Princípio e fundamento por padre alfredinho sj

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principio e fundamento por padre alfredinho

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Princípio e fundamento por padre alfredinho sj

  1. 1. Princípio e Fundamento <ul><li>A visão inaciana de Deus, do homem e do mundo </li></ul>
  2. 2. Necessidade de uma preparação <ul><li>Os EE querem levar a uma verdadeira e profunda conversão, mas isso não se faz de repente. Inácio sabia por experiência própria que um fruto tal deveria ser preparado longamente. A experiência da Primeira Semana dos EE supõe um encontro com Deus que a precede e a acompanha. Portanto, uma PREPARAÇÃO </li></ul>
  3. 3. O uso que se fazia do Princípio e Fundamento <ul><li>No início, o uso que se fazia deste texto era muito simples. Tendo já peparado o candidato aos EE longamente, Inácio podia simplesmente declarar o fundamento ao início, como uma visão de conjunto </li></ul><ul><li>Quando a preparação do exercitante não tinha sido tão bem cuidada – pelo crescente número de exercitantes – o Fundamento devia ser mais que uma chamada: um tempo para familiarizar-se com o ideal que fundamenta as disposições requeridas. </li></ul><ul><li>O Fundamento, de uma simples “declaração” que era no início, viu ser dividido em pontos e transformado em texto de meditação </li></ul><ul><li>Necessidade de preparar bem o exercitante </li></ul>
  4. 4. A visão inaciana de Deus, do homem e do universo <ul><li>“ Uma vez se lhe representou ao intelecto, junto a uma grande alegria espiritual, o modo com o qual Deus tinha criado o mundo. Parecia-lhe ver uma coisa branca, da qual saiam raios e com os quais Deus fazia luz” ( Autobiografia 29). </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Às margens do rio Cardoner, o peregrino experimentou as criaturas descendo do alto de Deus e o seu necessário retorno e reintegração no seu fim último que é Deus mesmo </li></ul><ul><li>Nadal: “lhe foi dado não somente um claro entendimento mas também uma compreensão interna de como Deus criou o mundo e ocmo o Verbo se fez carne” </li></ul>
  6. 6. <ul><li>À luz desta experiÊncia de Deus criador, princípio ou fonte sempre ativa e fim último da criação, duas verdades se impõem ao espírito de Inácio e comandarão a sua atitude muito positiva para com o mundo: uma com relação à subsistência de todas as coisas criadas em Deus; a outra explica a reordenação de todas as coisas e o dinamismo precioso que daí deriva </li></ul><ul><li>O homem tem o poder de se elevar das coisas visíveis às invisíveis e a Deus mesmo que por meio delas manifesta a sua potência eterna e a sua divindade </li></ul><ul><li>O ato criador imprime uma marca a toda a criação que proclama o nome de Deus “Criador e Senhor”. Este ato mesmo, que chama à existência, inculca à criação um movimento e uma reordenação </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Inácio insistiu muito sobre esta ordenação de todas as coisas a Deus: “O Senhor nosso, na sua infinita bondade, o concede habitualmente às almas que põem nele a sua morada como o princípio, o meio e o fim de todo Bem. O seu nome altíssimo seja sempre louvado e exaltado em todas e por todas as criaturas, ordenadas e criadas para este fim tão justo” (Carta a Francisco de Borja). </li></ul>
  8. 8. <ul><li>“ A referência a Deus percorre todos os EE, porque estes tratam de dispor o homem para encontrar a vontade de Deus... Deus é a norma suprema que orienta a vida, e a felicidade suprema do homem se encontra somente Nele </li></ul><ul><li>Nos EE, Deus aparece desde o início como Deus vivente, infinita Bondade, nosso Criador e Senhor, única norma absoluta da vida do homem, e tudo deve ser ordenado a Ele, à sua glória e ao seu serviço na realização do seu desígnio de amor </li></ul>
