famílias de origem.
• Mantidas com recursos, anteriormente, destinados
aos leitos psiquiátricos.
• Para cada morador de hospital psiquiátrico
transferido para a residência terapêutica, um igual
número de leitos psiquiátricos deve ser
descredenciado do SUS - os recursos que os
mantinham devem ser realocados para fins de
manutenção dos Serviços Residenciais
Terapêuticos.
• Em todo o território nacional existem mais de 470
residências terapêuticas
2000
• é aprovada a Lei que dispõe
sobre a proteção e os
direitos das pessoas
portadoras de transtornos
mentais e redireciona o
modelo assistencial em
saúde mental.
2001
Lei Nacional (2001 -2005)
Cria linhas específicas de financiamento - Ministério da Saúde para os serviços
abertos e substitutivos ao hospital psiquiátrico e novos mecanismos para a
fiscalização, gestão e redução programada de leitos psiquiátricos no país.
Impulsiona o processo de desinstitucionalização de pessoas longamente
internadas com o Programa “De Volta para Casa”.
Traça a política para a questão do álcool e de outras drogas, incorporando a
estratégia de redução de danos
• O Programa De Volta para Casa - regulamenta o
auxílio-reabilitação psicossocial a pacientes que
tenham permanecido em longas internações
psiquiátricas.
• Objetiva contribuir para o processo de inserção
social, em parceria com a Caixa Econômica
Federal os beneficiários recebem R$240,00.
• Funciona em conjunto com o Programa de Redução
de Leitos Hospitalares de longa permanência e
os Serviços Residenciais Terapêuticos.
2003
• Estabelece diretrizes para a organização da
Rede de Atenção à Saúde no âmbito do
Sistema Único de Saúde (SUS);
• Institui as regiões de saúde e garante o
cuidado em saúde mental nas RAS;
2010
• Institui a Rede de Atenção Psicossocial para
pessoas com sofrimento ou transtorno
mental e com necessidades decorrentes do
uso de crack, álcool e outras drogas, no
âmbito do Sistema Único de saúde (SUS).
2011
O Período Caracteriza-se Assim Por Dois
Movimentos Simultâneos
•A construção de uma
rede de atenção à
saúde mental
substitutiva ao
modelo centrado na
internação hospitalar.
•E a fiscalização e
redução progressiva e
programada dos
leitos psiquiátricos
existentes.
Organização da RAPS
Rede de Atenção Psicossocial
A POLITICA NACIONAL DE SAUDE MENTAL
Antes da Reforma Psiquiátrica
• Cuidado Centrado na internação em
Hospital Psiquiátrico:
• Isolamento;
• Normatização dos sujeitos;
• Lógica da Instituição total;
• Violação dos direitos
humanos.
Depois da Reforma
• Criação de ampla rede de cuidado
em saúde:
• Territorial;
• Complexificação do objeto de
cuidado;
• Ampliação das práticas e
saberes;
• Co-responsabilização pelo
cuidado.
Objetivos
Reduzir progressivamente os leitos psiquiátricos,
Qualificar, expandir e fortalecer a rede extra-hospitalar com a criação de:
• Centros de atenção psicossocial (CAPS),
• Serviços residenciais terapêuticos (SRTS)
• Unidades psiquiátricas em hospitais gerais (UPHG)
Incluir as ações da saúde mental na atenção básica,
Implementar uma política de atenção integral a usuários de álcool e outras drogas,
Implantar o programa “De Volta Para Casa”.
CAPS
São instituições destinadas a acolher os pacientes com transtornos mentais,
estimular sua integração social e familiar, apoiá-los em suas iniciativas de
busca da autonomia, oferecer-lhes atendimento médico e psicológico.
Sua característica principal é buscar integrá-los a um ambiente social e
cultural concreto, designado como seu “território”, o espaço da cidade onde
se desenvolve a vida quotidiana de usuários e familiares.
Os CAPS constituem a principal estratégia do processo de reforma
psiquiátrica.
Tipos De Atendimento
Atendimento Intensivo:
• Diário,
• Pessoa em grave
sofrimento psíquico,
• Situação de crise
• Dificuldades intensas no
convívio social e familiar,
• Precisando de atenção
contínua.
• Pode ser domiciliar
Atendimento Semi-
Intensivo
• 12 dias no mês.
• O sofrimento e a
desestruturação psíquica
da pessoa diminuíram,
melhorando as
possibilidades de
relacionamento
• Ainda necessita de
atenção direta da equipe
para se estruturar e
recuperar sua autonomia.
