Revista literatas edição 1

1.566 visualizações

Publicada em

Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.566
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
12
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Revista literatas edição 1

  1. 1. Literatas o Venenosai às terças-feiras Não conhecemos o preço da palavra. Envie esta revista à um amigo de sócrates pg. 8 revista de Literatura Moçambicana e LusófonaDirector Editorial: Eduardo Quive * Maputo * 12 de Julho de 2011 * Ano 01 * Nº 01 * E-Mail: kuphaluxa@gmail.com S h owe s i a n aColômbia eB ra s i lJoana Ruas revela os mistériosdas“Crónicas Timorenses” pg. 3No Discurso DirEcto , LíLiA MoMpLé Diz “Vivemos uma sociedade de negócios o ´Busness society´, onde o que vale é o medíocre e não desenvolvimento.” pg. 6
  2. 2. 2 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 terça-feira, 12 de Julho de 2011 https://revistaliteratas.blogspot.com 2 Em primEira Tánia Tomé: Leva Showesia à Colômbia e Brasil Prémio de música da Organização mundial de vários poetas, que ultrapassam os 160, provenientes de Saúde, Premio de Poesia Millenium Bim, no seu vários destinos do mundo. desempenho literário e musical. Depois desta participação, a artista moçambicana Licenciada em Economia, e Pós – graduada em internacional ruma ao Brasil, onde juntamente com Auditoria e Controlo Gestão. vários artistas, será homenageada no Teatro do Sesi no Tânia Tome produziu e realizou o primeiro DVD Rio de Janeiro. A história, conta que no rol destas hom- de poesia em Moçambique. Criou e fundou o con-A cantora e poetisa tânia enagens e nesta sala, artistas conceituados, passearam ceito e movimento denominado Showesia – espe- a sua classe, como Adriana calcanhoto, augusto Mar- ctáculo de poesia tomé volta a levar a tins, Gilberto Gil, Maria entre outros. É presidente da Associação Showesia com objec- Os eventos na terra do samba, terão lugar nos dias tivos culturais e de carácter sócio-humanitário e Bandeira de Moçambique 14 e 15 deste mês, com a declamação de poemas do directora do Festival internacional showesia. seu mais recente livro, para além de uma sessão de Lançou em Maio de 2010 em Moçambique seu para fora do país. música acústica, cantando vários temas inéditos do seu livro de poesia “Agarra-me o Sol por trás” que é uma álbum, acompanhada dos seus dedos ao piano. das referências bibliográficas da Pós-graduação Desta vez, levou com sigo o showesia, que Já na Kitabu, Livraria Nandyala, onde foi recente- em Letras Vernáculas da Universidade Federal doé uma forma criativa de dizer a poesia, ao Fes- mente lançado o livro sobre Fela Kuti, da autoria de Rio de Janeiro. Finais de 2010 a editora brasileiratival de Medellin XXI entre os dias 1 e 9 Julho, Carlos Moore e prefaciado por Glberto GIL, músico e escrituras lançou o livro “Agarra-me o Sol por tras,na Colômbia. ministro brasileiro. outros escritos e melodias” com prefácio do Brasil- O festival, é considerado um dos maiores Tânia prepara seu mais recente álbum de música e eiro Floriano Martins e pintura de Eduardo Eloy.eventos de poesia no mundo, com mais de irá, ainda estar com músico moçambicano Guilherme O livro foi seleccionado para o prémio Portugal170 mil pessoas a aderir anualmente. Silva, a radicado no Brasil e outros músicos como telecom 2011 no Brasil. No Medellin, vários músicos consagrados, Grecco Buratto e Fernando, com os quais, estabeleceu Faz parte da Antologia World Poetry Almanacnóbeis de literatura, actores mundiais já des- contacto recentemente, para estudar a possibilidade 2009 (Com 190 poetas do mundo oriundos de 100filaram, dando a imagem de grandeza. de gravar alguns temas de música. países do mundo), representando Moçambique e A moçambicana Tânia Tomé, foi convidada Refira-se que a dias, Tânia Tomé lançou sua música e os Palop , e faz parte da Antologia THE BILINGUALcomo cantora e poetisa, levando seus temas vídeo mais recente intitulada Cimbalaia. ANTHOLOGY ON AFRICAN POETRY EM CHINES,inéditos de música como Estoy Enamorada, lançada em Shangai, China. BiogrAfiAAmar é bom, que irá cantar em acústico com Participa do primeiro ano de comemoração deseus dedos ao piano. Celebração da língua e Cultura Portuguesa da Nas suas actuações n este festival, a artista, CPLP em Moçambique, ao lado do Mia Couto eterá o palco compartilhado com a cantora Chi- Calane da Silva.woniso Maraire do Zimbabwe, Madosini Latozi É membro da Associação dos escritores Moçambi-Mpahleni cantora tradicional, e do cantor Pedro Tânia Tomé, de 29 anos e de Moçambique é canos, da Associação dos músicos moçambicanos,Espia - Sanchis do South África - Spain. cantora, compositora, actriz, poetisa, declamadora da Associação dos Poetas del mundo e membro Tânia também apresentou poesia ao lado de e apresentadora de espectáculos e televisão. correspondente da Academia Rio-Grandina deoutros poetas, entre os quais se destacou-se Conta já com vários prémios internacionais entre Letras do Brasila presença da actriz do filme “Hotel Ruanda” os quais se destacam prémio académico da Funda- págiNA oficiAL: www.tANiAtoME.coMsobejamente conhecido, o prémio Nobel de ção Mário Soares, Prémio Festival da Canção, Porto,literatura 1994, Derek Walcott, entre outros Portugal, Prémio Soundcity Music Award (África),
  3. 3. Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 3 terça-feira, 12 de Julho de 2011 https://revistaliteratas.blogspot.com 3Em primEira“Crónicas Timorenses” JoANA ruAs – LisBoA as fontes escritas e tinha ainda as que me haviam sido fornecidas e que pertenciam à tradição oral. A análise desse material levou-me à conclusão de que uma vez concretizada a unificação administrativa do território, em finais do século XIX, este, embora tenha continu-crónicas timorenses — estas ado a estar administrativamente dividido em reinos, esses reinos eram assim chamados formalmente pois crónicas abrangem um os seus reis haviam deixado de ser vassalos do rei de Portugal, para serem apenas súbditos, não sendo período que vai de 1910 a os seus reinos nem já independentes nem mesmo autónomos. Apenas um, Manufhai, ousava ainda proc- 1965.Dada a interferência lamar a sua independência face ao poder central. Constatei, pois, que a construção erguida durante sécu- no território de vários los pela política de casados de Afonso de Albuquerque e mais tarde reforçada pela luta contra os Holandeses protagonismos quer antes levada a cabo sobretudo pelos governadores per- nambucanos, ruíra com as guerras de pacificação do quer depois da 2ª guerra território. Para um observador externo, a existência colectiva do povo timorense tinha sofrido uma des- primeiro volume, A Batalha das Lágrimas. Ora esta con- Mundial, a autora deu à continuidade, pois uma vez vencido na guerra de centração resulta da racionalidade imposta pela mudança Manufhai, os episódios novos que viria a sofrer já não de estatuto da colónia. Na documentação que esteve na eram um prolongamento