  9. 9. Interpretação global do texto <ul><li>Duas partes ligadas: </li></ul><ul><li>Na primeira parte o acento cai não sobre o fato da criação nem sobre o homem, mas sobre o fim ao qual ele é destinado; </li></ul><ul><li>Na segunda parte o movimento de todo o conjunto, por via de dedução, se move do fim às consequências práticas : sobre estas vai cair o acento complexivo do texto </li></ul><ul><li>O vigor do texto se concentra sobre a parte final: a norma do “tanto-quanto”, a necessidade da “indiferença” e o impulso para o “magis” </li></ul>
  10. 10. Articulação e estrutura do Fundamento <ul><li>Primeira parte: </li></ul><ul><li>“ O homem é criado: </li></ul><ul><li>Para louvar, reverenciar e servir a Deus N.S. e para salvar, deste modo, a própria alma; </li></ul><ul><li>e as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, para ajudá-lo a alcançar o fim para o qual foi criado </li></ul><ul><li>Segunda parte: </li></ul><ul><li>“ Daí segue que o homem deve: </li></ul><ul><li>Servir-se das coisas tanto quanto o ajudem a conseguir alcançar o fim para o qual foi criado e tanto deve desembaraçar-se delas quanto elas o impeçam disso. </li></ul><ul><li>Por essa razão </li></ul><ul><li>É necessário tornar-nos indiferentes a todas as coisas criadas </li></ul><ul><li>(em tudo o que é permitido ao nosso livre-arbítrio e não lhe é proibido), </li></ul><ul><li>De modo a não desejar da nossa parte </li></ul><ul><ul><li>Mais saúde que doença, </li></ul></ul><ul><ul><li>Mais a riqueza que a pobreza, </li></ul></ul><ul><ul><li>Mais a honra que a desonra, </li></ul></ul><ul><ul><li>Mais a vida longa que a breve, </li></ul></ul><ul><ul><li>e assim em todo o resto, </li></ul></ul><ul><li>Desejando e escolhendo somente o que MAIS nos conduz ao fim para o qual fomos criados” </li></ul>
  11. 11. O Título: Princípio e fundamento <ul><li>“ Chama-se princípio porque ali estão incluídas as conclusões que depois se irão especificando e declarando. E se chama Fundamento porque sustenta sobre si todo o edifício da vida espiritual” (La Palma) </li></ul>
  12. 12. Primeira Parte <ul><li>“ O homem é criado : </li></ul><ul><li>Para louvar , reverenciar e servir a Deus N.S. </li></ul><ul><li>e para salvar, deste modo, a própria alma; </li></ul><ul><li>e as outras coisas criadas sobre a face da terra são criadas para o homem, </li></ul><ul><li>Para ajudá-lo a alcançar o fim para o qual foi criado </li></ul>
  13. 13. “ O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus N.S.” <ul><li>Acento do texto: aspecto finalistico: “Criado PARA ” </li></ul><ul><li>O homem se define pela sua FINALIDADE: Toda a existência humana se joga neste campo de Deus-Criador. </li></ul><ul><li>“ O homem e Deus, eis os polos extremos do movimento que é definido por duas relações recíprocas: criação e finalidade. Relações que formam um círculo, uma expressando a origem do homem a partir de Deus, a outra o movimento inverso de retorno a Deus... Todo o ser de Deus enfim se apresenta a nós primeiro como Princípio e fim de todas as coisas asim como também do seu devirdivenire, a fine di essere riconosciuto e voluto come tale dall’uomo” (Fessard) </li></ul>
  14. 14. Louvar <ul><li>Israel agradece os benefícios do Senhor, louvando-o </li></ul><ul><li>Expressa a idéia de um reconhecimento não somente exaltante daquele que é louvado, mas também exultante para aquele que louva </li></ul><ul><li>O louvor manifesta um amor apaixonado, de admiração, entusiasmo, provocado pelo amor total de Deus amigo </li></ul>
  15. 15. Reverenciar <ul><li>A reverência, que na sua origem latina recobre os significados de temor, respeito, nos conduz ao “temor de Deus” da Bíblia, indica portanto um amor respeitoso, que teme não o outro, mas teme de trair e de se esquecer do amor </li></ul>
