Revista literatas edição 3

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Revista literatas edição 3

  1. 1. Literatas Não conhecemos o preço da palavra. Envie esta revista a um amigo COMUNICADO Abertas as inscrições (sem custos)Sai às Terças-feiras para Oficina Literária a ter lugar nos dias 1 e 2 de Agosto com escritora brasileira Ana Rusche que estará em Maputo. Informações no Centro Cultural Brasil-Moçambique ou pelo email: kuphaluxa@gmail.com Movimento Literário Kuphaluxa Revista de Literatura Moçambicana e LusófonaDirector Editorial: Eduardo Quive * Maputo * 26 de Julho de 2011 * Ano 01 * Nº 03 * E-Mail: kuphaluxa@sapo.mzMoçaMbiqueentra no acordoortográfico Ressuscitar para contar estórias pg. 3No Discurso Directo Victor Eustáquio fala de“O Carrossel de Lúcifer” pg. 6 e 7
  2. 2. 2 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 Terça-feira, 26 de Julho de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 2Em primEira - Acordo Ortográfico da Língua PortuguesaEducação será sector prioritário na introdução Albertina, Lourenço do Rosário e Calane da Silva, dirigentes da Comissão Nacional do IILP - Moçambique EDUARDO QUIvE - MApUTO LoureNço do Rosário e a sua comissão, aconselham ainda e peLo uso da expressão língua oficial como referência à LP ao Governo de Moçambique, a não menosprezar os técni- (nunca tratada como língua nacional/moçambicana, apesar cos nacionais, no processo de participação do vocabulário de ser símbolo da unidade nacional Resistência/Contesta- linguístico moçambicano. ção/problematização do uso da Língua Portuguesa. Tendo em vista a divulgação do QuANto Aos custos, manteve-se a previsão dos mais de 108 “áfricA tem um problema único que deriva da sua situação milhões de dólares. multilingue e do facto de haver línguas ex-coloniais lutando Acordo Ortográfico da Língua pela supremacia no continente. Uma vez que estas muitas línguas estrangeiras são conhecidas por um número insig- A Língua portuguesa é ou poderá ser portuguesa (AOLp), a nível nificante, a única forma de trazer muitos africanos para as nossas próprias iniciativas de desenvolvimento é através uma Língua Moçambicana (izada)? do país, a Comissão Nacional da mudança na política linguística. devemos deseNvoLver as nossas línguas para se conseguir do Instituto Internacional estA foi a questão de fundo da dissertação do docente uma efectiva comunicação com as massas. Nós propuse- da Faculdade de Letras e Ciências Sociais na Universidade mos o Kiswahili como a língua mais adequada para ser de Língua portuguesa (IILp) Eduardo Mondlane (UEM), Gregório Firmino, que defendia desenvolvida como língua para a união africana. Se tal for igualmente haver aspectos Linguísticos Sócio-simbólicos não fácil de obter a curto prazo, podemos desenvolver iniciou o ciclo de seminários, que justificam o pressuposto de que a Língua Portuguesa inicialmente um número delínguas africanas. está num processo de nativação, justificando-se assim a pArA este fim, podemos escolher Hausa na África Oci- pelo menos a nível da sua moçambicanização. dental, Árabe no norte; Zulu na África do Sul, Kiswahili na A expLANAção deste docente, no que diz respeito a nativa- África Central e Oriental, ao mesmo tempo que se encoraja cidade de Maputo, juntando ção da língua, teve base com os fundamentos do especial- o desenvolvimento contínuo do Kiswahili. Se, por razões ista Kachru que define esse processo, também chamado válidas, Kiswahili não é aceitável, eu votarei por uma outra as províncias de Gaza e de indigenização ou endogeneização. língua, desde que seja uma língua africana” “pode ser definida como um processo de aculturação por outro lado, Gregório Firmino ainda continua a ques- Inhambane. através do qual uma língua ex-colonial se aproxima do tionar sobre a situação do Português e se até onde a visão contexto sócio-cultural de um país pós-colonial. generalizante de estudiosos africanistas se enquadra ao AtrAvés dA nativização, uma variedade não-nativa é cul- caso do Português em Moçambique? A divuLgAção do AOLP tem como objectivo, o conheci- turalmente integrada na ecologia social da pós-colónia e gregório tAmBém questiona se pode haver uma língua mento do seu conteúdo, seu significado e de um modo adquire novas funções sociais. que seja símbolo da nação/língua da unidade nacional sem geral suas implicações, procurando-se auscultar a opinião ALém disso, ela desenvolve inovações linguísticas que ser língua nacional e por que geralmente não se aceita a geral e colher subsídios sobre a implicação da aplicação do ganham significado comunicativo e social no contexto designação línguas nacional/língua moçambicana para o acordo nas diversas áreas, como educação, comunicação destas novas funções.” Português? social escrita, administração pública, área editorial, artes e gregório firmiNo, defende que essa nativação é motivada “o português em Moçambique pode ser visto como um letras, entre outras. pelo uso da expressão língua(s) moçambicana(s)/língua(s) continuum que oscila desde as formas do “mau” Português No semiNário de Maputo, ficou decidido que o sector naciona(l/is) como referência às línguas bantu (nunca trata- (pejorativamente chamadopretoguês) até às formas mais da educação seria prioritário na introdução do Acordo das como línguas étnicas) próximas do Português europeu” respondeu Ortográfico, dado a relevância deste sector na compreen- são deste novo instrumento linguístico. seguNdo LoureNço do Rosário, presidente da Comissão Nacional do IILP, o encontro “ não visava discutir se Moçam- bique deve ou não ratificar o acordo, pois, o País, deve cumprir com os seus compromissos, uma vez que assinou a elaboração deste documento”. eNtretANto, “depois de ratificado, vamos aconselhar o governo a revisitar o texto do acordo, porque há questões que precisam de ser revistos a favor do nosso país, de modo a não entrar na onda dos outros.” Disse do Rosário. por outro lado, no seminário, não foi possível se saber se em quantos anos vai se implementar as normas do novo Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa em Moçambique e, para tal, vai-se submeter um estudo.