• Pode ser domiciliar
Atendimento Não-
Intensivo
• Não precisa de suporte
contínuo da equipe para
viver em seu território e
realizar suas atividades na
família e/ou no trabalho.
• Até três dias no mês.
• Pode ser domiciliar
Tipos De Atendimento Em Caps
Os CAPS se diferenciam como CAPS I, CAPS
II, CAPS III, CAPSi e CAPSad, de acordo com
os tipos de demanda dos usuários atendidos,
da capacidade de atendimento e do tamanho.
CAPS I
• todas as faixas etárias
• intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, inclui os
relacionados ao uso de substâncias psicoativas,
• impossibilidade de estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida.
• Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 15.000 (quinze mil) habitantes.
CAPS II
• Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 70.000 (setenta mil) habitantes.
CAPS III
• Proporciona serviços de atenção contínua, com funcionamento vinte e quatro horas, incluindo feriados e
finais de semana,
• ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno a outros serviços de saúde mental, inclusive CAPS
AD.
• Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 150.000 (cento e cinquenta mil)
habitantes.
CAPSi
• Atende crianças e adolescentes
• Indicado para municípios ou regiões com população acima de 70.000 (setenta mil)
habitantes.
CAPS AD II
• Serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos
decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas, com capacidade operacional
para atendimento em municípios ou regiões com população superior a 70.000 (setenta mil)
habitantes.
CAPS AD III
• Atende pessoas de todas as faixas etárias que apresentam intenso sofrimento psíquico
decorrente do uso de crack, álcool e outras drogas. Proporciona serviços de atenção
contínua, com funcionamento vinte e quatro horas, incluindo feriados e finais de semana,
ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno. Indicado para municípios ou regiões
com população acima de 150.000 (cento e cinquenta mil) habitantes.
Como ter acesso aos CAPS?
CAPS são
serviços de
PORTA
ABERTA!
Espontâneamente,
Encaminhadas
pela atenção
básica
Por outros pontos de
atenção da RAS e/ou
da comunidade
(escolas, igrejas),
hospitais,
ambulatórios.....
O Processo De Trabalho CAPS
 Acolhimento.
 Projeto Terapêutico do usuário
 Técnico de Referência.
 Reunioes semanais
 Encaminhamento para a Atenção Básica;
 Agravamento do estado - encaminhar para o hospital (SAMU);
 Atendimento em grupo;
 Práticas corporais;
 Práticas expressivas e comunicativas;
 Atendimento para a família;
 Atendimento domiciliar;
 Ações de reabilitação psicossocial;
 Promoção de contratualidade;
 Fortalecimento do protagonismo de usuários e familiares;
 Ações de articulação de redes intra e inter-setoriais.
A EQUIPE MULTIPROFISSIONAL
Psiquiatras; Neurologistas; Enfermeiros; Nutricionistas;
Farmacêuticos; Fonoaudiólogos; Psicólogos; Assistentes
sociais; Musicoterapeutas; Terapeutas ocupacionais;
Fisioterapeutas; Profissionais de Educação Física; Técnicos
de enfermagem; Monitores e estagiários. Entre outros
profissionais.
Matriciamento ou apoio matricial de equipes - é um modo de produzir saúde em que duas ou mais
equipes, num processo de construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção
pedagógico-terapêutica. Esse apoio matricial, formulado por Gastão Wagner Campos (1999), tem
estruturado no Brasil um tipo de cuidado colaborativo entre a saúde mental e a atenção primária.
Acompanhamento de serviço residencial terapêutico (SRT): suporte às equipes dos serviços
residenciais terapêuticos, com a co-responsabilização nos projetos terapêuticos dos usuários, que
promova a articulação entre as redes e os pontos de atenção com o foco no cuidado e
desenvolvimento de ações inter-setoriais, e vise à produção de autonomia e reinserção social.
Ações de redução de danos: conjunto de práticas e ações do campo da saúde e dos direitos
humanos realizadas de maneira articulada inter e intra-setorialmente, que busca minimizar danos
de natureza biopsicossocial decorrentes do uso de substâncias psicoativas, ampliar o cuidado e o
acesso aos diversos pontos de atenção, incluídos aqueles que não têm relação com o sistema de
saúde.
Introduçao do GAM- “ gestão autônoma da medicação - O guia GAM (guia GAM-BR adaptado do
guia GAM do Québec ) - é uma forma dialogada de conversar/construir um projeto terapêutico
singular, em que o usuário participa ativamente, compartilhando com os profissionais de saúde suas
possibilidades, dialogando sobre o lugar que a medicação e outras práticas ocupam nas suas vidas.
