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CURSO DE FORMAÇÃO DE JOVENS BRINCANTES
Equipe de professores:
Rosane Almeida, Otávio Bastos,
Juliana Pardo, Alício Amaral,
Matheus Prado e Léo Rodrigues.
Queridos alunos!
Esta apostila foi construída a partir de anotações de todas as aulas do curso,
feitas entre março e junho pela nossa colega Monique Franco. Imaginei registrar aqui
alguns momentos para relembrar e outros para os auxiliar na elaboração de aulas,
oficinas e números artísticos que vocês venham a construir após o Curso de
Formação de Jovens Brincantes.
Evitei as definições conceituais de cada manifestação estudada no curso,
porque elas se encontram no site www.institutobrincante.org.br, no link “Danças
Brasileiras”, além de termos as indicações bibliográficas, textos utilizados em nossas
aulas, e o caderno de anotações da Monique digitalizado na íntegra. Vale a pena
conferir!
Além do conteúdo dessa apostila, o material completo traz um DVD “Danças
Brasileiras” (aquele nosso programa, transmitido pelo Canal Futura), um CD
“Dançando no Brincante”, com as músicas que mais usamos no curso, e o meu livro
“A Mais Bela História de Adeodata”.
A parte do pandeiro foi cuidadosamente elaborada pelo Léo, a partir das suas
aulas e da apostila do Gabriel Almeida.
E começa a jornada, a música, a Brincadeira!
“Meu bem eu cheguei agora, mas eu te peço tu não vai chorar,
por favor me dê a sua mão, entra no meu bordão, venha participar!”
“Uma roda gigante, muita gente bonita, diferente... ‘Será que vamos nos lembrar
desse dia?’ diz a Rosane, e diz muitas coisas: comprometimento, responsabilidade, escolhas...”
OS ASSUNTOS VISITADOS
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Não podemos nos esquecer que ao tratar de danças populares como referência
para uma dança nacional, nenhuma delas é completa ou se basta por si mesma. No
entanto cada uma tem contribuições preciosas nessa trajetória da construção de uma
dança brasileira contemporânea.
OS CÔCOS
A contribuição da família dos côcos, que inclui o samba de parelha, é a
possibilidade de se trabalhar com peso, apoio dos pés, pausas, improvisação,
segmentação do corpo e ritmo.
Nas aulas de côco, os aquecimentos devem levar em consideração o
alongamento da coluna, o alinhamento das pernas (tornozelos, joelhos e bacia) e o
peso do corpo. Os côcos oferecem muitos momentos de improvisação, de brincadeira
em duplas e de coreografia em grupo (rodas, cordões, duplas etc.). As contagens
não são necessárias pois como acontece em todas as danças populares, os puxantes
conduzem o grupo. O desaquecimento pode ser centrado na tíbia e nos calcanhares,
principalmente se for feito muito sapateado. Torções com a coluna deitada no chão
também são interessantes.
MARACATU RURAL
É uma ótima dança para se trabalhar a noção de qualidades de energia. O fato
de ser uma dança onde o ataque e a defesa são constantemente disfarçados nos
possibilita transitar por essas qualidades de energia. O aquecimento do Maracatu
Rural pode ter como foco o centro do corpo, o abdômem, a base de sustentação.
Podemos trabalhar a qualidade de energia dos quatro elementos (água, fogo, terra e
ar). O desaquecimento deve priorizar o alongamento, principalmente das pernas.
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O FREVO
O frevo propicia um trabalho aeróbico e de fortalecimento da musculatura.
Trabalha muito com uma geometria das pernas e o improviso do tronco. É uma
ótima dança para praticar impulsos, torções, movimentos no plano baixo e saltos, e
uma das poucas danças brasileiras onde o dançarino dança também a melodia e não
somente o ritmo. O desaquecimento deve ser muito cuidadoso pois é uma dança que
solicita muito da musculatura. Um bom alongamento que passe por coluna,
quadrícepes, tornozelo...
CABOCLINHO (PERRÉ, BAIANO E GUERRA)
O Caboclinho trabalha bem o espaço e a direção: os espaços no corpo, o
espaço com relação ao outro e o espaço com relação ao deslocamento. É uma dança
bastante coletiva, os desenhos coreográficos são muito ricos, e é uma ótima dança
para se trabalhar em grupo. Movimentos da tíbia dão beleza e limpeza para os
movimentos das pernas. O desaquecimento pode ser feito com a seqüência de
exercícios de “abertura das pernas” (aqueles bem convencionais).
JONGOS E BATUQUES
Da família das danças de influência africana, o jongo e os batuques são danças
onde o tronco merece bastante atenção, a bacia conduz a maioria dos movimentos.
Em geral, as danças afro-brasileiras oferecem um repertório rico de movimentos
para o tronco, os braços e as mãos. Um aquecimento que acorde essas partes do
corpo faz a aula render mais. Pode-se conduzir a aula de tal forma que não será
necessário proceder com o desaquecimento. A própria dança já leva a um
“relaxamento no movimento”.
4
CAVALO MARINHO
É a dança mais teatral das manifestações populares. O jogo do mergulhão
permite trabalhar bem o olhar, os trupés, o ritmo e os personagens na intenção dos
seus movimentos. O aquecimento pode ser construído com jogos que desafiem a
atenção e a coordenação motora; o próprio mergulhão oferece vários desafios que
podem ser usados como aquecimento para a dança. O desaquecimento pode ser feito
com massagens em duplas.
* * *
AQUECIMENTOS E EXERCÍCIOS
“O sábio e o Rei”
Havia em um reino um grande sábio e um bom Rei.
O Rei um dia quis saber porque o sábio era um grande sábio e ele apenas um bom rei.
A princípio, ambos eram generosos, justos e disponíveis com aqueles que lhe procuravam, ou
seja: eram muito parecidos. Então o rei resolveu observar o sábio.
O sábio se levantou, tomou seu café, conversou com as pessoas, almoçou, meditou e
dormiu. Pela manhã, o rei foi conversar com o sábio e disse que fazia exatamente as mesmas
coisas, então o sábio lhe falou o segredo: “É que quando eu tomo café, eu tomo café; quando eu
converso com alguém, eu converso com aquela pessoa; quando eu almoço, eu almoço; quando
eu medito, eu medito; e quando eu durmo, eu durmo!”
Qualquer exercício pode ser eficiente, depende muito mais de como o fazemos
do que o quê fazemos.
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Bolinha:
Parte 1 - Descrição
Massagear o pé com a bolinha.
O pé tem 3 apoios: o primeiro metatarso (perto do dedão), o segundo que é o
quinto metatarso (perto do dedo mindinho), e o terceiro no calcanhar. Colocar a
bolinha em cada apoio e soltar o peso.
Pisar a bolinha de maneiras diferentes e refletir sobre as sensações.
Com um pé de cada vez, deixar a bolinha embaixo do calcanhar e relaxar o
corpo, soltando a coluna e a cabeça em direção ao chão.
Colocar as duas mãos no chão, sem precisar esticar os joelhos, a mão contrária
do pé que está com a bolinha em direção ao teto, alongando toda a lateral do corpo.
Relaxar e subir vértebra por vértebra até a cabeça. Repetir para o outro lado.
Obs.: Sempre que fizer um lado, antes de fazer o outro, perceber as mudanças
no corpo, o espaço nas articulações, a temperatura do lado trabalhado. Observar
ombro, orelha, os olhos, a boca, o cotovelo, enfim, todo o lado trabalhado.
Parte 2 – Técnicas
a) Pequenininho
Jogar a bolinha de uma mão para outra, começando com a direita, realizando
acima da cabeça um trajeto em forma de arco.
b) Grandão
Jogar a bolinha de uma mão para outra, acima da cabeça, num trajeto em
forma de arco com um espaço maior.
c) Cachoeira
Segurar a bolinha com a mão direita acima da cabeça, deixá-la escorregar em
direção ao cotovelo e a segurar com a mão esquerda. Repetir para o outro lado.
d) Dentro e fora
Jogar a bolinha por debaixo das pernas, primeiro por dentro (entre a virilha) e
depois por fora (pela coxa).