dos antigos. base do 1º volume, à medida que li todos aqueles livros, PerAnte eSteS novos dados da reali- relatórios militares, documentação avulsa e notícias dos dade, olhei para o material que jornais, os personagens foram-se-me impondo, quer porque tinha entre mãos. Fixar a história os autores desses documentos os consideravam heróis destes povos na sua longa e perigosa nacionais, fossem portugueses, goeses ou timorenses, quer marcha é extremamente difícil. Uma porque sendo gente obscura acedeu à História por infracção, das razões pode ser aduzida do facto isto é, as suas vidas cruzaram-se com o Poder, passando a da sua vida colectiva não possuir a fazer parte dessa pluralidade de vozes que se perdem no característica ocidental da circu- tempo, os infames como os descreveu Michel Foucault em laridade imutável em que mesmo La Vie des Hommes Infâmes : «Vidas breves, achadas a esmo com retrocessos se processa uma em livros e documentos». continuidade na vivência histórica. orA dePoiS da pacificação do território como lhe chamou Na verdade, havia já factores de Celestino da Silva, tudo passou a ser diferente aos olhares coesão que se viriam a manifestar dos observadores, militares e administrativos que relataram na Resistência ao invasor indonésio os acontecimentos havidos no século XX, em vésperas da 1ª e que paradoxalmente surgiu no Guerra Mundial: à excepção de D. Boaventura de Manufhai, território com uma corrente nacio- não foi registado nome algum de timorense, todos passaram nalista que estava sintonizada com à categoria dos vastos e anónimos, fenómeno registado por os nacionalistas indonésios lidera- Rilke e mais tarde por Canetti como os «sem nome». dos por Sukarno na sequência da É minha convicção que o povo de Timor-Leste rasgou a noite invasão nipónica. de um longo sofrimento e de uma deriva histórica perigosa Em A Batalha das para a sua sobrevivência como povo até nos surpreender a todos nós Portugueses e ao mundo inteiro tornando-se a Lágrimas a intriga, de facto, progressão dessa realidade primeira nação do século XXI, Timor Loro Sae.A sua coragem, perde-se na linearidade fac- determinação e capacidade de sofrimento foram por assim complexa a forma de dizer a minha veste de luz, e acolhi a inspiração que deles tual dos sucessivos episódios recebi nesses duros tempos de horror e de esperança. Indo da guerra. A intriga perde-se contos por se basearem em a mais de meio do meu trabalho, apenas espero ter con- porque estas histórias são tribuído para a definitiva reconciliação da família timorense. documentação escrita e oral. Sobre tantos personagens colhidos aqui e ali apenas vos histórias da resistência e dos digo como Saint-Exupéry em O Principezinho :«Só se vê comSão eStAS as crónicas: D. Manuel dos Remédios — breve vencidos e não as dos vence- o coração; o essencial é invisível aos olhos». dores. BiogrAfiAtexto sobre o exílio e morte na serra de Lavater deste lib-eral timorense perseguido pelas autoridades militares e noS vencidoS, à excepção dos que possuem uma arte,religiosas em 1878; O Cofre e a Espada — a autora desen- a arte da resistência que Dante, na Divina Comédia ,volve e aprofunda, a partir de personagens timorenses, a define como a capacidade de resistência às adversi-trama que leva à guerra de Manufahi quando em Portugal dades e aos inimigos políticos, tudo se dissolve no ina- JoAnA ruAS nasceu em 1945 na Quinta do Pinheiro emvigorava o novo regime — a República. A autora segue o cabado porque a espoliação de que foram vítimas lhes Freches, no distrito da Guarda. Por volta dos anos 50 dodesenrolar deste conflito baseando-se na obra do oficial rouba os fios da própria existência. Havia ainda que século XX , a sua família estabeleceu-se em Angola ondeda Armada, Jaime do Inso, intitulada Timor-1912 ;Folhas ponderar que na nossa cultura há uma oposição entre Joana Ruas viveu e estudou até aos quinze anos, idade emsoltas no bosque — a acção deste conto que se baseia o oral e o escrito. Nas culturas orientais essa oposição que, segundo o costume da burguesia colonial , regressounas informações contidas no livro Funo-A Guerra em não existe. Mesmo na cultura chinesa, a oposição a Portugal para completar os seus estudos em Coimbra. ATimor de Carlos Cal Brandão, decorre no rescaldo da reti- que existe é entre o gesto e o discurso. Lembremos a guerra colonial levou o seu ex-marido para Timor-Leste pararada nipónica de Timor, em Agosto de 1945; Funan-Mutin Questão dos Ritos Chineses, essa controvérsia que se onde Joana Ruas o acompanhou .(Branca- Flor) — a chegada dos oficiais milicianos e suas travou nos séculos XVII e XVIII, isto é de 1631 a 1743, trABALhou como jornalista cultural e tradutora na Radiodi-esposas a Timor-Leste, as consequências do golpe contra quando se iniciava a evangelização da China. fusão Portuguesa e no jornal Nô Pintcha da República daSukarno e também sobre os ventos de mudança que se ASSim, nA medida em que a escrita muda a natureza Guiné –Bissau.anunciavam em Portugal e nas colónias. da narrativa oral, pois pelo facto de passar para a A convite de Natália Correia, traduziu prosa e poesia para forma escrita, o texto corta as amarras que o ligavam à diversas editoras.AprEsENtAção DA oralidade, chamei-lhes crónicas e não contos . Crónicas PArticiPou nA causa da Libertação do Povo de Timor-Leste, no sentido dado às Crónicas Italianas de Stendhal, pela tendo feito várias conferências sobre a Língua Portuguesa diversidade das fontes, escritas e orais e pela liberdade em Timor –Leste, sua história e cultura. .Em 1975, o poetaoBrA pELA AutorA de invenção no tocante aos personagens mas não aos Herberto Helder editou um poema seu e, desde então, con- factos que se erguem sobre fundo histórico. sagrou-se à sua obra literária, tendo publicado romances, ensaios e poemas. Trabalha há anos na escrita de uma obra Todas estas crónicas têm as suas fontes históricas em três volumes (um romance, um livro de contos e umaABordei eSte segundo volume da trilogia A Pedra e a Folha, assinaladas nas notas finais de cada uma delas. Entre novela), sobre cem anos de Resistência Timorense — deainda antes de ter iniciado a investigação que me levaria ao as fontes portuguesas não se verifica já a dispersão finais do século XIX até à Independênciaprimeiro volume, A Batalha das Lágrimas. Tinha entre mãos das fontes e dos documentos que estão na base do
