CURSO PROFISSIONAL DE
TÉCNICO DE DESPORTO
9438 – Teoria e Metodologia do Treino Desportivo
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE ANSIÃO
ANO LETIVO 2020/2021
Professora Marta Freire
INTRODUÇÃO ÀS PRÁTICAS DESPORTIVAS
Teoria e metodologia do treino desportivo
• 50h (67 tempos de 45´)
Didática do desporto
• 25h (34 tempos de 45´)
• Relacionar os conceitos de carga de treino e de processos
adaptativos
• Planificar sessões de treino em função dos objetivos e recursos
disponíveis e das caraterísticas dos atletas
• Identificar as principais lesões desportivas, os sinais de gravidade
básicos e os principais mecanismos inerentes à sua génese
• Executar primeiros socorros básicos
• Interpretar o desporto como forma de integração e capacitação das
pessoas com deficiência
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
OBJETIVOS
• Carga de treino e processos adaptativos
o Modelo simplificado da supercompensação
• Estímulo de treino e repercussões no organismo
• Processos internos de adaptação
• Heterocronismo dos processos de adaptação
o Noções básicas da organização do treino desportivo
• Especificidades biológica e metodológica no processo de treino
• Individualização no processo de treino
• Desempenho desportivo e treinabilidade
o Exercício de treino
• Carga de treino associada ao exercício
• Estrutura do exercício de treino
• Classificação dos exercícios de treino
• Treino desportivo como um sistema integrado
o Competição desportiva
o Fatores do treino desportivo e sua integração
o Periodização
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CONTEÚDOS
• Treino das qualidades físicas
o Resistência
o Fontes energéticas
o Resistência geral e processos de especialização
o Modelos de intervenção básica
o Treino de resistência na infância e na adolescência
o Força
o Condicionantes neuromusculares e caraterização das manifestações da força no treino desportivo
o Força geral e processos de especialização da força no treino desportivo
o Modelos de intervenção básicos
o Treino da força na infância e na adolescência
o Velocidade
• Condicionantes neuromusculares e nervosas
• Expressões da velocidade no âmbito desportivo
• Modelos de intervenção básicos
• Treino da velocidade na infância e na adolescência
o Tempo de reação
o Flexibilidade
• Condicionantes neuromusculares e nervosas e formas de flexibilidade no âmbito desportivo
• Modelos de intervenção básicos
• Treino da flexibilidade na infância e na adolescência
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CONTEÚDOS
• Sessão de treino
o Plano da sessão
o Estrutura da sessão
o Tipos de sessão
o Gestão dos fatores psicológicos
o Gestão do esforço e da fadiga
• Rendimento desportivo
o Conceitos e modelos estruturais
o Unidade do processo treino/competição
o Exercício de treino como elemento integrador das diferentes componentes do treino
o Treino e a melhoria do rendimento desportivo
o Princípios do treino
• Planeamento da formação desportiva
• Construção do desenvolvimento dos jovens atletas a longo prazo
• Fases da construção do rendimento a longo prazo
• Treinabilidade das componentes-chave da prestação
• Importância das competições no desporto das crianças e jovens
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CONTEÚDOS
• Estilos de vida saudáveis, lesões desportivas e aplicação dos primeiros
socorros
• Estilos de vida saudáveis
• Principais lesões na atividade desportiva
• Primeiros socorros
• Introdução ao suporte básico de vida
• Deficiência em Portugal
• Desporto como fator de integração
• Desporto como forma de capacitar pessoas com deficiência
• Desporto para todos
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CONTEÚDOS
O treino desportivo visa a melhoria do
desempenho no universo específico das
modalidades desportivas.
Este processo sustenta-se na superação do nível
atual de rendimento, habilitando os atletas
para utilizar e desenvolver recursos, sejam de
índole técnica, tática, energética e psicológica.
Este processo decorre da aplicação
sistemática e progressiva de estímulos de treino
(cargas) com a magnitude necessária para
desencadear mecanismos adaptativos.
A adaptação ao treino é a reação
natural do organismo quando as
cargas de treino são aplicadas de
forma regular, metódica e sistemática.
