O POVO CEGOE AS FARSAS DO PODER                      uma aventura real no                      país do faz-de-conta       ...
Eric Campos Bastos Guedes   2   O Povo Cego e as Farsas do Poder
“A culpa é do hipócrita, mentiroso e esperto ao contrário,que atira a pedra e esconde a mão.”EstamiraEric Campos Bastos Gu...
ÍndicePREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO.............................................................................................
PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃOEste não é um livro de ficção, lamentavelmente. Desde o início de 2007 venho sofrendoperseguiçõe...
PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃOO governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido considerado excelente. Às vésperas deu...
PREFACIO À TERCEIRA EDIÇÃODemorou muito para que eu entendesse que há uma relação muito próxima entre o governo e oslídere...
sem que se possa provar nada contra ele, ou contra a igreja dele, fica tudo bem. O que importa paraessa gente religiosa é ...
Parte I               (Introito – Ilustrando o problema com textos relacionados)Eric Campos Bastos Guedes                9...
http://www.obm.org.br/univ/oimu.htmOlimpíada Iberoamericana de Matemática UniversitáriaO participante não deve possuir tít...
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sucesso dos outros. Uma pessoa estará sendo patologicamente egoísta se se incomodar com o êxitode quem ela julga não merec...
conseguimos entender melhor as dificuldades e motivações das pessoas que nos cercam, e essacompreensão poderá conduzir ao ...
maratonas, meias-maratonas e passa bastante tempo treinando. Sente-se muito bem ao constatarseus próprios progressos. A co...
sempre criando e executando programas que me permitissem investigar o mundo dos números.Também costumava jogar xadrez cont...
por sua morte. Quando ele voltou para casa fiquei impressionado. Estava aparentemente bem. Tãobem como sempre esteve. Acab...
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livros não me impediram de me sentir em desvantagem perante meus colegas, que já conheciam asmeninas na intimidade. Eu, po...
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devemos, sim é entender o mal, exatamente para nos defendermos dele. Sun-Tzu nos diz em seulivro “A arte da guerra” que co...
O povo cego e as farsas do poder 3ed
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Um relato contundente das cerca de dez tentativas de homicidio que sofri por parte do servico de inteligencia brasileiro - a ABIN - e também de setores religiosos autoproclamados cristaos. Revela os mecanismos utilizados para silenciar pessoas consideradas politicamente inconvenientes.

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  1. 1. O POVO CEGOE AS FARSAS DO PODER uma aventura real no país do faz-de-conta A visão e a história de uma vítima de sucessivas tentativas de homicídio empreendidas pelo serviço secreto brasileiroSexo Prostituição Psiquiatria ConspiraçõesPolítica Homofobia Matemática Espionagem eric campos bastos guedesEric Campos Bastos Guedes 1 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  2. 2. Eric Campos Bastos Guedes 2 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  3. 3. “A culpa é do hipócrita, mentiroso e esperto ao contrário,que atira a pedra e esconde a mão.”EstamiraEric Campos Bastos Guedes 3 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  4. 4. ÍndicePREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO...................................................................................................5PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO...................................................................................................6PREFACIO À TERCEIRA EDIÇÃO...................................................................................................7Parte I(Introito – Ilustrando o problema com textos relacionados)................................................................9Parte II(Vida Pregressa – Uma Pequena Autobiografia)................................................................................13Parte III(Difamação e tentativas de homicídio - o ataque de inimigos ocultos)..............................................61Parte IV(Indução ao suicídio, indução ao homicídio e infestação por cisticercose)......................................134Parte V(Escâneres comentados – a vilania familiar)....................................................................................186Parte VI(o ataque dos religiosos e infecção por sífilis).................................................................................200Eric Campos Bastos Guedes 4 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  5. 5. PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃOEste não é um livro de ficção, lamentavelmente. Desde o início de 2007 venho sofrendoperseguições de caráter político e diversas ameaças 1. Tive meu nome difamado, fui drogadoinvoluntariamente e sofri tentativas de homicídio. Sabemos que tais coisas ocorreram no passado eque talvez ocorram em algumas partes do mundo hoje. Porém sempre pensamos nisto como algoum tanto distante de nossa realidade. Até acontecer conosco. A maioria dos países tem um serviço secreto. Que propósitos tem tal atividade? Eles alegamproteger a soberania nacional e a democracia, entre outras coisas. No entanto é difícil imaginar queum governo tão corrupto esteja, ao mesmo tempo, tão preocupado em manter a democracia. Asoberania nacional, por sua vez, continua sendo uma abstração sem base concreta. Basta citar o casodo nióbio – mineral absolutamente necessário para a indústria mundial. Somos o único país domundo com quantidade significativa de nióbio e estamos vendendo este mineral a preços risíveis. Osilêncio a esse respeito é total. A grande mídia distrai a população com questões que nos chocam. Somos submetidos asucessivos sequestros emocionais e levados, assim, a ignorar os problemas reais – aqueles cujassoluções nos trariam mais qualidade de vida, prosperidade e paz. A mídia atribui a causa de nossosproblemas ao chapéu que temos sobre a cabeça e não aos pensamentos que nutrimos dentro dela.Então, compramos um chapéu novo e mais caro – e continuamos com nossos problemas. O presente texto convida a uma reflexão sobre a justiça e o poder no Brasil contemporâneo eno mundo. A sucessão dos acontecimentos por vir darão a tônica de nossas conclusões: um sopro deesperança no futuro ou a trágica constatação de uma realidade abjeta e inexorável. Os nomes das pessoas e instituições envolvidas foram trocados para evitar uma eventualproibição do comércio da presente obra2, como já aconteceu com outro livro semelhante, a saber,“O Canto dos Malditos” de Austregésilo Carrano Bueno.Eric Campos Bastos Guedesfator-n@hotmail.com / mathfire@gmail.com1 Na verdade, pude verificar que um primeiro indício significativo de que estava sendo vítima de algum tipo de conspiração ou complô surgiu em 2006, talvez antes que eu tivesse sido premiado na Olimpíada Iberoamericana de Matemática Universitária. Este indício consiste na alteração do texto de um meu outro livro – Fórmulas para Números Primos – alteração esta feita, presumivelmente, via Internet por algum hacker. Após 10 anos acessando a Internet sem nunca ter tido esse tipo de problema, essa foi a primeira vez em que percebi, de modo relativamente claro, que dados contidos no HD de meu computador foram acessados e alterados. Tal alteração foi bastante sutil para não ser percebida imediatamente, mas, talvez tenha sido nociva o bastante para fazer com que a proposta de publicação daquele meu livro pela Sociedade Brasileira de Matemática fosse recusada. Sem ter conhecimento da alteração do texto, acabei por publicá-lo, eu mesmo, em formato digital ao disponibiliza-lo no site www.docstoc.com .2 Na terceira edição deste texto decidi pôr os nomes verdadeiros das pessoas e instituições envolvidas. Já não tenho receio de ser processado por isso, pois omitir os nomes reais dificultaria muito qualquer investigação que pudesse ser feita a fim de elucidar os fatos e as interpretações deles. Na verdade, responder um processo na justiça agora seria um problema pequeno se comparado com as muitas tentativas de homicídio que sofri e que venho sofrendo sucessivamente. Na verdade, meus opositores querem anular-me, mas há que se dizer também que para anular uma pessoa nem sempre é uma boa estratégia matá-la. As vezes pode-se destruir uma pessoa oferecendo a ela comida contaminada. Isso ficará claro durante a leitura do texto.Eric Campos Bastos Guedes 5 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  6. 6. PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃOO governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido considerado excelente. Às vésperas deuma eleição, Lula está a ponto de conseguir eleger sua candidata, a ex-ministra Dilma Rousseff.Perguntando a pessoas do povo, vê-se logo que Lula é muito benquisto pela população. Não é paramenos! Hoje temos mais empregos que na época de Fernando Henrique Cardoso, os saláriossubiram e o salário mínimo, em particular, subiu bastante. O grande problema é o que tem sidofeito por debaixo dos panos, sem alarde, sem divulgação. Venho denunciando o governo Lula por permitir que cidadãos brasileiros sejam mortos pelaABIN – Agência Brasileira de Inteligência. A ABIN é o serviço secreto brasileiro, o equivalente aoServiço Nacional de Informações (SNI) da época da ditadura militar. Muitas pessoas quetrabalharam para o antigo e opressor SNI, trabalham hoje para a ABIN. Inclusive gente envolvidacom torturas, homicídios e coisas do gênero. Um grande indício de que o presidente Lula sabe quecidadãos brasileiros estão sendo mortos pela ABIN é o fato de que uma das funções da ABIN éjustamente prover o poder executivo de informações. Isto significa que Lula tem todo o direito desaber o que a ABIN está fazendo. E se ele não sabe é porque não está nem aí. Apesar de tudo, tenho que reconhecer que, talvez, Lula seja refém da ABIN. Foi a ABIN aresponsável pela criptografia do telefone presidencial. Essa criptografia protegeria, em tese, asligações de Lula e de seus familiares de coisas como grampos telefônicos. No entanto, é lógico quese alguém faz a segurança das informações de outrem, poderá, se quiser, ter acesso a taisinformações. Por exemplo, o sistema criptográfico dos telefones presidenciais pode ter uma falhaque só a ABIN conhece, e a ABIN poderia se valer, hipoteticamente, de uma tal falha para teracesso às ligações do presidente. Não somos governados por quem pensamos que nos governa. Gostaria de acrescentar que essa segunda edição tem várias melhorias em relação à primeira.Foram acrescentadas passagens antes omitidas, detalhes significativos e a perseguição que sofriapós a primeira edição. Também corrigi alguns erros que haviam na edição precedente. Entretanto,esse texto ainda não está tão bom como gostaria que estivesse. O motivo é que tive de apressar otrabalho para que fosse publicado antes do segundo turno da eleição presidencial. Penso que aeleição pode mudar dramaticamente a minha sorte – para pior. Talvez meus inimigos se sintammuito mais a vontade para tentar me matar agora, já que Lula vai deixar a presidência da república.E se a denúncia que lanço neste trabalho ficar erroneamente desvinculada da imagem de DilmaRousseff, candidata de Lula, o povo pode se enganar ao pensar que ela não tem nada a ver com osassassinos de estado pagos a peso de ouro pelo governo federal e que trabalham para a ABIN.Eric Campos Bastos GuedesEscrito em Araruama, em 5 de setembro de 2010.Modificado em Araruama, em 30 de outubro de 2010.Eric Campos Bastos Guedes 6 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  7. 