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e) Faca
Começar com a mão que a bolinha estiver, jogá-la para cima e antes dela cair
novamente na mão, com a outra cortar o espaço, indo e voltando em um movimento
contínuo.
f) Fé
Imaginar na sua frente um U, segurando a bolinha e o fazendo no espaço;
quando chegar nas extremidades superiores do U, abrir a mão sem deixar a bolinha
cair. Acredite! Ela não vai cair. A mão está com a palma para baixo. Fazer apenas
com a mão direita (indo e voltando).
g) Infinito
Jogar a bolinha com a mão esquerda por cima das costas da mão direita, essa
contorna a bola e a pega por baixo.
h) Acabou
Equilibrar a bolinha em cima de uma mão.
Parte 3 - A técnica que virou dança
Transformar essa sequência anterior em dança. Usar o corpo para realizar
esses movimentos, acompanhar os ritmos sugeridos e não usar apenas as mãos e a
bolinha pra cá e pra lá. Deve-se fazer com que o corpo todo responda ao movimento
da bola.
Dançar livremente com a bolinha e, caso ela caia, não interromper o
movimento, aproveitar a situação e criar em cima disso. A vida não tem intervalos
por isso devemos aproveitar cada momento para construir algo.
O objetivo de trabalhar com a bolinha é desenvolver exercícios que
concentrem pensamento, palavra e movimento.
Para dançar é preciso estar inteiro, o inteiro começa no pensamento, se traduz
na palavra e se concretiza na ação.
Cada corpo tem uma história, herdou vocações, limites, medos, desejos e a
dança é para expressar tudo isso de maneira criativa, elegante e original.
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Parte 4 - Em grupo
A turma se divide em 4 grupos para introdução do passo do côco (direita,
esquerda, direita). Cada grupo fica com uma bolinha. Jogar a bolinha um para o
outro, e quando um joga, ele se congela; quando o outro recebe, faz um movimento,
depois se inverte a dinâmica. Sempre no ritmo do côco.
Sem a bolinha, passar a intenção do seu movimento para o outro e aproveitar
as sugestões físicas que a dança do outro lhe oferece, sempre com músicas de côco.
Para finalizar a aula, juntar todos as informações, improviso nos movimentos,
pausas, informações corporais dos outros, entrar em um passo e sair dele
criativamente, usando tudo isso com músicas que nos tragam boas sensações e que
de preferência não sejam da dança que se trabalhou, no caso dessa aula, outras
músicas que não sejam os côcos.
* * *
DANÇA /TEATRO: EXERCÍCIOS
Aquecimento
Caminhar pelo espaço, encontrar um lugar e deitar. Mapear o corpo, perceber
qual parte toca no chão, o peso do corpo no chão, como se a força da gravidade
sustentasse nosso corpo no chão.
Movimentar levemente a bacia pra frente e pra trás com os pés apoiados no
chão, depois em movimentos circulares, levantar a bacia do chão e chacoalhar
sentindo o seu peso.
Com apenas um pé apoiado, fazer movimentos circulares com a outra perna,
soltando-a reta e pesada no chão. Inverter a perna e repetir o exercício.
Levantar e espreguiçar sempre em um movimento contínuo, usando os três
planos, baixo, médio e alto.
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Jogo Vilão, Vítima e Salvador
O vilão (pegador) tenta pegar a vítima. A vítima, para se salvar, chama o
salvador pelo nome da pessoa. Esse, então, vai atrás do antigo vilão que passa então
a ser a vítima, e o salvador da primeira vítima é agora o vilão. Não se pode retornar
o jogo chamando quem acabou de ser vilão ou qualquer outra coisa.
Obs.: O importante de se observar nesse jogo é a atitude do pegador e a
atitude da vítima, a prontidão do salvador e a concentração e o controle da
ansiedade de todos na roda. Este é um bom exercício para decorar os nomes dos
participantes.
Exercício de enraizamento
Todos de pé, com as pernas abertas sentindo a base do corpo. Transferimos o
peso do corpo de uma perna para outra. Então enraizamos o pé começando pela
ponta do dedão, o metatarso, região do peito do pé até transferir todo o peso para a
perna e fazer a mesma coisa com o outro pé.
Obs.: Esse exercício permite que a gente ande, salte, dance pelo espaço sem
fazer o mínimo de barulho. Também por conta das danças populares serem sempre
ligadas ao chão, ao peso, sem barulho, então o melhor mesmo é enraizar os pés pra
ver se nascem frutos!
O pulso do Maracatu rural
Ouvir a pulsação do Maracatu rural, trazer este ritmo para o corpo
permitindo qualquer movimento, dançar pela sala na mesma pulsação com cada um
do seu jeito.
Obs.: Cada um, com seu corpo, na sua pulsação. Quando o som abaixa e fica
só nosso som de pés fortes pela sala, o som que se ouve parece o mesmo. Toda dança
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devia vir antes da técnica, nascer do corpo. Som entrando pelos tímpanos e nos
percorrendo por inteiro, seja lá qual for o formato desse corpo, para o tornar vivo.
Para finalizar o exercício, todos com as costas da mão, uma atrás da outra e
bater uma palma ao mesmo tempo... plaft. Acabou.
“Educar-se primeiro para depois poder educar aos outros”.
Aquecimento para o intérprete
Relaxar o corpo no chão sem se mover. Mapear as partes que tocam o chão, os
espaços de ar entre o corpo e o chão. Depois, começar a se movimentar pelos dedos
do pé, a explorar todas as possibilidades sem mover o restante; seguir para os
calcanhares, os joelhos (sem bacia), os dedos das mãos, os cotovelos, os ombros, a
bacia deixando envolver toda a coluna até o pescoço. Em um movimento contínuo,
envolvendo todas as articulações, trabalhando os planos baixo, médio e alto,
soltando o corpo e explorando movimentos não convencionais, ir parando devagar,
sempre observando as relações entre os movimentos das pernas e os movimentos
dos braços, articulações de joelhos e cotovelos, calcanhares e punho, a bacia e o
tronco.
Exercício de capoeira
Base da capoeira, ginga com a bacia colocada, pernas e pés voltados para fora,
calcanhares alinhados com os ísquios. A partir da ginga da capoeira, soltar o corpo
com atenção aos braços, desenhos do tronco, possibilidades de sustentação em uma
perna, giros, impulsos, ou seja, usar a ginga da capoeira como exercício de
assimilação de outros vocabulários. Essa seqüência pode ser usada como introdução
a qualquer outra dança que se queira trabalhar ou como exercício individual para se
iniciar um trabalho de aquecimento.
Jogo da Flecha
Passar a flecha para outra pessoa, jogando-a através do foco com o olhar e
uma palma. Fazer a mesma coisa dizendo o seu nome quando a passar. Fazer o
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mesmo utilizando a noção de tempo e contra-tempo. Fazer vários sons, células
rítmicas, sempre experimentando o tempo e o contra-tempo. Bater palma “estrela”,
“concha” e “estalo”. Dividir em 2 grupos e chegar no côco de pergunta e resposta.
Exercício do Guia
Relaxar o corpo no chão, mapeá-lo. Depois, fechar o corpo ainda no chão ao
máximo e depois abrí-lo por completo.
Escolher uma dupla, onde um fica de joelhos no chão (com a coluna para
cima) e o outro faz o seguinte exercício:
a) A pessoa de pé massageia a coluna da pessoa no chão com os dedos em
forma de pinça, acompanhando toda extensão do cóccix até o pescoço. Depois, com
uma bolinha, bater em todas as partes do corpo, menos na coluna para não
machucar.
b) O companheiro levanta o outro pelo quadril até deixá-lo em pé e organiza a
postura.
c) Com as mãos no crânio do outro, guiar e experimentar movimentos pela
sala, sempre um corpo acompanha o outro.
d) Depois de explorar o pescoço, chegar ao crânio pelo osciptal. O guiador vai
para a bacia e dá a sensação de peso para pessoa guiada, e começa a explorar os
movimentos.
e) Acabada essa parte, o guiador dá toda a noção da extensão da coluna do
outro, fazendo uma vassourinha com as mãos e limpando até passar dessa extensão.
f) Sozinho no espaço, o guiado experimenta a sensação dos movimentos,
dessa mão que o guiou, num movimento crescente em intensidade, e o guiador o
observa.
g) Repete-se todo o exercício invertendo-se o papel dentro das duplas.
h) Todos juntos, dançar no ritmo do côco utilizando da sensação da bacia e do
pescoço solto trabalhadas anteriormente.