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
Homeostasia
• Qualquer sistema biológico como o organismo do atleta encontra-se normalmente
em homeostasia, ou seja, numa situação de equilíbrio dinâmico entre os processos
que concorrem para a estabilidade e os que em sentido oposto promovem a
destruição deste equilíbrio.
Supercompensação
• Sempre que esta homeostasia é perturbada, como, por exemplo, na realização de
uma tarefa motora de magnitude considerável, ativam-se os mecanismos de
restauração do equilíbrio destruído que, desde que assegurados os recursos
energéticos e o tempo de restauração necessários, promoverão uma resposta que
permitirá ao indivíduo superar o seu nível inicial.
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
Figura: Modelo simplificado de supercompensação.
A SUPERCOMPENSAÇÃO está
dividida em 4 fases:
A – FASE DE ALARME (estímulo
de treino) e
consequentemente redução
da capacidade de
rendimento
B – FASE DE RECUPERAÇÃO
C – FASE DE
SUPERCOMPENSAÇÃO
D – FASE DE ADAPTAÇÃO
REVERSÍVEL (destreino)
A SUPERCOMPENSAÇÃO
está dividida em 4 fases:
A - Fase de alarme ( ou Fase de
fadiga ou diminuição das
capacidades)
B - Fase de recuperação (ou
Fase de compensação)
C – Fase de
supercompensação
D – Fase de adaptação
reversível (ou Involução)
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
A
B
C
D
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
Figura: Modelo simplificado de supercompensação.
Em função da magnitude do
estímulo poderá ocorrer:
- Exaustão (se os recursos
disponíveis energéticos e
funcionais se esgotam ou
encontram limitação para o
seu uso)
ou
- Adaptação (caso a
exigência colocada no
estímulo seja satisfeita pela
capacidade de o sujeito
fazer face ao desafio
colocado.
O modelo explicativo deriva do conceito de
síndrome geral de adaptação (SGA), proposto por
Seyle, que considera 3 fases distintas na resposta
adaptativa:
1. Alarme
2.
Reação
3.
Resultado
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
Figura: Fases da síndrome geral de adaptação aplicado ao estímulo de treino (adaptado de Seyle, H. 1936).
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
Nesta resposta adaptativa,
podemos considerar 2 tipos
ou níveis:
Rápida ou
aguda
Crónica ou a
prazo
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
1. Ativação dos sistemas funcionais necessários para a realização da atividade (por
exemplo, aumento da FC, da FR, temperatura corporal, transpiração, etc.)
2. Estabilização dos sistemas funcionais atingindo um equilíbrio entre a exigência da
tarefa e os recursos mobilizados (por exemplo, a FC mantém um valor estável, para
uma determinada cadência, velocidade ou potência do exercício)
3. Redução da capacidade do organismo em satisfazer as necessidades determinadas pela
atividade. Se a intensidade for muito elevada ou se se mantiver durante muito tempo, esgotam-se
os recursos envolvidos ou torna-se impossível a sua utilização (por exemplo, falência nas reservas
de glicogénio em tarefas de duração elevada cumpridas a intensidade equivalente ao limiar
anaeróbico, redução do pH, aumentando a acidez e inibindo a ação de algumas enzimas)
A
primeira
(rápida
ou
aguda)
caracteriza-se
pelas
seguintes
fases
sequenciais
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
Utilização repetitiva de cargas solicitando os mecanismos de adaptação rápida
•Por exemplo, tarefas e sessões de treino de objetivo semelhante
Repetição planificada das cargas com elevação progressiva, determinando a adaptação dos sistemas
funcionais a novas condições de funcionamento
•Por exemplo, aplicação do principio da sobrecarga, impondo desafios crescentes , mas adequados, permitindo que o
individuo se vá adaptando progressivamente a condições de maior exigência
Estabilização dos sistemas funcionais, através da constituição de uma rede funcional, estabilizadora dos
sistemas reguladores e executores
•Por exemplo, a utilização de períodos de recuperação profilática no planeamento e periodização promove situações
de supercompensação.