Publicações de Interesse
GUIA PRÁTICO DE MATRICIAMENTO EM SAUDE MENTAL
• http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_matriciamento_saudemental.pdf
GAM
• http://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/paganex/guia_gam_para_dowload_com_correcoes.pdf
REDES DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
• http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/RAPS.pdf
Do século XVIII, Phillippe Pinel – das correntes para os manicómios, da doença moral a
doença orgânica.
Do século XX, Franco Basaglia à transformação do saber, do tratamento e das instituições
psiquiátricas.
Do movimento da Luta Antimanicomial nasce o movimento da Reforma Psiquiátrica e
propõe a construção de uma rede de serviços e estratégias territoriais e comunitárias,
profundamente solidárias, inclusivas e libertárias ao RAS, ao CAPS.
E são assim
O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro,
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo o tempo é irredimível.
O que podia ter sido é uma abstração
Permanecendo possibilidade perpétua
Apenas num mundo de especulação.
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo do corredor que não seguimos
Em direcção à porta que nunca abrimos
Para o roseiral.
As minhas palavras ecoam
Assim, no teu espírito.
Mas para quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei.
Outros ecos
Habitam o jardim.
Vamos segui-los?
Depressa, disse a ave, procura-os, procura-os,
Na volta do caminho. Através do primeiro portão,
No nosso primeiro mundo, seguiremos
O chamariz do tordo? No nosso primeiro mundo.
Ali estavam eles, dignos, invisíveis,
Movendo-se sem pressão, sobre as folhas mortas,
No calor do outono, através do ar vibrante,
E a ave chamou, em resposta à
Música não ouvida dissimulada nos arbustos,
E o olhar oculto cruzou o espaço, pois as rosas
Tinham o ar de flores que são olhadas.
Ali estavam como nossos convidados, recebidos e recebendo.
Assim nos movemos com eles, em cerimonioso cortejo,
Ao longo da alameda deserta, no círculo de buxo,
Para espreitar o lago vazio.
Lago seco, cimento seco, contornos castanhos,
E o lago encheu-se com água feita de luz do sol,
E os lótus elevaram-se, devagar, devagar,
A superfície cintilava no coração da luz,
E eles estavam atrás de nós, reflectidos no lago.
Depois uma nuvem passou, e o lago ficou vazio.
Vai, disse a ave, pois as folhas estavam cheias de crianças,
Escondendo-se excitadamente, contendo o riso.
Vai, vai, vai, disse a ave: o género humano
Não pode suportar muita realidade.
O tempo passado e o tempo futuro
O que podia ter sido e o que foi
Tendem para um só fim, que é sempre presente.
T.S. Eliot . Quatro Quartetos, Burnt Norton I
Fontes:
http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/RAPS.pdf
http://www.ccs.saude.gov.br/saude_mental/pdf/sm_sus.pdf
http://www.brasil.gov.br/observatoriocrack/cuidado/centro-atencao-
psicossocial.html
Saúde em Debate - REVISTA DO CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE
SAÚDE/VOLUME 39, NÚMERO 106/RIO DE JANEIRO, JUL-SET 2015
A real(idade) de saúde mental no sus

A real(idade) de saúde mental no sus

  • 1.
    A Real(idade) DeSaúde Mental No SUS / Brasil Psiquiatria Fora De Portas Outubro Fora de Portas – Portalegre/ Portugal/2016 Dra. Ofélia de Castro Maia Fernandes
  • 2.
    O Processo DeReforma Psiquiátrica • É contemporâneo do “movimento sanitário”- anos 70 • Mudança dos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde, defesa da saúde coletiva, • Equidade na oferta dos serviços, • E protagonismo dos trabalhadores e usuários dos serviços de saúde nos processos de gestão e produção de tecnologias de cuidado. • Contudo, tem história própria, inscrita num contexto internacional de mudanças pela superação da violência asilar. • Compreendida como um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e sociais, no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais.
  • 3.
    Histórico da ReformaPsiquiátrica (1978-2000) Propõe a construção de uma rede de serviços e estratégias territoriais e comunitárias, profundamente solidárias, inclusivas e libertárias.
  • 4.