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Exercício de Peso e força
Dividir em duplas de pessoas de tamanho e peso semelhante. Uma pessoa fica
com o corpo firme (na base), com uma estrutura para que o outro pesquise.
O outro explora a diferença entre o pesado (quando você solta o seu peso na
pessoa) e a força (quando você puxa ou empurra). Terminada a exploração, o que
está explorando constrói uma estátua do que está na base. A estátua se movimenta
em 4 tempos, primeiro leve, e volta na posição de estátua. E depois, mais 4 tempos,
com movimentos pesados. Inverte-se a dupla e faz-se o mesmo exercício.
Dançar pelo espaço percebendo o leve e o pesado.
Em roda, marcar no pé 8 tempos para a direita, 8 para a esquerda,
sucessivamente, depois diminui-se para marcações de 4, 2 e 1. Fazer leve, pesado,
com som, etc., variando as qualidades de energia.
Experimentar essa sensação com várias danças.
Tente lembrar e descrever os seguintes exercícios
a) Exercício do bastão.
b) Exercício do chapéu.
c) Exercício de segmentação.
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Finalizando o semestre
Jornada, escolha, brincadeira, descobrimento, observação, enraizamento, busca pela
raiz, pulso, pensamento, presença, tempo, ritmo, ensaio para a humanidade, periferia, fricção,
poesia popular, memória, sambada, cordões, partitura, coordenação, relações, movimento.
“Liberdade é assim: Movimentação”
Guimarães Rosa
Reflexões
Algumas perguntas, questões e comentários
Iowana: “Rosane, eu li esses dias, numa revista, uma reportagem sobre
disciplina... E era uma idéia muito precisa falando da liberdade que a disciplina traz
pra gente. E acho que é um pouco do que você falou.”
Rosane: “É exatamente isso, a disciplina é preciosa; não se vai muito longe
sem ela. Existe uma disciplina imposta pelo domínio, fruto de uma hierarquia
atrelada ao poder, mas existe uma disciplina voluntária, que nasce da consciência
que eu desenvolvo sobre o que eu quero fazer. O funcionário de uma fábrica entra
no trabalho às oito da manhã. O Nóbrega entra no estúdio às oito da manhã; um tem
um cartão de ponto, o outro tem a consciência do que quer fazer.
A dificuldade de desenvolvermos conscientemente uma disciplina está em
nossos hábitos. É muito mais difícil transformar um hábito do que fazer novas
conquistas. O povo nos ensina que para mudar um hábito é preciso “fazer votos”-
alguém sabe o que é um voto? (É uma promessa) Mais ou menos, é você se dispor a
fazer algo por um tempo determinado e ir aumentando até que nasce um novo
hábito saudável e escolhido conscientemente. Por exemplo: vou tocar quinze
minutos de pandeiro por sete dias, depois dez. Fraquejou no oitavo, começa de
novo, até o momento que você conquista o hábito de tocar pandeiro quinze minutos
por dia, faça sol ou faça chuva. Outra coisa que nos auxilia muito, por incrível que
pareça, a mudar os nossos hábitos, é fazer serviço que não tem nada com você, como
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lavar louça, arrumar a cama, fazer um prato de comida para outra pessoa, fazer
serviço que não é para você, que você não tem nenhuma recompensa. Ah! Mas eu
dou aula todo dia!... Isso não vale, você gosta de dar aula, você recebe para dar aula,
isso não conta, isso não nos ajuda a mudar os nossos hábitos. É como se a gente
criasse um espaço dentro da gente pra fazer alguma coisa para o outro; esse espaço
que você cria pro outro é um espaço para o outro dentro de você, não é aquele outro
habituado a agredir quando é agredido, mentir quando pressionado, é o outro que
pode responder de outras maneiras, mas só através do exercício da doação é que a
gente chega. Doação ao próximo através do serviço voluntário e doação a nós
mesmos através do voto. E de novo a gente pode perceber que tudo está ligado à
questão da devoção, que gera disciplina, que gera transformações, que geram
conquistas.
* * *
Bia: Quero fazer uma observação. Na verdade, eu estava conversando outro
dia com um rapaz sobre o que move a gente a fazer teatro. Ele disse assim que o
teatro é a arte em si, é mais uma coisa que tá aí, que ninguém vai sentir falta dela,
tanto que ela não é imposta na sociedade, ela é marginal e ninguém fala aí “vamos
ao teatro”, é algo que a gente tem que ir atrás, tem que fazer, porque ela não faz falta
na sociedade, todo mundo consegue viver sem, fica acomodado, eu não sei explicar,
mas o que eu vi nesse documentário é que no meio do povo é bem diferente, eles
precisam do que fazem e faz parte da vida deles, se prepararam o ano inteiro para
aquele momento, é vida, é paixão. É isso que a gente estava discutindo, que a gente
precisa ter essa paixão.
Rosane: Na nossa sociedade, arte, sexo, comida, política e educação são
tratados como produtos de mercado, para consumo, gerador de rendas, quanto mais
render, mais espaço tem. No entanto, a vida nos mostra que nenhum ser humano,
nenhuma sociedade vive sem a arte, porque ela é alimento, é sexo, é política, é
educação.
Ou seja, precisamos da arte para viver, para nos alimentar, nos organizar
fisicamente. Aí, o que acontece? Foram nos dando água com açúcar, tirou-se a
música, a dança, tirou-se o sensível da nossa formação, tirou a magia, transfiguração,
tirou o rito, tirou o transe, que eram elementos fundamentais da organização
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psíquica e emocional do ser humano. O resultado é que a arte que produzimos é
reflexo da sociedade que criamos. O fazer artístico do povo é muito diferente do
nosso. Para o povo a recompensa se dá no próprio fazer, como criança quando
brinca. Ela não brinca para ter público, não brinca para ganhar dinheiro, brinca para
ser feliz; quanto mais feliz, mais saudável; quanto mais saudável, mais lúcido;
quanto mais lúcido, mais divertido; quanto mais divertido, mais leve, por mais
pesado que seja tudo.
* * *
Carlos: Eu queria falar que me chamou atenção o fato do Maracatu Rural. Ele
foi criado pelos caras do campo com as ferramentas deles, os caras trabalhavam o dia
inteiro cortando cana com aquilo pesadíssimo, chegavam lá sei lá que horas, e
usavam o mesmo instrumento para recriar uma outra coisa.
Rosane: Isso é transcendência no sentido mais profundo da palavra, essa
outra coisa que eles criam os tira dessa posição medíocre de semi-escravos e os
coloca numa posição de criadores, e criar não é pouca coisa, principalmente nas
condições em que eles se encontram.
* * *
Djalma: Tem uma coisa, como o mestre do caboclinho, o Zé Alfaiate, falou da
propriedade do amor, o que o move é o amor que ele tem ao caboclinho, tendo
dinheiro ou não, vai ter caboclinho. Então eu acho que tem muito amor.
Rosane: Eu quero agradecer a você, Djalma. Tem uns doze anos que eu dou
essas aulas, e todo ano, na primeira, eu falo da paixão, e na última aula eu falo pra
vocês não se apaixonarem pelas coisas, porque tudo, absolutamente tudo passa, e
não tem necessidade da gente se apaixonar que isso só faz a gente sofrer e nos limita
na visão, isso eu vou dizer na última aula pra vocês. (risos e mais risos). Mas você
está me sugerindo um termo mais apropriado, é o amor mesmo, a gente é movido a
amor, a essência da gente é o amor, se você olhar um passarinho dando de comer ao
filhote você vai ver que é um estado de amor, a sensação dos pais ao nascimento de
um filho é um estado de amor, uma cachoeira desaguando grandiosamente dentro
do rio é um estado de amor, a nossa vocação maior é para o amor. Mas esse amor, é
como se a gente tivesse que reaprendê-lo, a gente tem que se encontrar com ele de
novo, e eu acho que essa passagem da gente aqui pela terra, dure o quanto durar, é
15
pra nos lembrar disso! Então às vezes a gente fica na dúvida, será que eu faço
Brincante ou eu faço Célia Helena, não importa muito, porque em qualquer opção
que eu faça, o que eu tenho que aprender de fato é reconhecer esse amor. O que é
importante nessa passagem pela terra é acordar esse estado de amor, que é o estado
primordial do ser humano e do universo.