Se não existir racionalidade na aplicação das cargas, ocorrerá uma redução da capacidade do organismo
em satisfazer as necessidades determinadas pela atividade
• Por exemplo, planeamento e periodização incorretamente elaborado e aplicados, não considerando o
processo de individualizado na adaptação
A segunda fase (crónica ou a prazo) na resposta adaptativa, que constitui a base do treino regular, uma
vez que decorre da repetição regular de tarefas de treino, pode ser sintetizada do seguinte modo:
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
❑ Torna-se mais efetiva quando utilizados estímulos de magnitude elevada com
alguma frequência, uma vez que só estes produzirão modificações estruturais,
necessárias a uma adaptação consistente na capacidade funcional.
❑ No entanto, a sua utilização deverá ser sempre planeada, evitando criar situações
de esgotamento ou fadiga profunda, com efeitos deletérios na capacidade de
rendimento do atleta.
Adaptação a
longo prazo
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
Figura: Adaptação ao exercício de treino
A adaptação funcional:
• resultado do somatório das
transformações em resposta à
repetição sistemática de cargas de
treino;
• estímulos isolados não são suficientes
para consolidar um novo estado de
prontidão
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
Ao conceito de
supercompensação
associam-se dois aspetos
fundamentais
O nível crítico:
Um estímulo para desencadear uma resposta
adaptativa terá de ter magnitude
(intensidade, volume, densidade e
complexidade) adequada.
Se for demasiado suave não é suficiente para quebrar a
homeostasia, ou seja, muito fraco não estimula o suficiente;
Se for demasiado intenso provocará uma fadiga excessiva e
eventual deterioração das possibilidades de recuperação (pode
constituir uma agressão)
A ciclicidade
As adaptações biológicas
induzidas pelo treino podem
observar-se através de
transformações
neuromusculares,
cardiorrespiratórias e
bioquímicas, tal como no
seguinte exemplo:
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
Figura: Exemplo de alterações
induzidas pelo treino.
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
A submissão dos atletas a exercícios de treino (carga) de
forma regular e adequada afeta transitoriamente a
capacidade de resposta, induzindo o esgotamento de
recursos energéticos ou a saturação nervosa, impondo
uma situação de fadiga.
Sendo assegurada a restauração de recursos dos recursos
afetados, através da nutrição e repouso adequados, o
organismo supera (supercompensação) a capacidade
inicial, elevando as reservas de energia e tornando-se
mais eficiente na sua utilização.
Este processo promove um nível adaptativo superior,
mostrando maior capacidade na resposta a estímulos de
grandeza igual ou superior.
Base sustentada para elevação do rendimento desportivo:
Figura: Processo de adaptação em
treino desportivo
• NOÇÃO DE CARGA DE TREINO E DE RESERVA DE ADAPTAÇÃO
❑ Corresponde ao conjunto de estímulos a que os atletas
se submetem durante o processo de preparação
desportiva;
❑ Por “carga” entende-se o conjunto das
tarefas/exercícios realizados em treino ou competição.
❑ Medida de trabalho realizado no treino.
❑ As capacidades de adaptação dos atletas estão
limitadas pelas condições criadas ao seu
desenvolvimento (ambiente de treino, qualidade dos
treinadores, valor social do desporto, …) e pelo potencial
de desenvolvimento do sujeito sujeito (em grande
medida está predeterminado pelo determinismo
genético).
❑ Determina o nível de
desenvolvimento possível a
cada sujeito;
❑ É o limite individualmente
determinado pela capacidade
de adaptação que pode ser
desfrutada;
❑ Quanto maior o nível de
rendimento já alcançado pelo
treino, menor o potencial para
desenvolvimento posterior,
menor fadiga e mais rápida a
recuperação após o exercício.
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
ESTÍMULO DE TREINO E REPERCUSSÕES NO ORGANISMO
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
❑ A Carga de treino
- pode ser descrita por grandezas de ordem qualitativa (diversos conteúdos de
treino; execução e grau de dificuldade das técnicas; sucessão segundo a qual são
realizadas as várias formas de exercitação dentro da estrutura geral de uma unidade
de treino) e quantitativa (frequência dos treinos – n.º de treinos por semana; duração
da unidade de treino; duração global do treino – ciclo; dosagem das exigências da
carga na unidade de treino – volume, intensidade, duração, densidade)
• A submissão regular e sistemática à carga de treino predispõe o organismo a
processos de supercompensação sucessivos, que adequadamente doseados,
promoverão a prazo a elevação na capacidade funcional do indivíduo.