7. PREFACIO À TERCEIRA EDIÇÃODemorou muito para que eu entendesse que há uma relação muito próxima entre o governo e oslíderes religiosos. Tais líderes utilizam sua influência para levar seus seguidores à praticar atosabomináveis contra as pessoas que sabem o que há de podre no governo. Esses atos abomináveisincluem contaminar criminosamente, com a bactéria da sífilis, por exemplo, as pessoas que sabem averdade a respeito desse sistema de coisas iníquo que rege o mundo. Essa contaminação criminosapode vir através de uma comida ou através de uma injeção preparadas com a finalidade de nos fazeradoecer de neurosífilis ou neurocisticercose, doenças que sabidamente levam à demência e àpsicose. Eu mesmo fui infectado com a bactéria da sífilis e contaminado com cisticercose. Se meusinimigos tivessem tido pleno êxito eu não teria mais capacidade de lidar com computadores ouescrever textos como esse. O fato é que tenho a bactéria da sífilis, ou alguma outra, e isso nãoaparece no exame padrão para sífilis (VDRL). Se eu tivesse adquirido sífilis por via sexual issoseria acusado pelo exame. Sei que tenho a bactéria da sífilis no meu corpo pelos sinais que ela memostrou: glande avermelhada, manchas vermelhas nos braços e nas costas (não exatamente como nasífilis adquirida por via sexual, mas mais ou menos perto disso), céu da boca com algo que lembraum ferimento bem tênue (quando eu passo a língua na região eu sinto). Se eu conseguir vencer abactéria, pode ser que não consiga provar que a tenho em meu corpo; senão, a doença poderá sedesenvolver de modo dramático e me deixar com vários ferimentos na pele ou provocar sinais dedemência em mim. É esperar para ver. Também preciso falar da grande covardia que estão fazendo à meu filho Sólon que mal fezdois anos de idade. Certa vez, quando estivemos eu, minha esposa e Sólon na casa de minha sograem Santa Maria de Campos foi chamada uma menina para cuidar de meu filho. Eu observava elacuidando de Sólon e teve uma vez que ela pôs um recipiente de formato cilíndrico (formato fálico)de pastilhas M&M na boca e chamou a atenção de meu filho para que ele a visse fazendo isso.Posteriormente eu estava a brincar com Sólon quando a empregada, autoproclamada “evangélica”,disse “Você não sabe no que ele vai se transformar...”. No dia em que Sólon fez dois anos de idadeele foi deixado sob os cuidados de Vanda, minha mãe, que é extremamente católica. Quando voltoupara casa eu o observei e ele pôs uma peça do seu brinquedo, de formato fálico (formato cilíndrico),na boca e depois tirou e sentou em cima dela. Na minha opinião a responsável por essecomportamento de Sólon foi minha mãe Vanda que deve ter deixado pessoas extremamente“religiosas” ensinado isso a ele. Os indícios me levam a acreditar que são as pessoas religiosas quefazem isso aos filhos dos “inimigos”, aqueles que podem envergonhar os líderes das religiões quetem pregado o bem mas feito o que Deus repudia. O próprio Jesus Cristo nos fala sobre isto no livro de Mateus, capítulo 23, versículo 13: “Ai de vocês, mestres da Lei e fariseus, hipócritas! Pois vocês fecham a porta do Reino do Céu para os outros, mas vocês mesmos não entram, nem deixam que entrem os que estão querendo entrar.”3 Se eu vier a desenvolver alguma doença incapacitante, que leve à demência ou a um estadode menor inteligência (meu QI está, segundo os testes, entre 115 e 127) ou se meu filho Sólon vier ase tornar homossexual, isso confirmará a verdade desse texto. Confirmará também, em parte, que areligião está na base de todas as perversidades do mundo. Funciona assim: você pode fazer tudo quenão presta que não sentirá culpa, pois você é “lavado no sangue do cordeiro” a cada nova reunião desua igreja. Para ser “lavado” você só tem que fazer o que os líderes (pastores, padres etc) querem,não importando o tamanho da sujeira. Desde que o autoproclamado “cristão” cometa a perversidade3 O Novo Testamento – Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri-SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.Eric Campos Bastos Guedes 7 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  8. 8. sem que se possa provar nada contra ele, ou contra a igreja dele, fica tudo bem. O que importa paraessa gente religiosa é fazer o que é mal sem que se possa ser pego e condenado por isso. Uma aurade falsa santidade envolve muitos dos religiosos praticantes – não todos, mas uma parteconsiderável. São escravos do diabo que passam a ideia de serem seres humanos maravilhosos. Asreligiões ditas cristãs não são cristãs de verdade. Elas são mecanismos que os senhores do mundoutilizam para anular o trabalho de quem vem em nome de Deus revelar a verdade ao povo. Lendo aBíblia logo vemos várias passagens que depõe contra todas as igrejas autoproclamadas cristãs. Porexemplo, em Atos, capítulo 5, quando a igreja “mata” o casal Ananias e Safira. É lamentável quepossam existir pessoas tão falsas quanto algumas das que frequentam seriamente uma igreja e sedispõem a fazer o mal para engordar esse falso Deus/demônio que tem uma insaciável “fome dealmas”. E a expressão “fome de almas” eu tirei de um texto de minha religiosa mãe Vanda que diziaser “impossível” (sic) saciar a fome desse demônio que ela chamava de “Deus”. De fato, aexpressão “fome de almas” nos remete muito mais a ideia de um monstro demoníaco do que a deDeus. Então foi Vanda mesmo que concordou que o “Deus” dela era um demônio! E por ter passadotantos anos frequentando a igreja ela deve saber bem a quem serve. Muitas pessoas que frequentam alguma religião estão metidas nessa guerra santa. Umaguerra para que a verdade não seja revelada. A verdade a respeito das atitudes sórdidas que muitosdos membros mais respeitáveis de uma igreja têm praticado. Tenho medo de que essas pessoasreligiosas façam mal a meu filho Sólon ou à minha esposa Márcia – os religiosos podemcontaminá-los com sífilis ou cisticercose.Eric Campos Bastos Guedes30/06/2011Eric Campos Bastos Guedes 8 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  9. 9. Parte I (Introito – Ilustrando o problema com textos relacionados)Eric Campos Bastos Guedes 9 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  10. 10. http://www.obm.org.br/univ/oimu.htmOlimpíada Iberoamericana de Matemática UniversitáriaO participante não deve possuir título Universitário a nível de graduação ou equivalente e deve estarmatriculado em uma Universidade como estudante de graduação.IX OIMU (2006)Nome Prêmio Cidade-EstadoRafael Daigo Hirama Ouro S.J. dos Campos – SP (1º)Rafael Marini Silva Prata S.J. dos Campos – SP (2º)Thomás Yoiti Sasaki Hoshina Bronze Rio de Janeiro – RJ (3º)Felipe Rodrigues Nogueira de Souza Menção Campinas – SP (4º)Luty Rodrigues Ribeiro Menção Fortaleza – CE (5º)Luiz Felipe Marini Silva Menção S.J. dos Campos – SP (6º)Eric Campos Bastos Guedes Menção Rio de Janeiro – RJ (7º)Rafael Constant da Costa Menção Rio de Janeiro – RJ (8º)Eric Campos Bastos Guedes 10 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  11. 11. Ilustríssimo Dr. Delegado do 77° DP IcaraíEric Campos Bastos Guedes, filho de Winter Bastos Guedes (pai) e Vanda Campos Guedes (mãe),portador da CI nºXXXXXXXX-X, CPF nºYYYYYYYYY-YY, domiciliado à Rua Domingues deSá, n°422 em Icaraí, Niterói, RJ, vem por meio desta requerer registro de ocorrência e apuraçãopelo seguinte: ameaça de morte, calúnia e difamação (texto abaixo, postado na página de recados davítima, no Orkut):“Seu arrombado do caralho....Ao invés de ficar entrando em uma comunidade séria de policiais pra ficar fazendo chacota denossas caras,porque não vai procurar um trabalho,ou algo do tipo?Filho da puta do caralho,cú de burro desgraçado! Bastardo maldito,no mínimo deve ser algum filhode alguma cadela desgraçada na vida que fica passabdo trotes para as autoridades...E digo mais,se ficar de graça com a gente,é 2 palitos eu falo com uns brothers ae no Rio e consigoseu endereço e passo você pros irmãos ae malucão,nem vem tirar que aqui é policía no baguio,seliga ae comediagem...pra desenrolar este barato é 2 palitos,tá avisado. ” Nestes termos Pede deferimento ________________________________ Niterói, 7 de novembro de 2008Eric Campos Bastos Guedes 11 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  12. 12. Tópico de Discussão na comunidade “Denúncias, Dúvidas, Direito” no OrkutInfecção Criminosa em Clínica PsiquiátricaInício > Comunidades > Governo e Política > DENÚNCIAS, DÚVIDAS, DIREITO. > Fórum: >Mensagensmostrando 1-2 de 22 nov (5 dias atrás)Eric CamposInfecção Criminosa em Clínica PsiquiátricaFui internado numa clínica psiquiátrica por motivos políticos. Não havia indicação real para umainternação, visto que eu estava calmo, lúcido e produtivo. No final da internação, como eles nãotinham como me manter mais tempo preso, deram uma agulhada no meu pé esquerdo. Quando olheipara meu pé havia, no local da agulhada, uma gota de um líquido vermelho escuro. Não acreditei noque eu estava vendo e não reclamei na hora porque eu estava drogado com altas doses deantipsicóticos e tranquilizantes. Passei o dedo por cima do ponto vermelho em meu pé. Era sangue.Desconfio que me infectaram criminosamente (talvez HIV), já que estou sendo perseguido desde2006 por motivos políticos, principalmente depois que obtive a sétima colocação no Brasil naOlimpíada Iberoamericana de Matemática Universitária (em 2006) sem estudar. Gostaria, em casode confirmada a infecção, processar o hospital. Não há, no momento, nenhum teste que confirmequalquer infecção, mas preciso postar isto aqui para que fique o crime bem caracterizado. Comodevo proceder?[ eric campos bastos guedes ]2 nov (5 dias atrás)Dra. NancyBoa Tarde Érico, lamento pelo que voce passou, mas uma coisa é certa, o bem sempre vence o mal!Como não há nenhuma indicação de infeccção ou manifestação criminosa, no meu entender, paradeixar registrada tal situação para uma confirmação ou não de um crime, se dirija a um DistritoPolicial para lavrar um Boletim de Ocorrência de Preservação de Direitos, também pode se dirigirdiretamente ao Ministério Público e deixar sua denúncia lá, espero que não esteja contaminado, é oque te desejo de melhor, mas, se algo surgir após um tempo, voce já deixou registrado em doisórgãos que poderão investigar o ocorrido.Boa sorte!Eric Campos Bastos Guedes 12 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  13. 13. Parte II (Vida Pregressa – Uma Pequena Autobiografia)Eric Campos Bastos Guedes 13 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  14. 