Djalma: É o amor. Eu acho que é um toque pra gente acordar e aproveitar as
oportunidades que a gente tem, se a gente não aproveitar a vida vai passar, é muito
forte, problema todo mundo tem, mas quando a gente ama e se dedica a gente vai e
faz, a devoção alimenta e faz a gente ir além.
Rosane: Esse grupo é muito bom! Percebe-se que é gente que está buscando,
isso é muito importante, uma busca diferenciada... não nos poupa das difilculdades
mas nos auxilia a passar por elas, com mais serenidade.
E como diz Francisco de Assis, “que eu possa ter serenidade para aceitar o
que eu não posso mudar, serenidade para mudar o que eu posso e serenidade para
discernir uma coisa da outra”.
* * *
ALGUMAS QUESTÕES
Qual a origem das festas populares?
Pensando em uma síntese, pode-se dizer que eram festas pagãs que a igreja
católica incorporou no seu calendário. As festas pagãs eram reminiscências de rituais
primitivos que nossos antepassados desenvolveram para compreender a vida e
educar-se para enfrentar os desafios da natureza.
Qual a origem do Cavalo Marinho?
Provavelmente na sua origem o Cavalo Marinho, que também é conhecido
como Bumba-meu-Boi, foi um Reisado. Segundo Sílvio Romero, pequenos grupos de
Brincantes que executavam suas festas no ciclo dos 12 dias (do Natal ao dia de Reis).
O Cavalo Marinho da zona da mata de Pernambuco seria uma aglutinação de vários
Reisados, que por sua vez é uma reminiscência de festas ligadas ao solstício de
verão, solstício de inverno, equinócios, etc.
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O primeiro registro conhecido do folguedo data de 11 de janeiro de 1840 e foi
feito pelo padre Miguel de Sacramento Lópes no seu Carapuceiro, onde não precisa a
data do surgimento, dizendo apenas que é um folguedo de muitos anos.
Qual a diferença entre o conceito de folclore e o conceito de cultura
popular?
O conceito de cultura folclórica para dar nome ao imemorial patrimônio
cultural do povo brasileiro é inadequado, discriminatório, e até apequenador. Isso
porque ao longo dos anos, a palavra folclore veio carregando-se de significados que
contradizem o que vemos e compreendemos em relação a cultura do povo brasileiro.
Nomear uma manifestação cultural de folclórica é rebaixá-la, é vê-la sob o viés
do imobilismo, destituída de função atuante no dinamismo sócio-cultural.
O conceito de cultura popular é muito mais livre de tais significados. Hoje em
dia, a sociedade como um todo já começa a compreender e assimilar muitos dos
valores presentes na cultura popular brasileira.
O que essencialmente está contido nas manifestações populares que pode
ser incorporado nos dias de hoje?
O ritual, recuperar nossa capacidade de selecionar e ritualizar algumas
atitudes.
O transe, expor nosso corpo a experiências físicas que nos tirem de um estado
cotidiano, e com isso, possamos visitar outros estados da consciência.
O simbólico, ler a vida através dos símbolos, porque eles nos falam além do
racional, nos informam por experiências físicas também.
A transfiguração, a possibilidade de, através do lúdico, vivenciarmos outras
faces de nossa personalidade.
Ao meu ver, esses são procedimentos que, se fossem incorporados na nossa
educação, nos ajudariam a nos sentirmos mais inteiros e integrados ao meio em que
vivemos.
É possível aprender essa cultura popular sem cair na tentação de repetir
formas?
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É possível mas não é fácil, para qualquer coisa que se busque aprender é
preciso estabelecer uma relação intensa, pois só uma relação intensa pode me levar
para dentro de mim, e só dentro de cada um é que está escrito o que fazer sem
precisar repetir o que já foi feito. Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, nos
dá um exemplo inspirador do que pode ser feito com a cultura popular. Bach,
Shakespeare, Lorca, Kodali, também servem de exemplos, mas Guimarães está mais
perto, inclusive no tempo.
O que a Festa do Divino tem de mais especial com relação às outras festas
populares?
É a única festa que nos remete ao futuro, celebra a profecia de que um dia os
povos abaixo do Equador seriam governados por uma criança, seriam todos
alimentados e livres. Isso é poético, enquanto desenvolvimento coletivo, mas
perfeitamente possível enquanto meta de crescimento individual. Fomos concebidos
para nos alimentarmos do que vemos, ouvimos e falamos, nascemos com todos as
possibilidades de sermos livres de preconceitos, valores e imagens que nos
apequenam, carregamos, distraidamente, uma criança interna que espera só ser
convidada para conduzir principescamente esse nosso cortejo pela terra.
* * *
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Crescemos nos Rodas e nas Oficinas
Teste seus conhecimentos e associe as frases aos seus autores.
1. Juliana Azoubel
2. Deise Alves.
3. Estevão Marques
4. Cristiano Meireles
5. Ana Figueiredo
6. Milton Santos
7. Ariano Suassuna
8. Roberto Pompéia
9. Antonio Nóbrega
10. Adriano Bechara
11. Silvio Sawaia
12. Manoel Lemes
13. Renata Rosa
14. Mestre Inácio
“Nós somos uns pedaços de pessoa; quando formos inteiros, o mico-leão-dourado será
salvo”.
“Eu comparo nossa vida
Àquela dobra do “S”
É uma ponta que sobe
É outra ponta que desce
E a volta que tem no meio
Nem todo mundo conhece”.
“Mão, estalo, estalo, mão, estalo, estalo”.
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“A clarividência não vem da intuição, vem do estudo”.
“Arrasta o pé pra trás xotinho...”.
“Entramos no período popular da história, ninguém agüenta mais essa tecnologia
exagerada”.
“Sou inxirido”.
“Dançar a Vida”.
“A memória... quando eu me lembro, eu me conecto”.
“Mais importante que ter a informação é saber fazer as relações”.
“Iapo, ia ia ie
Ituque ituque iapo
Ituque e tuque ie”.
“Na jornada da vida tem sempre um muro a ser saltado”.
“O mundo é um ensaio para ser humanidade, nunca houve de fato a humanidade”.
“Saúdo a todos aqueles que sabem que não cultuamos as cinzas dos nossos
antepassados, mas a chama imortal que os animava.”
*Resposta correta: Todas as frases caberiam no discurso de qualquer uma
dessas pessoas que vocês conheceram esse ano.
20
Silêncio. Luzes apagadas. Olhos fechados. Coração aberto e alma que chora. A música
quebra o silêncio e quebra algo em mim.
O que estou fazendo da minha alma, da minha vida?
Que doenças são essas que circulam nessa cidade caótica que me faz esquecer das
coisas que eu acredito, que me faz querer possuir alguém...
Aonde está morando a liberdade que sempre almejei... A liberdade que morava em mim
e que se expulsou a cada ação, a cada pedra jogada no lago, com raiva e angústia.
São meus olhos que choram agora? São angústias e coisas que não quero mais dentro
de mim que caem em forma de lágrimas? Saem pra dar espaço, cansei de tantas formas de
estupro emocional, hoje e para todo sempre desejo a liberdade pura.
Amém!
* * *
Obrigada Monique e obrigada a todos vocês que nos acompanharam nessa
jornada, na nossa heróica e quixotesca jornada da vida. Foi buscando mais
humanidade que nos reportamos aos nossos antepassados mais primitivos, foi
compreendendo as relações que fomos nos fortalecendo para o mundo
contemporâneo, foi dançando que conhecemos a disciplina, foi cantando que
aprendemos a nos calar, mas como cada dia que renasce, tudo sempre recomeça.