• O progresso das prestações desportivas só é possível porque o nosso organismo
reage de forma adaptativa aos exercícios físicos que constituem a carga de treino
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
❑A Carga de treino pode ser caracterizada:
o em função do impacto que produz no organismo do atleta – carga interna
o ou pelas características do exercício, objetivamente observável – carga externa
Que percentagem da frequência
cardíaca máxima;
Do dióxido de cardíaco máximo;
Que lactatemia estiveram associadas a
essa execução
quanto tempo
que distância
a que velocidade
que peso mobilizou
quantas repetições
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
COMO MELHORAR A PRESTAÇÃO DESPORTIVA?
De acordo com Ravé, Valdivielso, Férnandez & Garcia (2010), podemos definir as regras que se seguem:
⮚ A PD melhora em resultado da aplicação correta das cargas de treino e dos consequentes processos de adaptação do
organismo à solicitação que lhe é imposta;
⮚ Os processos de adaptação só se produzem quando o treino alcança uma intensidade ótima, dependente do nível
individual de rendimento e de um volume mínimo da carga de trabalho;
⮚ O processo de adaptação é o resultado de uma interação correta entre carga e recuperação;
⮚ O processo de adaptação só é obtido através da variação das cargas;
⮚ O aumento do rendimento só é possível com introdução de cargas inabituais que provoquem estimulação no organismo;
⮚ As adaptações ao treino diminuem ao reduzir excessivamente as exigências da carga ou ao haver um destreinar;
⮚ A adaptação do organismo ocorre sempre na direção proposta pela estrutura da carga.
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
FADIGA E RECUPERAÇÃO COMO PROCESSOS INTERNOS DE ADAPTAÇÃO
❑ A magnitude de exigência da(s) tarefa(s)
realizadas em treino ou competição poderão
afetar parcial ou quase completamente as
reservas existentes. Esta situação poderá levar a
uma necessidade de abrandar a intensidade e,
no limite, poderá mesmo obrigar a interromper
a tarefa que se está a realizar.
- A esta situação dá-se o nome de fadiga –
manifestação da incapacidade temporária
de manter a atividade física, objetivamente
detetada pela deterioração da capacidade
do rendimento (velocidade mais lenta, menos
força,…) Figura: Sintomas objetivos e subjetivos de fadiga
Indicadores de fadiga para que os treinadores possam avaliar
atempadamente o impacto da carga de treino. Podem ser classificados
como objetivos e subjetivos:
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
FADIGA E RECUPERAÇÃO COMO PROCESSOS INTERNOS DE ADAPTAÇÃO
Além da manifestação da componente física associada à capacidade de desempenho
motor, podemos encontrar manifestações diferentes de fadiga:
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
HETEROCRONISMO DOS PROCESSOS DE ADAPTAÇÃO
Alguns exemplos que ilustram o heterocronismo das funções biológicas, dizem respeito ao
tempo de compensação e restabelecimento de alguns processos metabólicos:
• A fosfocreatina, composto energético muscular de utilização imediata e que permite a
realização de trabalhos muito intensos e de curta duração, reconstitui-se parcialmente,
mas numa percentagem elevada, no músculo até aos 30 minutos de recuperação.
• O glicogénio muscular, fonte energética para todos os desempenhos de duração
superior a alguns décimos de segundo até a uma duração de 1 hora, pode ter as suas
reservas corporais reconstituídas apenas 2 a 4 horas após o esforço, embora para
esforços de longa duração esse prazo possa prolongar-se até as 48 horas.
• O metabolismo das proteínas, ou seja, dos componentes estruturais do músculo,
entre outros, necessita de um período de 36 a 48 horas para restabelecer um equilíbrio
médio.
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO
CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS
HETEROCRONISMO DOS PROCESSOS DE ADAPTAÇÃO
❑ Na generalidade, podemos constatar que a submissão a cargas de grande volume e de
pequena intensidade tem um efeito de treino mais prolongado, enquanto cargas de
grande intensidade e de pequeno volume tem um efeito menos duradouro.
❑ Quanto menos consolidada estiver a adaptação (experiência e tempo dedicado à
preparação), maior a probabilidade de ocorrer a reversibilidade da adaptação
conseguida.
❑ Depois de adquiridas, as adaptações de carácter técnico parecem ser as que mais
perduram.