  4. 4. 4 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 terça-feira, 12 de Julho de 2011 https://revistaliteratas.blogspot.com 4Em poucas paLavras / poEsiaQue culpa temos nós? Quero ser fazer MukurruzA - LichiNgA ruth BoANE - tEtE pEDro Du Bois - BrAsiL Gentil nossa alma, Quero ser uma estrela Feito ao avesso: da cabeça Nossa esperança, dores, mágoas, enfim, roubadas. para o teu mundo iluminar aos pés transitam ordens desconexas Penúrias penduradas n’angústias Quero ser uma flor o primeiro limite estabelece o siso Desfeitas de graças. para o teu jardim embelezar. o último rearranja as forças Estas vaidades traduzidas nas danças de batuques marimba, enfim. com que chuto as pedras Quero ser o mar Oh! danças de ekuetthe danças desconhecidas! Para as tristezas comigo levar desconheço a determinação -Será que não lembram destas danças? e as alegrias contigo deixar. da placa: disparo -Isto é mesmo que não lembrar do filho desta terra esquecida ah! ao encontro do corpo Que esperança falhada nesta terra de moldes, desfeita Quero ser borboleta contrário e o choque de estragar tijolos de adobe! Quero borboleta ser desintegra o mito Tristeza é a palavra que só se vos diz. Para um sorriso no rosto do teu jardim colocar. Nestes gritos esquecidos; da cordialidade. Gritos sem referentes, sem donos. Quero ser poetisa para palavras de amor te dizer Ah! que tristeza nos acolhe nestes abrigos sem reflexos! e seus ouvidos enlouquecer. Que pena nos impedem de sonhar! Esperança desfeita de mistérios dos magnos xicuembos Quero ser a rainha do teu coração e contigo para sempre ficar. Amo-te Sansão!Quinta D´Poesia: em “Noite de Revelação” mAPuto - Nos habituais encontros das primeirasquintas-feiras de cada mês, o grupo cultural Nkarin-gana Arte, proporciona verdadeiros momentos derecitação de poesia de novas revelações na poesiamoçambicana.neStA quintA-feirA, não se foge a regra, o eventocomo sempre, teve lugar no Café – Bar Gil Vicenteem Maputo, a partir as 18 e 30, e contou com ilus-tres figuras de cartaz na arte de declamar, tocar, edesta vez, em especial, acompanhado de um debatesobre um grupo de poesia, denominado “Canto daPoesia”, idealizado pelo já conhecido jovem poeta,Rafael Iguane, para além da presença de EduardoQuive, quem falarou da revista digital, Literatas, umpalco onde convergem várias formas de “Dizer, fazere sentir a literatura” Os jovens Dudas Aled e Rãs Soto, dedilharam as guitarras acompanhando os recitais com a especial presença do grupo Nkaringana Poetry,Voka, Yacy Lurdes, Bimazonda.noS hABituAiS encontros das primeiras quintas-feiras de cada mês, o grupo cultural Nkaringana Arte, proporciona verdadeiros momentos de recitação depoesia de novas revelações na poesia moçambicana (Literatas) Escritora brasileira a caminho de Maputo” Das terras brasileiras, concretamente de São Paulo, a escritora Ana Rusche, ruma para Moçambique, onde efectuará uma visita de cinco dias. Ana Rusche, vem a Maputo, para desenvolver várias actividades de índole artístico - literárias, com o Movimento Literário Kuphaluxa. Dentre várias componentes, destaca-se a realização de uma oficina literárias, participação em saraus culturais do movimento e outros eventos artísticos da cidade, e vai entrevistas escritores moçambicanos, para além de orientar palestras com jovens amantes da literatura da capital moçambicana. Ana Rusche publicou Rasgada (Ed. Quinze & Trinta, 2005) e Sarabanda – Um caderno de Estudos (Selo Demônio Negro, 2007). Estreará em prosa com o romance Acordados (Ed. Amauta, no prelo), premiado pelo PAC – Programa de Ação Cultural do Governo de São Paulo. Posui poemas publicados em diversas revistas literárias, participou da Antologia Oitavas, org. Vanderley Mendonça (Selo Demonio Negro, 2006) e 8 Femmes, org. Virna Teixeira. (http://peixedeaquario.zip.net)fichA tÉcnicA Propriedade do Movimento Literário Kuphaluxa Sede: Centro Cultural Brasil-Moçambique* AV. 25 de Setembro nº 1728, Maputo, Caixa Postal nº 1167 * Celulares: (+258) 82 27 17 645 e (+258) 84 57 78 117 * Fax: (+258) 21 02 05 84 * E-mail: kuphaluxa@gmail.comDirector Editorial: Eduardo Quive (eduardoquive@gmail.com)Coordenador: Amosse Mucavele (amosse1987@yahoo.com.br)Editor - Canto da Poesia: Rafael Inguane (inguane.rafael@hotmail.com)Redacção: David Bamo, Nelson Lineu, Mauro Brito, Izidine Jaime, Japone Arijuane.Colaboradores: Maputo: Osório Chembene Júnior * Xai-Xai: Deusa D´África * Tete: Ruth Boane * Nampula: Jessemusse Cacinda * Lichinga: Mukurruza*Brasil: Itapema - Pedro Du Bois * Santa Catarina: Samuel da Costa * Nilton Pavin. * Portugal: Victor Eustaquio e Joana Ruas.Design e páginação: Eduardo Quive
  5. 5. Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 5terça-feira, 12 de Julho de 2011 https://revistaliteratas.blogspot.com 5prosa EscrEViVêNciAs uMA prosA EM DosEs pArA ArséNiA crôNicAs DAViD BAMo - MAputo MArcELo soriANo - BrAsiL Dezembro de 2008, fim 1ª dose - Prólogo de um espetáculo alusivo Recebi com muito gosto o convite ao Dia Mundial Contra a para escrever uma crônica para a Sida. Uma jovem magra, Revista Literatas. Fico feliz e grato quase com minha altura, ao irmão Amosse Mucavele que bonita cabelos cumpridas disse-me: “Sabes, conquistaste o coração dos moçambicanos.”, referindo- se aproxima de mim e diz: se ao artigo publicado na Tempo Nº Zero (http://www.revista-tempo. Oi, gostei do show, com/) que foi relançada em Maio, recentemente. Mantenho firme, com apresentas muito bem! este tipo de intercâmbio, o sonho de ver/ler a riqueza cultural dos países da CPLP transitando livremente, sem fronteiras, de lá para cá, daqui para lá.Muito obrigado! Disse eu. Curioso, porque durante o evento vi uma 2ª dose - A microliteratura nas redes sociaisjovem atenta a todos os meus movimentos, pois estivera sentada num Desde pequeno tendo a escrever com o mínimo de caracteres. Aquiloplano que a permitia controlar todos os meus passos. A sua saudação que seria uma mania estranha de um garoto que pensava demais e falavaquase que precipitava as minhas. Moça que multiplicada por qualquer (e escrevia) de menos, hoje transformou-se em modismo cultural,coisa seria igual a simpatia! Com uma beleza mais por interior que propagado amplamente pelo Twitter, Facebook, Blogues em geral,do lado de fora do seu fisico. Esta jovem chamava se Arsénia. enfim, pelas chamadas Redes de Relacionamentos Sócio-Virtuais. Bem,- Eu sou David. Me introduzi! o que poderia dizer aquele garoto de antigamente, de poucas letras com- Não precisavas me dizer já te conheço! grande significado (ao menos para si)?! O garoto se encontrou, nãoFiquei boqueaberto, tanta beleza e bondande feminina a minha apenas consigo mesmo, mas com uma proposta de literatura (e, pordisposição, só podia se tratar de um sonho! Mas como um sonho? Se conseqüência, literatos jovens de todas as idades), tão espontânea, quantoeu sentia na pele e na alma o carinho fluente pelos países da CPLP. Críticas, estudos, discussões sobre o teordaquela criatura que Deus trouxera do Eden para dar brilho ao meu e a pertinência cultural das expressões literárias deste “novo” estilo dedia, naquela data! escrever... Bom, deixemos isto aos acadêmicos!- Vivo no Singathela, e tu? 3ª dose - Aforismos sobre Literatura- Também! A literatura é um mar de rosas de cabeças baixas.- Então vamos juntos para casa!?! Lembre-se: neste mundo, uma palavra vale muito mais que mil idéias.