Só não temos mais o direito de esquecermos, é preciso lembrar, lembrar
sempre que a escolha é nossa!
Um abraço Bia, Evânio, Carol, Iowana, Michele, Talita, Priscila, Arthur,
Lucilene, Ana Cristina, Flora, Alex, Fernando, Vanessa, Renata, Dígima, Maria,
Lucas, Monique, Ana Luiza, Juninho.

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Apostila do Curso de Formação de Jovens Brincantes

  • 1. 1 CURSO DE FORMAÇÃO DE JOVENS BRINCANTES Equipe de professores: Rosane Almeida, Otávio Bastos, Juliana Pardo, Alício Amaral, Matheus Prado e Léo Rodrigues. Queridos alunos! Esta apostila foi construída a partir de anotações de todas as aulas do curso, feitas entre março e junho pela nossa colega Monique Franco. Imaginei registrar aqui alguns momentos para relembrar e outros para os auxiliar na elaboração de aulas, oficinas e números artísticos que vocês venham a construir após o Curso de Formação de Jovens Brincantes. Evitei as definições conceituais de cada manifestação estudada no curso, porque elas se encontram no site www.institutobrincante.org.br, no link “Danças Brasileiras”, além de termos as indicações bibliográficas, textos utilizados em nossas aulas, e o caderno de anotações da Monique digitalizado na íntegra. Vale a pena conferir! Além do conteúdo dessa apostila, o material completo traz um DVD “Danças Brasileiras” (aquele nosso programa, transmitido pelo Canal Futura), um CD “Dançando no Brincante”, com as músicas que mais usamos no curso, e o meu livro “A Mais Bela História de Adeodata”. A parte do pandeiro foi cuidadosamente elaborada pelo Léo, a partir das suas aulas e da apostila do Gabriel Almeida. E começa a jornada, a música, a Brincadeira! “Meu bem eu cheguei agora, mas eu te peço tu não vai chorar, por favor me dê a sua mão, entra no meu bordão, venha participar!” “Uma roda gigante, muita gente bonita, diferente... ‘Será que vamos nos lembrar desse dia?’ diz a Rosane, e diz muitas coisas: comprometimento, responsabilidade, escolhas...” OS ASSUNTOS VISITADOS
  • 2. 2 Não podemos nos esquecer que ao tratar de danças populares como referência para uma dança nacional, nenhuma delas é completa ou se basta por si mesma. No entanto cada uma tem contribuições preciosas nessa trajetória da construção de uma dança brasileira contemporânea. OS CÔCOS A contribuição da família dos côcos, que inclui o samba de parelha, é a possibilidade de se trabalhar com peso, apoio dos pés, pausas, improvisação, segmentação do corpo e ritmo. Nas aulas de côco, os aquecimentos devem levar em consideração o alongamento da coluna, o alinhamento das pernas (tornozelos, joelhos e bacia) e o peso do corpo. Os côcos oferecem muitos momentos de improvisação, de brincadeira em duplas e de coreografia em grupo (rodas, cordões, duplas etc.). As contagens não são necessárias pois como acontece em todas as danças populares, os puxantes conduzem o grupo. O desaquecimento pode ser centrado na tíbia e nos calcanhares, principalmente se for feito muito sapateado. Torções com a coluna deitada no chão também são interessantes. MARACATU RURAL É uma ótima dança para se trabalhar a noção de qualidades de energia. O fato de ser uma dança onde o ataque e a defesa são constantemente disfarçados nos possibilita transitar por essas qualidades de energia. O aquecimento do Maracatu Rural pode ter como foco o centro do corpo, o abdômem, a base de sustentação. Podemos trabalhar a qualidade de energia dos quatro elementos (água, fogo, terra e ar). O desaquecimento deve priorizar o alongamento, principalmente das pernas.
  • 3. 3 O FREVO O frevo propicia um trabalho aeróbico e de fortalecimento da musculatura. Trabalha muito com uma geometria das pernas e o improviso do tronco. É uma ótima dança para praticar impulsos, torções, movimentos no plano baixo e saltos, e uma das poucas danças brasileiras onde o dançarino dança também a melodia e não somente o ritmo. O desaquecimento deve ser muito cuidadoso pois é uma dança que solicita muito da musculatura. Um bom alongamento que passe por coluna, quadrícepes, tornozelo... CABOCLINHO (PERRÉ, BAIANO E GUERRA) O Caboclinho trabalha bem o espaço e a direção: os espaços no corpo, o espaço com relação ao outro e o espaço com relação ao deslocamento. É uma dança bastante coletiva, os desenhos coreográficos são muito ricos, e é uma ótima dança para se trabalhar em grupo. Movimentos da tíbia dão beleza e limpeza para os movimentos das pernas. O desaquecimento pode ser feito com a seqüência de exercícios de “abertura das pernas” (aqueles bem convencionais). JONGOS E BATUQUES Da família das danças de influência africana, o jongo e os batuques são danças onde o tronco merece bastante atenção, a bacia conduz a maioria dos movimentos. Em geral, as danças afro-brasileiras oferecem um repertório rico de movimentos para o tronco, os braços e as mãos. Um aquecimento que acorde essas partes do corpo faz a aula render mais. Pode-se conduzir a aula de tal forma que não será necessário proceder com o desaquecimento. A própria dança já leva a um “relaxamento no movimento”.
  • 4. 4 CAVALO MARINHO É a dança mais teatral das manifestações populares. O jogo do mergulhão permite trabalhar bem o olhar, os trupés, o ritmo e os personagens na intenção dos seus movimentos. O aquecimento pode ser construído com jogos que desafiem a atenção e a coordenação motora; o próprio mergulhão oferece vários desafios que podem ser usados como aquecimento para a dança. O desaquecimento pode ser feito com massagens em duplas. * * * AQUECIMENTOS E EXERCÍCIOS “O sábio e o Rei” Havia em um reino um grande sábio e um bom Rei. O Rei um dia quis saber porque o sábio era um grande sábio e ele apenas um bom rei. A princípio, ambos eram generosos, justos e disponíveis com aqueles que lhe procuravam, ou seja: eram muito parecidos. Então o rei resolveu observar o sábio. O sábio se levantou, tomou seu café, conversou com as pessoas, almoçou, meditou e dormiu. Pela manhã, o rei foi conversar com o sábio e disse que fazia exatamente as mesmas coisas, então o sábio lhe falou o segredo: “É que quando eu tomo café, eu tomo café; quando eu converso com alguém, eu converso com aquela pessoa; quando eu almoço, eu almoço; quando eu medito, eu medito; e quando eu durmo, eu durmo!” Qualquer exercício pode ser eficiente, depende muito mais de como o fazemos do que o quê fazemos.
  • 5. 5 Bolinha: Parte 1 - Descrição Massagear o pé com a bolinha. O pé tem 3 apoios: o primeiro metatarso (perto do dedão), o segundo que é o quinto metatarso (perto do dedo mindinho), e o terceiro no calcanhar. Colocar a bolinha em cada apoio e soltar o peso. Pisar a bolinha de maneiras diferentes e refletir sobre as sensações. Com um pé de cada vez, deixar a bolinha embaixo do calcanhar e relaxar o corpo, soltando a coluna e a cabeça em direção ao chão. Colocar as duas mãos no chão, sem precisar esticar os joelhos, a mão contrária do pé que está com a bolinha em direção ao teto, alongando toda a lateral do corpo. Relaxar e subir vértebra por vértebra até a cabeça. Repetir para o outro lado. Obs.: Sempre que fizer um lado, antes de fazer o outro, perceber as mudanças no corpo, o espaço nas articulações, a temperatura do lado trabalhado. Observar ombro, orelha, os olhos, a boca, o cotovelo, enfim, todo o lado trabalhado. Parte 2 – Técnicas a) Pequenininho Jogar a bolinha de uma mão para outra, começando com a direita, realizando acima da cabeça um trajeto em forma de arco. b) Grandão Jogar a bolinha de uma mão para outra, acima da cabeça, num trajeto em forma de arco com um espaço maior. c) Cachoeira Segurar a bolinha com a mão direita acima da cabeça, deixá-la escorregar em direção ao cotovelo e a segurar com a mão esquerda. Repetir para o outro lado. d) Dentro e fora Jogar a bolinha por debaixo das pernas, primeiro por dentro (entre a virilha) e depois por fora (pela coxa).