  16. 16. Servir <ul><li>A fim de que o amor seja perfeito, além de ser sensato e humilde, precisa ser estável. A isso conduz o serviço: servir é o mesmo que amar sempre </li></ul><ul><li>Servir é aceitar a tarefa que Deus confiou ao homem, é colaborar para o cumprimento da sua obra gloriosa. Colaboração que quer ser um serviço humilde e uma homenagem sem trégua rendida à Majestade </li></ul>
  17. 17. “ Deus Nosso Senhor” <ul><li>Jesus Cristo é o “Criador e Senhor”, o “Criador e redentor” (EE 229) </li></ul><ul><li>No Exame Geral encontramos três trechos onde a expressão é claramente aplicada a Jesus. Uma é: “Quando fosse sem ofensa alguma de sua divina Majestade, e sem pecado do próximo, deveriam desejar sofrer injúrias, falsos testemunhos, afrontas, e ser tidos e julgados por doidos, porque desejam parecer-se de algum modo com nosso Criador e Senhor Jesus Cristo, e imitá-lo vestindo-se de seu traje e usando as suas insígnias, como Ele as usou para nosso maior proveito espiritual” (Const. 101) </li></ul><ul><li>Vita Christi de Ludolfo de Saxônia: na introdução este livro traz uma longa meditação sobre o Prólogo do Evangelho de S. João. Nesta meditação Cristo é chamado de “ salutis fundamentum”, único fundamento da salvação. </li></ul>
  18. 18. Segunda parte <ul><li>“ Daí segue que o homem deve: </li></ul><ul><li>Servir-se delas tanto quanto o ajudem </li></ul><ul><li>a conseguir o fim para o qual foi criado </li></ul><ul><li>e tanto deve libertar-se delas quanto o impeçam disso </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Depois de ter definido os polos do ato livre – o homem e Deus – Inácio precisa que o movimento que deve unir os dois passa necessariamente pelo mundo </li></ul><ul><li>Por meio do homem, “todas as coisas criadas” se convertem em louvor, reverência e serviço. </li></ul><ul><li>Fazer-se indiferente não é portanto negar nada, mas sim “ abrir-se a todas as coisas criadas ” </li></ul><ul><li>A lei do “tanto-quanto” comanda o movimento do ato livre em meio ao mundo rumo ao seu Fim. O uso das criaturas dever ser um uso ordenado </li></ul>
  20. 20. Por esta razão: <ul><li>É necessário tornar-nos indiferentes com relação a todas as coisas criadas </li></ul><ul><li>(em tudo o que é permitido à liberdade do nosso livre-arbítrio e não lhe é proibido), </li></ul><ul><li>De modo a não desejar da nossa parte </li></ul><ul><li>Mais saúde que enfermidade , </li></ul><ul><li>Mais a riqueza que pobreza , </li></ul><ul><li>Mais honra que desonra , </li></ul><ul><li>Mais a vida longa que a breve , </li></ul><ul><li>e assim em tudo o mais, </li></ul>
  21. 21. <ul><li>Inácio considera sempre ao mesmo tempo a grandeza do homem – que expressa a sua responsabilidade no seio da criação – e a sua profunda miséria e fragilidade. Assim que o homem é considerado sempre em dificuldade e como alguém que é necessitado de Deus. Deverá continuamente ordenar-se, com a ajuda de Deus, para poder responder aos homens e a Deus </li></ul><ul><li>Falar dos fins e dos meios é recordar o sentido do universo e da existência criada. Mas relevar a dificuldade é chamar a atenção sobre a divisão interior do homem entre a sua miséria e a sua grandeza. Esta consideração leva a cabo a passagem da situação ideal do homem à atual e concreta </li></ul>
  22. 22. Indiferença inaciana <ul><li>O que não é: </li></ul><ul><ul><li>Não significa uma insensibilidade ou frieza afetiva </li></ul></ul><ul><ul><li>Não se identifica com a ataraxia estóica ou com o ideal do herói grego </li></ul></ul><ul><ul><li>Não é nem mesmo somente um renunciar a si mesmo </li></ul></ul>