14. A Matemática como princípio do pensamento lógico-racionalGosto de Matemática desde os 7 ou 8 anos de idade 4. Naquela época abria a Enciclopédia NovoConhecer, ricamente ilustrada, para me divertir tentando determinar a velocidade de translação daTerra. Não encontrando essa velocidade explicitada na enciclopédia, imaginei que pudessecalculá-la. Primeiro supus que a Terra se movia em uma trajetória circular em torno do Sol, o quenão está lá muito distante da realidade. Depois supus, corretamente, que caso a trajetória da Terraem torno do Sol fosse circular, o número pelo qual eu deveria multiplicar a distância da Terra ao Solpara ter o “comprimento da trajetória” da Terra em torno do Sol era o mesmo número pelo qual eudeveria multiplicar o raio de qualquer círculo para obter o comprimento da circunferência. Partindodesses pressupostos, apossei-me de um transferidor de formato circular e medi – com grausuficiente de precisão – o valor de tal número, que estimei como sendo aproximadamente 6. Fiz issosem saber nada a respeito da célebre constante matemática  (lê-se “pi”), que expressa a razão entreo comprimento da circunferência e seu diâmetro. ***Um pouco sobre minha mãeEu perguntava pelas coisas que queria conhecer e geralmente elas tinham um caráter numérico.Perguntei certa vez sobre o significado dos números que apareciam numa bússola: “Você vai gastaro fosfato de seu cérebro”, respondeu minha mãe. Interessante notar que ela era professora – e umaótima professora, conforme sempre tenho ouvido falar dela. Já imaginaram ela numa sala de auladizendo isso para seus alunos? “Assim vocês vão gastar o fosfato de seus cérebros”. Não é difícilimaginar porque o quociente de inteligência do povo brasileiro – em torno de 89 pontos – estápróximo da imbecilidade. A boa professora dá sinais de caridade no trato com seus alunos na escolaonde trabalha, mas tolhe a inteligência do próprio filho. É como se ela ensinasse os desfavorecidospara ostentar compaixão e dificultasse a vida dos mais promissores para mostrar que é melhor queeles. Há quem seja acusado por favorecer familiares, mas sabotar a inteligência do próprio filho éobra do diabo. Minha mãe sempre buscou manter uma imagem de santidade e correção perantetodos. O objetivo dessa sua busca é o de criar uma fachada moralmente inatacável a fim de encobrirseus atos perversos. Ora, Vanda sabia que seu empenho em ensinar estudantes desfavorecidos seriatido como uma atitude de caridade. Por outro lado, ensinar ao próprio filho poderia ser visto comoum tipo perigoso de egoísmo. Por que um mestre se preocuparia em educar alguém inteligente e interessado que pudessevir a superá-lo? O único motivo que vejo para isso é imaginar o mestre que ele toma parte, de algummodo delirante, no sucesso intelectual de seus alunos. Fora isso, ninguém gosta da ideia de serintelectualmente inferior a outrem. Se não nos imaginamos tomando parte no sucesso de nossopróximo, não apreciaremos este sucesso. ***Sobre os dois tipos de egoísmo e sobre o perdãoTodos somos egoístas por natureza – o grande problema não é ser ou não ser, mas sim ser ou não serpatologicamente egoísta. A diferença entre o egoísmo patológico e o sadio é que o patológico querter sucesso às custas do fracasso dos demais, enquanto o sadio procura ter sucesso tomando parte no4 Ao examinar criteriosamente minha cronologia, verifiquei que é muito mais provável que meu gosto pela Matemática tenha começado a se estabelecer aos 9 ou 10 anos. Nessa idade tinha muito mais interesse por calculadoras que as demais crianças de minha faixa etária. Eu me interessava por questões como: “Quantos segundos há em um ano?” Então, fazia algumas contas para chegar ao resultado (cerca de trinta e um milhões).Eric Campos Bastos Guedes 14 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  15. 15. sucesso dos outros. Uma pessoa estará sendo patologicamente egoísta se se incomodar com o êxitode quem ela julga não merecê-lo; estará sendo saudavelmente egoísta se admirar o êxito de outrem,porque se sente engrandecida com o sucesso alheio, por estar tomando parte, emocionalmente, nestesucesso. Ninguém é saudavelmente egoísta o tempo todo, nem patologicamente egoísta por toda avida. Normalmente nos sentimos bem com o sucesso das pessoas que gostamos, mas nosincomodamos com o de quem detestamos. Quem, por mais delirante que isto possa parecer, julga-seirremediavelmente superior a todos, tem a chance de mostrar sua superioridade ao distribuir seuconhecimento a quem lhe pedir. A sabedoria é uma das coisas que quanto mais distribuímos, maispassamos a ter. Um dos modos de dominar um assunto com excelência é ensinar esse assunto. O atode expor um tema a outras pessoas é um fator importante para a fixação do conhecimento na mentedo professor. Uma pessoa saudavelmente egoísta fica feliz em ensinar, porque isto confirma,emocionalmente, que ela sabe mais; uma pessoa patologicamente egoísta fica desconfortávelquando ensina, porque ao repassar o conhecimento que possui, julga que seu aluno está maispróximo de saber tanto quanto o professor. O foco do egoísta patológico está no fracasso dosdemais, sua intenção é destruir quem está acima e aumentar a vantagem que tem sobre quem estáabaixo; o foco do egoísta saudável está no próprio êxito, sua intenção é ter mais sucesso hoje do queontem, mais amanhã do que hoje. Para fazer isso sua estratégia consiste em cooperar para o êxitodos demais, partindo do pressuposto que toma ele próprio parte nesse êxito. Nutrir ódio, raiva ouantipatia pelas pessoas favorece o egoísmo patológico; já a ausência de ódio, de raiva e a simpatiapelos demais favorece o egoísmo saudável. Perdoar as pessoas e amá-las em espírito e em verdade éo que temos de fazer para não sermos pegos na armadilha do egoísmo patológico. Uma estratégiapara fazer isso consiste em compreender as dificuldades alheias. De fato, se entendemos o porquede termos sido vítimas de maldades, passamos a perdoar nossos agressores. Se não há compreensão,dificilmente haverá perdão. É por isso que a traição de um amigo é muito mais difícil de perdoarque as agressões de um inimigo. A traição é uma surpresa desagradável, inesperada. Se temos umbom amigo a muitos anos, acabamos por justificar internamente nossa amizade. Passamos aresponder subconscientemente a perguntas como: “porque somos amigos?”; “porque fulano é meuamigo?”; “porque eu sou amigo de fulano?”. Encontramos intimamente variadas respostas paraessas questões, de modo a fortalecer nossa amizade. Quando ocorre uma traição não estamospreparados para ela. Não encontramos boas respostas para a pergunta “porque não somos maisamigos?”; “porque fulano me traiu?”, pois nossa fé na amizade nos levava a acreditar que esse tipode coisa jamais aconteceria. Então, por não compreendermos a traição de nossos amigos, será muitomais difícil perdoá-los. Quando a agressão vem de um inimigo ela já é esperada e, portanto, muitofácil de a entendermos. Talvez por isso se diga que o ódio e o amor estão muito próximos. Seamamos alguém que nos decepciona, passamos a odiar essa pessoa, pois deixamos de ter prazer naamizade com ela; se perdoamos alguém que odiamos, deixamos de sofrer com o ódio que se foi e osentimento de alívio pelo fim de um sofrimento nos torna aptos a sentir amor por aquela pessoa. Oamor e o ódio são vizinhos muito próximos, mas totalmente antagônicos. O primeiro nos trás a vidae o segundo quer nos impor a morte. Se queremos ter sucesso será muito mais fácil obtê-lo pelo caminho do egoísmo saudável doque pelo do egoísmo patológico. E se queremos ser saudavelmente egoístas o primeiro passo éperdoar nossos inimigos. Ora, para perdoarmos quem nos fez sofrer é necessário quecompreendamos o porque do outro. Conhecer as motivações e dificuldades de nossos inimigos é umpasso importante para conseguirmos perdoá-los. Então, pessoas mais sábias conseguem perdoarmais. Uma pessoa mais inteligente perdoa mais do que a menos inteligente; pessoas que conhecemmais sobre o mundo, sobre como funciona a sociedade realmente e, em particular, pessoas queconhecem mais sobre psicologia são mais eficientes em se tratando de perdoar as outras. Portanto,se queremos perdoar mais, um caminho é nos tornarmos mais sábios, seja pela aquisição deconhecimento, seja pelo aumento de nossa inteligência. O conhecimento precípuo a que devemosbuscar para conseguirmos perdoar nossos inimigos é o da psicologia. Se somos bons psicólogosEric Campos Bastos Guedes 15 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  16. 16. conseguimos entender melhor as dificuldades e motivações das pessoas que nos cercam, e essacompreensão poderá conduzir ao perdão. O segundo tipo de conhecimento que devemos buscar paraalcançar o perdão é o que diz respeito à como as pessoas se relacionam entre si de modoorganizado, em instituições e empresas. Conhecer a realidade, o mundo como ele é, nos leva a esseconhecimento. O estudo da filosofia pode ser um meio de se chegar a esse conhecimento. Um dosmelhores meios de aprender filosofia é a pesquisa na Internet, pois ela é acessível à maioria dapopulação, tem baixo custo e contém uma parcela imensa de todo o conhecimento de nossacivilização. Na Internet os canais que nos levam melhor a aquisição de saberes são a pesquisa detextos prontos no buscador Google e na Wikipédia; a pesquisa de vídeos – principalmentedocumentários – no YouTube e no Google Vídeo; a pesquisa do que eu chamo de verdade emestado bruto em comunidades do Orkut. A pesquisa no Orkut pode revelar muitas coisas que nãoestão claras nem nos textos prontos nem nos vídeos 5. É um tipo de pesquisa que tem sidosubvalorizado, mas é um meio novo – e ainda muito mal compreendido – de chegarmos a umconhecimento de excelente qualidade com muito pouco esforço, pois acabamos nos divertindo aoadquirirmos e repassarmos informações em comunidades de sites de relacionamento. O que leva apesquisa em comunidades de sites de relacionamento ser altamente proveitosa é o fato bemconhecido de que falamos muitas coisas nesses sites que não diríamos face a face ou pelo telefone.Acabamos sendo mais sinceros no Orkut do que no trabalho, na igreja ou no seio familiar. O maiorproblema de aprender pelo Orkut é separar quem está sendo sincero de quem está jogando, outrabalhando em silêncio para sustentar falsas crenças, mitos que dificultam a vida das pessoas porserem amplamente aceitos, embora falsos. Me parece que muitas pessoas tem criado e sustentadograndes comunidades com a finalidade de fazer esse tipo de jogo, perpetuando, assim, mitosmalsãos que sangram a humanidade. Mas mesmo que alcancemos grande sabedoria ela pode, ainda assim, não ser suficiente paraconseguirmos perdoar nossos inimigos. O problema é mais ter o saber correto do que ter muitosaber. Podemos ser muito inteligentes e termos muito conhecimento. Entretanto, nunca chegaremosa ser oniscientes, sempre nos faltará saber algo. E pode ser que o pequeno detalhe que nos faltasaber seja crucial para conseguirmos perdoar um inimigo específico. Talvez por isso Deus sejaamor: ele perdoa sempre pois, conhecendo tudo, sabe também de nossas motivações e dificuldades. Se não obtivermos sucesso em conseguir perdoar um inimigo pela aquisição deconhecimento e aumento da inteligência, há, ainda, um outro bom meio de chegarmos ao perdão:nos sentindo bem. Se estamos nos sentindo bem, acabamos esquecendo a ira e o ódio contra nossosinimigos e nos concentramos em continuar a nos sentir bem. O melhor meio que eu conheço parame sentir bem é criar um círculo virtuoso em torno de meu autodesenvolvimento. Se funciona paramim, pode funcionar para outras pessoas também. Criamos um círculo virtuoso quando nos empenhamos com alegria e motivação em alcançarêxitos que valorizamos. No meu caso costumo buscar êxito em atividades como estudar livros dematemática ou física e escrever livros que julgo serem importantes. Jogos também me deixammotivado, particularmente o xadrez. Outra atividade que me deixa animado é participar de umacerta lista de discussão de Matemática de alto nível onde existe o desafio de resolver interessantesproblemas de matemática. É claro que essas atividades são coisas que me motivam, que me animam,mas são as minhas atividades motivadoras. Cada pessoa deve ter seu próprio grupo de atividadesmotivadoras. Elas podem ter cunho intelectual ou físico. Tenho um grande amigo que se tornou umexcelente corredor. A corrida passou a ocupar um lugar importante em sua vida. Ele participa de5 A pesquisa em comunidades do Orkut relacionadas com os temas que queremos conhecer conduz, não raro, à elucidação de questões cujas respostas nos são negadas pelos veículos socialmente autorizados que deveriam responder a contento as mesmas questões – mas não o fazem. E não o fazem porque o papel de muitas instituições bem estabelecidas e bem conceituadas está fortemente ligado à manutenção da ignorância do povo. Isso é muito comum em medicina, por exemplo. O detentor do saber médico – e do diploma – costuma se valer da ignorância do paciente sobre o tema para receitar remédios desnecessários que talvez tornem seu paciente realmente doente. E uma vez estabelecida a patologia, o adoentado deverá retornar muitas outras vezes ao consultório de seu médico.Eric Campos Bastos Guedes 16 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  17. 