    • O Movimentodos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM) a construir coletivamente uma crítica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico; • A experiência italiana/Serviço Hospitalar de Trieste é inspiradora - Franco Basaglia 1978: • II Congresso Nacional do MTSM (Bauru, SP) - “Por uma sociedade sem manicômios”. Neste mesmo ano, é realizada a I Conferência Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro). Surge o primeiro CAPS no Brasil 1987: • É criado o SUS – Sistema Único de Saúde1988:
  • 6.
    • Intervenção daSecretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) em um hospital psiquiátrico, a Casa de Saúde Anchieta. • Implantados os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) que funcionam 24 horas, são criadas cooperativas, residências para os egressos do hospital e associações. • Dá entrada no Congresso Nacional o Projeto de Lei do deputado Paulo Delgado (PT/MG), que propõe a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios no país. 1989
  • 7.
    Declaração de Caracas(1990) Organização Pan-Americana de Saúde e a Organização Mundial da Saúde "A atenção psiquiátrica convencional não permite alcançar os objetivos compatíveis com uma atenção comunitária, descentralizada, participativa, integral, contínua e preventiva (WHO, 1990)". "A reestruturação da atenção psiquiátrica na região implica a revisão crítica do papel hegemônico e centralizador do hospital psiquiátrico na prestação dos serviços (OMS, 1990)."
  • 8.
    • Substituição progressivados leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. • Ao final deste período, o país tem em funcionamento 208 CAPS, mas cerca de 93% dos recursos do Ministério da Saúde para a Saúde Mental ainda são destinados aos hospitais psiquiátricos. 1992:
  • 9.
    • Os ServiçosResidenciais Terapêuticos - Residências Terapêuticas, são casas, locais de moradia, destinadas a pessoas com transtornos mentais que permaneceram em longas internações psiquiátricas e impossibilitadas de retornar às suas famílias de origem. • Mantidas com recursos, anteriormente, destinados aos leitos psiquiátricos. • Para cada morador de hospital psiquiátrico transferido para a residência terapêutica, um igual número de leitos psiquiátricos deve ser descredenciado do SUS - os recursos que os mantinham devem ser realocados para fins de manutenção dos Serviços Residenciais Terapêuticos. • Em todo o território nacional existem mais de 470 residências terapêuticas 2000
  • 10.
    • é aprovadaa Lei que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. 2001
  • 11.
    Lei Nacional (2001-2005) Cria linhas específicas de financiamento - Ministério da Saúde para os serviços abertos e substitutivos ao hospital psiquiátrico e novos mecanismos para a fiscalização, gestão e redução programada de leitos psiquiátricos no país. Impulsiona o processo de desinstitucionalização de pessoas longamente internadas com o Programa “De Volta para Casa”. Traça a política para a questão do álcool e de outras drogas, incorporando a estratégia de redução de danos
  • 12.
    • O ProgramaDe Volta para Casa - regulamenta o auxílio-reabilitação psicossocial a pacientes que tenham permanecido em longas internações psiquiátricas. • Objetiva contribuir para o processo de inserção social, em parceria com a Caixa Econômica Federal os beneficiários recebem R$240,00. • Funciona em conjunto com o Programa de Redução de Leitos Hospitalares de longa permanência e os Serviços Residenciais Terapêuticos. 2003
  • 13.
    • Estabelece diretrizespara a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS); • Institui as regiões de saúde e garante o cuidado em saúde mental nas RAS; 2010 • Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de saúde (SUS). 2011
  • 14.
    O Período Caracteriza-seAssim Por Dois Movimentos Simultâneos •A construção de uma rede de atenção à saúde mental substitutiva ao modelo centrado na internação hospitalar. •E a fiscalização e redução progressiva e programada dos leitos psiquiátricos existentes.
  • 15.
    Organização da RAPS Redede Atenção Psicossocial
  • 16.
    A POLITICA NACIONALDE SAUDE MENTAL Antes da Reforma Psiquiátrica • Cuidado Centrado na internação em Hospital Psiquiátrico: • Isolamento; • Normatização dos sujeitos; • Lógica da Instituição total; • Violação dos direitos humanos. Depois da Reforma • Criação de ampla rede de cuidado em saúde: • Territorial; • Complexificação do objeto de cuidado; • Ampliação das práticas e saberes; • Co-responsabilização pelo cuidado.
  • 17.
    Objetivos Reduzir progressivamente osleitos psiquiátricos, Qualificar, expandir e fortalecer a rede extra-hospitalar com a criação de: • Centros de atenção psicossocial (CAPS), • Serviços residenciais terapêuticos (SRTS) • Unidades psiquiátricas em hospitais gerais (UPHG) Incluir as ações da saúde mental na atenção básica, Implementar uma política de atenção integral a usuários de álcool e outras drogas, Implantar o programa “De Volta Para Casa”.