- Sim vamos! Nada de falar a verdade. Um poeta verdadeiro deve sempre escrever aComeçava assim uma grande viagem de amizade entre duas almas, verdade.dois corpos, duas gentes que apesar das suas vivência diferentes Um grande escritor não é aquele que se libera ao ímpeto do escrever.partilhavam o mesmo sonho, fazer radio Um grande escritor resiste ao ímpeto de não escrever.ou televisão um dia. A poesia vem do nada, logo, poesia é tudo!A vontade de construir com betão e prata uma amizade entre nós, O escrever é superior ao redigir.foi mais galopante que as nossas próprias vontades! Arsénia e David Todo o poema pode ser melhorado. Todo o poema deve ser melhorado.consiguiram em tempo curto mais que o sentido da própria palavra, Não fosse assim, não seria poema.aproximar os seus seres e traçar a mesma história. Uma amizade do O universo uniu os versos... E esquartejou os poetas...tamanho da obra de José Craverinha. Nunca duvide da Arte de dormir operário e acordar poeta.Ao longo destes quatro anos de amizade fui aprendendo que os A poesia funciona quando o leitor sorri.encantos de uma mulher, não residem apenas nas curvas que O livro é uma gaiola de pássaros que canta para ser aberta.compoem o seu corpo, muito menos no cruzamento entre as suas Os menos preparados sempre sucumbem ao afã da palavra final.pernas, mas sim na personalidade! Conceito muito pouco conhecido O bom poema é o que nos lê.nos dias que correm. A verdade está situada em algum lugar ilegível entre as metáforas e asA nossa intimidade significou o fim do que nunca tive em mim, a parábolas.poesia, se não um conjunto de frases, versos e palavras gastas em O óbvio, às vezes, surpreende.almas satánicas que me fizeram sugar o veneno da Jiboa.Procurei todas explicações possíveis para conhecer o verdadeiro Quem passa a maior parte do tempo tentando ser genial, acaba sesentido dos nossos sentimentos, nenhuma resposta achei se não um tornando um gênio muito chato.tesouro chamado Amizade, possível de Nós que escrevemos tanto sobre amor, não é que o saibamos ao ponto deencontrar em terras onde abunda leite e mel. ensinar, é porque precisamos escrever; escrever ao ponto de aprender. Por isso eu digo, sem ser douto no assunto... Escrever também é amar.Todos cobiçavam indisfarçadamente o nosso relaccionamento! Poetas são árvores frutíferas que acharam mais produtivo perambular.Lambusavam se de vontade, queriam de ser um de nós. Se contorciampara sentir a doçura de uma amizade pura como o grito de uma Escrever é pura falta do que fazer quando se está com a agenda lotada.criança saindo do ventre da mãe. Já observaram? O livro aberto tem formato de pássaro.O nosso ninho chamou outros e juntamos o útil ao agradável! Não O autor é o Deus do livro, mas é comum deuses serem engolidos pelafomos, nem somos e nunca serenos só nós, porque sempre viajámos vaidade da própria criação.em outras vidas, buscando novos e melhores sabores para apimentar Há poemas que são auto-exorcistas.o lar que aos poucos iamos formando em nossas vidas! Apelo aos escritores: deixem de definir o amor e comecem a amar!Descobri igualmente que a mulher da minha vida não foi aquela Para o poeta ser amado é ser lido. Um livro de papel comestível venderiaa quem devo a minha existência, muito menos a que me fezera mais (porque mataria, também, a fome do corpo).descobrir os apetites carnais, mas sim foi a Arsénia! Não sou, porque Por mais enfadonha que seja a nossa história de vida, largar o livro nemnão quis aprender, todavia, a Arsénia ensinou me a ser verdadeiro. pensar! Escrevo primeiro; penso depois. Se pensasse antes, jamais escreveria.Pena que as palavras nunca dizem tudo o que sentimos, mas fica Escrever não é um caso pensado.esta prosa, que leva consigo o ritimo do Detalhes de Nós Dois, A minha grande certeza é a incerteza das letras de um poema não escrito.cantado pelo rei Roberto Carlos, pintada pelo mestre Malangatana. Poesia de verdade não é a leitura do mesmo, é a releitura do novo.Esta carta de reconhecimento ultapassa a dimensão da obra do Dan O Poeta se faz digno pelo strip-tease de suas palavras.Brown, o marximo resgatado por Lenin não chega aos calcanháres Ler com o lápis; escrever com os olhos.desta mensagem, feita por este pobre homem abanonado pela únicamulher a quem ele não consiguiu satisfazer todos os seus desejos. A vida é uma luta diária. Em todos os amanheceres reiniciamos do nada.Mulher que as exigências da vida a levaram para as outras terras de Escrever é semelhante.Moçambique. Mulher que se as forças do além quiserem voltaremos A cisma da Ordem dos Poetas Alucinados é jamais saber precisamente oa cruzar o mesmo caminho! lugar correto e derradeiro do ponto final
  6. 6. 6 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 terça-feira, 12 de Julho de 2011 https://revistaliteratas.blogspot.com 6- Discurso DirEctoContadora de estórias que ilustram a história EDuArDo QuiVE - MAputo colonialismo. Muita raiva. Tinha a raiva da - Quero agradecer a oportunidade que o vosso movimento injustiça. Eu nunca me (Movimento Literário Kuphaluxa) me deu de estar aqui em Ida dos remotos tempos da dominação colonial conformava por tudo que via: conversa com os jovens e devo dizer que vos admiro. Realmenteportuguesa nas terras moçambicanas e voltada massacres sofrimento, oPreSSão. iSSo vocês são amantes da literatura e esta conversa que aqui tive-dos horizontes do mundo fora, a escritora moçam- mos é muito significativa para mim. Já passei por mais de 20bicana Lília Momplé, encontrou-se com aman- incomoda-me.tes da literatura para falar de si, da sua obra e do Mesmo quando casei-me, embora com umprotagonismo em que expende a sua escrita nos branco, ele porque também não suportavaleitores. Lília Momplé fora voz do nacionalismo, ver a injustiça disse que tínhamos que sair domas hoje, aos 76 anos de vida, é a palavra que país. Foi assim que acabei vivendo no Brasil porse exalta na nova consciência e inspira as novas muito tempo. Escrevi o Ninguém Matou Suhuragerações. Mas não abandonou o seu nacional- porque eu queria conversar com alguém sobreismo literário. Na conversa promovida pelo Movi- o que vi e vivi durante aquele tempo. Tinha quemento Literário Kuphaluxa, na última quarta-feira me revelar.em Maputo, a escritora brincou com as palavras eeducou os literatos novatos, afinal de contas Lília, As outras obras «os olhos da cobra Verde»fora também professora. e um romance, intitulado «Neighbours» De nome completo Lília Maria Clara Carriére não fogem muito do quem caracterizou aMomplé, natural da Ilha de Moçambique, estamulher que escreve o que lhe vai na alma, inspira primeira…?os jovens e nas suas obras, revela os mistérios dasua força nacionalista e pela justiça social. - O segundo livro também se baseou em Há quem diga que cada escrito da Lília Momplé, factos reais. Da morte de uma amiga que eraé uma denúncia, mas a escritora prefere dizer que é muito boa gente. Ela tinha muita vida, se nãoum momento de desabafo, revelação, confidências mesmo ela era a própria vida. Isso