17. maratonas, meias-maratonas e passa bastante tempo treinando. Sente-se muito bem ao constatarseus próprios progressos. A corrida o tornou alguém mais feliz, mais realizado. A prática do esportecostuma nos tornar pessoas melhores. Alcançar êxito em atividades que nos interessam nos leva a nos sentir bem – e acabamosesquecendo as ofensas que sofremos. O que quero frisar é que você deve procurar ter suas próprias atividades motivadoras. O queme faz sentir bem pode fazer você se sentir muito mal e vice-versa. Suas atividades motivadorasdevem lhe dar prazer, ainda que esse prazer seja precedido por um esforço persistente em sentir-semotivado por elas. Uma regra geral é que a atividade motivadora deve ser lícita, honesta e estar dentro da lei,pois caso contrário levará o praticante à ruína decorrente da punição imposta pela sociedade. Outra regra é ter uma atividade por vez – de fato, fazer várias coisas ao mesmo tempo ou termuitos objetivos diferentes e simultâneos é garantia de fracasso na tentativa de estabelecer oumanter atividades motivadoras. Se quiser fazer de sua atividade motivadora um hábito salutar,procure introduzi-lo aos poucos e jamais tente implementar muitos hábitos de uma só vez – é muitomais fácil (mas ainda assim difícil) criar um hábito por vez do que criar muitos hábitos de repente.Na verdade, julgo ser praticamente impossível para a maioria das pessoas criar dois ou três hábitosde uma só vez. Uma quarta regra útil para que você se sinta bem com uma atividade motivadora é procurarenxergar seus próprios progressos, valorizando cada pequena vitória. Já os insucessos devem serpsicologicamente minimizados: se você não alcançar a marca que deseja hoje, poderá se sentirmelhor dizendo a si mesmo que alcançar a tal marca amanhã será uma vitória ainda maior, pois oesforço tempera o banquete dos vencedores. Procure enaltecer para si mesmo cada pequenoprogresso que você fizer6; analogamente, procure minimizar toda queda ou fracasso que lhe ocorrer.Você pode fazer isso procurando enxergar o que ganhou de bom com aquela queda ou fracasso. Porexemplo, um sofrimento pode nos tornar pessoas mais experientes, mais vividas e mais fortes. A quinta regra para estabelecer uma atividade motivadora é que você não deve falar de seuobjetivo com outras pessoas. Por exemplo, se meu objetivo é me tornar um excelente corredor, eunão devo falar isso a ninguém, mas somente para mim mesmo. Quando falamos de nossos objetivospara outras pessoas perdemos o sentido do desafio e a motivação esfria. É muito mais valioso otrabalho em silêncio em nossos próprios objetivos que a exibição ruidosa de um esforço que podevir a dar em nada. Se falamos de uma de nossas metas para outrem, podemos deixar de buscá-la pornós mesmos, isto é, por amor, e passarmos a nos ver obrigados a trabalhar na meta para mostrar quenão estávamos mentindo, que levamos realmente a sério nosso objetivo e coisas assim. Nossoobjetivo deixa de ser nosso e passa a focar o outro; deixa de ser algo de nosso íntimo e se torna algopara ser visto pelo outro. E como é chato buscar um objetivo que não é nosso! ***Meu primeiro computador e a aprendizagem do xadrezGanhei meu primeiro computador aos 9 ou 10 anos de idade. Era um TK82C, da Microdigital. Comele aprendi os rudimentos de programação de computadores na linguagem Basic, muito popular naépoca. Tornei-me um programador de computadores competente para minha pouca idade. Estava6 Cada pequeno sucesso deve ser fator interno de motivação e conforto. Falar à outros sobre seu progresso o levará, muito provavelmente, à decepção de não ser devidamente reconhecido. Você não deve depender da boa vontade de outras pessoas em motivá-lo. É possível, inclusive, que todas as pessoas que você conhece intencionem desestimula-lo, declaradamente ou não. Quando você fala sobre um seu objetivo ou sobre um seu sucesso para alguém, poderá receber palavras de incentivo que não corresponderão à uma intenção verdadeira em motivá-lo, mas devem-se tão somente essas palavras à educação. A motivação emocional e psicológica não deve vir de palavras ou atitudes de pessoas próximas. Você mesmo deve se motivar.Eric Campos Bastos Guedes 17 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  18. 18. sempre criando e executando programas que me permitissem investigar o mundo dos números.Também costumava jogar xadrez contra o computador – eu era péssimo, nunca venci uma só partidade meu modesto TK82C. Apesar de ser um mal jogador, gostava de jogar e ensinar xadrez a quemquer que fosse. O prazer de ensinar e aprender sempre me acompanhou. No início, ensinei xadrez a mim mesmo. Eu devia ter entre 9 e 10 anos quando aprendi ajogar. Mas ninguém me ensinou, eu aprendi pelas regras que estavam no Supermanual do EscoteiroMirim, uma publicação que se valia dos personagens da Disney para passar conhecimentos úteis.Mas acabei cometendo um erro ao interpretar mal as regras do Supermanual: no início eu achavaque as peças do xadrez tinham que passar por cima das do oponente para capturá-las, como no jogode damas. Esse equívoco durou um tempo considerável. Ensinei errado para um amigo, mas alguémque sabia mais nos alertou dizendo que estávamos jogando errado, então nós dois passamos a jogarda maneira correta. Isso ocorreu no Colégio Salesiano Santa Rosa, quando eu cursava a quinta sériedo antigo primeiro grau – o equivalente ao hoje chamado Ensino Fundamental. ***Sobre a inteligência e a importância de sua buscaO interesse pelo xadrez partiu de mim mesmo, ninguém em minha família jogava. Buscar atividadesinteligentes é atitude que favorece o aumento da inteligência e essa busca está muito maisrelacionada com uma pré-disposição da personalidade e do caráter do que com uma uma arquiteturacerebral diferenciada. A inteligência está mais relacionada com nossos anseios e motivações do quecom uma genética privilegiada. Esse tipo de ideia nos liberta da noção de que nosso quociente deinteligência – o popular QI – não depende do que fazemos. Se acreditamos que não podemos fazernada para aumentar nossa inteligência, nada faremos com este objetivo – e essa atitude acaba pornos tolher a própria inteligência. Se, por outro lado, acreditamos que podemos aumentar nosso QI,passamos a buscar atividades que nos levem a ter esse aumento. E nosso QI acaba subindo mesmo.Esse raciocínio vai ao encontro de uma máxima devida a Henry Ford que diz o seguinte: “Se vocêacredita que pode ou acredita que não pode, de qualquer forma você está certo”. Nossas crençasnos dizem o que somos ou não capazes de fazer. Se acreditamos que podemos resolver umproblema difícil, nós nos debruçamos sobre ele até o resolver ou até fazer progressos importantes nabusca da solução do tal problema. Mesmo que não tenhamos pleno êxito, nossa dedicação épremiada com um incremento de nosso saber técnico e com um aumento de nossa capacidade deresolver problemas. Claramente, a inteligência está intimamente relacionada com a capacidade de resolverproblemas. Então, uma crença útil é a de que podemos, com esforço e tempo suficientes, resolverqualquer problema que queiramos. A grande questão é saber quanto tempo e esforço estamosdispostos a empregar na solução de cada problema ou na conquista de cada objetivo. Há uma sábiamáxima que aconselha: “Saiba escolher suas batalhas”. Entre todas as metas que queremos atingir,quais nos darão mais felicidade? Quais serão mais rapidamente alcançadas? Em quais delasacreditamos mais? Que metas nos tornarão pessoas mais realizadas após serem cumpridas? Devidoà nossa limitação referente à prazos, é fundamental saber escolher bem à que metas vamos nosdedicar de cada vez. ***A morte de meu avô Antônio Pereira CamposSegundo o que minha mãe me dissera, meu avô passaria por uma intervenção cirúrgica muitodelicada e da qual pouquíssimas pessoas sobreviviam. Eu fiquei chateado com a notícia e esperavaEric Campos Bastos Guedes 18 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  19. 19. por sua morte. Quando ele voltou para casa fiquei impressionado. Estava aparentemente bem. Tãobem como sempre esteve. Acabei por atribuir a sobrevivência de meu avô Antônio a uma genéticaprivilegiada. E fiquei satisfeito por ser seu neto. As coisas não estavam tão bem, entretanto. Antônio – ou seu caxeta para os antigosconhecidos – estava tomando uns remédios. Me disseram que ele estava sofrendo de depressão ouse tratando de uma aterosclerose. Talvez os remédios que ele tomava fossem antidepressivos, masisso eu estou conjecturando. Naquela semana ele fizera para mim um alteres com um cabo devassoura e dois pesos de chumbo que ele mesmo fabricou derretendo uns canos velhos do mesmomaterial. Parece que ele queria que eu praticasse musculação em casa com aquele halter, mas nãome interessei muito por isso não. E num dia de sol, pela manhã, meu avô pegou uma escada, umacorda e se enforcou. Estávamos somente eu e ele em casa. Antes de sair para o colégio fui medespedir dele e o encontrei deitado no chão de seu quarto. Supus – erroneamente – que estivessedormindo. Tentei acordá-lo de todos os modos, sem sucesso. Fiquei intrigado: como ele poderia terum sono tão profundo? Achei que ele estava fingindo que não acordava. Então peguei meu materiale fui para o colégio. Naquela época, eu e meu irmão Winter Bastos Guedes Júnior estudávamos no Curso SãoFrancisco de Assis, uma escola tradicional de Icaraí que tinha o melhor ensino fundamental deNiterói. Só ia até a quarta série primária, entretanto. Depois disso éramos encaminhados para outrasescolas. Naquele tempo eu fazia a quarta série e meu irmão devia estar na primeira ou segunda sériedo primário. Nós estudávamos à tarde. Naquele dia, ao terminar a aula, pediram-nos que nãovoltássemos direto para casa, mas que esperássemos um pouco até sermos liberados. Ao retornar docolégio vi minha avó chorando – coisa que nunca havia presenciado antes. Me disseram que meuavô Antônio Caxeta havia morrido. Mas não me disseram que ele tinha se matado, nem que ele jáestava morto quando saí de casa. Simplesmente não liguei os fatos. Disseram-me que ele faleceravítima de um aneurisma ou de uma trombose. Em se tratando de crianças, é natural esconder tal fato. Acho, porém, que foi um desrespeitoà minha dignidade de neto não me revelarem a verdade depois de eu adulto. Nesse caso, aodescobrir a verdade por nós mesmos nos sentimos traídos e desprestigiados por nossos familiares.Aí vem aquela conversa fiada de “não contei para você para que você não ficasse nervoso”; “nãocontei para te poupar da dor” e coisas deste gênero. E eles se fazem parecer bons praticando o que émal. ***A morte de meu pai Winter Bastos GuedesMeu pai morreu de modo intrigante. Muito mais intrigante do que eu poderia supor em minhaingênua infância. Certo dia, quando cursava a 5ª série do ensino fundamental no Colégio Salesiano SantaRosa, cheguei em casa após uma surra que levei de uns valentões da escola. Eles me surraram poreu ter feito chacota do cara que eles bateram primeiro. Eu não sabia que seria o segundo da lista.Não vou dizer que foi uma surra merecida, mas ao menos aprendi a não zombar de quem apanha. Eram cerca de cinco e meia da tarde quando cheguei em casa. Lembro que ainda não haviaescurecido e que os valentões pisaram no livro de matemática adotado pela escola. Eu estavabastante chateado com o que ocorrera. Bati na porta da sala, como fazia todos os dias para entrar.Nada. Bati novamente. Silêncio. De repente a porta é aberta num rompante e meu pai passacarregado numa maca, aparentemente desacordado, sendo levado por dois enfermeiros. Ao entrarem casa sou informado de que ele sofrera um mal estar. Tudo bem. Ele não parecia estar tão mal namaca. Não deveria ser nada grave, ele seria medicado e voltaria logo para a casa. Ao ver a grandequantidade de sangue sendo lavada a baldes d’água mudei de opinião. Fiquei apavorado. MinhaEric Campos Bastos Guedes 19 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  20. 