  3. 3. Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 3 Terça-feira, 26 de Julho de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 3Em primEiraContos do Fantástico JORGE DE OLIvEIRA - MApUTO beleza acima do comum. Um estilo agradável, diferente do usual, e que nos faz sorrir e perceber que a língua também que pareça, se tornarem defensáveis por alguns charla- tões. E alguns dos exemplos mostram isso, como o caso é um espaço infinito de que nenhum humano se pode de um fantasma de mulher que apanha um mulherengo,É uma obra de muitas culturas (religiosas, locais, naturais, apropriar na totalidade; das profecias amaldiçoadas que são feitas entre humanosespirituais), mostrando o quão diversificado é este povo 5. A dado momento recorda o “Piratas das Caraíbas”, com e se cumprem, de contactos com mortos, de Homens –e, no fundo, olhando para esse tempo longínquo com a seres meio humanos meio aquáticos a viverem em baixo da Animais, de pessoas que não se pode prender ou bater epossibilidade que a distância temporal permite... água, com muita escravatura à mistura, e, por outro lado, até sereias;De Aníbal Aleluia, escritor moçambicano já falecido, pub- vale pela mostra de aspectos culturais que, em tempo de 9. “E todos tinham medo dele. Os conselheiros, em vez delicaram-se duas obras, “Mbelele e outros Contos”, “O gajo colonização, diferenciavam a visão do colonizador da do conselhos, gritavam ditirambos. O ‘censor público’ insti-e os Outros” e, agora, “Contos do Fantástico”. Esta última, colonizado; tuído pelo régulo velho para moralizar a corte e a socie-escrita em 1988, é de natureza totalmente diferente do 6. “Meteu-se imediatamente no mato. Estava ansioso e já dade não teve similar no Sudoeste. Aliás, Macarala nãoque têm sido, ao longo dos últimos anos, as obras literárias antegozava o seu triunfo sobre os javalis. Gostava que os deixava os indunas falarem, salvo para proferirem elogios.moçambicanas. animais alvejados dessem luta. Quando o javali eriçava E o Sudoeste começou a empobrecer, acabando por cair1. Com uma linguagem erudita, muito apurada, temáticas as cerdas, expedindo chispas dos olhos pequenos, e o numa indigência generalizada, enquanto o régulo vizinho,comuns, mas tratadas de forma bastante diferente, a obra seu rosnar transformava-se num som agudo, Luís sentia- herdeiro do Velho, com uma política sã, desenvolvia as suastrouxe estórias de ficção baseadas no além, naquilo que se mais homem, porque o animal parecia lançar-lhe um terras, promovendo a felicidade do seu povo”;as pessoas muito falam, só que ninguém alcança. A maior desafio. Então os seus músculos ganhavam dureza, rilhava 10. Contos do Fantástico deve ser lido para se ganharparte dessas peripécias são resultantes do que ouviu ao os dentes e avançava afoito como se se quisesse entregar várias coisas, dentre elas relembrar algumas realidadeslongo das suas viagens por este país fora; a um violento corpo a corpo”; dos tempos de outrora, desfrutar de uma leitura agradável2. Até a leitura e crítica social apresentada tem um cunho 7. É uma obra de muitas culturas (religiosas, locais, naturais, (até pelo desconhecimento de alguns termos, o que ée uma forma não muito simplista, o que obriga o leitor a espirituais), mostrando o quão diversificado é este povo e, caricato), para se aprender novos termos (os tais arcaicos)recorrer a uma análise baseada na conotação; no fundo, olhando para esse tempo longínquo com a pos- e se poder avançar na direcção de novos momentos na3. “Cria, inventa, procura, experimenta. Observa com os teus sibilidade que a distância temporal permite, como vários nossa civilização.próprios olhos. A ti é que mais interessam os fracassos e tabus e preconceitos (que sempre foram demasiados) foram 11. É um mergulho nas amarras de um povo que tem tantoos triunfos. A eles não os afectam. Se tiveres aborrecimen- sendo ultrapassados sem nunca terem sido explicados (o de belo como de inexplicável.tos não serão eles a saná-los, embora, caso tenhas louros, que é óbvio, porque sempre se basearam em mentiras esejam os primeiros a enviar relatórios às suas direcções paravalorizarem as suas informações de cada ano, com vista a lendas sem base científica nenhuma); 8. Livro de enorme riqueza narrativa, apresenta episódios Texto e Foto do Jornal O país defuturas promoções”; que se vêem, logo à partida, tratar-se de imaginações que Moçambique.4. É um texto com linguagem muito apurada, dir-se-ia nunca existiram, assentes em dogmas e mentiras embuti-mesmo um português arcaico que nem a todos atinge, das, ao longo de décadas, nas pessoas, até, por mais incrívelexigindo muitas vezes o recurso ao dicionário, mas de umaPoemas que surgem sem véu “As memórias escondem-se todas nas paredes impregnadas de nós mesmos e os sons dos passos soam como se sob os pés hibiscos murchos chorassem”, assim escreve Lica Sebastião em “Restos Intactos”, do livro “Poemas sem véu”.LArgou o pincel e agarrou numa caneta para destapar as NestA oBrA, que faz uma incursão a diversas sonoridadespalavras cobertas por um véu. Lica Sebastião, na sua estreia artísticas, desperta para uma atenção que rebusca a em“poemAs sem véu”, a autora desnuda a palavra no ver-literária, enveredou por “Poemas sem véu”, que para Fran- experiência de fruição curiosamente pontenciada pela dadeiro sentido, ou seja, Lica destapa várias questões rela-cisco Noa, que prefaciou a obra, “não haveria título mais forma tensa, mas inteligente como se escolhem e se inter- cionadas com o amor, desamores, o dia-dia, as crianças,sugestivo e apropriado” para esta sua obra de estreia. Noa ligam as palavras aqui trazida por Lica, tal como sugere no a rua, entre outras. Quem leu os versos de Lica Sebastiãoescreve ainda que “estamos perante uma escrita que afirma fim do prefácio Francisco Noa. vai ao encontro da ideia expressa no prefácio de Noa, dede modo quase cortante a sua condição de poesia, num mesmo escreveNdo há muito tempo, só agora Lica estarmos perante uma escrita que afirma de modo quaseintenso e concentrado investimento na própria palavra. Sebastião estreou-se em livro com “Poemas sem Véu”, numa cortante a sua condição de poesia. referimo-nos a formaEsta, mais do que procurar desvendar mundos, institui mistura de poesia e artes plásticas que procura explorar as tensa como se escolhem as interligaçõescomo que uma celebração de si própria, através da explo-ração das suas múltiplas sonoridades, como, por exemplo, diferentes vertentes da arte e vai desvendando os diversos momentos que fazem uma sociedade como se estivesse a Texto e Foto do Jornal O país deem “Condidências de uma sexta-feira”. celebrar sua própria existência. Moçambique.