  • 6. 6 e) Faca Começar com a mão que a bolinha estiver, jogá-la para cima e antes dela cair novamente na mão, com a outra cortar o espaço, indo e voltando em um movimento contínuo. f) Fé Imaginar na sua frente um U, segurando a bolinha e o fazendo no espaço; quando chegar nas extremidades superiores do U, abrir a mão sem deixar a bolinha cair. Acredite! Ela não vai cair. A mão está com a palma para baixo. Fazer apenas com a mão direita (indo e voltando). g) Infinito Jogar a bolinha com a mão esquerda por cima das costas da mão direita, essa contorna a bola e a pega por baixo. h) Acabou Equilibrar a bolinha em cima de uma mão. Parte 3 - A técnica que virou dança Transformar essa sequência anterior em dança. Usar o corpo para realizar esses movimentos, acompanhar os ritmos sugeridos e não usar apenas as mãos e a bolinha pra cá e pra lá. Deve-se fazer com que o corpo todo responda ao movimento da bola. Dançar livremente com a bolinha e, caso ela caia, não interromper o movimento, aproveitar a situação e criar em cima disso. A vida não tem intervalos por isso devemos aproveitar cada momento para construir algo. O objetivo de trabalhar com a bolinha é desenvolver exercícios que concentrem pensamento, palavra e movimento. Para dançar é preciso estar inteiro, o inteiro começa no pensamento, se traduz na palavra e se concretiza na ação. Cada corpo tem uma história, herdou vocações, limites, medos, desejos e a dança é para expressar tudo isso de maneira criativa, elegante e original.
  • 7. 7 Parte 4 - Em grupo A turma se divide em 4 grupos para introdução do passo do côco (direita, esquerda, direita). Cada grupo fica com uma bolinha. Jogar a bolinha um para o outro, e quando um joga, ele se congela; quando o outro recebe, faz um movimento, depois se inverte a dinâmica. Sempre no ritmo do côco. Sem a bolinha, passar a intenção do seu movimento para o outro e aproveitar as sugestões físicas que a dança do outro lhe oferece, sempre com músicas de côco. Para finalizar a aula, juntar todos as informações, improviso nos movimentos, pausas, informações corporais dos outros, entrar em um passo e sair dele criativamente, usando tudo isso com músicas que nos tragam boas sensações e que de preferência não sejam da dança que se trabalhou, no caso dessa aula, outras músicas que não sejam os côcos. * * * DANÇA /TEATRO: EXERCÍCIOS Aquecimento Caminhar pelo espaço, encontrar um lugar e deitar. Mapear o corpo, perceber qual parte toca no chão, o peso do corpo no chão, como se a força da gravidade sustentasse nosso corpo no chão. Movimentar levemente a bacia pra frente e pra trás com os pés apoiados no chão, depois em movimentos circulares, levantar a bacia do chão e chacoalhar sentindo o seu peso. Com apenas um pé apoiado, fazer movimentos circulares com a outra perna, soltando-a reta e pesada no chão. Inverter a perna e repetir o exercício. Levantar e espreguiçar sempre em um movimento contínuo, usando os três planos, baixo, médio e alto.
  • 8. 8 Jogo Vilão, Vítima e Salvador O vilão (pegador) tenta pegar a vítima. A vítima, para se salvar, chama o salvador pelo nome da pessoa. Esse, então, vai atrás do antigo vilão que passa então a ser a vítima, e o salvador da primeira vítima é agora o vilão. Não se pode retornar o jogo chamando quem acabou de ser vilão ou qualquer outra coisa. Obs.: O importante de se observar nesse jogo é a atitude do pegador e a atitude da vítima, a prontidão do salvador e a concentração e o controle da ansiedade de todos na roda. Este é um bom exercício para decorar os nomes dos participantes. Exercício de enraizamento Todos de pé, com as pernas abertas sentindo a base do corpo. Transferimos o peso do corpo de uma perna para outra. Então enraizamos o pé começando pela ponta do dedão, o metatarso, região do peito do pé até transferir todo o peso para a perna e fazer a mesma coisa com o outro pé. Obs.: Esse exercício permite que a gente ande, salte, dance pelo espaço sem fazer o mínimo de barulho. Também por conta das danças populares serem sempre ligadas ao chão, ao peso, sem barulho, então o melhor mesmo é enraizar os pés pra ver se nascem frutos! O pulso do Maracatu rural Ouvir a pulsação do Maracatu rural, trazer este ritmo para o corpo permitindo qualquer movimento, dançar pela sala na mesma pulsação com cada um do seu jeito. Obs.: Cada um, com seu corpo, na sua pulsação. Quando o som abaixa e fica só nosso som de pés fortes pela sala, o som que se ouve parece o mesmo. Toda dança
  • 9. 9 devia vir antes da técnica, nascer do corpo. Som entrando pelos tímpanos e nos percorrendo por inteiro, seja lá qual for o formato desse corpo, para o tornar vivo. Para finalizar o exercício, todos com as costas da mão, uma atrás da outra e bater uma palma ao mesmo tempo... plaft. Acabou. “Educar-se primeiro para depois poder educar aos outros”. Aquecimento para o intérprete Relaxar o corpo no chão sem se mover. Mapear as partes que tocam o chão, os espaços de ar entre o corpo e o chão. Depois, começar a se movimentar pelos dedos do pé, a explorar todas as possibilidades sem mover o restante; seguir para os calcanhares, os joelhos (sem bacia), os dedos das mãos, os cotovelos, os ombros, a bacia deixando envolver toda a coluna até o pescoço. Em um movimento contínuo, envolvendo todas as articulações, trabalhando os planos baixo, médio e alto, soltando o corpo e explorando movimentos não convencionais, ir parando devagar, sempre observando as relações entre os movimentos das pernas e os movimentos dos braços, articulações de joelhos e cotovelos, calcanhares e punho, a bacia e o tronco. Exercício de capoeira Base da capoeira, ginga com a bacia colocada, pernas e pés voltados para fora, calcanhares alinhados com os ísquios. A partir da ginga da capoeira, soltar o corpo com atenção aos braços, desenhos do tronco, possibilidades de sustentação em uma perna, giros, impulsos, ou seja, usar a ginga da capoeira como exercício de assimilação de outros vocabulários. Essa seqüência pode ser usada como introdução a qualquer outra dança que se queira trabalhar ou como exercício individual para se iniciar um trabalho de aquecimento. Jogo da Flecha Passar a flecha para outra pessoa, jogando-a através do foco com o olhar e uma palma. Fazer a mesma coisa dizendo o seu nome quando a passar. Fazer o
  • 10. 10 mesmo utilizando a noção de tempo e contra-tempo. Fazer vários sons, células rítmicas, sempre experimentando o tempo e o contra-tempo. Bater palma “estrela”, “concha” e “estalo”. Dividir em 2 grupos e chegar no côco de pergunta e resposta. Exercício do Guia Relaxar o corpo no chão, mapeá-lo. Depois, fechar o corpo ainda no chão ao máximo e depois abrí-lo por completo. Escolher uma dupla, onde um fica de joelhos no chão (com a coluna para cima) e o outro faz o seguinte exercício: a) A pessoa de pé massageia a coluna da pessoa no chão com os dedos em forma de pinça, acompanhando toda extensão do cóccix até o pescoço. Depois, com uma bolinha, bater em todas as partes do corpo, menos na coluna para não machucar. b) O companheiro levanta o outro pelo quadril até deixá-lo em pé e organiza a postura. c) Com as mãos no crânio do outro, guiar e experimentar movimentos pela sala, sempre um corpo acompanha o outro. d) Depois de explorar o pescoço, chegar ao crânio pelo osciptal. O guiador vai para a bacia e dá a sensação de peso para pessoa guiada, e começa a explorar os movimentos. e) Acabada essa parte, o guiador dá toda a noção da extensão da coluna do outro, fazendo uma vassourinha com as mãos e limpando até passar dessa extensão. f) Sozinho no espaço, o guiado experimenta a sensação dos movimentos, dessa mão que o guiou, num movimento crescente em intensidade, e o guiador o observa. g) Repete-se todo o exercício invertendo-se o papel dentro das duplas. h) Todos juntos, dançar no ritmo do côco utilizando da sensação da bacia e do pescoço solto trabalhadas anteriormente.