  • 18.
    CAPS São instituições destinadasa acolher os pacientes com transtornos mentais, estimular sua integração social e familiar, apoiá-los em suas iniciativas de busca da autonomia, oferecer-lhes atendimento médico e psicológico. Sua característica principal é buscar integrá-los a um ambiente social e cultural concreto, designado como seu “território”, o espaço da cidade onde se desenvolve a vida quotidiana de usuários e familiares. Os CAPS constituem a principal estratégia do processo de reforma psiquiátrica.
  • 19.
    Tipos De Atendimento AtendimentoIntensivo: • Diário, • Pessoa em grave sofrimento psíquico, • Situação de crise • Dificuldades intensas no convívio social e familiar, • Precisando de atenção contínua. • Pode ser domiciliar Atendimento Semi- Intensivo • 12 dias no mês. • O sofrimento e a desestruturação psíquica da pessoa diminuíram, melhorando as possibilidades de relacionamento • Ainda necessita de atenção direta da equipe para se estruturar e recuperar sua autonomia. • Pode ser domiciliar Atendimento Não- Intensivo • Não precisa de suporte contínuo da equipe para viver em seu território e realizar suas atividades na família e/ou no trabalho. • Até três dias no mês. • Pode ser domiciliar
  • 20.
    Tipos De AtendimentoEm Caps Os CAPS se diferenciam como CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPSi e CAPSad, de acordo com os tipos de demanda dos usuários atendidos, da capacidade de atendimento e do tamanho.
  • 21.
    CAPS I • todasas faixas etárias • intenso sofrimento psíquico decorrente de transtornos mentais graves e persistentes, inclui os relacionados ao uso de substâncias psicoativas, • impossibilidade de estabelecer laços sociais e realizar projetos de vida. • Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 15.000 (quinze mil) habitantes. CAPS II • Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 70.000 (setenta mil) habitantes. CAPS III • Proporciona serviços de atenção contínua, com funcionamento vinte e quatro horas, incluindo feriados e finais de semana, • ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno a outros serviços de saúde mental, inclusive CAPS AD. • Indicado para municípios ou regiões de saúde com população acima de 150.000 (cento e cinquenta mil) habitantes.
  • 22.
    CAPSi • Atende criançase adolescentes • Indicado para municípios ou regiões com população acima de 70.000 (setenta mil) habitantes. CAPS AD II • Serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes com transtornos decorrentes do uso e dependência de substâncias psicoativas, com capacidade operacional para atendimento em municípios ou regiões com população superior a 70.000 (setenta mil) habitantes. CAPS AD III • Atende pessoas de todas as faixas etárias que apresentam intenso sofrimento psíquico decorrente do uso de crack, álcool e outras drogas. Proporciona serviços de atenção contínua, com funcionamento vinte e quatro horas, incluindo feriados e finais de semana, ofertando retaguarda clínica e acolhimento noturno. Indicado para municípios ou regiões com população acima de 150.000 (cento e cinquenta mil) habitantes.
  • 23.
    Como ter acessoaos CAPS? CAPS são serviços de PORTA ABERTA! Espontâneamente, Encaminhadas pela atenção básica Por outros pontos de atenção da RAS e/ou da comunidade (escolas, igrejas), hospitais, ambulatórios.....
  • 24.
    O Processo DeTrabalho CAPS  Acolhimento.  Projeto Terapêutico do usuário  Técnico de Referência.  Reunioes semanais  Encaminhamento para a Atenção Básica;  Agravamento do estado - encaminhar para o hospital (SAMU);  Atendimento em grupo;  Práticas corporais;  Práticas expressivas e comunicativas;  Atendimento para a família;  Atendimento domiciliar;  Ações de reabilitação psicossocial;  Promoção de contratualidade;  Fortalecimento do protagonismo de usuários e familiares;  Ações de articulação de redes intra e inter-setoriais.
  • 25.
    A EQUIPE MULTIPROFISSIONAL Psiquiatras;Neurologistas; Enfermeiros; Nutricionistas; Farmacêuticos; Fonoaudiólogos; Psicólogos; Assistentes sociais; Musicoterapeutas; Terapeutas ocupacionais; Fisioterapeutas; Profissionais de Educação Física; Técnicos de enfermagem; Monitores e estagiários. Entre outros profissionais.
  • 26.