  4. 4. 4 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 Terça-feira, 26 de Julho de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 4- Festival Internacional de Teatro de Língua PortuguesaMoçambique abre o maior festival da CPLP ROSA LANGA* - RIO DE JANEIRO como instrumento a arma de fogo ou armas brancas para 30 e 31 de Julho corrente a partir das 20h00 locais no SESCo festivAL internacional de teatro da língua portuguesa já tirar a vida a sua vítima. Rio, casa da Gávea (centro do Rio de Janeiro).mexe com os amantes deste género de arte. Iniciaram as A sALA do teatro estava cheia. As risadas eram constantes recorde-se Que palestras, oficinas de teatro e amostrasexibições dos vários grupos convidados na última quinta- pelo desenrolar de factos mas quando algumas cenas de de gastronomia típica dos países convidados, fazem partefeira em diversas salas da cidade carioca, Rio de Janeiro, e pancadaria surgiam durante a peça, o silêncio era notório. desta quarta edição do FESTLIP liderado pela prestigiadaum dos grupos de Moçambique, foi chamado à respons- Algumas vezes, ouviam-se vozes exclamando emabilidade de inaugurar a sessão de estreia. forma de piedade. Afinal estava-se diante de umtrAtA-se do grupo teatral Kudumba, liderado pela con- facto comum entre os povos.ceituada actriz Cândida Bila, que levou em cena a obra “Ser com umA hora e quinze minutos em cena, “SerMulher” cuja direcção de actores esteve a cargo da actriz. Mulher”, foi repetida no dia 22 e será ainda, vistaA ceNogrAfiA da peça é de Mário Mabjaia, também de no dia 30 de Julho corrente no teatro Nelson Rodri-reconhecido mérito, com elenco constituído por Marga- gues.rida Madina, Messias Grachane, Paulo Sérgio, Nilza Utuy, outrAs exiBições foram registadas em outras salasRaimundo Manuel e Elliot Allex, este último chamado a de teatro, casos dos grupos de Cabo Verde, Angolasubstituir um dos actores ausentes. e Portugal.A oBrA em questão reporta o grito de liberdade da Mulher, pArA NA mesma semana, exibiram-se os grupos deo estado de alerta para a consciencialização sobre o direito Portugal, nomeadamente Grupo Teatral Peripéciada mulher de fazer as próprias escolhas de rumo na vida, com a obra “Novecentos”, Sikinadacia de teatro deas mesmas oportunidades, acesso à educação, saúde, etc. Cabo Verde com a obra “Um homem, uma mulher eMas como a violência doméstica, moral, verbal, física e um frigorífico” e Angola com o grupo Elinga e a obrasexual, constituem o pão diário de muitas mulheres, sobre “o armário e a cama.”as quais a directora do grupo, apresentou como proposta de moçAmBiQue, estão igualmente convidados osao público do Rio de Janeiro. grupos Lareira e Kuvona da actriz Lucrécia Paco. actriz Tânia Pires em parceria com a jornalista Luciana Rodri-os preseNtes na Sala Nelson Rodrigues (local da exibição), o grupo Lareira constituído por Sérgio Mabombo, Diaz gues, ambas produtoras da Talu Produçõesforam unânimes ao afirmarem que a questão da violência Santana, Rosa Langa e Elliot Allex, levam como principaldoméstica, é igualmente a realidade presente em muitos atracção a obra “a Cavaqueira do poste”, obra que reporta Rosa Langa é para além de atriz, Jornalistalares dos brasileiros, mas com a diferença de que maior a crise financeira mundial. O grupo estará em cena nos diasparte dos homens, pautarem por crimes passionais usando da Rádio Moçambique.Um pouco sobre Amin Nordine BLOG DA REVISTA LITERATAS AGORA É NO SAPO MOÇAMBIQUE -é um poeta pós-modernista. A sua poesia é epigrámica. Ou http://literatas.blogs.sapo.mzseja, compacta. Também é um poeta discreto. Nunca gritapara que o vejam. Ou o oiçam. Não se preocupa com as pes-soas que o reconhecem ou deixam de o reconhecer. Porque Caros leitores da revista Literatas,ele próprio sabe que é um poeta. Um poeta predestinado. Este é o início de um novo percursoNunca se vai querer ser poeta, segundo suas palavras. ...Um da Revista Literatas, no que concernepoeta é. Amin Nordine publicou três obras que passaram mais à criação de um novo espaço (http://ou menos despercebidas. Mas elas transportam uma grande literatas.blogs.sapo.mz), ondecarga de sabedoria. E um dia as pessoas vão entendê-las. possamos nos encontrar pela arte.São elas Vagabundo Desgraçado, Duas Quadras para Rosa Trata-se de um novo blogue queXicuachula e Do Lado da Ala-B. Agora tem Soladas, título com criamos já com a terminologia MZ,o qual concorreu para o prémio Muncipal/2007. E ganhou. Elediz que o mundo do poeta e tão hipotético e subjectivo que referindo-se ao país em que a revistaprefere ficar calado para não abalar a fé que transporta consigo. é editada (Moçambique), para alémEle é um misto caneco, que os amigos chamam, a brincar, de de que a entidade que nos concede omudjinthi, ou mujahidine. Mas o poeta diverte-se com isso e alojamento é sem por cento lusófono,diz: “sou um preto de cabelos desfrisados. Minha mãe tinha um facto que, une-se aos objectivos dasalão de cabeleireiro no ventre dela”. E numa situação destas, nossa revista.não podíamos perder a oportunidade de entrevistar este poeta Em deliberação, a Direcção Editorial dada compactação. (entrevista de Alexandre Chaúque, no jornal Revista Literatas, com o conhecimentoNotícias no ano 2007) da Associação Movimento LiterárioNOSSO LAR DA MAFALALA Kuphaluxa, entidade proprietária deste órgão, pautamos por essa mudança, sem com isso pretendermos deixar de AMIN NORDINE DO LADO DA ALA-B ser o que somos. A mudança do endereço da revista,Nosso íNtimo lar, Zé AMIN NORDINE não terá implicações na linha editorialmeio despedAço de zinco tonto ao cubo e na abrangência das colaborações.NumA BANgA de tontono. desAguAdA Apenas, pretendemos que mais artistaspetiscos soNs delirando cAríciA deNtáriA lusófonos, profissionais e amadores,Nosso íNtimo lar da Mafalala, Zé deseNfeijoAdA em desprateada meia-lua de xima tenham um espaço inteiramente seu.NossA A lua macua!desmAscArAdA com carícias de m’siro do LAdo da Ala-B Pelos transtornos que eventualmenteNosso íNtimo lar da Mafalala, Zé QuAL soL se atreva na treva! tenhamos causado, apresentamos aspor morAdA sinceras desculpas.NossA eterNA namorada! siNto sAudAde de mim... A Direcção EditorialficHA técNicA Propriedade do Movimento Literário Kuphaluxa Sede: Centro Cultural Brasil-Moçambique* AV. 25 de Setembro nº 1728, Maputo, Caixa Postal nº 1167 * Celulares: (+258) 82 27 17 645 e (+258) 84 57 78 117 * Fax: (+258) 21 02 05 84 * E-mail: kuphaluxa@sapo.mzDirector Editorial: Eduardo Quive (eduardoquive@gmail.com)Coordenador: Amosse Mucavele (amosse1987@yahoo.com.br)Editor - Canto da Poesia: Rafael Inguane (inguane.rafael@hotmail.com)Redacção: David Bamo, Nelson Lineu, Mauro Brito, Izidine Jaime, Japone Arijuane.Colaboradores: Maputo: Osório Chembene Júnior * Xai-Xai: Deusa D´África * Tete: Ruth Boane * Nampula: Jessemusse Cacinda * Lichinga: Mukurruza*Brasil: Itapema - Pedro Du Bois * Santa Catarina: Samuel da Costa * Nilton Pavin * Marcelo Soriano * Portugal: Victor Eustaquio e Joana Ruas.Design e páginação: Eduardo Quive