20. mãe disse que fôssemos rezar para que ele ficasse bom e não morresse. Foi a primeira coisarealmente importante que pedi a Deus e sem dúvida a oração mais fervorosa que já fiz. Uma semana depois recebo a notícia de que ele havia morrido no hospital. Minha mãe medisse que ele havia tido uma tontura quando estava no alto de uma escada. Caiu e bateu com acabeça num murinho, sofrendo traumatismo craniano. A tontura teria sido causada por um infartorepentino. Provavelmente uma farsa, como descobri mais tarde, já adulto. De fato, num primeiromomento, ao ver meu pai passando por mim numa maca, não me alarmei: ele estava bem, não haviasangue na roupa dele. O absurdo era evidente: não havia sangue na roupa de meu pai, mas a escadaque dava acesso ao segundo andar da casa era um rio vermelho. Ao comentar isso com minha mãe,anos mais tarde, ela disse: “Eles trocaram a camisa dele antes de levá-lo, para não assustar seuirmão Winter”. Com essa emenda a fraude tornou-se patente. E segue o demônio aplaudindo asmentiras de minha família. Cheguei à conclusão – verdadeira ou falsa, ela é mais plausível do que a que me contaram –de que meu pai havia sido morto pela ditadura. O ano era 1983 e vivíamos ainda sob o jugoexplícito da tirania militar que, embora mais branda do que nas duas décadas anteriores, ainda podiafazer o que bem entendesse com a população. A farsa toda seria para encobrir um crime horrendo,que de outro modo teria se tornado um escândalo, visto ser meu pai um ex-militar honesto aoextremo, pessoa instruída e culta ocupando posição de destaque no Ministério da Fazenda (eletrabalhava lá como farmacêutico-bioquímico). Minha mãe deveria saber de tudo, claro. Mas teriamantido o silêncio, mesmo após o fim da ditadura militar. Tudo isso faz sentido, mas ainda assimsão conjecturas que não pude comprovar. Um ano após a morte de meu pai, minha mãe estava com outro companheiro. Um chupimbebum, ignorante e boa vida. Apesar de sentir grande antipatia por ele naquela época, hoje eu oaceito plenamente. Depois de uns 10 ou 12 anos, passei a enxergar meu padrasto como alguémhumano e amigável. Ele não tinha obrigação ou culpa nenhuma por não atender aos requisitos queeu imaginava serem necessários a qualquer candidato a marido de minha mãe. Morto o chefe, a família desintegrava-se rapidamente. Minha mãe não me dava mais atenção– eu tinha 13 anos – deixando minha criação a cargo de minha avó Dermontina da Silva Campos ede minha tia Vera Lúcia de Campos. Vanda simplesmente foi morar em outro lugar com Lourenço –este é o nome de meu padrasto – e com meu irmão Winter. Não era um lugar distante, mas eu mesentia negligenciado, posto de lado como um objeto que perdera a serventia. Naquele momento de minha vida, eu passava pelas transformações próprias da puberdadeque se iniciava. Apesar disso, não havia sequer tido a primeira ejaculação e sabia muito pouco sobresexo. Só descobriria a masturbação no ano seguinte, em 1985. Uns poucos anos antes, eu pensavaque os bebês nasciam após a grande emoção da esposa com seu casamento. Só entendi de ondevinham os bebês após assistir uma reportagem sobre isso no Fantástico – o show da vida, programadomingueiro tradicional da Rede Globo já naquela época. ***Beijar uma garotaEu queria beijar uma garota. O nome dela era Gisele. Uma menina branca e loura, filha de umaamiga matemática de minha mãe que morava nas proximidades. Não tinha a menor ideia de comobeijá-la e não fui feliz na execução de um plano que sequer existia. Foi meu primeiro “fora”. Refugiei-me nos livros, onde encontrei bom material para aprender sobre coisas que julgavaimportantes. Na sexta série já havia aprendido a resolver equações do segundo grau – que eramestudadas na oitava série – e um pouco de álgebra no livro “Álgebra I” de Augusto César Morgadoe Eduardo Wagner. Nessa época frequentei um psicólogo chamado Eduardo Nicolau que mais tardeviria a me ajudar muito, me indicando um excelente curso de matemática: o método Kumon. OsEric Campos Bastos Guedes 20 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  21. 21. livros não me impediram de me sentir em desvantagem perante meus colegas, que já conheciam asmeninas na intimidade. Eu, por outro lado, sequer sabia como era o corpo nu de uma mulher. Atéentão, nunca havia visto uma mulher nua, nem ao vivo nem em fotos 7. Por estranho que possaparecer, isso fez de mim um péssimo aluno e estudante, apesar de estudar mais que os outros e teruma inteligência um pouco maior (tenho um QI de 121). Já na quinta série, pouco depois da morte de meu pai, comecei a faltar às aulas. Perdi provas,inclusive de matemática. Fui fazer a 2ª chamada temendo uma possível reprovação, pois haviaestudado muito pouco a matéria. Ao fazer a prova, entretanto, achei tudo muito fácil. Foi umasurpresa agradável. A prova de matemática era sobre dízimas periódicas e constatei que com ummínimo de conhecimento e o uso do mero bom senso, eu podia resolvê-la toda. Passei de ano. Naquela época eu nutria uma paixão por Quênia Balbi, uma estudante de minha classe cujabeleza me fascinava. A professora pedia às vezes para que eu fosse pegar as carteirinhas dosestudantes no final da aula para devolvê-las com o carimbo de presença. Quando estava a sós com acarteirinha de estudante de Quênia eu a beijava loucamente – a carteirinha. Queria tocá-la.Imaginava que ela torceria o pé na saída do colégio e, então, eu a levaria nos braços até minha casapara ser tratada. Minha imaginação ia muito mais longe: via as paredes do Colégio Salesiano SantaRosa cobertas por bumbuns femininos separados dos corpos. Eu imaginava tocá-los e acariciá-los.Não me julgando capaz de realizar meu intento com meninas de verdade, quis tocar estátuas, dessasque costumamos ver nos museus, despidas com as nádegas a mostra. Cheguei a fazer isso quandovisitei um museu na cidade do Rio de Janeiro. Eu estava obcecado. O que quero dizer com tudo isso é que meninos de onze anos já se preocupam muito comgarotas. E se eles não tiverem quem os oriente no sentido de uma vida sexual e afetiva salutar, terãomuitos problemas que, aparentemente, não estariam relacionados à sexo ou vida afetiva: quedabrusca do rendimento escolar, faltas, fuga da realidade e coisas assim. Só fui beijar uma “garota”aos dezoito anos e depois disso meu aproveitamento escolar e meu rendimento intelectual sofreramum boom. Para deslanchar completamente ficou faltando me livrar das drogas psiquiátricas, o quesó começou a acontecer em 2006, quando eu tinha 35 anos. ***Problemas na quinta e na sexta sérieNa 6ª série saí do Curso Salesiano Santa Rosa, onde haviam me matriculado. Eu faltava quasetodos os dias e cobrava de mim mesmo um desempenho acadêmico superior, como o que eu semprehavia tido até a quarta série, antes da morte de meu pai. As faltas não se deviam a “vagabundagem”ou coisas assim, pois eu não saía para vadiar, namorar, caminhar ou me divertir de algum modo. Eusó queria evitar a dor moral. Simplesmente passei a sofrer muito na escola. Era um suplício assistiras aulas, eu não conseguia prestar atenção ao que os professores diziam, ainda que me esforçassepara isto, e minhas notas medíocres me faziam sentir mal. Se pelo menos eu fosse namorador,poderia curtir mais a escola, ela teria alguma graça no recreio, pelo menos. Mas eu era virgem e nãotinha nenhum contato íntimo com garotas. Achava que a matéria havia ficado muito mais complicada e muito maior e que por isso jánão bastava simplesmente prestar atenção às aulas para aprender as disciplinas. Até certo ponto issoaté ocorria, e eu tentei passar a estudar mais em casa para voltar a ter boas notas e me sentir melhorpor isso. Mas a verdade é que eu estava sendo insidiosamente envenenado por drogas de usopsiquiátrico – e elas diminuem o rendimento escolar, como bem se sabe.7 Naquele tempo as revistas eróticas vinham embaladas num plastico preto que tapava os corpos nus das modelos, deixando à mostra somente os títulos das revistas. Também não existiam nos jornais as figuras picantes de mulheres seminuas, como há hoje em dia. A exibição de filmes ou programas com mulheres nuas ou em poses e trajes provocantes era muito mais rara que nos tempos atuais. A exibição das mulheres mais sensuais e menos vestidas ocorria em programas como O Cassino do Chacrinha e O Clube do Bolinha, mas nada comparado ao que há hoje.Eric Campos Bastos Guedes 21 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  22. 22. Minha mãe e eu não sabíamos como lidar com a situação. Eu ainda tinha a desculpa de seruma criança, mas o que dizer de minha mãe? As vezes penso que ela sabia, sim, como resolver amaior parte de meus problemas, mas preferiu me abrir a porta larga do caminho largo que leva aoinferno. Era muito mais fácil para ela me por em clínicas, psicólogos e psiquiatras do quereconhecer que as “medicações” estavam destruindo minha vida e que o que eu precisava deverdade era de uma “boa massagem”, como diria dezesseis anos depois uma garota de programachamada Sílvia. Essa atitude conservadora e socialmente irrepreensível de minha mãe não permitiua ela ajudar o filho que de doze anos que se encontrava em dificuldades. Vanda passou a me levar numa clínica que se propunha a trabalhar com “radiestesia” ou algodo tipo. Era a clínica de um tal de frei Albino Ariesi. Situava-se na cidade do Rio de Janeiro e eupassei a frequentar uma psicóloga lá chamada Drª Petrônia. Ela só sabia me responsabilizar por tudode ruim que acontecia comigo. Essa psicóloga dizia em tom acusatório “Isto é Fuga!” e “Você secondicionou a isto”. Era péssimo. Além de não resolver os problemas, eu saía de lá com o egodestroçado. Eu queria ser como Einstein e Petrônia sabia disto; entretanto eu mesmo não o sabiaplenamente. Ela tentou me dissuadir de ideias dessa natureza dizendo que o trabalho de Einsteintinha centenas de páginas e era coisa muito difícil. Talvez ela quisesse me fazer concluir que amatemática e a ciência eram coisas tão difíceis que seria melhor nem pensar nisso. Graças a Deusaquele demônio de saias estava errado. Inclusive, talvez por ela ter reprovado de modo tãoveemente meu desejo de ser um novo Einstein, essa a ideia tenha ganhado força em meuspensamentos. Ora, por ela reprovar tanto meu desejo de me tornar um cientista, entendi