2. Carga de treino e processos adaptativos.pptx

  • 1.
    CURSO PROFISSIONAL DE TÉCNICODE DESPORTO 9438 – Teoria e Metodologia do Treino Desportivo MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE ANSIÃO ANO LETIVO 2020/2021 Professora Marta Freire
  • 2.
    INTRODUÇÃO ÀS PRÁTICASDESPORTIVAS Teoria e metodologia do treino desportivo • 50h (67 tempos de 45´) Didática do desporto • 25h (34 tempos de 45´)
  • 3.
    • Relacionar osconceitos de carga de treino e de processos adaptativos • Planificar sessões de treino em função dos objetivos e recursos disponíveis e das caraterísticas dos atletas • Identificar as principais lesões desportivas, os sinais de gravidade básicos e os principais mecanismos inerentes à sua génese • Executar primeiros socorros básicos • Interpretar o desporto como forma de integração e capacitação das pessoas com deficiência TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO OBJETIVOS
  • 4.
    • Carga detreino e processos adaptativos o Modelo simplificado da supercompensação • Estímulo de treino e repercussões no organismo • Processos internos de adaptação • Heterocronismo dos processos de adaptação o Noções básicas da organização do treino desportivo • Especificidades biológica e metodológica no processo de treino • Individualização no processo de treino • Desempenho desportivo e treinabilidade o Exercício de treino • Carga de treino associada ao exercício • Estrutura do exercício de treino • Classificação dos exercícios de treino • Treino desportivo como um sistema integrado o Competição desportiva o Fatores do treino desportivo e sua integração o Periodização TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CONTEÚDOS
  • 5.
    • Treino dasqualidades físicas o Resistência o Fontes energéticas o Resistência geral e processos de especialização o Modelos de intervenção básica o Treino de resistência na infância e na adolescência o Força o Condicionantes neuromusculares e caraterização das manifestações da força no treino desportivo o Força geral e processos de especialização da força no treino desportivo o Modelos de intervenção básicos o Treino da força na infância e na adolescência o Velocidade • Condicionantes neuromusculares e nervosas • Expressões da velocidade no âmbito desportivo • Modelos de intervenção básicos • Treino da velocidade na infância e na adolescência o Tempo de reação o Flexibilidade • Condicionantes neuromusculares e nervosas e formas de flexibilidade no âmbito desportivo • Modelos de intervenção básicos • Treino da flexibilidade na infância e na adolescência TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CONTEÚDOS
  • 6.
    • Sessão detreino o Plano da sessão o Estrutura da sessão o Tipos de sessão o Gestão dos fatores psicológicos o Gestão do esforço e da fadiga • Rendimento desportivo o Conceitos e modelos estruturais o Unidade do processo treino/competição o Exercício de treino como elemento integrador das diferentes componentes do treino o Treino e a melhoria do rendimento desportivo o Princípios do treino • Planeamento da formação desportiva • Construção do desenvolvimento dos jovens atletas a longo prazo • Fases da construção do rendimento a longo prazo • Treinabilidade das componentes-chave da prestação • Importância das competições no desporto das crianças e jovens TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CONTEÚDOS
  • 7.
    • Estilos devida saudáveis, lesões desportivas e aplicação dos primeiros socorros • Estilos de vida saudáveis • Principais lesões na atividade desportiva • Primeiros socorros • Introdução ao suporte básico de vida • Deficiência em Portugal • Desporto como fator de integração • Desporto como forma de capacitar pessoas com deficiência • Desporto para todos TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CONTEÚDOS
  • 8.
    O treino desportivovisa a melhoria do desempenho no universo específico das modalidades desportivas. Este processo sustenta-se na superação do nível atual de rendimento, habilitando os atletas para utilizar e desenvolver recursos, sejam de índole técnica, tática, energética e psicológica. Este processo decorre da aplicação sistemática e progressiva de estímulos de treino (cargas) com a magnitude necessária para desencadear mecanismos adaptativos. A adaptação ao treino é a reação natural do organismo quando as cargas de treino são aplicadas de forma regular, metódica e sistemática. TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
  • 9.