  5. 5. Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 5Terça-feira, 26 de Julho de 2011 CRÓNICA / OpINIÃO 5 pOEMAGRAFIA AO AZAGAIA FiLosoFonias rapsódicas AMOSSE MUCAvELE - MApUTO MARCELO SORIANO - BRASIL m.m.soriano@gmail.com A musica (o RAP) é uma bomba nuclear que explode no ouvido Nota preliminar: Antes de de quem a escuta e a sua radioactividade desperta consciências prosseguir com este artigo, adormecidas neste tapete politicamente correcto. lembro ao leitor que me No pais de mim (Eduardo white) existe um homem versus dirijo à CPLP(Comunidade uma voz, que carrega uma trocha muito pesada,( estou a vos dos Países de Língua segredar ele disse-me que não descarregara nunca, mas sim irá Portuguesa), portanto, aumentar o peso). podemos encontrar Onde a cada viela e beco vai relatando as convulsões sociais gerúndios, futuros do que adentram a trocha por si carregada. pretérito, expressões etnocêntricas, familiares a certos leitores, porém, inusitadas a outros. Oxalá, que esta peculiaridade não sejaEste homem é a voz do povo( tal como sintetizou o povo e que esta no poder) pretexto para correções, mas para integrações e enriquecimentosColocaram-lhe pedras no seu caminho – não caiu continuo firme, léxicos e culturais entre nós. Marcelo Soriano. Santa Maria - RS -Mandaram-lhe parar, e ele respondeu – eu paro oh oh oh.............. BR. 14/07/2011.Mandaram-lhe calar, e ele respondeu eu não calo oh oh....................A sua babalaze é de turbilhões de homens desde os bêbados da cerveja, vinho, mal cuado, 1. miNicoNto dA Auto-ApAriçãocachaça, e.t.c.........Por causa do seu factor interventivo chamaram – o de oposição Acordei-me num dia taciturno, cinzento, inundado pore agora pergunto eu que país democrático é este sem oposição? pés-de-vento opacos. Dentre as cortinas enlouquecidas, aproximei-me da vasta, altíssima, intimidadora janela. Entreabri a veneziana. No vão, precipitei meu olhar para o nada, suicidando todo e qualquer presente possível. Lá fora, pROSA pOéTICA estávamos nós, todos nós, mundo a dentro: eu criança feia; ALINE pEREIRA - RIO DE JANEIRO eu menino apagado; eu rapazola silencioso; eu homem dos alinepereiraletras@hotmail.com pontos cegos; das esquinas vencidas; eu velho indolente; eu cadáver desconhecido; eu poema desnaturado, ossos Distraído ouvindo a gaiola canariar, o coronel palita os dentes quando, descarnados, alma sem luz... Almas sem melancolias... de repente, um menino empregado interrompe a leitura da pequena Nadas atemporais... hóspede de olhos verdes, que atende por Clara. O homem na cadeira O melhor - o mais humano - seria voltar a dormir. de balanço é também o dono de todas as coisas ali. Na estranheza deseu olhar a distância do impressentido amor: “Que é?” O menino responde: “Uma onça matou 2. peQueNA cHAvemeu pai.” O silêncio das coisas que não estão acontecendo se fez. No estômago de Clara umaperna de carneiro chutava com força. “Por favor, devo ser apresentada.” O menino empregado, Não desperdicemos nosso precioso tempo a buscar respostasque é também a infância do meu herói, parecia intratável, talvez uma pedra, talvez uma testa para tudo. O caminho da verdade se estende a partir de umaenorme e desfigurada, por isso os demais criados o levaram antes que pudesse devolver à jovem única pergunta. A pergunta primordial. A primeira perguntao cumprimento. Clara mal abre a boca. O herói infante arqueja: “Sabe, hoje ouvi tantas modas! feita a alguém. A pergunta original que impeliu o homemTodas sobre peixes...” Cantava sempre uma que parecia ter sido escrito de propósito para ela. De a manter-se vivo até aqui. Que pergunta? Encontremo-la ealgum modo livre, o menino aproxima a boca do ouvido de Clara: “Conheço uma adivinha, toda tudo será respondido.em poesia, e toda sobre peixes.” Ela queria ver tudo, numa sensação imediata da vida desperta. Ocoronel só sabia da dívida que tinham com a terra e que era preciso pagar. A terra era uma prisão. 3. moNóLogos póstumos com QuiNtANA -Observando a aia parda que lhe atraía tanto, o velho proprietário pensou: “Que é que eu vou fazer?” pArte iiUma das sobrancelhas erguidas, bateu o cajado-estaca no chão e levantou-se: “Onde está o criadoque devia responder?” A luz já não fazia parte do cenário. Seguiu-se então um confuso rumor. “A poesia não se explica, ela já é a explicação”Eram as moscas. Na medida em que as moscas avançavam, os pombos fugiam. Confuso, o dono Mário Quintana pediu aos pombosque v o l t a s s e m submissos. Então [Literaltura Árvore] Clara, numa vozque parecia mais um Eu a ele: arrulho: “Seria um prazer.” E voltando- Homem-Deus!s e ao anfitrião de Hoje avoei taum alto (tão auto), bigode: “Posso?” O bode não responde taum lã pra cima, que meu sol apareceu-me umasim: “Primeiro o peixe deve ser pescado, depois comprado.” Num sussurro simulado, a jovem laranja pútrida adormecida naolhou para o homem como se visse um condenado a morrer. “Muito obrigada, mas de fato não sombra d’árvore meu pé.preciso do seu lugar.” Nisso, o menino sentiu a existência embalar seu corpo e, então, eles dois,Clara e o pequeno sertanejo, caminharam por cima das posses. Ele pôs a enxada ao ombro eseguiu lentamente a caminho da roça, até que puderam ver o capim ainda molhado de sangue. [Quadrinha Teórica Sobre a Ascensão e Queda da Amizade]Do cenário exalava um cheiro novo, e ela reconheceu o contraste no ato. Era o sangue do soldadomorto tingindo o descampado verde. O menino não sabia que a cidade existia, nem mesmo Ele a mim:que havia um país. Ele ignorava o que eram os pintores, mas conhecia a poesia. Ao ver Claraperseguindo o xale que flutuava, enxergava também a música. A pequena era tão fria quanto aterra, e porque o céu o odiava, ele começou a sacudi-la de um lado para outro com força. Ela não Amizade, a mil, na tenra idade.opôs a menor resistência, mas seu rosto foi ficando cada vez menor, e os olhos maiores, muito Cresceu, na sociedade, com dinheiro e conveniência.grandes e verdes a ponto de se fundirem em apenas um. O olho de mulher crescia como o sol Morreu sem solidariedade, dor nas costas,na alvorada, e o menino empregado não teve mais dúvidas. Era ela a bruxa que procuravam. No Nenhum amigo, solitude e intransigência.palco do desmantelo, a sombra que absolve os pecados da terra numa enorme cova. Só depois,com a falta do sonho fugaz da realidade, o herói que perdera o pai maldisse todas as onças. Nesse (3.) continua na próxima edição...exato momento, a menina rosnou. Ele sabia, tristonho, que não tinha capacidade para matar a ___________________onça, mas podia tocar no segredo íntimo dela: “Em que você se transformou?” Clara respondeu:“Na sua vida, tenho certeza.” O herói finalmente chorou: “Se você realmente estivesse no meu Marcelo Soriano é natural de Santa Maria - RS - Brasil (1967).sonho teria gostado, ouvi tantos poemas, todos sobre peixes!” Enfim, algumas horas depois eles Engenheiro, poeta e novo autor (apesar de estar em estado deretornaram. Pela primeira vez, pediu a morte o meu heróico infante. A menina voltaria logo literatura desde 1985). É cronista das Revistas Tempo e Literataspara casa, tão longe dali, enquanto ele mastigava uma vida inteira para chegar ao seu destino (Moçambique)