quePetrônia achava esse meu desejo perfeitamente realizável. Entendi também que a possibilidade derealização de tal desejo enfurecia o demônio de sais. Só pra contrariar, considerei muito boa a ideiade vir a ser um cientista. Consegui terminar minha quinta série no Colégio Salesiano Santa Rosa com dificuldades. O fracasso de meu tratamento com Drª Petrônia fez com que minha mãe procurasse outroprofissional. Acabei chegando ao consultório do psicólogo Eduardo Nicolau. Ele trabalhava comuma psiquiatra que receitava remédios para os pacientes dele. Naquele período, pelo que melembro, eu estava tomando um antidepressivo chamado Tofranil e, talvez, um outro remédio de quenão me lembro. Tomei meus “remédios” durante mais de vinte anos, sempre seguindo a prescriçãomédica com rigor. Até descobrir a farsa da psiquiatria, utilizada para anular indivíduos consideradosuma “ameaça” aos planos da cúpula de poder que domina o mundo. Na sexta série iniciei no Salesiano meus estudos. Só que não consegui cursar. Pedimostransferência para uma outra escola: o Centro Educacional de Niterói – o popular “Centrinho”. Lá,por algum motivo, tudo ficou muito melhor. Lembro que foi lá que retomei meu interesse pelaMatemática ao ter tirado uma ótima nota na prova. Eu apreciava o professor dessa matéria e eletambém gostava de mim. Iniciei estudos por minha própria conta. Eles se baseavam muito mais emimaginação do que em matéria propriamente. Eu tive muitas ideias que gostava de desenvolver. Foitambém nesse tempo que comecei a escrever meus primeiros poemas. Eu tinha uns treze anosquando escrevi meu primeiro poema. Não era um bom poema, mas eu gostava dele. Apareceramoutros que também não eram bons, mas eu também gostava deles. Fui insistindo e não me abati comas críticas negativas que recebia uma hora ou outra. Hoje, graças a Deus, consigo escrever poemasde boa e de ótima qualidade. A persistência favorece o sucesso. Antes de terminar o ano letivo, entrei em pânico. A exposição de trabalhos de alunos – umaespécie de feira de ciências – estava se aproximando e eu não consegui me convencer de que meutrabalho era bom o suficiente para eles. Meu trabalho era bom para mim mesmo, mas eu achava queele não seria apreciado nem pelos meus amigos, nem pelo professor de matemática. Parei de ir àsaulas e faltei quase o bimestre final todo. Mesmo sem ter feito as provas finais os professores doCentrinho acharam por bem me passar de ano devido ao meu ótimo desempenho nos outrosbimestres. Essa atitude dos professores do Centrinho salvou minha alma. Fui para a sétima série.Eric Campos Bastos Guedes 22 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  23. 23. ***A descoberta da masturbaçãoO psicólogo Eduardo Nicolau me ensinara, através de desenhos, o que era a masturbação na teoria.Achei aquilo muito esquisito e totalmente sem propósito. Afinal, que benefício poderia haver em talconduta? Eu não fazia ideia. Por vontade própria decidira que teria meu primeiro gozo com minhaesposa, depois que casasse. Eu queria casar virgem. Descobri em 1985, nos meus 13 ou 14 anos, o que era a masturbação na prática. Naqueleperíodo eu não estava frequentando a escola e minha mãe já havia se amigado com meu padrastoAlcemir Lourenço de Souza. Numa noite eu estava deitado sozinho em meu quarto com o membroereto, tentando dormir. Queria que meu membro ficasse “normal”, pois me sentia um poucodesconfortável com ele duro naquela posição. Como ele insistia em permanecer rijo, tentei colocá-lo na posição que considerava mais normal. Então, tentando por meu pênis numa posição quejulgava mais adequada, gozei – não tinha essa intenção, entretanto. Foi algo absolutamente natural.Nunca havia sentido aquilo antes, foi ótimo. No início achava que o esperma saía da barriga, poisela ficava sempre molhada. Não queria saber o que estava acontecendo, ou como acontecia, só sabiaque me sentia muito bem com aquilo. Após alguns meses resolvi comprar revistas eróticas. Passei aver como as pessoas faziam sexo. Eu também queria fazer, mas não conseguia me relacionarsexualmente com ninguém. Neste aspecto fiz a mim próprio. Ninguém me ajudou. Minha primeira revista erótica tinha pornografia pesada, era uma antiga Sex Appeal em pretoe branco. Tinha fotos de mulheres com homens, de homens com homens e de mulheres commulheres, mas eu me concentrei somente nas fotos heterossexuais, que eram as primeiras. O restoeu nem olhava. O “cinco contra um” foi uma grande descoberta para mim, mas eu ainda queria muito merelacionar com garotas. Isso só foi acontecer em 1989, quando eu fiz 18 anos e meu entãopsiquiatra, Eugênio Lamy, entendeu que com a maioridade não havia nenhum risco para ele se meorientasse a buscar os serviços de uma prostituta. Mas vamos deixar este assunto para depois. ***Sétima série no Colégio Figueiredo CostaDepois de ser aprovado na sexta série no Centrinho, tentei fazer lá mesmo minha sétima série. Masfoi estranho. Meus antigos amigos do ano passado estavam mudados. Quietos, calados e um tantoreservados demais. Eu não me sentia mais bem lá. Decidi mudar de colégio. Foi quando surgiu a chance de estudar com meu melhor amigo no Colégio FigueiredoCosta, então um dos grandes colégios tradicionais de Niterói. O nome desse meu melhor amigo éRaphael Oliveira de Rezende – o corredor que mencionei antes – e somos amigos até hoje por contados grandes perigos que nos irmanaram em nossas aventuras. Mas falemos disso mais adiante. Eu e Rapha não ficamos na mesma classe. Fiquei na classe dos que sabiam menos e Raphaestava na classe dos que sabiam mais. Foi bom que fosse assim, pois me destaquei sobremaneirajunto aos que estudavam menos. E foi isso que me motivou a estudar bastante e tentar conseguir sónotas finais 10 nas disciplinas de matemática e geometria. O Colégio Figueiredo Costa foi ótimopara mim por esse lado. Mas eu estava ficando mais velho e ainda não havia me relacionado comgarotas. Esse problema era muito pior do que parecia, pois, no final do ano comecei a me tornar umestudante agressivo com os demais. De compasso em punho, ameacei um folgado que zombara demim e, graças a Deus ficou nisso. Noutra ocasião um sujeito que fazia o segundo grau lá implicoucomigo e eu me vinguei na hora: tinha uma trave grande, de metal, usada na quadra próxima ao pédo implicante e eu levantei essa trave um pouco e a soltei em cima do pé dele. Ele ficou pulandoEric Campos Bastos Guedes 23 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  24. 24. num pé só e olhando assustado para mim. Eu mesmo me assustei com o que havia acabado de fazer,e pedi desculpas imediatamente, de modo ruidoso e suplicante, denotando algum desespero.Ninguém conversou comigo para explicar que o que eu passei a fazer estava errado e passei aadotar, ocasionalmente, uma conduta violenta. Isto quase destruiu minha vida. Acredito que seestivesse me relacionando com meninas, dificilmente teria recorrido a esse tipo de comportamentopara me fazer respeitar. Apesar de ainda não ter me relacionado sexualmente com ninguém, tinha uma menina dequem eu gostava. Eu cheguei para ela e falei o que aconteceu: disse que havia sonhado com ela eela me disse que eu estava mentindo, que aquilo não tinha acontecido. Eu tinha sonhado com elarealmente. Estávamos nus numa cama e nos batíamos com travesseiros de penas que esvoaçavampelo ar. Acho que quem viu esta cena num anúncio televisivo da época talvez se lembre. Era assimmesmo, que nem o anúncio. No meu sonho eu e ela éramos os amantes que apareciam no comercial.O nome da garota era Andréa e o ano era 1986. Andréa era filha de um professor de matemática e fazia a sexta série no Figueiredo Costa.Ela tinha umas amigas gozadoras, de pele escura. Eu ajudei Andréa e suas amigas a apresentaremum trabalho na feira de ciências. Foi uma época muito boa, tirando a parte da violência. Raphael deixou um pouco de lado a amizade que tinha comigo e passou a preferir acompanhia de um aluno chamado Erick Varjão, que estudava na classe dele. Varjão sabia sedefender na base da conversa, sem violência. Sabia se fazer respeitar pela palavra e não pela forçabruta. Se eu soubesse fazer isso naquela época, não teria feito tanta bobagem na vida. Acho quedeveriam haver aulas nas escolas ensinando aos alunos como agir em certas situações, e sobre comonão agir. Enquanto a educação escolar de crianças é obrigatória, não há nada que obrigue os pais ainstruírem seus filhos sobre questões relativas à violência e à vida afetiva e sexual. ***Férias da sétima para a oitava sérieFoi nessa época que decidi entrar de cara na Matemática. Criei uma técnica diferente para obternúmeros primos que dois ou três anos depois viria a ser publicada na Revista do Professor deMatemática (RPM) sob o título Uma Construção de primos, no número 15 dessa revista. Quem meajudou muito foi a professora Renate Watanabe. Foi ela que encaminhou esse meu primeiro trabalhopara apreciação do comitê editorial da RPM. Seu apoio e suas orientações, que recebi por carta, meforam muito valiosas. Naquele período de férias de fim de ano pedi a minha mãe para contratar umcerto professor particular de matemática para mim. Esse professor eu conhecera no próprioFigueiredo Costa. Ele lecionou geometria lá, substituindo o professor Odilon. Foi com Odilon quetomei conhecimento de demonstrações de teoremas em matemática. As duas primeirasdemonstrações que conheci foram a da irracionalidade de  2 e a da soma dos ângulos internos dotriângulo ser sempre 180°. Aproveitei as férias para aprender trigonometria, geometria e álgebra.Coisas que deveriam ser estudadas nos anos seguintes. Na verdade, naquelas férias eu passei a terum domínio de toda a matemática da oitava série e a entender muitas coisas do ensino médio, entãochamado de segundo grau. ***Sobre as aventuras: o barcoAventurar-se é correr riscos na descoberta de novas fronteiras. Algumas das aventuras de queparticipei com meus amigos foram inesquecíveis. Teve uma vez que eu, Rapha e meu irmão WinterBastos construímos um barco com madeira coletada na rua, câmaras de ar e pranchas de isopor.Eric Campos Bastos Guedes 24 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  25. 