    MODELO SIMPLIFICADO DASUPERCOMPENSAÇÃO TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS Homeostasia • Qualquer sistema biológico como o organismo do atleta encontra-se normalmente em homeostasia, ou seja, numa situação de equilíbrio dinâmico entre os processos que concorrem para a estabilidade e os que em sentido oposto promovem a destruição deste equilíbrio. Supercompensação • Sempre que esta homeostasia é perturbada, como, por exemplo, na realização de uma tarefa motora de magnitude considerável, ativam-se os mecanismos de restauração do equilíbrio destruído que, desde que assegurados os recursos energéticos e o tempo de restauração necessários, promoverão uma resposta que permitirá ao indivíduo superar o seu nível inicial.
  • 10.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO Figura: Modelo simplificado de supercompensação. A SUPERCOMPENSAÇÃO está dividida em 4 fases: A – FASE DE ALARME (estímulo de treino) e consequentemente redução da capacidade de rendimento B – FASE DE RECUPERAÇÃO C – FASE DE SUPERCOMPENSAÇÃO D – FASE DE ADAPTAÇÃO REVERSÍVEL (destreino)
  • 11.
    A SUPERCOMPENSAÇÃO está divididaem 4 fases: A - Fase de alarme ( ou Fase de fadiga ou diminuição das capacidades) B - Fase de recuperação (ou Fase de compensação) C – Fase de supercompensação D – Fase de adaptação reversível (ou Involução) TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS A B C D MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO
  • 12.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO Figura: Modelo simplificado de supercompensação. Em função da magnitude do estímulo poderá ocorrer: - Exaustão (se os recursos disponíveis energéticos e funcionais se esgotam ou encontram limitação para o seu uso) ou - Adaptação (caso a exigência colocada no estímulo seja satisfeita pela capacidade de o sujeito fazer face ao desafio colocado. O modelo explicativo deriva do conceito de síndrome geral de adaptação (SGA), proposto por Seyle, que considera 3 fases distintas na resposta adaptativa: 1. Alarme 2. Reação 3. Resultado
  • 13.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO Figura: Fases da síndrome geral de adaptação aplicado ao estímulo de treino (adaptado de Seyle, H. 1936).
  • 14.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO Nesta resposta adaptativa, podemos considerar 2 tipos ou níveis: Rápida ou aguda Crónica ou a prazo
  • 15.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO 1. Ativação dos sistemas funcionais necessários para a realização da atividade (por exemplo, aumento da FC, da FR, temperatura corporal, transpiração, etc.) 2. Estabilização dos sistemas funcionais atingindo um equilíbrio entre a exigência da tarefa e os recursos mobilizados (por exemplo, a FC mantém um valor estável, para uma determinada cadência, velocidade ou potência do exercício) 3. Redução da capacidade do organismo em satisfazer as necessidades determinadas pela atividade. Se a intensidade for muito elevada ou se se mantiver durante muito tempo, esgotam-se os recursos envolvidos ou torna-se impossível a sua utilização (por exemplo, falência nas reservas de glicogénio em tarefas de duração elevada cumpridas a intensidade equivalente ao limiar anaeróbico, redução do pH, aumentando a acidez e inibindo a ação de algumas enzimas) A primeira (rápida ou aguda) caracteriza-se pelas seguintes fases sequenciais
  • 16.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO Utilização repetitiva de cargas solicitando os mecanismos de adaptação rápida •Por exemplo, tarefas e sessões de treino de objetivo semelhante Repetição planificada das cargas com elevação progressiva, determinando a adaptação dos sistemas funcionais a novas condições de funcionamento •Por exemplo, aplicação do principio da sobrecarga, impondo desafios crescentes , mas adequados, permitindo que o individuo se vá adaptando progressivamente a condições de maior exigência Estabilização dos sistemas funcionais, através da constituição de uma rede funcional, estabilizadora dos sistemas reguladores e executores •Por exemplo, a utilização de períodos de recuperação profilática no planeamento e periodização promove situações de supercompensação. Se não existir racionalidade na aplicação das cargas, ocorrerá uma redução da capacidade do organismo em satisfazer as necessidades determinadas pela atividade • Por exemplo, planeamento e periodização incorretamente elaborado e aplicados, não considerando o processo de individualizado na adaptação A segunda fase (crónica ou a prazo) na resposta adaptativa, que constitui a base do treino regular, uma vez que decorre da repetição regular de tarefas de treino, pode ser sintetizada do seguinte modo:
  • 17.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO ❑ Torna-se mais efetiva quando utilizados estímulos de magnitude elevada com alguma frequência, uma vez que só estes produzirão modificações estruturais, necessárias a uma adaptação consistente na capacidade funcional. ❑ No entanto, a sua utilização deverá ser sempre planeada, evitando criar situações de esgotamento ou fadiga profunda, com efeitos deletérios na capacidade de rendimento do atleta. Adaptação a longo prazo
  • 18.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS MODELO SIMPLIFICADO DA SUPERCOMPENSAÇÃO Figura: Adaptação ao exercício de treino A adaptação funcional: • resultado do somatório das transformações em resposta à repetição sistemática de cargas de treino; • estímulos isolados não são suficientes para consolidar um novo estado de prontidão
  • 19.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS Ao conceito de supercompensação associam-se dois aspetos fundamentais O nível crítico: Um estímulo para desencadear uma resposta adaptativa terá de ter magnitude (intensidade, volume, densidade e complexidade) adequada. Se for demasiado suave não é suficiente para quebrar a homeostasia, ou seja, muito fraco não estimula o suficiente; Se for demasiado intenso provocará uma fadiga excessiva e eventual deterioração das possibilidades de recuperação (pode constituir uma agressão) A ciclicidade
  • 20.
    As adaptações biológicas induzidaspelo treino podem observar-se através de transformações neuromusculares, cardiorrespiratórias e bioquímicas, tal como no seguinte exemplo: TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS Figura: Exemplo de alterações induzidas pelo treino.
  • 21.
    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS A submissão dos atletas a exercícios de treino (carga) de forma regular e adequada afeta transitoriamente a capacidade de resposta, induzindo o esgotamento de recursos energéticos ou a saturação nervosa, impondo uma situação de fadiga. Sendo assegurada a restauração de recursos dos recursos afetados, através da nutrição e repouso adequados, o organismo supera (supercompensação) a capacidade inicial, elevando as reservas de energia e tornando-se mais eficiente na sua utilização. Este processo promove um nível adaptativo superior, mostrando maior capacidade na resposta a estímulos de grandeza igual ou superior. Base sustentada para elevação do rendimento desportivo: Figura: Processo de adaptação em treino desportivo
  • 22.
    • NOÇÃO DECARGA DE TREINO E DE RESERVA DE ADAPTAÇÃO ❑ Corresponde ao conjunto de estímulos a que os atletas se submetem durante o processo de preparação desportiva; ❑ Por “carga” entende-se o conjunto das tarefas/exercícios realizados em treino ou competição. ❑ Medida de trabalho realizado no treino. ❑ As capacidades de adaptação dos atletas estão limitadas pelas condições criadas ao seu desenvolvimento (ambiente de treino, qualidade dos treinadores, valor social do desporto, …) e pelo potencial de desenvolvimento do sujeito sujeito (em grande medida está predeterminado pelo determinismo genético). ❑ Determina o nível de desenvolvimento possível a cada sujeito; ❑ É o limite individualmente determinado pela capacidade de adaptação que pode ser desfrutada; ❑ Quanto maior o nível de rendimento já alcançado pelo treino, menor o potencial para desenvolvimento posterior, menor fadiga e mais rápida a recuperação após o exercício. TEORIA E METODOLOGIA DO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS ESTÍMULO DE TREINO E REPERCUSSÕES NO ORGANISMO
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    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS ❑ A Carga de treino - pode ser descrita por grandezas de ordem qualitativa (diversos conteúdos de treino; execução e grau de dificuldade das técnicas; sucessão segundo a qual são realizadas as várias formas de exercitação dentro da estrutura geral de uma unidade de treino) e quantitativa (frequência dos treinos – n.º de treinos por semana; duração da unidade de treino; duração global do treino – ciclo; dosagem das exigências da carga na unidade de treino – volume, intensidade, duração, densidade) • A submissão regular e sistemática à carga de treino predispõe o organismo a processos de supercompensação sucessivos, que adequadamente doseados, promoverão a prazo a elevação na capacidade funcional do indivíduo. • O progresso das prestações desportivas só é possível porque o nosso organismo reage de forma adaptativa aos exercícios físicos que constituem a carga de treino