  6. 6. 6 BLA BLA BLA Exero 01, 5555 Terça-feira, 26 de Julho de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 6 - discurso dirEcto“O Carrossel de Lúcifer” - E lá voltamos ao mal como uma condenação. Em síntese,primeiro de janeiro (pj): Antes de mais nada inquietação que reside a razão deste livro. Contudo, tentei construir uma narrativa sobre o fim dos tempos, comcomeço por lhe pedir que desmonte o título do gostava também que ficasse claro que este é apenas uma textura e cadência próprias de um thriller psicológicoseu livro – «o carrossel de Lúcifer». o fio condutor, o fundamento da cosmogonia que (que é um formato que me agrada particularmente, e digo tento descrever no romance. Não escondo que é uma formato em vez de género literário, para fugir precisamente Victor Eustáquio (VE): Pensei que podia dar uma boa capa história do mal, uma possível abordagem do mal, mas a essa catalogação que, do meu ponto de vista, seria muito(risos). Na verdade, foi um desafio para a Bertrand: como inter- «O Carrossel de Lúcifer» não é só isso. Pelo contrário, é redutora para aquilo que tento exprimir), exorcizandopretar no plano gráfico um título destes de forma a evitar também uma história intensa de amor, um triângulo demónios pessoais nos quais, julgo eu, muitas pessoas seum posicionamento transversal? Já vi o livro em pelo menos amoroso aliás, uma história do primeiro amor, da perda podem rever.duas livrarias de renome na secção da ficção estrangeira em da inocência, é uma história sobre vivências no campoinglês, ou seja, por traduzir, na categoria de terror... Bom, pelo e na cidade e a forma como realidades sociológicas pj: Além de maquiavel, outros ‘monstros’ damenos estava ao lado de Stephen King (risos). O quequero dizer, ao contar este episódio que faz ressaltara dificuldade que alguns livreiros têm em catalogaro livro (e ainda bem que assim é), é que o título édeliberadamente provocador, porque é esse o seumote mas no sentido de induzir no leitor sentimentosdiversos, dúvidas, interrogações. Afinal, do que trataeste romance? Porque lá dentro, cada leitor podeencontrar vários caminhos, várias interrogações, ecatalogá-lo como bem entender. E é esse precisa-mente o objectivo da narrativa: não ser simplista aoponto de se descobrir nela uma única camada deleitura, mesmo correndo o risco de a envolver numaforte carga simbólica. Para isso, precisava de ter umtítulo que não fosse redutor, que traduzisse na medidado possível algumas ideias centrais, o fio condutorde uma história em aberto que espero que possa serlida de modos bastante diferenciados. Agora, é óbvioque eu tenho a minha leitura pessoal do título, quepresidiu à sua escolha, embora, como disse, fico felizque outros o desmontem doutra maneira. Assim, erespondendo finalmente à sua questão, para mim, otítulo «O Carrossel de Lúcifer» remete acima de tudopara a luta entre o bem e mal, usando dois universos:o das crianças, simbolizado pelo carrossel, e o mundodos adultos (um mundo manietado por Lúcifer, oDiabo, como metáfora da descida aos infernos que épreconizada por algumas personagens do romance).Uma segunda abordagem possível é a ideia da des-ordem, do caos, das doenças da sociedade moderna,não só no sentido patológico mas também metafísico.No fundo, é uma síntese possível da descrição de umacosmogonia que vê a realidade, o nosso quotidiano,como o próprio Inferno, como um carrossel desgov-ernado em que todos somos obrigados a andar, emcírculos, como se se tratasse de uma condenação dosseres humanos. E daqui resulta a segunda provocaçãoque se segue ao título: «uma visão do mal com actoestratégico de Deus”.pj: Acha realmente que se pode resumiresta história a “uma visão do mal comoacto estratégico de deus”? Acredita,então, que “os homens acabam semprepor se revelar maus se a necessidadenão os obriga a ser bons”, como um diaescreveu maquiavel. VE: Por muito que possa incomodar, é uma pre-misssa defendida pela Igreja católica: a de que oshomens são maus por natureza. E o que Maquiavel faz,mais não é do inclui-la no seu célebre manual de gov-ernação política, «O Príncipe», escrito curiosamentepara cair nas boas graças de um príncipe florentino eobter benesses políticas. Mas isso já é outra história.Para responder à sua pergunta, permita-me que vápor partes. A história de «O Carrossel de Lúcifer»,enquanto obra de ficção, é uma possível abordagemdo mal. E dizer que é um acto estratégico de Deus ésimplesmente recuperar a própria explicação teológi-ca da origem do mal no mundo. Porquê? Por queDeus concedeu-nos o livre arbítrio, a possibilidade deescolha. E isso mais não é do que uma estratégia, umteste à nossa capacidade de optar entre o bem o mal.De resto, é esse o príncipio recorrente na Bíblia. Logo, diria distintas podem afectar a nossa relação com os outros. literatura são recorrentes nesta sua obra,que sim, pode resumir-se esta história a “uma visão do mal Ou como a forma com que vivemos a infância e a ado- nomeadamente sófocles, sartre, Nabokov,como acto estratégico de Deus”. E mesmo acreditando ou não lescência pode determinar o nosso rumo. É uma história camus, André malraux, trotsky, steinbeck ouna existência de Deus, de uma maneira ou de outra – basta sobre comportamentos patológicos, situações-limite, dostoievski. porque recorreu a eles, são estasolhar o mundo que nos rodeia e ler os seus sintomas – somos desvios sexuais, a eterna discussão entre loucura e sani- também as suas influências?forçados a chegar à mesma conclusão de Maquiavel. Daí dade e a definição da fronteira a partir da qual os nossoster de lhe responder também que sim, que suspeito que os actos passam a ser considerados erráticos. É finalmente VE: Como leitor, tenho o pecado de venerar certos autores.homens são maus por natureza, o que infelizmente poderá uma viagem em busca da redenção, uma espécie de Para mim, há escritores de livros (que vendem um produto,contrariar os princípios românticos de Rosseau e o mito do «road-book espiritual», uma demanda pela reposição que é o livro, como podiam vender outra coisa qualquer) e“Bom Selvagem”, mas ainda bem que assim é, pois é nessa da ordem moral num mundo manifestamente imoral. autores de literatura. Está na moda ser escritor. Não tenho
  7. 7. Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 7 Terça-feira, 26 de Julho de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 7- discurso dirEctouma visão do mal como acto estratégico de Deus de trABALHAr o mAteriAL Quenada contra. Ainda bem. Lê-se mais também. Agora, Quisermos, ApropriANdo-Nos natureza cultural e sociológica com que trabalho). A outraincomoda-me seriamente a presunção de que se se questão é à inspiração mórbida propriamente dita. Devovende é porque é bom. Há já uns bons anos, quando de HistóriAs ALHeiAs, usANdo dizer que ela criou e continua a criar grandes autores deera jornalista, entrevistei um escritor português, que experiêNciAs pessoAis, sejA o ficção e nada tem de pejorativo. Agora, no meu caso, não seihavia acabado de publicar o seu primeiro romance e Que for. AgorA, porQuê este se se trata de inspiração mórbida mas sinceramente tambémestava a tornar-se campeão de vendas... e também de creio que não me compete ajuizar sobre isso. Prefiro deixar acríticas demolidoras. Não está em causa se a sua prosa romANce em coNcreto? tALvez questão para os leitores, pois é a eles que se destina esta obraé boa ou não. Cada um é livre de escrever o que lhe respoNdA A isso dAQui A mAis e é o crivo deles que decide da natureza das minhas pulsõesapetecer, ser editado e ter grande sucesso. O que me ciNco ou seis Livros, QuANdo narrativas. É evidente que escrevi «O Carrossel de Lúcifer»chocou foi uma afirmação que essa pessoa fez durante com a intenção clara de provocar sensações. Deixar-me-áa entrevista: “Eu, como o Hemingway, escrevo sobre...”