25. Pusemos o barco na praia de São Francisco, tivemos que carregá-lo nós mesmos, a pé, até SãoFrancisco. Foi bastante cansativo, mas tivemos sucesso. Nosso barco flutuou no mar e fomosremando até um lugar onde havia vários barquinhos ancorados. Subimos num deles e não tinhaninguém por perto para nos impedir. Mas não conseguimos entrar na cabine do barquinho, pois elaestava trancada. Entrou água no pacote de biscoitos que levamos para fazer um lanche e perdemosum martelo que levamos para repregar o barco caso ele ameaçasse se desmanchar, indo uma partepara cada lado. Winter acabou tendo uma insolação por pegar muito sol na cabeça. Essa aventura foino início de 1987, nas minhas férias da sétima para a oitava série do antigo primeiro grau. Unsmeses depois fui morar em Araruama com minha mãe, meu irmão Winter, o enteado de minha mãe,chamado Alexssandro ou Sandro e meu padrasto Lourenço, que naquela época chamávamos deBlau. ***Outra aventura: a grande cruz ao longeNuma tarde, eu, Sandro e Winter vimos uma espécie de cruz ao longe e resolvemos ir até aquelacruz para resolver o enigma e saber qual o significado dela. Mas era muito mais longe do quepodíamos ir naquela tarde. Então resolvemos ir no dia seguinte, pela manhã. Não contamos nadapara Blau nem para Vanda, pois eles iam “melar” nossos planos. No dia seguinte iniciamos umajornada até a misteriosa cruz. Teve uma hora que tivemos que passar em frente a uma casinha quetinha um cão mal humorado tomando conta. Resolvemos que um cachorro, mesmo grande eoferecendo risco, não iria impedir nossa jornada. Então decidimos passar caminhando em frente àcasinha, sem correr e nem olhar em direção ao cão. Ele rosnou ameaçadoramente, mas ficou nisso enós conseguimos passar. Ao chegar na cruz misteriosa sondamos o lugar. Uma cruz grande sobreum canteiro circular, com círculos concêntricos que se sobrepunham, os menores sobre os maiores.Levantamos a hipótese daquele ser o túmulo de um cavalo muito bem quisto por seu proprietárioque, após a morte do animal teria resolvido e homenageá-lo com a imensa cruz sobre o local de seusepultamento. Voltamos para casa por outro caminho e descobrimos que a tal cruz era o que aspessoas chamam de cruzeiro, que é uma cruz numa parte visível da cidade que a consagra a Cristo.O cruzeiro mais famoso do mundo é o Cristo Redentor, localizado na cidade do Rio de Janeiro.Uma estátua com Jesus de braços abertos acaba tendo a forma de uma cruz mesmo. ***Mais uma aventura: o morro misteriosoNossa primeira aventura foi subir um morro em Niterói que tinha uma misteriosa construção notopo. Naquela época minha mãe, meu padrasto, meu irmão e Sandro moravam numapartamentozinho no oitavo andar de um prédio situado na rua Noronha Torrezão, bairro de SantaRosa, Niterói. Eu, Winter e Rapha resolvemos ir até o topo do morro para saber do que se tratavaaquela construção. Minha mãe, alarmada, fez uma funesta previsão: “vocês vão morrer!”, mas nosdeixou partir. A empregada fizera alguns sanduíches com ovos para que levássemos em nossapequena excursão sem guia. Acho que chamamos Sandro para ir conosco, mas parece que ele nãoquis ir. Iniciamos nossa aventura subindo uma ruazinha de um morro próximo, passamos na casa damadrinha de Winter, que se chamava Rosa. Ela era meio enricada e morava numa casa grande pertodo morro. Nos avistou vindo ao longe e, não nos reconhecendo devido à distância, mandou que oscães nos atacassem. Ficamos paradinhos e eles ameaçavam nos morder, latindo ferozmente a umapequena distância. Mas quando Rosa nos reconheceu, ordenou que os cães retornassem. Fizemosum lanche na casa da madrinha Rosa e prosseguimos a jornada. Teve uma ruazinha que subimos eEric Campos Bastos Guedes 25 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  26. 26. na última casa precisávamos pedir passagem para prosseguir. Pedimos água ali e o dono da casa nosorientou: “não vão por tal caminho, porque tem uns marginais por lá. Sigam por este outrocaminho”. Então prosseguimos. Tivemos que jogar os sanduíches fora, pois entrou terra na sacolaem que os carregávamos. Após atravessar uma matagal queimado, chegamos até a construção. Elaparecia abandonada, mas ao examinar melhor, avistei um sujeito sem camisa e com uma arma defogo num cinturão. Nos afastamos um pouco do sujeito e tentamos decidir o que faríamos. Fiqueicom medo dele nos matar. Não era bem medo o que eu sentia, mas um receio que misturavaprudência e animação. Ele podia ser um bandido ou algo assim. Era uma situação difícil. Enquantoconversávamos o sujeito nos achou. Ele era da polícia e nos disse que aquele era o posto detelecomunicações da polícia. Lavamos nossas mãos com um sabão de coco metido num prego. Opolicial perguntou se estávamos lá para pegar alguma pipa e dissemos que não. A vista erareveladora. De um lado estava São Francisco e um outro morro com uma outra construção. Dooutro lado víamos o centro de Niterói, a ponte Rio-Niterói, e boa parte da Bahia de Guanabara. Eraincrível. Voltamos por outro caminho e eu escorreguei e rasguei minha calça de moletom.Acabamos chegando no bairro de Fátima, próximo de Santa Rosa e voltamos a pé para casa. Essas aventuras marcaram muito minha infância e início de adolescência. ***A descoberta do Método KumonEm 1983 havia iniciado um tratamento com o psicólogo Eduardo Nicolau. Ele soube de meu grandeinteresse por Matemática, mas na época em que me tratava achou que esse interesse me absorviatanto que estava a dificultar meu amadurecimento e ingresso no mundo adulto e real. Era como se aenergia e interesse que eu investia na Matemática me mantivessem longe de resolver questões maismundanas, tais como arranjar uma namorada, me relacionar afetivamente, aprender sobre a vida etc. Em 1985 eu deixei de ser paciente de Eduardo Nicolau e passei a me tratar com Drº EugênioLamy desde 23 de agosto daquele ano. Entretanto, Eduardo Nicolau foi um psicólogo tão bom paramim que, mesmo eu não sendo mais seu paciente, me deu uma dica de ouro para dominar amatemática. No final de 1986 ou início de 1987, ele me chamou em seu consultório e me instruiu aprocurar um amigo seu, chamado Faraday Smith Correa dos Reis. O professor Faraday estava aministrar um curso chamado Método Kumon, que se propunha a fazer o estudante gostar dematemática através do alcance da excelência nessa disciplina pela realização de elevado número deexercícios de crescente complexidade. Gostei muito da ideia e procurei por Faraday para iniciar ocurso. Foi ótimo tê-lo conhecido, pois era grande apreciador e conhecedor da Matemática, pessoainteligente que buscava ajudar, pela via da instrução, quem mostrasse interesse ou talento pelaMatemática. Foi particularmente importante ter conhecido professor Faraday naquela época, pois,num período crítico de minha vida, ele manifestou interesse e admiração verdadeira por meu talentocriador em Matemática e isso me motivou bastante à prosseguir com o desenvolvimento de minhasideias nessa área. Infelizmente, de início, minha frustração afetivo-sexual dificultou muito minha adesão decorpo e alma ao Método Kumon. Era difícil estudar matemática com tanto empenho pensando naloura da escola8. ***Oitava série no Colégio Itapuca8 Nessa época eu cursava a oitava série do primeiro grau no Colégio Itapuca, em Santa Rosa. A loura referida no texto chamava-se Marcela e eu havia lhe proposto que fôssemos para meu apartamento fazer sexo.Eric Campos Bastos Guedes 26 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  27. 27. Em 1987 eu cursava a 8ª série do ensino fundamental no colégio Itapuca, situado na rua NoronhaTorrezão. Entretanto, já sabia mais matemática do que os estudantes do ensino médio. Não tendointeresse nas demais matérias e não vendo mais nenhuma graça nas aulas de matemática de minhaclasse, expliquei isso ao diretor Tomás e pedi permissão a ele para assistir também as aulas dematemática das classes do ensino médio. Tomás disse que eu poderia assistir as aulas do ensinomédio depois que eu conseguisse a nota máxima em todas as matérias de minha própria classe.Descartei a ideia, pois não me interessava por outras disciplinas, somente por matemática egeometria. Ora, é fato bem conhecido o de que a inteligência é seletiva. Portanto, é muito naturalque cada pessoa manifeste graus diferentes de interesse por assuntos diversos. Meu pedido deassistir as aulas de matemática das classes mais adiantadas fazia todo sentido, portanto. A conclusãoque tiro é que a escola não se interessa pelo desenvolvimento pessoal, intelectual e social de seusalunos, mas sim pelo cumprimento de metas burocráticas. Tendo sido impedido de estudar o que queria, passei a me interessar por outras coisas. Euqueria muito ficar com uma menina chamada Marcela, uma loira descolada de cabelos curtos ecorpo atraente. Na verdade eu queria levá-la para meu apartamento na Rua Comendador Queiroz,em Icaraí, onde morávamos eu, minha tia Vera Lúcia de Campos e minha avó Dermontina da SilvaCampos. Queria fazer com ela tudo que vi os homens fazendo com as mulheres em minhas revistasde sexo explícito. Não tinha artifício para isso, entretanto. Se naquela época eu tivesse a cabeça quetenho hoje, poderia ter tido muitas namoradas e ficantes. Naquela época falava-se muito mais emnamoro do que em ficar. O verbo “ficar” não era usado com o significado que tem hoje, de ficarbeijando, acariciando e excitando descompromissadamente um parceiro ou parceira eventual. Eupropus a Marcela que ela fosse comigo para minha casa para nos relacionarmos sexualmente, masela não quis. Marcela se aproveitou da situação e passou a caçoar de mim, achando graça de minhaproposta. Sua atitude autorizou os demais alunos a caçoarem de mim também, porque perceberamminha fraqueza. Passei a ser alvo de zombaria no Itapuca e isso me deixava p. da vida. A escolaficou insuportável e acabei reagindo a uma dessas provocações dando um murro na cara de umaluno. Ele, que antes era meu amigo, passou a me ignorar e quando o procurei ele disse quechamaria o irmão mais velho que era militar para me dar uma surra. Minha vida escolar ia de mal apior, embora minhas notas estivessem acima da média. ***Três pontos a ponderarQuero destacar três coisas: primeiro, o mito de que o agressor quer ser agressor; segundo, o silênciosobre os malefícios do atraso da iniciação sexual dos adolescentes; terceiro, o fato pouco estudadode que drogas psiquiátricas são legalizadas, porém ainda são drogas. Sobre o agressor querer seragressor quero dizer que isso não corresponde sempre a verdade. Cada caso é um caso. Umverdadeiro agressor quer ser agressor e pode ser. Se uma agressão ocorre, uma das perguntas que sedeve procurar responder é: “o agressor queria cometer a agressão ou ele perdeu o controle?”. Se oagressor perdeu o controle ele precisa de ajuda, mas se ele fez o que fez por um exercício do livrearbítrio, deverá ser punido. Responder a pergunta proposta nos orienta sobre como resolver oproblema e evitar que futuras agressões ocorram. Se queremos resolver um problema, temos queentender o problema primeiro. O que tenho observado é a mídia eleger os vilões do momento, cadaum deles teve a sua época: Josef Fritzl, como pedófilo, raptor e estuprador da própria filha; o casalNardoni, pela morte de Isabela Nardoni; Suzane Von Richthofen pelo assassinato de seus pais; omaníaco do parque, pelo estupro e morte de muitas mulheres; Febrônio Índio do Brasil, pela morte eestupro de crianças. Examinando esses casos, podemos nos perguntar: “o que foi feito para evitarnovas tragédias como essas?”. Não vale responder dizendo que houve um aumento da pena, porexemplo. Aumentar a pena para um crime fará o juiz relutar um pouco mais em condenar alguémEric Campos Bastos Guedes 27 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  28. 