foi muitoe só o faz quando não aguenta mais se calar. doloroso e marcou-me. Eu tinha que escrever. “Há uma necessitada de se fazer valer a litera- O terceiro também foi mais uma revelação.tura oral. Esta forma literária é riquíssima e correo risco de se esquecer. Com a literatura, há opor-tunidade de se criar riqueza. A literatura é a base Vivemos uma sociedadepara o conhecimento e criação, e num país onde de negócios o “Busnesshá criação, já sabemos que se pode alcançar o Society”, onde o quedesenvolvimento. vALe É o medíocre e países para falar da literatura de mim e das minhas obras, mascomo é que surge a vontade de escrever? não deSenvoLvimento. a emoção que estar a falar com os verdadeiros mensageiros da literatura e que são jovens muito novos do meu país, que - Quanto ao ser escritora, sempre sobe que um tem em vista mais uma obra? mostram o verdadeiro interesse pelas artes, isso me deixa muitodia ia escrever, só não sabia quando. O gosto pela feliz. Obrigado Kuphaluxa.literatura herdei da minha avó. Ela era Macua e - Estou a preparar mais um livro, talvez seja o último. Ele E mais… se querem realmente crescer nesta área, leiam.habitualmente contava-nos estórias lindas da vai retrar o que chamo de “Busniss Society” (sociedade de Leiam muito. Assim o podem ser de facto uma nova geraçãotradição em volta da fogueira. Nesse momento negócios). O título poderá ser “Fantoches de Aços”. de escritores e eu tenho fé, que daqui a mais quatro anos oueu dia para mim, «um dia vou escrever estas Nesta obra vai sair muitas verdades. É mais uma revelação menos. Um de vocês vai aparecer no sucesso e lembrar-se dasestórias». de algo que me vai na alma, sobre os dias que vivemos. Onde minhas palavras. Continuem assim. Convidem mais escritores E ouve um outro acontecimento que significou as pessoas são insensíveis pelos negócios. Tudo eles fazem para estes encontros, que não seja apenas a Lília Momplé, osmuito para mim: aos 13 anos, estudei no Liceu Luís pelo dinheiro. Pobres que sofrem e só discursos políticos jovens precisam destes momentos e eu sempre estarei ao vossoSalazar, uma escola que era apenas para brancos e vazios. Só para fazer negócios. É o Busness Society a que me dispor, para qualquer momento destes e outros.pessoas com as melhores condições. Eu era a única refiro. Essa sociedade não é a verdadeira moçambicanidade,negra e minha mãe teve que fazer muito sacrifíciopara que eu estudasse lá. Ela passava noites a cos-turar para poder pagar a minha escola, foi uma fase isso nos tira a identidade e aconselho-vos a sair dela. São Fantoches porque são; e são de Aço porque não tem piedade. No Busness Society o que vale é o medíocre e não BrEVE BiogrAfiA Lília Maria Clara Carriére Momplé, nascida a 19 de Março demuito difícil. Foi mesmo um acto heróico estudar o desenvolvimento. 1935 na Ilha de Moçambique, província de Nampula, a norte delá. Tive um professor de que o nome não posso Moçambique, é Assistente Social de profissão, com licenciaturame esquecer: o seu nome é Rodrigues Pinto, era como é que se define Lília Momplé? em Serviços Sociais.professor de língua portuguesa. Mandou-nos fazer Lília Momplé, foi professora de Inglês e Língua Portuguesauma redacção sobre o último de dia de férias. - Essa é uma pergunta muito difícil. Acho que não sei me na Escola Secundária de Ilha de Moçambique e directora da Feita a redacção e chegada a hora de entrega definir, mas vou tentar. Penso que sou uma pessoa coerente, mesma escola entre 1970 e 1981. Em outras missões, Líliados trabalhos depois de avaliadas, ele foi chaman- que, por exemplo, não se pode adaptar ao Busness Society. Momplé foi, de 1992 a 1998, directora do Fundo para o Desen-do cada aluno para buscar o seu trabalho e o meu Porque não suporto injustiça. Sou coerente. volvimento Artístico e Cultural de Moçambique (FUNDAC) e defoi último. Confesso que fiquei com medo quando 2001 a 2005, membro do Conselho Executivo da UNESCO (Orga-não chamaram-me. Quando terminou a entrega A caminho dos 80 e com percursos brilhantes na sua nização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.aos outros ele disse chamou-me e disse que o vida literária, pensa ainda em fazer alguma coisa na No seu percurso literário, dirigiu a Associação dos Escritoresmeu trabalho foi magnífico. E dali, ele passou a Moçambicanos (AEMO) de 1991 a 2001, como secretária geral,ler a redacção em, toda escola. Fiquei muito orgul- literatura, para além do livro que vai lançar em breve? de seguida ficou presidente da Mesa da Assembleia-geral dahosa. Toda escola apontava no pátio por ter feito o mesma agremiação.melhor trabalho. Isso marcou-me muito e cada vez - Essa também é muito difícil de responder. Engraçado que O seu primeiro livro veio ao público em 1988, editado pelamais acreditava que um dia ia escrever. nunca pensei nisso. Sinceramente que não. AEMO, com o título «Ninguém Matou Suhura», uma colectânea Mas é assim…Não escrevo porque quer fazer alguma coisa de Contos; «Neighbours» romance publicado em 1995 e «OsE porque escreve? na literatura, aliás eu nunca quis fazer nada na literatura. Olhos da Cobra Verde» obra de contos publicada em 1997, Quando não tenho nada para dizer não escrevo. Então não também sob a chancela da AEMO. Escrevo porque me sinto honrada! quero fazer nada na literatura, por isso não falta nada para Ainda na arte, a escritora publicou o «Muhipiti-Alima» um Escrevo pelo desejo de contar e de descarregar fazer. Eu escrevo porque tenho que escrever. vídeo de drama, editado pela PROMARTE em 1997.os meus segredos. As obras da Lília Momplé, já foram editadas em Inglês, Ital- Qual é o segredo que quer deixar para uma nova gera- iano, Francês e Alemão.E o primeiro livro… “Ninguém Matou ção de escritores? Neste momento, a escritora faz parte do «Internacional Who´ssuhura”, como é que surge? Who of Authores and Writeres» e desde 1997 é membro de - Que amem a literatura antes de querer ser escritor, porque «Honorary Fellow in Literature» da universidade IOWA dos Escrevi o primeiro livro porque só assim poderão ser os verdadeiros escritores. Eu não acred- Estados Unidos da América (EUA). ito em quem quer ser escritor, pois escrever tem que ser por Em termos de prémios, Lília Momplé, conquistou o primeiro tinha uma carga muito grande força de alguma coisa. Uma emoção forte. Você é um enviado prémio do concurso literário comemorativo da cidade Maputo, sobre o colonialismo em especial de algum sentimento. Mas se os jovens amarem a intitulado Prémio 10 de Novembro com o conto «Caniço» em Moçambique. Eu tinha raiva do literatura, farão algo por ela e nessa convivência, podem 1987. Melhor vídeo-drama moçambicano em 1998, com o vídeo ser escritores e bons escritores. Que sinceramente o nosso «Muhipiti-Alima». Moçambique precisa. Foi nomeada o Caine Prize for Africaan Writing, edição de 2001. fez parte dos cinco nomeados entre 120 escritores de tem mais alguma coisa a dizer? 28 países.