. tiver oBrA e estAtuto Que infeliz, porque significa que não consegui atingir o meu oNem queria acreditar no que estava a ouvir! Ou seja, torNem iNteressANte pArA os objectivo, se alguém ficar indiferente a este romance. Nonão me incomoda que cada um ponha no papel o que Leitores A miNHA LoNgA e iNtri- seu caso, vê o livro como fruto de uma inspiração mórbida.quiser, mas daí dizer que se trata de literatura vai uma Fanstástico! Há quem o veja como sanguinário, angustiante,grande distância. Escrever ficção não é propriamente, cAdA reLAção pessoAL com este há quem chegue ao fim e me diga: “Podias ter ido mais longe”ou não devia ser, encher páginas de disparates e apelar uNiverso dAs forçAs do Bem e ou “Não vejo em que é que este livro seja pesado. Até meà mediocridade. A literatura é uma manifestação de do mAL. deu vontade de rir em certas passagens”. É isso que procuro:arte e talento. Requer no mínimo domínio da língua e reacções. E quanto mais díspares melhor.verosimilhança. E já agora convém que se tenha algominimamente interessante para contar. Talvez eu seja pj: os nomes das personagens são quase pj: é mesmo preciso “fazer crer que somosdemasiado purista e daí dizer que tenha o pecado de todos bíblicos: joão de deus, pedro cruz, bons, mesmo que sejamos odiosos”, porquevenerar certos autores. Todos os nomes que citou, e madalena, damásio Assunção, miguel (como “só assim nos toleram”?outros, fazem parte da galeria de autores cuja obra o arcanjo). Há alguma razão por detrás destame marcou profundamente em diferentes fases da escolha ou foi aleatória? VE: Nada a dizer. A tese, que cito no romance, entre outras,minha vida e pelos quais tenho um profundo respeito é de Maquiavel. Por muito que possa incomodar, Maquiavelque me obriga, em privado e em jeito de desabafo, a VE: Foi intencional pois queria reforçar a simbologia teve a coragem de dizer o que muitos pensam sem jamaisfazer o papel de advogado do Diabo: “Alto lá!” – digo eu do romance com elementos cristológicos e messiânicos. ousarem em verbalizá-lo. Deixo-a para reflexão do leitor.para mim próprio, indignado por vezes com o vejo ou Alguém poderá dizer que é redudante e perigoso paraleio. – Há escritores e escritores. Esta história dos best- a verosimilhança da narrativa, mas se estava a escrever pj: considera que este seu livro é um elogiosellers faz parte da venda do livro como produto: não sobre o fim do milénio e os tempos do fim, tentando criar ao mal, ou tal com a personagem pedro cruz,é uma questão de literatura”. Agora, por que recorri a uma visão apocalíptica do mal, decidi correr o risco de usar acredita que a nossa vida se resume “a umatantos destes “monstros” da literatura? Objectivamente, nomes que apelam no imaginário do leitor justamente a tremenda obsessão pelo sexo e pela morte”?porque se tornou uma necessidade da narrativa: uma essa dimensão bíblica.das personagens de «O Carrossel de Lúcifer» tem a VE: Este romance pretende ser apenas uma metáfora dosmania de usar citações de livros para justificar tudo o pj: Neste seu livro transparecem histórias tempos modernos que observa o mal como uma condiçãoque lhe acontece, com vista a provar aquilo a que ele de amor a um nível platónico, veja-se o caso inalienável da existência humana. Não há nesta narrativachama de «infabilidade da literatura». É uma brinca- de joão de deus/madalena, ou pedro cruz/ juízos de valor. Apenas interrogações, inquietações. Este livrodeira e se calhar, inconscientemente, uma forma de madalena, ou ainda, a obsessão de pedro trata do mal, é certo, e convida o leitor a mergulhar nalgumasprestar homenagem a alguns desses autores que tanto cruz por sara, sem esquecer a atracção das suas possíveis manifestações e mecanismos, mas o mal érespeito e de extravasar a minha ira contra a presunção doentia que sente por maria. isto ao mesmo sempre descrito como um indício, como um sintoma de umadesses tantos “escritores” que por aí abundam. tempo que estabelece um paralelismo entre sociedade doente, pelo que cabe a cada um de nós exercer o passado e o presente das vidas das suas o seu livre arbítrio e fazer as suas escolhas. Por isso, «O Car-pj: o que o motivou a escrever este personagens. Não teme que o seu romance rossel de Lúcifer» está muito longe de fazer o elogio do mal.romance? se assemelhe demasiado à realidade? Pelo contrário. Aliás, a missão de Pedro Cruz, uma das duas principais personagens do romance que acabou agora de VE: A mesma razão que me levou a rabiscar duas VE: Pelo contrário, se o leitor sentir que estou próximo da referir, é precisamente descobrir a forma de expurgar o malnovelas e não sei quantos contos e centenas de textos realidade ou que as minhas histórias de amor são reais, é do mundo. Porque ele não sabe lidar com a sua “obsessãodispersos desde os meus 11 anos, que terá sido mais porque a minha ficção é verosímil. E isso, penso eu, é o que pelo sexo e pela morte”, algo que ele pensa partilhar comou menos a época em que descobri a minha paixão um escritor mais deseja: que as pessoas se identifiquem e muitas pessoas em seu redor, algo que o angustia profunda-pela escrita: escrevi este romance porque precisava de se revejam ao máximo na história. Não é por acaso que o mente. E, por essa razão, Pedro tem a necessidade urgenteo fazer. Na verdade, se pudesse seria a única coisa que “true story” ou o “baseado em acontecimentos reais” atraia de encontrar um antídoto para a maldade. Só que o faz comgostaria de fazer na vida. Mas apenas ficção. Sei que soa sempre mais audiências. Pena que não o possa fazer aqui, a prática do próprio mal. Parece irónico, mas não vemos istoa rebuscado e a frase feita, mas preciso da ficção para porque as histórias de amor de «O Carrossel de Lúcifer» são todos os dias à nossa volta, no nosso mundo real?reinventar o mundo à minha medida. Numa palavra, pura ficção, embora evidentemente relevem de vivênciascatarse. É claro que tento comunicar, porque só assim pessoais ou de terceiros das quais eu me apropriei como pj: para finalizar, diga-me: tudo se resume àfaz sentido ser publicado. Um romance, ou qualquer material para trabalhar. Tal como disse, o fantástico de maldade que todos temos dentro de nós, àoutra coisa transformada em livro, não passa de um escrever ficção é poder reinventar e reconstruir a realidade semelhança do que defendia maquiavel?conjunto de folhas e palavras impressas se não tiver com total liberdade criativa.leitores. Não passa de um objecto. Só adquire sentido VE: Não, por todas as razões que já apontei, mas que elequando alguém pega nele e começa a lê-lo. Mas como pj: em «o carrossel de Lúcifer» também está entre nós lá isso está. E está a revelar-se cada vez mais.dizia, nem é tanto pela necessidade de comunicar que sobressaem os sentimentos mais crus e Como disse, é um dos sintomas mais evidentes de que vive-escrevo; é sobretudo pelo subterfúgio que descobri animalescos que um homem pode ter dentro mos numa sociedade doente.na escrita enquanto forma de exorcizar inquietações de si. A cada linha, a cada parágrafo sentem-pessoais. se gestos intensos de dor e de uma crueldade, pj: gostava de terminar com uma pequena E o fantástico que a ficção tem é que por vezes brutal, como é o caso da morte provocação: “só se escolhe a loucura quando dos animais, mas também a descrição do se sabe que não vale a pena ser são”? posso fazê-lo à minha medida, tAL assassínio de damásio Assunção. de onde lhe como diziA, reiNveNtANdo vem esta inspiração mórbida? (perdoe-me a VE: Não