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    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS ❑A Carga de treino pode ser caracterizada: o em função do impacto que produz no organismo do atleta – carga interna o ou pelas características do exercício, objetivamente observável – carga externa Que percentagem da frequência cardíaca máxima; Do dióxido de cardíaco máximo; Que lactatemia estiveram associadas a essa execução quanto tempo que distância a que velocidade que peso mobilizou quantas repetições
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    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS COMO MELHORAR A PRESTAÇÃO DESPORTIVA? De acordo com Ravé, Valdivielso, Férnandez & Garcia (2010), podemos definir as regras que se seguem: ⮚ A PD melhora em resultado da aplicação correta das cargas de treino e dos consequentes processos de adaptação do organismo à solicitação que lhe é imposta; ⮚ Os processos de adaptação só se produzem quando o treino alcança uma intensidade ótima, dependente do nível individual de rendimento e de um volume mínimo da carga de trabalho; ⮚ O processo de adaptação é o resultado de uma interação correta entre carga e recuperação; ⮚ O processo de adaptação só é obtido através da variação das cargas; ⮚ O aumento do rendimento só é possível com introdução de cargas inabituais que provoquem estimulação no organismo; ⮚ As adaptações ao treino diminuem ao reduzir excessivamente as exigências da carga ou ao haver um destreinar; ⮚ A adaptação do organismo ocorre sempre na direção proposta pela estrutura da carga.
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    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS FADIGA E RECUPERAÇÃO COMO PROCESSOS INTERNOS DE ADAPTAÇÃO ❑ A magnitude de exigência da(s) tarefa(s) realizadas em treino ou competição poderão afetar parcial ou quase completamente as reservas existentes. Esta situação poderá levar a uma necessidade de abrandar a intensidade e, no limite, poderá mesmo obrigar a interromper a tarefa que se está a realizar. - A esta situação dá-se o nome de fadiga – manifestação da incapacidade temporária de manter a atividade física, objetivamente detetada pela deterioração da capacidade do rendimento (velocidade mais lenta, menos força,…) Figura: Sintomas objetivos e subjetivos de fadiga Indicadores de fadiga para que os treinadores possam avaliar atempadamente o impacto da carga de treino. Podem ser classificados como objetivos e subjetivos:
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    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS FADIGA E RECUPERAÇÃO COMO PROCESSOS INTERNOS DE ADAPTAÇÃO Além da manifestação da componente física associada à capacidade de desempenho motor, podemos encontrar manifestações diferentes de fadiga:
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    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS HETEROCRONISMO DOS PROCESSOS DE ADAPTAÇÃO Alguns exemplos que ilustram o heterocronismo das funções biológicas, dizem respeito ao tempo de compensação e restabelecimento de alguns processos metabólicos: • A fosfocreatina, composto energético muscular de utilização imediata e que permite a realização de trabalhos muito intensos e de curta duração, reconstitui-se parcialmente, mas numa percentagem elevada, no músculo até aos 30 minutos de recuperação. • O glicogénio muscular, fonte energética para todos os desempenhos de duração superior a alguns décimos de segundo até a uma duração de 1 hora, pode ter as suas reservas corporais reconstituídas apenas 2 a 4 horas após o esforço, embora para esforços de longa duração esse prazo possa prolongar-se até as 48 horas. • O metabolismo das proteínas, ou seja, dos componentes estruturais do músculo, entre outros, necessita de um período de 36 a 48 horas para restabelecer um equilíbrio médio.
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    TEORIA E METODOLOGIADO TREINO DESPORTIVO CARGA DE TREINO E PROCESSOS ADAPTATIVOS HETEROCRONISMO DOS PROCESSOS DE ADAPTAÇÃO ❑ Na generalidade, podemos constatar que a submissão a cargas de grande volume e de pequena intensidade tem um efeito de treino mais prolongado, enquanto cargas de grande intensidade e de pequeno volume tem um efeito menos duradouro. ❑ Quanto menos consolidada estiver a adaptação (experiência e tempo dedicado à preparação), maior a probabilidade de ocorrer a reversibilidade da adaptação conseguida. ❑ Depois de adquiridas, as adaptações de carácter técnico parecem ser as que mais perduram.