  7. 7. Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 7 terça-feira, 12 de Julho de 2011 https://revistaliteratas.blogspot.com 7“canto Da poEsia” sou um dessidente Lua cheia ser poeta NoMis EruDAM ANA DE sousA BAptistA sinto que bem recebido VicENtE sitoE Nico tEMBE E na voraz necessidade de me proclamar ser poeta é ser mais alto, é ser maior Em algum verso bem teso, tenho um grande favor por pedir Vadiando pelo percurso do anoitecer Do que os homens! Morder como quem beija! porque me confundo: primeiramente peço emprestado ouvidos indo e vindo vejo as nuvens desvanecer é ser mendigo e dar como quem seja Despir o meu veste? E ficar como? segundamente rogo ser deixado pedir trapaceando, se jogando ao porém do além rei do reino de Aquém e de Além Dor! Assim me desidentifico, por fim imploro para ser entendido Ao compasso descompassado de outrem corro o risco. Linda moça contra-curvada se faz ver é ter de mil desejos o esplendor ou logra-se que me dispa Não quero ser julgado porque não sei julgar invejada, cortejada lua aparecer E não saber sequer que se deseja! somente para que o mundo me veja? sem entrelinhas? Não quero ser desprezado porque não sei desprezar Nesta noite de lua cheia é ter cá dentro um astro que flameja, De novo me confundo Na minha vida aceito críticas sem negar A encontrei é ter garras e asas de condor! E adestro: os poetas não se despem. porque depois delas ajoelho e começo a rezar Mas é-nos consentido partilhar, Andando, desfilando entre os oásis é ter fome, é ter sede de infinito! cada pedaço de palavra sou um cidadão comum rolando, espalhando a sua classe por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... Que germina em cada orgasmo, sou um indivíduo como qualquer um Livre feito um pássaro voando ao mar é condensar o mundo num só grito! uma orgia com cada um de nós isolado. tentei ser cientista intocável, depreciável feito frases e terminei como um idiota Norteando alvoradas, iluminado palavras E é amar-te, assim, perdidamente...Eu respeito Manhiça Mergulhei em muitas teorias Descobrindo sonhos e concretizando-os ondulando, harpeando prazeres é seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! DAViD gABriEL NhAssENgo Marxismo, capitalismo, africanismo socialismo, idealismo, sanguissuguismo Nessa noite a encontrei pelas suas terras... Até naveguei sobre todos dogmas há momentos a procurei Verdes de esperança Andei, naveguei e cheguei ate a voar Que se incorporam à maravilha dos solos Nutrindo de simpatia o semblante do seu povo Não sou um cão é a convivência que me faz parecido Nua, despida, em teus braços me lavei oh meu céu, minha Lua Noites da Minha cidade E expondo o sorriso contagiante das suas crianças Não estou a tentar me justificar Meu abrigo é em cada curva sua JEssEMussE cAciNDA - NAMpuLA Estou a seguir os meus instintos Bela e redundante se faz comparar ao seus seios são longas noites pelo seu povo... Espero voltar a vela, embaciada de estrelas Que passo aos sonos moribundos Único e muito especial fizeram da minha vida uma desgraça Me desespero no açoite Brioso sobremaneira e sensacional. Deram-me pão quando precisava de amor Daqueles que têm fundos Maravilhoso e esperançoso Que em desafios sociais, sempre vitorioso Na minha vida há muitos que veêm à caça procuram matar os meus sentimentos fazendo amor de joelhos passo! Versos de amor transfigura-se em povo heróico rAffAEL iNguANE Escrevendo Miticamente glorioso sou activista da paz, por isso não luto E versos de dor tive um percurso muito bruto Nossos corpos desnudos na noite fria No papel pintando pelas estradas... por isso sou assim tão estranho Meu olhar dividia Locais onde capotam as divergências Até não sou estranho, sou diferente todas partes do teu corpo fatia por fatia utopias metafísicas E correm as semelhanças. Meus lábios bebiam o néctar da tua boca vadia Acompanham as veias poéticas Asfaltos harmónicos de estradas calmas canto para não chorar tua pele crua minha língua lambia Que me levam a não dar ouvidos finjo que sou feliz para não perder peso Em nossa cama eras o meu prato do dia As críticas platónicas pelo seu poderio vocal... para espantar inimizades mantenho o sorriso No teu ouvido minha voz sussurava a poesia Que ressoa admiravelmente no canto coral continuo vivo para cumprir a missão evolutiva Dizendo “amo-te” de formas diferentes, usando a melodia Muikhwiris¹ rondando a minha palhota fiz de ti uma gostosa iguaria Voando na peneira para qualquer frota pela produção... Não sou nenhum revolucionário temperada com piri-piri, meu talher genital ardia prostitutas sem medo circundam colossal da banana porque sequer consegui mudar a minha vida A cada toque teu, meu apetite crescia o matador² e de carro em caro saltitam E da batata-doce de polpa alaranjada Não sou nem sequer reaccionário Era bom o sabor que em minha boca perecia Vendida à beira da estrada. porque não tenho nada em contrapartida é tempo de fazer dinheiro Lá estavas tu implorando-me Que é o bem supremo pela beleza... sou um cidadão comum gemendo suavemente pelo mundo inteiro Da variedade e significância das capulanas não um idiota como qualquer um Dizendo, ama-me e coma-me outros roubam, outros agridem E do grito comovente das nossas mamanas. sou um candidato ao novo mundo Mas de repente, E sobre o corpo de outrem, outros se estendem Quero sentir o sabor da nova geração passei meu dedo, estavas molhada, lubrificada e quente por temor... Mesmo no escuro eu te via deitada de cócoras E eu, rico de tanta pobreza Que me deixa com tremor Aliás, quero ser o próprio sabor Não podia ver, não queria e nem sabia as horas confesso os pecados que cometi durante o dia pois o mal ainda habita nas curvas do alvor com uma dose eloquente de poesias Minhas mãos serenamente apalpavam teus seios com coragem e frieza E nas das nossas belíssimas meninas Quero ser desfrutado a garfo e faca Eu de joelhos Escrevo esta poesia Entendidas em feitiçarias. por isso sou um candidato um som afro-reggae invadia meus ouvidos Aventurei-me na maravilhosa vista do teu corpo Baza lixa* Ao novo mundo da literatura E fui beijando carinhosamente tuas costas gLossrio Ando de incoluane a Maluana idiota que escreva poesias idiotas pele doce, lisa e cheirosa como as rosas E de calanga a Mirrona cidadão comum que todos gostem (1) feticeirio em Emakhuwa, língua a de Nampula sempre, respeitando Manhiça Quero ser activista da paz e do amor penetrei, (2) Nome do meu bairro Ao som da música eu coreografava as penetraçõesLEgENDA: tenho um grande favor por pedir Num passo de dança alternavamos as posições primeiramente peço emprestado ideias sentia o aumento dos teus batimentos cardíacos *Ao raiar do sol segundamente rogo para não ser julgado Em nossa dança eu ia acelerando os passos Deliciando a com beijos ardentes e cheios de desejo por fim... imploro para ser entendido Domado pelo prazer, eu puxava teus cabelos completando o pequeno e destemido verso. ouviam-se gritos, rugidos e latidos Alguns nomes atractivos e gemidos o verso sem pudor arranca-lhe as vestesExaltação E ah, ah ,ah, ah Deita-se no seu leito e Lá estavamos em ritmos sincronizados Lambuza os pontiagudos e duros mamilos dososório chEMBENE simultaneamente atingindo orgasmos sucessivos. seus seios pomposos preto, olha para cor da tua pele percorre em seguida todo seu corpo nu Menino preto, o que fazes tu ai? é preta patrão satisfazendo com doçura os seus desejos. procuro a minha pessoa, é a raiva de quem me ferre Abrasado de tesão penetra as suas genitálias o eu que se esconde de mim. pEtEr pEDro piErrE na estrofe ansiada. Mas preto, tu és homem de cor Mas preto, o que fazes tu ai? Aah… então é por isso… Maravilhada pela beleza impar e indescritível Endurecidas genitálias cantam odes ofegantes Busco por minha alma, por isso é que não me das valor da virgem Deusa branca numa dança frenética A única escrava de mim. Minhas palavras transbordam de tesão lírica E num estugado balançar de rimas tu és um bicho, não tens coração Entrelaçam-se e chocam-se de forma abrupta sedentas debruçam os versos lascivos Mas preto escravo, de que falas tu afinal? fique sabendo branco E vão de encontro a aquela Deusa perspectivando a penetração nas outras duas Eu também tenho alma patrão Que eu me orgulho de ser preto, preto carvão. Enlaçam e acariciam delicadamente os deliciosas estrofes sou humano, não animal contornos curvilíneos do seu corpo E um orgasmo múltiplo para concluir o poema sobre o subtil e enlaces corpo da virgem Deusa branca. grupo Do fAcEBook: http://www.fAcEBook.coM/hoME.php?sk=group_185846178099556&Ap=1 rEspoNsáVEL: rAfAEL iNguANE