vou entrar na eterna discussão da fronteira entre todos os meus demóNios dA expressão!) loucura e sanidade, mas no meio de tanta insanidade, que reconhemos às vezes nos mais pequenos pormenores, nos formA Que Bem eNteNder. Não VE: Há duas questões aqui. Uma é que este romance mais pequenos gestos, não há a tentação por vezes de precisA de ser AutoBiográ- contém deliberadamente muitos “ruídos de fundo”, a termos um dia de raiva, de completa loucura, de agirmos fico. somos Nós Que defiNi- descrição de actos isolados de crueldade e violência, que da forma mais tresloucada possível, mesmo que seja para não interferem no avanço da história e que só existem, repor, lá está, uma determinada ordem moral, a nossa ordem, mos o grAu de exposição A por um lado, para manter um clima de tensão e angústia a ordem que consideramos que deveria ser a adoptada? No Que Queremos Nos suBmeter. permanente e, por outro, para dar indícios adicionais, à meio de tanta insanidade, não apetece às vezes imaginar é Que A ficção permite recor- margem da narrativa, dessa maldade inerente à natureza que, afinal, os loucos é que são os sãos? Deixe-me ser eu a humana, quer no campo quer na cidade, a tal descida deixar uma pequena provocação: se se reconhece o mal por rer A ALgo simpLesmeNte aos infernos que pretendia retratar. De resto, não há uma oposição ao bem, talvez só se possa reconhecer a insani- extAsiANte: Ao iNesgotáveL e localização espacial concreta para a narrativa justamente dade, quando a sanidade não nos basta.. mArAviLHoso muNdo dA imAg- porque procurei imprimir um sentido de universalidade. O que acontece em «O Carrossel de Lúcifer» pode situar-seiNAção oNde tudo é permitido. em qualquer país (pelo menos europeu, já que seria difícil Entrevista publicada no diário «primeiro de somos iNteirAmeNte Livres extrapolar para outras regiões determinados elementos de Janeiro», em portugal, em Fevereiro de 2008
  8. 8. 8 BLA BLA BLA Exero 01, 5555Terça-feira, 26 de Julho de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 10no rEcanto dE apoLo...A Rua e o Menino RealizarCELSO MUNGUAMBE - MApUTO Menino da rua Gurúè Sob o olhar do imenso lixo JApONE ARIJUANE - MApUTO pEDRO DU BOIS - BRASIL Menino da rua Caminhando sem destino O Mundo onde o nada diz tudo. Menino da rua Bendito seja dito somente para ti! Realizo o sonho ao destino Nas noites sombrias e frias Obra da arte natural ofertado. Retiro a irrealidade Menino da rua Verde com nunca e a contemplo em matéria Caminhando na rua Firme com sempre rio do segredo Menino da rua, menino da rua A mãe natureza tem aqui um sossego divino descubro Olhar brilhante A contemplação infinita avanço o tempo Esperança inoperante reside nas entranhas desta vista à semeadura Tristeza inquietante Beleza, as fertilidades ostentadas e retorno em colheitas Temor vibrante pela sua superfície Dor consistente Fazem de ti, a casa serve ao senhor Agora já não sou mais O pulmão, o estio ao crescimento da planta Menino da rua mas sim O celeiro, Menino das avenidas O oxigénio, depois do cultivo Do nosso Maputo O tudo zambeziano sobre a terra Vestes rasgadas Se foi deus adeus pelo embelezamento, em inundações lavo a sombra Imundas, de cheiro insuportável Alias, que haja deus embelezador. da irrealidade. Deposito Como a vida k levo diante do homem Sem saber se existirá o a sobra na satisfação Amanhã para mim do todo. Se até o presente é incerto Sobrevivo na esperança Teatro Tarde de domingo De no futuro me tornar Algo melhor.vista a Minha pele NILTON pAvIN - BRASIL AFONSO ALMEIDA BRANDÃOSILAS CORREIA LEITE - ITARARé Furtaram o pseudônimo do ator. (para Anifa) Para Júlio Hendrix Silva Rodrigues Delinquência de ação nefasta, Tórrida intriga burra, insensata. A monotonia Assuma a minha cor Código soslaio de pavor, louvor o acaso Seja você quem for o tempo que se alonga. Capture radicalmente a minha dor Minuta de um ente protuberante Bem lá dentro de mim Que agoniza na vida pústula, Tardes de domingo E procure me compreender melhor assim Intenção maligna de uma fístula Reinante em um submundo rutilante O calor aceso nas janelas Vista a minha pele como uma flor ao Sol. Eu sou igualzinho a você Filmico de sensível infausto Ser Humano, porque Repleto de atos e rumo funesto E o teu corpo Corpo, Mente, Banzo, Coração De uma vida simples e inclemente quieto e perfumado Então questione racismo e discriminação no branco do lençol. Reluz de um ato vil e sincrético, Vista a minha pele Ao transformar o mundo maléfico Sou vermelho por dentro Em um pandemônio atroz e inerente (in «Reconciliação das Palavras», a sair brevemente) E negro sempre cem por cento Afrobrasilis, Afrodescendente A Xitsuketa Que culpa temos Muito além de para sempre Inteiramente ser humano e sobretudo gente Vista a minha pele Vista-se epidermicamente de mim AMéLIA MATAvELE - MApUTO nós? E procure me entender como seu igual assim Somos dois… Seu irmão da humana cósmica raça Dois corpos, duas almas, dois animais E sinta tudo o que dentro de mim se passa Mas quem somos? Assim você muito bem confere Podemos até ser três! MUKURRUZA - LIChINGA Assim você vai realmente se sentir Vigora a dita geração de viragem Lá dentro da minha própria pele Mas quantos somos? Como eu quero ser árvore de leite e florir Á Jorge Viegas Como eu quero ser janela de pão e me abrir Somente saberemos isso Como eu quero ser estrada de açúcar e prosseguir Ao gosto das palmas Como eu quero o fim de diáporas e sorrir A lua aberta, a sol nú Gentil nossa alma, Sem nenhum branco para me ferir E a estrelas ousadas… Nossa esperança, dores, mágoas, enfim, roubadas. E você vai captar essencialmente então Penúrias penduradas n’angústias A verdadeira pureza do que é primordial Somos um! Desfeitas de graças. E o que eu quero é total libertação Mesmo desejo e agressividade animal Estas vaidades traduzidas nas danças de batuques E todos iguais na aquarela da coloração Que faz gerar dinamismo no brutalismo marimba, enfim. Numa brasileiríssima democracia racial Dum sentimentalismo Oh! danças de ekuetthe danças desconhecidas! Vista a minha pele Hum! E assim começamos -Será que não lembram destas danças? Seja um pouco eu mesmo um negrão aí Dois corpos, dois instintos -Isto é mesmo que não lembrar Dentro de você - Para você sentir Uma lua aberta do filho desta terra esquecida Sou preto brasileirinho Um sol nú e estrelas Sou negrão e sou negrinho Aplaudindo a nossa mais nova dança! ah! Que esperança falhada nesta terra de moldes, Sou Negro e Ser Humano de igual valor desfeita de estragar tijolos de adobe! E tenho a África nas moendas e engenhos no meu interior Uma dança… Tristeza é a palavra que só se vos diz. Uns instintos únicos… Nestes gritos esquecidos; Depois de me vestir e depois de se sair de si Uma xitsuketa! Gritos sem referentes, sem donos. Deixando de ser eu negro aí Abalando os corações dos que a assistem Ah! que tristeza nos acolhe nestes abrigos sem reflexos! Venha me estender a sua mão Que pena nos impedem de sonhar! E, de coração para coração Uma dança com dois Esperança desfeita de mistérios dos magnos xicuembos Abrace-me como um seu completo irmão Pode até ser com três! A pele espiritual sendo uma só então Dança que renasce após a adolescência… Numa sagrada e sideral celebração. A dois!