    Matriciamento ou apoiomatricial de equipes - é um modo de produzir saúde em que duas ou mais equipes, num processo de construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica. Esse apoio matricial, formulado por Gastão Wagner Campos (1999), tem estruturado no Brasil um tipo de cuidado colaborativo entre a saúde mental e a atenção primária. Acompanhamento de serviço residencial terapêutico (SRT): suporte às equipes dos serviços residenciais terapêuticos, com a co-responsabilização nos projetos terapêuticos dos usuários, que promova a articulação entre as redes e os pontos de atenção com o foco no cuidado e desenvolvimento de ações inter-setoriais, e vise à produção de autonomia e reinserção social. Ações de redução de danos: conjunto de práticas e ações do campo da saúde e dos direitos humanos realizadas de maneira articulada inter e intra-setorialmente, que busca minimizar danos de natureza biopsicossocial decorrentes do uso de substâncias psicoativas, ampliar o cuidado e o acesso aos diversos pontos de atenção, incluídos aqueles que não têm relação com o sistema de saúde. Introduçao do GAM- “ gestão autônoma da medicação - O guia GAM (guia GAM-BR adaptado do guia GAM do Québec ) - é uma forma dialogada de conversar/construir um projeto terapêutico singular, em que o usuário participa ativamente, compartilhando com os profissionais de saúde suas possibilidades, dialogando sobre o lugar que a medicação e outras práticas ocupam nas suas vidas.
  • 27.
    Publicações de Interesse GUIAPRÁTICO DE MATRICIAMENTO EM SAUDE MENTAL • http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_matriciamento_saudemental.pdf GAM • http://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/paganex/guia_gam_para_dowload_com_correcoes.pdf REDES DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL • http://www.saude.pr.gov.br/arquivos/File/RAPS.pdf
  • 28.
    Do século XVIII,Phillippe Pinel – das correntes para os manicómios, da doença moral a doença orgânica. Do século XX, Franco Basaglia à transformação do saber, do tratamento e das instituições psiquiátricas. Do movimento da Luta Antimanicomial nasce o movimento da Reforma Psiquiátrica e propõe a construção de uma rede de serviços e estratégias territoriais e comunitárias, profundamente solidárias, inclusivas e libertárias ao RAS, ao CAPS. E são assim
  • 29.
    O tempo presentee o tempo passado Estão ambos talvez presentes no tempo futuro, E o tempo futuro contido no tempo passado. Se todo o tempo é eternamente presente Todo o tempo é irredimível. O que podia ter sido é uma abstração Permanecendo possibilidade perpétua Apenas num mundo de especulação. O que podia ter sido e o que foi Tendem para um só fim, que é sempre presente.
  • 31.
    Ecoam passos namemória Ao longo do corredor que não seguimos Em direcção à porta que nunca abrimos Para o roseiral. As minhas palavras ecoam Assim, no teu espírito. Mas para quê Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa Não sei.
  • 33.
    Outros ecos Habitam ojardim. Vamos segui-los?
  • 35.
    Depressa, disse aave, procura-os, procura-os, Na volta do caminho. Através do primeiro portão, No nosso primeiro mundo, seguiremos O chamariz do tordo? No nosso primeiro mundo. Ali estavam eles, dignos, invisíveis, Movendo-se sem pressão, sobre as folhas mortas, No calor do outono, através do ar vibrante,
  • 37.
    E a avechamou, em resposta à Música não ouvida dissimulada nos arbustos, E o olhar oculto cruzou o espaço, pois as rosas Tinham o ar de flores que são olhadas.
  • 39.
    Ali estavam comonossos convidados, recebidos e recebendo. Assim nos movemos com eles, em cerimonioso cortejo, Ao longo da alameda deserta, no círculo de buxo, Para espreitar o lago vazio. Lago seco, cimento seco, contornos castanhos,
  • 41.
    E o lagoencheu-se com água feita de luz do sol, E os lótus elevaram-se, devagar, devagar, A superfície cintilava no coração da luz, E eles estavam atrás de nós, reflectidos no lago. Depois uma nuvem passou, e o lago ficou vazio.
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    Vai, disse aave, pois as folhas estavam cheias de crianças, Escondendo-se excitadamente, contendo o riso.
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    Vai, vai, vai,disse a ave: o género humano Não pode suportar muita realidade. O tempo passado e o tempo futuro O que podia ter sido e o que foi Tendem para um só fim, que é sempre presente. T.S. Eliot . Quatro Quartetos, Burnt Norton I
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