  • 11. 11 Exercício de Peso e força Dividir em duplas de pessoas de tamanho e peso semelhante. Uma pessoa fica com o corpo firme (na base), com uma estrutura para que o outro pesquise. O outro explora a diferença entre o pesado (quando você solta o seu peso na pessoa) e a força (quando você puxa ou empurra). Terminada a exploração, o que está explorando constrói uma estátua do que está na base. A estátua se movimenta em 4 tempos, primeiro leve, e volta na posição de estátua. E depois, mais 4 tempos, com movimentos pesados. Inverte-se a dupla e faz-se o mesmo exercício. Dançar pelo espaço percebendo o leve e o pesado. Em roda, marcar no pé 8 tempos para a direita, 8 para a esquerda, sucessivamente, depois diminui-se para marcações de 4, 2 e 1. Fazer leve, pesado, com som, etc., variando as qualidades de energia. Experimentar essa sensação com várias danças. Tente lembrar e descrever os seguintes exercícios a) Exercício do bastão. b) Exercício do chapéu. c) Exercício de segmentação.
  • 12. 12 Finalizando o semestre Jornada, escolha, brincadeira, descobrimento, observação, enraizamento, busca pela raiz, pulso, pensamento, presença, tempo, ritmo, ensaio para a humanidade, periferia, fricção, poesia popular, memória, sambada, cordões, partitura, coordenação, relações, movimento. “Liberdade é assim: Movimentação” Guimarães Rosa Reflexões Algumas perguntas, questões e comentários Iowana: “Rosane, eu li esses dias, numa revista, uma reportagem sobre disciplina... E era uma idéia muito precisa falando da liberdade que a disciplina traz pra gente. E acho que é um pouco do que você falou.” Rosane: “É exatamente isso, a disciplina é preciosa; não se vai muito longe sem ela. Existe uma disciplina imposta pelo domínio, fruto de uma hierarquia atrelada ao poder, mas existe uma disciplina voluntária, que nasce da consciência que eu desenvolvo sobre o que eu quero fazer. O funcionário de uma fábrica entra no trabalho às oito da manhã. O Nóbrega entra no estúdio às oito da manhã; um tem um cartão de ponto, o outro tem a consciência do que quer fazer. A dificuldade de desenvolvermos conscientemente uma disciplina está em nossos hábitos. É muito mais difícil transformar um hábito do que fazer novas conquistas. O povo nos ensina que para mudar um hábito é preciso “fazer votos”- alguém sabe o que é um voto? (É uma promessa) Mais ou menos, é você se dispor a fazer algo por um tempo determinado e ir aumentando até que nasce um novo hábito saudável e escolhido conscientemente. Por exemplo: vou tocar quinze minutos de pandeiro por sete dias, depois dez. Fraquejou no oitavo, começa de novo, até o momento que você conquista o hábito de tocar pandeiro quinze minutos por dia, faça sol ou faça chuva. Outra coisa que nos auxilia muito, por incrível que pareça, a mudar os nossos hábitos, é fazer serviço que não tem nada com você, como
  • 13. 13 lavar louça, arrumar a cama, fazer um prato de comida para outra pessoa, fazer serviço que não é para você, que você não tem nenhuma recompensa. Ah! Mas eu dou aula todo dia!... Isso não vale, você gosta de dar aula, você recebe para dar aula, isso não conta, isso não nos ajuda a mudar os nossos hábitos. É como se a gente criasse um espaço dentro da gente pra fazer alguma coisa para o outro; esse espaço que você cria pro outro é um espaço para o outro dentro de você, não é aquele outro habituado a agredir quando é agredido, mentir quando pressionado, é o outro que pode responder de outras maneiras, mas só através do exercício da doação é que a gente chega. Doação ao próximo através do serviço voluntário e doação a nós mesmos através do voto. E de novo a gente pode perceber que tudo está ligado à questão da devoção, que gera disciplina, que gera transformações, que geram conquistas. * * * Bia: Quero fazer uma observação. Na verdade, eu estava conversando outro dia com um rapaz sobre o que move a gente a fazer teatro. Ele disse assim que o teatro é a arte em si, é mais uma coisa que tá aí, que ninguém vai sentir falta dela, tanto que ela não é imposta na sociedade, ela é marginal e ninguém fala aí “vamos ao teatro”, é algo que a gente tem que ir atrás, tem que fazer, porque ela não faz falta na sociedade, todo mundo consegue viver sem, fica acomodado, eu não sei explicar, mas o que eu vi nesse documentário é que no meio do povo é bem diferente, eles precisam do que fazem e faz parte da vida deles, se prepararam o ano inteiro para aquele momento, é vida, é paixão. É isso que a gente estava discutindo, que a gente precisa ter essa paixão. Rosane: Na nossa sociedade, arte, sexo, comida, política e educação são tratados como produtos de mercado, para consumo, gerador de rendas, quanto mais render, mais espaço tem. No entanto, a vida nos mostra que nenhum ser humano, nenhuma sociedade vive sem a arte, porque ela é alimento, é sexo, é política, é educação. Ou seja, precisamos da arte para viver, para nos alimentar, nos organizar fisicamente. Aí, o que acontece? Foram nos dando água com açúcar, tirou-se a música, a dança, tirou-se o sensível da nossa formação, tirou a magia, transfiguração, tirou o rito, tirou o transe, que eram elementos fundamentais da organização
  • 14. 14 psíquica e emocional do ser humano. O resultado é que a arte que produzimos é reflexo da sociedade que criamos. O fazer artístico do povo é muito diferente do nosso. Para o povo a recompensa se dá no próprio fazer, como criança quando brinca. Ela não brinca para ter público, não brinca para ganhar dinheiro, brinca para ser feliz; quanto mais feliz, mais saudável; quanto mais saudável, mais lúcido; quanto mais lúcido, mais divertido; quanto mais divertido, mais leve, por mais pesado que seja tudo. * * * Carlos: Eu queria falar que me chamou atenção o fato do Maracatu Rural. Ele foi criado pelos caras do campo com as ferramentas deles, os caras trabalhavam o dia inteiro cortando cana com aquilo pesadíssimo, chegavam lá sei lá que horas, e usavam o mesmo instrumento para recriar uma outra coisa. Rosane: Isso é transcendência no sentido mais profundo da palavra, essa outra coisa que eles criam os tira dessa posição medíocre de semi-escravos e os coloca numa posição de criadores, e criar não é pouca coisa, principalmente nas condições em que eles se encontram. * * * Djalma: Tem uma coisa, como o mestre do caboclinho, o Zé Alfaiate, falou da propriedade do amor, o que o move é o amor que ele tem ao caboclinho, tendo dinheiro ou não, vai ter caboclinho. Então eu acho que tem muito amor. Rosane: Eu quero agradecer a você, Djalma. Tem uns doze anos que eu dou essas aulas, e todo ano, na primeira, eu falo da paixão, e na última aula eu falo pra vocês não se apaixonarem pelas coisas, porque tudo, absolutamente tudo passa, e não tem necessidade da gente se apaixonar que isso só faz a gente sofrer e nos limita na visão, isso eu vou dizer na última aula pra vocês. (risos e mais risos). Mas você está me sugerindo um termo mais apropriado, é o amor mesmo, a gente é movido a amor, a essência da gente é o amor, se você olhar um passarinho dando de comer ao filhote você vai ver que é um estado de amor, a sensação dos pais ao nascimento de um filho é um estado de amor, uma cachoeira desaguando grandiosamente dentro do rio é um estado de amor, a nossa vocação maior é para o amor. Mas esse amor, é como se a gente tivesse que reaprendê-lo, a gente tem que se encontrar com ele de novo, e eu acho que essa passagem da gente aqui pela terra, dure o quanto durar, é
  • 15. 15 pra nos lembrar disso! Então às vezes a gente fica na dúvida, será que eu faço Brincante ou eu faço Célia Helena, não importa muito, porque em qualquer opção que eu faça, o que eu tenho que aprender de fato é reconhecer esse amor. O que é importante nessa passagem pela terra é acordar esse estado de amor, que é o estado primordial do ser humano e do universo. Djalma: É o amor. Eu acho que é um toque pra gente acordar e aproveitar as oportunidades que a gente tem, se a gente não aproveitar a vida vai passar, é muito forte, problema todo mundo tem, mas quando a gente ama e se dedica a gente vai e faz, a devoção alimenta e faz a gente ir além. Rosane: Esse grupo é muito bom! Percebe-se que é gente que está buscando, isso é muito importante, uma busca diferenciada... não nos poupa das difilculdades mas nos auxilia a passar por elas, com mais serenidade. E como diz Francisco de Assis, “que eu possa ter serenidade para aceitar o que eu não posso mudar, serenidade para mudar o que eu posso e serenidade para discernir uma coisa da outra”. * * * ALGUMAS QUESTÕES Qual a origem das festas populares? Pensando em uma síntese, pode-se dizer que eram festas pagãs que a igreja católica incorporou no seu calendário. As festas pagãs eram reminiscências de rituais primitivos que nossos antepassados desenvolveram para compreender a vida e educar-se para enfrentar os desafios da natureza. Qual a origem do Cavalo Marinho? Provavelmente na sua origem o Cavalo Marinho, que também é conhecido como Bumba-meu-Boi, foi um Reisado. Segundo Sílvio Romero, pequenos grupos de Brincantes que executavam suas festas no ciclo dos 12 dias (do Natal ao dia de Reis). O Cavalo Marinho da zona da mata de Pernambuco seria uma aglutinação de vários Reisados, que por sua vez é uma reminiscência de festas ligadas ao solstício de verão, solstício de inverno, equinócios, etc.