  8. 8. 8 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 terça-feira, 12 de Julho de 2011 https://revistaliteratas.blogspot.com 8Em outras paLavrasO veneno de Sócrates … Foi pois sob o «veneno de Sócrates» que Carlos Antunes sucumbiu entre as pernas da mulher, com os lábios ainda molhados de sucos vaginais … rosa, como sucedia com os judeus. É sabido que os nazis não precipício do prazer supremo; mas de menores, seres humanos resistiam a dar umas boas gargalhadas sempre que abriam as ainda a caminho da consciência plena da sua sexualidade. Victor EustAQuio - LisBoA câmaras de gás. E compreende-se. Corpos e mais corpos, todos No Chile, o caso «Wena Naty» é paradigmático. A história amontoados, todos rosados. Não é por acaso que a diáspora começou com as imagens amplamente divulgadas, sobretudo I. judaica escolheu o azul para o centro da sua bandeira nacional, a na Internet, de uma jovem de 14 anos, estudante de um colégio Carlos Antunes foi vítima de homicídio por envenenamento. Com estrela de David, que traduz a primeira territorialização soberana católico, a abocanhar o falo erecto de um rapaz num dos parquesdiligências várias, e após uma investigação exaustiva mas secreta sionista: o Estado de Israel. Pelo menos é a tese defendida por mais frequentados de Santiago, à luz do dia, enquanto um amigosobre o verdejante mundo dos alcalóides venenosos extraídos de alguns especialistas que, melhor do que ninguém, sabem explicar da dupla, ou amigos – há várias versões – registava às escondidasplantas facilmente acessíveis a um olhar botânico mais atento, Maria estas coisas, embora não esteja ainda muito claro o porquê do o famigerado felaccio juvenil. As provas materiais da degustativaClara, uma mulher fogosa e apetrechada, que nunca se opôs aos azul em prejuízo de outra cor primária como o amarelo ou o ver- felação levaram milhares de visitantes ao sítio que as publicoucriativos desejos carnais do marido, que incluíam práticas sexuais melho. É certo que o azul é a cor da espiritualidade, da abóboda online e as autoridades locais a investigar o assunto depois deum tanto ao quanto invulgares, decidiu untar a vagina com cicutina, celeste (ou a ilusão da mesma, que no espaço a imensidão de considerarem que havia fortes indícios da existência de umuma substância tóxica mortal insípida com a aparência de um óleo negritude bem que poderia ser o paraíso cosmológico das mais grupo organizado de adolescentes que se dedicava à produçãoamarelado. variadas diásporas subsarianas, faltava aqui Isaac Newton para o de material pornográfico. Wena Naty, a rapariga da garganta Extraída da cicuta, uma planta apiácea também conhecida como sugerir); a cor de um céu limpo e imaculado, o que faz supor uma prematuramente funda, ficou conhecida em todo o Mundo, talabioto, a cicutina, ou em rigor, a cicutoxina – que ficou inscrita predisposição para uma maior proximidade com as divindades como o nome dela, que entrou inclusive para o património lexicalna História como o «veneno de Sócrates» – provoca o colapso que erram pelo universo; mas remete também o pensamento e, daquele País sul-americano. «Dicese de la mujer ke le gusta lamerdo sistema nervoso central e, por conseguinte, a morte, que, por já agora, para um grupo de artistas de inspiração expressionista, una y otra vez el miembro inferior masculino, sin importarle desinal, não é coisa bonita de se ver. Pelo menos desta forma (já que curiosamente germânico, o Der BlaueReiter, ou O Cavaleiro Azul. kien es», «cabra culia q le chupa el pico a todos los compañeros»a mors, no sentido da mitologia greco-romana, até pode assomar Poder-se-á aduzir o argumento de que o azul simboliza a lealdade, ou «pequeña prostituta que le gusta hacer mamadas en plazas yde modo exuberante, como uma bela e flamejante imolação por a fidelidade, a personalidade e subtileza. Trata-se, com efeito, de ser exhibida en youtube» são algumas das definições que podemfogo). Mas não é o caso. Que o diga o filósofo grego, se ainda falasse, uma cor romântica, talvez porque lembre a cor do mar, mas está ser encontradas para a expressão «Wena Naty».ou escrevesse, após a famigerada ingestão do chá de cicuta que igualmente associada à falta de coragem ou monotonia. De resto, foi justamente com este nome que se popularizoulhe arrefeceu e enrijou o corpo. É certo que o ataque tóxico não foi Por seu lado, o amarelo transmite calor, luz, descontracção; é o sítio que divulgou os três vídeos malditos da perversa filhaimediato. Sócrates ainda teve tempo de andar às voltas pelo quarto, uma cor cheia de energia, activa, associada à prosperidade e que da blasfémia, entretanto removidos pela Justiça. Sublinhe-se,mergulhado nos seus profundos e derradeiros pensamentos até transmite optimismo. Tal como o vermelho, a cor da paixão e do todavia, que a perfilhação demoníaca nunca chegou a serque começou a sentir as pernas pesadas. E aí sim, depressa passou sentimento, do amor e do desejo, do orgulho e da violência, da estendida ao co-protagonista masculino, uma vez que, cremosdas voltas pelo quarto ao quarto às voltas, desaire locomotor que agressividade e do poder. Mas os hebreus assim decidiram, e está nós, em terrenos da Igreja e da fé – a Católica Apostólica Romana,obrigou o pensador ateísta, um malévolo instigador da corrupção decidido. Para acabar de vez com a humilhação da morte cor- que as outras não são para aqui chamadas – quem manda sãomoral dos jovens gregos, a deitar-se de costas. Os seus carrascos de-rosa, e a fragilidade, delicadeza e o pendor feminino que lhes os homens. É que, apesar de todos os encantos do misteriosoexaminaram-lhe os pés e as pernas até se certificarem de que são inerentes. Até nisso o nacional-socialismo alemão foi cruel: feminino tão exaltados pelos vários movimentos intelectuaiso filósofo havia deixado finalmente de as sentir. Seguiram-se as chacinou a praga judaica sob o jugo da efeminação. fruto do romantismo europeu, as mulheres servem para pouco.carícias mitigativas da toxina no coração e o princípio do fim da De certo modo, também foi este o destino de Carlos Antunes: Basta lembrar o que o Senhor Deus disse no acto da criação:existência cartesiana, ontológica e epistemológica do enigmático nu, de rabo para o ar, com a língua enfiada na vagina ardente e “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe um ajudantepai da filosofia ocidental. possessa da mulher, com o corpo inerte e sem vida. Um homem em conformidade”. Então o Senhor Deus formou da terra todos “E agora chegou a hora de nós irmos, eu para morrer, vós para desvirilizado na hora definitiva e irreversível da partida. Por efeito os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os aoviver; quem de nós fica com a melhor parte ninguém sabe, excepto do seu desejo mais primitivo e animalesco atacado selvatica- homem para ver como os chamaria; cada ser vivo teria o nomeDeus”, ter-se-á despedido Sócrates, o ateu, que aparentemente mente por um clítoris venenoso. O doce veneno do escorpião, que o homem lhe desse. E o homem deu nome a todos os animaisacreditava no Senhor, como relata o seu discípulo Platão, lançando esse temível aracnídeo que nem no Zodíaco escapa de ter fama domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Masa dúvida sacrossanta dos filósofos, que pouco tem de sagrada para de má rês. Um invertebrado artrópode cujo móbil gravitacional entre todos eles não havia para o homem um ajudante em con-o venerável e sacro conhecimento daqueles que condenaram o é tão-só o prazer e a posse na sua relação com o outro; o sexo e a formidade. Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobrepensador à morte em nome da santidade. E provavelmente de paixão possessiva; o amor e o ódio; sempre pronto a atacar. Não o homem e ele adormeceu. Tirou-lhe uma das costelas e fechou oalguma, ou muita, necessidade de sanidade religiosa para tempos foi este o animal enviado por Apolo para matar Órion, enciumado buraco com carne. Depois da costela tirada ao homem, o Senhortão adversos.Foi pois sob o «veneno de Sócrates» que Carlos com a relação entre este e a sua irmã Ártemis? Não está cienti- Deus formou a mulher e apresentou-a ao homem. E o homemAntunes sucumbiu entre as pernas da mulher, com os lábios ainda ficamente demonstrado que as estrelas de Órion desaparecem exclamou: “Desta vez sim, é osso dos meus ossos e carne damolhados de sucos vaginais. E de uma dose letal de cicutoxina. do Ocidente quando as do escorpião nascem no Oriente? O sexo minha carne! Chamar-se-á mulher porque foi tirada do homem”.Uma mise-en-scène clitoriana indigna para um homem de tão alta oral sempre teve destes problemas. Foi justamente através de um Está tudo escrito no Antigo Testamento. Quem somos nós paraposição na sociedade, condenado, também ele, a ser imortalizado, pequeno vídeo caseiro, no qual se via uma mulher a lamber à força contrariar os desígnios do Senhor Deus, nosso pai? Primeiro, hápelo menos ao olhar de Maria Clara, com a boca caída sobre a púbis os baixios vaginais de uma adolescente – à força é como quem diz, o homem. Depois há os animais e as mulheres, cada uma dasaloirada da mulher e o corpo retesado, nu, de rabo para o ar. Quem porque a menor estava inconsciente – que Karla Leanne Homolka espécies com os seus respectivos deveres e obrigações paradeles ficou com a melhor parte ninguém sabe, ele que partiu para (a retratada no filme) e o marido Paul Bernardo, um casal de serial com o homem, em nome da vontade divina.morrer, ela para viver; porém, Maria Clara pouco se importava com killers canadiano, foram apanhados pela polícia. Após o felaccio da jovem chilena, Wena Naty, o sítio da web,o assunto pelas razões de que estava convencida ter, razões que, Após dezenas de casos de abusos sexuais e assassinatos vio- mostrou mais. Ainda chegou a aventurar-se pela libidinosa adren-do seu ponto de vista, legitimavam em absoluto a prática daquele lentos de mulheres adolescentes que se arrastaram durante três alina do bullying, mas os falos erectos e robustos abocanhadosnefasto gesto assassino. longos anos. Aliás, esta onda de produção de vídeos ditos caseiros por pequenas e pueris bocas femininas é que faziam sensação. Não deixa de ser curioso, contudo, no quadro deste bizarro com imagens de natureza sexual mais ou menos explícitas tem Daí que se seguiu mais um caso, de novo num colégio, agoracrime vaginal, que alguns investigadores forenses tenham perdido muito que se lhe diga. Sobretudo quando caem na rede. Não franciscano, um pouco mais distante do centro nevrálgico daimenso tempo, na fase das entrevistas periciais, a tentar descobrir se supomos, apesar de tudo, que valha a pena perder muito tempo capital, mas ainda situado nos limites da região metropolitana dea expedita companheira marital de Carlos Antunes, que acreditava com o assunto. Tanto mais que o mesmo está devidamente docu- Santiago. Desta vez, o protagonista central foi um estudante deser tanto a esposa de Cristo como a esposa do Senhor (o que vai dar mentado e até se transformou numa prática comum com intuitos 14 anos, um aluno problemático e, por conseguinte, repetente,ao mesmo, embora a Igreja diga que não), terá chegado a atingir o nem sempre muito claros. Os visados tendem a queixar-se, com que conseguiu derramar as sementes líquidas das suas glândulasorgasmo de tão excitada que estava em atentar de forma definitiva ameaças várias em conformidade com a natureza e a dimensão reprodutoras sobre as línguas e os lábios de pelo menos de trêse irremediável contra a integridade física do seu esposo. A avaliar da publicidade dada às imagens, mas o protagonismo mediático raparigas de 12 anos. A diferença é que o fez, entre ruidosospelos fulgores a que costumava dar-se no acto do amor, como que decorre destes já célebres vídeos leva a crer que o fenómeno gemidos, em plena sala de aulas à frente de toda a turma. Uma,várias fontes próximas da homicida corroboram, é bem provável digital, que enferma de contornos claramente neuróticos – dize- duas, talvez três ou mais vezes. Por estranho que pareça, ninguémque tenha chegado a sentir as tão populares contracções reflexas mos nós, embora se remeta a questão para quem melhor seja sabe ao certo quantas foram nem as condições em que foi pos-ritmadas dos músculos perivaginais e perineais que circundam a capaz de a avaliar – será bem mais objectivo, nos efeitos que sível que os supostos factos ocorressem e de forma tão reiterada.vagina, a intervalos de 0,8 segundos. Para isso, e não obstante estar visa produzir, do que um mero e subjectivo fetiche, posicionado Mas há imagens que o provam, captadas com telemóveis. Asconsciente de que o seu centro gravitacional de prazer ocultava um a montante, como alguns defendem. Tudo somado, a verdade é alegadas vítimas acusaram o rebelde de as ter forçado a tãoalcalóide altamente venenoso, Maria Clara terá de ter sentido uma que, a jusante, o resultado é o mesmo. Para delícia dos cibernau- ignóbil prova oral perante o olhar impassível e complacente dosvasocongestão e o início da lubrificação vaginal, com os pequenos tas adeptos deste voyeurismo pastoral.O que parece dramático restantes alunos, tanto rapazes como raparigas.lábios ingurgitados a assumir uma coloração intensa arroxeada ou é o crescente apetite pela inocência roubada, uma liberdade Em contrapartida, o presumível autor dos desenfreados crimescor de vinho e uma retração do clitóris em posição protuberante eufemística a que nos damos ao luxo de recorrer para sublinhar sexuais alegou que as bocas das meninas abriram-se milagrosa-a colocar-se por trás da sínfise pubiana. São meras suposições a problemática da devassa da intimidade por meios ilegítimos mente, com o devido consentimento, para receber a jeito e comfisiológicas, mas a ciência forense a tal se vê obrigada em busca (ou quase, porque nestas coisas da legitimidade a zona cinzenta prumo o seu membro viril, determinado a distribuir espermada validação das suas descobertas, tantos mais que é delas que é extensa e pantanosa). Devassa, pois não se trata de gente adulta, pelas demais, que se infiltrava pelas narinas e corria em longosdepende, em parte considerável, uma boa acusação judicial e a ou no limite legalmente emancipada, a sopesar, lamber, sugar, fios gelatinosos pela boca e o queixo de cada uma das raparigas.deseja condenação da ré. tilintar, penetrar ou deixar penetrar as protuberâncias e os orifícios por terra o anonimato das filhas amadas; e, por fim, ouviram Quanto a Carlos Antunes, apesar de não ter sido tarefa fácil erógenos e ejaculadores dos seus corpos suados e tensos, no igualmente o presumível coleccionador exibicionista de felaccios.remover-lhe da boca e da língua os restos de pêlos púbicos da Ouviram, condenaram, mas ninguém foi sentenciadomulher, pelo menos o seu corpo não apresentava um tom cor-de- continua

×