  9. 9. Exero 01, 5555 BLA BLA BLA 9 Terça-feira, 26 de Julho de 2011 https://literatas.blogs.sapo.mz 9 “canto da poEsia”Mulher mecânica pALAvRAS LATEJANTESRAFFAEL INGUANE AUGUSTO ALMEIDA Deixa-me sentar nos assentos do teu corpo Apalpando a tua chaparia p’ra quê lágrimas? Aconchegando-me em ti, é tudo tão escuro NICO TEMBE protegido pelos teus braços de segurança é tudo tão eu, um bocado obscuro Espelhando-me no retrovisor dos teus olhos Ouve o sussurro que se espalha pelo furo p’ra quê lágrimas? Que se abre na traseira do teu canal Se tenho um lugar A muito vens dizendo que és boa na cama Não faz mal, uma apologia meio sexual para magoas desabafar Robusta como um “four by four” na lama Deitada de cócoras Até dá prazer sentir assim o mal a gotejar p’ra quê lágrimas? por cima das quatro patas A lacrimejar desejo impuro e corrente Se a natureza tenho a merecer Ou melhor, com as rodas arreadas Assente no teu dia-a-dia de pura correria. vendo flores florecer pronta para obedecer as minhas manobras Alia a tua fome por um novo dia Com o medo que se espelha na tua face p’ra quê lágrimas? Dá um volte e face e pensa como se ele se calasse Se não tenho porquê mentir Deixa-me manejar a tua caixa de velocidades Como se ele acabasse e teu mundo acabasse hoje. pois no fim irás descobrir Dominar teu corpo a cada mudança que eu for a engrenar Farei da nossa cama um auto-estrada Ele, te curva e te penetra como se fosse um penetra p’ra quê lágrimas? Enfrentando as mais perigosas curvas do teu corpo Motivado por um desejo que brilha a cada novo dia Sem que viva um horror Quiçá cair no precipício perto do teu canal vaginal porque trilha um caminho doloroso enquanto chia Se somente precido d’um verdadeiro amor E sem tirar o pé do acelerador A revelia dos teus esforços de dar a receber Sem perceber se isso é sexo ou prazer de sofrer. p’ra quê lágrimas? Contigo subirei as zonas mais montanhosas da nossa casa Cada pedaço de ti é uma montanha de masoquismo Não tenho mais nada a dizer Transpassarei desertos enfrentado todas dunas Mas eu sei subir de nível em alpinismo Não é só de lágrimas que irei viver. Quero pôr a funcionar as válvulas do teu motor Muda-se o ismo mas o prazer te conflitua violar os teus filtros e o radiador Não compactua com o teu desejo de me esbranquiçar Farei subir o ponteiro do teu conta-quilómetros De me iluminar como se eu portasse o mal pegarei com uma mão o volante dos teus cabelos E fosse fundamental encontrar a luz E a outra mão apalpará a tua bunda bagageira Na verdade mentida numa bênção papal. Acelerarei o teu corpo, A pROSA DA NOITE Nas mais altas velocidades sexo-automobilísticas Eu sou um sinal bem na ponta do teu peito Até acabar o combustível que alimenta o teu carro corpo. Dou aquele pinar bem no centro do teu leito Não tem outro jeito de caracterizar o meu feito IZIDINE JAIME palavras são estímulos com fins pré-determinados - Mulher que nunca tive. Mas mesmo que eu fosse mudo, os meios podiam ilustrar-se no lamber dos teus peitos Os segredos do silêncio na noite calma,MAR AMOR Como um pasteleiro a pintar bolos Com rolos a pingar saliva pelo teu corpo São uma nova nota a melodia da lembrança Em mim se cala o infinito dos meus desejos Não para embelezar, não para aclamar Os caminhos se metamorfam onde nunca houve nadapIETRO pETROSSE Simplesmente para abrir a tua história por um mar Os medos me afogam na incerteza do que faço, Onde eu possa nadar sem respirar “Mas o que sepulta não é o medo de fazer, mas a coragem de não fazer” Na nau embarquei, E caminhar sem pisar, mas a penetrar. preciso acreditar, a confiança tem poder. Em suas aguas singrei. Dobram-me os sentidos e as sensações se exaltam. Tempestades, enfrentei Neste meu crime perfeito E delas escapei. A cena do crime aperfeiçoa-se deixando marcas Baloiço os olhos famintos de um corpo relusente de todas as raças. Não! Uma mordidela seria uma imagem bela Orbitro o rosto, há mais coisas por olhar no mundo. Com suplicios me deparei, Enquanto as minhas mãos tipo barcos a vela A árvore da vida, me chama com um nome, Nao desaminei, Navegariam o teu mar a salgar-se pelo suor Quem sou? – O sonho é incompleto velas icei A pingar pelos poros da tua pele em ebulição O dia me acorda na voz da luz, E em tua sanha continuei. Arde com todo fogo que me deixa fazer furor O galo grita o temor da morte, mas a morte é bela, porque quando passas por mim Democrática, nem os homens conseguem suborna-la. Sem forxas e nortes naufraguei, Eu sou estupidamente desrespeitoso. Como vencido nao me dei, Coitados são vós todos que tendes o mesmo destino que eu! E continuar a nado tentei. primeiro veio a provocação Mas eu, nem destino tenho. A vida não me leva, Depois veio o pré-eliminar dessa tua ebulição A vida não sabe levar nada, ela só é ela. Nao aguentei e me afoguei, Agora tenho o teu ângulo aberto bem de perto Cada um se leva na vida e eu vou me levando, Quando despertei, Numa imagem de Monalisa a derreter De verdade e espírito conhecendo-me como ninguém. Em teu seio me encontrei. E eu só a pensar em meter. Minhas fraquezas estão nas vírgulas mais fortes que tenho Grita tudo que quiseres que eu dou-te volume por onde a minha fortaleza as apalpa pedaço a gota. Sou o teu Ferrari então chama-me Shumi Os desafios so me procuram coroar vencedor. Estou no cume da vida a querer descer para o inferno Ah, Essa vida! para ser julgado pelo pecado capital sem terno Triste paisagem no escuro porque aqui a imagem é sempre figura de montra. Meus reflexos farejam pedaços de mim, As sombras não me apelidam, o subdito canto me entrelaça NECROMANTE MANES Fabião E envolve-me no inconsciente. Ah, cá estou eu! pensando inutilmente como quem abre o olhar fechando os olhos. Encontrei te deserta perdida num bosque RUTh BOANE As sílabas prosam e a verdade me mostra o seu garimpo. feita a noiva vestido ensanguentado figurava a morte As mentiras me apetrecham tanto que já nem é segredo aos ventos, cabelos desfeitos pulmões sem vida Mas em que labirinto há mais pedras que a minha vida? será devido ao vício ou a atmosfera dessa mira Quanta tolice! mal respiravas senão fôlego de uma substância medonha padeces de uma estúpida doença, a criancice A poeira cansou-se de beijar-me os pés o álcool com o qual ti relacionavas traíra-te segredamente sem dares a conta Embora te foste, seu cão Meu peito se lembra de todos os rostos, num passado ou num presente que desconheço sua fronta Oh, Fabião! Mas há um que não soa na lembrança porque nunca tive, alias como eu e tu viemos cá parar Te foste na calada da noite O Y sabe o nome dela, quando me embalo no frio do AC não vejo o sol, apenas uma pequena fonte luminosa a brotar Como um ladrão te foste Me lembro do nome que o Y me diz. sinto frio, o coração palpita mas não sinto o pulsar Te foste como o Julião tenho a sensação da matéria porém perco ao caminhar O ladrão da rua Marcos Sebastião Eis-me aqui escrevendo pateticamente como quem ama sem o saber dizer, da última vez que ti vi estavas tão feliz por cima do altar Na calada da noite A luz se invoca em minha alma, meus dedos transpiram letras, dizias que ele é o homem da sua vida e que fariam juntos um lar Te foste com tudo Me escondo de mim onde me encontro, o pensamento não me obedece, onde esta todo mundo sinto algo que desconforta-me Os meus sentimentos As janelas despem a rua. Não há lá ninguém? Ninguém passa. não é presente, é infinito é algo que assombra-me Os meus pensamentos A rua está só como eu, mas eu tenho a mim, e a rua que tem? gritei por ti e não me ouvias Oh! Te foste seu cão Se for para passar alguém que seja ela, assim poderei ter ela comigo gargalhadas sinistras amorteciam em ecos as minhas suplicas.... Nem pintado de ouro E a rua já não mais estará solteira porque nos terá a nós. Te quero mais ver Oh! tempo dai me de volta a sua miragem! Seu Sacana!GRUpO DO FACEBOOK: hTTp://www.FACEBOOK.COM/hOME.php?SK=GROUp_185846178099556&Ap=1

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