  23. 23. O que é a indiferença : <ul><li>A suspensão provisória do querer </li></ul><ul><li>Sentimento extremamente vivo e acurado do caráter provisório, passageiro e polivalente de todas as coisas que não são Deus </li></ul><ul><li>Uma preferência, para além dos apegos naturais e íntimos, dada à ordem divina da criação que abraça todas as coisas em um movimento de amor e serviço </li></ul><ul><li>Desejo de querer somente o que o Senhor quer. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>Liberdade de espírito </li></ul><ul><li>Encontrar-me como a agulha de uma balança para seguir o que me pareça melhor para a glória de Deus N.S. e para a salvação da minha alma </li></ul><ul><li>Expressa portanto uma espera paciente e repeitosa da vontade de Deus </li></ul><ul><li>Uma graça que se deve desejar e pedir com insistência </li></ul><ul><li>Disponibilidade em cumprir a vontade de Deus </li></ul>
  25. 25. “ Devemos tornar-nos indiferentes …” <ul><li>A indiferença é um caminho: não é algo que existe ou não existe totalmente. Pode já existir numa certa medida, seja quanto à intensidade, seja quanto à área das coisas diante das quais se exerce. No início, em todo caso, é sempre imperfeita. </li></ul><ul><li>O caminho a ser percorrido para promover a indiferença é duplo: a via ascética (empenho sério da nossa vontade) e a via do amor, sobretudo do amor pessoal a Jesus Cristo </li></ul><ul><li>“ Nós não acabaremos nunca de nos tornarmos indiferentes, mas a repetição do ato inicial gerará pouco a pouco um habitus caracterizado por um estado de disponibilidade” (Fessard) </li></ul>
  26. 26. <ul><li>A finalidade do PF não é alcançar com uma única meditação a indiferença: quem acreditasse ser capaz disso poderia interromper já os EE, porque não teria necessidade deles. Trata-se muito mais de: </li></ul><ul><li>Fazer compreender e sentir a necessidade da indiferença </li></ul><ul><li>Fazer tomar consciência, sem desencorajar-se, das próprias faltas nesta matéria e da dificuldade de sermos indiferentes </li></ul><ul><li>Suscitar o vivo desejo de tornar-se indiferente </li></ul><ul><li>Fazer desejar vivamente os EE, sabendo que o itinerário destes visa precisamente alcançar este estado espiritual </li></ul>
  27. 27. <ul><li>“ De modo a não desejar da nossa parte mais saúde que enfermidade , mais riqueza que pobreza , mais honra que desonra , mais vida longa que breve , e assim em todo o restante...” </li></ul>
  28. 28. “ Desejando e escolhendo somente o que mais nos conduz ao fim para o qual fomos criados” <ul><li>Esta última frase expressa o objetivo primordial dos EE: estes se propõem a criar no exercitante uma atitude permanente de decisão pelo amor, por um amor apaixonado que leva a desejar entregar-se mais e melhor </li></ul><ul><li>Ao final do texto, o pensamento inaciano toma uma direção inesperada e magnífica: a indiferença com relação a toda a criação chega imediatamente a significar, de fato, que se deve proceder “somente desejando e escolhendo o que mais nos conduz a este fim. É o famoso “magis” inaciano. </li></ul><ul><li>Portanto se passa de repente da indiferença a uma PREFERÊNCIA, da uma disponibilidade na espera a uma ESCOLHA </li></ul>
  29. 29. Papel do PF no itinerário dos EE <ul><li>A sua função principal é de introduzir aos EE, concentrando desde o início a atenção e o empenho do exercitante sobre a necessidade de certas disposições, que devem ser adquiridas ou ao menos desejadas vivamente antes de iniciar o processo. </li></ul><ul><li>A função do PF é também ser uma sondagem preparatória , como um apelo – ao qual o exercitante não poderá se negar – a examinar a si mesmo sob o fio do desejo. </li></ul><ul><li>Sendo uma síntese antecipada de todos os EE, o PF não pretende ser assimilado imediatamente em toda a sua integridade mas sim ao longo de todo o retiro </li></ul>
  30. 30. Perguntas <ul><li>Qual é a visão inaciana de Deus e do homem segundo o PF? </li></ul><ul><li>Como Deus e o homem são colocados em relação um com o outro por Inácio </li></ul><ul><li>Como se poderia hoje falar de “indiferença inaciana”? Que palavras poderíamos usar? </li></ul>

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