28. por aquele crime. Na prática, talvez menos pessoas sejam condenadas. Além disso, se o meroaumento da pena resolvesse o problema ia ser muito fácil acabar com a criminalidade: bastariapunir todos os criminosos com pena máxima, digamos, uns 40 (quarenta) de reclusão. Será que omundo passaria a ser um paraíso ou um inferno? Acho que viveríamos num inferno. Um indícioforte que aponta nessa direção é o fato de as prisões da Islândia serem como hotéis de quatroestrelas: lá o condenado tem direito a duas horas por dia de Internet! Se uma punição brandafavorecesse o crime, a Islândia seria um país com alto índice de criminalidade, o que não ocorre.Por outro lado, se uma punição mais severa fosse capaz de refrear o crime, o índice decriminalidade no Brasil deveria ser muito mais baixo que o da Islândia, o que também não acontece.Estamos olhando na direção errada se nos propusermos a combater o crime com o aumento daspenas. Mas qual a solução para isso? Uma pista nos é dada se lembrarmos um pensamento devido aPitágoras: “devemos educar as crianças para não ter que punir os homens”. Quero acrescentar quenão é uma punição mais ou menos severa que irá resolver o problema da criminalidade. Para coibiro crime, as punições devem ser adequadas, mas não necessariamente severas. Para ilustrar o quedigo lembro-me do caso do primo de um antigo amigo de meu irmão. O amigo atendia pela alcunhade Bob Cuspe. Ele nos contou que um primo seu – ou algum outro parente, não tenho certeza qual– fora preso por ter cometido um pequeno furto ou algum delito de menor importância. Devido àsameaças, agressões e traumas que teve na prisão, saiu de lá tão revoltado que pensava em fazercoisas muito piores. O que tenho observado é que a punição excessiva conduz a revolta do punido eà prática de crimes muito mais terríveis que os iniciais. A prisão de uma pessoa acaba sendo umabola de neve em que cada vez que o preso é liberado por já ter cumprido a pena, ou por ter tidoalgum benefício, passa ele a cometer crimes muito piores. Algo análogo posso afirmar sobreinternações em clínicas psiquiátricas. Em todos os casos que citei, de Fritzl, Nardoni etc, os agressores, provavelmente, queriamcometer os crimes. Não fizeram o que fizeram por terem, de algum modo, perdido o controle. Omeu caso é diferente. Eu iniciei uma série de atos violentos por estar sob forte tensão e sem umaválvula de escape eficaz. Isso nos leva ao segundo tema que quero destacar: o atraso da iniciaçãosexual dos adolescentes. É esse atraso, muitas vezes, o responsável pelo comportamento violento decrianças e adolescentes intelectualmente promissores. É esse atraso que frustra o empenho de bonsestudantes ao se sentirem na obrigação de tirar notas altas devido ao sentimento de inferioridadeque tem em relação aos seus amigos e amigas que já se relacionam sexualmente. É como se notasexcelentes compensassem um deficit na área afetivo-sexual. Em cada ambiente procuramos orespeito dos demais – principalmente os talentos mais promissores buscam esse respeito. A ironia éque os mais talentosos acabam negligenciando amiúde o sexo e o afeto por terem eles uma fontemuito mais interessante de prazer: sua inteligência e motivação. Porém, se essas crianças eadolescentes perdem o interesse em atividades intelectuais e se não conseguem ingressar a contentono mundo do sexo e do afeto, passam elas a correrem um risco muito grande de cometeremsuicídio, assassinatos, estupros, agressões violentas e coisas do gênero. O respeito que buscam podenão lhes ser dado, ainda que o mereçam. Isso deve acontecer bastante na transição da infância paraa adolescência e na da adolescência para a vida adulta. Não por acaso é justamente nessas fases davida que costumam surgir a maioria dos casos de esquizofrenia. Pode ser que essa esquizofreniadecorra da interrupção do prazer de ser inteligente e simultânea dificuldade em ingressar no mundodo sexo. A grande solução não está em pílulas, comprimidos, haloperidol ou carbamazepina, massimplesmente numa orientação correta e bem intencionada da criança ou adolescente para fazê-losingressar a contento no sexo! A solução pode ser simplesmente essa! E o porque de essa soluçãonão estar sendo implementada é bem fácil de entender. O pai e, principalmente a mãe, não estão avontade com a ideia do “bebezinho” deles ter uma vida sexualmente normal, sadia e ativa. Oproblema estaria muito mais na família do que na criança ou adolescente considerado problemático.A tal da criança-problema talvez seja apenas uma criança que precisa urgente de “uma boamassagem” – no segundo sentido da palavra, por favor! Sobre isso quero dizer que uma pu*a naEric Campos Bastos Guedes 28 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  29. 29. cama é muito melhor que uma dama na sociedade. Há que se falar também sobre o crime de Wellington Menezes de Oliveira, o atirador derealengo, que entrou armado em sua antiga escola e matou a tiros 12 estudantes. Ora, pelo que seentende da carta deixada por Wellington no trecho seguinte: “...nenhum fornicador ou adultero poderá ter contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão...” [grifo meu]fica mais ou menos claro que Wellington morreu virgem! Sim! Estranhamente a grande mídia demassa não deu o devido destaque a esse fato crucial. Se Wellington tivesse uma vida sexual, mesmoque fosse com prostitutas (dada sua dificuldade em relacionar-se), provavelmente o massacre derealengo não teria ocorrido. Como evitar que tais ataques venham a ocorrer? Ora, poderíamosinstituir uma data de combate ao bullying, lembrando a cada ano a trajédia de realengo e atribuindoao bullying a culpa pelo ocorrido. Assim, os alunos das escolas ficariam bem conscientes sobre asconsequências do bullying, o que coibiria tal prática. O terceiro tema é “drogas psiquiátricas são legalizadas, porém ainda são drogas” e estárelacionado aos dois anteriores. A maioria das pessoas pensa que tranquilizantes realmente tornamas pessoas mais calmas. Extrapolando essa ideia, acham que muitas pessoas que são mentalmenteenfermas precisam dos tranquilizantes para viverem em sociedade, caso contrário se tornariamagressivas e violentas. Nada disso é verdade. Se repararmos bem, as pessoas que tomamtranquilizantes – diazepam, haloperidol, carbamazepina, clonazepam, clozapina etc – tem maispropensão a serem justamente as desajustadas, as frustradas, as estranhas e as que ficam de fora doscírculos de amizade. Poder-se-ia argumentar que esse desajuste se deve à doença dessas pessoas eque o tranquilizante estaria tratando o desajuste. Esse argumento é uma distorção da verdade. O quevejo são pessoas adoecendo pelo uso de tranquilizantes. Tranquilizantes estes que, ao embotar amotivação do usuário e reduzir sua memória, atenção e capacidade de aprendizagem, sabotam ointelecto do “doente”, privando-o do que, talvez, possa ser uma de suas maiores alegrias: o sucessoescolar e intelectual. Mais: ao reduzir a dose desses tranquilizantes ou suprimi-los, passamos poruma síndrome de abstinência. Esta última expressão costuma ser muito mais utilizada quando nosreferimos a drogas ilegais ou ilícitas. Mas o fato de termos adquirido drogas numa farmácia, comreceita médica e agindo dentro da lei não transforma essas drogas em algo diferente do que são:drogas! Nosso corpo não está nem aí para a legalidade das drogas que utilizamos: o dano cerebralocorrerá com drogas legais ou ilegais, em menor ou maior grau. A redução ou supressão do uso detranquilizantes costuma levar, como eu estava dizendo, a uma síndrome de abstinência. Quando elaocorre, se não estivermos preparados, entraremos em crise e ao sairmos da crise pelo retorno ao usodas drogas dizemos a nós mesmos: “é... eu acho que preciso realmente tomar meus remédios”. Issoé tão errado como tratar o vício em crack ou cocaína com mais crack e mais cocaína. Simplesmenteé o modo errado de enfrentar o problema. A relação do terceiro tema com os dois primeiros é que o uso de drogas, legais ou não, aofrustrar a criança ou adolescente pela redução de sua capacidade de aprendizagem, memória eatenção, favorece a agressão. Afinal, pessoas frustradas estão muito mais propensas a cometeremagressões do que as bem relacionadas. Além disso, a utilização de medicações psiquiátricas como ohaloperidol e a clozapina tornam as pessoas muito mais envergonhadas e medrosas, o que pode serfatal se o usuário ainda não iniciou sua vida sexual. De fato, o haloperidol, a clozapina e arisperidona são drogas tranquilizantes que nos tornam pessoas afetivamente menos interessantes esexualmente deficitárias. Ora, levando o usuário uma vida de sucessivas frustrações de caráterafetivo, sexual e intelectual, as drogas psiquiátricas produzem uma legião de agressores, suicidas eincapazes. Não quero com isso justificar as graves agressões que cometi – falarei delas ainda – masquero pelo menos explicá-las. Tentar justificar o mal é impossível, pois o mal não é justo; o queEric Campos Bastos Guedes 29 O Povo Cego e as Farsas do Poder
  30. 30. devemos, sim é entender o mal, exatamente para nos defendermos dele. Sun-Tzu nos diz em seulivro “A arte da guerra” que conhecer o inimigo nos garante metade da vitória sobre ele. E seestamos em guerra contra o mal, temos que saber de onde ele vem e como ele age. ***O porteiro gay do Colégio ItapucaEm 1987 um homossexual de nome Geraldo – funcionário do colégio Itapuca – se aproximou demim. Ele me disse os maiores disparates. Disse que os tempos hoje são outros, mais liberais e quese eu decidisse sair na rua com o pinto duro para fora das calças, o melhor que ele poderia fazerseria ficar na minha frente para esconder meu órgão. Aquela conversa dele era um espetáculobizarro que assisti estupefato, mas devido à novidade escutei o que ele dizia por algumas horas –veja bem: horas. Ele estava tão a fim de ficar comigo que me ofereceu o gabarito dos testes docolégio Itapuca. Recusei a ideia de cara. No fim, quando eu já estava para ir embora, me chamoupara ir para sua casa transarmos. Eu não quis. Foi constrangedor, mas pelo menos aprendi um poucosobre como são as pessoas. Naquela noite, em casa, fiquei profundamente angustiado. Enquanto Marcela – a louradescolada do Itapuca – me esnobava e dava bola para outros caras, eu era assediado por um gay.Abandonei o colégio Itapuca. ***Hábitos sexuais reprováveisNo primeiro semestre de 1987 ocorreu um pequeno incidente que mudou a história de minha vida eisto quase me destruiu. Academicamente, perdi uns 15 anos de estudo na UFF. Nesse tempo eupoderia ter concluído a graduação, feito o mestrado e também o doutorado. Estava indo ao apartamento onde meu amigo Raphael morava com sua mãe Márcia e suairmã Raquel quando avistei, na mesma calçada, vindo em minha direção, uma menina-mulher quedevia ter mais ou menos a minha idade mesmo. Foi perto do Colégio Salesiano Santa Rosa, ou naRua Mário Viana, ou na Rua Santa Rosa, acho. Naquela época eu ainda não havia me relacionadosexualmente e estava cheio dos hormônios próprios da adolescência. Quando via uma mulher – oumesmo quando não via – acabava a desejando muito, mas não tinha nenhum artifício para conseguirque mulher nenhuma transasse comigo. Na verdade, cada negativa que eu recebia ao propor sexocom mulheres me desgastava muito, razão pela qual eu fiz poucas propostas de sexo às pessoas.Quando aquela menina-mulher de short passou ao meu lado, minha mão escorregou furtivamenteaté suas nádegas e ela disse: “IIIIIIhhh, garoto!”. Meu ato não foi intencional – um lapsomomentâneo em que fui guiado pela minha libido. Continuei meu caminho e percebi que ficaranaquilo: não houve nenhum tipo de repreensão mais eficaz além do “IIIIIIhhh, garoto!”. Imaturo echeio de “T”, passei a fazer tal coisa de modo rotineiro. Eu sabia que era perigoso e queria parar,mas se tornou um vício. Eu realmente tentei parar algumas vezes, mas sem êxito. Quando avistavaum menina bonita a mostrar o contorno da bunda em shortinhos ou calças jeans apertadas, logo melembrava desse mal hábito e ficava tentado à sair pela rua para tocar alguma mulher. Sei que para amaioria das pessoas é difícil entender que isso era um vício: mal hábito que temos e que é difícilpararmos por nós mesmos. O que quero dizer é que é muito mais fácil aconselhar alguém a deixarum vício do que nós mesmos deixarmos os nossos. O alcoolismo, o cigarro e os tóxicos são víciosque só quem os tem saberá realmente o quanto é difícil parar. Mais que isso: certas pessoas sãomuito mais propensas a desenvolver vícios que outras. É muito fácil dizermos a um alcoólatra paraparar de beber porque não estamos no corpo dele para saber o peso e a força de seu vício. Em seEric Campos Bastos Guedes 30 O Povo Cego e as Farsas do Poder

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