  • 16. 16 O primeiro registro conhecido do folguedo data de 11 de janeiro de 1840 e foi feito pelo padre Miguel de Sacramento Lópes no seu Carapuceiro, onde não precisa a data do surgimento, dizendo apenas que é um folguedo de muitos anos. Qual a diferença entre o conceito de folclore e o conceito de cultura popular? O conceito de cultura folclórica para dar nome ao imemorial patrimônio cultural do povo brasileiro é inadequado, discriminatório, e até apequenador. Isso porque ao longo dos anos, a palavra folclore veio carregando-se de significados que contradizem o que vemos e compreendemos em relação a cultura do povo brasileiro. Nomear uma manifestação cultural de folclórica é rebaixá-la, é vê-la sob o viés do imobilismo, destituída de função atuante no dinamismo sócio-cultural. O conceito de cultura popular é muito mais livre de tais significados. Hoje em dia, a sociedade como um todo já começa a compreender e assimilar muitos dos valores presentes na cultura popular brasileira. O que essencialmente está contido nas manifestações populares que pode ser incorporado nos dias de hoje? O ritual, recuperar nossa capacidade de selecionar e ritualizar algumas atitudes. O transe, expor nosso corpo a experiências físicas que nos tirem de um estado cotidiano, e com isso, possamos visitar outros estados da consciência. O simbólico, ler a vida através dos símbolos, porque eles nos falam além do racional, nos informam por experiências físicas também. A transfiguração, a possibilidade de, através do lúdico, vivenciarmos outras faces de nossa personalidade. Ao meu ver, esses são procedimentos que, se fossem incorporados na nossa educação, nos ajudariam a nos sentirmos mais inteiros e integrados ao meio em que vivemos. É possível aprender essa cultura popular sem cair na tentação de repetir formas?
  • 17. 17 É possível mas não é fácil, para qualquer coisa que se busque aprender é preciso estabelecer uma relação intensa, pois só uma relação intensa pode me levar para dentro de mim, e só dentro de cada um é que está escrito o que fazer sem precisar repetir o que já foi feito. Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, nos dá um exemplo inspirador do que pode ser feito com a cultura popular. Bach, Shakespeare, Lorca, Kodali, também servem de exemplos, mas Guimarães está mais perto, inclusive no tempo. O que a Festa do Divino tem de mais especial com relação às outras festas populares? É a única festa que nos remete ao futuro, celebra a profecia de que um dia os povos abaixo do Equador seriam governados por uma criança, seriam todos alimentados e livres. Isso é poético, enquanto desenvolvimento coletivo, mas perfeitamente possível enquanto meta de crescimento individual. Fomos concebidos para nos alimentarmos do que vemos, ouvimos e falamos, nascemos com todos as possibilidades de sermos livres de preconceitos, valores e imagens que nos apequenam, carregamos, distraidamente, uma criança interna que espera só ser convidada para conduzir principescamente esse nosso cortejo pela terra. * * *
  • 18. 18 Crescemos nos Rodas e nas Oficinas Teste seus conhecimentos e associe as frases aos seus autores. 1. Juliana Azoubel 2. Deise Alves. 3. Estevão Marques 4. Cristiano Meireles 5. Ana Figueiredo 6. Milton Santos 7. Ariano Suassuna 8. Roberto Pompéia 9. Antonio Nóbrega 10. Adriano Bechara 11. Silvio Sawaia 12. Manoel Lemes 13. Renata Rosa 14. Mestre Inácio “Nós somos uns pedaços de pessoa; quando formos inteiros, o mico-leão-dourado será salvo”. “Eu comparo nossa vida Àquela dobra do “S” É uma ponta que sobe É outra ponta que desce E a volta que tem no meio Nem todo mundo conhece”. “Mão, estalo, estalo, mão, estalo, estalo”.
  • 19. 19 “A clarividência não vem da intuição, vem do estudo”. “Arrasta o pé pra trás xotinho...”. “Entramos no período popular da história, ninguém agüenta mais essa tecnologia exagerada”. “Sou inxirido”. “Dançar a Vida”. “A memória... quando eu me lembro, eu me conecto”. “Mais importante que ter a informação é saber fazer as relações”. “Iapo, ia ia ie Ituque ituque iapo Ituque e tuque ie”. “Na jornada da vida tem sempre um muro a ser saltado”. “O mundo é um ensaio para ser humanidade, nunca houve de fato a humanidade”. “Saúdo a todos aqueles que sabem que não cultuamos as cinzas dos nossos antepassados, mas a chama imortal que os animava.” *Resposta correta: Todas as frases caberiam no discurso de qualquer uma dessas pessoas que vocês conheceram esse ano.
  • 20. 20 Silêncio. Luzes apagadas. Olhos fechados. Coração aberto e alma que chora. A música quebra o silêncio e quebra algo em mim. O que estou fazendo da minha alma, da minha vida? Que doenças são essas que circulam nessa cidade caótica que me faz esquecer das coisas que eu acredito, que me faz querer possuir alguém... Aonde está morando a liberdade que sempre almejei... A liberdade que morava em mim e que se expulsou a cada ação, a cada pedra jogada no lago, com raiva e angústia. São meus olhos que choram agora? São angústias e coisas que não quero mais dentro de mim que caem em forma de lágrimas? Saem pra dar espaço, cansei de tantas formas de estupro emocional, hoje e para todo sempre desejo a liberdade pura. Amém! * * * Obrigada Monique e obrigada a todos vocês que nos acompanharam nessa jornada, na nossa heróica e quixotesca jornada da vida. Foi buscando mais humanidade que nos reportamos aos nossos antepassados mais primitivos, foi compreendendo as relações que fomos nos fortalecendo para o mundo contemporâneo, foi dançando que conhecemos a disciplina, foi cantando que aprendemos a nos calar, mas como cada dia que renasce, tudo sempre recomeça. Só não temos mais o direito de esquecermos, é preciso lembrar, lembrar sempre que a escolha é nossa! Um abraço Bia, Evânio, Carol, Iowana, Michele, Talita, Priscila, Arthur, Lucilene, Ana Cristina, Flora, Alex, Fernando, Vanessa, Renata, Dígima, Maria, Lucas, Monique, Ana Luiza, Juninho.